<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos True crime &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/true-crime/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/true-crime/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 02 May 2024 12:44:21 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos True crime &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/true-crime/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>O dilema de Suzane von Richthofen em A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/a-menina-que-matou-os-pais-a-confissao-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/a-menina-que-matou-os-pais-a-confissao-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 May 2024 12:36:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[A Menina que Matou os Pais]]></category>
		<category><![CDATA[A Menina Que Matou os Pais - A Confissão]]></category>
		<category><![CDATA[Allan Souza Lima]]></category>
		<category><![CDATA[Amazon Prime Video]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Carla Diaz]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Barbosa]]></category>
		<category><![CDATA[Ilana Casoy]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo Bittencourt]]></category>
		<category><![CDATA[O Menino que Matou Meus Pais]]></category>
		<category><![CDATA[Raphael Montes]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Suspense]]></category>
		<category><![CDATA[Trilogia]]></category>
		<category><![CDATA[True crime]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=33328</guid>

					<description><![CDATA[<p>Guilherme Barbosa Em 2002, o caso Richthofen escandalizou o Brasil pela extrema brutalidade do crime, orquestrado por Suzane Von Richthofen e os irmãos Cravinhos. A indústria cultural, desde então, explorou diversas formas de recriar esse trágico evento, seja por meio de livros, podcasts ou no Cinema. Em 2021, dois filmes apresentaram uma nova abordagem, revelando &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-menina-que-matou-os-pais-a-confissao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O dilema de Suzane von Richthofen em A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-menina-que-matou-os-pais-a-confissao-critica/">O dilema de Suzane von Richthofen em A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33331" aria-describedby="caption-attachment-33331" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33331" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3.jpg" alt="Cena do filme A Menina Que Matou os Pais - A Confissão. O local é um cemitério, ao fundo, há algumas pessoas desfocadas e no centro, em evidência, está a atriz Carla Diaz, uma mulher branca de cabelos louros, longos e lisos. Ela usa uma calça jeans escura, um cropped preto e no ombro uma blusa de manga comprida preta. Ela está abraçando o ator Leonardo Bittencourt, um homem branco de cabelos pretos utilizando uma camisa social cinza e gravata longa preta. Ele também está utilizando uma calça social cinza escuro e um cinto preto." width="1200" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-800x467.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-1024x597.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-768x448.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33331" class="wp-caption-text">Carla Diaz e Leonardo Bittencourt novamente protagonizam a representação do crime que chocou o Brasil (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Barbosa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2002, o caso </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2023/01/12/interna_nacional,1444140/suzane-von-richthofen-relembre-o-caso-que-chocou-o-brasil-em-2002.shtml"><span style="font-weight: 400;">Richthofen</span></a><span style="font-weight: 400;"> escandalizou o Brasil pela extrema brutalidade do crime, orquestrado por Suzane Von Richthofen e os irmãos Cravinhos. A indústria cultural, desde então, explorou diversas formas de recriar esse trágico evento, seja por meio de livros, podcasts ou no Cinema. Em 2021, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-wQyssgiDh4"><span style="font-weight: 400;">dois filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentaram uma nova abordagem, revelando a perspectiva de Suzane e a de Daniel Cravinhos, seu então namorado. Dois anos depois das primeiras adaptações cinematográficas, surge um novo capítulo com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão</span></i><span style="font-weight: 400;">, prometendo narrar os acontecimentos desde a noite do crime até o dia em que confessaram.</span></p>
<p><span id="more-33328"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme vem para completar a história dos antecessores </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Menino que Matou Meus Pais</span></i><span style="font-weight: 400;">: não há novidade no caso, a diferença fica sobre como o ocorrido é mostrado aos espectadores. O longa apresenta os dias tensos que sucederam a noite do assassinato de Manfred e Marísia, pais de Suzane. Um terceiro olhar à história exibe todo o processo de investigação da polícia para entender como as mortes aconteceram a sangue frio até a confissão dos três envolvidos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="A Menina Que Matou Os Pais: A Confissão | Trailer Oficial | Prime Video" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Nsl90coKJpk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a popularização do </span><a href="https://vogue.globo.com/Mix-n-Max/noticia/2022/07/true-crime-entenda-como-esse-fenomeno-se-popularizou-no-audiovisual.html"><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, iniciou-se uma discussão sobre a glamourização de </span><i><span style="font-weight: 400;">serial killers</span></i><span style="font-weight: 400;"> e os crimes que marcaram. O ponto principal é articular sobre até que momento o indivíduo que o cometeu está sendo colocado como sofredor, tirando o lugar daqueles que realmente são vítimas e os colocando como sujeito principal, deixando de lado sua crueldade e violência. Em casos muito famosos como </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/12/irresistivel-face-do-mal-12-diferencas-entre-filme-e-vida-de-ted-bundy.html"><span style="font-weight: 400;">Ted Bundy</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Jeffrey Dahmer, que tiveram muitas obras criadas em torno de seus crimes, essa discussão foi muito ampliada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançou </span><a href="https://revistas.intercom.org.br/index.php/insolita/article/download/4615/2918/12472"><i><span style="font-weight: 400;">Dahmer: Um Canibal Americano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, surgiram muitos debates sobre se realmente havia necessidade de criar mais uma retratação de um caso que afetou e marcou a vida de tantas pessoas, já que a série foi acusada de mostrar o </span><i><span style="font-weight: 400;">serial killer</span></i><span style="font-weight: 400;"> como vítima em alguns momentos. Com </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/reportagens-especiais/o-que-3-filme-sobre-suzane-von-richthofen-mostra-sobre-o-caso/#cover"><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não seria diferente levantar o questionamento se era necessário criar mais um capítulo para uma história que foi tão cruel e sensacionalizada pela mídia. Também não é diferente afirmar que mais uma vez um crime grave e cruel foi explorado para criar uma obra cinematográfica puramente mercadológica, visto o resultado raso do filme entre atuações e desenvolvimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o lançamento, um certo clamor foi gerado com a expectativa de que a direção e atriz principal conseguissem demonstrar a </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/narcisista-manipuladora-e-perversa-os-tracos-na-personalidade-de-suzane-von-richthofen.phtml"><span style="font-weight: 400;">dissimulação</span></a><span style="font-weight: 400;">, narcisismo, manipulação e frieza</span><span style="font-weight: 400;"> de Suzane, uma pessoa tão complexa, que conseguia demonstrar muitas características em um só momento. Carla Diaz, com certa diligência, representa as emoções de Richthofen em ocasiões marcantes para o ocorrido, como no </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/08/29/caso-richthofen-quem-e-quem-foto-filme.htm"><span style="font-weight: 400;">enterro dos pais</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual ela utilizou calça jeans e um cropped preto. No terceiro ato, temos uma atuação mais contida, tornando os acontecimentos mais convincentes.</span></p>
<figure id="attachment_33330" aria-describedby="caption-attachment-33330" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33330" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2.jpg" alt="Imagem retangular. O cenário da imagem é uma delegacia, no centro, Leonardo Bittencourt, um homem branco de curtos cabelos e sobrancelhas pretas. Ele usa uma camiseta de manga comprida preta com uma estampa na frente. Ao seu lado está a atriz Carla Diaz, uma mulher branca de cabelos e sobrancelhas loiras. Ela usa uma camiseta vermelha com uma bolsa em seu ombro direito." width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-33330" class="wp-caption-text">O novo longa mostra como foi o processo de confissão do caso Richthofen (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><a href="https://entretenimento.r7.com/prisma/flavio-ricco/divisor-de-aguas-diz-leo-bittencourt-sobrefilme-do-caso-richthofen-03112023"><span style="font-weight: 400;">Leonardo Bittencourt</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Allan Souza Lima, em suas representações dos irmãos Cravinhos, têm desempenhos diferentes. Bittencourt não tem muita precisão em demonstrar o nervosismo que Daniel demandava naquele momento, diferentemente do representante de Cristian Cravinhos, que tem uma das melhores performances de todo elenco ao interpretar aquele que acabou influenciando em diferentes momentos da investigação. O ápice vem no terceiro ato, próximo da confissão, quando ele mostra com muita maestria como o ser humano se comporta sob pressão e nervosismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento do enredo escrito por Ilana Casoy e </span><a href="https://www.metropoles.com/celebridades/roteirista-revela-se-suzane-von-richthofen-recebeu-por-novo-filme"><span style="font-weight: 400;">Raphael Montes</span></a><span style="font-weight: 400;"> ocorre principalmente por meio da investigação do crime. Contudo, na segunda metade do filme, percebe-se uma aceleração em direção ao clímax, resultando em uma conduta que negligencia a exploração aprofundada dos detalhes da apuração do incidente. A habilidade da polícia em conectar todas as peças de um quebra-cabeça tão difícil é bruscamente simplificada, com base em pequenos descuidos dos personagens, o que pode parecer um tanto quanto duvidoso.</span></p>
<figure id="attachment_33329" aria-describedby="caption-attachment-33329" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33329" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1.jpg" alt=" Imagem retangular. No centro está Carla Diaz, caracterizada para seu personagem como Suzane von Richthofen. Ela é uma mulher branca, de cabelos loiros escuros e olhos castanhos escuros. Ela está sentada em uma cadeira, com os joelhos apoiados na cadeira e seus braços cruzados em cima dos joelhos. Usa uma calça cinza e uma blusa de manga comprida vermelha.  Em sua mão direita segura um cigarro. Ao fundo está  um armário de cor bordô que cobre todo o fundo da atriz." width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33329" class="wp-caption-text">Suzane von Richthofen arquitetou o plano que matou os seus pais em 2002 (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Filmes baseados em </span><a href="https://revistaesquinas.casperlibero.edu.br/arte-e-cultura/cinema/crime-camera-e-acao-qual-o-desafio-etico-de-producoes-true-crime/"><span style="font-weight: 400;">histórias reais</span></a><span style="font-weight: 400;">, especialmente aqueles que abordam crimes brutais como o caso Richthofen, são muito desafiadores. A tarefa é complexa e requer uma sensibilidade competente de toda a equipe envolvida. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Que Matou Os Pais &#8211; A Confissão</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais uma abordagem comercial e midiática do que uma criação de um testemunho significativo que honre a memória das verdadeiras vítimas.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-menina-que-matou-os-pais-a-confissao-critica/">O dilema de Suzane von Richthofen em A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/a-menina-que-matou-os-pais-a-confissao-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">33328</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Segredos de Um Escândalo prova que a Arte não passa a história a limpo</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/segredos-de-um-escandalo-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/segredos-de-um-escandalo-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Feb 2024 21:27:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Alex Mechanik]]></category>
		<category><![CDATA[Camp]]></category>
		<category><![CDATA[Charles Melton]]></category>
		<category><![CDATA[Comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Critics Choice Awards]]></category>
		<category><![CDATA[Diamond Films]]></category>
		<category><![CDATA[Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Globo de Ouro]]></category>
		<category><![CDATA[Julianne Moore]]></category>
		<category><![CDATA[May December]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Roteiro Original]]></category>
		<category><![CDATA[Natalie Portman]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2024]]></category>
		<category><![CDATA[SAG Awards]]></category>
		<category><![CDATA[Samy Burch]]></category>
		<category><![CDATA[Segredos de Um Escândalo]]></category>
		<category><![CDATA[Spirit Awards]]></category>
		<category><![CDATA[Todd Haynes]]></category>
		<category><![CDATA[True crime]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=32489</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Pode a Arte imitar a realidade sem se basear nela? Pode a vida de alguém virar arte se não houver autorização? Todd Haynes prova que sim. Tão melodramático quanto bem-humorado, Segredos de Um Escândalo, inspirado em uma história real, mostra que o papel da arte não é necessariamente passar as coisas a limpo. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/segredos-de-um-escandalo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Segredos de Um Escândalo prova que a Arte não passa a história a limpo"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/segredos-de-um-escandalo-critica/">Segredos de Um Escândalo prova que a Arte não passa a história a limpo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32492" aria-describedby="caption-attachment-32492" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32492" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3.png" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32492" class="wp-caption-text">No Oscar 2024, May December concorre à categoria de Melhor Roteiro Original (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode a Arte imitar a realidade sem se basear nela? Pode a vida de alguém virar arte se não houver autorização? Todd Haynes prova que sim. Tão melodramático quanto bem-humorado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;">, inspirado em uma </span><a href="https://www.rollingstone.com/culture/culture-features/mary-kay-letourneau-may-december-true-story-1234918355/#:~:text=May%20December%20is%20loosely%20based,in%20a%20car%20with%20Fualaau."><span style="font-weight: 400;">história real</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostra que o papel da arte não é necessariamente passar as coisas a limpo. Do contrário, a obra disseca os restos do que um dia foi um escândalo, reimaginando os ecos reais dele muito tempo depois que os noticiários se esqueceram. </span></p>
<p><span id="more-32489"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tarefa de encarar o dramalhão é de Julianne Moore, Charles Melton e Natalie Portman. Os dois primeiros são um casal aparentemente feliz, mas que escondem mais do que a superfície mostra. Ela, Gracie, e ele, Joe, tem uma diferença de idade de praticamente 30 anos e começaram a se relacionar quando o menino tinha apenas 13. Já a última é Elizabeth Berry, uma atriz que passa a conviver com a dupla para estudar Gracie e interpretá-la fielmente em um filme independente. Quando o equilíbrio perfeito da casa é abalado pela convivência com a atriz, o </span><a href="https://variety.com/2023/film/news/may-december-true-story-mary-kay-letourneau-1235757908/"><span style="font-weight: 400;">passado volta à tona</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; dessa vez, para ser questionado e não endossado.</span></p>
<figure id="attachment_32494" aria-describedby="caption-attachment-32494" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32494" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-5.png" alt="" width="728" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-32494" class="wp-caption-text">Gracie e Elizabeth travam uma guerra de narcisismo (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo começa com a falta de cachorros quentes na geladeira. Longe de se autointitular </span><i><span style="font-weight: 400;">camp </span></i><span style="font-weight: 400;">ou </span><a href="https://www.vulture.com/2024/01/vili-fualaau-mary-kay-letourneau-may-december.html"><span style="font-weight: 400;">fazer justiça com as próprias mãos</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">May December </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) come pelas beiradas. Isso porque o caso por trás do escândalo-título é digno de tabloides, mas não requer uma nova exposição. Pelo contrário, a Elizabeth de Portman conhece as nuances da história na mesma ordem que o espectador: primeiro de fora, quando observa trechos de revistas e jornais sobre o julgamento do “</span><i><span style="font-weight: 400;">pet-shop romance</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou fotos de Gracie tendo a primeira filha com Joe na prisão, ainda vestindo a tornozeleira eletrônica. Depois, de dentro, quando é confrontada com um casal calmo, com uma casa grande em um bairro familiar, uma churrasqueira com cachorros quentes, cervejas geladas, bolos de abacaxi, amigos preocupados, dois filhos adolescentes prestes a partir para a faculdade e uma encomenda com fezes dentro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a conta não fecha, é aí que Elizabeth Berry entra. A </span><a href="https://slate.com/culture/2023/12/natalie-portman-may-december-movie-netflix-black-swan-jackie.html"><span style="font-weight: 400;">atriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> assegura que só quer fazer jus à Gracie no filme, conhecer as zonas cinzas de onde o suposto romance nasceu. Aqui, não há opinião formada: ela está aberta para escutar o que seus objetos de estudo têm a dizer, não imputar suas próprias conclusões sobre eles. </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo </span></i><span style="font-weight: 400;">funciona justamente nessas áreas cinzas. Enquanto Gracie alega uma paixão avassaladora e um relacionamento feliz &#8211; e Joe acredita -, o dia a dia mostra uma dinâmica controladora, em que a mulher manda tão comumente quanto o marido obedece. Os anos de diferença evocam algo maternal. Você já está na segunda cerveja, desacelera. Não deixe suas coisas espalhadas na sala. Vá tomar banho antes de dormir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, tanto Julianne Moore quanto Gracie se mostram uma raposa. Sempre que o assunto da diferença de idade vem à tona, a personagem declara o amor dos dois e lembra o quanto Joe a seduziu. Ela infla seu ego com comentários cortantes em direção a ele e às crianças, reitera o quanto sempre foi ingênua, reforça sua feminilidade e, quando precisa, chora desamparada como se não tivesse o dobro de maturidade do que qualquer um em cena. Na pele dela, Moore calibra seus gestos, ora se portando com inocência, ora com um ar de quem calcula cada movimento para ser percebida como quer. Modulando a voz, Gracie é </span><a href="https://deadline.com/2023/12/may-december-julianne-moore-interview-1235677359/"><span style="font-weight: 400;">incisiva e firme</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas rapidamente muda e soa como uma criança que não sabe as consequências de seus atos, enganando a vizinhança e o próprio marido. Ou quem sabe ela é assim e realmente acredita na própria infantilidade?</span></p>
<figure id="attachment_32496" aria-describedby="caption-attachment-32496" style="width: 1503px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32496" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december.png" alt="" width="1503" height="741" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december.png 1503w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december-800x394.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december-1024x505.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december-768x379.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december-1200x592.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32496" class="wp-caption-text">Todd Haynes e Segredos de um Escândalo concorreram ao Palma de Ouro no Festival de Cannes 2023; o prêmio foi para Justine Triet e Anatomia de uma Queda (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cinismo é a chave de </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao contrário de Moore, que nunca deixa transparecer a verdade por trás de suas intenções, Natalie Portman é ótima atriz em interpretar uma atriz mediana. Por mais que tente, Elizabeth Berry preenche a tela em branco com suas opiniões e intenções, mas, no caminho, rende cenas tensas ao lado de Joe e Gracie. A frente de um espelho ou em um consultório médico, o desconforto surge ao passo que ela cruza a linha entre </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/natalie-portman-film-decline-social-media-influencers-1235833116/"><span style="font-weight: 400;">observação e intromissão</span></a><span style="font-weight: 400;">, se aproveitando dos maneirismos de uma Moore brilhante para incorporar Gracie o máximo que pode &#8211; até de forma cômica, intencionalmente ou não.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio disso está Joe. Como uma criança perdida, ele não cria conflito, assiste TV, cuida de suas lagartas e apazigua os ânimos quando convém. É na presença de </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-news/charles-melton-riverdale-juilliard-may-december-1235766201/"><span style="font-weight: 400;">Charles Melton</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o trio protagonista se eleva: introvertido e retraído, o personagem é resultado do “escândalo pet-shop”, um adolescente para sempre preso no corpo de um homem adulto, que nunca teve a chance de amadurecer sozinho. Até a relação com os filhos, com pouco mais da metade da idade dele, é desigual, já que as crianças viveram experiências que o próprio nunca pôde. A mera constatação de que adultos fazem coisas de adulto o abala, como se ele não soubesse como agir como um.</span></p>
