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	<title>Arquivos Greta Gerwig &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 5 anos, Adoráveis Mulheres definia o que é irmandade</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jan 2025 20:56:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal Em 2019, Greta Gerwig lançou a sua versão do clássico Mulherzinhas. A obra, baseada no romance escrito por Louisa May Alcott, é uma das inúmeras adaptações da história que acompanha as irmãs March durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos. Por ser uma trama que já foi retratada nos cinemas  e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Adoráveis Mulheres definia o que é irmandade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34690" aria-describedby="caption-attachment-34690" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34690" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2.png" alt="Cena do filme Adoráveis Mulheres. Na imagem, há quatro mulheres abraçadas. Elas estão na sala de casa, que possui decorações de natal. Da esquerda para direita, há uma mulher branca de cabelos castanhos escuros com uma blusa bege, uma mulher branca de cabelos ruivos e curtos com uma blusa azul, uma mulher branca usando uma blusa cinza com listra amarela e de cabelos ruivos com franja e uma mulher ruiva de cabelos longos utilizando uma blusa com estampa azul e laranja." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34690" class="wp-caption-text">Relação entre irmãs é introdução, desenvolvimento e referência no universo repaginado por Greta Gerwig (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2019, </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2019-12-22/greta-gerwig-o-feminismo-de-mulherzinhas-nao-e-excludente-todos-os-homens-e-mulheres-ganham.html"><span style="font-weight: 400;">Greta Gerwig</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançou a sua versão do clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra, baseada no romance escrito por Louisa May Alcott, é uma das inúmeras adaptações da história que acompanha as irmãs March durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos. Por ser uma trama que já foi retratada nos cinemas  e na Televisão, a diretora tinha um caminho árduo a percorrer: ampliar a discussão acerca dos temas discutidos pela autora. No mundo das </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Adoráveis Mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a generosidade é quem dita a ação das personagens.</span></p>
<p><span id="more-34686"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jo (Saoirse Ronan), Meg (</span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-e-o-prisioneiro-de-azkaban-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Emma Watson</span></a><span style="font-weight: 400;">), Beth (Eliza Scanlen) e Amy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/todo-tempo-que-temos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Florence Pugh</span></a><span style="font-weight: 400;">) são as apaixonantes protagonistas de seus respectivos amadurecimentos. Com a força da mãe-natureza, mais conhecida como Marmee March (Laura Dern), a forma de ver o mundo das honestas e delicadas garotas é o guia narrativo para aqueles que se perguntam sobre a efemeridade da juventude. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não acredito que a infância acabou</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span> <span style="font-weight: 400;">é uma das frases proferidas por uma delas. O motivo do impacto da sentença? O sentimento de irmandade estabelecido pelo quarteto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Arte tem o poder de transmitir em tela o que acontece na realidade. Mais do que isso, às vezes, ela mostra, seja com diálogos expositivos ou em cenas de pura contemplação, aquilo que não há como dar nome. O sentir, aqui, é universal. Por que o </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/vitrine/historia-livro-mulherzinhas.phtml"><span style="font-weight: 400;">cotidiano de quatro jovens</span></a><span style="font-weight: 400;"> em meio ao caos que os norte-americanos viviam é tão relacionável? Quando mexe com amor, não tem como não se identificar. É uma sensação inexplicável, ainda mais quando há o envolvimento de um dos bens mais preciosos que um ser humano pode ter: a família. </span></p>
<figure id="attachment_34688" aria-describedby="caption-attachment-34688" style="width: 1841px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34688" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3.png" alt="Cena do filme Adoráveis Mulheres. Na imagem, há quatro mulheres brancas em uma praia. Da esquerda para a direita, há uma mulher branca de cabelos castanhos escuros utilizando um vestido verde e segurando uma toalha de mesa, há uma mulher branca de cabelos loiros usando um vestido rosa e com uma cesta, há uma mulher branca de cabelos ruivos segurando uma cesta e utilizando um vestido azul com uma blusa bege por cima e uma mulher branca de cabelos ruivos com vestido rosa com uma cesta. " width="1841" height="1037" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3.png 1841w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-1536x865.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-1200x676.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34688" class="wp-caption-text">Longa-metragem foi indicado a seis categorias no Oscar 2020, incluindo Melhor Atriz para Saoirse Ronan e Melhor Atriz Coadjuvante para Florence Pugh (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora em </span><i><span style="font-weight: 400;">Little Women</span></i><span style="font-weight: 400;"> (título original), o núcleo familiar apresentado seja tradicional, composto por um pai, uma mãe e seus filhos, tanto os mais afortunados emocionalmente quanto aqueles que encontram nos amigos o sentimento de ser amado podem achar refúgio na obra. Jo, a escritora entre as March, é quem comanda essa história. Pela ida do patriarca, interpretado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/better-call-saul-6a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bob Odenkirk</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao conflito que assola os Estados Unidos, ela assume a responsabilidade de cuidar daquele lar com Marmee. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O envolvimento da jovem com a escrita é o que dá gás à trama centrada no século XIX. Através do traquejo dela com seus textos, que são realizados nos momentos de descanso, a difícil trajetória das irmãs ganha um tom dócil e mais ameno. Não é que a personagem romantize a pobreza em sua casa, ela apenas vê além disso e decide documentar, por meio de suas escrituras, a rotina vivida. No contexto em que viviam, mulheres deveriam respeitar seus maridos e só poderiam ascender socialmente se optassem pelo matrimônio. Entretanto, na sua história, as </span><a href="https://comportese.com/2020/02/04/adoraveis-mulheres-as-molduras-relacionais-na-complexidade-do-ser/"><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">são o que elas quiserem ser.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do mesmo modo que Alteridade significa a capacidade de se colocar no lugar do outro, embora não tenha vivência em determinada ocasião, o que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Adoráveis Mulheres </span></i><span style="font-weight: 400;">atemporal são as discussões em torno de suas ambições pessoais. Casar e ter filhos, se tornar uma artista renomada, escrever sobre os seus ou apenas cuidar de seu lar são os diferentes sonhos que cercam a vida do quarteto. Assim, a forma com que cada uma delas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HKvPWuqOGMo"><span style="font-weight: 400;">enxerga o mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o que as coloca de igual para igual. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Só porque meus sonhos são diferentes dos seus, não significa que eles não são importantes</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Meg em um certo ponto do longa-metragem.</span></p>
