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	<title>Arquivos Gabriel Fonseca &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Cry Macho: O Caminho para Redenção, Clint Eastwood desmantela o símbolo que já representou um dia</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2021 03:18:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Fonseca O Cinema sempre contribuiu para a construção de heróis que fizeram parte do imaginário popular. Alguns duraram pouco e outros atravessaram gerações, como é o caso de Clint Eastwood com o seu tipo durão, para os clássicos de faroeste. Conhecendo a imagem que projetou de si mesmo nas telas, o ator e diretor &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cry-macho-o-caminho-para-redencao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Cry Macho: O Caminho para Redenção, Clint Eastwood desmantela o símbolo que já representou um dia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23727" aria-describedby="caption-attachment-23727" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-23727" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-1.jpg" alt="Vemos os personagens Mike e Rafael, interpretados por Clint Eastwood e Eduardo Milett, em uma cena do filme Cry Macho: O caminho para redenção. À esquerda, temos Mike, um homem branco e idoso. Ele veste um chapéu de cowboy, jaqueta marrom, camisa de botões azul claro e calça jeans. Ao seu lado, está Rafael, um adolescente branco, com o tom da pele moreno, cabelos na altura das orelhas e veste uma jaqueta vermelha sobre uma camiseta amarela, além de uma calça bege. Atrás dos dois, vemos um carro grande e laranja." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-1.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23727" class="wp-caption-text">Clint Eastwood tem uma longa trajetória no Cinema, atuando em mais de 60 filmes e dirigindo mais de 40 (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Fonseca</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema sempre contribuiu para a construção de heróis que fizeram parte do imaginário popular. Alguns duraram pouco e outros atravessaram gerações, como é o caso de Clint Eastwood com o seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BoAbEVRHdZA"><span style="font-weight: 400;">tipo durão</span></a><span style="font-weight: 400;">, para os clássicos de faroeste. Conhecendo a imagem que projetou de si mesmo nas telas, o ator e diretor aproveitou mais de uma oportunidade para se desconstruir, ao mesmo tempo em que conta uma bela história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cry Macho: O Caminho para Redenção</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos uma versão atualizada dos heróis que protagonizaram o mito de criação dos Estados Unidos, no qual eles são trazidos para o século XX e se mostram mais humanos. O longa também explora um tom leve, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xAPN9tdaCow&amp;ab_channel=MundodosTrailers"><span style="font-weight: 400;">pouco trabalhado</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos filmes que Eastwood dirigiu e revela que o diretor ainda está aberto a novas experiências, mesmo que não precise inovar a sua forma de contar histórias.</span></p>
<p><span id="more-23726"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de declarar a aposentadoria em 2019 com </span><a href="https://www.planoaberto.com.br/critica/a-mula/"><i><span style="font-weight: 400;">A Mula</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Clint anunciou em 2021 </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/clint-eastwood-iconico-diretor-de-91-anos-nega-desejo-de-se-aposentar-entenda/"><span style="font-weight: 400;">o retorno como diretor e ator</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cry Macho</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele é Mike Milo, um domador de cavalos mal sucedido que já viveu tempos de glória como astro de rodeios. A trama se inicia graças à relação de dependência entre Mike e seu ex-patrão, Howard Polk (Dwight Yoakam), que lhe impõe a missão de viajar do Texas ao México para encontrar o filho, que vive sob os maus cuidados da mãe.</span></p>
<figure id="attachment_23728" aria-describedby="caption-attachment-23728" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-23728" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-4.jpg" alt="Vemos o personagem sem nome, interpretado por Clint Eastwood no filme Por um punhado de dólares. Ele é um homem branco de barba, chapéu de cowboy marrom e tem um charuto na boca" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23728" class="wp-caption-text">Eastwood ganhou notoriedade com filmes de bang bang nos anos 60 (Foto: MGM Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mike não consegue argumentar contra o plano de Howard e se vê obrigado a retribuir favores antigos. Assim, ele parte em uma jornada para buscar o garoto, enquanto é perseguido pela polícia e os capangas da mãe de Rafael, um garoto de 13 anos que cresceu em meio à ilegalidade. A relação entre o protagonista e o personagem de Eduardo Minett é o que orienta a trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no início, vemos uma relação improvável entre o menino e o ex-</span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy</span></i><span style="font-weight: 400;">. As diferenças culturais, de idade e personalidades extremas são fontes de conflito e dão profundidade à relação, que se desenvolve aos poucos, como se cada um contribuísse para a jornada de autoconhecimento e redenção do outro. Para Mike, o que importa é garantir a segurança de Rafael, que, por sua vez, tem conflitos internos e dúvidas sobre a própria identidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser o motor da narrativa, não encontramos equilíbrio entre as performances de Eastwood e Minett. O veterano consegue se exprimir pelo andar debilitado, a voz rouca, diferentes tons e expressões discretas &#8211; sua característica principal -, enquanto o aprendiz parece sair do elenco de uma novela do </span><i><span style="font-weight: 400;">SBT</span></i><span style="font-weight: 400;">.  Suas expressões e falas são teatrais, manjadas. Um ótimo exemplo, e contrário ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> duo</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cry Macho</span></i><span style="font-weight: 400;">, é a dupla Josué (Vinícius de Oliveira) e Dora (Fernanda Montenegro), do longa brasileiro </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L8KFrftda6w"><i><span style="font-weight: 400;">Central do Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23729" aria-describedby="caption-attachment-23729" style="width: 1960px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-23729" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-4.jpg" alt="Vemos uma cena de As Pontes de Madison. À esquerda, a atriz Meryl Streep interpreta Francesca. Ela é uma mulher branca, de cabelo comprido castanho, camisa branca, calça azul e segura algumas fotos enquanto está deitada. À direita, Clint Eastwood interpreta Robert. Ele é um homem branco, de cabelo branco, usa uma blusa verde e uma calça jeans. Robert está fotografando Francesca, enquanto os dois estão sobre um lençol no chão gramado." width="1960" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-4.jpg 1960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23729" class="wp-caption-text">Depois da queda dos filmes de velho oeste, Eastwood transitou por diferentes gêneros, como o drama e o romance (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A conexão com a história só acontece depois da metade, quando Mike e Rafael fogem da polícia federal mexicana e se abrigam em uma pequena cidade, com a ajuda de Marta. Natalia Traven interpreta a dona de um restaurante que se envolve com o protagonista e revela mais camadas de sua personalidade. Ele se mostra um homem amável e com talento para lidar com animais, o que nos passa uma impressão de pureza e reflete até a forma como o romance é construído.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor entre Mike e Marta é um amor contido, que se manifesta nos detalhes, nas interações cotidianas, sem que eles verbalizem, o que condiz com o perfil de direção de Eastwood, lembrando até mesmo </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-pontes-de-madison-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">As Pontes de Madison</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1995), romance em que o diretor contracenou com Meryl Streep, dando vida a um romance idealizado, contemplativo e platônico. Porém, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cry Macho</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">essa relação é concretizada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário dos grandes sucessos de Eastwood, neste filme não temos Morgan Freeman, Meryl Streep ou </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-menina-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Hilary Swank</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que o torna especial é o seu aspecto revisionista, coisa que já foi trabalhada em 1992 com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HrAPfDOhnj4"><i><span style="font-weight: 400;">Os Imperdoáveis</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, como no clássico do faroeste, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cry Macho </span></i><span style="font-weight: 400;">dialoga com os paradigmas do gênero e apresenta uma visão nova. Notamos isso na apresentação do protagonista, que encarna a figura do </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> fora de seu tempo, trazendo-o para a nossa realidade.</span></p>
