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	<title>Arquivos Ocean Vuong &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Sobre a Terra Somos Belos por Um Instante: Ocean Vuong e a escrita como coragem de quem não tem escolha</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Aug 2023 21:14:37 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31358" aria-describedby="caption-attachment-31358" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31358" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-800x420.png" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31358" class="wp-caption-text">A estreia de Ocean Vuong na prosa, após a aclamada reunião de poemas Céu noturno crivado de balas, é um complexo testemunho autobiográfico escolhido pelo Clube do Livro do Persona (Foto: Rocco/Arte: Francisco Tigre)</figcaption></figure>
<p><strong>Mariana Freire de Moraes</strong></p>
<blockquote><p>“<i>Estou escrevendo para você de dentro de um corpo que era teu. O que é o mesmo que dizer: estou escrevendo como um filho.</i>”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas primeiras páginas de </span><a href="https://www.rocco.com.br/livro/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a terra somos belos por um instante</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o autor Ocean Vuong constrói sua posição durante toda a narrativa na tentativa de se refazer, se ver e perdoar por meio da alteridade de uma comunicação ao mesmo tempo concreta e hipotética. Através do resgate analítico da memória e da apresentação do ambiente, Vuong, chamado de Cachorrinho pela avó, escreve cartas para sua mãe, analfabeta funcional, revisitando episódios da infância no Vietnã e de sua adolescência nos Estados Unidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Colonialismo, maternidade, identidade, sexualidade, violência e luto são os pilares do livro, cujos episódios de trauma rememorados traçam um caminho linear para o entendimento da história de três gerações da </span><a href="https://amp.theguardian.com/books/2017/oct/03/ocean-vuong-forward-prize-vietnam-war-saigon-night-sky-with-exit-wounds"><span style="font-weight: 400;">família do escritor</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e as complexidades recalcadas de pessoas estruturadas em meio à guerra, ao preconceito, ao refúgio e à vulnerabilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando pelas memórias quando criança em um Vietnã desestabilizado pela guerra, Cachorrinho – a maneira que Vuong também se retrata em sua escrita – inicia o romance relembrando das primeiras vezes em que sua </span><a href="https://www.anothermag.com/fashion-beauty/14347/bjork-ocean-vuong-in-conversation-another-magazine-aw22"><span style="font-weight: 400;">mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi violenta com ele. No acesso à infância, o escritor lembra alguns momentos em que ensina a matriarca a escrever, reproduzindo o que aprendeu naquele dia no jardim de infância. Esse é o momento em que a vulnerabilidade de quem o cria é escancarada para ele e que percebe que possui o que ela precisa para resolver esse problema. De uma forma sutil e perturbadora, esse episódio demonstra a maneira que o autor consegue colocar os dois se olhando do mesmo lugar. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você é uma mãe, Mãe. Você também é um monstro. Mas eu também sou – e é por isso que eu não posso me afastar de você. E é por isso que eu peguei a mais solitária criação de deus e te coloquei dentro dela.</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_31354" aria-describedby="caption-attachment-31354" style="width: 401px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-31354" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602-559x800.webp" alt="Na foto, duas mulheres e uma criança estão sentadas em um banco de madeira. As mulheres ficam nos cantos, enquanto o bebê no meio. Estão dentro de uma casa, ao fundo, aparece o vulto de outra mulher, do lado de fora do cômodo. Atrás, percebe-se uma janela, uma porta e roupas penduradas. No primeiro plano, uma mulher, ao canto esquerdo, está sentada ao lado de uma criança pequena. Sua pele é amarela, seus cabelos pretos estão presos. Ela veste um macacão branco, com estampa de flores azuis. Está descalça e sorri fixadamente à câmera. Assim como a criança ao seu lado, que também tem cabelos e olhos pretos. Veste uma camiseta branca com uma gola laranja e estampada com desenhos, que está enfiada dentro de um shorts roxo claro. Ao lado da criança, à direita, uma outra mulher, de cabelo curto e preto, na altura do pescoço e com uma franja cortada, também sorri à foto. Ela usa uma blusa rosa clara e uma calça branca. Está de pernas cruzadas." width="401" height="574" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602-559x800.webp 559w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602.webp 600w" sizes="(max-width: 401px) 85vw, 401px" /><figcaption id="caption-attachment-31354" class="wp-caption-text">A foto que ilustra a edição estadunidense de Céu noturno crivado de balas retrata o autor com dois anos, ao lado de sua mãe e sua tia no campo de refugiados nas Filipinas (Foto: Ocean Vuong)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Passando pela situação de </span><a href="https://www.acnur.org/portugues/quem-ajudamos/refugiados/"><span style="font-weight: 400;">refugiado</span></a><span style="font-weight: 400;"> quando criança, em um paralelo sensível com o nascimento e morte de sua avó – entre o Vietnã e Estado Unidos –, a narrativa se torna mais política e identitária. A partir do momento que Cachorrinho conta a história das mulheres que o criaram, frutos de um estupro de guerra, nada segue sem que pautas sociais sejam colocadas de forma explícita, no entanto, nunca deixando com que a </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura/como-alguem-pode-ser-uma-sensacao"><span style="font-weight: 400;">poética</span></a><span style="font-weight: 400;"> fique em segundo plano. Assim, Vuong cria uma atmosfera sólida de questionamento, ao mesmo tempo que deixa claro as complexidades subjetivas geradas a partir desses contextos, e quão decisivas são essas condições para que ele seja ele mesmo, a mãe seja a mãe e o país seja o país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando aos Estados Unidos, na casa de seu pai com quem nunca conviveu, o escritor tem um espaço para descobrir e explorar sua sexualidade (atualmente se identifica como uma pessoa </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/pop-arte/diversidade/noticia/2022/06/29/o-que-e-ser-queer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">queer</span></a><span style="font-weight: 400;">). No livro, Vuong relata suas primeiras experiências com um homem pobre como ele, porém branco: Trevor, a única pessoa com quem ele realmente desenvolve uma relação além de sua mãe e avó. De uma forma totalmente analítica, o escritor apresenta todas as fases dessa relação, passando pelo estranhamento, o escatológico, as drogas, o entendimento, a identidade, o amor e a morte. Cachorrinho pôde conhecer a vulnerabilidade e a violência do amor e de uma relação que requer um entendimento político, social, subjetivo e identitário que não foi apresentado a nenhum dos dois, tornando tudo mais difícil e mais intenso na mesma medida.</span></p>
<figure id="attachment_31355" aria-describedby="caption-attachment-31355" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-800x583.webp" alt=" Sob o fundo de um arbusto flores vermelhas, o autor, criança, é segurado no colo por sua mãe, que tem seu cabelo cacheado cortado curto e usa uma camisa manga longa vermelha, com uma estampa preta na frente. A criança usa uma camiseta polo branca com listras azuis claras e escuras, e uma parte de baixo azulada. Segura um coelho de pelúcia branco, com detalhes lilases." width="800" height="583" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-800x583.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1024x746.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-768x560.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1536x1119.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-2048x1492.webp 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1200x875.webp 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31355" class="wp-caption-text">Quando sua mãe faleceu de complicações de um câncer de mama, Vuong demonstrou seu luto nas redes sociais: ‘‘(&#8230;) você me ensinou que nossa dor não é nosso destino – mas nossa razão.’’ (Foto: Ocean Vuong)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O resgate da memória nas passagens da infância no meio da narrativa linear da história do Cachorrinho é o traço mais analítico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a Terra Somos Belos por um Instante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ocean Vuong usa a </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2023/jun/03/ocean-vuong-i-dont-believe-writer-should-just-keep-writing-as-long-as-theyre-alive-time-is-a-mother-paperback"><span style="font-weight: 400;">escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> como ferramenta de articulação e busca, narrando sempre em primeira pessoa e, diretamente com a sua mãe, faz com que o objetivo de suas cartas nunca seja esquecido: dizer que se é. As coisas mais duras são lembradas de um jeito poético e grotesco, e quase sempre seguidas de uma imagem que bate de frente com a beleza apresentada de forma visual pela escrita. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Uma vez você me perguntou o que é ser um escritor. Então vamos lá. Sete dos meus amigos estão mortos. Quatro de overdose.”</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Cachorrinho tem acesso ao </span><a href="https://talkeasypod.com/ocean-vuong/"><span style="font-weight: 400;">significado social</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua existência a partir do momento em que começa a reunir os episódios traumáticos de sua vida e colocá-los em uma posição de questionamento: ser um homem vietnamita refugiado, queer, adicto e pobre nos Estados Unidos </span><a href="https://gayletter.com/ocean-vuong/"><span style="font-weight: 400;">significa algo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso,as pessoas em volta dele fazem parte desse significado e a escrita tem o papel de síntese de sua própria vida. É como se, caso não fosse um escritor, Vuong jamais poderia contar quem é a ninguém, nem mesmo a sua mãe.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ocean Vuong Shares His Advice for Aspiring Writers | Louisiana Channel" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/mG7JpAg1mrw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca pela </span><a href="https://www.gq.com/story/ocean-vuong-interview"><span style="font-weight: 400;">identidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca acaba, mas toma um outro caráter. Depois que Cachorrinho entende sua existência, quem sua mãe e sua avó foram, e quem seu novo país abriga, o fluxo se torna outro e assume uma calma assustada de quem sabe que seu lugar está predefinido. Então, a subjetividade assume, mais que nunca, o papel de resgate do que nunca foi dado e uma possibilidade de se reconhecer no mundo. A escrita é o que salva: é o que salvou Cachorrinho de sua relação com sua mãe, que termina o livro rindo enquanto se lembra. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Porque o pôr do sol, assim como a sobrevivência, existe apenas à beira de seu desaparecimento. Para ser belo, você primeiro precisa ser visto, mas ser visto sempre permite que você seja caçado.”</span></i></p></blockquote>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Maio de 2023</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jun 2023 20:38:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Depois de apreciar a vida da gente fina Rita Lee, em Rita Lee: uma autobiografia, o Clube do Livro do Persona alçou voo para trajetos marcados por cicatrizes profundas. Em Maio de 2023, nossos leitores tiveram a oportunidade de conhecer os relatos melancólicos do primeiro Romance do poeta Ocean Vuong, Sobre a terra somos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-maio-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Maio de 2023"</span></a></p>
