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	<title>Arquivos América Latina &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Sep 2025 13:00:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Dias Siqueira Quando se fala em adaptações de quadrinhos logo nos vem à cabeça grandes produções de Hollywood sobre super-heróis vestidos em roupas coloridas e muita ação. Mas isso é uma fração da verdadeira diversidade dos quadrinhos, que não só cobrem uma variedade de temas e estilos, como também de culturas e subtextos regionais. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35638" aria-describedby="caption-attachment-35638" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-35638 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Eter1.jpg" alt="Cena da série O Eternauta, da Netflix. A cena mostra a silueta de Juan Bolsa (Ricardo Darín) caminhando por uma rua coberta de neve, a sua esquerda é possível ver um ônibus abandonado e a sua direita dois carros em estado semelhante, às margens da via existem prédios altos também cobertos de neve, toda paisagem está envolta em um espesso nevoeiro." width="650" height="366" /><figcaption id="caption-attachment-35638" class="wp-caption-text">O Eternauta reflete uma história de violência e opressão comum à toda América do Sul (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se fala em adaptações de quadrinhos logo nos vem à cabeça grandes produções de Hollywood sobre </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mcu/"><span style="font-weight: 400;">super-heróis</span></a><span style="font-weight: 400;"> vestidos em roupas coloridas e muita ação. Mas isso é uma fração da verdadeira diversidade dos quadrinhos, que não só cobrem uma variedade de temas e estilos, como também de culturas e subtextos regionais. No contexto latino-americano, uma riqueza de obras permanece vastamente inexplorada pela maior parte do público. Um desses materiais, talvez o mais importante de todos, foi retirado dessa semi-escuridão pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> este ano: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra-prima de Héctor Germán Oesterheld e Francisco Solano Lopes.</span></p>
<p><span id="more-35637"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio ao verão argentino, um grupo de amigos se encontram para jogar baralho em uma casa de Buenos Aires. A tradição que eles cultivam a anos tem sua monotonia quebrada por um evento climático inesperado, uma nevasca chega sorrateiramente e começa a matar instantaneamente qualquer um que a toque. Liderados por Juan Salvo (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=00jvmItGSBI"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Darín</span></a><span style="font-weight: 400;">), o grupo precisa se livrar das desconfianças vindas de uma amizade antiga, porém não tão profunda, para sobreviver e descobrir o real contexto desse apocalipse.</span></p>
<figure id="attachment_35639" aria-describedby="caption-attachment-35639" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-35639 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-800x450.jpg" alt="cena da série O Eternauta. A cena mostra em primeiro plano um jipe das forças armadas argentinas com um soldado posicionado acima do veículo, portando um rifle longo. Ao fundo, a parte inferior de um viaduto está fechado com uma pilha de carros destruídos formando uma barricada. A rua está coberta de neve e a paisagem está envolta em névoa, com um céu acinzentado" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2.jpg 912w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35639" class="wp-caption-text">O militarismo na América Latina é um tema recorrente em O Eternauta (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fonte da qual se adapta a série não vem de um subgênero extremamente alternativo e revolucionário. Na verdade, o cenário base para </span><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma invasão alienígena, se insere nos contextos basilares da ficção científica desde o século XIX. Mesmo com obras como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3sjodEDyhXU"><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra Dos Mundos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de H.G. Wells existindo no cânone do gênero desde os anos 1890, Oesterheld fundou em seu trabalho conceitos antes inéditos ou não tão presentes nesse tipo de quadrinho. Talvez o mais importante desses conceitos, ‘o herói coletivo’, se mantém como pedra fundamental na versão da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><a href="https://outraspalavras.net/descolonizacoes/oeternauta-propoe-a-volta-do-heroi-coletivo/"><span style="font-weight: 400;">protagonistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série não possuem nenhuma habilidade especial de fato. Nenhum deles tem, individualmente, qualquer controle ou poder sobre a situação, como é comum em histórias clássicas de heróis. Somente como grupo eles encontram as soluções das quais precisam. O roteiro é muito ágil em demonstrar diversas situações em que um ou mais personagens se encontram em situações intransponíveis, inclusive de quase morte, que só são superadas com a ajuda de outros.</span></p>
<figure id="attachment_35640" aria-describedby="caption-attachment-35640" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35640" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-800x533.jpg" alt="Página do quadrinho O Eternauta. A arte mostra Juan Salvo, um homem branco de meia idade, de olhos azuis, ele olha fixamente para frente e usa uma máscara de gás com um visor no rosto e um filtro de respiração na altura do pescoço" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3.jpg 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35640" class="wp-caption-text">O estilo artístico da série reflete muito bem os desenhos sombrios de Solano Lopes (Foto: Pipoca e Nanquim)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto que a série traz a vida com maestria é a atmosfera gráfica. A direção de Bruno Stagnaro consegue adaptar a arte do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3rxzR5bElhc"><span style="font-weight: 400;">desenhista</span></a><span style="font-weight: 400;"> Francisco Solano Lopes de forma fria e seca. O cenário de desolação do mundo exterior contrasta com a sensação de claustrofobia sempre constante nos refúgios em que os personagens se protegem da neve. Isso também impacta em algo fundamental para qualquer obra pós-apocalíptica: a transformação de ambientes cotidianos nas ruínas da civilização que colapsou. Igrejas, escolas, farmácias, vagões de trem, formas comuns do dia-a-dia de qualquer pessoa, são transformados em escombros e vestígios do que um dia foram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro é mais discreto nos comentários políticos. Oesterheld carrega uma das </span><a href="https://blogdaboitempo.com.br/2015/10/23/os-ultimos-passos-de-hector-oesterheld/"><span style="font-weight: 400;">histórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais trágicas oriundas da violentíssima ditadura militar argentina, suas dores, medos e indignações permeiam sua obra constantemente. Entre junho de 1976 e dezembro de 1977 suas quatro filhas, Beatriz, Diana, Marina e Estela, foram sequestradas, desaparecidas e assassinadas pelo regime sanguinário, do qual o próprio HGO seria vítima. Oesterheld desapareceu no mesmo período, de sua família só sobreviveram sua esposa e seus dois netos, que se tornaram órfãos antes de completarem 4 anos.</span></p>
<figure id="attachment_35641" aria-describedby="caption-attachment-35641" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35641" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter4.jpg" alt="Cena da série O Eternauta, a cena mostra Juan Bolsa, um homem branco de meia idade. Ele olha para frente, empunhando um fuzil, ele veste um casaco marrom e uma máscara de gás azul" width="600" height="390" /><figcaption id="caption-attachment-35641" class="wp-caption-text">Os traumas de guerra acompanham os personagens em sua jornada no mundo destruído (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde sua primeira versão, o quadrinho tinha tons explícitos de crítica ao imperialismo, ao capitalismo e ao autoritarismo presentes nas sociedades latino-americanas. A série, por sua vez, é mais sutil, mas usa como artifício algo mais contemporâneo — a guerra das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pZmtP2UdGoI"><span style="font-weight: 400;">Malvinas</span></a><span style="font-weight: 400;"> — não só para reforçar o tom sócio-político, como também um desenvolvimento pessoal fundamental aos personagens já que vários deles são veteranos do conflito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses traumas se tornam ainda mais vividos graças ao elenco estrelado, o Juan Salvo de Ricardo Darín tem todas as notas certas. O ator não decepciona a expectativa criada em torno do seu nível de astro internacional, conquistado após filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022). Outro destaque é o uruguaio César Troncoso, seu personagem Tano tem um papel fundamental na trama como uma pessoa egoísta que aos poucos precisa se livrar do individualismo para garantir que todos sobrevivam.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais uma adaptação literária de grande qualidade da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão </span></i><span style="font-weight: 400;">(2024), baseada no livro homônimo de Gabriel Garcia Márquez e de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ripley-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ripley</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), baseada na obra de Patricia Highsmith. O seriado revela que, mesmo com toda a disputa pela atenção e concentração dos telespectadores, ainda há espaço para produções densas e deslocadas do eixo América do Norte/Europa nos serviços de streaming. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=95V9sqY80K8"><span style="font-weight: 400;">https://www.youtube.com/watch?v=95V9sqY80K8</span></a></p>
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		<title>Na Short n&#8217; Sweet Tour!, Sabrina Carpenter choca a crítica e fãs com performances intensas</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Dec 2024 21:55:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Short n’ Sweet Tour! é a primeira turnê de arena da cantora (Foto: Sabrina Carpenter) Marcela Jardim Com os hits Espresso, Please Please Please e Taste, o sexto álbum da cantora Sabrina Carpenter ganhou uma turnê mundial com prováveis datas na América Latina. Short n’ Sweet foi lançado em Agosto de 2024 e conta &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/short-n-sweet-tour-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Na Short n&#8217; Sweet Tour!, Sabrina Carpenter choca a crítica e fãs com performances intensas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34513" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3-800x450.jpg" alt="A fotografia mostra a cantora Sabrina Carpenter, em que aparece deitada de lado sobre um fundo rosa. Ela tem cabelos loiros longos e ondulados, maquiagem com destaque para olhos levemente delineados e batom rosa claro. Ela está vestindo uma roupa de tecido delicado com alças finas, transmitindo uma aparência suave e glamourosa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><span style="color: #686868; font-size: 13px; font-style: italic; background-color: transparent; text-align: inherit;">A Short n’ Sweet Tour! é a primeira turnê de arena da cantora (Foto: Sabrina Carpenter)</span></p>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com os </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Espresso, Please Please Please </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span> <a href="https://youtu.be/KEG7b851Ric?si=Pa3bNNJ5WToUpixp"><i><span style="font-weight: 400;">Taste</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o sexto álbum da cantora Sabrina Carpenter ganhou uma turnê mundial com prováveis datas na América Latina. </span><a href="https://personaunesp.com.br/short-n-sweet-critica/?fbclid=PAY2xjawG1wohleHRuA2FlbQIxMAABpjRHsWpQF02kAauBdiwaWYoU4D4uaGYn1UTqsN7akHvbTiuFZvmZ5KWt8w_aem_Zj6Lh1_FSKr20M1Vh13Yxw"><i><span style="font-weight: 400;">Short n’ Sweet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi lançado em Agosto de 2024 e conta com 12 faixas cuidadosamente produzidas, revelando uma maturidade artística impressionante. O </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Taste</span></i><span style="font-weight: 400;"> teve um videoclipe muito bem executado, protagonizado pela artista junto a atriz Jenna Ortega, e conta com mais de 100 milhões de visualizações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Youtube</span></i><span style="font-weight: 400;"> em menos de três meses de lançamento.</span><span id="more-34509"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.forbes.com/sites/monicamercuri/2024/09/24/heres-sabrina-carpenters-entire-short-n-sweet-tour-setlist/"><i><span style="font-weight: 400;">Short n’ Sweet Tour!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> iniciou um mês após o lançamento do disco, em Columbus, Ohio, trazendo uma produção impecável e um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> repleto de energia e emoção. Carpenter passou por 25 estados norte-americanos até Novembro e, então, retornará aos palcos em Março de 2025, em Dublin, capital da Irlanda, iniciando a etapa europeia da turnê. Durante uma apresentação inesquecível, a cantora </span><a href="https://blog.documentodoestudante.com.br/blog/2024/10/14/sera-que-a-turne-short-n-sweet-vem-ai-sabrina-carpenter-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">revelou</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> que o Brasil está nos planos, gerando enorme expectativa entre os fãs latino-americanos.</span></p>
<figure id="attachment_34510" aria-describedby="caption-attachment-34510" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34510" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image5-800x450.png" alt="A fotografia mostra a cantora Sabrina Carpenter em uma apresentação de sua turnê Short n' Sweet Tour!. A cantora está no palco usando um body rosa claro cravejado de cristais que reflete a luz. Ela segura uma toalha prateada que se abre atrás dela. Carpenter tem cabelos loiros claros com ondas volumosas, e usa maquiagem destacando os olhos e um batom suave. O fundo do palco exibe um cenário urbano com luzes esmaecidas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image5.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34510" class="wp-caption-text">O body cravejado de cristais usado na turnê foi desenvolvido pela Victoria’s Secret (Foto: Sabrina Carpenter)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">setlist</span></i><span style="font-weight: 400;"> oficial da </span><i><span style="font-weight: 400;">Short n’ Sweet Tour!</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um espetáculo cuidadosamente planejado, com 20 canções que capturam a essência da artista. As 12 faixas do aclamado álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Short n’ Sweet</span></i><span style="font-weight: 400;"> são acompanhadas por </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> de seu trabalho anterior, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">emails i can’t send</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022), formando um repertório equilibrado e eletrizante. O </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> começa com o contagiante single </span><i><span style="font-weight: 400;">Taste</span></i><span style="font-weight: 400;"> e culmina de forma apoteótica com o irresistível </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Espresso</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção é um verdadeiro deleite visual, com Sabrina Carpenter trocando entre quatro figurinos deslumbrantes. As peças exibem modelos únicos, cores vibrantes e, claro, muito brilho, com a assinatura inconfundível da artista: suas icônicas </span><a href="https://www.instagram.com/p/DCM8dveT6jG/?img_index=1"><span style="font-weight: 400;">botas de plataforma reluzentes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Do sofisticado </span><i><span style="font-weight: 400;">baby doll</span></i><span style="font-weight: 400;"> combinado com </span><i><span style="font-weight: 400;">lingerie</span></i><span style="font-weight: 400;"> colorida ao macacão preto rendado adornado com penas, passando pelo conjunto de </span><i><span style="font-weight: 400;">top</span></i><span style="font-weight: 400;"> e saia brilhantes, cada </span><i><span style="font-weight: 400;">look</span></i><span style="font-weight: 400;"> reflete o estilo ousado e criativo de Carpenter, elevando ainda mais a experiência do espetáculo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como prova da paixão de seus fãs, o aplicativo </span><a href="https://www.instagram.com/sabrinalert/"><i><span style="font-weight: 400;">Sabrinalert</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> virou sensação. Criado para adivinhar os figurinos de cada </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">app</span></i><span style="font-weight: 400;"> viralizou no </span><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i><span style="font-weight: 400;">, gerando uma onda de empolgação. Jovens admiradores se divertem especulando as cores, texturas e detalhes das peças, mostrando como a turnê transcende a música e se torna um verdadeiro evento cultural.</span></p>
