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	<title>Arquivos A24 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Se Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria é o retrato torturante, mas necessário do esgotamento feminino</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Mar 2026 13:00:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Isabela Nascimento A ‘histeria feminina’, ou melhor, os sentimentos incompreendidos de mulheres sempre foram abordados nas grandes telas. Por muito tempo, essas emoções eram demonstradas por um olhar masculino extremamente limitado. Porém, agora vemos essas produções lideradas por diretoras que exploram as complexidades e consequências das opressões que as mesmas sofrem ou já presenciaram. Em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/se-eu-tivesse-pernas-te-chutaria-e-o-retrato-torturante-mas-necessario-do-esgotamento-feminino/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Se Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria é o retrato torturante, mas necessário do esgotamento feminino"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36927" aria-describedby="caption-attachment-36927" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36927" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-8-800x450.png" alt="Linda está deitada na cama, com a cabeça apoiada na mão olhando para a filha fora de cena. Sua expressão é cansativa e ela está de regata, mostrando algumas tatuagens no braço em um quarto com uma iluminação " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-8-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-8-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-8-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-8-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-8-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-8.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36927" class="wp-caption-text">O filme já acumula mais de 60 indicações e 32 vitórias na temporada de premiações de 2025 (Créditos: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Isabela Nascimento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ‘</span><a href="https://saude.abril.com.br/medicina/histeria-entenda-o-diagnostico-controverso-e-por-que-ele-deixou-de-ser-utilizado/"><span style="font-weight: 400;">histeria</span></a><span style="font-weight: 400;"> feminina’, ou melhor, os sentimentos incompreendidos de mulheres sempre foram abordados nas grandes telas. Por muito tempo, essas emoções eram demonstradas por um olhar masculino extremamente limitado. Porém, agora vemos essas produções lideradas por diretoras que exploram as complexidades e consequências das opressões que as mesmas sofrem ou já presenciaram.</span></p>
<p><span id="more-36926"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Se Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria</span></i><span style="font-weight: 400;">, há um foco em retratar uma dificuldade conhecida por muitas mulheres: o fantasma do abandono que desgasta os aspectos de suas vidas. Linda (</span><a href="https://goldenglobes.com/person/rose-byrne/"><span style="font-weight: 400;">Rose Byrne</span></a><span style="font-weight: 400;">) é uma terapeuta e mãe de uma criança com uma doença que necessita de cuidados especiais. Ela tem um marido que trabalha à distância e se vê ainda mais sozinha quando o teto de seu apartamento cai, obrigando ela a se mudar para um hotel barato.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem uma rede de apoio e incompreendida pela médica de sua filha e pelo seu próprio terapeuta, a sua sanidade vai se deteriorando a cada minuto do filme. A solidão e o desespero dominam a sua vida, enquanto sua única vontade é receber ajuda, mas ninguém responde às suas súplicas. Nas sessões com o seu médico (</span><a href="https://letterboxd.com/actor/conan-obrien/"><span style="font-weight: 400;">Conan O’Brien</span></a><span style="font-weight: 400;">), o telespectador sente a dor da protagonista, com a ausência de sensibilidade por parte do profissional.</span></p>
<figure id="attachment_36929" aria-describedby="caption-attachment-36929" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36929" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-6-800x323.png" alt="Linda está em na sala de consultório azul de seu terapeuta, que está sentado à esquerda cum uma expressão indiferente, enquanto ela está deitada no sofá à direita com a mão na cabeça e uma expressão triste no rosto." width="800" height="323" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-6-800x323.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-6-1024x413.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-6-768x310.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-6-1536x620.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-6-1200x485.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-6.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36929" class="wp-caption-text">A escolha de Rose Byrne para o papel foi feito após a diretora assistir Physical, série protagonizada por Byrne (Créditos: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Este </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2026/feb/11/rose-byrne-taboo-busting-mother-if-i-had-legs-id-kick-you"><span style="font-weight: 400;">sentimento de incapacidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é perceptível durante todo o longa. A cada situação, Linda é culpada pelas decisões que toma e suas necessidades são ignoradas, enquanto sua ansiedade e agonia dominam estes momentos. As emoções destas cenas, apesar de torturantes, são verdadeiras e essa semelhança com sentimentos reais ganha um novo significado quando a diretora explica a inspiração para a obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em entrevista ao </span><a href="https://cinemafemme.com/2025/10/20/its-not-autobiographical-but-its-all-emotionally-true-mary-bronstein-on-if-i-had-legs-id-kick-you/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema Femme</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Mary Bronstein conta que a história não é autobiográfica, porém é emocionalmente honesta. Segundo ela, anos atrás sua filha precisou fazer um tratamento na Califórnia durante oito meses. Apesar de não ter as mesmas atitudes da personagem, a solidão também foi sua companheira nesse período. Enquanto estava sozinha, ela começou a criar a narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro demorou dois anos para ser finalizado e tem uma trama bem delimitada, porém, não é rebuscada ou grandiosa. É notável que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cIIMrzY9Qs8"><span style="font-weight: 400;">o objetivo da criadora</span></a><span style="font-weight: 400;"> era mostrar as dificuldades da vida de Linda que, mesmo cansada, implora por ajuda enquanto é constantemente ignorada. Este foco é tão bem construído que, durante uma hora e cinquenta minutos de filme, o telespectador se sente preso nessa prisão mental que ela se encontra.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="If I Had Legs I&#039;d Kick You | Official First Look | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/JrVRi6qI2cI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A escalação de Rose Byrne como protagonista foi o maior acerto da produção. A dedicação que ela dá para a personagem é extremamente visível e atenciosa. A missão era difícil – envolver o público em uma teia de ansiedade agonizante – e ela faz isso de uma maneira surpreendente. Sua atuação causa um desconforto real em quem assiste, cumprindo o objetivo da diretora. Como recompensa, a atriz está recebendo diversas indicações nesta temporada de premiações, tendo recebido sua primeira indicação ao Oscar de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3dmm1047ndo"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a primeira estatueta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Golden Globes</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Byrne, o elenco coadjuvante também contribui de forma decisiva para a construção do isolamento da protagonista. O psicólogo (Conan O’Brien), a Dra. Spring – curiosamente interpretada pela própria diretora, </span><a href="https://www.vogue.com/article/mary-bronstein-if-i-had-legs-id-kick-you-interview"><span style="font-weight: 400;">Mary Bronstein</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, James (ASAP Rocky) e a filha (Delaney Quinn) entregam atuações sólidas, que reforçam o quanto essa mulher está sozinha e emocionalmente negligenciada.</span></p>
<figure id="attachment_36928" aria-describedby="caption-attachment-36928" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-7-800x481.png" alt="Linda está deitada na areia com uma expressão triste, a câmera está focada em seu rosto." width="800" height="481" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-7-800x481.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-7-1024x615.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-7-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-7.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36928" class="wp-caption-text">O filme foi filmado em 27 dias, em Montauk em Nova York (Créditos: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A imersão nessa narrativa sufocante também se constrói por meio das escolhas de imagem (</span><a href="https://letterboxd.com/cinematography/christopher-messina/"><span style="font-weight: 400;">Christopher Messina</span></a><span style="font-weight: 400;">) e da montagem (</span><a href="https://letterboxd.com/editor/lucian-johnston/"><span style="font-weight: 400;">Lucian Johnston</span></a><span style="font-weight: 400;">). Em diversos momentos, a câmera se fixa no rosto da protagonista ou evidencia a ausência da filha em cena, que passa a existir apenas como voz ou por meio de planos fragmentados do aparelho utilizado em seu tratamento. Somam-se a isso as recorrentes imagens do buraco, que funcionam como um símbolo condensador: não apenas um espaço físico, mas a materialização de todas as dores que ela carrega.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após assistir o longa, compreendemos melhor a escolha de seu título. Apesar de Linda reagir e demonstrar seu descontentamento, ela continua sendo ignorada e invalidada. Quando seu marido chega, a oportunidade de descansar e fugir das consequências toma sua mente e ela corre para o mar. O </span><a href="https://www.npr.org/2025/10/05/nx-s1-5497193/mary-bronstein-discusses-motherhood-in-her-movie-if-i-had-legs-id-kick-you"><span style="font-weight: 400;">filme retrata de forma crua as dificuldades enfrentadas por muitas mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">, marcadas pela solidão e pela incompreensão, frequentemente confundidas com histeria e usadas como mecanismo para forçá-las a retornar a uma realidade torturante.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="If I Had Legs I&#039;d Kick You | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ywFDoT7LBbQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Marty Supreme o jogo é secundário e a jornada é tortuosa</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jan 2026 22:43:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Josh Safdie chamou muito a atenção em 2019 com o lançamento de Joias Brutas, ao trazer Adam Sandler sobre um papel mais ‘sério’ em um filme em que as ações e acontecimentos se engolem de tanta velocidade. Em Marty Supreme o diretor repete a dose, mas desta vez colocando um dos nomes mais &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-marty-supreme/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Marty Supreme o jogo é secundário e a jornada é tortuosa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36749" aria-describedby="caption-attachment-36749" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36749" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-800x455.png" alt="Cena de Marty Supreme. O cenário é de um ginásio com iluminação dramática. O ator Timothée Chalamet, caracterizado com bigode e óculos de grau, está em foco no centro da imagem. Ele veste uma camisa polo preta com um escudo bordado no peito e calças sociais cinzas. Ele segura uma raquete de tênis de mesa vermelha, apontando-a para a frente em uma pose de ação. O fundo está desfocado, mostrando uma plateia em uma arena esportiva escurecida." width="800" height="455" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-800x455.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-1024x582.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-768x437.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-1536x874.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-1200x683.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36749" class="wp-caption-text">Timothée Chalamet tem construído uma carreira interessante com projetos diferentes entre si, como Duna, Me Chame Pelo Seu Nome e Wonka (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Josh Safdie chamou muito a atenção em 2019 com o lançamento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/joias-brutas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Joias Brutas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ao trazer Adam Sandler sobre um papel mais ‘sério’ em um filme em que as ações e acontecimentos se engolem de tanta velocidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Marty Supreme </span></i><span style="font-weight: 400;">o diretor repete a dose, mas desta vez colocando um dos nomes mais interessantes da geração sob os holofotes: Timothée Chalamet. O intérprete se cria como um trambiqueiro que busca fazer sucesso no ping-pong, porém, mostra que o mais importante no esporte está fora dos ginásios.</span></p>
<p><span id="more-36748"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Planos fechados e dinamismo. Esse é o estilo que Safdie adota para o longa. Somos sufocados pela imagem de Marty Mauser que está sempre em movimento, ora jogando, ora transando, ora tramando algum esquema para ganhar dinheiro. A combinação </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-completo-desconhecido-critica/"><span style="font-weight: 400;">Timothée</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mickey-17-critica/"><span style="font-weight: 400;">Darius Khondji</span></a><span style="font-weight: 400;"> (diretor de fotografia) é fundamental para a obra. Mais do que fazer caretas, o papel de um grande ator é como ele se comporta dentro de um plano, nesse sentido, o protagonista está sempre se movimentando dentro dos quadros, há sempre algo a fazer, há sempre uma necessidade a suprir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, entre calotes, fugas e humilhações, o </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/marty-supreme-descubra-o-que-verdade-e-o-que-e-ficcao-no-filme?city=betim"><span style="font-weight: 400;">personagem principal</span></a><span style="font-weight: 400;"> não consegue se concentrar no que há de mais importante para ele: o jogo. Após perder o campeonato, tudo o que gostaria era uma revanche, contudo, para alguém que vive na margem da sociedade, essas chances precisam ser conquistadas na marra. O jogo, então, se torna secundário. Para acessar a elite do esporte novamente, o personagem precisa batalhar por dinheiro, além de lidar com suas questões pessoais.</span></p>