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<figure id="attachment_31209" aria-describedby="caption-attachment-31209" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31209" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/estantemaiowp-1-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/estantemaiowp-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/estantemaiowp-1-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/estantemaiowp-1.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31209" class="wp-caption-text">Nas profundezas de um intimismo visceral, Sobre a terra somos belos por um instante foi a leitura do Clube do Livro de Maio (Foto: Rocco/ Arte: / Texto de abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de apreciar a vida da gente fina Rita Lee, em </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-uma-autobiografia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o Clube do Livro do Persona alçou voo para trajetos marcados por cicatrizes profundas. Em Maio de 2023, nossos leitores tiveram a oportunidade de conhecer os relatos melancólicos do primeiro Romance do poeta Ocean Vuong, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a terra somos belos por um instante</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregando uma carga emocional de proporções ímpares, o texto chegou ao Brasil em 2021 pela editora Rocco, e conta com tradução de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0jydA7eIN5Y"><span style="font-weight: 400;">Rogério Galindo.</span></a><span style="font-weight: 400;"> Na trama, narrada melodicamente pelo protagonista Cachorrinho, somos apresentados a uma história sobre lembranças familiares, amores silenciados e revelações angustiadas que por muito tempo estiveram em cativeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2019/jun/09/ocean-vuong-on-earth-we-are-briefly-gorgeous-interview"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma linguagem bastante singular e caminha por um espaço fluido entre a convencionalidade dos romances e a indefinição literária. Através de termos rítmicos e bastante poetizados, a sensação é de fazer parte de um espaço tão consciente quanto imprevisto. As 224 páginas não podem se classificar diretamente como poesia, mas absolutamente repousam sobre os limites de uma vulnerabilidade encantadora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra ainda reflete espectros sociais, econômicos e raciais, já que trata sobre os laços familiares de imigrantes vietnamitas vivendo nos Estados Unidos. Os tons das discussões relacionadas a papéis de </span><a href="https://www.today.com/tmrw/earth-we-re-briefly-gorgeous-author-ocean-vuong-how-queerness-t219397"><span style="font-weight: 400;">gênero e sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> também ganham grandes doses de protagonismo, lembrando que a sinceridade de ser e sentir é bela por muito mais que um instante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E enquanto o tempo continua seu trabalho marcando as vidas no eterno mistério dos momentos, as palavras continuam compondo a emoção daqueles que as apreciam. Por isso, o</span><b> Estante do Persona de Maio de 2023</b><span style="font-weight: 400;"> segue com suas dicas e opiniões sobre os mais variados temas abordados pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-31196"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_31206" aria-describedby="caption-attachment-31206" style="width: 539px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31206" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/61ipj1oNg5L._AC_UF10001000_QL80_-539x800.jpg" alt="" width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/61ipj1oNg5L._AC_UF10001000_QL80_-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/61ipj1oNg5L._AC_UF10001000_QL80_.jpg 674w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-31206" class="wp-caption-text">A leitura do Clube do Livro do Persona é a estreia do premiado autor, por seus livros de poesia, no romance (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Ocean Vuong — Sobre a terra somos belos por um instante (</b><b>224 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As <a href="https://personaunesp.com.br/category/literatura/">leituras do Persona</a> já transitaram em vários dos temas que abatem a prosa poética de Ocean Vuong em </span><a href="https://www.rocco.com.br/livro/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a terra somos belos por um instante</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Em sua instância epistolar, Vuong preenche os vazios emocionais e sociais que o separa e, complexamente, o une a sua mãe — uma mulher vietnamita analfabeta, a quem escreve  —; não muito diferente do que </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/annie-ernaux/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz do retrato paterno em </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-setembro-de-2022/#:~:text=Annie%20Ernaux%20%E2%80%93%20O%20lugar%20(72%20p%C3%A1ginas%2C%20F%C3%B3sforo)"><i><span style="font-weight: 400;">O lugar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">ou à brutal ficcionalização de si em Marguerite Duras. No entanto, mesmo que os feitos do jovem poeta ressoem a uma memória quase corporal de textos sobre a maternidade e que almejam alcançar o sentido entre o sentimento, ancestralidade e de remorso de relações problemáticas, como os poemas de </span><a href="https://claudiowiller.wordpress.com/2014/06/03/kaddish-de-allen-ginsberg-1926-1997/"><span style="font-weight: 400;">Allen Ginsberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/louise-gluck-por-camila-assad/"><span style="font-weight: 400;">Louise Gluck</span></a><span style="font-weight: 400;">, Vuong aprimora o gênero a partir de uma literatura em que a ternura é dimensionada a partir da violência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir de uma maestria na construção de <a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/#:~:text=Do%20autor%20lusitano,%E2%80%93%20Raquel%20Freire">imagens poéticas</a> intrincadas, o narrador se utiliza de metáforas como pedras, que afogam o leitor em seu fluxo de rememoração e conciliação com sua história pessoal e sua história política: um estudo do ato de ser estrangeiro nos terrenos da masculinidade e da branquitude estadunidense. Em seu tom evocativo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a terra </span></i><span style="font-weight: 400;">faz suas páginas como um arcabouço de memórias, um espaço onde os traumas de uma guerra, os </span><a href="https://open.spotify.com/episode/2fsqF9NvdDmomoOZBo2vte?si=8FK-Q8E2SFe_M4Rv_htMVw"><span style="font-weight: 400;">mitos de uma nação</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as fragilidades individuais se convergem na habilidade única desse sistema: de sentir tudo ao redor de si. E, nisso, de maneira extremamente sensorial, Ocean Vuong faz de sua escrita um próprio corp</span><span style="font-weight: 400;">o.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Sobre a terra somos belos por um instante - Clube do Livro Maio 2023" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/00H1sglaTjWSyV0gJqRfhx?si=a8108e7cacbd4e25&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_31203" aria-describedby="caption-attachment-31203" style="width: 460px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31203" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/o-mundo-perdido-1.jpeg" alt="Capa de O Mundo Perdido. Na imagem há centralizado o título em letras maiúsculas vermelhas contornadas de branco que vão até a metade da capa onde encontram uma ilustração de um fóssil de dinossauro da espécie Velociraptor mongoliensis em uma versão de esboço, abaixo do desenho há nome do autor e o logo da editora, os elementos estão dispostos sobre um fundo vermelho vivo" width="460" height="667" /><figcaption id="caption-attachment-31203" class="wp-caption-text">O Mundo perdido é a única continuação de um romance escrito por Michael Crichton (Foto: Aleph)</figcaption></figure>
<p><b>Michael Crichton &#8211;  O Mundo Perdido (488 páginas, Editora Aleph)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na continuação de seu romance mais famoso, </span><a href="https://editoraaleph.com.br/produto/jurassic-park/"><i><span style="font-weight: 400;">Jurassic Park</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Michael Crichton, a pedido do próprio Steven Spielberg, que almejava a sequência do </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurassic-park-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">filme homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;">, escreveu </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mundo Perdido</span></i><span style="font-weight: 400;"> – nome inspirado na obra de Arthur Conan Doyle. Trazendo de volta o então coadjuvante do livro anterior, Ian Malcom, como protagonista, que após descobrir que não havia apenas uma ilha com dinossauros “ressuscitados” via engenharia genética, tem que organizar uma expedição de resgate a um colega que descobriu a localização dessas terríveis criaturas pré-históricas do pior modo possível.</span></p>
