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	<title>Arquivos Paul Mescal &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Hamnet: A Vida Antes de Hamlet transforma o luto em experiência coletiva</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 13:00:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Mendes Lidar com o luto é uma tarefa inegavelmente complicada. A dor parece eterna e, mesmo quando diminui, deixa um rastro de sofrimento e memórias em cada vida que toca. Em muitos casos, recorrer à arte para expressar e aliviar o sentimento se mostra efetivo durante o processo de aceitação e vivência de cada &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hamnet-a-vida-antes-de-hamlet-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet transforma o luto em experiência coletiva"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37041" aria-describedby="caption-attachment-37041" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37041" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed1-800x450.jpg" alt="Uma paisagem está no plano superior. Uma mulher de cabelos castanhos e usando um vestido vermelho está deitada em posição fetal no chão de uma floresta. Ao redor dela, há raízes expostas, folhas secas e vegetação. A paisagem está em tons terrosos." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed1.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37041" class="wp-caption-text">“O coração dos nossos filhos bate. Eles sorriem, brincam. Nunca se esqueça por um instante que eles podem partir” (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lidar com o </span><a href="https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-ones-we-love/202407/grief-its-whats-on-tv"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma tarefa inegavelmente complicada. A dor parece eterna e, mesmo quando diminui, deixa um rastro de sofrimento e memórias em cada vida que toca. Em muitos casos, recorrer à </span><a href="https://cortel.com.br/o-luto-na-historia-da-arte/"><span style="font-weight: 400;">arte</span></a><span style="font-weight: 400;"> para expressar e aliviar o sentimento se mostra efetivo durante o processo de aceitação e vivência de cada fase. O pesar não tem a intenção de se encaixar. Ele chega como um fenômeno natural, sem previsão de fim. Ainda assim, o cotidiano não espera que a angústia passe ou que seja sentida para continuar. </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamnet: A Vida Antes de Hamlet</span></i><span style="font-weight: 400;"> retrata o luto como um personagem que predomina e avassala toda a narrativa.</span></p>
<p><span id="more-37040"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado no romance de </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2020/mar/22/maggie-ofarrell-novel-hamnet-interview-the-agony-of-burying-your-child"><span style="font-weight: 400;">Maggie O’Farrell</span></a><span style="font-weight: 400;">, o drama acompanha Agnes (Jessie Buckley), uma curandeira, e William (Paul Mescal), um escritor frustrado que luta para pagar as dívidas da casa. Agnes é um espírito livre e, assim como as demais mulheres de sua família, é vista por muitos como uma </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/sociedade/historia/noticia/2023/09/por-que-mulheres-eram-julgadas-bruxas-nos-seculos-16-e-17-estudo-explica.ghtml"><span style="font-weight: 400;">bruxa</span></a><span style="font-weight: 400;"> da floresta por sua relação peculiar com a natureza. Os jovens se conhecem e imediatamente são atraídos um pelo outro, resultando em um casamento e em uma gravidez quase imediata. Com o amor florescendo, Agnes incentiva William a ir para Londres trabalhar com a comunidade teatral. Contudo, apesar da felicidade aparente, o casal deve enfrentar uma tragédia que coloca seu vínculo em risco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando </span><a href="https://super.abril.com.br/ciencia/o-mundo-no-tempo-das-pestes/"><span style="font-weight: 400;">pragas</span></a><span style="font-weight: 400;"> assolam a Europa do século XVI, o filho, Hamnet (Jacobi Jupe), de 11 anos, contrai uma delas e morre em agonia nos braços da mãe. Os cônjuges, mergulhados em um luto profundo, têm dificuldades para processar a perda e a vida depois de Hamnet. Com o escritor viajando, a curandeira precisa cuidar das filhas e da casa, enquanto tenta suportar a própria dor de ter visto o filho morrer em seus braços sem o poder de mudar o seu destino. Entre previsões de um futuro incerto e premonições simbólicas, tanto do marido em Londres quanto da esposa em Stratford, a cura e a inevitabilidade dos acontecimentos caminham juntas rumo a uma tragédia que marca a </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/as-verdades-e-mitos-da-vida-intima-de-shakespeare-revelados-no-filme-hamnet/"><span style="font-weight: 400;">história</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_37042" aria-describedby="caption-attachment-37042" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37042" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed2-800x450.jpg" alt="Uma multidão vestida com roupas típicas do século XVI é vista pelo plano superior. Elas estão reunidas ao redor de um espaço de madeira. Todas esticam as mãos em direção a um homem, vestido de azul, no centro da imagem, em cima de uma estrutura de madeira. O homem também estica os braços em direção a multidão." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed2.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37042" class="wp-caption-text">O drama acumula dezenas de prêmio e 8 indicações ao Oscar 2026, incluindo Melhor Filme e Melhor Roteiro (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da relação direta com </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamlet</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1623), famosa obra de </span><a href="https://youtu.be/HUHEPo_g0AQ?si=Kt4golAHCAFU-ukW"><span style="font-weight: 400;">Shakespeare</span></a><span style="font-weight: 400;">, é evidente que o protagonismo pertence à Agnes, baseada em </span><a href="https://www.shakespeare.org.uk/explore-shakespeare/shakespedia/william-shakespeare/william-shakespeares-family/anne-hathaway/"><span style="font-weight: 400;">Anne Hathaway</span></a><span style="font-weight: 400;">, esposa do dramaturgo. Sua trajetória tocante e sua personalidade única estabelecem uma conexão imediata com o espectador, destacando uma figura historicamente negligenciada e apagada. Trechos famosos do poeta são integrados à narrativa, mantendo a riqueza de detalhes e referências. Sob a direção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chloé Zhao</span></a><span style="font-weight: 400;">, cineasta premiada, a obra reúne produtores altamente reconhecidos pela crítica como </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><span style="font-weight: 400;">Steven Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://farofageek.com.br/filmes/1917-como-o-longa-de-sam-mendes-foi-filmado/"><span style="font-weight: 400;">Sam Mendes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.screendaily.com/news/hamnet-producer-liza-marshall-to-join-screen-summit-building-on-the-uks-global-success/5209050.article"><span style="font-weight: 400;">Liza Marshall</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama explora as relações pessoais complexas e os desafios ao seguir sonhos em um </span><a href="https://youtu.be/5Khp_i66eP8?si=08Vz8KYjCIKirAnK"><span style="font-weight: 400;">contexto social</span></a><span style="font-weight: 400;"> limitante. Acompanhar Agnes, William e suas famílias a partir de uma abordagem íntima e natural é uma experiência tão intensa quanto a floresta que circunda a pequena vila onde vivem. Com as mudanças que atravessam a rotina do grupo, cada decisão reverbera intensamente. A </span><a href="https://glamour.globo.com/entretenimento/filmes-e-series/noticia/2025/08/gente-como-a-gente-uma-lista-de-filmes-sobre-pessoas-comuns-para-assistir.ghtml"><span style="font-weight: 400;">vida doméstica</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o luto influenciam diretamente Will em suas produções artísticas, que, mais tarde, inspiram a criação da trágica peça Hamlet.</span></p>
<figure id="attachment_37043" aria-describedby="caption-attachment-37043" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37043" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed3-800x428.jpg" alt="Uma multidão está concentrada diante de uma estrutura de madeira. No centro, uma mulher de cabelos castanhos e vestido vermelho estende a mão em direção a um homem fora de cena. Sua expressão revela concentração e envolvimento emocional. Ao redor, as pessoas observam com atenção. Seus rostos revelam sentimentos variados a respeito do homem. Todos utilizam roupas típicas do século XVI." width="800" height="428" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed3-800x428.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed3-1024x548.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed3-768x411.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed3-1200x643.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed3.jpg 1320w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37043" class="wp-caption-text">Para escrever Hamnet (2020), Maggie O’Farrell realizou pesquisas teóricas e práticas, incluindo plantar seu próprio jardim medicinal elizabetano (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O isolamento, a recusa em seguir adiante e o apego à própria dor surgem como respostas válidas e humanas. As explosões emocionais que surgem da repressão do pesar trazem um toque humano e sensível que permeia muito após o fim dos créditos. Nesse sentido, a escolha do elenco se mostra um dos grandes acertos do filme. </span><a href="https://www.elle.com/culture/movies-tv/a69225685/jessie-buckley-elle-women-in-hollywood-interview-2025/"><span style="font-weight: 400;">Jessie Buckley</span></a><span style="font-weight: 400;">, em especial, entrega uma atuação visceral e traduz com precisão a mistura de emoções que definem Agnes. A atriz irlandesa constrói uma personagem dolorosamente real e magnífica. </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-historia-do-som-paul-mescal-e-josh-oconnor-brilham-em-uma-ode-ao-amor-e-a-musica/"><span style="font-weight: 400;">Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://time.com/7333783/jacobi-jupe-noah-jupe-hamnet-interview/"><span style="font-weight: 400;">Jacobi Jupe</span></a><span style="font-weight: 400;">, como William e Hamnet respectivamente, se destacam e compõem um elenco estável e coeso, que sustenta a narrativa emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da produção, os elementos históricos, lugares, doenças e culturas, adicionam um tom essencial de realismo. A ambientação de época e trágica se reflete nos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-p9qT4y0M_M"><span style="font-weight: 400;">figurinos</span></a><span style="font-weight: 400;"> assinados por Malgosia Turzanska, figurinista polonesa, que reforçam a ligação de Agnes com a floresta, a intelectualidade de Will e a polaridade entre o casal. O estilo de fotografia de Lukasz Zal, diretor de fotografia, evidencia a carga dramática por meio da </span><a href="https://42filmes.com.br/2025/10/10/iluminacao-no-audiovisual-o-que-a-luz-comunica-em-um-video/"><span style="font-weight: 400;">iluminação</span></a><span style="font-weight: 400;"> ambiente, que aconchega e aproxima o público. Tons naturais, poucas movimentações de câmera e a montagem de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/oscar-2026-brasileiro-affonso-goncalves-nao-e-indicado-em-melhor-montagem/"><span style="font-weight: 400;">Affonso Gonçalves</span></a><span style="font-weight: 400;">, montador e editor de longas, contribuem para uma atmosfera estável e contemplativa.</span></p>
