<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Pixinguinha &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/pixinguinha/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/pixinguinha/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 17 Feb 2022 20:35:06 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Pixinguinha &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/pixinguinha/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>O folclore sou eu: Heitor Villa-Lobos e a Música Modernista</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Feb 2022 19:10:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[100 anos]]></category>
		<category><![CDATA[1922]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Bachianas Brasileiras]]></category>
		<category><![CDATA[Bossa Nova]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Centenário]]></category>
		<category><![CDATA[Chorinho]]></category>
		<category><![CDATA[Choro]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Folclore]]></category>
		<category><![CDATA[Folclore brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Heitor Villa-Lobos]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Música clássica]]></category>
		<category><![CDATA[Música Clássica Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Música Modernista]]></category>
		<category><![CDATA[Música Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[O Trenzinho Caipira]]></category>
		<category><![CDATA[Pixinguinha]]></category>
		<category><![CDATA[Semana de 22]]></category>
		<category><![CDATA[Semana de Arte Moderna]]></category>
		<category><![CDATA[Semana de Arte Moderna no Persona]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=26038</guid>

					<description><![CDATA[<p>Na Semana de 1922, o maestro já demonstrava seu esforço em trazer elementos do folclore brasileiro à Música Clássica Bruno Andrade No dia 17 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo, o público acomodou-se de forma lenta e espaçada, aguardando a apresentação de um músico carioca, tido como o mais conceituado da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O folclore sou eu: Heitor Villa-Lobos e a Música Modernista"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/">O folclore sou eu: Heitor Villa-Lobos e a Música Modernista</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Na Semana de 1922, o maestro já demonstrava seu esforço em trazer elementos do folclore brasileiro à Música Clássica</em></p>
<figure id="attachment_26040" aria-describedby="caption-attachment-26040" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-26040 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1.jpg" alt="Foto em preto e branco do maestro Heitor Villa-Lobos. Na foto, Heitor Villa-Lobos está sentado em um piano, com a mão direita sobre as teclas, inclinado à lateral, com a cabeça virada para a direita. Ele está com um charuto na boca. Villa-Lobos é um homem branco, veste um terno de cor cinza com listras de cor branca e possui cabelos pretos e lisos com mechas grisalhas. O piano é de cor preta." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26040" class="wp-caption-text">Tido como o principal musicista da Semana de Arte Moderna, Heitor Villa-Lobos teve repercussão internacional, marcando-o como o maior maestro e compositor clássico brasileiro (Foto: Acervo Museu Villa-Lobos)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 17 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo, o público acomodou-se de forma lenta e espaçada, aguardando a apresentação de um músico carioca, tido como o mais conceituado da </span><a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2022/02/11/semana-de-arte-moderna-de-22-reportagens-e-documentarios-mostram-legado-do-movimento-cultural-em-sao-paulo-e-no-brasil.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Semana de Arte Moderna</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um dos maestros brasileiros mais promissores já à época do evento. O musicista fazia parte de três dias da programação da Semana, e, ao ser convidado para integrá-la, estava às vésperas de completar 35 anos. Para sua estreia no palco paulistano, ele selecionou o que de mais representativo havia produzido em </span><a href="https://souzalima.com.br/blog/o-que-e-musica-de-camara/"><span style="font-weight: 400;">música de câmara</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos anteriores. Não demorou para que o compositor, vestindo casaca e calçando, em um pé, sapato, e, no outro, chinelo, surgisse no palco, seguido por vaias e urros de negação. A plateia havia interpretado o uso do chinelo como puro desrespeito; aparentemente, era apenas um machucado no dedão – mas pode bem ser que não fosse. De qualquer forma, o espetáculo pôde enfim começar: </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa11902/heitor-villa-lobos"><span style="font-weight: 400;">Heitor Villa-Lobos</span></a><span style="font-weight: 400;"> chegou.</span></p>
<p><span id="more-26038"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido em 5 de março de 1887, no Rio de Janeiro, Villa-Lobos teve sua consagração através de um esforço em integrar elementos nacionalistas e ritmos ligados à cultura afro-brasileira e indígena, jogando luz a uma faceta da cultura nacional que muitas vezes mantinha-se à margem dos musicistas clássicos. Em suas obras maiores, atingiu um tom ufanista, e misturou complexos padrões rítmicos da Música brasileira com multi-tonalidade, influenciado por </span><a href="https://www.concerto.com.br/noticias/arquivo/acervo-concerto-vida-de-igor-stravinsky"><span style="font-weight: 400;">Stravinsky</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://musicabrasilis.org.br/temas/darius-milhaud-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">Milhaud</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, combinou elementos da Música popular e da tradição musical europeia, impulsionando, invariavelmente, o Brasil na rota da Música Clássica do século XX.</span></p>
<figure id="attachment_26041" aria-describedby="caption-attachment-26041" style="width: 1197px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-26041 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2.jpg" alt="Foto em preto e branco do maestro Heitor Villa-Lobos. Na foto, Heitor Villa-Lobos está regendo uma orquestra. Na mão direita, segura uma batuta de maestro, de cor branca, enquanto a mão esquerda faz um gesto de regência. Ele está vestindo um terno de cor preta. Villa-Lobos é um homem branco, e possui cabelos pretos com mechas grisalhas, em decorrência do tempo. O fundo da imagem é preto." width="1197" height="1266" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2.jpg 1197w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2-756x800.jpg 756w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2-968x1024.jpg 968w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2-768x812.