<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Rap Brasileiro &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/rap-brasileiro/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/rap-brasileiro/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 29 Nov 2021 18:30:09 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.2</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Rap Brasileiro &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/rap-brasileiro/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>A importância do Rímel de Azzy para a representatividade feminina no rap nacional</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/azzy-rimel-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/azzy-rimel-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Nov 2021 18:30:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Azzy]]></category>
		<category><![CDATA[Boca dos Beats]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Cynthia Luz]]></category>
		<category><![CDATA[EP]]></category>
		<category><![CDATA[EQUAL]]></category>
		<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Igualdade de gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Livia de Figueredo]]></category>
		<category><![CDATA[Luzes de Neon]]></category>
		<category><![CDATA[Machismo]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Acústica]]></category>
		<category><![CDATA[Rap]]></category>
		<category><![CDATA[Rap Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Rap feminino]]></category>
		<category><![CDATA[Rap Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[representatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rímel]]></category>
		<category><![CDATA[Robocop]]></category>
		<category><![CDATA[São Gonçalo]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=24826</guid>

					<description><![CDATA[<p>Livia de Figueredo Dona de um talento singular e autêntico, a rapper Azzy lança um novo EP chamado Rímel. Contando com 5 faixas que destrincham toda sua versatilidade e potencial como artista, o trabalho aborda desde músicas com temática romântica até letras que retratam a realidade feminina dentro das periferias.  Uma das principais faixas de Rímel &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/azzy-rimel-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A importância do Rímel de Azzy para a representatividade feminina no rap nacional"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/azzy-rimel-critica/">A importância do Rímel de Azzy para a representatividade feminina no rap nacional</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24827" aria-describedby="caption-attachment-24827" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-24827 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/rimel-azzy-e1637794251495.jpg" alt="Capa do EP Rímel, de Azzy. A imagem mostra uma fotografia da artista de ponta cabeça, ao lado de um espelho que mostra seu rosto. A imagem é estilizada em tons de vermelho, laranja e amarelo. Azzy é uma jovem negra de pele clara, tem cabelos alisados escuros e olha para o lado esquerdo da imagem, de perfil, com expressão séria. No canto superior esquerdo, está o nome do EP em amarelo numa fonte de letra de forma, e num tamanho menor, em cima e colorido de branco, está o nome da artista. " width="600" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-24827" class="wp-caption-text">“De São Gonçalo para o mundo, você não queria, mas eu vinguei”: na música São Gonçalo, Azzy fala sobre a sua trajetória dentro do rap nacional (Foto: Azzy)</figcaption></figure>
<p><b>Livia de Figueredo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dona de um talento singular e autêntico, a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> Azzy lança um novo </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> chamado </span><a href="https://open.spotify.com/album/2cqZQOpwquo3lu1aZXRkTQ?autoplay=true"><i><span style="font-weight: 400;">Rímel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Contando com 5 faixas que destrincham toda sua versatilidade e potencial como artista, o</span> <span style="font-weight: 400;">trabalho aborda desde músicas com temática romântica até letras que retratam a realidade feminina dentro das periferias.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span id="more-24826"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das principais faixas de <em>Rímel</em> é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CjcVQ16qigY"><i><span style="font-weight: 400;">São Gonçalo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que explana grande parte da sua trajetória. A vida da artista foi marcada por um amadurecimento compulsório, visto que, aos 12 anos de idade, Isabela Oliveira foi violentada sexualmente por um parente. Sem saídas e sem o apoio familiar, ela saiu de casa para não ser mais submetida a tamanha </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">violência</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desamparada, sozinha e na ausência de um apoio psicológico e financeiro, o tráfico de drogas foi a solução que a Azzy encontrou para sua própria sobrevivência. No </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b75bN7NHod0"><i><span style="font-weight: 400;">Podpah</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> relata como foi ter que traficar até conseguir uma mínima condição de vida, para assim sair do crime e poder se dedicar à Música, que sempre foi sua paixão.</span></p>
<figure id="attachment_24828" aria-describedby="caption-attachment-24828" style="width: 1242px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-24828 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2.jpg" alt="Imagem de Azzy em entrevista ao podcast Podpah. Ao centro, existe uma mesa de madeira, onde Azzy está do lado esquerdo, usando uma blusa de moletom rosa e calça jeans azul. Do outro lado, estão dois entrevistadores. Todos tem microfones à sua frente e atrás da mesa existe uma TV que mostra o logo do podcast. A TV está presa numa parede cinza clara. " width="1242" height="1077" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2.jpg 1242w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2-800x694.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2-1024x888.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2-768x666.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2-1200x1041.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24828" class="wp-caption-text">&#8220;A gente fala e ninguém ouve. A gente grita e ninguém ouve. A gente pede socorro e ninguém escuta&#8221;: frase de Azzy no podcast Podpah (Foto: Gabriel Carvalho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de Azzy é semelhante a vivência de milhares de meninas que são violentadas sexualmente, e por consequência de uma sociedade que possui em sua conjuntura raízes discriminatórias e sexistas são invisibilizadas, e ainda tem todos os seus direitos negligenciados pela família e pelo Estado. Nesse cenário de </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">extrema violência</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma válvula de escape que surge como um grito de resistência é se expressar através da Arte. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, a</span><i><span style="font-weight: 400;"> rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> participava de batalhas de rimas no estado do Rio de Janeiro. Todavia, nem dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde pessoas negras e periféricas conseguem ganhar voz para escancarar uma realidade de estigma que sofrem, a</span> <span style="font-weight: 400;">mulher encontra seu espaço. Esse foi o preconceito que Azzy vivenciou na própria pele, quando o seu trabalho era desmerecido por conta do seu gênero, e em suas letras, ela denuncia o machismo dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CjcVQ16qigY"><i><span style="font-weight: 400;">“Até entendo vocês odiarem uma mina rimar melhor do que vocês”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse quadro persistente de preconceito e pouca</span> <a href="https://rapforte.com/7582/"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">Azzy, com apenas 20 anos, teve seu rosto estampado em um telão da</span><i><span style="font-weight: 400;"> Times Square, </span></i><span style="font-weight: 400;">um dos lugares mais conhecidos no mundo. A</span><i><span style="font-weight: 400;"> rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das brasileiras que compõem o quadro de artistas do projeto </span><a href="https://open.spotify.com/genre/equal-page"><i><span style="font-weight: 400;">EQUAL</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que tem como objetivo promover a equidade de gêneros. O destaque foi para a música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eJupDZRIWq4"><i><span style="font-weight: 400;">Robocop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que deixa explícita a mensagem sobre a liberdade feminina em <em>Rímel</em>. Outros artistas, como Anitta, Luan Santana, Iza e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mc-dricka-acompanha-critica/"><span style="font-weight: 400;">MC Dricka</span></a><span style="font-weight: 400;"> colaboram com o </span><i><span style="font-weight: 400;">EQUAL</span></i><span style="font-weight: 400;">, entretanto, é inegável que a presença de Azzy é essencial para a diversidade cultural, visto que ainda há entraves para a figura feminina dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24829" aria-describedby="caption-attachment-24829" style="width: 831px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-24829 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-831x1024.jpg" alt="Imagem de um painel na Times Square, em Nova Iorque, que mostra Azzy como o rosto da campanha EQUAL do Spotify. A imagem é vertical e mostra vários prédios espelhados ao fundo. Ao centro, está o painel que estampa uma fotografia de Azzy." width="831" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-831x1024.jpg 831w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-649x800.jpg 649w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-768x946.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-1200x1478.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1.jpg 1242w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24829" class="wp-caption-text">“Posso dizer, como Isabela e como Azzy, o quão grandioso é estar representando tantas mulheres. Estar na Times não é só sobre mim, é sobre todas nós que sonhamos com o pódio.” (Foto: Afonso Caravaggio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse reconhecimento internacional fez a</span><i><span style="font-weight: 400;"> rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">se transformar numa inspiração para milhões de meninas e mulheres, que hoje podem ver o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> como uma oportunidade de se expressar.</span> <span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, o </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> <em>Rímel </em>conta com uma participação de uma artista emblemática do gênero musical: </span><a href="https://www.google.com.br/amp/s/escutaqueebom.com/cynthialuz/amp/"><span style="font-weight: 400;">Cynthia Luz</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BNrOqTGK2HA"><i><span style="font-weight: 400;">Luzes de Neon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Na música, a dupla  deixa claro o recado de que as minas são livres para serem, fazerem e ocuparem tudo o que desejam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atualmente, Azzy coleciona na sua carreira participações nacionalmente reconhecidas, como no </span><a href="https://www.youtube.com/results?search_query=poesia+ac%C3%BAstica"><i><span style="font-weight: 400;">Poesia Acústica</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde ela colaborou em três edições que tiveram mais de 650 milhões de acessos. Além disso, os dois milhões de seguidores que a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> conquistou em sua conta pessoal do </span><a href="https://www.instagram.com/azzyoriginxl/?hl=pt-br"><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> confirmam o inquestionável: Azzy é um fenômeno, contribuindo para a representatividade do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional e feminino, que infelizmente ainda hoje encontram obstáculos como a falta de investimento e o machismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, com a figura de mulheres como Azzy, a passos pequenos outras meninas e mulheres periféricas são inspiradas a procurar uma realidade diferente da que é oferecida pela sociedade, como os abusos, violências e negligência dos mais diversos setores sociais. E finalmente, podemos nos ver como merecedoras de ocupar todos os espaços, inclusive como dignas a  atingir o pódio através de uma música que surge como um grito das </span><a href="https://www.politize.com.br/o-que-sao-minorias/"><span style="font-weight: 400;">minorias</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Rímel" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/2cqZQOpwquo3lu1aZXRkTQ?si=sfFJK-bsSwyfZLlfAU8yJw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/azzy-rimel-critica/">A importância do Rímel de Azzy para a representatividade feminina no rap nacional</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/azzy-rimel-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">24826</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Em um universo de dores, Rico Dalasam nos entrega um alívio</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/dolores-dala-guardiao-do-alivio-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/dolores-dala-guardiao-do-alivio-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 14:00:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[808]]></category>
		<category><![CDATA[Afrobeat]]></category>
		<category><![CDATA[Afropop]]></category>
		<category><![CDATA[ÀTTØØXXÁ]]></category>
		<category><![CDATA[Braille]]></category>
		<category><![CDATA[Camilla Pellegrini]]></category>
		<category><![CDATA[Chibatinha]]></category>
		<category><![CDATA[Circular 3]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[DDGA]]></category>
		<category><![CDATA[Dinho]]></category>
		<category><![CDATA[Dolores Dala Guardião do Alívio]]></category>
		<category><![CDATA[Enrico Souto]]></category>
		<category><![CDATA[Estrangeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Sudamericah]]></category>
		<category><![CDATA[Frank Ocean]]></category>
		<category><![CDATA[Hip-Hop]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQ+]]></category>
		<category><![CDATA[Mahal Pita]]></category>
		<category><![CDATA[Mandume]]></category>
		<category><![CDATA[Modo Diverso]]></category>
		<category><![CDATA[Moi Guimarães]]></category>
		<category><![CDATA[Mudou Como?]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Não é Comigo]]></category>
		<category><![CDATA[Netto Galdino]]></category>
		<category><![CDATA[Orgunga]]></category>
		<category><![CDATA[Outros Finais]]></category>
		<category><![CDATA[Pedrowl]]></category>
		<category><![CDATA[Pop brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Pop nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Queer rap]]></category>
		<category><![CDATA[Rap]]></category>
