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	<title>Arquivos 2007 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em As Primas, amor, Arte e violência se misturam na Argentina dos anos 1940</title>
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		<pubDate>Tue, 30 May 2023 20:59:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos As Primas é um romance de formação, que narra a irmandade das primas Yuna, Petra e Carina, que crescem em uma família disfuncional e marginalizada na cidade argentina de La Plata, nos anos 1940. Publicada originalmente em 2007, quando Aurora Venturini tinha 85 anos, a obra recebeu vários prêmios literários na Argentina e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-primas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em As Primas, amor, Arte e violência se misturam na Argentina dos anos 1940"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31014" aria-describedby="caption-attachment-31014" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-31014 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress.png" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress-768x404.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31014" class="wp-caption-text">Aurora Venturini e seu livro As Primas venceram o prêmio Nueva Novela, do jornal Página/12, pelo qual a autora, enfim, foi premiada por &#8220;um júri honesto&#8221; (Foto: Fósforo/Arte: Vitória Vulcano)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-marco-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">As Primas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um romance de formação, que narra a irmandade das primas Yuna, Petra e Carina, que crescem em uma família disfuncional e marginalizada na cidade argentina de La Plata, nos anos 1940. Publicada originalmente em 2007, quando Aurora Venturini tinha </span><a href="https://www.eternacadencia.com.ar/blog/contenidos-originales/noticias/item/aurora-venturini-cumple-sus-primeros-100-anos.html"><span style="font-weight: 400;">85 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra recebeu vários prêmios literários na Argentina e no exterior. Destacando-se pela linguagem radical e excêntrica, que mistura diferentes registros, gírias, estrangeirismos, neologismos, erros gramaticais e ortográficos, criando um estilo único, original e cativante, o trabalho foi a leitura do <a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/">Clube do Livro do </a></span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><b>Persona </b></a><span style="font-weight: 400;">em Março de 2023.</span></p>
<p><span id="more-30989"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Explorando os limites da narração nas questões de gênero e classe, </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/autores/aurora-venturini/"><span style="font-weight: 400;">a autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostra as contradições e as <a href="https://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/">injustiças da sociedade argentina</a> da época. As personagens femininas são o centro da obra, retratadas como seres marginalizados, oprimidos e violentados pela sociedade patriarcal e machista. No entanto, elas também demonstram uma força e resistência admiráveis nas situações mais perversas e desconfortáveis. Não se conformam com o destino que lhes foi imposto e buscam formas de se expressar e de se afirmar com suas armas, sejam elas a Arte, a astúcia, a rebeldia ou a vingança.</span></p>
<figure id="attachment_30991" aria-describedby="caption-attachment-30991" style="width: 815px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30991 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-815x1024.png" alt="Fotografia da capa do Livro As Primas, da editora Alfaguara, de Aurora Venturini. Nela está uma mesa com pano de prato xadrez vermelho e branco. Abaixo, sentada com as pernas cruzadas ao chão está uma menina que segura uma xícara. Seu rosto está coberto pela toalha xadrez e ao chão está o pires de sua xícara. Logo acima, está o bule e o jogo completo de pires e xícaras." width="815" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-815x1024.png 815w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-637x800.png 637w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-768x965.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2.png 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30991" class="wp-caption-text">A autora se exilou na França, após o golpe militar argentino em 1955; lá, foi amiga de intelectuais franceses, como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir (Foto: Alfaguara Portugal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um aspecto interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Las primas </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) é a forma como a autora constrói suas personagens femininas. As primas </span><a href="https://www.telam.com.ar/notas/202210/607845-marcela-ferradas-teatro-yuna-obra.html"><span style="font-weight: 400;">Yuna Riglos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Petra, assim como as outras mulheres da família, sofrem com a pobreza, a ignorância, a exploração, o abuso e a discriminação devido às suas deficiências físicas ou mentais. Mesmo vitimadas pelos próprios familiares, que as tratam com desprezo, indiferença e crueldade, elas mantém a potência e singularidade em toda a narrativa.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Eu era uma menina diferente das outras porque tinha nascido com um defeito na cabeça que me fazia ter dificuldade para falar e entender as coisas. Por isso as pessoas me olhavam com pena ou com nojo. Mas eu não me importava com isso. Eu sabia que eu era especial e que tinha um dom para a pintura. Eu pintava coisas lindas que ninguém mais podia ver” <em>(p. 13)</em>.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, que chegou ao Brasil em Setembro de 2022 pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Fósforo</span></i><span style="font-weight: 400;">, provoca estranheza, piedade, repulsa e riso, mas também admiração pela maestria </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/primeiro-romance-da-argentina-aurora-venturini-traz-autobiografia-delirante/"><span style="font-weight: 400;">narrativa de Venturini</span></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, a autora cria um universo ficcional rico em detalhes, que revela contradições e injustiças, ao mesmo tempo que nos transporta àquela realidade. Com a ambiguidade de suas dores e principalmente humor, </span><span style="font-weight: 400;">a trajetória de Yuna é contada desde a infância até a idade adulta, passando por episódios trágicos e cômicos que envolvem sua mãe, sua irmã, suas primas, seus tios e seus amores.</span></p>
<figure id="attachment_30996" aria-describedby="caption-attachment-30996" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30996 " src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6.png" alt="Fotografia da capa do Livro As Primas, da editora Caballo de Troya , de Aurora Venturini. Nela está uma mulher branca, deitada com suas mão juntas em frente a seu rosto. Seus cabelos são castanhos e lisos, estão soltos. Ela veste uma blusa com babados azul clara e ao fundo está um sofá ornamentado. O efeito da foto remete a antiguidade com tons escuros e amarelados." width="533" height="615" /><figcaption id="caption-attachment-30996" class="wp-caption-text">Aurora Venturini usava o pseudônimo de Beatriz Portinari, e escolheu esse nome em homenagem à musa de Dante Alighieri, o poeta italiano autor da Divina Comédia (Foto: Editorial Caballo de Troya)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns aspectos temáticos, estilísticos e culturais, é possível relacionar a obra de Aurora Venturini com a de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/pedro-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos mais influentes e originais cineastas contemporâneos. O diretor espanhol é conhecido por filmes que abordam o amor, o desejo, a identidade, a sexualidade e  a família, com um estilo marcado pela estética colorida, pelo humor ácido e pela ironia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As semelhanças ocorrem, principalmente, através da presença de personagens femininas fortes, complexas e marginalizadas, que </span><a href="https://gpslifetime.com.br/materia/em-strange-way-of-life-pedro-almodovar-desafia-convencoes-no-old-west"><span style="font-weight: 400;">questionam os limites das convenções sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Expressando-se através de uma linguagem radical, Venturini usa a ironia ácida e a violência como forma de lidar com as situações trágicas e cômicas atribuídas às personagens.</span></p>
<figure id="attachment_30994" aria-describedby="caption-attachment-30994" style="width: 580px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30994 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-e1685460240947.png" alt="Fotografia da Autora Aurora Venturini. Uma mulher idosa, de cabelos ruivos ondulados e largos a altura de suas orelhas. Seu rosto é marcado por linhas de expressão enquanto encara sua frente. A imagem é restrita ao de seu busto acima, com uma camiseta preta. Ao fundo uma prateleira de livros antigos em tons marrons." width="580" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-30994" class="wp-caption-text">Falecida em 2015, Aurora Venturini foi amiga de Evita Perón, a primeira-dama da Argentina entre 1946 e 1952, e trabalhou com ela na Fundação Eva Perón, instituição com foco na assistência social que ajudava os pobres e os desamparados (Foto: Nora Lezano)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A tradução de </span><a href="https://livrosdabel.com.br/mariana-sanchez-a-tradutora-que-traz-a-literatura-latino-americana-ao-brasil/#:~:text=Mariana%20Sanchez%20%C3%A9%20uma%20das,Silvina%20Ocampo%E2%80%9D%20de%20Mariana%20Enriquez%2C"><span style="font-weight: 400;">Mariana Sanchez</span></a><span style="font-weight: 400;"> é sensível e precisa, captando o tom irônico e sarcástico da voz original de Yuna, que oscila entre a inocência e a crueldade, entre a ternura e o desprezo. A tradutora também respeita as escolhas estilísticas da autora, que usa uma pontuação peculiar e um vocabulário rico em regionalismos e neologismos.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu queria me chamar Maria, como a minha mãe, ou Nené, como a minha prima mais velha, que era linda e inteligente e tocava piano. Mas eu não podia escolher o meu nome e nem o meu rosto. Eu tinha que me conformar com o que me tinham dado”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Nesse trecho, pode-se observar como a tradutora preserva o estilo da autora argentina, que usa frases simples e diretas, sem muitas variações. Ela mantém, principalmente, o </span><a href="https://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/espectaculos/10-18863-2010-08-07.html#:~:text=Conhecer%20o%20autor%20te%20ajudou%3F"><span style="font-weight: 400;">tom confessional e infantil</span></a><span style="font-weight: 400;"> da narradora, que se apresenta ao leitor com muita sinceridade.</span></p>
<figure id="attachment_30992" aria-describedby="caption-attachment-30992" style="width: 898px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30992 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1.png" alt="Fotografia da atriz Marcela Ferradás. Uma mulher branca que veste uma saia longa cinza com detalhes listrados e uma camiseta social preta. A atriz usa um colar de pérolas enquanto olha para sua frente. Seus cabelos são castanhos, ondulados e curtos, com seu comprimento até a orelha. Ao fundo há uma parede com molduras diversas de quadros sem fotos ao meio." width="898" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1.png 898w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1-768x513.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30992" class="wp-caption-text">A atriz Marcela Ferradás conheceu e se encantou com a escritora Aurora Venturini, que lhe disse: “Yuna sos vos”; ela interpretará a protagonista de As Primas em uma peça dirigida por Horácio Peña (Foto: Radio Pública de la Provincia de Buenos Aires)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A personalidade de Yuna, no entanto, é complexa e contraditória: ela tem uma sensibilidade e uma criatividade extraordinária, que a fazem pintar coisas lindas. Ainda assim, é inocente e ingênua, e não compreende bem o mundo ao seu redor. Ela é curiosa e ávida por aprender, usando o </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2023/03/24/interna_pensar,1472857/em-as-primas-aurora-venturini-relata-brutais-historias-familiares.shtml#:~:text=explica%20que%20o%20uso%20de%20determinada%20palavra%20%C3%A9%20decorr%C3%AAncia%20da%20consulta%20ao%20dicion%C3%A1rio"><span style="font-weight: 400;">dicionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> como fonte de conhecimento e expressão. A personagem também é sincera e direta, dizendo o que pensa sem filtros ou rodeios &#8211; uma pessoa forte e resistente, que não se deixa abater pelas adversidades e convenções de decoro. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não gostava da minha prima Nené. Ela era gorda, feia e burra. Ela não sabia fazer nada direito. Ela só sabia tocar piano, mas isso não era arte de verdade” </span></i><span style="font-weight: 400;">(p. 121).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Petra, por sua vez, é uma personagem ambígua e complexa, que oscila entre a crueldade e a solidariedade, amor e ódio, lealdade e traição. Ela é a principal antagonista de Yuna, mas também sua confidente e protetora. Petra se autodenomina </span><i><span style="font-weight: 400;">liliputiane</span></i><span style="font-weight: 400;">, um termo encontrado para se referir às pessoas pequenas como ela. Ela usa essa expressão como forma de se afirmar e de desafiar os preconceitos da sociedade. Petra é a principal responsável na influência dos pensamentos de Yuna acerca de política, religião, sexo e </span><a href="https://personaunesp.com.br/suspiria-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">Arte</span></a><span style="font-weight: 400;">. É Petra, inclusive, que ajuda Yuna a enfrentar os abusos e as violências que sofre na família e na escola.</span></p>
<figure id="attachment_30995" aria-describedby="caption-attachment-30995" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30995 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.png" alt="Fotografia dos livros As Primas e As Amigas, de Aurora Venturini, ambos estão rodeados de outros livros em prateleiras e estão em pé. Seus títulos estão em branco com fundo preto enquanto molduram imagens em suas capas, em Las primas está a figura de uma menina embaixo da mesa tomando algo em uma xícara, na segunda imagem duas senhoras estão encarando sua frente também segurando pires e xícaras." width="1140" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.png 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30995" class="wp-caption-text">Depois do sucesso de Las primas, Aurora Venturini começou a escrever o monólogo Las Amigas (Foto: Revista Leemos)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">As Primas </span></i><span style="font-weight: 400;">se encerra com a consolidação de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">narradora singular</span></a><span style="font-weight: 400;"> e original criada por Aurora Venturini, que nos conta sua história desafiando as normas gramaticais e ortográficas. Yuna nos mostra seu próprio mundo de imperfeições e de diferenças, mas também de beleza e de esperança. Com essa voz inconfundível, Venturini nos apresenta um universo ficcional rico em detalhes, que revela as contradições e as injustiças da sociedade argentina &#8211; e não só.</span></p>
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		<title>XOXO: 15 anos depois, Gossip Girl ainda é nossa fofoqueira mais amada</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Dec 2022 19:09:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabrielli Natividade  Há pouco mais de 15 anos, Gossip Girl ia ao ar pela primeira vez. A série, que tinha como meta colocar os luxos da elite de Manhattan em foco e explorar todos os pecados de um grupo de adolescentes levando a vida como adultos, comemora sua década e meia de existência mantendo uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gossip-girl-15-anos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "XOXO: 15 anos depois, Gossip Girl ainda é nossa fofoqueira mais amada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29386" aria-describedby="caption-attachment-29386" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-1.jpg" alt="Personagens principais de Gossip Girl. Todos estão alinhados, em foco e caminhando em direção à câmera. Na ponta esquerda está Vanessa, uma mulher parda, com cabelos castanhos; ela está descalça e usa um vestido justo em tons de dourado; ela caminha segurando o lado direito da barra dele. Ao seu lado está Dan, um homem branco, com cabelos castanhos; ele veste um conjunto cinza claro de calça social e colete, além de uma camisa branca com as mangas dobradas até os cotovelos, uma gravata listrada em dois tons de cinza e sapatos pretos; ele carrega uma garrafa de champanhe em sua mão direita. Abraçada com Dan está Serena, uma mulher branca e loira; ela usa um vestido justo e com mangas bufantes na mesma cor que a roupa de Dan; está descalça e carrega sandálias prateadas em sua mão esquerda. Ao lado dela está Nate, um homem branco, com cabelos loiros escuros; veste sapatos, calça e camisa sociais na cor creme, além de um paletó cinza e uma gravata listrada nas duas cores; tem sua mão esquerda dentro do bolso frontal da calça. Ao seu lado está Chuck, um homem branco, com cabelos castanhos; veste uma calça social bege, sapatos na mesma cor, uma camisa branca com as mangas dobradas até os cotovelos e gravata cinza; carrega um paletó preto em sua mão esquerda e óculos de sol em sua cabeça. Ao lado dele está Blair, uma mulher branca, com cabelos castanhos; usa um vestido de estilo romântico perolado, com uma faixa preta em sua cintura, além de sandálias prateadas. De braços dados com Blair está Jenny, uma mulher branca, loira e mais jovem que os demais; usa um conjunto de blusa branca com barra preta e saia branca com sobreposição preta; ela está descalça. Atrás deles é possível ver um parque de diversões e um céu nublado." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29386" class="wp-caption-text">Assim como Nova Iorque, Gossip Girl nunca dorme e está sempre pronta para novas intrigas (Foto: Mark Seliger)</figcaption></figure>
<p><b>Gabrielli Natividade </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há pouco mais de 15 anos, </span><a href="https://youtu.be/-gEkqxdUIw4"><i><span style="font-weight: 400;">Gossip Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ia ao ar pela primeira vez. A série, que tinha como meta colocar os luxos da elite de Manhattan em foco e explorar todos os pecados de um grupo de adolescentes levando a vida como adultos, comemora sua década e meia de existência mantendo uma consolidada base de fãs nostálgicos e o gosto de ter </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/gossip-girl-lanca-tendencias-de-moda-influencia-mercado-fashion-americano-3609039"><span style="font-weight: 400;">influenciado</span></a><span style="font-weight: 400;"> uma geração e muitas produções posteriores. Claro que nem tudo envelheceu como vinho: apesar de diversas pautas importantes serem tratadas ao longo das seis temporadas, é possível perceber que nem todos os temas foram abordados com a sensibilidade necessária, reflexo da mentalidade da época. </span></p>
