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	<title>Arquivos Aurora Venturini &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em As Primas, amor, Arte e violência se misturam na Argentina dos anos 1940</title>
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		<pubDate>Tue, 30 May 2023 20:59:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos As Primas é um romance de formação, que narra a irmandade das primas Yuna, Petra e Carina, que crescem em uma família disfuncional e marginalizada na cidade argentina de La Plata, nos anos 1940. Publicada originalmente em 2007, quando Aurora Venturini tinha 85 anos, a obra recebeu vários prêmios literários na Argentina e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-primas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em As Primas, amor, Arte e violência se misturam na Argentina dos anos 1940"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31014" aria-describedby="caption-attachment-31014" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-31014 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress.png" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress-768x404.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31014" class="wp-caption-text">Aurora Venturini e seu livro As Primas venceram o prêmio Nueva Novela, do jornal Página/12, pelo qual a autora, enfim, foi premiada por &#8220;um júri honesto&#8221; (Foto: Fósforo/Arte: Vitória Vulcano)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-marco-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">As Primas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um romance de formação, que narra a irmandade das primas Yuna, Petra e Carina, que crescem em uma família disfuncional e marginalizada na cidade argentina de La Plata, nos anos 1940. Publicada originalmente em 2007, quando Aurora Venturini tinha </span><a href="https://www.eternacadencia.com.ar/blog/contenidos-originales/noticias/item/aurora-venturini-cumple-sus-primeros-100-anos.html"><span style="font-weight: 400;">85 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra recebeu vários prêmios literários na Argentina e no exterior. Destacando-se pela linguagem radical e excêntrica, que mistura diferentes registros, gírias, estrangeirismos, neologismos, erros gramaticais e ortográficos, criando um estilo único, original e cativante, o trabalho foi a leitura do <a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/">Clube do Livro do </a></span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><b>Persona </b></a><span style="font-weight: 400;">em Março de 2023.</span></p>
<p><span id="more-30989"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Explorando os limites da narração nas questões de gênero e classe, </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/autores/aurora-venturini/"><span style="font-weight: 400;">a autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostra as contradições e as <a href="https://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/">injustiças da sociedade argentina</a> da época. As personagens femininas são o centro da obra, retratadas como seres marginalizados, oprimidos e violentados pela sociedade patriarcal e machista. No entanto, elas também demonstram uma força e resistência admiráveis nas situações mais perversas e desconfortáveis. Não se conformam com o destino que lhes foi imposto e buscam formas de se expressar e de se afirmar com suas armas, sejam elas a Arte, a astúcia, a rebeldia ou a vingança.</span></p>
<figure id="attachment_30991" aria-describedby="caption-attachment-30991" style="width: 815px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30991 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-815x1024.png" alt="Fotografia da capa do Livro As Primas, da editora Alfaguara, de Aurora Venturini. Nela está uma mesa com pano de prato xadrez vermelho e branco. Abaixo, sentada com as pernas cruzadas ao chão está uma menina que segura uma xícara. Seu rosto está coberto pela toalha xadrez e ao chão está o pires de sua xícara. Logo acima, está o bule e o jogo completo de pires e xícaras." width="815" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-815x1024.png 815w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-637x800.png 637w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-768x965.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2.png 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30991" class="wp-caption-text">A autora se exilou na França, após o golpe militar argentino em 1955; lá, foi amiga de intelectuais franceses, como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir (Foto: Alfaguara Portugal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um aspecto interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Las primas </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) é a forma como a autora constrói suas personagens femininas. As primas </span><a href="https://www.telam.com.ar/notas/202210/607845-marcela-ferradas-teatro-yuna-obra.html"><span style="font-weight: 400;">Yuna Riglos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Petra, assim como as outras mulheres da família, sofrem com a pobreza, a ignorância, a exploração, o abuso e a discriminação devido às suas deficiências físicas ou mentais. Mesmo vitimadas pelos próprios familiares, que as tratam com desprezo, indiferença e crueldade, elas mantém a potência e singularidade em toda a narrativa.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Eu era uma menina diferente das outras porque tinha nascido com um defeito na cabeça que me fazia ter dificuldade para falar e entender as coisas. Por isso as pessoas me olhavam com pena ou com nojo. Mas eu não me importava com isso. Eu sabia que eu era especial e que tinha um dom para a pintura. Eu pintava coisas lindas que ninguém mais podia ver” <em>(p. 13)</em>.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, que chegou ao Brasil em Setembro de 2022 pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Fósforo</span></i><span style="font-weight: 400;">, provoca estranheza, piedade, repulsa e riso, mas também admiração pela maestria </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/primeiro-romance-da-argentina-aurora-venturini-traz-autobiografia-delirante/"><span style="font-weight: 400;">narrativa de Venturini</span></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, a autora cria um universo ficcional rico em detalhes, que revela contradições e injustiças, ao mesmo tempo que nos transporta àquela realidade. Com a ambiguidade de suas dores e principalmente humor, </span><span style="font-weight: 400;">a trajetória de Yuna é contada desde a infância até a idade adulta, passando por episódios trágicos e cômicos que envolvem sua mãe, sua irmã, suas primas, seus tios e seus amores.</span></p>
