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	<title>Arquivos MUBI &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Persona Entrevista: Yasutomo Chikuma</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 16:52:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Diaz O silêncio é capaz de ser tão expressivo quanto a palavra, e o amor – quando não se realiza nos corpos – encontra refúgio na memória. Na seção Perspectiva Internacional, a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo apresenta o novo longa de Yasutomo Chikuma: O Espaço Mais Profundo em Nós. A &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/persona-entrevista-yasutomo-chikuma/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Yasutomo Chikuma"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36479" aria-describedby="caption-attachment-36479" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36479" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-entrevista-3-800x450.png" alt="Card gráfico de entrevista em estilo editorial. No fundo, um padrão abstrato em tons de verde escuro e turquesa cria ondas fluidas que remetem a gravuras japonesas. À esquerda, aparece o logotipo em forma de olho e os textos “Persona Entrevista” e “49ª Mostra Internacional de Cinema – São Paulo Int’l Film Festival”. À direita, dentro de um enquadramento de bordas arredondadas, há o retrato de uma pessoa com expressão neutra, usando boné claro e óculos de sol apoiados sobre a aba. A luz quente do exterior ilumina parcialmente o rosto, enquanto o fundo desfocado sugere um ambiente urbano." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-entrevista-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-entrevista-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-entrevista-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-entrevista-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-entrevista-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-entrevista-3.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36479" class="wp-caption-text">Diretamente do Japão, Yasutomo Chikuma iniciou sua carreira no cinema experimental antes de migrar para longas narrativos (Arte: Arthur Caires / Foto: Tai Ouchi)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Diaz</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O silêncio é capaz de ser tão expressivo quanto a palavra, e o amor – quando não se realiza nos corpos – encontra refúgio na memória. Na seção Perspectiva Internacional, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta o novo longa de Yasutomo Chikuma: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Espaço Mais Profundo em Nós</span></i><span style="font-weight: 400;">. A trama parte do vínculo íntimo entre Kaori (Momoko Fukuchi), uma mulher arromântica e assexual, e Takeru (Kanichiro), um homem que não suporta mais o próprio corpo, para refletir sobre a impossibilidade do amor e a persistência da culpa nessa ausência. Após a morte de Takeru, Kaori viaja com Nakano (Ryutaro Nakagawa), seu amigo, até o litoral onde ele se matou. </span></p>
<p><span id="more-36471"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido em 1983, Chikuma iniciou sua carreira como ator em 2004, porém foi como diretor que se consolidou no circuito internacional. Seu primeiro longa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Now, I&#8230; </span></i><span style="font-weight: 400;">(2009), abriu caminho para uma filmografia marcada pela investigação do invisível. Depois, vieram </span><i><span style="font-weight: 400;">The Ark in the Mirage</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2015), que estreou no Festival de Karlovy Vary, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Two Silhouettes</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2020), uma história de amor mística que reforçou sua assinatura autoral. Mais recentemente, </span><a href="https://www.dailymotion.com/video/x8kyziz"><i><span style="font-weight: 400;">As It Flows</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022) confirmou seu interesse por narrativas que se desenrolam entre o silêncio e a memória.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua cinematografia foca em olhar para dentro, onde o humano é sempre o território mais inexplorado. Com planos longos e uma atmosfera que mistura serenidade e vertigem, o diretor japonês constrói um cinema em que a água, a ausência e o corpo masculino são territórios de investigação. Não se trata apenas de símbolos, porém também são como respirações. Seus personagens, presos entre a ternura e o vazio, descobrem que amar pode ser um gesto sem posse e que chorar é a forma mais autêntica de existir. A partir disso, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">Persona Entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> evidencia os segredos e as motivações de Yasutomo Chikuma para a construção de sua história.</span></p>
<figure id="attachment_36472" aria-describedby="caption-attachment-36472" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36472" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.38.08-800x391.png" alt="Fotografia de um homem e uma mulher à beira mar enquanto observam o horizonte em silêncio. Ela está de costas, com uma saia longa e jaqueta clara, enquanto ele, de sobretudo escuro, permanece um pouco afastado. O mar calmo e o céu azul compõem uma paisagem serena, marcada pela distância emocional entre os dois." width="800" height="391" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.38.08-800x391.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.38.08-1024x500.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.38.08-768x375.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.38.08-1536x750.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.38.08-1200x586.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.38.08.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36472" class="wp-caption-text">Segundo o diretor, o filme foi rodado inteiramente em locações reais no litoral japonês, sem o uso de estúdios (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O título do filme carrega a promessa de que há algo profundo em nós, algo que o audiovisual tenta alcançar. Entretanto, o que, exatamente, Chikuma procura nesse fundo?</span></p>
<p><b>Sobre o título da obra, o que representa o “espaço mais profundo de nós”?</b></p>
<p><b>Yasutomo Chikuma: </b><i><span style="font-weight: 400;">“É o lugar onde guardamos o que não sabemos nomear. Talvez o amor, talvez o medo, talvez apenas um eco. Eu acredito que todo ser humano carrega um mar interno, e é ali que se perdem as pessoas que amamos. O cinema tenta iluminar esse fundo, mas só consegue tocar a superfície.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não conhecer a língua portuguesa e estar acompanhado de uma tradutora, o diretor parece conversar do mesmo modo que captura a filmagem, sem pressa e, principalmente, atento ao que não cabe nas palavras. A ideia do mar interno perpassa toda a sua filmografia. A água nunca é apenas cenário, chega a ser um estado emocional ou até uma memória que se dissolve. É sobre o espaço entre o que somos e o que perdemos. No filme, Kaori observa o litoral com a mesma expressão de quem tenta decifrar um enigma sem solução. O mar é Takeru, depois que ele deixa de ter corpo, depois que a morte o transforma em ausência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o diretor busca investigar o invisível, é porque ele entende que o amor não é plenitude, ao contrário disso, é o espaço impossível de ser habitado, o espelho que corta quem tenta se ver nele. Kaori e Takeru compartilham uma vida que não se consome e não segue as regras do desejo ou da posse. Eles existem um ao lado do outro, todavia nunca inteiramente juntos.</span></p>
<p><b>O filme parece filmar o amor não como uma plenitude, mas como um espaço impossível de ser habitado. O que o levou a essa ideia?</b></p>
<p><b>Yasutomo Chikuma: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Eu sempre vi o amor como um espelho rachado. Quando duas pessoas tentam se ver nele, acabam cortadas pela própria imagem. Kaori e Takeru não sabem amar como o mundo ensina. Eles se amam em silêncio, em cuidado, em ausência. E isso é, para mim, o gesto mais radical. O filme não quer preencher esse espaço, mas respeitar o vazio que o amor deixa.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma ternura contida entre os dois personagens, quase como se fossem parentes. A protagonista segura um copo de um jeito específico, Takeru olha para o horizonte sem dizer nada. São gestos pequenos, contudo carregados de significado. O diretor não idealiza essa relação, porém diz como ela é imperfeita, incompleta e real.</span></p>
<p><b>Kaori é uma mulher assexual, mas o filme nunca reduz isso a um rótulo. Há uma ternura contida entre ela e Takeru, quase como se fossem parentes. Como você trabalhou essa relação sem cair em idealização?</b></p>
<p><b>Yasutomo Chikuma: </b><i><span style="font-weight: 400;">“O afeto entre eles não precisa de desejo. Ele se manifesta na rotina, no jeito como ela segura um copo ou ele observa o mar. Quis filmar o amor como uma presença invisível, algo que só existe quando não é nomeado. A assexualidade aqui é um território de sutileza, de resistência à leitura fácil do corpo como necessidade.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chikuma começa a falar devagar, escolhendo cada palavra como quem monta um quebra-cabeça. Ele parece consciente de que está lidando com algo que o cinema japonês raramente representa, um vínculo que não cabe nas categorias disponíveis. O longa nunca transformou a assexualidade de Kaori em um problema ou em curiosidade. É apenas o modo como ela existe no mundo, assim como o modo no qual ama Takeru.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, para prosseguir, é necessário retornar ao elemento fundamental do brilho cinematográfico de Chikuma: a água. Ela aparece em todos os seus filmes e, em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Espaço Mais Profundo em Nós</span></i><span style="font-weight: 400;">, o litoral não é apenas o lugar onde Takeru morreu – é o espaço onde Kaori tenta processar a perda, onde ela se afoga para tentar se ver outra vez.</span></p>
<p><b>A água aparece constantemente no filme, seja no mar ou nas lágrimas que nunca chegam a cair. Qual o significado desse elemento visual em sua obra?</b></p>
<p><b>Chikuma: </b><i><span style="font-weight: 400;">“A água é o espaço entre o que somos e o que perdemos. Ela dissolve a forma, mistura o vivo e o morto. Quando filmo o mar, não quero extrair a beleza, quero manter a suspensão dele. É um elemento que mantém os personagens entre estados e o mar é o corpo de Takeru depois que ele deixa de ser um corpo. É também o espelho onde Kaori se afoga para tentar se ver outra vez.”</span></i></p>
<figure id="attachment_36473" aria-describedby="caption-attachment-36473" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36473" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.38.12-800x431.png" alt="Frame de uma mulher de costas, vestindo roupas escuras, enquanto observa duas velas acesas posicionadas sobre uma pequena estrutura metálica embutida em uma parede de mármore claro. O enquadramento é simétrico e minimalista, com tons frios e luz suave, transmitindo uma sensação de luto e introspecção. À direita, vê-se um elevador fechado e à esquerda, uma placa discreta reforça o ambiente institucional." width="800" height="431" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.38.12-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.38.12-1024x552.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.38.12-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.38.12.png 1167w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36473" class="wp-caption-text">O diretor esteve presente na 16ª Conferência Asiática sobre Mídia, Comunicação e Cinema (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Kaori e Nakano caminham juntos ao litoral, eles atravessam um limiar invisível, marcado pela transição da presença para a ausência. Todavia, talvez não haja compreensão capaz. Possivelmente, o filme seja justamente sobre a impossibilidade de entender o que se perdeu.</span></p>
<p><b>E se pensarmos a água como um rito de passagem?</b></p>
<p><b>Chikuma: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Sim, a água funciona como um rito de passagem no filme. Ela não é apenas um cenário, mas um espaço de transformação. Quando Kaori e Nakano caminham junto ao mar, ou quando Takeru se afasta, a água marca a passagem de um estado para outro. Seja da presença para a ausência ou da confusão para a compreensão, continua sendo um espelho. É um lugar onde os personagens enfrentam a própria finitude e descobrem algo sobre si mesmos.”</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Cada mergulho, cada reflexão sobre o mar, é como atravessar um limiar invisível, uma espécie de batismo silencioso que não purifica, mas revela a profundidade do que se carrega dentro. O tempo é a matéria do esquecimento. Eu filmo como quem tenta segurar a poeira antes que ela se misture ao vento. Por isso os planos longos não querem mostrar nada, querem permitir que algo aconteça. O cinema é o único lugar onde o passado ainda respira.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir dessa narrativa, Chikuma domina e fala sobre o tempo como matéria do esquecimento. Sua última frase mostra o quanto ele se interessa em permitir que algo aconteça, tentando segurar a poeira antes que ela se misture ao vento. A morte de Takeru acontece fora de quadro. Não há violência, não há espetáculo. Ele simplesmente desaparece, e o que resta é o silêncio. Kaori não chora e, se realmente chora, as lágrimas nunca chegam a cair. O luto, no filme, não tem som.</span></p>
<p><b>A morte de Takeru é tratada sem violência, quase como um desaparecimento. Como foi lidar com o suicídio de modo tão sereno?</b></p>
<p><b>Chikuma: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não queria transformar a morte em espetáculo. A morte, no filme, é apenas mais um gesto humano. Ela não grita, apenas sussurra. Talvez porque eu próprio não a tema, eu temo mais o que sobra dela: o silêncio. Kaori não chora porque entende que o luto não tem som. O suicídio de Takeru não é uma punição, é uma forma de dizer ‘eu não consigo mais continuar sendo visto’.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chikuma insiste em expressar um homem que se quebra, não por fraqueza, mas por excesso de sensibilidade. Dentro das telas, o masculino é sempre o corpo que resiste e, nessa obra, ele é o corpo que cede, que se entrega, que desiste. E Kaori é o olhar que acolhe o fracasso do outro, sem qualquer julgamento.</span></p>
<p><b>Em vários momentos, Kaori e Nakano parecem refletir sobre a fragilidade do homem. Há um olhar político nesse gesto?</b></p>
<p><b>Chikuma: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Todo filme é político quando se nega a repetir um gesto. Eu quis filmar um homem que se quebra, não por fraqueza, mas por excesso de sensibilidade. O masculino, no cinema, é sempre o corpo que resiste. Eu quis o contrário: o corpo que cede, que se entrega, que desiste. E quis que o feminino observasse isso sem julgar. Kaori é o olhar que acolhe o fracasso do outro.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com isso, Yasutomo Chikuma convida o espectador a atravessar rios e mares internos e a olhar para o que se perde e o que permanece. A sua produção não oferece respostas claras, apenas a delicadeza de permanecer diante do mistério.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;No mar, cada passo é como atravessar um limiar invisível, uma espécie de batismo silencioso que não purifica, mas revela a profundidade do que se carrega dentro&#8221;</span></i></p></blockquote>
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		<title>O Espaço Mais Profundo em Nós permanece à superfície</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 13:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Diaz O Espaço Mais Profundo em Nós confirma o olhar de Yasutomo Chikuma para o invisível. Seu cinema se volta ao que não se pode tocar, às zonas de silêncio entre o amor e o luto. Nesta história, apresentada na seção Perspectiva Internacional da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Kaori (Momoko &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-espaco-mais-profundo-em-nos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Espaço Mais Profundo em Nós permanece à superfície"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36376" aria-describedby="caption-attachment-36376" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-36376 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-1.png" alt="O rosto de uma jovem é parcialmente iluminado por uma luz verde-azulada que incide lateralmente, criando um contraste suave entre brilho e sombra. Seus cabelos longos caem sobre o rosto, e o olhar baixo sugere introspecção ou melancolia. O fundo é escuro, reforçando a atmosfera etérea e contemplativa da cena." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36376" class="wp-caption-text">O filme está entre os indicados ao Prêmio NETPAC no Festival Internacional de Cinema de Calcutá (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Diaz</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Espaço Mais Profundo em Nós</span></i><span style="font-weight: 400;"> confirma o olhar de Yasutomo Chikuma para o invisível. Seu cinema se volta ao que não se pode tocar, às zonas de silêncio entre o amor e o luto. Nesta história, apresentada na seção Perspectiva Internacional da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, Kaori (Momoko Fukuchi), uma mulher </span><a href="https://queer.ig.com.br/2022-04-09/o-que-e-arromantico.html"><span style="font-weight: 400;">arromântica</span></a><span style="font-weight: 400;"> e assexual, compartilha uma vida com Takeru (Kanichiro), um homem em conflito com o próprio corpo e sua permanência no mundo. A relação dos dois é feita de gestos e pausas – uma convivência que não se consome, apenas se sustenta. Quando Takeru morre, o que resta a Kaori é caminhar entre a lembrança e o vazio, acompanhada por Nakano (Ryutaro Nakagawa), o amigo que talvez também tenha amado o mesmo homem.</span></p>
