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	<title>Arquivos Família &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Os grandes conflitos das Pequenas Coisas da Vida</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Dec 2023 14:41:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laura Hirata-Vale A vida é feita de detalhes, de instantes. Eles podem ser repletos de felicidade ou de tristeza. Trazem consigo o luto e a dor, mas também são acompanhados do amor e da alegria. O nascimento de um bebê, a morte de um parente ou o fim de um casamento são tipos de momentos-chave &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-pequenas-coisas-da-vida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os grandes conflitos das Pequenas Coisas da Vida"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32139" aria-describedby="caption-attachment-32139" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-32139" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4.png" alt="Cena da série As Pequenas Coisas da Vida. Na imagem, a atriz Kathryn Hahn faz a protagonista Clare Pierce. Ela é uma mulher branca, de olhos claros e possui cabelo castanho claro. Está escorada em um carro azul, ela usa uma blusa verde-oliva, uma saia caramelo, cinto marrom e uma camisa azul listrada. " width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-1200x800.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32139" class="wp-caption-text">De mal a pior: aparentemente, tudo dá errado na vida de Clare (Foto: Star+)</figcaption></figure>
<p><b>Laura Hirata-Vale</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida é feita de detalhes, de instantes. Eles podem ser repletos de felicidade ou de tristeza. Trazem consigo o luto e a dor, mas também são acompanhados do amor e da alegria. O nascimento de um bebê, a morte de um parente ou o fim de um casamento são tipos de momentos-chave na história de alguém. Os erros e acertos acompanham o ser humano durante seu tempo na Terra, desde o seu início até o seu fim. Em </span><a href="https://oglobo.globo.com/kogut/critica/2023/06/estrelada-por-kathryn-hahn-as-pequenas-coisas-da-vida-e-uma-perola-escondida-no-streaming.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">As Pequenas Coisas da Vida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023), vemos como Clare Pierce (Kathryn Hahn) se comporta perante suas ações passadas e presentes, e como as pequenas coisas podem virar grandes conflitos, que mudam o rumo do futuro.</span></p>
<p><span id="more-32137"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada originalmente no </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, <em>Tiny Beautiful Things</em></span><span style="font-weight: 400;"> chegou ao Brasil pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Star+</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Abril. A série foi produzida pela </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/reese-e-hello-sunshine-como-a-atriz-mudou-a-forma-de-produzir-longas"><i><span style="font-weight: 400;">Hello Sunshine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – fundada pela atriz Reese Whiterspoon –, e baseada no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequenas delicadezas: Conselhos sobre o amor e a vida</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito por Cheryl Strayed, em que a autora faz uma coletânea de conselhos escritos em sua coluna </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;">, chamada </span><i><span style="font-weight: 400;">Dear Sugar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na produção audiovisual, Clare assume a função de Sugar, misturando a ficção com os acontecimentos da vida de Strayed. Na linha tênue do que é real ou não, a série constrói seu teor dramático, mostrando de pouco a pouco o porquê da personagem principal ser do jeito que é. </span></p>
<figure id="attachment_32140" aria-describedby="caption-attachment-32140" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32140" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4.png" alt="Cena da série As Pequenas Coisas da Vida. Na imagem, vemos as atrizes Merritt Wever e Kathryn Hahn com um cavalo branco, em um campo com grama seca, cercado por árvores de folhagem verde. Merritt Wever faz a personagem Frankie Pierce, e é uma mulher branca, de cabelos loiros, usa um vestido floral rosa e um casco rosa. Kathryn Hahn faz a protagonista Clare Pierce, e é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros, usa uma regata branca e calça jeans. " width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4-1200x800.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32140" class="wp-caption-text">Clare, por meio de sua conversa consigo mesma, anda na trilha da superação e do perdão (Foto: Star+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a narrativa, conhecemos o passado e o presente de Clare. Ao tentar montar o quebra-cabeça da história da protagonista, somos recebidos por </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">, que mostram brevemente os acontecimentos de sua juventude e como eles são refletidos na atualidade. Em diversas cenas, enquanto assistimos o monólogo interior-que-vira-conselhos da personagem, vemos uma troca de atrizes: Kathryn Hahn é substituída por </span><a href="https://thenerdsofcolor.org/2023/04/07/sarah-pidgeon-discusses-the-impactful-messages-in-tiny-beautiful-things/"><span style="font-weight: 400;">Sarah Pidgeon</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que deixa claro que as ações presentes seriam facilmente feitas em tempos anteriores. Nesse vaivém, descobrimos os traumas e dores em relação à família de Pierce, e também os conflitos internos e externos, nos núcleos familiar e profissional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> As brigas principais são, com certeza, entre Clare e Danny (</span><a href="https://www.awardsdaily.com/2023/06/20/quentin-plair-interview/"><span style="font-weight: 400;">Quentin Plair</span></a><span style="font-weight: 400;">) – seu esposo –, e entre ela e Rae (</span><a href="https://youtu.be/ajDcPEg2Vl0?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Tanzyn Crawford</span></a><span style="font-weight: 400;">) – sua filha. Logo no episódio piloto, entendemos que o casal está separado e que a razão da separação foi algo que a protagonista fez. De cena em cena, assistimos uma sessão de terapia de casal; uma suspeita de traição; discussões e gritos entre a família; as pazes e as razões. Cheio de momentos dolorosos e de partir o coração, a relação intrafamiliar é bem explorada, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Tiny Beautiful Things</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue apresentar – de forma nua e crua – as interações entre mãe, pai e filha. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9W8xlualftA"><i><span style="font-weight: 400;">As Pequenas Coisas da Vida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mostra, geniosamente, como é o impacto de traumas geracionais em uma família. Durante os oito episódios, Clare batalha com seus demônios internos, enquanto tenta alertar e proteger a filha dos perigos do mundo. Durante a construção da narrativa, descobrimos o que assombra cada personagem – como chances perdidas, uso de drogas e escolhas do caminho da vida. Entre informações passadas sem querer por mensagens de texto, ligações não atendidas e pacotes enviados pelo correio, cada detalhe ilumina o obscuro caminho da história e mostra como as decisões da protagonista a levaram para o instante presente.</span></p>
<figure id="attachment_32138" aria-describedby="caption-attachment-32138" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32138" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3.png" alt="Cena da série As Pequenas Coisas da Vida. A imagem mostra o interiot de um carro, onde a atriz Kathryn Hahn está sentada no banco do passageiro e a atriz Tanzyn Crawford está em frente ao volante. Kathryn Hahn faz a protagonista Clare Pierce, uma mulher branca, de cabelos castanhos claros, que veste uma camiseta cor caramelo. Tanzyn Crawford é uma adolescente negra, de cabelos pretos trançados. " width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32138" class="wp-caption-text">Mesmo com o possível grande erro de Rae, Clare a entende e a acalma (Foto: Star+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos altos de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Pequenas Coisas da Vida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, sem dúvida, as atuações – sendo que duas delas foram indicadas nos </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i>Emmys</i></a><span style="font-weight: 400;"> 2023. </span><a href="https://variety.com/2023/tv/news/tiny-beautiful-things-merritt-wever-kathryn-hahn-1235576769/"><span style="font-weight: 400;">Merritt Wever</span></a><span style="font-weight: 400;">, que faz o papel da mãe da protagonista – Frankie Pierce –, concorre ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante em Minissérie ou Telefilme. O trabalho de Wever durante a série é intrínseco: durante as cenas, podemos ver as mudanças de emoção somente pelo olhar da atriz, com os olhos que transbordam sentimentos e inundam o coração com mais do que mil palavras podem descrever. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kathryn Hahn, por sua vez, foi merecidamente indicada à categoria de Melhor Atriz Principal em Minissérie ou Telefilme. Ao longo da produção, vemos e sentimos toda a dor e a confusão nas feições, falas e ações de Clare, que atinge seu auge episódio atrás de episódio. Depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandavision-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion: Um Mistério Knives Out</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ver Hahn sair de papéis repletos de risadas e comédia, e ir para um tão dramático e doloroso chega a ser refrescante, além de mostrar como a atriz possui a capacidade de encarar diferentes gêneros. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="As Pequenas Coisas da Vida | Trailer Oficial Legendado | Star+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/k2XOm0nPaGI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, Clare Pierce faz as pazes consigo mesma e percebe que, mesmo quando tudo está dando errado, é preciso admitir erros e tentar continuar. Mesmo ao se sentir como </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/"><span style="font-weight: 400;">a pior pessoa do mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a protagonista insiste em equívocos, mas tenta mudá-los. A escritora e sua carreira que não decolou leva outro rumo quando assume o cargo de Sugar: agora ela é reconhecida por leitores, mesmo que anonimamente. Cheia de fortes emoções, gritos e amor, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Pequenas Coisas da Vida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um retrato de conflitos, brigas e reconciliações familiares. A produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Hello Sunshine</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencial para a história – é por causa dela que a história de Pierce consegue se firmar, afinal, a produtora de Witherspoon é referência em contar narrativas lideradas por mulheres. </span></p>
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		<title>Croma Kid sintoniza a expressividade dos anos 1990 em uma tela fantástica e analógica</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Nov 2023 13:33:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Marcado pelo domínio da tecnologia analógica no cenário audiovisual, Croma Kid é uma viagem estonteante aos anos 1990. Dirigido por Pablo Chea e presente na seção Competição Novos Diretores da 47ª Mostra de Cinema Internacional em São Paulo, a ficção nos leva a acompanhar o encantador pré-adolescente Emi (Bosco Cárdenas), em todas as &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/croma-kid-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Croma Kid sintoniza a expressividade dos anos 1990 em uma tela fantástica e analógica"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31820" aria-describedby="caption-attachment-31820" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31820" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2.png" alt="Cena do Filme Croma Kid. Na imagem está um garoto branco coberto por um pano verde com dois furos em seus olhos castanhos e abertos. Parte de suas sobrancelhas aparecem nas formas ovais. Ao fundo uma parede verde como chroma key de um estúdio." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31820" class="wp-caption-text">Croma Kid esteve na 47ª Mostra de Cinema Internacional em São Paulo e também na seção Bright Future do Festival Internacional de Cinema de Roterdã (Foto: Aurora Dominicana)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Marcado pelo domínio da tecnologia analógica no cenário audiovisual, </span><i><span style="font-weight: 400;">Croma Kid</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma viagem estonteante aos anos 1990. Dirigido por </span><a href="https://www.pablochea.com/work"><span style="font-weight: 400;">Pablo Chea</span></a><span style="font-weight: 400;"> e presente na seção Competição Novos Diretores da 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra de Cinema Internacional em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a ficção nos leva a acompanhar o encantador pré-adolescente Emi (Bosco Cárdenas), em todas as suas rebeldias e pensamentos inquietantes sobre sua família, que o envergonha por sua veia artística e televisiva.</span></p>
<p><span id="more-31819"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De fato, nem todos herdamos vocações familiares e talentos natos, mas como um ponto fora da curva, o sangue da família Chea tem mostrado predisposição para a </span><a href="https://arteref.com/cinema/a-setima-arte-por-que-o-cinema-tem-este-nome/"><span style="font-weight: 400;">Sétima Arte</span></a><span style="font-weight: 400;">. A estreia do filho de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/claudio-chea"><span style="font-weight: 400;">Claudio Chea</span></a><span style="font-weight: 400;">, também cineasta e diretor de fotografia, soa como uma </span><a href="https://youtu.be/K4atVMlc2fc"><span style="font-weight: 400;">ficção biográfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> impressionantemente construída para um primeiro trabalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo em seu início de carreira, a temática fantástica, a ambientação de época e a metalinguagem não pareceram um desafio para Chea como diretor e também roteirista, junto a Israel Cárdenas. Nos sentimos realmente dentro de seu universo nostálgico, distantes de amadorismos e furos de roteiro ou cenografia, como acontece até em grandes produções, como </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/tv/fas-apontam-copo-de-cafe-do-starbucks-em-cena-de-game-of-thrones/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Solo Fernández - MAGIA (Video Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1KgTI64zXd8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de um espaço </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurassic-park-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">fantástico e saturado da época</span></a><span style="font-weight: 400;">, a interpretação do elenco é, sem dúvida, um ponto alto do longa. Bosco Cárdenas transmite as emoções e os conflitos do protagonista em meio à transição da infância para a adolescência de uma forma muito singular. Sem exageros ou muitos esforços, o que podemos quase chamar de performance contida é, na verdade, muito natural para um jovem ator. E sua família &#8211; que facilmente acreditaríamos ser sua realmente &#8211; é um catalisador de empenho e expressividade precisos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jaime Pina, que interpreta o avô Lito, parceiro e mentor de Emi em suas aventuras atrás das câmeras, nos deixa à vontade e quase alheios ao mundo adulto e conflituoso em que seus pais foram designados para representar. Enquanto isso, responsável por se preocupar e colocar os pés de todos no chão, Nashla Bogaert, que interpreta Daniela, mãe coerente, rígida, amorosa e ao mesmo tempo tão sonhadora quanto todos, equilibra a </span><a href="https://www.blog.365filmes.com.br/2016/11/os-8-filmes-latino-americanos-mais-premiados.html"><span style="font-weight: 400;">narrativa familiar latina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e maravilhosa que move a trama.</span></p>
<figure id="attachment_31822" aria-describedby="caption-attachment-31822" style="width: 1376px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31822" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749.png" alt="Cena do Filme Croma Kid. Na imagem está um garoto branco de cabelos lisos médios na altura de sua orelha. Ele está sentado em uma mesa de escritório enquanto segura um telefone fixo na mão. A ambientação é repleta de aparelhos antigos datados de 1990, como computadores com monitores de tubo, porta-lápis em formato de cubo mágico e uma luminária amarelada. Ao fundo está uma prateleira azul repleta de livros, fitas e brinquedos antigos." width="1376" height="509" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749.png 1376w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749-800x296.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749-1024x379.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749-768x284.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749-1200x444.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31822" class="wp-caption-text">A primeira produção de Pablo Chea, na verdade, foi um curta chamado Cumplebomba que fez com 11 anos com a câmera que seus pais o deram de aniversário (Foto: Aurora Dominicana)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, o ditado que diz ser melhor pecar pelo excesso que pela falta nunca fez tanto sentido. Em seus 92 minutos, toda magia do clímax e conclusão do longa estão presentes em um segundo ato. Já com a pipoca no fim, nos acostumamos com a rotina conturbada da família sem apelar para um emprego infeliz e desmotivador à Arte. Até que nos deparamos com o pior dos cenários: um clichê muito bem-vindo, com o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;"> adolescente de </span><i><span style="font-weight: 400;">16 Desejos</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NV7PBRBcxu0"><i><span style="font-weight: 400;">De Repente 30</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e todos os outros filmes que mostram que não vale a pena pular etapas da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, dessa vez, de uma maneira menos cômica, caricata e infantil. Em que podemos, de fato, nos imaginar como o personagem principal. Essa representação pode estar atribuída principalmente às origens dos produtores e sua autenticidade em reproduzir a realidade de países latinos. Longe de comprometimentos imperialistas aos sucessos da Academia, a obra também se encaixaria muito bem na seção </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/perspectiva-internacional/"><span style="font-weight: 400;">Perspectiva Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.</span></p>
<figure id="attachment_31821" aria-describedby="caption-attachment-31821" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31821" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2.jpg" alt="Cena do filme Croma Kid. Na imagem está uma família se abraçando em frente a uma parede verde de um estúdio de televisão. A família está se abraçando, um homem idoso está a esquerda com um terno preto, a direita está uma mulher adulta de óculos escuros e cachecol, a direita está uma criança com um gorro amarelo cobrindo seus olhos e, por último, a direita está um homem adulto com um chapéu e camisa social marrons. Todos são brancos e estão sorrindo, apenas o idoso olha para sua família enquanto os outros três olham para frente. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31821" class="wp-caption-text">Segundo o diretor, Croma Kid celebra memórias como o laço de uma macrocultura que nos unem em comunidade e como famílias (Foto: Aurora Dominicana)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A habilidade em criar cenas cotidianas como se realmente tivessem sido gravadas antes da virada do século é notável, considerando ainda a incorporação muito bem feita de efeitos visuais semelhantes aos de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/fas-de-de-volta-para-o-futuro-se-emocionam-com-foto-de-elenco-33-anos-apos-fim-da-trilogia/"><i><span style="font-weight: 400;">De Volta Para o Futuro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e outras produções do cinema noventista. O </span><i><span style="font-weight: 400;">chroma key</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">stop motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">glich art &#8211; </span></i><span style="font-weight: 400;">na TV dentro da TV &#8211; enriquecem ainda mais a experiência do telespectador como um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> a parte. Sobretudo, os responsáveis pelo som sublinham a importância do áudio na construção da experiência de imersão. Sem mencionar todos os outros pontos positivos do longa, o cenário meticuloso com fitas VHS, </span><i><span style="font-weight: 400;">walkmans</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">pagers</span></i><span style="font-weight: 400;">, discos de vinil e brinquedos mergulham o público na nostalgia e na cultura da época, até para quem não esteve lá.</span></p>
<blockquote><p>Cada instante tem infinitas possibilidades<br />
Acredite ou não em magia<br />
Você tem o poder de mudar sua realidade</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A atenção aos detalhes, assim como a autenticidade dos cenários naturais e urbanos, abraçam os desafios e profundidade daquele período. Muito além de um entretenimento nostálgico, </span><i><span style="font-weight: 400;">Croma Kid</span></i><span style="font-weight: 400;"> celebra a memória afetiva e a imaginação infantil. Nos fazendo lembrar a capacidade do Cinema de transformar o cotidiano em algo mágico, transportando-nos para universos que ecoam a visão positiva das </span><a href="https://www.instagram.com/p/CyRhsiMu5DK/?img_index=9"><span style="font-weight: 400;">crianças</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pequenas centelhas que fazem nossos dias valerem a pena.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Croma Kid – trailer | IFFR 2023" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/tjH2-Vo6_s8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em The Last of Us, nós continuamos pela família</title>
