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	<title>Arquivos Stop-Motion &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Menos inteligente, A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets pisoteia em ovos</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Sep 2024 19:18:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: o texto contém spoilers. Davi Marcelgo   Depois de uma odisseia que durou 23 anos, o criativo A Fuga das Galinhas (2000) ganhou uma sequência. O longo percurso para a continuação sair do papel foi resultado de muitos fatores: o fim da parceria entre Aardman Animations e Dreamworks em 2006, a pandemia da covid-19, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-fuga-das-galinhas-a-ameaca-dos-nuggets-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Menos inteligente, A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets pisoteia em ovos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso:</i><i><span style="font-weight: 400;"> o texto contém spoilers.</span></i></b></p>
<figure id="attachment_33940" aria-describedby="caption-attachment-33940" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33940" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1.jpg" alt="Cena do filme A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos NuggetsNa imagem, os personagens do filme estão reunidos comemorando o nascimento do pintinho Molly. Ginger e Rocky seguram Molly no colo. Ginger é uma galinha ruiva, tem olhos verdes, usa boina verde e lenço branco amarrado no pescoço. Rocky é um galo de cores laranja e vermelho escuro, ele tem olhos castanhos escuros e usa um lenço azul com bolinhas brancas amarrado no pescoço. Molly é um pintinho amarelo, com olhos azuis e crista roxa. Ela está sentada em uma casca de ovo. Ao redor deles, tem mais 3 galinhas e um galo. O galo é Fowler, ele é mais velho, tem sobrancelhas grossas e coloração azul e branca. Ele segura um bastão dourado e tem um lenço branco amarrado no pescoço. Na sua direita, está Babs, ela está uma galinha de cor bege, com crista azul penteada para baixo como uma franja. Ela está tricotando crochê vermelho e usa um colar de pérolas rosa. Na esquerda de Rocky, estão Bunty e Mac. Mac é uma galinha branca, usa óculos e lenço xadrez na cor amarela amarrado no pescoço. Bunty é uma galinha na cor vinho e usa um colar de bolinhas azuis. Ao fundo, há uma vila, com árvores, gramas e casas de palha. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33940" class="wp-caption-text">O elenco principal tem novos dubladores: Zachary Levi e Thandiwe Newton dão vida a Rocky e Ginger (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo </b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de uma odisseia que durou 23 anos, o criativo </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga das Galinhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2000) ganhou uma sequência. O longo percurso para a continuação sair do papel foi resultado de muitos fatores: o </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/fuga-das-galinhas-2-por-que-o-novo-filme-demorou-mais-de-20-anos-273269/"><span style="font-weight: 400;">fim da parceria</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Aardman</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Animations </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Dreamworks</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2006, a pandemia da covid-19, a troca de elenco devido às </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/mel-gibson-usa-expressoes-racistas-contra-ex-namorada-2984800"><span style="font-weight: 400;">polêmicas envolvendo racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte de Mel Gibson – dublador do personagem Rocky em 2000 –, além do custo e da necessidade de uma equipe maior para a produção. Sem um grande estúdio por trás, a história das aves ficou sem um novo voo por mais de duas décadas. Em 2020, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">anunciou a continuação, </span><a href="https://youtu.be/oxYQb-WxPPk?si=umjWc6gXWF2cBP8Q"><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas será que ela mantém a qualidade do primeiro filme? </span></p>
<p><span id="more-33939"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A resposta é: nem tanto. A animação em </span><a href="https://youtu.be/nD_xcLLmM08?si=_F2IfM4sLC40IWk_"><i><span style="font-weight: 400;">stop motion</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">continua linda, cheia de detalhes e com todos os atributos que sintetizam o cuidado dos profissionais e animadores. No comando do diretor </span><a href="https://isabelaboscov.com/2006/12/13/por-agua-abaixo/"><span style="font-weight: 400;">Sam Fell</span></a><span style="font-weight: 400;">, a diferença mais gritante são as cores, mais vivas e festivas, que conseguem captar muito bem o espírito de liberdade e da utopia celebrada pelas galinhas remanescentes que escaparam da fazenda da Sra. Tweedy (Miranda Richardson). Tal estética se opõe à Fotografia do filme antecessor, rodado por Nick Park e Peter Lord, que é escura, com aspecto sujo e ‘melequento’, sem nenhum tipo de entusiasmo. Afinal, as descendentes dos dinossauros sobreviveram de um espaço sanguinário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ameaça dos Nuggets</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ginger (Thandiwe Newton) e Rocky (</span><a href="http://personaunesp.com.br/shazam-critica/"><span style="font-weight: 400;">Zachary Levi</span></a><span style="font-weight: 400;">) desfrutam da independência e da família, porém, a filha do casal, Molly (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-1a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bella Ramsey</span></a><span style="font-weight: 400;">), começa a idealizar um mundo melhor para além da ilha em que vivem. No entanto, eles mal sabem que uma antiga inimiga ainda comanda a região. Os problemas do longa começam quando Molly é levada para a fábrica de </span><i><span style="font-weight: 400;">nuggets</span></i><span style="font-weight: 400;"> da Sra. Tweedy. A textura bucólica se torna metálica, de acordo com o espaço em cena. Contudo, para além do campo, as cores ainda continuam muito salteadas e todo pânico por ter a morte ao lado se esvai junto com a fumaça de ‘franguinho’ na panela. As cores, do diretor de Fotografia Charles Copping, não comunicam de forma coerente. </span></p>
<figure id="attachment_33941" aria-describedby="caption-attachment-33941" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33941" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2.jpg" alt="Cena do filme A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos NuggetsNa cena, Molly está andando com expressão de zangada, enquanto Rocky e Ginger estão atrás com expressão de chateados. Ginger é uma galinha ruiva, usa boina verde e lenço branco amarrado no pescoço. Rocky é um galo de cores laranja e vermelho escuro, ele tem olhos castanhos escuros e usa um lenço azul com bolinhas brancas amarrado no pescoço. Molly é uma galinha ainda criança, de cor amarela, boina verde, lenço roxo com um detalhe em vermelho, olhos azuis e crista vermelha e roxa. Ao fundo, há uma vila, com árvores, flores, gramas e casas de palha. " width="1999" height="1099" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-800x440.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-1024x563.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-768x422.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-1536x844.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-1200x660.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33941" class="wp-caption-text">A vila das galinhas demorou em torno de dois anos para ser construída (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fábrica, embora seja maior e tenha um modelo de produção em larga escala, não consegue transmitir a mesma ameaça da pequena granja da animação de 2000. Além das cores, há outros dois motivos, sendo eles o humor e a decupagem. As ‘piadinhas’ continuam visuais, muitas vezes, partindo do corpo dos bonecos de ‘massinha’, porém, grande parte dos personagens são bem ‘bobinhos’ e infantilizados, lembrando </span><a href="http://personaunesp.com.br/shaun-o-carneiro-o-filme-a-fazenda-contra-ataca-critica/"><span style="font-weight: 400;">Shaun, o carneiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, também da </span><i><span style="font-weight: 400;">Aardman</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A animação ser infantil não é um pecado, mas a técnica não é exclusiva para crianças e, olhando em retrocesso, a direção da dupla de criadores e o texto possuíam um humor mais inteligente e ácido. Exemplo desse tom é a cena cuja comicidade é um detalhe; Babs (</span><a href="https://cinema10.com.br/personalidades/jane-horrocks"><span style="font-weight: 400;">Jane Horrocks</span></a><span style="font-weight: 400;">) costura uma corda de forca com tricô. Para mais, há a descrença da Sra. Tweeny na capacidade das galinhas planejarem um complô, registrada na fala: “S</span><i><span style="font-weight: 400;">ão as criaturas mais burras do planeta. Elas não pensam, não tramam e não estão organizadas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O quadro seguinte imediatamente mostra Ginger pedindo por ordem. Tal contradição e uma galinha pensando em morte são risíveis. </span></p>