		<category><![CDATA[Rap Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Rap Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[RDD]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rico Dalasam]]></category>
		<category><![CDATA[Slam]]></category>
		<category><![CDATA[Spoken word]]></category>
		<category><![CDATA[Supstah]]></category>
		<category><![CDATA[Última Vez]]></category>
		<category><![CDATA[Vividir]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=19484</guid>

					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Rico Dalasam foi o primeiro rapper gay a ganhar grande projeção na cena do hip-hop nacional, e um dos principais expoentes do gênero queer rap no Brasil, que contudo hoje se mostra um termo limitado demais para o que ele representa. Em suas palavras, “depois que você lança uma música e vai existindo, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dolores-dala-guardiao-do-alivio-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em um universo de dores, Rico Dalasam nos entrega um alívio"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/dolores-dala-guardiao-do-alivio-critica/">Em um universo de dores, Rico Dalasam nos entrega um alívio</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19487" aria-describedby="caption-attachment-19487" style="width: 940px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19487" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-1-4.jpg" alt="Capa do álbum Dolores Dala Guardião do Alívio, de Rico Dalasam. Fotografia quadrada com um céu azul ao fundo. Na imagem, ao centro, Rico Dalasam, um homem negro, de barba e cabelo preto em dreads na altura dos ombros, usando uma maquiagem dourada com detalhes em azul. Vestindo um sobretudo branco semitransparente de gola dourada com detalhes em azul, ele ergue os braços esticados para os lados, com as palmas das mãos viradas para frente, enquanto está em cima de um carro pelo teto solar, em movimento. Na parte superior há três símbolos minimalistas em branco: uma lua minguante, uma rosa e uma lua cheia, respectivamente, intercalados por quatro símbolos de espadas, dois com corações na ponta à esquerda, e dois com gotas na ponta à direita. Na parte inferior, centralizado, pode-se ler a sigla “DDGA”, escrita na vertical." width="940" height="940" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-1-4.jpg 940w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-1-4-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-1-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-1-4-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19487" class="wp-caption-text">Capa do álbum Dolores Dala Guardião do Alívio, lançamento mais recente do artista (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rico Dalasam foi o </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/magazine/conheca-o-rapper-rico-dalasam-negro-rapper-e-gay-1.978021"><span style="font-weight: 400;">primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> gay</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ganhar grande projeção na cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional, e um dos principais expoentes do gênero </span><a href="https://www.revistas.usp.br/crioula/article/view/143071"><i><span style="font-weight: 400;">queer rap</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no Brasil, que contudo hoje se mostra um termo limitado demais para o que ele representa. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UQ9PHNTCsog&amp;t=525s"><span style="font-weight: 400;">Em suas palavras</span></a><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">depois que você lança uma música e vai existindo, as coisas tomam caminhos que uma tag não suporta</span></i><span style="font-weight: 400;">”. E acredite, nenhuma </span><i><span style="font-weight: 400;">tag</span></i><span style="font-weight: 400;"> suporta Dalasam. E caso ainda houvesse dúvidas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores Dala Guardião do Alívio </span></i><span style="font-weight: 400;">vem para cravar o artista como um dos nomes mais relevantes da música brasileira atual.</span></p>
<p><span id="more-19484"></span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emicida/"><span style="font-weight: 400;">Emicida</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D31FaSCwSok"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Roda Viva</span></i><span style="font-weight: 400;"> em julho de 2020, ao ser perguntado sobre o envolvimento da comunidade LGBTQ+ no movimento do </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, citou Rico, que colaborou com o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mC_vrzqYfQc"><i><span style="font-weight: 400;">Mandume</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como “</span><i><span style="font-weight: 400;">um dos melhores letristas que nós temos hoje</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><a href="https://youtu.be/G8W0Fc2XEBE"><span style="font-weight: 400;">E de fato</span></a><span style="font-weight: 400;">. Depois de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2020/06/nao-posso-idiotizar-meu-processo-para-ser-o-top-50-do-spotify-diz-rico-dalasam-cansado-do-pop.shtml"><span style="font-weight: 400;">alguns anos de hiato</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://g1.globo.com/musica/noticia/pabllo-vittar-tem-musica-todo-dia-retirada-do-youtube-apos-rico-dalasam-reclamar-de-contrato.ghtml"><span style="font-weight: 400;">polêmicas que reverberam até hoje</span></a><span style="font-weight: 400;">, o cantor e compositor retorna com os dois pés na porta com um álbum extremamente conciso, maduro e de identidade visual marcante, acompanhando 11 faixas e um curto clipe de quase 2 minutos que introduz as temáticas abordadas no disco e sintetiza a mensagem proposta.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="DOLORES DALA GUARDIÃO DO ALÍVIO - O FILME" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/sgbHd8FM0uw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Anteriormente lançado como um </span><a href="https://www.papelpop.com/2020/05/rico-dalasam-lanca-o-poderoso-ep-dolores-dala-o-guardiao-do-alivio/"><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> de cinco faixas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em maio de 2020, dessa vez sua premissa é elevada à décima potência, transformando-se em uma experiência imersiva e em uma viagem pelas emoções, vivências e pensamentos do autor, resultando no trabalho mais sensível e intimista de sua carreira, e com certeza um tiro acertado. O disco, de cerca de 26 minutos, pode até ser consideravelmente curto para a duração padrão de um </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;"> hoje, mas, em compensação, ele não tem uma grama de gordura. Como um legítimo </span><a href="http://mediabox.observatoriodoaudiovisual.com.br/2020/07/o-que-torna-um-album-conceitual-seja.html"><span style="font-weight: 400;">álbum conceitual</span></a><span style="font-weight: 400;">, todas as faixas têm papel crucial e relevante para o resultado da obra final. Tanto sua estrutura narrativa quanto a forma com que as faixas são agrupadas não são por acaso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com produções assinadas por </span><a href="https://www.instagram.com/digroove/"><span style="font-weight: 400;">Dinho</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/mahal-pita-lanca-1oepisodio-de-seu-projeto-de-ficcao-documental-assista/"><span style="font-weight: 400;">Mahal Pita</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.instagram.com/moiguimaraes/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Moi Guimarães</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oh1gvWlQ5E8"><span style="font-weight: 400;">Netto Galdino</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/3ZoPLWUM1ywVcOg4EMHmAu?si=PZSAhNwGSyihat_5NFS7ng&amp;nd=1"><span style="font-weight: 400;">Pedrowl</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/Musica/noticia/2020/09/do-attooxxa-ao-mundo-rafa-dias-anuncia-projeto-solo-internacional.html"><span style="font-weight: 400;">RDD</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.instagram.com/chorachibatinha/"><span style="font-weight: 400;">Chibatinha</span></a> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=M5PHsl03kBI"><span style="font-weight: 400;">(ÀTTØØXXÁ)</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores Dala Guardião do Alívio </span></i><span style="font-weight: 400;">nos conduz à jornada emocional de Rico, através de uma fábula envolvida por versos poéticos e rimas instigantes, de alguém que incessantemente procura a calmaria em um mundo hostil. Enquanto </span><a href="https://open.spotify.com/album/3yqRnAKjkXRUzguNjMKxi8?si=uMRlXfwlTDKMQuh1ZPEs8Q"><i><span style="font-weight: 400;">Orgunga</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, álbum anterior do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;">, é “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UQ9PHNTCsog&amp;t=772s"><i><span style="font-weight: 400;">o orgulho que vem depois da vergonha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, aqui ele nos revela</span> <span style="font-weight: 400;">o alívio que vem depois da dor.</span></p>
<figure id="attachment_19488" aria-describedby="caption-attachment-19488" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19488 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-2-2.jpg" alt="magem do rapper Rico Dalasam, homem negro de barba e cabelo preto preso em dreads. Ele está sem camisa, usando apenas uma calça da cor marrom presa por um cinto de balas, com uma corrente repleta de pequenas chaves pendurada em sua lateral direita. Ainda usa um grande colar composto de várias franjas de seda da cor vermelha, algumas pulseiras de palha em seu pulso direito e um brinco em sua orelha direita, com uma pequena pedra branca em formato circular pendurada. Além disso, ele tem uma corda de alho pendurada sobre seu ombro direito, envolvendo toda a lateral do seu tronco. Ele está em pé, com os dois cotovelos apoiados no teto de um humilde carro cinza. O seu semblante é sério. O ambiente é um campo verdejante durante um anoitecer nublado. Na parte inferior, centralizado, pode-se ler reticências." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-2-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-2-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-2-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19488" class="wp-caption-text">A recepção do disco foi extremamente positiva, já totalizando quase <a href="https://www.instagram.com/p/CMuIgzhsurH/">cinco milhões de plays no Spotify</a> (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A música de abertura é a </span><i><span style="font-weight: 400;">intro</span></i> <a href="https://genius.com/Rico-dalasam-ddga-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">DDGA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faixa em </span><a href="http://laspretas.com.br/slam-spoken-word-e-poesia-marginal/"><i><span style="font-weight: 400;">spoken word</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que apresenta um eu-lírico absorto e contemplativo, olhando para trás depois de um longo caminho percorrido e refletindo sobre sua trajetória, essa que acompanharemos nas 10 faixas que virão a seguir. Entre todo o texto que é recitado, uma frase ecoa em destaque:</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">não falaria de alívio se não tivesse doído tanto</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Aqui, Rico evoca as duas máximas que irão ditar o curso que sua narrativa percorrerá: dor e alívio. Essa dualidade é exposta e será posta em constante conflito até que ela ache seu equilíbrio para, desse modo, abrir passagem para a cura. Afinal de contas, depois de tudo o que ele passou, simplesmente não há como continuar o mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contraponto à faixa anterior, voltamos à estaca zero e somos levados à </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-expresso-sudamericah-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Expresso Sudamericah</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dessa vez, ao invés de</span> <span style="font-weight: 400;">ouvirmos um discurso auspicioso e otimista, nos deparamos com o manifesto de um homem confuso, angustiado, largado sozinho na estação, procurando sentido em sua caminhada. Acompanhamos o seu raciocínio junto às batidas compassadas, de quem questiona sua posição no mundo e as responsabilidades que essa posição lhe infere. Como uma carta para o seu público, vinda direto de um período em que o próprio Rico, depois de sofrer constantes ataques por unicamente </span><a href="https://www.papelpop.com/2020/03/rico-dalasam-e-produtores-entram-em-acordo-sobre-direitos-autorais-de-todo-dia-da-pabllo-vittar/"><span style="font-weight: 400;">reivindicar um direito trabalhista</span></a><span style="font-weight: 400;">, perguntava-se qual era o </span><a href="https://www.instagram.com/p/B37OGESBDdc/"><span style="font-weight: 400;">seu papel como músico</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma indústria tão opressiva e sufocante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas ali ele encontra uma resposta. Ou, senão uma resposta, uma faísca de esperança. Dalasam usa a sua experiência individual como </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><span style="font-weight: 400;">homem, negro, gay</span></a><span style="font-weight: 400;"> e latino para comentar todo o processo de </span><a href="https://periodicos.ufpe.br/revistas/cadernosdehistoriaufpe/article/view/110015"><span style="font-weight: 400;">henrança colonial</span></a><span style="font-weight: 400;"> da América do Sul, posicionando-se no centro desse cenário. Não é à toa que, durante o refrão, ele se dirija diretamente ao ouvinte: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Alô parceiro, passageiro”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Afinal, ele não caminha sozinho. E, no fim das contas, não adianta de nada produzir um </span><i><span style="font-weight: 400;">hit </span></i><span style="font-weight: 400;">de milhões se isso significar se render à ordem vigente e tornar-se ainda mais refém desses poderes. Ele, enfim, conclui que </span><a href="https://www.polemicaparaiba.com.br/entretenimento/rico-dalasam-e-linchado-na-internet-apos-retirada-de-videoclipe-todo-dia/"><span style="font-weight: 400;">não importa o quanto tentem calá-lo</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele mesmo abrirá o seu caminho para o topo, traçando seu propósito: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Tô desenhando um coração onde todo dia apagam um monte”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_19489" aria-describedby="caption-attachment-19489" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19489" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-3-5-1024x682.jpg" alt="Imagem de divulgação do disco Dolores Dala Guardião do Alívio, do rapper Rico Dalasam. Ele é um homem negro, de barba e cabelo preto em dreads na altura dos ombros, usando uma maquiagem da cor dourada com detalhes em azul. Ele está dentro de um carro da cor cinza com rodas amarelas, apoiando a cabeça e os braços sobre a porta do motorista. Usando um sobretudo branco, ele olha diretamente para a câmera. Ainda usa um anel colorido em formato de flor no dedo do meio de sua mão direita e duas pulseiras de palha em seu pulso direito, com uma pequena pedra branca pendurada em uma delas. Ao fundo, observamos um campo verdejante." width="1800" height="1199" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-3-5-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-3-5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-3-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-3-5-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-3-5-1200x799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-3-5.