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		<pubDate>Fri, 19 May 2023 19:20:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda e Nathália Mendes Ecoando sua celebrada minissérie Chernobyl, Craig Mazin nos inicia em The Last of Us com um prólogo: em um talk show dos anos 1960, acompanhamos um biólogo carismático (John Hannah) que avisa tanto o entrevistador (Josh Brener) quanto a plateia que o verdadeiro perigo para a extinção da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-last-of-us-1a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em The Last of Us, nós continuamos pela família"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30909" aria-describedby="caption-attachment-30909" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30909" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Joel (Pedro Pascal) e Ellie (Bella Ramsey) estão no alto de um edifício em ruínas, olhando na direção da câmera para o nascer do Sol. Joel, à esquerda da tela, é um homem latino de meia idade, com cabelos curtos e barba preta, já com vários fios grisalhos. Ele usa uma jaqueta verde clara por cima de uma camisa cinzenta. Podemos ver as alças de uma mochila passando por seus ombros, além de uma alça transversal que vai de seu ombro esquerdo até sua cintura. Joel segura essa alça com sua mão esquerda, deixando exposto um relógio analógico preso em seu pulso. Ellie, à direita da tela, é uma menina caucasiana de cabelos negros presos em um rabo de cavalo. Ela usa uma jaqueta encapuzada aberta por cima de uma camiseta cinza-clara. Em seu ombro esquerdo, já uma lanterna tubular presa na alça de sua mochila, apontada para frente. A câmera os captura da cintura para cima, e atrás deles podemos ver edifícios arruinados, tomados por vegetação e caindo aos pedaços, e uma massa de água ainda mais ao fundo do horizonte." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30909" class="wp-caption-text">“Não pode ser em vão” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda e Nathália Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ecoando sua celebrada minissérie </span><i><span style="font-weight: 400;">Chernobyl</span></i><span style="font-weight: 400;">, Craig Mazin nos inicia em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> com um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lA3gaTGT2EY"><span style="font-weight: 400;">prólogo</span></a><span style="font-weight: 400;">: em um </span><i><span style="font-weight: 400;">talk show</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1960, acompanhamos um biólogo carismático (John Hannah) que avisa tanto o entrevistador (Josh Brener) quanto a plateia que o verdadeiro perigo para a extinção da raça humana não são vírus ou bactérias, mas os fungos. Quando questionado sobre o que aconteceria no evento destes organismos evoluírem para nos infectar, ele responde com um simples “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nós perderíamos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. E, pelas próximas nove semanas, fomos convidados a imaginar como seria um mundo onde é justamente isso o que aconteceu: nós perdemos.</span></p>
<p><span id="more-30908"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseada no aclamado </span><i><span style="font-weight: 400;">videogame</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2013, a nova série da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO </span></i><span style="font-weight: 400;">é apenas a mais recente adição ao cânone de narrativas dedicadas à imaginar o que vem depois que o mundo acaba. Ao longo da última década, com a </span><a href="https://www.omelete.com.br/walking-dead/walking-dead-quebra-recordes-de-audiencia-pela-terceira-vez"><span style="font-weight: 400;">ascensão de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Walking Dead</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na televisão norte-americana, entre outras produções, tivemos a popularização do </span><a href="https://www.avclub.com/15-best-post-apocalyptic-tv-shows-1850157129"><span style="font-weight: 400;">cenário pós-apocalíptico</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um modelo para a formação de questionamentos pertinentes à natureza humana: o que acontece depois que nós “perdemos”? Quem nos tornamos quando não há mais o que salvar, quando as estruturas sociais estão irrevogavelmente arruinadas e agora é cada um por si? O quão mais obcecados podemos ficar pelo ator Pedro Pascal?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;">, a resposta a essas perguntas está na jornada de Joel (Pascal) e Ellie (Bella Ramsey) por um Estados Unidos devastado pela </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx795x3v7q0o"><span style="font-weight: 400;">infecção fúngica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que destruiu todo o planeta 20 anos atrás, responsável por transformar a maior parte da população em monstros zumbificados e macabros. Ao longo de nove capítulos, testemunhamos personagens sofrendo perda atrás de perda, tragédias de proporções bíblicas e alegrias tão passageiras que sua mera existência se torna milagrosa. Até o final, somos relembrados repetidamente de que, nesse mundo, não há como vencer.</span></p>
<figure id="attachment_30915" aria-describedby="caption-attachment-30915" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2.jpeg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Joel (Pedro Pascal) segura sua filha, Sarah (Nico Parker) em seus braços. Os dois olham para frente, assustados, enquanto a câmera os captura da cintura para cima, em um plano médio. Joel é um homem latino de meia idade, com cabelos e barba pretos e curtos, usando uma camiseta acinzentada. Sarah é uma menina negra de cabelos pretos longos e encaracolados, usando uma camiseta rosa e uma calça jeans clara. Ela segura o ombro direito de Joel com sua mão esquerda, e podemos ver a mão esquerda de Joel, adornada com um relógio, segurando seu torso. A cena se passa à noite e, no plano de fundo, podemos distinguir apenas vagamente um campo aberto. Ambos personagens são iluminados por uma luz branca forte vindo de frente." width="1366" height="767" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2.jpeg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-800x449.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1024x575.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-768x431.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1200x674.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30915" class="wp-caption-text">“Pode até não ser pai dela, mas foi pai de alguém” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após esse prólogo arrepiante, saltamos para 2003 e somos apresentados à família Miller, composta por Joel, sua filha Sarah (Nico Parker) e seu irmão Tommy (Gabriel Luna). Dirigido por Mazin, produtor executivo e co-</span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner</span></i><span style="font-weight: 400;"> do seriado,</span> <span style="font-weight: 400;">o primeiro capítulo da temporada, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Estiver Perdido na Escuridão</span></i><span style="font-weight: 400;">, é uma introdução não apenas ao apocalipse pessoal de seu protagonista, mas à característica fundamental da tragédia que parece perseguir todos aqueles que sobreviveram ao surto do fungo </span><a href="https://br.ign.com/the-last-of-us-the-series/105158/feature/the-last-of-us-quais-sao-os-estagios-dos-infectados"><i><span style="font-weight: 400;">Cordyceps</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: a memória.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No decorrer dos episódios, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">constrói uma linguagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que expandem a dimensão do luto da narrativa, originalmente restrita apenas à </span><a href="https://www.naughtydog.com/blog/the_last_of_us_ellie_and_joe_story_game_show"><span style="font-weight: 400;">perspectiva de Joel</span></a><span style="font-weight: 400;">, um sobrevivente marcado por um passado trágico e violento, e Ellie, uma garota  que aparenta ser imune à infecção. Juntos, eles atravessam os Estados Unidos à procura dos Vagalumes, um grupo rebelde que ainda procura pela cura e luta contra a tirania imposta pela </span><i><span style="font-weight: 400;">FEDRA</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Agência Federal de Resposta à Desastres, em tradução livre), uma organização militar composta pelos remanescentes do governo norte-americano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas essa expansão não ocasiona perda da </span><a href="https://canaltech.com.br/series/como-serie-de-the-last-of-us-expande-o-que-vimos-no-jogo-242956/"><span style="font-weight: 400;">perspectiva original</span></a><span style="font-weight: 400;">, e sim a direciona para outros formatos através da condução genial de Mazin. A câmera, por exemplo, quase sempre está junto de seus personagens, levada conforme os próprios descobrem o desenrolar da narrativa. Aqui, a direção é notável de duas maneiras: a primeira por criar uma imersão profunda no drama e a outra pelo paralelo com a posição dos jogadores de </span><i><span style="font-weight: 400;">videogame</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual se é ativamente o protagonista. Tais características contribuem fortemente para que a série seja uma experiência completa, mesmo aos antigos fãs da franquia.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Last of Us Episode 1: TV Show vs Game Comparison" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Me0EadJQPvQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Neil Druckmann, criador da franquia e co-</span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner </span></i><span style="font-weight: 400;">ao lado de Mazin, tira proveito do formato serializado ao transformar as maneiras com que encaramos suas personagens. Joel, que antes tinha sua capacidade física atrelada a habilidade do jogador que o comanda, agora recebe permissão para falhar. Acabaram as hordas de inimigos interpostas como obstáculos entre o jogador e seu objetivo: o uso da violência na série é clínico, humanizando tanto os infectados quanto os sobreviventes que antagonizam o </span><i><span style="font-weight: 400;">duo </span></i><span style="font-weight: 400;">ao longo da viagem, ecoando algumas das sensibilidades e temas que só veríamos na sequência de 2020, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us Part II</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maioria das </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/the-last-of-us-diferencas-entre-serie-e-jogo/"><span style="font-weight: 400;">adições às tramas</span></a><span style="font-weight: 400;"> são breves e servem para ampliar a história de personagens já conhecidos. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> não esconde sua devoção ao material original, recriando algumas das cenas mais famosas do jogo quadro a quadro, em um exercício de fidelidade que poderia até ser banal ou uma mera tentativa de manter laços firmes com sua obra precursora, não fosse a paixão com que cada um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">beats</span></i><span style="font-weight: 400;"> é performado por seus novos intérpretes. Tanto Pascal quanto Ramsey preenchem belamente seus arquétipos e os inferem com suas próprias vulnerabilidades, criando entre si uma sintonia que carrega a narrativa adiante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o Joel de Pascal parece ser mais frágil que o dos jogos, a Ellie de Ramsey (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aOGz1YDuOvg"><span style="font-weight: 400;">Bellie</span></a><span style="font-weight: 400;">, para os íntimos) desenvolve sua própria relação com a violência nesse mundo sem lei, e um dos arcos narrativos mais claros é a perda de sua inocência: ela nasceu nesse mundo condenado e, portanto, ainda não sabe o que é perder da mesma maneira que seu companheiro. Joel, em contrapartida, é obrigado a reaprender a agonia da esperança.</span></p>
<figure id="attachment_30919" aria-describedby="caption-attachment-30919" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30919 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-scaled.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Frank (Murray Bartlett) e Bill (Nick Offerman) ceiam em sua casa. Os dois se sentam em lados adjacentes de uma mesa de madeira longa. Frank, à esquerda, está virado de perfil, olhando para Bill, à direita, que está de frente para a câmera, em um plano médio. Bill e Frank são ambos homens caucasianos mais velhos, com cabelos e barbas grisalhos. Frank é mais esguio, usando um paletó preto por cima de uma camisa branca, enquanto Bill usa um paletó cinza por cima de uma camisa bege, abotoada até o pescoço. Frank segura a mão direita de Bill com a sua esquerda, sobre a mesa. Os dois tem pratos vazios com guardanapos em cima, com duas taças vazias de vinho à seus lados. Na extremidade direita do plano, uma garrafa de vinho está ao lado esquerdo de Bill, iluminada por uma vela acesa. Atrás deles, podemos ver uma parede azul clara. À esquerda, uma janela entreaberta deixa aparecer o escuro da noite, adornada em ambos os lados por uma cortina de tecido florido, enquanto à direita vemos um vaso com uma planta verde repousando sobre a moldura de uma lareira. A cena é iluminada por uma luz branca vinda do canto superior direito da tela, acima da lareira." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30919" class="wp-caption-text">“Eu odiava o mundo e adorei quando todos morreram. Mas me enganei. Tinha uma pessoa que valia a pena ser salva” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após feitas as apresentações, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> rapidamente estabelece o padrão intermitente de sua narrativa, introduzindo em cada episódio novos personagens que cruzam física e emocionalmente com a jornada dos protagonistas, mas que nunca permanecem por mais de um capítulo. Joel e Ellie são repetidamente confrontados com uma </span><a href="https://fugitives.com/the-last-of-us-season-1-love-as-major-driving-force-2023-sci-fi-series/"><span style="font-weight: 400;">nova versão do amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sentimos uns pelos outros e suas terríveis e maravilhosas consequências. Mazin faz questão de examiná-lo não como a salvação ou a perdição da humanidade, mas como algo tão intrínseco, essencial e humano que é praticamente impossível separá-lo de nós mesmos. Amamos, independente das consequências, até no fim do mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E talvez nenhum episódio capture tão bem esse conflito primordial quanto o terceiro, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Por Muito, Muito Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar de começar nas alças do episódio anterior, o roteiro de Mazin rapidamente salta no tempo para 20 anos no passado, quando acompanhamos Bill (Nick Offerman, em uma das grandes performances de sua carreira), um “</span><a href="https://www.ecycle.com.br/sobrevivencialismo/"><span style="font-weight: 400;">sobrevivencialista</span></a><span style="font-weight: 400;">” que já se preparava para o fim do mundo bem antes dos fungos começarem à nos perseguir. Após alguns anos sozinho, ele conhece Frank (Murray Bartlett), um homem gentil à procura de abrigo que, mesmo após uma introdução nada amistosa, consegue se conectar com Bill em um nível íntimo e sensível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por </span><a href="https://www.metfilmschool.ac.uk/articles/blogs/meet-industry-peter-hoar-director-david-katznelson-cinematographer/"><span style="font-weight: 400;">Peter Hoar</span></a><span style="font-weight: 400;">, vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/bafta/"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">por seu trabalho na minissérie </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tumQJ4qrJrg&amp;pp=ygUSaXQncyBhIHNpbiB0cmFpbGVy"><i><span style="font-weight: 400;">It’s a Sin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o capítulo marca o maior desvio do material original até o momento, e é uma lição de adaptação por si só. Ao se debruçar tão fixamente sobre a vida de dois personagens coadjuvantes, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela sua própria sensibilidade e nos conta, com rigor absoluto, uma das histórias de amor mais comoventes entre as obras recentes da televisão. Apesar de se desviar do caminho original da narrativa, o texto ainda funciona para espelhar a jornada dos protagonistas, fazendo uma ponte com a dificuldade de Joel em se abrir com Ellie e ecoando o luto que ainda permeia seu personagem. </span></p>
<figure id="attachment_30910" aria-describedby="caption-attachment-30910" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30910" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2.png" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Sam (Keivon Montreal), à esquerda, é um menino preto de cabelos curtos crespos e corte moicano, veste moletom mostarda e está sentado olhando atentamente para seu irmão. Henry (Lamar Johnson), à direita, é um homem preto de cabelos crespos, veste jaqueta cinza escuro com estofamento e calças jeans, e está de lado, na direção de Sam. O fundo é um sótão de tijolos marrons claros com diversos desenhos coloridos de super-herói pelas paredes." width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2-1536x1024.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30910" class="wp-caption-text">“Existia um grande homem. Ele nunca sentia medo, não era egoísta e sempre perdoava. Já viu alguém assim?” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do casal, Joel e Ellie se deparam com uma dupla de narrativa completamente oposta em seus meios e fins, mas semelhante na intensidade de seu amor. Se o destino de Sam (Keivonn Montreal) e Henry (Lamar Johnson), dois irmãos sobrevivendo na Zona de Quarentena do Kansas sob uma organização de Estado diferente da </span><i><span style="font-weight: 400;">FEDRA,</span></i><span style="font-weight: 400;"> já era avassalador no </span><i><span style="font-weight: 400;">videogame</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele ganha uma nova perspectiva ao ser contada após um romance. Para além da adição inclusiva de colocar Sam como uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8R7IiUvpKG4&amp;t=2s"><span style="font-weight: 400;">criança surda</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o conflito moral que levou Henry a ser um dedo duro, o mais importante é o contraste de ambos com Bill e Frank. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As histórias paralelas de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> irão, mais de uma vez, modelar a visão que nós espectadores teremos ao acompanhar o desenrolar dos protagonistas, mas a função principal delas, no entanto, é transformar como Joel compreende o amor e a esperança. Por amor, tanto Bill quanto Henry não encontraram </span><a href="https://www.esquire.com/uk/culture/tv/a42856228/the-last-of-us-henry-and-sam/"><span style="font-weight: 400;">saída para continuar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda que suas ações finais tenham sido semelhantes, o motivador para suas escolhas e as situações em que se encontravam eram completamente diferentes. Aos poucos, Joel passa a questionar se há contexto em que seu futuro seja outro, e por isso foi de extrema importância encontrar Tommy em sua vila comunista na sequência.</span></p>
