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	<title>Arquivos Retrato Social &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Carvão queima o retrato da família tradicional brasileira</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 17:26:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Quão falsas podem ser as interações da família que vemos todos os domingos com suas bíblias e crucifixos em mãos? Essa e outras reflexões similares são a proposta de Carvão, filme brasileiro dirigido por Carolina Markowicz. Entre tons hiperbólicos e reviravoltas, a produção se debruça sobre as contrariedades da moral humana. Parte da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/carvao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Carvão queima o retrato da família tradicional brasileira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29135" aria-describedby="caption-attachment-29135" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-29135" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1.jpg" alt="" width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1-768x415.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29135" class="wp-caption-text">O enredo explosivo de Carvão faz parte da lista da seção Mostra Brasil da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quão falsas podem ser as interações da família que vemos todos os domingos com suas bíblias e crucifixos em mãos? Essa e outras reflexões similares são a proposta de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme brasileiro dirigido por Carolina Markowicz. Entre tons hiperbólicos e reviravoltas, a produção se debruça sobre as contrariedades da moral humana. Parte da seção Mostra Brasil da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o longa desmonta a farsa do conservadorismo e a transforma em cinzas. </span></p>
<p><span id="more-29130"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história nos guia pelas vidas de Irene (</span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/maeve-jinkings-sobre-carvao-o-absurdo-do-filme-talvez-soe-familiar"><span style="font-weight: 400;">Maeve Jinkings</span></a><span style="font-weight: 400;">), o filho Jean (Jean Costa) e o marido Jairo (Rômulo Braga). A protagonista acumula responsabilidades com o trabalho, cuidados com a casa e com a família, e ainda tem um pai doente e acamado para somar às demandas. Enquanto isso, o esposo se mostra machista e impaciente, mas nada interessado em trabalhar para contribuir com os interesses da residência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica </span><a href="https://cultura.uol.com.br/noticias/18293_sobrecarga-da-mulher-aumenta-e-atrapalha-vida-profissional-o-que-as-empresas-tem-a-ver-com-isso.html"><span style="font-weight: 400;">desigual</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mostra insustentável e, é claro,  na primeira oportunidade o fio que segura os princípios éticos é o primeiro a se romper. Cansada de lidar com o parente, Irene recebe uma proposta irrecusável da nova enfermeira do posto de saúde. A solução é simples e mata dois coelhos com uma cajadada só: se livrar do pai enfermo e ganhar uma boa quantia em dinheiro. </span></p>
<figure id="attachment_29137" aria-describedby="caption-attachment-29137" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29137" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-2-1.jpg" alt="" width="750" height="422" /><figcaption id="caption-attachment-29137" class="wp-caption-text">Carvão, co-produção Brasil-Argentina, foi exibido nos festivais de Toronto, San Sebastian e Rio (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sumir com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/plano-75-critica/"><span style="font-weight: 400;">idoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> é fácil, ele não se movimenta sozinho e a família é dona de uma carvoaria com o forno grande o suficiente para que uma pessoa desapareça. A parte difícil vem depois, com a hospedagem de um argentino foragido por tráfico dentro de casa. A situação se desenrola em incômodo e encorajamento, e a chegada de Miguel (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4HK40llCP7A"><span style="font-weight: 400;">César Bordon</span></a><span style="font-weight: 400;">) desperta em cada personagem uma reação singular. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pouco tempo, a presença do estrangeiro revela a frustração do casamento de Irene e Jairo. A mulher passa a ver na visita uma forma de expor seus desejos, iniciando uma tentativa de sedução e adultério. A infelicidade é mútua, o marido, versado em uma </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/17-de-maio-a-homofobia-como-produto-do-machismo/"><span style="font-weight: 400;">virilidade danosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, na realidade mantém um caso amoroso com o vizinho. No meio das pontas soltas temos Jean, a criança lidando com uma criação tão ausente a ponto de ver no traficante uma oportunidade de afeto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme cada uma dessas questões nos vai sendo apresentada, mais absurdo todo o cenário parece. Ao mesmo tempo, as peças se movimentam com uma fluidez ímpar, promovida pelas características atraentes do roteiro – também assinado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vp9LeV2N5PU"><span style="font-weight: 400;">Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com elementos simples e uma casa pouco luxuosa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue nos levar para um universo muito identificável na </span><a href="https://personaunesp.com.br/paloma-critica/"><span style="font-weight: 400;">sociedade brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> atual, aquele em que a imagem familiar é puramente um produto da hipocrisia. </span></p>
<figure id="attachment_29132" aria-describedby="caption-attachment-29132" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29132" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3.jpg" alt="" width="2400" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29132" class="wp-caption-text">Carvão tentou vaga para representar o Oscar 2023, ao lado de títulos como Marte Um e Paloma (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das maiores influências da capacidade arrebatadora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;"> são as atuações. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=T0nAOkzkxgw"><span style="font-weight: 400;">Maeve Jinkings</span></a><span style="font-weight: 400;"> estrela as cenas com tanta naturalidade e verdade que somos capazes de sentir a tensão presente em seus movimentos inquietos, exposta a cada possibilidade de alguém encontrar Miguel escondido no quarto de seu pai. O traficante também não fica para trás e, de maneira sincera, César Bordon cria um personagem encantador – mesmo esse ironicamente sendo o único a assumir seus desvios de moral.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O destaque fica para o desempenho de Jean, que, com a típica sinceridade das crianças, dá à narrativa os pingos cômicos necessários. Sua performance também carrega uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/marte-um-critica/"><span style="font-weight: 400;">sensibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase dolorosa: em diversos momentos, ao presenciar as cenas grotescas da atitude dos pais, vemos as </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/negligencia-e-a-forma-de-violencia-mais-comum-contra-criancas-e-adolescentes/"><span style="font-weight: 400;">consequências</span></a><span style="font-weight: 400;"> refletidas em sua composição como ser humano. Instintivamente, a vontade do telespectador é tirar a criança de dentro da tela e a proteger de toda a crueldade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção fotográfica da produção também não poderia ser melhor. As escolhas do diretor de fotografia, </span><a href="https://www.pepemendes.com/"><span style="font-weight: 400;">Pepe Mendes</span></a><span style="font-weight: 400;">, reforçam o cenário autêntico que abriga a narrativa, sem perder o foco nas feições. As imagens ainda abraçam pequenos detalhes, como o suor e a sujeira nas peles da família, a fumaça da carvoaria e o plano geral com a presença da natureza característica das pequenas cidades brasileiras.  </span></p>
<figure id="attachment_29138" aria-describedby="caption-attachment-29138" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29138" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1.jpg" alt="" width="1300" height="731" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29138" class="wp-caption-text">Carvão chega aos cinemas brasileiros no dia 03 de novembro (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;"> não precisa de muito para levantar grandes reflexões, sendo capaz de gerar debates sobre o valor do idoso no Brasil, a negligência com a infância e os limites das aparências. À primeira vista, sua história pode parecer um exagero, mas se pensarmos bem o disparate mora ao lado. E exatamente por isso o filme consegue nos prender: tudo é tão ficcional quanto um </span><a href="https://personaunesp.com.br/pacto-brutal-o-assassinato-de-daniella-perez-critica/"><span style="font-weight: 400;">assassino que defende a moral, a pátria e a família</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como acontece na vida, muitas vezes nossos erros são pagos por terceiros. Irene e Jairo têm seus desfechos como começos, em uma </span><a href="https://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/06/27/conservadorismo-religiao-e-politica-um-dialogo-entre-brasil-e-argentina/"><span style="font-weight: 400;">igreja</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ninguém parece ter medo do julgamento dos céus e muito menos do dos homens, aquilo que permanece no fogo vira cinza e não fantasma. Para Jean, o caminho parece pautado pelo sangue da mão dos pais &#8211; infelizmente alguém carrega as pedras do caminho, é inevitável. O importante é que em nome do pai, do filho e do Espírito Santo, a mesa do jantar permaneça intacta. </span></p>