<p><a href="https://editoraaleph.com.br/produto/o-mundo-perdido-2/"><i><span style="font-weight: 400;">O Mundo Perdido</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tem tons muito mais assustadores que seu predecessor, com passagens brutais, uma ambientação mais sombria e misteriosa, além de um ritmo de ação ainda mais instigante. O romance apresenta novos personagens muito bem desenvolvidos, como Sarah Harding, especialista em comportamento animal que encontra hábitos curiosos e até macabros nos seres da ilha. Crichton mais uma vez mergulha no universo da bioética e explora conceitos inovadores para a época. </span><b>&#8211; Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_31202" aria-describedby="caption-attachment-31202" style="width: 395px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-31202" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/sobre-os-ossos-dos-mortos-1.jpg" alt="Capa do livro Sobre os ossos dos mortos. Há uma ilustração ambientada em uma floresta no inverno, coberta de neve e com várias árvores de tons variados com galhos secos, o céu é preto. No fundo da foto há uma pequena cabana de madeira. Na frente, cobrindo grande parte da capa, há vários animais entre as árvores, o primeiro, da esquerda para a direita, é um lobo marrom, que está sobre as duas patas e segura uma corda amarela. Ao seu lado direito, há um pássaro azul sentado, segurando seus joelhos, abaixo dos dois há alguns ossos no sobre a neve. No centro da capa há um crânio de um cervo, e mais acima e a direita, uma cabeça de coelho rosa escorrendo sangue. Em branco, no canto superior esquerdo, há o nome do livro, Sobre os ossos dos mortos, e, acima, em azul claro, há o nome da autora, Olga Tokarczuk." width="395" height="598" /><figcaption id="caption-attachment-31202" class="wp-caption-text">“Não há dúvida de que toda a sabedoria deriva da ira, pois a ira é capaz de ultrapassar quaisquer limites” (Foto: Editora Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Olga Tokarczuk &#8211; Sobre os ossos dos mortos (256, Todavia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/sobre-os-ossos-dos-mortos"><span style="font-weight: 400;">Sobre os ossos dos mortos</span></a><span style="font-weight: 400;">, Janina Dusheiko enfrenta o dia-a-dia no interior polonês como uma excêntrica professora de inglês. Um de seus traços mais marcantes se deve a sua singular preferência pela companhia de animais a seres humanos, combinada com sua crença intocável no estudo de astros e negação a se referir aos seus vizinhos pelos próprios nomes. Assim, seu caráter imutável é formado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A rotina na pacata vila polonesa passa por algumas mudanças a partir do momento em que mortes tomam conta do cenário frio e a temática principal do livro passa a girar em torno do existencialismo humano e da convivência com o natural. Na obra, a ganhadora do Nobel de 2018, </span><a href="https://bellamais.correiodopovo.com.br/negociosefinancas/carreira/conhe%C3%A7a-olga-tokarczuk-a-15%C2%AA-mulher-a-receber-o-nobel-de-literatura-1.371747"><span style="font-weight: 400;">Olga Tokarczuk</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece compreender e exemplificar com excelência o ditado popular: “a caça se virou contra o caçador”.  </span><b>&#8211; Amabile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_31204" aria-describedby="caption-attachment-31204" style="width: 407px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-31204" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/malibu-renasce-1-713x1024-1-557x800.jpg" alt="A capa do livro de Malibu Renasce é uma fotografia da costa da cidade de Malibu, na Califórnia. A foto tem tons rosados e possui uma angulação bem aberta, dando destaque à paisagem e, principalmente, ao céu. O título “Malibu” tem destaque, está na cor branca e em letra cursiva, enquanto “Renasce” é em um tom marrom com detalhes em verde água, fonte sem serifa e em caixa alta. Quase centralizado, temos o nome da autora “Taylor Jenkins Reid” em caixa alta, e “Autora do best-seller Os Sete Maridos de Evelyn Hugo” seguindo logo abaixo em menor tamanho. A parte inferior da capa é a praia e a costa de Malibu, que possui carros, palmeiras, casas e montanhas." width="407" height="585" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/malibu-renasce-1-713x1024-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/malibu-renasce-1-713x1024-1.jpg 713w" sizes="auto, (max-width: 407px) 85vw, 407px" /><figcaption id="caption-attachment-31204" class="wp-caption-text">“Nossas histórias familiares são simplesmente histórias. São mitos que criamos sobre as pessoas que vieram antes de nós, a fim de dar sentido a nós mesmos.” (Foto: Editora Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Taylor Jenkins Reid &#8211; Malibu Renasce (360 páginas, Editora Paralela)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Malibu, além de ser famosa por suas mansões, incêndios e pela canção da Miley Cyrus, é casa de mais um dos livros de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-sete-maridos-de-evelyn-hugo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Taylor Jenkins Reid</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em uma narrativa cheia de mar, </span><i><span style="font-weight: 400;">surf</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ondas, os irmãos Riva mostram como tudo pode mudar em apenas uma noite. Apesar de se diferenciar dos outros livros da autora pela narrativa mais vagarosa, a profundidade e carisma de Nina, Jud, Jay e Kit nos cativa até a última página. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando temas como abandono parental, alcoolismo e traição, a história do quarteto passa longe de ser sobre a busca pelo romance de verão e foca nos laços de família &#8211; que, apesar dos nós, possuem a força para resistirem ao fogo e a beleza de renascer a cada incêndio. </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
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<figure id="attachment_31200" aria-describedby="caption-attachment-31200" style="width: 433px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31200" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/a-cabeca-do-santo-1.jpg" alt="Capa do livro A cabeça do santo, de Socorro Acioli, publicado pela editora Companhia das Letras. A capa é inteiramente composta por um amarelo vibrante. No centro, há o perfil de uma cabeça preta, parecida com a de um manequim, e ela aparenta estar “apoiada” no chão. Acima dela está o título, centralizado, escrito em letras maiúsculas; cada palavra está em uma linha. Abaixo dela está o nome da autora, que segue a mesma diagramação que o título. Também centralizado, na parte inferior da capa, está o logo da editora." width="433" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-31200" class="wp-caption-text">“Era tudo tão lindo que nem coube nos seus pequenos sonhos. Ela precisou aprender a sonhar mais” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Socorro Acioli &#8211; A cabeça do santo (176 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após vinte dias de caminhada, Samuel chega em Candeia, cidade nordestina quase fantasma para realizar o último pedido de sua mãe: encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Ao chegar, se depara com uma gigantesca cabeça oca, que pertence a estátua inacabada de Santo Antônio e passa a ser seu abrigo por algumas semanas. O protagonista de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535923698/a-cabeca-do-santo"><i><span style="font-weight: 400;">A cabeça do santo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> descobre o dom de escutar as preces feitas ao santo e se une a Francisco, um jovem da cidade, para explorar comercialmente esse dom e trazer vida para aquele lugar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre gargalhadas e revelações icônicas, Socorro Acioli é capaz de enunciar crenças nordestinas, superstições e exploração da fé alheia. Sempre com um toque de absurdo, ela recorre ao amado realismo mágico que se mescla com sentimentos e conflitos inerentes ao ser humano, representados nas várias situações que Samuel e os outros personagens vivem. Além de carregar um tom regional e cultural brasileiríssimo, a obra dialoga, também, com o resto da América Latina, por sua forte referência a outros autores, escritas e obras dessa rica literatura – um exemplo é </span><a href="https://www.amoralivros.com.br/post/Entrevista-com-Socorro-Acioli"><span style="font-weight: 400;">Gabriel García Márquez</span></a><span style="font-weight: 400;">, que admirou e aprovou a criação da autora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro se destaca por garantir uma experiência emocionante, de um drama simples e sutil que, ainda assim, tem o poder de reverberar no leitor por muito tempo. As revelações dos mistérios, causas e segredos são bem trabalhadas e objetivas; aqui, a autora prova que menos é mais. Poucas palavras foram o suficiente para </span><a href="https://www.agenciariff.com.br/autores/socorro-acioli/"><span style="font-weight: 400;">Socorro</span></a><span style="font-weight: 400;"> construir uma história emblemática marcada pela relação entre fé e maldição no sertão cearense. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_31199" aria-describedby="caption-attachment-31199" style="width: 431px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-31199" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Como-Matei-Minha-Querida-Familia-1-550x800.jpg" alt="No centro da capa, temos o título Como Matei Minha Querida Família, com o eixo centralizado à esquerda, em letras garrafais na cor preta. A frente da palavra “querida”, temos a frase “bizarra, adorável, tóxica”, escrita em letra de mão na cor branca. À direita da palavra “minha”, temos o nome da autora, Bella Mackie, em letras garrafais menores que o título na cor branca. Na parte superior direita, temos um escrito amarelo com letras de mão na cor azul, dizendo “Este livro me trouxe o prazer da leitura depois da pandemia- Jojo Moyes”. Na parte inferior direita, temos o desenho de uma mulher em preto e branco. Ela segura uma pá frente ao que parece ser uma estrutura quebradiça. Ela veste um top e uma calça jeans brancos e sapatos pretos. No centro inferior, encontramos o nome da editora, Darkside, em letras pequenas e brancas. O fundo da capa é rosa." width="431" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Como-Matei-Minha-Querida-Familia-1-550x800.jpg 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Como-Matei-Minha-Querida-Familia-1.jpg 687w" sizes="auto, (max-width: 431px) 85vw, 431px" /><figcaption id="caption-attachment-31199" class="wp-caption-text">A sinopse do livro descreve a narrativa como uma mistura de Kill Bill com Killing Eve (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Bella Mackie &#8211; Como Matei Minha Querida Família (256 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://darkside.blog.br/lancamento-como-matei-minha-querida-familia-por-bella-mackie/"><i><span style="font-weight: 400;">Como Matei Minha Querida Família</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a autora </span><a href="https://darkside.blog.br/bella-mackie-para-uma-mulher-ser-agradavel-significa-ser-passada-para-tras/"><span style="font-weight: 400;">Bella Mackie</span></a><span style="font-weight: 400;"> descreve a protagonista Grace Bernard como uma anti-heroína. Nas palavras de Bella, Grace é até mesmo capaz de “</span><i><span style="font-weight: 400;">superar anti-heróis como Patrick Bateman, o Psicopata Americano</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A história do livro não deixa dúvidas disso, pois, o que acompanhamos ao longo das mais de 200 páginas, é uma tórrida jornada de vingança da jovem contra a família que nunca a acolheu, especialmente o pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, o livro impressiona pelas interessantes reviravoltas e um humor ácido. Além disso, a obra concretiza seu espaço no </span><i><span style="font-weight: 400;">hall </span></i><span style="font-weight: 400;">de sátiras atuais da burguesia, uma tendência narrativa que vem sendo chamada de </span><a href="https://www.contagious.com/news-and-views/eat-the-rich-is-the-dominant-creative-narrative-for-advertising"><i><span style="font-weight: 400;">eat the rich</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">devore os ricos</span></i><span style="font-weight: 400;">, na tradução para o português). Inclusive, conforme o decorrer dos acontecimentos, percebemos que Grace toma o nome da tendência como uma ordem e a cumpre sem pestanejar. </span><b>&#8211; Nathan Nunes</b></p>