<figure id="attachment_30996" aria-describedby="caption-attachment-30996" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30996 " src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6.png" alt="Fotografia da capa do Livro As Primas, da editora Caballo de Troya , de Aurora Venturini. Nela está uma mulher branca, deitada com suas mão juntas em frente a seu rosto. Seus cabelos são castanhos e lisos, estão soltos. Ela veste uma blusa com babados azul clara e ao fundo está um sofá ornamentado. O efeito da foto remete a antiguidade com tons escuros e amarelados." width="533" height="615" /><figcaption id="caption-attachment-30996" class="wp-caption-text">Aurora Venturini usava o pseudônimo de Beatriz Portinari, e escolheu esse nome em homenagem à musa de Dante Alighieri, o poeta italiano autor da Divina Comédia (Foto: Editorial Caballo de Troya)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns aspectos temáticos, estilísticos e culturais, é possível relacionar a obra de Aurora Venturini com a de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/pedro-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos mais influentes e originais cineastas contemporâneos. O diretor espanhol é conhecido por filmes que abordam o amor, o desejo, a identidade, a sexualidade e  a família, com um estilo marcado pela estética colorida, pelo humor ácido e pela ironia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As semelhanças ocorrem, principalmente, através da presença de personagens femininas fortes, complexas e marginalizadas, que </span><a href="https://gpslifetime.com.br/materia/em-strange-way-of-life-pedro-almodovar-desafia-convencoes-no-old-west"><span style="font-weight: 400;">questionam os limites das convenções sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Expressando-se através de uma linguagem radical, Venturini usa a ironia ácida e a violência como forma de lidar com as situações trágicas e cômicas atribuídas às personagens.</span></p>
<figure id="attachment_30994" aria-describedby="caption-attachment-30994" style="width: 580px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30994 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-e1685460240947.png" alt="Fotografia da Autora Aurora Venturini. Uma mulher idosa, de cabelos ruivos ondulados e largos a altura de suas orelhas. Seu rosto é marcado por linhas de expressão enquanto encara sua frente. A imagem é restrita ao de seu busto acima, com uma camiseta preta. Ao fundo uma prateleira de livros antigos em tons marrons." width="580" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-30994" class="wp-caption-text">Falecida em 2015, Aurora Venturini foi amiga de Evita Perón, a primeira-dama da Argentina entre 1946 e 1952, e trabalhou com ela na Fundação Eva Perón, instituição com foco na assistência social que ajudava os pobres e os desamparados (Foto: Nora Lezano)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A tradução de </span><a href="https://livrosdabel.com.br/mariana-sanchez-a-tradutora-que-traz-a-literatura-latino-americana-ao-brasil/#:~:text=Mariana%20Sanchez%20%C3%A9%20uma%20das,Silvina%20Ocampo%E2%80%9D%20de%20Mariana%20Enriquez%2C"><span style="font-weight: 400;">Mariana Sanchez</span></a><span style="font-weight: 400;"> é sensível e precisa, captando o tom irônico e sarcástico da voz original de Yuna, que oscila entre a inocência e a crueldade, entre a ternura e o desprezo. A tradutora também respeita as escolhas estilísticas da autora, que usa uma pontuação peculiar e um vocabulário rico em regionalismos e neologismos.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu queria me chamar Maria, como a minha mãe, ou Nené, como a minha prima mais velha, que era linda e inteligente e tocava piano. Mas eu não podia escolher o meu nome e nem o meu rosto. Eu tinha que me conformar com o que me tinham dado”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Nesse trecho, pode-se observar como a tradutora preserva o estilo da autora argentina, que usa frases simples e diretas, sem muitas variações. Ela mantém, principalmente, o </span><a href="https://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/espectaculos/10-18863-2010-08-07.html#:~:text=Conhecer%20o%20autor%20te%20ajudou%3F"><span style="font-weight: 400;">tom confessional e infantil</span></a><span style="font-weight: 400;"> da narradora, que se apresenta ao leitor com muita sinceridade.</span></p>
<figure id="attachment_30992" aria-describedby="caption-attachment-30992" style="width: 898px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30992 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1.png" alt="Fotografia da atriz Marcela Ferradás. Uma mulher branca que veste uma saia longa cinza com detalhes listrados e uma camiseta social preta. A atriz usa um colar de pérolas enquanto olha para sua frente. Seus cabelos são castanhos, ondulados e curtos, com seu comprimento até a orelha. Ao fundo há uma parede com molduras diversas de quadros sem fotos ao meio." width="898" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1.png 898w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1-768x513.