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		<title>A morte é corporativa em Plano 75</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2022 21:19:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Em um Japão não muito distante, na tentativa de lidar com o envelhecimento da sociedade e aliviar o sufocamento econômico promovido pela política neoliberal, é criado um programa que encoraja cidadãos idosos a serem voluntários de eutanásia. A política em torno do projeto é simples: encurtar institucionalmente a vida dessas pessoas, oferecendo uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/plano-75-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A morte é corporativa em Plano 75"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29118" aria-describedby="caption-attachment-29118" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29118 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29118" class="wp-caption-text">Com uma menção especial do prêmio Camera d&#8217;Or na seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes, Plano 75 integrou a Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um Japão não muito distante, na tentativa de lidar com o envelhecimento da sociedade e aliviar o sufocamento econômico promovido pela política neoliberal, é criado um programa que encoraja cidadãos idosos a serem voluntários de eutanásia. A política em torno do projeto é simples: encurtar institucionalmente a vida dessas pessoas, oferecendo uma recompensa de 100 mil ienes pelo sacrifício, que podem ser gastos livremente com o objetivo de fornecer o necessário para um “último desejo”. Esse é o enredo de </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/plan-75-review-1235403356/"><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (<em>Plan 75</em>), a distopia necropolítica dirigida e roteirizada por </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/artist/chie-hayakawa-4"><span style="font-weight: 400;">Chie Hayakawa</span></a><span style="font-weight: 400;">, que integra a Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29117"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Submissão do Japão na corrida pelo </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,oscar-2023-filme-marte-um-vai-representar-o-brasil-na-categoria-melhor-longa-internacional,70004142320"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme tem poucos diálogos e longos silêncios, nos quais se revela de forma pungente a maneira a qual os mais velhos têm sido esquecidos em governos neoliberais e suas políticas “jovens”. Em uma das cenas, Michi (Chieko Baisho), uma idosa demitida de seu emprego como camareira de hotel, questiona, ao utilizar um computador compartilhado, o porquê ele não está funcionando. Ao chegar para “ajudá-la”, a funcionária mais jovem, com apenas alguns cliques, diz que “</span><i><span style="font-weight: 400;">está tudo funcionando normalmente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e dá as costas. Sem explicações, Michi pergunta-se: “</span><i><span style="font-weight: 400;">o que estava errado</span></i><span style="font-weight: 400;">?”. Nessa cena, Hayakawa sintetiza toda a força por trás da história: vistos como párias e pesos nessa sociedade distópica – que, como toda distopia, guarda muitas similaridades com a realidade –, não há tempo ou interesse para explicar qualquer mudança social. O ritmo é, simplesmente, outro.</span></p>
<figure id="attachment_29119" aria-describedby="caption-attachment-29119" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29119 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29119" class="wp-caption-text">Produzido no Japão, França, Filipinas e Catar, o longa também foi exibido nos festivais de Toronto e Karlovy Vary (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com respostas sempre hostis aos seus pedidos de ajuda, a personagem entrega-se totalmente à solidão. Sem conseguir encontrar outro emprego, a idosa é seduzida pelo Plano 75, o projeto governamental que recebe pessoas a partir de 75 anos para o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/09/13/jean-luc-godard-recorreu-ao-suicidio-assistido-diz-jornal.ghtml"><span style="font-weight: 400;">suícidio assistido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o “sucesso” do programa, em pouco tempo idosos de 65 anos também começam a ser aceitos. O roteiro permite entender que, uma vez instaurada, a política de mortes é cada vez mais abrangente, visando conquistar toda a sociedade mais pobre, independentemente da idade. O que se torna evidente na trama de Michi é que ela precisa, na verdade, de companhia e amizade, mas o governo oferece ainda mais isolamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A solidão cortante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i> <span style="font-weight: 400;">concentra-se nas necropolíticas </span><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/realismo-capitalista/"><span style="font-weight: 400;">neoliberais</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que a morte e a vida tornam-se, elas próprias, objetos de mercadoria e privatização. Com inscrições apenas presencialmente e via telefone, com atendimento 24 horas por dia, sete dias por semana – já que os idosos encontram dificuldades em inscrições pelo computador –, o projeto revela uma cultura mobilizada em empurrar corporativamente a morte aos indivíduos mais pobres, visto que esse esforço para atender suas solicitações de encerramento da vida não chega nem perto das integrações tecnológicas promovidas pelo Estado.</span></p>
<figure id="attachment_29120" aria-describedby="caption-attachment-29120" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29120 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2.jpeg" alt="" width="990" height="660" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2.jpeg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29120" class="wp-caption-text">Plano 75 é o primeiro longa-metragem da japonesa Chie Hayakawa (Foto: Julie Sebadelha/AFP)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa necropolítica também foi explorada recentemente em </span><a href="https://www.omelete.com.br/hbo-max/tokyo-vice-segunda-temporada-hbo-max"><i><span style="font-weight: 400;">Tokyo Vice</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022), série do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Max </span></i><span style="font-weight: 400;">baseada no livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535918472/toquio-proibida"><i><span style="font-weight: 400;">Tóquio Proibida</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2009), do jornalista investigativo Jake Adelstein. O que parece ser uma diferença nas duas obras na verdade aponta para uma realidade incômoda entre elas. Enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Tokyo Vice</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata da investigação acerca dos suicídios de idosos nas ruas da capital do Japão, e a ligação dessas mortes com a Yakuza (a fim de proteger a família, os idosos se matam para pagar, com o seguro de vida, as dívidas que a máfia construiu com os juros, descobrindo-se posteriormente que, pelo valor pago, o seguro de vida desses idosos sempre foi o foco dos </span><i><span style="font-weight: 400;">gangsters</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> aponta para as políticas públicas que têm o mesmo objetivo da máfia japonesa: exterminar os idosos, cujo movimento compartilha de forma similar obter os mesmos fins econômicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso grande parte do enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> consiste na representação da frieza dos sistemas corporativistas. Chie Hayakawa evita o sentimentalismo no roteiro, e reflete as personagens como simples </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">corpos em dominação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Há outras duas histórias paralelas às de Michi: a de Hiromi (Hayato Isomura), um funcionário do programa que oficializa os contratos com os idosos e se vê atingido pessoalmente quando seu tio inscreve-se no Plano 75 – alimentando sua autoconsciência de que o abandonou quando chegou à vida adulta –, e Maria (Stefanie Arianne), uma imigrante filipina que trabalha efetivamente no necrotério dos idosos.</span></p>