<figure id="attachment_37044" aria-describedby="caption-attachment-37044" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37044" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed4-800x450.jpg" alt="O ambiente é escuro e rústico, iluminado apenas por uma luz quente. Duas pessoas estão sentadas em uma mesa coberta por papéis e um copo. O homem apoia a cabeça na mesa, enquanto a mulher ao seu lado o abraça, com as mãos em seus cabelos. No fundo escuro, há estruturas de madeira e uma cama." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed4.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37044" class="wp-caption-text">A obra foi filmada em vilas e locais históricos da Inglaterra para trazer o olhar temporal proposto (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo familiar é intensificado pela trilha sonora de </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/como-max-richter-fez-milhares-de-pessoas-dormirem-nos-shows-dele-mas-adorou-cada-minuto-disso-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">Max Richter</span></a><span style="font-weight: 400;">, compositor alemão, utilizada de forma estratégica e em sintonia com a fotografia. Juntos, constroem um </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/cinema/desafio-narrativa-adrian-martin/"><span style="font-weight: 400;">ritmo calmo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas não monótono, permitindo que o espectador tenha tempo para se conectar e sentir sem barreiras e expectativas. Ao moldarem o ritmo da narrativa, criam uma experiência que desacelera o olhar, amplia a escuta e potencializa o impacto. Mesmo sem grandes reviravoltas, a obra se destaca por trabalhar a profundidade e complexidade intrínseca ao ser humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Transformar o luto em uma </span><a href="https://alemdaperda.com.br/luto-coletivo/"><span style="font-weight: 400;">experiência coletiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma forma de honrar e imortalizar a memória de quem partiu. A narrativa reforça que aceitar a dor como parte de si é um ato puro de amor e de coragem. Lembrar dos momentos vividos, sem se aprisionar à incansável angústia, oferece o descanso necessário à alma, não significando esquecimento. Seguir em frente não é um ato de traição, mesmo que possa parecer. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamnet: A Vida Antes de Hamlet</span></i><span style="font-weight: 400;">, a arte surge tanto como salvação quanto de ruína para Agnes e Will. Como um suspiro profundo de alívio, o drama transforma a agonia em criação e reafirma a arte como gesto de sobrevivência, memória e liberdade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Hamnet: A Vida Antes de Hamlet  | Trailer 1 (Universal Pictures) – HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Uj_kEvM-OtM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Após 5 anos de Pessoas Normais, ainda não superamos Connell e Marianne</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Dec 2025 13:00:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal   Um mesmo ambiente pode conter diversos significados àqueles presentes. A escola, por exemplo. Para alguns, é o ponto mais alto da própria vida: amigos, sucesso acadêmico, primeiros amores. Assim como, em outras perspectivas, é o lugar onde nossos gatilhos iniciais surgem. A estratificação social no ensino médio é algo real, perverso e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pessoas-normais-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Após 5 anos de Pessoas Normais, ainda não superamos Connell e Marianne"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36627" aria-describedby="caption-attachment-36627" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36627" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-800x533.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos castanhos e franja olhando para um homem branco de cabelos castanhos, que também devolve o olhar. Eles estão sentados e uma luz vermelha ilumina o espaço onde estão." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5.png 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36627" class="wp-caption-text">A minissérie foi o primeiro papel de Paul Mescal na Televisão (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal  </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um mesmo ambiente pode conter diversos significados àqueles presentes. A escola, por exemplo. Para alguns, é o ponto mais alto da própria vida: amigos, sucesso acadêmico, primeiros amores. Assim como, em outras perspectivas, é o lugar onde nossos gatilhos iniciais surgem. A estratificação social no ensino médio é algo real, perverso e assustador. Iniciando sua história nessa época da vida de seus protagonistas, </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (em tradução livre), livro da autora Sally Rooney, ganhou uma adaptação para a televisão em 2020. Em um formato de 12 episódios, Connell Waldron (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-historia-do-som-paul-mescal-e-josh-oconnor-brilham-em-uma-ode-ao-amor-e-a-musica/"><span style="font-weight: 400;">Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Marianne Sheridan (</span><a href="https://personaunesp.com.br/fresh-critica/"><span style="font-weight: 400;">Daisy Edgar-Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">) são o ponto de partida para uma análise da juventude da década de 2010. </span></p>
<p><span id="more-36624"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os personagens principais, que começam sua </span><a href="https://valkirias.com.br/normal-people/"><span style="font-weight: 400;">relação</span></a><span style="font-weight: 400;"> apenas como colegas de classe, vivem jornadas completamente diferentes: enquanto ele é popular, possui um grupo de amigos e é o desejo de todas as garotas, ela é considerada arrogante, desprovida de amor e estranha socialmente. Fora dalí, a mãe do rapaz </span><a href="https://www.stylist.co.uk/opinion/normal-people-marianne-connell-relationship-meaning-money-class-divide/391954"><span style="font-weight: 400;">trabalha</span></a><span style="font-weight: 400;"> como empregada doméstica na casa luxuosa da mãe da jovem. Embora na escola não interajam, nos momentos em que precisa buscar a matriarca, o adolescente conhece um pouco do mundo da estudante. Na verdade, a dupla tem muito mais a ver do que suas realidades apresentam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a barreira que eles construíram até aquele ponto de suas trajetórias e o medo de serem moralmente incompreendidos evaporaram a partir do primeiro beijo. É como se, pela primeira vez, os dois pudessem viver confortavelmente nas próprias peles. No entanto, por pertencerem a classes sociais distintas no ambiente escolar, Waldron pede à Sheridan que não conte a ninguém sobre o </span><i><span style="font-weight: 400;">affair</span></i><span style="font-weight: 400;">. O que começou com um toque de lábios se transformou em sucessivos encontros casuais, preenchidos pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9DEkcpzKMcA"><span style="font-weight: 400;">ligação</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre almas que precisavam se encontrar. </span></p>
<figure id="attachment_36625" aria-describedby="caption-attachment-36625" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36625" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-800x450.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há um homem e uma mulher brancos de cabelos castanhos utilizando um uniforme cinza com uma gravata marcada por listras azuis e amarelas. Os dois estão em um jardim e olham para à frente." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36625" class="wp-caption-text">Pertencentes a classes sociais distintas, o dinheiro é um tema central do envolvimento de Connell e Marianne (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem o carinho de sua família, Marianne apresenta dificuldades de interação social em cada um dos dias do ensino médio. Amabilidade nunca foi um vocabulário ensinado dentro de casa e, por isso, o traquejo social da jovem não é um dos mais impressionantes. Ao mesmo tempo, Connell é o filho perfeito. Bonito, carismático na medida certa e querido por aqueles que o rodeiam, o rapaz encontra na dinâmica com a ‘ficante’ – mesmo que eles não se rotulem – uma maneira de ser o seu verdadeiro eu. A partir das tardes em </span><a href="https://www.edublin.com.br/sligo/"><span style="font-weight: 400;">Sligo</span></a><span style="font-weight: 400;">, cidade da Irlanda onde os personagens vivem e estudam, a garota se sente vista pela primeira vez desde que se entende como um ser humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Prestes a se formarem e iniciarem suas vidas na universidade, o baile de formatura é um evento muito importante na história dos protagonistas: ao invés de assumir a amada, o rapaz decide levar Rachel (</span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/news/leah-mcnamara-normal-people-b2373656.html"><span style="font-weight: 400;">Leah McNamara</span></a><span style="font-weight: 400;">) para a festividade. Escolhendo, mais uma vez, a sua reputação à dinâmica que tem com a pessoa que o compreende melhor, as amarras sociais se tornam uma barreira à real personalidade do personagem. A partir do quarto episódio da série, dirigida por </span><a href="https://lithub.com/lenny-abrahamson-on-adapting-sally-rooneys-normal-people-for-tv/"><span style="font-weight: 400;">Lenny Abrahamson</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/films/features/beautiful-thing-normal-people-hettie-macdonald-lgbtq-film-a9531541.html"><span style="font-weight: 400;">Hettie Macdonald</span></a><span style="font-weight: 400;">, chegamos à idade adulta. Aqui, as vivências se misturaram, levando um de volta ao outro novamente.</span></p>
<figure id="attachment_36629" aria-describedby="caption-attachment-36629" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36629" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-800x420.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há um homem e uma mulher brancos de cabelos castanhos sentados na calçada. Ela usa um vestido preto e um tênis branco, além de segurar um sorvete na mão esquerda. Ele veste uma blusa e short azuis, além de usar um tênis branco. Os dois se encaram." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-1536x806.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-1200x630.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3.png 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36629" class="wp-caption-text">Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones foram indicados ao Bafta (Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão), em 2021; o ator venceu a categoria na qual concorria (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano como calouro é difícil e, de certa forma, dita a maneira como um jovem irá viver a graduação. A excitação de estar em uma cidade nova após ser aprovado no curso e na faculdade dos sonhos é equivalente ao medo de falhar nas interações com outras pessoas, principalmente se é um lugar completamente diferente no qual você viveu grande parte da vida. Agora, Connell não é mais um arrasa-quarteirão. Na verdade, ele é um mero aluno do curso de </span><a href="https://www.vogue.co.uk/arts-and-lifestyle/article/normal-people-books-reading-list"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">, dentre uma classe inteira de sonhos ambiciosos. Aquilo que o tornava especial no ensino médio já não é mais reconhecido no mundo acadêmico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos maiores acertos – tanto o livro quanto a minissérie – é a habilidade de ter dois protagonistas igualmente interessantes, distintos, mas indubitavelmente pertencentes um ao outro. Em compensação, Marianne tem o sonho de uma vida: agora, ela é desejada pelos homens e possui amigas. É popular, relevante na teia social universitária e estuda História e Política na </span><a href="https://www.elitedaily.com/lifestyle/normal-people-filming-locations-dublin-ireland-itinerary"><span style="font-weight: 400;">Trinity College</span></a><span style="font-weight: 400;">, em Dublin, o mesmo local onde seu ex-amigo também frequenta. O reencontro de ambos traz a sensação agridoce de rever alguém que nos marcou em outra época: reconfortante, mas também doloroso.</span></p>
<figure id="attachment_36628" aria-describedby="caption-attachment-36628" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36628" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-800x450.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há uma mulher e um homem brancos de cabelos castanhos abraçados. Ela usa uma blusa preta e ele veste um suéter marrom. Os dois estão sérios e acompanhados do sol, que reflete em seus rostos." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5.png 1583w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36628" class="wp-caption-text">A <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3WsKQ06VJYFnl5msx295V9">trilha sonora</a> de Pessoas Normais é composta por <a href="https://www.hotpress.com/film-tv/stephen-rennicks-on-composing-the-stunning-score-for-normal-people-22819404">Stephen Rennicks</a> (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Frances Ha (2014)</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme dirigido por Noah Baumbach, um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=94rtEPIifpc"><span style="font-weight: 400;">monólogo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da personagem-título exemplifica a relação entre os protagonistas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i><span style="font-weight: 400;">. O sentimento de estar em uma festa e olhar para aquela pessoa amada (que te ama de volta) é o que torna o vínculo entre Sheridan e Waldron tão singular, potente e inquebrável. É como se eles fossem a pessoa um do outro em qualquer contexto em que estivessem. Mesmo que estejam separados ou se relacionando com outras pessoas, os dois </span><b>sempre </b><span style="font-weight: 400;">voltam àquele espaço construído desde o seu primeiro toque. Para quem assiste, a dinâmica entre a dupla é semelhante a uma redoma baseada em apoio mútuo, sinceridade e compreensão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.stylist.co.uk/people/normal-people-depression-loneliness-suicide-mental-health-connell-paul-mescal-therapy/390869"><span style="font-weight: 400;">abordagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos problemas psicológicos que acometem esses personagens talvez seja o que torna Connell e Marianne tão humanamente relacionáveis. Existem ramificações deles dentro de nós, nas mais variadas fases e áreas das vidas, e é isso que os coloca no imaginário dos jovens que tentam encontrar o seu lugar no mundo. No episódio 9, por exemplo, temos a chance de entender a respeito da dinâmica que a moça tem com sexo. Por não ter sido amada, ela pensa que deve ser punida e maltratada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Olhando para si mesma sem um pingo de empatia, a personagem se coloca em papéis de submissão para, de alguma forma, sentir que é alguém. Tudo isso por conta da negligência emocional na qual foi construída durante o período que viveu com a mãe e o irmão. Já no capítulo posterior, o protagonista finalmente vai para a terapia e tenta lidar com a sua persona construída na adolescência e a quebra de expectativa ao chegar à universidade. Em uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QNBa3HHjnGA"><span style="font-weight: 400;">cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> indiscutivelmente dilacerante, Paul Mescal mostra a que </span><a href="https://www.rollingstone.com/tv-movies/tv-movie-features/paul-mescal-history-of-sound-hamnet-beatles-1235426053/"><span style="font-weight: 400;">veio</span></a><span style="font-weight: 400;"> com uma entrega sufocante. Nesse momento, os demônios do protagonista são escancarados e, novamente, o entendemos.</span></p>
