<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Crítica &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/critica/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/critica/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 24 Jun 2026 06:23:07 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Crítica &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/critica/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Deixa o menino brincar: Kane Parsons e o seu Backrooms: Um Não-Lugar</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/backrooms-um-nao-lugar-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/backrooms-um-nao-lugar-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 13:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2026]]></category>
		<category><![CDATA[A24]]></category>
		<category><![CDATA[Backrooms: Um Não-lugar]]></category>
		<category><![CDATA[Chiwetel Ejiofor]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Davi Marcelgo]]></category>
		<category><![CDATA[Finn Bennett]]></category>
		<category><![CDATA[James Wan]]></category>
		<category><![CDATA[Kane Parsons]]></category>
		<category><![CDATA[Lukita Maxwell]]></category>
		<category><![CDATA[Osgood Perkins]]></category>
		<category><![CDATA[Renate Reinsve]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Bobroczkyi]]></category>
		<category><![CDATA[Will Soodik]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=37359</guid>

					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Davi Marcelgo É o sonho de muitos cinéfilos estrear o primeiro longa-metragem aos 20 anos e fazer bem feito. É ainda mais tentador entrar para a história com 21 anos ao lançar Evil Dead (1981), como Sam Raimi fez. Kane Parsons conseguiu a proeza de ser contratado pela A24 &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/backrooms-um-nao-lugar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Deixa o menino brincar: Kane Parsons e o seu Backrooms: Um Não-Lugar"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/backrooms-um-nao-lugar-critica/">Deixa o menino brincar: Kane Parsons e o seu Backrooms: Um Não-Lugar</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37360" aria-describedby="caption-attachment-37360" style="width: 664px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-37360" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-664x332-1.jpg" alt="Cena do filme Backrooms: Um Não-LugarNa imagem, a personagem Mary está centralizada, de frente para uma parede branca com o desenho de uma porta em azul. O ambiente é iluminado por uma luz amarelada, provocando a sombra de Mary no canto direito. Mary é uma mulher branca, na faixa dos 40 anos, de cabelos escuros na altura dos ombros. Ela veste uma camisa florida de manga curta e uma calça marrom. Ela está olhando para trás com expressão de preocupação. " width="664" height="332" /><figcaption id="caption-attachment-37360" class="wp-caption-text">O Youtuber de apenas 20 anos traz sua websérie para as telonas (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É o sonho de muitos cinéfilos estrear o primeiro longa-metragem aos 20 anos e fazer bem feito. É ainda mais tentador entrar para a história com 21 anos ao lançar </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1981), como Sam Raimi fez. Kane Parsons conseguiu a proeza de ser contratado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;"> aos 19 anos para levar aos cinemas a sua websérie </span><a href="https://www.youtube.com/@kanepixels/videos"><i><span style="font-weight: 400;">Backrooms</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, disponível no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda é cedo para cravar que seu </span><i><span style="font-weight: 400;">found footage</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Backrooms: Um Não-Lugar</span></i><span style="font-weight: 400;">, entrou para a história ao lado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bruxa-de-blair-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa de Blair</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1999) e </span><i><span style="font-weight: 400;">REC</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2007), mas enquanto o rolo gira, nota-se a competência do novato em causar medo e dominar a linguagem do Cinema. </span><span id="more-37359"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os ‘quartos dos fundos’ são labirintos surrealistas onde cadeiras estão empilhadas, escadas dão para escotilhas e habitações sociais inteiras podem ser encontradas ali. Entrar nessa estrutura poderia ser uma atividade curiosa, se ela não fosse frequentada por uma criatura voraz: uma atualização do </span><a href="https://www.nationalgeographic.pt/historia/minotauro-o-monstro-do-labirinto_3339"><span style="font-weight: 400;">mito</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Teseu e o Minotauro. Quem descobre um </span><i><span style="font-weight: 400;">Backroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> em seu estabelecimento comercial é Clark (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-volta-de-bridget-jones-em-louca-pelo-garoto-mostra-que-da-para-fazer-um-cliche-gostoso-em-2025/"><span style="font-weight: 400;">Chiwetel Ejiofor</span></a><span style="font-weight: 400;">), isto enquanto lida com boletos atrasados e um divórcio que o retirou da própria casa. O roteiro de Will Soodik utiliza as questões do protagonista para construir uma metáfora que é a cara do estúdio, sendo aquelas salas um símbolo dos traumas e dos não-lugares que colecionamos, como humanidade, em vida. As salas encontradas pelo personagem principal são espelhos distorcidos de seu comércio, onde placas, peças de roupa dos funcionários e objetos semelhantes da realidade estão ali. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Portanto, Clark agora habita sua loja de móveis, dormindo em um quarto improvisado no meio do salão de vendas. Ele, um arquiteto frustrado que não exerce seus estudos, é um paralelo de Dédalo, símbolo da arquitetura da mitologia grega, responsável pela construção do labirinto que aprisiona a criatura metade homem, metade touro. Já Mary (</span><a href="https://personaunesp.com.br/valor-sentimental-critica/"><span style="font-weight: 400;">Renate Reinsve</span></a><span style="font-weight: 400;">), a terapeuta do comerciante, revive a experiência traumática de ter crescido sob a supervisão de sua mãe, que sofria com neurose. De um lado, um lar que não dá segurança, de outro, um ambiente cheio de móveis que não cumprem suas funções. </span></p>
<figure id="attachment_37361" aria-describedby="caption-attachment-37361" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37361" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-800x450.jpg" alt="Cena do filme Backrooms: Um Não-LugarNa imagem, Clark está de costas para a câmera enquanto caminha em um corredor de paredes amarelas e luzes fracas. À sua frente há um trecho escuro com uma silhueta parada. Clark é um homem negro, na faixa dos 50 anos, de cabelos crespos, curtos e escuros. Ele veste uma camisa social rosa, calça preta e sapatos de couro. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37361" class="wp-caption-text">Backrooms: Um Não-Lugar é o filme mais lucrativo da produtora (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o texto faz o pedido pelos executivos – um Terror frontal não basta para a </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;"> – Parsons dobra a linguagem do Cinema ao seu favor. Não é apenas a presença de um ser dentro daquele labirinto que apavora, mas a ideia isolada de um lugar que não respeita as leis da física é assustadora. O jovem cineasta compreende essa natureza ao conduzir por meio do extracampo (o que está fora da câmera) o medo produzido pela imaginação do público. Ele vai utilizar os chavões do gênero para isso, seja a limitação de enxergar o que está nas bifurcações e nos cantos sem iluminação ou pela câmera subjetiva, que não se contém apenas aos trechos em </span><a href="https://revistacontinente.com.br/edicoes/157/found-footage--o-ataque-dos-falsos-documentarios-de-horror"><i><span style="font-weight: 400;">found footage</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, posicionando quem assiste na mesma situação que as personagens: dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">Backrooms</span></i><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa de Kane Parsons vai ser apropriada pelo visual para compor história e personagens. A passagem do tempo será demarcada por impostos acumulados na porta da frente, a falta de uma infância sadia pelo foco em mãe e filha brincando; a descoberta de que Clark agora dorme onde trabalha pela oscilação das luzes que já havia sido apresentada anteriormente. Diante de uma realidade em que as produções americanas são incentivadas a vomitar explicações ou </span><a href="https://cabanadoleitor.com.br/netflix-repete-dialogos-ate-4-vezes/"><span style="font-weight: 400;">expor ações</span></a><span style="font-weight: 400;"> em diálogos, observar tanto talento em apenas deixar o audiovisual ser a Arte que é vindo de alguém tão jovem é nobre. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Clark, Kat (</span><a href="https://personaunesp.com.br/generation-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lukita Maxwell</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Bob (Finn Bennett) adentram o novo mundo, a câmera os acompanha, sempre com eles, nunca à frente. Espectador descobre o que tem além daquelas paredes junto ao trio que comanda o caminho. Parsons vai alterar o plano no momento em que Mary descobre o espaço; agora as lentes já estão no cômodo e a terapeuta vem até nós. Todo o medo construído pelo desconhecido é descartado. Afinal, ela já conhece aquele espaço (o inconsciente de seu paciente) e não tem nada a temer. </span></p>
<figure id="attachment_37362" aria-describedby="caption-attachment-37362" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1-800x500.jpeg" alt="Cena do filme Backrooms: Um Não-LugarNa imagem de qualidade baixa, móveis estão empilhados no canto esquerdo da imagem. O local tem várias salas vazias de iluminação amarelada. Clark está em uma entrada segurando uma mochila, ele anda em direção a uma parte com menos iluminação. Ele veste calça e camisa longa, porém pela baixa qualidade da câmera é difícil determinar quais as cores. " width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1-800x500.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1-1024x640.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1-768x480.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37362" class="wp-caption-text">James Wan e Osgood Perkins assinam a produção (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, a criatura que habita aquele labirinto é uma versão monstruosa do Capitão Clark, interpretada por Robert Bobroczkyi, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/alien-romulus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Alien: Romulus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), um duplo do mascote publicitário que Clark se sujeita a dar vida em uma peça comercial gravada de forma amadora. A encenação do vídeo termina de maneira desastrosa e ridícula. A materialização dessa figura em um ser devorador de carne humana é a personificação da vergonha do protagonista a respeito de seu trabalho e de sua constatação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu destruo tudo que toco</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daí, o medo do desconhecido deixa de ser algo presente, no entanto, não significa que </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/o-prodigio-kane-parsons-de-20-anos-explica-como-criou-o-terror-de-backrooms-a-veja/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Backrooms: Um Não-Lugar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> perca força, visto que Mary não só superou seu trauma (ao usar a única lembrança física da sua antiga casa como arma) como não tem medo de Clark ou dos salões. É comum que alguns filmes caiam no desgosto do público quando revelam o visual de seus algozes, mas nesse caso tudo se amarra e faz sentido. Continuar filmando os planos da mesma forma que a metade do filme seria uma decisão contraditória. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kane Parsons estreia um Terror interessante que fraqueja numa sequência de muito diálogo expositivo – o que cheira a </span><a href="https://personaunesp.com.br/maligno-critica/"><span style="font-weight: 400;">James Wan</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas não dá para confirmar – que se opõe a tudo apresentado anteriormente. O pior é que nada dito ali é uma informação ou algo que o público não entendeu: “</span><i><span style="font-weight: 400;">este lugar é a cópia de tudo que já existiu</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Clark. Ora, isso foi mostrado na última uma hora e meia com as semelhanças à loja dele. Pode parecer que este texto soa contraditório por dizer antes que </span><i><span style="font-weight: 400;">Backrooms: Um Não-Lugar</span></i><span style="font-weight: 400;"> usa, sobretudo, do visual para discursar, porém um conjunto de cenas fora de eixo não representa o filme todo. E diante de tanta destreza que os </span><i><span style="font-weight: 400;">found footage</span></i><span style="font-weight: 400;"> pontuais deste filme têm, imagine o que Parsons não faria com 120 minutos de Terror frontal. Esse </span><i><span style="font-weight: 400;">backrooms</span></i><span style="font-weight: 400;"> eu pago para entrar. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Backrooms | Official Teaser HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/BjRndcTYqJo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/backrooms-um-nao-lugar-critica/">Deixa o menino brincar: Kane Parsons e o seu Backrooms: Um Não-Lugar</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/backrooms-um-nao-lugar-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">37359</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Toy Story 5, 6, 7, 8… até a gente cansar de brincar</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/toy-story-5-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/toy-story-5-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 18:40:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2026]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Stanton]]></category>
		<category><![CDATA[Conan O’Brien]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Davi Marcelgo]]></category>
		<category><![CDATA[Joan Cusack]]></category>
		<category><![CDATA[Kenna Harris]]></category>
		<category><![CDATA[Pixar]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Tim Allen]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Hanks]]></category>
		<category><![CDATA[Toy Story 5]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=37356</guid>

					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo “Precisava?”, é dito por algum internauta quando é anunciada a quarta ou quinta sequência de uma franquia. Parece ser difícil compreender que esse é o modus operandi de Hollywood, mesmo que os trailers antes de Toy Story 5 começar revelem a situação da cidade dos grandes estúdios: live action de Moana, o próximo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/toy-story-5-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Toy Story 5, 6, 7, 8… até a gente cansar de brincar"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/toy-story-5-critica/">Toy Story 5, 6, 7, 8… até a gente cansar de brincar</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37355" aria-describedby="caption-attachment-37355" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HBiX0ZSXgaG8eg-800x450.jpg" alt="Cena do filme Toy Story 5 Na imagem da animação, o personagem Woody está de costas, revelando a ausência de tinta no topo da cabeça, como se fosse uma calvície. Ele está vestindo um poncho vermelho, amarrado no pescoço, com algumas figuras em branco. Woody está apoiando seu chapéu de caubói em alguma superfície. Ele possui a aparência de um caubói, de pele clara e cabelos curtos e lisos na cor castanha.
" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HBiX0ZSXgaG8eg-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HBiX0ZSXgaG8eg-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HBiX0ZSXgaG8eg-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HBiX0ZSXgaG8eg.jpg 1111w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37355" class="wp-caption-text">Tom Hanks e Tim Allen retornam como as vozes originais de Woody e Buzz (Foto: Pixar)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Precisava</span></i><span style="font-weight: 400;">?”, é dito por algum internauta quando é anunciada a quarta ou quinta sequência de uma franquia. Parece ser difícil compreender que esse é o </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo que os </span><i><span style="font-weight: 400;">trailers</span></i><span style="font-weight: 400;"> antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story 5</span></i><span style="font-weight: 400;"> começar revelem a situação da cidade dos grandes estúdios: </span><a href="https://www.otempo.com.br/opiniao/diego-almeida/2026/6/18/moana-live-action-deve-superar-bilheteria-de-estreia-do-filme-animado"><i><span style="font-weight: 400;">live action</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Moana</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o próximo Homem-Aranha do Tom Holland e o terceiro capítulo da saga dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Minions</span></i><span style="font-weight: 400;">. Diante disso, aceitamos amargamente a realidade em que filmes são às vezes mais mercadoria do que Arte e assim, talvez a gente consiga se divertir. Pode ser com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Era do Gelo: Mundo de Lava </span></i><span style="font-weight: 400;">ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Street Fighter</span></i><span style="font-weight: 400;">, dificilmente com a nova história dos brinquedos animados. </span><span id="more-37356"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de muitos fãs torcerem o nariz para </span><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story 4</span></i><span style="font-weight: 400;"> por continuar uma trama que já havia recebido seu lindo fim no </span><a href="https://personaunesp.com.br/toy-story-3-10-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">terceiro longa</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele ainda possui o propósito de encerrar a trajetória de Woody (</span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tom Hanks</span></a><span style="font-weight: 400;">), fazer um estudo de personagem com uma bela alegoria sobre paternidade ao mesmo tempo que trazia a Betty (Annie Potts) de volta. Porém, não dá para dizer o mesmo do enredo comandado por Andrew Stanton, que deixa claro: é hora de parar. Lembra a cena em que os bonecos dão as mãos e aceitam o fim iminente? Então, dá para tirar boas lições disso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa seminal do </span><i><span style="font-weight: 400;">3D</span></i><span style="font-weight: 400;">, perdão a </span><a href="https://arkade.com.br/retroarkade-cassiopeia-primeiro-longa-animacao-historia/"><i><span style="font-weight: 400;">Cassiopéia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1996), já discutia as implicações da tecnologia sob os artigos convencionais. O xerife era o velho e Buzz Lightyear (Tim Allen) o moderno, aquele que toda criança ia amar ter na coleção. O segundo filme trata do sufocamento das séries </span><i><span style="font-weight: 400;">western </span></i><span style="font-weight: 400;">da televisão após a ida do homem ao espaço e o ‘boom’ da ficção científica. No seguinte, Lotso (Ned Beatty) faz a turma perceber que são plásticos descartáveis só esperando a hora de ir para a lixeira, o que culmina na ciência que Woody adquire ao compreender que a vida pode ser muito maior do que pertencer a uma criança e reviver o mesmo destino para sempre. </span><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story 5</span></i><span style="font-weight: 400;"> retoma essa amálgama para repetir o que público e personagens já entenderam; um </span><i><span style="font-weight: 400;">tablet </span></i><span style="font-weight: 400;">é a ameaça da vez, ora o boneco que voa um dia já foi também. </span></p>
<figure id="attachment_37357" aria-describedby="caption-attachment-37357" style="width: 686px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37357" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/hq720-1.jpg" alt="Cena do filme Toy Story 5Na imagem de animação, a personagem Jessie está cavalgando em seu cavalo de pano na cor marrom, o Bala no Alvo. Em um cenário de crepúsculo, Jessie olha para trás com ternura. Ela é um brinquedo de pano com o rosto de plástico. De cabelos vermelhos e olhos verdes, ele veste uma roupa de vaqueira. Camisa branca e jeans claro com desenho de vaca malhada na parte da frente. 
" width="686" height="386" /><figcaption id="caption-attachment-37357" class="wp-caption-text">Jessie assume o protagonismo da franquia (Foto: Pixar)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É irônico como a animação é autoconsciente de sua natureza em alguns momentos, seja o Woody calvo e velho ou quando Amigo Rolinho (Conan O&#8217;Brien) diz que Jessie (Joan Cusack) é inútil. São adjetivos que representam muito bem esse capítulo. Não que esteja acontecendo aqui uma defesa por uma ideia de utilidade e propósito da Arte, mas será que devemos nos apoiar tanto nesse argumento quando falamos de uma empresa bilionária (se não mais do que isso) como a </span><a href="https://personaunesp.com.br/disney-pixar-dont-say-gay-artigo/"><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;">? É reduzir o debate sobre liberdade criativa, esgotamento de ideias e a presença do público das salas de cinema em defesa de uma história nem tão boa assim e que não traz frescor algum. Não é um total desperdício e realmente tem cenas bem tocantes – como a Jessie encontrando as recordações de Emily –, afinal, ainda é </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar </span></i><span style="font-weight: 400;">e ainda é </span><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, se </span><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story 4</span></i><span style="font-weight: 400;"> pelo menos disfarça a sua existência promovida pelo capital, o roteiro de </span><a href="https://personaunesp.com.br/procurando-dory-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Andrew Stanton</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Kenna Harris apenas confirma como não tem mais o que fazer com essa franquia enquanto ela estiver presa nas temáticas que começaram em 1995 e o quão covarde é trazer Woody de volta como se não houvesse dificuldades para o reencontro. A dupla de escritores faz um segundo núcleo, protagonizado por vários Buzzs perdidos em busca do Comando Estelar para serem usados meramente como </span><a href="https://www.ia.unesp.br/#!/teatro-sem-cortinas/pratas-da-casa/glossario-teatral/d---e---f/deus-ex-machina/"><i><span style="font-weight: 400;">ex-machina</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na história. Portanto, se o próprio filme propaga a ideia de propósito com seus personagens, por que a gente, como público, também não deveria? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">tablet </span></i><span style="font-weight: 400;">e toda a discussão sobre o isolamento das crianças nesse cenário de redução das brincadeiras no mundo real… dá um tempo, às vezes soa igual um filme publicitário e a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou tarde demais na conversa. Como tudo nessa vida, essa crítica tem prazo de validade e a opinião do sujeito que escreve pode mudar conforme o tempo e as vivências intercedem na formação de uma pessoa, mas o futuro de Jessie, Woody e todos os outros bonecos depende, claro, de seu sucesso nas bilheterias – afinal, falamos de um produto –, porém preso ao presente (ou passado) não dá para ter um veredito quanto a isso. No </span><i><span style="font-weight: 400;">X </span></i><span style="font-weight: 400;">(antigo </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">), um usuário disse que o caminho para a franquia é se entregar às histórias paralelas que esse universo oferece. A solução apenas reproduz o comportamento atual: </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-lightyear/"><span style="font-weight: 400;">derivados</span></a><span style="font-weight: 400;"> de apostas seguras para o mercado. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Toy Story 5 | Trailer Oficial Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/-YbiBclEEgo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/toy-story-5-critica/">Toy Story 5, 6, 7, 8… até a gente cansar de brincar</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/toy-story-5-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">37356</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Steven Spielberg olha para o passado em Dia D e decide abandoná-lo</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/dia-d-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/dia-d-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 14:16:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2026]]></category>
		<category><![CDATA[Colin Firth]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Davi Marcelgo]]></category>
		<category><![CDATA[David Koepp]]></category>
		<category><![CDATA[Dia D]]></category>
		<category><![CDATA[Emily Blunt]]></category>
		<category><![CDATA[Eve Hewson]]></category>
		<category><![CDATA[Janusz Kaminski]]></category>
		<category><![CDATA[John Williams]]></category>
		<category><![CDATA[Josh O'Connor]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Steven Spielberg]]></category>
		<category><![CDATA[Wyatt Russell]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=37341</guid>

					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo  Natal Amargo (2026) e Socorro! (2026), de Pedro Almodóvar e Sam Raimi, respectivamente, representam fases diferentes desses autores. Enquanto o espanhol demonstra uma nova direção há pelo menos uma década, começando por Julieta (2016), se distanciando do humor histérico e das cores vibrantes, o entusiasta do Terror fez um filme sóbrio sem as &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dia-d-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Steven Spielberg olha para o passado em Dia D e decide abandoná-lo"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/dia-d-critica/">Steven Spielberg olha para o passado em Dia D e decide abandoná-lo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37342" aria-describedby="caption-attachment-37342" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37342" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HKkZBEQWUAA7DXX-800x450.jpg" alt="Cena do filme Dia DNa imagem, um campo de trigo é visto de cima. Nele, há agroglifos, marcações que OVNIS fazem em plantações. No centro da imagem, está o personagem Daniel vestindo uma jaqueta cinza e mochila nas costas. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HKkZBEQWUAA7DXX-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HKkZBEQWUAA7DXX-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HKkZBEQWUAA7DXX-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HKkZBEQWUAA7DXX-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HKkZBEQWUAA7DXX-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HKkZBEQWUAA7DXX.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37342" class="wp-caption-text">Disclosure Day, no original, marca o retorno de Spielberg aos cinemas desde Os Fabelmans em 2022 (Foto: Universal)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Natal Amargo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2026) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Socorro! </span></i><span style="font-weight: 400;">(2026), de Pedro Almodóvar e </span><a href="https://personaunesp.com.br/darkman-vinganca-sem-rosto-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi, </span></a><span style="font-weight: 400;">respectivamente, representam fases diferentes desses autores. Enquanto o espanhol demonstra uma nova direção há pelo menos uma década, começando por </span><i><span style="font-weight: 400;">Julieta</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016), se distanciando do humor histérico e das cores vibrantes, o entusiasta do Terror fez um filme sóbrio sem as características que o definem. Ambos os cineastas já possuem uma carreira extensa e essas produções dialogam com a atual etapa da vida em que estão. </span><a href="https://personaunesp.com.br/ma-educacao-critica/"><span style="font-weight: 400;">Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;"> pensa os limites da autoria e os </span><a href="https://medium.com/@davimarcelgo10/o-cinema-de-memento-mori-o-quarto-ao-lado-2024-de-pedro-almod%C3%B3var-159ec5d84aa0"><span style="font-weight: 400;">dilemas do século XXI</span></a><span style="font-weight: 400;">, da morte à crise climática, e Raimi elimina a autoria em prol de uma história. Steven Spielberg, descontente com os Estados Unidos, abandona, até certo ponto, as marcas de seus longas para construir </span><i><span style="font-weight: 400;">Dia D</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><span id="more-37341"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pai dos </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> já se aventurou por vários gêneros, e suas duas últimas obras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2021), uma releitura do clássico musical, e </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-fabelmans-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022), drama semiautobiográfico, apontavam para uma diferente e intimista fase do cineasta, o que não muda com seu novo filme, que regressa à familiar temática de alienígenas em nosso planeta, já vista anteriormente, mas de uma forma diferente quando comparada com </span><i><span style="font-weight: 400;">Contatos Imediatos do Terceiro Grau</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1977) e </span><i><span style="font-weight: 400;">E.T. O Extraterrestre</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1982). Na trama, Daniel Kellner (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-historia-do-som-paul-mescal-e-josh-oconnor-brilham-em-uma-ode-ao-amor-e-a-musica/"><span style="font-weight: 400;">Josh O’Connor</span></a><span style="font-weight: 400;">) foge de uma organização secreta enquanto tenta revelar a verdade sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">aliens</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a população mundial. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para contar a narrativa, Spielberg se apoia na linguagem do Cinema de ação e, por vezes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dia D </span></i><span style="font-weight: 400;">parece uma sequência de </span><i><span style="font-weight: 400;">Missão: Impossível</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou de um filme da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde John Williams está possuído por </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/alan-silvestri-vingadores-doutor-destino-tema"><span style="font-weight: 400;">Alan Silvestri</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vingadores: Guerra Infinita</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao utilizar trompas e percussão nas composições. Alinhada a isso, a abertura de paletas azuladas compostas por reflexos de lente da câmera, filmada à noite, com uma história iniciada pela metade, se assemelha ao confronto de Thanos e Hulk </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-guerra-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">em 2018</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, há um distanciamento entre o encenado aqui e o feito no século passado, quando a relação entre humanidade e ‘homens de marte’ era mais simples, uma fábula urbana protagonizada por crianças e ambientada em pequenos lares norte-americanos.</span></p>