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30992" class="wp-caption-text">A atriz Marcela Ferradás conheceu e se encantou com a escritora Aurora Venturini, que lhe disse: “Yuna sos vos”; ela interpretará a protagonista de As Primas em uma peça dirigida por Horácio Peña (Foto: Radio Pública de la Provincia de Buenos Aires)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A personalidade de Yuna, no entanto, é complexa e contraditória: ela tem uma sensibilidade e uma criatividade extraordinária, que a fazem pintar coisas lindas. Ainda assim, é inocente e ingênua, e não compreende bem o mundo ao seu redor. Ela é curiosa e ávida por aprender, usando o </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2023/03/24/interna_pensar,1472857/em-as-primas-aurora-venturini-relata-brutais-historias-familiares.shtml#:~:text=explica%20que%20o%20uso%20de%20determinada%20palavra%20%C3%A9%20decorr%C3%AAncia%20da%20consulta%20ao%20dicion%C3%A1rio"><span style="font-weight: 400;">dicionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> como fonte de conhecimento e expressão. A personagem também é sincera e direta, dizendo o que pensa sem filtros ou rodeios &#8211; uma pessoa forte e resistente, que não se deixa abater pelas adversidades e convenções de decoro. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não gostava da minha prima Nené. Ela era gorda, feia e burra. Ela não sabia fazer nada direito. Ela só sabia tocar piano, mas isso não era arte de verdade” </span></i><span style="font-weight: 400;">(p. 121).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Petra, por sua vez, é uma personagem ambígua e complexa, que oscila entre a crueldade e a solidariedade, amor e ódio, lealdade e traição. Ela é a principal antagonista de Yuna, mas também sua confidente e protetora. Petra se autodenomina </span><i><span style="font-weight: 400;">liliputiane</span></i><span style="font-weight: 400;">, um termo encontrado para se referir às pessoas pequenas como ela. Ela usa essa expressão como forma de se afirmar e de desafiar os preconceitos da sociedade. Petra é a principal responsável na influência dos pensamentos de Yuna acerca de política, religião, sexo e </span><a href="https://personaunesp.com.br/suspiria-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">Arte</span></a><span style="font-weight: 400;">. É Petra, inclusive, que ajuda Yuna a enfrentar os abusos e as violências que sofre na família e na escola.</span></p>
<figure id="attachment_30995" aria-describedby="caption-attachment-30995" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30995 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.png" alt="Fotografia dos livros As Primas e As Amigas, de Aurora Venturini, ambos estão rodeados de outros livros em prateleiras e estão em pé. Seus títulos estão em branco com fundo preto enquanto molduram imagens em suas capas, em Las primas está a figura de uma menina embaixo da mesa tomando algo em uma xícara, na segunda imagem duas senhoras estão encarando sua frente também segurando pires e xícaras." width="1140" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.png 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30995" class="wp-caption-text">Depois do sucesso de Las primas, Aurora Venturini começou a escrever o monólogo Las Amigas (Foto: Revista Leemos)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">As Primas </span></i><span style="font-weight: 400;">se encerra com a consolidação de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">narradora singular</span></a><span style="font-weight: 400;"> e original criada por Aurora Venturini, que nos conta sua história desafiando as normas gramaticais e ortográficas. Yuna nos mostra seu próprio mundo de imperfeições e de diferenças, mas também de beleza e de esperança. Com essa voz inconfundível, Venturini nos apresenta um universo ficcional rico em detalhes, que revela as contradições e as injustiças da sociedade argentina &#8211; e não só.</span></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Março de 2023</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Apr 2023 19:08:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Mas tudo passa neste mundo imundo. Por isso não faz sentido se afligir demais por nada nem ninguém. Às vezes penso que somos um sonho ou um pesadelo realizado dia após dia que a qualquer momento não será mais, que não aparecerá mais no telão da alma para nos atormentar.&#8221; &#8211; Aurora Venturini Aprofundando os &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-marco-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Março de 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30768" aria-describedby="caption-attachment-30768" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30768 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/capa-wp_estantepersona.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/capa-wp_estantepersona.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/capa-wp_estantepersona-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/capa-wp_estantepersona-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30768" class="wp-caption-text">Imergindo na subjetividade, o Clube do Livro de Março conheceu a franqueza de Aurora Venturini em As Primas (Foto: Fósforo/Arte: Aryadne Xavier/Texto de Abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">&#8220;Mas tudo passa neste mundo imundo. Por isso não faz sentido se afligir demais por nada nem ninguém. Às vezes penso que somos um sonho ou um pesadelo realizado dia após dia que a qualquer momento não será mais, que não aparecerá mais no telão da alma para nos atormentar.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8211; Aurora Venturini</em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Aprofundando os laços familiares, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do <strong>Persona</strong> escolheu os ares argentinos para guiar os ventos no terceiro mês do ano. Sob as linhas de uma protagonista de personalidade forte, as páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Primas</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Aurora Venturini, encaminharam uma leitura curiosa e repulsivamente divertida. Definida como uma espécie de autobiografia, a obra é narrada por Yuna, uma mulher com deficiência vivendo rodeada de um contexto trágico em que a violência e a vulnerabilidade social abraçam mulheres e seus laços sanguíneos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com características únicas, o </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/as-primas/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a> <span