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	<title>Arquivos Melhor Roteiro Original &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Um feliz Natal… até para Os Rejeitados!</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Mar 2024 21:15:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laura Hirata-Vale Dezembro de 1970. Nos dormitórios da Barton Academy, os estudantes fazem suas malas para o tão aguardado recesso de Natal. É hora de voltar para a casa, rever a família e usufruir das festas de fim de ano. Porém, um grupo seleto de estudantes fica na escola: esses poucos alunos – conhecidos como &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-rejeitados-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Um feliz Natal… até para Os Rejeitados!"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32561" aria-describedby="caption-attachment-32561" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-32561" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1-800x533.png" alt="Cena do filme “Os Rejeitados”. A imagem mostra um refeitório, com mesas retangulares e cadeiras de madeira. Os personagens Angus Tully, Paul Hunham e Marry Lamb aparecem sentados à mesa. Angus Tully está à esquerda; é interpretado pelo ator Dominic Sessa e é um homem branco, com cabelos castanhos e cacheados; ele veste um suéter marrom alaranjado. Paul Hunham está ao centro; é interpretado pelo ator Paul Giamatti e é um homem branco, de cabelos grisalhos e calvos; ele veste uma camisa cinza e um colete cinza-escuro. Mary Lamb está à direita; é interpretada pela atriz Da'Vine Joy Randolph e é uma mulher negra, de cabelos escuros e lisos; ela veste um suéter roxo." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1.png 828w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32561" class="wp-caption-text">O que faz uma ceia de Natal? A comida ou a companhia? (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>Laura Hirata-Vale</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dezembro de 1970. Nos dormitórios da Barton Academy, os estudantes fazem suas malas para o tão aguardado recesso de Natal. É hora de voltar para a casa, rever a família e usufruir das festas de fim de ano. Porém, um grupo seleto de estudantes fica na escola: esses poucos alunos – conhecidos como Os Rejeitados – ficam sob os cuidados do difícil professor Paul Hunham (Paul Giamatti) e da enlutada cozinheira-chefe Mary Lamb (Da&#8217;Vine Joy Randolph). Em </span><a href="https://youtu.be/NQG5X2bzT3k?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">The Holdovers</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado em 2023, vemos como o feriado natalino mexe com os sentimentos, e como a saudade, a dor e a felicidade se revelam – seja por meio de milagres ou por meio da força.</span><span id="more-32560"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hunham é um professor de Estudos Clássicos. Sua rigidez é abominada pelos alunos, enquanto sua vesguice é fonte de zoação. Detestado até por seus colegas, o acadêmico é chato, introvertido e carrancudo, e ao ser escolhido para ser o supervisor d’Os Rejeitados, decide fazer das férias dos estudantes uma continuação do ano escolar. Inicialmente formado por quatro jovens, o grupo recebe mais um participante: Angus Tully. Revoltado pelo abandono da mãe, que preferiu deixá-lo na escola para viajar com o novo marido, o personagem do </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a46339677/dominic-sessa-holdovers-interview-2023/"><span style="font-weight: 400;">estreante Dominic Sessa</span></a><span style="font-weight: 400;"> irrita o professor até seu último fio de cabelo.</span></p>
<figure id="attachment_32564" aria-describedby="caption-attachment-32564" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-32564 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1-800x534.png" alt="Cena do filme “Os Rejeitados”. A imagem mostra os personagens Angus Tully – à esquerda – e Mary Lamb – à direita – sentados em um banco, enfrente a uma janela. Angus Tully, interpretado por Dominic Sessa, é um homem branco, de cabelos castanhos e cacheados. Ele usa um uniforme escolar, composto por uma calça bege, camisa branca, paletó azul-escuro, gravata listrada, meias cinzas e mocasssim marrom. Mary Lamb, interpretada por Da'Vine Joy Randolph. é uma mulher negra, de cabelos escuros presos em um coque. Ela usa um uniforme de cozinha, composto por um vestido branco, um casaco azul-escuro, óculos de grau e mocassim branco. " width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1-768x513.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1-1200x801.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1.png 1500w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32564" class="wp-caption-text">Pequenos momentos com grande peso fazem The Holdovers acontecer (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma mistura de drama e comédia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Rejeitados</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra os conflitos que os internatos americanos possuem. A corrupção entre a administração e os pais, o senso de grandeza dos adolescentes, o distanciamento e cobrança familiar são alguns pontos que aparecem durante o filme – que relembram, com certa clareza, os acontecimentos de </span><a href="https://independent-magazine.org/2023/12/05/the-holdovers-2023-alexander-paynes-unlikely-successor-to-dead-poets-society/"><i><span style="font-weight: 400;">A Sociedade dos Poetas Mortos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1990). Os momentos tensos do longa trazem um ‘quê’ tragicômico, quando copos de bebidas alcoólicas trazem confissões puras de forma natural, como instantes bêbados vindos do fundo do coração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a obra, o contraponto da sinceridade, ingenuidade e da inconveniência são explorados ao extremo. Enquanto Tully é um jovem em formação, Hunham é um senhor sem nenhum tato, e ambos trazem às telonas o sentimento de vergonha alheia nas situações que são colocados. Desde comentários sem noção a falas ingênuas que não são nada agradáveis, a dupla tenta se entender: por que será que Angus é tão jovem e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bfsOjo7-RgA"><span style="font-weight: 400;">já é tão revoltado</span></a><span style="font-weight: 400;">? Por que será que Paul é tão rabugento e tão solitário? Os conflitos entre os dois são assistidos e por vezes intermediados por Mary, que – na maior parte do tempo – fica sozinha, processando a perda do filho na Guerra do Vietnã.</span></p>
<figure id="attachment_32562" aria-describedby="caption-attachment-32562" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-32562 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1.png" alt="Cena do filme “Os Rejeitados”. A imagem mostra a personagem Mary Lamb sentada em um sofá. Mary é interpretada por ine Joy Randolph, que é uma mulher negra, de cabelos pretos. Ela usa um casaco de veludo roxo. " width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-32562" class="wp-caption-text">Em The Holdovers, Da&#8217;Vine Joy Randolph dá um show de atuação (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado no </span><a href="https://variety.com/2023/film/awards/telluride-lineup-the-bikeriders-rustin-saltburn-1235707476/"><i><span style="font-weight: 400;">50th Telluride Film Festival</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Holdovers</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz o espírito natalino para qualquer época do ano. Por meio da trilha sonora feita por Mark Orton, o filme é acompanhado por </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> festivos e dos anos 1970 – a época em que a história se passa. Bem-humoradas, as canções ambientam o espectador no clima invernal, repleto de neve e chocolate quente. Indo dos momentos de descontração até os mais tensos – como o colapso emocional de Mary em uma festa de Natal – o uso das músicas dá mais força ao teor cômico e dramático do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto de destaque de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Rejeitados</span></i><span style="font-weight: 400;"> são as atuações. Enquanto Dominic Sessa fez sua estreia no Cinema, os experientes Paul Giamatti e </span><a href="https://variety.com/2024/awards/focus/davine-joy-randolph-overjoyed-for-holdovers-role-after-fight-for-fully-realized-characters-1235860898/"><span style="font-weight: 400;">Da&#8217;Vine Joy Randolph</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltam para as telas de forma triunfal: os dois receberam indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2024. Giamatti está na corrida na categoria de Melhor Ator, junto aos veteranos Cillian Murphy e </span><a href="https://personaunesp.com.br/maestro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bradley Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a grandiosa Joy Randolph – já condecorada com um Globo de Ouro e com um </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> por seu papel – compete em Melhor Atriz Coadjuvante, ao lado de Emily Blunt e Danielle Brooks. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Holdovers</span></i><span style="font-weight: 400;"> recebeu ainda mais três indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, incluindo Melhor Filme, a principal categoria da noite. Numa competição difícil, ao lado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/pobres-criaturas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme dirigido por Alexander Payne não é o favorito dos críticos à estatueta. O roteiro, feito por David Hemingson, foi indicado a Melhor Roteiro Original, enquanto a montagem de pegada setentista do longa, que ficou nas mãos de Kevin Tent, recebeu uma indicação a Melhor Montagem.</span></p>
<figure id="attachment_32563" aria-describedby="caption-attachment-32563" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32563" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1.png 1248w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32563" class="wp-caption-text">O mau-humor reina em Angus Tully e em Paul Hunham (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, os porquês de cada personagem do trio ser do jeito que é são explicados de forma natural e progressiva. O crescimento de Angus, Mary e Paul durante o filme é impressionante – eles conseguem superar medos, mágoas e ansiedades. E, de jeito meigo e ao mesmo tempo conturbado, os três acham em si algo muito importante: o sentimento de pertencer a uma família, e como é significativo e gostoso passar as festas de final de ano juntos. Por isso, é sempre importante lembrar: um feliz </span><a href="https://www.bbc.com/news/entertainment-arts-67616076"><span style="font-weight: 400;">Natal</span></a><span style="font-weight: 400;"> para todos! (E para os Rejeitados, também!). </span></p>
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		<title>Bradley Cooper orquestra o seu Maestro interior</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Feb 2024 17:28:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Todo ator é, no fundo, movido pela atenção. Acostumado a esconder a ambição por trás de performances gloriosas, seu maior pesadelo é transparecer pela pele do personagem. Essa situação terrífica acontece com Bradley Cooper que – pela segunda vez assumindo o cargo de diretor em um filme que também protagoniza –, orquestra o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/maestro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bradley Cooper orquestra o seu Maestro interior"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32526" aria-describedby="caption-attachment-32526" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32526" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-1.jpeg" alt="Cena do filme Maestro. Na imagem, o protagonista Leonard Bernstein aparece conduzindo uma orquestra. Ele é interpretado pelo ator Bradley Cooper, um homem branco de cabelos escuros e olhos claros. A câmera captura em cores e a partir da cintura o maestro angulado para o lado com suas mãos realizando gestos para cima enquanto segura uma batuta com uma delas. Ele veste um terno preto por cima de uma camiseta branca. Ao fundo, é possível ver de forma desfocada os membros da orquestra tocando seus respectivos instrumentos e a esposa de Bernstein com seu vestido azul." width="1920" height="1411" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-1.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-1-800x588.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-1-1024x753.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-1-768x564.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-1-1536x1129.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-1-1200x882.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32526" class="wp-caption-text">Bradley Cooper usou 137 próteses de nariz ao longo de Maestro (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo ator é, no fundo, movido pela atenção. Acostumado a esconder a ambição por trás de performances gloriosas, seu maior pesadelo é transparecer pela pele do personagem. Essa situação terrífica acontece com </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/bradley-cooper/"><span style="font-weight: 400;">Bradley Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;"> que – pela segunda vez assumindo o cargo de diretor em um filme que também protagoniza –, orquestra o seu maestro interior em uma cinebiografia que parece dizer bem mais sobre ele do que o objeto de estudo, o lendário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=x8giUJbT9Yg&amp;pp=ygUSbGVvbmFyZCBiZXJuc3RhaWVu"><span style="font-weight: 400;">Leonard Bernstein</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda que tenha bons momentos, Cooper não consegue desaparecer por completo na pele do compositor do musical </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">West Side Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, fato previsto quando acusações de </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/bradley-cooper-se-defende-de-acusacoes-de-antissemitismo-causadas-pela-protese-de-nariz-em-novo-filme-da-netflix,f1a7f62aedeb49318bdd7929aad5400905njdl40.html"><span style="font-weight: 400;">antissemitismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> surgiram por todos os lados pelo uso questionável de uma prótese de nariz.</span></p>
<p><span id="more-32523"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em entrevista a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bHf3QA2LriE&amp;pp=ygUUbWFlc3RybyBjYnMgbW9yaW5nbnM%3D"><i><span style="font-weight: 400;">CBS Mornings</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o artista revelado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex and the City</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou a afirmar ter cogitado interpretar sem maquiagem, mas que “</span><i><span style="font-weight: 400;">nós tínhamos que fazer isso, caso contrário eu simplesmente não acreditaria que ele é um ser humano</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A prótese, também defendida pela família de Bernstein, foi desenvolvida pelo japonês </span><a href="https://www.omelete.com.br/festival-de-veneza/maestro-maquiador-lamenta-controversia-com-nariz-prostetico"><span style="font-weight: 400;">Kazu Hiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, especialista em efeitos visuais já coroado pelas premiações de Cinema tradicionais, que se desculpou aos que ficaram ofendidos. Acontece que em </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i><span style="font-weight: 400;">, o nariz é, não ironicamente, o menor dos problemas. Depois de algumas cenas, o público se acostuma gradativamente. O longa sofre é com o ego de Bradley Cooper que, enquanto visualmente se despede de suas características, não se livra da atmosfera de </span><a href="https://personaunesp.com.br/era-uma-vez-um-sonho-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar bait</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32527" aria-describedby="caption-attachment-32527" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32527" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-2.jpeg" alt="Cena do filme Maestro. Da esquerda para a direita da imagem, o protagonista Leonard Bernstein aparece ao lado de sua esposa, Felicia Montealegre. Ele é interpretado pelo ator Bradley Cooper, um homem branco de cabelos escuros e olhos claros, e ela por Carey Mulligan, uma mulher branca de cabelos claros e olhos escuros. A câmera captura ambos em preto e branco e parcialmente: Bernstein está sentado com um dos cotovelos se apoiando em seu joelho enquanto segura um cigarro na mão e Montealegre está segurando um cigarro com uma mão e a mão de seu marido com a outra. Ele veste um terno preto por cima de uma camiseta branca com uma gravata de estampa enquanto ela veste um vestido preto. Ao fundo, o cenário é uma sala de estar aconchegante." width="1920" height="1371" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-2.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-2-800x571.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-2-1024x731.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-2-768x548.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-2-1536x1097.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-2-1200x857.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32527" class="wp-caption-text">Carey Mulligan descreveu a preparação com Bradley Cooper como a “mais intensa de sua vida” para a Vogue (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a compra dos direitos autorais em 2008, a história de vida do protagonista passou pelas mãos de </span><a href="https://www.revistabula.com/71644-favorito-ao-oscar-2024-filme-produzido-por-martin-scorsese-e-steven-spielberg-acaba-de-estrear-na-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Martin Scorsese e Steven Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> até chegar em Cooper. Mesmo diante de falhas, ele é um bom ator e diretor, além de ter alguns trabalhos sólidos na filmografia. O seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;"> atrás das câmeras, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nasce-uma-estrela-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nasce Uma Estrela</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2018), é um dos filmes sobre o universo da Música mais notáveis dos últimos anos e o traz como um ótimo protagonista. Embora esse feito não se repita em </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i><span style="font-weight: 400;">, algumas sequências do longa impressionam como os minutos iniciais, quando o jovem Lenny é agraciado com a chance de conduzir uma orquestra, com o seu entusiasmo genuíno ultrapassando os limites dos 35 milímetros utilizados nas filmagens em preto e branco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito por Bradley Cooper e Josh Singer, coloca em foco o casamento de Leonard Bernstein e Felicia Montealegre – atriz estadunidense de ascendência costarriquenha –, interpretada com muita delicadeza por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/carey-mulligan/"><span style="font-weight: 400;">Carey Mulligan</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, quando em cena com qualquer outra peça do elenco, ‘dá um baile’. Essa narrativa em torno de um homem cujo maior defeito aparentemente foi amar demais tem seus percalços ao passo em que força os personagens em seu entorno a relembrá-lo de todos os seus feitos como uma forma simplista de não perder a atenção do espectador. Outro ponto no mínimo peculiar é o uso do cigarro como vírgula em quase todos os diálogos; honestamente, se eles não parassem para fumar a cada fala talvez o filme durasse meia hora a menos. </span></p>
