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	<title>Arquivos Amadurecimento &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>No sopro da vida, descobrimos que Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Nov 2024 20:53:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Em meio à poeira e quietude do Mississippi, Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal (All Dirt Roads Taste of Salt, no original) desenha uma narrativa lírica e contemplativa sobre amadurecimento. Dirigido por Raven Jackson e produzido pela A24, o filme é uma coleção de memórias e silêncios que moldam a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/todas-as-estradas-de-terra-tem-gosto-de-sal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "No sopro da vida, descobrimos que Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34470" aria-describedby="caption-attachment-34470" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34470" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-800x531.jpg" alt="Cena do filme Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal. Uma mulher negra, vestindo um vestido branco, está em pé em um campo verdejante, segurando sua filha nos braços. Ela está envolta em um pano branco e deitada confortavelmente no colo da mulher, que olha para ela com ternura e proteção. A figura da mulher transmite força e suavidade, enquanto o fundo de árvores e casas distantes cria uma atmosfera serena e natural. A luz suave destaca o laço afetivo entre elas, capturando um momento de amor e cuidado materno." width="800" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-1536x1019.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-1200x796.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34470" class="wp-caption-text">A Fotografia do longa, por Jomo Fray, foi premiada no Black Reel Awards, cerimônia de reconhecimento de excelência de afro-americanos (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio à poeira e quietude do Mississippi, </span><i><span style="font-weight: 400;">Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">All Dirt Roads Taste of Salt</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original)</span> <span style="font-weight: 400;">desenha uma narrativa lírica e contemplativa sobre amadurecimento. Dirigido por Raven Jackson e produzido pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-vi-o-brilho-da-tv-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme é uma coleção de memórias e silêncios que moldam a história de Mackenzie, interpretada por Mylee Shannon, Kaylee Nicole Johnson, Charleen McClure e Zainab Jah, cada uma em diferentes fases da vida.</span><span id="more-34467"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, Mylee Shannon traz à tela a </span><a href="https://personaunesp.com.br/projeto-florida-critica-resenha/"><span style="font-weight: 400;">infância</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Mackenzie, cheia de inocência e curiosidade; Kaylee Nicole Johnson captura a turbulência da </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-mouth-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;">; Charleen McClure apresenta os dilemas da fase </span><a href="https://personaunesp.com.br/after-school-ep-critica/"><span style="font-weight: 400;">adulta</span></a><span style="font-weight: 400;">; Zainab Jah reflete a maturidade, marcada por cicatrizes e sabedoria. A diretora entrelaça o corpo humano e a natureza, tecendo um retrato sensível do passar do tempo e das marcas profundas e invisíveis que ele imprime.</span></p>
<figure id="attachment_34468" aria-describedby="caption-attachment-34468" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34468" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-800x531.jpg" alt="Cena do filme Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal. Três gerações de mulheres negras estão reunidas em um sofá em uma sala decorada com fotos de família na parede ao fundo. No centro, uma senhora de cabelos grisalhos e expressão serena segura com carinho as cabeças de duas meninas mais jovens, suas netas, uma de cada lado. À sua esquerda, uma garota de aproximadamente 10 anos, usando um roupão azul, descansa a cabeça em seu colo com os olhos fechados. À direita, outra jovem, com cerca de 12 anos e vestindo um roupão verde claro, também repousa a cabeça na perna da idosa, criando uma cena de aconchego, amor e conexão entre as gerações." width="800" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-1536x1019.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-1200x796.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34468" class="wp-caption-text">O diretor de Moonlight, Berry Jenkins, é produtor responsável pela obra (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme opta por uma abordagem sensorial e introspectiva, com poucos diálogos e uma forte ênfase nos gestos e nos sons da natureza. Assim, cada cena parece deixar as palavras na ponta da língua. É uma sensação de desconforto, mas só por estarmos acostumados com narrativas mais dinâmicas e diálogos explicativos. Em comparação a outros filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Lady Bird</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), que se apoia no humor e nas interações verbais para desenvolver seus personagens, o longa de Jackson prefere o caminho do sentir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é fácil trabalhar a contemplação, a narrativa social que envolve a narrativa e um amadurecimento pessoal de tantas perspectivas. A direção se propõe a fazer isso com </span><a href="https://personaunesp.com.br/pedro-critica/"><span style="font-weight: 400;">pouquíssimos diálogos</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, essa tentativa ambiciosa de unir tantas camadas acaba sobrecarregando o público com tantos simbolismos, nos afastando do que realmente importa: os pequenos momentos de vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Fotografia de Jomo Fray e a trilha sonora de Sasha Gordon e Victor Magro elevam o longa. Enquanto a trilha mistura sons da natureza – o canto dos grilos, o farfalhar das folhas – com composições sensíveis, o enquadramento é como os olhares de um ser onisciente que a acompanha desde sempre. Há momentos em que a estética parece superar a narrativa, deixando a sensação de que a forma é mais importante do que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/melancolia-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conteúdo emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos personagens.</span></p>