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26041" class="wp-caption-text">Villa-Lobos contrariou a vontade de sua mãe ao entrar na escola de Música, pois seu desejo era que ele se tornasse médico (Foto: Acervo Museu Villa-Lobos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Falar de Villa-Lobos apresenta algumas dificuldades elementares, visto que sua vasta produção musical possui mais de mil obras, e algumas </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/pesquisador-encontra-obra-de-villa-lobos-dos-anos-1930-considerada-perdida/"><span style="font-weight: 400;">sequer foram executadas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao mesmo tempo, mistura-se às dificuldades encontradas em analisar a Semana de Arte Moderna, como a ausência de documentos sobre o evento e a forma destoante que foi interpretado pela sociedade. Durante a Semana, o músico se apresentou em três dias (13, 15 e 17), cujo </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60321269"><span style="font-weight: 400;">episódio marcante</span></a><span style="font-weight: 400;"> – em que surgiu no palco calçando um chinelo solitário – ocorreu somente no terceiro dia de apresentações, com a sala do Theatro Municipal mais vazia que nos dias anteriores. O jeito irreverente do compositor – era chamado pejorativamente de </span><i><span style="font-weight: 400;">“Vira-Loucos” </span></i><span style="font-weight: 400;">– põe em dúvida a existência da possível lesão no pé, mas de nenhuma forma descarta a possibilidade. Ilustra, porém, muito da personalidade de Villa-Lobos: ele foi a junção do popular e do erudito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu pai, Raul Villa-Lobos, foi um bibliotecário e músico amador, que deu o pontapé inicial para introduzir o filho à Música Clássica, após perceber seu talento natural. Aos 6 anos de idade, Heitor já havia aprendido a tocar clarinete e violoncelo, sob supervisão do pai. Não muito tempo depois, quando o futuro maestro tinha apenas 12 anos, Raul faleceu, vítima de malária. Concomitante à morte paterna, a mãe de Villa-Lobos, Noêmia, instituiu regras bastante claras contra os interesses musicais do filho, e declarou que ele deveria se tornar médico. A História diz que, após Villa-Lobos ser proibido de tocar violão – outra de suas paixões –, passou a fugir pela noite para frequentar as rodas de </span><a href="https://musicabrasilis.org.br/temas/choro"><i><span style="font-weight: 400;">choro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (nesse caso, além da proibição imposta na casa, havia também o preconceito, visto que a Música popular ainda tinha a pecha de ser dominada pelas classes mais baixas), e aprimorou-se silenciosamente no instrumento, o qual mantinha escondido embaixo da cama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das milhares de composições de Heitor Villa-Lobos, destacam-se as 11 sinfonias, três óperas e 18 peças para quarteto de cordas, criadas sob influência do </span><i><span style="font-weight: 400;">choro</span></i><span style="font-weight: 400;"> – ou </span><i><span style="font-weight: 400;">chorinho </span></i><span style="font-weight: 400;">–, gênero de Música popular e instrumental, com origem carioca em meados do século XIX, cuja personalidade de maior renome foi </span><a href="https://ims.com.br/titular-colecao/pixinguinha/"><span style="font-weight: 400;">Pixinguinha</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1897-1973). Ele também compôs nove obras intituladas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EqCj0gkbBMs&amp;ab_channel=CulturaOccidentale"><i><span style="font-weight: 400;">Bachianas Brasileiras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, entre 1930 e 1945, que combinam as influências da Música brasileira e do neo-barroco, especialmente de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/21/cultura/1553148804_091725.html"><span style="font-weight: 400;">Johann Sebastian Bach</span></a><span style="font-weight: 400;">, como seu título sugere. Nessas </span><a href="https://classicos.mus.br/generos.htm"><span style="font-weight: 400;">suítes</span></a><span style="font-weight: 400;">, Villa-Lobos fundiu de forma intensa material folclórico brasileiro – em especial a </span><a href="https://musicalidades.com.br/diferenca-musica-caipira-e-sertaneja/"><span style="font-weight: 400;">música caipira</span></a><span style="font-weight: 400;"> – à elementos clássicos, transformando esse trabalho em uma de suas principais obras. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KTKVgaY56NI&amp;ab_channel=Osesp-OrquestraSinf%C3%B4nicadoEstadodeS%C3%A3oPaulo"><i><span style="font-weight: 400;">O Trenzinho Caipira</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parte final das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=A_KjasIEtC0&amp;ab_channel=Villa-LobosChannel"><i><span style="font-weight: 400;">Bachianas No. 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é um de seus trabalhos mais populares.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Bachianas Brasileiras No. 4 • Villa-Lobos • São Paulo Symphony Orchestra" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IKjCiENbWoU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de sua apresentação na Semana de Arte Moderna – e uma estadia em Paris, de 1923 a 1925 –, sua música sofreu mudanças significativas. Na França, Villa-Lobos encontra uma vanguarda musical que contesta as ideias de </span><a href="https://classicosdosclassicos.mus.br/compositores/claude-debussy/"><span style="font-weight: 400;">Claude Debussy</span></a><span style="font-weight: 400;"> – Darius Milhaud faz parte desse grupo –, cujo interesse cultural estava lentamente transicionando para o surrealismo e o extravagante, o que influenciou o músico a apostar em formatos distantes do conservadorismo que dominava as composições clássicas. Um instrumento que ganhou destaque em muitas realizações do músico pós-Semana</span> <span style="font-weight: 400;">foi o saxofone. Ele próprio tocava clarinete e eventualmente tocava o sax. Um de seus amigos de infância, </span><a href="https://musicabrasilis.org.br/compositores/anacleto-de-medeiros"><span style="font-weight: 400;">Anacleto de Medeiros</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi um exímio saxofonista, colaborando em muitos dos trabalhos de Villa-Lobos, os quais resultaram em uma quantidade considerável de música de câmara para o instrumento, além de obras orquestrais, como a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9PbQtnubBvM&amp;ab_channel=WelleszTheatre."><i><span style="font-weight: 400;">Sinfonia No. 4</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a qual pede um quarteto de saxofones.