<figure id="attachment_34689" aria-describedby="caption-attachment-34689" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34689" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1.png" alt="Cena do filme Adoráveis Mulheres. Na imagem, há um homem branco sentado e vestindo uma camisa branca de manga longa com uma espécie de macacão cinza por cima. Ele está sentado, à espera para ser retratado em uma pintura. Ao seu lado esquerdo, há uma estátua de mármore com uma planta em cima. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34689" class="wp-caption-text">Embora tenha interpretado o personagem com competência, Timothée Chalamet não foi reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas como Melhor Ator Coadjuvante na 92ª edição (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em todas as versões do clássico, há sempre ânimo ao descobrir quem viverá o atraente e charmoso Laurie. Na adaptação de Gerwig, </span><a href="https://personaunesp.com.br/duna-parte-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Timothée Chalamet</span></a><span style="font-weight: 400;"> dá vida ao personagem. Sobrinho de Mr. Laurence (Chris Cooper) e vizinho da família March, o jovem, assim como o público, se encanta com o lar feminino. Amigo de Jo, a quem é apelidado carinhosamente como Teddy, ele tem tudo o que elas não possuem: poder aquisitivo. No entanto, o conforto familiar trazido pelas colegas não tem preço e, por isso, estar ao lado delas auxilia em seu desenvolvimento pessoal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i10aNmmXYsQ"><i><span style="font-weight: 400;">Eu quero ser ótima, ou nada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, frase dita por Amy, expressa um dos maiores medos da juventude: o de ‘não dar certo na vida’. Pressão social, o imediatismo e a espetacularização dos atos que marcam a jornada não são temas abordados apenas na atualidade. Na obra, o receio de ‘não se tornar ninguém’ faz parte do dia a dia daquelas garotas; “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém se esquecerá de Jo March</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz a própria. Juntas ou não, sendo colegas de quarto ou morando em continentes diferentes, a irmandade é o caminho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Adoráveis Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">, a ambição e a generosidade andam lado a lado. Não tem nada errado em ser gentil e, ao mesmo tempo, desejar ter </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gQ-she8Xneo"><span style="font-weight: 400;">mais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os personagens desse universo são colocados à prova a todo momento. Se irão escolher o caminho doloroso ou a trajetória maquiada, isto fica a cargo de seu próprio senso crítico. Na verdade, para as </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;">, o necessário é viver o tempo – curto –  à maneira como ele deve ser sentido: com aqueles que moldam nosso caráter. Em certo devaneio, uma jovem perguntou se ela seria alguém. Bem, por aqui, ninguém a esqueceu.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Adoráveis Mulheres | Trailer Legendado | 09 de janeiro nos cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7nc1GE_hnLs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Desmoronar da Casa dos Sonhos em Barbie</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Sep 2023 15:55:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Amabile Zioli e Clara Sganzerla Desde o começo dos tempos, quando a primeira garotinha surgiu, existem bonecas. Porém, elas eram sempre, e para sempre, bebês… Até a chegada da Barbie. Feita de plástico, com cabelos loiros, cintura fina e olhos azuis, a criação de Ruth Handler mudou o inexorável destino da maternidade e expandiu os &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/barbie-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Desmoronar da Casa dos Sonhos em Barbie"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31460" aria-describedby="caption-attachment-31460" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31460" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/1-800x450.jpg" alt="A foto é uma cena do filme Barbie. Nela, temos a atriz Margot Robbie centralizada. Ela é loira, tem olhos claros e usa um chapéu branco de cowboy, além de uma bandana rosa amarrada no pescoço e um brinco prata. Ela está com uma feição séria e uma lágrima escorre do seu olho direito. O frame possui um ângulo fechado, e só é possível ver no fundo desfocado o que aparenta ser um subúrbio." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31460" class="wp-caption-text">“Graças à Barbie, todos os problemas do feminismo foram resolvidos” (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Amabile Zioli e Clara Sganzerla</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o começo dos tempos, quando a primeira garotinha surgiu, existem bonecas. Porém, elas eram sempre, e para sempre, bebês… Até a chegada da Barbie. Feita de plástico, com cabelos loiros, cintura fina e olhos azuis, a criação de </span><a href="https://time.com/6293762/barbie-movie-ruth-handler/"><span style="font-weight: 400;">Ruth Handler</span></a><span style="font-weight: 400;"> mudou o inexorável destino da maternidade e expandiu os horizontes &#8211; fique tranquila, você também pode brincar de ser </span><i><span style="font-weight: 400;">designer</span></i><span style="font-weight: 400;"> de moda, astronauta, cantora ou jogadora de futebol. 60 anos nos separam desse marco histórico e </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-tonya-5-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie</span></a><span style="font-weight: 400;"> embarca em </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/barbie-tem-oficialmente-a-maior-bilheteria-mundial-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Barbie</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para um dos maiores triunfos de sua carreira, nos mostrando que o brinquedo mais famoso do mundo tinha uma história para contar.</span></p>