<figure id="attachment_36626" aria-describedby="caption-attachment-36626" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36626" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-800x533.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há um homem e uma mulher brancos de cabelos castanhos deitados em uma cama com cobertores, lençóis e travesseiros brancos. Eles estão de mãos dadas e sérios. Ele está sem blusa e ela está com um sutiã branco." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36626" class="wp-caption-text">Assim como Jesse e Celine da trilogia do <a href="https://personaunesp.com.br/antes-da-meia-noite-10-anos/">Antes</a>, Connell e Marianne possuem um espaço emocional e de respeito que existe apenas entre eles (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A culpa e a impotência são duas </span><a href="https://medium.com/@marcustaylor20/why-normal-peoples-connell-is-the-character-we-need-for-male-mental-health-88f07798044c"><span style="font-weight: 400;">dores</span></a><span style="font-weight: 400;"> que preenchem o peito do rapaz, à medida em que o desejo de ser amada e compreendida, nem que seja pela primeira vez na vida, é o sonho da jovem. Algo que nunca se tornou um tópico entre a dupla é a admiração profissional que ambos têm um pelo outro. Em contextos diferentes, eles revelam àqueles ao redor todo respeito que ditam suas interações. Embora seja uma obra carregada pela paixão incomparável, os dois nunca namoraram, e é isso que confere uma unicidade à construção desses personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se eles irão casar, não saberemos. Eles ficaram juntos? Nem a </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/sally-rooney-autora-de-pessoas-normais-nao-quer-mais-adaptacoes-dos-livros-dela/"><span style="font-weight: 400;">autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem uma resposta. A imprecisão do relacionamento de Connell e Marianne é o que dá vida a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">: saber que os percursos dos protagonistas irão se cruzar em algum ponto de suas respectivas trajetórias é o que torna tudo melhor. Ora estão juntos, ora se afastam. Às vezes por culpa dele; em outras, por ela. Em certas épocas, os </span><i><span style="font-weight: 400;">emails </span></i><span style="font-weight: 400;">são a única fonte de comunicação. Quando estão próximos, ao longo da faculdade, o estudante de Literatura e a aluna de História e Política tentam fazer acontecer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas essa é a graça. A incerteza. É olhar para aquele alguém, que você sabe que é a sua pessoa e não tê-lo. Na verdade, vocês têm um ao outro. Para sempre, há aquele lugar ocupado por ela. As primeiras experiências que Sheridan e Waldron construíram, os momentos escondidos nas casas de ambos, a admiração do seu pessoal e profissional, tudo culminou para que eles fossem imprescindíveis reciprocamente. “</span><a href="https://www.instagram.com/p/DJKCCuLBXe_/?img_index=1"><span style="font-weight: 400;">Eles são namorados? Pior que isso</span></a><span style="font-weight: 400;">”, expressão da cultura de Internet, é uma maneira de representar a relação dos personagens principais, pois, de fato, não há uma afirmação pautada em certeza para dizer o que eles significam. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Eu vou</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">E eu vou ficar</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">E nós vamos ficar bem</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao </span><a href="https://www.vogue.co.uk/news/article/paul-mescal-theory-normal-people"><span style="font-weight: 400;">fim</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa experiência, o rapaz descobre que foi aceito em um programa de uma universidade em Nova York. Inicialmente, ficará fora de Sligo por um ano. Já Marianne experimenta deliciosamente a sensação de ser amada por aqueles que a conhecem. É como se ela tivesse sido descoberta enquanto uma pessoa e, a partir disso, possuísse toda a força do mundo para se sentir bem na própria pele. Na última cena, há a síntese do bem que os jovens fizeram entre si.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não estaria aqui se não fosse por você</span></i><span style="font-weight: 400;">”, frase dita por Waldron, e a resposta de Sheridan, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você seria uma pessoa completamente diferente, e eu também</span></i><span style="font-weight: 400;">” são momentos que sintetizam </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">. O entendimento de que alguém pode mudar a sua vida e dar um novo significado a ela é uma das sensações mais dolorosas, gratificantes e indescritíveis que alguém pode ter aos </span><a href="https://thescriptlab.com/weekly-feature/40936-quarter-life-crisis-movies-to-watch-if-youre-lost-in-your-20s/"><span style="font-weight: 400;">20 e poucos anos</span></a><span style="font-weight: 400;">. É inconcebível e honestamente inverossímil um mundo, uma configuração, realidade ou universo em que ‘Connells’ e ‘Mariannes’ não sejam a pessoa um do outro.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Normal People Trailer (Official) | Hulu" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/x1JQuWxt3cE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A História do Som: Paul Mescal e Josh O&#8217;Connor brilham em uma ode ao amor e a música</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Nov 2025 13:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Bezerra  Toda história de amor deveria poder ser vivida em alto e bom som, mas, nas trincheiras, resistem aquelas que precisaram criar uma melodia própria – e silenciosa – para si. A História do Som, dirigido por Oliver Hermanus, é baseado em um conto homônimo de Ben Shattuck, responsável pela adaptação do próprio texto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-historia-do-som-paul-mescal-e-josh-oconnor-brilham-em-uma-ode-ao-amor-e-a-musica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A História do Som: Paul Mescal e Josh O&#8217;Connor brilham em uma ode ao amor e a música"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36143" aria-describedby="caption-attachment-36143" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36143" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-800x450.jpg" alt="Cena do filme A História do Som: Dois homens, Lionel e David ( da esquerda para a direita), brancos e de cabelos castanhos, estão sentados lado a lado em um banco de madeira em uma sala de uma estação de trem antiga. Ambos vestem roupas de época, em tons marrons. Lionel olha para o outro enquanto conversa; David toca o próprio pescoço com a mão e parece pensativo. Ao fundo, há outras pessoas sentadas; um homem lê o jornal e um casal conversa entre si." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36143" class="wp-caption-text">A História do Som faz um retrato de uma relação rodeada de partituras e acordes (Fonte: Mubi)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda história de amor deveria poder ser vivida em alto e bom som, mas, nas trincheiras, resistem aquelas que precisaram criar uma melodia própria – e silenciosa – para si. </span><a href="https://mostra.org/filmes/a-historia-do-som"><i><span style="font-weight: 400;">A História do Som,</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">dirigido por Oliver Hermanus, é baseado em um conto homônimo de </span><span style="font-weight: 400;">Ben Shattuck, responsável pela adaptação do próprio texto em roteiro. O longa teve sua primeira exibição no Brasil na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas seções Foco Reino Unido e Perspectiva Internacional. </span><span style="font-weight: 400;">O filme apresenta a música em um lugar quase de protagonista e mergulha na </span><a href="https://abra.com.br/artigos/quais-sao-as-7-artes"><span style="font-weight: 400;">Quarta Arte</span></a><span style="font-weight: 400;"> para contar a história de Lionel (</span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;">) e David (</span><a href="https://personaunesp.com.br/rivais-critica/"><span style="font-weight: 400;">Josh O&#8217;Connor</span></a><span style="font-weight: 400;">), dois artistas que se conhecem em Boston, no fim da década de 1910, e cuja relação reverbera para muito além de sua breve duração.</span></p>
<p><span id="more-36139"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The History of Sound,</span></i><span style="font-weight: 400;"> título original, traz dois atores que estão em voga e cuja fama vem acompanhada de uma jornada convincente sobre seus talentos. No longa em questão, ambos conseguem definir bem seus personagens através de suas performances – o que, nesse caso, não significa limitá-los, porém expressar justamente as camadas que os constroem. Lionel foi criado em uma fazenda no Kentucky, onde se apaixonou por música popular</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Ele tem laços muito fortes com a sua família; é um homem doce, que está descobrindo o mundo, de certa forma – e o faz de um modo tímido e com o coração sempre perto de casa. David, por outro lado, cresceu em uma lógica familiar marcada pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-incrivel-eleanor-critica/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;">; órfão desde cedo, foi criado pelo tio, falecido há pouco tempo, e que o influenciou na paixão musical.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os cursos de vida de ambos os protagonistas parecem criar espaços para que um possa completar o outro. O encontro, no primeiro momento, é marcado pela paixão que compartilham e uma coreografia perfeita: uma troca de olhares sensível e um gestual carregado de leveza. Apesar de carnal à princípio, Hermanus nunca deixou que a natureza desse encontro fosse pura, uma vez que ele provoca diálogos que revelam uma conexão que vai além da atração física, mas que explica de onde ela surge. Aqui, a parceria de </span><a href="https://mostra.org/diretores/oliver-hermanus"><span style="font-weight: 400;">Hermanus</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Shattuck carrega algo extraordinário: a capacidade de gritar no silêncio. Durante todo o filme, existe um ar de desejo, um sentimento estranho de que essa relação parece nunca chegar perto de seu ápice. E isso é completamente proposital.</span></p>