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, embora fosse importante para Villa-Lobos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8mFKTOQ9LLw&amp;ab_channel=Villa-LobosChannel"><i><span style="font-weight: 400;">Fantasia</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">para saxofone soprano e pequena orquestra</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é seu único trabalho </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o instrumento. A obra foi composta em 1948, e dedicada ao saxofonista francês Marcel Mule, o qual Villa-Lobos conheceu ainda em Paris. A composição foi iniciada em Nova York mas concluída somente no Rio de Janeiro, ao final daquele ano. Mule nunca chegou a tocar </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantasia</span></i><span style="font-weight: 400;">, alegando dificuldades devido a tonalidade exigir notas fora da </span><a href="https://souzalima.com.br/blog/o-que-e-tessitura/"><span style="font-weight: 400;">tessitura</span></a><span style="font-weight: 400;"> do saxofone. Foi, portanto, Waldemar Szpilman, um saxofonista polonês que se mudou para o Brasil em 1925, que estreou a obra como solista, no Rio de Janeiro, em 1951. Um fato curioso é que Waldemar era primo de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/wladyslaw-szpilman-incrivel-historia-real-por-tras-de-o-pianista.phtml"><span style="font-weight: 400;">Władysław Szpilman</span></a><span style="font-weight: 400;">, o pianista que de forma milagrosa sobreviveu em Varsóvia durante a Segunda Guerra Mundial, como relatado nas memórias que originaram </span><a href="https://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/analise-perseguicao-aos-judeus-atraves-filme-pianista.htm"><i><span style="font-weight: 400;">O Pianista</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2002), filme que rendeu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Melhor Ator para </span><a href="https://personaunesp.com.br/pepequeno-critica/"><span style="font-weight: 400;">Adrien Brody</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas o mais interessante é que, paradoxalmente, após a viagem à França, Villa-Lobos entende que precisa deixar de lado as influências francesas, vistas com muito esmero pela aristocracia brasileira à época – as </span><i><span style="font-weight: 400;">Bachianas </span></i><span style="font-weight: 400;">surgem daí, num esforço em apontar Bach no cenário folclórico brasileiro.</span></p>
<figure id="attachment_26043" aria-describedby="caption-attachment-26043" style="width: 1772px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26043 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3.jpg" alt="Foto em preto e branco do maestro Heitor Villa-Lobos. Na foto, Heitor Villa-Lobos está olhando diretamente para a câmera, com seu rosto apoiado em sua mão esquerda. Na mão, há um anel de cor cinza em seu dedo mindinho. Ele está com um charuto de cor cinza na boca, e veste uma camisa social de cor branca. Villa-Lobos é um homem branco, e possui cabelos pretos e lisos com mechas grisalhas, em decorrência do tempo." width="1772" height="1215" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3.jpg 1772w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-800x549.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-1024x702.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-768x527.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-1536x1053.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-1200x823.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26043" class="wp-caption-text">5 de março é oficialmente o Dia Nacional da Música Clássica, em homenagem a Heitor Villa-Lobos (Foto: Acervo Museu Villa-Lobos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro personagem musical relevante na Semana de Arte Moderna – naturalmente ofuscado por seu trabalho de poeta e romancista –, foi </span><a href="https://www.amazon.com.br/Macuna%C3%ADma-Her%C3%B3i-Sem-Nenhum-Car%C3%A1ter/dp/6586490472/ref=asc_df_6586490472/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379715911398&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=8134830901215436604&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=9100699&amp;hvtargid=pla-1785663324432&amp;psc=1"><span style="font-weight: 400;">Mário de Andrade</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1893-1945). Além de escritor, Andrade foi musicólogo, crítico musical e um relevante compositor, atuando como professor de Música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo (CDMSP). Alguns de seus poemas, em especial os da coletânea </span><a href="https://www.infoescola.com/livros/pauliceia-desvairada/"><i><span style="font-weight: 400;">Paulicéia Desvairada</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1922), desenvolvem-se com a utilização livre das métricas, e, por conseguinte, traçam certos ideais musicais, visto que se desprendem da estrutura formal a qual vinha sendo produzida a poesia brasileira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alinhado com Villa-Lobos, o escritor defendia que a pesquisa do </span><a href="https://personaunesp.com.br/cidade-invisivel-critica/"><span style="font-weight: 400;">folclore brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> deveria ser a principal fonte temática e técnica dos músicos eruditos – pelo menos daqueles que se propunham a criar uma música </span><i><span style="font-weight: 400;">verdadeiramente</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileira</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, ambos os autores ganharam notoriedade como os principais integrantes da Semana que vislumbraram um novo projeto de cultura nacional através da Música.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O folclore, na concepção mais ou menos uniforme desses autores, manifesta-se como o conjunto de relações que se originam de provérbios, histórias, danças e junção das religiões, além de elementos da música de rua. Não seria absurdo afirmar que, no fundo, a ideia defendida por Villa-Lobos e Mário de Andrade era a de que a cultura popular deveria ser o principal motor de identificação artística dos brasileiros, deixando em segundo plano as referências internacionais. Estendendo ao todo, essa também foi uma reivindicação dos demais </span><a href="https://www.todamateria.com.br/modernismo-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">modernistas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bachianas Brasileiras No. 1 • Villa-Lobos • Berlin Philharmonic" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/R0us7Zof_a0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Villa-Lobos demorou a ser consenso, e uma parcela da crítica interpretou as referências folclóricas de suas obras como apropriações; à época, esses críticos não estavam preocupados com as questões identitárias imprescindíveis a acusação, mas tinham o intuito de apontar uma falta de originalidade do compositor. Para </span><a href="http://osesp.art.br/ensaios.aspx?Ensaio=25"><span style="font-weight: 400;">Leopoldo Waizbort</span></a><span style="font-weight: 400;">, professor do Departamento de Sociologia da USP, Heitor Villa-Lobos não incorporou apenas elementos indígenas em suas composições, mas também os defeitos de gravação registrados nos </span><a href="https://amar.art.br/fonogramas-o-que-e-como-cadastrar/"><span style="font-weight: 400;">fonogramas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dessa forma, não seria a música indígena que estaria sendo reproduzida, mas havia, sim, algo criado a partir dela. Aí encontra-se a originalidade: a