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19489" class="wp-caption-text">“Porque a melhor de nós nunca foi na agonia, na confusão dos ódios, na distração dos brancos” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse artifício de utilizar vivências individuais para comentar um fenômeno social coletivo rege toda a estrutura de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Dolores Dala Guardião do Alívio</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-nao-e-comigo-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Não é Comigo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é introduzido, através de um áudio de </span><i><span style="font-weight: 400;">WhatsApp</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">um dos arcos centrais a serem abordados: um </span><a href="https://personaunesp.com.br/bom-crioulo-125-anos/"><span style="font-weight: 400;">relacionamento interracial</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-026X2006000100007&amp;script=sci_arttext&amp;tlng=pt"><span style="font-weight: 400;">homoafetivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, e as </span><a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-69092006000100013"><span style="font-weight: 400;">implicações disso</span></a><span style="font-weight: 400;"> para ele como homem negro. Rico então atravessa um importante tópico: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4Cwu4MD_dwU&amp;t=41s"><span style="font-weight: 400;">a solidão do gay negro</span></a><span style="font-weight: 400;">, constantemente </span><a href="https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/28294/1/Hiperssexualiza%C3%A7%C3%A3oNegrosIndustria.pdf"><span style="font-weight: 400;">hiperssexualizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e idealizado em fantasias e fetiches sexuais, porém nunca considerado digno de </span><a href="https://www.geledes.org.br/notas-sobre-amor-afeto-e-solidao-do-gay-negro/"><span style="font-weight: 400;">amor e afeto genuíno</span></a><span style="font-weight: 400;">. O </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">decide enfrentar diretamente esse imagético e coloca o seu parceiro – evidentemente branco – contra a parede ao questionar o motivo dele não assumi-lo para seus familiares e amigos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal temática continua se estendendo na faixa que sucede, </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-ultima-vez-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Última Vez</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Musicalmente, essa é a que mais se diferencia do resto do álbum: um </span><i><span style="font-weight: 400;">afrobeat </span></i><span style="font-weight: 400;">que abusa de </span><a href="https://academiadebeats.com.br/blog/808-historia/"><i><span style="font-weight: 400;">808’s</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e arranjos eletrônicos, predominantes no gênero do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0n2BCNuyFm8"><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – o que se encaixa perfeitamente com a </span><a href="https://elle.com.br/cultura/trap-estilo-e-estetica"><span style="font-weight: 400;">estética densa e soturna</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a música quer transmitir –. No entanto, ela também opta por </span><a href="https://www.instagram.com/p/CMvQihJF3os/"><span style="font-weight: 400;">batidas mais orgânicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, somadas a </span><a href="https://www.instagram.com/p/CMs7VovHPm7/"><span style="font-weight: 400;">suaves dedilhados de cavaco</span></a><span style="font-weight: 400;"> em segundo plano, fazendo com que sua sonoridade, ainda que destoante, continue soando familiar com o resto da </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além disso, com sua voz sustentada por um </span><a href="https://kondzilla.com/m/explicando-em-detalhes-o-que-e-auto-tune"><i><span style="font-weight: 400;">autotune</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> modesto, porém marcante, e um </span><i><span style="font-weight: 400;">flow</span></i><span style="font-weight: 400;"> melódico </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OowU_3dTPis"><span style="font-weight: 400;">Beli Remour</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rico explora sua extensão vocal como nunca antes, expressando sentimentos que vão da agressividade à melancolia.</span></p>
<figure id="attachment_19490" aria-describedby="caption-attachment-19490" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19490 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-4-2.jpg" alt="Imagem do rapper Rico Dalasam, homem negro de barba e cabelo preto preso em dreads. Ele está sem camisa, usando apenas uma calça da cor marrom, com uma corrente repleta de pequenas chaves pendurada em sua lateral direita. Ainda usa um grande colar composto de várias franjas de seda da cor vermelha e algumas pulseiras de palha em seu pulso direito. Ele está agachado em frente a uma pequena mesa circular encoberta por um tecido preto. Em cima da mesa há um prato branco, que carrega um objeto preto com o formato de um coração humano, com duas pequenas espadas de cor prata inseridas em sua lateral direita. O homem está com a cabeça abaixada inclinado sobre o prato, olhando para ele, com a mão esquerda segurando o objeto e a mão direita segurando uma terceira espada, enquanto a insere na lateral direita do objeto junto às outras. O ambiente é um campo de terra. É noite e o redor está completamente escuro, exceto pela luz de um holofote que ilumina a cena. Na parte inferior, centralizado, lê-se os dizeres “por causa de um amor?”." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-4-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-4-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-4-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-4-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-4-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19490" class="wp-caption-text">“Você vai peitar 500 anos de uma parada, por causa de um amor? De um suposto amor, você nem tem certeza” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por meio de rimas ríspidas, cruas e diretas, Rico se localiza e deixa claro: </span><a href="https://www.initiavia.com/post/sobre-a-solid%C3%A3o-do-gay-preto-de-rafael-porto-francisco"><span style="font-weight: 400;">ele não será cativo de ninguém</span></a><span style="font-weight: 400;">. Frases como</span><i><span style="font-weight: 400;"> “quer meter, mas não quer manter”</span></i><span style="font-weight: 400;"> o colocam em uma posição ativa e reforçam a sua ofensiva, de alguém que sofreu calado por tempo demais. De tônica semelhante, a faixa </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-mudou-como-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Mudou Como?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">afropop </span></i><span style="font-weight: 400;">enérgico que cativa logo na primeira ouvida, relata o momento em que essa relação adquire um caráter abusivo, fatalmente repercutindo as dinâmicas de uma </span><a href="https://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/artigos/497/06-Schwartz.pdf"><span style="font-weight: 400;">hierarquia colonial</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nos deparamos com um eu-lírico complexo e impotente, em conflito com a contradição de ainda desejar permanecer em uma condição que o faz tão mal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o intuito de realizar um mergulho mais íntimo sobre esse romance e seus efeitos tanto internos quanto externos, o primeiro single de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores Dala Guardião do Alívio</span></i><span style="font-weight: 400;"> e seu maior </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-braille-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Braille</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é conduzido por um </span><a href="https://blog.planetamusica.net/voce-sabe-o-que-e-sample/"><i><span style="font-weight: 400;">sample</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">notável de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XnbsIl2BnWw"><i><span style="font-weight: 400;">Chanel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do Frank Ocean, acompanhado por um singelo pandeiro, culminando, no refrão, em um dos clímax mais memoráveis que o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">já nos proporcionou. Seu talento como compositor se manifesta em versos intensos e frases icônicas que tratam da forma mais franca possível os infortúnios vivenciados com seu parceiro.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Rico Dalasam feat. Dinho - Braille [HORIZONTE SESSIONS]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Ga4LerPmyrk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">E então, finalmente, depois de tantos tormentos e anseios, </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-supstah-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Supstah</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma quebra que vem como um balde de água fria, um momento de respiro diante de tantas perturbações. </span><i><span style="font-weight: 400;">Supstah </span></i><span style="font-weight: 400;">é a utopia de Rico Dalasam, quando, nem que seja por um breve instante, ele se entrega aos seus sonhos e se permite descolar de sua existência material, idealizando um mundo diferente para si e para os seus. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez, exatamente por ser um momento mais brando e menos urgente, essa também seja uma das faixas de menor destaque de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores Dala Guardião do Alívio</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, independente do seu impacto dentro do panorama geral, esse ainda é um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">takes </span></i><span style="font-weight: 400;">mais bonitos feitos no disco. Visto isso, faz sentido que, na faixa seguinte, o interlúdio </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-circular-3-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Circular 3</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, protagonizado pela mãe de Rico, o vejamos comentando, através da metáfora de uma espera em um ponto de ônibus, sobre a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LcHTeDNIarU"><span style="font-weight: 400;">cultura imediatista</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma geração superexposta, sedenta por controle, que recebe estímulos de todos os cantos e não consegue mais enxergar valor nas pequenas coisas.</span></p>
<figure id="attachment_19491" aria-describedby="caption-attachment-19491" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19491 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-5-1.jpg" alt="Imagem de divulgação do disco Dolores Dala Guardião do Alívio, do rapper Rico Dalasam. Ele é um homem negro, de barba e cabelo preto em dreads na altura dos ombros, usando uma maquiagem da cor dourada com detalhes em azul. Ele veste um sobretudo branco, de gola dourada com detalhes. Ainda usa um anel colorido em formato de flor no dedo do meio de sua mão direita. O homem, olhando diretamente para a câmera, toca as palmas das mãos, colocando a palma esquerda abaixo da palma direita, mantendo-as levantadas na altura de seu tronco. Ele está sentado no capô de um carro da cor cinza, com várias rosas brancas agrupadas verticalmente ao seu redor, também em cima do capô. Nas duas pontas superiores do teto, se equilibram dois vasos brancos. Ao fundo é possível observar um campo verdejante, com um céu nublado." width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-5-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-5-1-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-5-1-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-5-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-5-1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19491" class="wp-caption-text">O hit Braille ainda marcou presença em premiações ao ganhar o Prêmio Multishow de <a href="https://siterg.uol.com.br/cultura/2020/11/12/premio-multishow-2020-veja-a-lista-completa-dos-vencedores/">Canção do Ano</a> em 2020 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando à realidade, agora em busca de tornar essa utopia tangível, </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-vividir-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Vividir</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">chega como uma revisita nostálgica a um local e tempo distantes. Dalasam inicia citando elementos importantes de um período longínquo de sua vida: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Um pedaço de colo/Um gole de café/Uma foto de um ano/Que eu não lembro qual é”</span></i><span style="font-weight: 400;">, até que por fim ele tenha que confrontar o fato inevitável de que as coisas mudaram e, não importa o quanto ele queira, elas nunca voltarão a ser o que eram antes: </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><i><span style="font-weight: 400;">Onde era minha casa não é mais/Onde era minha escola não é mais/Onde era a minha vida não é mais/Cadê?”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas, afinal, já que não temos controle sobre o que acontece ao nosso redor, o que fazer a respeito?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É isso que Rico tenta responder no interlúdio </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-outros-finais-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Outros Finais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma ponte para o final da grande odisseia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores Dala Guardião do Alívio</span></i><span style="font-weight: 400;">. O texto, declamado por </span><a href="https://www.instagram.com/pellegrinicaah/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Camilla Pellegrini</span></a><span style="font-weight: 400;">, que transcende o concreto e sugere uma conexão etérea, divina e espiritual com sua ancestralidade, é introduzido ressoando a frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ninguém está mais no mesmo lugar”</span></i><span style="font-weight: 400;">, como se contestasse diretamente as indagações feitas previamente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vividir</span></i><span style="font-weight: 400;">. Dalasam então, através de sua fé, encontra as respostas de que precisa, pavimentando o caminho para seu encontro consigo mesmo em </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-estrangeiro-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Estrangeiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_19492" aria-describedby="caption-attachment-19492" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19492 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-6-1.jpg" alt="Imagem do rapper Rico Dalasam, um homem negro de cabelo preto em dreads na altura dos ombros. Usando um sobretudo branco, ele está de costas, caminhando por um campo verdejante durante uma tarde nublada, enquanto segura um vaso branco em sua mão direita. Na parte inferior, centralizado, é possível ler os dizeres “O trato era”." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-6-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-6-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-6-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-6-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-6-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19492" class="wp-caption-text">“O trato era: seus braços ser meu travesseiro, amor” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa música, mais do que uma reconciliação e um término pacífico </span><span style="font-weight: 400;">– </span><a href="https://www.instagram.com/p/CM0LWjKMJxZ/"><span style="font-weight: 400;">ainda que não menos crítico</span></a><span style="font-weight: 400;"> –</span><span style="font-weight: 400;"> para aquele romance tão atribulado, representa o Rico respeitando seu próprio tempo e, enfim, se chocando com a possibilidade da cura. Representa sua tomada de consciência de que aquele não é o seu lugar, e a retomada de sua busca por um espaço que é de seu direito. </span><i><span style="font-weight: 400;">Estrangeiro </span></i><span style="font-weight: 400;">não marca o fim de sua jornada, e sim o fechamento de um ciclo para a abertura de um novo. Libertando-se das correntes dessa relação tóxica, ele sai desse episódio amadurecido e em paz com sua decisão. Em virtude disso, não é por acaso que a frase que marque o desfecho dessa história seja: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Fui, porque acabou a fé/Não, porque acabou o amor”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma coisa é certa: </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores Dala Guardião do Alívio </span></i><span style="font-weight: 400;">é </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/academico/2021/03/25/Como-o-rap-ganhou-seu-espa%C3%A7o-em-S%C3%A3o-Paulo-nos-anos-1990"><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – </span><i><span style="font-weight: 400;">Rhythm and Poetry </span></i><span style="font-weight: 400;">– em sua essência. Transbordando poesia, talvez essa faceta de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dalaboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca tenha estado tão escancarada antes, no melhor dos sentidos. Entretanto, o álbum não se restringe a isso. Construindo uma colcha de retalhos, ele bebe de diversos gêneros afrolatinos distintos – do </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/06/18/Como-o-dancehall-vem-ganhando-espa%C3%A7o-nos-bailes-da-periferia"><i><span style="font-weight: 400;">dance hall</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/samba/"><span style="font-weight: 400;">samba</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pagode –, pincelando doce e gentilmente sua obra por temas pesados como colonialismo, homossexualidade, afetos e negritude, elevando-a a uma experiência lúdica e acessível, sem diminuir o impacto, relevância e seriedade dessas questões.</span></p>
<figure id="attachment_19493" aria-describedby="caption-attachment-19493" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19493 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-7_Easy-Resize.com_.jpg" alt="Imagem do rapper Rico Dalasam em foto de divulgação de seu disco Dolores Dala Guardião do Alívio. Rico Dalasam é um homem negro, de barba e cabelo preto em dreads na altura dos ombros, usando uma maquiagem da cor dourada com detalhes em azul. Aparecendo apenas do tronco para cima, ele usa um sobretudo branco semitransparente, de gola dourada com detalhes em azul. Ele olha diretamente para a câmera enquanto ergue os dois braços esticados para os lados, com as palmas das mãos para cima. Ainda usa um anel colorido em formato de flor no dedo do meio de sua mão direita e várias pulseiras de palha no pulso direito, com uma pequena pedra branca pendurada em uma delas. Ao fundo, observamos um céu azul limpo." width="1600" height="1142" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-7_Easy-Resize.com_.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-7_Easy-Resize.com_-300x214.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-7_Easy-Resize.com_-1024x731.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-7_Easy-Resize.com_-768x548.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-7_Easy-Resize.com_-1536x1096.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-7_Easy-Resize.com_-1200x857.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19493" class="wp-caption-text">“Você é parte da minha parte viva, ô, e a gente ainda é a parte viva do mundo” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E, ao fazer isso, ele passa a destoar ainda mais dos seus </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1c9LlYtXcdk"><span style="font-weight: 400;">trabalhos anteriores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e das tendências musicais do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QcS9ZndErHc"><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">atual</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, apesar disso, continua soando aconchegante e convidativo para quem acompanha o artista desde </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tQ_2iTybtaI"><i><span style="font-weight: 400;">Modo Diverso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É um retrato tão pessoal e tão singular, mas que, ao mesmo tempo, de alguma forma, consegue soar completamente abrangente. </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/03/entrevista-com-rico-dalasam-do-abismo-tambem-se-pode-ecoar-as-coisas/"><span style="font-weight: 400;">Tal qual o próprio Rico pontua</span></a><span style="font-weight: 400;">, alguns dos contos e versos apresentados poderiam muito bem serem cantados pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JPWjJlNtE_w"><span style="font-weight: 400;">Marília Mendonça</span></a><span style="font-weight: 400;">, porque amor, desilusão e rompimento são conceitos universais e identificáveis para qualquer um. No entanto, calhou por serem cantados por ele, o que é potente e político por si só.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, bem como a sua capa sugere, esse álbum é um abraço acolhedor. É a proposta de um alívio para um período tão doloroso quanto o que estamos passando ao, </span><a href="https://www.instagram.com/p/CAoVnwOhhb9/"><span style="font-weight: 400;">como ele mesmo define</span></a><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">desenhar um coração dentro de um corpo preto sul-americano</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Coração esse que, não importa o quanto seja golpeado, continuará pulsando e resistindo obstinadamente. Assim sendo, me parece que a </span><a href="https://www.instagram.com/p/CLZVp0plD3l/"><span style="font-weight: 400;">rosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o signo perfeito para a sua fábula: algo tão bonito, ao mesmo tempo que potencialmente perigoso – Rico Dalasam consegue encontrar beleza em uma realidade espinhosa, e não poderia haver posição mais revolucionária do que essa.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Dolores Dala Guardião do Alívio" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/5hEHhvlgbM3PmNflPbmoZg?si=i7T38_l_R6iAXPtSQWorLQ"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/dolores-dala-guardiao-do-alivio-critica/">Em um universo de dores, Rico Dalasam nos entrega um alívio</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/dolores-dala-guardiao-do-alivio-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">19484</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Um novo Diomedes Chinaski surge em A Vida Ainda Pode Ser Bela</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/a-vida-ainda-pode-ser-bela-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/a-vida-ainda-pode-ser-bela-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 17:01:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[A Vida Ainda Pode Ser Bela]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Chuva]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Deserto]]></category>
		<category><![CDATA[Diomedes Chinaski]]></category>
		<category><![CDATA[Elder John]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[EP]]></category>
		<category><![CDATA[Janis Joplin]]></category>
		<category><![CDATA[Leis de D’us]]></category>
		<category><![CDATA[Metflix]]></category>
		<category><![CDATA[Mixtape]]></category>
		<category><![CDATA[Rap Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Rap Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Sulicídio]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=18472</guid>

					<description><![CDATA[<p>A vida ainda pode ser bela se eu fizer dinheiro/Primeiro família, depois o amor verdadeiro/A grana se esconde, você tem ir pelo cheiro  Elder John No início de fevereiro, Diomedes Chinaski lançou a mixtape A Vida Ainda Pode Ser Bela e se mostrou um artista completo. O rapper manteve seu nível musical, mas agora com &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-vida-ainda-pode-ser-bela-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Um novo Diomedes Chinaski surge em A Vida Ainda Pode Ser Bela"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-vida-ainda-pode-ser-bela-critica/">Um novo Diomedes Chinaski surge em A Vida Ainda Pode Ser Bela</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><i>A vida ainda pode ser bela se eu fizer dinheiro/Primeiro família, depois o amor verdadeiro/A grana se esconde, você tem ir pelo cheiro </i></p>
<figure id="attachment_18474" aria-describedby="caption-attachment-18474" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18474" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/144847713_1153930935036740_6730903091424661808_n.jpg" alt="" width="1080" height="608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/144847713_1153930935036740_6730903091424661808_n.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/144847713_1153930935036740_6730903091424661808_n-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/144847713_1153930935036740_6730903091424661808_n-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/144847713_1153930935036740_6730903091424661808_n-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18474" class="wp-caption-text">Cena do clipe Adão e Eva (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Elder John</strong></p>
<p>No início de fevereiro, Diomedes Chinaski lançou a <i>mixtape</i> <i>A Vida Ainda Pode Ser Bela</i> e se mostrou um artista completo. O <i>rapper </i>manteve seu nível musical, mas agora com uma visão de mundo um pouco diferente nas letras. O trabalho conta com 7 faixas e já tem 2 clipes disponíveis no canal do artista no <i>YouTube</i>. Nas participações, temos o <a href="https://instagram.com/mor4lcm?igshid=p4m77ghuzwh1">Moral</a> e <a href="https://www.youtube.com/channel/UC3NWg-MdX_qF1JPdN6F_PIA">Raz Tarcisio</a>, que já haviam trabalhado com o <i>aprendiz</i> em outras produções. Além da análise, trago uma entrevista exclusiva que fiz com o artista sobre o álbum.</p>
<p><span id="more-18472"></span></p>
<p>A <i>mixtape </i>se passa em 20 minutos, mas como o próprio Diomedes disse, necessita de um ambiente tranquilo para apreciar a obra: <i>“Você precisa estar sentado ou deitado confortavelmente. O ideal, se possível, é estar com alguém. A vida ainda pode ser bela é uma experiência musical muito gostosa. As letras são eróticas e poéticas. O poeta é um sonhador”</i>, afirmou.</p>
<figure id="attachment_18475" aria-describedby="caption-attachment-18475" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18475" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/135789653_751174235505060_6487315317705377200_n.jpg" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/135789653_751174235505060_6487315317705377200_n.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/135789653_751174235505060_6487315317705377200_n-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/135789653_751174235505060_6487315317705377200_n-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/135789653_751174235505060_6487315317705377200_n-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/135789653_751174235505060_6487315317705377200_n-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18475" class="wp-caption-text">Capa da mixtape A Vida Ainda Pode Ser Bela (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Realmente, é uma produção leve, mas precisa de um ambiente calmo para curtir a <i>vibe</i>. Dentro da proposta, o <i>rapper </i>foi totalmente assertivo em um misto de desabafo, reflexão e amor. Quando falo sobre um novo Diomedes, é verdade, aquele que cantou <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OoWPHgvi16I"><i>Sulicídio</i></a> já conquistou seu espaço e hoje gera oportunidades para os demais artistas da região. Seus assuntos são mais pessoais e sentimentais.</p>
<p>Apesar de ser um <i>EP</i> curto, o artista não foge de sua principal característica de passar emoção e sentimento nas letras, algo que Chinaski sempre trouxe em todos os projetos. E que não são poucos, mesmo tendo apenas 29 anos, lançou nove produções: <i>Ressentimentos</i> (2010), <i>Réquiem</i> (2014), <i>O Aprendiz</i> (2015), <a href="https://rapshit.com.br/2016/04/02/review-nacional-ouroboros-por-diomedes-chinaski/"><i>Ouroboros</i></a> (2016), <a href="https://medium.com/@geocaio/ressentimentos-ii-%C3%A9-uma-aula-de-humanidade-9734d6848dbd"><i>Ressentimentos II</i></a> (2017), <a href="https://medium.com/@willsandino/an%C3%A1lise-mixtape-comunista-rico-diomedes-chinaski-fe5173516aa9"><i>Comunista Rico</i></a> (2018), <a href="https://medium.com/@henriquepardo/diomedes-o-crocodilo-de-pernambuco-e-quem-s%C3%A3o-os-g-o-a-t-b7e148c291da"><i>Crocodiloboy</i></a> (2020), <i>Coração Partido Vol. 1</i> (2020) e <i>A Vida Ainda Pode Ser Bela</i> (2021).</p>
