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	<title>Arquivos cyberpunk &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>25 anos de Cowboy Bebop: Se o passado vai me condenar, coloque um jazz para acompanhar</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Dec 2023 13:18:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Iris Italo Marquezini É possível apontar para diversos episódios de Cowboy Bebop e pensar “caramba, agora a parada ficou séria”. Não é difícil mencionar outras animações que pegaram o público de surpresa e apresentaram uma trama tão ousada e emocionante em um momento inusitado. Em Avatar: A Lenda de Aang, pode-se citar o episódio em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cowboy-bebop-25-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos de Cowboy Bebop: Se o passado vai me condenar, coloque um jazz para acompanhar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32106" aria-describedby="caption-attachment-32106" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-32106" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image6-3.png" alt="Cena do episódio &quot;The Real Folk Blues: Part 1&quot; do anime Cowboy Bebop. Duas mulheres estão dentro de um carro conversível vermelho em movimento visto de lado. Atrás delas, um oceano e um céu com tonalidades rosadas do entardecer. A mulher dirigindo é Julia. Ascendência asiática, loira de cabelo liso, pele clara, batom vermelho na boca, usa um sobretudo marrom e possui um olhar determinado no rosto. Ao lado dela, no banco do passageiro, está Faye Valentine. A mulher tem ascendência asiática, pele clara, cabelos escuros levemente azuis. Uma tiara amarela na cabeça combina com o colete de couro amarelo usado por Faye junto com um casaco vermelho de mangas arregaçadas e amarrado na altura da barriga. Um dos braços de Feye está apoiado na porta do conversível e ela possui um olhar contemplativo." width="540" height="388" /><figcaption id="caption-attachment-32106" class="wp-caption-text">“A obra, que irá instaurar um novo gênero próprio, irá se chamar COWBOY BEBOP” (Foto: Sunrise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"><b>Iris Italo Marquezini</b></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É possível apontar para diversos episódios de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e pensar “caramba, agora a parada ficou séria”. Não é difícil mencionar outras animações que pegaram o público de surpresa e apresentaram uma trama tão </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lPWeedpJCpc"><span style="font-weight: 400;">ousada e emocionante</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um momento inusitado. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar: A Lenda de Aang</span></i><span style="font-weight: 400;">, pode-se citar o episódio em que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=00KwNjjL-cg"><span style="font-weight: 400;">Toph falha em evitar</span></a><span style="font-weight: 400;"> a captura do bisão Appa pelas mãos da vilã Azula. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Fullmetal Alchemist: Brotherhood</span></i><span style="font-weight: 400;">, aconteceu com o inesquecível </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CiaPLvUBAps"><span style="font-weight: 400;">arco de Nina</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma garotinha com um pai especialista em criar quimeras e o final trágico desta relação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Steven Universo</span></i><span style="font-weight: 400;">, lembra-se do episódio em que Steven encontra uma fita deixada pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sJSQS7vbIwA"><span style="font-weight: 400;">mãe já falecida</span></a><span style="font-weight: 400;">. Irônico, porque esse episódio presta homenagem direta a justamente um capítulo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.capsulecomputers.com.au/2012/01/a-very-special-anime-episode-1-cowboy-bebop-speak-like-a-child/"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Like a Child</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também envolve assistir uma fita em uma televisão, só que dessa vez a espectadora é Faye Valentine. A mercenária caloteira, viciada em apostas  e sem memória alguma do próprio passado sente um soco no estômago quando percebe que existia muito mais sobre ela mesma para se descobrir a partir do momento que assiste a uma mensagem de décadas atrás. </span></p>
<p><span id="more-32102"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sensação de encontrar a obra 25 anos depois da estreia em 1998 na </span><i><span style="font-weight: 400;">TV Tokyo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é semelhante à de Faye. O seriado criado por </span><a href="https://www.terra.com.br/gameon/geek/criador-de-cowboy-bebop-anuncia-novo-anime,e4560709378902e1df7a8ad3a5f5e03bv2d0hi6d.html"><span style="font-weight: 400;">Shinichiro Watanabe</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Samurai Champloo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Carole &amp; Tuesday</span></i><span style="font-weight: 400;">) sustenta o próprio sentimentalismo e originalidade intactos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=R_kga0BFi_M"><span style="font-weight: 400;">mesmo décadas depois</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quem descobre a série hoje encontra particularidades com as produções dos anos 1990 (sejam elas boas ou ruins), mas também entra em contato com um universo futurista dinâmico e divertido como só uma boa </span><i><span style="font-weight: 400;">space opera</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; ou melhor, um </span><i><span style="font-weight: 400;">space jazz,</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode apresentar. </span></p>
<figure id="attachment_32105" aria-describedby="caption-attachment-32105" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32105" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2.jpg" alt="Cena do episódio &quot;Boogie Woogie Feng Shui&quot; do anime Cowboy Bebop. Faye e Spike fumam lado a lado vistos de frente  enquanto usam recipientes cilíndricos de metal como cinzeiros. Atrás de ambos é possível ver apenas um céu prestes a anoitecer com algumas nuvens, com um &quot;degradê&quot; separando a tonalidade laranja do pôr do sol com o escuro da noite mais acima. Spike possui ascendência asiática, pele clara, cabelos espetado verde-escuro. O personagem usa um terno azul escuro com mangas arregaçadas e uma camisa amarela com a gola levantada. Ambos estão em silêncio e de olhos fechados" width="1600" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-800x540.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-1024x691.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-768x518.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-1536x1037.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-1200x810.