<figure id="attachment_34514" aria-describedby="caption-attachment-34514" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34514" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-1-800x794.png" alt="O desenho representa a cantora Sabrina Carpenter, que é branca e loira de olhos azuis, utilizando três figurinos vermelhos num fundo liso rosa claro. O primeiro figurino é um body cravejado, o segundo somente acrescenta uma camisola transparente avermelhada. O último, é um conjunto de top e saia brilhante, com detalhes em prata e as botas dessa mesma cor." width="800" height="794" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-1-800x794.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-1-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-1-768x762.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-1.png 810w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34514" class="wp-caption-text">Desenho de alguns figurinos usados durante a tour para o aplicativo (Foto: Sabrinalert)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o sucesso, com certeza, vêm as polêmicas que a cantora não conseguiu escapar. Nas redes sociais, usuários acusaram a artista de usar </span><i><span style="font-weight: 400;">playback</span></i><span style="font-weight: 400;"> em algumas músicas, teorizando que ao menos 30% é dublagem, 30% é </span><i><span style="font-weight: 400;">backing track</span></i><span style="font-weight: 400;"> e apenas 40% ela está realmente cantando. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu canto ao vivo em todos os shows 100%. Vocês gostariam de falar com meus engenheiros de áudio?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/sabrina-carpenter-rebate-criticas-e-se-envolve-em-nova-polemica"><span style="font-weight: 400;">provocou</span></a><span style="font-weight: 400;"> Carpenter.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, esse não foi o único alvoroço da </span><i><span style="font-weight: 400;">Short n’ Sweet Tour!</span></i><span style="font-weight: 400;">, visto que muitas pessoas demonstraram desconforto com a sensualidade de algumas partes do concerto. Desde o lançamento de </span><a href="https://youtu.be/kLbn61Z4LDI?si=XnUNRrEYoC1rLzrD"><i><span style="font-weight: 400;">Feather</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> de seu quinto disco, em que a compositora aparece dançando em cima do altar de uma igreja, e de sua performance no </span><i><span style="font-weight: 400;">VMA</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela recebe críticas por seu conteúdo ser considerado sensual demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cantora </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/nao-venha-ao-show-diz-sabrina-carpenter-reclamacoes-sobre-sua-sensualidade/"><span style="font-weight: 400;">declarou à imprensa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que não liga para as acusações e, caso alguém se sinta desconfortável, que não vá ao </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além disso, durante o ato de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bed Chem</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos mais polemicos em razão da encenação de uma cena de sexo com um de seus dançarinos atrás de uma cortina, Carpenter fez inocentemente uma brincadeira infantil com seu parceiro, batendo as mãos e alfinetando os críticos de plantão.</span></p>
<figure id="attachment_34511" aria-describedby="caption-attachment-34511" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34511" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image1-1-800x533.jpg" alt="A fotografia mostra a cantora Sabrina Carpenter em uma performance durante sua turnê Short n' Sweet Tour!. Sabrina está sentada no centro de uma cama de estrutura branca, usando um vestido curto de cetim rosa claro com detalhes rendados e meias 7/8 combinando. Ela tem cabelos loiros longos e ondulados, penteados de forma volumosa, e maquiagem com olhos marcados e batom rosa claro. Ao seu redor, quatro dançarinas estão sentadas na cama, todas com figurinos similares em tons pastel. O cenário inclui luzes neon circulares no teto e uma iluminação predominantemente rosada, criando uma atmosfera sofisticada e sensual." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image1-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image1-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image1-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image1-1.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34511" class="wp-caption-text">O ato de Bed Chem já teve mais de 20 versões, em que a artista altera o que vai fazer com o dançarino por trás das cortinas (Foto: Sabrina Carpenter)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A particularidade das apresentações da compositora foram um dos grandes destaques de sua última turnê. Uma das estrofes finais de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nonsense</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que a cada </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> a cantora alterava uma parte da letra da canção, não acontece mais. No entanto, durante um trecho da performance de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/21B4gaTWnTkuSh77iWEXdS?si=64b4777820934de7"><i><span style="font-weight: 400;">Juno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Carpenter encena uma posição sexual distinta a cada noite, dialogando com um trecho da música:</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Quer experimentar algumas posições esquisitas? Já tentou essa daqui?</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não somente, antes do início da mesma faixa, a cantora prende alguém da plateia por ser muito bonito(a) </span><span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;"> com algemas rosas </span><span style="font-weight: 400;">–,</span><span style="font-weight: 400;"> consolidando momentos de proximidade, divertimento e descontração com seus fãs. Outro acontecimento interessante: o giro de uma garrafa de cerveja no palco para decidir qual será a música surpresa da vez, podendo ser de outras artistas como </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCYPs4y5esNqx6ax1CxZws6Q"><span style="font-weight: 400;">ABBA</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UC81VD6eeuLLSfyY_D-N8sVw"><span style="font-weight: 400;">Madonna</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCadSacAVwG-QH6tWzjrmjxA"><span style="font-weight: 400;">Shania Twain</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou dela mesma.</span></p>
<figure id="attachment_34512" aria-describedby="caption-attachment-34512" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34512" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2-640x800.jpg" alt="A fotografia mostra as pernas da cantora Sabrina Carpenter, vestindo um conjunto prateado e botas da mesma cor, com um coração azul claro. A artista está de joelhos no palco da turnê, simulando uma posição sexual." width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2-768x960.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34512" class="wp-caption-text">A Juno position é um dos momentos mais aguardados do show pelos fãs (Foto: Sabrina Carpenter)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">Short n’ Sweet Tour!</span></i><span style="font-weight: 400;"> posiciona Sabrina Carpenter como uma artista ousada e multifacetada, capaz de provocar e cativar simultaneamente. Sua habilidade de conectar-se com o público por meio de performances dinâmicas e interativas, como o uso de elementos surpresa e momentos de descontração com os fãs, é louvável e reforça sua autenticidade. Contudo, o teor fortemente sensual de seus </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a abordagem provocativa em músicas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Juno</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Bed Chem</span></i><span style="font-weight: 400;"> têm </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2024/11/19/sabrina-carpenter-simula-sexo-oral-durante-show-e-divide-opinioes.htm"><span style="font-weight: 400;">gerado divisões</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte do público enxerga essas escolhas como uma evolução criativa que reflete seu amadurecimento artístico, enquanto outros as veem como uma apelação que desvia a atenção de seu talento vocal e composicional. O resultado é uma turnê que, embora marcante, levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre Arte, provocação e </span><a href="https://www.abroncapopular.com.br/variedades/padre-afastado-apos-polemica-com-clipe-de-sabrina-carpenter/28708"><span style="font-weight: 400;">estratégia comercial</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que polarizadora, a </span><i><span style="font-weight: 400;">tour</span></i><span style="font-weight: 400;"> consolida sua identidade artística, mostrando que </span><a href="https://www.instagram.com/sabrinacarpenter/"><span style="font-weight: 400;">Carpenter</span></a><span style="font-weight: 400;"> não teme arriscar e romper expectativas. Suas respostas afiadas às críticas, sejam sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">playback</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou sensualidade, demonstram autoconfiança e um desejo de se afirmar como mais do que apenas uma cantora </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">: uma </span><i><span style="font-weight: 400;">performer</span></i><span style="font-weight: 400;"> completa.</span></p>
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		<title>Em El Conde, A Opressão é escura como o sangue</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Mar 2024 20:27:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Dias Siqueira 11 de Setembro marca o aniversário de uma das grandes tragédias ocorridas nas Américas, algo tão terrível e tão brutal que seria lembrado não só nas aulas de história, mas no profundo subconsciente de um povo inteiro. Há 50 anos, no Chile, um presidente era assassinado, o palácio presidencial bombardeado, uma ditadura &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/el-conde-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em El Conde, A Opressão é escura como o sangue"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32571" aria-describedby="caption-attachment-32571" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32571" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2.jpg" alt="Cena do filme El Conde(2023), O General Augusto Pinochet (Jaime Vadell), Um homem idoso, de estatura mediana está no centro de um enorme salão, ele usa uma capa longa e um quepe, a cena é em preto e branco, há uma névoa em todo o salão, que é iluminado por dois lustres, dispostos de maneira simétrica, e tem móveis muito antigos como um piano e cadeiras]" width="720" height="440" /><figcaption id="caption-attachment-32571" class="wp-caption-text">El Conde satiriza o horror da vida real usando um horror de fantasia (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">11 de Setembro marca o aniversário de uma das grandes tragédias ocorridas nas Américas, algo tão terrível e tão brutal que seria lembrado não só nas aulas de história, mas no profundo subconsciente de um povo inteiro. Há </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=33XzDdI51-o"><span style="font-weight: 400;">50 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, no Chile, um presidente era assassinado, o palácio presidencial bombardeado, uma ditadura se iniciava e por trás dela, um homem se tornava ditador. Embora todos eles sejam, sem exceção, meros mortais feitos de carne, osso e vísceras, como todos nós, quando tomamos conhecimento das barbaridades as quais esses mesmos humanos tiveram a capacidade de perpetrar, passamos a enxergá-los como monstros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há nada mais adequado que comparar alguém que suga vidas de seus oponentes a um vampiro, na visão dos roteiristas de </span><i><span style="font-weight: 400;">El Conde</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=viOPiMBJgd0"><span style="font-weight: 400;">Pablo Larraín</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Guillermo Calderón, Augusto Pinochet é um monstro dos clássicos filmes de terror dos anos 1930. Com mais de 200 anos de vida, o general viveu assombrando revoluções por décadas ao redor do mundo até parar no Chile e lá, após acusações de crime contra a humanidade e corrupção (aparentemente ele não se incomoda tanto com a primeira) ele decide se isolar com sua família em uma fazenda.</span></p>
<p><span id="more-32569"></span></p>
<figure id="attachment_32570" aria-describedby="caption-attachment-32570" style="width: 1023px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32570" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1.jpg" alt="Cena do filme El Conde(2023), Pinochet (Jaime Vadell) aparece no centro da imagem, de terno e óculos escuros, a sua esquerda estão sentados oficiais de alta patente, e a sua esquerda soldados uniformizados empunhando fuzis" width="1023" height="511" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1.jpg 1023w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32570" class="wp-caption-text">Pinochet foi o líder da junta militar que governou o Chile entre 1973 e 1990 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos dois </span><a href="https://variety.com/2023/film/reviews/the-eternal-memory-review-1235522194/"><span style="font-weight: 400;">representantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> chilenos no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">El Conde</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra satírica e humorística, e, apesar do enredo bastante criativo, poderia passar despercebida pela Academia, não fosse o seu imenso valor estético. A indicação a Melhor Fotografia pelo trabalho de Edward Lachman é uma recompensa justa a uma filmagem que assombra, é soturna e sabe explorar com precisão um recurso antigo &#8211; o preto e branco. No filme, o efeito é reimaginado para possuir uma certa liquidez. A ideia é que a Santiago moderna com seus arranha-céus de vidro possa parecer tão assustadora quanto um castelo medieval assombrado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa-metragem desfruta ainda do uso da simetria como uma forma de causar um certo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FjZXh-GB3jM"><span style="font-weight: 400;">deslumbre aterrorizante</span></a><span style="font-weight: 400;">, de dar inveja a tantos filmes de terror que pecam pela falta de sutileza. </span><i><span style="font-weight: 400;">El Conde</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora o medo do escuro, o medo de um ser que não grita para assustar, apenas sua aparição já é o suficiente para saber que o mal encarnado está presente. A mistura de terror e comédia não é nova na Sétima Arte, porém a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rAtq79SI_Es&amp;pp=ygUTZWwgY29uZGUgZW50cmV2aXN0YQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> eleva a mistura a um novo patamar, se de um lado a comédia é ácida, cítrica, o terror tem um gosto de metal enferrujado próprio do sangue.</span></p>
<figure id="attachment_32573" aria-describedby="caption-attachment-32573" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32573" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4.jpg" alt="Cena do filme El Conde(2023). A freira Carmen (Paula Luchsinger), está pairando no ar, de braços abertos, ela usa um vestido branco, é uma mulher branca de cabelos curtos, e tem uma expressão de alívio, atrás dela há instalações da fazenda, como um celeiro e galpões" width="1999" height="988" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-800x395.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1024x506.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-768x380.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1536x759.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1200x593.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32573" class="wp-caption-text">A freira Carmen tem um papel importante na trama e com ela certos efeitos visuais têm outro tom (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece estranho dizer que quase em meados da década de 2020 fazer alguém voar em um filme seja algo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bUBbN_xWnCE&amp;pp=ygUSRWwgQ29uZGUgRW50ZXJ2aWV3"><span style="font-weight: 400;">impressionante e grandioso</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas aqui os movimentos no ar podem representar um poder absoluto e apavorante ou até mesmo uma certa leveza. A mistura de capas compridas e sombrias de um vampiro, os véus ultra brancos de uma freira ou quepe de general fazem o figurino parecer pesado e inadequado, como se prendesse os personagens deslocados de seu tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O tom decrépito da película também influencia a trilha sonora, planos e perspectivas das câmeras do diretor Pablo Larraín e é como um lembrete de que os horrores de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lHqQJS9bvIo"><span style="font-weight: 400;">ditadura</span></a><span style="font-weight: 400;"> não podem ser esquecidos. É um recado de que seus algozes estão sempre à espreita, à espera da noite, da oportunidade de se levantar de um caixão. De que se na ficção eles devoram corações, na vida real, políticos populistas devoram os cérebros da população em busca de poder e dinheiro.</span></p>
