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	<title>Arquivos Arte &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Bauru após 24 anos, o Circo Stankowich nos faz querer fugir com ele</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Nov 2024 20:05:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Após 24 anos longe de Bauru, o Circo Stankowich fez seu tão esperado retorno, trazendo ao público um espetáculo, no mínimo, deslumbrante. Fundado em 1856, o Stankowich é o circo mais antigo em atividade no Brasil com Arte, risco, beleza e emoção. Mais do que um simples entretenimento, a apresentação em Bauru celebrou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/circo-stankowich-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Bauru após 24 anos, o Circo Stankowich nos faz querer fugir com ele"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34486" aria-describedby="caption-attachment-34486" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34486" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-800x478.jpg" alt="A imagem mostra um grupo de dançarinas vestidas com trajes luxuosos, adornados com penas e brilhos, evocando a estética de carnaval ou festas glamourosas. Elas se apresentam sob a iluminação colorida do palco, com o nome “Stankowich” destacado ao fundo. As poses das dançarinas sugerem um momento dinâmico da coreografia, transmitindo leveza e sincronia" width="800" height="478" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-800x478.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-1024x612.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-768x459.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-1200x717.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7.jpg 1500w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34486" class="wp-caption-text">A proibição do uso de animais em circos no Brasil começou na década de 2000, mudando a dinâmica dos espetáculos (Foto: Henrique Marinhos)</figcaption></figure>
<p><strong>Henrique Marinhos</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após 24 anos longe de Bauru, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Circo Stankowich</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez seu tão esperado retorno, trazendo ao público um espetáculo, no mínimo, deslumbrante. </span><a href="https://sistema.funarte.gov.br/noticias-antigas/?p=98336#:~:text=De%20origem%20romena%20e%20de,maiores%20circos%20da%20Am%C3%A9rica%20Latina."><span style="font-weight: 400;">Fundado em 1856</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Stankowich</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o circo mais antigo em atividade no Brasil com Arte, risco, beleza e emoção. Mais do que um simples entretenimento, a apresentação </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/12899235/"><span style="font-weight: 400;">em Bauru</span></a><span style="font-weight: 400;"> celebrou a história da companhia, que atravessou mudanças sociais, políticas e culturais ao longo de quase dois séculos de existência.</span><span id="more-34485"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A noite começou com uma série de espetáculos dançantes, remetendo aos glamourosos carnavais europeus e ao charme das festas em navios e iates. As dançarinas, trajadas com penas e lantejoulas, iluminaram o </span><a href="https://supercirco.com.br/picadeiro/"><span style="font-weight: 400;">picadeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> com coreografias sincronizadas e contagiantes. Intercaladas com ‘</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-palhaco-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">palhaçadas</span></a><span style="font-weight: 400;">’ bem canastronas, os espetáculos trouxeram fontes de água dançantes em uníssono com a Música, que tomaram conta do cenário.</span></p>
<figure id="attachment_34488" aria-describedby="caption-attachment-34488" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-34488 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-800x800.jpg" alt="Nesta imagem, dois trapezistas executam um ato aéreo desafiador. Um dos artistas, vestido de rosa, estende as mãos para o parceiro, enquanto ambos estão no meio de uma troca no ar, cercados por cabos e iluminação azulada. A foto captura o momento exato em que a confiança e a precisão são essenciais para completar a manobra com segurança." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3.jpg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34488" class="wp-caption-text">O Circo Stankowich possui várias unidades itinerantes, a de Bauru é a Pink (Foto: Circo Stankowich)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O flerte do circo com o perigo é uma tradição antiga, mantida viva porque não falha em fascinar. Ao limite da tensão, depois de tanta leveza e deslumbre, os atos que nos presenteiam com frio na barriga começaram com a performance aérea de uma acrobata que, </span><a href="https://www.instagram.com/p/B8SVDBegAYU/?img_index=1"><span style="font-weight: 400;">suspensa pelos cabelos</span></a><span style="font-weight: 400;">, girava incessantemente enquanto manejava fitas coloridas com uma graça quase sobrenatural, como se tivessem a banhado no pó de ‘pirlimpimpim’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência presencial, aliás, é incomparável – nenhuma tela consegue capturar o momento genuinamente. Prova disso foi o número de </span><a href="https://www.instagram.com/p/C7Mef07uLVQ/?img_index=5"><span style="font-weight: 400;">tecido acrobático</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma exibição de coragem e destreza que fez o público prender a respiração. Sem rede de proteção, a acrobata se contorceu e girou no ar, até culminar em uma queda que parou a meros centímetros do chão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das acrobacias nos panos, os trapezistas protagonizaram um dos momentos mais emocionantes da noite. Anunciada pelo próprio circo como uma das manobras mais difíceis de serem realizadas, os </span><a href="https://www.instagram.com/p/CTdCYG2pnjI/"><span style="font-weight: 400;">três giros no trapézio</span></a><span style="font-weight: 400;"> não nos fizeram questionar por um segundo se a afirmação era realmente um fato. Na segunda  tentativa, o público prendeu a respiração ao ver a dificuldade de execução. Com aplausos imediatos, dessa vez, não houve um centímetro na margem de erro.</span></p>
<figure id="attachment_34487" aria-describedby="caption-attachment-34487" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-34487 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-800x800.jpg" alt="A imagem retrata um dos motociclistas se preparando para o número do Globo da Morte. Ele está equipado com capacete e roupas de proteção, com a estrutura metálica do globo ao fundo. A expressão focada e a postura do piloto refletem a concentração necessária para a execução deste perigoso número, um dos mais esperados do espetáculo." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-768x767.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5.jpg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34487" class="wp-caption-text">A família Stankowich está à frente do circo desde sua fundação, em 1856, mantendo a tradição viva por mais de seis gerações (Foto: Circo Stankowich)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No ato final, o espetáculo atingiu seu clímax: o temido </span><a href="https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2024/10/14/artistas-sofrem-acidente-durante-apresentacao-em-globo-da-morte-em-circo-instalado-em-bauru-video.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Globo da Morte</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sob o som pulsante de aplausos e murmúrios nervosos, quatro motociclistas entraram na esfera metálica, desafiando a gravidade em manobras impecavelmente sincronizadas – a única forma de acontecerem. Nesse ponto, qualquer conversa que eles tivessem por baixo do capacete nos intervalos de giros eram especuladas com atenção pela plateia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a mágica do circo não se resume apenas aos números deslumbrantes vistos no picadeiro. Naquele momento de perfeição, pensávamos nos erros, nas quedas e nas frustrações superadas pela trupe ao longo da preparação. A </span><a href="https://www.instagram.com/reel/C5vv9eQrRKJ/"><span style="font-weight: 400;">mágica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vimos no picadeiro não nasce do acaso e ver o resultado final é testemunhar o triunfo desse processo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para muitos dos espectadores naquela noite, assistir a um espetáculo circense pela primeira vez foi uma experiência transformadora. Essa magia nasce da união entre o risco e a beleza, em que cada artista, do motociclista ao mágico ou do trapezista à bailarina, é parte essencial desse universo itinerante. Assim como o circo continua a desafiar a gravidade e o perigo, ele também desafia o tempo, porque o encanto que nos faz querer fugir com ele, esse nunca passa.</span></p>
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		<title>Do começo ao fim, há vida: a cultura Ballroom do nascimento ao presente</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 20:04:11 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32073" aria-describedby="caption-attachment-32073" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3.jpg" alt="A capa é uma colagem de várias fotos de Mothers, figuras lendárias e muito respeitadas na cena da Ballroom por serem fundadoras de casas que acolhiam outras pessoas. A esquerda, Crystal LaBeija, uma pessoa negra, em um vestido vermelho com acessórios combinando e cabelo castanho volumoso e bem arrumado. Ao lado, em um recorte em preto e branco, está Angie Xtravaganza, com um elegante vestido, desfilando em uma das passarelas da Ballroom. Ao centro acima, uma parte da capa do documentário “Paris is Burning”. Logo abaixo, uma foto de Pepper LaBeija, uma pessoa também negra, em uma ball, com roupas douradas brilhantes e muita elegância. No topo direito está Paris Dupree, uma pessoa branca de cabelos loiros e olhos claros, usando uma boina e roupas pretas brilhantes que, na foto, está em uma pose de Voguing. Abaixo, Willi Ninja, um homem negro e um dos maiores nomes do Voguing de todos os tempos, considerado por muitos como o fundador do estilo amplamente conhecido, que na foto está parado em uma pose até meio contorcionsita, usando um boné azul e uma camisa parcialmente aberta." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32073" class="wp-caption-text">Sendo um símbolo de resistência, falar sobre e dar os devidos créditos a Ballroom por suas contribuições é mais do que um resgate histórico: é um ato político (Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<p><b>Aryadne Xavier</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Você pensou que eu deitaria e morreria?/Oh não, eu não. Eu vou sobreviver/Enquanto eu souber como amar/Eu sei que permanecerei viva/Eu tenho minha vida toda para viver/Eu tenho meu amor todo para dar e/Eu vou sobreviver, eu vou sobreviver” </span></p>
<p>&#8211; I Will Survive (<em>Gloria Gaynor)</em></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O ser humano pode não nascer programado para certos comportamentos, mas os aprende tão cedo que pode sentir, em seu íntimo, que as coisas apenas são dessa maneira. O desejo de pertencer, resquício fundamental do desenvolvimento em grupos, é tão latente que se transforma em uma vontade dupla de ser aquilo que é aceitável ou ao menos parecer ser. Lançada ao mundo pela primeira vez há 130 anos, a </span><a href="https://www.vogue.pt/vogue-historia-primeiras-vezes"><span style="font-weight: 400;">revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">imprime o que seu próprio nome diz. Registrando e, talvez, ajudando a ditar o que está em alta, a publicação estadunidense foi, por incontáveis vezes, inacessível a uma parcela da população, que podia apenas se projetar nela, como um sonho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal projeção se via em uma sombra, refletindo aquilo que brilhava, mas o objetivo nunca foi copiar fielmente. Ao imitar as poses das modelos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue </span></i><span style="font-weight: 400;">em uma espécie de duelo, o grupo que participava das </span><i><span style="font-weight: 400;">balls </span></i><span style="font-weight: 400;">se apropriou daqueles movimentos, criando algo único. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XJ6fqQX_e9U"><i><span style="font-weight: 400;">Voguing</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se tornou algo muito além da revista, mesmo que seus nomes ainda possam ser assimilados. Esse ato de reconstruir, verbo que sempre fez parte dessa cultura, foi o que reinventou e revolucionou o que é ser uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ em sua época de fundação, trazendo identidade, força e conexão até o presente.</span></p>
<p><span id="more-32057"></span></p>
<div style="width: 840px;" class="wp-video"><video class="wp-video-shortcode" id="video-32057-1" width="840" height="441" preload="metadata" controls="controls"><source type="video/mp4" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4?_=1" /><a href="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4">http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4</a></video></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A origem histórica desses encontros se inicia no Harlem, bairro da cidade de Nova Iorque que concentra uma população predominantemente afro-americana. Ainda que a primeira manifestação de algo parecido com um concurso de beleza para pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">drags</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos EUA seja de 1849, no Masquerade Ball, alguns dos registros mais antigos do que realmente pode ser considerado Ballroom datam das décadas de 1920 e 1930, no então </span><a href="https://www.harlemworldmagazine.com/the-legendary-hamilton-lodge-ball-home-at-the-rockland-palace-dance-hall-in-harlem/"><span style="font-weight: 400;">Hamilton Lodge Ball</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">que viria a ser palco de diversas </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> (nome dado aos bailes). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A melhor maneira de sintetizar o que seriam esses encontros é descrita por </span><a href="https://www.nytimes.com/2003/05/26/arts/pepper-labeija-queen-of-harlem-drag-balls-is-dead-at-53.html"><span style="font-weight: 400;">Pepper LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> no documentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mBVBipOl76Q"><i><span style="font-weight: 400;">Paris is Burning</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1990), ao dizer que esses bailes eram como uma fantasia de ser famoso. Fruto de uma população marginalizada e excluída de um progresso disponível apenas para a população que se parecia e estrelava os anúncios que pregavam o ‘</span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/01/hollywood-paulo-cunha.html"><span style="font-weight: 400;">modelo de vida americano</span></a><span style="font-weight: 400;">’, as manifestações se tornaram um centro de encontro para negros e latinos que migraram para a terra do Tio Sam e toda a população LGBTQIA+ da região. </span></p>
<p><a href="https://blurredbylines.com/articles/crystal-labeija-drag-queen-house-ballrooom-culture/"><span style="font-weight: 400;">Crystal LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ser destacada como a pioneira na formação dessas casas ao fundar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pKGKcsdkgto"><span style="font-weight: 400;">House of LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1968 com Lottie LaBeija, primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">house </span></i><span style="font-weight: 400;">da Ballroom que propôs </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> que contrariavam o silenciamento de corpos que não se encaixavam no padrão de beleza europeu, principalmente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RYCQEl8TPeM"><span style="font-weight: 400;">corpos negros</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 1972, aconteceu o primeiro baile anual da casa criado para acolher pessoas diferentes. Essa abertura a diferentes categorias e a possibilidade de enquadrar todas as pessoas em um ambiente seguro para serem quem são transformou a o movimento em um símbolo político, de ocupação de espaços que pertencem a cada pessoa e celebração da diversidade de gênero, sexualidade e raça.</span></p>