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32105" class="wp-caption-text">Momentos contemplativos ao estilo Hayao Miyazaki marcam a linguagem narrativa da série (Foto: Sunrise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano é 2071 e o planeta Terra está inabitável por causa de acidentes com portões espaciais e o lixo gerado por essas ocorrências. A humanidade destina-se a outros planetas por meio de naves e todo mundo está apenas tentando ganhar alguma grana para não passar fome. A ambientação aqui é cirurgicamente organizada para </span><a href="https://www.fanbyte.com/features/cowboy-bebop-western-genre"><span style="font-weight: 400;">prestar homenagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos bons faroestes com xerifes barra pesada, moralmente questionáveis e de falas ríspidas. A surpresa é o surgimento de uma inesperada família no meio disso tudo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Spike Spiegel é o personagem no qual a maior parte da trama é centrada. O mercenário trambiqueiro é dublado na versão brasileira por </span><a href="https://www.facebook.com/GuilhermeBriggs/posts/2161229140630531/"><span style="font-weight: 400;">Guilherme Briggs</span></a><span style="font-weight: 400;">, que consegue dar um tom hilário ao </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> característico das atuações já conhecidas do ator. O malandro é um excelente protagonista por trazer lutas cheias de </span><a href="https://www.omelete.com.br/mangas-animes/cowboy-bebop-spike-spiegel-bruce-lee"><span style="font-weight: 400;">coreografias ao estilo Bruce Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> e respostas sarcásticas a qualquer ameaça que aparece no caminho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escondido no meio de toda essa violência há um tom inescapável de melancolia o rodeando. O ponto de virada que demonstra isso é o aclamado capítulo </span><a href="https://dotandline.net/cowboy-bebop-ballad-of-fallen-angels-questions-49a00294496d/"><i><span style="font-weight: 400;">Ballad of Fallen Angels</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já no começo do anime. O mistério acerca do passado é um dos pontos mais empolgantes de se acompanhar e o episódio, um genuíno espetáculo de visual e escrita, serve para mostrar todo o potencial dramático da história.</span></p>
<figure id="attachment_32107" aria-describedby="caption-attachment-32107" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32107" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image7-1.png" alt="Cena do episódio &quot;Ballad of Fallen Angels&quot; do anime Cowboy Bebop. A cena ocorre em frente a um vitral de igreja, localizado à direita da imagem, com mosaicos caleidoscópicos. É a única fonte de luz do cenário. Spike está deitado no chão, agora usando um sobretudo marrom enquanto aponta uma arma diretamente no peito de Vicious. Vicious, em contrapartida, de pé acima de Spike, aponta uma espada também diretamente no peito do inimigo. Os dois estão se encarando. Vicious é um homem de ascendência asiática de cabelos brancos e pele pálida. O homem também utiliza um terno totalmente preto acompanhado por uma capa com acabamentos dourados." width="1200" height="628" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image7-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image7-1-800x419.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image7-1-1024x536.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image7-1-768x402.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32107" class="wp-caption-text">“Homens só pensam no próprio passado antes de morrer, como se procurassem freneticamente uma prova de que estão vivos” (Foto: Sunrise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O tema sobre fugir do passado é uma constante em absolutamente todos os episódios do seriado. Até mesmo o engraçadíssimo </span><a href="https://screenrant.com/cowboy-bebop-toys-attic-alien-homage-explained/"><i><span style="font-weight: 400;">Toys in the Atric</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que presta homenagem aos clássicos </span><i><span style="font-weight: 400;">Alien</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Predador</span></i><span style="font-weight: 400;">, trata sobre como as consequências de uma ação supostamente esquecida podem ser destrutivas. Claro, isso por meio de uma trama que aborda como restos de comida esquecidos na geladeira se transformam em um ser consciente que persegue a tripulação. Ainda assim, são diferentes abordagens como essas que tornam a experiência de assistir ao anime tão vasta e repleta de novidades a cada novo arco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experimentação é um dos pontos mais fortes da série. O caráter episódico da obra permite não só uma liberdade criativa para brincar com o tom, mas também com gêneros e </span><a href="https://animationobsessive.substack.com/p/designing-the-characters-of-cowboy"><span style="font-weight: 400;">estilos de animação diferentes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse fator se explica pela presença de diversos diretores e equipes ao longo dos 26 episódios. Embora seja uma ficção-científica, as influências do </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">cyberpunk</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">blaxploitation</span></i><span style="font-weight: 400;"> e até mesmo do terror são bastante aparentes. O resultado dessa variedade toda gera aventuras com um </span><a href="https://butwhytho.net/2021/10/review-cowboy-bebop-is-still-in-a-genre-all-its-own/"><span style="font-weight: 400;">gênero próprio</span></a><span style="font-weight: 400;"> e com espaço para cada personagem brilhar ao longo delas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Edward Wong Hau Pepelu Tivrusky IV, ou simplesmente Ed, é o destaque de um dos capítulos mais memoráveis da série. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mushroom Samba</span></i><span style="font-weight: 400;"> aborda o momento em que a criança hacker </span><a href="https://www.cbr.com/cowboy-bebop-ed-gender/"><span style="font-weight: 400;">sem gênero definido</span></a><span style="font-weight: 400;"> oferece (sem saber) cogumelos alucinógenos para os amigos e tudo começa a desandar em uma épica e hilária trama de perseguição. Grande parte das cenas de Ed, acompanhado pelo </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/cowboy-bebop-ein-atores"><span style="font-weight: 400;">corgi Ein</span></a><span style="font-weight: 400;">, são piadas ao estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">Charlie Brown</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que os adultos dificilmente entendem o mundo da lua vivido pela criança. Chega a ser estranho assistir aos primeiros episódios novamente e não ver a presença da hacker animando frequentemente a muitas vezes triste equipe da </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_32108" aria-describedby="caption-attachment-32108" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32108" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-2.jpg" alt="Pôster de divulgação do anime Cowboy Bebop. Da esquerda para a direita, Faye, Spike, Jet, Ein e Edward estão com as cabeças amontoadas em um suposto abraço e olhando diretamente para a câmera. Faye está com um semblante curioso. Spike, com o metade do rosto cortado, parece irritado. Jet, um homem asiático careca de pele clara, com uma barba pontuda que cobre o queixo inteiro, possui olhos azuis com uma cicatriz no olho direito. Embaixo desse mesmo olho há um pedaço de metal em formato de &quot;L&quot;. O homem possui um olhar confuso. Edward está no canto inferior direito. É uma criança de ascendência asiática de pele marrom-clara, cabelos ruivos lisos, olhos cor de mel e bochechas rosadas. Edward está exibindo um sorriso e um olhar empolgado." width="1000" height="686" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-2.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-2-800x549.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-2-768x527.