<figure id="attachment_32491" aria-describedby="caption-attachment-32491" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32491" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-2.png" alt="" width="770" height="416" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-2.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-2-768x415.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32491" class="wp-caption-text">Injustiçado, May December não levou nada no Globo de Ouro e no Critics Choice Awards (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das performances, a direção novelesca de Todd Haynes cria a atmosfera inquietante que move as incertezas de </span><i><span style="font-weight: 400;">May December</span></i><span style="font-weight: 400;">. A condução simples, mas eficiente, as metáforas escancaradas, composições visuais geniais e uma boa dose de humor fazem o filme passear entre um drama voraz e uma </span><a href="https://variety.com/2024/film/columns/may-december-comedy-camp-todd-haynes-julianne-moore-natalie-portman-1235860085/"><span style="font-weight: 400;">sátira</span></a><span style="font-weight: 400;"> à própria indústria do Cinema que pouco o reconheceu. Apesar de superar outras obras nomeadas, seu nome não foi mencionado o suficiente nas grandes premiações norte-americanas, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou outros prêmios de sindicatos hollywoodianos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os poucos reconhecimentos foram os nomes de Melton, Moore e Portman em eventos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choic Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Globo de Ouro, mas, ainda assim, sem receber os devidos louros. Um alívio foi a indicação certeira da roteirista Samy Burch, que dois domingos antes do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">consagrou seu nome junto de Alex Mechanik (responsável pela história, junto dela) no </span><a href="https://x.com/filmindependent/status/1761882269772660922?s=20"><i><span style="font-weight: 400;">Spirit Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, premiação de filmes independentes. Com um tato para desconcertar o espectador e não dar de bandeja se </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo </span></i><span style="font-weight: 400;">é </span><i><span style="font-weight: 400;">camp </span></i><span style="font-weight: 400;">ou não, a novata aproveitou uma polêmica real para criar algo maior do que uma cinebiografia não autorizada e mergulhou nas vulnerabilidades de seus personagens. A torcida é para que Burch continue sua caminhada representando o longa e faça uma competição grandiosa com </span><a href="https://personaunesp.com.br/anatomia-de-uma-queda-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Anatomia de uma Queda</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vidas Passadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, deixando </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Rejeitados </span></i><span style="font-weight: 400;">para trás.</span></p>
<figure id="attachment_32493" aria-describedby="caption-attachment-32493" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32493" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-4.png" alt="" width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-32493" class="wp-caption-text">Natalie Portman é uma das produtoras de May December e escolheu Todd Haynes a dedo para dirigi-lo (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem previsão para chegar na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">Brasil (nos Estados Unidos, o longa foi lançado direto na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">), </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo </span></i><span style="font-weight: 400;">adentra as entranhas do imaginário popular e ainda cutuca os adeptos ao método de atuação e às produções </span><a href="https://personaunesp.com.br/pacto-brutal-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O segredo é não se levar a sério demais e render boas risadas proibidas no caminho, sem acreditar se a canalhice das </span><a href="https://x.com/Variety/status/1733263918565576833?s=20"><span style="font-weight: 400;">protagonistas são reais</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou elas estão cegas na própria desonestidade que nos fazem acreditar junto. Ao final, quem sai ferido é Joe e quem sai curado é Charles Melton, que alça seu nome à </span><i><span style="font-weight: 400;">A-List </span></i><span style="font-weight: 400;">de Hollywood.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/segredos-de-um-escandalo-critica/">Segredos de Um Escândalo prova que a Arte não passa a história a limpo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/segredos-de-um-escandalo-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">32489</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Difícil é não perder o fôlego em Black Bird</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/black-bird-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/black-bird-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Dec 2023 19:06:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Agata Bueno]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Apple TV+]]></category>
		<category><![CDATA[Black Bird]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Emmys]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[Paul Walter Houser]]></category>
		<category><![CDATA[Ray Liotta]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Suspensa]]></category>
		<category><![CDATA[Taron Egerton]]></category>
		<category><![CDATA[True crime]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=32314</guid>

					<description><![CDATA[<p>Agata Bueno Às vezes, o rumo de uma história leva um personagem comum do céu ao inferno, transformando-o num mocinho ou num bandido. Em certos enredos, dois passados ordinários podem se cruzar e dar lugar a um único e excruciante presente, que vai além do maniqueísmo dos livros de faz de conta. Em Black Bird, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/black-bird-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Difícil é não perder o fôlego em Black Bird"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/black-bird-critica/">Difícil é não perder o fôlego em Black Bird</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32317" aria-describedby="caption-attachment-32317" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32317" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-8.jpg" alt="Cena da série Black Bird. Dois homens se encaram separados por uma mesa de madeira com seis pássaros esculpidos em madeira e alguns itens de carpintaria em cima dela. Atrás deles estão janelas com grades. O homem à esquerda é branco, forte e possui um topete loiro escuro e penteado. O homem à direita é branco, gordo, possui barba e costeletas castanhas, um cabelo também castanho penteado para baixo com aparência úmida. Ambos usam o uniforme azul da prisão." width="1999" height="999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-8.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-8-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-8-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-8-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-8-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-8-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32317" class="wp-caption-text">Nada prepara alguém para estar na pele de Jimmy Keene (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Agata Bueno</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Às vezes, o rumo de uma história leva um personagem comum do céu ao inferno, transformando-o num mocinho ou num bandido. Em certos enredos, dois passados ordinários podem se cruzar e dar lugar a um único e excruciante presente, que vai além do maniqueísmo dos livros de faz de conta. Em </span><a href="https://youtu.be/aH1FOkJys3Y"><i><span style="font-weight: 400;">Black Bird</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por sua vez, a angústia que acompanha cada indivíduo da trama não foca em heróis ou vilões, mas deixa claro o que é certo e o que é errado; e como os caminhos se cruzam, independentemente do seu passado. Uma percepção que ultrapassa as ideias de bem e mal – se é que é possível separá-las -, e questiona o quão ingênuo ou arrogante alguém pode ser.</span></p>
<p><span id="more-32314"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirada numa </span><a href="https://collider.com/black-bird-true-story-larry-hall-explained/"><span style="font-weight: 400;">história verídica</span></a><span style="font-weight: 400;">, a produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha James Keene (Taron Egerton) numa corrida contra o tempo para obter uma confissão do suspeito de um assassinato, Larry Hall (Paul Walter Houser). Entre sonhos embaçados e situações reais e implacáveis, Keene aceita uma oferta para se livrar da sentença de dez anos, deixando de lado sua presunção para entrar no labirinto da mente de Hall. Enquanto eles dançam entre a realidade e os cenários fantasiosos, a verdade vem à tona. E com ela, um rastro de tensão crescente a cada passo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que brincam de gato e rato na prisão, Larry e Jimmy conduzem a audiência num espetáculo de tirar o fôlego. Em meio às decisões do tribunal, as investigações e a tensão num ambiente de segurança máxima surge um sentimento excruciante vindo da dúvida entre uma pausa para respirar ou continuar um episódio seguido de outro. Ao longo dos </span><a href="https://tv.apple.com/br/show/black-bird/umc.cmc.30gx1y8nwthydkrvhqu156p3"><span style="font-weight: 400;">seis capítulos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mostram a jornada dos dois lados da justiça, explorando os crimes, a dor e a ausência sem pressa, mergulhamos no sangue frio de um assassino e queimamos junto do delator no inferno. </span></p>
<figure id="attachment_32315" aria-describedby="caption-attachment-32315" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32315" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-7.jpg" alt="Cena da série Black Bird. Dois homens em pé num refeitório com mesas brancas, paredes laranjas e brancas e lustres com luz alaranjada. O homem à direita é branco, gordo, possui barba e costeletas castanhas, um cabelo também castanho penteado para baixo com aparência úmida e segura um spray contendo um líquido de limpeza. O homem à esquerda é branco, forte e possui um topete loiro escuro e penteado. Ambos usam o uniforme azul da prisão e luvas amarelas de limpeza." width="1999" height="993" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-7.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-7-800x397.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-7-1024x509.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-7-768x382.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-7-1536x763.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-7-1200x596.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32315" class="wp-caption-text">Walter Houser e Egerton dividem os holofotes em meio ao caos e a tensão (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A angústia que acelera a cada cena, a cada movimento e a cada respiração é o suficiente para premiar a atuação de </span><a href="https://www.emmys.com/bios/taron-egerton#awards"><span style="font-weight: 400;">Taron Egerton</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de</span> <span style="font-weight: 400;">Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme. Assim como a tensão crescente, o tempo de Jimmy passa cada vez mais rápido. É uma luta contra o relógio e a insanidade. Tique taque, tique taque. Egerton, entretanto, concentra-se na complexidade de seu personagem sem pressa, transitando entre a pele de um </span><i><span style="font-weight: 400;">bad boy</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a vulnerabilidade de um mocinho. As trocas de perspectivas entre o denunciado, o delator e a simples ausência das vítimas não criam uma posição de antagonismo; mas toda a situação que envolve os crimes tornam James Keene um anti-herói.</span></p>
<p><a href="https://www.emmys.com/bios/paul-walter-hauser#awards"><span style="font-weight: 400;">Paul Walter Houser</span></a><span style="font-weight: 400;"> não fica para trás. Larry Hall afunda em seus sonhos vívidos, rasgando palavra por palavra enquanto asfixia qualquer um que esteja prestando atenção aos detalhes. A audiência entra para a contagem de vítimas. E a narrativa não o inocenta. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> da vida antes da prisão não chegam aos pés do silêncio que resta de suas vítimas. O ator concorre na categoria de Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie ou Telefilme e faz jus aos </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2023/06/black-bird-paul-walter-hauser-interview-awards-insider"><span style="font-weight: 400;">outros prêmios</span></a><span style="font-weight: 400;"> que recebeu pela participação na série. A atenção de Houser aos detalhes sombrios de seu personagem constrói um ar denso a cada aparição de Hall, cuja inocência se dissipa conforme o olhar perdido dá lugar ao sorriso sombrio enquanto confessa e desmente, de novo e de novo.</span></p>
<figure id="attachment_32316" aria-describedby="caption-attachment-32316" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32316" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-8.jpg" alt="Cena da série Black Bird. Um homem branco de barba e cabelos brancos, vestindo uma camisa de botões com listras brancas e cinzas, segura um telefone branco com a mão esquerda que possui um anel dourado no dedo anelar. Atrás dele, uma parede amarela com um abajur e uma parede branca com dois quadros marrons." width="1999" height="999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-8.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-8-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-8-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-8-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-8-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-8-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32316" class="wp-caption-text">Ray Liotta vive Big Jim Keene e também concorre à categoria de Melhor Ator Coadjuvante junto a Walter Houser (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Estranho seria não esperar um produto arrepiante vindo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">. Diferente de algumas das gigantescas plataformas de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, o catálogo do aplicativo da maçã mostra a preferência por qualidade antes de quantidade. Ao provar, mais uma vez, do seu potencial, a obra de drama e </span><i><span style="font-weight: 400;">true crime </span></i><span style="font-weight: 400;">une grandes nomes de Hollywood, como </span><a href="https://www.emmys.com/bios/ray-liotta#awards"><span style="font-weight: 400;">Ray Liotta</span></a><span style="font-weight: 400;">, e acerta numa abordagem clara e feroz que evidencia a complexidade dos crimes de misoginia. É tenso, cruel e apenas acelera conforme os minutos vão passando. E, felizmente, não peca na teatralização, o que evita a exposição desnecessária do sofrimento inerente à situação e se mantém fiel aos espectadores, chocando-os pela gravidade dos crimes e pelo desfecho da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Numa disputa tomada pelas gigantescas produções do </span><a href="https://www.hbo.com/2023-emmy-nominations"><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.emmys.com/shows/black-bird"><i><span style="font-weight: 400;">Black Bird</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">chega com força na 75ª edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=emmy"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Trata-se de um enredo completo, que se afirma diante de cada troca de câmera, e consegue ditar um ritmo gradual sem deixar pontas soltas. Uma narrativa efervescente que flui conforme as relações familiares e o ritmo das investigações são dissecados, garante uma disputa justa com os veteranos e os novatos da premiação. A mistura entre a tensão e a delicadeza tem um gosto agridoce, mas viciante. E, ao fim do sexto episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Você prometeu</span></i><span style="font-weight: 400;">, tem-se a certeza de que acabou, mas que as ações de Hall deixaram um rastro eterno tanto no caminho daqueles que presenciaram cada apelação ser negada quanto dos que puderam pausa entre uma confissão e outra. Resta saber se isso será o suficiente para trazer as estatuetas para casa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Black Bird — Official Trailer | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/aH1FOkJys3Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/black-bird-critica/">Difícil é não perder o fôlego em Black Bird</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/black-bird-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">32314</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Estante do Persona &#8211; Outubro de 2023</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2023/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2023/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Oct 2023 19:49:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[A causa secreta]]></category>
		<category><![CDATA[Bram Stoker]]></category>
		<category><![CDATA[Clara Sganzerla]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Contos de amor]]></category>
		<category><![CDATA[Dia das Bruxas]]></category>
		<category><![CDATA[Drácula]]></category>
		<category><![CDATA[Enzo Caramori]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona - Outubro 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Giovanna Freisinger]]></category>
		<category><![CDATA[Hallowen]]></category>
		<category><![CDATA[Horacio Quiroga]]></category>
		<category><![CDATA[Horror]]></category>
		<category><![CDATA[Indicações]]></category>
		<category><![CDATA[Jamily Rigonatto]]></category>
		<category><![CDATA[Lady Killers]]></category>
		<category><![CDATA[Laura Hirata Vale]]></category>
		<category><![CDATA[loucura e morte]]></category>
		<category><![CDATA[Machado de Assis]]></category>
		<category><![CDATA[Marcela Lavorato]]></category>
		<category><![CDATA[Misery: Louca obsessão]]></category>
		<category><![CDATA[Salem]]></category>
		<category><![CDATA[Stephen King]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>
		<category><![CDATA[Tori Telfer]]></category>
		<category><![CDATA[True crime]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Lopez Gomes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31734</guid>

					<description><![CDATA[<p>“(&#8230;) Às vezes, me assusta pensar que os problemas cotidianos podem ser para mim um pouco mais terríveis do que para o resto das pessoas.”  — Samanta Schweblin O que mais assombra é o desconhecido. A aproximação do indivíduo a algo nebuloso, que remete ao comum, mas, de certa forma, possui uma aura em desalinho. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Outubro de 2023"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2023/">Estante do Persona &#8211; Outubro de 2023</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31735" aria-describedby="caption-attachment-31735" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31735" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/estanteoctwp-800x420.jpg" alt="O fundo é roxo. No canto superior direito e no canto inferior esquerdo, há duas teias de aranha pretas em menor opacidade. No centro, acima, está o logo do persona, um olho com íris vermelha e um pupila no formato de um play. Abaixo está um livro laranja, apoiado sobre três livros; o primeiro diz “estante do”, o segundo “persona” e o terceiro está o mês, Outubro de 2023. Apoiados ao lado do livro laranja, há um pequeno gatinho de olhos amarelos arregalados e um abóbora decorada na temática de Halloween." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/estanteoctwp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/estanteoctwp-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/estanteoctwp.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31735" class="wp-caption-text">Em clima de mês do horror, o Estante do Persona de Outubro brinca de assombração (Arte: Raíra Tiengo/ Texto de abertura: Enzo Caramori e Marcela Lavorato)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“(&#8230;) Às vezes, me assusta pensar que os problemas cotidianos podem ser para mim um pouco mais terríveis do que para o resto das pessoas.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;"> — <em>Samanta Schweblin</em></span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais assombra é o desconhecido. A aproximação do indivíduo a algo nebuloso, que remete ao comum, mas, de certa forma, possui uma aura em desalinho. Algo no fundo do horizonte, coberto de escuridão e fumaça se faz presente, mesmo que não se possa ver com olhos ainda humanos. O terror e o horror, que nasce não somente de grandes escritores e realizadores do gênero, mas do desenterrar das sensibilidades do inconsciente, e da explicitação do desconhecido não somente enquanto o outro, mas o que não sabemos de nós mesmos. No mês de Outubro de 2023, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">Estante do Persona</span></a><span style="font-weight: 400;"> permite se adentrar ao colapso do corpo e do cotidiano pelo grotesco e pela violência, explicitada nas discussões do Mês do Horror, que tomou a Literatura da autora Mariana Enriquez como ponto central de reflexão.</span></p>
