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	<title>Arquivos Colin Farrell &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Pinguim mostra que Gotham é mais cruel quando o Batman não está por perto</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Sep 2025 14:40:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso Se The Batman (2022) já tinha mostrado uma Gotham encharcada de corrupção e sombras, Pinguim – seu spin-off na HBO Max – vai além do que era esperado: mergulhando no fundo do submundo, onde não existem ‘mocinhos’, somente aqueles que lutam para sobreviver ou dominar. A série mergulha no caos e mostra que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pinguim-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Pinguim mostra que Gotham é mais cruel quando o Batman não está por perto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35746" aria-describedby="caption-attachment-35746" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35746" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem1-800x450.png" alt="Cena da série Pinguim. A imagem mostra Oswald Cobblepot de frente, vestindo um casaco de couro preto, camisa branca e gravata escura, em um ambiente de arquitetura gótica com arcos de pedra e janelas altas. Ele encara algo fora de cena com uma expressão rígida e desconfiada, transmitindo tensão e autoridade. A luz suave que entra pelas janelas destaca o contraste entre a frieza do cenário e o tom sombrio do personagem, reforçando o clima dramático da narrativa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35746" class="wp-caption-text">Em Pinguim conhecemos um vilão que dá pena — curiosamente, o que ele mais odeia que sintam dele (Foto: Macall Polay/HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Batman</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022) já tinha mostrado uma Gotham encharcada de corrupção e sombras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pinguim</span></i><span style="font-weight: 400;"> – seu </span><i><span style="font-weight: 400;">spin-off</span></i><span style="font-weight: 400;"> na </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> – vai além do que era esperado: mergulhando no fundo do submundo, onde não existem ‘mocinhos’, somente aqueles que lutam para sobreviver ou dominar. A série mergulha no caos e mostra que o verdadeiro medo não está na máscara, mas na ausência dela, entre as conversas frias onde o poder é vendido em pedaços e a lealdade vale menos que um dólar sujo.</span></p>
<p><span id="more-35744"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro disso está Oswald Cobblepot, o Pinguim. Colin Farrell aparece irreconhecível, diante de um trabalho incrível da equipe de </span><a href="https://youtu.be/tpY1NL5Pmzk?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> – liderada pelo maquiador protético Mike Marino. Porém, é no jeito de ser do personagem que o enredo fica mais sério. Oz, como é conhecido por todos, é um vilão que dá medo e pena ao mesmo tempo – um gângster que mistura astúcia de rua com a vulnerabilidade de quem sabe que o mundo pode virar do avesso em um piscar de olhos. O primeiro episódio,</span><i><span style="font-weight: 400;"> After Hours</span></i><span style="font-weight: 400;">, já deixa isso claro, provando que o clima é sombrio, pesado e íntimo demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sofia Falcone, interpretada com uma pegada feroz e elegante por </span><a href="https://personaunesp.com.br/how-i-met-your-mother-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">Cristin Milioti</span></a><span style="font-weight: 400;">, não é uma antagonista típica – se é que poderia chamá-la assim. Ela é o contraponto perfeito para Oz, uma mulher que visa reivindicar o trono da máfia com uma combinação de charme letal e inteligência cortante. A tensão entre eles cresce lentamente, cheia de olhares atravessados e interesses cruzados. Enquanto Oswald é o malandro que conquistou seu espaço na marra, </span><a href="https://variety.com/2025/tv/news/cristin-milioti-the-penguin-black-mirror-how-i-met-your-mother-1236420840/"><span style="font-weight: 400;">Sofia</span></a><span style="font-weight: 400;"> quer resgatar um passado que já não existe e a justiça que lhe foi negada. O embate dos dois vira o motor que faz a série pulsar, é um duelo de ambições, ego e poder que redefine o jogo.</span></p>
<figure id="attachment_35747" aria-describedby="caption-attachment-35747" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-35747 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem2-800x450.png" alt="Cena da série Pinguim. Na imagem, os personagens Sofia Falcone e Oswald Cobblepot estão em pé, lado a lado, sob um teto arqueado de pedra, em um ambiente que remete a uma catedral de construção gótica. Sofia, uma mulher jovem de pele clara e cabelo escuro preso em uma trança, cruza os braços e mantém uma expressão séria e desafiadora. Ela veste um sobretudo preto. Ao seu lado, Oswald, um homem de meia-idade com aparência rude, cabelo penteado para trás e expressão severa, usa um casaco de couro preto por cima de terno e gravata. A luz entra pelas janelas ao fundo, reforçando a atmosfera sombria e imponente." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem2.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35747" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Sofia e Oz têm um passado, que se torna uma das tramas principais dos episódios (Foto: </span><span style="font-weight: 400;">Macall Polay/HBO Max)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a história não trata somente da briga pelo comando. O segundo episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Inside Man</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Craig Zobel, intensifica o clima de conspiração e segredos. Os diálogos são secos, certeiros e cheios de silêncios que ‘gritam’. É nesse momento de desconfianças que Oswald se infiltra no </span><a href="https://collider.com/the-penguin-falcone-family-tree-explained"><span style="font-weight: 400;">Império Falcone</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando que, em Gotham, o sorriso largo quase sempre esconde uma faca na manga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, a série acerta em cheio. A cidade parece um organismo vivo, pulsando em seus espaços decadentes, como bares úmidos, escritórios com a tinta descascando e ruas que parecem nunca ver o Sol. Em cada detalhe é criado uma atmosfera suja e crua, quase palpável. A </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/5PwHxdFuIggkmxeI7BTHSG?si=382a84e4edf7487c"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> também é outro personagem quando traz uma mistura de música clássica, ruídos urbanos e pausas estratégicas, ajudando a moldar o ritmo entre acelerações e momentos de reflexão. É um </span><i><span style="font-weight: 400;">cocktail</span></i><span style="font-weight: 400;"> que junta a </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe</span></i><span style="font-weight: 400;"> de máfia tradicional com um toque moderno, similar a produções como </span><i><span style="font-weight: 400;">Sopranos </span></i><span style="font-weight: 400;">(1999) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-poderoso-chefao-ainda-uma-oferta-irrecusavel/"><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1972).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No quarto episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cent’Anni</span></i><span style="font-weight: 400;">, mergulhamos a fundo nas feridas de </span><a href="https://www.menshealth.com/entertainment/a62670392/the-penguin-sofia-falcone-gigante/"><span style="font-weight: 400;">Sofia Falcone</span></a><span style="font-weight: 400;">, que sofre da traição de sua própria família — um golpe que a leva direto para Arkham, um lugar que funciona como prisão e é símbolo da humilhação que ela carrega. Essa trama revela como a personagem ainda é refém do passado e das armadilhas construídas pelos seus entes queridos, tornando a sua sede de poder ainda mais desesperada. A emblemática cena do jantar dela com seus familiares, é um retrato tenso dessa traição. O ambiente elegante contrasta com o clima pesado, repleto de olhares cortantes e promessas quebradas. É ali que entende-se o quão frágil e traiçoeira era a posição dela dentro da dinastia Falcone, e como isso a impulsiona a uma guerra particular que também envolve seu embate constante com Oswald Cobblepot.</span></p>
<figure id="attachment_35746" aria-describedby="caption-attachment-35746" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35748" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem3-800x450.png" alt="Cena da série Pinguim. Em um ambiente escuro iluminado por luz esverdeada, Oswald Cobblepot segura o rosto de uma jovem com ambas as mãos, olhando fixamente em seus olhos. Ele usa um casaco grosso com gola de pele e está com cabelo penteado para trás. Em suas mãos, ele exibe um anel dourado e um relógio de pulso da mesma tonalidade. A jovem, de pele escura e cabelo crespo, encara de volta com seriedade. A cena transmite tensão e emoção contida, sugerindo uma conversa íntima ou momento de confronto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem3.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35746" class="wp-caption-text">A relação entre Victor e Oz mostra que não se pode confiar em ninguém, até mesmo em sua ‘família’ (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre tantos personagens, um que merece destaque é Victor, figura menor que ganha peso ao mostrar as ramificações do caos deixado pelo final de </span><a href="https://youtu.be/761uRaAoW00?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">The Batman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sua trajetória é um retrato das consequências reais das inundações na cidade e do vácuo de poder deixado. Ele representa o lado mais afetado de toda a situação, a população comum que acabou esmagada e corrompida pela disputa brutal dos grandes poderosos. Sua história traz uma camada extra de tensão, lembrando que em Gotham ninguém sai ileso, nem mesmo os personagens que ficam às margens do jogo de poder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando chegamos ao oitavo episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Great Or Little Thing</span></i><span style="font-weight: 400;">, a série fecha a temporada com uma reviravolta que tira qualquer resquício de pena que seria possível ter nutrido por Oswald Cobblepot. Até ali, a narrativa consegue equilibrar a linha tênue entre a vilania e a vítima, explorando suas fraquezas e motivações. Entretanto, a revelação final explode essa bolha pois Oz não é um coitado preso nas circunstâncias, mas sim um manipulador frio, que não hesita em pisar em quem for para garantir o seu espaço no topo. Essa virada de perspectiva nos força a encarar o personagem com mais realidade – sem romantismos ou desculpas. </span><a href="https://youtu.be/0AJm2jEnc_U?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">O Pinguim</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um vilão puro e essa complexidade sombria é justamente o que faz a produção ser tão impactante. A trama não quer o amor ou ódio da plateia, e sim o entendimento do preço do poder – e o que acontece quando você aceita pagá-lo.</span></p>