<figure id="attachment_30914" aria-describedby="caption-attachment-30914" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Joel (Pedro Pascal) olha suplicante para a esquerda. Joel é um homem latino puxando para o lado mais velho, com grande parte dos cabelos escuros e barba já grisalhos. Ele usa uma camisa xadrez verde com listras vermelhas, captado pela câmera da cintura para cima. Atrás dele, fora de foco, podemos discernir o que parece ser uma marcenaria, com várias ferramentas espalhadas em mesas e paredes. A cena é iluminada por uma luz branca vinda da parte superior da tela." width="2560" height="1439" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-1536x863.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-2048x1151.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30914" class="wp-caption-text">“Ao acordar, sinto que perdi algo. Eu fracasso até dormindo. É o que faço. É o que sempre fiz: falhar com ela, vez após vez” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Joel enxerga na comunidade em que seu irmão vive muito mais do que a mera possibilidade de segurança em meio ao apocalipse. </span><a href="https://variety.com/2023/tv/news/the-last-of-us-jackson-part-2-explained-1235524398/"><span style="font-weight: 400;">Jackson</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma  sociedade alternativa onde a vida deixa de ser sobrevivência, a cura para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Cordyceps</span></i><span style="font-weight: 400;"> é dispensável e a luta contra novas organizações de Estado está distante. Ali, Joel vê uma chance. Não para ele, à princípio, não para um homem que havia fracassado inúmeras vezes, alguém transformado pela crueldade da tragédia em seu entorno. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após uma jornada de conflito interno, nosso protagonista atinge o ápice ao fim do sexto episódio, </span><a href="https://youtu.be/-wzCvVfr2Kk"><i><span style="font-weight: 400;">Parentesco</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ele resiste à esperança e ao sentimento de amor paterno intrínseco em cada músculo de seu corpo, mas é impossível abandonar aquilo que o define em essência, mesmo que a memória de Sarah ainda o paralise por completo. Na performance de Pascal, contemplamos um Joel que revive o trauma da perda toda vez que olha para Ellie, </span><a href="https://youtu.be/vNiptUg78OY?t=420"><span style="font-weight: 400;">tão vulnerável</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao ponto de nos sufocar com a intensidade da dor e frustração que carrega.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entendemos o significado de “</span><i><span style="font-weight: 400;">continuar pela família</span></i><span style="font-weight: 400;">” em um mundo onde a perda é inevitável neste momento crucial da história. Quando Joel assume que não pode desistir da esperança que acaba de tomá-lo por completo, ele também permite que Ellie tenha a chance de explicitar sua vontade. Para ouvidos atentos, seu querer por Joel já estava declarado ao final do primeiro episódio, nas linhas musicais de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=snILjFUkk_A"><i><span style="font-weight: 400;">Never Let Me Down Again</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do Depeche Mode, quando a garota deu seus primeiros passos para fora da quarentena de Boston. Agora, o gesto de escolhê-lo sentencia a separação entre Ellie e Sarah como indivíduos. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Last of Us | Abertura | HBO Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/S2O7xQMdRZM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como era no </span><i><span style="font-weight: 400;">game</span></i><span style="font-weight: 400;">, a trilha sonora do compositor argentino Gustavo Santaolalla (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-segredo-de-brokeback-mountain-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Segredo de Brokeback Mountain</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babel</span></i><span style="font-weight: 400;">) não preenche os espaços silenciosos da série, mas reflete as emoções das personagens quando palavras não são mais suficientes. O icônico tema da franquia, tocado num </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7Z0TPseiuss&amp;pp=ygUbZ3VzdGF2byBzYW50YW9sYWxsYSByb25yb2Nv"><span style="font-weight: 400;">ronroco</span></a><span style="font-weight: 400;">, faz presença na abertura e nos prepara para a fragilidade potente do mundo de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;">. Puxando algumas faixas e inspirações da trilha do segundo jogo, Santaolalla parece querer fazer uma ponte temática entre o presente e o futuro, o que não havia sido possível em 2013, quando a primeira iteração da narrativa foi apresentada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para intensificar essa ponte, Mazin e Druckmann fazem uso deliberado e criativo das faixas licenciadas, especialmente com </span><a href="https://open.spotify.com/track/1khA4hwhZD4HMecyE1e9U1?si=43fe0b4270204447"><i><span style="font-weight: 400;">Long Long Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a balada melancólica de </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/efeito-the-last-of-us-serie-ressuscita-cancao-country-dos-anos-70/"><span style="font-weight: 400;">Linda Ronstadt</span></a><span style="font-weight: 400;"> no terceiro episódio, e a </span><a href="https://mashable.com/article/the-last-of-us-episode-6-ending-song-depeche-mode"><span style="font-weight: 400;">repetição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Never Let Me Down Again</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao final do sexto capítulo. Jessica Mazin, filha de Craig, faz um </span><a href="https://open.spotify.com/track/2Tw463vi8DMqkr2EiLYfZM?si=1e612e6a189f4cc8"><i><span style="font-weight: 400;">cover</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">sóbrio da música que ecoa não só a narrativa, mas a conexão entre pais e filhas que está no cerne da premissa do seriado. Além dela, canções de </span><a href="https://open.spotify.com/track/4o7SYOv7mNJAPe0tsxgbHc?si=58e93b35eaec421b"><span style="font-weight: 400;">Pearl Jam</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/track/2wfpV9gUNaTN1gkct0RUNz?si=1f10923b2c874d1e"><span style="font-weight: 400;">a-ha</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/6BUJtgTJT9YTDkiB81maFQ?si=6f91449a5210484b"><span style="font-weight: 400;">Lotte Kestner</span></a><span style="font-weight: 400;"> fazem referência à vindoura segunda parte da série, mas que aqui são ressignificadas e retrabalhados para desatar o nó de emoções das personagens.</span></p>
<figure id="attachment_30916" aria-describedby="caption-attachment-30916" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30916" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6.jpg" alt=" Foto dos bastidores da primeira temporada de The Last of Us. Pedro Pascal e Bella Ramsey, caracterizados como seus respectivos personagens, conversam em meio a um cenário nevado. Pedro, à esquerda, é um homem latino de meia idade, com cabelos e barba escuros e grisalhos, usando um casaco marrom claro fechado e calças azuis escuras. Em seus ombros, podemos ver uma arma longa pendurada por um cinto em seu ombro direito. Bella é uma pessoa jovem de cabelos escuros cobertos por uma touca branca, usando um casaco azul aberto por cima de um moletom encapuzado cinza e calças jeans. Podemos ver uma mochila verde em suas costas, com um saco de dormir azul claro preso na parte inferior. Pedro segura o pulso direito de Bella com sua mão esquerda, ambas enluvadas. Do lado esquerdo da tela, uma claquete segurada por um par de mãos agasalhadas está prestes a bater, exibindo o logo de produção e diversas informações da filmagem." width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30916" class="wp-caption-text">“É interessante como algo tão grande e transformador aconteceu tão cedo na sua vida e tão tarde na minha.” &#8211; Carta de Pedro Pascal para Bella Ramsey (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é de hoje que </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood </span></i><span style="font-weight: 400;">tem investido em adaptações de </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o audiovisual: séries animadas como </span><a href="https://personaunesp.com.br/castlevania-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/arcane-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Arcane</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tem forjado um novo patamar nos últimos anos, enquanto produções como </span><i><span style="font-weight: 400;">Uncharted: Fora do Mapa</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Halo</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostram o quanto os grandes estúdios estão dispostos a gastar nessas ideias. Apesar de à primeira vista não parecer tão grandioso quanto estas produções, realizar o mundo de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> de maneira crível foi um </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2023/01/02/can-the-last-of-us-break-the-curse-of-bad-video-game-adaptations"><span style="font-weight: 400;">esforço milionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; custando quase tanto quanto algumas das últimas temporadas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-casa-do-dragao-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com o uso de diversos efeitos práticos (principalmente na maquiagem e prostéticos dos seres infectados pelo fungo), construir o mundo pós-apocalíptico da desenvolvedora </span><i><span style="font-weight: 400;">Naughty Dog</span></i><span style="font-weight: 400;"> não teria sido possível sem o trabalho dos artistas digitais do estúdio </span><i><span style="font-weight: 400;">DNEG</span></i><span style="font-weight: 400;"> (responsáveis também pelos filmes do cineasta Christopher Nolan). Dispensando sequências de ação bombásticas, o trabalho desses artistas é focado em preencher o mundo idealizado por Druckmann e Bruce Straley, </span><a href="https://www.theenemy.com.br/playstation/tlou-hbo-bruce-straley-nao-creditado"><span style="font-weight: 400;">co-criador do jogo original</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando Ellie encara o mundo fora da Zona de Quarentena pela primeira vez, somos apresentados às ruínas de Boston e aos 20 anos de não-interferência humana em uma grande metrópole: narrativas que, assim como no </span><i><span style="font-weight: 400;">game</span></i><span style="font-weight: 400;">, são contadas puramente através do cenário.</span></p>
<figure id="attachment_30911" aria-describedby="caption-attachment-30911" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30911 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Riley (Storm Reid) e Ellie (Bella Ramsey) estão sentadas, encostadas em um balcão de loja com vidros. Riley, à esquerda, é uma jovem preta de pele clara, usa camisa de manga curta cinza chumbo e calça jeans, faixa verde escura no cabelo, que está preso para trás, e segura uma arma com as duas mãos entre os joelhos, enquanto chora. Ellie, à direita, é uma jovem branca de cabelos castanhos presos em rabo de cavalo, tem o olho direito ligeiramente roxo e o lábio inferior cortado, com sangue, usa camiseta branca com mangas vermelhas e calças jeans." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30911" class="wp-caption-text">“Você não faz ideia do que é perder” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco ainda conta com nomes como Anna Torv (</span><a href="https://personaunesp.com.br/mindhunter-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mindhunter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fringe</span></i><span style="font-weight: 400;">), Melanie Lynskey (</span><a href="https://personaunesp.com.br/yellowjackets-1a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Merle Dandridge, que reprisa o papel de Marlene, líder dos Vagalumes. Troy Baker e Ashley Johnson, atores originais de Joel e Ellie, participaram do seriado em novos papéis, novamente demonstrando o apreço de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">por seu material original, uma das características que o separa drasticamente de grande parte das adaptações cinematográficas de </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos últimos 30 anos. Jogador assumido, Craig Mazin não poupa elogios para o jogo de </span><i><span style="font-weight: 400;">PlayStation</span></i><span style="font-weight: 400;">, orgulhosamente descrevendo-o como a “</span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/the-last-of-us-melhor-historia-dos-videogames/#:~:text=S%C3%A9ries%20e%20TV-,Craig%20Mazin%20diz%20que%20The%20Last%20of,a%20melhor%20hist%C3%B3ria%20dos%20videogames&amp;text=Craig%20Mazin%20(Chernobyl)%2C%20co,a%20melhor%20hist%C3%B3ria%20dos%20videogames."><i><span style="font-weight: 400;">melhor estória já contada em um videogame</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com a </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO </span></i><span style="font-weight: 400;">bancando a produção, havia uma boa dose de ceticismo na recepção do anúncio da série, já que para muitos a narrativa do jogo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Naughty Dog</span></i><span style="font-weight: 400;"> representa um dos pináculos absolutos do meio. Após anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">fancasts</span></i><span style="font-weight: 400;"> que iam desde Hugh Jackman e Josh Brolin até Maisie Williams e Kaitlyn Dever, a escalação de Pedro Pascal e Bella Ramsey foi recebida num espectro de entusiasmo e absurdo. Apesar de Pascal ter marcado seu nome na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">nos últimos anos com suas participações em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Kingsmen</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele não combinava com a ideia que muitos tinham de Joel como o contrabandista texano durão e barbudo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bella, por outro lado, teve que lidar com uma série de insultos à sua aparência de pessoas clamando que elu (Ramsey se identifica como não-binárie e atende por todos os pronomes) não era “atraente” o suficiente para interpretar Ellie, uma personagem de 14 anos. Mal disfarçado de crítica, esse tipo de comentário misógino foi sendo aos poucos ofuscado pela atuação virtuosa de Ramsey, chegando ao seu auge interpretativo nos episódios finais da temporada. No sétimo capítulo, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">O Que Deixamos Para Trás</span></i><span style="font-weight: 400;">, elu contracena com a talentosa Storm Reid (</span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e sintetiza as melhores qualidades do seriado em uma história sobre amor jovem e a perda da inocência que, apesar de trágica, vêm acompanhado do que talvez seja o mote da narrativa:</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Todo mundo vai terminar assim, cedo ou tarde, né? Acontece mais rápido pra alguns. Mas nós não desistimos. Sejam dois minutos ou dois dias, nós não abrimos mão disso. Eu não quero abrir mão disso.</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Mais Precisamos</span></i><span style="font-weight: 400;">, o oitavo episódio da série, podemos interpretar a premissa da frase a partir de outra ótica. Mazin destaca que o capítulo se trata integralmente sobre depravação humana e é nele que temos o ápice de maturação de Ramsey em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us. </span></i><span style="font-weight: 400;">Sua personagem ainda não havia precisado agir com as próprias mãos, mas elu consegue exprimir de maneira exímia o desespero de Ellie ao precisar sobreviver sozinha. A crueldade do outro obriga a personagem a enxergar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W8Mg-P8Jpss"><span style="font-weight: 400;">o que há de obscuro nela própria</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a abrir mão de outras partes de sua inocência para que possa continuar. No fim, vemos uma Ellie completamente transformada por sua própria violência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob a direção de Ali Abbasi, o caráter violento da série</span> <span style="font-weight: 400;">assume sua forma mais genuína na brilhante composição do episódio. O diretor prova que sabe as relações profundas e divergentes que os seres humanos possuem com a violência, pois, diferentemente da perspectiva que adotou em </span><a href="https://personaunesp.com.br/holy-spider-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aqui ele amplia o impacto que ações brutais proporcionam nas personagens e não enfoca sua exposição. De fato, Abbasi foi a pessoa certa para criar essa atmosfera, que também funciona como contraponto à perspectiva de jogador do </span><i><span style="font-weight: 400;">videogame</span></i><span style="font-weight: 400;">. Se ao jogarmos, a nossa vontade e habilidade irão medir a proporção da agressividade com que combatemos inimigos, no seriado somos obrigados a assistir os resultados dessas ações.</span></p>
<figure id="attachment_30913" aria-describedby="caption-attachment-30913" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30913 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Anna (Ashley Johnson) segura sua filha recém-nascida. Anna é uma mulher caucasiana de cabelos castanhos longos. Ela está à direita da tela, olhando para o bebê em seus braços, à esquerda. Ela usa uma jaqueta verde e está encharcada de suor, mas sua expressão é de alívio. O bebê que ela segura está coberto de líquidos orgânicos e com uma das mãos estendida para cima. Ao fundo, fora de foco, podemos ver um quarto abandonado, com paredes brancas descascadas e um móvel azul claro no espaço entre Anna e sua filha. Uma janela aberta na extremidade esquerda da tela deixa a luz do dia entrar e ilumina as personagens." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30913" class="wp-caption-text">“Diz pra eles, Ellie. Você é tão durona” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">verdadeiramente transcende o material de origem ao respeitá-lo, enquanto busca contar uma história tão querida da melhor maneira possível em outro  meio. A tragédia de Joel e Ellie adquire novos contornos quando vista por uma lente teatral, em que atores de produções anteriores são convidados para reprisar seus papéis ou introduzir novas personagens. Somos convidados não só a acompanhá-los por esse mundo sombrio, mas a entender o porquê de ser assim e, consequentemente, aceitar a escuridão que traz consigo. Perdemos junto com os personagens e voltamos toda semana para vê-los perderem mais um pouco, ao ponto em que a narrativa interroga o próprio espectador: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Porquê seguir em frente se você não tem esperança?</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há uma resposta simples ou ao menos satisfatória. Continuamos porque, seja nas últimas 10 horas ou nos últimos 10 anos, nos apaixonamos por esses personagens, porque amamos Ellie tanto quanto Joel a ama e, portanto, entendemos o que ele deve fazer para mantê-la viva. Apesar de não controlarmos mais suas ações, ainda sentimos que estamos ao seu lado durante todos os passos da jornada. Compartilhamos as misérias e as risadas com eles de maneira particular e continuamos, apesar de tudo. Não desistimos desses personagens nem quando eles desistem de si mesmos e, quando paramos para pensar no motivo, é realmente difícil elaborar algo além do amor.</span></p>
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		<title>A Baleia é um retrato sobre tudo o que nos faz humanos</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 12:39:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Clara Sganzerla  Moby-Dick, ou The Whale, é um famoso romance publicado em 1851 pelo escritor estadunidense Herman Melville, que conta a famosa saga do capitão Ahab atrás da baleia que arrancou sua perna. A semelhança com A Baleia, um dos filmes mais comentados do Oscar 2023, não é apenas no nome. A nova obra do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-baleia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Baleia é um retrato sobre tudo o que nos faz humanos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30290" aria-describedby="caption-attachment-30290" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30290" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1.jpg" alt="Cena do filme The Whale. Na imagem, o personagem do ator Brendan Fraser está dentro de uma casa. Ele está sentado em um sofá, usa uma camiseta cinza e sorri. Ao seu lado direito, há um abajur de luz amarela. A iluminação é baixa e os tons são frios." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30290" class="wp-caption-text">Além de indicações no Oscar, The Whale recebeu indicações em premiações como Critics Choice Award, Cannes, Globo de Ouro e SAG Awards (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Clara Sganzerla </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Moby-Dick</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">The Whale</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um famoso romance publicado em 1851 pelo escritor estadunidense Herman Melville, que conta a famosa saga do capitão Ahab atrás da baleia que arrancou sua perna. A semelhança com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos filmes mais comentados do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2023, não é apenas no nome. A nova obra do diretor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nL6vuRrF61w"><span style="font-weight: 400;">Darren Aronofsky</span></a> <span style="font-weight: 400;">nos leva em uma triste trajetória de um outro protagonista atrás de algo que vai além da forma física: uma redenção para si mesmo.</span></p>
<p><span id="more-30287"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na aclamada produção do estúdio </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/a24/"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, somos apresentados a Charlie (Brendan Fraser), um professor universitário que passa seus dias corrigindo redações e suprindo sua falta de perspectiva, afeto e esperança com compulsão alimentar. Em uma jornada acelerada para o seu inevitável fim, acompanhamos o personagem em seus suspiros finais: consumido pela culpa de ter abandonado sua filha para viver um romance, Charlie tira tudo o que resta em si para dar à Ellie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sadie Sink</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma adolescente submersa na contradição de sentir-se injustiçada pelo abandono paterno e, ainda assim, querer o que lhe foi arrancado tão nova. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao dizer tudo de si, é de forma literal. Sobrevivendo com severas consequências de uma condição de obesidade mórbida, o personagem recusa-se a procurar ajuda médica para, no lugar, destinar todas as suas economias ao futuro de sua filha. O que parece ser uma crítica ao </span><a href="https://www.politize.com.br/sistema-de-saude-dos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">sistema de saúde</span></a><span style="font-weight: 400;"> público dos Estados Unidos acaba por ser, na verdade, a solução mais plausível que Charlie encontra &#8211; uma conta bancária com mais de 100 mil dólares a fim de colocar um curativo em cima das feridas que ele mesmo causou, mas tentou evitar. Ellie torna-se, então, uma jovem problemática que se esforça para ser apática com toda a sua situação familiar, mas acaba por cair na grosseria e raiva como maquiagem para sua enorme carência.</span></p>
<figure id="attachment_30289" aria-describedby="caption-attachment-30289" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30289" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2.png" alt="Uma fotografia do ator Brendan Foster e da atriz Sadie Sink. À direita, Sadie usa brincos e um colar prata, seu cabelo ruivo está solto e ela sorri. À esquerda, temos Brendan vestindo um terno azul marinho com listras douradas, camiseta social branca, gravata azul marinho e um óculos preto de grau de armação quadrada. Brendan também sorri sem mostrar os dentes. Ao fundo, um pôster com as palavras The Whale e A24 em branco. " width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30289" class="wp-caption-text">A relação conturbada de pai e filha entre os personagens de Fraser e Sink traz diversas reflexões sobre as marcas do abandono parental (Foto: Kristina Bumphrey)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, vemos nos olhos de Liz (interpretada brilhantemente por </span><a href="https://www.nytimes.com/2023/02/22/movies/hong-chau-the-whale-oscars.html"><span style="font-weight: 400;">Hong Chau</span></a><span style="font-weight: 400;">) o desespero palpável de não conseguir salvar seu amigo de sua jornada de autodestruição para vê-lo afundar em uma dor que também é sua: o luto pelo seu irmão Alex, namorado de Charlie. O motivo da morte acende uma importante e dolorosa discussão sobre a aversão de determinadas </span><a href="https://tab.uol.com.br/gays-e-religiao/"><span style="font-weight: 400;">igrejas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao grupo </span><a href="https://personaunesp.com.br/close-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIAP+</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso porque a recusa do relacionamento homoafetivo entre os dois pela família foi um dos motivos para o suicídio de Alex, que fugiu de um casamento arranjado pelo pai para viver seu verdadeiro amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">Aronofsky</span></a><span style="font-weight: 400;">, como de costume, divide opiniões. Desde a maneira de retratar os episódios de compulsão alimentar até o próprio olhar ao protagonista, entramos em uma linha tênue. Para uns, faltou sensibilidade e respeito ao retratar Charlie. Para outros, não haveria outra forma de tê-lo tornado mais humano do que mostrando tudo aquilo que ele quer esconder. No entanto, talvez essa tenha sido a intenção do diretor: polemizar o suficiente para pensarmos sobre o assunto, para a discussão perdurar além dos cinco minutos após o fim de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o que, com certeza, funcionou. </span></p>