<figure id="attachment_32572" aria-describedby="caption-attachment-32572" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32572" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3.jpg" alt=" Cena do filme El Conde(2023). Pinochet (Jaime Vadell) voa com sua capa ao vento, e um quepe na cabeça, a imagem é vista da perspectiva de uma porta e no plano há parte da fazenda e um céu acinzentado" width="600" height="337" /><figcaption id="caption-attachment-32572" class="wp-caption-text">Após 200 anos de vida, Pinochet deseja morrer (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As atuações são excelentes: Jaime Vadell faz um moribundo Pinochet cheio de vícios e que acaba se apaixonando pela freira Carmen, interpretada com bastante destreza por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KLJD5lV7olA&amp;pp=ygUSRWwgQ29uZGUgRW50ZXJ2aWV3"><span style="font-weight: 400;">Paula Luchsinger</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um destaque curioso é a aparição de uma antiga aliada de Pinochet, a “dama de ferro” Margaret Thatcher, ex premier britânica que também tem sua versão monstruosa, interpretada por Stella Gonet.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">El Conde</span></i><span style="font-weight: 400;"> é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=txjU7CdOV4s&amp;pp=ygUhRmlsbWVzIHNvYnJlIGEgZGl0YXR1cmEgYXJnZW50aW5h"><span style="font-weight: 400;">mais uma vez</span></a><span style="font-weight: 400;"> um sucesso latino-americano ganhando destaque ao expor as veias abertas do continente. Os cineastas latinos não perdoam os vampiros autoritários que se deleitam dessas veias, diferentemente de uma certa conivência daqueles que em busca de moderação optaram por eximir de culpas os piores criminosos, que roubaram mataram e torturaram e acabaram por ser anistiados e gozaram de privilégios durante a transição para a democracia. O filme pode até estar próximo do prêmio em Hollywood, mas tem conexões profundas com o nosso Brasil. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="El Conde | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/YGvX7ma7Xnk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Adriana Calcanhotto viaja pelo mundo Errante</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Aug 2023 15:02:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Dias Siqueira Viajar sem rumo, conhecer um novo lugar a cada mês, ser um cidadão do mundo. Com sete passaportes completos e dezenas de vistos, Adriana Calcanhotto nos traz uma experiência nômade no universo da Música Popular Brasileira em seu décimo terceiro álbum, Errante. Pode parecer contraditório, mas, apesar do título e da temática, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/errante-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Adriana Calcanhotto viaja pelo mundo Errante"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31331" aria-describedby="caption-attachment-31331" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31331" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-1-800x800.png" alt="Capa do álbum Errante, de Adriana Calcanhotto. A foto da cantora em um modelo 3:4 está no centro da imagem, em volta vemos carimbos de vistos de vários países e na parte inferior o nome da artista e o nome do álbum grafado em letras características de documentos." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-1-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-1-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-1-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-1.png 1008w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31331" class="wp-caption-text">A capa do novo disco de Adriana Calcanhotto tem fotos de seus próprios vistos (Foto: Modern Recordings)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Viajar sem rumo, conhecer um novo lugar a cada mês, ser um cidadão do mundo. Com sete passaportes completos e dezenas de vistos, Adriana Calcanhotto nos traz uma </span><a href="https://youtu.be/qH5lNaez3D4"><span style="font-weight: 400;">experiência nômade</span></a><span style="font-weight: 400;"> no universo da Música Popular Brasileira em seu décimo terceiro álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">Errante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pode parecer contraditório, mas, apesar do título e da temática, se há algo que Calcanhotto sabe é onde quer chegar e, especialmente, de onde veio.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Errante</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi concebido no olho do furacão que foi a pandemia de Covid-19, mais especificamente em 2021, sendo, segundo a própria compositora, o projeto com o tempo de produção mais longo de sua carreira. O </span><a href="https://youtu.be/oncdbUPPWws"><span style="font-weight: 400;">isolamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> transformou o pensamento da cantora sobre si mesma e sobre as escolhas que a levaram a errar; não no sentido de cometer erros, mas, na origem latina da palavra, de vaguear literal e metaforicamente.</span></p>
<figure id="attachment_31332" aria-describedby="caption-attachment-31332" style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31332" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-2.jpg" alt="A artista está no centro da imagem observando as cortinas brancas, está sorrindo, ela veste uma camisa branca e tem uma tatuagem de uma estrela de Davi no pulso direito" width="720" height="405" /><figcaption id="caption-attachment-31332" class="wp-caption-text">Adriana Calcanhotto se aventura por suas ancestralidades (Foto: Modern Recordings)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O contexto de celebração do fim da pandemia está muito presente nas faixas </span><a href="https://open.spotify.com/track/2Dgi7gylL71pI98O1Ms0ty"><i><span style="font-weight: 400;">Levou para o Samba a Minha Fantasia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/1Bw3TETMk779uSThKnURGZ"><i><span style="font-weight: 400;">Era Isso o Amor?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A primeira tem algo de teatral com a harmonia da percussão somada ao som do violão que realça o frescor do último respiro de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9R-YyEt1TTA"><span style="font-weight: 400;">carnaval</span></a><span style="font-weight: 400;"> antes da pandemia. Já a segunda descreve um amor ardente que também nos faz entrar em combustão em termos de musicalidade e calor, já que suas pitadas de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1IvPKyTjP6o"><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> enunciam uma paixão cálida que apenas uma poeta como Calcanhotto poderia descrever antes da pandemia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outros focos do álbum são identidade, pertencimento e história própria, pelo qual a  artista descreve seu ponto de partida da jornada, valorizando todas as suas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RE4zp68074E"><span style="font-weight: 400;">ancestralidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, como sua ascendência judaica </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2023/03/luto-e-doenca-cronica-alegria-e-escolha-diz-adriana-calcanhotto-que-lanca-o-disco-errante.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sefardita</span></a><span style="font-weight: 400;">, recém-descoberta. O ritmo que desacelera ao “</span><a href="https://open.spotify.com/track/3qxP5xZkupdZ5rqYSpWir7"><i><span style="font-weight: 400;">cruzar desertos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” e acelera ao nos levar ao “</span><i><span style="font-weight: 400;">mundo da lua</span></i><span style="font-weight: 400;">” – onde habita uma mente tão criativa – traz conforto, porém, na insegurança da artista em se ver “</span><i><span style="font-weight: 400;">impostora</span></i><span style="font-weight: 400;">” em tudo que faz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um jardim, o clipe de </span><i><span style="font-weight: 400;">Larga Tudo</span></i><span style="font-weight: 400;"> embala quem ouve em um samba reconfortante, que também remete às raízes da cantora, mas com um eu lírico que agora pede o desapego. </span><a href="https://open.spotify.com/album/4vuhEACTlSTCxAp3JGLvxA"><i><span style="font-weight: 400;">Horário de Verão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> carrega um certo aconchego de uma lareira e um chá quente numa tarde fria, que gera grande contradição ao título. Talvez a ausência do excedente da luz do dia propiciada pela estação seja o que mais se encaixe nas notas delicadas da música, uma das mais sentimentais do disco.</span></p>
<figure id="attachment_31333" aria-describedby="caption-attachment-31333" style="width: 768px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31333" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-3.png" alt="A artista está flutuando numa piscina azul, de vestido, olhando fixamente para a câmera." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31333" class="wp-caption-text">A cantora é influenciada por diversos ritmos e estilos musicais da América Latina (Foto: Modern Recordings)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Continuando no tópico de identidade, poucas vezes Adriana Calcanhotto foi tão pessoal quanto em </span><a href="https://open.spotify.com/track/6BwUbS6ePcusWZKY9kVUCS"><i><span style="font-weight: 400;">Quem Te Disse?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">na qual novamente ela referencia sua origem sefardita para falar de rejeição e do feminino. Todas as  características da canção são artifício para perguntar: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem te disse que o amor vê</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">diferenças</span></i><span style="font-weight: 400;">?”. Se com mais de 30 anos de carreira o etarismo poderia se tornar um um obstáculo, como  cita na composição – “</span><i><span style="font-weight: 400;">mesmo se eu fosse moça</span></i><span style="font-weight: 400;">” –, a música ainda flui em melancolia quando nos lembra que a sociedade inferioriza as mulheres e cria exigências artificiais que, mesmo cumpridas, nunca são suficientes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><a href="https://open.spotify.com/track/6qrToav5HQ21Aiv3b8pJdP"><i><span style="font-weight: 400;">Lovely</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma viagem ao exterior que a artista bem conhece e já conquistou. Desde 2006, quando ganhou o primeiro de seus </span><a href="https://novabrasilfm.com.br/especiais/mpb/adriana-calcanhotto-curiosidades/"><span style="font-weight: 400;">cinco </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammys</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Latinos com o disco infantil </span><i><span style="font-weight: 400;">Adriana Partimpim</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela vem sendo reconhecida como uma das grandes expoentes da música do Brasil para o mundo. A faixa mergulha em um ritmo de bossa nova sutil e discreto, que suavemente ajuda o ouvinte a viajar também no tempo em sua sonoridade tridimensional.</span></p>
<figure id="attachment_31334" aria-describedby="caption-attachment-31334" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31334" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-4-800x450.png" alt="Adriana Calcanhotto mastiga uma margarida no clipe de Era Isso O Amor?" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-4.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31334" class="wp-caption-text">O estilo de vida nômade está no subtexto de todas as canções (Foto: Modern Recordings)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As melodias melancólicas que se inserem no projeto ecoam um tom triste de despedida e que, junto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Horário de Verão</span></i><span style="font-weight: 400;"> e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Quem te Disse?</span></i><span style="font-weight: 400;">, contrastam do resto do obra, que tem um soar mais alegre e positivo. A presença dessas canções, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Reticências, </span></i><span style="font-weight: 400;">enriquecem o álbum de forma a nos preparar para o encerramento dessa viagem, assim como instauram seu propósito. A reflexão sobre o caminho percorrido por quem escolhe uma vida sem âncoras, descobre que “</span><a href="https://open.spotify.com/track/028fUHwA3labzRBzyqd0jh"><i><span style="font-weight: 400;">deixar a solidão sozinha e caminhar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” é um ato de coragem libertador que revela que ser errante não é sinônimo de solidão. No entanto, ficar estacionado num mesmo lugar por muito tempo, sim.</span></p>
<p><a href="https://open.spotify.com/track/4h9DeRWdFh68oTL0hegCnd"><i><span style="font-weight: 400;">Nômade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> finaliza sua jornada musical no lugar onde todo o espírito do álbum vive. Seu ritmo constrói a ideia de um balançar de passos, conquistando essa sensação com os mais variados instrumentos, desde o coquinho ao trombone. Como entoado pela sua autora, a “</span><i><span style="font-weight: 400;">casa é corpo</span></i><span style="font-weight: 400;">” porque é móvel, sendo a única coisa que todos temos e que todos carregamos. E por versos como esses, a obra de Adriana Calcanhotto fica mais rica a cada sílaba que ela profere, como se fosse algo involuntário, de sua própria natureza – tal como ser uma das maiores cantoras brasileiras vivas. </span></p>
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		<title>As Hostilidades: na América que ninguém vê, a opressão dissolve almas</title>
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		<pubDate>Fri, 26 May 2023 16:31:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Quanto terreno fértil a criminalidade pode encontrar nas partes do mundo ignoradas pela preocupação social? Em temos reais e muito pessoais, As Hostilidades documenta isso em lentes trêmulas. Dirigido por M. Sebastian Molina, o filme mostra as mudanças da cidade de Santa Lúcia, no México, após a violência se tornar protagonista em um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-hostilidades-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As Hostilidades: na América que ninguém vê, a opressão dissolve almas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30977" aria-describedby="caption-attachment-30977" style="width: 752px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30977" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-4.jpg" alt="Cena do filme As Hostilidades. Na imagem há um homem de capuz. O homem e o chão em que ele pisa estão escondidos pelo escuro, ao fundo, o céu do entardecer tem cores rosa e laranja com poucas nuvens aparentes." width="752" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-30977" class="wp-caption-text">Produção mexicana, As Hostilidades fez parte da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na categoria Competição Novos Diretores (Foto: Centro De Capacitación Cinematográfica A.C.)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto terreno fértil a criminalidade pode encontrar nas partes do mundo ignoradas pela preocupação social? Em temos reais e muito pessoais, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Hostilidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> documenta isso em lentes trêmulas. Dirigido por </span><a href="https://mubi.com/pt/films/amok-2022"><span style="font-weight: 400;">M. Sebastian Molina</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme mostra as mudanças da cidade de Santa Lúcia, no México, após a violência se tornar protagonista em um espaço aparentemente vazio, mas cheio de memórias e feridas. </span></p>
<p><span id="more-30976"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os 70 minutos da obra são quase informais, filmados de uma maneira que mescla o relato e a paisagem, a sensação é de invadir o diário secreto de alguém. Assim, o tom intimista quebra o gelo presente no cerne de produções em formato de </span><a href="https://personaunesp.com.br/racionais-mcs-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;">, e caminha por um horizonte em que a narrativa é subjetiva. O efeito é enfatizado pela falta de um tripé ou equipamentos técnicos, aqui, as mãos que seguram a câmera – que são do próprio Molina – têm a terra de Santa Lúcia na ponta dos dedos. </span></p>
<figure id="attachment_30978" aria-describedby="caption-attachment-30978" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30978" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme As Hostilidades. Na imagem há o tronco de um homem com algumas tatuagens na cor preta. Entre elas está o nome Alícia." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30978" class="wp-caption-text">“Trata-se dos lugares do meio, onde nada acontece e tudo é esquecido” (Foto: Centro De Capacitación Cinematográfica A.C.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com cenas tomadas por uma zona de lentidão – que pode ser atribuída à pouca movimentação do lugar – o desenrolar da produção é menos fluido que o ideal, mas, ainda assim, é impossível estabelecer qualquer </span><i><span style="font-weight: 400;">frame</span></i><span style="font-weight: 400;"> como irrelevante. Cada pedaço do chão arenoso guarda uma história melancólica e dolorosa de como a risada das crianças se tornou o silêncio promovido pelo medo, enquanto os jovens adultos, que sonharam com futuros cristalinos, perdem toda a ingenuidade para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/narcos-mexico-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">narcotráfico</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na voz desses homens sem perspectiva, as transformações ganham forma física por trás da pouca iluminação. Em suas vozes, que perambulam por notas de vergonha e revolta, o lugar pouco relevante para o resto do mundo se afirma em milhares de significados. Aquele “lugar do meio”, como descreve o diretor, foi casa de laços sinceros, desejos esperançosos e sorrisos ingênuos de pessoas que agora convivem com a sensação de não sentir </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2022/09/tentaculos-dos-carteis-mexicanos-se-estendem-na-america-latina-e-atingem-o-brasil.ghtml"><span style="font-weight: 400;">segurança</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seus próprios lares. </span></p>
