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	<title>Arquivos Povos Indígenas &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O som do rugido da onça torna o asfalto em rio e naufraga navios</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Sep 2023 20:52:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori “Arre!”  Mesmo que em um deserto, morro ou tomada de construções e blocos de concreto, toda cidade já foi uma floresta. Uma floresta que não se classifica em biomas, espécies de animais e plantas, mas sim em um espírito. A floresta é um nome próprio: um ser gigante e elegante que não apenas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-som-do-rugido-da-onca-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O som do rugido da onça torna o asfalto em rio e naufraga navios"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31499" aria-describedby="caption-attachment-31499" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31499" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/81Fh2tD58L._AC_UF10001000_QL80_-534x800.jpg" alt="" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/81Fh2tD58L._AC_UF10001000_QL80_-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/81Fh2tD58L._AC_UF10001000_QL80_.jpg 667w" sizes="(max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-31499" class="wp-caption-text">O primeiro livro de Micheliny Verunschk pela Companhia das Letras foi mais uma das leituras escolhidas para o Clube do Livro do Persona (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">“Arre!” </span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que em um deserto, morro ou tomada de construções e blocos de concreto, toda cidade já foi uma floresta. Uma floresta que não se classifica em biomas, espécies de animais e plantas, mas sim em um espírito. A floresta é um nome próprio: um ser gigante e elegante que não apenas oferece minérios, inhames e corpos de rios – além do seu próprio. É um espaço de conhecimento, visão e mundo, que invade até mesmo, no livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210213/o-som-do-rugido-da-onca-vencedor-jabuti-2022"><i><span style="font-weight: 400;">O som do rugido</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210213/o-som-do-rugido-da-onca-vencedor-jabuti-2022"> da onça</a>, </span></i><span style="font-weight: 400;">a Literatura. </span></p>
<p><span id="more-31498"></span><br />
<span style="font-weight: 400;">E talvez por isso, o célebre romance de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/colaborador/10984/micheliny-verunschk"><span style="font-weight: 400;">Micheliny Verunschk</span></a><span style="font-weight: 400;"> esteja no limiar de classificações e gêneros; porque a realidade da Floresta, mesmo que plausível de ser considerada fantástica, talvez seja mais factual e verídica do que qualquer documento histórico — também sujeito à ficcionalização — ou acontecimento da vida mundana. Porque o que há de mais verdadeiro na História não é somente a aceitação de todas as sequências de violências tidas como o passado do mundo — como o rapto de crianças e a colonização dos imaginários e vidas humanas — mas sim, o que está fora dos livros e está ao nosso redor. A verdade é a Floresta. </span></p>
<figure id="attachment_31500" aria-describedby="caption-attachment-31500" style="width: 758px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31500" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/miranha-isabela-e-juri-criancas-indigena-capturadas-martius-e-spix-1.jpg" alt="" width="758" height="511" /><figcaption id="caption-attachment-31500" class="wp-caption-text">Quando se deparou com essas imagens, a escritora descreveu a sensação de ‘‘quando vamos no cemitério ver o túmulo de alguém conhecido” (Foto: Arteologie)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o relato de violência, de um povo e de um sistema, o vencedor da categoria Romance Literário no </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/noticias/mercado-editorial/os-premiados-da-64-edicao-dojabuti"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2022 tensiona a historiografia para, então, retomar a História de um outro ponto de vista. O romance não se inicia nas páginas do livro, mas sim, em uma </span><a href="https://www.folhape.com.br/cultura/livro-o-som-do-rugido-da-onca-expoe-violencias-do-passado-que/176927/"><span style="font-weight: 400;">visita</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autora à mostra permanente da </span><a href="http://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/colecao-brasiliana-itau/"><span style="font-weight: 400;">Coleção Brasiliana</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Itaú Cultural, na qual se depara com as litogravuras de duas crianças indígenas, registradas pelos pesquisadores naturalistas alemães </span><a href="https://www.iel.unicamp.br/sidis/anais/pdf/GANZER_NATHALIA_NICACIO.pdf"><span style="font-weight: 400;">Karl Von Martius</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Johann Baptist Von Spix. Talvez o que arrebatara Verunschk, para além do sentimento sombrio de se ver o resultado de um regime como a colonialidade, é ver o que se tranca nesses retratos. As duas crianças, denominadas como ‘‘Miranha’’ e ‘‘Juri’’, são fechadas em uma condição meramente taxonômica, enquanto a complexidade de suas crenças e cosmogonias é reduzida à descrição de meros exemplares da fauna brasileira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, se quebram as trancas. A </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/noticias/os-melhores-livros-de-2021/os-melhores-livros-de-2021"><span style="font-weight: 400;">narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Iñe-e – raptada, junto de Juri, por Spix e Von Martius e levadas para a Alemanha para serem expostas e violadas, como objetos científicos –, é individual e coletiva, por ressoar tanto as experiências afetivas desse espaço da Floresta, quanto por ressoar e atravessar tempos, comovendo e dialogando com Josefa, uma mulher brasileira que, na narrativa, adentra-se ao complexo terreno da investigação de suas origens.</span></p>
<figure id="attachment_31501" aria-describedby="caption-attachment-31501" style="width: 432px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31501" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/10984_gg.jpg" alt="" width="432" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-31501" class="wp-caption-text">O novo romance de Verunschk, Caminhando com os Mortos, discorre sobre a intolerância religiosa no Brasil (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">‘‘Começo a devolver a sua linguagem e a recuperar a minha.’’ </span></i><span style="font-weight: 400;">Para o exercício, muitas vezes equivocado nas inúmeras representações da literatura indigenista, de se criar, verdadeiramente, uma Literatura que abrace e se coloque no espaço de pessoas indígenas é necessária uma ruptura. Por isso que os questionamentos e </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/o-som-do-rugido-da-onca-fica-entre-a-fabula-e-o-realismo-fantastico.shtml"><span style="font-weight: 400;">leituras críticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que tentem alocar </span><i><span style="font-weight: 400;">O som do rugido da onça </span></i><span style="font-weight: 400;">realismo fantástico ou a fábula – pressupostos que além de reduzir o texto, partem, justamente, de um cânone europeu – perdem-se na fantasmagoria e grandiosidade da escrita de Verunschk. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que existe, essencialmente, é a conjugação de terrenos não premeditados em uma visão ocidental do mundo. Não é exatamente a fantasia que atravessa, por exemplo, a transmutação da menina Iñe-e em uma onça, mas sim um outro sistema de crenças e de subjetividades, no qual a Floresta, o sonho, os mares e a luz são componentes de algo único, vital e multidimensional: </span><a href="https://oglobo.globo.com/um-so-planeta/ailton-krenak-sociedade-precisa-parar-de-olhar-mundo-como-um-supermercado-25169816"><span style="font-weight: 400;">a vida conjunta</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Terra. A subversão de um retrato formal é uma das maneiras que o romance realiza sua vingança poética ao sistema que fez de terras antes ocupadas por inúmeros povos e culturas, um país chamado Brasil.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">‘‘Letras são animais que, depois de domesticados, apenas obedecem, ele acredita.’’</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, a retomada de documentos históricos – como os registros do diário de Von Martius, mapas, comentários em redes sociais – traz à vista os arquivos tanto do passado quanto do presente a fim de, a partir da ficção, os completarem em suas faltas, ou até mesmo corrompê-los. Em sua prosa poética, </span><i><span style="font-weight: 400;">O som do rugido da onça </span></i><span style="font-weight: 400;">erode essas imagens e textualidades marmorizadas pelo tempo pela explicitação da culpa colonial, em que o ato de se raptar crianças e tirá-las de suas origens não é acobertado pelo manto da ideologia da época, mas conscientemente reconhecido como uma </span><a href="https://www.scielo.br/j/alea/a/bLNjPK47XLGx47nX7NBXWgj/"><span style="font-weight: 400;">violência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A possibilidade dessa </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2022/#:~:text=Saidiya%20Hartman%20%E2%80%93%20Vidas%20rebeldes%2C%20belos%20experimentos%20(432%20p%C3%A1ginas%2C%20F%C3%B3sforo)"><span style="font-weight: 400;">fabulação crítica</span></a><span style="font-weight: 400;"> – de criar em cima de arquivos – dá a liberdade à autora de se colocar no espaço das personagens indígenas, escancarando os apagamentos não só desses documentos, nos quais se prevalece apenas um lado da História, mas também da própria Literatura. É fazer desse conhecimento, construído a partir de uma estrutura lacunar, um outro mundo a ser habitado, </span><a href="https://bravo.abril.com.br/literatura/saidiya-hartman-flip-vidas-rebeldes"><span style="font-weight: 400;">reconstruindo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e corrompendo essas narrativas que silenciaram, em sua maioria, a História dessas vidas.</span></p>
<figure id="attachment_31502" aria-describedby="caption-attachment-31502" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31502" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/WhatsApp-Image-2020-04-16-at-14.25.31-800x566.jpeg" alt="" width="800" height="566" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/WhatsApp-Image-2020-04-16-at-14.25.31-800x566.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/WhatsApp-Image-2020-04-16-at-14.25.31-768x543.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/WhatsApp-Image-2020-04-16-at-14.25.31.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31502" class="wp-caption-text">A autora, finalista do prêmio Oceanos, concede protagonismo às cosmovisões no seu livro (Foto: Denilson Baniwa)</figcaption></figure>
<p><a href="https://select.art.br/a-constelacao-da-onca/"><span style="font-weight: 400;">A onça</span></a><span style="font-weight: 400;">. Guardiã do espaço da Floresta e  força de onde o livro de </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/entrevistas/fichamento/micheliny-verunschk"><span style="font-weight: 400;">Verunschk</span></a><span style="font-weight: 400;"> revolve sua transcriação de mitos, relatos, palavras e sabedorias dos povos originários. A rota por onde Iñe-e, depois de sequestrada de si mesma, volta. Mas ao mesmo tempo, a onça é o fantasma dos que não voltaram. A onça é onde a autora procura e acessa o mundo interno de suas personagens: é por onde ela faz os rios falarem de suas histórias e por onde, pela construção de cidades, foram orientados a estar. É o espírito que torna o livro em outra coisa, talvez um pouco menos humana, e mais bicho. E dessa nova vida, a Literatura ganha uma voracidade, que naufraga os navios que determinaram rotas do trauma, mas, acima de tudo, reitera o barulho dos que não estão mais vivos. </span></p>
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		<title>Os curtas brasileiros do 28º Festival É Tudo Verdade</title>
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		<pubDate>Wed, 03 May 2023 22:46:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre os dias 13 e 23 de abril, o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade voltou totalmente às salas presenciais dos cinemas espalhados em São Paulo e Rio de Janeiro. Com exibições gratuitas no Centro Cultural São Paulo, Cine Marquise, Cinemateca Brasileira, Sesc 24 de Maio e IMS Paulista, o festival teve também Sessões &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os curtas brasileiros do 28º Festival É Tudo Verdade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30837" aria-describedby="caption-attachment-30837" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30837 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30837" class="wp-caption-text">Na 28ª edição do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, o Persona acompanhou os filmes da Competição Brasileira de Curtas-Metragens (Foto: Hans Gunter Flieg/Acervo Instituto Moreira Salles/É Tudo Verdade/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 13 e 23 de abril, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltou totalmente às salas presenciais dos cinemas espalhados em São Paulo e Rio de Janeiro. Com exibições gratuitas no Centro Cultural São Paulo, Cine Marquise, Cinemateca Brasileira, Sesc 24 de Maio e IMS Paulista, o festival teve também Sessões Especiais virtuais, exibindo nas plataformas de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">Itaú Cultural Play e Sesc Digital sete dos nove filmes da Competição Brasileira de Curtas-Metragens e dois longas da Mostra Foco Latino-Americano (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beleza Silenciosa</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Jasmín Mara Lópeza, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Hot Club de Montevideo</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Maximiliano Contenti).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 72 títulos de 34 países, o festival – fundado em 1996 por </span><a href="https://www.amazon.com.br/Cinema-Real-Cole%C3%A7%C3%A3o-Port%C3%A1til-26/dp/8540506475/ref=sr_1_2?qid=1682964097&amp;refinements=p_27%3AAmir+Labaki&amp;s=books&amp;sr=1-2"><span style="font-weight: 400;">Amir Labaki </span></a><span style="font-weight: 400;">– homenageou dois grandes cineastas na sua 28ª edição: </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/04/curtas-de-humberto-mauro-deslumbram-pelo-talento-do-velho-cineasta.shtml"><span style="font-weight: 400;">Humberto Mauro</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1897–1983), “</span><i><span style="font-weight: 400;">um dos inventores do Brasil cinematográfico</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que “</span><i><span style="font-weight: 400;">impõe-se quando o próprio país e logo seu Cinema enfrentam nova reconstrução</span></i><span style="font-weight: 400;">”, exibindo dez de seus filmes e dois documentários; e </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/pelo-contrario/"><span style="font-weight: 400;">Jean-Luc Godard</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1930–2022), com a apresentação dos oito episódios da sua série documental </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/historias-do-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">História(s) do Cinema</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1987-1998),</span><span style="font-weight: 400;"> considerada a obra-prima da última parte de sua carreira, cujo conteúdo foi constantemente retrabalhado pelo autor e cuja produção durou cerca de dez anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O alcance do É Tudo Verdade, o maior festival de Documentários do mundo, é reconhecido pela</span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"> <span style="font-weight: 400;">Academia de Artes e Ciências Cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;">, que classifica diretamente os filmes vencedores dos prêmios dos júris nas Competições Brasileiras e Internacionais de Longas/Médias e de Curtas-Metragens para apreciação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do próximo ano. </span><span style="font-weight: 400;">Longe das sessões presenciais, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> assistiu à distância os curtas-metragens brasileiros disponíveis no </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. Dos sete filmes da Competição Brasileira de Curtas exibidos remotamente, quatro tiveram sua estreia mundial no <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/03/e-tudo-verdade-exibe-serie-celebre-de-godard-e-filmes-sobre-guerra-da-ucrania.shtml">É Tudo Verdade</a>, que também expôs, apenas presencialmente, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50869-Ferro%60s-bar"><i><span style="font-weight: 400;">Ferro’s Bar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;"> (Menção Honrosa na categoria)</span><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Aline A. Assis, Fernanda Elias, Nayla Guerra e Rita Quadros, e </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50465-O-Materialismo-Historico-da-Flecha-contra-o-Relogio"><i><span style="font-weight: 400;">O Materialismo Histórico da Flecha Contra o Relógio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Carlos Adriano.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mãri hi – A Árvore do Sonho</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2023/04/25/primeiro-cineasta-yanomami-ganha-premio-em-festival-internacional-de-documentarios.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Morzaniel Ɨramari</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de ter sua estreia mundial no É Tudo Verdade, foi o grande vencedor da Competição Brasileira de Curtas-Metragens, recebendo também o Prêmio Mistika. Produzido em parceria da </span><i><span style="font-weight: 400;">ARUAC Filmes</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a Hutukara Associação Yanomami, o curta do cineasta yanomami aborda o conhecimento de seu povo sobre os sonhos, com a participação e narração da liderança indígena e xamã, </span><a href="https://ea.fflch.usp.br/autor/davi-kopenawa"><span style="font-weight: 400;">Davi Kopenawa</span></a><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A luta yanomami vai continuar até o fim</span></i><span style="font-weight: 400;">”, disse Ɨramari.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abaixo, você fica com a curadoria do <strong>Persona </strong>feita por </span><b>Bruno Andrade</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Enzo Caramori</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Guilherme Veiga</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Jamily Rigonatto</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Nathalia Tetzner</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>Vitória Gomez</b>, que deixam su<span style="font-weight: 400;">as impressões </span><span style="font-weight: 400;">sobre <strong>Os curtas brasileiros do </strong></span><strong>28º Festival É Tudo Verdade</strong><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30777"></span></p>