<figure id="attachment_37343" aria-describedby="caption-attachment-37343" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37343" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HKuqjrWWQAA-6-J-800x450.jpg" alt="Cena do filme Dia DNa imagem, a personagem Margaret está enquadrada dos joelhos para cima. Ela está em um set de jornal, pronta para apresentar a previsão do tempo. Ela usa um vestido agarrado ao corpo, na cor vermelha. Atrás dela, há uma grande tela com um mapa de meteorologia. Margaret é uma mulher branca, na faixa dos 40 anos, de cabelos castanhos claros na altura do ombro. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HKuqjrWWQAA-6-J-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HKuqjrWWQAA-6-J-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HKuqjrWWQAA-6-J-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HKuqjrWWQAA-6-J-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HKuqjrWWQAA-6-J-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HKuqjrWWQAA-6-J-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37343" class="wp-caption-text">Emily Blunt, como Margaret, compõe um dos melhores trabalhos da carreira (Foto: Universal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Spielberg opta por uma abordagem diferente, pois sua história – e seus personagens – ainda não haviam alcançado a fé necessária para crer no que está para ser revelado. Isto é percebido quando aqueles que não acreditam, ou são esquecidos pelo filme, como Jackson (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-thunderbolts/"><span style="font-weight: 400;">Wyatt Russell</span></a><span style="font-weight: 400;">), ou se resignam, como Jane (Eve Hewson) e Noah (Colin Firth) e, a partir disso, o diretor desabrocha a fantasia. Nesse momento, há uma emulação ao fazer Cinema de Shyamalan, da fabulação que envolve animais, de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Dama na Água</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2006), aos agroglifos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinais</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2002) – algo encantador, visto que Shy foi </span><a href="http://www.naoentendemascomenta.com.br/shyamalan-o-proximo-spielberg-que-ate-agora-nao-rolou/"><span style="font-weight: 400;">comparado</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao veterano no início da carreira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Regressar aos contos de fadas é a forma como o cineasta retoma a crença infantil e tece seus comentários sobre o cenário da política estadunidense. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dia D</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é o único a ser influenciado por essas narrativas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Contatos Imediatos do Terceiro Grau</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">A.I. – Inteligência Artificial</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2001), por exemplo, executam intertextualidade com </span><i><span style="font-weight: 400;">Pinóquio</span></i><span style="font-weight: 400;">. O clássico escolhido aqui é </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mágico de Oz</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém mais alinhado com o longa de 1939 do que propriamente ao romance de L. Frank Baum, pela localidade escolhida: </span><i><span style="font-weight: 400;">Kansas City</span></i><span style="font-weight: 400;">. Se Kansas representava uma âncora para Dorothy (Judy Garland) em meio à Grande Depressão, no texto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurassic-park-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">David Koepp</span></a><span style="font-weight: 400;">, o lugar surge como Têmis, onde a verdade deve prevalecer e ser divulgada. Dorothy atravessa a estrada de tijolinhos amarelos para regressar a Kansas, enquanto Margaret (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-o-diabo-veste-prada-2/"><span style="font-weight: 400;">Emily Blunt</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Kellner enfrentam seus próprios percalços na tentativa de voltar para lá.</span></p>
<figure id="attachment_37344" aria-describedby="caption-attachment-37344" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37344" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HK3Qp8jWAAAuS0K-800x421.jpg" alt="Cena do filme Dia DNa imagem, quatro policiais, de costas para a câmera, olham um OVNI no céu. Dois deles estão no canto esquerdo da foto enquanto os outros dois no lado direito, distantes da câmera, ao lado de uma viatura policial.. O cenário é noturno e a espaçonave é grande com fortes luzes acesas. " width="800" height="421" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HK3Qp8jWAAAuS0K-800x421.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HK3Qp8jWAAAuS0K-1024x539.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HK3Qp8jWAAAuS0K-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HK3Qp8jWAAAuS0K.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37344" class="wp-caption-text">Dia D abriu seu primeiro fim de semana com uma bilheteria de US$ 92,9 milhões (Foto: Universal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os dois personagens funcionam como panteões da verdade e da esperança. Kellner, desde o início, tem como plano divulgar para o mundo os dados obtidos. Em meio aos arquivos do Caso Epstein e a </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/05/09/ovnis-x-epstein-posts-do-governo-trump-sobre-ets-sao-inundados-por-acusacoes-de-cortina-de-fumaca.ghtml"><span style="font-weight: 400;">tentativa de abafar</span></a><span style="font-weight: 400;"> o escândalo pelo governo de Donald Trump, ao divulgar material sobre OVNI, o abandono das marcas de autoria de Spielberg e seu retorno a partir do surgimento de uma verdade que expõe crimes cometidos pelos Estados Unidos, é um manifesto da visão do diretor sobre seu país. Inclusive, um jornal televisivo ser o epicentro da difusão dessas informações se opõe ao tratamento que a imprensa recebe pela gestão Trump e aos ataques que adjetivam os profissionais do jornalismo como “</span><i><span style="font-weight: 400;">mentirosos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o diretor de fotografia </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><span style="font-weight: 400;">Janusz Kamiński</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquadra os protagonistas em volta de luzes ou com elas acima de suas cabeças, como as pinturas de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9x3gG8QrVjU"><span style="font-weight: 400;">iconografias cristãs</span></a><span style="font-weight: 400;">, afinal a luz deles removerá a humanidade de uma escuridão de mentiras. Alguns elementos da narrativa são eficientes para tatear a temática de crença que envolve o filme. Sejam as freiras e a presença de cruzes ou a profissão de Margaret, meteorologista, que apesar de trabalhar com previsões por meio da coleta de dados para adivinhar o clima, ainda se baseia no acreditar. É acreditar que a previsão está correta, que hoje vai chover. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que Steven Spielberg tem em comum com Almodóvar?</span> <span style="font-weight: 400;">Além de um filme </span><a href="https://personaunesp.com.br/dor-e-gloria-critica/"><span style="font-weight: 400;">semiautobiográfico</span></a><span style="font-weight: 400;"> no currículo, a necessidade de discutir questões de nosso tempo. Com Sam Raimi? A noção de que uma história às vezes pede o assassinato de suas marcas. Com </span><a href="https://personaunesp.com.br/vidro-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Shyamalan</span></a><span style="font-weight: 400;">? A inocência das crianças. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dia D </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma exploração das temáticas familiares para o diretor e para os americanos, mas vista de uma maneira diferente, imprimindo as dores do século XXI em um filme que não pode ser igual aos de outrora. Os tempos mudaram. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="DIA D | Trailer Oficial (Universal Pictures) - HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NX_RNtnV7q0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/dia-d-critica/">Steven Spielberg olha para o passado em Dia D e decide abandoná-lo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/dia-d-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">37341</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Bruno Mars espremeu completamente o suco de suas referências em The Romantic, e o gosto é familiar, mas azedo</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/critica-the-romantic/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/critica-the-romantic/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 13:00:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2026]]></category>
		<category><![CDATA[Anderson .Paak]]></category>
		<category><![CDATA[André Aguiar]]></category>
		<category><![CDATA[Atlantic Records]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Mars]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Lady Gaga]]></category>
		<category><![CDATA[Lançamento]]></category>
		<category><![CDATA[R&B]]></category>
		<category><![CDATA[Rosé]]></category>
		<category><![CDATA[The Romantic]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=37160</guid>

					<description><![CDATA[<p>André Aguiar O que acontece quando fazer o que ninguém está fazendo te torna mais entediante do que original? Após um intervalo de 10 anos desde que lançou seu último projeto solo, Bruno Mars retorna com The Romantic, um trabalho em que o charme do Bruninho não é tão convincente como um dia já foi. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-the-romantic/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bruno Mars espremeu completamente o suco de suas referências em The Romantic, e o gosto é familiar, mas azedo"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-the-romantic/">Bruno Mars espremeu completamente o suco de suas referências em The Romantic, e o gosto é familiar, mas azedo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37161" aria-describedby="caption-attachment-37161" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37161" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/1-800x800.jpeg" alt="Capa do álbum The Romantic. A imagem apresenta uma gravura do rosto de Bruno Mars, que veste uma faixa na cabeça e um casaco, inserida em uma moldura ornamentada com flores. O título do álbum aparece no canto superior esquerdo, na diagonal, e o nome do artista no canto inferior direito, alinhado na horizontal, ambos escritos com uma fonte de caligrafia urbana." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/1-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/1-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/1-768x768.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/1.jpeg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37161" class="wp-caption-text">Bruno Mars assina a produção de The Romantic junto a D’Mile, conhecido por colaborar em projetos de Ariana Grande, H.E.R, Drake e Victoria Monét. (Foto: Atlantic Records)</figcaption></figure>
<p><b>André Aguiar</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que acontece quando fazer o que ninguém está fazendo te torna mais entediante do que original? Após um intervalo de 10 anos desde que lançou seu último projeto solo, Bruno Mars retorna com</span><i><span style="font-weight: 400;"> The Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;">, um trabalho em que o charme do Bruninho não é tão convincente como um dia já foi. Sua posição na indústria musical permite que ele não retroceda mesmo com </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/bruno-mars-the-romantic/"><span style="font-weight: 400;">críticas negativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma recepção agridoce do público. Entretanto, quem está aqui apenas pela boa música ainda se questiona se as decisões criativas do artista partem de um lugar de influência ou de conforto. </span></p>
<p><span id="more-37160"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há 10 anos, Bruno Mars era inevitável. Levando o seu já conhecido som nostálgico ao </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> das décadas 1980 e 1990 com o disco</span> <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/4PgleR09JVnm3zY1fW3XBA?si=-qXMVggVSZujKbW9EZ76aw"><i><span style="font-weight: 400;">24k Magic (2016)</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> ele se tornava cada vez mais merecedor do título de </span><i><span style="font-weight: 400;">hitmaker </span></i><span style="font-weight: 400;">que tem hoje. Nos últimos anos, o cantor se recusou a sair do radar do público e emplacou </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> irritantemente bem-sucedidos no topo das paradas, como </span><a href="https://youtu.be/ekr2nIex040?si=ZzW_P8wQltuDwUX0"><i><span style="font-weight: 400;">APT.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com ROSÉ e a </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy-winner</span></i> <a href="https://youtu.be/kPa7bsKwL-c?si=3q4hDuzPPApP6bbK"><i><span style="font-weight: 400;">Die With A Smile</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dueto com </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-a-balada-o-amor-e-o-gotico-a-versatilidade-como-caos-organizado-em-mayhem-de-lady-gaga/"><span style="font-weight: 400;">Lady Gaga</span></a><span style="font-weight: 400;">, que dispensa qualquer apresentação. Além disso, o projeto em parceria com Anderson .Paak, Silk Sonic, rendeu à dupla um </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0S0r2RFucaW9kVjBtcBOV1?si=823l5h1gRi-Y1v7GbXA1Sw"><span style="font-weight: 400;">álbum aclamado</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se tornou um ponto alto da discografia de ambos os artistas, evocando uma sonoridade fresca espelhada no s</span><i><span style="font-weight: 400;">oul</span></i><span style="font-weight: 400;"> setentista. A decepção bateu quando o posterior ato solo do Bruninho chegou e o resultado era uma versão sem alma do que, anos antes, era inovador.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bruno Mars - I Just Might [Official Music Video]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/mrV8kK5t0V8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A maior parte de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;"> soa como ideias que até tentam se desvencilhar do </span><i><span style="font-weight: 400;">An Evening With Silk Sonic (2021)</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas a sensação é a de que prevalece uma certa conformidade em refazer o que deu certo. Faixas como </span><a href="https://youtu.be/iXh6Cjp1wvY?si=-w1O0SV_KoQoW0SP"><i><span style="font-weight: 400;">God Was Showing Off</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/UnpjE8peqlA?si=-1NX5VAP2WNKk7tU"><i><span style="font-weight: 400;">Nothing Left</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não mostram muito esforço de Mars em se desafiar e prosseguir de uma das melhores fases de sua carreira, que aconteceu cinco anos atrás. As diferenças são mais notadas em leves nuances do que de fato em direções ou conceitos claramente definidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A banda Silk Sonic trouxe certa novidade ao som de Mars, em grande parte devido à presença de </span><a href="https://youtu.be/7Jj83FOlBF8?si=LsnQOhA2dL7Ws7xG"><span style="font-weight: 400;">Anderson .Paak</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma voz conhecida em nichos do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> e da música alternativa que, junto a um amigo das massas (Bruno Mars) fizeram mágica. A personalidade e a musicalidade de Paak em estúdio e nas </span><a href="https://youtu.be/nAUwKeO93bY?si=kfghkCiSe7R6Y_k-"><i><span style="font-weight: 400;">performances</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">ao vivo colaboraram para que a audiência não pensasse no ‘quão cafona são dois homens de quase 40 anos dançando em conjuntos revestidos de glitter com coreografias simples e sincronizadas’, tudo era envolvente, desde a música à estética, pois o compromisso era com a ideia em si. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No projeto compartilhado, o selo de qualidade e aprovação crítica vinham de Paak, e os números astronômicos e </span><a href="https://youtu.be/GG7fLOmlhYg?si=NkByk3heQt6Q1bxA"><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de rádio vinham de Mars. Na tentativa de reproduzir isso sozinho no novo disco, Bruno falha porque o que sobra fora do Silk Sonic é, em sua maioria, o que o torna parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">: o processado e o que é mais aparente como produto do que como obra de arte. </span></p>
<figure id="attachment_37162" aria-describedby="caption-attachment-37162" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37162" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/2.jpeg" alt="Fotografia de Bruno Mars. Na imagem em preto e branco, Mars aparece tocando um piano em um estúdio. O cantor veste uma camisa listrada, calças escuras, chapéu, pulseiras e óculos escuros. Ele toca o instrumento enquanto se vira e olha para trás. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/2.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/2-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37162" class="wp-caption-text">Mars foi descoberto como artista ainda quando criança, na época em que se apresentava como um cover mirim de Elvis Presley. (Foto: John V. Esparza)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas poucas camadas inventivas de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;">, é possível perceber uma aura de grupos de vocalistas negros estadunidenses dos anos 1960, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1_urvud-Oi0&amp;list=RD1_urvud-Oi0&amp;start_radio=1"><span style="font-weight: 400;">The Flamingos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y3KJ7d2qBoA&amp;list=RDy3KJ7d2qBoA&amp;start_radio=1"><span style="font-weight: 400;">The Temptations</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seja na resposta de vozes no refrão da balada </span><a href="https://youtu.be/32yqPoXfaU4?si=bMsJF8XOkzjsogSo"><i><span style="font-weight: 400;">Why You Wanna Fight?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou na melosa faixa de encerramento</span> <a href="https://youtu.be/62rgRxlM4-E?si=vRWec9t_YpeSTzSF"><i><span style="font-weight: 400;">Dance With Me</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, existe um espírito coletivo pairando ao decorrer do LP. Os últimos registros de destaque de Mars nesta década mostraram o poder de uma colaboração com o cantor e como ele se conecta com a atmosfera de ‘banda’, e talvez fosse melhor se tivesse continuado assim, de</span><i><span style="font-weight: 400;"> feat</span></i><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">feat</span></i><span style="font-weight: 400;">. Deve ser difícil para o Bruninho – e talvez para alguns de nós – superar os dias de Silk Sonic.