<p><span id="more-31454"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes mesmo de escolhermos a melhor roupa rosa de nosso guarda-roupa para ir ao cinema, a diretora </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><span style="font-weight: 400;">Greta Gerwig</span></a><span style="font-weight: 400;"> já nos dava pistas da dimensão que ela iria trazer para a obra. Seja pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8zIf0XvoL9Y"><i><span style="font-weight: 400;">teaser</span></i></a> <i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que abalou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou até mesmo pelas jogadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;"> que inundaram as redes sociais (todos tivemos um gostinho da Barbielândia com o </span><a href="https://www.barbieselfie.ai/br/"><i><span style="font-weight: 400;">Barbie Selfie Generator</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Gerwig aqueceu o público e o mercado com filme do ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E funcionou. Com altas expectativas, mais de </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/fenomeno-barbie-alcanca-valor-explosivo-em-bilheterias-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">10 milhões de espectadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> lotaram as salas de cinemas pelo Brasil, somando uma bilheteria de 200,8 milhões de reais. Rosa era tudo o que se via em 20 de Julho de 2023: em roupas, sapatos, acessórios e, para os mais empenhados, até </span><a href="https://www.acidadeon.com/campinas/lazer-e-cultura/familia-viraliza-ao-se-fantasiar-com-temas-de-barbie-em-cinema-de-shopping-de-campinas/"><span style="font-weight: 400;">fantasias</span></a><span style="font-weight: 400;"> hiperrealistas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barbie</span></i><span style="font-weight: 400;"> não era apenas para quem amava a boneca e suas animações, </span><i><span style="font-weight: 400;">Barbie</span></i><span style="font-weight: 400;"> havia dado certo.</span></p>
<figure id="attachment_31459" aria-describedby="caption-attachment-31459" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31459" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/2-800x382.jpg" alt=" Cena do filme Barbie. No centro, em foco, há a atriz Margot Robbie, que interpreta Barbie. A atriz está dançando, em pé, batendo palmas, e piscando para a tela. Ela veste uma roupa branca com detalhes em prata, está com pulseiras douradas e o cabelo loiro solto. Atrás de Margot Robbie, estão várias outras atrizes do filme, dançando a mesma coreografia e fazendo diversos movimentos. Atrás delas há um cenário rosa que imita casas de bonecas." width="800" height="382" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/2-800x382.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/2-1024x489.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/2-768x367.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/2-1536x733.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/2-1200x573.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/2.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31459" class="wp-caption-text">Barbie exigiu tanto rosa para sua produção que provocou escassez mundial da tinta da marca Rosco (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo de encontro com o que esperávamos, a sinopse do longa-metragem surpreende. O roteiro de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ruido-branco-critica/"><span style="font-weight: 400;">Greta Gerwig</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/historia-de-um-casamento-critica/"><span style="font-weight: 400;">Noah Baumbach</span></a><span style="font-weight: 400;"> segue </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/barbie-margot-robbie-conta-o-que-a-convenceu-a-viver-a-boneca"><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie</span></a><span style="font-weight: 400;">, a Barbie Estereotipada, em seu dia-a-dia perfeito. Pelo menos até quando, durante um </span><i><span style="font-weight: 400;">flash mob </span></i><span style="font-weight: 400;">em sua Casa dos Sonhos, a personagem principal tem um pensamento inusitado que torna seus dias mais imperfeitos do que o normal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mau-humor, banho de água fria, waffles queimados, leite estragado e tombos inesperados são algumas das situações que passam a fazer parte de sua rotina. No entanto, é apenas após seus pés se achatarem que a personagem realmente percebe que algo está errado. Depois de visitar a sábia Barbie Estranha (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-escandalo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kate McKinnon</span></a><span style="font-weight: 400;">), a protagonista abraça a missão de ir ao Mundo Real em busca de respostas. Mas, é claro que o </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/ele-e-so-o-ken-conheca-a-historia-do-boneco-companheiro-da-barbie/"><span style="font-weight: 400;">Ken</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/barbie-margot-robbie-explica-por-que-ryan-gosling-e-o-ken-ideal"><span style="font-weight: 400;">Ryan Gosling</span></a><span style="font-weight: 400;">) não a deixaria enfrentar os perigos da Califórnia sozinha.</span></p>
<figure id="attachment_31458" aria-describedby="caption-attachment-31458" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31458" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3-800x378.jpg" alt="Cena do filme Barbie. A foto mostra seis barbies do filme, todas sentadas em uma arquibancada na praia completamente cor-de-rosa do cenário. A Barbie de Margot Robbie está no centro, sentada e com uma perna levantada, mostrando seu pé para as outras mulheres. Todas a olham com caras de espanto." width="800" height="378" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3-800x378.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3-1024x483.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3-768x362.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3-1536x725.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3-1200x566.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31458" class="wp-caption-text">Antes de assumir o papel da personagem principal, Margot Robbie era produtora de Barbie (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Barbielândia, os personagens masculinos são representados como coadjuvantes das bonecas, ou das mulheres em geral, contrariando o comum em Hollywood. Depois de assistirmos diversas narrativas embebidas no </span><a href="https://blogfca.pucminas.br/ccm/male-gaze-e-a-prevalencia-da-visao-masculina/"><i><span style="font-weight: 400;">male gaze</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nas quais as figuras femininas desdobram-se pela atenção masculina, Gerwig decide mudar um pouco os eixos ao mostrar os papéis trocados. Barbie é tudo, e o Ken é apenas… Ken. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Barbie Presidente, Barbie Ganhadora do Nobel, Barbie Escritora, Barbie Doutora e Barbie Jornalista: no mundo rosa, são elas que dominam o cenário mercadológico e social. Elas ganham prêmios, discursam sobre seu sucesso e não são julgadas por escolherem sua carreira &#8211; utilizando dessa </span><a href="https://exame.com/pop/barbie-pode-ser-o-filme-do-ano-e-vai-muito-alem-de-todo-o-plastico-cor-de-rosa/"><span style="font-weight: 400;">inversão</span></a><span style="font-weight: 400;"> como arma humorística extremamente potente, o roteiro é cômico, mas não trágico. </span></p>