<h2>Curtas-metragens</h2>
<figure id="attachment_30786" aria-describedby="caption-attachment-30786" style="width: 739px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30786" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/images.jpeg" alt="Cena do documentário Mãri hi - A Árvore do Sonho. Na imagem, duas mulheres indígenas de cabelos e olhos escuros parecem observar algo no céu. Uma delas segura uma criança no colo. A luz do Sol ainda está iluminando a paisagem. Ao fundo, o cenário é a aldeia onde vivem." width="739" height="415" /><figcaption id="caption-attachment-30786" class="wp-caption-text">“Vamos compartilhar este pensamento para juntos ficarmos mais sábios”, diz Davi Kopenawa Yanomami (Foto: ARUAC Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Mãri hi &#8211; A Árvore do Sonho (Morzaniel Ɨramari, 17’, 2023)</b></p>
<p><a href="https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2023/04/25/primeiro-cineasta-yanomami-ganha-premio-em-festival-internacional-de-documentarios.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Morzaniel Ɨramari</span></a><span style="font-weight: 400;"> enfrenta na pele os efeitos nocivos da exploração do garimpo desde os seus primeiros anos de vida. No Cinema, ele encontrou uma forma de registrar a história de seu povo, atravessada pela constante luta por direitos. Com o curta-documentário </span><a href="https://www.google.com/amp/s/www.estadao.com.br/amp/cultura/p-de-pop/morzaniel-iramari-filma-a-luta-yanomami/%3ftype=post"><i><span style="font-weight: 400;">Mãri hi &#8211; A Árvore do Sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,  o primeiro yanomami a se tornar diretor foi selecionado para o Festival </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que venceu a categoria de Melhor Documentário da Competição Brasileira de Curtas-Metragens. A obra trata da relação mística entre os moradores da &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">terra-floresta</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; e a semente de árvore que concede os sonhos ao mundo de todos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregado de um olhar intimista e da narração precisa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5byN3rhbZKs"><span style="font-weight: 400;">Davi Kopenawa</span></a><span style="font-weight: 400;">, Ɨramari não pretende explicar o linguajar característico ou as tradições cultivadas pela sua cultura, mas sim fazer o público experienciar algo único. Em meio ao clima monótono, é a composição sensível de alguém que vivencia tal realidade que transforma a atmosfera do filme em algo </span><a href="https://sumauma.com/os-xamas-sonham-e-falam-que-a-floresta-esta-chorando-porque-esta-destruida/"><span style="font-weight: 400;">brutalmente mágico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao passo em que Kopenawa escreve em seu caderno e os desenhos das crianças yanomami colorem a tela, a conclusão caminha para um tema um tanto quanto universal, afinal, &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">com árvore do sonho nós sonhamos longe”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_30782" aria-describedby="caption-attachment-30782" style="width: 886px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30782 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948.png" alt="" width="886" height="626" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948.png 886w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948-800x565.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948-768x543.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30782" class="wp-caption-text">No curta de cinco minutos, vemos imagens de Jean-Claude Bernardet durante seu tratamento de câncer, que ganha tons assombrosos e desesperançosos (Foto: Fábio Rogério e Jean-Claude Bernardet)</figcaption></figure>
<p><b>Cama Vazia (Fábio Rogério e Jean-Claude Bernardet, 5’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Pior que eu tenho pavor da velhice</span></i><span style="font-weight: 400;">” – </span><i><span style="font-weight: 400;">Cama Vazia </span></i><span style="font-weight: 400;">se inicia com um áudio em fundo preto; trata-se da voz de Sônia Silk, a personagem interpretada por Helena Ignez em </span><i><span style="font-weight: 400;">Copacabana Mon Amour </span></i><span style="font-weight: 400;">(1970), de <a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa15983/rogerio-sganzerla">Rogério Sganzerla</a>. O Cinema marginal de Sganzerla, marcado principalmente pela ironia, emerge como referência no curta de 5 minutos dirigido por Fábio Rogério e </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/jean-claude-bernardet-fala-de-aids-e-de-cancer-em-livro-sem-meias-palavras.shtml"><span style="font-weight: 400;">Jean-Claude Bernardet</span></a><span style="font-weight: 400;">. Acompanhando um homem idoso – o próprio Bernardet – em tratamento de uma doença que nunca é explicitada, enxergamos o que poderia ser sua aparente decomposição social, visto que, no pequeno filme, essa desintegração não é apenas corporal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Montado como uma sequência de fotografias, não demora para percebermos que </span><i><span style="font-weight: 400;">Cama Vazia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a documentação do tratamento contra o câncer de Jean-Claude Bernardet, também exposto por ele no livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210480/o-corpo-critico"><i><span style="font-weight: 400;">O Corpo Crítico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), em que aborda a “</span><i><span style="font-weight: 400;">faceta robótica</span></i><span style="font-weight: 400;">” dos médicos e enfermeiros durante a terapia. É essa característica desoladora que mais fica em evidência no curta-metragem, pois sua narração compreende que seu &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">corpo octogenário, aidético e canceroso”</span></i><span style="font-weight: 400;">, como ele mesmo descreve, é apenas um mecanismo, uma possibilidade de lucro e uma máquina que carrega o câncer, que preocupa mais os médicos do “</span><i><span style="font-weight: 400;">que o portador do tumor</span></i><span style="font-weight: 400;">”. No curta, o desencanto da obra é, também, um desencanto do próprio autor – negando-se a dar seguimento ao processo terapêutico –, que liga sua condição ao capitalismo e constrói, junto a Fábio Rogério, um ensaio sobre a morte na pós-modernidade. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30796" aria-describedby="caption-attachment-30796" style="width: 959px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30796 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221.png" alt="" width="959" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221.png 959w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30796" class="wp-caption-text">A expulsão dos habitantes do Morro Castello são registradas pela lente de Guilherme dos Santos, em arquivos recentemente recuperados por instituições da memória brasileira e revisitados por França (Foto: Instituto Moreira Salles/Rio Memórias)</figcaption></figure>
<p><b>BAMBAMBÃ (Andréa França, 12’, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É tradicional do exercício da prática do Cinema de Arquivo a segmentação de imagens de </span><a href="https://brapci.inf.br/index.php/res/v/203561"><i><span style="font-weight: 400;">found footage</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em seus míseros detalhes para descobrir, assim, algo que transpareça a realidade de um coletivo. Em</span> <a href="https://ims.com.br/filme/no-intenso-agora/"><i><span style="font-weight: 400;">No Intenso Agora</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">(2017)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">o diretor João Moreira Salles olha a uma babá que fica no último plano de um filme familiar para entender as condições de classe da sociedade carioca; já em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OyThQGBZFMI"><i><span style="font-weight: 400;">BAMBAMBÃ</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Andréa França faz uma compilação de uma categoria específica de imagens – as das mudanças urbanas que atravessaram a metrópole no início do século – como uma tentativa de orientar o olhar do espectador ao seu tema de estudo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com Patrícia Machado na pesquisa, a diretora do curta, também </span><a href="http://www.pos.com.puc-rio.br/br/texto/259/curta-produzido-por-professoras-do-ppgcom-e-selecionado-para-o-festival-e-tudo-verdade"><span style="font-weight: 400;">professora</span></a><span style="font-weight: 400;"> universitária, mistura a teoria histórico-sociológica ao estudo do momento estético das imagens fotográficas e do panorama cultural da época. Assim, os movimentos gentrificadores como o &#8220;</span><a href="https://ims.com.br/exposicao/moderna-pelo-avesso_ims-paulista/"><span style="font-weight: 400;">bota-abaixo</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8221; e o início da favelização do Rio de Janeiro são diretamente relacionados ao plano civilizatório de uma modernidade brasileira – que culmina nas tantas </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/02/17/excludente-elitista-e-patriarcal-pesquisadora-amplia-olhar-critico-sobre-semana-de-22"><span style="font-weight: 400;">contradições</span></a><span style="font-weight: 400;"> que envolvem a </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Semana de Arte de 22</span></a> <span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;">, tudo através da análise da natureza das fotografias da época: registros amadores, por homens da elite, de uma sociedade tradicional em desaparecimento. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_30834" aria-describedby="caption-attachment-30834" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano.png" alt="" width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30834" class="wp-caption-text">A construção da barragem do Norte dividiu os povos indígenas locais em 10 aldeias diferentes (Foto: Calêndula Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vãnh Gõ Tõ Laklãnõ (Barbara Pettres, Flávia Person e Walderes Coctá Priprá, 25’, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A barragem Norte de José Boiteux é a maior obra de contenção de cheias no Brasil. A inauguração, em 1972, deu oportunidades de trabalho a imigrantes e reduziu as inundações no Vale do Itajaí. Do outro lado, porém, desde então alaga boa parte das terras Laklãnõ/Xokleng. Os povos indígenas do local, em Santa Catarina, são mais antigos que qualquer construção ou processo social de imigração e, ainda assim, vêem sua cultura ser </span><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2020/06/02/o-que-e-o-marco-temporal-e-como-ele-impacta-indigenas-brasileiros.htm"><span style="font-weight: 400;">diluída</span></a><span style="font-weight: 400;">. Do idioma às escolas evacuadas por condições precárias, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AX1giw-b62g"><i><span style="font-weight: 400;">Vãnh Gõ Tõ Laklãnõ</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">remonta a história dos povos ali situados, com focos sensíveis e atentos a quem fez parte de sua construção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É através da visão de seus próprios integrantes que o curta-metragem documental reconstrói os Laklãnõ/Xokleng: um pastor indígena que prega a fé evangélica em sua língua nativa para que esta continue viva; uma </span><a href="https://ccs2.ufpel.edu.br/wp/2019/11/13/alunos-se-reunem-com-primeira-indigena-de-formacao-arqueologica-do-pais/"><span style="font-weight: 400;">arqueóloga</span></a><span style="font-weight: 400;">, Walderes Coctá Priprá (uma das diretoras da obra), discute como o preconceito do povo branco estereotipa os indígenas para minimizá-los de seus direitos: um poeta recita as consequências da instalação da barragem para os moradores locais: “</span><i><span style="font-weight: 400;">de uma utilidade imensa, mas também prejudicial</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Com um trabalho de som que imerge na natureza e no cotidiano local, e uma escuta sincera a quem expõe sua verdade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vãnh Gõ Tõ Laklãnõ </span></i><span style="font-weight: 400;">venceu o Prêmio Canal Brasil de Curtas do festival, e </span><span style="font-weight: 400;">mostra o impacto e importância do Marco Temporal no país. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30781" aria-describedby="caption-attachment-30781" style="width: 1288px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30781 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga.png" alt="" width="1288" height="624" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga.png 1288w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-800x388.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-1024x496.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-768x372.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-1200x581.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30781" class="wp-caption-text">Com Retratos de Piratininga, André Manfrim reflete sobre as narrativas presentes nos monumentos de São Paulo (Foto: Filmes de Taipa)</figcaption></figure>