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro grande dilema de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a linha finíssima, na verdade, quase invisível, entre imitação e referência. Mars ocupa o lugar tão cobiçado da indústria de ter um nome tão potente que dá a ele liberdade de fazer o que quiser, o que acaba caindo por terra quando o seu repertório resulta em cópias das suas musas. </span><a href="https://youtu.be/gpc5c5PMQiw?si=9dSn_S3jtFPzznWf"><i><span style="font-weight: 400;">On My Soul</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma das canções mais cativantes do álbum, porém, sua inspiração original, </span><a href="https://youtu.be/A9RMr9KuVZo?si=dlChGgsQRg-oKwj9"><i><span style="font-weight: 400;">Move On Up</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Curtis Mayfield, se torna uma experiência mais proveitosa, preenchida e instrumentalmente interessante do que a peça produzida por Bruno Mars. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mesma coisa acontece com </span><a href="https://youtu.be/Bsc_qpFplJM?si=LLqITRm9lELapQ1A"><i><span style="font-weight: 400;">Something Serious</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que poderia até ser creditada como </span><i><span style="font-weight: 400;">sample</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou interpolação da clássica </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J7ATTjg7tpE&amp;list=RDJ7ATTjg7tpE&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Oye Como Va</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, interpretada originalmente pela banda Santana – liderada pelo mexicano Carlos Santana. O sentimento é de que o disco se ancora nas referências icônicas do vocalista e não dá conta de existir por si só.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bruno Mars - Risk It All [Official Music Video]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lY5V4hSLWY8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ninguém mais no </span><i><span style="font-weight: 400;">top 50 </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i><span style="font-weight: 400;"> global leva jeito para re-introduzir obras tão emblemáticas do </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> como Mars, e mesmo assim não é difícil questionar, na metade de</span><i><span style="font-weight: 400;"> The Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;">, se você já não ouviu essa música antes na </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;">. As únicas exceções e belas surpresas são as duas faixas que abrem o projeto: </span><i><span style="font-weight: 400;">Risk It All</span></i> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://youtu.be/l38Aru5jICw?si=i19PUh-QF2kJ5Ulf"><i><span style="font-weight: 400;">Cha Cha Cha</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que, envoltas por latinidade, remetem diretamente às raízes do Bruninho. A primeira é uma balada centrada no violão e numa linha melódica tão atemporal que, mesmo tendo uma sonoridade única comparada à discografia do artista, o ouvinte ainda sente alguma familiaridade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na segunda, essa ânsia por trazer novos ares à ambiência de </span><a href="https://youtu.be/adLGHcj_fmA?si=uwlHPRcNXtAAjcCx"><i><span style="font-weight: 400;">Leave The Door Open</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Smokin Out The Window</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona melhor. Há mudanças agradáveis na dinâmica rítmica da canção e aquele molho apaixonante do cantor que é capaz de levar músicas tão complexamente projetadas à boca do povo. Para um disco que se prende tanto ao passado – do cantor e do </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> – esses dois registros são pequenos passos de bebê rumo a uma nova fase artística.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;"> encaixa bem como título deste álbum, pois não revela nada novo sobre Bruno Mars. Ser romântico e piegas o levou ao topo 15 anos atrás, e hoje, mesmo que não seja tão convincente, ainda o deixa lá. </span><i><span style="font-weight: 400;">I Just Might</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">lead single</span></i><span style="font-weight: 400;"> do disco, alcançou o </span><a href="https://www.billboard.com/lists/bruno-mars-hot-100-i-just-might-debut/"><span style="font-weight: 400;">primeiro lugar</span></a><span style="font-weight: 400;"> da parada da </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos Estados Unidos na semana em que foi lançada. Ele é um dos únicos grandes artistas capazes de resgatar tão fielmente o som de uma época, incorporar numa roupagem atual, e dominar os </span><i><span style="font-weight: 400;">charts</span></i><span style="font-weight: 400;"> com isso. Ainda assim, um truque feito tantas vezes pelo mesmo mágico, por mais fascinante que seja no começo, não te faz mais querer saber os segredos de quem está com o coelho de pelúcia na cartola o tempo todo, é só chato mesmo.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: The Romantic" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/7vI4iTxDmgEN63liQHPEX1?si=qodsRjtkRrG4FspgPtEhqA&amp;nd=1&amp;dlsi=edb1c09a82244129&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><strong><br />
<br style="font-weight: 400;" /><br style="font-weight: 400;" /><br style="font-weight: 400;" /></strong></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-the-romantic/">Bruno Mars espremeu completamente o suco de suas referências em The Romantic, e o gosto é familiar, mas azedo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/critica-the-romantic/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">37160</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Há 15 anos, Taylor Swift falava sobre amor, maturidade e vingança em Speak Now</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/ha-15-anos-taylor-swift-falava-sobre-amor-maturidade-e-vinganca-em-speak-now/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/ha-15-anos-taylor-swift-falava-sobre-amor-maturidade-e-vinganca-em-speak-now/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 13:17:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[15 anos]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[álbum pop]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Marcela Jardim]]></category>
		<category><![CDATA[Speak Now]]></category>
		<category><![CDATA[Taylor Swift]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=37155</guid>

					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Quando Speak Now chegou ao mundo, em 25 de outubro de 2010, Taylor Swift tinha apenas 20 anos, mas já parecia compreender com precisão o peso da própria voz. Em meio ao sucesso meteórico de Fearless (2008) e à transição entre o country e o pop, ela decidiu fazer um movimento arriscado: escrever &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ha-15-anos-taylor-swift-falava-sobre-amor-maturidade-e-vinganca-em-speak-now/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 15 anos, Taylor Swift falava sobre amor, maturidade e vingança em Speak Now"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ha-15-anos-taylor-swift-falava-sobre-amor-maturidade-e-vinganca-em-speak-now/">Há 15 anos, Taylor Swift falava sobre amor, maturidade e vingança em Speak Now</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37157" aria-describedby="caption-attachment-37157" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37157" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed.png" alt="Capa do álbum Speak Now de Taylor Swift é uma imagem impactante e elegante, centrada na figura da cantora em uma pose que sugere movimento e graça. Taylor Swift, com seu cabelo loiro encaracolado e lábios vermelhos, veste um chamativo vestido roxo sem alças, cujo tecido esvoaçante é o elemento visual mais dinâmico da cena. Ela está virada ligeiramente para a direita com o braço estendido, e sua expressão é confiante e cativante. O fundo da imagem é predominantemente branco e minimalista, servindo para acentuar o contraste vibrante do vestido roxo. A arte visual mistura elementos de fotografia e ilustração, com respingos de tinta roxa e caligrafia elegante adicionando um toque de fantasia e individualidade. Essa combinação de cores vibrantes com um cenário simples e uma iluminação suave cria uma atmosfera limpa, elegante e expressiva, reforçando o estilo romântico e criativo do álbum." width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed.png 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-37157" class="wp-caption-text">Speak Now é o terceiro álbum da cantora (Foto: Big Machine Records)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou ao mundo, em 25 de outubro de 2010, Taylor Swift tinha apenas 20 anos, mas já parecia compreender com precisão o peso da própria voz. Em meio ao sucesso meteórico de </span><a href="https://personaunesp.com.br/fearless-taylors-version-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fearless</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008) e à transição entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela decidiu fazer um movimento arriscado: escrever todas as faixas sozinha. O resultado foi um álbum que soa íntimo e grandioso, misturando a doçura juvenil com a consciência dolorosa de quem já se feriu pela exposição. </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta a resposta de Swift à crítica que duvidava de sua autoria e maturidade artística, tornando-se uma prova de controle criativo e vulnerabilidade, marcada por arranjos orquestrais, confissões e metáforas cintilantes.</span></p>
<p><span id="more-37155"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco é também um retrato de uma jovem artista lidando com as contradições da fama e da feminilidade sob os holofotes. Ao longo das 14 faixas, a loirinha transforma experiências pessoais, como amores, rupturas, críticas e arrependimentos, em narrativas universais, capazes de dialogar com diferentes gerações de ouvintes. 15 anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue como um ponto de virada em sua trajetória: é o momento em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/ha-5-anos-taylor-swift-transformava-isolamento-em-enredo-e-silencio-em-poesia-com-folklore/"><span style="font-weight: 400;">Swift</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixa de ser apenas personagem de suas histórias e assume, de forma definitiva, o papel de narradora.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Taylor Swift - Mine" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XPBwXKgDTdE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Um eixo emocional que atravessará toda a obra já aparece nas primeiras faixas: o amor como promessa e como ruína. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0GxW5K0qzrq7L1jwSY5OmY?si=994233fb59074a6c"><i><span style="font-weight: 400;">Mine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> abre equilibrando medo e esperança, como se a ela já soubesse que finais felizes exigem reconstrução constante. Poucas faixas depois, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5l6GqSxplqnZbLg0LTPQeG?si=feaa8610082f4044"><i><span style="font-weight: 400;">Back to December</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">inverte a lógica tradicional de sua narrativa e apresenta um pedido de desculpas explícito, algo ainda raro naquele momento de sua carreira. Se em trabalhos anteriores, ocupava majoritariamente o lugar da ferida, aqui experimenta o da culpa – movimento que se tornaria mais recorrente em álbuns futuros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse contraste entre acreditar apesar do trauma e reconhecer os próprios erros cria uma tensão madura para uma artista de 20 anos. Não à toa, o álbum vendeu mais de um milhão de cópias na primeira semana nos Estados Unidos, tornando-se o 16º disco da história a atingir esse feito na época – um número que consolidava não apenas popularidade, mas </span><a href="https://lorena.ig.com.br/categoria/musica/Speak-Now-album-de-Taylor-Swift-ultrapassa-os-3-bilhoes-de-streams-no-Spotify"><span style="font-weight: 400;">relevância cultural</span></a><span style="font-weight: 400;">. A obra, que estreou em primeiro lugar na </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i><span style="font-weight: 400;"> 200 e acumulou múltiplas certificações de platina ao longo dos anos, caminha entre o encantamento e o desencanto, entre o impulso de amar e a necessidade de sobreviver ao fim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o título não é à toa. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/06HL4z0CvFAxyc27GXpf02?si=a9340a5bd05b4667"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, há fantasia, humor e impulso: a ideia de interromper um casamento é exagerada, quase cinematográfica, porém simboliza o desejo de finalmente dizer o que ficou preso na garganta. Já </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3K2es3gElMRJ3qvmPW442g?si=2996468e91cd4079"><i><span style="font-weight: 400;">Dear John</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> abandona qualquer verniz lúdico e mergulha em quase seis minutos de exposição crua sobre manipulação e diferença de idade em um relacionamento desigual. A pergunta</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t you think I was too young?</span></i><span style="font-weight: 400;">” (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não acha que eu era jovem demais?</span></i><span style="font-weight: 400;">”) ressoa como marco de amadurecimento público e privado, transformando o que poderia ser mera fofoca em denúncia emocional, marcando um dos momentos mais maduros e dolorosos da carreira da artista.</span></p>
<figure id="attachment_37156" aria-describedby="caption-attachment-37156" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37156" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-800x400.png" alt="Uma fotografia mostra Taylor Swift, uma mulher branca, na faixa dos 20 anos, em perfil. Ela tem cabelos loiros ondulados presos em um rabo de cavalo lateral e usa um ponto de áudio discreto. Ela está vestida com um vestido roxo claro com um decote, e um colar prateado fino. Seus lábios são pintados com um batom vermelho vibrante. Ela está olhando para a direita, com uma expressão concentrada. O fundo é predominantemente azul escuro, com alguns pontos de luzes brilhantes que sugerem um palco ou show. A iluminação é forte e foca nela, e na sua silhueta. A composição é focada na mulher, com o fundo servindo para isolá-la. A atmosfera é de performance, provavelmente um show." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37156" class="wp-caption-text">Mean ganhou o Grammy de Melhor Canção Country e Melhor Performance Solo Country em 2012 (Foto: Kevin Mazur)</figcaption></figure>
<p><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/04S1pkp1VaIqjg8zZqknR5?si=cbb849b3a0234514"><i><span style="font-weight: 400;">Enchanted</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">talvez seja o coração sonhador do álbum: um encontro mágico que captura o instante exato entre o olhar e a paixão. É o ápice da cantora, das metáforas cintilantes e dos olhos brilhando sob luzes de cidade. Em contrapartida, </span><i><span style="font-weight: 400;">Last Kiss</span></i><span style="font-weight: 400;"> desmonta qualquer armadura emocional. Lenta, dolorosa e verdadeira, é talvez uma das canções mais tristes de Swift, uma despedida contida que carrega todo o peso de amar em vão. Essas canções demonstram como o álbum caminha entre o melodrama e a confissão, o início e fim da paixão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra vertente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mean</span></i><span style="font-weight: 400;"> converte as críticas em superação, enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Better Than Revenge</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela a reação impulsiva de quem ainda busca poder através da raiva – uma resposta crua e imatura. Quinze anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Actually, Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;">, faixa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-espelho-quebrado-por-expectativas-a-complacencia-de-taylor-swift-em-the-life-of-a-showgirl/"><i><span style="font-weight: 400;">The Life of a Showgirl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025), retoma esses mesmos temas com distanciamento e autoconsciência, como se revisse o espelho emocional do antecessor. A regravação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/speak-now-taylors-version-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now (Taylor’s Version)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023) já indicava esse amadurecimento: Swift reconhece os excessos sem apagar a emoção. Essa consciência se torna domínio narrativo novamente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Actually, Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;">: a artista encena o julgamento e transforma a vulnerabilidade em força, revisitando o processo de afirmar sua identidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Taylor Swift - Mean" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/jYa1eI1hpDE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Um símbolo de legado e comunhão entre gerações de </span><i><span style="font-weight: 400;">swifties </span></i><i><span style="font-weight: 400;">Never Grow Up</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Innocent</span></i><span style="font-weight: 400;"> formam dois polos complementares dentro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;">, ambos marcados pela vulnerabilidade e pelo desejo de amadurecer sem perder a doçura. A primeira é um lembrete agridoce da passagem do tempo, um retrato terno da inocência que se esvai; já a segunda, lançada após o episódio humilhante no </span><i><span style="font-weight: 400;">VMA</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2009, é um gesto público de perdão – não apenas para </span><a href="https://personaunesp.com.br/donda-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kanye West</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas para si mesma, ao afirmar que ainda há pureza mesmo após o erro. Juntas, revelam como Swift equilibra fragilidade e força, sarcasmo e empatia, mostrando que crescer também é se reconciliar com as próprias falhas. Nas duas faixas, a artista traduz a dor em arte, oscilando entre o íntimo e o épico, uma sensibilidade que define o coração do disco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O encerramento com </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4ewAfHYpDTzpW1GKO44CVP?si=88281ea9e68d46ee"><i><span style="font-weight: 400;">Long Live</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é quase mítico, um tributo à própria jornada e aos fãs que a acompanharam desde o início. Ao celebrar as vitórias e as cicatrizes, a loirinha muda sua história pessoal em lenda compartilhada, uma canção sobre a glória efêmera e a memória duradoura. Mais de uma década depois, o impacto da faixa ganhou novas dimensões com a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IppMykw4fT4"><i><span style="font-weight: 400;">The Eras Tour</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que Swift a incluiu como clímax emocional dos shows, transformando estádios inteiros em corais de vozes unidas por um sentimento de pertencimento e continuidade. A música, antes um agradecimento íntimo à banda e aos fãs de sua juventude, tornou-se</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Long Live</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda carrega um significado especial por causa da versão em </span><a href="https://youtu.be/1etzkcAo6WA?si=huLpMDbbVvEwBrAo"><span style="font-weight: 400;">parceria com Paula Fernandes</span></a><span style="font-weight: 400;">, lançada em 2012. A regravação, cantada em inglês e português, representou um raro gesto de aproximação cultural e marcou profundamente o público brasileiro, que adotou a canção como hino afetivo. A obra permanece como um testemunho de autoconfiança, mas também de crescimento. É o disco de uma jovem que aprendeu a se defender com poesia e a se reconstruir com melodia. Falar, ou cantar, foi o gesto que a libertou, e essa coragem ecoa até hoje em cada verso de sua carreira. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5MfAxS5zz8MlfROjGQVXhy"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é sobre o poder d</span><span style="font-weight: 400;">e reivindicar o próprio enredo, mesmo quando o mundo tenta escrevê-lo por você.</p>