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<figure id="attachment_31198" aria-describedby="caption-attachment-31198" style="width: 406px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-31198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/A-vagabunda-1-.jpg" alt="Capa do livro A Vagabunda. Na imagem há a ilustração de uma mulher se olhando no espelho. Ela aparece sombreada, mas no reflexo é possível ver seu rosto completo com feições sérias e marcadas. Em sua penteadeira há um perfume e uma escova de cabelo antigos. O fundo tem tom de rosa salmão. O título está na parte superior grafado em letras pretas. O nome da autora aparece na porção inferior em letras amarelas." width="406" height="599" /><figcaption id="caption-attachment-31198" class="wp-caption-text">Por baixo dos frangalhos da leitura social de uma mulher, A Vagabunda estraçalha os papéis de gênero (Foto:Imã Editorial)</figcaption></figure>
<p><b>Sidonie Gabrielle Colette &#8211;  A Vagabunda (286 páginas, Imã Editorial)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Protagonizado e narrado pela personagem Renée Néré, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vagabunda</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora a história de uma autora que teve seus livros roubados pelo próprio marido. Sem perspectivas ou recursos financeiros, ela parte para o mundo artístico e passa a se apresentar em palcos do </span><a href="https://www.bemparana.com.br/noticias/uma-visita-aos-truques-do-bas-fond-parisiense/"><span style="font-weight: 400;">bas-fond parisiense</span></a><span style="font-weight: 400;">. Chamar atenção como personalidade dos holofotes culmina em reprovação masculina e, a partir disso, Vagabunda se torna quase um codinome. O texto foi publicado pela primeira vez em 1910 sob o nome de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Vagabond</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas só chegou ao Brasil em 2019, com tradução de Julio Silveira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre testemunhos extremamente vívidos e a complexidade das escolhas lexicais, a obra se apoia em pensamentos e reflexões muito a frente do tempo que marca sua estreia, e prova que, para as mulheres, o contexto social nunca optou por demonstrar o mínimo de contentamento. Ao expor a violência do patriarcado com tamanho detalhismo, </span><a href="https://vermelho.org.br/coluna/colette-uma-mulher-extraordinaria/"><span style="font-weight: 400;">Colette</span></a><span style="font-weight: 400;"> marcou as discussões do movimento feminista com uma destreza inigualável. Em um mundo comandado por gravatas pomposas e discursos vazios, ser vagabunda é um ato de resistência. &#8211; <strong>Jamily Rigonatto</strong></span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-maio-de-2023/">Estante do Persona &#8211; Maio de 2023</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Novembro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2022 21:17:38 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.” &#8211; José Saramago Com as festividades de final de ano quase batendo em nossas portas, o Clube do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Novembro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29544" aria-describedby="caption-attachment-29544" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29544" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona.jpg" alt="Arte retangular de amarelo limão. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris na cor amarelo limão. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “As intermitências da morte” ao lado de 9 lombadas brancas. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘novembro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29544" class="wp-caption-text">Do autor lusitano José Saramago, As Intermitências da Morte foi a provocação em cores fúnebres do Clube do Livro de Novembro (Foto: Companhia das Letras/Arte: Aryadne Xavier/Texto de abertura: Jamily Rigonatto e Vitória Gomez)</figcaption></figure>
<blockquote><p>“A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.”</p>
<p style="text-align: right;">&#8211; <em>José Saramago</em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as festividades de final de ano quase batendo em nossas portas, o Clube do Livro do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> não poderia deixar de se encontrar nos aspectos da existência. Apreciando </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://ensina.rtp.pt/artigo/jose-saramago-sobre-as-intermitencias-da-morte/">As Intermitências da Morte</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> de José Saramago, nossos leitores se colocaram a refletir sobre as linhas que rondam o fim da vida. A escolha do texto foi ainda mais especial porque o literato completaria </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/ClCiF9Wr9jk/?igshid=MDJmNzVkMjY=">100 anos</a></span><span style="font-weight: 400;"> no dia 16 de novembro de 2022. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, somos guiados para um cenário em que a morte deixa de chegar, seja para os homens mais velhos ou para as vítimas de acidentes que </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/31/ciencia/1490960180_147265.html">agonizam</a></span><span style="font-weight: 400;"> em camas de hospital. O autor desenrola reflexões sobre como morrer interfere nas noções humanas de livre arbítrio e continuidade. Aqui, a morte ganha ares personificados e, em certo ponto, da narrativa pode ser tocada como alguém de carne e osso – ou melhor, apenas de osso.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as significações, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2010/06/100618_saramago_polemicas_ir">Saramago</a></span><span style="font-weight: 400;"> abre um mundo de possibilidades sem fechar nenhum ciclo, mas expõe o quanto as pessoas podem bambear quando a vida se torna um inconveniente. A proposta audaciosa da obra brinca com o papel da religião na sociedade e usa uma linguagem direta para abrir brechas e possibilidades no íntimo de quem o lê. A morte enquanto protagonista é tão real quanto qualquer ser humano: sente, reage e ama. No fim, resta o começo e como um circuito tudo se repete, já vivemos isso antes.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nossos leitores testemunharam os fins, novembro oferece seus cumprimentos aos começos com a entrega troféus aos destaques da Literatura brasileira: o Prêmio São Paulo de Literatura e o Jabuti. Na primeira semana do mês, o Prêmio São Paulo, criado em 2008 e concedido pelo Governo do estado, revelou seus </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.cultura.sp.gov.br/confira-os-ganhadores-do-premio-sao-paulo-de-literatura-2022/">vencedores</a></span><span style="font-weight: 400;">. Com dez finalistas nas duas categorias, o troféu de Melhor Romance do Ano de 2021 foi para Antonio Xerxenesky, pela obra </span><span style="font-weight: 400;"><i>Uma tristeza infinita</i></span><span style="font-weight: 400;">, da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Companhia das Letras</i></span><span style="font-weight: 400;">. Rita Carelli levou Melhor Romance de Estreia do Ano de 2021 por </span><span style="font-weight: 400;"><i>Terrapreta</i></span><span style="font-weight: 400;">, da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Editora 34</i></span><span style="font-weight: 400;">. Em ambas categorias, as escritoras foram a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2022/09/19/premio-sao-paulo-de-literatura-anuncia-finalistas#:~:text=S%C3%A3o%2020%20obras%20selecionadas%2C%20dez,anunciados%20no%20final%20do%20ano.">maioria</a></span><span style="font-weight: 400;">: na primeira, dos 10 concorrentes, somente três são homens; na segunda, quatro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no Jabuti, as 20 categorias, divididas em quatro Eixos que abarcam a totalidade do processo de produção editorial, tiveram seus </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2022/11/08/premio-jabuti-2022-anuncia-finalistas">finalistas</a></span><span style="font-weight: 400;"> anunciados na segunda semana de Novembro. Aqui &#8211; e aparentemente em 2021 no geral -, o destaque foi para o protagonismo feminino: na categoria Romance Literário, no Eixo Literatura, as cinco concorrentes eram escritoras. Natalia Borges Polesso, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>A extinção das abelhas</i></span><span style="font-weight: 400;">, Andréa Del Fuego, com </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/a-pediatra-critica/">A pediatra</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, Micheliny Verunschk, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>O som do rugido da onça</i></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/">Aline Bei</a></span><span style="font-weight: 400;">, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>Pequena coreografia do adeus</i></span><span style="font-weight: 400;">, e Tatiana Salem Levy, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>Vista chinesa</i></span><span style="font-weight: 400;">, disputaram a estatueta &#8211; as cinco também foram concorrentes em Melhor Romance do Ano de 2021 no Prêmio São Paulo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a disputa estabelecida, no dia 24 foi a vez da jornalista e apresentadora </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2022/11/22/adriana-couto-sera-a-mestre-de-cerimonias-do-64-premio-jabuti">Adriana Couto</a></span><span style="font-weight: 400;"> chamar os vencedores ao palco do Theatro Municipal de São Paulo para receber o troféu em formato de jabuti. O grande destaque da noite foi para Luiza Romão, com </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/11/25/tambem-guardamos-pedras-aqui-de-luiza-romao-e-eleito-livro-do-ano-no-premio-jabuti-veja-vencedores.ghtml">Também guardamos pedras aqui</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, consagrado como o Livro do Ano de 2021. A obra também conquistou a categoria de Poesia. Em Romance Literário, uma das modalidades de maior destaque na premiação, o nome chamado foi o de Micheliny Verunschk, pelo seu </span><span style="font-weight: 400;"><i>O som do rugido da onça</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1598090208901500930?s=20&amp;t=FYl6BRswuLBOVnQsZhewmw">cerimônia</a></span><span style="font-weight: 400;"> ainda contou com uma homenagem à Sueli Carneiro. Com o troféu de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://mundonegro.inf.br/sueli-carneiro-recebe-o-trofeu-de-personalidade-literaria-do-ano-no-64o-premio-jabuti/">Personalidade Literária</a></span><span style="font-weight: 400;"> do Prêmio Jabuti 2022, a escritora, filósofa e ativista, uma das maiores representantes do feminismo negro no Brasil, é a primeira fora do eixo Literatura a receber a honraria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As celebrações resolveram se estender e, em clima festivo, a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty – trouxe diversas personalidades do nicho para conversas acaloradas e conexões ímpares. Em sua 20ª edição, o festival seguiu a linha do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/Clmi7GXu-Og/?igshid=YmMyMTA2M2Y=">Jabuti</a></span><span style="font-weight: 400;"> e contou com presença feminina em peso. A argentina Camila Sosa Villada esteve presente no evento e participou de uma Mesa sobre questões de gênero. A autora de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/">O parque das irmãs magníficas</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> trouxe interpretações importantes sobre o cenário do ativismo e os estigmas vinculados às travestis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos destaques entre os convidados foi a francesa Annie Ernaux, autora de</span> <span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">O Acontecimento</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> e vencedora do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1578128528377348096?t=r16Q1xvxNSGHoXwvzXZX9A&amp;s=19">Nobel de Literatura</a></span><span style="font-weight: 400;"> em 2022. A escritora, que chama atenção com a ascensão do gênero da autossociobiografia, trouxe reflexões importantes em um bate papo ocorrido depois da exibição do filme </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/">Os Anos do Super 8</a></i></span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se o jeito transgressor de Annie teve voz no festival, os aspectos subversivos nunca se fazem faltantes no Persona. Agora, veja mais das linhas fora da curva indicadas pela nossa Editoria no Estante do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> e aproveite o fim do ano para se deliciar nos tons vibrantes daqueles que as pintam.</span></p>