<figure id="attachment_30288" aria-describedby="caption-attachment-30288" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30288" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3.png" alt=" Foto do ator Brendan Fraser e do diretor Darren Aronofsky. Ambos estão em uma premiação, e usam ternos na cor preta, camisa social branca e gravata. Eles sorriem um para o outro e Darren está com sua mão direita no ombro de Brendan. " width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3.png 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-2048x1152.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30288" class="wp-caption-text">Aronofsky sempre chama atenção da crítica por sua direção peculiar e impactante, como em Réquiem para um Sonho, Cisne Negro e Mother! (Foto: Elisabetta A. Villa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O</span><span style="font-weight: 400;"> impacto do longa deu-se muito antes de chegar ao público nos cinemas. Em quase uma década recluso após ser </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/a-incrivel-historia-de-superacao-de-brendan-fraser-de-a-baleia,2fa311be0851846beda6a6926a586de2ktvvgnly.html"><span style="font-weight: 400;">vítima de assédio</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Philip Berk, Brendan Fraser voltou às telas recebendo o reconhecimento que merece: teve sua primeira indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">na categoria de Melhor Ator. Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Whale</span></i><span style="font-weight: 400;"> esteve presente em outras modalidades, como Melhor Maquiagem e Cabelo, pelo trabalho de </span><a href="https://www.motionpictures.org/2023/03/the-whale-oscar-nominated-prosthetics-artist-adrien-morot/"><span style="font-weight: 400;">Adrien Morot</span></a><span style="font-weight: 400;">, e pela sensível atuação de Hong Chau, na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E estamos ansiosos: em uma disputa acirrada com </span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><span style="font-weight: 400;">Austin Butler</span></a><span style="font-weight: 400;">, fica a dúvida sobre quem receberá a estatueta de ouro. Após Fraser vencer a categoria de Melhor Ator no </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, surpreendentemente, no </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, tivemos também o intérprete de Elvis Presley sendo destaque no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, no prêmio BAFTA e no </span><i><span style="font-weight: 400;">Satellite Award </span></i><span style="font-weight: 400;">na mesma posição de Brendan &#8211; a competição para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, que estava quase que decidida para Butler, agora, segue indefinida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De qualquer forma, entre polêmicas e </span><a href="https://www.omelete.com.br/festival-de-veneza/brendan-fraser-the-whale-impressoes-festival-veneza"><span style="font-weight: 400;">emoções</span></a><span style="font-weight: 400;">, a incrível performance de todo o elenco torna inesquecível a experiência de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar de ser doloroso, longo e sofrido, o que vale a pena na obra é enxergar a bondade nos olhos de Charlie e emocionar-se com o retrato sincero, dentro de todos os nossos defeitos e arrependimentos, sobre tudo aquilo que nos faz humanos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Whale | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nWiQodhMvz4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades é a autocrítica de Alejandro G. Iñárritu</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2022 20:33:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade O que parece ser unânime em relação a Alejandro González Iñárritu é que ele nunca se esforça em agradar. Disso surgem virtudes e defeitos: ele pode criar obras originais e autênticas, com refinado valor estético, mas também pode cair no escárnio, na decepção, na epopeia que pode ser o ego de um diretor. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bardo-falsa-cronica-de-algumas-verdades-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades é a autocrítica de Alejandro G. Iñárritu"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29204" aria-describedby="caption-attachment-29204" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29204" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29204" class="wp-caption-text">O longa foi exibido no Festival de Veneza e teve uma pré-estreia presencial no Brasil, na seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra SP (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que parece ser unânime em relação a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/10/inarritu-encara-seus-criticos-e-alfineta-os-eua-em-bardo-destaque-da-mostra-de-sp.shtml">Alejandro González Iñárritu</a></span><span style="font-weight: 400;"> é que ele nunca se esforça em agradar. Disso surgem virtudes e defeitos: ele pode criar obras originais e autênticas, com refinado valor estético, mas também pode cair no escárnio, na decepção, na epopeia que pode ser o ego de um diretor. </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/bardo-or-false-chronicle-of-a-handful-of-truths-review-alejandro-gonzalez-inarritu-1235355356/">Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> parece ser o meio termo entre essas duas situações. Com uma trama que se propõe a traçar a história de um renomado jornalista e documentarista mexicano, Silverio Gama (Daniel Giménez Cacho) – personagem marcado por uma profunda crise existencial –, o longa integrou a seção Perspectiva Internacional da 46ª </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29201"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns elementos presentes no filme são marcas de Iñárritu (as mesmas marcas que o fizeram vencer o </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Diretor dois anos consecutivos, por </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://vejasp.abril.com.br/coluna/filmes-e-series/bardo-netflix-inarritu/">Birdman, ou a Inesperada Virtude da Ignorância</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">[2014] e </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://pixelnerd.com.br/10-curiosidades-sobre-o-filme-o-regresso/">O Regresso</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">[2015]): a câmera lenta e espaçada que passa por todos os cantos, quase nunca estacionada em um só lugar; o fluxo verborrágico do protagonista que se mistura às pequenas tramas narrativas que ele próprio descreve; o </span><span style="font-weight: 400;"><i>nonsense</i></span><span style="font-weight: 400;"> que, muitas vezes, se mostra apenas uma realidade vista de longe, interpolada pela criatividade da memória; e, principalmente, a representação da consciência do personagem principal.</span></p>
<figure id="attachment_29205" aria-describedby="caption-attachment-29205" style="width: 2235px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29205" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3.jpg" alt="" width="2235" height="1257" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3.jpg 2235w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29205" class="wp-caption-text">Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades foi lançado oficialmente em 17 de novembro de 2022, mas só entrará no catálogo da Netflix em 16 de dezembro (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A princípio, o título do filme diz tudo o que se precisa saber. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo</i></span><span style="font-weight: 400;">” é o termo tibetano para o lugar entre a vida, a morte e o renascimento, presente no texto sagrado do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/blogs/virada-psicodelica/2022/05/como-entender-a-expansao-da-consciencia-mediada-por-psicodelicos.shtml">Livro Tibetano dos Mortos</a></i></span><span style="font-weight: 400;">. O resto fica a cargo da composição narrativa do roteiro de Iñárritu e Nicolás Giacobone, roteirista argentino responsável pela trama de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman</i></span><span style="font-weight: 400;">. Essa informação também é de se atentar, visto que, em muitos aspectos, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades</i></span><span style="font-weight: 400;"> parece um “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman</i></span><span style="font-weight: 400;"> 2”, cujos elementos se assemelham em muitos níveis, inclusive sob a perspectiva de um protagonista artista (no longa de 2014, um ator em decadência; no filme de 2022, um documentarista no auge), que não sabe qual caminho seguir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.forbes.com.mx/forbes-life/entretenimiento-bardo-pelicula-gonzalez-inarritu/">Daniel Giménez Cacho</a></span><span style="font-weight: 400;">, que integrou o elenco de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/sep/23/siberia-review-abel-ferrara-willem-dafoe">Siberia</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2020), de Abel Ferrara – filme que aborda igualmente o limiar entre vida e morte (o “bardo”) –, que dá vida ao protagonista menos caótico da filmografia de Iñárritu. Na trama, há 20 anos, ele foi um apresentador de TV, mas se afastou desse papel quando percebeu que estava vendendo uma versão comercial da realidade. Ele queria falar “</span><span style="font-weight: 400;"><i>algumas verdades</i></span><span style="font-weight: 400;">”, as quais tornaram-se cada vez mais difíceis de serem ditas num México que se curvou aos efeitos nocivos de uma mídia violenta. Silverio Gama consegue realizar seu desejo e se transforma em um repórter de renome em Los Angeles. Ainda assim, a obra não se propõe a ser uma odisséia de sua redenção (como </span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman </i></span><span style="font-weight: 400;">é, por exemplo), e Iñárritu mistura realidade e ficção, acenando às interpretações de que as duas, na verdade, podem ser a mesma coisa – tudo depende do ponto de vista do observador. Na prática, o personagem percebe que a realidade, por si só, é pura ficção.</span></p>
<figure id="attachment_29203" aria-describedby="caption-attachment-29203" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29203" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu.jpg" alt="" width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29203" class="wp-caption-text">Em entrevista ao Vanity Fair, <a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/09/awards-insider-alejandro-g-inarritu-interview-about-bardo-reviews">Alejandro G. Iñárritu</a> disse que “é uma pena que Bardo tenha sido incompreendido” (Foto: Jason LaVeris)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de uma temporada premiada com </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Regresso</i></span><span style="font-weight: 400;">, interpolada pelo curta-metragem </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://youtu.be/zF-focK30WE">Carne y arena</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2017) – resultado de um projeto de realidade virtual que recebeu um </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;"> Especial da Academia –, o novo projeto do diretor não conseguiu os mesmos feitos. Após as primeiras exibições, o longa</span> <span style="font-weight: 400;">(que chega em breve aos cinemas brasileiros) teve um mau desempenho. Tentando remediar o que parece inevitável, o diretor cortou quase 30 minutos de filme, além de gerar uma reedição de diversas outras partes – é essa versão reeditada que integrou a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e chega à </span><span style="font-weight: 400;"><i>Netflix</i></span><span style="font-weight: 400;"> no dia 16 de dezembro, numa nova estratégia de distribuição da empresa, que o lançará primeiro nos cinemas. Ainda assim, o longa totaliza praticamente três horas de duração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, é interessante perceber como </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo, Falsa Crónica de unas Cuantas Verdades </i></span><span style="font-weight: 400;">(no original) </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/inarritu-meu-filme-bardo-e-incerto-muito-desconfortavel-e-pode-ser-irritante/">antecipa as próprias críticas</a></span><span style="font-weight: 400;"> que recebeu. Em uma das sequências do filme, durante a festa em homenagem à Silvério, ele entra num embate com Luis (Francisco Rubio), um ex-colega que se tornou uma estrela do sensacionalismo na televisão mexicana. Luis ataca Silverio por sua auto-indulgência e pretensão, acusando-o de se autoproclamar “artista” para os norte-americanos, esquecendo, assim, suas origens. Como resposta, o protagonista profere um discurso sobre a hipocrisia de uma mídia que sacrifica integridade e decência pelo altar das críticas e curtidas nas redes sociais. De alguma forma, Iñárritu esperava que seu filme fosse condenado por aquilo que atacou.</span></p>
<figure id="attachment_29202" aria-describedby="caption-attachment-29202" style="width: 2034px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29202" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM.webp" alt="" width="2034" height="1046" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM.webp 2034w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-800x411.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1024x527.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-768x395.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1536x790.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1200x617.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29202" class="wp-caption-text">Nicolás Giacobone, que levou o Oscar de Melhor Roteiro por Birdman, repete a parceria com Alejandro Iñárritu em Bardo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra cena, na qual Gama discute com o filho – o adolescente Lorenzo (Íker Sánchez Solano) –, questões sobre o colonialismo e a relação Estados Unidos — México surgem de forma visceral. Durante o embate entre os dois, o filho defende os ianques e elenca todas as “virtudes tecnológicas” de um país regido pelo dinheiro, ainda que o pai tente jogar luz na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/noticia/2022/10/alejandro-gonzalez-inarritu-cada-pais-e-formado-por-varias-narrativas.ghtml">memória histórica do país</a></span><span style="font-weight: 400;"> latino-americano, argumentando acerca das tradições mexicanas. O curioso é, para além do debate, perceber como esse diálogo foi construído no roteiro: Lorenzo começa, lentamente, a inserir palavras em inglês durante o confronto, enquanto Silverio permanece falando o espanhol.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo ao fim da discussão, Lorenzo está falando totalmente em inglês, sinalizando para a colonização do próprio garoto na conversa. Como consequência, o pai grita: “</span><span style="font-weight: 400;"><i>fale espanhol, estamos no México</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Segundos depois, o próprio Silverio está redigindo um </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_56dnQF4NNI&amp;t=92s&amp;ab_channel=Oscars">discurso do prêmio</a></span><span style="font-weight: 400;"> que irá receber nos Estados Unidos – o inimigo que, agora, lhe concede reconhecimento. Parte da crise existencial dele surge daí, no que também parece uma autocrítica do próprio Alejandro G. Iñárritu: depois de uma história marcada por questões nacionalistas, elencando elementos de seu próprio crescimento e país de origem nas concepções artísticas, o reconhecimento se consolida, somente, após passar pelo crivo da Academia norte-americana – e, pior: depois de aceitar tudo isso. Como Silverio diz em uma das cenas, &#8220;</span><span style="font-weight: 400;"><i>o sucesso tem sido meu maior fracasso&#8221;</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29206" aria-describedby="caption-attachment-29206" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29206" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29206" class="wp-caption-text">Iñárritu demorou 5 anos para finalizar Bardo; o filme ainda traz as atrizes Griselda Siciliani e Ximena Lamadrid no elenco (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Submissão do México no </span><span style="font-weight: 400;"><em>Oscar</em></span><span style="font-weight: 400;"> 2023, o filme tem um enredo que parece uma mensagem do próprio diretor a ele mesmo, uma autocrítica expandida com um personagem que em muito poderia ser um alter ego. Além de ter consciência do baixo envolvimento que o grande público deve ter com a obra, o diretor também disse em entrevista que incluiu “</span><span style="font-weight: 400;"><i>alguns pensamentos que eu tenho comigo mesmo</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Ele sabe que o </span><span style="font-weight: 400;"><i>establishment</i></span><span style="font-weight: 400;"> estadunidense passou a enxergá-lo como uma fraude, um indivíduo pretensioso que ninguém entende como entrou para a História com dois </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;">’s seguidos (algo que não acontecia na categoria desde 1950). Talvez por isso o roteiro avance para o caricatural em diversos momentos, ao mesmo tempo em que dá piscadelas de que tudo não passa de um grande sonho </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q29iibXXiOs&amp;ab_channel=Radiohead-Topic">no limbo</a></span><span style="font-weight: 400;"> da morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A bem da verdade, e talvez de forma cíclica, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo</i></span><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro longa em que Iñárritu retorna ao cenário mexicano, depois de sua elogiada estreia com </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/amores-brutos-alejandro-g-inarritu-critica/">Amores Brutos</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2000). De qualquer forma, trata-se de uma produção cinematográfica que é, em muitos aspectos, psicodélica, e por isso soa desigual. O que em algumas produções seria o seu maior feito, aqui fica confuso, e a ausência de distinção entre memória, verdade, mentira, realidade e ficção coloca tudo numa “cama de gato”. Existem trechos que apelam para o drama e outros para o surrealismo, cuja ligação não é forte o suficiente para sustentar essas mudanças bruscas. Mesmo que autorizadas pelo subconsciente de Silverio Gama, as variações só acenam para o enlouquecedor, e o final, propriamente, não parece finalizar nada.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BARDO, False Chronicle of a Handful of Truths | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lCQimQfDuTs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Terra e tradição se abrem sob os pés da família de Alcarràs</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 19:51:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes “Eu não canto pela voz, [&#8230;] por quem canto é por minha terra, terra firme, casa amada”, dizem os versos cantados por Rogelio (Josep Abad), patriarca dos Solés que protagonizam Alcarràs, longa de Carla Simón exibido na 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na Competição Novos Diretores. A obra, uma coprodução &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alcarras-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Terra e tradição se abrem sob os pés da família de Alcarràs"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29148" aria-describedby="caption-attachment-29148" style="width: 1960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29148 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4.jpg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Uma família branca está em pé, todos virados de lado, olhando na direção esquerda da imagem. O fundo tem montanhas e plantações verdes." width="1960" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4.jpg 1960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29148" class="wp-caption-text">Exibido na Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de São Paulo, o longa não esquece que uma tradicional família agricultora na Europa sempre conta com o trabalho braçal de imigrantes pretos (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><strong>Nathália Mendes</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não canto pela voz, [&#8230;] por quem canto é por minha terra, terra firme, casa amada</span></i><span style="font-weight: 400;">”, dizem os versos cantados por Rogelio (Josep Abad), patriarca dos Solés que protagonizam </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa de Carla Simón exibido na 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo, na Competição Novos Diretores. A obra, uma coprodução espanhola e italiana, conta como uma família de agricultores no interior da Catalunha se vê sendo expulsa de sua propriedade após anos cultivando pêssegos naquela terra. E não há nada que se possa fazer. Diante das perdas inevitáveis, Rogelio acompanha em silêncio, assistindo com olhos carregados de tristeza a tradição de gerações se desfazer, bem como sua própria família.</span></p>