<p></span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Speak Now" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6Ar2o9KCqcyYF9J0aQP3au?si=kchY11j8R-uZGyUUAl9W3g&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ha-15-anos-taylor-swift-falava-sobre-amor-maturidade-e-vinganca-em-speak-now/">Há 15 anos, Taylor Swift falava sobre amor, maturidade e vingança em Speak Now</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/ha-15-anos-taylor-swift-falava-sobre-amor-maturidade-e-vinganca-em-speak-now/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">37155</post-id>	</item>
		<item>
		<title>The Buccaneers entrega vestidos lindos, romances arrastados e menos alma feminina em sua 2º temporada</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/thebuccaneers-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/thebuccaneers-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 13:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Alisha Boe]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Apple TV+]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Kristine Froseth]]></category>
		<category><![CDATA[Leighton Meester]]></category>
		<category><![CDATA[Stephanie Cardoso]]></category>
		<category><![CDATA[The Buccaneers]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=36932</guid>

					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso A segunda temporada de The Buccaneers, série original da Apple TV+, chega tentando manter o charme, mas tropeça justamente onde era mais potente: a amizade entre mulheres. O que na estreia parecia um manifesto delicado sobre juventude feminina, pertencimento e afeto – aquele calor de girlhood, para usar o termo consagrado nos círculos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/thebuccaneers-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Buccaneers entrega vestidos lindos, romances arrastados e menos alma feminina em sua 2º temporada"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/thebuccaneers-critica/">The Buccaneers entrega vestidos lindos, romances arrastados e menos alma feminina em sua 2º temporada</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36934" aria-describedby="caption-attachment-36934" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36934" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers1.png" alt=" Imagem promocional da série The Buccaneers. Cinco mulheres estão deitadas de costas em um campo verde cheio de pequenas flores brancas. Elas usam vestidos de cores suaves e românticas, com flores presas no cabelo. Elas estão dispostas em círculo com as cabeças próximas e olhando para cima" width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-36934" class="wp-caption-text">A amizade e irmandade feminina – que era pra ser o foco da série – acabou sendo deixado para segundo plano na nova temporada (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada de </span><a href="https://bravo.abril.com.br/cinema-tv/the-buccaneers-o-que-e-diferente-do-livro-original-de-edith-wharton/"><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, série original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, chega tentando manter o charme, mas tropeça justamente onde era mais potente: a amizade entre mulheres. O que na estreia parecia um manifesto delicado sobre juventude feminina, pertencimento e afeto – aquele calor de </span><a href="https://blog.paraisofeminino.com.br/girlhood-a-tendencia-ultra-feminina-que-veio-para-ficar/"><i><span style="font-weight: 400;">girlhood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, para usar o termo consagrado nos círculos culturais – agora vira pano de fundo para intrigas românticas e melodramas em câmera lenta. Visualmente, continua um deslumbre, porém, narrativamente é como trocar um diário íntimo por uma coluna social de revista de época.</span></p>
<p><span id="more-36932"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirada no romance inacabado de Edith Wharton – publicado postumamente em 1938 – </span><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i><span style="font-weight: 400;"> tinha tudo para ser uma adaptação literária com fôlego crítico e emoção à flor da pele. A escritora, conhecida por obras como </span><a href="https://youtu.be/0uPg36iMlGU?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">A Época da Inocência</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1993) – que foi adaptada por Martin Scorsese – e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Casa da Alegria </span></i><span style="font-weight: 400;">(1995), já explorava as tensões entre </span><a href="https://youtu.be/eCa459WluZg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">mulheres e sociedade</span></a><span style="font-weight: 400;"> com rara sofisticação. A primeira temporada honra esse legado – garotas americanas ricas invadindo a aristocracia britânica com vestidos ousados, atitudes mais ainda, e uma solidariedade de fazer inveja a muitos clubes de cavalheiros. Havia ternura, tensão, pequenas revoluções cotidianas e falava de </span><i><span style="font-weight: 400;">girlhood</span></i><span style="font-weight: 400;"> – essa experiência densa, confusa, brilhante e, por vezes, sombria de ser jovem mulher num mundo que te julga antes mesmo de você se descobrir.</span></p>
<figure id="attachment_36935" aria-describedby="caption-attachment-36935" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccanners2.jpg" alt="Cena da série The Buccaneers. Vemos na imagem Nan, uma mulher branca, de cabelo preso para trás, usando um vestido vermelho elegante e tomara que caia. Ela está de perfil para a direita e tem um batom vermelho. Ao fundo, há um grupo de pessoas vestidas formalmente em trajes de época, em um jardim com vegetação verde " width="512" height="222" /><figcaption id="caption-attachment-36935" class="wp-caption-text">A produção foi a segunda adaptação da obra literária, sendo a primeira uma série em 1995 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A nova temporada parece desconfortável com o próprio silêncio. Tudo precisa ser resolvido com escândalo, cartas escondidas ou paixões proibidas. O núcleo da </span><a href="https://youtu.be/FaDFty5ipEg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">amizade</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre Nan (Kristine Froseth), Conchita (Alisha Boe), Jinny (Imogen Waterhouse), Lizzy (Aubri Ibrag) e Mabel (Josie Totah) – o coração da história – praticamente evapora. Em seu lugar, surgem rivalidades forçadas, decisões passionais e um clima de ‘vale tudo pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;">’. A sensibilidade dá lugar ao choque, e o olhar delicado sobre o feminino vira vitrine para dilemas de novela das cinco com produção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/rdSajlISTRM?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Kristine Froseth</span></a><span style="font-weight: 400;"> perde parte da força que a tornava tão magnética, a personagem que antes parecia movida por princípios, agora age com hipocrisia e uma certa arrogância disfarçada de empoderamento. Ela cobra dos outros uma honestidade emocional que a própria não pratica. Diz lutar por liberdade e autonomia, mas manipula os sentimentos de Guy (Matthew Broome) e Theo (Guy Remmers) com uma ambiguidade moral desconcertante. Ao esconder verdades importantes e seguir tomando decisões impulsivas – algumas que afetam diretamente a vida das pessoas ao redor – se torna menos uma heroína feminista e mais uma anti-heroína mimada. A série parece não perceber essa virada de tom e continua tratando suas atitudes como grandes gestos de coragem, quando na verdade são, muitas vezes, apenas egoísmo disfarçado de protagonismo.</span></p>
<figure id="attachment_36936" aria-describedby="caption-attachment-36936" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36936" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers3.jpg" alt="Cena da série The Buccaneers. Vemos Nell (Leighton Meester), uma mulher branca com cabelo ruivo, preso em cachos e enrolado ao redor da cabeça. Ela usa um chapéu azul decorado com flores e um vestido azul claro com detalhes em renda preta, gola alta com babados brancos. O fundo está desfocado e escuro" width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36936" class="wp-caption-text">Uma das surpresas da temporada foi ver Leighton Meester interpretar a mãe biológica de Nan – e tentar não lembrar da Blair de Gossip Girl enquanto assistia os episódios (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse descompasso fica ainda mais evidente em seu arco com a sua mãe biológica, </span><a href="https://youtube.com/shorts/_cBtAvwsNqw?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Nell</span></a><span style="font-weight: 400;"> (vivida por Leighton Meester, a Blair de </span><a href="https://personaunesp.com.br/gossip-girl-15-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Gossip Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). O reencontro entre elas tinha tudo para ser emocionalmente devastador, um mergulho nas origens e nas contradições sociais que cercam a trajetória de Nan. Contudo a produção passa por isso com pressa, sem dar tempo para a dor, o confronto, a reconciliação ou mesmo para o conflito real. O que poderia ser um dos momentos mais ricos da temporada se dilui em cenas rápidas, quase esquecíveis, que tratam com superficialidade um tema que merecia muito mais densidade. A impressão é de que até esse pedaço da história foi sacrificado para abrir espaço para mais um drama romântico qualquer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez por isso, quem vem roubando os holofotes nesta temporada é a personagem vivida por </span><a href="https://youtu.be/b-uRjOwewpU?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Aubri Ibrag</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lizzy, que antes orbitava discretamente a história principal, ganhou corpo, carisma e uma profundidade emocional mais convincente que a da própria protagonista. Nas redes sociais, o culto a personagem cresceu a cada episódio: vídeos, </span><i><span style="font-weight: 400;">fan edits</span></i><span style="font-weight: 400;"> e discussões exaltam sua sensatez, sua trajetória silenciosa e sua autenticidade – tudo o que parece ter evaporado do arco de Nan. É como se o público tivesse encontrado nela aquilo que a série prometeu com a protagonista, entretanto, não entregou: uma mulher jovem, complexa, ética e que amadurece sem precisar passar por cima dos outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das presenças femininas da obra, a figura do </span><a href="https://youtu.be/-6BvnK7slWM?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Theo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das poucas surpresas agradáveis. Durante a temporada, seu arco entrega um dos raros momentos de sinceridade emocional ao passar dos episódios. Já Guy, o antigo amor de Nan, vira quase um mártir passivo, preso numa </span><a href="https://youtu.be/d2Q5uh35up4?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">dinâmica</span></a><span style="font-weight: 400;"> injusta onde o afeto nunca é retribuído com a mesma integridade. A série parece querer que o público torça por sua ex-parceira a qualquer custo, contudo ignora o quanto ela se afasta da empatia e da ética em nome de sua própria narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_36933" aria-describedby="caption-attachment-36933" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers4.png" alt="Cena da série The Buccaneers. Cinco mulheres estão em pé, lado a lado, segurando suas saias ou mãos, olhando para a direita. Elas vestem roupas de época em tons pastel e terrosos, com detalhes bordados ou rendados. O jardim atrás delas tem plantas verdes e uma casa antiga parcialmente visível " width="512" height="341" /><figcaption id="caption-attachment-36933" class="wp-caption-text">O que era pra ser uma série sobre amizade e empatia feminina se tornou tudo menos isso (Foto: Angus Pigott/Apple TV+/The Forge Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, não dá para dizer que </span><a href="https://youtu.be/4wzf9W-utdc?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> virou um desastre, a obra ainda é belíssima, tem um elenco com química e apresenta momentos isolados de potência – como as tramas centradas em </span><a href="https://youtu.be/GTQzCDp5qI8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Jinny</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/nALMKoHEHl8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Mabel</span></a><span style="font-weight: 400;">, que falam de temas como abuso e sexualidade com alguma coragem. Mas tudo isso parece surgir em meio ao caos, como relances de um seriado que já foi mais consciente de si mesma. Há menos escuta entre as personagens, afeto genuíno e espaço para as pequenas revoluções que antes costuravam cada episódio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o problema seja justamente o tom, a série parece querer crescer junto com suas personagens, entretanto confunde o amadurecimento com o abandono de suas raízes. O foco deslocado da amizade para o drama romântico esvazia o que havia de mais revolucionário: mulheres que se escolhem, se defendem e se reconhecem. Sem isso, sobra só o que vemos em outras dezenas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bridgerton-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">dramas de época</span></a><span style="font-weight: 400;">: bailes, vestidos, beijos proibidos. Bonito? Sempre. Original? Nem tanto.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers </span></i><span style="font-weight: 400;">seguiu os passos da primeira temporada</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">ou</span> <span style="font-weight: 400;">seja</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">continuou sendo um deleite visual. Porém, para uma produção que começou com promessas de romper padrões e recontar o feminino com nuance e afeto, essa </span><a href="https://youtu.be/ebLFnnSEpkE?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">segunda temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece ter trocado a alma pelo verniz – e uma protagonista complexa por uma figura contraditória que se recusa a lidar com suas próprias falhas. Ainda há tempo para voltar a navegar com propósito, mas, por enquanto, o navio parece à deriva – lindo, caro, porém sem bússola.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/3p6ZMqvw3XY?si=Iengf-qpQzj9GMbz"><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers &#8211; trailer 2° temporada</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/thebuccaneers-critica/">The Buccaneers entrega vestidos lindos, romances arrastados e menos alma feminina em sua 2º temporada</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/thebuccaneers-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">36932</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O Espaço Mais Profundo em Nós permanece à superfície</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/o-espaco-mais-profundo-em-nos-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/o-espaco-mais-profundo-em-nos-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 13:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema japonês]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Japonesa]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Internacional de Calcutá]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Diaz]]></category>
		<category><![CDATA[MUBI]]></category>
		<category><![CDATA[O Espaço Mais Profundo em Nós]]></category>
		<category><![CDATA[Yasutomo Chikuma]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=36375</guid>