<p><span id="more-29382"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com todo o </span><a href="https://www.adorocinema.com/series/serie-3241/audiencias/"><span style="font-weight: 400;">impacto positivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, não foi surpresa que o </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> investisse em um </span><a href="https://bcharts.com.br/t/hbo-max-renova-reboot-de-gossip-girl-para-mais-uma-temporada-apos-a-serie-quebrar-recordes-de-audiencia/134138"><i><span style="font-weight: 400;">reboot</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para o sucesso de 2007 e se dedicasse a consertar alguns de seus erros em uma nova história, mesmo que com algumas falhas. A segunda geração de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gossip Girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreou em 2021 e, apesar de trazer um sentimento familiar, não chegou nem perto de se tornar tão influente quanto sua inspiração. Pode-se dizer que houve certa rejeição do público apaixonado pela versão original, devido à mudança de quase toda a equipe de criação, com exceção da produtora Stephanie Savage e do idealizador Josh Schwartz, o que tornou a nova série irreconhecível. Porém, há certos fatores que agradam, como a própria modernização da persona Gossip, saída dos </span><i><span style="font-weight: 400;">blogs</span></i><span style="font-weight: 400;"> para se aventurar no </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro problema solucionado pela </span><a href="https://youtu.be/QgwI0jXEzOI"><span style="font-weight: 400;">segunda produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi a falta de </span><a href="https://festivalteen.com.br/representatividade-e-tabus-elenco-da-nova-gossip-girl-contam-as-diferencas-entre-as-series.html"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;">. É inevitável pensar na série aniversariante sem lembrar do elenco majoritariamente branco, magro e hétero. Não é uma simples coincidência que Vanessa (Jessica Szohr), uma das únicas personagens não-brancas, fosse vista como uma grande vilã, ou que Eric (Connor Paolo), abertamente gay, tivesse um arco tão fraco em comparação com as grandes narrativas de seus colegas de elenco. Até mesmo Dorota (Zuzanna Szadkowski) e Cyrus (Wallace Shawn), únicos personagens não-magros, não passaram de alívios cômicos em meio aos dramas de Blair (Leighton Meester). Foi realmente uma vitória notar como a produção evoluiu em 15 anos, tendo agora, em sua segunda versão, um elenco diverso e com o mesmo </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Gossip Girl | Blair Waldorf&#039;s Most Iconic Quotes | HBO Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/g-7dtpHG5Ek?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais impressiona em </span><i><span style="font-weight: 400;">Gossip Girl </span></i><span style="font-weight: 400;">é a quantidade de pautas importantes discutidas, independentemente dos problemas em algumas abordagens. Logo na primeira temporada, o espectador se depara com a </span><a href="https://youtu.be/AfI6FmpAvGM"><span style="font-weight: 400;">bulimia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Blair, devido a pressão de manter seu relacionamento arranjado com Nate (Chace Crawford) e viver à sombra de sua melhor amiga, Serena (Blake Lively); com o quase </span><a href="https://youtu.be/cTSg3RtSKTk"><span style="font-weight: 400;">estupro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Jenny (Taylor Momsem) pelas mãos de Chuck (Ed Westwick); com a tentativa de suicídio de Eric e muito mais. A seriedade dos assuntos não diminuiu ao longo dos anos. Cenas de overdose, mortes, pedofilia e relacionamentos abusivos fazem parte da narrativa da produção. Não existem personagens puros e bons, mas adolescentes que conheceram o poder cedo demais e nunca aprenderam a lidar com isso, espelhando-se nas figuras adultas que tinham próximas a si, geralmente muito problemáticas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diversas séries foram influenciadas pela obra de Schwartz e Savage e se lançaram na estratégia de mostrar jovens em sua fase de rebeldia e inconsequência, ao mesmo tempo que lidam com as pressões do mundo. Algumas se esforçaram para explorar as questões com mais responsabilidade, como é o caso de </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que debate o vício e a abstinência em drogas com maestria. Já outras acabaram sendo até mais superficiais que a série de 2007, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/elite-4a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Elite</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a segunda geração de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebeldes</span></i><span style="font-weight: 400;">, que falam sobre estupro, doenças terminais, vício, homofobia e morte com pouquíssimo tato. Enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">A Garota do Blog</span></i><span style="font-weight: 400;"> recebe o benefício da dúvida por ter sido lançada há 15 anos, não há desculpas para a imprudência das novas gerações.</span></p>
<figure id="attachment_29387" aria-describedby="caption-attachment-29387" style="width: 2369px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3.jpg" alt="Grade de duas fotos de Penn Badgley. Na imagem da esquerda vê-se o ator no papel de Dan; veste o uniforme de sua escola - camisa amarela, terno preto e gravata listrada nas duas cores e vermelho - e é possível ver a alça de sua bolsa em seu ombro direito. Na imagem da direita está Penn no papel de Joe; veste uma camiseta branca, uma camisa social azul clara e uma jaqueta jeans; é possível ver a alça de sua mochila em seu ombro direito." width="2369" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3.jpg 2369w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29387" class="wp-caption-text">Dan Humphrey andou para que Joe Goldberg pudesse correr (Foto: <i><span style="font-weight: 400;">Meghan Dillon</span></i>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível falar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gossip Girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem mencionar as estrelas da série, </span><a href="https://youtu.be/z31vQfo3YNY"><span style="font-weight: 400;">Blair e Serena</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao longo das seis temporadas, as duas tiveram incontáveis altos e baixos, indo de melhores amigas a inimigas em segundos. Elas brigaram o tempo todo, como se fossem irmãs, mas estiveram presentes na vida uma da outra, se apoiando desde sempre, e isso é o suficiente para se amarem incondicionalmente. Porém, não dá para ignorar o fato de que os conflitos ultrapassaram limites logo nos primeiros episódios em que Serena, mesmo sabendo da importância para Blair e sua família que ela mantivesse um relacionamento dos sonhos com Nate, e que a amiga o amava como a um príncipe encantado, engatou um namoro com o jovem. Do lado contrário, Waldorf também cruzou a linha: algumas temporadas depois, expôs um dos maiores traumas de Serena para pessoas importantes da Universidade de Yale enquanto ambas disputavam uma vaga. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem é fã da </span><a href="https://youtu.be/tgJplHmwYm4"><i><span style="font-weight: 400;">Queen B</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> definitivamente não se decepcionou com o desenrolar de seu enredo. Blair teve, definitivamente, um dos arcos de redenção mais bonitos da série e foi um dos personagens que mais se desenvolveu positivamente. Na primeira temporada, a garota era apenas mesquinha, mimada e egoísta, uma bela fachada para esconder o fato de não ser feliz consigo mesma e não saber lidar com as situações sombrias de sua vida. Ao longo da produção, Waldorf viveu um romance intenso com Chuck Bass e sofreu demais em vários momentos, novamente não se valorizando o suficiente. Ao final, após perder amores, amizades, sua faculdade dos sonhos, seu filho e outros fatores que ela acreditava que a definiam como pessoa, ela finalmente se descobre e fica em paz. A garota se torna uma mulher madura e segura de si, e encerra seu ciclo com uma família que ama e celebrando o casamento de sua melhor amiga, feliz e livre dos pesos colocados sobre si. </span></p>
<figure id="attachment_29389" aria-describedby="caption-attachment-29389" style="width: 2331px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imageem-4.png" alt="Imagem de Blake no Met Gala de 2022. A atriz usa um vestido Versace e luvas azul Tiffany com pinturas e pedrarias em cor de cobre. Ela usa brincos de pedras e uma coroa também em cobre com detalhes em Tiffany. Atrás de si é possível observar a famosa escadaria e diversos fotógrafos do evento. " width="2331" height="1748" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imageem-4.png 2331w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imageem-4-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imageem-4-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imageem-4-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imageem-4-1536x1152.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29389" class="wp-caption-text">Blair pode ser a abelha rainha dentro da série, mas na vida real esse papel fica com Blake Lively (Foto: Mike Coppola)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há consenso acerca do final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gossip Girl</span></i><span style="font-weight: 400;">: muitos amam, muitos odeiam. Entre os desfechos que mais causam discussões está o de </span><a href="https://www.fatosdesconhecidos.com.br/7-coisas-que-nao-fazem-sentido-sobre-dan-humphrey-de-gossip-girl/"><span style="font-weight: 400;">Dan Humphrey</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Penn Badgley) como a fofoqueira queridinha e desprezada. Diversos fãs se incomodaram com a explícita hipocrisia do </span><i><span style="font-weight: 400;">lonely boy</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se queixava constantemente da atenção que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota do Blog</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a elite de Manhattan recebiam, se sentindo superior por não ser dependente dos luxos da vida nova-iorquina. Outra situação que causou controvérsias foi o casamento de Serena e Dan, após a garota ter transitado a série toda entre Humphrey e Nate; muitos prefeririam que Van der Woodsen tivesse terminado seu arco com Archibald, mas não foi realmente uma surpresa assisti-la caindo de vez nos encantos do garoto do Brooklyn. De qualquer forma, o melhor acontecimento foi a reunião de todo o elenco no último episódio, incluindo a eterna </span><i><span style="font-weight: 400;">Little J</span></i><span style="font-weight: 400;">, que havia deixado a produção dois anos antes para focar em sua carreira musical. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">15 anos depois dessa grande produção, a </span><a href="https://youtu.be/vxi6NlFoj-o"><i><span style="font-weight: 400;">Garota do Blog</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ainda é capaz de conquistar o coração de seus fãs. Mesmo com todas as desavenças, ainda há um ar de nostalgia, compreensão e confiança ao longo dos episódios, uma vez que os espectadores cresceram juntamente com os personagens, acompanharam todos os seus momentos de conquista e perda,  seus altos e baixos, desde a escola até a sua vida adulta. A série acabou, mas seu legado ainda vive para que novas histórias surjam e representem adolescentes e suas vidas complicadas. Para </span><i><span style="font-weight: 400;">Gossip Girl</span></i><span style="font-weight: 400;">: XOXO, ainda amamos você. </span></p>
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		<title>15 anos de Na Natureza Selvagem: a felicidade compartilhada com a totalidade do nada</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Oct 2022 17:32:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Solidão. Substantivo feminino. Estado de quem está só, retirado do mundo ou de quem se sente desta forma mesmo estando rodeado por outras pessoas; isolamento. Solitude. Substantivo feminino. Condição de quem se isola propositalmente ou está em um momento de reflexão e de interiorização. Popularmente usada em oposição à solidão para indicar que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/na-natureza-selvagem-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "15 anos de Na Natureza Selvagem: a felicidade compartilhada com a totalidade do nada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28872" aria-describedby="caption-attachment-28872" style="width: 1363px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28872 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816.jpg" alt="Cena do filme Na Natureza Selvagem. Nela, Alexander Supertramp, um jovem branco de cabelos volumosos e barba, ambos castanhos, está sentado em uma cadeira na frente de um ônibus nas cores verde e branca. Ele veste uma camisa xadrez nas mesmas cores que o ônibus, porém com sujeira mais visível, calça bege e galocha preta. Ele segura um caderno azul aberto, o qual está olhando. Ao redor do ônibus, há plantas e flores na cor rosa." width="1363" height="565" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816.jpg 1363w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816-1024x424.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816-768x318.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816-1200x497.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28872" class="wp-caption-text">A adaptação da história de Christopher McCandless por Sean Penn é carregada de significados (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Solidão. Substantivo feminino. </span><span style="font-weight: 400;">Estado de quem está só, retirado do mundo ou de quem se sente desta forma mesmo estando rodeado por outras pessoas; isolamento. </span><a href="https://encenasaudemental.com/comportamento/insight/solitude-e-solidao-a-diferenciacao-do-estar-so/"><span style="font-weight: 400;">Solitude</span></a><span style="font-weight: 400;">. Substantivo feminino. Condição de quem se isola propositalmente ou está em um momento de reflexão e de interiorização.</span> <span style="font-weight: 400;">Popularmente usada em oposição à solidão para indicar que estar sozinho não implica obrigatoriamente estar em sofrimento. Associada à alegria de estar sozinho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se tudo é algo, então nada é algo. A relação entre preenchimento e vazio sempre bailou mais junta do que se imagina. Por mais que esses dois extremos estejam bastante próximos, a jornada para percepção dessa curta distância é bem trabalhosa. É essa </span><i><span style="font-weight: 400;">via-crúcis</span></i><span style="font-weight: 400;"> que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XZG1FzyB8DI&amp;ab_channel=RottenTomatoesClassicTrailers"><i><span style="font-weight: 400;">Na Natureza Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2007), filme que completa quinze anos em 19 de Outubro de 2022, busca percorrer.</span></p>
<p><span id="more-28871"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado na obra homônima de </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-nome-do-ceu-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jon Krakauer</span></a><span style="font-weight: 400;">, que vem virando um queridinho dos roteiristas de Hollywood, o longa acompanha a verdadeira história da “morte” &#8211; social, por assim dizer &#8211; de Christopher McCandless, e o “nascimento e vida” de Alexander Supertramp. Na trama e na vida real, Chris largou sua vida promissora de jovem prodígio para buscar a completude no meio do nada. Aqui, Sean Penn, em sua espaçada carreira de diretor, dirige uma de suas melhores obras cinematográficas, garantindo duas indicações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2008, além do Prêmio do Público de Melhor Longa Estrangeiro de Ficção na 31ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, em 2007.</span></p>
<figure id="attachment_28873" aria-describedby="caption-attachment-28873" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28873 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-1024x406.jpg" alt="Cena do filme Na Natureza Selvagem, Nela, Alexander Supertramp está deitado no banco do ônibus, apontando a mão para cima e com a boca aberta, como se estivesse em seus últimos suspiros. Ele só aparece da altura dos ombros para cima e veste um caso verde, com pelagem bege ao redor da touca." width="840" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-1024x406.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-800x318.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-768x305.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-1200x476.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28873" class="wp-caption-text">A cena final é extremamente tocante e poética, mostrando uma competência tanto do ator principal quanto da escrita do roteiro (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><a href="https://darkside.blog.br/henry-david-thoreau-fui-para-o-bosque-porque-queria-viver-deliberadamente/"><span style="font-weight: 400;">Henry Thoreau</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos intelectuais que serve de estopim para o roteiro e referenciado diretamente ao longo da obra, defende o abandono das ilusões de uma vida repleta de coisas supérfluas para, daí sim, sabermos o que realmente é essencial. Seguindo radicalmente esse conceito, Supertramp enxerga a própria existência em sociedade como banal, e, assim como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Walden </span></i><span style="font-weight: 400;">(1854), um dos livros mais célebres de Thoreau, busca a contemplação de sua vida rasgando o contrato social de John Locke, a fim de viver livremente sua própria natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas seria muito simplista dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">Into the Wild</span></i><span style="font-weight: 400;"> é apenas uma nova roupagem desse conceito. Abraçando o gênero de </span><a href="https://www.teclasap.com.br/road-movie/"><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra, além da trajetória “do ponto a ao ponto b”, convida o espectador a embarcar em uma viagem reflexiva sobre o quanto estamos enraizados em nossas próprias ideias de sociedade. Isso começa com a percepção que temos de Supertramp no início, sendo muito fácil identificá-lo como um egoísta dissimulado &#8211; mesmo que, em partes, ele seja. Porém, nós e o próprio Supertramp estamos tão imersos nos ritos sociais que não é possível enxergá-lo como um desprezível desvio dessa constante, mas sim como um erro grotesco, que não se encaixa no padrão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é muito bem colocado pelo roteiro no momento da construção do personagem de McCandless. Por ser adaptado de um livro que narra fatos, é esperado que a escrita tenha maior liberdade poética, tornando-se algo perceptível a partir do “nascimento” de Supertramp. Claro que a jornada até o Alasca é o pano de fundo, mas a história – que além da direção, tem o roteiro assinado por </span><a href="https://cineclick.uol.com.br/artistas/sean-penn"><span style="font-weight: 400;">Sean Penn</span></a> <span style="font-weight: 400;">– usa da jornada do andarilho para traçar um estudo sobre a inserção (ou não) do indivíduo no mundo contemporâneo, e faz isso de forma muito tocante.</span></p>