<figure id="attachment_30979" aria-describedby="caption-attachment-30979" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30979" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3-800x534.jpg" alt="Cena do filme As Hostilidades. Na imagem há um garoto brincando com palha de aço pegando fogo. O menino gira o brinquedo improvisado fazendo um tipo de fogos. É noite e é possível ver a silhueta de árvores e o céu em um tom de azul quase sem nuvens." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3.jpg 1068w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30979" class="wp-caption-text">Em 2022, As Hostilidades apareceu na 29ª edição do Festival de Cinema Independente de Barcelona (Foto: Centro De Capacitación Cinematográfica A.C.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se fosse exatamente o tipo de filme fácil de vislumbrar, pois as camadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Hostilidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> são tão pessoais que o observador pode não ser capaz de entender a mensagem por completo. Em alguns momentos, as crianças correm envoltas por sons de leveza e diversão, e é um desafio entender se aquilo faz parte dos resquícios de pureza que recobrem a geração mais jovem ou são retratos de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/amuleto-critica/"><span style="font-weight: 400;">lembrança</span></a><span style="font-weight: 400;"> presa ao passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, a experiência do telespectador é muitas vezes monótona e misteriosa, mas isso é perdoado pela força do grito de socorro ecoado por </span><a href="https://www.opendemocracy.net/pt/drama-violencia-inseguranca-mexico/"><span style="font-weight: 400;">Santa Lúcia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao fim, a sensação é de impotência por saber que, assim como essa, muitas outras cidades sofrem com um contexto político que troca a humanidade pelos lucros e finge se esquecer das consequências para os que lidam com os problemas sistêmicos restantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vidas resumidas ao impasse da falta de possibilidades, o ato de suportar é tão rotineiro quanto a involuntariedade da respiração. </span><a href="https://www.facebook.com/Sala-Juli%C3%A1n-Carrillo-528896850507344/videos/entrevista-a-sebasti%C3%A1n-molina-director-de-las-hostilidades-cinta-documental-que-/944706122894782/"><i><span style="font-weight: 400;">As Hostilidades</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é o primeiro nem o último relato de dores inundadas pela invisibilidade, mas sua singularidade retoma o fato de que é colocar tudo em uma só caixinha que normaliza realidades cruéis. Embaixo das cores vibrantes do mundo desenvolvido, o mundo real se colore em um cinza hostil. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RrDnDthKbiA?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
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		<title>Circuito Cineclubes Sesc &#8211; Onde está Ana?</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Mar 2023 19:57:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Clara Sganzerla Viajamos, todos os dias, do passado ao futuro. Seja por meio de memórias, lembranças, fatos históricos ou até mesmo dentro de nossos planejamentos; desaparecemos em uma inércia pendular difícil de desvencilhar &#8211; nunca vivemos propriamente no presente. No entanto, a atriz brasileira Stella Rabello consegue parar por alguns momentos em algumas dessas duas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ana-sem-titulo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclubes Sesc &#8211; Onde está Ana?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30593" aria-describedby="caption-attachment-30593" style="width: 2160px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30593 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.png" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na imagem, há seis fotografias de uma mulher negra. As fotos trabalham de forma documental, registrando as mudanças físicas da personagem em uma organização linear - três fotografias em cima e mais três fotografias em baixo. As mudanças físicas são principalmente no cabelo: na primeira imagem, ele permanece preso em um coque alto, e acompanhamos sua transformação até o penteado em estilo afro" width="2160" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.png 2160w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-2048x1024.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1200x600.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30593" class="wp-caption-text">Em Ana. Sem título, exibido na Mostra “Cinema é Direito” no Sesc Bauru, entramos em uma jornada sobre governos totalitários, o feminismo nos anos 70 e 80 e sobre a Arte como forma de denúncia (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Clara Sganzerla</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Viajamos, todos os dias, do passado ao futuro. Seja por meio de memórias, lembranças, fatos históricos ou até mesmo dentro de nossos planejamentos; desaparecemos em uma inércia pendular difícil de desvencilhar &#8211; nunca vivemos propriamente no presente. No entanto, a atriz brasileira Stella Rabello consegue parar por alguns momentos em algumas dessas duas realidades para ir em uma jornada que ultrapassa as </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><span style="font-weight: 400;">fronteiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nosso país, esbarrando em uma história sangrenta que, infelizmente, também nos pertence. Em </span><a href="http://taigafilmes.com/ana/"><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020), longa que integrou a Mostra </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-cinema-e-direito/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> no Sesc Bauru, a cineasta Lúcia Murat nos transporta para o passado latino-americano marcado pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-tio-jose-critica/"><span style="font-weight: 400;">ditadura militar</span></a><span style="font-weight: 400;">, atrás, apenas, de uma resposta: onde está Ana? </span></p>
<p><span id="more-30590"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Definida como livre, talentosa, bonita e até mesmo perigosa, o grande mistério acerca da artista brasileira é o que nos envolve na trama. Através de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">metalinguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito bem feita, a sensação do telespectador é similar a estar fisicamente presente com a equipe de filmagem, apurando as poucas pistas que Ana nos deixou, na tentativa de montar um quebra-cabeça em que faltam muitas peças. Durante essa viagem, temos o prazer de conhecer a beleza de Cuba, México, Argentina e </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-francisca-uma-juventude-chilena-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chile</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelos olhos do diretor de fotografia </span><span style="font-weight: 400;">Léo Bittencourt, e ouvir até mesmo o som dos passarinhos através do trabalho da técnica de som Andressa Clain Neves.</span></p>
<figure id="attachment_30591" aria-describedby="caption-attachment-30591" style="width: 1313px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30591 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.jpg" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na imagem temos, à esquerda, a atriz brasileira Stella Rabello. Ela tem cabelos loiros um pouco acima do busto, usa uma jaqueta na cor cinza e uma blusa vermelha. Do lado direito, temos a cineasta Lúcia Murat. Ela tem cabelos grisalhos e curtos e usa uma blusa de manga longa azul. O cenário da foto é em uma arquibancada à luz do dia. Ambas estão com expressões concentradas, com olhares atentos ao horizonte." width="1313" height="758" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.jpg 1313w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-800x462.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1024x591.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-768x443.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1200x693.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30591" class="wp-caption-text">Lúcia e Stella buscam respostas em nossos vizinhos latinos através de um road-movie (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado na exposição </span><a href="https://pinacoteca.org.br/programacao/exposicoes/mulheres-radicais-arte-latino-americana-1960-1985/"><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, realizada na Pinacoteca de São Paulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título </span></i><span style="font-weight: 400;">é um mergulho em muitas questões, como o racismo, a opressão e o feminismo como forma revolucionária, mas destaca-se na maneira de retratar as cicatrizes ainda abertas que as </span><a href="https://www.politize.com.br/operacao-condor/"><span style="font-weight: 400;">ditaduras militares latinas</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixaram. O olhar de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/ana-sem-titulo-se-nao-fosse-a-existencia-dos-movimentos-feminista-e-negro-esse-filme-nao-existiria-diz-lucia-murat/"><span style="font-weight: 400;">Lúcia Murat</span></a><span style="font-weight: 400;">, nesse contexto, é mais do que simbólico, principalmente pela sua trágica experiência como ex-presa política durante o regime militar brasileiro. O longa é, acima de tudo, um lembrete da importância de não nos esquecermos sobre um passado ainda tão recente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E Ana? Criada para ser uma representação da mulher latino-americana artista das </span><a href="https://conversacomelas.com/2021/03/02/movimentos-feministas-na-decada-de-70-e-80-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">décadas de 1970 e 1980</span></a><span style="font-weight: 400;">, através do roteiro da escritora Tatiana Salem Levy e da própria Murat, com atuação de Roberta Estrela D&#8217;Alva, a beleza da personagem mora exatamente no fato de que ela não é real. A narrativa criada em cima de seu desaparecimento, as cartas trocadas com outras artistas, a busca da equipe em solos estrangeiros para o documentário e todas as conversas sobre resistência, irmandade, liberdade e direitos, deixam a sensação de que Ana, mesmo com provas contrárias, existiu. O longa a eleva como uma entidade, aproveita-se do interesse natural do ser humano ao desconhecido para captar nossa atenção e nos enriquece com trocas reais sobre uma cultura tão complexa, rica e triste.</span></p>
<figure id="attachment_30592" aria-describedby="caption-attachment-30592" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30592 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3.png" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na fotografia, há uma mulher negra, de cabelo crespo. Ela usa uma blusa de gola alta. A mulher sorri e olha para o horizonte à sua esquerda. A foto tem tons sépia." width="600" height="315" /><figcaption id="caption-attachment-30592" class="wp-caption-text">Ana é algo maior que o plano físico e transforma-se na representação de milhares de mulheres do nosso passado (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de filmagens em câmeras analógicas, fotografias em preto e branco e relatos em espanhol, conhecemos por meio de Ana a história de milhares de mulheres que gostariam de ter sido ouvidas mas que, infelizmente, já caíram no esquecimento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um resgate da importância de ouvir as gerações passadas, de valorizar nossa história, de apreciar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Arte nacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de não nos esquecermos de, às vezes, olhar para trás.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ana. Sem Título - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IRtjlcD_0qI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Argentina, 1985 é um grito de basta às mazelas da ditadura</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Feb 2023 13:51:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana “Eu não sou advogado de ninguém, meu papel como promotor de justiça é acusar”. Assim se impôs Julio Strassera, responsável por um dos julgamentos mais importantes para a democracia ocidental e protagonista de Argentina, 1985. Baseado em fatos reais, o longa dirigido por Santiago Mitre traz à tona o processo que condenou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Argentina, 1985 é um grito de basta às mazelas da ditadura"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29717" aria-describedby="caption-attachment-29717" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29717" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-3.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que Ocampo (à esquerda) e Strassera (à direita) se reúnem em uma lanchonete para discutir sobre as estratégias de acusação que serão utilizadas no julgamento . Na imagem podemos ver as feições de Moreno Ocampo e Júlio Strassera sentados (um de frente para o outro), lado a lado, enquanto pedem dois lanches em uma bancada de restaurante. Ocampo é um jovem branco (aparentemente com os seus 30 anos de idade), ruivo, cabelo e barba encaracolados. Strassera é um senhor no auge de seus 65 anos, branco, cabelo liso preto, possui bigode denso e usa óculos garrafais. Strassera está com um cigarro aceso em mãos fazendo gestos para chamar a atenção de seu colega promotor, Moreno Ocampo. O jovem está com o olhar fixo prestando atenção nas palavras de Júlio." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29717" class="wp-caption-text">Mais do que um filme, Argentina, 1985 é uma aula de dever à cidadania e exemplo de compromisso público com a democracia (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><strong>Gabriel Gomes Santana</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não sou advogado de ninguém, meu papel como promotor de justiça é acusar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Assim se impôs Julio Strassera, responsável por um dos julgamentos mais importantes para a democracia ocidental e protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;">. Baseado em fatos reais, o longa dirigido por Santiago Mitre traz à tona o processo que condenou os crimes contra os direitos humanos cometidos pelos ex-comandantes da ditadura no País. Disponível na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">da </span><a href="https://www.primevideo.com/detail/0HM2CPRAN241K811SGWRRH09BF/ref=atv_dp_share_cu_r"><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra expõe a coragem e persistência de agentes públicos que se comprometeram a enfrentar um sistema repressivo e assassino.</span></p>
<p><span id="more-29716"></span></p>
<p><b>Ficção e realidade se misturam</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na tentativa de se aproximar da realidade, o filme apresenta um panorama histórico completo e bem aprofundado sobre o período de recente democratização do país </span><i><span style="font-weight: 400;">hermano</span></i><span style="font-weight: 400;">. Instaurada na Argentina de 1976 a 1983, a </span><a href="https://paineira.usp.br/memresist/?page_id=239"><span style="font-weight: 400;">última ditadura</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a nação enfrentou ficou marcada por um regime autoritário, repressivo, sangrento e que deixou traumas e feridas abertas até hoje. Ainda que pairasse no ar um sentimento de retomada do poder popular, já com o fim dos governos militares, todos os crimes cometidos até aquela ocasião deixavam perguntas sem respostas através de um sentimento de injustiça dominante perante a sociedade platina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como aconteceu na Segunda Guerra, no caso do imprescindível </span><a href="https://www.politize.com.br/tribunal-de-nuremberg/"><span style="font-weight: 400;">Tribunal de Nuremberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, mais do que dar um basta à barbárie, era necessário encontrar os culpados pelas torturas, assassinatos e massacres. Afinal, não é ao acaso que a estimativa sobre o número de assassinados pelo comando militar argentino ultrapassa a casa dos </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/hoje-na-historia/3368/hoje-na-historia-1976-golpe-militar-instaura-ditadura-na-argentina"><span style="font-weight: 400;">30 mil </span></a><span style="font-weight: 400;"> durante os sete anos de sua cruel permanência. Ainda que tentasse esconder, uma boa parcela da população ansiava por um julgamento que criminalizasse os </span><a href="https://www.scielo.br/j/civitas/a/nDGjYwxgPF6j8s5fX4fMMVK/?lang=pt&amp;format=pdf"><span style="font-weight: 400;">engenheiros deste caos</span></a><span style="font-weight: 400;">. É a partir daí que a trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia.</span></p>