					<description><![CDATA[<p>Gabriel Diaz O Espaço Mais Profundo em Nós confirma o olhar de Yasutomo Chikuma para o invisível. Seu cinema se volta ao que não se pode tocar, às zonas de silêncio entre o amor e o luto. Nesta história, apresentada na seção Perspectiva Internacional da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Kaori (Momoko &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-espaco-mais-profundo-em-nos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Espaço Mais Profundo em Nós permanece à superfície"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-espaco-mais-profundo-em-nos-critica/">O Espaço Mais Profundo em Nós permanece à superfície</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36376" aria-describedby="caption-attachment-36376" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-36376 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-1.png" alt="O rosto de uma jovem é parcialmente iluminado por uma luz verde-azulada que incide lateralmente, criando um contraste suave entre brilho e sombra. Seus cabelos longos caem sobre o rosto, e o olhar baixo sugere introspecção ou melancolia. O fundo é escuro, reforçando a atmosfera etérea e contemplativa da cena." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36376" class="wp-caption-text">O filme está entre os indicados ao Prêmio NETPAC no Festival Internacional de Cinema de Calcutá (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Diaz</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Espaço Mais Profundo em Nós</span></i><span style="font-weight: 400;"> confirma o olhar de Yasutomo Chikuma para o invisível. Seu cinema se volta ao que não se pode tocar, às zonas de silêncio entre o amor e o luto. Nesta história, apresentada na seção Perspectiva Internacional da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, Kaori (Momoko Fukuchi), uma mulher </span><a href="https://queer.ig.com.br/2022-04-09/o-que-e-arromantico.html"><span style="font-weight: 400;">arromântica</span></a><span style="font-weight: 400;"> e assexual, compartilha uma vida com Takeru (Kanichiro), um homem em conflito com o próprio corpo e sua permanência no mundo. A relação dos dois é feita de gestos e pausas – uma convivência que não se consome, apenas se sustenta. Quando Takeru morre, o que resta a Kaori é caminhar entre a lembrança e o vazio, acompanhada por Nakano (Ryutaro Nakagawa), o amigo que talvez também tenha amado o mesmo homem.</span></p>
<p><span id="more-36375"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor registra o que acontece dentro da quietude. Seus planos longos e respirações prolongadas, características típicas do </span><a href="https://www.bfi.org.uk/lists/10-great-slow-films"><i><span style="font-weight: 400;">slow cinema</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, criam a sensação de que o tempo se dilata diante de cada movimento. O litoral, local em que a narrativa se desenrola, não funciona como paisagem, mas como projeção do estado interior de Kaori – o movimento das ondas replica o ritmo de sua consciência, sua respiração irregular diante do </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/6-filmes-com-cenas-de-luto-emocionantes-de-harry-potter-adoraveis-mulheres/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nesse espaço suspenso, o filme se torna uma escuta do que o silêncio tenta dizer e daquilo que o amor nunca soube nomear.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cultura japonesa, a morte não é ruptura, mas passagem. Existe o conceito de </span><a href="https://voyapon.com/death-in-japan-spirituality-culture/#htoc-gimu-the-unsolvable-moral-debt"><i><span style="font-weight: 400;">gimu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a dívida moral impagável que os filhos têm para com aqueles que lhes deram a vida – uma gratidão que se estende para além do fim. Os mortos permanecem próximos dos vivos, habitando o </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/religiao/xintoismo.htm"><i><span style="font-weight: 400;">anoyo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o além que se comunica constantemente com este mundo. Para que essa </span><a href="https://funerariasantacasa24h.com.br/funeral-japones/"><span style="font-weight: 400;">travessia</span></a><span style="font-weight: 400;"> ocorra em paz, é preciso resolver tudo: nenhum rancor, nenhuma dúvida, nenhum vínculo mal encerrado. Chikuma filma justamente esse espaço de indefinição, onde Kaori não consegue encerrar Takeru porque o afeto entre eles nunca teve a linguagem do desejo ou da posse. Como pode se despedir de alguém que nunca coube nas categorias tradicionais de amor?</span></p>
<figure id="attachment_36377" aria-describedby="caption-attachment-36377" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-2.png" alt="Um jovem está sentado ao ar livre, envolto em um casaco branco e cachecol preto, olhando para frente com expressão de tristeza contida. A luz natural do amanhecer ou entardecer banha suavemente seu rosto, enquanto o fundo desfocado revela árvores e um céu pálido, sugerindo um momento de solidão e reflexão." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-36377" class="wp-caption-text">A figura de Takeru representa a impossibilidade de fixação e funciona como ausência estruturante (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A resposta está personificada na protagonista: ela não segue os padrões do conceito amoroso. A </span><a href="https://valkirias.com.br/assexualidade-arromanticidade-e-a-falta-de-representacao-na-cultura-pop/"><span style="font-weight: 400;">assexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> no cinema ainda é sub-representada, aparecendo majoritariamente em papéis secundários ou tratada como problema a ser resolvido. Chikuma faz o oposto: coloca Kaori no centro da narrativa, não como ausência, e sim como presença que redefine os termos da relação. Sua assexualidade não é obstáculo ao afeto, é a própria forma dele. O filme reconhece que a cultura possui rituais para esposas, amantes, filhos, porém não para quem habita essas </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/teoria-queer-e-os-desafios-as-molduras-do-olhar/"><span style="font-weight: 400;">zonas sem nome</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos versos </span><i><span style="font-weight: 400;">“Meu bem, vamos viver a vida / Então vem, senão eu vou perder quem sou”</span></i><span style="font-weight: 400;">, a música </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0KpA8R3NM3N0JB4NAGbAxO?si=b1cfdd561a324af3"><i><span style="font-weight: 400;">Life on Mars?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na versão de </span><a href="https://personaunesp.com.br/5-anos-de-marighella-e-a-contestacao-de-uma-narrativa-unica-critica/"><span style="font-weight: 400;">Seu Jorge</span></a><span style="font-weight: 400;">, captura a mesma inquietação do audiovisual: a diferença entre estar vivo e verdadeiramente viver. Kaori não pode performar o luto esperado, porque o vínculo que tinha com Takeru nunca se encaixou nas categorias disponíveis. O que resta, então, é inventar uma linguagem para esse </span><a href="https://abmluto.org.br/sobre-o-sentido-da-existencia-o-luto-e-a-morte/"><span style="font-weight: 400;">vazio</span></a><span style="font-weight: 400;"> – e é isso que a obra tenta fazer, ainda que nem sempre consiga. Os dois compartilham um afeto que não depende do desejo, mas da permanência. A produção encontra beleza nas pequenas repetições, como o modo como ela segura um copo, o olhar dele perdido no horizonte. Ainda assim, o diretor às vezes se prende à própria delicadeza. A contenção que deveria revelar o mistério acaba domesticando-o, demonstrando que a sutileza se confunde com apagamento, e a introspecção se torna ausência de conflito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há diálogos entre o longa e toda uma indústria que não se contenta com respostas fáceis. A água, elemento recorrente em toda a </span><a href="https://filmow.com/yasutomo-chikuma-a505238/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">filmografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Chikuma, carrega aqui um duplo sentido: é refúgio e dissolução, juntamente com a memória e o esquecimento. O diretor a utiliza como símbolo de cadência diante de um fluxo que conecta cada respiração e cada intervalo. Quando Kaori observa o mar, o que se reflete não é a imagem do que perdeu, é a impossibilidade de compreender essa perda. A câmera, atenta e pudorosa, mantém uma </span><a href="https://www.spescoladeteatro.org.br/noticia/o-que-e-distanciamento-no-teatro"><span style="font-weight: 400;">distância</span></a><span style="font-weight: 400;"> que é também ética: filma sem invadir, enquanto olha sem exigir resposta.</span></p>
<figure id="attachment_36378" aria-describedby="caption-attachment-36378" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-800x391.png" alt="À beira-mar, um homem e uma mulher observam o horizonte em silêncio. Ela está de costas, com uma saia longa e jaqueta clara, enquanto ele, de sobretudo escuro, permanece um pouco afastado. O mar calmo e o céu azul compõem uma paisagem serena, marcada pela distância emocional entre os dois." width="800" height="391" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-800x391.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-1024x500.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-768x375.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-1536x750.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-1200x586.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36378" class="wp-caption-text">No longa, a paisagem marinha é o espaço entre o que somos e o que perdemos (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, a produção é irrepreensível. A fotografia cria um universo onde tudo parece prestes a se desfazer, contudo há uma distância entre a intenção estética e o impacto emocional – tal qual o aflito entre a estética do belo e o sublime de </span><a href="https://pensamentoextemporaneo.com.br/?p=2544"><span style="font-weight: 400;">Immanuel Kant</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao perseguir a beleza como constância, Chikuma transforma o estranhamento em ornamento. Seu cinema respira, porém sem mudança de ar: o andamento é sempre o mesmo, a emoção permanece contida, até quando o tema exige transbordamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a chegada de Nakano, a trama se aproxima do ensaio e se afasta do drama. A comunicação dele com Kaori investiga o que restou de Takeru ou o vazio que ele deixou. Os dois voltam às mesmas perguntas: o que significa amar sem possuir? Como guardar alguém que nunca quis ser guardado? No entanto, o roteiro hesita diante da própria ambição. Essas questões se repetem sem ganhar novas camadas, sem que os personagens (ou o longa) se arrisquem a perdê-las de vista. O que deveria ser um aprofundamento vira insistência, e a </span><a href="https://cantodosclassicos.com/20-filmes-minimalistas-que-merecem-sua-atencao/"><span style="font-weight: 400;">densidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> se dilui na repetição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é um trabalho à altura dos grandes </span><a href="https://japanhousesp.com.br/story/os-encantos-do-cinema-japones-historia-e-perspectivas/"><span style="font-weight: 400;">dramas japoneses</span></a><span style="font-weight: 400;"> recentes, mas possui uma inquietação que o mantém vivo. Apesar da honestidade em sua tentativa de filmar o luto como estado, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Espaço Mais Profundo em Nós</span></i><span style="font-weight: 400;"> propõe investigar o fundo que o Cinema só consegue tocar pela superfície, porém recua diante do próprio abismo – apenas o que resta é a dúvida. O diretor filma o mistério, entretanto não se permite habitá-lo. A obra anuncia um mergulho e permanece à beira. Kaori precisava de uma linguagem para um luto sem categoria, todavia o que o Cinema lhe oferece é apenas </span><a href="https://entretenimento.r7.com/entretetizei/especial-o-aconchego-silencioso-do-cinema-japones-13082025/"><span style="font-weight: 400;">silêncio</span></a><span style="font-weight: 400;"> decorativo. A inquietação está lá, mas também contida, ornamentada, protegida de si mesma. Falta ao filme a coragem de se perder e, justamente, nessa perda que a Sétima Arte encontra o que não se pode nomear.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="【2025年サンパウロ国際映画祭正式出品作品】映画『そこにきみはいて』60秒予告" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1E7yrKhn6TU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-espaco-mais-profundo-em-nos-critica/">O Espaço Mais Profundo em Nós permanece à superfície</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/o-espaco-mais-profundo-em-nos-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">36375</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Em Bugonia, Yorgos Lanthimos explora o limite entre a morte e a criação</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 00:00:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Aidan Delbis]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Emma Stone]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Jesse Plemons]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
		<category><![CDATA[Perspectiva Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Yorgos Lanthimos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=36261</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges Exibida no Festival de Veneza de 2025, Bugonia, nova produção de Yorgos Lanthimos, faz parte da seção Perspectiva Internacional na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O longa, que acompanha a história de dois jovens primos obcecados por teorias da conspiração, busca trazer uma sátira um pouco grotesca sobre os pensamentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Bugonia, Yorgos Lanthimos explora o limite entre a morte e a criação"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/">Em Bugonia, Yorgos Lanthimos explora o limite entre a morte e a criação</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36266" aria-describedby="caption-attachment-36266" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4.png" alt="Imagem de Bugonia, filme de Yorgos Lanthimos. Na foto vemos a personagem Michelle, uma mulher branca com a cabeça raspada, olhando para cima. Na região de cima da imagem escorrem dois líquidos sobrepostos, um na cor vermelha e outro na cor amarela." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36266" class="wp-caption-text">Bugonia pode figurar entre os indicados no Oscar de Melhor Filme (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibida no Festival de Veneza de 2025, </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/bugonia-yorgos-lanthimos-emma-stone-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nova produção de Yorgos Lanthimos, faz parte da seção Perspectiva Internacional na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa, que acompanha a história de dois jovens primos obcecados por teorias da conspiração, busca trazer uma sátira um pouco grotesca sobre os pensamentos políticos da esquerda e da direita.</span></p>
<p><span id="more-36261"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecido por mergulhar de cabeça em universos absurdos, repletos de humor ácido, sarcasmo e críticas sociais, o diretor grego traz, dessa vez, uma adaptação um pouco diferente do </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i> <a href="https://nanossaestante.com.br/2025/11/as-semelhancas-entre-bugonia-e-salve-o-planeta-verde/"><i><span style="font-weight: 400;">Salve o Planeta Verde</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2003), do coreano Jang Joon-Hwan. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um termo que remete à crença antiga de que abelhas poderiam nascer a partir da decomposição de um boi morto, fazendo jus ao filme ao explorar uma narrativa construída em torno de um ciclo que mistura decadência e vitalidade, morte e criação.</span></p>
<figure id="attachment_36265" aria-describedby="caption-attachment-36265" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-800x450.png" alt="Cena do filme Bugonia. Na imagem vemos a personagem Michelle, uma mulher branca com o cabelo raspado, olhando para algo em sua frente. Ela veste um casaco vermelho e camiseta de botões azul por baixo. Seu rosto está coberto por um creme branco e sua mão esquerda encontra-se ao lado de sua cabeça. Ao fundo, tudo está preto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36265" class="wp-caption-text">Emma Stone volta a protagonizar mais uma produção de Lanthimos (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"> Com um brilhante elenco, esta ficção científica conta a história de Teddy (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Uxgj7rdG_YE"><span style="font-weight: 400;">Jesse Plemons</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Don (Aidan Delbis), dois primos que acreditam fielmente na existência de alienígenas e na dominação do nosso planeta. Consequentemente, acreditando que ela seja Andromedana, eles sequestram Michelle – CEO de uma empresa farmacêutica bilionária. Interpretada por Emma Stone, a personagem parece esconder um segredo a cada cena em que aparece, bagunçando ainda mais a cabeça do espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do público estar cansado de ver </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emma-stone/"><span style="font-weight: 400;">Stone</span></a><span style="font-weight: 400;"> em mais uma obra do cineasta, parceria que acontece desde </span><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018), é impossível dizer que a atriz não se entrega cem por cento. A americana, que chegou a </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/bugonia-yorgos-lanthimos-emma-stone-critica/"><span style="font-weight: 400;">raspar seu cabelo</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante as gravações para dar mais credibilidade à produção, consegue tirar o papel de letra em sua atuação, com muito sarcasmo e uma frieza que só ela sustenta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando temas como questões ecológicas e destruição do planeta, o roteiro de Will Tracy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-menu-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Menu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é capaz de manter o frescor do desconforto clássico do diretor de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Sacrifício do Cervo Sagrado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o que influencia no uso de enquadramentos fechados na fotografia – que consegue contrastar perfeitamente o desequilíbrio da trama. A trilha sonora assinada por Jerskin Fendrix ainda é um grande acerto por parte da produção, que chegou a incluir faixas de artistas atuais como </span><i><span style="font-weight: 400;">Good Luck, Baby!</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Chappell Roan.</span></p>