style="font-weight: 400;">não performa o mais politicamente correto dos textos. Sob os pensamentos, julgamentos e o nojo voraz carregados pela personagem principal, somos afundados em uma narrativa sem filtros na qual o incomum ganha forma em linhas curvas e manchas de tinta. O movimento atípico se reflete na construção de uma escrita que considera a pontuação secundária e dá holofotes à sinceridade liberta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 160 páginas, Yuna detalha as figuras de sua família e os eventos assombrados que a perseguem enquanto registra tudo em cor e sombra através de suas pinturas. Sob as pinceladas, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">aborto,</span></a><span style="font-weight: 400;"> prostituição, morte e abuso ganham retratações ácidas. Entre a mãe, a irmã Betina, a tia Nenê e as primas Carina e Petra, o grotesco e o desatino remontam um viés peculiar da vivência de vítimas da opressão oferecida pelo destino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance é o primeiro e único das mais de 40 publicações de Aurora e marca sua estreia no universo literário da América Latina. Em um deslumbramento brutal, o escrito consagrou a literata aos 85 anos com o prêmio Nueva Novela em 2007. No Brasil, a obra ganhou a primeira versão em setembro de 2022 pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-aos-prantos-no-mercado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Editora Fósforo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e foi traduzida por Mariana Sanchez. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em tons insólitos, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Primas </span></i><span style="font-weight: 400;">causou um rebuliço comicamente miserável. Para não perder o costume, os membros da nossa editoria não falham em dar opções aos que querem adentrar relações similarmente complicadas, mas também contemplam os interessados em conhecer outras das infinitas possibilidades oferecidas pela Literatura. Por isso, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;"><strong>Estante do Persona</strong></span></a><span style="font-weight: 400;"> de Março deixa suas primorosas indicações para estampar o cinza outonal.</span></p>
<p><span id="more-30734"></span></p>
<h2>Livro do Mês</h2>
<figure id="attachment_30765" aria-describedby="caption-attachment-30765" style="width: 701px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30765 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas-701x1024.jpg" alt="" width="701" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas-701x1024.jpg 701w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas-1403x2048.jpg 1403w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas-1200x1752.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30765" class="wp-caption-text">No especial prefácio de Mariana Enriquez, a escritora, júri do prêmio Nueva Novela, relata a surpresa da leitura do romance (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A autoria de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Primas </span></i><span style="font-weight: 400;">não é de um rebelde poeta da </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/o-uivo-vivo-de-allen-ginsberg/"><span style="font-weight: 400;">geração </span><i><span style="font-weight: 400;">beat</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nem de um discípulo do </span><a href="https://www.bbc.com/culture/article/20200623-pink-flamingos-the-most-outrageous-film-ever-made"><span style="font-weight: 400;">cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">camp</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de John Waters, mesmo que o grotesco – elemento constitutivo de ambas textualidades — seja um de seus maiores potenciais poéticos. Pertence sim, à argentina Aurora Venturini que, aos 85 anos, o submete como seu primeiro romance ao Prêmio Nueva Novela e, apesar de sua prosa degenerada e tomada de desassossego, o vence. No entanto, o choque não vem exatamente de uma descongruência da autora com a sua narrativa, dita autobiográfica; pois não é como se Venturini fosse, exatamente, tomada da docilidade e ordinariedade que muitas vezes é esperada de uma figura senil. As </span><a href="https://24.sapo.pt/vida/artigos/romance-as-primas-que-consagrou-aurora-venturini-aos-85-anos-chega-a-portugal"><span style="font-weight: 400;">estranhezas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cultivar aranhas como animais de estimação ou de alegar,  após ter sido hospitalizada depois de um acidente, ter visitado o Inferno e, claro, por isso ser próxima de um padre exorcista, não são distantes do </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/primeiro-romance-da-argentina-aurora-venturini-traz-autobiografia-delirante/"><span style="font-weight: 400;">mundo insubmisso</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção dessa autobiografia ficcional, que engaja todos os jogos literários do gênero —</span> <span style="font-weight: 400;">como a dúvida do quanto do que é narrado é a verdade da personagem e da autora –, trabalha a partir da motivação do mau gosto pelo mau gosto. A protagonista Yuna Riglos, que se descreve como ‘‘limitada’’ e ‘‘degenerada’’ por sua dificuldade de fala, que se transcreve em um fluxo de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/01/quem-e-autora-aurora-venturini-premiada-aos-85-anos-por-as-primas.shtml"><span style="font-weight: 400;">escrita experimental</span></a><span style="font-weight: 400;"> e metalinguístico, ilustra um retrato completamente parcial de sua própria vida e de sua família, composta essencialmente por mulheres precarizadas e animalizadas por sua ótica cretina. Riglos, que relata sua vida desde o início de sua proeminente carreira de pintora, está sempre à beira do vômito e leva o leitor a mesma sensação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre o tom exagerado do início da filmografia de </span><a href="http://43.mostra.org/br/filme/8124-QUE-FIZ-EU-PARA-MERECER-ISTO"><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a apatia assustadora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Yorgos