<figure id="attachment_29718" aria-describedby="caption-attachment-29718" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29718" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-4.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que Strassera e Ocampo conversam com uma senhora de idade, ativista do movimento das Mães da Praça de Maio. Strassera aparece apoiando seu braço em um dos bancos do público que acompanha a sessão do julgamento, enquanto uma senhora, que está sentada olhando para Strassera atentamente se inclina para escutar o que o promotor tem a dizer. Esta senhora aparenta ter uma idade avançada, na casa dos 70 anos de idade e usa um lenço típico das ativistas que protestam pelo desaparecimento de seus filhos e netos, vítimas da perseguição imposta pelo autoritarismo de Videla." width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-29718" class="wp-caption-text">Nada mais desesperador do que uma mãe que clama por seu filho (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1983, ano da retomada eleitoral argentina, o então candidato Raúl Alfonsín se elegera através de um discurso que evocava angústia sobre o desaparecimento de milhares de pessoas, tendo o apoio das </span><a href="https://www.socialistamorena.com.br/para-nao-esquecer-a-historia-das-maes-da-plaza-de-mayo-na-argentina/"><span style="font-weight: 400;">Mães da Praça de Maio</span></a><span style="font-weight: 400;">. O movimento foi crucial para que os argentinos se sensibilizassem com a dor de mães e avós que procuravam o paradeiro de seus filhos e netos (muitas continuam em busca de respostas até hoje). Quando Alfonsín assumiu a cadeira presidencial, a imprensa acreditou que, em um primeiro momento, seu governo teria um caráter conciliador, mas ele provou o contrário, sendo bastante afrontoso: colocou nove ex-comandantes militares no banco dos réus para responderem sobre crimes contra humanidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por conta desta brilhante e corajosa decisão, dois anos depois do decreto, a figura do promotor Julio Strassera se fez presente. No longa, ele nos envolve em uma aventura judicial que vai atrás de provas concretas, aliadas a fortes depoimentos de vítimas sobreviventes das sessões de torturas físicas e psicológicas empreendidas por </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/morre-aos-87-anos-o-ex-ditador-argentino-jorge-rafael-videla-eguinkcv3uy8hnirb2fzltc26/#:~:text=Videla%20governou%20o%20pa%C3%ADs%20sul,argentina%20(1976%2D1983)."><span style="font-weight: 400;">Videla</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus sucessores. O </span><i><span style="font-weight: 400;">gran finale</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> estabelece um basta às atrocidades da ditadura. Pelo menos, esse é o sentimento que o filme traz e que, infelizmente, </span><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ha-40-anos-lei-de-anistia-preparou-caminho-para-fim-da-ditadura"><span style="font-weight: 400;">não ocorreu da mesma maneira no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas que pôde dar luz a algumas dicotomias.</span></p>
<figure id="attachment_29721" aria-describedby="caption-attachment-29721" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29721" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-1.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que uma mulher é chamada para dar seu testemunho sobre a tortura que sofreu na época do regime. Ela aparece de pé em frente a dois microfones de depoimento, bem centralizada em primeiro plano da imagem. Ao fundo podemos ver a bancada das pessoas que assistem ao julgamento. Ela é uma mulher branca, magra, de cabelo curto, com uma expressão séria e com olhar fixado em direção à câmera frontal. Ela veste um blazer caramelo formal, específico dos anos 1980, junto a uma camisa social de gola V por baixo. Ela carrega uma bolsa preta no ombro esquerdo" width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29721" class="wp-caption-text">Nada como um relato angustiante e terrível para expor os erros que não devem ser repetidos (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A principal destas contradições diz respeito à </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/explicado/2021/02/21/Lei-de-Anistia-do-al%C3%ADvio-na-reabertura-%C3%A0-impunidade-militar"><span style="font-weight: 400;">Lei de Anistia</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma vez que livrou perseguições políticas, mas deixou as atrocidades militares por debaixo dos panos da história. A grande reflexão por trás da película diz respeito ao </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi </span></i><span style="font-weight: 400;">reforçado em não apagar memórias. À sua maneira, diversos trechos da narrativa abordam como o país consegue discutir suas dívidas com o passado, demonstrando como a defesa democrática passa, antes de tudo, por uma isonomia de direitos e respeita a atuação autônoma entre os poderes do Executivo e Judiciário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nossos </span><i><span style="font-weight: 400;">hermanos</span></i><span style="font-weight: 400;"> estão longe de ser um povo sem defeitos, mas é justamente a coragem de lidar com o desagradável e expô-lo para a opinião pública que lhes sobra resiliência para seguir em frente debatendo temas cruciais. Recentemente, a </span><a href="https://g1.globo.com/hora1/noticia/2022/09/20/as-raizes-da-crise-economica-argentina-entenda-o-historico-da-economia-no-pais.ghtml"><span style="font-weight: 400;">dura crise financeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o país enfrenta pode ser um exemplo disso. Apesar de todas as discussões (extremamente necessárias) acerca do cenário sociopolítico, o futebol mostrou, mais uma vez, o quanto o povo se </span><a href="https://medium.com/o-contra-ataque/de-palco-da-copa-do-mundo-a-pris%C3%A3o-pol%C3%ADtica-aee820532e94"><span style="font-weight: 400;">une em prol de um mesmo objetivo</span></a><span style="font-weight: 400;">. A cultura popular tem o papel fundamental de estímulo à superação, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985 </span></i><span style="font-weight: 400;">também cumpre essa missão ao exemplificar aquilo que jamais deve ser tolerado.</span></p>
<figure id="attachment_29720" aria-describedby="caption-attachment-29720" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29720" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-2.png" alt="Cena do filme ‘Argentina, 1985’ em que Strassera aparece junto de sua equipe investigadora na promoção do inquérito que reuniu as denúncias e provas contra as juntas militares argentinas. Na imagem estão presentes, além de Ocampo e Strassera, mais 8 pessoas que participam da equipe auxiliar dos promotores. As dez pessoas que aparecem nesta imagem são brancas. Destas, apenas 3 são mulheres, uma possui cabelo ruivo e cacheado. Strassera aparece centralizado e à frente dos demais colegas." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29720" class="wp-caption-text">O sorriso daqueles que defendem a democracia é diferente (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>O grande trunfo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas produções cinematográficas apostam suas fichas em um </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/morreu-promotor-julgamento-hist%C3%B3rico-chefes-ditadura-argentina-152727144.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAALsKt18Xem5PEdwdAbDwVDHttWkyS4NoOaBW42RupPZJYY1PC5_QRRz0Jti5CsxRQ74UzGAo8iThEH7HHuET8Meb7Als0dUH4vnnbwqlq6hVGrAZxZctk5qOx6AjbUuDE67qgd7CpTcne7CI3i6TJQBIaCzHIBp3rEGWPARarptC"><span style="font-weight: 400;">elemento técnico que se sobressai</span></a><span style="font-weight: 400;"> com sutileza e vigor. A grosso modo, musicais, por exemplo, tendem a valorizar a escolha de uma trilha sonora de impacto e que vá de encontro com a proposta original e estética. No caso do longa, o grande trunfo se baseia na caracterização e atuação dos personagens. Interpretados por Ricardo Darín e Juan Pedro Lanzani, as figuras de Júlio Strassera e Luís Ocampo, respectivamente, são idênticas aos promotores originais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da semelhança física com as pessoas reais que estiveram à frente do processo, é impressionante analisar o perfil satírico e dramático presentes em ambas personalidades na ficção. </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/morreu-promotor-julgamento-hist%C3%B3rico-chefes-ditadura-argentina-152727144.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAALsKt18Xem5PEdwdAbDwVDHttWkyS4NoOaBW42RupPZJYY1PC5_QRRz0Jti5CsxRQ74UzGAo8iThEH7HHuET8Meb7Als0dUH4vnnbwqlq6hVGrAZxZctk5qOx6AjbUuDE67qgd7CpTcne7CI3i6TJQBIaCzHIBp3rEGWPARarptC"><span style="font-weight: 400;">Strassera é um homem experiente</span></a><span style="font-weight: 400;">, com um olhar atento a tudo e a todos. Porém, seu temperamento frágil o coloca em situações embaraçosas que, embora demonstrem seriedade diante das ameaças sofridas, são um tanto quanto cômicas devido a sua reação, tentando transmitir controle e calma, só que de um jeito desgovernado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ocampo, por outro lado, é o ‘aprendiz caxias’, esforçado em trazer resultados para as incógnitas complexas dos problemas apresentados pelas testemunhas. É curioso notar o quanto ele acaba quebrando a cara ao entender que nem tudo é tão simples e racional quanto parece, sobretudo diante de uma </span><a href="https://periodicos.unb.br/index.php/les/article/view/7534"><span style="font-weight: 400;">sociedade ainda fragilizada pelo medo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma tirania tão influente no imaginário coletivo da época. Parente de militares, o jovem promotor adjunto representa o clichê necessário do ‘</span><a href="https://www.polifonia.com.br/blogpoli/2018/1/9/luke-skywalker-e-a-jornada-do-heri"><span style="font-weight: 400;">padawan</span></a><span style="font-weight: 400;">’ ansioso que se espelha num sábio ‘jedi’ atrapalhado. </span></p>
<figure id="attachment_29722" aria-describedby="caption-attachment-29722" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29722" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image.png" alt="Fotografia original do julgamento que condenou os ex-generais do exército argentino no ano de 1985. Na imagem podemos ver as feições de Moreno Ocampo e Júlio Strassera sentados (ao canto direito da foto), lado a lado, enquanto encaram os militares, centralizados na imagem, que estão alinhados no banco dos réus. Ocampo é um jovem branco (aparentemente com os seus 30 anos de idade), ruivo, cabelo e barba encaracolados. Strassera é um senhor no auge de seus 65 anos, branco, cabelo liso preto, possui bigode denso e usa óculos garrafais. Os ex-comandantes que estão ao centro são todos homens brancos e, aparentemente, mais velhos." width="512" height="353" /><figcaption id="caption-attachment-29722" class="wp-caption-text">Ocampo e Strassera olhando fixamente para os responsáveis da tortura (Foto: BBC News Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Teatro possivelmente contribuiu para uma das maiores e mais difíceis habilidades no campo da atuação: a improvisação. Mesmo que no Cinema o produto final seja gravado e editado em cortes, é possível observar quando uma equipe ensaiou uma sequência cênica e quando não. A </span><a href="https://revistadecinema.com.br/2014/08/a-importancia-dos-dialogos-para-a-narrativa-cinematografica/"><span style="font-weight: 400;">espontaneidade dos diálogos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> alia-se à autonomia de Mitre em escolher trechos que, assustadoramente, poderiam acontecer na vida real sem serem previamente pensados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diversas cenas do filme reproduzem o recurso da improvisação e trazem um toque magistral ao aproximar o espectador ao elenco da trama. Os relatos das vítimas e testemunhas parecem ser direcionados a quem assiste, tornando-os ainda mais comoventes e </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-convidadas-critica/"><span style="font-weight: 400;">emocionantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Da mesma forma são os diálogos da família Strassera, dando a impressão de que o quinto elemento participante das discussões seja a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kNKSPMj-B5w"><span style="font-weight: 400;">quarta parede</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Em nenhum momento a obra tem a intenção de quebrar essa barreira. Estes detalhes são fruto de uma qualidade fílmica ímpar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, o público tem o hábito de classificar todo longa-metragem que não tenha os padrões hollywoodianos como alternativos e </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> está longe disso. Os parâmetros criativos adotados pelos roteiristas Santiago Mitre e Mariano Llinás, se não superam, são equivalentes a qualquer </span><a href="https://apostiladecinema.com.br/tempo-de-matar/"><span style="font-weight: 400;">clássico de embate jurídico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não à toa, desde que foi lançada no segundo semestre de 2022, a obra tem percorrido os principais </span><a href="https://portalpopline.com.br/campanha-filme-argentina-1985-oscar/"><span style="font-weight: 400;">festivais internacionais de Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, dentre eles, um dos principais: Veneza.</span></p>
<figure id="attachment_29719" aria-describedby="caption-attachment-29719" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29719" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Darin-e-Mitre.png" alt="Fotografia de Ricardo Darín (protagonista da obra) e Santiago Mitre (diretor e produtor) juntos recebendo o Globo de Ouro, prêmio do festival ‘Golden Globe Awards’. Ambos aparecem de smoking, sorridentes e abraçados. Darin está à esquerda e Mitre aparece à direita carregando a estatueta vencedora da categoria de melhor filme estrangeiro. Santiago Mitre é um homem branco, alto, de cabelo liso e barba falhada. Ao fundo da imagem há um banner de identificação do evento." width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-29719" class="wp-caption-text">Vencedores do Globo de Ouro, Darín e Mitre celebraram o Globo de Ouro em clima de Copa do Mundo (Foto: Uol)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado e candidato favorito ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Filme Internacional, a obra é representatividade máxima na América Latina. O trabalho empenhado pelas lentes de Mitre não apenas foi aplaudido pelos críticos durante nove minutos, quando exibido pela primeira vez na cidade italiana, como também consagrou-se vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Depois da Copa do Mundo, é uma grande alegria</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, comemorou </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/ricardo-darin-comemora-globo-de-ouro-de-argentina-1985-em-clima-de-copa-do-mundo,07550f609cda05bf974e86b920ed5cf4uelgxydv.html"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Darín</span></a><span style="font-weight: 400;">, cheio de emoção. Pode-se dizer que tal feito é semelhante à comparação do ator, uma vez que se destacou entre potentes internacionais, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Decision to Leave</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Coréia do Sul), </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR </span></i><span style="font-weight: 400;">(Índia) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Alemanha).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vanguarda na arte de fazer excelentes filmes, a Argentina se destaca como um dos países que são referência quando </span><a href="https://www.institutodecinema.com.br/mais/conteudo/10-filmes-para-conhecer-o-cinema-argentino"><span style="font-weight: 400;">o assunto é Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">. Embora cada obra, diretor, produtor e roteirista tenham perspectivas singulares e distintas, é interessante destacar como a cultura local consegue executar com maestria a transparência dos estereótipos de seu povo. O combo de ricas emoções, contradições e um jeito peculiar de dramatizar assuntos sérios através de um alívio cômico, faz do enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985 </span></i><span style="font-weight: 400;">o mais puro </span><a href="https://universoesporte.com.br/maradona-a-despedida-de-um-genio/"><span style="font-weight: 400;">suco argentino possível</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Maradona</span></i><span style="font-weight: 400;">, série bibliográfica sobre o grande ícone e camisa 10 </span><i><span style="font-weight: 400;">hermano</span></i><span style="font-weight: 400;"> é outro exemplo disso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez seja por essa razão que a originalidade e talento dos atores envolvidos no filme</span> <span style="font-weight: 400;">tenha atraído o carisma dos espectadores, sobretudo dos países latinos. Trazer à tona as lembranças de um passado sombrio, infelizmente comum aos países do Cone Sul, é fundamental, não apenas por uma questão de representatividade. Também, para que as sociedades civis destas nações jamais se esqueçam como se deu a </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2023/01/08/bolsonaristas-congresso-policia.htm"><span style="font-weight: 400;">conjuntura golpista</span></a><span style="font-weight: 400;"> que elevou as desigualdades sociais e, ainda hoje, colocam em risco a democracia. </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2022/12/10/E-se-o-filme-%E2%80%98Argentina-1985%E2%80%99-inspirasse-o-Brasil-de-2023"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não traz uma história inusitada sobre uma trama de ficção. Ele simboliza o quanto o povo, quando protegido por agentes públicos sérios, é capaz de defender direitos sem passar </span><a href="https://portal.unila.edu.br/editora/livros/e-books/cinelatino.pdf"><span style="font-weight: 400;">panos quentes na história</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Na obra de Roberto Bolaño, a memória é o nosso Amuleto</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2022 19:45:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade “Soube que tinha de resistir. De modo que me sentei nos ladrilhos do banheiro das mulheres e aproveitei os últimos raios de luz para ler mais três poemas de Pedro Garfias, depois fechei o livro, fechei os olhos e disse para mim: Auxilio Lacouture, cidadã do Uruguai, latino-americana, poeta e viajante, resista” (pág. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/amuleto-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Na obra de Roberto Bolaño, a memória é o nosso Amuleto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28960" aria-describedby="caption-attachment-28960" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28960 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/CLUBE_WP.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/CLUBE_WP.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/CLUBE_WP-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/CLUBE_WP-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28960" class="wp-caption-text">Com tradução de Eduardo Brandão, Amuleto, de Roberto Bolaño, foi a leitura do <a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-agosto-de-2022/">Clube do Livro do Persona</a> em Agosto de 2022 (Foto: Companhia das Letras/Arte: Nathália Mendes)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Soube que tinha de resistir. De modo que me sentei nos ladrilhos do banheiro das mulheres e aproveitei os últimos raios de luz para ler mais três poemas de Pedro Garfias, depois fechei o livro, fechei os olhos e disse para mim: Auxilio Lacouture, cidadã do Uruguai, latino-americana, poeta e viajante, resista” </span><span style="font-weight: 400;"><em>(pág. 29)</em>.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">À primeira vista, </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/l/inimigos-imaginarios"><span style="font-weight: 400;">Roberto Bolaño</span></a><span style="font-weight: 400;"> é lembrado por dois romances – possivelmente os mais importantes da Literatura na América Latina no final do século XX e início do novo milênio: </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535908749/os-detetives-selvagens"><i><span style="font-weight: 400;">Os detetives selvagens</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1998) e </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535916485/2666"><i><span style="font-weight: 400;">2666</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2003). O último – uma espécie de testamento do autor chileno, lançado postumamente e com quase mil páginas – desfez a ideia de que o apocalipse ocorrerá sob sirenes e explosões; na verdade, o fim do mundo já começou, e é tão silencioso quanto os assassinatos constantes e sigilosos dos jovens latino-americanos. Por outro lado, com seu romance de 1998, Bolaño deu vida à aura libertária das revoltas deste lado da América, sob uma perspectiva idealizada que, não obstante, é ela mesma rechaçada no livro. Ainda assim, é em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535913637/amuleto"><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1999), lançado entre uma obra e outra, que o autor concentra magistralmente seus temas principais: a poesia, a política e a violência.</span></p>
<p><span id="more-28944"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que o pequeno romance (ou novela) tenha saído de um trecho emblemático de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os detetives selvagens</span></i><span style="font-weight: 400;"> – se trata de uma versão “expandida” de um capítulo do livro –, a obra funciona muito bem de maneira avulsa, pois sua mensagem ressoa na forma política e no cuidado de Bolaño com a linguagem (as repetições e a poesia “proseada”). A protagonista e narradora, Auxilio Lacouture, uma imigrante uruguaia auto-denominada a “</span><i><span style="font-weight: 400;">mãe de todos os poetas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, investiga mentalmente um crime hediondo, que será revelado próximo ao final do romance. Contudo, crimes de vários os tipos perpassam a trama, rememorados por Auxilio no banheiro feminino da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), local onde se esconde após a </span><a href="https://www.esquerda.net/artigo/mexico-o-inicio-do-movimento-estudantil-de-1968/56398"><span style="font-weight: 400;">tomada repentina da universidade pelos militares</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28945" aria-describedby="caption-attachment-28945" style="width: 825px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28945 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-1-1.png" alt="" width="825" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-1-1.png 825w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-1-1-550x800.png 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-1-1-704x1024.png 704w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-1-1-768x1117.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28945" class="wp-caption-text">Nascido em 1953, em Santiago, Bolaño passou sua adolescência no México e retornou ao Chile após a vitória de Salvador Allende, para “ajudar a construir a revolução” (Foto: Alejandro Yofre)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em setembro de 1968, durante as semanas que Auxílio se mantém escondida, comendo papel higiênico, o pequeno espaço do banheiro se transforma em um túnel do tempo, no qual a personagem revive seus anos na Cidade do México, lembrando dos poetas </span><a href="http://www.antoniomiranda.com.br/iberoamerica/espanha/leon_felipe.html"><span style="font-weight: 400;">León Felipe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://www.antoniomiranda.com.br/iberoamerica/espanha/pedro_garfias.html"><span style="font-weight: 400;">Pedro Garfias</span></a><span style="font-weight: 400;"> – pelos quais trabalhou como doméstica, de forma voluntária, para ficar mais próxima da poesia –, e também viajando para o futuro, quando conheceu, nos anos 1970, o jovem </span><a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8145/tde-01082019-164843/pt-br.php"><span style="font-weight: 400;">Arturo “Arturito” Belano</span></a><span style="font-weight: 400;"> – o alter-ego do próprio Roberto Bolaño. A forma não-linear com que se lembra dos acontecimentos talvez sintetize o trauma de Lacouture, mas mais do que isso, trata-se de um mecanismo, quase sempre utilizado pelo autor para dar vida a uma realidade fragmentada: a “real” e cotidiana, e a “subjetiva”, memorialística.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como o romance antecessor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta o conflito do idealismo de uma geração com a realidade latino-americana. A verdade é que o ambiente claustrofóbico do banheiro se transforma, para Auxilio, em uma espécie de </span><a href="https://www.blogletras.com/2019/08/a-descoberta-da-realidade-em-o-aleph-de.html"><i><span style="font-weight: 400;">Aleph</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – do conto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jorge Luis Borges</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma das principais referências do chileno –, em que se pode, paradoxalmente, enxergar o passado, o presente e futuro de uma só vez. Mas mesmo quando seus livros se repetem – sejam em temas ou em enredo, propriamente –, Bolaño nunca deixa de acrescentar novas informações, dando vida a uma espécie de obra infinita. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">2666</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, tem sua única explicação em </span><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">A </span></i><span style="font-weight: 400;">[avenida] </span><i><span style="font-weight: 400;">Guerrero, a essa hora, se parece mais que tudo com um cemitério </span></i><span style="font-weight: 400;">[&#8230;]</span><i><span style="font-weight: 400;">, mas com um cemitério de 2666, um cemitério escondido debaixo de uma pálpebra morta ou ainda não nascida, as aquosidades desapaixonadas de um olho que, por querer esquecer algo, acabou esquecendo tudo</span></i><span style="font-weight: 400;">” (pág. 65).</span></p>
<figure id="attachment_28947" aria-describedby="caption-attachment-28947" style="width: 1960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28947 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/auxilio.jpeg" alt="" width="1960" height="1331" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/auxilio.jpeg 1960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/auxilio-800x543.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/auxilio-1024x695.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/auxilio-768x522.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/auxilio-1536x1043.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/auxilio-1200x815.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28947" class="wp-caption-text">Alcira Scaffo, a verdadeira Auxilio Lacouture, se tornou uma lenda do movimento estudantil mexicano, após resistir à invasão militar na UNAM (Foto: Arquivo MUAC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O escritor chileno entrelaça fato e ficção de forma natural, sempre carregando uma ampla carga histórica por volta do enredo. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto</span></i><span style="font-weight: 400;"> – assim como no capítulo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os detetives selvagens</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, Auxilio Lacouture é baseada em uma pessoa real: no histórico ano de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2018/01/04/nos-50-anos-de-1968-relembre-11-fatos-que-abalaram-o-mundo"><span style="font-weight: 400;">1968</span></a><span style="font-weight: 400;">, momento em que o exército mexicano realmente reprimiu manifestantes na Cidade do México, a poetisa </span><a href="https://elpais.com/mexico/2022-06-30/el-laberinto-de-alcira-soust-scaffo.html"><span style="font-weight: 400;">Alcira Soust Scaffo</span></a><span style="font-weight: 400;"> manteve-se escondida no banheiro da UNAM, pós tomada da Cidade Universitária pelos militares. Ela sobreviveu bebendo apenas água da torneira durante os 12 dias que se manteve escondida. Assim como Auxilio, Scaffo foi amiga de León Felipe, e Bolaño a conheceu pessoalmente em 1970.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em diversos momentos, a tensão sobre a produção cultural na América Latina domina a narrativa, e, diante dos atos repressivos na trama, são construídas metaficções cujo objetivo é refletir sobre a violência e uma forma </span><a href="https://www.ndbooks.com/book/the-melancholy-of-resistance/"><span style="font-weight: 400;">melancólica de resistência</span></a><span style="font-weight: 400;">. É nesse sentido que o filósofo </span><a href="https://jacobin.com.br/2021/07/sobre-o-conceito-de-historia/"><span style="font-weight: 400;">Walter Benjamin</span></a><span style="font-weight: 400;">, através do ensaio </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobre o conceito da história </span></i><span style="font-weight: 400;">(1940), ascende como referência. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nunca houve um monumento de cultura que não fosse também um monumento de barbárie</span></i><span style="font-weight: 400;">”, escreve Benjamin, visto que os bens culturais são concebidos através da perspectiva do horror.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Esta será uma história de terror. Será uma história policial, uma narrativa de série negra e de terror. Mas não parecerá. Não parecerá porque sou eu que conto. Sou eu que falo e por isso não parecerá. Mas no fundo é a história de um crime atroz”</span><em><span style="font-weight: 400;"> (pág. 9).</span></em></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome de Auxilio Lacouture sinaliza para os dois objetivos de sua história, narrada por ela própria, através de um jogo de palavras que não parece coincidência. Enquanto “Auxilio” em espanhol realmente signifique “ajuda”, “Lacouture” tem uma sonoridade parecida com “</span><i><span style="font-weight: 400;">la cultura</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Assim, seria uma espécie de “pedido de socorro da Cultura”, que se vê ameaçada por forças externas, ao mesmo tempo em que Auxilio luta para não deixar que </span><a href="https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/mnemosine/article/view/57667"><span style="font-weight: 400;">ninguém se esqueça</span></a><span style="font-weight: 400;"> daquele momento histórico. Ainda assim, Bolaño é sempre perspicaz ao deixar pistas de interpretação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance se abre com o aviso de que será uma história de terror, cuja afirmação ganha importância, de forma cíclica, ao final, quando – após revelado toda a barbárie – percebemos que nos deixamos levar por essa narradora pouco confiável. Não porque não seja verdadeira – ou que não queira realmente transmitir o ocorrido –, mas porque suas memórias estão em ebulição e, por isso, confusas e delirantes, de modo que a trama “</span><i><span style="font-weight: 400;">não parecerá</span></i><span style="font-weight: 400;">” uma narrativa de terror, mas uma ode à memória histórica e à poesia. O pano de fundo violento é não somente o cenário tenebroso avisado desde o ínicio, mas também é seu aviso final: </span><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto</span></i><span style="font-weight: 400;"> relembra que esquecer os horrores da </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-tio-jose-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ditadura</span></a><span style="font-weight: 400;"> leva o terror ao esquecimento, deixando à História sua inevitável repetição. Auxilio Lacouture é, sozinha, a única resistência contra as forças fascistas.</span></p>
<figure id="attachment_28948" aria-describedby="caption-attachment-28948" style="width: 747px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28948 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-2.png" alt="" width="747" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-2.png 747w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-2-498x800.png 498w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-2-637x1024.png 637w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28948" class="wp-caption-text"><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/02/cultura/1504371372_289461.html">Patti Smith</a> considera 2666, de Bolaño, a “primeira obra-prima do século 21” (Foto: Basso Cannarsa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase toda a ficção de Bolaño se preocupa com a vida dos escritores, especialmente dos poetas marginais – seus “poetas-protagonistas” tendem a ser párias empobrecidos, isolados do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> literário. O próprio autor se via antes de tudo como </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/08/poesia-da-pre-historia-de-roberto-bolano-chega-em-edicao-arriscada.shtml"><span style="font-weight: 400;">um poeta</span></a><span style="font-weight: 400;">, e começou a escrever romances e contos porque a poesia “</span><i><span style="font-weight: 400;">não pagava as contas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Não muito diferente do que acontece com a maioria dos ficcionistas, a vida do chileno foi essencialmente sua fonte de inspiração (ele até possuía um cartão impresso com os escritos “</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1012200809.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Poeta e Vagabundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O “Realismo Visceral”, movimento literário que Ulisses Lima e Arturo Belano fazem parte em </span><i><span style="font-weight: 400;">Os detetives selvagens</span></i><span style="font-weight: 400;">, é apenas outro nome para o “</span><a href="https://www.revistas.usp.br/clt/article/view/160695"><span style="font-weight: 400;">Infrarrealismo</span></a><span style="font-weight: 400;">”, criado por Roberto Bolaño e </span><a href="http://confrariadovento.blogspot.com/2014/04/4-poemas-de-mario-santiago-papasquiaro.html"><span style="font-weight: 400;">Mario Santiago Papasquiaro</span></a><span style="font-weight: 400;"> – a quem </span><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto </span></i><span style="font-weight: 400;">é dedicado – em 1975, na Cidade do México, no qual se negava nomes como </span><a href="https://www.ebiografia.com/octavio_paz/"><span style="font-weight: 400;">Octavio Paz</span></a><span style="font-weight: 400;">, vencedor do </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/10/06/annie-ernaux-escritora-francesa-ganha-premio-nobel-de-literatura-2022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1990 e condenado por Bolaño por ser o “</span><i><span style="font-weight: 400;">líder do </span></i><span style="font-weight: 400;">establishment </span><i><span style="font-weight: 400;">cultural mexicano</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os infrarrealistas atacavam essa ordem ideológica porque, através dela, se criou uma cisão entre a “alta cultura” e a “cultura popular”, mantendo sempre uma diferenciação na qual se classificava a “alta cultura” como única forma autêntica de manifestação artística. Por essa razão, o movimento também se notabilizou por sabotar lançamentos de livros, cerimônias de premiação e atividades literárias gerais de poetas pertencentes a esse mundo da “alta cultura”.