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	<title>Arquivos Era Uma Vez em Hollywood &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 5 anos, Era Uma Vez em&#8230; Hollywood nos envolvia em um sonho californiano</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Sep 2024 17:00:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bianca Costa Era Uma Vez em… Hollywood, a nona e mais recente obra de Quentin Tarantino, está completando cinco anos de estreia. Com dez indicações ao Oscar 2020, o longa ganhou as estatuetas douradas de Melhor Direção de Arte, assinada por Barbara Ling, e de Melhor Ator Coadjuvante para Brad Pitt. O filme é uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/era-uma-vez-em-hollywood-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Era Uma Vez em&#8230; Hollywood nos envolvia em um sonho californiano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34034" aria-describedby="caption-attachment-34034" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34034" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-800x524.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. Brad Pitt segue Leonardo DiCaprio por sua garagem com dois carros ao fundo enquanto o personagem de DiCaprio gesticula com os braços abertos." width="800" height="524" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-800x524.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-1024x671.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-768x503.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1.jpg 1070w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34034" class="wp-caption-text">Segundo <a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/brad-pitt-leonardo-dicaprio-falam-de-seus-papeis-em-era-uma-vez-em-hollywood-23687480?versao=amp">Brad Pitt</a>, Tarantino é &#8220;tão purista que não há imagens computadorizadas em suas obras” (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>Bianca Costa</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, a nona e mais recente obra de Quentin Tarantino, está completando cinco anos de estreia. Com dez indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2020, o longa ganhou as estatuetas douradas de Melhor Direção de Arte, assinada por Barbara Ling, e de Melhor Ator Coadjuvante para Brad Pitt. O filme é uma envolvente viagem no tempo para uma idealizada e ensolarada Califórnia na década de 1960, onde o diretor utiliza calmamente o cotidiano para expressar seu amor pela Sétima Arte, retratando um cenário que respira Cinema.</span></p>
<p><span id="more-34033"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa passeia pelos pacatos dias do ator em declínio, Rick Dalton, e de seu dublê, Cliff Booth, vividos, respectivamente, pelos grandes nomes da atuação: Leonardo DiCaprio e Brad Pitt. A dupla quebra essa imagem de uma Hollywood que existia mais no imaginário do que na realidade ao viver diretamente os dramas da indústria, acompanhando os personagens por cenas soltas e desritmadas. O diretor brinca com a expectativa do público ao retratar os trágicos eventos do verão de 1969. Os </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/amp/noticias/almanaque/o-crime-que-abalou-hollywood-5-fatos-sobre-o-brutal-assassinato-de-sharon-tate.phtml"><span style="font-weight: 400;">assassinatos</span></a><span style="font-weight: 400;"> brutais executados pela família Manson não só abalaram a cultura norte-americana como extinguiu, também, a atmosfera ensolarada e esperançosa de Los Angeles, marcada pelos ideais </span><i><span style="font-weight: 400;">hippies</span></i><span style="font-weight: 400;"> da época.</span></p>
<figure id="attachment_34035" aria-describedby="caption-attachment-34035" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34035" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-2.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. O personagem de Brad Pitt, homem branco e loiro que veste uma calça jeans, camiseta branca com detalhes vermelhos e uma camisa aberta amarela com detalhes florais e uma bota marrom, anda ao lado de um Cadillac creme, carro de 1966, com árvores ao fundo." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-34035" class="wp-caption-text">Cliff Booth dirige um Karmann Ghia azul, mesmo veículo que Beatrix Kiddo em Kill Bill (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dualidade retratada cria uma dança das cadeiras que Tarantino adora trazer em suas obras, alternando entre ficção e realidade, e utilizando a Arte para reescrever a história daqueles que foram injustiçados. Essa característica do diretor aparece também em </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/bastardos-inglorios"><i><span style="font-weight: 400;">Bastardos Inglórios</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2009), que reconta a história dos judeus no contexto da Segunda Guerra Mundial, e</span> <span style="font-weight: 400;">em</span> <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/django-livre-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Django Livre</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2012), onde a escravidão também tem direito a uma ‘revanche histórica’. Ambos contam com cenas regadas a muito sangue e apresentam uma violência exacerbada que beira o cômico – uma vingança </span><i><span style="font-weight: 400;">à la </span></i><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa pede por um contexto prévio sobre a noite do dia 9 de agosto de 1969 e o culto liderado por </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/mundo/noticia/2023/07/12/quem-foram-charles-manson-e-sua-familia-e-como-foi-a-serie-de-crimes-brutais-cometidos-por-eles.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Charles Manson</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsável por assassinar a sangue frio Sharon Tate, grávida do diretor Roman Polanski, além de outros quatro amigos da atriz dentro de sua casa em Los Angeles. A seita da família Manson é retratada aos poucos em </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood, </span></i><span style="font-weight: 400;">perseguindo lentamente a trama até cruzar as narrativas de Cliff com Pussycat</span> <span style="font-weight: 400;">(Margaret Qualley), que leva o coadjuvante até o </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/amp/noticias/almanaque/o-que-aconteceu-com-o-polemico-rancho-spahn.phtml"><span style="font-weight: 400;">Rancho Spahn</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde a família vivia no período. A longa e descompassada cena do rancho chega às telas de forma despretensiosa até alcançar uma tensão inesperada, angustiante e quase palpável pelo público.</span></p>
<figure id="attachment_34036" aria-describedby="caption-attachment-34036" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34036" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-800x538.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. A atriz Margot Robbie, mulher branca e loira dança sorridente com os braços para cima, centralizada ao centro de uma pista de dança iluminada e rodeada de outras pessoas, vestindo um conjunto amarelo e botas pretas." width="800" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-800x538.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-1024x689.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-768x517.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1.jpg 1070w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34036" class="wp-caption-text">&#8220;Queria que vocês vissem muito de Sharon vivendo sua vida e não apenas seguindo uma história, queria ver ela vivendo, sendo quem é&#8221;, diz <a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/streaming/explicamos-o-controverso-papel-de-margot-robbie-em-era-uma-vez-em-hollywood/amp/">Tarantino</a> em entrevista (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie reviveu lindamente </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/amp/noticias/reportagem/historia-quem-foi-sharon-tate-vida-morte.phtml"><span style="font-weight: 400;">Sharon Tate</span></a><span style="font-weight: 400;">, com uma pureza e inocência que transcende a tela e envolve o espectador pelas possibilidades que contornavam o futuro da artista em ascensão. A atriz soube como homenagear a estrela e seu bebê de forma melancólica e otimista ao mesmo tempo, comovendo o público com cenas sensíveis que contrastam com o cinismo e pessimismo de Dalton e Cliff. Tarantino, por sua vez, ensina novamente o verdadeiro poder da ficção ao reescrever a narrativa daqueles que jamais escaparam de um desfecho cruel, utilizando o Cinema para fugir de uma realidade injusta e brutal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem acompanha as produções do diretor sabe muito bem que as </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/08/09/de-briga-com-a-mae-a-ameaca-de-morte-tarantino-acumula-polemicas-e-tretas.amp.htm"><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre cercam suas obras, e em </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood </span></i><span style="font-weight: 400;">não seria diferente. O diretor e roteirista foi criticado por uma cena em que o ator Mike Moh interpreta </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/era-uma-vez-em-hollywood-polemica-tarantino-bruce-lee-entenda#:~:text=Quentin%20Tarantino%20respondeu%20%C3%A0%20pol%C3%AAmica,ele%20falar%20coisas%20como%20essas."><span style="font-weight: 400;">Bruce Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma forma estereotipada e escrachada, que ridiculariza a imagem do lutador e todos os seus feitos. Apesar da repercussão, o diretor não admite seu erro. Além disso, outra ‘bola fora’ foi não citar e problematizar em nenhum momento as inúmeras acusações contra Roman Polanski, marido de Sharon Tate, por abuso sexual.</span></p>