partir de elementos folclóricos, obras totalmente novas foram concebidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No documentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3WNDf03560c&amp;t=1518s&amp;ab_channel=fabianoborges"><i><span style="font-weight: 400;">Villa-Lobos: O Índio de Casaca</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1987), dirigido por Roberto Feith e produzido pela Rede Manchete, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tlp8iY4g--4&amp;list=RDEMaSNlR4D39GSTw_9snvHBGQ&amp;start_radio=1&amp;ab_channel=AntonioCarlosJobim-Topic"><span style="font-weight: 400;">Tom Jobim</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece reverenciando Villa-Lobos e demonstrando seu débito com o maestro. Nos trechos, Jobim relata os encontros que manteve com o compositor em sua residência, nos quais observava suas produções caóticas, sempre cercado por barulhos diversos – dos sons altos que saiam da TV aos músicos que ensaiavam na sala da casa. Não é difícil entender que, para Villa-Lobos, os ruídos internos e externos seguiam por caminhos diferentes, e, talvez, fossem unificados somente no resultado final de suas obras. Em seus últimos anos, Heitor Villa-Lobos consolidou-se como uma figura de importância na divulgação da Música, e seu projeto orfeônico de educação musical, iniciado ainda nos 1930, não terminou com sua morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As partituras de Villa-Lobos revelam que, além da preocupação com uma identidade nacional, mantinha-se uma inquietação quanto aos procedimentos que se tornavam acadêmicos, destituídos de significação para a música cotidiana. Um dos legados do maestro foi introduzir, na Música Clássica brasileira, uma ruptura, na qual foram promovidas ideias revolucionárias que, à época, soaram absurdas. Esse rompimento foi totalmente absorvido pelos movimentos contraculturais no Brasil, em especial o </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/tropicalismo.htm"><span style="font-weight: 400;">Tropicalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seus ideais foram tão difundidos que é difícil não enxergar Villa-Lobos em toda a Música brasileira – ele está na </span><a href="https://personaunesp.com.br/maria-rita-elo-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">MPB</span></a><span style="font-weight: 400;">, na </span><a href="https://personaunesp.com.br/infinito-particular-e-universo-ao-meu-redor-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">Bossa Nova</span></a><span style="font-weight: 400;">, e até nos atos de revolta de bandas de </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/musica/noticia/2016/06/em-show-dado-villa-lobos-interpreta-obras-de-seu-tio-avo-5860657.html"><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">nacionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> (considerando, também, que o musicista possui uma extensa composição para instrumentos de corda, inclusive o violão). </span><span style="font-weight: 400;">No entanto, a maneira mais fácil de prestar homenagem a Villa-Lobos é imaginar o quanto o Brasil teria sido mais pobre sem ele.</span></p>
<figure id="attachment_26044" aria-describedby="caption-attachment-26044" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26044 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-4.jpg" alt="Foto em preto e branco do maestro Heitor Villa-Lobos. Na foto, Heitor Villa-Lobos está sentado em um piano, tocando-o com as duas mãos. Ele está com um charuto na boca. Villa-Lobos é um homem branco, veste um roupão de cor preta, e possui cabelos pretos e lisos com mechas grisalhas, em decorrência do tempo. O piano é também de cor preta. " width="1000" height="661" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-4.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-4-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-4-768x508.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26044" class="wp-caption-text">Em 1945, Heitor Villa-Lobos fundou a Academia Brasileira de Música, sendo também o primeiro presidente da instituição (Foto: Acervo Museu Villa-Lobos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma viagem à Europa, ao ser questionado sobre as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=flqxy_ccU84&amp;ab_channel=IREETV"><span style="font-weight: 400;">influências folclóricas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em suas obras, Villa-Lobos respondeu, impaciente: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não uso o folclore, eu sou o folclore.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Essa afirmação aponta dois caminhos possíveis de interpretação: 1) como compositor brasileiro motivado pela criação de uma identidade cultural, sua própria história se entrelaça com a do folclore nacional, e suas obras podem ser vistas como continuações da cultura popular; 2) Villa-Lobos foi tão grande e inigualável a ponto de fazer, ele próprio, parte dos mitos que circundam o folclore brasileiro. Levando em conta o senso de humor característico do maestro e os motivos pelos quais refletimos sobre o seu legado 100 anos depois de sua apresentação na Semana de Arte Moderna, é bem provável que fosse a segunda opção.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Heitor Villa-Lobos e a Música Modernista" width="100%" height="380" style="[object Object]" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/4L2dTHIhb8jIUsSMphfYrc?si=4e530401b91740ee&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/">O folclore sou eu: Heitor Villa-Lobos e a Música Modernista</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">26038</post-id>	</item>
		<item>
		<title>AmarElo: tudo o que ‘nóis’ tem é ‘nóis’</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Feb 2021 16:31:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[9nha]]></category>
		<category><![CDATA[A Ordem Natural das Coisas]]></category>
		<category><![CDATA[AmarElo]]></category>
		<category><![CDATA[AmarElo - É Tudo Pra Ontem]]></category>
		<category><![CDATA[Cananéia]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Drik Barbosa]]></category>
		<category><![CDATA[É Tudo Pra Ontem]]></category>
		<category><![CDATA[Emicida]]></category>
		<category><![CDATA[Eminência Parda]]></category>
		<category><![CDATA[Fabiana Cozza]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Montenegro]]></category>
		<category><![CDATA[Fred Ouro Preto]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Gomes Santana]]></category>
		<category><![CDATA[Gilberto Gil]]></category>
		<category><![CDATA[Grammy Latino]]></category>
		<category><![CDATA[Hip-Hop]]></category>
		<category><![CDATA[Iguape e Ilha Comprida]]></category>
		<category><![CDATA[Ismália]]></category>
		<category><![CDATA[Jazz]]></category>
		<category><![CDATA[Jé Santiago]]></category>
		<category><![CDATA[Majur]]></category>
		<category><![CDATA[MC Tha]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Música Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Música Popular Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Pabllo Vittar]]></category>