<figure id="attachment_34469" aria-describedby="caption-attachment-34469" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34469" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-800x330.png" alt="Cena do filme Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal. Duas meninas negras, irmãs, estão sentadas no banco traseiro de um carro antigo, ambas usando vestidos de estilo vintage com babados e laços. A menina à esquerda, com tranças e expressão séria, usa um vestido preto com detalhes brancos e olha para fora com um olhar distante e pensativo. A menina à direita, com cabelo afro solto adornado com uma faixa de laço, veste um vestido cinza claro com um grande laço no peito e aparenta estar imersa em seus próprios pensamentos, com uma expressão melancólica. A luz suave e o ambiente fechado do carro intensificam a atmosfera introspectiva e emocional da cena." width="800" height="330" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-800x330.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-1024x423.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-768x317.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-1200x495.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15.png 1366w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34469" class="wp-caption-text">Esse é o primeiro longa-metragem com direção assinada pela fotógrafa e poetisa Raven Jackson (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos de desenvolvimento, o amadurecimento de Mackenzie se dá nos detalhes, como olhares demorados, pequenos gestos e interações sutis. A irmã se torna um pilar constante, enquanto a mãe oferece apoio dentro de suas limitações. Ao contrário de </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), com momentos de catarse, aqui, a diretora opta pela sutileza e pelo silêncio. Por vezes, a falta de clímax faz com que algumas passagens pareçam se arrastar. Nessa mesma linha, a protagonista é moldada tanto pelas presenças quanto pelas perdas; pelo vazio deixado por quem parte e pelo calor das conexões que se formam. Assim, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/questao-de-tempo-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">narrativa não linear</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o ritmo contemplativo demandam paciência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de suas qualidades, </span><i><span style="font-weight: 400;">Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal</span></i><span style="font-weight: 400;"> não escapa de alguns tropeços. A ausência de diálogos mais substanciais e de uma estrutura narrativa convencional pode fazer com que o filme pareça distante e difícil de conectar emocionalmente. Ainda assim, há beleza e sucesso em sua tentativa de capturar a vida nos pequenos momentos – os abraços silenciosos, o vento sussurrando entre as árvores e o som da </span><a href="https://personaunesp.com.br/alcarras-critica/"><span style="font-weight: 400;">terra sob os pés</span></a><span style="font-weight: 400;">. Podemos refletir sobre as marcas que carregamos e sobre como, em cada jornada, há sempre algo de belo a ser encontrado, mesmo que discreto e fugaz.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal A24 - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/W_ELlEg3mOA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Do interior à metrópole, Marina Sena se arrisca com Vício Inerente</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jun 2023 16:07:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Em seu segundo álbum, Vício Inerente, Marina Sena apresenta uma evolução em relação ao seu álbum de estreia, De Primeira, que fez tanto barulho no cenário brasileiro em 2021. Com influências de gêneros como reggaeton, drill, trap e funk, a artista experimenta novas sonoridades e se arrisca em texturas eletrônicas, resultado de uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/vicio-inerente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do interior à metrópole, Marina Sena se arrisca com Vício Inerente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31088" aria-describedby="caption-attachment-31088" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31088" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3.jpg" alt="Capa do álbum Vício Inerente. Nela está a cantora Marina Sena sentada ao meio em uma estrutura reflexiva metálica que aparenta ser uma caixa com fundo de uma cidade. Ela está com meias longas pretas sentada acima de suas panturrilhas. Enquanto segura uma concha brilhante em seus ouvidos, seus cabelos longos e pretos aparentam movimento esvoaçante e sua pele clara é iluminada por sua maquiagem. Em seu rosto está marcado uma sombra prateada em seus olhos fechados. Acima à esquerda o símbolo MS que nomeia a artista." width="1024" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31088" class="wp-caption-text">Marina Sena participou do projeto Foundry do YouTube Music em 2021, focado em impulsionar e divulgar artistas no começo da carreira (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu segundo álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;">, Marina Sena apresenta uma evolução em relação ao seu álbum de estreia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2021/#:~:text=Marina%20Sena%20%E2%80%93-,De%20Primeira,-N%C3%A3o%20h%C3%A1%20nada"><i><span style="font-weight: 400;">De Primeira</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que fez tanto barulho no cenário brasileiro em 2021. Com influências de gêneros como </span><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">drill</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;">, a artista experimenta novas sonoridades e se arrisca em texturas eletrônicas, resultado de uma colaboração estreita com seu produtor Iuri Rio Branco, que a acompanha desde o início. Aqui, a cantora apresenta um som mais maduro e coeso, consolidando sua posição no cenário </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional.</span></p>
<p><span id="more-31086"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mineira multitalentosa se mostra ainda mais experiente e segura de si, capaz de criar sonoridades hipnotizantes e profundas que são marcadas pela inovação e pela busca por novas possibilidades estéticas a fim de incrementar seu repertório, que transita entre gêneros pouco explorados no</span><i><span style="font-weight: 400;"> mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/reggaeton/"><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">trip hop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Composta por doze faixas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente </span></i><span style="font-weight: 400;">conta com parcerias importantes, como Fleezus, nome importante do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/brime/"><i><span style="font-weight: 400;">brime</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> paulistano e ídolo da cantora. No entanto, nem todas as canções apresentam o mesmo refinamento: algumas se mostram mais cruas que outras, como em seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas transparecem escolhas conscientes e ousadas dessa mistura.</span></p>
<figure id="attachment_31089" aria-describedby="caption-attachment-31089" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31089" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4.jpg" alt="Foto da cantora Marina Sena. A artista está em pé com um vestido entrelaçado em seu corpo cheio de lantejoulas que brilham refletindo as luzes de um cenário de prédios e instalações urbanas que dão o tom noturno ao fundo da imagem. Seus braços estão apoiados em um fio, enquanto prédios cenográficos estão caídos aos seus pés. A artista de cabelos longos e pretos está olhando para a direita e mantendo a cabeça à frente." width="1024" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31089" class="wp-caption-text">Marina Sena fez o primeiro show de Vício Inerente na Audio, casa de shows na Zona Oeste de São Paulo (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cantora não tem medo de se aventurar no cenário nacional e de explorar novas sonoridades em seu segundo álbum, afirmando que ser artista significa experimentar e ousar, sem medo de errar. Ela não se preocupa em seguir as convenções do mercado musical e está sempre em busca de novas possibilidades estéticas e sonoras, como disse à </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/04/marina-sena-troca-carroca-por-carrao-em-disco-repleto-de-flerte-e-jogo-de-seducao.shtml"><span style="font-weight: 400;">Folha de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo isso se concretiza em uma obra irreverente a todas as críticas infundadas e maliciosas. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quero que as pessoas entendam de uma vez por todas que eu sou foda</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, Sena diz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">De Primeira</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cantora apresenta uma série de letras sobre amor e relacionamentos, com um tom que oscila entre a sensualidade e a vulnerabilidade. As histórias retratadas nas músicas são, em sua maioria, vivências pessoais, traduzidas em canções </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> chicletes e refrões cativantes, interessantemente construídos com muita naturalidade. As letras são marcadas pela utilização de gírias e </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/de-primeira-marina-sena-canta-sobre-fases-do-amor-em-batidas-dancantes/"><span style="font-weight: 400;">regionalismos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que confere ao disco uma certa proximidade tocante. Além disso, a produção do álbum é minimalista, com destaque para sua voz anasalada e para a presença de elementos percussivos.</span></p>
<figure id="attachment_31090" aria-describedby="caption-attachment-31090" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1.jpg" alt="Foto da cantora Marina Sena. Ela está debruçada na traseira de um carro com luzes roxas iluminando todo seu ambiente. Ao fundo estão as luzes de uma cidade. Ela está vestida com uma saia com lantejoulas e topless apoiada no carro. Seus cabelos lisos e pretos estão para trás. Em seu braço direito estão joias que refletem as luzes." width="1024" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31090" class="wp-caption-text">A canção Por Supuesto, do primeiro álbum de Marina Sena, viralizou no TikTok e alcançou o 5º lugar da lista 50 mundial do Spotify (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo álbum de Marina Sena mostra que sua ambição não se limita às fronteiras de Minas Gerais, seu estado natal. Seu reconhecimento surgiu logo antes de se mudar para São Paulo. Como um grande sucesso, suas músicas se tornaram virais no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">, gerando muitos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a artista. Além disso, o álbum causou mudanças significativas na vida da cantora, a levando a se mudar de Taiobeiras, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/rica-morando-em-sp-e-com-gravadora-marina-sena-aposta-em-novo-estilo-para-2o-album-esse-e-pra-dancar/"><span style="font-weight: 400;">enricando</span></a><span style="font-weight: 400;"> e permitindo que ela conhecesse outras personalidades musicais, além de assinar um contrato com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sony</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, sua carreira, apesar do que muitos pensam, não começou </span><i><span style="font-weight: 400;">De Primeira</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Ainda</span> <span style="font-weight: 400;">em Montes Claros (MG), ela montou a banda </span><i><span style="font-weight: 400;">A Outra Banda da Lua</span></i><span style="font-weight: 400;"> e mais tarde integrou o grupo </span><a href="https://www.google.com/search?q=rosa+neon+musica&amp;newwindow=1&amp;sxsrf=APwXEdeKvO3VnB2GZ-yUv1pMRpQwWSIFcA%3A1684041926311&amp;ei=xnBgZNzSEoew5OUP9capoAQ&amp;ved=0ahUKEwjczbeGifT-AhUHGLkGHXVjCkQQ4dUDCBA&amp;uact=5&amp;oq=rosa+neon+musica&amp;gs_lcp=Cgxnd3Mtd2l6LXNlcnAQAzIFCAAQgAQyBggAEBYQHjIGCAAQFhAeOgoIABBHENYEELADOgoIABCKBRCwAxBDOg0IABDkAhDWBBCwAxgBOg8ILhCKBRDIAxCwAxBDGAI6BQguEIAEOgcIABCKBRBDOgcILhCKBRBDOhMILhCABBCXBRDcBBDeBBDgBBgDOggIABAWEB4QD0oECEEYAFBAWP0GYMgHaAFwAXgAgAGTAYgBugaSAQMwLjaYAQCgAQHIARLAAQHaAQYIARABGAnaAQYIAhABGAjaAQYIAxABGBQ&amp;sclient=gws-wiz-serp#fpstate=ive&amp;vld=cid:e1978db4,vid:i14xgbxCMwM"><i><span style="font-weight: 400;">Rosa Neon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já com seu disco de estreia, a artista recebeu quatro indicações ao Prêmio Multishow 2021, ficando atrás só de Anitta, agraciada com cinco menções. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A amizade de Marina Sena com os </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/jovem-og-critica/"><span style="font-weight: 400;">Febem</span></a><span style="font-weight: 400;">, Fleezus e  DJ Cesrv, após sua chegada a São Paulo e seu trabalho no álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Brime!</span></i><span style="font-weight: 400;">, inspirou os elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">afrobeat</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> presentes em seu novo trabalho. Sena o ouvia o tempo todo enquanto produzia seu novo trabalho, afirmando que é o que mais consome e está apaixonada. A participação de Fleezus na faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PJPcrXaJz_c"><i><span style="font-weight: 400;">Que Tal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o único dueto em todas as composições, demonstrando a importância do trabalho do trio em sua carreira. Ela também afirmou que, sempre que sai para algum rolê na cidade, vai assistir algum </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> do que considera a coisa mais fresca no cenário musical brasileiro. Esse frescor é bem traduzido na mistura de tantos gêneros em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31087" aria-describedby="caption-attachment-31087" style="width: 1793px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31087" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2.jpg" alt="Foto da cantora Marina Sena. A artista está de pé a frente de um telão vermelho em um palco, ela veste uma saia jeans com uma grande fivela pendurada que compõe a saia, e uma jaqueta cropped no mesmo material e cor da saia. A artista de cabelos longos e pretos esvoaçantes está olhando para a direita com o microfone em sua mão enquanto canta." width="1793" height="1196" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2.jpg 1793w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31087" class="wp-caption-text">“Nacional… Anitta! Internacional seria a Rosalía, amo as duas!”, disse a artista sobre suas colaborações dos sonhos à revista Cláudia (Foto: Henrique Marinhos/Acervo Pessoal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As três primeiras músicas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;"> já demonstram as diferenças em relação ao seus trabalhos anteriores, que eram muito característicos e mantinham uma solidez muito maior em seus versos e melodias. Enquanto isso, o mais recente marca principalmente um trabalho experimental, com inspirações de artistas como Rosalía, Doja Cat, Nathy Peluso, Djavan, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nenhuma-dor-gal-costa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gal Costa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Jards Macalé. Ambos tiveram seus propósitos alcançados, em sucesso e conceito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma fatídica história de crescimento profissional em metrópoles, a intensa experiência que </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz é uma proposta mais do que pessoal, e há quem se identifique. Assim como seu antecessor, o disco marca uma trajetória e uma personalidade que a artista trabalha com muito esmero, transbordando sua marca. Confiante e sem medo de errar, seu sonho é ser uma das representantes da música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileira </span><a href="https://revistaogrito.com/entrevista-com-marina-sena-que-lanca-disco-de-estreia-meu-som-e-o-brasil-moderno-brasil-pra-exportacao/#:~:text=%22Quero%20muito%20que%20meu%20som%20ultrapasse%20a%20barreira%20da%20l%C3%ADngua%20e%20atinja%20no%20mundo%20inteiro%20pessoas%20que%20v%C3%A3o%20se%20levar%20pelo%20ritmo%2C%20pela%20melodia%2C%20e%20que%20v%C3%A3o%20entender%20a%20m%C3%BAsica%20s%C3%B3%20no%20sentir%E2%80%9D"><span style="font-weight: 400;">para o mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, levando a música nacional para todo o planeta. E que, entre erros e acertos, continue nesse caminho que tem se aberto à ela.