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	<title>Arquivos Richard E. Grant &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O retrato sensível e entusiasmado da terceira idade em Clube do Crime das Quintas-Feiras</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 13:00:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Bezerra O Clube do Crime das Quintas-Feiras chegou à Netflix diante de uma onda de altíssimas expectativas dos fãs da série de literatura homônima de Richard Osman. A obra de mistério e suspense dirigida por Chris Columbus (Harry Potter, Esqueceram de Mim) se difere de outras tantas do gênero por apresentar como protagonistas quatro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/clube-do-crime-das-quintas-feiras-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O retrato sensível e entusiasmado da terceira idade em Clube do Crime das Quintas-Feiras"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36829" aria-describedby="caption-attachment-36829" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-36829 size-medium" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-800x533.png" alt="Cena do filme O Clube do Crime das Quintas-Feiras.Na imagem, estão Elizabeth (Helen Mirren), uma mulher branca de cabelos curtos e brancos e cardigan azul, Ron (Pierce Brosnan), um homem branco de cabelos brancos e com camisa xadrez azul e branca, Ibrahim (Ben Kingsley), homem de ascendência indiana e careca vestindo terno e camisa marrons e uma gravata borboleta e Joyce (Celia Imrie), que está de costas, é uma mulher branca de cabelos brancos presos em um coque alto e vestindo um cardigan rosa. Eles estão reunidos em uma sala de estar bem iluminada e decorada com móveis e plantas, sentados ao redor de uma mesa e com expressões de seriedade e atenção. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2.png 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36829" class="wp-caption-text">O filme conta com um elenco imperdível, que parece, acima de tudo, se divertir enquanto atua (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b style="color: #1a1a1a; font-size: 16px;">Mariana Bezerra</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Clube do Crime das Quintas-Feiras</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou à </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> diante de uma onda de altíssimas expectativas dos fãs da série de literatura homônima de </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/o-notavel-sucesso-do-ingles-richard-osman-e-seus-detetives-velhinhos/"><span style="font-weight: 400;">Richard Osman</span></a><span style="font-weight: 400;">. A obra de mistério e suspense dirigida por Chris Columbus (</span><a href="https://personaunesp.com.br/comemoracao-de-20-anos-de-harry-potter-de-volta-a-hogwarts-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Esqueceram de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">) se difere de outras tantas do gênero por apresentar como protagonistas quatro amigos septuagenários, que vivem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Coopers Chase</span></i><span style="font-weight: 400;">, um lar de luxo para aposentados em Londres. Elizabeth (Helen Mirren), Ibrahim (Ben </span><span style="font-weight: 400;">Kingsley</span><span style="font-weight: 400;">) e Ron (Pierce Brosnan) se reúnem todas as quintas-feiras – como sugere o título – para investigarem casos policiais não solucionados. Logo no início da trama, o grupo recebe um novo membro: Joyce (Celia Imrie), uma simpática senhora recém chegada nessa charmosa vila da terceira idade.</span></p>
<p><span id="more-36826"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mais interessante da obra é que ela não demora para revelar a particularidade de cada personagem. Elizabeth, a imponente líder do clube, foi uma ex-secretária do serviço secreto britânico; Ibrahim, um psiquiatra; Ron, um ativista sindical e Joyce, uma enfermeira. À medida em que o enredo avança, as personalidades fortes do grupo vão se fortalecendo na trama, o que subverte o </span><a href="https://jornal.usp.br/radio-usp/etarismo-e-o-mais-frequente-e-universal-dos-preconceitos/"><span style="font-weight: 400;">estereótipo</span></a><span style="font-weight: 400;"> preconceituoso de invalidez. O quarteto é simplesmente genial e carrega consigo a leveza – e não o peso – da experiência, e, além disso, todo um arsenal de habilidades e conteúdos que não morrem quando se aposenta. Muitas pessoas desejam parar de pensar em suas profissões depois que se retiram do mercado de trabalho, enquanto outras, querem cultivar tudo o que viveram mesmo após a aposentadoria. De uma forma ou de outra, a </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2025/09/elenco-de-clube-do-crime-das-quintas-feiras-fala-sobre-envelhecimento-e-ambicoes-na-carreira.shtml"><span style="font-weight: 400;">essência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de tudo o que aprenderam e precisaram desenvolver segue em cada um. Apesar das conveniências de roteiro, a dinâmica da equipe revela um olhar sensível da produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse aspecto se torna nítido quando o grupo de amigos é forçado a arquivar a atual investigação, a qual chamam do caso da ‘mulher de branco’, para se dedicarem a solução de uma mais urgente: o assassinato de Tony Curran (Geoff Bell), um dos três proprietários de </span><a href="https://www.townandcountrymag.com/leisure/arts-and-culture/a65781718/thursday-murder-club-coopers-chase-filming-locations-explained/"><i><span style="font-weight: 400;">Coopers Chase</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A suspeita logo recai sobre Ian Ventham (David Tennant), o segundo dono, que desejava transformar o recinto em apartamentos de luxo, promovendo, inclusive, a destruição do cemitério local. Nessa jornada, o clube vai contar com a ajuda da jovem policial Donna De Freitas (Naomi Ackie), que é transferida para o setor de investigação de homicídios graças a astúcia do grupo não oficial de detetives. </span></p>
<figure id="attachment_36830" aria-describedby="caption-attachment-36830" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36830" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-800x533.png" alt="Cena do filme O Clube do Crime das Quintas-Feiras.Na imagem, está Joyce, uma mulher branca de cabelos brancos presos em um coque alto e vestindo um cardigan azul, Ibrahim, homem de ascendência indiana e judaica e careca vestindo camisa verde, colete marrom e uma gravata borboleta e Donna De Freitas, uma mulher negra de cabelos pretos presos em um coque baixo. Ela veste um uniforme policial e segura seu chapéu nas mãos. Os três aparecem da esquerda para a direita nessa ordem e olham todos na mesma direção. Ao fundo, há um gramado e parte da construção de uma casa. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1.png 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36830" class="wp-caption-text">A agente De Freitas aparece por acaso na história, mas logo se torna uma aliada do clube dentro da delegacia (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cada momento da investigação, eles se mostram sempre um passo à frente dos policiais, seja pela </span><a href="https://youtu.be/qUkU8yCbEDg?si=Tops_1Pqgoh2x9hP"><span style="font-weight: 400;">experiência</span></a><span style="font-weight: 400;">, pela ausência da burocracia, pela pouca ignorância ou pela demasiada sensibilidade que empregam durante o percurso. Logo, surgem outros personagens importantes, como Bogdan (Henry Lloyd-Hughes), um imigrante polonês e funcionário de Tony Curran, que revela ter tido o passaporte apreendido pelo patrão. Há também Bobby Tanner (Richard E. Grant), o enigmático terceiro proprietário do lar de aposentados – um perigoso mafioso que, até então, todos acreditavam estar morto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme conta com um elenco extremamente renomado, como Tom Ellis (</span><a href="https://personaunesp.com.br/lucifer-5a-temp-parte-2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Lucifer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Jonathan Pryce (</span><a href="https://personaunesp.com.br/dois-papas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Papas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que interpretam Jason, filho de Ron, e Stephen, esposo de Elizabeth, respectivamente. Isso somado ao status que o livro carrega, torna a obra audiovisual extremamente convidativa, mas também agrega uma grande carga de responsabilidade à produção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A aposta da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> em abordar investigações criminosas com um ar de leveza e humor, ainda que sem deixar de transmitir a profundidade de algumas emoções, não é algo novo. Em 2024, a série </span><i><span style="font-weight: 400;">Um espião infiltrado</span></i><span style="font-weight: 400;">, protagonizada por Ted Danson (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), trouxe uma história diferente, porém,  com plano de fundo semelhante, em que um homem aposentado se infiltra em um lar de idosos para desvendar o roubo de uma jóia. Além disso, a franquia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-facas-e-segredos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> um mistério repleto de sarcasmo, em 2025, ganha seu terceiro longa. Talvez, a lembrança aponte um padrão de interesses do </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2025/09/06/clube-do-crime-das-quintas-feiras-e-mais-visto-da-netflix-como-e-o-filme.htm"><span style="font-weight: 400;">público </span></a><span style="font-weight: 400;">a ser aproveitado. </span></p>
<figure id="attachment_36828" aria-describedby="caption-attachment-36828" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36828" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-1-800x533.png" alt="Cena do filme O Clube do Crime das Quintas-Feiras.Na imagem, está Jason (Tom Elis), homem branco, de barba e cabelos curtos e escuros, vestindo uma blusa preta sobre uma camiseta branca aparece discutindo com Ian Ventham, que está de perfil. Ele é um homem branco de cabelos castanhos e veste uma jaqueta bege. Ao fundo, estão moradores de Coopers Chase segurando cartazes durante um protesto. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-1.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36828" class="wp-caption-text">Os moradores de Coopers Chase se unem em protestos liderados por Ron em defesa de seus lares e contra a perturbação dos mortos (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">The Thursday Murder Club</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original), a produtora traz algo agradável, que não se coloca nem como o melhor dos dramas ou dos mistérios, nem como a melhor das comédias. O grande problema é que, ao que tudo indica, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-and-the-city-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se apoiou demais nessa intenção de entregar pouco: o incrível elenco, apesar de carismático, é um tanto desperdiçado diante do roteiro de </span><span style="font-weight: 400;">Suzanne Heathcote (</span><a href="https://personaunesp.com.br/killing-eve-terceira-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Killing Eve</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e de Katy Brand (</span><i><span style="font-weight: 400;">Boa Sorte, Leo Grande)</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">que executa uma frágil construção dos personagens (com exceção de Elizabeth, que acaba roubando a cena). Infelizmente, a tentativa de criar algo genérico, que agrade à todos, fez com que a adaptação perdesse boa parte da complexidade e do espírito de Agatha Christie contido na obra original. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> pareceu querer equilibrar as temáticas do livro ao unir mentes de franquias infanto-juvenis, da comédia e do drama, mas terminou favorecendo somente as duas primeiras. No entanto, a capacidade da produção de amarrar tão bem tantas pontas soltas, ainda que de forma mais simples, torna o lançamento algo interessante e divertido de assistir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dos percalços e aliado à comicidade, o filme consegue abordar um dos elementos cruciais da obra original de </span><a href="https://youtu.be/5bNpf60n4io?si=Se8FUrzwhsyHaZ5z"><span style="font-weight: 400;">Osman</span></a><span style="font-weight: 400;">: os dilemas éticos que os personagens enfrentam. A respeito do caso da ‘mulher de branco’, a morte de Angela Hughes foi investigada, na época, por Penny Gray (Susan Kirkby) – policial aposentada, fundadora do clube e moradora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Coopers Chase</span></i><span style="font-weight: 400;">, que está inconsciente e com estado de saúde extremamente debilitado. A presença de De Freitas cria um elo com a história de Penny, ao estabelecer um paralelo entre duas jovens, separadas por décadas, que buscam ser ouvidas em um ambiente predominantemente masculino, que pouco mudou nesse intervalo de tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Penny lutou sem sucesso para provar que Angela havia sido vítima de feminicídio, acusando Peter Mercer (Will Stevens), namorado da jovem, como o autor. Somente quando a escavação do cemitério é iniciada por Bogdan, o funcionário de Tony Curran, é que o cadáver de Mercer vem à tona, revelando que Penny havia feito justiça com as próprias mãos, com a ajuda de seu marido, John (Paul Freeman). Além disso, com medo que o processo de escavação do cemitério levasse à descoberta de seu crime e da esposa, o homem mata Ian Vetam durante um dos protestos contra a venda de </span><a href="https://youtu.be/AmoErbvObRE?si=7prLvB4zdqUzgD9w"><i><span style="font-weight: 400;">Coopers Chase</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></a></p>
<figure id="attachment_36831" aria-describedby="caption-attachment-36831" style="width: 570px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36831" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4.png" alt="Na imagem, está Elizabeth,uma mulher branca de cabelos brancos soltos e curtos e vestindo uma blusa azul e um blazer xadrez; Ibrahim, homem de ascendência indiana, careca, que veste um colete e blazer marrom e uma gravata borboleta magenta e Ron, um homem branco de cabelos brancos e com camisa xadrez azul e branca e uma jaqueta jeans. Os três estão olhando para frente e parecem surpresos. O cenário é composto por uma sala ampla, com janelas grandes e cobertas por plantas ornamentais. Além disso, há um quadro estilo detetive, com fotografias, documentos e fios vermelhos conectando as imagens." width="570" height="257" /><figcaption id="caption-attachment-36831" class="wp-caption-text">A obra original conta com quatro livros publicados, o que indica uma possível continuação do filme como uma franquia (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante desse contexto, o grupo tão aparentemente centrado em fazer ‘o que é certo’, se depara entre denunciar amigos de longa data e preservar a história e reputação de ambos. Ao questionarem John e receberem a confirmação