<figure id="attachment_23730" aria-describedby="caption-attachment-23730" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23730" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2.jpg" alt="Vemos Earl Stone, interpretado por Clint Eastwood no filme A Mula. Ele é um homem branco, idoso, de boné cinza, jaqueta bege e camiseta marrom." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23730" class="wp-caption-text">Aos 91 anos, o diretor diz que retornou ao Cinema por não ter o que fazer em sua aposentadoria (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, a imagem que a </span><a href="https://www.slashfilm.com/562942/clint-eastwood-persona/"><span style="font-weight: 400;">indústria construiu</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre Clint é desmistificada e dá lugar a um herói frágil, sensível e nada letal. Esta subversão do gênero acontece tanto na personalidade de Mike, quanto no enredo. Ao invés de utilizar a violência plástica nos embates, temos soluções simples como fugir, ou conversar, sem a bravura e os tiroteios atordoantes. O que desenvolve a história é o diálogo, impondo um ritmo lento e contemplativo. Até a imagem dos mexicanos é desmontada. Se, de início pareciam um povo hostil e desonesto &#8211; graças às rinhas de galo, capangas e bandidos -, depois se transformam em pessoas simples e generosas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É neste tipo de revisão que o gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobrevive no Cinema atual. Tantas histórias de mesma temática foram contadas, que a indústria tem apostado em obras que subvertem ou dialogam com a linguagem própria do faroeste. Filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/bravura-indomita-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Bravura Indômita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/relatos-do-mundo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020) são exemplos de releituras mais sérias, que tratam o heroísmo com sobriedade. Quando não se desfazem da assinatura do gênero, estes filmes elevam os seus padrões ao exagero cômico, como o excelente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rJqOKGLH_mw&amp;ab_channel=NetflixBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">A Balada de Busters Scruggs</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dos irmãos Coen. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não ter um caráter inovador, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cry Macho: O Caminho para Redenção</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue despertar empatia e sua maior qualidade é a simplicidade. Sem reviravoltas surpreendentes, o enredo é despretensioso mas prioriza o desenvolvimento dos personagens. Além da lógica que orienta a narrativa e a forma como ela é contada: a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oRrdiRzdIXg&amp;ab_channel=omeleteve"><span style="font-weight: 400;">ressignificação do conceito de masculinidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> muitas vezes representado pela Sétima Arte.</span></p>
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		<title>A Mulher na Janela nos convida a revisitar um clássico, mas se perde nele</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2021 21:10:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Fonseca Filmes são feitos de outros filmes. De músicas, pinturas, e livros também. Como linguagem e expressão artística, o Cinema está constantemente influenciando e sendo influenciado por outras obras. Algumas são referências diretas, como as centenas de easter eggs em Jogador Nº 1. Outras, são fontes de inspiração e resultam em um trabalho único, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-mulher-na-janela-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Mulher na Janela nos convida a revisitar um clássico, mas se perde nele"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21605" aria-describedby="caption-attachment-21605" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21605" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-1.jpg" alt="Vemos cinco pessoas olhando para a câmera, em uma cena de A Mulher na Janela. A primeira, ao centro e à frente dos outros, é a atriz Amy Adams, que interpreta Anna Fox, uma mulher branca de cabelo ruivo preso, roupão rosa e camisola verde. Logo atrás, à esquerda vemos a atriz Jennifer Jason Leigh, que interpreta Jane Russell. Ela é uma mulher branca, de cabelo loiro e usa uma roupa social preta. Atrás dela, vemos o ator Brian Tyree Henry, que interpreta o Detetive Little, um homem negro, de cabelo curto, barba e sobretudo marrom. À direita, vemos mais dois atores. Wyatt Russell, que interpreta David, um homem branco, alto, de cabelo comprido loiro, barba, um blazer marrom escuro e calça jeans. Em seguida, Gary Oldman, ator que faz Alistair, outro homem branco, de cabelos grisalhos e um sobretudo preto." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21605" class="wp-caption-text">O longa se passa predominantemente em uma locação, a casa de Anna (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Fonseca</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filmes são feitos de outros filmes. De músicas, pinturas, e livros também. Como linguagem e expressão artística, o Cinema está constantemente influenciando e sendo influenciado por outras obras. Algumas são referências diretas, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogador-n1-critica/"><span style="font-weight: 400;">as centenas de </span><i><span style="font-weight: 400;">easter eggs </span></i><span style="font-weight: 400;">em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogador Nº 1</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Outras, são fontes de inspiração e resultam em um trabalho único, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=spnSp4kbEl4&amp;ab_channel=EntrePlanos"><span style="font-weight: 400;">a pintura de Edward Hopper que inspirou a casa horripilante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um clássico de Alfred Hitchcock. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por sua vez, Hitchcock foi uma fonte de referências e inspirações para Joe Wright, que é conhecido por dirigir dramas como </span><a href="https://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/churchill-e-lingua-inglesa/"><i><span style="font-weight: 400;">O Destino de uma Nação</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Wright se aventurou no suspense com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher na Janela</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma adaptação tediosa do romance homônimo de </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/02/10/a-mulher-na-janela-vai-virar-filme-mas-a-vida-do-seu-autor-e-mais-sinistra.htm"><span style="font-weight: 400;">A.J. Finn</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lançado na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">em maio, o filme é pura reverência às obras do passado – especialmente às de Hitchcock – e as utiliza como fórmula, sem propor uma experiência própria, ou alcançar o mesmo nível de tais obras.</span></p>
<p><span id="more-21604"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fazer um filme com elementos visuais, técnicos, ou com enredo que nos lembre de outro não é necessariamente um crime artístico. Na verdade, assim nascem os gêneros que costumamos usar para classificar o Cinema. Os filmes pioneiros ganham créditos por lançarem uma tendência, enquanto os posteriores são notados quando ultrapassam os limites do convencional. Usemos o exemplo do clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Ridley Scott. Com um futuro distópico herdado da literatura de George Orwell e </span><a href="https://personaunesp.com.br/fahrenheit-451-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ray Bradbury</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa ostenta a roupagem dos clássicos </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;">. O resultado é uma combinação inovadora das visões de passado e futuro, que rendeu </span><a href="https://personaunesp.com.br/blade-runner-2049-critica/"><span style="font-weight: 400;">uma continuação de mesmo nível.</span></a></p>
