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	<title>Arquivos Dramédia &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Gatos, Fios Dentais e Amassos: Há 15 anos, Angus desaparecia pela primeira vez</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Dec 2023 19:47:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique A juventude é um tema indispensável no audiovisual. As inúmeras questões sobre esse momento singular de nossas vidas é, sem dúvidas, um prato cheio de possibilidades para os cineastas explorarem a sua criatividade e levantarem discussões pertinentes a respeito da adolescência, que muitas vezes são desconsideradas no mundo real. Há 15 anos, Gurinder &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gatos-fios-dentais-e-amassos-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Gatos, Fios Dentais e Amassos: Há 15 anos, Angus desaparecia pela primeira vez"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32157" aria-describedby="caption-attachment-32157" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-32157" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4.jpg" alt=" Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Jas (Eleanor Tomlinson), uma jovem branca, de cabelo loiro preso em uma trança. Ao seu lado está Rosie Barnes (Georgia Henshaw), uma jovem branca, loira em uma tonalidade mais clara que a de Jas e com franja. No meio está Ellen (Manjeeven Grewal), uma jovem com ascendência indiana, de cabelo preto longo. Por fim, Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Todas estão vestindo o uniforme escolar, composto por uma saia xadrez, um casaco verde, um colete cinza, uma camiseta branca e uma gravata vermelha listrada. Elas estão ao ar livre, sentadas na grama." width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-32157" class="wp-caption-text">Se o inferno é uma garota adolescente, Georgia Nicolson está vivenciando seu próprio pesadelo (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A juventude é um tema indispensável no audiovisual. As inúmeras questões sobre esse momento singular de nossas vidas é, sem dúvidas, um prato cheio de possibilidades para os cineastas explorarem a sua criatividade e levantarem discussões pertinentes a respeito da adolescência, que muitas vezes são desconsideradas no mundo real. Há 15 anos, Gurinder Chadha, diretora renomada por suas adaptações contemporâneas de livros para filmes &#8211; como o longa-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Noiva e Preconceito (2004)</span></i><span style="font-weight: 400;">, inspirado na literatura de Jane Austen -, retornava às telas do Cinema com o clássico</span><i><span style="font-weight: 400;"> cult</span></i> <a href="https://letterboxd.com/film/angus-thongs-and-perfect-snogging/"><i><span style="font-weight: 400;">Gatos, Fios Dentais e Amassos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008)</span><span style="font-weight: 400;">, filme sobre o amadurecer de uma garota e que marcou uma nova geração de adolescentes. </span></p>
<p><span id="more-32154"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptando os livros de Louise Rennison, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eVkflcpw-yc"><i><span style="font-weight: 400;">Angus, Thongs and Perfect Snogging</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> narra a trajetória de Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem de 14 anos experienciando, ou melhor, suportando pela primeira vez, todas as emoções efervescentes que surgem na vida de mulheres durante a juventude. Sendo a única passando por esse momento dentro de casa, Georgia se sente incompreendida pelos familiares e encontra todo o apoio necessário no seu grupo de amigas, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Ace Gang</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32156" aria-describedby="caption-attachment-32156" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32156" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4.jpg" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Jas (Eleanor Tomlinson), uma jovem branca, de cabelo loiro preso em uma trança. Ela está vestindo uma blusa listrada rosa e cinza, um colar e uma jaqueta jeans azul. Ao seu lado está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo uma camiseta polo na cor magenta e uma jaqueta de algodão na cor cinza. Elas estão em uma loja de produtos orgânicos, em volta tem prateleiras com chás naturais, mesas e cadeiras para os clientes se servirem." width="1280" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-1200x499.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32156" class="wp-caption-text">O filme é uma adaptação dos livros Gatos, Fios Dentais e Amassos e Ok, Estou Usando Calcinhas Gigantes (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Georgia quer três coisas. Agir e ser respeitada como uma mulher adulta, realizar uma festa interessante para garantir status social dentro de sua escola e, por fim, conseguir um namorado bonitão. As coisas passam a ficar mais interessantes na vida de Nicolson quando ela se apaixona perdidamente por Robbie (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ck2zVeH3eGQ"><span style="font-weight: 400;">Aaron Taylor-Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">), um dos novatos que chegaram de Londres para o seu colégio. Obviamente, ela vai elaborar um plano, envolvendo seu gato Angus, calcinhas fios dentais e bons beijos para conquistar o rapaz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é como um clássico bolo de chocolate: não é exatamente revolucionário e inovador, mas ainda é o favorito de muitos dentro do gênero </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/entertainment/movies/g33624238/best-rom-com-movies-early-2000s-aughts/"><span style="font-weight: 400;">comédia romântica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar de Gurinder Chadha garantir um roteiro mais do mesmo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gatos, Fios Dentais e Amassos</span></i><span style="font-weight: 400;"> se distancia de outras dramédias clássicas dos anos 2000, por não se preocupar em parecer bobo ou até mesmo vergonhoso. A composição do longa-metragem é essencialmente brega e sabe transitar perfeitamente entre momentos cômicos e de amadurecimento da protagonista, colaborando para que cada situação constrangedora vivenciada pelos personagens fossem devidamente lembradas a longo prazo pelo público. </span></p>
<figure id="attachment_32159" aria-describedby="caption-attachment-32159" style="width: 930px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32159" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2.png" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Robbie (Aaron Taylor-Johnson), um jovem branco, de cabelo liso castanho e olhos azuis. Ele está vestindo uma camiseta branca, um colete de tricô preto, uma jaqueta preta de couro e uma calça jeans. Ao seu lado está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo uma blusa branca, um moletom de zíper roxo e uma saia jeans amarrada com um cinto também na cor roxa. Eles estão ao ar livre, em um parque, com várias árvores e arbustos." width="930" height="389" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2.png 930w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-768x321.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32159" class="wp-caption-text">“Hold my hand, you muppet” (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Robbie, assim como boa parte dos galãs de filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">teens</span></i><span style="font-weight: 400;">, tem um toque de doçura e de mistério. Novo na cidade, mora com seu irmão gêmeo Tom (Sean Bourke) e com a mãe, que apesar de ser mencionada diversas vezes, nunca apareceu em tela. O rapaz poderia tranquilamente agir como um garoto problema, que guardou o rancor do mundo por conta do divórcio dos pais, pela mudança repentina que esse acontecimento gerou e, claro, descontar todo esse ódio nas melodias de sua banda de </span><a href="https://www.masterclass.com/articles/alternative-rock-guide"><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, segue um caminho totalmente contrário ao esperado. Na verdade, ele é uma figura surpreendentemente madura, protetiva com a família, e que gosta de gatinhos e de bebericar chás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa pessoalidade ambígua de Robbie, de ser um cara profundo e muitíssimo </span><i><span style="font-weight: 400;">gentlemen</span></i><span style="font-weight: 400;">, configurou Aaron Taylor-Johnson como um dos deuses gregos em 2008, não apenas pela aparência angelical, mas também pelo seu talento como intérprete e que hoje é visível em grandes obras como </span><i><span style="font-weight: 400;">Anna Karenina</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2012) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020). Um aborrecimento do roteiro é que incorpora Robbie apenas para ocupar o lugar de interesse amoroso da protagonista, sendo que a trajetória do personagem é intrigante e poderia ser mais trabalhada pelos escritores. </span></p>
<figure id="attachment_32155" aria-describedby="caption-attachment-32155" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32155" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-4.jpg" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Robbie (Aaron Taylor-Johnson), um jovem branco, de cabelo liso castanho e olhos azuis. Ele está vestindo uma camiseta listrada cinza e preta, um casaco azul escuro e uma calça jeans, ele está segundo um caderno de anotações em suas mãos. Ao seu lado está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo uma blusa e um casaco listrado nas cores cinza, preto e verde, ela também está vestindo uma calça jeans azul claro. Os dois estão sentados ao ar livre, na frente de uma praia." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-4.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32155" class="wp-caption-text">Ultraviolet atingiu a 41 posição nas paradas da Billboard Reino Unido (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora é ditada sobretudo pelos The Stiff Dylans, grupo musical do Reino Unido originado para ser a banda de Robbie no longa-metragem. Pensada inicialmente para ser fictícia, eles atingiram um grande público com as canções </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kCOvld3nh7I"><i><span style="font-weight: 400;">Ultraviolet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008), música tema do filme, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aUVVRyjiVzo"><i><span style="font-weight: 400;">Ever Fallen in Love</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1978), cover dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Buzzcocks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que também foi sonorizada nas gravações. Embora o tão sonhado álbum dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Stiff Dylans</span></i><span style="font-weight: 400;"> permaneceu apenas no papel, o refrão “</span><i><span style="font-weight: 400;">Queima quando estou ao seu lado, sua luz é ultravioleta</span></i><span style="font-weight: 400;">” sempre estará fixado no imaginário popular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrária a Robbie, Georgia Nicolson vive de urgências. Urgência em ser boa em todos os aspectos possíveis, na popularidade, na vida pessoal e amorosa. Nicolson é a típica </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/uk/entertainment/a44610881/angus-thongs-and-perfect-snogging-15th-anniversary/"><span style="font-weight: 400;">adolescente</span></a><span style="font-weight: 400;"> que considera cada detalhe como importante e significativo. O problema dessa perfeição toda é que ela vem acompanhada de ações que a jovem considera interessante para as outras pessoas e não exatamente para ela mesma. Esse agir gera inúmeras adversidades ao longo do filme, não apenas na autoestima da garota, que configura o fato das pessoas não gostarem dela a algum ataque pessoal e não aos seus erros cometidos, mas também pela perda de confiança por parte de quem foi magoado por suas ações.</span></p>
<figure id="attachment_32158" aria-describedby="caption-attachment-32158" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32158" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-3.jpg" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo um vestido tomara que caia roxo. Ao seu lado está Robbie (Aaron Taylor-Johnson), um jovem branco, de cabelo liso castanho e olhos azuis. Ele está vestindo uma camiseta branca. Os dois estão se abraçando e olhando um para o outro. Eles estão em um ambiente fechado, com paredes escuras. " width="750" height="499" /><figcaption id="caption-attachment-32158" class="wp-caption-text">Georgia Nicolson correu para que Devi Vishwakumar pudesse voar (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Georgia é quase uma versão inglesa de Devi Vishwakumar, do seriado da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-nunca-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Nunca</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020). Além das personalidades fortes e imaginativas, o arco das personagens é quase idêntico, tirando o fato de que Georgia não está inserida em nenhum triângulo amoroso. Ambas também se aproximam pelas várias questões familiares enfrentadas por elas. Nicolson vivencia o medo constante do divórcio de seus pais, Connie (Karen Taylor) e Bob (Alan Davies), após a transferência de emprego de seu pai para a Nova Zelândia. Inicialmente, acreditava que poderia ser interessante não ter um deles por perto, mas a ausência de Bob favoreceu para os momentos de solidão e exclusão da garota fossem aos extremos, quando, na verdade, ela apenas precisava de um conselho paterno. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OjVL-Dd5SFA&amp;t=20s"><i><span style="font-weight: 400;">Gatos, Fios Dentais e Amassos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme colegial clássico, porém muito britânico. Embora bobo e descontraído, a trama é dominada pela nostalgia do início ao fim, transportando a lembrança de vivenciar novamente a época do primeiro amor, das revistas </span><i><span style="font-weight: 400;">teens</span></i><span style="font-weight: 400;"> e dos pôsteres de </span><i><span style="font-weight: 400;">boybands</span></i><span style="font-weight: 400;"> na parede. Há 15 anos, o longa-metragem, que hoje é um adolescente, capturava em tela os anseios da juventude com um humor bobo, brega e descontraído, assim como a nossa adolescência deveria ser.</span></p>
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		<title>As mulheres de Amy Sherman-Palladino</title>
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					<description><![CDATA[<p>Criadora de Gilmore Girls e The Marvelous Mrs. Maisel, Amy Sherman-Palladino deu um novo olhar para as mulheres na Comédia Vitória Silva Cidade de Stars Hollow, fundada em 1779. Uma jovem mulher senta-se em uma mesa na cafeteria do Luke, após implorar para o mesmo por mais uma xícara de café, que ele responde com &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-mulheres-de-amy-sherman-palladino-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As mulheres de Amy Sherman-Palladino"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Criadora de Gilmore Girls e The Marvelous Mrs. Maisel, Amy Sherman-Palladino deu um novo olhar para as mulheres na Comédia</span></i></p>
<figure id="attachment_27054" aria-describedby="caption-attachment-27054" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27054 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-11-800x420.jpg" alt="Arte com fundo preto. Nela, estão 3 mulheres, com uma margem rosa em volta de suas silhuetas, simulando um recorte. À esquerda, está Lauren Graham, que interpreta Lorelai em Gilmore Girls. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos e compridos, ela veste uma camiseta branca e jaqueta preta. Ao centro, está a roteirista Amy Sherman-Palladino. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos presos em coque baixo; ela usa um chapéu preto em sua cabeça, uma blusa com um terno preto e segura duas estatuetas do Emmy, uma em cada mão. À direita, está Rachel Brosnahan, que interpreta Midge Maisel. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros curtos. Ela veste um chapéu no tom amarelo, óculos escuros e um vestido com listras claras." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-11-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-11-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-11.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27054" class="wp-caption-text">Aos 56 anos, a roteirista já fez história como a primeira pessoa a levar o Emmy na categoria de Roteiro e Direção em Série de Comédia (Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cidade de Stars Hollow, fundada em 1779. Uma jovem mulher senta-se em uma mesa na cafeteria do Luke, após implorar para o mesmo por mais uma xícara de café, que ele responde com um olhar zangado &#8211; enquanto pega mais café para ela. Um cara flerta com ela e é rapidamente driblado por seu sarcasmo, e com a jogada de que ela está esperando alguém. Esse alguém entra pela porta, é a sua filha, Rory, chateada porque perdeu seu </span><i><span style="font-weight: 400;">CD </span></i><span style="font-weight: 400;">da Macy Gray e </span><i><span style="font-weight: 400;">“precisa de cafeína”</span></i><span style="font-weight: 400;">. E é essa mesma rotina que você vai observar pelos próximos 153 episódios de </span><a href="https://personaunesp.com.br/gilmore-girls-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Gilmore Girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes sucessos da Televisão norte-americana nos anos 2000, o seriado surgiu da curiosa mente de </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm0792371/"><span style="font-weight: 400;">Amy Sherman-Palladino</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nascida no dia 17 de janeiro de 1966, em Los Angeles, filha do comediante Don Sherman e de Maybin Hewes, seus primeiros passos no meio artístico vieram &#8211; acredite ou não &#8211; por meio da dança. Treinada no balé clássico, e com possibilidade até de estrelar o musical </span><a href="https://personaunesp.com.br/cats-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Cats</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a californiana não pensou duas vezes quando precisou largar sua carreira para integrar a equipe de roteiro da série </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt0094540/"><i><span style="font-weight: 400;">Roseanne</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A partir disso, começou a trilhar seus primeiros passos no que se tornaria uma longa caminhada na comédia.</span></p>
<p><span id="more-27051"></span></p>
<figure id="attachment_27055" aria-describedby="caption-attachment-27055" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27055" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12-800x490.jpg" alt="" width="800" height="490" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12-800x490.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12-1024x627.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12-768x470.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27055" class="wp-caption-text">Amy Sherman-Palladino disse que foi “mais ou menos” criada como judia (Foto: El País)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela integrou a equipe do programa para escrever sua terceira temporada, que foi ao ar em 1990, e saiu em 1994, após a sexta. A partir disso, continuou participando de diversos outros seriados, colecionando uma série de sucessos e fracassos, com </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt0259787/"><i><span style="font-weight: 400;">Love and Marriage</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt0118420/?ref_=nm_flmg_prd_8"><i><span style="font-weight: 400;">Over the Top</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt0118506/?ref_=nm_flmg_prd_7"><i><span style="font-weight: 400;">Veronica’s Closet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Como tentativa final para finalmente poder criar uma obra própria, Amy apresentou a ideia de criar uma série sobre mãe e filha, mas em que </span><i><span style="font-weight: 400;">“elas são mais como melhores amigas”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pronto, foi o golpe fatal para conseguir comprar todos os executivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, as ruas e casas da </span><a href="https://gilmoregirls.com.br/23-coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-gilmore-girls/"><span style="font-weight: 400;">fictícia cidadezinha de Stars Hollow</span></a><span style="font-weight: 400;"> passaram a ser construídas. Como centro da narrativa de sua estreia, estavam as garotas Gilmore: Lorelai (Lauren Graham) e sua filha Rory (Alexis Bledel). Explorar a boa relação entre mãe e filha já é acolhedor por si só, quem dirá em uma cidadezinha onde tudo e todos parecem ser extremamente acolhedores. Em meio aos caricatos habitantes e a rotina extremamente peculiar do município, Sherman-Palladino ergueu o cenário do que seria o grande </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/tv/por-que-as-gilmore-girls-perduram,6d4971cd36aa2c12bc81b0122d3417747kc7zf9r.html"><span style="font-weight: 400;">ato de sua carreira</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, como estrela principal, a personagem que se tornaria um dos maiores ícones da comédia televisiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lorelai Gilmore é uma mulher vinda de uma família da alta sociedade, e viveu um dos principais imprevistos que qualquer jovem garota é ensinada a temer: a gravidez na adolescência. Diante da repulsa da família, ela fugiu para a pacata cidade para criar sua filha, também Lorelai &#8211; apelidada no seriado como Rory, é claro. E sua grande motivação em vida é criá-la para que ela não cometa os mesmos erros provenientes de sua própria  rebeldia. O desenrolar da primeira temporada se dá na tentativa de reatar laços com seus pais, Richard (Edward Herrmann) e Emily (Kelly Bishop), com o objetivo de que eles pudessem pagar pelos estudos da neta.</span></p>