<figure id="attachment_29121" aria-describedby="caption-attachment-29121" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29121 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29121" class="wp-caption-text">Embora Plano 75 pareça ser sobre o envelhecimento, na verdade alerta para a importância da comunidade (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, é a relação entre Michi e Yoko (Yuumi Kawai), uma das telefonistas de atendimento ao programa, que estabelece a possível moral do longa de 105 minutos. Preservando um diálogo constante com Yoko, visto que as telefonistas mantém o contato frequente com os interessados até a consolidação das mortes, Michi – sem filhos ou parentes, e que encontra sua única amiga, também idosa, morta na cozinha de casa – sugere que as duas se conheçam pessoalmente. Ela é informada que clientes e funcionários não têm permissão para isso, na tentativa de evitar que se </span><a href="https://personaunesp.com.br/madeira-e-agua-critica/"><span style="font-weight: 400;">apeguem emocionalmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou, pior, que os idosos mudem de ideia sobre a eutanásia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da resistência, próximo ao fim do filme, Yoko, que sempre foi uma ouvinte disposta a realmente escutar as infinitas histórias de Michi, se encontra com ela. Michi entrega todo o dinheiro que recebeu, e diz que esse foi seu “</span><i><span style="font-weight: 400;">último desejo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os encontros hiper controlados e cronometrados entre a idosa e a representante normalmente impassível do Estado e da própria morte – que, sob o contexto do filme, são a mesma coisa – dão lugar a uma felicidade genuína, embora pouco duradoura. Alertando para a </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/triangle-of-sadness-de-ruben-ostlund-vence-a-palma-de-ouro-em-cannes.shtml"><span style="font-weight: 400;">importância da comunidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> – mais do que para as políticas de extermínio dos governos –, </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra que, a despeito de Michi desistir da eutanásia ou não, sempre será tarde demais para ela; todas as coisas não ditas entre gerações, agora, foram institucionalizadas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="‘Plan 75’: first trailer for Japanese Cannes Un Certain Regard title" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/12tjqwfuzDg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O fantasma da gentrificação assombra Distopia</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Oct 2022 17:43:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori Se a vida real, capturada em seu fluxo, for passível de ser ficcionalizada para ser compreendida, o documentário português Distopia (2021) é um filme de terror que desde seu início já desmascara os seus monstros. Representando Portugal no repertório da Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o filme &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/distopia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O fantasma da gentrificação assombra Distopia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28884" aria-describedby="caption-attachment-28884" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28884" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3.jpg" alt="Cena do documentário Distopia. A foto é uma captura de um dos trechos do filme Distopia. Quatro prédios amarelos — parte do conjunto habitacional do bairro do Aleixo — estão sendo demolidos. O prédio da direita cai em meio a fumaça, abaixo se encontram outras habitações e um terreno verde." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28884" class="wp-caption-text">O documentário chega à Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo carregando o prêmio HBO Portugal para Melhor Filme da Competição Portuguesa no DocLisboa International Film Festival 2021 (Foto: Bando a Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a vida real, capturada em seu fluxo, for passível de ser ficcionalizada para ser compreendida, o documentário português </span><a href="https://46.mostra.org/filmes/distopia"><i><span style="font-weight: 400;">Distopia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021) é um filme de terror que desde seu início já desmascara os seus monstros. Representando Portugal no repertório da Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o filme introduz o fantasma da </span><a href="https://jornaleconomico.pt/noticias/o-processo-de-gentrificacao-em-curso-nas-cidades-e-periferias-de-lisboa-e-porto-264850"><span style="font-weight: 400;">gentrificação</span></a><span style="font-weight: 400;"> como o motor dos desterramentos e demolições que atravessam a cidade do Porto, em um retrato de treze anos da vida dos bairros de Bacelo, Aleixo e Fontainhas. Dirigido por Tiago Afonso, a forma documental encontra sua força ao direcionar a câmera tanto aos sujeitos atravessados por essa desterritorialização quanto aos espaços e ruínas, o que constitui uma espécie de anti-documento nessa condição de filmar o que está na iminência de não mais existir.</span></p>
<p><span id="more-28883"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Distopia </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma narrativa audiovisual de emergência, na qual o imediatismo da filmagem é evidenciado por um gesto que, em um primeiro momento, quase não é cinematográfico. É mais uma construção de um álibi aos processos de injustiça vivenciados pelas pessoas, tanto as hostis quanto as receptivas às lentes de Afonso. O primeiro capítulo é pontuado em 2007, enquanto o espectador acompanha uma comunidade cigana, habitante das barracas da Rua do Bacelo, em suas tentativas de </span><a href="https://www.jpn.up.pt/2007/03/27/criticas-a-actuacao-da-camara-do-porto-no-bacelo/"><span style="font-weight: 400;">resistência ao despejo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de articulação com o poder público, personalizado pela figura de Rui Rio, o Presidente da Câmara Municipal do Porto na época. O diretor intercede nas discussões — em defesa da ocupação —, além de traçar uma tentativa de reinstalação da experiência pública de comunidade, sob a ótica da comunidade.</span></p>
<figure id="attachment_28885" aria-describedby="caption-attachment-28885" style="width: 1608px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28885" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2.jpg" alt="Cena do filme Distopia. Ao fundo, as barracas no bairro do Bacelo, onde encontram-se pedaços de madeira empilhados e, à direita, um trailer branco. Em um pedaço de madeira branco, uma lona vermelha está jogada, enquanto uma bandeira está amarrotada e enrolada, suspensa no ar." width="1608" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2.jpg 1608w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-800x537.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-1024x688.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-768x516.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-1536x1032.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-1200x806.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28885" class="wp-caption-text">No documentário de Afonso, a cidade do Porto é atravessada pela especulação imobiliária desenfreada e pelo silenciamento das tradições locais (Foto: Bando a Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, os furtivos registros não eram feitos com o intuito de uma unidade narrativa, sendo ligados posteriormente pela brutal espinha dorsal que é a constância dessas violências. Talvez fosse possível compor um longa-metragem interminável, no qual ainda residiria o </span><a href="https://www.jpn.up.pt/2021/11/26/urgencia-resignacao-e-magoa-uma-conversa-com-tiago-afonso-sobre-a-distopia-que-dedicou-ao-porto/"><span style="font-weight: 400;">ativismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do fazer Cinema na luta para evitar que lares e histórias fossem despossuídas. Tanto que as gravações nos conjuntos habitacionais do Aleixo e na Feira da Vandoma, em Fontainhas, inicialmente pareciam ser paralelas. No entanto, logo se revelaram tangentes pelo mesmo futuro: a aniquilação de qualquer alternativa de </span><a href="https://observador.pt/especiais/distopia-durante-13-anos-tiago-afonso-filmou-o-porto-que-desapareceu-quando-os-bairros-ficaram-vazios/"><span style="font-weight: 400;">vivência coletiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> em prol do modelo capitalista de cidade funcionalista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os treze anos encapsulados em 62 minutos instigam, para além de um atestado da permanência dos movimentos de desalojamento, uma reflexão sobre a permanência desses lugares e dessas personagens na memória coletiva. Esse esforço se expressa no exercício de Afonso de colocar as crianças moradoras do Aleixo detrás das câmeras, tornando-as diretoras, em um exercício de descrição de suas colegas frente às câmeras. Essa é uma das tentativas de dar voz à materialidade dos afetos e da infância, perdida pela destruição de inúmeras moradas sob o pretexto de </span><a href="https://www.publico.pt/2022/01/21/p3/fotogaleria/aleixo-foram-torres-ficou-consumo-407396"><span style="font-weight: 400;">sanitização social</span></a><span style="font-weight: 400;"> frente ao tráfico de drogas, além de, claro, deixar o terreno pronto a projetos arquitetônicos de luxo. </span></p>