<figure id="attachment_21607" aria-describedby="caption-attachment-21607" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21607" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-2-1.jpg" alt="Vemos uma foto em preto e branco do Diretor Alfred Hitchcock, falecido em 1980. Ele é um homem branco, calvo e robusto que usa um smoking preto e aponta uma pistola para a nossa esquerda" width="2000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-2-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-2-1-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-2-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-2-1-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-2-1-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-2-1-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21607" class="wp-caption-text">Mesmo após quarenta e um anos de sua morte, o diretor Alfred Hitchcock ainda influencia a Sétima Arte (Foto: CBS Photo Archive)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da baixa criatividade, o filme de Wright ganha pontos ao escolher Amy Adams para dar vida à protagonista Anna Fox, uma psicóloga infantil com depressão e </span><a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/05/15/o-que-e-agorafobia-transtorno-da-protagonista-de-a-mulher-na-janela.htm"><span style="font-weight: 400;">agorafobia</span></a><span style="font-weight: 400;">, um transtorno de ansiedade que a impede de sair de casa. Só de abrir a porta, Anna entra em pânico e desmaia. Nos primeiros minutos, surge o mistério inicial da história: a causa de sua condição psicológica. Tudo o que sabemos é que ela é divorciada, mistura remédios controlados com álcool, é fã de suspenses clássicos e desenvolveu uma obsessão pela vida dos vizinhos, especialmente os Russell, uma família que acabou de se mudar para a casa da frente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A semelhança com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RSFotFSkOTE&amp;ab_channel=CarolSantoian"><i><span style="font-weight: 400;">Janela Indiscreta</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1954) não é nenhum segredo, pois, logo no início de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher na Janela</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos um frame do clássico, congelado na televisão de Anna</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Também podemos ver cenas de outros filmes do mesmo gênero, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Fala o Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Prisioneiro do Passado</span></i><span style="font-weight: 400;">. Estas referências são colocadas na tela por Wright, que quer nos familiarizar com a narrativa e, em alguns momentos, com as sensações despertadas pelos filmes mais velhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo, o espectador se antecipa em relação aos acontecimentos principais da trama: a protagonista que não pode sair de casa é testemunha de um assassinato, visto através de sua janela, o que coloca a sua vida em perigo também. Porém, construída com um perfil psicológico pouco confiável, Anna nos conduz à direção errada. Joe Wright, por sua vez, tenta nos posicionar dentro da cena, como observadores à espreita; o que consegue algumas vezes graças à atuação de Amy Adams e a cenografia. Tanto a atriz quanto a casa que a cerca são aflitivos, como se os dois representassem o mesmo estado de espírito.</span></p>
<figure id="attachment_21608" aria-describedby="caption-attachment-21608" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21608" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-3.jpg" alt="Vemos a personagem Anna Fox (Amy Adams) de frente para a janela de seu escritório, à direita. Ela é uma mulher branca, ruiva e usa um roupão rosa. A janela tem cortinas azuis e, ao fundo, vemos uma escrivaninha com diversos objetos em cima, incluindo um abajur amarelo. Na parede, podemos ver um quadro de um homem sentado, voltado para a esquerda. Assim, como o roupão de Anna e as cortinas, vemos o contraste de tons de azul no quadro e na parede com o tapete." width="1920" height="1279" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-3-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-3-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-3-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21608" class="wp-caption-text">O cenário de A Mulher na Janela mescla referências artísticas, como o quadro do escritório de Anna e as janelas de Janela Indiscreta (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta combinação entre a performance de Amy Adams e o cenário são como âncoras para criar o suspense. Vez ou outra, </span><a href="https://www.b9.com.br/144044/a-mulher-na-janela-critica-review-netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher na Janela</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> expressa visualmente o delírio e o medo de uma mulher traumatizada. Os outros personagens são revelados, se mostram mais do que os arquétipos que atribuímos a eles, porém, a sua transformação não nos surpreende porque não sentimos o seu peso, ou conseguimos nos importar suficientemente. A única exceção é Alistair, o pai da família Russell interpretado por Gary Oldman</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">O vilão é fino e carrancudo, até quebrar a sua passividade e explodir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com elementos interessantes, como a cenografia, o enredo inspirado em um clássico, Adams e Oldman no elenco, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Woman in the Window </span></i><span style="font-weight: 400;">não transmite uma experiência </span><i><span style="font-weight: 400;">a la </span></i><span style="font-weight: 400;">Hitchcock. É apenas um amontoado de referências. Talvez o objetivo de Wright com este filme tenha sido explicitar as convenções do próprio gênero, para anteciparmos o enredo e nos surpreendermos com as alterações. Isto não acontece com quem assiste e não percebe tais referências – elas passam despercebidas, tornam a direção vazia. Por outro lado, para quem é aficcionado por este tipo de mistério, o filme soa como outro </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-paranoia-2007/"><i><span style="font-weight: 400;">Paranóia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que não encontrou a própria voz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se posicionar em uma tendência artística ou gênero não é o mesmo que reproduzi-los. Se Joe Wright intencionou homenagear outro artista, se esqueceu de uma das suas características mais notáveis: a sua personalidade. Muitas decisões tomadas nesta produção não passaram de um chamariz comercial, sem o objetivo de despertar um sentimento, senão, o de familiaridade: o título e o enredo que nos lembram outro filme, o plano na escada de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=91ccee3DOMk"><i><span style="font-weight: 400;">Um Corpo que Cai</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1958) e a mudança de tom no final, para um terror </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;">.  É como se toda obra fosse construída a partir de fórmulas, coisa que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">faz às centenas, todos os anos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A Mulher na Janela | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NO78X9Eyvz0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Som do Silêncio nos ensina a olhar para a frente</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2021 16:52:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Fonseca O Som do Silêncio, da Amazon Prime Video, prega uma inteligência emocional que todos gostaríamos de ter. O longa independente conta a história de um baterista de heavy metal que descobre no meio de uma turnê, que está ficando surdo. Esta premissa já nos faz esperar por um clichê de superação da deficiência, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-som-do-silencio-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Som do Silêncio nos ensina a olhar para a frente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18591" aria-describedby="caption-attachment-18591" style="width: 835px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18591" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-1.png" alt=" Cena de O som do Silêncio. Vemos Riz Ahmed, que interpreta Ruben, dos ombros à cabeça, preenchendo quase totalmente o lado esquerdo e o centro da imagem. Ele é um homem de ascendência paquistanesa, pele marrom, olhos, barba, cabelo e bigode castanhos. Está levemente inclinado para a direita, olhando para a frente, de camiseta branca. Também vemos a sua prótese auditiva, um objeto pequeno em formato de gancho em sua orelha, à esquerda. Ela está conectada a um cabo preto que desaparece atrás da cabeça de Ruben. Podemos ver uma parede branca e o batente marrom desfocados atrás dele." width="835" height="557" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-1.png 835w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-1-300x200.