<p><span id="more-36375"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor registra o que acontece dentro da quietude. Seus planos longos e respirações prolongadas, características típicas do </span><a href="https://www.bfi.org.uk/lists/10-great-slow-films"><i><span style="font-weight: 400;">slow cinema</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, criam a sensação de que o tempo se dilata diante de cada movimento. O litoral, local em que a narrativa se desenrola, não funciona como paisagem, mas como projeção do estado interior de Kaori – o movimento das ondas replica o ritmo de sua consciência, sua respiração irregular diante do </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/6-filmes-com-cenas-de-luto-emocionantes-de-harry-potter-adoraveis-mulheres/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nesse espaço suspenso, o filme se torna uma escuta do que o silêncio tenta dizer e daquilo que o amor nunca soube nomear.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cultura japonesa, a morte não é ruptura, mas passagem. Existe o conceito de </span><a href="https://voyapon.com/death-in-japan-spirituality-culture/#htoc-gimu-the-unsolvable-moral-debt"><i><span style="font-weight: 400;">gimu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a dívida moral impagável que os filhos têm para com aqueles que lhes deram a vida – uma gratidão que se estende para além do fim. Os mortos permanecem próximos dos vivos, habitando o </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/religiao/xintoismo.htm"><i><span style="font-weight: 400;">anoyo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o além que se comunica constantemente com este mundo. Para que essa </span><a href="https://funerariasantacasa24h.com.br/funeral-japones/"><span style="font-weight: 400;">travessia</span></a><span style="font-weight: 400;"> ocorra em paz, é preciso resolver tudo: nenhum rancor, nenhuma dúvida, nenhum vínculo mal encerrado. Chikuma filma justamente esse espaço de indefinição, onde Kaori não consegue encerrar Takeru porque o afeto entre eles nunca teve a linguagem do desejo ou da posse. Como pode se despedir de alguém que nunca coube nas categorias tradicionais de amor?</span></p>
<figure id="attachment_36377" aria-describedby="caption-attachment-36377" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-2.png" alt="Um jovem está sentado ao ar livre, envolto em um casaco branco e cachecol preto, olhando para frente com expressão de tristeza contida. A luz natural do amanhecer ou entardecer banha suavemente seu rosto, enquanto o fundo desfocado revela árvores e um céu pálido, sugerindo um momento de solidão e reflexão." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-36377" class="wp-caption-text">A figura de Takeru representa a impossibilidade de fixação e funciona como ausência estruturante (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A resposta está personificada na protagonista: ela não segue os padrões do conceito amoroso. A </span><a href="https://valkirias.com.br/assexualidade-arromanticidade-e-a-falta-de-representacao-na-cultura-pop/"><span style="font-weight: 400;">assexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> no cinema ainda é sub-representada, aparecendo majoritariamente em papéis secundários ou tratada como problema a ser resolvido. Chikuma faz o oposto: coloca Kaori no centro da narrativa, não como ausência, e sim como presença que redefine os termos da relação. Sua assexualidade não é obstáculo ao afeto, é a própria forma dele. O filme reconhece que a cultura possui rituais para esposas, amantes, filhos, porém não para quem habita essas </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/teoria-queer-e-os-desafios-as-molduras-do-olhar/"><span style="font-weight: 400;">zonas sem nome</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos versos </span><i><span style="font-weight: 400;">“Meu bem, vamos viver a vida / Então vem, senão eu vou perder quem sou”</span></i><span style="font-weight: 400;">, a música </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0KpA8R3NM3N0JB4NAGbAxO?si=b1cfdd561a324af3"><i><span style="font-weight: 400;">Life on Mars?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na versão de </span><a href="https://personaunesp.com.br/5-anos-de-marighella-e-a-contestacao-de-uma-narrativa-unica-critica/"><span style="font-weight: 400;">Seu Jorge</span></a><span style="font-weight: 400;">, captura a mesma inquietação do audiovisual: a diferença entre estar vivo e verdadeiramente viver. Kaori não pode performar o luto esperado, porque o vínculo que tinha com Takeru nunca se encaixou nas categorias disponíveis. O que resta, então, é inventar uma linguagem para esse </span><a href="https://abmluto.org.br/sobre-o-sentido-da-existencia-o-luto-e-a-morte/"><span style="font-weight: 400;">vazio</span></a><span style="font-weight: 400;"> – e é isso que a obra tenta fazer, ainda que nem sempre consiga. Os dois compartilham um afeto que não depende do desejo, mas da permanência. A produção encontra beleza nas pequenas repetições, como o modo como ela segura um copo, o olhar dele perdido no horizonte. Ainda assim, o diretor às vezes se prende à própria delicadeza. A contenção que deveria revelar o mistério acaba domesticando-o, demonstrando que a sutileza se confunde com apagamento, e a introspecção se torna ausência de conflito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há diálogos entre o longa e toda uma indústria que não se contenta com respostas fáceis. A água, elemento recorrente em toda a </span><a href="https://filmow.com/yasutomo-chikuma-a505238/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">filmografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Chikuma, carrega aqui um duplo sentido: é refúgio e dissolução, juntamente com a memória e o esquecimento. O diretor a utiliza como símbolo de cadência diante de um fluxo que conecta cada respiração e cada intervalo. Quando Kaori observa o mar, o que se reflete não é a imagem do que perdeu, é a impossibilidade de compreender essa perda. A câmera, atenta e pudorosa, mantém uma </span><a href="https://www.spescoladeteatro.org.br/noticia/o-que-e-distanciamento-no-teatro"><span style="font-weight: 400;">distância</span></a><span style="font-weight: 400;"> que é também ética: filma sem invadir, enquanto olha sem exigir resposta.</span></p>
<figure id="attachment_36378" aria-describedby="caption-attachment-36378" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-800x391.png" alt="À beira-mar, um homem e uma mulher observam o horizonte em silêncio. Ela está de costas, com uma saia longa e jaqueta clara, enquanto ele, de sobretudo escuro, permanece um pouco afastado. O mar calmo e o céu azul compõem uma paisagem serena, marcada pela distância emocional entre os dois." width="800" height="391" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-800x391.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-1024x500.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-768x375.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-1536x750.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-1200x586.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36378" class="wp-caption-text">No longa, a paisagem marinha é o espaço entre o que somos e o que perdemos (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, a produção é irrepreensível. A fotografia cria um universo onde tudo parece prestes a se desfazer, contudo há uma distância entre a intenção estética e o impacto emocional – tal qual o aflito entre a estética do belo e o sublime de </span><a href="https://pensamentoextemporaneo.com.br/?p=2544"><span style="font-weight: 400;">Immanuel Kant</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao perseguir a beleza como constância, Chikuma transforma o estranhamento em ornamento. Seu cinema respira, porém sem mudança de ar: o andamento é sempre o mesmo, a emoção permanece contida, até quando o tema exige transbordamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a chegada de Nakano, a trama se aproxima do ensaio e se afasta do drama. A comunicação dele com Kaori investiga o que restou de Takeru ou o vazio que ele deixou. Os dois voltam às mesmas perguntas: o que significa amar sem possuir? Como guardar alguém que nunca quis ser guardado? No entanto, o roteiro hesita diante da própria ambição. Essas questões se repetem sem ganhar novas camadas, sem que os personagens (ou o longa) se arrisquem a perdê-las de vista. O que deveria ser um aprofundamento vira insistência, e a </span><a href="https://cantodosclassicos.com/20-filmes-minimalistas-que-merecem-sua-atencao/"><span style="font-weight: 400;">densidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> se dilui na repetição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é um trabalho à altura dos grandes </span><a href="https://japanhousesp.com.br/story/os-encantos-do-cinema-japones-historia-e-perspectivas/"><span style="font-weight: 400;">dramas japoneses</span></a><span style="font-weight: 400;"> recentes, mas possui uma inquietação que o mantém vivo. Apesar da honestidade em sua tentativa de filmar o luto como estado, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Espaço Mais Profundo em Nós</span></i><span style="font-weight: 400;"> propõe investigar o fundo que o Cinema só consegue tocar pela superfície, porém recua diante do próprio abismo – apenas o que resta é a dúvida. O diretor filma o mistério, entretanto não se permite habitá-lo. A obra anuncia um mergulho e permanece à beira. Kaori precisava de uma linguagem para um luto sem categoria, todavia o que o Cinema lhe oferece é apenas </span><a href="https://entretenimento.r7.com/entretetizei/especial-o-aconchego-silencioso-do-cinema-japones-13082025/"><span style="font-weight: 400;">silêncio</span></a><span style="font-weight: 400;"> decorativo. A inquietação está lá, mas também contida, ornamentada, protegida de si mesma. Falta ao filme a coragem de se perder e, justamente, nessa perda que a Sétima Arte encontra o que não se pode nomear.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="【2025年サンパウロ国際映画祭正式出品作品】映画『そこにきみはいて』60秒予告" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1E7yrKhn6TU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Hot Milk mostra a importância de abraçar a vida</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Oct 2025 13:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Rebecca Lenkiewicz]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Isabela Pitta Entre súplicas veladas e lutas diárias, o ser humano busca, a cada dia, definir e alcançar a liberdade em suas múltiplas facetas. Apesar de viver uma vida flexível e passível de mudanças, muitas pessoas caem na característica elástica da existência e, por fim, voltam para onde estavam ao início da caminhada ‘transformadora’. Em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hot-milk/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Hot Milk mostra a importância de abraçar a vida"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35901" aria-describedby="caption-attachment-35901" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35901" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/hot-milk-drama-com-emma-mackey-ganha-data-para-chegar-ao-streaming-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/hot-milk-drama-com-emma-mackey-ganha-data-para-chegar-ao-streaming-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/hot-milk-drama-com-emma-mackey-ganha-data-para-chegar-ao-streaming-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/hot-milk-drama-com-emma-mackey-ganha-data-para-chegar-ao-streaming-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/hot-milk-drama-com-emma-mackey-ganha-data-para-chegar-ao-streaming-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/hot-milk-drama-com-emma-mackey-ganha-data-para-chegar-ao-streaming-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/hot-milk-drama-com-emma-mackey-ganha-data-para-chegar-ao-streaming.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35901" class="wp-caption-text">Hot Milk, disponível na plataforma da MUBI, fotografa Sofia em um abraço com a liberdade (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Isabela Pitta</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre súplicas veladas e lutas diárias, o ser humano busca, a cada dia, definir e alcançar a liberdade em suas múltiplas facetas. Apesar de viver uma </span><a href="https://www.britannica.com/biography/Margaret-Mead"><span style="font-weight: 400;">vida flexível</span></a><span style="font-weight: 400;"> e passível de mudanças, muitas pessoas caem na característica elástica da existência e, por fim, voltam para onde estavam ao início da caminhada ‘transformadora’. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hot Milk</span></i><span style="font-weight: 400;">, padrões, traumas e uma pitada de esperança guiam a trajetória incansável em direção à libertação.</span></p>
<p><span id="more-35900"></span><!--more--> <span style="font-weight: 400;">Em sua estreia na direção de longas-metragens, </span><a href="https://mulhernocinema.com/entrevistas/rebecca-lenkiewicz-hot-milk-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">Rebecca Lenkiewicz</span></a><span style="font-weight: 400;">, com sensibilidade e calor, adapta a obra literária homônima de Deborah Levy, publicada em 2016. Ao contar uma parte da história do relacionamento complexo e cheio de ultimatos entre Sofia (Emma Mackey) e Rose (Fiona Shaw), a diretora lida com uma duração curta para a densidade dos temas em que aborda. Com uma hora e 30 minutos, a dramaturga britânica, ao lado de grandes atuações, dá vida a uma narrativa profunda e abstrata sobre a Liberdade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sofia, recém chegada ao intenso </span><a href="https://www.spain.info/pt_BR/tempo/#:~:text=Ver%C3%A3o%20%E2%80%93%20Do%20final%20de%20junho,as%20bermudas%20tamb%C3%A9m%20s%C3%A3o%20habituais."><span style="font-weight: 400;">verão espanhol</span></a><span style="font-weight: 400;">, acompanha a mãe, Rose, que enfrenta mais uma etapa da jornada interminável em busca da cura para a condição invisível que lhe atinge. Presa às próprias complexidades psicológicas e sentada em uma cadeira de rodas, a mulher, há mais de 20 anos, sofre com dores eternas e paralisia nas pernas. Diante de uma nova promessa em solo castelhano, juntas, mãe e filha, buscam por tratamento efetivo para reconquistar o que a melancolia do mundo lhes tirou. </span></p>
<p><figure id="attachment_35902" aria-describedby="caption-attachment-35902" style="width: 735px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35902" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Hot-Milk-2025.jpg" alt="" width="735" height="490" /><figcaption id="caption-attachment-35902" class="wp-caption-text">Hot Milk é o primeiro longa-metragem dirigido por Rebecca Lenkiewicz, dramaturga que participou de roteiros de filmes como Disobedience (2017) e Colette (2018) [Foto: MUBI]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Após deixar o lar londrino, adiar a conclusão da tese de doutorado em estudos antropológicos e pausar a juventude irrefreável, Sofia enfrenta o peso de dar cuidados maternos à própria mãe. No auge dos vinte e poucos anos, a filha procura em longas caminhadas solitas, as proteções e os carinhos que lhe foram negados pelas condições físicas e psíquicas de Rose. Durante um banho de sol escaldante na areia da praia, surge uma salvação lúdica: Ingrid (</span><a href="https://www.imdb.com/pt/name/nm3043279/"><span style="font-weight: 400;">Vicky Krieps</span></a><span style="font-weight: 400;">), com vestes brancas montada em um cavalo, à la príncipe encantado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um desenvolvimento etéreo e faminto, o amor entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sofia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a princesa de seus sonhos nasce como uma fonte controversa de segurança e frustração. Alguém lhe ter e, ao mesmo tempo, não ter esse alguém. Para a protagonista, ser exclusiva nas atenções e paixões da companheira é essencial devido a tudo que não teve na vida. Mas, com a parceira que cavalga em direção ao sol espanhol com incertezas e traumas, isso não é uma realidade possível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma narrativa atemporal, a produção visual de </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-300565/fotos/detalhe/?cmediafile=9001886179"><i><span style="font-weight: 400;">Hot Milk</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> explora os mistérios das psiques das personagens pela paleta de cores dos figurinos criados por </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-926809/"><span style="font-weight: 400;">Sophie O’Neil</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando imersas em incertezas e insensibilidades, as cores frias transparecem nos tecidos da palidez de corações cegos e presos nas próprias câmaras. Em breves momentos de preciosa liberdade, o calor do verão espanhol reflete memórias de aconchego e carinho retratadas com quentura não apenas humana, mas também climática. </span></p>