		<category><![CDATA[Papillon]]></category>
		<category><![CDATA[Pastor Henrique Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[Pastoras do Rosário]]></category>
		<category><![CDATA[Pequenas Alegrias da Vida Adulta]]></category>
		<category><![CDATA[Pixinguinha]]></category>
		<category><![CDATA[Principia]]></category>
		<category><![CDATA[Rap]]></category>
		<category><![CDATA[Rap Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Rap Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Samba-rock]]></category>
		<category><![CDATA[Wilson das Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Zeca Pagodinho]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=18422</guid>

					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana O recente documentário AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem foi aclamado quase por unanimidade. A produção original da Netflix exibe o evento de estreia do mais recente álbum do rapper Emicida, AmarElo. O artista reúne todas as pessoas que, durante muito tempo, não tiveram a oportunidade de sequer pisar no Theatro Municipal, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "AmarElo: tudo o que ‘nóis’ tem é ‘nóis’"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/">AmarElo: tudo o que ‘nóis’ tem é ‘nóis’</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18423" aria-describedby="caption-attachment-18423" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18423" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328.jpg" alt="Parte do pôster do documentário AmarElo - É Tudo Pra Ontem. A imagem exibe o rosto de Emicida de perfil, virado para o lado esquerdo da imagem. O artista é negro e tem cabelos cacheados soltos, mas curtos. Emicida também usa um óculos de grau redondo e fino e uma blusa, mas é fotografado apenas do ombro para cima. Atrás dele, existe um fundo cinza e no meio um coração amarelo iluminado gigante. A foto está em tons preto e cinza e somente o coração amarelo ilumina e colore a imagem." width="1200" height="858" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328-300x215.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328-1024x732.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328-768x549.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18423" class="wp-caption-text">O documentário AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem estreou no catálogo da Netflix no dia 8 de dezembro de 2020 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gomes Santana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recente documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem </span></i><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/jornal-ingles-guardian-enaltece-emicida-rapper-com-missao-de-resgatar-historia-negra-do-brasil/"><span style="font-weight: 400;">foi aclamado</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase por unanimidade. A produção original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">exibe o evento de estreia do mais recente álbum do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">Emicida, </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">. O artista reúne todas as pessoas que, durante muito tempo, não tiveram a oportunidade de </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/atualidades/amarelo-10-motivos-para-assistir-o-documentario-do-emicida-na-netflix/"><span style="font-weight: 400;">sequer pisar no Theatro Municipal</span></a><span style="font-weight: 400;">, principal símbolo da cultura erudita do país. Emicida nos revela o porquê de suas letras, mensagens, parcerias e missões. Mais do que isso, o show traz um profundo sentimento de esperança aos seus espectadores. Ao mesmo tempo que evidencia os diferentes males que assolam nosso país, também constrói um forte apelo à esperança de tentar mudar esse cenário. </span></p>
<p><span id="more-18422"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Divida em três atos (</span><i><span style="font-weight: 400;">Plantar, Regar e Colher</span></i><span style="font-weight: 400;">), a obra de Emicida junto à direção de Fred Ouro Preto consegue instigar a atenção do espectador para um lindo processo de reflexão análogo à germinação das plantas e árvores. Como se tudo o que produzimos atualmente fossem frutos colhidos das raízes do passado. Neste texto, eu procuro elucidar algumas reflexões de cada faixa do disco, de acordo com as explicações fornecidas pelo autor ao longo do documentário. Em seu amplo processo de composição e pesquisa, Emicida elaborou didaticamente o porquê de cada canção pertencer a uma simbiose perfeita do enredo que é narrado. Me acompanha nessa viagem?</span></p>
<p><strong> <i>“Exu matou um pássaro ontem, com uma pedra que só jogou hoje”</i>.</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os </span><a href="https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/ER/article/view/6100"><span style="font-weight: 400;">iorubás</span></a> <span style="font-weight: 400;">antigos, nada é recente. Tudo faz parte de um motivo maior e por isso, podemos aprender com o passado. O modo como lidamos com o presente é o que realmente importa, pois apenas com ele e através dele, enxergamos o mundo à nossa volta. Isso serve para criar releituras, superar traumas e se desafiar a interpretar a vida de um jeito mais harmônico. O documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um suspiro aos desacreditados, um guia para os perdidos, um gás para aqueles que já se encontram sem fôlego. Já que o foco do artista é tratar sobre brasilidades, então este é o </span><i><span style="font-weight: 400;">hit </span></i><span style="font-weight: 400;">certo para quem tanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YMJOmIuUwiM"><span style="font-weight: 400;">lembra dos esquecidos</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Emicida - É tudo pra ontem part. Gilberto Gil" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/qbQC60p5eZk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de ser uma ponte entre radicais que se completam, também é a cor que nos ilumina a enxergar o caráter cíclico da natureza. Mergulhado em um incrível passeio sobre a história da arte popular brasileira e o passado dos protagonistas que alavancaram a cultura nacional mas que, infelizmente, são frutos do esquecimento marcado pelo racismo estruturante em nossa sociedade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pixinguinha (precursor do samba e da música genuinamente brasileira) é uma referência artística pouco lembrada pelo cenário cultural e musical. Além disso, sua fama repercutiu internacionalmente junto com o grupo Oito Batutas, mas será que ele é pouco lembrado por conta da cor da sua pele?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mediante a contextualização de um Brasil </span><a href="http://www2.eca.usp.br/njsaoremo/?p=4427#:~:text=Durante%20mais%20de%20300%20anos,do%20negro%3A%20ele%20permaneceu%20marginalizado."><span style="font-weight: 400;">pós-abolicionista</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme registra as raízes que ajudaram a fortalecer o protagonismo dos movimentos negros, mesmo com condições totalmente adversas. O curioso é que, para cada figura que é retratada na obra, há uma menção, inspiração ou homenagem nas suas músicas. Este é o elemento surpresa de Emicida. Como se não bastasse a reflexão de suas letras, entendemos quais foram as inspirações pelas quais teriam sido produzidas.</span></p>