<figure id="attachment_28874" aria-describedby="caption-attachment-28874" style="width: 1018px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28874 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-3-e1666196728927.jpg" alt="Cena de Na Natureza Selvagem. Nela, Supertramp está em uma praia no nascer ou pôr do sol. Por conta do sol, só é possível ver sua silhueta centralizada. Ao fundo dele, no meio do mar, uma ilha e alguns pássaros à direita." width="1018" height="427" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-3-e1666196728927.jpg 1018w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-3-e1666196728927-800x336.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-3-e1666196728927-768x322.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28874" class="wp-caption-text">O longa sabe trabalhar o isolamento do ator principal em meio a imensidão do mundo (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema, historicamente, aborda a solidão e a solitude. Claro que a solidão é muito mais prática de ser transmitida, devido a sua familiaridade e violência de impacto. Podemos tirar ótimos exemplos das telas, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/taxi-driver-completa-40-anos-permanece-extremamente-atual/"><i><span style="font-weight: 400;">Taxi Driver</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1976),</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=C3NDz_7KP2g&amp;ab_channel=HDRetroTrailers"><i><span style="font-weight: 400;">Amores Expressos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1994) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Her </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013). Já com a solitude, o trabalho é mais minucioso, pois é um conceito embaralhado dentro de nós mesmos. Ainda assim, é possível traçar paralelos, como a simples ida ao cinema em </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/cinema-paradiso-serie"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema Paradiso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1988) ou o azar de ser esquecido em outro planeta em </span><a href="https://personaunesp.com.br/perdido-em-marte-o-azarao-no-oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Perdido em Marte</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015).</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“Para chamar cada coisa pelo seu devido nome</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;"> pelo seu devido nome”</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">E é aí que está o valor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Natureza Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">: ele não é um ótimo expoente de uma dessas vertentes, mas sim das duas ao mesmo tempo, e consegue destrinchar os meandros desse nebuloso meio termo. McCandless pensa que é descolado da sociedade que o cerca, mas não. Desde a burocracia para ser reconhecido como pessoa até os momentos que ele exala euforia ao estar completamente isolado e, por conta do seu inconsciente, grita para ser ouvido por ninguém; é nesse lugar que mora a linha tênue entre solidão e solitude.</span></p>
<figure id="attachment_28875" aria-describedby="caption-attachment-28875" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28875 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4.jpg" alt="Cena de Na Natureza Selvagem. Nela vemos Supertramp ao lado de Ron, um senhor idoso branco e de cabelos brancos. Supertramp veste uma camisa branca, short preto e tênis cinza. Ron Veste uma polo azul claro, uma calça azul escura e meias e tênis pretos. Ambos estão sentados em uma montanha de pedras olhando para frente. Ao lado direito de Supertramp, sua mochila está bege e azul está caída para o lado." width="2048" height="1366" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28875" class="wp-caption-text">A relação entre Supertramp e Ron é de longe uma das mais emocionantes da obra (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, é inegável que a solitude de Supertramp preenche toda a obra de cabo a rabo, graças à primorosa atuação de </span><a href="https://www.instagram.com/emilehirsch/"><span style="font-weight: 400;">Emile Hirsch</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Speed Racer</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Reis de Dogtown</span></i><span style="font-weight: 400;">). Por isso, a escrita é muito inteligente ao explorar a solidão e suas infinitas formas de dor através dos personagens secundários, com as também brilhantes atuações de, entre outros, Vince Vaughn (</span><i><span style="font-weight: 400;">Os Estagiários</span></i><span style="font-weight: 400;">), </span><a href="https://personaunesp.com.br/spencer-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kristen Stewart</span></a><span style="font-weight: 400;"> pré-</span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-144402/"><i><span style="font-weight: 400;">Crepúsculo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, William Hurt (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Beijo da Mulher Aranha</span></i><span style="font-weight: 400;">) e a tocante relação com Hal Holbrook (</span><i><span style="font-weight: 400;">Todos os Homens do Presidente</span></i><span style="font-weight: 400;">) no papel de Ron Franz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que um filme sobre a auto-descoberta, </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Natureza Selvagem </span></i><span style="font-weight: 400;">esconde a discussão sobre o auto-perdão e como este é importante para tal descoberta. Cada pessoa com quem Supertramp cruza, até o memorável </span><a href="https://gooutside.com.br/a-historia-do-onibus-de-na-natureza-selvagem/"><span style="font-weight: 400;">ônibus 142</span></a><span style="font-weight: 400;">, desperta esse sentimento no protagonista, em diferentes aspectos, como relacionamento, trabalho, traumas e amor familiar. A produção peca um pouco ao escancarar tanto essa virada de chave que McCandless dá nos outros personagens &#8211; salvo alguns momentos que isso é benéfico, como no diálogo com Ron -, deixando a mudança de percepção de Supertramp cozinhando na subjetividade para conseguir encaixá-la no excelente final da obra.</span></p>
<figure id="attachment_28876" aria-describedby="caption-attachment-28876" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28876" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-5.gif" alt="Gif do filme Na Natureza Selvagem. Nele, Supertramp está com uma camisa xadrez verde e amarela e uma camisa verde por baixo. Ele abre os braços para sentir a brisa enquanto a câmera rodopia pelo cenário, que é composto por uma cadeia de montanhas que estão em processo de degelo." width="500" height="208" /><figcaption id="caption-attachment-28876" class="wp-caption-text">A fotografia do longa entrega um Estados Unidos de paisagens incríveis (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Direção e roteiros afiados, ou um elenco impecável, não são capazes de garantir a sustentação de uma boa obra. É nessa hora que brilham alguns aspectos técnicos do longa, a começar pela sua fotografia. Embora Sean Penn tenha trazido um caráter contemplativo e carregado de filosofia para o texto, foi com Eric Gautier, experiente com </span><i><span style="font-weight: 400;">road movies</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela jornada de Che Guevara em </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/6834/diarios-de-motocicleta"><i><span style="font-weight: 400;">Diários de Motocicleta</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2004), que a escrita conseguiu ser traduzida para o gênero. A mudança entre os planos abertos nas locações, que transmitem um Estados Unidos diferente do habitual, e os planos extremamente fechados nas personas, quase que uma quebra da quarta parede simulada, mostram a ambiguidade que a história carrega.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto é a brilhante contribuição de Eddie Vedder para a trilha sonora do longa, que por si só merecia um texto à parte. Mesmo indo totalmente ao oposto do que apresenta no </span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">Pearl Jam</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o icônico dedilhado do violão, que mesmo sem assistir a obra é provável que você conheça, Vedder entrega uma das obras mais singelas e concisas de toda sua discografia. As músicas conversam totalmente com a ideia do filme e amplificam a mensagem da produção. A trilha, digna de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, não garfou o careca dourado e levou somente o Globo de Ouro de Melhor Canção Original daquele ano para as mãos de Vedder.</span></p>
<figure id="attachment_28877" aria-describedby="caption-attachment-28877" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28877 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6.jpg" alt="Cena do filme Na Natureza Selvagem. Nela, vemos um livro em inglês. Entre o espaço de um parágrafo para o outro, uma caneta preta escreve de letras maiúsculas a palavra &quot;Happiness&quot;. A imagem é legendada com o texto em cor branca, escrito “happiness only real when shared.”" width="1280" height="624" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6-800x390.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6-1024x499.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6-768x374.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6-1200x585.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28877" class="wp-caption-text">“A felicidade só é real quando compartilhada” (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa é muito consciente ao enriquecer filosoficamente a história de Supertramp, sem correr o perigo de ser o principal difusor da imprudente decisão do andarilho. Claro que ele, de certa forma, espalha essa ideia; é inevitável, e com a obra tornando o ato algo mais </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, pessoas se </span><a href="https://www.uol.com.br/nossa/viagem/noticias/2015/03/17/trilha-no-alasca-segue-os-passos-do-livro-e-filme-na-natureza-selvagem.htm"><span style="font-weight: 400;">inspiraram a partir dele</span></a><span style="font-weight: 400;">. A questão é que o filme tem muito mais material além disso, e o problema está longe de residir no conteúdo da mensagem, mas sim em como ele é recepcionado pelos diferentes tipos de público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos 15 anos, ao assistir pela primeira vez, </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Natureza Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou um dos meus favoritos, pois as concepções sobre a mensagem chegavam em alguém tão idealista e dissimulado quanto Supertramp. Revendo a obra, 15 anos depois de seu lançamento, tal visão mudou, pela única razão de que a ótica da vida também mudou. Nietzsche, outro autor que o longa chega a citar, tinha o conceito de </span><a href="https://razaoinadequada.com/2013/04/03/nietzsche-amor-fati/"><i><span style="font-weight: 400;">amor fati</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, amor ao fado (destino), ao pé da letra, cujo significado é aceitar as coisas que chegam até sua efêmera vida – o final já está decretado. E se parte da jornada é o fim, apenas aproveitar a vista seria muito clichê, então, por que não adaptar o olhar para saber quando contemplá-la, nos mais diferentes sentidos da palavra contemplar? Por que não identificar e chamar cada coisa pelo seu devido nome?</span></p>
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		<title>Keeping Up with the Kardashians: 15 anos da ascensão de um Império</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Oct 2022 22:21:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Ao longo da história do mundo, impérios foram erguidos e derrubados, se alastraram pela imensidão e perderam territórios, derramaram sangue e no mesmo vermelho se afogaram. Desde os romanos, passando pelos mongóis até os britânicos, a humanidade parece naturalmente se inclinar sob a influência de uma força dominadora comum, apesar de passageira. Em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/keeping-up-with-the-kardashians-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Keeping Up with the Kardashians: 15 anos da ascensão de um Império"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28838" aria-describedby="caption-attachment-28838" style="width: 1460px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28838" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-5.jpg" alt="Fotografia das mulheres da família Kardashian. Da esquerda para a direita na imagem: Khloé Kardashian, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste um casaco de manga longa preto sobre um vestido curto de estampa de onça; Kylie Jenner, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste um vestido de alça curto preto; Kris Jenner, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste um vestido de manga longa de estampa de onça; Kourtney Kardashian, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste um vestido de manga longa rosa com uma fivela preta; Kim Kardashian, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste um vestido de manga curta de estampa de onça; Kendall Jenner, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste um vestido de manga curta nas cores branco e preto. Com exceção de Kris, que aparece sorrindo para as câmeras, todas sinalizam um beijo para as lentes. O cenário é o tapete vermelho de um evento." width="1460" height="820" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-5.jpg 1460w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-5-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-5-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-5-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-5-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28838" class="wp-caption-text">O reality show das Kardashians teve 20 temporadas, 3 diretores e 2 roteiristas ao decorrer da sua história (Foto: Tinseltown)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da história do mundo, </span><a href="https://novaescola.org.br/conteudo/2380/quais-sao-os-maiores-imperios-da-historia"><span style="font-weight: 400;">impérios</span></a><span style="font-weight: 400;"> foram erguidos e derrubados, se alastraram pela imensidão e perderam territórios, derramaram sangue e no mesmo vermelho se afogaram. Desde os romanos, passando pelos mongóis até os britânicos, a humanidade parece naturalmente se inclinar sob a influência de uma força dominadora comum, apesar de passageira. Em 2007, o </span><i><span style="font-weight: 400;">reality show</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=xytIBBDUqSE"><i><span style="font-weight: 400;">Keeping Up with the Kardashians</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> marcou a ascensão de um império liderado por mulheres que, pelo bem e pelo mal, moldaram a cultura de seu tempo e continuam à frente das áreas por enquanto não invadidas por bárbaros.</span></p>
<p><span id="more-28837"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por incrível que pareça, a analogia ao período monárquico é proporcional à realidade: o início da expansão Kardashian teve como estopim a desintegração da Rússia Imperial nos primeiros anos do século XX, quando os antepassados armênios de </span><span style="font-weight: 400;">Robert Kardashian imigraram para os Estados Unidos. A família como conhecemos hoje é fruto da união de Robert, advogado conhecido pela defesa de O. J. Simpson, com a </span><i><span style="font-weight: 400;">socialite</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=EqhahuBwLTE"><span style="font-weight: 400;">Kris Jenner</span></a><span style="font-weight: 400;">. Do casamento nasceram</span><span style="font-weight: 400;"> Rob, Kourtney, Kim e Khloé e, a</span><span style="font-weight: 400;">pós o divórcio, o matrimônio com a ex-atleta olímpica </span><a href="https://people.com/tv/caitlyn-jenner-on-kuwtk-ending/"><span style="font-weight: 400;">Caitlyn Jenner</span></a><span style="font-weight: 400;"> resultaria em outras duas protagonistas, Kendall e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gdir10Dsni8"><span style="font-weight: 400;">Kylie</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28839" aria-describedby="caption-attachment-28839" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28839" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2.jpeg" alt="Fotografia de Kim Kardashian e Paris Hilton. Da esquerda para a direita na imagem: Kim Kardashian, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste uma camiseta de manga curta branca; Paris Hilton, uma mulher branca de olhos e cabelos claros, veste uma blusa de alça nas cores cinza e vermelho. Ambas estão sentadas nas cadeiras de uma mesa enquanto usam fixamente os celulares dos anos 2000. O cenário é um evento rodeado de mesas." width="1600" height="1226" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-800x613.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-1024x785.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-768x588.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-1536x1177.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-1200x920.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28839" class="wp-caption-text">Kim Kardashian escandalizou os tabloides ao lado de Paris Hilton (Foto: Gregg DeGuire)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro reinado que também chegou ao fim para dar espaço às mulheres mais controversas do entretenimento foi o de </span><a href="https://www.el-shai.com/paris-hilton-single-handedly-shaped-pop-culture/"><span style="font-weight: 400;">Paris Hilton</span></a><span style="font-weight: 400;">, ícone da </span><a href="https://personaunesp.com.br/framing-britney-spears-a-vida-de-uma-estrela-critica/"><span style="font-weight: 400;">cultura de celebridades</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos anos 2000. Embora parte do público considere a </span><i><span style="font-weight: 400;">sextape</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Kim Kardashian a razão do aumento da sua popularidade, a verdade é que, na época, a mídia pouco se importou. O salto à </span><a href="https://www.insider.com/video-kim-kardashian-explains-why-shes-famous-to-daughter-north-2019-4"><span style="font-weight: 400;">fama</span></a><span style="font-weight: 400;"> aconteceu graças ao esforço constante de ser </span><a href="https://hollywoodforevertv.com.br/noticias/curiosidades/curiosidades-sobre-iconica-e-polemica-amizade-de-kim-kardashian-e-paris-hilton.phtml"><span style="font-weight: 400;">fotografada</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao lado da loira festeira de Hollywood, cuja imagem já demonstrava sinais de cansaço: </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/the-simple-life-paris-hilton-nicole-richie/"><i><span style="font-weight: 400;">The Simple Life</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Hilton e Nicole Richie, foi cancelado uma semana antes da estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Keeping Up with the Kardashians</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fútil, imoral e de caráter duvidoso, o programa da emissora </span><i><span style="font-weight: 400;">E! Entertainment Television</span></i><span style="font-weight: 400;"> teve temporadas marcadas pelas críticas dos especialistas da Televisão, porém, na mesma intensidade, não havia quem tirasse os olhos do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lzz-XtROrhM"><span style="font-weight: 400;">cotidiano</span></a><span style="font-weight: 400;"> da família. Fato é que a qualidade nunca foi o objetivo do </span><i><span style="font-weight: 400;">reality show</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, se um dia as mulheres Kardashians foram estereotipadas, hoje são elas que ditam as normas do círculo social e feminino que regem. Os efeitos benéficos e maléficos desse poder são reações diretas do trabalho da </span><a href="https://www.ofuxico.com.br/noticias/kris-jenner-quer-ser-dona-do-termo-momager/"><i><span style="font-weight: 400;">momager</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (em tradução livre: mãe-agente) de maior sucesso da história, Kris Jenner. </span></p>
