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	<title>Arquivos Chase Sui Wonders &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Estúdio convence que, para ter prestígio, a Comédia finge ter pompas</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Sep 2025 04:24:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Produções satíricas ou sobre os bastidores de determinada mídia têm ganhado cada vez mais espaço na vitrine, de heróis com Deadpool (2016) ao jornalismo com The Morning Show (2019-), a característica metalinguística já deixou de ser novidade. O Estúdio (2025), criada por vários artistas, incluindo Seth Rogen, Frida Perez e Evan Goldberg, é &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-estudio-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Estúdio convence que, para ter prestígio, a Comédia finge ter pompas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35645" aria-describedby="caption-attachment-35645" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35645" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-800x450.jpg" alt="Cena da série O EstúdioNa imagem, os atores Seth Rogen (à esquerda) e Greta Lee (à direita) estão conversando em um set de filmagens. Ela olha com ternura para Rogen, enquanto ele presta bastante atenção nela. Greta Lee é uma mulher com traços asiáticos, de cabelos escuros na altura do pescoço. Usa um vestido verde com detalhes em amarelo e gola alta. Seth Rogen é um homem branco, de cabelos curtos e grisalhos. Ele veste uma camisa de botões e óculos. Atrás dos atores está um espelho com lâmpadas acesas na borda, trazendo uma iluminação quente ao ambiente. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35645" class="wp-caption-text">Greta Lee faz uma ponta no segundo episódio do show (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><strong>Davi Marcelgo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Produções satíricas ou sobre os bastidores de determinada mídia têm ganhado cada vez mais espaço na vitrine, de heróis com </span><a href="https://personaunesp.com.br/deadpool/"><i><span style="font-weight: 400;">Deadpool</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016) ao jornalismo com </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-morning-show-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Morning Show</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019-), a característica metalinguística já deixou de ser novidade. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estúdio</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2025),</span> <span style="font-weight: 400;">criada por vários artistas, incluindo Seth Rogen, Frida Perez e Evan Goldberg, é uma série que quase fica na obviedade das sacadinhas que tem ar de superioridade, porém a mistura de gêneros e narrativas prova que a inteligência do texto extrapola qualquer suspeita de autoridade.  </span><span id="more-35644"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Matt (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-fabelmans-critica/"><span style="font-weight: 400;">Seth Rogen</span></a><span style="font-weight: 400;">) é promovido a chefe do </span><i><span style="font-weight: 400;">Continental Studios</span></i><span style="font-weight: 400;">, um antigo estúdio de Cinema. Enquanto ele quer reviver os tempos de glória de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, os acionistas têm outros planos: franquias e um filme da marca de suco em pó </span><a href="https://www.instagram.com/koolaid/"><i><span style="font-weight: 400;">Kool-Aid</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É com esta premissa que a história começa e termina, afinal, a </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai abordar a rotina de quem toma decisões comerciais e criativas durante a criação de longas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">A promoção</span></i><span style="font-weight: 400;">, o roteiro dá sinais de assumir a posição de quem olha para a dinâmica das produções cinematográficas e se coloca como alguém acima disso, e de fato seria natural partir deste caráter quando os profissionais envolvidos na criação, roteiro e direção possuem </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/7-filmes-de-seth-rogen-para-dar-risada-de-superbad-vizinhos/"><span style="font-weight: 400;">carreiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> em comédias pastelões e de pouco prestígio &#8211; quando considerado a presença do gênero em festivais e premiações. Entretanto, a equipe mais homenageia a Sétima Arte do que tira sarro dela. O humor está presente, de uma forma inteligentíssima, e se relaciona mais com o tipo de filme que está emulando em cada capítulo, do que com uma vontade de parodiar </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_35646" aria-describedby="caption-attachment-35646" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35646" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-800x450.jpg" alt=" Cena da série O EstúdioNa imagem, os atores Seth Rogen e Zoë Kravitz estão rindo enquanto tocam em um quadro de faixas coloridas. Ele é um homem branco na faixa dos 40 anos, de cabelos curtos e grisalhos. Está vestindo um terno amarelo. Já a atriz, é uma mulher negra, na faixa dos 35 anos, de cabelos escuros e com tranças longas. Ela usa um boné preto. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35646" class="wp-caption-text">Zoë Kravitz está entre os participantes da temporada, que inclui Martin Scorsese, Dave Franco e Olivia Wilde (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Plano-Sequência</span></i><span style="font-weight: 400;">, segundo episódio de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estúdio</span></i><span style="font-weight: 400;">, é, sem nem precisar refletir muito, o melhor da temporada. Indicado na categoria de Melhor Roteiro em Série Cômica do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2025/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2025</span></a><span style="font-weight: 400;">, na trama, Matt está empolgado para acompanhar a tomada única de um clímax em produção, estrelado por Greta Lee (</span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vidas Passadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; 2023). Apesar de ser advertido sobre a ansiedade que um chefe de estúdio pode causar nos trabalhadores do </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, o protagonista permanece no local. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do capítulo anterior, que se conformava com piadas que só cinéfilos entendem, este se apodera da comédia de situações em um enredo que dobra, constantemente, as apostas do quanto Matt pode atrapalhar ao decorrer do </span><a href="https://personaunesp.com.br/oldboy-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">plano-sequência</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em outras partes da obra, há o uso do elemento dramático conhecido como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xfT1BxXx3SQ"><i><span style="font-weight: 400;">a arma de tchekhov</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: qualquer coisa inserida em uma narrativa deve ser usada. Claro que o conceito não deve ser levado com intensidade, é que, em especial, neste episódio, seu uso provoca um efeito de humor brilhante. Já extasiado com as desventuras ocorridas nos bastidores e imersos naquele espaço, o espectador provavelmente esqueceu um mero detalhe dito em uma frase que vai servir como a conclusão do episódio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://www.thedailybeast.com/obsessed/olivia-wilde-mocks-her-dont-worry-darling-scandal-in-the-studio/"><i><span style="font-weight: 400;">O rolo desaparecido</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">incorpora um romance policial, com direito até a narração de detetives, enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">A guerra</span></i><span style="font-weight: 400;"> se assemelha com um episódio de </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/coyote-vs-acme-tem-poster-data-de-estreia-e-cenas-ineditas-reveladas"><i><span style="font-weight: 400;">Looney Tunes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, daqueles em que o Coiote cria armadilhas para capturar o Papa-Léguas, mas não no tradicional cenário do deserto norte-americano, aqui o ringue é </span><i><span style="font-weight: 400;">Los Angeles</span></i><span style="font-weight: 400;">. Quando </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estúdio </span></i><span style="font-weight: 400;">fica amnésico de sua sátira, não só consegue tirar o melhor de seus atores e escritores, também extrapola as fronteiras que sua metalinguagem quer atingir.</span></p>