Lanthimos</span></a><span style="font-weight: 400;">, assassinatos, deficiências e abusos são desmoralizados em grunhidos, risadas e xingamentos por suas personagens. Essas </span><a href="https://latinta.com.ar/2020/11/primas-discapacidad-divino-tesoro/"><span style="font-weight: 400;">imagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> brutais e cruéis tecidas por Aurora Venturini, amiga </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">de Evita Perón e Simone de Beauvoir, são um convite para conhecer uma escrita de si dissociada de qualquer moralidade e que distorce, geralmente, o papel atribuído de verdade universal e politicamente correta dado à primeira pessoa narrativa. </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/as-primas/"><i><span style="font-weight: 400;">As Primas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">cria um mundo onde é possível entender, a partir de um humor bizarro e culposo, a precarização da condição humana como um recurso para o desenvolvimento de uma tônica crítica e do arrebatamento necessário à Literatura.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: As primas - Clube do Livro Março de 2023" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/2NOXv6Pi5Mqt9EfgMhQsHW?si=5bee28e2d37e4d5e&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_30736" aria-describedby="caption-attachment-30736" style="width: 664px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30736 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-664x1024.jpg" alt="Capa do livro Pra quando você acordar, de Bettina Bopp, publicado pela editora Planeta. Seu fundo é branco e ela é composta por várias pequenas pinceladas na vertical, variando entre os tons de azul e verde e, em um pequeno espaço, amarelo. Com exceção do nome da editora, que se encontra no canto inferior esquerdo da capa, todas as palavras presentes estão inseridas em uma caixa de texto branca. No canto superior direito está o nome da autora na cor azul, seguido da palavra “Pra” escrita em verde. Abaixo, “quando” está escrito em azul escuro, seguido de “você” em verde e “acordar” em roxo. No canto inferior direito, está escrito “Crônicas de” na cor azul escuro, seguido de “saudade e espera”, na mesma formatação." width="664" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-664x1024.jpg 664w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-768x1185.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-995x1536.jpg 995w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-1327x2048.jpg 1327w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-1200x1852.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-scaled.jpg 1659w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30736" class="wp-caption-text">“O tempo se encarrega de botar as nossas dores em prateleiras cada vez mais altas, mas elas sempre estarão conosco” (Foto: Planeta)</figcaption></figure>
<p><b>Bettina Bopp &#8211; Pra quando você acordar (320 páginas, Planeta)</b></p>
<p><a href="https://www.planetadelivros.com.br/livro-pra-quando-voce-acordar/347585"><i><span style="font-weight: 400;">Pra quando você acordar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é sobre dois irmãos e uma história que, depois de um acidente, precisou se reinventar. Itamar, irmão da escritora e professora </span><a href="https://www.instagram.com/bettina.bopp/"><span style="font-weight: 400;">Bettina Bopp</span></a><span style="font-weight: 400;">, ficou em coma por quinze anos. Durante esse tempo, entre a dor de uma perda que se tornava mais palpável a cada dia e a expectativa de que aquele ente querido pudesse acordar a qualquer momento, Bettina escreveu crônicas contando tudo aquilo que gostaria de dizer a ele, e todas elas foram reunidas nesta obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não vai acreditar</span></i><span style="font-weight: 400;">”, mas esse </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/cultura/trecho-de-livro/pra-quando-voce-acordar/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um lembrete de que estamos vivos, ainda que foi feito para uma pessoa que estava dormindo e que dormiu por muitos anos. Delicado e sensível, diz respeito ao circuito de afetos de uma família que descobriu que o amor pode continuar pulsando sem que seja sustentado pela reciprocidade a partir do momento em que é amparado pela reinvenção e pela despossessão. &#8211; </span><b>Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_30743" aria-describedby="caption-attachment-30743" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30743 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/o-veredicto-1-684x1024.jpg" alt="Capa do livro O Veredicto/Na Colônia Penal, de Franz Kafka. A capa é branca, o nome do autor está escrito no topo, em preto e letras grandes. Embaixo, há o nome do livro, em letras menores. No centro da capa, há um quadrado branco com riscos pretos quase o completando totalmente. Abaixo do quadrado há escrito em preto “Tradução de Modesto Carone” e, por fim, a logo e nome da Editora Companhia das Letras." width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/o-veredicto-1-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/o-veredicto-1-535x800.jpg 535w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/o-veredicto-1-768x1149.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/o-veredicto-1-1026x1536.jpg 1026w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/o-veredicto-1-1200x1796.