<figure id="attachment_31457" aria-describedby="caption-attachment-31457" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31457" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/4-800x394.jpg" alt="" width="800" height="394" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/4-800x394.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/4-1024x504.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/4-768x378.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/4-1536x756.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/4-1200x590.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/4.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31457" class="wp-caption-text">A atriz Margot Robbie brincava no set e aplicava multas nos membros da equipe de produção que não usavam roupas rosas às quartas-feiras (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Relembrando seus tempos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OTzZZDJSdcE"><i><span style="font-weight: 400;">La La Land</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Ryan Gosling se rendeu, mais uma vez, a um musical muito bem executado. Com uma performance digna de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ru1LC9lW20Q"><i><span style="font-weight: 400;">I’m Just Ken</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é apenas uma das canções originais que compõem a sonografia extensa e as coreografias perfeitamente pensadas para cada momento do filme. Além do ator, a </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/37i9dQZF1DX0wIBbVnPvie?si=0fba63e840a14640"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Mark Ronson conta com Dua Lipa, Lizzo, Billie Eilish, Nicki Minaj, Tame Impala e diversos outros nomes de peso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não foi apenas a música que atraiu olhares para a performance de </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/266706-barbie-ryan-gosling-ganhar-oscar-filme.htm"><span style="font-weight: 400;">Gosling</span></a><span style="font-weight: 400;">. Interpretar um boneco de plástico cego pelo amor e apaixonado por praia pode parecer fácil, mas só poderia ser feito com tanta excelência por alguém capaz de fluir tão naturalmente entre personagens como K (</span><a href="https://faroutmagazine.co.uk/blade-runner-2049-ryan-gosling-best-work/"><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner 2049</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Noah Calhoun (</span><i><span style="font-weight: 400;">Diário de uma Paixão</span></i><span style="font-weight: 400;">). Assim nasce Ken, que tem seu arco de desenvolvimento focado em outra pessoa, mas, nos últimos minutos, entende que amar não precisa ser seu único traço de personalidade.</span></p>
<figure id="attachment_31456" aria-describedby="caption-attachment-31456" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31456" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/5-800x382.jpg" alt="Cena do filme Barbie. A foto centraliza três “Ken’s”, e ao fundo é possível ver o céu azul e o chão, também azul, com alguns coadjuvantes lutando. Da direita para a esquerda, temos o ator Ncuti Gatwa. Ele veste roupas de ginástica típicas dos anos 60 na cor amarela, faixa no cabelo e está em posição de luta, com os braços levantados. Ao seu lado, temos Ryan Gosling. Ele veste apenas um colete preto com franjas nos ombros, luvas pretas, bandana da mesma cor, pochete também preta e um colar prata. Ele está também em posição de luta. Por último, o ator Kingsley Ben-Adir. Ele também veste roupas de ginástica típicas dos anos 60 e segura um mastro prata para defender-se." width="800" height="382" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/5-800x382.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/5-1024x488.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/5-768x366.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/5-1536x732.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/5-1200x572.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/5.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31456" class="wp-caption-text">&#8220;Para ser honesto, quando descobri que o patriarcado não tinha nada a ver com cavalos, perdi o interesse&#8221; (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o que Greta chama de “</span><a href="https://filmhounds.co.uk/2023/07/how-authentic-artificiality-and-the-bimbo-saved-barbie/"><span style="font-weight: 400;">Artificialidade Autêntica</span></a><span style="font-weight: 400;">”, a película é ambientada na propositalmente surreal Barbielândia, o que distancia a diretora da saturada proposta de </span><a href="https://www.chippu.com.br/noticias/artista-fala-sobre-efeitos-visuais-the-flash"><span style="font-weight: 400;">realismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> fabricada pela computação gráfica. Esse, talvez, seja um dos fatores de maior destaque na obra: o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1s2Gf1szgNs"><span style="font-weight: 400;">mundo rosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o lugar que toda mulher um dia já quis morar. Lá os campos são verdes, o céu é sempre azul e não existe assédio, desigualdade salarial, fome, guerras ou tristeza, porque é sempre o melhor dia de todos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a Casa dos Sonhos apresenta sua primeira rachadura no questionamento existencial mais simplório de todos, a morte. Em um despertar vagaroso guiado pelas falhas do dia-a-dia no mesmo estilo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-show-de-truman-20-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Show de Truman</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/dont-worry-darling-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Worry, Darling</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Barbie aprofunda-se, sem querer, na pergunta da canção mais famosa do filme: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cW8VLC9nnTo"><i><span style="font-weight: 400;">What Was I Made For</span></i><span style="font-weight: 400;">?</span></a><span style="font-weight: 400;"> E, se ninguém imaginava sair chorando da sala do cinema após ver imagens tão vibrantes durante a divulgação, Gerwig nos pegou de surpresa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse caso, Glória (</span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/america-ferrera-comenta-discurso-poderoso-em-barbie-profundamente-impactada"><span style="font-weight: 400;">America Ferrera</span></a><span style="font-weight: 400;">) foi o ponto de encontro para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">universalização</span></a><span style="font-weight: 400;"> do “ser mulher”. Na tentativa de consolar Barbie, a personagem faz um monólogo sobre a dor feminina e lutas que, sem pensar, enfrentamos todos os dias. No fim, nos sentimos abraçadas por perceber que vivemos, todas juntas, experiências lindas, trágicas, tristes e acolhedoras &#8211; e poderíamos passar os dias sem ao menos notar que, ao lado, temos alguém capaz de entender exatamente o que estamos sentindo.</span></p>