<p>Começando pela faixa <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Vp1Fa5RtQMs&amp;list=PLlghQp5jkX_jD_HmoE_H2aaADqtmS4zGL&amp;index=1"><i>Chuva</i></a>, uma introdução impactante, instrumental melancólico, já demonstrando a pegada da obra. Em contrapartida, na sequência temos <a href="https://www.youtube.com/watch?v=y9maajaAAFg&amp;list=PLlghQp5jkX_jD_HmoE_H2aaADqtmS4zGL&amp;index=2"><i>Deserto</i></a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=LVdLAVOFOeg&amp;list=PLlghQp5jkX_jD_HmoE_H2aaADqtmS4zGL&amp;index=3"><i>Metflix</i></a>, duas <i>love songs</i>. A primeira, em tom de agradecimento e alívio, enquanto a segunda é uma letra totalmente erótica, como já vimos o <i>rapper </i>fazer em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=bD6ifecX6rs"><i>Poesia Acústica 2</i></a>. Já <a href="https://www.youtube.com/watch?v=MFCxZk3sdBw&amp;list=PLlghQp5jkX_jD_HmoE_H2aaADqtmS4zGL&amp;index=4"><i>Adão e Eva</i></a> me lembrou muito o disco <i>Ressentimentos II</i>, uma letra com muitos significados, na qual cada pessoa que ouvir vai se identificar com algum ponto. Uma combinação de desabafo com pedido de socorro, principalmente quando diz não saber lidar com a solidão.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Diomedes Chinaski - ADÃO e  EVA (prod. Sativo Beats) Street Vídeo" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/REesQnoE_T4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=x0Z_0KiMqfc&amp;list=PLlghQp5jkX_jD_HmoE_H2aaADqtmS4zGL&amp;index=5"><i>Janis Joplin</i></a>, referência do <a href="https://personaunesp.com.br/pearl-janis-joplin-50-anos/"><i>rock </i>nos anos 60</a>, foi homenageada nesta faixa. Talvez seja um dos estilos menos usados pelo artista, mas é a canção mais erótica da <i>mixtape</i>, além de uma virada de <i>beat </i>que casou perfeitamente. Diomedes ousou e acertou.</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RgdH_De6DTk&amp;list=PLlghQp5jkX_jD_HmoE_H2aaADqtmS4zGL&amp;index=6"><i>Leis de D’us</i></a> volta no estilo de <i>Adão e Eva</i>, Chinaski contrastou esses dois pontos, poesia e erotismo. Essa música retrata a superação do artista em meio às adversidades da vida: “<i>Quem eu amo não se importa com a dor que a vida me deu/Eu vou me trancar no estúdio, já que a rua me escolheu”</i>. E o <i>rapper </i>prometeu que virão muitas produções daqui pra frente.</p>
<p>A última faixa e dona do título da <i>mixtape </i>é, sem dúvidas, a melhor. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=B9WBDySlqy0&amp;list=PLlghQp5jkX_jD_HmoE_H2aaADqtmS4zGL&amp;index=7"><i>A Vida Ainda Pode Ser Bela</i></a> é autêntica, demonstrando toda a qualidade do <i>rapper </i>em passar uma mensagem objetiva com uma musicalidade fenomenal. A letra é tão equilibrada que não tem uma <a href="https://cenasquecurto.net/2009/11/afinal-de-contas-o-que-e-uma.html"><i>punchline</i></a> de destaque, é um verso completo.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Diomedes Chinaski - ANGÚSTIA (Videoclipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/qGXoZo0t2Os?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Falando sobre as letras, a primeira frase da <i>mixtape </i>é: “<i>Quando uma lágrima cai, você tem a chance de deixar tudo aquilo que te fez tanto mal pra trás [&#8230;] Espero que chova mais”. </i>Em uma conversa exclusiva comigo, Diomedes explicou que essa passagem é uma fase de superação em sua vida, quando se reaproximou de sua família após um período conturbado na vida pessoal e artística.</p>
<p><i>“A depressão e a solidão nos levam para a vida noturna. E a vida noturna junto com a depressão te levam às drogas. Quando falo que não sei lidar com a solidão, estou dizendo que me estrago e me drogo. E agora estou mudando radicalmente, eu e minha esposa amadurecemos, agora nossa vida é em casa e isso faz tudo ao redor melhorar. Chuva fala de deixar pra trás a vida noturna, de confiar em muita gente, ser visto o tempo todo, muita carga pesada nisso tudo”</i>, disse o <i>rapper</i>.</p>
<p>Em contrapartida, a frase-chave da obra é <i>a “vida ainda pode ser bela se eu fizer dinheiro” </i>e Chinaski falou sobre o real sentido disso tudo: <b><i>“</i></b><i>A vida vai ser bela se eu tiver dinheiro pra</i> <i>cuidar do que realmente importa, não é tipo ostentação, é dinheiro por qualidade de vida</i><b><i>”</i></b>, relatou. A <i>mixtape </i>está toda amarrada em cima dessa narrativa, diversos exemplos são citados sobre como era a vida do <i>rapper </i>e como ele vive e pensa hoje em dia.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Diomedes Chinaski - A VIDA AINDA PODE SER BELA (feat. Raz Tarcisio) | Street Vídeo" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NkkB6B-ypjg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Reparem nesse outro verso, as prioridades mudaram: “<i>Sempre que encho o armário/Esqueço a opinião de vários/Chinaski, empilhador de tracks/O famoso bruxo lendário”</i>. Toda a pressão existente no movimento cultural, uma cobrança muitas vezes até utópica de postura e atitude dos artistas se torna supérflua quando estamos bem com as pessoas próximas.</p>
<p>Diomedes passou por fases complicadas e agora enxerga na família o local ideal para gastar o tempo. <i>&#8220;Enquanto eu fizer dinheiro eu ajudo minha mãe, meu pai, pago as contas e o principal, meu filho é especial e precisa de uma atenção maior. Sem dinheiro é sofrimento e depressão”</i>, finalizou.</p>
<p>Houve um <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_f8ydSHuong">processo de amadurecimento</a> na vida do artista pernambucano e isso fica nítido em suas letras. Diomedes disse na entrevista: <i>“O deserto é a vida, os problemas da vida, cada um de nós temos desertos que temos que atravessar”</i>. Sem dúvidas, o dinheiro é um dos principais fatores no processo de travessia. Concordo, Chinaski, se fizermos dinheiro, a vida ainda pode ser bela.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: A Vida Ainda Pode Ser Bela" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/1aMRBIVMYE0yxjLspDPE1v"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-vida-ainda-pode-ser-bela-critica/">Um novo Diomedes Chinaski surge em A Vida Ainda Pode Ser Bela</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/a-vida-ainda-pode-ser-bela-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">18472</post-id>	</item>
		<item>
		<title>AmarElo: tudo o que ‘nóis’ tem é ‘nóis’</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Feb 2021 16:31:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[9nha]]></category>
		<category><![CDATA[A Ordem Natural das Coisas]]></category>
		<category><![CDATA[AmarElo]]></category>
		<category><![CDATA[AmarElo - É Tudo Pra Ontem]]></category>
		<category><![CDATA[Cananéia]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Drik Barbosa]]></category>
		<category><![CDATA[É Tudo Pra Ontem]]></category>
		<category><![CDATA[Emicida]]></category>
		<category><![CDATA[Eminência Parda]]></category>
		<category><![CDATA[Fabiana Cozza]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Montenegro]]></category>
		<category><![CDATA[Fred Ouro Preto]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Gomes Santana]]></category>
		<category><![CDATA[Gilberto Gil]]></category>
		<category><![CDATA[Grammy Latino]]></category>
		<category><![CDATA[Hip-Hop]]></category>
		<category><![CDATA[Iguape e Ilha Comprida]]></category>
		<category><![CDATA[Ismália]]></category>
		<category><![CDATA[Jazz]]></category>
		<category><![CDATA[Jé Santiago]]></category>
		<category><![CDATA[Majur]]></category>
		<category><![CDATA[MC Tha]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Música Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Música Popular Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Pabllo Vittar]]></category>
		<category><![CDATA[Papillon]]></category>
		<category><![CDATA[Pastor Henrique Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[Pastoras do Rosário]]></category>
		<category><![CDATA[Pequenas Alegrias da Vida Adulta]]></category>
		<category><![CDATA[Pixinguinha]]></category>
		<category><![CDATA[Principia]]></category>
		<category><![CDATA[Rap]]></category>
		<category><![CDATA[Rap Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Rap Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Samba-rock]]></category>
		<category><![CDATA[Wilson das Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Zeca Pagodinho]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=18422</guid>

					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana O recente documentário AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem foi aclamado quase por unanimidade. A produção original da Netflix exibe o evento de estreia do mais recente álbum do rapper Emicida, AmarElo. O artista reúne todas as pessoas que, durante muito tempo, não tiveram a oportunidade de sequer pisar no Theatro Municipal, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "AmarElo: tudo o que ‘nóis’ tem é ‘nóis’"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/">AmarElo: tudo o que ‘nóis’ tem é ‘nóis’</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18423" aria-describedby="caption-attachment-18423" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18423" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328.jpg" alt="Parte do pôster do documentário AmarElo - É Tudo Pra Ontem. A imagem exibe o rosto de Emicida de perfil, virado para o lado esquerdo da imagem. O artista é negro e tem cabelos cacheados soltos, mas curtos. Emicida também usa um óculos de grau redondo e fino e uma blusa, mas é fotografado apenas do ombro para cima. Atrás dele, existe um fundo cinza e no meio um coração amarelo iluminado gigante. A foto está em tons preto e cinza e somente o coração amarelo ilumina e colore a imagem." width="1200" height="858" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328-300x215.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328-1024x732.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328-768x549.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18423" class="wp-caption-text">O documentário AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem estreou no catálogo da Netflix no dia 8 de dezembro de 2020 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gomes Santana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recente documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem </span></i><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/jornal-ingles-guardian-enaltece-emicida-rapper-com-missao-de-resgatar-historia-negra-do-brasil/"><span style="font-weight: 400;">foi aclamado</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase por unanimidade. A produção original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">exibe o evento de estreia do mais recente álbum do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">Emicida, </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">. O artista reúne todas as pessoas que, durante muito tempo, não tiveram a oportunidade de </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/atualidades/amarelo-10-motivos-para-assistir-o-documentario-do-emicida-na-netflix/"><span style="font-weight: 400;">sequer pisar no Theatro Municipal</span></a><span style="font-weight: 400;">, principal símbolo da cultura erudita do país. Emicida nos revela o porquê de suas letras, mensagens, parcerias e missões. Mais do que isso, o show traz um profundo sentimento de esperança aos seus espectadores. Ao mesmo tempo que evidencia os diferentes males que assolam nosso país, também constrói um forte apelo à esperança de tentar mudar esse cenário. </span></p>
<p><span id="more-18422"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Divida em três atos (</span><i><span style="font-weight: 400;">Plantar, Regar e Colher</span></i><span style="font-weight: 400;">), a obra de Emicida junto à direção de Fred Ouro Preto consegue instigar a atenção do espectador para um lindo processo de reflexão análogo à germinação das plantas e árvores. Como se tudo o que produzimos atualmente fossem frutos colhidos das raízes do passado. Neste texto, eu procuro elucidar algumas reflexões de cada faixa do disco, de acordo com as explicações fornecidas pelo autor ao longo do documentário. Em seu amplo processo de composição e pesquisa, Emicida elaborou didaticamente o porquê de cada canção pertencer a uma simbiose perfeita do enredo que é narrado. Me acompanha nessa viagem?</span></p>
<p><strong> <i>“Exu matou um pássaro ontem, com uma pedra que só jogou hoje”</i>.</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os </span><a href="https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/ER/article/view/6100"><span style="font-weight: 400;">iorubás</span></a> <span style="font-weight: 400;">antigos, nada é recente. Tudo faz parte de um motivo maior e por isso, podemos aprender com o passado. O modo como lidamos com o presente é o que realmente importa, pois apenas com ele e através dele, enxergamos o mundo à nossa volta. Isso serve para criar releituras, superar traumas e se desafiar a interpretar a vida de um jeito mais harmônico. O documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um suspiro aos desacreditados, um guia para os perdidos, um gás para aqueles que já se encontram sem fôlego. Já que o foco do artista é tratar sobre brasilidades, então este é o </span><i><span style="font-weight: 400;">hit </span></i><span style="font-weight: 400;">certo para quem tanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YMJOmIuUwiM"><span style="font-weight: 400;">lembra dos esquecidos</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Emicida - É tudo pra ontem part. Gilberto Gil" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/qbQC60p5eZk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de ser uma ponte entre radicais que se completam, também é a cor que nos ilumina a enxergar o caráter cíclico da natureza. Mergulhado em um incrível passeio sobre a história da arte popular brasileira e o passado dos protagonistas que alavancaram a cultura nacional mas que, infelizmente, são frutos do esquecimento marcado pelo racismo estruturante em nossa sociedade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pixinguinha (precursor do samba e da música genuinamente brasileira) é uma referência artística pouco lembrada pelo cenário cultural e musical. Além disso, sua fama repercutiu internacionalmente junto com o grupo Oito Batutas, mas será que ele é pouco lembrado por conta da cor da sua pele?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mediante a contextualização de um Brasil </span><a href="http://www2.eca.usp.br/njsaoremo/?p=4427#:~:text=Durante%20mais%20de%20300%20anos,do%20negro%3A%20ele%20permaneceu%20marginalizado."><span style="font-weight: 400;">pós-abolicionista</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme registra as raízes que ajudaram a fortalecer o protagonismo dos movimentos negros, mesmo com condições totalmente adversas. O curioso é que, para cada figura que é retratada na obra, há uma menção, inspiração ou homenagem nas suas músicas. Este é o elemento surpresa de Emicida. Como se não bastasse a reflexão de suas letras, entendemos quais foram as inspirações pelas quais teriam sido produzidas.</span></p>