<p><span id="more-29147"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem documento formalmente escrito e assinado, o terreno foi “dado” aos Solés há muitos anos, um agradecimento dos Pinyols por terem sido protegidos durante a guerra espanhola. Este é </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/em-cartaz-no-brasil-drama-catalao-alcarras-expoe-o-desafio-das-mudancas/"><span style="font-weight: 400;">o cânone que fundamenta a narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o passar do tempo e as mudanças geracionais, o novo primogênito que comanda a família não se contenta mais com plantações de pêssegos, mas quer o dinheiro que a energia gerada por painéis solares pode prover. Agora, o vínculo que um dia tiveram não importa mais. Sem compreender como os simbolismos são tão importantes para si e tão desprezíveis ao outro, o que resta ao avô Solé é tentar guardar os laços que mantém a tradição até o fim da colheita.</span></p>
<figure id="attachment_29149" aria-describedby="caption-attachment-29149" style="width: 1788px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29149 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998.jpeg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Uma família branca está reunida, sentada em uma mesa repleta de comidas. Eles estão virados para a direção da foto. Todos sorriem, se movimentam ou conversam uns com os outros." width="1788" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998.jpeg 1788w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-800x483.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1024x619.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-768x464.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1536x928.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1200x725.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29149" class="wp-caption-text">O sentimentalismo de Rogelio mistura decepção e relutância com a transição de gerações, de forma que mal assume o erro que levou os Solé àquela situação (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um longa da vida real. Não só por levar o nome da pequena cidade da Catalunha onde a própria família da diretora cultivava pêssegos, mas também pelo seu </span><a href="https://youtu.be/GM5-UtbZrQE?t=166"><span style="font-weight: 400;">elenco de atores amadores</span></a><span style="font-weight: 400;">, residentes daquele mesmo interior espanhol. O protagonismo é horizontal, todos ganham luz por completo, de forma igualitária; esta característica brilhante exemplifica como a vida simplesmente acontece. Além de Josep como o patriarca Solé, conhecemos seu sucessor e único filho homem Quimet (Jordi Pujol), a mulher dele, Dolors (Anna Otín), e seus filhos Roger (Albert Bosch), Mariona (Xènia Roset) e Iris (Ainet Jounou). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compondo os Solé, ainda, estão as irmãs de Quimet, Glòria (Berta Pipó) e Nati (Montse Oró), com seu marido Cisco (Carles Cabós) e filhos, os gêmeos Pau (Isaac Rovira) e Pere (Joel Rovira). Como uma família tradicional, os membros se relacionam uns com os outros de acordo com suas idades, o machismo geracional e o tradicionalismo aparecem, dando mais palco para os homens do que para as mulheres, mas sem caracterizar tais contrastes como tóxicos ou necessariamente opressores. Aos poucos, </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-reviews/alcarras-berlin-2022-1235094690/"><span style="font-weight: 400;">os conflitos explodem</span></a><span style="font-weight: 400;">, exatamente como deve ser. É quase como se eu estivesse assistindo a minha própria família.</span></p>
<figure id="attachment_29150" aria-describedby="caption-attachment-29150" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29150 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-scaled.jpg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Na imagem um jovem branco está deitado em uma cama, uma criança de cabelos castanhos está deitada em seu peito e tem um braço transpassado por ele. Ambos olham na direção esquerda onde uma jovem está agachada atrás da cama, apenas seu pescoço e cabeça aparecem, olhando de volta para os dois." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29150" class="wp-caption-text">O protagonismo horizontal permite que cada personagem transmita frustração à sua maneira: enquanto Roger toma porre e deixa a plantação encharcar até que os pés das pessegueiras virem pura lama, Íris toca flauta nos ouvidos do pai o dia todo (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É curioso que a narrativa linear de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs </span></i><span style="font-weight: 400;">seja, ao mesmo tempo, um ponto fraco e um ponto positivo. Sua semelhança com a realidade é tamanha que até a </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/alcarras-review-1235182126/"><span style="font-weight: 400;">progressão de acontecimentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> imita a vida: não abrimos os olhos todos os dias aguardando o clímax, a chegada de problemas ou da vitória. Na verdade, vivemos na simplicidade com que os segundos correm. Tal lentidão do cotidiano enfraquece o longa tanto quanto o constrói artisticamente, tecendo as teias de uma família silenciosamente frustrada. A inevitabilidade da desgraça que virá provoca fervor interno em suas personagens, esses que, tendo pouco direito de externalizá-lo, se mantêm quietos, transparecendo a raiva e a decepção em momentos específicos e de formas diferentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em </span><a href="https://www.cineset.com.br/verao-1993-longa-sensivel-e-pessoal-e-estreia-digna-do-cinema-espanhol/"><i><span style="font-weight: 400;">Verão 1993</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Simón estreou na direção narrando sua própria história, agora, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs, </span></i><span style="font-weight: 400;">ela transbordou realidade cultural. A iniciativa inteligentíssima de levar pessoas comuns para contar a obra fictícia que escreveu ao lado de Arnau Vilaró, este que também cresceu em uma família agricultora na Espanha, é o que dá brilhantismo à composição. A empreitada trabalhosa e brilhante trouxe a conquista do </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/filme-espanhol-alcarras-ganha-urso-de-ouro-em-berlim/"><span style="font-weight: 400;">Urso de Ouro de Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Festival de Berlim de 2022. Mas, para além dos prêmios, a produção faz mais do que é possível medir através de estatuetas: transborda verdade. Assim, ao lado de um elenco com pertencimento, sua ficção é dotada de realismo, um retrato fielmente protagonizado por quem está inserido naquele contexto. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Alcarràs de Carla Simón | Tráiler español | Avalon" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XacARMle0ZY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Carvão queima o retrato da família tradicional brasileira</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 17:26:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Quão falsas podem ser as interações da família que vemos todos os domingos com suas bíblias e crucifixos em mãos? Essa e outras reflexões similares são a proposta de Carvão, filme brasileiro dirigido por Carolina Markowicz. Entre tons hiperbólicos e reviravoltas, a produção se debruça sobre as contrariedades da moral humana. Parte da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/carvao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Carvão queima o retrato da família tradicional brasileira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29135" aria-describedby="caption-attachment-29135" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29135" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1.jpg" alt="" width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1-768x415.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29135" class="wp-caption-text">O enredo explosivo de Carvão faz parte da lista da seção Mostra Brasil da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quão falsas podem ser as interações da família que vemos todos os domingos com suas bíblias e crucifixos em mãos? Essa e outras reflexões similares são a proposta de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme brasileiro dirigido por Carolina Markowicz. Entre tons hiperbólicos e reviravoltas, a produção se debruça sobre as contrariedades da moral humana. Parte da seção Mostra Brasil da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o longa desmonta a farsa do conservadorismo e a transforma em cinzas. </span></p>
<p><span id="more-29130"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história nos guia pelas vidas de Irene (</span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/maeve-jinkings-sobre-carvao-o-absurdo-do-filme-talvez-soe-familiar"><span style="font-weight: 400;">Maeve Jinkings</span></a><span style="font-weight: 400;">), o filho Jean (Jean Costa) e o marido Jairo (Rômulo Braga). A protagonista acumula responsabilidades com o trabalho, cuidados com a casa e com a família, e ainda tem um pai doente e acamado para somar às demandas. Enquanto isso, o esposo se mostra machista e impaciente, mas nada interessado em trabalhar para contribuir com os interesses da residência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica </span><a href="https://cultura.uol.com.br/noticias/18293_sobrecarga-da-mulher-aumenta-e-atrapalha-vida-profissional-o-que-as-empresas-tem-a-ver-com-isso.html"><span style="font-weight: 400;">desigual</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mostra insustentável e, é claro,  na primeira oportunidade o fio que segura os princípios éticos é o primeiro a se romper. Cansada de lidar com o parente, Irene recebe uma proposta irrecusável da nova enfermeira do posto de saúde. A solução é simples e mata dois coelhos com uma cajadada só: se livrar do pai enfermo e ganhar uma boa quantia em dinheiro. </span></p>
<figure id="attachment_29137" aria-describedby="caption-attachment-29137" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29137" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-2-1.jpg" alt="" width="750" height="422" /><figcaption id="caption-attachment-29137" class="wp-caption-text">Carvão, co-produção Brasil-Argentina, foi exibido nos festivais de Toronto, San Sebastian e Rio (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sumir com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/plano-75-critica/"><span style="font-weight: 400;">idoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> é fácil, ele não se movimenta sozinho e a família é dona de uma carvoaria com o forno grande o suficiente para que uma pessoa desapareça. A parte difícil vem depois, com a hospedagem de um argentino foragido por tráfico dentro de casa. A situação se desenrola em incômodo e encorajamento, e a chegada de Miguel (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4HK40llCP7A"><span style="font-weight: 400;">César Bordon</span></a><span style="font-weight: 400;">) desperta em cada personagem uma reação singular. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pouco tempo, a presença do estrangeiro revela a frustração do casamento de Irene e Jairo. A mulher passa a ver na visita uma forma de expor seus desejos, iniciando uma tentativa de sedução e adultério. A infelicidade é mútua, o marido, versado em uma </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/17-de-maio-a-homofobia-como-produto-do-machismo/"><span style="font-weight: 400;">virilidade danosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, na realidade mantém um caso amoroso com o vizinho. No meio das pontas soltas temos Jean, a criança lidando com uma criação tão ausente a ponto de ver no traficante uma oportunidade de afeto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme cada uma dessas questões nos vai sendo apresentada, mais absurdo todo o cenário parece. Ao mesmo tempo, as peças se movimentam com uma fluidez ímpar, promovida pelas características atraentes do roteiro – também assinado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vp9LeV2N5PU"><span style="font-weight: 400;">Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com elementos simples e uma casa pouco luxuosa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue nos levar para um universo muito identificável na </span><a href="https://personaunesp.com.br/paloma-critica/"><span style="font-weight: 400;">sociedade brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> atual, aquele em que a imagem familiar é puramente um produto da hipocrisia. </span></p>
<figure id="attachment_29132" aria-describedby="caption-attachment-29132" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29132" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3.jpg" alt="" width="2400" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29132" class="wp-caption-text">Carvão tentou vaga para representar o Oscar 2023, ao lado de títulos como Marte Um e Paloma (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das maiores influências da capacidade arrebatadora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;"> são as atuações. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=T0nAOkzkxgw"><span style="font-weight: 400;">Maeve Jinkings</span></a><span style="font-weight: 400;"> estrela as cenas com tanta naturalidade e verdade que somos capazes de sentir a tensão presente em seus movimentos inquietos, exposta a cada possibilidade de alguém encontrar Miguel escondido no quarto de seu pai. O traficante também não fica para trás e, de maneira sincera, César Bordon cria um personagem encantador – mesmo esse ironicamente sendo o único a assumir seus desvios de moral.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O destaque fica para o desempenho de Jean, que, com a típica sinceridade das crianças, dá à narrativa os pingos cômicos necessários. Sua performance também carrega uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/marte-um-critica/"><span style="font-weight: 400;">sensibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase dolorosa: em diversos momentos, ao presenciar as cenas grotescas da atitude dos pais, vemos as </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/negligencia-e-a-forma-de-violencia-mais-comum-contra-criancas-e-adolescentes/"><span style="font-weight: 400;">consequências</span></a><span style="font-weight: 400;"> refletidas em sua composição como ser humano. Instintivamente, a vontade do telespectador é tirar a criança de dentro da tela e a proteger de toda a crueldade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção fotográfica da produção também não poderia ser melhor. As escolhas do diretor de fotografia, </span><a href="https://www.pepemendes.com/"><span style="font-weight: 400;">Pepe Mendes</span></a><span style="font-weight: 400;">, reforçam o cenário autêntico que abriga a narrativa, sem perder o foco nas feições. As imagens ainda abraçam pequenos detalhes, como o suor e a sujeira nas peles da família, a fumaça da carvoaria e o plano geral com a presença da natureza característica das pequenas cidades brasileiras.  </span></p>
<figure id="attachment_29138" aria-describedby="caption-attachment-29138" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29138" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1.jpg" alt="" width="1300" height="731" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29138" class="wp-caption-text">Carvão chega aos cinemas brasileiros no dia 03 de novembro (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;"> não precisa de muito para levantar grandes reflexões, sendo capaz de gerar debates sobre o valor do idoso no Brasil, a negligência com a infância e os limites das aparências. À primeira vista, sua história pode parecer um exagero, mas se pensarmos bem o disparate mora ao lado. E exatamente por isso o filme consegue nos prender: tudo é tão ficcional quanto um </span><a href="https://personaunesp.com.br/pacto-brutal-o-assassinato-de-daniella-perez-critica/"><span style="font-weight: 400;">assassino que defende a moral, a pátria e a família</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como acontece na vida, muitas vezes nossos erros são pagos por terceiros. Irene e Jairo têm seus desfechos como começos, em uma </span><a href="https://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/06/27/conservadorismo-religiao-e-politica-um-dialogo-entre-brasil-e-argentina/"><span style="font-weight: 400;">igreja</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ninguém parece ter medo do julgamento dos céus e muito menos do dos homens, aquilo que permanece no fogo vira cinza e não fantasma. Para Jean, o caminho parece pautado pelo sangue da mão dos pais &#8211; infelizmente alguém carrega as pedras do caminho, é inevitável. O importante é que em nome do pai, do filho e do Espírito Santo, a mesa do jantar permaneça intacta. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Carvão - Trailer oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/0qlaRgwrj-Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A morte é corporativa em Plano 75</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2022 21:19:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Em um Japão não muito distante, na tentativa de lidar com o envelhecimento da sociedade e aliviar o sufocamento econômico promovido pela política neoliberal, é criado um programa que encoraja cidadãos idosos a serem voluntários de eutanásia. A política em torno do projeto é simples: encurtar institucionalmente a vida dessas pessoas, oferecendo uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/plano-75-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A morte é corporativa em Plano 75"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29118" aria-describedby="caption-attachment-29118" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29118 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29118" class="wp-caption-text">Com uma menção especial do prêmio Camera d&#8217;Or na seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes, Plano 75 integrou a Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um Japão não muito distante, na tentativa de lidar com o envelhecimento da sociedade e aliviar o sufocamento econômico promovido pela política neoliberal, é criado um programa que encoraja cidadãos idosos a serem voluntários de eutanásia. A política em torno do projeto é simples: encurtar institucionalmente a vida dessas pessoas, oferecendo uma recompensa de 100 mil ienes pelo sacrifício, que podem ser gastos livremente com o objetivo de fornecer o necessário para um “último desejo”. Esse é o enredo de </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/plan-75-review-1235403356/"><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (<em>Plan 75</em>), a distopia necropolítica dirigida e roteirizada por </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/artist/chie-hayakawa-4"><span style="font-weight: 400;">Chie Hayakawa</span></a><span style="font-weight: 400;">, que integra a Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29117"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Submissão do Japão na corrida pelo </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,oscar-2023-filme-marte-um-vai-representar-o-brasil-na-categoria-melhor-longa-internacional,70004142320"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme tem poucos diálogos e longos silêncios, nos quais se revela de forma pungente a maneira a qual os mais velhos têm sido esquecidos em governos neoliberais e suas políticas “jovens”. Em uma das cenas, Michi (Chieko Baisho), uma idosa demitida de seu emprego como camareira de hotel, questiona, ao utilizar um computador compartilhado, o porquê ele não está funcionando. Ao chegar para “ajudá-la”, a funcionária mais jovem, com apenas alguns cliques, diz que “</span><i><span style="font-weight: 400;">está tudo funcionando normalmente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e dá as costas. Sem explicações, Michi pergunta-se: “</span><i><span style="font-weight: 400;">o que estava errado</span></i><span style="font-weight: 400;">?”. Nessa cena, Hayakawa sintetiza toda a força por trás da história: vistos como párias e pesos nessa sociedade distópica – que, como toda distopia, guarda muitas similaridades com a realidade –, não há tempo ou interesse para explicar qualquer mudança social. O ritmo é, simplesmente, outro.</span></p>
<figure id="attachment_29119" aria-describedby="caption-attachment-29119" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29119 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29119" class="wp-caption-text">Produzido no Japão, França, Filipinas e Catar, o longa também foi exibido nos festivais de Toronto e Karlovy Vary (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com respostas sempre hostis aos seus pedidos de ajuda, a personagem entrega-se totalmente à solidão. Sem conseguir encontrar outro emprego, a idosa é seduzida pelo Plano 75, o projeto governamental que recebe pessoas a partir de 75 anos para o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/09/13/jean-luc-godard-recorreu-ao-suicidio-assistido-diz-jornal.ghtml"><span style="font-weight: 400;">suícidio assistido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o “sucesso” do programa, em pouco tempo idosos de 65 anos também começam a ser aceitos. O roteiro permite entender que, uma vez instaurada, a política de mortes é cada vez mais abrangente, visando conquistar toda a sociedade mais pobre, independentemente da idade. O que se torna evidente na trama de Michi é que ela precisa, na verdade, de companhia e amizade, mas o governo oferece ainda mais isolamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A solidão cortante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i> <span style="font-weight: 400;">concentra-se nas necropolíticas </span><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/realismo-capitalista/"><span style="font-weight: 400;">neoliberais</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que a morte e a vida tornam-se, elas próprias, objetos de mercadoria e privatização. Com inscrições apenas presencialmente e via telefone, com atendimento 24 horas por dia, sete dias por semana – já que os idosos encontram dificuldades em inscrições pelo computador –, o projeto revela uma cultura mobilizada em empurrar corporativamente a morte aos indivíduos mais pobres, visto que esse esforço para atender suas solicitações de encerramento da vida não chega nem perto das integrações tecnológicas promovidas pelo Estado.</span></p>