<figure id="attachment_36140" aria-describedby="caption-attachment-36140" style="width: 789px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36140" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-2.png" alt="Cena do filme A História do Som. Lionel, um homem branco de cabelos castanhos, está sentado encostado na parede, ao lado de uma janela. Ele sorri e aparenta estar alegre; veste uma camisa listrada e um suspensório cinza. Os pés de outro homem, calçados com um sapato de couro marrom, estão apoiados na mesma janela." width="789" height="460" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-2.png 789w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-2-768x448.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36140" class="wp-caption-text">Em A História do Som, as cenas íntimas do casal fluem naturalmente e transmitem a segurança dos atores (Fonte: Mubi)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A ambientação nos anos 1920 é feita com maestria. Muito mais do que reconstruir uma época com cenários e caracterização, o longa consegue fazer retratos específicos dos lugares pelos quais percorrem os personagens. Entre eles: a faculdade de música, em Boston, a fazenda no Kentucky onde Lionel foi criado, Roma e Londres, onde esse também vive em alguns períodos, além das vilas, nos Estados Unidos. Nessas pequenas civilizações, ambos os protagonistas passaram coletando canções </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um </span><a href="https://souzalima.com.br/blog/o-que-e-fonografo/"><span style="font-weight: 400;">fonógrafo de cilindro</span></a><span style="font-weight: 400;">, o primeiro aparelho gravador, com o objetivo de guardá-las para a posteridade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O termo em inglês, </span><a href="https://rollingstone.com.br/artigo/alem-de-bob-dylan-o-lado-b-do-folk-gringo/"><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faz referência ao folclore, ao que é popular dentro de uma comunidade e tange muito mais o que é ‘dito’ e ‘por quem’ é dito do que ‘como’ e em que ‘ritmo’. Assim, os dois músicos mergulham na intimidade dessas histórias, através das canções, enquanto estreitam seus laços. Afinal, é nessa jornada, isolada da cidade e das outras partes de suas vidas, que a conexão dos dois ganha espaço físico para se expandir. Esse é um contexto em que ser </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">é, inevitavelmente, algo vivido no silêncio. É nele que, de novo, a coreografia e as atuações encontram um meio para se expressarem sem precisarem de uma única palavra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe uma sutileza ao transmitir a dor de quem gostaria de abraçar e beijar o parceiro que parte para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><span style="font-weight: 400;">guerra</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, quando Lionel vê David vestido em sua farda, é seu corpo quem fala: sua garganta se movimenta transportando de volta para dentro o choro que insiste em sair. A viagem dos dois é justamente o reencontro após esse momento. Em seguida, depois de um desentendimento, Lionel segue para Roma, e então para Londres, onde exerce funções de prestígio e se envolve em outras relações, inclusive com uma mulher. É claro para o espectador e para os personagens que ilustram essa nova vida do protagonista que existe um resíduo de passado nele, algo que o descola da realidade: o luto por algo que poderia ter sido mais.</span></p>
<figure id="attachment_36141" aria-describedby="caption-attachment-36141" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36141" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-800x471.jpg" alt="David, um homem branco, de cabelos castanhos e olhos claros, aparece com um uniforme militar e cabelo penteado com gel. Seus olhos parecem tristes e marejados de lágrimas. " width="800" height="471" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-800x471.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1024x603.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-768x452.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1536x904.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1200x707.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36141" class="wp-caption-text">“Não morra e mande chocolate” &#8211; diz Lionel a David (Fonte: Mubi)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da melancolia que a realidade social força sobre a história do casal, a forma como a conexão entre eles se apresenta é muito genuína e terna. Especialmente, durante a viagem em conjunto ou a qualquer momento em que falam sobre música. Infelizmente, (ou não) nem o texto, nem a direção conseguem impor sobre a narrativa um esquecimento dessa dor que é um fato histórico. Nesse sentido, é interessante que a </span><a href="https://dasartes.com.br/de-arte-a-z/veja-fotografias-dos-seculos-19-e-20-da-vida-gay-quando-o-amor-era-ilegal/"><span style="font-weight: 400;">repressão</span></a><span style="font-weight: 400;"> não seja um tópico discutido diretamente pelo casal, que, com certeza, a sentem, mas se ocupam em falar sobre o universo interno da relação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas vivências têm o poder de marcar a vida dos envolvidos para sempre, e expressar essa potência nas telas não é uma tarefa fácil. Para cumpri-la com êxito, </span><a href="https://suffolkcommunitylibraries.co.uk/pt/conheca-o-autor-ben-shattuck/"><span style="font-weight: 400;">Shattuck</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma linha do tempo em que a narrativa de Lionel e David ecoa: após a morte de sua mãe (Molly Price), o primeiro decide ir à cidade em que o ex-parceiro e eterno amor morou, para recuperar os cilindros das gravações que fizeram. No local, ele descobre que essa viagem não havia sido um pedido da universidade em que David trabalhava, como ele havia afirmado – na verdade, tratava-se de um projeto pessoal. Além disso, ele encontra uma personagem inesperada: a esposa do então professor e em uma condição ainda mais perturbadora – a de viúva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Belle (</span><a href="https://personaunesp.com.br/moxie-critica/"><span style="font-weight: 400;">Hadley Robinson</span></a><span style="font-weight: 400;">) entrega ao personagem de Mescal as cartas que recebeu dele após a morte do marido. Nesse momento, a atriz também se destaca conseguindo retratar esse novo conflito da trama. Entre o ciúme, o luto e a compreensão do amor que aquele homem sentia pelo seu parceiro falecido, ela se expressa de forma confusa e emotiva, completamente natural. Filmes são feitos por humanos para outros humanos, e, portanto, é primordial que seus personagens tenham a liberdade para agir como tal. </span></p>
<figure id="attachment_36142" aria-describedby="caption-attachment-36142" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36142" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-800x450.jpg" alt="Uma mulher negra de cabelos escuros e vestido bege listrado está sentada cantando em frente ao fonógrafo. Ao fundo, aparece um homem olhando a moça cantar." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36142" class="wp-caption-text">As músicas coletadas carregam a história de um povo e compõem a trajetória pessoal dos protagonistas (Foto: Mubi)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aquele pedaço de vida compartilhado entre Lionel e David era tão valioso que ele não recebe um desfecho nesse encontro com Belle. Na verdade, ele nunca acontece. Nos anos 80, Lionel, agora interpretado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Chris Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;">, se tornou um professor de música e escritor. Ele publica um livro sobre a jornada musical com seu ‘amigo’ – descrição que aponta, ainda que indiretamente, para as questões sociais que circundam essa história. Apenas nesse momento, décadas depois, o músico consegue acesso aos cilindros com as gravações das canções. Muito mais do que isso, aquela caixa com pequenos tubos metálicos materializa algo que estava invisível na sua alma e no ar, assim como as ondas mecânicas que compõem o que chamamos de som.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A História do Som</span></i><span style="font-weight: 400;"> cria uma narrativa que reflete amores e traumas sem deixar as lindas partes de um encontro de lado. Apesar da tragicidade, fica claro que os criadores entendem que uma jornada não precisa durar para sempre para ser considerada importante. Cooper tem uma performance mágica, que transmite tudo que essa relação continua a provocar dentro dele mesmo que tanto tempo depois. Além disso, a presença de canções </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;"> incríveis nas </span><a href="https://www.washingtonpost.com/entertainment/movies/2025/05/23/paul-mescal-history-of-sound-cannes/"><span style="font-weight: 400;">vozes</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos atores completa a sensibilidade do enredo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os envolvidos nessa narrativa constroem algo encantador, que emociona pelo amor que se viveu e por tudo mais que lhes foi roubado. Uma das músicas mais marcantes da história é a que David estava escrevendo enquanto vivia em Boston. Nela, uma pessoa chora a morte da amada sob seu túmulo; ela pede para que ele a deixe descansar. Esse desejo do personagem musical nunca foi respeitado. Talvez, David pensasse tal qual sua criação, mas a verdade é que estamos inclinados a fazer como o homem da canção e como Lionel. O que o filme de Hermanus nos mostra é que ser ouvido é um privilégio, e enquanto ele o for, o registro será uma forma de </span><a href="https://youtu.be/gVouPybdACs?si=0vrxD2KA3aGaHAsp&amp;t=80"><span style="font-weight: 400;">amar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de lembrar do que um dia foi a época mais feliz da vida de alguém.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="THE HISTORY OF SOUND | Official Trailer | Now Streaming Exclusively on MUBI" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/YfEYUoefwb8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>5 anos de Punisher: O fim está longe de ser aqui</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jun 2025 20:00:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Phoebe Bridgers talvez seja uma das artistas mais sinestésicas dessa nova safra do indie folk. Desde Strangers in the Alps, seu álbum de estreia, sua música tem cheiro, clima e cor de interior e isolamento. A voz serena e a harmonia calma de uma produção muita das vezes composta só por guitarra e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/punisher-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos de Punisher: O fim está longe de ser aqui"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35397" aria-describedby="caption-attachment-35397" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35397" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-5-800x800.png" alt="Capa do álbum Punisher, de Phoebe Bridgers. Nela, vemos Phoebe, uma mulher branca de cabelos platinados. Ela veste um macacão preto com estampa de esqueleto. Ela está centralizada na parte inferior enquanto olha para cima. Ela está em um deserto, com uma montanha de fundo e uma noite estrelada. A imagem está tratada de forma que o chão está na cor vermelha e o fundo na cor azul" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-5-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-5-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-5-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-5.png 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35397" class="wp-caption-text">Olof Grind, fotógrafo responsável pela identidade visual do álbum, disse que o tom soturno da capa foi ideia de Phoebe, que queria a imagem mais assustadora possível (Foto: Dead Oceans)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Phoebe Bridgers talvez seja uma das artistas mais sinestésicas dessa nova safra do </span><i><span style="font-weight: 400;">indie folk</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0qWcLfCZ8wtcoOdX14oGNI"><i><span style="font-weight: 400;">Strangers in the Alps</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu álbum de estreia, sua música tem cheiro, clima e cor de interior e isolamento. A voz serena e a harmonia calma de uma produção muita das vezes composta só por guitarra e violinos presente em sua discografia na carreira solo, dão a impressão de estarmos sozinhos em um ambiente em que gritar nosso sentimentos resultam neles te atingindo em forma de eco, por isso, a escolha de se recolher em sua própria autopiedade e depreciação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É uma linha recorrente nos versos de artista o desejo de querer desaparecer, seja no sentido material da palavra ou até mesmo em ser abduzida por uma nave espacial. Ironicamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher</span></i><span style="font-weight: 400;">, que completa cinco anos,</span> <span style="font-weight: 400;">veio no cenário favorável para que isso acontecesse. Com a </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/music/story/2020-06-18/phoebe-bridgers-punisher"><span style="font-weight: 400;">pandemia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de covid-19, grande parte do mundo tinha sumido para seu próprio universo particular. Porém, em efeito contrário, o fato de estarmos vivendo a reclusão e desconexão com si próprio já cantada por Phoebe só fez com que nos aproximássemos de sua obra no momento em que ela justamente transitava entre otimismo e esperança.</span></p>
<p><span id="more-35396"></span></p>