<figure id="attachment_35903" aria-describedby="caption-attachment-35903" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35903" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/coverlg-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/coverlg-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/coverlg-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/coverlg-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/coverlg-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/coverlg.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35903" class="wp-caption-text">O filme aborda sobre o vínculo conturbado entre mãe e filha, mas que trabalha de maneira natural, um relacionamento sáfico interpretado por Emma Mackey e Vicky Krieps (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na busca incansável pelo prazer em cuidados, Sofia se entrega cegamente à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oeo4gr0yv2Q"><span style="font-weight: 400;">vulnerabilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> física e emocional. Para ela, enfrentar os perigos de um carro em alta velocidade ou as queimaduras de uma água viva, não são monstros maiores do que a solidão, o abandono e a falta de liberdade. Para poder avançar na própria história, a protagonista precisa vencer uma batalha interna sobre como quer viver a vida e superar os demônios que o seu relacionamento com Rose traz à tona. Estar presa às enfermidades da mãe ou mergulhar de cabeça nas profundezas da existência completa como ser humano? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As cores quentes do verão são contrastadas com as tonalidades frias e frívolas de alguém que, como Rose, com desesperança, olha adiante e não vislumbra qualquer possibilidade de vivacidade futura mesmo no mar de águas cristalinas da Espanha. Entre silêncios estarrecedores, discussões inquietantemente construídas e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xZMYmwSy0BU"><span style="font-weight: 400;">ultimatos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o relacionamento de mãe e filha avança com rapidez e pouca destreza na curta duração do filme, mas permanece no mesmo lugar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como um cuidado ausente ou um leite quente acalentado com carinho materno pela manhã, a </span><a href="https://www.goodreads.com/book/show/26883528-hot-milk"><span style="font-weight: 400;">obra adaptada</span></a><span style="font-weight: 400;"> para as grandes telas ganha um lindo tom melancólico e, ao mesmo tempo, esperançoso. Nas mãos da diretora Rebecca Lenkiewicz, o verão castelhano, que ganha personalidade única em meio a galopadas catárticas ao sol escaldante, pode ser palco para a avassaladora conquista da tão sonhada liberdade de Sofia Papastergiadis. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="HOT MILK | Official Clip | In Cinemas July 4" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/DJwrAcoFKQU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Há 60 anos, Um Dia, Um Gato mudou a história do Cinema</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Dec 2023 18:24:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Vulcano Considerados animais místicos, os gatos têm um extenso currículo na arte de assumir arquétipos por telhados do mundo todo. Em dado momento do século XX, a fama transbordou e chegou às telas do Cinema tcheco, no qual garras, bigodes e olhos brilhantes se tornaram símbolos cruciais de uma revolução contra a tirania humana. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/um-dia-um-gato-60-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 60 anos, Um Dia, Um Gato mudou a história do Cinema"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32146" aria-describedby="caption-attachment-32146" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32146" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1.png" alt="Cena do filme Um Dia, Um Gato. Nela, há uma mulher branca de cabelos castanhos e presos num coque. Ela veste camiseta vermelha e usa batom vermelho nos lábios. Em seu colo, há um gato marrom que usa óculos de sol brancos. A imagem tem baixa iluminação. Ao fundo, há uma cortina verde escura. " width="1920" height="760" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-800x317.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-1024x405.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-768x304.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-1536x608.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-1200x475.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32146" class="wp-caption-text">No Brasil, o longa-metragem está disponível nos catálogos das plataformas Mubi e Belas Artes à La Carte (Foto: Barrandov Studio/MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Considerados </span><a href="https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/horoscopo/3-curiosidades-misticas-sobre-os-gatos,7b9fb2bd2bf2cb12772448c5322bed92p4iktqb0.html"><span style="font-weight: 400;">animais místicos</span></a><span style="font-weight: 400;">, os gatos têm um extenso currículo na arte de assumir arquétipos por telhados do mundo todo. Em dado momento do século XX, a fama transbordou e chegou às telas do Cinema tcheco, no qual garras, bigodes e olhos brilhantes se tornaram símbolos cruciais de uma </span><a href="https://www.otempo.com.br/entretenimento/magazine/a-revolucao-do-cinema-direto-1.229070"><span style="font-weight: 400;">revolução</span></a><span style="font-weight: 400;"> contra a tirania humana. 60 anos atrás, em uma sede de experimentação artística e desalinhamento político, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6NSoSFWf_U4"><i><span style="font-weight: 400;">Um Dia, Um Gato</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> proclamou a lúcidos miados que sua fronte imaginativa só pintava e bordava com a devassidão da realidade.</span></p>
<p><span id="more-32149"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um certo gosto de fábula </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i> <a href="https://www.culturagenial.com/fabulas-de-esopo/"><span style="font-weight: 400;">Esopo</span></a><span style="font-weight: 400;"> se instala logo nos minutos iniciais do longa, que apresentam Oliva (</span><a href="https://www.private-prague-guide.com/article/jan-werich-a-pioneer-in-czech-theatre-and-film/"><span style="font-weight: 400;">Jan Werich</span></a><span style="font-weight: 400;">), o narrador em posse de lupa, suspensório e astúcia responsável por “</span><i><span style="font-weight: 400;">contar uma história com mais verdade do que fantasia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, segundo ele mesmo. Quebrando a </span><a href="https://www.omelete.com.br/deadpool/15-filmes-que-quebram-a-quarta-parede"><span style="font-weight: 400;">quarta parede</span></a><span style="font-weight: 400;"> para recepcionar o público, o castelão e imigrante grego se vale de </span><i><span style="font-weight: 400;">zoom</span></i><span style="font-weight: 400;"> granulado e trocadilhos rápidos para descortinar a moral questionável dos habitantes de uma vila nunca nomeada, que poderia facilmente ser de qualquer canto planetário.</span></p>
<figure id="attachment_32143" aria-describedby="caption-attachment-32143" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32143" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2.png" alt="" width="1920" height="764" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-800x318.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-1024x407.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-768x306.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-1536x611.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-1200x478.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32143" class="wp-caption-text">“Observar a correria da vida é sempre motivo para reflexão. É divertido – quando se gosta das pessoas. Para isso, deve-se olhar as coisas de uma altura apropriada. Não tão alto quanto os cosmonautas. Eles não têm tempo de perceber o que acontece aqui” (Foto: Barrandov Studio/MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após construir o cotidiano local, listando desde a idosa que pula em janelas para espiar e renovar seu estoque de fofocas até o homem que finge adoecer para não trabalhar, a pegada universalista e irônica do roteiro de Vojtěch Jasný, Jiří Brdečka e Welrich esbarra nas inevitáveis estruturas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/succession-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> da sociedade, aqui materializadas nos conflitos entre o diretor escolar Karel (Jiří Sovák), envolto pelo conservadorismo punitivista, e o libertário professor Robert (Vlastimil Brodský), eterno estimulador da criatividade em sala de aula. Ritmada por concepções tão </span><a href="https://personaunesp.com.br/antes-da-meia-noite-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">triviais</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-homem-cordial-critica/"><span style="font-weight: 400;">filosóficas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a dinâmica felino-e-rato vira um verdadeiro deleite generalizado com a chegada de um circo itinerante à cidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do mágico (outra figura vivida por Welrich) e da jovem trapezista Diana (</span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-reviews/eva-nova-949122/"><span style="font-weight: 400;">Emília Vášáryová</span></a><span style="font-weight: 400;">), a trupe também é estrelada pelo gato Mokol, usuário de óculos de sol antes da moda pegar entre os homens. O pulo do bichano, no entanto, reside no poder de revelar a verdadeira natureza das pessoas quando as lentes são retiradas. Um único espetáculo realizado no vilarejo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Až přijde kocour</span></i><span style="font-weight: 400;"> (título original da produção) basta para </span><a href="http://www.blog.365filmes.com.br/2017/09/o-que-as-cores-representam-na-setima-arte.html#:~:text=Acentuar%20a%20emo%C3%A7%C3%A3o%20transmitida%20pelo,fun%C3%A7%C3%B5es%20das%20cores%20no%20cinema."><span style="font-weight: 400;">colorir</span></a><span style="font-weight: 400;"> uma multidão de pecados: a partir de um único olhar felino, o amarelo pinta os falsos, tons vermelhos irradiam dos corpos dos cidadãos apaixonados, o cinza denuncia os ladrões e algumas pinceladas roxas cobrem inteiramente mentirosos e trapaceiros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o escarcéu instalado, a narrativa faz seus joguetes fantasiosos e uso pioneiro de </span><a href="https://digartdigmedia.wordpress.com/2022/10/03/o-cinema-e-a-fotografia-de-maos-dadas-a-pintura/"><span style="font-weight: 400;">pinturas em </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se entrelaçarem de vez nas chagas do universo dos </span><a href="https://www.todamateria.com.br/anos-60/#:~:text=A%20d%C3%A9cada%20de%201960%20caracterizou,lan%C3%A7ados%20durante%20os%20anos%2050."><span style="font-weight: 400;">anos 1960</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; enquanto as crianças do local se encantam pela magia de Mokol, os adultos começam a planejar maneiras de matá-lo para preservar suas reputações. E, se nos dias de hoje pode parecer lógico só assimilar a ficção a lições de moral engenhosas, o nascimento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Dia, Um Gato</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi um remelexo na caixa de areia e tanto, integrando o banho de água fria que uma </span><a href="https://www.cinemateca.org.br/series/fim-de-semana-de-deslumbramentos-tchecos/"><span style="font-weight: 400;">geração de artistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> se propôs a dar no autoritarismo então vigente. </span></p>
<figure id="attachment_32144" aria-describedby="caption-attachment-32144" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32144" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3.png" alt="Cena do filme Um Dia, Um Gato. Nela, há um homem branco de cabelos castanhos e curtos, que usa suéter azul marinho e calça de linho preto, com as duas mãos em volta de sua cintura. Ele encara uma mulher à sua frente, que tem cabelos curtos, usa vestido e segura uma bolsa no antebraço direito, além de estar pintada de amarelo. Ao fundo, algumas pessoas estão pintadas de vermelho e outras, em disposição normal, encaram a cena." width="1920" height="752" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-800x313.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-1024x401.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-768x301.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-1536x602.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-1200x470.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32144" class="wp-caption-text">Až přijde kocour foi gravado em Telč, cidade da República Tcheca cujo centro histórico é patrimônio mundial tombado pela UNESCO (Foto: Barrandov Studio/MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 1963 &#8211; período em que a findada </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/ha-25-anos-tchecoslovaquia-se-dissolvia-de-forma-pacifica.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Tchecoslováquia</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivia sob invasão e domínio da extinta União Soviética -, o filme surgiu como fruto da </span><a href="https://www.pipoca3d.com.br/2020/04/o-que-foi-nouvelle-vague-tcheca.html"><span style="font-weight: 400;">Nouvelle Vague Tcheca</span></a><span style="font-weight: 400;"> e filho do meio de uma trilogia criada pelo diretor Vojtěch Jasný. Marcada por nomes como Věra Chytilová (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9vBGo95SJz4"><i><span style="font-weight: 400;">As Pequenas Margaridas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Miloš Forman (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r7kWQj9FCGY"><i><span style="font-weight: 400;">Amadeus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), a era de ouro da sétima arte no país manifestava cultura para cutucar o sistema, e, com Až </span><i><span style="font-weight: 400;">přijde kocour</span></i><span style="font-weight: 400;">, o cineasta conseguiu encapsular o caos nacional em um conto psicodélico e essencial, ora sátira política, ora crítica social. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O emprego de diálogos eventualmente improvisados e </span><a href="https://www.timeout.pt/lisboa/pt/filmes/os-100-melhores-filmes-de-comedia-de-sempre"><span style="font-weight: 400;">humor</span></a><span style="font-weight: 400;"> surrealista, somados à participação de amadores e atores profissionais, produz uma atmosfera experimental condenadora da corrupção, opressão e ausência de credibilidade em diversos setores da sociedade ao mesmo tempo que acredita na capacidade humana de recuperar as virtudes mais básicas, como o amor e a tolerância. Seja pela sonoplastia recheada de</span> <a href="https://mundonegro.inf.br/tendo-como-matriz-principal-a-cultura-africana-o-jazz-e-sinonimo-de-luta-e-resistencia/"><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que simula passeatas militares em momentos específicos da obra, ou através da coletividade atrevida e transformadora representada pelas crianças (sempre salvando o icônico gato), reconhecemos ferramentas atemporais de resistência e revolução. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhando o longa em outras estratégias psíquicas, o estilo teatral da cinematografia de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/jaroslav-kucera"><span style="font-weight: 400;">Jaroslav Kučera</span></a><span style="font-weight: 400;"> valoriza aspectos intrínsecos à manufatura tcheca, como suspensões de narrativa exploradas em angústias existenciais e pautas oníricas. O balanço entre luz negra e planos-sequência que associam o retorno da paz ao encontro com a natureza &#8211; tanto física quanto espiritual &#8211; não poderia despontar em melhor hora.</span></p>
<figure id="attachment_32142" aria-describedby="caption-attachment-32142" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32142" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4.png" alt="Cena do filme Um Dia, Um Gato. Nela, há uma mulher branca de cabelos castanhos e presos num coque. Ela veste camiseta vermelha e usa batom vermelho nos lábios. Em seu colo, há um gato marrom que usa óculos de sol brancos. A imagem tem baixa iluminação. Ao fundo, há uma cortina verde escura." width="1920" height="770" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-800x321.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-1024x411.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-768x308.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-1536x616.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-1200x481.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32142" class="wp-caption-text">Certa vez, o então presidente da Tchecoslováquia, Antonín Novotný, impediu que Jasný fosse detido pela polícia secreta local: “Ele é um astrólogo e lunático, mas é um poeta. Deixem que ele faça filmes” (Foto: Barrandov Studio/Mubi)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Dia, Um Gato</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenha levado cerca de um milhão de pessoas aos cinemas durante as fases de lançamento e exibição, seu legado ficou amargamente restrito à memória da época a partir de 1968, quando o regime soviético baniu a obra por avaliá-la como</span><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma visão inaceitável das deficiências da sociedade comunista</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><span style="font-weight: 400;">. As sete vidas, contudo, vieram a calhar no século seguinte. O filme, que recebeu o Prêmio do Júri em sua estreia no </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/2021/the-cassandra-cat-az-prijde-kocour-vojtech-jasny-s-fairytale-allegory/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;">, voltou a ser aclamado na premiação em 2021, após ser digitalmente restaurado pelo Arquivo Nacional Tcheco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os vazios temporais na trajetória do felino impactaram sua identificação nominal ao redor do globo &#8211; os títulos </span><i><span style="font-weight: 400;">When The Cat Comes</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Cassandra Cat</span></i><span style="font-weight: 400;">, em referência à </span><a href="https://www.souzaaranhamachado.com.br/2021/08/o-mito-de-cassandra-e-credibilidade-da-ciencia/"><span style="font-weight: 400;">profetisa grega</span></a><span style="font-weight: 400;"> que tinha suas previsões negadas e ridicularizadas, são outros que apareceram para batizar o longa, que se recusou a cair no esquecimento. Seis décadas distanciam o primeiro miado da </span><a href="https://jornalismorio.espm.br/destaque/as-plataformas-de-streamings-estao-acabando-com-o-cinema/"><span style="font-weight: 400;">era dos </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e podemos dizer que o copo de leite envelheceu como vinho em tudo que se refere ao melhor jeito de fazer Arte e escandalizar os vícios da humanidade. Não é exagero dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Dia, Um Gato</span></i><span style="font-weight: 400;"> mudou a história do Cinema e a nossa também. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Cassandra Cat (Vojtěch Jasný, 1963) | trailer 2021" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/6NSoSFWf_U4?start=14&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Nada de Graceland: Priscilla mora nos detalhes</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 20:18:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez  Sofia Coppola é mestre em retratar mulheres jovens adultas enclausuradas em residências enormes sob o controle de terceiros. No entanto, se Maria Antonieta terminou com a cabeça na guilhotina, Priscilla Presley quebrou o ciclo de solidão e escapou de sua prisão em Graceland, a segunda casa mais famosa dos Estados Unidos. Em Priscilla, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nada de Graceland: Priscilla mora nos detalhes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31654" aria-describedby="caption-attachment-31654" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31654" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1.png" alt="Cena do filme Priscilla. A cena mostra os dois atrás de uma mesa com um bolo de casamento. Priscilla, à esquerda, veste um vestido de casamento branco. Elvis, à direita, vestre um terno preto e fuma um cigarro. Os dois olham para a câmera. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31654" class="wp-caption-text">Priscilla chegou ao Brasil pelo Festival do Rio 2023 e foi um dos filmes exibidos na Gala de Encerramento (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sofia Coppola é mestre em retratar mulheres jovens adultas enclausuradas em residências enormes sob o controle de terceiros. No entanto, se </span><i><span style="font-weight: 400;">Maria Antonieta </span></i><span style="font-weight: 400;">terminou com a cabeça na guilhotina, Priscilla Presley quebrou o ciclo de solidão e escapou de sua prisão em Graceland, a segunda </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-64286114"><span style="font-weight: 400;">casa mais famosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma adaptação do livro de memórias </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis and Me</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora e roteirista deixa o nome do Rei do Rock de lado para direcionar o olhar à personagem-título.</span></p>