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Vício Inerente" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/13TC44Gy2ClqvvwxGOQ6pr?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Até os Ossos é a comprovação de que existe amor a primeira vítima</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Mar 2023 16:48:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique  Existem infinitas histórias no interior da cinematografia, das mais doces e inocentes como o primeiro amor até os temores e a repulsa dos filmes de terror. Luca Guadagnino, cineasta renomado em contabilizar narrativas sobre o amadurecimento e suas vertentes &#8211; como abordado no filme Me Chame Pelo Seu Nome (2017)  e na série &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ate-os-ossos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Até os Ossos é a comprovação de que existe amor a primeira vítima"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30569" aria-describedby="caption-attachment-30569" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30569" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-1-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta rosa com detalhes brancos e uma bermuda jeans. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma blusa branca e uma saia jeans. Ambos estão em pé nas montanhas, enquanto observam o pôr do sol. " width="750" height="479" /><figcaption id="caption-attachment-30569" class="wp-caption-text">Ovacionado pelo público no Festival de Veneza, Até os Ossos rendeu ao cineasta italiano Luca Guadagnino o prêmio Leão de Prata de Melhor Diretor e a estatueta de Melhor Atriz Revelação para Taylor Russell (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem infinitas histórias no interior da cinematografia, das mais doces e inocentes como o primeiro amor até os temores e a repulsa dos filmes de terror. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rPBXobWTTFA"><span style="font-weight: 400;">Luca Guadagnino</span></a><span style="font-weight: 400;">, cineasta renomado em contabilizar narrativas sobre o amadurecimento e suas vertentes &#8211; como abordado no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame Pelo Seu Nome </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017)  e na série </span><a href="https://personaunesp.com.br/we-are-who-we-are-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">We Are Who We Are</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020) &#8211; , retorna às telas com </span><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa-metragem que une gêneros clássicos do Cinema, para conduzir o romance entre dois canibais marginalizados pela sociedade em busca de pertencimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptando o romance de Camille DeAngelis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bones And All </span></i><span style="font-weight: 400;">segue a trajetória de Maren Yearly (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rltla_yRxKw"><span style="font-weight: 400;">Taylor Russell</span></a><span style="font-weight: 400;">), jovem recém abandonada pelo pai após um incidente em uma festa do pijama. Frank (André Holland), desolado pelo resultado desse acontecimento e perdido sobre o que fazer, decide fugir, deixando a filha apenas com uma fita cassete, compondo gravações pertinentes sobre uma particularidade natural da garota. A jovem, diferente de outros indivíduos, dispõe da incessante necessidade de provar carne humana.</span></p>
<p><span id="more-30565"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao se encontrar sozinha, ausente de respostas e lidando com seus instintos, Maren então percorre um caminho sinuoso em busca de outro vínculo familiar, como o de sua mãe Janelle (Chloe Sevigny). Em meio à nova realidade e euforia, ela esbarra com outras personalidades que guardam a mesma circunstância conflituosa, como o intrigante Lee (Timothée Chalamet), sujeito com o qual se identifica de imediato. Isso, não somente por compartilharem desse impulso </span><a href="https://letterboxd.com/journal/all-consuming-romance-bones-and-all/"><span style="font-weight: 400;">canibal</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também por ambos vivenciarem uma luta por identidade, tentando desesperadamente encontrar seu lugar no mundo.</span></p>
<figure id="attachment_30568" aria-describedby="caption-attachment-30568" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30568" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma jaqueta marrom com franjas e detalhes brancos. Lee está sentado em uma das mesas de uma lanchonete e segurando uma xícara branca de café." width="1200" height="628" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-768x402.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30568" class="wp-caption-text">Visceral e apaixonante, Até os Ossos explora as múltiplas indagações do amadurecimento (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Distante do verão italiano de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame Pelo Seu Nome</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">road movie </span></i><span style="font-weight: 400;">explora o meio-oeste norte americano em meados da década de 1980. Compondo fotografias inteiramente interioranas, o retrato de Arseni Khachaturan divaga pela vegetação rochosa dos apalaches, interligando breves cidades daquela região, com suas mercadorias e eventos locais, sem a intensa agitação das grandes metrópoles. Enquanto Lee e Maren adentram na excursão em busca de Janelle, é visível o amadurecimento e comprometimento dos jovens ao longo da trama, além do crescimento afetivo entre eles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conexão entre os dois protagonistas é marcada, sobretudo, pela trilha sonora de Atticus Ross e Trent Reznor, na qual a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=plSbcQqgqSQ"><span style="font-weight: 400;">musicalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> anuncia os avanços do relacionamento entre os dois conforme entra em cena. Mas notoriamente, a trama </span><i><span style="font-weight: 400;">gore</span></i><span style="font-weight: 400;"> entre dois canibais que se apaixonaram não poderia ser bem arquitetada em tela, com a atenção e a delicadeza necessária, sem a atuação excepcional de atores que compreendessem a fundo esse cenário, algo que foi ministrado brilhantemente por Russell e Chalamet. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lee é um arruaceiro, distante de seguir um sistema social e exercendo suas próprias leis para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Bp3b6flNEM4"><span style="font-weight: 400;">sobreviver</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um personagem quase amorfo, ele apropria-se de elementos de suas vítimas e os toma como seus, integrando-os em sua personalidade plural. Contrário a isso, em virtude de sua situação fugitiva, Maren contém um estilo desconfiado e observador, que não sabe quais pessoas são suscetíveis para se aproximar, tanto por preocupação pela sua segurança, quanto para poder ajudá-la em seu propósito. Apesar de constituírem particularidades distintas, os dois jovens à margem da sociedade partilham da mesma ansiedade de se encontrar no olhar de outra pessoa e de fazer parte de algo que foi retirado deles de alguma forma.</span></p>