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32108" class="wp-caption-text">“Jet, já percebeu que tem três coisas que eu odeio aqui? Uma criança, um bicho e uma folgada respondona” (Foto: Sunrise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, quem participa desde o começo da série com Spike é o ex-policial e agora mercenário estoico Jet Black. Embora muitas das falas do personagem tenham um sexismo bastante incômodo, a função dele na trama é clara: fazer um </span><a href="https://gamerant.com/cowboy-bebop-jet-black-change-anime-live-action/"><span style="font-weight: 400;">contraponto a Spike</span></a><span style="font-weight: 400;">. Diversos episódios focados em Jet, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Ganimedes Elegy</span></i><span style="font-weight: 400;">, trazem o </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> optando pela racionalidade em relação às complicações com o próprio passado. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?reload=9&amp;app=desktop&amp;v=p8ejdOAnJQs"><i><span style="font-weight: 400;">foreshadowing</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">serve para a audiência entender os caminhos que cada um dos tripulantes da nave escolherá traçar, seja ele de autossabotagem ou de autopreservação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Portanto, por mais que </span><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja repleto de momentos cômicos, há um </span><a href="https://screenrant.com/cowboy-bebop-controversy-explained-popular-japan-mature/"><span style="font-weight: 400;">clima constante de tragédia</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ainda está por vir. O fato dos protagonistas se conhecerem em pontos tão distintos das próprias jornadas torna os momentos mais leves uma benção e os mais sensíveis uma forma de partir o coração da audiência. Embora caçoem uns dos outros, há um respeito mútuo entre os tripulantes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e um pacto em não fazer perguntas até que isso se torne inevitável. Essa dinâmica, apesar de problemática, mostra o quanto essa família está disposta a aceitar uns aos outros sem hesitação. </span></p>
<p><a href="https://hitsite.com.br/anime-manga/cowboy-bebop-quatro-episodios-essenciais-para-entender-faye/"><span style="font-weight: 400;">Faye Valentine</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece a maior representação desse espírito </span><i><span style="font-weight: 400;">found family </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bepop</span></i><span style="font-weight: 400;">. A personagem &#8211; que literalmente esqueceu e perdeu todas as pessoas que um dia teve alguma conexão &#8211; encontra um lar para voltar nos braços de Spike, Jet e Edward, por mais que nenhum demonstre carinho de fato. No fim da trama, é ela quem desesperadamente tenta unir o que o destino parece já ter decidido separar. A vida de aventuras com a ausência de uns aos outros parece incompleta (fora as dívidas que não param de chegar). </span></p>
<figure id="attachment_32103" aria-describedby="caption-attachment-32103" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32103" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2.jpg" alt="Cena do episódio &quot;Speak Like a Child&quot; do anime Cowboy Bebop. A imagem se trata de uma gravação de vídeo cassete toda granulada. Faye, versão criança, está no centro da imagem com os braços esticados ao lado do corpo segurando pom-poms verde-claros em cada mão. Faye está usando uma roupa de líder-de-torcida. Sapatos vermelhos, mias brancas, saias brancas e camiseta de escola vermelha. A garota está com um olhar empolgado e sorriso no rosto. Faye está em um gramado verde no topo de uma colina e com árvores e montanhas distantes atrás dela." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32103" class="wp-caption-text">“Eu me lembrei de tudo, mas nada de bom veio disso” (Foto: Sunrise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda essa ambientação futurista, frenética e melancólica é intrinsecamente ligada com a </span><a href="https://www.dazeddigital.com/music/article/51208/1/how-yoko-kanno-created-the-cowboy-bebop-soundtrack"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> do anime. A clássica abertura de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> improvisado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GZl7N8sXyEo"><i><span style="font-weight: 400;">Tank!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composta por </span><a href="https://oretalho.com.br/musica/o-legado-de-yoko-kanno/"><span style="font-weight: 400;">Yoko Kanno</span></a><span style="font-weight: 400;"> junto com a banda The Seatbelts, já prepara o espectador para uma trama energética cheia de tiroteios, fugas inesperadas e perseguições com naves espaciais. As palavras de um </span><a href="https://www.slashfilm.com/800162/the-hidden-meaning-in-the-cowboy-bebop-animes-opening-credits/"><span style="font-weight: 400;">literal manifesto</span></a><span style="font-weight: 400;"> que aparecem escritas na tela são de arrepiar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, o tema de encerramento, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8GwE0wwMmKE"><i><span style="font-weight: 400;">The Real Folk Blues</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, traz um vislumbre de um lado mais reflexivo, lento e filosófico. A música retorna nos últimos minutos do seriado no episódio homônimo, agora com o significado e peso dos versos entendidos por completo pela audiência. A composição mais emocionante da série talvez seja </span><i><span style="font-weight: 400;">Call Me Call Me</span></i><span style="font-weight: 400;">, que aparece no momento que marca uma espécie de adeus para alguns dos personagens. A trilha de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hard Luck Woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra um indício do que poderia ser um final feliz para cada um dos tripulantes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;">, no que é, sem dúvidas, o ápice emocional da série. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mistura de </span><a href="https://sabukaru.online/articles/the-space-between-two-worlds-how-music-shapes-cowboy-bebop"><span style="font-weight: 400;">gêneros musicais</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro do anime representa o caos que é viver no mundo, talvez uma das melhores definições de um “futuro próximo”. Ouvir um</span><i><span style="font-weight: 400;"> jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">empolgado dar vida às naves belissimamente desenhadas entrando em combate e em seguida um</span><i><span style="font-weight: 400;"> blues</span></i><span style="font-weight: 400;"> melancólico quando a aventura acaba é uma sensação de final de festa. Os jantares divididos em família, às vezes em silêncio e outra vezes acompanhados de breves piadas, trazem uma imersão tão grande ao universo proposto que o espectador também se sente parte da família </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;">, observando-a por vários ângulos. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: COWBOY BEBOP -カウボーイビバップ-" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/37i9dQZF1DX2niMzbAczXW?utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se por um lado temos heróis tão sensíveis e tridimensionais, o antagonista principal da trama, Vicious, não oferece tanto carisma. O </span><i><span style="font-weight: 400;">espadachin</span></i><span style="font-weight: 400;"> representa o passado criminoso de Spike no Sindicato do Dragão Vermelho e tudo que o protagonista poderia ser sem a influência positiva de Jet na própria vida. Ainda assim, o </span><a href="https://www.polygon.com/22737189/vicious-cowboy-bebop-netflix"><span style="font-weight: 400;">vilão</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece caricato, pouco desenvolvido e até mesmo desperdiçado em vários aspectos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra personagem que também peca na profundidade é Julia. Embora a presença curta dela em </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">, principalmente, represente um </span><a href="https://mangainsider.com/cowboy-bepop/julia-cowboy-bebop-guide/"><span style="font-weight: 400;">passado idealizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Spike, a relevância dela na trama peca em não ir além disso. Ademais, fora um momento brilhante de interação espontânea entre </span><a href="https://www.cbr.com/cowboy-bebop-faye-valentine-vs-julia-connection/"><span style="font-weight: 400;">Julia e Faye</span></a><span style="font-weight: 400;">, a audiência fica com pouquíssimas ideias sobre quais os porquês do interesse amoroso ser </span><a href="https://mangainsider.com/cowboy-bepop/julia-cowboy-bebop-guide/"><span style="font-weight: 400;">supostamente tão apaixonante</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, a condução episódica consegue apresentar personagens bastante cativantes, mesmo que por um curto período de tempo. Vale menção à  VT, do episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Heavy Metal Queen</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Rocco, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Waltz for Venus</span></i><span style="font-weight: 400;">. No arco de dois capítulos </span><i><span style="font-weight: 400;">Jupiter Jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, a audiência é apresentada à Gren, um antigo espião complexo, vingativo e cheio de rixas pessoais com Vicious. Antônio, Carlos e Jobim, três amigos idosos bem humorados com nomes em </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/9058/cowboy-bebop-e-suas-referencias-a-musica-brasileira"><span style="font-weight: 400;">homenagem ao compositor brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, por vezes aparecem em segundo plano como figurantes nas aventuras dos protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_32104" aria-describedby="caption-attachment-32104" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32104" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-1.jpg" alt="Cena do episódio &quot;Mushroom Samba&quot; do anime Cowboy Bebop&quot;. Em frente a um céu azul bastante claro esceto por algumas nuvens, Coffy olha para cima. É uma mulher negra, com óculos escuros, batom vermelho e cabelo black power. Coffy possui brincos de circunferência prateados. A mulher usa uma jaqueta de couro preta com gola levantada e com botões abertos em um decote." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32104" class="wp-caption-text">Coffy, outra mercenária marcante, tem que lidar com as peripécias de Edward em Mushroom Samba (Foto: Sunrise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode-se ver, então, a atenção dada por Shinichiro Watanabe em criar personagens secundários atrativos aos olhos do público e com tramas próprias dentro das infinitas galáxias apresentadas. Se por um lado isso gera designs para pessoas, etnicamente falando, </span><a href="https://br.ign.com/anime/95392/feature/5-personagens-pretos-notaveis-dos-animes"><span style="font-weight: 400;">dificilmente representadas em animes</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou ficções científicas em geral (que por vezes sequer procuram imaginar o futuro de forma diversa), problemas aparecem. Diversos criminosos são </span><a href="https://dotandline.net/cowboy-bebop-mushroom-samba-904fd46e7e63/"><span style="font-weight: 400;">frequentemente apresentados</span></a><span style="font-weight: 400;"> como pessoas negras e até mesmo a participação de indígenas na série, como o sábio </span><a href="https://atribecalledgeek.com/braids-buckskins-and-black-holes-laughing-bull/"><span style="font-weight: 400;">Laughing Bull</span></a><span style="font-weight: 400;">, caem em estereótipos típicos de filmes de faroeste. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inclusive, a participação de personagens LGBTQAIP+ ora acerta, ora erra feio. Enquanto Gren possui com um corpo que desafia convenções de gênero e tenha </span><a href="https://screenrant.com/cowboy-bebop-ahead-of-time-character-gren/"><span style="font-weight: 400;">nuances bastante positivas</span></a><span style="font-weight: 400;"> se tratando de representatividade, a transição forçada na qual ele passa deixa um gosto amargo na boca. Figurantes também dizem estar em relacionamentos homoafetivos com normalidade, mas pessoas trans aparecem muitas vezes apenas como alvo de piadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também é impossível ignorar a quantidade frequente de figuras femininas sexualizadas de propósito. Ao longo dos 26 episódios, nota-se uma presença grande de mulheres nas histórias com estilos bastante diferentes entre si. Nessa perspectiva, é frustrante a diversidade de ângulos de câmera desnecessários e </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/live-action-de-cowboy-bebop-vai-diminuir-sexualizacao-da-personagem-faye-e-glamourizacao-do-cigarro/"><span style="font-weight: 400;">figurinos sem sentido</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro da lógica do universo proposto. O </span><a href="https://blogfca.pucminas.br/ccm/male-gaze-e-a-prevalencia-da-visao-masculina/"><i><span style="font-weight: 400;">male gaze</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fica evidente justamente por haver tantos outros exemplos de designs utilizados que não vão para esse caminho nos diversos capítulos da trama e até mesmo em obras posteriores de Watanabe, que oscilam entre cometer ou não as mesmas escolhas.</span></p>
<figure id="attachment_32109" aria-describedby="caption-attachment-32109" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32109" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-2.jpg" alt="Cena do episódio &quot;The Real Folk Blues: Part 2&quot; do anime Cowboy Bebop. Spike está iluminado por uma luz branca e de frente a uma escada rosada. A câmera está bem próxima do rosto do personagem, que está com o olho esquerdo quase fechado e o direito escorrendo sangue. O personagem aponta os o dedo indicador para a câmera e o polegar levantado para cima, os dedos restantes fechados, formando uma &quot;arma&quot;. O personagem dá um sorriso leve." width="1999" height="1500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-2.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-2-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-2-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-2-1536x1153.