<figure id="attachment_29120" aria-describedby="caption-attachment-29120" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29120 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2.jpeg" alt="" width="990" height="660" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2.jpeg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29120" class="wp-caption-text">Plano 75 é o primeiro longa-metragem da japonesa Chie Hayakawa (Foto: Julie Sebadelha/AFP)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa necropolítica também foi explorada recentemente em </span><a href="https://www.omelete.com.br/hbo-max/tokyo-vice-segunda-temporada-hbo-max"><i><span style="font-weight: 400;">Tokyo Vice</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022), série do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Max </span></i><span style="font-weight: 400;">baseada no livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535918472/toquio-proibida"><i><span style="font-weight: 400;">Tóquio Proibida</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2009), do jornalista investigativo Jake Adelstein. O que parece ser uma diferença nas duas obras na verdade aponta para uma realidade incômoda entre elas. Enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Tokyo Vice</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata da investigação acerca dos suicídios de idosos nas ruas da capital do Japão, e a ligação dessas mortes com a Yakuza (a fim de proteger a família, os idosos se matam para pagar, com o seguro de vida, as dívidas que a máfia construiu com os juros, descobrindo-se posteriormente que, pelo valor pago, o seguro de vida desses idosos sempre foi o foco dos </span><i><span style="font-weight: 400;">gangsters</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> aponta para as políticas públicas que têm o mesmo objetivo da máfia japonesa: exterminar os idosos, cujo movimento compartilha de forma similar obter os mesmos fins econômicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso grande parte do enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> consiste na representação da frieza dos sistemas corporativistas. Chie Hayakawa evita o sentimentalismo no roteiro, e reflete as personagens como simples </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">corpos em dominação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Há outras duas histórias paralelas às de Michi: a de Hiromi (Hayato Isomura), um funcionário do programa que oficializa os contratos com os idosos e se vê atingido pessoalmente quando seu tio inscreve-se no Plano 75 – alimentando sua autoconsciência de que o abandonou quando chegou à vida adulta –, e Maria (Stefanie Arianne), uma imigrante filipina que trabalha efetivamente no necrotério dos idosos.</span></p>
<figure id="attachment_29121" aria-describedby="caption-attachment-29121" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29121 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29121" class="wp-caption-text">Embora Plano 75 pareça ser sobre o envelhecimento, na verdade alerta para a importância da comunidade (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, é a relação entre Michi e Yoko (Yuumi Kawai), uma das telefonistas de atendimento ao programa, que estabelece a possível moral do longa de 105 minutos. Preservando um diálogo constante com Yoko, visto que as telefonistas mantém o contato frequente com os interessados até a consolidação das mortes, Michi – sem filhos ou parentes, e que encontra sua única amiga, também idosa, morta na cozinha de casa – sugere que as duas se conheçam pessoalmente. Ela é informada que clientes e funcionários não têm permissão para isso, na tentativa de evitar que se </span><a href="https://personaunesp.com.br/madeira-e-agua-critica/"><span style="font-weight: 400;">apeguem emocionalmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou, pior, que os idosos mudem de ideia sobre a eutanásia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da resistência, próximo ao fim do filme, Yoko, que sempre foi uma ouvinte disposta a realmente escutar as infinitas histórias de Michi, se encontra com ela. Michi entrega todo o dinheiro que recebeu, e diz que esse foi seu “</span><i><span style="font-weight: 400;">último desejo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os encontros hiper controlados e cronometrados entre a idosa e a representante normalmente impassível do Estado e da própria morte – que, sob o contexto do filme, são a mesma coisa – dão lugar a uma felicidade genuína, embora pouco duradoura. Alertando para a </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/triangle-of-sadness-de-ruben-ostlund-vence-a-palma-de-ouro-em-cannes.shtml"><span style="font-weight: 400;">importância da comunidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> – mais do que para as políticas de extermínio dos governos –, </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra que, a despeito de Michi desistir da eutanásia ou não, sempre será tarde demais para ela; todas as coisas não ditas entre gerações, agora, foram institucionalizadas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="‘Plan 75’: first trailer for Japanese Cannes Un Certain Regard title" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/12tjqwfuzDg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Família, sangue, vingança e meio século de tradição reunidos em O Poderoso Chefão</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Oct 2022 14:38:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana “Por que você veio até mim antes de ir à Polícia prestar queixas?”, disse o grande padrinho, Don Vito Corleone, no início de O Poderoso Chefão. Aclamado pela crítica, vencedor de três Oscars e dono da mais alta charmosidade cinematográfica, o filme de Francis Ford Coppola celebra cinco décadas. Você conhece aquela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-poderoso-chefao-50-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Família, sangue, vingança e meio século de tradição reunidos em O Poderoso Chefão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28850" aria-describedby="caption-attachment-28850" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28850" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Casamento-Connie.png" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão - Família Corleone reunida para a foto oficial do casamento de Connie. A imagem exibe os principais membros da família Corleone. Vemos Don Vito centralizado com um smoking preto ao lado de sua esposa, Carmela Corleone (Morgana King). Do lado direito estão: Sonny (o mais velho), Sandra (esposa de Sonny), as filhas gêmeas de Sonny e Sandra à frente, Michael e sua namorada Kay. Ao lado esquerdo estão: Carmela, Connie Corleone (noiva) e seu marido Carlo Rizzi, Freddo e Tom Hagen. Todos os homens da família Corleone estão trajados de smoking preto, exceto Michael e o noivo Rizzi. Michael está com um terno oficial militar verde e Carlo aparece com uma gravata preta. Todas as crianças estão à frente de seus respectivos pais." width="512" height="258" /><figcaption id="caption-attachment-28850" class="wp-caption-text">Coppola não poderia ser mais assertivo ao trazer o casamento de Connie Corleone como cartão de visita para apresentar o núcleo das personagens e, ao mesmo tempo, a dicotomia entre família e negócios (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gomes Santana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Por que você veio até mim antes de ir à Polícia prestar queixas?</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">disse o grande padrinho, Don Vito Corleone, no início de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão</span></i><span style="font-weight: 400;">. Aclamado pela crítica, vencedor de três </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscars </span></i><span style="font-weight: 400;">e dono da mais alta charmosidade cinematográfica, o filme de Francis Ford Coppola celebra cinco décadas. Você conhece aquela expressão “</span><i><span style="font-weight: 400;">old but gold</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">ou “velho, mas brilhante”? Se encaixa perfeitamente para resumir essa fantástica ascensão de um império americano à moda italiana. Este texto traz como tema central as nuances e razões que fazem da obra algo </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-poderoso-chefao-ainda-uma-oferta-irrecusavel/"><span style="font-weight: 400;">irrecusável</span></a><span style="font-weight: 400;">, à frente de seu tempo e </span><a href="https://theseventies.berkeley.edu/godfather/2018/06/06/a-family-in-celebration-and-in-transition-the-godfathers-opening-wedding-scene/"><span style="font-weight: 400;">referência na arte</span></a><span style="font-weight: 400;"> de expor a máfia nas telonas.</span></p>
<p><span id="more-28849"></span></p>
<h5><b>Impossível não amar!</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Utilizada como referência artística em diversos âmbitos da </span><a href="https://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/tematica/article/view/21504/11875"><span style="font-weight: 400;">cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, está para nascer um filme que tenha tanto reconhecimento do grande público. Se você mora no Brasil e nunca viu pelo menos uma pizzaria, barbearia, tabacaria ou qualquer outro estabelecimento com o nome inspirado nesse clássico das telonas, você vive no país errado. Diante disso, não confie em nenhuma classificação que coloque </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão </span></i><span style="font-weight: 400;">abaixo do ‘top 3’ de ‘Melhores Filmes de Todos os Tempos’. Digo isso por três óbvias razões: enredo, produção audiovisual e construção cênica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A começar pelo enredo, que por si só já é irrecusável, as propostas de cena e as planificações de filmagem fazem da trama única e enigmática. O fervor dramático é mesclado com cores quentes e trilhas sonoras épicas. As </span><a href="https://viagemeturismo.abril.com.br/coluna/piacere-italia/cenarios-de-o-poderoso-chefao-nos-arredores-de-taormina/"><span style="font-weight: 400;">composições de cenário</span></a><span style="font-weight: 400;"> revivem os tempos do pós-Guerra e trazem consigo o ‘sonho americano’ de todo imigrante que busca crescer na América. Mas para que tudo isso fosse possível, era necessário escalar um elenco de peso que fizesse jus aos retratos que ali foram propostos.</span></p>
<figure id="attachment_28851" aria-describedby="caption-attachment-28851" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28851 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Coppola.jpg" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão - Um retrato de três figuras marcantes deste filme. À esquerda temos Francis Ford Coppola, diretor e co-roteirista de The Godfather. Ao centro, Richard Conte (intérprete de Emilio Barzini) e por fim, o grande Marlon Brando (Don Vito Corleone). Nesse retrato, Coppola está direcionando seu braço em contato com Brando enquanto seus olhos estão atentos para um ângulo horizontal. Conte observa ao centro, enquanto Brando tem sua atenção voltada para Coppola, esperando uma reação do diretor." width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Coppola.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Coppola-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Coppola-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28851" class="wp-caption-text">Uma das maiores virtudes de O Poderoso Chefão é conseguir passar ricas emoções sobre o tema da convivência familiar (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<h5><b>O fardo de ter um elenco dos sonhos </b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Figurinha carimbada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://cm-ob.pt/story-rise"><span style="font-weight: 400;">Marlon Brando</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi escalado para atuar no filme que seria o mais emblemático de sua carreira. Àquela altura de sua fama, o ator estava sendo ‘jogado a escanteio’ para outros projetos, sem o merecido respaldo da crítica. Além disso, somente através de </span><i><span style="font-weight: 400;">O</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Poderoso Chefão </span></i><span style="font-weight: 400;">que Brando conseguiu desvincular qualquer rumor que o colocasse como um profissional limitado, que ainda gozava de um brilho ultrapassado nos tempos de sua adolescência. Don Vito, assim como Rocky (Sylvester Stallone), é um dos poucos </span><a href="https://www.revistabula.com/37897-os-100-personagens-mais-marcantes-da-historia-do-cinema-2/"><span style="font-weight: 400;">personagens do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que encontramos assimilação imediata com seu intérprete. Não tem como enxergar em Marlon Brando outro personagem senão Don Vito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, se engana quem pensa que o ator topou de imediato protagonizar o papel de Vito Corleone. A convite de Coppola, o profissional teve árduas discussões com o jovem diretor até acertar os acordos comerciais da produção. Ao que tudo indica, Marlon teve que abdicar de cerca de </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/hoje-na-historia/10756/hoje-na-historia-1973-marlon-brando-se-recusa-a-receber-oscar-por-o-poderoso-chefao#:~:text=Francis%20Ford%20Coppola%2C%20o%20jovem,havia%20exigido%20uma%20d%C3%A9cada%20antes"><span style="font-weight: 400;">250 mil dólares</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu cachê pessoal. Enquanto o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-a-insana-vida-sexual-de-marlon-brando.phtml?fbclid=IwAR1oXV67KdwH7dxoCwSypmGMCKFAptE79bsvMJ22WAqE0ccAAK1OuHRbeH8"><span style="font-weight: 400;">garanhão</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1950 era veterano de sucesso, Al Pacino, por outro lado, ainda estava longe de ser uma estrela </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De origem pobre e envolvido em diversos problemas de relacionamento, </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/tv/al-pacino-revela-a-complexidade-de-seus-personagens,c6c52d9aa7cd3b0ce61aabb9eab0eb32sxsfz8zp.html"><span style="font-weight: 400;">Al Pacino</span></a><span style="font-weight: 400;"> fugiu de casa aos 19 anos para bancar a escolha pela atuação. Sim, é como se o ator tivesse sido predestinado a seguir carreira artística, afinal sobrava talento. Após ganhar o prêmio </span><a href="https://www.obieawards.com/events/1960s/year-68/"><i><span style="font-weight: 400;">Obie Award</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Ator</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela peça </span><i><span style="font-weight: 400;">The Indian Wants the Bronx, </span></i><span style="font-weight: 400;">os holofotes vieram para que, em 1971, surgisse o convite para atuar pela primeira vez no Cinema em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão </span></i><span style="font-weight: 400;">como Michael Corleone, também a pedido de Coppola.</span></p>
<figure id="attachment_28853" aria-describedby="caption-attachment-28853" style="width: 1050px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Michael.png" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão - Um retrato de Al Pacino ajustando seu figurino e se preparando para a cena dentro do restaurante Louis, localizado no Bronx (NY). A imagem está centrada em Al Pacino, que está de terno, sentado à mesa redonda do restaurante. Em pé aparece um senhor que possivelmente é um assessor técnico de gravação do filme. O senhor em pé está ajustando a gola de Al Pacino. Ele é um senhor branco, de estatura média, calvo, que aparenta ter entre 45 a 50 anos de idade. Enquanto que Al Pacino é um homem branco, de cabelo escovado e liso preto. Ao fundo da imagem percebemos que há pessoas (figurantes) sendo atendidas(os) por um garçom do restaurante." width="1050" height="699" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Michael.png 1050w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Michael-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Michael-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Michael-768x511.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28853" class="wp-caption-text">O desacreditado Pacino teve que mostrar o melhor de Michael Corleone na gloriosa cena do restaurante Louis, indiscutivelmente uma das melhores do filme (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Já imaginou arriscar um papel tão importante nas mãos de um pupilo estreante? E não é que deu certo? É claro que ter o experiente Marlon Brando na equipe também ajudou, mas a atuação de Al Pacino deu de dez à zero em qualquer suspeita sobre suas qualidades cênicas. Em uma entrevista durante o </span><a href="https://www.thedigitalfix.com/the-godfather/al-pacino-almost-fired-but-one-scene-saved-him"><span style="font-weight: 400;">Tribeca Film Festival</span></a><span style="font-weight: 400;">, Robert De Niro confirmou que estava sendo sondado para o papel de Michael, no entanto, confirmou que não haveria ator melhor para executá-lo senão Pacino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas </span><a href="https://comozed.com/onde-foi-filmada-a-cena-do-batismo-em-o-poderoso-chef%C3%A3o"><span style="font-weight: 400;">cenas do hospital e do batizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu enteado, Michael Francis Rizzi (filho de Connie), percebe-se a absurda transformação de Michael de um personagem tímido e confuso, no início, para alguém frio, calculista e inabalável. Num ritmo frenético, a trama expõe como o destino está ligado às escolhas da vida que, apesar de serem imprevisíveis, podem ser irreversíveis. Da mesma forma, pode-se concluir que a caracterização de Al Pacino como um dos protagonistas da família Corleone também reflete na trajetória de um profissional misterioso, porém preparado para executar um personagem desafiador, assim como a carreira e vida pessoal do intérprete.</span></p>
<figure id="attachment_28852" aria-describedby="caption-attachment-28852" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28852" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Michael-Corleone.png" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão - A cena ‘em close’ do ator Al Pacino, um homem branco que aparenta ter 30 anos de idade, centralizado em primeiro plano. Ele tem cabelo escovado e liso para trás. Seus olhos são pretos e sua expressão facial é séria. Seu personagem, Michael Corleone, usa um terno cinza escuro e uma gravata zebra (listrada em preto e branco). Atrás de Michael é possivél enxergar um coral infantil de crianças brancas e sérias olhando na mesma direção que Michael (possivelmente para o padre que coordena o batismo)." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-28852" class="wp-caption-text">Na icônica cena do batismo, a frieza do olhar de Michael Corleone esbanja excentricidade na talentosa atuação de Al Pacino (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<h5><b>Uma história impecável</b></h5>
<p><a href="https://www.estilogangster.com.br/conheca-as-5-familias-mafiosas-de-nova-york/"><span style="font-weight: 400;">Cinco famílias mafiosas</span></a><span style="font-weight: 400;"> detinham o domínio político, militar e econômico na cidade de Nova York dos anos 1950. Porém, apenas uma conseguira conciliar ambição, poder e respeito em suas atitudes: os Corleone. Liderado por seu patriarca siciliano, Don Vito, um homem que administrava seus negócios segundo seus próprios valores éticos e morais, o clã era sinônimo de prestígio e popularidade nas comunidades nova-iorquinas. Construir um império baseado na confiança de terceiros não foi tarefa fácil, mas derrubá-lo através do asssassinato de seu líder seria impensável, devido à rede de alianças firmada entre as cinco famílias &#8211; Corleone, Tattaglia, Barzini, Cuneo e Stracci &#8211; e o governo </span><i><span style="font-weight: 400;">yankee </span></i><span style="font-weight: 400;">que os sustentava.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dessa política clientelista, a regra número um dos Corleone é zelar pelos seus e manter os casais sempre unidos. Como toda estrutura patriarcal, sobretudo daquela época, o legado é passado para o primogênito que, inevitavelmente, será o futuro Don Corleone. Só que nem sempre o mais velho é o mais preparado. Este é o caso de Sonny (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2022/07/07/james-caan-ator-de-o-poderoso-chefao-morre-aos-82-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">James Caan</span></a><span style="font-weight: 400;">), o filho mais intenso e explosivo dos quatro sucessores de Vito. Mulherengo, esquentado e super emocional, Sonny age por impulsos para defender a honra da família e, consequentemente, isso o leva a um destino desastroso, longe de assumir a liderança.</span></p>
<figure id="attachment_28854" aria-describedby="caption-attachment-28854" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28854" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sonny.jpg" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão. Sonny (James Caan) aparece dando um tapa em Carlo Rizzi (Gianni Russo). Na imagem, Carlo se escora em uma parede na qual aparece a propaganda de um cigarro Camel, típico dos anos 1950. Ambos são homens brancos de cabelos ondulados e volumosos. Sonny está vestido com terno completamente azul, enquanto Carlo está com um sobretudo laranja manchado de sangue." width="2048" height="1460" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sonny.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sonny-800x570.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sonny-1024x730.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sonny-768x548.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sonny-1536x1095.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sonny-1200x855.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28854" class="wp-caption-text">Vai, confessa, você também torceu para o Sonny dar um ‘corretivo’ em Carlo nessa cena (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É curioso notar como Vito coordena seus negócios através de um código de conduta que tenta desvincular suas atividades ilícitas ao crime. A palavra ‘máfia’ sequer é mencionada pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">capo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (em italiano, o termo é designado para se referir ao cabeça, líder, chefe). Na visão dele, cassinos e apostas são vícios ligados ao prazer, mas que não são destrutivos como as drogas. Essa recusa em se envolver no narcotráfico, junto aos Tattaglia e Barzini na clássica reunião com </span><a href="https://godfather.fandom.com/wiki/Virgil_Sollozzo"><span style="font-weight: 400;">Sollozzo</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi justamente o que desencadeou a guerra entre as cinco famílias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conflito tem início com um ataque brutal a Vito Corleone, que sofre um atentado à bala e permanece fragilizado no hospital. A partir desse momento, entra em cena o caçula, Michael, um militar aspirante que não possui ligação com os </span><a href="https://melhoreseunegocio.blogspot.com/2016/06/o-poderoso-chefao-10-ensinamentos-para.html"><span style="font-weight: 400;">negócios da família</span></a><span style="font-weight: 400;">. As reviravoltas acontecem e, no final, somos surpreendidos com a rendição dos tiranos e a ascensão de uma nova era. Qual caminho é viável para se manter no poder? A linha tênue entre justiça e vingança realmente existe? Indagações profundas que são lançadas ao espectador que, possivelmente, esteja chocado com as escolhas do sucessor de Don Vito.</span></p>