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18591" class="wp-caption-text">Riz Ahmed <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZRCSqOpPD9A">se comprometeu a ter aulas de bateria e ASL</a>, a linguagem de sinais americana, durante a sua preparação para o personagem Ruben (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Fonseca</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VFOrGkAvjAE"><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, prega uma inteligência emocional que todos gostaríamos de ter. O longa independente conta a história de um baterista de </span><i><span style="font-weight: 400;">heavy metal </span></i><span style="font-weight: 400;">que descobre no meio de uma turnê, que está ficando surdo. Esta premissa já nos faz esperar por um clichê de superação da deficiência, ou de obsessão artística, como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5jaI1XOB-bs"><i><span style="font-weight: 400;">Cisne Negro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, o que torna as coisas interessantes é a oposição do protagonista à própria adaptação.</span></p>
<p><span id="more-18590"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O co-criador e diretor de primeira viagem (no cinema), Darius Marder, escolheu Riz Ahmed para dar vida ao protagonista Ruben Stone. Depois do </span><i><span style="font-weight: 400;">boom </span></i><span style="font-weight: 400;">na carreira com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I5dzReIxdSo"><i><span style="font-weight: 400;">O Abutre</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=am7DEDT07p8"><i><span style="font-weight: 400;">Rogue One</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Riz sujou a carteira de trabalho com </span><a href="https://personaunesp.com.br/venom-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Venom,</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e agora é um dos produtores do longa que coleciona elogios da crítica sobre as atuações e a narrativa simples, mas funcional. Imagine o trabalhão em preparar o protagonista para tocar bateria, aprender a língua dos sinais e fazer o tipo esquentado, que não se enquadra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O esforço do elenco rendeu indicações importantes a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sound of Metal</span></i><span style="font-weight: 400;">. A performance de </span><a href="https://deadline.com/2021/02/riz-ahmed-sound-of-metal-golden-globes-nominations-diversity-inclusion-representation-1234686342/"><span style="font-weight: 400;">Riz foi indicada ao Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Film Independent Spirit Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, que também indicou Paul Raci para a categoria de Melhor Ator Coadjuvante. A dupla está aquecendo para &#8211; provavelmente &#8211; dar as caras no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2021</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, desde o lançamento do filme no </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em dezembro. </span></p>
<figure id="attachment_18592" aria-describedby="caption-attachment-18592" style="width: 1176px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18592" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2.png" alt="Foto de uma entrevista com o diretor de O Som do Silêncio. Vemos Darius Marder, diretor e roteirista, ao centro da imagem, do peito para cima. Ele é um homem branco de pouco mais de quarenta anos, cabelo loiro, barba grisalha e camisa de botão azul claro. Está sorrindo, enquanto segura um microfone com a mão direita na altura do queixo. O microfone é preto, com um bloco amarelo, onde está escrito IMDB. Ao fundo, há uma janela desfocada com uma luz branca e bordas acinzentadas e pretas. " width="1176" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2.png 1176w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2-300x174.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2-1024x594.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2-768x445.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18592" class="wp-caption-text">Em entrevistas, o diretor estreante Darius Marder conta que a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=JruqNGF22B8&amp;t=83s">inspiração para Sound of Metal</a> nasceu quando gravou um protodocumentário sobre uma banda (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De cara, vemos um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de Ruben e Louise, interpretada por Olivia Cooke &#8211; com um ar mais adulto do que em </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogador-n1-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jogador Nº 1</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Os dois tocam em uma boate escura, com gente curtindo a barulheira, até vermos a outra parte de suas vidas. Eles namoram e vivem juntos em um </span><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i><span style="font-weight: 400;">, que não é descolado mas tem organização, é um cantinho só deles. O diretor Darius Marder é objetivo, numa hora estamos no </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, depois no </span><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos a rotina do casal, marcas de corte nos pulsos de Louise, nos perguntamos se ela está bem, depois voltamos à turnê.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de começar o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ruben fica parcialmente surdo. Sem explicações, somos sugestionados a acreditar que a exposição ao barulho da música é a causa, mas o filme não liga muito para isso. A </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/oscar-qual-a-diferenca-entre-edicao-e-mixagem-de-som/"><span style="font-weight: 400;">mixagem de som</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece aí, ou nós percebemos a sua função, porque começamos a variar entre os sons dentro e fora da cabeça do baterista. Quando Ruben perde oitenta por cento de sua audição, nós perdemos com ele, ouvimos sons abafados e as batidas secas dos objetos ao redor. Mesmo com a perda parcial do sentido, ele toma a decisão de começar o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas, depois abandona o palco por causa da experiência assustadora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais tarde, Ruben descobre que sua audição só vai diminuir até a surdez completa, e que, a única maneira de voltar a ouvir é fazer uma cirurgia caríssima para colocar próteses. O seu primeiro plano é juntar dinheiro com a turnê para fazer a tal cirurgia, mas Louise rejeita a ideia por completo. Então as coisas ficam assim: ela parte para a casa do pai, mesmo com os problemas familiares, enquanto ele vai a contragosto para uma comunidade de surdos. A química entre Riz e Olivia é interessante, o relacionamento deles é real, ótimo e péssimo, ao mesmo tempo. Talvez por causa da dependência dele. </span></p>
<figure id="attachment_18593" aria-describedby="caption-attachment-18593" style="width: 1238px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18593" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2.png" alt="Cena de O Som do Silêncio. Vemos uma roda de doze pessoas em pé. Eles estão ao centro da imagem, com uma luz que parte de cima e ilumina os rostos de quem está ao fundo, de frente para nós. Quem mais próximo de nós está de costas, vemos as suas silhuetas. Eles estão em uma sala escura, com muita sombra na cortinas amarelas e nas prateleiras pretas, cheias de livros. " width="1238" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2.png 1238w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2-300x135.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2-1024x462.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2-768x347.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2-1200x542.