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-2-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32109" class="wp-caption-text">“Bang…” (Foto: Sunrise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após um final memorável e com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y4Z1uvexzrQ"><span style="font-weight: 400;">toques de mistério</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bebop </span></i><span style="font-weight: 400;">ganhou um filme ainda mais visualmente impressionante que o anime de 2001 e uma fracassada adaptação em </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> feita pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2021. O sucesso do seriado no ocidente deu o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Hh3EG2BEsAc"><span style="font-weight: 400;">título de clássico</span></a><span style="font-weight: 400;"> à obra e as influências dele podem ser percebidas não só em outras animações japonesas, como também em grandes </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zxTDa6FK2iE"><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner 2049</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo anos depois, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tQGaAmcENsc&amp;t=1138s"><span style="font-weight: 400;">acerta</span></a><span style="font-weight: 400;"> (e muito) no que se propõe. Com uma trilha sonora inesquecível e uma construção de mundo marcante pelo ponto de vista de diversos mercenários diferentes, a obra continua a conquistar fãs ano após ano. Há problemas, é claro, mas os acertos são certeiros como a mira desses personagens tão perdidos e solitários em uma galáxia vasta. Sente-se a dor no coração, mas o “</span><i><span style="font-weight: 400;">adeus, cowboy espacial…</span></i><span style="font-weight: 400;">” no final de vários episódios de longe não marca uma despedida para a série. O anime ainda carrega todo o peso de inovar e a audiência vai para sempre procurar algo semelhante à rapsódia única que Spike, Faye, Jet, Edward e Ein deram o sangue para trazer. </span></p>
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		<title>Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2022 03:57:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Somos rostos em meio à multidão, mas dificilmente pensamos naquilo que torna a multidão real. Sistemas de armas termonucleares coexistem com comerciais de refrigerante em um ambiente dominado pela publicidade, no qual é possível enxergar apenas pequenas frações de uma realidade mais ampla, dominada pelo inalcançável. Na tentativa de reunir o maior número &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29265" aria-describedby="caption-attachment-29265" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1.png" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29265" class="wp-caption-text">Estado elétrico, graphic novel de Simon Stålenhag, está em <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2022/11/amp/5049780-netflix-interrompe-gravacoes-de-filme-apos-morte-de-membro-da-equipe.html">adaptação para os cinemas</a> pela Netflix (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia/Arte: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos rostos em meio à multidão, mas dificilmente pensamos naquilo que torna a multidão real. Sistemas de armas termonucleares coexistem com comerciais de refrigerante em um ambiente dominado pela publicidade, no qual é possível enxergar apenas pequenas frações de uma realidade mais ampla, dominada pelo inalcançável. Na tentativa de reunir o maior número de consumidores sob as armas da especulação, da alienação e de tudo que o dinheiro pode comprar, os donos do poder tecnológico resumem a grande trama neoliberal da contemporaneidade: tentar concentrar o máximo de atenção e especulação às empresas, às redes sociais e aos produtos. É sob esse contexto que </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212439/estado-eletrico">Estado elétrico</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2017), de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/entenda-como-simon-stalenhag-inova-a-ficcao-cientifica/">Simon Stålenhag</a></span><span style="font-weight: 400;"> – lançado no Brasil em Maio deste ano pelo selo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Quadrinhos na Cia</i></span><span style="font-weight: 400;"> da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Companhia das Letras</i></span><span style="font-weight: 400;">, sob tradução de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/">Daniel Galera</a></span><span style="font-weight: 400;"> – ganha novos e assustadores contornos.</span></p>
<p><span id="more-29263"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos livros recebidos pelo </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> na parceria com a editora, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">traz uma trama que se inicia em 1997, quando a </span><span style="font-weight: 400;"><i>Mode 6</i></span><span style="font-weight: 400;">, óculos de realidade virtual da empresa ficcional </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sentre</i></span><span style="font-weight: 400;">, já somava 1 ano de inauguração. De forma nostálgica, Stålenhag tenta retomar o que, para muitos, foi o fim de uma era. Na Música do final dos anos 1990, o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/">movimento </a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/"><i>grunge</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> já parecia alertar para um início tecnológico cada vez mais opressivo – essa foi uma das cruzadas de Kurt Cobain, que tinha consciência de estar em uma batalha perdida desde o início, visto que as gravadoras transformaram suas falas anti-sistema em </span><span style="font-weight: 400;"><i>slogans</i></span><span style="font-weight: 400;"> para vender mais discos do Nirvana.</span></p>
<figure id="attachment_29266" aria-describedby="caption-attachment-29266" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4.jpg" alt="" width="2048" height="2048" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29266" class="wp-caption-text">“Você tem dificuldade de aceitar que tudo aquilo que você é – todos os seus pensamentos, experiências, conhecimentos, gostos e opiniões – precisa existir dentro do seu crânio” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos Estados Unidos </span><span style="font-weight: 400;">retratado pelo artista de origem sueca – que poderia ser apenas uma das realidades alternativas de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/2020-nunca-mais-critica/">Black Mirror</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> –, as montanhas e paisagens naturais são descontinuadas por naves alienígenas, robôs disformes e indivíduos semi-conscientes, visivelmente controlados por uma força superior que se esconde por trás dos óculos de realidade virtual, tudo isso composto dentro de um ambiente tecnocrático, retro-futurista e melancólico. Em certas imagens, o sentimento de claustrofobia parece dominar – por todos os cantos das ilustrações, não parece existir alternativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado ao Prêmio Arthur C. Clarke em 2019, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">(ou </span><span style="font-weight: 400;"><i>Passagen</i></span><span style="font-weight: 400;">, no original da língua sueca) fica no limiar entre o livro ilustrado e o romance gráfico, com grandes painéis que nem sempre vêm acompanhados de textos claros. A bem da verdade, o livro parece ser um artefato quase contemplativo, retirado diretamente da distopia que pretende retratar, embora essa aura distópica das ilustrações de Simon Stålenhag dialogue com os universos de “tecnologia sucateada” do </span><span style="font-weight: 400;"><i>cyberpunk</i></span><span style="font-weight: 400;">, cujas ilustrações trazem similaridades aos jogos de </span><span style="font-weight: 400;"><i>videogame</i></span><span style="font-weight: 400;"> com temática similar, como a série </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/dead-space-critica/">Dead Space</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">ou </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.techtudo.com.br/review/watch-dogs.ghtml">Watch