<figure id="attachment_32071" aria-describedby="caption-attachment-32071" style="width: 520px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-1.png" alt="A imagem mostra uma fotografia da época do Harlem, um prédio grande de amplas janelas e portas, que foi o local a abrigar as primeiras manifestações da Ballroom. O Harlem é um bairro historicamente habitado por descendentes de negros e pessoas de baixa condição financeira, por isso, é um símbolo que demonstra a resistência do movimento." width="520" height="446" /><figcaption id="caption-attachment-32071" class="wp-caption-text">Ao entrar pelas portas do prédio, diversas pessoas eram finalmente livres para ser quem quisessem, sem precisar lidar com os questionamentos da sociedade (Foto: QueerMusicHeritage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na construção dessa cultura, alguns termos foram empregados para definir lugares, ações e pessoas. As </span><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, são casas que abrigam os </span><i><span style="font-weight: 400;">Ball-goers</span></i><span style="font-weight: 400;"> (pessoas que frequentam os bailes), criando um senso de pertencimento e acolhimento. Cada casa leva um nome, geralmente o de sua fundadora, e todos os membros o recebem como um sobrenome. Dentre as </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/three-generations-of-house-mothers-proudly-black-and-trans/kQXxuMcMGbMNug"><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mais conhecidas, é possível citar House of Dupree</span> <span style="font-weight: 400;">(Paris Dupree), House of LaBeija</span> <span style="font-weight: 400;">(Crystal LaBeija), House of Ninja</span> <span style="font-weight: 400;">(Willi Ninja), House of Pendavis</span> <span style="font-weight: 400;">(Avis Pendavis), House of Xtravaganza</span> <span style="font-weight: 400;">(Angie Xtravaganza)</span> <span style="font-weight: 400;">e House of Corey</span> <span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://www.logotv.com/news/h027gw/who-is-dorian-corey-pose"><span style="font-weight: 400;">Dorian Corey</span></a><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As casas ainda são lideradas por uma figura maior, a mãe (</span><i><span style="font-weight: 400;">Mother</span></i><span style="font-weight: 400;">) ou, algumas vezes, o pai </span><i><span style="font-weight: 400;">(Father</span></i><span style="font-weight: 400;">). As primeiras são chamadas assim por serem as </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/4wWBwyCs0bhg0w"><span style="font-weight: 400;">matriarcas de cada </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o porto seguro de muitas crianças (</span><i><span style="font-weight: 400;">Children</span></i><span style="font-weight: 400;">) que não encontraram apoio em suas famílias biológicas. Mais do que figuras experientes, as </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothers</span></i><span style="font-weight: 400;"> eram as vencedoras dos icônicos bailes que aconteceram no Harlem em décadas anteriores (1920, 1930 e 1940). Chamadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i><span style="font-weight: 400;">, elas foram essenciais para a construção e estabelecimento dessas comunidades, além do suporte constante que existia entre a mãe da casa e suas crianças na época. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hcjWmYFWz3Y&amp;pp=ygUPdm9ndWUgYmFsbCAxOTkw"><i><span style="font-weight: 400;">Ball</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a maneira mais informal de nomear os bailes em si: eventos de longa duração em que cada participante performa em sua categoria. Até mesmo por isso se explica o nome Ballroom, que determina os lugares onde acontecem esses encontros. Cada evento conta também com seus prêmios, sendo dado a quem vence o</span><i><span style="font-weight: 400;"> Grand Prize</span></i><span style="font-weight: 400;">, troféu que traz muito prestígio ao vencedor(a/e) e a sua </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i><span style="font-weight: 400;">. A honraria trazia um grande reconhecimento dentro da comunidade: a maioria das </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothers </span></i><span style="font-weight: 400;">foram vencedoras de </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Prizes </span></i><span style="font-weight: 400;">e, quanto mais prêmios, maior a fama e o sucesso daquela casa. </span></p>
<figure id="attachment_32075" aria-describedby="caption-attachment-32075" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32075" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-2.png" alt="A imagem em P&amp;B demonstra a House of Xtravaganza, uma das Houses mais populares da Ballroom. Todos os seus membros, que vestem orgulhosamente um pano branco que estampa o X da família, estão ao redor de um Grand Prize, prêmio de maior honra na competição que acontecia nos bailes. " width="720" height="480" /><figcaption id="caption-attachment-32075" class="wp-caption-text">As casas mais populares sempre eram as maiores vencedoras dos prêmios; como uma disputa de gangues, mas os ataques são passos de dança (Foto: Derek Ridgers)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando falamos da influência da Ballroom na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, um grande exemplo é a música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GuJQSAiODqI"><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos maiores sucessos da carreira de Madonna, que apresentou uma parcela dessa cultura ao mundo no início dos anos 1990. A canção conta com a participação ativa de </span><a href="http://youtube.com/watch?v=ib-RfmDhrBY"><span style="font-weight: 400;">José Xtravaganza</span></a><span style="font-weight: 400;">. Importante relembrar que a artista não é e nunca foi a fundadora do estilo de dança conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">vogue</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo tendo figurado o clipe e as apresentações da música, além de ter sido o rosto representativo dessa manifestação em um imaginário popular por muito tempo. A influência também pode ser notada na produção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cNbFc-fa-ww"><span style="font-weight: 400;">FKA TWIGS</span></a><span style="font-weight: 400;">, cantora e performer que já esteve presente em alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;">, como o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Mugler Ball </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos exemplos mais recentes e de maior explosão no cenário musical global é o álbum </span><a href="https://personaunesp.com.br/renaissance-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O projeto, protagonizado por Beyoncé, mas que carrega uma extensa lista de artistas envolvidos, veio como um resgate à cultura queer, apresentando o que há de mais potente na união dos ritmos. Na Sétima Arte, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">FX</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/legendary-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> são destaques, retratando o funcionamento das </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> e as pessoas que participavam e ainda participam desses encontros. Mesmo falando muito no passado, por citar e tratar pontos históricos, é válido reforçar que a cultura Ballroom segue viva e resistente. </span></p>
<div style="width: 840px;" class="wp-video"><video class="wp-video-shortcode" id="video-32057-2" width="840" height="441" preload="metadata" controls="controls"><source type="video/mp4" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4?_=2" /><a href="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4">http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4</a></video></div>
<p><span style="font-weight: 400;">No contexto de um </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/lgbtfobia-brasil-e-o-pais-que-mais-mata-quem-apenas-quer-ter-o-direito-de-ser-quem-e/#:~:text=De%20acordo%20com%20o%20Dossi%C3%AA,por%20esse%20tipo%20de%20discrimina%C3%A7%C3%A3o."><span style="font-weight: 400;">país que mais mata pessoas LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> no mundo, é irônico sugerir que a comunidade tenha benefícios, imponha ditaduras ou algum tipo de glamourização em ser uma pessoa não heterossexual no Brasil. A fala da personagem Alícia, da novela </span><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2009), na qual afirma que “</span><a href="https://twitter.com/acervonovelas/status/1477456742170648591"><i><span style="font-weight: 400;">o chique é ser gay</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” pode ter virado um meme nas redes sociais recentemente, mas, nas entrelinhas, sabe-se que o riso vem como forma de tirar do centro o poder de quem se sente no direito de controlar a vida, os jeitos e os sentimentos do outro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse cenário de luta diária, a cultura Ballroom também chegou aqui como um símbolo do movimento queer</span> <span style="font-weight: 400;">relacionado a pessoas não brancas. A primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">house </span></i><span style="font-weight: 400;">brasileira é a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=omO1QGSb8sU"><span style="font-weight: 400;">House of Hands Up</span></a><span style="font-weight: 400;">, fundada em 2015 por Eduarda Kona Zion em Brasília. Essa cultura de espaços acolhedores</span> <span style="font-weight: 400;">se fortalece até os dias atuais no país por ser um lugar com uma função social: acolher e permitir a existência de quem foi marginalizado pela sociedade por ser diferente do que é considerado a ‘norma’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lembrar e exaltar a cultura Ballroom</span> <span style="font-weight: 400;">é uma forma de colocar sob os holofotes pessoas negras, latinas e LGBTQIA+ e dar uma nova visão à sociedade, na qual essas vidas não estão atreladas ao sofrimento. Referenciando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xFW6JoNynCA"><span style="font-weight: 400;">a fala da Deputada Federal Érika Hilton</span></a><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Aonde estão as pessoas trans além da prostituição? Aonde estão as pessoas trans além das manchetes policiais?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, estão nas </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;">, nas </span><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i><span style="font-weight: 400;">, expressando sua vida pela Arte da Dança e da Música. E estão muito além do que a sociedade os enxerga: estão ressignificando e criando. A Ballroom pode ser descrita como uma forma coletiva de sobrevivência, mesmo quando tudo de si é tirado. É sobre se encontrar em um lugar, se reconhecer e tornar sua vida fabulosa nas suas possibilidades de ser.  </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Ballroom no século vinte e um" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/0pnLLEqdYlMsKhJg2Cv5HW?si=c31e1a6bfbeb4b6b&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Escrevemos nos muros o que sentimos na Pele</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Nov 2023 20:55:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laura Hirata-Vale O toque pode ser áspero, macio, quente ou gelado. Pode ter uma sensação seca ou hidratada. O maior órgão do corpo humano é a pele e é por meio dela que é possível não só sentir a dor e a temperatura, mas também as conexões se formarem, os pelos eriçarem e os sentimentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pele-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Escrevemos nos muros o que sentimos na Pele"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31911" aria-describedby="caption-attachment-31911" style="width: 504px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31911" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-4.jpg" alt="Cena do documentário Pele, de 2021. A imagem mostra um apoio de viaduto, em que a metade inferior possui um grafite de uma mulher deitada, em tons de vermelho, com cabelos pretos. Em frente ao grafite, há uma mulher branca, de cabelos escuros e roupas pretas praticando ioga" width="504" height="284" /><figcaption id="caption-attachment-31911" class="wp-caption-text">No meio de uma avenida movimentada, pode-se achar um momento de calma (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Laura Hirata-Vale</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O toque pode ser áspero, macio, quente ou gelado. Pode ter uma sensação seca ou hidratada. O maior órgão do corpo humano é a pele e é por meio dela que é possível não só sentir a dor e a temperatura, mas também as conexões se formarem, os pelos eriçarem e os sentimentos se aflorarem. É na pele que escrevemos lembretes, tatuamos frases, desenhos e lembranças. Os muros e as paredes das cidades também passam por um processo parecido: por meio de escritos, desenhos e lambe-lambes, as superfícies das florestas de concreto se colorem, e são aquecidas e resfriadas com o passar do dia. No documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Pele</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2021) – dirigido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jRVh1q0CENA"><span style="font-weight: 400;">Marcos Pimentel</span></a><span style="font-weight: 400;">, produzido pela Tempero Filmes e distribuído pela Embaúba Filmes – a relação entre o meio urbano, a arte e a manifestação de ideias é explorada de forma simples, musical, cotidiana e cheia de denúncias. </span></p>
<p><span id="more-31902"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Presente no </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">27º Festival É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> – na Competição Brasileira de Longas e Médias-Metragens –, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pele</span></i><span style="font-weight: 400;"> só chegou às salas de cinema em 2023. Extremamente urbano, o filme mostra sem rodeios imagens das paredes e dos muros de Belo Horizonte, São Paulo e do Rio de Janeiro, e funciona como um retrato das cidades e metrópoles brasileiras. As construções, além de guardarem seu valor histórico por causa de sua arquitetura e engenharia, são responsáveis por manter a expressão humana viva. Por meio de seus desenhos, grafites e palavras de protesto, os prédios, casas e edificações contam o que aconteceu na história, e documentam – de forma criativa e cheia de força – o presente momento. </span></p>
<figure id="attachment_31909" aria-describedby="caption-attachment-31909" style="width: 504px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31909" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-7.jpg" alt="Cena do documentário Pele, de 2021. A imagem contém uma parede amarela, com os escritos “FORA BOZO” grafitados em caixa alta, na cor vermelha." width="504" height="284" /><figcaption id="caption-attachment-31909" class="wp-caption-text">Palavras de protesto nas paredes mostram a força da população (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Repleto de imagens estáticas e planas, com poucos movimentos, o documentário de 75 minutos envolve o espectador, de uma forma que lembra uma exposição de arte em um museu. As gravações, quando adicionadas à trilha sonora – feita por Vitor Coroa, responsável pela mixagem de som de diversos episódios do </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i> <a href="https://open.spotify.com/episode/11Czpujf5gZxN7ShY6BNKM?si=e7862a6f045c429c"><i><span style="font-weight: 400;">Rádio Escafandro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – proporcionam uma imersão no mundo de linhas, cores e tons dos centros urbanos. Além disso, a mistura dos sons, cenas e músicas são fiéis à experiência de andar a pé ou de carro nas cidades – ouvimos música, vemos os registros nas paredes, mas nem sempre prestamos atenção neles. E é esse o propósito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pele</span></i><span style="font-weight: 400;">: mostrar os escritos e desenhos, e nos fazer cientes deles. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Eu sempre gostei de caminhar pelas cidades prestando atenção no que está presente nos muros, paredes e estruturas de concreto.</span></i><span style="font-weight: 400;"> – Marcos Pimentel</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem depoimentos e composto somente dos barulhos e das imagens da cidade, o documentário assume uma forma única e singela de contar a história dos muros. Com ‘sons’ de arquivo – como gritos de manifestações, como “</span><a href="https://www.politize.com.br/manifestacoes-fora-temer-entenda/"><i><span style="font-weight: 400;">Fora Temer!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele não!</span></i><span style="font-weight: 400;">”, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Lula Livre!</span></i><span style="font-weight: 400;">” e muitos “</span><i><span style="font-weight: 400;">Fora Bolsonaro!</span></i><span style="font-weight: 400;">”– combinando com os seus respectivos protestos escritos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pele</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz um recorte da história recente do Brasil, principalmente ao mostrar o que ocorreu na política brasileira entre 2016 e 2019. Assistir esse panorama é ainda mais emocionante quando se pensa nas eleições de 2022, após as dores e medos que as de 2018 trouxeram para a Arte e para o </span><a href="https://www.institutodecinema.com.br/mais/conteudo/bolsonaro-e-o-risco-que-representa-ao-cinema-brasileiro-"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31908" aria-describedby="caption-attachment-31908" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31908" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-4.png" alt="Cena do documentário Pele, de 2021. A imagem mostra uma paisagem urbana, cheia de prédios de variadas alturas. Algumas construções possuem grafites coloridos. No primeiro plano, três pessoas aparecem andando; atrás delas, um homem branco, usando roupas pretas, faz uma parada de mão." width="1366" height="768" /><figcaption id="caption-attachment-31908" class="wp-caption-text">As sobreposições de pessoas, concreto e pinturas constroem o meio urbano (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o documentário, conseguimos ver camadas de uma cidade. A tinta, as construções e o som são os personagens principais da obra, assim como seus momentos peculiares. Uma mulher fazendo ioga na calçada de uma avenida movimentada; um garoto sambando em frente aos grafites; um homem praticando </span><a href="https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/parkour-o-que-e-beneficios-e-por-onde-comecar,5ac98be47e10780f32b7d128f3e2f286gopluoy2.html"><i><span style="font-weight: 400;">parkour</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em meio ao concreto mostram como a urbanidade é formada de instantes, e como o conjunto de todos esses movimentos constituem as metrópoles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As camadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pele </span></i><span style="font-weight: 400;">também mostram – de forma muito explícita – como as paredes e muros pintados são o cenário de muita desigualdade social. Na frente das cores, há moradores de rua, pobreza e destruição; e, em um contraponto, existem muitos ensaios fotográficos e </span><i><span style="font-weight: 400;">selfies</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, ao mesmo tempo, os edifícios também possuem </span><a href="https://personaunesp.com.br/racionais-mcs-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">palavras de denúncia</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de pinturas e desenhos fotografados como belos feitos. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Chega de higienização social</span></i><span style="font-weight: 400;">”, “</span><i><span style="font-weight: 400;">polícia assassina</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">VENDE-SE CARNE NEGRA TEL: 190</span></i><span style="font-weight: 400;">” são algumas das frases que chocam e impactam, por mostrarem a violência nas ruas brasileiras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a todas as denúncias e protestos, há também a manifestação do </span><a href="https://personaunesp.com.br/rr-critica/"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> e da paixão. Como um paralelo às cantigas de amor do Trovadorismo e a todos os sentimentos do Romantismo, é possível perceber como o romance ainda persiste nas paredes e nos muros. Indo de frases emotivas como “</span><i><span style="font-weight: 400;">essa eu fiz pra ela!!</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">procura-se aluguel em um coração vazio</span></i><span style="font-weight: 400;">” até frases cheias de luxúria e erotismo, como “</span><i><span style="font-weight: 400;">é preciso (m)amar</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">faça amor hoje</span></i><span style="font-weight: 400;">”, vemos como o amor existe e resiste, mesmo em centros urbanos tão rápidos e corridos.</span></p>