<figure id="attachment_36750" aria-describedby="caption-attachment-36750" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36750" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-800x775.png" alt="Cena de Marty Supreme. Cenário é uma rua urbana movimentada. Timothée Chalamet é capturado em pleno movimento, correndo rapidamente para o lado esquerdo da imagem. Ele carrega uma bolsa de couro preta e veste uma regata branca por baixo de uma camisa social clara aberta e desabotoada, que voa com o vento. Ao fundo, um táxi clássico amarelo e vermelho" width="800" height="775" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-800x775.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-1024x991.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-768x744.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-1536x1487.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-1200x1162.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36750" class="wp-caption-text">Marty Supreme chega forte para temporada de premiações, com Timothée Chalamet indicado a Melhor Ator no Oscar 2026 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há duas personagens que vão dar sentido à obra: Rachel (Odessa A’Zion) e Kay Stone (</span><a href="https://personaunesp.com.br/seven-25-anos/"><span style="font-weight: 400;">Gwyneth Paltrow</span></a><span style="font-weight: 400;">). A primeira é um motim para a trama, quando Marty descobre que ela está grávida de seu bebê, suas ações passam a ser mais desesperadoras. A segunda é a diferença entre a ralé e a elite. Kay era uma atriz que abandonou o ofício por razões particulares, no entanto, sua posição na sociedade permite que ela retorne quando quiser – ainda que seja necessário falar sobre o seu gênero como uma barreira, afinal, ela depende do marido para voltar aos palcos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, Mauser precisa suar sangue para ter uma oportunidade. Sua jornada inclui tiros, raquetadas, golpes e traições. Ele passa por todo o tipo de humilhação para poder jogar um amistoso (nem mesmo o campeonato ele conseguiu alcançar). Não há honra em sua história, o caminho para a </span><a href="https://opontofuturo.com/forca-bruta/"><span style="font-weight: 400;">elite do esporte</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tortuoso, e, diferentemente do que a maioria dos outros filmes Hollywoodianos pregam, suja. Não há dúvidas entre o certo e o errado, o protagonista toma todas as decisões erradas e prejudiciais aos outros, porém, necessárias. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trajetória honrosa, Safdie e </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Timothée</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixam para outras propagandas meritocráticas estadunidenses, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marty Supreme </span></i><span style="font-weight: 400;">permite que a sua estrela seja problemática e errática; que sua vitória profissional seja pouca, mas muito celebrada, e sua chance de redenção e legado venha de um lugar que ele jamais imaginou: a paternidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Marty Supreme | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/SovoTyFeF-I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Babygirl não decepciona no que promete, mas falta profundidade</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Feb 2025 17:00:29 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[A24]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Thaís França O longa-metragem com direção de Halina Reijn (Morte Morte Morte) acompanha uma CEO de uma empresa, Romy, interpretada por Nicole Kidman, casada com o personagem de Antonio Banderas, Jacob. Os dois têm duas filhas e vivem o que parece ser uma família ideal, com boas condições financeiras sustentadas pelo cargo de grande importância &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/babygirl-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Babygirl não decepciona no que promete, mas falta profundidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_34770" aria-describedby="caption-attachment-34770" style="width: 924px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34770" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1.png" alt="A imagem mostra Nicole Kidman e Harris Dickinson em um momento íntimo dentro de um ambiente corporativo. Nicole, com pele clara e cabelos loiros presos em um rabo de cavalo solto, veste um blazer claro e está de olhos fechados, aparentando relaxamento e entrega. Harris, com pele clara e cabelo curto, usa uma camisa azul e gravata escura. Ele se inclina em direção a ela, com o rosto próximo ao dela, como se estivesse sussurrando ou prestes a beijá-la. A cena transmite tensão e proximidade emocional, com um fundo desfocado que sugere um escritório ou espaço empresarial." width="924" height="616" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1.png 924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34770" class="wp-caption-text">Romy (Nicole Kidman) se envolve com Samuel (Harris Dickinson), um homem mais jovem em Babygirl [Foto: A24]</figcaption></figure><strong>Thaís França</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa-metragem com direção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dRfVGEGXPqM&amp;t=26s"><span style="font-weight: 400;">Halina Reijn</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Morte Morte Morte</span></i><span style="font-weight: 400;">) acompanha uma </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO</span></i><span style="font-weight: 400;"> de uma empresa, Romy, interpretada por Nicole Kidman, casada com o personagem de Antonio Banderas, Jacob. Os dois têm duas filhas e vivem o que parece ser uma família ideal, com boas condições financeiras sustentadas pelo cargo de grande importância que a protagonista carrega. Porém, sua vida vira de cabeça para baixo quando Samuel, interpretado por Harris Dickinson, aparece como estagiário em sua empresa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme tem fortes inspirações em </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> eróticos dos da década de 1990, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ilHcUTydCrs"><i><span style="font-weight: 400;">Instinto Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1992) e </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=vsYyUnqh1TA&amp;pp=ygUaUHJvcG9zdGEgaW5kZWNlbnRlIHRyYWlsZXI="><i><span style="font-weight: 400;">Proposta Indecente</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1993), ambos marcados por suas tramas de sedução, desejo e manipulação. Assim como essas obras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babygirl</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora a tensão psicológica entre os personagens, utilizando o jogo de poder e a dinâmica entre os gêneros como motor central da história, onde os personagens enfrentam as consequências de suas escolhas impulsivas e os limites da exploração de poder no contexto de suas relações íntimas e profissionais. </span><i><span style="font-weight: 400;">Babygirl</span></i><span style="font-weight: 400;">, assim, revisita esses elementos de forma moderna, mantendo a tensão e a exploração do desejo como temas centrais</span></p>
<p><span id="more-34769"></span><br />
<span style="font-weight: 400;">A personagem principal parece ter tudo, uma carreira de sucesso, uma sólida reputação e uma família estável e amorosa. Mas por trás das aparências, Romy sofre com seus próprios </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/sexo-e-o-que-de-fato-move-nicole-kidman-no-polemico-babygirl,86f735a1ceb74bdc5929358eb7f2243d7x2ur9dr.html"><span style="font-weight: 400;">desejos reprimidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que parecem estar desafiando seus sentimentos em relação a seu marido. Para reparar isso, entra em cena Samuel, um estagiário com o perfil desafiador e subversivo. O primeiro contato dos dois se dá na rua, onde Romy se depara com um cachorro aparentemente agressivo, que corre em direção a ela, mas é contido por um assovio do jovem, que demonstra ter autoridade em adestramento – fato que revela um pouco do que veremos nas próximas horas.</span></p>
<figure id="attachment_34771" aria-describedby="caption-attachment-34771" style="width: 1008px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34771" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2.png" alt=" A imagem mostra Harris Dickinson e Nicole Kidman em uma cena íntima, com uma atmosfera sombria e emocional. Harris, usando uma regata branca que revela uma tatuagem no braço, segura delicadamente o rosto de Nicole com uma das mãos enquanto a encara intensamente. Nicole, com cabelos loiros soltos e pele iluminada, veste uma roupa de alça amarela e mantém os olhos fechados, demonstrando entrega e vulnerabilidade. O fundo escuro, com tons azulados, reforça a tensão emocional e a intensidade da conexão entre os personagens." width="1008" height="626" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2.png 1008w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-800x497.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-768x477.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34771" class="wp-caption-text">Em Babygirl, Nicole Kidman explora os cantos obscuros do prazer feminino (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As primeiras interações entre a </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o estagiário já evidenciam uma dinâmica notável, marcada pela audácia do jovem: ele se manifesta sem ser solicitado, oferece opiniões sem que sejam requisitadas e, de forma quase impositiva, força Romy a assumir o papel de sua </span><a href="https://tecnosolo.com.br/negocios/o-papel-do-mentor-no-estagio/#:~:text=Durante%20um%20est%C3%A1gio%2C%20a%20figura%20do%20mentor%20%C3%A9%20essencial%20para%20o%20desenvolvimento%20profissional%20do%20estagi%C3%A1rio."><span style="font-weight: 400;">mentora</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar de demonstrar, inicialmente, indignação diante de sua insolência, há algo em sua postura que sugere fascínio ou, no mínimo, uma curiosidade latente em relação a ele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante todo o </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> erótico, percebemos que ambos demonstram uma falta. Assim, toda a narrativa gira em torno de desejo, poder e submissão, enquanto o erotismo é construído a partir dos impactos psicológicos e </span><a href="https://www.psicologo.com.br/blog/traumas-psicologicos/"><span style="font-weight: 400;">traumas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do passado de cada um. A trama mergulha nas nuances dessas dinâmicas, abordando também as </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=gSuTMEXQRBQ&amp;pp=ygUWbmljb2xlIGtpZG1hbiBiYWJ5Z2lybA=="><span style="font-weight: 400;">complexidades</span></a><span style="font-weight: 400;"> das relações marcadas por diferenças de idade no ambiente corporativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A contradição na dinâmica dos personagens é evidente e provoca uma tensão que permeia toda a narrativa. Romy, uma figura de poder e autoridade como </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO</span></i><span style="font-weight: 400;"> de uma empresa de renome, assume uma postura de controle e racionalidade em sua vida pública. Por outro lado, o jovem estagiário ocupa uma posição subalterna no ambiente corporativo, claramente em desvantagem hierárquica. Contudo, essa disparidade é radicalmente invertida no âmbito íntimo. Na cama, ele assume o controle, invertendo os papéis tradicionais e desafiando as expectativas. Essa troca revela um lado mais vulnerável de Romy e um comportamento surpreendentemente confiante do estagiário. A tensão entre suas identidades públicas e privadas reforça a ideia de que os </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/papeis-sociais.htm"><span style="font-weight: 400;">papéis sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e emocionais nem sempre se alinham, adicionando camadas de profundidade à trama.</span></p>
<figure id="attachment_34773" aria-describedby="caption-attachment-34773" style="width: 816px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34773" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image4.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme BabyGirl, mostrando Nicole Kidman e Harris Dickinson. Nicole Kidman aparece com o rosto machucado, olhos semicerrados e expressão de dor ou desconforto, enquanto Harris Dickinson segura seu rosto com força, forçando algo em sua boca. Ele está muito próximo dela, usando um terno claro e um fone discreto no ouvido. A iluminação quente e escura cria uma atmosfera tensa e opressiva." width="816" height="376" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image4.jpg 816w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image4-800x369.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image4-768x354.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34773" class="wp-caption-text">Cenas quentíssimas de Nicole Kidman e ator 29 anos mais jovem chocam fãs em primeiro trailer de filme (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o filme dá grande ênfase para a atriz Nicole Kidman, que assume uma personagem que não apenas sustenta a narrativa, mas que tem que manter uma imagem pública e ser completamente oposta no privado, e conciliar as duas, coisa que Kidman faz muito bem, não à toa que sua atuação ganha grande destaque em premiações, ganhando como Melhor Atriz no </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2024/09/07/nicole-kidman-leva-premio-de-melhor-atriz-no-festival-de-veneza-por-babygirl.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">,  recebendo indicações ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz em Filme de Drama, entre outros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora não quer fazer um filme sobre punição, julgamento, ética e nem mesmo </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/filosofia/moralidade.htm"><span style="font-weight: 400;">moralidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Embora esses temas passem pela cabeça do espectador, a trama é apenas sobre poder e desejo, que nos envolve de maneira cativante e fazem o público assistir na borda da poltrona. A química entre os dois funciona muito bem e o personagem de Harris Dickinson, por ser um jovem complexo e diferente, resulta em uma atuação bem autêntica e sedutora que convence, te colocando na posição da personagem principal, sentindo até mesmo uma culpa sobre esse fascínio que criamos por Samuel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, a obra se leva muito mais a sério do que realmente é, pois não traz tanto o sentimento de perigo e provocação que se é esperado. Percebemos um desenvolvimento emocional dos personagens, com grande possessividade dentro da relação, contudo, isso não é bem desenvolvido na trama. As cenas são gráficas, o que não é um problema, mas por conta da dinâmica do casal, que se mostra em algumas vezes </span><a href="https://www.psicologosberrini.com.br/blog/o-que-e-desumanizacao-e-as-suas-formas/"><span style="font-weight: 400;">desumanizante</span></a><span style="font-weight: 400;"> – ele a trata como um animal a ser domesticado –, causa certo desconforto e constrangimento. </span></p>