<figure id="attachment_32528" aria-describedby="caption-attachment-32528" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32528" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-3.jpeg" alt="Cena do filme Maestro. Da esquerda para a direita da imagem, Felicia Montealegre aparece sendo filmada pelo ator e diretor Bradley Cooper. Ela é interpretada pela atriz Carey Mulligan, uma mulher branca de cabelos claros e olhos escuros, e ele é um homem branco de cabelos escuros e olhos claros. A câmera captura ambos com um ângulo de lado, em preto e branco e totalmente: Montealegre está sentada fumando enquanto Cooper a observa ajoelhado com uma câmera em mãos. Ela veste um vestido preto e sandálias e ele terno e calça pretos. Ao fundo, o cenário é o set de filmagens do filme Maestro." width="1920" height="1439" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-3.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-3-800x600.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-3-1024x767.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-3-768x576.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-3-1536x1151.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-3-1200x899.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32528" class="wp-caption-text">Em meio às composições de Leonard Bernstein, Tears For Fears dominam as festas com Shout (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o início do longa parece formar um ambiente sereno como as composições de Bernstein, os atos seguintes provam que, felizmente, essa não é a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=N7htwdIXvrU&amp;pp=ygURbWFlc3RybyBpbnRlcnZpZXc%3D"><span style="font-weight: 400;">proposta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao som das mais belas harmonias, o relacionamento do casal desmorona apenas para se reerguer novamente, fazendo o público pagar um preço pela carga emocional elevada e justificando como, de fato, por trás de todo grande homem existe uma mulher muito otária. Mulligan cresce nos momentos mais dramáticos de sua personagem e, entre o amor e o ódio, tem um arco digno até a despedida de Montealegre. A sua trajetória é atravessada constantemente pelas decepções que tenta suportar para ver Lenny feliz, definhando conforme ele suga a energia por não conseguir ser um por inteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As grandes angústias da esposa de Leonard Bernstein também envolvem os </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/maestro-os-verdadeiros-relacionamentos-e-casamento-de-leonard-bernstein.phtml"><span style="font-weight: 400;">relacionamentos ‘paralelos’</span></a><span style="font-weight: 400;"> dele com outros homens. Vale destacar como </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i><span style="font-weight: 400;"> realiza uma representação fidedigna e natural da comunidade </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/queer/"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, introduzindo os amores anteriores e posteriores do protagonista com maestria, além de entregar uma cena entre pai e filha muito importante para o entendimento do cenário vivido na metade do século passado; somente não tão grandiosa pelo fato de Jamie Bernstein ser interpretada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/maya-hawke/"><span style="font-weight: 400;">Maya Hawke</span></a><span style="font-weight: 400;">, há um bom tempo emulando ela mesma nas produções em que é escalada. No mais, frente a tantos embates, nem mesmo um Snoopy inflável gigante invadindo a paisagem é capaz de atenuar o clima de drama. </span></p>
<figure id="attachment_32530" aria-describedby="caption-attachment-32530" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32530" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-4.jpeg" alt="Cena do filme Maestro. Da direita para a esquerda da imagem estão o ator Bradley Cooper, um homem branco de cabelos escuros e olhos claros, e o conselheiro musical do filme Maestro, Yannick Nézet-Séguin. A câmera captura em cores e totalmente o ator angulado para o lado com suas mãos realizando gestos para cima enquanto segura uma batuta com uma delas. Cooper veste uma camiseta branca, calça azul e sapatos pretos enquanto Nézet-Séguin, que está sentado, veste uma calça preta e uma calça jeans azul. Ao fundo, o cenário é o set de filmagens de Maestro." width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-4.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-4-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-4-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-4-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-4-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-4-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32530" class="wp-caption-text">Com Maestro, o produtor Steven Spielberg estendeu seu recorde com 13 nomeações a categoria de Melhor Filme no Oscar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Exatamente como todo </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar bait </span></i><span style="font-weight: 400;">que se preze, </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i><span style="font-weight: 400;"> recebeu sete indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2024</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dentre as categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Ator, Melhor Fotografia, Melhor Som, Melhor Roteiro Original e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2GneqgYftik"><span style="font-weight: 400;">Melhor Cabelo e Maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, a sua maior chance está na caracterização elaborada por Kazu Hiro, Kay Georgiou e Lori McCoy-Bell, que talvez tenha lhes custado a reputação nas redes sociais, mas já levou dois prêmios do Sindicato de Maquiagem e Cabelo de Hollywood para casa. Ao longo da divulgação do filme, Bradley Cooper tentou de tudo para atrair os holofotes sobre a sua atuação, até usou das mesmas táticas de sua ex-parceira de cena, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nasce-uma-estrela-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Lady Gaga</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao relatar ter visto o espírito de Lenny vagando pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, nada parece tirar o homem dourado das mãos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/cillian-murphy/"><span style="font-weight: 400;">Cillian Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;"> por </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, o filme trata de um cineasta tentando conduzir uma obra sobre uma lenda da Música, no entanto, que acaba orquestrando o seu próprio maestro interior. Com </span><a href="https://www.unilad.com/film-and-tv/bradley-cooper-maestro-leonard-bernstein-ethnic-cosplay-20220531"><i><span style="font-weight: 400;">cosplays</span></i><span style="font-weight: 400;"> étnicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que variam desde ofender a população judaica até escalar uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nRHUCPz7UPw"><span style="font-weight: 400;">atriz britânica</span></a><span style="font-weight: 400;"> para viver uma latinoamericana, </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece preparar o terreno para que, em alguma chance futura, Cooper possa se gabar sobre esse divisor de águas na sua carreira em sua cinebiografia. Enfatizando o monólogo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-mouth-5a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">John Mulaney</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p8uIHsiZ-og"><i><span style="font-weight: 400;">Governors Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; foram supostos seis anos de treinamento para executar seis minutos de perfeita condução que a audiência dificilmente saberia distinguir de uma entrega fajuta. Resta a Leonard Bernstein os aplausos eternos e a Bradley Cooper o desejo de que pense melhor sobre o seu papel.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Maestro | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1AYIC4e9lZg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Segredos de Um Escândalo prova que a Arte não passa a história a limpo</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Feb 2024 21:27:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Pode a Arte imitar a realidade sem se basear nela? Pode a vida de alguém virar arte se não houver autorização? Todd Haynes prova que sim. Tão melodramático quanto bem-humorado, Segredos de Um Escândalo, inspirado em uma história real, mostra que o papel da arte não é necessariamente passar as coisas a limpo. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/segredos-de-um-escandalo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Segredos de Um Escândalo prova que a Arte não passa a história a limpo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32492" aria-describedby="caption-attachment-32492" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32492" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3.png" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32492" class="wp-caption-text">No Oscar 2024, May December concorre à categoria de Melhor Roteiro Original (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode a Arte imitar a realidade sem se basear nela? Pode a vida de alguém virar arte se não houver autorização? Todd Haynes prova que sim. Tão melodramático quanto bem-humorado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;">, inspirado em uma </span><a href="https://www.rollingstone.com/culture/culture-features/mary-kay-letourneau-may-december-true-story-1234918355/#:~:text=May%20December%20is%20loosely%20based,in%20a%20car%20with%20Fualaau."><span style="font-weight: 400;">história real</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostra que o papel da arte não é necessariamente passar as coisas a limpo. Do contrário, a obra disseca os restos do que um dia foi um escândalo, reimaginando os ecos reais dele muito tempo depois que os noticiários se esqueceram. </span></p>
<p><span id="more-32489"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tarefa de encarar o dramalhão é de Julianne Moore, Charles Melton e Natalie Portman. Os dois primeiros são um casal aparentemente feliz, mas que escondem mais do que a superfície mostra. Ela, Gracie, e ele, Joe, tem uma diferença de idade de praticamente 30 anos e começaram a se relacionar quando o menino tinha apenas 13. Já a última é Elizabeth Berry, uma atriz que passa a conviver com a dupla para estudar Gracie e interpretá-la fielmente em um filme independente. Quando o equilíbrio perfeito da casa é abalado pela convivência com a atriz, o </span><a href="https://variety.com/2023/film/news/may-december-true-story-mary-kay-letourneau-1235757908/"><span style="font-weight: 400;">passado volta à tona</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; dessa vez, para ser questionado e não endossado.</span></p>
<figure id="attachment_32494" aria-describedby="caption-attachment-32494" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32494" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-5.png" alt="" width="728" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-32494" class="wp-caption-text">Gracie e Elizabeth travam uma guerra de narcisismo (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo começa com a falta de cachorros quentes na geladeira. Longe de se autointitular </span><i><span style="font-weight: 400;">camp </span></i><span style="font-weight: 400;">ou </span><a href="https://www.vulture.com/2024/01/vili-fualaau-mary-kay-letourneau-may-december.html"><span style="font-weight: 400;">fazer justiça com as próprias mãos</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">May December </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) come pelas beiradas. Isso porque o caso por trás do escândalo-título é digno de tabloides, mas não requer uma nova exposição. Pelo contrário, a Elizabeth de Portman conhece as nuances da história na mesma ordem que o espectador: primeiro de fora, quando observa trechos de revistas e jornais sobre o julgamento do “</span><i><span style="font-weight: 400;">pet-shop romance</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou fotos de Gracie tendo a primeira filha com Joe na prisão, ainda vestindo a tornozeleira eletrônica. Depois, de dentro, quando é confrontada com um casal calmo, com uma casa grande em um bairro familiar, uma churrasqueira com cachorros quentes, cervejas geladas, bolos de abacaxi, amigos preocupados, dois filhos adolescentes prestes a partir para a faculdade e uma encomenda com fezes dentro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a conta não fecha, é aí que Elizabeth Berry entra. A </span><a href="https://slate.com/culture/2023/12/natalie-portman-may-december-movie-netflix-black-swan-jackie.html"><span style="font-weight: 400;">atriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> assegura que só quer fazer jus à Gracie no filme, conhecer as zonas cinzas de onde o suposto romance nasceu. Aqui, não há opinião formada: ela está aberta para escutar o que seus objetos de estudo têm a dizer, não imputar suas próprias conclusões sobre eles. </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo </span></i><span style="font-weight: 400;">funciona justamente nessas áreas cinzas. Enquanto Gracie alega uma paixão avassaladora e um relacionamento feliz &#8211; e Joe acredita -, o dia a dia mostra uma dinâmica controladora, em que a mulher manda tão comumente quanto o marido obedece. Os anos de diferença evocam algo maternal. Você já está na segunda cerveja, desacelera. Não deixe suas coisas espalhadas na sala. Vá tomar banho antes de dormir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, tanto Julianne Moore quanto Gracie se mostram uma raposa. Sempre que o assunto da diferença de idade vem à tona, a personagem declara o amor dos dois e lembra o quanto Joe a seduziu. Ela infla seu ego com comentários cortantes em direção a ele e às crianças, reitera o quanto sempre foi ingênua, reforça sua feminilidade e, quando precisa, chora desamparada como se não tivesse o dobro de maturidade do que qualquer um em cena. Na pele dela, Moore calibra seus gestos, ora se portando com inocência, ora com um ar de quem calcula cada movimento para ser percebida como quer. Modulando a voz, Gracie é </span><a href="https://deadline.com/2023/12/may-december-julianne-moore-interview-1235677359/"><span style="font-weight: 400;">incisiva e firme</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas rapidamente muda e soa como uma criança que não sabe as consequências de seus atos, enganando a vizinhança e o próprio marido. Ou quem sabe ela é assim e realmente acredita na própria infantilidade?</span></p>
<figure id="attachment_32496" aria-describedby="caption-attachment-32496" style="width: 1503px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32496" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december.png" alt="" width="1503" height="741" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december.png 1503w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december-800x394.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december-1024x505.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december-768x379.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december-1200x592.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32496" class="wp-caption-text">Todd Haynes e Segredos de um Escândalo concorreram ao Palma de Ouro no Festival de Cannes 2023; o prêmio foi para Justine Triet e Anatomia de uma Queda (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cinismo é a chave de </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao contrário de Moore, que nunca deixa transparecer a verdade por trás de suas intenções, Natalie Portman é ótima atriz em interpretar uma atriz mediana. Por mais que tente, Elizabeth Berry preenche a tela em branco com suas opiniões e intenções, mas, no caminho, rende cenas tensas ao lado de Joe e Gracie. A frente de um espelho ou em um consultório médico, o desconforto surge ao passo que ela cruza a linha entre </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/natalie-portman-film-decline-social-media-influencers-1235833116/"><span style="font-weight: 400;">observação e intromissão</span></a><span style="font-weight: 400;">, se aproveitando dos maneirismos de uma Moore brilhante para incorporar Gracie o máximo que pode &#8211; até de forma cômica, intencionalmente ou não.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio disso está Joe. Como uma criança perdida, ele não cria conflito, assiste TV, cuida de suas lagartas e apazigua os ânimos quando convém. É na presença de </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-news/charles-melton-riverdale-juilliard-may-december-1235766201/"><span style="font-weight: 400;">Charles Melton</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o trio protagonista se eleva: introvertido e retraído, o personagem é resultado do “escândalo pet-shop”, um adolescente para sempre preso no corpo de um homem adulto, que nunca teve a chance de amadurecer sozinho. Até a relação com os filhos, com pouco mais da metade da idade dele, é desigual, já que as crianças viveram experiências que o próprio nunca pôde. A mera constatação de que adultos fazem coisas de adulto o abala, como se ele não soubesse como agir como um.</span></p>