<figure id="attachment_28856" aria-describedby="caption-attachment-28856" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28856" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Don-Vito.png" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão - Vito aparece sentado em seu escritório recebendo conselhos de seu filho, advogado e consierge Tom Hagen em primeiro plano. Don Corleone é um senhor de idade, branco e italiano, na casa de seus 70 anos e usa um smoking que carrega uma pequena rosa em seu bolso direito do blazer. Apesar de estar de lado para a câmera, Hagen é um homem branco, calvo que aparece se curvando para cochichar no ouvido de Don Vito, no lado esquerdo da imagem." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Don-Vito.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Don-Vito-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Don-Vito-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Don-Vito-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28856" class="wp-caption-text">O homem das ofertas irrecusáveis também precisa escutar conselhos de seu concierge (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<h5><b>Qualquer semelhança não é mera coincidência</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Enaltecer </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão </span></i><span style="font-weight: 400;">hoje em dia</span> <span style="font-weight: 400;">é moleza perante a difícil coragem que Allan Rudy e Coppola tiveram, ainda nos anos 1960, em insistir numa obra polêmica, autêntica, irreverente e perigosa como o </span><a href="https://stringfixer.com/pt/The_Godfather_(novel)"><span style="font-weight: 400;">livro homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Mario Puzo, que deu origem ao enredo. Isso porque, na conjuntura de sua época, seria bem mais convincente investir em ficções que não tivessem vínculo com facções da vida real. Naquele tempo, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount Pictures</span></i><span style="font-weight: 400;">, gigantesca produtora </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana</span></i><span style="font-weight: 400;">, já angariava milhões de dólares com </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-por-um-punhado-de-dolares/"><span style="font-weight: 400;">roteiros clichês de </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e não pretendia se arriscar em conflitar com a grande massa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é que, para a nossa sorte, existia em paralelo o interesse de dois gênios escritores e roteiristas, Rudy e Puzo, em retratar no Cinema aquilo que era um tabu na sociedade: os mafiosos. Apesar de serem excelentes escritores, ambos jamais haviam trabalhado à frente de um </span><a href="https://www.bol.uol.com.br/fotos/2017/03/15/45-curiosidades-de-o-poderoso-chefao-classico-do-cinema-que-faz-45-anos.htm?mode=list&amp;foto=5"><span style="font-weight: 400;">projeto tão gigantesco</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobretudo, sequer haviam escrito e produzido para </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, era inegável o empenho e força de vontade em levar para a Sétima Arte uma história que se aproximasse mais do povo.</span></p>
<figure id="attachment_28857" aria-describedby="caption-attachment-28857" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28857" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/The-Offer.jpg" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão. Os atores Patrick Gallo e Dan Fogler estão juntos interpretando, respectivamente, Mário Puzzo e Francis Ford Coppola. Esta imagem retrata a cena na qual ambas as personagens do seriado ‘The Offer’ aparecem sentadas em um sofá discutindo o planejamento do filme The Godfather. Puzzo é um senhor gordo italiano, na casa de seus 50 anos de idade, e está fumando um charuto. Coppola também é gordo,branco e, diferente de Puzzo, possui uma barba densa e preta. Ambos usam óculos e têm cabelo comprido liso." width="1200" height="628" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/The-Offer.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/The-Offer-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/The-Offer-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/The-Offer-768x402.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28857" class="wp-caption-text">A série <a href="https://personaunesp.com.br/the-offer-critica/">The Offer</a>, original do Paramount+, resgata as memórias dos bastidores do filme e todos os obstáculos que foram travados para que The Godfather pudesse entrar em cartaz (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O jeito de agir, se comportar e relacionar, e muitos outros </span><a href="https://theseventies.berkeley.edu/godfather/2018/06/06/a-family-in-celebration-and-in-transition-the-godfathers-opening-wedding-scene/"><span style="font-weight: 400;">elementos sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> presentes na família de Don Vito Corleone assustavam e incomodavam os verdadeiros chefões do crime organizado. O compromisso com a verossimilhança era tanto que o filme sofreu ameaças e boicotes por parte das comunidades italianas. Nem isso impediu o triunfo do clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há boatos de que a mera apresentação do romance escrito por Mario Puzo também desagradou a classe artística. Em especial, músicos ítalo-americanos que se apresentavam em restaurantes e cassinos badalados dos anos 1960. Sim, ele mesmo: </span><a href="https://www.revistabula.com/1600-o-drama-de-frank-sinatra-nas-maos-de-don-corleone/"><span style="font-weight: 400;">Frank Sinatra</span></a><span style="font-weight: 400;">. Segundo relatos de Puzo, Sinatra teria ido contra o livro por pensar que o personagem Johnny Fontane era inspirado em sua autobiografia. Além de temer que as pessoas o associassem ao cantor decadente da obra, o astro do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">argumentava que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão </span></i><span style="font-weight: 400;">prejudicava a imagem da comunidade italiana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de produzir um filme, no momento de seleção de elenco, é natural que se escolha atores que melhor se encaixem no perfil estereotipado do roteiro de gravação. Mas e quando, sem querer, se descobre que a vida pessoal dos atores casa perfeitamente com o propósito das personagens? Foi o que aconteceu com o ator </span><a href="https://cinemaclassico.com/listas/curiosidades-al-pacino/"><span style="font-weight: 400;">Alfredo James Pacino</span></a><span style="font-weight: 400;">, também conhecido como Al Pacino. Nascido e criado no Bronx, Pacino era neto de imigrantes italianos, naturais de Corleone, província siciliana que também é retratada no filme de Coppola.</span></p>
<figure id="attachment_28855" aria-describedby="caption-attachment-28855" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28855" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/J.-Fontane.png" alt="Cena do filme O Poderoso Chefão - Vito aparece dando conselhos a Johnny Fontane em primeiro plano e Sonny aparece ofuscado atrás de seu pai em segundo plano. Johnny é um rapaz branco, com cabelo escovado para trás, típico dos cantores dos anos 1950. Fontane está de costas para a foto. Vito está com a testa franzida e aparece com uma expressão facial de preocupação. Don Corleone e seu filho Sonny estão vestidos de smoking para o casamento de Connie. Vito carrega uma rosa no paletó." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-28855" class="wp-caption-text">Johnny Fontane é um ator que se vê em decadência pela desmotivação do ramo artístico e uma crise de autoestima, e adivinhem a quem ele recorre (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dos elementos técnicos essenciais de filmagem, outra característica marcante se dá pela quebra de clichês presentes nas obras contemporâneas ao seu lançamento. </span><a href="https://ofilmaco.com.br/tres-homens-em-conflito-sabe-dosar-os-cliches-do-genero-western-com-momentos-epicos/"><span style="font-weight: 400;">Clint Eastwood</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/roberto-sadovski/2020/06/12/e-o-vento-levou-apagar-filmes-da-historia-nao-vai-apagar-o-racismo.htm"><span style="font-weight: 400;">Clark Gable</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-10-31/sean-connery-o-ator-que-se-consagrou-como-james-bond-mas-nao-ficou-refem-do-personagem.html"><span style="font-weight: 400;">Sean Connery</span></a><span style="font-weight: 400;"> são fantásticos, mas alimentavam fantasias previsíveis. Assassinar o protagonista e frustrar a jornada desses heróis estava fora de cogitação. Para falar a verdade, até hoje é raro encontrar narrativas que saibam romper com as expectativas do público positivamente, quem dirá permanecer durante meio século como modelo de dramaturgia.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a isso tudo, está mais do que provado ser impossível não amar este icônico trabalho que, não à toa, foi indicado e ganhou </span><a href="https://www.imdb.com/list/ls002206094/"><span style="font-weight: 400;">diversos prêmios</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão </span></i><span style="font-weight: 400;">coleciona, ao todo, 17 prêmios, das 25 vezes em que foi indicado. Talvez o descrédito do público que queria boicotá-lo tenha sido o combustível necessário para fazer do filme o melhor de todos os tempos. Depois de receber, merecidamente, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Filme em 1972, o seu nobre reconhecimento mundial o fez pioneiro na arte de encenar a máfia nas telonas.</span></p>
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		<title>As verdades oblíquas de Dickinson</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Jun 2022 18:41:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda O que esperamos de histórias biográficas? Quando olhamos para o passado e para as pessoas que viveram nele, buscamos nos identificar com elas? Ou apenas recontextualizar suas vidas e seus modos para inferir sobre nossa própria contemporaneidade? Buscamos fundo em seus registros para demarcar a fidelidade com nossa atual realidade ou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dickinson-3a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As verdades oblíquas de Dickinson"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_27834" aria-describedby="caption-attachment-27834" style="width: 1486px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27834 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-1.jpg" alt="Cena da série Dickinson. Emily (Hailee Steinfeld) está sentada em sua escrivaninha, de frente para uma janela no centro da imagem. É dia, e uma cortina transparente cobre a janela. Emily se vira para a esquerda para observar alguma coisa, preocupada. Ela é uma mulher jovem, caucasiana e magra, de cabelos castanhos-escuros longos amarrados num coque. Ela usa um longo vestido azul marinho de mangas longas. Do seu lado esquerdo, vemos a ponta de um guarda roupa de madeira com alguns livros empilhados no topo e vários outros espalhados ao chão, apoiados num caixote. Ao seu lado direito, mais livros espalhados no chão e outros guardados numa pequena estante que vai até a altura da cintura e outra, acima dela, fixada na parede. Em uma pequena mesa ao seu lado, vemos dois livros maiores apoiados. No canto inferior direito, folhas verdes de uma planta aparecem. O papel de parede do quarto é coberto de flores e folhas sob um fundo bege." width="1486" height="991" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-1.jpg 1486w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-1-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27834" class="wp-caption-text">“Conta toda a verdade, mas de viés —/O melhor caminho é o Círculo/Nosso frágil Prazer se ofusca/Se a Verdade vêm de súbito” (DICKINSON, 1872, p. 327)² [Foto: Apple TV+]</figcaption></figure><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que esperamos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/king-richard-critica/"><span style="font-weight: 400;">histórias biográficas</span></a><span style="font-weight: 400;">? Quando olhamos para o passado e para as pessoas que viveram nele, buscamos nos identificar com elas? Ou apenas recontextualizar suas vidas e seus modos para inferir sobre nossa própria contemporaneidade? Buscamos fundo em seus registros para demarcar a fidelidade com nossa atual realidade ou apenas nos contentamos em preencher as lacunas de suas vidas para servir às histórias que desejamos contar, usando suas carcaças como figurinos e suas faces como máscaras?</span></p>
<p><span id="more-27833"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda história é, por sua natureza, uma fantasia. Até quando buscamos representar factualmente determinados eventos, inevitavelmente olhamos para o passado e o registramos conforme nossas interpretações. Mesmo na ficção histórica (e talvez especialmente nela), que se preza na verossimilhança e acuidade de seu contexto, a procura por criar uma representação factual da realidade, por mais meticulosa que seja, não passa de vaidade. Uma série como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zJtgs_5SQyQ"><i><span style="font-weight: 400;">Downton Abbey</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> provavelmente possui mais pontos em comum com </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-witcher-lenda-do-lobo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Witcher</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do que com a vida da aristocracia britânica no século XX, mesmo que sua apresentação tente te convencer que não.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante três exímias temporadas de Televisão, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n1AVra7oHrI"><i><span style="font-weight: 400;">Dickinson</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos ofereceu um vislumbre do que é possível se alcançar quando deixamos os fatos de lado e paramos de nos importar com a coesão do passado como uma fantasia. A série da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixou sua marca ao encarar seus anacronismos não como erros, mas como ferramentas para contar a história dos anos formadores de uma das mais famosas poetisas da Literatura americana. Entre 2019 e 2021, acompanhamos o crescimento de Emily Dickinson (interpretada pela brilhante </span><a href="https://personaunesp.com.br/gaviao-arqueiro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Hailee Steinfeld</span></a><span style="font-weight: 400;">) como artista, amante e uma pessoa que viveu não só em seu tempo, mas muito além dele.</span></p>
<p><figure id="attachment_27835" aria-describedby="caption-attachment-27835" style="width: 679px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27835 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-2-679x800.jpg" alt="Daguerreótipo de Emily Dickinson, tirado aproximadamente em 1848. Foto em preto e branco de Emily Dickinson sentada em uma cadeira, com o cotovelo esquerdo apoiado numa mesa, segurando uma flor com a mão direita. Emily é uma mulher jovem, caucasiana e magra, de cabelos escuros amarrados para trás, usando um vestido escuro com um colarinho claro adornado por um laço escuro. Na mesa ao seu lado há um livro fechado de capa escura. O fundo atrás de Emily é cinza escuro." width="679" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-2-679x800.jpg 679w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-2-870x1024.jpg 870w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-2-768x904.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-2-1200x1413.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27835" class="wp-caption-text">“Esse, era um Poeta —/Aquele/Que destila o senso incrível/Do Sentido Comum —/A Essência indescritível” (DICKINSON, 1862, p. 409)¹ [Foto: Amherst College]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Iniciando sua narrativa pouco antes da </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-foi-guerra-secessao.htm"><span style="font-weight: 400;">Guerra Civil dos Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, período no qual Dickinson produziu e preservou a maior parte de seus poemas, a primeira temporada planta as sementes de seus conflitos pessoais utilizando a tragédia iminente como prenúncio das cisões que irão ocorrer dentro de seu núcleo familiar. Conhecida por sua reclusão, Emily passou a maior parte da vida na casa de seu pai, Edward (interpretado na série por Toby Huss), e nunca se casou, usando sua posição social para se concentrar em sua escrita, embora pouco de sua poesia tenha sido publicada enquanto ela estava com vida. Devemos muito à sua irmã, Lavinia (Anna Baryshnikov), a pessoa que mais arduamente batalhou para que eles fossem eventualmente publicados após sua morte em 1886.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro ano da produção estreou com o serviço de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, junto com outros seriados como </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-morning-show-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Morning Show</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eia3VGiVF-U"><i><span style="font-weight: 400;">See</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, procurava fisgar novos assinantes para a plataforma. Diferente deles, no entanto, todos os seus oito episódios ficaram disponíveis imediatamente, seguindo o </span><a href="https://arteref.com/opiniao/a-maratonas-fazem-mal-a-sua-saude-e-a-netflix-nao-quer-falar-a-respeito/"><span style="font-weight: 400;">formato estabelecido pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Seja por não confiar que apenas o nome de Hailee Steinfeld fosse suficiente para trazer o público jovem ou pela falta de fé em uma comédia histórica, fato é que </span><i><span style="font-weight: 400;">Dickinson </span></i><span style="font-weight: 400;">se provou forte o bastante em sua narrativa para angariar uma recepção majoritariamente positiva, apesar de sua premissa rebelde e de seu elenco nem tão famoso. Na verdade, o maior obstáculo de sua primeira temporada está justamente em tal formato, que falha em reconhecer o ritmo dos capítulos episódicos, e seriam melhor aproveitados semanalmente, o que foi remediado em temporadas seguintes.</span></p>