<figure id="attachment_34037" aria-describedby="caption-attachment-34037" style="width: 715px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-4.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. Bruce Lee (interpretado por Jason Scott Lee), homem de traços orientais vestindo uma regata branca e uma calça preta, faz movimentos de artes marciais enfrentando o personagem de Brad Pitt, homem branco que veste uma camisa branca de botões com uma calça preta e um colete preto." width="715" height="429" /><figcaption id="caption-attachment-34037" class="wp-caption-text">A China proibiu o lançamento do filme na data planejada em boicote à cena em que Bruce Lee luta com o personagem de Brad Pitt (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O conjunto de referências, a fotografia de Robert Richardson e a escolha da </span><a href="https://www.itapemafm.com.br/trilha-sonora-de-era-uma-vez-em-hollywood-e-uma-viagem-aos-anos-1960"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, feita pelo diretor do filme, contribuem para a experiência de um sonho hollywoodiano embriagado, vivenciado nos anos dourados. Uma época onde o corriqueiro ganha estrelato até que aconteça o hiperbólico desfecho do longa, fugindo da triste realidade do crime e fazendo com que os assassinos da família Manson tivessem um </span><a href="https://cinebuzz.com.br/amp/noticias/cinema/relembre-as-10-cenas-mais-sangrentas-de-quentin-tarantino.phtml"><span style="font-weight: 400;">sangrento fim</span></a><span style="font-weight: 400;">. O acontecimento guia o público até a doce ilusão de que o dia 15 de agosto de 1969 se manteve como um dia ordinário em Los Angeles, cidade onde os sonhos ainda se tornam realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino, que promete se </span><a href="https://rollingstone.com.br/amp/noticia/quentin-tarantino-confirma-aposentadoria-apos-seu-decimo-filme/"><span style="font-weight: 400;">aposentar</span></a><span style="font-weight: 400;"> após produzir a décima obra de sua carreira, entrega uma verdadeira declaração de amor ao Cinema em seu nono filme. Seguindo uma linha mais madura e, ao mesmo tempo, divertida, são 160 minutos de muita paixão pela Sétima Arte, mostrando seu poder de transportar o espectador para um século e uma realidade idealizada aos mínimos detalhes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Once Upon a Time… in Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) se mantém relevante por ser uma experiência completa guiada pelo excepcional diretor. Com um elenco de grande peso, composto por nomes que souberam trabalhar os personagens perfeitamente, Tarantino mostra, mais uma vez, que o Cinema é uma ferramenta para segundas chances.</span></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Outubro de 2022</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Nov 2022 12:51:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Você me disse que o medo sempre foi uma das minhas distrações favoritas. Essas loucuras minhas são das que você mais gosta, porque demonstram que ainda resta em mim algum resquício de infância. Não sou corajosa, mas em minha inconsciência jamais recuso o perigo, eu o busco para brincar com ele.&#8221; &#8211; Silvina Ocampo O &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Outubro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29340" aria-describedby="caption-attachment-29340" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29340" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ESTANTE_OUT_WP.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ESTANTE_OUT_WP.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ESTANTE_OUT_WP-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ESTANTE_OUT_WP-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29340" class="wp-caption-text">Com tradução de Livia Deorsola, As convidadas foi a aventura do Clube do Livro em Outubro de 2022 (Foto: Companhia das Letras/Arte: Nathália Mendes/Texto de abertura: Vitória Gomez)</figcaption></figure>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Você me disse que o medo sempre foi uma das minhas distrações favoritas. Essas loucuras minhas são das que você mais gosta, porque demonstram que ainda resta em mim algum resquício de infância. Não sou corajosa, mas em minha inconsciência jamais recuso o perigo, eu o busco para brincar com ele.&#8221;</span></i></p>
<p style="text-align: right;">&#8211; Silvina Ocampo</p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O final do ano se aproxima e o Clube do Livro não deixou a peteca cair. Se as </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><span style="font-weight: 400;">relações humanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> já permearam mais debates do que conseguimos contar em uma mão, a escolha do mês remexeu a abordagem do tema e desafiou os leitores do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;">, leitura selecionada para Outubro, tem as relações amorosas como ponto central da maioria de seus 44 </span><a href="https://personaunesp.com.br/homens-sem-mulheres-critica/"><span style="font-weight: 400;">contos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de duração. O livro de Silvina Ocampo, porém, leva o absurdo a sério e o extrapola para explorar os tais relacionamentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado no Brasil em 2022 pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">, a coletânea de curtas histórias é tão surpreendente quanto é chocante. Ora </span><a href="https://valkirias.com.br/silvina-ocampo/"><span style="font-weight: 400;">sombria</span></a><span style="font-weight: 400;">, ora cômica, Ocampo invade o costumeiro com o extraordinário e o inesperado. Na subjetividade de deixar seus pontos emaranhados em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">situações peculiares</span></a><span style="font-weight: 400;">, escondidos sob o véu da interpretação de cada leitor, a escritora argentina rende material para teorias e debates através da lente do realismo mágico e da </span><a href="https://www.estadao.com.br/alias/borges-bioy-casares-e-silvina-ocampo-elencam-o-melhor-da-literatura-fantastica/"><span style="font-weight: 400;">literatura fantástica</span></a><span style="font-weight: 400;">, levando sua testemunha a apenas um passo de descobrir o que não pretende desvendar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na obra, selecionada graças a parceria do </span><b>Persona </b><span style="font-weight: 400;">com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Outubro talvez tenha sido o mês da antecipação no campo literário. Anunciada como convidada da Festa Literária Internacional de Paraty &#8211; tema garantido no próximo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">Estante</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, a francesa Annie Ernaux recebeu o </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1578128528377348096?s=20&amp;t=M9mEyEY94Ry8EdPgvU4hcA"><span style="font-weight: 400;">Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela “coragem e acuidade clínica com que descobre as raízes, os distanciamentos e as restrições coletivas da memória pessoal”. Uma das favoritas ao prêmio, Ernaux se tornou apenas a 17ª mulher a vencer a honraria, de 119 ganhadores desde 1901. Após a vitória, ela </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/10/06/quem-e-annie-ernaux-ganhadora-donobel-de-literatura-entenda-importancia-da-obra-da-escritora.ghtml"><span style="font-weight: 400;">destacou</span></a><span style="font-weight: 400;"> que deve poder testemunhar &#8220;uma forma de equidade, justiça, em relação ao mundo”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mente por trás de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Les Armoires Vides </span></i><span style="font-weight: 400;">(1974), </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Anos </span></i><span style="font-weight: 400;">(2008) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000) &#8211; esse último, experienciado pelo Clube do Livro em </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-julho-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Julho</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, foi honrada pela forma com que mescla suas experiências de vida a temas de interesse coletivo, cunhado como “autosociobiografia”. Na primeira obra, por exemplo, a escritora reflete sobre </span><a href="https://grabois.org.br/2022/10/06/annie-ernaux-um-nobel-para-a-literatura-de-esquerda/"><span style="font-weight: 400;">classes sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma inconstante França ao passo que narra seu próprio cotidiano no empreendimento da família no interior do país. A </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/"><span style="font-weight: 400;">linguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> simples e direta, “cristalina”, de Ernaux também pode ser mencionada com um dos motivos do envolvimento arrebatador de seus textos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do âmbito global ao nacional, a antecipação se estendeu ao Prêmio Jabuti: um dos maiores reconhecimentos da Literatura e do mercado editorial brasileiro revelou seus </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/10/25/premio-jabuti-divulga-finalistas-de-2022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">finalistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> na última semana do mês. Dentre os </span><a href="https://www.premiojabuti.com.br/noticias/confira-os-10-finalistas-de-todas-as-categorias-do-61%C2%BA-pr%C3%AAmio-jabuti/"><span style="font-weight: 400;">10 concorrentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em cada categoria, divididas nos eixos de Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação, a de Romance Literário se destacou. Com 8 dos 10 nomes que chegaram ao corte final sendo autoras mulheres, a lista dos 5 indicados ao troféu foi ainda mais positivo. Mas isso é tema para o próximo mês. Dentre