<p><span id="more-31647"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já sabemos o que precisamos sobre Elvis Presley. Para além da cultura popular, a </span><span style="font-weight: 400;">recente cinebiografia</span><span style="font-weight: 400;"> indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Baz Luhrmann mostra a ascensão e queda do cantor, incluindo seu relacionamento com Priscilla Presley e com a fama. </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">existe no mesmo contexto, mas Coppola &#8211; </span><span style="font-weight: 400;">que esclareceu que fez o </span><a href="https://www.vogue.com/article/sofia-coppola-priscilla-instagram"><span style="font-weight: 400;">filme para ela mesma</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; procura o lado da menina que chegou perto demais do brilho de uma estrela e teve o seu próprio apagado.</span></p>
<figure id="attachment_31650" aria-describedby="caption-attachment-31650" style="width: 828px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31650" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2.png" alt="" width="828" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2.png 828w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2-800x531.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2-768x510.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31650" class="wp-caption-text">A direção de arte e departamentos de figurino e maquiagem de Priscilla fizeram de Jacob Elordi um Elvis Presley digno de estampar capas de discos e revistas (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, Elvis (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RYhCj2J4gJo"><span style="font-weight: 400;">Jacob Elordi</span></a><span style="font-weight: 400;">) conhece a protagonista &#8211; ainda então Priscilla Beaulieu (Cailee Spaeny) &#8211; na Alemanha, quando servia o exército. Na época, ele já era um astro da Música, tendo todos os olhos voltados para ele mesmo no exterior. Casualmente, a menina é convidada para um evento na casa dele e prova um pouco de sua atenção, que não seria constante pelo resto do casamento dos dois. Presley era a típica celebridade cercada de pessoas a seu dispor, dando palhinhas de seu talento e usando seu charme para questionar à protagonista qual era sua canção favorita dele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como toda adolescente dos anos 1960, Priscilla era fã de Elvis Presley e seus pôsteres na parede não a deixam mentir. Mesmo no nono ano da escola, como o cantor rapidamente descobre &#8211; e </span><a href="https://observatoriodosfamosos.uol.com.br/musica/destaques/elvis-presley-e-dixie-a-polemica-relacao-sexual-adolescente-do-rei-do-rock"><span style="font-weight: 400;">não parece ligar</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, ela ganha a afeição do artista e conhece seu lado mais frágil e carinhoso. Ele estava de luto pela mãe, precisava de companhia e não media esforços para conquistar ela e os pais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no primeiro ato, Sofia Coppola mostra um Elvis Presley apaixonado. Se a história do casal se desdobrou para um divórcio conturbado, o início não se mostrava assim. A cineasta</span> <span style="font-weight: 400;">não vê necessidade em discorrer sobre a carreira do Rei antes da entrada da protagonista em sua vida e, acertadamente, distorce o título do livro adaptado: </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis e Eu</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna apenas </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, quem quiser assistir sobre a vida completa do astro, pode procurar essa </span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><span style="font-weight: 400;">história em outras obras</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, o antes, durante e depois do casamento deles se torna a trama principal e a mudança de tom no relacionamento entre os dois, o grande chamativo.</span></p>
<figure id="attachment_31652" aria-describedby="caption-attachment-31652" style="width: 818px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31652" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2.png" alt="" width="818" height="459" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2.png 818w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31652" class="wp-caption-text">O selo que detém os direitos das músicas de Elvis Presley não liberou seu uso para Priscilla; como resposta, a curadoria de Thomas Mars, vocalista da banda Phoenix e marido de Coppola, tornou o longa ainda mais original (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo de cara, é palpável a influência que Elvis Presley exerce sobre Priscilla &#8211; e, diga-se de passagem, todos a seu redor. Com uma atuação contida e inquietante de Jacob Elordi, o artista usa todo seu charme para provar à protagonista que, por trás do </span><a href="https://personaunesp.com.br/melhor-figurino-oscar-artigo/"><span style="font-weight: 400;">topete invejáve</span></a><span style="font-weight: 400;">l, bate um coração. No entanto, é só dele mesmo que Elvis sabe falar e todas as pessoas ao seu entorno parecem estar ali para meramente entretê-lo ou servi-lo, como a bizarra </span><i><span style="font-weight: 400;">Memphis Mafia </span></i><span style="font-weight: 400;">de urubus que nunca sai de perto. Ela aparenta ser a exceção, até não ser mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para impor o desenrolar da narrativa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">se preocupa mais em contextualizar como a personagem foi parar em </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-que-aconteceu-com-graceland-famosa-mansao-de-elvis-presley.phtml"><span style="font-weight: 400;">Graceland</span></a><span style="font-weight: 400;"> e trocou o Beaulieu por Presley do que o que vem depois. Também a partir da influência do futuro marido, a menina vai e vem entre os Estados Unidos e a Alemanha, até que ele convence os pais dela a aprovarem a mudança para Memphis, sob </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/07/18/por-tras-de-elvis-presley-quem-era-colonel-tom-parker-tirano-e-psicopata.htm"><span style="font-weight: 400;">tutoria</span></a><span style="font-weight: 400;"> do pai de Elvis e estudando em uma escola católica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, como seria no restante do relacionamento, a protagonista deve se encaixar se quiser pertencer à vida do cantor. Ele está sempre entre trabalhos, seja na gravação de um filme com fofocas de envolvimento com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hzPSldehZJw"><span style="font-weight: 400;">alguma atriz da época</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou projetos musicais &#8211; e o artista faz questão de lembrá-la o quão sortuda ela é pelo privilégio de estar com o Rei do Rock. Até quando o astro não quer aprofundar a relação íntima dos dois, ele faz questão de lembrá-la que, se ela não for a mulher que ele precisa, haverão outras.</span></p>
<figure id="attachment_31655" aria-describedby="caption-attachment-31655" style="width: 1210px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31655" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1.png" alt="" width="1210" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1.png 1210w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-800x360.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-1024x460.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-768x345.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-1200x540.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31655" class="wp-caption-text">Em Priscilla, a trilha musical funciona como contadora de histórias e, segundo Thomas Mars, a canção Crimson &amp; Clover revela as emoções adolescentes de uma protagonista apaixonada (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para apresentar as nuances do relacionamento dos dois, a direção de Coppola se une ao trabalho primoroso de Cailee Spaeny e Jacob Elordi. Presley poderia ser o homem mais apaixonado do mundo, mas sua demonstração iria apenas até a página dois. Elordi incorpora a visão da cineasta em mostrar como o cantor passou a usar o carinho pela namorada como uma forma de controlá-la, dizendo a como </span><a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/ex-esposa-de-elvis-presley-entra-em-disputa-milionaria-por-heranca-da-familia"><span style="font-weight: 400;">se portar</span></a><span style="font-weight: 400;">, sentir e vestir. Em uma das cenas mais emblemáticas, Elvis convence a menina a trocar os cabelos castanhos por uma tintura preta e a maquiagem suave por um lápis escuro que destacaria os olhos, uma imagem que estamparia o álbum de casamento dos dois e as revistas da época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em menos de duas horas, o ator conduz um homem misterioso e apaixonado a um marido distante, indiferente e violento em todos os sentidos. Ao contrário de sua outra versão no Cinema, o Elvis de </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">não ganha tons extravagantes, mas uma aura de intocabilidade e fascínio envolvente, principalmente ao reconhecer seu verdadeiro caráter e assistir </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/07/11/12-mil-remedios-e-autopsia-em-segredo-os-misterios-da-morte-de-elvis.htm"><span style="font-weight: 400;">seu declínio</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://variety.com/2023/scene/news/priscilla-cailee-spaeny-sofia-coppola-nyff-1235747399/"><span style="font-weight: 400;">Spaeny</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o contrário. De uma menina inocente que saiu de casa para doar sua vida a Presley e se gabava de namorar o ídolo na escola, Priscilla cativa ao finalmente levantar a voz, mesmo que isso signifique ser calada e repreendida. No entanto, antes disso tudo, ela se entrega à própria solidão e quietude de forma gritante, apenas no interior. Andando perdida e solitária por uma Graceland vazia na ausência de Elvis Presley ou cheia de gente indiferente em sua presença, ela é acompanhada da própria solidão e da fantasia de estar do lado de um astro, retrato que a rendeu o prêmio de </span><a href="https://www.france24.com/en/live-news/20230909-cailee-spaeny-wins-venice-best-actress-for-priscilla"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Festival de Veneza.</span></p>
<figure id="attachment_31653" aria-describedby="caption-attachment-31653" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31653" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.png" alt="" width="1999" height="1999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1536x1536.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1200x1200.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31653" class="wp-caption-text">Priscilla Presley fez parte da concepção de Priscilla; além do livro adaptado, ela participou como produtora executiva (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como é marca registrada em outras obras, Sofia Coppola abusa dos detalhes. A visão do universo feminino de uma maneira sensível se une à </span><a href="https://www.billboard.com/culture/tv-film/sofia-coppola-priscilla-movie-songs-elvis-1235439666/"><span style="font-weight: 400;">atenção</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelas pequenas coisas. Unida a uma direção de arte e uma fotografia cuidadosa &#8211; essa segunda por responsabilidade de Philipe Le Sourd -, os pôsteres nas paredes, o quarto do casal decorado pelo cantor (sem um detalhe sequer lembrando a esposa), a recriação das capas de álbuns e revistas, e as pílulas cada vez em maior quantidade ganham atenção especial da câmera, como se naquele casamento, o diabo realmente estivesse nos detalhes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a sensibilidade do retrato de </span><a href="https://www.instagram.com/reel/CyTLVQ0uGMh/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igshid=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">Priscilla Presley</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; apoiado, inclusive, pela própria celebridade, que exerceu o cargo de </span><a href="https://people.com/sofia-coppola-was-really-nervous-to-meet-priscilla-presley-exclusive-7970326"><span style="font-weight: 400;">produtora executiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme &#8211; encontra seu fraco no roteiro, também realizado por Coppola. O relacionamento dos artistas e como ambos se desenvolvem para melhor ou pior dentro dele cria a atmosfera envolvente de observar duas pessoas reais, cegadas pelos holofotes e pela atenção, em uma situação já conhecida na cultural popular, mas vista de dentro. É aliada à montagem de Sarah Flack (colaboradora da cineasta desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Encontros e Desencontros</span></i><span style="font-weight: 400;">) que a narrativa se dedica demais a alguns pontos, enquanto esquece outros.</span></p>
<figure id="attachment_31651" aria-describedby="caption-attachment-31651" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31651" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2.png" alt="" width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31651" class="wp-caption-text">Priscilla integrou a programação do Festival de Veneza e recebeu o sinal verde para divulgar o filme no evento, mesmo em meio à greve dos atores e roteiristas (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, enquanto roteirista, </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2023/aug/27/sofia-coppola-archive-memoir-memories-book-extract-lost-translation-virgin-suicides"><span style="font-weight: 400;">Coppola</span></a><span style="font-weight: 400;"> passa mais tempo pintando o quadro de Priscilla como uma doce menina submissa do que mostrando os momentos em que a jovem cresce para além da sombra perversa do marido. Inclusive, a cineasta acena para aqueles da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">que decidiram que as cenas de sexo não agregam à narrativa como um de seus maiores pecados: depois de anos desejando a atenção do marido, quando Priscilla e Elvis finalmente concretizam o casamento, a cena que poderia ser a mais íntima e reveladora de como o matrimônio dos dois seguiria é esquecida &#8211; ou simplesmente deixada de lado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, não há espaço para interpretações errôneas e é notável o quanto, ao longo dos mais de seis anos que passaram juntos, os Presleys mudaram &#8211; inclusive um ao outro. Sem esconder os abusos físicos, verbais e psicológicos de Elvis, </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/sofia-coppola-priscilla-cover-story-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não romantiza, mas também não desrespeita a biografia da protagonista e passa a mensagem de que, para além de um vilão maniqueísta, Elvis fez parte de sua vida. Apesar do ponto de virada acontecer durante todo o tempo em que estiveram juntos e não do dia para a noite, ainda é amarga a sensação de que são poucos os minutos dedicados à emancipação de Priscilla, agora uma mulher junto da </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2023/07/14/lisa-marie-presley-filha-de-elvis-morreu-por-complicacoes-de-cirurgia-bariatrica.ghtml"><span style="font-weight: 400;">filha</span></a><span style="font-weight: 400;">, das garras da fama, luxo e falsidade dos jardins de Graceland, deixando um gosto de quero mais para um clímax curto demais.</span></p>
<figure id="attachment_31649" aria-describedby="caption-attachment-31649" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31649" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.png" alt="" width="1200" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-768x320.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31649" class="wp-caption-text">Cailee Spaeny foi indicada como Melhor Performance Principal ao Gotham Awards, premição que se tornou um termômetro do Oscar (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido com uma sessão lotada na Gala de Encerramento da 25ª edição do </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/priscilla"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">prova novamente e mais uma vez o talento de Sofia Coppola em tornar narrativas peculiares, universais. Sob sua visão única, até a trilha sonora encabeçada por Phoenix, que de Elvis Presley não tem nada, vira uma grande contadora de histórias. De comum os Presley não entendem, mas a cineasta sim: a solidão e o enclausuramento são os mesmo em Memphis da década de 1960 ou na França do século 18. O que muda é que, de repetido, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DBWk6BohVXk"><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não tem nem o título.</span></p>
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		<title>Holy Spider cai em sua própria teia</title>