<figure id="attachment_28840" aria-describedby="caption-attachment-28840" style="width: 498px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28840" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3.gif" alt="Cena do reality show Keeping Up with the Kardashians. Na imagem animada, Kris Jenner, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste uma camiseta de manga longa na cor marrom e brincos de argola dourados. Ela filma a sua filha Kim, que não aparece no retrato. Na parte inferior da animação está escrita a frase dita por Kris no momento “You’re doing amazing sweetie” (em tradução literal: “Você está indo muito bem, querida”). O cenário é uma sessão de fotos." width="498" height="334" /><figcaption id="caption-attachment-28840" class="wp-caption-text">Fã número 1 de suas filhas, Kris Jenner trilhou o caminho da família ao sucesso (GIF: E! Entertainment Television)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A matriarca nunca escondeu as ambições, nem o faro aguçado para se tornar manchete dos portais de notícias e, por isso, é atribuída a ela a mudança de um tom meramente descontraído para um ambiente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NM3YUyKJywg"><span style="font-weight: 400;">dramático</span></a><span style="font-weight: 400;">. Produzido por Ryan Seacrest, os primeiros anos do seriado tiveram momentos que criaram </span><a href="https://www.newsweek.com/most-iconic-kardashian-moments-18-1581757"><span style="font-weight: 400;">frases canônicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, como a contestação de Kourtney ao assistir o desespero de Kim em perder os brincos no oceano: </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Kim, there&#8217;s people that are dying</span></i><span style="font-weight: 400;">” (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Kim, há pessoas morrendo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, em tradução literal). Nos anos seguintes, essa tensão vazia se aprofundou com temas universais, entre eles, insegurança e saúde mental.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsáveis pela espontaneidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Keeping Up with the Kardashians</span></i><span style="font-weight: 400;"> quando crianças, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=q2F-DHyP5Zw"><span style="font-weight: 400;">Kendall</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Kylie Jenner cresceram sob os holofotes, fato que novamente acarretou em uma modificação notável na estrutura do programa. Ao passo que foram crescendo, elas deixaram as memórias </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=39Un3-O5hDg"><span style="font-weight: 400;">genuínas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para trás e se afastaram da vulnerabilidade, consequência habitual de tamanha exposição. Em oposição às mulheres adultas da família, a ascensão precoce ao estrelato tirou dos espectadores os pontos mais divertidos de testemunhar para além do crescimento, as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oZnc6GJJl_8"><span style="font-weight: 400;">brigas e brincadeiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> das irmãs.</span></p>
<figure id="attachment_28841" aria-describedby="caption-attachment-28841" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28841" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-4.gif" alt="Cena do reality show Keeping Up with the Kardashians. Da esquerda para a direita na imagem animada: Kylie Jenner, uma menina branca de olhos e cabelos castanhos, veste um vestido dourado; Kendall Jenner, uma menina branca de olhos e cabelos castanhos, veste um vestido de estampa de onça. Ambas se encostam de costas enquanto gesticulam um movimento de espião, comum em filmes, com as mãos. Na parte inferior, os seus nomes aparecem escritos em letras brancas. O cenário é uma cidade repleta de edifícios." width="500" height="326" /><figcaption id="caption-attachment-28841" class="wp-caption-text">A ingenuidade de Kendall e Kylie era um alívio em meio a tensão do cotidiano Kardashian (GIF: E! Entertainment Television)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma característica essencial de obras cinematográficas é a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Kv1b3HI87O4"><span style="font-weight: 400;">evolução</span></a><span style="font-weight: 400;"> das personagens e com o </span><i><span style="font-weight: 400;">reality show</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é diferente. Quem somente aponta os defeitos da produção com certeza não entende a importância do desenvolvimento para a narrativa de obras audiovisuais ou não examinou essa particularidade. Durante quase 14 anos de presença Kardashian nos televisores, as pessoas se conectaram com a vivência, em grande parte, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BdY_yh-1AMw"><span style="font-weight: 400;">distante</span></a><span style="font-weight: 400;"> das realidades socioeconômicas individuais. Exatamente como em um regime imperial, as pautas utópicas entraram para o debate público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tratando dessa atmosfera do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=777upCxcuwk"><span style="font-weight: 400;">imaginário</span></a><span style="font-weight: 400;"> perfeito e irreal, o corpo femino foi o alvo primordial da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lRx0ebNsxEM"><span style="font-weight: 400;">estética</span></a><span style="font-weight: 400;"> disseminada pelas protagonistas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Keeping Up with the Kardashians</span></i><span style="font-weight: 400;">. A saída do padrão de magreza excessiva da primeira década deste século permitiu a entrada do voluptuoso, no entanto, apenas como mais uma imposição prejudicial. Os quadris largos de Kim na capa da revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Paper</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a boca volumosa de Kylie no </span><i><span style="font-weight: 400;">Snapchat</span></i><span style="font-weight: 400;"> são interferências cirúrgicas aparentes que causaram a popularização de certos procedimentos estéticos e, até mesmo, desafios nas redes sociais, </span><a href="https://www.eonline.com/br/news/648963/kylie-jenner-alerta-meninas-que-participaram-de-desafio-para-aumentar-a-boca"><span style="font-weight: 400;">perigosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> à saúde. </span></p>
<figure id="attachment_28844" aria-describedby="caption-attachment-28844" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28844" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-5-1.jpeg" alt="Capa da revista Vanity Fair com Caitlyn Jenner. Na imagem, Caitlyn, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, posa com o olhar direcionado às lentes da câmera. Ela veste um vestido branco sem manga ou alça. O cenário é um plano de fundo metalizado e rosa. Na parte superior, o nome da revista está escrito em letras pretas." width="700" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-28844" class="wp-caption-text">Caitlyn Jenner posou pela primeira vez para a revista Vanity Fair em 2015, com a manchete “Me chame de Caitlyn” (Foto: Vanity Fair)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Coadjuvante especial do Império Kardashian, Caitlyn Jenner permaneceu no programa até a sua separação de Kris em 2014. Acostumada a deixar o brilho para as demais mulheres da família, a sua afirmação como pessoa transgênera a trouxe de volta para documentar o seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gpcTOohKzYw"><span style="font-weight: 400;">processo de transição</span></a><span style="font-weight: 400;">. Pela primeira vez, Caitlyn esteve à frente do discurso. Rob e Khloé também figuram na lista dos honestos com as suas dificuldades particulares, em especial, a distorção de imagem. Tal circunstância explica a falta do irmão em cena e a existência do seriado de índole questionável sobre perda de peso, </span><a href="https://valkirias.com.br/revenge-body/"><i><span style="font-weight: 400;">Revenge Body with Khloé Kardashian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio às 20 temporadas, o </span><i><span style="font-weight: 400;">reality show</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode comemorar a longevidade e trama que parece ter saído direto de uma novela. Assim como os enredos brasileiros, as imperatrizes repetiram um ato inerente ao gênero: o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-orXGUOnmLg"><span style="font-weight: 400;">casamento</span></a><span style="font-weight: 400;">. No total, </span><a href="https://www.buzzfeed.com/angelaandaloro/what-happened-at-every-kardashian-wedding"><span style="font-weight: 400;">3 noivos</span></a><span style="font-weight: 400;"> subiram ao altar acompanhados de alguma Kardashian. Consequentemente, a dependência emocional de Khloé com Lamar Odom, os 72 dias de união de Kim e Kris Humphries e a </span><a href="https://www.brides.com/story/kardashian-weddings-photos"><span style="font-weight: 400;">cerimônia inesquecível</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Kanye West se caracterizaram como clímax. Todavia, foi o relacionamento conturbado de Kourtney e Scott Disick o mais duradouro; o carisma dele o fez um membro quase fixo e rendeu dois </span><a href="https://thenexus.one/classificando-todos-os-spin-offs-de-kardashian-e-onde-assistir/"><i><span style="font-weight: 400;">spin-offs</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28845" aria-describedby="caption-attachment-28845" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28845" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-6.jpeg" alt="Fotografia das mulheres da família Kardashian. Da esquerda para a direita na imagem: Kourtney Kardashian, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste um vestido e uma jaqueta na cor preto; Khloé Kardashian, uma mulher branca de olhos castanhos e cabelo loiro, veste um vestido preto sem manga, de gola alta e corte nas pernas; Kendall Jenner, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste um vestido de manga longa e decote na cor preto. Kylie Jenner, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste um vestido preto de renda e manga longa; Kris Jenner, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste um vestido preto curto e de manga longa; Kim Kardashian, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste um vestido preto de manga longa com cortes nos ombros. Todas olham diretamente para a câmera. O cenário é um plano de fundo preto." width="1200" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-6.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-6-800x480.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-6-1024x614.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-6-768x461.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28845" class="wp-caption-text">O reality show está entre os mais longínquos da história da Televisão estadunidense (Foto: E! Entertainment Television)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O apogeu do Império de </span><i><span style="font-weight: 400;">Keeping Up with the Kardashians</span></i><span style="font-weight: 400;"> aconteceu pelos anos de 2015 e 2017 quando não havia escape, a família estava em todos os lugares. Ao ligar a Televisão, ela não surgia somente no seu seriado, mas em todos os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NWdc7PyZNLA"><i><span style="font-weight: 400;">talk-shows</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nas </span><a href="https://br.vida-estilo.yahoo.com/quatro-das-dez-mulheres-mais-seguidas-no-instagram-sao-kardashian-jenner-154048823.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAANMl4HfGQ_BmkvXQ43BNWMnzYlcUl5tcw4x_28cNVPN2n1PJ0eNq2YdMbP7tL6nnCcMoOec-L4miW7vDUlM2L46XFrizoQqDjoBu4C041HutGuVNiHeahDNxneXiPKUlq8lQ_8Wq-GTZvNN3F_0LO6iAKtnX_zXqLf8ATMm9FPdI"><span style="font-weight: 400;">redes sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">, as mulheres se tornaram um fenômeno: Kylie Jenner é a personalidade feminina de maior alcance no <em>Instagram</em>, com 370 milhões de seguidores. Por fim, no impresso, elas pararam de estampar as revistas de fofoca para serem as modelos de capas tradicionais da moda como a </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elle</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Harper&#8217;s Bazaar</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É incoerente negar que todos esses feitos sejam a mistura perfeita de privilégio e talento. Sim, as Kardashians nasceram em berço de ouro, mas admita, sem aptidão elas não seriam capazes de construir um império de tamanha proporção &#8211; ainda que essa habilidade repouse na vaidade de suas ações. Do mesmo modo que Kim precisou de </span><a href="https://forbes.com.br/forbeslife/2021/12/kim-kardashian-passa-em-exame-de-advocacia-depois-de-quatro-tentativas/"><span style="font-weight: 400;">4 tentativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> até ser aprovada em um exame de advocacia, estar nas frentes das câmeras também pode não ser uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9Wk-fl5jQss"><span style="font-weight: 400;">tarefa fácil</span></a><span style="font-weight: 400;"> para qualquer um. Obviamente, nada apagará a problemática em torno da riqueza abundante, das polêmicas e do poder de influência sobre o feminino.</span></p>
<figure id="attachment_28842" aria-describedby="caption-attachment-28842" style="width: 498px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28842" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-7.gif" alt=" Cena do reality show Keeping Up with the Kardashians. Da esquerda para a direita na imagem animada: Kris Jenner, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste uma camiseta de manga curta estampada nas cores preto, branco e roxo, além de um óculos de sol; Kim Kardashian, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste uma blusa de alça na cor branca. O cenário é um veículo. Na parte inferior do GIF está escrita a fala de Kris durante a cena “Kim, would you stop taking pictures of yourself? Your sister’s going to jail.” (em tradução literal: “Kim, você pode parar de tirar fotos de você mesma? A sua irmã está indo para a prisão.”)" width="498" height="276" /><figcaption id="caption-attachment-28842" class="wp-caption-text">As aparências e as redes sociais sempre foram aspectos primordiais do dia a dia das Kardashians (GIF: E! Entertainment Television)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Keeping Up with the Kardashians</span></i><span style="font-weight: 400;"> alavancou os membros e o próprio nome da família de maneira estrondosa e avassaladora. O programa de Televisão, inserido no contexto do extremo capitalismo estadunidense, ajudou a consolidar a marca e a </span><a href="https://www.thrillist.com/entertainment/nation/kim-kardashian-kylie-jenner-family-hair-products"><span style="font-weight: 400;">vender</span></a><span style="font-weight: 400;"> livros de ficção e de </span><a href="https://www.acritica.net/editorias/geral/livro-de-selfie-de-kim-kardashian-vende-milhares-de-copias/148560/"><i><span style="font-weight: 400;">selfies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/track/0Rh9uw3Xl29IaZEZYbEyRa?si=c4b891e8a4ea42af"><span style="font-weight: 400;">música de natal</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pirulitos, assim como as empresas de maquiagem e de cintas modeladoras. Episódio preocupante que denota a dimensão da notoriedade das protagonistas é o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/por-favor-eu-tenho-uma-familia-me-deixe-viver-o-bizarro-assalto-sofrido-por-kim-kardashian.phtml"><span style="font-weight: 400;">ataque</span></a><span style="font-weight: 400;"> sofrido por Kim na cidade de Paris em 2016, no qual os assaltantes elaboraram o crime após ela postar algumas de suas jóias nas redes sociais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atualmente longe de se desfazer, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CHn_Mv6j4ms"><span style="font-weight: 400;">Império Kardashian</span></a><span style="font-weight: 400;"> continua sendo uma peça fundamental para entender os passos da sociedade e do feminino. Há 1 ano, o </span><i><span style="font-weight: 400;">reality show</span></i><span style="font-weight: 400;"> teve o seu término anunciado e o que seria o fim, acabou se tratando meramente de uma mudança de local. Agora exclusivamente nas plataformas de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CvEzCkdgnWk"><i><span style="font-weight: 400;">The Kardashians</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta um olhar direcionado, em que elas estão no total controle da história como nunca antes. O ápice do reinado pode até ter passado, porém, elas continuam na boca do povo, sem dar ou receber sinais de cansaço.</span></p>
<figure id="attachment_28846" aria-describedby="caption-attachment-28846" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28846" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-8-1.jpeg" alt="Fotografia das mulheres da família Kardashian. Da esquerda para a direita na imagem: Kris Jenner, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste um vestido preto de manga longa e detalhes em prata; Kourtney Kardashian, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste uma jaqueta preta com detalhes em prata; Khloé Kardashian, uma mulher branca de olhos castanhos e cabelo loiro, veste um vestido preto com transparência; Kim Kardashian, uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, veste um vestido prata de alça. Todas olham para algum lugar à esquerda da fotografia. O cenário é um tapete vermelho." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-8-1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-8-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-8-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-8-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-8-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28846" class="wp-caption-text">No Star+, a família continua documentando os seus momentos (Foto: Rodin Eckenroth)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O programa é bom de ruim, aquele entretenimento que injeta a dose necessária de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7sUhE4ApOK8"><span style="font-weight: 400;">futilidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=urzF5LjN5kY"><span style="font-weight: 400;">imoralidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YaTc2unDgBU"><span style="font-weight: 400;">caráter duvidoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> no cotidiano ordinário de quem assiste. Kris, Kourtney, Kim, Khloé, Kendall e Kylie são as imperatrizes do mundo contemporâneo e o aniversário de 15 anos do começo de seu reinado traz ao debate os benefícios e malefícios encarados pela sociedade desde então. No rol das séries que retratam uma época e a imortalizam na cultura popular, </span><i><span style="font-weight: 400;">Keeping Up with the Kardashians</span></i><span style="font-weight: 400;"> cumpre o papel de registrar a construção e expansão de um Império.</span></p>
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		<title>15 anos de Minutes to Midnight: a ruptura entre o antigo e o novo Linkin Park</title>
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		<pubDate>Wed, 18 May 2022 12:12:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Maria Vitória Bertotti  11:58:20. O relógio do juízo final, criado em 1947 e atualizado em 2020, nos dá pouquíssimos minutos antes da meia-noite para repensarmos nossas atitudes antes do fim. Levados por essa simbologia, a banda californiana Linkin Park lançou, em 2007, o Minutes to Midnight, seu terceiro álbum de estúdio que chegou ao público &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/minutes-to-midnight-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "15 anos de Minutes to Midnight: a ruptura entre o antigo e o novo Linkin Park"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27609" aria-describedby="caption-attachment-27609" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27609 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-3-800x800.jpg" alt="Capa do álbum Minutes to Midnight, da banda Linkin Park. Na parte inferior da capa, estão os seis integrantes, virados de costas e olhando para algum ponto à frente. Eles estão usando calças e jaquetas pretas. Por conta dos efeitos criados, é possível visualizar apenas as silhuetas deles. O cenário contém um mar ao fundo. Na parte superior, está escrito Linkin Park em letras pretas grossas e estilizadas, de maneira que se encaixam. Acima do nome da banda, está escrito o nome do álbum, em letras finas e num tom acinzentado. O álbum está em tons de preto e branco, fazendo a maioria do espaço da imagem ser branco, dando destaque para os integrantes e o que está escrito." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-3-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-3-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-3.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27609" class="wp-caption-text">Com cerca de dois anos de gravação, Minutes to Midnight satisfaz o desejo do Linkin Park em ir além da replicação dos sucessos (Foto: Warner Bros Records)</figcaption></figure>
