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	<title>Arquivos BAFTA &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Assombroso, Conclave joga luz nas certezas do Vaticano</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Jan 2025 14:34:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo O Papa está morto. A reunião para os cardeais do Vaticano escolherem o próximo pontífice está para começar. Quem é a pessoa correta para assumir o manto e quem tem certeza de ser capaz de conduzir o catolicismo? As questões de certo e errado, certezas e dúvidas são a principal temática de Conclave, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/conclave-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Assombroso, Conclave joga luz nas certezas do Vaticano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34694" aria-describedby="caption-attachment-34694" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34694" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Conclave-2-800x371.webp" alt="Texto Alt: Cena do filme Conclave Na imagem, o personagem Cardeal Benítez está olhando para frente com uma expressão séria. Ele veste roupas de cardeal da igreja católica, uma batina vermelha e branca; em seu pescoço há um terço fino prateado. Atrás dele, há outros cardeais, eles estão em pé, com as mãos juntas em posição de oração. Também vestem batinas e usam terços. Benítez é um homem na faixa dos 50 anos, de pele escura, mexicano, e com cabelos escuros. " width="800" height="371" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Conclave-2-800x371.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Conclave-2-1024x474.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Conclave-2-768x356.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Conclave-2-1536x712.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Conclave-2-1200x556.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Conclave-2.webp 1591w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34694" class="wp-caption-text">O roteiro de Peter Straughan foi premiado com o Globo de Ouro na categoria de Melhor Roteiro de Filme (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Papa está morto. A reunião para os cardeais do Vaticano escolherem o próximo pontífice está para começar. Quem é a pessoa correta para assumir o manto e quem tem certeza de ser capaz de conduzir o catolicismo? As questões de certo e errado, certezas e dúvidas são a principal temática de </span><i><span style="font-weight: 400;">Conclave</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Edward Berger (</span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) que isola personagens e espaços em uma linguagem pomposa para criticar e conduzir ideias sobre a Igreja Católica.</span><span id="more-34693"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Fotografia de <a href="https://www.afcinema.com/Stephane-Fontaine-AFC-looks-back-at-his-choices-in-filming-Edward-Berger-s-Conclave.html?lang=fr">Stéphane Fontaine</a> </span><span style="font-weight: 400;"> e os planos de Berger são extremamente estilizados, ora lembrando um tabuleiro de xadrez, ora emulando uma pintura Renascentista. O formalismo impera nas escolhas para filmar o </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> do papado de uma forma grandiosa em quadros que esbanjam elementos em cena e destacam cores – seja o vermelho ou o branco. São decisões para figurar a imponência da Igreja Católica, mas principalmente dos sentimentos de egoísmo, orgulho e vaidade dos membros da instituição. O que poderia ser um elemento de antítese, uma história de crítica que torna pitoresco seus quadros, na verdade, se revela um contraste entre o luxo e a sujeira do Vaticano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, apesar do calor em cenas bonitas, o trunfo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Conclave</span></i><span style="font-weight: 400;"> é privar a história de ser contada por lentes externas às portas cessadas. Rumores, informações e até notícias de jornais são transmitidos ao espectador pela mediação de alguma figura da Igreja. Não há personagens comuns, fiéis e cenas na Itália ou qualquer parte do mundo, tudo se condensa nos muros da</span><a href="https://casacor.abril.com.br/noticias/noticias/460-anos-michelangelo-curiosidades-obras"><span style="font-weight: 400;"> Capela Sistina</span></a><span style="font-weight: 400;"> a fim de transpassar a situação da religião que não enxerga o mundo por outras óticas, apenas vendo e ouvindo de dentro dos olhos e cabeças de homens.</span></p>
<figure id="attachment_34695" aria-describedby="caption-attachment-34695" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34695" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/conclave_widelg.jpg" alt="Texto Alt: Cena do filme Conclave Na imagem, o Cardeal Thomas olha para baixo com expressão de preocupado. Ele veste roupas de cardeal na cor vermelha e usa um terço no pescoço. Ele é um homem branco, na faixa dos 60 anos, de poucos cabelos e olhos claros. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/conclave_widelg.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/conclave_widelg-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34695" class="wp-caption-text">Conclave foi lembrado em 12 categorias do BAFTA 2025 (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A decisão final sobre quem deve ocupar o lugar do chefe de Estado é consumada quando uma janela é aberta dentro da sala do </span><a href="https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/conclave/como-funciona-o-conclave/"><span style="font-weight: 400;">conclave</span></a><span style="font-weight: 400;">, como se uma luz divina pairasse sobre as cabeças dos líderes, entregando-os à razão. O filme aproveita o seu espaço para construir suas ideias a partir de signos do catolicismo, como, por exemplo, o isolamento obrigatório para manter o sigilo da votação e impedir influências de fora. Assim como, a demonstração de pecados e vícios através de montagens que evidenciam roupas, comida e cigarros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><span style="font-weight: 400;">Por fim, o clímax é muito corajoso, o que poderia cair em um final que atende às expectativas de um papa semelhante às características de humildade e abnegação de Jesus Cristo, prefere subverter com condições que quebram as certezas de um ambiente convicto de si. Além disso, continua na narrativa bíblica, principalmente quando há a presença de alguém que se assemelha aos “</span><a href="https://ovicio.com.br/constantine-tilda-swinton-aborda-possibilidade-de-retorno-na-sequencia/"><span style="font-weight: 400;">anjos</span></a><span style="font-weight: 400;">” da Igreja Católica. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Conclave</span></i><span style="font-weight: 400;"> impressiona e acaba por provar que não temos certeza de nada, nem de que um filme sobre eleição de papa pode ser inquietante e apunhalar o coração com um dos finais mais fortes de 2024. É um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> bem feito com elementos potentes do gênero: desde de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n2xhiaK-E2s&amp;list=PLnoIi4YKKKd_ZpZtU6FSdI364ghMCkT_I"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> inquietante a revelações que você nem vê chegando, apenas crê. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t915aZmyEBg"><span style="font-weight: 400;" data-rich-links="{&quot;fple-t&quot;:&quot;CONCLAVE - Official Trailer 2 [HD] - Only In Theaters October 25&quot;,&quot;fple-u&quot;:&quot;https://www.youtube.com/watch?v=t915aZmyEBg&quot;,&quot;fple-mt&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;first-party-link&quot;}">CONCLAVE &#8211; Official Trailer 2 [HD] &#8211; Only In Theaters October 25</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>40 anos de Paris, Texas: a obra-prima de Wim Wenders que desconstruiu o sonho americano</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Oct 2024 18:58:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Sampaio Um dos conceitos mais famosos do século XX é o American Way of Life. Criada pelo mercado publicitário no pós-guerra e propagada durante a Guerra Fria, essa expressão prega o estilo de vida estadunidense, marcado pelo trabalho árduo, conquista de bens materiais e construção de uma família feliz. O propósito era vender um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/paris-texas-40-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "40 anos de Paris, Texas: a obra-prima de Wim Wenders que desconstruiu o sonho americano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34090" aria-describedby="caption-attachment-34090" style="width: 3000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1.png" alt="Imagem do filme Paris, Texas. Tem uma pessoa na imagem aparecendo da cintura para cima. No centro está Jane, uma mulher jovem e branca. Ela tem cabelo loiro na altura do pescoço, tem olhos castanhos e veste um suéter rosa felpudo. No fundo tem uma parede com uma porta e uma janela, o fundo também é rosa." width="3000" height="2250" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1.png 3000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1-2048x1536.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1-1200x900.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34090" class="wp-caption-text">Lançado em 1984, Paris, Texas é uma das obras-primas dirigidas Wim Wenders (Foto: Argo Films)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Sampaio</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos conceitos mais famosos do século XX é o </span><a href="https://www.todamateria.com.br/american-way-of-life/"><i><span style="font-weight: 400;">American Way of Life</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Criada pelo mercado publicitário no </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/guerras/o-mundo-depois-segunda-guerra-mundial.htm"><span style="font-weight: 400;">pós-guerra</span></a><span style="font-weight: 400;"> e propagada durante a </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2022/11/o-que-foi-a-guerra-fria"><span style="font-weight: 400;">Guerra Fria</span></a><span style="font-weight: 400;">, essa expressão prega o estilo de vida estadunidense, marcado pelo trabalho árduo, conquista de bens materiais e construção de uma família feliz. O propósito era vender um imaginário de como seria a vida nos Estados Unidos para os outros países. Porém, essa fantasia se distancia – e muito – da realidade. Diversos filmes expõem isso, um dos mais belos e profundos é </span><i><span style="font-weight: 400;">Paris, Texas</span></i><span style="font-weight: 400;">, que completa 40 anos em 2024. </span></p>
<p><span id="more-34089"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa acompanha a história de Travis Henderson (Harry Dean Stanton), um homem de meia idade, desaparecido há quatro anos, que é encontrado vagando pelo </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2024/09/01/fantastico-percorre-deserto-da-morte-e-fala-com-coiote-responsavel-por-guiar-imigrantes-ilegais-em-troca-de-dinheiro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">deserto do Texas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Após ser resgatado pelo seu irmão, Walt (Dean Stockwell), e voltar à sociedade, o protagonista terá que se reconectar com o filho, Hunter (Hunter Carson) – que ficou sob a tutela da sua cunhada e irmão –, e descobrir o paradeiro da esposa (Aurore Clément). Enquanto isso, são dadas pistas sobre o que ocorreu durante seu sumiço. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa produção franco-alemã recebeu muito destaque na época e, até hoje, desponta como um </span><a href="https://movieweb.com/what-is-a-cult-classic/"><i><span style="font-weight: 400;">cult classic</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por causa da qualidade do roteiro escrito por L.M. Kit Carson, Sam Shepard e Walter Donohue, e pelo uso de </span><a href="https://youtu.be/GP8_H1_KC7I?si=TUCwf5TsNquhpyoC"><span style="font-weight: 400;">cores vibrantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, mérito do diretor de Fotografia Robby Müller. Ambos setores estão alinhados sob o comando de Wim Wenders para apresentar ao espectador um contraste entre a ideologia dos Estados Unidos perfeito e a árdua e complexa realidade da população. </span></p>
<figure id="attachment_34096" aria-describedby="caption-attachment-34096" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34096" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-2.jpg" alt="Imagem do Filme Paris, Texas. Tem uma pessoa no centro da imagem, aparecendo apenas o busto. No centro está Travis, um homem de meia idade. Ele tem cabelo curto e castanho, tem uma barba castanha e olhos castanhos. Ele usa um boné vermelho na cabeça e veste uma camisa branca, uma gravata amarela e um paletó cinza. Toda a sua roupa está suja de poeira. No fundo tem um deserto e o céu azul." width="1000" height="589" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-2.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-2-800x471.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-2-768x452.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34096" class="wp-caption-text">O filme aborda temas pesados, como alcoolismo, violência doméstica e abusos que, infelizmente, são muito comuns na sociedade estadunidense (Foto: Argo Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A base da crítica é centrada em Travis que, ao contrário do seu irmão que possui carro, casa no subúrbio, carreira bem estruturada e uma família estável, falhou em todos os aspectos da sua vida, destruindo sua relação com a esposa e filho, perdendo a casa, não tendo emprego e possuindo a roupa do corpo como seu único bem. Ou seja, enquanto um é o perfeito exemplo do </span><a href="https://vermelho.org.br/2015/08/27/a-farsa-do-sonho-americano/"><span style="font-weight: 400;">sonho americano</span></a><span style="font-weight: 400;"> – pregado por Hollywood –, o outro reflete as mazelas que a maioria dos estadunidenses vivem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, temas mais pesados como </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/12/09/eua-um-dos-paises-mais-violentos-para-mulheres-visitarem-no-mundo"><span style="font-weight: 400;">violência doméstica</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/uma-a-cada-5-mortes-de-adultos-nos-eua-e-devido-ao-consumo-excessivo-de-alcool/#:~:text=O%20CDC%20tamb%C3%A9m%20estima%20que,fazendo%20isso%20pelo%20menos%20semanalmente."><span style="font-weight: 400;">alcoolismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.ip.usp.br/site/noticia/entenda-o-que-e-um-relacionamento-toxico-e-saiba-como-identificar-os-sinais-de-alerta/"><span style="font-weight: 400;">relacionamentos tóxicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> são tratados durante a narrativa com o devido peso e trauma que isso causa aos personagens. Tais assuntos são, infelizmente, muito presentes na sociedade norte-americana e também mundial, porém, costumam ser ocultados pelo Cinema hollywoodiano para manter o ideal de país sem violência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dicotomia presente na narrativa é reforçada a todo instante pela Fotografia. Müller aplicou uma paleta de cores composta por vermelho, azul e branco para as cenas focadas em Walt, que representam a </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/bandeira-dos-estados-unidos.htm#:~:text=Possui%2013%20listras%20vermelhas%20e,desenvolvidas%20de%20todo%20o%20globo."><span style="font-weight: 400;">bandeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos e o sonho estadunidense. No entanto, Travis é constantemente banhado pela cor verde, que demonstra a instabilidade do personagem e os conflitos presentes em sua trajetória. A coexistência dessas colorações potencializa os temas do roteiro, além de criar visuais deslumbrantes. </span></p>
<figure id="attachment_34093" aria-describedby="caption-attachment-34093" style="width: 1417px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-3.jpg" alt="Imagem do filme Paris, Texas. Tem uma pessoa na imagem. A câmera está bem afastada do personagem. No canto direito aparece Travis, ele veste uma jaqueta jeans, uma camisa marrom, uma calça jeans e botas marrons. Atrás dele está uma caminhonete azul. No fundo tem um estacionamento vazio e toda a iluminação é verde com muitas sombras." width="1417" height="850" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-3.jpg 1417w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-3-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-3-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-3-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-3-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34093" class="wp-caption-text">O filme é um road movie, ou seja, acompanha os personagens viajando e conversando sobre passado, sonhos e medos (Foto: Argo Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><a href="https://youtu.be/6dXSH9n2aC4?si=gTyaH-GMCy9ci5Lb"><span style="font-weight: 400;">Wenders</span></a><span style="font-weight: 400;"> também transita entre o melancólico e o esperançoso, como um desdobramento dos temas do enredo. A incapacidade de atingir o sonho norte-americano perturba Travis, porém, quando ele percebe essa realidade, passa a aceitá-la e, assim, ele nota que a felicidade e realização pessoal podem estar na conexão com seu filho. Até mesmo a conclusão – bem agridoce – do longa reforça que essas duas sensações podem coexistir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além do tom crítico e negativo, o filme ainda carrega muita </span><a href="https://youtu.be/w0KmtGyqdsw?si=belUGuxR_KZgjs0i"><span style="font-weight: 400;">beleza</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua história, que provém da conexão entre os personagens. Travis tem um arco de reconciliação, tanto com o mundo quanto com o filho </span><a href="https://youtu.be/MJzNxQLGyPw?si=W_9HwrM6XqAL7ird"><span style="font-weight: 400;">Hunter</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se sente distante do pai após seu desaparecimento de quatro anos. A busca para reconstruir esses laços é gradual e muito bonita devido às interpretações dos atores. </span></p>