<figure id="attachment_30567" aria-describedby="caption-attachment-30567" style="width: 4000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30567 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-3-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta com mangas compridas na cor branca e uma calça jeans. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma jaqueta marrom. Ambos estão ao ar livre, encostados em um tronco de árvore." width="4000" height="2666" /><figcaption id="caption-attachment-30567" class="wp-caption-text">A divulgação da obra entra na nova onda de produções que tratam sobre a mesma temática do canibalismo, como a série Dahmer: Um Canibal Americano, da Netflix, e o O Menu (2022), dirigido por Mark Mylod (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Marcando o horror e os ápices disformes do </span><a href="https://darkside.blog.br/filmes-sobre-canibalismo/"><span style="font-weight: 400;">canibalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em tela, o personagem de Mark Rylance, Sully, expele desde sua roupagem até os trejeitos tudo que há de mais esdrúxulo em todo o filme. Em gênese, Sully incorpora um tremor memorável durante sua aparição, enquadrando uma personalidade nauseante, complexa e cheia de camadas. Sendo, provavelmente, o “</span><i><span style="font-weight: 400;">eater</span></i><span style="font-weight: 400;">” mais velho encontrado por Maren, ele representa um modelo de como o canibalismo pode afligir uma pessoa a longo prazo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos </span></i><span style="font-weight: 400;">mostra como a solidão é presente entre os antropófagos, levando cada indivíduo a viver da forma que dá, procurando preencher todos os vãos da solitude e desejando sistematicamente o vínculo com outras pessoas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guadagnino, diferente dos demais cineastas que já abordaram a antropofagia em seus filmes &#8211; como o desconcertante </span><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Canibal</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1980), dirigido por Ruggero Deodato, e o prestigiado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Lr3OavheNu0"><i><span style="font-weight: 400;">Hannibal</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2001), de Ridley Scott -, opta por capturar particularmente a intensidade da tentação que move os “comedores” a realizarem o ato, ao invés da selvageria. Obviamente, a visceralidade está presente no cenário, mas não é a única em cena. O diretor, em um olhar poético sobre a trama, por vezes afasta, com muita sensatez, a brutalidade da câmera, para que a violência não domine por completo o longa-metragem, ocasionando extremos ou desconversando quando a narrativa regressa novamente para o lado mais sensível e romântico do casal.</span></p>
<figure id="attachment_30566" aria-describedby="caption-attachment-30566" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30566" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos.webp" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta e bermuda bege. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma regata e um shorts bege. Ambos estão ao ar livre, encostados em uma rocha, perto de um riacho." width="1024" height="601" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos-800x470.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos-768x451.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30566" class="wp-caption-text">Maren e Lee compartilham um momento transformador e significativo em meio à realidade que assombra a jornada (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pjMt1MIk2EA"><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é paraíso e Inferno na mesma proporção. Uma brincadeira imersiva entre os padrões clássicos, uma carta de amor para os amantes apaixonados e um balde de sangue para os adoradores de </span><i><span style="font-weight: 400;">thrillers</span></i><span style="font-weight: 400;">. Marcante do início ao fim, inteirando uma narrativa tanto desesperançada quanto acolhedora, o filme dança ao passo de uma só nota. Um memorial do arrebatamento da juventude e dos direcionamentos que nos levam a sermos quem somos, e as consequências disso. </span></p>
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		<title>O otimismo inabalável de Belle</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Apr 2022 16:02:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda Por mais que seja tentador reduzir o mais recente filme do cineasta Mamoru Hosoda à uma reinterpretação moderna de A Bela e a Fera, esse simples elevator pitch não faz jus à complexidade temática e emocional da nova animação do Studio Chizu. Belle (Ryû to sobakasu no hime, no original em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/belle-2021-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O otimismo inabalável de Belle"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27409" aria-describedby="caption-attachment-27409" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle.jpg" alt="Cena do filme animado Belle. Belle (Kaho Nakamura) é vista de perfil, olhando para a esquerda enquanto sorri e leva as mãos ao peito. Belle é uma mulher magra, asiática, de longos cabelos rosa-claros e grandes olhos azuis. Ela possui uma linha de sardas vermelhas embaixo dos olhos e maquiagem rosa nas bochechas, entrecortada por padrões retos e brancos. Em seus cabelos, flores vermelhas estão presas acima das orelhas e seu vestido também é recheado delas. Ao fundo, vemos outras flores de várias cores e luzes amarelas cintilando contra um fundo escuro." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27409" class="wp-caption-text">Apesar de não ter sido selecionado para concorrer ao Oscar, Belle é um testamento ao poder da animação como meio (Foto: Studio Chizu)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que seja tentador reduzir o mais recente filme do cineasta Mamoru Hosoda à uma reinterpretação moderna de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera</span></i><span style="font-weight: 400;">, esse simples </span><a href="https://www.acolabam.com.br/blog/elevator-pitch"><i><span style="font-weight: 400;">elevator pitch</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não faz jus à complexidade temática e emocional da nova animação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Studio Chizu</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UKM42nGCDZw"><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Ryû to sobakasu no hime</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original em japonês) passa bem longe de ser uma “versão </span><i><span style="font-weight: 400;">anime</span></i><span style="font-weight: 400;">” do </span><a href="https://medium.com/louca-por-hist%C3%B3ria/a-verdadeira-hist%C3%B3ria-do-conto-a-bela-e-a-fera-ee9281dd9cc7"><span style="font-weight: 400;">clássico francês</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, ao invés disso, se utiliza da familiaridade de suas dinâmicas para contar sua própria história de amor transformativo na era das redes sociais e realidades virtuais, num semi-musical de escopo glorioso e, ao mesmo tempo, íntimo.</span></p>