<p><b>Retratos de Piratininga (André Manfrim, 17’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2021, a queima da estátua de Borba Gato, na Zona Sul de São Paulo, reacendeu o debate sobre a memória colonial amplamente resguardada na História da Arte. Rapidamente rechaçado por líderes conservadores e pela polícia, o ato apontou para apenas uma faceta da memória conservada nos espaços públicos. Fato é que o tipo de história que se quer contar – ou lembrar – também diz respeito ao tipo de sociedade que se quer criar. Borba Gato, líder bandeirante, foi apenas um dos homenageados pelas ruas da capital: no centro velho de São Paulo – região onde se encontra a Praça da Sé –, estão as estátuas do jesuíta José de Anchieta, Apóstolo Paulo (que dá nome a cidade) e Tibiriçá, indígena que se converteu ao cristianismo.</span> <span style="font-weight: 400;">O diretor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ByN9DTDXDvE&amp;ab_channel=piquebandeirafilmes"><span style="font-weight: 400;">André Manfrim</span></a><span style="font-weight: 400;"> parte desses monumentos para tentar enxergar o que eles nos dizem sobre o passado e, principalmente, sobre o presente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com narração de André Abujamra, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/51504-Retratos-de-Piratininga"><i><span style="font-weight: 400;">Retratos de Piratininga</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um filme lento, visivelmente artesanal, com caráter quase didático. Através de pesquisa sobre as obras filmadas, o curta-metragem cria um diálogo entre as imagens gravadas e a voz de Abujamra, que nos confidencia os segredos guardados pelos monumentos. Há, portanto, um filme ensaio, que parte da análise e reflexão sobre a memória preservada após a colonização – memória essa, muitas vezes, romantizada nas Artes. Trata-se de um curta que desmonta as narrativas da formação da cidade de São Paulo, que integram nosso imaginário e que, nos meandros da História, se revelam marcadas pela fé e pela violência. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30802" aria-describedby="caption-attachment-30802" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30802 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto.jpg" alt="Cena do curta-metragem Todavia Sinto. Na imagem, a protagonista olha o seu reflexo em um espelho. Ela é uma mulher negra de cabelos crespos presos e segura o espelho entre as pernas." width="1024" height="574" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30802" class="wp-caption-text">Poético e doloroso, Todavia Sinto, co-produzido na Espanha e em Cuba, ganhou o Prêmio EDT, da Associação de Profissionais de Edição Audiovisual, para Melhor Montagem no Festival É Tudo Verdade de 2023 (Foto: EICTV)</figcaption></figure>
<p><b>Todavia Sinto (Evelyn Santos, 9’, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que acontece quando o positivo chega? Qual é o peso de uma decisão? Alguém é capaz de verdadeiramente entender? Sob a direção de Evelyn Santos, o concorrente da Competição Brasileira de Curta-Metragem na 28ª edição do </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/pag/vencedores2023"><span style="font-weight: 400;">Festival É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Todavia Sinto</span></i><span style="font-weight: 400;">, não se compromete a responder, mas fomentar as perguntas que afogam uma pessoa quando a gravidez se torna uma realidade. Debaixo das águas turbulentas de emoções tão singulares, a produção mostra o ar se esvaindo de um corpo que perde sua individualização sem deixar de estar completamente sozinho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as imagens misturando o movimento agressivo das ondas e os </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> detalhistas da construção da imagem da mulher grávida, assistir o curta é uma experiência brilhante e extremamente sufocante. Enquanto escutamos as perguntas e opiniões de quem está fora da anatomia que carrega o feto, as escolhas parecem cada vez mais pessoais e tomadas por uma dor intransferível, inserida no telespectador como a laceração de uma faca afiada. Seja na escolha de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">abortar</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou seguir a gestação, os olhares externos jamais deixariam de expor seus pensamentos próprios e, por mais que tentem, compreender plenamente é uma tarefa impossível. Em um oceano de complexidades, nada é capaz de dividir a verdade vivente na humanidade de quem, todavia, sente. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30787" aria-describedby="caption-attachment-30787" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30787 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar.jpeg" alt="Cena do curta-documental Aos Mortos, Um Lugar para Habitar. Nela vemos um arquivo pessoal que mostra Sandra Maria Costa Barbosa, personagem central da obra. Sandra era uma mulher branca, de meia idade, de cabelos castanhos e olhos pretos. A imagem, que por ser de arquivo, emula a estética de um VHS, dá um close em Sandra, que devido ao sol, olha para o lado com os olhos cerrados. Ao fundo, vemos uma praia." width="1920" height="1228" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-800x512.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-1024x655.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-768x491.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-1536x982.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-1200x768.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30787" class="wp-caption-text">O curta é a tentativa mais singela e certeira de dar rosto aos números (Foto: Orla Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Aos Mortos, Um Lugar para Habitar (Victor Costa Lopes, 7’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A melhor maneira de garantir que os mortos não causarão desordem é, não apenas enterrá-los, mas enterrar também seus restos, os seus destroços. Arquivos são uma parte desses restos e destroços</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É com a frase do filósofo camaronês </span><a href="https://www.politize.com.br/necropolitica-o-que-e/"><span style="font-weight: 400;">Achille Mbembe</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos Mortos, Um Lugar para Habitar</span></i><span style="font-weight: 400;">, do diretor cearense Victor Costa Lopes, se ambienta a partir do relatório base da CPI da pandemia, que teve início ainda em 2021, um dos anos de pico da doença.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito mais que um minuto de silêncio, o curta é uma invocação de sete minutos à memória de Sandra Maria Costa Barbosa, uma das mais de 700 mil vítimas da covid-19 aqui no Brasil. Por mais que pareça pessoal, a produção é consciente ao florescer um sentimento único a cada um de nós, que, de uma forma ou de outra, fomos afetados não só pela pandemia mas também pelo descaso do governo Bolsonaro, fazendo que a Sandra e suas lembranças se transmutem em diferentes faces.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que a memória é a última coisa de nossos entes que permanece viva em nós, mas </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/51539-Aos-Mortos--um-Lugar-para-Habitar"><i><span style="font-weight: 400;">Aos Mortos, Um Lugar para Habitar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mostra que, devido a uma condução criminosa da pandemia, tudo que a precede nos foi tirado. Desde um diagnóstico preciso, um enterro honroso e até mesmo um tratamento confortável e digno para algo que podia ou não ser iminente. Os mortos? Foram escorraçados, e o único lugar seguro para habitar foi a nossa memória. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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		<title>As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 19:28:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das mulheres, da cidade maravilhosa, das experimentações e fantasias, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27364" aria-describedby="caption-attachment-27364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg" alt="Arte retangular horizontal de fundo azul com estrelas azul claro. Lê-se o texto: “as realidades do 27º Festival É Tudo Verdade It’s All True”. Foi adicionado o olho do Persona no canto inferior direito, com a íris em azul claro." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27364" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 31 de março e 10 de abril, o Persona acompanhou o 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade </span></i>(Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan/Texto de abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do <strong>27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade</strong> inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-6a-mostra-de-cinema-feminista/"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">cidade maravilhosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-5o-festival-ecra/"><span style="font-weight: 400;">experimentações</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-fantaspoa-xvii/"><span style="font-weight: 400;">fantasias</span></a><span style="font-weight: 400;">, 2022 se inicia com a única coisa da qual não podemos fugir: a realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas na verdade, o espectro contemplado pelo maior festival de documentários do mundo era muito desejado para integrar o horizonte das nossas experiências. Dessa vez, o anseio se tornou possível graças ao formato de realização do </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/home/"><span style="font-weight: 400;">É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aconteceu de forma totalmente gratuita e híbrida, sendo presencialmente nos cinemas das capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, e virtualmente através da plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> do festival e das dos parceiros Itaú Cultural Play e Sesc Digital. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A seleção é tão vasta quanto o tema que a define: 70 filmes, que entre curtas, médias e longas-metragens, se dividiram nas mostras competitivas e nas demais categorias de exibição (Foco Latino-Americano, Sessões Especiais, O Estado das Coisas, Clássicos É Tudo Verdade). Trazendo o Cinema documental realizado em mais de 30 países, o alcance do É Tudo Verdade é reconhecido pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Academia de Artes e Ciências Cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;">, de forma a classificar diretamente os filmes vencedores dos prêmios dos júris nas Competições Brasileiras e Internacionais de Longas/Médias e de Curtas Metragens para apreciação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> do ano que vem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À distância, o Persona selecionou 25 títulos a fim de compreender a seleção de 2022, que elegeu como os homenageados da vez </span><a href="https://www.mulheresdocinemabrasileiro.com.br/site/mulheres/visualiza/421/Ana-Carolina/4"><span style="font-weight: 400;">Ana Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.itaucinemas.com.br/pag/o-cinema-de-ugo-giorgetti"><span style="font-weight: 400;">Ugo Giorgetti</span></a><span style="font-weight: 400;">, dois dos nomes mais importantes do Cinema de não-ficção brasileiro. As obras de abertura propuseram uma reflexão sobre o passado, presente e futuro da Sétima Arte, enquanto o encerramento do festival ficou na responsabilidade de um dos premiados pelo público e pelo júri da edição mais recente do Festival de Sundance.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A curadoria do <strong>Persona</strong> conferiu todos eles, além das </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/pag/vencedores2022"><span style="font-weight: 400;">obras vencedoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> e demais títulos que chamaram a atenção de <strong>Bruno Andrade, Enrico Souto, Raquel Dutra </strong>e<strong> Vitor Evangelista</strong>. O resultado dessa aventura você pode conferir abaixo, e em meio a experiências milagrosas, figuras históricas, lutas urgentes e muitas reflexões filosóficas, vale o aviso: não se esqueça que </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><i><span style="font-weight: 400;">é tudo verdade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27363"></span></p>
<h3><b>Curtas-metragens</b></h3>
<figure id="attachment_27365" aria-describedby="caption-attachment-27365" style="width: 880px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg" alt="Cena do curta Ali e sua Ovelha Milagrosa. A cena mostra uma multidão caminhando e na linha de frente está um garoto com manto verde ao redor do corpo, guiando uma cadeira de rodas preta com uma ovelha sentada. " width="880" height="474" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg 880w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-768x414.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27365" class="wp-caption-text">Santa ovelhinha (Foto: 7th Heaven Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ali e sua Ovelha Milagrosa (Ali and His Miracle Sheep, Maythem Ridha, Reino Unido/Iraque, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reconhecido como Menção Honrosa na disputa dos Curtas, o trabalho de Maythem Ridha é tão místico que ameaça cruzar a tênue linha entre o real e o imaginário por uma porção de vezes. A história é simples (e dolorosa): depois de perder o pai em um assassinato do Estado Islâmico, o jovem Ali parou de falar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, seguindo os dogmas religiosos, ele se junta ao irmão numa longa caminhada a fim de sacrificar sua ovelha e molhar seu sangue como oferenda pela morte do familiar. Por mais que o diretor conte tintin por tintin da trama na abertura da sessão, </span><a href="https://7thheavenstudios.com/ali-and-his-miracle-sheep"><i><span style="font-weight: 400;">Ali e sua Ovelha Milagrosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue surpreender no campo visual, construindo imagens tão fortes quanto seu tema demanda. Ao fim do dia, e dessa extensa peregrinação, não resta nada além do grito nos pulmões e do licor vermelho sendo drenado pela areia. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27366" aria-describedby="caption-attachment-27366" style="width: 910px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27366" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg" alt="Cena do filme A Ordem Reina. A imagem é em preto e branco e tem textura granulada. Através dela, podemos ver um monumento de cimento arredondado com uma torre, que está ao centro. No canto esquerdo, existem outros dois monumentos, também de cimento, que imitam o desenho de duas mãos de punhos fechados." width="910" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg 910w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27366" class="wp-caption-text">A cineasta paulista Fernanda Pessoa tem vasta experiência no Cinema documental e nos festivais do gênero pelo mundo, sendo A Ordem Reina o seu 6º filme recém-finalizado (Foto: Fernanda Pessoa)</figcaption></figure>
<p><b>A Ordem Reina (Fernanda Pessoa, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É sobre as palavras sagradas de Rosa Luxemburgo que </span><a href="https://pessoafernanda.com/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Pessoa</span></a><span style="font-weight: 400;"> fundamenta a reflexão do seu filme. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cineasta paulista propõe reflexões acerca do sonho revolucionário de superação do capitalismo a partir de uma viagem anacrônica por sete países que experienciaram revoluções no século 20, orientada pela sabedoria da filósofa e economista alemã, que dedicou as últimas expressões de sua vida para manter acesa a promessa de transformação tão perseguida pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, às imagens registradas em 8mm com tratamento e finalização digitais, a diretora adiciona uma narração em </span><i><span style="font-weight: 400;">off</span></i><span style="font-weight: 400;"> do texto </span><a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Rosa-Luxemburgo-A-Ordem-Reina-em-Berlim"><i><span style="font-weight: 400;">A</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Ordem Reina em Berlim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Datado de janeiro de 1919, onde Rosa Luxemburgo reflete sobre as causas e consequências da atuação trágica dos socialistas na Revolução Alemã, que junto do encerramento da participação do país na Primeira Guerra Mundial, também colocou fim na sua vida e na de alguns de seus companheiros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse plano de fundo, Fernanda Pessoa e o espectador de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;"> não têm dúvidas sobre as crenças do filme. Se nem </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/01/15/cem-anos-sem-rosa-luxemburgo-uma-vida-pela-revolucao"><span style="font-weight: 400;">Rosa Luxemburgo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu leito de morte se rendeu ao sentimento imperativo de ordem e desistiu de acreditar na revolução, a cineasta faz valer os versos finais do texto através de seu olhar atento para a aparente comodidade da sociedade que analisa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não reparastes que a vossa &#8220;ordem&#8221; está a alçar-se sobre a areia. A revolução alçará-se amanhã com a sua vitória e o terror pintará-se nos vossos rostos ao ouvir-lhe anunciar com todas as suas trombetas: era, sou e serei!”</span></i> <b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27367" aria-describedby="caption-attachment-27367" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27367 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg" alt="Cena do filme Cadê Heleny. A imagem é um recorte de um filme animado quadro a quadro a partir de materiais têxteis. A imagem mostra uma sala de jantar numa perspectiva horizontal, que se coloca atrás da personagem Heleny. Ela está no canto direito da imagem, desfocada, olhando para a frente. Existe uma mesa redonda, decorada com uma toalha e flores, e cadeiras ao redor. Na parede do lado direito, existe uma janela coberta por uma cortina, e na parede da frente, existe um móvel com fotos em porta retrato e um relógio pendurado." width="1920" height="998" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-800x416.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1024x532.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-768x399.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1536x798.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1200x624.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27367" class="wp-caption-text">Menção honrosa na Competição Brasileira de Curtas, o filme de Esther Vital conta a história de Heleny Guariba e inova a forma de representar as necessárias lembranças da Ditadura Militar brasileira (Foto: Apto 122)</figcaption></figure>
