<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Pedro Almodóvar &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/pedro-almodovar/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/pedro-almodovar/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 29 Jun 2024 19:21:09 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Pedro Almodóvar &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/pedro-almodovar/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Em Má Educação, Almodóvar alude a Hitchcock em um conto sobre sexualidade e denúncia</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/ma-educacao-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/ma-educacao-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Jun 2024 19:20:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2004]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Moraes]]></category>
		<category><![CDATA[Ma Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Mês do Orgulho LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Almodóvar]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Warner Sogefilms]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=33645</guid>

					<description><![CDATA[<p>Aviso de gatilho: o texto a seguir trata sobre temas sensíveis como abuso sexual e homofobia. Guilherme Moraes Em Má Educação, o diretor Pedro Almodóvar evidencia os maus-tratos que alguns garotos sofrem na Igreja e, nesse quesito, fala com propriedade. A fita deixa clara a hipocrisia dentro de um lugar que se vende como mantenedor &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ma-educacao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Má Educação, Almodóvar alude a Hitchcock em um conto sobre sexualidade e denúncia"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ma-educacao-critica/">Em Má Educação, Almodóvar alude a Hitchcock em um conto sobre sexualidade e denúncia</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="font-weight: 400;">Aviso de gatilho: o texto a seguir trata sobre temas sensíveis como abuso sexual e homofobia. </span></em></p>
<figure id="attachment_33646" aria-describedby="caption-attachment-33646" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33646" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5.jpg" alt="À esquerda o Padre Manolo com uma batina branca de padre. Ele encara o personagem de Ignacio, olhando de cima para baixo em uma posição de poder. À direita o personagem Ignacio, com uma batina vermelha. Ele encara o padre de volta, olhando de baixo para cima. Ambos são iluminados por uma luz amarelada. A luz vem da direita para a esquerda, e a origem dela está fora do plano" width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33646" class="wp-caption-text">“Acho que acabei de perder a fé neste momento. Sem fé, não acredito em Deus nem no inferno. Se não acredito no inferno, não sinto mais medo. E, sem medo, sou capaz de qualquer coisa” (Foto: Warner Sogefilms)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Má Educação</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor Pedro Almodóvar evidencia os maus-tratos que alguns garotos sofrem na Igreja e, nesse quesito, fala com </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2019/05/08/almodovar-diz-que-foi-vitima-de-tentativa-abuso-em-colegio-de-padres.ghtml"><span style="font-weight: 400;">propriedade</span></a><span style="font-weight: 400;">. A fita deixa clara a hipocrisia dentro de um lugar que se vende como mantenedor dos ‘bons costumes’, mas que, às escondidas, casos de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1w24v7dqe1o"><span style="font-weight: 400;">pedofilia</span></a> já foram registrados<span style="font-weight: 400;">. No entanto, apesar do filme prometer ser uma denúncia, ele se torna muito mais do que isso ao longo da trama, adentrando em um conto investigativo &#8216;</span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-o-legado-de-hitchcock/#:~:text=Considerado%20por%20muitos%20como%20o,com%20firmeza%20no%20cinema%20contempor%C3%A2neo"><span style="font-weight: 400;">hitchcockiano</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8216;</span><span style="font-weight: 400;"> que explora o efeito dos abusos e da marginalização em certos grupos sociais.</span></p>
<p><span id="more-33645"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, o cineasta Enrique (</span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-20622/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">Fele Martínez</span></a><span style="font-weight: 400;">) recebe a visita de Ignacio (</span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-34249/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">Gael García Bernal</span></a><span style="font-weight: 400;">), seu antigo amigo e primeiro amor que, para ele, aparenta estar muito diferente. O personagem de Bernal aparece com um conto sobre a infância dos dois, interessante na visão do diretor, que decide transformá-lo em longa-metragem. A partir do momento em que o sujeito interpretado por Martínez lê o <em>script</em>, a realidade se mistura com a ficção dentro do próprio filme e a vida de Ignacio começa a ser contada.</span></p>
<figure id="attachment_33648" aria-describedby="caption-attachment-33648" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33648" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-5.jpg" alt="Na imagem estão as versões criança de Enrique e Ignacio. À esquerda está Enrique com um pijama verde, olhando no sentido da câmera para algo fora do plano. À direita está Ignacio com um pijama azul, olhando no sentido da câmera para algo que está fora do plano, igual Enrique." width="500" height="330" /><figcaption id="caption-attachment-33648" class="wp-caption-text">Almodóvar sofreu algumas tentativas de abuso em colégio de padres (Foto: Warner Sogefilms)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Almodóvar ainda utiliza a metalinguagem para explorar mais algumas questões ligadas à </span><a href="https://aterraeredonda.com.br/breves-consideracoes-sobre-o-estilo-de-alfred-hitchcock/#:~:text=O%20estilo%20hitchcockiano%20inclui%20o,a%20ansiedade%20e%20o%20medo"><span style="font-weight: 400;">narrativa &#8216;hitchcockiana&#8217;</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma das características de </span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-o-legado-de-hitchcock/"><span style="font-weight: 400;">Alfred Hitchcock</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a maneira como ele </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_ykyccq69ns"><span style="font-weight: 400;">dirige o olhar</span></a><span style="font-weight: 400;"> que será mostrado e, assim. conduz o espectador à onde quiser. Nesse sentido, o espanhol alterna o olhar entre Enrique e Ignacio, presente e passado, confundindo o público entre o que é a realidade e o que não é, e, mesmo dentro da película, não é possível saber o que é fato e o que é ficcional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No momento em que Enrique volta a ser detentor do olhar, ele busca saber mais sobre o que aconteceu com seu amigo durante esse tempo em que estiveram afastados. É nesse momento que acontece a grande reviravolta, pois, nos é revelado que Ignacio estava morto e que seu irmão Juan havia roubado sua identidade. Essa passagem poderia ser considerada de maneira negativa como típica de uma ‘novela mexicana’ por muitas pessoas, mas, na verdade, revela uma de suas facetas mais &#8216;hitchcockianas&#8217;, se assimilando muito a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UHhsEYDg8GI"><i><span style="font-weight: 400;">Um Corpo que Cai</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1858)</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<figure id="attachment_33649" aria-describedby="caption-attachment-33649" style="width: 480px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33649" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-7.png" alt="No centro da imagem está Madeleine, interpretada por Kim Novak. Ela possui cabelo loiro, está usando uma blusa de pelo preta, segurando um buquê de rosas. Ela está olhando diretamente para a câmera." width="480" height="671" /><figcaption id="caption-attachment-33649" class="wp-caption-text">Madeleine é uma personagem clássica da filmografia de Hitchcock, do filme Vertigo; na obra, ela fingiu ser alguém que não era e depois simulou a própria morte dessa sua persona (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dicotomia entre Ignácio  – que passa a ser interpretado por Francisco Boira  – ,e Enrique escancara a diferença entre quem foi traumatizado pelos abusos e marginalizado por ser quem é, e quem não foi. O primeiro sofreu assédio constante do Padre Manolo (Daniel Giménez), se assumiu uma pessoa trans após sair da Igreja e teve como destino a vida de viciado, dançarino de boate nos lugares mais podres da Espanha e morre sozinho como indigente. Por outro lado, Enrique seguiu sua vida, se tornando um cineasta com uma casa luxuosa e muito dinheiro guardado. Apesar de ser declaradamente homossexual, ele não sofre o mesmo que seu velho amigo, pois o preconceito é maior com quem é trans e pobre, afinal, na época em que o filme se passa, já existia o chamado </span><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/marina-mathey/2021/07/07/pink-money-e-a-cooptacao-da-luta-lgbtqia-no-mes-de-junho.htm"><span style="font-weight: 400;">dinheiro rosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que o coloca em uma situação muito mais favorável socialmente do que Ignácio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falando sobre a maneira como Pedro Almodóvar trabalha o sexo, é muito interessante que ele não tem pudor algum de mostrar o desejo e a nudez. Há duas cenas que evidenciam o </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/almodovar-sexo-bhrveyupukvo8ctma2zfnjxhq/#:~:text=Ao%20contr%C3%A1rio%20de%20outros%20diretores,durante%20uma%20aula%20de%20tric%C3%B4"><span style="font-weight: 400;">estilo &#8216;almodovariano&#8217;</span></a><span style="font-weight: 400;">: na primeira, Juan, irmão de Ignácio, interpretando Zahara  – persona que assume como dançarino de boate  –, dá em cima de Enrique, agora, interpretado por Alberto Ferreiro, de maneira despudorada; na segunda, o cineasta e o ator encaram os corpos um do outro enquanto estão na piscina, e o diretor faz planos muito explícitos desse desejo, fazendo com que a câmera se alterne entre rosto e corpo. Mas além disso, o espanhol faz do sexo e do tesão uma relação de poder. Nesse aspecto, é possível enxergar o padre que explora sua posição e proteção para abusar de Ignacio, no entanto, também é possível ver como o personagem cineasta aproveita a ânsia de Juan de protagonizar o filme, para transar com ele.</span></p>