as menções, Natalia Borges Polesso concorreu pela terceira vez (a segunda na categoria), agora com </span><i><span style="font-weight: 400;">A extinção das abelhas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Andréa del Fuego, por </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pediatra-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A pediatra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/"><span style="font-weight: 400;">Aline Bei</span></a><span style="font-weight: 400;">, por </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i><span style="font-weight: 400;">, ambas conhecidas do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">também integraram a lista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1593016930440708098?s=20&amp;t=M9mEyEY94Ry8EdPgvU4hcA"><span style="font-weight: 400;">língua portuguesa</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um todo, o Prêmio Camões 2022 laureou o ensaísta e poeta Silviano Santiago. Autor dos ensaios </span><i><span style="font-weight: 400;">O entre-lugar do discurso latino-americano</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O cosmopolitismo do pobre</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">As raízes e o labirinto da América Latina</span></i><span style="font-weight: 400;">, o escritor mineiro levou seis vezes o Prêmio Jabuti e o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras. Agora, soma o Camões a sua estante, pelo conjunto de sua obra. Dentre os cotados do Brasil, Portugal e países africanos de língua portuguesa, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/10/24/silviano-santiago-vence-premio-camoes-2022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Santiago</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o 14º brasileiro a fazer parte da curta lista de vencedores; em 2021, quem recebeu a honraria foi Paulina Chiziane, de Moçambique.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre reconhecimentos e antecipações, o Clube do Livro segue atento aos próximos destaques vindos do Jabuti e aos </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/com-autores-engajados-flip-2022-apostou-na-pluralidade-de-vozes/"><span style="font-weight: 400;">debates fundamentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> suscitados na </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/11/flip-radicaliza-proposta-de-diversificar-convidados-e-editoras-fora-do-eixo.shtml"><span style="font-weight: 400;">Flip 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, que pautarão a Literatura pelos próximos meses. Enquanto isso, é a Editoria do Persona quem indica as leituras do final do ano.</span></p>
<p><span id="more-29308"></span></p>
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<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_29321" aria-describedby="caption-attachment-29321" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29321 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-683x1024.jpg" alt="Capa do livro As convidadas, de Silvina Ocampo. Na imagem colorida, há o desenho de uma mulher amarela em que, no lugar do rosto, há um buraco de cor azul com uma escada de cor vermelha na qual uma outra mulher amarela, vestindo blusa verde e calça azul, está subindo. Na parte superior, de forma centralizada, está escrito Silvina Ocampo, em fonte de cor preta, e abaixo As convidadas, em fonte de cor branca. À esquerda, há cinco círculos azuis, nos quais os dois primeiros representam um nascer do sol, o terceiro apresenta uma mão branca pegando o que seria a representação do sol, e o quarto e o quinto uma boca comendo esse mesmo sol. À direita, de forma vertical, está o logo da editora Companhia das Letras, em cor branca. O fundo da imagem é vermelho." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29321" class="wp-caption-text">Com tradução de Livia Deorsola, As convidadas reúne 44 contos curtos que mesclam horror e humor (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Silvina Ocampo &#8211; As convidadas (264 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora historicamente sua fama tenha sido ofuscada de forma injusta por Adolfo Bioy Casares (seu marido) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jorge Luis Borges</span></a><span style="font-weight: 400;"> (seu amigo) – dois autores que, além de próximos familiarmente, fizeram parte do mesmo movimento literário em Buenos Aires –, em diversos momentos Silvina Ocampo redige trabalhos plenamente superiores aos dos dois. Ao contrário dos seus contemporâneos – que utilizavam a fantasia em um ambiente totalmente imaginado, por vezes universos paralelos –, Ocampo infecta o doméstico com o estranho, sendo a precursora de algumas das autoras de maior renome na atualidade (</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/carmen-maria-machado-explora-limites-do-metoo-em-livro-sobre-relacao-abusiva.shtml"><span style="font-weight: 400;">Carmen Maria Machado</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/amp/ilustrada/2021/04/mariana-enriquez-investiga-chagas-espirituais-e-familiares-em-novo-livro.shtml"><span style="font-weight: 400;">Mariana Enriquez</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://elpais.com/argentina/2022-11-17/samanta-schweblin-gana-el-national-book-award-de-traduccion-por-siete-casas-vacias.html"><span style="font-weight: 400;">Samanta Schweblin</span></a><span style="font-weight: 400;"> são apenas alguns exemplos). Mas, no que se convencionou chamar de “Literatura Fantástica”, Silvina Ocampo é um nome imprescindível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez menos visceral que </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535932607/a-furia"><i><span style="font-weight: 400;">A fúria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1982) – em que os sonhos são convertidos em pesadelos e dão espaço ao cenário de Terror –, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/09/silvina-ocampo-em-as-convidadas-comprova-imaginacao-exuberante.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é considerado emblemático por sua maturidade estilística, mesmo que ainda atravessado por elementos insólitos e perturbadores. Originalmente publicado em 1961, este é o segundo livro da autora argentina lançado no Brasil pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">, e reúne 44 contos breves nos quais fantasmas emergem de fotos, crianças surdas-mudas criam asas e voam, cujo absurdo surge para acabar com a monotonia dos dias cotidianos (talvez uma maneira de dizer que a rotina é repleta de casos fantásticos). Contudo, a graça de ler seus contos está na composição: existem sempre duas histórias sendo contadas, a de fato escrita e a não-escrita, nas entrelinhas. O clímax é quando essas duas linhas narrativas colidem – mas </span><a href="https://www.estadao.com.br/alias/silvina-ocampo-narra-a-perda-da-ingenuidade-em-as-convidadas/"><span style="font-weight: 400;">Silvina Ocampo</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre adia esse acontecimento.</span></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_29322" aria-describedby="caption-attachment-29322" style="width: 666px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29322 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-666x1024.jpg" alt="Capa do livro O idiota, de Fiódor Dostoiévski. Na imagem, há um fundo azul com a ilustração da sombra de um homem jovem. Há um retângulo vermelho sobre seus olhos. Abaixo, há uma linha branca com os escritos Penguin Companhia em fonte de cor preta, e o desenho de um pinguim ao centro. Mais abaixo, há uma faixa preta, com os escritos Clássicos em fonte de cor branca, Fiódor Dostoiévski em fonte de cor laranja e O idiota abaixo, em fonte de cor branca." width="666" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-666x1024.jpg 666w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-520x800.jpg 520w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-768x1181.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-999x1536.jpg 999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-1332x2048.jpg 1332w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-1200x1845.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-scaled.jpg 1665w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29322" class="wp-caption-text">Com uma nova tradução diretamente do russo 20 anos depois da primeira lançada no país, O idiota é um retrato de alienação (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Fiódor Dostoiévski &#8211; O idiota (944 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tido como um dos principais romances da chamada “fase de ouro” de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02809"><span style="font-weight: 400;">Fiódor Dostoiévski</span></a><span style="font-weight: 400;"> – ao lado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crime e castigo </span></i><span style="font-weight: 400;">(1866), </span><i><span style="font-weight: 400;">Os demônios </span></i><span style="font-weight: 400;">(1871) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Os irmãos Karamazov</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1880) –, </span><i><span style="font-weight: 400;">O idiota</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1869) ressurge no Brasil sob nova tradução de Rubens Figueiredo. Recebido pelo </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> através da parceria com a editora </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o livro traz como protagonista o príncipe Míchkin – uma alegoria dos ideais cristãos –, como forma de se contrapor às concepções niilistas dominantes no período, que foram bem retratadas em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535932324/pais-e-filhos"><i><span style="font-weight: 400;">Pais e filhos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1862) de Turgueniev ou no Raskólnikov, personagem mais famoso de Dostóievski.