<figure id="attachment_35398" aria-describedby="caption-attachment-35398" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35398" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-5-800x531.png" alt="Foto de Phoebe Bridgers, Nela vemos a cantora com um macacão preto com estampa de esqueleto. Ela está em uma planice de terra, com várias poças em volta, enquanto encara a câmera." width="800" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-5-800x531.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-5-768x510.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-5.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35398" class="wp-caption-text">Um fator que contribui para a mística da tristeza envolta da cantora são seus relacionamentos, sendo o mais famoso com o ator Paul Mescal (Foto: Olof Grind)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se tem uma estreia boa como a de Bridgers, muito se teoriza sobre seu </span><i><span style="font-weight: 400;">sophomore</span></i><span style="font-weight: 400;">, claro, sempre esperando algo a mais. A questão aqui é que a cantora é bastante consciente do que faz e onde pode chegar. De fato </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher </span></i><span style="font-weight: 400;">é, por si só, mais melodramático e apocalíptico que seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;">, no entanto não faz com que ele necessite ir além ou ser esse algo a mais, até porque o diferencial da carreira da artista sempre vai estar em suas obras, que é sua </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/phoebe-bridgers-punisher-snl-guitar-interview"><span style="font-weight: 400;">composição</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bridgers é uma cronista fantasiada de musicista. A forma como suas letras são </span><a href="https://www.nme.com/big-reads/phoebe-bridgers-cover-interview-2020-punisher-2685827"><span style="font-weight: 400;">tão descritivas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e específicas dão a impressão de que o mundo gira mais devagar para ela e de que todas suas emoções são imensamente mais intensas. Dessa forma, o álbum funciona como um amplificador para nossos próprios sentimentos que, ao invés de se esconder embaixo do lençol do fantasma, decide parecer mais a mostra com sua fantasia de esqueleto.</span></p>
<figure id="attachment_35399" aria-describedby="caption-attachment-35399" style="width: 651px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35399" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-4-651x800.png" alt="Ensaio de Phoebe Bridgers para a revista The Fader. Nela vemos Phoebe, uma mulher branca de cabelos platinados Ela veste um vestido preto de mangas curtas e está fotografada do busto para cima. Ela apoia a mão esquerda no queixo enquanto olha para cima. Ao fundo, uma parede na cor marrom claro" width="651" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-4-651x800.png 651w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-4-833x1024.png 833w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-4-768x944.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-4-1250x1536.png 1250w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-4-1200x1474.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-4.png 1627w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35399" class="wp-caption-text">A música de Phoebe Bridgers ressoa em nomes que vão de Taylor Swift a Gracie Abrams (Foto: The Fader/ Molly Matalon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O apocalipse de </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher </span></i><span style="font-weight: 400;">é bem sutil, funcionando como aquela garoa inicial que cai do céu mais feio e carregado. A </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-features/phoebe-bridgers-punisher-interview-1002273/"><span style="font-weight: 400;">tristeza característica</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Phoebe Bridgers aqui vem em doses homeopáticas, primeiro nos dando o ombro para depois permitir chorar. Tirando a intro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garden Song</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos guia do que esperar para a sequência do álbum: uma artista que, de uma forma onírica, consegue olhar para seus sentimentos como se fosse uma externa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos poucos, o disco se abre tanto para a tristeza quanto para uma produção um pouco mais aprimorada. E são esses elementos que exaltam a contradição deste segundo trabalho. Mesmo com um sentimentalismo pesado, na verdade esse registro é o mais otimista da curta discografia. </span><a href="https://www.thelineofbestfit.com/features/interviews/how-phoebe-bridgers-made-kyoto-best-song-2020"><i><span style="font-weight: 400;">Kyoto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">quase escancara isso: além do arranjo espirituoso, ela consegue tratar seus </span><i><span style="font-weight: 400;">daddy issues</span></i><span style="font-weight: 400;"> de forma mais madura e sincera. Phoebe não deixa de lamentar o amor quebrado, a fé corrompida ou o medo do futuro – e faz isso da forma mais doída possível. Entretanto, o grande diferencial é que aqui ela se mostra receptiva a passar por eles, vendo esses vários fins de mundo como começos de outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Músicas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Savior Complex </span></i><span style="font-weight: 400;">e a faixa-título deixam bem claro as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gjQJYzEf44Q&amp;ab_channel=RIML_TV"><span style="font-weight: 400;">referências</span></a><span style="font-weight: 400;"> da artista e suas intenções. Ele é propositalmente melancólico, remetendo a Joni Mitchell e </span><a href="https://www.npr.org/2020/04/16/834971727/phoebe-bridgers-elliott-smith-figure-8-20th-anniversary"><span style="font-weight: 400;">Elliot Smith</span></a><span style="font-weight: 400;"> – este sendo inspiração clara de </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher</span></i><span style="font-weight: 400;">, replicando uma tristeza que é, ao mesmo tempo, devastadora e acolhedora. Nesse sentido, o álbum se assemelha com o próprio </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6IZGwvxhXvw&amp;ab_channel=MadmanFilms"><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2011), onde a serenidade perante ao fim do mundo, ao invés de causar estranheza, se torna calorosa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Phoebe Bridgers - Kyoto (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Tw0zYd0eIlk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apostar no minimalismo da produção é essencial para que o registro revitalize a experiência além-auditiva na qual a cantora ficou conhecida. Tony Berg – compositor de</span><a href="https://personaunesp.com.br/daisy-jones-and-the-six-serie-critica/"> <i><span style="font-weight: 400;">Daisy Jones &amp; The Six </span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e Ethan Gurska, que é neto do lendário John Williams, repetem o acerto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Stranger in the Alps</span></i><span style="font-weight: 400;"> e mais uma vez conseguem, através da ambientação e escolha de instrumentos, construir um quarto imaginário em um dia chuvoso, afastado de tudo e todos, onde se ecoa a voz de Phoebe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher </span></i><span style="font-weight: 400;">foi responsável por catapultar a cantora para o público em geral, seu trabalho de estreia fez isso com a crítica e a indústria. Por isso, a voz de Phoebe não ecoa sozinha. No intervalo entre o primeiro trabalho e a produção deste, a cantora resolveu dar um tempo no protagonismo isolado e apostou em colaborações na cena </span><i><span style="font-weight: 400;">indie folk</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como resultado, o agrupamento que fez com Julien Baker e Lucy Dacus, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-record-critica/"><span style="font-weight: 400;">boygenius</span></a><span style="font-weight: 400;">, dá as caras nas faixas derradeiras, enquanto Conor Oberst, vocalista do </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/5o206eFLx38glA2bb4zqIU"><span style="font-weight: 400;">Bright Eyes</span></a><span style="font-weight: 400;"> com quem Phoebe fundou o projeto </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/3NBmfDV6Yh3hjuQUBVvYgO"><span style="font-weight: 400;">Better Oblivion Community Center</span></a><span style="font-weight: 400;">, empresta sua voz para faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas se engana quem pensa que a similaridade em conceito de seus dois álbuns representa certo conformismo da artista. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">Phoebe já dá lampejos dos caminhos que pode percorrer sem perder seu DNA, e isso fica a cargo das suas últimas faixas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Graceland Too</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, remete o </span><i><span style="font-weight: 400;">folk </span></i><span style="font-weight: 400;">do primeiro álbum e o mescla com o </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;"> – explicando o porquê de Julien Baker, natural de Nashville, integrar a faixa. Já a catártica </span><i><span style="font-weight: 400;">I Know the End</span></i><span style="font-weight: 400;"> abdica da artista com carinha de </span><a href="https://personaunesp.com.br/primavera-sound-critica/"><span style="font-weight: 400;">festival</span></a><span style="font-weight: 400;"> no final de tarde e apresenta uma Phoebe pronta para conduzir um coro histérico em arena, ao mesmo tempo em que entrega a melhor e mais potente faixa de sua carreira.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Phoebe Bridgers - I Know the End (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/WJ9-xN6dCW4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Os 25 anos, idade com que Phoebe produziu o disco, são tão imediatistas que realmente todo dia parece o fim do mundo – digo por experiência própria. Mas o que a artista faz aqui é de uma singularidade que a destaca dos demais. </span><a href="https://www.theringer.com/2020/06/19/music/phoebe-bridgers-punisher-interview-new-album"><i><span style="font-weight: 400;">Punisher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">consegue capturar a banalidade da tristeza moderna e a transformar em música, fazendo com que o horizonte, por mais apocalíptico que seja, se torne apenas em uma paisagem a se admirar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, o registro cresce a cada audição, principalmente se ela vier acompanhada de um fim de ciclo, seja ele qual for. Pois, se Phoebe está disposta a “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DXqZ66XK3z8&amp;ab_channel=PhoebeBridgers-Topic"><i><span style="font-weight: 400;">te dar a lua</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, o mínimo que ela espera é algo tão místico ou grandioso de sua parte, e essa barganha só se é entendida quando, a lá </span><i><span style="font-weight: 400;">memento mori</span></i><span style="font-weight: 400;">, percebe-se suas várias mortalidades e fins, que podem estar dobrando a esquina, em uma segunda-feira qualquer ou te esperando na porta de casa. E eu acho que um dos meus fins é aqui, até mais, te vejo no próximo.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Punisher" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6Pp6qGEywDdofgFC1oFbSH?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Todos somos Criaturas do Senhor</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Apr 2023 20:42:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez A Irlanda tem sido palco de produções interessantes e diversas. Longe dos conflitos amistosos e de uma bela ambientação folclórica, ou até da sensibilidade tocante de uma tal menina silenciosa, a ilha também abriga as Criaturas do Senhor e seus lados sombrios e humanos. Na obra, produzida pela oscarizada A24, a decisão de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/criaturas-do-senhor-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Todos somos Criaturas do Senhor"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30718" aria-describedby="caption-attachment-30718" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30718" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/criaturas-do-senhor-1.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-30718" class="wp-caption-text">Criaturas do Senhor estreou no Festival de Cannes em 2022 e chegou nos cinemas brasileiros em abril, seis meses após o lançamento global (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Irlanda tem sido palco de produções interessantes e diversas. Longe dos conflitos amistosos e de uma bela </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><span style="font-weight: 400;">ambientação folclórica</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou até da sensibilidade tocante de uma tal </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-menina-silenciosa-critica/"><span style="font-weight: 400;">menina silenciosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, a ilha também abriga as </span><i><span style="font-weight: 400;">Criaturas do Senhor </span></i><span style="font-weight: 400;">e seus lados sombrios e humanos. Na obra, produzida pela oscarizada </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;">, a decisão de uma mãe entre proteger seu filho ou deixá-lo aceitar as consequências de suas próprias ações norteiam um dilema sem volta, capaz de alterar a trajetória da cidade inteira e de um patriarcado atemporal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estrelado pelos indicados ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">Emily Watson e Paul Mescal, o filme demora a mostrar a que veio. Brian (Mescal) retorna ao lar, uma ilha não nomeada da Irlanda, depois de anos morando na Austrália. Sua partida é um mistério e seu retorno, mais ainda. Mesmo assim, o homem, na casa dos seus vinte e tantos anos, é bem recebido pela irmã Erin (Toni O’Rourke) e principalmente pela mãe, Aileen (Watson). O menino de ouro da mulher, porém, não é bem como ela o vê e, ao longo dos 100 minutos, se revela.</span></p>
