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	<title>Arquivos Amor &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Lagum: tem gente que só começa Depois do Fim</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Nov 2023 19:34:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Luiza Lopes Gomez Angústias, perdas, negação e reencontro. Estas são algumas das palavras que caracterizam e são usadas como base para a criação do quarto álbum da banda mineira Lagum. Depois do Fim é lançado como um olhar diferenciado sobre o mundo e traz à tona questões filosóficas talvez nunca aprofundadas nos últimos discos &#8211; &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/depois-do-fim-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lagum: tem gente que só começa Depois do Fim"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31981" aria-describedby="caption-attachment-31981" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31981" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/ab67616d0000b27368757c8aaaaf5d2c9d7838d1.jpg" alt="Capa do álbum Depois do Fim, da banda Lagum. Quatro homens estão centralizados na imagem, distantes, sentados em uma janela em cima de um telhado. A casa na qual o telhado está, queima em chamas, com fumaça e fogo aparecendo nos cantos. Os homens aparentam estar tranquilos, conversando no local, que está anoitecendo e sendo iluminado apenas pelas chamas.)" width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/ab67616d0000b27368757c8aaaaf5d2c9d7838d1.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/ab67616d0000b27368757c8aaaaf5d2c9d7838d1-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31981" class="wp-caption-text">A estética de casa em chamas aparece no quarto álbum de estúdio da banda Lagum e aponta para um recomeço pós destruição (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><b>Luiza Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Angústias, perdas, negação e reencontro. Estas são algumas das palavras que caracterizam e são usadas como base para a criação do quarto álbum da banda mineira Lagum. </span><i><span style="font-weight: 400;">Depois do Fim</span></i><span style="font-weight: 400;"> é lançado como um olhar diferenciado sobre o mundo e traz à tona questões filosóficas talvez nunca aprofundadas nos últimos discos &#8211; pelo menos, não na mesma </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/gente/lagum-lanca-depois-do-fim-projeto-mais-intimo-da-carreira-e-um-album-de-cura/"><span style="font-weight: 400;">intensidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. A chegada do projeto recorre a jornadas internas em meio ao entendimento do despertar depois do fim, abordando temáticas como o destino e o acaso, a saudade, o reconhecimento pessoal e esclarecimentos internos na mente de um jovem reflexivo. </span></p>
<p><span id="more-31975"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum</span> <span style="font-weight: 400;">e a </span><a href="http://weinthecrowd.com/lagum-estreia-a-turne-depois-do-fim-com-o-pe-direito-no-rio-de-janeiro-e-enlouquece-fas-em-uma-noite-inesquecivel/"><span style="font-weight: 400;">turnê</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o segue</span> <span style="font-weight: 400;">já garantem seu impacto inicial a partir da escolha do título. Questionamentos tão profundos e pouco decifráveis perante uma realidade limitada são abordados em resposta a uma possibilidade de existência após desfechos por vezes inesperados, interpretado de forma complexa e traduzido nas relações interpessoais, espirituais e internas construídas em meio a uma jornada de vida que possui prazo de validade. Assim, o disco adquire sua notoriedade com base na apresentação de abordagens e perspectivas de um futuro muito mais amplo e mutável, traduzindo sensações que, mesmo partindo de um ‘eu’, são compartilhadas por tantos ouvintes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O caráter mais livre e de experimentação poética em meio às composições, unido a melodias e batidas envolventes, constrói um ambiente envolvente para quem escuta, acompanha as experiências e reflexões do eu lírico, e desenvolve uma proximidade intensa e, ao mesmo tempo, reconfortante com as faixas. A transformação da mentalidade em desenvolvimento e a transição entre um ser coberto de máscaras sociais para um indivíduo autêntico e presente pode ser percebida facilmente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Depois do Fim</span></i><span style="font-weight: 400;">. Uma nova fase e a percepção acerca do início de uma diferente jornada de autoconhecimento por parte da banda pode ainda ser explicitada através da comparação com seu segundo álbum, </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_n6UFaaSzgIMDbve6JX9i7Q0-Hu8CTWcZg"><i><span style="font-weight: 400;">Coisas da Geração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, imerso em um universo muito mais jovem e descontraído, distante de certa profundidade emocional e preocupação com seu próprio desconhecimento.</span></p>
<figure id="attachment_31980" aria-describedby="caption-attachment-31980" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31980" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-2.png" alt="4 homens aparecem em um cenário de estrada, na frente de uma van. Dois deles estão sentados em um sofá no meio da estrada e dois outros encontram-se de pé, cada um de um lado do sofá. Os que estão sentados, um possui uma cerveja na mão e o outro uma guitarra. De fundo, observa-se a van com as portas abertas e diversos itens de praia espalhados, como chapéu, guarda-sol, bóias, cooler e outros. Todos os integrantes da imagem estão sorridentes, olhando-se entre si e com roupas descontraídas." width="1200" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-2.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-2-800x418.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-2-1024x535.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-2-768x401.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31980" class="wp-caption-text">Trilhas mais intensas e experimentações na musicalidade da banda exprimem a potência e capacidade da Lagum em tornar o complexo prazeroso (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ouvir a discografia da Lagum é permitir-se </span><a href="https://gq.globo.com/cultura/musica/noticia/2023/04/lagum-novo-album-depois-do-fim.ghtml"><span style="font-weight: 400;">reinventar conceitos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e abordar olhares diferentes sobre temas às vezes tão conhecidos. Desde maior complexidade romântica, até interpretações e críticas sobre nossa geração, como a canção </span><a href="https://youtu.be/rvb1JrI1-yA?feature=shared]"><i><span style="font-weight: 400;">Habite-se</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lotada de reflexões e analogias potentes, o grupo consegue transpor de forma animada e contagiante sentimentos únicos. Essa característica tão particular é reforçada em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Depois do Fim,</span></i><span style="font-weight: 400;"> capaz ainda de desenvolver passagens sentimentais e até mesmo temporais de forma muito mais íntima e menos romantizada, podendo ainda ser reconhecido como um álbum muito subjetivo, interior a mentes fragilizadas em decorrência das inúmeras passagens de ciclos e vivências talvez não tão confortáveis, porém importantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As composições seguem ainda um caminho poético e metafórico condizente com o momento de amadurecimento e desprendimento. A exposição das dores reprimidas em meio a tentativas incessantes de parecer curado e leve, bem como a dificuldade de ver o agora e tomar ação mediante o presente, exprimem um pouco da abordagem atual das faixas. Funcionando como uma representação de uma </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2023/04/5087151-novo-album-do-lagum-depois-do-fim-inaugura-ciclo-mais-maduro-da-banda.html"><span style="font-weight: 400;">nova fase</span></a><span style="font-weight: 400;"> de percepção da realidade e da existência em meio a jornada da vida adulta, as trilhas unem-se em um decorrer de acontecimentos que permeiam os conflitos de uma vida mais equilibrada e realista com o espírito do eu lírico em crescimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A necessidade de </span><a href="https://youtu.be/rvb1JrI1-yA?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">habitar-se</span></a><span style="font-weight: 400;">, entender-se como um ser incluso na sociedade que o rodeia e as dificuldades atreladas a isso são responsáveis por construir uma </span><i><span style="font-weight: 400;">setlist</span></i><span style="font-weight: 400;"> variada, porém centrada na emoção, na intensidade e nos sentimentos. De tal forma, é perceptível a gradação das dores em meio as faixas e minutos de música como uma maneira de representar o desespero humano em meio a escassez de resoluções ou confusões emocionais, sem ver um futuro confortável por perto. Assim, Lagum traz para </span><i><span style="font-weight: 400;">Depois do Fim</span></i><span style="font-weight: 400;"> composições recortadas por poesias faladas. Ainda, consegue mesclar canto e versos recitados que atingem profundamente o ouvinte, como uma forma de imersão dentro dos pensamentos mais profundos do outro, criando momentos de tensão e maior proximidade com o espectador, receptor direto da mensagem.</span></p>
<figure id="attachment_31978" aria-describedby="caption-attachment-31978" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31978" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-9.jpg" alt="Quatro homens sentados na beira de uma janela presente em um telhado de uma casa. Estão centralizados na fotografia e usam roupas básicas, camisas e calças com paleta de cores terrosa e branca. Está escurecendo e os homens, integrantes da banda, estão sendo iluminados por uma luz amarelada." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31978" class="wp-caption-text">Capazes de deixar o público em transe, a turnê de Depois do fim evidencia que a banda consegue se reinventar e permanece em um patamar artístico ascendente (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que em segundo plano, perdendo o foco principal na maioria das canções, a temática amorosa aparece como forte fator de percepção do eu lírico. Aparecendo ainda como uma espécie de ferramenta de momento de virada na vida de quem sofre em meio a devaneios de insegurança e fragilidades, tal percepção auxilia na busca por reviver um passado favorável em prol do esquecimento da dor das perdas. Tal construção pode ser percebida em faixas como </span><a href="https://youtu.be/eLFbd2lj5fs?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">Ou Não</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://youtu.be/3xlgBZH6y-0?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">Sobre Mim</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/a-oqmvcE8hA?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">Nem Vi que o Tempo Voou</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A conexão entre as três composições e o sentimento de saudade e tentativa de resgate de um eu mais concreto, não tão perdido no mundo, se dá como forma de demonstração da angústia pessoal em se ver só e ter que olhar para dentro de si, deixando claro a transição entre a leveza da união e o sofrimento da solidão, responsável por crises existenciais que incendeiam a mente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://portalpepper.com.br/seguindo-a-narrativa-do-fogo-proposta-no-conceito-da-capa-do-novo-album-lagum-lanca-clipe-de-depois-do-fim/"><span style="font-weight: 400;">casa em chamas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a estética destrutiva e o desconforto são pontos fortes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Depois do Fim, </span></i><span style="font-weight: 400;">exprimindo visualmente uma tentativa de encontro em meio às turbulências da vida e os embates entre acaso e destino. O falecimento de um importante membro da banda em 2021, o baterista Tio Wilson, surge como ponto de início para a criação do álbum, bem como inspiração para drásticas mudanças de olhar perante o presente e futuro de nossa existência. Isso vem como uma lembrança de jornadas compartilhadas entre indivíduos em desenvolvimento e ascensão, e também como representação do luto, da perda e muito da introspecção. </span></p>
<figure id="attachment_31979" aria-describedby="caption-attachment-31979" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31979" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-6.jpg" alt="Foto de divulgação do álbum Depois do Fim. Integrantes da banda Lagum sentados em cadeiras de praia no raso de uma praia. Estão com os pés mergulhados na água e pisando na areia. Utilizam roupas de calor, bermudas, camisas e óculos de sol e seguram jornais em suas mãos. Com o oceano de fundo, apresentam fisionomia alegre, sorrindo e rindo." width="1999" height="1334" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-6.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-6-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-6-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-6-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-6-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31979" class="wp-caption-text">Intimidade e autoconhecimento marcam novas temáticas desenvolvidas, proporcionando um panorama musical diferenciado e cheio de potencial a ser explorado no recomeço da banda (Foto: Alexandre Stehling)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aproximar o público de um contexto tão humano, porém tão pouco falado, é usado como ferramenta de engajamento e reflexão em </span><i><span style="font-weight: 400;">Depois do Fim</span></i><span style="font-weight: 400;">. O álbum aparece na atualidade como uma conversa muito mais íntima do que qualquer um dos outros discos do quarteto, deixando como mensagem final que, mesmo com longos processos de caos, saudades e sofrimento, o cenário pós-instabilidade pode ser esclarecedor, e não só amedrontador. Os versos do </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;">-título explicitam a relação conflituosa, mas libertadora, proveniente do reconhecimento de um novo eu em formação. Assim dito, com a estrofe “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não olha pra trás que eu to seguindo em frente/tem gente que começa só </span></i><a href="https://youtu.be/TY2axmsvL_w?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">depois do fim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” pode-se observar o processo de aceitação e renovação do indivíduo perante a vida, desabrochando e iniciando um novo ciclo mais real e intimista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o desprendimento do passado é simbolizado eficientemente e de maneira tocante através da construção visual, com o indivíduo em reinvenção sendo afastado de memórias antigas e a prisão emocional existente no passado em decorrência do incêndio de sua morada, com o antigo tornando-se cinzas e a necessidade do novo surgindo como fator existencial. Buscando retratar tal transcendência vinda de vivências difusas e transformadoras, tem-se na canção </span><a href="https://youtu.be/CdqWNUquuXA?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">De Amor Eu Não Morri</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> os dizeres “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda é tempo de ser bem maior/ainda é tempo de ser bem melhor</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A reflexão proposta torna-se clara: a vida passa, momentos são efêmeros e temos que aproveitar verdadeiramente cada dia olhando o passado como nascente de aprendizado, presente como fase de experimentação e renovação, e futuro como uma tela vazia prestes a ser pintada.</span></p>
<figure id="attachment_31977" aria-describedby="caption-attachment-31977" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31977" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-9.jpg" alt="Imagem de divulgação do terceiro álbum da Lagum. Em um fundo branco, quatro homens aparecem situados na lateral esquerda do cenário, ao lado do logotipo da banda e o nome do álbum. Olham diretamente para a câmera e situam-se próximos uns dos outros, com olhar sério.)" width="1200" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-9.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-9-800x300.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-9-1024x384.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-9-768x288.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31977" class="wp-caption-text">Com a pretensão de expandir a turnê de Depois do Fim, a banda Lagum anunciou shows na Europa e expôs novos caminhos para sua era atual na Música (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É um desafio descrever a emoção que envolve </span><i><span style="font-weight: 400;">Depois do Fim</span></i><span style="font-weight: 400;">, bem como os desafios em trilhar novos caminhos honestos a cada dia. O álbum pode ser consagrado como uma união de cumplicidades e poesias reais responsáveis por refletir um panorama tão amplo que rodeia a experiência de viver sem medo, errar, reconhecer e se encontrar inúmeras vezes em ambientes diferentes. A inspiração para a criação de uma nova era com certeza deixa cicatrizes irreparáveis na vida de cada um dos integrantes da Lagum e dos fãs. Por outro lado, também aparece como uma porta de entrada para ensinamentos tão sagrados e poéticos, compartilhados como joias nas mãos de amantes de músicas leves, intensas e que combinam razão e emoção. O depois do fim é incerto, mas as </span><a href="https://culturadoria.com.br/lagum-lanca-album-visual-depois-do-fim-em-bh/"><span style="font-weight: 400;">jornadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> prometem recomeços estrondosos. </span></p>
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		<title>Há 10 anos, Lorde lançava o fermento de uma geração: Pure Heroine</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Sep 2023 16:47:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Cegatti Uma parede clara e uma camisa branca são componentes clássicos de vídeos gravados por subcelebridades que tentam se desculpar por algum erro. No entanto, a neozelandesa Ella Marija não usou tais componentes no clipe de Royals para limpar alguma defecação, mas para jogá-la no ventilador. Há uma década, as rádios anunciavam a transformação &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lorde-pure-heroine-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 10 anos, Lorde lançava o fermento de uma geração: Pure Heroine"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31489" aria-describedby="caption-attachment-31489" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31489" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-1.png" alt="Capa do álbum Pure Heroine. O fundo é totalmente preto. Na parte superior central, está escrito “Lorde” em letras maiúsculas e na cor prata. Logo abaixo, está escrito “Pure Heroine” em letras maiúsculas e na cor prata." width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-1-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-1-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-1-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-1-768x768.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31489" class="wp-caption-text">Lorde não era hipertensa para ficar aguentando músicas sem sal, então decidiu criar sua própria receita com Pure Heroine (Foto: Universal Music)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Cegatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma parede clara e uma camisa branca são componentes clássicos de vídeos gravados por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=X9ZaUBExQx8"><span style="font-weight: 400;">subcelebridades</span></a><span style="font-weight: 400;"> que tentam se desculpar por algum erro. No entanto, a neozelandesa Ella Marija não usou tais componentes no clipe de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nlcIKh6sBtc"><i><span style="font-weight: 400;">Royals</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para limpar alguma defecação, mas para jogá-la no ventilador. Há uma década, as rádios anunciavam a transformação de Ella em Lorde e ecoavam melodias que fizeram da onda alternativa da época um tsunami. Naquele momento, a indústria musical precisava fazer uma escolha: se afogar ou aprender a surfar. Lançado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Universal Music </span></i><span style="font-weight: 400;">e produzido por Joel Little, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine </span></i><span style="font-weight: 400;">é um álbum que nunca precisou pedir desculpas, já que Lorde jamais sentiria remorso por um erro tão ingênuo: amar demais. </span></p>
