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	<title>Arquivos Cinema Nacional &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Cinema Nacional &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Em Nada, Adriano Guimarães transforma o invisível em presença</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Aug 2025 13:00:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Com seu olhar intensamente sensorial, o experiente diretor de teatro brasiliense, Adriano Guimarães, estreia na ficção com Nada, um filme que aposta em pausas e silêncios de uma presença quase tátil. Distribuído pela Embaúba Filmes, o longa já passou por diversos festivais internacionais e foi premiado no Festival de Brasília nas categorias de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-nada-adriano-guimaraes-transforma-o-invisivel-em-presenca/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Nada, Adriano Guimarães transforma o invisível em presença"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35517" aria-describedby="caption-attachment-35517" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35517" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4-800x533.jpg" alt="Imagem do filme Nada. A cena é observada do exterior de uma casa, através de uma janela retangular dividida por duas colunas de madeira pintadas de azul vivo. No interior, três mulheres estão reunidas em torno de uma mesa coberta por uma toalha estampada com motivos florais vermelhos e verdes. Uma lâmpada incandescente pendurada no teto ilumina a cena. À esquerda, uma mulher com cabelos curtos e óculos veste um casaco vinho sobre uma blusa clara. Ao centro, de costas para o observador, outra mulher com cabelos castanhos curtos veste um suéter branco texturizado. À direita, uma terceira mulher com cabelos escuros presos veste uma camisa listrada em tons de rosa e branco e parece estar escrevendo ou lendo algo sobre a mesa. Sobre a mesa, notam-se objetos como copos, jarras e um recipiente com alimento." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35517" class="wp-caption-text">Silêncios, gestos mínimos e atmosferas carregadas constroem a narrativa subjetiva de Nada (Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><b></b><span style="font-weight: 400;">Com seu olhar intensamente sensorial, o experiente diretor de teatro brasiliense, Adriano Guimarães, estreia na ficção com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada</span></i><span style="font-weight: 400;">, um filme que aposta em pausas e silêncios de uma presença quase tátil. Distribuído pela </span><a href="https://www.jwave.com.br/2025/07/nada-de-adriano-guimaraes-ganha-pre-estreia-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Embaúba Filmes</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa já passou por diversos festivais internacionais e foi premiado no Festival de Brasília nas categorias de Melhor Direção, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição de Som. </span></p>
<p><span id="more-35513"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Propondo uma experiência contemplativa que rejeita narrativas tradicionais, a obra acompanha o reencontro entre duas irmãs após décadas afastadas, em uma fazenda onde o tempo parece suspenso e o real se dilui sob a presença da misteriosa Antena. Em vez de respostas, </span><a href="https://meioamargo.com/critica-nada-adriano-guimaraes-2024/"><span style="font-weight: 400;">Guimarães</span></a><span style="font-weight: 400;"> oferece sensações, e faz do estranhamento uma chave para acessar memórias, lutos e aquilo que nos escapa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado em referências literárias como Manoel de Barros e Samuel Beckett,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Nada</span></i><span style="font-weight: 400;"> se distancia da linearidade convencional para se entregar a uma incursão profunda na subjetividade das personagens. Com roteiro de Emanuel Aragão, o filme não busca fechar tramas ou explicar eventos, mas sim explorar as fragilidades emocionais e a poética do silêncio e do invisível. O </span><a href="https://geekpopnews.com.br/critica-nada/"><span style="font-weight: 400;">enredo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é menos um caminho com destino certo e mais uma travessia abstrata, onde a percepção e o tempo se dilatam, pedindo que o espectador contemple o que geralmente fica nas entrelinhas.</span></p>
<figure id="attachment_35516" aria-describedby="caption-attachment-35516" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35516" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-800x450.jpg" alt="Imagem do filme Nada. Uma mulher de meia-idade, com cabelos curtos e grisalhos, veste um vestido claro com pequenas estampas florais e está sentada na beirada de uma cama coberta por um tecido vermelho intenso. Suas mãos estão repousadas no colo e seu olhar é fixo. Ela está no centro de um quarto com paredes pintadas em um tom terroso avermelhado, iluminado por uma única lâmpada pendente no teto, criando sombras suaves. À sua esquerda, sobre uma pequena prateleira fixada na parede, há uma imagem sacra, um pequeno frasco e um objeto não identificável. À direita da cama, uma porta de madeira escura está parcialmente visível. A composição da cena é fortemente simétrica, com a mulher no ponto focal. Um elemento decorativo branco em formato floral adorna a parede acima da cabeceira da cama." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3.jpg 1344w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35516" class="wp-caption-text">A composição simétrica e os planos estáticos criam uma sensação de paralisia e confinamento (Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de arte é um dos pilares que sustentam sua atmosfera única. Ambientado em uma fazenda rural de Goiânia, o longa utiliza planos cuidadosamente compostos, muitas vezes simétricos e estáticos, que reforçam a impressão de tempo suspenso e confinamento emocional. A câmera permanece majoritariamente imóvel, funcionando como um observador distante, o que intensifica o </span><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/viva/cinema/misterio-e-memoria-se-entrelacam-em-longa-de-adriano-guimaraes/"><span style="font-weight: 400;">sentimento de paralisia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e estranhamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a câmera se move, geralmente em momentos de tensão ou incerteza, esse movimento causa alerta, rompendo a rigidez visual e mergulhando em um desconforto sutil. Em um plano-sequência memorável, a câmera assume o ponto de vista subjetivo de Ana, que sai à procura de sinal de celular, aproximando-nos ainda mais da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O design sonoro de Guile Martins é uma peça fundamental na construção do universo de </span><a href="https://www.pretessencias.com.br/cinema/primeiro-longa-metragem-de-adriano-guimaraes-nada-memorias-e-ausencias/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A ambientação, rica em sons naturais da fazenda – o vento, os insetos, os passos sobre a terra – cria uma textura que envolve o espectador. O silêncio, por sua vez, não é vazio, mas um elemento ativo da história, capaz de revelar o oculto e carregar um peso emocional. Nesse jogo entre som e quietude, o filme revela seu ritmo próprio, onde cada ruído mínimo ganha significado, transformando-se quase em um personagem essencial para sustentar o clima de suspense e inquietação.</span></p>
<figure id="attachment_35514" aria-describedby="caption-attachment-35514" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35514" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-800x450.jpg" alt="Imagem do filme Nada. Duas mulheres estão em um vasto campo arado, com terra de coloração avermelhada e pouca vegetação visível ao fundo. A mulher à esquerda, com cabelos curtos e óculos, veste uma blusa azul clara e uma saia cinza, e está sentada em um pequeno banco de madeira escura, olhando para a mulher à sua frente. A mulher à direita, com cabelos curtos castanhos e vestindo uma camiseta cinza escura, calças jeans azuis e botas marrons, está sentada em outro banco de madeira, posicionada atrás de uma câmera profissional montada em um tripé preto. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35514" class="wp-caption-text">Ana e Tereza, duas irmãs separadas pelo tempo, reencontram-se em um espaço carregado de silêncio e passado (Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro da narrativa está o reencontro delicado entre as irmãs Ana (</span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-806600/biografia/"><span style="font-weight: 400;">Bel Kowarick</span></a><span style="font-weight: 400;">), artista plástica que vive na cidade, e Tereza (</span><a href="https://www.panoramafestival.com/denise-stutz-so/"><span style="font-weight: 400;">Denise Stutz</span></a><span style="font-weight: 400;">), que permanece na fazenda da infância, marcada por uma doença e estados alterados de consciência. Décadas de afastamento moldaram uma relação feita de silêncios, gestos truncados e uma comunicação marcada pela ausência de palavras explícitas. Essa conexão distante, mas profundamente enraizada, é revelada com sutileza, evitando explicações óbvias e nos convidando a sentir as tensões imateriais que permeiam seu vínculo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O contraste entre o que foi vivido e o que permanece não dito cria um espaço para a fragilidade e o mistério que permeiam esse vínculo. A decisão de Ana de documentar os eventos estranhos por meio de entrevistas gravadas adiciona uma camada metalinguística e reflexiva, tensionando as fronteiras entre o real, o ficcional e o subjetivo.</span></p>
<figure id="attachment_35515" aria-describedby="caption-attachment-35515" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35515" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-800x450.jpg" alt="Imagem do filme Nada. Em um interior de paredes brancas e rústicas, com vigas de madeira escura aparentes no teto, uma mulher de cabelos curtos e escuros está sentada à mesa. Ela veste uma blusa magenta e parece estar comendo em uma tigela branca. Ao seu lado, à esquerda, um grande cachorro preto está com a cabeça abaixada dentro de outra tigela, também comendo. A luz ambiente é fraca, proveniente de uma lâmpada incandescente pendurada no teto. A mesa, coberta por uma toalha clara com uma estampa discreta, contém outros objetos como um pano branco, um copo e um pote. Ao fundo, parcialmente visível, há uma pintura emoldurada pendurada na parede e uma porta de madeira escura." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35515" class="wp-caption-text">O cenário rural reforça o estranhamento e a atmosfera suspensa do filme (Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A presença enigmática da Antena, instalada pelo governo e sem uma explicação clara, é o núcleo simbólico que permeia </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ela atua como uma força intangível que distorce a realidade e afeta os moradores da região de formas diferentes e inexplicáveis. A Antena se torna metáfora para o imaterial – algo que não se vê, mas se sente, como diz um personagem morador das redondezas: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não vê o vento, mas o vento existe. A gente está falando de energia. Tudo é energia</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Essa reflexão sobre o invisível eleva a produção a uma esfera quase metafísica, onde o mistério e a tensão psicológica se entrelaçam, lembrando o clima de paranoia e desestabilização presente em </span><a href="https://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mother!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa de Adriano Guimarães é um convite a escutar os silêncios, perceber o desconhecido e aceitar que nem tudo precisa ser explicado para existir. Repleto de pausas, ruídos mínimos e emoções suspensas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada </span></i><span style="font-weight: 400;">exige entrega e paciência – e oferece como recompensa uma reflexão sobre memória, ausência e o tempo que escapa. É uma obra que transforma o vazio em presença e a ausência em conexão, revelando que, às vezes, aquilo que parece faltar é justamente o que nos une.</span></p>
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		<title>Performático, Corpo Presente é movimento</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Nov 2024 17:36:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Pele, ossos, órgãos, sangue e história. São esses cinco elementos que compõem a unidade de um corpo. Matéria física, esse conjunto ganha diversas traduções paradoxais no nosso dia a dia, sendo conhecido como ‘casa da alma’, ‘templo da mente’ e múltiplas variações que, nas entrelinhas, resumem um corpo como o espaço palpável que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/corpo-presente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Performático, Corpo Presente é movimento"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34492" aria-describedby="caption-attachment-34492" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34492" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-4-800x450.jpeg" alt="Cena do filme Corpo Presente. Na imagem, um grupo de cinco pessoas aparece enfileirado. No centro tem três mulheres e dois homens nas extremidades. As pessoas vestem roupas manufaturadas nas cores marrom e off white. Tudo é bem natural e duas das mulheres seguram tochas nas mãos. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-4-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-4-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-4-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-4-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-4-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-4.jpeg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34492" class="wp-caption-text">Estreia do dia 28 de Novembro de 2024 no circuito de cinemas do país, Corpo Presente investiga a matéria (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pele, ossos, órgãos, sangue e história. São esses cinco elementos que compõem a unidade de um corpo. Matéria física, esse conjunto ganha diversas traduções paradoxais no nosso dia a dia, sendo conhecido como</span> <span style="font-weight: 400;">‘casa da alma’,</span> <span style="font-weight: 400;">‘templo da mente’ e múltiplas variações que, nas entrelinhas, resumem um corpo como o espaço palpável que abriga o intocável mundo das ideias, como diria Platão. Mas, longe de definições rasas: </span><i><span style="font-weight: 400;">“O que pode um corpo?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em cenas dinâmicas, </span><a href="https://embaubafilmes.com.br/distribuicao/corpo-presente/"><i><span style="font-weight: 400;">Corpo Presente</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> responde.</span></p>
<p><span id="more-34491"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme, que estreou em Novembro de 2024 nos cinemas brasileiros, é uma produção dirigida por <a href="https://www.instagram.com/mtccultura/reel/C7tmmGqu8lP/">Leonardo Barcelos</a>. Com a proposta de explorar a corporeidade em suas possibilidades, a obra mistura relatos reais à cenas diversas, criadas a partir da ficcionalidade ou execução de performances artísticas com uma pluralidade de etnias, gêneros e formatos do corpo humano. </span></p>