<p><span id="more-27408"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com grande parte de sua música diegeticamente integrada ao longo de suas duas horas de duração, ela serve de eixo central para sua narrativa, e é a maneira com que sua protagonista, Suzu (Kaho Nakamura), interage e faz razão do mundo ao seu redor e de suas próprias emoções, expressas não com coreografias elaboradas, mas única e exclusivamente na cadência e no volume de sua voz. Seja na vida real ou no mundo virtual de </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde ela assume o manto da diva </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> Belle, Suzu honra o título ocidental da produção, que foca em sua jornada de amadurecimento pessoal, e não apenas na relação que ela constrói com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VdDj2qDFCqs"><span style="font-weight: 400;">a Fera</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Takeru Satoh), o temível criminoso que assombra as planícies digitais.</span></p>
<figure id="attachment_27410" aria-describedby="caption-attachment-27410" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27410" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2.jpg" alt="Cena do filme animado Belle. Suzu (Kaho Nakamura) começa a entrar na realidade virtual. Em um plano próximo vemos a personagem de perfil, virada para a esquerda, de olhos fechados e usando um dispositivo futurista circular branco no ouvido, com um “U” estilizado em luz luminescente. Ao redor de Suzu, linhas circulares distorcem levemente a imagem, com uma luz dourada vindo do canto inferior esquerdo da tela e iluminando essas linhas. Suzu é uma jovem asiática de cabelos pretos que vão até os ombros." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27410" class="wp-caption-text">O misto de animação 2D e 3D é uma maneira sagaz de diferenciar a vida real de seu mundo virtual (Foto: Studio Chizu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K1W61zetQ1c"><span style="font-weight: 400;">primeira cena</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> já diz a que veio: com uma abertura completamente de sons e cores vibrantes, somos introduzidos à </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;"> por meio da música homônima de Belle, que a canta nas costas de uma imensa baleia carregando dezenas de alto falantes. A visão de Hosoda e do resto dos animadores para o futuro é instantaneamente clara e marcante, se utilizando de formas sólidas e simples para construir um espaço minimalista recheado de personagens altamente detalhados e diversificados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de tanto o espaço virtual quanto o real serem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1lDp4mPeyMk"><span style="font-weight: 400;">meticulosamente compostos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de maneira a fornecer uma experiência cinematográfica singular, por vezes há uma falta de contexto que prejudica na interpretação do filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos explica o funcionamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">U </span></i><span style="font-weight: 400;">apenas brevemente, e mais tarde passa por cima de vários aspectos da construção desse espaço, esperando que as dinâmicas familiares sejam autoexplicativas. Se por um lado essas explicações vagas são parte deliberada da direção experiente de Hosoda, confiando na carga emocional das cenas para mover a história em frente, por outro há horas em que ficamos com a sensação de que seu roteiro não consegue acompanhar essas cargas o tempo todo, prejudicando o ritmo da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é especialmente evidente nos momentos em que os dois entram em sincronia, em que os arcos e motivações das personagens são claros e concisos e os visuais e sons se agigantam sobre nós, o efeito não é nada menos do que mágico. Todas as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-6w_opp7Doo"><span style="font-weight: 400;">quatro músicas cantadas por Suzu</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao longo da trama chegam no momento exato em que essa onda de emoção parece prestes a nos afogar, gritando aquilo que não poderia ser dito de nenhuma outra forma, através de composições monumentais e letras arrebatadoras, a maioria das quais escritas por Hosoda e Nakamura.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Belle「心のそばに」MV" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/z_NAoBkZlIw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como em </span><a href="https://www.garotasgeeks.com/belle-e-a-sequencia-espiritual-de-summer-wars-e-um-conto-moderno-de-a-bela-e-a-fera/"><span style="font-weight: 400;">trabalhos anteriores</span></a><span style="font-weight: 400;">, Hosoda explora a emergência da </span><i><span style="font-weight: 400;">web</span></i><span style="font-weight: 400;"> e das relações cultivadas à partir dela e, mesmo quando os temas não recebem o devido espaço para florescer em meio ao </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sua protagonista, as ideias do roteiro e as subversões ao conto original são inventivas e instigantes o suficiente para suportar sua reinterpretação. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;">, a pior coisa que pode acontecer com um usuário é ele ser “revelado”, tendo seu Ás (avatar virtual) deletado e sua identidade exposta para o resto do mundo. É também o que Justin (Toshiyuki Morikawa), um dos autodenominados “justiceiros” dessa realidade e principal antagonista da heroína, ameaça fazer com a Fera caso a encontre. Enquanto na obra original o monstro ansiava por reverter sua condição e reencontrar sua humanidade, aqui o conflito de Suzu é definido pela ambiguidade de sua condição, uma celebridade anônima, conhecida apenas através do Ás de Belle.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos principais e mais bem desenvolvidos questionamentos do roteiro está no papel do anonimato no ambiente virtual: se por um lado ela nos dá carta branca para agirmos </span><a href="https://www.camara.leg.br/noticias/482198-crenca-no-anonimato-da-rede-potencializa-crueldade-do-bullying-diz-psicologa"><span style="font-weight: 400;">com crueldade</span></a><span style="font-weight: 400;"> uns com os outros, protegidos por máscaras arbitrárias, por outro ela também permite que aqueles que não tem voz sejam ouvidos ou até mesmo que achem sua própria voz com o tempo. Após uma tragédia que a afeta profundamente, Suzu descobre que só consegue cantar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JUFVLW3kpm8"><span style="font-weight: 400;">como Belle</span></a><span style="font-weight: 400;">, compartilhando sua música sem se preocupar e quem vai ouvir e descobrindo, contra todas as possibilidades, que outras pessoas querem ouvi-la.</span></p>