<p><a href="https://www.theguardian.com/film/2013/nov/23/harry-dean-stanton-interview"><span style="font-weight: 400;">Harry Dean Stanton</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta, a princípio, um personagem desconectado da realidade, que pouco se comunica e transparece uma despreocupação absurda com os acontecimentos ao seu redor. Entretano, com o decorrer da narrativa, sua interpretação ganha tons mais doces quando aborda a reaproximação com o filho; é notável o esforço de Travis para se tornar novamente um pai. A magia desse comportamento pode ser quebrada quando mais traços de personalidade são revelados, mostrando que o protagonista é muito problemático e, até mesmo, perigoso para aqueles ao seu redor, e que tais comportamentos talvez nunca mudem. Sua persona é complexa, podendo ser odiada e amada na mesma medida.   </span></p>
<figure id="attachment_34094" aria-describedby="caption-attachment-34094" style="width: 1792px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4.jpg" alt="Imagem do filme Paris, Texas. Tem duas pessoas na imagem. Na esquerda, aparecendo o busto, está Travis, ele está com um bigode, ele usa uma jaqueta marrom e uma camisa vermelha. Na direita está Hunter, um menino de cabelo loiro comprido e de olhos castanhos, ele veste uma camisa xadrez vermelha, uma calça camuflada e um tênis vermelho. A criança tem um pote de batata frita apoiado na perna direita. Eles estão sentados na traseira de uma caminhonete conversando e se olhando. No fundo tem uma rodovia.Mostrar menos " width="1792" height="1008" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4.jpg 1792w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34094" class="wp-caption-text">Travis tem muitos traumas em seu passado que ele luta para esquecer (Foto: Argo Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra personagem fascinante é Jane, esposa de Travis, que conta com uma interpretação magistral de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qg3dL_l5XZo&amp;t=4s&amp;ab_channel=Cinemash"><span style="font-weight: 400;">Nastassja Kinski</span></a><span style="font-weight: 400;">. Suas poucas aparições durante a projeção são impactantes e apresentam os momentos mais emocionalmente intensos da narrativa. A atriz consegue, com pouco tempo de tela, construir uma personalidade bastante complexa, qxue convive diariamente com as decisões erradas que fez no passado e a angústia de se encontrar distante do filho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Complementando a família principal está </span><a href="https://youtu.be/MJzNxQLGyPw?si=euLUreX_bXi-zSW3"><span style="font-weight: 400;">Hunter</span></a><span style="font-weight: 400;">, filho de ambos. A interpretação de Carson é singela, porém, bastante eficaz, já que o ator consegue transmitir os sentimentos de tristeza e amargura de quem, há tempos, foi abandonado pelos pais. Pode-se dizer que o maior mérito da atuação desse trio principal é conseguir apresentar personagens tão profundos e tão reais; a sensação é de que todas aquelas pessoas poderiam realmente existir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Walt e Anne Henderson, perfeitamente interpretados por Stockwell e Clément, compõem um bom elenco de apoio, ainda que suas personalidades não apresentem o mesmo nível de profundidade que os protagonistas. A presença de ambos na trama serve para escancarar a diferença entre as famílias e servir de base para a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G2B_mRW8OOQ"><span style="font-weight: 400;">crítica</span></a><span style="font-weight: 400;"> à sociedade norte-americana perfeita. </span></p>
<figure id="attachment_34095" aria-describedby="caption-attachment-34095" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34095" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-5.jpg" alt="Imagem do filme Paris, Texas. Tem duas pessoas na imagem. Na esquerda está Walt, um homem de meia idade. Ele tem cabelo castanho curto e olhos castanhos, ele veste uma camisa azul, uma jaqueta marrom e uma calça marrom. Na direita está Travis, ele está de barba, ele veste um boné vermelho, uma camisa branca, um paletó cinza e uma calça cinza. Eles estão em cima de um trilho de trem e no fundo tem um deserto. Eles olham para o horizonte." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34095" class="wp-caption-text">Paris, localizada no Texas, é a cidade em que os pais de Travis e Walt se conheceram (Foto: Argo Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Wim Wenders fez um trabalho genial na direção deste longa, conseguindo mesclar o tema pesado e melancólico com um formato de </span><a href="https://youtu.be/8gdx44jdkRw?si=dZZHetL78TY0h-JS"><span style="font-weight: 400;">filmagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito criativo e singular. O diretor foge do óbvio e opta por usar enquadramentos e movimentos de câmera pouco usuais, de forma que cada </span><i><span style="font-weight: 400;">frame</span></i><span style="font-weight: 400;"> se distancie do anterior e ajude a contar um pedaço daquela história. As paisagens desoladoras do deserto, as construções complexas das cidades e as diferentes estradas que os personagens percorrem inspira o autor a valorizar cada cenário mostrado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que seja um filme de quase duas horas e meia de duração, a condução de </span><a href="https://youtu.be/v4xkgRKa0ZA?si=QWM0-XTI09yUZMhv"><span style="font-weight: 400;">Wenders</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tão eficaz que proporciona um ritmo bastante ágil à narrativa.  Cada cena, diálogo, movimentação de atores e enquadramento é pensado para avançar a trama, seja falando dos objetivos dos personagens ou, então, explorando aspectos de suas personalidades que instigam o espectador a ficar curioso pelo o que vem a seguir.</span></p>
<figure id="attachment_34092" aria-describedby="caption-attachment-34092" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34092" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-6.jpg" alt="Imagem do filme Paris, Texas. Tem duas pessoas na imagem. Na esquerda, aparecendo da cintura para cima, está Jane, ela usa um vestido preto. Na direita, aparecendo somente o rosto, está Travis, ele tem um bigode, ele está falando no telefone e segura ele com a mão esquerda. Jane olha para Travis e ele olha para a câmera. No fundo, atrás de Jane, tem uma lousa e uma parede branca." width="1200" height="520" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-6.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-6-800x347.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-6-1024x444.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-6-768x333.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34092" class="wp-caption-text">Conforme o passado dos personagens é apresentado, Fotografia e figurinos adquirem tons mais sombrios (Foto: Argo Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na época de lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Paris, Texas</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi merecidamente um sucesso de público e crítica, tendo recebido a </span><a href="https://blog.festcimm.com/palma-de-ouro-significado/"><span style="font-weight: 400;">Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme no </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/cannes-um-mini-guia-para-voce-entender-o-festival-de-cinema"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a> <span style="font-weight: 400;">e o Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">René Clair</span></i><span style="font-weight: 400;"> da Academia de Cinema Italiano em 1984. No ano seguinte, Wim Wenders ganhou o </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/bafta-saiba-tudo-sobre-o-oscar-britanico/"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Direção. O longa também inspirou diversas bandas ao longo dos anos, tanto em álbuns como canções, entre os artistas influenciados estão </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zjnf8mQ6BvM&amp;list=PLHTo__bpnlYW-mKHCkWltzu015SuREdc9"><span style="font-weight: 400;">Primal Scream</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://youtu.be/vWANOpHWcP4?si=HNYI2us-lzXBgXhN"><span style="font-weight: 400;">Nada Surf</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://youtu.be/m6mFIkKF9LI?si=mFMltf7KVe89SEOp"><span style="font-weight: 400;">Travis</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=e3-5YC_oHjE&amp;list=PL80sr_OFD9CEksfqZIPuppckl2Pre3mO8&amp;pp=iAQB"><span style="font-weight: 400;">U2</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/ZlZXHV0uTpI?si=Qg_D3lOs6XHOm-9u"><span style="font-weight: 400;">Lana Del Rey</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2024, o diretor receberá o prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">European Lifetime Achievement</span></i><span style="font-weight: 400;">, pelo conjunto da sua obra pela </span><a href="https://www.cinema7arte.com/european-film-awards-2024-academia-homenageia-realizador-alemao-wim-wenders/#:~:text=Pr%C3%A9mios-,European%20Film%20Awards%202024%3A%20Academia%20homenageia%20realizador%20alem%C3%A3o%20Wim%20Wenders,pelo%20conjunto%20da%20sua%20obra."><span style="font-weight: 400;">Academia de Cinema Europeu</span></a><span style="font-weight: 400;">, instituição que ele foi fundador e presidiu de 1996 a 2020. Além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Paris, Texas</span></i><span style="font-weight: 400;">, Wenders é celebrado por longas como: </span><a href="https://youtu.be/n5dMkZ8EIhc?si=2ea3YSAN1-GIvG1t"><i><span style="font-weight: 400;">Movimento em Falso</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">(1975), </span><a href="https://youtu.be/vXu4NpA3KKg?si=nBpXgMsFH2G7eOfP"><i><span style="font-weight: 400;">As Asas do Desejo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1987) e </span><a href="https://youtu.be/j9srd9g_SEk?si=7EyGKUPDPm4gjEY_"><i><span style="font-weight: 400;">Dias Perfeitos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023), que foi indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Estrangeiro.</span></p>
<figure id="attachment_34091" aria-describedby="caption-attachment-34091" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34091" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-7.jpg" alt="Imagem do filme Paris, Texas. Tem duas pessoas na imagem aparecendo somente o rosto. Na esquerda está Travis, ele veste uma camisa vermelha e uma jaqueta verde. Na direita está Jane, ela usa uma camisa branca. Jane abraça Travis por trás e está mexendo no bigode de Travis com a mão esquerda. No fundo tem um mar." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-7.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-7-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34091" class="wp-caption-text">Jane tem uma presença quase etérea durante o longa, como se ela fosse uma memória distante e inalcançável (Foto: Argo Films)</figcaption></figure>
<p><a href="https://youtu.be/Nmvte2r7Z8c?si=xjdmQq-qUgDjmpm1"><i><span style="font-weight: 400;">Paris, Texas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma obra-prima de Wim Wenders, possuindo um tom melancólico e intimista que, ao mesmo tempo, consegue ser esperançoso; o filme tem um tom agridoce, muito bem vindo à experiência. A trajetória de Travis e Jane é complexa, dolorosa e contrasta com as histórias simples e fantasiosas feitas por Hollywood. Toda a jornada emocional, cheia de altos e baixos, proposta pelo longa, é sensacional e consagra a obra como uma das melhores do Cinema.</span></p>
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		<title>Ficção Americana traz drama familiar com uma comédia crítica e ácida</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Mar 2024 19:43:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Rafael Gomes Ficção Americana é a história de Thelonious Ellison – também conhecido como Monk –, um escritor que não lança um livro há anos e que está cansado de como histórias de pessoas negras são tratadas na cultura americana. O filme se divide em dois: a primeira metade é sobre sua família excêntrica e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ficcao-americana-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ficção Americana traz drama familiar com uma comédia crítica e ácida"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32689" aria-describedby="caption-attachment-32689" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32689 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/jeffrey-wright-as-thelonious-monk-ellison-from-american-fiction.jpg" alt="Cena do filme Ficção Americana. Na imagem, o personagem Monk aparece no centro, segurando livros coloridos de sua autoria. Ele usa uma camiseta polo preta, e óculos de grau marrons. Ele está em uma livraria, cercado por prateleiras cheias de livros." width="750" height="375" /><figcaption id="caption-attachment-32689" class="wp-caption-text">Uma das surpresas do Oscar 2024, Ficção Americana marca o primeiro trabalho de Cord Jefferson na grande tela (Foto: Amazon MGM Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Rafael Gomes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ficção</span><i><span style="font-weight: 400;"> Americana</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a história de Thelonious Ellison – também conhecido como Monk –, um escritor que não lança um livro há anos e que está cansado de como histórias de pessoas negras são tratadas na cultura americana. O filme se divide em dois: a primeira metade é sobre sua família excêntrica e disfuncional, que conta com uma irmã afetuosa (</span><span style="font-weight: 400;">Tracee Ellis Ross</span><span style="font-weight: 400;">), um irmão rebelde (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/sterling-k-brown/"><span style="font-weight: 400;">Sterling K.Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">, que rouba a cena) e sua mãe adoecida (Leslie Uggams), que ele visita em Boston. A segunda parte é sobre o livro fictício <em>My Pafology</em>, uma história sobre traficantes armados, tráfico de drogas e pais ausentes, escrito sob a alcunha de Stagg R Leigh e enviado ao seu agente. Monk esperava que a Indústria entendesse a sátira e os estereótipos colocados sobre autores negros, ao forçá-los cada vez mais a escreverem esse tipo de história. Porém, o efeito foi o contrário: o livro se tornou um </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> e vira o maior sucesso do protagonista.</span></p>
<p><span id="more-32670"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa traz a estreia de </span><span style="font-weight: 400;">Cord Jefferson</span><span style="font-weight: 400;"> no Cinema, após grandes sucessos na TV como </span><a href="https://www.adorocinema.com/series/serie-19583/"><i><span style="font-weight: 400;">Master of None</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outro destaque é a atuação de </span><span style="font-weight: 400;">Jeffrey Wright</span><span style="font-weight: 400;">, conhecido por papéis em </span><a href="https://personaunesp.com.br/westworld-3-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Westworld</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Wright traz um Monk carrancudo e irritado com tudo por meio de uma representação sutil, mas espetacular. Com desempenhos fantásticos, o maior destaque vai para Sterling K. Brown – famoso pela série </span><em><a href="https://personaunesp.com.br/this-is-us-5a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">This is Us</span></a></em><span style="font-weight: 400;"> – que interpreta Cliff e rouba o destaque das poucas cenas em que aparece, com uma pitada cômica e ao mesmo tempo trágica, ao trazer um personagem que apenas quer ser reconhecido e ao adicionar drama à trama.</span></p>
<figure id="attachment_32690" aria-describedby="caption-attachment-32690" style="width: 630px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32690" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/sterling-k-brown-as-clifford-ellison-from-american-fiction.jpg" alt="Cena do filme Ficção Americana. Ao fundo da cena, é possível ver uma casa de cor branca, com uma iluminação noturna. Ao centro da imagem está Clifford, homem de pele negra, com cabelo e um cavanhaque, está utilizando uma corrente e está usando uma camisa de botão de cor amarela. Sua expressão é de reflexão." width="630" height="315" /><figcaption id="caption-attachment-32690" class="wp-caption-text">Indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, Sterling K. Brown pode ser uma surpresa para faturar o prêmio (Foto: Amazon MGM Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O núcleo familiar de Monk é único e bem diferente dos retratados nos </span><i><span style="font-weight: 400;">best-sellers</span></i><span style="font-weight: 400;"> que o protagonista é contra. Ainda com cicatrizes abertas por conta do suicídio do pai, tendo que lidar com uma outra morte próxima à família e com as crises de </span><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/alzheimer#:~:text=A%20Doen%C3%A7a%20de%20Alzheimer%20(DA,neuropsiqui%C3%A1tricos%20e%20de%20altera%C3%A7%C3%B5es%20comportamentais."><span style="font-weight: 400;">Alzheimer</span></a><span style="font-weight: 400;"> da mãe, além de seu irmão “rebelde”, o protagonista tem sua própria tragédia familiar. Esse drama doméstico é uma construção importante para entendermos as motivações do personagem, ao enxergamos neles a pluralidade de gostos, as histórias e as experiências que o autor busca em personagens negros da literatura. Essa jornada familiar é o coração do filme, enquanto a crítica do livro seria a cabeça. </span></p>