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		<pubDate>Mon, 08 May 2023 16:21:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Pinheiro “Estarei de volta quando você acordar&#8220;, diz uma mulher ao seu filho horas antes de ser brutalmente assassinada enquanto trabalhava. Ela arrumou-se e o beijou pela última vez sem saber o que aconteceria em mais uma noite nas ruas. Essa é a primeira cena de Holy Spider, a qual elucida tudo o que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/holy-spider-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Holy Spider cai em sua própria teia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30853" aria-describedby="caption-attachment-30853" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4.jpg" alt="cena do filme Holy Spider. Mulher caído ao chão com apenas sua mão e tronco à mostra no take do filme, foco central em sua mão derrubada - tudo acima de um tapete estampado" width="1200" height="501" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-768x321.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30853" class="wp-caption-text">“Cada homem encontrará o que deseja evitar” Imam Ali &#8211; Nahj Al-Balagha &#8211; Sermão 149. (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Pinheiro</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Estarei de volta quando você acordar</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, diz uma mulher ao seu filho horas antes de ser brutalmente assassinada enquanto trabalhava. Ela arrumou-se e o beijou pela última vez sem saber o que aconteceria em mais uma noite nas ruas. Essa é a primeira cena de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iPkE7VT8SOY"><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a qual elucida tudo o que o filme pretende contar durante sua exibição. Nela, uma prostituta iraniana caminha pela cidade de Mashhad enfrentando olhares mal-intencionados e buscando refúgio em drogas para escapar da realidade assombrosa a qual é condenada a viver. </span></p>
<p><span id="more-30849"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À espera de dinheiro em uma viela escura, a personagem é convocada a prestar serviço e surpreende o telespectador quando é sequestrada e, depois, enforcada pelo seu próprio lenço &#8211; ato extremamente simbólico para a construção do enredo. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> longos de agonia explícita, a mulher havia caído na teia de assassinatos do “matador de aranhas”, caso real que o diretor Ali Abassi faz releitura nesse longa-metragem destaque no Festival de </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/cannes/"><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pré-selecionado ao</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado e aclamado por grandes premiações de Cinema, </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> promove a representação essencial da orientalidade para o mundo &#8211; pouco valorizada nas academias cinematográficas historicamente </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-157993/"><span style="font-weight: 400;">xenofóbicas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, a obra não resume-se a isso e expõe em detalhe a realidade do Irã. Em análise geral, a proposta do filme demonstra e examina o baque entre a estrutura social política religiosa no País e os atos revoltosos que lutam pela aplicação efetiva dos Direitos Humanos no local. </span></p>
<figure id="attachment_30850" aria-describedby="caption-attachment-30850" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30850" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1.jpg" alt="A fotografia retrata certo centro urbano iraniano em que está sendo realizada uma manifestação popular. O fundo está desfocado e ao ponto médio apresenta-se apenas o recorte superior da cabeça de uma mulher e suas mãos levantadas, essas que carregam uma imagem de Jina Mahsa Amini. É dia durante o mutuado protesto, os manifestantes usam roupas de frio e suas expressões não são possíveis de serem visualizadas devido ao desfoque da câmera" width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30850" class="wp-caption-text">Uma mensagem ao Irã é deixada no epitáfio de Amini: &#8220;Querida Jina, você não está morta. Seu nome será um símbolo&#8221; (Foto: Ozan Kose)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.dw.com/pt-br/a-hist%C3%B3ria-de-jina-mahsa-amini-o-rosto-dos-protestos-no-ir%C3%A3/a-64003741"><span style="font-weight: 400;">Jina Mahsa Amini</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua injusta morte produziram um paralelo significante da realidade para a narrativa fílmica: a jovem foi assassinada pela Polícia Militar sem motivo aparente &#8211; considerada infligidora da lei devido à exposição mínima de seu cabelo publicamente. O evento repercutiu e paralisou as ruas do país inteiro dada a tirania militar e a supremacia religiosa que tirou sua vida em Setembro de 2022. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ali Abassi lançou </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu segundo longa-metragem, em Maio do mesmo ano, poucos meses antes do caso de Amini, o que confirma o retrato sangrento do diretor acerca da vida no Irã. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A ideia do filme acabou se misturando com a realidade da sociedade. Se você está falando sobre o apartheid contra as mulheres, isso acontece há muito tempo, e não é um sistema sustentável [..], uma hora, ia explodir</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><a href="https://www.terra.com.br/amp/diversao/entre-telas/filmes/diretor-de-holy-spider-vai-de-misogino-a-feminista-em-poucos-meses,3e41e5057313782140d438652e145fbdjvemcyaf.html"><span style="font-weight: 400;">Abassi</span></a><span style="font-weight: 400;"> reconhece.</span></p>
<figure id="attachment_30851" aria-describedby="caption-attachment-30851" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30851" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.jpg" alt="cena do filme Holy Spider. No centro encontram-se a protagonista Arezoo Rahimi, de burca preta longa, e seu parceiro de trabalho, de terno cinzento e uma maleta de couro nas mãos, lado a lado, rodeados de políticos e da família de Saee Hanaei. Cada um que integra a cena está vestido formalmente e olham em direções diferentes com faces sérias. Localizados em um tribunal, em que a parede atrás da protagonista é azul com uma pintura geométrica direcionada ao chão, uma faixa de azul mais escura" width="1200" height="501" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-768x321.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30851" class="wp-caption-text">“Matador de aranhas” foi um apelido dado ao real assassino pelo modo que os crimes eram realizados: estrangulamento com os lenços das próprias vítimas (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Saeed Hanaei (Mehdi Bajestani), um </span><i><span style="font-weight: 400;">serial-killer, </span></i><span style="font-weight: 400;">juntamente com Arezoo Rahimi (Zar Amir Ebrahimi), uma jornalista estudando os assassinatos cometidos por ele, estrelam esse terror psicológico inspirado na história real de um dos criminosos mais temidos do Irã entre os anos de 2000 e 2001. Hanei &#8211; nome fictício atribuído a </span><a href="https://www.estadao.com.br/amp/internacional/preso-no-ira-assassino-de-19-prostitutas/"><span style="font-weight: 400;">Saeed Hanali</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo filme &#8211; mata prostitutas porque as vê como “indignas à sociedade”. Ele acredita fazer uma limpeza social ao retirar “pecadoras” das ruas, trazê-las para sua casa e enforcá-las até a morte. Enquanto isso, Rahimi &#8211; personagem criada para auxiliar no desenvolvimento da história &#8211; chega à Mashhad para investigar a massa de homicídios semelhantes que estavam acontecendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assemelhar a obra a um caso real acarreta na responsabilidade de expor a realidade via linguagem audiovisual. </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider </span></i><span style="font-weight: 400;">apropria-se grandemente de sua fotografia, realizada por Nadim Carlsen, para simbolizar suas temáticas. Pouca iluminação e tons esverdeados ou azuis aludem às próprias luzes da noite na cidade &#8211; seu cenário principal &#8211; e motiva o medo e a aflição na audiência. Essas características são propositalmente postas para se assemelharem aos filmes </span><a href="https://7marte.com/2019/09/o-que-e-filme-noir.html"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">conhecidos pelos seus jogos de iluminação, enquadramentos inusitados e cenários urbanos criminais.</span></p>
<figure id="attachment_30855" aria-describedby="caption-attachment-30855" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30855" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3.jpg" alt="cena do filme Holy Spider. À esquerda, no fundo desfocado, encontra-se um carro e caixas que estão iluminados por uma luz verde. A localização é a rua vazia e escura, nela está a atriz Zar Amir Ebrahimi - à direita da imagem - interpretando Arezoo Rahimi quando liga em um telefone público, retratada em certa cena da obra cinematográfica, seu rosto é de surpresa e está vestindo uma burca preta com uma jaqueta da mesma cor sobreposta" width="1200" height="686" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-800x457.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1024x585.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-768x439.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30855" class="wp-caption-text">Ali Abbasi também foi responsável pela direção dos dois últimos episódios de The Last of Us (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Abassi tece sua cinematografia com focos frequentes nos rostos do elenco, a fim de demonstrar claramente os sentimentos dos personagens diante das desconfortáveis situações em que atuam. Tal técnica, por exemplo, submete o público a enxergar verdadeiramente as </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60780061"><span style="font-weight: 400;">prostitutas</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentadas, com o objetivo de humanizá-las, empatia esquecida por grande parte da população. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A interpretação dos artistas foi explorada profundamente como peça essencial na qualidade do filme, o que resultou em elogios por parte dos críticos. Uma atuação medíocre tornaria </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> detestável à plateia: por possuir uma narrativa cruel, performances ruins tornariam a obra uma piada de mau gosto ou em uma produção sem nexo e vazia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os atores, Zar Amir Ebrahimi, intérprete de Rahimi, foi destaque em sua categoria. Não por menos, ela recebeu uma indicação à Melhor Atriz no Festival de Cannes e no Prêmio Robert da Academia de Cinema Irlandês. Neste último, levou o troféu para casa. O talento e duro esforço da atriz foram realçados pela vivência pessoal, da qual ela soube utilizar como ferramenta para representar seu emblemático papel. A artista fugiu do Irã no começo de sua carreira após ter conteúdo íntimo vazado. Com medo de ser proibida de trabalhar ou até presa, ela </span><a href="https://istoe.com.br/atriz-zar-amir-ebrahimi/"><span style="font-weight: 400;">escapa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do País e contrapõe a imagem idealizada da mulher iraniana, experiência próxima à de sua personagem.</span></p>
<figure id="attachment_30854" aria-describedby="caption-attachment-30854" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30854" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2.jpg" alt="Cena do filme Holy Spider. Em uma moto, está Saeed, interpretado por Mehdi Bajestani, e uma mulher de burca, esta tem seu rosto encostado aos ombros dele durante a viagem, então não é possível ver seu rosto claramente. O homem usa uma jaqueta cinza e uma camisa social por baixo, não tem expressões, está sério. Durante a noite, os dois estão em uma avenida escura e as luzes da cidade refletem na câmera como pontos iluminados, o tom da imagem é quente esverdeado, assim como o restante do filme. A posição de filmagem mostra apenas diante a cintura para cima dos atores, estão de lado para o público e bem centralizados" width="1500" height="620" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1024x423.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-768x317.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1200x496.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30854" class="wp-caption-text">“Meu tipo de Cinema é aquele que expõe as coisas” rebate Abassi diante críticas às mortes gráficas do filme (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A aranha, contudo, cai em sua própria armadilha: a crítica que o roteiro &#8211; escrito por Ali Abassi e Afshin Kamran &#8211; propõe para o machismo estrutural iraniano é camuflada pela violência gráfica e protagonização do assassino, ocasionando em um desenvolvimento insuficiente que o eixo </span><a href="https://midianinja.org/news/mulheres-denunciam-feminicidio-em-protesto-no-festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> não poderia ter no </span><i><span style="font-weight: 400;">script</span></i><span style="font-weight: 400;">. A hipocrisia se sobrepõe ao que é originalmente proposto. As mulheres de </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> são apresentadas superficialmente, como acontece com a própria co-protagonista, Arezoo Rahimi, cujas tramas foram abandonadas durante o longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os pontos levantados pela equipe de roteiristas são válidos e bem postos, mas não evoluem posteriormente. A relação de trabalho entre a jornalista e um agente local que estava na investigação serve como exemplo disso. O homem a assedia ao prometer ajudá-la em seu caso fora do horário de expediente. Então, comete </span><a href="https://www.estadao.com.br/amp/politica/blog-do-fausto-macedo/slutshaming-dois-crimes-em-um-ato-so/?type=post"><i><span style="font-weight: 400;">slutshamming</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> às custas de uma denúncia feita por ela no cargo anterior, em que sofreu outro abuso de autoridade. Apesar de contar uma situação comum e de abordagem necessária &#8211; ainda mais no Irã, onde tais temas são completamente omitidos -, a cena apenas é lançada como se para preencher uma pauta temática sobre feminismo, sem retomada futura. Isso se repete em vários eventos e ocasiões durante o filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O processo de criação não teve o intuito de transmitir uma mensagem sobre a situação de gênero no País, mas sua preocupação geral soa como uma exposição panorâmica das problemáticas sociais e religiosas. Com isso, a obra prefigura uma abordagem esvaziada da trama principal: um caso de assassinato em massa de prostitutas pelo machismo sacro do Estado iraniano. Ali Abbasi, aliás, </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2023/01/19/interna_cultura,1446455/amp.html"><span style="font-weight: 400;">admite</span></a><span style="font-weight: 400;"> não estar centrado no ponto de vista feminino, já que ele acredita ser uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">história com muitas camadas</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><figure id="attachment_30852" aria-describedby="caption-attachment-30852" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30852" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6.jpg" alt="Texto alternativo: cena do filme Holy Spider. Essa, foi narrada no parágrafo 12 da matéria, Saee Hanaei tem seu rosto coberto pela grade de segurança perolada do templo religioso que está, apenas seu olho é nítido na imagem. A iluminação é esverdeada com um tom vermelho de luz apenas no olhar do ator" width="1500" height="626" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30852" class="wp-caption-text">&#8220;[&#8230;] Os assassinatos em si não têm nada de especial, há certa banalidade neles. Mas o que está no entorno do assassino e o respeito que ele inspirou, isso, sim, é fascinante&#8221; (Foto: MUBI)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o longa-metragem sucede em outros objetivos, como a perspectiva sobre </span><a href="https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/56441/56441_5.PDF"><span style="font-weight: 400;">religiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, família e </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51048426"><span style="font-weight: 400;">política</span></a><span style="font-weight: 400;">, exibidos com uma linguagem visual chocante. O fechamento demonstra em precisão tais aspectos, já que metáforas são muito bem utilizadas durante a situação final do protagonista Saee Hanaei: a arma de crime da qual abatia suas “presas” é utilizada contra o “predador”. Porém, a simbologia já está presente anteriormente dentro da cinematografia. Em certa cena, grades de segurança em um templo aparentam ser de uma cadeia, devido ao enquadramento fotográfico, o que revela uma interpretação de aprisionamento mental que a devoção pode causar, além do sentido literal de um criminoso pertencer ao presídio.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em face de problemáticas e sucessos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> ocupa um espaço importante no Cinema internacional, mas que poderia reproduzir com mais apreço a mulher iraniana por meio do desenvolvimento das personagens e seus merecidos enfoques. O inconveniente da produção não é a crueza retratada durante os dias no Irã, característica intrigante do diretor em seus filmes, mas sim o esquecimento do caso real que relata e seu profundo transtorno societário implícito. Esse, do qual o sexo feminino sofre regularmente e é de conhecimento geral no País. </span></p>