<p><span id="more-29496"></span></p>
<hr />
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_29527" aria-describedby="caption-attachment-29527" style="width: 667px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29527" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-667x1024.jpg" alt="Capa do livro As intermitências da morte, de José Saramago. A imagem, de fundo amarelo, contém o texto As intermitências da morte, escrito à mão, em tinta preta. Acima, de forma centralizada, em fonte de cor preta, está escrito José Saramago. Abaixo, de forma centralizada, está o logo da editora Companhia das Letras." width="667" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-667x1024.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-768x1179.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-1001x1536.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL.jpg 1668w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29527" class="wp-caption-text"><strong>Lançado originalmente em 2005, As intermitências da Morte pode ser lido como um ensaio alegórico sobre a finitude (Foto: Companhia das Letras)</strong></figcaption></figure>
<figure id="attachment_29527" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;"></figure>
<p><b>José Saramago &#8211; As intermitências da Morte (208 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;"><i>No dia seguinte ninguém morreu</i></span><span style="font-weight: 400;">” – </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535930344/as-intermitencias-da-morte-nova-edicao">As intermitências da Morte</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> se inicia assim: de repente, num certo país, as pessoas simplesmente param de morrer. Nessa primeira parte, os paradoxos e discussões filosóficas acerca da ausência da morte são apresentados e a Morte com M maiúsculo, então, decide suspender suas atividades, como forma de punir as pessoas que a negam. Contudo, para falar da morte, é preciso estar vivo; por isso, aqui, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://pt.euronews.com/2022/11/16/centenario-do-nascimento-de-jose-saramago">José Saramago</a></span><span style="font-weight: 400;"> personifica a morte em um ser esquelético, de forma irônica e alegórica, revestindo-se da linguagem para cuidar dos diversos destinos que ela pretende cessar (como a epígrafe de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/investigacoes-filosoficas/">Ludwig Wittgenstein</a></span><span style="font-weight: 400;"> anuncia).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, aquilo que, a princípio, parecia uma bondade, na verdade se revela um pesadelo: o fim da morte não é o mesmo que o fim do sofrimento, e aqueles que se encontram “moribundos” – no limiar entre a vida e a morte, doentes e em um eterno estágio terminal – jamais poderão descansar. É, porém, no sétimo capítulo que a própria </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.unicep.edu.br/noticia/as-intermitencias-da-morte-de-jose-saramago-foi-tema-do-clica">Morte encaminha uma carta</a></span><span style="font-weight: 400;"> a uma emissora de televisão, a qual deverá ser lida para comunicar seu retorno, agora que sentiram sua ausência. A partir desse momento, todos que estiverem à beira do falecimento receberão uma carta, comunicando o fim da vida. Porém, no capítulo dez de </span><span style="font-weight: 400;"><i>As intermitências da Morte</i></span><span style="font-weight: 400;">, um postal destinado a um violoncelista retorna ao remetente, e neste momento a morte é, de fato, humanizada. Assim, a história se mistura entre o falso e o verossímil, da forma que somente Saramago sabe fazer.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: As intermitências da Morte - Clube do Livro Novembro de 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7Ej1GxgTHS2iaohX2A7Uro?si=9fd7e974bf244110&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_29535" aria-describedby="caption-attachment-29535" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29535" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Carrie Soto Está de Volta. A capa é uma fotografia em um quadra de tênis de saibro. No centro, vemos uma atleta, de blusa e saia brancas, com o cabelo preso em um rabo de cavalo, sacando. É possível notar várias bolas de tênis no chão ao seu redor na cor amarela. Na parte inferior da imagem está o título “Carrie Soto” em fonte cursiva e, abaixo, “está de volta” em uma fonte sem serifa na cor amarela. No canto superior direito, há a frase “Da aclamada autora best-seller do New York Times" width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29535" class="wp-caption-text">“Vivemos em um mundo onde mulheres excepcionais precisam perder tempo esperando homens medíocres” (Foto: Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Taylor Jenkins Reid &#8211; Carrie Soto Está de Volta (352 páginas, Paralela)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu último lançamento e nono romance, Taylor Jenkins nos leva a um cenário diferente em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Carrie Soto Está de Volta</i></span><span style="font-weight: 400;">. Após nos contemplar com o mundo do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/">surf</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/daisy-jones-and-the-six-critica/">rock</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> e do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/os-sete-maridos-de-evelyn-hugo-critica/">Cinema</a></span><span style="font-weight: 400;">, vivenciamos agora a brilhante história de mais uma mulher que nunca existiu: Carrie Soto, a tenista aposentada de 37 anos que decide voltar às quadras para quebrar seu próprio recorde &#8211; ou melhor, não deixar que ninguém o roube. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma jornada difícil e surpreendente, a atleta não facilita para ninguém. Com uma carreira marcada por muita teimosia e determinação, não é fácil gostar de Carrie dentro ou fora das quadras, mas é quase impossível não admirá-la. Atrás de seu </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://esportecerto.com/descubra-os-principais-torneios-de-tenis-ao-redor-do-mundo/">próximo título</a></span><span style="font-weight: 400;"> e agarrando-se como nunca em seu passado vitorioso, a personagem é obrigada a enfrentar sua maior adversária de todos os tempos: ela mesma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E mais uma vez, Taylor entrega personagens cativantes e, principalmente, imperfeitos. Em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Carrie Soto Está de Volta</i></span><span style="font-weight: 400;">, apesar da evidente necessidade de algumas sessões de terapia e boas férias, não há como largar a mão da maior atleta da história para acompanhá-la em uma trajetória que qualquer </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jornal.usp.br/podcast/minuto-saude-mental-15-perfeccionismo-e-doenca/">perfeccionista</a></span><span style="font-weight: 400;"> irá se identificar. </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29534" aria-describedby="caption-attachment-29534" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29534" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Sempre vivemos no castelo. A capa é uma ilustração. Na parte esquerda, vemos uma forma retangular roxa, que se estende por toda a capa e se assemelha a uma porta aberta. Ao centro e na parte direita, vemos um retângulo amarelo. No canto superior direito, dentro do retângulo amarelo, vemos as palavras " width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL.jpg 886w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29534" class="wp-caption-text">“Não gosto de tomar banho, nem de cachorros nem de barulho. Gosto da minha irmã Constance, e de Richard Plantagenet, e de Amanita phalloides, o cogumelo chapéu-da-morte. Todo o resto da minha família morreu” (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Shirley Jackson &#8211; Sempre vivemos no castelo (176 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mary Katherine, Constance e Julian moram sozinhos na mansão Blackwood. Isso porque, antes de serem só os três, a grande família morreu envenenada por arsênico, e o trio agora vive isolado da cidade, como párias. Sob o ponto de vista fértil de Merrycat (o apelido da caçula), a autora </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://literaturapolicial.com/2019/08/08/9-curiosidades-sobre-shirley-jackson-icone-da-literatura-de-horror/">Shirley Jackson</a></span><span style="font-weight: 400;"> torna o cotidiano aparentemente monótono de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sempre vivemos no castelo</i></span><span style="font-weight: 400;"> um conto de suspense sob as lentes do Horror.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span> <span style="font-weight: 400;">Aos 18 anos de idade, tendo crescido sem convivência com outras pessoas além da família e vendo sua irmã mais velha, Constance, ser inocentada pelo assassinato dos parentes, Mary vê o mundo quase como uma criança. Seu fluxo de consciência imaginativo, mesclando o que presencia objetivamente a seus intrusos </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.frightlikeagirl.com.br/2019/09/shirley-jackson-sempre-vivemos-no.html">pensamentos</a></span><span style="font-weight: 400;"> acerca do ambiente, das pessoas que cruzam seu caminho e das suas intenções, fica difícil distinguir o que é real. Para a menina, o enxerido primo Charles, que chega desavisado e bagunça a rotina da casa com sua presença expansiva, é um fantasma. Ou um demônio. Ou os dois. Por detrás dos olhos de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NQg-nUoMCBo&amp;feature=emb_title">Merrycat</a></span><span style="font-weight: 400;">, a família Blackwood ganha curiosos contornos de dúvida.