<figure id="attachment_36262" aria-describedby="caption-attachment-36262" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36262" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-800x420.png" alt=" Cena do filme Bugonia. Na foto vemos Teddy, homem branco de cabelos longos loiros, andando de bicicleta vermelha. O personagem veste uma jaqueta cinza com shorts, tênis e mochila, ambos na cor preta, em sua cabeça usa fones de ouvido headset. Ao fundo é possível ver a rua e o que parece ser uma cidade. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1536x806.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1200x630.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36262" class="wp-caption-text">O longa-metragem de Yorgos Lanthimos é um dos melhores de 2025 (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como todo filme de Lanthimos, a obra gera desconforto, não só pelos gritos e explosões, mas também com momentos de silêncio e cenas completamente perturbadoras que envolvem coisas muito bizarras. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue elevar o Cinema em um novo patamar visual, com </span><a href="https://cineset.com.br/entrevista-bugonia/"><span style="font-weight: 400;">situações viscerais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pulsantes, como o universo orgânico que o próprio título evoca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, é fácil acreditar que a produção nos mostra como alguém que não é um extraterrestre pode viver e salvar as abelhas, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> transmite essa mensagem melhor do que o título infantil </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-bee-movie-a-historia-de-uma-abelha/"><i><span style="font-weight: 400;">Bee Movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">DreamWorks</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa é sobre ousar e apostar que a humanidade precisa ser melhor, tudo pelo bem do mundo e de todos que habitam nele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que muitos não compreendam ou que divida opiniões, a trama é uma das mais </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/bugonia-melhor-filme-2025-critica/"><span style="font-weight: 400;">divertidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Yorgos Lanthimos, principalmente por cumprir seu papel em meio ao Cinema da previsibilidade. Em um cenário saturado de narrativas lineares e heróis ‘perfeitinhos’, o diretor grego continua a insistir no que sabe fazer de melhor: apostar na beleza do estranho e na vida que brota no que já parecia morto.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BUGONIA | Trailer Oficial (Universal Pictures) - HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/giAMydh9_4I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/">Em Bugonia, Yorgos Lanthimos explora o limite entre a morte e a criação</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">36261</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Nova ’78 chega como eco distante do grito que um dia moveu William S. Burroughs</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/nova78-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/nova78-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Oct 2025 14:05:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema. Mostra de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Dragoneti]]></category>
		<category><![CDATA[Longa-metragem]]></category>
		<category><![CDATA[Nova'78]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=36074</guid>

					<description><![CDATA[<p>Eduardo Dragoneti Assistido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Nova ’78 é uma viagem fragmentada ao coração da contracultura dos anos 1970. Dirigido por Aaron Brookner e Rodrigo Areias, o documentário parte de imagens até então inéditas, gravadas pelo tio de Aaron, Howard Brookner, da Nova Convention (1978), evento que celebrou o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nova78-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nova ’78 chega como eco distante do grito que um dia moveu William S. Burroughs"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/nova78-critica/">Nova ’78 chega como eco distante do grito que um dia moveu William S. Burroughs</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36075" aria-describedby="caption-attachment-36075" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36075" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/nova1.jpg" alt=" Cena do documentário Nova ’78. William S. Burroughs, um homem branco, idoso, de sobretudo claro e óculos, caminha por uma rua de Nova York na década de 1970, cercado por carros antigos e placas de postos de gasolina." width="512" height="250" /><figcaption id="caption-attachment-36075" class="wp-caption-text">O documentário foi exibido no 78º Festival de Cinema de Locarno (Foto: Pinball London)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assistido na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><i><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova ’78</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma viagem fragmentada ao coração da contracultura dos anos 1970. Dirigido por Aaron Brookner e Rodrigo Areias, o documentário parte de imagens até então inéditas, gravadas pelo tio de Aaron, Howard Brookner, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova Convention (1978)</span></i><span style="font-weight: 400;">, evento que celebrou o retorno do multiartista </span><a href="https://revistacontinente.com.br/secoes/arquivo/william-burroughs--o-malvado-favorito-da-contracultura"><span style="font-weight: 400;">William S. Burroughs</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1914-1997) aos Estados Unidos e reuniu nomes de diferentes vertentes da Arte, como Patti Smith, Frank Zappa, Laurie Anderson, Allen Ginsberg e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nirvana-samsung-philip-glass-ibirapuera/"><span style="font-weight: 400;">Philip Glass</span></a><span style="font-weight: 400;">. O resultado é uma cápsula de tempo que tenta reconstituir um encontro histórico, mas que – ao emergir mais de quarenta anos depois – carrega o peso de chegar </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-laura/?fbclid=PAb21jcANtnUhleHRuA2FlbQIxMQABpxVZFo8LBOJ3U0bE097a0eZiQawNERLKUulMfdqKG-AbW7WZ1Fzyf-w2N0WY_aem_W4AhkKxE23oBylUV7hciug"><span style="font-weight: 400;">tarde demais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-36074"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Burroughs, o objeto de estudo do documentário e um espírito inquieto da </span><a href="https://www.nypl.org/blog/2017/03/02/where-start-beat-generation"><i><span style="font-weight: 400;">beat generation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é mostrado aqui como alguém que inspira e, ao mesmo tempo, escapa. O filme o observa de perto, cercado de amigos e admiradores, mas raramente o alcança por completo. É como se a câmera de Brookner o reverenciasse demais para interrogá-lo. Há uma clara admiração, em certos momentos excessiva, que dilui a espontaneidade do encontro. Burroughs está disposto a falar, porém discorre com certas reservas. O escritor sem filtros parece sempre um pouco deslocado, como se faltasse a intimidade necessária para se abrir por inteiro. Ainda assim, é impossível não sentir o magnetismo que o cercava. Sua </span><a href="https://bravo.abril.com.br/cinema-tv/como-luca-guadagnino-transpos-o-livro-queer-para-as-telas/"><span style="font-weight: 400;">homossexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> assumida, sua ironia afiada e sua presença poderosa fascinam o espectador.</span></p>
<figure id="attachment_36076" aria-describedby="caption-attachment-36076" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36076" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/nova2.jpg" alt="Cena do documentário Nova ’78. William S. Burroughs, de costas, é visto em silhueta, de chapéu e óculos, com as luzes do palco ao fundo criando um contraste entre sombra e brilho" width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36076" class="wp-caption-text">O longa faz parte da seção Foco Reino Unido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Pinball London)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que se desenrola nas imagens da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova Convention</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um retrato de artistas tentando entender um mundo à beira do colapso. Falava-se sobre preconceito, </span><a href="https://www.artforum.com/features/abstract-expressionism-weapon-of-the-cold-war-214234/"><span style="font-weight: 400;">liberdade criativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, tecnologia e política internacional com uma lucidez que impressiona. Enquanto alguns ironizavam a exploração espacial como símbolo do avanço humano quando a própria Terra continuava ruindo, havia aqueles que alertavam contra o fundamentalismo religioso, a perseguição a minorias e a censura moral. Essas pautas, todas alarmadas </span><a href="https://epoca.globo.com/vida/noticia/2014/02/william-burroughs-o-escritor-que-binventou-o-heavy-metalb.html"><span style="font-weight: 400;">por Burroughs</span></a><span style="font-weight: 400;">, permanecem desconfortavelmente atuais e, paradoxalmente, é esse mesmo anacronismo que enfraquece o impacto da produção. O que seria revolucionário em 1978 soa, em 2025, como um eco tardio de uma rebeldia já absorvida pela história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Brookner e Areias partem de um material monumental, tendo mais de quarenta horas de gravações </span><i><span style="font-weight: 400;">16mm</span></i><span style="font-weight: 400;">, entre bastidores e performances nas mãos. A </span><a href="https://www.sescsp.org.br/editorial/colecao-restaurados-o-resgate-da-memoria-na-restauracao-cinematografica/"><span style="font-weight: 400;">restauração</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessas imagens, feita entre 2012 e 2024, é um feito técnico, mas também afetivo, notável, para aqueles que conviveram com Burroughs. Entretanto, na tentativa de preservar o espírito da </span><a href="https://www.thecollector.com/hippie-counterculture-movement-1960s-1970s/"><span style="font-weight: 400;">época</span></a><span style="font-weight: 400;">, os diretores se prendem demais à forma bruta. A montagem é caótica e propositalmente livre, refletindo o improviso da própria convenção. Essa escolha, porém, acaba sacrificando a emoção em nome da fidelidade estética. A dupla optou por uma experiência mais arqueológica do que cinematográfica, em que o registro vale bem mais do que o gesto criativo.</span></p>
<figure id="attachment_36077" aria-describedby="caption-attachment-36077" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36077" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/nova3.jpg" alt="Cena do documentário Nova ’78. William S. Burroughs, um homem branco, idoso, de estatura média, sentado em uma cadeira no canto de um quarto simples e desorganizado, cercado por roupas, caixas e equipamentos." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36077" class="wp-caption-text">O documentário conta com sessões presenciais em São Paulo e online pelo SpcinePlay (Foto: Pinball London)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, há momentos em que </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova ’78</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra força na imperfeição. Quando </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/6-musicas-para-entender-carreira-de-patti-smith-madrinha-do-punk/"><span style="font-weight: 400;">Patti Smith</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge em cena ou </span><a href="https://jacobin.com.br/2021/04/quando-acabaremos-com-a-guerra-humana/"><span style="font-weight: 400;">Ginsberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> fala sobre sexualidade e política, há uma energia viva entoada nos gritos da platéia que parece rasgar o tempo. São fragmentos que lembram por que aquela geração acreditava tanto no poder transformador da arte. Ao mesmo tempo, é impossível não sentir uma certa melancolia, pois a esperança que havia em 1978, de um mundo mais livre, mais consciente e menos hipócrita, foi se diluindo no cinismo dos anos seguintes, refletindo hoje muitos dos mesmo problemas que os </span><a href="https://www.visualcapitalist.com/which-generation-influence-u-s-politics/"><i><span style="font-weight: 400;">Baby Boomers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> costumavam denunciar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A força simbólica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova ’78</span></i><span style="font-weight: 400;"> está justamente em revelar esse fracasso. O filme não oferece respostas, porque a ele nada foi perguntado, entretanto algumas questões surgem naturalmente ao final do </span><a href="https://mostra.org/filmes?tags=document%C3%A1rio"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“O que significa ser livre em um mundo que continua a punir a diferença?” </span></i><span style="font-weight: 400;">Com seu olhar tão sereno que chega a  transparecer descrença, Burroughs parece sugerir que a verdadeira revolução talvez nunca tenha acontecido. </span><a href="https://www.britannica.com/art/Beat-movement"><span style="font-weight: 400;">Sua própria vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, marcada por vícios, amores e exílios, é um testemunho de que liberdade e autodestruição caminham lado a lado.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Nova 78" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ThRFmwUsJc0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/nova78-critica/">Nova ’78 chega como eco distante do grito que um dia moveu William S. Burroughs</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/nova78-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">36074</post-id>	</item>
		<item>
		<title>50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Oct 2025 13:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[1975]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Álbum]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 70]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica de álbum]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Dragoneti]]></category>
		<category><![CDATA[Pink Floyd]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rock]]></category>
		<category><![CDATA[Roger Waters]]></category>
		<category><![CDATA[Syd Barrett]]></category>
		<category><![CDATA[Wish You Were Here]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=35872</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160; Eduardo Dragoneti Lançado em 12 de setembro de 1975, o álbum Wish You Were Here do Pink Floyd se tornou um marco, não só em sua discografia, mas na história do post-rock e da música conceitual. Surgido em um contexto de esgotamento criativo e crescente desilusão com a indústria fonográfica, o disco é, antes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/">50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_35873" aria-describedby="caption-attachment-35873" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35873 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1.jpg" alt="Capa do álbum Wish You Were Here do Pink Floyd. Na capa, ambientada no estacionamento dos estúdios da Warner Bros, um pátio de cimento com galpões bege nas laterais, dois homens de terno apertam as mãos enquanto um deles está em chamas." width="512" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1.jpg 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-35873" class="wp-caption-text">A capa, criada pela Hipgnosis, simboliza a sensação de ‘ser queimado’ nos negócios, refletindo a visão da banda sobre a indústria musical da época (Foto: Hipgnosis)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 12 de setembro de 1975, o álbum </span><a href="https://entreacordes.blog/2020/09/12/45-anos-de-wish-you-were-here-um-dos-maiores-discos-conceituais-de-todos-os-tempos"><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do Pink Floyd se tornou um marco, não só em sua discografia, mas na história do </span><i><span style="font-weight: 400;">post-rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e da música conceitual. Surgido em um contexto de esgotamento criativo e crescente desilusão com a indústria fonográfica, o disco é, antes de tudo, uma </span><a href="https://www.antena1.com.br/noticias/wish-you-were-here-a-triste-historia-que-rendeu-a"><span style="font-weight: 400;">homenagem profunda</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos integrantes da banda (David Gilmour, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason) ao ex-membro </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/por-que-syd-barrett-saiu-do-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">Syd Barrett</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1946-2006), cuja a ausência pairava sobre eles de forma incômoda após o artista sair do grupo.</span></p>