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/o-veredicto-1.jpg 1233w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30743" class="wp-caption-text">“Vamos deixar de lado os amigos. Para mim, mil amigos não substituiriam meu pai” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Franz Kafka &#8211; O veredicto / Na colônia penal (66 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em <em>O veredicto / Na colônia penal,</em></span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788571648067/o-veredicto-na-colonia-penal"><span style="font-weight: 400;"> livro de contos</span></a><span style="font-weight: 400;"> kafkiano publicado pela <em>Companhia das Letras</em>, os temas centrais são a relação paterna e o falho sistema penal. Na primeira novela, </span><a href="https://www.fantasticacultural.com.br/artigo/869/o_veredicto_-_franz_kafka__conto_completo"><i><span style="font-weight: 400;">O veredicto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os personagens principais, Georg e seu pai, protagonizam uma série de acontecimentos quase absurdos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kafka evidencia que a </span><a href="https://www.capital.sp.gov.br/noticia/monologo-201ccarta-ao-pai201d-aborda-a-dificil-relacao-paterna-de-franz-kafka"><span style="font-weight: 400;">relação entre pai e filho</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ser baseada em diversos aspectos, um assunto muito recorrente em suas obras. Nesse caso, a inveja e o desprezo paterno presentes na obra soam um pouco pessoal demais para o autor, com exceção do momento em que o pai de Georg ordena que ele se jogue no rio. E o filho o obedece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RZS0y1NdRuc"><i><span style="font-weight: 400;">Na colônia penal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o senso de justiça é o principal aspecto explorado. Sob o ponto de vista de um observador, narra-se a condenação de um indivíduo que se quer sabe o porquê de estar ali. O espetáculo formado a partir de sua tortura dura meio dia e serve como crítica a um sistema judiciário falho, injusto e criminoso.</span> <b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_30769" aria-describedby="caption-attachment-30769" style="width: 705px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30769 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/81iqH8dpjuL-705x1024.jpg" alt="Capa do livro A Biblioteca da Meia-Noite. O fundo dela é preto, e há diversos livros organizados como em uma estante, todos em tons verdes, por toda a capa. De cima para baixo, temos o nome do autor, Matt Haig, em tamanho menor. Abaixo, há o título “A Biblioteca da Meia-Noite”. Nos vãos das estantes, temos, de baixo para cima, escrito “MAIS DE 2 MILHÕES DE EXEMPLARES VENDIDOS NO MUNDO”, “BEST SELLER DO NEW YORK TIMES” e “VENCEDOR DO GOODREADS CHOICE AWARD”" width="705" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/81iqH8dpjuL-705x1024.jpg 705w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/81iqH8dpjuL-551x800.jpg 551w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/81iqH8dpjuL-768x1115.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/81iqH8dpjuL-1058x1536.jpg 1058w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/81iqH8dpjuL.jpg 1763w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30769" class="wp-caption-text">“É uma revelação e tanto descobrir que o lugar para onde você quis fugir é exatamente o mesmo lugar de onde fugiu. Que a prisão não era o lugar, mas a perspectiva” (Foto: Bertrand Brasil)</figcaption></figure>
<p><b>Matt Haig &#8211; A Biblioteca da Meia-Noite (308 páginas, Bertrand Brasil)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas noites solitárias em que estamos mergulhados nas indecisões e incertezas de nosso próprio destino, mora em nós uma curiosidade perturbadora: e se eu vivesse outra vida? Como seria minha realidade se eu tivesse feito outras escolhas? Em </span><em><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">A Biblioteca da Meia-Noite</span></a></em><span style="font-weight: 400;">, acompanhamos Nora Seed afundar-se nestas interrogações e, rodeada de decepções colecionadas em sua vida, colocar um ponto final em tudo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente do roteiro que Seed criou em sua mente, a narrativa surpreende ao colocá-la no </span><a href="https://valkirias.com.br/a-biblioteca-da-meia-noite/"><span style="font-weight: 400;">centro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de todas as possibilidades: entre a vida e a morte, a protagonista se depara com prateleiras de livros intermináveis, que são, na verdade, todas as respostas e rumos que ela poderia ter tomado em sua vida. Seu maior desafio é encontrar um motivo para continuar, vivendo cada uma dessas vidas como se, de fato, fosse a sua.  </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
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<figure id="attachment_30738" aria-describedby="caption-attachment-30738" style="width: 334px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30738" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Tubarao1.jpg" alt="Capa do livro Tubarão, de Peter Benchley. Centralizado na capa há o título em vermelho e o nome do autor em branco, na imagem de fundo vemos um corte vertical na coluna d'água do mar, uma mulher nada na superfície, acima dela a capa tem a cor branca e apresenta o nome da editora, abaixo o azul do mar, onde se encontra um grande tubarão com as mandíbulas abertas como se fosse emergir e atacar a mulher" width="334" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-30738" class="wp-caption-text">Tubarão nós faz sentir o medo ancestral dos grandes animais predadores (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Peter Benchley &#8211; Tubarão (320 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pacífica cidade de Amity, na costa leste dos Estados Unidos, todos aguardam ansiosamente o verão, mas algo vindo das profundezas trás terror e conflito para todos os personagens de </span><a href="https://www.darksidebooks.com.br/tubarao"><i><span style="font-weight: 400;">Tubarão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">Fonte de um dos grandes </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Cinema, o romance de Peter Benchley continua atual ao tratar de temas como a insensibilidade e negacionismo de políticos quando a ciência atrapalha seus objetivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após um brutal ataque de tubarão-branco a uma turista em uma das praias da cidade, o chefe de polícia, Martin Brody, quer o fechamento do balneário até que as investigações sejam concluídas. Pressionado pelos interesses econômicos de alguns empresários da cidade, o prefeito Larry Vaughan se recusa a seguir o bom senso e acatar as recomendações de seu policial, ordenando o início de uma longa caçada ao