<figure id="attachment_27411" aria-describedby="caption-attachment-27411" style="width: 992px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27411" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3.jpg" alt="Esboço conceitual da protagonista do filme animado Belle. Feito à lápis, ele traça a personagem olhando para o topo direito da imagem, com os braços se abrindo por baixo de uma capa. Belle é uma mulher magra de cabelos longos e esvoaçantes, com uma trança em cada um dos lados. Ela possui sardas alinhadas em uma linha reta embaixo de seus olhos e padrões geométricos nas bochechas e uma tiara com asas de borboleta estilizadas em cada lado. Ela abre a boca como se estivesse cantando e seus olhos são grandes e expressivos. Ela usa uma capa por cima de uma roupa escura que aparenta ser um colete. No centro da capa há um broche oval." width="992" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3.jpg 992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3-800x610.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3-768x585.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27411" class="wp-caption-text">Colaborando com um designer de personagens da Disney, Hosoda nos dá um tipo diferente de princesa (Foto: Jin Kim)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito mais do que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bela-e-a-fera-2017/"><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">medíocre</span></a><span style="font-weight: 400;"> e desinteressante de Bill Condon em </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> é capaz de reviver a magia da </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bela-e-a-fera-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">animação de 1991</span></a><span style="font-weight: 400;"> através de sua própria combinação de animação e sonorização, mesmo sem adaptar diretamente a sua fábula moral. O próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> mágico e </span><i><span style="font-weight: 400;">technicolor </span></i><span style="font-weight: 400;">de sua protagonista vem de Jin Kim, </span><a href="https://portalhqpb.com.br/belle-novo-longa-metragem-de-mamoru-hosoda-contara-com-parceria-dos-diretores-do-cartoon-saloon-e-do-character-design-jin-kim/"><span style="font-weight: 400;">veterano da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e responsável por personagens de </span><a href="https://personaunesp.com.br/frozen-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Frozen</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zx3xEc6-mU4"><i><span style="font-weight: 400;">Operação Big Hero</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/zootopia-disney/"><i><span style="font-weight: 400;">Zootopia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O vínculo indelével da obra com o clássico, no entanto, vai muito além do material e da caracterização, e é ressaltado na gravidade que Hosoda e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Studio Chizu</span></i><span style="font-weight: 400;"> dão ao casamento entre imagem e som, na capacidade de criar sonhos que define o Cinema como o conhecemos. Como </span><a href="https://www.popbuzz.com/tv-film/news/oscars-animated-movies-kids/"><span style="font-weight: 400;">diversos profissionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> ressaltaram durante a noite de premiações no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2022</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a categoria de Melhor Animação foi apresentada por três das atrizes que deram vida às suas contrapartes animadas nos </span><i><span style="font-weight: 400;">remakes </span></i><span style="font-weight: 400;">recentes, animação vai muito além de algo “</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/oscar-2022-diretor-phil-lord-critica-piada-sobre-filmes-animados-serem-para-criancas/"><i><span style="font-weight: 400;">para crianças, e que os adultos têm que aguentar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Enquadrar os cinco nomeados ao prêmio da Academia de Melhor Animação como produtos corporativos para crianças que os pais têm de aguentar a contragosto poderia ter sido encarado como um simples descuido. Mas para aqueles de nós que dedicamos nossas vidas para fazer filmes animados, esse descuido se tornou rotina. O diretor de um grande estúdio de animação uma vez disse à uma reunião de animadores que, se jogássemos nossas cartas corretamente, um dia ‘passaríamos para o live-action.’ Anos depois, um executivo de outro estúdio disse que um certo filme animado que fizemos foi tão bom que o lembrou de ‘um filme de verdade.’”</span></p>
<p><i></i><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Phil Lord e Chris Miller, em um artigo de opinião para a </span></i><a href="https://variety.com/2022/film/news/phil-lord-christopher-miller-animation-oscars-1235225442/"><span style="font-weight: 400;">Variety</span></a></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos a história de uma jovem lidando com um </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/luto/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> debilitante e cáustico, expressando seus sentimentos por meio de visuais deslumbrantes e músicas de partir o coração. Acompanhamos sua transição entre a vida real e um recomeço virtual, por meio da mudança de técnicas </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">3D</span></i><span style="font-weight: 400;"> de animação que dão profundidade física e temática aos seus personagens e seus conflitos, em uma celebração do meio que conta sua história exatamente por ser uma história que só poderia ter sido contada por esse meio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo ficando de fora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2022</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiu abocanhar cinco indicações ao </span><a href="https://annieawards.org/winners"><i><span style="font-weight: 400;">Annie Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sendo ovacionado durante </span><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/entretenimento/belle-que-tem-referencias-de-a-bela-e-a-fera-foi-aplaudido-por-14-minutos-em-cannes/"><span style="font-weight: 400;">14 minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> após sua estreia no Festival de Cannes em 2021, e não é difícil entender o porquê: o terceiro ato do longa é uma declaração de afeto do tipo que inspira cineastas até hoje, o tipo de sequência que extraí lágrimas não de tristeza, mas em virtude do quão belo tudo ao seu redor é, reunindo e ordenando belamente seus principais temas e ideias ao longo de </span><a href="https://open.spotify.com/track/0WQRbcwmUd1fZ5AJcH5GDT?si=29b2a630d9de4de8"><span style="font-weight: 400;">sua melhor canção</span></a><span style="font-weight: 400;">, jogando todas as cartas na mesa e implorando para que você sinta a canção junto de Suzu.</span></p>