<p><b>Cadê Heleny? (Esther Vital, Brasil/Espanha, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde 1971, a professora, dramaturga e militante </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/heleny-telles-ferreira-guariba/"><span style="font-weight: 400;">Heleny Guariba</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tida como desaparecida política da Ditadura Militar brasileira. Importante nome na história da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a organização que atuava na luta armada contra o regime, ela foi presa e torturada pela primeira vez em 1970, sendo alvo de uma perseguição que durou até o próximo ano, que efetivamente lhe impôs o silêncio através da violência e ameaças aos seus companheiros de luta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de mais uma história sobre o custo que alguns de nós tiveram que assumir para superar o regime ditatorial e os horrores cometidos por quem (des)governava o Brasil entre os anos de 1964 e 1985, Esther Vital escolhe muito bem os seus caminhos para apresentar a narrativa em seu filme. Longe da linguagem documental tradicional, concreta e direta, </span><a href="https://cadeheleny.com/construcao-de-personagem/"><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha com uma animação em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> e concepção artística inspirada nas </span><a href="http://memorialdaresistenciasp.org.br/exposicoes/arpilleras/#:~:text=Arpillera%20%C3%A9%20uma%20t%C3%A9cnica%20t%C3%AAxtil,tornaram%20tamb%C3%A9m%20meio%20de%20express%C3%A3o."><i><span style="font-weight: 400;">arpilleras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, arte têxtil popular que surgiu nas periferias de Santiago, no Chile, e se transformou numa poderosa forma de resistência política das mulheres opositoras a Ditadura de Augusto Pinochet.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, com sua própria identidade estética, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i><span style="font-weight: 400;"> torna sua narrativa um tanto mais acessível e significativa, mas não por isso menos forte ou verdadeira. Sem medo de encarar e retratar os momentos mais sombrios de Guariba nas mãos da Ditadura, não à toa o documentário recebeu uma menção honrosa na Competição Brasileira de Curta-Metragem: ao mesmo tempo em que honra a memória valente da militante, </span><a href="https://www.itaucultural.org.br/curta-metragem-em-stop-motion-resgata-a-memoria-de-heleny-guariba"><span style="font-weight: 400;">Esther Vital</span></a><span style="font-weight: 400;"> inova a compreensão de uma das necessidades mais pungentes do </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/03/31/bolsonaro-obras-ditadura-militar.htm"><span style="font-weight: 400;">Brasil de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27368" aria-describedby="caption-attachment-27368" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27368" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg" alt="Fotografia em preto e branco do cineasta Glauber Rocha. Mostra o cineasta segurando rolos do filme “Cabeças Cortadas”, enquanto olha fixamente para a câmera. Ele é um homem branco, possui cabelos pretos, levemente encaracolados, e veste um terno de cor cinza." width="1200" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-800x427.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-1024x546.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-768x410.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27368" class="wp-caption-text">Ao longo dos 12 minutos de Carta Para Glauber, acompanhamos a leitura de Catarina Dahl da carta enviado por seu pai, Gustavo, a Glauber Rocha dias após o Golpe Militar no Brasil (Foto: Gregory Baltz)</figcaption></figure>
<p><b>Carta Para Glauber (Gregory Baltz, Brasil, 2021)</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TgMzAdbvi34&amp;feature=emb_imp_woyt&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><i><span style="font-weight: 400;">Carta Para Glauber</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um curta-metragem ensaístico, elaborado através da leitura da carta que o cineasta e crítico de cinema Gustavo Dahl enviou para Glauber Rocha, em 1964, quando ele estava no Festival de Cannes promovendo </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2014/07/Ha-50-anos-Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-mudava-a-historia-do-cinema-brasileiro-4549960.html"><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (que foi indicado à Palma de Ouro naquele ano). No curta, a narração da carta fica a cargo de Catarina Dahl, filha de Gustavo, e vem acompanhada de trechos dos filmes de Glauber Rocha e do próprio Gustavo Dahl, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Barravento </span></i><span style="font-weight: 400;">(1962), </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra em Transe </span></i><span style="font-weight: 400;">(1967) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bravo Guerreiro </span></i><span style="font-weight: 400;">(1969). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A graça desse formato de ensaio – muito bem explorado pelo diretor Gregory Baltz – é a composição de um cenário particular, pois as cenas dos filmes norteiam os pensamentos que sucedem a leitura da carta. Todavia, o texto cru, por si só, é bastante emblemático, e foi enviado ao cineasta baiano dias após ter ocorrido o Golpe Militar no Brasil. Na </span><a href="https://correio.ims.com.br/carta/barbarizou-barbarizou/"><span style="font-weight: 400;">carta</span></a><span style="font-weight: 400;">, Dahl reconhece similaridades entre o discurso denunciado por Glauber em </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo</span></i><span style="font-weight: 400;">… e a voz autoritária da Ditadura que havia começado no país, evidenciando a urgência que sua obra representava ao mesmo tempo em que denunciava certos padrões que levaram ao regime autoritário. Dahl também aponta para a forma genial como a subversão de Glauber Rocha esteve ligada com sua Arte, na qual manteve-se alegorias imagéticas em prol de um objetivo em si mesmo: a liberdade, genuína, de expressão. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27369" aria-describedby="caption-attachment-27369" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27369" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg" alt="Cena do curta Como Se Mede um Ano?, a cena mostra uma criança branca olhando nos olhos de seu pai, um homem adulto branco e de cabelos pretos, e abrindo as mãos, mostrando os 10 dedos." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27369" class="wp-caption-text">Boyhood, seu legado vive! (Foto: Jay Rosenblatt Films)</figcaption></figure>
<p><b>Como Se Mede um Ano? (How Do You Measure a Year?, Jay Rosenblatt, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco tempo depois de ser indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">por seu trabalho em </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">When We Were Bullies</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (curta também presente no É Tudo Verdade), o diretor Jay Rosenblatt retorna com uma visão muito mais pessoal do mundo. Longe da agressão que povoava o filme anterior, o norte-americano decide editar um projeto que realizou por quase dezoito anos. Desde que soprou duas velhinhas, a filha do cineasta foi colocada frente às câmeras e indagada a respeito da vida, da família e do futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem qualquer vídeo de apresentação do realizador, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt15026956/"><i><span style="font-weight: 400;">Como Se Mede um Ano?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> venceu a competição de Curtas, muito provavelmente pela sensibilidade do tema e pela entrega no processo. Resgatando o título da música </span><i><span style="font-weight: 400;">Seasons of Love</span></i><span style="font-weight: 400;">, popular entre os amantes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hj7LRuusFqo"><i><span style="font-weight: 400;">Rent</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8OTglgfKdMo"><i><span style="font-weight: 400;">The Office</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o projeto de meia-hora é emocionante pelas memórias de quem assiste, refletidas em tela nas figuras de pai e filha, envelhecendo, evoluindo, tendo ciência do valor do tempo. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27370" aria-describedby="caption-attachment-27370" style="width: 1625px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27370 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg" alt="Cena do filme Duke Ellington em Isfahan. A imagem, em preto e branco, mostra dois homens negros em um concerto. Enquanto um segura uma partitura com as duas mãos, o outro encara o papel enquanto toca um saxofone. Sobreposta a cena, de forma esvanecida, também está a imagem de uma mandala marrom." width="1625" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg 1625w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-800x525.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1024x672.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-768x504.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1536x1009.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1200x788.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27370" class="wp-caption-text">Cria de uma potente vanguarda contemporânea, há pouco de cinema iraniano no curta de Ehsan Khoshbakht (Foto: Ehsan Khoshbakht)</figcaption></figure>
<p><b>Duke Ellington em Isfahan (Duke Ellington in Isfahan, Ehsan Khoshbakht, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><a href="https://iffr.com/en/persons/ehsan-khoshbakht"><span style="font-weight: 400;">Ehsan Khoshbakht</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um cineasta do Irã estabelecido em Londres. E então, quando ele decide investigar a trajetória de uma das figuras mais importantes para a história do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, não poderia ser outro recorte. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duke Ellington em Isfahan</span></i><span style="font-weight: 400;"> é autoexplicativo: o curta documental conta a história de uma das composições mais icônicas do pianista, concebida durante sua turnê ao Oriente Médio em 1963, financiada pelos Estados Unidos durante plena </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2022/02/era-jim-crow-as-leis-que-promoviam-a-segregacao-racial-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">segregação racial</span></a><span style="font-weight: 400;">, como propaganda política em um momento que o mundo questionava o tratamento do país à população negra</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas aqui, política não passa de um plano de fundo. A Música é só o que importa. O documentário, formado por arquivos de imagens e vídeos antigos interpolados por entrevistas com especialistas, perpassa pelas inspirações de Ellington na música e arquitetura da cidade iraniana. No entanto, peca em ultrapassar uma barreira que, na realidade, parece nem identificar. Com um material de ouro em mãos, Ehsan entrega uma obra pouco consciente e pouco inspirada. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27372" aria-describedby="caption-attachment-27372" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg" alt="Cena do curta Meio Ano-Luz, mostra um homem branco sentado à rua, com um caderno em mãos, desenhando. Atrás dele, a parede é cor de creme e tem uma pichação azul. " width="1920" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27372" class="wp-caption-text">Som e imagem se desencontram em total harmonia (Foto: Leonardo Mouramateus)</figcaption></figure>
<p><b>Meio Ano-Luz (Leonardo Mouramateus, Brasil/Portugal, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na imagem, vemos uma movimentada viela de Lisboa, onde um jovem se senta à sarjeta e passa a desenhar os transeuntes. No áudio, acompanhamos a conversa entre dois namorados, debatendo a melhor maneira de devolver uma carteira encontrada na rua e seus planos para o que farão depois do agora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme de Leonardo Mouramateus, que se estende para além dos 19 minutos, a experiência de interligar duas percepções é catalisadora de uma ideia bem executada. Mais um exemplo do </span><a href="https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2019/11/26/criticos-elegem-os-20-melhores-filmes-cearenses-da-decada-veja.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Cinema de excelência realizado no Ceará</span></a><span style="font-weight: 400;">, o curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Meio Ano-Luz </span></i><span style="font-weight: 400;">expande seus debates de um simples bem material até discussões sobre a vida, o universo e tudo mais. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27373" aria-describedby="caption-attachment-27373" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png" alt="Cena do curta Voz Virtual, mostra uma boneca de máscara de pano tendo a temperatura medida na testa." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27373" class="wp-caption-text">Ao lado de seu alter ego em miniatura chamado Suzi, a diretora Suzannah Mirghani realiza um manifesto caseiro contra a hipocrisia (Foto: Doha Film Institute)</figcaption></figure>
<p><b>Voz Virtual (Virtual Voice, Suzannah Mirghani, Catar/Sudão, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na breve apresentação que antecedeu a sessão de </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt14507046/"><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Suzannah Mirghani, a diretora sudanesa-russa que vive no Catar, não escondeu o caráter de seu curta. Realizados no período da pandemia e do isolamento social, os menos de dez minutos se concentram em uma personagem central imóvel que, na febre da excitação pandêmica, busca se impor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49659-Virtual-Voice"><span style="font-weight: 400;">Cinema denúncia irônico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ciente das feridas que salga, acompanhado por um roteiro ritmado que cadencia o discurso sinestésico, envolvente e extremamente detalhado. Numa eventual revisita à </span><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i><span style="font-weight: 400;">, é bem provável que importantes referências sejam descobertas, provando a acidez calculada de Mirghani. E agora, Suzi? Quando a bateria se esgota, acaba o sonho também? </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<h3>Longas-metragens</h3>