<figure id="attachment_34494" aria-describedby="caption-attachment-34494" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34494" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-3-800x450.jpeg" alt="Cena do Filme Corpo Presente. Na imagem, uma mulher branca de cabelos negros está pendurada horizontalmente em um galho de árvore. A imagem está rotacionada e ela parece desafiar a gravidade com os pedaços do vestido branco voando para cima. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-3-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-3-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-3-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-3-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-3-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-3.jpeg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34494" class="wp-caption-text">A experiência subjetiva da protagonista cria uma nova cadeia de subjetividade no público que contempla a obra (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha visual explora a corporeidade em </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> diversos com um tom experimental em que as cenas se assemelham aos efeitos comuns de obras vinculadas ao videoartivismo. Alguns momentos são quase psicodélicos, com um jogo de câmera que incentiva isso de maneira persistente.  A Fotografia, assinada por <a href="https://vagnerjabour.wixsite.com/portifolio">Vagner Jabour</a>, traz planos que se movem criando redes de espirais, com movimentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">travelling</span></i><span style="font-weight: 400;"> – em que a câmera e o corpo se movem em cena –, estáticos e</span><i><span style="font-weight: 400;"> tilt </span></i><span style="font-weight: 400;">– com a câmera explorando uma expansão vertical dos planos. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto interessante se refere a montagem do longa-metragem – também atribuída a Barcellos –, que retoma cenários recorrentemente, com certa evolução dos acontecimentos, a exemplo da cena em que mulher encara um espelho e depois reaparece tocando forma e reflexo. Essa decisão causa a sensação de progressão; a ideia de que, com o avanço dos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;">, essas personas sem nome vão ganhando mais intimidade e estreitando os laços com o conceito de <a href="https://www2.ufjf.br/faefid//files/2010/08/TCC-L%C3%ADvia-Neves-CORPOREIDADE-UMA-FILOSOFIA-DE-ATUA%C3%87%C3%83O-NA-EDUCA%C3%87%C3%83O-F%C3%8DSICA.pdf">corporeidade</a>. </span></p>
<figure id="attachment_34493" aria-describedby="caption-attachment-34493" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34493 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-5-800x450.jpg" alt="Cena do filme Corpo Presente. Na imagem, uma cadeira aparece abandonada na areia da praia, em um lugar que recebe as ondas da praia. O céu e o mar têm um tom de azul cristalino." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-5-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-5.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34493" class="wp-caption-text">Carregadas de delicadeza e muito detalhamento, cada cena de Corpo Presente relembra aspectos das Artes Visuais (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se fala em narrativa, fica subentendido um discurso sobre gênero, considerando que grande parte das cenas são guiadas por uma protagonista e a maior parte da narração também se dá na voz dela. Considerado o corpo mais subjugado de uma sociedade – junto de pessoas transgênero – essa figura violentada, calada e sufocada é representada por metáforas com o corpo amarrado, soterrado, atingido e até mesmo ‘desmontando’ em torno de uma agressão milenar; herança de gerações longínquas. Outras minorias, como as pessoas negras, indígenas e <a href="https://personaunesp.com.br/tag/lgbtqiapn/">LGBTQIA+</a> também aparecem nesse molde de certo sufocamento, em reflexo à maneira com a qual o mundo as encara. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda, há uma proposta voltada a comparação do corpo com o elemento <a href="https://www.a12.com/redacaoa12/mundo/a-natureza-em-nos-1">natureza</a>. Terra, fogo, ar e água envolvem todo o enredo e vão criando pontes que contrapõem os detalhes, como as veias e o floema das árvores. Essa relação promove a ideia de sistema compartilhado, em que nenhum corpo está isento de histórias bilaterais, afinal, toda a matéria se interliga.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_34495" aria-describedby="caption-attachment-34495" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34495" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-2-800x450.jpeg" alt="Cena do filme Corpo Presente. Na imagem, uma mulher negra segura o colo de um manequim branco em frente ao seu próprio. O fundo é completamente preto e não há luzes visíveis. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-2-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-2-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-2.jpeg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34495" class="wp-caption-text">Corpo Presente faz parte de uma trilogia de Leonardo Barcellos, chamada Trilogia do Corpo (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja ao explorar o corpo enquanto uma forma natural e, necessariamente, <a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/cinema/foco-o-efeito-naturalista-e-o-naturalismo-ao-gosto-do-dia/">naturalista</a>, expondo processos como o parto ou o sexo de maneira selvagem e, juntamente, poética, ou na escolha de expandir detalhes invisíveis a olho nu, como a formatação celular, </span><i><span style="font-weight: 400;">Corpo Presente</span></i><span style="font-weight: 400;"> é disruptivo. Esse ponto cumpre um propósito comum às obras subversivas: colocar o telespectador para pensar. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A forma escolhida pode desagradar quem procura um roteiro linear ou, até mesmo, um enredo inclinado à contação de estórias. O propósito aqui é outro. Em linhas gerais, a produção filmográfica pode ser resumida como uma viagem simbólica em cinesia sobre o que nos permite ter conexão com o planeta Terra e suas perspectivas complexas, capazes de tão mais do que o que está à altura dos olhos. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A Procura de Martina busca a memória coletiva</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Nov 2024 16:06:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Desde seu surgimento, a humanidade tenta se fazer eterna de alguma maneira. De registros em paredes de cavernas a imagens perfeitamente impressas em papel filme, o objetivo é tentar manter um dos bens imateriais mais importantes vivo: a memória. No longa-metragem A Procura de Martina, exibido na seção Mostra Brasil da 48ª Mostra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-procura-de-martina-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Procura de Martina busca a memória coletiva"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34449" aria-describedby="caption-attachment-34449" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34449" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-procura-de-martina-1.jpg" alt=" Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem, está Martina, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos. Ela tem mais de 60 anos e aparenta marcas de expressão no canto dos olhos e no entorno da boca. Usa um óculos dourado com um cordão também dourado e veste um casaco de frio bege de lona sintética. Ela está em frente a uma foto em preto e branco. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34449" class="wp-caption-text">Pertencente à seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Procura de Martina faz um manifesto (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b><b><br />
</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">Desde seu surgimento, a humanidade tenta se fazer eterna de alguma maneira. De registros em paredes de cavernas a imagens perfeitamente impressas em papel filme, o objetivo é tentar manter um dos bens imateriais mais importantes vivo: a memória. No longa-metragem</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Procura de Martina</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibido na seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo,</span></a><span style="font-weight: 400;"> isso é amplificado com uma viagem particular pela lembrança que se universaliza para milhares de outras pessoas.</span></p>
<p><span id="more-34445"></span><span style="font-weight: 400;">Protagonizado por Martina (Mercedes Morán), o filme conta a história da viúva que carrega uma cicatriz traumática: a perda de uma filha durante a </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/ditadura-na-argentina/"><span style="font-weight: 400;">Ditadura Argentina</span></a><span style="font-weight: 400;">. A jovem militante foi assassinada, mas antes, teve um filho dentro de um cativeiro. O bebê foi levado pelos militares e criado em uma das famílias, perdendo qualquer chance de laço afetivo com a família biológica. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Com esse fio solto desatando as pontas de sua história, a personagem viveu uma vida de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanhados pelo desejo de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/especiais/maes-da-praca-de-maio-na-argentina-42-anos-de-maternidade-politica"><span style="font-weight: 400;">encontrar o neto</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, a narrativa caminha como a vida, em linhas tortas, e a mulher só recebe notícias do possível paradeiro do familiar quando trava uma luta interna com sua própria identidade ao receber um diagnóstico de Alzheimer. Apostando na última chance, Martina parte para o Brasil para tentar materializar o encontro.</span></p>
<figure id="attachment_34448" aria-describedby="caption-attachment-34448" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34448" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-procura-de-martina-2.jpg" alt="Cena do filme A procura de Martina. Na imagem está a mãe adotiva do neto de Martina. Ela é uma mulher com mais de cinquenta anos, de pele branca e marcas de expressão no rosto. Ela está com uma touca e um avental de cozinheira em frente a uma parede cor de rosa pálido." width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34448" class="wp-caption-text">Antes da Mostra, o filme foi apresentado no Festival do Rio (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Colaboração entre Brasil e Uruguai, a obra assinada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_tn80vgkTPg"><span style="font-weight: 400;">Márcia Faria </span></a><span style="font-weight: 400;">é sensível ao nível máximo, com diversos momentos contemplativos em que a escolha são imagens que expressam mais elementos que as próprias falas emitidas pelo elenco. Ao encarar o Rio de Janeiro com seus próprios olhos, Martina exala esperança ao mesmo tempo em que o temor se faz palpável. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A falta de diálogos deixa uma sensação mista. Em partes, o telespectador sente um certo buraco, com a falta de contexto sobre o momento temporal, história e retratos escolhidos pela narrativa. De outro ponto de vista, isso cria uma sensação de reconhecimento quanto aos relatos, afinal, o cenário de viver uma ditadura com repressão, assassinatos e movimentação social, infelizmente, não é exclusividade de um país da </span><a href="https://www.politize.com.br/operacao-condor/"><span style="font-weight: 400;">América Latina</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio disso, o Alzheimer se insere de forma pontual no roteiro de Gabriela Amaral Almeida e Márcia Faria. A doença degenerativa é tratada com delicadeza e um visível estudo acerca dos comportamentos que rodeiam pessoas afetadas por ela. Em um enredo tão focado no resgate como é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mlZKmh20CMc"><i><span style="font-weight: 400;">A Procura de Martina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, fica impossível não ser tomado pela angústia que envolve a fragilidade da lembrança; o quanto, por mais tentativas que tenham, é impossível assegurar a integridade do testemunho. </span></p>
<figure id="attachment_34446" aria-describedby="caption-attachment-34446" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34446" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/aprocur_f01cor_2024113107.jpg" alt="Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem, está Martina, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos. Ela tem mais de 60 anos e aparenta marcas de expressão no canto dos olhos e no entorno da boca. Usa um óculos dourado com um cordão também dourado e veste um vestido azul com gola detalhada em branco. Ela está olhando de perfil para o horizonte. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34446" class="wp-caption-text">Martina é uma das “Avós da Praça de Maio”, uma instituição que busca encontrar crianças sequestradas na Ditadura Argentina (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa situação quase irônica acompanha a totalidade da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MzTinmUBNNs"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, muitas vezes, se calça em contrapontos. Extremos que se complementam tomam posse da sequência de acontecimentos, à exemplo de: juventude e velhice; presente e passado; esperança e desilusão… Efeitos tão inerentes à existência que, quando colocados em tela, expõem uma estranheza rotineira. Assim, frequentemente, a obra causa a sensação de algo já visto antes; parece não haver tanta novidade.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se isso pudesse ser lido como uma crítica. Pelo menos não uma direcionada ao produto cinematográfico. A realidade é única: catástrofes, vidas perdidas, rivalidade sem humanidade e tudo mais que define uma ditadura se normalizaram no que é chamado sociedade contemporânea. Tal denúncia acaba presente nas entrelinhas desta e de </span><a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/"><span style="font-weight: 400;">outras produções</span></a><span style="font-weight: 400;"> que trazem o tema à tona. </span><span style="font-weight: 400;"></p>
<p></span></p>
<figure id="attachment_34447" aria-describedby="caption-attachment-34447" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34447" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/aprocur_f04cor_2024113107.jpg" alt="Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem estão Matina e sua amiga. As duas são mulheres com mais de 60 anos, brancas e com cabelos castanhos. Elas estão na piscina com toucas de natação fazendo hidroginástica. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34447" class="wp-caption-text">As ditaduras foram um fenômeno que se espalhou por diversos países da América Latina, deixando milhares de vítimas por todo o continente (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cabe desmembrar elogios a dois aspectos da obra: atuação e cinematografia. Com Morán em primeiro plano, uma extensão de emoções, fisionomia e gestos estampam a tela de uma maneira extremamente singular. A atriz emociona no silêncio e faz qualquer</span><i><span style="font-weight: 400;"> frame</span></i><span style="font-weight: 400;"> valer a pena. As companheiras de cenas, Adriana Aizemberg e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><span style="font-weight: 400;">Carla Ribas</span></a><span style="font-weight: 400;">, também exalam momentos marcantes, seja com a comicidade de uma ou com a dramaticidade da outra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na Fotografia, coordenada por </span><a href="https://abcine.org.br/socios/leo-bittencourt/"><span style="font-weight: 400;">Léo Bittencourt,</span></a><span style="font-weight: 400;"> as cenas são leves e trazem um jogo de luz muito interessante para representar aspectos mais emocionais da produção. Os planos focados nas feições valorizam o ponto subjetivo e o caráter humano do longa, estabelecendo uma conexão entre personagens e público. Além disso, algo na captação torna o registro atemporal, como se pudesse ser descrito como passado, presente e futuro. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ao final, sobram questionamentos sobre como um filme tão familiar rememora uma ferida de décadas. Cabe questionar a nós mesmos enquanto pessoas em que momento uma dor tão imensurável se tornou parte do simples cotidiano, capaz de se camuflar no dia a dia. Em meio a fragmentos de uma vida que representa muitas, </span><a href="https://48.mostra.org/filmes/48a-a-procura-de-martina"><i><span style="font-weight: 400;">A Procura de Martina</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é uma jornada solo.  </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