<p><span id="more-31488"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não acha entediante como as pessoas falam?</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span> <span style="font-weight: 400;">é a cartada que inaugura o disco. Aliás, é uma pergunta cuja resposta pode ser abrasileirada ao relembrar a famosa letra de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KhE4zBwKx_M"><i><span style="font-weight: 400;">Fala Mal de Mim</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> escrita por Ludmilla: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ô coisa escrota, pode falar à vontade</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Eis o primeiro ensinamento do álbum de estreia da neozelandesa: não bateis palma para maluco dançar. Afinal, não vale a pena passar noites em claro sendo uma plateia agradável para indivíduos medíocres que não deveriam sequer estar no palco. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u9bQBc6Z_IM"><span style="font-weight: 400;">Inspirada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela efervescência mística de </span><a href="https://youtu.be/eDwi-8n054s?feature=shared&amp;t=253"><span style="font-weight: 400;">Stevie Nicks</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pelos trejeitos desvairados revolucionários de </span><a href="https://youtu.be/-5Y52Gx2A4w?feature=shared&amp;t=105"><span style="font-weight: 400;">Kate Bush</span></a><span style="font-weight: 400;">, Lorde não só escreveu o próprio espetáculo, como também incentivou outros a fazer o mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vez de aproveitar a moral para se autointitular diferente das outras garotas, a nomeada Mulher do Ano pela </span><i><span style="font-weight: 400;">MTV </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2013 preferiu convidá-las para se sentarem junto a ela na mesa do novo </span><i><span style="font-weight: 400;">indie pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://youtu.be/-x11kO-DjPE?feature=shared&amp;t=78"><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aMlfTuHTsVk"><span style="font-weight: 400;">Alessia Cara</span></a><span style="font-weight: 400;"> são alguns dos nomes que trocaram um banquete </span><i><span style="font-weight: 400;">gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;"> por um petisco caseiro, saboreando o principal tempero da receita difundida por Lorde: o minimalismo. Este, por si só, variou o cardápio de uma juventude cuja dieta era unicamente pautada em músicas com muitos ingredientes e pouco sabor. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine </span></i><span style="font-weight: 400;">provocou uma fome que só seria saciada caso outras artistas também colocassem a mão na massa e fizessem uma boa mistura de sensibilidade e intimidade com pitadas de </span><a href="https://cherwell.org/2023/05/07/female-rage-in-film/"><i><span style="font-weight: 400;">female rage</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/CvwFtjrthaq/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
<div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/CvwFtjrthaq/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> </p>
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<div style="display:block; height:50px; margin:0 auto 12px; width:50px;"><svg width="50px" height="50px" viewBox="0 0 60 60" version="1.1" xmlns="https://www.w3.org/2000/svg" xmlns:xlink="https://www.w3.org/1999/xlink"><g stroke="none" stroke-width="1" fill="none" fill-rule="evenodd"><g transform="translate(-511.000000, -20.000000)" fill="#000000"><g><path d="M556.869,30.41 C554.814,30.41 553.148,32.076 553.148,34.131 C553.148,36.186 554.814,37.852 556.869,37.852 C558.924,37.852 560.59,36.186 560.59,34.131 C560.59,32.076 558.924,30.41 556.869,30.41 M541,60.657 C535.114,60.657 530.342,55.887 530.342,50 C530.342,44.114 535.114,39.342 541,39.342 C546.887,39.342 551.658,44.114 551.658,50 C551.658,55.887 546.887,60.657 541,60.657 M541,33.886 C532.1,33.886 524.886,41.1 524.886,50 C524.886,58.899 532.1,66.113 541,66.113 C549.9,66.113 557.115,58.899 557.115,50 C557.115,41.1 549.9,33.886 541,33.886 M565.378,62.101 C565.244,65.022 564.756,66.606 564.346,67.663 C563.803,69.06 563.154,70.057 562.106,71.106 C561.058,72.155 560.06,72.803 558.662,73.347 C557.607,73.757 556.021,74.244 553.102,74.378 C549.944,74.521 548.997,74.552 541,74.552 C533.003,74.552 532.056,74.521 528.898,74.378 C525.979,74.244 524.393,73.757 523.338,73.347 C521.94,72.803 520.942,72.155 519.894,71.106 C518.846,70.057 518.197,69.06 517.654,67.663 C517.244,66.606 516.755,65.022 516.623,62.101 C516.479,58.943 516.448,57.996 516.448,50 C516.448,42.003 516.479,41.056 516.623,37.899 C516.755,34.978 517.244,33.391 517.654,32.338 C518.197,30.938 518.846,29.942 519.894,28.894 C520.942,27.846 521.94,27.196 523.338,26.654 C524.393,26.244 525.979,25.756 528.898,25.623 C532.057,25.479 533.004,25.448 541,25.448 C548.997,25.448 549.943,25.479 553.102,25.623 C556.021,25.756 557.607,26.244 558.662,26.654 C560.06,27.196 561.058,27.846 562.106,28.894 C563.154,29.942 563.803,30.938 564.346,32.338 C564.756,33.391 565.244,34.978 565.378,37.899 C565.522,41.056 565.552,42.003 565.552,50 C565.552,57.996 565.522,58.943 565.378,62.101 M570.82,37.631 C570.674,34.438 570.167,32.258 569.425,30.349 C568.659,28.377 567.633,26.702 565.965,25.035 C564.297,23.368 562.623,22.342 560.652,21.575 C558.743,20.834 556.562,20.326 553.369,20.18 C550.169,20.033 549.148,20 541,20 C532.853,20 531.831,20.033 528.631,20.18 C525.438,20.326 523.257,20.834 521.349,21.575 C519.376,22.342 517.703,23.368 516.035,25.035 C514.368,26.702 513.342,28.377 512.574,30.349 C511.834,32.258 511.326,34.438 511.181,37.631 C511.035,40.831 511,41.851 511,50 C511,58.147 511.035,59.17 511.181,62.369 C511.326,65.562 511.834,67.743 512.574,69.651 C513.342,71.625 514.368,73.296 516.035,74.965 C517.703,76.634 519.376,77.658 521.349,78.425 C523.257,79.167 525.438,79.673 528.631,79.82 C531.831,79.965 532.853,80.001 541,80.001 C549.148,80.001 550.169,79.965 553.369,79.82 C556.562,79.673 558.743,79.167 560.652,78.425 C562.623,77.658 564.297,76.634 565.965,74.965 C567.633,73.296 568.659,71.625 569.425,69.651 C570.167,67.743 570.674,65.562 570.82,62.369 C570.966,59.17 571,58.147 571,50 C571,41.851 570.966,40.831 570.82,37.631"></path></g></g></g></svg></div>
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<p></a></p>
<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/CvwFtjrthaq/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by Lorde (@lorde)</a></p>
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<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de grandes feitos como ganhar dois </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S1e-e_HIZck"><i><span style="font-weight: 400;">Grammys</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, atingir o topo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard </span></i><span style="font-weight: 400;">e sustentar um batom escuro, o legado de Ella Marija reside, na verdade, em uma luta incessante contra a frieza. Durante uma viagem à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XcDCYSMJqT4"><span style="font-weight: 400;">Antártida</span></a><span style="font-weight: 400;">, a neozelandesa deu um passo significativo em sua jornada de autoconhecimento ao descobrir que definitivamente não é um pinguim. Enquanto este choca ovos, Lorde segue chocando a indústria musical ao contrariar a lógica mercadológica, isto é, ao insistir em colocar sua autenticidade, por mais disfuncional que seja, acima de vontades alheias. Diga-se de passagem: a artista só aceitaria se tornar tão fria quanto um </span><i><span style="font-weight: 400;">iceberg </span></i><span style="font-weight: 400;">se seu ex-namorado fosse o Titanic. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine </span></i><span style="font-weight: 400;">foi a primeira demonstração da voracidade da cantora, que viria a defender com unhas e dentes a descriminalização da existência de indivíduos popularmente conhecidos como emocionados. O segundo filho, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/"><i><span style="font-weight: 400;">Melodrama</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nem tenta disfarçar a essência sensível e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4SHZB6VObvw"><span style="font-weight: 400;">perturbada</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Lorde, a qual transformou o rancor que sentia por um homem mal-apessoado em repertório e lucro, além de ter dado visibilidade às que sempre são taxadas de </span><a href="https://www.rua.ufscar.br/melodrama-uma-odisseia-empirica/"><span style="font-weight: 400;">birutas intensas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar das inúmeras tentativas dos próprios fãs de colocar um contra o outro, os dois discos</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><span style="font-weight: 400;">vivem em harmonia. O primeiro, como um bom irmão mais velho, abriu caminho para o segundo que, embora seja mimado, não foi ingrato e aproveitou bem a deixa para ir além da estética subversiva, aventurando-se nos prazeres banais da juventude, tão temidos por </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31490" aria-describedby="caption-attachment-31490" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31490 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Imagem-2-1.jpg" alt="Foto retangular dos bastidores da gravação do clipe de Tennis Court. Ao fundo, há dois bancos de madeira clara; uma cômoda, também de madeira clara, e uma caixa de som. Em foco, à esquerda, está um homem branco adulto de cabelos pretos. Ele está usando uma blusa de manga longa preta desbotada e está segurando uma câmera apontada para um espelho. Ao lado direito desse homem, está a cantora Lorde, uma mulher branca adulta de cabelos castanhos. Ela está usando uma blusa de renda por cima de um top preto. Sua mão direita está levantada e seu dedo indicador está tocando seu polegar. Atrás de Lorde, há uma mulher branca adulta de cabelos loiros. Sua cabeça está cortada pela imagem. Ela está usando uma blusa de manga longa cinza e uma pulseira preta no braço direito. Ela está fazendo uma trança no cabelo de Lorde. No canto direito da imagem, há uma pessoa adulta branca usando um moletom verde. Seu rosto e metade do seu corpo estão cortados pela imagem." width="620" height="418" /><figcaption id="caption-attachment-31490" class="wp-caption-text">Em Pure Heroine, Lorde foi uma espécie de rainha dos baixinhos neozelandesa (Foto: Ono Field)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O primogênito de </span><span style="font-weight: 400;">Marija</span><span style="font-weight: 400;"> despontou como uma homenagem aos filhos que choram quando a mãe não os vê. A voz açucarada de fumante e as batidas violentas presentes na faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uoBEyO1kKaE&amp;list=OLAK5uy_nPamPQG3Yr23yUuXbMsvyHeIB6nnUjxak&amp;index=7"><i><span style="font-weight: 400;">Glory and Gore</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo,</span> <span style="font-weight: 400;">tentaram fazer do disco uma fonte inabalável de rebeldia, mas sem sucesso, já que ganhar uma discussão no grito não era do feitio de Lorde. Na verdade, ela se mostrou defensora dos que sentem nó na garganta quando expõem centímetros de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MSRBV9udKi8"><span style="font-weight: 400;">vulnerabilidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, isto é, quando ousam dar uma chance ao imprevisível. Este, por sua vez, acaba coestrelando o álbum junto ao tom agridoce e empático da artista, a qual dedicou algumas músicas para nichos marginalizados, a saber: </span><i><span style="font-weight: 400;">Buzzcut Season </span></i><span style="font-weight: 400;">para calvos, </span><i><span style="font-weight: 400;">400 Lux </span></i><span style="font-weight: 400;">para caipiras e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ribs </span></i><span style="font-weight: 400;">para ex-sonhadores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma parede coberta de pôsteres e o mau cheiro de pacotes abertos de salgadinhos compõem o cenário do primeiro ato da história de pessoas que, antes de dormir, olham debaixo da cama com medo de encontrar o maior vilão das narrativas infantojuvenis: o tempo. Embora tenha o poder de evocar estéticas </span><a href="https://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2017/05/11/entenda-por-que-a-cantora-lorde-e-capaz-de-enxergar-os-sons.htm"><span style="font-weight: 400;">sinestésicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, escrever letras memoráveis e manter contato com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0_fTV0M1ITs"><span style="font-weight: 400;">Taylor Swift</span></a><span style="font-weight: 400;">, Lorde não consegue voltar atrás e, muito menos, incentivar outros a fazer o mesmo. Assim, a quarta faixa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b7pE8AG1jjE"><i><span style="font-weight: 400;">Ribs</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é a trilha sonora perfeita para tirar os pés do chão ou começar a pular tão desesperadamente a ponto de levantar voo e ir para bem longe da realidade, a qual insiste em trazer à tona a pequenez e a impotência humana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo ensinamento pode ser traduzido na letra de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=caqQR1Eysmw"><i><span style="font-weight: 400;">Só Depois</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">do Grupo Revelação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Que na vida o hoje tem que aproveitar/Porque/Eu não sei se o amanhã há de chegar</span></i><span style="font-weight: 400;">”, uma vez que remoer o passado asfixia um processo doloroso, mas lindo, de valorizar o presente e aprender a sentir saudade, não falta, do que já passou. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine </span></i><span style="font-weight: 400;">expressa, sobretudo, uma gradual aceitação do fato de que não é possível se agarrar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2JA9dE52Myg"><span style="font-weight: 400;">às mesmas ruas e às mesmas casas</span></a><span style="font-weight: 400;"> por muito tempo, ou seja, a familiaridade das cidades pequenas é inevitavelmente substituída pelas luzes brilhantes das noites metropolitanas que iluminam o começo do fim da adolescência. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Lorde - Buzzcut Season - #VEVOHalloween" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/fq1_fKtcIUc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de 10 anos, a letra de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pstVCGyaUBM&amp;list=OLAK5uy_nPamPQG3Yr23yUuXbMsvyHeIB6nnUjxak&amp;index=5"><i><span style="font-weight: 400;">Buzzcut Season</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou a única para quem você conta seus medos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ainda define a índole confiável de Lorde, mesmo que alguns a considerem dissimulada por ter simplesmente feito o que não conseguiram: crescer. De fato, há um abismo entre a garota rebelde de 16 anos que teimou em lutar contra o tempo e a mulher adulta cujo terceiro disco, </span><a href="https://personaunesp.com.br/solar-power-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Solar Power</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, expressou sua busca, não pela volta, mas pela memória das paredes cheias de pôsteres, do cheiro dos pacotes de salgadinhos e das ruas que testemunharam muitos papos furados, assim como caminhadas sem rumo. No entanto, essa diferença significativa entre as versões de Ella Marija não revela uma hipocrisia, mas uma coragem de, enfim, fazer as pazes com o tempo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lorde talvez seja uma maluca cuja dança é digna de palmas. Dentre tantas denominações possíveis para a artista, a de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/david-bowie-acha-que-lorde-e-o-futuro/"><span style="font-weight: 400;">David Bowie</span></a><span style="font-weight: 400;"> não deu trela para perreco: a neozelandesa é a voz do futuro. Além do mais, seu álbum de estreia</span> <span style="font-weight: 400;">é o único amigo que precisamos para nos ajudar a dizer adeus a quem um dia fomos. O coro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ribs </span></i><span style="font-weight: 400;">fez muitos se sentirem menos sozinhos e os acordes tímidos da última faixa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NOKHEamtVXI"><i><span style="font-weight: 400;">A World Alone</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, fez uma geração inteira perder a vergonha de dançar, mesmo sem um par. No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine </span></i><span style="font-weight: 400;">foi uma das mais belas tentativas da língua inglesa de expressar o conjunto de sentimentos cujo nome é encontrado em pouquíssimos dicionários: saudade.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Pure Heroine" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/0rmhjUgoVa17LZuS8xWQ3v?si=sls_JoiiSUCD5J6u1IKnRA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Do interior à metrópole, Marina Sena se arrisca com Vício Inerente</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jun 2023 16:07:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Em seu segundo álbum, Vício Inerente, Marina Sena apresenta uma evolução em relação ao seu álbum de estreia, De Primeira, que fez tanto barulho no cenário brasileiro em 2021. Com influências de gêneros como reggaeton, drill, trap e funk, a artista experimenta novas sonoridades e se arrisca em texturas eletrônicas, resultado de uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/vicio-inerente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do interior à metrópole, Marina Sena se arrisca com Vício Inerente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31088" aria-describedby="caption-attachment-31088" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31088" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3.jpg" alt="Capa do álbum Vício Inerente. Nela está a cantora Marina Sena sentada ao meio em uma estrutura reflexiva metálica que aparenta ser uma caixa com fundo de uma cidade. Ela está com meias longas pretas sentada acima de suas panturrilhas. Enquanto segura uma concha brilhante em seus ouvidos, seus cabelos longos e pretos aparentam movimento esvoaçante e sua pele clara é iluminada por sua maquiagem. Em seu rosto está marcado uma sombra prateada em seus olhos fechados. Acima à esquerda o símbolo MS que nomeia a artista." width="1024" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31088" class="wp-caption-text">Marina Sena participou do projeto Foundry do YouTube Music em 2021, focado em impulsionar e divulgar artistas no começo da carreira (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu segundo álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;">, Marina Sena apresenta uma evolução em relação ao seu álbum de estreia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2021/#:~:text=Marina%20Sena%20%E2%80%93-,De%20Primeira,-N%C3%A3o%20h%C3%A1%20nada"><i><span style="font-weight: 400;">De Primeira</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que fez tanto barulho no cenário brasileiro em 2021. Com influências de gêneros como </span><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">drill</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;">, a artista experimenta novas sonoridades e se arrisca em texturas eletrônicas, resultado de uma colaboração estreita com seu produtor Iuri Rio Branco, que a acompanha desde o início. Aqui, a cantora apresenta um som mais maduro e coeso, consolidando sua posição no cenário </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional.</span></p>
<p><span id="more-31086"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mineira multitalentosa se mostra ainda mais experiente e segura de si, capaz de criar sonoridades hipnotizantes e profundas que são marcadas pela inovação e pela busca por novas possibilidades estéticas a fim de incrementar seu repertório, que transita entre gêneros pouco explorados no</span><i><span style="font-weight: 400;"> mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/reggaeton/"><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">trip hop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Composta por doze faixas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente </span></i><span style="font-weight: 400;">conta com parcerias importantes, como Fleezus, nome importante do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/brime/"><i><span style="font-weight: 400;">brime</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> paulistano e ídolo da cantora. No entanto, nem todas as canções apresentam o mesmo refinamento: algumas se mostram mais cruas que outras, como em seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas transparecem escolhas conscientes e ousadas dessa mistura.</span></p>