<figure id="attachment_32491" aria-describedby="caption-attachment-32491" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32491" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-2.png" alt="" width="770" height="416" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-2.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-2-768x415.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32491" class="wp-caption-text">Injustiçado, May December não levou nada no Globo de Ouro e no Critics Choice Awards (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das performances, a direção novelesca de Todd Haynes cria a atmosfera inquietante que move as incertezas de </span><i><span style="font-weight: 400;">May December</span></i><span style="font-weight: 400;">. A condução simples, mas eficiente, as metáforas escancaradas, composições visuais geniais e uma boa dose de humor fazem o filme passear entre um drama voraz e uma </span><a href="https://variety.com/2024/film/columns/may-december-comedy-camp-todd-haynes-julianne-moore-natalie-portman-1235860085/"><span style="font-weight: 400;">sátira</span></a><span style="font-weight: 400;"> à própria indústria do Cinema que pouco o reconheceu. Apesar de superar outras obras nomeadas, seu nome não foi mencionado o suficiente nas grandes premiações norte-americanas, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou outros prêmios de sindicatos hollywoodianos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os poucos reconhecimentos foram os nomes de Melton, Moore e Portman em eventos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choic Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Globo de Ouro, mas, ainda assim, sem receber os devidos louros. Um alívio foi a indicação certeira da roteirista Samy Burch, que dois domingos antes do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">consagrou seu nome junto de Alex Mechanik (responsável pela história, junto dela) no </span><a href="https://x.com/filmindependent/status/1761882269772660922?s=20"><i><span style="font-weight: 400;">Spirit Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, premiação de filmes independentes. Com um tato para desconcertar o espectador e não dar de bandeja se </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo </span></i><span style="font-weight: 400;">é </span><i><span style="font-weight: 400;">camp </span></i><span style="font-weight: 400;">ou não, a novata aproveitou uma polêmica real para criar algo maior do que uma cinebiografia não autorizada e mergulhou nas vulnerabilidades de seus personagens. A torcida é para que Burch continue sua caminhada representando o longa e faça uma competição grandiosa com </span><a href="https://personaunesp.com.br/anatomia-de-uma-queda-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Anatomia de uma Queda</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vidas Passadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, deixando </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Rejeitados </span></i><span style="font-weight: 400;">para trás.</span></p>
<figure id="attachment_32493" aria-describedby="caption-attachment-32493" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32493" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-4.png" alt="" width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-32493" class="wp-caption-text">Natalie Portman é uma das produtoras de May December e escolheu Todd Haynes a dedo para dirigi-lo (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem previsão para chegar na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">Brasil (nos Estados Unidos, o longa foi lançado direto na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">), </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo </span></i><span style="font-weight: 400;">adentra as entranhas do imaginário popular e ainda cutuca os adeptos ao método de atuação e às produções </span><a href="https://personaunesp.com.br/pacto-brutal-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O segredo é não se levar a sério demais e render boas risadas proibidas no caminho, sem acreditar se a canalhice das </span><a href="https://x.com/Variety/status/1733263918565576833?s=20"><span style="font-weight: 400;">protagonistas são reais</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou elas estão cegas na própria desonestidade que nos fazem acreditar junto. Ao final, quem sai ferido é Joe e quem sai curado é Charles Melton, que alça seu nome à </span><i><span style="font-weight: 400;">A-List </span></i><span style="font-weight: 400;">de Hollywood.</span></p>
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		<title>Mesmo que se passem 10 anos, sempre haverá um pedaço dEla em você</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 18:35:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Leticia Stradiotto Estamos cansados de saber sobre o avanço da influência artificial e seus impactos na realidade cotidiana – não soa incomum se apaixonar por alguém que conhecemos através de uma tela virtual. Por mais que pareça a um primeiro olhar, o filme Ela não foca na evolução tecnológica e seus efeitos nas interações humanas. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/her-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mesmo que se passem 10 anos, sempre haverá um pedaço dEla em você"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_31646" aria-describedby="caption-attachment-31646" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31646" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-800x432.jpeg" alt="Cena do filme Ela. Ao fundo da imagem existem prédios com janelas e algumas luzes acesas, está de noite. No canto direito, tem uma mulher com vestido preto e sapatilha preta, com um cone laranja de trânsito na cabeça. Em sua frente tem um homem de roupa social marrom, com calça preta e sapato preto, também está com um cone laranja de trânsito na cabeça. Ambos estão no meio de uma rua vazia." width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-800x432.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1024x553.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-768x414.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1536x829.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1200x648.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1.jpeg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31646" class="wp-caption-text">“Ás vezes eu olho para as pessoas e tento senti-las [&#8230;], imagino o quão profundamente elas se apaixonaram ou por quanto sofrimento elas passaram” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure><b>Leticia Stradiotto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos cansados de saber sobre o </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/261353-ha-10-anos-her-imagivana-futuro-ia-cada-vez-real.htm"><span style="font-weight: 400;">avanço da influência artificial</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus impactos na realidade cotidiana – não soa incomum se apaixonar por alguém que conhecemos através de uma tela virtual. Por mais que pareça a um primeiro olhar, o filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hX09Kz7BAlU"><i><span style="font-weight: 400;">Ela</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não foca na evolução tecnológica e seus efeitos nas interações humanas. De fato, o diretor </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/her-joaquin-phoenix-e-a-ideia-maluca-de-spike-jonze"><span style="font-weight: 400;">Spike Jonze</span></a><span style="font-weight: 400;"> deu vida a um romance entre humanos e máquinas, mas ao finalizar a experiência da obra, é possível notar que esse não é o seu tema principal. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) nada mais é do que um retrato subjetivo da solidão, sentimento esse compartilhado por todo e qualquer ser humano.</span></p>
<p><span id="more-31641"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando 10 anos de lançamento em 2023, o longa que levou o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro Original em 2014 cutuca aquela ferida dolorosa que, por algum motivo, não consegue cicatrizar: a ausência daquilo que ainda permanece. O enredo se ampara na história do personagem Theodore (Joaquin Phoenix, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), um homem solitário que vive em uma Los Angeles futurista, está na casa dos 40 e lida com a tristeza ocasionada pelo seu divórcio. O emprego de Theo, por si só, também é uma sátira à sua realidade. Ele escreve cartas manuscritas para clientes que desejam enviar mensagens à pessoa amada; assim, fica claro que a sociedade desaprende a se relacionar de forma </span><a href="https://newronio.espm.br/a-nostalgia-futurista-de-her/"><span style="font-weight: 400;">espontânea</span></a><span style="font-weight: 400;">. Logo, a solidão ganha espaço na vida do protagonista quando as suas necessidades não são mais atendidas pela quantidade e qualidade das relações sociais dentro de seu convívio.</span></p>
<figure id="attachment_31645" aria-describedby="caption-attachment-31645" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31645" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-800x420.jpg" alt="Cena do filme Ela. Ao fundo existem vários prédios com luzes acesas, está de noite. A frente está o personagem principal, Theodore, um homem branco de óculos, cabelo marrom e bigode, ele veste uma blusa social vermelha e está olhando para um monitor de computador branco que ilustra uma tela vermelha operando. Essa tela é o sistema operacional, Samantha. O computador está em cima de uma mesa de escritório marrom com vários papéis bagunçados e canetas." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31645" class="wp-caption-text">“É difícil, com certeza, mas existe algo tão bom em compartilhar sua vida com alguém” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Claro, como seres humanos, precisamos de um ambiente social seguro para sobreviver. De maneira simples, após seu divórcio, Theodore se envolve emocionalmente com um sistema operacional chamado Samantha (com a voz de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2013/11/scarlett-johansson-recebe-premio-de-melhor-atriz-por-sua-voz-em-her.html"><span style="font-weight: 400;">Scarlett Johansson</span></a><span style="font-weight: 400;">), que tem a habilidade de desenvolver </span><a href="https://blog.hsm.com.br/o-que-o-filme-her-pode-nos-ensinar/"><span style="font-weight: 400;">personalidade e consciência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de acordo com seu tempo de uso. Essa inteligência artificial também experimenta o florescimento de emoções humanas. No entanto, ela tem a capacidade de se relacionar com milhares de indivíduos simultaneamente, o que amplia suas possibilidades de se apaixonar. Quando questionada sobre a quantidade de pessoas que ela ama, Samantha menciona que está ‘amando’ 641 pessoas ao mesmo tempo, incluindo Theo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A paleta de cores é um elemento visual fundamental que contribui significativamente para a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pnk06an1upg"><span style="font-weight: 400;">atmosfera e as emoções</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme. Com a predominância de cores quentes, mas também em tons pastéis, são evocadas sensações de conforto e familiaridade em meio a um </span><a href="https://virgula.me/tvecinema/spike-jonze-mistura-romantismo-e-modernidade-em-seu-novo-filme-her/"><span style="font-weight: 400;">cenário tecnologicamente avançado</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os ângulos da câmera realizados pelo diretor de fotografia  Hoyte van Hoytema também são escolhidos cuidadosamente para destacar a solidão de Theodore. Muitas vezes, ele é enquadrado no centro da tela, destacando mais ainda a dimensão de seu isolamento perante os outros personagens da trama.</span></p>
<figure id="attachment_31644" aria-describedby="caption-attachment-31644" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31644" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her3.png" alt="Cena do filme Ela, em que o protagonista Theodore está olhando fixamente para frente, ele é um homem branco de cabelo marrom, bigode, olhos azuis e usa óculos redondos." width="740" height="401" /><figcaption id="caption-attachment-31644" class="wp-caption-text">A atmosfera imagética tem predominância de cores quentes, quase nunca utilizando o azul, o que garante proximidade dos sentimentos do personagem ao telespectador (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> martela um constante questionamento: o quão verdadeiramente estamos sozinhos? As pessoas deixam marcas em nós, quase como tatuagens emocionais que nunca desaparecem. Como ao fim em que Theo, em contrapartida com seu emprego de escrever mensagens de amor para desconhecidos, expressa em uma carta para sua ex-esposa Catherine (Rooney Mara, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Ghost Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">): &#8220;</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dkGJRAFvw_Q"><i><span style="font-weight: 400;">Haverá um pedaço de você em mim, sempre</span></i></a><span style="font-weight: 400;">&#8220;. É quase impossível se relacionar com alguém e não carregar consigo algum </span><a href="https://bemditojor.com/a-ficcao-do-amor-em-her/"><span style="font-weight: 400;">vestígio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de amor, alegria ou mesmo mágoa. O que arde é o processo de aceitação desses tantos resquícios permanentes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas cicatrizes emocionais e resquícios de relacionamentos passados são representados de maneira poderosa no longa. Apesar de Theodore estar incomodado com a lembrança de um casamento fracassado, ele não consegue superar os vestígios dessa relação. O protagonista acaba tentando preencher o desconforto com distrações e gratificações momentâneas, como seu </span><a href="https://cinema.uol.com.br/noticias/efe/2013/10/13/joaquin-phoenix-se-apaixona-por-sistema-de-computador-no-filme-her.htm"><span style="font-weight: 400;">relacionamento com Samantha</span></a><span style="font-weight: 400;">, que oferece um refúgio temporário para a solidão.</span></p>
<figure id="attachment_31643" aria-describedby="caption-attachment-31643" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31643" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her4.jpg" alt="Cena do filme Ela. Os personagens de Theodore e sua melhor amiga estão em um terraço de costas observando a cidade com muitos prédios com algumas luzes acesas em um fim de tarde com cores predominantes azuis." width="750" height="392" /><figcaption id="caption-attachment-31643" class="wp-caption-text">É um privilégio viver tendo a experiência e a sorte de encontrar um amor verdadeiro – mesmo que ele não seja para sempre (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, não tem como fugir da realidade – ela está presente e explode constantemente na alma do personagem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> insiste em recordar o quão frágeis e medrosos ainda somos quando temos que lidar com as próprias emoções de maneira real: Theo se perde em prazeres efêmeros ao invés de enfrentar o doloroso processo de aceitação, e isso fica claro quando o protagonista rememora lembranças da paixão em seu casamento. Logo, ele descobre que relacionamentos superficiais não podem preencher o vazio deixado por quem já sentiu o que é o amor. E que o mesmo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FEqBwKvBtnA"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> jamais será sentido novamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa realização, porém, não é motivo para desesperança. Ele compreende que teve a sorte de conhecer de perto o que é amar e, embora nunca possa reviver o amor que compartilhou com sua ex-parceira, ainda existe a possibilidade de encontrar outros amores em sua jornada. Amizades e novos relacionamentos também podem ser significativos de maneiras diferentes dentro da imensidão desse sentimento, e enquanto estiver nesse momento breve que é a vida, ele deve </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oU3D-iybwm8"><span style="font-weight: 400;">permitir-se sentir a felicidade</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31642" aria-describedby="caption-attachment-31642" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31642" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-800x434.jpg" alt="Cena do filme Ela. O personagem principal, Theodore, um homem branco de óculos redondos, cabelo marrom e bigode está olhando para seu reflexo na janela do metrô que tem predominância de tons claros com um leve sorriso." width="800" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-800x434.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-1024x556.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-768x417.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5.jpg 1172w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31642" class="wp-caption-text">“O passado é apenas uma história que contamos a nós mesmos” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo após uma década de seu lançamento, mantém uma relevância notável por ressoar profundamente com os sentimentos mais </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/critica-ela-162476/"><span style="font-weight: 400;">intrínsecos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida humana. A obra é um lembrete atemporal de que, apesar de todas as mudanças externas em nosso mundo, as questões essenciais da vida e da humanidade ainda são muito pertinentes para a compreensão da racionalidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme captura de forma sensível a busca universal pela conexão e pelo significado nas relações humanas e nos relembra que, apesar dos avanços tecnológicos, nossa necessidade de amar, compreender e pertencer permanece inalterada. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ela</span></i><span style="font-weight: 400;"> instiga uma reflexão sobre o que realmente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v5IjF_vxsS8"><span style="font-weight: 400;">significa ser humano</span></a><span style="font-weight: 400;"> e como as complexas emoções, desafios e alegrias que experimentamos nas relações ainda são tão relevantes hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra transcende as expectativas convencionais sobre a relação entre humanos e tecnologia, afinal, estamos todos familiarizados com a crescente influência da inteligência artificial em nossas vidas diárias. Contudo, </span><a href="https://pordentrodatela.com.br/o-diversificado-cinema-de-spike-jonze/"><span style="font-weight: 400;">Spike Jonze</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos conduz a uma jornada emocional profunda que vai muito além do mero avanço tecnológico. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, acima de tudo, um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0uKfhchqKvI"><span style="font-weight: 400;">espelho</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nossas próprias solidões e anseios, um retrato sincero do humanismo que reside em todos nós. No desfecho do filme, a pergunta fundamental de Jonze não parece mais ser se as máquinas podem um dia amar, mas sim se elas poderão ser </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VAuXLu0gRwg"><span style="font-weight: 400;">mais capazes </span></a><span style="font-weight: 400;">de amar do que um ser humano.</span></p>