<p><span id="more-31734"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra da escritora, jornalista e professora argentina foi escolhida para o entendimento do que é, em uma perspectiva que constrói, do horror social das desigualdades e violências das </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/l/espectros-no-rio-da-prata"><span style="font-weight: 400;">ditaduras</span></a><span style="font-weight: 400;"> latino-americanas, da misoginia e do preconceito racial, o Terror enquanto um gênero literário contemporâneo. O gótico moderno e político de Enriquez, também explorado por autoras como Samanta Schweblin, Selva Almada e Monica Ojeda, é a sua maneira de transformar o que abisma em um percurso narrativo de deslumbramentos e mistérios, além de, socialmente, explorar a opressão e subverter protagonismos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu diálogo do terror com o realismo cria riscos à </span><a href="https://www.fg2021.eventos.dype.com.br/trabalho/view?ID_TRABALHO=5306"><span style="font-weight: 400;">unidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> da matéria ontológica dos corpos de suas personagens, tornando os sujeitos, com suas próprias individualidades, em uma massa de seres supérfluos, amorfos e apenas aterrorizados pelo temor e pelo trauma social. Nisso, Enriquez denuncia as violências dos corpos sobre outros corpos como alegorias políticas, construindo uma literatura que, além de subverter o padrão canônico e </span><a href="https://www.revistas.usp.br/novosolhares/article/view/204052/196852"><span style="font-weight: 400;">racista</span></a><span style="font-weight: 400;"> de H.P Lovecraft, não se faz por figuras irreais e sobrenaturais, mas pela indicação de algo anti-natural e em incongruência com o real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, </span><a href="https://intrinseca.com.br/livro/os-perigos-de-fumar-na-cama/#:~:text=Um%20homem%20marginalizado%20semeia%20desgra%C3%A7as,um%20sacrif%C3%ADcio%20em%20um%20balne%C3%A1rio."><i><span style="font-weight: 400;">Os perigos de fumar na cama</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se traduz em todo esse horror social que é explorado pela autora argentina. O livro, lançado em 2023 pela Intrínseca, nos guia pelos 12 contos de uma maneira bem descritivista e esse ponto é essencial para entender o que Enriquez quer nos fazer sentir: raiva, angústia, melancolia, ódio e tristeza. Ao relatar acontecimentos tão palpáveis, mas ao mesmo tempo construídos de formas fantasiosas, percebemos que as sequelas e as próprias violências sociais e os preconceitos se materializam em um texto brutal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É digno dizer que Mariana Enriquez traz para a obra algo muito visceral em todos os sentidos, seja nos conteúdos das histórias, nos seus desenvolvimentos ou nas histórias sem um final definido – o que leva o leitor a utilizar a imaginação para dar continuidade ao horror. Com isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os perigos de fumar na cama, </span></i><span style="font-weight: 400;">cujo título</span> <span style="font-weight: 400;">inspirado em um </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2023/10/07/interna_pensar,1572859/mariana-enriquez-e-as-primeiras-licoes-de-pavor.shtml"><span style="font-weight: 400;">cancioneiro estadunidense</span></a><span style="font-weight: 400;">, anuncia suas maldições de quem se atrever aos seus apuros dá abertura ao Estante do Persona de Outubro 2023 e as suas aterrorizantes indicações para o mês mais macabro do ano.  </span></p>
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_31740" aria-describedby="caption-attachment-31740" style="width: 348px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31740" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Misery-1.png" alt="A capa é do livro Misery: Louca Obsessão. O seu plano de fundo é uma floresta ao entardecer. O chão é coberto de neve e o primeiro plano é uma máquina de escrever antiga e enferrujada com neve em cima. Na parte superior central da imagem, temos o nome do autor Stephen King em letras brancas e finas. Abaixo, o título “Misery” em uma letra blocada vermelha e na folha saindo da máquina de escrever, a outra parte do título: “Louca Obsessão.”" width="348" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-31740" class="wp-caption-text">A adaptação rendeu à Kathy Bates uma indicação ao Oscar na categoria Melhor Atriz (Foto: Editora Suma)</figcaption></figure>
<p><b>Stephen King &#8211; Misery: Louca Obsessão (328 páginas, Editora Suma) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode estourar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Chandon</span></i><span style="font-weight: 400;">, você acabou de escrever o último livro de uma longa série que, no fundo, sempre odiou um pouquinho. Com o manuscrito em mãos, segue com seus planos de comemorar e respira, finalmente, os ares da liberdade. No entanto, não contava com a previsão do tempo e um acidente acontece. A boa notícia: você é salvo. A má notícia é por Annie Wilkes. Ao acordar depois de dez dias, as primeiras informações que Paul Sheldon recebe são péssimas: ele não sente seus pés e está preso com sua fã número 1. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Misery: Louca Obsessão</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">best-sellers</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Stephen King, prende pela completa agonia, que chega a ser paralisante. Nos sentimos na pele do protagonista, vivendo as angústias que apenas um prisioneiro consegue sentir. A ansiedade de ser pego, a desesperança de uma salvação e os planos de fuga que embalam a narrativa, além da assombrosa Annie, nos acompanham pelas páginas muito bem construídas de King &#8211; tão bem construídas que foram adaptadas para as telas pelo diretor Rob Neider. No cinema ou na literatura. Cuidado: há risco de você enlouquecer junto com Paul Sheldon.</span><b> &#8211;</b> <b>Clara Sganzerla</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31736" aria-describedby="caption-attachment-31736" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31736" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1-533x800.jpg" alt="Capa do livro A causa secreta. A capa possui um preto com bolinhas brancas. Ao centro superior, há o título do livro A Causa Secreta na cor laranja. Logo abaixo, como se fosse um rasgo no meio da capa, uma pessoa, em preto e branco, aparece ao fundo do rasgo em um plano branco. A continuação da pessoa, por cima do rasgo, é um esqueleto. Sua mão tenta sair pelo rasgo. No centro do crânio da caveira aparece o nome do autor, Machado de Assis, em laranja. No canto inferior direito, há a logo da Editora Itapura." width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-31736" class="wp-caption-text">Todas as obras de Machado de Assis estão em domínio público (Foto: Editora Itapuca)</figcaption></figure>
<p><b>Machado de Assis &#8211; A Causa Secreta (8 páginas, Domínio Público)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como um ótimo romancista, Machado de Assis também era um brilhante contista. Ao ler </span><i><span style="font-weight: 400;">A Causa Secreta</span></i><span style="font-weight: 400;"> não espere um terror fantasmagórico, porque está longe disso. Muitos dos contos do autor trabalham o terror a partir do real e, nesse conto, não seria diferente. Na obra, são expostos os terrores presentes no mundo material, sendo eles, muitas das vezes, ocasionados pelo próprio ser humano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construindo o texto através de uma escrita com bastante detalhes dos acontecimentos,  a história nos apresenta três personagens principais: Garcia, Fortunato e Maria Luísa, que já começam mortos. A partir disso, Machado de Assis nos leva pela narrativa para sabermos o porquê isso aconteceu, como aconteceu e qual seria a ligação entre os três e o terror que assombra cada um deles.</span><b> &#8211; Marcela Lavorato</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31739" aria-describedby="caption-attachment-31739" style="width: 527px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31739" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1-527x800.jpg" alt="Reprodução da capa original da primeira versão do livro Drácula. Capa amarela, com uma linha vermelha fina que acompanha a borda do livro. O nome da obra no topo, em uma fonte grande o suficiente para ocupar toda a horizontal, logo acima do nome do autor, ambos em letras vermelhas, no mesmo tom da linha" width="527" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1-768x1165.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1.jpg 989w" sizes="auto, (max-width: 527px) 85vw, 527px" /><figcaption id="caption-attachment-31739" class="wp-caption-text">O romance já foi adaptado para o cinema mais de 30 vezes (Foto: Editora DarkSide)</figcaption></figure>
<p><b>Bram Stoker &#8211; Drácula (580 páginas, Editora DarkSide)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Drácula </span></i><span style="font-weight: 400;">é o clássico dos clássicos quando se fala em terror. Em 1897, o autor irlandês Bram Stoker se inspirou nas histórias do folclore da Transilvânia e imortalizou o personagem do Conde Drácula, que vive isolado em seu castelo na terra romena. Após mais de um século desde a sua publicação, o romance ainda se sustenta como uma das histórias mais assustadoras e eficazes do gênero, e está entre as que consolidaram a estética do horror gótico. Além disso, se mantém fresca enquanto retrato da era vitoriana e suas ansiedades, servindo como objeto de análise para os dias de hoje. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É por esses e outros motivos que, ao entrar em qualquer loja de fantasias ou festa de Halloween, as chances de você esbarrar com um Drácula são muito altas. Isso além de suas aparições em filmes e nas mais diversas obras culturais, tendo suas incontáveis versões, sejam eróticas ou grotescas, aproveitando das muitas facetas que coexistem na versão original. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos clássicos do cinema mudo, com Nosferatu, ao universo infantil, com Hotel Transilvânia, o vampiro se tornou um dos personagens mais replicados de todos os tempos. Mas, não é só o protagonista que ganhou o </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">de ícone do terror, outros personagens também se tornaram inesquecíveis, como Van Helsing, o mais famoso caçador de vampiros, com suas flores de alho e estaca de madeira. </span><b>&#8211; Giovanna Freisinger</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31737" aria-describedby="caption-attachment-31737" style="width: 553px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31737" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/contos-de-amor-553x800.jpg" alt="Capa do livro “Contos de amor, de loucura e de morte”, do escritor uruguaio Horacio Quiroga e publicado pela Editora Iluminuras. Sobre um fundo bege claro, há os escritos em caixa alta e com serifa “Contos de amor, de loucura e de morte” em letras pretas, e “Horacio Quiroga” em vermelho. Abaixo, há o desenho de uma mão, em preto e branco, e do topo de um vidro, tampado por uma rolha." width="553" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/contos-de-amor-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/contos-de-amor.jpg 691w" sizes="auto, (max-width: 553px) 85vw, 553px" /><figcaption id="caption-attachment-31737" class="wp-caption-text">O que um travesseiro de plumas, uma galinha degolada e um solitário têm em comum? As palavras sangrentas de Horacio Quiroga! (Foto: Editora Iluminuras)</figcaption></figure>
<p><b>Horacio Quiroga &#8211; Contos de amor, de loucura e de morte (192 páginas, Editora Iluminuras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Andando em uma linha tênue entre a realidade e a imaginação, o uruguaio Horácio Quiroga mostra como o amor, a loucura e a morte se conectam. Passional e sangrenta, a coletânea possui histórias que beiram o delírio, o trauma e a dor. Regados pela angústia e pela inquietude, os contos são aterrorizantes, e trazem detalhes perturbadores, que assustam qualquer leitor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, Quiroga escancara a violência, a instabilidade e o sofrimento presentes na vida humana, e apresenta – de forma nua, crua e descritiva – os mais insanos atos de paixão e de perecimento. Publicado originalmente em 1917, </span><i><span style="font-weight: 400;">Contos de amor, de loucura e de morte</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Horacio Quiroga é um retrato do Horror e do Terror latino-americano, que – por meio de seus finais inesperados, e detalhes ditos e não ditos – consegue desestabilizar e amedrontar quem quer que esteja lendo. </span><b>&#8211; Laura Hirata-Vale</b></p>
<hr />
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-31738" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/salem-1-558x800.jpg" alt="" width="558" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/salem-1-558x800.jpg 558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/salem-1.jpg 697w" sizes="auto, (max-width: 558px) 85vw, 558px" /></p>
<p><b>Stephen King &#8211; Salem (464 páginas, Editora Suma)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nada como vampiros para animar um Dia das Bruxas &#8211; e disso Stephen King sabe bem. Para esconder o mistério, a versão brasileira do segundo romance da carreira do Rei do Horror mudou de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora do Vampiro </span></i><span style="font-weight: 400;">para </span><i><span style="font-weight: 400;">Salem</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas a fama que persegue o autor e o imaginário popular não o deixam esconder do que se trata. Isso porque uma casa misteriosa, pessoas doentes do dia para a noite com marcas no pescoço e corpos sumindo na calada da madrugada só podem indicar uma coisa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, King homenageia o </span><i><span style="font-weight: 400;">Drácula </span></i><span style="font-weight: 400;">de Bram Stoker como o mestre que é, unindo elementos comuns de história desse subgênero para criar um livro denso, mas que em nenhum momento deixa o leitor relaxar diante do mistério não confirmado. A aura cinzenta e sobrenatural da cidade de Jerusalem’s Lot &#8211; a Salem do título &#8211; se une à mitologia assombrosa da Casa Marsden e do quarteto diverso de personagens principais: um vampiro centenário, um padre atormentado, um escritor traumatizado pela infância na cidade e uma criança com uma mente fértil e mais coragem que os outros três juntos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 464 páginas, Stephen King &#8211; na época, ainda no começo da carreira &#8211; mostra o porquê se tornou a lenda do terror que é hoje, prendendo a atenção do início ao fim no suspense do desconhecido e no apego por personagens cativantes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Salem </span></i><span style="font-weight: 400;">virou um clássico por um motivo, mas leia de dia, com as janelas fechadas e um crucifixo a tiracolo. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31742" aria-describedby="caption-attachment-31742" style="width: 416px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31742" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/killers-1.jpg" alt=" Capa do livro Lady Killers. A obra possui uma capa de fundo cor-de-rosa pink com o título “Lady Killers” em grandes letras brancas no centro. Abaixo, há o texto “Assassinas em série” no mesmo tom de branco em letras menores e inscrito em um fundo oval preto. Nos quatro cantos da capa há ilustrações de cobras na cor preta e ,na parte central inferior, uma tesoura aberta sobre o logo da editora. Na porção superior, há o desenho de um olho dentro de um círculo branco, ele derrama uma lágrima preta. Acima da ilustração está o texto “Entre na mente das psicopatas”. O nome da autora está acima do título. " width="416" height="598" /><figcaption id="caption-attachment-31742" class="wp-caption-text">Entrando no mundo do true crime, o terror de Lady Killers é absolutamente real (Foto: Editora Darkiside)</figcaption></figure>
<p><b>Lady Killers &#8211; Assassinas em série (384 páginas, Editora Darkside) </b></p>
<p>Violência e sede de sangue sempre foram tônicas ligadas ao masculino e, se desde os primórdios da sociedade a mulher é traduzida pela delicadeza, esperar que elas também sejam autoras de assassinatos cruéis parece fora dos trilhos. É aí que <em>Lady Killers &#8211; Assassinas em série</em> entra para provar, em relatos reais, que a lembrança popular não contempla como os maiores crimes da história vem assinados pelas <em>ladys</em>.</p>
<p>Fugindo do lado comum do terror e suas criaturas fantásticas, a obra de Tori Telfer – traduzida no Brasil por Marcus Santana e Daniel Alvez da Cruz – é cruelmente verdadeira. Com uma escrita perspicaz e páginas recheadas de ilustrações feitas cirurgicamente por Jennifer Dahbura, a obra nos dá uma nova perspectiva da mente de grandes assassinas. Assustador em sua própria interpretação,<em> Lady Killers</em> vai pegar você também. <strong>&#8211; Jamily Rigonatto</strong></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2023/">Estante do Persona &#8211; Outubro de 2023</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2023/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31734</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Holy Spider cai em sua própria teia</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/holy-spider-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/holy-spider-critica/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 May 2023 16:21:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Afshin Kamran]]></category>
		<category><![CDATA[Ali Abassi]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Arezoo Rahimi]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Festival da Cannes]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Holy Spider]]></category>
		<category><![CDATA[Irã]]></category>
		<category><![CDATA[Jina Mahsa Amini]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Pinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[Mehdi Bajestani]]></category>
		<category><![CDATA[MUBI]]></category>
		<category><![CDATA[Nadim Carlsen]]></category>
		<category><![CDATA[Noir]]></category>
		<category><![CDATA[O2 Play]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Robert da Academia de Cinema Irlandês]]></category>
		<category><![CDATA[Religiosidade]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Saeed Hanaei]]></category>
		<category><![CDATA[True crime]]></category>
		<category><![CDATA[Xenofobia]]></category>
		<category><![CDATA[Zar Amir Ebrahimi]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=30849</guid>

					<description><![CDATA[<p>Mariana Pinheiro “Estarei de volta quando você acordar&#8220;, diz uma mulher ao seu filho horas antes de ser brutalmente assassinada enquanto trabalhava. Ela arrumou-se e o beijou pela última vez sem saber o que aconteceria em mais uma noite nas ruas. Essa é a primeira cena de Holy Spider, a qual elucida tudo o que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/holy-spider-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Holy Spider cai em sua própria teia"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/holy-spider-critica/">Holy Spider cai em sua própria teia</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30853" aria-describedby="caption-attachment-30853" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4.jpg" alt="cena do filme Holy Spider. Mulher caído ao chão com apenas sua mão e tronco à mostra no take do filme, foco central em sua mão derrubada - tudo acima de um tapete estampado" width="1200" height="501" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-768x321.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30853" class="wp-caption-text">“Cada homem encontrará o que deseja evitar” Imam Ali &#8211; Nahj Al-Balagha &#8211; Sermão 149. (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Pinheiro</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Estarei de volta quando você acordar</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, diz uma mulher ao seu filho horas antes de ser brutalmente assassinada enquanto trabalhava. Ela arrumou-se e o beijou pela última vez sem saber o que aconteceria em mais uma noite nas ruas. Essa é a primeira cena de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iPkE7VT8SOY"><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a qual elucida tudo o que o filme pretende contar durante sua exibição. Nela, uma prostituta iraniana caminha pela cidade de Mashhad enfrentando olhares mal-intencionados e buscando refúgio em drogas para escapar da realidade assombrosa a qual é condenada a viver. </span></p>
<p><span id="more-30849"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À espera de dinheiro em uma viela escura, a personagem é convocada a prestar serviço e surpreende o telespectador quando é sequestrada e, depois, enforcada pelo seu próprio lenço &#8211; ato extremamente simbólico para a construção do enredo. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> longos de agonia explícita, a mulher havia caído na teia de assassinatos do “matador de aranhas”, caso real que o diretor Ali Abassi faz releitura nesse longa-metragem destaque no Festival de </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/cannes/"><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pré-selecionado ao</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado e aclamado por grandes premiações de Cinema, </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> promove a representação essencial da orientalidade para o mundo &#8211; pouco valorizada nas academias cinematográficas historicamente </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-157993/"><span style="font-weight: 400;">xenofóbicas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, a obra não resume-se a isso e expõe em detalhe a realidade do Irã. Em análise geral, a proposta do filme demonstra e examina o baque entre a estrutura social política religiosa no País e os atos revoltosos que lutam pela aplicação efetiva dos Direitos Humanos no local. </span></p>
<figure id="attachment_30850" aria-describedby="caption-attachment-30850" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30850" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1.jpg" alt="A fotografia retrata certo centro urbano iraniano em que está sendo realizada uma manifestação popular. O fundo está desfocado e ao ponto médio apresenta-se apenas o recorte superior da cabeça de uma mulher e suas mãos levantadas, essas que carregam uma imagem de Jina Mahsa Amini. É dia durante o mutuado protesto, os manifestantes usam roupas de frio e suas expressões não são possíveis de serem visualizadas devido ao desfoque da câmera" width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30850" class="wp-caption-text">Uma mensagem ao Irã é deixada no epitáfio de Amini: &#8220;Querida Jina, você não está morta. Seu nome será um símbolo&#8221; (Foto: Ozan Kose)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.dw.com/pt-br/a-hist%C3%B3ria-de-jina-mahsa-amini-o-rosto-dos-protestos-no-ir%C3%A3/a-64003741"><span style="font-weight: 400;">Jina Mahsa Amini</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua injusta morte produziram um paralelo significante da realidade para a narrativa fílmica: a jovem foi assassinada pela Polícia Militar sem motivo aparente &#8211; considerada infligidora da lei devido à exposição mínima de seu cabelo publicamente. O evento repercutiu e paralisou as ruas do país inteiro dada a tirania militar e a supremacia religiosa que tirou sua vida em Setembro de 2022. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ali Abassi lançou </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu segundo longa-metragem, em Maio do mesmo ano, poucos meses antes do caso de Amini, o que confirma o retrato sangrento do diretor acerca da vida no Irã. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A ideia do filme acabou se misturando com a realidade da sociedade. Se você está falando sobre o apartheid contra as mulheres, isso acontece há muito tempo, e não é um sistema sustentável [..], uma hora, ia explodir</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><a href="https://www.terra.com.br/amp/diversao/entre-telas/filmes/diretor-de-holy-spider-vai-de-misogino-a-feminista-em-poucos-meses,3e41e5057313782140d438652e145fbdjvemcyaf.html"><span style="font-weight: 400;">Abassi</span></a><span style="font-weight: 400;"> reconhece.</span></p>
