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	<title>Arquivos Hoje Eu Quero Voltar Sozinho &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Persona Especial &#8211; Representatividade LGTBQIA+</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Jun 2024 17:03:33 +0000</pubDate>
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<figure id="attachment_33660" aria-describedby="caption-attachment-33660" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33660" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/5.png" alt="" width="1080" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/5.png 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/5-640x800.png 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/5-819x1024.png 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/5-768x960.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33660" class="wp-caption-text">Em 2024, o Persona alcançou a marca dois mil textos e seguidores (Texto de Abertura: Jamily Rigonatto / Artes: Henrique Marinhos)</figcaption></figure>
<p class="wp-block-paragraph">Entender a si mesmo como uma pessoa LGBTQIA+ é, muitas vezes, uma tarefa difícil. Isso pode ser ainda mais intenso na adolescência, quando a pressão externa para ser igual a todo mundo – ou até melhor – te empurra a ser exatamente como esperam que você seja. Nesse contexto, coisas simples podem ganhar um significado imenso. Mas afinal, como a representatividade na mídia importa? <br /><br />Em um momento de descoberta, dar de cara com um livro, filme, clipe ou até comercial que te faça sentir inteiro pode mudar muito sua jornada de auto aceitação. Encontrar casais sáficos, gays, pessoas trans e demais letras da comunidade existindo e sendo de verdade – mesmo que na ficção – nas linhas de algum produto é o tipo de coisa que te mostra que está tudo bem ser assim, não é um desvio de caráter e, muito menos, uma exclusividade azarada.  <br /><br />Fechando mais um Mês do Orgulho, alguns membros da nossa <strong>Editoria</strong> compartilham como o contato com produções <em>queer</em> na adolescência fez diferença e, de certa forma, acompanha suas vidas até hoje. Levantando a bandeira de um jornalismo cultural que preza pelo respeito e acolhimento da diversidade, o <strong>Persona</strong> agradece por mais essa cobertura. Amar e existir são atos de resistência lindos. </p>
<p><span id="more-33653"></span></p>
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<figure id="attachment_33657" aria-describedby="caption-attachment-33657" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33657" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH.png" alt="Capa ilustrada da hq Jovens Titãs: Renascimento. O cenário é de um mar com o fundo de prédios e um prédio em forma de T, a central dos Titãs. Ao centro está Aqualad, um jovem negro de cabelos loiros com tatuagens brilhantes em seu braço. Ele está golpeando a água com uma lança feita de água. Ao seu lado direito está Mutano, um golfinho verde. A direita está Kid Flash, um garoto negro com traje amarelo que corre sobre a água. Logo acima está Estelar, uma alienígena de pele laranja, olhos verdes e trajes e cabelos rosas. À esquerda está Robin, um garoto de 13 anos com traje de luta amarelo, verde e vermelho e preto, como sua máscara. Logo ao lado está um demônio vermelho com asas de morcego e corpo de cachorro. E abaixo Ravena, uma mulher de cabelos roxos e sobretudo azul-escuro com uma capa que simula penas de corvos.
" width="1500" height="2278" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH-527x800.png 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH-674x1024.png 674w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH-768x1166.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH-1011x1536.png 1011w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH-1349x2048.png 1349w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH-1200x1822.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33657" class="wp-caption-text">Ao contar ao seu pai que era gay, Aqualad é atravessado pela lança da indiferença: você fala como se estivesse me fazendo uma pergunta, acha que me importo? Somos apenas carne (Foto: DC Comics)</figcaption></figure>
<p><b>Jovens Titãs Renascimento: A Ascensão de Aqualad</b><b><br /></b><span style="font-weight: 400;"><br /></span><span style="font-weight: 400;">Aos 15 anos, em 2017, ser</span><i><span style="font-weight: 400;"> gay</span></i><span style="font-weight: 400;"> não parecia grande coisa no ensino médio. Então, o mundo exterior com meus colegas e amigos foi a parte fácil. Desde a série animada dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs</span></i><span style="font-weight: 400;">, que marcou gerações com uma gótica, um ciborgue, o emburrado filho do </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma alienígena e um vegano, as histórias de heróis sempre me fascinaram, não pelos poderes, mas pelos arranjos de equipes e aceitação no mundo, como em</span> <a href="https://personaunesp.com.br/x-men-60-anos-artigo/"><i><span style="font-weight: 400;">X-Men</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No quadrinho </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs Renascimento: A Ascensão de Aqualad</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017), o herói filho do Arraia Negra &#8211; vilão dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/aquaman-critica/"><span style="font-weight: 400;">filmes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquaman</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> acusado de assassinato, roubo, conspiração e terrorismo &#8211; enfrenta um inimigo diferente dessa vez, seu relacionamento com seus pais e o medo da rejeição. Por ser um garoto que consegue controlar a água e criar objetos a partir dela, tem tatuagens brilhantes e não querer seguir o caminho maléfico do pai? Não. Por ser </span><i><span style="font-weight: 400;">gay</span></i><span style="font-weight: 400;"> e descolorir o cabelo.</span></p>