<figure id="attachment_27056" aria-describedby="caption-attachment-27056" style="width: 2000px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27056" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3.webp" alt="" width="2000" height="1360" /><figcaption id="caption-attachment-27056" class="wp-caption-text">Apesar de fictícia, Stars Hollow é baseada na cidade Washington Depot, localizada no estado de Connecticut (Foto: Vogue)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que sob um plano de fundo de drama familiar, o que move os episódios da trama é o tradicional cotidiano de tomar café no </span><i><span style="font-weight: 400;">Luke’s</span></i><span style="font-weight: 400;">, ir nas reuniões da cidade, observar as polêmicas do Taylor (Michael Winters) com os habitantes, e por aí vai. O pilar que sustenta tudo isso é a relação entre Rory e Lorelai, que viria a constituir o que seria o âmago da comédia de Amy Sherman-Palladino: a rapidez. Com um</span><i><span style="font-weight: 400;"> timing</span></i><span style="font-weight: 400;"> cômico extremamente apurado, a roteirista e também produtora-executiva do seriado constrói </span><a href="https://gilmoregirls.com.br/o-segredo-do-sucesso-de-gilmore-girls/"><span style="font-weight: 400;">diálogos extremamente velozes</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre mãe e filha, repletos de tiradas e dezenas e dezenas (e dezenas) de </span><a href="https://www.vogue.com/article/gilmore-girls-netflix-pop-culture-quotes"><span style="font-weight: 400;">referências à cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tornando a dinâmica entre as duas fascinante por si só. A simplicidade com que são incorporadas as dosagens de alusões a filmes e seriados da época faz com que, caso não entenda a que o diálogo se refere, o problema com certeza é você. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo isso é ancorado na figura da atraente Lorelai. Uma mulher sensual, no auge da beleza dos seus 30 anos, mas que jamais assume essas características como o seu principal atrativo, já que ele se encontraria em nada mais, nada menos, que o sarcasmo. E é nessa personalidade que Sherman-Palladino originaria um dos atos mais subversivos que os anos 2000 poderiam trazer, ao centrar todos os holofotes da comicidade de sua produção em uma mulher. Se atualmente já é difícil associar personagens femininas como grandes figuronas da Comédia, imagine o cenário há 20 anos. </span></p>
<figure id="attachment_27057" aria-describedby="caption-attachment-27057" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27057" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-800x534.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27057" class="wp-caption-text">Devido aos apressados diálogos entre os personagens da série, um roteiro de Gilmore Girls costumava ter o dobro de páginas quando comparado ao de outras produções de mesma duração (Foto: The WB)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se as luzes brilham para Lorelai, talvez o oposto ocorra com Rory. Por mais que complete perfeitamente a sagacidade de sua mãe, a irreverência da mesma com certeza não é uma característica herdada. Mas a sina da personagem talvez seja as condições completamente utópicas da vida em que foi criada. Rory é a filha, a neta e a namorada perfeita. A criança prodígio, capaz de conquistar tudo que estivesse ao seu alcance apenas por sua inteligência e dedicação. E, mesmo assim, ela consegue tomar as piores decisões possíveis a todo momento. Daí outro grande ato que Amy Sherman-Palladino viria criar:  rompendo com idealismos aos quais as “boas garotas” sempre foram condicionadas, ela origina uma personagem que é uma verdadeira divisora de opiniões. Nas grandes expectativas que a envolvem, Rory erra incessante e irritantemente, mas não erramos todas nós? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fale pela rapidez cômica, mas o grande dom da roteirista está, com certeza, na construção de </span><a href="https://www.buzzfeed.com/danicreahan/ranking-amy-sherman-palladinos-fast-talking-women"><span style="font-weight: 400;">suas personagens femininas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Vamos tratar não apenas de Rory e Lorelai, mas também de Emily, Lane (Keiko Agena), Paris (Liza Weil), Sookie (Melissa McCarthy) Miss Patty (Liz Torres), Babette (Sally Struthers)&#8230; Todas as mulheres que em seu próprio espectro constituem as personalidades mais interessantes de qualquer momento que entram em cena. E os homens? São facilmente ocultados e deixados para escanteio, geralmente servindo apenas de apoio romântico e no que podem fazer de melhor no universo Sherman-Palladino: serem bonitões. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas nem eles acabam sendo reduzidos apenas ao seu aspecto galanteador na narrativa, muito menos a uma imagem sexualizada. Mesmo priorizando o desenvolvimento de figuras femininas, e muitas vezes utilizando os personagens masculinos apenas para fins muito específicos, a roteirista ainda consegue dar um </span><a href="https://valkirias.com.br/relacionamentos-amorosos-em-gilmore-girls/"><span style="font-weight: 400;">devida profundidade a esses componentes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mais do que pais, namorados ou amigos, eles têm uma importância significativa a favor do desenvolvimento das personagens mulheres, e nunca o contrário. Como exemplo disso, temos Richard, Jess (</span><a href="https://personaunesp.com.br/this-is-us-5a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Milo Ventimiglia</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Luke (Scott Patterson), que, mesmo oscilando em alguns momentos na vida das protagonistas, sempre surgem com participações necessárias para o seu amadurecimento pessoal ou em pontos decisivos de suas trajetórias. </span></p>
<figure id="attachment_27061" aria-describedby="caption-attachment-27061" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27061" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-800x531.jpg" alt="" width="800" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-1024x680.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-768x510.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-1536x1020.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-1200x797.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27061" class="wp-caption-text">Mostrando o teor quase autobiográfico de suas produções, a personagem Lane é baseada na melhor amiga de Amy, Helen Pai, tanto que o nome da banda Hep Alien é o dela embaralhado (Foto: The WB)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após seu grande ato televisivo, que se encerrou em uma </span><a href="https://snews.pro/pt/p/gilmore-girls-por-que-amy-sherman-palladino-deixou-o-programa-apos-a-6-temporada-15257382"><span style="font-weight: 400;">sexta temporada extremamente anti-climática</span></a><span style="font-weight: 400;">, Amy Sherman-Palladino deu origem ao seu novo seriado, em 2008, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">O Retorno de Jezebel James</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um fracasso completo, que foi cancelado 10 dias após sua estreia e três episódios irem ao ar. Alguns anos depois de continuar na geladeira, em 2012, lançou um novo título: </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt2006848/"><i><span style="font-weight: 400;">Bunheads</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Novamente reciclando aspectos de sua vida pessoal, a trama centrava-se na história de uma ex-bailarina no fim de sua carreira, que acaba se mudando para uma pequena cidade. Apesar de ter conseguido finalizar uma temporada completa, a série não foi renovada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando parecia estar imersa no próprio fracasso, Amy decidiu fugir de sua tendência de focar em tramas da contemporaneidade e retornou para o passado, mais especificamente aos anos 50. É assim que surgiu o que seria a grande consagração de sua carreira, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-marvelous-mrs-maisel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Marvelous Mrs. Maisel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Fugindo por completo das pequenas cidades fictícias, sua nova obra é ambientada na antiga Nova York. Ao centro dela, está Miriam “Midge” Maisel (Rachel Brosnahan), uma dona de casa que decide ingressar no ramo da comédia </span><i><span style="font-weight: 400;">stand-up</span></i><span style="font-weight: 400;"> após se divorciar do marido. Quase uma antepassada das Gilmore, Sherman-Palladino ganha de vez a sua licença poética para constituir uma personagem extremamente desbocada e que foge dos costumes da época. </span></p>
<figure id="attachment_27059" aria-describedby="caption-attachment-27059" style="width: 1499px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27059" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-6.webp" alt="" width="1499" height="1000" /><figcaption id="caption-attachment-27059" class="wp-caption-text">Antes de interpretar o papel de sua carreira, Alex Borstein já havia participado de Gilmore Girls como as personagens Drella e Miss Celine, e ela também foi casada com Jackson Douglas, intérprete de Jackson (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O fascínio da narrativa já é de esperar, pela continuidade dos diálogos extremamente ritmados e com o sarcasmo e ironia balanceados na medida certa. Além de, é claro, o ambiente totalmente familiar, nos levando a rotina dos Weissman, uma família judaica da classe alta. Mas para não se banhar no mesmo mar que lhe rendeu o seu último e único sucesso até então, a roteirista decide traçar críticas mais profundas à estrutura patriarcal da época, e que tem seus significativos respingos até os dias atuais. Retratar uma das primeiras mulheres a ingressar no ramo da Comédia já é simbólico por si só, mas além das injustiças que Midge sofre em sua carreira apenas por ser mulher, há também a repulsa de seus pais diante de seu novo trabalho, os padrões estéticos a que ela estava aprisionada e a conduta materna que paira sobre a própria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais uma vez, Sherman-Palladino consegue subverter por completo os papéis femininos ainda retratados no meio televisivo, mesmo que em tempos mais recentes. Isso tudo sem precisar mergulhar em dramas densos e que busquem escancarar o sofrimento que as mulheres estão condenadas &#8211; o qual não precisamos ir muito longe para encontrar no mundo real &#8211; apenas para conseguir chocar e, assim, de fato, gerar algum tipo de reflexão no público. Os méritos da produção são incontáveis, e foram o que levaram a produtora a fazer história no principal prêmio da Televisão americana, como a primeira mulher, e também primeira artista no geral, a </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/amy-sherman-palladino-e-a-1a-mulher-a-ganhar-emmy-de-roteiro-e-direcao-de-comedia/"><span style="font-weight: 400;">levar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">na categoria de Roteiro e Direção em série de comédia</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 2018. Um triunfo que apenas reflete sua tamanha importância no meio, ainda mais levando em consideração que seu seriado mais popular nunca havia dado as caras na premiação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/tv/por-que-as-gilmore-girls-perduram,6d4971cd36aa2c12bc81b0122d3417747kc7zf9r.html"><span style="font-weight: 400;">relevância de Amy Sherman-Palladino</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a figura das mulheres na Televisão é tremenda, mas também cabe uma importante reflexão sobre quem são essas protagonistas que ela está retratando na tela, que, no caso, são sempre brancas. Já é nítido que a autora se reflete nas personagens que escreve, basta observar a semelhança com Midge, ambas de família judaica e com um gosto peculiar por chapéus extravagantes. No entanto, dos poucos personagens não-brancos que traz para suas narrativas, nenhum deles recebe uma devida profundidade em suas histórias pessoais. A exemplo temos Lane, que só surge na trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gilmore Girls</span></i><span style="font-weight: 400;"> para servir de apoio a amiga Rory, e ganha um desenrolar de sua história pessoal apenas quando é conveniente, mas que perde a mão por completo na reta final da série &#8211; justiça por Lane Kim!</span></p>
<figure id="attachment_27060" aria-describedby="caption-attachment-27060" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27060" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7.webp" alt="" width="2560" height="1710" /><figcaption id="caption-attachment-27060" class="wp-caption-text">Já em sua quarta temporada, The Marvelous Mrs. Maisel é a verdadeira glória de Amy Sherman-Palladino, com a série tendo conquistado <a href="https://www.emmys.com/shows/marvelous-mrs-maisel">20 Emmys ao todo</a> (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O único personagem negro da série também tem a sua participação beirando a superficialidade e as suas tiradas icônicas, diferente de Sookie, que encontra-se no mesmo círculo social de Lorelai. Michel Gerard (Yanic Truesdale) foi, inclusive, alvo de questionamentos diante da </span><a href="https://www.radiotimes.com/tv/comedy/gilmore-girls-a-year-in-the-life-made-a-major-change-to-a-fan-favourite-character/"><span style="font-weight: 400;">representatividade LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que o programa nunca trouxe à tona personagens abertamente gays, o que não é um peso carregado apenas pela sua criadora, que queria que a cozinheira do hotel fosse lésbica mas teve a ideia negada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">The WB</span></i><span style="font-weight: 400;"> na época. Essa falta total de abordagem diante da questão </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou piada mais tarde, no </span><i><span style="font-weight: 400;">revival Gilmore Girls: Um Ano para Recordar</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que Taylor Doose reclama da falta de membros da comunidade para participarem da parada do orgulho do município: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não há gays o suficiente em Stars Hollow!”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vindo para sua produção mais recente, as questões raciais e também </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">acabam sendo mais abordadas na figura de Shy Baldwin (LeRoy McClain) ao longo da terceira temporada. Agora, no quarto ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Marvelous Mrs. Maisel</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cota de personagens racializados fica nas costas de Mei (Stephanie Hsu), se é que vamos conseguir observar algo mais profundo que os negócios de sua misteriosa família &#8211;</span><i><span style="font-weight: 400;"> afinal, eles são sua família?</span></i><span style="font-weight: 400;"> Por outro lado, a representatividade LGBTQIA+ ainda apresenta uma certa relutância em ser de fato declarada em componentes da trama como, por exemplo, a </span><a href="https://www.autostraddle.com/make-susie-gay-you-cowards-on-the-marvelous-mrs-maisels-lesbian-problem-443802/"><span style="font-weight: 400;">rabugenta Susie</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Alex Borstein). Em meio às inúmeras críticas diretas sobre a sexualidade da mesma, a principal fica no fato de que, se todos os personagens heterossexuais têm obrigatoriamente interesses amorosos, por que ela também não pode ter sequer uma menção em torno do assunto?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Críticas e elogios a parte, uma coisa é fato: o caminho iniciado por Amy Sherman-Palladino a mais de 20 anos atrás foi essencial para que, hoje, outras mulheres desbocadas pudessem vir para a superfície com maior facilidade, como é o caso da magnífica (e qualquer outro adjetivo que possa fazer jus a sua grandiosidade) </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Phoebe Waller-Bridge. Não foi primordial só apenas na produção da Comédia, mas também pelo feito de poder encorajar uma legião de jovens mulheres a entenderem que, acima de qualquer artifício estético, o sarcasmo pode sim ser sua principal forma de defesa. </span></p>