de suas hipóteses, </span><a href="https://www.newsweek.com/entertainment/movies/helen-mirren-on-thursday-murder-club-and-hollywood-success-on-her-terms-10475849"><span style="font-weight: 400;">Elizabeth</span></a><span style="font-weight: 400;"> percebe que ele iria matar a esposa com um medicamento e cometer suicidio, mas não impede o seu plano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essea, entre outros conflitos servem para criar tensão na história, trazer à tona os dilemas éticos da obra e para agregar um toque de imperfeição a esses personagens tão carismáticos, que provocam simpatia no espectador. É interessante assistir à trama de </span><a href="https://personaunesp.com.br/only-murders-in-the-building-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">investigadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> independentes que estão inseridos no ambiente do crime, porém é justamente isso que os tornam falhos, humanos demais, em um ótimo sentido. Por fim e graças ao trabalho investigativo do clube, todos os criminosos – estimados ou não – são desvendados, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Coopers Chase</span></i><span style="font-weight: 400;">, o tão querido lar de seus moradores, é salvo pela filha de Joyce, que compra o lugar e permite o sentimento de ‘felizes para sempre’, o qual não deve durar muito tempo se as suposições estiverem certas e uma possível continuação estiver sendo preparada— assim como outras franquias da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Entre o moderno e o tradicional, não foi dessa vez que Persuasão ganhou uma adaptação à altura</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2022 17:22:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Lima  “Austen nos dá a fantasia histórica e ainda fornece uma dura ridicularização daqueles que são muito esnobes em suas distinções de classe” é o que escreve Linda Troost e Sayre Greenfield no livro Jane Austen in Hollywood. Publicado entre os anos 1990 e 2000, as autoras acompanharam o auge das adaptações audiovisuais das &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/persuasao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre o moderno e o tradicional, não foi dessa vez que Persuasão ganhou uma adaptação à altura"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28338" aria-describedby="caption-attachment-28338" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28338 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-1-3.jpg" alt="Imagem do filme Persuasão no formato retangular. A paisagem é formada por um céu azul e um campo coberto de uma vegetação rasa. Ao centro da imagem está um casal sentado na grama se abraçando. Do lado esquerdo está a personagem Anne Elliot, uma mulher branca, de cabelos pretos e lisos, amarrados em um coque. Ela veste um vestido branco, comprido e de mangas longas. Do lado direito está o personagem Frederick Wentworth, um homem branco, de cabelos pretos e cacheados em um penteado estilo topete. Ele usa um grande casaco azul com botões dourados." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-1-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-1-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-1-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-1-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-1-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28338" class="wp-caption-text">Muito distante de Anastasia Steele, de 50 Tons de Cinza, Dakota Johnson vive agora a heroína Anne Elliot de Jane Austen (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Isabella Lima </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Austen nos dá a fantasia histórica e ainda fornece uma dura ridicularização daqueles que são muito esnobes em suas distinções de classe”</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o que escreve Linda Troost e Sayre Greenfield no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Jane Austen in Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">. Publicado entre os anos 1990 e 2000, as autoras acompanharam o auge das adaptações audiovisuais das obras literárias de Jane Austen. De fato, todos esses elementos, juntos da narrativa romântica, encantam os entusiastas da escritora inglesa e foram bem incorporados em  </span><a href="http://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2005), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZVImlMG8WqI"><i><span style="font-weight: 400;">Emma</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020), ou até mesmo em </span><a href="http://personaunesp.com.br/as-patricinhas-de-beverly-hills-25-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">As Patricinhas de Beverly Hills</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1995), uma adaptação mais reconstruída e modernizada. Ao contrário desses títulos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Persuasão</span></i><span style="font-weight: 400;">, a nova aposta da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">  inspirada no livro homônimo de Jane Austen, não conseguiu proporcionar uma experiência capaz de estabelecer conexão com a tradição, nem com a reinvenção da </span><span style="font-weight: 400;">direção inaugural de </span><a href="https://www.irishtimes.com/culture/film/2022/07/13/director-carrie-cracknell-on-persuasion-i-always-intended-to-absolutely-honour-the-heart-of-the-book/"><span style="font-weight: 400;">Carrie Cracknell</span></a><span style="font-weight: 400;">, nome já conhecido no teatro britânico. </span></p>
<p><span id="more-28337"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O casal Anne Elliot (Dakota Johnson) e Frederick Wentworth (Cosmo Jarvis) é o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GD1LCpYst5c"><span style="font-weight: 400;">fio condutor da trama</span></a><span style="font-weight: 400;">, cujo relacionamento foi bruscamente rompido no passado pela persuasão de Lady Russell (Nikki Amuka-Bird). Sendo uma amiga de grande estima de Anne, Lady Russell convence a protagonista a desistir do romance pela falta de títulos e </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Wentworth. Porém, após oito anos separados, Frederick retorna ao círculo social da família Elliot como capitão da Marinha Real Britânica, dispondo de fortuna e reconhecimento. A partir desse reencontro, observamos os </span><a href="https://www.thewrap.com/persuasion-netflix-changes-fourth-wall-carrie-cracknell-interview/"><span style="font-weight: 400;">ressentimentos de Anne</span></a><span style="font-weight: 400;"> e suas expectativas por uma segunda chance, agora que ele está em busca de uma esposa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Persuasion starring Dakota Johnson | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Fz7HmgPJQak?