<figure id="attachment_35647" aria-describedby="caption-attachment-35647" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35647" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-800x450.jpg" alt="Cena da série O EstúdioNa imagem, a atriz Catherine O'Hara está em pé, parada em frente a uma grade que separa chão e rio. Ela segura um celular na mão e está vestindo um vestido laranja. Nos braços, ela também carrega uma bolsa na mesma cor, além de usar óculos escuros em formato redondo no rosto. Ela é uma mulher branca, na faixa dos 70 anos, com cabelos ruivos. Ao fundo, há uma escada, onde jovens estão sentados e conversando, no canto direito da imagem. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35647" class="wp-caption-text">Catherine O&#8217;Hara é uma das indicadas na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante em Série Cômica do Emmy 2025 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao criar um simulacro de gêneros notórios, que estabeleceram clássicos do Cinema, os criadores </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-festa-da-salsicha/"><span style="font-weight: 400;">Evan Goldberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, Alex Gregory, Peter Huyck, Frida Perez e Seth Rogen harmonizam com a trajetória de Matt: ele precisa compreender sua função de executivo e não de artista. É como se a Comédia não tivesse espaço entre os figurões da Sétima Arte, exceto quando existe uma categoria específica para ela, como no caso do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, o humor sem requintes, que é corpóreo e exagerado, nunca será alguém a dividir o panteão, somente se for uma farsa do </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou do drama, por exemplo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A paródia vai para além de piadas com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><span style="font-weight: 400;">Christopher Nolan</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou à </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/amazon-conclui-compra-de-estudios-da-mgm/"><span style="font-weight: 400;">aquisição da </span><i><span style="font-weight: 400;">MGM</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon</span></i><span style="font-weight: 400;"> e pousa em galhos onde é preciso balançar para cair bons frutos. Neste quesito, portanto, o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> de TV alcança o nível de prestígio que tanto prezam:  o humor sútil, a crítica, a profundidade. Talvez um </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/superbad-e-hoje"><span style="font-weight: 400;">bando de adolescentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> se metendo em enrascadas apenas para beber álcool fosse banal demais para ser ovacionado, é necessário outro cenário, um já consolidado nas mentes de quem julga. As artimanhas podem acontecer, entretanto, sob os holofotes da indústria cinematográfica americana. </span></p>
<figure id="attachment_35648" aria-describedby="caption-attachment-35648" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35648" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-800x450.jpg" alt="Cena da série O EstúdioNa imagem, a atriz Chase Sui Wonders está andando, com um sorriso de canto no rosto, esboçando confiança. Atrás dela, há homens vestindo uniformes de militares de séculos passados. Ela é uma mulher na faixa dos 30 anos, está usando um óculos redondo de sol, com lente alaranjada, terno com linhas na cor marrom e gravata na mesma cor, com uma estampa de olhos. Seu cabelo é preto, curto e com franja. O dia está ensolarado. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35648" class="wp-caption-text">Além de assistente executiva, Chase Sui Wonders também foi uma final girl em 2025 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Evan Goldberg e Seth Rogen, que assinam a direção dos dez episódios, garantem um trabalho no máximo funcional. No limiar do que é feito em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-bear-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Bear</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022-), eles tentam representar a ansiedade e caos do cotidiano de uma empresa através de uma câmera que acompanha personagens, passeia por ambientes, esbanja close-up, usa diversas vezes o plano-sequência e quase nunca dá fôlego, mas para por aí. Se a ideia era ter a sensação de velocidade impressa pela lente, o resultado foi obtido. Pelo menos, a fotografia comandada por </span><a href="https://variety.com/2025/artisans/news/the-studio-one-take-episode-1236347408/"><span style="font-weight: 400;">Adam Newport-Berra</span></a><span style="font-weight: 400;"> garante belas cenas com iluminação natural.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Estúdio </span></i><span style="font-weight: 400;">quebrou recordes de indicações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">, conquistando 23 nomeações. Entre elas,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Melhor Ator Coadjuvante em Série Cômica</span></i><span style="font-weight: 400;">, Melhor Série Cômica e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Melhor Direção em Série Cômica</span></i><span style="font-weight: 400;">; porém a briga para levar a estatueta é de cachorro grande, com o restaurante de Carmy (Jeremy Allen White)</span><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/abbott-elementary-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Abbott Elementary</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021-) na disputa. De qualquer maneira, quando a cerimônia tiver o </span><i><span style="font-weight: 400;">fade out</span></i><span style="font-weight: 400;">, vários espectadores ainda lembrarão de alguém que estacionou o carro no lugar errado, e isso é maior que qualquer ‘prestígio’. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Estúdio — Trailer oficial | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RYYQv2t0TgI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado pesca o que há de melhor no Terror de shopping</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Aug 2025 16:27:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: este texto contém spoilers Davi Marcelgo  A força motriz de Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado (1997) é o conteúdo de que a história trata: adolescentes ambiciosos com o futuro, cansados da cidade natal, ficam condenados a viver ou retornar sempre ao local. Esta temática aparece não somente no texto, mas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/eu-sei-o-que-voces-fizeram-no-verao-passado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado pesca o que há de melhor no Terror de shopping"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso:</i></b><i><span style="font-weight: 400;"> este texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_35498" aria-describedby="caption-attachment-35498" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35498" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3.png" alt="Cena do filme Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão PassadoNa imagem, a câmera está no ângulo de baixo para cima, com o gancho do assassino em destaque. A arma possui formato de anzol e é prateado. O assassino está em desfoque, ele usa capa de chuva e chapéu, ambos na cor preta. " width="640" height="264" /><figcaption id="caption-attachment-35498" class="wp-caption-text">Após 27 anos longe das telonas, novo filme tenta ressuscitar franquia (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A força motriz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado </span></i><span style="font-weight: 400;">(1997) é o conteúdo de que a história trata: adolescentes ambiciosos com o futuro, cansados da cidade natal, ficam condenados a viver ou retornar sempre ao local. Esta temática aparece não somente no texto, mas na forma como o diretor Jim Gillespie isolava as personagens do resto da população, a tragédia era algo particular do grupo de amigos. A premissa se perdeu na </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-os-bastidores-de-eu-ainda-sei-o-que-voces-fizeram-no-verao-passado/"><span style="font-weight: 400;">sequência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 1998 e no </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2006, mas retorna com força total, embora reimaginada, no filme que chegou aos cinemas em 2025; a </span><i><span style="font-weight: 400;">requel</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem medo de ser a ‘irmã feia’ de </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-janeiro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022).</span></p>