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span> <span style="font-weight: 400;">Na verdade, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sempre vivemos no castelo</i></span><span style="font-weight: 400;"> se aproveita justamente da incerteza. A obra, publicada originalmente em 1962 e com uma nova edição em 2022, pela editora </span><span style="font-weight: 400;"><i>Alfaguara</i></span><span style="font-weight: 400;">, nunca apresenta um fato concreto: desde a inocência de Constance quanto a quem está vivo ou não, o livro atiça para as possibilidades e, deixando o leitor inquieto, se desenvolve a partir da não resolução delas. Dona de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/">outros sucessos</a></span><span style="font-weight: 400;"> e uma das </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/gotico-de-shirley-jackson-e-relancado-e-ganha-adaptacao-para-cinema/">maiores influências do gênero</a></span><span style="font-weight: 400;">, Shirley Jackson é mestre em deixar o Terror vir da imaginação de quem se deixa mergulhar na narrativa. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_29505" aria-describedby="caption-attachment-29505" style="width: 673px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29505" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-673x1024.jpg" alt="" width="673" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-673x1024.jpg 673w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-526x800.jpg 526w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-768x1169.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-1009x1536.jpg 1009w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29505" class="wp-caption-text">Recebido pela parceria da Companhia das Letras com o Persona, o romance de estreia de Caio Fernando Abreu ganha um posfácio assinado por <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=05998">Natalia Borges Polesso</a> em sua nova edição (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Fernando Abreu &#8211; Limite branco (200 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><a href="http://www.hildahilst.com.br/portfolio/alcoolicas">É crua a vida</a></span><span style="font-weight: 400;">, e a escrita de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=00005">Caio Fernando Abreu</a></span><span style="font-weight: 400;"> irrompe em uma tentativa implacável de capturá-la. Sob a luz do próprio amadurecimento do autor, </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212262/limite-branco">Limite branco</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">é atravessado por referências de um leitor assíduo e de um coração, pulsante por toda sua obra, ávido à existência e ao sentir. O romance de estreia do escritor é um registro que ressoa sua própria experiência, mascarada pelo personagem e alter-ego Maurício, com as dores e delicadezas do crescer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em capítulos intercalados, dois momentos da vida do personagem são enquadrados em estilos distintos; nos pares, a infância é rememorada, na terceira pessoa, com o conforto e um sentimento de caseira interioridade, tecida por poetas como Adélia Prado e Carlos Drummond de Andrade. Já nos ímpares, se situa um diário íntimo e visceral da adolescência enquanto um período de extrema sensibilidade, no qual os mais simples e oriundos eventos são estopins a deslumbramentos e assombrações, em que a espiritualidade, o afeto e iminência da descoberta são apanhados por pelas palavras que buscam reproduzir a vivacidade dessas emoções, tal qual uma das escritoras favoritas de Caio, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/2018/11/26/a-sombra-da-palavra/">Clarice Lispector</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De uma noite desesperadora de sono tomada por uma sudorese febril a um atestado da presença de Deus, ao observar a rua de sua janela, reluzente depois da chuva, são variados os aspectos do amadurecimento no livro de Caio Fernando Abreu. Escrito quando tinha apenas 19 anos, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Limite branco – </i></span><span style="font-weight: 400;">título escolhido com a ajuda de sua </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.literaturaeoutrosblues.com.br/2021/07/umacartacaiofernandoabreuehildahilst.html">amiga</a></span><span style="font-weight: 400;"> Hilda Hilst –</span> <span style="font-weight: 400;">foge do comum de romances de formação, como os trânsitos existenciais de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://todavialivros.com.br/autores/j-d-salinger">J.D. Salinger</a></span><span style="font-weight: 400;">, para a construção de uma passagem a vida adulta demarcada</span><span style="font-weight: 400;"> pela delicadeza do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://liberoamericamag.com/2017/10/09/o-roteiro-do-silencio-de-hilda-hilst/">silêncio</a></span><span style="font-weight: 400;"> e pela maneira que são borrados os limites: do entre o eu e mundo – tão estranho! – que o cerca. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_29533" aria-describedby="caption-attachment-29533" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29533" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-684x1024.jpg" alt="Arte retangular em tons de azul. No canto superior esquerdo, está escrito “New York Times Bestseller” em letra cursiva e na cor azul claro. No centro, está escrito o nome da autora “Clare Vanderpool” em letra cursiva e na cor bege, e também o título do livro “Em algum lugar nas estrelas” em letra cursiva e na cor branca. Ainda no centro, entre o trecho “Em algum” e o trecho “Lugar nas estrelas”, há uma bússola na cor bege. Centralizado, abaixo do título do livro, há um barco na cor branca. Dentro do barco, há um menino, em pé, de camisa branca, e um menino, sentado segurando um remo, de camisa preta. Por toda a arte, há detalhes na cor azul que representam constelações, tais como: Ursa Maior logo abaixo do título, Orion, Lepus, Columba e Taurus no canto superior direito, e Cetus, Phoenix e Toucan no canto superior esquerdo." width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29533" class="wp-caption-text">Em algum lugar nas estrelas entra no seleto nicho literário infantojuvenil que faz crianças rirem e adultos chorarem (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Clare Vanderpool &#8211; Em algum lugar nas estrelas (288 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora estadunidense </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.darksidebooks.com.br/clare-vanderpool/p">Clare Vanderpool</a></span><span style="font-weight: 400;">, ao escrever </span><span style="font-weight: 400;"><i>Em algum lugar nas estrelas, </i></span><span style="font-weight: 400;">conquista sua licença poética para reiterar uma valiosa lição na convivência humana: o que importa, no fim, são os amigos que se faz no caminho. A obra se consolida como um marco na literatura infantojuvenil, não só pelo fato de ter sido </span><span style="font-weight: 400;"><i>best-seller </i></span><span style="font-weight: 400;">no </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.nytimes.com/books/best-sellers/">New York Times</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, mas por ter sido capaz de sensibilizar diversas camadas sociais, desde o Ensino Fundamental até os CLTs. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Jack se muda para um internato em Maine, além de lidar com as incertezas a respeito de um ambiente desconhecido, deve encarar as facetas melancólicas da morte da mãe e do distanciamento emocional do pai. Apesar do caos silencioso digno da denominação de solidão, ele encontra um candidato ao título de “amigo”: Early Auden, um menino tão discreto e tímido quanto a solitude de Jack. Os dois percorrem, juntos, um caminho de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.literalmenteuai.com.br/resenha-em-algum-lugar-nas-estrelas-clare-vanderpool/#:~:text=Em%20algum%20lugar%20nas%20estrelas%20%C3%A9%20sobre%20a%20constru%C3%A7%C3%A3o%20de,cidade%2C%20no%20interior%20do%20Kansas.">autodescoberta</a></span><span style="font-weight: 400;"> no qual a fantasia e a criatividade infantis se consagram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Clare Vanderpool expõe com maestria as ramificações da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://darkside.blog.br/em-algum-lugar-nas-estrelas-mostra-a-sensibilidade-e-o-talento-de-clare-vanderpool/">infância</a></span><span style="font-weight: 400;"> em uma jornada pautada em identidade, pertencimento e memória. Em outros termos, Jack Baker e Early Auden protagonizam a história cuja desenvoltura reside no contraste entre a simplicidade da escrita e a complexidade do tema. A obra é uma experiência que desperta na criança vontade de procurar aventuras extraordinárias e, no adulto, a vontade de buscar o que ficou para trás. De qualquer forma, ambos objetos de desejo podem ser encontrados </span><span style="font-weight: 400;"><i>Em algum lugar nas estrelas. </i></span><b>&#8211; Ana Cegatti</b></p>
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<figure id="attachment_29500" aria-describedby="caption-attachment-29500" style="width: 606px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29500" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-606x1024.jpg" alt="Capa do livro Sócios no Crime, escrito por Agatha Christie. É uma arte com fundo preto. O nome da autora aparece na parte superior, escrito em letra cursiva. No meio da imagem, dois dados aparecem; um está com o número seis em vermelho, o número três e o número cinco em preto; o outro, está com o número seis também está em vermelho, o número dois e o número quatro em preto. Na parte inferior, o título do livro aparece em letras de forma, em caixa alta." width="606" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-606x1024.jpg 606w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-473x800.jpg 473w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-768x1298.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-909x1536.jpg 909w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-1211x2048.jpg 1211w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-1200x2029.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29500" class="wp-caption-text">Com saudade dos seus tempos de aventura e investigação, Tommy e Tuppence retornam em seu segundo livro para resolver um caso de espionagem (Foto: L&amp;PM)</figcaption></figure>
<p><b>Agatha Christie &#8211; Sócios no Crime (279 páginas, L&amp;PM)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de descobrirem o paradeiro de Jane Finn e a identidade de Mr. Brown – o misterioso </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-agosto-de-2022/">Adversário Secreto</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">–, Tommy e Tuppence estão de volta em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sócios no Crime</i></span><span style="font-weight: 400;">. A coleção de contos escrita por Agatha Christie, lançada em 1929, continua a história da dupla de investigadores recém-casados, que, a pedido de Mr. Carter, da Inteligência Secreta, assume a direção da agência Os Detetives Brilhantes de Blunt.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob as personas</span> <span style="font-weight: 400;">do detetive Theodore Blunt e da secretária srta. Robinson, Tommy e Tuppence começam a investigar pequenos casos, enquanto esperam a aparição do espião N°16, comparsa do real Theodore Blunt, que, por sua vez, foi preso por Mr. Carter e sua equipe. E, ao usar técnicas de outros detetives da literatura policial, como as de Sherlock Holmes e de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/assassinato-no-expresso-do-oriente-critica/">Hercule Poirot</a></span><span style="font-weight: 400;">, o par de aventureiros tenta responder à pergunta: quem seria o espião Número 16? &#8211; </span><b>Laura Hirata-Vale</b></p>