<figure id="attachment_31089" aria-describedby="caption-attachment-31089" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31089" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4.jpg" alt="Foto da cantora Marina Sena. A artista está em pé com um vestido entrelaçado em seu corpo cheio de lantejoulas que brilham refletindo as luzes de um cenário de prédios e instalações urbanas que dão o tom noturno ao fundo da imagem. Seus braços estão apoiados em um fio, enquanto prédios cenográficos estão caídos aos seus pés. A artista de cabelos longos e pretos está olhando para a direita e mantendo a cabeça à frente." width="1024" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31089" class="wp-caption-text">Marina Sena fez o primeiro show de Vício Inerente na Audio, casa de shows na Zona Oeste de São Paulo (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cantora não tem medo de se aventurar no cenário nacional e de explorar novas sonoridades em seu segundo álbum, afirmando que ser artista significa experimentar e ousar, sem medo de errar. Ela não se preocupa em seguir as convenções do mercado musical e está sempre em busca de novas possibilidades estéticas e sonoras, como disse à </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/04/marina-sena-troca-carroca-por-carrao-em-disco-repleto-de-flerte-e-jogo-de-seducao.shtml"><span style="font-weight: 400;">Folha de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo isso se concretiza em uma obra irreverente a todas as críticas infundadas e maliciosas. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quero que as pessoas entendam de uma vez por todas que eu sou foda</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, Sena diz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">De Primeira</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cantora apresenta uma série de letras sobre amor e relacionamentos, com um tom que oscila entre a sensualidade e a vulnerabilidade. As histórias retratadas nas músicas são, em sua maioria, vivências pessoais, traduzidas em canções </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> chicletes e refrões cativantes, interessantemente construídos com muita naturalidade. As letras são marcadas pela utilização de gírias e </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/de-primeira-marina-sena-canta-sobre-fases-do-amor-em-batidas-dancantes/"><span style="font-weight: 400;">regionalismos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que confere ao disco uma certa proximidade tocante. Além disso, a produção do álbum é minimalista, com destaque para sua voz anasalada e para a presença de elementos percussivos.</span></p>
<figure id="attachment_31090" aria-describedby="caption-attachment-31090" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1.jpg" alt="Foto da cantora Marina Sena. Ela está debruçada na traseira de um carro com luzes roxas iluminando todo seu ambiente. Ao fundo estão as luzes de uma cidade. Ela está vestida com uma saia com lantejoulas e topless apoiada no carro. Seus cabelos lisos e pretos estão para trás. Em seu braço direito estão joias que refletem as luzes." width="1024" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31090" class="wp-caption-text">A canção Por Supuesto, do primeiro álbum de Marina Sena, viralizou no TikTok e alcançou o 5º lugar da lista 50 mundial do Spotify (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo álbum de Marina Sena mostra que sua ambição não se limita às fronteiras de Minas Gerais, seu estado natal. Seu reconhecimento surgiu logo antes de se mudar para São Paulo. Como um grande sucesso, suas músicas se tornaram virais no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">, gerando muitos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a artista. Além disso, o álbum causou mudanças significativas na vida da cantora, a levando a se mudar de Taiobeiras, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/rica-morando-em-sp-e-com-gravadora-marina-sena-aposta-em-novo-estilo-para-2o-album-esse-e-pra-dancar/"><span style="font-weight: 400;">enricando</span></a><span style="font-weight: 400;"> e permitindo que ela conhecesse outras personalidades musicais, além de assinar um contrato com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sony</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, sua carreira, apesar do que muitos pensam, não começou </span><i><span style="font-weight: 400;">De Primeira</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Ainda</span> <span style="font-weight: 400;">em Montes Claros (MG), ela montou a banda </span><i><span style="font-weight: 400;">A Outra Banda da Lua</span></i><span style="font-weight: 400;"> e mais tarde integrou o grupo </span><a href="https://www.google.com/search?q=rosa+neon+musica&amp;newwindow=1&amp;sxsrf=APwXEdeKvO3VnB2GZ-yUv1pMRpQwWSIFcA%3A1684041926311&amp;ei=xnBgZNzSEoew5OUP9capoAQ&amp;ved=0ahUKEwjczbeGifT-AhUHGLkGHXVjCkQQ4dUDCBA&amp;uact=5&amp;oq=rosa+neon+musica&amp;gs_lcp=Cgxnd3Mtd2l6LXNlcnAQAzIFCAAQgAQyBggAEBYQHjIGCAAQFhAeOgoIABBHENYEELADOgoIABCKBRCwAxBDOg0IABDkAhDWBBCwAxgBOg8ILhCKBRDIAxCwAxBDGAI6BQguEIAEOgcIABCKBRBDOgcILhCKBRBDOhMILhCABBCXBRDcBBDeBBDgBBgDOggIABAWEB4QD0oECEEYAFBAWP0GYMgHaAFwAXgAgAGTAYgBugaSAQMwLjaYAQCgAQHIARLAAQHaAQYIARABGAnaAQYIAhABGAjaAQYIAxABGBQ&amp;sclient=gws-wiz-serp#fpstate=ive&amp;vld=cid:e1978db4,vid:i14xgbxCMwM"><i><span style="font-weight: 400;">Rosa Neon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já com seu disco de estreia, a artista recebeu quatro indicações ao Prêmio Multishow 2021, ficando atrás só de Anitta, agraciada com cinco menções. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A amizade de Marina Sena com os </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/jovem-og-critica/"><span style="font-weight: 400;">Febem</span></a><span style="font-weight: 400;">, Fleezus e  DJ Cesrv, após sua chegada a São Paulo e seu trabalho no álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Brime!</span></i><span style="font-weight: 400;">, inspirou os elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">afrobeat</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> presentes em seu novo trabalho. Sena o ouvia o tempo todo enquanto produzia seu novo trabalho, afirmando que é o que mais consome e está apaixonada. A participação de Fleezus na faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PJPcrXaJz_c"><i><span style="font-weight: 400;">Que Tal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o único dueto em todas as composições, demonstrando a importância do trabalho do trio em sua carreira. Ela também afirmou que, sempre que sai para algum rolê na cidade, vai assistir algum </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> do que considera a coisa mais fresca no cenário musical brasileiro. Esse frescor é bem traduzido na mistura de tantos gêneros em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31087" aria-describedby="caption-attachment-31087" style="width: 1793px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31087" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2.jpg" alt="Foto da cantora Marina Sena. A artista está de pé a frente de um telão vermelho em um palco, ela veste uma saia jeans com uma grande fivela pendurada que compõe a saia, e uma jaqueta cropped no mesmo material e cor da saia. A artista de cabelos longos e pretos esvoaçantes está olhando para a direita com o microfone em sua mão enquanto canta." width="1793" height="1196" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2.jpg 1793w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31087" class="wp-caption-text">“Nacional… Anitta! Internacional seria a Rosalía, amo as duas!”, disse a artista sobre suas colaborações dos sonhos à revista Cláudia (Foto: Henrique Marinhos/Acervo Pessoal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As três primeiras músicas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;"> já demonstram as diferenças em relação ao seus trabalhos anteriores, que eram muito característicos e mantinham uma solidez muito maior em seus versos e melodias. Enquanto isso, o mais recente marca principalmente um trabalho experimental, com inspirações de artistas como Rosalía, Doja Cat, Nathy Peluso, Djavan, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nenhuma-dor-gal-costa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gal Costa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Jards Macalé. Ambos tiveram seus propósitos alcançados, em sucesso e conceito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma fatídica história de crescimento profissional em metrópoles, a intensa experiência que </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz é uma proposta mais do que pessoal, e há quem se identifique. Assim como seu antecessor, o disco marca uma trajetória e uma personalidade que a artista trabalha com muito esmero, transbordando sua marca. Confiante e sem medo de errar, seu sonho é ser uma das representantes da música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileira </span><a href="https://revistaogrito.com/entrevista-com-marina-sena-que-lanca-disco-de-estreia-meu-som-e-o-brasil-moderno-brasil-pra-exportacao/#:~:text=%22Quero%20muito%20que%20meu%20som%20ultrapasse%20a%20barreira%20da%20l%C3%ADngua%20e%20atinja%20no%20mundo%20inteiro%20pessoas%20que%20v%C3%A3o%20se%20levar%20pelo%20ritmo%2C%20pela%20melodia%2C%20e%20que%20v%C3%A3o%20entender%20a%20m%C3%BAsica%20s%C3%B3%20no%20sentir%E2%80%9D"><span style="font-weight: 400;">para o mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, levando a música nacional para todo o planeta. E que, entre erros e acertos, continue nesse caminho que tem se aberto à ela.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Vício Inerente" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/13TC44Gy2ClqvvwxGOQ6pr?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Em As Primas, amor, Arte e violência se misturam na Argentina dos anos 1940</title>
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		<pubDate>Tue, 30 May 2023 20:59:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos As Primas é um romance de formação, que narra a irmandade das primas Yuna, Petra e Carina, que crescem em uma família disfuncional e marginalizada na cidade argentina de La Plata, nos anos 1940. Publicada originalmente em 2007, quando Aurora Venturini tinha 85 anos, a obra recebeu vários prêmios literários na Argentina e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-primas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em As Primas, amor, Arte e violência se misturam na Argentina dos anos 1940"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31014" aria-describedby="caption-attachment-31014" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31014 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress.png" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress-768x404.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31014" class="wp-caption-text">Aurora Venturini e seu livro As Primas venceram o prêmio Nueva Novela, do jornal Página/12, pelo qual a autora, enfim, foi premiada por &#8220;um júri honesto&#8221; (Foto: Fósforo/Arte: Vitória Vulcano)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-marco-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">As Primas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um romance de formação, que narra a irmandade das primas Yuna, Petra e Carina, que crescem em uma família disfuncional e marginalizada na cidade argentina de La Plata, nos anos 1940. Publicada originalmente em 2007, quando Aurora Venturini tinha </span><a href="https://www.eternacadencia.com.ar/blog/contenidos-originales/noticias/item/aurora-venturini-cumple-sus-primeros-100-anos.html"><span style="font-weight: 400;">85 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra recebeu vários prêmios literários na Argentina e no exterior. Destacando-se pela linguagem radical e excêntrica, que mistura diferentes registros, gírias, estrangeirismos, neologismos, erros gramaticais e ortográficos, criando um estilo único, original e cativante, o trabalho foi a leitura do <a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/">Clube do Livro do </a></span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><b>Persona </b></a><span style="font-weight: 400;">em Março de 2023.</span></p>
<p><span id="more-30989"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Explorando os limites da narração nas questões de gênero e classe, </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/autores/aurora-venturini/"><span style="font-weight: 400;">a autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostra as contradições e as <a href="https://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/">injustiças da sociedade argentina</a> da época. As personagens femininas são o centro da obra, retratadas como seres marginalizados, oprimidos e violentados pela sociedade patriarcal e machista. No entanto, elas também demonstram uma força e resistência admiráveis nas situações mais perversas e desconfortáveis. Não se conformam com o destino que lhes foi imposto e buscam formas de se expressar e de se afirmar com suas armas, sejam elas a Arte, a astúcia, a rebeldia ou a vingança.</span></p>
<figure id="attachment_30991" aria-describedby="caption-attachment-30991" style="width: 815px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30991 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-815x1024.png" alt="Fotografia da capa do Livro As Primas, da editora Alfaguara, de Aurora Venturini. Nela está uma mesa com pano de prato xadrez vermelho e branco. Abaixo, sentada com as pernas cruzadas ao chão está uma menina que segura uma xícara. Seu rosto está coberto pela toalha xadrez e ao chão está o pires de sua xícara. Logo acima, está o bule e o jogo completo de pires e xícaras." width="815" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-815x1024.png 815w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-637x800.png 637w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-768x965.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2.png 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30991" class="wp-caption-text">A autora se exilou na França, após o golpe militar argentino em 1955; lá, foi amiga de intelectuais franceses, como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir (Foto: Alfaguara Portugal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um aspecto interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Las primas </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) é a forma como a autora constrói suas personagens femininas. As primas </span><a href="https://www.telam.com.ar/notas/202210/607845-marcela-ferradas-teatro-yuna-obra.html"><span style="font-weight: 400;">Yuna Riglos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Petra, assim como as outras mulheres da família, sofrem com a pobreza, a ignorância, a exploração, o abuso e a discriminação devido às suas deficiências físicas ou mentais. Mesmo vitimadas pelos próprios familiares, que as tratam com desprezo, indiferença e crueldade, elas mantém a potência e singularidade em toda a narrativa.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Eu era uma menina diferente das outras porque tinha nascido com um defeito na cabeça que me fazia ter dificuldade para falar e entender as coisas. Por isso as pessoas me olhavam com pena ou com nojo. Mas eu não me importava com isso. Eu sabia que eu era especial e que tinha um dom para a pintura. Eu pintava coisas lindas que ninguém mais podia ver” <em>(p. 13)</em>.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, que chegou ao Brasil em Setembro de 2022 pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Fósforo</span></i><span style="font-weight: 400;">, provoca estranheza, piedade, repulsa e riso, mas também admiração pela maestria </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/primeiro-romance-da-argentina-aurora-venturini-traz-autobiografia-delirante/"><span style="font-weight: 400;">narrativa de Venturini</span></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, a autora cria um universo ficcional rico em detalhes, que revela contradições e injustiças, ao mesmo tempo que nos transporta àquela realidade. Com a ambiguidade de suas dores e principalmente humor, </span><span style="font-weight: 400;">a trajetória de Yuna é contada desde a infância até a idade adulta, passando por episódios trágicos e cômicos que envolvem sua mãe, sua irmã, suas primas, seus tios e seus amores.</span></p>
<figure id="attachment_30996" aria-describedby="caption-attachment-30996" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30996 " src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6.png" alt="Fotografia da capa do Livro As Primas, da editora Caballo de Troya , de Aurora Venturini. Nela está uma mulher branca, deitada com suas mão juntas em frente a seu rosto. Seus cabelos são castanhos e lisos, estão soltos. Ela veste uma blusa com babados azul clara e ao fundo está um sofá ornamentado. O efeito da foto remete a antiguidade com tons escuros e amarelados." width="533" height="615" /><figcaption id="caption-attachment-30996" class="wp-caption-text">Aurora Venturini usava o pseudônimo de Beatriz Portinari, e escolheu esse nome em homenagem à musa de Dante Alighieri, o poeta italiano autor da Divina Comédia (Foto: Editorial Caballo de Troya)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns aspectos temáticos, estilísticos e culturais, é possível relacionar a obra de Aurora Venturini com a de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/pedro-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos mais influentes e originais cineastas contemporâneos. O diretor espanhol é conhecido por filmes que abordam o amor, o desejo, a identidade, a sexualidade e  a família, com um estilo marcado pela estética colorida, pelo humor ácido e pela ironia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As semelhanças ocorrem, principalmente, através da presença de personagens femininas fortes, complexas e marginalizadas, que </span><a href="https://gpslifetime.com.br/materia/em-strange-way-of-life-pedro-almodovar-desafia-convencoes-no-old-west"><span style="font-weight: 400;">questionam os limites das convenções sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Expressando-se através de uma linguagem radical, Venturini usa a ironia ácida e a violência como forma de lidar com as situações trágicas e cômicas atribuídas às personagens.</span></p>
<figure id="attachment_30994" aria-describedby="caption-attachment-30994" style="width: 580px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30994 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-e1685460240947.png" alt="Fotografia da Autora Aurora Venturini. Uma mulher idosa, de cabelos ruivos ondulados e largos a altura de suas orelhas. Seu rosto é marcado por linhas de expressão enquanto encara sua frente. A imagem é restrita ao de seu busto acima, com uma camiseta preta. Ao fundo uma prateleira de livros antigos em tons marrons." width="580" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-30994" class="wp-caption-text">Falecida em 2015, Aurora Venturini foi amiga de Evita Perón, a primeira-dama da Argentina entre 1946 e 1952, e trabalhou com ela na Fundação Eva Perón, instituição com foco na assistência social que ajudava os pobres e os desamparados (Foto: Nora Lezano)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A tradução de </span><a href="https://livrosdabel.com.br/mariana-sanchez-a-tradutora-que-traz-a-literatura-latino-americana-ao-brasil/#:~:text=Mariana%20Sanchez%20%C3%A9%20uma%20das,Silvina%20Ocampo%E2%80%9D%20de%20Mariana%20Enriquez%2C"><span style="font-weight: 400;">Mariana Sanchez</span></a><span style="font-weight: 400;"> é sensível e precisa, captando o tom irônico e sarcástico da voz original de Yuna, que oscila entre a inocência e a crueldade, entre a ternura e o desprezo. A tradutora também respeita as escolhas estilísticas da autora, que usa uma pontuação peculiar e um vocabulário rico em regionalismos e neologismos.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu queria me chamar Maria, como a minha mãe, ou Nené, como a minha prima mais velha, que era linda e inteligente e tocava piano. Mas eu não podia escolher o meu nome e nem o meu rosto. Eu tinha que me conformar com o que me tinham dado”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Nesse trecho, pode-se observar como a tradutora preserva o estilo da autora argentina, que usa frases simples e diretas, sem muitas variações. Ela mantém, principalmente, o </span><a href="https://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/espectaculos/10-18863-2010-08-07.html#:~:text=Conhecer%20o%20autor%20te%20ajudou%3F"><span style="font-weight: 400;">tom confessional e infantil</span></a><span style="font-weight: 400;"> da narradora, que se apresenta ao leitor com muita sinceridade.</span></p>
<figure id="attachment_30992" aria-describedby="caption-attachment-30992" style="width: 898px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30992 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1.png" alt="Fotografia da atriz Marcela Ferradás. Uma mulher branca que veste uma saia longa cinza com detalhes listrados e uma camiseta social preta. A atriz usa um colar de pérolas enquanto olha para sua frente. Seus cabelos são castanhos, ondulados e curtos, com seu comprimento até a orelha. Ao fundo há uma parede com molduras diversas de quadros sem fotos ao meio." width="898" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1.png 898w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1-768x513.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30992" class="wp-caption-text">A atriz Marcela Ferradás conheceu e se encantou com a escritora Aurora Venturini, que lhe disse: “Yuna sos vos”; ela interpretará a protagonista de As Primas em uma peça dirigida por Horácio Peña (Foto: Radio Pública de la Provincia de Buenos Aires)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A personalidade de Yuna, no entanto, é complexa e contraditória: ela tem uma sensibilidade e uma criatividade extraordinária, que a fazem pintar coisas lindas. Ainda assim, é inocente e ingênua, e não compreende bem o mundo ao seu redor. Ela é curiosa e ávida por aprender, usando o </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2023/03/24/interna_pensar,1472857/em-as-primas-aurora-venturini-relata-brutais-historias-familiares.shtml#:~:text=explica%20que%20o%20uso%20de%20determinada%20palavra%20%C3%A9%20decorr%C3%AAncia%20da%20consulta%20ao%20dicion%C3%A1rio"><span style="font-weight: 400;">dicionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> como fonte de conhecimento e expressão. A personagem também é sincera e direta, dizendo o que pensa sem filtros ou rodeios &#8211; uma pessoa forte e resistente, que não se deixa abater pelas adversidades e convenções de decoro. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não gostava da minha prima Nené. Ela era gorda, feia e burra. Ela não sabia fazer nada direito. Ela só sabia tocar piano, mas isso não era arte de verdade” </span></i><span style="font-weight: 400;">(p. 121).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Petra, por sua vez, é uma personagem ambígua e complexa, que oscila entre a crueldade e a solidariedade, amor e ódio, lealdade e traição. Ela é a principal antagonista de Yuna, mas também sua confidente e protetora. Petra se autodenomina </span><i><span style="font-weight: 400;">liliputiane</span></i><span style="font-weight: 400;">, um termo encontrado para se referir às pessoas pequenas como ela. Ela usa essa expressão como forma de se afirmar e de desafiar os preconceitos da sociedade. Petra é a principal responsável na influência dos pensamentos de Yuna acerca de política, religião, sexo e </span><a href="https://personaunesp.com.br/suspiria-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">Arte</span></a><span style="font-weight: 400;">. É Petra, inclusive, que ajuda Yuna a enfrentar os abusos e as violências que sofre na família e na escola.</span></p>