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em parte romance de ideias, em parte romance de costumes, a obra mais autobiográfica do autor russo traz a trama de um jovem de 26 anos que acaba de retornar a São Petersburgo após permanecer vários anos em um sanatório na Suíça, para tratar sua epilepsia. O tema central de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788582852392/o-idiota"><i><span style="font-weight: 400;">O idiota</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">parece ser a problemática do indivíduo “puro”, superior, que acaba, numa sociedade com valores corrompidos, sendo visto como um idiota.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da mesma forma como Dostoiévski, enquanto pensador político, coloca sempre a sua última esperança numa regeneração vinda do seio da comunidade popular, Míchkin é, por assim dizer, um herói – uma mescla de Jesus Cristo e Dom Quixote –, cuja compaixão sem limites se choca com o desregramento mundano de Rogójin e a “beleza enlouquecedora” de Nastácia Filíppovna. Sua bondade e o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2021/11/dostoievski-e-flaubert-implodiram-o-narrador-tradicional-e-criaram-o-romance-moderno.shtml"><span style="font-weight: 400;">impacto da sua sinceridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> revela ao leitor, de forma trágica, que sob um mundo obcecado por dinheiro, poder e conquistas materiais, o sanatório acaba sendo o único lugar para uma figura divina. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_29323" aria-describedby="caption-attachment-29323" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29323 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-684x1024.jpg" alt="Capa do livro Hiroshima. Sob um fundo azul escuro, do lado esquerdo, na vertical e de baixo para cima, vemos as palavras &quot;JOHN&quot; E &quot;HERSEY&quot; em uma fonte sem serifa, em caixa alta, na cor verde. As duas palavras são cortadas pela palavra &quot;HIROSHIMA&quot;, escrita na horizontal no centro da capa, em uma fonte serifada em vermelho. Acima de &quot;Hiroshima&quot;, vemos o trecho &quot;A mais importante reportagem do se´culo XX: um retrato de seis sobreviventes da bomba atômica, um ano depois da explosão e quarenta anos mais tarde&quot; em uma fonte branca. Do lado inferior direito, vemos o logo da Companhia das Letras." width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1.jpg 1655w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29323" class="wp-caption-text">Com uma nova edição em 2002, publicada pela Companhia das Letras, o jornalismo literário de Hiroshima fez de John Hersey um dos precursores do New Journalism (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b> John Hersey &#8211; Hiroshima (176 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apenas um ano depois da primeira bomba atômica lançada pelos Estados Unidos deixar cerca de 70 mil mortos em Hiroshima, em 1945, John Hersey publica o </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/1946/08/31/hiroshima"><span style="font-weight: 400;">artigo homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> à cidade japonesa no conceituado </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">. A matéria reconstituia o momento exato da explosão sob o ponto de vista de pessoas que a experienciaram. Pensado para ser veiculado em três partes, tamanho foi o sucesso do texto que os então editores da revista decidiram publicá-lo na íntegra, o que tomou todo o espaço daquela edição semanal. Após quarenta anos, Hersey retornou à cidade e completou </span><i><span style="font-weight: 400;">Hiroshima</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O artigo se tornou um livro, publicado no Brasil pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2002. Na obra dividida em cinco partes, seis </span><i><span style="font-weight: 400;">hibakushas</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; como eram chamados os sobreviventes da bomba atômica &#8211; dão nome, sobrenome e endereço às consequências do ataque à Hiroshima. O autor e jornalista estadunidense </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/john-hersey-the-writer-who-let-hiroshima-speak-for-itself"><span style="font-weight: 400;">serve mais como mediador</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que como contador da história e se afasta da estrutura do jornalismo para dar voz aos seus personagens: as divisões abordam o que os seis faziam antes da explosão; no momento exato da tragédia; no dia seguinte, com início da investigação e as primeiras notícias sobre o que havia acontecido; semanas após o ataque, com as pessoas dando os primeiros passos para seguir em frente; e quatro décadas depois do ocorrido, para acompanhar como os sobreviventes seguiram ao longo do tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com sua </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2019/04/29/john-hersey-and-the-art-of-fact"><span style="font-weight: 400;">bagagem como repórter</span></a><span style="font-weight: 400;"> e também como escritor de não-ficção, que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer em 1945, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hiroshima </span></i><span style="font-weight: 400;">John Hersey uniu Literatura e Jornalismo em uma das obras precursoras do </span><i><span style="font-weight: 400;">New Journalism</span></i><span style="font-weight: 400;">. A </span><a href="http://www.blog44.ca/kaiar/2021/12/06/herseys-new-journalism-style-is-the-reason-hiroshima-is-so-powerful/"><span style="font-weight: 400;">linguagem descritiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tocante &#8211; na versão brasileira, mérito da tradução de Hildegard Feist -, cheia de adjetivos e estruturada de forma semelhante a um romance é também permeada pelas boas práticas profissionais do autor, com uma apuração profunda e um trabalho cuidadoso junto às fontes, e potencializou o jornalismo para contar a história intimamente. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_29325" aria-describedby="caption-attachment-29325" style="width: 562px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29325 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/A-guerra-que-salvou-a-minha-vida-1.jpg" alt="Capa do livro A guerra que salvou a minha vida da autora Kimberly Brubaker. A arte de capa se assemelha a um diário coberto por retalhos e botões onde ao meio se encontra um desenho de uma garota, posicionada de costas, que vislumbra um cenário de destruição à sua frente. As cores do livro são terrosas e variam entre o roxo, o marrom e o azul. No canto inferior direito, há um retângulo na cor azul claro com as escritas dos nomes da autora, da obra e da editora, respectivamente em preto, branco e preto." width="562" height="815" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/A-guerra-que-salvou-a-minha-vida-1.jpg 562w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/A-guerra-que-salvou-a-minha-vida-1-552x800.jpg 552w" sizes="auto, (max-width: 562px) 85vw, 562px" /><figcaption id="caption-attachment-29325" class="wp-caption-text">A sequência, A guerra que me ensinou a viver, chegou às prateleiras brasileiras em 2018 (Foto: Editora Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Kimberly Bradley &#8211; A guerra que salvou a minha vida (240 páginas, Editora Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado no cenário de destruição da Segunda Guerra Mundial, o livro </span><i><span style="font-weight: 400;">A guerra que salvou a minha vida</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz a visão fictícia de Ada, uma garota de apenas 10 anos, sobre um dos maiores acontecimentos históricos do século passado. Publicado há cinco anos no Brasil, o enredo da autora de obras infanto-juvenis, </span><a href="https://www.coisasdemineira.com/2018/02/entrevista-com-kimberly-bradley-autora/"><span style="font-weight: 400;">Kimberly Bradley</span></a><span style="font-weight: 400;">, traça um desenvolvimento de personagem incomum para a categoria, por se tratar da junção entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AX8BJAFiF-c"><span style="font-weight: 400;">caos e inocência</span></a><span style="font-weight: 400;">, e do que o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Wall Street Journal</span></i><span style="font-weight: 400;"> afirma ser “Dolorosamente adorável”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><a href="https://letras.biblioteca.ufrj.br/a-guerra-que-salvou-a-minha-vida-the-war-that-save-my-life-de-kimberly-brubaker-bradley/"><span style="font-weight: 400;">narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se constrói como um diário, os bombardeios a Londres se assemelham à trincheira interna da protagonista, habituada aos maus tratos e à prisão imposta por sua própria mãe, que nunca a deixou sair de casa. Caminhando pela linha tênue que divide a realidade cruel e a idealização de fatos nada fantasiosos, Bradley consegue captar toda a atenção para a sua escrita, ao mesmo tempo que revela uma diversidade de sentimentos para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/literatura/"><span style="font-weight: 400;">leitor</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner </b></p>