<p><span id="more-30714"></span></p>
<figure id="attachment_30717" aria-describedby="caption-attachment-30717" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30717" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/criaturas-do-senhor-3.jpg" alt="" width="768" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-30717" class="wp-caption-text">Criaturas do Senhor é uma co-produção da A24, BBC Film e três produtoras regionais irlandesas (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a recepção do filho caçula é amarga pelo pai, interpretado por Declan Conlon, isso pouco importa diante da felicidade da mãe em reencontrá-lo. Para ela, o motivo pelo qual ele se foi é irrelevante, assomo como o porquê de ter voltado &#8211; ele </span><a href="https://personaunesp.com.br/belfast-critica/"><span style="font-weight: 400;">está em casa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, a desconfiança prevalece, já que Brian supostamente retornou ao lar apenas para trabalhar na plantação de ostras do avô, Paddy, uma atividade à princípio monótona demais para segurar um jovem em uma cidade pacata. Com o patriarca em terceira geração já sem condições de saúde para tocar o negócio, a família assume a empresa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Empresa essa que parece pautar o dia a dia de grande parte dos moradores da ilha. O local gira em torno do trabalho: enquanto os homens se dedicam à plantação e à pesca, as mulheres recebem, limpam, separam e comercializam as ostras. A divisão de tarefas é clara e sem mistérios, assim como a relação entre os gêneros nos âmbitos doméstico e social, mas a </span><a href="https://personaunesp.com.br/alcarras-critica/"><span style="font-weight: 400;">comunidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mantém unida, próxima e sem questionar, como tipicamente acontece em locais pouco povoados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O retorno de Brian é o que vira a maré. O bom moço se revela não tão bom assim. Como seu pai e avô faziam antes dele, o personagem de Mescal usa as madrugadas para a pesca ilegal e a natureza parece notar o desequilíbrio: as ostras retornam mofadas, inúteis para serem vendidas, e os trabalhadores são liberados até segunda ordem. A unidade local pouco se abala e </span><a href="https://mubi.com/notebook/posts/cannes-correspondences-2-magic-is-in-the-air"><i><span style="font-weight: 400;">God’s Creatures</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(no original) soa tão maçante quanto a vida na ilha irlandesa.</span></p>
<figure id="attachment_30719" aria-describedby="caption-attachment-30719" style="width: 550px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30719" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/criaturas-do-senhor-2.jpg" alt="" width="550" height="309" /><figcaption id="caption-attachment-30719" class="wp-caption-text">Emily Watson acumula conquistas: a atriz britânica foi indicada ao Oscar duas vezes, por Ondas do Destino e Hilary e Jackie, e ao Emmy, como Melhor Atriz Coadjuvante em Minissérie ou Telefilme por Chernobyl (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na direção, Anna Rose Holmer e Saela Davis, veteranas de colaboração, reconhecem a dupla de trunfos que protagoniza a obra e se contentam com eles. Apoiada nas atuações, a condução de </span><i><span style="font-weight: 400;">Criaturas do Senhor </span></i><span style="font-weight: 400;">abraça um ritmo tão lento e fatigante quanto o cotidiano da comunidade. Ao contrário de aura de mistério que evoca a curiosidade em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jfHnykLOjH4"><i><span style="font-weight: 400;">The Fits</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(drama dirigido por Holmer e co-roteirizado por Davis), a segunda parceria das cineastas só sai da apatia tarde, quando Aileen tem de escolher entre proteger o filho ou ver a justiça sendo feita.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até então &#8211; e mesmo depois da longa uma hora até chegar ao ponto -, o que se destaca é o trabalho intenso de </span><a href="http://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Watson, juntamente com os departamentos de fotografia e som, que enriquecem a ambientação do longa e são os grandes responsáveis pela verdadeira aura tensa. Apesar da superficialidade inicial em adereçar as dúvidas que provoca, deixadas de lado até um longínquo terceiro ato, os cenários de solidão nos quais os personagens são filmados e a ferida em aberto que permeia a comunidade reforçam a desconfiança e a hostilidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, o roteiro escrito a quatro mãos por Fodhla Cronin O&#8217;Reilly e Shane Crowley pouco ajuda e dá o mínimo para os atores trabalharem: Brian é tão unidimensional que é difícil não julgá-lo como culpado, apesar de toda a cidade não vê-lo assim. A Paul Mescal fica a tarefa de enchê-lo de olhares vazios e choros desesperançosos, de quem abraça a realidade de um personagem fadado a indigno. Ao contrário de obras anteriores, em que pôde explorar as nuances das personalidades de seus papéis &#8211; desde um </span><a href="https://personaunesp.com.br/aftersun-critica/"><span style="font-weight: 400;">pai amoroso</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas ausente a um </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><span style="font-weight: 400;">estudante apaixonado</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sem rumo -, o irlandês conta com seu próprio repertório de profundidade para dar a Brian um retrato de desilusão e apatia que ecoa no vento e no silêncio da ilha.</span></p>
<figure id="attachment_30716" aria-describedby="caption-attachment-30716" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30716" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/criaturas-do-senhor-1.1.jpg" alt="" width="640" height="336" /><figcaption id="caption-attachment-30716" class="wp-caption-text">Indicado ao Emmy em 2020 por Pessoas Normais, Paul Mescal acumulou nomeações por Aftersun, incluindo o Critics Choice Awards, o BAFTA e o Oscar (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que o </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/05/paul-mescal-interview-cannes-aftersun"><span style="font-weight: 400;">galã da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Emily Watson é quem brilha. Na pele da mãe, a atriz</span> <span style="font-weight: 400;">usa a quietude do roteiro e a lentidão da direção para mostrar seus dilemas. Mesmo com a alarmante chegada do filho, o cotidiano local só é timidamente abalado quando ele é acusado de estuprar Sarah (Aisling Franciosi), com quem já nutria uma relação anteriormente. Sem necessidade de discorrer a situação ou confirmar a culpa &#8211; uma escolha sábia da direção -, Aileen não hesita em fornecer o álibi para inocentar Brian, antes mesmo de saber pelo que ele era acusado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em diante, </span><i><span style="font-weight: 400;">Criaturas do Senhor </span></i><span style="font-weight: 400;">é todo de Watson: seus olhares perdidos são </span><a href="https://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/11815-a24-a-produtora-que-virou-protagonista-dos-cinemas"><span style="font-weight: 400;">protagonistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, suplicantes e cortantes, imploram ao filho que não tenha feito o que fez. Capitaneado pela interpretação inquietante e aflitiva da atriz, o processo de tomada de consciência engata o drama psicológico. Ela, uma mãe que tinha de escolher entre o sangue de seu sangue e o próprio senso de justiça e moral, passa a se mover de forma inerte na sociedade, como quem é apenas telespectadora do resultado das suas ações. Jogada aos cantos, habitando as arestas da câmera de Chayse Irvin, Aileen carrega o conflito em si.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a direção e o roteiro guardam as cartas nas mangas apenas para o final, a fotografia de Irvin não espera um segundo para mostrar a que veio. As lentes do cinegrafista é que fazem o trabalho simbólico, encarando os olhares desviados de Aileen e percebendo as </span><a href="https://personaunesp.com.br/close-critica/"><span style="font-weight: 400;">sutilezas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um suspeito Brian desde o início. O carisma negativo do moço é amenizado com os focos atenciosos da câmera, como em momentos em que interage com o avô doente. Aliado às imagens, o departamento de som escala a tensão e as nuances da narrativa nos uivos do vento, nas ondas do mar e nos ruídos das ostras batendo umas contras as outras em um galpão sem vida. À beira mar, as </span><i><span style="font-weight: 400;">Criaturas do Senhor </span></i><span style="font-weight: 400;">estão imersas nos silêncio e no barulho de si mesmas.</span></p>
<figure id="attachment_30715" aria-describedby="caption-attachment-30715" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30715" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/craituras-4.webp" alt="" width="720" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-30715" class="wp-caption-text">O veterano Lalor Roddy é quem interpreta Paddy, o avô da história: o ator, que participou do vencedor do Oscar Belfast, é um símbolo local de patriarcado e estagnação (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que inicialmente possa parecer sem rumo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Criaturas do Senhor </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta um estudo de personagens conflituosos e humanos em seus </span><a href="https://personaunesp.com.br/wolfwalkers-critica/"><span style="font-weight: 400;">contextos sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para além disso, estuda os sentimentos mais íntimos e até sombrios de uma mãe em proteção ao seu filho. Até que ponto Aileen iria para defendê-lo? De outro lado, até que ponto iria para fazer da própria consciência um lugar mais tranquilo e habitável, depois da sua decisão?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">A24 </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; atualmente, um selo impossível de ser ignorado e majoritariamente sinônimo de unicidade e visão autoral &#8211; , o longa-metragem, porém, faz menos do que pode: ao invés de aproveitar a liberdade criativa concedida pela distribuidora e as interpretações ferozes e profundas de suas </span><a href="https://www.indiewire.com/2023/03/paul-mescal-wants-to-keep-making-indie-films-1234815921/"><span style="font-weight: 400;">estrelas independentes</span></a><span style="font-weight: 400;">, as criaturas só fazem o seu melhor nas situações em que são colocadas. Por fim, com Brian aceitando seu destino e Aileen dividida entre seguir a vida e reparar suas escolhas, quem cresce é Sarah, isolada e deixada de fora. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Criaturas do Senhor </span></i><span style="font-weight: 400;">morre na praia, a moça, assim como o telespectador, dirige para longe ao som de trilhas mais positivas. Afinal, “</span><i><span style="font-weight: 400;">somos todos Criaturas do Senhor</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="God’s Creatures | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/fyOk1QVDlsI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Cuidado: Aftersun causa enjoo emocional</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 19:09:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Trabalhar o conceito da memória na Arte é uma artimanha e tanto. Para evocar o sentimento que viveu há cerca de duas décadas, é atrás das lembranças que vai a cineasta Charlotte Wells na confecção de Aftersun. A trama reflete um episódio experienciado pela irlandesa no fim dos anos noventa: uma viagem de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aftersun-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Cuidado: Aftersun causa enjoo emocional"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29143" aria-describedby="caption-attachment-29143" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29143 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.png" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha dançando abraçados. Ao fundo, vemos pessoas desfocadas. " width="1200" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-800x418.