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		<title>O Palhaço de Cara Limpa é ‘faz-me rir’ para quem nunca perde</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Nov 2024 18:46:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Estamos em Agosto de 2016. Depois de tanto pegar fogo, as grandes capitais percebem que lutar pela diminuição da tarifa dos circulares deu certo e decidem se engajar politicamente em outros espaços. O movimento amplificado em milhares de vezes chegou ao Congresso Nacional e a atual presidente, Dilma Rousseff, perde seu cargo por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-palhaco-de-cara-limpa-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Palhaço de Cara Limpa é ‘faz-me rir’ para quem nunca perde"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34382" aria-describedby="caption-attachment-34382" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-800x296.jpg" alt="Cena de O Palhaço de cara limpa. Na imagem, um homem pardo aparece olhando para o céu. Ele veste camiseta vermelha e está no meio de uma manifestação que acontece a noite entre diversas pessoas. Sua feição é triste e tem lágrimas no canto do olho. " width="800" height="296" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-800x296.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-1200x443.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34382" class="wp-caption-text">Retratando os reflexos das crises políticas na sociedade, O Palhaço de Cara Limpa fez parte da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na seção Mostra Brasil (Foto: Lira Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Jamily Rigonatto</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos em Agosto de 2016. Depois de tanto </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2016/01/manifestantes-protestam-contra-aumento-das-passagens-de-onibus.html"><span style="font-weight: 400;">pegar fogo,</span></a><span style="font-weight: 400;"> as grandes capitais percebem que lutar pela diminuição da tarifa dos circulares deu certo e decidem se engajar politicamente em outros espaços. O movimento amplificado em milhares de vezes chegou ao Congresso Nacional e a atual presidente, Dilma Rousseff, perde seu cargo por meio de um </span><i><span style="font-weight: 400;">Impeachment</span></i><span style="font-weight: 400;"> feito às pressas e com consideráveis buracos constitucionais. O momento parece estranho, pessoas comemoram ativamente nas ruas e outras se preocupam. Estas, previam um futuro que sacrificaria muitos e, entre Arte e cotidiano, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço da Cara Limpa </span></i><span style="font-weight: 400;">remonta uma partícula de pólvora dessa explosão catastrófica. </span></p>
<p><span id="more-34381"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa-metragem ficcional fez parte da seção Mostra Brasil na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e é assinado pelo diretor </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://camilocavalcante.art/sobre/">Camilo Cavalcante</a></span><span style="font-weight: 400;">. Protagonizada por um ator em decadência e em crise conjugal Flávio (Flávio Renovatto) – que também assina o roteiro junto do diretor e de Caio Zatti –, a produção explora a incerteza trepidante de viver de algo que perde valorização a cada dia e em um país que estimula ideais mais conservadores, capitalistas e, sinceramente, lunáticos – à exemplo do “</span><i><span style="font-weight: 400;">Kit Gay</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que também ganhou seus minutos de tela. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Em uma cena semelhante a uma vídeoarte, estímulos visuais remontam uma atmosfera carregada usando vídeos populares durante a pré-campanha e o governo de Jair Bolsonaro. Juntas, as cenas são um sonho, um lembrete e um reflexo inconsciente que se insere como uma cicatriz. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto interessante de </span><a href="https://48.mostra.org/filmes/48a-o-palhaco-de-cara-limpa"><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço de Cara Limpa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é explorar essa simplicidade do rotineiro para criar momentos de proximidade. Assim, nos sentimos vivendo exatamente no mesmo ciclo temporal que os personagens e compartilhando todas as sensações com uma vivacidade extremamente sincera. Ver a relação doce entre a mãe e o protagonista é um afago, assim como encarar o compilado de Jair Bolsonaro e suas falas causa nervoso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa capacidade de identificação é tão bem feita que, depois de rir, se entreter e ter raiva, o sentimento que sobra no final é um grande… vazio. Não que esse vazio seja simplesmente despropositado ou o resultado de uma narrativa sem corpo, pelo contrário, é uma afirmação de que o filme cumpriu seu propósito: tocar na ferida. Assistir do telão de um cinema os movimentos que colocaram tantos em vulnerabilidade causa certa angústia; nos lembra da <a href="https://www.cofen.gov.br/brasil-enfrenta-uma-segunda-pandemia-agora-na-saude-mental/">parte que falta</a>.</span></p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DBy3rK3M33o/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
<div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/DBy3rK3M33o/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> </p>
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<p></a></p>
<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/DBy3rK3M33o/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by Aurora Cinema (@auroracinemanovo)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado em Recife, o longa-metragem explora uma certa poluição de tela para espelhar a experiência individual no contexto coletivo. Espaços repletos de pessoas, objetos ou até lixo, como é o caso do cômodo em que <a href="https://www.instagram.com/flaviorenovatto/">Flávio</a> ensaiava seu projeto cenográfico, aparecem com frequência na tela. Essa imagem replicada causa uma ansiedade que se distribui conforme a progressão dos acontecimentos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das estratégias da montagem – também assinada por <a href="https://www.mapacultural.pe.gov.br/agente/3688/">Caio Zatti</a> – é usar gravações e recortes da época dos acontecimentos para ilustrar a crise política estabelecida. Em uma pequena televisão de tubo, cenas da votação do <i>Impeachment</i> se inserem. Apesar de cumprirem seu papel na localização temporal do longa, são em partes cansativas, já que alguns trechos se estendem por bons minutos. </span></p>
<figure id="attachment_34383" aria-describedby="caption-attachment-34383" style="width: 276px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-34383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/images-12.jpg" alt="Poster do filme O Palhaço de Cara Limpa. Na imagem há um homem com nariz vermelho de palhaço e chapéu preto. A imagem é borrada e tem fundo preto. " width="276" height="345" /><figcaption id="caption-attachment-34383" class="wp-caption-text">Posicionado politicamente, O Palhaço de Cara Limpa não agrada quem está a direita (Foto: Lira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez pela sensação contraditória, esses</span><i><span style="font-weight: 400;"> takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> retomem a tal ansiedade ao assistir o filme. Ao mesmo tempo em que há movimento nas cenas, elas parecem muito monótonas, um quase ciclo que vai se expandindo e consumindo grande parte do enredo. As quebras ocorrem por meio dos monólogos do protagonista, que, por vezes, inserem um tom mais cômico que alivia o peso causado pelo contexto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos mais altos da narrativa é o uso da Música como ponte entre os cenários e momentos. Com letras inteiras em evidência, os sentimentos não expressos do protagonista aparecem nos tons melodiosos escolhidos por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/moabefilho/">Moabe Filho</a> e Lucas Ramalho</span><span style="font-weight: 400;">. A </span><i><span style="font-weight: 400;">soundtrack </span></i><span style="font-weight: 400;">se torna parte indispensável de uma produção que parece ter pouco investimento em cenografia, mas preenche as lacunas com elementos não palpáveis. </span></p>
<blockquote><p>Flávio Renovatto atua em uma formato de quase monólogo em quase todo o longa-metragem. Parecendo ter um universo particular até quando interage com terceiros.</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os discursos solitários de Fábio são companhia para o silêncio que sobra na alma no fim da exibição. Com a solidez desesperadora que a parte mais ligada ao contemporâneo da narrativa dimensiona na tela, a pontada no peito e a boca seca se instalam de forma quase compulsória nos telespectadores, que performam certa solidariedade e empatia com os outros indivíduos que partilham aquele momento.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agregando mais um ponto positivo para o cenário nacional, o longa-metragem é o tipo de produção que relembra alguns fantasmas que não morreram, só se esconderam no subconsciente. Ao fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço de Cara Limpa</span></i><span style="font-weight: 400;"> parodia a vida com uma franqueza assustadora. Entre crise, riso, sarcasmo, medo, desigualdade, rivalidade partidária e muito mais do que constitui a política brasileira, sobra pano na manga para saber que os palhaços da vida real vêm todos com caras limpas, ternos caros e grandes <a href="https://www.brasildefatomg.com.br/2021/07/30/bolsonaro-nao-e-um-palhaco-e-um-monstro">campanhas eleitorais</a>. </span></p>
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		<title>Persona Entrevista: Davi Pretto, Olívia Torres e Paola Wink</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Nov 2024 17:55:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com o lançamento de Continente, equipe e elenco falam sobre Cinema de gênero, linguagem e Terror  Davi Marcelgo As terras gaúchas se transformaram em palco para sangue e suor no Halloween de 2024 com Continente, terceiro longa-metragem de Davi Pretto, vencedor do prêmio de Melhor Direção na Competição Novos Rumos do Festival do Rio 2024. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/persona-entrevista-davi-pretto-olivia-torres-e-paola-wink/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Davi Pretto, Olívia Torres e Paola Wink"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">Com o lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente</span></i><span style="font-weight: 400;">, equipe e elenco falam sobre Cinema de gênero, linguagem e Terror </span></p>
<figure id="attachment_34312" aria-describedby="caption-attachment-34312" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34312" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/capa_site-1-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/capa_site-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/capa_site-1-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/capa_site-1.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34312" class="wp-caption-text">O filme cutuca cicatrizes do Brasil colonial (Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As terras gaúchas se transformaram em palco para sangue e suor no </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween </span></i><span style="font-weight: 400;">de 2024 com </span><a href="https://personaunesp.com.br/continente-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Continente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, terceiro longa-metragem de Davi Pretto, vencedor do prêmio de Melhor Direção na Competição Novos Rumos do </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2024/10/13/festival-do-rio-2024-conheca-os-vencedores-da-mostra-de-cinema.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio 2024</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme confronta as raízes do Brasil colonial com toques de vampirismo e com as influências de </span><a href="https://personaunesp.com.br/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol-critica/"><span style="font-weight: 400;">Glauber Rocha</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Jacques Tourneur no DNA, este por quem Pretto diz ter uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">grande fixação, principalmente [por] </span></i><a href="https://www.planocritico.com/critica-sangue-de-pantera-1942/"><i><span style="font-weight: 400;">Cat People</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e I Walked with a Zombie, que são dois filmes que eu acho absolutamente geniais</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span id="more-34295"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre garotas possuídas e assassinos mascarados, muitos elementos já foram usados para provocar arrepios na espinha de quem ousa sentar na poltrona dos cinemas. O roteiro assinado por Davi Pretto, </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/o-pai-o-2-lazaro-ramos-entrevista"><span style="font-weight: 400;">Igor Verde</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Paola Wink faz da linguagem e da violência seus alicerces do terror que geram relações de poder semelhantes a realidade brasileira, ele comenta que “<i>De alguma forma, esse sistema que opera dentro desse vilarejo, espera que essas pessoas ocupem certos espaços já designados e isso não tá muito diferente da nossa vida, do país que a gente vive, são abismos muito violentos</i></span><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, após morar 15 anos fora do Brasil, Amanda (Olívia Torres) retorna ao sul do país ao lado de seu namorado Martin (Corentin Fila). Ao chegar no local onde passou a infância, ela vai descobrir segredos obscuros sobre sua família e os moradores. O filme é uma coprodução entre Brasil, França e Argentina, apoiado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Berlinale World Cinema Fund</span></i><span style="font-weight: 400;">, iniciativa da </span><i><span style="font-weight: 400;">German Federal Cultural Foundation</span></i><span style="font-weight: 400;">, em parceria com o Festival de Berlim. Atravessando fronteiras, Davi Pretto, Paola Wink e Olívia Torres se reúnem para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">Persona Entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que comentam sobre o mercado audiovisual e o processo criativo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34296" aria-describedby="caption-attachment-34296" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34296" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/continente-1.png" alt="Cena do filme ContinenteNa imagem, está o rosto de Amanda bem próximo, ela está olhando para cima com a boca aberta, expressando desejo. A região da boca e do nariz estão cobertos de sangue. Amanda é uma mulher na faixa dos 30 anos, de pele clara e cabelos escuros. " width="770" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/continente-1.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/continente-1-768x433.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34296" class="wp-caption-text">O filme teve duas exibições na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Vulcana Cinema)</figcaption></figure>