<figure id="attachment_33647" aria-describedby="caption-attachment-33647" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33647" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-9.png" alt="No centro está Juan, usando uma peruca loira, com um cachecol bege e uma blusa branca, segurando uma rosa. Ele está olhando no sentido da câmera, para algo fora do plano." width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-33647" class="wp-caption-text">O cabelo loiro, a flor vermelha e a postura, mostram a semelhança entre Madeleine e Zahara, persona assumida por Ignacio ao dançar nas boates (Foto: Warner Sogefilms)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo muito rico da filmografia de Almodóvar é que ele não torna seus personagens ‘reféns’ de sua sexualidade, ou seja, a sua história, função narrativa e desenvolvimento não se baseiam apenas no fato deles fazerem parte do grupo </span><a href="https://www.filmelier.com/br/noticias/almodovar-perfil-estilo"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIAPN+</span></a><span style="font-weight: 400;"> – o que não quer dizer que esse fato é ignorado. Ele entende como as questões histórico-sociais relacionadas à sexualidade dos seus personagens o moldam e influenciam suas escolhas e atitudes. Se olharmos para o Cinema contemporâneo, principalmente o norte-americano, é perceptível como são raros casos de filmes que exploram tão bem a forma como as questões de gênero modelam seus personagens. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Má Educação </span></i><span style="font-weight: 400;">entrega aquilo que sempre esperamos de Pedro Almodóvar: uma obra irreverente, cheia de </span><a href="https://medium.com/calebelopes/a-c%C3%A2mera-que-pulsa-73bf8c6b5f77"><span style="font-weight: 400;">desejo, sexualidade, sensualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e capaz de incomodar. Em certos aspectos, o diretor chega até mesmo a parecer com a </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/madonna-chega-aos-60-anos-musica-vital-mulheres/"><span style="font-weight: 400;">Madonna</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sem toda a genialidade da cantora. É irônico que, pouco tempo após o lançamento do longa, a Arte tornara-se cada vez mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xAGX23DSRFM"><span style="font-weight: 400;">puritana e higienizada</span></a><span style="font-weight: 400;">, principalmente se olharmos para os </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> atuais. No entanto, é sempre bom poder voltar a esses artistas e ver que, apesar do amadurecimento de suas obras, sua veia rebelde continua a mesma.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ma-educacao-critica/">Em Má Educação, Almodóvar alude a Hitchcock em um conto sobre sexualidade e denúncia</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/ma-educacao-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">33645</post-id>	</item>
		<item>
		<title>2 de 20 não é o bastante</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/atrizes-queer-oscar-2022-artigo/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/atrizes-queer-oscar-2022-artigo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Mar 2022 19:29:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[A Família Mitchell e A Revolta das Máquinas]]></category>
		<category><![CDATA[Academia]]></category>
		<category><![CDATA[Academia de Artes e Ciências Cinematográficas]]></category>
		<category><![CDATA[Amor Sublime Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Ariana DeBose]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Dee Rees]]></category>
		<category><![CDATA[Dustin Lance Black]]></category>
		<category><![CDATA[Ian McKellen]]></category>
		<category><![CDATA[James Ivory]]></category>
		<category><![CDATA[Jodie Foster]]></category>
		<category><![CDATA[Kristen Stewart]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Atriz]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Atriz Coadjuvante]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Almodóvar]]></category>
		<category><![CDATA[Queer]]></category>
		<category><![CDATA[Rachel Morrison]]></category>
		<category><![CDATA[Spencer]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<category><![CDATA[West Side Story]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=26917</guid>

					<description><![CDATA[<p>O Oscar 2022 marca a primeira edição em que duas pessoas queer concorrem nas categorias de atuação Vitória Lopes Gomez Pela primeira vez em 94 edições de Oscar, duas pessoas pertencentes à comunidade LGBTQIA+ disputam em categorias de atuação no mesmo ano. Kristen Stewart, indicada a Melhor Atriz por Spencer, e Ariana DeBose, em Atriz &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/atrizes-queer-oscar-2022-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "2 de 20 não é o bastante"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/atrizes-queer-oscar-2022-artigo/">2 de 20 não é o bastante</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">O Oscar 2022 marca a primeira edição em que duas pessoas queer concorrem </span></i><i><span style="font-weight: 400;">nas categorias de atuação</span></i></p>
<figure id="attachment_26934" aria-describedby="caption-attachment-26934" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26934 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa-wp-mulheres-queer-800x420.jpg" alt="Montagem retangular de fundo preto. À esquerda está kristen stewart, uma mulher branca, de cabelos ondulados, loiros e na altura dos ombros. Ela veste um cropped e uma saia, ambos pretos e de látex. Atrás foi feita a silhueta da imagem com uma textura dourada. Ao centro está a imagem da animação de uma jovem. Ela é branca, tem cabelos curtos e castanhos, usa óculos, blusa branca e moletom laranja. Atrás foi feita a silhueta da imagem com uma textura dourada. À direita está uma mulher negra. Seus cabelos são curtos e pretos. Ela está sorrindo e suas mãos estão na altura da cintura. Ela veste um vestido brilhante e cinza. Atrás foi feita a silhueta da imagem com uma textura dourada." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa-wp-mulheres-queer-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa-wp-mulheres-queer-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa-wp-mulheres-queer.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26934" class="wp-caption-text">Além das duas atrizes queer indicadas esse ano, filmes como Ataque dos Cães, A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas e Spencer trazem subtextos ao tema (Arte: Nathália Mendes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela primeira vez em 94 edições de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, duas pessoas pertencentes à comunidade LGBTQIA+ disputam em categorias de atuação no mesmo ano. Kristen Stewart, indicada a Melhor Atriz por </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">, e Ariana DeBose, em Atriz Coadjuvante por </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i><span style="font-weight: 400;">, ambas assumidamente </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, fazem da nonagésima quarta temporada do evento </span><a href="https://www.bbc.com/culture/article/20220318-oscars-2022-how-they-could-make-history"><span style="font-weight: 400;">histórica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Somando ao avanço, o maior mencionado da premiação, </span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ataque dos Cães</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e o documentário </span><a href="https://personaunesp.com.br/flee-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que também </span><a href="https://deadline.com/2022/02/flee-makes-oscars-history-with-noms-for-animated-doc-international-feature-1234928159/"><span style="font-weight: 400;">fez história</span></a><span style="font-weight: 400;"> esse ano, tratam de temas ligados à homoafetividade. Tudo isso em 2022, antes tarde do que ainda mais tarde para uma Academia de Artes e Ciências Cinematográficas atrasada em reconhecer a diversidade.</span></p>