<figure id="attachment_34772" aria-describedby="caption-attachment-34772" style="width: 1008px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34772" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3.png" alt="Harris, vestindo um suéter azul com camisa xadrez por baixo, encara Nicole de perto, com expressão séria e postura firme. Nicole, usando um vestido escuro de gola alta com detalhes florais, está com o cabelo preso em um coque bagunçado. Ela segura o suéter de Harris com as mãos, enquanto o encara intensamente, com uma expressão que mistura determinação e vulnerabilidade. O fundo iluminado e neutro sugere que a cena ocorre durante o dia, em um ambiente interno com janelas amplas, reforçando o clima de confronto emocional." width="1008" height="672" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3.png 1008w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34772" class="wp-caption-text">Babygirl rendeu o prêmio de Melhor Atriz a Kidman no Festival de Veneza deste ano (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ademais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babygirl</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona no que se propõe. A produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma dinâmica interessante – </span><a href="https://www.blogdehollywood.com.br/streaming/6-filmes-sobre-romances-entre-mulheres-mais-velhas-e-homens-mais-jovens/"><span style="font-weight: 400;">mas não tão original</span></a><span style="font-weight: 400;"> – de duas pessoas que encontram um no outro algo perturbador, que se compõe e expõe uma verdade no espectador, despertando sentimentos contraditórios e levando a reflexões sobre poder, desejo e os limites das relações humanas. A trama nos confronta com perguntas incômodas sobre até onde somos capazes de ir para preencher nossas lacunas emocionais e como as dinâmicas de controle e submissão podem refletir nossas próprias inseguranças e traumas. Apesar de suas falhas, o filme oferece uma experiência provocativa, que permanece com o público muito depois dos créditos finais.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BABYGIRL | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/LBUHGOAUC8I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>No sopro da vida, descobrimos que Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Nov 2024 20:53:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Em meio à poeira e quietude do Mississippi, Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal (All Dirt Roads Taste of Salt, no original) desenha uma narrativa lírica e contemplativa sobre amadurecimento. Dirigido por Raven Jackson e produzido pela A24, o filme é uma coleção de memórias e silêncios que moldam a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/todas-as-estradas-de-terra-tem-gosto-de-sal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "No sopro da vida, descobrimos que Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34470" aria-describedby="caption-attachment-34470" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34470" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-800x531.jpg" alt="Cena do filme Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal. Uma mulher negra, vestindo um vestido branco, está em pé em um campo verdejante, segurando sua filha nos braços. Ela está envolta em um pano branco e deitada confortavelmente no colo da mulher, que olha para ela com ternura e proteção. A figura da mulher transmite força e suavidade, enquanto o fundo de árvores e casas distantes cria uma atmosfera serena e natural. A luz suave destaca o laço afetivo entre elas, capturando um momento de amor e cuidado materno." width="800" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-1536x1019.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-1200x796.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34470" class="wp-caption-text">A Fotografia do longa, por Jomo Fray, foi premiada no Black Reel Awards, cerimônia de reconhecimento de excelência de afro-americanos (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio à poeira e quietude do Mississippi, </span><i><span style="font-weight: 400;">Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">All Dirt Roads Taste of Salt</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original)</span> <span style="font-weight: 400;">desenha uma narrativa lírica e contemplativa sobre amadurecimento. Dirigido por Raven Jackson e produzido pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-vi-o-brilho-da-tv-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme é uma coleção de memórias e silêncios que moldam a história de Mackenzie, interpretada por Mylee Shannon, Kaylee Nicole Johnson, Charleen McClure e Zainab Jah, cada uma em diferentes fases da vida.</span><span id="more-34467"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, Mylee Shannon traz à tela a </span><a href="https://personaunesp.com.br/projeto-florida-critica-resenha/"><span style="font-weight: 400;">infância</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Mackenzie, cheia de inocência e curiosidade; Kaylee Nicole Johnson captura a turbulência da </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-mouth-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;">; Charleen McClure apresenta os dilemas da fase </span><a href="https://personaunesp.com.br/after-school-ep-critica/"><span style="font-weight: 400;">adulta</span></a><span style="font-weight: 400;">; Zainab Jah reflete a maturidade, marcada por cicatrizes e sabedoria. A diretora entrelaça o corpo humano e a natureza, tecendo um retrato sensível do passar do tempo e das marcas profundas e invisíveis que ele imprime.</span></p>
<figure id="attachment_34468" aria-describedby="caption-attachment-34468" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34468" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-800x531.jpg" alt="Cena do filme Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal. Três gerações de mulheres negras estão reunidas em um sofá em uma sala decorada com fotos de família na parede ao fundo. No centro, uma senhora de cabelos grisalhos e expressão serena segura com carinho as cabeças de duas meninas mais jovens, suas netas, uma de cada lado. À sua esquerda, uma garota de aproximadamente 10 anos, usando um roupão azul, descansa a cabeça em seu colo com os olhos fechados. À direita, outra jovem, com cerca de 12 anos e vestindo um roupão verde claro, também repousa a cabeça na perna da idosa, criando uma cena de aconchego, amor e conexão entre as gerações." width="800" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-1536x1019.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-1200x796.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34468" class="wp-caption-text">O diretor de Moonlight, Berry Jenkins, é produtor responsável pela obra (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme opta por uma abordagem sensorial e introspectiva, com poucos diálogos e uma forte ênfase nos gestos e nos sons da natureza. Assim, cada cena parece deixar as palavras na ponta da língua. É uma sensação de desconforto, mas só por estarmos acostumados com narrativas mais dinâmicas e diálogos explicativos. Em comparação a outros filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Lady Bird</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), que se apoia no humor e nas interações verbais para desenvolver seus personagens, o longa de Jackson prefere o caminho do sentir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é fácil trabalhar a contemplação, a narrativa social que envolve a narrativa e um amadurecimento pessoal de tantas perspectivas. A direção se propõe a fazer isso com </span><a href="https://personaunesp.com.br/pedro-critica/"><span style="font-weight: 400;">pouquíssimos diálogos</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, essa tentativa ambiciosa de unir tantas camadas acaba sobrecarregando o público com tantos simbolismos, nos afastando do que realmente importa: os pequenos momentos de vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Fotografia de Jomo Fray e a trilha sonora de Sasha Gordon e Victor Magro elevam o longa. Enquanto a trilha mistura sons da natureza – o canto dos grilos, o farfalhar das folhas – com composições sensíveis, o enquadramento é como os olhares de um ser onisciente que a acompanha desde sempre. Há momentos em que a estética parece superar a narrativa, deixando a sensação de que a forma é mais importante do que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/melancolia-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conteúdo emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos personagens.</span></p>
<figure id="attachment_34469" aria-describedby="caption-attachment-34469" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34469" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-800x330.png" alt="Cena do filme Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal. Duas meninas negras, irmãs, estão sentadas no banco traseiro de um carro antigo, ambas usando vestidos de estilo vintage com babados e laços. A menina à esquerda, com tranças e expressão séria, usa um vestido preto com detalhes brancos e olha para fora com um olhar distante e pensativo. A menina à direita, com cabelo afro solto adornado com uma faixa de laço, veste um vestido cinza claro com um grande laço no peito e aparenta estar imersa em seus próprios pensamentos, com uma expressão melancólica. A luz suave e o ambiente fechado do carro intensificam a atmosfera introspectiva e emocional da cena." width="800" height="330" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-800x330.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-1024x423.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-768x317.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-1200x495.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15.png 1366w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34469" class="wp-caption-text">Esse é o primeiro longa-metragem com direção assinada pela fotógrafa e poetisa Raven Jackson (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos de desenvolvimento, o amadurecimento de Mackenzie se dá nos detalhes, como olhares demorados, pequenos gestos e interações sutis. A irmã se torna um pilar constante, enquanto a mãe oferece apoio dentro de suas limitações. Ao contrário de </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), com momentos de catarse, aqui, a diretora opta pela sutileza e pelo silêncio. Por vezes, a falta de clímax faz com que algumas passagens pareçam se arrastar. Nessa mesma linha, a protagonista é moldada tanto pelas presenças quanto pelas perdas; pelo vazio deixado por quem parte e pelo calor das conexões que se formam. Assim, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/questao-de-tempo-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">narrativa não linear</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o ritmo contemplativo demandam paciência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de suas qualidades, </span><i><span style="font-weight: 400;">Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal</span></i><span style="font-weight: 400;"> não escapa de alguns tropeços. A ausência de diálogos mais substanciais e de uma estrutura narrativa convencional pode fazer com que o filme pareça distante e difícil de conectar emocionalmente. Ainda assim, há beleza e sucesso em sua tentativa de capturar a vida nos pequenos momentos – os abraços silenciosos, o vento sussurrando entre as árvores e o som da </span><a href="https://personaunesp.com.br/alcarras-critica/"><span style="font-weight: 400;">terra sob os pés</span></a><span style="font-weight: 400;">. Podemos refletir sobre as marcas que carregamos e sobre como, em cada jornada, há sempre algo de belo a ser encontrado, mesmo que discreto e fugaz.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal A24 - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/W_ELlEg3mOA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Eu Vi o Brilho da TV! Ou tudo que você podia ser</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Oct 2024 19:00:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo A produção da A24, Eu Vi o Brilho da TV (I Saw The TV Glow, no original), longa dirigido e escrito por Jane Schoenbrun, faz parte da seção Perspectiva Internacional na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Na trama, Owen (Justice Smith) é um garoto tímido que faz amizade com Maddy &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/eu-vi-o-brilho-da-tv-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Eu Vi o Brilho da TV! Ou tudo que você podia ser"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34186" aria-describedby="caption-attachment-34186" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34186" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-1-800x450.png" alt="Cena do filme I Saw The Tv Glow. Na imagem, a versão na infância do personagem Owen está dentro de uma coberta com cores rosa, roxa, branca e azul marinho. O garoto está centralizado, de pé, enquanto outras crianças estão sentadas ao fundo. Owen é um garoto na faixa dos 10 anos, de pele escura, cabelos curtos e crespos em tranças. Ele veste uma camiseta manga longa listrada de azul marinho, verde escuro e branco." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-1.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34186" class="wp-caption-text">O longa fez parte do Festival Sundance nos Estados Unidos (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><strong>Davi Marcelgo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Vi o Brilho da TV </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">I Saw The TV Glow,</span></i><span style="font-weight: 400;"> no original), longa dirigido e escrito por Jane Schoenbrun, faz parte da seção Perspectiva Internacional na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na trama, Owen (Justice Smith) é um garoto tímido que faz amizade com Maddy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/atypical-4a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Brigette Lundy-Paine</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma garota com muita personalidade, que apresenta a ele um programa de televisão sobre duas amigas com uma conexão psíquica. Anos depois, o protagonista  questionará o que é ficção e realidade. Pode parecer que essa história é um suspense, mas, na verdade, é um drama </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-34185"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa TV não só saiu o brilho, como também o selo </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;">, posto que muitos elementos remetem às produções da empresa. Músicas lentas, estética atraente – lembrando </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-as-ondas-2019/"><i><span style="font-weight: 400;">As Ondas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) – e conversas existencialistas marcam presença no longa. Tematicamente, é um prato cheio para a Geração Z, o público LGBTQIAP+ e apreciadores das novas comédias </span><i><span style="font-weight: 400;">teens</span></i><span style="font-weight: 400;"> com protagonistas deslocados de suas realidades, como</span> <a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Lady Bird: A Hora de Voar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Booksmart </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A coloração em </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa </span><i><span style="font-weight: 400;">I Saw The TV Glow</span></i><span style="font-weight: 400;"> extremamente charmoso, parecendo uma série da década de 1990, e constroem a narrativa </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> com cores de bandeiras da </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/conheca-as-bandeiras-lgbtqia-e-saiba-seus-significados/"><span style="font-weight: 400;">comunidade</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"> A história abre mão da linearidade, vai para passado e futuro, é narrado em primeira pessoa e mistura recursos visuais do programa que eles assistem com o mundo real, causando a sensação de confusão de Owen e Maddy, os personagens principais  do longa.</span></p>