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		<title>Os Fabelmans pensa no passado pela sensibilidade de seu próprio diretor</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Feb 2023 21:55:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pedro Yoshimatu O desafio de contar uma história é repleto de decisões difíceis, e o de contar a sua própria é um desafio ainda maior. Essa é, no entanto, é a tarefa de Steven Spielberg em seu novo filme, Os Fabelmans, uma semi-autobiografia que utiliza de elementos narrativos fictícios para refletir na própria relação do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-fabelmans-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Fabelmans pensa no passado pela sensibilidade de seu próprio diretor"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29985" aria-describedby="caption-attachment-29985" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29985" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-800x450.jpeg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. Gabriel LaBelle, que interpreta o jovem Sammy Fabelman, é um jovem branco com cabelos castanhos utilizando uma camisa xadrez e observando o visor de uma câmera. A cena ocorre durante o dia, com um cenário desértico ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29985" class="wp-caption-text">Os Fabelmans, a nova produção de Steven Spielberg, coloca a vida do cineasta no centro da trama (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Yoshimatu</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desafio de contar uma história é repleto de decisões difíceis, e o de contar a sua própria é um desafio ainda maior. Essa é, no entanto, é a tarefa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">Steven Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu novo filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma semi-autobiografia que utiliza de elementos narrativos fictícios para refletir na própria relação do diretor com a sua narrativa pessoal, sua família e sua paixão pelo Cinema.</span></p>
<p><span id="more-29984"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, acompanhamos a história de Sammy Fabelman (Mateo Zoryan, durante a infância, e Gabriel LaBelle ao longo da trama), que se apaixona pela Sétima Arte após assistir uma exibição de </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/6900/o-maior-espetaculo-da-terra"><i><span style="font-weight: 400;">O Maior Espetáculo da Terra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um drama épico de 1952 dirigido por Cecil B. DeMille. O protagonista, inicialmente receoso sobre a experiência, assiste o filme com seus pais e tenta replicar uma cena particularmente impactante com um trem em miniatura e a câmera da família. Sua mãe Mitzi (Michelle Williams), uma pianista e entusiasta das artes, entende logo de início a sensibilidade e a paixão de seu filho pelo Cinema. Seu pai Burt (Paul Dano), no entanto, é um pragmático engenheiro que tem dificuldade em considerar tais interesses como algo mais do que um hobby.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3PlX5uD3LYI?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa tensão entre paixão e pragmatismo é uma constante na vida familiar dos Fabelmans. Um elemento importante no desenvolvimento da narrativa é quando o tio de Sammy (Judd Hirsch), um antigo profissional dos circos e do cinema, visita a família e traz junto à sua excêntrica personalidade uma visão intrigante — ao mesmo tempo que problemática e marcada pela dor — do que é a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/roberto-sadovski/2023/01/12/os-fabelmans-spielberg-revisita-suas-origens-em-carta-de-amor-ao-cinema.htm"><span style="font-weight: 400;">arte</span></a><span style="font-weight: 400;">, a paixão individual de cada um e como ter um chamado pode causar muita separação entre seus entes queridos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os eventos na vida pessoal de Sammy progridem e acompanhamos alguns eventos dramáticos no desenvolvimento da história: após uma viagem de acampamento, o patriarca da família pede a seu filho que produza um registro da excursão, com o intuito de elevar os ânimos de Mitzi após o falecimento de sua mãe. É durante a edição e montagem do filme que o protagonista percebe uma relação muito afetuosa entre sua mãe e o melhor amigo de seu pai, o engenheiro Bennie (Seth Rogen), que gera atritos entre os Fabelmans e eventualmente leva a um divórcio dos pais. Muitos desses eventos têm contrapartidas reais na </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/01/14/o-que-e-verdade-e-o-que-e-ficao-em-os-fabelmans.htm"><span style="font-weight: 400;">biografia de Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, que utiliza da narrativa como forma de compreender e dialogar com seu próprio passado.</span></p>
<figure id="attachment_29986" aria-describedby="caption-attachment-29986" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29986" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-800x533.jpg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. Judd Hirsch, que interpreta o tio Boris, é um idoso branco com barbas e cabelos grisalhos, que observa seu sobrinho-neto Sammy com ambos sentados em uma mesa de jantar com toalha azul. Boris utiliza uma camisa social, com colete marrom e gravata, enquanto Sammy está de costas utilizando uma camisa marrom." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29986" class="wp-caption-text">Boris, o tio de Sammy, é visto como um mau agouro para a família (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa adentra em diversos debates interessantes da vida do diretor, como sua experiência com o </span><a href="https://exame.com/mundo/judeus-ainda-enfrentam-antissemitismo-diz-steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">antissemitismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o desenvolver inicial de sua vida amorosa na adolescência e o papel do Cinema na sua personalidade e relações pessoais. Quando Sammy é convidado a dirigir um filme sobre uma excursão escolar para a praia, ele encontra seu protagonista em um dos seus principais </span><i><span style="font-weight: 400;">bullies</span></i><span style="font-weight: 400;">, o atleta Logan (Sam Rechner). Após a exibição da produção, Logan confronta Sammy sobre o motivo pelo qual ele havia sido retratado de maneira tão positiva quando atormentava o garoto de tantas formas; o jovem diretor hesita na resposta, dizendo que a decisão tornaria seu filme melhor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência final de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Fabelmans — </span></i><span style="font-weight: 400;">título original da semi-autobiografia —  mostra um Sammy mais velho, em crise pelas dificuldades de se inserir no mercado cinematográfico. Ao ser convidado para uma entrevista de emprego, ele recebe a oportunidade de conhecer o lendário diretor </span><a href="https://www.austinfilm.org/2014/12/wheres-the-horizon-when-15-year-old-steven-spielberg-met-john-ford/"><span style="font-weight: 400;">John Ford</span></a><span style="font-weight: 400;"> (David Lynch), uma grande influência pessoal de Spielberg, que de fato o conhecera em sua juventude. Ford dá uma aula ao jovem utilizando duas pinturas em seu escritório, afirmando que uma cena pode ser interessante quando o horizonte se encontra acima ou abaixo da imagem, mas nunca ao centro. Toda a montagem, conduzida por </span><a href="https://www.thewrap.com/the-fabelmans-steven-spielberg-film-editors-interview/"><span style="font-weight: 400;">Michael Khan</span></a><span style="font-weight: 400;">, é uma experiência interessante de metalinguística, contrapondo o papel narrativo do diretor experiente com a própria linguagem do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O estilo narrativo do novo longa de Steven Spielberg é muito compatível com a maneira como o diretor está acostumado a contar histórias, como nas </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">premiadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> paixões de uma Nova Iorque repleta de gangues em </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: um protagonista comum, de fácil  identificação com o público e que  perpassa e lida com  problemas sociais dentro de suas próprias limitações humanas. A tradução  desse estilo para uma narrativa de acontecimentos semi autobiográficos é o grande desafio em </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans </span></i><span style="font-weight: 400;">que</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> aguardado por </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-features/steven-spielberg-paul-dano-michelle-williams-interview-the-fabelmans-1235253097/"><span style="font-weight: 400;">muitos anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, é concluído com o sincero tom autoral marcante da </span><a href="https://www.central3.com.br/filmografando-a-carreira-de-steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">filmografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do cineasta.</span></p>
<figure id="attachment_29987" aria-describedby="caption-attachment-29987" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-800x430.jpeg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. David Lynch, que interpreta o diretor John Ford, é um idoso branco que usa óculos com um tapa-olho sobreposto, e veste um casaco e um boné verdes. Ele está em seu escritório, acendendo um charuto com um fósforo." width="800" height="430" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-800x430.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1024x551.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-768x413.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1536x827.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1200x646.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3.jpeg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29987" class="wp-caption-text">David Lynch interpreta o mitológico John Ford, que serviu de mentor para Spielberg (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Recipiente do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> para Melhor Filme de Drama, o longa utiliza dos aspectos autobiográficos de seu diretor para traçar uma narrativa cativante sobre equilíbrio entre ambições e relações pessoais, ao mesmo tempo que usa de sua base familiar para construir personagens muito interessantes e fascinantes. </span><a href="https://www.omelete.com.br/webstories/paul-dano-essencial/"><span style="font-weight: 400;">Paul Dano</span></a><span style="font-weight: 400;"> se destaca, retratando um Burt Fabelman apaixonado por sua família, mas conservador em seus modos, com uma dificuldade profunda de entender os desejos de sua esposa e de seus filhos. Além disso, Judd Hirsch e Michelle Williams também foram agraciados com nomeações na premiação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">Oscars 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans </span></i><span style="font-weight: 400;">foi indicado a sete categorias, incluindo a de Melhor Filme, mas também de Melhor Diretor, para Steven Spielberg, Melhor Roteiro Original, para Spielberg e Tony Kushner, Melhor Atriz, para Michelle Williams, Melhor Ator Coadjuvante, para Judd Hirsch, Melhor Trilha Sonora, para </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/john-williams-recorde-idade"><span style="font-weight: 400;">John Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">, e Melhor Design de Produção, para Rick Carter e Karen O’Hara. A história é um retrato complexo da relação de um autor com sua criação, sua personalidade, seus anseios e suas aspirações. O consagrado diretor utiliza de sua constatada experiência na arte de contar histórias para ser bem-sucedido, de maneira elegante, em um desafio muito pessoal: o de narrar a sua própria.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/R4eRHRPs8Ss?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
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		<title>As muitas camadas quebradiças e transparentes de Glass Onion</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Feb 2023 23:06:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laura Hirata-Vale Depois do sucesso de Entre Facas e Segredos (2019), Rian Johnson fez seu retorno às telonas com mais um whodunnit, o longa Glass Onion: Um Mistério Knives Out. A franquia foi adquirida pela Netflix após o triunfo do primeiro filme, o que fez com que a segunda produção fosse esperada ansiosamente pelos fãs. O &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/glass-onion-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As muitas camadas quebradiças e transparentes de Glass Onion"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29954" aria-describedby="caption-attachment-29954" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29954" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAAQUaC8VPhHq_gHnmvoUItWUI0jxFJhhQkRiCOEdFFpN25-ZUyE-FHHDAWHaZjzgftKM2YTRBkeGDIMCSNz72aBDU4asgAGLFKGguv0lf8k5LJIdWLZ0VXcLsYp7Ec0LBKtBAk4TEK17aqkUXjOU_pKMtEnE4-800x335.jpg" alt="" width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAAQUaC8VPhHq_gHnmvoUItWUI0jxFJhhQkRiCOEdFFpN25-ZUyE-FHHDAWHaZjzgftKM2YTRBkeGDIMCSNz72aBDU4asgAGLFKGguv0lf8k5LJIdWLZ0VXcLsYp7Ec0LBKtBAk4TEK17aqkUXjOU_pKMtEnE4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAAQUaC8VPhHq_gHnmvoUItWUI0jxFJhhQkRiCOEdFFpN25-ZUyE-FHHDAWHaZjzgftKM2YTRBkeGDIMCSNz72aBDU4asgAGLFKGguv0lf8k5LJIdWLZ0VXcLsYp7Ec0LBKtBAk4TEK17aqkUXjOU_pKMtEnE4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAAQUaC8VPhHq_gHnmvoUItWUI0jxFJhhQkRiCOEdFFpN25-ZUyE-FHHDAWHaZjzgftKM2YTRBkeGDIMCSNz72aBDU4asgAGLFKGguv0lf8k5LJIdWLZ0VXcLsYp7Ec0LBKtBAk4TEK17aqkUXjOU_pKMtEnE4-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAAQUaC8VPhHq_gHnmvoUItWUI0jxFJhhQkRiCOEdFFpN25-ZUyE-FHHDAWHaZjzgftKM2YTRBkeGDIMCSNz72aBDU4asgAGLFKGguv0lf8k5LJIdWLZ0VXcLsYp7Ec0LBKtBAk4TEK17aqkUXjOU_pKMtEnE4-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAAQUaC8VPhHq_gHnmvoUItWUI0jxFJhhQkRiCOEdFFpN25-ZUyE-FHHDAWHaZjzgftKM2YTRBkeGDIMCSNz72aBDU4asgAGLFKGguv0lf8k5LJIdWLZ0VXcLsYp7Ec0LBKtBAk4TEK17aqkUXjOU_pKMtEnE4-1200x502.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAAQUaC8VPhHq_gHnmvoUItWUI0jxFJhhQkRiCOEdFFpN25-ZUyE-FHHDAWHaZjzgftKM2YTRBkeGDIMCSNz72aBDU4asgAGLFKGguv0lf8k5LJIdWLZ0VXcLsYp7Ec0LBKtBAk4TEK17aqkUXjOU_pKMtEnE4.jpg 1792w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29954" class="wp-caption-text">Um fim de semana paradisíaco e misterioso em uma Cebola de Vidro (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Laura Hirata-Vale</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do sucesso de </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-facas-e-segredos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), Rian Johnson fez seu retorno às telonas com mais um </span><a href="https://jovemnerd.com.br/direto-do-bunker/o-que-e-whodunit-e-como-e-usado-em-grandes-obras-de-ficcao/"><i><span style="font-weight: 400;">whodunnit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o longa </span><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion: Um Mistério Knives Out</span></i><span style="font-weight: 400;">. A franquia foi adquirida pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> após o triunfo do primeiro filme, o que fez com que a segunda produção fosse esperada ansiosamente pelos fãs. O elenco foi repaginado, mas continua tendo nomes de peso como Kate Hudson, Kathryn Hahn e Janelle Monáe integrando a produção. Em meio às novidades, </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=daniel+craig"><span style="font-weight: 400;">Daniel Craig</span></a><span style="font-weight: 400;"> retorna ao papel do investigador particular Benoit Blanc.</span></p>
<p><span id="more-29946"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história começa em Março de 2020, logo no início da pandemia causada pela covid-19, quando todos estavam tentando entender o período de isolamento. Claire Debella (</span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Kathryn+hahn"><span style="font-weight: 400;">Kathryn Hahn</span></a><span style="font-weight: 400;">), Birdie Jay (Kate Hudson), Lionel Toussaint (Leslie Odom Jr.), Duke Cody (Dave Bautista) e Andi Brand (</span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=janelle+monae"><span style="font-weight: 400;">Janelle Monáe</span></a><span style="font-weight: 400;">) recebem, respectivamente, uma caixa misteriosa do bilionário Miles Bron (Edward Norton). Após uma série de desafios e pequenos códigos, um convite para um fim de semana em uma ilha particular é revelado, para jogarem o jogo </span><a href="https://ludopedia.com.br/jogo/detetive"><i><span style="font-weight: 400;">Detetive</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em tamanho real e investigarem a morte </span><i><span style="font-weight: 400;">fake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Bron. Porém, depois de um apagão, um falecimento realmente acontece e o grupo é obrigado a buscar o culpado. </span></p>