Dogs</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2014). Contudo, a trama ainda gira em torno de uma jovem (Michelle) e seu pequeno robô, que seguem rumo ao Oeste em uma missão de resgate, no melhor estilo </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788560281268/a-estrada?idtag=7ec82fe8-e709-4f1a-9969-7d018c0785e5&amp;gclid=Cj0KCQiA1NebBhDDARIsAANiDD0kE0pEENiMJstHRskUn-TsegZADjNFK_kDTZvu9aMAUeaq6171srgaAgCIEALw_wcB">A estrada</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2006), de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.scotsman.com/arts-and-culture/books/book-review-stella-maris-by-cormac-mccarthy-3921215">Cormac McCarthy</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29267" aria-describedby="caption-attachment-29267" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29267" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4.jpg" alt="" width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29267" class="wp-caption-text">&#8220;Você sabe como o cérebro funciona? Faz alguma ideia do que sabemos a respeito de como o cérebro e a consciência funcionam? Estou falando de nós, humanos” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a distopia parece ser um retrato de tempos atuais, e em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">não é diferente. As liberdades individuais, gradualmente cooptadas por indústrias e campanhas publicitárias, deram origem a um mundo de pesadelo: as paisagens virtuais se movem por um sistema no qual tecnologias sinistras, ameaças nucleares e sonhos consumistas foram destruídos pela queda das instituições. Como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jacobin.com.br/2022/02/gramsci-e-nos/">Stuart Hall</a></span><span style="font-weight: 400;"> aponta em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="http://www.lamparina.com.br/livro_detalhe.asp?idCodLivro=451#:~:text=Lamparina%20editora%20%7C%20Livros&amp;text=Stuart%20Hall&amp;text=O%20homem%20da%20sociedade%20moderna,de%20ra%C3%A7a%20e%20de%20nacionalidade.">A identidade cultural na pós-modernidade</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(1992), esse é justamente um dos motivos dessa “crise de identidade” contemporânea. A descentralização dos indivíduos fez com que os seres perdessem o sentido de si, tornando-se relativos e regidos por uma subjetividade egoísta (“</span><span style="font-weight: 400;"><i>somente o ‘Eu’ importa</i></span><span style="font-weight: 400;">”).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nossas concepções de passado, presente e futuro foram alteradas por um tipo de “presente contínuo”, que, como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jacobin.com.br/2020/01/o-legado-anticapitalista-de-mark-fisher/">Mark Fisher</a></span><span style="font-weight: 400;"> escreve em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/fantasmas-da-minha-vida-escritos-sobre-depressao-assombrologia-e-futuros-perdidos/">Fantasmas da minha vida</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2014), dão origem a um “</span><span style="font-weight: 400;"><i>lento cancelamento do futuro</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Esse futuro, diferente do que se convencionou a atribuir anteriormente, passou a ser apenas uma variável das infinitas possibilidades apresentadas a nós. Nesse contexto, a ficção e a realidade se alteraram significativamente – a propaganda, o consumo e uma política conduzida por indivíduos caricatos e sem qualquer consciência social são alguns dos exemplos das ficções que regem nosso cotidiano, cujo resultado é o pré-esvaziamento de qualquer resposta original à experiência.</span></p>
<figure id="attachment_29268" aria-describedby="caption-attachment-29268" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29268" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29268" class="wp-caption-text">“Talvez você nem coloque isso em palavras, mas nós dois sabemos que está pensando em uma alma arquetípica. Você acredita num fantasma invisível” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas das inspirações de Stålenhag vieram de uma viagem de carro feita com sua família pelos Estados Unidos, em 2013 – o ano do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">“</a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><i>boom</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">” do </a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><i>Facebook</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> –, quando várias fotografias que serviram de referência foram registradas. Porém, apesar do título sugestivo, esse &#8220;Estado Elétrico&#8221; que o artista desenha com um realismo assombroso não segue o padrão de clássicos como </span><span style="font-weight: 400;"><i>1984 </i></span><span style="font-weight: 400;">(1949), de George Orwell, em que a opressão é comandada por um governo. Aqui, a cegueira moral é imposta pelo próprio povo, que acredita estar jogando um </span><span style="font-weight: 400;"><i>videogame</i></span><span style="font-weight: 400;"> quando usa capacetes enormes que dão acesso a uma nova realidade virtual. Aos poucos, descobrimos que os neurônios da humanidade estão servindo de alimento a uma enorme inteligência artificial, da qual, por uma incompatibilidade biológica, a protagonista não pode participar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo contra a lógica da indústria cultural, que sempre entrega produtos mastigados e contemplativos – sem forçar o pensamento –, o ilustrador prefere traçar conexões sutis entre uma narração não cronológica e pinturas atmosféricas. Com influência do retrofuturismo e da já citada cultura </span><span style="font-weight: 400;"><i>cyberpunk</i></span><span style="font-weight: 400;">, as artes ressoam em nomes como Ralph McQuarrie, Syd Mead e o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://english.elpais.com/science-tech/2022-10-29/the-parallel-universes-of-a-sci-fi-visionary-named-philip-k-dick.html">Philip K. Dick</a></span><span style="font-weight: 400;"> de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://editoraaleph.com.br/produto/blade-runner/">Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(1968), a inspiração literária de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Blade Runner </i></span><span style="font-weight: 400;">(1982). É também interessante perceber que, durante toda a obra, parece pairar o paradoxo defendido por <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/12/a-nova-idade-das-trevas-faz-reflexao-sobre-o-custo-dos-avancos-tecnologicos.shtml">James Bridle</a> em <a href="https://todavialivros.com.br/livros/a-nova-idade-das-trevas"><em>A nova idade das trevas</em></a> (2019): quanto mais sabemos sobre tecnologia, menos conseguimos agir. “<em>A tecnologia é a condutora elementar da desigualdade em vários setores”</em>, escreve Bridle.</span></p>