<blockquote><span style="font-weight: 400;">&#8220;Você já nasceu com uma marca em você, a que todos chamam de tatuagem, agora você acrescentou esse cabelo branqueado. E garotos. Por que está tentando tanto ser diferente?&#8221;                                                            </span></blockquote>
<blockquote><span style="font-weight: 400;">&#8220;Não estou tentando, mãe. Eu sou.&#8221;</span></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é novidade que o universo de </span><span style="font-weight: 400;">HQ</span><i><span style="font-weight: 400;">s</span></i><span style="font-weight: 400;"> e animações da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC</span></i><span style="font-weight: 400;"> está, politicamente, anos-luz à frente da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. E fez muito mais em duas edições de quadrinhos que uma saga inteira de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vingadores-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Vingadores</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no que diz respeito a representatividade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando uma mãe amorosa o questiona de uma forma tão ríspida e um pai ausente como o Arraia Negra o trata como se isso sequer fizesse diferença, o desenvolvimento de sua identidade e </span><i><span style="font-weight: 400;">lore</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas próximas edições da </span><span style="font-weight: 400;">HQ</span><span style="font-weight: 400;"> me guiou por um caminho mais leve e acolhedor. &#8211; </span><b>Henrique Marinhos</b></p>
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<figure id="attachment_33656" aria-describedby="caption-attachment-33656" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33656" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/HOJE-EU-QUERO-VOLTAR-SOZINHO.jpg" alt="Gabriel e Leonardo, dois adolescentes, estão sentados em um quarto iluminado pela luz do dia que entra pela janela. Gabriel, à esquerda, com cabelo cacheado e vestindo o uniforme da escola, uma camiseta cinza com detalhes azuis e um pequeno bordado de coruja no peito, sorri levemente enquanto olha para Leonardo. Leonardo, à direita, também veste o uniforme, uma camiseta cinza com detalhes azuis e segura um caderno no colo, sorrindo enquanto lê. No quarto, há uma luminária de mesa, um prato e um copo sobre a mesa ao lado de Leonardo, e cortinas bege pendem na janela.
" width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/HOJE-EU-QUERO-VOLTAR-SOZINHO.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/HOJE-EU-QUERO-VOLTAR-SOZINHO-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/HOJE-EU-QUERO-VOLTAR-SOZINHO-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/HOJE-EU-QUERO-VOLTAR-SOZINHO-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/HOJE-EU-QUERO-VOLTAR-SOZINHO-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/HOJE-EU-QUERO-VOLTAR-SOZINHO-1200x633.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33656" class="wp-caption-text">Hoje Eu Quero Voltar Sozinho captura minuciosamente a ingenuidade entres dois adolescentes se conhecendo (Foto: Lacuna Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Hoje Eu Quero Voltar Sozinho</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a minha infância, tinha consciência de que não era igual aos outros meninos. Por conta disso, ser </span><i><span style="font-weight: 400;">gay</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca foi uma questão de crise de identidade, além de ter tido o privilégio de conviver em uma escola onde podia expressar minha sexualidade abertamente sem preconceitos. A virada de chave aconteceu quando me apaixonei pela primeira vez aos 14 anos – pelo meu </span><a href="https://personaunesp.com.br/heartstopper-1a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">melhor amigo hétero</span></a><span style="font-weight: 400;">, quem nunca? – e percebi como aquilo era real e iria me acompanhar pelo resto da minha vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi então que assisti o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Quero Voltar Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;">, que me mostrou da forma mais doce possível que meninos como eu poderiam ter histórias felizes de amor. Ao contrário das </span><a href="https://queer.ig.com.br/2022-10-13/personagens-gays-estereotipados-series-e-cinema.html.ampstories"><span style="font-weight: 400;">versões caricatas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de homossexuais representadas em outras produções, eu conseguia me relacionar com os traços introvertidos de Leonardo. Ao mesmo tempo que a figura de Gabriel me dava esperança de que um dia encontraria alguém tão extrovertido e livre como ele. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maneira como o longa representa de forma tão inocente a adolescência, as relações de amizade, o autodescobrimento e como é se apaixonar sem perceber por alguém pela primeira vez foi muito importante para mim, e acredito que para muitas outras pessoas. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lpHKXyko358"><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Quero Voltar Sozinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma pérola do Cinema nacional e definitivamente entra no panteão de obras LGBTQIAPN+ que marcaram uma geração. &#8211; </span><b>Arthur Caires</b></p>
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<figure id="attachment_33655" aria-describedby="caption-attachment-33655" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33655" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/girls-like-gils.jpg" alt="" width="681" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-33655" class="wp-caption-text">Primeiro contato sáfico de uma geração, Girls Like Girls ganhou uma versão literária em 2023 (Foto: VEVO)</figcaption></figure>
<p><b>Girls Like Girls &#8211; Hayley Kiyoko</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao subir o clipe de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I0MT8SwNa_U"><i><span style="font-weight: 400;">Girls Like Girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no Youtube em meados de 2015, Hayley Kiyoko mudou os caminhos de muitas garotinhas que navegavam pelo site em busca de hits do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em um momento que se entender diferente fazia as cores de um mundo particular parecerem absolutamente acinzentadas, encontrar a imagem doce de duas garotas se beijando fez tudo ter tanto sentido, que os monstros definitivamente ficaram menores. </span><span style="font-weight: 400;"><br /></span><span style="font-weight: 400;"><br /></span><span style="font-weight: 400;">O retrato suave, delicado e completamente encantador traduziu em imagens os anseios de quem era apaixonada pela melhor amiga sem sequer entender o que aquilo significava. Nas linhas de uma narrativa em que as personagens parecem tão confusas quanto quem está assistindo pela primeira vez, o misto de sentimentos chegava a uma única conclusão: </span><a href="https://www.uninter.com/noticias/representatividade-lgbtqia-na-midia#:~:text=O%20cinema%2C%20a%20televis%C3%A3o%2C%20a,representada%20ainda%20%C3%A9%20bastante%20limitada."><span style="font-weight: 400;">você não está quebrada!</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo sincera, se naquela época os apps fizessem algum tipo de retrospectiva, aquele clipe com certeza seria o mais ouvido do meu ano e com uma quantidade de visualizações questionável – em minha defesa, era parte de um trabalho investigativo sobre quem eu sou.  Brincadeiras à parte, cantar </span><i><span style="font-weight: 400;">“girls like girls like boys do, nothing new”</span></i><span style="font-weight: 400;"> em alto e bom som, fez uma adolescente de 14 anos se sentir abraçada quando tudo parecia prestes a desmoronar.  </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto </b></p>
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		<title>Em busca da liberdade, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho alcança o amor</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Jun 2024 16:07:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marina Iwashita Canelas Imagine a sua adolescência, todos os mil sentimentos juntos e bagunçados, desde ‘Será que eu sou bonito?’ ou ‘Será que ela gosta de mim?’, até os comentários e palpites sobre aquela pessoa que está ‘ficando’ com quem você gosta. O início da vida adulta, junto ao amadurecimento e as descobertas sobre si &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hoje-eu-quero-voltar-sozinho-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em busca da liberdade, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho alcança o amor"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_33641" aria-describedby="caption-attachment-33641" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33641" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-2-1-800x477.png" alt=" Cena do Filme “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho&quot;. A imagem mostra três jovens no centro que usam calça jeans e a mesma camiseta manga curta cinza com gola azul e uma coruja como brazão a esquerda. O menino da esquerda é branco, possui cabelos cacheados, castanho escuro e está sorrindo com os olhos fechados. Ele usa uma mochila nas costas, a qual só podemos ver as alças de cor marrom. A menina do meio é branca, usa um relógio lilás no pulso direito, tem cabelos lisos na cor castanho escuro com franjas na altura da sobrancelha. Ela está sorrindo e sua alça de mochila nas costas é cinza claro. O último menino, da direita, é branco, tem cabelo castanho liso e está segurando com a mão direita o braço esquerdo dobrado da menina ao seu lado. Ele está sorrindo e com a sua mão esquerda segura a alça da sua mochila, na cor cinza também. O fundo da imagem é de uma rua, na parte esquerda temos a rua e os jovens andam na calçada, com árvores e grades de casas." width="800" height="477" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-2-1-800x477.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-2-1-768x458.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-2-1.png 862w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33641" class="wp-caption-text">No Festival de Berlim de 2014, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho foi premiado como Melhor Filme pelo Júri da Crítica na Mostra Panorama e com o Prêmio Teddy de Melhor Filme LGBT (Foto: Netflix)</figcaption></figure></p>