<p><span id="more-26917"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse ano, só na atuação, o número tinha a chance de ser maior: Tessa Thompson e Robin de Jesús poderiam acrescer ao recorde de 2022, se não tivessem sido esnobados por suas performances em </span><a href="https://personaunesp.com.br/identidade-passing-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/tick-tick-boom-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">tick, tick… BOOM!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, respectivamente. E não que a comunidade LGBTQIA+ não tenha tido outras vitórias e participações na maior premiação do Cinema, mas a conquista indica, ao menos, um aceno a uma maior visibilidade aos profissionais, como prometido. Sem contar que, em edições passadas, muitos dos premiados nas categorias também não eram assumidos à época de suas indicações, e, agora, as atrizes poderão subir ao palco sem </span><a href="https://www.papermag.com/colton-haynes-hollywood-gay-2655939903.html"><span style="font-weight: 400;">preocupações</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26919" aria-describedby="caption-attachment-26919" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26919 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ariana-debose.jpg" alt="Cena do filme Amor Sublime Amor. Em frente a um fundo desfocado, vemos, à esquerda, Ariana DeBose dos ombros para cima. Ariana DeBose é uma mulher negra, de cabelos castanhos lisos curtos, aparentando cerca de 30 anos, usando um batom vermelho e rímel preto." width="728" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-26919" class="wp-caption-text">Se sair com a estátua em mãos, DeBose será também uma das poucas mulheres latinas e negras a terem ganhado (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes um </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/dicionario-lgbtq-entenda-termos-movimento/"><span style="font-weight: 400;">termo</span></a><span style="font-weight: 400;"> ofensivo na língua inglesa, a comunidade LGBTQIA+ ressignificou o “</span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">”: agora, serve como uma palavra guarda-chuva para abarcar pessoas de minorias sexuais e de gênero, que não se identificam como heterossexuais ou cisgênero. E, apesar de somente duas atrizes dos 20 indicados em atuação serem </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, finalmente é a mensagem que fica, ainda mais para uma premiação historicamente excludente como o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Exclusão essa que inclui também minorias raciais, de gênero e de etnias, e obrigou a organização da premiação a estabelecer </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-09-09/oscar-adota-criterios-minimos-de-inclusao-em-busca-de-premiacao-mais-diversificada.html#:~:text=Nos%20pr%C3%AAmios%20de%202025%2C%20ou,que%20o%20tema%20principal%20aborde"><span style="font-weight: 400;">critérios e medidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que assegurem a diversidade de seus candidatos (ainda que só na categoria de Melhor Filme), assim como a pluralidade de sua banca votante &#8211; antes, composta majoritariamente por homens brancos, heterossexuais e de idade avançada. É cedo, mas, aos poucos, o reflexo da <a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-present-all-23-artigo/">decisão</a> dá as caras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anteriormente, outros cineastas deixaram sua marca no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, e mencioná-los é reconhecer os que lutaram antes de chegarmos até aqui. Em 1994, James Ivory foi a primeira pessoa </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/listas/2018/03/oscar-do-arco-iris-10-filmes-lgbt-que-venceram-o-premio"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que se tem conhecimento a ser indicada em Melhor Direção, por </span><i><span style="font-weight: 400;">Vestígios do Dia </span></i><span style="font-weight: 400;">(1993). O filme levou outros prêmios na edição daquele ano e o diretor foi mencionado novamente, mais recentemente em 2018, quando levou o troféu de Melhor Roteiro Adaptado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame pelo Seu Nome</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, apesar de ter passado boa parte da carreira colaborando profissionalmente com seu parceiro, o produtor Ismail Merchant, o cineasta, gay, não era assumido na época.</span></p>
<figure id="attachment_26921" aria-describedby="caption-attachment-26921" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26921 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sally-hawkins-e-kristen-stewart-em-spencer_reproducao_youtube_widelg-1.jpg" alt="Cena do filme Spencer. Na cena, ao ar livre durante o dia, vemos a personagem de Sally Hawkins à esquerda e a de Kristen Stewart ao centro, ambas do tronco para cima e em frente a um fundo com grama alta. Sally Hawkins é uma mulher branca, de cabelos castanhos curtos, aparentando cerca de 40 anos e vestindo um casaco bege. Kristen Stewart é uma mulher branca, de cabelos loiros lisos na altura do ombro, aparentando cerca de 30 anos e vestindo um casaco vermelho com mangas verdes." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sally-hawkins-e-kristen-stewart-em-spencer_reproducao_youtube_widelg-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sally-hawkins-e-kristen-stewart-em-spencer_reproducao_youtube_widelg-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26921" class="wp-caption-text">Assim como Kristen Stewart, Emma Corrin ganhou reconhecimento por sua performance como Lady Di em The Crown, e venceu como Melhor Atriz em Série de Drama no Globo de Ouro 2021; Corrin revelou se identificar como não-binárie e parte da comunidade LGBTQIA+ (Foto:<i><span style="font-weight: 400;"> Shoebox Films</span></i>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois dele, outros vieram, mas uma andorinha só não faz verão. De Melhor Canção Original a Melhor Roteiro Original e Melhor Direção, Elton John, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tio-frank-critica/"><span style="font-weight: 400;">Alan Ball</span></a><span style="font-weight: 400;">, Todd Haynes, Jerome Robbins e John Schlesinger foram alguns dos nomes que receberam as honrarias máximas da premiação, mas, desses, só dois eram assumidos quando subiram aos palcos. Pedro Almodóvar era outro que também não falava sobre sua sexualidade quando recebeu a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro, por </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo Sobre Minha Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">(1999), e Melhor Roteiro Original, por </span><i><span style="font-weight: 400;">Fale com Ela </span></i><span style="font-weight: 400;">(2002), o qual também foi indicado em Melhor Direção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já nas últimas duas décadas, alguns dos nomes de destaque foram Dustin Lance Black, vencedor em Melhor Roteiro Original por </span><i><span style="font-weight: 400;">Milk: A Voz da Igualdade</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2008), e que agradeceu o ativista do título por ser </span><a href="https://www.bbc.com/news/entertainment-arts-48357393"><span style="font-weight: 400;">uma inspiração</span></a><span style="font-weight: 400;">, em seu discurso de agradecimento; a diretora e </span><a href="https://mulhernocinema.com/oscar/dee-rees-e-primeira-mulher-negra-indicada-ao-oscar-de-roteiro-adaptado/"><span style="font-weight: 400;">roteirista Dee Rees</span></a><span style="font-weight: 400;">, indicada em Melhor Roteiro Adaptado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017) e </span><a href="https://www.colorlines.com/articles/pariah-film-director-dee-rees-talks-about-coming-out-queer"><span style="font-weight: 400;">assumidamente </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; e Rachel Morrison, mencionada em Melhor Fotografia pelo mesmo filme. Artistas como Sam Smith e Lady Gaga também já levaram o prêmio, em Melhor Canção Original.</span></p>
<figure id="attachment_26922" aria-describedby="caption-attachment-26922" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26922 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/dee-rees-800x533.jpg" alt="Foto. A foto se passa em um quarto de uma casa com paredes de madeira. Ao fundo, vemos uma janela e, à esquerda, uma mesa de madeira com um copo de café de plástico. Ao centro, vemos a diretora Dee Rees sentada sob uma cama. Ela é uma mulher negra, aparentando cerca de 30 anos, tem os cabelos presos e cobertos por uma bandana branca, veste uma jaqueta jeans e uma calça bege. Ela tem papel em mãos. Ao lado direito dela, na cama, vemos chapéus espalhados." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/dee-rees-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/dee-rees-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/dee-rees-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/dee-rees-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/dee-rees.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26922" class="wp-caption-text">Dee Rees, indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, foi a primeira mulher negra a ser considerada ao prêmio; ela também dirigiu Pariah, filme inspirado em sua vida e que retrata a descoberta da sexualidade de uma menina negra (Foto: Rachel Morrison)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda mais recentemente, o cenário tem mudado e é possível perceber um número maior de artistas abraçando publicamente a própria identidade. Isso, porém, ainda tem pouco reflexo nas indicações à maior premiação do Cinema. Embora muitos filmes com temáticas LGBTQIA+ tenham ganhado destaque e reconhecimento com o troféu dourado, a maioria dos protagonistas ou realizadores </span><a href="http://v"><span style="font-weight: 400;">não fazem parte</span></a><span style="font-weight: 400;"> da comunidade que inspira as histórias. Em 94 anos de categorias de atuação, por exemplo, somente 2 atores eram assumidos na época em que foram indicados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eram eles o </span><a href="https://observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/ian-mckellen-fala-sobre-qual-e-o-seu-maior-arrependimento-em-ser-gay"><span style="font-weight: 400;">veterano</span></a><span style="font-weight: 400;"> Ian McKellen, nomeado em Melhor Ator por </span><i><span style="font-weight: 400;">Deuses e Monstros </span></i><span style="font-weight: 400;">em 1999, e Melhor Ator Coadjuvante, por </span><i><span style="font-weight: 400;">Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2002; e Angelina Jolie, que levou Melhor Atriz em 2000 por seu papel em </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota, Interrompida</span></i><span style="font-weight: 400;">, e foi a única ganhadora </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">até então. Outra vencedora notável, Jodie Foster levou o careca dourado duas vezes &#8211; uma em 1989, por </span><i><span style="font-weight: 400;">Acusados</span></i><span style="font-weight: 400;">, e outra em 1992, por </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-silencio-dos-inocentes-30-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> -, mas só </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6plBl7wFHRk"><span style="font-weight: 400;">se revelou</span></a><span style="font-weight: 400;"> lésbica publicamente em 2013, durante seu discurso de agradecimento no Globo de Ouro.</span></p>