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		<title>A identificação com o caos e o retrato tragicômico da juventude em Shiva Baby</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Jan 2022 13:00:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano Um funeral. Familiares fazendo perguntas pessoais. Sobre seu futuro, sua profissão (que eles não levam muito a sério), seus relacionamentos, seus estudos (não tão credibilizados também)&#8230; sim, tudo aquilo que você não gostaria de comentar no momento. E se, além disso, uma paixão antiga está presente, e o romance não &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/shiva-baby-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A identificação com o caos e o retrato tragicômico da juventude em Shiva Baby"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25689" aria-describedby="caption-attachment-25689" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25689" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-800x336.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e exibe o rosto da personagem Danielle, interpretada por Rachel Sennott, em plano fechado. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Ela bebe um gole de uma taça de vinho com sua mão direita. Seu olhar é angustiado e está voltado para a esquerda da personagem. Ela usa uma camisa social branca. O fundo está desfocado, mas é possível ver atrás dela um grande quadro abstrato em azul, amarelo e vermelho. " width="800" height="336" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-800x336.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25689" class="wp-caption-text">O longa pode parecer um experimento para entender quais os efeitos psicológicos que uma quantidade extrema de pressão pode exercer em alguém (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um funeral. Familiares fazendo perguntas pessoais. Sobre seu futuro, sua profissão (que eles não levam muito a sério), seus relacionamentos, seus estudos (não tão credibilizados também)&#8230; sim, tudo aquilo que você </span><i><span style="font-weight: 400;">não </span></i><span style="font-weight: 400;">gostaria de comentar no momento. E se, além disso, uma paixão antiga está presente, e o romance não terminou tão bem? Parece uma situação desconfortável, certo? E se seu ficante, que, na verdade, é o seu </span><a href="https://gay.blog.br/cultura/filmes-tv-e-series/bissexual-bancada-por-sugar-daddy-e-enredo-de-shiva-baby-que-estreia-no-streaming/"><i><span style="font-weight: 400;">sugar daddy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aparece no local? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ah, mas tem a cereja do bolo! E se ele leva a esposa e um bebê, que você nem sabia que existiam? E, é claro, que todos os seus parentes querem te apresentar a essa linda e simpática família! Esse é o cenário caótico, curioso, intrigante, sufocante, angustiante e singular representado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um filme ousado, que mescla perfeitamente </span><a href="https://www.revistabula.com/42656-10-comedias-dramaticas-na-netflix-para-equilibrar-e-suavizar-2021/"><span style="font-weight: 400;">a comédia e a tragédia social</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-25684"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa é uma coprodução internacional entre Estados Unidos e Canadá, lançada, no Brasil, pela plataforma </span><i><span style="font-weight: 400;">MUBI</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">em abril de 2021. Escrita e dirigida por Emma Seligman, que aqui estreia na direção, a obra é uma expansão adaptada do </span><a href="https://vimeo.com/262386141"><span style="font-weight: 400;">curta-metragem</span></a><span style="font-weight: 400;">, de mesmo nome, desenvolvido por ela em 2018. O curta foi seu projeto de tese enquanto estudante na NYU (Universidade de Nova York) e, ainda que a cineasta não soubesse se seria possível estendê-lo, essa </span><a href="https://mubi.com/notebook/posts/the-current-debate-the-jewishness-of-shiva-baby"><span style="font-weight: 400;">sempre foi sua intenção</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_25687" aria-describedby="caption-attachment-25687" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25687" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-800x450.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e exibe o busto da personagem Danielle, interpretada por Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas a mecha de sua franja está solta. Ela usa uma camisa branca e um blazer preto, por cima. Uma de suas mãos está erguida ao lado de seu rosto e ela segura uma pequena torta. Sua expressão é de irritação, enquanto come. O fundo está desfocado, mas é possível identificar três silhuetas que usam roupas sociais. Elas pertencem a dois homens e uma mulher, e os três estão conversando. São respectivamente do pai, de Max e da mãe de Danielle. O pai é um homem branco, baixo, tem barba e usa óculos e um quipá na cabeça. Max é alto, branco, usa barba e tem cabelos enrolados. A mãe de Danielle está de costas e seus cabelos são castanhos, lisos e vão até abaixo dos ombros. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25687" class="wp-caption-text">Shiva Baby garantiu o prêmio de “Revelação” para Emma Seligman no <a href="https://detroitfilmcritics.com/awards/">Detroit Film Critics Society Awards 2021</a> (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhamos tudo pelo ponto de vista da jovem Danielle, interpretada por </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a36299914/rachel-sennott-on-the-rise-video/"><span style="font-weight: 400;">Rachel Sennott</span></a><span style="font-weight: 400;">. A universitária é uma garota judia e bissexual em sua missão de administrar o fim de uma graduação, os planos de seu futuro profissional e </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> secretamente </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> ser uma </span><i><span style="font-weight: 400;">sugar baby </span></i><span style="font-weight: 400;">em meio período. O enredo a leva até um </span><a href="https://www.maayan.org.br/templates/articlecco_cdo/aid/4864031/jewish/Shiva.htm"><span style="font-weight: 400;">shivá</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma reunião judaica para família e amigos, em um momento de luto. Lá, a personagem de Sennott se vê presa em um dia de puro terror ao encontrar seu </span><i><span style="font-weight: 400;">sugar daddy</span></i><span style="font-weight: 400;"> Max (Danny Deferrari), e ser obrigada a manter a postura enquanto tudo ao seu redor parece conspirar contra sua estabilidade emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua essência, o que a trama busca representar é a </span><a href="https://www.urbandictionary.com/define.php?term=Coming%20of%20age"><span style="font-weight: 400;">iminência da vida adulta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seria ela um incômodo ou um convite? A pergunta ecoa por diversas situações dentre os 77 minutos de duração da obra, parecendo clamar por uma resposta durante todos os momentos em que Danielle é atacada por emergências familiares e amorosas (e um bebê grita desesperadamente, em segundo plano). </span></p>
<figure id="attachment_25688" aria-describedby="caption-attachment-25688" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25688" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-800x335.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e apresenta as personagens Maya e Danielle, respectivamente. Ambas são mulheres jovens e brancas. Maya usa um vestido preto de mangas compridas enquanto segura uma caixa de papelão e olha, com expressão boquiaberta, para Danielle. Danielle, por sua vez, usa camisa branca sobreposta por terno preto. Os cabelos dela estão presos em um coque de franjas soltas, e ela caminha com nítido desânimo no rosto. Ao fundo, uma rua repleta de paisagens verdes, carros e rua e calçada asfaltadas." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25688" class="wp-caption-text">O espectador consegue viver diversas epifanias enquanto está preso à realidade passivo-agressiva de Danielle (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://directorsnotes.com/2021/06/07/emma-seligman-shiva-baby/"><span style="font-weight: 400;">motivação para a história</span></a><span style="font-weight: 400;"> partiu, primeiramente, da diretora, judia e bissexual como a protagonista gerada por ela. Seligman se viu em um fogo cruzado entre pressão familiar e opressão sexual, sentindo necessidade de confrontar essas ansiedades em um papel de dualidade </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma menina legal e muito inclinada aos pais, mas, também, jovem e sexy com seu </span><i><span style="font-weight: 400;">sugar daddy</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, aqui, os incentivos da criação são bem familiares. Emma assistiu </span><a href="https://www.queridocinefilo.com/post/palo-alto"><i><span style="font-weight: 400;">Palo Alto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> muitas vezes enquanto elaborava </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;">, ressaltando que nunca conheceu uma obra tão certeira em retratar a sufocante e debilitante natureza das inseguranças das mulheres jovens. Os longas de </span><a href="https://blogdoims.com.br/o-cinema-visceral-de-john-cassavetes/"><span style="font-weight: 400;">John Cassavetes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os </span><i><span style="font-weight: 400;">thrillers</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicológicos, como </span><a href="https://prensa.li/prensa/cisne-negro-entre-perfeicao-e-loucura/"><i><span style="font-weight: 400;">Cisne Negro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também ajudaram a construir o roteiro do filme. Outras inspirações vieram de </span><i><span style="font-weight: 400;">Krisha</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Transparent</span></i><span style="font-weight: 400;">, produções que exploram da comédia ao drama. Esses reflexos são muito evidentes nos fluxos e variantes entre pânico e ironia, presentes nas catarses da diretora.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Para muitas mulheres jovens, tentar serem meninas legais com carreiras seguras à frente enquanto ainda tentam ser independentes e ter liberdade sexual pode ser um caminhar para insanidade. Espero que elas consigam assistir esse filme e se sentirem vistas em suas inseguranças e reconhecidas por suportarem as pressões contraditórias e sufocantes pelas quais precisam passar. Espero que consigam encontrar um pouco de humor e alívio nessa história</span><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; <a href="https://womenandhollywood.com/tiff-2020-women-directors-meet-emma-seligman-shiva-baby/"><em>Emma Seligman em </em><em>entrevista para </em><em>a</em> Women and Hollywood</a></span></p></blockquote>
<figure id="attachment_25690" aria-describedby="caption-attachment-25690" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25690" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-800x335.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e apresenta o pai de Danielle, a própria Danielle e a mãe dela, respectivamente. O pai da jovem é branco e parcialmente calvo, com cabelos castanhos e grisalhos também em sua barba. Ele veste camisa azul, gravata vermelha com desenhos verdes e terno ocre. Danielle, uma menina branca, usa camisa branca e seu cabelo castanho preso em um coque de franjas soltas. A mãe da garota, uma mulher branca, tem cabelos castanhos até os ombros, combinando óculos e vestido de mangas longas, ambos pretos. Ao fundo, a ambientação de uma casa de visual familiar, onde ocorre a shivá na qual os personagens participam." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25690" class="wp-caption-text">Mesmo tendo estreado recentemente, Shiva Baby é clássico ao abordar o amadurecimento (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cineasta ainda exalta que sempre teve a preocupação de </span><a href="https://twitter.com/mrwillw/status/1306927587470594048?s=21"><span style="font-weight: 400;">escalar artistas judeus</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o elenco, mas que não necessariamente precisava de uma totalidade. A própria escalação de Dianna Agron é um pouco controversa: uma atriz judia que, mesmo assim, atua como a única personagem que não participa da religião. </span><a href="https://www.refinery29.com/en-gb/2020/09/10022022/shiva-baby-movie-tiff-jewish-sugar-daddy"><span style="font-weight: 400;">Nas palavras da própria diretora</span></a><span style="font-weight: 400;">, o mais importante era que ela sentisse conexão entre os atores e personagens, uma compreensão entre a mensagem da história e quem deveria interpretá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Dianna, Danny Deferrari e Molly Gordon completam o elenco contracenando com momentos dolorosos e divertidos. O destaque, entretanto, está nas mãos de Rachel Sennott, que lidera a </span><a href="https://biblioteca.pucrs.br/curiosidades-literarias/voce-sabe-o-que-e-mise-en-scene/"><i><span style="font-weight: 400;">mise-en-scène</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com destreza. É possível compreender seus sentimentos mesmo sem uma única palavra sendo dita. Nervosismo, vergonha, ódio, incômodo </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> são algumas das diversas emoções perfeitamente traduzidas pela atriz. </span></p>
<figure id="attachment_25686" aria-describedby="caption-attachment-25686" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25686" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-5-3-800x610.jpg" alt="Fotografia do elenco do filme Shiva Baby, tirada nos bastidores. A imagem retrata seis atores posando nos degraus de uma escada, três estão à frente, três atrás. Todos estão sorrindo. Atrás, da esquerda para a direita, estão Polly Draper, Fred Melamed e Danny Deferrari. Polly é uma mulher branca, que tem os cabelos castanhos, lisos, cortados na altura dos ombros. Ela usa óculos e uma camisa preta. Fred é um homem na casa dos 60 anos, branco, calvo, que usa barba e óculos. Por fim está Danny. Ele é um homem branco, alto, que tem barba e cabelos castanhos e enrolados. Usa terno e gravata. Na frente, da esquerda para a direita, estão Molly Gordon, Rachel Sennott e Dianna Agron. Molly é uma mulher jovem, branca, de cabelos lisos e castanhos, que vão até um pouco abaixo dos ombros. Ela usa um vestido preto e tem as mãos entrelaçadas na frente do corpo. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas as mechas de sua franja estão soltas. Ela usa uma camisa branca e uma saia preta. Dianna, por sua vez, é uma mulher branca, na casa dos 30 anos. Ela tem cabelos lisos e loiros e usa um vestido preto, sem mangas." width="800" height="610" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-5-3-800x610.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-5-3-768x585.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-5-3.jpg 828w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25686" class="wp-caption-text">A <a href="https://personaunesp.com.br/tag/dramedia/">hibridização de gêneros cinematográficos</a> em Shiva Baby torna a obra leve e reconfortante, caótica e dramática (Foto: Instagram <a href="https://www.instagram.com/p/CFSUYNChAkI/">@shivababymovie</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama do filme também instala uma </span><a href="https://www.talkhouse.com/how-rachel-sennott-changed-my-life/"><span style="font-weight: 400;">ansiedade inebriante</span></a><span style="font-weight: 400;">, que induz a uma atmosfera conhecida: a representação sufocante da família. Como se já não bastassem os questionamentos internos, a protagonista é constantemente obrigada a lidar com o desconforto de pais invasivos, que enxergam a proximidade afetiva com a filha como premissa para tomarem decisões por ela. A </span><a href="https://ew.com/movies/shiva-baby-exclusive-trailer/"><span style="font-weight: 400;">saturação mental</span></a><span style="font-weight: 400;"> a qual Danielle é conduzida ao longo da narrativa encontra sua força motriz nesse empenho exacerbado em exigir da garota mais do que ela pode ou deve confabular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As situações que </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega se desenrolam em aleatoriedades constrangedoras, realizadas com fluidez. O longa também evoca </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-59307240"><span style="font-weight: 400;">risos de desespero</span></a><span style="font-weight: 400;">, constrangimento e preocupação pela protagonista. Beirando a insanidade, os diálogos são muito realistas, mobilizando a perturbação e o alívio a atingem o espectador com punhaladas emocionais, diluídas e pontuais. </span></p>
<figure id="attachment_25691" aria-describedby="caption-attachment-25691" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25691" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/gif-1-imagem-6.gif" alt="Gif do filme Shiva Baby. Ele retrata uma cena do filme em que Danielle, sua família, Maya e a família de Max estão dentro de um mesmo carro. Todos estão em dois bancos traseiros. Em um primeiro momento, o gif mostra Kim, à esquerda, e Max sentado ao seu lado no carro, à direita, segurando um bebê que chora no colo. Eles são interpretados respectivamente por Dianna Agron e Danny Deferrari. Dianna é uma mulher branca, na casa dos 30 anos. Ela tem cabelos lisos e loiros. Seu rosto é fino e ela carrega uma expressão de ansiedade. Danny é um homem branco, alto, que tem barba e cabelos castanhos e enrolados. Ele usa terno e gravata e aparenta estar tranquilo enquanto tenta consolar o bebê. Em um segundo momento, o gif corta para a imagem de três pessoas sentadas no banco atrás do casal. Da direita para a esquerda estão as jovens Maya e Danielle e, por último, Maureen, uma senhora idosa. Maya é interpretada por Molly Gordon. Molly é uma mulher jovem, branca, de cabelos lisos e castanhos, que vão até um pouco abaixo dos ombros. No Gif ela olha para baixo e depois dá um pequeno sorriso. Danielle é interpretada por Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas as mechas de sua franja estão soltas. Ela está com a maquiagem dos olhos borrada e olha fixamente para baixo enquanto dá um suspiro e também sorri. Maureen é o papel de Sondra James, uma senhora de cabelos cacheados e castanhos que está dormindo no banco. " width="800" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-25691" class="wp-caption-text">O título do filme faz referência tanto a Danielle quanto a Rose, o bebê levado para a shivá (GIF: <a href="https://everythingdaily.tumblr.com/post/654819835939815424/shiva-baby-2020-dir-emma-seligman">Everything Daily</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os acontecimentos são sucedidos praticamente em tempo real e na </span><a href="https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/5-filmes-com-roteiros-impecaveis-e-que-se-passam-em-um-unico-cenario/"><span style="font-weight: 400;">mesma localidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo ocorre quase inteiramente em um velório, dentro de uma casa, o que contribui para a ideia de claustrofobia e reforça o aprisionamento de Danielle na tribulação em questão. Assim, pela variedade de gêneros cinematográficos abordados e produções tidas como base para a concepção do longa, o trabalho de gravação e montagem (a cargo de Hanna A. Park) precisou ser </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HI7nrlZMt94&amp;t=2s"><span style="font-weight: 400;">minuciosamente desenvolvido</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O uso de </span><a href="https://www.primeirofilme.com.br/site/o-livro/niveis-da-linguagem-cinematografica/"><span style="font-weight: 400;">planos subjetivos</span></a><span style="font-weight: 400;"> marca a fotografia de Maria Rusche. As proximidades datadas por ela são íntimas o bastante para refletir, no público, as emoções afloradas em tela. Nos conectamos com a angústia, a raiva e o medo </span><a href="https://scriptmag.com/reviews/understanding-screenwriting-leftovers"><span style="font-weight: 400;">através dos olhos de Danielle</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que são eles que comandam os cortes de cena. Por se aproximar tanto do espectador, a angulação de câmera ainda o equipara às dúvidas e aos anseios da protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QIloMJ4kPDQ"><span style="font-weight: 400;">Ariel Marx</span></a><span style="font-weight: 400;"> merece destaque igualmente. Toda a </span><a href="https://www.aicinema.com.br/por-que-a-trilha-sonora-no-cinema-faz-toda-a-diferenca-entenda/"><span style="font-weight: 400;">musicalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é pensada para coreografar a versatilidade dos momentos ao ambiente tensional e não deixar de fisgar quem assiste. Esse conjunto desencadeia a empatia televisiva, o humor em situações bizarras e o suor da ebulição caótica. Afinal, dançar conforme a música é um dos fantasmas de Danielle.</span></p>
<figure id="attachment_25685" aria-describedby="caption-attachment-25685" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25685" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-800x335.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular. Ela retrata em um plano fechado os rostos de Kim, à esquerda, e Max, à direita, um pouco mais atrás de Kim, mas ainda bastante próximo dela. Eles são interpretados respectivamente por Dianna Agron e Danny Deferrari. Dianna é uma mulher branca, na casa dos 30 anos. Ela tem cabelos lisos e loiros. Seu rosto é fino e ela usa um brinco dourado. Danny é um homem branco, alto, que tem barba e cabelos castanhos e enrolados. Ele usa terno e gravata. O fundo está desfocado e um pouco trêmulo, mas é possível ver um abajur atrás de Kim. O abajur emite uma luz laranja-avermelhada que ilumina os rostos do casal. " width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25685" class="wp-caption-text">Risos precisam de timing assim como sustos: a atmosfera criada é tão bem orquestrada que drama e comédia funcionam de forma excepcional (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A complexa mira assertiva da tecnicidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;"> não contribui apenas para figurar morte, adultério e as muitas formas de independência buscadas por Danielle em </span><a href="https://www.girlsontopstees.com/read-me/2020/9/19/shivas-sugaring-and-sexual-validation-in-conversation-with-emma-seligman-on-shiva-baby"><span style="font-weight: 400;">apreensão cênica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Temas como maternidade e distúrbios alimentares conseguem ser sutilmente aproximados e lançados com inteligência, considerando o espaço disponível para outras importâncias no conjunto. E tratar de </span><a href="https://aframe.oscars.org/news/post/sugar-baby-at-a-shiva"><span style="font-weight: 400;">tópicos tão distintos e relevantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem pecar pela banalidade de discursos prontos ou pelo esgotamento criativo, é uma dádiva que Seligman soube alcançar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma realidade tão exaustiva e controladora, a produção também surpreende pelo espectro escolhido para </span><a href="https://slate.com/culture/2020/11/shiva-baby-emma-seligman-bisexual-representation.html"><span style="font-weight: 400;">retratar a sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. O vínculo entre Danielle e Maya é ressuscitado com muita naturalidade, primeiramente pelos ataques rancorosos de orgulhos feridos, e posteriormente pela paixão remanescente. E, no leque de dúvidas e preocupações da protagonista, sua bissexualidade jamais participa. O amor nutrido por Maya é um dos poucos </span><a href="https://www.queermediamatters.com//post/outfest-2020-a-young-woman-confronts-her-past-and-present-in-the-very-funny-shiva-baby"><span style="font-weight: 400;">refúgios guardados</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela personagem de Sennott, o que o torna o que precisa ser: admirável, consolador, livre.</span></p>