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<figure id="attachment_29498" aria-describedby="caption-attachment-29498" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29498" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Via Ápia, de Geovani Martins. Na imagem, há o desenho de três corpos negros dançando, em um fundo de cores cinza, branco e preto. Abaixo, próximo ao centro, está escrito Romance, em fonte de cor preta. À direita, está escrito Via Ápia, em fonte de cor branca com contornos pretos, e Geovani Martins, em fonte de cor preta. Abaixo está o logo da editora Companhia das Letras, em cor preta." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29498" class="wp-caption-text">Recebido na parceria com a editora Companhia das Letras, o primeiro romance de Geovani Martins guarda todos os méritos que o consagraram nos contos em 2018 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Geovani Martins &#8211; Via Ápia (344 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fenômeno imediato desde que </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535930528/o-sol-na-cabeca">O Sol na Cabeça</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2018) foi publicado e um dos convidados da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.flip.org.br/autores/geovani-martins/">Flip</a></span><span style="font-weight: 400;"> deste ano (dividindo uma mesa com a vencedora do Nobel, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">Annie Ernaux</a></span><span style="font-weight: 400;">), Geovani Martins vem de Bangu – bairro suburbano do Rio de Janeiro –, mas também morou na Rocinha e Vidigal (onde vive até hoje), comunidades de favelas na zona sul da cidade. Sua experiência pessoal, indissociável de sua obra, se junta à trama de Washington e Wesley em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211180/via-apia">Via Ápia</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, seu romance de estreia, no qual acompanhamos os personagens na Rocinha do antes, durante e depois da instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), entre 2011-2013.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em capítulos curtos, ao estilo de Machado de Assis – uma das principais referências de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/noticia/2022/11/geovani-martins-lanca-primeiro-romance-na-flip-e-participa-de-mesa-com-a-americana-ladee-hubbard.ghtml">Geovani Martins</a></span><span style="font-weight: 400;"> –, enxergamos perspectivas cruzadas, em que cinco jovens (contando Washington e Wesley) vivenciam primeiras experiências no amor, na amizade, no amadurecimento e na inibição de seus próprios sonhos frente a violência instaurada pelo Estado, numa “guerra às drogas” fracassada desde o início. Ao enviar sua tropa de choque à Rocinha, pelos olhos de Martins, o Estado parece apresentar uma única resposta aos problemas da desigualdade social no Brasil: a morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, seguindo a narrativa habilidosa de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Via Ápia</i></span><span style="font-weight: 400;">, na qual os diálogos impulsionam a trama, os impactos da UPP na vida dos moradores resvalam em todos os sonhos. Dividido em três partes, acompanhamos a expectativa da comunidade em relação à invasão; a ruidosa </span><span style="font-weight: 400;"><a href="http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/11/rocinha-foi-ultima-ocupacao-de-2011-diz-beltrame.html">instalação da UPP</a></span><span style="font-weight: 400;">; e a silenciosa partida da polícia e a retomada dos bailes </span><span style="font-weight: 400;"><i>funk </i></span><span style="font-weight: 400;">que “</span><span style="font-weight: 400;"><i>fazem o chão da favela tremer</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Criador de diálogos impecáveis e verossímeis, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/11/a-literatura-e-uma-arma-afirma-o-escritor-geovani-martins-na-flip.shtml">Martins aponta</a></span><span style="font-weight: 400;"> que a resposta dos moradores é e sempre foi outra: “</span><span style="font-weight: 400;"><i>a vida, sempre ela, nunca a morte</i></span><span style="font-weight: 400;">”. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_29506" aria-describedby="caption-attachment-29506" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29506" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Gótico Nordestino, do autor Christiano Aguiar. A capa é preta, tem em vermelho o nome do autor no topo e o nome do livro, em branco, abaixo. A ilustração do centro é um círculo que mostra um homem e seu reflexo maligno, montado em animais e segurando armas." width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-985x1536.jpg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1.jpg 1641w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29506" class="wp-caption-text">Gótico Nordestino venceu o Prêmio Clarice Lispector de Contos da Biblioteca Nacional em 2022 (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Christiano Aguiar &#8211; Gótico Nordestino (133 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São 9 os brilhantes contos que Christiano Aguiar precisa para situar suas histórias de medo, mistério e morte no interior brasileiro. Afinal, aliado a uma escrita visual e polvorosa, junto da curta duração das tramas, o livro </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/10/biblioteca-nacional-premia-livros-gotico-nordestino-e-siameses-veja-a-lista.shtml">vencedor do prêmio</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Contos da Biblioteca Nacional é um prato a ser devorado fumegante, sem espaço para respiros ou breves pausas. De cara, uma pequena travessia entre duas residências é palco de muita tensão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><span style="font-weight: 400;"><i>As Onças</i></span><span style="font-weight: 400;">, conto pós-apocalíptico que une a mitologia da epidemia com a fauna nacional, Aguiar coloca na mesa todo seu arsenal literário: emoção se transforma em lamento, que logo se transfigura na surpresa digna de arregalar os olhos e suspender o queixo. </span><span style="font-weight: 400;"><i>Gótico Nordestino</i></span><span style="font-weight: 400;"> é o atrativo maior no mar de criatividade do autor e da escassez de narrativas fantasmagóricas e sobrenaturais que </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://tab.uol.com.br/colunas/lidia-zuin/2022/01/29/horror-a-luz-do-dia-livro-gotico-nordestino-desafia-estereotipos-do-genero.htm">fogem de clichês</a></span><span style="font-weight: 400;"> ou mazelas narrativas.</span><b> &#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_29532" aria-describedby="caption-attachment-29532" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29532" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Modernismos 1922-2022. A imagem é composta por uma arte que tem um conjunto de números 22 sobrepostos. Os tons vão de rosa a lilás e vermelho a laranja. Ao centro, o nome do livro está grafado em preto. No canto superior esquerdo, está o nome da organizadora. No canto inferior direito, está o logo da editora." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29532" class="wp-caption-text">O centenário da Semana de Arte Moderna também foi lembrado aqui no Persona, através de uma <a href="https://personaunesp.com.br/tag/semana-de-arte-moderna-no-persona/">série especial</a> que reflete sobre o legado de 1922 na Arte e na Cultura brasileira (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Gênese Andrade (Org.) &#8211; Modernismos 1922 &#8211; 2022 (896 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história do Brasil, poucos eventos são tão culturalmente divisores quanto a Semana de Arte Moderna. Tanto em sua relevância como marco artístico-cultural quanto nas controvérsias sobre o seu caráter disruptivo, o evento de 1922, bem como suas origens e desdobramentos, já são temas constantes no ambiente de discussões do país, mas ocupam </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/podcasts/repertorio-451-mhz/a-semana-de-22-posta-em-questao">um lugar especial</a></span><span style="font-weight: 400;"> em seu centenário, conforme bem identifica </span><span style="font-weight: 400;"><i>Modernismos 1922 &#8211; 2022</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A publicação especial da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Companhia das Letras</i></span><span style="font-weight: 400;"> para os 100 anos da Semana de 22 é mestre em identificar </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212408/modernismos-1922-2022">as vértices</a></span><span style="font-weight: 400;"> do debate sobre o movimento no país, cujo início oficial é atribuído à série de apresentações, debates, exposições e movimentações que aconteceram na capital de São Paulo entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922. São 29 ensaios inéditos, assinados por 29 autores diferentes, que analisam o desenrolar desses 100 anos com direção de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://gamarevista.uol.com.br/cultura/um-ano-para-repensar-a-semana-de-22/">Gênese Andrade</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de se organizar a partir da experiência de uma das principais referências sobre o tema da atualidade, o livro traz as contribuições de nomes consagrados no ramo do estudo da História e Cultura brasileiras, como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2022/11/nossa-historiografia-e-colonial-masculina-e-sudestina-diz-lilia-schwarcz-na-flip.ghtml">Lilia Schwarcz</a></span><span style="font-weight: 400;">, José Miguel Wisnik, Walnice Nogueira Galvão e Regina Teixeira de Barros. Os temas abarcam as representações raciais, locais e de gênero e os discursos políticos, sociais e estéticos das Artes Visuais, da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/">Música</a></span><span style="font-weight: 400;">, da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/manuel-bandeira-os-sapos-literatura-modernista-artigo/">Literatura</a></span><span style="font-weight: 400;"> e da Arquitetura modernista, olhando para cem anos atrás a fim de compreender cem anos </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/">à frente</a></span><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_29503" aria-describedby="caption-attachment-29503" style="width: 711px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29503" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-711x1024.jpg" alt="Capa do livro Não há silêncio que não termine da autora Ingrid Betancourt. Na imagem, o fundo é composto por tons de verde que variam na forma de um enorme borrão distorcido. Ao centro, o nome da escritora aparece em letras grandes e vermelhas. Um pouco abaixo, está o título do livro na cor preta. Já na parte inferior, há o subtítulo “Meus anos de cativeiro na selva colombiana” marcado em preto. Por último, o logo da editora Companhia das Letras." width="711" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-711x1024.jpg 711w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-768x1106.