<figure id="attachment_30995" aria-describedby="caption-attachment-30995" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30995 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.png" alt="Fotografia dos livros As Primas e As Amigas, de Aurora Venturini, ambos estão rodeados de outros livros em prateleiras e estão em pé. Seus títulos estão em branco com fundo preto enquanto molduram imagens em suas capas, em Las primas está a figura de uma menina embaixo da mesa tomando algo em uma xícara, na segunda imagem duas senhoras estão encarando sua frente também segurando pires e xícaras." width="1140" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.png 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30995" class="wp-caption-text">Depois do sucesso de Las primas, Aurora Venturini começou a escrever o monólogo Las Amigas (Foto: Revista Leemos)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">As Primas </span></i><span style="font-weight: 400;">se encerra com a consolidação de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">narradora singular</span></a><span style="font-weight: 400;"> e original criada por Aurora Venturini, que nos conta sua história desafiando as normas gramaticais e ortográficas. Yuna nos mostra seu próprio mundo de imperfeições e de diferenças, mas também de beleza e de esperança. Com essa voz inconfundível, Venturini nos apresenta um universo ficcional rico em detalhes, que revela as contradições e as injustiças da sociedade argentina &#8211; e não só.</span></p>
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		<title>Fire of love: um legado de amor e Ciência</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Mar 2023 19:50:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Longe dos grandes números de bilheteria e do glamour do tapete vermelho, os documentários compartilham o modo divino do Cinema de contar a vida. Aqui, o retrato é através da própria realidade. Neles, sem os artifícios da ficção, o desafio se torna envolver com a apresentação de uma verdade nua e crua &#8211; &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/fire-of-love-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Fire of love: um legado de amor e Ciência"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30213" aria-describedby="caption-attachment-30213" style="width: 1189px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30213" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557.png" alt="" width="1189" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557.png 1189w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557-1024x574.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30213" class="wp-caption-text">Exibido no Festival de Sundance, Fire of Love foi adquirido pela National Geographic e concorre ao Oscar de Melhor Documentário (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe dos grandes números de bilheteria e do </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour</span></i><span style="font-weight: 400;"> do tapete vermelho, os documentários compartilham o </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/1335121/"><span style="font-weight: 400;">modo divino</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Cinema de contar a vida. Aqui, o retrato é através da própria realidade. Neles, sem os artifícios da ficção, o desafio se torna envolver com a apresentação de uma verdade nua e crua &#8211; ou pelo menos, da </span><a href="https://personaunesp.com.br/navalny-critica/"><span style="font-weight: 400;">verdade de quem a conta</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que a imparcialidade de um interlocutor é apenas sua, e não absoluta. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, a História é tecida de acordo com as fotografias e filmagens da câmera e dos arquivos de Katia e Maurice Krafft, vulcanólogos franceses pioneiros no trabalho com vulcões.</span></p>
<p><span id="more-30208"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquadrando as vésperas da </span><a href="https://arstechnica.com/gaming/2023/01/love-among-the-volcanoes-fire-of-love-remembers-maurice-and-katia-krafft/"><span style="font-weight: 400;">morte dos dois</span></a><span style="font-weight: 400;"> como fio condutor da narrativa, o destino está traçado e a diretora Sara Dosa usa dos 93 minutos seguintes para recontar seus caminhos até ali. De forma curiosa, as gravações tomam forma sob a narração ora convidativa, ora morna de Miranda July. A atriz encarrega-se da importante tarefa de, junto à edição, tornar o compilado de imagens um todo, e relata os abalos sísmicos e seus aspectos técnicos tão amorosamente quanto fala sobre a relação romântica entre os dois protagonistas. </span></p>
<figure id="attachment_30212" aria-describedby="caption-attachment-30212" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30212" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30212" class="wp-caption-text">Unida a química, a física e a geologia, a vulcanologia é a área do conhecimento que se dedica ao estudo de vulcões ativos e inativos (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O próprio título original do documentário é exemplificativo em retratar seu teor: </span><i><span style="font-weight: 400;">Fire of Love </span></i><span style="font-weight: 400;">(em tradução livre para o português, “fogo do amor”) é mais sobre a relação de amor de Katia e Maurice um pelo outro e de ambos pelo objeto da profissão do que é sobre os abalos sísmicos documentados em si. Os dois, que se conheceram na década de 1960, na Universidade de Estrasburgo, na França, descobriram uma </span><a href="https://www.nationalgeographic.es/ciencia/2023/01/katia-krafft-de-profesion-exploradora-de-volcanes"><span style="font-weight: 400;">peculiar paixão</span></a><span style="font-weight: 400;"> em comum pelos vulcões e, em uma época em que a área de conhecimento ainda era escassa de profissionais, se debruçaram juntos sobre os gigantes terrestres &#8211; quase literalmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Juntos como uma dupla no amor, na vida e na ciência, o casal passou a lua de mel e os primeiros momentos como casados na ilha de Stromboli, que abriga um dos três vulcões ativos da Itália. É mesclando as aventuras enquanto vulcanólogos aos depoimentos dos Krafft enquanto casal que </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões </span></i><span style="font-weight: 400;">prende a atenção. Para eles, “</span><i><span style="font-weight: 400;">a vulcanologia é uma ciência da observação</span></i><span style="font-weight: 400;">”; para nós, a animação dos dois diante dos seres quase mitológicos, imensos demais para serem incompreendidos, e a </span><a href="https://www.thedailybeast.com/obsessed/fire-of-love-interview-about-married-couple-that-died-on-a-volcano"><span style="font-weight: 400;">coragem</span></a><span style="font-weight: 400;"> de explorá-los juntos, é que valem a pena a observação.</span></p>
<figure id="attachment_30211" aria-describedby="caption-attachment-30211" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30211" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2.jpg" alt="" width="1920" height="709" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-800x295.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-1200x443.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30211" class="wp-caption-text">Esnobado na mesma categoria do Oscar, Fire of Love venceu o prêmio de melhor montagem no Festival de Sundance (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Colecionando centenas de horas de gravação, longas-metragens, fotografias e obras literárias, as produções de Katia e Maurice Krafft não só serviram de </span><a href="https://www.indiewire.com/2022/11/toolkit-fire-of-love-director-sara-dosa-1234782375/"><span style="font-weight: 400;">inspiração para Dosa</span></a><span style="font-weight: 400;">: o cineasta Werner Herzog também foi um dos que bebeu da fonte do legado dos franceses. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6uMsFhxcMgw"><i><span style="font-weight: 400;">Visita ao Inferno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor investiga a relação entre Homem e misticismo lidando com vulcões ativos, e usando de passagens documentais do casal. No mesmo ano, Herzog lança </span><i><span style="font-weight: 400;">The Fire Within: A Requiem for Katia and Maurice Krafft</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com a mesma proposta de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fire of Love</span></i><span style="font-weight: 400;">, o alemão une filmagens dos Krafft para discorrer sobre a vida pessoal dos dois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre um vasto acervo de material, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><span style="font-weight: 400;">eletrizante montagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Erin Casper e Jocelyne Chaput impulsiona </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões</span></i><span style="font-weight: 400;">. A narração literária de July só é possível graças ao trabalho das editoras em compilar trechos sem contexto, depoimentos e artifícios animados, como mapas e infográficos de vulcões, de forma coesa e estável. Dando espaço para Maurice e Katia proferirem suas declarações de amor um ao outro, e para os abalos sísmicos acontecerem em tela no seu tempo real, a sensibilidade da dupla mescla a contação de histórias ao trabalho da vulcanologia e os momentos de reflexão que o próprio casal demanda em suas gravações, em que apresentam </span><a href="https://personaunesp.com.br/colectiv-critica/"><span style="font-weight: 400;">imagens surpreendentes</span></a><span style="font-weight: 400;">, quase lúdicas.</span></p>
<figure id="attachment_30209" aria-describedby="caption-attachment-30209" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30209" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30209" class="wp-caption-text">No Critics&#8217; Choice Documentary Awards, Fire of Love venceu Melhor Documentário de Arquivo, além de ter sido indicado em outras seis categorias (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinados momentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fire of Love</span></i><span style="font-weight: 400;">, Maurice, convertido em um </span><i><span style="font-weight: 400;">popstar</span></i><span style="font-weight: 400;">, afirma saber que morreria em um vulcão. </span><a href="https://www.parquecientec.usp.br/publicacoes/katia-krafft"><span style="font-weight: 400;">Katia</span></a><span style="font-weight: 400;">, em outra passagem, sabe que seu destino é do lado do marido, onde quer que fosse &#8211; mas os dois já sabiam onde seria. Como um contraponto &#8211; ela calculista e estudiosa, ele aventureiro e imprudente a ponto de entrar em um lago de ácido e sonhar em descer um rio de lava em um barco -, a dupla cativa com suas personalidades. Seja dançando com trajes metálicos em frente a um vulcão em erupção ou discutindo os aspectos técnicos de um abalo, os Krafft mantiveram seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/crip-camp-revolucao-pela-inclusao-critica/"><span style="font-weight: 400;">legado de amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de ciência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vida, os vulcanólogos se tornaram referência na área, a ponto de serem chamados toda vez que uma erupção se iniciava. Eles presenciaram os assassinatos causados pelo Mount Saint Helen, nos Estados Unidos; passaram pelo inconstante </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2021/06/um-dos-vulcoes-mais-perigosos-da-africa-o-monte-nyiragongo-entrou-em-erupcao"><span style="font-weight: 400;">Nyiragongo</span></a><span style="font-weight: 400;">, no Congo; o até então inocente e turístico Krafla, na Islândia; e o destruidor Nevado del Ruiz, na Colômbia. Foi no pós-tragédia do vulcão colombiano que Katia e Maurice, que optaram por não ter filhos para investigar as maravilhas naturais, decidiram seu projeto final. O casal sabia do potencial destruidor do seu objeto de trabalho, e, após a morte de cerca de 23 mil pessoas por negligência do Estado da Colômbia, que havia sido avisado de que o Nevado del Ruiz poderia entrar em atividade, escolheu dedicar seu tempo e estudo para alertar autoridades acerca dos </span><a href="https://agenciaeconordeste.com.br/a-erupcao-do-vulcao-anak-krakatoa-na-indonesia/"><span style="font-weight: 400;">perigos dos abalos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e das medidas de proteção.</span></p>
<figure id="attachment_30210" aria-describedby="caption-attachment-30210" style="width: 1240px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30210" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3.jpeg" alt="" width="1240" height="698" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3.jpeg 1240w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30210" class="wp-caption-text">No Oscar 2023, Fire of love compete com <a href="https://personaunesp.com.br/tudo-o-que-respira-critica/">Tudo o Que Respira</a>, All the Beauty and the Bloodshed, A House Made of Splinters e Navalny (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma das categorias mais diversas e </span><a href="https://personaunesp.com.br/escrevendo-com-fogo-critica/"><span style="font-weight: 400;">políticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, o retrato de vida e trabalho do casal francês abocanhou uma indicação como Melhor Documentário em Longa-metragem, mesma nomeação conquistado no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">britânico. Indicado em Documentário, que é Cinema, sim: como a </span><a href="https://personaunesp.com.br/animacao-oscar-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Animação</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou a ficção, se Katia e Maurice Krafft abraçaram o documental como meio para a Arte, por que a </span><a href="https://deadline.com/2023/03/fire-of-love-searchlight-pictures-theatrical-remake-oscar-nominated-national-geographic-documentary-love-story-french-volcanologists-1235277089/"><span style="font-weight: 400;">indústria cinematográfica reluta</span></a><span style="font-weight: 400;"> em o fazer?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, a homenagem à dupla só não supera o sucesso da trajetória profissional dos vulcanólogos. O projeto de alerta e </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/12/internacional/1447365646_003055.html"><span style="font-weight: 400;">conscientização</span></a><span style="font-weight: 400;"> salvou vidas, mas não a dos Krafft. Na observação do Mount Uzen, em erupção no Japão, os dois não deixaram o território e filmaram os destroços causados pelo gigante terrestre. O casal foi encontrado morto, lado a lado e de mãos dadas. Em memória a eles e ao seu legado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft </span></i><span style="font-weight: 400;">relata sua morte, mas também o trabalho de uma vida. De </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cj5yye4z369o"><span style="font-weight: 400;">duas vidas</span></a><span style="font-weight: 400;">, unidas pela paixão pelos vulcões, retratadas pela paixão pelo Cinema. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft | Trailer Oficial | Disney+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/qaYwFU5QS90?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Close nos aproxima da dor das rupturas</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Mar 2023 21:42:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Ceder a pressão social é fácil, quase um instinto do ser humano em busca de aceitação e, por vezes, sobrevivência. O ponto é que tudo pode ser desfigurado para que possamos caber nas caixas ditas como certas: roupas, cabelos e até mesmo os amores. Em Close, filme lançado em 2022 sob a direção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/close-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Close nos aproxima da dor das rupturas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30073" aria-describedby="caption-attachment-30073" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1.jpeg" alt="Cena do filme Close. Rémi e Léo estão olhando um para o outro. Léo é um garoto branco loiro de olhos azuis, ele está vestindo uma camiseta branca e tem uma mochila azul marinho nas costas. Rémi é um menino branco de cabelos e olhos castanhos, ele veste uma camiseta bordô e usa uma mochila verde musgo. Ambos têm feições sérias" width="1024" height="564" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1-800x441.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1-768x423.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30073" class="wp-caption-text">Close é uma coprodução belga, holandesa e francesa, e concorre na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar de 2023 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ceder a pressão social é fácil, quase um instinto do ser humano em busca de aceitação e, por vezes, sobrevivência. O ponto é que tudo pode ser desfigurado para que possamos caber nas caixas ditas como certas: roupas, cabelos e até mesmo os amores. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme lançado em 2022 sob a direção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2s_vL_9rFFY"><span style="font-weight: 400;">Lukas Dhont</span></a><span style="font-weight: 400;">, os protagonistas figuram o ato de cortar os laços mais profundos como se fossem uma linha fina &#8211; rompem-se com facilidade, mas ficam as pontas esfarrapadas. </span></p>
<p><span id="more-30070"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Léo (Eden Dambrine) e Rémi (Gustav de Waele) estão no início da adolescência e têm uma intimidade apaixonante construída, mas os olhos de terceiros tendem a ver as coisas sob lentes escuras, nubladas por estigmas. Os garotos se amam, sem rótulos definidos – não nos cabe força-los a mais enquadramentos –, é uma pena que em um mundo em que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><span style="font-weight: 400;">masculinidade tóxica</span></a><span style="font-weight: 400;"> reina demonstrar ternura seja um sinal franco de vulnerabilidade. Assim, os toques, o cuidado e até o carinho se dissipam em tons cinzentos, movidos pelo desejo de se encaixar.  </span></p>
<figure id="attachment_30074" aria-describedby="caption-attachment-30074" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30074" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-2.jpg" alt=" Cena do filme Close. Na imagem estão Léo, Rémi e sua mãe, Sophie. Sophie é uma mulher branca de cabelos e olhos castanhos, ela está vestindo uma camiseta regata rosa pálido e olha para Léo. Léo é um menino branco de cabelos loiros e olhos azuis, ele veste uma camiseta amarelo bebê e retribui o olhar de Sophie. Rémi é um menino branco de cabelos e olhos castanhos, ele está vestindo uma camiseta verde escura e está deitado com a cabeça dos outros dois sobre sua barriga. Os três estão sorrindo" width="768" height="461" /><figcaption id="caption-attachment-30074" class="wp-caption-text">Close chega aos cinemas brasileiros no dia 02 de Março e marca presença na MUBI a partir de 21 de Abril (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os primeiros </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> são ingênuos, leves e ensolarados. A câmera caminha em direção aos rostos dos meninos e podemos sentir o quanto aquela relação é especial. Eles têm 13 anos e estão começando um novo ano letivo na escola, ambiente em que as coisas começam a mudar. A aproximação dos meninos é julgada pelos colegas, termos </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/sociedade/debate-lgbtqia-escolas/"><span style="font-weight: 400;">homofóbicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> são ditos e isso basta para que a distância ganhe casa e, cada vez mais, seja possível entender como nada continua igual. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho de fotografia comandado por </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/frank-van-den-eeden"><span style="font-weight: 400;">Frank van den Eeden</span></a><span style="font-weight: 400;"> é primoroso, desde as luzes até a forma como os personagens e cenários são captados. Tudo é morfológico: habita a forma que a narrativa precisa. O enquadramento caminha com o afastamento dos protagonistas e, em certo momento, o foco deixa de repousar sobre suas faces para abrigar os elementos ao redor, conforme Léo e Rémi permitem a expansão desse mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não fazer afirmações, um dos cernes do enredo – escrito por Dhont em parceria com Angelo Tijssens – é a homofobia, a forma como a exclusão de pessoas que sequer lembrem o universo</span> <a href="https://personaunesp.com.br/the-owl-house-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> é naturalizada e capaz de gerar desgastes e mudanças. O protagonista não precisa de muito para passar a se policiar sobre a forma com a qual trata o amigo, o medo é um soldado cruel e invade sem bater na porta.</span></p>