<p><span id="more-35496"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, – você já deve saber – um grupo de amigos provoca um acidente, não presta socorro, guarda o segredo a sete chaves e após 365 dias, um assassino com fantasia de Pescador surge para vingar a morte da vítima. Um por um, os jovens são trucidados. Em oposição aos recém-formados do ensino médio no roteiro original, os protagonistas da versão </span><a href="https://exame.com/pop/geracao-z-millennials-e-boomers-em-que-ano-comecou-cada-geracao/"><i><span style="font-weight: 400;">Gen-Z</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são adultos, prestes a casar ou com carreiras florescendo. A relação deles com a litorânea Southport segue as ideias de querer não pertencer àquela cidade e ser obrigado a retornar, porém, cria uma tangente: quem gosta de permanecer é porque se beneficia da política implantada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Ava (</span><a href="https://personaunesp.com.br/generation-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chase Sui Wonders</span></a><span style="font-weight: 400;">) – uma mulher </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> – diz que pretende nunca mais voltar ao local e Stevie (Sarah Pidgeon), logo após uma tragédia envolvendo o pai mudar o curso de sua vida, precisa trabalhar para sobreviver, Teddy (Tyriq Withers) e Danica (Madelyn Cline) dão uma festa de noivado. O casal é o ideal heteronormativo, que aqui vira piada. O roteiro de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/justiceiras"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Kaiten Robinson</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também é diretora, compreende o público que quer conquistar e faz isso por meio de sacadinhas bem humoradas. Afinal, o que mais é a principal característica da Geração Z, que consome </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;"> (nada mais </span><i><span style="font-weight: 400;">gen-Z</span></i><span style="font-weight: 400;"> do que ignorar a mudança para </span><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i><span style="font-weight: 400;">) e cria vídeos para o </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">, senão um ativismo político raso e fazer piada com ricos? </span></p>
<figure id="attachment_35499" aria-describedby="caption-attachment-35499" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35499" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-800x450.jpg" alt="Cena do filme Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão PassadoNa imagem, as personagens Julie e Ray se encaram. Ele está desfocado, no canto direito da cena, e de costas para a câmera. Julie está de frente, no lado esquerdo, e olha para Ray com expressão de surpresa. Ela é uma mulher na faixa dos 40 anos, de pele clara e cabelos claros. Está vestindo uma jaqueta jeans escura. Já Ray possui cabelos e barbas grisalhas, tem por volta de 50 anos e veste uma jaqueta verde. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35499" class="wp-caption-text">Os veteranos Jennifer Love Hewitt e Freddie Prinze Jr. retornam aos seus papéis (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco cheio de química, catapultado por piadas divertidas e um retrato sincero dos jovens adultos, é um dos melhores acertos deste longa. A agência deles, ao avançar da trama, consegue remendar a característica fatal inerente dos dois filmes anteriores &#8211; desconsiderando o </span><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">de 2006. O segundo ato das histórias nunca soube o que fazer com as personagens, se os enviavam para uma investigação, ela não possuía ritmo e se concentrava em apenas um lugar, com pouquíssimas mortes. Se partia para o </span><a href="https://youtu.be/_X8HxU7TVX4?si=2vr081ovwfkwp1WC"><span style="font-weight: 400;">Terror frontal</span></a><span style="font-weight: 400;">, era inócuo, repetitivo ou matava figurantes </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DMGXPVbPRa7/"><span style="font-weight: 400;">negros</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Robinson concilia as duas abordagens, separando o grupo à la </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-scooby-doo-2002/"><i><span style="font-weight: 400;">Scooby-Doo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito por </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-superman/"><span style="font-weight: 400;">James Gunn</span></a><span style="font-weight: 400;">, é curiosamente inspiradíssimo na franquia de Terror, da narrativa à escolha de atores), dando a eles atividade ao apurar o mistério à medida que deixa um saldo de corpos empilhados com uma filmagem agressiva, imponente e criativa. Diferente do fatídico </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Sempre Vou Saber O Que Vocês Fizeram No Verão Passado</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2006), em que o Pescador tem sua primeira aparição sem peso algum, ou até dos outros dois filmes com o elenco original, que nunca deram grande importância à figura do assassino, a </span><i><span style="font-weight: 400;">requel </span></i><span style="font-weight: 400;">o trata com potência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora enquadra ele em </span><i><span style="font-weight: 400;">contra-plongée</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua silhueta na escuridão e às vezes a própria ausência de luz encarna sua maldade. Ela dedica um tempo passeando a câmera por sua figura, destaca as botas sujas &#8211; e o som que fazem ao andar -, as armas e o corpo. As composições criam no antagonista a postura de ameaça que significa à vida das vítimas. E não somente no campo da decupagem das imagens, mas também nos jeitos que o vilão encontra para torturar ou matar os protagonistas. Pela primeira vez o nome ‘</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yVRw8tT5Qnc"><span style="font-weight: 400;">Pescador</span></a><span style="font-weight: 400;">’ faz sentido, pois o anzol não é a única arma usada por ele, há um arpão e gaiola de armadilha, além de uma vítima se debatendo como um peixe fora d’água, tal como presa e caçador.</span></p>
<figure id="attachment_35500" aria-describedby="caption-attachment-35500" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35500" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1.jpg" alt="Cena do filme Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão PassadoNa imagem, a personagem Danica segura um cartão de aniversário na mão direita. Ela olha para cima com uma expressão de riso. Danica é uma mulher branca, na faixa dos 25 anos, de cabelos loiros e usa uma faixa amarela na cabeça. " width="600" height="265" /><figcaption id="caption-attachment-35500" class="wp-caption-text">O filme arrecadou US$ 2,2 milhões de dólares nas bilheterias de pré-estreia (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cidade está mais incorporada aos eventos da trama e as decisões das autoridades &#8211; e dos ricos &#8211; têm relação direta com o acontecimento que mancha o destino dos cinco amigos. Inclusive, a escolha de não prestar socorro ou sofrer as consequências do ato, como também de ser irresponsável ao ponto de não refletir sobre o mundo ao redor, rege ideias discutidas pela </span><i><span style="font-weight: 400;">gen-Z</span></i><span style="font-weight: 400;">. São personagens que têm o poder de se safar legalmente de imprudências e crimes. O texto levanta questões sobre apagamento histórico, </span><a href="https://www.terra.com.br/noticias/caso-porsche-e-se-a-vitima-fosse-o-jovem-rico,c92bd874be0b352bafea7a9d7425249c1xz50g6c.html"><span style="font-weight: 400;">impunidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e esquecimento, seja ele institucional ou íntimo, porém acaba deixando a crítica passar despercebida por ter personagens tão amáveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal detalhe que evoca essa temática é a escolha do alter ego do Pescador, pela primeira vez nos Cinemas, não é Ben Willis (Muse Watson), mas sim Ray (Freddie Prinze Jr.), que teve uma vida completamente diferente dos colegas, sendo obrigado a ficar de escanteio, trabalhando como um pescador entre os cais. Apesar de justificável, seja pelo passado e principalmente, pelo assassino agir como um homem da água, essa decisão ainda soa como uma forma de chocar a audiência e ir contra a maré nostálgica dos filmes, algo que o péssimo </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/609841/critica-o-massacre-da-serra-eletrica-o-retorno-de-leatherface-netflix-2022-so-pelo-prazer-do-sangue/"><i><span style="font-weight: 400;">O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno de Leatherface</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022) fez ao matar a </span><i><span style="font-weight: 400;">final girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> do clássico de 1974. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que questionável, </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado</span></i><span style="font-weight: 400;"> reúne o que há de melhor no Terror de shopping center: elenco carismático e boas mortes. É um filme que não tem medo de ser comparado com a franquia do </span><a href="https://personaunesp.com.br/ironico-autoconsciente-como-panico-mudou-para-sempre-genero-terror/"><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, algo que sempre ocorreu graças a um ano de diferença entre os precursores de cada saga e ao roteiro de </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/anna-camp-sobre-relacao-de-neve-campbell-e-kevin-williamson-em-panico-7-quero-aquilo/"><span style="font-weight: 400;">Kevin Williamson</span></a><span style="font-weight: 400;">, presente em ambos. Pelo contrário, ele assume características inatas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;">, como os monólogos de assassinos e a consciência dos protagonistas acerca de clichês do gênero. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/D1CnrwzgOEg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Do vexame à morte, Bodies Bodies Bodies não tem pudor de si mesmo</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2023 15:10:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano “Morte. Morte. Morte.” É o que você deve gritar se achar um corpo. O slasher do estúdio A24 aborda o reencontro de antigos amigos que decidem confraternizar em uma noite tempestuosa. Porém, o choque do presente estremece o grupo, que sempre se escondeu sob um véu de mistérios e mentiras. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bodies-bodies-bodies-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do vexame à morte, Bodies Bodies Bodies não tem pudor de si mesmo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29595" aria-describedby="caption-attachment-29595" style="width: 4500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29595 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-1.jpeg" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A foto é retangular e bastante escura. Ela mostra, no centro, quatro das cinco protagonistas do filme. As quatro estão mexendo em uma mala sobre uma cama, o ângulo da câmera as captura da cintura para cima. Da esquerda para a direita: A primeira é Bee, personagem de Maria Bakalova. Maria é uma mulher branca, cabelos loiros que estão presos em um rabo de cavalo. Ela é a que menos aparece na imagem, parcialmente escondida pelos corpos das demais, e segura uma lanterna que é uma das poucas fontes de luz da cena. Ao seu lado está Sophie, interpretada por Amandla Stenberg. Ela é uma mulher negra, com cabelos longos em tranças e luzes loiras. A próxima, ao lado, é Jordan, papel de Myha'la Herrold. Ela é uma mulher negra, usa os cabelos escuros presos no alto da cabeça e segura outra lanterna sob um dos braços. A última, no canto direito, é Alice, personagem de Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, de cabelos castanhos cacheados. Ela segura um copo com uma das mãos e tem vários colares neon, de festa, no pescoço." width="4500" height="2532" /><figcaption id="caption-attachment-29595" class="wp-caption-text">Registrando 86% de aprovação no Rotten Tomatoes, o longa é uma das produções de Terror mais bem avaliadas de 2022 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Morte. Morte. Morte.</span></i><span style="font-weight: 400;">” É o que você deve gritar se achar um corpo. O </span><a href="https://www.clapper.com.br/artigo/slashers-analise"><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">do estúdio </span><i><span style="font-weight: 400;">A24 </span></i><span style="font-weight: 400;">aborda o reencontro de antigos amigos que decidem confraternizar em uma noite tempestuosa. Porém, o choque do presente estremece o grupo, que sempre se escondeu sob um véu de mistérios e mentiras. Então, o que seria melhor do que juntar álcool e drogas a um intenso jogo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> – uma mistura de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Cidade Dorme</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">Among Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> da vida real – na companhia de um verdadeiro homicida?</span></p>
<p><span id="more-29585"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo começa com um assassino que será sorteado em segredo e terá que perseguir os demais participantes no escuro. Já os últimos caminham pela mansão em que estão e, caso se deparem com um corpo, devem bradar “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-LCRDBru_oE"><i><span style="font-weight: 400;">Morte, morte, morte</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” para, então, acenderem as luzes e darem início a investigação do fictício crime. Quando a brincadeira perde lugar para o sangue e, de fato, óbitos, os jovens passam a se proteger do responsável trepidando no pânico instaurado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado no Brasil em outubro de 2022, &#8211; mais de um mês após a estreia mundial e vários dias de descaso na conta da distribuição nacional de produções do gênero &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> é dirigido por Halina Reijn, que já explorou a função no </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicológico</span><i><span style="font-weight: 400;"> Instinct </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019). </span><span style="font-weight: 400;">Inspirada pela filmografia de </span><a href="https://ims.com.br/mostra/o-cinema-em-john-cassavetes-ims-pc/"><span style="font-weight: 400;">John Cassavetes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pelos icônicos </span><a href="https://www.wakabara.com/blog/im-not-a-heather-im-a-veronica-heathers-que-inspirou-ryan-murphy-que-inspirou-heathers"><i><span style="font-weight: 400;">Heathers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1988), </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Medo de Virginia Woolf?</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Professora de Piano</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2001), a holandesa abraçou o óbvio ao admitir que os infortúnios de sua trama precedem a Geração Z e todo o universo tecnológico permeado pelas redes sociais. Ainda assim, o trabalho desenvolvido pela cineasta, cutucando a complexidade dessa ferida em expansão, proporciona um salto construtivo no terreno que o novo “</span><a href="https://anticult.com.br/terrir-10-filmes-para-voce-se-assustar-e-rir/"><span style="font-weight: 400;">terrir</span></a><span style="font-weight: 400;">” deseja adubar.</span></p>