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		<title>Park Chan-wook deixa a porta aberta em Decisão de Partir</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Mar 2023 18:00:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Quando as luzes se apagam, um detetive ocupa a mente com crimes não solucionados. A insônia somente levanta para longe da cama quando uma presença feminina desconcertante o coloca para dormir ao ritmo de uma respiração acolhedora, justo dela, a suspeita de um dos incontáveis casos que afastam o sono. Entre gotas de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/decisao-de-partir-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Park Chan-wook deixa a porta aberta em Decisão de Partir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30521" aria-describedby="caption-attachment-30521" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30521" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-scaled.jpg" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Na imagem, Song Seo-rae contempla algo à sua direita. Ela é uma mulher chinesa de cabelos e olhos escuros. A câmera a captura a partir da cintura. Song veste uma camiseta de botões e mangas longas na cor pêssego e uma saia longa estampada em tons frios como o azul. Ao fundo, o cenário é a sala de estar de uma casa repleta de objetos decorativos. O papel de parede é o que se destaca, sendo composto por ilustrações que simultaneamente se assemelham a montanhas e ondas, pintadas entre cores quentes e frias como o vermelho e o azul." width="2560" height="1636" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-800x511.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-1024x655.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-768x491.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-1536x982.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30521" class="wp-caption-text">Decision to Leave disputou a Palma de Ouro do Festival de Cannes 2022, que coroou Park Chan-wook como Melhor Diretor (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando as luzes se apagam, um detetive ocupa a mente com crimes não solucionados. A insônia somente levanta para longe da cama quando uma presença feminina desconcertante o coloca para dormir ao ritmo de uma respiração acolhedora, justo dela, a suspeita de um dos incontáveis casos que afastam o sono. Entre gotas de colírio para elucidar a visão e potes de sorvete que tentam substituir o jantar, </span><a href="https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1733643864792697-conheca-a-obra-do-cineasta-sul-coreano-park-chan-wook-diretor-de-oldboy"><span style="font-weight: 400;">Park Chan-wook</span></a><span style="font-weight: 400;"> desconstrói o romance como um gênero constantemente flertado pelo Cinema, une os protagonistas através dos simbolismos da partição e deixa a porta aberta para a interpretação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=16uiSSzzVcs"><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30513"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fim de falar de amor, Chan-wook escancara o tato inato de </span><a href="https://best-of-netflix.com/why-you-need-to-see-korean-new-wave-pioneer-oldboy/"><span style="font-weight: 400;">pioneiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e elabora ao lado de Jeong Seo-kyeong um roteiro que diz ‘eu te amo’ sem ao menos escrever as três palavras. Mantendo a </span><a href="https://firstclasse.com.my/the-genius-of-park-chan-wook/"><span style="font-weight: 400;">singularidade e autenticidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atravessa uma das filmografias mais notáveis da história, o diretor sul-coreano assina os papéis do divórcio entre as narrativas que tratam de relações amorosas e o audiovisual, casados em comunhão de bens há séculos. Com uma </span><a href="https://www.cafecomkimchi.com.br/post/decision-to-leave-filme-park-chan-wook-tudo-sobre"><span style="font-weight: 400;">proposta inovadora</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele finalmente liberta o casal de uma representação datada, enraizada em um passado distante e reacende a chama da paixão que juntou estilo e meio pela primeira vez.</span></p>
<figure id="attachment_30520" aria-describedby="caption-attachment-30520" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30520" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Da esquerda para a direita na imagem animada, Song Seo-rae e Jang Hae-joon observam algo posicionado atrás da lente da câmera que captura ambos a partir do busto. Song é uma mulher chinesa de cabelos e olhos escuros. Ela veste uma camiseta de botões e mangas longas na cor amarela. Jang é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros. Ele veste uma camiseta de mangas longas na cor azul. Ao fundo, o cenário é uma sala de estar de uma casa repleta de objetos decorativos e iluminada por luzes brancas de lamparinas." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30520" class="wp-caption-text">A atriz chinesa Tang Wei se esforçou para aprender os significados das suas falas em coreano (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, se a violência faz glória com o vermelho sangrento em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VwIIDzrVVdc"><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2003)</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a nudez traduz a emancipação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-criada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016)</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> adota elementos menos explícitos, mas ainda assim revestidos pelo plano de fundo cruel do cotidiano. Contraditoriamente leve, o enlace do </span><a href="https://www.nytimes.com/2022/10/13/movies/decision-to-leave-review-park-chan-wook.html"><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> moderno</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece pairar sobre o ar que ocupa o espaço desde as ondas do mar até o cume das montanhas, sendo responsável pela dicotomia que dita as regras da narrativa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Confúcio disse: “Os sábios amam a água, os benevolentes as montanhas.” Eu não sou benevolente, eu gosto do mar</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jang Hae-joon e Song Seo-rae são as personificações de opostos que se atraem. Dominador, o instinto investigativo de Hae-joon coloca Seo-rae na mira de seu binóculo que transcende tempo e lugar. Com uma técnica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-k4ldmEP8es"><i><span style="font-weight: 400;">zoom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> peculiar e desconfortável, o público mergulha na imaginação do policial que, por sua vez, está totalmente perdido na intimidade mística da cuidadora de idosos. Teimoso e firme como as rochas, o ator Park Hae-il desloca o seu personagem para o choque estrondoso com as águas cristalinas da atriz </span><a href="https://www.voguehk.com/en/article/celebrity/tang-wei-decision-to-leave-interview/"><span style="font-weight: 400;">Tang Wei</span></a><span style="font-weight: 400;">, dona de uma atmosfera etérea em seu papel. </span></p>
<figure id="attachment_30519" aria-describedby="caption-attachment-30519" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30519" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Na imagem animada, Song Seo-rae assopra as gotas de água que repousam sobre um curativo a prova do elemento, colocado no topo de sua mão. A câmera captura somente sua mão e sua boca. Ela é uma mulher chinesa que veste um suéter de mangas longas na cor azul." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30519" class="wp-caption-text">O filme transmite sensações à flor da pele (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O conjunto dinâmico da dupla não somente caracteriza o duelo de personalidades, como também abre margens para as diferentes interpretações do longa, colocadas em xeque a todo o momento devido a </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2022/10/17/the-persuasive-potency-of-decision-to-leave"><span style="font-weight: 400;">montagem apoteótica</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Kim Sang-bum, parceiro de longa data de Park Chan-wook. Extasiante, sinuosa e por isso mesmo que funciona, a ordem dos planos é o que captura a atenção logo nos primeiros minutos, causando impacto com uma sensação </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CHJ4lGhAJok"><span style="font-weight: 400;">arrebatadora</span></a><span style="font-weight: 400;"> que permanece até os créditos finais. Aqui, são as cenas de luta corporal e de cadáveres em decomposição que ganham uma amplitude que ultrapassa o grotesco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal escolha de edição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> confunde, pode ser amada ou odiada sem um meio termo, porém, o deslumbre da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vpKqQqbyvc4&amp;t=40s"><span style="font-weight: 400;">fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> adiciona sentido e é novamente unanimidade na obra do cineasta. O genial </span><a href="https://www.filmcompanion.in/features/decision-to-leave-movie-park-chan-wook-cinematographer-breaks-down-6-scenes-from-the-ending-mubi-tang-wei-park-hae-il"><span style="font-weight: 400;">Kim Ji-yong</span></a><span style="font-weight: 400;"> toma decisões que se ligam às propostas ambiciosas de Sang-bum, transformando a poluição nuclear em colírio para os olhos e um sorvete anêmico em refeição para o estômago. No meio de um paraíso visual, o vermelho das romãs, a fumaça embaçada do cigarro e o azul dos corpos de maridos assassinados são meros detalhes frente ao ápice: a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZD0pqjB-73Y"><span style="font-weight: 400;">cena do interrogatório</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que o foco da câmera transita entre Jang Hae-joon, Song Seo-rae e os seus reflexos no espelho. </span></p>
<figure id="attachment_30518" aria-describedby="caption-attachment-30518" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30518" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Da esquerda para a direita na imagem animada, Song Seo-rae segura um cigarro aceso com as pontas dos dedos e chora encolhida enquanto Jang Hae-joon posiciona um cinzeiro logo abaixo de sua mão. A câmera captura ambos a partir da cintura. Song é uma mulher chinesa de cabelos escuros. Ela veste uma camiseta de mangas longas na cor verde e uma saia estampada em cores quentes. Jang é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros. Ele veste terno preto e gravata listrada nas cores preta e cinza. Ao fundo, o cenário é a sala de estar de uma casa com um sofá aconchegante." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30518" class="wp-caption-text">A obsessão persegue os protagonistas de Park Chan-wook (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Naquela noite em que você me encontrou no mercado, de repente você se sentiu vivo de novo, não é?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Extremamente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G0oOr7cSZPk"><span style="font-weight: 400;">palpável</span></a><span style="font-weight: 400;">, tanto pelas imagens que constroem a paisagem quanto pela trama fictícia que beira uma </span><a href="https://time.com/6221814/decision-to-leave-review/"><span style="font-weight: 400;">veracidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase ‘pé no chão’, o filme cutuca feridas com a provocação de sensações à flor da pele. De modo inacreditável, esse esforço em evocar os seis sentidos faz do longa algo simultaneamente parado no tempo, a frente dele e atemporal. Com uma atmosfera ancestral que prende visão e audição e a sensibilidade corrente que toca olfato, tato e paladar, há a ainda busca pelo eterno nas </span><a href="https://collider.com/decision-to-leave-park-chan-wook-themes-comments/"><span style="font-weight: 400;">entrelinhas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UwOVu96gvc0"><span style="font-weight: 400;">tema da obsessão</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é novidade na trajetória cinematográfica de Park Chan-wook e, com 11 títulos exibidos nas telas do Cinema, o tópico parece igualmente perseguir personagens, diretor e público. Em entrevista ao </span><a href="https://thefilmstage.com/park-chan-wook-on-decision-to-leave-methodical-directing-and-not-being-a-film-buff/"><i><span style="font-weight: 400;">The Film Stage</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Chan-wook revelou que </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma homenagem ao gênero </span><a href="https://www.indiewire.com/2022/10/park-chan-wook-reveals-hes-not-the-biggest-fan-of-the-noir-genre-despite-success-of-decision-to-leave-1234775304/"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas o resultado da leitura de romances policiais: ”</span><i><span style="font-weight: 400;">Na verdade, esse é um pequeno truque meu: finjo que o filme é do gênero noir e, em certo ponto, nós desviamos do gênero.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Segundo ele e, de fato, o disfarçe de Song Seo-rae como uma </span><i><span style="font-weight: 400;">femme fatale</span></i><span style="font-weight: 400;"> também contribui para essa subverção das histórias de amor.</span></p>
<figure id="attachment_30517" aria-describedby="caption-attachment-30517" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30517" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Na imagem animada, Jang Hae-joon contempla o horizonte. A câmera captura as suas costas a partir da cintura. Jang é um homem sul-coreano de cabelos escuros. Ele veste um terno preto. Ao fundo da composição e a frente do protagonista, uma praia tomada pelo mar reflete o sol em suas ondas." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30517" class="wp-caption-text">Park Hae-il traz o balanço perfeito de feições para um detetive nada equilibrado (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro tópico intensamente pautado pelo cineasta sul-coreano é o conflito histórico entre a sua nação e os companheiros de continente. Rodeado por mil tentáculos, ele traz à tona um envolvimento lésbico para o contexto da ocupação japonesa no começo do século XX em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i><span style="font-weight: 400;">. Agora, observando os </span><a href="https://www.theguardian.com/cities/2017/jul/18/seoul-south-korea-identity-crisis-brand-psy-gangnam-style"><span style="font-weight: 400;">problemas identitários</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ressurgem na Coreia e são refletidos nas obras, Park Chan-wook </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-features/making-of-decision-to-leave-park-chan-wook-explosive-style-mystery-drama-1235276259/"><span style="font-weight: 400;">sabiamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> pontua os desafios do deslocamento asiático e o jogo da conquista que permeia a região desde os primórdios da civilização. Em 2022, é a morte </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YaPxDz36UW4"><span style="font-weight: 400;">misteriosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um oficial de imigração aposentado que acende a luz sobre Seo-rae, a viúva chinesa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atordoante com as reviravoltas, a trilha sonora dificulta a digestão dos eventos e é esse o efeito que proporciona a continuidade do </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2023/01/park-chan-wook-subverte-expectativas-de-sexo-e-violencia-e-investe-no-amor-clcluqkf7002001ccrjk6x5cb.html"><span style="font-weight: 400;">ambiente</span></a><span style="font-weight: 400;"> instaurado pela trama. Produzida com acordes estridentes de violinos e notas adocicadas de flautas, a mescla instrumental de </span><span style="font-weight: 400;">Jo Yeong-wook</span><span style="font-weight: 400;"> injeta doses de adrenalina e endorfina, transitando como um maestro pelas sequências de estresse e conforto. Tomando partida por meio da união entre imagem e som, </span><a href="https://www.leisurebyte.com/closer-music-video-rm-decision-to-leave/"><i><span style="font-weight: 400;">RM</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, integrante do grupo </span><i><span style="font-weight: 400;">BTS</span></i><span style="font-weight: 400;">, não esconde ser obcecado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> e traz as cenas de tirar o fôlego para o videoclipe da faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SmVqMedomh0"><i><span style="font-weight: 400;">Closer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parte do seu álbum </span><a href="https://open.spotify.com/album/2wGinO7YWLHN2sULIr4a7v?si=ZFwkbqEZQtWKYcOxXOgqKA]"><i><span style="font-weight: 400;">Indigo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30516" aria-describedby="caption-attachment-30516" style="width: 947px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30516" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1.jpg" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Da esquerda para a direita na imagem animada, Jang Hae-joon e Song Seo-rae estão sentados nos bancos de trás de um carro. Jang está adormecido e Song acordada olhando para algo à sua esquerda. A câmera captura ambos a partir da cintura. Jang é um homem sul-coreano de cabelos escuros. Ele veste terno marrom e gravata estampada nas cores vermelha e azul sobre uma camiseta branca. Song é uma mulher chinesa de cabelos e olhos escuros. Ela veste um casaco de inverno azul sobre uma camiseta preta com pontos brancos. Ao fundo, o cenário da janela traseira é a praia." width="947" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1.jpg 947w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-800x530.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-768x508.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30516" class="wp-caption-text">Ao fim, montanha e mar representam uma simbiose inexplicável pela ciência (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado no </span><a href="https://www.instagram.com/p/CgnO52sOQ9w/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Maio do ano passado, pleno mês das noivas, o longa mira no divórcio entre o tradicional gênero do romance e o Cinema para traçar uma forma inédita de arrebatar corações. Exibido em salas seletas, ele detém a melhor bilheteria de Park nos Estados Unidos e é o mais assistido pelo país na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><a href="https://collider.com/decision-to-leave-mubi-most-streamed-north-america/"><i><span style="font-weight: 400;">Mubi</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">No campo das premiações, </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> esteve na lista da Palma de Ouro e conquistou o prêmio de </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/diretor-sul-coreano-park-chan-wook-volta-a-cannes-com-drama-policial-e-rom%C3%A2ntico-1.827090"><span style="font-weight: 400;">Melhor Diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> na cidade francesa. Já no Globo de Ouro e no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">, conseguiu vaga em Melhor Filme Estrangeiro, mas não levou para a casa e nem repetiu o feito no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade é que Park Chan-wook continua sem o devido reconhecimento das academias e, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;">, a sensação que fica é a de que ele deseja ser levado pela água salgada junto de Jang Hae-joon e Song Seo-rae. Ao final, ninguém escapa da obsessão: cineasta, personagens e público parecem se tornarem obcecados por tudo aquilo que é intrínseco à obra. Imerso na profundidade de simbolismos pensados de maneira </span><a href="https://www.polygon.com/23445882/decision-to-leave-ending-explained-park-chan-wook-interview"><span style="font-weight: 400;">sagrada</span></a><span style="font-weight: 400;">, Chan-wook deixa a porta aberta para questionamentos sobre o amor e, essencialmente, se ele algum dia ele repetirá tal dicotomia entre montanha e mar, uma </span><a href="https://variety.com/2023/awards/asia/park-chan-wook-decision-to-leave-2-1235483407/"><span style="font-weight: 400;">simbiose</span></a><span style="font-weight: 400;"> que somente a sua Arte explica.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/b9j3ZFSkD3o?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;start=12&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