<figure id="attachment_26923" aria-describedby="caption-attachment-26923" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26923 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/159438408_1-800x600.jpg" alt="Foto. Ao centro da foto, vemos a atriz Jodie Foster falando ao microfone, em uma premiação. Jodie Foster é uma mulher branca, aparentando cerca de 45 anos, de cabelos loiros e lisos na altura do queixo. Ela veste um vestido brilhante azul escuro e uma pulseira prata brilhante na mão direita. Com a mão esquerda, segura um troféu dourado, à frente dela." width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/159438408_1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/159438408_1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/159438408_1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/159438408_1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/159438408_1-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/159438408_1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26923" class="wp-caption-text">Sempre muito restrita com sua vida pessoal, Jodie Foster falou publicamente sobre sua sexualidade pela primeira no Globo de Ouro de 2013, quando agradeceu sua ex-parceira, a produtora Cydney Bernard (Foto: Golden Globes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2022, 2 de 20 ainda é um número absurdamente pequeno. Em passos de bebê, porém, já é um recorde, ainda mais se ambas Kristen Stewart e Ariana DeBose vencerem em suas respectivas indicações. Enquanto a intérprete da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yS1oP3VaXQA"><span style="font-weight: 400;">Princesa Diana</span></a><span style="font-weight: 400;"> enfrenta uma competição acirrada na categoria de Melhor Atriz, a Anita de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=A5GJLwWiYSg"><i><span style="font-weight: 400;">West Side Story</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">desponta como uma das favoritas ao troféu em Melhor Atriz Coadjuvante. 2 ainda é pouco, mas as talentosas mulheres </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">competindo em 2022 indicam que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="http://ladobi.com.br/2016/02/anohni-oscar/"><span style="font-weight: 400;">finalmente</span></a><span style="font-weight: 400;">, pode ir para frente.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/atrizes-queer-oscar-2022-artigo/">2 de 20 não é o bastante</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/atrizes-queer-oscar-2022-artigo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">26917</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O leite derramado de Mães Paralelas</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/maes-paralelas-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/maes-paralelas-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Mar 2022 15:38:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Aitana Sánchez-Gijón]]></category>
		<category><![CDATA[Alberto Iglesias]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Ayra Mori]]></category>
		<category><![CDATA[Camp]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Veneza]]></category>
		<category><![CDATA[Franquismo]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra Civil Espanhola]]></category>
		<category><![CDATA[Israel Elejalde]]></category>
		<category><![CDATA[Julieta Serrano]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA]]></category>
		<category><![CDATA[Madres Paralelas]]></category>
		<category><![CDATA[Mães Paralelas]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Atriz]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Trilha Sonora Original]]></category>
		<category><![CDATA[Milena Smit]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Pacto del Olvido]]></category>
		<category><![CDATA[Parallel Mothers]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Almodóvar]]></category>
		<category><![CDATA[Penélope Cruz]]></category>
		<category><![CDATA[Queer]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rossy de Palma]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=26910</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori Duas mães, duas Espanhas, dois paralelos. Uma mãe dá à luz a uma criança nascida do amor. Outra, à uma criança nascida da dor. Uma Espanha segue sem culpas do passado sombrio do Franquismo. Outra carrega consigo os traumas geracionais de vestígios mortais dos ossos inidentificáveis que jazem em covas ilegítimas. Firmado pelos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/maes-paralelas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O leite derramado de Mães Paralelas"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/maes-paralelas-critica/">O leite derramado de Mães Paralelas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26911" aria-describedby="caption-attachment-26911" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26911" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela estão Ana e Janis de costas, em ordem. Ana é uma jovem branca de cabelo curto estilo joãozinho platinado. Ela veste uma jaqueta esportiva azul marinho com detalhes em vermelho nas laterais. Ela segura uma taça de vidro âmbar em direção à Janis, que está à esquerda. Janis é uma mulher branca de meia idade com cabelo castanho médio iluminado e ondulado. Sua roupa é coberta pelo cabelo. O fundo é uma parede verde musgo com retratos de ancestrais emoldurados por molduras vermelhas." width="1920" height="1029" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-800x429.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1024x549.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-768x412.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1536x823.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1200x643.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26911" class="wp-caption-text">Após abrir o Festival de Veneza em 2021, Mães Paralelas foi indicado à duas categorias do Oscar 2022: a de Melhor Atriz e Melhor Trilha Sonora Original (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duas mães, duas Espanhas, </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/12/23/movies/parallel-mothers-review.html"><span style="font-weight: 400;">dois paralelos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma mãe dá à luz a uma criança nascida do amor. Outra, à uma criança nascida da dor. Uma Espanha segue sem culpas do passado sombrio do Franquismo. Outra carrega consigo os traumas geracionais de vestígios mortais dos ossos inidentificáveis que jazem em covas ilegítimas. Firmado pelos opostos, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original, </span><i><span style="font-weight: 400;">Madres Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;">) </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/pedro-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;"> posiciona passado e presente, ambos em confronto entre si. O longa dá sequência ao universo melodr</span><span style="font-weight: 400;">amático deslumbrante – mas cru – do cineasta espanhol, desta vez, como manifesto político. O leite já foi derramado e o resquício azedo de sua sujeira continua incrustado nos rejuntes do país. Resta, aceitá-lo.</span></p>
<p><span id="more-26910"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como enredo central da narrativa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha o encontro de duas mães </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;"> que engravidaram por acidente: Janis (Penélope Cruz), uma fotógrafa de meia-idade bem sucedida, e Ana (Milena Smit), uma jovem traumatizada. No mesmo quarto hospitalar, momentos antes do parto, elas compartilham suor, gritos e poucas confidências, dando à luz quase simultaneamente as respectivas recém-nascidas. Assim, a breve troca de experiências foi o suficiente para ligar o destino de Janis ao de Ana, numa sucessão de tramas movidas pelo </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-cinema-de-pedro-almodovar-"><span style="font-weight: 400;">ritmo autoral</span></a><span style="font-weight: 400;"> do diretor. Através de reviravoltas absurdas, o relacionamento da dupla se progride por diferentes estágios, sejam juntas, como parceiras, ou sós, como mães.</span></p>