<figure id="attachment_35746" aria-describedby="caption-attachment-35746" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35749" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem4-800x400.png" alt="Cena da série Pinguim. Uma mulher e um menino estão sentados juntos em um sofá, cobertos por uma manta laranja. A mulher envolve o menino com os braços, enquanto ele sorri levemente, demonstrando conforto e afeto. Ambos observam algo fora de cena. Ao fundo, em uma prateleira escura, há uma fotografia emoldurada com a imagem de três meninos. A cena transmite um momento íntimo de conexão familiar, segurança e ternura." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem4-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem4-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem4-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem4-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem4-2048x1024.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem4-1200x600.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35746" class="wp-caption-text">O último episódio de <em>Pinguim</em> revela a história de origem de Oz, e como isso influenciou o seu relacionamento com a mãe (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final do episódio, no </span><i><span style="font-weight: 400;">gran finale</span></i><span style="font-weight: 400;">, fica óbvio que a produção não é somente um </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/o-que-e-prequel-sequel-e-spin-off/"><i><span style="font-weight: 400;">spin-off</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O roteiro fecha suas lacunas com precisão cirúrgica dos confrontos – tanto emocionais quanto físicos –, e a cidade do Batman, mais do que nunca, parece prestes a desmoronar. Não há redenções fáceis nem finais açucarados, restam apenas as escolhas, o cheiro de pólvora e o gosto amargo do poder.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pinguim</span></i><span style="font-weight: 400;"> também não passou despercebido ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2025/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Foram 24 nomeações, incluindo as categorias de Melhor Minissérie, Roteiro, Direção e as atuações centrais de </span><a href="https://youtu.be/lqT-WEaXnRo?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Colin Farrell</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Cristin Milioti – que levou para casa o prêmio – contudo, a disputa foi pesada contra <a href="https://personaunesp.com.br/critica-adolescencia/">Adolescência</a>, a grande vencedora na categoria de minisséries</span><span style="font-weight: 400;">. Mesmo assim, quando a temporada de premiações terminar e os nomes deixarem os </span><i><span style="font-weight: 400;">trending topics</span></i><span style="font-weight: 400;">, será difícil apagar da memória aquele sujeito de olhar torto que subiu no trono de Gotham sem ninguém perceber.</span></p>
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		<title>Os Banshees de Inisherin: tão próximos, mas também tão distantes</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Feb 2023 21:14:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes O cenário é a ilha remota e fictícia de Inisherin, na Irlanda. O ano é 1923, logo no final da Guerra Civil que devastou o país. O conflito é, em tese, corriqueiro. Pádraic (Colin Farrell, de Batman), a procura do amigo de longa data Colm (Brendan Gleeson, de A Tragédia de Macbeth), acaba &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Banshees de Inisherin: tão próximos, mas também tão distantes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29795" aria-describedby="caption-attachment-29795" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29795 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme Os Banshees de Inisherin. No centro esquerdo da imagem, temos o ator Brendan Gleeson, um homem branco de cabelos loiros, vestido de camisa azul escura, colete marrom abotoado e calças pretas. Ele está sentado em cima de uma cadeira de balanço marrom. No centro direito da imagem, temos o ator Colin Farrell, um homem branco de cabelos pretos, vestido de terno preto e camisa levemente rosada, olhando para Gleeson através de uma janela de bordas vermelhas. Ao fundo, temos o cenário de uma parede branca deteriorada. A cena acontece durante o dia. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29795" class="wp-caption-text">O filme reúne o diretor Martin McDonagh com os atores Colin Farrell e Brendan Gleeson 15 anos depois de sua primeira parceria em Na Mira do Chefe (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é a ilha remota e fictícia de Inisherin, na Irlanda. O ano é 1923, logo no final da Guerra Civil que devastou o país. O conflito é, em tese, corriqueiro. Pádraic (Colin Farrell, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), a procura do amigo de longa data Colm (Brendan Gleeson, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-tragedia-de-macbeth-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Tragédia de Macbeth</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), acaba o encontrando no bar onde costumam sempre beber juntos. O segundo se distancia, enquanto o primeiro se pergunta o que aconteceu. A resposta é curta e grossa: Colm não quer mais ser amigo de Pádraic por considerá-lo “chato” e querer se dedicar mais à paixão pela Música. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses são </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uRu3zLOJN2c"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que d</span><span style="font-weight: 400;">ão nome ao novo longa de Martin McDonagh, de volta ao posto de diretor cinco anos depois de seu prestigiado </span><i><span style="font-weight: 400;">Três Anúncios para um Crime</span></i><span style="font-weight: 400;">, que rendeu o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> a Frances McDormand (</span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Sam Rockwell (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-grande-ivan-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Ivan</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). A disputa pela estatueta dourada marca novamente o trabalho do cineasta irlandês. Dessa vez, através das nove indicações recebidas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023, incluindo lembranças para Farrell, Gleeson, Barry Keoghan (</span><a href="https://personaunesp.com.br/eternos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eternos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Kerry Condon (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/better-call-saul/"><i><span style="font-weight: 400;">Better Call Saul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) nas categorias de atuação principal e coadjuvante, e para o próprio McDonagh em Melhor Roteiro Original, Direção e, claro, Filme. </span></p>
<p><span id="more-29793"></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_29797" aria-describedby="caption-attachment-29797" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29797" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme Os Banshees de Inisherin. No centro da imagem, temos o ator Colin Farrell, um homem branco de cabelos pretos curtos, vestido de terno e colete de botão pretos, calças e sapatos marrons e uma camisa branca. A sua esquerda, temos Jenny, uma jumenta preta de focinho branco. Ao fundo, temos uma paisagem verde de natureza. A cena acontece durante o dia. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29797" class="wp-caption-text">Jenny, a jumenta que faz companhia ao carente Pádraic, é coincidentemente interpretada por uma de mesmo nome (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa de uma simples quebra de amizade faz parecer estranho o alvoroço que o projeto vem causando no Cinema, mas não demora para justificar tamanha comoção. O que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Pj8b0Jsm2JQ"><span style="font-weight: 400;">McDonagh</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz aqui é utilizá-la como ponto de partida para discussões mais profundas. À primeira vista, salta aos olhos e neurônios do público um estudo sobre os efeitos da rejeição em Pádraic, que claramente depende da aprovação das outras pessoas da ilha: a simples ideia de que ele possa ser chato lhe apavora, por exemplo. Quando Colm o rejeita, ele se volta para a irmã Siobhán (Condon), que tenta manter o mínimo de racionalidade no meio da situação, além de precisar lidar com suas próprias questões pessoais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há também relances de uma amizade com Dominic (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/barry-keoghan/"><span style="font-weight: 400;">Keoghan</span></a><span style="font-weight: 400;">), um jovem que possui um relacionamento conturbado com o pai (Gary Lydon, de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Guarda</span></i><span style="font-weight: 400;">) e é visto pelos moradores da ilha como um pateta beberrão desprovido de tato social. Dominic, ao qual o ator adiciona um senso trágico melancólico em sua interpretação, não é, contudo, a única companhia do protagonista, pois a dócil jumenta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hSrSq6vK6Lk"><span style="font-weight: 400;">Jenny</span></a><span style="font-weight: 400;"> está sempre ao seu redor. Dessa forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin </span></i><span style="font-weight: 400;">se assemelha a uma narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">outsiders </span></i><span style="font-weight: 400;">dentro de um microcosmo social, mas recusa a categorizar-se como tal, visto que nada é tratado em tons maniqueístas e unidimensionais na obra. </span></p>