<figure id="attachment_29269" aria-describedby="caption-attachment-29269" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29269" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29269" class="wp-caption-text">“Sempre fui fascinado por máquinas, essas ferramentas poderosas que podem tanto fazer o bem quanto o mal”, diz Simon Stålenhag ao jornal Estadão (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cheias de detalhes, as artes também tentam conduzir a narrativa de uma perspectiva diferente, cuja temática do autor combina suas próprias impressões da infância às inspirações da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/love-death-robots-3a-temp-critica/">ficção científica</a></span><span style="font-weight: 400;">, resultando em um cenário estereotipado da Suécia com itens futuristas agregados. O artista cria suas imagens utilizando uma mesa gráfica, valendo-se de técnicas e configurações específicas para simular pinturas a óleo (no início, ele tentou fórmulas com tinta guache, mas optou pelos métodos digitais).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em adaptação para o Cinema pela </span><span style="font-weight: 400;"><i>Netflix</i></span><span style="font-weight: 400;">, com previsão de lançamento em 2024 sob direção dos Irmãos Russo, com </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/the-electric-state-millie-bobby-brown">Millie Bobby Brown</a></span><span style="font-weight: 400;"> no papel principal, ao lado de Chris Pratt e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo">Michelle Yeoh</a></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico</i></span><span style="font-weight: 400;"> parece a história alternativa de um lugar que nunca existiu. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>O que estamos fazendo não é civilizado, eu sei. Mas sei que também deve ter acontecido com você. Assim como eu, você deve ter acordado um dia e constatado o inevitável: já não vivemos em tempos civilizados</i></span><span style="font-weight: 400;">”, escreve Stålenhag na obra. Esse é seu segundo projeto adaptado para o Audiovisual; o primeiro foi </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/04/09/tales-from-the-loop-e-a-ficcao-cientifica-anti-ansiedade-que-precisamos.htm">Tales From the Loop</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, série lançada em 2020 pelo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Amazon Prime Video</i></span><span style="font-weight: 400;"> baseada na HQ homônima de 2015, cujo livro ainda não foi publicado no Brasil.</span></p>
<figure id="attachment_29275" aria-describedby="caption-attachment-29275" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29275 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2.jpg" alt="" width="1100" height="1650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2.jpg 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-1024x1536.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29275" class="wp-caption-text">Nascido em 1984, Simon Stålenhag mistura suas memórias de infância no subúrbio de Estocolmo às paisagens corrompidas pelo capitalismo (Foto: Fredrik Bernholm)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os textos que acompanham quase todas as imagens parecem ser apenas mecanismos de coesão, algo que transforma a obra em um livro com início, meio e fim, e não apenas um bloco de ilustrações </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://artout.com.br/hiper-realismo/">hiper-realistas</a></span><span style="font-weight: 400;">. Contudo, não se trata de um elemento jogado totalmente ao acaso e a trama realmente converge para uma história coesa, mesmo que não-linear. A protagonista Michelle conta sua trajetória em etapas – às vezes dando aspectos socioculturais de uma sociedade danificada, às vezes se lembrando de um passado pouco distante em que sonhar, de verdade, era possível.</span></p>
<figure></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse talento extraordinário para narrar – a junção ideal de um texto conciso e imagens profundas – é o mérito de todo o livro. Para além das investigações especulativas desenvolvidas nas páginas de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico</i></span><span style="font-weight: 400;">, a </span><span style="font-weight: 400;"><i>graphic novel</i></span><span style="font-weight: 400;"> é também um artefato poderoso para uma tomada de consciência que, talvez pela forma realista das ilustrações, ganha força como exemplo de um terrível futuro que pode, efetivamente, ser o nosso presente. Ainda assim, o autor nega o estereótipo de futurista. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Não lido com o futuro, não sou futurista. As pessoas mais fracassaram do que obtiveram sucesso ao imaginar o futuro. Eu sou parte da geração que percebeu que jamais teremos carros voadores</i></span><span style="font-weight: 400;">”, diz </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/entenda-como-simon-stalenhag-inova-a-ficcao-cientifica/">Simon Stålenhag em entrevista</a></span><span style="font-weight: 400;">. Como Fisher escreve em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/realismo-capitalista/">Realismo Capitalista</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2009), a propósito de um mundo cego pela lógica neoliberal, “</span><span style="font-weight: 400;"><i>é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo</i></span><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
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		<title>Mesmo dentro de excessos, Blade Runner 2049 consegue ser real</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Oct 2017 20:39:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em meio a tantas réplicas no cinema, Denis Villeneuve emplaca um sci-fi com alma em um universo que parecia até então intacto Adriano Arrigo Se formos parar para pensar, o universo de Blade Runner nunca fora estranho para Denis Villeneuve. A passar por Incêndios (2010), e, mais recentemente, por O Homem Duplicado (2013) e A &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/blade-runner-2049-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mesmo dentro de excessos, Blade Runner 2049 consegue ser real"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-8680" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/blade-runner-2049-ryan-gosling-jared-leto-david-bowie-harrison-ford-denis-villeneuve-ridley-scott-cyberpunk-1024x637.jpg" alt="" width="840" height="523" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/blade-runner-2049-ryan-gosling-jared-leto-david-bowie-harrison-ford-denis-villeneuve-ridley-scott-cyberpunk-1024x637.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/blade-runner-2049-ryan-gosling-jared-leto-david-bowie-harrison-ford-denis-villeneuve-ridley-scott-cyberpunk-300x187.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/blade-runner-2049-ryan-gosling-jared-leto-david-bowie-harrison-ford-denis-villeneuve-ridley-scott-cyberpunk-768x478.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/blade-runner-2049-ryan-gosling-jared-leto-david-bowie-harrison-ford-denis-villeneuve-ridley-scott-cyberpunk-1200x747.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/blade-runner-2049-ryan-gosling-jared-leto-david-bowie-harrison-ford-denis-villeneuve-ridley-scott-cyberpunk.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><i>Em meio a tantas réplicas no cinema, Denis Villeneuve emplaca um sci-fi com alma em um universo que parecia até então intacto</i></p>
<p><b>Adriano Arrigo</b></p>
<p>Se formos parar para pensar, o universo de Blade Runner nunca fora estranho para Denis Villeneuve. A passar por <em>Incêndios</em> (2010), e, mais recentemente, por <em>O Homem Duplicado</em> (2013) e <a href="http://personaunesp.com.br/a-chegada-extraterrestres/"><em>A Chegada</em></a> (2016), Villeneuve demonstrou extrema interesse em descobrir o propósito do Ser humano, tanto através da sua linguagem cinematográfica quanto nos roteiros em que trabalha. E<em> </em><em>Blade Runner 2049</em> não foge às regras que o diretor canadense rege seu universo particular. <span id="more-8671"></span></p>