<figure id="attachment_30851" aria-describedby="caption-attachment-30851" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30851" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.jpg" alt="cena do filme Holy Spider. No centro encontram-se a protagonista Arezoo Rahimi, de burca preta longa, e seu parceiro de trabalho, de terno cinzento e uma maleta de couro nas mãos, lado a lado, rodeados de políticos e da família de Saee Hanaei. Cada um que integra a cena está vestido formalmente e olham em direções diferentes com faces sérias. Localizados em um tribunal, em que a parede atrás da protagonista é azul com uma pintura geométrica direcionada ao chão, uma faixa de azul mais escura" width="1200" height="501" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-768x321.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30851" class="wp-caption-text">“Matador de aranhas” foi um apelido dado ao real assassino pelo modo que os crimes eram realizados: estrangulamento com os lenços das próprias vítimas (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Saeed Hanaei (Mehdi Bajestani), um </span><i><span style="font-weight: 400;">serial-killer, </span></i><span style="font-weight: 400;">juntamente com Arezoo Rahimi (Zar Amir Ebrahimi), uma jornalista estudando os assassinatos cometidos por ele, estrelam esse terror psicológico inspirado na história real de um dos criminosos mais temidos do Irã entre os anos de 2000 e 2001. Hanei &#8211; nome fictício atribuído a </span><a href="https://www.estadao.com.br/amp/internacional/preso-no-ira-assassino-de-19-prostitutas/"><span style="font-weight: 400;">Saeed Hanali</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo filme &#8211; mata prostitutas porque as vê como “indignas à sociedade”. Ele acredita fazer uma limpeza social ao retirar “pecadoras” das ruas, trazê-las para sua casa e enforcá-las até a morte. Enquanto isso, Rahimi &#8211; personagem criada para auxiliar no desenvolvimento da história &#8211; chega à Mashhad para investigar a massa de homicídios semelhantes que estavam acontecendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assemelhar a obra a um caso real acarreta na responsabilidade de expor a realidade via linguagem audiovisual. </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider </span></i><span style="font-weight: 400;">apropria-se grandemente de sua fotografia, realizada por Nadim Carlsen, para simbolizar suas temáticas. Pouca iluminação e tons esverdeados ou azuis aludem às próprias luzes da noite na cidade &#8211; seu cenário principal &#8211; e motiva o medo e a aflição na audiência. Essas características são propositalmente postas para se assemelharem aos filmes </span><a href="https://7marte.com/2019/09/o-que-e-filme-noir.html"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">conhecidos pelos seus jogos de iluminação, enquadramentos inusitados e cenários urbanos criminais.</span></p>
<figure id="attachment_30855" aria-describedby="caption-attachment-30855" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30855" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3.jpg" alt="cena do filme Holy Spider. À esquerda, no fundo desfocado, encontra-se um carro e caixas que estão iluminados por uma luz verde. A localização é a rua vazia e escura, nela está a atriz Zar Amir Ebrahimi - à direita da imagem - interpretando Arezoo Rahimi quando liga em um telefone público, retratada em certa cena da obra cinematográfica, seu rosto é de surpresa e está vestindo uma burca preta com uma jaqueta da mesma cor sobreposta" width="1200" height="686" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-800x457.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1024x585.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-768x439.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30855" class="wp-caption-text">Ali Abbasi também foi responsável pela direção dos dois últimos episódios de The Last of Us (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Abassi tece sua cinematografia com focos frequentes nos rostos do elenco, a fim de demonstrar claramente os sentimentos dos personagens diante das desconfortáveis situações em que atuam. Tal técnica, por exemplo, submete o público a enxergar verdadeiramente as </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60780061"><span style="font-weight: 400;">prostitutas</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentadas, com o objetivo de humanizá-las, empatia esquecida por grande parte da população. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A interpretação dos artistas foi explorada profundamente como peça essencial na qualidade do filme, o que resultou em elogios por parte dos críticos. Uma atuação medíocre tornaria </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> detestável à plateia: por possuir uma narrativa cruel, performances ruins tornariam a obra uma piada de mau gosto ou em uma produção sem nexo e vazia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os atores, Zar Amir Ebrahimi, intérprete de Rahimi, foi destaque em sua categoria. Não por menos, ela recebeu uma indicação à Melhor Atriz no Festival de Cannes e no Prêmio Robert da Academia de Cinema Irlandês. Neste último, levou o troféu para casa. O talento e duro esforço da atriz foram realçados pela vivência pessoal, da qual ela soube utilizar como ferramenta para representar seu emblemático papel. A artista fugiu do Irã no começo de sua carreira após ter conteúdo íntimo vazado. Com medo de ser proibida de trabalhar ou até presa, ela </span><a href="https://istoe.com.br/atriz-zar-amir-ebrahimi/"><span style="font-weight: 400;">escapa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do País e contrapõe a imagem idealizada da mulher iraniana, experiência próxima à de sua personagem.</span></p>
<figure id="attachment_30854" aria-describedby="caption-attachment-30854" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30854" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2.jpg" alt="Cena do filme Holy Spider. Em uma moto, está Saeed, interpretado por Mehdi Bajestani, e uma mulher de burca, esta tem seu rosto encostado aos ombros dele durante a viagem, então não é possível ver seu rosto claramente. O homem usa uma jaqueta cinza e uma camisa social por baixo, não tem expressões, está sério. Durante a noite, os dois estão em uma avenida escura e as luzes da cidade refletem na câmera como pontos iluminados, o tom da imagem é quente esverdeado, assim como o restante do filme. A posição de filmagem mostra apenas diante a cintura para cima dos atores, estão de lado para o público e bem centralizados" width="1500" height="620" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1024x423.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-768x317.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1200x496.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30854" class="wp-caption-text">“Meu tipo de Cinema é aquele que expõe as coisas” rebate Abassi diante críticas às mortes gráficas do filme (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A aranha, contudo, cai em sua própria armadilha: a crítica que o roteiro &#8211; escrito por Ali Abassi e Afshin Kamran &#8211; propõe para o machismo estrutural iraniano é camuflada pela violência gráfica e protagonização do assassino, ocasionando em um desenvolvimento insuficiente que o eixo </span><a href="https://midianinja.org/news/mulheres-denunciam-feminicidio-em-protesto-no-festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> não poderia ter no </span><i><span style="font-weight: 400;">script</span></i><span style="font-weight: 400;">. A hipocrisia se sobrepõe ao que é originalmente proposto. As mulheres de </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> são apresentadas superficialmente, como acontece com a própria co-protagonista, Arezoo Rahimi, cujas tramas foram abandonadas durante o longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os pontos levantados pela equipe de roteiristas são válidos e bem postos, mas não evoluem posteriormente. A relação de trabalho entre a jornalista e um agente local que estava na investigação serve como exemplo disso. O homem a assedia ao prometer ajudá-la em seu caso fora do horário de expediente. Então, comete </span><a href="https://www.estadao.com.br/amp/politica/blog-do-fausto-macedo/slutshaming-dois-crimes-em-um-ato-so/?type=post"><i><span style="font-weight: 400;">slutshamming</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> às custas de uma denúncia feita por ela no cargo anterior, em que sofreu outro abuso de autoridade. Apesar de contar uma situação comum e de abordagem necessária &#8211; ainda mais no Irã, onde tais temas são completamente omitidos -, a cena apenas é lançada como se para preencher uma pauta temática sobre feminismo, sem retomada futura. Isso se repete em vários eventos e ocasiões durante o filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O processo de criação não teve o intuito de transmitir uma mensagem sobre a situação de gênero no País, mas sua preocupação geral soa como uma exposição panorâmica das problemáticas sociais e religiosas. Com isso, a obra prefigura uma abordagem esvaziada da trama principal: um caso de assassinato em massa de prostitutas pelo machismo sacro do Estado iraniano. Ali Abbasi, aliás, </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2023/01/19/interna_cultura,1446455/amp.html"><span style="font-weight: 400;">admite</span></a><span style="font-weight: 400;"> não estar centrado no ponto de vista feminino, já que ele acredita ser uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">história com muitas camadas</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><figure id="attachment_30852" aria-describedby="caption-attachment-30852" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30852" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6.jpg" alt="Texto alternativo: cena do filme Holy Spider. Essa, foi narrada no parágrafo 12 da matéria, Saee Hanaei tem seu rosto coberto pela grade de segurança perolada do templo religioso que está, apenas seu olho é nítido na imagem. A iluminação é esverdeada com um tom vermelho de luz apenas no olhar do ator" width="1500" height="626" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30852" class="wp-caption-text">&#8220;[&#8230;] Os assassinatos em si não têm nada de especial, há certa banalidade neles. Mas o que está no entorno do assassino e o respeito que ele inspirou, isso, sim, é fascinante&#8221; (Foto: MUBI)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o longa-metragem sucede em outros objetivos, como a perspectiva sobre </span><a href="https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/56441/56441_5.PDF"><span style="font-weight: 400;">religiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, família e </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51048426"><span style="font-weight: 400;">política</span></a><span style="font-weight: 400;">, exibidos com uma linguagem visual chocante. O fechamento demonstra em precisão tais aspectos, já que metáforas são muito bem utilizadas durante a situação final do protagonista Saee Hanaei: a arma de crime da qual abatia suas “presas” é utilizada contra o “predador”. Porém, a simbologia já está presente anteriormente dentro da cinematografia. Em certa cena, grades de segurança em um templo aparentam ser de uma cadeia, devido ao enquadramento fotográfico, o que revela uma interpretação de aprisionamento mental que a devoção pode causar, além do sentido literal de um criminoso pertencer ao presídio.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em face de problemáticas e sucessos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> ocupa um espaço importante no Cinema internacional, mas que poderia reproduzir com mais apreço a mulher iraniana por meio do desenvolvimento das personagens e seus merecidos enfoques. O inconveniente da produção não é a crueza retratada durante os dias no Irã, característica intrigante do diretor em seus filmes, mas sim o esquecimento do caso real que relata e seu profundo transtorno societário implícito. Esse, do qual o sexo feminino sofre regularmente e é de conhecimento geral no País. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/holy-spider-critica/">Holy Spider cai em sua própria teia</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/holy-spider-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">30849</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A 2° temporada de Only Murders in the Building mostra que o Edifício Arconia é mais misterioso do que parece</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/only-murders-in-the-building-2a-temp-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/only-murders-in-the-building-2a-temp-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Apr 2023 17:25:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Adina Verson]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Arconia]]></category>
		<category><![CDATA[Ashley Park]]></category>
		<category><![CDATA[Cara Delevingne]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Hulu]]></category>
		<category><![CDATA[Jayne Houdyshell]]></category>
		<category><![CDATA[Jesse Williams]]></category>
		<category><![CDATA[John Hoffman]]></category>
		<category><![CDATA[Julian Cihi]]></category>
		<category><![CDATA[Laura Hirata Vale]]></category>
		<category><![CDATA[Martin Short]]></category>
		<category><![CDATA[Meryl Streep]]></category>
		<category><![CDATA[Nathan Lane]]></category>
		<category><![CDATA[Only Murders in the Building]]></category>
		<category><![CDATA[Paul Rudd]]></category>
		<category><![CDATA[Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Selena Gomez]]></category>
		<category><![CDATA[Seriado]]></category>
		<category><![CDATA[Série]]></category>
		<category><![CDATA[Siddhartha Khosla]]></category>
		<category><![CDATA[Star+]]></category>
		<category><![CDATA[Steve Martin]]></category>
		<category><![CDATA[Streaming]]></category>
		<category><![CDATA[Tina Fey]]></category>
		<category><![CDATA[True crime]]></category>
		<category><![CDATA[whodunnit]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=30652</guid>

					<description><![CDATA[<p>Laura Hirata-Vale Quem matou Bunny Folger? É essa a pergunta que abre a segunda temporada de Only Murders in the Building, série da Hulu lançada no Brasil em Junho de 2022 pelo streaming Star+. Depois de solucionarem o assassinato de Tim Kono (Julian Cihi), os moradores Mabel Mora (Selena Gomez), Charles-Haden Savage (Steve Martin) e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/only-murders-in-the-building-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A 2° temporada de Only Murders in the Building mostra que o Edifício Arconia é mais misterioso do que parece"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/only-murders-in-the-building-2a-temp-critica/">A 2° temporada de Only Murders in the Building mostra que o Edifício Arconia é mais misterioso do que parece</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30653" aria-describedby="caption-attachment-30653" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30653" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-1.jpg" alt="Cena da série Only Murders in the Building. Os três personagens principais - Oliver, Charles e Mabel - aparecem nessa ordem, atrás de uma gaiola, na sala de estar de Oliver. Oliver é um homem branco, de cabelos castanhos desbotados. Charles é um homem branco, de cabelos brancos e óculos. Mabel é uma mulher branca, de cabelos castanhos e usa um brinco de argola grossa e dourada." width="1366" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-1.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-1-800x428.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-1-1024x547.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-1-768x410.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-1-1200x641.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30653" class="wp-caption-text">“Eu sei quem foi”, disse Senhora Gambolini (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><b>Laura Hirata-Vale</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem matou Bunny Folger? É essa a pergunta que abre a segunda temporada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/only-murders-in-the-building-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Only Murders in the Building</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, série da </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançada no Brasil em Junho de 2022 pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming Star+</span></i><span style="font-weight: 400;">. Depois de solucionarem o assassinato de Tim Kono (Julian Cihi), os moradores Mabel Mora (Selena Gomez), Charles-Haden Savage (Steve Martin) e Oliver Putnam (Martin Short) se juntam novamente após o corpo da mais querida e detestada síndica do edifício Arconia ser encontrado com uma agulha de tricô no peito, no apartamento de Mora. Em dez episódios, o público descobre informações sobre a história dos três protagonistas e do prédio, enquanto tenta desvendar o mistério da morte de Bunny (Jayne Houdyshell).</span></p>
<p><span id="more-30652"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série continua com sua proposta de ser um </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/true-crime/"><i><span style="font-weight: 400;">true</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">crime</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> bem-humorado, sendo sempre narrado por um personagem. Por terem relação com a vítima, e por serem pessoas de interesse para a polícia, o trio protagonista decide – em um primeiro momento – não investigar o caso. Mas, conforme as evidências começam a surgir e a serem plantadas em seus respectivos apartamentos, o grupo percebe que não há como ficar parado: eles precisam correr contra o relógio para achar o assassino, antes que a </span><i><span style="font-weight: 400;">podcaster</span></i><span style="font-weight: 400;"> rival, Cinda Canning (</span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=tina+fey"><span style="font-weight: 400;">Tina Fey</span></a><span style="font-weight: 400;">), e sua assistente, Poppy White (Adina Verson), montem um falso quebra-cabeça e os coloquem como culpados.</span></p>
<figure id="attachment_30654" aria-describedby="caption-attachment-30654" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30654" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-2.jpg" alt="Cena da série Only Murders in the Building. Uma mão branca segura uma peça de quebra-cabeça, que contém o rosto de Bunny Folger, uma mulher branca idosa, de cabelos grisalhos curtos e óculos de grau redondos. Ao fundo, várias peças de quebra-cabeça aparecem, desfocadas." width="1366" height="732" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-2.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-2-800x429.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-2-1024x549.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-2-768x412.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-2-1200x643.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30654" class="wp-caption-text">O assassinato de Bunny Folger é um quebra cabeça a ser montado (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a temporada, conhecemos ainda mais o que acontece por dentro das paredes do Arconia. Moradores – antigos e </span><a href="https://youtu.be/oLw_dmFcj6k"><span style="font-weight: 400;">novos</span></a><span style="font-weight: 400;"> – têm suas histórias apresentadas e, dessa forma, tentamos resolver o mistério junto a Charles, Mabel e Oliver. Além disso, os capítulos permanecem com o conceito de recontar o passado enquanto se está no presente. A série utiliza </span><i><span style="font-weight: 400;">flashes</span></i><span style="font-weight: 400;"> com vislumbres de cenas</span> <span style="font-weight: 400;">para</span> <span style="font-weight: 400;">mostrar alguns acontecimentos, que, por causa do recurso escolhido, dão um ar de dúvida para a investigação. Por causa da grande quantidade de fatos e momentos contados ao longo da trama, o espectador pode ficar confuso em relação à sequência da narrativa. Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">Only Murders in the Building</span></i><span style="font-weight: 400;"> mantém sua </span><a href="https://br.nacaodamusica.com/posts/trilha-sonora-38-musicas-da-serie-only-murders-in-the-building/"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora ótima</span></a><span style="font-weight: 400;">, feita por Siddhartha Khosla, responsável pelo mesmo departamento em </span><a href="https://personaunesp.com.br/this-is-us-5a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: são músicas bem-humoradas, escolhidas a dedo, que beiram a metalinguagem por falarem sobre assuntos tratados durante os episódios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história do segundo ano se desenvolve em idas, vindas e reviravoltas, além de possuir </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que voltam para a noite do crime. Depois de uma celebração da vida e morte da síndica, Oliver recebe uma herança inusitada de Bunny Folger: o papagaio Senhora Gambolini. A ave é um ser intrigante, boca suja e até ranzinza, como era sua falecida dona, e, com uma frase, torna o fim do episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Incriminados</span></i><span style="font-weight: 400;"> chocante. As quatro palavras que formam a fala “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BS2GT1FWyaw"><i><span style="font-weight: 400;">eu sei quem foi</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” também guiam o terceiro capítulo, intitulado </span><a href="https://www.star-brasil.com/novidades/only-murders-in-the-building-o-ultimo-dia-de-bunny-e-algumas-pistas-importantes"><i><span style="font-weight: 400;">O último dia de Folger</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nele, vemos ‘tim-tim por tim-tim’ o que Bunny fez no seu último dia de vida. Assim, conhecemos ainda mais a mulher que estava por trás do gerenciamento do Arconia, quais eram seus segredos, hábitos e tradições, enquanto vemos, em detalhes, o que poderia ter levado ela à morte. </span></p>