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<figure id="attachment_29330" aria-describedby="caption-attachment-29330" style="width: 708px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29330 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-708x1024.jpg" alt="" width="708" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-708x1024.jpg 708w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-768x1111.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-1061x1536.jpg 1061w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1.jpg 1769w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29330" class="wp-caption-text">A autora Saidiya Hartman dialogou acerca das experiências negras na América com a historiadora Rita Segato e a pensadora Djamila Ribeiro, na edição comemorativa de 20 anos da Flip (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><b>Saidiya Hartman &#8211; Vidas rebeldes, belos experimentos (432 páginas, Fósforo)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na busca de firmar as memórias e experiências de pessoas pretas nas consequências da diáspora negra pelas Américas, a professora e autora estadunidense </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/autores/saidiya-hartman/"><span style="font-weight: 400;">Saidiya Hartman</span></a><span style="font-weight: 400;"> constituiu um método próprio de reescrever essas tortuosas trajetórias. </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/vidas-rebeldes/"><i><span style="font-weight: 400;">Vidas rebeldes, belos experimentos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é a sua tentativa bem sucedida de historicizar narrativas queer, femininas e negras de liberdade no norte americano depois da abolição da escravatura. Utilizando de sua metodologia de ‘</span><a href="https://www.plural.jor.br/noticias/cultura/vidas-rebeldes-belos-experimentos-e-um-livro-provocador-e-necessario/#:~:text=escrita%2C%20chamado%20de%20%E2%80%9C-,f%C3%A1bula%20cr%C3%ADtica,-%E2%80%9D.%20Em%20suma%2C%20%C3%A9"><span style="font-weight: 400;">fabulação crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">’</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">Hartman realiza uma montagem de </span><a href="https://thecreativeindependent.com/people/saidiya-hartman-on-working-with-archives/"><span style="font-weight: 400;">arquivos</span></a><span style="font-weight: 400;">. F</span><span style="font-weight: 400;">otografias, documentos judiciais e recortes de jornais buscam por uma junção de histórias referentes a inúmeras pessoas dos cinturões negros da Filadéfia e de Nova York, traçar a revolucionária rebeldia das biografias de mulheres pretas no início do século XX. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da História da sobrevida da escravidão nos centros urbanos estadunidenses – contada a partir de corredores de moradas coletivas, escadas escuras e becos hostis –, à integração de nomes conhecidos, como Billie Holiday e </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/conto-futurista-do-seculo-19-discute-pensamento-negro/"><span style="font-weight: 400;">W.E.B Du Bois</span></a><span style="font-weight: 400;">, os </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/11/na-flip-saidiya-hartman-defende-continuidade-de-politicas-antirracistas.shtml#:~:text=%22Eu%20usei%20da%20especula%C3%A7%C3%A3o%20e%20da%20imagina%C3%A7%C3%A3o%20para%20conseguir%20contar%20essas%20hist%C3%B3rias%20imposs%C3%ADveis.%20E%20fiz%20isso%20atrav%C3%A9s%20de%20uma%20fabula%C3%A7%C3%A3o%20capaz%20de%20esticar%20os%20limites%20dos%20documentos%20existentes.%22"><span style="font-weight: 400;">relatos especulativos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do livro fazem jus ao que movia essas vivências experimentais de sexualidade e gênero em um ambiente projetado, em sua ordem social e trabalhista, a ser uma continuidade do espaço das plantations sulistas. Na análise de fotografias – majoritariamente feitas por homens brancos –, Hartman procura rasgar a superfície falsamente imparcial da ciência e da etnografia com o intuito de ecoar a sinfonia de violências acometidas por detrás do momento fotográfico; imaginando o que faziam de suas vidas, como vieram parar ali e quais seriam os seus caminhos de vingança, subversão e reiteração de seus próprios corpos. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Vidas rebeldes</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">nos ecos de um exercício transgressivo de escrita histórica feito anteriormente por </span><a href="https://repositorio.unesp.br/handle/11449/215293"><span style="font-weight: 400;">Toni Morrison</span></a><span style="font-weight: 400;">, procura pelo protagonismo de prostitutas, sapatonas, anônimas e andarilhas; </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/colunas/as-cidades-e-as-coisas/a-recusa-da-condicao-subalterna"><span style="font-weight: 400;">mulheres que escapavam</span></a><span style="font-weight: 400;"> do olhar fotográfico, etnográfico e científico que as tornariam subalternas. A não-ficção de Saidiya Hartman é uma linha de fuga que engrandece a </span><a href="https://www.moma.org/audio/playlist/298/4088#:~:text=I%20think%20that%20artistic%20practice%20becomes%20the%20exercise%20of%20imagining%20beauty%20and%20what%20it%20might%20make%20possible%20in%20the%20world."><span style="font-weight: 400;">beleza dos vestígios</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma cartografia dos atos íntimos, que transformaram os mais despercebidos espaços em laboratórios de liberdade. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_29338" aria-describedby="caption-attachment-29338" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29338 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-690x1024.jpg" alt="Capa do livro Violeta de Isabel Allende. Na imagem, há o desenho de uma mulher branca de cabelos curtos castanhos e olhos verdes, ela está virada de perfil para a esquerda. Ao fundo, há a cor amarela sólida com ramos verdes e três rosas brancas. O nome da autora está centralizado em letras de forma branca, logo abaixo há o nome do livro em letras amarelas. Na porção inferior está o logo da editora." width="690" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-768x1139.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-1036x1536.jpg 1036w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1.jpg 1726w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29338" class="wp-caption-text">Violeta é, na voz de uma mulher apaixonada, um texto capaz de ser alvo do amor do leitor (Foto: Bertrand Brasil)</figcaption></figure>
<p><b>Isabel Allende &#8211; Violeta (322 páginas, Bertrand Brasil)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Violeta</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora chilena Isabel Allende escolhe nos mostrar a protagonista a partir das palavras que ela escreve em uma carta destinada ao amor de sua vida. O título, traduzido no Brasil por Ivone Benedetti, narra a história da personagem passando por diversos momentos históricos que mudaram os caminhos da sociedade. Violeta nasceu durante a ascensão da </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-46358947"><span style="font-weight: 400;">Gripe Espanhola</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1920, e sua morte escolheu chegar em um momento tão dramático quanto: a pandemia de Covid- 19 em 2020. A protagonista nasceu em uma família tradicional católica, mas se mostra um contraponto moldado pela perseverança, coragem e senso de justiça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto passeia pelas facetas da própria vida, Violeta nos internaliza a personagens e experiências únicas que se passam em um lugar genérico – como se tivesse sido feito unicamente para abarcar os fascínios de seus 100 anos de vida. Apesar de não poder ser nomeado, vivem nesse país todas as verdades da sociedade, tendo destaque a luta pelos direitos das mulheres. Entre tantas multiplicidades sinceras, o texto é uma experiência única e apaixonante. Nas palavras de uma mulher que ama, </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/10106117/"><i><span style="font-weight: 400;">Violeta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos compartilha em intimidade todos os segredos do mundo. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_29329" aria-describedby="caption-attachment-29329" style="width: 678px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29329 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-678x1024.jpg" alt="Capa do livro Jantar Secreto. No centro da capa há um prato branco como se estivesse sendo visto de cima, em cima dele há o título do livro (em preto) e o nome do autor (em vermelho). Na beirada do prato, há a marca em sangue de três dedos e algumas gotas abaixo do prato. O fundo da imagem é branco e, no centro da parte inferior está o nome da editora. " width="678" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-678x1024.jpg 678w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-530x800.jpg 530w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-768x1159.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-1018x1536.jpg 1018w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1.jpg 1023w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29329" class="wp-caption-text">Com Jantar Secreto, Raphael Montes forma um exército de vegetarianos (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Raphael Montes &#8211; Jantar Secreto (368 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um homem entra em um restaurante que serve carne de gaivota porque tinha provado e gostado alguns anos antes. Ao finalizar a refeição, vai para casa e se suicida. Por que isso aconteceu? Esse é o enigma responsável pelo desenrolar da história incrível que é </span><i><span style="font-weight: 400;">Jantar Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tratando-se de uma obra de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bom-dia-veronica-critica/"><span style="font-weight: 400;">Raphael Montes</span></a><span style="font-weight: 400;">, é</span> <span style="font-weight: 400;">simples deduzir que o livro é imensamente inteligente, não falhando em explorar as diversas facetas do ser humano, seus limites de ética, sua ganância e hipocrisia.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro pode não ter sido baseado em fatos reais, mas não deixa abordar algo que poderia acontecer a qualquer momento. O autor descreve o cenário de crise do Rio de Janeiro e a facilidade de instalar um sistema de corrupção em uma sociedade que é naturalmente desonesta, desigual e manipulável. É uma história de muitas camadas, com uma crítica social escancarada e personagens extremamente complexos. Para quem gosta de narrativas surpreendentes, com muitas reviravoltas</span> <span style="font-weight: 400;">e altos níveis de emoção, esse é o livro certo. Uma boa leitura e muito cuidado para não ser manipulado pela Equipe Carne de Gaivota. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade </b></p>