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18593" class="wp-caption-text">Parte do elenco do longa é composto por pessoas surdas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio &#8211; e podemos dividir </span><i><span style="font-weight: 400;">Sound of Metal</span></i><span style="font-weight: 400;"> em três atos tranquilamente -, Rubem tenta se adaptar à vida como surdo. Aos poucos ele se relaciona com as pessoas dentro da comunidade e se aproxima de Joe, o mentor interpretado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RgVto6dhZBM"><span style="font-weight: 400;">Paul Raci</span></a><span style="font-weight: 400;">. O obstáculo para o jovem baterista é a própria aceitação, ele passa os dias preso ao seu passado e parece não aprender a lição essencial de Joe: </span><i><span style="font-weight: 400;">“não precisa consertar nada aqui”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O veterano tenta ensinar que a surdez não é um problema, e que as pessoas da comunidade precisam ser lembradas constantemente disto. Por isso, quando vende o </span><i><span style="font-weight: 400;">trailer </span></i><span style="font-weight: 400;">e a bateria para fazer a cirurgia, Ruben é mandado embora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É neste momento, quando é vendida, que nos lembramos da bateria. Não era para este ser um </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-whiplash-em-busca-da-perfeicao/"><i><span style="font-weight: 400;">Whiplash</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com um protagonista surdo? A importância da carreira musical não desaparece, mas é deixada de lado, quase substituída pela relação entre ele e sua namorada, o que não é um problema pois </span><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i><span style="font-weight: 400;"> toma um rumo interessante a partir daí, começando pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KCU9f6NUvps"><span style="font-weight: 400;">visibilidade da cultura de pessoas surdas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a adaptação de quem não nasce surdo e a problemática da visão capacitista. A obsessão de Rubem em retornar à sua vida com Louise só revela o quanto ele está se enganando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, Rubem cai na real, depois de visitar Louise na casa do pai ricaço. A namorada já está em outra fase de sua vida e as próteses não funcionam como o esperado, são ruidosas, não há beleza na música e a direção de Darius Marder nos passa a percepção de desarmonia ao redor do personagem. Então, terminamos a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a impressão de que algo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=omtFcSoY6g0"><span style="font-weight: 400;">pode ser aprendido, sem os clichês de superação da deficiência</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas com a ideia de auto aceitação e até a visibilidade de uma comunidade que o cinema quase não ouve. </span></p>
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		<title>Ninguém quer estar sozinho em O Céu da Meia Noite</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Feb 2021 17:53:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Fonseca  George Clooney nos familiarizou ainda mais com o seu trabalho de diretor depois de seu último filme. Produção da Netflix, O Céu da Meia Noite usa a ficção para falar das relações humanas, em especial, a história de um pai e sua filha. Apesar de semelhanças  com Interstellar (2014), o longa é uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-ceu-da-meia-noite-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ninguém quer estar sozinho em O Céu da Meia Noite"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18524" aria-describedby="caption-attachment-18524" style="width: 1214px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18524 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem1.png" alt="Cena de O Céu da Meia Noite. Vemos o rosto de George Clooney bem próximo, de perfil. Ele interpreta Augustine e está de frente para um microfone preto. Uma luz suave e amarelada em seu rosto contrasta com as sombras e o fundo azul escuro." width="1214" height="638" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem1.png 1214w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem1-300x158.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem1-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem1-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem1-1200x631.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18524" class="wp-caption-text">A fotografia de O Céu da Meia Noite é essencial para transmitir a solidão de seus personagens (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Fonseca </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">George Clooney nos familiarizou ainda mais com o seu trabalho de diretor depois de seu último filme. Produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Céu da Meia Noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> usa a ficção para falar das relações humanas, em especial, a história de um pai e sua filha. Apesar de semelhanças  com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FsOLwDERRVA"><i><span style="font-weight: 400;">Interstellar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2014), o longa é uma adaptação do romance </span><i><span style="font-weight: 400;">Good Morning, Midnight</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://www.google.com/search?sxsrf=ALeKk00beR2RLJBGKAWMTWEC2Y8y-j-Org:1612075428337&amp;q=lily+brooks+dalton&amp;stick=H4sIAAAAAAAAAOPgE-LVT9c3NExPs0wvLzRMUoJwM5LSs1OSjfK0ZLKTrfST8vOz9cuLMktKUvPiy_OLsq0SS0sy8osWsQrlZOZUKiQVARUUK6Qk5pTk5-1gZQQACB4-aVYAAAA&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjA64b6yMXuAhVDGbkGHYcRClQQmxMoATAPegQIERAD"><span style="font-weight: 400;">Lily Brooks-Dalton</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além da direção, Clooney se coloca no centro da história, e com um visual diferente dos seus galãs de meia idade.</span></p>
<p><span id="more-18523"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No ano de 2049, dezenas de pessoas partem de uma base de pesquisa no Polo Ártico. É uma evacuação, e Augustine é o único que não se importa em deixar o lugar &#8211; tudo o que sabemos deste personagem de Clooney é a sua dependência de uma máquina de hemodiálise e várias garrafas de uísque.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isolado entre salas e laboratórios, Augustine se afunda no álcool enquanto aguarda por notícias de uma equipe de viajantes espaciais, que estão vindo para a Terra. Além do seu interesse na nave espacial </span><i><span style="font-weight: 400;">Aether, </span></i><span style="font-weight: 400;">sabemos que a Terra se encontra em colapso e o observatório parece ser um dos poucos lugares habitáveis. A causa e a forma deste apocalipse é um dos mistérios da história, que se interessa mais pela comunicação entre a nave espacial e o homem do Polo Norte.</span></p>
<figure id="attachment_18525" aria-describedby="caption-attachment-18525" style="width: 977px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18525 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem2.png" alt="Cena de O Céu da Meia Noite. Vemos George Clooney, que interpreta Augustine de lado. Ele é um homem branco, de cabelo branco curto e barba comprida, também branca. Está se deitando com o tronco virado para cima, rosto e olhos em direção à borda esquerda da imagem. Em sua mão esquerda, sobre a barriga, há um pequeno objeto quadrado ligado a um cabo branco que se estende até a borda esquerda da imagem. Seu braço direito tem duas faixas brancas enroladas e está em repouso sobre a cama de hospital. A cor da cama e a parede que está atrás de Augustine é azul, enquanto a sua roupa e pele têm um tom amarronzado." width="977" height="651" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem2.png 977w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem2-300x200.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem2-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18525" class="wp-caption-text">O personagem de George Clooney sofre de uma doença terminal (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do que imaginávamos, incluindo Augustine,  havia mais uma pessoa no observatório. Durante um incêndio na cozinha, ele encontra uma menina assustada, que nos faz lembrar de uma das primeiras cenas: enquanto o lugar estava sendo evacuado, uma mãe procurava pela filha, que desapareceu entre a multidão. Sem o menor preparo, Augustine assume a responsabilidade por Iris (</span><span style="font-weight: 400;">Caoilinn Springall).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos poucos, ele desenvolve um sentimento paternal por ela, ao estilo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/old-man-logan-quadrinho/"><i><span style="font-weight: 400;">Logan</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; depois de se frustrar procurando pelos pais. Em seguida, mergulhamos em um </span><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">para descobrirmos que, há muitos anos, Augustine fora o pesquisador que encontrou um lugar habitável fora da Terra, e que nesta época, se aproximou de Jean, interpretada por Sophie Rundle.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A locação teve um papel importante para criar uma atmosfera de solidão e melancolia. Augustine se torna mais decadente com os laboratórios vazios do observatório, quase insignificante no meio do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ntNLCpm8GIY"><span style="font-weight: 400;">desértico Polo Norte, reproduzido na Islândia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além do gelo absoluto, Clooney nos dirige ao espaço para completar a sua narrativa. Tão isolada quanto o observatório da Terra, a nave espacial </span><i><span style="font-weight: 400;">Aether </span></i><span style="font-weight: 400;">retorna de uma missão de reconhecimento do novo planeta K-23, um satélite de Júpiter. </span></p>