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1024x535.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-768x401.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29143" class="wp-caption-text">Irlandesa radicada em Nova Iorque, Charlotte Wells impressionou Cannes e Toronto antes de trazer Aftersun para vencer a Competição Novos Diretores da 46ª Mostra de SP (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trabalhar o conceito da memória na Arte é uma artimanha e tanto. Para evocar o sentimento que viveu há cerca de duas décadas, é atrás das lembranças que vai a cineasta Charlotte Wells na confecção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i><span style="font-weight: 400;">. A trama reflete um episódio experienciado pela irlandesa no fim dos anos noventa: </span><a href="https://a24films.com/notes/2022/10/a-note-from-charlotte-wells"><span style="font-weight: 400;">uma viagem de férias à Turquia</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao lado do pai, e seu apreço pela imagem como instrumento de ternura e captura do tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pequena Sophie (Frankie Corio) é a bússola do longa de estreia de Wells, parte da Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo e </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/aftersun-de-charlotte-wells-ganha-principal-premio-da-mostra-de-cinema-de-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">eleito o Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo Júri com o Troféu Bandeira Paulista. Ao lado do pai Calum (Paul Mescal), ela comemora o aniversário de 11 anos entre o quarto de hotel, a piscina, o oceano e as muitas caminhadas pelo ensolarado país euro-asiático, gravando as aventuras por meio de uma filmadora </span><i><span style="font-weight: 400;">miniDV</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29140"></span></p>
<figure id="attachment_29142" aria-describedby="caption-attachment-29142" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29142 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2.jpg" alt="Foto da diretora e de seu pai nas férias que inspiraram o filme. Está de noite e o flash ilumina o rosto deles. A menina sorri com um copo na mão e uma colher na boca e o pai também sorri, segurando um copo." width="1080" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-768x960.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29142" class="wp-caption-text">Sophie é escrita com a força e a curiosidade de uma criança nada estereotipada ou clichê, e elevada pela performance memorável de Frankie Corio; na foto, Charlotte Wells e seu pai nas férias que inspiraram o filme (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O aspecto </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage </span></i><span style="font-weight: 400;">das gravações caseiras é o que aclima </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i><span style="font-weight: 400;">, com destaque imediato para o trabalho de mescla que o diretor de fotografia Gregory Oke realiza ao longo dos quase cem minutos. Aliado ao som etéreo de Jovan Ajder e a montagem sentimentalmente carregada de Blair McClendon, o texto e a direção de Wells tomam forma pela </span><a href="https://blockbusteronline.com.br/escrevendo-de-dentro-para-fora-charlotte-wells-em-aftersun-entrevistas/"><span style="font-weight: 400;">veia nostálgica</span></a><span style="font-weight: 400;"> da infância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No tempo em que virou moda o exercício de transformar em filmes de ‘prestígio’ os  anos formadores da adolescência, tendência refletida no arrojado </span><a href="http://personaunesp.com.br/critica-roma/"><i><span style="font-weight: 400;">Roma</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e no enfadonho </span><a href="https://personaunesp.com.br/belfast-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Belfast</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Charlotte realiza um trabalho de afeto nada gratuito. Para analisar sua guinada artística e o papel que ocupa aos 30 anos e em emergente estado de ebulição criativa, ela revisita as férias na Turquia, um conjunto isolado de eventos banais e corriqueiros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fator decisivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é a </span><a href="https://cinepop.com.br/normal-people-a-arte-de-levar-a-banalidade-a-serio-entrevista-258385/"><span style="font-weight: 400;">contratação de Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;"> no protagonismo e as escolhas de atuação que o astro irlandês opta por seguir na pele de Calum. Silencioso, extremamente observativo e calmo, também na casa dos trinta, ele transmite no olhar e na linguagem corporal retraída todo o medo que acumula.</span></p>
<figure id="attachment_29145" aria-describedby="caption-attachment-29145" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29145 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3.jpg" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha numa piscina de lama, se sujando. Eles sorriem um para o outro e está de dia e ensolarado. " width="2560" height="1211" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-800x378.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1024x484.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-768x363.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1536x727.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2048x969.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1200x568.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29145" class="wp-caption-text">Com produção de Barry Jenkins e Adele Romanski, de Moonlight, <a href="https://personaunesp.com.br/the-underground-railroad-critica/">The Underground Railroad</a> e <a href="http://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/">Never Rarely Sometimes Always</a>, Aftersun tem dedo internacional da BBC e da A24 (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a filha Sophie, Calum é farol de </span><a href="https://laestatuilla.com/columnas/entrevista-con-charlotte-wells-directora-de-aftersun/"><span style="font-weight: 400;">segurança, austeridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e companheirismo. Ela, que vive em um mundo constantemente povoado por figuras masculinas, enxerga na ternura e na amizade dele o exato oposto do que sua mãe viu. Presente em linhas rápidas do roteiro de Wells e numa sequência singela gravada no estiloso telefone público cor de tomate, a mãe do filme é ausente de espaço físico, mas presente na aura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando questionado pela garota o motivo de trocar alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">“eu te amo” </span></i><span style="font-weight: 400;">com a ex-esposa, Calum justifica que, independente da separação, ela faz parte de sua família. Sentimento conjurado pela afetuosidade que Charlotte Wells dirige Paul Mescal, um profissional recente do mundo cinematográfico, mas que descolou em </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> uma vitrine de seus talentos e alcance, e mesmo com pinta de astro comercial, ainda pensa com carinho e cuidado a respeito dos papéis que escolhe dedicar seu tempo e ofício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As memórias da diretora, que perdeu o pai quando tinha dezesseis anos, não se curam com facilidade, tal qual o gesso molhado que Mescal empunha como armadura. Ele não se preocupa em mergulhar o braço no cloro da piscina ou nem mesmo liga de dar braçadas na água salgada do mar. A restauração da ferida, nebulosa nas explicações quando Sophie pergunta como aconteceu, se dá por meio da </span><a href="https://www.cinemadebuteco.com.br/criticas/aftersun-paul-mescal-entra-para-o-time-dos-grandes-pais-do-cinema-em-filme-pessoal-da-diretora-estreante-charlotte-wells/"><span style="font-weight: 400;">persistência e do esquecimento</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29141" aria-describedby="caption-attachment-29141" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29141 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381.jpg" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha posando para uma foto, sorrindo. Por trás da menina, ele faz “chifrinho” com a mão na cabeça dela." width="1920" height="1036" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1536x829.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1200x648.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29141" class="wp-caption-text">Grande lançamento independente do ano, o filme é uma co-produção entre EUA e Reino Unido e recebeu 4 indicações ao <a href="https://www.screendaily.com/news/aftersun-in-contention-for-four-prizes-as-us-gotham-awards-unveils-nominees/5175805.article">Gotham Awards</a>, destacando as performances de Mescal e Corio, e a direção de Wells (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma hora, ele corta a branquidão dura com uma tesoura sem ponta; na outra, o machucado sumiu, por mais que o aspecto cru da pele sem o calor do sol apareça. </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é assim: como maré branda, começa algo, termina outro, </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/aftersun"><span style="font-weight: 400;">não se atenta a linearidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> assim como evoca os </span><i><span style="font-weight: 400;">flashes </span></i><span style="font-weight: 400;">temporais nas sequências noturnas de uma espécie de balada. Entre as luzes da boate, Calum e uma Sophie adulta (Celia Rowlson-Hall) se misturam como água e açúcar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assistir a essa experimentação com </span><a href="https://personaunesp.com.br/conversas-entre-amigos-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">20 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é prova do poder do filme de Wells. Aos 11, Sophie enxerga o pai como uma figura de autoridade e amparo. Aos 31, Calum vê na filha alguém a ser guiada e defendida, com muito a aprender na jornada. No meio termo entre as duas caminhadas da vida, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">brinca com as expectativas e com os pontos de vista de um espectador no limiar entre a juventude e a vida adulta em sua complexa integridade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez, por isso, evocar um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9sfYpolGCu8"><span style="font-weight: 400;">enjoo emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> seja a maneira mais compatível para definir o sentimento. É como viajar de carro com os vidros fechados e sentir o estômago embrulhar, mas ao invés do motivo ser um sanduíche de presunto duvidoso, o mal-estar nasce de uma situação não resolvida, um amor esfarelado ou a mera sensação de crescer para além dos moldes em que nos encontramos.</span></p>
<figure id="attachment_29144" aria-describedby="caption-attachment-29144" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29144 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.png" alt="Cena do filme Aftersun, mostra o pai sozinho em um corredor vazio, segurando uma alça da mochila no ombro e olhando para a câmera." width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.png 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29144" class="wp-caption-text">“Eu tenho enjoo emocional, alguém abra as janelas, não existem palavras na língua inglesa que eu poderia gritar para te calar”, canta Phoebe Bridgers em Motion Sickness, numa passagem que muito se relaciona com o filme de Wells (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sophie não ressente propriamente o pai, mas entende que o homem que conhece não é Calum </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">em sua totalidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, quando confessa para ele as artes que aprontou no local, desde a troca de primeiros beijos até uma pulseira com créditos infinitos no bar, a garota espera essa troca mútua de confidências. Ou, por mais que a menina do filme não espere, a mulher que dirige essa quase biografia o faz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Forma de examinar o não tão distante ontem e compreender o muito ascendente hoje, o trabalho de Charlotte Wells em </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é digno de menção nas proficiências que executa com ilustre e célebre aptidão. Um drama de amadurecimento, uma história sensorial sobre um pai e uma filha em constante processo de conexão e apego, uma aventura europeia com pique de verão e um </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><span style="font-weight: 400;">estudo sobre o luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o que fazer com todo o amor que não possui mais remetente físico. O que vem depois do sol é tudo isso e um bocado mais, e fica a congratulação de Sophie: que mágico e virtuoso é poder viver tudo isso e, no processo, dividir com nossos queridos o mesmo céu.