animal. </span><i><span style="font-weight: 400;">Tubarão </span></i><span style="font-weight: 400;">é um </span><a href="https://www.denofgeek.com/movies/how-jaws-went-from-best-selling-book-to-blockbuster-movie/"><i><span style="font-weight: 400;">best seller</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com altas doses de suspense e terror, e um forte senso de aventura. </span><b>&#8211; Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_30755" aria-describedby="caption-attachment-30755" style="width: 567px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30755" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/piluas-azuis-1-567x800.jpg" alt="Capa do livro Pílulas azuis. Na imagem estão as ilustrações de Peeters e Cati. O casal está sentado em um sofá marrom que flutua em um mar azul. Ela tem cabelos pretos curtos e veste camiseta laranja com calças azuis. Ele tem cabelos pretos e curtos, usa óculos e veste uma blusa azul com calça laranja. O restante da capa é um laranja sólido. Acima dos personagens o nome do livro e do autor estão grafados em branco" width="567" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/piluas-azuis-1-567x800.jpg 567w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/piluas-azuis-1-725x1024.jpg 725w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/piluas-azuis-1-768x1084.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/piluas-azuis-1-1088x1536.jpg 1088w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/piluas-azuis-1.jpg 1813w" sizes="auto, (max-width: 567px) 85vw, 567px" /><figcaption id="caption-attachment-30755" class="wp-caption-text">Sob a delicadeza das ilustrações, Pílulas azuis embarca na beleza e no cuidado de amar (Foto: Editora Nemo)</figcaption></figure>
<p><b>Frederik Peeters &#8211; Pílulas azuis (208 páginas, Editora Nemo)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Protagonizada pelo próprio autor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pílulas azuis</span></i> <span style="font-weight: 400;">é uma história em quadrinhos desenvolvida por Frederik Peeters. Chegando no Brasil 14 anos após sua primeira publicação, a obra explora os desafios de Peeters e Cati, que é seu par romântico e uma mulher soropositiva. Entre tabus e medo, o casal escolhe seguir suas jornadas juntos e procurar um jeito de fazer com que o vírus do </span><a href="https://www.bioredbrasil.com.br/hiv-preconceito-e-tabu-ainda-sao-desafios-para-diagnostico-precoce/"><span style="font-weight: 400;">HIV</span></a><span style="font-weight: 400;"> não seja capaz de desmontar um relacionamento com tanto amor. Assim, as respostas se desenrolam em consultórios médicos e, enquanto desmistificam estereótipos, os dois se dissolvem em  sensibilidade e bom humor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de tratar a temática com leveza, o destaque do livro fica para a dualidade de sentimentos dos personagens e como isso é transmitido de forma metafórica, trazendo até mesmo animais que se humanizam para guiar o âmago dos personagens. Com tradução de Fernando Scheibe, a </span><a href="https://www.humanoids.com/blog/The-Humanoids-Blog/id/263"><span style="font-weight: 400;">HQ</span></a><span style="font-weight: 400;"> mistura elementos engraçados e dramáticos para mostrar os outros ângulos pelos quais a vida pode ser vista. Atravessando as cores dos impasses, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pílulas azuis</span></i><span style="font-weight: 400;"> prova que positivo é lutar pelos grandes amores. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_30746" aria-describedby="caption-attachment-30746" style="width: 713px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30746 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/era-dos-extremos-1-713x1024.jpg" alt="Capa do livro Era dos Extremos. Toda a capa é preenchida por diversos quadrinhos coloridos que ilustram alguma figura histórica. Ao centro, com um fundo vermelho, está escrito o nome do autor “Eric Hobsbawm” com letras da cor branca. Logo abaixo, aparece o título do livro “Era dos Extremos”, também na cor branca, e, mais abaixo, está escrito “O breve século XX” e “1914-1991” com letras da cor branca. Na parte inferior central da capa, está o selo da editora Companhia das Letras." width="713" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/era-dos-extremos-1-713x1024.jpg 713w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/era-dos-extremos-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/era-dos-extremos-1-768x1103.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/era-dos-extremos-1-1070x1536.jpg 1070w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/era-dos-extremos-1.jpg 1783w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30746" class="wp-caption-text">Eric Hobsbawm é um ótimo anfitrião para uma festa cujo principal convidado é o olhar crítico (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Eric Hobsbawm &#8211; Era dos Extremos (632 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Era dos Extremos</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançado no Brasil pela <em>Companhia das Letras</em>, Eric Hobsbawm recorda os principais eventos que marcaram o século XX e traça raciocínios pertinentes os quais não cedem à esfera meramente informativa. Por conseguinte, a obra pode ser tanto um material didático quanto um livro de cabeceira indispensável aos que desejam refrescar a </span><a href="https://www.scielo.br/j/ea/a/rFdrVJGJRyyz5n3L86jDyrC/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> e revitalizar o futuro.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Era dos Extremos </span></i><span style="font-weight: 400;">é, sobretudo, um apanhado dos principais episódios compreendidos entre a 1º Guerra Mundial e o fim da União Soviética. Eric Hobsbawm imprime sua </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/historia/uma-vida-para-a-historia"><span style="font-weight: 400;">subjetividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao utilizar uma linguagem envolvente a qual revela a essência política de suas análises. No fim, o livro se consagra como um clássico ao oferecer novas perspectivas sobre o âmbito histórico cuja principal característica é a maleabilidade, ou seja, o desejo insaciável por mudanças que não visam o rigor, mas a honra crítica. </span><b>&#8211; Ana Cegatti</b></p>