<p><b>Maria Vitória Bertotti</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">11:58:20. O </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-60129837"><span style="font-weight: 400;">relógio do juízo final</span></a><span style="font-weight: 400;">, criado em 1947 e atualizado em 2020, nos dá pouquíssimos minutos antes da meia-noite para repensarmos nossas atitudes antes do fim. Levados por essa simbologia, a banda californiana </span><a href="https://www.instagram.com/linkinpark/"><span style="font-weight: 400;">Linkin Park</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançou, em 2007, o </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_lvy-dvWjyT3J9mL2yOgF52IkcZ2z3OySk"><i><span style="font-weight: 400;">Minutes to Midnight</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu</span><span style="font-weight: 400;"> terceiro álbum de estúdio que chegou ao público após uma </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm0204200708.htm"><span style="font-weight: 400;">longa espera</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao contrário dos dois primeiros discos, esse funcionou como uma rachadura, diferenciando com o experimentalismo, o som que a banda já estava acostumada a fazer há 15 anos.  </span></p>
<p><span id="more-27608"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conceituado como </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo e </span><a href="http://infoescola.com/musica/new-metal/"><i><span style="font-weight: 400;">nu-metal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ainda seguindo nos gêneros de costume, o álbum traz músicas semelhantes às de seu antecessor, </span><a href="https://open.spotify.com/album/4Gfnly5CzMJQqkUFfoHaP3?si=bkKtEqrhRayrwbk-1Wbipg"><i><span style="font-weight: 400;">Meteora</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2003)</span><span style="font-weight: 400;">. Porém, inova ao incluir um tom mais eletrônico e melódico em algumas faixas. Na época, esse desvio de ritmos causou um</span><span style="font-weight: 400;"> alvoroço entre os fãs da banda, que alegavam uma transformação do Linkin Park “raiz”  em uma baladinha. </span><span style="font-weight: 400;">Apesar dessa questão ter causado certa rejeição, a banda teve grande retorno no mercado musical com o lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minutes to Midnight</span></i><span style="font-weight: 400;"> em maio de 2007, apresentando as </span><a href="https://www.billboard.com/music/music-news/linkin-parks-minutes-clocks-in-at-no-1-1323306/"><span style="font-weight: 400;">melhores vendas </span></a><span style="font-weight: 400;">do ano</span><span style="font-weight: 400;"> e entrando em primeiro lugar no </span><i><span style="font-weight: 400;">ranking</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i><span style="font-weight: 400;"> 200.</span></p>
<figure id="attachment_27610" aria-describedby="caption-attachment-27610" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27610" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-1-800x600.jpg" alt="Foto em preto e branco da banda Linkin Park. Na imagem, estão os seis integrantes quase enfileirados, alguns olhando para a câmera, outros para um ponto qualquer, e todos estão com as mãos nos bolsos. Todos estão na faixa dos 30 anos. Da esquerda para a direita: Mike é um homem de ascendência japonesa. Veste uma blusa branca estampada coberta por uma jaqueta escura. Seu cabelo é quase raspado e tem barba e bigode curtos. Ao seu lado está Dave, homem branco com barba curta. Usa um moletom escuro de capuz, que está na cabeça, e por cima uma jaqueta. O próximo, Joe, é um homem de ascendência coreana. Usa uma jaqueta escura fechada e óculos escuros. Seu cabelo é curto e está arrumado para cima. Na fileira mais a frente, Chester é o primeiro. Ele é um homem branco, tem o cabelo bem curto e veste uma camisa xadrez completamente abotoada. Ao seu lado, Brad. Ele é um homem branco, de cabelos cacheados e barba grande. Veste uma sobreposição com blusa de gola clara, suéter escuro e um colete social. Por último, está Rob, homem branco de cabelo curto e arrumado para cima, com barba também. Está vestindo uma jaqueta leve quase inteiramente abotoada." width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-1-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27610" class="wp-caption-text">Apesar da paisagem bonita, o local da sessão de fotos do álbum, em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=kwL2i3ghuVo">Salton Sea</a>, era meio insalubre e banhado a peixes mortos (Foto:James Minchin/Edward Colver)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De suas 12 faixas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Me7TJDHCELk"><i><span style="font-weight: 400;">Wake</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> segue o modelo introdutório já presente no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U6R-twDkrcI"><span style="font-weight: 400;">álbum anterior</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém mais longa desta vez. Ela apresenta o início da “revolução” tecnológica que o grupo propõe, com batidas agradáveis aos ouvidos e mantendo a bateria numa tensão crescente, que se dissipa ao final de seus quase 2 minutos. Com mais elementos, ela cumpre sua função transitória para o início das vozes e inova o conceito do Linkin Park. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seguida, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0xyxtzD54rM"><i><span style="font-weight: 400;">Given Up</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> agita qualquer um que estiver sem ânimo. Sendo uma das únicas músicas do disco que possuem os famosos gritos de</span> <a href="https://www.instagram.com/chesterbe/"><span style="font-weight: 400;">Chester Bennington</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">ela relembra a fase anterior à mudança, voltando às origens do</span> <a href="https://open.spotify.com/album/6PFPjumGRpZnBzqnDci6qJ?si=6b8c33c121ee4f90"><i><span style="font-weight: 400;">Hybrid Theory</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000), sem muitas inovações. Com base no </span><i><span style="font-weight: 400;">metal</span></i><span style="font-weight: 400;">, a característica que </span><span style="font-weight: 400;">mais se destaca é a presença marcante da guitarra de </span><a href="https://www.instagram.com/braddelson/"><span style="font-weight: 400;">Brad Delson</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar de ter um tom mais agressivo no ritmo, sua letra ainda carrega melancolia; dessa forma, o </span><i><span style="font-weight: 400;">screaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> só serve pra colocar essa angústia e raiva para fora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Num conceito completamente diferente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Given Up</span></i><span style="font-weight: 400;">, a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ac50sxRaTZM"><i><span style="font-weight: 400;">Leave Out All the Rest</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pode ser comparada a um </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> levemente triste, mas gostoso de ser ouvido. Trazendo um lado mais melódico e eletrônico, ainda acrescenta a orquestra de cordas de </span><a href="https://davidmusic.com/"><span style="font-weight: 400;">David Campbell</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> sendo a primeira faixa do álbum a introduzir a sonoridade de violinos e baixos. Mesmo que a música aborde um tema já recorrente, a depressão, ela inclui uma segunda pessoa na história, aquela a quem as lemb</span><span style="font-weight: 400;">ranças seriam deixadas após a partida. Ouvi-la nos dias de hoje nos faz repensar sobre o legado de Chester, que, ao contrário do que escrevia, conseguiu deixar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UXjJWP_PwxA"><span style="font-weight: 400;">inúmeras razões para ser lembrado</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Leave Out All The Rest (Official Music Video) [4K Upgrade] - Linkin Park" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/yZIummTz9mM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Com participação dos seis membros nas composições, a produção ficou por conta de </span><a href="https://www.instagram.com/m_shinoda/"><span style="font-weight: 400;">Mike Shinoda</span></a><span style="font-weight: 400;"> e</span><span style="font-weight: 400;"> o convidad</span><span style="font-weight: 400;">o </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-185721/"><span style="font-weight: 400;">Rick Rubin</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; conh</span><span style="font-weight: 400;">ecido por atuar em discos de outras bandas famosas, como </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_kTJeZXfriqNa_00DjGWvAIICYRRiOISGs"><span style="font-weight: 400;">System of a Down</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/album/5v5BfkxWDAKTkzrXl3H0mU?si=-qXph8oLR5GkPCMbgGKOnA"><span style="font-weight: 400;">Slayer</span></a><span style="font-weight: 400;">. Levando em consideração os recursos e a cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo na época, que já contava com vários nomes no </span><i><span style="font-weight: 400;">nu-metal,</span></i><span style="font-weight: 400;"> do qual o Linkin Park foi precursor, a qualidade musical de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minutes do Midnight </span></i><span style="font-weight: 400;">é excelente. E ainda, a </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-news/linkin-park-team-with-rick-rubin-93305/"><span style="font-weight: 400;">parceria</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Rubin estendeu-se pelos próximos dois álbuns, sendo determinante para o caminho que trilharam enquanto músicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrariando as novas tendências experimentalistas, a faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OnuuYcqhzCE"><i><span style="font-weight: 400;">Bleed It Out</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é outra que relembra um som mais pesado, com o protagonismo contagiante da guitarra e do baixo de </span><a href="https://www.instagram.com/phoenixlp/"><span style="font-weight: 400;">Dave Farrell</span></a><span style="font-weight: 400;">. É a primeira a realizar uma pequena transição entre o seu final e o início da música seguinte. Além disso, ela estreou o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> do disco, que trouxe o ritmo necessário para embalar o público, sendo o destaque da canção apesar dos vocais serem agressivos e certeiros. O conjunto consegue transmitir o exato sentimento com que foi escrita: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Foda-se, isso dói, não vou mentir/Não importa o quanto eu tente”</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">ou seja, você pode estar mal, mas consegue seguir em frente, nem que seja na força do ódio. </span></p>
<figure id="attachment_27611" aria-describedby="caption-attachment-27611" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27611" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3.gif" alt="GIF da banda Linkin Park. Os seis integrantes estão reunidos numa roda e abraçados pelo ombro uns dos outros. De costas e mais perto da câmera, estão Joe, Chester e Mike. O rosto de Brad não está visível. Só é possível ver os rostos de Dave e Rob, que estão mais distantes. Joe usa um boné preto. Ao seu lado esquerdo, só é possível ver o topo da cabeça de Brad, e seu cabelo é curto e cacheado. Dave, ao lado esquerdo de Brad, usa uma camisa xadrez branca e preta, e tem barba grande. Seguindo a ordem, temos Rob, que usa óculos de grau e tem os cabelos de tamanho médio. Também tem barba e bigode, e está vestindo uma camiseta cinza lisa. Mike, que já está no lado direito do GIF, veste uma camisa azul claro. Por último, Chester tem os cabelos quase que raspados, e veste um moletom preto com capuz. Ao fundo, é possível ver alguns paletes e árvores, então estão em um local aberto." width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27611" class="wp-caption-text">Nos altos e baixos, os seis amigos eram o alicerce para si mesmos e para os fãs (GIF: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n1PCW0C1aiM"><i><span style="font-weight: 400;">Shadow of the Day</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se assemelha ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> pop rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, novamente tentando mostrar o lado bom da vida em meio à escuridão. Agradável aos ouvidos, mas sem muito para agregar: o famoso “só o básico”. O que a diferencia das outras é o </span><a href="https://www.techreviews.com.br/musica-8d/"><span style="font-weight: 400;">efeito</span><i><span style="font-weight: 400;"> 8D</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de quase 40 segundos no final, proporcionando uma espécie de transe sensorial. Uma das mais memoráveis faixas do disco é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E-D1allVNOw"><i><span style="font-weight: 400;">What I’ve Done</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que tomou grandes proporções após aparecer como trilha sonora no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Transformers</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2007), além de render a participação da banda em toda a trilogia. Com ela retornando ao </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> do álbum também está disponível no jogo </span><a href="https://www.dicasedetonados.com/x360/guitar-hero-world-tour/"><i><span style="font-weight: 400;">Guitar Hero World Tour</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, justamente pelo destaque dado à guitarra &#8211; contando com um solo magnífico &#8211; e a aparição do teclado, que conduz certa leveza durante o decorrer da trilha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A outra canção em que Mike entra como </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gG4P3ayBzVY"><i><span style="font-weight: 400;">Hands Held High</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, cheia de críticas sociais. Apesar de ter sido escrita uma década atrás, ela continua completamente atual, abordando com muita clareza e indignação a violência mundial e a intolerância religiosa. Novamente, o teclado e efeitos eletrônicos dão as caras, comandados por </span><a href="https://www.instagram.com/mrjoehahn/"><span style="font-weight: 400;">Joe Hahn</span></a><span style="font-weight: 400;">, que faz um excelente trabalho ao acrescentar  vocais de coro de igreja ao ritmo da rima. É importante ressaltar, ainda, o apoio que a bateria de </span><a href="http://linkinparkbr.com/biografia/banda/rob-bourdon-2/"><span style="font-weight: 400;">Rob Bourdon</span></a><span style="font-weight: 400;"> oferece para a composição dessa </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe</span></i><span style="font-weight: 400;"> espiritual. </span><i><span style="font-weight: 400;">Hands Held High</span></i><span style="font-weight: 400;"> fala, sem medo, dos líderes demagogos e do estrago que causam na sociedade: </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Quando o rico aposta na guerra, é o pobre quem morre&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">. É considerado o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> de maior valor para o álbum e um dos maiores da carreira da banda em </span><a href="http://linkinparkbr.com/noticias/2008/03/18/entrevista-para-a-big-cheese-parte-ii/"><span style="font-weight: 400;">questão de representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;">. A canetada de Shinoda foi certeira. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="What I&#039;ve Done (Official Music Video) [4K Upgrade] - Linkin Park" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/8sgycukafqQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZfCQu9xwSU0"><i><span style="font-weight: 400;">No More Sorrow</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> esquece a sutileza e coloca tudo pra quebrar com mais guitarras e baterias de estourar os miolos. Os gritos de Chester marcam presença nessa música, onde o </span><span style="font-weight: 400;">descontentamento com o sistema</span><span style="font-weight: 400;"> é explícito, estando corrompido por ganância e mentiras. O grito &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ladrões e hipócritas!” &#8211; </span></i><span style="font-weight: 400;">é a voz da população lutando contra o que há de errado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A falta de </span><a href="https://pt.theastrologypage.com/crossfade"><span style="font-weight: 400;">transição gradual</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre uma faixa e outra é um dos erros cometidos no disco, já que canções super agitadas pulam para outras mais sossegadas. É o que acontece com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KAFOpywZbMM"><i><span style="font-weight: 400;">Valentine’s Day</span></i></a><span style="font-weight: 400;">:</span><span style="font-weight: 400;"> não recebe bem o astral da anterior e não repassa energia suficiente para a próxima. Tirando isso, ela é bem mediana, melancólica a maior parte do tempo e animada só no final, quando não há mais necessidade de ser. A intitulada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YgVzhgygYfs"><i><span style="font-weight: 400;">In Between</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> começa com um arranjo semelhante ao de uma marcha fúnebre, e continua nesse rumo. O que mais chama a atenção é que, partindo de sua metade, há uma sobreposição das vozes de Mike e Chester, formando uma bela sintonia até gostosinha de se ouvir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pedaços esfacelados e distantes do que o Linkin Park costumava ser</span><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NaRBn6QIMcQ"><i><span style="font-weight: 400;">In Pieces</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> combina o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao eletrônico, deixando o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> apenas no solo de guitarra do final da canção &#8211; o que acaba dando um toque especial na experiência. O </span><i><span style="font-weight: 400;">beat</span></i><span style="font-weight: 400;"> relembra um pouco a icônica </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v2H4l9RpkwM"><i><span style="font-weight: 400;">Breaking the Habit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">do anterior </span><i><span style="font-weight: 400;">Meteora</span></i><span style="font-weight: 400;">, pela </span><a href="https://ossia.com.br/o-que-e-mixagem-como-funciona/"><span style="font-weight: 400;">mixagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> e semelhança de ritmos, mas não tem tanto sal pra ser um </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> – e por isso mesmo não é. Serviria como um ótimo </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;"> de verão (e isso é um elogio).  </span></p>