<figure id="attachment_27374" aria-describedby="caption-attachment-27374" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg" alt="Cena do filme A História do Olhar, mostra o diretor Mark Cousins deitado na cama sem camisa. Ele é um homem branco, tem tatuagens nos braços e leva a mão direita à testa, olhando para o teto. " width="900" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27374" class="wp-caption-text">O mundo é estilhaçado sob a visão de Mark Cousins (Foto: BofA Productions)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Olhar (The Story of Looking, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diretamente de sua casa em Edimburgo, capital da Escócia, o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml"><span style="font-weight: 400;">cineasta Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;"> saúda o público do Festival É Tudo Verdade. Despojado, ele revela que a premissa de seu novo filme, chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Olhar</span></i><span style="font-weight: 400;">, surgiu quando foi diagnosticado com catarata em um dos olhos e escreveu um livro a respeito das múltiplas análises da visão. Ele filma o rosto iluminado por um céu claro e mostra o enorme roteiro, que daria origem ao longa-metragem que em breve começaria. A quebra de expectativas, além da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ki392mx6qiQ"><span style="font-weight: 400;">presença extra-campo do documentarista</span></a><span style="font-weight: 400;">, vem por meio de sua partilha: deitado na cama, ele pretende viajar pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado, registrado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dtkxzxehF5o"><span style="font-weight: 400;">uma hora e meia de filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, é formado pelos mais diversos devaneios. Seja por uma frase marcante do músico Ray Charles, ou pelas mensagens recebidas em uma rede social em tempo real, Cousins faz o Cinema partir da própria íris, diante do medo de perder o bem que tanto ama. Por isso, quando faz a escolha de mostrar em detalhes a cirurgia que corrige o problema na vista, o diretor quer que seu público desempenhe o papel máximo de </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeur</span></i><span style="font-weight: 400;">. Do mundo (pela ótica do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, de filmes e quadros que aprecia e imagens de arquivo), ele se volta ao próprio corpo, esculpindo a nudez como forma de ser. Os olhos captam boa parte das </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/sep/16/the-story-of-looking-review-mark-cousins-rhapsody-of-the-gaze"><span style="font-weight: 400;">belas composições do universo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sem eles, o cosmos pode ser até maior do que ameaça. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27375" aria-describedby="caption-attachment-27375" style="width: 1961px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png" alt="Cena do filme A História do Cinema, de Mark Cousins. A imagem mostra uma pessoa de costas, vestindo roupas inteiramente pretas, e observando várias pequenas telas que estão à sua frente. A pessoa e essas telas estão na calçada de uma rua bastante movimentada, e ao fundo podemos ver prédios e outdoors com publicidades sendo transmitidas. " width="1961" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png 1961w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27375" class="wp-caption-text">Com 160 minutos de duração, A História do Cinema nos brinda com análises criteriosas feitas por Mark Cousins, e ao mesmo tempo mostra como novas vozes vem ganhando espaço (Foto: Hopscotch Films)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Cinema: Uma Nova Geração (</b><b>The Story of Film: a New Generation, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No futuro, quais serão os filmes da nossa geração que irão figurar na lista de Clássicos? É possível que longas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen</span></i><span style="font-weight: 400;"> sejam vistos nessa lista? Afinal, foi um fenômeno da nossa época. Essas são algumas das perguntas que norteiam </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml?origin=folha"><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema: Uma Nova Geração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do britânico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7Z0lkiiHKVQ&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><span style="font-weight: 400;">Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;">, documentário que abriu o Festival É Tudo Verdade no Rio de Janeiro. Talvez motivado por sua formação em História, Cousins decide traçar um diagnóstico do chamado “Novo Cinema”, e aborda filmes recentes ao redor do mundo com olhar cauteloso, apontando suas características cinematográficas mais marcantes e distintas. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), de Bong Joon-Ho, é um dos longas que já nasceram clássicos, e resgata muitas outras referências antigas em seu desenvolvimento, mas de uma forma extremamente original, de modo a quebrar qualquer tipo de expectativa. Além disso, o que o faz interessante? Um dos pontos enxergados por Cousins é sua urgência narrativa, pois o filme sul-coreano retrata sonhos capitalistas que foram despedaçados, mas se encerra justamente com um sonho capitalista, visto que o protagonista Ki-woo (Choi Woo-shik) pretende ficar rico para comprar a casa e, enfim, libertar seu pai (mas, de certa forma, também sua família). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme também põe em análise </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014) e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019) de Joaquin Phoenix. Cousins contrapõe dois trechos icônicos de cada filme: primeiro, a famosa cena da rainha Elsa cantando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3TkIR4U4seA"><i><span style="font-weight: 400;">Livre Estou</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seguido pela cena do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=goj0bS1-Thc&amp;ab_channel=SCENEFLIX"><span style="font-weight: 400;">Coringa dançando</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas escadarias do Bronx, em Nova York. Ambas têm em comum um sonho de liberdade, e, como argumenta o cineasta, não parece ser por acaso que, em um mundo totalmente conectado e globalizado, cenas como essa viralizam e atingem um clímax cinematográfico, pois tudo o que idealizamos são momentos de liberdade verdadeira e irrestrita. </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona como um belo diagnóstico dos caminhos do Cinema contemporâneo, mas, pela tangente, acaba analisando a sensação de estar vivo atualmente, e enxerga ausências que, às vezes, conseguem ser preenchidas através da Arte. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27376" aria-describedby="caption-attachment-27376" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27376" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg" alt="Cena do filme Belchior - Apenas um Coração Selvagem, de Camilo Cavalcanti e Natália Dias. A imagem mostra o cantor Belchior encostado em um muro de contrato de cor cinza, que contém uma pichação com os escritos “Sonhar eternamente”. Belchior é um homem branco, possui cabelos volumosos de em cor preta, bigode de cor preto, e veste uma camiseta listrada nas cores branco, azul e preto, e uma calça jeans azul clara" width="2560" height="1692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1024x677.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-768x508.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1536x1015.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-2048x1354.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1200x793.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27376" class="wp-caption-text">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem explora as opiniões artísticas do cantor cearense, deixando em aberto qualquer conclusão (Foto: Clariô Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem (Camilo Cavalcanti e Natália Dias, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estreando no Festival É Tudo Verdade, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/04/07/belchior---apenas-um-coracao-selvagem-e-tudo-verdade.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato interminável sobre um dos maiores expoentes da Música brasileira. Apesar de suas letras reveladoras e poéticas – e de seu charme de malandro trovador –, Belchior foi um dos mistérios da MPB até o fim de sua vida, quando faleceu em Santa Cruz do Sul, em 2017. Mas não espere encontrar respostas sobre a vida do músico no documentário, e a graça do filme reside justamente na ausência de respostas – ou, melhor, nas únicas respostas dadas pelo próprio Belchior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma bastante acertada, Camilo Cavalcanti e Natália Dias não entrevistam pessoas ou geram ainda mais dúvidas sobre a vida e obra do cantor cearense, pois trata-se de um filme feito a partir de colagens de diversas entrevistas e apresentações ao vivo do cantor ao longo de sua vida, contando ainda com trechos raros e muito ricos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/40-anos-sem-elis-regina-20-anos-carreira-maria-rita/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentando versões das músicas de Belchior. Em alguns trechos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Apenas um Coração Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ator </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/cristina-padiglione/2022/03/silvero-pereira-interpreta-cancoes-de-belchior-em-filme-sobre-o-musico.shtml"><span style="font-weight: 400;">Silvero Pereira</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge em uma espécie de intervenção, recitando e interpretando letras das músicas do cantor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O longa busca analisar a visão artística do cantor, e foca muito mais na relação distinta que ele mantinha com a poesia; aparentemente, seu estado permanente de viver, pois, como ele mesmo diz, </span><i><span style="font-weight: 400;">“a esperança do paraíso marca o nordeste”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, segundo ele, até mesmo a ligação religiosa que atravessou sua vida (quando foi frade) foi uma maneira de se conectar com o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/04/05/belchior-diz-quase-tudo-em-filme-que-da-pistas-do-caminho-seguido-pelo-coracao-selvagem-do-artista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sublime</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27377" aria-describedby="caption-attachment-27377" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg" alt="Cena do filme Eneida, mostra a personagem titular pensativa, iluminada pelas luzes do trânsito à noite, olhando pela janela do carro. Ela é uma mulher branca, idosa, de cabelos claros e unhas vermelhas." width="1024" height="528" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-800x413.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-768x396.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27377" class="wp-caption-text">Em Eneida, a vida cruel faz boa arte (Foto: Heloísa Passos)</figcaption></figure>
<p><b>Eneida (Heloísa Passos, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido pela curitibana </span><a href="https://abcine.org.br/site/entrevista-heloisa-passos-abc/#:~:text=Como%20diretora%2C%20realizei%20v%C3%A1rios%20curtas,e%20na%20frente%20da%20c%C3%A2mera."><span style="font-weight: 400;">Heloísa Passos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">leva o nome e a história de sua mãe. Mas não se trata de uma biografia comum, que fique claro. Aqui, conhecemos Eneida numa viagem, o eventual estopim para os dramas da uma hora e vinte que se seguem. Afastada da filha mais velha, que não vê há quase 25 anos, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50031-Eneida"><span style="font-weight: 400;">a senhora faz de tudo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para retomar a conexão e resolver problemas do passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Capturado com voracidade e simpatia por Passos, o núcleo emotivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">é formado por uma sucessão de </span><a href="https://escotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/filme-eneida-heloisa-passos-e-tudo-verdade-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontros, conversas, barganhas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Abalada mas nunca quebradiça, a senhora octogenária que ilumina a tela com seu sorriso e carisma não deixa a vida parar pela tristeza: ela rememora o ontem, papeia com a neta, joga vôlei com as amigas, chora e se alegra. Provando que os </span><a href="https://aodisseia.com/eneida-critica-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">temores da realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> formam boa liga para a excelência da Arte, o documentário de Heloísa Passos é brutal e singelo em medidas equilibradas. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27378" aria-describedby="caption-attachment-27378" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png" alt="Cena do filme JFK Revisitado: Através do Espelho, do diretor Oliver Stone. A fotografia colorida mostra o então presidente John Kennedy em um carro aberto de cor preta, ao lado da sua esposa, Jacqueline Kennedy. Eles estão desfilando momentos antes do presidente Kennedy ser assassinado. John está com o braço direito apoiado no carro, olhando para a população. Ele é um homem branco de cabelos loiros, e veste um terno de cor preta. Jacqueline é uma mulher branca de cabelos castanhos, veste chapéu e vestido de cor rosa. Ambos estão sorrindo." width="1400" height="1050" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27378" class="wp-caption-text">Em JFK Revisitado, o premiado diretor Oliver Stone retoma seu filme de 1991 para analisar novos documentos sobre o assassinato de John Kennedy (Foto: Ingenious Media)</figcaption></figure>
<p><b>JFK Revisitado: Através do Espelho (JFK Revisited: Through the Looking Glass, Oliver Stone, Estados Unidos, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns cineastas costumam lançar versões estendidas de suas obras – as “versões sem cortes” –, outros lançam continuações, mas poucos decidem fazer o que Oliver Stone fez: atualizar um de seus filmes mais famosos. </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/04/jfk-revisitado-de-oliver-stone-e-cansativo-mas-muito-necessario.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado: Através do Espelho</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se propõe, como seu título sugere, a atualizar o longa de 1991, </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK: A Pergunta Que Não Quer Calar </span></i><span style="font-weight: 400;">– concebido inicialmente como uma minissérie em quatro capítulos –, depois que novos documentos sobre o assassinato do ex-presidente estadunidense John F. Kennedy deixaram de ser sigilosos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 118 minutos de duração, o documentário se arrasta e não apresenta grandes motivos para receber uma atualização. Em algumas cenas, tudo soa como as infindáveis reportagens a respeito do assunto – ou como uma versão mais lenta de seu filme anterior –, mas nenhuma novidade é de fato apresentada. Justamente pelo tema já ter sido abordado por </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-07-13/oliver-stone-desmonta-a-versao-oficial-do-assassinato-de-jfk-com-novos-documentos.html"><span style="font-weight: 400;">Oliver Stone</span></a><span style="font-weight: 400;"> anteriormente, nem mesmo sua própria voz artística como diretor é capaz de dar uma nova roupagem aos documentos explorados, pois isso já foi feito em 1991. Talvez o ponto mais interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja a ideia de que outros assassinatos acontecem mundo afora em decorrência da morte de Kennedy, mas, como Stone adora fazer, soa como uma verdade absoluta que tem sido tratada historicamente como teoria conspiratória, e acaba se perdendo em suas próprias referências. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27379" aria-describedby="caption-attachment-27379" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg" alt="Cena do filme Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente, que mostra uma mulher branca, idosa, de cabelos encaracolados e usando óculos, falando enquanto olha para frente. O fundo escuro está desfocado e a imagem é colorida." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27379" class="wp-caption-text">Stig Björkman, diretor do longa, é amigo pessoal de Joyce Carol Oates e pediu para que pudesse produzir um documentário a seu respeito por anos, até que ela cedesse às câmeras (Foto: Mantaray Film)</figcaption></figure>
<p><b>Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente (Joyce Carol Oates: A Body in the Service of Mind, Stig Björkman, Suécia, 2021)</b></p>