<figure id="attachment_31455" aria-describedby="caption-attachment-31455" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31455" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/6-800x382.jpg" alt=" Cena do filme Barbie. Na foto, temos a protagonista Margot Robbie em plano aberto. Ela usa um vestido de estampa vichy rosa claro e branco, salto alto também rosa e tem cabelos loiros longos com um laço rosa. Ela está de costas e acena para a Barbielândia, cidade do filme. É possível ver o mar no horizonte e diversas construções rosas e caricatas ao fundo." width="800" height="382" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/6-800x382.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/6-1024x488.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/6-768x366.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/6-1536x732.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/6-1200x572.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/6.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31455" class="wp-caption-text">A dublagem de Barbie é feita por Flávia Saddy, a voz que acompanhou a boneca desde os desenhos (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E o que aconteceu depois que assistimos </span><i><span style="font-weight: 400;">Barbie</span></i><span style="font-weight: 400;">? A Mattel, de um lado, acreditou que o sucesso do filme se deu pela história da boneca mais famosa do mundo e irá expandir seu </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/mattel-planeja-sequencias-de-barbie-filmes-polly-pocket-barney-mais"><span style="font-weight: 400;">universo cinematográfico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Do outro, ficou um público realizado por sentir-se representado tão bem pelas sacadas de Greta dentro das vivências femininas. E nas outras sessões, tínhamos </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;">, novo filme de </span><a href="https://personaunesp.com.br/dunkirk-critica-nolan/"><span style="font-weight: 400;">Christopher Nolan</span></a><span style="font-weight: 400;">. Independente de onde você está encaixado, era impossível sair triste após testemunhar duas obras que, com certeza, entraram para a história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de piadas bem construídas, bonecas bonitas, muito rosa e músicas dançantes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Barbie</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se prende em discursos </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/07/26/barbie-e-sobre-amar-mulheres.htm"><span style="font-weight: 400;">empoderadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e no </span><i><span style="font-weight: 400;">Girl Power</span></i><span style="font-weight: 400;"> liberal. Emocionante e identificável podem ser as palavras que mais definem a experiência feminina na sala de cinema, assim, o sentimento sufocante de nunca ser suficiente é abafado pela nostalgia de ser criança e pode sonhar em ser o que quiser quando crescer. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Em Ruído Branco, o mundo real é uma simulação</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2023 14:27:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade “Consumista” já foi a palavra de ordem de uma geração que, em um passo ousado, julgava os relativos perigos de uma sociedade descontrolada – talvez como consequência direta da mudança social dos anos 1960, cuja virada cultural permanente se estabeleceu e desembocou no mal-estar das décadas seguintes. Mas o fato é que o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ruido-branco-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Ruído Branco, o mundo real é uma simulação"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29572" aria-describedby="caption-attachment-29572" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29572" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1072" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-2048x858.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29572" class="wp-caption-text">Em parceria com a A24, Ruído Branco estreou no Festival de Veneza e chegou à Netflix no penúltimo dia de 2022 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Consumista” já foi a palavra de ordem de uma geração que, em um passo ousado, julgava os relativos perigos de uma sociedade descontrolada – talvez como consequência direta da mudança social dos anos 1960, cuja virada cultural permanente se estabeleceu e desembocou no mal-estar das décadas seguintes. Mas o fato é que o julgamento parecia resfriar-se em um sólido cenário teórico, e ironicamente se perpetuava, muitas vezes, por aqueles que o apontavam. O consumo estava em toda parte. Em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.indiewire.com/2022/08/white-noise-movie-review-netflix-noah-baumbach-1234755914/">Ruído Branco</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, adaptação dirigida por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://about.netflix.com/pt_br/news/academy-award-nominated-filmmaker-noah-baumbach-signs-exclusive-partnership">Noah Baumbach</a></span><span style="font-weight: 400;"> do clássico homônimo de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788585095109/ruido-branco">Don DeLillo</a></span><span style="font-weight: 400;"> publicado em 1985, outras facetas do consumo – para além da alienação – ganham espaço: o entretenimento vulgar, o delírio e a paranoia.</span></p>
<p><span id="more-29568"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><i>White Noise </i></span><span style="font-weight: 400;">(no original) traz a dependência televisiva logo no título. Originalmente, DeLillo pretendia chamar o livro de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Panasonic</i></span><span style="font-weight: 400;">, mas a empresa vetou a utilização do nome. Mantendo a ideia de fazer alusão à TV, o autor cunhou “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Ruído Branco</i></span><span style="font-weight: 400;">”, expressão técnica para o que se convencionou a chamar de “</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-40679798">chiado na televisão</a></span><span style="font-weight: 400;">”, a imagem obstruída pelo som agonizante da falta de sinal. Todavia, na trama, o ruído branco pode muito bem ser, de forma alegórica, o medo da morte, que paira pela vida das personagens silenciosamente, obstruindo suas consciências. Seguindo a história do protagonista Jack Gladney (Adam Driver), tanto o livro como o filme traçam um paralelo quase perfeito entre o consumismo e o medo da morte.</span></p>
<p><figure id="attachment_29570" aria-describedby="caption-attachment-29570" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29570" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29570" class="wp-caption-text">“Por que pensamos que essas coisas já aconteceram? É simples. Elas já aconteceram mesmo, em nossas mentes” (DeLILLO, 2017, p. 189)¹ [Foto: Netflix]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O personagem principal, pai dos jovens </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://todavialivros.com.br/livros/erguei-bem-alto-a-viga-carpinteiros-seymour-uma-introducao">salingeranamente</a></span><span style="font-weight: 400;"> inteligentes Heinrich (Sam Nivola), Steffie (May Nivola), Wilder (Dean/Henry Moore) e padrasto de Denise (Raffey Cassidy), é também professor de “hitlerologia”</span> <span style="font-weight: 400;">– disciplina criada por ele na fictícia universidade College-on-the-Hill para se debruçar sobre a aura de Hitler –, vivendo sob o cerco de campanhas publicitárias e aprendendo às escondidas a língua alemã para um colóquio. Ele vê sua vida alterar-se significativamente com a chegada de uma nuvem tóxica, em decorrência de um acidente industrial próximo a sua residência. Diferente do livro, porém – e por razões razoáveis –, o longa tem sua primeira parte mais acelerada que as demais (embora o poder de síntese do diretor seja surpreendente, o filme ainda totaliza mais de duas horas de duração).