<figure id="attachment_30655" aria-describedby="caption-attachment-30655" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30655" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-3.jpg" alt="Cena da série Only Murders in the Building. Mabel Mora, personagem vivida por Selena Gomez aparece no centro da imagem, segurando uma carta de jogo, que contém uma silhueta de um homem, e o escrito ‘Son of Sam’ (filho de Sam, em inglês). Selena é uma mulher branca, de cabelos castanhos na altura do ombro, olhos castanhos escuros e usa um suéter azul escuro." width="1366" height="735" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-3.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-3-800x430.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-3-1024x551.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-3-768x413.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/only-murders-s2-imagem-3-1200x646.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30655" class="wp-caption-text">Quem é o assassino filho de Sam? (Foto: Star+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O quinto capítulo,</span><i><span style="font-weight: 400;"> O Indício</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um dos melhores. Ambientado quase que inteiramente no apartamento de Mabel, vemos uma festa feita por Alice (Cara Delevingne) que, para o trio de </span><i><span style="font-weight: 400;">podcasters</span></i><span style="font-weight: 400;">-detetives, serve para revelar segredos e mentiras. Oliver propõe aos convidados uma diversão: um jogo parecido com “</span><a href="https://www.fabricadecultura.org.br/jogo-cidade-dorme"><span style="font-weight: 400;">Cidade Dorme</span></a><span style="font-weight: 400;">”, que jogava durante os seus anos de juventude e usava para descobrir qual era o vestígio que seus amigos e colegas davam quando estavam mentindo. Putnam procura quem é o “</span><i><span style="font-weight: 400;">assassino filho de Sam</span></i><span style="font-weight: 400;">” em uma sequência de cenas bem montadas, que misturam o tempo real e a brincadeira. Por causa disso, vemos os figurinos corriqueiros e atuais da série se intercalarem com roupas feitas para remeter aos anos 70. O episódio ainda é regado com a música </span><a href="https://open.spotify.com/track/7dSCxR4LqkmxoBrq9MzVSD"><i><span style="font-weight: 400;">Psycho Killer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dos Talking Heads, fazendo uma grande conversa entre a cena, a série, o jogo e os acontecimentos recentes das vidas dos protagonistas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto processamos esses acontecimentos, a primeira temporada da produção criada por Steve Martin e John Hoffman recebeu 17 indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2022, e venceu três, incluindo Melhor Ator Convidado em Série de Comédia, pela atuação de Nathan Lane no papel de Teddy Dimas. Além disso, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zx9-y-U29OI"><span style="font-weight: 400;">Meryl Streep</span></a><span style="font-weight: 400;">, Paul Rudd, Ashley Park e Jesse Williams entraram para o elenco, e dessa forma, o seriado televisivo começa a preparação para seu terceiro ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Only Murders in the Building</span></i><span style="font-weight: 400;"> é genial, cheia de muitos detalhes. Em um </span><a href="https://personaunesp.com.br/glass-onion-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">whodunnit</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> bem feito, a série consegue se encaixar, sempre deixando uma ponta solta – ou uma peça faltando – para iniciar uma nova fase. Bem escrita, possui suas </span><a href="https://formigaeletrica.com.br/cinema/artigos/whodunnit-suspense/"><span style="font-weight: 400;">reviravoltas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus instantes que deixam o espectador boquiaberto, em choque, quase sem reação, e continua com a proposta de ser como uma montanha-russa, possuindo momentos de tensão e relaxamento, de comédia e risadas, e de drama e lágrimas. É um bom </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i><span style="font-weight: 400;"> visual, que nos faz tentar resolver, junto a Charles, Mabel e Oliver, esse grande quebra-cabeça que habita o Arconia. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nVYG8XduJmo?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/only-murders-in-the-building-2a-temp-critica/">A 2° temporada de Only Murders in the Building mostra que o Edifício Arconia é mais misterioso do que parece</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/only-murders-in-the-building-2a-temp-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">30652</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Pacto Brutal &#8211; O Assassinato de Daniella Perez: o resgate de Glória Perez à memória da filha continua</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/pacto-brutal-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/pacto-brutal-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Oct 2022 17:13:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Daniella Perez]]></category>
		<category><![CDATA[De Corpo e Alma]]></category>
		<category><![CDATA[De Onde Vieram?]]></category>
		<category><![CDATA[Glória Perez]]></category>
		<category><![CDATA[Guto Barra]]></category>
		<category><![CDATA[HBO Max]]></category>
		<category><![CDATA[Isis da Silva Bianco]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Mãe Investigadora]]></category>
		<category><![CDATA[Pacto Brutal - O Assassinato de Daniella Perez]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Tatiana Issa]]></category>
		<category><![CDATA[True crime]]></category>
		<category><![CDATA[TV Globo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28800</guid>

					<description><![CDATA[<p>Isis da Silva Bianco Trinta anos após o assassinato de Daniella Perez, Glória Perez, a mãe da atriz, participa de Pacto Brutal &#8211; O Assassinato de Daniella Perez, documentário que disseca a breve vida e morte da filha,  assassinada no dia 28 de dezembro de 1992. Em uma tentativa de reviver a memória da primogênita, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pacto-brutal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Pacto Brutal &#8211; O Assassinato de Daniella Perez: o resgate de Glória Perez à memória da filha continua"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/pacto-brutal-critica/">Pacto Brutal &#8211; O Assassinato de Daniella Perez: o resgate de Glória Perez à memória da filha continua</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28801" aria-describedby="caption-attachment-28801" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28801" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/pacto-1.jpg" alt="Na imagem vemos Daniella Perez ao lado de sua mãe, a novelista Glória Perez. As duas encontram-se abraçadas, sorrindo e olhando diretamente para a câmera. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/pacto-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/pacto-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28801" class="wp-caption-text">A HBO Max divulgou que o documentário se tornou o mais visto do serviço de streaming nacionalmente em apenas um mês (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Isis da Silva Bianco</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trinta anos após o assassinato de Daniella Perez, Glória Perez, a mãe da atriz, participa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NFJqDfKjP0g"><i><span style="font-weight: 400;">Pacto Brutal &#8211; O Assassinato de Daniella Perez</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, documentário que disseca a breve vida e morte da filha,  assassinada no dia 28 de dezembro de 1992. Em uma tentativa de reviver a memória da primogênita, a escritora reuniu uma dose de coragem e, junto com a </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">, produziu a emocionante série documental de cinco episódios. A produção revive a memória do público sobre quem realmente foi Daniella e como, na época, a defesa dos assassinos e a grande mídia criaram uma narrativa que distorceu a sua verdadeira imagem. </span></p>
<p><span id="more-28800"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os responsáveis por trazer a obra aos olhos do público são Tatiana Issa, que atua como produtora e diretora, e Guto Barra, responsável pelo roteiro e direção, ambos ganhadores do </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">, na categoria Artes/Entretenimento de Longa Duração pela série </span><i><span style="font-weight: 400;">Immersive.World</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2021</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A novelista também participou ativamente da produção do documentário, cedendo todo o acervo coletado sobre o caso ao longo dos anos. Em uma entrevista exclusiva para o </span><i><span style="font-weight: 400;">site</span></i> <a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-164705/"><i><span style="font-weight: 400;">AdoroCinema</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Tatiana afirma: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">As</span></i><i><span style="font-weight: 400;"> pessoas esquecem com o tempo. O que ficou foram mentiras e fofocas. Versões errôneas que foram perpetuadas durante mais de 30 anos</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra é narrada principalmente por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gOa99Qu5RfM"><span style="font-weight: 400;">Glória</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, conforme a história progride, amigos e familiares adicionam suas declarações sobre o caso e compartilham suas lembranças sobre a vítima. Por outro lado, a série também conta com policiais, advogados, promotores e testemunhas que participaram do processo e colaboraram para a prisão de Guilherme de Pádua e Paula Thomaz. Como pano de fundo, os episódios apresentam vídeos e imagens da atriz cheia de vida, contrastando logo em seguida com as fotos de seu corpo, tiradas pela perícia no local do crime e expostas sem nenhum tipo de censura.</span></p>
<figure id="attachment_28802" aria-describedby="caption-attachment-28802" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28802" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Foto-2-nova.jpg" alt="Temos na imagem Daniella Perez em uma entrevista para a rede Globo. A atriz usava uma blusa vermelha e esta sentada em uma poltrona branca." width="1086" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Foto-2-nova.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Foto-2-nova-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Foto-2-nova-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Foto-2-nova-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28802" class="wp-caption-text">Daniella Perez ficou conhecida como a namoradinha do Brasil graças a seu papel como Yasmin na novela De Corpo e Alma (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A repercussão da produção foi imensurável e abriu novamente o debate sobre a glamourização de assassinos condenados e como a mídia brasileira é extremamente sensacionalista quando trata-se de casos de grande repercussão. A morte de Daniella foi mais um caso de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AZ2HEU0IvGY"><span style="font-weight: 400;">feminicídio</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, ao permitir que Guilherme de Pádua se alimentasse dos holofotes que lhe foram cedidos, mantendo-o em destaque nas manchetes, a voz da atriz foi apagada aos poucos e apenas entes queridos tinham uma visão completa de quem ela realmente foi.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Daniella Ferrante Perez Gazolla, mais conhecida como Daniella Perez, foi uma atriz e bailarina em ascensão no início dos anos 1990. Filha da autora de novelas Glória Perez, a jovem habita o imaginário do público como Yasmin, personagem da novela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zIeOe81tVIQ"><i><span style="font-weight: 400;">De Corpo e Alma</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e apresentada, na época, como a ‘namoradinha do Brasil’. Na trama, a personagem era parte de um triângulo amoroso entre Caio, interpretado por Fábio Assunção, e Bira, vivido por Guilherme de Pádua, que futuramente se tornaria seu assassino. Na vida real, a atriz é descrita por amigos e familiares como uma moça alegre, talentosa, apaixonada pelas artes, em especial a dança, e com uma carreira promissora pela frente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na noite de 28 de dezembro de 1992, Daniella foi abordada pelo colega de cena na saída dos estúdios Tycoon. Após tirarem fotos com um grupo de fãs presentes no local, Guilherme seguiu o carro da jovem até um posto de gasolina, onde ela foi desmaiada e levada para um local ermo na Barra da Tijuca. Lá, a garota foi morta com 18 golpes distribuídos por seu tronco, chegando a deixar seu coração exposto. Na época, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-WP0mToQsSI"><span style="font-weight: 400;">repercussão</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi gigantesca e o crime chegou até a ofuscar a renúncia do então Presidente da República Fernando Collor.</span></p>
<figure id="attachment_28803" aria-describedby="caption-attachment-28803" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28803" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-1.jpg" alt="Na imagem vemos Yasmin de regata vermelha olhando diretamente para Bira, que está sem camisa. Ambos se encontram em meio a natureza, em uma clareira." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-28803" class="wp-caption-text">É relatado no documentário que Guilherme insistia para Daniella interferir no trabalho de sua mãe durante a escrita dos capítulos da novela De Corpo e Alma, para que seu personagem continuasse em destaque na mídia (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A brutalidade do crime não choca tanto se comparado ao desenrolar da narrativa na mídia, retratada por </span><i><span style="font-weight: 400;">Pacto Brutal &#8211; O Assassinato de Daniella Perez</span></i><span style="font-weight: 400;">. Daniella e Guilherme estamparam milhares de capas de revistas que anunciavam um suposto envolvimento amoroso entre os dois, fato que nunca aconteceu. No segundo episódio do documentário, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os assassinos</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos Glória Perez folheando estas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=q1PEvh2-z3Y"><span style="font-weight: 400;">matérias</span></a><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Isso é muito mais violento do que as fotos dela no local, isso é continuar matando a pessoa</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ela anuncia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série não mostra apenas um crime brutal e seu desenrolar. A partir do terceiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mãe Investigadora</span></i><span style="font-weight: 400;">, Daniella é tirada de foco para dar espaço ao esforço imensurável de sua mãe em busca do resgate da memória da filha e para garantir que os assassinos sejam presos, o que torna-se o foco principal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pacto Brutal</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XnALD5sF_N4"><span style="font-weight: 400;">Glória Perez</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi de escritora e roteirista a detetive, e sua perseverança não é provada somente ao coletar testemunhas para alimentar o processo de provas e garantir a prisão do casal criminoso, mas também para preservar o túmulo da filha, que havia sido violado diversas vezes ao decorrer do processo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois anos após o ocorrido, a autora aproveitou-se da repercussão do caso e mobilizou milhares de pessoas a assinarem um </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/bbc/2022/07/26/caso-daniella-perez-como-assassinato-de-atriz-e-outros-casos-de-grande-repercussao-mudaram-lei-brasileira.htm"><span style="font-weight: 400;">abaixo-assinado</span></a><span style="font-weight: 400;"> que pedia a inclusão do crime de homicídio qualificado no rol de crimes hediondos. A partir daquele momento, as pessoas condenadas por tal delito poderiam ter sua pena aumentada, além de não estarem sujeitos a progressão penal. Ou seja, teriam que cumprir a pena integralmente em regime fechado. </span></p>
<figure id="attachment_28804" aria-describedby="caption-attachment-28804" style="width: 1005px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28804" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Foto-4-nova.jpg" alt="Na imagem vemos Guilherme de Pádua e Paula Thomaz sorrindo e ambos segurando a faca para cortar o bolo do seu casamento. Ele com um terno branco e gravata vermelha e ela com um vestido de noiva e uma coroa de flores branca na cabeça. " width="1005" height="990" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Foto-4-nova.jpg 1005w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Foto-4-nova-800x788.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Foto-4-nova-768x757.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28804" class="wp-caption-text">Paula Thomaz sempre trazia consigo a imagem de uma santa, que era deixado no camarim de Guilherme durante os espetáculos teatrais na Galeria Alaska (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A seguir no quarto episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">De Onde Vieram?</span></i><span style="font-weight: 400;">, Daniella continua em segundo plano, mas dessa vez para dar enfoque ao passado conturbado de seus assassinos. Guilherme de Pádua, nascido em Minas Gerais, mudou-se para o Rio de Janeiro no intuito de deslanchar sua carreira artística. Porém, no começo, as coisas não saíram como planejado. Antes da fama que a novela </span><i><span style="font-weight: 400;">De Corpo e Alma</span></i><span style="font-weight: 400;"> lhe trouxe, o rapaz era conhecido como Michê em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SzPnwz1ldVI"><i><span style="font-weight: 400;">A noite dos leopardos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma apresentação de </span><i><span style="font-weight: 400;">strip-tease</span></i><span style="font-weight: 400;"> masculino que acontecia na Galeria Alaska e atraia em peso tanto o público feminino quanto homens gays. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já Paula Thomaz era frequentadora do espetáculo e também não traz boas lembranças aos que trabalhavam no local na época. Com uma personalidade violenta e possessiva, a jovem foi expulsa da Galeria aos 18 anos por conta de uma briga. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pacto Brutal &#8211; O Assassinato de Daniella Perez</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta até com a presença de Marcos Santos, um relacionamento que a mesma teve antes de Guilherme, e que o testemunho reforça o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IxXCUnTz0Rk"><span style="font-weight: 400;">caráter</span></a><span style="font-weight: 400;"> ciumento e descontrolado da mulher.</span></p>
<figure id="attachment_28805" aria-describedby="caption-attachment-28805" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28805" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-5.jpg" alt="Vemos Guilherme e Paula no dia de sua sentença. Ela usando uma blusa marrom e olhando para o lado oposto ao fotógrafo, enquanto ele usa uma blusa branca e mantém o olhar para frente." width="640" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-28805" class="wp-caption-text">A Doutora Ana Beatriz Barbosa, psiquiatra, palestrante e autora, afirma em entrevista ao Flow Podcast que Paula possui uma periculosidade maior do que Guilherme (Foto: Patrícia Santos/Folhapress)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O último episódio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pacto Brutal &#8211; O Assassinato de Daniella Perez</span></i><span style="font-weight: 400;">, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Justiça?</span></i><span style="font-weight: 400;">, reflete sobre os desdobramentos do caso e se, na visão dos entes queridos da vítima, a justiça foi feita. Com a sapatilha da filha em mãos, Gloria Perez afirma que, depois de anos de espera, finalmente conseguirá viver seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mgMtB0fjIws"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> e deixar a filha descansar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guilherme de Pádua e Paula Thomaz só foram condenados em 1997, cinco anos após o crime, a 19 e 18 anos de prisão respectivamente. Porém, devido ao bom comportamento enquanto encarcerados, ambos cumpriram somente um terço da pena. Por conta de um benefício jurídico que visa a reabilitação criminal, os dois têm a ficha limpa, sem qualquer menção à morte da atriz 30 anos atrás, e atualmente levam vidas comuns. Hoje, Guilherme é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-zpJdQEpiRU"><span style="font-weight: 400;">pastor</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma igreja evangélica em Belo Horizonte. Paula casou-se novamente e adotou o sobrenome do marido, com quem teve mais duas filhas.</span></p>
<figure id="attachment_28806" aria-describedby="caption-attachment-28806" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28806" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-6.jpg" alt="A foto retrata Daniella Perez e seu marido Raul Gazolla, ambos sorrindo, em uma festa de ano novo. A atriz está de blusa branca e com uma tiara na cabeça com Feliz Ano Novo escrito em inglês e ele com uma blusa listrada e uma gravata preta. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-6.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-6-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28806" class="wp-caption-text">Raul Gazzola, viúvo de Daniella, afirma em seu depoimento que ele e a atriz foram protagonistas de uma das maiores paixões vistas neste país (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande trunfo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pacto Brutal &#8211; O Assassinato de Daniella Perez</span></i><span style="font-weight: 400;"> e da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> em contar essa história mais uma vez é devolver a Daniella o seu brilho e a sua personalidade. Mesmo com a investigação policial e o veredito, o que ainda continua na memória do público é uma versão distorcida dos fatos. Alguns acreditam que Daniella e Guilherme tinham um envolvimento amoroso, outros lembram do assassino como um homem íntegro e disposto a fazer sacrifícios pela mulher amada. O documentário é assertivo em acabar com as dúvidas e destruir os rumores da época, nos mostrando que, no fim, o crime aconteceu por uma monstruosa sede de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zere1Ym9jY0"><span style="font-weight: 400;">poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos criminosos e nada mais.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pacto Brutal &#8211; O Assassinato de Daniella Perez</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um prato cheio para os fãs de </span><i><span style="font-weight: 400;">true crime,</span></i><span style="font-weight: 400;"> contando a história real com pontos de vista privilegiados de parentes e amigos, mas sem dar lugar ao sensacionalismo barato presente nas capas de revista dos anos 90. A grande lição de casa que o telespectador recebe ao terminar a obra é lembrar-se de Daniella, a menina </span><a href="https://www.instagram.com/reel/ChGoJS3lo7Y/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">sorridente</span></a><span style="font-weight: 400;"> que teve a vida </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/gloria-perez-homenageia-filha-daniella-que-completaria-52-anos-nesta-quinta-feira-11/#:~:text=R%C3%9ASSIA%20X%20UCR%C3%82NIA-,Gloria%20Perez%20homenageia%20filha%20Daniella%2C%20que%20completaria%2052,nesta%20quinta-feira%20(11)&amp;text=A%20escritora%20e%20autora%20Gloria,quinta-feira%20(11)"><span style="font-weight: 400;">roubada</span></a><span style="font-weight: 400;">, e dar aos assassinos o que merecem: o esquecimento. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/pacto-brutal-critica/">Pacto Brutal &#8211; O Assassinato de Daniella Perez: o resgate de Glória Perez à memória da filha continua</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/pacto-brutal-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28800</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Em Nome do Céu mostra que de más intenções o paraíso está cheio</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/em-nome-do-ceu-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/em-nome-do-ceu-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Aug 2022 19:18:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Garfield]]></category>