<figure id="attachment_25692" aria-describedby="caption-attachment-25692" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25692" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/gif-2-imagem-8.gif" alt="Gif do filme Shiva Baby. Ele é retangular e mostra uma cena do filme em que as personagens Danielle e Maya se beijam. Maya está à esquerda da câmera e Danielle à direita. Maya é interpretada por Molly Gordon, que é uma mulher jovem, branca, de cabelos lisos e castanhos, que vão até um pouco abaixo dos ombros. No Gif Danielle a surpreende com um beijo e ela a abraça. Danielle é interpretada por Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas as mechas de sua franja estão soltas." width="800" height="336" /><figcaption id="caption-attachment-25692" class="wp-caption-text">A química entre Danielle e Maya é quase instantânea, fato engraçado já que as atrizes <a href="http://www.solzyatthemovies.com/2020/09/14/toronto-2020-emma-seligman-talks-shiva-baby/">só se conheceram um dia antes das filmagens começarem</a> (GIF: <a href="https://shesnake.tumblr.com/post/631867503031812096/shiva-baby-2020-dir-emma-seligman">She Snake</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://dmtalkies.com/shiva-baby-summary-analysis-ending-2021-film/"><span style="font-weight: 400;">panorama geral</span></a><span style="font-weight: 400;"> induz à idealização de uma combustão sem precedentes, conforme o longa caminha para seu clímax: pancadaria, gritos e até uma casa em chamas. Mas a explosão simplesmente não acontece, e o filme esboça mais um riso no espectador. Todas as </span><a href="https://youtu.be/sPq1rX11KSQ"><span style="font-weight: 400;">irregularidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, visíveis ou não, se chocam na van que abriga os personagens principais ao término da narrativa. Com os esperneios permanentes da bebê Rose tilintando pelas janelas do automóvel, presenciamos o desfecho sabendo que não foi a decisão mais expressiva para o momento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, apesar de omitir a merecida exploração dos minutos finais, a obra mantém regularmente sua proposta central junto à efervescência descompassada. Uma combinação eficaz para vivificar o enredo, principalmente aos </span><a href="https://www.thetimes.co.uk/article/shiva-baby-review-comedy-of-errors-with-sweetly-psychotic-undertow-6z22jp5l9"><span style="font-weight: 400;">olhos da crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Grande parte da </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/jun/09/shiva-baby-review-black-comedy-is-a-festival-of-excruciating-embarrassment"><span style="font-weight: 400;">aclamação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;"> também é fruto da representação judaica e bissexual condizente e capaz de fazer públicos de fora dessas comunidades entenderem a trama e se interessarem por ela.</span></p>
<figure id="attachment_25693" aria-describedby="caption-attachment-25693" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25693" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-800x400.jpeg" alt="Fotografia dos bastidores do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e retrata a atriz Rachel Sennott e a diretora Emma Seligman conversando. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas as mechas de sua franja estão soltas. Ela usa um blazer preto e aparece um pouco de costas para a câmera enquanto fala com a diretora. Emma é uma mulher branca, jovem, que tem cabelos castanhos escuros, longos e ondulados. Ela usa uma camiseta branca e equipamentos de som presos ao seu corpo, além de um fone de ouvido pendurado no pescoço. Atrás delas está um carro preto estacionado na rua." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-800x400.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-768x384.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-1200x600.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9.jpeg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25693" class="wp-caption-text">Os embates juvenis de Shiva Baby, em um mundo paralelo, poderiam ser descritos como a linha tênue entre os <a href="https://youtu.be/Azqv46WFxZE">anseios melancólicos</a> de SZA e o <a href="https://youtu.be/DyDfgMOUjCI">vigor rebelde</a> de Billie Eilish (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Emma Seligman como diretora acontece em </span><a href="https://mulhernocinema.com/entrevistas/emma-seligman-fala-sobre-inspiracoes-e-desafios-da-celebrada-comedia-indie-shiva-baby/"><span style="font-weight: 400;">turbulências de veias cômicas e incômodas</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que torna seu trabalho ainda mais profundo e cuidadoso. Escancarando tabus e fundindo estilos cinematográficos, a canadense não se desilude em mesmices e usa sua criatividade para contabilizar novas trajetórias na indústria. Em suma, nem mesmo o fim pouco chocante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;"> desperdiça a imersão impactante que ele consegue produzir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhamos na trama porque, buscando a racionalidade ou tropeçando em melodramas, todos compartilhamos do caos que constrói Danielle. A </span><a href="http://atl.clicrbs.com.br/infosfera/2018/05/25/porque-amamos-um-personagem/"><span style="font-weight: 400;">identificação</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a protagonista transita por muitas camadas, mas termina no mesmo lugar: a miscelânea emocional que é a juventude. Muitas experiências nos perpassam e, em certo ponto, precisamos escolher quais nos moldarão de verdade. No final do dia, somos o que somos e lutamos para que continue a ser assim. Pode não ser obrigatoriamente reconfortante, mas te lembra que está vivo. Aqui ou em um shivá, existe algo mais tragicômico que isso?</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Shiva Baby Trailer #1 (2021) | Movieclips Indie" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3y9Da-91t-I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Às vezes, tudo que precisamos é seguir No Ritmo do Coração</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Jan 2022 11:59:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Andreza Santos Uma família de surdos onde há apenas uma única ouvinte, a filha mais nova. Essa é a descrição inicial de CODA, que ganhou no Brasil o título No Ritmo do Coração. Ruby – a protagonista – é vivida pela talentosa Emilia Jones (Locke &#38; Key), ela é a CODA (Child of Deaf Adults,  &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/no-ritmo-do-coracao-coda-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Às vezes, tudo que precisamos é seguir No Ritmo do Coração"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25700" aria-describedby="caption-attachment-25700" style="width: 1005px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25700" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-1.jpg" alt="Cena do Filme No Ritmo do Coração. Imagem estática. Os quatro personagens estão sentados em um sofá abraçados. No lado esquerdo está Leo Rossi, interpretado pelo ator Daniel Durant. Ele é um homem branco de cabelo castanho curto. Veste uma camiseta cinza com uma camisa xadrez cinza e marrom por cima e calça jeans azul médio. Ao lado dele está Jackie Rossi, personagem de Marlee Matlin. Ela é uma mulher branca de cabelo loiro, tamanho médio. Utiliza uma blusa azul petróleo e calça jeans azul. Ao lado dela está Frank Rossi, interpretado por Troy Kotsur. É um homem branco de cabelo grisalho e barba média. Ele veste uma blusa cinza escuro e calça jeans cinza claro. Na direita ao lado dele está Ruby Rossi, personagem de Emilia Jones. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho, tamanho médio. Utiliza uma blusa de moletom verde e calça jeans azul médio." width="1005" height="670" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-1.jpg 1005w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25700" class="wp-caption-text">O filme venceu duas categorias no Gotham Awards, e Troy Kotsur garantiu indicações ao Globo de Ouro, ao Critics Choice e ao SAG Awards (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Andreza Santos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma família de surdos onde há apenas uma única ouvinte, a filha mais nova. Essa é a descrição inicial de </span><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ganhou no Brasil o título </span><a href="https://www.primevideo.com/detail/0NGHQZ30LKKJU738BAQHVHHU4Y/ref=atv_hm_hom_c_y3hZAQ_awns_9_1?language=pt_br"><i><span style="font-weight: 400;">No Ritmo do Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ruby – a protagonista – é vivida pela talentosa Emilia Jones (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U6mCkzv7WPM"><i><span style="font-weight: 400;">Locke &amp; Key</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), ela é a </span><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://wp.ufpel.edu.br/tesouro-linguistico/2020/11/09/ser-coda-voce-sabe-o-que-isso-significa/"><span style="font-weight: 400;">Child of Deaf Adults</span></a><span style="font-weight: 400;">,  filha de adultos surdos) da família. Trabalhando durante a manhã na pescaria, ela interpreta e traduz tudo o que seu pai, mãe e irmão querem dizer para as pessoas não-surdas. Tudo muda quando ela decide entrar para o coral da escola.</span></p>
<p><span id="more-25699"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de 2021 é inspirado no longa alemão </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2VCixeH6e_g"><i><span style="font-weight: 400;">A Música e o Silêncio</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1996) da diretora Caroline Link, que por sua vez ganhou uma versão francesa em 2014 com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y0pnVZLD4eU"><i><span style="font-weight: 400;">A Família Bélier.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Nesta interpretação estadunidense, a diretora Sian Heder (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xCke0hXoCf8"><i><span style="font-weight: 400;">Little America</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) traz um ponto de vista inovador para uma narrativa convencional de filmes de </span><a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/dramedia-o-que-e-isso/"><span style="font-weight: 400;">dramédia</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos fazendo observar como vive uma família de surdos na sociedade, acendendo uma luz sobre o problema de inclusão e a falta de acessibilidade de pessoas com deficiência em todos os lugares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, acompanhamos a história através da perspectiva da ouvinte, e a partir dela vemos as inúmeras dificuldades enfrentadas pela família Rossi para se expressarem. No fim, todos acabam dependendo de Ruby, que sempre está na corda bamba segurando as pontas da família, através da maneira hábil de se comunicar e traduzir a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dzYVSlgHAew"><span style="font-weight: 400;">linguagem de sinais</span></a><span style="font-weight: 400;">, que está presente em pelo menos 50% dos acontecimentos.</span></p>
<figure id="attachment_25701" aria-describedby="caption-attachment-25701" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25701" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-2.gif" alt="Cena do Filme No Ritmo do Coração. Imagem em movimento. Os dois personagens estão em um auditório no palco. No centro da imagem está Ruby Rossi, interpretada por Emilia Jones. Ela está em pé cantando uma música, enquanto faz a linguagem de sinais com as mãos. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho, tamanho médio. Veste um suéter de tricô na cor vermelha e calça verde militar. No fundo da imagem está Bernardo Villalobos, personagem de Eugenio Derbez. Ele está sentado à frente de um piano preto. É um homem latino, de cabelos grisalhos. Utiliza uma camisa preta." width="800" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-25701" class="wp-caption-text">Emilia Jones estudou durante nove meses linguagem de sinais, canto e como operar um uma traineira de pesca (GIF: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;"> passou por diversos festivais antes de seu lançamento, incluindo o de </span><a href="https://www.filmelier.com/br/noticias/coda-sundance-2021"><span style="font-weight: 400;">Sundance, onde levou 4 prêmios</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentre eles Melhor Filme do Júri. A produção de Heder é espontânea, sensível, afetuosa e muito engraçada. A aclamação de público e crítica, fez o longa chegar até o </span><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao Globo de Ouro, sendo indicado em duas categorias, Melhor Filme de Drama e em Melhor Ator Coadjuvante com Troy Kotsur (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TUTlOC4mVQ8"><i><span style="font-weight: 400;">Número 23</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), pai de Ruby na trama.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">No Ritmo do Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> destaca a qualidade de Sian Heder como diretora e roteirista, onde segue ganhando prêmios pela sua genialidade nas duas áreas. A  boa fotografia  – pelas lentes da brilhante Paula Huidobro  –, ótimas sacadas no roteiro e uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aH-f6-QaYGU&amp;list=PLVfChAjsg5xPt-GCxyXU9K8ZklSihAkto"><span style="font-weight: 400;">bela trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> – assinada por Marius De Vries  –, transformam o longa em algo imperdível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história que gira em torno de Ruby mostra a adolescência dela, o preconceito de seus colegas perante a família surda e o primeiro amor. Emilia Jones brilha em cena, permitindo que sua família fictícia brilhe junto dela. O longa foi </span><a href="https://variety.com/2021/film/news/apple-studios-wins-coda-in-record-breaking-25-million-sale-1234896460/"><span style="font-weight: 400;">comprado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i><span style="font-weight: 400;"> por 25 milhões de dólares, tornando esse o maior valor já pago por um filme no festival. Além disso, a canção original </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jG_XmVxb1Yo"><i><span style="font-weight: 400;">Beyond The Shore,</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que descreve a vida dupla que Ruby leva entre a família e a Música, está na lista de pré-indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022, e pode surpreender na categoria.</span></p>
<figure id="attachment_25702" aria-describedby="caption-attachment-25702" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25702" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-3.jpg" alt="Cena do Filme No Ritmo do Coração. Imagem estática. Os três personagens estão em um consultório médico. Da esquerda para a direita está Ruby Rossi, personagem de Emilia Jones. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho, tamanho médio. Veste um moletom cinza e calça jeans. No centro da imagem está Frank Rossi, interpretado por Troy Kotsur. É um homem branco de cabelo grisalho e barba média. Utiliza uma camiseta cinza e uma camisa xadrez marrom por cima e bermuda cinza. No lado direito está Jackie Rossi, personagem de Marlee Matlin. Ela é uma mulher branca de cabelo loiro, tamanho médio. Veste uma blusa laranja, jaqueta jeans azul e calça cinza escuro." width="1024" height="508" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-3-800x397.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-3-768x381.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25702" class="wp-caption-text">A produção do filme teve cuidado com a representatividade nas telas e escalou atores surdos, diferente do que aconteceu em <a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/a-surdez-atuada-por-quem-ouve-nova-aposta-do-cinema-frances-causa-polemica-antes-da-estreia-14871128">A Família Bélier</a> (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após se juntar ao coral da escola, Ruby é incentivada por Bernardo Villasboas (Eugenio Derbez) – seu professor de canto – a fazer uma audição para a faculdade de Música de Berklee, o que gira a vida dela e de sua família de cabeça para baixo. Conforme a trama se forma, podemos ver o quão afetuosos e unidos são os Rossi, apesar de todas as adversidades da vida, o amor e a felicidade prevalece entre eles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O paralelo mais importante do filme se dá quando Ruby informa aos pais que quer sair de casa e ir para uma faculdade de Música. Frank vê a decisão de Ruby como algo trivial. Já Jackie – a matriarca da família – vivida pela </span><a href="https://twitter.com/midianinja/status/1386495107130593284"><span style="font-weight: 400;">vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Marlee Matlin (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D9GAeB0i3lQ"><i><span style="font-weight: 400;">The Magicians</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) não aceita de maneira alguma essa decisão da filha. O filho mais velho, Leo (Daniel Durant), vê a escolha da irmã como uma oportunidade de poder tomar conta da família e não ter que depender da caçula para se comunicar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o terceiro e último ato do filme, vemos Ruby se apresentar com o coral da escola onde sua família vai assisti-la, mesmo não ouvindo nada do que ela canta. Nesta sequência, experimentamos como seria a cena da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=etSTNBS-Ol8"><span style="font-weight: 400;">perspectiva dos surdos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que causa um estranhamento pois para nós, os não-surdos, isso é algo incomum. Mas para eles é a forma como eles veem a vida, o que traz uma grande reflexão. O olhar genial de Sian Heder nos permite observar como a família olha para as outras pessoas da plateia, buscando um modo de entender a música e de se encaixar na sociedade, mas sem sucesso.</span></p>