<figure id="attachment_26912" aria-describedby="caption-attachment-26912" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26912" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela estão Cecilia e Janis deitadas lado a lado. Cecilia é uma recém nascida branca. Ela usa brincos arrendados na cor dourada e uma roupa rosa pastel de mangas compridas. Janis é uma mulher branca de meia idade com olhos castanhos e cabelo médio castanho iluminado e ondulado. Janis encara a bebê. Ambas estão deitadas numa cama com lençol verde limão detalhado por bordados floridos na mesma cor." width="1920" height="1030" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-800x429.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1024x549.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-768x412.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1536x824.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1200x644.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26912" class="wp-caption-text">Disponível nas plataformas da Netflix e em salas de cinema selecionadas no Brasil, Mães Paralelas é um projeto em desenvolvimento desde 1999, com primeira aparição no universo Almodóvariano em 2009, através de um cartaz exposto em uma cena de Abraços Partidos (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com carinho, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><span style="font-weight: 400;">maternidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é encarada honestamente pelas diferentes figuras demonstradas no filme. Janis e Ana são genitoras devotadamente calorosas, mas diferentemente delas, Teresa (Aitana Sánchez-Gijón), mãe da segunda personagem, apresenta-se como uma mulher narcisista sem vocação para a coisa. E refletidas por íntimas complexidades, as mães são verdadeiramente humanas. Longe da perfeição, elas são protagonistas da própria sorte e, como tal, elas cometem erros imperdoáveis em nome do amor – “</span><i><span style="font-weight: 400;">Uma mãe e uma filha </span></i><span style="font-weight: 400;">–</span> <a href="https://youtu.be/eOizTkQocaY"><i><span style="font-weight: 400;">que combinação terrível de sentimentos e confusão e destruição</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses laços se progridem em revelações surpreendentes por um palco ainda envolvido pelo carmesim intenso, pelo calor da comida e pela faca amolada. O mundo de Almodóvar é belíssimo, à parte da monotonia cinza comum da realidade. É uma versão </span><a href="https://www.architecturaldigest.com/story/most-iconic-design-moments-pedro-almodovar"><span style="font-weight: 400;">exageradamente brilhante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma Madri ornada pelas tradições estéticas </span><a href="https://personaunesp.com.br/el-mal-querer-rosalia-critica/"><span style="font-weight: 400;">flamencas</span></a><span style="font-weight: 400;">, pelo surrealismo brilhante e pela propulsão da </span><a href="https://open.spotify.com/album/28r1UyARKoyScuEEgggLo2?si=CDQOtepXSd6Bz0BKp0UAeQ"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">hitchcockiana</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na cozinha, por exemplo, acontece tudo. Espaço de conexão, a cozinha catalisa o drama narrativo das personagens: nela se cozinha, nela se discute, nela se desperta o </span><i><span style="font-weight: 400;">eros </span></i><span style="font-weight: 400;">sexual, nela se assassina. Um cômodo universal desempenha papel importantíssimo no melodrama </span><a href="https://portaldeperiodicos.animaeducacao.com.br/index.php/Critica_Cultural/article/view/722/pdf_1"><i><span style="font-weight: 400;">camp</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Almodóvar, como uma espécie de portal entre o novo e a tradição. Os revestimentos se renovam, mas as receitas são heranças ancestrais.</span></p>
<figure id="attachment_26913" aria-describedby="caption-attachment-26913" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26913" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela aparece um par de mãos cortando uma cenoura laranja com uma faca de inox prateada. As mãos estão ampliadas. O fundo é uma tábua de madeira com marcas de usos." width="1920" height="1032" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-800x430.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1024x550.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-768x413.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1536x826.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1200x645.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26913" class="wp-caption-text">O elenco conta com a presença ilustre de Julieta Serrano, Rossy de Palma e Penélope Cruz, três figuras recorrentes na filmografia de Almodóvar (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E é em relação à </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/cultura/maes-paralelas-expoe-traumas-espanhois-historicos-sem-trair-temas-habituais-de-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">ancestralidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> se corporifica. A inconclusão da Guerra Civil Espanhola e os quase 40 anos de ditadura que se sucederam foi o pontapé inusitado das duas horas de duração do filme, quando Janis lidera um ensaio de fotos com </span><span style="font-weight: 400;">Arturo (Israel Elejalde), um celebrado antropólogo forense cuja especialidade é examinar os restos mortais das vítimas do general Franco, muitas das quais foram sepultadas em valas inapropriadas sem identificação, incluindo o bisavô da fotógrafa. Ela busca por respostas, desenterrando feridas que silenciosamente permaneceram abertas com o passar dos tempos. Aqui, Almodóvar combina a angústia doméstica sentimental com a história nacional política de seu país, de maneira que só o veterano espanhol seria capaz de fazê-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De 1977 a 2007, as cicatrizes políticas da Guerra Civil Espanhola foram reprimidas legalmente pelo </span><a href="https://www.dn.pt/cultura/documentario-a-ferida-aberta-do-franquismo-numa-espanha-democratica-10836285.html"><i><span style="font-weight: 400;">Pacto del Olvido</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (ou Pacto do Esquecimento), que garantiu anistia a todos os crimes da ditadura, além de excluir o estudo do período ruinoso no currículo do </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-09-15/espanha-aprova-lei-que-obriga-ensino-sobre-ditadura-franquista-nas-escolas.html"><span style="font-weight: 400;">ensino escolar</span></a><span style="font-weight: 400;">. E sem a memória do passado, a Espanha seguiu em frente, transicionando para a democracia sem pedras nos sapatos </span><span style="font-weight: 400;">– só que as coisas não são tão simples assim</span><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Bom, está na hora de você saber em que país mora</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Janis irritada com o descaso de Ana em relação aos executados pelo regime Franquista, logo se disparando numa aula improvisada de história na cozinha </span><a href="https://youtu.be/5qD9Sxt54ak"><span style="font-weight: 400;">colorida</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26914" aria-describedby="caption-attachment-26914" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela estão Ana e Janis, em ordem, se encarando frente a frente. Elas estão sobre a mesa de jantar. Ana é uma jovem branca de olhos verdes e cabelo curto estilo joãozinho platinado. Ela veste uma blusa de gola alta com tons mesclados entre variações de vinho. Janis é uma mulher branca de meia idade com olhos castanhos e cabelo médio castanho iluminado e ondulado. Ela veste uma camiseta branca com estampa gráfica escrita “We Should All Be Feminists”. A mesa é de madeira, as cadeiras também, com detalhes em palha. Sobre a mesa está um monitor laranja, uma jarra de vidro cheia de água, copos de vidro, pratos com comidas e uma travessa redonda de vidro com folhas e duas espátulas de madeira. O fundo é uma sala de jantar com paredes verde musgo, uma lareira de mármore acinzentado no centro, acima, um retrato nu em preto e branco de uma mulher negra, duas luminárias com duas esferas em cada e, abaixo delas, dois gabinetes laranjas com objetos variados." width="1920" height="1034" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1024x551.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1536x827.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1200x646.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26914" class="wp-caption-text">Um dos cartazes oficiais do filme causou <a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-08-11/o-criador-do-cartaz-viral-do-filme-de-almodovar-se-o-mamilo-fosse-de-um-homem-nao-o-teriam-censurado.html">polêmica</a> ao exibir um mamilo em lactação, chegando a ser temporariamente removido do Instagram (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos mais (in)significantes detalhes, elas se contrastam. Janis, batizada em homenagem à </span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-janis-joplin-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Janis Joplin</span></a><span style="font-weight: 400;">, é filha de mãe solteira </span><i><span style="font-weight: 400;">hippie</span></i><span style="font-weight: 400;">, criada pela avó, também solteira. Ela exala pujança e veste camisetas gráficas datadas com um grande “</span><i><span style="font-weight: 400;">Todas Deveríamos Ser Feministas</span></i><span style="font-weight: 400;">” estampado. Já Ana, é filha de uma atriz egocêntrica e de um pai invisível. Essa, apesar dos acasos trágicos, emana privilégio e ingenuidade confortável sobre o mundo que a envolve </span><span style="font-weight: 400;">– símbolo da “nova” Espanha, de uma geração que não tem nada para se lembrar, mas que, mesmo assim, se lembra. E em tempos de efervescência dos mais diversos negacionismos, Almodóvar bate o pé em reação, desenterrando os escombros empoeirados dos cadáveres espalhados pelo solo espanhol.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reunindo excepcionalmente o cineasta com Penélope Cruz, o longa não foi a </span><a href="https://cinebuzz.uol.com.br/noticias/cinema-premiacoes/madres-paralelas-de-pedro-almodovar-perde-disputa-interna-e-nao-representara-espanha-no-oscar-2022.phtml"><span style="font-weight: 400;">submissão oficial</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Espanha para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, a presença calorosa de Cruz, que conduz com sutilidade as nuances de uma das </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/maes-paralelas-por-que-penelope-cruz-nao-conseguiu-parar-de-chorar-durante-filmagens/"><span style="font-weight: 400;">maiores interpretações</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua carreira, foi o bastante para indicá-la à categoria de Melhor Atriz pela Academia, bem como Alberto Iglesias, que também concorre à Melhor Trilha Sonora Original. E apesar de não ter recebido nenhuma outra indicação na temporada de premiações em 2021, além de sua merecida vitória no </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/mulheres-ganham-leao-de-ouro-e-premios-de-direcao-e-roteiro-no-festival-de-veneza/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">, Cruz – que chegou a vencer a categoria de Melhor Atriz Coadjuvante em 2008 com </span><i><span style="font-weight: 400;">Vicky Cristina Barcelona</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido pelo infame </span><a href="https://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/"><span style="font-weight: 400;">Woody Allen</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, se encontra em meio a uma disputa acirrada que pode lhe garantir uma segunda estatueta, dessa vez, ao lado de Almodóvar no oitavo projeto juntos – fruto de uma colaboração veterana poderosa.</span></p>