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os pontos que mais deixaram a desejar em </span><i><span style="font-weight: 400;">Persuasion</span></i><span style="font-weight: 400;">, nome original do longa, o esvaziamento da personagem, originalmente idealizada no livro, é o mais gritante. Anne Elliot é conhecida por ser uma das heroínas mais apaixonantes já escritas por Jane Austen. Seu temperamento tranquilo, resiliente, sábio e empático são características natas, que destoam muito do seu ambiente familiar egocentrista composto pelo pai, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sir</span></i><span style="font-weight: 400;"> Elliot (Richard E. Grant), e pelas irmãs, Elizabeth (Yolanda Kettle) e Mary (Mia McKenna-Bruce). Já no filme, a senhorita Anne é transformada em uma pessoa irônica, cômica, uma cópia não tão bem executada de </span><a href="http://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que se mortifica durante oito anos por ter sido persuadida a abandonar o homem que amava. Em outras palavras, a jornada de aprendizado e evolução da personagem, um dos principais aspectos dos </span><a href="https://michellysantosliteratura.com/romance-historico-de-epoca-e-de-costumes-qual-a-diferenca/"><span style="font-weight: 400;">romances de costumes</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século XIX, é deixada de lado em prol de trazer toques mais atuais para a obra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto a crítica especializada, quanto o público mais familiarizado com a escritora inglesa, fizeram comentários em relação à </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/tv/noticia/2022/07/filme-persuasao-nao-faz-justica-ao-material-original-cl5ragpim008r016vna4ln3ur.html"><span style="font-weight: 400;">modernização exagerada da trama</span></a><span style="font-weight: 400;">. Fica evidente que a estratégia utilizada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi apostar em fórmulas prontas de sucesso, assim como fez em </span><a href="http://personaunesp.com.br/bridgerton-netflix-critica/#more-17909"><i><span style="font-weight: 400;">Bridgerton</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, trazendo diálogos que não condizem com os costumes da época e a quebra da quarta parede. Além disso, Jane Austen é conhecida por não subestimar a inteligência do leitor e, de forma sútil, apresentar suas críticas sociais. No entanto, o filme vai na direção oposta quando incumbe a personagem principal de explicar os mínimos detalhes ao telespectador em diversos momentos, rompendo com qualquer carga emocional que a cena poderia carregar e tornando o roteiro, escrito por Ronald Bass e Alice Winslow, maçante em muitos momentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra questão pouco explorada, que dá sentido ao título da obra, é a crítica à estrutura social da Inglaterra no século XIX. A ironia sutil que a produção literária utiliza para criticar o contexto social garantiu seu lugar entre os clássicos da Literatura, portanto, adaptar a narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Persuasão </span></i><span style="font-weight: 400;">sem levar esse trabalho a sério é uma tarefa difícil. Para trazer alívio cômico, o filme </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/persuasao-netflix"><span style="font-weight: 400;">ignora o pano de fundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> histórico e deixa de se aprofundar nos motivos pelos quais  a protagonista desistiu do noivado no passado. Motivos esses muito ligados ao papel aprisionador das mulheres da época, que tinham no</span> <span style="font-weight: 400;">casamento a única forma de ascensão social. No livro, Anne é persuadida ao entender que terminar com Wentworth era seu dever, uma precaução acerca das condições sociais e econômicas precárias do homem. Dessa forma, a personagem passa por um processo de racionalização dos seus sentimentos, ao contrário do que vemos no longa.</span></p>
<figure id="attachment_28339" aria-describedby="caption-attachment-28339" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28339 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-2-4.jpg" alt="Imagem do filme Persuasão no formato retangular. A imagem mostra a personagem Anne Elliot deitada em um jardim com árvores ao fundo. Anne, uma mulher branca, de olhos azuis, cabelos pretos e lisos, amarrados em um coque. Ela veste um vestido azul claro, comprido e de mangas longas. Ela está em um piquenique, com um copo na mão enquanto olha para a pessoa com quem está conversando, porém essa pessoa não aparece na imagem" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-2-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-2-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-2-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-2-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-2-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-2-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28339" class="wp-caption-text">Persuasão faz reacender a questão: é possível modernizar obras clássicas sem perder a sua essência ou estariam os romances de época fadados ao modelo Bridgerton de entretenimento? (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de todas as </span><a href="https://technewsbrasil.com.br/sobresagas/7-curiosidades-persuasao-netflix/"><span style="font-weight: 400;">inconsistências</span></a><span style="font-weight: 400;">, nem tudo foi perdido. É preciso reconhecer que pelo menos uma característica de Jane Austen foi aproveitada: a sátira pitoresca dos personagens. Um ponto forte da escritora inglesa é satirizar os costumes da época, apresentando uma ‘elegância ridícula’ daqueles que se esforçavam para manter o </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> social a qualquer custo. A família Elliot é o maior exemplo disso, pois, mesmo estando à beira da falência, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sir</span></i><span style="font-weight: 400;"> Elliot e Elizabeth não deixam de lado a vaidade e o egocentrismo. Esse aspecto é bem retratado no filme com diversos auto-retratos do patriarca espalhados pela casa e a presunção arrogante da irmã mais velha de Anne. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale ressaltar também a diversidade que a produção trouxe para o elenco e, claro, a maneira como retrata a natureza e o espaço físico da história em si. O bucolismo, já muito utilizado nas adaptações cinematográficas anteriores das obras de Jane Austen, se trata de um elemento chave para transportar o telespectador para o enredo, que, na maior parte do tempo, se passa na região interiorana da Inglaterra. Em </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/entenda-a-insatisfacao-do-publico-com-o-filme-persuasao-da-netflix"><i><span style="font-weight: 400;">Persuasão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, somos apresentados a três cenários: o interior (Uppercross e Kellynch Hall), o litoral (Lyme) e a paisagem urbana (Bath). Nesse aspecto, o longa rendeu imagens agradáveis capazes de trazer a natureza como um personagem da narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_28340" aria-describedby="caption-attachment-28340" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28340" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-3-4.jpg" alt="Imagem do filme Persuasão no formato retangular. A imagem mostra do lado esquerdo a personagem Anne Elliot, uma mulher branca, de olhos azuis, cabelos pretos e lisos que estão amarrados em uma trança que cai pelo seu ombro esquerdo. Ela veste um vestido azul escuro que está coberto por uma manta, também azul escura, que ela está segurando de braços cruzados. Ao seu lado direito está o personagem Frederick Wentworth, um homem branco, de cabelos pretos e cacheados em um penteado estilo topete. Ele veste uma blusa azul de mangas compridas bufantes e por cima um paletó cinza abotoado. Ao fundo, um cenário desfocado que aparentam serem rochas" width="1500" height="996" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-3-4.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-3-4-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-3-4-1024x680.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-3-4-768x510.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-3-4-1200x797.