<figure id="attachment_29798" aria-describedby="caption-attachment-29798" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29798" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-800x334.jpg" alt="Cena do filme Os Banshees de Inisherin. No canto esquerdo da imagem, temos o ator Colin Farrell, um homem branco de cabelos pretos curtos, vestido de um terno preto e camisa levemente rosada. No canto direito da imagem, temos o ator Brendan Gleeson, um homem branco de cabelos loiros longos, vestido de uma camisa azul escura e colete marrom. Os dois estão sentados diante de uma mesa de madeira marrom com dois copos de cerveja preta. O copo próximo a Farrell está cheio e o copo próximo a Gleeson está quase vazio. Ao fundo, temos uma paisagem de grama verde, rochedos marrons escuros, mar e céu azul nublado. A cena acontece durante o dia. " width="800" height="334" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1536x641.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1200x501.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3.jpg 1917w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29798" class="wp-caption-text">Como diria Pedro Bial, “clima tenso entre os brothers” (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7vg5URwH8EI"><span style="font-weight: 400;">Colm</span></a><span style="font-weight: 400;">, o amigo que se distancia deliberadamente de Pádraic, em nenhum momento é vilanizado pelas suas escolhas. O longa, na verdade, opta pelo caminho contrário ao expor suas motivações nessa tomada de decisão de forma a nos fazer entender seu ponto de vista. Seu apreço pela solitude e a oportunidade que ela lhe dá para se dedicar mais a sua paixão pela Música é realçado, bem como a maneira que a petulância de Pádraic, às vezes, acaba sendo um pouco invasiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa escolha reflete a própria natureza do longa de McDonagh, que é indiscutivelmente complexa e livre de reducionismos. O roteiro, escrito pelo próprio cineasta, faz questão de evoluir em direção a linhas cada vez mais absurdas, tensas e até mesmo perturbadoras, nunca colocando o espectador na expectativa de algo confortável. Curiosamente, o próprio uso do </span><i><span style="font-weight: 400;">banshee</span></i><span style="font-weight: 400;"> no título é um indicativo disso, visto que a natureza dessa criatura na mitologia irlandesa se dá como um presságio da morte, conforme representado pela figura enigmática da Sra. McCormick (Sheila Flitton, de  <a href="https://personaunesp.com.br/o-homem-do-norte-critica/"><i>O Homem do Norte</i></a>).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do campo alegórico e subtextual, o longa também chama atenção pelos seus méritos técnicos. A cinematografia de Ben Davis (</span><a href="https://personaunesp.com.br/capita-marvel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Capitã Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), por exemplo, captura perfeitamente as locações pitorescas que dão vida a Inisherin, bem como estabelece interessantes metáforas visuais para a situação dos protagonistas, várias vezes enquadrados olhando um para o outro através de um elemento divisório, como uma janela. Enquanto isso, brilham em conjunto a montagem ríspida e crua de Mikkel E.G. Nielsen (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-silencio-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e a trilha sonora levemente fabulesca de Carter Burwell (</span><i><span style="font-weight: 400;">Carol</span></i><span style="font-weight: 400;">), ambas reconhecidas com a lembrança da Academia em suas respectivas categorias. </span></p>
<figure id="attachment_29799" aria-describedby="caption-attachment-29799" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29799" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1-800x448.jpg" alt="Cena do filme Os Banshees de Inisherin. No centro da imagem, temos dois homens virados de costas olhando para o horizonte. À esquerda, temos o ator Brendan Gleeson, homem de cabelos loiros, vestido de um terno e calças pretas. À direita, temos o ator Colin Farrell, um homem de cabelos pretos curtos, vestido de terno e calças pretas também. No meio dos dois, temos um cachorro de pelo preto e branco. Ao fundo, temos o cenário de uma praia nublada. A cena acontece durante o dia. " width="800" height="448" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1-1024x573.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1-768x430.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1-1200x672.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1.jpg 1460w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29799" class="wp-caption-text">Há quem teorize que Os Banshees de Inisherin seja, na verdade, uma metáfora para a situação da Irlanda durante a sua Guerra Civil, no começo do século XX (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o elemento </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VyJcZ_UHIVI"><span style="font-weight: 400;">central</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin </span></i><span style="font-weight: 400;">é justamente o desempenho de seus protagonistas. Colin Farrell, vencedor do Globo de Ouro e indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pela primeira vez pelo papel, possui uma candura que facilmente desperta a pena do espectador, mesmo com o roteiro querendo o levar cada vez mais perto de um colapso emocional. Já Brendan Gleeson impressiona pela franqueza dilacerante que traz a seu personagem, daquelas que rasgam a alma e a ferem com uma naturalidade quase sociopata. Quando o filme coloca os dois para contracenarem juntos, o resultado é ouro interpretativo, culminando em momentos memoráveis, como os últimos minutos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, o espectador presencia a imagem dos dois homens olhando para o horizonte em frente a praia, uma das cenas mais fortes da campanha de</span><i><span style="font-weight: 400;"> marketing</span></i><span style="font-weight: 400;"> do filme. Eles estão próximos fisicamente, mas apenas em tese. O que se passou em suas vidas até chegarem naquele ponto, as formas como um influenciou o outro e os desdobramentos tortuosos de uma simples </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ss64_jB_-98"><span style="font-weight: 400;">ruptura</span></a><span style="font-weight: 400;"> de amizade que os levou até ali, estão nas entrelinhas do que os distancia. No desfecho, esses são os verdadeiros </span><i><span style="font-weight: 400;">Banshees de Inisherin</span></i><span style="font-weight: 400;">: tão próximos, mas, ao mesmo tempo, tão distantes e incapazes de voltarem a ser o que eram antes de todos os conflitos; afinal, não há nem a mínima chance de voltar atrás depois de tudo o que aconteceu. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Os Banshees de Inisherin | Trailer 2 Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Ekr4Rk6-aKA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>20 anos depois, Minority Report continua assustadoramente parecido com a realidade</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Aug 2022 19:20:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Vinte anos distanciam o atual estado da sociedade do lançamento de Minority Report: A Nova Lei no longínquo ano de 2002. Já em comparação com o futuro retratado no filme de Steven Spielberg, são trinta e dois anos de separação. Seja olhando para frente ou para trás na linha do tempo, é interessante &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/minority-report-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "20 anos depois, Minority Report continua assustadoramente parecido com a realidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28316" aria-describedby="caption-attachment-28316" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-28316" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-2-800x333.jpg" alt="Cena do filme Minority Report. No centro da imagem, temos o ator Tom Cruise, um homem branco de cabelos pretos escuros. Ele está vestindo uma blusa preta com gola levemente aberta perto do pescoço, e está com a mão direita vestida com uma luva preta com uma luz saindo de seu dedo levantada e apontada para frente. Ao seu redor, temos projeções de imagens aleatórias como a de um homem de terno à sua esquerda, uma mulher de camisola branca à sua direita e uma reta numérica à sua frente. A cena acontece em uma sala escura. " width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-2-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-2-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-2-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-2-1536x640.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-2-1200x500.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-2.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28316" class="wp-caption-text">“Todo mundo corre”, tagline principal do marketing de Minority Report, condiz perfeitamente com Tom Cruise, o maior corredor de Hollywood (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vinte anos distanciam o atual estado da sociedade do lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minority Report: A Nova Lei</span></i><span style="font-weight: 400;"> no longínquo ano de 2002. Já em comparação com o futuro retratado no filme de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">Steven Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, são trinta e dois anos de separação. Seja olhando para frente ou para trás na linha do tempo, é interessante notar que essa obra, como toda boa ficção científica, é cada vez mais parecida com a realidade, em níveis bastante alarmantes e assustadores. </span></p>