<figure id="attachment_26915" aria-describedby="caption-attachment-26915" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela estão nove pessoas agachadas dentro de uma vala aberta, examinando restos de ossos enterrados. Todos vestem camisetas encardidas de terra e luvas de proteção. A vista da imagem é superior, de cima para baixo. O chão da vala é coberto por terra e quatro pedras laterais que formam uma espécie de cruz no centro. No chão, ao lado dos legistas forenses e dos cadáveres, estão pranchetas, sinalização em papel amarelo, baldes, pás e espanadores. A imagem é toda em tons terrosos." width="1920" height="1035" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1024x552.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1536x828.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1200x647.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26915" class="wp-caption-text">No Oscar 2022, Penélope Cruz e Javier Bardem são o 6º casal indicado por atuação no mesmo ano (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz à tona a herança dolorida de vítimas de uma Espanha, ainda sem desfecho digno. Nos minutos finais do filme, a riqueza visual autoral do estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">Almodóvariano </span></i><span style="font-weight: 400;">já não cabe mais, tornando-se incômoda, tamanha a densidade da sombra, espessa e depravada, que paira sobre sua narrativa brutalmente direta. Aqui, a ficção serve de lente devastadora para o </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,maes-paralelas-e-o-primeiro-longa-de-almodovar-a-usar-como-pano-de-fundo-guerra-civil-de-1930,70003968219"><span style="font-weight: 400;">documental</span></a><span style="font-weight: 400;">, para o real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De paralelos à hipérboles se constrói personagens ambíguas, ultrajantes e, apesar disso, amorosas. A </span><a href="https://www.instagram.com/p/CbYiO4FuLv5/"><span style="font-weight: 400;">figura feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais uma vez se destaca como força motriz na filmografia do espanhol como diretor. Janis e Ana, verdadeiras </span><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;">, são o âmago do longa. À beira de perder tudo, ambas reivindicam o que lhes é direito, transgredindo os limites dos papéis de gênero. Os segredos são melhores desencavados, na esperança de seguir em frente do passado, sem, no entanto, esquecê-lo, por mais cortante que seja.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Não há história muda. Por mais que a queimem, por mais que a quebrem, por mais que mintam, a história humana se recusa a ficar calada.</span><span style="font-weight: 400;">” <em>(Eduardo Galeano)</em></span></p></blockquote>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Mães Paralelas | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/50cJUKw9RU8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/maes-paralelas-critica/">O leite derramado de Mães Paralelas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/maes-paralelas-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">26910</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A Pele que Habito abriga um interior sórdido</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/a-pele-que-habito-10-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/a-pele-que-habito-10-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Oct 2021 19:05:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[10 anos]]></category>
		<category><![CDATA[10 anos A Pele que Habito]]></category>
		<category><![CDATA[2011]]></category>
		<category><![CDATA[Almodóvar]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Banderas]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema espanhol]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Elena Anaya]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Gatti]]></category>
		<category><![CDATA[Laranja Mecânica]]></category>
		<category><![CDATA[Marisa Paredes]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Almodóvar]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
		<category><![CDATA[Tarântula]]></category>
		<category><![CDATA[Thierry Jonquet]]></category>
		<category><![CDATA[Thriller]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=23385</guid>

					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti A busca incessante pela boa aparência é muito marcante no século XXI. Pessoas buscam procedimentos estéticos para alcançar o padrão de beleza desejado. Mas imagine ser submetido a uma série de cirurgias contra a sua vontade, como uma cobaia. Essa é a premissa do filme A Pele que Habito, dirigido por Pedro Almodóvar, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-pele-que-habito-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Pele que Habito abriga um interior sórdido"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-pele-que-habito-10-anos/">A Pele que Habito abriga um interior sórdido</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23390" aria-describedby="caption-attachment-23390" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23390" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-1-4.jpg" alt=" Cena do filme A Pele que Habito apresenta uma mulher branca, careca, usando uma máscara branca de recuperação após fazer uma cirurgia plástica e um casaco preto. Suas mãos estão no rosto, o que transmite a sensação dela estar impressionada. Mais à esquerda da foto há um homem branco, de cabelos curtos e grisalhos, vestindo uma camiseta preta. O fundo da imagem exibe uma parede acinzentada com um círculo de vidro." width="1000" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-1-4.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-1-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-1-4-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23390" class="wp-caption-text">Romance, drama e terror se fundem na mesa de cirurgia de A Pele que Habito, que completa 10 anos dia 6 de outubro (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca incessante pela boa aparência é muito marcante no século XXI. Pessoas buscam </span><a href="http://www.revistaferidas.com.br/brasil-e-o-pais-que-mais-realiza-cirurgias-plasticas-no-mundo/"><span style="font-weight: 400;">procedimentos estéticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> para alcançar o padrão de beleza desejado. Mas imagine ser submetido a uma série de cirurgias contra a sua vontade, como uma cobaia. Essa é a premissa do filme </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Pedro Almodóvar, uma lenda do Cinema Espanhol. O longa, inspirado no livro </span><a href="https://www.threemonkeysonline.com/tarantula-by-thierry-jonquet/"><i><span style="font-weight: 400;">Tarântula</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Thierry Jonquet, se desenvolve como um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">angustiante, cuja peça central da trama é a vingança.</span></p>
<p><span id="more-23385"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como protagonista deste jogo temos Robert Ledgard (</span><span style="font-weight: 400;">Antonio Banderas)</span><span style="font-weight: 400;">, um cirurgião plástico muito talentoso que estuda com afinco o desenvolvimento de uma nova pele resistente à dor ao fundir DNA humano com suíno. E como cobaia desse experimento está Vera (</span><span style="font-weight: 400;">Elena Anaya)</span><span style="font-weight: 400;">, que vive aprisionada pelo médico em um quarto repleto de câmeras, como forma do cientista </span><a href="https://www.otempo.com.br/interessa/voyeurismo-o-prazer-de-olhar-o-outro-e-cada-vez-menos-um-tabu-1.2452080"><span style="font-weight: 400;">assistir o comportamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> da sua paciente/vítima. Outra moradora da casa é Marília (</span><span style="font-weight: 400;">Marisa Paredes)</span><span style="font-weight: 400;">, mãe de Robert, que exerce a função de governanta.</span></p>
<figure id="attachment_23391" aria-describedby="caption-attachment-23391" style="width: 738px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23391" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-5.jpg" alt="Cena do filme A Pele que Habito exibe um homem branco, de cabelos curtos e castanhos, vestindo uma roupa preta, sentado em um divã e olhando para uma TV, que transmite uma imagem de câmera de segurança com uma mulher branca, de cabelos curtos e castanhos, vestindo uma roupa bege, deitada em uma cama, lendo um livro." width="738" height="415" /><figcaption id="caption-attachment-23391" class="wp-caption-text">Robert e Vera vivem um romance ardente, mas frágil como um castelo de cartas (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama se inicia morna, ao passo que a relação entre esses personagens é aparentemente agradável para todos, o médico testa seus experimentos, a paciente não apresenta ímpeto rebelde, chegando a ser submissa, e a governanta cuida da casa sem grandes preocupações. No entanto, no decorrer da convivência em prisão domiciliar, Robert e Vera desenvolvem um relacionamento amoroso. A aproximação de ambos gera um incômodo para Marília, que modifica sua postura amistosa.