<p><b>Marina Iwashita Canelas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imagine a sua adolescência, todos os mil sentimentos juntos e bagunçados, desde ‘Será que eu sou bonito?’ ou ‘Será que ela gosta de mim?</span><i><span style="font-weight: 400;">’</span></i><span style="font-weight: 400;">, até os comentários e palpites sobre aquela pessoa que está ‘ficando’ com quem você gosta. O início da vida adulta, junto ao amadurecimento e as descobertas sobre si mesmo, não são períodos fáceis. É nessa fase que muitas pessoas passam a experimentar coisas novas, como alguma aventura com amigos ou ser rebelde em casa. Para Leonardo (Ghilherme Lobo) – protagonista do premiado curta-metragem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1Wav5KjBHbI"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Não Quero Voltar Sozinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que, com seus infames 17 minutos de duração, encantou muita gente –, essa realidade nunca foi fácil. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Léo é um adolescente cego que descobre a sua sexualidade com a chegada de um novo aluno no colégio. Quatro anos depois, em 2014, o longa-metragem </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/brasileiro-hoje-eu-quero-voltar-sozinho-ganha-dois-premios-no-festival-do-berlim-11607602"><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Quero Voltar Sozinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi lançado ao mundo por </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/noticia/2014/02/daniel-ribeiro-uma-nova-cara-para-o-cinema-brasileiro.html"><span style="font-weight: 400;">Daniel Ribeiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor de ambas as obras. Sem perder a leveza da primeira obra, o filme pôde aumentar sua riqueza de detalhes, dando mais foco às personagens e suas particularidades. Ribeiro traz mais discussões referentes ao dia a dia do personagem para a trama, tornando-a muito mais do que apenas um filme com temática LGBTQIA+.</span></p>
<p><span id="more-33640"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Podemos conhecer melhor o protagonista à medida que entendemos a sua rotina e como a criação que tem o sufoca. Sua mãe, </span><a href="https://personaunesp.com.br/thelma-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">superprotetora</span></a><span style="font-weight: 400;">, muitas vezes impede Léo de viver coisas normais de um adolescente. Giovana (Tess Amorim) é a sua melhor amiga desde a infância, e Amorim consegue dar voz ao papel da sua personagem de forma muito clara e fluida. Por vezes ficamos estressados com ela por ter a mesma ideia de que a deficiência visual, de alguma forma, define-o. </span></p>
<p><figure id="attachment_33643" aria-describedby="caption-attachment-33643" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33643" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-800x422.png" alt="" width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-800x422.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-1024x540.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-768x405.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-1536x810.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-1200x633.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33643" class="wp-caption-text">O filme foi escolhido para representar o Brasil na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014 (Foto: Pyramide Distribution)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso, porém, muda com a chegada de Gabriel, interpretado por </span><a href="https://www.fabioaudi.com/about"><span style="font-weight: 400;">Fabio Audi</span></a><span style="font-weight: 400;">, um aluno novo de outra cidade e que, por estar alheio à bolha, desperta mais a curiosidade do garoto, além de apoiá-lo em decisões que o mesmo gostaria de tomar. Audi consegue trazer para o seu papel uma alma viva, ele interpreta um jovem livre e cheio de desejos, que conhece bem a si mesmo e também deseja que o protagonista se conheça mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação dos personagens é construída aos poucos, sendo possível acompanhar os </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=MELHORES+AMIGOS#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">melhores amigos</span></a><span style="font-weight: 400;"> se afastarem por ciúmes, devido a sensação de liberdade que Léo tem com Gabriel. Nesse período, é possível observar alguém, que não tinha contato algum com pessoas com deficiência visual, sendo a chave principal para dar mais confiança ao protagonista e entendê-lo como apenas um garoto querendo viver a vida de um jovem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensando nisso, em alguns momentos, podemos ver a Fotografia de </span><a href="https://pierrekerchove.com/"><span style="font-weight: 400;">Pierre de Kerchove</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltada para a perspectiva do Léo, ou seja, </span><a href="https://personaunesp.com.br/perlimps-critica/"><span style="font-weight: 400;">muito sensorial</span></a><span style="font-weight: 400;">. Temos cenas desfocadas com apenas o barulho de conversas e risos, momentos de liberdade e tensão, além de momentos íntimos, à exemplo, os beijos no vidro do box. No quesito tensão, com o decorrer da narrativa, vemos o quão difícil é para o protagonista viver os múltiplos aspectos de seu cotidiano. </span></p>