<p><span id="more-28315"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado no conto de mesmo nome escrito pelo renomado autor Philip K. Dick, o longa se passa em 2054, em que um protótipo de polícia chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">Pré-Crime </span></i><span style="font-weight: 400;">está em vigor. Esse programa se sustenta com base nos </span><span style="font-weight: 400;">Pré-Cogs</span><span style="font-weight: 400;">, três irmãos capazes de visualizar previamente os crimes, o que permite que os policiais prendam os supostos criminosos antes que eles cheguem a cometê-los. Nesse contexto, acompanhamos o oficial de comando John Anderton (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/tom-cruise/"><span style="font-weight: 400;">Tom Cruise</span></a><span style="font-weight: 400;">), um homem amargurado pelo desaparecimento de seu filho anos antes. Quando um assassinato é visualizado envolvendo Anderton como o responsável, ele se torna um alvo e parte para fuga na intenção de sobreviver e desvendar o mistério que cerca seu destino. </span></p>
<figure id="attachment_28317" aria-describedby="caption-attachment-28317" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28317 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-2-800x329.png" alt="Cena do filme Minority Report. A cena acontece em uma sala escura, que possui no centro do chão uma banheira cinza circular com um T no meio. Dentro desse T, temos três pessoas boiando em uma água azulada. Essas três pessoas estão vestidas com macacões brancos e são todas pessoas brancas e carecas. " width="800" height="329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-2-800x329.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-2-1024x422.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-2-768x316.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-2-1536x632.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-2-1200x494.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-2.png 1919w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28317" class="wp-caption-text">O subtexto religioso paira sobre a existência dos Pré-Cogs em Minority Report (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há diversos paralelos a serem feitos entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Minority Report </span></i><span style="font-weight: 400;">e a sociedade atual, mas os principais seguem uma mesma linha: a crítica às instituições. De início, temos evidentemente o retrato crítico da polícia enquanto uma instituição que atua como juiz, júri e executor, como comprovam os constantes casos de </span><a href="https://www.politize.com.br/violencia-policial/"><span style="font-weight: 400;">violência policial</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Brasil e no mundo. Além disso, existe também a noção da tecnologia aliada ao serviço policial em si, como podemos ver no recente exemplo do </span><a href="https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2022/07/05/cameras-no-uniforme-da-pm-letalidade-policial-intervencao-lesao-corporal.htm"><span style="font-weight: 400;">uso de câmeras nos uniformes policiais</span></a><span style="font-weight: 400;"> adotado no estado de São Paulo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra instituição que não sai passível de críticas no filme, mesmo que de forma mais metafórica, é a religião. Na realidade mostrada aqui, os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8E0sX5So_uo"><span style="font-weight: 400;">Pré-Cogs</span></a> <span style="font-weight: 400;">são endeusados como seres divinos que vieram ao mundo para nos libertar da violência, algo que é realçado na maneira como as pessoas se ajoelham e fazem sinal de cruz diante de uma deles em determinado momento da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, no seguimento do filme, como apontado pelo personagem </span><a href="https://www.cinemablend.com/news/1702220/colin-farrells-role-in-minority-report-almost-went-to-another-a-lister"><span style="font-weight: 400;">Danny Witwer</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Colin Farrell), quem realmente detém e controla o poder de figuras endeusadas são os sacerdotes. Nesse sentido, os policiais do</span><i><span style="font-weight: 400;"> Pré-Crime </span></i><span style="font-weight: 400;">operam quase como os padres de uma igreja, mantendo as engrenagens da instituição em movimento, independente dos valores éticos e morais.</span></p>
<figure id="attachment_28318" aria-describedby="caption-attachment-28318" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28318 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Minority-Report-Imagem-Nova-800x326.png" alt="Cena do filme Minority Report. No centro da imagem, temos o ator Colin Farrell, um homem branco e de cabelos escuros. Ele está de pé e veste uma camisa social branca, calça, sapato, suspensório e uma luva na mão direita, todas pretas. No canto inferior esquerdo da imagem temos um homem branco e loiro sentado em uma cadeira preta diante de uma escrivaninha. Ele veste camisa, calça e sapato inteiramente pretos. No lado direito da imagem, temos uma tela de acrílico exibindo imagens diversas do rosto de um homem branco com cabelos escuros. A cena acontece durante o dia, no cenário de um escritório. " width="800" height="326" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Minority-Report-Imagem-Nova-800x326.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Minority-Report-Imagem-Nova-1024x417.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Minority-Report-Imagem-Nova-768x313.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Minority-Report-Imagem-Nova-1536x626.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Minority-Report-Imagem-Nova-1200x489.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Minority-Report-Imagem-Nova.png 1919w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28318" class="wp-caption-text">Anos antes de Steve Jobs popularizar a tecnologia touch screen através do iPhone, Minority Report já apresentava uma ideia parecida dentro de seu universo (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, pensando de um ponto de vista mais material, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minority Report </span></i><span style="font-weight: 400;">também se assemelha ao presente no seu retrato da </span><a href="https://www.theatlantic.com/culture/archive/2022/06/minority-report-spielberg-movie-tom-cruise/661274/"><span style="font-weight: 400;">tecnologia customizada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Vemos isso nos anúncios de roupas, serviços, produtos personalizados e na necessidade que os personagens têm de se identificarem virtualmente através do escaneamento das íris de seus olhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse retrato é complementado pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção de Alex McDowell (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Aço, A Fantástica Fábrica de Chocolate</span></i><span style="font-weight: 400;">) e os figurinos de Deborah L. Scott (</span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar, Titanic</span></i><span style="font-weight: 400;">), que não se distanciam tanto da realidade: a Washington de 2054 parece realmente a cidade de Washington </span><a href="https://www.giantfreakinrobot.com/scifi/steven-spielberg-created-realistic-future-minority-report.html"><span style="font-weight: 400;">daqui 30 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seguindo a proposta do filme, o trabalho de ambos não se esquece da inventividade característica da ficção científica, como máquinas de extração ocular, robôs que parecem baratas, cassetetes que estimulam o vômito e por aí vai. </span></p>
<figure id="attachment_28319" aria-describedby="caption-attachment-28319" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28319 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-800x328.png" alt="Cena do filme Minority Report. A cena acontece em uma sala escura. No centro da imagem, temos uma estrutura que se assemelha a um prédio, onde temos dois homens brancos vistos de uma distância que os deixa pequenos e difíceis de visualizar. Um dos homens está de pé à esquerda e o outro está sentado à direita. Ao redor do prédio, temos vários holofotes de luzes brancas direcionadas tanto para a direita quanto para a esquerda.  " width="800" height="328" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-800x328.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-1024x419.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-768x315.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-1536x629.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-1200x492.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3.png 1919w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28319" class="wp-caption-text">O design de produção de Alex McDowell para Minority Report foi o primeiro a usar extensivamente o conceito de pré-visualização digital (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Cinema, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minority Report </span></i><span style="font-weight: 400;">nos mostra um Spielberg soberbo e excepcional em sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nlH3LFGHwZg&amp;t=1s"><i><span style="font-weight: 400;">mise-en-scene</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">como de costume. Trabalhando pela primeira &#8211; e por enquanto única &#8211; vez com o gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor consegue transmitir toda a angústia e mistério da narrativa em sua câmera tradicionalmente dinâmica e inquieta. Esse efeito é potencializado pela espetacular direção de fotografia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/janusz-kaminski/"><span style="font-weight: 400;">Janusz Kaminski</span></a><span style="font-weight: 400;">, que retrata esse mundo misturando tons azulados e esbranquiçados, etéreos com as sombras mais fortes e granuladas da película, num sentimento de pessimismo e anestesia muito condizente com os dos personagens aqui. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No que tange à ação, o filme nos brinda com sequências espetaculares que se utilizam dos aspectos técnicos em seu nível máximo de qualidade. São momentos como os da fuga de Anderton em meio ao trânsito magnetizado de Washington ou o da perseguição ao protagonista que começa em um beco e termina em uma fábrica de carros (com direito a uma pistola de pulsos magnéticos no meio). Ou até mesmo o da excepcional primeira operação dos policiais, em que percebemos o empenho dos dublês, a pegada pulsante da trilha de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/john-williams/"><span style="font-weight: 400;">John Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">, a intensidade da montagem de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/michael-kahn/"><span style="font-weight: 400;">Michael Kahn</span></a><span style="font-weight: 400;">, a inventividade do design de som indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/gary-rydstrom/"><span style="font-weight: 400;">Gary Rydstrom</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Richard Hymns e, claro, a excelência dos efeitos visuais da empresa </span><i><span style="font-weight: 400;">ILM. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no elenco, temos um dos melhores e mais subestimados papéis da carreira de Tom Cruise &#8211; que poderia cair facilmente na mesma pegada de todos os seus outros protagonistas de ação, se não fosse a sua profundidade. Aqui, Cruise trabalha balanceando brutalidade, desorientação, descontrole e, acima de tudo, melancolia, de forma brilhante, chegando ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8MuZATnrE3Y"><span style="font-weight: 400;">clímax</span></a><span style="font-weight: 400;"> emocionalmente chocante e catártico para Anderton, em que o herói se depara com o suposto assassino de seu filho e é forçado a escolher entre cumprir a premonição dos Pré-Cogs ou tomar um rumo diferente por vontade própria. </span></p>