<figure id="attachment_30071" aria-describedby="caption-attachment-30071" style="width: 1680px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3.jpg" alt="Cena do filme Close.Na imagem, Rémi e Léo olham para uma colega de classe. Léo é um menino branco de cabelos loiros e olhos azuis, ele veste uma camiseta de manga longa na cor branca. Ao seu lado está Rémi, um menino branco de cabelos e olhos castanhos, ele veste uma blusa vermelha de mangas. Os dois encaram a colega que não aparece na foto." width="1680" height="838" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3.jpg 1680w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-800x399.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-1024x511.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-768x383.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-1536x766.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-1200x599.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30071" class="wp-caption-text">Close fez parte da 24ª edição do Festival do Rio de 2022 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Continuar a ver o filme é doloroso, uma experiência absolutamente devastadora com passe livre para fazer todos os sentimentos de alguém se desdobrarem. Nada precisa ser explícito ou violento para causar angústia, aqui os rumos da vida se mostram imprevisíveis e nada simplistas. Neste cenário sombrio e regado a lágrimas, a passagem dos dias ganha menos luz, paz e </span><a href="https://personaunesp.com.br/copo-vazio-critica/"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acima de qualquer coisa, </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/close-movie-director-lukas-dhont-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é sobre consequências e quebras. A narrativa explora em Léo e nos pais de Rémi, Sophie (Émilie Dequenne) e Peter (Kevin Janssens), o quanto os pedaços quebrados machucam. É possível ver no garoto a quebra da inocência e nos adultos os rumos perdidos a partir de uma ótica intimista e silenciosa. Afinal, os olhos são a janela para a alma e sobram para as palavras o plano secundário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dor transpassa os limites da imagem e ver isso é desesperador, caso houvesse a possibilidade de adentrar a tela e acolher aqueles sentimentos qualquer pessoa o faria. Charlie (</span><a href="https://www.senscritique.com/film/Le_Rire_de_ma_mere/24613358"><span style="font-weight: 400;">Igor Van Diesel</span></a><span style="font-weight: 400;">) acaba sendo o personagem que mais gera essa identificação no público e seu cuidado com o irmão é afetuoso na medida exata. É com ele que vemos Léo ter as únicas reações positivas verdadeiramente sinceras depois do episódio do melhor amigo, as risadas e corridas no campo aquecem um pouco dos tons frios assumidos pela produção. </span></p>
<figure id="attachment_30072" aria-describedby="caption-attachment-30072" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30072" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4.jpg" alt="Cena do filme Close. Na imagem estão Léo, Charlie e o pai, Yves. Charlie tem cabelos loiros escuros e olhos azuis, ele veste uma blusa cinza de mangas sobreposta por um colete preto. Léo é um garoto loiro de olhos azuis, ele veste uma blusa preta de mangas sob um colete azul claro. Yves é um homem branco, careca de olhos azuis, ele veste uma blusa preta com um colete verde. Os três estão fazendo a colheita em um campo verde, vermelho e amarelo." width="1280" height="771" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-800x482.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-1024x617.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-768x463.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-1200x723.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30072" class="wp-caption-text">Close é o segundo filme da carreira de Lukas Dhont, que já havia sido vencedor da principal premiação de Cannes em 2018 com Girl (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento emocionante não passou despercebido pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2023 e o filme concorre na categoria de Melhor Filme Internacional. A disputa conta com os títulos </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">EO</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-menina-silenciosa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Silenciosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de estar cotado a estatueta da Academia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i><span style="font-weight: 400;"> competiu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> na mesma modalidade e apareceu como indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Estrangeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido pela primeira vez no Festival de Cinema de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-o-que-respira-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Maio de 2022, o longa-metragem agradou os críticos e arrebatou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Prix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na ocasião, os direitos de distribuição da obra para o Reino Unido, Irlanda, América Latina, Turquia e Índia foram adquiridos pelo serviço de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">MUBI</span></i><span style="font-weight: 400;">. A narrativa também mexeu com os membros</span><i><span style="font-weight: 400;"> National Board of Review</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ofereceram à produção o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. </span></p>
<figure id="attachment_30075" aria-describedby="caption-attachment-30075" style="width: 593px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30075" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-01-183335.png" alt="Cena do filme Close. Na imagem está Léo olhando para baixo. Ele é um menino branco de cabelos loiros e olhos azuis, e veste uma camiseta amarela. Léo está no quarto de Rémi e está triste." width="593" height="335" /><figcaption id="caption-attachment-30075" class="wp-caption-text">Close apareceu no European Film Awards 2022, com indicações a Melhor Filme, Direção, Roteiro e Ator (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2023/01/awards-insider-lukas-dhont-close-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato delicado e dilacerante de como as mudanças se instauram com uma força avassaladora. Sem precisar de apelo, a narrativa sangra em sua própria magnitude. Não é a intenção estabelecer culpados, mas mostrar os pequenos efeitos promovidos por atitudes aparentemente banais. Resta nas mãos de todos um cheque a assinar, mesmo quando isso é cruel e, sinceramente, injusto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez não tenhamos como mudar a estrutura, mas falar das dores proporcionadas por ela é um grande passo e a obra faz isso com excelência. O filme pode não ter um final feliz de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><span style="font-weight: 400;">conto de fadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas, ao contrário do que sua sinopse diz, é, sim, uma história de amor – já que esse sentimento faz parte de todo o enredo, seja na forma pura ou na que coleciona cicatrizes. Nem toda história de amor é feliz, mas só o fato de estar presente faz dele um dos grandes protagonistas. Assim, pode ser que amar nos deixe tão perto de sofrer quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deixa próximos das quebras. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Close | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/6EJGnU2AmV4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Quem é Hedwig?</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jun 2022 18:01:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caio Machado A primeira divisão binária que um ser humano encontra ao chegar no mundo é a de gênero. Menino e menina. O primeiro brinca de carrinho, a segunda brinca de casinha. Um veste azul, outra usa rosa, como disse uma figura execrável em Brasília certa vez. Mas por que essa divisão existe? Quem foi &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hedwig-rock-amor-e-traicao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quem é Hedwig?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27942" aria-describedby="caption-attachment-27942" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27942" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1.jpeg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher transgênero cantando, com um microfone em mãos. Ela é branca, usa uma peruca loira, usa sombra azul ao redor dos olhos e um batom vermelho intenso na boca. Ela usa um colar prateado no pescoço. No fundo, desfocados, estão dois membros da banda dela. À direita, vemos um homem branco com cabelo vermelho arrepiado e à esquerda vemos um homem branco com cabelo preto mais longo. Ele usa óculos escuros. Mais ao fundo, podemos ver luzes neon do bar onde estão se apresentando. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27942" class="wp-caption-text">Hedwig: Rock, Amor e Traição foi o primeiro filme dirigido por John Cameron Mitchell, lançado em 2001 (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Machado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira divisão binária que um ser humano encontra ao chegar no mundo é a de gênero. Menino e menina. O primeiro brinca de carrinho, a segunda brinca de casinha. Um veste azul, outra usa rosa, como disse uma </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/01/03/em-video-damares-alves-diz-que-nova-era-comecou-no-brasil-meninos-vestem-azul-e-meninas-vestem-rosa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">figura execrável em Brasília</span></a><span style="font-weight: 400;"> certa vez. Mas por que essa divisão existe? Quem foi que a criou? Deus ou o ser humano? São todos questionamentos que permeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">Hedwig: Rock, Amor e Traição </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Hedwig and the Angry Inch</span></i><span style="font-weight: 400;">), filme que quebra esse muro tão precário com ousadia, Música e revolta.  </span></p>
<p><span id="more-27941"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, acompanhamos Hedwig (John Cameron Mitchell), uma mulher transgênero que lidera uma banda de </span><a href="https://personaunesp.com.br/punk-rock-nao-e-so-pro-seu-namorado/"><i><span style="font-weight: 400;">punk rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a The Angry Inch. Enquanto percorrem os Estados Unidos, seguindo a turnê do astro Tommy Gnosis (Michael Pitt), temos um vislumbre do passado da protagonista, passando pela infância vivida na Berlim Oriental, sua cirurgia de redesignação de gênero forçada (e mal-sucedida) e a vinda aos EUA.  </span></p>
<figure id="attachment_27943" aria-describedby="caption-attachment-27943" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27943" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4.jpg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher com a cabeça enfiada no que parece um forno de um fogão. Ela usa uma peruca loira, tem delineado nos olhos e um batom vermelho intenso na boca. Dentro do forno, vemos algumas imagens de artistas do rock famosos nos anos 80 e alguns objetos. A mulher utiliza aquele local como um refúgio. " width="1100" height="619" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4.jpg 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27943" class="wp-caption-text">A Música sempre esteve presente na vida da protagonista, desde a infância (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como Todd Haynes fez em </span><i><span style="font-weight: 400;">Velvet Goldmine</span></i><span style="font-weight: 400;">, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hedwig</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> o ator e diretor John Cameron Mitchell compreende a Música, especificamente o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, como um meio de acolhimento para vidas </span><a href="https://personaunesp.com.br/crush-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> carregados de delicadeza e humor, o filme mostra a importância que figuras importantes do gênero, como Lou Reed e Iggy Pop, tiveram na formação da protagonista e seu autodescobrimento. O sentimento de identificação com essas personalidades foi fundamental para que se aceitasse como alguém fora do padrão heteronormativo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de uma cena curta, onde Hedwig ainda criança dança na cama enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gGfkLp9Lb6k"><i><span style="font-weight: 400;">we are freaks</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;"> ecoa do rádio, o filme consegue demonstrar a melhor sensação que a Música é capaz de proporcionar: a de pertencimento. Sentir que você não está só no mundo e que aqueles versos, naquela melodia, estão conversando diretamente contigo. É um sentimento tão poderoso que devolve cor e força para vidas cinzentas e monótonas. </span></p>
<figure id="attachment_27944" aria-describedby="caption-attachment-27944" style="width: 2075px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27944" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3.jpg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher branca cantando em um bar. Ela usa uma peruca loira, tem glitter ao redor dos olhos e batom vermelho na boca. Ela veste uma blusinha branca onde lê-se “punk rock” em preto com contorno vermelho e uma calça com a estampa de zebra. Ao fundo, vemos dois membros de sua banda tocando e as luzes do bar onde apresentam, desfocadas. " width="2075" height="1376" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3.jpg 2075w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-1536x1019.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-2048x1358.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-1200x796.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27944" class="wp-caption-text">Independentemente da quantidade de pessoas na plateia, Hedwig dá tudo de si em cada apresentação (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A própria vida de Hedwig não foi nada fácil. Desde a infância, o sofrimento e a decepção sempre se mantiveram presentes. Mesmo assim, ela colocava a peruca, passava a maquiagem e seguia em frente, com a cabeça em pé e liderando sua banda. Nenhum personagem precisa falar para ela o quanto é forte pois qualquer momento onde Hedwig canta já diz isso. Performa sempre com uma intensidade capaz de mover multidões, mas seu público é pequeno. O filme faz questão de ressaltar o quanto ela e a banda destoam do ambiente e de quem frequenta o lugar onde se apresentam, mas não entende isso como motivo para chacota. Pelo contrário, vê como símbolo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">força</span></a><span style="font-weight: 400;">, de resistência. Não só Hedwig, mas todos do grupo têm uma confiança que é muito inspiradora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse espírito tão vibrante, tão corajoso permeia os 93 minutos da produção. Nela, as diferenças, sejam elas de aparência, comportamento ou o que for, são vistas como algo mágico. A magia, repleta de </span><a href="https://personaunesp.com.br/drag-race-uk-canada-italia-artigo/"><i><span style="font-weight: 400;">glitter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, está presente tanto na vivacidade da fotografia quanto nas cenas onde a obra abraça seu lado fantasioso, como na inserção das letras de uma das músicas para que o espectador cante junto, igual a um karaokê, e nas animações, cheias de personalidade e que servem para ilustrar  as canções e histórias de vida da protagonista. </span></p>
<figure id="attachment_27945" aria-describedby="caption-attachment-27945" style="width: 1775px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27945" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2.jpg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher branca e um homem branco loiro cantando juntos em um mesmo microfone. Ela usa uma peruca loira longa e veste uma blusa preta com linhas douradas. Está com os olhos fechados enquanto canta. O homem veste uma blusa preta com letras brancas na frente. " width="1775" height="1331" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2.jpg 1775w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27945" class="wp-caption-text">O envolvimento da protagonista com Tommy Gnosis traz parte das cenas mais tocantes do longa (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre essas histórias, está o relacionamento conturbado com Tommy Gnosis. Há uma inocência muito bonita que acompanha as cenas no início da relação dos dois, onde o amor dela faz com que descubra mais sobre ele. À medida que Gnosis desbrava a própria </span><a href="https://personaunesp.com.br/benedetta-critica/"><span style="font-weight: 400;">sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não a aceita, o clima das interações entre os dois se torna profundamente melancólico e o filme se aproveita do drama gerado para ressaltar a ironia: é o que Tommy carrega no nome artístico, o conhecimento (gnosis), que causou a ruína de seu relacionamento com Hedwig. Mais uma vez, dor e decepção passaram pela vida da protagonista.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que a narrativa avança, a cantora e a banda têm seu instante de fama. A própria montagem do filme fica mais frenética para acompanhar a maior atenção que o grupo passa a receber. O ambiente onde apresentam muda, o antigo </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Hedwig retorna, desta vez para pedir desculpas pelo erro do passado. A linearidade da trama é abandonada e a obra toma para si o caos, cheio de guitarras raivosas e ruído de amplificadores, para representar outra metamorfose da protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem a peruca loira e sem roupas, a aceitação desta nova fase é chocante, mas também traz a liberdade. Agora, é um homem? Mulher? Nenhum dos dois e ambos. Definir sua existência nesses termos é muito simplista. De qualquer forma, continua caminhando. No Mês do Orgulho, sua história é uma incrível fonte de inspiração para todos que fazem parte da comunidade LGBTQIA+. É um incentivo maravilhoso para ser quem você é, sem medo, porque viver de acordo com as divisões que a sociedade impõe desde a infância só traz angústia. Somente abandonando esses “padrões” do século passado é que seremos </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2019/06/hedwig-and-the-angry-inch-criterion-release-john-cameron-mitchell-interview"><span style="font-weight: 400;">livres</span></a><span style="font-weight: 400;"> de verdade. </span></p>