<figure id="attachment_18526" aria-describedby="caption-attachment-18526" style="width: 1177px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18526 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem3-1.png" alt="Cena de O Céu da Meia Noite. Vemos um prédio de concreto baixo, com uma torre à direita e uma abóbada de aço no topo, é o observatório astronômico Barbeau. Este observatório cinza e azul escuro está no centro da imagem, cercado por um chão de neve com uma montanha ao fundo. À sua frente, um homem de blusa laranja e calça azul caminha em direção à entrada. Está de dia e vemos um céu mesclando branco à esquerda, azul à direita e o contraste do branco da neve com as sombras azuladas. " width="1177" height="645" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem3-1.png 1177w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem3-1-300x164.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem3-1-1024x561.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem3-1-768x421.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18526" class="wp-caption-text">Além da pandemia de COVID-19, o frio da Islândia atrapalhou as gravações do longa (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os cinco passageiros, Sully, interpretada por Felicity Jones,</span><span style="font-weight: 400;"> toma a nossa atenção. Ela é responsável pela comunicação entre a nave e a Terra, mas não obtém respostas por causa das condições no planeta, o que causa ansiedade nos tripulantes, que mal imaginam o que está acontecendo. Dentro da nave, quase todos os diálogos são movidos pela nostalgia da terra natal, ou pela expectativa do retorno. Isto fica claro quando os vemos interagindo com hologramas de familiares e amigos, ou na cena em que reparam a nave, ao embalo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GmK5_lnQUbE"><i><span style="font-weight: 400;">Sweet Caroline</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora é um ponto alto do longa. Ela preenche o visual inabitado dentro e fora da Terra, revela o interior dos personagens e complementa os momentos de tensão e alívio. Alexandre Desplat é o responsável por colocar o longa na mira das principais premiações de 2021. Já indicado para o Globo de Ouro, gera expectativas para o <em>Oscar</em>, na categoria de Melhor Trilha Sonora Original, prêmio que já levou duas vezes por </span><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Hotel Budapeste </span></i><span style="font-weight: 400;">e o seu trabalho marcante em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-forma-da-agua-poesia-resenha/"><i><span style="font-weight: 400;">A Forma da Água</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Midnight Sky</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desprende das condições dentro e fora da Terra para focar nas relações humanas, como se dissesse que o maior bem da humanidade é a própria humanidade. Vemos isso logo na primeira cena, quando uma multidão abandona o único lugar seguro de um planeta em catástrofe, sem se importar para onde estavam indo. Mais tarde, quando inicia-se o arco narrativo dos astronautas, a primeira cena é um pesadelo de Sully: enquanto recolhia amostras no planeta recém descoberto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aether </span></i><span style="font-weight: 400;">parte em direção à Terra, deixando-a sozinha.</span></p>
<figure id="attachment_18527" aria-describedby="caption-attachment-18527" style="width: 979px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18527 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem4.png" alt="Cena de O Céu da Meia Noite. Vemos Felicity Jones, que interpreta Sully, com uma expressão triste, à direita da imagem, com o corpo levemente virado para a borda esquerda da imagem. Ela é uma mulher branca, de olhos azuis e cabelo castanho na altura dos ombros. Está de frente, sentada e só podemos ver o seu corpo da cintura para cima. A mão esquerda toca a bochecha e a boca, enquanto o braço direito se estende, um pouco inclinado para a frente. Ao fundo, há uma parede e um piso desfocados azul-escuros, da mesma cor da jaqueta de Sully.  " width="979" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem4.png 979w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem4-300x200.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem4-768x511.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18527" class="wp-caption-text">A gravidez inesperada de Felicity Jones provocou alterações no roteiro, enquanto o filme já estava sendo gravado (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seguida, mais </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks </span></i><span style="font-weight: 400;">revelam a personalidade e as motivações de Augustine</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Primeiro, descobrimos que o pesquisador rompeu a relação com Jean</span> <span style="font-weight: 400;">para se dedicar completamente à missão de dar um novo lar à humanidade. Depois de alguns anos, Jean aparece com uma filha, mas Augustine</span> <span style="font-weight: 400;">não se aproxima da criança e prefere que a sua identidade como pai permaneça em segredo. Todas estas decisões resultaram no personagem de 2049, que trocou as relações mais importantes de sua vida por uma carreira, e agora, tenta compensar esta ausência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de martirizar seus personagens, Clooney alivia com um desfecho heroico para Augustine</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">A comunicação entre os dois grupos acontece e o pesquisador evita que Sully chegue ao planeta condenado. Dois tripulantes descem da nave para passarem os últimos momentos na Terra, enquanto Sully parte para K-23 com o seu parceiro, o capitão Adewole (David Oyelowo). </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Céu da Meia Noite </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue representar uma ideia visualmente. É uma obra que sensibiliza para a necessidade humana de compartilhar a vida com os outros. Mas este é o seu limite, pois não conseguimos nos importar com os seus personagens. A relação entre o velho pesquisador e a garota perdida não é aproveitada, e, após a revelação final desta história, é rebaixada a um capricho narrativo &#8211; um recurso para deixá-la menos monótona. </span></p>
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		<title>O Diabo de Cada Dia falha em se destacar da obra original</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Oct 2020 16:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Fonseca O Diabo de Cada Dia (The Devil All The Time) é um filme que tenta corresponder à experiência literária da obra original e, com isso, perde a sua essência. Esta adaptação do primeiro romance de Donald Ray Pollock, traduzido como O Mal Nosso de Cada Dia, gerou grandes expectativas no público, e o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-diabo-de-cada-dia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Diabo de Cada Dia falha em se destacar da obra original"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15766" aria-describedby="caption-attachment-15766" style="width: 3585px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15766" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1.png" alt="" width="3585" height="1788" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1.png 3585w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1-300x150.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1-1024x511.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1-768x383.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1-1536x766.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1-2048x1021.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1-1200x598.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15766" class="wp-caption-text">Arving Russel (Tom Holland) é o eixo principal deste drama policial (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Fonseca</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Diabo de Cada Dia </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">The Devil All The Time</span></i><span style="font-weight: 400;">) é um filme que tenta corresponder à experiência literária da obra original e, com isso, perde a sua essência. Esta adaptação do primeiro romance de Donald Ray Pollock, traduzido como</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TSPWCV9YO5Q"><i><span style="font-weight: 400;"> O Mal Nosso de Cada Dia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, gerou grandes expectativas no público, e o fez acreditar no investimento de sua produção, que escolheu nomes em alta para compor o elenco.</span></p>