<figure id="attachment_31910" aria-describedby="caption-attachment-31910" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31910" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-4.png" alt="Cena do documentário Pele, de 2021. A imagem mostra uma parede de cor branca, e um portão azul-claro. No portão, há o escrito “amor existe resiste”, em caixa alta, na cor azul-escuro." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-4.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-4-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31910" class="wp-caption-text">As paredes com escritos são as novas árvores com iniciais engravadas (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o documentário, chegamos à camada da hipoderme, a mais profunda do maior órgão do corpo. Nossa casca defensora, que nos protege de possíveis infecções, dores e doenças, também é a responsável por identificar toques, sentimentos e sensações. Percebemos como os centros urbanos são a casa da arte, da manifestação e do protesto, e como eles são importantes para a vida. Vemos como as cidades refletem o que vivenciamos – por meio dos desenhos, escritos e lambe-lambes nos muros e paredes, é possível perceber tudo o que sentimos na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pb73xDbYhCo"><i><span style="font-weight: 400;">Pele</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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		<title>Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos celebra a Arte como resistência</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Nov 2023 21:01:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos é um documentário que mostra como a Arte pode ser uma forma de resistência, transformação e empoderamento de uma comunidade. O filme acompanha a trajetória de diversos artistas do Lesoto, um pequeno país nas montanhas da África do Sul, que usam o lixo como matéria-prima &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos celebra a Arte como resistência"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31751" aria-describedby="caption-attachment-31751" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31751" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6.png" alt="Cena do documentário Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos. Ao fundo está uma paisagem montanhosa nublada com nuvens ao topo. À frente estão dois homens negros montados em cavalos. Eles estão olhando para a esquerda. Os homens vestem agasalhos reforçados. O de trás está com uma touca amarela e um casaco verde, enquanto o da frente está totalmente enrolado em um agasalho que cobre desde sua boca até suas pernas. A estampa segue formas geométricas e se destaca por suas cores amarela, marrom e vermelha." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31751" class="wp-caption-text">O curta-metragem, além de estar disponível no Itaú Cultural Play para exibição na 47º Mostra Internaciona de Cinema em São Paulo, também está na íntegra no YouTube (Foto: Cultures of Resistance Films)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><a href="https://47.mostra.org/filmes/do-lixo-ao-tesouro-transformando-negativos-em-positivos47a"><i><span style="font-weight: 400;">Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um documentário que mostra como a Arte pode ser uma forma de resistência, transformação e empoderamento de uma comunidade. O filme acompanha a trajetória de diversos artistas do Lesoto, um pequeno país nas montanhas da África do Sul, que usam o lixo como matéria-prima para suas obras, além de muitas outras atividades sociais. Através da criatividade, da reciclagem e principalmente da paixão pelo que fazem, eles criam peças e projetos que expressam suas identidades, culturas e lutas em um cenário que por muitos seria considerado infértil.</span></p>
<p><span id="more-31750"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra é dirigida por </span><a href="https://culturesofresistancefilms.com/sobre-a-diretora/"><span style="font-weight: 400;">Iara Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma ativista e cineasta brasileira que já produziu outros filmes sobre temas sociais e ambientais, como o documentário em curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Beneath the borqa in Afghanistan</span></i><span style="font-weight: 400;"> (em tradução livre, </span><i><span style="font-weight: 400;">Por baixo da burca no Afeganistão</span></i><span style="font-weight: 400;">) e sua organização </span><a href="https://www.vaticannews.va/pt/africa/news/2018-08/cultura-de-resistencia-para-melhorar-o-mundo.html"><i><span style="font-weight: 400;">Culturas de Resistência</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que apoia projetos que promovem a agroecologia, a educação, os direitos humanos e a diversidade cultural. A produção foi </span><span style="font-weight: 400;">exibida em um dos maiores eventos culturais de São Paulo, a 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Apresentação Especial.</span></p>
<figure id="attachment_31752" aria-describedby="caption-attachment-31752" style="width: 780px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31752" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-4.png" alt="Cena do documentário Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos. Ao fundo estão árvores em uma mata. Ao centro estão cinco homens negros. Todos estão agasalhados. Três deles estão sentados a frente enquanto dois estão em pé. Um ao lado e outro atrás. Eles estão com instrumentos longos feitos com materiais recicláveis e encaram a câmera enquanto tocam. Ao redor estão muitas garrafas de vidro ao chão cercando-os em um círculo central" width="780" height="329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-4.png 780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-4-768x324.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31752" class="wp-caption-text">O curta foi inspirado por Lixo Extraordinário, de Vik Muniz, que retrata catadores de lixo no Brasil com materiais recicláveis (Foto: Cultures of Resistance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento do </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">curta-metragem</span></a><span style="font-weight: 400;"> é dinâmico, sem muitas separações ou introduções, e nos aventuramos quase às cegas entre os tantos relatos apresentados, que da mesma maneira inesperada, se encerram. Entre artistas e projetos, ainda que tenham começado como hobbies, as estrelas do documentário potencializam a ideia de que o que fazem é, de fato, seu propósito de vida: criar espaços seguros e saudáveis para eles mesmos e para suas comunidades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algumas das vertentes que tratam majestosamente em tão pouco tempo é a prática da arte têxtil para empoderar e educar as meninas, alertando sobre os riscos do casamento precoce e da prostituição. Além de outras ações como a de Tumisang Taabe, que ensina crianças e adultos a andar de bicicleta, </span><a href="https://www.facebook.com/SothoSounds/"><span style="font-weight: 400;">Sotho Sounds</span></a><span style="font-weight: 400;">, um grupo de músicos que utiliza instrumentos feitos de lixo descartável, ou </span><a href="https://soundcloud.com/siphiwe-nzima-ntsekhe"><span style="font-weight: 400;">Siphiwe Nzima-Nts&#8217;ekhe</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma poetisa focada nos direitos de crianças africanas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seus lindos 24 minutos, a trilha sonora compõe um ambiente otimista e vibrante. A obra toda, na verdade, é regada a Música também como produção cultural e parte do projeto, com os créditos do som por Aleksey Antonov. Apresentada através do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;">, e principalmente do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/reggae/"><i><span style="font-weight: 400;">reggae</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a sonoridade é brilhantemente complementada com transições compostas por paisagens estonteantes (fotografia e montagem por Dimo Petkov), construindo pontos altos de refinamento. Compreendemos sua beleza natural e diversidade geográfica com montanhas, os vales, os rios, os lagos e as cachoeiras que cercam o país, além das cidades, as vilas, as ruas e as casas que revelam sua realidade social e cultural.</span></p>
<figure id="attachment_31753" aria-describedby="caption-attachment-31753" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31753" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5.png" alt="Cena do documentário Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos. A imagem mostra um tecido em macro em que podemos ver os detalhes de costura de uma renda rosa e marrom. À direita está uma etiqueta circular feita de couro marrom com o bordado em preto no formato do continente Africano de cabeça para baixo comparado ao Mapa Múndi." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31753" class="wp-caption-text">Iara Lee também lançou o documentário Modulations: Cinema for the Ear, que traça a evolução da música eletrônica desde as origens experimentais até as festas rave em 1998 (Foto: Cultures of Resistance Films)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos</span></i><span style="font-weight: 400;"> convida à reflexão sobre os desafios enfrentados por Lesoto, seja a pobreza, a seca, a erosão do solo, a falta de saneamento básico ou a dependência econômica da </span><a href="https://personaunesp.com.br/kongos-critica/"><span style="font-weight: 400;">África do Sul</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme o faz de maneira muito emocional e contemplativa, celebrando a Arte como forma de expressão, comunicação e principalmente transformação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transformação do tempo dos </span><a href="https://culturesofresistancefilms.com/lesotho-bios/"><span style="font-weight: 400;">artistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em suas produções, da sociedade em que vivem, e diretamente, como explicita o título, a transformação do lixo como um problema grave em uma nova maneira de geração de renda e conscientização ambiental. Sobretudo a preservação de sua identidade cultural, língua, música, Arte e olhares sobre a vida.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="From Trash To Treasure: Turning Negatives Into Positives | Documentary Short" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/udLsJuTKrmo?start=21&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em As Primas, amor, Arte e violência se misturam na Argentina dos anos 1940</title>
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		<pubDate>Tue, 30 May 2023 20:59:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos As Primas é um romance de formação, que narra a irmandade das primas Yuna, Petra e Carina, que crescem em uma família disfuncional e marginalizada na cidade argentina de La Plata, nos anos 1940. Publicada originalmente em 2007, quando Aurora Venturini tinha 85 anos, a obra recebeu vários prêmios literários na Argentina e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-primas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em As Primas, amor, Arte e violência se misturam na Argentina dos anos 1940"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31014" aria-describedby="caption-attachment-31014" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31014 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress.png" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress-768x404.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31014" class="wp-caption-text">Aurora Venturini e seu livro As Primas venceram o prêmio Nueva Novela, do jornal Página/12, pelo qual a autora, enfim, foi premiada por &#8220;um júri honesto&#8221; (Foto: Fósforo/Arte: Vitória Vulcano)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-marco-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">As Primas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um romance de formação, que narra a irmandade das primas Yuna, Petra e Carina, que crescem em uma família disfuncional e marginalizada na cidade argentina de La Plata, nos anos 1940. Publicada originalmente em 2007, quando Aurora Venturini tinha </span><a href="https://www.eternacadencia.com.ar/blog/contenidos-originales/noticias/item/aurora-venturini-cumple-sus-primeros-100-anos.html"><span style="font-weight: 400;">85 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra recebeu vários prêmios literários na Argentina e no exterior. Destacando-se pela linguagem radical e excêntrica, que mistura diferentes registros, gírias, estrangeirismos, neologismos, erros gramaticais e ortográficos, criando um estilo único, original e cativante, o trabalho foi a leitura do <a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/">Clube do Livro do </a></span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><b>Persona </b></a><span style="font-weight: 400;">em Março de 2023.</span></p>
<p><span id="more-30989"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Explorando os limites da narração nas questões de gênero e classe, </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/autores/aurora-venturini/"><span style="font-weight: 400;">a autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostra as contradições e as <a href="https://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/">injustiças da sociedade argentina</a> da época. As personagens femininas são o centro da obra, retratadas como seres marginalizados, oprimidos e violentados pela sociedade patriarcal e machista. No entanto, elas também demonstram uma força e resistência admiráveis nas situações mais perversas e desconfortáveis. Não se conformam com o destino que lhes foi imposto e buscam formas de se expressar e de se afirmar com suas armas, sejam elas a Arte, a astúcia, a rebeldia ou a vingança.</span></p>
<figure id="attachment_30991" aria-describedby="caption-attachment-30991" style="width: 815px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30991 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-815x1024.png" alt="Fotografia da capa do Livro As Primas, da editora Alfaguara, de Aurora Venturini. Nela está uma mesa com pano de prato xadrez vermelho e branco. Abaixo, sentada com as pernas cruzadas ao chão está uma menina que segura uma xícara. Seu rosto está coberto pela toalha xadrez e ao chão está o pires de sua xícara. Logo acima, está o bule e o jogo completo de pires e xícaras." width="815" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-815x1024.png 815w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-637x800.png 637w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-768x965.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2.png 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30991" class="wp-caption-text">A autora se exilou na França, após o golpe militar argentino em 1955; lá, foi amiga de intelectuais franceses, como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir (Foto: Alfaguara Portugal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um aspecto interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Las primas </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) é a forma como a autora constrói suas personagens femininas. As primas </span><a href="https://www.telam.com.ar/notas/202210/607845-marcela-ferradas-teatro-yuna-obra.html"><span style="font-weight: 400;">Yuna Riglos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Petra, assim como as outras mulheres da família, sofrem com a pobreza, a ignorância, a exploração, o abuso e a discriminação devido às suas deficiências físicas ou mentais. Mesmo vitimadas pelos próprios familiares, que as tratam com desprezo, indiferença e crueldade, elas mantém a potência e singularidade em toda a narrativa.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Eu era uma menina diferente das outras porque tinha nascido com um defeito na cabeça que me fazia ter dificuldade para falar e entender as coisas. Por isso as pessoas me olhavam com pena ou com nojo. Mas eu não me importava com isso. Eu sabia que eu era especial e que tinha um dom para a pintura. Eu pintava coisas lindas que ninguém mais podia ver” <em>(p. 13)</em>.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, que chegou ao Brasil em Setembro de 2022 pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Fósforo</span></i><span style="font-weight: 400;">, provoca estranheza, piedade, repulsa e riso, mas também admiração pela maestria </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/primeiro-romance-da-argentina-aurora-venturini-traz-autobiografia-delirante/"><span style="font-weight: 400;">narrativa de Venturini</span></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, a autora cria um universo ficcional rico em detalhes, que revela contradições e injustiças, ao mesmo tempo que nos transporta àquela realidade. Com a ambiguidade de suas dores e principalmente humor, </span><span style="font-weight: 400;">a trajetória de Yuna é contada desde a infância até a idade adulta, passando por episódios trágicos e cômicos que envolvem sua mãe, sua irmã, suas primas, seus tios e seus amores.</span></p>