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<figure id="attachment_29326" aria-describedby="caption-attachment-29326" style="width: 483px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29326 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/confeitaria-escalafobetica-1.jpg" alt="Capa do livro Confeitaria Escalafobética apresenta o rosto da autora, uma mulher branca, de cabelos pretos compridos divididos para a esquerda e franja, usando um batom vermelho vivo e um chapéu branco com faixa vermelha cortado na frente e expõe que seu interior é de bolo. O fundo é um azul claro esverdeado, com Raíza Costa e sobremesas explicadas tim-tim por tim-tim escrito em rosa e branco no topo e Confeitaria Escalafobética, em dourado, na parte inferior." width="483" height="634" /><figcaption id="caption-attachment-29326" class="wp-caption-text">Com um trabalho singular, Raíza Costa ensina o passo a passo de diversas sobremesas em Confeitaria Escalafobética (Foto: Senac)</figcaption></figure>
<p><b>Raíza Costa &#8211; Confeitaria Escalafobética: sobremesas explicadas tim-tim por tim-tim (378 páginas, Senac)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adicione uma xícara de singularidade. Depois acrescente duas colheres de relatos pessoais. Misture com um trabalho gráfico deslumbrante e leve em fogo médio até infusionar. Assim que levantar fervura, o ganhador do </span><a href="https://www.cookbookfair.com/"><span style="font-weight: 400;">prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Gourmand</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Livro de Confeitaria estará pronto. Em síntese, tudo isso resume o que é a obra </span><i><span style="font-weight: 400;">Confeitaria Escalafobética: sobremesas explicadas tim-tim por tim-tim</span></i><span style="font-weight: 400;">, de autoria da artista visual e chef confeiteira, Raíza Costa.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro contempla inúmeras receitas com o passo a passo descrito minuciosamente para quem não domina técnicas de gastronomia ou busca se aprimorar nelas. Somado a isso, o design gráfico da peça e o quadro </span><i><span style="font-weight: 400;">Errar é Humano</span></i><span style="font-weight: 400;">, apresentado por Lancelote, o cachorro de Raíza, contribuem para a compreensão do leitor e imersão no </span><a href="https://elastica.abril.com.br/especiais/raiza-costa-tokstok-maternidade-comida-politica/"><span style="font-weight: 400;">universo lúdico</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autora. Antes de explicar os preparos de uma sobremesa, a escritora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Confeitaria Escalafobética</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz um relato pessoal, que demonstra seu lado afetivo com o mundo gastronômico.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra objetifica os trabalhos audiovisuais de Raíza, como o </span><i><span style="font-weight: 400;">Rainha da Cocada</span></i><span style="font-weight: 400;">, no </span><i><span style="font-weight: 400;">GNT</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Doulce Delight</span></i><span style="font-weight: 400;">, o primeiro canal </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> dedicado exclusivamente a confeitaria. No livro, a autora apresenta algumas receitas originais e outras clássicas, como o famoso </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=1wSquygtVzE"><span style="font-weight: 400;">bolo molhadão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, o capítulo </span><i><span style="font-weight: 400;">Matéria-prima</span></i><span style="font-weight: 400;"> ensina os aspirantes a confeiteiros a produzir queijo mascarpone, açúcar perolado, corantes naturais, entre outros tantos produtos utilizados na feitura dos doces, mas não tão fáceis de se encontrar nos mercados. &#8211; </span><b>Gabriel Gatti</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29327" aria-describedby="caption-attachment-29327" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29327 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Era uma Vez em Hollywood. Uma capa branca que tem os escritos &quot;Era uma vez em Hollywood&quot; com Hollywood sublinhado e &quot;Quentin Tarantino&quot; escrito embaixo. Acima do título há escrito &quot;O novo livro baseado no filme&quot;. Embaixo, há três fotos, dos personagens de Margot Robbie, uma mulher loira que veste moletom preto e saia branca. Ela está sentada em uma cadeira com os pés descalços apoiados em outro. Ao lado, o personagem de Brad Pitt. Um homem branco e loiro que veste uma camisa florida amarela e um óculos escuro. Ele está em um carro com a mão esquerda para fora. Abaixo dele, o personagem de Leonardo Dicaprio, um homem branco que veste chapéu branco, camisa branca e jaqueta de couro." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1.jpg 1653w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29327" class="wp-caption-text">Obra é uma das poucas que fez o caminho inverso das adaptações (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Quentin Tarantino &#8211; Era Uma Vez Em Hollywood (559 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo de chegar em seu </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-159443/"><span style="font-weight: 400;">derradeiro 10° filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, Quentin Tarantino começa a expandir sua área de atuação para além do Cinema. Claro que, depois de nove filmes e anos na indústria, seria difícil se desvencilhar dela tão rápido assim, por isso, sua primeira incursão na literatura é uma novelização de sua última produção, de mesmo nome. </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez Em Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma expansão do interessantíssimo cenário já explorado em tela, seguindo a história de Cliff Both, Sharon Tate e Rick Dalton, tendo como ponto de partida a decadência de Dalton na Los Angeles de 1969 que nos foi apresentada em 2019.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Servindo como uma versão mais aprofundada do roteiro, o livro tem o ritmo único que só Tarantino consegue ditar, além de ótimas pegadas de humor. É interessante notar como, aqui, o autor também consegue transformar ainda mais a própria Los Angeles em um personagem, explorando a influência dela em suas figuras, desde os principais até os hippies esquisitões que ficaram de lado no audiovisual. É uma leitura bem menos caótica que suas obras no Cinema, mas que compensa ao constantemente referenciar a Sétima Arte e a TV. </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, mais que um roteiro comercializado, é uma extensa carta de amor à indústria. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29337" aria-describedby="caption-attachment-29337" style="width: 641px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29337 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-641x1024.jpg" alt="Capa da história em quadrinhos Senhor Milagre mostra um homem que veste uma fantasia amarela e vermelha da cabeça aos pés, com uma capa verde nas costas. Ele olha para a frente com os olhos brancos abertos e a boca semiaberta, tenso. Ao seu redor, vários cabos metálicos prendem seu corpo, tornando quase impossível que consiga escapar. Atrás dele, vemos uma cortina vermelha e, em primeiro plano, vemos algumas cabeças na audiência, ansiosos para ver se o artista de fuga conseguirá escapar dessa vez. " width="641" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-641x1024.jpg 641w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-501x800.jpg 501w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-768x1227.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-961x1536.jpg 961w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1.jpg 1602w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29337" class="wp-caption-text">A HQ levou o Eisner de Melhor Minissérie em 2019 (Foto: Panini Comics)</figcaption></figure>
<p><b>Tom King &amp; Mitch Gerads &#8211; Senhor Milagre Vol. 1 e 2 (Panini, 308 páginas) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como sobreviver aos deveres de uma divindade, às mil e uma tarefas da paternidade e ainda lidar com uma saúde mental em frangalhos? É a partir dessa premissa que o roteirista </span><a href="https://www.omelete.com.br/dc-comics/watchmen-tom-king-rorschach"><span style="font-weight: 400;">Tom King</span></a><span style="font-weight: 400;">, acompanhado da arte de Mitch Gerads, faz um excelente estudo de personagem focado no Senhor Milagre, o artista de fuga criado originalmente pelo fenomenal Jack Kirby, ao longo das 12 edições homônimas ao protagonista, que foram condensadas em 2 edições publicadas pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Panini</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A minissérie escrita por King consegue lidar com o trauma geracional carregado por seu personagem-título com grande empatia, conciliando esse tema tão sensível com humor e um romance de aquecer o coração. A arte de Gerads presta uma bela homenagem ao trabalho de </span><a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/as-10-maiores-criacoes-de-jack-kirby-o-rei-dos-quadrinhos"><span style="font-weight: 400;">Kirby</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ainda faz um excelente uso dos </span><i><span style="font-weight: 400;">glitches</span></i><span style="font-weight: 400;"> para mostrar quão deteriorada está a saúde mental de Scott Free. Emotiva, épica e bem-humorada, </span><i><span style="font-weight: 400;">Senhor Milagre</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das melhores obras publicadas pela </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao longo dos últimos anos. </span><b>&#8211; Caio Machado </b></p>