<p><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-316372/"><i><span style="font-weight: 400;">Ficção Americana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> brilha como uma sátira incisiva, sendo ao mesmo tempo provocativa e extremamente acessível. Seu grande trunfo está em criticar quem clama pela diversidade, mas a quer apenas para ganhar mais dinheiro ou para reforçar estereótipos étnico-raciais. Em sua maioria, os criticados são todos brancos, mas também há espaço para quem se aproveita do sistema, em que mesmo atacando um mercado que só pensa no monetário, ajuda a difundir obras que amplificam o pensamento de que as minorias devem ter histórias determinadas pelo sofrimento. O filme defende uma gama maior de narrativas negras, mas não somos levados a acreditar que Monk está 100% correto no descarte da comunidade, das ruas e da violência, pois essa é a realidade da vida de muitos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa recebeu cinco indicações ao </span><em><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></a></em> 2024<span style="font-weight: 400;"> nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Trilha Sonora. O roteiro, escrito por Cord, foi premiado no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> e representa a melhor chance de premiação. Porém, isso não é garantia de vitória, por causa das concorrências de peso como </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pobres-criaturas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/barbie-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Barbie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/zona-de-interesse-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_32680" aria-describedby="caption-attachment-32680" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32680 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/27123715802103-800x451.png" alt="Cena do filme Ficção Americana. No fundo da imagem está uma casa grande, próxima à praia, cheia de escadas com a bandeira americana hasteada à esquerda do personagem principal Munk, que está no centro da imagem, com uma expressão preocupada. Monk é uma pessoa de pele negra, careca e barbuda. Está utilizando uma camisa social de cor branca. " width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/27123715802103-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/27123715802103-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/27123715802103-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/27123715802103-1200x676.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/27123715802103.png 1296w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32680" class="wp-caption-text">Ficção Americana não teve lançamento nos cinemas do Brasil e chegou diretamente no Prime Video (Foto: Amazon MGM Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto mais fraco do filme está em seu final. Com uma conclusão metalinguística, que admite a dificuldade de finalizá-lo, mesmo sendo curiosa e diferente, ela decepciona, por falhar na hora de oferecer resolução ou de se apoiar na falta dela. Com atuações espetaculares e direção e roteiro precisos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_vR1BPaVvLo"><i><span style="font-weight: 400;">Ficção Americana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um duro golpe para quem acredita que a diversidade é apenas uma discussão rasa para preencher cotas. Ao negar a problemática de uma indústria que tem pouco interesse em aprofundar pautas importantes, o longa as leva para o grande público de maneira instigadora, cutucando na ferida através do humor.</span></p>
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		<title>Zona de Interesse: o mal mora ao lado</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Mar 2024 13:42:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Uma tela preta com um som grave ao fundo inicia e encerra Zona de Interesse. A introdução subversiva dá o tom provocante da obra de Jonathan Glazer, que, ao invés de filmar os horrores dos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, aposta no senso ético dos espectadores para interpretar a dissonância entre &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/zona-de-interesse-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Zona de Interesse: o mal mora ao lado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32630" aria-describedby="caption-attachment-32630" style="width: 860px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32630" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1.webp" alt="Cena de Zona de Interesse." width="860" height="526" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1.webp 860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1-800x489.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1-768x470.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32630" class="wp-caption-text">Além da indicação à Palma de Ouro, Zona de Interesse saiu vencedor do Grande Prêmio no Festival de Cannes (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma tela preta com um som grave ao fundo inicia e encerra </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse</span></i><span style="font-weight: 400;">. A introdução subversiva dá o tom provocante da obra de Jonathan Glazer, que, ao invés de filmar os horrores dos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, aposta no senso ético dos espectadores para interpretar a dissonância entre o que se vê e o que se escuta. Curiosamente, a </span><a href="https://www.termometrooscar.com/melhor-ediccedilatildeo-de-som.html"><span style="font-weight: 400;">melhor aposta</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o longa-metragem no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no qual foi indicado em cinco categorias, não é Melhor Som.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse ponto, a aparição de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Zone of Interest</span></i><span style="font-weight: 400;"> escancara algo ainda mais perturbador. Junto de outras produções nomeadas este ano, como o iminente vencedor </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (também sobre a Segunda Guerra) e o merecedor </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassinos da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;">, a premiação parece ter uma predileção por passar a limpo tragédias movidas pelo dedo humano (coincidentemente, em que o dedo é estadunidense). No entanto, a preferência é seletiva: enquanto homenageia documentários propagandísticos, como aconteceu no ano passado com </span><a href="https://personaunesp.com.br/navalny-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e pode se repetir esse ano com o manipulador </span><i><span style="font-weight: 400;">20 Dias em Mariupol </span></i><span style="font-weight: 400;">(sobre a guerra na Ucrânia), o país berço do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">não só nega um genocídio em andamento, como </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/senado-dos-eua-aprova-pacote-de-ajuda-de-us-95-bilhoes-para-ucrania-e-israel/#:~:text=Israel%20%7C%20CNN%20Brasil-,Senado%20dos%20EUA%20aprova%20pacote%20de%20ajuda%20de%20US,bilh%C3%B5es%20para%20Ucr%C3%A2nia%20e%20Israel&amp;text=O%20Senado%20dos%20Estados%20Unidos,um%20confronto%20com%20a%20C%C3%A2mara."><span style="font-weight: 400;">o financia</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-32629"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É diante de tamanha hostilidade que </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse </span></i><span style="font-weight: 400;">cresce. A reflexão sobre a conivência com uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/assassinos-da-lua-das-flores-critica/"><span style="font-weight: 400;">limpeza étnica</span></a><span style="font-weight: 400;">, ignorando os gritos e tiros do outro lado do muro em prol de um suposto bem-estar social, tem o potencial para cutucar a ferida daqueles que permanecem omissos e, sem mau-caratismo, veem para além do que o filme opta por mostrar.</span></p>
<figure id="attachment_32631" aria-describedby="caption-attachment-32631" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32631" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4.webp" alt="Cena de Zona de Interesse." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4.webp 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-1536x864.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-1200x675.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32631" class="wp-caption-text">Steven Spielberg comparou Zona de Interesse com A Lista de Schindler, mas, ao contrário do segundo, o primeiro pressupõe que o espectador tenha conhecimento prévio do que foi o Holocausto (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><a href="https://letterboxd.com/kmf/film/the-zone-of-interest/"><span style="font-weight: 400;">obra</span></a><span style="font-weight: 400;">, adaptada livremente do livro homônimo de Martin Amis, de 2014, uma família alemã vive ao lado do campo de concentração Auschwitz. O patriarca é Rudolf Höss (Christian Friedel), que encabeça a administração do campo em sua fase inicial e, na vida real, o tornou uma máquina de ceifar vidas. Ele passa a maior parte do tempo se dedicando ao regime nazista e às ordens de Adolf Hitler, mas a esposa Hedwig (Sandra Hüller) e os filhos vivem uma vida tranquila e pacata no casarão, aproveitando os jardins e a horta, os amplos quartos e salas, estufa e a piscina. O </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2023/11/sandra-huller-steps-cautiously-into-the-spotlight"><span style="font-weight: 400;">cachorro</span></a><span style="font-weight: 400;"> corre pelo quintal enquanto os mais novos brincam, a mulher caminha com o bebê no colo e sente o aroma das flores, o filho mais velho dá possivelmente seu primeiro beijo nos fundos da casa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cotidiano seria pacífico e até normal de se assistir, se não fosse o que mora ao lado. O </span><a href="https://www.polygon.com/24055667/zone-of-interest-sound-design-interview-oscar-home-release"><span style="font-weight: 400;">trabalho de som</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Johnie Burn e Tarn Willers faz soar tiros, sirenes, gritos de pessoas amedrontadas e de militares raivosos do outro lado do muro. Algumas noites, as crianças imitam os ruídos que alcançam sua vida tranquila e as tiram o sono. O cachorro nem se incomoda com os estrondos, tamanho o costume. A mãe de Hedwig (Imogen Kogge), que visita a residência, reforça o quanto a filha venceu na vida, mas é a única que se incomoda e deixa o lugar depois de ver as labaredas de fogo vindas do quintal vizinho. Para a família, a crueldade e o desprezo pela vida humana é algo rotineiro, beirando a cegueira. Para quem assiste, um lembrete de que o preço a pagar pela resistência é muito maior do que pela ignorância.</span></p>
<figure id="attachment_32634" aria-describedby="caption-attachment-32634" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32634" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse.jpg" alt="Cena de Zona de Interesse." width="2500" height="1340" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-800x429.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1024x549.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-768x412.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1536x823.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2048x1098.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1200x643.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32634" class="wp-caption-text">A experiência de escutar Zona de Interesse nos cinemas é perturbadora, mas, felizmente, o design de som fez adaptações para as TVs caseiras (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de retratar o descaso, Glazer não cede a ele. O diretor e roteirista mantém seus personagens longe das câmeras e, se por um lado evita aproximações e uma possível romantização, por outro se afasta o suficiente dos seus objetos a ponto de quase eximi-los de responsabilidade pela apatia frente à sombra da morte. O conceito da “</span><a href="https://www.vox.com/culture/23733985/zone-interest-arendt-banality-review-canes-jonathan-glazer"><span style="font-weight: 400;">banalidade do mal</span></a><span style="font-weight: 400;">” que virou jargão para definir as intenções por trás de </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse </span></i><span style="font-weight: 400;">não chega a esvaziar o tema, mas corre o risco de negligenciar que, por trás da tragédia, há pessoas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É no retrato dessas pessoas que o longa-metragem opõem a realidade proposta pelo som. A esposa vivida por Sandra Hüller, em sua segunda </span><a href="https://personaunesp.com.br/anatomia-de-uma-queda-critica/"><span style="font-weight: 400;">aparição grandiosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> nessa temporada de premiação, se ocupa de criar os filhos enquanto o marido está no trabalho sujo, visto por ela como algo honroso, e se vangloria da vida perfeita que construiu. Ela cuida das crianças e da horta, recebe as amigas para um café da tarde e sofre com a possível mudança de lar. Em alguns dos momentos mais simbólicos para mostrar o que há por trás de tanta paz, Hedwig prova roupas novas que vieram diretamente de judeus aprisionados vivendo ao lado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o marido interpretado por Christian Friedel se mantém distante e frio. Assim como a esposa, ele exemplifica o conflito do </span><a href="https://tesouracomponta.com/zona-de-interesse-prioriza-sua-forma-e-mostra-dualidade-do-horror/"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;">: o mal não dá gargalhadas, mas vive ao lado de forma comum. Ele recebe companheiros de trabalho, tem ambições profissionais, se frustra com planos que dão errado e igualmente têm seus dilemas em deixar a família. Ainda assim, a rigidez do regime nazista está ali: ele não treme quando revela estar pensando em como matar todos no ambiente e sua única demonstração de carinho é um “eu te amo” para o cavalo de estimação. Mesmo as falas mais cruéis não se comparam à indiferença da família Höss.</span></p>
<figure id="attachment_32632" aria-describedby="caption-attachment-32632" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32632" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2.jpg" alt="" width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32632" class="wp-caption-text">Zona de Interesse foi indicado nas categorias de Trilha Sonora, Melhor Filme e Melhor Filme em Língua Não Inglesa no Globo de Ouro, e venceu como Melhor Filme Britânico e Melhor Filme em Língua Não Inglesa no BAFTA (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na lista de Melhor Filme no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse </span></i><span style="font-weight: 400;">pode ficar atrás dos seus concorrentes, mas é uma vitória quase certeira em Melhor Filme Internacional para o </span><a href="https://variety.com/2023/film/awards/zone-of-interest-country-oscars-international-feature-1235624029/"><span style="font-weight: 400;">Reino Unido</span></a><span style="font-weight: 400;"> (já que a </span><a href="https://variety.com/2024/film/global/france-dysfunctional-oscar-committee-anatomy-of-a-fall-1235880857/"><span style="font-weight: 400;">França desistiu de submeter</span></a><span style="font-weight: 400;"> seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Anatomia de Uma Queda</span></i><span style="font-weight: 400;">). O longa ainda trava certa concorrência em Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Direção, ambos para Jonathan Glazer. No </span><i><span style="font-weight: 400;">line-up </span></i><span style="font-weight: 400;">da premiação, a mensagem que fica é que, enquanto reflete sobre tragédias passadas, o</span> <a href="https://www.poder360.com.br/internacional/guerra-em-gaza-e-pior-do-que-o-holocausto-diz-embaixador-palestino/"><span style="font-weight: 400;">genocídio em andamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda não é digno da mesma comoção norte-americana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não por isso o longa deixa de refletir sobre si mesmo. Em uma das cenas finais mais impactantes da categoria principal, o comandante de Auschwitz fica enjoado e </span><a href="https://www.vulture.com/article/the-zone-of-interests-vomit-inducing-ending-explained.html"><span style="font-weight: 400;">vomita</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao descer as escadas, saindo de uma reunião da organização nazista. A ruptura é temática, violando a perspectiva e rigidez proposta até ali, mas também é na forma estilística. A montagem de Paul Watts viaja no tempo para depois do </span><a href="https://screenrant.com/zone-of-interest-steven-spielberg-review/"><span style="font-weight: 400;">Holocausto</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando o saldo do que se tornou o campo de concentração, um lembrete da crueldade humana que ceifou milhões de vidas. Também abre possibilidades para interpretação – há um resquício de humanidade, uma luz no fim do túnel da brutalidade? A história tomou seu próprio rumo, mas se repete e </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse </span></i><span style="font-weight: 400;">tem o potencial para oferecer um momento de reflexão.</span></p>
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		<title>Oppenheimer: a explosão e os destroços de uma mente brilhante</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Feb 2024 15:51:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pâmela Palma  O novo filme de Christopher Nolan (Tenet) estreou de um jeito diferente de tudo produzido pelo cineasta até hoje. Oppenheimer chegou às telas com um teor crítico e extremamente didático, algo raramente produzido por outros grandes nomes da atualidade. De forma densa, realista e rica em detalhes, a obra nasce com a intenção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Oppenheimer: a explosão e os destroços de uma mente brilhante"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32520" aria-describedby="caption-attachment-32520" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32520" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3.jpg" alt="" width="1000" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32520" class="wp-caption-text">Herói ou vilão? Algumas pessoas riram, outras choraram, mas a maioria ficou em silêncio (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Pâmela Palma </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo filme de</span><span style="font-weight: 400;"> Christopher</span><span style="font-weight: 400;"> Nolan (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) estreou de um jeito diferente de tudo produzido pelo cineasta até hoje. </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou às telas com um teor crítico e extremamente didático, algo raramente produzido por outros grandes nomes da atualidade. De forma densa, realista e rica em detalhes, a obra nasce com a intenção de retratar biograficamente a vida do físico e cientista J. Robert Oppenheimer, responsável pelo Projeto Manhattan e pelas duas grandes bombas atômicas utilizadas pelos Estados Unidos nas cidades de Hiroshima e Nagasaki como ultimato para cessar a Segunda Guerra Mundial em 1945.</span></p>