<p><a href="https://darkside.blog.br/conheca-joyce-carol-oates-das-escritoras-produtivas-atualidade/"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> não parou de escrever desde que publicou o seu primeiro livro em 1963. Algo que enxergava já na infância, através de sua identificação com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-viagem-todos-nos/"><span style="font-weight: 400;">viagem de Alice</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao País das Maravilhas, a escritora viu na leitura – e mais tarde em seus próprios livros – um refúgio do mundo exterior. É capaz que ela escreva por 10 horas ininterruptas, e ainda coloque a culpa no gato, que não saía de seu colo. A imagem constante do lado de fora de sua casa, as luzes de seu escritório ligadas e todos os outros cômodos vazios, sintetiza a desconexão de Joyce com a realidade, a partir do momento que ela mergulha na escrita de seus romances.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso entra em conflito direto com sua trajetória literária, marcada por livros </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/06/09/books/review/joyce-carol-oates-night-sleep-death-stars.html"><span style="font-weight: 400;">politicamente engajados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e obras que comentam fenômenos sociais efervescentes de sua época. Mas é que o diretor Stig Björkman, do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente</span></i><span style="font-weight: 400;">, levanta essas contradições com muita sensibilidade e ternura, não só desconstruindo, como também humanizando a figura intocada de uma das autoras mais relevantes da Literatura americana. É uma pena que, pela sua abordagem exacerbadamente vasta, muitos temas se percam e sejam diluídos em meio ao prolífico e riquíssimo contato íntimo em que somos postos com Joyce. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27380" aria-describedby="caption-attachment-27380" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27380" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg" alt="Cena do filme Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo. Na fotografia colorida, o diretor Robert B. Weide está andando à beira do mar com o escritor Kurt Vonnegut. Ambos são homens brancos. Weide está à esquerda, e possui barba e cabelos pretos, veste um sobretudo bege e está com as duas mãos nos bolsos. Vonnegut está à direita, e possui cabelos grisalhos e bigode branco, também veste um sobretudo bege e está com as mãos nos bolsos." width="2560" height="1820" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1024x728.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-768x546.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1536x1092.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-2048x1456.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1200x853.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27380" class="wp-caption-text">Dirigido por Robert B. Weide e Don Argott, Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo é um registro histórico de um dos maiores escritores da história (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><b>Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo (Kurt Vonnegut: Unstuck in Time, Robert B. Weide e Don Argott, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construído ao longo dos anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é o registro de um dos maiores escritores da última década. </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Livros/noticia/2020/11/4-livros-essenciais-para-conhecer-obra-e-historia-de-kurt-vonnegut.html"><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></a><span style="font-weight: 400;"> se transformou em uma voz geracional, e ajudou a moldar a mente dos jovens inconformados com a Guerra no Vietnã – ele próprio lutou na Segunda Guerra Mundial, onde foi feito prisioneiro em Dresden pelas tropas alemãs, cujas experiências deram origem ao livro </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/877/"><i><span style="font-weight: 400;">Matadouro-Cinco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1969) – e com as opressões do governo estadunidense. Como em uma obra ficcional pitoresca de Vonnegut, a distância que geralmente separa o diretor do fato narrado é quebrada no filme, transformando Robert B. Weide em um personagem dessa história. Como ele revela, Vonnegut foi uma de suas inspirações e fixações literárias na juventude, além de um amigo sincero. Weide aproximou-se do escritor com a ideia de gravar o documentário, e ficou décadas junto a ele, que faleceu em 2007. Mais de dez anos depois de sua morte, recebemos o resultado das milhares de gravações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das principais características literárias do autor é o uso da ironia e de um tipo de humor muito peculiar nos escritos. Bob Weide e Don Argott tentam manter isso na forma do documentário, embora em alguns momentos os relatos pessoais de Weide excedam demasiadamente o foco em Vonnegut. Ao mesmo tempo, o filme de 126 minutos vai fundo nas origens do mito literário, cuja história se assemelha à ficcional trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Forrest Gump</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1994). Tendo nascido em 1922 e falecido no início do século, o escritor estadunidense vivenciou grandes momentos históricos, e sempre os retratou através de sua voz original. Ao término de </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></i><span style="font-weight: 400;">, sentimos que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PbunvLdbWxA&amp;ab_channel=IFCFilms"><span style="font-weight: 400;">Robert B. Weide</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou um arco narrativo para lidar com o próprio luto, vivenciado não apenas pela perda do herói literário, mas também de um amigo. “</span><i><span style="font-weight: 400;">God bless you, Robert Weide”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27381" aria-describedby="caption-attachment-27381" style="width: 2074px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg" alt=" Cena do filme Navalny, em que um homem branco, de meia idade, cabelos curtos e escuros, vestindo um terno, apoia suas mãos e cotovelos sobre a bancada de um bar. O estabelecimento está vazio. No balcão, vê-se somente um copo de água. O homem olha diretamente para a câmera, com a cabeça ligeiramente baixa e uma das sobrancelhas levantadas." width="2074" height="1167" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg 2074w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27381" class="wp-caption-text">Antes de chegar ao Festival É Tudo Verdade, Navalny foi destaque na edição deste ano do Festival Sundance de Cinema, onde foi premiado nas categorias de Documentário Americano e Favorito do Festival (Foto: Fishbowl Films)</figcaption></figure>
<p><b>Navalny (Idem, Daniel Roher, EUA, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 20 de agosto de 2020, Alexei Navalny, principal opositor ao atual governo russo de Putin, foi </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54024050"><span style="font-weight: 400;">envenenado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um voo de Tomsk para Moscou. O ativista sobreviveu ao ocorrido, cujo principal suspeito, para a opinião pública, era o próprio presidente do país. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Daniel Roher, acompanha metodicamente os passos de Alexei durante esse árduo período, figurando às câmeras a extensa investigação – que ele conduziu por conta própria – em busca dos responsáveis pelo atentado, e a sua admirável bravura de, mesmo após ser vítima de tamanha barbaridade, </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/02/02/alexei-navalny-e-condenado-a-prisao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">retornar ao seu país</span></a><span style="font-weight: 400;"> para lutar pela democracia e dignidade do povo russo. Admirável bravura? Será mesmo?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensação agridoce permeando todos os 98 minutos do documentário que é difícil de ignorar. Roher rotula </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;"> como um </span><i><span style="font-weight: 400;">‘thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">documental’, e, de fato, ele se mune de inúmeras estratégias narrativas para construir sua história. Então, se a produção quer te passar tristeza, indignação, raiva, ele o fará da maneira mais exagerada e artificial possível. A trilha sonora derivativa, o foco constante em rostos chorosos, as imagens em preto-e-branco retiradas de jornais, acompanhadas por uma narração canastrona; é uma quantidade de escolhas tão batidas que não apenas obstruem a mensagem passada, como também romantizam a figura deste homem, que está longe de ser </span><a href="https://www.wort.lu/pt/mundo/alexei-navalny-nacionalista-xen-fobo-ou-liberal-pr-ocidente-601a85b2de135b9236be9766"><span style="font-weight: 400;">incontestável</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que Navalny é considerado defensor dos direitos humanos e um exemplo na luta contra o </span><a href="https://www.esquerda.net/dossier/repressao-corrupcao-e-apoio-extrema-direita-o-reinado-de-putin-visto-pelo-esquerdanet/79955"><span style="font-weight: 400;">imperialismo russo</span></a><span style="font-weight: 400;">, suas principais pautas são a corrupção e degradação do sistema político, </span><a href="https://theintercept.com/2021/08/03/corrupcao-como-lava-jato-ainda-ajuda-bolsonaro/"><span style="font-weight: 400;">muito comuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre expoentes da extrema-direita. Um admirador ferrenho dos Estados Unidos, que iniciou sua trajetória política apoiado em discursos reacionários, nacionalistas e racistas – algumas falas que, inclusive, ele </span><a href="https://www.theguardian.com/world/2017/apr/29/alexei-navalny-on-putins-russia-all-autocratic-regimes-come-to-an-end"><span style="font-weight: 400;">ainda reivindica</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao invés de esconder essa faceta do espectador, faz pior. Quando Alexei diz que dialogaria tranquilamente com um nazista e vangloria-se de sua capacidade de &#8216;</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/02/paises-impoem-diferentes-limites-entre-apologia-do-nazismo-e-liberdade-de-expressao.shtml"><span style="font-weight: 400;">dialogar</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8216; com os ‘dois lados’, Roher comete a atrocidade de relativizar a fala, intercalando-a com mais um retrato heróico e imaculado. Quando sobem os créditos e cessa a tortura, apenas resta um pensamento: esse filme só poderia ser americano. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27382" aria-describedby="caption-attachment-27382" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg" alt="Cena do documentário Os Caras do Estreito, mostra 5 homens segurando uma bandeira em uma linha de trem. Está de dia e o redor é verde e arborizado, a bandeira é branca com círculo azul e triângulos amarelos. " width="2000" height="1126" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27382" class="wp-caption-text">O filme tem direção de Rick Minnich e roteiro assinado por ele ao lado de Matt Sweetwood (Foto: Torero Film)</figcaption></figure>
<p><b>Os Caras do Estreito (The Strait Guys, Rick Minnich, Alemanha/Finlândia/Canadá, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor Rick Minnich quer fazer sua presença ser notada. Abrindo com uma explicação das intenções e particularidades de sua própria obra, o americano residente de Berlim conta que o projeto está localizado em um lugar próximo do coração, afinal, é uma encruzilhada que dura anos e anos. No documentário, acompanhamos um engenheiro idoso que tenta a todo custo colocar em prática o plano da construção de um túnel, a </span><a href="https://www.intercontinentalrailway.com/"><span style="font-weight: 400;">InterContinental Railway</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conecte Alaska e Rússia. É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49437-The-Strait-Guys"><span style="font-weight: 400;">sonho febril</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo para a época em que foi desenhado pela primeira vez, quando Abraham Lincoln ainda respirava. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as Guerras Mundiais e o embate soviético e norte-americano que as sucederam, o plano parecia cada vez mais pender para a ficção. Milhares de dólares são gastos, reuniões são agendadas e realizadas, viagens são marcadas e discursos, dados. No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem tara em documentar o fracasso, em capturar homens brancos, bem-afortunados e mesquinhos tendo seus prazeres mais latentes negados. O passado é contrariado, mas a </span><a href="https://jcconcursos.com.br/noticia/brasil/guerra-na-ucrania-ja-causou-danos-de-100-bilhoes-de-dolares-entenda-92670"><span style="font-weight: 400;">invasão russa na Ucrânia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é apenas mais um indicativo que a nação pouco se interessa em conectar suas terras às dos Estados Unidos. Agora, só falta alguém contar isso para a galera que realizou esse filme. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27383" aria-describedby="caption-attachment-27383" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg" alt="Cena em preto-e-branco do filme Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro, em que um homem negro, vestindo um terno e chapéu, olha para frente com atenção. Logo atrás dele, vê-se outros dois homens. Um deles manuseia uma câmera de filmagem antiga, e o outro, mais ao fundo, observa os dois." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27383" class="wp-caption-text">O documentário é composto por diversos trechos de diferentes obras de Oscar Micheaux, servindo também como uma ótima apresentação do cineasta a novos públicos (Foto: Quoiat Films)</figcaption></figure>
<p><b>Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro (Oscar Micheaux: The Superhero of Black Fimmaking, Francesco Zippel, Itália, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da seleção do Festival de Cannes de 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro</span></i><span style="font-weight: 400;"> parte de uma tendência particular. Em um período como o que vivemos, em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">obras ficcionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/lovecraft-country-critica/"><span style="font-weight: 400;">Televisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxeram à luz partes da história dos Estados Unidos que haviam sido apagadas na vida real, e documentários como </span><a href="https://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são reconhecidos por todas as premiações possíveis, o diretor Francesco Zippel dá atenção à carreira do </span><a href="https://www.memoriascinematograficas.com.br/2018/11/oscar-micheaux-o-primeiro-cineasta-negro.html"><span style="font-weight: 400;">primeiro cineasta negro</span></a><span style="font-weight: 400;"> das Américas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comparações com </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Sam Pollard são constantes, entretanto, elas nunca têm o intuito de desmerecê-lo. Na verdade, o ponto é exatamente demonstrar como Micheaux influenciou as convenções do Cinema negro desde a sua base, mesmo que por vezes a indústria tenha o desmerecido ou encoberto seu legado. De </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-metodo-kominsky-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Morgan Freeman</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Chuck D., diversas figuras importantes para a cultura negra dão sua contribuição e visão a respeito da obra do diretor, formando praticamente uma catarse e celebração coletiva à herança deixada por Micheaux.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Zippel mergulha nos aspectos mais intrigantes dos filmes de Micheaux, que construiu sua carreira no cinema mudo dos anos 20, quando filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Nascimento de uma Nação</span></i> <a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151230_kkk_aniversario_tg"><span style="font-weight: 400;">ferviam o ódio racial</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos EUA. O papel dele nesse contexto foi pivotal, com sua cinematografia experimental e impetuosa, e suas narrativas disruptivas que, a partir de uma perspectiva subversiva, desafiavam tanto o racismo quanto as barreiras de linguagem da Sétima Arte. Lançado no 70º aniversário de Oscar Micheaux, Zippel o eterniza através de um documentário primordial e latente. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27384" aria-describedby="caption-attachment-27384" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg" alt="Cena do filme O Território. A imagem mostra uma pessoa dirigindo uma moto vermelha ao centro. Ela atravessa uma mata por uma trilha e algumas árvores ao redor estão pegando fogo." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27384" class="wp-caption-text">“O território é uma ilha de floresta cercada de fazendas” (Foto: National Geographic)</figcaption></figure>