<p><b>Quais foram as suas influências para fazer </b><b><i>Continente</i></b><b>? Enquanto assistia, percebi inspirações em </b><b><i>Midsommar</i></b><b> e em </b><b><i>Bacurau</i></b><b> do Kleber Mendonça. Como você transformou essas histórias influentes em uma identidade que é muito próxima da brasileira? </b></p>
<p><b>Davi Pretto: </b><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou um cara muito cinéfilo, vejo muito filme e vejo muito filme diferente, então, quando eu faço filmes, esses filmes [que assisto] não são meras ferramentas que estão ali para pegar um ‘pouquinho’ disso, um ‘pouquinho’ daquilo, eles fazem parte do nosso DNA, eles começam a fazer parte de quem a gente é e eles nos habitam inconscientemente. O filme [Continente] deve muito a muita gente. Desde o </span></i><a href="https://outraspalavras.net/poeticas/carl-dreyer-e-a-metafisica-da-luz/"><i><span style="font-weight: 400;">Dreyer</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> aos filmes do Val</span></i><i><span style="font-weight: 400;"> Lewton</span></i><i><span style="font-weight: 400;"> nos anos 1940 que ele produziu, muitos deles do Jacques</span></i><i><span style="font-weight: 400;"> Tourneur</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Passa por muitos outros [diretores], Cronenberg, Carpenter e Leos Carax, e obviamente, muito do </span></i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2024/05/ismail-xavier-explica-revolucao-do-cinema-novo-60-anos-depois.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema Novo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, né? </span></i><i><span style="font-weight: 400;">Eu acho que não poderia deixar de fazer um filme no interior sem pensar em filmes do Glauber Rocha, né? </span></i><i><span style="font-weight: 400;">Sem pensar em </span></i><a href="https://bases.cinemateca.org.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;base=FILMOGRAFIA&amp;lang=p&amp;nextAction=lnk&amp;exprSearch=ID=005955&amp;format=detailed.pft"><i><span style="font-weight: 400;">Fuzis</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> também. Eu acho que está tudo ali. Quando a gente se expressa, esses filmes simplesmente estão juntos com a gente em nossos corações</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pretto conta que </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente</span></i><span style="font-weight: 400;">, a princípio, não era para ser um filme de </span><a href="https://www.instagram.com/p/Cded6SXrVKo/"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou seja, um Terror. Ele surgiu para falar sobre a relação de violência, de dominação e subjugação que é histórica no Brasil. “</span><i><span style="font-weight: 400;">O gênero nasceu desenvolvendo nosso roteiro, porque era só através do gênero que a gente conseguiria dar conta do que a gente estava tentando se debruçar</span></i><span style="font-weight: 400;">”, finaliza o diretor. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="CONTINENTE | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7FqR9GOCFyM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><b><i>A Vulcana Cinema</i></b><b> tem apostado em projetos de Terror, um gênero que acabou desaparecendo do país quando consideramos o circuito popular. Não há um ícone contemporâneo como foi o Zé do Caixão no século XX, então, como é apostar em </b><b><i>Continente</i></b><b> que acaba indo contra a corrente do circuito comercial em um país que é relutante com produções nacionais?  </b></p>
<p><b>Paola Wink: </b><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O Cinema brasileiro tem muito potencial de fazer histórias de gênero, vários realizadores no Brasil estão trabalhando Cinema de gênero e seguem fazendo desde sempre, tem o Marco Dutra, </span></i><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/cinema/noticia/2024/08/a-ficcao-tem-o-poder-de-elaborar-nossos-sentimentos-diz-juliana-rojas-sobre-cidade-campo-filme-que-estreia-nesta-quinta-feira-cm0e2f38v0091014udgtnpj7a.html"><i><span style="font-weight: 400;">Juliana Rojas</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e vários outros que admiro o trabalho. A gente tem muito potencial, mas é difícil, o Cinema brasileiro tem que enfrentar esse desafio que é de financiar esses filmes e conseguir distribuir de uma forma que a gente consiga competir com o Cinema norte-americano, que domina todos [os outros]</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A gente vai lançar [Continente] junto com o Terrifier 3 e </span></i><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/sorria-2-critica-filme"><i><span style="font-weight: 400;">Sorria 2</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e [eles] vão estar em todas as salas. A gente precisa poder ter ferramentas para competir com esses filmes e chegar no público. Então, eu acho que o cinema de gênero e brasileiro tem muito potencial, as pessoas querem assistir, vão gostar de assistir se elas tiverem oportunidade, se a gente conseguir chegar e se comunicar. Eu vejo que a gente tem que batalhar para que existam mais filmes de gênero produzidos no Brasil e em condições que sejam propícias para isso, que a gente possa financiar e ter orçamento para fazer filmes de qualidade e de gênero</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre</span> <span style="font-weight: 400;">a semana de 31 de Outubro a 06 de Novembro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente </span></i><span style="font-weight: 400;">estará sendo exibido em 29 Cinemas em todo país, em sua maioria nas capitais. Na cidade de São Paulo, apenas três estabelecimentos realizam a exibição. No aplicativo </span><i><span style="font-weight: 400;">Ingresso.Com</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sorria 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui ao menos 30 exibidores, com variações para 32 ou 35 dependendo do dia. </span><i><span style="font-weight: 400;">Terrifier 3 </span></i><span style="font-weight: 400;">mantém a mesma média de 35. </span></p>
<figure id="attachment_34297" aria-describedby="caption-attachment-34297" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34297" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/continente-2-540x800.jpg" alt="Cena do filme ContinenteNa imagem, a personagem Amanda está no topo, de ponta cabeça, com o rosto manchado de sangue. Ela é uma mulher na faixa dos 30 anos, de pele clara e cabelos escuros. No busto de Amanda está transposta a personagem Helô, ela está de perfil, do lado esquerdo, olhando para fora, e com expressão de dúvida. Ela tem um brinco em argola dourado na orelha. Ela é uma mulher na faixa dos 40 anos, de pele escura e cabelos cacheados. Na nuca, o personagem Martin está transposto na nuca de Amanda. Ele está de perfil, olhando para trás com expressão de ira. Metade do rosto dele está coberto pelo rosto de Amanda. Ele é um homem na faixa dos 30 anos, de pele escura e cabelos crespos. O pôster é inteiro vermelho, ao fundo, no topo, também de ponta cabeça há um campo e casas antigas. Na parte de baixo, está escrito em letra menor “dirigido por Davi Pretto”, abaixo em letras maiores vem o título Continente. As letras estão em cor preta. Em seguida está o nome do elenco, equipe e a logo das produtoras e patrocinadores. " width="540" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/continente-2-540x800.jpg 540w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/continente-2-691x1024.jpg 691w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/continente-2-768x1139.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/continente-2-1036x1536.jpg 1036w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/continente-2.jpg 1079w" sizes="auto, (max-width: 540px) 85vw, 540px" /><figcaption id="caption-attachment-34297" class="wp-caption-text">A atriz Ana Flavia Cavalcanti é uma das estrelas do filme (Foto: Vulcana Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta história sobre o passado e presente escravocrata e dominador europeu no Brasil, a linguagem se tornou parte dos símbolos de poder e terror em </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente</span></i><span style="font-weight: 400;">, exatamente como no país que subjugou línguas nativas a favor do português. A atriz </span><a href="https://heloisatolipan.com.br/tv/com-personagem-safica-e-produtora-de-conteudos-eroticos-olivia-torres-fala-sobre-sexualizacao-lesbica-no-audiovisual/"><span style="font-weight: 400;">Olívia Torres</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Totalmente Demais) usou dessa narrativa para compor sua personagem e apostar em momentos de improviso com o ator francês Corentin Fila. Ela diz com muita empolgação sobre o processo, comparando-o com uma carpintaria – muito saboroso de se fazer. </span></p>
<p><b>Olívia, a sua personagem Amanda, em determinado momento do filme, acaba perdendo destaque no sentido de falas. Há uma atuação sobre gestos e olhares, sobre o seu corpo e não o que você está dizendo. Como foi esse processo de conseguir sustentar uma personagem, uma protagonista, sem ter, a partir de um momento, muitas falas? </b></p>
<p><b>Olívia Torres:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">É curioso</span></i><b><i>, </i></b><i><span style="font-weight: 400;">nunca medi personagem por falas, sempre fiz muito Teatro em que eu fazia parte do coro e tava lá no fundo, super participando, tentando trazer toda a minha energia. Na verdade, a partir do momento que ela perde a linguagem, se torna mais interessante, porque outras coisas começam a emergir assim. Esse corpo mais animalesco e uma certa voracidade que a gente tentou encontrar no olhar, algo que torne ela é perigosa, mas também atraente. Não é perigosa o suficiente para você se afastar dela, mas não atraente também para você não perceber que ela pode te morder</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Uma cena específica foi uma improvisação com o Corentin, que faz  o Martin. Eu falo muito básico de francês, não sou fluente, fiquei com muito receio de, nas cenas de improvisação falar algo que gramaticalmente tivesse completamente errado, daí decidi ficar em silêncio. Ele só berrando comigo, é uma cena que ele fica pedindo para que eu fale e eu, de fato, não podia falar. Foi muito interessante ver o silêncio, a reação dele ao silêncio dela. Enfim, foi muito massa, uma grande experimentação do início ao fim, muito saborosa</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">O longa foi produzido pela Vulcana Cinema, com coprodução da Dublin Films, Murillo Cine e Pasto, e com distribuição pela Vitrine Filmes. Paola Wink além de produzir e escrever Continente, também é criadora da Vulcana Cinema ao lado de Jessica Luz.</span></p></blockquote>
<p><b>Quando Amanda e Martin chegam na cidade, ele tem um choque de cultura, os moradores saem das casas e ficam observando vocês entrarem. Em outro momento, vocês dois estão conversando, ele fala em francês e você tá respondendo em português. Nesse momento, vocês não estão mais falando mais a mesma língua. Vocês acham que essa barreira de linguagem e de cultura é um aspecto de terror em </b><b><i>Continente</i></b><b>? </b></p>
<p><b>Olívia Torres:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">De fato, parece que as únicas pessoas que estão em comunicação absoluta são as pessoas de dentro do vilarejo. A Amanda sabe as duas línguas [português e francês], talvez, possa ser um lugar de posição, de poder. As pessoas ficam falando mal do Martin na frente dele, coisas horríveis e ele não vai saber o que está sendo dito. Então é difícil, né? Tem a relação da Helô com o argentino que traz as drogas, é fronteiriço. Parece que a linguagem delimita os espaços de cada um. E os signos dessas linguagens também. Eu acho que ouvir uma pessoa falando em francês, já te dá uma impressão sobre aquela pessoa. Ela é europeia, ela tem mais, sabe?  Somos um país colonizado, acho que tem vários signos que a linguagem carrega que podem criar tensões, e no Terror, no Cinema de gênero, são super importantes. E aí a Amanda que sabe falar as duas línguas nega a linguagem</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><b>Davi Pretto:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tem um abismo que separa essas pessoas [moradores e forasteiros], que tem a ver com diferentes identidades dentro desse lugar, diferentes posições dentro desse sistema. De alguma forma, esse sistema que opera dentro desse vilarejo, espera que essas pessoas ocupem certos espaços já designados e isso não tá muito diferente da nossa vida, do país que a gente vive, são abismos muito violentos. Por um outro lado, eu acho que apesar que tenha esse abismo que separa eles dentro dessas identidades ou dessas posições já delimitadas, tem algo neles que pulsa, é assustadoramente o que coloca eles no mesmo lugar que é o desejo. Mesmo quando a </span></i><a href="https://vejasp.abril.com.br/coluna/terraco-paulistano/ana-flavia-cavalcanti-estrela-dois-filmes-e-novela-das-seis-na-globo"><i><span style="font-weight: 400;">Helô</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, que é uma personagem mais frontalmente oposta a Amanda, o que ela quer também é desejo, porque toda a mudança também é desejo. Então eu acho que essa relação do desejo e da violência dentro do filme é bem assustadora e é o que torna o filme perturbador</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_34298" aria-describedby="caption-attachment-34298" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34298" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/continente-3-800x534.jpg" alt=" Fotografia de Davi PrettoNa imagem, Davi Pretto está sentado em um sofá com uma das pernas em cima do joelho da outra. As mãos estão apoiadas na perna e entrelaçadas. Ele veste uma jaqueta vermelha com capuz cinza na parte de dentro, a jaqueta possui ziper e botão. Ela está aberta, por dentro há uma camiseta azul marinho com estampa de uma ave com as asas abertas e escritos em vermelho. Davi usa uma calça preta. Ele é um homem branco, na faixa dos 30 anos, de cabelos castanhos e lisos, penteados para o lado e barba e bigode na cor castanho claro. " width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/continente-3-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/continente-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/continente-3.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34298" class="wp-caption-text">Castanha (2014) foi o primeiro longa-metragem de Davi Pretto (Foto: Mario Miranda Filho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O horror, agora sim deste gênero, de Davi Pretto, se lança em uma história brasileira com muito derramamento de sangue e o longa não poupa o público de ser molhado por mais litros de líquido vermelho. </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/colunas/458365/o-alem-do-susto-terror-pos-horror-e-o-poder-do-jump-scare/"><i><span style="font-weight: 400;">Jumpscare</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, violência explícita e Terror psicológico fazem presença em </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente</span></i><span style="font-weight: 400;">, qualquer entusiasta e cinéfilo pode se apavorar com as questões que o cineasta coloca no filme “</span><i><span style="font-weight: 400;">somos todos iguais ou somos todos diferentes? Eu acho que essa pergunta é assustadora. Talvez somos todos iguais porque somos todos diferentes, é uma pergunta que o filme de alguma forma acaba colocando em dado momento por essa relação do desejo e da violência que tá ali rolando</span></i><span style="font-weight: 400;">”, encerra o cineasta.</span></p>