<p><span id="more-35872"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Barrett havia deixado o conjunto musical em abril de 1968, após episódios de instabilidade mental associados ao uso abusivo de LSDs e a um diagnóstico nunca confirmado de esquizofrenia. Apesar disso, sua influência e seu legado artístico ecoaram notavelmente nos trabalhos seguintes do </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_680/371767-pinkfloyd.html"><span style="font-weight: 400;">Pink Floyd</span></a><span style="font-weight: 400;">, seja no próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou em álbuns posteriores, como em </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/pink-floyd-lanca-animals-2018-remix-ainda-atual-disco-precisava-de-nova-versao-review"><i><span style="font-weight: 400;">Animals</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o aclamado </span><a href="https://pinkfloyd.com.br/another-brick-in-the-wall-a-musica-mais-famoso-do-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">The Wall</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já em </span><a href="https://www.collectorsroom.com.br/2019/08/review-pink-floyd-momentary-lapse-of.html"><i><span style="font-weight: 400;">A Momentary Lapse of Reason</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Sorrow</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">One Slip</span></i><span style="font-weight: 400;"> falam sobre a fragilidade da mente e a perda de alguém próximo, temas que os fãs relacionam à história do ex-vocalista e guitarrista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A faixa que abre e encerra o álbum, </span><a href="https://1023.clicrbs.com.br/blogda1023/2022/02/15/alem-da-letra-conheca-historia-da-musica-shine-crazy-diamond-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">Shine On You Crazy Diamond</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é uma suíte em nove partes composta por Waters, Wright e Gilmour, dedicada a Barrett – o “</span><i><span style="font-weight: 400;">diamante louco</span></i><span style="font-weight: 400;">” a quem o título faz referência. Os primeiros 13 minutos e meio do disco introduzem de forma lenta, instrumental e muito bem elaborada a </span><a href="https://www.letras.mus.br/blog/shine-on-you-crazy-diamond-historia"><span style="font-weight: 400;">dor da perda</span></a><span style="font-weight: 400;">, diferente da causada pela morte, mas a de saber que um alguém querido está em algum lugar, que não é mais tão perto quanto antes (física e afetivamente).</span></p>
<figure id="attachment_35874" aria-describedby="caption-attachment-35874" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35874" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-2.jpg" alt="Syd Barrett, caminha por uma calçada por um bairro de Londres em uma foto em preto e branco. Ele veste terno e camisa escura, olhando diretamente para a câmera com expressão séria e um cigarro na mão esquerda. Ao fundo, há carros antigos estacionados e uma mulher carregando sacolas." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-35874" class="wp-caption-text">Roger ‘Syd’ Barrett faleceu de câncer no pâncreas em 7 de julho de 2006 no Hospital Addenbrooke, em Cambridge. Ele não deixou esposa nem filhos (Foto: Mick Rock)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na mesma faixa, Waters escreve: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Você foi apanhado no fogo cruzado / Da infância e da fama / Soprado pela brisa de aço</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; – um retrato aguçado da trajetória de Barrett e de seu desaparecimento dentro de si mesmo. No encerramento da canção, o sintetizador de Wright emula as notas de </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_701/356414-pinkfloyd.html"><i><span style="font-weight: 400;">See Emily Play</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composição de Barrett que abre o primeiro disco da banda, </span><a href="https://www.rockinthehead.com/single-post/pink-floyd-resenha-do-%C3%A1lbum-the-piper-at-the-gates-of-dawn"><i><span style="font-weight: 400;">The Piper at the Gates of Dawn</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A escolha não foi à toa. Segundo os próprios integrantes do Pink Floyd, Emily é uma personagem que foi fruto de um sonho de Syd Barrett, possivelmente induzido por LSD. Ele dizia ter visto uma garota etérea brincando em um bosque, e que a imagem ficou em sua mente como uma pintura viva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mistura de fantasia e realidade, típica das composições de Syd nesse período, passou a ser vista como uma espécie de </span><a href="https://www.ecstaticintegration.org/p/the-rise-and-fall-of-the-acid-casualty"><span style="font-weight: 400;">prenúncio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu colapso. Décadas depois, muitos fãs e críticos enxergam a música como uma despedida simbólica de uma mente criativa que estava se afastando da realidade, justificando a escolha de Wright como uma espécie de ‘adeus’ não-verbal ao amigo.</span></p>
<figure id="attachment_35875" aria-describedby="caption-attachment-35875" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-3.png" alt=" Fotografia em preto e branco mostrando os integrantes do Pink Floyd na sacada de um prédio. Da direita para a esquerda: Nick Mason apoiado na grade, Roger Waters usando um casaco de pele, Syd Barrett em destaque com blusa branca e cabelo desgrenhado, e Richard Wright inclinado para frente, segurando a barra do corrimão. Entre eles há luzes decorativas penduradas e, ao fundo, parte de uma escada lateral externa" width="512" height="344" /><figcaption id="caption-attachment-35875" class="wp-caption-text">Roger Waters é creditado como compositor em mais de 90 músicas do Pink Floyd (cerca de 60 como autor principal e mais de 30 em créditos compartilhados) e foi o líder e principal letrista da banda por grande parte da sua carreira, especialmente após a saída de Syd Barrett (Foto: Baron Wolman)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A certeza da saudade se concretiza na canção homônima do álbum. </span><a href="https://pinkfloyd.com.br/a-musica-mais-famosa-do-pink-floyd-e-wish-you-were-here"><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> chega como um tiro no peito sem aviso prévio, como é de costume para canções do Pink Floyd. A faixa inicia com uma curta conversa gravada nos corredores do </span><a href="https://www.abbeyroad.com/news/the-dark-side-of-the-moon-studio-documents-3299"><i><span style="font-weight: 400;">Abbey Road Studios</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, interrompida rapidamente pelo famoso </span><i><span style="font-weight: 400;">riff </span></i><span style="font-weight: 400;">da música, impactando o ouvinte que nem tem tempo de compreender o diálogo. Ao fundo, um violão ‘falso’ soa abafado e distante, como se vindo de um rádio velho. Em seguida, o toque real de Gilmour entra em primeiro plano, limpo, criando um contraste sonoro que traduz exatamente o </span><a href="https://cafecomsociologia.com/analise-da-musica-wish-you-were-here-pink-floyd-ideologia/"><span style="font-weight: 400;">sentimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> da canção: estar ao lado e, ao mesmo tempo, distante de alguém. As risadas e respirações no início parecem espontâneas, quase casuais, até que a melodia se impõe de maneira íntegra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Roger Waters, compositor da música, </span><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> não fala apenas de Syd Barrett, mas de um sentimento mais amplo e existencial. Em suas palavras em entrevista ao documentário </span><a href="https://www.collectorsroom.com.br/2012/08/pink-floyd-critica-de-historia-de-wish.html#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Pink Floyd: The Story of “Wish You Were Here”</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2012): “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você consegue se libertar o suficiente para experimentar a realidade da vida e como ela acontece diante de você? Porque, se não conseguir, você vai continuar parado na estaca zero até morrer. É disso que essa música trata.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Já para David Gilmour: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Embora &#8216;Shine On&#8217; seja a que fala </span></i><a href="https://www.hfnews.com.br/news/entendendo-wish-you-were-here-um-dos-albuns-mais-controversos-do-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">especificamente sobre Syd</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, e Wish You Were Here tenha um escopo mais amplo… eu não consigo cantá-la sem pensar nele.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Assim, a canção torna-se um lamento que é pessoal e universal ao mesmo tempo, a ausência de alguém que está presente demais para ser esquecido.</span></p>
<figure id="attachment_35876" aria-describedby="caption-attachment-35876" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35876 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-4.png" alt="Foto preto e branca: Roger Waters debruça sobre a mesa de som do Abbey Road Studios vestindo um suéter e atrás dele um garoto, também vestindo um suéter, come um picolé enquanto observa o equipamento." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-35876" class="wp-caption-text">A banda demorou em torno de 6 meses,de janeiro a julho de 1975, para gravar todas as músicas do disco (Foto: Jill Furmanovsky)</figcaption></figure>
<p><a href="https://americansongwriter.com/the-meaning-behind-welcome-to-the-machine-by-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">Welcome to the Machine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://consequence.net/2020/10/the-story-behind-pink-floyd-have-a-cigar"><i><span style="font-weight: 400;">Have a Cigar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> formam o núcleo mais </span><a href="https://open.spotify.com/episode/6XrX5iAT9N8K2dCJLppvIK?si=9dde9c576168444f&amp;nd=1&amp;dlsi=b8802c23183b4f86"><span style="font-weight: 400;">ácido</span></a><span style="font-weight: 400;"> do disco, funcionando como uma espécie de dupla crítica ao universo da indústria fonográfica. Se a primeira traduz a engrenagem impessoal do sistema, a segunda dá rosto e voz aos executivos bajuladores que movem essa mesma </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_831/171296-pinkfloyd.html"><span style="font-weight: 400;">máquina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Juntas, as duas canções revelam o olhar desencantado do Pink Floyd diante de um mercado que transforma sonhos em mercadoria, e deixam claro que o sucesso também podia ser uma prisão – ideia que, inevitavelmente, remete àquilo que afastou Syd Barrett do grupo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Welcome to the Machine</span></i><span style="font-weight: 400;">, a banda constrói um diálogo entre a Máquina –metáfora para o capitalismo e o próprio mercado musical – e um </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/syd-barrett-o-lado-escuro-do-pink-floyd-9kg9efu40pijuafyahd36wksu"><span style="font-weight: 400;">jovem sonhador</span></a><span style="font-weight: 400;">, disposto a se entregar para alcançar reconhecimento. O suposto acolhimento é, na verdade, uma manipulação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Com o que você sonhou? / Tudo bem, nós te dissemos com o que sonhar / Você sonhou com uma grande estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O </span><a href="https://revistacontinente.com.br/edicoes/267/o-lado-brilhante-do-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">sistema</span></a><span style="font-weight: 400;"> não apenas dita as regras, mas também escolhe seus desejos. A voz de Gilmour, carregada de pesar ao cantar: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele tocava uma guitarra bestial / Ele comia sempre no bar / Ele adorava dirigir seu Jaguar / Então, bem-vindo à máquina</span></i><span style="font-weight: 400;">”, expõe o sonhador agora como um personagem do passado, alguém que foi engolido pela engrenagem que o consagrou. Inevitavelmente o trecho foi associado à trajetória de Barrett.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Have a Cigar</span></i><span style="font-weight: 400;">, a abstração dá lugar à caricatura de um executivo da indústria, ignorante e interesseiro, que os trata como produto e não como Arte. Com vocais de </span><a href="https://faroutmagazine.co.uk/lead-vocals-pink-floyd-song-have-a-cigar"><span style="font-weight: 400;">Roy Harper</span></a><span style="font-weight: 400;">, convidado para substituir Waters e Gilmour, insatisfeitos com suas próprias tentativas, a faixa carrega ironia do início ao fim. O </span><a href="https://mumblingabout.com/2019/07/16/oh-by-the-way-which-ones-pink"><span style="font-weight: 400;">famoso verso</span></a><span style="font-weight: 400;"> – “</span><i><span style="font-weight: 400;">A banda é fantástica, isso é o que eu realmente acho / Oh, por sinal, qual de vocês é o Pink?</span></i><span style="font-weight: 400;">” – expõe o desdém de quem só enxerga cifras e fama, sem nenhum interesse pelo grupo em si. A canção também é interpretada como uma exposição do preço que os integrantes pagaram para chegar a </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/a-pior-epoca-do-pink-floyd-segundo-david-gilmour"><span style="font-weight: 400;">ascensão astronômica</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem executivo é a materialização de um sucesso sem alma, justamente o que afastou o ex-membro.</span></p>
<figure id="attachment_35877" aria-describedby="caption-attachment-35877" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-5.jpg" alt="Foto polaroid: Syd Barrett, careca, obeso e sem sobrancelhas, vestindo uma camisa social branca e uma calça preta, posa de lado para a foto, encarando profundamente a câmera dentro do Abbey Road Studios." width="512" height="495" /><figcaption id="caption-attachment-35877" class="wp-caption-text">Os integrantes da banda demoraram em torno de 45 minutos para finalmente reconhecerem Syd Barrett, que, segundo Wright, ficou o tempo todo em silêncio e escovando constantemente os dentes no banheiro do estúdio (Foto: Nick Mason)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dos episódios mais </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/o-som-e-a-furia/o-dia-em-que-um-dos-maiores-grupos-de-rock-viu-um-fantasma-no-estudio"><span style="font-weight: 400;">marcantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história do Pink Floyd, Syd Barrett apareceu inesperadamente no </span><i><span style="font-weight: 400;">Abbey Road Studios </span></i><span style="font-weight: 400;">em 5 de junho de 1975, enquanto o grupo finalizava as gravações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shine On You Crazy Diamond (Pts. 6-9)</span></i><span style="font-weight: 400;">. Estava irreconhecível: obeso, com a cabeça raspada, sem sobrancelhas e o olhar distante. Seus antigos colegas demoraram a reconhecê-lo, e o encontro foi carregado de tristeza e </span><a href="https://www.portaltela.com/entretenimento/musica/2025/01/27/pink-floyd-e-a-surpreendente-aparicao-de-syd-barrett-durante-gravacao-historica"><span style="font-weight: 400;">simbolismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Waters e Gilmour, em especial, ficaram profundamente abalados, caindo em lágrimas ao verem o amigo por muito tempo perdido. Gilmour relata no documentário que: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Foi uma grande perda. E imaginar o que ele teria feito&#8230; especular sobre isso, se você preferir&#8230; Ele poderia ter se tornado tão grandioso</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém sabe onde você está / O quão perto ou o quão longe / Brilhe, seu diamante louco”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A certeza de que, independente de onde Syd Barrett estivesse, o Pink Floyd só queria que ele brilhasse loucamente, como fez enquanto esteve na </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/ultima-reuniao-do-pink-floyd-com-formacao-classica-foi-ha-20-anos-relembre/"><span style="font-weight: 400;">banda</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, o álbum finaliza voltando a melancolia da qual foi iniciado, a sensação de que o recado foi passado, mas com a incerteza de que chegará ao </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/flashback-ultima-entrevista-de-syd-barrett/"><span style="font-weight: 400;">destinatário</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencialmente um disco sobre ausência, seja a de Barrett, seja a de autenticidade no mercado musical ou seja a </span><a href="https://www.loudersound.com/features/how-wish-you-were-here-was-the-beginning-of-the-end-for-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">desconexão</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os próprios membros do grupo. É também uma carta de amor a um amigo perdido, um lamento musical que, meio século depois, ainda ecoa com intensidade. O álbum é um lembrete de que algumas presenças continuam a se fazer sentir, mesmo que estejam absolutamente perdidas.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Wish You Were Here" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/0bCAjiUamIFqKJsekOYuRw?si=oQQGRO-bQRSWId731Ki2tQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/">50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">35872</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