<figure id="attachment_25703" aria-describedby="caption-attachment-25703" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25703" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4.jpg" alt="Cena do Filme No Ritmo do Coração. Imagem estática. As quatro pessoas presentes na imagem. Da esquerda para a direita está Miles, interpretado por Ferdia Walsh-Peelo. Ele está de costas. É um homem branco de cabelo castanho curto. Utiliza um moletom cinza claro. Ao lado dele está a diretora do filme, Sian Heder. Ela é uma mulher branca de cabelo loiro, tamanho médio. Ela veste uma camisa azul claro e calça jeans azul médio. Também tem um fone de ouvido preto envolto ao pescoço. Ao lado dela, Ruby Rossi, personagem de Emilia Jones. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho, tamanho médio. Utiliza uma camisa xadrez azul e mochila verde militar. Atrás de Ruby, está Bernardo Villalobos, interpretado por Eugenio Derbez. Ele é um homem latino, de cabelos grisalhos. Veste uma camisa xadrez azul médio. Também está com um relógio preto." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25703" class="wp-caption-text">Sian Heder também escreveu e dirigiu o filme <a href="https://www.youtube.com/watch?v=8WSz2s-Gemc">Tallulah</a>, de 2016 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fórmula “batida” da narrativa é bem conduzida pela diretora, que explora mais a representação familiar, apresentando um divisor de águas entre o mundo de surdos e não-surdos, onde Ruby se destaca, enquanto se desdobra nesse conflito. É difícil não se apaixonar por </span><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;">, o qual também conta com um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OZe25IEmNno&amp;t=18s"><span style="font-weight: 400;">elenco primoroso</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos levando do riso às lágrimas sem esforço, em um piscar de olhos, engrandecendo ainda mais a história.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">No Ritmo do Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> não precisa se esforçar para ser bom, ele é autêntico e naturalmente envolvente, aquele tipo de filme que vale a pena ser visto. É encantador, divertido e emocionante de uma forma singular. Facilmente se tornou um </span><a href="https://www.therip.com/opinion/2021/04/08/the-meaning-of-comfort-films/#:~:text=Comfort%20films%20is%20a%20popular,show%20others%20their%20favorite%20films.&amp;text=To%20me%2C%20comfort%20films%20are,global%20pandemic%20currently%20going%20on."><i><span style="font-weight: 400;">comfort movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já que foi uma experiência incrível acompanhar a jornada da família Rossi e o início da independência de Ruby. Original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa está disponível no Brasil pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="No Ritmo do Coração | Trailer Oficial | Amazon Prime Video" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vVU2ixNLOt8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>10 anos de O Palhaço: a gente tem que fazer aquilo que a gente sabe fazer</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Dec 2021 22:46:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Não é de hoje que a atribuição de que as comédias têm a obrigação moral de nos fazer rir caiu por terra. Diante dessa sentença, podemos citar inúmeros exemplos de produções que ultrapassam tanto o espectro do riso quanto o do choro, caminhando desde a britânica viciada em sexo até o americano bigodudo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-palhaco-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "10 anos de O Palhaço: a gente tem que fazer aquilo que a gente sabe fazer"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25422" aria-describedby="caption-attachment-25422" style="width: 652px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25422 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-1-3.jpg" alt="Imagem do filme O Palhaço. Nela, o ator Selton Mello, que interpreta Benjamin, está na parte de trás de uma carreta, ao lado de um ventilador. Ele é um homem branco, de cabelos castanhos ondulados, e veste uma camisa branca, terno e calça cinzas" width="652" height="408" /><figcaption id="caption-attachment-25422" class="wp-caption-text">Dirigido por Selton Mello, a produção chegou aos cinemas no dia 28 de outubro de 2011 (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é de hoje que a atribuição de que as comédias têm a obrigação moral de nos fazer rir caiu por terra. Diante dessa sentença, podemos citar inúmeros exemplos de produções que ultrapassam tanto o espectro do riso quanto o do choro, caminhando desde a <a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-5-anos/">britânica viciada em sexo</a> até o <a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/">americano bigodudo que vira treinador de um time da Inglaterra</a>. E, se nem a essas produções é convencionado mais esse papel, quem dirá a um dos personagens principais quando o assunto é provocar riso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a velha história do palhaço infeliz que provoca alegria apenas no público se tornou mais do que batida, talvez até ultrapassada e irremediavelmente rasa. Mas, anos antes da produção de Todd Phillips, o ator Selton Mello trouxe uma fábula semelhante para as telonas. Pela segunda vez no posto de diretor de um longa, ele aproxima essa narrativa conhecida de forma imensurável, não apenas por decidir ambientá-la no estado de Minas Gerais, mas por dar luz a um caminho profundo sobre o próprio eu, originando uma produção que não poderia ter outro nome se não </span><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-25417"></span></p>
<figure id="attachment_25419" aria-describedby="caption-attachment-25419" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25419 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-800x536.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme O Palhaço. Nela, o ator Selton Mello, que interpreta Benjamin, está no gramado em frente a lona de um circo. Ele é um homem branco, de cabelos castanhos ondulados, e usa um chapéu preto, camiseta, casaco e calça listrados, e está com um nariz vermelho de palhaço preso em sua testa." width="800" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-800x536.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-1024x685.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-768x514.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-1536x1028.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-1200x803.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25419" class="wp-caption-text">O filme foi um dos principais vencedores do Grande Prêmio Brasileiro de Cinema em 2012, levando 12 dos 14 troféus Grande Otelo, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Direção (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada em 2011, a narrativa acompanha o cotidiano do elenco do Circo Esperança. Entre músicos, malabaristas e mágicos, há como figura central e de grande destaque a dupla de palhaços Puro Sangue e Pangaré, que por acaso também são pai e filho. Por trás das cortinas, assumem a identidade de Valdemar (<a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/08/11/paulo-jose-morre-no-rio.ghtml">Paulo José</a>) e Benjamin (Selton Mello), o primeiro também sendo o dono do circo. Na outra mão, o personagem de Mello é responsável por cuidar de todas as burocracias envolvendo alvarás, pagamentos e até sutiãs arrebentados de integrantes do espetáculo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivendo não apenas pelo riso do público, o protagonista também existe pela satisfação de seus colegas próximos, enquanto não possui o seu próprio autocontentamento. Aliás, não é digno de ter ao menos uma identidade, sendo obrigado a carregar uma certidão de nascimento acabada para se provar. Somado ao <a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/">nomadismo</a> da rotina circense, Benjamin não herda nem mesmo um endereço fixo, e, assim, seu lugar no mundo. E nessa simbologia que nasce a crise existencial que conduz o que poderíamos chamar de Coringa brasileiro &#8211; isso se <a href="https://personaunesp.com.br/critica-bingo/">Daniel Rezende não tivesse representado um paralelo</a> com tanta maestria não muito tempo depois. </span></p>
<figure id="attachment_25420" aria-describedby="caption-attachment-25420" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25420 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5-800x535.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme O Palhaço. Nela, estão, da esquerda para a direita, os atores Thogun, Álamo Facó, Selton Mello e Renato Macedo, com o ator Tony em frente a este último. " width="800" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5-800x535.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5-1024x685.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5-768x514.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25420" class="wp-caption-text">O Palhaço conta com outros nomes de destaque no elenco, como Tonico Pereira, Moacyr Franco, Fabiana Karla e Danton Mello (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os demais personagens do Circo não recebem a devida profundidade ao longo da trama, servindo apenas como alívio cômico dessa dramédia, o que aqui se faz mais do que necessário. Seus arcos são muito bem posicionados para ilustrar a forma como a vida de Benjamin é condicionada a eles, especialmente à figura do pai, com a ideia de ter como <a href="https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/sociologia/papel-social#:~:text=Refere%2Dse%20%C3%A0s%20responsabilidades%20atribu%C3%ADdas,pessoa%20que%20ocupa%20certa%20posi%C3%A7%C3%A3o.&amp;text=h%C3%A1%20um%20padr%C3%A3o%20comportamental%20e,deveres%20que%20precisam%20ser%20seguidos.">papel social</a> seguir a profissão do mesmo. Ao passo que até o próprio protagonista não tem uma complexidade sobre sua história pessoal, numa perfeita representação do esvaziamento de sua identidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embalado em sua própria melancolia, Selton Mello conquista o papel da sua carreira em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço</span></i><span style="font-weight: 400;">, em frente e por trás das câmeras. Nascido e criado no meio artístico, o roteiro, coescrito por Marcelo Vindicatto, apoia-se num sarcasmo escancarado, que já fizera o ator ganhar risos do público em vários trabalhos anteriores. A estética agradável e simétrica dos cenários da obra, enlaçada com personagens</span><i><span style="font-weight: 400;"> pra lá</span></i><span style="font-weight: 400;"> de caricatos, seria digna de receber o título de um <a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2021/07/o-estranho-mundo-de-wes-anderson/">filme de Wes Anderson</a> à brasileira, se é que o estadunidense teria a capacidade de dar origem a uma produção tão poética quanto essa. </span></p>
<figure id="attachment_25418" aria-describedby="caption-attachment-25418" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25418 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-800x461.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme O Palhaço. Nela, está a atriz Larissa Manoela, que interpreta Guilhermina. Guilhermina é uma criança, por volta dos seus 11 anos, ela é uma menina branca, de cabelos castanhos claros e lisos com franja, e veste uma fantasia vermelha, com mangas bufantes e estrelas espalhas, com uma coroa em sua cabeça." width="800" height="461" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-800x461.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-1024x590.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-768x443.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-1200x692.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25418" class="wp-caption-text">Além de apresentar performances brilhantes como a do eterno Paulo José, o filme também foi a estreia de Larissa Manoela nas telonas (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a essa atmosfera meio </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/moonrise-kingdom-a-perda-da-inocencia-segundo-wes-anderson/"><i><span style="font-weight: 400;">Moonrise Kingdom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Benjamin se vê como um peão isolado na rotina do seu trabalho, que acaba por ser a mesma da sua casa. Desmotivado e destoando dos demais colegas, parte em uma <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/27/opinion/1532693062_745886.html">jornada de autoconhecimento</a> e o encontro da sua motivação, que ele mesmo não faz ideia do que pode ser. Ironicamente, o palhaço viaja para Passos para encontrar seu objetivo, que acaba por ser a mesma cidade de origem do ator que o interpreta, numa espécie de metáfora sobre a sua própria vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conquista da liberdade individual e finalmente sua identidade (material e pessoal) parecem ser o início da satisfação completa de Benjamin, mas acabam por tomar o rumo oposto. O automatismo de seu trabalho unido a uma frustração amorosa apenas aprofundam a crise do personagem de Selton Mello, que se vê cada vez mais enclausurado em seu marasmo particular. A necessidade de explorar o mundo fora da bolha circense em que vivia não se torna uma viagem desperdiçada, e sim uma parte essencial para <a href="https://www.youtube.com/watch?v=fUjOfsoBhMY">se encontrar</a>.</span></p>
<figure id="attachment_25421" aria-describedby="caption-attachment-25421" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25421 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-800x536.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme O Palhaço. Nela, o ator Paulo José, que interpreta Valdemar, está se olhando em um espelho. Valdemar é um senhor branco, de cabelos castanhos, com um bigode, ele veste uma camiseta listrada em preto e branco e usa suspensórios coloridos." width="800" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-800x536.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-1024x685.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-768x514.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-1536x1028.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-2048x1371.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-1200x803.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25421" class="wp-caption-text">“O gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço” (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A descoberta de sua individualidade também é transferida ao ventilador, que se torna um grande componente da narrativa. Em uma <a href="https://casperlibero.edu.br/wp-content/uploads/2015/01/Waleska-Pereira-FCL.pdf">crítica subliminar ao sistema capitalista</a>, o roteiro escancara a necessidade que criamos em ter objetos materiais como frutos de conquista em nossas vidas, além da liquidez e razoabilidade das relações modernas, ao ponto de que o mundo das artes torna-se uma redoma de escape da realidade fria e monótona.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">10 anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua sendo um passeio necessário sobre autoconhecimento. A dignificação diretamente relacionada ao trabalho e as expectativas criadas pela sociedade, cada vez mais potencializados nos tempos modernos, tornam o filme de Selton Mello uma obra atemporal. Não há cargo, diploma ou medalha que traga satisfação maior do que a beleza de encontrarmos nosso lugar no mundo, aquilo que sabemos e </span><i><span style="font-weight: 400;">queremos</span></i><span style="font-weight: 400;"> fazer. </span></p>
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		<title>Os desconfortáveis 5 anos de Fleabag</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Dec 2021 22:13:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Séries de comédia são sempre um banquete da Televisão. Ora de aspectos feel good nos fazendo pertencer a uma família ou torcer fervorosamente para um time do futebol inglês, ora encarando o humor ácido da vida política, o gênero sempre nos permite pensar com mais leveza sobre as aleatoriedades da vida. Com &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/fleabag-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os desconfortáveis 5 anos de Fleabag"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25330" aria-describedby="caption-attachment-25330" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25330" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/429183-800x335.jpg" alt="" width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/429183-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/429183-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/429183-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/429183-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/429183.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25330" class="wp-caption-text">Fleabag é um termo pejorativo no inglês britânico que significa “na lama” (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Séries de comédia são sempre um banquete da Televisão. Ora de aspectos </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1436809107932073984?t=ntcSM2IUa52Dd79bHl85ZQ&amp;s=19"><i><span style="font-weight: 400;">feel good</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos fazendo </span><a href="https://personaunesp.com.br/modern-family-final-critica/"><span style="font-weight: 400;">pertencer a uma família</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou torcer fervorosamente para um time do </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">futebol inglês</span></a><span style="font-weight: 400;">, ora encarando o humor ácido da vida política, o gênero sempre nos permite pensar com mais leveza sobre as aleatoriedades da vida. Com espaço de sobra para inovar, a britânica Phoebe Waller-Bridge desafia o gênero com</span><i><span style="font-weight: 400;"> Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;">. A </span><a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/dramedia-o-que-e-isso/"><span style="font-weight: 400;">dramédia</span></a><span style="font-weight: 400;">, que estreou sua primeira temporada em 2016, não tem tabus para falar de solidão, saúde mental, relacionamentos, e claro, sexo. A produção ainda recebe um diferencial tornando a série tão única: todos esses aspectos são representados sob o feroz olhar e consciência feminina.</span></p>
<p><span id="more-25328"></span></p>
<p><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/18-motivos-para-conhecer-e-amar-phoebe-waller-bridge/"><span style="font-weight: 400;">Phoebe Waller-Bridge</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma atriz e escritora que usa a comédia para espalhar suas críticas sociais e políticas. Dentre incontáveis trabalhos, ela é a </span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner</span></i><span style="font-weight: 400;"> responsável pelo glorioso primeiro ano de </span><a href="https://personaunesp.com.br/killing-eve-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Killing Eve</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas foi a cirúrgica e destemida </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;">, produzida pela </span><i><span style="font-weight: 400;">BBC Three</span></i><span style="font-weight: 400;"> com coprodução do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/amazon/"><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que arrebatou o olhar do público para o unânime e incontestável trabalho de Waller-Bridge, reconhecido com o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Série de Comédia em 2019, com a segunda temporada da série. Além dela, a produção saiu vitoriosa em mais </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2019/09/23/fleabag-e-a-grande-vencedora-do-71o-emmy-game-of-thrones-e-melhor-serie-dramatica.ghtml"><span style="font-weight: 400;">três categorias</span></a><span style="font-weight: 400;">, e foi consagrada a grande </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/6-razoes-para-assistir-fleabag-vencedora-do-emmy-e-globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">vencedora do Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> 2019.</span></p>
<figure id="attachment_25332" aria-describedby="caption-attachment-25332" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25332" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555216-800x332.jpg" alt="" width="800" height="332" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555216-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555216-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555216-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555216-1200x499.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555216.jpg 1208w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25332" class="wp-caption-text">O sexo é tema explicito em Fleabag, no entanto, não há cenas de nudez na série (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pintada como uma série sobre uma mulher viciada em sexo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> está longe de ser meramente sobre isso. Aliás, nem realmente viciada em sexo nossa protagonista &#8211; que nunca é nomeada, adotando assim o próprio nome da série &#8211; é. Em pouco mais de vinte minutos, a produção provoca um tsunami de sentimentos. Do riso ao choro, da vergonha alheia à empatia, nada passa ileso no roteiro absorto e potente de Waller-Bridge. O sexo é sim uma das engrenagens principais da narrativa, assim como a quebra da quarta parede provoca o diferencial da produção. No entanto, o espanto pela liberdade sexual feminina vem da </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/28/cultura/1559033578_028465.html"><span style="font-weight: 400;">falta de produções que tratam da temática</span></a><span style="font-weight: 400;">. As reais peças chaves de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> são as relações interpessoais da protagonista e sua solidão.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O humor da série segue o </span><a href="https://www.ef.com.br/blog/language/humor-britanico-para-iniciantes/"><span style="font-weight: 400;">padrão britânico</span></a><span style="font-weight: 400;">: rápido e sem limites. A aura excêntrica e um tanto bagunçada da personagem principal faz com que a dinâmica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> evolua ao passar dos episódios. Uma seriedade maior é aplicada ao enredo conforme o luto e a culpa vão ganhando mais camadas e as relações se tornam mais complexas. Entretanto, o sarcasmo se mantém por todos os episódios, fazendo com que </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> permaneça no patamar elevado em que foi colocada. As piadas ordinárias podem soar rude aos menos acostumados, mas é essa posição de público-confidente que gera o cativo pela trama, construindo seu tom pessoal que faz o telespectador gargalhar pelo inadequado.</span></p>