<figure id="attachment_29591" aria-describedby="caption-attachment-29591" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29591" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2.png" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A foto é retangular e mostra sete personagens comemorando em pé e rindo, na borda de uma piscina. É dia e, ao fundo, há um jardim repleto de trepadeiras e colunas gregas. Da esquerda para a direita: O primeiro é Greg, personagem de Lee Pace. Lee é um homem branco com cabelos castanhos e lisos na altura dos ombros, barba e bigode. Ele está sem camisa e de shorts verde. Ao seu lado está Jordan, papel de Myha'la Herrold. Ela é uma mulher negra, usa os cabelos escuros presos no alto da cabeça e está com um roupão branco. Do lado de Jordan está Bee, personagem de Maria Bakalova. Maria é uma mulher branca, de cabelos loiros que estão presos em um rabo de cavalo. Ela usa shorts e uma camisa azul de botão. Sophie está ao seu lado, de braços dados com a primeira. Ela é interpretada por Amandla Stenberg, uma mulher negra, com cabelos longos em tranças e luzes loiras. Em sequência e mais à frente do grupo está David, personagem de Pete Davidson. Pete é um homem branco, de cabelos curtos, quase raspados, e escuros, olhos e narizes grandes. Ele usa um roupão branco e abre uma garrafa de champanhe. Em seguida, e mais ao fundo estão as duas personagens restantes. A primeira é Emma, personagem de Chase Sui Wonders. Ela é uma mulher branca, de olhos pequenos, cabelos longos e lisos. Ela usa um biquíni e um roupão branco por cima dele. A última, mais à direita, é Alice, interpretada por Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, de cabelos castanhos cacheados. Ela usa um maiô vermelho e segura uma taça em uma das mãos." width="2000" height="1244" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2.png 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-800x498.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-1024x637.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-768x478.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-1536x955.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-1200x746.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29591" class="wp-caption-text">As filmagens que instigam o terror em torno dos super ricos tomaram forma em uma luxuosa mansão georgiana de Nova Iorque (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Semelhante à singularidade de </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1996) nos anos 90, a obra se vale do </span><a href="https://www.esqueletosnoarmario.com/post/010-esqueletos-em-p%C3%A2nico-a-metalinguagem-e-subvers%C3%A3o-do-slasher"><span style="font-weight: 400;">subgênero mais subversivo do Horror</span></a> <span style="font-weight: 400;">para escrachar a superficialidade de seu grupo de protagonistas. A essência de cada jovem é sufocada pelas máscaras que assumem socialmente e, mesmo quando um assassino não espreita os corredores, o padrão se autocritica pelo cinismo e pela visceralidade. Todos estão presos na tal mansão sem necessidade, se repelindo emocionalmente na constância de seus vícios e tão perdidos em sua própria incredulidade que sequer se dão conta da babaquice coletiva reunida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro avesso é responsabilidade da estreante </span><a href="https://www.concordtheatricals.com/p/62099/the-wolves"><span style="font-weight: 400;">Sarah DeLappe</span></a><span style="font-weight: 400;">, que remodelou uma criação de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=06026"><span style="font-weight: 400;">Kristen Roupenian</span></a><span style="font-weight: 400;">. A história original, </span><a href="https://personaunesp.com.br/rua-do-medo-1978-parte-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">propriamente </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também tinha sido projetada em um cenário de catástrofe natural – uma tempestade de neve. Com a adaptação para os cinemas, a trama foi ressignificada e, o que antes beberia de </span><a href="https://www.planocritico.com/fora-de-plano-panico-2022-o-slasher-satirico-esta-de-volta-mas-vai-vingar/"><span style="font-weight: 400;">fontes diretas do subgênero</span></a><span style="font-weight: 400;">, transformou-se em uma </span><a href="https://cinepop.com.br/os-40-anos-do-auge-do-terrir-no-cinema-conheca-os-primeiros-slasher-comicos-do-cinema-331063/"><span style="font-weight: 400;">criativa sátira</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos privilégios e angústias de adolescentes ricos, em uma corrompida Geração Z.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Incentivadas em doses cavalares, a revolta e a ansiedade viram guias pontuais no projeto. O texto propositalmente afiado faz a realidade bater bem nas nossas portas e não gostamos de nos identificar com ninguém retratado no banho de sangue. Não por recusarmos a verdade, mas porque todos em cena são </span><a href="https://reporternewspapers.net/2022/08/19/film-review-bodies-bodies-bodies-brings-old-wounds-to-the-surface-for-a-bloody-good-time/"><span style="font-weight: 400;">tão niilistas quanto irritantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> reflete uma casca do que muito provavelmente somos, se não em todas as horas do dia, certamente nos períodos </span><i><span style="font-weight: 400;">on-line</span></i><span style="font-weight: 400;">: seres engajados, munidos de debates vazios e opiniões replicadas sobre tudo.</span></p>
<figure id="attachment_29590" aria-describedby="caption-attachment-29590" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29590" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-3-1.gif" alt="Gif do filme Bodies Bodies Bodies. O gif é retangular e mostra a personagem Alice, de Rachel Sennott em close. Rachel é uma mulher branca, de cabelos castanhos cacheados, que estão molhados. Ela usa um biquíni e tem vários colares neon, de festa, no pescoço. Durante o gif, ela diz: “...Ele tem a lua em Libra. Isso diz muito!” e é bastante expressiva. O fundo está escuro e desfocado." width="540" height="370" /><figcaption id="caption-attachment-29590" class="wp-caption-text">“&#8230;Ele tem a lua em Libra. Isso diz muito!” (GIF: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma maioria de personagens estadunidenses, o filme brinca com uma festa realizada &#8211; literalmente &#8211; no olho de um furacão. Os amigos em questão não se unem por sobrevivência ou afeto, e seus diálogos são construídos entre o superficial e o insano. Como se retirada diretamente do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, a trupe de </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte Morte Morte</span></i><span style="font-weight: 400;">, no título traduzido, ama repetir </span><a href="https://www.unicef.org/brazil/blog/influencia-das-redes-sociais-na-banalizacao-de-psicopatologias"><span style="font-weight: 400;">expressões usadas e banalizadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no território midiático, ausentando os termos de contextos e sentidos que, algumas vezes, nem chegaram a existir. No saldo final, todos se esmagam entre si em um rito deliciosamente cômico, tentando reforçar suas personalidades depreciativas e deprimentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alice, interpretada pela incansavelmente expressiva </span><a href="https://personaunesp.com.br/shiva-baby-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rachel Sennott</span></a><span style="font-weight: 400;">, é uma típica patricinha fútil e mimada que desconta suas frustrações em narcóticos e relacionamentos precipitados. O amigo David (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-esquadrao-suicida-critica/"><span style="font-weight: 400;">Pete Davidson</span></a><span style="font-weight: 400;">) vive no egocentrismo, inconsequente e cheio de si. Emma (</span><a href="https://personaunesp.com.br/generation-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chase Sui Wonders</span></a><span style="font-weight: 400;">) traz a faceta mais melodramática e emocionalmente dependente do time, enquanto Jordan (Myha&#8217;la Herrold) tem o pavio curto e parece disposta a deixar o recém casal Sophie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-odio-que-voce-semeia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Amandla Stenberg</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Bee (</span><a href="https://personaunesp.com.br/borat-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Maria Bakalova</span></a><span style="font-weight: 400;">) o mais desconfortável possível.</span></p>