<figure id="attachment_33942" aria-describedby="caption-attachment-33942" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33942" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3.jpg" alt="Cena do filme A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos NuggetsNa imagem, Rocky está com a expressão de convencido, parado numa hélice de sistema de ventilação. Ele é um galo de cores laranja e vermelho escuro, ele tem olhos castanhos escuros e usa um lenço azul com bolinhas brancas amarrado no pescoço. Do lado direito, estão 2 ratos. Um deles é mais magro, está sorrindo e olhando para Rocky enquanto encosta dois fios vermelhos, produzindo faísca. Ele tem cor cinza, focinho comprido, veste uma roupa verde e usa boina. O outro, está olhando para os fios com expressão de assustado. Ele também tem cor cinza e focinho comprido e usa um terno amarelo com a gravata feita de zíper. A ventilação tem 3 hélices e é prateada. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33942" class="wp-caption-text">O filme foi direto para o streaming e não teve exibições nos cinemas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo motivo é a decupagem de cena; a forma como </span><a href="https://youtu.be/K7gdWIY9R4s?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Park</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Lord evocam uma sensação de perigo e desilusão usando sombras e a percepção dos sentidos humanos não presentes na sequência. Como exemplo, a cena em que, após a Sra. Tweedy </span><a href="https://youtu.be/TTRVSnvtrEk?si=FpIQ2BfK6hOzxYcq"><span style="font-weight: 400;">escolher</span></a><span style="font-weight: 400;"> qual galinha vai matar, ela coloca luvas na cor vermelha. O som é um estalo forte do elástico no punho somado ao corvejo de corvos. Então, a porta se abre e, a partir do campo de visão na altura de uma galinha, vemos um machado enfincado num tronco. Ginger está acompanhando tudo de longe, incapaz de fazer algo e com a expressão de medo. A vilã empunha a arma e só enxergamos as sombras. A morte é confirmada pelo som do machado. A cena finaliza com pássaros brandos sobrevoando a granja. Depois, a câmera passeia pela mesa de jantar: ali, há restos de um frango assado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Machado, luva vermelha, pássaros voando, todos os objetos em cena são abstraídos dos seus sentidos literais e ressignificados através das simbologias de liberdade, prisão e morte de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga das Galinhas.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Nick Park e Peter Lord querem que você tenha asas e um bico. A </span><a href="https://youtu.be/fwgH_RM0QuM?si=Vv1KIGYke1ta21xl"><span style="font-weight: 400;">icônica cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que Ginger e Rocky invadem a máquina de tortas lembra o inferno. Ela é toda ‘melequenta’, cheia de fogo e com um ar de impossibilidade de escapar, além de ter sido filmada com muita frenesia, movimento e caos. Já a direção de Fell não consegue por um minuto sequer nos colocar em uma grelha de churrasco. Tudo é muito ‘limpinho’: sem estímulos e grandes inspirações.</span></p>
<figure id="attachment_33944" aria-describedby="caption-attachment-33944" style="width: 1324px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33944" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5.jpg" alt="Cena do filme A Fuga das GalinhasNa imagem, Ginger e outras galinhas encaram a câmera com tristeza enquanto chove. Ginger é uma galinha ruiva, tem olhos verdes, usa boina verde e lenço branco amarrado no pescoço. As outras galinhas estão ao fundo, desfocadas. O cenário é de uma granja. " width="1324" height="714" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5.jpg 1324w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1024x552.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1200x647.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33944" class="wp-caption-text">Custando 45 milhões de dólares, o primeiro stop motion da Dreamworks lucrou 220 milhões de dólares e causou mudanças no Oscar (Foto: Aardman Animations)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de 2023 pelo menos entende a </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/a-fuga-das-galinhas-e-mesmo-um-filme-comunista-273451/"><span style="font-weight: 400;">alegoria marxista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a de campos de concentração pretendida pela história das penosas, continuando essas ideias. Molly foge da vila porque acha que a grama do outro lado é mais verde. Ginger a proíbe de sair, mas esconde todo o passado cruel que viveu. A necessidade de avisar as novas gerações sobre opressores e formas de extermínio é uma temática e tanto. Porém, o enredo, roteirizado por Karey Kirkpatrick, John O&#8217;Farrell e Rachel Tunnard, verbaliza outra resposta: a protagonista perdoa a filha por achar que ela tem o mesmo espírito de liberdade. Dessa forma, resumiram uma narrativa política em uma condição determinista fajuta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até a escolha do retorno da antagonista teria mais força sem essa linha de diálogo. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga das Galinhas</span></i><span style="font-weight: 400;">, a origem do nome das tortas é exposta no seguinte diálogo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">a torta de galinhas feita em casa pela senhora Tweedy</span></i><span style="font-weight: 400;">” e justificado pelo argumento  “</span><i><span style="font-weight: 400;">toque feminino, o público se sente mais confortável</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Criando uma alegoria com a manipulação que empresas e sistemas fazem com as </span><a href="https://youtu.be/F98LqQt0Rd8?si=76p-TG7QG3yVUY-A"><span style="font-weight: 400;">massas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Disfarçam todo sangue derramado com propagandas felizes e acolhedoras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na sequência, que apresenta a mesma inimiga, mas, dessa vez, em outra roupagem, com maquiagem, roupas chiques e um novo corte de cabelo, é infeliz a falta de tato ou até limitações coagidas pela produção (dificilmente saberemos) em não criar paralelos sobre ressurgimento de ideais nazi-fascistas, grupos extremistas que não utilizam nomes e discursos </span><a href="https://youtu.be/2tMuOxFSmpQ?si=A8M7tO8AK2n5P0BO"><span style="font-weight: 400;">racistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou homofóbicos explícitos para não soarem malignos – ainda que continuem sendo –, ou organizações disfarçadas de salvadoras da família, com políticos trajados em túnicas cristãs. As ideias estão todas ali e, infelizmente, o filme não faz um exercício maior sobre elas, criando cenas de arrepiar e sentir nojo. Não é exagero pedir isso do filme ou de uma animação, porque seu antecessor sabia muito bem o que estava fazendo. </span></p>
<figure id="attachment_33943" aria-describedby="caption-attachment-33943" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33943" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4.jpg" alt="Cena do filme A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos NuggetsNa imagem, estão as personagens Senhora Tweedy e Ginger. Tweedy está em uma escada de vidro e Ginger está escondida embaixo com expressão assustada. Ela é uma galinha ruiva, usa boina verde e lenço branco amarrado no pescoço. A senhora Tweedy é uma mulher adulta, branca. Seus cabelos são pretos e estão presos para cima com uma tiara. Ela veste uma roupa roxa, luvas, calça escura e luvas vermelhas. " width="1999" height="1106" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-800x443.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1024x567.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-768x425.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1536x850.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1200x664.