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		<title>Entre passado e futuro, o presente em Sem Vergonha é a Arte</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Oct 2024 17:56:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto O que faz um artista ser reconhecido como transgressor? Caso seu pensamento tenha sido direcionado a elementos como roupas, maquiagens e outros compositores estéticos, repense todas as suas certezas, pois Sem Vergonha te mostra que o segredo está na alma livre. Estrelado por Maria Alcina, o musical biográfico fez parte da 48ª Mostra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sem-vergonha-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre passado e futuro, o presente em Sem Vergonha é a Arte"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34247" aria-describedby="caption-attachment-34247" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34247 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-800x296.jpg" alt="Cena de Sem Vergonha. Na imagem, a cantora Maria Alcina aparece com o rosto pintado de branco, sombra preta e batom vermelho. Ela veste uma roupa vermelha cheia de babados. Está se apresentando em um palco em frente a uma cortina azul." width="800" height="296" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-800x296.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-1200x443.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34247" class="wp-caption-text">Pertencente à seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Sem Vergonha é musical, biografia e saldo positivo para o Cinema brasileiro (Foto: Dilúvio Produções)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><b></b><span style="font-weight: 400;">O que faz um artista ser reconhecido como transgressor? Caso seu pensamento tenha sido direcionado a elementos como roupas, maquiagens e outros compositores estéticos, repense todas as suas certezas, pois</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sem Vergonha </span></i><span style="font-weight: 400;">te mostra que o segredo está na alma livre. Estrelado por Maria Alcina, o musical biográfico fez parte da <a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</a>, na seção Mostra Brasil, e, como a artista que o protagoniza, estabeleceu que limites não são uma opção válida. Afinal, se não for para ultrapassar as barreiras, de que vale fazer qualquer coisa nessa vida?</span></p>
<p><span id="more-34246"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Operária de nascença e com todos os ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">nãos</span></i><span style="font-weight: 400;">’</span> <span style="font-weight: 400;">apontados para o seu rosto, a cantora nadou contra a corrente para crescer no meio musical nacional. Agora, seguindo o fluxo de uma vida, ousa entregar algo único na produção de 79 minutos que se classifica oficialmente como documentário, mas tem um formato tão singular que, novamente, se amplifica em possibilidades. Performático, teatral, sonoplasta e cenográfico são alguns dos vocábulos que definem a deliciosa narrativa roteirizada por <a href="https://mubi.com/pt/cast/thiago-brito">Thiago Brito</a>. </span></p>
<figure id="attachment_34248" aria-describedby="caption-attachment-34248" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34248" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-800x533.jpg" alt="Cena de Sem Vergonha. Na imagem, a cantora Maria Alcina está com o rosto pintado de branco, sombra azul e verde e um batom vermelho. Ela veste um casaco verde florescente com plumas e um chapéu de bobo da corte roxo. Ao fundo, há uma cortina vermelha e luzes amarelas." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34248" class="wp-caption-text">Maria Alcina estourou na Música ao se apresentar no Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro em 1972 com a interpretação de Fio Maravilha, de Jorge Ben Jor (Foto: Dilúvio Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, duas versões de Maria Alcina se encontram: a jovem sonhadora, representada ficcionalmente, e a própria, em carne e osso, que invade as cenas com relatos e cantoria à la brasileira – representando, com propriedade, a cultura que sempre se orgulhou de ter.  Apesar de inspiradora, essa história não ficcional remonta a dificuldade de ascensão quando se trata de Arte no país e não deixa de destacar uma das grandes vilãs do cenário: a <a href="https://www.gov.br/memoriasreveladas/pt-br/assuntos/destaques/a-ditadura-as-artes-e-a-cultura#:~:text=Em%20seu%20primeiro%20governo%20a,e%20denunciavam%20o%20terrorismo%20cultural%20.">Ditadura Militar</a>. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Na levada enérgica, bem humorada e, como o nome da obra diz, sem vergonha, da cantora, as denúncias nunca ficam de lado, nem que seja para se inserirem de maneira ácida ou ilustrada, à exemplo da performance atrevida com <a href="https://www.youtube.com/watch?v=kFmIgdzKRPQ">Ney Matogrosso</a>. Na década de 1970, esses comportamentos eram fortemente repreendidos e chegaram a ser punidos com a voz da personalidade sendo calada pela censura por 20 dias, o que fez com que ela voltasse ainda mais focada em ser autêntica. As músicas com duplo sentido e grandes doses de conotação sexual são interpretadas durante a obra, relembrando um Brasil quente, sensual e, acima de tudo, vivo.  </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Essa dificuldade de ser Arte em um país de pão e circo, reverbera na decaída de Alcina dos holofotes, algo que afeta diretamente o reconhecimento da persona como um marco da história até hoje. Em reflexo, o orçamento do longa-metragem é visivelmente baixo, mas com o ‘jeitinho’ brasileiro, tecidos variados e coloridos se tornam parte da cenografia assinada pelo diretor de arte <a href="https://www.instagram.com/uiraclemente/">Uirá Clemente</a>. A saída entra como uma jogada de mestre, fazendo com que mais uma linguagem, o Teatro, entre em cena. A sensação é de que tudo se consolida em cima de um palco, uma verdade quando se trata de Maria Alcina. </span></p>
<figure id="attachment_34249" aria-describedby="caption-attachment-34249" style="width: 453px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-34249" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/3.jpg" alt="Cena de Sem Vergonha. Na imagem, Maria Alcina aparece com a pele negra exposta, acompanhada uma sombra roxa e batom vermelho. Ela também usa cabelo colorido de três tons. " width="453" height="238" /><figcaption id="caption-attachment-34249" class="wp-caption-text">&#8220;Naquela época, naquele momento, as pessoas achavam que ser feliz era um insulto&#8221; (Foto: Dilúvio Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em movimentos bastante transitórios e alinhados, a direção de Rafael Saar escolhe passear entre registros reais da época mais jovem de Alcina, cortes de jornal, revistas, gravações, recriações fictícias de cenas, representação de performances e muito mais para amarrar a montagem. Caso </span><i><span style="font-weight: 400;">Sem Vergonha</span></i><span style="font-weight: 400;"> fosse um livro, com certeza entraria no ramo das chamadas <a href="https://www.nostalgiacinza.com.br/2020/05/o-que-e-narrativa-epistolar.html">narrativas epistolares</a>, misturando materiais para chegar a um registro consolidado de mais de 50 anos de carreira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto extremamente presente nos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> da <a href="https://48.mostra.org/filmes/48a-sem-vergonha">produção</a> é a dança. Esta, se impõe de maneiras coreografadas, mas também sem nenhuma via de regra, representando a corporeidade solta da artista que relata:  “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu só consigo cantar com o corpo todo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O misto de Música e ritmo transforma a coisa toda em um espetáculo de sons, onde os passos e notas criam aquela sensação de satisfação em quem assiste. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez pelo tempo curto de um filme ou pela longa história de <a href="https://jornalopharol.com.br/2022/02/a-mulher-veado-repensando-o-brasil-na-voz-de-maria-alcina-parte-i/">Maria Alcina</a>, alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> parecem ter mais assunto do que espaço para se encaixarem, algo que deixa o telespectador perdido no viés cronológico da coisa. Não é como se não fosse possível chegar no meio da sessão e aproveitar o carisma, no entanto, se o objetivo for entender a carreira da artista, assistir duas vezes acompanhado de um ‘bloquinho’ de notas e uma aba de pesquisas vai se fazer necessário. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Sem Vergonha" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/EY1nkOu0Bw0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sem Vergonha</span></i><span style="font-weight: 400;"> é quase uma viagem: psicodélica, engraçada, crítica, ácida e com gosto de chanchada. Sinceramente, relembrar o motivo de Maria Alcina ser uma pedra no sapato do conservadorismo e uma referência musical nesse país é um deleite ou, adentrando a ousadia, um sonho molhado. <a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Arte-e-transgressao">Transgressão</a> definitivamente ganha um novo significado depois de vislumbrar a obra. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Nas linhas de uma singularidade ímpar, um filme sobre uma artista nunca foi tão irreverente e esse viés se encaixa como uma luva para retratar alguém tão indimensionável quanto Alcina. Nos antros de pessoas, arte, obras, músicas e performances mornas e repetitivas, não ter vergonha de ser é corajoso e memorável. </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu era o que eu era porque eu nasci assim</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span> <span style="font-weight: 400;"> é mais que uma aspas, uma lição para aqueles que se fogem do inescondível: o eu. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Em busca da liberdade, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho alcança o amor</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Jun 2024 16:07:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2014]]></category>
		<category><![CDATA[Belle and Sebastian]]></category>
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		<category><![CDATA[Cinema queer]]></category>
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		<category><![CDATA[Deficiência Visual]]></category>
		<category><![CDATA[Ghilherme Lobo]]></category>
		<category><![CDATA[Hoje Eu Quero Voltar Sozinho]]></category>
		<category><![CDATA[Marina Canelas]]></category>
		<category><![CDATA[Mês do Orgulho LGBTQIA+]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marina Iwashita Canelas Imagine a sua adolescência, todos os mil sentimentos juntos e bagunçados, desde ‘Será que eu sou bonito?’ ou ‘Será que ela gosta de mim?’, até os comentários e palpites sobre aquela pessoa que está ‘ficando’ com quem você gosta. O início da vida adulta, junto ao amadurecimento e as descobertas sobre si &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hoje-eu-quero-voltar-sozinho-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em busca da liberdade, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho alcança o amor"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33641" aria-describedby="caption-attachment-33641" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33641" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-2-1-800x477.png" alt=" Cena do Filme “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho&quot;. A imagem mostra três jovens no centro que usam calça jeans e a mesma camiseta manga curta cinza com gola azul e uma coruja como brazão a esquerda. O menino da esquerda é branco, possui cabelos cacheados, castanho escuro e está sorrindo com os olhos fechados. Ele usa uma mochila nas costas, a qual só podemos ver as alças de cor marrom. A menina do meio é branca, usa um relógio lilás no pulso direito, tem cabelos lisos na cor castanho escuro com franjas na altura da sobrancelha. Ela está sorrindo e sua alça de mochila nas costas é cinza claro. O último menino, da direita, é branco, tem cabelo castanho liso e está segurando com a mão direita o braço esquerdo dobrado da menina ao seu lado. Ele está sorrindo e com a sua mão esquerda segura a alça da sua mochila, na cor cinza também. O fundo da imagem é de uma rua, na parte esquerda temos a rua e os jovens andam na calçada, com árvores e grades de casas." width="800" height="477" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-2-1-800x477.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-2-1-768x458.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-2-1.png 862w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33641" class="wp-caption-text">No Festival de Berlim de 2014, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho foi premiado como Melhor Filme pelo Júri da Crítica na Mostra Panorama e com o Prêmio Teddy de Melhor Filme LGBT (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Marina Iwashita Canelas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imagine a sua adolescência, todos os mil sentimentos juntos e bagunçados, desde ‘Será que eu sou bonito?’ ou ‘Será que ela gosta de mim?</span><i><span style="font-weight: 400;">’</span></i><span style="font-weight: 400;">, até os comentários e palpites sobre aquela pessoa que está ‘ficando’ com quem você gosta. O início da vida adulta, junto ao amadurecimento e as descobertas sobre si mesmo, não são períodos fáceis. É nessa fase que muitas pessoas passam a experimentar coisas novas, como alguma aventura com amigos ou ser rebelde em casa. Para Leonardo (Ghilherme Lobo) – protagonista do premiado curta-metragem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1Wav5KjBHbI"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Não Quero Voltar Sozinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que, com seus infames 17 minutos de duração, encantou muita gente –, essa realidade nunca foi fácil. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Léo é um adolescente cego que descobre a sua sexualidade com a chegada de um novo aluno no colégio. Quatro anos depois, em 2014, o longa-metragem </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/brasileiro-hoje-eu-quero-voltar-sozinho-ganha-dois-premios-no-festival-do-berlim-11607602"><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Quero Voltar Sozinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi lançado ao mundo por </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/noticia/2014/02/daniel-ribeiro-uma-nova-cara-para-o-cinema-brasileiro.html"><span style="font-weight: 400;">Daniel Ribeiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor de ambas as obras. Sem perder a leveza da primeira obra, o filme pôde aumentar sua riqueza de detalhes, dando mais foco às personagens e suas particularidades. Ribeiro traz mais discussões referentes ao dia a dia do personagem para a trama, tornando-a muito mais do que apenas um filme com temática LGBTQIA+.</span></p>