<p><b>O Território (The Territory, Alex Pritz, Brasil/Dinamarca/Estados Unidos, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de Alex Pritz era uma das </span><a href="https://agenciacenarium.com.br/coproduzido-por-indigenas-de-ro-filme-sobre-defesa-de-territorios-ganha-1a-exibicao-no-brasil-cinema-lotado-e-com-fila-de-espera/"><span style="font-weight: 400;">obras mais esperadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da seleção de 2022 do É Tudo Verdade. Vindo do Festival de Sundance, onde foi agraciado com o Prêmio do Público e com o Prêmio Especial do Júri e adquirido para a distribuição poderosa do </span><i><span style="font-weight: 400;">National Geographic</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme encontrou salas de cinema lotadas em São Paulo e o lugar de honra como obra de encerramento da 27ª edição do maior festival de Cinema documental do mundo. E depois de finalmente apreciá-lo, é entendido que nenhum aspecto dessa aclamação toda é em vão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal motivo, talvez, seja pela capacidade de compreensão do fato que deve estar no horizonte de quem se propõe a registrar a realidade: o debate ambiental e indígena passou de um mero assunto dentre tantos outros que acompanham a existência humana no mundo para ser agora uma questão de sobrevivência. Com essa consciência, o diretor se estabeleceu na Amazônia da tribo </span><a href="http://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/ro-terra-indigena-uru-eu-wau-wau-sofre-invasoes-desde-1980/"><span style="font-weight: 400;">Uru-eu-wau-wau</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os anos de 2018 e 2021, a fim de aproximar o espectador do conflito local, que se revela também, como todo bom brasileiro de 2022 já deve saber, como o embate de outras centenas de povos indígenas do país: a disputa por território e demarcação de terras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, as belas paisagens da fotografia que Alex Pritz divide com Tangãi Uru-eu-wau-wau (em apenas uma das instâncias do filme cujo crédito também vai para a tribo que o protagoniza) não relevam em momento algum a gravidade do debate de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Território</span></i><span style="font-weight: 400;">, que toma parte também das associações de agricultores e fazendeiros (a outra parte do embate pela terra), ambientalistas e lideranças indígenas. Tudo como forma de divulgar para o mundo uma das </span><a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-monitoramento/conflitos-deflagram-urgencia-na-desintrusao-de-invasores-em-terras-indigenas"><span style="font-weight: 400;">maiores urgências</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país que abriga o seu pulmão. E se o filme está fazendo isso junto do povo que vive essa realidade e essa luta em carne e osso, pelo menos um território está sendo garantido. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27385" aria-describedby="caption-attachment-27385" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg" alt="Cena do filme Quando Falta o Ar. A imagem mostra uma cabana de madeira, onde existe uma janela no lado esquerdo. Através dela, podemos observar uma mãe com uma criança no colo. Ela está esticando sua mão para fora da janela, em direção ao lado direito da imagem, a fim de alcançar uma profissional de saúde. Ela está do outro lado da imagem, apoiado na porta da cabana, usando roupas brancas que a cobrem da cabeça aos pés. Na madeira da cabana, existem traços de lodo." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27385" class="wp-caption-text">Premiado na categoria dos longas brasileiros, Quando Falta o Ar encontra fôlego para falar sobre a pandemia de covid-19 no Brasil (Foto: Clementina Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Quando Falta o Ar (Ana Petta e Helena Petta, Brasil, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2022 não teve como fugir: o assunto principal ainda é </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,quando-falta-ar-acompanha-a-linha-de-frente-do-sus-no-pior-momento-da-pandemia,70004028843"><span style="font-weight: 400;">a pandemia</span></a><span style="font-weight: 400;">, como pontuou o Festival É Tudo Verdade ao premiar </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Falta o Ar</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a honraria máxima da seção dos longas-metragens brasileiros. No filme de Anna e Helena Petta, conhecemos de perto a realidade da linha de frente no combate à covid-19, através do cotidiano dos profissionais do maior sistema de saúde público do mundo que se estabelece num país desgovernado em plena crise sanitária mundial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diferença do filme em questão para todos os outros que se propõe a retratar esse contexto e suas particularidades locais, no entanto, é a sensibilidade das diretoras para com as sutilezas do dia a dia que revelam interseção complexa entre saúde, religiosidade, desigualdade, classismo e racismo que fundamentam </span><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/pandemia-e-desigualdade-social-a-defesa-dos-vulneraveis-no-sistema-de-justica-05102020"><span style="font-weight: 400;">o Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> que conhecemos. Para o período sufocante que se mostrou um dos mais difíceis da nossa história recente, o documentário encontra fôlego para processar o que tentamos superar desde março de 2020. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27386" aria-describedby="caption-attachment-27386" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg" alt="Cena do filme Quem Tem Medo?. A imagem mostra uma cena da peça de teatro “O Evangelho Segundo Jesus”. O fundo é escuro, e a imagem é iluminada apenas por uma fileira de velas que aparece do centro em direção ao lado direito da imagem. No lado esquerdo, existe uma mulher de cabelos longos ondulados da qual podemos ver apenas o corpo, coberto por um vestido brilhoso prateado. A mão direita dela está sobre um caixão branco, do qual aparece apenas um pedaço, no canto esquerdo da imagem." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27386" class="wp-caption-text">Em imagens melancólicas e depoimentos amargos, Quem Tem Medo? busca interpretar a ascensão da extrema-direita no Brasil através da censura às artes (Foto: Multiverso)</figcaption></figure>
<p><b>Quem Tem Medo? (Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas são as óticas para analisar a ascensão da extrema-direita no Brasil. Para Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, a melhor delas é através da Arte. Desde 2017, as produções artísticas e demais manifestações culturais têm sido alvo de </span><a href="https://conexao.ufrj.br/2017/10/o-que-esta-por-tras-da-censura-a-arte-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte das classes conservadoras do país, e quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência em 2018, o movimento apenas se intensificou. Na trava do conflito entre a Arte e a Política, está a observação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Medo?</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para construir seu raciocínio, o documentário traz os testemunhos de diversos artistas que passaram se não por episódios diretos de censura, ameaças, repreensões, perseguições por seus trabalhos transgressores. Desviando do caminho incongruente de discutir os méritos das obras artísticas em si, o filme se dedica a procurar a raiz da repressão direitista, com a ajuda de registros documentais de algumas ações das instituições democráticas. Sem muito comprometimento com a obviedade das questões que levanta e com a amplitude de seu tema inicial, no entanto, a pergunta que fica é: </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/censura-as-artes-nao-e-nova-na-historia-e-vai-alem-de-ditaduras/"><i><span style="font-weight: 400;">por que o medo?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27387" aria-describedby="caption-attachment-27387" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg" alt="Cena do documentário Retratos do Futuro. A imagem é em preto e branco e tem efeito granulado. A foto mostra um trecho de avenida em uma cidade suja e deserta. Existem escombros de madeira em toda a parte ao redor da rua. Ao centro, existe uma pessoa caminhando com equipamento de proteção sanitária, da qual pode-se enxergar apenas o contorno." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27387" class="wp-caption-text">Além de integrar a seleção do Festival É Tudo Verdade, a produção 100% independente de Retratos do Futuro também chegou ao Festival Internacional de Documentários de Amsterdam (IDFA) 2022 (Foto: Virna Molina)</figcaption></figure>
<p><b>Retratos do Futuro (Retratos del Futuro, Virna Molina, Argentina, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A realidade pode ser bem mais assustadora do que qualquer ficção, e </span><a href="https://vertentesdocinema.com/retratos-do-futuro/"><span style="font-weight: 400;">Virna Molina</span></a><span style="font-weight: 400;"> sabe bem disso. Em seu filme mais recente, a documentarista argentina teve de lidar com a mudança de planos que a pandemia de covid-19 impôs ao mundo, o que, na verdade, acabou significando de forma ainda mais profunda suas intenções com o documentário. Inicialmente, ela registrava a resistência das trabalhadoras de Buenos Aires, mas a propagação do (nem tão) novo coronavírus interrompeu as atividades do filme e a vida de algumas das suas protagonistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, diante das circunstâncias postas em março de 2020, Molina viu o presente se concretizar a partir do que antes ela imaginava como uma espécie de futuro distópico. Tão abstrata quanto a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=23QfFgTjSC8"><span style="font-weight: 400;">reflexão filosófica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ruma a obra denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">Retratos do Futuro</span></i><span style="font-weight: 400;">, a leitura do filme passa a ser direcionada por uma digressão de Virna. Orientada por alguns registros prévios, outros pandêmicos, e muitos históricos, ela apresenta uma linguagem verbal e visual meticulosa para suas imagens em preto e branco, que concretiza um tom macabro e assustador ao filme. E por mais etéreas e sintéticas que as cenas possam parecer, tudo aquilo não passa nossa realidade. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27388" aria-describedby="caption-attachment-27388" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg" alt="Cena do filme Sinfonia de um Homem Comum. A imagem mostra um senhor branco de cabelos grisalhos sentado à frente de um piano. Ele está de perfil, virado para o lado esquerdo. Ele usa uma camisa azul clara e óculos marrom. O piano é preto e está numa sala. Ao fundo, em desfoque, existem móveis como cadeiras e quadros na parede. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27388" class="wp-caption-text">Menção honrosa da competição de longas brasileiros, Sinfonia de um Homem Comum traz a participação dos exs-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula (Foto: Coevos Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Sinfonia de um Homem Comum (José Joffily, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um homem que de comum não tem nada tocando uma sinfonia que não é dele. Contrariando todas as expectativas que suscita, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinfonia de um Homem Comum</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta a história de José Maurício Bustani, o brasileiro que foi o primeiro diretor geral da </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/organizacao-para-proibicao-das-armas-quimicas-ganha-nobel-da-paz.html#:~:text=A%20Opaq%20(Organiza%C3%A7%C3%A3o%20para%20a,os%20arsenais%20qu%C3%ADmicos%20pelo%20mundo."><span style="font-weight: 400;">OPAQ</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Organização para a Proibição de Armas Químicas). Em uma gestão firme com o objetivo da instituição e imparcial diante das influências externas, o período de sua liderança foi iniciado em 1997 e encerrado em 2002, pela pressão dos Estados Unidos, quando às vésperas da guerra no Iraque, Bustani identificou a inconsistência para a </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/invasao-americana-no-iraque.htm"><span style="font-weight: 400;">invasão</span></a><span style="font-weight: 400;"> da potência norte-americana no país do Oriente Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É, a premissa do filme nada tem a ver com a música, e esse elemento segue desconectado do resto da narrativa até o fim. Sua única inclusão na narrativa é como a atividade que ocupa o tempo da aposentadoria de Bustani, que 19 anos depois do fim de sua carreira na instituição, vê as mesmas situações acontecendo nas mesmas instituições. Assim, a referência passa a ser mais subjetiva, já que assim como as peças musicais, a história e atuação da humanidade no mundo se repetem em alguns aspectos &#8211; e esse acaba sendo o triunfo do filme de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XbptlEYasno"><span style="font-weight: 400;">José Joffily</span></a><span style="font-weight: 400;">, que recebeu menção honrosa dentre os selecionados para a competição de longas nacionais do É Tudo Verdade 2022. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27389" aria-describedby="caption-attachment-27389" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg" alt="Cena do filme Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue, que mostra uma fotografia granulada em preto e branco de duas garotas. Uma permanece sentada e a outra se escora no corpo da outra menina, apoiando a cabeça com as mão direita." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27389" class="wp-caption-text">Produzido em colaboração com sua mãe, Claudie Hunzinger, o filme de Robin Hunzinger recebeu uma menção honrosa do Festival É Tudo Verdade na categoria Longas ou Médias-Metragens da Competição Internacional (Foto: ANA Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue (Ultraviolette et le Gang des Cracheuses de Sang, Robin Hunzinger, França, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensibilidade pujante na forma com que Robin Hunzinger grava simples fotografias. Os pequenos fragmentos de recordações perdidas em que ele foca persistentemente – imagens retiradas de um cofre trancado a sete chaves – parecem dispersos, borrados, fora do nosso alcance, arrancados de um passado jamais revisitado. Porém, ironicamente, ao mesmo tempo que observá-las parece à primeira vista inapropriado, aqueles documentos e escritos carregam consigo um sentimento de novidade e refrescância estreitamente conectada à </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-sex-lives-of-college-girls-critica/"><span style="font-weight: 400;">experiência da adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recorte íntimo e pessoal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencial. A narrativa do documentário gira em torno das cartas, fotografias e relatos da falecida avó de Robin, Emma, a respeito de um relacionamento que ela cultivou na juventude com uma garota chamada Michelle. O que pode parecer somente uma relação de companheirismo, não demora a revelar-se como um romance adolescente, com direito a todas as suas peculiaridades. No entanto, a conexão é posta em perigo no momento em que Michelle </span><a href="https://redetb.org.br/historia-da-tuberculose/"><span style="font-weight: 400;">contrai tuberculose</span></a><span style="font-weight: 400;"> e é submetida a um sanatório, quando as duas passam a se comunicar somente por cartas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A garota, então, decide abraçar sua condição e transformar isso, junto a outras, em uma bandeira. A personalidade de Michelle, mesmo que limitada por poucas fotos, ecoa com potência por todo o longa, e a presença das Cuspidoras de Sangue personifica a rebeldia e visceralidade inerentes à </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><span style="font-weight: 400;">vivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando rosto a essas dores – corporificadas por lembranças materiais. A fotografia minimalista e inventiva consegue costurar majestosamente os dois temas e, no seu papel como mero observador, o diretor conclui, ao fim, que são apenas memórias que nos restam. Afinal, o que fazer com elas? Hunzinger decidiu transformá-las em Arte. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27390" aria-describedby="caption-attachment-27390" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27390" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg" alt="Cena do filme Vento na Fronteira. A imagem mostra um protesto indígena no Palácio do Planalto, em Brasília. Existem muitas pessoas espalhadas pelo gramado do local e uma fumaça branca preenche a imagem de fora a fora. Ao centro, existe um indígena caminhando em direção ao lado direito da imagem, segurando uma lança e usando um cocar. No lado esquerdo, existe uma outra pessoa carregando um caixão preto." width="1536" height="811" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1024x541.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-768x406.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1200x634.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27390" class="wp-caption-text">O longa Vento na Fronteira é parte da seção O Estado das Coisas, que abarca obras com viés jornalístico e informativo (Foto: Laboratório Cisco)</figcaption></figure>