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33943" class="wp-caption-text">A cena da escada de vidro foi uma das mais difíceis de fazer (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto interessante das escolhas narrativas do longa original é o galo idoso Fowler (a voz de Benjamin Whitrow foi substituída pela de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Bradley</span></a><span style="font-weight: 400;">), que é responsável por pilotar o avião de fuga, ajudando a ‘galinhada’ a escapar do sítio. O roteiro defende que a revolução só pode acontecer com todo mundo. Independente da faixa etária, todos são importantes. Entretanto, em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ameaça dos Nuggets</span></i><span style="font-weight: 400;">, o personagem é reduzido à inutilidade, ou seja, tem zero impacto na trama e é visto pelos outros personagens como um peso morto. A coincidência é que Julia Sawalha, dubladora original de Ginger, declarou em suas redes sociais que não voltaria para a sequência, pois sua voz estaria “</span><a href="https://www.techtudo.com.br/noticias/2023/12/a-fuga-das-galinhas-e-feito-de-massinha-7-curiosidades-sobre-a-sequencia-streaming.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">velha demais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. Ela afirmou também que não foi chamada para testes de elenco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro filme é uma </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/como-a-fuga-das-galinhas-mudou-a-historia-do-oscar-para-sempre"><span style="font-weight: 400;">obra-prima</span></a><span style="font-weight: 400;"> das animações, tem uma unidade de ideias e linguagem bem alinhadas. Tudo está em tela por um motivo. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets </span></i><span style="font-weight: 400;">não consegue alcançar a magnitude do seu antecessor, embora continue charmoso e divertido. Personagens são descartados, algumas escolhas são questionáveis e a animação fica mais quadrada, nos moldes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sam Fell acaba fazendo apenas omelete sem tempero, mesmo com tantos ovos bons, que poderiam fazer bolos, tortas e, quem sabe, uma revolução. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-fuga-das-galinhas-a-ameaca-dos-nuggets-critica/">Menos inteligente, A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets pisoteia em ovos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Marcel the Shell with Shoes On: Nos menores frascos, estão os maiores corações</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Mar 2023 19:47:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Desde que o gênero mockumentary caiu nas graças do público, a vertente buscou explorar os contextos mais improváveis, indo de uma empresa de papel da Filadélfia, passando por um grupo de vampiros em Staten Island e chegando na vida de um excêntrico repórter cazaque aterrissando nos Estados Unidos. Naturalmente vinculado à comédia, é &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/marcel-the-shell-with-shoes-on-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Marcel the Shell with Shoes On: Nos menores frascos, estão os maiores corações"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30062" aria-describedby="caption-attachment-30062" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30062" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-The-Shell-with-Shoes-On-Imagem-1-800x533.jpg" alt="Cena do filme Marcel the Shell With Shoes On. Nela, vemos um personagem Marcel, uma concha do tamanho de uma polegada em cor nude com um olho onde era para ser sua abertura, uma boca e sapatos com a ponta vermelha. Ele está sobre um computador, olhando para a tela e boquiaberto." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-The-Shell-with-Shoes-On-Imagem-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-The-Shell-with-Shoes-On-Imagem-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-The-Shell-with-Shoes-On-Imagem-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-The-Shell-with-Shoes-On-Imagem-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-The-Shell-with-Shoes-On-Imagem-1-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-The-Shell-with-Shoes-On-Imagem-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30062" class="wp-caption-text">Marcel the Shell with Shoes On é o resultado de mais de 10 anos de amor pelo personagem mais amoroso do audiovisual recente (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde que o gênero </span><a href="https://collider.com/best-mockumentaries-movies-21st-century/#borat-subsequent-moviefilm-2020"><i><span style="font-weight: 400;">mockumentary</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> caiu nas graças do público, a vertente buscou explorar os contextos mais improváveis, indo de uma empresa de papel da Filadélfia, passando por um </span><a href="https://personaunesp.com.br/what-we-do-in-the-shadows-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">grupo de vampiros</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Staten Island e chegando na vida de um excêntrico </span><a href="https://personaunesp.com.br/borat-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">repórter cazaque</span></a><span style="font-weight: 400;"> aterrissando nos Estados Unidos. Naturalmente vinculado à comédia, é de praxe que falsos-documentários abracem o </span><i><span style="font-weight: 400;">nonsense</span></i><span style="font-weight: 400;"> e joguem fora toda a busca por credibilidade. Porém, é da premissa mais absurda que o produto é tratado de forma mais séria.</span></p>
<p><span id="more-30061"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">Marcel the Shell with Shoes On</span></i><span style="font-weight: 400;">, nova aposta da </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=a24"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a primeira do estúdio envolvendo animação, se desenvolve. Misturando </span><i><span style="font-weight: 400;">live action </span></i><span style="font-weight: 400;">com </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra acompanha Marcel, uma adorável concha do mar antropomórfica com um olho e que veste sapatos, vivendo sua vida em um </span><i><span style="font-weight: 400;">Airbnb</span></i><span style="font-weight: 400;"> com sua avó. Após um documentarista se hospedar nessa casa e descobrir os inquilinos, Marcel ganha fama repentina e usa dela para encontrar sua família. Apesar de extremamente descolado da realidade e tendo um pano de fundo que beira o infantil, o falso-documentário é extremamente maduro e consegue transformar a jornada da concha para um debate sobre os sentimentos humanos de forma muito singela.</span></p>
<figure id="attachment_30063" aria-describedby="caption-attachment-30063" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30063 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-The-Shell-with-Shoes-On-Imagem-2-800x450.png" alt="Cena de Marcel the Shell with Shoes On. Nela, vemos Marcel e Connie, sua avó que também é uma concha, um pouco maior que Marcel, com um olho do lado direito, já com sinais de idade e sapatos. Eles estão sob um notebook, em duas almofadas feitas com algodões. No notebook e na mesa, há pipocas espalhadas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-The-Shell-with-Shoes-On-Imagem-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-The-Shell-with-Shoes-On-Imagem-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-The-Shell-with-Shoes-On-Imagem-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-The-Shell-with-Shoes-On-Imagem-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-The-Shell-with-Shoes-On-Imagem-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-The-Shell-with-Shoes-On-Imagem-2.png 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30063" class="wp-caption-text">Marcel conta com três curtas no Youtube que somam aproximadamente 53 milhões de visualizações, além de dois livros infantis (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo levando o selo da </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;">, que hoje é </span><a href="https://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/11815-a24-a-produtora-que-virou-protagonista-dos-cinemas"><span style="font-weight: 400;">sinônimo de excelência</span></a><span style="font-weight: 400;">, vale lembrar que a obra se trata de uma produção independente. Tanto que o longa foi concebido em 2021, circulando por festivais até ser adquirido pela produtora no começo de 2022 e só chegou ao circuito comercial, de forma muito limitada, na segunda metade do ano. Mas, assim como os outros produtos envolvendo a concha, a obra ganhou o mundo de forma orgânica, graças a sua fofura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção cinematográfica é a convergência de duas origens. Inicialmente, o personagem surgiu a partir de uma voz que Jenny Slate (a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JaHsDpf1Ufs&amp;ab_channel=ParksandRecreation"><span style="font-weight: 400;">Mona-Lisa Saperstein</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Parks and