<figure id="attachment_18424" aria-describedby="caption-attachment-18424" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18424" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1.png" alt="Cena do documentário Amarelo - É Tudo Pra Ontem. Na imagem, Emicida está de costas para a câmera, que fotografa o público de frente para ele. O artista está dançando, e veste um conjunto de moletom bege claro e um tênis amarelo e preto e segura um microfone em sua mão direita. Ele está em cima do palco do Theatro Municipal, sendo ovacionado pela platéia, que canta e dança junto com o artista. A sala do teatro está lotada e é iluminada em tons de vermelho." width="1200" height="750" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1-300x188.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1-768x480.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18424" class="wp-caption-text">AmarElo conseguiu lotar uma plateia de sorrisos, interagir com centenas de olhares esperançosos e apontar a luz necessária para refletir em todos os prismas presentes no Theatro Municipal, que foram celebrar a vitória do talentoso rapper Emicida (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A essência do disco orienta o filme. De início, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kjggvv0xM8Q"><i><span style="font-weight: 400;">Principia</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">traz em sua estrutura narrativa um sonho. Nele, somos convidados a amar uns aos outros, em sintonia firmada com a sonoridade do vento. É um som etéreo e convidativo que nos remete, de imediato, a canções de ninar, as mesmas que armazenamos em nossa memória infantil e, em um piscar de olhos, são resgatadas através de uma conexão. Essa chave que liga “o eu” com “o outro” constrói um elo, e é aí que a lembrança amorosa traz a seguinte mensagem em meio a escuridão:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “tudo que nóis tem é nóis.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As duas próximas faixas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4cXOAqWOIcM"><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Natural das Coisas </span></i></a><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RVZCB3_011c&amp;t=8s"><i><span style="font-weight: 400;">Pequenas Alegrias da Vida Adulta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, endossam um olhar ao poder da simplicidade presente no cotidiano. Já parou pra pensar sobre a riqueza dos detalhes? O quão difícil é ser </span><a href="http://renatalapetina.com/pequenas-alegrias-da-vida-adulta/"><span style="font-weight: 400;">adulto</span></a><span style="font-weight: 400;">? Se por um lado presenciamos diariamente o milagre do amanhecer, não há porque deixar de lado as pequenas alegrias da vida adulta. As batidas de ambas canções carregam sintonia através de ritmos do </span><i><span style="font-weight: 400;">samba-rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Qual é a verdadeira “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ordem Natural das Coisas</span></i><span style="font-weight: 400;">”? É ter medo? Sentir-se infeliz e com ódio? Não. Emicida, diferente do estereótipo do que muitos imaginam, não quis demonstrar o seu lado revoltoso e agressivo perante as injustiças que vem ocorrendo. O que há de mais natural é sermos nós mesmos. Sermos gratos pela vida, pela natureza e principalmente por termos o privilégio de nos conectarmos uns aos outros. É como o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> mesmo diz: “</span><i><span style="font-weight: 400;">O maior ato de rebeldia contra o sistema é eu estar aqui sorrindo com vocês</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Emicida - Pequenas alegrias da vida adulta part. Marcos Valle" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RVZCB3_011c?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante a maneira como o longa possui diversas transições com narrativas representadas na forma de animação. Este trabalho bem feito é de autoria de Alexandre de Maio e Felipe Macedo (direção de animações) e André Juventil (direção de arte). As ilustrações nos auxiliam a compreender a verdadeira face de quem é pouco reverenciado pelo imaginário de boa parte da população. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São ilustradas as narrativas “esquecidas”, a exemplo a do </span><a href="https://casavogue.globo.com/Arquitetura/noticia/2020/01/conheca-historia-de-tebas-o-arquiteto-escravizado-que-esculpiu-icones-de-sao-paulo.html"><span style="font-weight: 400;">arquiteto Tebas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Negro, ele foi responsável por planejar as fachadas do Convento São Bento e da Igreja São Francisco do Carmo, no período da escravatura. Além de ser símbolo de resistência, Tebas contribuiu sendo uma das principais referências no estilo arquitetônico da cidade paulistana. Como ele, diversos outros expoentes pretos puderam agir para que hoje tenhamos um cenário mais rico e representativo do povo negro.</span></p>
<figure id="attachment_18425" aria-describedby="caption-attachment-18425" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18425" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1.png" alt="Ilustração presente no documentário AmarElo - É Tudo Pra Ontem. No centro da imagem, existe uma árvore com raízes profundas em marrom escuro e folhas verdes caindo. Ao redor da árvore, preenchendo o resto da imagem, existem vários nomes de artistas e a data de nascimento dos mesmos." width="650" height="366" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1.png 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1-300x169.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18425" class="wp-caption-text">A arte popular e suas raízes (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/novidades/emicida-homenageia-wilson-das-neves-atraves-da-faixa-o-sorte/"><span style="font-weight: 400;">parceria de anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Wilson das Neves, um dos maiores bateristas e instrumentistas da América Latina, Emicida reconheceu o valor de uma amizade. Ora, existe alguém mais sábio nesse quesito do que o mestre </span><a href="https://personaunesp.com.br/mais-feliz-critica/"><span style="font-weight: 400;">Zeca Pagodinho</span></a><span style="font-weight: 400;">? Uma canção feliz e exuberante: </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Um Amigo (Tem Tudo).</span></i><span style="font-weight: 400;"> A letra não somente é em homenagem a Das Neves, como também toda sua composição foi criada em cima de harmonias encontradas em suas parcerias com </span><a href="https://personaunesp.com.br/planeta-fome-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elza Soares.</span></a></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=etRL3kv5jho"><i><span style="font-weight: 400;">Cananéia, Iguape e Ilha Comprida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é firmada pela transição de conhecimentos entre gerações distintas. Os diálogos amorosos entre pais e filhos retomam o que há de mais singelo entre o tempo: </span><a href="http://sv2.fabricadofuturo.org.br/sitev1/fabricav4/ear_arquivos/someinteressaoquenaoemeu.pdf"><span style="font-weight: 400;">a troca com o outro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Emicida transcende as famosas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=06A1Sah3cH4"><span style="font-weight: 400;"><em>“</em>pedradas do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;"> e em especial nesta faixa, observamos um curioso olhar ao amor, às delicadezas, nuances e, principalmente, ao belo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> é ritmo e poesia, não precisa carregar estereótipos de maldade, mágoa, rancor e ódio em sua imagem. O artista rompe com essa visão, ironizando aqueles que sustentam essa visão estereotipada, através das gargalhadas de sua filha caçula logo na introdução da canção. Ao final, mensagens fofas e carinhosas transbordam a alegria de sua filha mais velha com as famosas “cartas de amor”.</span></p>
<figure id="attachment_18426" aria-describedby="caption-attachment-18426" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18426" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4.png" alt="Fotografia de Emicida e Zeca Pagodinho. Os dois artistas estão ao centro da imagem, sorrindo juntos sentados em um estúdio de gravação musical. Primeiro, mais à esquerda da imagem, está Zeca Pagodinho, que tem a pele negra clara e cabelos curtos escuros. Zeca veste uma camisa jeans de manga longa azul escura, uma calça jeans cinza escura, tênis branco, um óculos de sol redondo, relógio dourado e uma aliança de compromisso na mão esquerda. Ao lado direito de Zeca, Emicida usa uma camiseta branca com o logo de sua outra empresa, a LAB Fantasma, uma calça de moletom cinza clara, tênis branco e pulseiras no pulso esquerdo. Emicida também tem tranças no cabelo, na altura do ombro, e usa um boné cinza claro e um óculos de sol quadrado. Atrás deles, no fundo da imagem, existe um estúdio de gravação, computadores e aparelhos de som." width="650" height="728" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4.png 457w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4-268x300.png 268w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18426" class="wp-caption-text">Talvez Emicida tenha lembrado de Zeca Pagodinho não apenas pela admiração, mas também pela autenticidade brasileira que Zeca esbanja quando trata temáticas tão puras sobre a vivência do povo humilde e trabalhador (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A linguagem sutil de um caos instaurado na </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-menino-e-o-mundo-modernidade-pelos-olhos-crianca/"><span style="font-weight: 400;">modernidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> retrata bem os primeiros versos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Paisagem</span></i><span style="font-weight: 400;">. A letra trabalha com antagonismos muito marcantes entre aparência e essência do ser. Ela ainda é capaz de gerar incômodos, afinal, mesmo diante da violência, somos treinados a ignorá-la em nosso interior, um modo de sobrevivência do dia a dia. O seu horizonte revela que ódio pode corroer tudo, exceto o nosso coração, caso o mesmo esteja em paz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=bSo0Jcux2R0"><i><span style="font-weight: 400;">9nha</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> por outro lado, é contada a história de um amor bandido, estilo Bonnie e Clyde. A música, que foi produzida em parceria com Drik Barbosa, trata-se de um relato apaixonante e ao mesmo tempo perverso, onde a maldade da sexualidade confunde-se com o “lado B” da vida do casal. Uma verdadeira aula de linguagem, mesclando duplos sentidos com gírias jovens que conversam com adolescentes rebeldes e apaixonados. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ó meu bem, a gente ainda vai sair nos jornais”</span></i><span style="font-weight: 400;"> traduz a fama de jovens sonhadores que almejam ser notados. </span></p>
<figure id="attachment_18427" aria-describedby="caption-attachment-18427" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18427" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5.png" alt="Uma foto colorida mostra detentos sentados em cadeiras azuis, vestidos com uniforme laranja, estampando a seguinte frase: “Interno”. Todos eles estão de costas para a câmera e de frente para o telão que exibe o título do documentário Amarelo - É Tudo Pra Ontem. No campo de visão da foto, aparecem 4 detentos, três deles são pardos e um é branco" width="650" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5.png 384w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5-225x300.png 225w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18427" class="wp-caption-text">A mensagem do documentário conseguiu atingir detentos do presídio de Balsas, interior do Maranhão: isso só ilustra o quanto a arte pode ser transformadora e potente sem demonstrar brutalidade e violência (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Eis que surge a nona faixa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4pBp8hRmynI"><i><span style="font-weight: 400;">Ismália</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a mais poética de </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com a declamação do </span><a href="http://culturafm.cmais.com.br/radiometropolis/lavra/alphonsus-de-guimaraens-ismalia"><span style="font-weight: 400;">poema de Alphonsus Guimarães</span></a><span style="font-weight: 400;">, Fernanda Montenegro e Emicida incorporam uma nova versão para o texto da poesia, lançada no século XIX, para os dias atuais. A música homenageia a luta de mulheres pretas guerreiras como: Ruth de Souza, Lélia González, Leci Brandão, Ivone Lara, Marielle e tantas outras personalidades marcantes para a representatividade da luta feminista antirracista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Preconceito racial, violência policial, estereótipos raciais, ódio e empoderamento são os principais temas abordados em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_zaqRm73GCo"><i><span style="font-weight: 400;">Eminência Parda</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um trabalho conjunto de Emicida, Jé Santiago e Papillon. Nos bastidores da gravação do clipe desta música, o ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">assassino de MC’s</span></i><span style="font-weight: 400;">’ solta a seguinte frase:</span><i><span style="font-weight: 400;">  “Eu não sou o alvo do racista, eu sou o pesadelo dele”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_18428" aria-describedby="caption-attachment-18428" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18428" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6.png" alt="Uma fotografia em preto e branco mostra dois artistas consagrados do samba de raiz em um palco, tocando juntos. Ao lado esquerdo, temos Mestre Candeia sentado em uma cadeira de rodas, enquanto o mesmo segura dois microfones. À direita, Martinho da Vila, em pé, tocando um pandeiro, enquanto canta ao microfone. Ao fundo, percebemos outros instrumentos musicais e outras seis pessoas que também figuram na imagem, porém em segundo plano." width="650" height="435" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6.png 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6-300x201.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18428" class="wp-caption-text">Impossível passear por qualquer gênero musical sem reconhecer a importância das batidas do samba no processo de identidade nacional &#8211; Mestre Candeia (esquerda) e Martinho da Vila (direita) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Então chegamos na penúltima faixa, </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">, que além de lidar com questões sobre auto aceitação, busca por um ideal, sonhos, fé… Trabalha com maestria sobre o enfrentamento de temáticas delicadas, através de uma mensagem amorosa. No fundo, é o remédio que todos nós precisamos nesse exato momento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de produzir a canção ao lado de </span><a href="https://portalpopline.com.br/quem-e-majur-conheca-artista-nao-binario-que-brilha-no-clipe-amarelo-com-emicida-e-pabllo-vittar/"><span style="font-weight: 400;">Majur</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-para-pabllo-2018/"><span style="font-weight: 400;">Pabllo Vittar</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi excepcional. Além de trazer duas grandes vozes para compartilhar talento, Emicida deu um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de diversidade. Até porque, não existe luta que seja separada das demais e mais uma vez, com seu lindo discurso humanista e performance fora da curva, fez questão de nos lembrar da importância da união.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Emicida - AmarElo (Sample: Belchior - Sujeito de Sorte) part. Majur e Pabllo Vittar" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/PTDgP3BDPIU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A frase do refrão</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem de um </span><i><span style="font-weight: 400;">sample </span></i><span style="font-weight: 400;">de Belchior (gravado há mais de 40 anos)</span> <span style="font-weight: 400;">que diz muito sobre resistência e se permitir conquistar espaços. Esse é o ideal de querer retratar diferentes lutas em seu clipe. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você é o maior representante do seu sonho na face da terra”, “Te vejo no pódio”, “Cê vai sair dessa prisão”, “Cê vai atrás desse diploma”, “Faz isso por nóis”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste ciclo que se fecha, somos acordados com a melhor percepção de nós mesmos. Com a autoestima renovada, temos a certeza de que somos </span><i><span style="font-weight: 400;">Libre</span></i><span style="font-weight: 400;"> (a faixa que conclui o disco). Na tentativa de reconstruir o futuro, colhendo os ensinamentos dos erros passados no presente, o artista se coloca como um grande mestre. Ele reconhece a razão de suas letras, mensagens, parcerias e missões. Mais do que isso. Emicida nos desafia a entender a situação de um país profundamente racista como o de hoje, mas que ainda tem a esperança de se erguer.</span></p>