<figure id="attachment_27612" aria-describedby="caption-attachment-27612" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27612" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-2-800x508.jpg" alt="Imagem de show do Linkin Park. Na foto, estão Chester e Mike. Chester está à esquerda, curvado para a frente, segurando um microfone com a mão esquerda e fazendo expressão de esforço enquanto canta. Veste uma calça preta, uma jaqueta preta fechada por zíper e, em sua mão direita, algo que parece uma luva preta, com estampas brancas e detalhes vermelhos. Seu cabelo é quase raspado e tem um alargador pequeno e preto na orelha. Mike está ao fundo, do lado direito da imagem, e segura a guitarra que está tocando para cima. Seu rosto está de perfil, sendo possível ver apenas o lado direito de seu rosto. Ele veste uma calça preta, camisa preta de manga longa e fechada e tem um lenço vermelho amarrado no braço esquerdo. Aparenta estar cantando com o público. Ao fundo, há apenas algumas cortinas pretas e equipamentos da banda. A iluminação vem do canto inferior direito da imagem, que emite uma forte luz esverdeada e causa pontos de luz desfocados perto do Chester." width="800" height="508" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-2-800x508.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-2-1024x650.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-2-768x488.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-2-1536x975.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-2-1200x762.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-2.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27612" class="wp-caption-text">Durante 2007 e 2008, multidões foram arrastadas pela potência do Linkin Park nos palcos, seja com baladas pop ou gritos (Foto: Tim Mosenfelder)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para encerrar com chave de prata, a última música no lançamento global do álbum é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gs0t8LXH6lw"><i><span style="font-weight: 400;">Little Things Give You Away</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Com efeitos do Mr. Hahn, a batida eletrônica mescla bem com o que lembra um violão, e ainda conta com a Orquestra de Campbell para abrilhantar ainda mais o instrumental, sendo a metade da faixa para o encerramento seu ponto alto. As cordas parecem imperceptíveis, mas criam a atmosfera melódica que se mistura perfeitamente às vozes intercaladas de Chester, Dave e Mike. Ela merece essa classificação por resumir a intenção da banda de </span><span style="font-weight: 400;">inovar conceitos</span><span style="font-weight: 400;">, mas peca por ser longa demais e atrativa de menos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das injustiças de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minutes to Midnight</span></i><span style="font-weight: 400;"> é não ter incluído </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-mchhPf81iw"><i><span style="font-weight: 400;">No Roads Left</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na edição padrão. A música bônus, também indisponível no </span><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i><span style="font-weight: 400;">, pode ser considerada uma das mais chamativas de todo o disco, mas só foi revelada ao mundo na edição de venda do </span><i><span style="font-weight: 400;">iTunes</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ela é inteiramente cantada por Mike, que se desvencilha do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e mostra muito talento como vocal principal. Foi produzida com </span><a href="https://www.fluacultura.com.br/post/o-que-e-uma-orquestra-de-cordas"><i><span style="font-weight: 400;">strings</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em conjunto da guitarra, transformando a canção numa experiência única ao ser ouvida, e as cordas, apesar de estarem num segundo plano, fazem toda a diferença no resultado final. É uma pena que tenha sido, e ainda seja, negligenciada e deixada às traças dessa forma. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Making of Minutes to Midnight (Minutes to Midnight DVD) - Linkin Park" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/XazANPCQ4UI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Disponível no canal do </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;"> da banda, o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">The Making of Minutes to Midnight</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz grande parte do processo de produção do álbum durante os anos que antecederam seu lançamento. Desde a composição das letras até a gravação dos instrumentos, o vídeo mostra além da Música, abrangendo o nível pessoal que o Linkin Park faz questão de imprimir em todas as suas obras. Além disso, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8KLqVtDOSMk"><span style="font-weight: 400;">amizade e parceria</span></a> <span style="font-weight: 400;">entre os membros só deixou os fãs com ainda mais saudade dos seis juntos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como fruto dessa vontade de mudança, a evolução da sonoridade foi alcançada com sucesso. Ao misturar elementos do lírico,</span><i><span style="font-weight: 400;"> rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">metal</span></i><span style="font-weight: 400;"> com os da Música eletrônica, é visível o esforço que o Linkin Park fez para sair da zona de conforto. Após </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=w587eF5uasQ"><span style="font-weight: 400;">gravar dezenas de vezes</span></a><span style="font-weight: 400;"> as mesmas faixas</span><span style="font-weight: 400;">, a combinação dos ritmos com as letras reflexivas e críticas deu certo. As contribuições individuais também rendem elogios, como os encaixes perfeitos arranjados por Joe, os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BaESAvJG2D4"><span style="font-weight: 400;">solos de Brad</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Rob (que apesar de poucos foram inesquecíveis), o baixo de Dave e os vocais de Mike e Chester.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Transitando de um </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais agressivo para origens suaves, muitos fãs da época </span><a href="https://whiplash.net/materias/cds/061783-linkinpark.html"><span style="font-weight: 400;">não curtiram nada</span></a><span style="font-weight: 400;"> essa inovação: queriam a antiga banda que fazia “som de verdade”. Ignorando as opiniões mais adversas, o disco até que </span><span style="font-weight: 400;">envelheceu bem</span><span style="font-weight: 400;">, tanto por parte do público que viria a gostar dos trabalhos, quanto por parte da própria banda, que conseguiu se desvencilhar do cansaço de replicar o mesmo som. Com poucas músicas realmente memoráveis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minutes to Midnight</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda causa controvérsia nos riscas-faca do mundo todo.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Minutes to Midnight" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/2tlTBLz2w52rpGCLBGyGw6?si=MBPT08PRR6afgyMqgk83zg&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Um brinde às batalhas internas e memórias da juventude em 15 anos de Skins UK</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Apr 2022 17:11:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro A juventude é a fase da intensidade. De dramas, sensações, desejos e sonhos. Nela, as amizades são eternas, os amores são infinitos num dia, efêmeros no outro, e os problemas são o fim do mundo. É a fase da rebeldia e das descobertas. Há 15 anos, Skins (UK), ou Juventude à Flor da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/skins-uk-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Um brinde às batalhas internas e memórias da juventude em 15 anos de Skins UK"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27334" aria-describedby="caption-attachment-27334" style="width: 968px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27334 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-2.jpg" alt="Fotografia da série Skins. A foto mostra quatro personagens principais da primeira temporada, da cintura para cima. Eles estão sentados, próximos da câmera, e todos são jovens. Da esquerda para a direita: Chris é interpretado por Joe Dempsie, um homem branco, de cabelos castanhos-claros, lisos e médios. Ele está sorrindo, usa uma camiseta cinza sobre uma blusa branca de mangas compridas e segura um jarro de vidro, que contém um líquido laranja, em uma das mãos. Ao seu lado está Sid, interpretado por Mike Bailey, um jovem branco. Ele tem cabelos lisos e escuros, que vão até a altura dos ombros. Usa um gorro preto sobre a cabeça e óculos retangulares. Ele tem um rosto fino, um nariz pontudo e usa uma camiseta azul. Ao seu lado está Maxxie, interpretado por Mitch Hewer. Mitch é um homem branco, de pele bronzeada, olhos azuis, rosto fino e cabelos loiros e lisos, com uma franja que cai sobre os olhos. Ele usa um moletom branco com listras. Por último, está Tony, interpretado por Nicholas Hoult. Ele é um homem branco, de olhos azuis, rosto fino e cabelos castanhos. Ele usa uma blusa preta de frio, com as mangas arregaçadas." width="968" height="645" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-2.jpg 968w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27334" class="wp-caption-text"><a href="https://youtu.be/YyMi_itzgFs">Oh baby, baby, it’s a wild world</a> (Oh baby, baby, é um mundo selvagem) (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A juventude é a fase da intensidade. De dramas, sensações, desejos e sonhos. Nela, as amizades são eternas, os amores são infinitos num dia, efêmeros no outro, e os problemas são o fim do mundo. É a fase da rebeldia e das descobertas. </span><a href="https://www.nytimes.com/2008/08/17/arts/television/17roch.html"><span style="font-weight: 400;">Há 15 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins (UK)</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Juventude à Flor da Pele</span></i><span style="font-weight: 400;">, explorou tudo isso de forma intimista, sob perspectivas de distintos jovens ingleses que tinham uma coisa em comum: a consciência de que crescer não é fácil, mas que amizades, família e empatia tornam o processo menos cruel.</span></p>
<p><span id="more-27333"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Skins (UK)</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma série britânica de drama adolescente lançada em 2007 no canal inglês</span><i><span style="font-weight: 400;"> E4</span></i><span style="font-weight: 400;">. No Brasil, ela foi transmitida pela </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">VH1, MTV</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Multishow</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, atualmente, se encontra disponível na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Criada por </span><a href="https://www.radiotimes.com/tv/drama/bryan-elsley-rules-out-a-return-for-skins-as-the-show-celebrates-its-10th-anniversary/"><span style="font-weight: 400;">Bryan Elsley e seu filho Jamie Brittain</span></a><span style="font-weight: 400;">, suas 7 temporadas apresentam três gerações de grupos de amigos. Cada um deles com características únicas, personalidades, desafios e problemas diários para lidar. O grupo de roteiristas para os episódios também era de jovens, e </span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2019/may/28/how-we-made-skins-channel-4-bryan-elsley-jamie-brittain"><span style="font-weight: 400;">Elsey dizia</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">“é tudo sobre a escrita. [&#8230;] Nosso objetivo é deixar nossa audiência saber que eles não estão sozinhos”.</span></i></p>
<figure id="attachment_27335" aria-describedby="caption-attachment-27335" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27335 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-3.jpg" alt="Fotografia da série Skins. A foto mostra cinco personagens principais da primeira temporada, da cintura para cima. Eles são jovens e estão formando um semicírculo, próximos uns dos outros. Todos olham para baixo e para o centro do grupo, em direção às mãos de Chris, um deles. Eles estão em uma festa, com vestidos e trajes coloridos. Da esquerda para a direita: Jal é interpretada por Larissa Wilson. Larissa é uma mulher negra, de cabelos escuros e lisos. Ela está com um vestido rosa e apoia uma das mãos em Chris. Chris é interpretado por Joe Dempsie, um homem branco, de cabelos castanhos-claros, lisos e médios. Ele está com um terno preto, um fone de ouvido apoiado no pescoço e encara suas mãos com surpresa. Ao seu lado está Michelle, interpretada por April Pearson. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos, cacheados e curtos, que estão presos no alto da cabeça. Ela usa um vestido roxo e olha para sua direita, com uma expressão de surpresa. Ao seu lado está Sid, interpretado por Mike Bailey, um jovem branco. Ele tem cabelos lisos e escuros, que vão até a altura dos ombros. Usa um gorro preto sobre a cabeça e óculos retangulares. Ele tem um rosto fino, um nariz pontudo e está sem camisa. Na ponta direita do grupo está Anwar, interpretado por Dev Patel. Dev tem traços indianos e pele e olhos escuros. Seu cabelo é curto e também escuro." width="1600" height="1066" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-3-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-3-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27335" class="wp-caption-text">Revisitar a série após mais de uma década permite um mergulho na estética dos anos 2000 (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Meu filho havia acabado de largar a faculdade, então ele se uniu ao time de roteiristas, junto de todos os membros do seu flat estudantil&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2019/may/28/how-we-made-skins-channel-4-bryan-elsley-jamie-brittain"><span style="font-weight: 400;">diz Elsey</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre o surgimento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins</span></i><span style="font-weight: 400;">. Brittain sugeriu que o pai criasse uma série sobre adolescentes, mas uma que realmente significasse algo. Escrita e atuada, de fato, por jovens, </span><a href="https://personaunesp.com.br/riverdale-4a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">diferentemente de outras produções do gênero</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, atendendo a seu pedido, o diretor encaminhou a ideia ao canal </span><i><span style="font-weight: 400;">E4</span></i><span style="font-weight: 400;">, que a abraçou e deu andamento ao projeto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por se tratar de uma obra escrita por e para jovens, lançada nos anos 2000, </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins </span></i><a href="http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/olhar-em-serie/primeira-temporada-skins-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">rompia com qualquer conservadorismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao tratar dos mais diversos assuntos sem pudor ou moderação. Problemas familiares, doenças mentais, sexualidade, questões de gênero, abusos de substâncias, </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying </span></i><span style="font-weight: 400;">e até mesmo a morte e o luto eram evidenciados pelos personagens em tela, revelando atitudes destrutivas e situações delicadas – muito antes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/elite-4a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Elite</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018) ou </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-1-rue-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) surgirem. </span></p>
<figure id="attachment_27336" aria-describedby="caption-attachment-27336" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27336 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-2.jpg" alt="Fotografia da série Skins. A foto mostra o personagem Chris sentado em sua cama, encostado na cabeceira, e sentada à sua frente, na beirada da cama, está Cassie. Chris é interpretado por Joe Dempsie, um homem branco, de cabelos castanhos-claros, lisos e médios. Sua expressão é angustiada, ele está sem camisa e de olhos fechados. Cassie, por sua vez, é uma mulher branca, de cabelos loiros, ondulados e médios. Ela usa uma camiseta branca e está conversando com Chris. No fundo, é possível ver pôsteres colados na parede do quarto e um armário baixo, de madeira. A câmera mostra alguns remédios em primeiro-plano, desfocados. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27336" class="wp-caption-text">O triste destino de Chris Miles (<a href="https://www.tatlerasia.com/culture/entertainment/joe-dempsie-pieces-of-her-interview">Joe Dempsie</a>) impactou uma geração de jovens que o viam como um personagem autêntico, espontâneo e muito querido (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os temas da série nunca foram leves, mas contrastavam com seus personagens verdadeiros, cômicos, divertidos, imaturos e ingênuos. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não me ocorreu que Skins era sombria, mas é claro que era. Eu assumi que se você está fazendo um drama, tem que incluir coisas obscuras, ainda que também tenha muita luz em Skins”</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2019/may/28/how-we-made-skins-channel-4-bryan-elsley-jamie-brittain"><span style="font-weight: 400;">disse Jamie Brittain para o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Guardian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada episódio é </span><a href="https://portalskinsbrasil.wordpress.com/2016/01/10/relembrando-skins-episodio-1-tony/"><span style="font-weight: 400;">focado em um indivíduo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do grupo principal de amigos, evidenciando seus problemas pessoais, desafios e paixões. Eles podiam ser desajustados, populares, novatos ou veteranos, mas todos tinham demônios próprios e histórias para contar. Essas narrativas e personalidades tão variadas muitas vezes rompiam com estereótipos da adolescência na TV, tornando inevitável a identificação com um ou mais deles, além da sensação de </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/tv/noticia/2021/09/sex-education-e-mais-por-que-as-series-adolescentes-estao-fazendo-sucesso-entre-os-adultos-cktotuzr700az013bxs0anwf8.html"><span style="font-weight: 400;">representação</span></a><span style="font-weight: 400;"> na trama.</span></p>