<p><span id="more-32517"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para facilitar a compreensão das três horas densas, Nolan constrói uma versão dupla, dividindo as cenas em duas partes: as coloridas, que representam a visão de Oppenheimer (Cillian Murphy), e as que possuem tratamento preto e branco, que, ao invés de relatarem fatos passados, teletransportam o público para o presente, em uma visão externa dos acontecimentos, fazendo com que o filme ganhe um caráter </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/oppenheimer-tem-algo-inedito-na-historia-do-cinema/"><span style="font-weight: 400;">inédito</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma construção visual impecável. Apesar disso, em alguns momentos, o diretor parece ter dificuldade para encaixar os contextos em suas respectivas linhas do tempo, já que o longa aborda diversos personagens para seguir com a história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O secreto Projeto Manhattan deu origem a Los Alamos, cidade financiada pelo governo americano que foi usada como berço para a bomba atômica. A arma, responsável por aniquilar cerca de</span><a href="https://br.ign.com/oppenheimer/111528/news/quantas-pessoas-morreram-pela-invencao-de-oppenheimer"><span style="font-weight: 400;"> 265 mil pessoas</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi construída em segredo no local, liderada por Oppenheimer com a participação de outros renomados físicos, que também ganharam pequenos momentos na trama. Entretanto, o grande elemento de análise é J. Robert Oppenheimer, vivido de forma impecável por Murphy, concorrendo à estatueta de Melhor Ator no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32521" aria-describedby="caption-attachment-32521" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32521" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-3.jpg" alt="" width="600" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-32521" class="wp-caption-text">O físico testemunhou com seus próprios olhos o poder dilacerador de sua invenção (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Polêmico, ambicioso, confuso e covarde (quando não se tratava de física) são palavras que resumem bem a personalidade do cientista. Embora dono de uma mente genial, ele já possuía comportamentos problemáticos desde a academia. No que diz respeito à construção pessoal do personagem, a trama entrega ótimos resultados, principalmente nos primeiros momentos, ao abordar o fascínio de Oppenheimer pelos elementos químicos, em uma jornada para provar a si mesmo que ele pode fazer mais. É nítido que </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/cillian-murphy-comeu-apenas-uma-amendoa-por-dia-para-fazer-oppenheimer-diz-atriz/"><span style="font-weight: 400;">Cillian Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;"> dá a vida e todo o charme necessário para trazer todas as nuances esperadas para o papel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito da obra gira em torno do caos político que pairava sobre a época. Neste contexto, Oppenheimer se afeiçoa </span><a href="https://pipocasclub.com.br/2023/07/24/oppenheimer-era-um-espiao-ele-era-comunista-entenda/"><span style="font-weight: 400;">pelo comunismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, logo quando se torna um professor renomado. Sua família não faz diferente: o irmão, Frank (Dylan Arnold), era membro ativo do Partido Comunista, e para a cereja do bolo, o protagonista se casa com Katherine (Emily Blunt), também alinhada ao movimento. Mesmo deixando a organização após se casar, por saber das complicações que causaria na trajetória do marido, os rastros desse passado os perseguem para sempre, se tornando o grande estopim para a carreira brilhante do físico ir ladeira abaixo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto alto que merece o devido reconhecimento é o papel que Emily Blunt interpreta durante o desenrolar da história, crucial tanto para a trama, quanto para o descanso dos telespectadores e também reconhecida com uma nomeação da Academia, como Melhor Atriz Coadjuvante. É ela quem traz os principais momentos de emoção, já que a história conta com atuações totalmente racionais e frias. Por outro lado, Florence Pugh, que vive Jean, a amante do protagonista, não teve a mesma sorte e fez o melhor que pôde com seus </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/oppenheimer-nolan-pediu-desculpas-a-florence-pugh-por-papel-pequeno-no-filme/#:~:text=Florence%20Pugh%20interpretou%20Jean%20Tatlock%20em%20Oppenheimer%20-,de%20tela%20Reda%C3%A7%C3%A3o%20Publicado%20em%2023%2F08%2F2023%2C%20%C3%A0s%2011h00"><span style="font-weight: 400;">poucos minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de tela, que, na maioria, são apenas cenas de cunho sexual. Entre os saltos dessas relações, é nítido quão confusa é a mente de Oppenheimer, vivendo em uma relação morna com ambas as mulheres de sua vida, sem transparecer a sensação de um amor profundo. A morte de Jean surge apenas para tentar trazer uma entonação emocional para o personagem, mas acaba sendo irrelevante. Cillian Murphy e papéis sentimentais na mesma frase são coisas quase impossíveis.</span></p>
<figure id="attachment_32519" aria-describedby="caption-attachment-32519" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32519" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32519" class="wp-caption-text">Mais um arrependimento para Oppenheimer acompanhar aos outros que já existem na sua estante (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que o projeto se desenvolve e a tão esperada data do grande teste chega, nota-se a evolução do quadro perturbador do pai da bomba atômica. Além disso, algo muito importante vem à tona: o início das movimentações de Lewis Strauss (Robert Downey Jr.) para fazer com que Oppenheimer perca seus acessos confidenciais logo após a entrega da arma. Essa virada de chave é o primeiro passo de Nolan para a tentativa de segurar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4LGGdHiEaaM"><span style="font-weight: 400;">curiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do espectador para o restante da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trinity, o momento que todos aguardavam ansiosamente, chega com um apoio gigantesco da trilha sonora de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0rwbMKjNkp4ehQTwf9V2Jk"><span style="font-weight: 400;">Ludwig Goransson</span></a><span style="font-weight: 400;">. Composta por pianos, violinos e harpas, ela sustenta o suspense nos minutos antes da explosão, quando surge a grande reviravolta: o silêncio interminável, ao invés do barulho estrondoso de uma bomba, tudo que se pode ouvir é a respiração profunda de Oppenheimer. Nolan faz questão de projetar a cena desta maneira para lembrar que o filme é sobre a visão do personagem e não mais uma história sobre o ataque como outras mil que já existem. É o silêncio que permite captar as emoções de medo e ansiedade do físico, que seguem pelo momento em que os caminhões levam as verdadeiras bombas ao campo de batalha, no qual o vemos desmanchar em arrependimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um sucesso monstruoso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;"> acumulou estimados US$ 700 milhões nas bilheterias pelo mundo. O favorito da crítica lidera a lista de filmes indicados ao</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com 13 indicações, superando </span><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i><span style="font-weight: 400;">, que possui 11 indicações na premiação mais aguardada do ano. Além deste grande êxito, o filme ainda levou várias estatuetas de premiações renomadas do cinema, como Globo de Ouro, </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> (o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">britânico) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Critic’s Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, consolida sua corrida com Melhor Diretor, para Christopher Nolan, Melhor Filme e Melhor Som, entre outras nomeações.</span></p>
<figure id="attachment_32518" aria-describedby="caption-attachment-32518" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32518" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3.jpg" alt="" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32518" class="wp-caption-text">Quem tem um amigo como Lewis Strauss, não precisa de um inimigo (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo com as explosões. Quando o projeto final é entregue nas mãos das autoridades americanas, as suspeitas de Oppenheimer ser um espião soviético já estão no auge, já que uma operação comandada por um comitê forjado tem investigado a fundo seu passado. Vem a tona que tudo isso é armado por seu até então colega </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000033990/"><span style="font-weight: 400;">Lewis Strauss</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Robert Downey Jr.). A atuação de </span><span style="font-weight: 400;">Downey Jr. </span><span style="font-weight: 400;">entrega uma performance avassaladora, talvez a melhor de sua carreira, digna de um</span><i><span style="font-weight: 400;"> Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Ator Coadjuvante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como nem tudo na vida é perfeito</span><span style="font-weight: 400;">, ainda faltando cerca de uma hora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;">, após o ponto alto que foi o teste Trinity, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fez7X_oevNs"><span style="font-weight: 400;">Christopher</span><span style="font-weight: 400;"> Nolan</span></a><span style="font-weight: 400;"> assume o desafio de terminar de contar o restante da história de maneira que prenda a atenção do público. O que sobrou foi um emaranhado de questões políticas que decidiram o destino da carreira de J. Robert Oppenheimer. Os momentos de julgamento parecem intermináveis, contudo, necessários para a finalização do longa, que termina relatando nada mais e nada menos do que a realidade de uma mente brilhante que foi usada pelas autoridades da época e praticamente esquecida depois, reduzido a um homem comum colecionando medalhas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="OPPENHEIMER - Novo Trailer (Universal Studios) – HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/F3OxA9Cz17A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Trazendo todos os elementos importantes para que possamos chamá-lo de um ‘‘super filme&#8221;, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é para amadores. Longo, denso e detalhista, é uma obra-prima quando se trata de estrutura, uma vez que todos os elementos visuais e sonoros são excepcionalmente bem empregados. Ainda que o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JLkpxRXJ1_8"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;"> possua grandes nomes para tentar suavizar a densidade, a história exige atenção máxima nas três horas de duração e ainda não superou outras grandes produções de Christopher Nolan, como</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Origem </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Interestelar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, é evidente que é um dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">maiores lançamentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2023.</span></p>
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		<title>25 anos depois, o entretenimento afiado de A Máscara do Zorro permanece marcante</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Sep 2023 15:18:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner É graças à figura imponente do Zorro que, no universo dos heróis, não há nada tão clássico quanto um vigilante trajado de preto com sede de vingança e senso de justiça por aqueles que não podem se defender. Criado pelo escritor pulp Johnston McCulley em 1919, o mascarado assistiu a sua história se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-mascara-do-zorro-25-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos depois, o entretenimento afiado de A Máscara do Zorro permanece marcante"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31451" aria-describedby="caption-attachment-31451" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31451" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-1.jpg" alt="Cena do filme A Máscara do Zorro. Na imagem, as personagens, Alejandro Murrieta (Antonio Banderas), já atuando como o Zorro e, Elena de la Vega (Catherine Zeta-Jones), aparecem guiando os sobreviventes de uma mina de ouro. Murrieta é um homem de pele branca e cabelos e olhos escuros. Ele veste um figurino completamente preto que é acompanhado de luvas e uma capa que se estende até a sola da bota. Vega é uma mulher de pele branca e cabelos e olhos escuros. Ela veste uma camiseta de mangas longas com um fundo transparente e azul, uma saia longa na cor marrom e um cinto preto. Os sobreviventes vestem trajes amarronzados e rasgados. Ao fundo, o cenário é a mina de ouro encoberta pela fumaça branca de seus destroços." width="1000" height="660" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-1-800x528.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-1-768x507.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31451" class="wp-caption-text">Em 1998, The Mask of Zorro arrecadou mais de 250 milhões de dólares em bilheteria (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É graças à figura imponente do Zorro que, no universo dos heróis, não há nada tão clássico quanto um vigilante trajado de preto com sede de vingança e senso de justiça por aqueles que não podem se defender. Criado pelo escritor </span><i><span style="font-weight: 400;">pulp</span></i><span style="font-weight: 400;"> Johnston McCulley em 1919, o mascarado assistiu a sua história se repetir nos quadrinhos, na Televisão e nas grandes telas do Cinema em incontáveis versões. Mas, foi apenas oito décadas depois de seu nascimento que, graças a genialidade de </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurassic-park-30-anos/#comment-583"><span style="font-weight: 400;">Steven Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> através das lentes de Martin Campbell, ele se consagrou como um símbolo universal no longa </span><i><span style="font-weight: 400;">A Máscara do Zorro</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma aventura de pouco mais de 120 minutos marcada pelo entretenimento afiado como a rapieira usada para esculpir o Z nos corpos dos inimigos.</span></p>
<p><span id="more-31438"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme que completa 25 anos, o Zorro de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-silencio-dos-inocentes-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">Anthony Hopkins</span></a><span style="font-weight: 400;">, já debilitado pelas cicatrizes abertas do passado, enxerga o sucessor perfeito em Alejandro Murrieta, um ladrão que toca o terror no faroeste e é interpretado por Antonio Banderas. Movidos pelo sentimento amargo da vingança que se apossa de ambos, a conexão acontece pela existência de um inimigo em comum: o tirano espanhol Don Rafael Montero (Stuart Wilson). Para o primeiro, honrar a memória de sua esposa e reencontrar a sua filha são prioridades, já para o jovem fugitivo, a vontade de lutar surge do assassinato de seu irmão, Joaquin (Victor Rivers). </span></p>