<figure id="attachment_34188" aria-describedby="caption-attachment-34188" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34188" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-3-800x428.png" alt="Cena do filme I Saw The Tv Glow. Na imagem, a cantora Phoebe Bridgers está prestes a cantar, cabisbaixa e de olhos fechados, há um microfone na sua frente. Ela é uma mulher na faixa dos 30 anos, de pele clara e cabelos claros. A foto toda possui uma luz vermelha. Atrás de Bridgers há membros da banda, desfocados pela imagem." width="800" height="428" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-3-800x428.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-3-1024x548.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-3-768x411.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-3-1536x822.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-3-1200x643.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34188" class="wp-caption-text">A cantora Phoebe Bridgers faz uma pequena participação no filme (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a câmera estática, usando de planos ora abertos, ora fechados, ou colocando os protagonistas separados ou juntos, a direção de Schoenbrun não é tão marcante. Embora suas cores possam dar uma sensação de autoralidade, o coração do filme é o enredo e seus diálogos, estes com uma excelente interpretação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2023/"><span style="font-weight: 400;">Justice Smith</span></a><span style="font-weight: 400;">, que solta um sorriso volta e meia, como se soubesse que suas falas são ridículas – no sentido mais dramático que um adolescente pode ser. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa história em que a Televisão provoca identificação e de certa forma desconforto para mudar a realidade, existe uma metalinguagem, mas não explícita, nem dentro da história. Quem assiste ao filme tem os mesmos sentimentos que Owen e Maddy, não com uma série televisionada e, sim, com o Cinema. A garota diz que vai “</span><i><span style="font-weight: 400;">morrer se continuar nessa cidade</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e o garoto, morador do </span><a href="https://www.brasileiraspelomundo.com/viver-em-um-suburbio-americano-461647285"><span style="font-weight: 400;">subúrbio americano</span></a><span style="font-weight: 400;">, experimenta a sensação de ficar e sentir a deterioração do corpo e de um destino – que ele nunca soube verdadeiramente qual era. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelo menos no Brasil, crescer em uma pequena cidade do interior provoca os mesmos sentimentos, principalmente sendo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, como cita James N. Green em </span><a href="https://adiadorim.org/noticias/2022/12/livro-alem-do-carnaval-sobre-a-cultural-gay-brasileira-vai-virar-serie-documental/"><i><span style="font-weight: 400;">Além do Carnaval</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Para muitos jovens que fugiram do controle e condenação da família, dos parentes e de uma cidade pequena em busca do anonimato das metrópoles</span></i><span style="font-weight: 400;">”, escreve.</span></p>
<figure id="attachment_34187" aria-describedby="caption-attachment-34187" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34187" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-800x433.png" alt="Cena do filme I Saw The Tv Glow. Na imagem, as personagens Owen e Maddy estão de costas, num campo de futebol americano. Na frente deles há várias árvores. Eles estão do lado direito e já é noite. O céu parece pintado e há uma lua achatada, com um rosto e língua para fora. Owen veste um vestido longo na cor roxa e Maddy uma jaqueta e calças escuras. Owen é um homem na faixa dos 30 anos, de pele escura e cabelos enrolados e curtos. Maddy é uma mulher na faixa dos 30 anos, de pele clara e cabelos claros na altura do ombro." width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-800x433.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-768x416.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34187" class="wp-caption-text">A série fictícia do filme é The Pink Opaque (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse </span><i><span style="font-weight: 400;">glow </span></i><span style="font-weight: 400;">perpassa gêneros, faz o masculino querer ser o feminino, criar vínculos com mulheres protagonistas e com </span><a href="https://esqrever.com/2016/09/17/a-importancia-das-referencias-femininas-nos-gays/"><span style="font-weight: 400;">divas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assim como laços de amizade tendem a solidificar através de vivências comuns de gênero e sexualidade. Entretanto, Schoenbrun dá um salto maior e comenta sobre vida adulta e exaustão, invisibilidade e a ausência de brilho em coisas que no passado podiam se confundir com o sol. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, qual é o destino de uma pessoa LGBTQIAP+? O que foi </span><a href="https://melhoresfilmes.sescsp.org.br/obras-e-personagens-lgbt-desafiam-as-narrativas-convencionais-no-cinema-%EF%BB%BF/#:~:text=Al%C3%A9m%20das%20narrativas%20de%20Me,Mercury%20em%20Bohemian%20Rhapsody%2C%20de"><span style="font-weight: 400;">escrito</span></a><span style="font-weight: 400;">, definido e o que ela pode ser? Cabe a eles decidir e traçar as rotas; fugir de casa, se enterrar, dar um sumiço para então assumir gêneros, histórias malucas sobre poderes psíquicos e um vilão chamado Senhor Melancolia, que tira seu coração e põe em um </span><i><span style="font-weight: 400;">freezer</span></i><span style="font-weight: 400;"> industrial. O enredo não sai do convencional, porém conceitualmente se apodera de um lado mais fantasioso para criar alusões sobre a vivência </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">de uma maneira interessante, principalmente porque cria monstros com maquiagens e </span><i><span style="font-weight: 400;">designs</span></i><span style="font-weight: 400;"> impactantes. A reflexão que fica é a respeito de quais caixas e gêneros a comunidade está pertencendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe uma parcela que vai assistir </span><a href="https://screenrant.com/i-saw-the-tv-glow-filming-locations-explained/"><i><span style="font-weight: 400;">I Saw The TV Glow</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e se identificar com a narrativa. No entanto, sem grandes momentos ou grandes inspirações, o filme, assim como seus personagens, poderia ser muito mais, sem medo algum de misturar em um grau maior ficção e realidade, apelando para um lado lúdico. De propósito ou não, o longa parece querer emular para o sentimento de tédio e falta de prazer que Owen sente ao passar trinta anos em sua cidade – mas veja só, apenas passou 100 minutos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="I Saw The TV Glow | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/kymDzCgPwj0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>MaXXXine encerra uma trilogia que poderia ser marcante</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Oct 2024 18:40:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>João Pedro Piza Em Julho de 2024, MaXXXine estreou nos cinemas brasileiros com o hype e a expectativa lá em cima. Sequência do surpreendente slasher X e de seu prelúdio, o horror psicológico Pearl, ambos de 2022, este tinha a missão de dar continuidade à saga da protagonista interpretada por Mia Goth em um novo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/maxxxine-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "MaXXXine encerra uma trilogia que poderia ser marcante"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_34165" aria-describedby="caption-attachment-34165" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34165" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/rYxcfseH9f5uVSZlMDPMPPyH7sDmboLDkvKtLMbdXE.webp" alt="A fotografia mostra a protagonista Maxine Minx, interpretada por Mia Goth, de costas, sorrindo e acenando para o lado direito. Ela possui cabelos loiros até a quase a metade das costas. " width="1080" height="607" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/rYxcfseH9f5uVSZlMDPMPPyH7sDmboLDkvKtLMbdXE.webp 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/rYxcfseH9f5uVSZlMDPMPPyH7sDmboLDkvKtLMbdXE-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/rYxcfseH9f5uVSZlMDPMPPyH7sDmboLDkvKtLMbdXE-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/rYxcfseH9f5uVSZlMDPMPPyH7sDmboLDkvKtLMbdXE-768x432.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34165" class="wp-caption-text">Na semana de lançamento, MaXXXine arrecadou cerca de 6,7 milhões de dólares em bilheteria, atingindo a maior estreia da franquia (X e Pearl arrecadaram, respectivamente, 4,2 e 3,1 milhões) [Foto: A24]</figcaption></figure><b>João Pedro Piza</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Julho de 2024, </span><em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jzeklYCI6-U"><span style="font-weight: 400;">MaXXXine</span></a></em><span style="font-weight: 400;"> estreou nos cinemas brasileiros com o </span><i><span style="font-weight: 400;">hype </span></i><span style="font-weight: 400;">e a expectativa lá em cima. Sequência do surpreendente </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e de seu prelúdio, o horror psicológico </span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pearl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ambos de 2022, este tinha a missão de dar continuidade à saga da protagonista interpretada por Mia Goth em um novo cenário. Poucos anos depois dos acontecimentos do primeiro filme, Maxine Minx se tornou uma estrela da indústria pornográfica e agora busca um lugar na Hollywood da década de 1980.</span></p>
<p><span id="more-34160"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como nos dois primeiros, a produção é da </span><a href="https://a24films.com/films"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a direção e o roteiro ficam nas mãos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IFslUghoNcc"><span style="font-weight: 400;">Ti West</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além de inventivo, as homenagens e referências a clássicos do horror em enquadramentos e montagens de cenas são características do jovem diretor. São notórias as alusões a </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-massacre-da-serra-eletrica-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Massacre da Serra Elétrica</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1974), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5dQtrRGONqU&amp;pp=ygUacHNpY29zZSBtZXVzIGRvaXMgY2VudGF2b3M%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1960)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k7Okp70_cQw"><i><span style="font-weight: 400;">O Iluminado</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1980)</span> <span style="font-weight: 400;">em </span><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i><span style="font-weight: 400;">, e à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RikScQxinr0&amp;pp=ygUSbWFnaWNvIGRlIG96IGZpbG1l"><i><span style="font-weight: 400;">Mágico de Oz</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1939)</span> <span style="font-weight: 400;">em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pearl</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">MaXXXine</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">há técnicas – e até clichês – que rememoram </span><a href="https://aterraeredonda.com.br/breves-consideracoes-sobre-o-estilo-de-alfred-hitchcock/#:~:text=O%20estilo%20hitchcockiano%20inclui%20o,progress%C3%A3o%20de%20plano%20a%20plano."><span style="font-weight: 400;">Hitchcock</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://aterraeredonda.com.br/brian-de-palma-a-opacidade-mascarada/"><span style="font-weight: 400;">Brian De Palma</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure style="width: 480px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full" src="https://i.giphy.com/media/v1.Y2lkPTc5MGI3NjExYWY0aXRrYzl0MWVicjViejdhcGI2NDZ5Nmh2aG8zaWFnd3I4NnN6YyZlcD12MV9pbnRlcm5hbF9naWZfYnlfaWQmY3Q9Zw/LR0S1levp1Z0AhI8kr/giphy.gif" alt="Nesse GIF, a protagonista Maxine Minx caminha pelo estacionamento de um set de filmagens após ter sido aprovada para o papel no longa Puritana 2. Ela é branca e possui cabelos loiros encaracolados até pouco abaixo dos ombros. Utiliza óculos de sol, veste uma blusa regata azul e uma calça jeans, ambas da mesma cor. Além disso, carrega uma bolsa preta no ombro esquerdo. " width="480" height="240" /><figcaption class="wp-caption-text">Se Pearl queria ser uma estrela, Maxine se tornou uma (GIF: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De maneira inteligente e sagaz, West resgata a ambientação da época com precisão, tanto por meio de recursos estéticos, como figurino, Fotografia e trilha sonora, como também pelo fetichismo de se tornar uma estrela hollywoodiana ou membro dessa indústria cinematográfica. Logo de início, também é rememorada a dualidade entre uma suposta era promíscua em conflito com o apelo religioso, algo alimentado, inclusive, pelo então presidente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GUQm7UqF-YA"><span style="font-weight: 400;">Ronald Reagan</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para completar, esse cenário dialoga com abordagens de uma Los Angeles caótica, marcada pela desigualdade social e elevada violência urbana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É justamente nesse último ponto que surge o principal nó do filme: o assassino em série </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/4-motivos-para-assistir-night-stalker-se-voce-e-fa-de-true-crime/"><i><span style="font-weight: 400;">Night Stalker</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">está à solta, matando suas vítimas de forma brutal e as autoridades não encontram uma forma de detê-lo. Curiosamente, esses assassinatos passam a ocorrer após Maxine conseguir um papel no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Puritana 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, envolvendo pessoas próximas à ela. Tem-se aqui, ainda, uma espécie de relação entre gato e rato de Maxine com o assassino, que demonstra saber de acontecimentos passados acerca de sua história, dando a entender que ela está inserida em um “</span><i><span style="font-weight: 400;">jogo</span></i><span style="font-weight: 400;">” e logo será pega.