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="AFTERSUN | Official Trailer | Now Streaming on MUBI" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vXKcWRu8K_U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Para Sally Rooney, o mundo é repleto de Pessoas normais</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2022 16:02:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Na escola, no interior da Irlanda, Connell e Marianne fingem não se conhecer. Orbitando em mundos diferentes, os estudantes do Ensino Médio acabam se esbarrando quando ele busca a mãe, que trabalha como faxineira na casa da garota. As rápidas trocas de olhares acabam se transformando em pequenas conversas sobre os livros e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Para Sally Rooney, o mundo é repleto de Pessoas normais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26359" aria-describedby="caption-attachment-26359" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26359" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/CAPAWORDPRESSPESSOASNORMAIS.jpg" alt="Arte com fundo roxo. No canto superior esquerdo, vemos o olho do Persona com a íris da mesma cor do fundo. Ao centro, vemos a capa do livro Pessoas normais, e uma borda laranja do lado direito da capa, formando uma sombra. No canto inferior direito vemos escrito Clube do Livro Persona" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/CAPAWORDPRESSPESSOASNORMAIS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/CAPAWORDPRESSPESSOASNORMAIS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/CAPAWORDPRESSPESSOASNORMAIS-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26359" class="wp-caption-text">O Clube do Livro do Persona começou 2022 acompanhado por Pessoas normais, romance escrito por Sally Rooney e traduzido por Débora Landsberg (Foto: Companhia das Letras/Arte: Ana Júlia Trevisan)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na escola, no interior da Irlanda, Connell e Marianne fingem não se conhecer. Orbitando em mundos diferentes, os estudantes do Ensino Médio acabam se esbarrando quando ele busca a mãe, que trabalha como faxineira na casa da garota. As rápidas trocas de olhares acabam se transformando em pequenas conversas sobre os livros e os gostos pessoais um do outro. O problema é que, em público, Connell invisibiliza Marianne, por vergonha, por culpa, por egoísmo. Mas está tudo bem, afinal, eles não passam de </span><a href="http://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26305"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora Sally Rooney nunca coloca em palavras a relativização dos comportamentos de seus protagonistas imaturos, mas a sucessão de ações e reações que compõem as mais de duzentas páginas do livro não suavizam o absurdo desses </span><a href="https://personaunesp.com.br/on-the-rocks-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontros e desencontros</span></a><span style="font-weight: 400;">, perdidos em algum lugar na tradução de um sentimento para o seguinte. Muito além de uma crônica romântica que perpassa as ondas do tempo, o romance recusa-se a ajoelhar perante ao destino. Essa dupla opera às custas de suas próprias regras e mecanismos. </span></p>
<figure id="attachment_26306" aria-describedby="caption-attachment-26306" style="width: 1654px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26306 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL.jpg" alt="Arte com fundo verde e um desenho ao centro azul e branco. O desenho mostra duas pessoas deitadas se abraçando dentro de uma lata de sardinhas aberta, com a tampa para cima e o lacre também." width="1654" height="926" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL.jpg 1654w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-1024x573.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-768x430.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-1536x860.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-1200x672.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26306" class="wp-caption-text">“A maioria das pessoas viveriam suas vidas inteiras, Marianne pensou, sem nunca se sentirem tão próximas de alguém” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrativamente falando, a escrita mantém essa máxima, viajando pelos dias, semanas e meses de uma relação distante pelo calendário mas próxima pelo contato corpóreo e sentimental. Quando descreve uma simples troca entre Connell e Marianne, Rooney imprime tanta vulnerabilidade quanto precisão, afinal, que tipo de pessoa nunca </span><a href="https://personaunesp.com.br/verao-de-85-critica/"><span style="font-weight: 400;">se apaixonou</span></a><span style="font-weight: 400;"> na adolescência? Ou mesmo teve seu coração partido à beira da vida adulta?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jogando a favor das </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/71rgUemV30POf7V7aAOBdQ?si=0fab5415ecfc47cf"><span style="font-weight: 400;">memórias de seu público alvo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;"> prefere explorar as diferentes óticas de uma relação, pulando entre os pontos de vista de Connell e Marianne, e oferecendo a quem lê evidências o bastante para que não nasçam vilões ou mocinhas. A segurança de contar uma história “normal” pode ser o principal atrativo da obra, apenas o segundo romance escrito pela irlandesa.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Ele gargalhou de verdade. Marianne, ele disse, não sou religioso, mas às vezes acho que Deus fez você para mim”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu primeiro trabalho na Literatura nasceu alguns anos antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i><span style="font-weight: 400;">, na forma de </span><a href="https://rizzenhas.com/2018/01/resenha-conversas-entre-amigos-de-sally-rooney/"><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Naquela história, conhecemos Frances e Bobbi, duas amigas que já tiveram um relacionamento no passado, mas, agora, na flor da juventude universitária, conhecem um casal mais velho e acabam atraídas, de maneiras diferentes, por cada um de seus componentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito em primeira pessoa, o livro aponta uma certa jovialidade e quentura das emoções da escritora, que se apoia na negação do prazer até, no momento derradeiro, abraçar a inevitabilidade do perigo. Em contraponto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece insistir ao máximo e, então, selar a porta do “talvez”. O que não é surpresa para os que acompanham a carreira de Sally Rooney, autora </span><a href="https://radiopeaobrasil.com.br/colunistas/em-busca-do-romance-marxista/"><span style="font-weight: 400;">declaradamente marxista</span></a><span style="font-weight: 400;">, que brilhou como presidente do clube de debates da faculdade Trinity e tem </span><a href="https://literaturainglesa.com.br/sally-rooney-fala-sobre-seus-livros-favoritos/"><span style="font-weight: 400;">inspirações fortes</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Literatura de James Joyce e J.D. Salinger.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, Sally Rooney escreveu </span><a href="https://personaunesp.com.br/belo-mundo-onde-voce-esta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Belo mundo, onde você está</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, destaque do ano de 2021, inserido em um contexto um tanto mais amadurecido que o comum para a irlandesa, narrando a casualidade da vida de duas amigas. Entre encontros românticos falidos, beijos em sapos e trocas de longos </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;">, o leitor é fisgado, mais uma vez, pelo ordinário dos acontecimentos. Nada acontece, mas tudo acontece.</span></p>
<figure id="attachment_26307" aria-describedby="caption-attachment-26307" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26307 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865.jpg" alt="Foto da autora Sally Rooney, uma mulher adulta, branca e de cabelos castanhos na altura do queixo, segurando seu livro Pessoas normais. A edição é em inglês, conta com o título Normal People, e tem a capa verde com detalhes em branco e azul." width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26307" class="wp-caption-text">“Não sei o que há de errado comigo, diz Marianne. Não sei por que não consigo ser que nem as pessoas normais” (Foto: Sally Rooney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Falhos e suscetíveis a erros, os protagonistas de Rooney desempenham papéis de culpa e redenção com primazia. De volta à normalidade das pessoas, quando o assunto é Connell, a autora dedica boa parte de sua escrita, fina e transparente, à estudar os sentimentos do atleta. Alguém autossuficiente até a vida adulta, quando percebeu o baque que as responsabilidades, a falta de dinheiro e a ausência do afeto de Marianne, poderiam causar a sua mente e alma, blindadas, se afogou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O respirador que traz Connell de volta ao mundo dos vivos é nada menos do que a rede de proteção que antes o havia colocado no topo do Céu. Marianne, além de ser a figura mais importante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, é também um </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">farol de expectativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para todos ao seu redor. Para a mãe ausente, Marianne representa uma falha em expansão. Para o irmão abusivo, ela é um saco de pancadas e um obstáculo a ser ultrapassado. Para os namorados estúpidos, ela não passa de um recipiente de emoções, de desejos, de êxtase. Mas, para Connell, Sally Rooney nunca nos revela seu significado. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Como era estranho se sentir tão completamente sob o controle de outra pessoa mas, ao mesmo tempo, como era normal”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem suspeitas, é claro, mas o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OuFnpmGwg5k"><span style="font-weight: 400;">cordão invisível</span></a><span style="font-weight: 400;"> que os liga existe e apenas existe. Sem explicações, sem concessões, eles têm os corações fincados um no outro, o sangue se mistura, as lágrimas são as mesmas, o suor também. Seus olhos se encontram sem dificuldades, suas respirações se equiparam sem adversidades. Seus corpos se encaixam como se Deus os tivesse moldado dessa maneira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eles são pessoas normais pois amam, erram, falham, gritam, </span><a href="https://personaunesp.com.br/we-are-who-we-are-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">se arrependem</span></a><span style="font-weight: 400;">. São indivíduos que chegaram ao mundo sem manual de instruções ou bússola mágica. É no tranco e na hora do vamos ver que aprendem o andar da carruagem e a altura que a água bate na bunda. Connell e Marianne se apaixonam pois essa era a única maneira de existirem em harmonia. Rooney, astuta como é, compreende que não existe algo mais relacionável.</span></p>
<figure id="attachment_26308" aria-describedby="caption-attachment-26308" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26308 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285.jpeg" alt="Montagem do livro Normal People do lado esquerdo e da série de TV do lado direito. No limite entre as duas imagens, vemos uma figura que simboliza papel rasgado." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26308" class="wp-caption-text">“Marianne já não é mais vista com admiração ou desdém. As pessoas se esqueceram dela. Agora é uma pessoa normal” (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sincero, o romance claramente expõe sem mazelas o efeito dos ruídos e dos cortes enferrujados que Marianne e Connell empunham em batalhas frias, que dilaceram mais do que a carne. Quem lê, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0WDZdT04ls4"><span style="font-weight: 400;">sente por eles</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quem lê, vive o que eles vivem na mesma comoção e entrega. Os olhos da autora irlandesa focam no bastante para que a experiência seja revitalizante, amedrontadora e, no fim das contas, irresistível. Ao concluir sua crônica, percorrendo a linha fina entre o tempo e o destino, Sally Rooney torna tentador o ato de ser vulnerável. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Ela fecha os olhos. É provável que ele não volte, ela pondera. Ou volte, mas diferente. O que têm agora eles nunca mais poderão ter. Mas para ela a dor da solidão não vai ser nada se comparada à dor que costumava sentir, de não valer nada. Ele lhe trouxe a bondade como uma dádiva, e agora isso é parte dela. Enquanto isso, a vida se abre à frente dele em outras direções ao mesmo tempo. Fizeram muito bem um ao outro. De verdade, ela pensa, de verdade. As pessoas podem mudar as outras de verdade”.</span></p></blockquote>
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