<figure id="attachment_31442" aria-describedby="caption-attachment-31442" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31442" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme A Máscara do Zorro. Na imagem, as personagens, Alejandro Murrieta (Antonio Banderas) e Don Diego de la Vega (Anthony Hopkins), o Zorro, aparecem juntas na cena em que o primeiro aprende a lutar com o mais velho. Murrieta é um homem de pele branca e cabelos e olhos escuros. Ele veste uma camiseta de mangas longas e calça em tons amarronzados. Há um medalhão em seu pescoço que é apontado pela espada rapieira de Zorro, um homem de pele branca, cabelos grisalhos e olhos claros. Ao fundo, o cenário é marcado por luzes quentes e frias." width="2560" height="1679" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-2-800x525.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-2-1024x672.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-2-768x504.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-2-1536x1007.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31442" class="wp-caption-text">Sean Connery foi a primeira escolha de Steven Spielberg para viver Don Diego de la Vega, o Zorro original, papel que acabou com Anthony Hopkins (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De Hopkins para </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pele-que-habito-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Banderas</span></a><span style="font-weight: 400;">, o apego emocional do público com o protagonista não se esvazia nem por um segundo, o que é de se admirar levando em consideração não somente o alto nível de atuação imposto pelo veterano como também o fato de que a sequência de cenas iniciais de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Máscara do Zorro</span></i><span style="font-weight: 400;">, com ele ainda em ação, proporciona momentos de êxtase, incluindo a icônica despedida do justiceiro que, em cima do cavalo Tornado, levanta a espada contra o sol logo após marcar a sua incial no vilão Montero. Imediatamente, a Fotografia de tirar o fôlego de Phil Méheux se mostra essencial para a característica </span><a href="http://www.chovendosapos.com.br/2018/07/a-mascara-do-zorro.html"><span style="font-weight: 400;">atemporal e nostálgica</span></a><span style="font-weight: 400;"> da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado em personagens da América Latina como o ‘fora-da-lei’ Joaquín Murietta, o Zorro de Johnston McCulley esbarra em questões políticas complexas do período da febre de ouro na Califórnia que envolvem a rivalidade mexicano-estadunidense e um certo romantismo colonial. Porém, no filme de 1998, o cineasta Martin Campbell tenta deixar tudo de lado em prol do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Du8HRf6pRVY&amp;pp=ygUWdGhlIG1hc2sgb2Ygem9ycm8gY2xpcA%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">entretenimento</span></a><span style="font-weight: 400;">. E ele consegue conquistar e fazer o público esquecer do contexto histórico por meio da grandiosidade: é difícil não ficar de queixo caído como os irmãos Murrieta quando foram presenteados na infância com o medalhão do cavalheiro em uma espécie de destinos cruzados.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Mask of Zorro (4/8) Movie CLIP - A Very Spirited Dancer (1998) HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/kaJv6L8vF-Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de Ted Elliott, Terry Rossio e Randall Jahnson parte da primeira aparição do mascarado no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">A Maldição de Capistrano</span></i><span style="font-weight: 400;"> e entrega para o roteiro de John Eskow, Elliott e Rossio uma aventura bem amarrada. O que eles nitidamente não esperavam era que Catherine Zeta-Jones fosse roubar a cena na pele de <a href="https://www.eviemagazine.com/post/zorro-and-elena-from-the-mask-of-zorro-are-total-couple-goals">Elena</a>, filha de Don Diego de la Vega, o Zorro original. Sequestrada por Don Rafael Montero quando bebê, ela protagoniza em meio a tantos conflitos emocionais, ultrapassando os limites do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mzlQDtSpxr8&amp;pp=ygUWdGhlIG1hc2sgb2Ygem9ycm8gY2xpcA%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">interesse amoroso</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo sendo uma personalidade feminina escrita a partir de uma visão masculina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas categorias de Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Máscara do Zorro</span></i><span style="font-weight: 400;"> realmente se sobressai com os trabalhos de Kevin O’Connell, Greg P. Russell, Pud Cusack e Dave McMoyler. No âmbito da caracterização, Graciela Mazón recebeu uma nomeação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Figurino pela fidelidade ao ambiente do século XIX. No entanto, é de se surpreender que os visuais tenham passado despercebidos pelas premiações: em entrevista ao </span><a href="https://ovicio.com.br/antonio-banderas-relembra-previsao-de-steven-spielberg-no-set-de-a-mascara-do-zorro/"><i><span style="font-weight: 400;">Yahoo Entertainment</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Antonio Banderas revelou: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Steven Spielberg me disse uma vez quando estávamos filmando: ‘Esse filme, provavelmente, será um dos últimos faroestes feito como nos velhos tempos, com cenas reais, cavalos, lutas de espadas, sem computação gráfica.’ Na época, tudo foi construído de forma prática</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_31443" aria-describedby="caption-attachment-31443" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31443" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-3-scaled.jpg" alt="Cena do filme A Máscara do Zorro. Na imagem, o protagonista, Alejandro Murrieta (Antonio Banderas), já atuando como o Zorro, aparece em uma cena de ação com espada rapieira. Murrieta é um homem de pele branca e cabelos e olhos escuros. Ele veste um figurino completamente preto que é acompanhado de luvas e uma capa que se estende até a sola da bota. Ao fundo, o cenário é um celeiro iluminado por cores quentes." width="2560" height="1905" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-3-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-3-800x595.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-3-1024x762.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-3-768x571.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-3-1536x1143.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-3-2048x1524.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-3-1200x893.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31443" class="wp-caption-text">O diretor neozelandês Martin Campbell substituiu Robert Rodriguez quando o filme estava prestes a sair do papel (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Repleto de cenas memoráveis, o longa faz justiça ao legado que influenciou heróis desde Indiana Jones até Batman. Ironicamente, a sequência da produção, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QikY0eCoiOE&amp;pp=ygUbdGhlIGxlZ2VuZCBvZiB6b3JybyB0cmFpbGVy"><i><span style="font-weight: 400;">A Lenda do Zorro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2005), falhou em continuar a expertise, sendo, provavelmente, um dos únicos defeitos da união entre Spielberg e Campbell. A caminho do seu </span><span style="font-weight: 400;">25º aniversário, a marca deixada pelo entretenimento de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Máscara do Zorro</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda está gravada no imaginário popular e deixa a questão sobre o seu </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2023/zorro-antonio-banderas-terceiro-filme.html"><span style="font-weight: 400;">futuro</span></a><span style="font-weight: 400;"> em aberto. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="THE MASK OF ZORRO [1998] - Official Trailer (HD)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/abwtRFZx8Rs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Park Chan-wook deixa a porta aberta em Decisão de Partir</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Mar 2023 18:00:05 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30521" aria-describedby="caption-attachment-30521" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30521" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-scaled.jpg" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Na imagem, Song Seo-rae contempla algo à sua direita. Ela é uma mulher chinesa de cabelos e olhos escuros. A câmera a captura a partir da cintura. Song veste uma camiseta de botões e mangas longas na cor pêssego e uma saia longa estampada em tons frios como o azul. Ao fundo, o cenário é a sala de estar de uma casa repleta de objetos decorativos. O papel de parede é o que se destaca, sendo composto por ilustrações que simultaneamente se assemelham a montanhas e ondas, pintadas entre cores quentes e frias como o vermelho e o azul." width="2560" height="1636" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-800x511.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-1024x655.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-768x491.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-1536x982.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30521" class="wp-caption-text">Decision to Leave disputou a Palma de Ouro do Festival de Cannes 2022, que coroou Park Chan-wook como Melhor Diretor (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando as luzes se apagam, um detetive ocupa a mente com crimes não solucionados. A insônia somente levanta para longe da cama quando uma presença feminina desconcertante o coloca para dormir ao ritmo de uma respiração acolhedora, justo dela, a suspeita de um dos incontáveis casos que afastam o sono. Entre gotas de colírio para elucidar a visão e potes de sorvete que tentam substituir o jantar, </span><a href="https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1733643864792697-conheca-a-obra-do-cineasta-sul-coreano-park-chan-wook-diretor-de-oldboy"><span style="font-weight: 400;">Park Chan-wook</span></a><span style="font-weight: 400;"> desconstrói o romance como um gênero constantemente flertado pelo Cinema, une os protagonistas através dos simbolismos da partição e deixa a porta aberta para a interpretação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=16uiSSzzVcs"><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30513"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fim de falar de amor, Chan-wook escancara o tato inato de </span><a href="https://best-of-netflix.com/why-you-need-to-see-korean-new-wave-pioneer-oldboy/"><span style="font-weight: 400;">pioneiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e elabora ao lado de Jeong Seo-kyeong um roteiro que diz ‘eu te amo’ sem ao menos escrever as três palavras. Mantendo a </span><a href="https://firstclasse.com.my/the-genius-of-park-chan-wook/"><span style="font-weight: 400;">singularidade e autenticidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atravessa uma das filmografias mais notáveis da história, o diretor sul-coreano assina os papéis do divórcio entre as narrativas que tratam de relações amorosas e o audiovisual, casados em comunhão de bens há séculos. Com uma </span><a href="https://www.cafecomkimchi.com.br/post/decision-to-leave-filme-park-chan-wook-tudo-sobre"><span style="font-weight: 400;">proposta inovadora</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele finalmente liberta o casal de uma representação datada, enraizada em um passado distante e reacende a chama da paixão que juntou estilo e meio pela primeira vez.</span></p>
<figure id="attachment_30520" aria-describedby="caption-attachment-30520" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30520" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Da esquerda para a direita na imagem animada, Song Seo-rae e Jang Hae-joon observam algo posicionado atrás da lente da câmera que captura ambos a partir do busto. Song é uma mulher chinesa de cabelos e olhos escuros. Ela veste uma camiseta de botões e mangas longas na cor amarela. Jang é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros. Ele veste uma camiseta de mangas longas na cor azul. Ao fundo, o cenário é uma sala de estar de uma casa repleta de objetos decorativos e iluminada por luzes brancas de lamparinas." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30520" class="wp-caption-text">A atriz chinesa Tang Wei se esforçou para aprender os significados das suas falas em coreano (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, se a violência faz glória com o vermelho sangrento em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VwIIDzrVVdc"><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2003)</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a nudez traduz a emancipação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-criada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016)</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> adota elementos menos explícitos, mas ainda assim revestidos pelo plano de fundo cruel do cotidiano. Contraditoriamente leve, o enlace do </span><a href="https://www.nytimes.com/2022/10/13/movies/decision-to-leave-review-park-chan-wook.html"><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> moderno</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece pairar sobre o ar que ocupa o espaço desde as ondas do mar até o cume das montanhas, sendo responsável pela dicotomia que dita as regras da narrativa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Confúcio disse: “Os sábios amam a água, os benevolentes as montanhas.” Eu não sou benevolente, eu gosto do mar</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jang Hae-joon e Song Seo-rae são as personificações de opostos que se atraem. Dominador, o instinto investigativo de Hae-joon coloca Seo-rae na mira de seu binóculo que transcende tempo e lugar. Com uma técnica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-k4ldmEP8es"><i><span style="font-weight: 400;">zoom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> peculiar e desconfortável, o público mergulha na imaginação do policial que, por sua vez, está totalmente perdido na intimidade mística da cuidadora de idosos. Teimoso e firme como as rochas, o ator Park Hae-il desloca o seu personagem para o choque estrondoso com as águas cristalinas da atriz </span><a href="https://www.voguehk.com/en/article/celebrity/tang-wei-decision-to-leave-interview/"><span style="font-weight: 400;">Tang Wei</span></a><span style="font-weight: 400;">, dona de uma atmosfera etérea em seu papel. </span></p>
<figure id="attachment_30519" aria-describedby="caption-attachment-30519" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30519" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Na imagem animada, Song Seo-rae assopra as gotas de água que repousam sobre um curativo a prova do elemento, colocado no topo de sua mão. A câmera captura somente sua mão e sua boca. Ela é uma mulher chinesa que veste um suéter de mangas longas na cor azul." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30519" class="wp-caption-text">O filme transmite sensações à flor da pele (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O conjunto dinâmico da dupla não somente caracteriza o duelo de personalidades, como também abre margens para as diferentes interpretações do longa, colocadas em xeque a todo o momento devido a </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2022/10/17/the-persuasive-potency-of-decision-to-leave"><span style="font-weight: 400;">montagem apoteótica</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Kim Sang-bum, parceiro de longa data de Park Chan-wook. Extasiante, sinuosa e por isso mesmo que funciona, a ordem dos planos é o que captura a atenção logo nos primeiros minutos, causando impacto com uma sensação </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CHJ4lGhAJok"><span style="font-weight: 400;">arrebatadora</span></a><span style="font-weight: 400;"> que permanece até os créditos finais. Aqui, são as cenas de luta corporal e de cadáveres em decomposição que ganham uma amplitude que ultrapassa o grotesco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal escolha de edição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> confunde, pode ser amada ou odiada sem um meio termo, porém, o deslumbre da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vpKqQqbyvc4&amp;t=40s"><span style="font-weight: 400;">fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> adiciona sentido e é novamente unanimidade na obra do cineasta. O genial </span><a href="https://www.filmcompanion.in/features/decision-to-leave-movie-park-chan-wook-cinematographer-breaks-down-6-scenes-from-the-ending-mubi-tang-wei-park-hae-il"><span style="font-weight: 400;">Kim Ji-yong</span></a><span style="font-weight: 400;"> toma decisões que se ligam às propostas ambiciosas de Sang-bum, transformando a poluição nuclear em colírio para os olhos e um sorvete anêmico em refeição para o estômago. No meio de um paraíso visual, o vermelho das romãs, a fumaça embaçada do cigarro e o azul dos corpos de maridos assassinados são meros detalhes frente ao ápice: a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZD0pqjB-73Y"><span style="font-weight: 400;">cena do interrogatório</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que o foco da câmera transita entre Jang Hae-joon, Song Seo-rae e os seus reflexos no espelho. </span></p>
<figure id="attachment_30518" aria-describedby="caption-attachment-30518" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30518" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Da esquerda para a direita na imagem animada, Song Seo-rae segura um cigarro aceso com as pontas dos dedos e chora encolhida enquanto Jang Hae-joon posiciona um cinzeiro logo abaixo de sua mão. A câmera captura ambos a partir da cintura. Song é uma mulher chinesa de cabelos escuros. Ela veste uma camiseta de mangas longas na cor verde e uma saia estampada em cores quentes. Jang é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros. Ele veste terno preto e gravata listrada nas cores preta e cinza. Ao fundo, o cenário é a sala de estar de uma casa com um sofá aconchegante." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30518" class="wp-caption-text">A obsessão persegue os protagonistas de Park Chan-wook (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Naquela noite em que você me encontrou no mercado, de repente você se sentiu vivo de novo, não é?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Extremamente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G0oOr7cSZPk"><span style="font-weight: 400;">palpável</span></a><span style="font-weight: 400;">, tanto pelas imagens que constroem a paisagem quanto pela trama fictícia que beira uma </span><a href="https://time.com/6221814/decision-to-leave-review/"><span style="font-weight: 400;">veracidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase ‘pé no chão’, o filme cutuca feridas com a provocação de sensações à flor da pele. De modo inacreditável, esse esforço em evocar os seis sentidos faz do longa algo simultaneamente parado no tempo, a frente dele e atemporal. Com uma atmosfera ancestral que prende visão e audição e a sensibilidade corrente que toca olfato, tato e paladar, há a ainda busca pelo eterno nas </span><a href="https://collider.com/decision-to-leave-park-chan-wook-themes-comments/"><span style="font-weight: 400;">entrelinhas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UwOVu96gvc0"><span style="font-weight: 400;">tema da obsessão</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é novidade na trajetória cinematográfica de Park Chan-wook e, com 11 títulos exibidos nas telas do Cinema, o tópico parece igualmente perseguir personagens, diretor e público. Em entrevista ao </span><a href="https://thefilmstage.com/park-chan-wook-on-decision-to-leave-methodical-directing-and-not-being-a-film-buff/"><i><span style="font-weight: 400;">The Film Stage</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Chan-wook revelou que </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma homenagem ao gênero </span><a href="https://www.indiewire.com/2022/10/park-chan-wook-reveals-hes-not-the-biggest-fan-of-the-noir-genre-despite-success-of-decision-to-leave-1234775304/"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas o resultado da leitura de romances policiais: ”</span><i><span style="font-weight: 400;">Na verdade, esse é um pequeno truque meu: finjo que o filme é do gênero noir e, em certo ponto, nós desviamos do gênero.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Segundo ele e, de fato, o disfarçe de Song Seo-rae como uma </span><i><span style="font-weight: 400;">femme fatale</span></i><span style="font-weight: 400;"> também contribui para essa subverção das histórias de amor.</span></p>