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os pontos positivos, está, assim como nos anteriores, a excelente atuação de </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/os-melhores-e-piores-filmes-de-mia-goth-segundo-a-critica,25647d3192baf3ad44770c803dd76df0i0bzlmi2.html"><span style="font-weight: 400;">Mia Goth</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mais uma vez ela dá um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao reunir elegância, violência e sensualidade na figura de uma protagonista cativante. Especialmente nos monólogos – assim como fez na já clássica cena final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pearl </span></i><span style="font-weight: 400;">–, fica evidente a sensibilidade da atriz, transitando da arrogância tóxica ao medo agônico com facilidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="PEARL | Monologue (2022) Movie CLIP HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/kj8UiWw2lxg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste longa também funcionam bem certas </span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-cinema-e-metalinguagem/"><span style="font-weight: 400;">metalinguagens</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ora, assim como Maxine compõe o elenco de um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">do horror hollywoodiano, </span><i><span style="font-weight: 400;">MaXXXine</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega aos cinemas, após o sucesso dos anteriores, como um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">do horror contemporâneo, com alto orçamento em relação aos seus anteriores, que tinham muito mais elementos do Cinema independente. Busca-se, por meio disso, apontar paradigmas e aflições inerentes àqueles indivíduos inseridos na indústria cinematográfica: construção de reputação, medo, arrogância, incerteza, sucesso e, em certo sentido, o potencial da Sétima Arte como forma de expressão de seu tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É uma pena que as qualidades param por aí. Basicamente, metade do segundo e o terceiro ato inteiro são marcados por clichês, um roteiro preguiçoso e o mau desenvolvimento de um enredo, até então, promissor. O elenco de apoio tem </span><a href="https://medium.com/@palanquedomarvete/x-men-primeira-classe-resenha-30c6e8ec212d"><span style="font-weight: 400;">Kevin Bacon</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">X-Men: Primeira Classe</span></i><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">Questão de Honra</span></i><span style="font-weight: 400;">), </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Elizabeth Debicki</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">Guardiões da Galáxia</span></i><span style="font-weight: 400;">), </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/26VFTg2z8YR0cCuwLzESi2"><span style="font-weight: 400;">Halsey</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Sing 2</span></i><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">Nasce uma Estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/breaking-bad-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">Giancarlo Esposito</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Breaking Bad</span></i><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">Better Call Saul</span></i><span style="font-weight: 400;">); ainda que os dois primeiros tenham uma importância maior para a trama, a aparição de ambos parece ser algo à parte do enredo principal, tangenciando-o de maneira superficial, mas nunca sendo algo realmente relevante – o personagem de Esposito, inclusive, beira o caricato.</span></p>
<p><figure id="attachment_34164" aria-describedby="caption-attachment-34164" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34164" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Captura-de-tela-2024-10-22-152350.png" alt="É uma fotografia Maxine e Teddy Knight, interpretado por Giancarlo Esposito, estão em um ferro-velho à noite, portanto há pilhas de carros sem utilidade atrás deles e a luz é baixa. Ele é negro, possui cabelo castanho de tamanho médio, veste terno cinza, camisa branca com listas azuis e gravata azul. Além disso, fuma um charuto. Maxine possui cabelos loiros na altura dos ombros, veste uma jaqueta verde no estilo de time de futebol-americano com seu nome, vestido preto e meia arrastão. Também possui uma faixa vermelha pintada horizontalmente em seu rosto, cobrindo seus dois olhos. Os dois personagens olham para a mesma direção." width="1209" height="787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Captura-de-tela-2024-10-22-152350.png 1209w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Captura-de-tela-2024-10-22-152350-800x521.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Captura-de-tela-2024-10-22-152350-1024x667.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Captura-de-tela-2024-10-22-152350-768x500.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Captura-de-tela-2024-10-22-152350-1200x781.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34164" class="wp-caption-text">Maxine e seu empresário Teddy Knight (Giancarlo Esposito) formam uma dupla interessante, apesar do pouquíssimo tempo em cena juntos [Fonte: A24]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Junto a isso, diferentes tramas são abertas e poucas são resolvidas. As duas principais, a dos </span><a href="https://www.revista.ueg.br/index.php/revistahistoria/article/download/1576/956/4987"><span style="font-weight: 400;">assassinatos em série</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os desafios de Maxine em Hollywood, pouco se conectam e, à medida que o longa se encaminha para o desenvolvimento, é agoniante não ver que as duas irão se relacionar ou ter uma solução robusta. Logo, fica difícil encarar o pânico generalizado pela aparição do </span><i><span style="font-weight: 400;">Night Stalker </span></i><span style="font-weight: 400;">e os percalços que a protagonista está enfrentando em uma nova fase de sua carreira, como crises de alta magnitude.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece que ambas encaminham para o pretensioso final, que é brega até a última gota. A temática religiosa volta à cena de maneira espalhafatosa, recorrendo à seita, perseguição policial e cenas de tiroteio, distanciando-se bastante do </span><a href="https://filmow.com/listas/50-slasher-films-l18673/"><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e do </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2017/06/horror-psicologico-psicanalise-explica-nosso-fascinio-pelo-medo.html"><span style="font-weight: 400;">horror psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;"> – tão bem realizados pelos seus antecessores. Recorre-se a alegorias baratas, frases de efeito que pouco funcionam e resoluções, ainda assim, abertas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/maxxxine-pode-ter-sequencia">entrevista</a>, Ti West afirmou que este pode não ser o último da saga. De qualquer forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">MaXXXine</span></i><span style="font-weight: 400;"> não dialoga tão bem com </span><i><span style="font-weight: 400;">X </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Pearl </span></i><span style="font-weight: 400;">como esses dois dialogam entre si. Ambos, mesmo com menos orçamento, são mais ousados, originais e inteligentes no que propõem. Poderia ser uma trilogia para ficar na história do gênero. No entanto, somente </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/10-filmes-que-foram-vitimas-da-maldicao-do-terceiro-filme.html"><span style="font-weight: 400;">os dois primeiros ficarão</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="MaXXXine | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/y0uS3t6nFgY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Os 40 anos da epopeia de sentidos em Stop Making Sense</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Jun 2024 14:02:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Um tablado preto de teatro. Uma luz no fundo, de onde vem um par de pernas que veste uma calça cinza clara e um sapato terrivelmente branco. Essas pernas chegam até um microfone e então é posto um rádio ao lado. A mão do corpo a quem pertence tais pernas dá play no &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/stop-making-sense-40-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os 40 anos da epopeia de sentidos em Stop Making Sense"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33517" aria-describedby="caption-attachment-33517" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33517" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-2-800x480.png" alt="Cena de Stop Making Sense. Nela, vemos David Byrne, um homem branco de cabelos pretos. Ele veste um terno cinza e uma camisa cinza. O terno é consideravelmente maior que o corpo do cantor, ficando bastante folgado. Byrne está em pé, de olhos fechados e com a boca aberta em frente a um microfone. O fundo é preto." width="800" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-2-800x480.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-2-1024x615.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-2-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-2.png 1199w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33517" class="wp-caption-text">Cabeças falantes nem sempre precisam fazer sentido (Foto: Arnold Stiefel Company)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um tablado preto de teatro. Uma luz no fundo, de onde vem um par de pernas que veste uma calça cinza clara e um sapato terrivelmente branco. Essas pernas chegam até um microfone e então é posto um rádio ao lado. A mão do corpo a quem pertence tais pernas dá </span><i><span style="font-weight: 400;">play</span></i><span style="font-weight: 400;"> no aparelho, e então uma bateria digital começa aquela que seria uma das versões mais emblemáticas de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qp2Y6m9mmf4&amp;ab_channel=PASS"><i><span style="font-weight: 400;">Psycho Killer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A câmera sobe até o vislumbre de um jovial David Byrne e o resto é história. Assim começa aquela que, posteriormente, seria considerada a obra definitiva quando o assunto é filmes-concerto: </span><i><span style="font-weight: 400;">Stop Making Sense</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-33515"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se hoje os épicos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pU5X7GshEnI"><i><span style="font-weight: 400;">HOMECOMING: A Film by Beyoncé</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KudedLV0tP0&amp;ab_channel=TaylorSwift"><i><span style="font-weight: 400;">Taylor Swift: The Eras Tour</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023) ganharam rapidamente o mundo, foi porque </span><i><span style="font-weight: 400;">Talking Heads</span></i><span style="font-weight: 400;"> decidiu documentar sua sequência de </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> da forma mais </span><i><span style="font-weight: 400;">Talking Heads </span></i><span style="font-weight: 400;">possível. O Pantages Theater recebeu, entre 13 e 16 de Dezembro de 1983, talvez uma de suas experiências musicais mais sinestésicas, que foram domadas nas câmeras pelo diretor em ascensão Jonathan Demme (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-silencio-dos-inocentes-30-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Philadelphia</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<figure id="attachment_33518" aria-describedby="caption-attachment-33518" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33518" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1-800x469.png" alt="Cena de Stop Making Sense. Nela vemos David Byrne, um homem branco de cabelos pretos. Ele veste uma camisa cinza e um terno cinza, que é duas vezes maior que seu tamanho. Ele está segurando um microfone com a mão esquerda e aponta ele em direção a câmera. Ao fundo, as backing vocals da banda Talking Heads, da qual Byrne faz parte." width="800" height="469" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1-800x469.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1-1024x601.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1-768x451.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1-1536x901.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1-1200x704.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33518" class="wp-caption-text">Em 2023, a produtora A24 adquiriu os direitos e restaurou a obra em 4K (Foto: Arnold Stiefel Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Retratando a turnê de despedida da banda na divulgação do álbum </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/talking-heads-speaking-in-tongues/"><i><span style="font-weight: 400;">Speaking In Tongues</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – que apesar de não ser a última obra do grupo, foi a última vez que eles excursionaram – </span><i><span style="font-weight: 400;">Stop Making Sense</span></i><span style="font-weight: 400;"> acerta ao entender, ao mesmo tempo em que define, o conceito de performance. A estética de Teatro nua e crua, dá toques de </span><a href="https://personaunesp.com.br/hamilton-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hamilton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para a produção muito antes de Lin-Manuel Miranda vasculhar os documentos da independência americana. Dessa forma, ela é até hoje a única que conseguiu replicar o melhor de dois mundos entre um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> e um musical.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme-concerto não nasce pronto e roteirizado como os exemplos que temos com as divas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pelo contrário, a produção se constrói aos poucos por aqui, desde a construção do cenário, que não tem vergonha de mostrar os contrarregras e equipamentos pra lá e pra cá, até a interação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3Z2LhwMprLQ&amp;ab_channel=A24"><span style="font-weight: 400;">Byrne e banda</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a câmera e público, fluindo sempre de forma muito natural e crescente.</span></p>