<figure id="attachment_18432" aria-describedby="caption-attachment-18432" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18432" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7.png" alt="Foto colorida mostra Lélia González, no lado esquerdo da imagem, sendo abraçada de lado por Paulinho da Viola, no lado direito. Ambos são negros e aparecem sorrindo. Paulinho está de terno preto, camisa branca e gravata preta, carregando uma medalha no paletó. Lélia está de blazer preto com uma camisa branca e amarela florida por baixo, carregando uma bolsa no ombro direito. Não é possível enxergar o fundo da foto, pois ela foi tirada em um ambiente noturno com pouca luz." width="650" height="453" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7.png 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7-300x209.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18432" class="wp-caption-text">Lélia González (importante feminista na luta contra o racismo e machismo estruturantes) ao lado do mestre Paulinho da Violo (um dos maiores sambistas da música brasileira) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desfecho do filme consegue oferecer esperança aos tempos pandêmicos que ultimamente enfrentamos. Coincidência ou não, todo o medo e desilusão já foram enfrentados mais de </span><a href="https://www.pixinguinha.org.br/perfil/oito-batutas/"><span style="font-weight: 400;">cem anos atrás</span></a><span style="font-weight: 400;"> e somente a arte foi o remédio encontrado para nos tirar deste poço sombrio. Tentaram calar </span><a href="https://medium.com/todxs/marielle-franco-presente-semente-1c3cf46db86c#:~:text=Marielle%20Franco%20era%20vereadora%20do,ter%C3%A7a%2Dfeira%2C%20dia%2012."><span style="font-weight: 400;">Marielle</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas o seu legado permanece cada vez mais forte. O último trecho do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem</span></i><span style="font-weight: 400;"> encerra com o seu depoimento inspirador: </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“É fundamental porque marca o século XXI que é esse momento que a gente vive de impulsionar, de fortalecer, de mais visibilidade para essas mulheres negras. Então o que a Dona Ruth começa lá atrás, é o que está florescendo hoje.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A lição que fica disso tudo está relacionada ao direito de nos permitirmos. Aprendemos um com “o outro”, mas enquanto “ele” não tiver iguais condições para poder ser livre, estaremos privados de conhecer novas cores, presos na escuridão da intolerância e do preconceito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É urgente que o  povo preto, periférico e LGBTQ+ também tenha direito à cultura. Eles não somente têm direito, como também são os responsáveis pela maioria das produções artísticas do país. No fundo, tanto o álbum quanto o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;"> cumprem sua missão e percebemos que devemos mudar nossas atitudes e olhares “</span><i><span style="font-weight: 400;">para que amanhã não seja só um ontem, com um novo nome”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: AmarElo" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/5cUY5chmS86cdonhoFdn8h"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/">AmarElo: tudo o que ‘nóis’ tem é ‘nóis’</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">18422</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Tambor, o Senhor da Alegria de Marcelo D2</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/assim-tocam-os-meus-tambores-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/assim-tocam-os-meus-tambores-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2020 15:32:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Álbum Visual]]></category>
		<category><![CDATA[Assim Tocam os MEUS TAMBORES]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Luiza Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo D2]]></category>
		<category><![CDATA[Marina Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Música Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Rap]]></category>
		<category><![CDATA[Rap Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Rap Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Rap Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=15962</guid>

					<description><![CDATA[<p>Marina Ferreira “Os mais velhos dizem que um dia, cansado da solidão do poder, Zambiapungo, o Ser Supremo dos cultos angolo-congoleses, foi tomado pela tristeza e cogitou desistir da criação do mundo.”  Essas são as primeiras frases da sexta faixa do lado A de Assim tocam os MEUS TAMBORES, o novo trabalho revolucionário de Marcelo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/assim-tocam-os-meus-tambores-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Tambor, o Senhor da Alegria de Marcelo D2"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/assim-tocam-os-meus-tambores-critica/">Tambor, o Senhor da Alegria de Marcelo D2</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15963" aria-describedby="caption-attachment-15963" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15963" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/117649968_1711607932337675_8431883449267367027_n.jpg" alt="" width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/117649968_1711607932337675_8431883449267367027_n.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/117649968_1711607932337675_8431883449267367027_n-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/117649968_1711607932337675_8431883449267367027_n-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15963" class="wp-caption-text">Capa de Assim Tocam os MEUS TAMBORES (Foto: Ronaldo Land)</figcaption></figure>
<p><b>Marina Ferreira</b></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;">“Os mais velhos dizem que um dia, cansado da solidão do poder, Zambiapungo, o Ser Supremo dos cultos angolo-congoleses, foi tomado pela tristeza e cogitou desistir da criação do mundo<span style="font-weight: 400;">.” </span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas são as primeiras frases da sexta faixa do lado A de </span><i><span style="font-weight: 400;">Assim tocam os MEUS TAMBORES</span></i><span style="font-weight: 400;">, o novo trabalho revolucionário de Marcelo D2, gravado durante o período de isolamento social com sua família. Os versos podem ser entendidos como a síntese da trajetória do disco, que é o mais ousado da carreira do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">carioca.</span></p>
<p><span id="more-15962"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/assim-tocam-os-tambores-de-marcelo-d2/"><span style="font-weight: 400;">entrevista recente para a revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Marcelo fala sobre a fúria que sentia no início da quarentena. Estava em estúdio com a sua banda, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DI5xNisalPU"><span style="font-weight: 400;">Planet Hemp</span></a>, <span style="font-weight: 400;">cantando contra a onda crescente do conservadorismo da extrema direita e o fascismo, e sentia fisicamente o peso disso: de gritar liberdade e fazer arte em um país como o nosso. A fúria o deixou inquieto, inconformado. Em pânico. E foi através do tambor &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">Ng’Oma</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e dos muitos </span><i><span style="font-weight: 400;">beats</span></i><span style="font-weight: 400;"> do</span><i><span style="font-weight: 400;"> rap </span></i><span style="font-weight: 400;">que D2 encontrou alívio e afirmou, assim como Zambi, que a criação não iria parar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para entender </span><i><span style="font-weight: 400;">Assim tocam os MEUS TAMBORES</span></i><span style="font-weight: 400;"> é preciso partir da ideia dos discos de vinil, divididos em lado A e lado B, contando uma história por lado que juntas compõem um propósito maior. Já de início, Marcelo abre os caminhos desse trabalho através de uma chamada de rádio antigo, atentando para o momento histórico de pura crise em todos os setores da sociedade. Essa chamada também pode ser vista como o momento histórico do artista em seu processo de criar, compor, produzir e lançar um projeto audiovisual dentro de casa em meio ao caos da vida externa e da loucura que é viver, principalmente sendo brasileiro. Tudo isso, como se não bastasse, ao vivo para milhares de pessoas na </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitch</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_15964" aria-describedby="caption-attachment-15964" style="width: 1352px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15964" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/d2.jpg" alt="" width="1352" height="657" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/d2.jpg 1352w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/d2-300x146.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/d2-1024x498.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/d2-768x373.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/d2-1200x583.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15964" class="wp-caption-text">Marcelo D2 no filme <i><span style="font-weight: 400;">Assim Tocam os MEUS TAMBORES </span></i>(Foto: Ronaldo Land)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao passar pelas faixas seguintes, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">retoma temas já conhecidos de sua obra, como o racismo, a violência policial, as diferenças sociais e sua fiel </span><i><span style="font-weight: 400;">marijuana</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas novos tons de voz acompanham a verdade dura que é cantada e rimada assim como novos ritmos e sonoridades, como o </span><i><span style="font-weight: 400;">manguebeat</span></i><span style="font-weight: 400;"> e as referências ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EXF1Aq2xDr4"><span style="font-weight: 400;">Nação Zumbi</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Malungoforte</span></i><span style="font-weight: 400;">; o </span><i><span style="font-weight: 400;">funk </span></i><span style="font-weight: 400;">do Tropkillaz em </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus de Outro Lugar</span></i><span style="font-weight: 400;">; a voz suave de Juçara Marçal e o tambor dos terreiros de candomblé em </span><i><span style="font-weight: 400;">Rompeu o Couro;</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a visita a uma clássica canção dos anos 70, na mais genial das misturas em</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Verdade Não Rima</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Composta por Fátima Guedes em 1979 e imortalizada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hc3cb0YaOQY"><span style="font-weight: 400;">na voz da grandiosa Elis Regina</span></a><span style="font-weight: 400;">, <em>Onze Fitas</em> &#8211; </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NGRp7MhZJv0"><span style="font-weight: 400;">em sua versão original</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; é incorporada como </span><i><span style="font-weight: 400;">sample </span></i><span style="font-weight: 400;">e refrão no trabalho de D2. Enquanto ele rima sobre a brutalidade policial, a imparcialidade do estado e o descaso da mídia, ele prova que mesmo em uma de suas canções mais poéticas está mais político do que nunca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É possível identificar as referências afro brasileiras muito bem destacadas por Marcelo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Malungoforte</span></i><span style="font-weight: 400;">, na mistura dançante do maracatu com o </span><i><span style="font-weight: 400;">beat </span></i><span style="font-weight: 400;">pernambucano. Na já citada</span><i><span style="font-weight: 400;"> Tambor, O Senhor da Alegria</span></i><span style="font-weight: 400;">, o conto africano transcrito pelo historiador brasileiro Luiz Antonio Simas e recitado pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">paulistano <a href="http://personaunesp.com.br/criolo-espiral-ilusao-critica/">Criolo</a> encerra e amarra a primeira parte do trabalho tão bem construído.</span></p>
<blockquote><p>“Sua benção, Ng&#8217;oma, nosso pai tambor! Nós estamos no mundo para celebrá-lo!”</p></blockquote>
<figure id="attachment_15965" aria-describedby="caption-attachment-15965" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15965" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/teaser_timeline.00_00_05_23.quadro002-1.jpg" alt="" width="620" height="520" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/teaser_timeline.00_00_05_23.quadro002-1.jpg 620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/teaser_timeline.00_00_05_23.quadro002-1-300x252.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15965" class="wp-caption-text">Marcelo D2 e Luiza Machado, sua esposa (Foto: Ronaldo Land)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao virar o disco, podemos sentir de imediato a mudança de tom e estilo. Enquanto havia o gosto experimental no lado A, na parte 2 do álbum Marcelo nos mostra suas raízes do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">em versos certeiros e referências que não passam despercebidas aos fanáticos pelo gênero. Mas ainda assim o artista nos oferece batidas experimentais, como a lembrança do </span><i><span style="font-weight: 400;">reggae </span></i><span style="font-weight: 400;">em </span><i><span style="font-weight: 400;">As Sementes</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; canção colaborativa com Os Crias, espectadores que acompanharam assiduamente o processo do álbum pelas </span><i><span style="font-weight: 400;">lives</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">beat </span></i><span style="font-weight: 400;">nova-iorquino dos anos 90 em </span><i><span style="font-weight: 400;">É manhã (Vem)</span></i><span style="font-weight: 400;">, com a participação de Luiza Machado &#8211; esposa de D2 e responsável pela produção executiva do disco &#8211; é acompanhado pela </span><a href="https://www.facebook.com/watch/?v=1170389703058333"><span style="font-weight: 400;">frase eternizada de Darcy Ribeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> na introdução &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">“[&#8230;] o mais importante é inventar o Brasil que nós queremos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. No início, nos guia à uma jornada muito pessoal do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">em direção ao encerramento do trabalho, que ainda conta com uma declaração de amor à sua esposa, com </span><i><span style="font-weight: 400;">samples </span></i><span style="font-weight: 400;">da canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=33hzm1qyzpY"><span style="font-weight: 400;">Prelúdio</span></a>, de <a href="http://personaunesp.com.br/30-anos-sem-raul-seixas/">Raul Seixas</a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">sonho que se sonha só é só um sonho que sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Filme • Assim tocam os MEUS TAMBORES" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XRyPN6oiPdM?start=905&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Na faixa que encerra o xirê dos tambores de D2, ele viaja por sua história, repassa sua trajetória e traz seu filho Sain, o perfeito <em>“cria”</em>, que caminha junto ao pai na jornada do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">nacional em que Marcelo abriu caminho. Amigos são lembrados com carinho &#8211; como Yuka, Skank e Robson &#8211; e a vida ironizada na frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“dizem que cara feia é fome e disso nós não sofre mais</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A experiência do disco se torna ainda mais completa, viva e vibrante ao adicionar o filme à conta, dirigido por Ronaldo Land, transformando </span><i><span style="font-weight: 400;">Assim tocam os MEUS TAMBORES</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um álbum visual surpreendente, ou uma “<em>obra transmídia</em>”, como foi denominado por seu criador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitíssimo bem costurado, produzido e finalizado, o álbum carrega uma história contada de maneira pessoal e condizente com o que conhecemos de Marcelo D2. E permitindo-se ser ousado em tempos de conservadorismo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Assim tocam os MEUS TAMBORES</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser entendido como o álbum da carreira de D2, tão revolucionário, necessário e grandioso como seu dono.