<figure id="attachment_30996" aria-describedby="caption-attachment-30996" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30996 " src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6.png" alt="Fotografia da capa do Livro As Primas, da editora Caballo de Troya , de Aurora Venturini. Nela está uma mulher branca, deitada com suas mão juntas em frente a seu rosto. Seus cabelos são castanhos e lisos, estão soltos. Ela veste uma blusa com babados azul clara e ao fundo está um sofá ornamentado. O efeito da foto remete a antiguidade com tons escuros e amarelados." width="533" height="615" /><figcaption id="caption-attachment-30996" class="wp-caption-text">Aurora Venturini usava o pseudônimo de Beatriz Portinari, e escolheu esse nome em homenagem à musa de Dante Alighieri, o poeta italiano autor da Divina Comédia (Foto: Editorial Caballo de Troya)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns aspectos temáticos, estilísticos e culturais, é possível relacionar a obra de Aurora Venturini com a de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/pedro-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos mais influentes e originais cineastas contemporâneos. O diretor espanhol é conhecido por filmes que abordam o amor, o desejo, a identidade, a sexualidade e  a família, com um estilo marcado pela estética colorida, pelo humor ácido e pela ironia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As semelhanças ocorrem, principalmente, através da presença de personagens femininas fortes, complexas e marginalizadas, que </span><a href="https://gpslifetime.com.br/materia/em-strange-way-of-life-pedro-almodovar-desafia-convencoes-no-old-west"><span style="font-weight: 400;">questionam os limites das convenções sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Expressando-se através de uma linguagem radical, Venturini usa a ironia ácida e a violência como forma de lidar com as situações trágicas e cômicas atribuídas às personagens.</span></p>
<figure id="attachment_30994" aria-describedby="caption-attachment-30994" style="width: 580px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30994 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-e1685460240947.png" alt="Fotografia da Autora Aurora Venturini. Uma mulher idosa, de cabelos ruivos ondulados e largos a altura de suas orelhas. Seu rosto é marcado por linhas de expressão enquanto encara sua frente. A imagem é restrita ao de seu busto acima, com uma camiseta preta. Ao fundo uma prateleira de livros antigos em tons marrons." width="580" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-30994" class="wp-caption-text">Falecida em 2015, Aurora Venturini foi amiga de Evita Perón, a primeira-dama da Argentina entre 1946 e 1952, e trabalhou com ela na Fundação Eva Perón, instituição com foco na assistência social que ajudava os pobres e os desamparados (Foto: Nora Lezano)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A tradução de </span><a href="https://livrosdabel.com.br/mariana-sanchez-a-tradutora-que-traz-a-literatura-latino-americana-ao-brasil/#:~:text=Mariana%20Sanchez%20%C3%A9%20uma%20das,Silvina%20Ocampo%E2%80%9D%20de%20Mariana%20Enriquez%2C"><span style="font-weight: 400;">Mariana Sanchez</span></a><span style="font-weight: 400;"> é sensível e precisa, captando o tom irônico e sarcástico da voz original de Yuna, que oscila entre a inocência e a crueldade, entre a ternura e o desprezo. A tradutora também respeita as escolhas estilísticas da autora, que usa uma pontuação peculiar e um vocabulário rico em regionalismos e neologismos.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu queria me chamar Maria, como a minha mãe, ou Nené, como a minha prima mais velha, que era linda e inteligente e tocava piano. Mas eu não podia escolher o meu nome e nem o meu rosto. Eu tinha que me conformar com o que me tinham dado”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Nesse trecho, pode-se observar como a tradutora preserva o estilo da autora argentina, que usa frases simples e diretas, sem muitas variações. Ela mantém, principalmente, o </span><a href="https://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/espectaculos/10-18863-2010-08-07.html#:~:text=Conhecer%20o%20autor%20te%20ajudou%3F"><span style="font-weight: 400;">tom confessional e infantil</span></a><span style="font-weight: 400;"> da narradora, que se apresenta ao leitor com muita sinceridade.</span></p>
<figure id="attachment_30992" aria-describedby="caption-attachment-30992" style="width: 898px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30992 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1.png" alt="Fotografia da atriz Marcela Ferradás. Uma mulher branca que veste uma saia longa cinza com detalhes listrados e uma camiseta social preta. A atriz usa um colar de pérolas enquanto olha para sua frente. Seus cabelos são castanhos, ondulados e curtos, com seu comprimento até a orelha. Ao fundo há uma parede com molduras diversas de quadros sem fotos ao meio." width="898" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1.png 898w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1-768x513.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30992" class="wp-caption-text">A atriz Marcela Ferradás conheceu e se encantou com a escritora Aurora Venturini, que lhe disse: “Yuna sos vos”; ela interpretará a protagonista de As Primas em uma peça dirigida por Horácio Peña (Foto: Radio Pública de la Provincia de Buenos Aires)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A personalidade de Yuna, no entanto, é complexa e contraditória: ela tem uma sensibilidade e uma criatividade extraordinária, que a fazem pintar coisas lindas. Ainda assim, é inocente e ingênua, e não compreende bem o mundo ao seu redor. Ela é curiosa e ávida por aprender, usando o </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2023/03/24/interna_pensar,1472857/em-as-primas-aurora-venturini-relata-brutais-historias-familiares.shtml#:~:text=explica%20que%20o%20uso%20de%20determinada%20palavra%20%C3%A9%20decorr%C3%AAncia%20da%20consulta%20ao%20dicion%C3%A1rio"><span style="font-weight: 400;">dicionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> como fonte de conhecimento e expressão. A personagem também é sincera e direta, dizendo o que pensa sem filtros ou rodeios &#8211; uma pessoa forte e resistente, que não se deixa abater pelas adversidades e convenções de decoro. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não gostava da minha prima Nené. Ela era gorda, feia e burra. Ela não sabia fazer nada direito. Ela só sabia tocar piano, mas isso não era arte de verdade” </span></i><span style="font-weight: 400;">(p. 121).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Petra, por sua vez, é uma personagem ambígua e complexa, que oscila entre a crueldade e a solidariedade, amor e ódio, lealdade e traição. Ela é a principal antagonista de Yuna, mas também sua confidente e protetora. Petra se autodenomina </span><i><span style="font-weight: 400;">liliputiane</span></i><span style="font-weight: 400;">, um termo encontrado para se referir às pessoas pequenas como ela. Ela usa essa expressão como forma de se afirmar e de desafiar os preconceitos da sociedade. Petra é a principal responsável na influência dos pensamentos de Yuna acerca de política, religião, sexo e </span><a href="https://personaunesp.com.br/suspiria-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">Arte</span></a><span style="font-weight: 400;">. É Petra, inclusive, que ajuda Yuna a enfrentar os abusos e as violências que sofre na família e na escola.</span></p>
<figure id="attachment_30995" aria-describedby="caption-attachment-30995" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30995 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.png" alt="Fotografia dos livros As Primas e As Amigas, de Aurora Venturini, ambos estão rodeados de outros livros em prateleiras e estão em pé. Seus títulos estão em branco com fundo preto enquanto molduram imagens em suas capas, em Las primas está a figura de uma menina embaixo da mesa tomando algo em uma xícara, na segunda imagem duas senhoras estão encarando sua frente também segurando pires e xícaras." width="1140" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.png 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30995" class="wp-caption-text">Depois do sucesso de Las primas, Aurora Venturini começou a escrever o monólogo Las Amigas (Foto: Revista Leemos)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">As Primas </span></i><span style="font-weight: 400;">se encerra com a consolidação de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">narradora singular</span></a><span style="font-weight: 400;"> e original criada por Aurora Venturini, que nos conta sua história desafiando as normas gramaticais e ortográficas. Yuna nos mostra seu próprio mundo de imperfeições e de diferenças, mas também de beleza e de esperança. Com essa voz inconfundível, Venturini nos apresenta um universo ficcional rico em detalhes, que revela as contradições e as injustiças da sociedade argentina &#8211; e não só.</span></p>
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		<title>Park Chan-wook deixa a porta aberta em Decisão de Partir</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Mar 2023 18:00:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Quando as luzes se apagam, um detetive ocupa a mente com crimes não solucionados. A insônia somente levanta para longe da cama quando uma presença feminina desconcertante o coloca para dormir ao ritmo de uma respiração acolhedora, justo dela, a suspeita de um dos incontáveis casos que afastam o sono. Entre gotas de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/decisao-de-partir-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Park Chan-wook deixa a porta aberta em Decisão de Partir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30521" aria-describedby="caption-attachment-30521" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30521" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-scaled.jpg" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Na imagem, Song Seo-rae contempla algo à sua direita. Ela é uma mulher chinesa de cabelos e olhos escuros. A câmera a captura a partir da cintura. Song veste uma camiseta de botões e mangas longas na cor pêssego e uma saia longa estampada em tons frios como o azul. Ao fundo, o cenário é a sala de estar de uma casa repleta de objetos decorativos. O papel de parede é o que se destaca, sendo composto por ilustrações que simultaneamente se assemelham a montanhas e ondas, pintadas entre cores quentes e frias como o vermelho e o azul." width="2560" height="1636" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-800x511.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-1024x655.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-768x491.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-1536x982.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30521" class="wp-caption-text">Decision to Leave disputou a Palma de Ouro do Festival de Cannes 2022, que coroou Park Chan-wook como Melhor Diretor (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando as luzes se apagam, um detetive ocupa a mente com crimes não solucionados. A insônia somente levanta para longe da cama quando uma presença feminina desconcertante o coloca para dormir ao ritmo de uma respiração acolhedora, justo dela, a suspeita de um dos incontáveis casos que afastam o sono. Entre gotas de colírio para elucidar a visão e potes de sorvete que tentam substituir o jantar, </span><a href="https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1733643864792697-conheca-a-obra-do-cineasta-sul-coreano-park-chan-wook-diretor-de-oldboy"><span style="font-weight: 400;">Park Chan-wook</span></a><span style="font-weight: 400;"> desconstrói o romance como um gênero constantemente flertado pelo Cinema, une os protagonistas através dos simbolismos da partição e deixa a porta aberta para a interpretação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=16uiSSzzVcs"><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30513"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fim de falar de amor, Chan-wook escancara o tato inato de </span><a href="https://best-of-netflix.com/why-you-need-to-see-korean-new-wave-pioneer-oldboy/"><span style="font-weight: 400;">pioneiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e elabora ao lado de Jeong Seo-kyeong um roteiro que diz ‘eu te amo’ sem ao menos escrever as três palavras. Mantendo a </span><a href="https://firstclasse.com.my/the-genius-of-park-chan-wook/"><span style="font-weight: 400;">singularidade e autenticidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atravessa uma das filmografias mais notáveis da história, o diretor sul-coreano assina os papéis do divórcio entre as narrativas que tratam de relações amorosas e o audiovisual, casados em comunhão de bens há séculos. Com uma </span><a href="https://www.cafecomkimchi.com.br/post/decision-to-leave-filme-park-chan-wook-tudo-sobre"><span style="font-weight: 400;">proposta inovadora</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele finalmente liberta o casal de uma representação datada, enraizada em um passado distante e reacende a chama da paixão que juntou estilo e meio pela primeira vez.</span></p>
<figure id="attachment_30520" aria-describedby="caption-attachment-30520" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30520" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Da esquerda para a direita na imagem animada, Song Seo-rae e Jang Hae-joon observam algo posicionado atrás da lente da câmera que captura ambos a partir do busto. Song é uma mulher chinesa de cabelos e olhos escuros. Ela veste uma camiseta de botões e mangas longas na cor amarela. Jang é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros. Ele veste uma camiseta de mangas longas na cor azul. Ao fundo, o cenário é uma sala de estar de uma casa repleta de objetos decorativos e iluminada por luzes brancas de lamparinas." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30520" class="wp-caption-text">A atriz chinesa Tang Wei se esforçou para aprender os significados das suas falas em coreano (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, se a violência faz glória com o vermelho sangrento em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VwIIDzrVVdc"><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2003)</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a nudez traduz a emancipação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-criada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016)</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> adota elementos menos explícitos, mas ainda assim revestidos pelo plano de fundo cruel do cotidiano. Contraditoriamente leve, o enlace do </span><a href="https://www.nytimes.com/2022/10/13/movies/decision-to-leave-review-park-chan-wook.html"><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> moderno</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece pairar sobre o ar que ocupa o espaço desde as ondas do mar até o cume das montanhas, sendo responsável pela dicotomia que dita as regras da narrativa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Confúcio disse: “Os sábios amam a água, os benevolentes as montanhas.” Eu não sou benevolente, eu gosto do mar</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jang Hae-joon e Song Seo-rae são as personificações de opostos que se atraem. Dominador, o instinto investigativo de Hae-joon coloca Seo-rae na mira de seu binóculo que transcende tempo e lugar. Com uma técnica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-k4ldmEP8es"><i><span style="font-weight: 400;">zoom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> peculiar e desconfortável, o público mergulha na imaginação do policial que, por sua vez, está totalmente perdido na intimidade mística da cuidadora de idosos. Teimoso e firme como as rochas, o ator Park Hae-il desloca o seu personagem para o choque estrondoso com as águas cristalinas da atriz </span><a href="https://www.voguehk.com/en/article/celebrity/tang-wei-decision-to-leave-interview/"><span style="font-weight: 400;">Tang Wei</span></a><span style="font-weight: 400;">, dona de uma atmosfera etérea em seu papel. </span></p>
<figure id="attachment_30519" aria-describedby="caption-attachment-30519" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30519" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Na imagem animada, Song Seo-rae assopra as gotas de água que repousam sobre um curativo a prova do elemento, colocado no topo de sua mão. A câmera captura somente sua mão e sua boca. Ela é uma mulher chinesa que veste um suéter de mangas longas na cor azul." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30519" class="wp-caption-text">O filme transmite sensações à flor da pele (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O conjunto dinâmico da dupla não somente caracteriza o duelo de personalidades, como também abre margens para as diferentes interpretações do longa, colocadas em xeque a todo o momento devido a </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2022/10/17/the-persuasive-potency-of-decision-to-leave"><span style="font-weight: 400;">montagem apoteótica</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Kim Sang-bum, parceiro de longa data de Park Chan-wook. Extasiante, sinuosa e por isso mesmo que funciona, a ordem dos planos é o que captura a atenção logo nos primeiros minutos, causando impacto com uma sensação </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CHJ4lGhAJok"><span style="font-weight: 400;">arrebatadora</span></a><span style="font-weight: 400;"> que permanece até os créditos finais. Aqui, são as cenas de luta corporal e de cadáveres em decomposição que ganham uma amplitude que ultrapassa o grotesco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal escolha de edição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> confunde, pode ser amada ou odiada sem um meio termo, porém, o deslumbre da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vpKqQqbyvc4&amp;t=40s"><span style="font-weight: 400;">fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> adiciona sentido e é novamente unanimidade na obra do cineasta. O genial </span><a href="https://www.filmcompanion.in/features/decision-to-leave-movie-park-chan-wook-cinematographer-breaks-down-6-scenes-from-the-ending-mubi-tang-wei-park-hae-il"><span style="font-weight: 400;">Kim Ji-yong</span></a><span style="font-weight: 400;"> toma decisões que se ligam às propostas ambiciosas de Sang-bum, transformando a poluição nuclear em colírio para os olhos e um sorvete anêmico em refeição para o estômago. No meio de um paraíso visual, o vermelho das romãs, a fumaça embaçada do cigarro e o azul dos corpos de maridos assassinados são meros detalhes frente ao ápice: a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZD0pqjB-73Y"><span style="font-weight: 400;">cena do interrogatório</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que o foco da câmera transita entre Jang Hae-joon, Song Seo-rae e os seus reflexos no espelho. </span></p>