<figure id="attachment_33519" aria-describedby="caption-attachment-33519" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33519" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-2-800x450.png" alt="Cena de Stop Making Sense. Nela vemos Tina Weymouth, uma mulher branca de cabelos loiros, Edna Holt, uma mulher negra de cabelos crespos, Lynn Mabry, uma mulher negra de cabelos crespos, David Byrne, um homem branco de cabelos pretos e Alex Weir, um homem negro de cabelo afro. Todos vestem uma roupa toda cinza. Tina usa um vestido, Edna e Lyyn vestem camiseta saia e meia calça, David Byrne veste terno camisa e calça social e Alex veste camiseta e calça social. Entre Edna e Byrne, há um abajur. Todos estão enfileirados e Alex segura uma guitarra na extremidade direita enquanto Tina segura um baixo na extremidade esquerda." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33519" class="wp-caption-text">Apesar de estarem juntos na divulgação do relançamento, os membros da banda descartaram uma reunião (Foto: Arnold Stiefel Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia de Jordan Cronenweth (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lnEckIwQv1Q&amp;pp=ygUfdGhlIGJhbGRlIHJ1bm5lciBjaW5lbWF0b2dyYXBoeQ%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é extremamente inventiva e consciente ao optar por tirar o espectador de seu lugar comum. Aqui, não há aquele tratamento estático de cena onde o público está distante do artista de alguma forma. O que </span><i><span style="font-weight: 400;">Stop Making Sense</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz é colocar a audiência juntamente no palco, como se fosse mais um membro da banda participando daquela </span><i><span style="font-weight: 400;">jam</span></i><span style="font-weight: 400;">, interagindo com seus companheiros, desviando dos fios e pedestais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa escolha é potencializada através do carisma da banda, que tem tanto o público do Pantages Theater como a audiência de casa na mão. David Byrne está tomado por devaneios e todos os integrantes têm uma sintonia descomunal, que mostra como eles não estão somente fazendo Música, mas sim vivendo ela de maneira única e visceral. Aliás, a escolha de que cada faixa introduza os participantes do grupo é extremamente acertada. Por mais que o Talking Heads tenha Byrne como garoto propaganda, todos brilham e direcionam sua superlatividade em um final apoteótico com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=X0EWy_PJYqA&amp;list=PLke4g-fS3LOaaUgmHkFiQ8K9Bww8dfKTf&amp;index=15&amp;ab_channel=PASS"><i><span style="font-weight: 400;">Crosseyed and Painless</span></i></a></p>
<figure id="attachment_33520" aria-describedby="caption-attachment-33520" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33520" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-2-800x450.png" alt="Cena de Stop Making Sense. Nela vemos David Byrne, um homem branco de cabelos pretos. Ele veste um terno duas vezes maior que ele, camisa cinza e calça cinza. Ele está com as duas mãos levantadas e o corpo levemente arqueado, pois está dançando. Ao fundo, um palco." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33520" class="wp-caption-text">O clássico terno gigantemente desproporcional virou marca registrada do longa (Foto: Arnold Stiefel Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assistir </span><i><span style="font-weight: 400;">Stop Making Sense </span></i><span style="font-weight: 400;">é como entrar na cabeça falante de cada integrante, não para ouvir uma gritaria desenfreada, mas o eco de um talento puro que nem precisou ser lapidado. Por isso, só foi estimulado por músicos que tinham uma conexão neural quando o assunto é Música. O </span><i><span style="font-weight: 400;">Talking Heads, </span></i><span style="font-weight: 400;">mesmo após seu fim, ainda reverbera, seja através de como suas músicas resistem ao tempo – a exemplo do </span><a href="https://www.popload.com.br/obra-prima-dos-talking-heads-stop-making-sense-completa-40-anos-hoje-e-ganha-disco-tributo-que-tem-ate-miley-cyrus-e-the-national"><span style="font-weight: 400;">álbum tributo</span></a><span style="font-weight: 400;">, lançado para promover a regravação –, ou como as bandas usam o grupo de influência, indo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Arcade Fire</span></i><span style="font-weight: 400;"> à </span><i><span style="font-weight: 400;">Radiohead</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em tempos de performances cada vez mais enlatadas e </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2024/03/como-stop-making-sense-agora-remasterizado-mudou-os-filmes-concerto-de-vez.shtml"><span style="font-weight: 400;">roteirizadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o intuito de arrastar multidões e transformar todo </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">em uma experiência megalomaníaca de arena, o processo e o primor criativo às vezes se perde, se mascara em estruturas gigantescas ou simplesmente para de fazer sentido. É aí que </span><i><span style="font-weight: 400;">Stop Making Sense </span></i><span style="font-weight: 400;">cresce e, paradoxalmente, faz todo o sentido, pois é somente o </span><i><span style="font-weight: 400;">Talking Heads</span></i><span style="font-weight: 400;"> sendo ele mesmo, nada mais do que isso, ao mesmo tempo que tudo isso.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Stop Making Sense | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/-rjMwSTeVeo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O enferrujar da Garra de Ferro</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Apr 2024 17:00:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Freire “Se fôssemos os mais durões, os mais fortes, os mais bem-sucedidos, nada poderia nos atingir”. Esse é o mantra no qual os irmãos Von Erich foram criados. Entre a sala de estar, em que o espaço dedicado às armas do pai é protegido por uma cruz pendurada na parede, e o ringue, onde &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/garra-de-ferro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O enferrujar da Garra de Ferro"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33237" aria-describedby="caption-attachment-33237" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33237" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/garra-de-ferro-1.png" alt="Cena do filme Garra de Ferro. Na imagem, vemos cinco homens se abraçando dentro de um ringue. Dois deles usam camisetas, calças e sapatos, enquanto os outros três estão apenas com calções, e dois deles utilizam meias de cano alto e tênis. Um deles possui um cinturão dourado pendurado e outro em uma das mãos. O ringue possui cordas vermelhas e o chão é azul. Ao fundo, diversas pessoas estão na torcida com semblantes alegres, comemorando a vitória. É possível ver uma cartolina laranja escrito “KILL’EM KERRY”." width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-33237" class="wp-caption-text">Lançado em Dezembro de 2023 nos Estados Unidos, Garra de Ferro chegou aos cinemas brasileiros em Março de 2024 (Foto: Califórnia Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Freire</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Se fôssemos os mais durões, os mais fortes, os mais bem-sucedidos, nada poderia nos atingir</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Esse é o mantra no qual os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8KVsaoveTbw"><span style="font-weight: 400;">irmãos Von Erich</span></a><span style="font-weight: 400;"> foram criados. Entre a sala de estar, em que o espaço dedicado às armas do pai é protegido por uma cruz pendurada na parede, e o ringue, onde a pressão e a tensão são duas constantes, não há lugar para a vulnerabilidade. É por isso que esses homens encontram refúgio uns nos outros – e é por isso, também, que eles perdem o controle quando infortúnios acontecem e esse apoio não é o suficiente.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Garra de Ferro</span></i><span style="font-weight: 400;">, terceiro longa do diretor Sean Durkin, é baseado em uma </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/uk/reports/a46257425/the-iron-claw-true-story/"><span style="font-weight: 400;">história real</span></a><span style="font-weight: 400;">. Von Erich é um sobrenome clássico no ramo da luta livre nos Estados Unidos e a trajetória da família iniciou-se na década de 1950, quando o patriarca fez sua estreia no esporte. Apesar de ter traçado uma jornada de sucesso, Fritz Von Erich (nome comercial de Jack Adkisson) não conquistou seu principal objetivo: o título de maior lutador do país. Então, a forma como ele reage a essa frustração é treinando todos os seus filhos para que eles, ao seguirem seu legado, consigam o que nunca pôde quando jovem.</span></p>
<p><span id="more-33234"></span></p>
<figure id="attachment_33235" aria-describedby="caption-attachment-33235" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33235" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/garra-de-ferro-2-800x450.png" alt="Cena do filme Garra de Ferro. Na imagem, vemos o personagem David, interpretado por Harris Dickinson, lutando. Ele é um homem branco com cabelos loiros, na altura dos ombros, e veste um calção amarelo. Ele está gritando e formando uma garra com uma das mãos. O outro adversário, também branco e com cabelos loiros, está caindo. A fotografia foi tirada de baixo para cima, e as cordas do ringue são vermelhas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/garra-de-ferro-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/garra-de-ferro-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/garra-de-ferro-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/garra-de-ferro-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/garra-de-ferro-2.png 1248w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33235" class="wp-caption-text">O famoso e tradicional golpe da família Von Erich, que consiste em formar uma garra com as mãos e pressioná-la na cabeça do adversário, dá nome ao filme (Foto: Califórnia Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem começa a assistir o filme sem saber dos bastidores logo percebe que as cenas mais intensas não acontecerão no ringue. Elas têm como palco o círculo familiar, o que fica evidente quando o pai começa a listar a ordem de seus filhos favoritos (sem brincadeira alguma), enquanto eles fazem uma refeição juntos – e todos agem como se isso fosse normal. A cena exemplifica de maneira extraordinária o tom </span><a href="https://www.wonderlandmagazine.com/2024/02/09/sean-durkin-the-iron-claw/"><span style="font-weight: 400;">nervoso e desordenado</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Durkin estabelece logo no início de </span><i><span style="font-weight: 400;">Garra de Ferro</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que, mais adiante, se mostra como um reflexo da mente de cada um dos irmãos Von Erich diante da situação em que estão inseridos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arco narrativo gira em torno de Kevin, maravilhosamente interpretado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QYrukAyrfcU"><span style="font-weight: 400;">Zac Efron</span></a><span style="font-weight: 400;">, o mais velho do clã. Embora ocupasse o segundo lugar no </span><i><span style="font-weight: 400;">ranking</span></i><span style="font-weight: 400;"> de seu pai, é ele quem seguia estritamente cada passo de Fritz. Kevin parecia ter todo o seu caminho traçado, até que o treinador muda de ideia e dá aos seus irmãos um destino que deveria ser seu. No momento em que a suposta ‘maldição’ de sua família começa a agir, sua ‘síndrome de irmão mais velho’ fica mais forte do que nunca, e ele passa a se torturar gradativamente com a ideia de que tudo poderia ser diferente. Efron revela uma atuação extraordinária no longa, capaz de distanciar o ator da lembrança dos musicais adolescentes nos quais ele estrelou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O sucesso dele se dá, em muitos pontos, pelo apoio daqueles que deram vida aos outros membros da família Von Erich, compondo um forte elenco. </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-bear-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jeremy Allen White</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/triangulo-da-tristeza-critica/"><span style="font-weight: 400;">Harris Dickinson</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Stanley Simons como os demais filhos impressionam a todo momento, e Lily James como o par romântico de Zac Efron foi uma escolha perfeita. </span><a href="https://personaunesp.com.br/mindhunter-2a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Holt McCallany</span></a><span style="font-weight: 400;"> presenteia o público com mais uma incrível performance assumindo o pai autoritário e emocionalmente inacessível, ao passo que Maura Tierney, como a matriarca, possui o papel mais fraco do filme.</span></p>
<figure id="attachment_33238" aria-describedby="caption-attachment-33238" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33238" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/garra-de-ferro-3-800x586.jpg" alt="magem de divulgação do filme Garra de Ferro. Na imagem vemos, da esquerda para a direita, Harris Dickinson, Jeremy Allen White e Zac Efron. Eles estão caracterizados como David, Kerry e Kevin, os personagens que interpretam. David é um homem branco com cabelos loiros, na altura dos ombros, e veste jaqueta vermelha com detalhes em azul, um calção vermelho com o cós preto e um chapéu de cowboy branco com detalhes dourados. Kerry é um homem branco com cabelos loiro escuro, também na altura dos ombros e com uma franja, e veste um roupão de veludo vermelho e uma faixa vermelha na cabeça, coberta pelos seus cabelos. Kevin, por fim, é um homem branco com cabelos castanhos que veste um roupão de veludo branco. Todos eles estão olhando para a câmera com semblantes neutros, e todos eles possuem um cinturão dourado nos ombros. A parede é roxa." width="800" height="586" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/garra-de-ferro-3-800x586.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/garra-de-ferro-3-1024x750.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/garra-de-ferro-3-768x562.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/garra-de-ferro-3-1200x879.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/garra-de-ferro-3.jpg 1229w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33238" class="wp-caption-text">Com um elenco de peso e uma incrível equipe técnica, é lamentável que a A24 tenha deixado Garra de Ferro longe da temporada de premiação (Foto: Eric Chakeen)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Garra de Ferro</span></i><span style="font-weight: 400;">, todos os músculos masculinos expostos na tela não foram fotografados para provocar apreciação ou prazer, mas para representar um sacrifício. Aqui, os corpos são mais uma fonte de estresse do que qualquer outra coisa, apresentando-se como ferramentas a serem aperfeiçoadas para o ringue – e, depois, destruídas pelo que acontece dentro e fora dele. O </span><a href="https://www.gq-magazine.co.uk/fitness/article/zac-efron-the-iron-claw-workout"><span style="font-weight: 400;">preparo físico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Zac Efron foi o mais notório: ele, em particular, adquiriu um biotipo corporal que beira ao horror, com veias proeminentes sob as protuberâncias de seus bíceps de He-Man, refletindo o compromisso do ator com a autenticidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além dos corpos bombados, o trabalho da estilista </span><a href="https://theartofcostume.com/2023/12/29/wrestling-in-style-creating-the-authentic-atmosphere-of-the-iron-claw-with-costume-designer-jennifer-starzyk/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Starzyk</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi indispensável para recriar o cenário do Texas dos anos 1980, época em que se passa a história. As peças básicas que passeavam pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock and roll</span></i><span style="font-weight: 400;"> realçam o estilo de vida comum que os Von Erich, jovens ainda no começo da carreira, levavam, e as cores dos calções de lycra, somados às perucas de um dos piores cortes de cabelo da história, arrancam risadas em meio às tragédias que se desenrolam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia e a </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2aZ7EseMYSg7NGT3hhDUVZ?si=mFHXth9aRGmKkN7fcmOmuA"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> são, também, pontos cruciais para criar a ambientação e para expor, nos detalhes, a ideia do contraditório que Durkin cria. A década é recriada por Mátyás Erdély com um brilho cintilante, como se toda a história se desenrolasse dentro de uma cabine gigante de bronzeamento artificial. Em contrapartida, apesar de estar recheado de </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;"> e do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1970 e 1980, a música-tema de Richard Reed Parry é extremamente melancólica, o que acaba por ressaltar o sofrimento dos irmãos até o final.</span></p>