<figure id="attachment_30517" aria-describedby="caption-attachment-30517" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30517" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Na imagem animada, Jang Hae-joon contempla o horizonte. A câmera captura as suas costas a partir da cintura. Jang é um homem sul-coreano de cabelos escuros. Ele veste um terno preto. Ao fundo da composição e a frente do protagonista, uma praia tomada pelo mar reflete o sol em suas ondas." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30517" class="wp-caption-text">Park Hae-il traz o balanço perfeito de feições para um detetive nada equilibrado (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro tópico intensamente pautado pelo cineasta sul-coreano é o conflito histórico entre a sua nação e os companheiros de continente. Rodeado por mil tentáculos, ele traz à tona um envolvimento lésbico para o contexto da ocupação japonesa no começo do século XX em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i><span style="font-weight: 400;">. Agora, observando os </span><a href="https://www.theguardian.com/cities/2017/jul/18/seoul-south-korea-identity-crisis-brand-psy-gangnam-style"><span style="font-weight: 400;">problemas identitários</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ressurgem na Coreia e são refletidos nas obras, Park Chan-wook </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-features/making-of-decision-to-leave-park-chan-wook-explosive-style-mystery-drama-1235276259/"><span style="font-weight: 400;">sabiamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> pontua os desafios do deslocamento asiático e o jogo da conquista que permeia a região desde os primórdios da civilização. Em 2022, é a morte </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YaPxDz36UW4"><span style="font-weight: 400;">misteriosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um oficial de imigração aposentado que acende a luz sobre Seo-rae, a viúva chinesa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atordoante com as reviravoltas, a trilha sonora dificulta a digestão dos eventos e é esse o efeito que proporciona a continuidade do </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2023/01/park-chan-wook-subverte-expectativas-de-sexo-e-violencia-e-investe-no-amor-clcluqkf7002001ccrjk6x5cb.html"><span style="font-weight: 400;">ambiente</span></a><span style="font-weight: 400;"> instaurado pela trama. Produzida com acordes estridentes de violinos e notas adocicadas de flautas, a mescla instrumental de </span><span style="font-weight: 400;">Jo Yeong-wook</span><span style="font-weight: 400;"> injeta doses de adrenalina e endorfina, transitando como um maestro pelas sequências de estresse e conforto. Tomando partida por meio da união entre imagem e som, </span><a href="https://www.leisurebyte.com/closer-music-video-rm-decision-to-leave/"><i><span style="font-weight: 400;">RM</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, integrante do grupo </span><i><span style="font-weight: 400;">BTS</span></i><span style="font-weight: 400;">, não esconde ser obcecado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> e traz as cenas de tirar o fôlego para o videoclipe da faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SmVqMedomh0"><i><span style="font-weight: 400;">Closer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parte do seu álbum </span><a href="https://open.spotify.com/album/2wGinO7YWLHN2sULIr4a7v?si=ZFwkbqEZQtWKYcOxXOgqKA]"><i><span style="font-weight: 400;">Indigo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30516" aria-describedby="caption-attachment-30516" style="width: 947px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30516" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1.jpg" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Da esquerda para a direita na imagem animada, Jang Hae-joon e Song Seo-rae estão sentados nos bancos de trás de um carro. Jang está adormecido e Song acordada olhando para algo à sua esquerda. A câmera captura ambos a partir da cintura. Jang é um homem sul-coreano de cabelos escuros. Ele veste terno marrom e gravata estampada nas cores vermelha e azul sobre uma camiseta branca. Song é uma mulher chinesa de cabelos e olhos escuros. Ela veste um casaco de inverno azul sobre uma camiseta preta com pontos brancos. Ao fundo, o cenário da janela traseira é a praia." width="947" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1.jpg 947w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-800x530.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-768x508.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30516" class="wp-caption-text">Ao fim, montanha e mar representam uma simbiose inexplicável pela ciência (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado no </span><a href="https://www.instagram.com/p/CgnO52sOQ9w/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Maio do ano passado, pleno mês das noivas, o longa mira no divórcio entre o tradicional gênero do romance e o Cinema para traçar uma forma inédita de arrebatar corações. Exibido em salas seletas, ele detém a melhor bilheteria de Park nos Estados Unidos e é o mais assistido pelo país na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><a href="https://collider.com/decision-to-leave-mubi-most-streamed-north-america/"><i><span style="font-weight: 400;">Mubi</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">No campo das premiações, </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> esteve na lista da Palma de Ouro e conquistou o prêmio de </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/diretor-sul-coreano-park-chan-wook-volta-a-cannes-com-drama-policial-e-rom%C3%A2ntico-1.827090"><span style="font-weight: 400;">Melhor Diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> na cidade francesa. Já no Globo de Ouro e no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">, conseguiu vaga em Melhor Filme Estrangeiro, mas não levou para a casa e nem repetiu o feito no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade é que Park Chan-wook continua sem o devido reconhecimento das academias e, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;">, a sensação que fica é a de que ele deseja ser levado pela água salgada junto de Jang Hae-joon e Song Seo-rae. Ao final, ninguém escapa da obsessão: cineasta, personagens e público parecem se tornarem obcecados por tudo aquilo que é intrínseco à obra. Imerso na profundidade de simbolismos pensados de maneira </span><a href="https://www.polygon.com/23445882/decision-to-leave-ending-explained-park-chan-wook-interview"><span style="font-weight: 400;">sagrada</span></a><span style="font-weight: 400;">, Chan-wook deixa a porta aberta para questionamentos sobre o amor e, essencialmente, se ele algum dia ele repetirá tal dicotomia entre montanha e mar, uma </span><a href="https://variety.com/2023/awards/asia/park-chan-wook-decision-to-leave-2-1235483407/"><span style="font-weight: 400;">simbiose</span></a><span style="font-weight: 400;"> que somente a sua Arte explica.</span></p>
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		<title>A Baleia é um retrato sobre tudo o que nos faz humanos</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 12:39:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Clara Sganzerla  Moby-Dick, ou The Whale, é um famoso romance publicado em 1851 pelo escritor estadunidense Herman Melville, que conta a famosa saga do capitão Ahab atrás da baleia que arrancou sua perna. A semelhança com A Baleia, um dos filmes mais comentados do Oscar 2023, não é apenas no nome. A nova obra do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-baleia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Baleia é um retrato sobre tudo o que nos faz humanos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30290" aria-describedby="caption-attachment-30290" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30290" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1.jpg" alt="Cena do filme The Whale. Na imagem, o personagem do ator Brendan Fraser está dentro de uma casa. Ele está sentado em um sofá, usa uma camiseta cinza e sorri. Ao seu lado direito, há um abajur de luz amarela. A iluminação é baixa e os tons são frios." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30290" class="wp-caption-text">Além de indicações no Oscar, The Whale recebeu indicações em premiações como Critics Choice Award, Cannes, Globo de Ouro e SAG Awards (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Clara Sganzerla </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Moby-Dick</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">The Whale</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um famoso romance publicado em 1851 pelo escritor estadunidense Herman Melville, que conta a famosa saga do capitão Ahab atrás da baleia que arrancou sua perna. A semelhança com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos filmes mais comentados do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2023, não é apenas no nome. A nova obra do diretor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nL6vuRrF61w"><span style="font-weight: 400;">Darren Aronofsky</span></a> <span style="font-weight: 400;">nos leva em uma triste trajetória de um outro protagonista atrás de algo que vai além da forma física: uma redenção para si mesmo.</span></p>
<p><span id="more-30287"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na aclamada produção do estúdio </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/a24/"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, somos apresentados a Charlie (Brendan Fraser), um professor universitário que passa seus dias corrigindo redações e suprindo sua falta de perspectiva, afeto e esperança com compulsão alimentar. Em uma jornada acelerada para o seu inevitável fim, acompanhamos o personagem em seus suspiros finais: consumido pela culpa de ter abandonado sua filha para viver um romance, Charlie tira tudo o que resta em si para dar à Ellie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sadie Sink</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma adolescente submersa na contradição de sentir-se injustiçada pelo abandono paterno e, ainda assim, querer o que lhe foi arrancado tão nova. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao dizer tudo de si, é de forma literal. Sobrevivendo com severas consequências de uma condição de obesidade mórbida, o personagem recusa-se a procurar ajuda médica para, no lugar, destinar todas as suas economias ao futuro de sua filha. O que parece ser uma crítica ao </span><a href="https://www.politize.com.br/sistema-de-saude-dos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">sistema de saúde</span></a><span style="font-weight: 400;"> público dos Estados Unidos acaba por ser, na verdade, a solução mais plausível que Charlie encontra &#8211; uma conta bancária com mais de 100 mil dólares a fim de colocar um curativo em cima das feridas que ele mesmo causou, mas tentou evitar. Ellie torna-se, então, uma jovem problemática que se esforça para ser apática com toda a sua situação familiar, mas acaba por cair na grosseria e raiva como maquiagem para sua enorme carência.</span></p>
<figure id="attachment_30289" aria-describedby="caption-attachment-30289" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30289" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2.png" alt="Uma fotografia do ator Brendan Foster e da atriz Sadie Sink. À direita, Sadie usa brincos e um colar prata, seu cabelo ruivo está solto e ela sorri. À esquerda, temos Brendan vestindo um terno azul marinho com listras douradas, camiseta social branca, gravata azul marinho e um óculos preto de grau de armação quadrada. Brendan também sorri sem mostrar os dentes. Ao fundo, um pôster com as palavras The Whale e A24 em branco. " width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30289" class="wp-caption-text">A relação conturbada de pai e filha entre os personagens de Fraser e Sink traz diversas reflexões sobre as marcas do abandono parental (Foto: Kristina Bumphrey)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, vemos nos olhos de Liz (interpretada brilhantemente por </span><a href="https://www.nytimes.com/2023/02/22/movies/hong-chau-the-whale-oscars.html"><span style="font-weight: 400;">Hong Chau</span></a><span style="font-weight: 400;">) o desespero palpável de não conseguir salvar seu amigo de sua jornada de autodestruição para vê-lo afundar em uma dor que também é sua: o luto pelo seu irmão Alex, namorado de Charlie. O motivo da morte acende uma importante e dolorosa discussão sobre a aversão de determinadas </span><a href="https://tab.uol.com.br/gays-e-religiao/"><span style="font-weight: 400;">igrejas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao grupo </span><a href="https://personaunesp.com.br/close-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIAP+</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso porque a recusa do relacionamento homoafetivo entre os dois pela família foi um dos motivos para o suicídio de Alex, que fugiu de um casamento arranjado pelo pai para viver seu verdadeiro amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">Aronofsky</span></a><span style="font-weight: 400;">, como de costume, divide opiniões. Desde a maneira de retratar os episódios de compulsão alimentar até o próprio olhar ao protagonista, entramos em uma linha tênue. Para uns, faltou sensibilidade e respeito ao retratar Charlie. Para outros, não haveria outra forma de tê-lo tornado mais humano do que mostrando tudo aquilo que ele quer esconder. No entanto, talvez essa tenha sido a intenção do diretor: polemizar o suficiente para pensarmos sobre o assunto, para a discussão perdurar além dos cinco minutos após o fim de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o que, com certeza, funcionou. </span></p>
<figure id="attachment_30288" aria-describedby="caption-attachment-30288" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30288" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3.png" alt=" Foto do ator Brendan Fraser e do diretor Darren Aronofsky. Ambos estão em uma premiação, e usam ternos na cor preta, camisa social branca e gravata. Eles sorriem um para o outro e Darren está com sua mão direita no ombro de Brendan. " width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3.png 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-2048x1152.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30288" class="wp-caption-text">Aronofsky sempre chama atenção da crítica por sua direção peculiar e impactante, como em Réquiem para um Sonho, Cisne Negro e Mother! (Foto: Elisabetta A. Villa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O</span><span style="font-weight: 400;"> impacto do longa deu-se muito antes de chegar ao público nos cinemas. Em quase uma década recluso após ser </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/a-incrivel-historia-de-superacao-de-brendan-fraser-de-a-baleia,2fa311be0851846beda6a6926a586de2ktvvgnly.html"><span style="font-weight: 400;">vítima de assédio</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Philip Berk, Brendan Fraser voltou às telas recebendo o reconhecimento que merece: teve sua primeira indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">na categoria de Melhor Ator. Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Whale</span></i><span style="font-weight: 400;"> esteve presente em outras modalidades, como Melhor Maquiagem e Cabelo, pelo trabalho de </span><a href="https://www.motionpictures.org/2023/03/the-whale-oscar-nominated-prosthetics-artist-adrien-morot/"><span style="font-weight: 400;">Adrien Morot</span></a><span style="font-weight: 400;">, e pela sensível atuação de Hong Chau, na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E estamos ansiosos: em uma disputa acirrada com </span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><span style="font-weight: 400;">Austin Butler</span></a><span style="font-weight: 400;">, fica a dúvida sobre quem receberá a estatueta de ouro. Após Fraser vencer a categoria de Melhor Ator no </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, surpreendentemente, no </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, tivemos também o intérprete de Elvis Presley sendo destaque no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, no prêmio BAFTA e no </span><i><span style="font-weight: 400;">Satellite Award </span></i><span style="font-weight: 400;">na mesma posição de Brendan &#8211; a competição para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, que estava quase que decidida para Butler, agora, segue indefinida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De qualquer forma, entre polêmicas e </span><a href="https://www.omelete.com.br/festival-de-veneza/brendan-fraser-the-whale-impressoes-festival-veneza"><span style="font-weight: 400;">emoções</span></a><span style="font-weight: 400;">, a incrível performance de todo o elenco torna inesquecível a experiência de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar de ser doloroso, longo e sofrido, o que vale a pena na obra é enxergar a bondade nos olhos de Charlie e emocionar-se com o retrato sincero, dentro de todos os nossos defeitos e arrependimentos, sobre tudo aquilo que nos faz humanos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Whale | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nWiQodhMvz4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Fire of love: um legado de amor e Ciência</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Mar 2023 19:50:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Longe dos grandes números de bilheteria e do glamour do tapete vermelho, os documentários compartilham o modo divino do Cinema de contar a vida. Aqui, o retrato é através da própria realidade. Neles, sem os artifícios da ficção, o desafio se torna envolver com a apresentação de uma verdade nua e crua &#8211; &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/fire-of-love-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Fire of love: um legado de amor e Ciência"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30213" aria-describedby="caption-attachment-30213" style="width: 1189px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30213" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557.png" alt="" width="1189" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557.png 1189w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557-1024x574.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30213" class="wp-caption-text">Exibido no Festival de Sundance, Fire of Love foi adquirido pela National Geographic e concorre ao Oscar de Melhor Documentário (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe dos grandes números de bilheteria e do </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour</span></i><span style="font-weight: 400;"> do tapete vermelho, os documentários compartilham o </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/1335121/"><span style="font-weight: 400;">modo divino</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Cinema de contar a vida. Aqui, o retrato é através da própria realidade. Neles, sem os artifícios da ficção, o desafio se torna envolver com a apresentação de uma verdade nua e crua &#8211; ou pelo menos, da </span><a href="https://personaunesp.com.br/navalny-critica/"><span style="font-weight: 400;">verdade de quem a conta</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que a imparcialidade de um interlocutor é apenas sua, e não absoluta. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, a História é tecida de acordo com as fotografias e filmagens da câmera e dos arquivos de Katia e Maurice Krafft, vulcanólogos franceses pioneiros no trabalho com vulcões.</span></p>