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		<title>Terra e tradição se abrem sob os pés da família de Alcarràs</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 19:51:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes “Eu não canto pela voz, [&#8230;] por quem canto é por minha terra, terra firme, casa amada”, dizem os versos cantados por Rogelio (Josep Abad), patriarca dos Solés que protagonizam Alcarràs, longa de Carla Simón exibido na 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na Competição Novos Diretores. A obra, uma coprodução &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alcarras-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Terra e tradição se abrem sob os pés da família de Alcarràs"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29148" aria-describedby="caption-attachment-29148" style="width: 1960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29148 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4.jpg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Uma família branca está em pé, todos virados de lado, olhando na direção esquerda da imagem. O fundo tem montanhas e plantações verdes." width="1960" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4.jpg 1960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29148" class="wp-caption-text">Exibido na Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de São Paulo, o longa não esquece que uma tradicional família agricultora na Europa sempre conta com o trabalho braçal de imigrantes pretos (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><strong>Nathália Mendes</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não canto pela voz, [&#8230;] por quem canto é por minha terra, terra firme, casa amada</span></i><span style="font-weight: 400;">”, dizem os versos cantados por Rogelio (Josep Abad), patriarca dos Solés que protagonizam </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa de Carla Simón exibido na 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo, na Competição Novos Diretores. A obra, uma coprodução espanhola e italiana, conta como uma família de agricultores no interior da Catalunha se vê sendo expulsa de sua propriedade após anos cultivando pêssegos naquela terra. E não há nada que se possa fazer. Diante das perdas inevitáveis, Rogelio acompanha em silêncio, assistindo com olhos carregados de tristeza a tradição de gerações se desfazer, bem como sua própria família.</span></p>
<p><span id="more-29147"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem documento formalmente escrito e assinado, o terreno foi “dado” aos Solés há muitos anos, um agradecimento dos Pinyols por terem sido protegidos durante a guerra espanhola. Este é </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/em-cartaz-no-brasil-drama-catalao-alcarras-expoe-o-desafio-das-mudancas/"><span style="font-weight: 400;">o cânone que fundamenta a narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o passar do tempo e as mudanças geracionais, o novo primogênito que comanda a família não se contenta mais com plantações de pêssegos, mas quer o dinheiro que a energia gerada por painéis solares pode prover. Agora, o vínculo que um dia tiveram não importa mais. Sem compreender como os simbolismos são tão importantes para si e tão desprezíveis ao outro, o que resta ao avô Solé é tentar guardar os laços que mantém a tradição até o fim da colheita.</span></p>
<figure id="attachment_29149" aria-describedby="caption-attachment-29149" style="width: 1788px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29149 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998.jpeg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Uma família branca está reunida, sentada em uma mesa repleta de comidas. Eles estão virados para a direção da foto. Todos sorriem, se movimentam ou conversam uns com os outros." width="1788" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998.jpeg 1788w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-800x483.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1024x619.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-768x464.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1536x928.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1200x725.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29149" class="wp-caption-text">O sentimentalismo de Rogelio mistura decepção e relutância com a transição de gerações, de forma que mal assume o erro que levou os Solé àquela situação (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um longa da vida real. Não só por levar o nome da pequena cidade da Catalunha onde a própria família da diretora cultivava pêssegos, mas também pelo seu </span><a href="https://youtu.be/GM5-UtbZrQE?t=166"><span style="font-weight: 400;">elenco de atores amadores</span></a><span style="font-weight: 400;">, residentes daquele mesmo interior espanhol. O protagonismo é horizontal, todos ganham luz por completo, de forma igualitária; esta característica brilhante exemplifica como a vida simplesmente acontece. Além de Josep como o patriarca Solé, conhecemos seu sucessor e único filho homem Quimet (Jordi Pujol), a mulher dele, Dolors (Anna Otín), e seus filhos Roger (Albert Bosch), Mariona (Xènia Roset) e Iris (Ainet Jounou). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compondo os Solé, ainda, estão as irmãs de Quimet, Glòria (Berta Pipó) e Nati (Montse Oró), com seu marido Cisco (Carles Cabós) e filhos, os gêmeos Pau (Isaac Rovira) e Pere (Joel Rovira). Como uma família tradicional, os membros se relacionam uns com os outros de acordo com suas idades, o machismo geracional e o tradicionalismo aparecem, dando mais palco para os homens do que para as mulheres, mas sem caracterizar tais contrastes como tóxicos ou necessariamente opressores. Aos poucos, </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-reviews/alcarras-berlin-2022-1235094690/"><span style="font-weight: 400;">os conflitos explodem</span></a><span style="font-weight: 400;">, exatamente como deve ser. É quase como se eu estivesse assistindo a minha própria família.</span></p>
<figure id="attachment_29150" aria-describedby="caption-attachment-29150" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29150 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-scaled.jpg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Na imagem um jovem branco está deitado em uma cama, uma criança de cabelos castanhos está deitada em seu peito e tem um braço transpassado por ele. Ambos olham na direção esquerda onde uma jovem está agachada atrás da cama, apenas seu pescoço e cabeça aparecem, olhando de volta para os dois." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29150" class="wp-caption-text">O protagonismo horizontal permite que cada personagem transmita frustração à sua maneira: enquanto Roger toma porre e deixa a plantação encharcar até que os pés das pessegueiras virem pura lama, Íris toca flauta nos ouvidos do pai o dia todo (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É curioso que a narrativa linear de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs </span></i><span style="font-weight: 400;">seja, ao mesmo tempo, um ponto fraco e um ponto positivo. Sua semelhança com a realidade é tamanha que até a </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/alcarras-review-1235182126/"><span style="font-weight: 400;">progressão de acontecimentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> imita a vida: não abrimos os olhos todos os dias aguardando o clímax, a chegada de problemas ou da vitória. Na verdade, vivemos na simplicidade com que os segundos correm. Tal lentidão do cotidiano enfraquece o longa tanto quanto o constrói artisticamente, tecendo as teias de uma família silenciosamente frustrada. A inevitabilidade da desgraça que virá provoca fervor interno em suas personagens, esses que, tendo pouco direito de externalizá-lo, se mantêm quietos, transparecendo a raiva e a decepção em momentos específicos e de formas diferentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em </span><a href="https://www.cineset.com.br/verao-1993-longa-sensivel-e-pessoal-e-estreia-digna-do-cinema-espanhol/"><i><span style="font-weight: 400;">Verão 1993</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Simón estreou na direção narrando sua própria história, agora, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs, </span></i><span style="font-weight: 400;">ela transbordou realidade cultural. A iniciativa inteligentíssima de levar pessoas comuns para contar a obra fictícia que escreveu ao lado de Arnau Vilaró, este que também cresceu em uma família agricultora na Espanha, é o que dá brilhantismo à composição. A empreitada trabalhosa e brilhante trouxe a conquista do </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/filme-espanhol-alcarras-ganha-urso-de-ouro-em-berlim/"><span style="font-weight: 400;">Urso de Ouro de Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Festival de Berlim de 2022. Mas, para além dos prêmios, a produção faz mais do que é possível medir através de estatuetas: transborda verdade. Assim, ao lado de um elenco com pertencimento, sua ficção é dotada de realismo, um retrato fielmente protagonizado por quem está inserido naquele contexto. </span></p>
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		<title>Cuidado: Aftersun causa enjoo emocional</title>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Trabalhar o conceito da memória na Arte é uma artimanha e tanto. Para evocar o sentimento que viveu há cerca de duas décadas, é atrás das lembranças que vai a cineasta Charlotte Wells na confecção de Aftersun. A trama reflete um episódio experienciado pela irlandesa no fim dos anos noventa: uma viagem de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aftersun-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Cuidado: Aftersun causa enjoo emocional"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29143" aria-describedby="caption-attachment-29143" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29143 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.png" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha dançando abraçados. Ao fundo, vemos pessoas desfocadas. " width="1200" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-800x418.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1024x535.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-768x401.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29143" class="wp-caption-text">Irlandesa radicada em Nova Iorque, Charlotte Wells impressionou Cannes e Toronto antes de trazer Aftersun para vencer a Competição Novos Diretores da 46ª Mostra de SP (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trabalhar o conceito da memória na Arte é uma artimanha e tanto. Para evocar o sentimento que viveu há cerca de duas décadas, é atrás das lembranças que vai a cineasta Charlotte Wells na confecção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i><span style="font-weight: 400;">. A trama reflete um episódio experienciado pela irlandesa no fim dos anos noventa: </span><a href="https://a24films.com/notes/2022/10/a-note-from-charlotte-wells"><span style="font-weight: 400;">uma viagem de férias à Turquia</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao lado do pai, e seu apreço pela imagem como instrumento de ternura e captura do tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pequena Sophie (Frankie Corio) é a bússola do longa de estreia de Wells, parte da Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo e </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/aftersun-de-charlotte-wells-ganha-principal-premio-da-mostra-de-cinema-de-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">eleito o Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo Júri com o Troféu Bandeira Paulista. Ao lado do pai Calum (Paul Mescal), ela comemora o aniversário de 11 anos entre o quarto de hotel, a piscina, o oceano e as muitas caminhadas pelo ensolarado país euro-asiático, gravando as aventuras por meio de uma filmadora </span><i><span style="font-weight: 400;">miniDV</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29140"></span></p>
<figure id="attachment_29142" aria-describedby="caption-attachment-29142" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29142 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2.jpg" alt="Foto da diretora e de seu pai nas férias que inspiraram o filme. Está de noite e o flash ilumina o rosto deles. A menina sorri com um copo na mão e uma colher na boca e o pai também sorri, segurando um copo." width="1080" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-768x960.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29142" class="wp-caption-text">Sophie é escrita com a força e a curiosidade de uma criança nada estereotipada ou clichê, e elevada pela performance memorável de Frankie Corio; na foto, Charlotte Wells e seu pai nas férias que inspiraram o filme (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O aspecto </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage </span></i><span style="font-weight: 400;">das gravações caseiras é o que aclima </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i><span style="font-weight: 400;">, com destaque imediato para o trabalho de mescla que o diretor de fotografia Gregory Oke realiza ao longo dos quase cem minutos. Aliado ao som etéreo de Jovan Ajder e a montagem sentimentalmente carregada de Blair McClendon, o texto e a direção de Wells tomam forma pela </span><a href="https://blockbusteronline.com.br/escrevendo-de-dentro-para-fora-charlotte-wells-em-aftersun-entrevistas/"><span style="font-weight: 400;">veia nostálgica</span></a><span style="font-weight: 400;"> da infância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No tempo em que virou moda o exercício de transformar em filmes de ‘prestígio’ os  anos formadores da adolescência, tendência refletida no arrojado </span><a href="http://personaunesp.com.br/critica-roma/"><i><span style="font-weight: 400;">Roma</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e no enfadonho </span><a href="https://personaunesp.com.br/belfast-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Belfast</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Charlotte realiza um trabalho de afeto nada gratuito. Para analisar sua guinada artística e o papel que ocupa aos 30 anos e em emergente estado de ebulição criativa, ela revisita as férias na Turquia, um conjunto isolado de eventos banais e corriqueiros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fator decisivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é a </span><a href="https://cinepop.com.br/normal-people-a-arte-de-levar-a-banalidade-a-serio-entrevista-258385/"><span style="font-weight: 400;">contratação de Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;"> no protagonismo e as escolhas de atuação que o astro irlandês opta por seguir na pele de Calum. Silencioso, extremamente observativo e calmo, também na casa dos trinta, ele transmite no olhar e na linguagem corporal retraída todo o medo que acumula.</span></p>