<figure id="attachment_18424" aria-describedby="caption-attachment-18424" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18424" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1.png" alt="Cena do documentário Amarelo - É Tudo Pra Ontem. Na imagem, Emicida está de costas para a câmera, que fotografa o público de frente para ele. O artista está dançando, e veste um conjunto de moletom bege claro e um tênis amarelo e preto e segura um microfone em sua mão direita. Ele está em cima do palco do Theatro Municipal, sendo ovacionado pela platéia, que canta e dança junto com o artista. A sala do teatro está lotada e é iluminada em tons de vermelho." width="1200" height="750" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1-300x188.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1-768x480.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18424" class="wp-caption-text">AmarElo conseguiu lotar uma plateia de sorrisos, interagir com centenas de olhares esperançosos e apontar a luz necessária para refletir em todos os prismas presentes no Theatro Municipal, que foram celebrar a vitória do talentoso rapper Emicida (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A essência do disco orienta o filme. De início, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kjggvv0xM8Q"><i><span style="font-weight: 400;">Principia</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">traz em sua estrutura narrativa um sonho. Nele, somos convidados a amar uns aos outros, em sintonia firmada com a sonoridade do vento. É um som etéreo e convidativo que nos remete, de imediato, a canções de ninar, as mesmas que armazenamos em nossa memória infantil e, em um piscar de olhos, são resgatadas através de uma conexão. Essa chave que liga “o eu” com “o outro” constrói um elo, e é aí que a lembrança amorosa traz a seguinte mensagem em meio a escuridão:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “tudo que nóis tem é nóis.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As duas próximas faixas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4cXOAqWOIcM"><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Natural das Coisas </span></i></a><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RVZCB3_011c&amp;t=8s"><i><span style="font-weight: 400;">Pequenas Alegrias da Vida Adulta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, endossam um olhar ao poder da simplicidade presente no cotidiano. Já parou pra pensar sobre a riqueza dos detalhes? O quão difícil é ser </span><a href="http://renatalapetina.com/pequenas-alegrias-da-vida-adulta/"><span style="font-weight: 400;">adulto</span></a><span style="font-weight: 400;">? Se por um lado presenciamos diariamente o milagre do amanhecer, não há porque deixar de lado as pequenas alegrias da vida adulta. As batidas de ambas canções carregam sintonia através de ritmos do </span><i><span style="font-weight: 400;">samba-rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Qual é a verdadeira “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ordem Natural das Coisas</span></i><span style="font-weight: 400;">”? É ter medo? Sentir-se infeliz e com ódio? Não. Emicida, diferente do estereótipo do que muitos imaginam, não quis demonstrar o seu lado revoltoso e agressivo perante as injustiças que vem ocorrendo. O que há de mais natural é sermos nós mesmos. Sermos gratos pela vida, pela natureza e principalmente por termos o privilégio de nos conectarmos uns aos outros. É como o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> mesmo diz: “</span><i><span style="font-weight: 400;">O maior ato de rebeldia contra o sistema é eu estar aqui sorrindo com vocês</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Emicida - Pequenas alegrias da vida adulta part. Marcos Valle" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RVZCB3_011c?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante a maneira como o longa possui diversas transições com narrativas representadas na forma de animação. Este trabalho bem feito é de autoria de Alexandre de Maio e Felipe Macedo (direção de animações) e André Juventil (direção de arte). As ilustrações nos auxiliam a compreender a verdadeira face de quem é pouco reverenciado pelo imaginário de boa parte da população. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São ilustradas as narrativas “esquecidas”, a exemplo a do </span><a href="https://casavogue.globo.com/Arquitetura/noticia/2020/01/conheca-historia-de-tebas-o-arquiteto-escravizado-que-esculpiu-icones-de-sao-paulo.html"><span style="font-weight: 400;">arquiteto Tebas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Negro, ele foi responsável por planejar as fachadas do Convento São Bento e da Igreja São Francisco do Carmo, no período da escravatura. Além de ser símbolo de resistência, Tebas contribuiu sendo uma das principais referências no estilo arquitetônico da cidade paulistana. Como ele, diversos outros expoentes pretos puderam agir para que hoje tenhamos um cenário mais rico e representativo do povo negro.</span></p>
<figure id="attachment_18425" aria-describedby="caption-attachment-18425" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18425" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1.png" alt="Ilustração presente no documentário AmarElo - É Tudo Pra Ontem. No centro da imagem, existe uma árvore com raízes profundas em marrom escuro e folhas verdes caindo. Ao redor da árvore, preenchendo o resto da imagem, existem vários nomes de artistas e a data de nascimento dos mesmos." width="650" height="366" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1.png 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1-300x169.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18425" class="wp-caption-text">A arte popular e suas raízes (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/novidades/emicida-homenageia-wilson-das-neves-atraves-da-faixa-o-sorte/"><span style="font-weight: 400;">parceria de anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Wilson das Neves, um dos maiores bateristas e instrumentistas da América Latina, Emicida reconheceu o valor de uma amizade. Ora, existe alguém mais sábio nesse quesito do que o mestre </span><a href="https://personaunesp.com.br/mais-feliz-critica/"><span style="font-weight: 400;">Zeca Pagodinho</span></a><span style="font-weight: 400;">? Uma canção feliz e exuberante: </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Um Amigo (Tem Tudo).</span></i><span style="font-weight: 400;"> A letra não somente é em homenagem a Das Neves, como também toda sua composição foi criada em cima de harmonias encontradas em suas parcerias com </span><a href="https://personaunesp.com.br/planeta-fome-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elza Soares.