<figure id="attachment_27337" aria-describedby="caption-attachment-27337" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27337 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-3.jpg" alt="Fotografia da série Skins. A imagem mostra o busto de dois personagens encostados em uma parede verde, lado a lado. À esquerda está Tony, personagem de Nicholas Hoult. Nicholas é um homem branco, de olhos azuis, rosto fino e cabelos castanhos, com uma franja acima dos olhos. Ele usa uma camiseta cinza e um casaco verde. À sua direita está Sid, interpretado por Mike Bailey. Mike é um homem branco. Ele tem cabelos lisos e escuros, que vão até a altura dos ombros. Usa um gorro preto sobre a cabeça e óculos retangulares. Ele tem um rosto fino, um nariz pontudo e usa uma camiseta preta e, por cima, um casaco cinza. Ambos estão sérios e mantêm os olhares perdidos em pontos fixos. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27337" class="wp-caption-text">Focada na perspectiva íntima e emotiva dos desafios de seus protagonistas, Skins é um grande exemplo de um <a href="https://www.masterclass.com/articles/coming-of-age-movies#a-brief-history-of-comingofage-movies">Coming-of-age</a>, obras cuja temática é o amadurecimento de personagens jovens (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo começou com Tony (</span><a href="https://spinoff.com.br/the-great-nicholas-hoult-fala-sobre-o-seu-papel-de-antagonista-na-serie/"><span style="font-weight: 400;">Nicholas Hoult</span></a><span style="font-weight: 400;">), um garoto manipulador e popular que tenta ajudar seu melhor amigo Sid (Mike Bailey), cujos problemas de autoestima não permitem que ele perca a virgindade. Sid secretamente tem uma queda por Michelle (April Pearson), namorada de Tony, enquanto é o </span><i><span style="font-weight: 400;">crush </span></i><span style="font-weight: 400;">de Cassie (</span><a href="https://www.omelete.com.br/game-thrones/game-of-thrones/game-of-thrones-hannah-murray-encerra-filmagens-da-oitava-temporada"><span style="font-weight: 400;">Hannah Murray</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma garota excêntrica que enfrenta distúrbios alimentares. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completam o grupo: o carismático – e viciado nas mais diversas substâncias – Chris, a musicista Jal (Larissa Wilson), os melhores amigos Maxxie (Mitch Hewer) e Anwar (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-lenda-do-cavaleiro-verde-critica/"><span style="font-weight: 400;">Dev Patel</span></a><span style="font-weight: 400;">), e a irmã mais nova de Tony, Effy (</span><a href="https://www.hqzona.com.br/2020/01/11/spin-out-traz-performance-incrivel-de-kaya-scodelario-e-trata-sobre-problemas-serios/"><span style="font-weight: 400;">Kaya Scodelario</span></a><span style="font-weight: 400;">). Suas tramas funcionam isoladamente, mas também se entrelaçam e permitem interações agradáveis de acompanhar ao longo das duas primeiras temporadas, as quais são ocupadas pela primeira geração de personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O grupo introduziu o formato e a essência da série, e seu elenco se tornou icônico e marcante, sendo por vezes lembrado como </span><a href="https://www.hey-randomgirl.com.br/2019/10/reassistindo-skins-analise-primeira-geracao.html"><span style="font-weight: 400;">favorito pelos fãs</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo assim, a série retornou em uma terceira e quarta temporadas, com novos enredos e personagens tão interessantes e envolventes quanto seus antecessores.</span></p>
<figure id="attachment_27338" aria-describedby="caption-attachment-27338" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27338 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-5-1.png" alt="Fotografia da série Skins. A imagem foca no rosto de Tony, personagem de Nicholas Hoult. Nicholas é um homem branco, de olhos azuis, rosto fino e cabelos castanhos, com uma franja acima dos olhos. Ele está conversando com alguém e na imagem há uma legenda do que ele está dizendo: “Sometimes I think I’m crazy cause I see things so differently than everyone else”." width="1280" height="546" data-wp-editing="1" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-5-1.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-5-1-800x341.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-5-1-1024x437.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-5-1-768x328.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-5-1-1200x512.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27338" class="wp-caption-text">“As vezes acho que sou louco, porque vejo as coisas tão diferentemente de todas as outras pessoas” (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Do elenco original, apenas Effy continua presente no segundo grupo. Não mais como a retraída garota da primeira temporada, agora ela é a líder rebelde no meio de um triângulo amoroso &#8211; afinal, </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-nunca-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">séries </span><i><span style="font-weight: 400;">teen </span></i><span style="font-weight: 400;">adoram um triângulo amoroso</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nas outras pontas estão o desajustado Cook (</span><a href="https://www.miguelbarbieri.com.br/post/aguas-do-norte-globoplay-critica"><span style="font-weight: 400;">Jack O&#8217;Connell</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Freddie (</span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/listas/2021/04/tem-astros-de-game-of-thrones-e-da-marvel-conheca-o-elenco-de-sombra-e-ossos"><span style="font-weight: 400;">Luke Pasqualino</span></a><span style="font-weight: 400;">, muito antes da sua participação em </span><a href="https://personaunesp.com.br/sombra-e-ossos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sombra e Ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), atormentado por transtornos familiares. Naomi (Lily Loveless) ganha destaque com sua busca por autoconhecimento, personalidade forte, e seu romance com Emily (Kathryn Prescott), que é um dos pontos principais da temporada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além delas, Thomas (Merveille Lukeba), Pandora (Lisa Backwell), Katie (Megan Prescott) e JJ (Ollie Barbieri) fazem parte da nova fase, com temáticas que </span><a href="https://personaunesp.com.br/shiva-baby-critica/"><span style="font-weight: 400;">alternam entre o trágico e o cômico</span></a><span style="font-weight: 400;">. A instabilidade é uma constante. Todos estão sujeitos a falhas e acertos, e os jovens permeiam entre a busca por diversão e amor, e as infelicidades no meio familiar, escolar ou emocional.</span></p>
<figure id="attachment_27339" aria-describedby="caption-attachment-27339" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27339 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-6-1.jpg" alt="Fotografia da série Skins. A imagem foca no busto de Effy, personagem de Kaya Scodelario. Kaya é uma jovem branca, de cabelos castanhos, lisos e longos. Ela tem um rosto fino, nariz pontudo, olhos azuis e está sorrindo, de leve. Ela usa uma camiseta cinza e segura um cigarro em uma das mãos." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-6-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-6-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-6-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-6-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-6-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-6-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27339" class="wp-caption-text">Antes mesmo de se tornar um rosto famoso em Hollywood, Kaya Scodelario dava vida à rebelde Effy, que se tornou símbolo da série por anos (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Skins </span></i><span style="font-weight: 400;">aborda muitos </span><a href="https://apaixonadosporseries.com.br/series/review-skins-4x07-effy/"><span style="font-weight: 400;">distúrbios psicológicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e revela seus densos efeitos, assim como a recorrência às drogas e demais atitudes danosas à saúde. Muitos personagens enfrentam uma jornada semelhante a de </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/euphoria-zendaya-rue"><span style="font-weight: 400;">Rue Bennet</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Zendaya) em </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;">, pois alguns chegam ao fundo do poço, ascendem, com a ajuda certa, e se encontram novamente. Outros têm destinos caóticos e funestos, partindo o coração do espectador com seus declínios desastrosos ou encontros com um acaso letal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Definitivamente, seus temas podem ser pesados e desencadear gatilhos, por isso </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-149051/"><span style="font-weight: 400;">a série não é indicada para pessoas </span></a><span style="font-weight: 400;">que se encontram vulneráveis. Ainda assim, ela consegue sempre contextualizar essas abordagens. Mesmo os momentos mais obscuros não existem sem motivo ou sem propósito, mantendo </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins</span></i><span style="font-weight: 400;"> firme à mensagem que deseja passar. Ainda que a faça de maneira fúnebre e exorbitante, seus personagens são humanos, lidam com altos e baixos, e buscam desenvolvimento, redenção e crescimento.</span></p>
<figure id="attachment_27340" aria-describedby="caption-attachment-27340" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27340 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-7.jpg" alt="Fotografia da série Skins. A imagem foca, em primeiro plano, no rosto de Freddie, personagem de Luke Pasqualino. Luke é um homem branco, de cabelos escuros e lisos e jogados para o lado, com uma franja acima dos olhos, também escuros. Atrás dele, em segundo plano e desfocados, há um casal conversando sentado em uma escada." width="1280" height="384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-7.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-7-800x240.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-7-1024x307.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-7-768x230.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-7-1200x360.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27340" class="wp-caption-text">Skins ensina a importância de ser empático ao compreender que cada indivíduo está enfrentando as próprias batalhas (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Prudente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabia misturar e equilibrar os arcos dramáticos de cada um dos jovens com suas boas doses de humor ácido e sarcástico. Essa característica também pode ser evidenciada na recente –  e também inglesa – </span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ainda que a produção original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">aborde seus temas sensíveis com maior </span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-critica/"><span style="font-weight: 400;">cautela e leveza</span></a><span style="font-weight: 400;">, pendendo mais para o humor do que para o drama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa diferença, contudo, não torna a criação de Elsley e Brittain inferior, e sequer diminui a importância de sua abordagem. Muito pelo contrário, </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins </span></i><span style="font-weight: 400;">é extremamente intensa e reproduz toda a fragilidade, </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><span style="font-weight: 400;">urgência e complexidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa fase da vida que é a </span><a href="https://www.aficionados.com.br/series-adolescentes-netflix/"><span style="font-weight: 400;">adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela explora as camadas de cada indivíduo, suas qualidades, defeitos, fraquezas e virtudes, permitindo que o telespectador adentre pensamentos e perspectivas de forma sensível. Sua representação é instável, oscilante e profunda, assim como a vivência da juventude, reforçando, assim, a identidade e o espírito da série.</span></p>
<figure id="attachment_27341" aria-describedby="caption-attachment-27341" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27341 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-8.png" alt=" Fotografia da série Skins. A imagem foca no busto de Michelle, personagem de April Pearson. April é uma mulher branca, de cabelos castanhos, cacheados e médios. Ela tem um nariz pontudo, olhos azuis, franja e uma sobrancelha fina. Seu rosto é pontudo e ela usa uma blusa azul. Ela está conversando com um homem que aparece em primeiro plano, de costas. Ele tem cabelos escuros e lisos e usa uma camisa social branca. Na foto, há uma legenda para o que ela está dizendo, em inglês: “Stuff happens. You get over it”." width="1280" height="719" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-8.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-8-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-8-1024x575.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-8-768x431.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-8-1200x674.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27341" class="wp-caption-text">“Coisas acontecem. Você vai superar” (Foto: E4 )</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção ainda conduz uma imersão em uma Inglaterra dos anos 2000 e, mesmo para quem não era adolescente, de fato, em 2007, a série transmite a </span><a href="https://www.coxinhanerd.com.br/netflix-series-nostalgicas/"><span style="font-weight: 400;">sensação de nostalgia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seja nas relações entre os amigos e suas rotinas &#8211; em um período menos dominado pela tecnologia -, nos figurinos, </span><a href="https://youtu.be/YyMi_itzgFs"><span style="font-weight: 400;">músicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou nas enérgicas cenas de festas. Até as naturais e espontâneas interações banais entre os personagens transbordam as telas e permitem identificação e afinidade do público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trabalhar com jovens têm seus desafios e exige normas específicas. Uma grande crítica feita, não apenas a esta série, como a outras criações da época, é a falta de cuidado e proteção a adolescentes, assim como ao uso de suas imagens. Afinal, a identificação dos telespectadores também se dá pela representatividade, aceitação, e pelo rompimento de padrões estéticos, tão presentes nas ficções. April Pearson, que interpretou Michelle nas primeiras temporadas, e Laya Lewis, que deu vida a Liv nas últimas, </span><a href="https://metro.co.uk/2021/05/22/skins-april-pearson-and-laya-lewis-on-not-feeling-protected-during-sex-scenes-14626419/"><span style="font-weight: 400;">declararam recentemente</span></a><span style="font-weight: 400;"> a pressão para que o elenco feminino se encaixasse em um </span><a href="http://www.usp.br/aun/antigo/exibir.php?id=6340"><span style="font-weight: 400;">padrão de beleza</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; essa que envolvia dietas restritivas e coerção psicológica.</span></p>
<figure id="attachment_27344" aria-describedby="caption-attachment-27344" style="width: 1392px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27344 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-9.png" alt="Fotografia da série Skins. A imagem mostra o busto de dois personagens sentados lado a lado, conversando. Em primeiro plano, há um terceiro garoto, de costas. Em segundo plano, e à esquerda está Posh, personagem de Daniel Kaluuya. Daniel é um homem negro, de cabelo raspado, que usa um boné cinza de aba reta e uma camisa de baseball branca. Ele está rindo. Ao seu lado, à direita, está Maxxie, personagem de Mitch Hewer. Mitch é um homem branco, de olhos azuis, rosto fino e cabelos loiros e lisos, com uma franja que cai sobre os olhos. Ele usa uma camiseta branca com listras. Sobre a imagem, está escrito “Skins meant a f*ck-load to me as an experience”, fala de Daniel Kaluuya em entrevista." width="1392" height="884" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-9.png 1392w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-9-800x508.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-9-1024x650.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-9-768x488.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-9-1200x762.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27344" class="wp-caption-text">“Skins significou pra car*lho para mim, como experiência” <a href="https://www.nme.com/features/daniel-kaluuya-interview-get-out-queen-and-slim-2605806">declarou o vencedor do Oscar, Daniel Kaluuya</a> (<a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/">Corra!</a>), que atuou na primeira temporada e, posteriormente, escreveu roteiros da série (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pearson e Lewis também criticaram a ausência de instruções e acompanhamentos durante cenas de sexo com </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/coreografo-do-sexo-o-que-faz-um-coordenador-de-intimidade-em-hollywood-28420"><span style="font-weight: 400;">coreógrafos de intimidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, função essencial para que atores sintam-se seguros e confortáveis nas cenas gravadas. As declarações foram dadas durante o </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast </span></i><span style="font-weight: 400;">de Pearson </span><i><span style="font-weight: 400;">(</span></i><a href="https://www.areyoumichellefromskins.co.uk/"><i><span style="font-weight: 400;">Are you Michelle, from Skins?</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que ela diz que se sentia muito jovem e desprotegida. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O fato de que hoje em dia você tem um coordenador de intimidade, que é uma norma como parte de gravar cenas de nudez e cenas íntimas… Isso simplesmente não existia&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, completa a atriz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde 2018 essa profissão se tornou fundamental em cena. É um cargo essencialmente feminino e ganhou força após o </span><a href="https://veja.abril.com.br/videos/veja-explica/voce-sabe-o-que-e-o-movimento-metoo-veja-explica/"><span style="font-weight: 400;">movimento </span><i><span style="font-weight: 400;">#MeToo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que diversas mulheres do meio artístico relataram casos de abusos, assédios e desconfortos enquanto trabalhavam. Algumas ações tomadas por essas coordenadoras incluem esvaziar o </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;"> em cenas íntimas, garantir que atores e atrizes possam se despir com privacidade e receber orientações técnicas.</span></p>
<figure id="attachment_27342" aria-describedby="caption-attachment-27342" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27342 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-10.jpg" alt="Fotografia da série Skins. A imagem mostra os personagens Grace e Rich em primeiro plano, da cintura para cima. Grace é interpretada por Jessica Sula. Jessica é uma mulher negra, de cabelos cacheados, escuros e longos. Ela está de lado, virada para Rich e sua expressão é de confusão. Ela usa uma jaqueta jeans azul escura e carrega uma bolsa no ombro. Rich, à sua direita, é interpretado por Alexander Arnold. Ele é um homem branco, de cabelos lisos e castanhos que vão até seus ombros. Ele usa uma jaqueta de couro preta, tem fones apoiados no pescoço e está com uma expressão incomodada, com o olhar vidrado no chão e braços cruzados. Eles estão na rua, durante o dia. Atrás deles estão duas garotas desfocadas, em segundo plano." width="1536" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-10.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-10-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-10-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-10-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-10-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27342" class="wp-caption-text">Mesmo que tenha sido apresentado apenas na quinta temporada, Rich (Alexander Arnold) tornou-se um dos personagens favoritos dos fãs da série (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A terceira e última geração &#8211; que domina a quinta e sexta temporadas &#8211; é a </span><a href="http://www.boxpop.com.br/skins-a-delicada-3a-geracao/"><span style="font-weight: 400;">menos querida pela maioria dos fãs</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela apresenta forte subjetivismo, angústia e drama amoroso, sem trazer de volta nenhum personagem já existente no universo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins</span></i><span style="font-weight: 400;">, tendo atores completamente novos. Aqui, destacam-se Mini (Freya Mavor), que rompe com o estereótipo da garota popular e mimada, e Alo (</span><a href="https://www.urgesite.com.br/2021/07/27/critica-um-classico-filme-de-terror-a-classic-horror-story/"><span style="font-weight: 400;">Will Merrick</span></a><span style="font-weight: 400;">) e seu melhor amigo Rich, cujo visual </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">contrasta com a doce e graciosa Grace (</span><a href="https://br.ign.com/panic-amazon/89787/feature/panic-entrevista-elenco-serie-amazon-prime-video"><span style="font-weight: 400;">Jessica Sula</span></a><span style="font-weight: 400;">), por quem ele se apaixona. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há também a novata e controversa Franky (Dakota Blue Richards), o caótico Matty (</span><a href="https://observatoriodeseries.uol.com.br/noticias/sebastian-de-souza-se-junta-a-elle-fanning-e-nicholas-hoult-no-elenco-de-the-great"><span style="font-weight: 400;">Sebastian de Souza</span></a><span style="font-weight: 400;">), Nick (</span><a href="https://ew.com/article/2015/02/05/reign-sean-teale/"><span style="font-weight: 400;">Sean Teale</span></a><span style="font-weight: 400;">) e a já citada Liv, interpretada por Lewis. A geração ainda apresentou o antagonista Luke, vivido por </span><a href="https://www.rollingstone.co.uk/tv/going-to-extremes-joe-cole-on-physical-acting-and-reluctant-fame-10425/"><span style="font-weight: 400;">Joe Cole</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/peaky-blinders-finale-81-minutos"><i><span style="font-weight: 400;">Peaky Blinders</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). Por mais que a quinta temporada tenha um foco maior em discussões sobre sexualidade, conflitos entre amigos e família, e seja conhecida por ser mais tranquila e branda, sua sucessora conseguiu finalizar o legado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins </span></i><span style="font-weight: 400;">com drama intenso. O casal Rich e Grace se consagrou como um dos mais sinceros e queridos da série, e o gosto amargo no fim se dá pelo desejo de um final feliz que não se estendeu a todos os amigos do grupo.</span></p>