<p><span id="more-30208"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquadrando as vésperas da </span><a href="https://arstechnica.com/gaming/2023/01/love-among-the-volcanoes-fire-of-love-remembers-maurice-and-katia-krafft/"><span style="font-weight: 400;">morte dos dois</span></a><span style="font-weight: 400;"> como fio condutor da narrativa, o destino está traçado e a diretora Sara Dosa usa dos 93 minutos seguintes para recontar seus caminhos até ali. De forma curiosa, as gravações tomam forma sob a narração ora convidativa, ora morna de Miranda July. A atriz encarrega-se da importante tarefa de, junto à edição, tornar o compilado de imagens um todo, e relata os abalos sísmicos e seus aspectos técnicos tão amorosamente quanto fala sobre a relação romântica entre os dois protagonistas. </span></p>
<figure id="attachment_30212" aria-describedby="caption-attachment-30212" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30212" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30212" class="wp-caption-text">Unida a química, a física e a geologia, a vulcanologia é a área do conhecimento que se dedica ao estudo de vulcões ativos e inativos (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O próprio título original do documentário é exemplificativo em retratar seu teor: </span><i><span style="font-weight: 400;">Fire of Love </span></i><span style="font-weight: 400;">(em tradução livre para o português, “fogo do amor”) é mais sobre a relação de amor de Katia e Maurice um pelo outro e de ambos pelo objeto da profissão do que é sobre os abalos sísmicos documentados em si. Os dois, que se conheceram na década de 1960, na Universidade de Estrasburgo, na França, descobriram uma </span><a href="https://www.nationalgeographic.es/ciencia/2023/01/katia-krafft-de-profesion-exploradora-de-volcanes"><span style="font-weight: 400;">peculiar paixão</span></a><span style="font-weight: 400;"> em comum pelos vulcões e, em uma época em que a área de conhecimento ainda era escassa de profissionais, se debruçaram juntos sobre os gigantes terrestres &#8211; quase literalmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Juntos como uma dupla no amor, na vida e na ciência, o casal passou a lua de mel e os primeiros momentos como casados na ilha de Stromboli, que abriga um dos três vulcões ativos da Itália. É mesclando as aventuras enquanto vulcanólogos aos depoimentos dos Krafft enquanto casal que </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões </span></i><span style="font-weight: 400;">prende a atenção. Para eles, “</span><i><span style="font-weight: 400;">a vulcanologia é uma ciência da observação</span></i><span style="font-weight: 400;">”; para nós, a animação dos dois diante dos seres quase mitológicos, imensos demais para serem incompreendidos, e a </span><a href="https://www.thedailybeast.com/obsessed/fire-of-love-interview-about-married-couple-that-died-on-a-volcano"><span style="font-weight: 400;">coragem</span></a><span style="font-weight: 400;"> de explorá-los juntos, é que valem a pena a observação.</span></p>
<figure id="attachment_30211" aria-describedby="caption-attachment-30211" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30211" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2.jpg" alt="" width="1920" height="709" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-800x295.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-1200x443.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30211" class="wp-caption-text">Esnobado na mesma categoria do Oscar, Fire of Love venceu o prêmio de melhor montagem no Festival de Sundance (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Colecionando centenas de horas de gravação, longas-metragens, fotografias e obras literárias, as produções de Katia e Maurice Krafft não só serviram de </span><a href="https://www.indiewire.com/2022/11/toolkit-fire-of-love-director-sara-dosa-1234782375/"><span style="font-weight: 400;">inspiração para Dosa</span></a><span style="font-weight: 400;">: o cineasta Werner Herzog também foi um dos que bebeu da fonte do legado dos franceses. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6uMsFhxcMgw"><i><span style="font-weight: 400;">Visita ao Inferno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor investiga a relação entre Homem e misticismo lidando com vulcões ativos, e usando de passagens documentais do casal. No mesmo ano, Herzog lança </span><i><span style="font-weight: 400;">The Fire Within: A Requiem for Katia and Maurice Krafft</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com a mesma proposta de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fire of Love</span></i><span style="font-weight: 400;">, o alemão une filmagens dos Krafft para discorrer sobre a vida pessoal dos dois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre um vasto acervo de material, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><span style="font-weight: 400;">eletrizante montagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Erin Casper e Jocelyne Chaput impulsiona </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões</span></i><span style="font-weight: 400;">. A narração literária de July só é possível graças ao trabalho das editoras em compilar trechos sem contexto, depoimentos e artifícios animados, como mapas e infográficos de vulcões, de forma coesa e estável. Dando espaço para Maurice e Katia proferirem suas declarações de amor um ao outro, e para os abalos sísmicos acontecerem em tela no seu tempo real, a sensibilidade da dupla mescla a contação de histórias ao trabalho da vulcanologia e os momentos de reflexão que o próprio casal demanda em suas gravações, em que apresentam </span><a href="https://personaunesp.com.br/colectiv-critica/"><span style="font-weight: 400;">imagens surpreendentes</span></a><span style="font-weight: 400;">, quase lúdicas.</span></p>
<figure id="attachment_30209" aria-describedby="caption-attachment-30209" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30209" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30209" class="wp-caption-text">No Critics&#8217; Choice Documentary Awards, Fire of Love venceu Melhor Documentário de Arquivo, além de ter sido indicado em outras seis categorias (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinados momentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fire of Love</span></i><span style="font-weight: 400;">, Maurice, convertido em um </span><i><span style="font-weight: 400;">popstar</span></i><span style="font-weight: 400;">, afirma saber que morreria em um vulcão. </span><a href="https://www.parquecientec.usp.br/publicacoes/katia-krafft"><span style="font-weight: 400;">Katia</span></a><span style="font-weight: 400;">, em outra passagem, sabe que seu destino é do lado do marido, onde quer que fosse &#8211; mas os dois já sabiam onde seria. Como um contraponto &#8211; ela calculista e estudiosa, ele aventureiro e imprudente a ponto de entrar em um lago de ácido e sonhar em descer um rio de lava em um barco -, a dupla cativa com suas personalidades. Seja dançando com trajes metálicos em frente a um vulcão em erupção ou discutindo os aspectos técnicos de um abalo, os Krafft mantiveram seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/crip-camp-revolucao-pela-inclusao-critica/"><span style="font-weight: 400;">legado de amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de ciência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vida, os vulcanólogos se tornaram referência na área, a ponto de serem chamados toda vez que uma erupção se iniciava. Eles presenciaram os assassinatos causados pelo Mount Saint Helen, nos Estados Unidos; passaram pelo inconstante </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2021/06/um-dos-vulcoes-mais-perigosos-da-africa-o-monte-nyiragongo-entrou-em-erupcao"><span style="font-weight: 400;">Nyiragongo</span></a><span style="font-weight: 400;">, no Congo; o até então inocente e turístico Krafla, na Islândia; e o destruidor Nevado del Ruiz, na Colômbia. Foi no pós-tragédia do vulcão colombiano que Katia e Maurice, que optaram por não ter filhos para investigar as maravilhas naturais, decidiram seu projeto final. O casal sabia do potencial destruidor do seu objeto de trabalho, e, após a morte de cerca de 23 mil pessoas por negligência do Estado da Colômbia, que havia sido avisado de que o Nevado del Ruiz poderia entrar em atividade, escolheu dedicar seu tempo e estudo para alertar autoridades acerca dos </span><a href="https://agenciaeconordeste.com.br/a-erupcao-do-vulcao-anak-krakatoa-na-indonesia/"><span style="font-weight: 400;">perigos dos abalos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e das medidas de proteção.</span></p>
<figure id="attachment_30210" aria-describedby="caption-attachment-30210" style="width: 1240px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30210" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3.jpeg" alt="" width="1240" height="698" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3.jpeg 1240w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30210" class="wp-caption-text">No Oscar 2023, Fire of love compete com <a href="https://personaunesp.com.br/tudo-o-que-respira-critica/">Tudo o Que Respira</a>, All the Beauty and the Bloodshed, A House Made of Splinters e Navalny (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma das categorias mais diversas e </span><a href="https://personaunesp.com.br/escrevendo-com-fogo-critica/"><span style="font-weight: 400;">políticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, o retrato de vida e trabalho do casal francês abocanhou uma indicação como Melhor Documentário em Longa-metragem, mesma nomeação conquistado no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">britânico. Indicado em Documentário, que é Cinema, sim: como a </span><a href="https://personaunesp.com.br/animacao-oscar-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Animação</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou a ficção, se Katia e Maurice Krafft abraçaram o documental como meio para a Arte, por que a </span><a href="https://deadline.com/2023/03/fire-of-love-searchlight-pictures-theatrical-remake-oscar-nominated-national-geographic-documentary-love-story-french-volcanologists-1235277089/"><span style="font-weight: 400;">indústria cinematográfica reluta</span></a><span style="font-weight: 400;"> em o fazer?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, a homenagem à dupla só não supera o sucesso da trajetória profissional dos vulcanólogos. O projeto de alerta e </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/12/internacional/1447365646_003055.html"><span style="font-weight: 400;">conscientização</span></a><span style="font-weight: 400;"> salvou vidas, mas não a dos Krafft. Na observação do Mount Uzen, em erupção no Japão, os dois não deixaram o território e filmaram os destroços causados pelo gigante terrestre. O casal foi encontrado morto, lado a lado e de mãos dadas. Em memória a eles e ao seu legado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft </span></i><span style="font-weight: 400;">relata sua morte, mas também o trabalho de uma vida. De </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cj5yye4z369o"><span style="font-weight: 400;">duas vidas</span></a><span style="font-weight: 400;">, unidas pela paixão pelos vulcões, retratadas pela paixão pelo Cinema. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft | Trailer Oficial | Disney+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/qaYwFU5QS90?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Mar 2023 18:33:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alerta de gatilho: abuso, violência doméstica, estupro, aborto, suicídio.  Giovanna Freisinger Blonde, produção que reimagina a história de Marilyn Monroe, proporcionou a Ana de Armas sua primeira indicação ao Oscar. Concorrendo pelo título de Melhor Atriz por sua interpretação da personagem, ela desponta como forte candidata ao prêmio. Apesar da citação não vir como uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/blonde-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">Alerta de gatilho: abuso, violência doméstica, estupro, aborto, suicídio. </span></em></p>
<figure id="attachment_30096" aria-describedby="caption-attachment-30096" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30096" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1.jpg" alt="Cena do filme Blonde. A imagem mostra as costas da personagem Marilyn Monroe com a parte de baixo de seu vestido levantada, em uma interpretação de sua icônica cena no filme O Pecado Mora ao Lado. Imagem em preto e branco. " width="967" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30096" class="wp-caption-text">Em Blonde, a primeira cena sugere qual será a abordagem de Marilyn Monroe, que o levou ao Oscar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/blonde-ana-de-armas-trailer-netflix-marilyn"><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção que reimagina a história de Marilyn Monroe, proporcionou a Ana de Armas sua primeira indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Concorrendo pelo título de Melhor Atriz por sua interpretação da personagem, ela desponta como forte candidata ao prêmio. Apesar da citação não vir como uma surpresa, após indicações em outras premiações importantes, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/indicados-sag-awards-2023-lista-completa"><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/bafta-2023-indicados"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as respostas do público à essa nomeação foram divididas. Isso não em relação ao merecimento da atriz por sua performance, mas à inclusão do filme na premiação em primeiro lugar, cedendo visibilidade e prestígio à obra, que, para muitos, faria melhor ao mundo sendo esquecida.</span></p>
<p><span id="more-30092"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">60 anos após sua morte, o nome e a imagem de Marilyn Monroe ainda são distorcidos a fim de se encaixarem na fantasia de terceiros. Há uma noção sobre a qual essas pessoas se apoiam, de que elas têm esse direito, como se, por ter sido uma figura muito pública, a identidade de Marilyn estivesse disponível para quem quiser projetar seus desejos e crenças sobre ela. </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/andrew-dominik"><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor e roteirista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, se provou uma dessas pessoas, demonstrando que, mesmo após pesquisar extensivamente sobre a vida da atriz, não nutre respeito algum pela sua história e identidade, ao fazer um filme de péssimo gosto, emprestando sua relevância cultural.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">não é mais um filme biográfico. É uma história de ficção, baseada no </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/sem-categoria/blonde-conheca-os-livros-que-inspiraram-o-filme-sobre-marilyn-monroe.phtml"><span style="font-weight: 400;">livro de mesmo nome</span></a><span style="font-weight: 400;">, escrito por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/joyce-carol-oates-triunfa-ao-narrar-destruicao-de-lacos-familiares.shtml"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> e publicado em 2000. A história aproveita aspectos da vida real de Monroe e a visão do público sobre ela para discutir questões psicológicas e sociais mais abrangentes. Sob esse pretexto, Dominik direciona a narrativa para servir suas intenções questionáveis. A familiarização prévia da audiência com a personagem o permite explorar apenas os aspectos mais sombrios da biografia (como uma compilação de seus piores momentos), sem oferecer contexto ou contraste com as demais partes da vida dela. O livro original tem 738 páginas, das quais muitos aspectos, reais e fictícios, foram descartados na seleção do autor do que achava relevante contar em sua obra.</span></p>