<figure id="attachment_33236" aria-describedby="caption-attachment-33236" style="width: 659px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33236" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/garra-de-ferro-4.jpg" alt="Imagem de divulgação do filme Garra de Ferro. Na imagem vemos, da esquerda para a direita, os personagens David, Kevin, Mike e Kerry. David veste uma calça jeans e um cropped branco, escrito “SUPERIOR” em vermelho e “47” em amarelo, logo abaixo, com listras dessas cores nas mangas. Kevin veste regata cinza, calça jeans e tênis branco. Mike veste uma camiseta preta e uma calça jeans preta, e Kerry veste regata cinza, calça jeans e tênis branco. Eles estão em um rancho; David e Mike estão apoiados em uma cerca branca, e Kevin e Kerry estão sentados nela. Kerry está com um dos braços em volta do pescoço de Mike e uma das mãos apoiadas na cabeça dele. Pela iluminação, parece ser fim de tarde; o céu é quase branco, por conta da luz, e vemos algumas árvores desfocadas ao fundo." width="659" height="527" /><figcaption id="caption-attachment-33236" class="wp-caption-text">A narrativa do longa poderia ser muito mais triste do que já é (Foto: Eric Chakeen)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que o diretor tenha consultado a família antes de iniciar as gravações e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BABFdcjBk_o"><span style="font-weight: 400;">Kevin</span></a><span style="font-weight: 400;">, o único irmão vivo, tenha apoiado publicamente o lançamento do filme, é importante destacar que alguns pontos foram deixados de lado. Havia, no total, seis filhos, e um deles não chegou à idade adulta – o mais velho, Jack, faleceu em um acidente quando criança e é mencionado em alguns momentos. A obra, no entanto, omite completamente Chris e combina alguns detalhes de sua vida com os de Mike, o irmão mais próximo de sua idade. Essa escolha parece insensível, mas em uma história composta por tantas perdas, acaba sendo um alívio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da obra, a ‘</span><a href="https://www.washingtonpost.com/history/2023/12/22/iron-claw-von-erich-curse/"><span style="font-weight: 400;">maldição</span></a><span style="font-weight: 400;">’ da família é citada diversas vezes. Entretanto, se realmente existiu alguma, ela se deu inteiramente pela postura que o pai assumiu com seus filhos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Garra de Ferro</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, em sua essência, sobre um pai abusivo e sobre os reflexos que isso gera, apresentando essas problemáticas através de uma bolha de ternura compartilhada pelos irmãos Von Erich.</span></p>
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		<title>O Homem dos Sonhos: quando o onírico encontra as redes sociais</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Apr 2024 17:07:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Você já sonhou com este homem? Em 2006, um boato correu na internet: mais de oito mil pessoas de diversas cidades do mundo estavam sonhando com o mesmo homem, sem nunca o terem visto antes. Posteriormente, o que era um mistério virou uma piada nas redes sociais, com a verdade sendo revelada. Mas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-dos-sonhos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Homem dos Sonhos: quando o onírico encontra as redes sociais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33170" aria-describedby="caption-attachment-33170" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33170" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1.png" alt="Cena do filme O Homem dos Sonhos. Na cena, vemos, ao centro, da cintura para cima, Nicolas Cage, um homem branco, aparentando cerca de 60 anos, com cabelos castanhos nas laterais da cabeça, barba grisalha e óculos quadrados. Ele veste uma camisa e gravata azul claros e paletó azul escuro. Ele está sentado atrás de uma mesa e tem suas duas mãos unidas em frente a ele, apoiadas na mesa. Atrás, vemos uma parede lilás com os dizeres “Thoughts?” duas vezes." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33170" class="wp-caption-text">Você já sonhou com Nicolas Cage? (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><a href="https://www.thisman.org/"><span style="font-weight: 400;">Você já sonhou com este homem</span></a><span style="font-weight: 400;">? Em 2006, um boato correu na internet: mais de oito mil pessoas de diversas cidades do mundo estavam sonhando com o mesmo homem, sem nunca o terem visto antes. Posteriormente, o que era um mistério virou uma piada nas redes sociais, com a verdade sendo revelada. Mas e se, subitamente, isso realmente acontecesse e moradores ao redor do planeta vissem uma mesma pessoa desconhecida durante o sono, todas as noites? É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem dos Sonhos </span></i><span style="font-weight: 400;">começa.</span></p>
<p><span id="more-33169"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A proposta chega a ser irônica quando quem personifica o Homem é </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/nicolas-cage-filme-herois"><span style="font-weight: 400;">Nicolas Cage</span></a><span style="font-weight: 400;">. Participante de uma centena de filmes – seis deles só em 2023 –, o ator virou rosto conhecido no imaginário popular. Cá entre nós, se víssemos Cage em algum sonho, ele seria reconhecido de imediato. Não é o que acontece em </span><a href="https://medium.com/@vitorevangelista_13411/o-homem-dos-sonhos-um-dois-cage-vem-te-pegar-ddef7efca8db"><i><span style="font-weight: 400;">Dream Scenario</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (título original): no longa, o veterano é Paul Matthews, um professor universitário sem muito destaque ou ânimo que, do dia para a noite, começa a aparecer no subconsciente da filha, dos alunos, colegas de trabalho e pessoas desconhecidas ao redor do mundo enquanto dormem.</span></p>
<figure id="attachment_33173" aria-describedby="caption-attachment-33173" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33173" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image4.png" alt="Cena do filme O Homem dos Sonhos. A cena se passa ao ar livre, durante o dia, em um estacionamento. À esquerda, em primeiro plano, vemos o ator Nicolas Cage da cintura para cima, um homem branco, aparentando cerca de 60 anos, com cabelos castanhos na lateral da cabeça, barba grisalha e óculos quadrados. Ele veste um suéter marrom e jaqueta preta, e carrega uma mochila nas costas. Ao centro e à direita, em segundo plano atrás do homem, vemos um carro verde escuro com a palavra “LOSER” (perdedor, em português) pichadas em tinta spray rosa claro." width="720" height="440" /><figcaption id="caption-attachment-33173" class="wp-caption-text">Cage, que se tornou rigoroso nos papéis que escolhe nessa fase da carreira, revelou que Paul Matthews é sua melhor atuação até agora – no melhor filme que já fez (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto de partida onírico de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem dos Sonhos </span></i><span style="font-weight: 400;">abre espaço para abusar da criatividade. Se os </span><a href="https://personaunesp.com.br/twin-peaks-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">sonhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> são o local onde tudo pode acontecer, a produção coloca Cage no centro de toda essa irracionalidade. O motivo do homem pipocar no subconsciente das filhas e conhecidos, primeiro, e depois no de pessoas desconhecidas sequer precisa de uma explicação – o deslumbramento vem justamente do que ele pode fazer dentro desse espaço sem regras. Parece o sonho de qualquer cineasta e espectador deixar a imaginação correr livre, sem as amarras do real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso,</span> <span style="font-weight: 400;">Nicolas Cage (merecedor da indicação como Melhor Ator de Comédia ou Musical no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2023) transita entre o drama e a comédia, com uma direção e roteiro de Kristoffer Borgli que o dá liberdade para fazê-lo. Paul é apresentado como um homem desinteressante, um professor universitário que não consegue prender a atenção da turma, um acadêmico que não atinge seu potencial completo (ele tem um livro pronto, falta só sentar para escrevê-lo), um pai chato e um marido sem muita paixão. O sonho poderia ser o espaço onde o protagonista – mesmo que uma versão dele no subconsciente das pessoas – escaparia da mediocridade, mas até assim ele é passivo, mais observando do que tomando parte nas ações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até que isso muda. O </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-nowhere-inn-critica/"><span style="font-weight: 400;">onírico</span></a><span style="font-weight: 400;"> atinge seu auge quando Paul, já familiar aos sonhos do mundo inteiro, toma atitude – claro, apenas no subconsciente, já que na vida real ele continua patético. A escalada à fama é indesejada inicialmente, mas começa a tomar forma conforme o protagonista enxerga as vantagens disso. Nicolas Cage brilha ao dar vida a um homem mediano alçado ao status de celebridade repentinamente, deslumbrado com a atenção, sem deixar de agir desconcertado e inapto à situação. Em uma das cenas mais cômicas do longa, o personagem aceita se reunir com uma agência de publicidade. Enquanto os marqueteiros querem usar sua imagem para fazer comerciais da </span><i><span style="font-weight: 400;">Sprite</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele quer aproveitar para promover seu livro sobre… plantas?</span></p>
<figure id="attachment_33172" aria-describedby="caption-attachment-33172" style="width: 912px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33172" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3.png" alt="Cena do filme O Homem dos Sonhos. A cena se passa em um local fechado, em que é possível ver paredes de madeira e estantes com livros ao fundo. À direita, vemos Nicolas Cage do tronco para cima. Ele é um homem branco, aparentando cerca de 60 anos, com cabelos castanhos na lateral da cabeça, barba grisalha, vestindo óculos quadrados, camisa listrada azul e cinza, gravata azul lisa e um paletó azul escuro. Ele está com a mão direita à frente do peito, mostrando uma luva característica do personagem Freddy Krueger, uma estrutura de metal com unhas afiadas." width="912" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3.png 912w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3-800x499.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3-768x479.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33172" class="wp-caption-text">O Homem dos Sonhos é a estreia do norueguês Kristoffer Borgli em inglês; o diretor acredita que a ficção seja o espaço para investigar “aspectos sombrios ou disfuncionais” da vida moderna (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas mãos de Borgli, a primeira metade do filme cria expectativa para o quão longe </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem dos Sonhos </span></i><span style="font-weight: 400;">pode chegar. Tratando-se do campo imaginário, nem o céu é o limite. A trajetória desanda quando a sequência coloca os pés no chão. Ao invés de extrapolar o absurdo dos sonhos, algo que faria sentido dentro do selo da</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/a24/"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e da produção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-hereditario/"><span style="font-weight: 400;">Ari Aster</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa toma um caminho comum de abordar as consequências da fama no dia a dia de uma pessoa comum.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao passo que a versão imaginária de Paul passa a agir como o completo oposto da versão real, alunos, colegas de trabalho e pessoas na internet passam a acusá-lo por suas ações – que, na verdade, ele nunca chegou a fazer, elas apenas sonharam. Até que ponto o protagonista é responsável por aquilo que fizeram dele? A cultura do cancelamento e os </span><a href="https://personaunesp.com.br/bodies-bodies-bodies-critica/"><span style="font-weight: 400;">hábitos de consumo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da nova geração viram o centro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dream Scenario</span></i><span style="font-weight: 400;">, desperdiçando o potencial de continuar fora da caixinha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não que isso </span><span style="font-weight: 400;">arruíne</span><span style="font-weight: 400;"> tudo que foi construído até ali. Com a liderança de Cage, Paul vira um personagem tosco, perdido dentro do que ele próprio almejou, algo simultaneamente cômico e dramático de se assistir. O debate até chega a promover a reflexão das consequências da celebrização e de levar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/regra-34-critica/"><span style="font-weight: 400;">internet ao extremo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas perde a força em se contentar com uma discussão repetitiva. </span></p>