Recreation</span></i><span style="font-weight: 400;">) criou</span> <span style="font-weight: 400;">quando ela mantinha um relacionamento com o estreante diretor Dean Fleischer Camp. A voz tomou forma e, em 2010, um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VF9-sEbqDvU&amp;ab_channel=DeanFleischer-Camp"><span style="font-weight: 400;">curta</span></a><span style="font-weight: 400;">, com mesmo nome do filme, se tornou viral no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;">. É aí que </span><i><span style="font-weight: 400;">Marcel the Shell with Shoes On </span></i><span style="font-weight: 400;">rompe a linha tênue entre falso-documentário e documentário, pois o longa, em uma coincidência metalinguística, usa do gênero para expandir uma história que, de certa forma, aconteceu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de usar do gênero documental para jogar o telespectador na visão de Marcel (seja essa visão de ou do mundo) foi um artifício muito inteligente. Aliado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção de Liz Toonkel, o dia a dia da concha em um ambiente totalmente desproporcional ao seu tamanho nos remete ao sentimento de deslumbramento e nostalgia de </span><a href="https://oquartonerd.com.br/como-toy-story-mudou-os-filmes-de-animacao/"><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wlo-sYrADlw&amp;ab_channel=RottenTomatoesClassicTrailers"><i><span style="font-weight: 400;">O Pequeno</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Stuart Little</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. E no momento em que o documentarista &#8211; que na obra também é o próprio diretor Dean Flescher Camp &#8211; se coloca a disposição para aprender a forma como o personagem enxerga a vida, ele evidencia que iremos entender a vida por aquela ótica.</span></p>
<figure id="attachment_30064" aria-describedby="caption-attachment-30064" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30064 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-the-Shell-with-Shoes-On-Gif-3.gif" alt="Gif de Marcel The Shell with Shoes On. Nele, Marcel está sobre o notebook enquanto gesticula, falando com a câmera. É possível perceber que ela está sobre a tecla Z, pois ao fundo a tela do computador está com um documento aberto, onde a letra Z aparece sendo digitada repetidamente." width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-30064" class="wp-caption-text">A forma como Marcel lida com as diferenças de proporção e como a obra usa disso para fazer piada é um dos maiores trunfos da produção (GIF: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, se engana quem pensa que, por ser uma animação, o filme seja necessariamente </span><a href="https://personaunesp.com.br/animacao-oscar-artigo/#more-29933"><span style="font-weight: 400;">infantil</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa possui uma base que pende para a melancolia e abrange uma gama vasta de assuntos através de seu texto, dividido entre Dean, Jenny e Nick Paley. É natural das animações usarem da aventura como fio condutor e a partir dela discutir temas, a exemplo do também indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/red-crescer-e-uma-fera-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Red: Crescer é uma Fera</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que usa da jornada de reverter uma maldição familiar para discorrer sobre a relação mãe e filha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui é ao contrário: a aventura está em segundo plano, sequer aparecendo realmente, fazendo com que o filme se contrua a partir de suas reflexões sobre relações familiares, aproximação e distanciamento, o passar do tempo, pertencimento e até mesmo a midiatização de personas. Mas, sem dúvidas a maior mensagem é sobre saber enxergar felicidades nas pequenas coisas, e isso é personificado no próprio Marcel: um ser tão </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vTmymtd5gZ0&amp;ab_channel=CBSSundayMorning"><span style="font-weight: 400;">pequeno</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fofo, mas que carrega todos os sentimentos consigo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda essa personificação é mérito de Jenny Slate. O fato do protagonista ser um personagem masculino e infantil exige um pouco mais de sua dubladora. Mas o que deixa tudo mais desafiador é que o </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">idealizado para a concha por Dean, tem pouquíssima expressão. Felizmente, Slate carrega todo o sentimentalismo da obra através de uma voz única e afetuosa, mesclando ingenuidade, curiosidade, esperança e conformismo, tornando o personagem-título uma das figuras mais adoráveis do Cinema no último ano. Vale destacar também o trabalho de Isabella Rossellini (</span><a href="https://www.planocritico.com/critica-veludo-azul/"><i><span style="font-weight: 400;">Veludo Azul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">)</span> <span style="font-weight: 400;">interpretando a avó Connie e seu sotaque inconfundível que, segundo Marcel, acontece porque </span><i><span style="font-weight: 400;">ela não é daqui &#8211; é da garagem</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30065" aria-describedby="caption-attachment-30065" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30065 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-the-Shell-with-Shoes-On-Imagem-4-800x539.png" alt="Cena de Marcel the Shell with Shoes On. Nela vemos Marcel sob um mapa. Ele olha em direção a câmera enquanto fala com ela. Ao seu lado, há um pin vermelho fincado no mapa e mais ao canto da imagem, um lápis em madeira na cor amarela e com uma borracha vermelha na ponta" width="800" height="539" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-the-Shell-with-Shoes-On-Imagem-4-800x539.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-the-Shell-with-Shoes-On-Imagem-4-1024x690.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Marcel-the-Shell-with-Shoes-On-Imagem-4-768x517.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30065" class="wp-caption-text">A personalidade fofa da concha a selou como uma das figuras mais adoráveis da cultura pop (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O conjunto de acertos da produção convergiu em um sucesso natural, o que fez com que a obra figurasse no alto escalão da temporada, a colocando como candidata ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Animação. Porém, apesar de sua qualidade inegável, ele chegou a ser dúvida na lista final. A Academia considera animação longa-metragem uma produção com mais que 70 minutos e que seja preenchida por pelo menos 75% do seu tempo com técnicas de animação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os 90 minutos de longa, sustentados majoritariamente por um único personagem em meio ao mundo real, causaram a tensão de talvez não se enquadrar nos moldes dos votantes. Por sorte, o pseudo-documentário integrou a categoria. A competição é bem acirrada; em um ano de </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-03-06/a-pixar-ja-nao-e-mais-a-mesma.html"><span style="font-weight: 400;">não dominância</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele disputa com o favorito </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pinóquio por Guillermo del Toro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a surpresa </span><i><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas 2: O Último Desejo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas esse cenário é resultado de uma das melhores e mais diversa lista do gênero em anos.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k98Afd7Nf3Y&amp;ab_channel=A24"><i><span style="font-weight: 400;">Marcel the Shell with Shoes On</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um poço de originalidade e mostrou ir muito mais além do que a que veio. O longa propositalmente deixa de lado a discussão sobre a existência daquela concha falante para transformá-la em uma reflexão sobre nossa própria existência. Dessa forma, mais do que antropomorfizar um objeto marinho, ele dá rosto para nossos sentimentos, personificados em alguém que, apesar de absurdo, é um retrato perfeito do que é viver à deriva desse oceano de sensações que é a vida.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Marcel The Shell With Shoes On | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/k98Afd7Nf3Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Persona Entrevista: César Cabral</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Nov 2021 22:36:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Diretor de Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente conta de seu trabalho com a obra do cartunista Angeli, e explica porque o punk permanece relevante até hoje João Batista Signorelli Raro exemplar de longa-metragem realizado com a técnica de stop-motion no Brasil, Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente foi um dos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-cesar-cabral/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: César Cabral"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;">Diretor de Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente conta de seu trabalho com a obra do cartunista Angeli, e explica porque o punk permanece relevante até hoje</span></i></p>