<figure id="attachment_28320" aria-describedby="caption-attachment-28320" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28320 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-800x328.png" alt="Cena do filme Minority Report. A imagem mostra os rostos de duas pessoas abraçadas, um homem e uma mulher. Do lado esquerdo, temos a atriz Samantha Morton, uma mulher branca, careca e sem indicativo do que está vestindo. Do lado direito, temos o ator Tom Cruise, um homem branco de cabelos pretos e vestido de uma jaqueta preta de couro. A cena acontece em um cenário escuro. " width="800" height="328" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-800x328.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-1024x419.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-768x314.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-1536x629.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-1200x491.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28320" class="wp-caption-text">A disputa entre o livre-arbítrio e a predestinação é um dos destaques do roteiro de Minority Report (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O nêmesis de Anderton, Witwer, é interpretado com uma ambiguidade moral muito interessante por parte de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/colin-farrell/"><span style="font-weight: 400;">Colin Farrell</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto seu mentor Lamar Burgess é agraciado com um ótimo desempenho do saudoso </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/max-von-sudow/"><span style="font-weight: 400;">Max Von Sydow</span></a><span style="font-weight: 400;">, envolto em uma rigidez e uma fala passivo-agressiva muito condizentes com a sua natureza surpreendente. Já Samantha Morton, mesmo com pouco tempo de tela comparada aos outros coadjuvantes, chama atenção na composição frágil e enigmática de Agatha, uma das três Pré-Cogs responsável pela premonição que incrimina John. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final das contas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minority Report </span></i><span style="font-weight: 400;">representa o melhor que a ficção científica tem a oferecer: reflexões sobre a nossa condição contemporânea enquanto sociedade a partir da especulação do futuro. K. Dick, o homem que ousou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d1-1Ro7ofO4"><span style="font-weight: 400;">sonhar com ovelhas elétricas</span></a><span style="font-weight: 400;">, deu origem a base de discussões éticas que os roteiristas </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/scott-frank/"><span style="font-weight: 400;">Scott Frank</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Jon Cohen aprofundaram na adaptação do texto para o cinema. O trabalho no qual Spielberg, Cruise e todos os outros profissionais envolvidos maximizaram através de seus níveis ímpares de competência. O resultado final foi um filme que, vinte anos depois de seu lançamento original, continua muito relevante, além de uma grande, pura e simples experiência cinematográfica. </span></p>
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		<title>O Batman de Matt Reeves se vinga dos filmes de super-heróis</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2022 15:05:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda O anúncio de Robert Pattinson como o novo vigilante noturno da DC Comics provocou intensas reações entre os entusiastas mais fanáticos, desinteressados em separar o currículo extenso e impressionante do ator de seu papel como galã da saga Crepúsculo. No entanto, para aqueles de nós maduros o suficiente para não se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/batman-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Batman de Matt Reeves se vinga dos filmes de super-heróis"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27076" aria-describedby="caption-attachment-27076" style="width: 3860px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27076" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1.png" alt="Cena do filme Batman. O Batman (Robert Pattinson) olha através de um vidro molhado, para frente. A metade superior de seu rosto é coberta por um capacete preto que mostra apenas os olhos. Ele usa uma capa preta com um colarinho alto. Ele é um homem caucasiano, de olhos azuis. Uma luz amarela vem detrás dele, iluminando as gotas no vidro, fora de foco. Está de noite e tons escuros e amarelos aparecem atrás dele, também fora de foco." width="3860" height="1608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1.png 3860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1-1536x640.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27076" class="wp-caption-text">O novo Batman pertence aos bissexuais emos que só usam couro (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O anúncio de Robert Pattinson como o novo vigilante noturno da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics </span></i><span style="font-weight: 400;">provocou intensas reações entre os entusiastas mais fanáticos, desinteressados em separar o currículo extenso e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><span style="font-weight: 400;">impressionante</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ator de seu papel como galã da saga </span><a href="https://personaunesp.com.br/sol-da-meia-noite-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Crepúsculo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, para aqueles de nós maduros o suficiente para </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/batman-robert-pattinson-defende-crepusculo-apos-critica-de-zoe-kravitz-assista/"><span style="font-weight: 400;">não se importar</span></a><span style="font-weight: 400;"> com tal associação (o que é um morcego para quem já foi vampiro?), a expectativa para o novo longa só aumentou: afinal de contas, o que seria o Batman de Pattinson?</span></p>
<p><span id="more-27075"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É claro, nem sempre essa versão do Cruzado Encapuzado pertenceu a ele. Dizer que o novo filme </span><i><span style="font-weight: 400;">solo </span></i><span style="font-weight: 400;">do protetor de Gotham City teve um desenvolvimento conturbado seria um eufemismo: o que antes seria uma história de ação estrelada e dirigida por </span><a href="https://comicbook.com/movies/news/the-batman-movie-ben-affleck-batman-suit-batsuit-concept-art/"><span style="font-weight: 400;">Ben Affleck</span></a><span style="font-weight: 400;">, após sua introdução no sisudo </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"><span style="font-weight: 400;">universo compartilhado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Zack Snyder, tornou-se uma nova interpretação de seu protagonista, no embalo de produções como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Todd Phillips, completamente avulsa à qualquer ambição de universos expandidos. A difícil tarefa caiu na mão de Matt Reeves, diretor e roteirista responsável por desenvolver e terminar a trilogia de </span><i><span style="font-weight: 400;">prequels</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QzgWDG4QviU"><i><span style="font-weight: 400;">Planeta dos Macacos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas que ganhou fama pelos terrores </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UYnmdegYBTM"><i><span style="font-weight: 400;">Cloverfield &#8211; Monstro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1If96wkAZGI"><i><span style="font-weight: 400;">Deixe-me Entrar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> (ou, numa tradução mais precisa de seu título original, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Batman</span></i><span style="font-weight: 400;">) nos apresenta um vigilante ainda em </span><a href="https://ovicio.com.br/the-batman-os-quadrinhos-que-servem-de-inspiracao-para-o-filme/"><span style="font-weight: 400;">início de carreira</span></a><span style="font-weight: 400;">, afundado de cabeça em sua própria definição vingativa de justiça, mas que é assolado pelas dúvidas que sua vocação desperta. Tudo isso é intensificado pela aparição do Charada, um misterioso assassino serial que tem a elite de Gotham em sua mira, revelando segredos sobre a cidade que ameaçam destruir seus alicerces e jogá-la no abismo. Nesse cenário, somos introduzidos a algumas das figuras mais icônicas do cânone do Morcegão, tais como o comissário Gordon (aqui ainda tenente), a ladra Mulher-Gato e o criminoso Pinguim. Mas talvez nenhuma iconografia seja tão importante quanto a própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HF-wVFTR0fg"><span style="font-weight: 400;">Gotham City</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><figure id="attachment_27078" aria-describedby="caption-attachment-27078" style="width: 3840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27078" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2.png" alt="Cena do filme Batman. O Batman (Robert Pattinson) está no topo de um edifício em construção, virado para a esquerda, observando a cidade de Gotham à noite. Sua silhueta deixa evidente orelhas pontudas em seu capacete e uma capa esvoaçante para a direita. Atrás dele, à direita da tela e separado por vigas expostas, um holofote aceso aponta para o céu. Outras duas vigas menores, à esquerda, cortam a tela. O chão do edifício parece reflexivo e úmido. A cidade de Gotham é cortada por um rio e, ao longe, uma torre de rádio informa sua estação com um letreiro vertical luminoso." width="3840" height="1608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2.png 3840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2-1024x429.