<figure id="attachment_28886" aria-describedby="caption-attachment-28886" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28886" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4.jpg" alt="Cena do filme distopia. Embaixo de um viaduto, no primeiro plano da imagem, duas mulheres ciganas estão lado a lado. A da esquerda olha para cima, a algo distante da câmera. Usa uma blusa alaranjada, um cordão dourado no pescoço. Seus cabelos são negros e presos em um rabo de cavalo. Ao seu lado, a outra mulher olha para baixo, com uma jaqueta fechada cinza, estampada de estrelas. Seus cabelos negros estão presos em um coque. Ao fundo, um pedaço de escassa vegetação." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28886" class="wp-caption-text">O aburguesamento da cidade é um personagem oculto – porém onisciente – sobre histórias que refletem a modificação dos tecidos sociais urbanos (Foto: Bando a Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De 2007 a 2021, </span><a href="https://vimeo.com/646630124?embedded=true&amp;source=vimeo_logo&amp;owner=31954675"><i><span style="font-weight: 400;">Distopia </span></i></a><span style="font-weight: 400;">é uma teoria de gentrificação que renega prédios modernizados e apáticos, escolhendo desenvolver a experiência através da voz daqueles que foram mutilados por seus efeitos. Além do passeio temporal, subjetivo e geográfico</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">o título português é também um perambular estético sobre a transformação das fontes visuais e sonoras que estruturam os retratos de despossessão das comunidades de suas habitações e de suas práticas de sociabilidade. O objeto do olhar é variado: ratos mortos, destroços, multidões e barracos improvisados tomam a tela. Embaixo de viadutos, com caixas de som e olhares distantes, se rememoram as (re)existências de outros modos de viver em outros ritmos. Memórias essas de quando se era possível existir em um espaço com liberdade; onde reinava a brincadeira de crianças contra a crueza de uma cidade que não mais é um direito, mas sim um </span><a href="https://mag.sapo.pt/cinema/atualidade-cinema/artigos/distopia-de-tiago-afonso-mostra-gentrificacao-da-cidade-no-porto-post-doc"><span style="font-weight: 400;">decreto de expulsão</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Os Donos da Casa perde de 7&#215;1</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2021 17:08:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan 60 segundos. Esse é o tempo definido pela FIFA para a execução do hino nacional, mas, naquele 12/06/2014, a torcida brasileira parecia não ligar para as determinações. A emoção transbordava na Arena Corinthians, palco de Brasil x Croácia, jogo que abriu a Copa do Mundo de 2014, e a plenos pulmões a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-donos-da-casa-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Donos da Casa perde de 7&#215;1"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24351" aria-describedby="caption-attachment-24351" style="width: 5760px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc.png" alt="Cena do documentário Os Donos da Casa. Ao centro vemos duas pessoas de costas caminhando apoiadas uma na outra. À esquerda está um homem branco. Ele veste camiseta amarela, calça cinza e sapato fechado. Seu cabelo é curto e grisalho. À direita está uma criança. Ele veste camisa vermelha de gola branca, bermuda vermelha e chinelo. Seu cabelo é preto, liso e um pouco abaixo da orelha. Sua mão esquerda está passada na cintura do outro homem, apoiando ele a andar. Eles estão sob um trilho de trem e a segundo plano vemos um céu claro e à direita o brilho do sol." width="5760" height="3240" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc.png 5760w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc-2048x1152.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24351" class="wp-caption-text">Exibido na 45ª Mostra internacional de Cinema em São Paulo, Os Donos da Casa faz parte da Mostra Brasil e da Competição Novos Diretores (Forward &#8211; Imagens que Movem)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">60 segundos. Esse é o tempo definido pela FIFA para a execução do hino nacional, mas, naquele 12/06/2014, a torcida brasileira parecia não ligar para as determinações. A emoção transbordava na Arena Corinthians, palco de</span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2014/06/13/interna_mundo,432574/hino-cantado-a-capela-emociona-jornalistas-estrangeiros.shtml"><span style="font-weight: 400;"> Brasil x Croácia</span></a><span style="font-weight: 400;">, jogo que abriu a Copa do Mundo de 2014, e a plenos pulmões a arquibancada gritou os versos mandando apoio aos jogadores de nossa seleção. Apesar de todo espírito da Copa transmitido na televisão, os bastidores eram muito diferentes para inúmeros brasileiros afetados diretamente pelo megaevento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Donos da Casa, </span></i><span style="font-weight: 400;">exibido na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, traz a história de quatro deles, impactados positiva e negativamente pela </span><i><span style="font-weight: 400;">FIFA World Cup</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-24350"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo estando na Competição Novos Diretores, </span><a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2021/04/03/cineasta-lanca-documentario-critico-sobre-as-herancas-que-a-copa-do-mundo-de-2014-deixou-para-o-brasil.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Os Donos da Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não traz o frescor de uma estreia, muito menos um tema atual ao ponto de ser cativante em seus 80 minutos de duração. Para a construção do documentário, quatro famílias são desproporcionalmente colocadas em voga. Elas, claro, têm histórias válidas para a produção, mas toda a introdução ao tema “Copa do Mundo de 2014” gasta os mesmos 45 minutos do primeiro tempo de uma partida de futebol, levando toda a energia do espectador que não sabe em qual dos temas abordados concentra sua atenção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para ilustrarem a figura de especialistas foram convidados jornalistas esportivos e investigativos, o ex-líder do comitê de governança da Fifa Miguel Maduro e o ativista Argemiro Almeida. Entre os jornalistas, quem tem voz ativa são os brasileiros </span><a href="https://blogdojuca.uol.com.br/2021/03/os-donos-da-casa/"><span style="font-weight: 400;">Juca Kfouri</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Jamil Chade. Fernanda Gentil, coitada, foi apenas peça ilustrativa do documentário, recebendo só duas falas do roteiro. Levantamentos importantes e datados feito pelos dois brasileiros se perdem em 2021, quando estamos mais próximos da Copa do Catar (2022) do que da Copa da Rússia (2018). </span></p>
<figure id="attachment_24352" aria-describedby="caption-attachment-24352" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24352" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-oddc.jpg" alt="Cena do documentário Os Donos da Casa. À esquerda está Matheus. Um menino negro, de cabelo crespo, preto e raspado. Ele veste a camisa amarela da seleção brasileira de futebol, bermuda listrada de preto e branco e em seu braço direito tem um relógio verde e amarelo. Suas duas mãos estão na altura da boca e seu olho está vidrado na televisão. Ele está sentado num sofá vermelho com flores brancas. A frente tem uma mesa quadrada com uma toalha xadrez branca e cinza e com detalhes verdes. O fundo é a parede amarela da casa de Matheus." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-oddc.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-oddc-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-oddc-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-oddc-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-oddc-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-oddc-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24352" class="wp-caption-text">O maior medo do Matheus é encontrar com o Michael Jackson na rua (Forward &#8211; Imagens que Movem)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o juiz apita o coração do brasileiro bate em um só ritmo, é como se não houvesse tristeza quando a bola começa a rolar em campo, no entanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Donos da Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra que isso não é verdade absoluta. No documentário, quatro brasileiros contam suas vivências em espera do megaevento que foi sediado em </span><a href="http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL1177312-9825,00-BRASIL+CONHECE+AS+CIDADES+QUE+RECEBERAO+PARTIDAS+DA+COPA+DE.html"><span style="font-weight: 400;">12 cidades</span></a><span style="font-weight: 400;"> do território nacional. Matheuzinho é morador de uma comunidade no </span><a href="https://pt.globalvoices.org/2015/06/09/no-rio-de-janeiro-favela-ao-lado-maracana-sofre-com-remocoes-em-nome-das-olimpiadas-de-2016/#:~:text=Moradores%20da%20favela%20Metr%C3%B4%2DMangueira,constru%C3%A7%C3%A3o%20de%20um%20polo%20automobil%C3%ADstico."