		<category><![CDATA[Bill Taba]]></category>
		<category><![CDATA[Billy Howle]]></category>
		<category><![CDATA[Brenda Lafferty]]></category>
		<category><![CDATA[Brian Dennis]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Daisy Edgar-Jones]]></category>
		<category><![CDATA[David Mackenzie]]></category>
		<category><![CDATA[Disney]]></category>
		<category><![CDATA[Dustin Lance Black]]></category>
		<category><![CDATA[Em Nome do Céu]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2022]]></category>
		<category><![CDATA[FX]]></category>
		<category><![CDATA[Gil Birmingham]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Veiga]]></category>
		<category><![CDATA[Isabel Sandoval]]></category>
		<category><![CDATA[Jeb Pyre]]></category>
		<category><![CDATA[Jon Krakauer]]></category>
		<category><![CDATA[Joseph Smith]]></category>
		<category><![CDATA[Leslie Cowan]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Ator em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Ron Lafferty]]></category>
		<category><![CDATA[Rory Culkin]]></category>
		<category><![CDATA[Sam Worthington]]></category>
		<category><![CDATA[Star+]]></category>
		<category><![CDATA[True crime]]></category>
		<category><![CDATA[Under The Banner of Heaven]]></category>
		<category><![CDATA[Wyatt Russell]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28448</guid>

					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Shakespeare, em 1600, já dizia que há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia, e a frase ainda se faz presente, considerando os questionamentos do ser e do meio em que ele vive. É levando em conta uma dessas questões que Em Nome do Céu, nova &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-nome-do-ceu-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Nome do Céu mostra que de más intenções o paraíso está cheio"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/em-nome-do-ceu-critica/">Em Nome do Céu mostra que de más intenções o paraíso está cheio</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28449" aria-describedby="caption-attachment-28449" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28449 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-1.jpg" alt="Cena da minissérie Under the Banner of Heaven. Nela vemos duas mesas postas em um quintal aberto. Há dez pessoas alinhadas em um dos lados dessas mesas, porém o foco da imagem está somente na personagem de Daisy Edgar-Jones. Ela é uma mulher branca de cabelos castanhos claros. Daisy aparece somente da cintura para cima e usa uma camisa verde. Ela e os outros estão com a cabeça baixa e as mãos postas, em sinal de oração." width="1140" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-1.jpg 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28449" class="wp-caption-text">Under the Banner of Heaven é um prato cheio para os entusiastas do gênero investigativo (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Shakespeare, em 1600, já dizia que há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia, e a frase ainda se faz presente, considerando os questionamentos do ser e do meio em que ele vive. É levando em conta uma dessas questões que </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Nome do Céu</span></i><span style="font-weight: 400;">, nova aposta da </span><i><span style="font-weight: 400;">FX</span></i><span style="font-weight: 400;"> no gênero </span><a href="https://jovemnerd.com.br/direto-do-bunker/o-que-e-o-true-crime-e-como-ele-tem-aparecido-cada-vez-mais-na-cultura-pop/"><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escondida no catálogo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Star+</span></i><span style="font-weight: 400;">, se desenvolve.</span></p>
<p><span id="more-28448"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseada no </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> homônimo de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535904260/pela-bandeira-do-paraiso"><span style="font-weight: 400;">Jon Krakauer</span></a><span style="font-weight: 400;">, e desenvolvida para a televisão por Dustin Lance Black, vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro Original com </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/critica-milk-a-voz-da-igualdade"><i><span style="font-weight: 400;">Milk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a minissérie conta a brutal história real ocorrida em uma comunidade mórmon de Utah em 1984, em que uma mulher e sua filha foram assassinadas dentro de casa. O crime teve como motivação a doutrina e as vertentes fundamentalistas de alguns membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais especificamente o conceito de “</span><a href="https://vozesmormons.org/2014/05/30/brigham-young-sobre-a-doutrina-de-expiacao-por-sangue-poligamia/"><span style="font-weight: 400;">expiação de sangue</span></a><span style="font-weight: 400;">”. Em linhas gerais, a atrocidade foi, a princípio, tratada como algo “cometida em nome de Deus”.</span></p>
<figure id="attachment_28451" aria-describedby="caption-attachment-28451" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28451 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-2.jpg" alt="Cena da minissérie Under the Banner of Heaven. Nela vemos o personagem Jeb Pyre, interpretado por Andrew Garfield. Garfield é um homem branco, adulto, de cabelos pretos. Ele veste uma camisa social branca, uma calça social azul clara com um cinto preto e um colete à prova de balas azul escuro. Ele está em um campo aberto com algumas árvores e uma casa de madeira ao fundo. Garfield está com as mãos para cima como se estivesse se rendendo." width="1024" height="650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-2-800x508.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-2-768x488.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28451" class="wp-caption-text">Garfield foi o responsável por garantir a presença da série no Emmy 2022 (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Black, que foi </span><a href="https://www.thetimes.co.uk/article/dustin-lance-black-new-show-under-the-banner-of-heaven-28rqflhj7"><span style="font-weight: 400;">criado como mórmon</span></a><span style="font-weight: 400;">, lança um holofote sobre a característica e propositalmente desconhecida religião. Divida em três linhas do tempo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Under The Banner of Heaven </span></i><span style="font-weight: 400;">(nome original da minissérie), mais do que a investigação criminal convencional do gênero, foca seus mistérios nos dogmas e crenças da doutrina, com o intuito de destrinchá-los. Para estimular esses questionamentos, a obra usa Jeb Pyre, personagem de Andrew Garfield (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Espetacular Homem-Aranha</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-olhos-de-tammy-faye-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), criado exclusivamente para a adaptação audiovisual e que dá vida a um detetive mórmon em um conflito de ideais mediante o caso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira linha do tempo &#8211; de longe, a mais interessante &#8211; é a que foca justamente no núcleo de Pyre em busca da solução do crime. Aqui fica nítido como o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">bebe das melhores fontes da vertente investigativa, como </span><i><span style="font-weight: 400;">True Detective </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mare-of-easttown-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Desde o clima soturno da trama até a maneira com que a narrativa se desenvolve, há muita consciência em replicar esses aspectos e adaptá-los ao seu universo. É possível imprimir isso em tela graças a atuação de seus personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Garfield, que se prova um dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=icozbdXIywY"><span style="font-weight: 400;">atores mais promissores</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua geração, consegue transmitir toda a carga que está sendo depositada em seu personagem de forma muito sutil e serena, carregando a série nas costas. Tanto que sua indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022 em Melhor Ator em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme, a única da obra, mesmo que sem tantas chances, é mais do que justa. Parte do elenco ainda conta com Gil Birmingham (</span><i><span style="font-weight: 400;">Terra Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://kogut.oglobo.globo.com/noticias-da-tv/critica/noticia/2021/03/yellowstone-uma-serie-imperdivel.html"><i><span style="font-weight: 400;">Yellowstone</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que interpreta Bill Taba, detetive que divide as investigações com Garfield. Em uma atuação concisa, Taba está aqui para representar o ceticismo do espectador e funciona como um contraponto aos mórmons. É através dele que as perguntas da audiência são transmitidas para o enredo.</span></p>
<figure id="attachment_28452" aria-describedby="caption-attachment-28452" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28452 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3.jpg" alt="Cena da minissérie Under the Banner of Heaven. Nela, a personagem de Daisy Edgar-Jones está em uma igreja. Ela veste roupas características de um evento da religião. Ele veste uma roupa com aspectos antigos, e um véu, todos na cor branca." width="2500" height="1667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28452" class="wp-caption-text">O texto, seguindo uma moda da indústria, usa da religião para causar desconforto (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda linha do tempo foca na </span><a href="https://pt.fafaq.eu/a-historia-verdadeira-perturbadora-por-tras-do-assassinato-de-brenda-lafferty/"><span style="font-weight: 400;">história dos Lafferty</span></a><span style="font-weight: 400;">, família envolvida no assassinato de Brenda Wright Lafferty, cerne da trama. É através desse núcleo que a crítica e os estudos acerca da religião se desenvolvem. Fica muito claro o tato que Dustin Lance tem ao tratar do tema, explorando as hipocrisias que as crenças, em seu fundamentalismo, carregam. Para isso, o texto constrói um suspense latente, fazendo com que essa família e suas concepções ortodoxas se aproximem aquilo que Jordan Peele realizou com a família Armitage em </span><a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tratar de religião, em suas mais variadas abordagens, tem sido uma pauta recorrente no audiovisual, a exemplo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mal</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount+</span></i><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://personaunesp.com.br/missa-da-meia-noite-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Missa da Meia Noite</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Seguindo a fórmula dessas produções, </span><i><span style="font-weight: 400;">Under The Banner of Heaven</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue abordar o tema não o ridicularizando, mas sim tocando na ferida e nos pontos que devem ser tocados, algo que provocou certa repulsa por parte da comunidade mórmon. Contudo, a série opta por não usar metáforas monstruosas para dar lugar às monstruosidades do ser humano, guiado pela cegueira ideológica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um núcleo bem desenvolvido, e acompanhar sua evolução na trama é agonizante. Isso se dá em grande parte pela construção do elenco em seus personagens. Daisy Edgar-Jones (</span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fresh</span></i><span style="font-weight: 400;">), intérprete de Brenda, é quem, ao lado de Garfield, traz os holofotes para si e consegue fazer com que o progressismo de sua personagem destoe em meio ao conservadorismo dos Lafferty. Sam Worthington (</span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar</span></i><span style="font-weight: 400;">), Wyatt Russell (</span><a href="https://personaunesp.com.br/falcao-e-o-soldado-invernal-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Falcão e o Soldado Invernal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Billy Howle (</span><a href="https://personaunesp.com.br/dunkirk-critica-nolan/"><i><span style="font-weight: 400;">Dunkirk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e mais um dos irmãos Culkin, Rory (</span><i><span style="font-weight: 400;">Sinais</span></i><span style="font-weight: 400;">), conseguem construir personas distintas para cada irmão da família Lafferty, mas todos de forma assustadora e com sua dose de obscurantismo.</span></p>
<figure id="attachment_28453" aria-describedby="caption-attachment-28453" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28453 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4.png" alt="Cena da minissérie Under the Banner of Heaven. Nela, vemos o personagem de Andrew Garfield. Ele está vestindo um terno preto e uma camisa social branca e um relógio na mão esquerda. Ele segura um revólver e grita, aparentemente dando ordem para alguém. O cenário é noturno e ao fundo há casas típicas de subúrbio americano." width="2500" height="1351" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4.png 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4-1024x553.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4-1536x830.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4-2048x1107.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4-1200x648.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28453" class="wp-caption-text">A ambientação é um dos maiores trunfos da produção (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A última linha do tempo é a que mais peca na produção. Contando a história de Joseph Smith na </span><a href="https://segredosdomundo.r7.com/mormons-quem-sao/"><span style="font-weight: 400;">fundação</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mesmo que tendo um enorme impacto na trama, parece um episódio genérico de documentário do </span><i><span style="font-weight: 400;">History Channel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Por ser um núcleo majoritariamente expositivo, é através dele que fica claro as barrigadas de seu roteiro. Com sete episódios que beiram uma hora de duração, é bem perceptível as partes nas quais o texto se alonga mais do que devia, e grande parcela disso está no terceiro e último trecho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da trama, o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue trabalhar muito bem com a subjetividade, como, por exemplo, transmitindo a agonia de um assassinato brutal sem ao menos mostrar violência explícita. Portanto, essa linha do tempo, por ser tão explicativa, fica descolada de todo o resto da história, quando seus conceitos poderiam facilmente ser incluídos no segundo núcleo. Além disso,  na tentativa de remontar o século XIX, seu </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção é muito piegas, fazendo com que, mesmo que sua intenção seja totalmente o oposto, pareça uma produção promocional dessa religião.</span></p>
<figure id="attachment_28454" aria-describedby="caption-attachment-28454" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28454 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-5.png" alt="Cena da minissérie Under the Banner of Heaven. Nela, temos o personagem de Andrew Garfield. Ele veste um terno cinza, uma camisa social branca e uma gravata azul com bolinhas cinzas. A frente dele tem dois microfones, o esquerdo com um número 8 num fundo redondo vermelho, e o direito com o número 51 em cores douradas em um fundo azul oval." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-5.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-5-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-5-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-5-768x403.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28454" class="wp-caption-text">Até onde você confrontaria suas noções de verdade? (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Under the Banner of Heaven </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue ser instigante, emocionante e inventiva naquilo que se propõe. Seu estilo de narrativa e sua direção, apesar de se prolongarem em certas partes, prendem o espectador em uma história que, mesmo baseada em fatos, a princípio é absurda, e conduz uma viagem que começa no mistério e termina no porquê. A obra, capitaneada pela direção, de David Mackenzie (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JQoqsKoJVDw&amp;ab_channel=CBSFilms"><i><span style="font-weight: 400;">Hell or High Water</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Courtney Hunt (</span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen River</span></i><span style="font-weight: 400;">), é um ótimo exercício de imersão e de desenvolvimento da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro das fórmulas de </span><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i><span style="font-weight: 400;">, o seriado joga os holofotes na linha tênue entre o literalismo das escrituras e as (des)ilusões de figuras messiânicas. Mesmo abordando a religião, a série não cai no senso comum de apenas estigmatizá-la, mas sim de derrubar suas máscaras e escancarar a opressão e a ameaça que o fundamentalismo teocrático pode causar. Por isso, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IDRqWtwbiSM&amp;ab_channel=FXNetworks"><i><span style="font-weight: 400;">Under The Banner of Heaven</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato cru de uma era de extremismos &#8211; não só religiosos &#8211; que ainda persiste.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Em Nome do Céu | Trailer Oficial | Disney+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/I4COOHKkrwc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/em-nome-do-ceu-critica/">Em Nome do Céu mostra que de más intenções o paraíso está cheio</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/em-nome-do-ceu-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28448</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Em The Dropout: A História de uma Fraude, achar que nunca poderia falhar foi o ledo engano de Elizabeth Holmes</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/the-dropout-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/the-dropout-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Aug 2022 19:16:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Alison Goodman]]></category>
		<category><![CDATA[Amanda Seyfried]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[As irmãs de ferro]]></category>
		<category><![CDATA[Costanza Guerriero]]></category>
		<category><![CDATA[Creative Arts Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dylan Minnette]]></category>
		<category><![CDATA[Ebon Moss-Bachrach]]></category>
		<category><![CDATA[Elizabeth Holmes]]></category>
		<category><![CDATA[Elizabeth Meriwether]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Erica Watson]]></category>
		<category><![CDATA[Estou com pressa]]></category>
		<category><![CDATA[Francesca Gregorini]]></category>
		<category><![CDATA[Jeanie Bacharach]]></category>
		<category><![CDATA[Kurtwood Smith]]></category>
		<category><![CDATA[Mark I. Rutman]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Atriz em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção de Elenco em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Série Limitada ou Antologia]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Ironside]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Showalter]]></category>
		<category><![CDATA[Michaela Watkins]]></category>
		<category><![CDATA[Naveen Andrews]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Sam Waterston]]></category>
		<category><![CDATA[Stephen Fry]]></category>
		<category><![CDATA[Suco verde]]></category>
		<category><![CDATA[The Dropout]]></category>
		<category><![CDATA[The Dropout: A História de uma Fraude]]></category>
		<category><![CDATA[Theranos]]></category>
		<category><![CDATA[True crime]]></category>
		<category><![CDATA[Utkarsh Ambudkar]]></category>
		<category><![CDATA[William H. Macy]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28441</guid>

					<description><![CDATA[<p>Costanza Guerriero Se você escolhe se esquecer de algumas coisas, isso é o mesmo que mentir? Girando em torno dessa indagação, a minissérie The Dropout: A História de uma Fraude conta a história da fraude da empresária americana Elizabeth Holmes (Amanda Seyfried) e sua startup de biotecnologia, a Theranos. A produção mostra o absurdo do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-dropout-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em The Dropout: A História de uma Fraude, achar que nunca poderia falhar foi o ledo engano de Elizabeth Holmes"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/the-dropout-critica/">Em The Dropout: A História de uma Fraude, achar que nunca poderia falhar foi o ledo engano de Elizabeth Holmes</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28442" aria-describedby="caption-attachment-28442" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28442" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-1-.jpg" alt="Cena da série The Dropout. Na imagem está a atriz Amanda Seyfried interpretando Elizabeth Holmes. A atriz está gritando, seus olhos estão semicerrados, a testa franzida e a boca está super aberta, com os dentes à mostra. Seu cabelo loiro está preso em um rabo de cavalo baixo. Conseguimos ver uma de suas orelhas onde há um fone de ouvido branco, sem fio. Podemos ver seu pescoço com as veias saltadas e os dois ombros que vestem uma camiseta branca. Ao fundo está o céu azul." width="1920" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-1-.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-1--800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-1--1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-1--768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-1--1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-1--1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28442" class="wp-caption-text">“O que você escolheria fazer se soubesse que não pode fracassar?” (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><b>Costanza Guerriero</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se você escolhe se esquecer de algumas coisas, isso é o mesmo que mentir? Girando em torno dessa indagação, a minissérie </span><a href="https://youtu.be/W7rlZLw9m10"><i><span style="font-weight: 400;">The Dropout: A História de uma Fraude</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> conta a história da fraude da empresária americana Elizabeth Holmes (Amanda Seyfried) e sua </span><i><span style="font-weight: 400;">startup</span></i><span style="font-weight: 400;"> de biotecnologia, a Theranos. A produção mostra o absurdo do mundo corporativo das </span><i><span style="font-weight: 400;">startups</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao mesmo passo que satiriza a cultura dos investidores do Vale do Silício. Como cereja do bolo, ainda aponta uma problemática contemporânea muito real, que é a tendência das pessoas acreditarem e apostarem nas aparências, apenas porque as agrada.</span></p>