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2-768x322.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2-1536x643.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27078" class="wp-caption-text">A cidade natal do justiceiro nunca esteve tão suja (e molhada) [Foto: Warner Bros. Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Desde cedo a Gotham de Reeves se distingue de outras iterações cinematográficas pela </span><a href="https://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-10563887/The-Batman-HOUR-rainy-scenes.html"><span style="font-weight: 400;">chuva torrencial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que cai toda noite nos telhados dilapidados e arranha-céus retilíneos. Seja como pingos nas janelas ou como gotas escorrendo pelo queixo escultural de Pattinson, há uma umidade intrínseca à essa visão específica que permeia todo o longa e dita os movimentos da fotografia de Greig Fraser (</span><a href="https://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Mandalorian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">): com uma distinta inspiração em tramas de detetive </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cidade, definida por seus becos escuros e sinais de </span><i><span style="font-weight: 400;">neon </span></i><span style="font-weight: 400;">luminosos, assume uma forma infinitamente mais aterrorizante que versões anteriores sem sacrificar sua verossimilhança. A presença de um bilionário que se veste de morcego para espancar criminosos e de um assassino que deixa charadas nas cenas de crime assume um tom visceral, tornando-se uma extensão natural, mas ainda disruptiva, desse ambiente sombrio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, afinal, “</span><a href="https://www.reddit.com/r/DCcomics/comments/585qr6/when_is_a_man_a_city_secret_origins_special_1989/"><i><span style="font-weight: 400;">quando um homem é uma cidade?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” Quando Gotham muda, seu guardião silencioso também deve mudar. Diferente do bilionário carismático que estamos acostumados a ver, Pattinson descreve sua versão de Bruce Wayne como um </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.ofuxico.com.br/cinema-e-serie/esquisitao-perdido-diz-robert-pattinson-sobre-novo-batman/"><i><span style="font-weight: 400;">esquisitão perdido</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, isolado do resto da sociedade em sua caverna de segredos, onde ele planeja maneiras de extravasar sua raiva nos criminosos de Gotham, suas únicas companhias sendo seu leal mordomo, Alfred (Andy Serkis) e o cauteloso tenente Gordon (</span><a href="https://personaunesp.com.br/what-if-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jeffrey Wright</span></a><span style="font-weight: 400;">), seu contato frágil com a polícia de Gotham e parceiro na investigação para achar o Charada. Embora nem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JdxkKvJIUz8"><span style="font-weight: 400;">tão brutal</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto o Homem-Morcego de Michael Keaton, há uma fúria contida neste que impulsiona sua performance além de qualquer outra interpretação em </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte da trama lida com o propósito de sua identidade secreta e a razão que o leva a pôr a máscara, apesar de misericordiosamente não conter mais uma cena das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XAyxY5hF3ZE"><span style="font-weight: 400;">pérolas de Martha Wayne</span></a><span style="font-weight: 400;"> se espalhando pelo Beco do Crime. Negando veementemente uma nova história de origem para o personagem, Reeves e seu co-roteirista, Peter Craig, exploram o nascimento do alter ego de Bruce Wayne através das dúvidas internas e de revelações chocantes que as extrapolam, conversando intensamente com o papel do herói como um símbolo de Gotham City, </span><a href="https://ovicio.com.br/batman-robert-pattinson-revela-inspiracao-em-a-mascara-do-fantasma/"><span style="font-weight: 400;">tirando lições</span></a><span style="font-weight: 400;"> do excepcional </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4PK5CYZlHMA"><i><span style="font-weight: 400;">Batman: A Máscara do Fantasma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27080" aria-describedby="caption-attachment-27080" style="width: 2559px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27080" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3.jpg" alt="Cena da animação Batman: A Máscara do Fantasma. O Batman (Kevin Conroy) está virado para a direita, envolto em sombras, na frente de uma parede cavernosa azul escura, segurando o capuz de seu uniforme com as duas mãos. O capuz possui orelhas pontudas, como as de um morcego, e ele usa uma capa por cima do corpo." width="2559" height="1599" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3.jpg 2559w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-1024x640.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-1536x960.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-2048x1280.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-1200x750.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27080" class="wp-caption-text">Na animação seminal de 1993, disponível no HBO Max, o herói é forçado a confrontar o terrível preço de sua missão (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem as constrições comuns a filmes de origem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue se aprofundar com clareza em seu elenco coadjuvante, não apenas introduzindo rostos que terão mais desenvolvimento em futuros filmes ou séries, mas lhes dando espaço para agir dentro da trama e serem afetados por ela. Dentro de um gênero cada vez mais definido por </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i> <a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/films/features/long-blockbusters-no-time-to-die-b1938980.html"><span style="font-weight: 400;">artificialmente longos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e inchados, o longa de Matt Reeves é um dos raros casos em que sua duração de quase três horas se justifica na ambição por trás de seu tom intimista e sua visão monumental e detalhada de uma Gotham </span><a href="https://www.thewrap.com/the-batman-cinematography-greig-fraser-interview/"><span style="font-weight: 400;">definida por contrastes</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há um incrível </span><a href="https://www.jameschinlund.com/features/the-batman"><span style="font-weight: 400;">elemento tátil</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;">. Seja o novo capuz costurado (junto de um uniforme marcadamente mais ágil que anteriores), o Batsinal em que o ícone do morcego parece ter sido martelado à força dentro de um holofote, ou o novo Batmóvel saído diretamente de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mad-max-estrada-da-furia-o-reboot-da-distopia/"><i><span style="font-weight: 400;">Mad Max</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a produção do longa reforça os elementos mais crus de sua fotografia, criando uma visão suja e incrivelmente fluida do mundo que seus personagens habitam. Indo de contrapartida à muitos dos preceitos visuais do gênero instaurados na última década com a ascensão do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mcu/"><span style="font-weight: 400;">Universo Cinematográfico da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Fraser cria uma identidade única para um filme de super-herói, unindo referências díspares em uma coesão afiada e hipnotizante, catapultando-o diretamente para a vanguarda da próxima temporada de premiações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa identidade também se estende na </span><a href="https://open.spotify.com/album/18nTX27XXEYARGmWMTgD19?si=9b9afcc7ebe94aaf"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Michael Giacchino, outro aspecto celebrado do longa que vem suscitando burburinho de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> para 2023. O experiente compositor (que já havia trabalhado com Reeves em </span><i><span style="font-weight: 400;">Planeta dos Macacos: O Confronto</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra</span></i><span style="font-weight: 400;">) tece diferentes facetas do Batman, seus aliados e inimigos, bem como a própria cidade que os pariu, em uma procissão rítmica, alucinante e bombástica, refletindo as </span><a href="https://open.spotify.com/track/1NkI8DtCnjcWVCVLF0gB71?si=50805036569b437c"><span style="font-weight: 400;">transformações emocionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu bilionário desajustado. O legado de </span><a href="https://open.spotify.com/track/5l2FbSEaZJtQNv6Z2h1DnK?si=39812b4c777e4fcd"><span style="font-weight: 400;">Danny Elfman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/5QFdOfeQlX8gp7ick31XRG?si=d3bca09449984f42"><span style="font-weight: 400;">Hans Zimmer</span></a><span style="font-weight: 400;"> continua intacto: ainda havemos de ouvir um tema ruim do Batman no Cinema.</span></p>