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Skin I Live In</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue seu desenrolar em ordem cronológica até se adentrar pelos sonhos de Robert e Vera. O </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2020/04/23/segredos-do-cinema-plot-twist/"><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> traz outro rumo para o filme com cenas marcadas por </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">, que exibem o passado do médico, em que sua esposa e filha (</span><span style="font-weight: 400;">Blanca Suárez</span><span style="font-weight: 400;">) ainda eram vivas, e também apresentam um outro personagem, Vicente (Jan Cornet), revelando uma suposta relação sexual do jovem com a filha do cientista, que este interpretou como estupro. Desse modo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> assume um tom macabro com a vingança nefasta do cirurgião e com mudanças nas atitudes dos protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_23389" aria-describedby="caption-attachment-23389" style="width: 982px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-3.jpg" alt="Cena do filme A Pele que Habito mostra um homem branco de cabelos curtos e castanhos e uma mulher branca, de cabelos curtos e castanhos, abraçados em uma cama. Ambos estão nus e cobertos com um lençol azul marinho." width="982" height="552" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-3.jpg 982w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23389" class="wp-caption-text">Enquanto não estava na mesa de cirurgia, Robert Ledgard espionava sua cobaia pelas câmeras como passatempo (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa trama escabrosa é marcada, a cada segundo, por um terror psicológico diferente dos outros </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bruxa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">filmes do gênero</span></a><span style="font-weight: 400;">. O escritor de literatura policial e política, </span><a href="https://www.reseau-canope.fr/savoirscdi/societe-de-linformation/le-monde-du-livre-et-de-la-presse/auteurs-et-illustrateurs/realite-et-fiction-interview-de-thierry-jonquet.html"><span style="font-weight: 400;">Thierry Jonquet</span></a><span style="font-weight: 400;">, desenvolve sua narrativa em </span><i><span style="font-weight: 400;">Tarântula </span></i><span style="font-weight: 400;">com mais sexo e violência, e o horror muito mais explícito do que na película de Almodóvar. Além disso, há algumas diferenças na história, como, por exemplo, a residência do eminente Richard Lafargue é um castelo e sua relação com sua esposa e cobaia, Eve, é muito mais brutal do que na retratada no longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As duas produções ainda se encontram com </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-42537245"><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O ponto central do filme é um cientista focado em uma criação mirabolante, tal qual o clássico de </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/03/criadora-e-criatura-o-poder-de-mary-shelley-e-seu-frankenstein.html"><span style="font-weight: 400;">Mary Shelley</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nas obras contemporâneas, a encarnação do monstro se deu por meio de uma cobaia humana aprisionada para a realização dos experimentos malucos de Richard Lafargue. Além disso, diferentemente do cientista do clássico da literatura, em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Tarântula</span></i><span style="font-weight: 400;">, o médico se apaixona por sua criação, porém esta o abomina. Mas, apesar dessas semelhanças, o longa de Almodóvar reflete a personalidade do diretor em cada tomada de câmera.</span></p>
<figure id="attachment_23388" aria-describedby="caption-attachment-23388" style="width: 978px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-3.jpg" alt="Cena do filme A Pele que Habito em que há um homem branco de cabelos curtos e castanhos de perfil, vestindo um jaleco de cirurgia. Ao fundo está uma porta de sala cirúrgica, em que se pode ver pelo vidro a imagem borrada de alguém deitado na maca." width="978" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-3.jpg 978w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23388" class="wp-caption-text">Robert Ledgard foi criado com muitas inspirações, mas, no fim, a personalidade de Almodóvar fala mais alto na caracterização do cientista maluco (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cineasta espanhol construiu sua carreira com um estilo singular em suas produções. </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2020/09/pedro-almodovar-historia-do-cineasta-ilustrada.html"><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;"> costuma construir suas narrativas exaltando a </span><a href="https://www.revistabula.com/36569-a-mulher-segundo-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">força feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> com mulheres de personalidade forte como protagonista, o tabu da sexualidade é tratado abertamente e as paixões e os dramas são intensos e profundos. Todas essas marcas do diretor estão explícitas na trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito, </span></i><span style="font-weight: 400;">que, no entanto, deixou de lado uma das principais características do diretor: as cores vibrantes. Filmes marcantes, como </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ata-me/"><i><span style="font-weight: 400;">Ata-me!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-tudo-sobre-minha-mae/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo sobre Minha Mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ma-educacao/"><i><span style="font-weight: 400;">Má Educação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, chamam a atenção para a coloração do cenário que destaca, acima de tudo, o vermelho. Porém, a escolha de um ambiente decorado com tons sóbrios com uma estética futurista foi extremamente assertiva para a criação do clima de um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicológico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas características tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito</span></i><span style="font-weight: 400;"> um filme perturbador, no bom sentido. Antes mesmo da trama se adentrar pelos </span><a href="https://vounoflash.com.br/2021/01/12/o-que-e-o-flashback/"><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e expor a podridão dos personagens, o terror e a violência já estavam presentes nas pequenas sutilezas, como, por exemplo, o gestual dos atores para pegar uma lâmina. Desse modo, o longa transborda um horror angustiante e inovador para uma premissa que, aparentemente, aborda o clichê de cientista maluco. </span></p>
<figure id="attachment_23387" aria-describedby="caption-attachment-23387" style="width: 1907px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1.jpg" alt="Cena do filme A Pele que Habito mostra uma mulher branca, careca, usando uma máscara branca de recuperação após fazer uma cirurgia plástica e um casaco preto ao centro de uma sala, com móveis modernistas." width="1907" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1.jpg 1907w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23387" class="wp-caption-text">Tal qual Kubrick em Laranja Mecânica, Almodóvar utiliza da estética clean para trazer a sensação de incômodo (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desse modo, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez com que Almodóvar levasse mais alguns prêmios para sua coleção. O cineasta, que nunca chegou a estudar Cinema, é um dos diretores mais premiados da história, e com seu </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foi diferente. O longa participou de diversas premiações e festivais pelo mundo, como o Festival de Cannes, levando o prêmio </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/11/estreia-a-pele-que-habito-um-almodovar-com-obsessao-e-ciencia.html"><span style="font-weight: 400;">Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">; o Globo de Ouro, sendo nomeado como Melhor Filme Estrangeiro; e o Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Goya</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual a película foi indicada para diversas categorias e ganhou como Melhor Atriz, Maquiagem, Ator Revelação e Melhor Trilha Sonora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os prêmios só reforçam a magnitude do filme de Almodóvar. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito </span></i><span style="font-weight: 400;">permeia os gêneros do drama, do romance e do terror, mostrando a versatilidade do diretor para a construção de uma obra complexa. Esse fato faz com que a película desenvolva uma narrativa eletrizante sem a ação presente nos </span><a href="https://incrivel.club/criatividade-arte/20-cliches-mas-trillados-de-las-peliculas-de-hollywood-347660/"><span style="font-weight: 400;">clichês </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A conclusão da obra, marcada pela incógnita, serve como ponto de exclamação para afirmar que Pedro Almodóvar é um dos maiores diretores da história do Cinema.