<figure id="attachment_29589" aria-describedby="caption-attachment-29589" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29589" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-scaled.jpg" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A foto é retangular e mostra duas personagens deitadas na grama, da cintura para cima, enquanto se olham. A da esquerda é Sophie, interpretada por Amandla Stenberg. Ela é uma mulher negra, com cabelos longos em tranças e luzes loiras. Ela usa uma regata amarela e um casaco preto. À direita da imagem está Bee, personagem de Maria Bakalova. Maria é uma mulher branca, de cabelos loiros que estão presos em um rabo de cavalo. Ela usa uma camiseta branca estampada e, por cima, uma camisa azul de botões." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29589" class="wp-caption-text">Para além do tom julgador, a produção também sabe valorizar a ânsia dos 20 e poucos anos, momento em que tudo parece contornável e o mundo sempre está ao alcance (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Curiosamente, Bee é a </span><a href="https://www.vulture.com/article/maria-bakalova-bodies-bodies-bodies-borat-marvel.html"><span style="font-weight: 400;">única estrangeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; de sangue e espírito &#8211; em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;">, agindo como os olhos questionadores do público durante toda a tensão. Sua nacionalidade não entra em pauta nos conflitos e a visão “não classificatória” colabora para um sentimento coletivo que cresce ao longo do filme. Afinal, quem é essa garota? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que a minuciosa coadjuvante de Bakalova seja apresentada como uma provável </span><a href="https://newronio.espm.br/a-evolucao-do-estereotipo-da-final-girl-dos-filmes-de-terror/"><i><span style="font-weight: 400;">final girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é Sophie quem carrega o mistério com as chaves de uma protagonista. Caminhando em uma interessante corda bamba moral, a garota recém-saída de uma clínica de reabilitação nunca revela seus verdadeiros anseios, segredos ou intenções. Já Greg (</span><a href="https://www.theguardian.com/film/2012/dec/09/hobbit-an-unexpected-journey-review"><span style="font-weight: 400;">Lee Pace</span></a><span style="font-weight: 400;">), o único adulto de verdade do grupo, tem a missão de sustentar o choque entre a jovialidade e seus públicos antecessores.</span></p>
<figure id="attachment_29588" aria-describedby="caption-attachment-29588" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29588" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2.jpg" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A imagem é retangular e mostra os personagens Bee, Sophie, Jordan, Alice, Emma e Greg, único que está deitado no chão, em uma quadra de esportes. As demais garotas caminham em volta de Greg. A cena é quase inteiramente escura, com luzes brancas vindas apenas do celular segurados pelas personagens e do sinal de “saída” vermelho que está ao fundo do ginásio. " width="1280" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2-1200x502.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29588" class="wp-caption-text">Esnobado nas listas de grandes premiações, Morte Morte Morte recebeu indicações a Melhor Roteiro Estreante e Melhor Diretor no Film Independent Spirit Awards, que consagra o circuito alternativo de filmes (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No ritmo do surgimento dos homicídios, o longa se matura como um </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/colunas/566940/whodunnit-da-literatura-as-telonas-o-poder-do-quem-matou-no-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">whodunnit</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> clássico, estilizado pelo </span><a href="http://outtakemag.co.uk/reviews/2022/09/05/bodies-bodies-bodies-a24-amandla-stenberg/"><span style="font-weight: 400;">caos das redes sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quanto ao Terror propriamente dito: o gênero não é o foco principal da obra, mas dita as veias cômicas e críticas que sua direção decide assumir. Quanto mais carnificina, maior hostilidade preenche o ambiente &#8211; ao passo em que o mistério da história se alimenta do real horror aqui levantado. Tratando-se dos Estados Unidos, alguns temas implícitos, no ar e no suspense, são a posse descabida de armas, os perigos por trás das relações </span><i><span style="font-weight: 400;">on-line</span></i><span style="font-weight: 400;">, a alienação na realidade neoliberal e o uso ostensivo de álcool e drogas. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> constantemente catapulta seu ato inicial pelo sabor da desconfiança. A </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-facas-e-segredos-critica/"><span style="font-weight: 400;">brincadeira </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i><span style="font-weight: 400;"> “detetive”</span></a><span style="font-weight: 400;"> não só dá corda ao filme, como também retorna cada vez que um novo corpo é adicionado à pilha. Quase todas as </span><a href="https://personaunesp.com.br/assassinato-no-expresso-do-oriente-critica/"><span style="font-weight: 400;">vítimas são assassinadas fora das câmeras</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que facilita o trabalho ardiloso e recorrente de cada personagem na vilanização do restante do grupo. Aos poucos, uma rede de culpa é formada quando todos têm seus instrumentos de defesa, mas deixam dezenas de rastros que os incriminam na força do ego.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando no terceiro corte da trama, a seleta turma descarrila a si própria tão profundamente que a única escapatória se torna denunciar uns aos outros pelo sangue, ódio ou descaramento. O drama e a aversão, somados ao medo do desconhecido, movem os momentos mais impactantes em cena, como feito nos</span><i><span style="font-weight: 400;"> Jogos Mortais</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005) de </span><a href="https://personaunesp.com.br/maligno-critica/"><span style="font-weight: 400;">James Wan</span></a><span style="font-weight: 400;">. As ações falam pelos donos, e o puro suco do entretenimento está na ausência de monólogos complexos e rebuscados para consolidar o tribunal de pecados.</span></p>
<figure id="attachment_29587" aria-describedby="caption-attachment-29587" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29587" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-6.gif" alt="Gif do filme Bodies Bodies Bodies. O gif é retangular e mostra a personagem Emma, de Chase Sui Wonders. Emma é uma mulher amarela, de cabelos pretos, lisos e longos, que também estão molhados. Ela usa um vestido amarelo ensanguentado. Seu rosto e suas mãos também têm sangue à mostra. Durante o gif, quando outro personagem diz: “Você atirou em mim, p*rra?”; ela responde: “Eu não acredito que você está fazendo isso ser sobre você”. Ao fundo, está a sala escura de uma mansão." width="540" height="343" /><figcaption id="caption-attachment-29587" class="wp-caption-text">“Você atirou em mim, porra?” “Eu não acredito que você está fazendo isso ser sobre você” (GIF: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/casamento-sangrento-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Casamento Sangrento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), a produção tem o valor da perseguição de gato-e-rato nos pulmões, e em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> desencadeia um fluxo intenso, divertido e curioso. O fator também ganha atmosfera pela contundente</span> <a href="https://open.spotify.com/playlist/4KsVLKm1zLeGukc0JuWMD3"><span style="font-weight: 400;">sonoplastia</span></a><span style="font-weight: 400;"> elaborada por Disasterpeace, artista experimental que já trabalhou em </span><i><span style="font-weight: 400;">Corrente do Mal</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://republicadomedo.com.br/critica-it-follows/"><i><span style="font-weight: 400;">It Follows</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2014) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mistério de Silver Lake</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Retirada diretamente das </span><i><span style="font-weight: 400;">playlists </span></i><span style="font-weight: 400;">dos atores do longa, a trilha sonora não perde fôlego e carrega gêneros eletrônicos do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">ao </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. A coletânea enfileira ShyGirl, Princess Nokia, Kilo Kish, Azealia Banks e Tommy Genesis, além de Charli XCX, que lançou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vKIU3Q5oiMg"><i><span style="font-weight: 400;">Hot Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como tema</span> <span style="font-weight: 400;">oficial do filme. Em uma estética identitária crescente, análoga ao universo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), o figurino e a fotografia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte Morte Morte</span></i><span style="font-weight: 400;"> introjetam cores </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;"> e estilos de roupas ligados à geração atual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contraste estudado, o filme ainda é pontual e sugestivamente escuro, tendo jogos de luzes desenvolvidos pelo próprio elenco durante as gravações. O processo foi coordenado pelo diretor de fotografia </span><a href="https://filmmakermagazine.com/117162-interview-cinematographer-jasper-wolf-bodies-bodies-bodies/#.Y5LIqXbMLrc"><span style="font-weight: 400;">Jasper Wolf</span></a><span style="font-weight: 400;">, que operou câmeras portáteis de movimentos inquietos e ágeis para ampliar o clima da carnificina. Frequentemente usada em composição fechada, a cinematografia acompanha as emoções à flor da pele e enriquece o trato de uma história que se desenrola em um único cenário.</span></p>