<figure id="attachment_33171" aria-describedby="caption-attachment-33171" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33171" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2.png" alt="Cena do filme O Homem dos Sonhos. A cena é em plano aberto e se passa em uma rua vazia, durante a noite, com árvores e folhas no chão ao fundo. Do lado esquerdo, em segundo plano, vemos uma casa branca com o teto pegando fogo. Ao centro, em primeiro plano, vemos uma mulher branca, aparentando cerca de 60 anos, com cabelos castanhos curtos, vestindo um vestido de cor vinho. Ele está de mãos dadas com Nicolas Cage, um homem branco, aparentando cerca de 60 anos, com cabelos castanhos na lateral da cabeça, barba grisalha e óculos quadrados. Ele veste um terno preto maior do que seu corpo. Do lado direito, ao fundo, vemos algo pegando fogo na rua." width="1400" height="757" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2.png 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-800x433.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-1024x554.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-1200x649.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33171" class="wp-caption-text">No Brasil, O Homem dos Sonhos passou por uma sequência de adiamentos, chegando aos cinemas apenas em Abril (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem saber muito bem como se concluir, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xVebJdrDO_Y"><i><span style="font-weight: 400;">O Homem dos Sonhos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">abraça o personagem que Paul se tornou, deixando o campo onírico de lado em prol de uma sátira aos hábitos de consumo modernos. </span><i><span style="font-weight: 400;">À lá</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-do-pesadelo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Freddy Krueger</span></a><span style="font-weight: 400;">, Paul Matthews eventualmente some dos sonhos, tão sem explicação quanto entrou. Agora, ele se contenta em ser alguém que passou pelo ciclo da fama completo, da exaltação à decadência do cancelamento, vendo o seu fenômeno ser repercutido como um estudo de caso publicitário. Ao final, é a sequência de Nicolas Cage vestido de David Byrne, salvando a ex-esposa ao som de </span><a href="https://mashable.com/article/dream-scenario-talking-heads-david-byrne-suit"><span style="font-weight: 400;">Talking Heads</span></a><span style="font-weight: 400;">, que lembra que todo o caminho até ali valeu a pena, pelo menos em sonho.</span></p>
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		<title>O Desencontrar de Vidas Passadas</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Oct 2023 18:42:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique  Na cultura sul-coreana, há um conceito conhecido como In-Yun, que pode ser lido como “destino” ou “reencarnação”. Em gênese, In-Yun é o pressentimento que nos arrebata quando entendemos que uma eventualidade estava predestinada em nossos acasos, desenhada em algum no campo cósmico, e que nada e nem ninguém, poderia ser capaz de interferir &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/past-lives-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Desencontrar de Vidas Passadas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31664" aria-describedby="caption-attachment-31664" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31664" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-3.jpg" alt="" width="736" height="368" /><figcaption id="caption-attachment-31664" class="wp-caption-text">Antes do sucesso nas telas de cinema, o longa-metragem foi aclamado pela crítica especializada no Sundance Film Festival e na 73ª edição do Berlinale (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cultura sul-coreana, há um conceito conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i><span style="font-weight: 400;">, que pode ser lido como “</span><i><span style="font-weight: 400;">destino</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou “</span><i><span style="font-weight: 400;">reencarnação</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em gênese, </span><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o pressentimento que nos arrebata quando entendemos que uma eventualidade estava predestinada em nossos acasos, desenhada em algum no campo cósmico, e que nada e nem ninguém, poderia ser capaz de interferir naquela factualidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa de estreia da cineasta Celine Song exibido no Brasil durante a 25ª edição do </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/festival-do-rio-anuncia-primeiros-filmes-internacionais"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">, vemos o movimento de tempo entre dois melhores amigos e a maneira que seus destinos estão entrelaçados involuntariamente com suas vidas passadas. </span></p>
<p><span id="more-31662"></span></p>
<p><a href="https://letterboxd.com/journal/missed-connections-celine-song-past-lives/"><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> segue a trajetória de Na Young (Seung Ah Moon), jovem sul-coreana, que migrou do leste asiático para o Canadá e posteriormente para os Estados Unidos para vivenciar o tão perseguido sonho americano. Antes de assimilar as decorrências de suas escolhas, Young abandonou seu primeiro amor em seu país de origem, o jovem Hae Sung (Seung Min Yim), que embora distante do seu ponto de vista, permaneceu internalizado em algum vão de sua memória. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arco dividido em três atos no decorrer de 24 anos regressa no momento em que a protagonista, agora conhecida como Nora (Greta Lee) e oficialmente cidadã norte-americana, reencontra com a figura de Hae Sung (Teo Yoo) nas redes sociais e reiteradamente resgatam as lembranças perdidas por meio de mensagens diárias. Embora os avanços tenham desencadeado uma memória afetiva entre os dois, a diferença entre rotas e a distância impossibilitou que o romance seguisse para um caminho sólido, contribuindo para um novo afastamento. Ambos seguiram suas vidas, conheceram outras pessoas e se apaixonaram por elas, entretanto, nunca conseguiram esquecer de maneira efetiva os acontecimentos do </span><a href="https://letterboxd.com/crew/story/the-cast-of-past-lives-tell-us-about-their/"><span style="font-weight: 400;">passado</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31663" aria-describedby="caption-attachment-31663" style="width: 735px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31663 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-3.jpg" alt="Cena do filme Past Lives. Da esquerda para a direita está Hae Sung (Seung Min Yim), jovem sul coreano, de cabelo liso, curto na tonalidade preta. Ele está vestindo uma jaqueta e uma calça em diferentes tonalidades de azul e carregando uma mochila nas costas também na cor azul. Ao seu lado está Na Young (Seung Ah Moon), jovem sul coreana, de cabelos castanhos, amarrados em um rabo de cavalo. Ela está vestindo um macacão azul jeans, uma blusa vermelha de flanela e um tênis branco, ela também está carregando uma mochila vermelha nas costas. Eles estão ao ar livre, nos arredores do bairro onde eles moram. Ao fundo é perceptível algumas casas em diversas tonalidades, plantas dentros de vasos e uma escadaria de concreto. " width="735" height="395" /><figcaption id="caption-attachment-31663" class="wp-caption-text">Past Lives alcançou 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, marcando uma classificação média de 9.1/10 (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa-metragem é, além de tudo, um filme sobre </span><a href="https://medium.com/framerated/past-lives-2023-complex-immigrant-romance-full-of-yearning-fd183115145e"><span style="font-weight: 400;">cidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobre o espaço entre elas, suas semelhanças e dessemelhanças. A fotografia de Shabier Kirchner captura a beleza de dois polos diferentes, Seoul e Nova York. Em primeiro aspecto, por ambientar a infância de Nora e Hae Sung, a capital sul-coreana é retratada essencialmente por cenários arborizados, divagando por paisagens naturais e pátios escolares. Além da ambientação, a climatização dos primeiros minutos de tela são matizados por tonalidades mais vivas e expressivas, representando não apenas a pureza desse período, mas também o florescer da conexão entre os protagonistas.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrário ao clima vivaz da juventude, Nova York parece um muro de concreto, sólido, firme e acinzentado. A metrópole é palco do turismo estadunidense, retratado como um espaço na qual as pessoas vão para visitar, fotografar seus lugares históricos e adentrar nos restaurantes noturnos. O centro representa o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v-lxn21Ng9k"><span style="font-weight: 400;">amadurecimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Nora, da mulher forte na qual ela se tornou, e que encontrou seu conforto em meio ao caos da rotina agitada na grande cidade. </span></p>
<figure id="attachment_31665" aria-describedby="caption-attachment-31665" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31665" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-3.jpg" alt="" width="736" height="414" /><figcaption id="caption-attachment-31665" class="wp-caption-text">Em 2023, Greta Lee participou de dois filmes registrados com maior audiência nos cinemas, Past Lives e Homem Aranha: Através do Aranhaverso (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nora é um espelho da própria cineasta, que também migrou da Coreia do Sul para os Estados Unidos. Assim como </span><a href="https://a24films.com/notes/2023/06/a-note-from-celine-song"><span style="font-weight: 400;">Celine Song</span></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem mantém essa conexão entre as duas superfícies. Uma metáfora dos dois, ao mesmo tempo que nenhum deles. Ela carrega consigo suas raízes coreanas e a recordação da sua infância, mas igualmente se encontra como uma garota tipicamente estadunidense. Ela é duas metades que se completam e que compartilham desse amor mútuo entre os dois mundos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente disso, parafraseando a fala da protagonista,</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9WJELGFUG-w"><span style="font-weight: 400;"> Hae Sung</span></a><span style="font-weight: 400;"> é em sua completude, um homem sul-coreano. Ele leva em sua essência os pensamentos, ideais e princípios da cultura coreana, compondo uma personalidade tímida e observadora, extremamente respeitosa e questionadora. Hae Sung conduz uma nostalgia acolhedora para Nora, trazendo múltiplas indagações de como suas vidas poderiam ter seguido caminhos diferentes se ela tivesse permanecido na Coreia do Sul, como as coisas poderiam ter se desenhado para um novo rumo. </span></p>
<figure id="attachment_31667" aria-describedby="caption-attachment-31667" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31667" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-2.jpg" alt="" width="736" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-31667" class="wp-caption-text">Past Lives foi indicado na categoria Urso de Ouro, prêmio de maior destaque no Festival de Cinema de Berlim (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama dos personagens é sublinhada pela vasta sensação do</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">e se…</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em ritmos descompassados, a sensação de como as coisas poderiam ter sido diferentes na vida de Nora e Hae Sung domina a tela de modo pontual, emergindo nos momentos de pausa, na troca de olhares e na </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2JwAMKpwk4IolH2KhF6nPn"><span style="font-weight: 400;">sonoridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que anuncia de maneira sucinta o que esses personagens significam um para outro naquele momento. A trilha sonora de Daniel Rossen e Christopher Bear totalizam esse sentimento, com timbres que invadem a cena e atingem o espaço e as emoções dos espectadores, que também seguem na reflexão sobre as escolhas que determinaram o específico momento de suas vidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando a ligação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IAy9WVR5BUg"><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o atual parceiro de Nora, Arthur (John Magaro), configura outro aspecto na trajetória da personagem. A inquietude dele em razão da nova aparição de Hae Sung, carrega consigo a apreensão de novas manifestações emocionais entre os antigos melhores amigos de infância. Ainda assim, mesmo que o novo homem alcance os sentimentos de Na Young pela nostalgia, Arthur é uma representação de uma realidade, de um fato. Ele configura a escolha madura de Nora, reflete um verdadeiro encontro de almas, o “</span><i><span style="font-weight: 400;">ficar</span></i><span style="font-weight: 400;">” que estava predestinado, diferente de sua convivência com o seu antigo amor, que é marcado, sobretudo, pelo passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, a maneira que Celine Song anexa o conceito de destino no interior da cinematografia é mais pertencente ao sinônimo de encontro entre almas, do que de almas gêmeas. Isso fica evidente em meio a própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9d4ObkmCJYs"><span style="font-weight: 400;">relação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Arthur e Hae Sung, que se conectam em razão de outro vínculo comum em suas vidas, o de Nora. O caminho trilhado por ela e sua transição de espaços também precedeu para o encontro dos dois, que talvez, se não fosse por ela, nunca teriam acontecido nessa vida ou poderia ter acontecido de outra maneira. </span></p>
<figure id="attachment_31666" aria-describedby="caption-attachment-31666" style="width: 1869px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31666" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.jpg" alt="" width="1869" height="1007" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.jpg 1869w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1024x552.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1536x828.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1200x647.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31666" class="wp-caption-text">“Se você deixa algo para trás, você ganha algo também” (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama nos transporta para uma reflexão interna. Ela consegue, de maneira minuciosa, sensibilizar a audiência delicadamente e impactar a extensão mais profunda dos nossos sentimentos. A sensação que fica é de conciliação com o nosso eu anterior, com os atos que acreditamos ser erros ou acertos, e que na verdade, já estavam alinhados de maneira natural em nossa sina. </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202313871.html"><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme sobre amor, abandono, passado e presente. Sobre as conexões que fazemos quando criança e que moldaram nossas decisões como adultos. </span></p>
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