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		<title>Tarantino encontra em Hollywood um refúgio para segundas chances</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Aug 2019 18:18:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Era Uma Vez em Hollywood]]></category>
		<category><![CDATA[Quentin Tarantino]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Evangelista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Era uma vez um diretor consagrado e com promessa de aposentadoria. Em seu nono filme, esse mesmo diretor decide voltar ao fim da década de 60. O auge do movimento hippie e o declínio da Era de Ouro do cinema norte-americano. Quentin Tarantino não brinca em serviço e chega aqui em seu trabalho &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/era-uma-vez-em-hollywood-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Tarantino encontra em Hollywood um refúgio para segundas chances"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_12546" aria-describedby="caption-attachment-12546" style="width: 904px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-12546" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/1.jpg" alt="" width="904" height="517" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/1-300x171.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/1-768x439.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/1-1024x585.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/1-1200x685.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12546" class="wp-caption-text"><em>Tarantino coroa seu trio dourado: Brad Pitt, Leonardo DiCaprio e Margot Robbie (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Era uma vez um diretor consagrado e com promessa de </span><a href="https://slate.com/culture/2019/08/once-upon-a-time-in-hollywood-tarantino-retirement-aging.html"><span style="font-weight: 400;">aposentadoria</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em seu nono filme, esse mesmo diretor decide voltar ao fim da década de 60. O auge do movimento </span><i><span style="font-weight: 400;">hippie</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o declínio da Era de Ouro do cinema norte-americano. Quentin Tarantino não brinca em serviço e chega aqui em seu trabalho mais otimista, quase um sonho distante, de alguém que é apaixonado pela arte que produz.</span></p>
<p><span id="more-12545"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> (isso mesmo, com as reticências) acompanha o <em>duo</em> DiCaprio e Pitt se aventurando pela América do século passado ao passo que a ascensão do </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/era-uma-vez-em-hollywood-sharon-tate-manson-e-tudo-que-voce-precisa-saber#5"><span style="font-weight: 400;">culto</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Charles Manson toma forma. Enquanto a dupla confabula tramoias em produções </span><a href="https://www.infoescola.com/cinema/faroeste/"><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> a angelical Sharon Tate (Margot Robbie) brilha nos cinemas e vive um período doce de sua carreira.</span></p>
<figure id="attachment_12547" aria-describedby="caption-attachment-12547" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12547" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/2.png" alt="" width="1200" height="676" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/2.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/2-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/2-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/2-1024x577.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12547" class="wp-caption-text"><em>Para os fãs de séries, fiquem atentos as breves participações de Maya Hawke (Stranger Things 3), Lena Dunham (Girls), Sydney Sweeney (Euphoria) e o brilhante Austin Butler (Hannah Montana)  (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Leonardo DiCaprio é Rick Dalton, um ator de TV que tenta guiar sua carreira nas telonas ao lado de Brad Pitt, seu fiel escudeiro e dublê, Cliff Booth. Ao passo que Dalton figura uma enorme metalinguagem, sempre em sets de filmagem, cercado de câmeras e luzes de estúdio, o personagem de Brad Pitt pinta a exata desconstrução disso tudo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A certo momento de suas quases três horas de duração,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> fala com todas as letras: atores mentem. Cliff Booth é dublê, ele conta a verdade, ainda bem. Quentin Tarantino opta por maquiar seu nono filme como um conto sobre segundas chances, sobre mostrar sua segunda pele. E o diretor escolhe seu título (e seu cenário) quase que como uma leve indagação. Afinal, que outro lugar e época poderia representar a inocência e o estrelato do que uma Hollywood de 1969?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é aí que mora a grande dualidade do filme. O roteiro nivela tanto o otimismo e a aura imaculada de Sharon Tate (e do cinema estadunidense, num geral) com os monstruosos </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-quem-era-a-familia-manson.phtml"><span style="font-weight: 400;">assassinatos da família Manson</span></a><span style="font-weight: 400;">. O culto guiado por Charles Manson (Damon Herriman) come pelas bordas até tomar a rédea da narrativa e fabricar uma tensão digna do impiedoso ato final dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Oito Odiados (2015)</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou do clímax sanguinolento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Django Livre (2012)</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_12548" aria-describedby="caption-attachment-12548" style="width: 2400px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12548" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/manson.jpg" alt="" width="2400" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/manson.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/manson-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/manson-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/manson-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/manson-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12548" class="wp-caption-text"><em>A participação de Manson é quase um cameo, mas ele pode ser visto na segunda temporada de Mindhunter, também interpretado por Damon Herriman (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se preocupa em acelerar sua narrativa ou mostrar suas cartas logo de cara. É um filme paciente, por vezes até desritmado. Tarantino passa boa parte do tempo focando em seu protagonista Rick Dalton. Leonardo DiCaprio consegue extrair o máximo do trauma do personagem, muitas cenas carregadas de uma dor interna, íntima. DiCaprio cria uma dinâmica interessantíssima com a pequena Trudi (Julia Butters, </span><a href="https://www.vulture.com/2019/08/once-upon-a-time-in-hollywood-julia-butters-interview.html"><span style="font-weight: 400;">ótima revelação</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma atriz mirim que o acompanha nos sets.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É DiCaprio, também, quem abre a porta para o extenso elenco de apoio brilhar. Mesmo com pequenas participações e personagem periféricos, Tarantino entrega momentos ímpares para cada ator e atriz que compõe sua extensa trupe. Kurt Russell, Timothy Olyphant, Luke Perry (</span><a href="https://www.cheatsheet.com/entertainment/brad-pitt-had-a-burst-of-excitement-to-work-with-luke-perry-in-his-final-role.html/"><span style="font-weight: 400;">seu último trabalho</span></a><span style="font-weight: 400;">), Lorenza Izzo, Al Pacino, todos ótimos.</span></p>
<figure id="attachment_12549" aria-describedby="caption-attachment-12549" style="width: 1280px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12549" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/dalton.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/dalton.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/dalton-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/dalton-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/dalton-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/dalton-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12549" class="wp-caption-text"><em>Esse é o melhor trabalho de Leonardo DiCaprio desde O Lobo de Wall Street de 2013 (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o marketing de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> vendeu o Dalton de DiCaprio como seu protagonista, fez muito errado. Pois quem aqui recebe todo o ouro é o magnífico Brad Pitt. Parceiro do diretor em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bastardos Inglórios (2009</span></i><span style="font-weight: 400;">, até agora o melhor filme de Tarantino</span><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;">, Pitt consegue desenvolver uma persona inquieta e até efervescente para seu dublê Cliff Booth. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme também entrega as melhores situações para esse personagem. Quentin Tarantino consegue manufaturar sentimentos extremamente conflitantes numa mesma cena. A  longa sequência do </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/era-uma-vez-em-hollywood-maiores-easter-eggs-e-referencias#5"><i><span style="font-weight: 400;">Rancho Spahn</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> vai variando de uma simples investida cômica até chegar num suspense de roer as unhas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa porção do filme dedicada a família Manson, a George (</span><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-143607/"><span style="font-weight: 400;">Bruce Dern</span></a><span style="font-weight: 400;"> está fantástico) e a </span><a href="http://www.justjared.com/2019/07/19/dakota-fanning-opens-up-about-working-with-quentin-tarantino-on-once-upon-a-time-in-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">brilhante performance</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Dakota Fanning só reafirma o hábil tato do diretor em subverter a expectativa de sua audiência. E fazer isso com simples viradas no texto, também escrito por ele.</span></p>