<figure id="attachment_30518" aria-describedby="caption-attachment-30518" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30518" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Da esquerda para a direita na imagem animada, Song Seo-rae segura um cigarro aceso com as pontas dos dedos e chora encolhida enquanto Jang Hae-joon posiciona um cinzeiro logo abaixo de sua mão. A câmera captura ambos a partir da cintura. Song é uma mulher chinesa de cabelos escuros. Ela veste uma camiseta de mangas longas na cor verde e uma saia estampada em cores quentes. Jang é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros. Ele veste terno preto e gravata listrada nas cores preta e cinza. Ao fundo, o cenário é a sala de estar de uma casa com um sofá aconchegante." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30518" class="wp-caption-text">A obsessão persegue os protagonistas de Park Chan-wook (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Naquela noite em que você me encontrou no mercado, de repente você se sentiu vivo de novo, não é?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Extremamente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G0oOr7cSZPk"><span style="font-weight: 400;">palpável</span></a><span style="font-weight: 400;">, tanto pelas imagens que constroem a paisagem quanto pela trama fictícia que beira uma </span><a href="https://time.com/6221814/decision-to-leave-review/"><span style="font-weight: 400;">veracidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase ‘pé no chão’, o filme cutuca feridas com a provocação de sensações à flor da pele. De modo inacreditável, esse esforço em evocar os seis sentidos faz do longa algo simultaneamente parado no tempo, a frente dele e atemporal. Com uma atmosfera ancestral que prende visão e audição e a sensibilidade corrente que toca olfato, tato e paladar, há a ainda busca pelo eterno nas </span><a href="https://collider.com/decision-to-leave-park-chan-wook-themes-comments/"><span style="font-weight: 400;">entrelinhas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UwOVu96gvc0"><span style="font-weight: 400;">tema da obsessão</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é novidade na trajetória cinematográfica de Park Chan-wook e, com 11 títulos exibidos nas telas do Cinema, o tópico parece igualmente perseguir personagens, diretor e público. Em entrevista ao </span><a href="https://thefilmstage.com/park-chan-wook-on-decision-to-leave-methodical-directing-and-not-being-a-film-buff/"><i><span style="font-weight: 400;">The Film Stage</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Chan-wook revelou que </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma homenagem ao gênero </span><a href="https://www.indiewire.com/2022/10/park-chan-wook-reveals-hes-not-the-biggest-fan-of-the-noir-genre-despite-success-of-decision-to-leave-1234775304/"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas o resultado da leitura de romances policiais: ”</span><i><span style="font-weight: 400;">Na verdade, esse é um pequeno truque meu: finjo que o filme é do gênero noir e, em certo ponto, nós desviamos do gênero.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Segundo ele e, de fato, o disfarçe de Song Seo-rae como uma </span><i><span style="font-weight: 400;">femme fatale</span></i><span style="font-weight: 400;"> também contribui para essa subverção das histórias de amor.</span></p>
<figure id="attachment_30517" aria-describedby="caption-attachment-30517" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30517" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Na imagem animada, Jang Hae-joon contempla o horizonte. A câmera captura as suas costas a partir da cintura. Jang é um homem sul-coreano de cabelos escuros. Ele veste um terno preto. Ao fundo da composição e a frente do protagonista, uma praia tomada pelo mar reflete o sol em suas ondas." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30517" class="wp-caption-text">Park Hae-il traz o balanço perfeito de feições para um detetive nada equilibrado (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro tópico intensamente pautado pelo cineasta sul-coreano é o conflito histórico entre a sua nação e os companheiros de continente. Rodeado por mil tentáculos, ele traz à tona um envolvimento lésbico para o contexto da ocupação japonesa no começo do século XX em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i><span style="font-weight: 400;">. Agora, observando os </span><a href="https://www.theguardian.com/cities/2017/jul/18/seoul-south-korea-identity-crisis-brand-psy-gangnam-style"><span style="font-weight: 400;">problemas identitários</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ressurgem na Coreia e são refletidos nas obras, Park Chan-wook </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-features/making-of-decision-to-leave-park-chan-wook-explosive-style-mystery-drama-1235276259/"><span style="font-weight: 400;">sabiamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> pontua os desafios do deslocamento asiático e o jogo da conquista que permeia a região desde os primórdios da civilização. Em 2022, é a morte </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YaPxDz36UW4"><span style="font-weight: 400;">misteriosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um oficial de imigração aposentado que acende a luz sobre Seo-rae, a viúva chinesa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atordoante com as reviravoltas, a trilha sonora dificulta a digestão dos eventos e é esse o efeito que proporciona a continuidade do </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2023/01/park-chan-wook-subverte-expectativas-de-sexo-e-violencia-e-investe-no-amor-clcluqkf7002001ccrjk6x5cb.html"><span style="font-weight: 400;">ambiente</span></a><span style="font-weight: 400;"> instaurado pela trama. Produzida com acordes estridentes de violinos e notas adocicadas de flautas, a mescla instrumental de </span><span style="font-weight: 400;">Jo Yeong-wook</span><span style="font-weight: 400;"> injeta doses de adrenalina e endorfina, transitando como um maestro pelas sequências de estresse e conforto. Tomando partida por meio da união entre imagem e som, </span><a href="https://www.leisurebyte.com/closer-music-video-rm-decision-to-leave/"><i><span style="font-weight: 400;">RM</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, integrante do grupo </span><i><span style="font-weight: 400;">BTS</span></i><span style="font-weight: 400;">, não esconde ser obcecado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> e traz as cenas de tirar o fôlego para o videoclipe da faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SmVqMedomh0"><i><span style="font-weight: 400;">Closer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parte do seu álbum </span><a href="https://open.spotify.com/album/2wGinO7YWLHN2sULIr4a7v?si=ZFwkbqEZQtWKYcOxXOgqKA]"><i><span style="font-weight: 400;">Indigo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30516" aria-describedby="caption-attachment-30516" style="width: 947px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30516" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1.jpg" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Da esquerda para a direita na imagem animada, Jang Hae-joon e Song Seo-rae estão sentados nos bancos de trás de um carro. Jang está adormecido e Song acordada olhando para algo à sua esquerda. A câmera captura ambos a partir da cintura. Jang é um homem sul-coreano de cabelos escuros. Ele veste terno marrom e gravata estampada nas cores vermelha e azul sobre uma camiseta branca. Song é uma mulher chinesa de cabelos e olhos escuros. Ela veste um casaco de inverno azul sobre uma camiseta preta com pontos brancos. Ao fundo, o cenário da janela traseira é a praia." width="947" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1.jpg 947w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-800x530.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-768x508.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30516" class="wp-caption-text">Ao fim, montanha e mar representam uma simbiose inexplicável pela ciência (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado no </span><a href="https://www.instagram.com/p/CgnO52sOQ9w/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Maio do ano passado, pleno mês das noivas, o longa mira no divórcio entre o tradicional gênero do romance e o Cinema para traçar uma forma inédita de arrebatar corações. Exibido em salas seletas, ele detém a melhor bilheteria de Park nos Estados Unidos e é o mais assistido pelo país na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><a href="https://collider.com/decision-to-leave-mubi-most-streamed-north-america/"><i><span style="font-weight: 400;">Mubi</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">No campo das premiações, </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> esteve na lista da Palma de Ouro e conquistou o prêmio de </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/diretor-sul-coreano-park-chan-wook-volta-a-cannes-com-drama-policial-e-rom%C3%A2ntico-1.827090"><span style="font-weight: 400;">Melhor Diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> na cidade francesa. Já no Globo de Ouro e no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">, conseguiu vaga em Melhor Filme Estrangeiro, mas não levou para a casa e nem repetiu o feito no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade é que Park Chan-wook continua sem o devido reconhecimento das academias e, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;">, a sensação que fica é a de que ele deseja ser levado pela água salgada junto de Jang Hae-joon e Song Seo-rae. Ao final, ninguém escapa da obsessão: cineasta, personagens e público parecem se tornarem obcecados por tudo aquilo que é intrínseco à obra. Imerso na profundidade de simbolismos pensados de maneira </span><a href="https://www.polygon.com/23445882/decision-to-leave-ending-explained-park-chan-wook-interview"><span style="font-weight: 400;">sagrada</span></a><span style="font-weight: 400;">, Chan-wook deixa a porta aberta para questionamentos sobre o amor e, essencialmente, se ele algum dia ele repetirá tal dicotomia entre montanha e mar, uma </span><a href="https://variety.com/2023/awards/asia/park-chan-wook-decision-to-leave-2-1235483407/"><span style="font-weight: 400;">simbiose</span></a><span style="font-weight: 400;"> que somente a sua Arte explica.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/b9j3ZFSkD3o?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;start=12&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
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		<title>Os Fabelmans pensa no passado pela sensibilidade de seu próprio diretor</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Feb 2023 21:55:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pedro Yoshimatu O desafio de contar uma história é repleto de decisões difíceis, e o de contar a sua própria é um desafio ainda maior. Essa é, no entanto, é a tarefa de Steven Spielberg em seu novo filme, Os Fabelmans, uma semi-autobiografia que utiliza de elementos narrativos fictícios para refletir na própria relação do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-fabelmans-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Fabelmans pensa no passado pela sensibilidade de seu próprio diretor"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29985" aria-describedby="caption-attachment-29985" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29985" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-800x450.jpeg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. Gabriel LaBelle, que interpreta o jovem Sammy Fabelman, é um jovem branco com cabelos castanhos utilizando uma camisa xadrez e observando o visor de uma câmera. A cena ocorre durante o dia, com um cenário desértico ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29985" class="wp-caption-text">Os Fabelmans, a nova produção de Steven Spielberg, coloca a vida do cineasta no centro da trama (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Yoshimatu</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desafio de contar uma história é repleto de decisões difíceis, e o de contar a sua própria é um desafio ainda maior. Essa é, no entanto, é a tarefa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">Steven Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu novo filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma semi-autobiografia que utiliza de elementos narrativos fictícios para refletir na própria relação do diretor com a sua narrativa pessoal, sua família e sua paixão pelo Cinema.</span></p>
<p><span id="more-29984"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, acompanhamos a história de Sammy Fabelman (Mateo Zoryan, durante a infância, e Gabriel LaBelle ao longo da trama), que se apaixona pela Sétima Arte após assistir uma exibição de </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/6900/o-maior-espetaculo-da-terra"><i><span style="font-weight: 400;">O Maior Espetáculo da Terra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um drama épico de 1952 dirigido por Cecil B. DeMille. O protagonista, inicialmente receoso sobre a experiência, assiste o filme com seus pais e tenta replicar uma cena particularmente impactante com um trem em miniatura e a câmera da família. Sua mãe Mitzi (Michelle Williams), uma pianista e entusiasta das artes, entende logo de início a sensibilidade e a paixão de seu filho pelo Cinema. Seu pai Burt (Paul Dano), no entanto, é um pragmático engenheiro que tem dificuldade em considerar tais interesses como algo mais do que um hobby.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3PlX5uD3LYI?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa tensão entre paixão e pragmatismo é uma constante na vida familiar dos Fabelmans. Um elemento importante no desenvolvimento da narrativa é quando o tio de Sammy (Judd Hirsch), um antigo profissional dos circos e do cinema, visita a família e traz junto à sua excêntrica personalidade uma visão intrigante — ao mesmo tempo que problemática e marcada pela dor — do que é a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/roberto-sadovski/2023/01/12/os-fabelmans-spielberg-revisita-suas-origens-em-carta-de-amor-ao-cinema.htm"><span style="font-weight: 400;">arte</span></a><span style="font-weight: 400;">, a paixão individual de cada um e como ter um chamado pode causar muita separação entre seus entes queridos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os eventos na vida pessoal de Sammy progridem e acompanhamos alguns eventos dramáticos no desenvolvimento da história: após uma viagem de acampamento, o patriarca da família pede a seu filho que produza um registro da excursão, com o intuito de elevar os ânimos de Mitzi após o falecimento de sua mãe. É durante a edição e montagem do filme que o protagonista percebe uma relação muito afetuosa entre sua mãe e o melhor amigo de seu pai, o engenheiro Bennie (Seth Rogen), que gera atritos entre os Fabelmans e eventualmente leva a um divórcio dos pais. Muitos desses eventos têm contrapartidas reais na </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/01/14/o-que-e-verdade-e-o-que-e-ficao-em-os-fabelmans.htm"><span style="font-weight: 400;">biografia de Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, que utiliza da narrativa como forma de compreender e dialogar com seu próprio passado.</span></p>
<figure id="attachment_29986" aria-describedby="caption-attachment-29986" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29986" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-800x533.jpg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. Judd Hirsch, que interpreta o tio Boris, é um idoso branco com barbas e cabelos grisalhos, que observa seu sobrinho-neto Sammy com ambos sentados em uma mesa de jantar com toalha azul. Boris utiliza uma camisa social, com colete marrom e gravata, enquanto Sammy está de costas utilizando uma camisa marrom." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29986" class="wp-caption-text">Boris, o tio de Sammy, é visto como um mau agouro para a família (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa adentra em diversos debates interessantes da vida do diretor, como sua experiência com o </span><a href="https://exame.com/mundo/judeus-ainda-enfrentam-antissemitismo-diz-steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">antissemitismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o desenvolver inicial de sua vida amorosa na adolescência e o papel do Cinema na sua personalidade e relações pessoais. Quando Sammy é convidado a dirigir um filme sobre uma excursão escolar para a praia, ele encontra seu protagonista em um dos seus principais </span><i><span style="font-weight: 400;">bullies</span></i><span style="font-weight: 400;">, o atleta Logan (Sam Rechner). Após a exibição da produção, Logan confronta Sammy sobre o motivo pelo qual ele havia sido retratado de maneira tão positiva quando atormentava o garoto de tantas formas; o jovem diretor hesita na resposta, dizendo que a decisão tornaria seu filme melhor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência final de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Fabelmans — </span></i><span style="font-weight: 400;">título original da semi-autobiografia —  mostra um Sammy mais velho, em crise pelas dificuldades de se inserir no mercado cinematográfico. Ao ser convidado para uma entrevista de emprego, ele recebe a oportunidade de conhecer o lendário diretor </span><a href="https://www.austinfilm.org/2014/12/wheres-the-horizon-when-15-year-old-steven-spielberg-met-john-ford/"><span style="font-weight: 400;">John Ford</span></a><span style="font-weight: 400;"> (David Lynch), uma grande influência pessoal de Spielberg, que de fato o conhecera em sua juventude. Ford dá uma aula ao jovem utilizando duas pinturas em seu escritório, afirmando que uma cena pode ser interessante quando o horizonte se encontra acima ou abaixo da imagem, mas nunca ao centro. Toda a montagem, conduzida por </span><a href="https://www.thewrap.com/the-fabelmans-steven-spielberg-film-editors-interview/"><span style="font-weight: 400;">Michael Khan</span></a><span style="font-weight: 400;">, é uma experiência interessante de metalinguística, contrapondo o papel narrativo do diretor experiente com a própria linguagem do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O estilo narrativo do novo longa de Steven Spielberg é muito compatível com a maneira como o diretor está acostumado a contar histórias, como nas </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">premiadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> paixões de uma Nova Iorque repleta de gangues em </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: um protagonista comum, de fácil  identificação com o público e que  perpassa e lida com  problemas sociais dentro de suas próprias limitações humanas. A tradução  desse estilo para uma narrativa de acontecimentos semi autobiográficos é o grande desafio em </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans </span></i><span style="font-weight: 400;">que</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> aguardado por </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-features/steven-spielberg-paul-dano-michelle-williams-interview-the-fabelmans-1235253097/"><span style="font-weight: 400;">muitos anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, é concluído com o sincero tom autoral marcante da </span><a href="https://www.central3.com.br/filmografando-a-carreira-de-steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">filmografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do cineasta.</span></p>