<figure id="attachment_25333" aria-describedby="caption-attachment-25333" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25333" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551172-800x331.jpg" alt="" width="800" height="331" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551172-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551172-1024x423.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551172-768x317.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551172-1200x496.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551172.jpg 1210w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25333" class="wp-caption-text">Os relacionamentos de Fleabag se tornam ainda mais complicados após a morte de Boo, sua melhor amiga e sócia (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos colocados numa posição onde descobrimos as prestações do passado da protagonista. Logo notamos que ela está sendo </span><a href="https://sonhandoatravesdepalavras.com.br/2020/01/03/o-luto-e-a-solidao-em-fleabag/"><span style="font-weight: 400;">engolida pelo luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não demora muito para entendermos que ela carrega a dor da perda da mãe e, mais recentemente, a partida da amiga. É essa dinâmica que torna a maratona de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> tão prazerosa. O espectador é confidente, e não obstante, cúmplice do roteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos exercendo o papel de quase irmãos siameses da protagonista. É para quem está do outro lado da tela que ela olha, fazendo caras e bocas, e é ela que as câmeras perseguem a cada cena. Estamos tão grudados que conhecemos os personagens apenas pela maneira na qual Fleabag trata eles: o Pai (Bill Paterson), o Cunhado (</span><a href="https://categorianerd.com/brett-gelman-vai-ser-personagem-recorrente-de-stranger-things-4"><span style="font-weight: 400;">Brett Gelman</span></a><span style="font-weight: 400;">), a Madrinha (Olivia Colman). Isso se dá pois o que realmente importa na narrativa é a maneira em que eles se relacionam com a protagonista. As poucas a terem nome são Claire (</span><a href="https://feitoporelas.com.br/tag/sian-clifford/"><span style="font-weight: 400;">Sian Clifford</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Boo (Jenny Rainsford), irmã e falecida melhor amiga, respectivamente.</span></p>
<figure id="attachment_25334" aria-describedby="caption-attachment-25334" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25334" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551168-800x332.jpg" alt="" width="800" height="332" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551168-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551168-1024x425.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551168-768x318.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551168-1200x498.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551168.jpg 1206w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25334" class="wp-caption-text">É na quebra da quarta parede que Fleabag perde totalmente seu filtro (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção da relação entre as irmãs reforça que a série trata pessoas com a saúde mental deteriorada. É na tentativa de aproximação das duas que notamos que são os vários problemas daquela irmã poderosa e controladora que a impede de se entregar verdadeiramente a momentos felizes. Isso se junta ao fato de que Fleabag está emocionalmente esgotada com seu luto e seu café &#8211; a ocupação a qual ela dedica sua vida &#8211; falido, somado a vida que vai acontecendo, os problemas de outras pessoas vão surgindo e ela vai ultrapassando os limites emocionais dela. Em cima disso, a sagaz Waller-Bridge consegue falar sobre </span><a href="https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/09/18/mulheres-dificeis-como-o-protagonismo-feminino-tem-mudado-series-de-tv.htm"><span style="font-weight: 400;">relacionamentos abusivos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e como qualquer um está sujeito a entrar no ciclo vicioso que te destrói aos poucos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dando um alívio na ambientação da temporada, em um dos pontos altos do primeiro ano da série, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TwWvB6lHPnY&amp;ab_channel=AmazonPrimeVideo"><span style="font-weight: 400;">Fleabag e Claire</span></a><span style="font-weight: 400;"> vão a um retiro de mulheres. A perspicácia do tema central do episódio é uma sátira à forma na qual homens e mulheres são ensinados a lidar com os próprios sentimentos. As mulheres são mostradas sendo obrigadas a reprimir suas emoções caladas e limpando o chão, enquanto os homens são incentivados a extravasar a infelicidade por meio de gritos.</span></p>
<figure id="attachment_25335" aria-describedby="caption-attachment-25335" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25335" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/665993-800x329.jpg" alt="" width="800" height="329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/665993-800x329.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/665993-1024x422.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/665993-768x316.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/665993-1200x494.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/665993.jpg 1309w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25335" class="wp-caption-text">Depois do sucesso de sua primeira temporada, a série voltou para um segundo ano (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série explora as diversas facetas do ser humano, tanto dentro como fora das telas, instigando o telespectador a refletir sobre a sociedade e os padrões de comportamento. Aqui, ninguém é ruim ao ponto de merecer um </span><a href="https://mbeck.com.br/blog/hqs/o-que-e-arco-de-personagem"><span style="font-weight: 400;">arco de redenção</span></a><span style="font-weight: 400;">.  Os perdões não são programados, muito menos forçados, e os personagens não se resumem em atitudes isoladas. Tudo é construído em um </span><i><span style="font-weight: 400;">script</span></i><span style="font-weight: 400;"> bem estruturado, que não omite sua melancólica tristeza, disfarçando-as no humor autodepreciativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi nos palcos do teatro que </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganhou vida pela primeira vez. Enquanto estava em exibição, a amiga de Phoebe e premiada atriz </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><span style="font-weight: 400;">Olivia Colman</span></a><span style="font-weight: 400;"> prestigiou o espetáculo. Encantada pelo inigualável monólogo, falou à atriz que faria qualquer coisa que ela escrevesse. Dito e feito. Olivia ganhou a responsabilidade de dar vida e forma à Madrasta. A personagem que é uma das mais odiáveis da série recebe chuva de elogios pela atuação &#8211; sempre &#8211; impecável de Colman.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Madrasta é a personagem perfeita para servir de termômetro aos atos da família. É no ambiente </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i><span style="font-weight: 400;"> almoço de domingo que as cenas mais intimistas acontecem. Os diálogos passivos-agressivos, o desconforto, as cutucadas, tudo se desenvolve em ritmo crescente até chegar ao desentendimento que pauta o episódio. A personagem de Olivia parece ser uma das únicas a poder ser duramente julgada. As escolhas feitas pelos personagens durante a série refletem os </span><a href="https://valkirias.com.br/fleabag-uma-obra-sobre-solidao/"><span style="font-weight: 400;">traumas conjuntos e particulares</span></a><span style="font-weight: 400;"> que cada um carrega.</span></p>
<figure id="attachment_25336" aria-describedby="caption-attachment-25336" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25336" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555214-800x333.jpg" alt="" width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555214-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555214-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555214-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555214-1200x499.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555214.jpg 1212w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25336" class="wp-caption-text">Com o luto em voga, a cena que as irmãs se encontram no cemitério é uma das mais extraordinárias da Televisão britânica (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem para mostrar como somos patéticos. É tudo inteligente, estranho e desconfortável. E todo o desconforto causado nos seis episódios iniciais é carimbo de excelência no roteiro, que passa do agradável ao trágico em segundos. No capítulo final do primeiro ano, quando as peças que faltavam no quebra-cabeças aparecem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> atinge o ápice de tudo que propôs durante a temporada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra narrativa, o público transformaria a protagonista em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jWHH4MlyXQQ&amp;ab_channel=BiscoitoFino"><span style="font-weight: 400;">Geni</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a apedrejaria em praça pública. Mas como esta série é bem escrita e bem interligada, tudo é diferente. Quem assiste cria empatia pela protagonista e entende suas dores. Não é jogo de mocinho ou vilão. A vida não é tão simples assim. De maneira brilhante, Phoebe Waller-Bridge mostra que compreender os erros do passado não deixa ninguém imune aos erros do futuro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo é muito bem escrito, atuado e dirigido. Há cinco anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> revolucionou o intimismo de se fazer TV. Sua proximidade que transcende as câmeras, e consegue envolver e imergir em apenas 20 minutos, é algo que acontece apenas a cada passagem do </span><a href="https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/astronomia/cometa-halley"><span style="font-weight: 400;">Cometa Halley</span></a><span style="font-weight: 400;">, como foi </span><i><span style="font-weight: 400;">Curtindo a Vida Adoidado</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos anos 80 e como, muito provavelmente, demoraremos para ver o fenômeno se repetir. </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> é coisa de gênia</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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		<title>Sex Education: identidade e irreverência pautam excelente terceira temporada</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Nov 2021 17:27:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laís David Com centenas de lançamentos por mês, é cada vez mais fatigante encontrar uma série adolescente interessante na Netflix. De clichês entediantes até os cancelamentos iminentes, a plataforma luta para conversar com esse público da maneira correta. Um dos maiores acertos dos últimos anos, no entanto, foi a excelentíssima Sex Education. Com sua despretensiosa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sex-education-3a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sex Education: identidade e irreverência pautam excelente terceira temporada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24903" aria-describedby="caption-attachment-24903" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24903" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1.jpg" alt="Cena da série Sex Education. Asa Butterfield e Mimi Keene como Otis e Ruby. Otis é um homem branco de estatura média. Seus cabelos são pretos, ele veste uma jaqueta branca e vermelha e está virado olhando para Ruby. Virada levemente para a direta e olhando para Otis, Ruby veste uma jaqueta amarela e um vestido colorido. Seus cabelos estão presos para trás com uma fivela lilás. Ela usa brincos coloridos em formato de pêra." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24903" class="wp-caption-text">Terceira temporada chegou no fim de setembro na Netflix e liderou o Top 10 do Brasil (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Laís David</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com centenas de lançamentos por mês, é cada vez mais fatigante encontrar uma série adolescente interessante na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. De </span><a href="https://personaunesp.com.br/elite-4a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">clichês entediantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> até os </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-society-critica/"><span style="font-weight: 400;">cancelamentos iminentes</span></a><span style="font-weight: 400;">, a plataforma luta para conversar com esse público da maneira correta. Um dos maiores acertos dos últimos anos, no entanto, foi a excelentíssima </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com sua despretensiosa narrativa </span><i><span style="font-weight: 400;">teen</span></i><span style="font-weight: 400;"> e complexa gama de personagens, a obra conseguiu conquistar seu espaço na lista de melhores produções do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, em 2021, entrega sua terceira temporada com ainda mais encanto.</span></p>
<p><span id="more-24902"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se as duas primeiras temporadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> representam a introdução ao universo divertidíssimo de Otis (Asa Butterfield), Maeve (Emma Mackey) e Eric (Ncuti Gatwa), a terceira dá espaço a todos os outros personagens de forma igualitária e conexa. O início do primeiro episódio nos traz de volta ao infame colégio de Moordale, agora conhecido nacionalmente como </span><i><span style="font-weight: 400;">Escola do Sexo</span></i><span style="font-weight: 400;">. A célebre clínica sexual de Otis e Maeve e o inquietante surto de clamídia na escola causaram um escândalo midiático, que, como sempre, desagradou os superiores do local.</span></p>
<figure id="attachment_24907" aria-describedby="caption-attachment-24907" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24907" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1.jpg" alt="Cena da série Sex Education. Aimee Lou Wood e Emma Mackey como Aimee Gibbs e Maeve Wiley. Aimee é uma mulher branca de cabelos loiros e médios. Ela está de pé, virada para a frente, com uma expressão confusa. Ela veste o uniforme cinza da escola Moordale e uma blusa social azul. Ao seu lado, Maeve está de pé com uma expressão confusa. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos e presos para trás. Ela usa uma franja acima das sobrancelhas. Maeve veste uma jaqueta de couro preta e uma blusa social azul. Em suas mãos, ela segura um celular preto." width="1200" height="680" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1-800x453.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1-1024x580.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1-768x435.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24907" class="wp-caption-text">Oito episódios formaram uma excelente e consistente temporada (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É aí que o problema começa: na tentativa de reverter a reputação da instituição, os investidores de Moordale resolvem demitir o irascível Michael Groff (Alistair Petrie) e contratam uma nova diretora para substituí-lo. Apresentada inicialmente como uma líder feminista e intuitiva, Hope Haddon (Jemima Kirke) tenta convencer os jovens a se renderem a regras milenares com sua personalidade jovial e leviana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em poucos momentos, já é possível enxergar as verdadeiras cores da diretora. Hope se revela uma mulher racista, homofóbica e preconceituosa. Seja ao assumir que Adam Groff (Connor Swindells) era o líder estudantil apenas por ser branco ou ao reprimir a individualidade dos alunos do colégio, as </span><a href="https://dialogopsi.com.br/blog/microagressao-como-funciona/"><span style="font-weight: 400;">microagressões</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Hope nos fazem até sentir falta do carrasco Michael Groff. Quem diria que </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiria captar as nuances problemáticas do </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/estante/trechos/2021/08/13/%E2%80%98Feminismo-branco%E2%80%99-como-o-movimento-pode-ser-excludente"><span style="font-weight: 400;">feminismo branco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de forma tão simples?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A terceira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> também introduziu Cal, a primeira personagem </span><a href="https://medium.com/@nicknagari/guia-b%C3%A1sico-da-n%C3%A3o-binariedade-97de1d9bc84d"><span style="font-weight: 400;">não-binárie</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série. Cal (Dua Saleh) é artística, liberal e independente. Seu romance com Jackson Marchetti (Kedar Williams-Stirling) trata de dúvidas importantes sobre pronomes, gênero e orientação sexual de maneira leve e delicada. É raro encontrar representações tão justas e respeitosas na mídia, e a série acertou em cheio. Outro momento enternecedor da temporada é a cena íntima entre Maeve e Isaac (George Robinson): narrativas que retratam pessoas com deficiência como sexualmente ativas são quase inexistentes, e a equipe de roteiristas repara esse histórico com </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/features/sex-education-isaac-disabled-maeve-b1926241.html"><span style="font-weight: 400;">cuidado e compostura</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24906" aria-describedby="caption-attachment-24906" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24906" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4.jpeg" alt="Cena da série Sex Education. Gillian Anderson como Jean Milburn. Em um consultório médico, aparecem duas cadeiras azuis. A esquerda está vazia. Na cadeira direita, Jean está sentada. Jean é uma mulher branca de cabelos loiros presos para trás com um sutil topete. Ela veste um vestido verde esmeralda com flores amarelas e vermelhas, além de uma jaqueta vermelha. Ela está grávida e segura um formulário azul." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24906" class="wp-caption-text">Terceira temporada da série é a melhor até então (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O impacto do abuso sexual em Aimee (Aimee Lou Wood) também é formosamente trabalhado ao longo dos oito episódios. Longe de reduzir a personagem a seu agressor ou apagar o problema de sua existência, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> dialoga com as consequências psicológicas de um assédio e também prova que, no final do dia, Aimee é muito mais do que seu trauma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os episódios também serviram para desenrolar excelentes tramas que não tinham tanto espaço no passado. O verdadeiro destaque da temporada vai para Ruby (Mimi Keene), que desconstrói o arquétipo de </span><a href="https://www.ranker.com/list/best-queen-bees-movies/eric-vega"><i><span style="font-weight: 400;">Queen Bee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da melhor forma possível. Sua perversidade unilateral nunca a representou por completo; pelo contrário, sua identidade fascinante finalmente teve tempo de ser desenvolvida. Impossível não se emocionar ao ver a jovem se declarar para Otis, para, então, ser rejeitada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se Eric foi o grande destaque das primeiras duas temporadas, aqui ele fica de escanteio. No entanto, sua narrativa não deixa de ser cativante: a viagem familiar de sua família até a Nigéria reflete muito bem sua necessidade de liberdade, atributo que seu atual relacionamento não tem nada. A dualidade entre a recente descoberta da bissexualidade de Adam e a extensa experiência e aceitação de Eric como homem homossexual é deslumbrante, e, ao mesmo tempo, desastrosa.</span></p>