<figure id="attachment_29950" aria-describedby="caption-attachment-29950" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29950" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Glass-onion-imagem-2-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Glass-onion-imagem-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Glass-onion-imagem-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Glass-onion-imagem-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Glass-onion-imagem-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Glass-onion-imagem-2-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Glass-onion-imagem-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29950" class="wp-caption-text">Brigas, intrigas, discussões e mistérios fazem as camadas de Glass Onion (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i><span style="font-weight: 400;"> arrisca superar a produção que o antecede, mas acaba falhando na tarefa. É  uma produção cheia de detalhes e pequenas reviravoltas, que fazem o filme ter uma falsa grandiosidade: são muitas minuciosidades, que, ao invés de ajudarem o espectador a entender o longa, só o confunde. É realmente igual uma cebola que possui muitas camadas – porém, todas elas são transparentes e se quebram na virada de chave do longa, deixando claro quem é o culpado. Enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=w8GBFvqP1cM"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> possui </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twists</span></i><span style="font-weight: 400;"> na medida certa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta muitos e desnecessários, fazendo com que as mais de duas horas de duração se tornem cansativas e maçantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a obra tenta, de uma determinada forma, fazer uma crítica sobre pessoas que desobedeceram a quarentena e o isolamento social. Mas, por causa dos tantos outros pontos trabalhados durante os seus 139 minutos – como as minuciosidades presentes em suas cenas –, acaba fracassando. Quando comparado com seu antecessor, é possível perceber que muitos dos temas tratados continuam os mesmos, como Rian Johnson retornando com suas opiniões sobre riquezas e privilégios. Porém, distingue-se do primeiro ao possuir posições mais fortes, por tratar de </span><a href="https://www.theatlantic.com/entertainment/archive/2019/11/the-unlikely-hero-of-rian-johnsons-knives-out/602701/"><span style="font-weight: 400;">imigração</span></a><span style="font-weight: 400;">, preconceito e desigualdades de forma mais dura. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Rian Johnson Breaks Down the Arrival Scene from &#039;Glass Onion&#039; | Vanity Fair" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/9IM1AEbnGX4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A série adquiriu um novo tom por causa de sua troca de cenários. </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i><span style="font-weight: 400;">, gravado entre os meses de Novembro e Dezembro, tinha como ambiente principal o estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, e por isso, havia uma tendência a cores frias e pálidas, junto a iluminações mais sombrias, retratando bem o outono do Hemisfério Norte. Já as filmagens de </span><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i><span style="font-weight: 400;">, realizadas no </span><a href="https://www.housebeautiful.com/lifestyle/entertainment/a42268845/glass-onion-knives-out-2-filming-locations/"><span style="font-weight: 400;">verão grego</span></a><span style="font-weight: 400;">, fazem com que a fotografia – feita por Steve Yedlin – seja solar, com cores quentes e bem saturadas. Por isso, o filme possui uma energia menos soturna e mais otimista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como o primeiro, as </span><a href="https://www.townandcountrymag.com/leisure/arts-and-culture/g42087258/knives-out-2-glass-onion-characters/"><span style="font-weight: 400;">personalidades retratadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> são extremamente estereotipadas. Indo de Miles Bron, bilionário que não sabe a localização exata de sua ilha particular, passando por Duke Cody, um </span><i><span style="font-weight: 400;">streamer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que produz conteúdos sensacionalistas e machistas, até chegar em Birdie Jay, uma </span><i><span style="font-weight: 400;">influencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> de falas e ações polêmicas. Os novos nomes do elenco contribuíram para a mudança de ares da franquia, no entanto, mesmo que as atuações sejam boas, as histórias de seus personagens inéditos são rasas, e não se aprofundam tanto quanto as do primeiro filme. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">backgrounds</span></i><span style="font-weight: 400;"> possuem vários vai-e-vens, tornando a narrativa difícil de acompanhar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rian Johnson, no segundo capítulo da franquia, volta a mostrar como é influenciado pela literatura de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/agatha-christie/"><span style="font-weight: 400;">Agatha Christie</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme é como uma grande homenagem à Rainha do Crime, por possuir um roteiro muito parecido com o livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Convite para um homicídio</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançado em 1972, por causa das invocações misteriosas, apagões repentinos e mortes no escuro. Além disso, uma das propostas das histórias da autora era sempre apresentar um novo núcleo de personagens, sempre com um detetive constante, assim como acontece em </span><i><span style="font-weight: 400;">Knives Out</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_29958" aria-describedby="caption-attachment-29958" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29958" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/daniel_craig_hd_glass_onion_a_knives_out_mystery-1280x720-1-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/daniel_craig_hd_glass_onion_a_knives_out_mystery-1280x720-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/daniel_craig_hd_glass_onion_a_knives_out_mystery-1280x720-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/daniel_craig_hd_glass_onion_a_knives_out_mystery-1280x720-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/daniel_craig_hd_glass_onion_a_knives_out_mystery-1280x720-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/daniel_craig_hd_glass_onion_a_knives_out_mystery-1280x720-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29958" class="wp-caption-text">Na franquia Knives Out, Benoit Blanc é um dos detetives particulares mais renomados do mundo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como o primogênito da franquia </span><i><span style="font-weight: 400;">Knives Out</span></i><span style="font-weight: 400;">, a “</span><i><span style="font-weight: 400;">Cebola de Vidro</span></i><span style="font-weight: 400;">” também concorre a uma estatueta no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi indicado, em 2020, à categoria de Melhor Roteiro Original; </span><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i><span style="font-weight: 400;">, por sua vez, concorre a Melhor Roteiro Adaptado. A razão da mudança de categoria são </span><a href="https://www.cinemaemcena.com.br/coluna/ler/2646/especial-oscar-11-roteiro-adaptado-e-original"><span style="font-weight: 400;">as regras da premiação</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas: quando um filme é derivado, uma sequência ou uma prequela de outro, o roteiro é considerado uma adaptação de uma ideia já existente, e não uma criação original.  O primeiro longa foi vencido pelo grande </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e, neste ano, o irmão mais novo compete com </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/results?search_query=rian+johnson+glass+onion"><span style="font-weight: 400;">Rian Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">, repetindo o feito do primeiro filme, ocupa o lugar de diretor e roteirista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outra semelhança com </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a presença de Nathan Johnson no comando da trilha sonora, que possui notas musicais instigantes, cheias de enigmas e incógnitas; além de incluir músicas famosas, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-ziggy-stardust-bowie/"><i><span style="font-weight: 400;">Starman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de David Bowie, e </span><a href="https://open.spotify.com/track/3k5ycyXX5qsCjLd7R2vphp?si=17c0c38f51704acc"><i><span style="font-weight: 400;">Mona Lisa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na voz de Nat King Cole. A fotografia, por sua vez, ficou nas mãos de Steve Yedlin, responsável também por </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2013) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars: Os Últimos Jedi</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017).</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Daniel Craig, Kate Hudson &amp; Edward Norton Break Down the Dinner Party Scene | Glass Onion | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/eku121ASeLg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CKia57bMc88"><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme denso, e mesmo sendo dinâmico, se torna morno e lento pelo excesso de detalhes. É um longa que tem um complexo de grandeza, tentando – sem êxito – superar o seu irmão mais velho. A produção é misteriosa, é perfeita para quando se precisa de um passatempo em formato de quebra-cabeça. Porém, pode-se dizer que Benoit Blanc, o detetive dos dois casos, não mereceu a decaída de qualidade do crime; e o que merecia mesmo, era ter ficado somente no tempo-espaço do primeiro capítulo da franquia. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Glass Onion: Um Mistério Knives Out | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/CKia57bMc88?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Os Banshees de Inisherin: tão próximos, mas também tão distantes</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Feb 2023 21:14:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes O cenário é a ilha remota e fictícia de Inisherin, na Irlanda. O ano é 1923, logo no final da Guerra Civil que devastou o país. O conflito é, em tese, corriqueiro. Pádraic (Colin Farrell, de Batman), a procura do amigo de longa data Colm (Brendan Gleeson, de A Tragédia de Macbeth), acaba &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Banshees de Inisherin: tão próximos, mas também tão distantes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29795" aria-describedby="caption-attachment-29795" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29795 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme Os Banshees de Inisherin. No centro esquerdo da imagem, temos o ator Brendan Gleeson, um homem branco de cabelos loiros, vestido de camisa azul escura, colete marrom abotoado e calças pretas. Ele está sentado em cima de uma cadeira de balanço marrom. No centro direito da imagem, temos o ator Colin Farrell, um homem branco de cabelos pretos, vestido de terno preto e camisa levemente rosada, olhando para Gleeson através de uma janela de bordas vermelhas. Ao fundo, temos o cenário de uma parede branca deteriorada. A cena acontece durante o dia. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29795" class="wp-caption-text">O filme reúne o diretor Martin McDonagh com os atores Colin Farrell e Brendan Gleeson 15 anos depois de sua primeira parceria em Na Mira do Chefe (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é a ilha remota e fictícia de Inisherin, na Irlanda. O ano é 1923, logo no final da Guerra Civil que devastou o país. O conflito é, em tese, corriqueiro. Pádraic (Colin Farrell, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), a procura do amigo de longa data Colm (Brendan Gleeson, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-tragedia-de-macbeth-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Tragédia de Macbeth</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), acaba o encontrando no bar onde costumam sempre beber juntos. O segundo se distancia, enquanto o primeiro se pergunta o que aconteceu. A resposta é curta e grossa: Colm não quer mais ser amigo de Pádraic por considerá-lo “chato” e querer se dedicar mais à paixão pela Música. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses são </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uRu3zLOJN2c"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que d</span><span style="font-weight: 400;">ão nome ao novo longa de Martin McDonagh, de volta ao posto de diretor cinco anos depois de seu prestigiado </span><i><span style="font-weight: 400;">Três Anúncios para um Crime</span></i><span style="font-weight: 400;">, que rendeu o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> a Frances McDormand (</span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Sam Rockwell (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-grande-ivan-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Ivan</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). A disputa pela estatueta dourada marca novamente o trabalho do cineasta irlandês. Dessa vez, através das nove indicações recebidas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023, incluindo lembranças para Farrell, Gleeson, Barry Keoghan (</span><a href="https://personaunesp.com.br/eternos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eternos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Kerry Condon (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/better-call-saul/"><i><span style="font-weight: 400;">Better Call Saul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) nas categorias de atuação principal e coadjuvante, e para o próprio McDonagh em Melhor Roteiro Original, Direção e, claro, Filme. </span></p>
<p><span id="more-29793"></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_29797" aria-describedby="caption-attachment-29797" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29797" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme Os Banshees de Inisherin. No centro da imagem, temos o ator Colin Farrell, um homem branco de cabelos pretos curtos, vestido de terno e colete de botão pretos, calças e sapatos marrons e uma camisa branca. A sua esquerda, temos Jenny, uma jumenta preta de focinho branco. Ao fundo, temos uma paisagem verde de natureza. A cena acontece durante o dia. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29797" class="wp-caption-text">Jenny, a jumenta que faz companhia ao carente Pádraic, é coincidentemente interpretada por uma de mesmo nome (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa de uma simples quebra de amizade faz parecer estranho o alvoroço que o projeto vem causando no Cinema, mas não demora para justificar tamanha comoção. O que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Pj8b0Jsm2JQ"><span style="font-weight: 400;">McDonagh</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz aqui é utilizá-la como ponto de partida para discussões mais profundas. À primeira vista, salta aos olhos e neurônios do público um estudo sobre os efeitos da rejeição em Pádraic, que claramente depende da aprovação das outras pessoas da ilha: a simples ideia de que ele possa ser chato lhe apavora, por exemplo. Quando Colm o rejeita, ele se volta para a irmã Siobhán (Condon), que tenta manter o mínimo de racionalidade no meio da situação, além de precisar lidar com suas próprias questões pessoais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há também relances de uma amizade com Dominic (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/barry-keoghan/"><span style="font-weight: 400;">Keoghan</span></a><span style="font-weight: 400;">), um jovem que possui um relacionamento conturbado com o pai (Gary Lydon, de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Guarda</span></i><span style="font-weight: 400;">) e é visto pelos moradores da ilha como um pateta beberrão desprovido de tato social. Dominic, ao qual o ator adiciona um senso trágico melancólico em sua interpretação, não é, contudo, a única companhia do protagonista, pois a dócil jumenta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hSrSq6vK6Lk"><span style="font-weight: 400;">Jenny</span></a><span style="font-weight: 400;"> está sempre ao seu redor. Dessa forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin </span></i><span style="font-weight: 400;">se assemelha a uma narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">outsiders </span></i><span style="font-weight: 400;">dentro de um microcosmo social, mas recusa a categorizar-se como tal, visto que nada é tratado em tons maniqueístas e unidimensionais na obra. </span></p>
<figure id="attachment_29798" aria-describedby="caption-attachment-29798" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29798" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-800x334.jpg" alt="Cena do filme Os Banshees de Inisherin. No canto esquerdo da imagem, temos o ator Colin Farrell, um homem branco de cabelos pretos curtos, vestido de um terno preto e camisa levemente rosada. No canto direito da imagem, temos o ator Brendan Gleeson, um homem branco de cabelos loiros longos, vestido de uma camisa azul escura e colete marrom. Os dois estão sentados diante de uma mesa de madeira marrom com dois copos de cerveja preta. O copo próximo a Farrell está cheio e o copo próximo a Gleeson está quase vazio. Ao fundo, temos uma paisagem de grama verde, rochedos marrons escuros, mar e céu azul nublado. A cena acontece durante o dia. " width="800" height="334" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1536x641.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1200x501.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3.jpg 1917w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29798" class="wp-caption-text">Como diria Pedro Bial, “clima tenso entre os brothers” (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7vg5URwH8EI"><span style="font-weight: 400;">Colm</span></a><span style="font-weight: 400;">, o amigo que se distancia deliberadamente de Pádraic, em nenhum momento é vilanizado pelas suas escolhas. O longa, na verdade, opta pelo caminho contrário ao expor suas motivações nessa tomada de decisão de forma a nos fazer entender seu ponto de vista. Seu apreço pela solitude e a oportunidade que ela lhe dá para se dedicar mais a sua paixão pela Música é realçado, bem como a maneira que a petulância de Pádraic, às vezes, acaba sendo um pouco invasiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa escolha reflete a própria natureza do longa de McDonagh, que é indiscutivelmente complexa e livre de reducionismos. O roteiro, escrito pelo próprio cineasta, faz questão de evoluir em direção a linhas cada vez mais absurdas, tensas e até mesmo perturbadoras, nunca colocando o espectador na expectativa de algo confortável. Curiosamente, o próprio uso do </span><i><span style="font-weight: 400;">banshee</span></i><span style="font-weight: 400;"> no título é um indicativo disso, visto que a natureza dessa criatura na mitologia irlandesa se dá como um presságio da morte, conforme representado pela figura enigmática da Sra. McCormick (Sheila Flitton, de  <a href="https://personaunesp.com.br/o-homem-do-norte-critica/"><i>O Homem do Norte</i></a>).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do campo alegórico e subtextual, o longa também chama atenção pelos seus méritos técnicos. A cinematografia de Ben Davis (</span><a href="https://personaunesp.com.br/capita-marvel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Capitã Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), por exemplo, captura perfeitamente as locações pitorescas que dão vida a Inisherin, bem como estabelece interessantes metáforas visuais para a situação dos protagonistas, várias vezes enquadrados olhando um para o outro através de um elemento divisório, como uma janela. Enquanto isso, brilham em conjunto a montagem ríspida e crua de Mikkel E.G. Nielsen (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-silencio-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e a trilha sonora levemente fabulesca de Carter Burwell (</span><i><span style="font-weight: 400;">Carol</span></i><span style="font-weight: 400;">), ambas reconhecidas com a lembrança da Academia em suas respectivas categorias. </span></p>