<p><span id="more-33640"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Podemos conhecer melhor o protagonista à medida que entendemos a sua rotina e como a criação que tem o sufoca. Sua mãe, </span><a href="https://personaunesp.com.br/thelma-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">superprotetora</span></a><span style="font-weight: 400;">, muitas vezes impede Léo de viver coisas normais de um adolescente. Giovana (Tess Amorim) é a sua melhor amiga desde a infância, e Amorim consegue dar voz ao papel da sua personagem de forma muito clara e fluida. Por vezes ficamos estressados com ela por ter a mesma ideia de que a deficiência visual, de alguma forma, define-o. </span></p>
<figure id="attachment_33643" aria-describedby="caption-attachment-33643" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33643" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-800x422.png" alt="" width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-800x422.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-1024x540.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-768x405.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-1536x810.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-1200x633.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33643" class="wp-caption-text">O filme foi escolhido para representar o Brasil na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014 (Foto: Pyramide Distribution)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso, porém, muda com a chegada de Gabriel, interpretado por </span><a href="https://www.fabioaudi.com/about"><span style="font-weight: 400;">Fabio Audi</span></a><span style="font-weight: 400;">, um aluno novo de outra cidade e que, por estar alheio à bolha, desperta mais a curiosidade do garoto, além de apoiá-lo em decisões que o mesmo gostaria de tomar. Audi consegue trazer para o seu papel uma alma viva, ele interpreta um jovem livre e cheio de desejos, que conhece bem a si mesmo e também deseja que o protagonista se conheça mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação dos personagens é construída aos poucos, sendo possível acompanhar os </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=MELHORES+AMIGOS#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">melhores amigos</span></a><span style="font-weight: 400;"> se afastarem por ciúmes, devido a sensação de liberdade que Léo tem com Gabriel. Nesse período, é possível observar alguém, que não tinha contato algum com pessoas com deficiência visual, sendo a chave principal para dar mais confiança ao protagonista e entendê-lo como apenas um garoto querendo viver a vida de um jovem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensando nisso, em alguns momentos, podemos ver a Fotografia de </span><a href="https://pierrekerchove.com/"><span style="font-weight: 400;">Pierre de Kerchove</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltada para a perspectiva do Léo, ou seja, </span><a href="https://personaunesp.com.br/perlimps-critica/"><span style="font-weight: 400;">muito sensorial</span></a><span style="font-weight: 400;">. Temos cenas desfocadas com apenas o barulho de conversas e risos, momentos de liberdade e tensão, além de momentos íntimos, à exemplo, os beijos no vidro do box. No quesito tensão, com o decorrer da narrativa, vemos o quão difícil é para o protagonista viver os múltiplos aspectos de seu cotidiano. </span></p>
<figure id="attachment_33642" aria-describedby="caption-attachment-33642" style="width: 630px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33642" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-1-1.png" alt="" width="630" height="247" /><figcaption id="caption-attachment-33642" class="wp-caption-text">O título original provisório do filme foi Todas as coisas mais simples (Foto: Pyramide Distribution)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da sua família e amiga mais próxima, têm os meninos da sala que fazem </span><a href="https://www.unicamp.br/unicamp/sites/default/files/jornal/paginas/ju_561_paginacor_04_web.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com ele, tirando sarro e planejando algo sacana. Essas infames brincadeiras são muito mais voltadas à cegueira do protagonista do que ao fato dele estar se descobrindo sexualmente. O longa traz consigo uma visão muito leve e delicada sobre a vida, mas principalmente sobre o amor, então, por mais que fiquemos com raiva das falas e gestos errados, isso não pesa na narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É incrível como o filme consegue criar um cenário de cotidiano muito forte. Acompanhamos toda rotina do Léo, sabemos da dinâmica da casa dele, as suas frustrações e algo interessante é a </span><a href="https://personaunesp.com.br/jury-duty-critica/"><span style="font-weight: 400;">naturalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> com que a personagem trata a sua cegueira com Gabriel. Apesar de o recém chegado na escola, às vezes, fazer comentários indesejados como &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">já viu aquele vídeo famoso?</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, o protagonista ainda assim se sente confortável perto dele, por vezes, o ‘zomba’, mas existe a vontade de ter experiências novas junto a ele, como ir ao cinema,  sair de casa no meio da madrugada sem avisar ou andar de bicicleta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A criação desse cenário de intimidade que temos com as personagens se dá também pelos seus estilos musicais, que compõem a trilha sonora (</span><a href="https://arthurdecloedt.com/"><span style="font-weight: 400;">Arthur Decloedt</span></a><span style="font-weight: 400;">). Para diferenciar quem está ligando, o celular do protagonista conta com um toque diferente para cada pessoa. A única semelhança entre todos é o estilo musical que ele consome: clássico. Fazendo um paralelo a isso, Gabriel chega na sua vida com </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7kkDvoGvoVPtLD3Ef61E62?si=2e05010c0484462b"><i><span style="font-weight: 400;">There &#8216;s Too Much Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Belle and Sebastian. Chega a ser engraçado como ambos, por mais diferentes que sejam, se completam. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer Oficial - Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (The Way He Looks) English Subtitles" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lpHKXyko358?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Léo segue uma vida regrada, porém, cheia de desejos e vontades a serem realizadas, Gabriel é o tipo do adolescente ‘livre’, com pais tranquilos, e poderia ser considerado o ‘alternativo’ da turma, que vira DJ nas festas. </span><span style="font-weight: 400;">O longa trata todas essas questões de uma forma muito leve e delicada. Percebemos, no final, que o amor sentido pelo casal é um </span><a href="https://personaunesp.com.br/feels-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">misto de sentimentos</span></a><span style="font-weight: 400;">; a mistura de algo novo, romântico, sensível e carregado de muito companheirismo.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Quero Voltar Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre como o amor não encontra barreiras para existir. Em momento algum precisamos ver para sentir ou saber que aquela pessoa é realmente a destinada para você. A obra não é tratada a partir da </span><a href="https://personaunesp.com.br/com-amor-simon-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">aceitação</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos jovens no mundo LGBTQIA+, na verdade, ela retrata uma visão muito romântica e ingênua sobre esse aspecto, o que pode frustrar parte da audiência. Mas, ver a evolução da amizade das personagens, se imaginar no lugar do Léo e refletir sobre as questões trazidas na produção fazem dele um lindo filme de romance.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Qual é o preço do Pedágio?</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Nov 2023 20:12:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Vivemos em um país em que os ecos da homofobia, institucionalizada e articulada pelas principais ferramentas de poder, podem afetar até mesmo a relação de uma mãe e um filho na periferia da Baixada Santista. Um discurso que está socialmente arraigado de tal forma, que é capaz de levantar entre eles uma barreira &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pedagio-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Qual é o preço do Pedágio?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32006" aria-describedby="caption-attachment-32006" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32006 size-full" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Pedágio, da diretora Carolina Markowicz. Imagem retangular e colorida. Nela, vemos Suellen, personagem interpretada por Maeve Jinkings, com o ombro escorado na coluna de um pedágio. Suellen é uma mulher branca, de cabelos lisos e olhos castanhos, que usa brincos de argola dourados nas orelhas e veste um colete verde. Ela tem uma feição apreensiva e olha para frente." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32006" class="wp-caption-text">Antes de iniciar seu ciclo comercial, Pedágio também teve passagem na 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na categoria Mostra Brasil (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivemos em um país em que os ecos da homofobia, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2023/10/presidente-de-comissao-da-camara-quer-votar-cura-gay-ate-o-final-do-ano.shtml"><span style="font-weight: 400;">institucionalizada</span></a><span style="font-weight: 400;"> e articulada pelas principais ferramentas de poder, podem afetar até mesmo a relação de uma mãe e um filho na periferia da Baixada Santista. Um discurso que está </span><a href="https://queer.ig.com.br/2023-11-29/a-homofobia-esta-arraigada-na-sociedade-diz-diretora-de-pedagio.html"><span style="font-weight: 400;">socialmente arraigado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de tal forma, que é capaz de levantar entre eles uma barreira quase intransigível, em nome de uma luta que opera contra seus próprios interesses. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedágio</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme nacional que chegou aos cinemas em Novembro, assume todas as facetas desse fenômeno, através de uma trama que não poderia irromper de outra forma, que não em um humor tragicamente mordaz. </span></p>
<p><span id="more-32005"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/conheca-carolina-markowicz-diretora-que-fez-de-pedagio-um-hit-dos-festivais"><span style="font-weight: 400;">Carolina Markowicz</span></a><span style="font-weight: 400;"> já ostenta uma trajetória excepcional e uma carreira tão promissora quanto consolidada. Antes de peregrinar pelo universo de longas-metragens, ela dirigiu seis curtas que percorreram o mundo, entre 2007 e 2019, recebendo exibições em eventos como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-internacional-de-cinema-de-toronto/"><span style="font-weight: 400;">TIFF</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Festival Internacional de Cinema de Toronto), </span><a href="https://www.abc.net.au/news/2023-10-12/what-is-sxsw-sydney-how-to-get-involved/102938006"><span style="font-weight: 400;">SXSW</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">South by Southwest</span></i><span style="font-weight: 400;">) e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-de-locarno/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Locarno</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua maior premiação veio em 2018, quando conquistou o </span><a href="https://www.sortiraparis.com/pt/o-que-fazer-em-paris/cinema-serie/articles/294212-festival-de-cannes-2023-palma-queer-atribuida-a-monstro-de-kore-eda"><i><span style="font-weight: 400;">Queer Palm</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – prêmio do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> destinado ao audiovisual LGBTQIA+ – pelo curta-metragem </span><a href="https://vimeo.com/377193784"><i><span style="font-weight: 400;">O Órfão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32008" aria-describedby="caption-attachment-32008" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32008" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Pedágio, da diretora Carolina Markowicz. Imagem retangular e colorida. Nela, as personagens Suellen, interpretada por Maeve Jinkings, Tiquinho, interpretado por Kauan Alvarenga, estão um de frente para o outro, iluminados por luzes coloridas de discoteca. Suellen é uma mulher branca, de cabelos lisos e olhos castanhos, e Tiquinho é um garoto negro, de cabelo crespo curto e olhos escuros, vestindo uma camiseta azul com a estampa de um unicórnio. Os dois desviam os olhares, evitando encarar um ao outro. O cenário é o banheiro de uma residência." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32008" class="wp-caption-text">Em Setembro, Carolina Markowicz se tornou a primeira brasileira da história a receber o Tribute Awards, no Festival de Toronto (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançando seu segundo longa-metragem, Markowicz aposta em mais uma narrativa </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém a partir de lentes antagônicas. Desta vez, acompanhamos Suellen (</span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/maeve-jinkings-de-os-outros-fala-de-fase-feliz-no-amor-nunca-havia-me-apaixonado-por-mulher.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Maeve Jinkings</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma humilde cobradora de pedágio em Cubatão, São Paulo, que precisa conciliar suas longas jornadas de trabalho com os cuidados de seu filho adolescente, Tiquinho (</span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/kauan-alvarenga-se-inspirou-em-pabllo-vittar-para-papel-em-pedagio"><span style="font-weight: 400;">Kauan Alvarenga</span></a><span style="font-weight: 400;">). Contudo, prestes a completar 18 anos, o garoto apresenta cada vez mais comportamentos afeminados, desafiando a mentalidade ignorante da mãe, que decide ir até as últimas consequências para financiar sua ida a um exorbitante curso de um pastor gringo, com a ostensiva promessa de ‘</span><a href="https://s3.amazonaws.com/s3.allout.org/images/All_Out_Instituto_Matizes_Relatorio_Completo_Entre_Curas_E_Terapias.pdf"><span style="font-weight: 400;">cura gay</span></a><span style="font-weight: 400;">’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma premissa centralizada em uma retórica tão abjeta, este drama familiar encontra porto-seguro na humanidade que transborda de seus atores. Não é à toa que a obra foi a mais premiada do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2023/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2023, levando </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/festival-do-rio-2023-premiados"><span style="font-weight: 400;">três das quatro categorias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de interpretação. Maeve Jinkings – que já havia trabalhado com a diretora em </span><a href="https://personaunesp.com.br/carvao-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022) – dá vida a uma Suellen melindrosa, que apesar do incontestável amor que sente pelo filho, não consegue se desvencilhar de seus preconceitos. Por outro lado, a sensibilidade de Kauan Alvarenga – protagonista do curta </span><i><span style="font-weight: 400;">O Órfão –</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz com que o público sinta cada uma das frustrações de um garoto que, independentemente das tentativas, nunca será o suficiente para sua mãe. Uma premissa difícil, sim, mas </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/diversidade/com-26-formatos-no-brasil-cura-gay-e-tortura-alertam-especialistas/"><span style="font-weight: 400;">inevitavelmente ordinária</span></a><span style="font-weight: 400;"> e profundamente identificável.</span></p>