><span style="font-weight: 400;">Rio de Janeiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, com vista para o Maracanã, e carrega o sonho de ser jogador. Ivanildo Lopes, residente de Fortaleza, teve a casa destruída para a construção das obras de infraestrutura que não ficaram prontas a tempo da Copa. Marta Gomes trabalha como ambulante e, com o lucro gerado nos jogos, quer realizar o sonho de comprar um carro. Daniel Leon, um dos fundadores da torcida canarinho, leva fãs para todas as Copas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de Ivanildo é de longe a mais emocionante. Denunciar o sofrimento de famílias, assim como a Lopes, que tiveram suas casas desapropriadas para obras que nunca ficaram prontas renderia um documentário único, mas, infelizmente, é nesse ponto que a produção se perde. A falta de delimitação em qual assunto seria abordado faz com que </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Donos da Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> fale sobre tudo e sobre nada ao mesmo tempo. A denúncia de um dos eventos mais importantes do mundo estar na mão de </span><a href="https://desporto.sapo.pt/futebol/artigos/associacoes-de-agentes-de-futebol-querem-parar-monopolio-da-fifa"><span style="font-weight: 400;">monopólio</span></a><span style="font-weight: 400;">, os protestos de 2013 que mudaram definitivamente o rumo do Brasil e as narrativas pessoais: os pontos se misturam mas não se conectam, deixando uma carência de profundidade nas perspectivas da produção. </span></p>
<figure id="attachment_24353" aria-describedby="caption-attachment-24353" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24353" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-oddc.jpg" alt="Cena do documentário Os Donos da Casa. Nela vemos uma torcida organizada. Na foto, da esquerda para a direita, vemos 14 torcedores, todos homens, brancos e vestidos de verde e amarelo. Eles carregam uma faixa amarela e nela lê-se em azul ‘TORCIDA CANARINHO’. O fundo é o céu azulado." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-oddc.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-oddc-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-oddc-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-oddc-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-oddc-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-oddc-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24353" class="wp-caption-text">A Torcida Canarinho foi fundada em 2006 na Copa da Alemanha (Forward &#8211; Imagens que Movem)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De lá pra cá, a pátria amada se metamorfoseou na enlutada pátria armada, o governo não é capaz de oferecer </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2021/07/26/retrato-da-fome-caldo-com-ossos-alimenta-familia-por-tres-dias-em-cuiaba.ghtml"><span style="font-weight: 400;">segurança alimentar</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos filhos deste solo e </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Donos da Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> soa como um documentário atrasado. A diretora Clara Dauden acerta no alvo só depois da flecha já ter enferrujado. Cheia de boas intenções, a data de lançamento e a falta da anunciada visão panorâmica dá um caráter leviano ao filme, que tem uma boa história a entregar. Sua tentativa de trazer narrativas cíclicas não completa a volta e o atraso na produção junto com sua estreia em tempos infernais tiram o tom de urgência na denúncia das pendências que 2014 deixou.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Os Donos da Casa // The Hosts - Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vFzaQ4759sk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Colmeia, as mulheres de Kosovo tem voz</title>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez Se a responsabilidade de revisitar conflitos históricos e humanitários é grande e deve ser levada a sério, fazê-lo sob a perspectiva feminina em um país extremamente conservador exige ainda mais cuidado. Quando exibe as palavras ‘baseado em fatos reais&#8216;, então. Em Colmeia, coprodução de Kosovo, Suíça, Macedônia do Norte e Albânia, exibida &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/colmeia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Colmeia, as mulheres de Kosovo tem voz"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24356" aria-describedby="caption-attachment-24356" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24356" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-1.jpg" alt="Cena do filme Colmeia. Na imagem, em um quintal ao ar livre e com árvores ao fundo, vemos as mulheres do filme preparando um alimento. Da esquerda para a direita, vemos, de pé e inclinada sobre uma panela, uma mulher branca, de cabelos castanhos longos presos em um lenço, aparentando cerca de 40 anos, vestindo uma camiseta cinza. Ao centro, em um primeiro plano, vemos uma mesa com panelas e pimentas amassadas, no processo de preparo do alimento. Atrás da mesa, vemos duas mulheres brancas de cabelos castanhos, uma sentada e outra de pé, ambas preparando o alimentando. À esquerda, vemos uma mulher branca, de cabelos castanhos longos e lisos presos em um rabo de cavalo, vestindo uma camiseta rosa, sentada preparando o alimento." width="1500" height="899" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-1.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-1-800x479.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-1-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-1-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-1-1200x719.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24356" class="wp-caption-text">Exibido presencialmente, Colmeia integra a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: LevelK)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a responsabilidade de </span><a href="https://personaunesp.com.br/quo-vadis-aida-critica/"><span style="font-weight: 400;">revisitar conflitos históricos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e humanitários é grande e deve ser levada a sério, fazê-lo sob a perspectiva feminina em um país extremamente conservador exige ainda mais cuidado. Quando exibe as palavras ‘</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-mauritano-critica/"><span style="font-weight: 400;">baseado em fatos reais</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8216;, então. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Colmeia</span></i><span style="font-weight: 400;">, coprodução de Kosovo, Suíça, Macedônia do Norte e Albânia, exibida na 45</span><span style="font-weight: 400;">ª</span> <a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, a diretora Blerta Basholli reivindica essa responsabilidade para dar voz às mulheres do país, em coro na figura e na vida de Fahrije Hoti.</span></p>
<p><span id="more-24355"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, inspirado na história real de Fahrije, ela luta para sustentar sozinha o sogro e os dois filhos depois do marido ter desaparecido na </span><a href="https://istoe.com.br/kosovo-lembra-20-anos-do-fim-da-guerra/"><span style="font-weight: 400;">Guerra de Kosovo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela não leva jeito para as abelhas, que já não produzem mel como antes, e se une a outras mulheres na mesma situação. Na patriarcal e conservadora vila de Krusha, em que as esposas e filhas não podem sequer dirigir, quem dirá trabalhar fora de casa, os esforços das viúvas para se manterem por conta própria não é visto com bons olhos pela comunidade local. </span></p>
<figure id="attachment_24357" aria-describedby="caption-attachment-24357" style="width: 1599px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24357" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-2.jpeg" alt="Cena do filme Colmeia. Na imagem, vemos a protagonista Fahrije, uma mulher branca, aparentando cerca de 40 anos, vestindo um traje de apicultura branco e manipulando um dos instrumentos da apicultura, com as abelhas ao redor dela." width="1599" height="794" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-2.jpeg 1599w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-2-800x397.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-2-1024x508.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-2-768x381.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-2-1536x763.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-2-1200x596.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24357" class="wp-caption-text">Colmeia estreou no Festival de Sundance e saiu com os troféus de Grande Prêmio do Júri, Prêmio de Realização e Prêmio do Público (Foto: LevelK)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob o olhar atencioso e delicado de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8B_aHb9Ngu0"><span style="font-weight: 400;">Basholli</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também assina o roteiro do filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Colmeia </span></i><span style="font-weight: 400;">mistura o luto à esperança. Mais do que sentir a perda, Fahrije lida com a dor da incerteza, já que </span><a href="https://balkaninsight.com/2021/03/26/kosovo-leaders-mourn-massacre-victims-call-for-justice/"><span style="font-weight: 400;">não conhece o paradeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do marido e nem pode enterrá-lo. Ela é impedida de viver seu luto por completo e, ao passo em que se permite pequenos lapsos de esperança, se agarra à inevitabilidade do futuro. Não saber atormenta, mas, seu companheiro estando </span><a href="https://birn.eu.com/uncategorized/the-investigations-on-massacre-of-krusha-e-vogel/"><span style="font-weight: 400;">vivo ou não</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela tem de cuidar e prover para a família. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não bastasse os sufocantes conflitos pessoais e familiares da protagonista, visceralmente </span><a href="https://twitter.com/Blertabb/status/1454443693608480773?s=20"><span style="font-weight: 400;">encarnados</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Yllka Gashi, o preconceito dos moradores de Krusha se empilha no topo das muitas dificuldades das mulheres kosovar. Incentivadas e lideradas por Fahrije, as outras viúvas, primeiro, têm medo. Conquistar a própria independência financeira, nem que seja para sustentarem só a si mesmas, é liberdade demais em uma vila em que elas são desposadas cedo, são jogadas aos cuidados dos maridos ou do parente homem mais próximo, não podem trabalhar fora do ambiente doméstico e nem ousar dirigir.</span></p>