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Pensei: a vaidade da escrita, a vaidade da destruição. Pensei: porque escrevi, resisti. Pensei: porque destruí o escrito vão me descobrir, vão me pegar, vão me violentar, vão me matar. Pensei: ambos os fatos estão relacionados, escrever e destruir, se esconder e ser descoberta. Depois me sentei no trono e fechei os olhos” </span><em><span style="font-weight: 400;">(pág. 125).</span></em></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Antecedendo o que seria sua obra máxima, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto</span></i><span style="font-weight: 400;"> insere uma protagonista feminina vítima de violência. Tempos depois, em </span><i><span style="font-weight: 400;">2666</span></i><span style="font-weight: 400;">, o mote da história gira em torno do feminicídio na fronteira México-Estados Unidos, cujo assassinato de diversas mulheres em Santa Teresa levanta mistérios. Esses homicídios vêm ocorrendo há anos (o romance se passa na década de 1990), e os culpados – ou culpado – seguem desconhecidos. Santa Teresa é uma versão ficcional de Ciudad Juárez, uma verdadeira cidade fronteiriça mexicana que se tornou notória nesse período pelo grande número de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-38183545"><span style="font-weight: 400;">mulheres assassinadas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por vários anos, quase semanalmente, os corpos de mulheres jovens – algumas com 11 ou 12 anos – apareciam no deserto ao redor da cidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maioria das vítimas eram trabalhadoras nas maquiladoras da cidade (fábricas de propriedade norte-americana), e muitos corpos sequer foram identificados. Embora várias prisões tenham sido feitas, nunca se estabeleceu um único assassino ou grupo de assassinos que estavam por trás dos crimes. Nos últimos anos de vida, Roberto Bolaño se tornou obcecado pela brutalidade e mistério em torno desses delitos: como algo tão bárbaro e cotidiano pode passar despercebido? Como pode se tornar habitual? Assim, ele começou a trocar correspondências com jornalistas que cobriam ou cobriram casos passados no local, pedindo aspectos específicos dos assassinatos – como os detalhes forenses –, mas também características geográficas da </span><a href="http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI205728-17737,00-JUAREZ+A+CIDADE+QUE+ODEIA+AS+MULHERES.html"><span style="font-weight: 400;">Ciudad Juárez</span></a><span style="font-weight: 400;">, reconstruídas com precisão nas páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">2666</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa violência, inclusive, está presente no título do próprio romance: trata-se do número da besta duas vezes – uma violência que, após se tornar naturalizada, torna-se maior que o próprio Apocalipse.</span></p>
<figure id="attachment_28950" aria-describedby="caption-attachment-28950" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28950 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-3.jpg" alt="" width="1600" height="1096" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-3-800x548.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-3-1024x701.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-3-768x526.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-3-1536x1052.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-3-1200x822.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28950" class="wp-caption-text">Com 2666, Roberto Bolaño se tornou um dos poucos escritores latino-americanos a vencer o National Book Critics Circle Awards (Foto: Anna Oswaldo-Cruz Lehner)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto</span></i><span style="font-weight: 400;"> condensa, em pouco mais de 100 páginas, todo o interesse de Roberto Bolaño pela violência. A origem desse ímpeto está relacionada não apenas com sua própria juventude – um jovem pobre do Chile que, se não fosse escritor, seria detetive ou delegado, e que, mesmo após publicar livros, vendia bijuterias para sobreviver –, mas também com sua própria maneira de enxergar a Literatura: uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">vocação perigosa</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bolaño analisa que a América Latina é toda constituída pela concepção da violência, em suas diversas facetas, e como ele próprio profere no famoso </span><a href="https://estrelaselvagem.wordpress.com/2010/04/25/discurso-de-caracas-pt-1/"><i><span style="font-weight: 400;">Discurso de Caracas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1999), “</span><i><span style="font-weight: 400;">toda a América Latina está semeada com os ossos destes jovens esquecidos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Auxilio, “</span><i><span style="font-weight: 400;">a mãe de todos os poetas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, é também a &#8220;mãe&#8221; da memória histórica do México e do Chile. Esquecer tudo é o maior pesadelo de Lacouture, e embora os gritos de protesto e indignação sejam aquilo que ressoa em sua memória, embora o canto das revoltas seja aquilo que ela e nós mantemos ressoando em nossas cabeças, é esse mesmo som que nos permite recordar; “</span><i><span style="font-weight: 400;">esse canto é o nosso Amuleto</span></i><span style="font-weight: 400;">” (pág. 131).</span></p>
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		<title>O terror vem da terra em Gótico Mexicano</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 19:15:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos O mundo natural pode ser palco de horrores muito mais tangíveis do que qualquer assombração maligna que os Warren seriam capazes de oferecer. Apesar da natureza não poder ser medida com nossas próprias réguas morais, é impossível não reparar na peculiaridade e na diversidade das interações entre animais, plantas, fungos e outros organismos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gotico-mexicano-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O terror vem da terra em Gótico Mexicano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25723" aria-describedby="caption-attachment-25723" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25723 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Gótico-Mexicano-destacada.png" alt="Recorte da capa de Gótico Mexicano. Vemos uma mulher com a pele escura bronzeada do busto até a região do nariz. Seu cabelo é curto e preto e ela usa um vestido vinho com os ombros de fora. O fundo é verde com estampas florais em tom mais escuro." width="1080" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Gótico-Mexicano-destacada.png 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Gótico-Mexicano-destacada-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Gótico-Mexicano-destacada-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Gótico-Mexicano-destacada-768x384.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25723" class="wp-caption-text">Gótico Mexicano é o primeiro livro de Silvia Moreno-Garcia a ser traduzido no Brasil (Foto: DarkSide Books)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mundo natural pode ser palco de horrores muito mais tangíveis do que qualquer assombração maligna que os </span><a href="https://personaunesp.com.br/invocacao-do-mal-3-critica/"><span style="font-weight: 400;">Warren</span></a><span style="font-weight: 400;"> seriam capazes de oferecer. Apesar da natureza não poder ser medida com nossas próprias réguas morais, é impossível não reparar na peculiaridade e na diversidade das interações entre animais, plantas, fungos e outros organismos vivos que habitam os confins do planeta Terra – fêmeas devoram machos, vespas </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/estudo-revela-acao-de-vespas-parasitoides-em-lagartas-de-borboleta-bg2266ap71n701rk9whh9hbv2/"><span style="font-weight: 400;">depositam seus ovos</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro do corpo de um amigo inseto desavisado, baratas são comidas vivas por </span><a href="https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2020/01/15/conheca-o-inseto-que-transforma-baratas-em-zumbis.ghtml"><span style="font-weight: 400;">vespas-esmeralda</span></a><span style="font-weight: 400;">. E é partir dessa loucura ecológica que Silvia Moreno-Garcia revira a terra para dar vida ao seu </span><a href="https://darkside.blog.br/lancamento-gotico-mexicano-por-silvia-moreno-garcia/"><i><span style="font-weight: 400;">Gótico Mexicano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado pela </span><a href="https://www.darksidebooks.com.br/"><i><span style="font-weight: 400;">DarkSide Books</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2021.</span></p>
<p><span id="more-25719"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Revisitando a melancolia da </span><a href="https://homoliteratus.com/a-historia-da-literatura-gotica-obras-e-escritores/"><span style="font-weight: 400;">Literatura gótica</span></a><span style="font-weight: 400;"> originalmente inglesa, Moreno-Garcia constrói uma atmosfera densa e enevoada pelos mistérios que cercam Noemí Taboada, </span><i><span style="font-weight: 400;">socialite </span></i><span style="font-weight: 400;">da Cidade do México na década de 1950 que precisa deixar sua vida de festas e namoros de lado para ir atrás da prima Catalina que, após se casar e se mudar para o interior, envia uma carta desesperada para a família. Sem fazer ideia do que a espera, Noemí viaja até a pequena cidade de El Triunfo para buscar respostas de Virgil Doyle, o homem que levou Catalina para longe de casa com um anel de casamento no dedo.</span></p>
<figure id="attachment_25721" aria-describedby="caption-attachment-25721" style="width: 1077px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25721 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/silvia-moreno-garcia.jpg" alt="Foto horizontal de Silvia Moreno-Garcia. A autora tem a pele clara, cabelos compridos e escuros e usa óculos. Ela está no canto esquerdo da foto, sentada em um parque e olhando de lado para a câmera, sorrindo. Silvia usa uma blusa de cetim preta com mangas compridas e saia preta com desenhos coloridos." width="1077" height="646" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/silvia-moreno-garcia.jpg 1077w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/silvia-moreno-garcia-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/silvia-moreno-garcia-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/silvia-moreno-garcia-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25721" class="wp-caption-text">A autora está na porta de lançar seu oitavo livro, chamado The Daughter of Doctor Moreau, e exige que o elenco da adaptação de sua obra seja composto por atores e atrizes latinoamericanos (Foto: DarkSide Books)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vinda de um centro cultural movimentado, a protagonista sente nos ossos a mudança de ares – El Triunfo é uma cidadezinha decadente que estampa apenas os resquícios de um passado glorioso, quando a mina da região jorrava prata e os britânicos se estapeavam pela mão de obra local. No entanto, no alto do morro vizinho àquele conjunto de casas mortas-vivas, os Doyle se escondem na própria história e dentro de High Place, a </span><a href="https://darkside.blog.br/mansoes-mal-assombradas/"><span style="font-weight: 400;">mansão vitoriana</span></a><span style="font-weight: 400;"> que abriga os quatro membros da família, três criados importados da Inglaterra e a jovem enferma Catalina, com seus olhos vazios e seu espírito assombrado.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A casa pairava sobre eles como uma gárgula enorme e silenciosa. Se não estivesse tão desgastado, o lugar teria parecido agourento, evocando imagens de fantasmas e casas assombradas, com sarrafos faltando das venezianas, o ébano do alpendre rangendo à medida que eles subiam a escada até a porta, que exibia uma aldrava prateada no formato de um punho que pendia de um círculo.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Se não fosse pelo carisma infinito e o humor irreverente da protagonista, </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/gotico-mexicano-veredito-omeletv"><i><span style="font-weight: 400;">Gótico Mexicano</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> seria engolido por uma tensão sufocante do início ao fim, mas é a </span><i><span style="font-weight: 400;">socialite</span></i><span style="font-weight: 400;"> quem encaminha a narrativa a um balanceamento ideal entre o sombrio e o cômico. Acostumada a ter tudo o que quer, Noemí se depara com uma família inglesa fria, eugenista, excepcionalmente pálida e para lá de suspeita quanto ao tratamento de Catalina. Escuras e sem vida, as paredes de High Place esmagam a visitante indesejada como que tentando descobrir se ela é uma ameaça. Diante desse cenário, não é preciso muito para que a desconfiança invada o coração da jovem.</span></p>
<figure id="attachment_25725" aria-describedby="caption-attachment-25725" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25725 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/gotico-mexicano.jpg" alt="Divulgação da capa de Gótico Mexicano. O livro está no centro da imagem. Sua capa estampa uma mulher de pele escura, com vestido vinho e flores amarelas nas mãos. O fundo da imagem é preto e cogumelos amarelos crescem na base." width="1000" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/gotico-mexicano.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/gotico-mexicano-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/gotico-mexicano-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25725" class="wp-caption-text">A história se baseia na cidade de Real del Monte, no centro do México, também explorada por britânicos (Foto: DarkSide Books)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como um bom romance gótico, </span><a href="https://darkside.blog.br/mulheres-inspiradoras-folclore-mexicano-marcam-obra-silvia-moreno-garcia/"><span style="font-weight: 400;">o livro de Silvia Moreno-Garcia</span></a><span style="font-weight: 400;"> abusa das assombrações e dos cemitérios cheios de nevoeiros enquanto dispensa resoluções previsíveis aos seus mistérios. No entanto, o que refresca a narrativa da mexicana é a </span><a href="https://www.fangoria.com/original/silvia-moreno-garcia-on-mexican-gothic/"><span style="font-weight: 400;">releitura decolonial</span></a><span style="font-weight: 400;"> do gênero e a escrita obstinada em enfrentar a opressão colonizadora que pairou sobre a América Latina ao longo da História. El Triunfo e seus moradores nunca esqueceram de seus mineiros desprezados, inferiorizados e despejados em valas coletivas – seja por mãos espanholas ou inglesas. O acerto de contas pode se materializar na presença de Noemí, mas é </span><a href="https://abibliotecanoturna.com/2021/03/08/o-feminino-assombrado-10-autoras-e-suas-obras-arrepiantes/"><span style="font-weight: 400;">a caneta</span></a><span style="font-weight: 400;"> por trás da personagem que dá o verdadeiro passo dentro dessa longa batalha cultural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é por isso que, durante </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/gotico-mexicano-atualiza-o-genero-de-frankenstein-com-incesto-xenofobia-e-canibais.shtml"><span style="font-weight: 400;">as 288 páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gótico Mexicano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a sensação de perigo iminente se intensifica quando algum Doyle está por perto. Com ideias racistas e um sorriso predatório, é Howard, o ancião da família e pai de Virgil, quem mais desperta o incômodo e a náusea de Noemí. Apesar de pouco aparecer em cena, sua figura parasita persegue a protagonista em seus sonhos, tão palpável quanto a casa que o patriarca trouxe diretamente de sua terra natal, e é ao redor da sua carcaça podre e decrépita que o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;"> fúngico do livro dá as caras.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Uma mulher que não é querida é considerada uma megera, e uma megera não pode fazer quase nada, pois todas as portas estão fechadas para ela.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Por integrar a alta elite mexicana, </span><a href="https://www.momentumsaga.com/2021/03/resenha-gotico-mexicano-de-silvia-moreno-garcia.html"><span style="font-weight: 400;">Noemí ainda foca em manter a pose</span></a><span style="font-weight: 400;"> diante dos confrontos em que se insere. Suas visitas obstinadas até El Triunfo em busca dos rumores que cercam High Place são recebidas com reprimendas violentas e insultos misóginos por parte da governanta Florence, assim como sua insistência em fornecer a Catalina tratamento psiquiátrico adequado desperta a fúria do marido da prima. Apesar de um ótimo personagem, Virgil se segura pelas beiradas para manter com firmeza o título de vilão – título esse que seu pai carrega sem muito esforço. A relação ora cordial ora arisca entre Noemí e o severo Doyle se torna cansativa às vistas, sempre entregando os mesmos conflitos e incorporando os argumentos anteriormente utilizados.</span></p>