<figure id="attachment_32007" aria-describedby="caption-attachment-32007" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32007" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Pedágio, da diretora Carolina Markowicz. Imagem retangular e colorida. Nela, o personagem Tiquinho, interpretado por Kauan Alvarenga, levanta os braços e dança sorridente em uma residência tradicional. Ele é um garoto negro, de olhos escuros. Ele usa uma maquiagem brilhante nos olhos e veste uma fantasia vermelha, cheia de penas que se assemelham a um pássaro, e um chapéu com uma grande aba preta, que lembra um bico." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32007" class="wp-caption-text">Pedágio esteve presente na lista de finalistas para representar o Brasil na corrida pela indicação de Melhor Filme Internacional, no Oscar 2024 (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de arte de Vicente Saldanha, também reconhecida pelo Festival do Rio, cria imagens belíssimas a partir de uma visão corriqueira no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/47a-mostra-internacional-de-cinema/"><span style="font-weight: 400;">Cinema nacional independente</span></a><span style="font-weight: 400;">, com composições secas em um tom melancólico, elevado por longos silêncios e cortes bruscos entre cenas. A fotografia de Luis Armando Arteaga brinca com imagens naturalistas, peliculares e uma gradação acinzentada, que passeia esporadicamente por cores vibrantes. O destaque, todavia, está em uma narrativa que demonstra como essa estética, aparentemente sóbria e realista, não passa de um cenário absolutamente patético.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Markowicz, que também assina o roteiro, foge da batida história </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> calcada em violências para, em uma absoluta quebra de expectativas, entregar uma verdadeira sátira. A linguagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedágio</span></i><span style="font-weight: 400;"> é cínica, amarga, espelhando a </span><a href="https://www.dicionarioinformal.com.br/p%C3%B3s%20ironia/"><span style="font-weight: 400;">pós-ironia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma geração que, ao se ver enfiada nos cenários mais apocalipticamente absurdos, não consegue parar de rir. Uma diegese que certamente bebe do </span><a href="https://medium.com/@_eusouyuri/manifesto-afro-surreal-preto-%C3%A9-o-novo-preto-um-manifesto-do-s%C3%A9culo-xxi-4b984c995b65"><span style="font-weight: 400;">afrossurrealismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao usar da própria realidade para expor o discurso homofóbico-religioso ao completo ridículo. É impossível assistir à cena de um grupo de jovens em roda moldando órgãos genitais com massinha colorida, por ordem de um pastor </span><i><span style="font-weight: 400;">hippie</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sotaque excessivamente português, e não se ver instantaneamente dentro de um episódio de </span><a href="https://personaunesp.com.br/atlanta-3-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Atlanta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32009" aria-describedby="caption-attachment-32009" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32009" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Pedágio, da diretora Carolina Markowicz. Imagem retangular e colorida. Nela, os personagens Tiquinho, interpretado por Kauan Alvarenga, e Rick, interpretado por Caio Machado, estão sentados em cima de uma grande estátua de sereia, com uma cauda verde, cabelos vermelhos e uma expressão agressiva. Tiquinho é um garoto negro, de cabelo crespo curto e olhos escuros, que veste uma camiseta polo verde e azul, enquanto Rick é um garoto branco, com barba por fazer, vestindo uma camiseta azul estampada e um boné verde-musgo. Tiquinho olha para frente enquanto Rick olha para baixo, e ambos têm um olhar melancólico." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32009" class="wp-caption-text">Levantamento feito pelo Instituto Matizes e All Out, em 2023, identificou 26 formatos de terapia de conversão sexual vigentes no Brasil hoje; o método é proibido pelo Conselho Federal de Psicologia desde 1999 (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, é a partir dessas caricaturas múltiplas que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedágio</span></i><span style="font-weight: 400;"> dá vazão para que as nuances de seus dois protagonistas se manifestem. Como a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jnF7r-toE5c"><span style="font-weight: 400;">própria Jinkings define</span></a><span style="font-weight: 400;">, Suellen é um reflexo do brasileiro médio. Uma mulher que se agarra a uma religiosidade menos por convicções pessoais, e mais pela falta de contato com qualquer outra perspectiva. Uma mãe solo que, ao ver seu filho trilhar um caminho tão distinto do seu, acredita que errou. E, em busca da resolução de um problema estruturalmente fabricado, trilha um caminho de escuridão, até que se veja obrigada a pagar um preço que sequer lhe pertencia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, a esperança em meio a este contexto catastrófico se expressa em Tiquinho. Em paralelo e oposição a sua mãe, acompanhamos o amadurecimento do garoto que, mesmo com todas as probabilidades contra si, faz com que rosas floresçam do asfalto. Porém, mesmo assim, o longa rejeita a utopia. No seu momento de maior catarse, o personagem é arrebatado de volta à realidade, no mais ácido retrato de sua condição. Essa é a única alternativa honesta que Markowicz encontra para tratar de uma perversidade que </span><a href="https://www.poder360.com.br/brasil/morre-karol-eller-36-anos-influenciadora-lesbica-pro-bolsonaro/"><span style="font-weight: 400;">vitima</span></a><span style="font-weight: 400;"> pessoas LGBTQIA+ até hoje. A superação é </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/politica/apos-a-morte-de-karol-eller-erika-hilton-propoe-lei-para-equiparar-cura-gay-ao-crime-de-tortura/"><span style="font-weight: 400;">um processo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nossa disputa está longe de acabar.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pedágio | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XfKBMN2RJqg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Circuito Cineclubes Sesc &#8211; Onde está Ana?</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Mar 2023 19:57:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Clara Sganzerla Viajamos, todos os dias, do passado ao futuro. Seja por meio de memórias, lembranças, fatos históricos ou até mesmo dentro de nossos planejamentos; desaparecemos em uma inércia pendular difícil de desvencilhar &#8211; nunca vivemos propriamente no presente. No entanto, a atriz brasileira Stella Rabello consegue parar por alguns momentos em algumas dessas duas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ana-sem-titulo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclubes Sesc &#8211; Onde está Ana?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30593" aria-describedby="caption-attachment-30593" style="width: 2160px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30593 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.png" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na imagem, há seis fotografias de uma mulher negra. As fotos trabalham de forma documental, registrando as mudanças físicas da personagem em uma organização linear - três fotografias em cima e mais três fotografias em baixo. As mudanças físicas são principalmente no cabelo: na primeira imagem, ele permanece preso em um coque alto, e acompanhamos sua transformação até o penteado em estilo afro" width="2160" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.png 2160w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-2048x1024.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1200x600.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30593" class="wp-caption-text">Em Ana. Sem título, exibido na Mostra “Cinema é Direito” no Sesc Bauru, entramos em uma jornada sobre governos totalitários, o feminismo nos anos 70 e 80 e sobre a Arte como forma de denúncia (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Clara Sganzerla</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Viajamos, todos os dias, do passado ao futuro. Seja por meio de memórias, lembranças, fatos históricos ou até mesmo dentro de nossos planejamentos; desaparecemos em uma inércia pendular difícil de desvencilhar &#8211; nunca vivemos propriamente no presente. No entanto, a atriz brasileira Stella Rabello consegue parar por alguns momentos em algumas dessas duas realidades para ir em uma jornada que ultrapassa as </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><span style="font-weight: 400;">fronteiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nosso país, esbarrando em uma história sangrenta que, infelizmente, também nos pertence. Em </span><a href="http://taigafilmes.com/ana/"><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020), longa que integrou a Mostra </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-cinema-e-direito/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> no Sesc Bauru, a cineasta Lúcia Murat nos transporta para o passado latino-americano marcado pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-tio-jose-critica/"><span style="font-weight: 400;">ditadura militar</span></a><span style="font-weight: 400;">, atrás, apenas, de uma resposta: onde está Ana? </span></p>
<p><span id="more-30590"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Definida como livre, talentosa, bonita e até mesmo perigosa, o grande mistério acerca da artista brasileira é o que nos envolve na trama. Através de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">metalinguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito bem feita, a sensação do telespectador é similar a estar fisicamente presente com a equipe de filmagem, apurando as poucas pistas que Ana nos deixou, na tentativa de montar um quebra-cabeça em que faltam muitas peças. Durante essa viagem, temos o prazer de conhecer a beleza de Cuba, México, Argentina e </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-francisca-uma-juventude-chilena-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chile</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelos olhos do diretor de fotografia </span><span style="font-weight: 400;">Léo Bittencourt, e ouvir até mesmo o som dos passarinhos através do trabalho da técnica de som Andressa Clain Neves.</span></p>
<figure id="attachment_30591" aria-describedby="caption-attachment-30591" style="width: 1313px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30591 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.jpg" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na imagem temos, à esquerda, a atriz brasileira Stella Rabello. Ela tem cabelos loiros um pouco acima do busto, usa uma jaqueta na cor cinza e uma blusa vermelha. Do lado direito, temos a cineasta Lúcia Murat. Ela tem cabelos grisalhos e curtos e usa uma blusa de manga longa azul. O cenário da foto é em uma arquibancada à luz do dia. Ambas estão com expressões concentradas, com olhares atentos ao horizonte." width="1313" height="758" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.jpg 1313w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-800x462.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1024x591.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-768x443.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1200x693.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30591" class="wp-caption-text">Lúcia e Stella buscam respostas em nossos vizinhos latinos através de um road-movie (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado na exposição </span><a href="https://pinacoteca.org.br/programacao/exposicoes/mulheres-radicais-arte-latino-americana-1960-1985/"><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, realizada na Pinacoteca de São Paulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título </span></i><span style="font-weight: 400;">é um mergulho em muitas questões, como o racismo, a opressão e o feminismo como forma revolucionária, mas destaca-se na maneira de retratar as cicatrizes ainda abertas que as </span><a href="https://www.politize.com.br/operacao-condor/"><span style="font-weight: 400;">ditaduras militares latinas</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixaram. O olhar de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/ana-sem-titulo-se-nao-fosse-a-existencia-dos-movimentos-feminista-e-negro-esse-filme-nao-existiria-diz-lucia-murat/"><span style="font-weight: 400;">Lúcia Murat</span></a><span style="font-weight: 400;">, nesse contexto, é mais do que simbólico, principalmente pela sua trágica experiência como ex-presa política durante o regime militar brasileiro. O longa é, acima de tudo, um lembrete da importância de não nos esquecermos sobre um passado ainda tão recente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E Ana? Criada para ser uma representação da mulher latino-americana artista das </span><a href="https://conversacomelas.com/2021/03/02/movimentos-feministas-na-decada-de-70-e-80-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">décadas de 1970 e 1980</span></a><span style="font-weight: 400;">, através do roteiro da escritora Tatiana Salem Levy e da própria Murat, com atuação de Roberta Estrela D&#8217;Alva, a beleza da personagem mora exatamente no fato de que ela não é real. A narrativa criada em cima de seu desaparecimento, as cartas trocadas com outras artistas, a busca da equipe em solos estrangeiros para o documentário e todas as conversas sobre resistência, irmandade, liberdade e direitos, deixam a sensação de que Ana, mesmo com provas contrárias, existiu. O longa a eleva como uma entidade, aproveita-se do interesse natural do ser humano ao desconhecido para captar nossa atenção e nos enriquece com trocas reais sobre uma cultura tão complexa, rica e triste.</span></p>