<figure id="attachment_29987" aria-describedby="caption-attachment-29987" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-800x430.jpeg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. David Lynch, que interpreta o diretor John Ford, é um idoso branco que usa óculos com um tapa-olho sobreposto, e veste um casaco e um boné verdes. Ele está em seu escritório, acendendo um charuto com um fósforo." width="800" height="430" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-800x430.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1024x551.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-768x413.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1536x827.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1200x646.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3.jpeg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29987" class="wp-caption-text">David Lynch interpreta o mitológico John Ford, que serviu de mentor para Spielberg (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Recipiente do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> para Melhor Filme de Drama, o longa utiliza dos aspectos autobiográficos de seu diretor para traçar uma narrativa cativante sobre equilíbrio entre ambições e relações pessoais, ao mesmo tempo que usa de sua base familiar para construir personagens muito interessantes e fascinantes. </span><a href="https://www.omelete.com.br/webstories/paul-dano-essencial/"><span style="font-weight: 400;">Paul Dano</span></a><span style="font-weight: 400;"> se destaca, retratando um Burt Fabelman apaixonado por sua família, mas conservador em seus modos, com uma dificuldade profunda de entender os desejos de sua esposa e de seus filhos. Além disso, Judd Hirsch e Michelle Williams também foram agraciados com nomeações na premiação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">Oscars 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans </span></i><span style="font-weight: 400;">foi indicado a sete categorias, incluindo a de Melhor Filme, mas também de Melhor Diretor, para Steven Spielberg, Melhor Roteiro Original, para Spielberg e Tony Kushner, Melhor Atriz, para Michelle Williams, Melhor Ator Coadjuvante, para Judd Hirsch, Melhor Trilha Sonora, para </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/john-williams-recorde-idade"><span style="font-weight: 400;">John Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">, e Melhor Design de Produção, para Rick Carter e Karen O’Hara. A história é um retrato complexo da relação de um autor com sua criação, sua personalidade, seus anseios e suas aspirações. O consagrado diretor utiliza de sua constatada experiência na arte de contar histórias para ser bem-sucedido, de maneira elegante, em um desafio muito pessoal: o de narrar a sua própria.</span></p>
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		<title>Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades é a autocrítica de Alejandro G. Iñárritu</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2022 20:33:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade O que parece ser unânime em relação a Alejandro González Iñárritu é que ele nunca se esforça em agradar. Disso surgem virtudes e defeitos: ele pode criar obras originais e autênticas, com refinado valor estético, mas também pode cair no escárnio, na decepção, na epopeia que pode ser o ego de um diretor. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bardo-falsa-cronica-de-algumas-verdades-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades é a autocrítica de Alejandro G. Iñárritu"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/bardo-falsa-cronica-de-algumas-verdades-critica/">Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades é a autocrítica de Alejandro G. Iñárritu</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29204" aria-describedby="caption-attachment-29204" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29204" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29204" class="wp-caption-text">O longa foi exibido no Festival de Veneza e teve uma pré-estreia presencial no Brasil, na seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra SP (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que parece ser unânime em relação a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/10/inarritu-encara-seus-criticos-e-alfineta-os-eua-em-bardo-destaque-da-mostra-de-sp.shtml">Alejandro González Iñárritu</a></span><span style="font-weight: 400;"> é que ele nunca se esforça em agradar. Disso surgem virtudes e defeitos: ele pode criar obras originais e autênticas, com refinado valor estético, mas também pode cair no escárnio, na decepção, na epopeia que pode ser o ego de um diretor. </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/bardo-or-false-chronicle-of-a-handful-of-truths-review-alejandro-gonzalez-inarritu-1235355356/">Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> parece ser o meio termo entre essas duas situações. Com uma trama que se propõe a traçar a história de um renomado jornalista e documentarista mexicano, Silverio Gama (Daniel Giménez Cacho) – personagem marcado por uma profunda crise existencial –, o longa integrou a seção Perspectiva Internacional da 46ª </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29201"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns elementos presentes no filme são marcas de Iñárritu (as mesmas marcas que o fizeram vencer o </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Diretor dois anos consecutivos, por </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://vejasp.abril.com.br/coluna/filmes-e-series/bardo-netflix-inarritu/">Birdman, ou a Inesperada Virtude da Ignorância</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">[2014] e </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://pixelnerd.com.br/10-curiosidades-sobre-o-filme-o-regresso/">O Regresso</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">[2015]): a câmera lenta e espaçada que passa por todos os cantos, quase nunca estacionada em um só lugar; o fluxo verborrágico do protagonista que se mistura às pequenas tramas narrativas que ele próprio descreve; o </span><span style="font-weight: 400;"><i>nonsense</i></span><span style="font-weight: 400;"> que, muitas vezes, se mostra apenas uma realidade vista de longe, interpolada pela criatividade da memória; e, principalmente, a representação da consciência do personagem principal.</span></p>
<figure id="attachment_29205" aria-describedby="caption-attachment-29205" style="width: 2235px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29205" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3.jpg" alt="" width="2235" height="1257" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3.jpg 2235w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29205" class="wp-caption-text">Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades foi lançado oficialmente em 17 de novembro de 2022, mas só entrará no catálogo da Netflix em 16 de dezembro (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A princípio, o título do filme diz tudo o que se precisa saber. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo</i></span><span style="font-weight: 400;">” é o termo tibetano para o lugar entre a vida, a morte e o renascimento, presente no texto sagrado do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/blogs/virada-psicodelica/2022/05/como-entender-a-expansao-da-consciencia-mediada-por-psicodelicos.shtml">Livro Tibetano dos Mortos</a></i></span><span style="font-weight: 400;">. O resto fica a cargo da composição narrativa do roteiro de Iñárritu e Nicolás Giacobone, roteirista argentino responsável pela trama de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman</i></span><span style="font-weight: 400;">. Essa informação também é de se atentar, visto que, em muitos aspectos, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades</i></span><span style="font-weight: 400;"> parece um “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman</i></span><span style="font-weight: 400;"> 2”, cujos elementos se assemelham em muitos níveis, inclusive sob a perspectiva de um protagonista artista (no longa de 2014, um ator em decadência; no filme de 2022, um documentarista no auge), que não sabe qual caminho seguir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.forbes.com.mx/forbes-life/entretenimiento-bardo-pelicula-gonzalez-inarritu/">Daniel Giménez Cacho</a></span><span style="font-weight: 400;">, que integrou o elenco de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/sep/23/siberia-review-abel-ferrara-willem-dafoe">Siberia</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2020), de Abel Ferrara – filme que aborda igualmente o limiar entre vida e morte (o “bardo”) –, que dá vida ao protagonista menos caótico da filmografia de Iñárritu. Na trama, há 20 anos, ele foi um apresentador de TV, mas se afastou desse papel quando percebeu que estava vendendo uma versão comercial da realidade. Ele queria falar “</span><span style="font-weight: 400;"><i>algumas verdades</i></span><span style="font-weight: 400;">”, as quais tornaram-se cada vez mais difíceis de serem ditas num México que se curvou aos efeitos nocivos de uma mídia violenta. Silverio Gama consegue realizar seu desejo e se transforma em um repórter de renome em Los Angeles. Ainda assim, a obra não se propõe a ser uma odisséia de sua redenção (como </span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman </i></span><span style="font-weight: 400;">é, por exemplo), e Iñárritu mistura realidade e ficção, acenando às interpretações de que as duas, na verdade, podem ser a mesma coisa – tudo depende do ponto de vista do observador. Na prática, o personagem percebe que a realidade, por si só, é pura ficção.</span></p>
<figure id="attachment_29203" aria-describedby="caption-attachment-29203" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29203" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu.jpg" alt="" width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29203" class="wp-caption-text">Em entrevista ao Vanity Fair, <a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/09/awards-insider-alejandro-g-inarritu-interview-about-bardo-reviews">Alejandro G. Iñárritu</a> disse que “é uma pena que Bardo tenha sido incompreendido” (Foto: Jason LaVeris)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de uma temporada premiada com </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Regresso</i></span><span style="font-weight: 400;">, interpolada pelo curta-metragem </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://youtu.be/zF-focK30WE">Carne y arena</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2017) – resultado de um projeto de realidade virtual que recebeu um </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;"> Especial da Academia –, o novo projeto do diretor não conseguiu os mesmos feitos. Após as primeiras exibições, o longa</span> <span style="font-weight: 400;">(que chega em breve aos cinemas brasileiros) teve um mau desempenho. Tentando remediar o que parece inevitável, o diretor cortou quase 30 minutos de filme, além de gerar uma reedição de diversas outras partes – é essa versão reeditada que integrou a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e chega à </span><span style="font-weight: 400;"><i>Netflix</i></span><span style="font-weight: 400;"> no dia 16 de dezembro, numa nova estratégia de distribuição da empresa, que o lançará primeiro nos cinemas. Ainda assim, o longa totaliza praticamente três horas de duração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, é interessante perceber como </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo, Falsa Crónica de unas Cuantas Verdades </i></span><span style="font-weight: 400;">(no original) </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/inarritu-meu-filme-bardo-e-incerto-muito-desconfortavel-e-pode-ser-irritante/">antecipa as próprias críticas</a></span><span style="font-weight: 400;"> que recebeu. Em uma das sequências do filme, durante a festa em homenagem à Silvério, ele entra num embate com Luis (Francisco Rubio), um ex-colega que se tornou uma estrela do sensacionalismo na televisão mexicana. Luis ataca Silverio por sua auto-indulgência e pretensão, acusando-o de se autoproclamar “artista” para os norte-americanos, esquecendo, assim, suas origens. Como resposta, o protagonista profere um discurso sobre a hipocrisia de uma mídia que sacrifica integridade e decência pelo altar das críticas e curtidas nas redes sociais. De alguma forma, Iñárritu esperava que seu filme fosse condenado por aquilo que atacou.</span></p>
<figure id="attachment_29202" aria-describedby="caption-attachment-29202" style="width: 2034px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29202" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM.webp" alt="" width="2034" height="1046" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM.webp 2034w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-800x411.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1024x527.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-768x395.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1536x790.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1200x617.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29202" class="wp-caption-text">Nicolás Giacobone, que levou o Oscar de Melhor Roteiro por Birdman, repete a parceria com Alejandro Iñárritu em Bardo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra cena, na qual Gama discute com o filho – o adolescente Lorenzo (Íker Sánchez Solano) –, questões sobre o colonialismo e a relação Estados Unidos — México surgem de forma visceral. Durante o embate entre os dois, o filho defende os ianques e elenca todas as “virtudes tecnológicas” de um país regido pelo dinheiro, ainda que o pai tente jogar luz na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/noticia/2022/10/alejandro-gonzalez-inarritu-cada-pais-e-formado-por-varias-narrativas.ghtml">memória histórica do país</a></span><span style="font-weight: 400;"> latino-americano, argumentando acerca das tradições mexicanas. O curioso é, para além do debate, perceber como esse diálogo foi construído no roteiro: Lorenzo começa, lentamente, a inserir palavras em inglês durante o confronto, enquanto Silverio permanece falando o espanhol.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo ao fim da discussão, Lorenzo está falando totalmente em inglês, sinalizando para a colonização do próprio garoto na conversa. Como consequência, o pai grita: “</span><span style="font-weight: 400;"><i>fale espanhol, estamos no México</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Segundos depois, o próprio Silverio está redigindo um </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_56dnQF4NNI&amp;t=92s&amp;ab_channel=Oscars">discurso do prêmio</a></span><span style="font-weight: 400;"> que irá receber nos Estados Unidos – o inimigo que, agora, lhe concede reconhecimento. Parte da crise existencial dele surge daí, no que também parece uma autocrítica do próprio Alejandro G. Iñárritu: depois de uma história marcada por questões nacionalistas, elencando elementos de seu próprio crescimento e país de origem nas concepções artísticas, o reconhecimento se consolida, somente, após passar pelo crivo da Academia norte-americana – e, pior: depois de aceitar tudo isso. Como Silverio diz em uma das cenas, &#8220;</span><span style="font-weight: 400;"><i>o sucesso tem sido meu maior fracasso&#8221;</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29206" aria-describedby="caption-attachment-29206" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29206" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29206" class="wp-caption-text">Iñárritu demorou 5 anos para finalizar Bardo; o filme ainda traz as atrizes Griselda Siciliani e Ximena Lamadrid no elenco (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Submissão do México no </span><span style="font-weight: 400;"><em>Oscar</em></span><span style="font-weight: 400;"> 2023, o filme tem um enredo que parece uma mensagem do próprio diretor a ele mesmo, uma autocrítica expandida com um personagem que em muito poderia ser um alter ego. Além de ter consciência do baixo envolvimento que o grande público deve ter com a obra, o diretor também disse em entrevista que incluiu “</span><span style="font-weight: 400;"><i>alguns pensamentos que eu tenho comigo mesmo</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Ele sabe que o </span><span style="font-weight: 400;"><i>establishment</i></span><span style="font-weight: 400;"> estadunidense passou a enxergá-lo como uma fraude, um indivíduo pretensioso que ninguém entende como entrou para a História com dois </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;">’s seguidos (algo que não acontecia na categoria desde 1950). Talvez por isso o roteiro avance para o caricatural em diversos momentos, ao mesmo tempo em que dá piscadelas de que tudo não passa de um grande sonho </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q29iibXXiOs&amp;ab_channel=Radiohead-Topic">no limbo</a></span><span style="font-weight: 400;"> da morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A bem da verdade, e talvez de forma cíclica, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo</i></span><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro longa em que Iñárritu retorna ao cenário mexicano, depois de sua elogiada estreia com </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/amores-brutos-alejandro-g-inarritu-critica/">Amores Brutos</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2000). De qualquer forma, trata-se de uma produção cinematográfica que é, em muitos aspectos, psicodélica, e por isso soa desigual. O que em algumas produções seria o seu maior feito, aqui fica confuso, e a ausência de distinção entre memória, verdade, mentira, realidade e ficção coloca tudo numa “cama de gato”. Existem trechos que apelam para o drama e outros para o surrealismo, cuja ligação não é forte o suficiente para sustentar essas mudanças bruscas. Mesmo que autorizadas pelo subconsciente de Silverio Gama, as variações só acenam para o enlouquecedor, e o final, propriamente, não parece finalizar nada.