<figure id="attachment_29799" aria-describedby="caption-attachment-29799" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29799" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1-800x448.jpg" alt="Cena do filme Os Banshees de Inisherin. No centro da imagem, temos dois homens virados de costas olhando para o horizonte. À esquerda, temos o ator Brendan Gleeson, homem de cabelos loiros, vestido de um terno e calças pretas. À direita, temos o ator Colin Farrell, um homem de cabelos pretos curtos, vestido de terno e calças pretas também. No meio dos dois, temos um cachorro de pelo preto e branco. Ao fundo, temos o cenário de uma praia nublada. A cena acontece durante o dia. " width="800" height="448" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1-1024x573.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1-768x430.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1-1200x672.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-1.jpg 1460w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29799" class="wp-caption-text">Há quem teorize que Os Banshees de Inisherin seja, na verdade, uma metáfora para a situação da Irlanda durante a sua Guerra Civil, no começo do século XX (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o elemento </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VyJcZ_UHIVI"><span style="font-weight: 400;">central</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin </span></i><span style="font-weight: 400;">é justamente o desempenho de seus protagonistas. Colin Farrell, vencedor do Globo de Ouro e indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pela primeira vez pelo papel, possui uma candura que facilmente desperta a pena do espectador, mesmo com o roteiro querendo o levar cada vez mais perto de um colapso emocional. Já Brendan Gleeson impressiona pela franqueza dilacerante que traz a seu personagem, daquelas que rasgam a alma e a ferem com uma naturalidade quase sociopata. Quando o filme coloca os dois para contracenarem juntos, o resultado é ouro interpretativo, culminando em momentos memoráveis, como os últimos minutos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, o espectador presencia a imagem dos dois homens olhando para o horizonte em frente a praia, uma das cenas mais fortes da campanha de</span><i><span style="font-weight: 400;"> marketing</span></i><span style="font-weight: 400;"> do filme. Eles estão próximos fisicamente, mas apenas em tese. O que se passou em suas vidas até chegarem naquele ponto, as formas como um influenciou o outro e os desdobramentos tortuosos de uma simples </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ss64_jB_-98"><span style="font-weight: 400;">ruptura</span></a><span style="font-weight: 400;"> de amizade que os levou até ali, estão nas entrelinhas do que os distancia. No desfecho, esses são os verdadeiros </span><i><span style="font-weight: 400;">Banshees de Inisherin</span></i><span style="font-weight: 400;">: tão próximos, mas, ao mesmo tempo, tão distantes e incapazes de voltarem a ser o que eram antes de todos os conflitos; afinal, não há nem a mínima chance de voltar atrás depois de tudo o que aconteceu. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Os Banshees de Inisherin | Trailer 2 Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Ekr4Rk6-aKA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo realmente é o que diz ser</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2023 19:35:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Quanto vale entrar para a História? Quanto vale não ser esquecido jamais? Indo além, na questão cinematográfica, quanto vale fazer parte da História, seja como idealizador ou como mero telespectador? Não faltam exemplos em que essa visão não foi estimulada, como em Blade Runner (1982), The Rocky Horror Picture Show (1975) ou, até &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo realmente é o que diz ser"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29706" aria-describedby="caption-attachment-29706" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29706 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1-800x419.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, vemos Evelyn, interpretada por Michelle Yeoh. Ela é uma mulher asiática de meia idade e de cabelos pretos. Evelyn veste uma camisa florida e um colete vermelho. A câmera dá um close em seu rosto, onde há um sangramento no nariz e um corte do lado esquerdo de seu rosto, que também sangra. Há um googly eye, um olho típico de bonecos de pelúcia colado em sua testa. Ao fundo e desfocado, há uma repartição pública" width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29706" class="wp-caption-text">Sendo a maior bilheteria do estúdio, Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo foi o responsável por fazer a produtora furar a bolha de vez (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WEoSlBUC4rI&amp;ab_channel=BigBrotherBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Quanto vale entrar para a História?</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> Quanto vale não ser esquecido jamais?</span></i><span style="font-weight: 400;"> Indo além, na questão cinematográfica, quanto vale fazer parte da História, seja como idealizador ou como mero telespectador? Não faltam exemplos em que essa visão não foi estimulada, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner </span></i><span style="font-weight: 400;">(1982), </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1975) ou, até mesmo, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Room </span></i><span style="font-weight: 400;">(2003) &#8211; obras injustiçadas ou que deram a volta em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rEx5q5AOFkc"><span style="font-weight: 400;">sua própria ruindade</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas, a princípio, foram incompreendidas. Essa poderia ser a sina de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kULcXm9V7aY"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, longa lançado em Março mas que só chegou ao Brasil em Junho. Porém, tivemos a sorte de ver a História sendo (re)escrita no Cinema.</span></p>
<p><span id="more-29705"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Daniel Scheinert e Daniel Kwan, carinhosamente conhecidos como Os Daniels, já mostraram ser um ponto fora da curva com o excelente </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Cadáver para Sobreviver </span></i><span style="font-weight: 400;">(2016), mas foi com a obra mais recente &#8211; a segunda na filmografia da dupla &#8211; que eles consolidaram esse selo na Sétima Arte. Mais uma vez usando do absurdo &#8211; vale lembrar que são eles por trás do clipe do excêntrico fenômeno </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HMUDVMiITOU&amp;ab_channel=DJSnakeVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Turn Down for What</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; para tratar das relações humanas, os diretores fazem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Everything Everywhere All at Once</span></i><span style="font-weight: 400;">, em qualquer realidade possível, o filme de 2022.</span></p>
<figure id="attachment_29707" aria-describedby="caption-attachment-29707" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29707 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-800x533.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, vemos, da esquerda para a direita, os personagens de Joy, uma jovem asiática de cabelos pretos, Waymond, um homem de meia idade asiático, Evelyn, uma mulher de meia idade asiática e Gong Gong, um idoso asiático. Joy veste um moletom preto e uma calça jeans enquanto está apoiada com os braços em uma cadeira de escritório. Waymond está sentado na cadeira que Joy apoia e está vestindo uma camisa polo verde clara de mangas compridas. Evelyn está sentada ao lado de Waymond e veste uma camisa florida azul clara e um casaco roxo. Gong Gong está ao lado de Evelyn em sua cadeira de rodas, veste uma camisa bege claro, um colete verde escuro, um sobretudo e uma boina marrons. Todos estão de frente para uma mesa de escritório repleta de papéis bagunçados, olhando para a personagem Deidre, uma mulher idosa de camisa amarela florida manga curta, uma munhequeira na mão esquerda e uma caneta na mão direita. Ao fundo, um ambiente de repartição pública." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29707" class="wp-caption-text">Apesar da estética de blockbuster, o filme custou apenas 25 milhões de dólares (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contando a história de uma imigrante chinesa dona de uma lavanderia que, após ter problemas com a Receita Federal Americana, tem acesso ao multiverso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é um filme de percepções. Isso já começa com seu elenco de atores principais. Tanto Michelle Yeoh como Ke Huy Quan tinham uma perspectiva estabelecida no imaginário ocidental: ela, por ser uma exímia artista marcial, que teve seu ápice em </span><a href="https://www.cinemaemcena.com.br/Critica/Filme/6990/o-tigre-e-o-dragao"><i><span style="font-weight: 400;">O Tigre e o Dragão</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2000), e ele, sendo uma criança carismática em </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Goonies </span></i><span style="font-weight: 400;">(1985) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Indiana Jones: No Templo da Perdição </span></i><span style="font-weight: 400;">(1984). Aqui, além de entregar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QYw6i6MjZuA&amp;ab_channel=TheView"><span style="font-weight: 400;">papel da vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ambos, o longa também traz uma tocante e subversiva nova visão sobre esses profissionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe de ser uma cagação de regra, essa obra é do tipo que precisa ser vista mais de uma vez, justamente pela sua proposta de trabalhar nossa percepção de formas diferentes. Mais do que um filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma experiência. Você pode ir a diversos jogos de futebol ou </span><a href="https://personaunesp.com.br/primavera-sound-critica/"><span style="font-weight: 400;">festivais de música</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, ainda assim, cada um ser único. É exatamente essa a sensação que o longa provoca a cada </span><i><span style="font-weight: 400;">replay</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29708" aria-describedby="caption-attachment-29708" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29708 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-800x450.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, vemos o personagem Waymond, interpretado por Ke Huy Quan, um homem asiático de meia idade com cabelos pretos curtos. Ele veste uma camisa pólo de manga curta na cor verde, onde são intercaladas partes lisas e artes com listras brancas, uma calça cargo bege e uma pochete de couro marrom. Ele estica o braço direito para trás, que segura um pedaço de papel, enquanto olha para o mesmo. Em sua orelha, há um fone com um pequeno microfone integrado. Ao fundo, divisórias de uma repartição." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29708" class="wp-caption-text">A obra conta com Joe e Anthony Russo na produção, responsáveis por darem os primeiros lampejos de multiverso no Universo Cinematográfico Marvel (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fica até difícil definir </span><i><span style="font-weight: 400;">Everything Everywhere All At Once</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um gênero específico, pois, fazendo jus ao ‘tudo’ em seu título, a obra realmente se propõe a ser essa bagunça organizada. Do drama à comédia, do </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400;"> às artes marciais, o longa tem sucesso em tudo o que explora. A produção sabe trabalhar em cima de sua </span><a href="https://screenrant.com/everything-everywhere-all-at-once-movie-genres-sci-fi-action-comedy/#comedy"><span style="font-weight: 400;">miscelânea de estilos</span></a><span style="font-weight: 400;">, não só os cinematográficos, mas também em suas formas de filmagem, conduzidas por Larkin Spike, na edição de Paul Rodgers e na montagem e composição de Jason Kisvarday, a fim de criar uma identidade única, poucas vezes vista e quase impossível de ser retomada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os Daniels são conscientes em utilizar a junção de formatos para discorrer sobre relações familiares. Recentemente, tratar esses tipos de confrontos virou uma tônica da Sétima Arte. </span><a href="https://personaunesp.com.br/minari-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Minari: Em Busca da Felicidade</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020) e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Despedida </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019), também trazem o assunto à tona através de perspectivas de famílias asiáticas. </span><a href="https://personaunesp.com.br/aftersun-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022) atribui uma nova ótica para a relação pai e filha de forma muito singela e que se assemelha ao tema da obra de multiverso. Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">EEAAO</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue atribuir novas camadas à discussão. Através do absurdo, os diretores usam de um pano de fundo para tratar algo muito difícil de traduzir para as telas: a depressão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com a dupla, que também está por trás do roteiro, o texto demorou </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/movies/story/2022-04-14/everything-everywhere-all-at-once-explained-daniels-spoilers"><span style="font-weight: 400;">alguns anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> para ganhar forma, e, durante esse tempo, eles viram dois de seus principais cenários começarem a ser trabalhados na indústria: o niilismo e o multiverso. Os dois chegaram a audiência através de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rick and Morty </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013 &#8211; atualmente),</span> <span style="font-weight: 400;">enquanto o emaranhado de realidades, após ser brilhantemente abordado em </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/10/cultura/1547142320_637784.html"><i><span style="font-weight: 400;">Homem- Aranha no Aranhaverso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), foi apropriado pelo enlatado e cheio de fórmulas Universo Cinematográfico da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém,  sendo esse ponto fora da curva em Hollywood, os idealizadores conseguiram formar seu próprio multiverso nesse universo de multiversos.</span></p>
<figure id="attachment_29709" aria-describedby="caption-attachment-29709" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29709 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-800x450.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, há uma enorme cadeia de montanhas que contrasta com o céu azul. No centro inferior da imagem, duas pedras redondas estão de costas para a câmera, admirando a paisagem. No centro da imagem, um pouco deslocado para a esquerda, está escrito “fuck.” em letras brancas" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29709" class="wp-caption-text">Quem poderia imaginar que uma das cenas mais emocionantes de 2022 seria protagonizada por duas pedras? (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Deixando um pouco de lado Nietzsche e suas ideias, a obra usa mais de </span><a href="https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=2527"><span style="font-weight: 400;">Albert Camus</span></a><span style="font-weight: 400;"> como base teórica, quando o francês desenvolve um novo tópico ao conceito do alemão, aliado a uma vertente teorizada por </span><a href="https://www.ebiografia.com/jean_paul_sartre/"><span style="font-weight: 400;">Jean Paul-Sartre</span></a><span style="font-weight: 400;">. O niilismo, em letras gerais, é a afirmação da falta de objetivo no existir. Já o existencialismo de Sartre, vindo de uma raiz niilista, é o questionamento do por quê e pra quê da vida, enquanto o absurdismo se trata do desprendimento do niilismo e existencialismo, através da aceitação da vida como sem um propósito estabelecido. E fica evidente a aproximação à Camus quando os diretores usam de um recurso ironicamente chamado de absurdismo cômico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Joy, interpretada por </span><a href="https://www.instagram.com/stephaniehsuofficial/"><span style="font-weight: 400;">Stephanie Hsu</span></a><span style="font-weight: 400;">, cujo o nome é uma tradução direta para alegria, é uma personificação niilista e, no momento em que suga todas suas versões e vê essa falta de propósito, perde seu nome para se tornar a vilã Jobu Tupaki. A jornada de Evelyn, de Michelle Yeoh, é justamente o existencialismo sartreano na busca por sentido para tudo aquilo através dos multiversos, enquanto a primeira versão gentil e afetuosa do Waymond de Ke Huy Quan funciona como uma espécie de absurdismo encapsulado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através disso, a escrita desenvolve um cerne emocional sólido para seus personagens que, apesar de um contexto totalmente pirado, aproxima o ser humano à frente das telas para o que está dentro dela. O próprio Camus dizia que “</span><i><span style="font-weight: 400;">A Arte não é para mim um prazer solitário. É uma maneira de comover o maior número possível de homens, oferecendo-lhes uma imagem privilegiada dos sofrimentos e alegrias comuns</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span> <span style="font-weight: 400;">Apesar da obra ter algumas poucas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=C5U-8v_NMr0&amp;ab_channel=Letterboxd"><span style="font-weight: 400;">críticas negativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> (carinhosamente, de pessoas amarguradas), qualquer pessoa, de alguma forma, se enxerga nela, seja com uma sequência em um universo onde todo ser humano tem dedos de salsicha, seja em um diálogo mudo entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UXar2tNdG34&amp;ab_channel=Hup"><span style="font-weight: 400;">duas pedras conscientes</span></a><span style="font-weight: 400;">. E que privilégio é isso.</span></p>