<figure id="attachment_24862" aria-describedby="caption-attachment-24862" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24862 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-persona-entrevista-wordpress.jpg" alt="Arte do Persona Entrevista com César Cabral. À esquerda, o nome do quadro está na vertical em quatro linhas, duas brancas e pretas. No centro, há uma fotografia recortada em preto e branco de César, um homem branco que tem por volta de 50 anos, que usa uma camisa social preta. À direita, há o poster do filme Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente, e, em cima, o nome do diretor em preto." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-persona-entrevista-wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-persona-entrevista-wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-persona-entrevista-wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24862" class="wp-caption-text">O Persona entrevista César Cabral, diretor da premiada animação em stop-motion Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente (Foto: Vitrine Filmes/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Raro exemplar de longa-metragem realizado com a técnica de </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente </span></i><span style="font-weight: 400;">foi um dos grandes destaques da 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, chegando ao Brasil já com um prêmio em mãos, da Mostra Contraponto do Festival de Cinema de Animação Annecy. O Persona </span><a href="https://personaunesp.com.br/bob-cuspe-nos-nao-gostamos-de-gente-critica/"><span style="font-weight: 400;">assistiu ao filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com muito prazer retoma o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">quadro de entrevistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para conversar com o diretor César Cabral, que também é sócio-fundador da </span><a href="http://www.coalafilmes.com.br/Home.aspx"><span style="font-weight: 400;">Coala Filmes</span></a><span style="font-weight: 400;">, produtora paulistana focada em produzir animações em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion. </span></i></p>
<p><span id="more-24852"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de explorar a obra do cartunista </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IbSL_7Gms2Y&amp;"><span style="font-weight: 400;">Angeli</span></a><span style="font-weight: 400;"> em vários de seus projetos, antes de fundar uma produtora de animação, e antes mesmo de receber o seu diploma em Cinema pela Universidade de São Paulo, Cabral estudou Física por cerca de três anos. Foi o tempo que levou para perceber que não era aquilo que queria levar como trabalho e  profissão, o que o fez largar aquela graduação e prestar para o curso de Cinema (atualmente chamado de Audiovisual), onde teve aula com excelentes professores e grandes nomes como </span><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/jean-claude-bernardet-um-critico-contra-estetica-da-miseria/"><span style="font-weight: 400;">Jean-Claude Bernardet</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/visoes-em-cena/"><span style="font-weight: 400;">Ismail Xavier</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda sem recursos digitais, César Cabral iniciou seu primeiro experimento em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion </span></i><span style="font-weight: 400;">com um rolinho de película que recebera da faculdade para um exercício de filmagem. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“É engraçado como as coisas dão voltas: eu lia muito histórias em quadrinhos, gostava muito de desenhar, mas nunca imaginava trabalhar diretamente com (&#8230;) o universo da animação.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Da animação em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion </span></i><span style="font-weight: 400;">brasileira, dois curtas marcaram e influenciaram o seu trabalho: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CTj_oR4QamU"><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein Punk</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v0NgsfkvLVE&amp;t=4s"><i><span style="font-weight: 400;">Garota das Telas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ambos realizados por Cao Hamburger e Eliane Fonseca. </span><i><span style="font-weight: 400;">“‘Se eles fizeram isso lá nos anos 80’, eu pensava assim &#8211; a ingenuidade &#8211; ‘eu consigo fazer isso nos anos 90’”</span></i> <span style="font-weight: 400;">relembra o diretor. Procurando pessoas que gostavam de modelar, ele acabou conhecendo Olyntho Tahara, seu futuro sócio na produtora Coala Filmes. Já nesse primeiro exercício que se tornou um ‘curtinha’, César começou a explorar o mundo dos quadrinhos da </span><a href="https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/30326"><i><span style="font-weight: 400;">Chiclete com Banana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que lia em sua adolescência, criando um duelo de faroeste entre os palhaços mudos, criação da cartunista </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-laerte-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Laerte</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/CWa94lHrUij/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
<div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/CWa94lHrUij/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> </p>
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<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/CWa94lHrUij/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by Coala Filmes (@coalafilmes_)</a></p>
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</blockquote>
<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o final do curso, ele já começou a ir atrás de trabalhos em publicidade, onde, prestando serviços de assistência em produtoras, encontrava espaço para a construção de maquetes, cenários, bonecos, ou até mesmo animação. Foi um período para aprender e descobrir como fazer </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma área que não tem mercado e poucos profissionais atuantes. Entre 2004 e 2005, começou a se desenvolver a Coala Filmes, onde escreveu o projeto para o curta-metragem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kChPtNfGQGI"><i><span style="font-weight: 400;">Dossiê Rê Bordosa</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O Dossiê é o início do que virou o Bob Cuspe de certa maneira.” </span></i><span style="font-weight: 400;">E foi ali que César Cabral enveredou para o audiovisual, se afastando da publicidade e acompanhando a alavancada que a ANCINE iniciava naquele momento. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Foi um período que o fundo setorial entra e começa a fomentar toda a produção audiovisual, acabou possibilitando que a gente fizesse séries e o longa. A gente vai fazer um segundo mas… estamos no primeiro” </span></i><span style="font-weight: 400;">sinaliza o diretor, já gerando a expectativa para uma sequência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando referências que vão dos </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters </span></i><span style="font-weight: 400;">americanos que cresceu assistindo, aos lançamentos que acompanhou nos cinemas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s7EdQ4FqbhY"><i><span style="font-weight: 400;">Pulp Fiction</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, além de clássicos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nouvelle Vague </span></i><span style="font-weight: 400;">que via na Cinemateca na época da faculdade, César Cabral recheou </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe</span></i><span style="font-weight: 400;"> de homenagens de forma consciente e inconsciente. Se citações a filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oR_e9y-bka0&amp;"><i><span style="font-weight: 400;">2001 &#8211; Uma Odisseia no Espaço</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S014oGZiSdI"><i><span style="font-weight: 400;">O Iluminado</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">são mais explícitas, o diretor se surpreendeu ao re-assistir </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9eZgEKjYJqA"><i><span style="font-weight: 400;">Poltergeist &#8211; O Fenômeno</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e descobrir um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=03lup3cS6GY"><i><span style="font-weight: 400;">zoom </span></i><span style="font-weight: 400;">com </span><i><span style="font-weight: 400;">travelling</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em um corredor muito igual ao que fez na cena em que Angeli se aproxima de uma porta para encontrar Laerte. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É engraçado como essa coisa inconsciente que a gente vai construindo na nossa cabeça &#8211; o nosso repertório (&#8230;) &#8211; fica, e acaba saindo de um modo natural, sem um planejamento óbvio.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu primeiro contato real com o cartunista Angeli foi no mundo da revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Chiclete com Banana</span></i><span style="font-weight: 400;">, que foi essencial para a formação do diretor ao trazer muito material não apenas de quadrinhos, mas de Música, Cultura e variedades, em um mundo onde a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda não existia. Quando foi realizar o curta </span><i><span style="font-weight: 400;">Dossiê Rê Bordosa</span></i><span style="font-weight: 400;">, entrou em contato com o Angeli, que de início relutou, pois havia matado a personagem em suas tiras para justamente não precisar mais falar sobre ela, mas que ao final acabou topando. A partir de entrevistas com Angeli e outras pessoas, César Cabral realizou o curta animado documental, e temendo uma reação negativa do artista ao mexer com sua obra, foi surpreendido por uma reação positiva.</span></p>
<figure id="attachment_24853" aria-describedby="caption-attachment-24853" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-scaled.jpg" alt="Foto de sessão do filme Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente. A imagem mostra em plano médio o diretor César Cabral, um homem branco de cabelos grisalhos, usando máscara e uma camisa preta, diante de um microfone em um suporte. Ele tem antebraços assimétricamente estendidos para frente, e as mãos abertas. Atrás, em desfoque, vemos uma parte da tela, mostrando um desenho do artista Ziraldo, de uma pessoa branca de roupa azul deitada de bruços sobre estrelas." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24853" class="wp-caption-text">O diretor introduzindo o público ao filme na sessão no vão do Masp, realizada durante a 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto se aprofundava ainda mais no mundo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Chiclete com Banana </span></i><span style="font-weight: 400;">na série </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qwkojuafGZg"><i><span style="font-weight: 400;">Angeli &#8211; The Killer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produzida para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Canal Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, Angeli comentou com Cabral que sempre achou que o Bob Cuspe renderia um longa. E ali foi lançada  a sementinha do que viria a se tornar o longa </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Pensar num longa-metragem de certa maneira é uma loucura (&#8230;) parece uma coisa impossível de acontecer.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Gravando uma série de entrevistas com Angeli, César foi se aprofundando em seu processo criativo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O Angeli, como a gente sabe, é famoso por ser o Angeli em crise, né? (&#8230;) É um cara que nunca para no trabalho, ele quer ir à frente. (&#8230;) o processo criativo dele vem muito disso, de não se estabelecer com algo que já tá definido. (&#8230;) E de certa maneira, ele agora, com 60 anos, ‘tá’ nesse lugar de procurar e tentar encontrar um novo caminho pro trabalho dele.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto de partida da narrativa principal do filme veio do próprio Angeli, que tinha esboçado uma morte do Bob Cuspe devorado por mini </span><a href="https://personaunesp.com.br/rocketman-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elton Johns</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ele é meio que um símbolo do pop, do glitter, que de certa forma é o oposto à postura punk. Então o que melhor mata um punk? Qual é a pior morte que um punk pode ter? É o pop devorando ele, fisicamente ou metaforicamente.” </span></i><span style="font-weight: 400;">A partir dessa ideia, a equipe desenvolveu um mundo pós-apocalíptico dentro da cabeça do Angeli, onde o Bob Cuspe, ao perceber que seu criador está desenhando sua morte, vai atrás dele para enfrentá-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos desafios da produção foi transpor o traço do lápis no papel em duas dimensões dos desenhos consagrados de Angeli, e transportá-lo para o </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> tridimensional, e nesse empreitada, César destaca o trabalho do diretor de arte Daniel Bruson, que também trabalhou no curta </span><i><span style="font-weight: 400;">Dossiê Rê Bordosa</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sobre a técnica utilizada, ele destaca como sendo a que mais se aproxima do </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">, pois há o espaço físico do estúdio, a maquete que é o cenário, o </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><span style="font-weight: 400;">de filmagem, e os bonecos que são os atores do filme. A única diferença seria a captura quadro a quadro. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não tem um ‘gravando’, tem ‘vamo lá, rodando o plano’, e esse plano vai levar dez, vinte horas pra ser produzido’</span></i><span style="font-weight: 400;">, brinca o diretor. O ritmo da produção, realizada em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IBV-SeeOCwc&amp;"><span style="font-weight: 400;">6 </span><i><span style="font-weight: 400;">sets</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de filmagem, era de três/quatro segundos por dia, por </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><span style="font-weight: 400;">de filmagem.</span></p>
<figure id="attachment_24854" aria-describedby="caption-attachment-24854" style="width: 1918px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24854" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3.jpg" alt="Cena da animação Bob Cuspe Nós não gostamos de gente. A imagem mostra 9 pequenos Elton Johns monstruosos alinhados, todos brancos, de máscaras nos olhos de diversas cores, bocas circulares com dentes pontudos, e roupas coloridas cheias de glitter. Eles se encontram no topo de uma ladeira de cimento com pichações. " width="1918" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3.jpg 1918w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24854" class="wp-caption-text">Então o que melhor mata um punk? Qual é a pior morte que um punk pode ter? (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro desafio foi construir uma estrutura para a produção do filme, com espaço físico e profissionais. A falta de um mercado consolidado de animação </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil e no mundo fez com que houvesse um forte trabalho de formação na produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde as pessoas aprenderam a fazer coisas como construir os bonecos, manipular a sua estrutura interna, e como animá-los. Da pequena produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dossiê Rê Bordosa</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que César Cabral animou sozinho com uma equipe bastante reduzida, ao longa de 90 minutos, a produção da animação tornou-se bastante complexa. </span><i><span style="font-weight: 400;">“No stop-motion as coisas andam meio em paralelo, é tudo meio escalonado, sabe? A gente tá animando no set, mas a equipe já tá pós-produzindo o que foi animado. E a equipe de pré-produção já tá preparando o próximo cenário (&#8230;). Então é tudo muito amarradinho pra funcionar.” </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comentando a </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/10/crise-na-ancine-espanta-grandes-estudios-que-fazem-filmes-sem-dinheiro-publico.shtml"><span style="font-weight: 400;">situação atual</span></a><span style="font-weight: 400;"> do audiovisual no Brasil e o que diria para alguém que está se introduzindo na área do audiovisual, com enfoque em animação, César chama a atenção para o momento difícil que o audiovisual tem passado com o governo atual, mas também destaca produções que vêm acontecendo apoiadas por canais de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> e TV, sem depender de um incentivo governamental. Ressalta também os desafios de fazer Animação, o que a princípio pode parecer algo maravilhoso, “</span><i><span style="font-weight: 400;">bonitinho</span></i><span style="font-weight: 400;">”, mas que exige muito trabalho e dedicação, para muitas vezes apresentar um resultado final muito pequeno. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É um processo muito custoso. Ao mesmo tempo, é muito gratificante.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">César destaca a preocupação em atingir um público mais amplo com o longa. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não queria fazer um filme fechado só pro cara de 40, 50 anos que lia Chiclete com Banana. Então a gente foi tentando não ser didático, mas deixar palatável para que a pessoa entre e conheça quem é o Angeli (&#8230;) e esse universo dele. (&#8230;) Claro que é difícil a gente saber o limiar pra não passar a mão e fazer um filme que fica muito explicativo, mas tivemos um cuidado.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Foi quando o longa estreou no Festival de Annecy que ele recebeu o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">feedback </span></i><span style="font-weight: 400;">de alguém de fora, que o fez saber que o filme havia dado certo. Foi de uma estudante vietnamita da Escola Gobelins, a maior escola de animação da França, que escreveu um texto para o diretor, que trocando ideia com ela, e vendo que tinha entendido a narrativa e quem é o Angeli, percebeu que o projeto tinha realmente dado certo.</span></p>
<figure id="attachment_24856" aria-describedby="caption-attachment-24856" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24856" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1.jpg" alt="A foto tirada antes da sessão de Bob Cuspe no vão do Masp mostra em plano médio o diretor César, o diretor do filme, um homem branco de cabelos grisalhos, vestindo máscara azul escura e camisa preta, e olhando para a câmera. Ao fundo vemos diversas cadeiras viradas para uma tela mais atrás. " width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24856" class="wp-caption-text">O primeiro longa de César Cabral no universo de Angeli certamente não será o único: “A gente vai fazer um segundo&#8230;” (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Você tem alguma tira favorita do Bob Cuspe?</b></p>
<p><b>César:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tem uma muito boa em que o Bob Cuspe ‘tá’ no meio do cinema, e que ninguém ‘tá’ perto dele, sabe? Acho que o Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente, representa um pouco essa imagem, porque as pessoas ficam meio com medo da figura dele na cena. (&#8230;) O Bob Cuspe não é um personagem que fala muito, ele vai lá e cospe, dá porrada nas pessoas, no sentido não-físico, mas tá sempre ali peitando, é muito boa”.</span></i></p>
<p><b>Se você pudesse escolher três pessoas para trabalhar em um filme, vivas ou mortas, quem você escolheria e por quê?</b></p>
<p><b>César: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Pergunta difícil essa hein&#8230;. Tim Burton é um cara que eu gosto muito, o universo que ele cria, pensando com foco em animação. (&#8230;) Gosto muito do Wes Anderson também, como diretor e com a aproximação com a animação que ele tá cada vez mais. É um cara que vem do live, e tem um universo muito particular na forma de filmar. Pô, quem mais? Acho que uma delas seria o Angeli mesmo, que eu me aproximei e que eu acho que de certa forma era uma grande referência sempre na minha formação, então eu acho que uma eu consegui assim que seria trabalhar com o universo dele. Gosto muito do Crumb também, que seria um deus desse universo underground dos quadrinhos”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><b>E se você pudesse levar três filmes para uma ilha deserta, quais seriam?</b></p>
<p><b>César:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Vou falar dos filmes que eu gostava e gosto muito ainda. </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i89oN8v7RdY"><i><span style="font-weight: 400;">Os Incompreendidos</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> é um filme que eu gosto muito do Truffaut, vi muitas vezes&#8230; Claro que meu trabalho não tem nada a ver com ele, com esse universo do Truffaut, mas é um filme de formação. Falei do </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vayksn4Y93A"><i><span style="font-weight: 400;">Cães de Aluguel</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, gosto muito de Pulp Fiction mas gosto muito de Cães de Aluguel, se fosse pra colocar um filme do Tarantino (&#8230;), </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dfeUzm6KF4g"><i><span style="font-weight: 400;">Clube da Luta</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> é um filme que eu gosto também. Gosto bastante. Mas falando sem pensar muito assim, certamente teriam outros tantos”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><b>Você tem algum filme nacional favorito?</b></p>
<p><b>César:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tenho, alguns… Mas um que eu gosto muito é </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SDs62rXX9Wo&amp;t=3727s"><i><span style="font-weight: 400;">Bangue-Bangue</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, do Andrea Tonacci. Eu acho o filme foda demais. </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5d1C2sMbYNo"><i><span style="font-weight: 400;">O Bandido da Luz Vermelha</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> do Sganzerla também é outro filme que pra mim marcou muito, inclusive o próprio Dossiê Rê Bordosa bebe muito naquela construção de investigação de uma certa maneira jornalística, uma rádio que faz esse jornalismo espreme-sai-sangue, (&#8230;) o Dossiê é muito construído dessa forma, e veio muito do próprio Bandido da Luz Vermelha”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24857" aria-describedby="caption-attachment-24857" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24857" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1.jpg" alt="A foto mostra a sessão do filme Bob Cuspe no vão do MASP. À esquerda vemos o público disposto em cadeiras, à direita vemos a tela, com uma cena do filme. " width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24857" class="wp-caption-text">“A gente não quer falar só de um mundinho fechado que foi passado. Eu acho que o filme é pro jovem de hoje.” (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando ao fim da entrevista, o diretor falou sobre o espírito </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">presente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe</span></i><span style="font-weight: 400;">, e sua relevância hoje. </span><i><span style="font-weight: 400;">“A gente não quer falar só de um mundinho fechado que foi passado. Eu acho que o filme é pro jovem de hoje. A gente fala de punk, mas o punk é em um sentido amplo. O punk é uma postura do jovem perante esse mundo, perante o mundo que virá. A gente está sempre em um embate, o jovem tem esse papel de não aceitar esse mundo estabelecido. Se ali é o punk, talvez o punk hoje é essa postura que permanece. De certa forma, é universal. Estou muito feliz com o resultado, que é muito gratificante mesmo.” </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E para a alegria daqueles que perderam as sessões do longa na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o filme estreou nos cinemas no dia 11 de novembro, levando sua postura </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">para várias capitais do país, e permanece em cartaz até a publicação desta entrevista. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bastidores de BOB CUSPE - NÓS NÃO GOSTAMOS DE GENTE" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IBV-SeeOCwc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O punk é pop em Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2021 03:39:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>João Batista Signorelli Estrela da revista underground Chiclete com Banana, que reunia o trabalho de cartunistas como Laerte e Glauco, Bob Cuspe é um dos mais icônicos personagens de Angeli, que também povoou o imaginário dos quadrinhos brasileiros com Rê Bordosa, Wood &#38; Stock, Mara Tara, e tantos outras. Ácido e subversivo, Bob, que estrela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bob-cuspe-nos-nao-gostamos-de-gente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O punk é pop em Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24363" aria-describedby="caption-attachment-24363" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24363" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente. A imagem da animação em stop-motion mostra Bob Cuspe, um homem de pele verde, nariz gigante, óculos escuro e roupas pretas de couro, em um elevador diante de Angeli, um homem branco de meia idade, cabelo curto branco, e camiseta roxa, que está de braços abertos estendidos. Eles estão em um elevador, e o espelho atrás de Angeli, com o vidro quebrado, reflete a imagem dos dois. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24363" class="wp-caption-text">Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente teve exibições presenciais na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, incluindo uma gratuita no vão livre do Masp (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estrela da revista </span><i><span style="font-weight: 400;">underground </span></i><a href="https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/30326"><i><span style="font-weight: 400;">Chiclete com Banana</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que reunia o trabalho de cartunistas como Laerte e Glauco, Bob Cuspe</span> <span style="font-weight: 400;">é um dos mais icônicos personagens de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IbSL_7Gms2Y&amp;t"><span style="font-weight: 400;">Angeli</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também povoou o imaginário dos quadrinhos brasileiros com Rê Bordosa, Wood &amp; Stock, Mara Tara, e tantos outras. Ácido e subversivo, Bob, que estrela a animação de grande destaque na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, representava nos anos 80 a anarquia subversiva da geração </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao mesmo tempo que era uma espécie de alter ego exagerado do próprio autor. </span></p>
<p><span id="more-24362"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Corta para os anos 2020, onde o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">devorou o </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o humor politicamente incorreto da revista passou a ser coisa do passado. É nesse contexto que Angeli reflete sobre sua obra e transformações criativas, e Bob Cuspe deixa a juventude para trás, parecendo-se quase com um tiozão que se recusou a se adaptar às mudanças do tempo. Em meio à gravação de um documentário e em um deserto de ideias de uma São Paulo pós-apocalíptica, Angeli e Bob Cuspe se confrontam com o passado e o presente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24364" aria-describedby="caption-attachment-24364" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24364" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-2.jpg" alt="Cena do filme Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente. A imagem da animação em stop-motion mostra Bob Cuspe, um homem de pele verde, nariz gigante, óculos escuros, cabelo moicano e roupa preta com broches, segurando uma arma com as duas mãos. Atrás, em desfoque, há um posto de gasolina abandonado, com o teto quebrado e pichações nas colunas. " width="2048" height="840" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-2-800x328.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-2-1024x420.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-2-768x315.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-2-1536x630.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-2-1200x492.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24364" class="wp-caption-text">“Punk is not dead!” (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é a primeira vez que o diretor César Cabral realiza um mergulho audiovisual na obra do cartunista Angeli com a técnica de </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=75txxLyGnJ8"><i><span style="font-weight: 400;">Dossiê Rê Bordosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele já apresentava a mesma mistura de documentário e ficção ao investigar as causas da morte da icônica personagem do cartunista. Já na série </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qwkojuafGZg"><i><span style="font-weight: 400;">Angeli &#8211; The Killer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, exibida no </span><i><span style="font-weight: 400;">Canal Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, Cabral preservava a mistura de formatos explorando a obra do autor a partir de recortes temáticos. Dando continuidade aos projetos anteriores, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente </span></i><span style="font-weight: 400;">é talvez o mais ambicioso até então, e já abriu a temporada de festivais consagrado merecidamente, </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/noticias/bob-cuspe-nos-nao-gostamos-de-gente-e-premiado-no-festival-de-annecy-2021/"><span style="font-weight: 400;">recebendo o prêmio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Longa-Metragem da Mostra </span><i><span style="font-weight: 400;">Contrechamp</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Annecy, o festival de animação mais relevante do mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até se confrontarem no ato final, Angeli e Bob Cuspe precisam lidar com embates internos e externos. Angeli, em plena crise criativa, se sente impelido a dar um fim a Bob Cuspe, assim como havia feito a Rê Bordosa, marcando com um ponto final no que o seu personagem representava para sua carreira. Paralelamente, Bob Cuspe, o </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e tudo mais correm risco de morte pela constante perseguição do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, sintetizado na imagem de hilários mini Elton Johns homicidas. Acompanhado pelos Skrotinhos, que veem nele uma espécie de símbolo mítico profetizado nas escrituras das </span><i><span style="font-weight: 400;">HQs Chiclete com Banana</span></i><span style="font-weight: 400;">, criador e criatura são conduzidos a um confronto para dar uma resolução aos seus conflitos. </span></p>
<figure id="attachment_24365" aria-describedby="caption-attachment-24365" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Bob_C92P06_01_X3_0009-scaled.jpg" alt="Cena do filme Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente. A imagem da animacao em stop-motion mostra ao longe Rê Bordosa, uma mulher branca, com cabelo acima da cabeca armado vermelho e curto, e atrás da cabeça liso, comprido e castanho, presa a correntes e segurando uma taça de vidro em uma banheira branca. É um ambiente escuro, e o chão apresenta largas rachaduras da onde sai luz. Em primeiro plano desfocado, vemos a lateral sombreada do corpo de um homem branco vestido com camiseta e calça. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Bob_C92P06_01_X3_0009-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Bob_C92P06_01_X3_0009-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Bob_C92P06_01_X3_0009-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Bob_C92P06_01_X3_0009-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Bob_C92P06_01_X3_0009-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24365" class="wp-caption-text">Integrando a Mostra Brasil e a Competição Novos Diretores, Bob Cuspe foi escolhido pelo público como um dos 13 filmes que concorrem ao Troféu Bandeira Paulista (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Raro exemplar da técnica de </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> na filmografia brasileira, o longa é um deleite visual do início ao fim. Do escritório realista de Angeli, às viagens psicodélicas que remetem ao final de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oR_e9y-bka0"><i><span style="font-weight: 400;">2001 &#8211; Uma Odisseia no Espaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, passando por escombros desérticos e tubulações subterrâneas, a direção de arte de Daniel Bruson e Olyntho Tahara traduz o imaginário de Angeli ao tridimensional, com grande atenção aos detalhes, e preenchendo os espaços de referências ao universo das tiras de Angeli.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de sua origem no </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, Bob Cuspe e outras criações de Angeli viraram cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo estando banhado de referências, o longa não depende delas para funcionar, e pode funcionar como uma ótima introdução para aqueles que, assim como eu, são pouco familiarizados com o trabalho de Angeli. Em um mundo onde as telas estão dominadas por </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-critica/"><span style="font-weight: 400;">super-heróis norte-americanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> saídos dos quadrinhos e outros símbolos da cultura popular estrangeira, Bob Cuspe vem para mostrar que o </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">é </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, e que a animação nacional também pode ser.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BOB SPIT - WE DO NOT LIKE PEOPLE (Official Trailer)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OJ4oJQXHf_I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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