<figure id="attachment_12550" aria-describedby="caption-attachment-12550" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12550" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/booth.jpg" alt="" width="2000" height="1050" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/booth.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/booth-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/booth-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/booth-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/booth-1200x630.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12550" class="wp-caption-text"><em>“Uma das coisas que eu amo sobre o Quentin é que ele é tão purista que não há imagens computadorizadas. É como se ele considerasse isso uma trapaça”, disse Brad Pitt (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, sabendo da </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/uma-thurman-relata-assedio-de-harvey-weinstein-e-critica-quentin-tarantino-por-acidente-durante-as-filmagens-de-kill-bill"><span style="font-weight: 400;">índole de Tarantino</span></a><span style="font-weight: 400;">, as polêmicas são esperadas. O diretor não hesita em explodir sua tela com o </span><a href="http://www.cinefilosanonimos.com.br/tarantino-e-o-fetiche-por-pes/"><span style="font-weight: 400;">fetichismo por pés</span></a><span style="font-weight: 400;"> (aqui, encardidos) e a sexualização extrema de todas as mulheres que filma. Seja os suaves planos que acompanham a cintura de Margot Robbie rondando a ensolarada Los Angeles, ou as curvas descobertas de Pussycat (</span><a href="https://deadline.com/2019/08/margaret-qualley-fosse-verdon-once-upon-a-time-in-hollywood-emmys-fx-interview-1202669759/"><span style="font-weight: 400;">outra grande revelação</span></a><span style="font-weight: 400;">, Margaret Qualley), indo até a maneira vulgar e desconfortável que ele registra as hippies do Rancho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A coisa pegou mesmo quando Tarantino resolveu estereotipar Bruce Lee (Mike Moh, que de nada tem culpa). A representação do ator beira o ridículo, a voz grunhindo, a personalidade espevitada. É claro que um diretor tem o total direito de recriar seus personagens a maneira que bem entender. Ainda mais nesse </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, um claro conto de fadas americano. Mas, retratar Lee, que sempre buscou fugir dos clichês de sua nacionalidade, como um lutador burro e esquentado, pega muito, mas muito mal. </span><span style="font-weight: 400;">É claro, também, que o diretor desconversou tudo e até rebateu </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/era-uma-vez-em-hollywood-polemica-tarantino-bruce-lee-entenda#5"><span style="font-weight: 400;">declarações</span></a><span style="font-weight: 400;"> da filha de Bruce, Shannon Lee. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em maio, no Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i><span style="font-weight: 400;">, após a exibição do longa, Tarantino se </span><a href="http://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2019/05/22/quentin-tarantino-irrita-cannes/"><span style="font-weight: 400;">irritou com uma jornalista</span></a><span style="font-weight: 400;"> que questionou a pequena quantidade de falas de Margot Robbie em comparativo com seus colegas de elenco do sexo masculino. Outra bola fora, o diretor optou por retratar o cineasta Roman Polanski (Rafal Zawierucha), marido de Tate na época, sem tocar nas polêmicas envolvendo abuso sexual, que o expulsaram da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.</span></p>
<figure id="attachment_12551" aria-describedby="caption-attachment-12551" style="width: 2400px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12551" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/3.jpg" alt="" width="2400" height="1600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/3.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/3-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12551" class="wp-caption-text"><em>Tarantino usa da fotografia para rememorar a Era de Ouro e talvez até entender qual o ponto de virada para seu fim (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto a problemática de Margot Robbie e sua Sharon Tate, há caminhos explicativos da decisão criativa de Tarantino. Logo de cara é visível que a atriz representa muito mais um sentimento do que uma pessoa. A delicadeza ao tratar da figura de Tate deveria ser muita aqui. Em 2019, seu assassinato pela família Manson completou 50 anos. A mulher estava grávida quando membros do culto invadiram sua residência e a mataram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino filma sua estrela de perto para longe, quase que suspirando frente a tamanha beleza, tamanha pureza e, o ponto principal aqui, tamanha inocência que foi perdida na fatídica noite de 9 de agosto. Margot Robbie encontra uma acústica quase divina para homenagear sua personagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais que uma atuação, o trabalho da australiana é um ato de respeito à memória da falecida atriz. Não à toa a irmã de Tate, Debra, </span><a href="https://observatoriodocinema.bol.uol.com.br/filmes/2019/07/irma-de-sharon-tate-elogia-margot-robbie-em-era-uma-vez-em-hollywood"><span style="font-weight: 400;">adorou a representação</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o diretor fez. E, concluindo sua linha de pensamento, Tarantino encontra o desfecho ideal para a personagem, seus sonhos e motivações. Essa escolha também remonta ao título do filme, essa incansável busca por essa terra de sonhos e pureza. E, pelo menos na de Tarantino, Sharon Tate vai de encontro a tudo isso.</span></p>
<figure id="attachment_12552" aria-describedby="caption-attachment-12552" style="width: 2700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12552" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/sharon.jpg" alt="" width="2700" height="1800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/sharon.jpg 2700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/sharon-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/sharon-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/sharon-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/sharon-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12552" class="wp-caption-text"><em>Ao mesmo tempo que eleva a figura de Tate, o diretor busca intermédios para humanizar a atriz: o ronco, os pés sujos, os óculos grandes demais (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino construiu sua carreira sob dois grandes alicerces: um roteiro ácido, usualmente verborrágico e extremamente rico em detalhes e um notório </span><a href="https://gizmodo.com/the-violent-and-bloody-scenes-of-quentin-tarantino-movi-1704394836"><span style="font-weight: 400;">banho de sangue</span></a><span style="font-weight: 400;">. E, talvez chegando na maturidade de sua carreira cinematográfica, ele abre mão (em parte, claro) desses dois chamarizes e vai desconstruindo sua própria linha de trabalho. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta com o texto menos espirituoso de Tarantino. Já chegando no fim da carreira, o diretor cria menos linhas truncadas de diálogo e deixa seus personagens respirarem em cena. Isso pode até dar a impressão do filme ser montado sem uma linha narrativa contínua. Essa decisão também auxilia na imprevisibilidade de seus atos, cada um podendo ser emancipado do anterior.</span></p>
<figure id="attachment_12553" aria-describedby="caption-attachment-12553" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12553" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/4.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/4-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/4-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12553" class="wp-caption-text"><em>Vindo do diretor que metralhou Hitler num cinema em chamas de Bastardos Inglórios, é lógico esperar reviravoltas nos livros de história (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E a violência é muito mais emocional do que física. A lavagem cerebral que Manson realiza nas jovens, o iminente futuro de Sharon Tate, tudo isso dói tanto (até mais) que um </span><a href="https://www.indiewire.com/2019/08/leonardo-dicaprio-freaked-once-upon-a-time-in-hollywood-flamethrower-1202163593/"><span style="font-weight: 400;">lança-chamas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou mordidas de cadelas. Dito isso, o filme ainda reserva uma fartura de sangue, gritos e confusão generalizada. Mas o diretor demonstra que sua violência escancarada em 2019 não é a mesma que fez sucesso em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cães de Aluguel</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 92 ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulp Fiction</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 94.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O quebra-pau, mesmo que arranque gargalhadas de quem está nas salas de cinema, responde a propostas muito mais sérias que cômicas. É o ato final de provação para Cliff, é a catarse de ver os vilões sendo digladiados, é a sensação de que, novamente, na terra de Tarantino, a casa ao lado amanhece intocada.</span></p>
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