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28340" class="wp-caption-text">A recepção do público que não é fã dos livros de Jane Austen foi parcialmente positiva com Persuasão, com aprovação de 67% da <a href="https://www.rottentomatoes.com/m/persuasion">audiência no Rotten Tomatoes</a> (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Persuasão</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apresenta como o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9tePRFKFzQ0"><span style="font-weight: 400;">ponto fora da curva</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre as adaptações de Jane Austen. Repleto de anacronismos e modernizações, o longa não conversa com aquele que deveria ser seu principal elemento: o questionamento se o amor é verdadeiro a ponto de sobreviver às imposições sociais, ao tempo, à opinião da sociedade e, acima de tudo, se é capaz de perdoar. A construção apaixonante do casal não estabelece uma conexão genuína com o telespectador em relação a esses aspectos e, ao final, o sentimento de recompensa quando os personagens ficam juntos não é tão gratificante. Para aqueles que estão tendo o primeiro contato com a obra, o longa pode garantir certo divertimento, mas não é capaz de trazer uma experiência verdadeiramente digna de um romance de Jane Austen. Elementos como a sátira e a ridicularização estão presentes, de fato. Porém, a fantasia histórica mencionada por Linda Troost e Sayre Greenfield foi deixada de lado para ceder lugar a, praticamente, uma comédia romântica.</span></p>
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		<title>O glorioso propósito de Loki é não ser aquilo que você espera</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Aug 2021 21:11:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda A mais recente da primeira leva de séries do Disney+ produzidas pela Marvel Studios, Loki chega com a proposta de resgatar a personagem titular dos eventos trágicos de Vingadores: Guerra Infinita, utilizando a viagem no tempo de Ultimato como ponto de partida para sua trama de ficção científica old school. Contudo, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/loki-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O glorioso propósito de Loki é não ser aquilo que você espera"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21981" aria-describedby="caption-attachment-21981" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21981" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki.jpg" alt="Cena da primeira temporada de Loki. Sylvie (Sophia Di Martino) e Loki (Tom Hiddleston) se encaram preocupados em Lamentis-1, um planeta prestes a ser destruído. Sylvie, caucasiana e cabelo loiro e que vai até os ombros, usa um uniforme de couro de combate preto com poucos adereços dourados, por baixo de um sobretudo negro. Loki, caucasiano e cabelo negro que vai até os ombros, usa uma camisa social futurista com as golas coladas no peito, com uma gravata no pescoço e as mangas dobradas até os cotovelos. Atrás deles, uma cadeia de montanhas se ergue desfocada. A cena toda está iluminada por uma cor lavanda profunda." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21981" class="wp-caption-text">Os tons púrpuras de um planeta em extinção enquadram uma história de amor capaz de desafiar o destino (Foto: Disney/Marvel)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mais recente da primeira leva de séries do </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;"> produzidas pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Studios</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Loki</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega com a proposta de resgatar a personagem titular dos eventos trágicos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-guerra-infinita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vingadores: Guerra Infinita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, utilizando a viagem no tempo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ultimato</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como ponto de partida para sua trama de ficção científica </span><i><span style="font-weight: 400;">old school</span></i><span style="font-weight: 400;">. Contudo, se tem uma coisa que o Deus da Mentira de Tom Hiddleston nos ensinou ao longo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7LydHN2_eE4"><span style="font-weight: 400;">sua década no </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo Cinematográfico Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, foi nunca confiar nas aparências.</span></p>
<p><span id="more-21980"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após as peripécias temporais para reaver as Joias do Infinito terem resultado na evasão de um Loki pós-</span><i><span style="font-weight: 400;">Vingadores</span></i><span style="font-weight: 400;"> das autoridades terrenas e asgardianas, ele é logo capturado por uma entidade ainda mais misteriosa. Grande parte do primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Glorioso Propósito</span></i><span style="font-weight: 400;">, se dedica a apresentar a Autoridade de Variação Temporal (AVT), a misteriosa organização que clama governar a ordem do tempo e que acusa Loki de ser uma “variante”: alguém que divergiu do caminho designado pelos Guardiões do Tempo na Linha do Tempo Sagrada e que, portanto, não deveria existir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O piloto se sobressai ao fazer a ponte entre o anti-herói que vimos morrer pelas mãos do Titã Louco e o maníaco homicida de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Vingadores</span></i><span style="font-weight: 400;">, por meio de um inteligente interrogatório que o força a rever os seus “maiores” momentos &#8211; passados e futuros &#8211; e a confrontar sentimentos profundos que ele manteve escondidos. O que antes seria uma sentença de morte vira oportunidade quando o agente Mobius (Owen Wilson) pede a ajuda do notório trapaceiro para capturar outra variante fugitiva extremamente perigosa: ele mesmo.</span></p>
<figure id="attachment_21982" aria-describedby="caption-attachment-21982" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21982" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-2.jpg" alt="Cena da primeira temporada de Loki. Mobius (Owen Wilson) estende a mão para Loki (Tom Hiddleston), enquanto os dois estão num elevador. Mobius, caucasiano, cabelos curtíssimos e grisalhos, usa um paletó futurista marrom com as abas afundadas para dentro por cima de uma camisa social com gravata, também marrom, e olha para o outro com expectativa enquanto estende a mão. Loki, caucasiano e cabelos escuros até os ombros, usa algemas, uma coleira com uma luz vermelha e um uniforme pastel de prisioneiro da AVT com detalhes em laranja e o logo da organização na parte esquerda do peito, e olha desconfiado para a mão que Mobius estende. O elevador em que eles estão tem painéis de madeira polida nas paredes e lâmpadas quadradas e brancas no teto." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21982" class="wp-caption-text">A amizade inesperada e inconstante de Loki com Mobius é uma boa mudança de ritmo na vida do Deus da Trapaça, mesmo que, à princípio, ele mesmo não veja isso (Foto: Disney/Marvel)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daí, </span><i><span style="font-weight: 400;">Loki</span></i><span style="font-weight: 400;"> habilmente torce sua premissa de ficção científica serial em uma narrativa de redenção romântica que, diferente de suas aparições prévias, explora o personagem principal não apenas no contexto do universo </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas como </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2021/loki-mitologia-nordica.html"><span style="font-weight: 400;">a figura mítica e caótica do Deus da Trapaça</span></a><span style="font-weight: 400;">. Colocando-o diretamente em conflito com a figura de autoridade e ordem suprema, a série criada por Michael Waldron consegue fazer florescer a verdadeira natureza de Loki como um agente do caos e da mudança, explorando intimamente sua natureza dual e paradoxical de jeitos peculiares e inventivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desses, o mais evidente e tangível é a introdução de Sylvie (Sophia Di Martino), a variante que Loki é chamado para caçar, uma mulher com contas a acertar com a AVT e que provê a maior parte da força motriz da série após sua chegada ao final do segundo capítulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Variante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao encarar ferozmente o Loki que conhecemos e declarar que aquilo </span><i><span style="font-weight: 400;">“&#8230; não é sobre ele”</span></i><span style="font-weight: 400;">, o tabuleiro está montado para que os próximos episódios respondam à pergunta: então, sobre o que é?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito como </span><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandavision-critica/"><span style="font-weight: 400;">homenagem às comédias românticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da televisão americana e </span><i><span style="font-weight: 400;">Falcão e o Soldado Invernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/falcao-e-o-soldado-invernal-critica/"><span style="font-weight: 400;">exploração de tramas de espionagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> internacional nos calcanhares do </span><i><span style="font-weight: 400;">Blip</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Loki</span></i><span style="font-weight: 400;"> se vende como </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/sophia-di-martino-doctor-who"><span style="font-weight: 400;">uma ficção científica serializada remetente à </span><i><span style="font-weight: 400;">Doctor Who</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">&#8211; se </span><i><span style="font-weight: 400;">Doctor Who</span></i><span style="font-weight: 400;"> tivesse um orçamento. Quando um grupo de personagens pode ter seus nomes concebivelmente traduzidos para </span><a href="https://screenrant.com/loki-tva-doctor-who-time-lords-comparison-better/"><span style="font-weight: 400;">“Senhores do Tempo”</span></a><span style="font-weight: 400;">, esse tipo de comparação é inevitável, e a série é esperta o suficiente para abraçar a galhofa e os questionamentos existenciais, ao invés de se envergonhar deles.</span></p>
<figure id="attachment_21983" aria-describedby="caption-attachment-21983" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21983" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-3.jpeg" alt="Cena da primeira temporada de Loki. A juíza Ravonna Renslayer (Gugu Mbatha-Raw) encara de cima para baixo, no alto de seu acento. Atrás dela, um painel de madeira segmentado retrata os rostos dos três Guardiões do Tempo, com o central bem atrás dela. Renslayer, negra de cabelos negros amarrados para trás, usa um terno marrom fechado de abas longas por cima de uma camisa social amarela e uma gravata vermelha, com uma faixa laranja de bordas douradas por cima. Ela está de mãos entrelaçadas à sua frente, olhando seriamente para alguém abaixo dela." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-3.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-3-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-3-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-3-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21983" class="wp-caption-text">Depois de um breve tribunal, Loki é declarado culpado do crime de ser um gostoso (Foto: Disney/Marvel)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A amizade entre Loki e Mobius ajuda a realçar tais questionamentos, com os dois personagens se desafiando mutuamente ao longo de suas cenas juntos. Enquanto o agente ajuda a expor e confrontar as reais motivações e os objetivos de Loki, o deus ajuda a expor as falhas lógicas da AVT e a fazer com que Mobius comece a questionar o propósito daquilo tudo. Ambos os atores vestem muito bem a dinâmica de </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-158098/#:~:text=Buddy%20cop%20%C3%A9%20um%20estilo,aprendendo%20uma%20com%20a%20outra."><span style="font-weight: 400;">comédia </span><i><span style="font-weight: 400;">buddy cop</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e trazem à tona </span><a href="https://br.ign.com/loki-tv-series/90627/feature/loki-mobius-amizade-improvavel-serie-marvel-disney-plus"><span style="font-weight: 400;">o melhor do outro</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, o que faz um Loki ser um Loki? Se há apenas uma linha temporal, existe mesmo livre arbítrio? </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-159826/"><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Por que diabos há um jacaré aqui?”</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> São todas perguntas feitas e, até certo ponto, respondidas (até mesmo a do jacaré), em episódios diferentes, sem sobrecarregar o telespectador. É claro que </span><i><span style="font-weight: 400;">Loki</span></i><span style="font-weight: 400;"> também possui ganchos que só serão respondidos mais à frente, mas é louvável ver o quanto cada capítulo se esforça para contar tramas que respondam esses questionamentos ou que introduzem novos e instigantes conceitos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre o Deus da Trapaça e sua variante é um dos grandes trunfos da série, chegando de fininho em um episódio que foi </span><a href="https://www.deseret.com/2021/6/23/22546830/loki-episode-3-review-lamentis"><span style="font-weight: 400;">erroneamente considerado como um </span><i><span style="font-weight: 400;">filler</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> por alguns fãs por não conter muitas respostas, mas que apresenta muito bem a dinâmica entre as duas personagens e estabelece o tom da segunda metade da temporada. Não é nada menos do que poético que a tentativa mais sincera da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/como-surgiu-romance-entre-loki-e-sylvie-roteirista-responde/"><span style="font-weight: 400;">introduzir uma trama romântica</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu universo venha de Loki, o personagem que uma vez provocou Thor (Chris Hemsworth) por conta de seu romance com a mortal Jane Foster (Natalie Portman) em </span><a href="https://personaunesp.com.br/thor-marvel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Thor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mais de 10 anos atrás.</span></p>