</span></a></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=etRL3kv5jho"><i><span style="font-weight: 400;">Cananéia, Iguape e Ilha Comprida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é firmada pela transição de conhecimentos entre gerações distintas. Os diálogos amorosos entre pais e filhos retomam o que há de mais singelo entre o tempo: </span><a href="http://sv2.fabricadofuturo.org.br/sitev1/fabricav4/ear_arquivos/someinteressaoquenaoemeu.pdf"><span style="font-weight: 400;">a troca com o outro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Emicida transcende as famosas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=06A1Sah3cH4"><span style="font-weight: 400;"><em>“</em>pedradas do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;"> e em especial nesta faixa, observamos um curioso olhar ao amor, às delicadezas, nuances e, principalmente, ao belo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> é ritmo e poesia, não precisa carregar estereótipos de maldade, mágoa, rancor e ódio em sua imagem. O artista rompe com essa visão, ironizando aqueles que sustentam essa visão estereotipada, através das gargalhadas de sua filha caçula logo na introdução da canção. Ao final, mensagens fofas e carinhosas transbordam a alegria de sua filha mais velha com as famosas “cartas de amor”.</span></p>
<figure id="attachment_18426" aria-describedby="caption-attachment-18426" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18426" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4.png" alt="Fotografia de Emicida e Zeca Pagodinho. Os dois artistas estão ao centro da imagem, sorrindo juntos sentados em um estúdio de gravação musical. Primeiro, mais à esquerda da imagem, está Zeca Pagodinho, que tem a pele negra clara e cabelos curtos escuros. Zeca veste uma camisa jeans de manga longa azul escura, uma calça jeans cinza escura, tênis branco, um óculos de sol redondo, relógio dourado e uma aliança de compromisso na mão esquerda. Ao lado direito de Zeca, Emicida usa uma camiseta branca com o logo de sua outra empresa, a LAB Fantasma, uma calça de moletom cinza clara, tênis branco e pulseiras no pulso esquerdo. Emicida também tem tranças no cabelo, na altura do ombro, e usa um boné cinza claro e um óculos de sol quadrado. Atrás deles, no fundo da imagem, existe um estúdio de gravação, computadores e aparelhos de som." width="650" height="728" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4.png 457w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4-268x300.png 268w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18426" class="wp-caption-text">Talvez Emicida tenha lembrado de Zeca Pagodinho não apenas pela admiração, mas também pela autenticidade brasileira que Zeca esbanja quando trata temáticas tão puras sobre a vivência do povo humilde e trabalhador (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A linguagem sutil de um caos instaurado na </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-menino-e-o-mundo-modernidade-pelos-olhos-crianca/"><span style="font-weight: 400;">modernidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> retrata bem os primeiros versos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Paisagem</span></i><span style="font-weight: 400;">. A letra trabalha com antagonismos muito marcantes entre aparência e essência do ser. Ela ainda é capaz de gerar incômodos, afinal, mesmo diante da violência, somos treinados a ignorá-la em nosso interior, um modo de sobrevivência do dia a dia. O seu horizonte revela que ódio pode corroer tudo, exceto o nosso coração, caso o mesmo esteja em paz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=bSo0Jcux2R0"><i><span style="font-weight: 400;">9nha</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> por outro lado, é contada a história de um amor bandido, estilo Bonnie e Clyde. A música, que foi produzida em parceria com Drik Barbosa, trata-se de um relato apaixonante e ao mesmo tempo perverso, onde a maldade da sexualidade confunde-se com o “lado B” da vida do casal. Uma verdadeira aula de linguagem, mesclando duplos sentidos com gírias jovens que conversam com adolescentes rebeldes e apaixonados. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ó meu bem, a gente ainda vai sair nos jornais”</span></i><span style="font-weight: 400;"> traduz a fama de jovens sonhadores que almejam ser notados. </span></p>
<figure id="attachment_18427" aria-describedby="caption-attachment-18427" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18427" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5.png" alt="Uma foto colorida mostra detentos sentados em cadeiras azuis, vestidos com uniforme laranja, estampando a seguinte frase: “Interno”. Todos eles estão de costas para a câmera e de frente para o telão que exibe o título do documentário Amarelo - É Tudo Pra Ontem. No campo de visão da foto, aparecem 4 detentos, três deles são pardos e um é branco" width="650" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5.png 384w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5-225x300.png 225w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18427" class="wp-caption-text">A mensagem do documentário conseguiu atingir detentos do presídio de Balsas, interior do Maranhão: isso só ilustra o quanto a arte pode ser transformadora e potente sem demonstrar brutalidade e violência (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Eis que surge a nona faixa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4pBp8hRmynI"><i><span style="font-weight: 400;">Ismália</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a mais poética de </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com a declamação do </span><a href="http://culturafm.cmais.com.br/radiometropolis/lavra/alphonsus-de-guimaraens-ismalia"><span style="font-weight: 400;">poema de Alphonsus Guimarães</span></a><span style="font-weight: 400;">, Fernanda Montenegro e Emicida incorporam uma nova versão para o texto da poesia, lançada no século XIX, para os dias atuais. A música homenageia a luta de mulheres pretas guerreiras como: Ruth de Souza, Lélia González, Leci Brandão, Ivone Lara, Marielle e tantas outras personalidades marcantes para a representatividade da luta feminista antirracista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Preconceito racial, violência policial, estereótipos raciais, ódio e empoderamento são os principais temas abordados em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_zaqRm73GCo"><i><span style="font-weight: 400;">Eminência Parda</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um trabalho conjunto de Emicida, Jé Santiago e Papillon. Nos bastidores da gravação do clipe desta música, o ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">assassino de MC’s</span></i><span style="font-weight: 400;">’ solta a seguinte frase:</span><i><span style="font-weight: 400;">  “Eu não sou o alvo do racista, eu sou o pesadelo dele”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_18428" aria-describedby="caption-attachment-18428" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18428" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6.png" alt="Uma fotografia em preto e branco mostra dois artistas consagrados do samba de raiz em um palco, tocando juntos. Ao lado esquerdo, temos Mestre Candeia sentado em uma cadeira de rodas, enquanto o mesmo segura dois microfones. À direita, Martinho da Vila, em pé, tocando um pandeiro, enquanto canta ao microfone. Ao fundo, percebemos outros instrumentos musicais e outras seis pessoas que também figuram na imagem, porém em segundo plano." width="650" height="435" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6.png 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6-300x201.