<figure id="attachment_24358" aria-describedby="caption-attachment-24358" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24358" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-3.jpg" alt="Cena do filme Colmeia. Na imagem, vemos quatro mulher brancas, de idades diferentes, enfileiradas lado a lado em um espaço ao ar livre e segurando fotos enquadradas de homens desaparecidos." width="1500" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-3.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-3-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-3-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-3-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-3-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24358" class="wp-caption-text">Na Arte, criadores encontram espaço para revisitarem e refletirem sobre assuntos delicados (Foto: Level K)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com os agonizantes xingamentos, violências e boicotes da vizinhança, que não aceita que mulheres sejam as provedoras da casa, Fahrije e as outras viúvas seguem em frente apesar dos altos e baixos. A persistência e a garra são admiráveis, mas também cansativas e quando ela e as companheiras revidam, seja igualmente pela violência, seja pelo </span><a href="https://kosovotwopointzero.com/en/blerta-basholli-i-do-not-know-what-interested-me-more-her-story-or-fahrije-herself/"><span style="font-weight: 400;">sucesso do empreendimento</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Colmeia </span></i><span style="font-weight: 400;">nos concede um respiro aliviado. O filme, porém, não nos deixa esquecer de que o suspiro é só momentâneo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além do expositivo ou do superficial, a produção não escolhe uma questão em que mergulhar, mas se apoia no retrato geral da situação: as mulheres não são feministas e independentes porque querem e nem políticas porque escolheram, elas deixam as tradições do passado e caminham em direção ao futuro pela pura </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-39638050"><span style="font-weight: 400;">necessidade de continuarem vivas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Através dos olhares delas, a Guerra como subtexto dá lugar para que as feridas sejam aprofundadas e tornem </span><i><span style="font-weight: 400;">Hive</span></i><span style="font-weight: 400;"> (o título em inglês)</span> <span style="font-weight: 400;">essencialmente político não só pelo conflito que retrata, mas pela ousada e necessária ascensão feminina frente ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/lua-azul-critica/"><span style="font-weight: 400;">patriarcalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e machismo local.</span></p>
<figure id="attachment_24359" aria-describedby="caption-attachment-24359" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24359" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/hive-4.jpg" alt="Cena do filme Colmeia. A cena se passa na cozinha de uma casa e vemos, no canto esquerdo, um fogão com uma chaleira em cima e, no canto direito, uma geladeira. Ao centro, vemos uma mesa e seis mulheres de idades diferentes reunidas ao redor, todas encarando as joias colocadas ao centro com expressões preocupados." width="650" height="389" /><figcaption id="caption-attachment-24359" class="wp-caption-text">Em seu discurso de agradecimento em Sundance, Blerta Basholli afirmou que Fahrije Hoti, em que ela se inspirou para criar Colmeia, “é a voz de muitas outras mulheres” (Foto: Level K)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O conflito terminou há anos, mas ainda não chegou ao fim: os homens capturados na Guerra de </span><a href="https://www.coe.int/en/web/congress/-/combatting-sexism-in-local-politics-in-kosovo-"><span style="font-weight: 400;">Kosovo</span></a><span style="font-weight: 400;"> continuam desaparecidos. A força de Fahrije Hoti e de sua mensagem também não acabou: assim como no filme, ela ainda não sabe o paradeiro do marido, mas </span><a href="https://www.npr.org/sections/thesalt/2018/02/26/588835459/pepper-co-op-helps-kosovo-s-war-widows-reclaim-their-lives"><span style="font-weight: 400;">segue firme</span></a><span style="font-weight: 400;"> com sua empresa de avjar, em que emprega majoritariamente mulheres kosovares. Agora no páreo ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">2022 &#8211; a produção foi a </span><a href="https://www.adorocinema.com/slideshows/filmes/slideshow-161123/"><span style="font-weight: 400;">submissão oficial</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Kosovo na categoria de Melhor Filme Internacional -, o potente e singular </span><i><span style="font-weight: 400;">Colmeia </span></i><span style="font-weight: 400;">pode espalhar sua mensagem de esperança frente ao luto e de ousadia pela sobrevivência ainda </span><a href="https://www.levelk.dk/news/levelk-strikes-us-uk-deals-for-sundance-winner-hive-exclusive-1089"><span style="font-weight: 400;">mais longe</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="HIVE - official US trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/39cIMHLPFMU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O sofrimento transcende o tempo em Regresso a Reims (Fragmentos)</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2021 16:11:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Parte considerável dos conflitos geracionais consiste em renegar a vida pregressa do indivíduo que está bem diante de você, comumente associado a alguém antiquado à época. Essa ausência de visão pode transformá-lo em um ser suportável, mas diminuí-lo como ser humano. Pelo menos essa é a lição que tiramos de Pais e Filhos, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/regresso-a-reims-fragmentos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O sofrimento transcende o tempo em Regresso a Reims (Fragmentos)"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_24090" aria-describedby="caption-attachment-24090" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-1.jpg" alt="Fotografia colorida de uma família francesa. Na foto, da esquerda para a direita, há um homem de cabelos grisalhos, vestindo terno cinza e camisa branca, de braços cruzados e boca semi-aberta; depois, há um homem com cabelos pretos lisos, sorrindo de boca fechada, vestindo uma blusa azul, camisa branca e uma calça azul. Também está de braços cruzados. À sua esquerda, há uma mulher de braços cruzados, vestindo um vestido de cor verde, com uma bolsa em cor marrom pendurada em seu braço esquerdo. Ela possui um cabelo liso de cor preta, que cobre suas orelhas. Depois, há uma menina de cabelo castanho liso, utilizando um vestido de cor verde com bolinhas brancas. Ela está com os dois braços cruzados atrás das costas. Essas 4 pessoas são brancas. Ao fundo estão alguns pessoas caminhando, com bandeiras com as cores da França expostas." width="1000" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-1-800x562.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-1-768x539.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24090" class="wp-caption-text">Integrando a seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Regresso a Reims (Fragmentos) é um recorte da história da classe média na França [Foto: Les Films de Pierre]</figcaption></figure><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte considerável dos conflitos geracionais consiste em renegar a vida pregressa do indivíduo que está bem diante de você, comumente associado a alguém antiquado à época. Essa ausência de visão pode transformá-lo em um ser suportável, mas diminuí-lo como ser humano. Pelo menos essa é a lição que tiramos de </span><a href="https://www.literatamy.com/post/pais-e-filhos-ivan-turgueniev"><i><span style="font-weight: 400;">Pais e Filhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">de Ivan Turguêniev. A essa postura, o diretor e roteirista Jean-Gabriel Périot se opõe ferozmente, e joga luz sobre a história dos trabalhadores franceses em seu documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Regresso a Reims (Fragmentos)</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibido na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.   </span></p>