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Assim Tocam os MEUS TAMBORES" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/0iU74EJRxkNbobROM1bKiP?si=l0ZbCFBbS16Pa1uy-kd_Xw"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/assim-tocam-os-meus-tambores-critica/">Tambor, o Senhor da Alegria de Marcelo D2</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/assim-tocam-os-meus-tambores-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">15962</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Fabricio FBC e S. C. A., siglas decorativas, significados grandes</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/fabricio-fbc-2018-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/fabricio-fbc-2018-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Dec 2018 12:52:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Leite Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Heavy Metal]]></category>
		<category><![CDATA[Hip-Hop]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Rap]]></category>
		<category><![CDATA[Rap Brasileiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=11219</guid>

					<description><![CDATA[<p>Gabriel Leite Ferreira “S. C. A.”, novo disco do rapper FBC, saiu no fim de outubro. Esbarrei com ele por acaso no Spotify, 30 minutos em poucas faixas, tava indo dormir, mas por que não? Vários dos discos do ano tiveram essa mesma duração, afinal… “S. C. A.”, por outro lado, é old school. Desde &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/fabricio-fbc-2018-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Fabricio FBC e S. C. A., siglas decorativas, significados grandes"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/fabricio-fbc-2018-critica/">Fabricio FBC e S. C. A., siglas decorativas, significados grandes</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_11220" aria-describedby="caption-attachment-11220" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-11220" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cd_cover.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cd_cover.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cd_cover-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cd_cover-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-11220" class="wp-caption-text">Gangsta lust!!!!!!!!!!!!!</figcaption></figure>
<p><strong>Gabriel Leite Ferreira</strong></p>
<p id="7454" class="graf graf--p graf--startsWithDoubleQuote graf-after--h3">“S. C. A.”, novo disco do rapper FBC, saiu no fim de outubro. Esbarrei com ele por acaso no Spotify, 30 minutos em poucas faixas, tava indo dormir, mas por que não? Vários dos discos do ano tiveram essa mesma duração, afinal…</p>
<p><span id="more-11219"></span></p>
<p id="0890" class="graf graf--p graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p">“S. C. A.”, por outro lado, é old school. Desde a genial capa, referência ao clássico supremo do black metal “<a href="http://personaunesp.com.br/brasil-pais-extremos/">INRI</a>”, do Sarcófago, à produção e às letras, Fabrício FBC se deixa muito claro: ele é filho dos anos 80, não da farra trapper recente. Ele é Illmatic, não Culture.</p>
<p class="graf graf--p graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p">Vide as incursões rápidas e dinâmicas de beats de trap no boom bap direto que guia as 10 faixas. O interlúdio “Rap Acústico” dá a ideia da maneira mais curta e mais grossa: uma letra melosa a la Delacruz &#8211; <a href="https://portalrapmais.com/delacruz-responde-criticas-ao-rap-acustico-nao-sabem-nada-de-hip-hop-e-menos-ainda-de-musica/">que causou polêmica no Twitter recentemente</a> (o tweet foi excluído, risos) &#8211; seguido de um sonoro “COLOCA UM BEAT DE TRAP AÍ, PORRA!!!”.</p>
<p id="cc4f" class="graf graf--p graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p">“Eu tenho um plano e eu vou ficar rico/Deixar a família bem, emprego pros amigo”, diz sereno na “Frank &amp; Tikão”, potente abertura. <a href="https://portalrapmais.com/rap-mais-entrevista-com-rapper-fbc-album-sca/">Afeto e desgraça familiares colidindo sem massagem</a>: “Tirar da tranca meus manos garrados/Pagar o custo dos advogados/Fumar um atrás do outro, eu amo meu trabalho/ ‘Não se preocupa, fuma mais, pra nóiz maconha é mato’.”</p>
<p class="graf graf--p graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p">Claro, drogas e materialismo também, como sempre. Mas na mesma faixa ele vocifera “Vocês queriam um show de trap/Isso é um assalto” que, mais que uma baita punchline, é tentativa de puxar o trap de volta pras biqueiras, seu lugar de origem (trap em inglês é biqueira). Reacionarismo? Não; consciência de classe.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/4dRdOCgiNFqsjaNBoFGAIY" width="300" height="380" frameborder="0"></iframe></p>
<p id="66e1" class="graf graf--p graf-after--p">A ascensão do trap não foi meteórica — foi o astronauta de “2001: Uma Odisseia no Espaço” controlando, depois de décadas de lições opressivas, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=oR_e9y-bka0">o maligno HAL9000</a>. Migos e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=2y-edrXIZjA">Future</a> penaram, mas aprenderam a jogar o jogo da megaindústria branca e racista; todo o mérito a eles. Mas, uma coisa é certa: o embranquecimento veio a toque de caixa e, se em 2016 “Bad and Boujee” virou hit, em 2018 <a href="https://www.youtube.com/watch?v=9v_rtaye2yY">“Motorsport”</a> não passou de uma boa canção que, diluída com o feat manjado de Nicki Minaj (e vídeoclipe mais limpo que uma lavadora Eletrolux na caixa), perdeu toda a força que eles tinham no começo.</p>
<p id="a703" class="graf graf--p graf-after--p">Quando ouvi “Bad and Boujee” tomei um soco: eu só conhecia o creme do hip hop old school, não a cobertura da nova geração. Sei o verso de Offset de cor e nem precisei ouvi-la muitas vezes. É certo que Quavo e sua autoestima Drakeniana (rá!) não era necessário e Takeoff é ofuscado por si só, mas Lil Uzi Vert dá o brilho do primeiro hit transcontinental do trap, junto do Migo mais carismático. Eles são punks — o cabelo rosa de Uzi, as tranças estilosamente amarradas de Offset, o flow rápido e certeiro.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Migos - Bad and Boujee ft Lil Uzi Vert [Official Video]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/S-sJp1FfG7Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Umextrapunkprumextrap: quem é Costa Gold na fila do flow???</p>
<p id="423d" class="graf graf--p graf-after--p">Se Fabrício não for fã ou ao menos familiarizado com <a href="http://personaunesp.com.br/napalm-death-critica/">metal extremo</a>, ficarei surpreso. “INRI”, apesar de aclamado pelos pais noruegueses do <a href="http://personaunesp.com.br/mayhem-sao-paulo-celebracao-macabra/">black metal</a>, é um dos álbuns mais rápidos já feitos neste país e, claro, é underground. Tem que cavar muito para que se torne figurinha de capa no seu álbum. Caralho! Ele é mineiro, assim como <a href="http://personaunesp.com.br/sepultura-angra-metal-brasil-duas-decadas/">a banda fundada por Wagner Lamounier!!!</a> Ok, explicado — e genial do mesmo jeito.</p>
<p id="6c09" class="graf graf--p graf-after--p">Me lembrei agora do grande <a href="https://open.spotify.com/album/3e7vtKJ3m1zVh38VGq2g3H?si=1v4QcWJxTnaa4-X_CN9HCg">“Atrocity Exhibition”</a> de Danny Brown, cujo título vem de uma música do <a href="http://personaunesp.com.br/the-cure-pornography/">Joy Division</a>, e o tracklist tem ainda a pesadíssima “Downward Spiral” — avisa o Trent que ele também é rua!!!</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Nine Inch Nails - Closer (Director&#039;s Cut)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/PTFwQP86BRs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Menos amor abusivo, mais amor próprio</p>
<p id="a399" class="graf graf--p graf-after--p">Será mesmo? Nesse momento ouço a nona faixa, “Sexo, Cocaína e Assassinato”, e que puta refrão! Nem preciso prestar atenção na letra pra vibrar com esse refrão, mano…</p>
<p class="graf graf--p graf-after--p">“Mano” nada. Qualéquié, branquinho?! Eu sou universitário caucasiano, eu não sei o que um preto e uma preta passam na quebrada, na escola, na faculdade (particular, quando muito), no distrito policial…</p>
<p class="graf graf--p graf-after--p">Mas eu sei o que meu pai passa pra me dar a educação excelente que tive e tenho. As semanas que, se acumuladas, transformam-se em meses e anos fora de casa trabalhando. Rodando o país inteiro em busca de dinheiro pra me manter na escola particular e, agora, em faculdade pública (coisa que se repete da mesmíssima forma com meu irmão mais novo agora).</p>
<p id="6fff" class="graf graf--p graf-after--p">Trent Reznor deixou a bucólica Pensilvânia pra apanhar nos Estados Unidos até poder bater tudo e todos na música industrial. FBC, por sua vez, ainda está na luta para se fincar na cena. Na ótima “Não Duvide”, canta sobre o orgulho que sente em poder dizer com todas as letras: “meus tênis de marca vieram da caixa, não do tráfico.”</p>
<p class="graf graf--p graf-after--p">A citação não é literal (afina, estou na última faixa, “Poder, Pt. 2”) e nem precisa: a ideia saiu do Spotify, superou os pixels da tela do celular, condensou à luz e voltou pra mim pronta — como esse texto, agora.</p>
<figure id="attachment_11222" aria-describedby="caption-attachment-11222" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-11222" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/maxresdefault-1024x576.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/maxresdefault-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/maxresdefault-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/maxresdefault-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/maxresdefault-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/maxresdefault.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11222" class="wp-caption-text">A contracapa imita o layout dos clássicos vinis. Genial ou nens?!?!</figcaption></figure>
<p id="2553" class="graf graf--p graf-after--p">Minto. O texto não veio pronto nem nunca vai estar. Eu escrevo, leio, edito, escrevo, leio, edito e não fico satisfeito (inútil ciclo vicioso). Do mesmo modo, “S. C. A.” soa um pouquinho inacabado após a excepcional “Itinerário de I.O.” em que Djonga, amigo de rap e da vida, declama uma verdadeira carta de amor em admitido improviso (o que só aumenta a pujança da faixa) &#8211; porra, Gabriel, FODA-SE VOCÊ (e a polícia, como na fantástica &#8220;Contradições&#8221;)!!!</p>
<p class="graf graf--p graf-after--p">Enfim, me empolguei. Mas &#8220;Itinerário&#8221; tem o mesmo espírito de “Playing Possum”, a extrema faixa no miolo do “Some Rap Songs” de Earl Sweatshirt — samples da voz do pai morto e da mãe ausente numa base onírica e infantil— e, não por acaso, a melhor canção do ano segundo este que vos escreve. Bom, pode ser só impressão errada minha, né?! Aliás, aguardem que logo menos eu e Egberto Santana Nunes, popular Egg, traremos mais esta pepita para as nobres leitoras e leitores do Persona!</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Earl Sweatshirt - Playing Possum (Official Audio) ft. Cheryl Harris, Keorapetse Kgositsile" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IKhG4l8qAss?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>(Uma das) música do ano!</p>
<p id="88aa" class="graf graf--p graf-after--p">É muito louco ter essas epifanias porque elas sempre vem em contextos nada sérios: a ideia do TCC me veio enquanto eu fazia nada na internet, “S. C. A.” me veio quando eu estava me preparando pra tomar banho e dormir (tá tarde!!!), esse texto me veio enquanto eu duvidava que “S. C. A.” pudesse me cativar mais que “Kids See Ghosts”,“Die Lit”, “ye” e “Daytona” (aka os principais discos do rap gringo de 2018) no final do segundo tempo do ano. Meu primeiro texto na VICE? Veremos — tomara que o editor me responda logo!</p>
<p>Opa, não foi dessa vez, hehe&#8230; maaaaaaaaaaas&#8230;</p>
<p id="24ff" class="graf graf--p graf-after--p graf--trailing">&#8230;pois é. Aconteceu. O disco terminou, o texto saiu. Eu vou me aprontar pra dormir que passou da hora. Mas amanhã ouço “S. C. A.” de novo; 30 minutos que equivalem a 30 discos. Fodam-se os discos, na verdade: “S. C. A.” e FBC equivalem a 30 vidas.</p>
<p>EDIT: Nem dormi. Mas tô aqui reouvindo esse clássico instantâneo. Ouçam! <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f642.png" alt="🙂" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<figure id="attachment_11223" aria-describedby="caption-attachment-11223" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-11223" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/fbc-e1537199847665-1024x752.jpg" alt="" width="840" height="617" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/fbc-e1537199847665-1024x752.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/fbc-e1537199847665-300x220.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/fbc-e1537199847665-768x564.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/fbc-e1537199847665.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11223" class="wp-caption-text">Valeu demais, Fabricio! Volte logo!</figcaption></figure>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/fabricio-fbc-2018-critica/">Fabricio FBC e S. C. A., siglas decorativas, significados grandes</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/fabricio-fbc-2018-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">11219</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