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BARDO, False Chronicle of a Handful of Truths | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lCQimQfDuTs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Flux Gourmet é um delicioso banquete difícil de digerir</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2022 18:22:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga  Cozinhar, definitivamente, é uma Arte. Mesmo não estando inclusa entre as sete, a gastronomia sabe emular todas as sensações que as outras conseguem, às vezes de forma mais impactante e convincente que as demais. Seja pelo conforto e ternura de uma comida feita pela mãe, seja pela explosão sensorial do prato principal feito &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/flux-gourmet-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Flux Gourmet é um delicioso banquete difícil de digerir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28902" aria-describedby="caption-attachment-28902" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28902 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela, vemos os três integrantes que compõem o coletivo artístico-culinário. Ao centro temos o personagem Billy interpretado por Asa Butterfield, um jovem branco de cabelos pretos com uma grande franja. Ele usa uma jaqueta jeans, camiseta vinho e calça jeans. Sua cabeça está arqueada e sua boca levemente aberta. Mais atrás, dos lados direito e esquerdo, temos duas mulheres, a da direita, loira e a da esquerda, de cabelo castanho cor de mel. As duas estão de costas, fazem movimentos com as mãos na altura do rosto e vestem uma espécie de vestido fúnebre na cor preta. Ao fundo, há uma parede que reflete uma luz azul." width="2560" height="1384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-2048x1107.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28902" class="wp-caption-text">O filme chega em terras brasileiras através da seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cozinhar, definitivamente, é uma Arte. Mesmo não estando inclusa entre as </span><a href="https://abra.com.br/artigos/quais-sao-as-7-artes/"><span style="font-weight: 400;">sete</span></a><span style="font-weight: 400;">, a gastronomia sabe emular todas as sensações que as outras conseguem, às vezes de forma mais impactante e convincente que as demais. Seja pelo conforto e ternura de uma comida feita pela mãe, seja pela explosão sensorial do prato principal feito em um restaurante três estrelas </span><i><span style="font-weight: 400;">Michelin</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou até mesmo pela agonia que é experimentar algum ingrediente exótico. São essas experiências que </span><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;">, co-produção entre Reino Unido, Estados Unidos e Hungria, em cartaz na Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, e que estreou no </span><a href="https://www.instagram.com/p/Cgc1Di6MEkf/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;">, busca instigar.</span></p>
<p><span id="more-28901"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigida pela nova sensação do </span><i><span style="font-weight: 400;">cult </span></i><span style="font-weight: 400;">bizarro inglês, </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/peter-strickland"><span style="font-weight: 400;">Peter Strickland</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra presta homenagens, em uma espécie de miscelânea, ao Cinema, Teatro e Gastronomia. O longa segue a história de um coletivo artístico-culinário em seu período de ensaios e apresentações, pelo olhar de um escritor, encarregado de documentar o processo. A premissa, por si só, já é um antro de bizarrices, sendo muito difícil sequer contemplar esse conceito. Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue, e muito bem, escalonar suas ideias ao máximo.</span></p>
<figure id="attachment_28903" aria-describedby="caption-attachment-28903" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28903 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela vemos a personagem Elle di Elle, uma mulher branca de meia idade e de cabelos castanhos cor de mel. Ela está nua e aparece somente do ombro para cima, completamente ensanguentada. Ela segura um microfone contra sua testa e ao fundo, há uma plateia observando." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28903" class="wp-caption-text">A curta carreira do diretor já é marcada pelo horror presente em seus filmes (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obsessão artística sempre foi uma tônica do Cinema, a exemplos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Whiplash </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014), </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/cisne-negro-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Cisne Negro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n7kPKVxuz6k&amp;ab_channel=20thCenturyStudiosBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">[2014]. E essas obras sempre flertaram &#8211; umas mais, outras bem menos &#8211; entre o suspense e o horror. Como o pano de fundo do longa de Strickland já tendo uma aura perturbadora para chamar de sua, a escrita tem maior liberdade para destrinchar essa obsessão, o que é muito beneficiada também pelo caráter de experimentação que o Teatro naturalmente tem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, o idealizador consegue sair do arroz e feijão desse subgênero, traçando uma discussão sobre a Arte através da própria Arte, além de passear por outros entraves como o patriarcado e a exposição, tudo isso de forma muito consciente, engrossando o caldo de seu assunto-órbita que é a gastronomia. Aliás, é muito interessante como a obra usa esse fio condutor da comida para te conquistar pela barriga &#8211; só que, nesse caso, através de sequenciais socos no estômago.</span></p>
<figure id="attachment_28904" aria-describedby="caption-attachment-28904" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28904 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela vemos a personagem Elle di Elle. Ela está vestindo uma camisola branca e aparece somente do ombro para cima, com a cara posicionada na direita, numa espécie de close da câmera. Ela segura um liquidificador com a mão esquerda e a tampa dele com a direita. Ele está aberto e vazando um líquido branco. Ao fundo, uma parede que reflete uma luz azul." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28904" class="wp-caption-text">O tempo todo, o filme sabe trabalhar a agonia no telespectador (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito bem aproveitado pelo longa seus diferentes aspectos e a forma como eles são inseridos na narrativa. A fotografia, pelas lentes de </span><a href="https://www.instagram.com/sidsidell/"><span style="font-weight: 400;">Tim Sidell</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, sabe usar muito bem da parte documental, centralizando e aproximando em uma quase simetria os personagens que conduzem o estudo. Já a parte teatral dá uma outra ótica para o filme, com planos mais abertos que enfatizam a inserção dos personagens no cenário e exaltam o jogo de luzes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda no Teatro, a produção usa muito bem o seu </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de som, de autoria de Tim Harrison. Durante os ensaios, a inserção de sons sob a improvisação dos personagens ajuda no processo de imersão do espectador. Já durante as apresentações, relembrando as </span><i><span style="font-weight: 400;">jam sessions</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos grupos mais progressivos e </span><a href="https://timba.nics.unicamp.br/engsom/index.php/leituras-e-ponteiros/historia-da-musica-ocidental/musica-experimental/"><span style="font-weight: 400;">experimentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século passado, as </span><i><span style="font-weight: 400;">pick-ups</span></i><span style="font-weight: 400;"> plugadas nos mais diferentes tipos de comida criam uma atmosfera única, que amplifica ainda mais a estranheza da obra.</span></p>
<figure id="attachment_28905" aria-describedby="caption-attachment-28905" style="width: 1880px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28905 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela, temos a personagem Elle di Elle. Ela aparece do tronco para cima usando um vestido preto. Ela está encarando uma pessoa e em sua mão direita, além de um anel de pedra, está segurando um cigarro pela metade. Ao fundo, uma prateleira com potes de vidro que contém temperos." width="1880" height="974" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4.jpg 1880w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-800x414.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1024x531.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-768x398.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1536x796.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1200x622.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28905" class="wp-caption-text">A entrega do elenco é primordial para a criação de mundo da história (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos de maior destaque do filme, além do roteiro, sem dúvidas é o elenco. A liberdade que a escrita dá permite que os atores consigam espremer ao máximo todo o suco de sua atuação. Contidos na hora que precisam ser e extremamente expansivos quando lhes é exigido tal expansividade, as atuações funcionam tanto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oHraElR_v60&amp;ab_channel=IFCFilms"><span style="font-weight: 400;">conjunto</span></a><span style="font-weight: 400;"> como separadas. Fatma Mohammed, musa de Strickland com quem já trabalhou em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Vestido Maldito </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Duque de Burgundy</span></i><span style="font-weight: 400;">, rouba os holofotes para si e preenche todo o longa na difícil tarefa metalinguística de interpretar uma atriz. Já Asa Butterfield (</span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Gwendoline Christie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Ariane Labed (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Lagosta</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Makis Papadimitriou entregam atuações concisas e bem trabalhadas, que vão crescendo de acordo com o desenrolar da obra.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;"> talvez não seja o melhor feito de Peter Strickland, mas sem dúvidas é a mais sensorial de sua carreira. Como um bom </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;"> de festival, o longa sabe chocar, a exemplo da cena do exame de colonoscopia feito em público, ou a performance a princípio envolvendo excrementos que serviria de prato cheio para a máquina de disseminação de</span><i><span style="font-weight: 400;"> fake news</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/09/30/padre-kelmon-peca-macaquinhos.htm"><span style="font-weight: 400;">direita conservadora brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas é interessante notar como o diretor não usa o choque somente pelo choque, mas sim para desenvolver uma reflexão sobre o limite da Arte e o uso dessa impressionabilidade na mesma, enquanto o próprio filme é uma peça artística. Como qualquer comida, o longa talvez não seja para todos os paladares e muito menos para todos os estômagos, mas, ainda assim, tem um alto valor, seja ele nutritivo ou como experiência.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Flux Gourmet - Official Trailer | HD | IFC Midnight" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/oHraElR_v60?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Noturno é a luz, a penumbra e a sombra dos trajetos humanos</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Apr 2022 15:49:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Rota Hilário Não há ser humano no mundo capaz de trilhar um caminho feito todo de luz. Justamente por sermos humanos, a complexidade nos acompanha dia após dia, guiando-nos sempre diante das surpresas e mistérios da vida. Partindo dessa lógica, nossa existência se faz um eterno e heterogêneo jogo de luzes, penumbras e sombras. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/maria-bethania-noturno-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Noturno é a luz, a penumbra e a sombra dos trajetos humanos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27146" aria-describedby="caption-attachment-27146" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27146" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-1-800x602.jpg" alt="Fotografia retangular horizontal de Maria Bethânia. Ao fundo, vemos um ambiente escuro. Maria Bethânia ocupa quase toda a imagem. Ela é uma mulher de cabelos soltos e grisalhos, está sentada, veste roupas principalmente douradas, traz uma pena avermelhada sobre o peito, olha para frente e pendura a mão esquerda sobre o braço de uma poltrona feita aparentemente de madeira." width="800" height="602" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-1-800x602.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-1-1024x770.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-1-768x578.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-1-1200x903.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-1.jpg 1279w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27146" class="wp-caption-text">Dificilmente, um texto estará à altura de Maria Bethânia, mas falar da Abelha Rainha será sempre uma necessidade legítima (Foto: Jorge Bispo)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Rota Hilário</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há ser humano no mundo capaz de trilhar um caminho feito todo de luz. Justamente por sermos humanos, a complexidade nos acompanha dia após dia, guiando-nos sempre diante das surpresas e mistérios da vida. Partindo dessa lógica, nossa existência se faz um eterno e heterogêneo jogo de luzes, penumbras e sombras. Nossa Arte, por sua vez, apenas reflete essa humanidade multifacetada, criando possibilidades e universos únicos, por vezes até mais atraentes do que aquilo que, por convenção, resolvemos chamar de ‘realidade’. De todas essas questões, especificamente da última, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/maria-bethania/"><span style="font-weight: 400;">Maria Bethânia</span></a><span style="font-weight: 400;"> entende bem.            </span></p>
<p><span id="more-27142"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gravado em 2020, o novo álbum da Abelha Rainha, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/07/maria-bethania-ve-a-morte-do-brasil-e-busca-amor-tesao-e-panico-em-seu-novo-album.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> só foi disponibilizado pela gravadora </span><a href="https://www.instagram.com/biscoitofino/?hl=pt-br"><i><span style="font-weight: 400;">Biscoito Fino</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em julho de 2021. Mas isso não quer dizer que, até o dia do aguardado lançamento, os fãs da intérprete brasileira desconheciam totalmente as 12 faixas do disco. Afinal, uma parte desse repertório foi apresentada no </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2019/07/05/bem-de-perto-maria-bethania-conserva-a-habitual-magnitude-sob-a-luz-intensa-do-show-claros-breus.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Claros Breus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2019, realizado na </span><a href="https://jc.ne10.uol.com.br/canal/cultura/musica/noticia/2019/11/29/maria-bethania-mesclando-o-moderno-com-a-nostalgia-393962.php"><span style="font-weight: 400;">boate</span></a><span style="font-weight: 400;"> carioca Manouche. E o que se tornou uma espécie de consenso para a crítica nacional, quando finalmente nasceu a nova obra de Bethânia, foi exatamente a experimentação &#8211; em parte, herdada do espetáculo no Rio &#8211; que </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;"> constrói com os fulgores e as trevas dos últimos anos.             </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Partindo de uma espécie de paradoxo, a porta de entrada para o mais recente universo de Bethânia é a angústia perfeita. Ao escutarmos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JfKDs2JkKro"><i><span style="font-weight: 400;">Bar da Noite</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Bidu Reis/Haroldo Barbosa), faixa que abre o disco, temos a certeza de que resgatar um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0yTruTiOpW8"><span style="font-weight: 400;">samba-canção</span></a><span style="font-weight: 400;"> gravado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uDuUCL4LSww"><span style="font-weight: 400;">mais de uma vez</span></a><span style="font-weight: 400;"> por uma figura da dimensão de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u38279.shtml"><span style="font-weight: 400;">Nora Ney</span></a><span style="font-weight: 400;">, nome brasileiro </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/03/20/nora-ney-voz-noturna-dos-fracassados-no-amor-tem-centenario-de-nascimento-ignorado-pelo-brasil.ghtml"><span style="font-weight: 400;">centenário</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de canto extasiante, só poderia ser a escolha de uma intérprete sublime, igualmente consolidada e incomparável, que tem a sensibilidade como guia de todos os seus passos artísticos. Acompanhada pelo piano de Zé Manoel, a voz de Maria Bethânia assume, aqui, um ar tão dramático, que consegue nos transportar diretamente para o “</span><i><span style="font-weight: 400;">Bar que é o refúgio barato/Dos fracassados no amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_27194" aria-describedby="caption-attachment-27194" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27194 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1-800x800.jpg" alt="Capa do álbum Noturno. Arte digital quadrada, com fundo branco. Quase no centro do disco, posicionado mais à direita, está o título Noturno, escrito em letras de fôrma maiúsculas azuis. Um pouco abaixo, lemos Maria Bethânia em letras cursivas de outra tonalidade azul." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27194" class="wp-caption-text">“Eu aprendi a cantar essa música muito cedo. Sempre gostei de canção dramática, forte, com vivência. E Nora Ney com aquele timbre, as pausas muito fortes, significativas, teatrais, me cativou”, declarou Maria Bethânia à Folha de S.Paulo (Foto: Biscoito Fino)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sequência antitética, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZeQCSNL_Xxw"><i><span style="font-weight: 400;">O Sopro do Fole</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> estabelece a primeira contraposição festiva do álbum. Arquitetando uma jornada em família, essa composição de </span><a href="https://www.instagram.com/zecalveloso/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Zeca Veloso</span></a><span style="font-weight: 400;">, filho de Caetano, dá vida a um baião que surpreendeu até mesmo a Abelha Rainha. Em entrevista ao jornal </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/maria-bethania-circo-esta-fechado-para-gente-poder-me-expressar-um-premio-25131754"><i><span style="font-weight: 400;">O Globo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Bethânia afirmou que “</span><i><span style="font-weight: 400;">É estranho o Zeca tão carioca, tão urbano, ter feito uma canção quase que regional. É uma sensibilidade aguçada e talento de sobra. Foi uma das maiores emoções desse disco</span></i><span style="font-weight: 400;">”. De fato, uma música tão singela sinaliza cristalinamente a poesia que paira sobre a família Veloso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De qualquer modo, lirismo é o que não falta em </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;">. Certos regionalismos, por sinal, seguem o mesmo caminho. Juntar esses dois elementos, no fim, pode ser uma decisão perfeita. Ótimo exemplo disso é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MMLMGEJU3m4"><i><span style="font-weight: 400;">Lapa Santa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que encanta os ouvintes desde sua abertura &#8211; quase &#8211; épica. Lançada como </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/07/15/maria-bethania-louva-o-velho-chico-com-fe-na-patria-brasileirinha-que-banha-o-single-lapa-santa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do álbum, a canção de Paulo Dafilin e Roque Ferreira alude ao município de Bom Jesus da Lapa (BA), que é banhado pelo rio São Francisco, e também às mais variadas e ricas devoções do povo nordestino. Logo em seguida, o samba </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wXk_UfTohlE"><i><span style="font-weight: 400;">De Onde Eu Vim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também de Paulo Dafilin, se afasta do tom dramático e da melancolia anteriores, mantendo, porém, uma inevitável saudade da Bahia, terra natal de Bethânia &#8211; e lugar tão distante durante a pandemia.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Maria Bethânia | Luminosidade (Ao Vivo no Manouche)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/QSOyULCIQ6o?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em relação às faixas nem sempre recordadas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NfD-WWpM24s"><i><span style="font-weight: 400;">Vidalita</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Diy2fyu20qU"><span style="font-weight: 400;">Maria Teresa Martin Cadierno</span></a><span style="font-weight: 400;">) com certeza merece destaque, já que, ao lado de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m-ubdikVT_w"><i><span style="font-weight: 400;">Mi Unicornio Azul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, gravada por Ney Matogrosso para o álbum </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/10/29/ney-matogrosso-veste-as-cancoes-do-album-nu-com-a-minha-musica-com-a-voz-ainda-pujante-que-tem-aos-80-anos.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Nu Com a Minha Música</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, essa é uma das mais belas canções em espanhol lançadas por intérpretes brasileiros em 2021. Curioso é que, além de ser um recurso criativo, a junção de voz e violão em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vidalita</span></i><span style="font-weight: 400;"> denuncia uma preocupação recorrente no pandêmico e mórbido ano de 2020: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Meu disco tem muito voz e violão, voz e piano, porque era uma maneira de realizar. Foi a solução que encontramos.</span></i><span style="font-weight: 400;">”, revelou Bethânia ao jornal baiano </span><a href="https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/final-dos-tempos-sorri-bethania-sobre-critica-negativa/"><i><span style="font-weight: 400;">Correio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também lembrada com menor frequência, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=veingXksgP8"><i><span style="font-weight: 400;">Música Música</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> entoa versos otimistas e enxerga uma luz no fim do túnel: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nascem novamente no meu peito/As ilusões</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">a vida/De novo me convida/Ao som divino de um violino/Chama pra cantar/A bem-aventurada música/Da esperança</span></i><span style="font-weight: 400;">”, narra a letra de Roque Ferreira. Tendo em vista que cada faixa carrega uma dedicatória própria, não é à toa que essa, em específico, foi dedicada aos sobreviventes. Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DHlxE1qlgq4"><i><span style="font-weight: 400;">Cria da Comunidade</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(Xande de Pilares/Serginho Meriti), canção razoavelmente popular, é a escolha mais inusitada de todo o álbum. Aventurando-se por novos caminhos, e dividindo os vocais com </span><a href="https://www.instagram.com/xandedepilares/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Xande de Pilares</span></a><span style="font-weight: 400;">, Maria Bethânia nos surpreende nesta bela colaboração, já que obtém sucesso até mesmo fora das sonoridades às quais está mais habituada.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o maior destaque de </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, com certeza, o bolero </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q6am8PNsRQ4"><i><span style="font-weight: 400;">Prudência</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Da autoria de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/tim-bernardes/"><span style="font-weight: 400;">Tim Bernardes</span></a><span style="font-weight: 400;">, artista que se fixa cada vez mais na história da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/musica-brasileira/"><span style="font-weight: 400;">Música brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">, essa canção já é um dos grandes sucessos da filha de Dona Canô, podendo, mais cedo ou mais tarde, estar ao lado de clássicos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Es3sgwyV--o"><i><span style="font-weight: 400;">Onde Estará O Meu Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0Z39R6g5O8Y"><i><span style="font-weight: 400;">Olhos Nos Olhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DYcFMr29f2c"><i><span style="font-weight: 400;">Não Dá Mais Pra Segurar (Explode Coração)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sobre ela, na já mencionada entrevista ao jornal </span><i><span style="font-weight: 400;">O Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Bethânia contou que “</span><i><span style="font-weight: 400;">Caetano ouviu e achou que fosse uma dessas pérolas antigas do cancioneiro nacional que eu escolho para os meus discos. Mas era do Tim!</span></i><span style="font-weight: 400;">”. De certa forma, existe a forte sensação de que </span><i><span style="font-weight: 400;">Prudência</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasceu consagrada &#8211; e os números no </span><a href="https://open.spotify.com/track/7byA56peap14u8Pj3CcMgJ?si=410c9e40db714ea8"><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> parecem concordar com essa ideia.</span></p>
<figure id="attachment_27151" aria-describedby="caption-attachment-27151" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27151" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-640x800.jpg" alt="Fotografia retangular vertical de Tim Bernardes e Maria Bethânia. Ao fundo, vemos um camarim. Tim ocupa o lado esquerdo da imagem, enquanto Bethânia se encontra no lado direito. Os dois se abraçam, sorriem e vestem roupas brancas. Tim Bernardes é um homem de cabelos compridos, bigode e óculos metálicos. Maria Bethânia é uma mulher de cabelos grisalhos e usa um relógio de pulso no braço esquerdo." width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-768x960.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27151" class="wp-caption-text">Tim Bernardes e Maria Bethânia posam para foto publicada em 2019, no Instagram do cantor (Foto: Instagram/@timbernardes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por falar nas composições mais ouvidas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wL2VqI7gGa8"><i><span style="font-weight: 400;">A Flor Encarnada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/margem-finda-a-viagem-critica/"><span style="font-weight: 400;">Adriana Calcanhotto</span></a><span style="font-weight: 400;">, é outro momento inigualável de </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;">. Igualmente emoldurado pelo recurso voz e piano &#8211; tocado pelo mesmo Zé Manoel, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bar da Noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> -, o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/06/24/maria-bethania-faz-a-flor-encarnada-brotar-com-a-devida-tristeza-no-primeiro-single-do-album-noturno.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">lead single</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do álbum mergulha qualquer ambiente em uma melancolia densa, dramática, transformando os mínimos detalhes em um verdadeiro “</span><i><span style="font-weight: 400;">sertão de lágrimas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Poética ao extremo, essa flor de beleza torta se mostra demasiadamente trágica &#8211; e, talvez, seja exatamente o exagero de seus versos, combinado com uma profundidade instrumental, que a transforme em uma das canções mais bonitas de toda a obra.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como Calcanhotto, alguns dos compositores recorrentes na discografia de Maria Bethânia não poderiam ficar de fora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;">. É essa a realidade de Paulo Dafilin, Roque Ferreira e, com toda certeza, Chico César. Este último, vale ressaltar, banha-se na esperança cintilante de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U3ItqOP7jn0"><i><span style="font-weight: 400;">Luminosidade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que recebe a dedicatória “</span><i><span style="font-weight: 400;">para pedir misericórdia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, enquanto Adriana aparece em dose dupla, protagonizando dois momentos cruciais do álbum. No segundo deles, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dois de Junho</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2020/06/05/caso-miguel-como-foi-a-morte-do-menino-que-caiu-do-9o-andar-de-predio-no-recife.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Caso Miguel</span></a><span style="font-weight: 400;"> é revivido com muita teatralidade, violência, revolta e dor, denunciando à posteridade a morte evitável de um menino negro, de apenas cinco anos, neste “</span><i><span style="font-weight: 400;">país negro e racista</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RrtcQ2uh2no?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregando uma das dedicatórias mais significativas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">para os indiferentes</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DBhsrswZ3Ec"><i><span style="font-weight: 400;">Dois de Junho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> manifesta uma carga política incalculável, porque imortaliza um episódio que não pode se perder em meio à indiferença. Assim como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mu_Z71H6Ay4"><i><span style="font-weight: 400;">Carcará</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BEs_fP37lNo"><i><span style="font-weight: 400;">Balada de Gisberta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_pIFQOPr5EM"><i><span style="font-weight: 400;">Cálice</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assistimos, aqui, àquela voz que não se cala, verdadeiro dote de uma artista devidamente atenta aos momentos históricos que vivencia. Não satisfeita com a visível qualidade da letra, Maria Bethânia ainda se insere, durante toda a canção, em uma </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/07/30/canto-magno-de-maria-bethania-brilha-no-contraste-entre-a-claridade-e-o-breu-que-ilumina-o-album-noturno.ghtml"><span style="font-weight: 400;">atmosfera instrumental</span></a><span style="font-weight: 400;"> tensa, que guia as aflições metafóricas e literais da crônica musical de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Myob26bhNqs"><span style="font-weight: 400;">Calcanhotto</span></a><span style="font-weight: 400;">.        </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A esperança, contudo, não morrerá tão cedo. Para encerrar magistralmente o álbum, a Abelha Rainha declama alguns </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3PqATKhWvgg"><span style="font-weight: 400;">fragmentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do revigorante poema </span><a href="https://www.escritas.org/pt/t/3002/uma-pequenina-luz"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Pequenina Luz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do poeta português Jorge de Sena. Em constante comunhão com a Literatura, Bethânia nos emociona ao apontar que, embora incerta e vacilante, uma pequenina luz brilha “</span><i><span style="font-weight: 400;">no meio de nós</span></i><span style="font-weight: 400;">”, próxima, exata, firme… Eterna! Como um milagre, então, o calor dessa chama nos toca. Afaga o coração. Acaricia a alma. Traz lágrimas ao rosto dos ouvintes mais sensíveis e </span><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-julho-2021/"><span style="font-weight: 400;">suspiros</span></a><span style="font-weight: 400;"> à postura daqueles mais abalados. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Brilha./Não na distância. Aqui/no meio de nós./Brilha</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_27152" aria-describedby="caption-attachment-27152" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27152 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-728x1024.jpg" alt="Fotografia retangular vertical de Maria Bethânia. Ao fundo, vemos um ambiente escuro. Maria Bethânia ocupa quase toda a imagem. Ela é uma mulher de cabelos soltos e grisalhos, veste roupas principalmente douradas, usa dois anéis, um relógio dourado, traz uma pena avermelhada sobre o peito e olha para frente." width="728" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-728x1024.jpg 728w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-569x800.jpg 569w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-768x1080.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-1092x1536.jpg 1092w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-1456x2048.jpg 1456w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-1200x1688.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27152" class="wp-caption-text">Para o experiente crítico <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/07/30/canto-magno-de-maria-bethania-brilha-no-contraste-entre-a-claridade-e-o-breu-que-ilumina-o-album-noturno.ghtml">Mauro Ferreira</a>, “Noturno se alimenta do contraste entre a claridade e o breu” (Foto: Jorge Bispo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante lembrar que, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Claros Breus</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/final-dos-tempos-sorri-bethania-sobre-critica-negativa/"><span style="font-weight: 400;">quem encerrava o espetáculo</span></a><span style="font-weight: 400;"> era justamente a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ztA0cAlXf9Y"><i><span style="font-weight: 400;">Bar da Noite</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e, com ela, toda a escuridão dos cenários noturnos. Em um processo inverso, o novo disco de Bethânia traz essa música para sua abertura e coloca o desfecho preciso sob responsabilidade de um poema extremamente luminoso. Afastando-se de devaneios ingênuos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;"> junta um excelente repertório escolhido pela intérprete baiana com a direção musical e os arranjos do maestro </span><a href="https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2021/10/28/maestro-letieres-leite-morreu-por-insuficiencia-respiratoria-em-decorrencia-da-covid-19.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Letieres Leite</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">In Memorian</span></i><span style="font-weight: 400;">), erguendo, a partir desse &#8211; e de outros &#8211; encontros, uma esperança realista de um futuro melhor.    </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Certo é que </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;"> também se consolida como um dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2021/#:~:text=Entre%20o%20lan%C3%A7amento%20no%20fim,Cr%C3%ADticos%20de%20Arte%20(APCA)."><span style="font-weight: 400;">grandes discos de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e de toda a carreira de Bethânia. Em 2019, quando lançou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vdCN13SUI1I"><i><span style="font-weight: 400;">Mangueira &#8211; a Menina dos Meus Olhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a Abelha Rainha entregou aos fãs uma obra de qualidade, elaborada com muito carinho e zelo, mas que funcionava mais como tributo do que um álbum expressivo e denso. Agora, o que se contempla é uma experiência nova, até mesmo arriscada, mas que reitera o faro sensível de Maria Bethânia para suas interpretações. Uma mistura de luz, penumbra e sombra feita para quem sabe desbravar com intensidade as estradas da vida.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Noturno" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/3Q6KR2k01ltWu8OtqOmm3E?si=OPNTGw3eS76f6DaKHOB0uA&#038;nd=1&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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