<figure id="attachment_30097" aria-describedby="caption-attachment-30097" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30097" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Marilyn de costas, do tronco para cima, olhando para trás por cima do ombro e sorrindo. Em seu vestido branco para O Pecado Mora ao Lado. Foto em preto e branco" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30097" class="wp-caption-text">Ana de Armas entrega a performance de sua carreira a uma personagem dramática, mas sem dimensões (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> não está na ficção, mas em nenhum dos trechos inventados servir para elevar a personagem ou a narrativa além de uma representação extremamente redutora de uma mulher icônica. As cenas são resumidas à sexualização e à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cwaCDRwHp8k"><span style="font-weight: 400;">tortura</span></a><span style="font-weight: 400;"> da protagonista, muitas vezes com essas se sobrepondo, deixando a audiência desconfortável durante toda a duração do filme, sem entregar compensação nenhuma alheia ao valor de choque. Durante todo o longa, o esforço aplicado transparece para que o espectador sinta algo. Esforço esse que não encontra resultados satisfatórios perante à abordagem rasa tomada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com menos de 20 minutos, temos a primeira cena de abuso sexual. Ao realizar um teste de elenco, Monroe é estuprada por Sr. Z (</span><span style="font-weight: 400;">David Warshofsky)</span><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> personagem que faz referência implícita a </span><a href="https://deadline.com/2017/10/will-academy-weinstein-meeting-be-haunted-by-zanuck-ghost-1202188246/"><span style="font-weight: 400;">Darryl F. Zanuck</span></a><span style="font-weight: 400;">, então chefe da </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox</span></i><span style="font-weight: 400;">, emissora em que conseguiu seu primeiro emprego. </span><span style="font-weight: 400;">Zanuck é, hoje, conhecidamente um agressor sexual, que violou muitas atrizes que trabalhavam para sua companhia. No entanto, não há qualquer registro de que esse tenha sido o caso de Marilyn &#8211; nem com ele, nem com qualquer outro produtor. O que há, na verdade, são diversos registros da atriz prestando um papel essencial na luta contra o </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/famosos/2018/08/marilyn-monroe-lutou-contra-o-teste-do-sofa-em-hollywood"><span style="font-weight: 400;">teste do sofá</span></a><span style="font-weight: 400;">, prática, infelizmente, típica para a década de 50.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daí, a narrativa se modela com base nos relacionamentos da protagonista. O </span><a href="https://epipoca.com.br/blonde-chaplin-jr-e-eddy-tiveram-mesmo-um-caso-com-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">trisal</span></a><span style="font-weight: 400;"> formado com Charlie Chaplin Jr. (Xavier Samuel) e Edward G. Robinson Jr. (Evan Williams), apesar de completamente fictício, parece apresentar um escape para a personagem, como uma forma de atribuir mais controle a ela sobre o que quer. A relação é apresentada a partir da ideia de que eles são os únicos que a veem por quem ela é, a Norma Jeane por trás do mito da Marilyn Monroe e, em retorno, ela os vê apesar do estigma de seus pais famosos. Essa talvez seja a concepção mais interessante do roteiro, mas promete algo que não entrega. O breve tempo do relacionamento na tela não é expandido para muito além das </span><a href="https://www.metroworldnews.com.br/entretenimento/2022/09/15/cenas-de-sexo-explicito-em-blonde-deixam-ate-a-critica-em-choque/"><span style="font-weight: 400;">cenas de sexo</span></a><span style="font-weight: 400;">, privando a audiência dessas facetas além da fama.</span></p>
<figure id="attachment_30098" aria-describedby="caption-attachment-30098" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30098" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Da esquerda para a direita: Edward G. Robinson Jr, Marilyn Monroe e Charlie Chaplin Jr. Edward segura o rosto de Marilyn a sua frente enquanto eles se olham e Charlie está por trás dela seu rosto encostado no cabelo dela" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30098" class="wp-caption-text">Dominik mostra, de maneira vergonhosa, o quão preso está ao corpo de Marilyn, capaz de ignorar por completo sua mente, mesmo declarando ser esse o foco de sua produção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência doméstica mostrada em seu casamento com o jogador de beisebol </span><a href="https://www.mercurynews.com/2022/09/30/joe-dimaggio-is-lovestruck-controlling-and-abusive-in-new-marilyn-monroe-biopic/"><span style="font-weight: 400;">Joe DiMaggio</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Bobby Cannavale) realmente corresponde aos acontecimentos da vida real, mas, ainda assim, é impossível ignorar a fetichização da mulher fragilizada nessas cenas, o que torna essa abordagem do tema difícil de engolir. Mais adiante, sua famosa relação com o então presidente John F. Kennedy (Caspar Phillipson) é abordada brevemente, representada de forma fria e violenta, enquanto, fora da ficção, não há qualquer relato de o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-que-e-verdade-sobre-o-relacionamento-entre-marilyn-monroe-e-john-f-kennedy.phtml"><span style="font-weight: 400;">contato</span></a><span style="font-weight: 400;"> tenha sido abusivo ou não consensual, e esse nem é um rumor comum, o que faz a interpretação parecer, mais uma vez, as mãos de Dominik sobre ela. Ver o filme culpá-la por seu destino e retirar suas escolhas, ao mesmo tempo, é no mínimo estranho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da violência de seus relacionamentos e os contrapontos da fama, uma das principais questões que permeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a maternidade e, como se pode imaginar, a abordagem soa terrível vindo do roteiro de um homem. A personagem passa por três abortos, todos acompanhados de sequências aterrorizantes. Os dois não espontâneos foram forçados a ela por terceiros, a colocando perante a violação das suas vontades e do seu corpo. O espontâneo é antecipado por uma simulação do feto em CGI, com um diálogo telepático bizarro que a coloca em uma espiral de culpa, diante de uma propaganda, não tão bem velada, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/10/blonde-contributes-to-anti-abortion-propaganda-says-planned-parenthood"><span style="font-weight: 400;">anti-aborto</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30095" aria-describedby="caption-attachment-30095" style="width: 1438px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30095" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Representação virtual de um feto dentro da barriga. Tronco, mãos e rosto do feto no plano." width="1438" height="1079" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10.jpg 1438w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30095" class="wp-caption-text">Durante sua vida, Marilyn sofreu pelo menos dois abortos espontaneos e uma gravidez ectópica, possivelmente por conta de sua batalha contra a endometriose; não há qualquer registro de aborto voluntário (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A frequência e a intensidade das cenas com o teor apelativo e violento tornam o filme, supostamente sobre os danos experienciados por um </span><a href="https://firstcuriosity.com/news/how-did-marilyn-monroe-become-the-ultimate-sex-symbol-did-she-like-the-title/#:~:text=She%20was%20an%20American%20actress,of%20the%20era's%20sexual%20revolution."><i><span style="font-weight: 400;">sex symbol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Hollywood e a psique humana, no condescendente rebaixamento de uma mulher notória, sob uma visão moralista de que sua queda é decorrência de sua promiscuidade, que arruina sua vida e seus relacionamentos. Somos, enquanto audiência, convidados a assisti-la sofrer e a alimentar essa fantasia de punição. Para um projeto que conversa com o modo como a indústria tratou a protagonista, falta autoconsciência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante dessas circunstâncias, perdemos qualquer aspecto de quem foi Marilyn Monroe além de seu rosto, seu corpo e seus traumas. Ela foi a mulher mais importante de Hollywood da sua época, </span><a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2022/09/24/entenda-como-marilyn-monroe-se-tornou-um-icone-da-cultura.html"><span style="font-weight: 400;">senão de todos os tempos</span></a><span style="font-weight: 400;">, e não graças a seu rosto bonito (como sempre existiram milhares), mas ao seu talento transcendente, que captava o público.</span> <span style="font-weight: 400;">Marilyn sempre soube o que estava fazendo diante das câmeras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, é tão </span><span style="font-weight: 400;">desconcertante acompanhar</span><span style="font-weight: 400;"> um filme que empresta sua imagem, se baseia em sua história e despreza o que a levou ao sucesso. Talvez, </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, como um todo, fique menos confuso diante do que o autor tem a dizer. </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/tv/diretor-de-blonde-e-criticado-por-fala-machista-sobre-classico-estrelado-por-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">Em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à jornalista Christina Newland, para a revista do Instituto de Cinema Britânico, Dominik afirma que Monroe se tornou um ícone cultural estrelando em vários filmes que “</span><i><span style="font-weight: 400;">ninguém realmente assiste</span></i><span style="font-weight: 400;">” e se referiu a </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Homens Preferem as Loiras</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; obra estimada quase que de forma unânime entre críticos de Cinema, como uma das melhores comédias já feitas &#8211; como um filme sobre “</span><i><span style="font-weight: 400;">vadias bem vestidas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<figure id="attachment_30094" aria-describedby="caption-attachment-30094" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4.jpg" alt="Cena do filme Blonde. A imagem mostra uma sala de cinema, escura, com a tela em posição central e para frente e a plateia de costas. A plateia está lotada. Na tela, Marilyn a frente de um fundo vermelho, com um vestido rosa, luvas rosas, uma pulseira, um colar e um brinco de diamantes e batom vermelho" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30094" class="wp-caption-text">Lançado em 1953, Os Homens Preferem as Loiras foi bem-recebido pela crítica e pelo público, se tornando um dos filmes com maior bilheteria do ano (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte do apelo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, junto à atuação incontestável da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LPp-Oo2t_Wo"><span style="font-weight: 400;">Ana de Armas</span></a><span style="font-weight: 400;"> na pele da protagonista, é seu visual, com imagens lindas e escolhas estilísticas ousadas de direção de câmera, responsabilidade do diretor de fotografia Chayse Irvin, e arte, graças ao diretor de arte Peter Andrus, junto a toda a equipe de efeitos visuais. Porém, não há nada para sustentá-las. Além dos jogos de câmera, luz e efeitos especiais, pode-se reparar que a proporção de tela não é estável e as cenas alternam entre coloridas e preto e branco. Quando questionado por Newland sobre o propósito dessas escolhas, o diretor explicou que não há razão para a narrativa, o que ele queria era apenas reproduzir fotografias famosas. Assim, seguiu seus formatos, como uma forma de conhecer a vida da personagem, visualmente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, houve um empenho para adequar Ana de Armas ao papel, desde as </span><a href="https://twitter.com/netflix/status/1575878135064641541?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1575878135064641541%7Ctwgr%5E71a8f7f47f8046db67b076918358ff66c813e805%7Ctwcon%5Es1_&amp;ref_url=https%3A%2F%2Fportalpopline.com.br%2Fblonde-video-transformacao-ana-de-armas-marilyn-monroe%2F"><span style="font-weight: 400;">mudanças físicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o cabelo e a maquiagem, nos departamento comandados por </span><span style="font-weight: 400;">Jaime Leigh McIntosh</span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;">Tina Roesler Kerwin,</span><span style="font-weight: 400;"> até o treinamento de sua </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/claudia-meireles/veja-os-segredos-para-transformar-ana-de-armas-em-marilyn-monroe"><span style="font-weight: 400;">voz, sotaque e maneirismos</span></a><span style="font-weight: 400;">. O esforço de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">para se assemelhar à realidade não é incomum em histórias biográficas &#8211; mas, novamente, não se trata de uma história biográfica. </span><span style="font-weight: 400;">Se dedicar a alcançar a memória coletiva, para então alterá-la, pintando sobre ela tragédias e misturando os </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/blonde-o-que-e-fato-e-o-que-e-ficcao-no-filme-sobre-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">limites entre verdade e ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, não parece a forma mais ética de abordar uma história baseada em uma vida real, mesmo que dentro de sua liberdade criativa.</span></p>
<figure id="attachment_30099" aria-describedby="caption-attachment-30099" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30099" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-5.webp" alt="À direita: cena do filme Blonde. À esquerda: fotografia real da Marilyn Monroe. Comparação lado a lado entre a releitura e a foto. Em ambas, uma mulher de cabelo curto, óculos e blusa listrada, por trás de Marilyn, ajusta a roupa da atriz. Um macacão branco curto, sem mangas e colado ao corpo. Marilyn se inclina para frente, com as mãos na cintura e olhando para o lado. Foto em preto e branco" width="728" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-30099" class="wp-caption-text">Dominik explica que a ideia visual do filme é referenciar a memória coletiva, como um “déjà vu estranho”, mas com outro sentido às imagens (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>O descaso com a representação de problemas psicológicos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik, </span><a href="https://www.bfi.org.uk/sight-and-sound/interviews/im-not-interested-reality-im-interested-images-andrew-dominik-blonde"><span style="font-weight: 400;">em sua entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Newland, contou que, inicialmente, queria contar uma história sobre como os dramas da infância moldam a percepção de um adulto sobre o mundo e que viu em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">essa história. Porém, ele peca no desempenho dessa ideia ao centralizar toda a narrativa nos traumas vividos pela personagem. Isso resulta em um roteiro ineficiente, já que, sem a contemplação dos contrastes e nuances, o trauma e os conflitos apresentados ficam, além de rasos, irrealistas, como uma experiência que só poderia ter sido fabricada para propósitos dramáticos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir dessa representação, o diretor cria também uma relação desonesta de dicotomia, sob a qual uma pessoa levada ao </span><a href="https://igormiranda.com.br/2022/08/marilyn-monroe-morte-ultimos-dias/"><span style="font-weight: 400;">suícidio</span></a><span style="font-weight: 400;"> não poderia ser nada além de trágica. Com isso, ele reduz a humanidade da personagem a seus problemas e a mantém refém do papel de vítima em seu roteiro, tomando dela o controle sobre sua vida. </span></p>
<figure id="attachment_30093" aria-describedby="caption-attachment-30093" style="width: 1436px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.png" alt="Cena do filme Blonde. Marilyn, já sem vida, deitada em sua cama, sem roupa, enrolada no lençol branco e com um travesseiro sobre seu braço direito. De seu lado esquerdo, um telefone desconectado, debaixo da sua mão" width="1436" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.png 1436w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-800x602.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-1024x770.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-768x578.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-1200x903.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30093" class="wp-caption-text">O pai é a última visão de Marilyn antes de morrer, atribuindo sua morte ao que a obra atribuiu à sua vida: um homem, ou a falta de um (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na conversa com Newland, ele também defende sua abordagem redutora com afirmações como “</span><i><span style="font-weight: 400;">qualquer pessoa que se mata não é uma figura de empoderamento feminino</span></i><span style="font-weight: 400;">”, demonstrando as limitações de seu ponto de vista. Marilyn foi uma </span><a href="https://www.smh.com.au/entertainment/movies/marilyn-monroe-the-unlikely-feminist-20180628-p4zo89.html"><span style="font-weight: 400;">figura de empoderamento feminino</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao mesmo tempo que foi uma história de alerta às mulheres sobre os efeitos de uma sociedade patriarcal. Ela foi e ainda é ambos, justamente porque não era um arquétipo de personagem, mas uma pessoa real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para um artista que se propõe desde o princípio a produzir uma obra sobre questões psicológicas, suas origens e seus efeitos na vida adulta, a representação de Dominik é fraca e caricata, ao reduzir pessoas deprimidas a indivíduos unidimensionais. A menção do longa entre os reconhecidos pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> é, realmente, impressionante quando além de ser insincero, é extremamente entediante assistir uma personagem rasa como Marilyn é em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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