<figure id="attachment_29145" aria-describedby="caption-attachment-29145" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29145 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3.jpg" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha numa piscina de lama, se sujando. Eles sorriem um para o outro e está de dia e ensolarado. " width="2560" height="1211" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-800x378.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1024x484.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-768x363.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1536x727.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2048x969.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1200x568.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29145" class="wp-caption-text">Com produção de Barry Jenkins e Adele Romanski, de Moonlight, <a href="https://personaunesp.com.br/the-underground-railroad-critica/">The Underground Railroad</a> e <a href="http://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/">Never Rarely Sometimes Always</a>, Aftersun tem dedo internacional da BBC e da A24 (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a filha Sophie, Calum é farol de </span><a href="https://laestatuilla.com/columnas/entrevista-con-charlotte-wells-directora-de-aftersun/"><span style="font-weight: 400;">segurança, austeridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e companheirismo. Ela, que vive em um mundo constantemente povoado por figuras masculinas, enxerga na ternura e na amizade dele o exato oposto do que sua mãe viu. Presente em linhas rápidas do roteiro de Wells e numa sequência singela gravada no estiloso telefone público cor de tomate, a mãe do filme é ausente de espaço físico, mas presente na aura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando questionado pela garota o motivo de trocar alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">“eu te amo” </span></i><span style="font-weight: 400;">com a ex-esposa, Calum justifica que, independente da separação, ela faz parte de sua família. Sentimento conjurado pela afetuosidade que Charlotte Wells dirige Paul Mescal, um profissional recente do mundo cinematográfico, mas que descolou em </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> uma vitrine de seus talentos e alcance, e mesmo com pinta de astro comercial, ainda pensa com carinho e cuidado a respeito dos papéis que escolhe dedicar seu tempo e ofício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As memórias da diretora, que perdeu o pai quando tinha dezesseis anos, não se curam com facilidade, tal qual o gesso molhado que Mescal empunha como armadura. Ele não se preocupa em mergulhar o braço no cloro da piscina ou nem mesmo liga de dar braçadas na água salgada do mar. A restauração da ferida, nebulosa nas explicações quando Sophie pergunta como aconteceu, se dá por meio da </span><a href="https://www.cinemadebuteco.com.br/criticas/aftersun-paul-mescal-entra-para-o-time-dos-grandes-pais-do-cinema-em-filme-pessoal-da-diretora-estreante-charlotte-wells/"><span style="font-weight: 400;">persistência e do esquecimento</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29141" aria-describedby="caption-attachment-29141" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29141 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381.jpg" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha posando para uma foto, sorrindo. Por trás da menina, ele faz “chifrinho” com a mão na cabeça dela." width="1920" height="1036" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1536x829.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1200x648.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29141" class="wp-caption-text">Grande lançamento independente do ano, o filme é uma co-produção entre EUA e Reino Unido e recebeu 4 indicações ao <a href="https://www.screendaily.com/news/aftersun-in-contention-for-four-prizes-as-us-gotham-awards-unveils-nominees/5175805.article">Gotham Awards</a>, destacando as performances de Mescal e Corio, e a direção de Wells (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma hora, ele corta a branquidão dura com uma tesoura sem ponta; na outra, o machucado sumiu, por mais que o aspecto cru da pele sem o calor do sol apareça. </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é assim: como maré branda, começa algo, termina outro, </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/aftersun"><span style="font-weight: 400;">não se atenta a linearidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> assim como evoca os </span><i><span style="font-weight: 400;">flashes </span></i><span style="font-weight: 400;">temporais nas sequências noturnas de uma espécie de balada. Entre as luzes da boate, Calum e uma Sophie adulta (Celia Rowlson-Hall) se misturam como água e açúcar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assistir a essa experimentação com </span><a href="https://personaunesp.com.br/conversas-entre-amigos-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">20 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é prova do poder do filme de Wells. Aos 11, Sophie enxerga o pai como uma figura de autoridade e amparo. Aos 31, Calum vê na filha alguém a ser guiada e defendida, com muito a aprender na jornada. No meio termo entre as duas caminhadas da vida, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">brinca com as expectativas e com os pontos de vista de um espectador no limiar entre a juventude e a vida adulta em sua complexa integridade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez, por isso, evocar um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9sfYpolGCu8"><span style="font-weight: 400;">enjoo emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> seja a maneira mais compatível para definir o sentimento. É como viajar de carro com os vidros fechados e sentir o estômago embrulhar, mas ao invés do motivo ser um sanduíche de presunto duvidoso, o mal-estar nasce de uma situação não resolvida, um amor esfarelado ou a mera sensação de crescer para além dos moldes em que nos encontramos.</span></p>
<figure id="attachment_29144" aria-describedby="caption-attachment-29144" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29144 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.png" alt="Cena do filme Aftersun, mostra o pai sozinho em um corredor vazio, segurando uma alça da mochila no ombro e olhando para a câmera." width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.png 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29144" class="wp-caption-text">“Eu tenho enjoo emocional, alguém abra as janelas, não existem palavras na língua inglesa que eu poderia gritar para te calar”, canta Phoebe Bridgers em Motion Sickness, numa passagem que muito se relaciona com o filme de Wells (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sophie não ressente propriamente o pai, mas entende que o homem que conhece não é Calum </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">em sua totalidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, quando confessa para ele as artes que aprontou no local, desde a troca de primeiros beijos até uma pulseira com créditos infinitos no bar, a garota espera essa troca mútua de confidências. Ou, por mais que a menina do filme não espere, a mulher que dirige essa quase biografia o faz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Forma de examinar o não tão distante ontem e compreender o muito ascendente hoje, o trabalho de Charlotte Wells em </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é digno de menção nas proficiências que executa com ilustre e célebre aptidão. Um drama de amadurecimento, uma história sensorial sobre um pai e uma filha em constante processo de conexão e apego, uma aventura europeia com pique de verão e um </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><span style="font-weight: 400;">estudo sobre o luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o que fazer com todo o amor que não possui mais remetente físico. O que vem depois do sol é tudo isso e um bocado mais, e fica a congratulação de Sophie: que mágico e virtuoso é poder viver tudo isso e, no processo, dividir com nossos queridos o mesmo céu.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="AFTERSUN | Official Trailer | Now Streaming on MUBI" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vXKcWRu8K_U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Thelma: o terror também é libertador</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2022 15:40:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez O cenário é uma floresta gelada da Noruega. Pai e filha, de no máximo 6 anos, avistam um cervo durante a caçada. A arma na mão do pai se volta do animal à pequena Thelma, que nunca chega a notar a movimentação. Ele continua firme ali, arma em riste apontada para a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/thelma-filme-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Thelma: o terror também é libertador"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28021" aria-describedby="caption-attachment-28021" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28021" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-1.jpg" alt="Cena do filme Thelma. Na imagem, vemos Thelma, dos ombros para cima, deitada em um sofá verde escuro, de ponta cabeça, ao centro. Ela é uma mulher branca, de cabelos loiros escuros, aparentando cerca de 22 anos, e tem seus olhos fechados e a boca aberta. Por sua boca aberta, vemos uma serpente verde escura entrando por sua boca." width="800" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-28021" class="wp-caption-text">“Eu estou brava com você, Deus. Por que você está fazendo isso comigo? O que você quer?” (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é uma floresta gelada da Noruega. Pai e filha, de no máximo 6 anos, avistam um cervo durante a caçada. A arma na mão do pai se volta do animal à pequena Thelma, que nunca chega a notar a movimentação. Ele continua firme ali, arma em riste apontada para a menina, até o cervo se dispersar. Dos poucos, mas longos minutos, o filme corta para outra cena e uma </span><a href="https://lewislitjournal.wordpress.com/2018/10/07/k-o-to-consciousness-an-analysis-of-thelma/"><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></a><span style="font-weight: 400;"> crescida está enfrentando seus primeiros dias na faculdade. É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia: ensurdecedora, impactante e misteriosa, a obra de Joachim Trier exagera para preparar o terreno para o que vem a seguir.</span></p>
<p><span id="more-28020"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é o quarto longa-metragem dirigido pelo cineasta norueguês, que, recentemente, concorreu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Assim como o último, </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi cotado para a premiação: a obra, uma coprodução entre Noruega, Suécia, Dinamarca e França, foi selecionada como a representante do país na categoria </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/oscar-anuncia-novas-regras-e-muda-nome-da-categoria-de-filme-estrangeiro/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Estrangeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2018, mas não teve força para chegar às indicações anunciadas na grande noite. Na produção, nos primeiros dias de faculdade, as descobertas e novas vontades da religiosa Thelma (Eili Harboe) vêm acompanhadas de estranhos eventos, cada vez mais intensos à medida que ela se desvencilha dos dogmas de sua rígida criação e dá vazão a seus crescentes desejos.</span></p>
<figure id="attachment_28022" aria-describedby="caption-attachment-28022" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28022" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-2.png" alt="Cena do filme Thelma. A frente de um fundo preto, vemos Anja, à esquerda, se inclinando e beijando Thelma, à direita. Anja é uma mulher negra, de cabelos castanhos escuros lisos, aparentando cerca de 20 anos. Thelma é uma mulher branca, de cabelos loiros escuros, aparentando cerca de 20 anos." width="800" height="428" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-2.png 792w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-2-768x411.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28022" class="wp-caption-text">Thelma foi roteirizado por Joachim Trier e Eskil Vogt, uma parceria que se repetiu em A Pior Pessoa do Mundo (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;"> – obra e protagonista – não tem pressa. Cadenciadamente, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XSm2wT_jzQI"><span style="font-weight: 400;">Trier</span></a><span style="font-weight: 400;"> conduz sua estrela através das vivências supostamente ordinárias e comuns à juventude, como a descoberta da </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/espanto/representatividade-lgbt-no-cinema-queer-horror/"><span style="font-weight: 400;">sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, as experiências em um ambiente cheio de desconhecidos e o desvendar de si própria enquanto pessoa. Para Thelma, porém, tudo fica mais intenso e amedrontador: vinda de uma família superprotetora e extremamente religiosa, com seus dogmas e preconceitos, as descobertas da personagem são sempre encaradas como desviantes por ela e pelos pais. Se o ato de provar bebidas alcoólicas em uma festa com amigos já é uma ação repreendida pelo pai, Trond (Henrik Rafaelsen), a filha se interessar por sua colega de classe é ainda mais errado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de seus crescentes desejos, são as represálias internalizadas por Thelma que desencadeiam as ocorrências sobrenaturais. No primeiro contato da protagonista com Anja (Kaya Wilkins), a amiga por quem ela se atrai, um corvo se choca contra o vidro da sala de aula. No segundo, uma convulsão a pega de surpresa. Os sentimentos recém-despertos são desconhecidos a ela e, de poderes telecinéticos a </span><a href="https://personaunesp.com.br/noite-passada-em-soho-critica/"><span style="font-weight: 400;">visões alucinantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, os acontecimentos se tornam mais frequentes e enérgicos ao passo que a personagem se permite explorá-los. Disso, porém, ela não sabe e não demora a investigar a sua causa.</span></p>
<figure id="attachment_28023" aria-describedby="caption-attachment-28023" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28023" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-4.jpg" alt="Cena do filme Thelma. Levitando ao centro da imagem, vemos Thelma vestida em trajes hospitalares, com equipamentos conectados a sua cabeça." width="800" height="346" /><figcaption id="caption-attachment-28023" class="wp-caption-text">“Por vezes, a descoberta mais assustadora é quem realmente se é. Você se atreve a ser quem é?”, questiona o slogan de Thelma (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Drama, Suspense, </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-thelma-joachim-trier-cria-sua-propria-carrie-a-estranha-160791/"><span style="font-weight: 400;">Terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> Psicológico… </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma </span></i><span style="font-weight: 400;">poderia ser chamado até de Romance. O diretor não delimita um gênero e nem explica a sua obra, mas a trabalha de forma enigmática e simbólica o tempo todo. Enquanto as protagonistas se conectam e se atraem, as feições suaves e a performance introspectiva das atrizes tornam suas respectivas personagens ainda mais misteriosas. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7we4eh7qAFA"><span style="font-weight: 400;">Eili Harboe e Kaya Wilkins</span></a><span style="font-weight: 400;">, Thelma e Anja respectivamente, exalam os sentimentos não contados, mas pouco dizem ou explicam. O contrário acontece com o pai e a mãe: tão quietos quanto a filha, já se suspeita desde o início que os dois escondem alguma coisa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas percepções, porém, são frutos da direção de Trier. Ora perto, ora afastadas demais, as câmeras do cineasta nos conduzem através da narrativa como se observássemos o desenrolar de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/suspiria-a-danca-do-medo-critica/"><span style="font-weight: 400;">segredo sombrio</span></a><span style="font-weight: 400;">. A fotografia fria de Jakob Ihre também é essencial para o sentimento de hostilidade e opressão que permeia o longa, e é justamente nos momentos de proximidade das meninas que a tensão acumulada se libera, assim como fazem os poderes de Thelma. A condução cheia de suspense, um dos maiores atrativos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;">, também é o que, por vezes, acaba por repeli-lo. Apesar de construído sutilmente, o ritmo lento do filme faz o telespectador encarar trechos monótonos e tediosos. Nada que Trier não se exima na reta final.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Thelma | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/k7dM9adQFV4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre momentos mais quietos e outros mais tensos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma </span></i><span style="font-weight: 400;">acompanha sua protagonista homônima através da descoberta de sua sexualidade, principalmente. A produção não esconde estar mostrando só simbolismos em tela, já que as </span><a href="https://bocadoinferno.com.br/artigos/2018/12/horror-queer-quando-o-medo-e-a-baixa-representatividade/"><span style="font-weight: 400;">metáforas</span></a><span style="font-weight: 400;"> têm papel fundamental na interpretação. Metáforas essas diretamente conectadas ao lado religioso da personagem: as visões e alucinações de Thelma têm fortes </span><a href="https://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">referências bíblicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, a cada quebra de dogma de sua criação sacra, ela provoca abalos telecinéticos em resposta. Explorar, para ela, revela-se uma provocação digna de invocar seu sobrenatural &#8211; e ela não escolhe contê-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/alem-do-arco-iris-o-terror-como-fuga-da-heteronormatividade/"><span style="font-weight: 400;">diferentes interpretações</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos eventos, é nítido que toda mínima interação da personagem com Anja é o que desencadeia a série de estranhas ocorrências, um reflexo extático da repressão sexual em confronto com os seus desejos. Em uma das cenas mais climáticas e emocionantes, a telecinese faz com que objetos comecem a se mover ao simples toque escondido das duas meninas. Ao final da obra, porém, o pecado do diretor é justamente deixar de lado as sutilezas e apostar no explícito. Em poucos minutos, o filme</span> <span style="font-weight: 400;">vai de um de seus momentos mais intrigantes e enigmáticos a um de seus mais literais, e a combustão sobrecarrega o mistério construído até ali. </span></p>
<figure id="attachment_28024" aria-describedby="caption-attachment-28024" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28024 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3.png" alt="Cena do filme Thelma. Ao centro da imagem, em frente a uma paisagem de mar, durante o dia, vemos um homem branco, com cabelos e barba grisalha, encarando suas mãos estendidas à sua frente, que pegam fogo." width="1280" height="525" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-800x328.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-1024x420.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-768x315.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-1200x492.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28024" class="wp-caption-text">Disponível no Prime Video e na MUBI, Thelma veio depois de Oslo, 31 de Agosto e Mais Forte que Bombas, que renderam ao diretor Joachim Trier indicações a importantes prêmios do Cinema (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No seu próprio ritmo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma </span></i><span style="font-weight: 400;">se mostra objetivamente indecifrável e, da mensagem que se tira da obra, a </span><a href="https://seventh-row.com/2019/11/05/thelma-carrie-comparison/"><span style="font-weight: 400;">interpretação</span></a><span style="font-weight: 400;"> basta. Nas comparações do filme com </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie &#8211; A Estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; também filha de mãe religiosa, também</span> <span style="font-weight: 400;">engatilhou poderes durante uma fase decisiva de sua vida -, a juventude e o processo de descoberta pessoal extasiantes, que tangem o sobrenatural, são tão simbólicas quanto a moral por trás da obra (isso é, se há uma). A verdade é que, entre Romance, Drama, Suspense, ou o que qualquer um se atrever a rotular </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;">, o seu </span><a href="https://www.instagram.com/p/CU0umTkr2w0/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">Terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> também é libertador. </span></p>
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