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1.jpg 1778w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29503" class="wp-caption-text">Ingrid Betancourt tentou concorrer à presidência da Colômbia <a href="https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2022/05/17/ingrid-betancourt-volta-a-concorrer-a-presidencia-na-colombia.htm">novamente</a> em 2022, mas acabou desistindo (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Ingrid Betancourt &#8211; Não há silêncio que não termine (556 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há duas décadas, a então candidata à presidência </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.theguardian.com/world/2010/sep/18/ingrid-betancourt-i-still-have-nightmares">Ingrid Betancourt</a></span><span style="font-weight: 400;"> era sequestrada pelas </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://americasquarterly.org/article/interview-ingrid-betancourt-on-colombia-farc-peace/">FARC</a></span><span style="font-weight: 400;">, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Presa em cativeiro durante seis anos, o seu início promissor na política se desfez, porém, os tormentos vividos na selva colombiana foram registrados na história através do livro </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535917383/nao-ha-silencio-que-nao-termine">Não há silêncio que não termine</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, publicação que selou a relevância internacional do acontecimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra escrita em primeira pessoa, a autora transporta o leitor para o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.npr.org/2010/09/25/130108179/ingrid-betancourts-six-years-in-the-jungle">ambiente inóspito</a></span><span style="font-weight: 400;"> da lama atraente e das folhas sufocantes que a fizeram refém. </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/05/20/ingrid-betancourt-deixa-e-coalizao-de-centro-e-se-candidata-a-presidencia-da-colombia.ghtml">Betancourt</a></span><span style="font-weight: 400;">, habituada com a presença de referências culturais no seu convívio familiar, escolheu um trecho do poema </span><span style="font-weight: 400;"><i>Para todos</i></span><span style="font-weight: 400;"> de Pablo Neruda para compor o título e trouxe o dom das palavras de </span><span style="font-weight: 400;">Gabriel García Márquez para o seu estilo.</span> <b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_29508" aria-describedby="caption-attachment-29508" style="width: 666px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29508" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-666x1024.jpg" alt="Capa do livro Céu noturno crivado de balas, do autor Ocean Vuong. Na imagem, o fundo é cinza e há um homem nu sentado de lado no chão, curvado para frente, abraçando suas pernas e apoiando sua cabeça nos joelhos. Há galhos de folhas saindo de suas costas e de seus pés." width="666" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-666x1024.jpg 666w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-520x800.jpg 520w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-768x1182.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-998x1536.jpg 998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-1200x1846.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1.jpg 1300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29508" class="wp-caption-text">Em Céu noturno crivado de balas, Vuong consegue fazer com que os silêncios de seus versos falem com a mesma força de suas palavras (Foto: <span style="font-weight: 400;"><i>Â</i></span>yiné)</figcaption></figure>
<p><b>Ocean Vuong  &#8211; Céu noturno crivado de balas (227 páginas, Âyiné)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois anos. Esse foi o tempo em que o poeta vietnamita </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.oceanvuong.com/about">Ocean Vuong</a></span><span style="font-weight: 400;"> passou em seu país de origem antes de migrar para os Estados Unidos com sua mãe e avó – a única família que tinha. Nascido em um país do qual não se lembra, com um pai que nunca chegou a conhecer e fazendo perguntas que nunca poderiam ser respondidas, ele fez o que a maioria de nós faríamos: criou seu passado e parte dessa criação está materializada em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Céu noturno crivado de balas</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os trinta e cinco poemas que compõem a obra se dividem em dois grandes temas: a guerra do Vietnã e o amor, e como a guerra e o amor se encontram em diversos pontos. Vuong possui uma capacidade incrível de criar imagens e fazer com que os silêncios de seus versos falem com a mesma força de suas palavras; escrevendo sobre a batalha, a família ou sobre o sexo, todas as suas composições contêm a aura da perda causada pela violência, pelos mal-entedidos ou pelo simples correr das folhas do calendário. Ao transitar por diversos campos simbólicos, </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://ayine.com.br/catalogo/ceu-noturno-crivado-de-balas/">Céu noturno crivado de balas</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> oferece múltiplas possibilidades de leitura, tratando-se de um processo constante e infinito de elaboração que parte justamente de uma ressignificação da linguagem. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_29502" aria-describedby="caption-attachment-29502" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29502" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-675x1024.jpg" alt="Capa do livro Rota 66 A História da Polícia Que Matava. Na imagem há um policial da divisão ROTA com os braços cruzados e o símbolo da corporação em destaque no ombro direito. A imagem está em preto e branco e o título e subtítulo estão na parte superior direita." width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-768x1166.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-1349x2048.jpg 1349w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1.jpg 1582w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29502" class="wp-caption-text">Caco Barcellos choca e emociona com a descrição da violência policial (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Caco Barcellos &#8211; Rota 66 &#8211; A História da Polícia Que Mata (352 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><i>Rota 66 &#8211; A História da Polícia Que Mata</i></span><span style="font-weight: 400;"> liga inúmeros assassinatos cometidos pela Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), divisão da Polícia Militar do Estado de São Paulo, ao </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2022/10/21/caso-que-da-nome-a-rota-66-livro-de-caco-barcellos-foi-escandalo-em-1975-com-execucao-de-jovens-de-classe-alta-de-sao-paulo.ghtml">escândalo de 1975</a></span><span style="font-weight: 400;"> pela execução de três jovens de classe alta. O caso é investigado a fundo pelo jornalista Caco Barcellos, que descobre um grupo de matadores agindo com o aparente aval da polícia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra ganhou o prêmio da categoria Reportagem do Prêmio Jabuti de 1993 e foi adaptado para uma série pela </span><span style="font-weight: 400;"><i>Globoplay </i></span><span style="font-weight: 400;">em 2022. </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.record.com.br/produto/rota-66/">Rota 66</a></i></span><span style="font-weight: 400;">  é envolvente a ponto de nos fazer criar uma sensação de cumplicidade com os participantes da trama e choca com a descrição das arbitrariedades cometidas pelos agentes de segurança e pela total falta de confiança entre esses servidores e a população. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_29536" aria-describedby="caption-attachment-29536" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29536" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Vê se cresce, Eve Brown.Na imagem há a ilustração de uma garota negra de estatura média, ela tem tranças lilás até a cintura e veste uma calça jeans azul clara com uma camiseta verde e um tênis branco. Ao seu lado há a figura de um homem branco de cabelos curtos loiros, ele veste uma calça preta e uma camisa social branca. O fundo é azul e atrás dos personagens tem uma trilha de notas musicais. Na parte superior está escrito em roxo “Da mesma autora de Acorda pra vida, Chloe Brown”. Na porção central aparece o título da obra em roxo e branco. No espaço inferior central aparece o nome da autora em letras brancas." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29536" class="wp-caption-text">Recebido do Persona na parceria com a Companhia das Letras, Vê se cresce, Eve Brown é o terceiro livro da trilogia Irmãs Brown (Foto: Companhia das Letras/Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Talia Hibbert &#8211; Vê se cresce, Eve Brown (296 páginas, Paralela/Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eve é a caçula das três </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788584392780/ve-se-cresce-eve-brown-sucesso-no-tiktok">irmãs Brown</a></span><span style="font-weight: 400;">. A personagem tem a presença de um furacão: imprevisível e capaz de derrubar tudo. Pelo menos é isso que seus pais veêm quando, depois de inúmeras tentativas de definir um rumo para sua vida, a moça não consegue se encontrar em nada – talvez ela nem quisesse isso. Assim, a única opção da mulher de tranças lilás é ir atrás de estabilidade, como prova de que os julgamentos a seu respeito estão errados. É assim que Eve Brown entra de cabeça em uma aventura na qual o autoconhecimento é o destino e nós somos os acompanhantes, carregando sorrisos tímidos no canto da boca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro – traduzido no Brasil por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://comoeuescrevo.com/ligia-azevedo/">Lígia Azevedo</a></span><span style="font-weight: 400;"> – explora mais do que as nuances de um clichê adorável ao expor o protagonismo autista e se desviar de muitos estigmas. A leitura é fluida e aconchegante, fazendo com que conheçamos aspectos diferentes da representatividade, enquanto nos apaixonamos pelo enredo cativante. No destino de Eve, há muito mais que algumas pombas brancas voando para o lugar errado.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto de Talia Hibbert ainda ganha espaço para trabalhar o clássico dos romances juvenis com um </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/e-assim-que-se-perde-a-guerra-do-tempo-critica/">enemies to lovers</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> extremamente carismático. Ver a protagonista bagunçada e o metódico Jacob Wayne se encontrando nas diferenças abre portas para encarar divergências com outros olhos. Se </span><span style="font-weight: 400;"><i>Vê se cresce, Eve Brown</i></span><span style="font-weight: 400;"> gostaria que sua personagem fosse um pouco mais madura, isso não só acontece com excelência como também nos engrandece junto dela.  </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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