<figure id="attachment_29710" aria-describedby="caption-attachment-29710" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29710 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-800x450.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, vemos a personagem Jobu Tupaki, interpretada por Stephanie Hsu, uma jovem asiática. Ela veste um macacão branco com estrelas nas mangas e detalhes de pedraria no peito. Ela também está usando uma peruca rosa. Seu movimento remete ao andar em um corredor. Na cena também, há alguns papéis coloridos caindo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29710" class="wp-caption-text">Os Daniels disseram “take five”, mas Stephanie Hsu entendeu “change lives” (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Virou o queridinho do público e da crítica? Virou! </span><a href="https://youtu.be/yy3qWktuO20?t=382"><span style="font-weight: 400;">Virou o queridinho</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas não é só do público e da crítica, é porque é bom mesmo. Em todos seus aspectos técnicos, a obra brilha. Sua montagem e edição são estupendas, evidenciadas pelo carinho de pensar em uma identidade própria para cada universo -, às vezes até mudando seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aoucLv95g3s&amp;ab_channel=CamberFilmSchool"><i><span style="font-weight: 400;">aspect ratio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou alterando seu estilo de filmagem, indo do Cinema chinês à animação. Outro ponto a se destacar é a coreografia. O longa foi responsável por ressuscitar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=psWUuuoYMy8&amp;ab_channel=Insider"><i><span style="font-weight: 400;">wire kung-fu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e faz as cenas de luta de maneira primorosa, replicando mais uma vez a Sétima Arte chinesa, principalmente bebendo da fonte de </span><a href="https://collider.com/crouching-tiger-hidden-dragon-theater-returns/"><i><span style="font-weight: 400;">O Tigre e o Dragão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Matrix </span></i><span style="font-weight: 400;">(1999), referência clara dos idealizadores. O apreço pela arte cinematográfica oriental era tanto que o papel principal foi </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u73k3a7NfvI&amp;ab_channel=CBSSundayMorning"><span style="font-weight: 400;">pensado para Jackie Chan</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas Yeoh, também sendo uma expoente das artes marciais, se encaixou perfeitamente na história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diretores, além de demonstrarem uma escrita criativa que tem êxito ao tratar da depressão de Joy, somada aos seus </span><a href="https://www.healthline.com/health/mommy-issues#:~:text=People%20usually%20apply%20the%20term,issues%20or%20difficulty%20showing%20vulnerability"><i><span style="font-weight: 400;">mommy issues</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> através de uma nova roupagem e ainda sim trazer uma enorme carga filosófica, mostram que conseguem manter as rédeas de uma ideia megalomaníaca. O fato de ser uma direção em dupla faz total sentido presenciando a grandiosidade que o projeto alcança em seu próprio </span><a href="https://www.themarysue.com/a24-multiverse-movie-posters-everything-everywhere-all-at-once/"><span style="font-weight: 400;">microcosmos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que somente duas mentes poderiam conceber, cada uma completando a visão criativa da outra. Por essa razão, o par também enche o longa com pequenos detalhes deliciosos de se captar, fazendo do filme um gigantesco amontoado de pequenas coisas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto de convergência da bem estruturada produção se dá na performance de seu elenco. Apesar de outras performances terem chamado mais atenção no circuito de premiações, com somente Ke Huy Quan sendo uma unanimidade como Ator Coadjuvante, o elenco principal forma a trindade da atuação em conjunto em 2022. Michelle Yeoh constrói uma Evelyn baseada em sua própria vivência, em que as várias ramificações de sua carreira a levaram até esta obra. Quan e Hsu são gratas surpresas e ficam no mesmo patamar de Yeoh. Vale lembrar também de James Hong (</span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/84223/aventureiros-do-bairro-proibido-os-1986-84223/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Aventureiros do Bairro Proibido</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Jamie Lee Curtis (</span><a href="https://personaunesp.com.br/halloween-2018-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) que constroem personas incríveis para estereótipos até que monótonos.</span></p>
<figure id="attachment_29711" aria-describedby="caption-attachment-29711" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29711 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-6.gif" alt="GIF de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nele, há várias versões de Evelyn que se alteram em uma edição rápida, incluindo uma com uma máscara de gás, uma com uma máscara branca que tampa somente a parte dos olhos, uma que segura uma espécie de led nas costas e uma que é um espectro no meio da noite estrelada" width="500" height="281" /><figcaption id="caption-attachment-29711" class="wp-caption-text">A obra é uma ode visual e rendeu as melhores cenas do ano (GIF: A24)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo sendo lançado somente em Março &#8211; o que, do ponto de vista das premiações, é uma data inoportuna -, vem fazendo a rapa na temporada. São incontáveis as nomeações e as premiações que o longa levou. Dentre as mais célebres, estão as vitórias no </span><a href="https://awards.thegotham.org/"><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, prêmio do cinema independente, e do </span><a href="https://www.criticschoice.com/2023/01/15/the-winners-of-the-28th-annual-critics-choice-awards/"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Award</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nas duas premiações, a produção levou os troféus de Melhor Filme. Sem contar os vários troféus espalhados entre os diretores, Yeoh e Quan nos incontáveis sindicatos e festivais, o que faz que o termômetro dessa obra para o careca dourado</span> <span style="font-weight: 400;">quase ferva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Considerando somente as indicações à 95ª edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">deste universo, que foram </span><a href="https://variety.com/2023/film/news/oscar-nominations-2023-list-1235495072/"><span style="font-weight: 400;">anunciadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 24 de janeiro, o longa assume a dianteira da corrida, acumulando onze nomeações. Algumas categorias são um pouco mais acirradas, como Melhor Atriz Coadjuvante, que, apesar da comemorada lembrança de Stephanie Hsu, vai ter seus votos divididos entre os votantes com Jamie Lee Curtis. O páreo também é duro em Melhor Atriz, categoria na qual Michelle Yeoh disputará com a imponente Cate Blanchett por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=neMq6nhR2xM"><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A situação é um pouco mais tranquila em Melhor Ator Coadjuvante, que sempre teve Ke Huy Quan como favorito; Melhor Diretor</span> <span style="font-weight: 400;">para Os Daniels; e Melhor Filme. Neste último, porém, por mais que tenha um enorme apelo, terá que lidar com o </span><a href="https://www.exibidor.com.br/artigo/386-em-guinada-conservadora-oscar-2022-premia-o-agua-com-acucar-no-ritmo-do-coracao"><span style="font-weight: 400;">conservadorismo da Academia</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29712" aria-describedby="caption-attachment-29712" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29712 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-800x450.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela vemos Waymond de outro universo. Um homem asiático de meia idade, com cabelos penteados. Ele veste um terno preto e uma camisa branca acompanhada de uma gravata preta, além de um óculos na cor preta. Ele olha para a esquerda enquanto se vira como se estivesse partindo. A cena tem uma fotografia esverdeada." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29712" class="wp-caption-text">Após indicações ao Oscar, o filme retornou às salas de cinema americanas e brasileiras (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tudo </span></i><span style="font-weight: 400;">que a obra se desafia a explorar alcança o êxito com maestria. O longa surpreende até a mais cética das audiências, que foi acostumada com tramas frenéticas ao passar dos anos. O filme abraça o caos e beira a anarquia, em uma abdicação das amarras do Cinema e, mesmo se inserindo em uma </span><a href="https://gshow.globo.com/podcast/cena-aberta/noticia/multiverso-e-o-assunto-da-vez-por-que-tantos-filmes-e-series-tem-abordado-a-tematica.ghtml"><span style="font-weight: 400;">moda recorrente</span></a><span style="font-weight: 400;"> na indústria, cria uma fórmula própria e extremamente difícil de ser replicada, se colocando no panteão do multiverso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Todo Lugar </span></i><span style="font-weight: 400;">que você olha durante sua exibição do longa, este se preenche e se completa. Seja pelo espetáculo visual criado pela coreografia de Timothy Eulich, pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3ClP6gaXjio&amp;ab_channel=SilverScreens"><span style="font-weight: 400;">fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Spike, a edição de Rogers e a montagem de Kisvarday; pelo texto afiado em discorrer ansiedades modernas ou nas conscientes atuações de seu elenco. O conjunto de acertos converge em uma catarse propositalmente galhofa e tira da obra o </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> de filme para atribuir o de evento cinematográfico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> Mesmo Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">em que é uma carta de amor ao Cinema, homenageando </span><i><span style="font-weight: 400;">2001: Uma Odisséia no Espaço </span></i><span style="font-weight: 400;">(1968), </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/wong-kar-wai"><span style="font-weight: 400;">Wong Kar-Wai</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kill Bill </span></i><span style="font-weight: 400;">(2003) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ratatouille </span></i><span style="font-weight: 400;">(2007), a obra também é uma declaração para nós mesmos. Esta coloca um ponto final na pergunta de um milhão de reais do ‘</span><a href="https://personaunesp.com.br/what-if-critica/"><span style="font-weight: 400;">E se</span></a><span style="font-weight: 400;">?’ ao responder que são esses pontos de inflexão em nossas vidas onde essa indagação é feita que fizeram quem somos hoje. Ainda assim, sobra espaço para nos lembrar o porquê devemos amar essas versões, por mais sem sentido que sejam. Mas a maior recordação que o longa traz é o porquê nós, do topo a base da indústria, amamos o Cinema.</span></p>
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		<title>Em Triângulo da Tristeza, ricaços escrevem ‘Deus’ com ‘d’ minúsculo e caem em tentação</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2022 20:02:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Ruben Östlund não se preocupa em soar presunçoso ou em talhar o discurso com o intuito de mastigar a jugular que atinge. O sueco, que levou para casa sua segunda Palma de Ouro meses atrás, chega em Triângulo da Tristeza num patamar de sátira e escárnio para além do já apresentado em seu &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/triangulo-da-tristeza-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Triângulo da Tristeza, ricaços escrevem ‘Deus’ com ‘d’ minúsculo e caem em tentação"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29107" aria-describedby="caption-attachment-29107" style="width: 2015px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29107 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.jpg" alt="Cena do filme Triângulo da Tristeza, mostra um homem branco, sarado e sem camisa, tirando uma foto com um celular em posição horizontal. Ao fundo, vemos o céu e está de dia. " width="2015" height="842" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.jpg 2015w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1536x642.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29107" class="wp-caption-text">Depois de vencer Cannes com The Square, Ruben Östlund repete o feito com Triângulo da Tristeza, exibido na Perspectiva Internacional da 46ª Mostra de SP (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ruben Östlund não se preocupa em soar presunçoso ou em talhar o discurso com o intuito de mastigar a jugular que atinge. O sueco, que levou para casa sua </span><a href="https://www.dn.pt/lusa/amp/filme-the-square-do-sueco-ruben-ostlund-vence-palma-de-ouro-em-cannes-8514053.html"><span style="font-weight: 400;">segunda Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> meses atrás, chega em </span><i><span style="font-weight: 400;">Triângulo da Tristeza</span></i><span style="font-weight: 400;"> num patamar de sátira e escárnio para além do já apresentado em seu currículo no Cinema. Parte da Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, seu premiado filme está interessado em caçoar.</span></p>
<p><span id="more-29106"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma porção de jovens adultos sarados aparecem descamisados, sendo entrevistados por um repórter bem-humorado que os cutuca a respeito dos modelos homens receberem um terço do salário de uma mulher na mesma profissão. O protagonista Carl (</span><a href="https://letterboxd.com/actor/harris-dickinson/"><span style="font-weight: 400;">Harris Dickinson</span></a><span style="font-weight: 400;">) tenta contornar a situação, mas logo é chamado para uma sala, onde um grupo de empregadores ordena que ele desfile, sem sorrir ou parar. Uma simples caminhada se transforma em lição de casa: tudo precisa de um ritmo, uma batida. Carl aceita o conselho, refaz a tarefa, e logo é mandado embora. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Próximo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, chama a assistente de elenco.</span></p>
<figure id="attachment_29110" aria-describedby="caption-attachment-29110" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29110 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2.jpg" alt="Cena do filme Triângulo da Tristeza, mostra uma modelo desfilando. Ela é branca, tem cabelos escuros, franja e usa um vestido branco. Ela está numa passarela escura, iluminada em luz vermelha." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29110" class="wp-caption-text">Poucos meses depois de estrelar o filme, a atriz Charlbi Dean faleceu de um mal súbito, aos 32 anos (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário muda. Agora somos espectadores de um jantar caríssimo dos modelos e namorados Carl e Yaya (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/08/30/charlbi-dean-atriz-da-serie-raio-negro-morre-aos-32-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Charlbi Dean</span></a><span style="font-weight: 400;">). Restaurante grã-fino, talheres de prata, champanhe fresco e uma torta de climão sobre quem vai arcar com a conta. Sendo mulher, ela definitivamente tem mais recursos financeiros que ele, entretanto, insiste em se fazer de desentendida e não paga a comida superfaturada que agora repousa em seu estômago. Ele saca o cartão, mas o bate-boca continua até o elevador, onde Carl, como uma assombração, para na linha da porta, não se importando com o apito do sensor de presença e gesticula enfaticamente contra a amada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando encontram um ponto de paz na intriga, os personagens aparecem em outra zona de luxo, dessa vez um iate que navega por águas cristalinas. Momentaneamente eclipsando o foco do casal, o roteiro de Östlund abraça o elenco de apoio, com grande destaque para um russo capitalista, um casal de idosos dono do império de granadas e o capitão do navio. Interpretado com o balaio de </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/pop/noticia/festival-de-cannes-woody-harrelson-ganha-o-trofeu-figuraca.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Woody Harrelson</span></a><span style="font-weight: 400;">, o homem é um bêbado irrepreensível, marxista de coração e desiludido com a vida de luxúria que leva.</span></p>
<figure id="attachment_29114" aria-describedby="caption-attachment-29114" style="width: 3620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29114 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1.png" alt="Cena dos bastidores do filme Triângulo da Tristeza, mostra o ator Woody Harrelson e o diretor Ruben Ostlund conversando no cenário do restaurante do iate. Ao fundo, vemos as câmeras e aparelhos usando nas filmagens. " width="3620" height="2139" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1.png 3620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-800x473.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-1024x605.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-768x454.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-1536x908.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29114" class="wp-caption-text">Nada de um local real, o tal Triângulo da Tristeza que batiza o filme é um expressão que diz respeito à área entre as sobrancelhas, geralmente preenchida com botox pelos modelos (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na construção de cenários, o filme encontra com eficiência o meio-termo entre os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TnsWeoZfxlM"><span style="font-weight: 400;">diversos potenciais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que um iate proporciona. O </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção, departamento sob o comando de Josefin Åsberg, junto da fotografia de Fredrik Wenzel, brinca com as locações. Uma hora assumindo o caráter claustrofóbico dos corredores entre quartos, para depois se refrescar no deque e em suas cadeiras de sol, viajar para a metalizada e minúscula cozinha e finalmente atracar no refeitório onde </span><i><span style="font-weight: 400;">Triangle of Sadness</span></i><span style="font-weight: 400;"> é catalisador de enjoo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Prato vai, prato vem, a maré não dá trégua e o sistema digestivo dos endinheirados se vira do avesso, </span><a href="https://variety.com/2022/artisans/awards/how-triangle-of-sadness-pulled-off-15-minute-vomiting-diarrhea-sequence-1235412313/"><span style="font-weight: 400;">botando para fora</span></a><span style="font-weight: 400;"> cada gota de vinho branco e colherada de caviar. No limite do humor escatológico, o desenho de som de Andreas Franck e Bent Holm espreme e aperta cada nota e sinfonia de terror, causando gargalhadas em uma plateia de cinema que não parou de comprimir o bucho até as sequências da ilha perdida.</span></p>