<figure id="attachment_29586" aria-describedby="caption-attachment-29586" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29586" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1.jpg" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A imagem é retangular e mostra a personagem Alice, interpretada por Rachel Sennott, deitada com as costas voltadas para o chão. Alice é uma mulher branca de cabelos curtos, castanhos e cacheados. Ela veste cropped de tricot com tons azuis, laranjas e beges, além de colares e pulseiras em cores neon. Em das mãos, a garota também segura um pirulito vermelho na altura de sua boca. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29586" class="wp-caption-text">As personalidades de “BBB” são cuidadosamente performáticas e nasceram da liberdade que seus atores tiveram para improvisar nas filmagens (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De tempos em tempos, o Terror </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> reestrutura suas metas inversamente didáticas e estapeia &#8211; com bons baldes de sangue &#8211; as forças que regulam a </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><span style="font-weight: 400;">moeda da moralidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte Morte Morte</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foge da inventividade e, nada confortável com o que o </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a classe média ascendente têm evocado de pior no mundo, faz sua fama esfaqueando dos incitadores aos alvos da </span><a href="https://personaunesp.com.br/territorio-lovecraft-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">cultura do cancelamento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Consciência e incredulidade são o que falta na realidade da </span><i><span style="font-weight: 400;">Gen Z</span></i><span style="font-weight: 400;"> e sobra para o elenco convincente e estrelado da trama, nomes alinhadíssimos à combustão de bons subtextos que </span><a href="https://www.aficionados.com.br/os-melhores-filmes-de-terror-2022/"><span style="font-weight: 400;">o Horror rendeu em 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O destaque no ano, como de costume, é delas. </span><a href="https://www.cinematorio.com.br/2022/08/critica-filme-nao-nao-olhe-nope-jordan-peele/"><span style="font-weight: 400;">Keke Palmer</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mia Goth, </span><a href="https://collider.com/jenna-ortega-scream-queen/"><span style="font-weight: 400;">Jenna Ortega</span></a><span style="font-weight: 400;">, Anya Taylor Joy… estamos cercados e obcecados pelo brilhantismo das novas </span><i><span style="font-weight: 400;">scream queens</span></i><span style="font-weight: 400;"> do pedaço. Engenhosas e transcendentais, as mulheres sabem o peso de dar vida às muitas maneiras de encenar o encontro com a morte. O quinteto de Halina Reijn, por sua vez, assume o humano e o brutal do papel sem titubear, e ainda tomando os </span><a href="https://cinepop.com.br/morte-morte-morte-slasher-da-a24-surpreende-em-estreia-nas-bilheterias-355750/"><span style="font-weight: 400;">números das bilheterias</span></a><span style="font-weight: 400;">. Graças a elas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a acidez que você espera, a violência morando dentro do seu celular e a sátira infinita ao fantasma da nossa futilidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bodies Bodies Bodies | Official Trailer 2 HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/cTzGKsZjBOY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Genera+ion trata do amadurecimento na língua da Geração Z</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Jun 2022 16:53:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Maju Rosa “Pesquise no Google: como dar à luz?”. É assim que somos apresentados ao caótico episódio piloto da série teen do HBO Max, Genera+ion (escrita dessa forma mesmo). Lançado em março de 2021 (e em junho, no Brasil), é uma aposta para captar o público jovem LGBTQIA+, e levá-lo para a fase que todos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/generation-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Genera+ion trata do amadurecimento na língua da Geração Z"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27979" aria-describedby="caption-attachment-27979" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27979" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-800x450.jpg" alt="cena da série Generation, com todo o elenco principal da série: Chloe East, Uly Schlesinger, Nathanya Alexander, Haley Sanchez, Lukita Maxwell, Chase Sui Wonders, Justime Smith, e Sydney Mae Diaz. Todos olham na direção do espectador." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27979" class="wp-caption-text">Genera+ion retrata um grupo de adolescentes que exploram suas relações e sexualidade enquanto se aproximam dos novos amigos (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Maju Rosa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Pesquise no Google: como dar à luz?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É assim que somos apresentados ao caótico episódio piloto da série </span><i><span style="font-weight: 400;">teen</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;"> (escrita dessa forma mesmo). Lançado em março de 2021 (</span><a href="https://elle.com.br/cultura/generation-hbo-max"><span style="font-weight: 400;">e em junho, no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">), é uma aposta para captar o público jovem LGBTQIA+, e levá-lo para a fase que todos passamos em algum momento: os dramas adolescentes sobre dificuldades adolescentes &#8211; e que apenas os adolescentes entendem. E apesar de ter conquistado um espectador que se identificou com a história de Chester, interpretado por Justice Smith (também protagonista de</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-maio2019/"><i><span style="font-weight: 400;">Detetive Pikachu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-get-down-hip-hop/"><i><span style="font-weight: 400;">The Get Down</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), e seus novos amigos, a produção não foi renovada pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27978"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/katy-perry/"><span style="font-weight: 400;">Katy Perry</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2008 e sua animação em ter </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tAp9BKosZXs"><span style="font-weight: 400;">beijado uma garota</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela primeira vez, a ansiedade para a primeira relação, o entendimento da própria sexualidade e gravidez na adolescência são descobertas abordadas na série do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">. A princípio, a fórmula de </span><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser comparada à </span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), da gigante </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, apesar das semelhanças, as duas tramas não chegam a ser concorrentes diretas. O ritmo e tom adotados nas narrativas possuem grandes diferenças quando analisadas. Enquanto encontramos uma tendência pacata e caricata na britânica, a estadunidense traz ao espectador uma visão mais real do que é ser jovem e enfrentar suas barreiras pessoais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WQb3dgehYXA"><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não possui muitos nomes de peso, mas marca presença como tal. Apresentando como protagonistas um grupo de colegas que se conhece no Ensino Médio, a história mostra a importância de entender eventos a partir de outros pontos de vista. Apesar de confusa nas primeiras vezes, a técnica de repetir a mesma cena de diferentes ângulos, sob a perspectiva de vários personagens durante o episódio, se tornou uma forma de permitir o público digerir o que está acontecendo, sem precisar pausar e voltar alguns segundos.</span></p>