<p>A expressão do vazio, as longas jornadas e o ambiente desolado de <em>2049</em> assemelham-se até a <em>Stalker</em> (1979), do diretor russo <a href="http://personaunesp.com.br/andrei-tarkovsky-30-anos-sem-o-escultor-do-tempo/">Andrei Tarkovsky </a>&#8211; onde um homem adentra a Zona, local enigmático e simbólico que testa a fé de personagens nomeados com números. Na epopeia futurista de Villeneuve, um policial (Ryan Goslin) chamado por “K.” tem o dever de exterminar máquinas rebeldes (replicantes) colocadas no mundo por Wallace (Jared Leto), que se auto intitula um criador (é o mito da criação mais uma vez permeando uma <a href="http://personaunesp.com.br/o-ornitologo-e-naturalizacao-desejo/">obra cinematográfica esse ano</a>.)</p>
<p>Mas se em Tarkovsky há a ousadia de questionar e confrontar os métodos da fé através de uma viagem que beiram a imersão ao subconsciente, Villeneuve apela para o poder de suas imagens e na reprodução de dogmas cristãos. Para ambos, cabe sempre ao arcabouço da semiótica de cada espectador encontrar sua mensagem pela sua linguagem, mesmo que, muitas vezes, estejam presas dentro dos excessos do diretor canadense.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-8673" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/deserto.jpg" alt="" width="636" height="358" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/deserto.jpg 636w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/deserto-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>Diferente de <em>A Chegada, </em>que se perde em explicações mirabolantes e em fechamento de arcos que não convencem, os excessos de Denis são bem-vindos aqui. O cenário parece pedir detalhamento, uma apreciação do universo para compreender seu lento desenvolver que se faz por dentro. Há, então, a atualização de temas existenciais que foram liberados há pouco tempo dentro da ficção científica (<em>Ex Machina</em>, <em>Her</em>), mas que haviam sólidas bases no seu antecessor, <em>Blade Runner</em> (1982). Nas mãos de Ridley Scott, o espaço dos caçadores de androides pareciam, até então, ser o único universo possível para um sci-fi que se enraizou no cinema sob o rizoma da filosofia.</p>
<p>Tudo ali parecia palpável, pois seus aspectos de espaço estavam sempre em segundo plano. A especulação tecnológica, típica dos clássicos do sci-fi, era somente imaginar um mundo sujo a se viver em pouco menos de 20 anos. Bem, estamos aqui, há 2 anos a frente do ano em que replicantes do primeiro filme foram construídos, e começamos a desenvolver somente agora ciências como a Inteligência Artificial, mas em um mote muito mais voltado para George Orwell. Então, a série só faria jus hoje se deixasse de se apegar a esse passado retrô-futurista de Ridley Scott, mas, ao mesmo tempo, fosse visionária em fazer acontecer algo que fosse surpreendente para nós, tal qual fora em 1982.</p>
<p>Villeneuve consegue, mas seguindo suas próprias regras através da transformação dos aspectos da obra de Ridley Scott em componentes entrópicos. Esses laços que o diretor do primeiro longa deixou aberto são captados por Denis, ao mesmo tempo em que ele consegue recontar o mito dos robôs que querem ser humanos (e vice-versa). Devido a imperceptibilidade física entre humanos e replicantes , o jogo aqui está em simular sentimentos. Isso mostra em que casa o diretor aposta suas fichas: é o seu movimento tecno-divinatório, fator esse que, no final das contas, é o que interessa nos grandes sci-fi.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-8676" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/trailer.png" alt="" width="595" height="379" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/trailer.png 920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/trailer-300x191.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/trailer-768x488.png 768w" sizes="auto, (max-width: 595px) 85vw, 595px" /></p>
<p>Passaram-se a questão do ser físico em <em>2049</em>. Ser não é mais ter um corpo, mas é ter algo etéreo e não material, que o filme insiste em chamar de alma, limitando a nomenclatura de um fantasma que habita a máquina (isso inclui os humanos). A alma, então, abre espaço para os hologramas (curiosamente, é a única tecnologia que estamos longe de atingir atualmente) altamente inteligentes que trazem tanto aos replicantes como aos humanos a possibilidade de terem experiências íntimas em seu ser.</p>
<p>Além de um belíssimo visual estético (a cena do holograma gigante tocando K. é uma das mais belas desse ano) com tecnologia de ponta, mas que brilham como coadjuvante, como os implantes de memória (memorável no primeiro <a href="https://www.youtube.com/watch?v=x6JGmEKzqL8"><em>Ghost in the Shell</em></a>), a passagem de funções humanas para a máquina, como é o caso do criador, dão um complemento ao mundo criado por Philip K. Dick (devemos nos lembrar que o personagem principal chamado K. não é apenas uma coincidência).</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-8674" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/homograma-gigante-1024x429.jpg" alt="" width="595" height="249" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/homograma-gigante-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/homograma-gigante-300x126.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/homograma-gigante-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/homograma-gigante-1200x502.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/homograma-gigante.jpg 1777w" sizes="auto, (max-width: 595px) 85vw, 595px" /></p>
<p>E, assim, é possível nivelar replicantes, humanos e hologramas, já que todos, em maior ou menor forma, consomem tecnologia para suas próprias existências. Essa coexistência simbiótica rara proporciona a sincronização entre os três. Em um mote cristão, podemos dizer que é a sublimidade entre Pai, Filho e Espírito Santo, como acontece quando a namorada em forma de holograma de K. cede ao seu sentimento de posse e compartilha seu namorado com uma prostituta. É o holograma que se funde e, ao final, traz humanidade aos sentimentos da prostituta, e não vice-versa.</p>
<p>É como se nesse filme fosse adicionado o que faltava no seu antecessor, a tal da alma que, inclusive, faz K. se achar especial quando acredita ter uma. É a sensação de ser real que falta em um mundo que não importa mais quem é cria ou criador. Por estarem em busca desse conceito abstrato, todos, mas em especial K., não tem a consciência de que alma é dada a todos aqueles que estão vivos e são sencientes (“Penso, logo existo”), independente se são orgânicos ou não. “A dor lembra você que o prazer que você sentiu foi real”, lembra Wallace.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-8675" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/pain.jpg" alt="" width="800" height="446" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/pain.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/pain-300x167.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/pain-768x428.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>O minimalismo do sentido de <em>Blade Runner 2049</em> segue, então, estritamente os passos do primeiro longa e reduz o universo da saga dos replicantes ao essencial. Tecnicamente, Ridley Scott, em sua visão, preferiu dar zoom em suas maquetes de pirâmides aos invés de tentar recriar um mundo que, devido aos limites tecnológicos da época, pudessem soar toscos e artificiais. Hoje temos todos os fatores tecnológicos para maximizar a experiência de um <em>cyberpunk</em>, mas a economia que se vê torna <em>2049</em> palpável e identificável a jornada dos seres e, é claro, traz alma à carreira de Denis Villeneuve.</p>
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