<p><b>Vento na Fronteira (Mariana Weis e Laura Faerman, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a relação entre os povos indígenas com os produtores ruralistas gera um dos conflitos mais urgentes nas cinco regiões do nosso país, tudo se intensifica no lugar que abriga o coração do agronegócio brasileiro. Colocando suas câmeras na região da violenta fronteira do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/10/entenda-onda-de-violencia-que-impoe-medo-na-fronteira-do-brasil-com-o-paraguai.shtml"><span style="font-weight: 400;">Brasil com o Paraguai</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mariana Weis e Laura Faerman capturam a dinâmica de crescimento e exercício de força da política ruralista, fortalecida pelo governo Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que observam a insurgência das lideranças indígenas em sua luta pela terra, pelo seu povo e pela natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> existe em meio aos extremos, mas a câmera próxima das diretoras, por sua vez, faz dessa característica um dos pontos altos do filme: adentrando desde os espaços íntimos de mobilização do povo </span><a href="https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Guarani_Kaiow%C3%A1"><span style="font-weight: 400;">Guarani-Kaiowá</span></a><span style="font-weight: 400;"> até as discussões estratégias dos grupos ruralistas, o documentário subverte uma linguagem que inicialmente poderia sugerir uma falsa neutralidade para destacar as intenções e interesses dos lados em disputa. Numa boa contemplação do óbvio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe de qual lado está. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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		<title>O sertão deságua nos conflitos de Acqua Movie</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2021 13:26:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Em 2005, Árido Movie viajou pelas estradas sertanejas com muita maconha, pouca água e informação em excesso. Com Guilherme Weber, Giulia Gam e Selton Mello, o longa do cineasta pernambucano Lírio Ferreira traçou seu caminho até Veneza e ficou marcado com muito afeto na filmografia do diretor. 16 anos depois, chega aos cinemas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/acqua-movie-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O sertão deságua nos conflitos de Acqua Movie"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21585" aria-describedby="caption-attachment-21585" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21585 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_230118_©FredJordao_2270-scaled.jpg" alt="Cena de Acqua Movie. Alessandra Negrini e Antonio Haddad estão dentros de um carro, ela está no volante e ele no passageiro. Alessandra é uma mulher branca, de cabelos castanhos na altura dos ombros. Ela usa uma regata, pulseiras de miçanga no braço esquerdo e possui uma tatuagem de âncora no braço direito. Ela sorri. Antonio a observa. Ele é um menino de 13 anos, branco, de cabelos loiros e lisos. Ele usa uma regata branca. Pela janela do carro, vemos uma paisagem seca, com árvores bem ao fundo." width="2560" height="1709" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_230118_©FredJordao_2270-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_230118_©FredJordao_2270-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_230118_©FredJordao_2270-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_230118_©FredJordao_2270-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_230118_©FredJordao_2270-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_230118_©FredJordao_2270-2048x1367.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_230118_©FredJordao_2270-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21585" class="wp-caption-text">Lírio Ferreira é diretor de Baile Perfumado, um dos filmes pioneiros na Retomada do Cinema pernambucano (Foto: Chá Cinematográfico)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2005, </span><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra67309/arido-movie"><i><span style="font-weight: 400;">Árido Movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> viajou pelas estradas sertanejas com muita maconha, pouca água e informação em excesso. Com Guilherme Weber, Giulia Gam e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-nova-onda-do-imperador-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Selton Mello</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa do cineasta pernambucano </span><a href="https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2021/06/05/lirio-ferreira-faz-sertao-virar-mar-em-acqua-movie.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Lírio Ferreira</span></a><span style="font-weight: 400;"> traçou seu caminho até </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,longa-brasileiro-arido-movie-e-exibido-em-veneza,20050908p2878"><span style="font-weight: 400;">Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ficou marcado com muito afeto na filmografia do diretor. 16 anos depois, chega aos cinemas </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/02/diretor-opoe-aridez-e-informacao-em-acqua-movie.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Acqua Movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma espécie de continuação espiritual da história, mas, desta vez, ambientada na liquidez das obras de transposição do Rio São Francisco.</span></p>
<p><span id="more-21582"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os personagens do longa de 2005, apenas Jonas, o protagonista, retorna – o mais sem graça, diga-se de passagem, pois adoraríamos rever </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4oJ9MHgW8DQ"><span style="font-weight: 400;">Bob</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas telas. Dessa vez, no entanto, Weber ganha apenas algumas cenas e, como em um ciclo que liga as duas obras, repete o feito de seu pai no filme anterior, girando as primeiras engrenagens da nova narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_21583" aria-describedby="caption-attachment-21583" style="width: 2362px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21583 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-47.jpg" alt="A imagem retangular é foto dos bastidores de Acqua Movie. À esquerda, vemos a atriz Alessandra Negrini, uma mulher branca de cabelos castanhos escuros e curtos, com uma camisa azul aberta e uma bolsa por cima. Ela olha para a esquerda com um olhar apreensivo. À direita e atrás de Alessandra, vemos Lírio Ferreira, um homem branco mais velho, de boné, óculos preto, uma barba grisalha e camiseta verde. Ele posiciona as duas mãos abertas com os polegares formando um quadrado, para poder posicioná-la. Os dois são vistos da cintura para cima. Ao fundo podemos ver uma grande prateleira de madeira marrom escuro." width="2362" height="1567" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-47.jpg 2362w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-47-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-47-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-47-768x510.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-47-1536x1019.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-47-2048x1359.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-47-1200x796.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21583" class="wp-caption-text">A cidade de Salgueiro, onde parte do filme foi filmada, fica a exatamente 500km de várias capitais do Nordeste (Foto: Chá Cinematográfico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O protagonismo, então, se estabelece nas figuras de Alessandra Negrini e Antonio Haddad, mãe e filho que partem em uma viagem de reconexão familiar para espalhar as cinzas na cidade natal do recém-falecido Jonas. Duda e Cícero, respectivamente, tentam lidar com o afastamento latente que os separa enquanto enfrentam as quase perpétuas mazelas do sertão nordestino, que se encontra em uma mudança de paisagem proporcionada pelos </span><a href="https://g1.globo.com/natureza/desafio-natureza/noticia/2019/12/21/com-mais-de-90percent-da-transposicao-concluida-impactos-ambientais-no-rio-sao-francisco-ainda-sao-incertos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">canos jorrando água e os rios artificiais</span></a><span style="font-weight: 400;"> gerados pela transposição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filmado em 2017 pelas cidades de São Paulo, Salgueiro, Cabrobó e pelos arredores do </span><a href="https://apublica.org/2017/10/os-lados-do-poligono-da-maconha/"><span style="font-weight: 400;">Polígono da Maconha</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Acqua Movie</span></i><span style="font-weight: 400;"> se encontra e se perde em suas tramas na mesma medida. O relacionamento de Duda e Cícero é, de longe, o ponto alto do filme, não só pela atuação magistral de Negrini, como também pela dedicação do roteiro de Lírio Ferreira e Marcelo Gomes em nos fazer adentrar as duas versões da história: Cícero, abandonado pela mãe; Duda, tentando equilibrar o lado materno com o profissional.</span></p>
<p><a href="https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/cultura/2021/06/796022-com-acqua-movie--lirio-ferreira-traz-um-banho-no-sertao-nordestino.html"><span style="font-weight: 400;">O sexto longa de Ferreira</span></a><span style="font-weight: 400;"> também faz considerações certeiras e extremamente atuais sobre a situação política do interior semi-árido brasileiro. O coronelismo, concentrado na figura asquerosa de Múcio, prefeito de Nova Rocha, é explorado em todas as suas nuances, assim como o anterior </span><i><span style="font-weight: 400;">Árido Movie</span></i><span style="font-weight: 400;"> se propôs a discutir o messianismo. Interpretado por Augusto Madeira, Múcio é quase um vilão caricato de filme infantil. Não que isso seja uma crítica – na verdade, o personagem é completamente transparente em sua ignorância.</span></p>
<figure id="attachment_21584" aria-describedby="caption-attachment-21584" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21584 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_MatheusBrant-36-scaled.jpg" alt="A imagem retangular é uma cena de Acqua Movie. Centralizado e à esquerda, vemos Augusto Madeira, um homem jovem, de cabelo castanho raspado e com entradas, um bigode e barbicha, camisa azul e relógio prateado está sentado numa cadeira e é visto da cintura para cima. Ele olha para a direita da imagem, onde se vê uma mulher sentada de costas e com um efeito desfocado. Ao fundo vemos uma parede bege e ao lado palmeiras e um céu azul desfocadas." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_MatheusBrant-36-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_MatheusBrant-36-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_MatheusBrant-36-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_MatheusBrant-36-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_MatheusBrant-36-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_MatheusBrant-36-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_MatheusBrant-36-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21584" class="wp-caption-text">Muito mudou de Árido Movie até Acqua Movie, mas a politicagem continua a mesma (Foto: Chá Cinematográfico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Através do simbolismo de uma faca com a bandeira do Brasil na mão de uma criança, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/acqua-movie-novo-filme-de-lirio-ferreira-previu-dramas-de-um-brasil-sob-bolsonaro.shtml?origin=folha"><span style="font-weight: 400;">Lírio Ferreira foi premonitório</span></a><span style="font-weight: 400;"> em relação ao que o país viria a se tornar. No entanto, se </span><i><span style="font-weight: 400;">Acqua Movie</span></i><span style="font-weight: 400;"> acerta em seus dois primeiros núcleos, é a trama que envolve os povos indígenas que deixa a desejar. Alessandra Negrini, ferrenha defensora da causa indígena, não se cansa de se envolver em projetos ambíguos que tratam do tema – </span><a href="https://personaunesp.com.br/cidade-invisivel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Invisível</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">também foi alvo de críticas pela má representação da cultura desses povos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A bola da vez está em Duda, a documentarista empenhada na divulgação do movimento indígena que ganha muito mais voz ao discutir a causa do que seus próprios protagonistas. O resultado é um filme que falha ao entender verdadeiramente o </span><i><span style="font-weight: 400;">ser</span></i><span style="font-weight: 400;"> indígena e cai na falácia de que, no fundo, todos somos </span><i><span style="font-weight: 400;">“índios”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na realidade, o Brasil está em débito com os povos originários há muito tempo, e projetos como o </span><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2020/06/02/o-que-e-o-marco-temporal-e-como-ele-impacta-indigenas-brasileiros.htm"><span style="font-weight: 400;">Marco Temporal</span></a><span style="font-weight: 400;"> apenas provam que a causa ainda é invisibilizada e atacada dentro de seu próprio território. Afinal, o Brasil inteiro é terra indígena.</span></p>
<figure id="attachment_21586" aria-describedby="caption-attachment-21586" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21586 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_©FredJordao.jpg" alt="A imagem retangular é uma cena de Acqua Movie. Vemos uma imagem de um céu azul e com uma grande nuvem espaçada e cinza que cobre e ofusca o sol, sendo espelhada no rio que corta a imagem em dois, repetindo o mesmo padrão, porém de forma invertida. Ao centro vemos Antonio Haddad sentado e cortado pela metade já que seu corpo está debaixo da água, apenas com os dois joelhos aparecendo de seus membros inferiores. Também vemos algumas árvores secas e retorcidas subindo da água ao fundo." width="1024" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_©FredJordao.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_©FredJordao-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_©FredJordao-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21586" class="wp-caption-text">Acqua Movie contou com a participação dos povos Truká e Pankararus, mas falhou em representar devidamente a profundidade dessas comunidades (Foto: Chá Cinematográfico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos aspectos técnicos, o filme sabe bem como se portar. Como um </span><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa de Lírio Ferreira captou perfeitamente a beleza inóspita do sertão nordestino sempre em movimento por suas estradas. O plano no </span><a href="http://panoramacultural.com.br/a-historia-da-usina-hidroeletrica-de-itaparica/"><span style="font-weight: 400;">Lago de Itaparica</span></a><span style="font-weight: 400;">, que representa a antiga e  já afundada cidade de Rocha, carrega um misticismo único ao retratar a submersa Igreja do Sagrado Coração de Jesus, responsável por deixar ainda mais evidente </span><a href="https://ims.com.br/blog-do-cinema/acqua-movie-por-jose-geraldo-couto/"><span style="font-weight: 400;">a água como uma personagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> simbólica dentro da narrativa.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Acqua Movie </span></i><span style="font-weight: 400;">é um filme de boas intenções e muitas confusões pelo caminho. Lírio Ferreira vai além da simples extensão dos temas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Árido Movie</span></i><span style="font-weight: 400;"> e reinventa seu próprio universo, sempre muito bem acompanhado do cenário sertanejo – com o qual o diretor possui uma familiaridade singular. Apesar dos atrasos no lançamento devido à pandemia, é exatamente em suas contradições que a obra se encaixa com o ano de 2021, por bem ou por mal. Depois de uma filmografia árida, </span><a href="https://necct.org/blogs/lirio-ferreira-faz-sertao-virar-mar-em-acqua-movie"><span style="font-weight: 400;">o sertão enfim vira mar</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o cineasta pernambucano.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Acqua Movie - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1s6CEn6Hz9Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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