<figure id="attachment_27081" aria-describedby="caption-attachment-27081" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27081" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4.jpg" alt="Cena do filme Batman. O Charada (Paul Dano) estica uma fita adesiva em sua frente, ajoelhado sobre um corpo no chão. Ele usa óculos transparentes por cima de uma máscara verde-escura que cobre seu rosto inteiro, vestido com uma jaqueta verde escura e luvas escuras. Atrás dele, vemos uma casa antiga, com um portal de madeira ornamentado separando seus cômodos e abajures fixados nas paredes, provendo luz. Atrás deste portal, no cômodo atrás do Charada, podemos ver janelas grandes e fechadas, exibindo o céu noturno." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27081" class="wp-caption-text">“O que é, o que é…” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No coração de sua história, </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um mistério, mas um no qual a identidade do antagonista é claramente menos importante do que a máscara que ele usa. Se afastando da energia maníaca de Jim Carrey na galhofa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ROLvjRB4E_Q"><i><span style="font-weight: 400;">Batman Eternamente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o Charada de Paul Dano é </span><a href="https://cinepop.com.br/batman-matt-reeves-explica-conexao-entre-o-charada-e-o-assassino-do-zodiaco-329471/"><span style="font-weight: 400;">modelado</span></a><span style="font-weight: 400;"> com base no Assassino do Zodíaco, o infame </span><i><span style="font-weight: 400;">serial killer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que assolou a Califórnia ao final dos anos 60. Cobrindo seu rosto com uma máscara e óculos por cima, ele deixa códigos elaborados e cifras que apenas o </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2022/robert-pattinson-alcunha-detetive-batman.html"><span style="font-weight: 400;">Maior Detetive do Mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (que finalmente conquista essa alcunha com suas deduções sagazes e um olhar minucioso) pode desvendar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, apesar de suas inspirações realistas, a câmera o captura como vários dos assassinos icônicos do Cinema de Terror: na precisão fria de Michael Myers em </span><a href="https://personaunesp.com.br/halloween-2018-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os jogos sádicos de Jigsaw em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nBdAwTljr8s"><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Mortais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou até mesmo nas ligações telefônicas e quizzes inesperados de Ghostface em </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme utiliza esses arquétipos reconhecíveis em uma de suas combinações mais audazes, reintroduzindo um vilão caricato como um adversário temível e imprevisível. Porém, a violência inerente tanto ao </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> quanto ao </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;"> aqui fica de lado devido aos aspectos comerciais do longa e sua classificação </span><i><span style="font-weight: 400;">PG-13</span></i><span style="font-weight: 400;">, impedindo que seu antagonista choque a audiência assim como choca Gotham.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma performance psicopática, Dano faz do Charada um nêmesis à altura de Pattinson, refletindo algumas das piores tendências do herói e servindo como um cúmplice de seus defeitos. À todo momento a direção de Reeves acompanha os movimentos desses personagens com um olhar empático, notando suas semelhanças e criando a dualidade que os une: através de suas máscaras, ambos representam as falhas sociais e morais de Gotham, em níveis distintos, mas complementares, e denunciam suas verdadeiras identidades para o mundo. O </span><a href="https://criticalhits.com.br/cinema-e-tv/conheca-batman-ego-principal-hq-que-inspirou-the-batman/"><span style="font-weight: 400;">conflito interno</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Bruce Wayne ao ter de confrontar essa dicotomia deturpada está no cerne desta versão do personagem, que renega inteiramente sua persona pública em favor do Cruzado Encapuzado.</span></p>
<figure id="attachment_27082" aria-describedby="caption-attachment-27082" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27082 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5.jpg" alt="Cena do filme Batman. O Batman (Robert Pattinson) agarra o braço esquerdo de Selina (Zoë Kravitz) com sua mão direita, na frente do horizonte urbano de Gotham, no topo de um prédio em construção. O Batman está à direita, de costas, e podemos ver seu capacete preto decorado com orelhas pontudas no topo e sua capa preta com colarinho alto. Ele usa armadura no peito e luvas nas mãos. Selina, à esquerda, é uma mulher negra, magra, de cabelos pretos e curtos, usando uma jaqueta de couro preta e fechada, olhando para o Batman (que é mais alto do que ela). Fora da tela, vemos o sol se pôr e a luz do crepúsculo ilumina a tela., com algumas janelas de prédios refletindo essa luz." width="1920" height="1920" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27082" class="wp-caption-text">Finalmente descobrimos de onde vem o “B” de LGBTQIA+ (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma abordagem muito mais metódica e calculada que um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;"> normal, o longa constrói maravilhosamente bem a tensão entre as figuras peculiares dessa cidade escorregadia. A introdução do submundo criminoso de Gotham não sai desse tom, com figuras como o Pinguim de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Colin Farrell</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/maquiagem-do-pinguim-do-novo-batman-surpreendeu-ate-diretor.phtml"><span style="font-weight: 400;">irreconhecível</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua maquiagem cartunesca) e o Carmine Falcone de John Turturro servindo de ganchos narrativos para macular a visão em preto e branco que Bruce tem do mundo. Aqui, Matt Reeves captura habilmente um humor mórbido que não destoa do resto do longa, mas que reforça seus elementos mais bizarros, ajudando ainda mais em sua caracterização do espaço e das personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É também durante essa introdução que conhecemos a Selina Kyle de </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-little-lies-s2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Zoë Kravitz</span></a><span style="font-weight: 400;">, que contracena explosivamente com o detetive taciturno de Pattinson (a química entre os dois não ficou apenas nas muitas </span><a href="https://revistamonet.globo.com/Celebridades/noticia/2022/03/zoe-kravitz-e-robert-pattinson-levam-fas-loucura-com-ensaio-fumegante-de-batman-para-revista.html"><span style="font-weight: 400;">capas de revistas</span></a><span style="font-weight: 400;">). Apesar de ainda não ser exatamente a gatuna descolada que conhecemos dos quadrinhos, Kravitz acha a humanidade em suas motivações e, junto de Reeves, traça o arco narrativo mais forte da personagem no Cinema até então. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dona do </span><a href="https://open.spotify.com/track/3Bd12fCAzf7NQHCtb3p2Si?si=4eab0f9710e94235"><span style="font-weight: 400;">tema</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mais se assemelha ao </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;">, o relacionamento da personagem com o Morcego é, assim como nos quadrinhos, uma aliança tênue de objetivos, ditada pela necessidade, mas que se desenvolve em uma troca honesta de sentimentos. Seja quando lutam ou quando conversam através de suas máscaras, a atração entre os dois estoura em momentos chaves da trama e impulsiona ambos a serem melhores do que o mundo que os criou. Se o Charada é o espelho sombrio de tudo de pior que há no Batman, a Mulher-Gato é a pessoa que finalmente lhe oferece a chance de fazer a diferença e, talvez, salvar alguém.</span></p>
<figure id="attachment_27083" aria-describedby="caption-attachment-27083" style="width: 3860px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27083" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6.png" alt="Cena do filme Batman. Selina (Zoë Kravitz), de costas, coloca a mão esquerda sobre o rosto do Batman (Robert Pattinson), que fecha os olhos. Selina é uma mulher negra de cabelos pretos e curtos, inclinando a cabeça para a esquerda da tela. Suas unhas são longas e afiadas. O Batman é um homem caucasiano, com a metade superior do rosto coberta por seu capacete preto. Podemos ver o colarinho preto e alto de sua capa. Atrás deles, fora de foco, uma lâmpada branca está acesa, mas uma luz amarela suave vem da esquerda e ilumina seu rosto." width="3860" height="1608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6.png 3860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6-1536x640.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27083" class="wp-caption-text">“Quem eu quero enganar? Você já tem dona.” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Matt Reeves é uma colcha de retalhos, uma tapeçaria de diferentes referências, que conversam umas com as outras em virtude da paixão que seus realizadores injetam em cada decisão criativa tomada na construção desta homenagem a uma das figuras mais duradouras da ficção. O </span><a href="https://www.nerdsite.com.br/the-batman-orcamento-do-filme-e-o-mesmo-de-viuva-negra/"><span style="font-weight: 400;">orçamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 200 milhões de dólares não se faz valer em sequências grandiosas de ação, mas no extremo cuidado e deliberação dado à caracterização de seus espaços e as pessoas que o habitam. Foi a primeira vez em muito tempo que, assistindo a um filme de super-heróis fantasiados, me senti conectado não apenas a eles, mas ao mundo que desejam tanto salvar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É estranho, numa cultura tão obcecada com histórias de salvadores, o quão pouco nós os vemos efetivamente salvando pessoas que não sejam figurantes anônimos esquecidos na cena seguinte. Seria </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma resposta, uma vingança até, a essa apatia pelos mundos que abrigam essas figuras heroicas, mas que tão raramentGe praticam heroísmo, examinada por meio de seu protagonista tão fundamentalmente falho quanto a cidade que ele jura tentar proteger? Mas não, há amor demais, paixão demais, para que essa raiva o defina: quase que impossivelmente, ao final de seu mistério tenebroso, somos deixados com </span><a href="https://valkirias.com.br/the-batman/"><span style="font-weight: 400;">esperança</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>O Sacrifício do Cervo Sagrado: uma luta de sobrevivência para a purificação do pecado</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Oct 2021 21:04:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tiago Way O Sacrifício do Cervo Sagrado é uma produção da A24 Films dirigida por Yorgos Lanthimos (Dente Canino, 2009), lançado em Cannes em 2017, onde recebeu o prêmio pelo júri de Melhor Roteiro (creditado ao diretor e a Efthymis Filippou) e foi altamente aplaudido pelo público do festival. O filme acompanha a vida do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Sacrifício do Cervo Sagrado: uma luta de sobrevivência para a purificação do pecado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24067" aria-describedby="caption-attachment-24067" style="width: 890px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24067" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1.png" alt="Cena do filme O Sacrifício do Cervo Sagrado. A personagem Anna, uma mulher loira, está ao lado esquerdo com mais claridade e o personagem Steve, um homem branco, está vestido com um jaleco médico  do lado direito com menos claridade. Ambos estão se encarando pela porta de vidro do hospital. " width="890" height="586" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1.png 890w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1-800x527.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1-768x506.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24067" class="wp-caption-text">As atuações de Colin Farrell e Nicole Kidman dão ainda mais vida à estranheza do filme (Foto: A24 Films)</figcaption></figure>