<figure id="attachment_29112" aria-describedby="caption-attachment-29112" style="width: 718px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29112 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4.jpg" alt="Pôster do filme Triângulo da Tristeza, mostra uma mulher idosa branca e loira vomitando um líquido dourado. " width="718" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4.jpg 718w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-561x800.jpg 561w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29112" class="wp-caption-text">Co-produção entre Suécia, Alemanha, França e Reino Unido, o filme é dono de um dos melhores e mais marcantes pôsteres de 2022 (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Território metafórico para a selvageria, a praia apresenta a enunciação do diretor em aplicação e traz à tona a figura messiânica de </span><a href="https://awardswatch.com/interview-dolly-de-leon-on-her-triangle-of-sadness-breakout-her-must-have-stranded-island-snack-and-what-she-wants-to-do-next/"><span style="font-weight: 400;">Dolly De Leon</span></a><span style="font-weight: 400;">, membro do elenco que mais recebeu atenção do público depois da vitória do filme em Cannes. Sua Abigail sacode a dinâmica da obra, e por mais que seu reinado de poder nasça com os dias contados, a atriz filipina saboreia cada pedaço de diálogo, criado especialmente para seu calibre, autoconsciente da ironia que a cerca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, a discussão levantada pelo </span><a href="https://www.publico.pt/2017/11/23/culturaipsilon/entrevista/o-terreno-armadilhado-de-ruben-ostlund-1793184"><span style="font-weight: 400;">roteiro original de Ruben Östlund</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma tese de sua ideia de desigualdade e cisão entre o mundo dos ricos e o mundo real. A briga no restaurante apresenta o conflito de renda e classes, o iate dialoga com a teoria que cerca a discussão e a ilha é a prova viva e prática das equações desenhadas. A escolha de canalizar a energia protagonista em dois </span><i><span style="font-weight: 400;">influencers</span></i><span style="font-weight: 400;">, profissão esvaziada de propósito, condensa </span><i><span style="font-weight: 400;">Triângulo da Tristeza</span></i><span style="font-weight: 400;"> na forma de um filme idealizado para pessoas cultas darem boas risadas e satisfazer sua ambição de mudar a realidade.</span></p>
<figure id="attachment_29113" aria-describedby="caption-attachment-29113" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29113 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.jpg" alt="Cena do filme Triângulo da Tristeza, mostra a atriz Dolly De Leon arqueada para a frente e segurando algo com as mãos, nas costas e escondida da câmera. Ela tem a maquiagem borrada e os cabelos na frente do rosto, e veste roupas pretas com um colar brilhante no pescoço." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29113" class="wp-caption-text">Com a recente atenção da Academia para filmes de Cannes, não seria impossível imaginar um reconhecimento em 2023 nas disputas de Roteiro Original e Atriz Coadjuvante, para Dolly De Leon (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Ruben, a solução é simples: tirar sarro e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica/"><span style="font-weight: 400;">construir seu </span><i><span style="font-weight: 400;">White Lotus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> à beira-mar, povoá-lo com leitores de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ulysses </span></i><span style="font-weight: 400;">e infectá-lo de moscas zombeteiras, posicionar personagens numa batalha de rimas política e não hesitar em mostrar uma senhora capitalista de idade expelindo fluidos por cima e por baixo. A receita está pronta para divertir audiências, </span><a href="https://observador.pt/2022/05/28/triangle-of-sadness-de-ruben-ostlund-vence-palma-de-ouro-no-festival-de-cannes/#:~:text=%E2%80%9CTriangle%20of%20Sadness%E2%80%9D%2C%20de%20Ruben%20%C3%96stlund%2C%20venceu%20a,pelo%20filme%20%E2%80%9CFor%C3%A7a%20Maior%E2%80%9D."><span style="font-weight: 400;">vencer a Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela segunda vez em 5 anos e sair de cena com a fama de um cineasta de grife.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="TRIANGLE OF SADNESS - Official Trailer - In Theaters October 7" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/VDvfFIZQIuQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Não Olhe para Cima, seu imbecil!</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Mar 2022 20:01:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes O que você faria se descobrisse um meteoro vindo em sua direção? Diminuindo a distância que o separa do planeta Terra a cada vez que você respira, ou na medida em que lê essas palavras? O diretor Adam McKay achou que seria apropriado rir das nossas caras de tacho. E assim, nasceu Não &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não Olhe para Cima, seu imbecil!"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26863" aria-describedby="caption-attachment-26863" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26863" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-1-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26863" class="wp-caption-text">Com estrelas e meteoros, Não Olhe para Cima chega ao Oscar 2022 nas listas de Melhor Filme, Roteiro Original, Trilha Sonora Original e Montagem (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathália Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que você faria se descobrisse um meteoro vindo em sua direção? Diminuindo a distância que o separa do planeta Terra a cada vez que você respira, ou na medida em que lê essas palavras? O diretor Adam McKay achou que seria apropriado rir das nossas caras de tacho. E assim, nasceu </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe para Cima </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Look Up</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> com seu elenco estrelado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WClJPHOsCMk&amp;t=8s"><span style="font-weight: 400;">vomitando o iminente fim</span></a><span style="font-weight: 400;"> da humanidade. O que você faria então, mediante tamanho desastre? Desviaria o olhar, vestiria seu uniforme de imbecil, e abriria o </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;"> para ser feliz novamente vendo vídeos de cachorros fofos, com certeza.</span></p>
<p><span id="more-26859"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é lá muito divertido assistir Dr. Mindy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/era-uma-vez-em-hollywood-critica/"><span style="font-weight: 400;">Leonardo DiCaprio</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Kate Dibiasky (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-esperanca-o-final-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Lawrence</span></a><span style="font-weight: 400;">) travando uma batalha para fazer o mundo acreditar na Ciência. Ao ter o negacionismo científico como o princípio de toda a narrativa, o longa está tão próximo da realidade que a piada se transforma em um bolo no estômago, fazendo cada parte do corpo formigar conforme se assiste. McKay, que venceu um prêmio por </span><i><span style="font-weight: 400;">A Grande Aposta</span></i><span style="font-weight: 400;"> e voltou a ser lembrado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Vice</span></i><span style="font-weight: 400;">, não precisou de sacadas geniais para incomodar, nem para receber suas </span><a href="https://www.instagram.com/p/CZuCD8blEyD/"><span style="font-weight: 400;">4 indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. Longe de ser uma crítica profunda revestida de adereços, o diretor alugou um </span><i><span style="font-weight: 400;">triplex</span></i><span style="font-weight: 400;"> na cabeça dos espectadores por derramar verdades às claras.</span></p>
<figure id="attachment_26864" aria-describedby="caption-attachment-26864" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26864" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-2-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-2-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26864" class="wp-caption-text">Nem uma crítica ao governo, nem às mídias: McKay mostra que a supremacia de idiotas permitiu que chegássemos até aqui (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos primeiros minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe para Cima</span></i><span style="font-weight: 400;"> o choque transborda nos personagens. Se trata, claramente, de uma catástrofe, e o espectador compartilha da sensação apocalíptica. Até que McKay coloca suas primeiras artimanhas na tela, e transforma o ligeiro terror em uma sátira de puro escárnio. Tirando sarro do que a sociedade se tornou, é evidente o menosprezo da narrativa pelos poderes e poderosos que governam. Seja mostrando órgãos estadunidenses &#8211; com emblemas ridículos &#8211; que não deveriam existir, ou com um </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2021/12/nao-olhe-para-cima-entenda-por-que-general-cobra-o-lanche-em-filme-da-netflix"><span style="font-weight: 400;">general do Pentágono</span></a><span style="font-weight: 400;"> que cobra pelos lanches gratuitos da Casa Branca, é prazeroso e angustiante rir de quem comanda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O paralelo com os últimos acontecimentos na humanidade também irrita. Estivemos tempo demais presos no </span><i><span style="font-weight: 400;">Metaverso</span></i><span style="font-weight: 400;">, fabricando notas de repúdio contra o negacionismo científico enquanto uma pandemia explodia do lado de fora das telas. Assistir a tentativa frustrante dos protagonistas em contar às pessoas que em torno de 6 meses o planeta seria extinto, é igual precisar de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57281158"><span style="font-weight: 400;">programas de vacinação que paguem</span></a><span style="font-weight: 400;"> a população para se imunizar em pleno século 21.  Mas, mesmo com as doses em dia por vontade própria, nós estamos junto dos personagens de </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe para Cima</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme que se tornou o mais assistido da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">e é um de seus </span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><span style="font-weight: 400;">dois representantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria principal,</span> <span style="font-weight: 400;">remando contra a maré de presidentas que querem “sentar e esperar”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personagem de Meryl Streep, reconhecida pelo Sindicato de Atores junto dos companheiros na disputa de Melhor Elenco, é uma junção grotesca da </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/cinema/noticia/2021/12/nao-olhe-para-cima-entenda-por-que-o-filme-tem-gerado-debates-e-memes-nas-redes-ckxqf2mj7004e0188z69dm3vj.html"><span style="font-weight: 400;">grande maioria de líderes</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ascenderam nos últimos anos ao redor do mundo. Entre Jair Bolsonaro e Donald Trump, a presidenta Orlean é um óbvio retrato de como a sociedade tem aplaudido o ridículo, e idolatrado políticos que sequer dão o trabalho de esconder seus conluios. Muito pelo contrário, ao lado do filho Jason (Jonah Hill) &#8211; que tranquilamente se parece com </span><a href="https://www.dci.com.br/politica/filhos-do-bolsonaro-quem-e-quem-no-cla-do-presidente/181013/"><span style="font-weight: 400;">os filhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do chefe do gabinete brasileiro -, exemplificam que o poder tem estado nas mãos de grandes personalidades narcisistas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2MxMIncEm14"><span style="font-weight: 400;">que andam de motoca</span></a><span style="font-weight: 400;">. No jogo político do entretenimento, não há como a catástrofe ganhar.</span></p>
<figure id="attachment_26865" aria-describedby="caption-attachment-26865" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26865" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-1-800x534.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-1-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-1-1200x801.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26865" class="wp-caption-text">Não Olhe para Cima fracassou no <a href="https://oantagonista.uol.com.br/entretenimento/nao-olhe-para-cima-fracassa-no-globo-de-ouro/">Globo de Ouro 2022</a>, mas, de surpresa, levou <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2022/noticia/2022/03/22/nao-olhe-para-cima-e-no-ritmo-do-coracao-ganham-premios-do-sindicato-dos-roteiristas-dos-eua.ghtml">Melhor Roteiro Original</a> no Sindicato dos Roteiristas dos EUA, o WGA (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes momentos do longa de McKay é de Leonardo DiCaprio. Quando seu personagem Randall Mindy enxerga seu papel de imbecil &#8211; incluindo ao fazer comerciais infantis sobre o meteoro -, ele desengasga um </span><a href="https://www.instagram.com/p/CbNfvxVB9b4/"><span style="font-weight: 400;">discurso agoniante</span></a><span style="font-weight: 400;"> em rede nacional, que facilmente sairia da boca de qualquer um. Em outro paralelo com a realidade, é fácil se sentir tão sufocado quanto o cientista, precisando provar às pessoas que a destruição é iminente e real. Junto do esforço de poderosos em desacreditar o que não lhes é financeiramente conveniente, a sociedade parece não querer enxergar nem se a evidência estiver à frente. Ou, no caso, acima de suas cabeças, descendo em sua direção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre a briga por Roteiro Original, assinado por McKay em parceria com David Sirota, e a de Trilha Sonora Original com créditos para Nicholas Britell (de </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">),  a indicação mais merecida de </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe para Cima </span></i><span style="font-weight: 400;">é em Melhor Montagem para </span><a href="https://variety.com/2022/artisans/news/hank-corwin-dont-look-up-academy-decision-1235205880/"><span style="font-weight: 400;">Hank Corwin</span></a><span style="font-weight: 400;">, pois o veloz jogo de cortes e de cenas no meio de falas é brilhante. A rapidez com que o editor muda a câmera ou pula para a próxima parte do roteiro consegue transmitir a sensação de instantaneidade da vida atual. Bombardeados de informações na mídia e </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, a sensação realista é de inconstância no nosso dia a dia, um borrão atravessado por acontecimentos em cada canto do mundo. E, mesmo assim, a entrega do prêmio da categoria foi cortada da cerimônia ao vivo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-present-all-23-artigo/"><span style="font-weight: 400;">apagando artistas importantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; como o próprio Corwin relatou. Esse é o tamanho da controvérsia em ter um filme que zomba da indústria cinematográfica, concorrendo na mesma.</span></p>
<figure id="attachment_26866" aria-describedby="caption-attachment-26866" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26866" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-1-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-1-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26866" class="wp-caption-text">Ariana Grande e Kid Cudi compuseram, ao lado de Nicholas Britell e Taura Stinson, e performaram juntos a música <a href="https://www.youtube.com/watch?v=BnyvDBGojoQ">Just Look Up</a>, outra tirada cômica do filme, mas a faixa acabou ficando de fora da disputa do Oscar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A necessidade de </span><a href="https://forbes.com.br/forbeslife/2021/12/nao-olhe-para-cima-e-a-mesma-piada-contada-por-mais-de-duas-horas/"><span style="font-weight: 400;">parte da crítica</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que o longa de McKay fosse revestido de opiniões bem pensadas é burrice. Toda a estrutura da narrativa, os memes que invadem as cenas, e o próprio tom de comédia meia boca, é completamente condizente com o deslocamento da realidade que vivemos. Nem uma catástrofe em tempos modernos com </span><a href="https://graphics.reuters.com/world-coronavirus-tracker-and-maps/pt/"><span style="font-weight: 400;">milhões de mortos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em todo o planeta foi capaz de deixar a humanidade mais consciente. Muito possivelmente, os esforços de ambientalistas e jornalistas sérios não serão suficientes, que dirá de um diretor de Cinema. Por isso, contar uma piada basta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece irreversível, assim como o desfecho do filme, que sejamos salvo dessa situação. De fato, não merecemos ser salvos, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe para Cima </span></i><span style="font-weight: 400;">exemplifica os motivos pelos quais a espécie merece a extinção. Quem seria salvo, afinal de contas? Quais pessoas embarcariam em uma espaçonave para viver fora do planeta Terra? É plausível que bilionários, como Peter Isherwell (Mark Rylance) &#8211; vulgo a mistura de </span><a href="https://exame.com/carreira/o-que-bill-gates-elon-musk-e-tim-cook-aprenderam-com-steve-jobs/"><span style="font-weight: 400;">Steve Jobs</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Elon Musk -, da tecnologia construam </span><a href="https://g1.globo.com/inovacao/noticia/2021/09/15/spacex-de-elon-musk-faz-1o-voo-orbital-com-civis-no-espaco.ghtml"><span style="font-weight: 400;">foguetes para se divertirem</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante alguns minutos em órbita?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não olhe para cima, seu imbecil. Enquanto você foge da realidade, o sistema se reforça, embrenhando seus tentáculos muito além da altura de nossas cabeças. E, na verdade, ninguém de fato olha para cima. Temos descido o precipício cantarolando. Não há comédia ou entretenimento que sobreviva à catástrofe existente aqui embaixo, onde nos encontramos anestesiados. Somos &#8211; ou estamos &#8211; todos imbecis. E não precisou de muito para sentir um incômodo angustiante com alguém rindo do buraco sem fundo em que nos enfiamos. </span></p>
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