<p><figure id="attachment_27836" aria-describedby="caption-attachment-27836" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27836 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-3.jpg" alt="Cena da série Dickinson. Austin (Adrian Enscoe) e Lavinia (Anna Baryshnikov) estão virados para frente da câmera, olhando para algo à direita. Austin (à direita) se inclina na direção de Lavinia (à direita), dizendo algo para ela com uma expressão de estranhamento. Austin é um homem caucasiano e magro de cabelos pretos lisos, pretos e longos, penteados para trás, usando um terno preto por cima de um colete bege e uma gravata de lenço azul clara. Lavinia é uma mulher caucasiana e magra, de cabelos loiros longos, amarrados para trás, com uma expressão de perplexidade no rosto. Ela usa um vestido preto com um colete leve por cima, adornado de pequenas flores azuis. Atrás deles, à direita, fora de foco, podemos ver uma parede de madeira pintada de vermelho. À esquerda, algumas árvores no fundo cobrem o fundo e, entre Austin e Lavinia, um canteiro de flores rosas." width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-3.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27836" class="wp-caption-text">“Sozinha, não posso estar —/Recebo visita — de Hostes —/Companhia sem registro/Que desdenha Chaves —” (DICKINSON, 1862, p. 247)¹ [Foto: Apple TV+]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Além de usar a futura guerra como pano de fundo das mudanças sociais que ocorreriam na família Dickinson, a temporada se estrutura ao redor do casamento de seu irmão, Austin (Adrian Enscoe), com Sue Gilbert (Ella Hunt), melhor amiga e grande paixão da vida de Emily. Se por um lado as ambições de Austin vão de encontro à natureza inflexível e conservadora de seu pai, é a poetisa que fica presa no fogo cruzado entre as expectativas dele e de sua mãe (</span><a href="https://personaunesp.com.br/unbreakable-kimmy-schmidt-filme-interativo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jane Krakowski</span></a><span style="font-weight: 400;">) para com as mulheres da família e o desejo de se tornar uma escritora de renome. Apesar de se caracterizar principalmente pelas situações cômicas na família Dickinson, o tom da série se flexibiliza para acomodar as tensões dramáticas entre seus membros sem recorrer a piadas para resolver os argumentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte dos roteiros assinados pela criadora da série, Alena Smith, são focados na </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/tv/story/2021-01-15/emily-dickinson-apple-tv-season-2-season-3-alena-smith"><span style="font-weight: 400;">ânsia de Emily</span></a><span style="font-weight: 400;"> em ter seu trabalho apreciado e, especificamente, como ela, uma mulher que recusou ser publicada diversas vezes, se relacionava com o conceito de fama. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Dickinson</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua personagem central tem a liberdade de existir não como um registro, mas como uma interpretação passível de mudanças, crises, defeitos e genialidade. E ninguém seria capaz de entregar essa personagem com mais confiança do que Hailee Steinfeld.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">com apenas 14 anos por seu trabalho em </span><a href="https://personaunesp.com.br/bravura-indomita-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Bravura Indômita</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2010), a jovem atriz foi capaz de escolher trabalhos com cautela e paciência, além de experimentar com Música e dublagem, onde foi aclamada por seus papéis em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SS6ABPkfmBE"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha no Aranhaverso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/arcane-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Arcane</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Com uma carreira ainda jovem e um dos exemplos do papel da fama na era digital, Steinfeld encarna uma Emily Dickinson ainda crescendo para se tornar a poetisa que viria a ser, mudada tanto pela in</span><span style="font-weight: 400;">terferência de sua família quanto pelos eventos ao seu redor. Sua interpretação dá vida ao texto de Smith, que encontra nela a figura perfeita da heroína-poeta da série, refutando e recontextualizando as ideias que temos da figura histórica antes de conhecê-la.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Dickinson — From Dickinson, With Love | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1pn3IQDBeRA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo tendo sido avisada pela figura da Morte (interpretada por um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0_EUqlE-mw4"><span style="font-weight: 400;">Wiz Khalifa insanamente descolado</span></a><span style="font-weight: 400;">) de que há uma guerra a caminho, na qual “</span><i><span style="font-weight: 400;">irmão lutará contra irmão</span></i><span style="font-weight: 400;">”, a maior parte da primeira temporada retrata a sociedade (majoritariamente branca) de Amherst, Massachusetts em estado de negação. Todos se preocupam com os atritos entre Norte e Sul, bem como o sofrimento dos escravizados, mas para a alta classe, é apenas uma diferença de opinião, carecendo de um peso real em suas vidas. Essas angústias se fazem presentes principalmente em Henry (Chinaza Uche), um empregado negro dos Dickinsons que eventualmente começa um jornal clandestino em Amherst com a ajuda de Austin. Até mesmo Emily têm de encarar sua própria posição social quando implora para que ele aceite o papel de </span><a href="https://lombadaquadrada.com/2017/05/07/qual-a-cor-de-otelo/"><span style="font-weight: 400;">Otelo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua peça no quinto episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu tenho medo de possuir um corpo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Emily e sua família e amigos, aparições especiais recorrentes de grandes nomes da Literatura americana (quase sempre interpretados por grandes nomes da comédia americana) compõem a sátira histórica da produção, que frequentemente reexamina seus próprios limites com base em sua trama anacrônica. Além de contemporâneos como Henry David Thoreau (John Mulaney) e Louisa May Alcott (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-flight-attendant-critica/"><span style="font-weight: 400;">Zosia Mamet</span></a><span style="font-weight: 400;">), a série também arruma jeitos inventivos de fazer a poetisa se encontrar com o já então falecido Edgar Allan Poe (</span><a href="https://personaunesp.com.br/big-mouth-5a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Nick Kroll</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Sylvia Plath (Chloe Fineman), escritora que só nasceria no século seguinte. Essa gama de oportunidades ajuda a criar um retrato dos Estados Unidos que, apesar de parecer caricato, o torna mais vivo e engajante do que uma simples produção de época.</span></p>
<p><figure id="attachment_27839" aria-describedby="caption-attachment-27839" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27839 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-4-2.jpg" alt="Cena da série Dickinson. Emily (Hailee Steinfeld) se senta ao lado da Morte (Wiz Khalifa), em sua carruagem, apoiando a cabeça em seu ombro, virados para a câmera. Emily (à direita) é uma mulher caucasiana e magra, de cabelos castanhos-escuros longos, usando um vestido vermelho suntuoso e batom vermelho, com as mãos apoiadas em seu colo. A Morte é um homem negro e magro, com cabelos pretos amarrados em dreadlocks, usando um terno preto por cima de um colete azul-escuro, deixando entreaver parte de seu peito tatuado, com um relógio de bronze preso ao colete, óculos azuis apoiados an ponta do nariz e uma cartola preta, com as mãos em seu colo. Os dois se sentam num sofá azul marinho apoiado numa parede enfeitada por flores azuis num fundo azul escuro. Duas prateleiras de madeira escura, à esquerda e à direita das personagens, guardam garrafas com líquidos de variados tons. Acima da cabeça de Emily, um frasco verde com um rótulo está apoiado numa prateleira entre as outras duas. Do lado direito, uma lâmpada antiga de óleo com acabamentos dourados está acesa e ilumina a cena." width="2500" height="1563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-4-2.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-4-2-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-4-2-1024x640.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-4-2-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-4-2-1536x960.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-4-2-2048x1280.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-4-2-1200x750.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27839" class="wp-caption-text">“Já que não pude parar para a Morte —/Ela parou gentil, a Carruagem —/Que só levava Nós Duas —/E a imortalidade —” (DICKINSON, 1862, p. 439)¹ [Foto: Apple TV+]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Se a primeira temporada é definida pela negação de Emily em frente ao casamento de Sue e da sociedade liberal em relação ao prospecto de guerra civil, a segunda é guiada por pura antecipação. A jogada mais acertada de seu roteiro é a de separar emocionalmente Sue tanto de seu marido quanto de sua melhor amiga, </span><a href="https://www.digitalspy.com/tv/ustv/a38450891/dickinson-season-3-sue-ella-hunt-emisue/"><span style="font-weight: 400;">dando oportunidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> à atriz Ella Hunt de encontrar na figura trágica de sua personagem uma mulher que teme não ser suficiente para ser amada, e que deixa sua condição de objeto de desejo para trás e se torna agente da própria felicidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, todos os sonhos de Emily parecem de repente estar ao seu alcance, graças à introdução do misterioso Samuel Bowles (</span><a href="https://personaunesp.com.br/punho-de-ferro-serie/"><span style="font-weight: 400;">Finn Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">), um editor interessado em publicar os seus poemas. No que é talvez o melhor episódio da temporada (e talvez até mesmo o melhor da série), </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou Ninguém! Quem é você?</span></i><span style="font-weight: 400;">, a poetisa fica literalmente invisível após ter sua poesia impressa no jornal de Bowles, e é capaz de vagar pela cidade ouvindo tudo que dizem a seu respeito, mas sem nunca respondê-los. No que se transforma em uma reflexão inventiva e divertida sobre reconhecimento e felicidade, as tramas de Emily e do futuro da América se entrelaçam junto de suas personagens e terminam com uma revelação chocante.</span></p>
<p><figure id="attachment_27840" aria-describedby="caption-attachment-27840" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27840 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-5.jpg" alt="Cena da série Dickinson. Sue (Ella Hunt) e Emily (Hailee Steinfeld) estão deitadas juntas numa cama, cobertas apenas por um lençol, dando as mãos e olhando apaixonadamente uma para a outra. Sue (à esquerda) é uma mulher caucasiana e magra de cabelos pretos e longos e Emily (à direita) é uma mulher caucasiana e magra de cabelos castanhos-escuros e longos. Sue apoia sua cabeça com o braço esquerdo, dando a mão direita à Emily, que apoia a própria cabeça com o braço esquerdo e deixa sua mão esquerda ser segurada por Sue. A câmera as observa de cima, capturando-as da cintura para cima. Embaixo do lençol branco, no canto inferior esquerdo da tela, podemos ver uma coberta dourada arrastada para baixo. A cena é iluminada por uma luz amarela e quente." width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-5.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27840" class="wp-caption-text">“Derramei o orvalho —/Mas salvei a manhã —/Escolhi a estrela cadente/No infinito da noite—/Susan — eternamente!” (DICKINSON, 1859, p. 53)¹ [Foto: Apple TV+]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Abandonando de vez o “modelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">”, a segunda temporada teve seus episódios disponibilizados semanalmente, construindo o momento entre público e personagens até o </span><i><span style="font-weight: 400;">season finale</span></i><span style="font-weight: 400;"> (habilmente titulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Não se pode extinguir uma Chama</span></i><span style="font-weight: 400;">). Nele, o relacionamento de Emily e Sue é finalmente desvendado perante elas mesmas e a poetisa toma decisões drásticas para seu futuro, entregando algumas das cenas </span><a href="https://www.thewrap.com/dickinson-season-3-episode-9-sex-scene-hailee-steinfeld-ella-hunt-interview/"><span style="font-weight: 400;">mais intensas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série e fazendo ótimo uso da química entre Hunt e Steinfeld. Marcado justamente por negar ao público aquilo que ele quer até o último momento possível, é o capítulo mais intenso e romântico da história até então, terminando com o estopim da Guerra de Secessão e a família Dickinson em pé de guerra consigo mesma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apresentando uma história de amor complexa entre duas mulheres no coração de sua narrativa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dickinson </span></i><span style="font-weight: 400;">estabelece desde cedo sua dedicação a uma visão não-higienizada do </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">no século XIX. Seja passeando em bares clandestinos na companhia de Walt Whitman (Billy Eichner) ou auxiliando um grupo de pacientes a escapar de um manicômio, tanto Emily quanto a série recusam a heteronormatividade de histórias de época e encontram na figura do “outro” um espelho da atualidade e uma celebração de suas vidas e dores. Não há como escapar do </span><a href="https://flaviax.medium.com/afinal-o-que-%C3%A9-female-gaze-a9bbf3637a44"><i><span style="font-weight: 400;">female gaze</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que Alena Smith e companhia jogam sobre os Estados Unidos dos anos 1800, nem da radicalidade das figuras históricas que viveram lá.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Dickinson — Season 3 Official Trailer | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/JLroeg_CTVw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Como a estrofe final da poesia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dickinson</span></i><span style="font-weight: 400;">, a terceira temporada não demorou muito para chegar, estreando menos de um ano após a segunda. Seu último episódio foi poeticamente lançado na manhã da véspera de Natal, como um presente de despedida ao seu público cativo. Nele, Emily tem de mediar as tensões entre seu pai e Austin na tentativa de manter seu relacionamento com Sue, mas logo percebe que tanto a guerra que ocorre em volta deles quanto </span><a href="https://noticias.plu7.com/105280/internacional/dickinson-usa-a-guerra-civil-para-explorar-divisoes-modernas/"><span style="font-weight: 400;">os conflitos pessoais</span></a><span style="font-weight: 400;"> talvez sejam maiores do que qualquer verso que ela possa escrever.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série se derrama com vigor sobre o racismo no cerne de seu período histórico, em uma temporada dedicada à reflexão sobre o que o futuro reserva para ela e seu país. Ela expande ainda mais o papel de Henry, que agora busca educar os soldados do primeiro batalhão de negros dos Estados Unidos, enquanto passa por seus próprios conflitos internos. Também temos a inclusão da ativista </span><a href="https://www.geledes.org.br/sojourner-truth/"><span style="font-weight: 400;">Sojourner Truth</span></a><span style="font-weight: 400;">, interpretada pela comediante e apresentadora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_m0H7DyqsJ0"><span style="font-weight: 400;">Ziwe</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também trabalhou como editora dos roteiros da temporada, além de ter escrito </span><i><span style="font-weight: 400;">O futuro jamais falou</span></i><span style="font-weight: 400;">, episódio no qual Emily viaja no tempo junto de Lavinia através de um gazebo mágico e pode testemunhar em primeira mão seu impacto na história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do crescente absurdo dessas premissas (no episódio seguinte Emily mergulha num submundo psicodélico em que confronta seus piores medos), o último episódio escolhe terminar dispensando euforia ou drama, numa paz serena que de maneira elegante traduz a vida de sua protagonista:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Mesmo que eu não possa mudar o mundo, vou continuar escrevendo. Mesmo que ninguém se importe. Mesmo que não faça diferença alguma que tenha existido uma pessoa chamada Emily Dickinson que se sentava neste quartinho, dia após dia, e escrevia coisas apenas porque as sentia.”</span></p></blockquote>
<p><figure id="attachment_27841" aria-describedby="caption-attachment-27841" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27841 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-6.jpg" alt="Cena da série Dickinson. Emily (Hailee Steinfeld), vestida como um soldado da União, se abaixa sobre um corpo no meio de um campo aberto em um dia claro e frio, com árvores sem folhas ao fundo e grama amarela no chão. Emily é uma mulher caucasiana e magra, de cabelos castanhos-escuros amarrados para trás, com mechas soltas em ambos os lados da cabeça, usando um uniforme azul-escuro. Ela segura uma espingarda antiga com o braço direito, apontada para a esquerda, enquanto sua outra mão vai até o corpo de um soldado caído. Podemos ver apenas uma mão de pele clara na borda inferior. Nas costas, Emily carrega uma mochila pequena com um cobertor enrolado amarrado no topo. Ela usa um boné militar de pano azul escuro com topo reto e inclinado para frente. Emily olha para o corpo no chão com uma expressão preocupada." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-6.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27841" class="wp-caption-text">“Minha vida era — uma Espingarda Armada —/Num Canto — até que um Dia/Veio o Dono — identificou/E Me levou em companhia —” (DICKINSON, 1863, p. 671)¹ [Foto: Apple TV+]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Você pode ter notado, se tiver um olhar atento, que em nenhum momento essa crítica mencionou em detalhes os poemas de Emily Dickinson, exceto ao citar os títulos de seus episódios (Emily notoriamente não gostava de dar nome aos seus poemas, por isso a maioria dos pesquisadores se refere a eles pelo primeiro verso da primeira estrofe). Cada capítulo acompanha ela na elaboração de um desses poemas, que surgem da sua relação com a sociedade, sua família e amigos, e sua própria vida interior, tomando forma nas </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2021/01/20/interna_cultura,1230560/finalmente-em-portugues-a-obra-completa-da-poeta-emily-dickinson.shtml"><span style="font-weight: 400;">palavras centenárias</span></a><span style="font-weight: 400;"> que lemos até hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a verdade é que a força de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dickinson</span></i><span style="font-weight: 400;"> não está em nos contar como cada poema aconteceu, mas em tirar deles &#8211; o registro mais importante e longevo da vida de sua protagonista &#8211; a história de uma mulher que realmente viveu. Em pequenas coisas como o amor dela pelas flores, plantas e abelhas (alucinadas ou não) em seu jardim, na ironia mordaz de seus versos ou na obsessão com a morte e a rejeição da fama como a entendemos, a série incorpora o corpo de trabalho de Emily na própria fábrica de sua produção e </span><a href="https://www.emilydickinsonmuseum.org/emily-dickinson/poetry/tips-for-reading/major-characteristics-of-dickinsons-poetry/#:~:text=Like%20just%20about%20all%20of,than%20one%20manuscript%20version%20exists."><span style="font-weight: 400;">se torna indivisível da mesma</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><figure id="attachment_27844" aria-describedby="caption-attachment-27844" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27844 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-7-1-1.png" alt="Cena da série Dickinson. Emily (Hailee Steinfeld) acorda deitada em um caixão inclinado, segurando um ramo de flores brancas, de vestido preto. Emily é uma mulher caucasiana e magra, de cabelos castanhos-escuros longos, amarrados para trás, olhando para a esquerda, confusa. À esquerda e à direita, vemos cortinas pretas bloqueando parcialmente a entrada de luz e, acima dela, alguns ramos de flores púrpuras, brancas e verdes decoram o funeral." width="1600" height="868" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-7-1-1.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-7-1-1-800x434.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-7-1-1-1024x556.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-7-1-1-768x417.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-7-1-1-1536x833.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/dickinson-7-1-1-1200x651.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27844" class="wp-caption-text">“Senti um Funeral no Cérebro,/Aqui e ali Gente de Luto/Ia e voltava — até perder/O sentido do absoluto —” (DICKINSON, 1862, p. 319)¹ [Foto: Apple TV+]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Tão indivisível que, como a própria Emily Dickinson, permaneceu ostensivamente longe das grandes premiações da Televisão americana tais como o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou o Globo de Ouro — apesar de ter ganhado o prestigioso</span> <a href="https://peabodyawards.com/award-profile/dickinson/"><i><span style="font-weight: 400;">Peabody Award</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">por sua releitura histórica inusitada. De fato, é difícil não traçar paralelos entre a invisibilidade da personagem naquele episódio tão célebre e a ausência de sua atriz dos nomes indicados a esses prêmios. Enquanto isso, </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2021/09/ninguem-acredita-que-serie-da-netflix-foi-indicada-ao-emmy"><span style="font-weight: 400;">a outra </span><i><span style="font-weight: 400;">Emily</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> concorria a estatueta de Melhor Comédia no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa falta de reconhecimento causa frustração, principalmente entre aqueles que acompanharam a série desde o seu princípio e testemunharam a evolução de sua narrativa. Porém, é importante ressaltar que, mesmo que Emily não tenha sido uma poeta publicada, ela nem por isso foi anônima. Parte de seu legado vive graças à </span><a href="https://revistacontinente.com.br/edicoes/238/cartas-de-emily-dickinson"><span style="font-weight: 400;">extensa quantidade de poemas enviados</span></a><span style="font-weight: 400;"> a amigos, familiares e colegas que ela admirava e que a admiravam de volta. No episódio citado anteriormente, Emily descobre que há felicidade, e até mesmo euforia, nas alegrias secretas que compartilhamos com aqueles que amamos.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Como os magos faziam, ela era capaz de fixar as aparições fantasmagóricas que passavam por seu cérebro, remetendo-as de volta, em forma pitoresca, aos seus amigos. Estes, encantados com sua simplicidade e familiaridade, tanto quanto com a sua profundidade, reclamavam que ela houvesse tornado palpáveis demais aquelas fantasias tão fascinantes quanto fugazes. Tão íntima e apaixonada, era uma parte do céu de março, um dia de verão ou um aviso de pássaro.” </span><em><span style="font-weight: 400;">&#8211; Obituário de Emily Dickinson, por Susan Gilbert Dickinson, 18 de maio de 1886¹</span></em></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O impacto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dickinson</span></i><span style="font-weight: 400;"> não será medido na quantidade de estatuetas que ela leva atreladas ao seu nome, mas nos sentimentos que carrega consigo e nas pessoas que foram tocadas por sua narrativa e suas personagens. Sua imortalidade — outro dos temas extensivamente explorados pela poetisa — não se encontrará na fama, mas a série faz as pazes com isso para levar as palavras de sua figura central na ponta da língua e no seio de sua história:</span></p>
<blockquote><p>“O Pra Sempre — é feito de Agoras —<br />
Não é um tempo distinto —<br />
Exceto a infinitude —<br />
E a Latitude do Recinto —</p>
<p>Deste — Aqui experimentado —<br />
Remova as Datas — e os Danos —<br />
Deixe os Meses fundirem-se os Meses —<br />
E Anos — exalarem Anos —</p>
<p>Sem Debates — Ou Pausas —<br />
Ou Dias de Festa — Ou Registro —<br />
Nossos Anos não serão diferentes<br />
Dos de Depois de Cristo —”</p>
<p><span style="font-weight: 400;">DICKINSON, 1863, p. 631¹</span></p></blockquote>
<hr />
<p>¹<span style="font-weight: 400;">DICKINSON, Emily. </span><b>Poesia completa</b><span style="font-weight: 400;">: v. 1. Os fascículos. Tradução por </span><span style="font-weight: 400;">Adalberto Müller. 2. reimpressão. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2020. 888 p.</span></p>
<p>²<span style="font-weight: 400;">DICKINSON, Emily. </span><b>Poesia completa</b><span style="font-weight: 400;">: v. 2. Folhas soltas e perdidas. Tradução por </span><span style="font-weight: 400;">Adalberto Müller. 1. reimpressão. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2021. 768 p.</span></p>
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