<p><span id="more-28441"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Dropout</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma produção original do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/hulu/"><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, exibida no Brasil pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/star/"><i><span style="font-weight: 400;">Star+</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Antes mesmo de chegar à plataforma digital, a história de Elizabeth Holmes já era conhecida pelos fãs de </span><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i><span style="font-weight: 400;">, por meio do documentário do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Inventora</span></i><span style="font-weight: 400;">. Contudo, a minissérie criada pela produtora executiva Elizabeth Meriwether (</span><i><span style="font-weight: 400;">New Girl</span></i><span style="font-weight: 400;">) foi baseada no </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i><span style="font-weight: 400;"> homônimo, gravado em 2019 pela </span><i><span style="font-weight: 400;">ABC News.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Assim, a obra entra para a lista das ficções baseadas em crimes reais, juntando-se a </span><a href="https://personaunesp.com.br/dopesick-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de fraudes envolvendo a indústria médica, e que parecem bizarras demais para serem verdade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O propósito de Elizabeth Holmes sempre foi claro: se tornar uma empresária de sucesso por meio de uma grande invenção, tal qual ocorreu com o homem do pôster em seu quarto, </span><a href="https://www.ebiografia.com/steve_jobs/"><span style="font-weight: 400;">Steve Jobs</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desta forma, ela nunca foi uma jovem comum: aos dezenove anos, desistiu da sua graduação em Engenharia Química na Universidade de Stanford, para investir na Theranos (junção das palavras &#8220;Terapia&#8221; e &#8220;Diagnóstico&#8221; em inglês). A </span><i><span style="font-weight: 400;">startup</span></i><span style="font-weight: 400;"> prometia uma tecnologia que executasse cerca de duzentos exames de diagnóstico com apenas uma gota de sangue. O grande problema dessa ideia, que assegurava render bilhões de dólares, era não ser cientificamente possível, mesmo após os treze anos nos quais a empresa prosperou como uma das mais promissoras do Vale do Silício.</span></p>
<figure id="attachment_28443" aria-describedby="caption-attachment-28443" style="width: 2176px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28443" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-2.jpeg" alt="Cena da série The Dropout. Na imagem está a atriz Amanda Seyfried interpretando Elizabeth Holmes. A atriz está dentro de uma sala observando um homem, que está sentado na sua frente. A atriz está com os cabelos loiros presos em um coque, seus olhos azuis estão arregalados e suas sobrancelhas arqueadas. Ela veste uma camiseta cinza escrito ''stanford&quot; em letras vermelhas. O homem que ela observa só aparece na imagem da testa para cima. Seu cabelo é curto e grisalho, e vemos a ponta de sua orelha. Ao fundar há uma estante de madeira com livros." width="2176" height="1398" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-2.jpeg 2176w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-2-800x514.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-2-1024x658.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-2-768x493.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-2-1536x987.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-2-2048x1316.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-2-1200x771.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28443" class="wp-caption-text">O título da minissérie faz menção à escolha de Elizabeth de abandonar sua formação, já que “dropout” é uma expressão utilizada para designar uma pessoa que abandona a universidade antes de adquirir o diploma (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Suco verde após suco verde, a narrativa segue narrando como a jovem Elizabeth conseguiu chegar no topo do mundo das </span><i><span style="font-weight: 400;">startups</span></i><span style="font-weight: 400;"> e sua queda, que ocorreu tão rapidamente quanto sua ascensão. A minissérie, dividida em oito episódios, parece apresentar </span><a href="https://nosbastidores.com.br/the-dropout-e-a-melhor-minisserie-desconhecida-do-momento/"><span style="font-weight: 400;">duas partes</span></a><span style="font-weight: 400;"> distintas. A primeira, nos mostra o começo da jornada de Holmes, no formato de uma drama biográfico. Situada nos corredores de Stanford e nos laboratórios de engenharia biomédica, conhecemos a protagonista como uma jovem verdadeiramente interessada na ciência e com ideias revolucionárias. Também é abordada a estranha relação da personagem com </span><a href="https://forbes.com.br/forbes-money/2022/07/ex-namorado-de-elizabeth-holmes-da-theranos-e-condenado-por-fraude/"><span style="font-weight: 400;">Sunny Balwani </span></a><span style="font-weight: 400;">(Naveen Andrews), um homem milionário que tinha idade para ser seu pai, e que mais tarde viria a ser o </span><i><span style="font-weight: 400;">COO</span></i><span style="font-weight: 400;"> da Theranos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, na segunda metade de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Dropout</span></i><span style="font-weight: 400;">, a trama se transforma quase em um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">corporativo, e ficamos a par de como Elizabeth se tornou uma farsante. Assim como a sua empresa, tudo sobre ela era uma mentira, a qual se sustentava apenas pelas aparências. No seu escritório amplo, grande e iluminado, a empresária construiu sua persona caricata de </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Sempre se espelhando no seu ídolo Steve Jobs, o guarda-roupas do personagem é composto apenas de trajes executivos e blusas de gola alta pretas. Nesse figurino solene, ela proferia frases de efeito sobre empreendedorismo, ao invés de vestir seu antigo jaleco e ir para os laboratórios tentar fazer seu produto funcionar. Em determinado momento, a jovem altera até mesmo o seu jeito de falar, forçando um esquisito e quase vergonhoso </span><a href="https://youtu.be/zj_qlgGbLgY"><span style="font-weight: 400;">engrossamento da voz,</span></a><span style="font-weight: 400;"> na tentativa de ser mais respeitada como mulher na indústria farmacêutica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É aqui que a minissérie aproveita para tirar sarro da cultura dos </span><i><span style="font-weight: 400;">CEOs</span></i><span style="font-weight: 400;">. Elizabeth se torna especialista no linguajar do </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/criticas/the-dropout-star-plus"><span style="font-weight: 400;">engodo corporativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e consegue conquistar todos os investidores, que antes duvidavam dela, com muita ‘puxa saquice’ e apelando para o frágil ego dos </span><a href="https://youtu.be/W1PRHf0HW10"><span style="font-weight: 400;">homens brancos e velhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ramo tecnológico e farmacêutico. Assim, a Theranos se torna uma empresa de 9 bilhões de dólares, sem nunca ter apresentando ao menos uma prova concreta da eficácia do seu modelo de diagnóstico.</span></p>
<figure id="attachment_28444" aria-describedby="caption-attachment-28444" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28444" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-3-.jpeg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-3-.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-3--800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-3--1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-3--768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28444" class="wp-caption-text">O comparsa de Elizabeth, Sunny Baldwin, foi processado por fraude eletrônica, mas foi absolvido; ela, por outro lado, foi acusada de 11 crimes diferentes e ainda espera o veredicto do seu julgamento (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ritmo de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Dropout: A História de uma Fraude</span></i><span style="font-weight: 400;"> é bom, a trama rapidamente engata e envolve o espectador no caso, tão absurdo que nem parece ser real. Ao acompanharmos as mentiras de Elizabeth e Sunny, também vemos a ex-universitária cheia de sonhos e ambições se converter em uma golpista que de nada entende sobre a sua própria </span><a href="https://www.nature.com/articles/d41586-022-00006-9"><span style="font-weight: 400;">tecnologia</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e honestamente parece nem  se importar. O único ponto que vale para a farsante é sua auto imagem de empresária, que, como ela tanto quis, chegou a ser comparada a &#8216;versão feminina’ de Steve Jobs. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inclusive, o criador da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i><span style="font-weight: 400;"> serve como uma marca temporal na trama. Ao passo que os episódios se desenrolam em elipses temporais, o crescimento da Theranos é situado no tempo da série por meio dos lançamentos dos modelos de iPhones e pela própria vida de Jobs. Quando a morte do magnata acontece, é justamente quando se inicia a investigação do jornalista </span><a href="https://www.education.purdue.edu/2021/10/investigative-journalist-john-carreyrou-to-speak-at-purdue/"><span style="font-weight: 400;">John Carreyrou</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Ebon Moss-Bachrach) sobre a</span><i><span style="font-weight: 400;"> startup</span></i><span style="font-weight: 400;">, que dá início ao fim da farsa de Elizabeth.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem dúvidas, o ponto forte da produção é a atuação excepcional da indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Amanda Seyfried (</span><a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mank</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que dá um show de emoções, ou expressa a falta delas na pele da estranha e obcecada empresária. Seyfried compreende Elizabeth desde suas danças esquisitas, até o jeito desengonçado de correr e o engrossamento da voz. A atriz se baseia nos trejeitos e maneiras falsas de falar da personagem, mas, em determinado momento, se apropria desta de tal forma que quase nos convence da legitimidade de Elizabeth &#8211; isto é, se não fôssemos cúmplices das suas mentiras desde o primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Estou com pressa</span></i><span style="font-weight: 400;">. O olhar compenetrado e alucinado, juntamente com a escolha da direção de utilizar frequentes </span><i><span style="font-weight: 400;">close-ups</span></i><span style="font-weight: 400;"> na personagem, são momentos nos quais ela quase quebra a quarta parede e nos remete ao consagrado </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.diyphotography.net/kubrick-gaze-captivating-tribute-iconic-stares-stanley-kubrick-films/"><i><span style="font-weight: 400;">Kubrick Gaze</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, coroando a atuação da atriz como uma das melhores de sua carreira.</span></p>
<figure id="attachment_28445" aria-describedby="caption-attachment-28445" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28445" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-4.jpeg" alt="Cena da série The Dropout. A imagem é um close up do rosto da atriz Amanda Seyfried interpretando Elizabeth Holmes. Seu rosto está centralizado na imagem e ela olha fixamente para frente. Seus cabelos loiros estão presos em um coque, seus olhos esverdeados estão contornados com uma delineado preto. Ela está usando batom vermelho e seus lábios estão abertos em um semi sorriso. Seu pescoço está coberto por uma gola preta. O fundo é cinza claro." width="1920" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-4.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-4-800x400.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-4-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-4-768x384.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-4-1536x768.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-4-1200x600.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28445" class="wp-caption-text">Nos close-ups na atriz, a personagem parece saber de todos os nosso segredos, quando na realidade, somos nós que conhecemos os segredos dela (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Seyfried, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Dropout</span></i><span style="font-weight: 400;"> também conta com atuações relevantes dos demais atores escalados, que, ao longo da trama, ganham mais espaço. Visto que a farsa de Elizabeth por si só não seria capaz de sustentar uma série com oito episódios de aproximadamente cinquenta minutos cada, a direção investe em se aprofundar nos arcos dos personagens secundários, contribuindo com a sua valorização. Entre os nomes de destaque temos </span><span style="font-weight: 400;">Naveen Andrews (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Paciente Inglês</span></i><span style="font-weight: 400;">), que entrega um complexo Sunny na parceria de romance e esquemas com a personagem principal, e William H. Macy (</span><i><span style="font-weight: 400;">Fargo</span></i><span style="font-weight: 400;">), como o vizinho inflexível e vingativo, uma das principais fontes da denúncia da fraude da Theranos. Entre outros nomes conhecidos na produção estão Dylan Minnette (</span><a href="https://personaunesp.com.br/13-reasons-why/"><i><span style="font-weight: 400;">13 Reasons Why</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Stephen Fry (</span><i><span style="font-weight: 400;">V de Vingança</span></i><span style="font-weight: 400;">), Michaela Watkins (</span><i><span style="font-weight: 400;">Casual</span></i><span style="font-weight: 400;">), Sam Waterston (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grace-e-frankie/"><i><span style="font-weight: 400;">Grace e Frankie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Kurtwood Smith (</span><i><span style="font-weight: 400;">Robocop</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção dos capítulos está distribuída entre três diretores, que deixam transparecer as marcas dos seus outros trabalhos. Os primeiros episódios ficaram nas mãos de Michael Showalter, ainda fresco do seu último projeto, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-olhos-de-tammy-faye-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Showalter traz para </span><i><span style="font-weight: 400;">The Dropout</span></i><span style="font-weight: 400;"> a experiência de ter trabalhado com outra história baseada em fatos reais, na mescla de acompanhar o desenrolar da vida de uma mulher protagonista e expor uma fraude americana para o mundo. Francesca Gregorini (</span><a href="https://personaunesp.com.br/killing-eve-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Killing Eve</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), por sua vez, se encarrega de encaminhar a história da queda de Theranos e direciona o cair das máscaras de Elizabeth e Sunny. Por fim, Erica Watson (</span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=expresso+do+amanha"><i><span style="font-weight: 400;">Expresso do Amanhã</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) toma frente do desfecho da narrativa, entregando, no capítulo final, uma das cenas mais reveladoras e viscerais da minissérie, quando vemos o momento exato no qual a personagem de Seyfried se dá conta de sua ruína.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto negativo da produção é o desaparecimento repentino de alguns rostos, os quais em determinado momento foram importantes para a trama. Diferentemente do arco de </span><a href="https://www.esquire.com/uk/culture/tv/a39224721/the-dropout-who-is-ian-gibbons-true-story/"><span style="font-weight: 400;">Ian Gibbons</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Fry), químico chefe dos laboratórios da Theranos e cujo trágico arco é bem amarrado, a história de outros personagens acaba sumindo, sem ganhar uma devida finalização. Esse é o caso de personagens como </span><span style="font-weight: 400;">Rakesh (Utkarsh Ambudkar) e </span><span style="font-weight: 400;">Don Lucas (</span><a href="https://www.google.com/search?client=safari&amp;rls=en&amp;q=Michael+Ironside&amp;stick=H4sIAAAAAAAAAOPgE-LVT9c3NMzLyzNKMyvMUeLUz9U3MDK0MCnUMslOttJPy0wuyczPS8yJL83LLEstKk5FEkrOSCxKTC5JLbIqyEmsTE1RSKpcxCrgmwkUT81R8CzKzyvOTEndwcq4i52JgwEAMMSpTW0AAAA&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiP6s2li9v5AhVfBLkGHQdjC0wQmxMoAXoECD0QAw"><span style="font-weight: 400;">Michael Ironside</span></a><span style="font-weight: 400;">), o primeiro investidor que Elizabeth consegue ludibriar. </span></p>
<figure id="attachment_28446" aria-describedby="caption-attachment-28446" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28446" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-5.jpeg" alt="Cena da série The Dropout. A cena é um close up da atriz Amanda Seyfried interpretando Elizabeth Holmes. Seus cabelos loiros estão bagunçados, seus olhos verdes estavam arregalados e avermelhados, enquanto suas sobrancelhas estão arqueadas. Seu nariz é fino e sua boca está contraída, o que causa o franzimento da pele ao redor dos lábios e do queixo. As laterais da imagem estão sombreadas, devido a pouca iluminação do ambiente. " width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-5.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-5-800x420.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-5-1024x538.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/imagem-5-768x403.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28446" class="wp-caption-text">Amanda Seyfried substituiu a atriz Kate Mckinnon como Elizabeth Holmes e a troca não poderia ter sido mais certeira (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Dropout</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiu marcar presença no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> com as indicações a Melhor Série Limitada ou Antologia, um dos principais troféus da premiação,</span> <span style="font-weight: 400;">e, é claro, pela atuação marcante de Amanda Seyfried, sendo a primeira indicação da atriz ao prêmio, na categoria de Melhor Atriz em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme</span><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"> Além disso, o belo mosaico de atores coadjuvantes rendeu a nomeação a Melhor Direção de Elenco em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme, fruto do trabalho de Alison Goodman, Jeanie Bacharach e Mark I. Rutman. Por fim, dois dos três diretores apareceram na categoria Melhor Direção em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme: </span><span style="font-weight: 400;">Michael Showalter, pelo episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Suco verde</span></i><span style="font-weight: 400;">, e</span><span style="font-weight: 400;"> Francesca Gregorini, por </span><i><span style="font-weight: 400;">As irmãs de ferro</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado no mesmo ano que a produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/inventando-anna-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Inventando Anna</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, igualmente uma mistura de realidade e ficção, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Dropout: A História de uma Fraude</span></i><span style="font-weight: 400;"> tinha a missão de trazer algo novo para o gênero do </span><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i><span style="font-weight: 400;">, para que não se tornasse uma obra repetitiva no mar de ‘baseado em fatos reais’. Apesar da minissérie não ter conseguido abordar a narrativa de uma forma completamente original, a história por si só já é tão inacreditável e instigante que configura um bom entretenimento, sobretudo para aqueles que gostam de passar nervoso com a cara de pau e picaretagem dos personagens. Ainda que não tão cirúrgica e prestigiada quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;">, o potencial é bem aproveitado. Afastando-se de Anna Delvy, a série se diferencia e envolve o telespectador por conta da fraude da Theranos envolver a saúde e a vida das pessoas, enquanto a golpista da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> ter brincado ‘apenas’ com bancos bilionários. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final dos oito capítulos de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Dropout</span></i><span style="font-weight: 400;">, fica claro que </span><a href="https://www.uol.com.br/tilt/noticias/bbc/2022/01/04/elizabeth-holmes-como-nova-steve-jobs-foi-de-queridinha-do-vale-do-silicio-a-culpada-por-crimes-de-conspiracao-e-fraude.htm"><span style="font-weight: 400;">Elizabeth</span></a><span style="font-weight: 400;"> só prosperou na sua mentira por tanto tempo porque ela própria também era uma. A produção escancara a realidade de um mundo corporativo, que, cego pela ganância, acaba se deixando enganar pelas aparências do que seria um bom negócio. Em uma realidade na qual </span><i><span style="font-weight: 400;">startups</span></i><span style="font-weight: 400;"> surgem e se dissolvem como areia ao vento, basta surgir uma ideia aparentemente promissora, vinda de uma pessoa bem apresentada e de belas palavras, para que bilhões sejam movimentados. No final das contas, escolher se esquecer de certas coisas é sim o mesmo que mentir. Porém, em uma realidade no qual fraudes como a de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Dropout </span></i><span style="font-weight: 400;">se tornam cada vez mais corriqueiras, a minissérie indica como a sociedade não reconhece tal sentença como verdadeira.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/the-dropout-critica/">Em The Dropout: A História de uma Fraude, achar que nunca poderia falhar foi o ledo engano de Elizabeth Holmes</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/the-dropout-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28441</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Lady Gaga exorciza Casa Gucci</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/casa-gucci-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/casa-gucci-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Dec 2021 22:32:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Adam Driver]]></category>