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez pelas implicações que um novo formato pede, e mesmo mantendo-se fiel à trama, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ruído Branco </i></span><span style="font-weight: 400;">não tem o mesmo peso que o romance – mas não se trata, aqui, da velha dicotomia livro-é-melhor-que-o-filme. Baumbach, que além da direção, assina o roteiro adaptado, opta por não retratar alguns momentos da história original. Na obra literária de 1985, a filha mais jovem de Gladney participa de uma simulação do governo, na qual situações de vazamentos tóxicos são treinados por civis e policiais, aumentando o ar conspiratório de que tudo, na verdade, pode ser um truque estatal para manter a sociedade funcionando pelo medo. Mesmo que a cena não ocorra no longa, a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.shmoop.com/study-guides/literature/white-noise/analysis/simuvac-short-for-simulated-evacuation">SIMUVAC</a></span><span style="font-weight: 400;">, órgão ficcional do Estado cuja abreviação significa “evacuação simulada”, aparece na segunda parte do filme.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400;"><em>“</em></span><span style="font-weight: 400;">Murray diz que somos criaturas frágeis cercadas por um mundo de fatos hostis. Os fatos ameaçam a nossa felicidade e segurança. Quanto mais nos aprofundamos na natureza das coisas, mais frouxa a nossa estrutura nos parece. O processo da família visa ao isolamento em relação ao mundo exterior</span><span style="font-weight: 400;"><em>”</em></span><em> <span style="font-weight: 400;">(DeLILLO, 2017, p. 102).¹</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de cortar “</span><span style="font-weight: 400;"><i>o celeiro mais fotografado da América</i></span><span style="font-weight: 400;">”, o cineasta também decidiu ocultar Vernon Dickey, pai de Babette (</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://cinepop.com.br/greta-gerwig-diretora-de-barbie-e-lady-bird-vai-comandar-um-novo-filme-pela-netflix-383431/?amp">Greta Gerwig</a></span><span style="font-weight: 400;">), que na obra original é o responsável por entregar a pequena pistola ao protagonista, utilizada no clímax da história. No estilo conservador armamentista, esse personagem o presenteia com os dizeres “</span><span style="font-weight: 400;"><i>existem dois tipos de pessoas no mundo: as que morrem e as que matam</i></span><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ausente no longa, a cena e a fala são inseridas na boca de Murray Siskind (Don Cheadle), o eloquente amigo de Jack que pesquisa sobre a televisão e cobiça repetir seu feito e iniciar os “</span><span style="font-weight: 400;"><i>estudos sobre Elvis</i></span><span style="font-weight: 400;">” na universidade. Mas, à medida que o roteiro avança, percebe-se que o foco são os </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/plano-75-critica/">costumes contemporâneos</a></span><span style="font-weight: 400;"> – mesmo retratando a sociedade norte-americana dos anos 1980 –, tomando isso como um norte, enquanto alguns vícios esquisitos, como o delírio coletivo pela violência ou a inexplicável dificuldade em lidar com a realidade, são representados pela visão do protagonista.</span></p>
<figure id="attachment_29574" aria-describedby="caption-attachment-29574" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29574" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/3.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29574" class="wp-caption-text">Duas vezes indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, Noah Baumbach disse que White Noise é seu projeto “mais diferente”, sendo esse o primeiro longa que dirige com roteiro adaptado (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A essência da trama remonta à clara afeição que o cineasta mantém em relação ao livro. Em obras anteriores, Baumbach retratou grupos disfuncionais em suas falsidades, que, comumente, rompem no limiar entre o falso moralismo e o mal-estar – como em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/historia-de-um-casamento-critica/">História de um Casamento</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2019)</span><span style="font-weight: 400;"><i>,</i></span> <span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/os-meyerowitz-familia-nao-se-escolhe-critica">Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2017) e </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zaZhnD69vl0&amp;ab_channel=TrailersTeasersClips">A Lula e a Baleia</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2005). Nesse aspecto, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ruído Branco</i></span><span style="font-weight: 400;"> não está tão longe do campo que o autor estadunidense domina, visto que segue uma família particularmente diferente, na qual todos são demasiadamente autoconscientes, principalmente os filhos. A adaptação ainda é “</span><span style="font-weight: 400;"><i>mais diferente</i></span><span style="font-weight: 400;">” que os longas anteriores, como o próprio </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.indiewire.com/2022/09/noah-baumbach-interview-white-noise-1234768260/">diretor declarou</a></span><span style="font-weight: 400;">, porque preocupa-se principalmente com uma atmosfera paranoica e espetacularizada da realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, em diversos momentos o filme deixa pontas soltas que são explicadas apenas no livro. Há uma enorme complexidade na tentativa de reduzir as dezenas de frases impactantes de Don DeLillo em cenas rápidas, e Baumbach tenta sintetizá-las nos diálogos. Apesar disso, principalmente </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.esquire.com/uk/culture/a42396264/white-noise-ending-explained/">no final</a></span><span style="font-weight: 400;">, é praticamente impossível entendê-lo em sua totalidade sem ter lido a obra original. Mesmo que permaneça na Comédia Dramática – inclusive com </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://pitchfork.com/news/andre-3000-joins-noah-baumbach-new-white-noise-film-adaptation-for-netflix/">André 3000</a></span><span style="font-weight: 400;"> integrando o elenco –, seu mote sustenta-se em assuntos existencialistas e filosóficos, que idealmente devem ser transmitidos ao espectador sem exigir conhecimento prévio. Por reivindicar implicitamente a pesquisa, é um filme que dificilmente consegue o consenso.</span></p>