<figure id="attachment_30592" aria-describedby="caption-attachment-30592" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30592 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3.png" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na fotografia, há uma mulher negra, de cabelo crespo. Ela usa uma blusa de gola alta. A mulher sorri e olha para o horizonte à sua esquerda. A foto tem tons sépia." width="600" height="315" /><figcaption id="caption-attachment-30592" class="wp-caption-text">Ana é algo maior que o plano físico e transforma-se na representação de milhares de mulheres do nosso passado (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de filmagens em câmeras analógicas, fotografias em preto e branco e relatos em espanhol, conhecemos por meio de Ana a história de milhares de mulheres que gostariam de ter sido ouvidas mas que, infelizmente, já caíram no esquecimento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um resgate da importância de ouvir as gerações passadas, de valorizar nossa história, de apreciar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Arte nacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de não nos esquecermos de, às vezes, olhar para trás.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ana. Sem Título - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IRtjlcD_0qI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Circuito Cineclubes Sesc &#8211; Desamparados, os mais fracos fazem a própria lei no Brasil de Pixote</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Mar 2023 19:34:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Em 25 de Agosto de 1987, morreu Pixote. Fernando Ramos da Silva tinha 19 anos, era casado e pai de uma filha pequena quando foi morto por policiais militares, após ter supostamente assaltado uma empresa em Piraporinha, na região de São Bernardo do Campo. A família viveu para contestar a versão dos agentes, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pixote-a-lei-do-mais-fraco-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclubes Sesc &#8211; Desamparados, os mais fracos fazem a própria lei no Brasil de Pixote"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30110" aria-describedby="caption-attachment-30110" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30110 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1.jpg" alt="" width="1920" height="1038" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30110" class="wp-caption-text">O longa figurou em 12º na lista dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, a Abraccine, e abriu a Mostra “Cinema é Direito” no Sesc Bauru (Foto: Embrafilme)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 25 de Agosto de 1987, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t5NCOuSEJSU"><span style="font-weight: 400;">morreu</span></a><span style="font-weight: 400;"> Pixote. Fernando Ramos da Silva tinha 19 anos, era casado e pai de uma filha pequena quando foi morto por policiais militares, após ter supostamente assaltado uma empresa em Piraporinha, na região de São Bernardo do Campo. A família viveu para contestar a versão dos agentes, que foram apenas demitidos, mas nunca condenados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anos antes, em 26 de Setembro de 1980, Fernando estava alcançando fama e reconhecimento pelo seu desempenho no papel que dá título a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixote, a Lei do Mais fraco, </span></i><span style="font-weight: 400;">de Hector Babenco (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BdLvrNz9tUk"><i><span style="font-weight: 400;">Carandiru</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, 2003). O longa, que abriu a </span><a href="https://www.sescsp.org.br/circuito-cineclubes-na-tela-do-sesc-bauru/"><span style="font-weight: 400;">Mostra </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> em parceria com o Sesc Bauru na quinta-feira, dia 2 de Março, não poderia ter se misturado à realidade de forma mais trágica, pois o que aconteceu com o intérprete de seu protagonista pouco se difere do descaso do Estado com a vulnerabilidade social denunciada pelos realizadores. </span></p>
<p><span id="more-30106"></span></p>
<figure id="attachment_30108" aria-describedby="caption-attachment-30108" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30108 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2.jpg" alt="" width="1920" height="1038" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30108" class="wp-caption-text">Para Fernando Ramos da Silva, a vida imitou a Arte da pior forma possível (Foto: Embrafilme)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde os minutos iniciais da rodagem, Pixote está imerso na difícil realidade das crianças moradoras das ruas de São Paulo, presas por transgressão juvenil e enviadas para se reajustar a sociedade em um reformatório nos moldes da antiga FEBEM. Logo em sua primeira noite no local, ele presencia o estupro de um de seus colegas de quarto. Quando o frio inspetor Sapatos Brancos (Jardel Filho, de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hkITr_eK9Vc"><i><span style="font-weight: 400;">Terra em Transe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, 1967) lhe pergunta se viu alguma coisa do ocorrido, o menino se cala, ciente das escolhas que deve tomar para sobreviver em um ambiente tão hostil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Babenco, juntamente com o roteirista Jorge Durán (</span><i><span style="font-weight: 400;">Não Se Pode Viver Sem Amor</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2011</span><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;">, posiciona Pixote inicialmente sozinho, mas logo o coloca para dividir cena com outros detentos, como Fumaça (Zenildo Oliveira Santos) e Lilica (Jorge Julião). Ecos do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g0uClqmKU28&amp;t=1s"><span style="font-weight: 400;">neorrealismo italiano</span></a><span style="font-weight: 400;"> podem ser sentidos na captura da realidade nua e crua dessas pessoas, com a câmera sempre muito próxima e a iluminação sombria da fotografia de Rodolfo Sanchez, que também trabalhou com Babenco em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Beijo da Mulher-Aranha </span></i><span style="font-weight: 400;">(1985).  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, há espaço para pontas de poesia e ternura que também eclodem vez ou outra. Notoriamente, temos um belíssimo momento em que Pixote olha para uma figura de Nossa Senhora Aparecida, iluminada por luzes em neon. Poderia a santa lhe tirar dessa situação tão cruel? Poderia ela ser a mãe da qual o garoto sente tanta falta? Poderia ela dar esperança de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YkJU6BoGgWk"><span style="font-weight: 400;">uma vida melhor</span></a><span style="font-weight: 400;">?</span></p>
<figure id="attachment_30112" aria-describedby="caption-attachment-30112" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30112 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3.jpg" alt="" width="1920" height="1038" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30112" class="wp-caption-text">Uma confusão quanto a tradução da palavra em inglês “preview” desclassificou Pixote da corrida pelo Oscar 1982 de Melhor Filme Estrangeiro, segundo pesquisa do crítico de Cinema e historiador Waldemar Dalenogare Neto (Foto: Embrafilme)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais adiante, Pixote, Lilica e seus companheiros Chico (Edilson Lino) e Dito (Gilberto Moura) fogem da instituição, e o filme foge junto. A narrativa se distancia da dureza desse Cinema quase documental e busca ares de maior e surpreendente alinhamento com o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uJucZ-NxpN8"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, isto é, o amadurecimento infanto-juvenil. Babenco e Duran entendem que, antes de serem estigmatizados como criminosos pelo Estado, todas essas pessoas são crianças e adolescentes, sujeitos dignamente ao turbilhão de emoções dessa fase da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para reforçar esse ponto, o longa explora muito o desenvolvimento da sexualidade desses jovens, seja em sua forma mais bruta ou sutil. No primeiro sentido, destacam-se as suas próprias reações em exposição ao sexo, como na cena em que assistem um filme erótico na casa do traficante Cristal (Tony Tornado, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carcereiros</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2017). Já no segundo, chama atenção o relacionamento complexo entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2RimPQUhVUk"><span style="font-weight: 400;">Lilica e Dito</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual o segundo está quase sempre confuso quanto à própria condição, uma vez que o fato da primeira ser uma mulher trans evidentemente o faz questionar suas compreensões de masculinidade.</span></p>
<figure id="attachment_30107" aria-describedby="caption-attachment-30107" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30107 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4.jpg" alt="" width="1920" height="1038" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30107" class="wp-caption-text">Recentemente, o longa foi restaurado pela organização World Cinema Project, fundada por ninguém menos que Martin Scorsese (Foto: Embrafilme)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lilica, em especial, é uma personagem que se destaca profundamente. Diante do aniversário de 18 anos que marca a sua emancipação e os perigos de sobreviver nas ruas do país mais transfóbico do mundo, ela se pergunta, em um determinado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OZ-8CPA91dI"><span style="font-weight: 400;">momento</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O que pode uma bicha esperar do mundo?</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><span style="font-weight: 400;">. A cena acontece em um estado de pausa do filme, que troca a sujeira e a criminalidade da noite pelo pôr-do-sol ensolarado da praia do Arpoador, no Rio de Janeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que a sucede é um daqueles milagres da cinematografia nacional, pois, durante as gravações, Julião estava escalado para cantar </span><i><span style="font-weight: 400;">Debaixo dos caracóis de seus cabelos</span></i><span style="font-weight: 400;">, música escrita por Caetano Veloso para Roberto Carlos. Ele sentiu que a canção não encaixava na cena e optou por cantar </span><i><span style="font-weight: 400;">Força estranha</span></i><span style="font-weight: 400;">, também de Veloso. Logo, o ator foi surpreendido com um abraço de Fernando, que permaneceu no corte final. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ficou tão bonito, tão terno</span></i><span style="font-weight: 400;">”, lembrou o ator, em entrevista à reportagem do </span><a href="https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/09/27/pixote-um-filme-que-nao-acaba-ha-40-anos-longa-de-babenco-segue-atual.htm"><span style="font-weight: 400;"><em>TAB UOL</em></span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30111" aria-describedby="caption-attachment-30111" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30111 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5.jpg" alt="" width="1920" height="1038" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30111" class="wp-caption-text">Anos antes de Fernanda Montenegro e Central do Brasil, Marília Pêra quase adentrou a corrida pelo Oscar de Melhor Atriz em 1982, com reconhecimento em importantes prêmios da crítica americana (Foto: Embrafilme)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O terço final apresenta ao público a prostituta Sueli, interpretada por Marília Pêra (</span><i><span style="font-weight: 400;">Dias Melhores Virão</span></i><span style="font-weight: 400;">, 1989), em performance tão impactante que lhe rendeu prêmios </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TeSVIOiDocU&amp;t=22s"><span style="font-weight: 400;">internacionais</span></a><span style="font-weight: 400;">, como o estadunidense </span><i><span style="font-weight: 400;">National Society of Film Critics Awards </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">NSFC</span></i><span style="font-weight: 400;">), em 1982. Logo em sua primeira cena, a atriz prova os motivos de tanto reconhecimento, ao contracenar com Pixote dentro de um banheiro onde, horas antes, realizou um procedimento de aborto. A desilusão de seu olhar, o peso em sua cabeça e o cansaço de seu corpo são sentidos na rejeição que ela pratica de imediato com o garoto, apenas para lhe pedir desculpas depois e, posteriormente, construir laços com ele e seus amigos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Pixote, estar próximo de Sueli equivale a estar o mais perto possível em sua vida de uma figura materna, por mais estranha que essa relação possa parecer. Nessa linha, o momento mais representativo acontece quando o menino passa mal e ela o coloca em seu colo, numa imagem que evoca a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pietà</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Michelangelo, mas apenas na superfície. Alguns minutos depois, a prostituta o desprende de seu seio e o manda embora de sua casa, sob constatação repentina de que não quer ser </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_bz1DB6gSxQ"><span style="font-weight: 400;">mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30109" aria-describedby="caption-attachment-30109" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30109 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6.jpg" alt="" width="1920" height="1038" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30109" class="wp-caption-text">Ao redor do mundo, Pixote é reverenciado por grandes diretores, como Spike Lee e Quentin Tarantino (Foto: Embrafilme)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, Pixote </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Oasmf_5K8qQ"><span style="font-weight: 400;">termina</span></a><span style="font-weight: 400;"> o filme novamente sozinho, depois de ter visto tantas pessoas cruzarem sua jornada, apenas para que a vida as tirasse depois. Seu último registro em cena o encontra andando sob um trilho de trem rumo ao desconhecido. Como única certeza, está sozinho e abandonado à própria sorte, não apenas pelos antigos amigos e colegas, mas também pelo Estado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida de seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HXxfYSqQ5sk"><span style="font-weight: 400;">intérprete</span></a><span style="font-weight: 400;"> não teve um caminho tão diferente. Fernando tentou ser ator depois do sucesso do filme, com participações em </span><i><span style="font-weight: 400;">Eles Não Usam Black-Tie </span></i><span style="font-weight: 400;">(1981) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Gabriela, Cravo e Canela </span></i><span style="font-weight: 400;">(1983), mas não conseguiu progredir na carreira, obrigado a abandonar a atuação devido a pressão de um mercado que não aceita profissionais pouco instruídos. Com amparo do Estado, educação e qualidade de vida bem estruturada, as possibilidades de futuro para Fernando teriam outras portas, mas, sem qualquer previsão, só é fato que seu caminho seria mais justo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, vale lembrar que, 42 anos depois do lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixote</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/08/02/numero-de-criancas-e-adolescentes-em-situacao-de-rua-em-sao-paulo-dobra-em-15-anos"><span style="font-weight: 400;">pouco mudou</span></a><span style="font-weight: 400;">. Segundo o Censo de Crianças e Adolescentes em Situação de Rua, realizado em São Paulo em Maio de 2022, há mais de 3 mil crianças vivendo nas mesmas condições que o protagonista. Seja no passado ou no presente, o Brasil continua sendo um país que, por meio do desamparo, obriga os mais fracos a fazerem a própria lei.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="1981 Pixote Official Trailer 1 Embrafilme" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/t6VqAOaWZD8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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