<p><span id="more-24089"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa é uma adaptação do livro de memórias </span><i><span style="font-weight: 400;">Retorno a Reims</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito pelo filósofo </span><a href="https://ionline.sapo.pt/artigo/723627/didier-eribon-do-operariado-que-vota-na-extrema-direita?seccao=Mais_i"><span style="font-weight: 400;">Didier Eribon</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em decorrência das experiências de vida narradas nas páginas, principalmente o testemunho da infância da mãe de Eribon, a obra teve um grande impacto na França quando publicada, em 2009, e tornou-se um </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao longo dos escritos, o autor traça um regresso metafísico a Reims, comuna francesa onde cresceu, denunciando a opressão das minorias no país ocasionada pelo uso político da pobreza por aqueles que idealmente deveriam atacar essas estruturas de dominação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Propiciando reflexões através de imagens pessoais e de época, que vão desde os anos 1950 até os dias atuais, o filme de Périot opta pelo ensaio, adaptando livremente os capítulos originais. Com a narração de trechos do livro a cargo da atriz </span><a href="https://personaunesp.com.br/retrato-jovem-chamas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Adèle Haenel</span></a><span style="font-weight: 400;"> — os </span><i><span style="font-weight: 400;">‘Fragmentos’ </span></i><span style="font-weight: 400;">a que se refere o título —, alternadamente aos testemunhos dos trabalhadores, o documentário transforma o particular em universal, apontando para a vasta multidão de negligenciados como protagonistas da história, com as cenas de arquivos denunciando a longa trajetória de abuso e humilhação sofrida por essas classes mais baixas.</span></p>
<figure id="attachment_24091" aria-describedby="caption-attachment-24091" style="width: 999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24091" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-2.jpg" alt="Foto do diretor Jean-Gabriel Périot. Ele é um homem branco e loiro, possui olhos verdes, cabelos lisos e rasos e uma barba rala. Ele está utilizando um óculos com lentes transparentes e hastes de cor preta; veste uma camisa branca, um suéter de cor preta e uma jaqueta também de cor preta. Ele está parado olhando fixamente para a câmera, e o fundo da imagem é em cor cinza." width="999" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-2.jpg 999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-2-800x562.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-2-768x540.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24091" class="wp-caption-text">A técnica de mesclar documentos históricos e narrações já foi utilizada por Jean-Gabriel Périot em trabalhos anteriores, principalmente em seus curta-metragens e no longa Juventude Alemã, indicado ao Prêmio César em 2016 (Foto: Les Films de Pierre)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse extenso panorama traz evidências de algo previsível: os pais oprimidos transmitem a opressão aos seus filhos, transformando o sofrimento em algo hereditário. O que fica claro é que esse sistema se mantém vivo na contemporaneidade, principalmente quando enxergamos, por exemplo, as visíveis desigualdades no trabalho, além da exploração a qual se submetem os mais pobres, numa tentativa de sobreviver em um mundo que parece ter se esquecido deles — ou que, provavelmente, nunca os considerou. Como diz um trabalhador em um trecho do filme: </span><i><span style="font-weight: 400;">“ao envelhecer, o corpo do operário exibe a realidade das coisas&#8221;.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A deterioração lenta do corpo desses trabalhadores, e a alienação imposta a esses indivíduos, permite enxergar ao passar das cenas que, na realidade, só existem </span><i><span style="font-weight: 400;">“as classes altas e as classes baixas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, como escreveu George Orwell em </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/saiba-mais-sobre-o-livro-1984-de-george-orwell/"><i><span style="font-weight: 400;">1984</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dar voz aos oprimidos, sem qualquer intervenção, é uma das grandes manobras do diretor. Em alguns momentos, enxergamos a mão de alguém segurando um microfone, mas essa pessoa nunca aparece ou impõe algo aos entrevistados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência aparentemente cronológica de imagens mostra os motivos ocultos que levaram ex-comunistas a votarem em peso em pessoas como </span><a href="https://observador.pt/2021/10/22/lider-da-extrema-direita-francesa-apoia-primeiro-ministro-polaco-na-crise-com-ue/"><span style="font-weight: 400;">Marine Le Pen</span></a><span style="font-weight: 400;">, motivados pelo descontentamento com a hierarquia social, numa tentativa desesperada de consolidar a própria identidade. Conforme o enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Regresso a Reims </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Retour à Reims</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) aproxima-se dos tempos atuais, conseguimos vislumbrar ecos de </span><a href="https://outraspalavras.net/sem-categoria/para-compreender-a-sociedade-do-espetaculo/"><i><span style="font-weight: 400;">A sociedade do espetáculo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1973), filme de Guy Debord baseado em seu livro homônimo de 1967 — uma das grandes influências de Périot.</span></p>
<p><figure id="attachment_24092" aria-describedby="caption-attachment-24092" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24092 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Retorno a Reims, de Didier Eribon. Na imagem, há um desenho de um cachorro de cor branca, com duas manchas castanhas em cada um de seus olhos. Ele está deitado sobre um tapete de cor vermelha, com riscos de cor azul, marrom e laranja. O fundo da imagem é cinza. Na parte superior, de forma centralizada, está escrito Didier Eribon, em fonte de cor branca. Abaixo dessas duas palavras, também em fonte de cor branca, está escrito Retorno a Reims." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3-1365x2048.jpg 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3-1200x1800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3.jpg 1417w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24092" class="wp-caption-text">Capa da obra escrita pelo filósofo Didier Eribon, que inspirou o documentário Regresso a Reims (Fragmentos); o livro é publicado no Brasil pela editora Âyiné, sob tradução de Cecilia Schuback [Foto: Âyiné]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">À medida que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> chega ao fim, vemos os oprimidos cada vez mais desiludidos com promessas eleitorais vazias. O filme mostra a visão dos trabalhadores sobre políticos de esquerda e direita, pois, durante os anos 1980, aqueles alinhados à esquerda não enxergaram qualquer tipo de avanço em suas vidas, ficando presos a ideais que não lhes entregavam comida na mesa, enquanto facções de extrema-direita tentavam tirar vantagem dessa situação, enganando deliberadamente a população.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa de 80 minutos nos emudece e transporta à </span><a href="https://personaunesp.com.br/aquarius-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">melancolia</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma simples troca de imagem, visto que as falas dos trabalhadores acompanham sempre um sorriso perdido, com olhares evasivos e afirmações do tipo </span><i><span style="font-weight: 400;">“é assim que as coisas são”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O poder do documentário de Jean-Gabriel Périot (como também da obra de Didier Eribon) é o de construir, de forma singela, um mosaico para compreender — mesmo que parcialmente — o motivo de certas coisas acontecerem ainda em 2021, como a adesão praticamente inconsciente de classes mais baixas a grupos de extrema-direita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos querem ter uma vida minimamente decente, e por essa razão são incapazes de enxergar golpes e enganações, tornando-se cegos diante dos fatos. A bem da verdade, esses indivíduos não podem enxergar, pois seus olhos foram deixados em algum chão de fábrica. A principal mensagem deixada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Regresso a Reims</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de que a desigualdade social é um dos maiores fracassos da civilização. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="RETOUR A REIMS [FRAGMENTS] (Jean-Gabriel Périot) | L&#039;Alternativa Internacional. Llargmetratge | 2021" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/35IiPdQ1KyQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Um Herói aprisiona até o afeto</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Oct 2021 21:02:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Asghar Farhadi já tem cadeira cativa na Mostra Internacional de São Paulo, e com Um Herói (Ghahreman) a história não mudou. Premiado em Cannes e com um burburinho absurdo desde sua exibição em terras francesas, o novo drama do aclamado diretor aterrissa na capital paulista recheado de tensão e uma discussão muito boa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/um-heroi-asghar-farhadi-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Um Herói aprisiona até o afeto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24112" aria-describedby="caption-attachment-24112" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24112" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R5.jpg" alt="Cena do filme Um Herói. Mostra um homem adulto, iraniano, caminhando perto de uma montanha clara. Está de dia e está bem sol, e ele segura uma mala azul com a mão direita. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24112" class="wp-caption-text">Submissão oficial do Irã para o Oscar 2022, Um Herói faz parte da Perspectiva Internacional da Mostra de SP (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Asghar Farhadi já tem cadeira cativa na </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internaciona</span></a><span style="font-weight: 400;">l de São Paulo, e com </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Herói (Ghahreman)</span></i><span style="font-weight: 400;"> a história não mudou. </span><a href="https://www.instagram.com/p/CRkYiBwBqpj/"><span style="font-weight: 400;">Premiado em Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e com um burburinho absurdo desde sua exibição em terras francesas, o novo drama do aclamado diretor aterrissa na capital paulista recheado de tensão e uma discussão muito boa a respeito de lei, moral e até mesmo dos limites da prisão.</span></p>
<p><span id="more-24111"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rahim (personagem do eufórico nos momentos errados Amir Jadidi) está </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ER2-UU3Vw_w"><span style="font-weight: 400;">preso por conta de uma dívida não paga</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em uma licença de dois dias fora da penitenciária, ele precisa convencer seu credor a perdoar o crime para que ele possa ser libertado. Simples assim, Farhadi movimenta peças familiares, verdades silenciosas e um drama que não sabe a quem dirigir sua culpa e seu ódio.</span></p>
<figure id="attachment_24113" aria-describedby="caption-attachment-24113" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24113" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R3-1.jpg" alt="Cena do filme Um Herói. Mostra vários homens segurando um outro homem, que está bravo. A cena se passa em um lugar fechado e várias pessoas aparecem desfocadas ao fundo." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R3-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R3-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R3-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24113" class="wp-caption-text">O filme, uma coprodução de Irã e França, foi premiado com o Grand Prix do Festival de Cannes, em um empate com Compartment Nº 6 (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fica claro desde o princípio, porém, que Rahim tem tudo para ser o coitado da história, o mocinho indefeso que enfrenta o vilão que lhe denunciou e colocou atrás da grades. Mas não é bem assim. Como de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/o-apartamento-premiado-em-cannes-filme-iraniano-e-uma-das-grandes-atracoes-da-mostra-sp"><span style="font-weight: 400;">costume nos brilhantes filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> do cineasta iraniano, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Herói</span></i><span style="font-weight: 400;"> não contorna seus personagens com traços simples. O credor (Mohsen Tanabandeh) é um homem de família, que perdeu quase tudo que tinha pagando as dívidas quando Rahim não o fez. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O dilema moral de entender o lado das duas partes se faz presente no roteiro, minuciosamente arquitetado pelo próprio diretor, para que </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Herói </span></i><span style="font-weight: 400;">não caia no maniqueísmo. A narrativa enclausura nosso protagonista, que logo de cara chega ao trabalho do cunhado, em uma espécie de construção à margem da estrada, fotografado quase engolido pelas grades que separam o local da rua. </span></p>
<figure id="attachment_24114" aria-describedby="caption-attachment-24114" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24114" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R2.jpg" alt="Cena do filme Um Herói. Mostra um homem e uma criança andando de mãos dadas em uma rua movimentada. Está de dia e eles olham para o outro lado da rua." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24114" class="wp-caption-text">Antes de A Hero, Farhadi já havia passado pela Mostra de SP com Linda Cidade, Á Procura de Elly e o Apartamento (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho visual na cinematografia de Ali Ghazi é cuidadoso ao deixar pequenas pistas de como essa é uma </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/07/a-hero-review-asghar-farhadi-1234650510/"><span style="font-weight: 400;">história com final decidido</span></a><span style="font-weight: 400;">, isso já nos primeiros minutos. Rahim está preso, dentro e fora da cadeia, independente de usar macacão laranja ou não. Por isso, perto do encerramento, quando sua sobrinha, uma criança a princípio enérgica mas que vai murchando ao passo que a história fica nublada, pergunta como é a prisão, Rahim não responde.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É como se Asghar Farhadi olhasse para o seu redor e implicasse que não existe diferença. Seja na cela, seja na sala da casa da irmã, Rahim mantém seu</span><i><span style="font-weight: 400;"> status quo</span></i><span style="font-weight: 400;"> como maldito, delinquente e </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/a-hero-review-asghar-farhadi-1235018386/"><span style="font-weight: 400;">indigno</span></a><span style="font-weight: 400;"> de qualquer sentimento meramente positivo. Aspecto espelhado no enlace romântico com Farkhondeh (Sarina Farhadi), a jovem que mantém um vínculo com o protagonista, e faz o possível para vê-lo livre do fundo do poço em que se encontra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Morando nos detalhes, o afeto físico entre o quase-casal morre pelos próprios costumes e dogmas da religião que seguem. Sem um beijo, abraço ou mesmo um toque mais acolhedor, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hero</span></i><span style="font-weight: 400;"> (título internacional) apresenta um veículo de amor “distante”, mas irremediavelmente genuíno. Eles batalham para alcançarem seus objetivos, eles dilaceram os obstáculos, mas nada é o bastante.</span></p>
<figure id="attachment_24115" aria-describedby="caption-attachment-24115" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24115" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R4.jpg" alt="Cena do filme Um Herói. Mostra uma mulher iraniana usando vestimentas pretas e cobrindo sua cabeça com um tecido da mesma cor. Ao fundo, vemos casas de tijolo vermelho. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/UN-HEROS_1Z1A1226_A_R4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24115" class="wp-caption-text">Com A Separação e O Apartamento, Asghar Farhadi garantiu dois Oscars para o Irã: será que Um Herói leva o terceiro? (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem recebe todos os golpes invisíveis é o filho de Rahim, um garoto gago e muito silencioso, que passa pelo maior arco dramático do filme. De primeira raivoso à figura distante do pai, o menino se permite crescer ao longo das duas horas e sete minutos de rodagem. Quando ele chora inconsolado à noite, ninguém o acode, ninguém o salva dos grilhões invisíveis que lhe pesam a alma. Não há saída, não há futuro, </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"><span style="font-weight: 400;">não há Super-Homem</span></a><span style="font-weight: 400;"> que chegue voando e conforte os cidadãos..</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chamar algo tão mundano de </span><i><span style="font-weight: 400;">“Um Herói</span></i><span style="font-weight: 400;">” desmascara o caráter disruptivo de Asghar Farhadi, que deu ao Irã maior visibilidade no Ocidente ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MdZo54vJLus"><span style="font-weight: 400;">vencer duas vezes</span></a><span style="font-weight: 400;"> o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Filme Estrangeiro. O cineasta mais </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">do país continua desmantelando sua sociedade, dando força a discussões cada vez mais complexas e sem conclusão nenhuma. O Herói de Farhadi, na verdade, não voa, tampouco solta raios </span><i><span style="font-weight: 400;">laser </span></i><span style="font-weight: 400;">pelos olhos. Ele acorda de manhã, respira, e segue sua rotina restritiva, provando que às vezes, se manter vivo nesse sistema é muito mais digno de graças do que salvar o dia. </span></p>
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