<figure id="attachment_21984" aria-describedby="caption-attachment-21984" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21984" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-4.jpg" alt="Cena da primeira temporada de Loki. Sylvie (Sophia Di Martino) e Loki (Tom Hiddleston) se enfrentam na frente do elevador que leva até os Guardiões do Tempo. Sylvie, caucasiana e de cabelos loiros e que vão até os ombros, usa um uniforme de couro de combate preto com poucos adereços dourados, por baixo de um sobretudo negro. Em sua testa, uma tiara de chifres dourados e curvos (o chifre esquerdo está partido). Ela segura uma espada com a mão direita, apontada para Loki, e com a esquerda segura o braço direito dele. Loki, caucasiano de cabelos negros até os ombros, usa uma jaqueta de tom pastel com o emblema alaranjado da AVT na parte esquerda, segurando o braço de Sylvie com uma mão enquanto a outra se fecha num punho em direção à ela. Atrás deles, o elevador da AVT com portas douradas e ilustrações em relevo em forma de ampulhetas. O elevador é cercado por mármore negro com linhas quadradas douradas adornando a porta. A cena é iluminada por uma cor amarela refletida nas portas do elevador." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-4-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-4-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-4-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21984" class="wp-caption-text">Será que Loki está destinado a sempre dar soco em ponta de faca? (Foto: Disney/Marvel)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É claro que já houveram subtramas românticas em filmes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Thor </span></i><span style="font-weight: 400;">teve provavelmente a mais acentuada), mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Loki</span></i><span style="font-weight: 400;"> marca a primeira vez em que tal gênero </span><a href="https://www.theringer.com/tv/2021/7/19/22582779/loki-romance-sylvie-marvel-cinematic-universe"><span style="font-weight: 400;">assume o primeiro plano da história</span></a><span style="font-weight: 400;"> e guia as ações de seu personagem. Não só isso, mas o fato de Loki estar apaixonado por uma versão alternativa de si mesmo molda a narrativa e introduz um nível de profundidade até então inexplorado pela Casa das Ideias. Nas palavras da diretora da série, Kate Herron:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">É muito caótico se apaixonar por uma versão de si mesmo, mas ao mesmo tempo é uma ideia tão ruim e tão travessa, que é claro que o Loki se apaixonaria por si mesmo. Mas ele também é um personagem que precisa vencer seus demônios e encontrar o bem em si mesmo para poder seguir nessa jornada de redenção. No centro de tudo isso temos essa história de amor e ninguém se apaixona na hora certa.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<p><em><span style="font-weight: 400;">Kate Herron, “</span></em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ADSd_5eJFVA"><span style="font-weight: 400;">Avante: Os Bastidores de Loki</span></a><em><span style="font-weight: 400;">”</span></em></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora Loki e Sylvie iniciem essa jornada como inimigos, a ameaça de uma lua explodindo sob suas cabeças logo faz com que ambos reconsiderem suas desavenças e comecem a trabalhar juntos. No </span><a href="https://twitter.com/LokiOfficial/status/1408062360883970048?s=20"><span style="font-weight: 400;">menor episódio da temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">, Hiddleston e Di Martino introduzem uma química singular e incendiária no enredo e nos fazem ansiar cada vez mais por todos os momentos que partilham. Durante a fuga, os dois tem uma conversa honesta sobre família, amor e até mesmo sexualidade, na qual Loki </span><a href="https://www.omelete.com.br/marvel-cinema/loki-bissexual-por-que-importa"><span style="font-weight: 400;">revela ser bissexual</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_21985" aria-describedby="caption-attachment-21985" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21985" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-5.jpeg" alt="Cena da primeira temporada de Loki. Loki e Sylvie conversam em uma locomotiva alienígena. Loki, à esquerda, caucasiano de cabelos que vão até os ombros, usando um uniforme azul futurista de gola alta, sorri para ela. Sylvie, à direita, caucasiana de cabelos loiros até os ombros, usa um uniforme de couro de combate preto com poucos adereços dourados, por baixo de um sobretudo negro. Em sua testa, uma tiara de chifres dourados e curvos (o chifre esquerdo está partido). Olha seriamente para Loki, com o esboço de um sorriso nos lábios. Atrás deles, o outro lado da locomotiva, com janelas em formato de losango dos dois lados e um bar no centro do vagão, com dois outros passageiros conversando de pé, fora de foco. A cena é iluminada por um tom púrpura, com a parede oposta aos personagens iluminada por lâmpadas verdes que revelam padrões geométricos nela." width="2500" height="1373" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-5.jpeg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-5-800x439.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-5-1024x562.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-5-768x422.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-5-1536x844.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-5-2048x1125.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-5-1200x659.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21985" class="wp-caption-text">Em um diálogo <a href="https://twitter.com/iamkateherron/status/1407633677484539906?s=20">revelador e sensível</a>, Loki e Sylvie finalmente abaixam suas guardas e encontram no outro algo que talvez reconheçam (Foto: Disney/Marvel)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Onde um é oportunista e manipulativo, a outra é reativa e agressiva, e parte do que torna a dinâmica entre os dois tão intoxicante é como juntos eles conseguem realçar suas melhores qualidades e superar suas maiores falhas. Depois de passarem doze horas tentando sobreviver em um planeta prestes a morrer, quando Loki suavemente diz à Sylvie que acha ela incrível e eles dão as mãos, somos deixados com a impressão de que algo verdadeiramente monumental está acontecendo. Algo capaz de mudar o universo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é por acaso que o </span><i><span style="font-weight: 400;">crush</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Loki consigo mesmo comece à beira do fim do mundo. No segundo episódio, a ideia de que Sylvie se esconde em apocalipses é introduzida, já que os cataclismas ocultam qualquer alteração que a personagem possa fazer na Linha do Tempo Sagrada. Mitologicamente, faz todo sentido Loki ver no fim do mundo uma oportunidade: o deus é intimamente relacionado com a vinda do </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/mitologia/ragnarok-fim-universo-nordico.htm"><span style="font-weight: 400;">Ragnarok </span></a><span style="font-weight: 400;">na mitologia nórdica, onde seus filhos são responsáveis por grande parte da batalha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sylvie diz a ele, momentos antes do fim de Lamentis-1: “</span><i><span style="font-weight: 400;">O universo quer se libertar, então manifesta caos. Como eu ter nascido a Deusa da Mentira</span></i><span style="font-weight: 400;">”, uma fala que revela não só algo sobre ela como também sobre o papel fundamental dos Lokis no universo. Apesar de adotar atitudes vilanescas em todas as suas aparições, ele é primordialmente um desafio à ordem e aos limites, uma resposta às tentativas de contenção e controle e por isso tira sua força de apocalipses, por ser tanto herói quanto vilão, ser tanto sábio quanto é tolo, de ser uma dualidade e um paradoxo em si mesmo, um narcisista egoísta cujo maior medo é ficar sozinho.</span></p>