<p><b>Tiago Way</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Sacrifício do Cervo Sagrado</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">A24 Films </span></i><span style="font-weight: 400;">dirigida por Yorgos Lanthimos (</span><i><span style="font-weight: 400;">Dente Canino</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2009), lançado em Cannes em 2017, onde recebeu o prêmio pelo júri de Melhor Roteiro (creditado ao diretor e a Efthymis Filippou) e foi </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mc1kqrtfb6w"><span style="font-weight: 400;">altamente aplaudido pelo público do festival</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme acompanha a vida do cardiologista Steve (</span><span style="font-weight: 400;">Colin Farrell), que é casado com a oftalmologista Anna (Nicole Kidman). O casal vive tranquilamente com seus dois filhos Kim e Bob, e logo são submetidos a um estado de conflito com a chegada do jovem Martin (Barry Keoghan). O longa é inspirado na </span><a href="https://www.vulture.com/2017/10/the-killing-of-a-sacred-deer-and-greek-myths.html"><span style="font-weight: 400;">obra dramatúrgica grega </span><i><span style="font-weight: 400;">Ifigénia em Áulide</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-24066"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cinema do grego Yorgos Lanthimos começou a ganhar notoriedade pela sua perspectiva fria e antipática de relações humanas. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LTNZmOJxuAc"><i><span style="font-weight: 400;">O Lagosta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de 2015, por exemplo, trata justamente da pressão das pessoas em torno de relacionamentos conjugais mediante a um humor frio em que são transformadas em animais se continuarem solteiras. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Sacrifício do Cervo Sagrado</span></i><span style="font-weight: 400;">, a narrativa é induzida através de uma família arquétipo de uma perfeita comunhão com empregos perfeitos, sobrevivendo pela ausência de amor e afeto. </span></p>
<figure id="attachment_24068" aria-describedby="caption-attachment-24068" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24068" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-3.jpg" alt="Cena do filme O Sacrifício do Cervo Sagrado. Martin, um homem branco, está sem camisa com cinco eletrodos sob a região do peito e barriga enquanto olha fixamente para o lado direito superior. " width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-3.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-3-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24068" class="wp-caption-text">A atuação de Barry Keoghan levou o jovem irlandês a uma indicação de Melhor Ator Coadjuvante no Independent Spirit Awards em 2018 (Foto: A24 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O bizarro toma conta do filme pelos diálogos sem vida entre a família, o afeto plástico e a câmera sempre muito distante dos personagens com movimentos sutis pela casa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HazR58qlcyo"><span style="font-weight: 400;">referência explícita aos filmes do Kubrick</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso tudo é mais uma ferramenta para argumentar sobre o desprezo que destrói a família em si, especificamente a representação da aversão que o pai tem pelo filho e a mãe tem pela filha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O anseio por personagens mais vivos e mais humanos já se encontra fora de uma realidade quando Martin toma conta das cenas da obra, e o telespectador é convidado a presenciar o plano conturbado do jovem pela vingança da morte de seu pai na sala de cirurgia. Já é um artefato bem utilizado pelo diretor, em que Lanthimos exibe o prazer em estragar todos os personagens ao decorrer da narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme atinge abordagens emblemáticas, mas uma das referências claras é o egoísmo e a total falta de empatia do personagem principal da trama. Em uma das primeiras cenas do longa, </span><a href="https://www.digitalspy.com/movies/a840556/colin-farrell-heart-bypass-surgery-movie-the-killing-of-a-sacred-deer/"><span style="font-weight: 400;">Steve sai de um procedimento cirúrgico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a primeira conversa com o colega anestesista é acerca de relógios. Esse desenvolvimento antipático é concebido até o final da narrativa, em que Steve, em vários momentos, se mostra num verdadeiro estado de negação, sustentando o argumento de que não houve negligências na cirurgia do pai de Martin, acusando o hospital de não ser bom suficiente, ou, até mesmo, quando decidi ir à escola dos filhos e questiona a direção de quem é o melhor dos dois. Por outro lado, temos a esposa Anna, que é fria mas se mostra sensível e empática com a situação que corrói a família. </span></p>
<figure id="attachment_24069" aria-describedby="caption-attachment-24069" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24069" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-2-1.jpg" alt="Cena do filme O Sacrifício do Cervo Sagrado. A personagem Anna (Nicole Kidman) está ao fundo da imagem regando as plantas durante a noite enquanto fuma um maço de cigarro. " width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-2-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-2-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-2-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-2-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-2-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-2-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24069" class="wp-caption-text">“<a href="https://youtu.be/35dRx2MUnIc?t=545">Por favor, não faça nada</a>”, Nicole Kidman sobre os pedidos que o diretor fez durante os sets de filmagem do longa (Foto: A24 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante esse retrato pois quando Bob se encontra internado no hospital e Anna está regando as plantas em casa, a feição do rosto dela muda repentinamente. Ela expressa uma reação do porquê continuava a regar o jardim enquanto Steve não soube responder ao ser questionado pelo seu filho de quem era seu melhor amigo no último ato do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A consequência do pecado é o sacrifício, e o sacrifício é a pureza para a libertação do pecado. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Killing of a Sacred Deer</span></i><span style="font-weight: 400;"> é revelado em prol da desestruturação do orgulho de Steve, e a circunstância em que o longa é abordado tem relação ao grau de pureza de toda a família. Por exemplo, Anna é uma mulher adulta impura expressando seu fetiche em necrofilia para agradar o marido; outro caso é a menstruação de Kim ser disposta a uma conversa durante o início do filme, e no decorrer de todo o enredo, Bob se assemelha uma figura imaculada ao falar que não tem pelos nas axilas ou até mesmo quando é acomodado ao relato de estupro em que o Steve cometeu na adolescência. </span></p>
<figure id="attachment_24070" aria-describedby="caption-attachment-24070" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24070" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-1-2.jpg" alt="Cena do filme O Sacrifício do Cervo Sagrado. Steve está subindo a escada no sentido superior enquanto olha para os degraus. O contraste da fotografia abrange a luminosidade das janelas enquanto por dentro está tudo escuro. " width="2000" height="1334" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-1-2.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-1-2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-1-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-1-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-1-2-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-1-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24070" class="wp-caption-text"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BvpnF9QHH94">Colin Farrell já tinha trabalhado com Yorgos Lanthimos</a> no filme O Lagosta de 2015 (Foto: A24 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O pecado é cometido através de ações e é por isso que as mãos de Steve sempre estão em evidência. A câmera flutua nos personagens dentro do hospital, se nivelando a um purgatório divino onde existe uma luta pela sobrevivência de toda a família. O último ato é uma verdadeira roleta russa que nos remete ao filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bH2HS6uWIhQ"><i><span style="font-weight: 400;">Violência Gratuita</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1997) de Michael Haneke</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas, desta vez, o ato do sacrifício já estava premeditado e nada poderia ser feito a respeito. O que parece ser uma histeria coletiva de uma manifestação de um distúrbio psicológico ou uma doença em que toda a família passa a ter, também pode ser a única forma de justiça que o garoto Martin encontrou para vingar a morte de seu pai. Ambas teorias são bastante omissas durante toda a obra, o que deixa o telespectador amontoado de dúvidas sem saber o que de fato acontece, e o que acontece é o </span><i><span style="font-weight: 400;">Sacrifício do Cervo Sagrado</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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