<p><figure id="attachment_33642" aria-describedby="caption-attachment-33642" style="width: 630px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33642" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-1-1.png" alt="" width="630" height="247" /><figcaption id="caption-attachment-33642" class="wp-caption-text">O título original provisório do filme foi Todas as coisas mais simples (Foto: Pyramide Distribution)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da sua família e amiga mais próxima, têm os meninos da sala que fazem </span><a href="https://www.unicamp.br/unicamp/sites/default/files/jornal/paginas/ju_561_paginacor_04_web.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com ele, tirando sarro e planejando algo sacana. Essas infames brincadeiras são muito mais voltadas à cegueira do protagonista do que ao fato dele estar se descobrindo sexualmente. O longa traz consigo uma visão muito leve e delicada sobre a vida, mas principalmente sobre o amor, então, por mais que fiquemos com raiva das falas e gestos errados, isso não pesa na narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É incrível como o filme consegue criar um cenário de cotidiano muito forte. Acompanhamos toda rotina do Léo, sabemos da dinâmica da casa dele, as suas frustrações e algo interessante é a </span><a href="https://personaunesp.com.br/jury-duty-critica/"><span style="font-weight: 400;">naturalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> com que a personagem trata a sua cegueira com Gabriel. Apesar de o recém chegado na escola, às vezes, fazer comentários indesejados como &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">já viu aquele vídeo famoso?</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, o protagonista ainda assim se sente confortável perto dele, por vezes, o ‘zomba’, mas existe a vontade de ter experiências novas junto a ele, como ir ao cinema,  sair de casa no meio da madrugada sem avisar ou andar de bicicleta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A criação desse cenário de intimidade que temos com as personagens se dá também pelos seus estilos musicais, que compõem a trilha sonora (</span><a href="https://arthurdecloedt.com/"><span style="font-weight: 400;">Arthur Decloedt</span></a><span style="font-weight: 400;">). Para diferenciar quem está ligando, o celular do protagonista conta com um toque diferente para cada pessoa. A única semelhança entre todos é o estilo musical que ele consome: clássico. Fazendo um paralelo a isso, Gabriel chega na sua vida com </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7kkDvoGvoVPtLD3Ef61E62?si=2e05010c0484462b"><i><span style="font-weight: 400;">There &#8216;s Too Much Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Belle and Sebastian. Chega a ser engraçado como ambos, por mais diferentes que sejam, se completam. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer Oficial - Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (The Way He Looks) English Subtitles" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lpHKXyko358?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Léo segue uma vida regrada, porém, cheia de desejos e vontades a serem realizadas, Gabriel é o tipo do adolescente ‘livre’, com pais tranquilos, e poderia ser considerado o ‘alternativo’ da turma, que vira DJ nas festas. </span><span style="font-weight: 400;">O longa trata todas essas questões de uma forma muito leve e delicada. Percebemos, no final, que o amor sentido pelo casal é um </span><a href="https://personaunesp.com.br/feels-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">misto de sentimentos</span></a><span style="font-weight: 400;">; a mistura de algo novo, romântico, sensível e carregado de muito companheirismo.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Quero Voltar Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre como o amor não encontra barreiras para existir. Em momento algum precisamos ver para sentir ou saber que aquela pessoa é realmente a destinada para você. A obra não é tratada a partir da </span><a href="https://personaunesp.com.br/com-amor-simon-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">aceitação</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos jovens no mundo LGBTQIA+, na verdade, ela retrata uma visão muito romântica e ingênua sobre esse aspecto, o que pode frustrar parte da audiência. Mas, ver a evolução da amizade das personagens, se imaginar no lugar do Léo e refletir sobre as questões trazidas na produção fazem dele um lindo filme de romance.</span></p>
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