<figure id="attachment_24904" aria-describedby="caption-attachment-24904" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24904" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1.jpg" alt="Cena da série Sex Education. Asa Butterfield e Mimi Keene como Otis e Ruby. Ruby olha para a frente com um grande sorriso e tem seus cabelos presos para trás com uma fivela roxa, enquanto Otis levanta suas sobrancelhas com atenção. Ruby usa um vestido colorido, enquanto Otis veste uma blusa bege listrada." width="1200" height="592" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1-800x395.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1-1024x505.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1-768x379.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24904" class="wp-caption-text">Otis e Ruby se tornaram um dos casais mais amados pelo público (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série também não se reduz a tramas adolescentes, e isso a eleva a um outro patamar. Os dilemas da gravidez de risco de Jean (Gillian Anderson) ou a independência recente de Maureen Groff (Samantha Spiro) encantam tanto quanto qualquer problema dos estudantes de Moordale. Gillian é excepcional e rouba todas as cenas &#8211; por aqui, fingimos que seu recente prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3epLj6ZStsw&amp;ab_channel=TelevisionAcademy"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Drama</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi também pela sua impecável atuação como a matriarca e terapeuta sexual de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que deixa a desejar é a necessidade persistente do romance intragável de Otis e Maeve. O casal até era interessante nas primeiras temporadas, mas agora ele é nada mais que o resultado da narrativa incessante que os colocou ali. Os anos 2000 já se foram, e ninguém mais espera por um relacionamento de idas e vindas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dfuPBC-v5NE&amp;ab_channel=HBOMax"><span style="font-weight: 400;">Ross e Rachel</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><a href="https://gilmoregirls.com.br/15-vezes-em-que-luke-e-lorelai-nos-fizeram-acreditar-no-amor/"><span style="font-weight: 400;">Lorelai e Luke</span></a><span style="font-weight: 400;">: a dualidade de Otis e Ruby, por exemplo, entretém muito mais do que o relacionamento maçante do jovem com Maeve.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais encanta em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a graciosidade em seus personagens. Se afastando da dicotomia entre pessoas bons e ruins, ela trata dos piores assuntos da forma mais humana possível. A desestigmatização de diversas pautas identitárias não soa como um </span><a href="https://www.studiobinder.com/blog/what-is-a-plot-device-definition-examples/"><i><span style="font-weight: 400;">plot device</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">involuntário, mas sim uma narrativa natural e coesa.</span></p>
<figure id="attachment_24905" aria-describedby="caption-attachment-24905" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24905" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5.jpg" alt="Cena da série Sex Education. Ncuti Gatwa e Connor Swindells como Eric e Adam. Em uma floresta, o casal dá as mãos e caminha com felicidade. Eric é um homem negro e de cabelos raspados, e veste uma blusa com estampas de onça. Sua calça é verde-água e vermelha. Ao seu lado, Adam usa uma calça jeans, uma blusa laranja com uma listra branca e marrom, além de uma jaqueta marrom. Adam é um homem branco de cabelos castanhos e curtos. Ele carrega um pequeno pote preto e laranja. " width="1284" height="856" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5.jpg 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24905" class="wp-caption-text">Quarta temporada já foi confirmada pelos produtores (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de três excelentes temporadas, ficou claro que </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das melhores produções originais da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sexualmente positiva e insanamente irreverente, a série se equilibra entre o humor e o drama e entrega um excelente produto final: um excerto fantástico e agridoce do melhor que uma série adolescente tem a oferecer.</span></p>
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		<title>5 anos de Better Things: mulheres são realmente seres extraordinários</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Oct 2021 15:11:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Andreza Santos Sem romantização e com muita honestidade, Better Things conta a história de Sam Fox (Pamela Adlon, de This Is Us) uma atriz e mãe solteira de 3 filhas, que se desdobra dia após dia para cuidar delas enquanto trabalha em set de gravações de Hollywood. A série, criada por Louis C.K., mais tarde, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/better-things-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos de Better Things: mulheres são realmente seres extraordinários"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23646" aria-describedby="caption-attachment-23646" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23646 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-1.jpg" alt="Cena da série Better Things. Imagem estática. As cinco personagens estão andando na rua ao ar livre, durante o dia. No lado esquerdo da foto está Phil, interpretada por Celia Imrie. Ela é uma mulher branca de cabelos castanhos lisos, preso em um coque. Utiliza uma blusa rosa escuro estampada e calça preta. Carrega um casaco marrom e uma sacola bege nas mãos. Ao lado de Phil, está Duke, personagem de Olivia Edward. Ela é uma menina branca de cabelo castanho claro, longo e liso. Veste um suéter listrado em vermelho, bege e preto e calça verde musgo. Ao lado dela está Frankie, interpretada por Hannah Alligood. Ela é uma mulher branca de cabelos castanho claro curto e cacheado. Utiliza uma camisa branca e gravata preta e calça preta. A frente dela está Max, personagem de Mikey Madison. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho escuro, longo e meio ondulado. Utiliza um macacão verde folha com detalhes em bege. A frente de Max está Sam, interpretada por Pamela Adlon. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho médio, longo e liso. Veste uma blusa preta com um blazer preto. Também utiliza óculos de sol preto e um colar na cor prata." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-1-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23646" class="wp-caption-text">“Um elogio de uma mulher vale por mil elogios de um homem &#8211; Woman in Yellow ” (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><b>Andreza Santos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem romantização e com muita honestidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Better Things </span></i><span style="font-weight: 400;">conta a história de Sam Fox (Pamela Adlon, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/this-is-us-4a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) uma atriz e mãe solteira de 3 filhas, que se desdobra dia após dia para cuidar delas enquanto trabalha em </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><span style="font-weight: 400;">de gravações de Hollywood. A série, criada por Louis C.K., mais tarde, foi totalmente passada para as mãos de Pamela, após a </span><a href="https://pipocamoderna.com.br/2017/11/louis-c-k-e-demitido-das-producoes-da-fx-e-dispensado-da-animacao-pets-2/"><span style="font-weight: 400;">demissão de C.K.</span></a><span style="font-weight: 400;"> por comportamento inapropriado.</span></p>
<p><span id="more-23645"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção do canal </span><i><span style="font-weight: 400;">FX</span></i><span style="font-weight: 400;"> é inteligente, sensível, instigante e engraçada, e com toda essa qualidade já foi reconhecida pelo </span><a href="https://www.goldderby.com/article/2020/better-things-emmys-best-comedy-series/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mas infelizmente ainda não conquistou a sua estatueta. Com muito coração, Adlon permeia o espaço entre o drama e a comédia muito bem, trazendo várias camadas da relação de Sam com as pessoas à sua volta – principalmente com sua mãe – e a forma como ela leva a vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A família de Sam ainda conta com sua mãe super desajustada Phil (Celia Imrie, de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XWG6bGJ4QPw"><i><span style="font-weight: 400;">O Exótico Hotel Marigold 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) com quem sempre a protagonista está discutindo ou fugindo de suas intromissões desnecessárias. Sam cuida das filhas em tempo integral, que mal reconhecem todo o amor e carinho que a mãe lhes dá, e são extremamente rudes com ela, que tenta entender o comportamento das garotas, sem sucesso.</span></p>
<figure id="attachment_23647" aria-describedby="caption-attachment-23647" style="width: 1360px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23647" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-2.jpg" alt="Cena da série Better Things. Imagem estática. A protagonista Sam, interpretada por Pamela Adlon aparece no centro da imagem, ao ar livre, durante o dia em um parque. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho médio, longo e liso. Veste uma blusa azul estampada e carrega uma garrafa térmica cinza com tampa vermelha e uma bolsa bege." width="1360" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-2.jpg 1360w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-2-800x376.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-2-1024x482.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-2-768x361.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-2-1200x565.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23647" class="wp-caption-text">“Ser uma mulher no mundo significa ser elogiada e depois decepcionada’’ (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Better Things</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz a melhor faceta de Pamela Adlon, antes mais experiente na dublagem do que nas telinhas, aqui assume a série como protagonista, cocriadora, diretora, produtora e roteirista. O talento dela em todas essas profissões é algo incrível de se ver. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PQBKh90z3Ks"><span style="font-weight: 400;">A sinceridade afetuosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Sam é adorável, uma mãe imperfeita que quer ser uma referência para as filhas – e é para Duke, a mais nova. Isso é fruto da vida real de Adlon, que inspirou a série, ela também tem 3 filhas e todas com nome neutro igual Max, Frankie e Duke, suas filhas da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pamela Adlon tem um poder arrebatador de transformar algo banal em extraordinário. Trazendo assuntos recorrentes de outras tramas com protagonistas femininas fortes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Better Things</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata com naturalidade todo assunto complexo que se propõe a debater, como menstruação, envelhecimento, </span><a href="https://personaunesp.com.br/but-im-cheerleader-critica/"><span style="font-weight: 400;">identidade de gênero</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/adolescente/"><span style="font-weight: 400;">adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;">, drogas, família, </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><span style="font-weight: 400;">feminismo e sororidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_23648" aria-describedby="caption-attachment-23648" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23648" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-3.jpg" alt="Cena da série Better Things. Imagem estática. As quatro personagens estão na praia, durante o dia. No lado esquerdo da foto está Sam, personagem de Pamela Adlon. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho médio, longo e liso. Utiliza uma blusa preta e óculos de sol preto em cima da cabeça. Ao lado dela está Duke, interpretada por Olivia Edward. Ela é uma menina branca de cabelo castanho claro, longo e liso. Veste um casaco azul turquesa. Atrás dela está Frankie, personagem de Hannah Alligood. Ela é uma mulher branca de cabelos castanho claro curto e cacheado. Utiliza uma camiseta branca e um casaco cinza. Ao lado dela está Max, interpretada por Mikey Madison. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho escuro, longo e ondulado. Veste uma camisa azul escuro estampada." width="1000" height="666" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-3.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-3-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23648" class="wp-caption-text">A série completa está disponível no Star+ (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Max (Mikey Madison), é a filha mais velha do trio, ama contar tudo o que acontece em sua vida para a mãe, que sempre lhe deu liberdade tanto para falar de sexo tanto quanto drogas. Com a chegada da vida adulta, Max passa a entender mais a mãe, tendo uma grande evolução no quarto ano, passando de uma garota inconsequente a uma mulher séria e madura para a pouca idade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Frankie (Hannah Alligood) é a filha do meio, sempre meio deslocada, vemos a jornada de descoberta dela sempre pairar na família desde o fim da primeira temporada, quando surge a questão sobre a identidade de gênero, que é levada a banho-maria durante todo esse tempo. Desde que Sam foi avisada sobre a identidade da filha e uma possível transgeneridade, ela deixa Frankie livre para ser o que quiser, porém, pela complexidade do assunto, ainda não temos todas as respostas, apenas vemos a forma como Sam lida com tudo isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duke (Olivia Edward), é a mais amorosa das três filhas e podemos acompanhar a transição da infância para a adolescência da garota. Ela admira muito a mãe e é a que mais assume a questão espirituosa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Better Things</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tem uma sensibilidade impressionante, isso quando não está gritando palavrões em um estacionamento com as irmãs.</span></p>
<figure id="attachment_23649" aria-describedby="caption-attachment-23649" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23649" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-things-4.gif" alt="Cena da série Better Things. Imagem em movimento. As duas personagens estão dentro de uma loja de roupas. No lado esquerdo está Sam Fox, protagonista da trama, interpretada por Pamela Adlon. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho médio, longo e liso. Utiliza uma camiseta cinza e um blazer preto. Também usa óculos de grau. A frente dela está Max, personagem de Mikey Madison. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho escuro, longo e liso. Veste uma regata branca e blazer azul escuro." width="650" height="429" /><figcaption id="caption-attachment-23649" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">“Ouça meu amor. O futuro é seu. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J4VycS5JVtg"><span style="font-weight: 400;">Você pode ser o que você quiser</span></a><span style="font-weight: 400;">” (GIF: FX)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O capítulo mais emocionante da série vem na segunda leva de episódios, intitulado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eulogy</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde Sam cansa de ser ignorada e pede um pouco de gratidão das filhas. Esse pedido da protagonista leva </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JfswXl5u6I4"><span style="font-weight: 400;">a cenas muito especiais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que nos fazem chorar e rir ao mesmo tempo, e é aonde percebemos a grandiosidade da série e como amamos muito essas mulheres.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O terceiro ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">Better Things</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser considerado o mais ousado da trama, onde é abordada uma possível bissexualidade de Sam de forma singela, e é também quando vemos a protagonista experimentando coisas novas, por causa de uma crise de meia-idade. A casa de Sam está sempre cheia de amigos, na sua maioria mulheres, onde elas conversam sobre tudo enquanto se divertem contando os problemas da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção de Pamela Adlon traz, em sua quarta temporada, um elemento simples porém cheio de significado: </span><a href="https://www.dicionariodesimbolos.com.br/agua/"><span style="font-weight: 400;">a água</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui ela vem em forma de chuva, tempestade, piscina e mar, ditando todos os acontecimentos da série, do primeiro ao último episódio, purificando todos os problemas, renovando e trazendo uma maior intensidade para a temporada – a melhor até agora.</span></p>
<figure id="attachment_23650" aria-describedby="caption-attachment-23650" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23650" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-5.png" alt="Cena da série Better Things. Imagem estática. As duas personagens estão dentro da cozinha da casa de Sam. No lado esquerdo está Phil, personagem de Celia Imrie. Ela é uma mulher branca de cabelos castanhos liso preso em um coque. Utiliza uma camisa marrom clara estampada e um cardigan marrom. Ao lado dela está Sam, interpretada por Pamela Adlon. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho médio, longo e liso. Veste uma camiseta cinza e um cardigan verde folha. Também usa óculos de grau." width="2400" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-5.png 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-5-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-5-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-5-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-5-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-5-2048x1024.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Better-Things-5-1200x600.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23650" class="wp-caption-text">Sam e sua mãe, Phil, tem uma relação conturbada nas três primeiras temporadas (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa leva de episódios poderia ter sido a última, mas, felizmente, a série foi agraciada com mais uma renovação. Ainda não sabemos como Pamela Adlon elevará mais ainda o nível da série na quinta temporada, mas sabemos que será igualmente incrível. O quinto ano está em produção, com previsão de estreia para o primeiro semestre de 2022.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Better Things</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma série preciosa e necessária, que celebra relações, lugares, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VQIeMwBa9JY"><span style="font-weight: 400;">momentos e mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">. É nostálgica e muito sincera, tudo de uma vez só. É um retrato da maternidade de forma crua, a vida como ela é sem rodeios nem romantização. Talvez seja por isso que conseguimos nos relacionar tanto com os acontecimentos na vida da família Fox. Afinal, é como a Phil diz </span><i><span style="font-weight: 400;">“Toda mãe é uma mãe solteira”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BETTER THINGS Trailer SEASON 1 (2016) New Louis C.K. FX Comedy" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/MJ2K_0GMXbY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>The Politician: uma satira perspicaz aos costumes estadunidenses</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2021 22:15:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabela Cristina Barbosa de Oliveira e Larissa Vieira Apesar de nunca ter dado a devida atenção, em setembro de 2019 a Netflix estreou uma de suas originais mais satíricas possíveis: The Politician. Debutando com sua primeira produção no streaming, Ryan Murphy trouxe a sua principal e brilhante característica: a habilidade articular um humor ácido a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-politician-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Politician: uma satira perspicaz aos costumes estadunidenses"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22561" aria-describedby="caption-attachment-22561" style="width: 1152px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22561 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM1.jpg" alt="Imagem da série The Politician. Na figura há uma escultura de um busto de um homem, em madeira marrom clara. Sob um fundo branco, ainda há 2 correntes de aço segurando a escultura." width="1152" height="708" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM1.jpg 1152w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM1-800x492.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM1-1024x629.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM1-768x472.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22561" class="wp-caption-text">As caracterizações satirizadas dos personagens foram o que garantiu mais um ano de indicação para The Politician no Emmy 2021 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Isabela Cristina Barbosa de Oliveira e Larissa Vieira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de nunca ter dado a devida atenção, em setembro de 2019 a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">estreou uma de suas originais mais satíricas possíveis: </span><a href="https://www.netflix.com/br/title/80241248"><i><span style="font-weight: 400;">The Politician</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Debutando com sua primeira produção no </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-festa-de-formatura-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ryan Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe a sua principal e brilhante característica: a habilidade articular um humor ácido a fim de fazer críticas aos costumes estadunidenses. Mas, além do renomado produtor, </span><a href="https://personaunesp.com.br/born-this-way-the-tenth-anniversary-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ben Platt</span></a><span style="font-weight: 400;">, o sucesso dos teatros, também estava à frente da comédia dramática como o grande protagonista, fazendo então com que as expectativas da produção fossem lá em cima.</span></p>