<p><figure id="attachment_29575" aria-describedby="caption-attachment-29575" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29575" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/4-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/4-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29575" class="wp-caption-text">“O supermercado está cheio de velhos que parecem perdidos no meio de tantas mercadorias de cores vivas” (DeLILLO, 2017, p. 207)¹ [Foto: Netflix]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O enredo ecoa a discussão </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-rei-palido-critica/">pós-moderna</a></span><span style="font-weight: 400;"> do espetáculo, que massivamente afasta os indivíduos da compreensão de “fim”. Na verdade, o consumo desenfreado – por vezes imperceptível a nós – é apenas uma reação ritualística ao medo ancestral da morte; é o preenchimento material da ausência completa de sentido. Não por acaso o supermercado ascende na trama como um espaço transcendental: é um cenário repleto de marcas, cujo zumbido ínfimo das luzes claras dos refrigeradores ressoa em nossos ouvidos junto às músicas do ambiente, que servem, basicamente, para afastar a frieza dos nossos pensamentos. Ao mesmo tempo que a morte “de verdade” é distanciada pelo entretenimento, a própria realidade é ela mesma assassinada, ampliando a estranha sensação de não pertencimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Paradoxalmente, enxergar o mundo em sua extensão é remetê-lo à noção de compreensão humana. Por isso, ao trazer sua complexidade ao espectro de nossos sentidos, nos esforçamos para alcançar a distância correta entre o que somos e o que pensamos ser – tudo ganha um ar de familiaridade. Como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.scielo.br/j/raeel/a/XLCG9KDtPBPK8YSqmk6bDrq/?lang=pt">Jean Baudrillard</a></span><span style="font-weight: 400;"> escreve, a interconexão entre o consumo e a vida cotidiana deixa de ser questionada pelos indivíduos, “</span><span style="font-weight: 400;"><i>praticamente inconscientes, na vida de todo dia, da realidade tecnológica dos objetos</i></span><span style="font-weight: 400;">”.² No mundo onde a simulação é gerada por um real sem origem nem realidade – chamado pelo filósofo de “</span><span style="font-weight: 400;"><i>hiper-real</i></span><span style="font-weight: 400;">”³ –, os objetos multiplicam-se ao infinito, pois precisam preencher uma “</span><span style="font-weight: 400;"><i>realidade ausente</i></span><span style="font-weight: 400;">”. O consumo e a solidão são inseparáveis.</span></p>
<figure id="attachment_29576" aria-describedby="caption-attachment-29576" style="width: 735px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29576" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/5.1-735x1024.jpg" alt="" width="735" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/5.1-735x1024.jpg 735w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/5.1-574x800.jpg 574w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/5.1-768x1070.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/5.1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29576" class="wp-caption-text">Don DeLillo é um dos poucos autores contemporâneos a revestir a aura do romancista como visionário (Foto: Joyce Ravid)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Historicamente, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ruído Branco</i></span><span style="font-weight: 400;"> teve três tentativas fracassadas de adaptação, antes da finalizada por Noah Baumbach. Desde os anos 1990, James L. Brooks (</span><span style="font-weight: 400;"><i>Laços de Ternura</i></span><span style="font-weight: 400;">, 1983), Barry Sonnenfeld (</span><span style="font-weight: 400;"><i>MIB &#8211; Homens de Preto</i></span><span style="font-weight: 400;">, 1997) e Michael Almereyda (</span><span style="font-weight: 400;"><i>Hamlet</i></span><span style="font-weight: 400;">, 2000) tentaram a empreitada, mas abandonaram o projeto. Seguindo a linhagem dos “</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.gq-magazine.co.uk/culture/article/systems-novel-future-of-fiction">romances de sistema</a></span><span style="font-weight: 400;">” – que se preocupam principalmente com o desenvolvimento dos mecanismos de poder sobre os personagens –, o livro e o estilo de Don DeLillo (extremamente sugestivo e, por vezes, até mesmo minimalista) dificultam qualquer roteiro cinematográfico, que precisa “mostrar” ao espectador situações que não são explicadas – e nem precisam ser – na Literatura. Esse tom sugestivo abre janela às interpretações “distópicas”, algo que, acertadamente, o diretor não explora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, mesmo que </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535903768/cosmopolis">Cosmópolis</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2003) tenha sido adaptado de forma interessante por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-maio-de-2022/">David Cronenberg</a></span><span style="font-weight: 400;"> em 2012 (com </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/">Robert Pattinson</a></span><span style="font-weight: 400;"> no papel principal), </span><span style="font-weight: 400;"><i>White Noise</i></span><span style="font-weight: 400;"> tem um peso ainda maior: trata-se – ao lado de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788571648838/submundo?idtag=9574a89e-f004-4536-99a9-de5691cab400&amp;gclid=Cj0KCQiAzeSdBhC4ARIsACj36uHe8wZ1zYJCf8r5meKiZxYF6taTvnMPbYYVlYfJ3x2oZeQ1ylp3H1waAt3jEALw_wcB">Submundo</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(1997) – da obra fundamental do autor, um clássico da Literatura norte-americana analisado em universidades e vencedor do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.nationalbook.org/books/white-noise/">National Book Awards</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, cujo impacto foi tão grande que projetou DeLillo como um dos melhores observadores da vida no capitalismo tardio. A simples trama do livro já parte de uma premissa complexa: a existência é indistinguível da “imitação” da realidade e do espetáculo das relações sociais.</span></p>
<figure id="attachment_29569" aria-describedby="caption-attachment-29569" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29569" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/6-e1673640103159.jpg" alt="" width="1920" height="787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/6-e1673640103159.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/6-e1673640103159-800x328.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/6-e1673640103159-1024x420.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/6-e1673640103159-768x315.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/6-e1673640103159-1536x630.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/6-e1673640103159-1200x492.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29569" class="wp-caption-text">Repetindo os movimentos de História de um Casamento, o diretor deixa em primeiro plano, durante o clímax, a cabeça do interlocutor, no que pode acenar para a perspectiva de integrar outra consciência (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora existam comparações, também é interessante observar que </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ruído Branco </i></span><span style="font-weight: 400;">não é o novo </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/">Não Olhe para Cima</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2021) – e isso é bom, para Baumbach. É sempre importante entender as dificuldades na adaptação de uma obra cinematográfica cujo roteiro surge de um livro clássico, mas, diferente do filme de Adam McKay, mesmo que algumas pontas permaneçam soltas, o texto original fornece um material impecável de discussão, que se sustenta nas atuações e permanece distante do debate conformista. É nesse ambiente que Adam Driver ascende como o grande destaque de atuação, segurando as nuances entre Comédia e Drama com habilidade. Pelo papel de Jack Gladney, Driver concorreu ao </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.goldenglobes.com/person/adam-driver">Globo de Ouro</a></span><span style="font-weight: 400;"> pela terceira vez, na categoria de Melhor Ator em Comédia ou Musical, mas perdeu para </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/afp/2023/01/10/colin-farrell-ganha-globo-de-ouro-de-melhor-ator-de-musical-ou-comedia.htm">Colin Farrell</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2022/12/12/phoebe-bridgers-estranho-mundo-jack/">Danny Elfman</a></span><span style="font-weight: 400;">, porém, é apenas curiosa. Misturando elementos da Música Eletrônica com a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/">Clássica</a></span><span style="font-weight: 400;">, ele auxilia na ambientação cultural de um Estados Unidos pós-industrial, a um nível quase distópico. O grande mérito musical fica a cargo da canção original de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://pitchfork.com/reviews/tracks/lcd-soundsystem-new-body-rhumba/">LCD Soundsystem</a></span><span style="font-weight: 400;"> – uma faixa </span><span style="font-weight: 400;"><i>dance punk</i></span><span style="font-weight: 400;"> que serve como melodia para a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.nme.com/news/music/watch-the-surreal-lcd-soundsystem-dance-scene-from-netflixs-white-noise-3373481">dança ensaiada</a></span><span style="font-weight: 400;"> dos créditos no fim –, vocalizada pelo líder do grupo, James Murphy, que colaborou com o diretor nas trilhas originais de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cwdliqOGTLw&amp;ab_channel=FocusFeatures">Greenberg</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2010) e </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NRUcm9Qw9io&amp;ab_channel=A24">Enquanto Somos Jovens</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2014).</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="LCD Soundsystem - new body rhumba (from the film White Noise) (Official Audio)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/JG17jiPdbb0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma vertiginosa, o longa explora a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/">expectativa social pela catástrofe</a></span><span style="font-weight: 400;">. Em alguns trechos, quando o acidente tóxico já ocorreu e dominou o imaginário conspiratório da população, o diretor dá piscadelas no roteiro à recente situação da pandemia de covid-19, jogando luz aos comentários negacionistas que são aplaudidos por Jack Gladney. Na verdade, o coronavírus revitaliza, de maneira incômoda, a obra original, apresentando o desastre como um fenômeno cíclico nas sociedades contemporâneas. O cineasta também se recusa a atualizar a história em seus figurinos e panorama social, mantendo a ambientação original de DeLillo – com todas as conspirações da Guerra Fria às quais o país estava submetido – e apontando para o caráter premonitório da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ânsia de Baumbach em presentear os espectadores com as melhores partes do romance faz com que diversos trechos de desenvolvimento de personagens sejam deixados de lado. Repentinamente, a partir da segunda parte, a trama muda para um cenário que beira o </span><span style="font-weight: 400;"><i>sci-fi</i></span><span style="font-weight: 400;">, e volta a se pacificar próximo ao fim, quando as melhores sequências de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ruído Branco</i></span><span style="font-weight: 400;"> são protagonizadas por Greta Gerwig e Adam Driver na revelação sobre o “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Dylar</i></span><span style="font-weight: 400;">” e, logo em seguida, no diálogo entre o protagonista e o Sr. Gray (</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/minha-irma-critica/">Lars Eidinger</a></span><span style="font-weight: 400;">). A crueza com que Baumbach grava o embate, os tiros e a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.smh.com.au/entertainment/books/don-delillo-the-great-american-novelist-on-paranoia-prescience-and-immortality-20160419-go9mfo.html">paranoia</a></span><span style="font-weight: 400;"> humanizada no papel de Eidinger registra uma perda da capacidade da linguagem para discernir ou até mesmo entender o mundo, que está </span><span style="font-weight: 400;"><i>“repleto de fatos hostis</i></span><span style="font-weight: 400;">” a nós.</span></p>
<p><figure id="attachment_29571" aria-describedby="caption-attachment-29571" style="width: 738px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29571" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL-738x1024.jpg" alt="" width="738" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL-738x1024.jpg 738w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL-577x800.jpg 577w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL-768x1066.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL-1107x1536.jpg 1107w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL-1476x2048.jpg 1476w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL-1200x1665.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL.jpg 1651w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29571" class="wp-caption-text">“A morte é que torna a vida incompleta” (DeLILLO, 2017, p. 345)¹ [Foto: Companhia das Letras]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Talvez preocupado demais em “parecer” a obra original, o longa inevitavelmente cai na armadilha prevista na própria trama. A representação de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ruído Branco</i></span><span style="font-weight: 400;"> torna-se o próprio “</span><span style="font-weight: 400;"><i>celeiro mais fotografado da América</i></span><span style="font-weight: 400;">”, e por isso sua presença é desnecessária, mesmo que frequentemente ganhe importância no livro. O </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/aug/31/white-noise-review-venice-opener-is-a-blackly-comic-blast">filme</a></span><span style="font-weight: 400;"> erra quando acerta demais, tentando emular os sentimentos e a velocidade do próprio romance de 1985 (o que explica a sensação de lentidão ou a estranheza que algumas partes podem causar).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao deixar de lado as potencialidades criativas de um novo formato, a obra convence e se sustenta pela história: há um pavor ecológico, há universitários espetacularizando o ensino (</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://cenasdecinema.com/o-guia-pervertido-da-ideologia/">Slavoj Žižek</a></span><span style="font-weight: 400;"> poderia ser um personagem), há negacionismo e há ironia – tudo tão longe e tão perto de nós. No fim, ainda podemos sublimar nossos desejos e ir às compras, enganando a nós mesmos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ruído Branco | Teaser oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Ltjepb-zCmc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<hr />
<p><span style="font-weight: 400;">¹ DeLILLO, Don. </span><b>Ruído Branco</b><span style="font-weight: 400;">. 2ª ed. Tradução de Paulo Henriques Britto. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">² BAUDRILLARD, Jean. </span><b>O sistema dos objetos. </b><span style="font-weight: 400;">5ª ed. Tradução de Zulmira Ribeiro Tavares. São Paulo: Perspectiva, 2015, p. 11.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">³ BAUDRILLARD, Jean. </span><b>Simulacros e simulação.</b><span style="font-weight: 400;"> Tradução de Maria João da Costa Pereira. Lisboa: Relógio d’Água, 1991, p. 8.</span></p>
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