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-pele-que-habito-10-anos/">A Pele que Habito abriga um interior sórdido</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/a-pele-que-habito-10-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">23385</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Dor e Glória molda arte ao redor do passado e do cinema</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/dor-e-gloria-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/dor-e-gloria-critica/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Oct 2019 18:42:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dor e Glória]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Almodóvar]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Evangelista]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=12770</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Não, Dor e Glória (Dolor y Gloria, no original) não é um filme autobiográfico. Seu realizador, o notório Pedro Almodóvar, prefere o termo autoficção. Caminhando em território poético, o cineasta conta uma história íntima sobre amores, perdas e sobre o passado de um diretor de cinema, brilhantemente vivido por Antonio Banderas. Dor e Glória &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dor-e-gloria-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dor e Glória molda arte ao redor do passado e do cinema"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/dor-e-gloria-critica/">Dor e Glória molda arte ao redor do passado e do cinema</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_12771" aria-describedby="caption-attachment-12771" style="width: 1294px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12771" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/piscina.jpg" alt="" width="1294" height="647" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/piscina.jpg 1294w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/piscina-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/piscina-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/piscina-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/piscina-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12771" class="wp-caption-text"><em>Dor e Glória foi o filme escolhido para representar a Espanha no Oscar 2020 (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dor e Glória</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Dolor y Gloria</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) não é um filme </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/efe/2019/03/18/almodovar-dor-y-gloria-e-o-filme-que-me-representa-mais-intimamente.htm"><span style="font-weight: 400;">autobiográfico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu realizador, o notório Pedro Almodóvar, prefere o termo </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2014/01/13/interna_diversao_arte,407518/genero-da-autoficcao-vira-tendencia-na-literatura-contemporanea.shtml"><span style="font-weight: 400;">autoficção</span></a><span style="font-weight: 400;">. Caminhando em território poético, o cineasta conta uma história íntima sobre amores, perdas e sobre o passado de um diretor de cinema, brilhantemente vivido por Antonio Banderas.</span></p>
<p><span id="more-12770"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dor e Glória</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue a rotina de Salvador Mallo, cineasta afastado do ramo e que sofre de diversos problemas médicos. Suas costas doem, um zumbido inferniza sua audição e as enxaquecas não o deixam em paz. Antonio Banderas constrói, camada por camada, e sem cair em </span><a href="https://www.vulture.com/2016/10/oscar-bait-2016-oscar-movies.html"><span style="font-weight: 400;">maneirismos baratos</span></a><span style="font-weight: 400;">, um homem atormentado. O aparato físico pesa, mas é o lado emocional que realmente castiga o protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar buscou no </span><a href="https://vejasp.abril.com.br/blog/miguel-barbieri/real-e-ficcao-dor-e-gloria-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">próprio passado</span></a><span style="font-weight: 400;"> muitos dos atributos que entregou nas mãos de Banderas. A cirurgia na coluna, o figurino exuberante e o endereço de sua casa são peças pequenas comparadas a carga dramática que o diretor real escreve para seu diretor fictício. E Banderas, talentoso que só, não a toa </span><a href="https://extra.globo.com/tv-e-lazer/antonio-banderas-ganha-premio-de-melhor-ator-em-cannes-2019-por-seu-papel-em-filme-de-almodovar-23695058.html"><span style="font-weight: 400;">venceu </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Ator.</span></p>
<figure id="attachment_12772" aria-describedby="caption-attachment-12772" style="width: 1144px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12772" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/penelope.jpeg" alt="" width="1144" height="724" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/penelope.jpeg 1144w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/penelope-300x190.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/penelope-768x486.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/penelope-1024x648.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12772" class="wp-caption-text"><em>Dor e Glória é o 21º filme de Pedro Almodóvar (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dor e Glória</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme complacente. Na jornada de Salvador, o passado é a estrada. Chegado o ponto de estagnação, tanto na carreira fílmica quanto na vida cotidiana, o homem reflete sobre suas decisões, seus fantasmas e, principalmente, sobre seu cinema. E é nesse fator que Almodóvar brilha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O espanhol brinca com experiências e vivências </span><a href="https://observador.pt/2019/09/05/dor-e-gloria-os-trabalhos-e-os-padecimentos-de-pedro-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">anteriores</span></a><span style="font-weight: 400;">, filma seu protagonista silencioso e pensativo, colore seus ambientes com tons </span><a href="http://artenocaos.com/cinema/o-uso-das-cores-vermelhas-por-pedro-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">fortes e quentes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo isso contraposto a frieza involuntária de Salvador. E assim, pouco a pouco, o filme posiciona coadjuvantes para extraírem do cineasta o combustível que o guiará para frente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O filme apresenta um caráter episódico mas, se tratando do tema e do </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/almod%C3%B3var-saboreia-em-cannes-recep%C3%A7%C3%A3o-calorosa-de-dor-e-gl%C3%B3ria-1.339867"><span style="font-weight: 400;">realizador</span></a><span style="font-weight: 400;">, quaisquer desvios narrativos ou coincidências rítmicas se tornam poesia em tela. O </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-cinema-de-pedro-almodovar-"><span style="font-weight: 400;">cinema de Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;"> alcança um nível de verdade e de solenidade que não há necessidade alguma de provação ou reafirmação. Ele apenas é.</span></p>
<figure id="attachment_12773" aria-describedby="caption-attachment-12773" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12773" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mae.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mae.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mae-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mae-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mae-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mae-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12773" class="wp-caption-text"><em>Pedro Almodóvar já venceu dois Oscars, um por roteiro original (Fale com Ela) e outro por filme estrangeiro (Tudo Sobre Minha Mãe) (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As figuras periféricas a Salvador aglutinam sentimentos e reações, buscam frestas para cavar o legado e a aura do artista. A </span><i><span style="font-weight: 400;">priori</span></i><span style="font-weight: 400;">, quem merece destaque é a brilhante Penélope Cruz, intérprete de Jacinta, mãe de Banderas, em </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">. Astuta, ríspida e com um olhar afetuoso, a atriz cria uma ponte entre o Salvador de ontem e o de hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Junto a ela, interpretando a mãe idosa, Julieta Serrano. A atriz veterana carrega uma benignidade afogada. Suas conversas com Banderas, ora improvisadas pelos atores, transmitem verdade e perdão. Em <em>Dor e Glória</em> sobra até espaço para uma </span><a href="https://tecoapple.com/2019/05/31/rosalia-amor-e-gloria-trailer/"><span style="font-weight: 400;">pontinha</span></a><span style="font-weight: 400;"> da cantora </span><a href="http://personaunesp.com.br/el-mal-querer-rosalia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rosalía</span></a><span style="font-weight: 400;">, vivendo uma lavadora da vila.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, as melhores parcelas do filme são as divididas entre Antonio Banderas e Leonardo Sbaraglia. Interpretando Federico, o ator representa um ideal de amor inalcançável e insuperável para o personagem de Salvador. Além, é claro, de deliciar o espectador com uma paixão tímida, cálida.</span></p>
<figure id="attachment_12774" aria-describedby="caption-attachment-12774" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12774" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/dois.jpg" alt="" width="1440" height="733" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/dois.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/dois-300x153.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/dois-768x391.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/dois-1024x521.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/dois-1200x611.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12774" class="wp-caption-text"><em>A relação entre Salvador e Alberto (Asier Etxeandia) foi livremente inspirada na de Almodóvar com o ator Eusebio Poncela (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dor e Glória</span></i><span style="font-weight: 400;"> é otimista. Mesmo quando o filme constata que o louro da vida já pode ter se esvaído, o roteiro de Almodóvar sorri para seu protagonista. Um sorriso que diz muito, novas memórias podem ser construídas, novos momentos moldados. O cinema é imperativo nesse posicionamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A arte de Salvador (e também a de Almodóvar) é ser vivo, em constante expansão. Os caminhos que a poesia alastra podem ser fundamentais para um novo ponto de partida. E, aqui, mesmo com mais dor do que glória, o diretor consegue fundamentar sua máxima. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/dor-e-gloria-critica/">Dor e Glória molda arte ao redor do passado e do cinema</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/dor-e-gloria-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12770</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