<p><span id="more-15765"></span></p>
<p><em><span style="font-weight: 400;">Estamos falando de Tom Holland, o intérprete mais recente do</span><a href="http://personaunesp.com.br/longe-de-casa-critica/"> <span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha</span></a><span style="font-weight: 400;">, Robert Pattinson, que fará o papel do homem morcego em</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MVLtgZP5ZXA"> <span style="font-weight: 400;">The</span> <span style="font-weight: 400;">Batman</span></a><span style="font-weight: 400;">, e Bill Skarsgard, que deu vida ao horripilante</span><a href="http://personaunesp.com.br/it-capitulo-dois-critica/"> <span style="font-weight: 400;">Pennywise</span><span style="font-weight: 400;">, de </span><span style="font-weight: 400;">It – A Coisa</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre outros nomes. A direção e o roteiro ficaram sob os cuidados de Antonio Campos, diretor e roteirista de </span><span style="font-weight: 400;">Depois da Escola </span><span style="font-weight: 400;">(2008) e </span><span style="font-weight: 400;">Simon Killer </span><span style="font-weight: 400;">(2012), além de outros longas e episódios de séries policiais, como</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HFEz4EVZiVc"> <span style="font-weight: 400;">The Sinner</span></a><span style="font-weight: 400;">, que lançou a sua terceira temporada em fevereiro deste ano.</span></em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história se passa nas cidades de Knockemstiff, em Ohio, e Coal Creek, em West Virginia, podendo ser dividida em três períodos diferentes. Primeiro, acompanhamos a união dos casais Russel, Laferty e Henderson, em 1947. Depois, as tragédias das duas primeiras famílias, que deixam Arving Russel (Tom Holland) e Lenora Laferty (Eliza Scanlen) órfãos, sob os cuidados de Emma Russel (Kristin Griffith), a avó do garoto, entre 1948 e 1957. Por último, em 1965, vemos os dois jovens crescerem como irmãos em Coal Creek, onde vivem uma espécie de reprodução dos males passados, como a violência plantada na essência do rapaz desde a sua infância e a devoção submissa da garota, característica herdada dos pais e que lhes custou a própria vida.</span></p>
<figure id="attachment_15767" aria-describedby="caption-attachment-15767" style="width: 3825px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15767" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2.png" alt="" width="3825" height="1776" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2.png 3825w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2-300x139.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2-1024x475.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2-768x357.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2-1536x713.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2-2048x951.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2-1200x557.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15767" class="wp-caption-text">A casa da família Russel, em um trecho isolado de Knockemstiff, Ohio (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O contexto é de extrema importância para as ações. A síntese de duas cidades do interior de Ohio e West Virginia, pós-Segunda Guerra, é o que define o modo de pensar e agir dos personagens em muitos momentos. Cada localidade possui a sua característica, e vemos as figuras existirem dentro de sua limitação cultural: os ideais de fé, masculinidade, condição financeira, entre outras coisas. O espectador é levado a um universo real, com casas de campo, a pequena igreja, os automóveis e o sotaque incorporado pelos atores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maneira de contar esta narrativa é o que enfraquece o longa. O encadeamento dos acontecimentos deixa de seguir a lógica cronológica para aproveitar um recurso de estilo literário: a transitoriedade entre diferentes tempos, que parece uma boa escolha a princípio, mas é comprometida por outro recurso, que é a narração. Do começo ao fim de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Diabo de Cada Dia</span></i><span style="font-weight: 400;">, temos uma voz extradiegética que explicita o que os personagens estão pensando e explica algumas cenas. Esta narração é usada em momentos desnecessários, como se a direção não confiasse no espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O narrador convém quando a sua função é gerar expectativas. Como no início da história, em que saltamos para a casa dos Russel em Knockemstiff, 1957, depois voltamos à Meade, 1947, quando o casal se conhece em uma lanchonete. Ou na cena em que Emma Russel pressente que coisas ruins podem acontecer ao descumprir sua promessa a Deus, de casar o filho Willard (Bill Skarsgård) com Helen (Mia Wasikowska). Willard já estava apaixonado por Charlotte (Haley Bennett) quando sua mãe o apresentou à outra moça, e é a voz em terceira pessoa que nos avisa sobre o medo da senhora em quebrar o acordo divino.</span></p>
<figure id="attachment_15768" aria-describedby="caption-attachment-15768" style="width: 682px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-15768 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-11-682x1024.jpg" alt="" width="682" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-11-682x1024.jpg 682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-11-200x300.jpg 200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-11-768x1154.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-11.jpg 975w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15768" class="wp-caption-text">Donald Ray Pollock, autor do romance The Devil All The Time, é também o narrador de sua adaptação (Foto: Patricia Franchino)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As expectativas geradas ao desenrolar da história funcionam, já que a sua função é prender a atenção, mas não são as únicas responsáveis por manter o interesse do público. O elenco carrega este grande mérito, ao criar tensão e conflito. Antonio Campos aproveita os planos fechados para captar as emoções que aparecem progressivamente, como se pudéssemos vê-las crescendo nos personagens. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W29nQNnGgG4"><span style="font-weight: 400;">Tom Holland consegue balancear entre o irmão protetor e o jovem apavorado</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas a quantidade de personagens em destaque tira o seu crédito como protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os coadjuvantes, Harry Melling é quem surpreende. Sua aparição como Roy Laferty é curta, mas revela tanta convicção, que o faz parecer um alucinado. Uma das passagens mais chocantes é o sermão que ele chama de <em>&#8220;testar a fé”</em>, no qual </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y14o9dm73uU"><span style="font-weight: 400;">Roy</span> <span style="font-weight: 400;">despeja um pote de aranhas sobre o próprio rosto</span></a><span style="font-weight: 400;"> para provar que Deus é capaz de remover os maiores medos do homem.</span></p>
<figure id="attachment_15769" aria-describedby="caption-attachment-15769" style="width: 3478px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15769" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4.png" alt="" width="3478" height="1776" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4.png 3478w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4-300x153.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4-1024x523.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4-768x392.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4-1536x784.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15769" class="wp-caption-text">Melling começou cedo no cinema, sob o papel de Dudley Dursley na franquia Harry Potter (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de seu enredo rico em personagens e a contextualização geográfica e histórica convincente, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Diabo de Cada Dia </span></i><span style="font-weight: 400;">não aproveita a liberdade que tem como adaptação para se tornar uma obra única. Escolher um narrador para explicar a história parece mais um capricho do que um recurso funcional, que limita o potencial da direção. Também não há uma unidade que amarre esta narrativa. Logo no começo, sentimos que uma crítica ao charlatanismo religioso está sendo construída, mas ela fica em segundo plano e tem um papel mais prático do que filosófico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transitoriedade entre os diferentes tempos da trama não é bem explorada. Campos não precisava fazer um longa ao estilo de</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pSVrigvxnIQ"> <i><span style="font-weight: 400;">Amnésia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Christopher Nolan, mas deveria se arriscar mais com esta escolha, já que se propõe a construir sua história como um romance literário o faria. A escolha também se torna um enfeite, que não acrescenta valor algum à experiência de quem assiste, além de antecipar alguns acontecimentos. </span></p>