		<category><![CDATA[Al Pacino]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Júlia Trevisan]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Anna Carin Lock]]></category>
		<category><![CDATA[Assassinato]]></category>
		<category><![CDATA[Becky Johnston]]></category>
		<category><![CDATA[Casa Gucci]]></category>
		<category><![CDATA[Claire Simpson]]></category>
		<category><![CDATA[Crime]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dariusz Wolski]]></category>
		<category><![CDATA[Frederic Aspiras]]></category>
		<category><![CDATA[Goran Lundstrom]]></category>
		<category><![CDATA[Gucci]]></category>
		<category><![CDATA[House of Gucci]]></category>
		<category><![CDATA[Jack Huston]]></category>
		<category><![CDATA[Janty Yates]]></category>
		<category><![CDATA[Jared Leto]]></category>
		<category><![CDATA[Jeremy Irons]]></category>
		<category><![CDATA[Lady Gaga]]></category>
		<category><![CDATA[Marca]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Cabelo e Maquiagem]]></category>
		<category><![CDATA[Moda]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Patrizia Reggiani]]></category>
		<category><![CDATA[Perícia]]></category>
		<category><![CDATA[Reeve Carney]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Ridley Scott]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bentivegna]]></category>
		<category><![CDATA[Salma Hayek]]></category>
		<category><![CDATA[Sara Gay Forden]]></category>
		<category><![CDATA[True crime]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=25507</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Uma história de glamour, cobiça, loucura e morte. Esse foi o subtítulo dado ao livro que inspirou Ridley Scott a dirigir uma das adaptações mais aguardadas do ano: Casa Gucci. A grife italiana, fundada em 1921, é um majestoso império da Moda e uma das marcas mais valiosas do mundo, cujo nome &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/casa-gucci-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lady Gaga exorciza Casa Gucci"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/casa-gucci-critica/">Lady Gaga exorciza Casa Gucci</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25509" aria-describedby="caption-attachment-25509" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25509" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1gucci.png" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1gucci.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1gucci-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1gucci-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1gucci-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1gucci-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25509" class="wp-caption-text">Em nome do Pai, do Filho e da Casa Gucci (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><a href="https://acessocultural.com.br/2021/11/livro-que-inspirou-novo-filme-de-lady-gaga-casa-gucci-e-relancado-no-brasil/"><i><span style="font-weight: 400;">Uma história de glamour, cobiça, loucura e morte</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Esse foi o subtítulo dado ao livro que inspirou Ridley Scott a dirigir uma das adaptações mais aguardadas do ano: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=juSv4y5_0Xo&amp;ab_channel=Ingresso.com"><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A grife italiana, fundada em 1921, é um majestoso império da Moda e uma das marcas mais valiosas do mundo, cujo nome carrega um grande escândalo. Em 27 de março de 1995, Maurizio Gucci, herdeiro da empresa, foi assassinado a mando de sua ex-esposa Patrizia Reggiani. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Legado e família são os fragmentos mais necessários para entender a estrutura maquiavélica do império Gucci, mas o que chegou aos cinemas em 25 de novembro não se ajusta aos dois poderes. Os direitos para a produção do filme foram comprados em 2006, e de lá pra cá, nomes como Angelina Jolie e Leo DiCaprio foram cotados para os papéis principais. O ano de 2021 finalmente trouxe <a href="https://www.youtube.com/watch?v=g1Ud5HJXb50">o filme</a> para as telonas, protagonizado por Lady Gaga e Adam Driver. Mas, para lidar com o longa, é necessário fazer o mesmo processo de periciamento de um delito.</span></p>
<p><span id="more-25507"></span></p>
<figure id="attachment_25510" aria-describedby="caption-attachment-25510" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25510" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2gucci.jpg" alt="" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2gucci.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2gucci-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2gucci-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2gucci-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2gucci-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2gucci-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25510" class="wp-caption-text">No Oscar, espere nomeações para o figurino e os penteados de Casa Gucci (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Xi8wK7wwT-Y&amp;ab_channel=Opera%C3%A7%C3%A3oPolicial"><span style="font-weight: 400;">início da perícia</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma equipe de profissionais entra em cena para desvendar o crime enquanto a polícia assiste do lado de fora. Falar de </span><i><span style="font-weight: 400;">House of Gucci</span></i><span style="font-weight: 400;"> exige o desmembramento cômodo por cômodo da planta prestes a ser periciada. Para iniciar o trabalho neste ambiente interno, o bom senso é que primeiro seja examinado o local que outros integrantes da equipe precisam usar para atividades pessoais, ou seja, o banheiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Banheiro, local em que jogamos o que não presta ralo a baixo. Aqui, infelizmente, se encontra a direção e montagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i><span style="font-weight: 400;">, apenas esperando a descarga ser puxada. O filme apresenta um apelo cômico que não se encaixa com a premissa de </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour</span></i><span style="font-weight: 400;">, cobiça, loucura e morte. O humor impresso na adaptação do roteiro, escrito por </span><a href="https://www.planocritico.com/tag/becky-johnston/"><span style="font-weight: 400;">Becky Johnston</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.planocritico.com/tag/roberto-bentivegna/"><span style="font-weight: 400;">Roberto Bentivegna</span></a><span style="font-weight: 400;">, tira toda carga dramática que </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i><span style="font-weight: 400;"> demandava por se tratar de um crime real envolvendo um império multimilionário e que até hoje gera controvérsias. Essa atitude da direção prejudica pelo inesperado e quase desrespeitoso com a temática. As cenas em família italiana são como dar </span><i><span style="font-weight: 400;">play</span></i><span style="font-weight: 400;"> em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OzYxJV_rmE8"><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e assistir a um </span><i><span style="font-weight: 400;">stand up</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos Roy.</span></p>
<figure id="attachment_25511" aria-describedby="caption-attachment-25511" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25511" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-gucci-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-gucci-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-gucci-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-gucci-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-gucci-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-gucci-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-gucci-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-gucci-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25511" class="wp-caption-text">Lady Gaga conta que escreveu oitenta páginas biográficas sobre Patrizia Reggiani, a fim de se preparar para a imersão no papel (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A montagem, responsabilidade de Claire Simpson, é declarada culpada pela perda de ritmo da produção. Desde os primeiros minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i><span style="font-weight: 400;"> é notável a falta de um </span><a href="https://www.aicinema.com.br/o-que-faz-um-continuista/#:~:text=A%20continu%C3%ADsta%2C%20ou%20o%20continu%C3%ADsta,de%20cena%2C%20figurinos%20e%20caracteriza%C3%A7%C3%A3o."><span style="font-weight: 400;">continuísta</span></a><span style="font-weight: 400;"> que auxilie nos processos de filmagem e edição. Por se tratar de um escândalo não ficcional, os espectadores que fizeram uma pesquisa prévia do caso estão cientes que o longa cobre duas décadas de história. Aos que foram ao cinema às cegas, o filme não deixa pistas da passagem temporal dos anos 70 aos anos 90, muito menos pela armação de óculos de Adam Driver, que se mantém intacta durante toda ascensão e queda da marca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto base para </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i><span style="font-weight: 400;">, que parte do livro de Sara Gay Forden publicado em 2001, é um trabalho jornalístico bem elaborado que introduz todos os pontos da marca. Isso corrobora para o entendimento de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/moda-com-historia/gucci-familia-envolvida-em-assassinato-que-criou-um-imperio.phtml"><span style="font-weight: 400;">ascensão do império Gucci</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua queda ou a tentativa de transformação no Vaticano da Moda. O longa não dispensa essa contextualização, e nem poderia, mas seu desassossego em roteirizar o crime faz com que o legado e família que são essenciais à história não tenham equilíbrio.</span></p>
<figure id="attachment_25512" aria-describedby="caption-attachment-25512" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25512" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-gucci.jpg" alt="" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-gucci.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-gucci-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-gucci-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-gucci-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-gucci-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-gucci-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25512" class="wp-caption-text">No evento de lançamento de Casa Gucci, Lady Gaga <a href="https://www.youtube.com/watch?v=upIPQ9k2gKc&amp;ab_channel=LadyGagaReactions">declarou</a> não acreditar na glorificação de um assassinato, mas sim no empoderamento feminino (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo para a cozinha da casa, ambiente convidativo e familiar, é possível encontrar duas figuras chaves para o filme: Paolo Gucci e seu pai, Aldo. O primeiro, interpretado por Jared Leto, é o cúmulo do absurdo, e o personagem está em uma órbita que não pertence a </span><i><span style="font-weight: 400;">House of Gucci</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sua atuação é uma tentativa caricata de extravasar uma energia que não existe no filme. O ator se mostra preso a seu papel de Coringa, ao mesmo tempo que, se Leto tivesse interpretado o excêntrico italiano antes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/esquadrao-suicida-machismo-super-vilao/"><i><span style="font-weight: 400;">Esquadrão Suicida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, talvez o desastre não tivesse sido tão tenebroso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já Al Pacino na pele de Aldo Gucci consegue ser uma das poucas coisas que fazem o ingresso valer a pena. Apesar de suas roupas serem totalmente fora do alto padrão italiano, o personagem cumpre sua sina gananciosa. É em sua figura que o legado e a família, questões primordiais ao roteiro do filme, tomam forma. Do mercenarismo de Patrizia Reggiani à sonegação de impostos da Casa Gucci, tudo que vai além do romântico reflete na atuação natural do eterno </span><a href="https://culturadoria.com.br/por-que-o-poderoso-chefao-e-um-filme-tao-aclamado/"><span style="font-weight: 400;">Michael Corleone</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O próximo membro da família e chave mestra para o roteiro está em outro cômodo da casa. Ao abrirmos a porta do quarto, encontramos o pacato Maurizio Gucci, filho único de Rodolfo Gucci (esse muito bem dominado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/jeremy-irons/"><span style="font-weight: 400;">Jeremy Irons</span></a><span style="font-weight: 400;">) e herdeiro direto do império. Para encontrar </span><a href="https://personaunesp.com.br/historia-de-um-casamento-critica/"><span style="font-weight: 400;">Adam Driver</span></a><span style="font-weight: 400;"> nessa narrativa é necessário fazer o uso de luminol no ambiente. Um dos maiores atores de sua geração, Driver parece não caber dentro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i><span style="font-weight: 400;">. Seu personagem simpático e bonzinho não tem uma trajetória evolutiva convincente para seus atos dramáticos mais ao fim da produção. A narrativa da vítima tem espaço, pois Driver tem uma atenção magnética oriunda, do contrário, o protagonista se transformaria em coadjuvante.</span></p>
<figure id="attachment_25513" aria-describedby="caption-attachment-25513" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25513" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5-gucci.jpg" alt="" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5-gucci.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5-gucci-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5-gucci-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5-gucci-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5-gucci-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5-gucci-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25513" class="wp-caption-text">Apesar de vitais para a consolidação da Gucci, figuras como Tom Ford e Anna Wintour aparecem apenas como easter eggs (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No segundo quarto é o momento de fazer uma vistoria no </span><a href="https://ansabrasil.com.br/brasil/noticias/italianos/noticias/2021/03/08/conheca-a-sombria-historia-da-familia-gucci-que-vai-virar-filme_f5362e47-7cb6-418b-b348-975511557553.html"><span style="font-weight: 400;">assassinato de Maurizio</span></a><span style="font-weight: 400;"> Gucci. Segunda-feira, 27 de março de 1995. É com duas horas e meia de filme que o espaço temporal é delimitado. A partir daqui tudo é tosco, principalmente a câmera lenta de Dariusz Wolski usada no ápice da cena, tirando qualquer adrenalina que o momento poderia causar. A análise nesse cômodo nos leva a fazer mais alguns reparos no laudo de outro crime: de produção. O horário desse delito acontece na passagem do segundo para o terceiro ato, que ao entrar em sua progressão final, decai sem sua peça principal e mais chamativa. O filme não tem a menor salvação depois de uma hora e meia, tendo direito até a sequência de fuga com trilha sonora imitando os </span><i><span style="font-weight: 400;">Trapalhões</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, finalmente, chegamos no momento de periciar a sala da casa, lugar social de recepção. É aqui que se encontra a figura central do filme e que dá a ele todos os holofotes. A Patrizia Reggiani de </span><a href="https://personaunesp.com.br/born-this-way-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Lady Gaga</span></a><span style="font-weight: 400;"> começa como uma jovem encantada e vai se revelando uma verdadeira manipuladora explosiva. Em 2019, quando Gaga foi indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Atriz por </span><a href="https://personaunesp.com.br/nasce-uma-estrela-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nasce Uma Estrela</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela estava interpretando um arquétipo conveniente perante sua carreira consolidada como um dos maiores ícones </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Agora, ela enfrenta um papel fora de sua zona de conforto e faz isso com muita propriedade. Mesmo gastando todo o fôlego para tentar fingir o choro, Patrizia é o pilar que sustenta as quase três horas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A duração do filme não o torna cansativo, entretanto também não faz de </span><i><span style="font-weight: 400;">House of Gucci</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma produção memorável por sua qualidade. A pressa da direção de Ridley Scott em aproveitar o máximo de elementos da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y2ki8BN8hQ0&amp;t=780s&amp;ab_channel=DalenogareCr%C3%ADticas"><span style="font-weight: 400;">obra-mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixou pontas soltas por todos os atos e o apego criado na figura de Lady Gaga prejudica o momento em que a escolha é focar em Adam Driver. O ritmo cai sem Patrizia e seu autocentrismo. Sua participação ativa em todos os negócios da Gucci, e seu pensamento à frente para dominar a marca, tiram o forçado protagonismo nos outros membros da família. A partir disso, cada atitude tomada por eles se torna incompleta sem sua figura.</span></p>
<figure id="attachment_25514" aria-describedby="caption-attachment-25514" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25514" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6-gucci.jpg" alt="" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6-gucci.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6-gucci-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6-gucci-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6-gucci-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6-gucci-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6-gucci-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25514" class="wp-caption-text">A cena de sexo entre Gaga e Driver foi improvisada (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O laudo da perícia aponta os seguintes resultados. Primeiro: a </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mal-assombrada. Segundo: o filme sofreu uma overdose de elementos. O diretor tinha em suas mãos uma história gigante e um elenco maior ainda. Na ânsia de conciliar as duas grandezas, </span><a href="https://cinema10.com.br/personalidades/ridley-scott"><span style="font-weight: 400;">Ridley Scott</span></a><span style="font-weight: 400;"> tira mal proveito de ambos. Os </span><a href="https://vogue.globo.com/moda/noticia/2021/11/tudo-que-voce-precisa-saber-sobre-house-gucci-antes-de-assistir-house-gucci.html"><span style="font-weight: 400;">fantasmas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que vão desde a primeira geração do império, sejam eles pelo sobrenome amaldiçoado que a família carrega ou os mortos que o nome deixou, assombram a produção que soa como uma grande história inacabada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O plano malévolo de Patrizia, que foi premeditado por anos ao lado de Pina (</span><a href="https://personaunesp.com.br/eternos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Salma Hayek</span></a><span style="font-weight: 400;">), se faz do dia pra noite, e o círculo de legado e família mais uma vez não se fecha. Pouco, ou praticamente nada, é explorado da protagonista depois do crime, mesmo ela sendo conhecida pela alcunha de viúva negra por conta do episódio. Antes mesmo disso, o filme não mostra a ruptura do casal, e segue por difíceis minutos apenas com indícios do divórcio.</span></p>
<figure id="attachment_25515" aria-describedby="caption-attachment-25515" style="width: 2298px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25515" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7-gucci.png" alt="" width="2298" height="1402" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7-gucci.png 2298w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7-gucci-800x488.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7-gucci-1024x625.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7-gucci-768x469.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7-gucci-1536x937.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7-gucci-2048x1249.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7-gucci-1200x732.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25515" class="wp-caption-text">A entrega à personagem de Patrizia foi tamanha que ao passar pelo local do assassinato, Lady Gaga chegou a pensar: “O que foi que eu fiz?” (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o maior inimigo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i><span style="font-weight: 400;"> é seu próprio ego. O filme sofre de uma produção que tem muito a oferecer e acaba se perdendo. Potencial, elenco e direção não são problemas à primeira vista. Mas todos saem culpados desse crime. Não é à toa que até o encosto de Patrizia Reggiani &#8211; que está viva, por sinal &#8211; decidiu aparecer no </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><span style="font-weight: 400;">para </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/house-gucci-lady-gaga-teve-acompanhamento-psiquiatrico-durante-filmagens-entenda/"><span style="font-weight: 400;">assombrar Lady Gaga</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ridley Scott, que também lançou </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/o-ultimo-duelo/"><i><span style="font-weight: 400;">O Último Duelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> este ano, faz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i><span style="font-weight: 400;"> seu cavalo branco para a temporada de premiações. Se o legado de Gucci chegará ao tapete vermelho, apenas os indicados aos prêmios que antecedem o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> poderão trazer uma noção. Por livre especulação, acredita-se que Lady Gaga e suas oitenta páginas biográficas levam ao menos a nomeação. A extrapolação do queridinho Jared Leto também deve encontrar espaço nas listas. O maior mérito fica nas </span><a href="https://www.aficionados.com.br/glossario-do-oscar-entenda-categoria-premiacao/"><span style="font-weight: 400;">categorias técnicas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já Adam Driver tem sérios riscos de morrer na escadaria tal qual Maurizio Gucci. Será que é isso que a artista chama de </span><a href="https://acabouempizza.com/pai-filho-e-casa-gucci-lady-gaga-brilha-e-honra-suas-raizes-italianas/"><span style="font-weight: 400;">empoderamento feminino</span></a><span style="font-weight: 400;">? Penso que seja apenas a reação ao criminoso </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/casa-gucci-critica/">Lady Gaga exorciza Casa Gucci</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/casa-gucci-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">25507</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