<figure id="attachment_25720" aria-describedby="caption-attachment-25720" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25720 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/mg2-1024x764.jpeg" alt="Poster de Gótico Mexicano. Vemos o desenho de uma mulher no canto direito, com uma lamparina na mão. Ao fundo, vemos uma grande mansão no topo de uma colina, tudo banhado em luz azul. O céu é vermelho e as palavras MEXICAN GOTHIC está em amarelo." width="840" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/mg2-1024x764.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/mg2-800x597.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/mg2-768x573.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/mg2-1536x1147.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/mg2-1200x896.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/mg2.jpeg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25720" class="wp-caption-text">A arte que entrou em uma das edições de Gótico Mexicano no exterior recria pôsteres de giallos dos anos 70 e capas antigas de livros góticos (Foto: Mia Araujo/<a href="https://twitter.com/mllemiaaraujo">@mllemiaaraujo</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de um romance mal engatado e de um ou outro personagem sem final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gótico Mexicano </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue manter uma estabilidade temática que surpreende e encanta os apaixonados pelo gênero. Noemí, que ganhou o sobrenome em homenagem a </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/carlos-enrique-taboada"><span style="font-weight: 400;">Carlos Enrique Taboada</span></a><span style="font-weight: 400;">, cineasta mexicano de Terror dos anos 70, é uma protagonista a altura da história em que está inserida, dialogando com a autonomia das </span><a href="https://personaunesp.com.br/shirley-critica/"><span style="font-weight: 400;">presenças femininas</span></a><span style="font-weight: 400;"> na </span><a href="https://fahrenheitmagazine.com/pt/arte/letras/shirley-jackson-a-senhora-da-literatura-de-terror"><span style="font-weight: 400;">Literatura de Shirley Jackson</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ciente da sua própria força e com confiança de sobra em sua inteligência, nem mesmo a visão de High Place no melhor estilo </span><a href="https://www.jornadageek.com.br/novidades/a-queda-da-casa-de-usher-minisserie/"><i><span style="font-weight: 400;">A Queda da Casa de Usher</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> a levou de volta para casa. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A criação de uma vida após a morte fornecida a partir da medula, dos ossos e dos neurônios de uma mulher feita de caules e esporos.” </span></p></blockquote>
<p><a href="https://silviamoreno-garcia.com/"><span style="font-weight: 400;">Silva Moreno-Garcia</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria um universo coerente e representativo, salpicando elementos da </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-noite-do-fogo-critica/"><span style="font-weight: 400;">cultura mexicana</span></a><span style="font-weight: 400;"> de forma que os acostumados com a visão estereotipada do país amarelado e árido dos filmes estadunidenses se espantem com a chuva fina, a neblina e os montes de lama que castigam os pobres saltos-agulha de Noemí Taboada. Graças a tradução de Marcia Heloisa e Nilsen Silva, os termos utilizados para descrever o vestuário, a culinária e até as figuras latinoamericanas citadas pela mente antropóloga da protagonista são devidamente esclarecidos pelas notas de rodapé para os que não são familiarizados com a vastidão de espaços presentes no México.</span></p>
<p><a href="https://darkside.blog.br/mexican-gothic-silvia-moreno-garcia-comenta-sobre-adaptacao-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Com série confirmada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-handmaids-tale-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e produção-executiva da própria autora, </span><a href="https://valkirias.com.br/gotico-mexicano/"><i><span style="font-weight: 400;">Mexican Gothic</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mistura discussões raciais e coloniais com uma narrativa repleta de incesto, canibalismo e cogumelos – tudo isso sob uma escrita tenaz e uma gama de descrições assustadoramente deliciosas. Renovando e subvertendo os clichês dos romances góticos, o sexto livro de Moreno-Garcia é uma criação astuta e determinada sobre o que os vários passados têm a contar a respeito da grande, colorida e pulsante cicatriz que é a América Latina. E que fique claro: seja utilizando caravanas, intervenções militares ou bloqueios econômicos, os intrusos são, e sempre foram, eles.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Mexican Gothic by Silvia Moreno-Garcia" width="100%" height="380" style="[object Object]" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/233O4CcNUXQIJjqcHlsHqj?go=1&#038;sp_cid=e7e2949fd55bd18274b3b13c9de671cf&#038;utm_source=oembed&#038;utm_medium=desktop&#038;nd=1"></iframe></p>
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		<title>A fuga de si mesmo em Jamais o fogo nunca</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Dec 2021 16:48:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade “Pode o subjugado falar? Pode o oprimido falar? Pode o desiludido falar? Pode o derrotado falar?”, indaga Julián Fuks no prefácio de Jamais o fogo nunca, livro da chilena Diamela Eltit traduzido por ele. “Nas páginas deste livro não despontará nenhuma resposta precisa a essas questões fundamentais”, conclui. Essas são as cartas postas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A fuga de si mesmo em Jamais o fogo nunca"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25341" aria-describedby="caption-attachment-25341" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25341 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25341" class="wp-caption-text">Durante as 172 páginas de Jamais o fogo nunca, a escritora Diamela Eltit destrincha os paradoxos da militância política durante a Ditadura chilena (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Pode o subjugado falar? Pode o oprimido falar? Pode o desiludido falar? Pode o derrotado falar?”</span></i><span style="font-weight: 400;">, indaga </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13927"><span style="font-weight: 400;">Julián Fuks</span></a><span style="font-weight: 400;"> no prefácio de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro da chilena </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/violencia-permeia-novo-romance-da-chilena-diamela-eltit/"><span style="font-weight: 400;">Diamela Eltit</span></a><span style="font-weight: 400;"> traduzido por ele. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nas páginas deste livro não despontará nenhuma resposta precisa a essas questões fundamentais”, </span></i><span style="font-weight: 400;">conclui. Essas são as cartas postas à mesa: Eltit não tem interesse em responder nenhuma das questões levantadas ao longo do romance, considerado seu trabalho principal; no entanto, o leitor encontrará uma espécie de distopia do século XXI, narrada de forma íntima, na qual há o aceno constante ao esquecimento em que são jogados aqueles que lutaram em favor da democracia, deixados à deriva.</span></p>
<p><span id="more-25340"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado no Brasil em 2017, com o lançamento oficial no Chile em 2007, </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/jamais-o-fogo-nunca/"><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">marcou a chegada das obras de Diamela Eltit no país, com um atraso de mais de 30 anos desde sua estreia literária, em 1983. O título do livro surge do poema </span><i><span style="font-weight: 400;">Os nove monstros</span></i><span style="font-weight: 400;">, do peruano </span><a href="https://editora34.com.br/detalhe.asp?id=1124"><span style="font-weight: 400;">César Vallejo</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual escreve: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Jamais o fogo nunca/Fez melhor seu papel de morto frio”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O trecho, que também é a epígrafe da obra de Eltit, serve como uma das possíveis chaves de interpretação que o romance possibilita, a considerar o caráter de denúncia que lemos nos versos de Vallejo e durante todo o trabalho de Eltit, acenando desesperadamente para a desumanização que alguns indivíduos promovem, transformando-se em carrascos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, entramos em contato com um casal de ex-militantes políticos durante a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55958337"><span style="font-weight: 400;">Ditadura de Pinochet</span></a><span style="font-weight: 400;">, subjugados dentro de um quarto onde as questões impostas pela vida política, que tanto exigiu de ambos, são colocadas em xeque. Existem ressonâncias </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/entenda-como-beckett-e-seus-personagens-em-situacoes-limite-sintetizam-a-era-covid.shtml"><span style="font-weight: 400;">beckettianas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no espaço claustrofóbico do quarto, nas quais a narradora-protagonista examina o presente colapsado, compartilhado com seu marido, através dos olhos do absurdo, sendo esse homem um paradoxal líder militante libertário, porém extremamente autoritário. O engajamento político dos dois custa a vida do filho – e não somente –, o qual, em virtude do estilo de vida clandestina, morre no cômodo em que a narradora agora rememora seu passado.</span></p>
<p><figure id="attachment_25344" aria-describedby="caption-attachment-25344" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25344" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1.jpg" alt="Foto retangular colorida da escritora chilena Diamela Eltit. Na imagem, Eltit está com as duas mãos no bolso da calça, encostada em uma porta de madeira. Ela é uma mulher branca, com cabelos lisos curtos e grisalhos, veste uma camiseta roxa e um colar de cor cinza. Ao fundo há um banco de madeira, com duas almofadas floridas de cor preta e cinza, respectivamente, e uma janela com detalhes de madeira, na qual pode-se ver algumas árvores." width="1300" height="732" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25344" class="wp-caption-text">Diamela Eltit já ganhou diversos prêmios literários de renome, cujo mais recente foi o da Feira Internacional do Livro de Guadalajara (FIL), recebido em 2021 [Foto: Diario Pagina Siete]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Diamela Eltit nasceu em 1949 em Santiago, e obteve formação em Letras na Universidade do Chile, iniciando sua carreira como professora em escolas públicas. Desde 2007, dá aulas de Escrita Criativa na </span><i><span style="font-weight: 400;">New York University</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/meus-livros/desilusao-politica-e-amorosa-se-mesclam-em-livro-de-diamela-eltit/"><span style="font-weight: 400;">Eltit disse em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> que elaborou a história do romance após visualizar a militância como um símbolo do pertencimento. Além desse aspecto, a escritora motivou-se a dar voz à mulher militante, </span><i><span style="font-weight: 400;">“que ficou fora do protagonismo durante esses anos”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao apresentar o marido da protagonista como um ser desprezível, monossilábico e violento, Eltit aponta para uma característica assustadora dos regimes repressivos: a totalidade violenta da Ditadura engloba inclusive aqueles que seriam suas alternativas, suas chances de libertação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro apresenta, talvez por uma escolha estética, personagens principais (a narradora e o marido) sem nome, cuja ausência coloca os corpos no centro do debate. Essa característica cria um diálogo com a política de desaparecimentos recorrentes nas Ditaduras, mesmo que de forma subjetiva. Desse modo, os corpos do romance estão desaparecidos, pois a falta de nome evidencia uma possível falta de identidade dessas pessoas. Sabe-se, porém, que o livro acontece em uma espécie de futuro pós-ditadura, no qual a protagonista segue como um espectro, viajando entre passado e presente, mas ainda, por alguma razão, vivendo enclausurada. Ela assume, assim, a posição de vigilante de seu marido – algo que só vamos entender o porquê próximo ao final do livro.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Eu já tinha caído, apreendida como um animal selvagem ou um animal de circo, em plena via pública, cercada e capturada. Depois você cairia. Uma soma implacável, a célula completa: os dez. Sobrevivemos sete. Três mortos.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os caminhos entre ficção e memória também estão interligados em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i><span style="font-weight: 400;">, tendo em vista que Eltit constrói, através da oralidade, uma paisagem cerebral na qual o leitor tende a assimilar a clandestinidade do casal e o aprisionamento do quarto como uma evocação da claustrofobia de se viver em um regime ditatorial. Nesse aspecto, existem similaridades com os trabalhos de </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/literatura/contracapa/a-importancia-da-historia-nos-romances-de-w-g-sebald/"><span style="font-weight: 400;">W.G. Sebald</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritor alemão conhecido por sua prosa prolixa e construção literária que embaça e mistura ficção com a não-ficção, abordando temas como a relação entre as vítimas da Segunda Guerra e do Holocausto – os mortos e seus parentes que sobreviveram – e a iminente dificuldade de se abordar a tragédia de nossos antepassados (o que, no fim, é também a nossa própria tragédia). Todavia, a premissa que norteia os trabalhos de Eltit e Sebald poderia ser a mesma: memória é ficção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abordagem literária da escritora dialoga com seu próprio passado, pois ela foi uma das fundadoras do </span><a href="http://www.memoriachilena.gob.cl/602/w3-article-3342.html"><i><span style="font-weight: 400;">Colectivo Acciones De Arte</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(CADA), grupo artístico criado em 1979 para lutar em favor da preservação da cultura, em plena Ditadura chilena. O coletivo propunha ideias de intervenção artística no espaço urbano, destruindo, assim, o conceito de ‘sala de arte’ – todo o espaço público deveria se transformar em uma sala de arte. Esse dado biográfico acena para a abordagem dos corpos ao longo do romance – às vezes chamados de </span><i><span style="font-weight: 400;">“células”</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, visto que há uma ideia de intervenção artística de forma visceral na vida cotidiana, transformando, assim, o objeto artístico em uma potente arma contra a repressão.</span></p>
<figure id="attachment_25345" aria-describedby="caption-attachment-25345" style="width: 1125px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25345" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2.jpg" alt="Foto retangular em preto e branco, na qual vemos, da esquerda para a direita, Juan Castillo, Lotty Rosenfeld, Raul Zurita, Diamela Eltit e Fernando Balcells. Os cinco são pessoas brancas, e estão sentados em degraus. Juan veste uma camisa cinza de manga longa, utiliza barba de cor preta e possui cabelos lisos de cor preta. Lotty possui cabelos grandes pretos, veste camiseta branca e calça de cor cinza, e está com as duas mãos unidas. Raul está sentado com os braços cruzados, vestindo calça preta e camisa de manga longa branca. Ele possui poucos cabelos e uma barba grande de cor preta. Diamela está com os dois braços cruzados à frente de suas pernas. Ela veste uma calça preta e camiseta preta, e possui cabelos lisos curtos, de cor preta. Por fim, Fernando veste calça cinza, camiseta cinza, porém mais escura, e possui cabelos pretos e um bigode de cor preta." width="1125" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2.jpg 1125w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2-1024x728.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2-768x546.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25345" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita estão Juan Castillo, Lotty Rosenfeld, Raul Zurita, Diamela Eltit e Fernando Balcells; juntos, formavam o CADA (Foto: Paz Errázuriz)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, a virada do milênio foi marcada por especulações sobre como os computadores e a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">seriam o futuro, e como poderiam controlar o planeta. Assim, o corpo humano estendeu-se (ou diluiu-se) em </span><i><span style="font-weight: 400;">bits </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">bytes</span></i><span style="font-weight: 400;">, em representações virtuais e alegações. Talvez por isso haja o esquecimento daqueles que lutaram pela democracia, visto que não há memória coletiva capaz de sobrepor a </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">grandiloquência individualista</span></a><span style="font-weight: 400;"> proporcionada pelas redes. Vale lembrar que o livro foi publicado em 2007, e não por acaso trata-se de um romance que, mesmo transitando entre os tempos, se passa no pós-horror ditatorial. Desde o início se trata de uma lembrança.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca </span></i><span style="font-weight: 400;">foge das convenções naturais sobre o romance, sendo uma obra questionadora e desafiante do ponto de vista formal, mas profundamente original. Com um panorama histórico, social e político que ainda marca todos nós latino-americanos, o livro mostra o poder – seja político e social (Ditadura), seja físico (marido) – não apenas como um exercício executado por aqueles que o assumem, mas também como uma ordem capaz de deixar marcas profundas nos indivíduos – como as cicatrizes em um corpo.</span></p>
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