<p><span id="more-22560"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Politician</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta a história de Payton Hobart (Platt), um adolescente rico que vive por suas aspirações políticas. A cada temporada, a série promete mostrar essa ambição em diferentes fases da vida do protagonista. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wFm_oTcY1r4"><span style="font-weight: 400;">A estreia</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 2019, começa apenas com o político fazendo sua campanha para se tornar o presidente do grêmio estudantil de sua escola em Santa Barbara, o que garantiria uma vaga na renomada Harvard, que no futuro seriam as portas de entrada para sua carreira no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AqygcLm90kA"><span style="font-weight: 400;">senado estadunidense</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou até mesmo, na Casa Branca. </span></p>
<figure id="attachment_22562" aria-describedby="caption-attachment-22562" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22562 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM2.jpg" alt="Imagem da série The Politician. Na figura há uma caricatura de personagens da série. Ao meio, um homem branco de cabelos loiros usa uma blusa de gola alta preta, por cima um blazer quadriculado verde e branco, e um relógio marrom no braço esquerdo. Ao seu lado esquerdo há uma mulher branca, de cabelos loiros, usando um óculos e brincos azuis, uma blusa branca e um blazer amarelo por cima. Ao fundo dela ainda há desenhos de prédios, táxis e uma mulher. Ao lado direito do homem, uma mulher branca, de cabelos loiros, usa um terno azul e aponta o braço para cima, na diagonal direita; atrás dela está uma mulher branca, de cabelos loiros, usando um terno vermelho. Ao lado delas ainda há imagens de um golfinho sob o mar, manifestantes e jornalistas fazendo propagandas. O fundo é em tom rosado, com a parte de baixo bege. " width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22562" class="wp-caption-text">Apesar de um cenário mais adulto, na segunda temporada, Payton ainda se frustra como uma criança quando as coisas não se desenrolam do seu jeito (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No decorrer dos episódios, podemos ver o protagonista fazendo de tudo para garantir sua eleição, o que gera uma série de conflitos bizarros, mas que fazem muito sentido quando postos no contexto político. Além disso, Payton, assim como qualquer adolescente, tem que lidar com alguns dramas em sua vida pessoal, de um modo meio jogado na série, mas que ainda assim acabam prejudicando sua corrida eleitoral. O elenco é composto por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5LMuE2NobDk"><span style="font-weight: 400;">Gwyneth Paltrow</span></a><span style="font-weight: 400;">, Jessica Lange, </span><a href="https://www.instagram.com/p/CEo7HFMJuEX/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">Zoey Deutch</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rhapsody-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lucy Boynton</span></a><span style="font-weight: 400;">, Bob Balaban, David Corenswet, Julia Schlaepfer, Laura Dreyfuss, Theo Germaine, Rahne Jones e Benjamin Barrett, que ajudam a construir o cenário da vida ambiciosa do político. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na segunda temporada, que concorre ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, a série salta para uma nova fase política de Payton: sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xKaCerqc0VQ"><span style="font-weight: 400;">corrida eleitoral para o senado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Nova York, dessa vez contra a veterana e popular candidata </span><a href="https://www.instagram.com/p/CCjvqotjqpR/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">Dede Standish</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Judith Light). Mais tarde nesse ano, o protagonista, mesmo com o fracasso da campanha anterior, acaba reunindo seu time em busca da vitória. A nova fase pretende não só mostrar um novo cenário para o personagem de Ben Platt como prometido, mas também trazer sua evolução perante os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Djz9DhtZ1Rc"><span style="font-weight: 400;">anos de fracasso anteriores</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, podemos ver não só como ele lidou com a derrota, mas também como ele pretende ganhar dessa vez, talvez com mais ou menos ambição (nem ele sabe, afinal, vai descobrindo a cada novo movimento). </span></p>
<figure id="attachment_22563" aria-describedby="caption-attachment-22563" style="width: 1620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22563 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM3.jpg" alt="Imagem da série The Politician. Na figura, da esquerda para a direita, uma mulher branca, de cabelos loiros, usa uma tiara preta, uma camiseta rosa estampada com preto, uma saia rosada e sapatos pretos; ao seu lado, um homem branco, usa óculos de grau preto, camisa branca com uma gravata preta listrada em amarelo, calças sociais cinza e um relógio preto, apoiado sentados sob uma mesa marrom. Seguindo, uma mulher branca, de cabelos castanhos, usa uma camisa branca com um sobretudo marrom por cima, sentada apoiada em uma cadeira vermelha; Depois, um homem branco, de cabelos pretos curtos, usa uma camisa azul estampada, gravata vinho, calças sociais azuis e um sapato preto. Por fim, uma mulher negra usa uma camisa azul, calças pretas, uma bota branca e um sobretudo laranja; ela também está apoiada com o braço sob a mesa. Ao fundo podemos ver uma sala de escritório, com janelas, e um lustre redondo. " width="1620" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM3.jpg 1620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22563" class="wp-caption-text">A série de fracassos premeditados do protagonista também é uma das sátiras irônicas bases de construção da produção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse movimento ambicioso é logo retratado na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3cpDge3lGec"><span style="font-weight: 400;">abertura da série</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde Payton é endeusado como um manequim, dotado de um coração petrificado e falas premeditadas, criado e movido apenas pela sua ambição, iniciando, assim, uma série de sátiras à política americana. Logo no início da corrida eleitoral, após avaliar que estava perdendo nas pesquisas, o protagonista decide fazer da luta contra as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nwH1k0pZfuQ"><span style="font-weight: 400;">mudanças climáticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> o seu caminho para a vitória a fim de conquistar os jovens eleitores. Mas ao se promover com a causa de forma fútil, tendo como única proposta a proibição de canudos plásticos, e mesmo assim sendo apoiado pelo seu eleitorado jovem, é possível observar claramente a crítica à figura política superficial e ao pseudo engajamento do ativismo virtual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/ratched-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">outras produções de Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;">, várias pautas atuais são expostas com o objetivo de levar o espectador a fazer uma reflexão e, dentre elas, está a cultura do cancelamento. Após Payton ganhar significativo apoio dos internautas, uma foto sua vestido de nativo americano é vazada e, em poucos segundos, se inicia um grande linchamento virtual, mostrando, assim, o lado do “cancelado”. De fato, a </span><a href="https://www.socialbauru.com.br/2019/02/25/apropriacao-cultural-bauru/"><span style="font-weight: 400;">apropriação cultural</span></a><span style="font-weight: 400;"> indevida deve ser criticada. Mas será mesmo que cancelar é o melhor caminho para que casos como esse não voltem a acontecer? Horas após o ocorrido, vemos que todo esse tumulto não trouxe efeito algum, visto que Payton escolheu repetir seu ato apenas para usar como uma </span><a href="https://www.instagram.com/p/B4LcEq5H0FT/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">jogada política</span></a><span style="font-weight: 400;"> contra sua adversária Dede. </span></p>
<figure id="attachment_22564" aria-describedby="caption-attachment-22564" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22564 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM4.jpg" alt="Imagem da série The Politician. Na direita, uma mulher branca, de cabelos loiros, usa um óculos azuis, um terno vermelho e rosa, com brincos e anéis dourados, está com sua mão direita apoiada ao queixo. Ao seu lado, uma mulher branca, de cabelos loiros, usa um terno marrom, com uma blusa branca por baixo, também está com a mão apoiada no queixo, usando colares e anéis dourados. Ao fundo, direito, podemos ver uma cortina bege, e ao meio um lustre apoiado sobre uma parede branca. " width="1296" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM4.jpg 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM4-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM4-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM4-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM4-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22564" class="wp-caption-text">Ao retratar a alta sociedade de forma tão satírica, Murphy também faz uma autocrítica à classe a que pertence (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no brilhante episódio 5, As Eleitoras, a série muda o foco da narrativa ao mostrar o dia da eleição sob a perspectiva de uma adolescente (Susannah Perkins), eleitora de Payton, e de sua mãe (Robin Weigert), eleitora de Dede. Logo no início vemos as duas discutindo severamente para defender suas convicções políticas, a filha, por um lado, afirma que Payton é melhor por se preocupar com o meio ambiente, já sua mãe, por outro, afirma que apoia Dede por esta ter feito bons atos voltados para outras áreas. Essa cena é só mais uma que expõe com clareza a questão do </span><a href="https://www.instagram.com/p/CCbfIFeDUSj/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">conflito entre gerações</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a forma diferente com que jovens e adultos chegam à suas conclusões, e provoca uma reflexão à juventude focada em defender apenas uma única pauta, se esquecendo de outras tão relevantes quanto, como educação, economia e saúde.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trazendo ainda mais uma mensagem aos jovens, a obra enfatiza a importância da adesão e do engajamento desse grupo à política para que seus interesses sejam, de fato, ouvidos. Pois, após um recorde histórico de participação da juventude nas urnas, Payton recebeu o maior número de votos e se tornou o vencedor, mesmo começando sua corrida eleitoral com 30 pontos atrás de sua concorrente, e, em cenas futuras, vemos que diversos projetos ambientais foram realmente implementados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não só contente com a vitória do jovem, que já muda o cenário político conservador americano, a série ainda constrói seu caminho a fim de destruir a imagem perfeita da candidata queridinha da maioria adulta votante do país. Envolvida em um trisal, que é mais tarde </span><a href="https://www.instagram.com/p/CCbfIFeDUSj/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">revelado pela própria Dede</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicamente, ao longo dos episódios, vemos cada vez mais uma crítica a essas imagens perfeitas. O parecer ainda reflete se seu relacionamento interfere de alguma forma na política. E mesmo provado o contrário, os regressistas estadunidenses vão à loucura com essa “novidade” da vida pessoal de candidatos que estão à anos no poder, o que dá espaço para ascensão do ideal de novos rostos nas cadeiras do senado, independente da forma que seja seu jogo político; o que sabemos que na maioria das vezes é </span><a href="https://www.instagram.com/p/CCv-wvAj_S4/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">algo sujo</span></a><span style="font-weight: 400;">, como a produção trata de evidenciar.</span></p>
<figure id="attachment_22565" aria-describedby="caption-attachment-22565" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22565 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM5.jpeg" alt="Imagem da série The Politician. Na imagem, ao centro, um homem branco, de cabelos loiros, usa uma blusa branca por baixo de um paletó azul listrado em branco, está sob um palanque, com um microfone apoiado em um suporte à sua frente ao lado de um lustre dourado. Ao fundo podemos ver listras vermelhas e brancas da bandeira estadunidense." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM5.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM5-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM5-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM5-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22565" class="wp-caption-text">O uso de cores vibrantes é uma das mais marcantes características da fotografia da obra (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção da série como uma sátira, abrange até mesmo a </span><a href="https://alicealves.com.br/blog/curiosidades/figurino-de-the-politician-"><span style="font-weight: 400;">caracterização de seus personagens</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma vez que muitos deles foram construídos como figuras caricatas. O maior dos exemplos é o próprio protagonista, visto que ele esteve disposto a mentir, forjar e, até mesmo, acobertar uma fraude eleitoral para que conseguisse alcançar à sua tão sonhada vitória, se mostrando como um fiel estereótipo dos políticos americanos: falso, desonesto e calculista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A essa sátira da caracterização dos personagens, agora de maneira literal, foi o que garantiu à produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">a indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021, concorrendo nas categorias Melhor Figurino Contemporâneo, Melhor Penteado Contemporâneo e Melhor Maquiagem Contemporânea (Não-Prostética), com o primeiro e o penúltimo episódio da segunda temporada. Logo na estreia da fase mais madura, em <em>Mudança de Estratégia?</em>, foi onde os caros ternos coloridos, com o estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">fun</span></i><span style="font-weight: 400;">, ganharam força e deixaram se de ser um visual exagerado para um estudante concorrendo ao grêmio estudantil como no ano anterior. Já os penteados e maquiagem, foram aqueles que no 6º episódio, <em>A urna</em>, passaram o ar refinado da elite na disputa pelo poder, mas ainda assim caracterizados de maneira sátira e, em alguns momentos, exagerada, que é o que passa a </span><a href="https://personaunesp.com.br/hollywood-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">mensagem irônica criada por Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_22575" aria-describedby="caption-attachment-22575" style="width: 2520px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22575" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM6.jpg" alt="Imagem da série The Politician. Na imagem, uma mulher branca, loira, usa um terno azul, está atrás de um palanque transparente, falando à um microfone preto apoiado sobre ele. Ao fundo, podemos ver telões passando uma imagem vermelha, e em baixo, uma faixa azul com vários logos da emissora CNN." width="2520" height="1680" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM6.jpg 2520w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM6-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM6-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM6-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM6-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM6-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22575" class="wp-caption-text">Mesmo com um ar mais maduro na nova temporada, a série não deixou de ser irônica e passar sua mensagem com seus figurinos exagerados (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os cabelos, acumulados de gel e muito bem arrumados, somente como a alta classe poderia, segundo eles. Além disso, ainda há o contraponto do estilo mais despojado, mas ainda assim respeitável para o senado, digno de jovem “empreendedor” que é Payton, sempre em contradição aos clássicos terninhos da candidata já consolidada no posto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a indicação apenas em categorias técnicas, desponta do ano anterior em que a produção somou, não só nas parte de figurinos e penteados, mas também ao time de indicados para </span><a href="https://personaunesp.com.br/resumao-indicados-emmy-2020/"><span style="font-weight: 400;">Atriz Convidada em Série de Comédia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com a atuação imbatível da braço direito de Dede, Hadassah (Bette Midler) garantiu a maior indicação da série à premiação, mas no entanto acabou perdendo para </span><a href="https://deadline.com/2020/09/maya-rudolph-emmys-creative-arts-two-wins-kamala-harris-snl-ruth-bader-ginsberg-1234580207/"><span style="font-weight: 400;">Maya Rudolph</span></a><span style="font-weight: 400;">, no </span><i><span style="font-weight: 400;">Saturday Night Live</span></i><span style="font-weight: 400;">, que também, ironicamente, representou uma figura política, em sua interpretação da então Senadora Kamala Harris.</span></p>
<figure id="attachment_22577" aria-describedby="caption-attachment-22577" style="width: 1368px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22577" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM7.jpg" alt="Imagem da série The Politician. Na imagem, uma mulher branca, loira, usa um terno azul, está atrás de um palanque transparente, falando à um microfone preto apoiado sobre ele. Ao fundo, podemos ver telões passando uma imagem vermelha, e em baixo, uma faixa azul com vários logos da emissora CNN." width="1368" height="912" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM7.jpg 1368w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM7-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM7-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM7-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/TP_IMAGEM7-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22577" class="wp-caption-text">O cenário irônico de The Politician caminha desde os figurinos até o roteiro (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série ainda percorre um caminho incerto para uma terceira temporada, mas soube muito bem se consolidar com sua ironia em meio às produções do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além disso, a indicação à maior premiação da Televisão, ainda que em categorias técnicas, eleva seu patamar para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de ser mais um marco na carreira do renomado produtor, Ryan Murphy. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=scPIhdZs99A"><i><span style="font-weight: 400;">The Politician</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sabe muito bem como abordar sua temática, isso porque carrega uma sátira inacabável e ainda é uma série estadunidense criticando a postura do americano ideal, jovem ou adulto. Além disso, os roteiros são bem construídos, de maneira que a todo momento você entende o que está sendo criticado ou até mesmo exacerbado para o espectador. </span></p>
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