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<figure id="attachment_30749" aria-describedby="caption-attachment-30749" style="width: 682px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30749 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/serpentario-1.jpg" alt="" width="682" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/serpentario-1.jpg 682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/serpentario-1-546x800.jpg 546w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30749" class="wp-caption-text">Serpentário te convida para um passeio místico e horrendo em um cenário real brasileiro (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Castilho &#8211; Serpentário (368 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Com traços de </span></i><i><span style="font-weight: 400;">H.P. Lovecraft e Robert W. Chambers</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><i><span style="font-weight: 400;">Serpentário </span></i><span style="font-weight: 400;">é o nosso clássico de ficção e </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2019/07/conheca-o-terror-da-ilha-das-cobras-no-novo-livro-de-felipe-castilho/"><span style="font-weight: 400;">fantasia</span></a><span style="font-weight: 400;"> em solo brasileiro. Na narrativa, todo ano os jovens Hélio, Mariana e Caroline religiosamente deixavam seus lares na capital paulista e desciam a serra para encontrar o caiçara Paulo. No réveillon de 1999, algo mais estranho do que o bug do milênio aconteceu: o grupo foi parar na mística Ilha das Cobras e, anos depois, o que aconteceu lá ainda é um borrão para os que retornaram. Resta revisitar a ilha para desvendar seus mistérios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado ao Prêmio Jabuti como Romance de Entretenimento em 2019, Felipe Castilho é mestre em mitologias e, depois de </span><a href="https://twitter.com/intrinseca/status/1319288130776621057?s=20"><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Vermelha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, traz a fantasia para terras caiçaras. Portando-se como um verdadeiro personagem &#8211; talvez, o mais importante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Serpentário </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; a <a href="https://observatorio3setor.org.br/noticias/a-ilha-brasileira-cercada-por-lendas-e-considerada-o-lugar-mais-perigoso-do-mundo/">Ilha das Cobras</a> real não é de longe tão obscura quanto o autor a retrata, mas, na obra, é um recanto de misticismo, curiosidade e <a href="https://personaunesp.com.br/gotico-mexicano-critica/">terror</a> que deixa qualquer um com a cara enfiada nas páginas.</span></p>
<p>Páginas essas bem pensadas. Como uma metalinguagem, os mistérios ultrapassam a trama para se imporem no papel (literalmente) e dão ao leitor ainda mais o que desvendar. Mesclando referências da cultura <em>pop </em>à bagagem de <a href="https://personaunesp.com.br/autoras-horror-era-vitoriana-artigo/">horror</a> e aventura, até o folclore brasileiro tem espaço, em uma leitura envolvente e tão hipnotizante quando o segredo que ronda a ilha. De cabo a rabo, a <a href="https://personaunesp.com.br/historias-extraordinarias-critica/">fantasia</a> nacional em seu auge. <strong>&#8211; Vitória Gomez</strong></p>
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<figure id="attachment_30741" aria-describedby="caption-attachment-30741" style="width: 595px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30741" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Oi-sumido-01.jpg" alt="Capa do livro Oi, sumido. No centro da capa, temos o nome da autora Dolly Alderton em fonte rosa. Abaixo, temos o desenho de uma mulher deitada de barriga para baixo, segurando o celular com uma das mãos e de pernas levantadas para cima. Abaixo, temos o nome do livro, Oi, sumido, em fonte esbranquiçada. A imagem e o texto estão desenhados sob um fundo azul esverdeado. No canto superior direito, temos um selo de fundo amarelado e letras vermelhas com o escrito “autora de tudo que eu sei sobre o amor”. No canto superior esquerdo, temos o logotipo da editora Intrínseca em preto e rosa." width="595" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Oi-sumido-01.jpg 595w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Oi-sumido-01-476x800.jpg 476w" sizes="auto, (max-width: 595px) 85vw, 595px" /><figcaption id="caption-attachment-30741" class="wp-caption-text">Tudo que eu sei sobre o amor, livro de estreia de Alderton, fez tanto sucesso que foi adaptado para uma série de mesmo nome da BBC, escrita pela própria autora (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Dolly Alderton &#8211; Oi, sumido (416 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Nina Dean, os trinta anos não poderiam ter chegado em melhor forma: carreira bem sucedida, amigos e familiares que a amam, entre outras vantagens. Nesse sentido, era de se esperar que a relação com Max também fosse dar bons resultados. Ambos se conhecem em um aplicativo de relacionamento, têm química e gostos em comum. Tudo parece bem, até o dia em que ele para de responder suas mensagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de ver seu trabalho ganhar o mundo na forma do </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller </span></i><span style="font-weight: 400;">internacional </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo que eu sei sobre o amor</span></i><span style="font-weight: 400;">, Alderton volta ao mercado literário com seu novo livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Oi, sumido.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Além de oferecer ao público uma divertida leitura de comédia romântica, a autora também nos traz novas e interessantes perspectivas sobre o amor no século da tecnologia e dos aplicativos de relacionamento, que parecem estar cada vez mais tornando-o insular. </span><b>&#8211; Nathan Nunes</b></p>
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