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		<title>O réquiem de Castlevania</title>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda É bem possível que estejamos entrando em um período de ouro para as adaptações de videogames na Televisão: embora o Cinema ainda sofra para traduzir narrativas interativas para filmes de duas horas, vemos cada vez mais exemplos de como estruturas serializadas são capazes de realizar essa transição incólumes. Arcane, da Netflix, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/castlevania-4a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O réquiem de Castlevania"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27930" aria-describedby="caption-attachment-27930" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27930" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-1.jpg" alt="Cena da quarta temporada de Castlevania. Isaac Adetokumboh M’Cormack) luta com Carmilla (Jaime Murray) em um salão coberto de sangue, enquanto são observados por Criaturas da Noite. Isaac, vindo pela esquerda, é um homem negro, magro e careca, usando robes azuis claros e uma calça azul escura. Carmilla, vindo pela direita, é uma mulher branca e magra, de cabelos longos e brancos e pele pálida, usando um vestido vermelho e saltos dourados. Ela ataca Isaac com uma espada longa e vermelha, que vai de encontro a uma adaga segurada por Isaac com as duas mãos, que também brilha vermelha. Atrás de Isaac, uma Criatura da Noite humanóide o ajuda a segurar a força do impacto. A Criatura possui asas demoníacas e pele branca e pálida, exceto nas pernas e nas asas, que são negras. Em sua cabeça, há chifres curvilíneos que vão para trás, onde sua pele tem um tom rubro e carnoso. Outras criaturas assistem a luta, de costas para grandes janelas que se erguem do chão ao teto e deixam entrever o céu noturno e chuvoso." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27930" class="wp-caption-text">Entre sangue, monstros, vampiros e controvérsias, Castlevania se despede com ferocidade (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É bem possível que estejamos entrando em um período de ouro para as adaptações de </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;"> na Televisão: embora o Cinema ainda sofra para traduzir narrativas interativas para filmes de duas horas, vemos cada vez mais exemplos de como estruturas serializadas são capazes de realizar essa transição incólumes. </span><a href="https://personaunesp.com.br/arcane-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Arcane</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, conseguiu transformar a poderosa mitologia de </span><i><span style="font-weight: 400;">League of Legends</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma das melhores séries do ano, construindo uma trama emocionante sobre desigualdade e opressão em cima de um jogo de estratégia competitivo, enquanto a versão de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para a </span><a href="https://br.bolavip.com/entretenimento/The-Last-of-Us-serie-da-HBO-ganha-primeira-imagem-oficial-com-Pedro-Pascal-e-Bella-Ramsey-20220609-0149.html"><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> promete estar na </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/last-us-series-works-at-hbo-chernobyl-creator-1282707/"><span style="font-weight: 400;">vanguarda da temporada de premiações</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2023.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, ainda em 2021 tivemos um novo e último capítulo para a série que provavelmente deu início à essa moda. Na quarta temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania</span></i><span style="font-weight: 400;">, diversos arcos são concluídos e a busca de seus protagonistas para acabar com o mal de uma vez por todas chega ao seu final climático. A adaptação da icônica </span><a href="https://personaunesp.com.br/30-anos-primeiro-castlevania-transposicao-terror-classico-muita-dificuldade/"><span style="font-weight: 400;">franquia de jogos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Konami que empresta parte do nome ao gênero </span><a href="https://www.gameblast.com.br/2015/04/metroidvania-historia-de-um-genero.html"><i><span style="font-weight: 400;">metroidvania</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi desenvolvida pelo estúdio </span><i><span style="font-weight: 400;">Powerhouse</span></i><span style="font-weight: 400;">, que desde então vem provando sua excelência no meio com projetos como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Sangue de Zeus </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Mestres do Universo: Salvando Eternia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Após uma humilde </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-castlevania-netflix/"><span style="font-weight: 400;">primeira temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> com apenas quatro episódios, a trama do seriado rapidamente se expandiu para uma verdadeira saga de poder e mitologia vampírica.</span></p>
<p><span id="more-27929"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora nem sempre tenha seguido a linha dos jogos que a inspiraram e seu próprio criador, o roteirista Warren Ellis, ter admitido </span><a href="https://squared-potato.pt/castlevania-warren-ellis-afirma-nunca-ter-jogado-nenhum-jogo-da-franquia/"><span style="font-weight: 400;">nunca nem tê-los jogado</span></a><span style="font-weight: 400;">, a série jamais deixou de homenagear seu material original, de pequenas e grandes maneiras, que evidenciam o amor de sua equipe pela obra. Ainda é muito cedo para decidir como é a melhor maneira de adaptar </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;"> (um meio obrigatoriamente interativo) para o formato audiovisual, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">faz um ótimo argumento para o modelo episódico, tomando liberdades narrativas e visuais, usando as bases de sua estrutura como ponto de partida para contar histórias inteiramente novas.</span></p>
<figure id="attachment_27931" aria-describedby="caption-attachment-27931" style="width: 1197px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27931" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-2.png" alt="Cena da segunda temporada de Castlevania. Visão de baixo do castelo de Drácula, composto por torres e pontes finas, de aspecto industrial e gótico. A lua está cheia no céu, e uma dessas torres bloqueia nossa visão dela, presa à estrutura principal por uma passarela ascendente." width="1197" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-2.png 1197w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-2-800x456.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-2-1024x583.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-2-768x438.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27931" class="wp-caption-text">O castelo semi titular da série é cheio de segredos e intrigas para satisfazer a sede de sangue de seus habitantes (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o </span><i><span style="font-weight: 400;">set-up</span></i><span style="font-weight: 400;"> perfeito ao final da primeira temporada, o segundo ano logo parte para águas desconhecidas ao apresentar a corte de Drácula (Graham McTavish), composta não só por grandes e temíveis vampiros-generais sedentos pelo sangue da vingança do Conde, mas também por dois humanos, Isaac (Adetokumboh M’Cormack) e Hector (Theo James), que têm suas próprias razões para auxiliarem o projeto de extinção da humanidade. Juntando isso à chegada de Carmilla (Jaime Murray), a misteriosa vampira da Estíria com seus próprios planos para a raça humana, e o núcleo político de </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">logo se torna um dos mais engajantes da série, repleto de maquinações e reviravoltas que revelam suas personagens e provém um </span><i><span style="font-weight: 400;">insight</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais profundo sobre seu antagonista principal e suas reais motivações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo ano do seriado revolve ao longo de dois eixos que se atraem para um único confronto e, embora o núcleo da corte de Drácula seja o que oferece maior dinamicidade, é na companhia de Trevor (Richard Armitage), Sypha (Alejandra Reynoso) e Alucard (James Callis) que a produção encontra seu verdadeiro coração melancólico. Inicialmente unidos apenas pela necessidade de matar Drácula antes que ele complete sua terrível missão, o trio ganha familiaridade conforme as pilhas de corpos de demônios se acumulam ao seu redor, e essa intimidade se faz mais evidente na maneira coordenada com que lutam nas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jwrqNI0Y8Jk"><span style="font-weight: 400;">elaboradas cenas de ação</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que em qualquer diálogo.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">transforma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MS__posNjK8"><span style="font-weight: 400;">essas cenas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em expressões visuais macabras dos elos entre seus personagens através da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gi9PfF_h_Mg"><span style="font-weight: 400;">animação da </span><i><span style="font-weight: 400;">Powerhouse</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, altamente inspirada tanto pela </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2020/castlevania-faz-referencia-jojos-bizarre-adventure.html"><span style="font-weight: 400;">estética de </span><i><span style="font-weight: 400;">animes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> quanto pelas ilustrações da </span><a href="https://www.desenhoonline.com/site/ayami-kojima-a-ilustradora-que-inovou-o-design-do-game-castlevania/"><span style="font-weight: 400;">artista Ayami Kojima</span></a><span style="font-weight: 400;">, tão inerentes aos jogos da série quanto suas próprias mecânicas. A série sempre teve uma inclinação para exagerar o efeito para acentuar suas causas, algo que até mesmo explica o porque vemos tão pouco de alegria na vida das personagens antes que elas sejam tiradas de lá; porque precisamos apenas da reação de Drácula à morte de Lisa (Emily Swallow) na primeira temporada para entender a dimensão de seu amor e, consequentemente, de sua perda.</span></p>
<figure id="attachment_27932" aria-describedby="caption-attachment-27932" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27932" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-3.jpg" alt="Cena da segunda temporada de Castlevania. Drácula (Graham McTavish) segura a ponta de uma espada apontada para si com os dedos. Drácula é um homem branco e magro, de estatura enorme e cabelos negros e longos, com bigode e cavanhaque. Seus olhos são vermelhos e brilhantes e ele usa uma capa preta com interior vermelho por cima de roupas pretas com detalhes em vermelho e cinza. Suas orelhas são pontudas e sua expressão é impassível. Atrás dele, uma parede de pedras cinzentas é iluminada por uma luz alaranjada que parte do canto direito. Drácula está posicionado à direita e a espada vem da esquerda para a direita." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-3.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27932" class="wp-caption-text">Como todo boss final, Drácula não precisa de muito esforço para ridicularizar nossos protagonistas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Onde </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/uncharted_2022"><span style="font-weight: 400;">tantas outras adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;"> de jogos tropeçam, </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">se sobressai: ao invés de tentar condensar horas de jogabilidade em algumas poucas cenas de exposição, a animação tenta ao máximo expressar a liberdade inerente a um meio interativo por meio da causalidade das ações de suas personagens, se interessando mais em diálogos que construam o aqui e o agora do que o passado imediato. Nas poucas ocasiões que somos submetidos a um </span><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i><span style="font-weight: 400;">, há uma qualidade quase teatral no texto de fazer evidente sua tragédia antes mesmo que nós tenhamos tempo para processá-la por completo, culminando no final agridoce da temporada, em que, para mal ou para bem, o trio completa sua missão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qMNnU4CwmUc"><span style="font-weight: 400;">conflito de pai e filho</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre Drácula e Alucard amarra esse fim com os laços estabelecidos entre as personagens até então, além de suprir o potencial mítico da história, que faz questão de terminar não com glória, mas com um grito de terror e sofrimento. A beleza da animação contrasta com a brutalidade dos golpes dados e recebidos por cada um dos vampiros, ao ponto que é difícil dizer quem está vencendo ou perdendo. Em uma temporada marcada pela promessa de dar fim ao mal, </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">tem o bom senso de terminar em um silêncio antecipatório, já que muitas das peças continuam no tabuleiro e o jogo não parece nem um pouco perto de acabar.</span></p>
<p><figure id="attachment_27933" aria-describedby="caption-attachment-27933" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-4.jpg" alt="Cena da terceira temporada de Castlevania. Saint Germain (Bill Nighy) está dentro do Corredor Infinito, uma estrutura tubular e caleidoscópica, composta por cores azuis e rosas circulando ao seu redor. Saint Germain é apenas um vulto no seu centro, com uma capa flutuando atrás de si e jogando sua sombra no chão multicores do Corredor. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27933" class="wp-caption-text">A introdução de Saint Germain (Bill Nighy) e sua busca pelo Corredor Infinito é um dos pontos altos do terceiro ano da produção [Foto: Netflix]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Nesse embalo, tanto a Valáquia quanto a terceira temporada precisam arcar com o </span><a href="https://multiversomais.com/series/castlevania-3-temporada-critica"><span style="font-weight: 400;">vácuo de poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixado pelo vampirão, o que não é um trabalho nem um pouco fácil, já que não parece haver falta de loucos tentando trazê-lo de volta a vida por meio de rituais pagãos e misteriosas influências celestiais. Separados de Alucard, Sypha e Trevor começam a explorar seu </span><a href="https://br.ign.com/castlevania-1/94343/news/castlevania-cosplays-de-trevor-e-sypha-sao-a-uniao-em-meio-a-guerra"><span style="font-weight: 400;">jovem romance</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao mesmo tempo que viajam pelas estradas do país matando as Criaturas da Noite remanescentes do exército de Drácula e caindo no meio da intriga entre os monges de um secto radical e o Juiz (Jason Isaacs) do pacato vilarejo de Lindenfeld. Lá, a série tenta injetar alguma nuance na passagem entre o secular e o místico, mas logo volta a concluir aquilo que já sabemos desde o início: o mal é capaz de tomar muitas formas</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alucard, enquanto isso, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ECnTBg3TABo"><span style="font-weight: 400;">lida com a solidão</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu novo endereço, preso entre a imponência terrível do castelo de Drácula e os mistérios enterrados do porão dos Belmont, numa metáfora pouco sutil de sua condição de meio-vampiro, mas que faz um bom trabalho em refletir sua existência partida e tortuosa. O filho do Conde aceita o pedido inusitado de dois estrangeiros para ensiná-los a enfrentar os vampiros que oprimem suas terras e, na busca por se separar da figura maníaca do pai, acaba redescobrindo seus próprios sentimentos sobre a humanidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a estrela da terceira temporada não é ninguém menos do que </span><a href="https://www.themarysue.com/netflix-castlevania-carmilla-girl-boss-ending/"><span style="font-weight: 400;">Carmilla</span></a><span style="font-weight: 400;">. A rainha da Estíria e seu pequeno Conselho das Irmãs formam o cerne do núcleo político deste capítulo, que se dedica a caracterizar o seu plano ambicioso para assegurar o futuro de sua raça. Muito longe da insanidade do antagonista anterior, Carmilla e suas companheiras têm planos mais elaborados, mas não menos cruéis, baseados em motivações tão compreensíveis quanto as dele. O relacionamento entre Lenore (Jessica Brown Findlay) e Hector é um dos pontos chave da sequência de maquinações que compõem o clímax tríplice da temporada.</span></p>
<figure id="attachment_27934" aria-describedby="caption-attachment-27934" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27934" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-5.jpg" alt="Cena da terceira temporada de Castlevania. Lenore (Jessica Brown Findlay) segura uma coleira presa ao pescoço de Hector (Theo James), puxando-o para perto de si com a mão direita, enquanto a esquerda vai para trás de seus cabelos. Lenore é uma mulher caucasiana, magra e pálida, de cabelos ruivos e longos, usando uma capa de pelos brancos por cima de uma roupa azul escura. Hector é um homem caucasiano e magro, de cabelos cinzentos que vão até a altura do ombro, vestido com trapos cinzas, olhando para a mão esquerda de Lenore que passa por baixo de seu cabelo. Barras de ferro enquadram os dois lados da cabeça de Hector, que é puxada para a direita por conta da coleira de couro em seu pescoço." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27934" class="wp-caption-text">Vem meu cachorrinho, a sua dona tá chamando (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em julho de 2020, mais de um ano antes do lançamento da quarta e última temporada da série, um coletivo de mais de 60 mulheres e indivíduos não-binários denominado </span><a href="https://www.somanyofus.com"><i><span style="font-weight: 400;">So Many of Us</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">lançou uma carta aberta acusando o criador Warren Ellis de comportamentos inapropriados, manipulativos e predatórios durante sua carreira, se utilizando de sua influência como escritor para pressioná-las em relacionamentos. À época, ele já havia terminado seu trabalho nos roteiros da quarta temporada, mas a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> eventualmente confirmou que ele não faria parte da </span><a href="https://www.terra.com.br/gameon/sequencia-de-castlevania-e-confirmada-pela-netflix,b65d727e9c216d7a24bbd47f95701f25a3oibkif.html#:~:text=O%20projeto%20est%C3%A1%20em%20desenvolvimento%20e%20ter%C3%A1%20Ritcher%20Belmont%20como%20protagonista&amp;text=A%20Netflix%20anunciou%20nesta%20sexta,protagozinada%20pelo%20personagem%20Richter%20Belmont."><span style="font-weight: 400;">sequência planejada</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a produção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do roteirista ter </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2020/warren-ellis-responde-acusacoes-assedio.html"><span style="font-weight: 400;">pedido desculpas</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicamente (tentando convenientemente negar sua própria influência como autor </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;">), ele apenas entrou em contato com o coletivo em </span><a href="https://www.somanyofus.com/updates#january-31-2022"><span style="font-weight: 400;">agosto de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> para iniciar o processo de reparação. Após o choque inicial das alegações e suas repercussões na carreira profissional de Ellis, os irmãos Sam e Adam Deats viraram </span><a href="https://butwhythopodcast.com/2021/05/04/interview-the-castlevania-journey-with-sam-and-adam-deats/"><span style="font-weight: 400;">a nova face pública</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania</span></i><span style="font-weight: 400;">. Responsáveis, entre outros aspectos, pela direção e produção dos episódios, eles foram a escolha perfeita para ocupar o lugar do roteirista na promoção da quarta temporada, dado </span><a href="https://www.cbr.com/castlevania-directors-sam-adam-deats-interview/"><span style="font-weight: 400;">seu amor pela franquia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">games</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas vezes elogiada por sua caracterização e variedade de personagens femininas bem como a apreciação do </span><a href="https://www.hypable.com/castlevania-review/"><i><span style="font-weight: 400;">female gaze</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aspectos desenvolvidos em muitas áreas de sua produção, a série não é apenas definida por seu roteirista. Ao mesmo tempo, não podemos (ou sequer devemos) separar o artista de sua obra, por mais difícil que seja aceitar a influência que Ellis teve na concepção de seu mundo e de suas personagens. Se tem uma constante em </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania</span></i><span style="font-weight: 400;">, é a angústia de viver em um mundo traiçoeiro que se volta contra você, de repente e sem aviso.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Castlevania Season 4 | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/L7iWXfZzEMc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse clima agridoce, a quarta temporada </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/tv/castlevania/s04"><span style="font-weight: 400;">estreou em março de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> com mais 10 episódios de violência sangrenta e melancolia gótica, encontrando tantos os heróis quanto os vilões em estado de crise: Trevor e Sypha mal conseguem conter as tentativas de ressuscitar Drácula, ignorantes dos planos cada vez mais impossíveis de Carmilla, auxiliada a contragosto por Hector. Alucard, mais sozinho do que nunca, tenta manter as pessoas longe do castelo enquanto atende um pedido de ajuda urgente. Todos estão exaustos e toda vitória parece apenas atrasar o inevitável num mundo regressando cada vez mais e sem sinal de que vai parar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo a linha das temporadas anteriores, a maior força do final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua sendo sua habilidade de tecer tramas e personagens complexas ao redor de umas das outras, trançando seus arcos narrativos para cruzarem no ponto de maior impacto, quando a audiência está preparada e ansiando para o espetáculo de animação que se seguirá. No entanto, nos últimos capítulos do seriado essa insistência em segurar o melhor para o final se prova detrimental para a conclusão de alguns de seus arcos secundários, que chegam ao fim </span><a href="https://www.cbr.com/netflix-castlevania-anime-lenore-death-pointless/"><span style="font-weight: 400;">sem a pompa adequada</span></a><span style="font-weight: 400;"> à qualidade de seus personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora regularmente introduza visuais cativantes e mais alguns personagens marcantes, como a valente humana Greta (Marsha Thomason) e o hilário vampiro londrino Varney (Malcolm McDowell), que complementam as narrativas já estabelecidas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania</span></i><span style="font-weight: 400;"> foca em retornar às suas origens e ao cerne dos defeitos de seu mundo catastrófico, fechando seu ciclo com familiaridade, apesar de ainda guardar algumas surpresas e revelações em sua reta final. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9VPLigEMObI"><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania: Nocturne</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, revelada durante a </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/netflix-divulga-programacao-da-semana-geeked-2022-veja-onde-assistir-217375/"><i><span style="font-weight: 400;">Semana Geeked 2022</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, promete explorar algumas dessas ramificações, agora focando em futuras gerações de vampiros e caçadores de monstros.</span></p>