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		<title>Rede de Ódio e o potencial destrutivo nas redes sociais</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Sep 2020 16:42:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Fonseca Rede de Ódio (Hejter) é um drama político que se propõe a mostrar como o medo e o preconceito podem se espalhar com facilidade pelas redes sociais. O longa polonês foi dirigido por Jan Komosa e chegou ao catálogo brasileiro da Netflix no final de julho. Nele, acompanhamos a história de Tomasz Giemza, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/rede-de-odio-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Rede de Ódio e o potencial destrutivo nas redes sociais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_14976" aria-describedby="caption-attachment-14976" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-14976 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1024x428.png" alt="" width="840" height="351" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1024x428.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-300x125.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-768x321.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1536x641.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-2048x855.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1200x501.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14976" class="wp-caption-text">A relação conturbada entre um rapaz e uma família se transforma em tragédia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Fonseca</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Rede de Ódio</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Hejter</span></i><span style="font-weight: 400;">) é um drama político que se propõe a mostrar como o medo e o preconceito podem se espalhar com facilidade pelas redes sociais. O longa polonês foi dirigido por Jan Komosa e chegou ao catálogo brasileiro da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">no final de julho. Nele, acompanhamos a história de Tomasz Giemza, interpretado por Maciej Musiałowski, um jovem frustrado que descobre a sua vocação em arruinar reputações através de informações e notícias falsas na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma espécie de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing </span></i><span style="font-weight: 400;">inverso. </span></p>
<p><span id="more-14971"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, a trama se baseia na proximidade entre Tomasz e a família Krasucki. Descobrimos que ele é expulso da faculdade por plágio e somos introduzidos à sua relação com os “tios”, que financiam seus estudos enquanto um embate político acontece em Varsóvia. Ao descobrir que é menosprezado pelo casal e sua filha, Gabi (</span><span style="font-weight: 400;">Vanessa Aleksander)</span><span style="font-weight: 400;">, o rapaz sente um impulso de vingança simultâneo ao desejo de ser aceito. À partir daí, suas ações são motivadas pela vontade de se aproximar de Gabi e se provar à família. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, somos apresentados à capital polonesa, onde uma onda de manifestações conservadoras emerge sob a premissa de combater os supostos inimigos da Europa: homossexuais, imigrantes e muçulmanos. Este universo é retratado por protestos com bandeiras de supremacia branca e a promoção da violência como arma para frear a imigração, ambos intensificados nas redes por declarações alarmistas de grupos que veem seu estilo de vida ameaçado. É por um acaso que este conflito se choca com o jovem protagonista, que começa a trabalhar em uma empresa que destrói imagens sociais e o direciona contra Rudnik, o candidato progressista que disputa o cargo de prefeito de Varsóvia e que é financiado pelos Krasuckis.</span></p>
<figure id="attachment_14978" aria-describedby="caption-attachment-14978" style="width: 2691px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14978" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2.png" alt="" width="2691" height="1794" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2.png 2691w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-300x200.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2048x1365.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14978" class="wp-caption-text">O embate entre grupos ultraconservadores e minorias sociais projeta uma atmosfera tensa que serve como contexto para a narrativa (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os elementos desta narrativa parecem caminhar isolados até que Tomasz é rejeitado pela família mais uma vez, o que o leva a unificar motivação pessoal e trabalho: atingir a campanha de Rudnik significa atingir Zofia (Danuta Stenka) e Robert Krasucki (Jacek Koman). Então, vemos a transformação do protagonista, que assume o seu cinismo para mergulhar em decadência. Toda a ação passa a se concentrar no seu personagem e Maciej Musiałowski eleva o nível de sua performance, exibindo plasticidade e emoção persuasivamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede de Ódio,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Komosa retoma a parceria com o roteirista de sua obra anterior, </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-corpus-christi-2019/"><i><span style="font-weight: 400;">Corpus Christi</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2020 na categoria de Melhor Filme Internacional, prêmio que foi para </span><a href="http://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2019)</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mateusz Pacewicz é simples com seu roteiro, ele determina todas as condições para desenvolvê-las em seguida. As peças são dadas ao espectador logo no começo, com a demonstração das personalidades, o conflito familiar e a tensão política que infla a cidade. Depois, estas peças se amarram e uma nova expectativa é criada, queremos descobrir o que Tomasz está planejando, mas já pressentimos a fatalidade.</span></p>
<figure id="attachment_14979" aria-describedby="caption-attachment-14979" style="width: 2681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14979" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3.png" alt="" width="2681" height="1787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3.png 2681w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-300x200.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-2048x1365.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14979" class="wp-caption-text">Maciej Musiałowski consegue imprimir um mentiroso hábil e cruel, que surpreende com suas decisões (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diálogo tem um papel fundamental nas ações e na montagem, funcionando nos momentos em que revela os personagens e na maneira como direciona as cenas, amarrando sequências e determinando o ritmo da narrativa. A música também é um recurso bem utilizado, se tornando perceptível quando é conveniente, principalmente quando faz parte do ambiente, como nas cenas em casas noturnas e no desfecho desta história, cujo horror explicitado visualmente se entrelaça à música clássica, como um anúncio de sua tragédia.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Rede de Ódio</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos mostra como é fácil converter a dor e o sofrimento em destruição pelas redes sociais, mesmo quando fazemos isto de forma anônima. O longa não tem uma abordagem pessimista sobre a tecnologia, como acontece constantemente em </span><a href="http://personaunesp.com.br/black-mirror-quarta-temporada-resenha-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Black Mirror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas explora a dimensão e o alcance que ela nos oferece quando o assunto é influenciar negativamente. Ao fim de seu esforço por vingança, Tomasz Giemza não é responsabilizado pelos danos causados. </span></p>
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