<figure id="attachment_27345" aria-describedby="caption-attachment-27345" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27345 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-11.png" alt="Fotografia da série Skins. A imagem mostra os personagens Mini e Alo, de mãos dadas. Alo está em primeiro plano, à esquerda, sentado em uma cadeira, e aparece com seu corpo estendido para trás, esticando seu braço esquerdo e olhando na mesma direção. Alo é interpretado por Will Merrick, um homem branco, ruivo, com cabelos curtos e ondulados. Ele está com uma camisa roxa de botões, sem mangas. Ele está olhando para a direção de Mini, que está em segundo plano, atrás dele e à direita. Ela está sentada em uma carteira escolar. Mini é interpretada por Freya Mavor. Freya é uma mulher branca, de cabelos loiros, cacheados e longos, que estão presos por um elástico e colocados de lado. Ela tem um rosto redondo e está usando uma blusa de frio azul clara. Ela segura a mão de Alo e o encara com uma expressão séria." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-11.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-11-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-11-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-11-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-11-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27345" class="wp-caption-text">Skins era repleta de amizades improváveis e relações críveis e doces (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os episódios especiais que marcam a sétima temporada da série, denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins Redux,</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostram o futuro de Effy, Cassie e Cook, e são intitulados “</span><i><span style="font-weight: 400;">Fire</span></i><span style="font-weight: 400;">”, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Pure</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">Rise</span></i><span style="font-weight: 400;">”, respectivamente. De início, eles tiveram aproximadamente duas horas de duração cada um. Agora, adaptados ao formato da série, todos se encontram no catálogo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">divididos entre parte 1 e 2. </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins </span></i><span style="font-weight: 400;">ganhou o público e também as críticas, estando entre as favoritas de muitos, até os dias atuais. Contudo, foi durante as primeiras temporadas que ela venceu o </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/bafta-2021-serie-sobre-racismo-lidera-indicacoes-ao-oscar-da-tv-britanica-56386"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Melhor Série Dramática</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2008 e de </span><a href="https://www.bafta.org/television/awards/radio-time-audience-award-2016"><i><span style="font-weight: 400;">Audiência</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2009.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diversas outras produções com foco no </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age,</span></i><span style="font-weight: 400;"> assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins</span></i><span style="font-weight: 400;">, desabrocharam a fim de continuar gerando representatividade para jovens no meio audiovisual. São esses, filmes e séries que abordam desafios e vivências de jovens prestes a encararem a vida adulta, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Lady Bird</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-vantagens-de-ser-invisivel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">As Vantagens de Ser Invisível</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2012) nos cinemas e, </span><a href="https://personaunesp.com.br/atypical-4a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Atypical</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), </span><a href="https://personaunesp.com.br/young-royals-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Young Royals</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-nunca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Nunca…</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020), </span><a href="https://personaunesp.com.br/anne-with-an-e-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Anne With an E</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017) e as já citadas </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de muitas outras, que estão dominando os </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Obras como essas ajudam jovens a crescerem conscientes de que não estão sozinhos e de que mais adolescentes enfrentam problemas similares aos seus. </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins</span></i><span style="font-weight: 400;"> também demonstra como as trajetórias humanas são marcadas por fases passageiras e que, por mais assustador que alguns momentos possam parecer, eles não duram para sempre. No final das contas, a mensagem da série inglesa, após seus 15 anos, mantém-se a mesma: a vida é feita de inconstâncias e montanhas-russas, não só de momentos alegres ou tristes, e sim da mistura entre ambos. É isso que permite as memórias inesquecíveis, mas também o amadurecimento.</span></p>
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		<title>A fuga de si mesmo em Jamais o fogo nunca</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Dec 2021 16:48:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade “Pode o subjugado falar? Pode o oprimido falar? Pode o desiludido falar? Pode o derrotado falar?”, indaga Julián Fuks no prefácio de Jamais o fogo nunca, livro da chilena Diamela Eltit traduzido por ele. “Nas páginas deste livro não despontará nenhuma resposta precisa a essas questões fundamentais”, conclui. Essas são as cartas postas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A fuga de si mesmo em Jamais o fogo nunca"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25341" aria-describedby="caption-attachment-25341" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25341 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25341" class="wp-caption-text">Durante as 172 páginas de Jamais o fogo nunca, a escritora Diamela Eltit destrincha os paradoxos da militância política durante a Ditadura chilena (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Pode o subjugado falar? Pode o oprimido falar? Pode o desiludido falar? Pode o derrotado falar?”</span></i><span style="font-weight: 400;">, indaga </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13927"><span style="font-weight: 400;">Julián Fuks</span></a><span style="font-weight: 400;"> no prefácio de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro da chilena </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/violencia-permeia-novo-romance-da-chilena-diamela-eltit/"><span style="font-weight: 400;">Diamela Eltit</span></a><span style="font-weight: 400;"> traduzido por ele. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nas páginas deste livro não despontará nenhuma resposta precisa a essas questões fundamentais”, </span></i><span style="font-weight: 400;">conclui. Essas são as cartas postas à mesa: Eltit não tem interesse em responder nenhuma das questões levantadas ao longo do romance, considerado seu trabalho principal; no entanto, o leitor encontrará uma espécie de distopia do século XXI, narrada de forma íntima, na qual há o aceno constante ao esquecimento em que são jogados aqueles que lutaram em favor da democracia, deixados à deriva.</span></p>
<p><span id="more-25340"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado no Brasil em 2017, com o lançamento oficial no Chile em 2007, </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/jamais-o-fogo-nunca/"><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">marcou a chegada das obras de Diamela Eltit no país, com um atraso de mais de 30 anos desde sua estreia literária, em 1983. O título do livro surge do poema </span><i><span style="font-weight: 400;">Os nove monstros</span></i><span style="font-weight: 400;">, do peruano </span><a href="https://editora34.com.br/detalhe.asp?id=1124"><span style="font-weight: 400;">César Vallejo</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual escreve: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Jamais o fogo nunca/Fez melhor seu papel de morto frio”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O trecho, que também é a epígrafe da obra de Eltit, serve como uma das possíveis chaves de interpretação que o romance possibilita, a considerar o caráter de denúncia que lemos nos versos de Vallejo e durante todo o trabalho de Eltit, acenando desesperadamente para a desumanização que alguns indivíduos promovem, transformando-se em carrascos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, entramos em contato com um casal de ex-militantes políticos durante a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55958337"><span style="font-weight: 400;">Ditadura de Pinochet</span></a><span style="font-weight: 400;">, subjugados dentro de um quarto onde as questões impostas pela vida política, que tanto exigiu de ambos, são colocadas em xeque. Existem ressonâncias </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/entenda-como-beckett-e-seus-personagens-em-situacoes-limite-sintetizam-a-era-covid.shtml"><span style="font-weight: 400;">beckettianas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no espaço claustrofóbico do quarto, nas quais a narradora-protagonista examina o presente colapsado, compartilhado com seu marido, através dos olhos do absurdo, sendo esse homem um paradoxal líder militante libertário, porém extremamente autoritário. O engajamento político dos dois custa a vida do filho – e não somente –, o qual, em virtude do estilo de vida clandestina, morre no cômodo em que a narradora agora rememora seu passado.</span></p>
<p><figure id="attachment_25344" aria-describedby="caption-attachment-25344" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25344" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1.jpg" alt="Foto retangular colorida da escritora chilena Diamela Eltit. Na imagem, Eltit está com as duas mãos no bolso da calça, encostada em uma porta de madeira. Ela é uma mulher branca, com cabelos lisos curtos e grisalhos, veste uma camiseta roxa e um colar de cor cinza. Ao fundo há um banco de madeira, com duas almofadas floridas de cor preta e cinza, respectivamente, e uma janela com detalhes de madeira, na qual pode-se ver algumas árvores." width="1300" height="732" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25344" class="wp-caption-text">Diamela Eltit já ganhou diversos prêmios literários de renome, cujo mais recente foi o da Feira Internacional do Livro de Guadalajara (FIL), recebido em 2021 [Foto: Diario Pagina Siete]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Diamela Eltit nasceu em 1949 em Santiago, e obteve formação em Letras na Universidade do Chile, iniciando sua carreira como professora em escolas públicas. Desde 2007, dá aulas de Escrita Criativa na </span><i><span style="font-weight: 400;">New York University</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/meus-livros/desilusao-politica-e-amorosa-se-mesclam-em-livro-de-diamela-eltit/"><span style="font-weight: 400;">Eltit disse em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> que elaborou a história do romance após visualizar a militância como um símbolo do pertencimento. Além desse aspecto, a escritora motivou-se a dar voz à mulher militante, </span><i><span style="font-weight: 400;">“que ficou fora do protagonismo durante esses anos”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao apresentar o marido da protagonista como um ser desprezível, monossilábico e violento, Eltit aponta para uma característica assustadora dos regimes repressivos: a totalidade violenta da Ditadura engloba inclusive aqueles que seriam suas alternativas, suas chances de libertação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro apresenta, talvez por uma escolha estética, personagens principais (a narradora e o marido) sem nome, cuja ausência coloca os corpos no centro do debate. Essa característica cria um diálogo com a política de desaparecimentos recorrentes nas Ditaduras, mesmo que de forma subjetiva. Desse modo, os corpos do romance estão desaparecidos, pois a falta de nome evidencia uma possível falta de identidade dessas pessoas. Sabe-se, porém, que o livro acontece em uma espécie de futuro pós-ditadura, no qual a protagonista segue como um espectro, viajando entre passado e presente, mas ainda, por alguma razão, vivendo enclausurada. Ela assume, assim, a posição de vigilante de seu marido – algo que só vamos entender o porquê próximo ao final do livro.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Eu já tinha caído, apreendida como um animal selvagem ou um animal de circo, em plena via pública, cercada e capturada. Depois você cairia. Uma soma implacável, a célula completa: os dez. Sobrevivemos sete. Três mortos.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os caminhos entre ficção e memória também estão interligados em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i><span style="font-weight: 400;">, tendo em vista que Eltit constrói, através da oralidade, uma paisagem cerebral na qual o leitor tende a assimilar a clandestinidade do casal e o aprisionamento do quarto como uma evocação da claustrofobia de se viver em um regime ditatorial. Nesse aspecto, existem similaridades com os trabalhos de </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/literatura/contracapa/a-importancia-da-historia-nos-romances-de-w-g-sebald/"><span style="font-weight: 400;">W.G. Sebald</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritor alemão conhecido por sua prosa prolixa e construção literária que embaça e mistura ficção com a não-ficção, abordando temas como a relação entre as vítimas da Segunda Guerra e do Holocausto – os mortos e seus parentes que sobreviveram – e a iminente dificuldade de se abordar a tragédia de nossos antepassados (o que, no fim, é também a nossa própria tragédia). Todavia, a premissa que norteia os trabalhos de Eltit e Sebald poderia ser a mesma: memória é ficção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abordagem literária da escritora dialoga com seu próprio passado, pois ela foi uma das fundadoras do </span><a href="http://www.memoriachilena.gob.cl/602/w3-article-3342.html"><i><span style="font-weight: 400;">Colectivo Acciones De Arte</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(CADA), grupo artístico criado em 1979 para lutar em favor da preservação da cultura, em plena Ditadura chilena. O coletivo propunha ideias de intervenção artística no espaço urbano, destruindo, assim, o conceito de ‘sala de arte’ – todo o espaço público deveria se transformar em uma sala de arte. Esse dado biográfico acena para a abordagem dos corpos ao longo do romance – às vezes chamados de </span><i><span style="font-weight: 400;">“células”</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, visto que há uma ideia de intervenção artística de forma visceral na vida cotidiana, transformando, assim, o objeto artístico em uma potente arma contra a repressão.</span></p>
<figure id="attachment_25345" aria-describedby="caption-attachment-25345" style="width: 1125px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25345" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2.jpg" alt="Foto retangular em preto e branco, na qual vemos, da esquerda para a direita, Juan Castillo, Lotty Rosenfeld, Raul Zurita, Diamela Eltit e Fernando Balcells. Os cinco são pessoas brancas, e estão sentados em degraus. Juan veste uma camisa cinza de manga longa, utiliza barba de cor preta e possui cabelos lisos de cor preta. Lotty possui cabelos grandes pretos, veste camiseta branca e calça de cor cinza, e está com as duas mãos unidas. Raul está sentado com os braços cruzados, vestindo calça preta e camisa de manga longa branca. Ele possui poucos cabelos e uma barba grande de cor preta. Diamela está com os dois braços cruzados à frente de suas pernas. Ela veste uma calça preta e camiseta preta, e possui cabelos lisos curtos, de cor preta. Por fim, Fernando veste calça cinza, camiseta cinza, porém mais escura, e possui cabelos pretos e um bigode de cor preta." width="1125" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2.jpg 1125w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2-1024x728.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2-768x546.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25345" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita estão Juan Castillo, Lotty Rosenfeld, Raul Zurita, Diamela Eltit e Fernando Balcells; juntos, formavam o CADA (Foto: Paz Errázuriz)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, a virada do milênio foi marcada por especulações sobre como os computadores e a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">seriam o futuro, e como poderiam controlar o planeta. Assim, o corpo humano estendeu-se (ou diluiu-se) em </span><i><span style="font-weight: 400;">bits </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">bytes</span></i><span style="font-weight: 400;">, em representações virtuais e alegações. Talvez por isso haja o esquecimento daqueles que lutaram pela democracia, visto que não há memória coletiva capaz de sobrepor a </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">grandiloquência individualista</span></a><span style="font-weight: 400;"> proporcionada pelas redes. Vale lembrar que o livro foi publicado em 2007, e não por acaso trata-se de um romance que, mesmo transitando entre os tempos, se passa no pós-horror ditatorial. Desde o início se trata de uma lembrança.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca </span></i><span style="font-weight: 400;">foge das convenções naturais sobre o romance, sendo uma obra questionadora e desafiante do ponto de vista formal, mas profundamente original. Com um panorama histórico, social e político que ainda marca todos nós latino-americanos, o livro mostra o poder – seja político e social (Ditadura), seja físico (marido) – não apenas como um exercício executado por aqueles que o assumem, mas também como uma ordem capaz de deixar marcas profundas nos indivíduos – como as cicatrizes em um corpo.</span></p>
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