<figure id="attachment_27935" aria-describedby="caption-attachment-27935" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-6.jpg" alt="Cena da quarta temporada de Castlevania. Trevor (Richard Armitage), Alucard (James Callis) e Sypha (Alejandra Reynoso) atacam em formação, da esquerda para a direita. Trevor, mais próximo da câmera, é um homem caucasiano e magro, de cabelos pretos e longos, com uma barba rala e expressão decidida. Ele usa uma camisa branca com gola levantada e podemos ver os detalhes dourados de seu colete preto em seu ombro direito. Alucard, entre Trevor e Sypha, é um homem caucasiano e magro, de cabelos longos e louros e pele pálida, que usa uma capa preta com fundo branco, com a gola baixa. Podemos ver seu peito por baixo da capa, cortado diagonalmente por uma cicatriz que vem do topo direito para baixo. Sypha, mais distante da câmera, é uma mulher caucasiana e magra, de cabelos ruivos e curtos, usando uma túnica azul clara por cima de roupas pretas. Ela estende o braço esquerdo para frente, com o cotovelo dobrado para si. Algumas fagulhas brilham na frente das personagens, que são iluminadas por uma luz alaranjada." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-6.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27935" class="wp-caption-text">Amigos que matam demônios juntos, permanecem juntos (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">inevitavelmente girar em torno de Drácula e das batalhas e maquinações que irão decidir o futuro de vampiros e humanos, seu melhor personagem se desenvolve muito longe de tudo isso. Isaac, que ao final da segunda temporada havia jurado prosseguir (e até mesmo expandir) a vingança do Conde, parte em uma jornada que, espelhando aquela que Lisa imaginava para seu marido no início da série, irá fundamentalmente mudá-lo. Motivado por seu sofrimento, é difícil para Isaac ver algum futuro para a humanidade que não seja a destruição, e com razão: o personagem nunca deixa de ser moralmente complexo e os grandes acontecimentos que mudam sua perspectiva são sempre diálogos com pessoas tão complexas quanto ele &#8211; e, quase sempre, </span><a href="https://www.themarysue.com/isaac-castlevania-humanity-race/"><span style="font-weight: 400;">pessoas negras</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Elas mostram a ele que, apesar do mal, ainda há espaço para gentileza e bondade na raça humana, e que não há sentido em querer seguir uma história que não seja a sua. Ao final da terceira temporada, Isaac segue um desses conselhos e confronta um feiticeiro que havia escravizado mentalmente toda a população local para construir uma cidade, usando uma magia que curiosamente toma a forma de uma coroa de espinhos. Enfrentando-o com seu próprio exército de Criaturas da Noite, Isaac é capaz de resistir e quebrar o feitiço, ganhando acesso a um espelho capaz de levá-lo à Estíria e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uSOT6jDc8CE"><span style="font-weight: 400;">se vingar da traição de Carmilla</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Hector.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E no que é talvez a jogada mais acirrada do roteiro até então, ele não o faz. Ao invés disso, seu motivo para eliminar Carmilla não é tão diferente do de nossos heróis para matar Drácula. Mais da metade de sua participação na série se dedica a revelar uma condição humana ainda mais profunda que a dor ou a crueldade: a esperança. Quando Hector acha que Isaac está lá para matá-lo, ele facilmente rebate que </span><i><span style="font-weight: 400;">“Vingança é algo para crianças</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4ZYrODrBsm4"><span style="font-weight: 400;">última cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> antes da conclusão climática da série, ele nos presenteia com um sorriso sincero e a promessa de que, aconteça o que acontecer, ele irá viver.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Recentemente, comecei a pensar no futuro… o que, para mim, é uma novidade, porque nunca pensei que eu teria um. É assim que nos pegam, Hector. Eles nos convencem de que não há futuro. Só existe um eterno agora, e o melhor que podemos fazer é sobreviver até o amanhecer e fazer tudo de novo. Isso não é jeito de viver. E descobri, com alguma surpresa… que estou interessado em viver.”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_27936" aria-describedby="caption-attachment-27936" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27936" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-7.jpg" alt="Cena da terceira temporada de Castlevania. Isaac (Adetokumboh M’Cormack) está usando uma adaga para quebrar uma coroa de espinhos verde e brilhante em cima de sua cabeça. Isaac é um homem negro, magro e careca, com tatuagens de pontos na metade esquerda de seu rosto ao longo de seu olho e em seu peito. Ele usa uma camisa preta com braçadeiras pretas e podemos ver um cinto vermelho em sua cintura. Atrás dele, vemos o que parece ser uma estante de livros trancada, com janelas grandes ao seu lado. Ele fecha os olhos enquanto estica a coroa com sua adaga, segurada com as duas mãos." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-7.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-7-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27936" class="wp-caption-text">O arco de Isaac é um exemplo de como desenvolver personagens complexos a partir de ideias simples (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma narrativa sobre um mundo violento e cruel, infestado por monstros e abominações de todos os tipos e espécies. Em seu início, achamos que esse mal pode ser eliminado, que podemos combatê-lo e extirpá-lo da terra de uma vez por todas se apenas derrotarmos o próximo chefe, se passarmos para a próxima fase e chegarmos ao final do jogo. Em seus momentos mais derradeiros, a série </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pJ09LkQQrZE"><span style="font-weight: 400;">abraça a estrutura típica</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;"> e se delicia em entregar algumas das sequências mais sangrentas da animação recente. Mas, quando a poeira baixa, apenas isso não é suficiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final das contas, temos que fazer as pazes com um mundo complexo e volátil se quisermos salvá-lo. O mal se recusa a ficar morto, e algumas pessoas continuamente tem que enterrá-lo, de novo e de novo. As personagens são consumidas por essa repetição maníaca, pelo menos inicialmente, mas logo tem que perceber que também há, de certa forma, paz nela. Em seus últimos momentos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">se presta a não se contentar com as soluções simples e deixa as ações de seus heróis e vilões falarem por si só, sem nunca esquecer de nos deixar sentir </span><a href="https://www.gameblast.com.br/2017/07/serie-castlevania-netflix-dracula.html"><span style="font-weight: 400;">empatia por ambos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Conectadas não é apenas sobre romance entre jovens da Geração Z</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Jun 2022 16:18:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Nóbrega Clichê de reparação. Clara Alves dispõe em seu livro Conectadas, publicado em 2019 pela Editora Seguinte, tudo que qualquer menina queer sonhou enquanto assistia à comédias românticas adolescentes em sua infância. Jogos, romance, juventude, cultura pop e a realidade de muitas garotas são alguns dos pontos abordados por Clara em sua obra, feita  &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/clara-alves-conectadas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Conectadas não é apenas sobre romance entre jovens da Geração Z"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27813" aria-describedby="caption-attachment-27813" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27813 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/1-710x1024.jpg" alt="A imagem é a capa do livro Conectadas, o fundo é azul marinho e azul turquesa. Na frente da capa está ilustrada Ayla, uma menina com traços asiáticos, usando um vestido rosa, meia branca e tênis marrom, com cabelo preto e longo. Um pouco mais acima tem uma ilustração de cabeça para baixo de Raíssa, uma menina de pele escura, cabelo cacheado, usando uma camisa verde turquesa, uma calça jeans e um tênis vermelho. Raíssa segura um notebook com a imagem de um menino branco, de cabelo preto e blusa turquesa. Um pouco acima está escrito o nome da obra, Conectadas, e da autora, Clara Alves" width="710" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/1-710x1024.jpg 710w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/1-555x800.jpg 555w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/1-768x1107.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/1-1066x1536.jpg 1066w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/1-1421x2048.jpg 1421w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/1-1200x1730.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/1.jpg 1681w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27813" class="wp-caption-text">Clara Alves contou em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4FFpiQue5MQ">entrevista</a> que Conectadas foi o livro que ela escreveu mais rápido, em cerca de dois meses (Foto: Editora Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Nóbrega</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Clichê de reparação. Clara Alves dispõe em seu livro </span><a href="https://www.amazon.com.br/Conectadas-Clara-Alves/dp/8555340896"><i><span style="font-weight: 400;">Conectadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado em 2019 pela Editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Seguinte</span></i><span style="font-weight: 400;">, tudo que qualquer menina </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2022/01/20/queer-esta-na-sigla-lgbtqia-o-que-significa-e-quem-usa.htm"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sonhou enquanto assistia à comédias românticas adolescentes em sua infância. Jogos, romance, juventude, cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">e a realidade de muitas garotas são alguns dos pontos abordados por Clara em sua obra, feita  para garotas jovens que ainda estão se descobrindo em um mundo tão violento, e também para mulheres adultas que foram roubadas de seus clichês juvenis. </span></p>
<p><span id="more-27812"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama escrita por Clara conta a história de Raíssa e Ayla, com capítulos intercalados que aprofundam um pouco da vida de cada uma, duas adolescentes que são apaixonadas por jogos e enfrentam conflitos com sua </span><a href="https://www.infoescola.com/sexualidade/o-que-e-sexualidade/"><span style="font-weight: 400;">sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Raíssa tem uma família amorosa e tranquila, e vive cercada por seus amigos de escola, no entanto, ela ainda esconde um segredo das pessoas, por medo de ser rejeitada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, Ayla enfrenta diversos problemas dentro da sua própria casa, já que a relação com os pais não é das melhores. Além disso, o comportamento da menina na escola reflete tudo que ela vive em seu lar, o que resulta em um ciclo de amigas reduzido a Vick e Dricka, suas colegas de classe, Raíssa — </span><a href="https://portalpopline.com.br/clara-alves-conectadas-comemora-no1-amazon-livro-novo/"><span style="font-weight: 400;">que se passa por outra pessoa</span></a><span style="font-weight: 400;"> — e sua tia Sayuri. A última é personagem importante na vida de Ayla, sendo uma peça chave para que ela tenha contato com o mundo de fora do caos de sua residência, atuando quase que como uma fada madrinha.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Atravessei a sala em direção ao pequeno corredor que ligava aos outro cômodos da casa e, assim que parei na frente do quarto da minha mãe, a encontrei apagada com a pequena televisão de tubo ligada, o frasco de Rivotril em cima da mesinha de cabeceira. Eu suspirei e fiz menção de continuar pelo corredor, mas entrei no cômodo e parei para dar um beijo na cabeça dela. Não havia sinal do meu pai.”</span></p></blockquote>
<p><figure id="attachment_27814" aria-describedby="caption-attachment-27814" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27814" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/2.png" alt="Na imagem, Clara Alves, uma mulher de pele clara, com piercing no nariz e cabelo preto até o ombro, que usa uma regata preta com alça rosa, segura um de seus livros, intitulado de Romance Real, com a mão esquerda. Na mão direita ela segura um prêmio por Conectadas." width="800" height="921" /><figcaption id="caption-attachment-27814" class="wp-caption-text">Além de Conectadas, Clara Alves também escreveu Sobre amor e estrelas (e a cabeça nas nuvens), De repente adolescente: Antologia de contos e Romance Real, que foi lançado em maio de 2022 [Foto: Instagram/@claraalvesg]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Os caminhos de Ayla e Raíssa se cruzam enquanto ambas jogam </span><i><span style="font-weight: 400;">Feéricos</span></i><span style="font-weight: 400;">, um jogo </span><i><span style="font-weight: 400;">on-line</span></i><span style="font-weight: 400;"> pelo qual as duas são apaixonadas. Raíssa, que é uma jogadora antiga, finge ser um menino no jogo, para poder ser levada a sério por outros jogadores. Em contraste, Ayla passa por uma situação semelhante, mas um tanto diferente. Ela não consegue ajuda de outros </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/08/13/sou-gamer-e-criei-uma-campanha-contra-o-machismo-nos-jogos.htm#:~:text=Imagem%3A%20arquivo%20pessoal-,O%20machismo%20no%20mundo%20gamer%20%C3%A9%20algo%20muito%20comum%2C%20infelizmente,humilhantes%20s%C3%B3%20por%20sermos%20mulher."><i><span style="font-weight: 400;">players</span></i><span style="font-weight: 400;"> por usar um personagem feminino</span></a><span style="font-weight: 400;">, e por isso, sai em busca de alguém que possa lhe apoiar em sua jornada digital. Tudo isso sem saber que o que a espera é uma série de novas experiências e sentimentos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Raíssa oferece ajuda para Ayla, e as duas se tornam grandes amigas. Porém, Ayla não sabe que Raíssa é uma menina. Não apenas isso, ela acredita que seu parceiro de jogo é Leo, um dos melhores amigos de Raíssa. Conforme a amizade das duas se desenvolve, o melhor amigo de Raíssa e ela se encontram em uma rua de mão única quando um grande evento de </span><i><span style="font-weight: 400;">games </span></i><span style="font-weight: 400;">chama a atenção deles, e também de Ayla. </span><i><span style="font-weight: 400;">Conectadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desenvolve quase como o filme </span><a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/sierra-burgess-e-uma-loser/#:~:text=No%20come%C3%A7o%20do%20filme%2C%20Sierra,est%C3%A1%20focada%20em%20seu%20futuro."><i><span style="font-weight: 400;">Sierra Burgess é uma Loser</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">só que dessa vez as personagens principais são mais carismáticas e a trama segue o caminho correto para prender o público. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A leitura é leve e fluída, o que faz com que o leitor consiga terminar a história mais rápido do que se imagina, e ainda deixar um quê de quero mais. As vidas das personagens principais são bem desenvolvidas, e quem está do outro lado da obra consegue empatizar pelas dores familiares de Ayla e pelo medo que Raíssa sente em relação ao seu envolvimento com a</span> <a href="https://www.psicanaliseclinica.com/amigos-virtuais/#:~:text=Amizades%20virtuais%20s%C3%A3o%20aqueles%20que,amizades%20que%20acontecem%20no%20offline."><i><span style="font-weight: 400;">web </span></i><span style="font-weight: 400;">amiga</span></a><span style="font-weight: 400;">. O ponto de vista das duas estar incluído na obra faz aflorar o sentimento de saber o segredo de uma e não poder contar para a outra. </span></p>
<figure id="attachment_27815" aria-describedby="caption-attachment-27815" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27815" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/3.png" alt="Uma mão segura o livro Conectadas em frente a uma parede com tijolos repleta de plantas, que se assemelham a cactos e suculentas verdes" width="800" height="708" /><figcaption id="caption-attachment-27815" class="wp-caption-text">O jogo feéricos mencionado na história é uma invenção da autora, e segundo afirmou para o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4FFpiQue5MQ">canal</a> da Editora Seguinte, ele se baseia em uma história escrita por ela há algum tempo (Foto: Instagram/@claraalvesg)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro fator que chama atenção do público no romance de Ayla e Raíssa é que nenhuma delas é branca Ou seja, o clichê de Clara Alves passa longe </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/396/"><span style="font-weight: 400;">das histórias heteronormativas e caucasianas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sempre tiveram espaço na mídia. Essa característica da obra faz com que os leitores </span><a href="https://www.printi.com.br/blog/a-representatividade-por-tras-do-dia-internacional-do-orgulho-lgbtqia?gclid=CjwKCAjw7vuUBhBUEiwAEdu2pErs406xOLqDNrUzyTie5ZkKDQa-1-GxVaBNb250ZB0KJZTWHdF-NBoCpnoQAvD_BwE"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://mundonegro.inf.br/no-mes-do-orgulho-7-filmes-lgbqia-com-protagonismo-negro/"><span style="font-weight: 400;">não-brancos</span></a><span style="font-weight: 400;"> sintam seus corações quentinhos, por conseguirem presenciar uma história de amor que representa sua vivência para um grande público-alvo. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Aquelas duas últimas horas tinham sido incríveis ao lado dela — quase como costumavam ser com o Leo na internet, só que melhor.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a autora abre o caminho para uma discussão que está em alta desde que o mundo dos </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/semana/os-nerds-venceram/o-machismo-na-cultura-geek/"><i><span style="font-weight: 400;">gamers</span></i><span style="font-weight: 400;"> explodiu</span></a><span style="font-weight: 400;">: a presença de mulheres no mundo dos jogos. Tanto Ayla, quanto Raíssa, enfrentam discriminação no meio. Afinal, ainda existe uma crença errônea de que o público é majoritariamente masculino e que qualquer pessoa que fuja disso não se encaixa no ideal. Aos poucos, as duas ganham espaço dentro desse ambiente e realizam seus sonhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Conectadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é completa por si só, praticamente um romance adolescente de apenas um filme, como </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-25449/criticas/espectadores/#:~:text=O%20tom%20de%20humor%20%C3%A9,um%20filme%20que%20funciona%20perfeitamente."><i><span style="font-weight: 400;">10 Coisas que Eu Odeio em Você</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-108735/criticas/espectadores/#:~:text=%C3%89%20rom%C3%A2ntico%2C%20delicado%2C%20lindo%2C,cl%C3%A1ssico%20filme%20na%20TV%20aberta."><i><span style="font-weight: 400;">Sorte no Amor</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e</span> <a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-119461/criticas/espectadores/#:~:text=Filme%20muito%20bom%2C%20engra%C3%A7ado%20e,e%20Channing%20Tatum%20muito%20bons%20."><i><span style="font-weight: 400;">Ela é o Cara</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O livro é um daqueles que não precisam de continuação para agradar o leitor, apesar da história incompleta de alguns personagens secundários deixarem-nos com a pulga atrás da orelha para saber um pouco mais. Principalmente quando se trata de outras tramas LGBTQIA+ na história.</span></p>