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18428" class="wp-caption-text">Impossível passear por qualquer gênero musical sem reconhecer a importância das batidas do samba no processo de identidade nacional &#8211; Mestre Candeia (esquerda) e Martinho da Vila (direita) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Então chegamos na penúltima faixa, </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">, que além de lidar com questões sobre auto aceitação, busca por um ideal, sonhos, fé… Trabalha com maestria sobre o enfrentamento de temáticas delicadas, através de uma mensagem amorosa. No fundo, é o remédio que todos nós precisamos nesse exato momento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de produzir a canção ao lado de </span><a href="https://portalpopline.com.br/quem-e-majur-conheca-artista-nao-binario-que-brilha-no-clipe-amarelo-com-emicida-e-pabllo-vittar/"><span style="font-weight: 400;">Majur</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-para-pabllo-2018/"><span style="font-weight: 400;">Pabllo Vittar</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi excepcional. Além de trazer duas grandes vozes para compartilhar talento, Emicida deu um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de diversidade. Até porque, não existe luta que seja separada das demais e mais uma vez, com seu lindo discurso humanista e performance fora da curva, fez questão de nos lembrar da importância da união.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Emicida - AmarElo (Sample: Belchior - Sujeito de Sorte) part. Majur e Pabllo Vittar" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/PTDgP3BDPIU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A frase do refrão</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem de um </span><i><span style="font-weight: 400;">sample </span></i><span style="font-weight: 400;">de Belchior (gravado há mais de 40 anos)</span> <span style="font-weight: 400;">que diz muito sobre resistência e se permitir conquistar espaços. Esse é o ideal de querer retratar diferentes lutas em seu clipe. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você é o maior representante do seu sonho na face da terra”, “Te vejo no pódio”, “Cê vai sair dessa prisão”, “Cê vai atrás desse diploma”, “Faz isso por nóis”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste ciclo que se fecha, somos acordados com a melhor percepção de nós mesmos. Com a autoestima renovada, temos a certeza de que somos </span><i><span style="font-weight: 400;">Libre</span></i><span style="font-weight: 400;"> (a faixa que conclui o disco). Na tentativa de reconstruir o futuro, colhendo os ensinamentos dos erros passados no presente, o artista se coloca como um grande mestre. Ele reconhece a razão de suas letras, mensagens, parcerias e missões. Mais do que isso. Emicida nos desafia a entender a situação de um país profundamente racista como o de hoje, mas que ainda tem a esperança de se erguer.</span></p>
<figure id="attachment_18432" aria-describedby="caption-attachment-18432" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18432" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7.png" alt="Foto colorida mostra Lélia González, no lado esquerdo da imagem, sendo abraçada de lado por Paulinho da Viola, no lado direito. Ambos são negros e aparecem sorrindo. Paulinho está de terno preto, camisa branca e gravata preta, carregando uma medalha no paletó. Lélia está de blazer preto com uma camisa branca e amarela florida por baixo, carregando uma bolsa no ombro direito. Não é possível enxergar o fundo da foto, pois ela foi tirada em um ambiente noturno com pouca luz." width="650" height="453" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7.png 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7-300x209.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18432" class="wp-caption-text">Lélia González (importante feminista na luta contra o racismo e machismo estruturantes) ao lado do mestre Paulinho da Violo (um dos maiores sambistas da música brasileira) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desfecho do filme consegue oferecer esperança aos tempos pandêmicos que ultimamente enfrentamos. Coincidência ou não, todo o medo e desilusão já foram enfrentados mais de </span><a href="https://www.pixinguinha.org.br/perfil/oito-batutas/"><span style="font-weight: 400;">cem anos atrás</span></a><span style="font-weight: 400;"> e somente a arte foi o remédio encontrado para nos tirar deste poço sombrio. Tentaram calar </span><a href="https://medium.com/todxs/marielle-franco-presente-semente-1c3cf46db86c#:~:text=Marielle%20Franco%20era%20vereadora%20do,ter%C3%A7a%2Dfeira%2C%20dia%2012."><span style="font-weight: 400;">Marielle</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas o seu legado permanece cada vez mais forte. O último trecho do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem</span></i><span style="font-weight: 400;"> encerra com o seu depoimento inspirador: </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“É fundamental porque marca o século XXI que é esse momento que a gente vive de impulsionar, de fortalecer, de mais visibilidade para essas mulheres negras. Então o que a Dona Ruth começa lá atrás, é o que está florescendo hoje.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A lição que fica disso tudo está relacionada ao direito de nos permitirmos. Aprendemos um com “o outro”, mas enquanto “ele” não tiver iguais condições para poder ser livre, estaremos privados de conhecer novas cores, presos na escuridão da intolerância e do preconceito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É urgente que o  povo preto, periférico e LGBTQ+ também tenha direito à cultura. Eles não somente têm direito, como também são os responsáveis pela maioria das produções artísticas do país. No fundo, tanto o álbum quanto o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;"> cumprem sua missão e percebemos que devemos mudar nossas atitudes e olhares “</span><i><span style="font-weight: 400;">para que amanhã não seja só um ontem, com um novo nome”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: AmarElo" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/5cUY5chmS86cdonhoFdn8h"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/">AmarElo: tudo o que ‘nóis’ tem é ‘nóis’</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">18422</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