<p><figure id="attachment_27981" aria-describedby="caption-attachment-27981" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27981" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1.gif" alt="Texto alternativo: GIF de cena série Generation, com Riley, interpretada por Chase Sui Wonders, e Greta, interpretada por Haley Sanchez, em um carro conversível em movimento. Riley, que está no banco do passageiro apontando uma câmera, é branca, com cabelos castanhos, e Greta, que está sentada no banco de trás com o braço direito esticado, tem traços latinos e cabelo castanho." width="800" height="397" /><figcaption id="caption-attachment-27981" class="wp-caption-text">Riley (Chase Sui Wonders) e Greta (Haley Sanchez) formam um casal sáfico na série e descobrem o amor apesar de suas diferenças de personalidade [GIF: HBO Max]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A valorização da individualidade não se apresenta apenas na técnica dos pontos de vista: a pluralidade de vivências é um dos detalhes que mais enriquecem a trama, criando laços com o público, comoventes o bastante para conquistar torcidas e garantir o sucesso de todos os personagens. É perceptível o impacto positivo que essa abordagem traz para a trama. O roteiro provou ser fácil aproximar a ficção da realidade quando é apresentado para o espectador o passado de um personagem e sua evolução, tornando-o mais </span><a href="https://medium.com/@carolvidal_/personagens-complexos-736a54c495f"><span style="font-weight: 400;">complexo</span></a><span style="font-weight: 400;">  e representativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhar os processos de cada um estabelece uma </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/220083-dia-orgulho-lgbtqia-series-ajudam-representatividade.htm"><span style="font-weight: 400;">conexão direta com muitos jovens</span></a><span style="font-weight: 400;">, que estão passando (ou já passaram) pelas mesmas situações. Um dos exemplos mais reais de </span><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a contraposição entre o conservadorismo e o liberalismo, vista principalmente na relação entre Nathan (Uly Schlesinger), que atravessa a temporada entendendo melhor sua bissexualidade, e a mãe Megan (Martha Plimpton), extremamente religiosa e que demora alguns episódios para compreender o filho. </span></p>
<figure id="attachment_27982" aria-describedby="caption-attachment-27982" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27982" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-800x420.jpg" alt="cena da série Generation, em que Nathan, interpretado por Uly Schlesinger, e Chester, interpretado por Justice Smith, reproduzem a famosa cena do abraço entre Rose e Jack em Titanic. Nathan, jovem branco que veste camiseta cinza e camisa azul sobreposta, simula Rose, sorridente e com os braços abertos, enquanto Chester, jovem negro com cabelo roxo, abraça Nathan por trás, interpretando Jack." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27982" class="wp-caption-text">O processo de descoberta em um ambiente retrator, como o de Nathan, é uma das pontes que liga a ficção da série com a realidade de parte da audiência (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série conta com uma temporada única de 16 episódios e é um retrato claro da </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2021/07/04/quem-decidiu-o-que-e-millennial-o-que-e-geracao-z-o-que-e-boomer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Geração Z</span></a><span style="font-weight: 400;">. Muitas discussões, que há poucos anos eram tratadas com certo receio, são apresentadas de forma natural, permitindo o espectador acreditar se tratar de uma cópia da realidade, e não apenas um conjunto de gravações roteirizadas. Além do discurso atualizado, a diversidade refletida nos diálogos não se limita a uma temática única.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A representatividade étnica e sexual é priorizada em todos os âmbitos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;">, garantindo que o público se identifique com traços e discussões do núcleo principal da história. Um palpite para a abordagem natural da contemporaneidade na produção está relacionado à mente por trás das câmeras: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OGuXDSTrTWg"><span style="font-weight: 400;">Zelda Barnz</span></a><span style="font-weight: 400;">, a jovem de 19 anos que idealizou a série aos 15, idade propícia o bastante para se estar inserido nos assuntos que a trama traz.</span></p>
<figure id="attachment_27983" aria-describedby="caption-attachment-27983" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27983" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2-800x402.jpg" alt="Zelda Barnz, que está à direita, jovem branca de cabelos cacheados castanhos, usa vestido floral e posa ao lado do pai, Daniel Barnz, que está à esquerda. Daniel é um homem branco de meia idade e veste camisa azul claro com jaqueta preta sobreposta. Ambos sorriem para a foto em um fundo cinza." width="800" height="402" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2-800x402.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2-1024x515.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2-768x386.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27983" class="wp-caption-text">Zelda Barnz transferiu suas ideias do papel para as lentes junto de seu pai, Daniel Barnz, que assinam como co-criadores de Genera+ion (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não ter defeitos aparentes, além dos rápidos 30 minutos de duração por episódio, as narrativas de Chester, Arianna (Nathanya Alexander), Naomi (Chloe East), Delilah (Lukita Maxwell), Greta, Nathan, e Riley não parecem ter dado o lucro esperado para a plataforma. Em setembro de 2021, foi anunciado que o </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/generation-hbo-max-cancelada"><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> não seguiria a parceria</span></a><span style="font-weight: 400;"> com os criadores da série, frustrando muitos fãs que estavam ansiosos para agarrar o gancho do último episódio (inclusive a autora desse texto). Aparentemente a fluidez não rendeu, principalmente quando comparada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">reboot </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gossip Girl</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar dos 12 episódios extremamente cíclicos, que sempre redirecionam o espectador para certa lição de moral implícita, já possui </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/09/gossip-girl-nova-serie-e-renovada-para-2a-temporada/"><span style="font-weight: 400;">2ª temporada confirmada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;"> permite que seus personagens errem e se reergam, sempre firmados no entendimento de seus próprios sentimentos e reações aos golpes da adolescência. A série se mostrou um respiro em meio às narrativas adolescentes irreais, com seus elencos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/elite-4a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">30 anos vestidos com uniformes escolares</span></a><span style="font-weight: 400;"> hiperssexualizados, que não cabem mais ao contexto atual. E mais do que tudo, é um prato cheio de representatividade para os jovens LGBTQIA+ passando por essa fase conturbada. Ou ainda aos mais velhos, que desejavam produções como essa durante a adolescência, e agora podem ver uma representação de jovens </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, retratados como pessoas aproveitando e conhecendo a vida, e não mais da forma problemática veiculada pela mídia até poucos anos atrás.</span></p>
<figure id="attachment_27984" aria-describedby="caption-attachment-27984" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27984" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5.gif" alt="GIF de cena da série Generation, em que Chester, interpretado por Justice Smith, jovem negro com cabelos roxo que usa óculos redondos de lentes cor de rosa, com as duas mãos voltadas para a câmera. Os dedos do personagem estão adornados com 4 anéis enquanto Chester expões suas unhas pintadas de preto formando em branco as palavras &quot;pussy&quot; na mão direita e &quot;power&quot; na mão esquerda. As palavras podem ser traduzidas do inglês como &quot;poder da vagina&quot;." width="800" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-27984" class="wp-caption-text">Apesar de seu cancelamento, essa autora sempre volta aos episódios para imaginar como seria a 2ª temporada da série (GIF: HBO Max)</figcaption></figure>
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