<figure id="attachment_27816" aria-describedby="caption-attachment-27816" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27816" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/4.png" alt="Em primeiro plano é possível ver uma página de livro, com diversas informações sobre Conectadas. Atrás se encontram diversas cópias do livro de Clara Alves" width="800" height="440" /><figcaption id="caption-attachment-27816" class="wp-caption-text">Em 2016 e 2019, Clara Alves recebeu o prémio Wattys, da plataforma de leitura Wattpad (Foto: Instagram/@claraalvesg)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem curte uma história mais madura, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conectadas </span></i><span style="font-weight: 400;">pode não ser a melhor opção. Porém, quem está em busca de curar seu adolescente interior com representatividades que não eram vistas há até dez anos atrás, com certeza vai adorar a obra. Principalmente os fãs de livros LGBTQIA+ , como </span><a href="https://www.amazon.com.br/Heartstopper-Dois-garotos-encontro-vol/dp/8555341612"><i><span style="font-weight: 400;">Heartstopper</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Vermelho-branco-sangue-Casey-McQuiston/dp/8555340942"><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul </span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">e </span></i><a href="https://www.amazon.com.br/Rainhas-geek-amigos-hist%C3%B3rias-conven%C3%A7%C3%A3o/dp/8542213378"><i><span style="font-weight: 400;">Rainhas Geek</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">que tem se popularizado nos últimos tempos. Para as jovens </span><a href="https://medium.com/@asvioletas/quem-s%C3%A3o-as-s%C3%A1ficas-1d85d30979ab"><span style="font-weight: 400;">sáficas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que cresceram sem nenhum tipo de representação,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Conectadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é quase uma reparação que reforça que pessoas fora do padrão de heteronormatividade também têm o direito de viverem grandes romances felizes. </span></p>
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		<title>O otimismo inabalável de Belle</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Apr 2022 16:02:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda Por mais que seja tentador reduzir o mais recente filme do cineasta Mamoru Hosoda à uma reinterpretação moderna de A Bela e a Fera, esse simples elevator pitch não faz jus à complexidade temática e emocional da nova animação do Studio Chizu. Belle (Ryû to sobakasu no hime, no original em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/belle-2021-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O otimismo inabalável de Belle"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27409" aria-describedby="caption-attachment-27409" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle.jpg" alt="Cena do filme animado Belle. Belle (Kaho Nakamura) é vista de perfil, olhando para a esquerda enquanto sorri e leva as mãos ao peito. Belle é uma mulher magra, asiática, de longos cabelos rosa-claros e grandes olhos azuis. Ela possui uma linha de sardas vermelhas embaixo dos olhos e maquiagem rosa nas bochechas, entrecortada por padrões retos e brancos. Em seus cabelos, flores vermelhas estão presas acima das orelhas e seu vestido também é recheado delas. Ao fundo, vemos outras flores de várias cores e luzes amarelas cintilando contra um fundo escuro." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27409" class="wp-caption-text">Apesar de não ter sido selecionado para concorrer ao Oscar, Belle é um testamento ao poder da animação como meio (Foto: Studio Chizu)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que seja tentador reduzir o mais recente filme do cineasta Mamoru Hosoda à uma reinterpretação moderna de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera</span></i><span style="font-weight: 400;">, esse simples </span><a href="https://www.acolabam.com.br/blog/elevator-pitch"><i><span style="font-weight: 400;">elevator pitch</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não faz jus à complexidade temática e emocional da nova animação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Studio Chizu</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UKM42nGCDZw"><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Ryû to sobakasu no hime</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original em japonês) passa bem longe de ser uma “versão </span><i><span style="font-weight: 400;">anime</span></i><span style="font-weight: 400;">” do </span><a href="https://medium.com/louca-por-hist%C3%B3ria/a-verdadeira-hist%C3%B3ria-do-conto-a-bela-e-a-fera-ee9281dd9cc7"><span style="font-weight: 400;">clássico francês</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, ao invés disso, se utiliza da familiaridade de suas dinâmicas para contar sua própria história de amor transformativo na era das redes sociais e realidades virtuais, num semi-musical de escopo glorioso e, ao mesmo tempo, íntimo.</span></p>
<p><span id="more-27408"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com grande parte de sua música diegeticamente integrada ao longo de suas duas horas de duração, ela serve de eixo central para sua narrativa, e é a maneira com que sua protagonista, Suzu (Kaho Nakamura), interage e faz razão do mundo ao seu redor e de suas próprias emoções, expressas não com coreografias elaboradas, mas única e exclusivamente na cadência e no volume de sua voz. Seja na vida real ou no mundo virtual de </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde ela assume o manto da diva </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> Belle, Suzu honra o título ocidental da produção, que foca em sua jornada de amadurecimento pessoal, e não apenas na relação que ela constrói com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VdDj2qDFCqs"><span style="font-weight: 400;">a Fera</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Takeru Satoh), o temível criminoso que assombra as planícies digitais.</span></p>
<figure id="attachment_27410" aria-describedby="caption-attachment-27410" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27410" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2.jpg" alt="Cena do filme animado Belle. Suzu (Kaho Nakamura) começa a entrar na realidade virtual. Em um plano próximo vemos a personagem de perfil, virada para a esquerda, de olhos fechados e usando um dispositivo futurista circular branco no ouvido, com um “U” estilizado em luz luminescente. Ao redor de Suzu, linhas circulares distorcem levemente a imagem, com uma luz dourada vindo do canto inferior esquerdo da tela e iluminando essas linhas. Suzu é uma jovem asiática de cabelos pretos que vão até os ombros." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27410" class="wp-caption-text">O misto de animação 2D e 3D é uma maneira sagaz de diferenciar a vida real de seu mundo virtual (Foto: Studio Chizu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K1W61zetQ1c"><span style="font-weight: 400;">primeira cena</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> já diz a que veio: com uma abertura completamente de sons e cores vibrantes, somos introduzidos à </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;"> por meio da música homônima de Belle, que a canta nas costas de uma imensa baleia carregando dezenas de alto falantes. A visão de Hosoda e do resto dos animadores para o futuro é instantaneamente clara e marcante, se utilizando de formas sólidas e simples para construir um espaço minimalista recheado de personagens altamente detalhados e diversificados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de tanto o espaço virtual quanto o real serem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1lDp4mPeyMk"><span style="font-weight: 400;">meticulosamente compostos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de maneira a fornecer uma experiência cinematográfica singular, por vezes há uma falta de contexto que prejudica na interpretação do filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos explica o funcionamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">U </span></i><span style="font-weight: 400;">apenas brevemente, e mais tarde passa por cima de vários aspectos da construção desse espaço, esperando que as dinâmicas familiares sejam autoexplicativas. Se por um lado essas explicações vagas são parte deliberada da direção experiente de Hosoda, confiando na carga emocional das cenas para mover a história em frente, por outro há horas em que ficamos com a sensação de que seu roteiro não consegue acompanhar essas cargas o tempo todo, prejudicando o ritmo da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é especialmente evidente nos momentos em que os dois entram em sincronia, em que os arcos e motivações das personagens são claros e concisos e os visuais e sons se agigantam sobre nós, o efeito não é nada menos do que mágico. Todas as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-6w_opp7Doo"><span style="font-weight: 400;">quatro músicas cantadas por Suzu</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao longo da trama chegam no momento exato em que essa onda de emoção parece prestes a nos afogar, gritando aquilo que não poderia ser dito de nenhuma outra forma, através de composições monumentais e letras arrebatadoras, a maioria das quais escritas por Hosoda e Nakamura.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Belle「心のそばに」MV" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/z_NAoBkZlIw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como em </span><a href="https://www.garotasgeeks.com/belle-e-a-sequencia-espiritual-de-summer-wars-e-um-conto-moderno-de-a-bela-e-a-fera/"><span style="font-weight: 400;">trabalhos anteriores</span></a><span style="font-weight: 400;">, Hosoda explora a emergência da </span><i><span style="font-weight: 400;">web</span></i><span style="font-weight: 400;"> e das relações cultivadas à partir dela e, mesmo quando os temas não recebem o devido espaço para florescer em meio ao </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sua protagonista, as ideias do roteiro e as subversões ao conto original são inventivas e instigantes o suficiente para suportar sua reinterpretação. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;">, a pior coisa que pode acontecer com um usuário é ele ser “revelado”, tendo seu Ás (avatar virtual) deletado e sua identidade exposta para o resto do mundo. É também o que Justin (Toshiyuki Morikawa), um dos autodenominados “justiceiros” dessa realidade e principal antagonista da heroína, ameaça fazer com a Fera caso a encontre. Enquanto na obra original o monstro ansiava por reverter sua condição e reencontrar sua humanidade, aqui o conflito de Suzu é definido pela ambiguidade de sua condição, uma celebridade anônima, conhecida apenas através do Ás de Belle.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos principais e mais bem desenvolvidos questionamentos do roteiro está no papel do anonimato no ambiente virtual: se por um lado ela nos dá carta branca para agirmos </span><a href="https://www.camara.leg.br/noticias/482198-crenca-no-anonimato-da-rede-potencializa-crueldade-do-bullying-diz-psicologa"><span style="font-weight: 400;">com crueldade</span></a><span style="font-weight: 400;"> uns com os outros, protegidos por máscaras arbitrárias, por outro ela também permite que aqueles que não tem voz sejam ouvidos ou até mesmo que achem sua própria voz com o tempo. Após uma tragédia que a afeta profundamente, Suzu descobre que só consegue cantar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JUFVLW3kpm8"><span style="font-weight: 400;">como Belle</span></a><span style="font-weight: 400;">, compartilhando sua música sem se preocupar e quem vai ouvir e descobrindo, contra todas as possibilidades, que outras pessoas querem ouvi-la.</span></p>
<figure id="attachment_27411" aria-describedby="caption-attachment-27411" style="width: 992px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27411" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3.jpg" alt="Esboço conceitual da protagonista do filme animado Belle. Feito à lápis, ele traça a personagem olhando para o topo direito da imagem, com os braços se abrindo por baixo de uma capa. Belle é uma mulher magra de cabelos longos e esvoaçantes, com uma trança em cada um dos lados. Ela possui sardas alinhadas em uma linha reta embaixo de seus olhos e padrões geométricos nas bochechas e uma tiara com asas de borboleta estilizadas em cada lado. Ela abre a boca como se estivesse cantando e seus olhos são grandes e expressivos. Ela usa uma capa por cima de uma roupa escura que aparenta ser um colete. No centro da capa há um broche oval." width="992" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3.jpg 992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3-800x610.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3-768x585.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27411" class="wp-caption-text">Colaborando com um designer de personagens da Disney, Hosoda nos dá um tipo diferente de princesa (Foto: Jin Kim)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito mais do que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bela-e-a-fera-2017/"><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">medíocre</span></a><span style="font-weight: 400;"> e desinteressante de Bill Condon em </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> é capaz de reviver a magia da </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bela-e-a-fera-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">animação de 1991</span></a><span style="font-weight: 400;"> através de sua própria combinação de animação e sonorização, mesmo sem adaptar diretamente a sua fábula moral. O próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> mágico e </span><i><span style="font-weight: 400;">technicolor </span></i><span style="font-weight: 400;">de sua protagonista vem de Jin Kim, </span><a href="https://portalhqpb.com.br/belle-novo-longa-metragem-de-mamoru-hosoda-contara-com-parceria-dos-diretores-do-cartoon-saloon-e-do-character-design-jin-kim/"><span style="font-weight: 400;">veterano da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e responsável por personagens de </span><a href="https://personaunesp.com.br/frozen-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Frozen</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zx3xEc6-mU4"><i><span style="font-weight: 400;">Operação Big Hero</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/zootopia-disney/"><i><span style="font-weight: 400;">Zootopia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O vínculo indelével da obra com o clássico, no entanto, vai muito além do material e da caracterização, e é ressaltado na gravidade que Hosoda e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Studio Chizu</span></i><span style="font-weight: 400;"> dão ao casamento entre imagem e som, na capacidade de criar sonhos que define o Cinema como o conhecemos. Como </span><a href="https://www.popbuzz.com/tv-film/news/oscars-animated-movies-kids/"><span style="font-weight: 400;">diversos profissionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> ressaltaram durante a noite de premiações no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2022</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a categoria de Melhor Animação foi apresentada por três das atrizes que deram vida às suas contrapartes animadas nos </span><i><span style="font-weight: 400;">remakes </span></i><span style="font-weight: 400;">recentes, animação vai muito além de algo “</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/oscar-2022-diretor-phil-lord-critica-piada-sobre-filmes-animados-serem-para-criancas/"><i><span style="font-weight: 400;">para crianças, e que os adultos têm que aguentar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Enquadrar os cinco nomeados ao prêmio da Academia de Melhor Animação como produtos corporativos para crianças que os pais têm de aguentar a contragosto poderia ter sido encarado como um simples descuido. Mas para aqueles de nós que dedicamos nossas vidas para fazer filmes animados, esse descuido se tornou rotina. O diretor de um grande estúdio de animação uma vez disse à uma reunião de animadores que, se jogássemos nossas cartas corretamente, um dia ‘passaríamos para o live-action.’ Anos depois, um executivo de outro estúdio disse que um certo filme animado que fizemos foi tão bom que o lembrou de ‘um filme de verdade.’”</span></p>
<p><i></i><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Phil Lord e Chris Miller, em um artigo de opinião para a </span></i><a href="https://variety.com/2022/film/news/phil-lord-christopher-miller-animation-oscars-1235225442/"><span style="font-weight: 400;">Variety</span></a></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos a história de uma jovem lidando com um </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/luto/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> debilitante e cáustico, expressando seus sentimentos por meio de visuais deslumbrantes e músicas de partir o coração. Acompanhamos sua transição entre a vida real e um recomeço virtual, por meio da mudança de técnicas </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">3D</span></i><span style="font-weight: 400;"> de animação que dão profundidade física e temática aos seus personagens e seus conflitos, em uma celebração do meio que conta sua história exatamente por ser uma história que só poderia ter sido contada por esse meio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo ficando de fora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2022</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiu abocanhar cinco indicações ao </span><a href="https://annieawards.org/winners"><i><span style="font-weight: 400;">Annie Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sendo ovacionado durante </span><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/entretenimento/belle-que-tem-referencias-de-a-bela-e-a-fera-foi-aplaudido-por-14-minutos-em-cannes/"><span style="font-weight: 400;">14 minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> após sua estreia no Festival de Cannes em 2021, e não é difícil entender o porquê: o terceiro ato do longa é uma declaração de afeto do tipo que inspira cineastas até hoje, o tipo de sequência que extraí lágrimas não de tristeza, mas em virtude do quão belo tudo ao seu redor é, reunindo e ordenando belamente seus principais temas e ideias ao longo de </span><a href="https://open.spotify.com/track/0WQRbcwmUd1fZ5AJcH5GDT?si=29b2a630d9de4de8"><span style="font-weight: 400;">sua melhor canção</span></a><span style="font-weight: 400;">, jogando todas as cartas na mesa e implorando para que você sinta a canção junto de Suzu.</span></p>
<figure id="attachment_27412" aria-describedby="caption-attachment-27412" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27412" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4.jpg" alt="Cena do filme animado Belle. Suzu (Kaho Nakamura) flutua acima de uma multidão no mundo virtual de U. A multidão abaixo dela é composta por incontáveis luzes amarelas cintilando em direção ao horizonte, onde estruturas retangulares se erguem de cima para baixo e de baixo para cima. O céu é composto por ainda mais dessas estruturas e, no espaço em que elas quase se encontram, o horizonte é composto por um céu noturno repleto de estrelas e uma luz crescente, cortada por uma linha ondulada branca que vai de uma ponta a outra. Suzu está do lado direito da tela, segurando sua própria luz amarela no peito, de costas para a câmera. Ela é magra, tem cabelos pretos até os ombros e usa uma camiseta branca e uma saia preta." width="1920" height="805" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27412" class="wp-caption-text">“Sem alguém para amar, o que há para se viver?” (Foto: Studio Chizu)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, despudoradamente, uma história de amor. No entanto, é uma jornada que nos desafia a recontextualizar o amor não como um ideal romântico, mas como uma ação necessária para a vida em sociedade. Como um dos efeitos da ascensão das redes sociais, Hosoda nos pergunta fervorosamente: o que nós devemos uns aos outros? Até que ponto devemos ir por </span><a href="https://www.engadget.com/belle-anime-review-190042348.html"><span style="font-weight: 400;">pessoas que não conhecemos</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas às quais estamos intimamente ligados? Se o amor não te impele a se sacrificar por alguém, a se entregar por completo, o quanto ele realmente vale?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acontece que nenhuma dessas perguntas tem respostas simples. As diversas complexidades da vida contemporânea também se aplicam no meio virtual, e seus realizadores deixam claro que </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma utopia. Ainda há vilões que buscam condenar os outros e usam máscaras para esconder sua crueldade; verdades e mentiras se espalham e igual medida e o </span><a href="https://tvcultura.com.br/videos/19736_redes-sociais-transformam-a-internet-em-um-verdadeiro-tribunal.html"><span style="font-weight: 400;">tribunal da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nunca absolve, apenas condena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, apesar de tudo isso, Hosoda encara o futuro com o otimismo inabalável de alguém que acredita plenamente no potencial humano de estarmos prontos para ajudar quando alguém precisar, de que se olharmos o mundo como uma única comunidade, veremos que não há outra coisa a fazer senão amar uns aos outros e se sacrificar por todos. E que no fim, assim como no começo, você só pode ajudar alguém sendo quem você é. Em sua última nota musical antes do fim climático da jornada de Suzu, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz um único apelo à sua audiência, não na voz de uma celebridade virtual, mas na de uma adolescente que acaba de entender a dimensão do amor que a envolve: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Cante!</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
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