<figure id="attachment_21986" aria-describedby="caption-attachment-21986" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21986" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-6.jpg" alt="Cena da primeira temporada de Loki. Loki (Tom Hiddleston) está assistindo a todos os momentos de sua vida na sala de interrogatório da AVT. Loki, caucasiano de cabelos pretos até o ombro, usa o uniforme pastel de prisioneiro da AVT, vestindo uma camisa azul clara por baixo e usando uma coleira preta com bordas laranjas e um aviso de perigo. Sua cara está contorcida em um choro vulnerável e dolorido. Atrás e à esquerda dele, a porta da sala se estende do chão ao teto com uma cor acobreada. À direita,as paredes brancas da sala, iluminadas por uma única luz branca vinda do teto, que ilumina apenas um feixe reto para baixo." width="1200" height="722" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-6.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-6-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-6-1024x616.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-6-768x462.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21986" class="wp-caption-text">Se você pudesse ver sua vida inteira, do início ao fim, seria realmente tão irreal assim querer mudar? (Foto: Disney/Marvel)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante seu memorável período no Vazio, o lugar para onde a AVT manda as linhas temporais “podadas”, Loki conhece diversas versões de si mesmo e é obrigado a enfrentar de cara as diversas características que o definem e finalmente encarar os sentimentos que tem por sua variante. É Sylvie que primeiro percebe a oportunidade de usar o carcereiro deles, Alioth, como uma porta para achar a pessoa por trás de tudo, reafirmando o poder de Loki sobre os apocalipses. É um testamento à força do roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Loki </span></i><span style="font-weight: 400;">o Vazio ter sido utilizado não apenas como um parque de </span><i><span style="font-weight: 400;">easter eggs</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">(afinal, quem reclamaria de um bom e velho </span><a href="https://olhardigital.com.br/2021/07/07/cinema-e-streaming/loki-easter-eggs-e-referencias-do-quinto-episodio/"><span style="font-weight: 400;">Thanoscoptero</span></a><span style="font-weight: 400;">?), mas como uma invenção para externalizar legitimamente os conflitos de seu protagonista e fazer ele superar seus limites.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série está na sua melhor forma quando assume as qualidades do próprio Loki, sendo duas coisas ao mesmo tempo com resultados caóticos: ao mesmo tempo uma ficção científica das antigas e uma adição moderna ao cânone do </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU</span></i><span style="font-weight: 400;">; um estudo de personagem intimista e uma expansão repentina e até mesmo violenta da realidade em que esse personagem vive; equilibrando a arquitetura brutalista e déco dos escritórios da AVT com paisagens históricas ou alienígenas; fazendo bom uso de sintetizadores em sua </span><a href="https://open.spotify.com/album/5Wc11R3nufO8ZAFFhvBGEe?si=fITXptDLSkedAmYR9DTyMg&amp;dl_branch=1"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora futurista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e logo depois introduzindo uma reinterpretação da </span><a href="https://screenrant.com/classic-loki-alioth-music-ride-valkyries-asgardian-link/"><span style="font-weight: 400;">ópera de </span></a><a href="https://screenrant.com/classic-loki-alioth-music-ride-valkyries-asgardian-link/">Richard Wagner</a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_21987" aria-describedby="caption-attachment-21987" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-7.jpg" alt="Cena da primeira temporada de Loki. Algumas das outras variantes de Loki presas no Vazio, olhando para o Loki que acabou de acordar. Da direita para a esquerda: Loki Clássico (Richard E. Grant), caucasiano, idoso, usando um collant de cores verdes e amarelas vibrantes, uma capa e um par de chifres dourados longos e curvos em seu capacete, segurando uma bolsa com o braço direito. Agachado no centro da figura, Loki Criança (Jack Veal), caucasiano, cabelos longos e curvados, vestindo um uniforme verde escuro com adornos dourados com o símbolo dos dois chifres em “V”, uma tiara dourada com esse mesmo símbolo, as alças de uma mochila visíveis em seu ombro. Ele segura o Loki Jacaré, um jacaré com um pequeno elmo dourado com chifres curtos. Do lado dele, Loki Orgulhoso (Deobia Oparei), negro e careca, usando uma armadura de couro verde com um colar dourado, segurando um martelo rústico na mão direita. Atrás deles, as ruínas de uma grande cidade, cobertas por um céu cinza." width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-7.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-7-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/loki-7-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21987" class="wp-caption-text">Loki encontra em sua disparidade sua maior força (Foto: Disney/Marvel)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um final de temporada que desafia a distinção entre “meditativo” e “entediante”, </span><i><span style="font-weight: 400;">Loki</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mantém fiel à esse glorioso propósito mitológico, com Loki ao mesmo tempo apaixonado e em guerra consigo mesmo, uma dança de facas e beijos que entrega tanto uma conclusão para as tramas apresentadas nesse primeiro ciclo quanto uma promessa do que há por vir. Com uma confirmação surpresa de uma segunda temporada sendo desenvolvida, as implicações de seu final traçam os pontos iniciais da Fase 4 no Cinema e na Televisão. Com </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-news/loki-renewed-for-season-2-at-disney-1234981743/"><span style="font-weight: 400;">rumores</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que o personagem esteja escalado para aparecer em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Doctor Strange in the Multiverse of Madness</span></i><span style="font-weight: 400;">, Loki se posiciona como uma das peças chaves para a continuação da saga dos Maiores Heróis da Terra no futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda há problemas clássicos herdados do modelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">: personagens como a juíza Renslayer de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-morning-show-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gugu Mbatha-Raw</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o misteriosamente-nomeado </span><i><span style="font-weight: 400;">“Aquele Que Permanece”</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/lovecraft-country-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Majors</span></a><span style="font-weight: 400;"> têm pouca caracterização com o qual trabalhar, e recebem a promessa de serem explorados em produções futuras. O relacionamento complicado de Mobius com Renslayer tem um final morno no sexto episódio, salvo pelas excelentes interpretações, mas que faz pouco pelos personagens, enquanto o monólogo expositivo de Majors nos deixa definitivamente intrigados, mas sua personalidade fica diluída nas toneladas de informação que ele despeja.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como o deus no qual foi inspirado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Loki </span></i><span style="font-weight: 400;">é caótica, trágica, divertida, cruel e profundamente romântica, dando diversas oportunidades para que Tom Hiddleston exiba seus talentos teatrais na reinvenção de um dos personagens mais marcantes de sua carreira. E, graças a um elenco excepcional, um roteiro singular e uma direção travessa, somos deixados ansiando por mais desse personagem, e de todas as variações deles que podem existir. Especialmente aquelas que sabem que não estão mais sozinhas.</span></p>
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