<figure id="attachment_27412" aria-describedby="caption-attachment-27412" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27412" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4.jpg" alt="Cena do filme animado Belle. Suzu (Kaho Nakamura) flutua acima de uma multidão no mundo virtual de U. A multidão abaixo dela é composta por incontáveis luzes amarelas cintilando em direção ao horizonte, onde estruturas retangulares se erguem de cima para baixo e de baixo para cima. O céu é composto por ainda mais dessas estruturas e, no espaço em que elas quase se encontram, o horizonte é composto por um céu noturno repleto de estrelas e uma luz crescente, cortada por uma linha ondulada branca que vai de uma ponta a outra. Suzu está do lado direito da tela, segurando sua própria luz amarela no peito, de costas para a câmera. Ela é magra, tem cabelos pretos até os ombros e usa uma camiseta branca e uma saia preta." width="1920" height="805" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27412" class="wp-caption-text">“Sem alguém para amar, o que há para se viver?” (Foto: Studio Chizu)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, despudoradamente, uma história de amor. No entanto, é uma jornada que nos desafia a recontextualizar o amor não como um ideal romântico, mas como uma ação necessária para a vida em sociedade. Como um dos efeitos da ascensão das redes sociais, Hosoda nos pergunta fervorosamente: o que nós devemos uns aos outros? Até que ponto devemos ir por </span><a href="https://www.engadget.com/belle-anime-review-190042348.html"><span style="font-weight: 400;">pessoas que não conhecemos</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas às quais estamos intimamente ligados? Se o amor não te impele a se sacrificar por alguém, a se entregar por completo, o quanto ele realmente vale?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acontece que nenhuma dessas perguntas tem respostas simples. As diversas complexidades da vida contemporânea também se aplicam no meio virtual, e seus realizadores deixam claro que </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma utopia. Ainda há vilões que buscam condenar os outros e usam máscaras para esconder sua crueldade; verdades e mentiras se espalham e igual medida e o </span><a href="https://tvcultura.com.br/videos/19736_redes-sociais-transformam-a-internet-em-um-verdadeiro-tribunal.html"><span style="font-weight: 400;">tribunal da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nunca absolve, apenas condena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, apesar de tudo isso, Hosoda encara o futuro com o otimismo inabalável de alguém que acredita plenamente no potencial humano de estarmos prontos para ajudar quando alguém precisar, de que se olharmos o mundo como uma única comunidade, veremos que não há outra coisa a fazer senão amar uns aos outros e se sacrificar por todos. E que no fim, assim como no começo, você só pode ajudar alguém sendo quem você é. Em sua última nota musical antes do fim climático da jornada de Suzu, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz um único apelo à sua audiência, não na voz de uma celebridade virtual, mas na de uma adolescente que acaba de entender a dimensão do amor que a envolve: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Cante!</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
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		<title>Sex Education: identidade e irreverência pautam excelente terceira temporada</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Nov 2021 17:27:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laís David Com centenas de lançamentos por mês, é cada vez mais fatigante encontrar uma série adolescente interessante na Netflix. De clichês entediantes até os cancelamentos iminentes, a plataforma luta para conversar com esse público da maneira correta. Um dos maiores acertos dos últimos anos, no entanto, foi a excelentíssima Sex Education. Com sua despretensiosa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sex-education-3a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sex Education: identidade e irreverência pautam excelente terceira temporada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24903" aria-describedby="caption-attachment-24903" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24903" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1.jpg" alt="Cena da série Sex Education. Asa Butterfield e Mimi Keene como Otis e Ruby. Otis é um homem branco de estatura média. Seus cabelos são pretos, ele veste uma jaqueta branca e vermelha e está virado olhando para Ruby. Virada levemente para a direta e olhando para Otis, Ruby veste uma jaqueta amarela e um vestido colorido. Seus cabelos estão presos para trás com uma fivela lilás. Ela usa brincos coloridos em formato de pêra." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24903" class="wp-caption-text">Terceira temporada chegou no fim de setembro na Netflix e liderou o Top 10 do Brasil (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Laís David</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com centenas de lançamentos por mês, é cada vez mais fatigante encontrar uma série adolescente interessante na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. De </span><a href="https://personaunesp.com.br/elite-4a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">clichês entediantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> até os </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-society-critica/"><span style="font-weight: 400;">cancelamentos iminentes</span></a><span style="font-weight: 400;">, a plataforma luta para conversar com esse público da maneira correta. Um dos maiores acertos dos últimos anos, no entanto, foi a excelentíssima </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com sua despretensiosa narrativa </span><i><span style="font-weight: 400;">teen</span></i><span style="font-weight: 400;"> e complexa gama de personagens, a obra conseguiu conquistar seu espaço na lista de melhores produções do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, em 2021, entrega sua terceira temporada com ainda mais encanto.</span></p>
<p><span id="more-24902"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se as duas primeiras temporadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> representam a introdução ao universo divertidíssimo de Otis (Asa Butterfield), Maeve (Emma Mackey) e Eric (Ncuti Gatwa), a terceira dá espaço a todos os outros personagens de forma igualitária e conexa. O início do primeiro episódio nos traz de volta ao infame colégio de Moordale, agora conhecido nacionalmente como </span><i><span style="font-weight: 400;">Escola do Sexo</span></i><span style="font-weight: 400;">. A célebre clínica sexual de Otis e Maeve e o inquietante surto de clamídia na escola causaram um escândalo midiático, que, como sempre, desagradou os superiores do local.</span></p>
<figure id="attachment_24907" aria-describedby="caption-attachment-24907" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24907" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1.jpg" alt="Cena da série Sex Education. Aimee Lou Wood e Emma Mackey como Aimee Gibbs e Maeve Wiley. Aimee é uma mulher branca de cabelos loiros e médios. Ela está de pé, virada para a frente, com uma expressão confusa. Ela veste o uniforme cinza da escola Moordale e uma blusa social azul. Ao seu lado, Maeve está de pé com uma expressão confusa. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos e presos para trás. Ela usa uma franja acima das sobrancelhas. Maeve veste uma jaqueta de couro preta e uma blusa social azul. Em suas mãos, ela segura um celular preto." width="1200" height="680" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1-800x453.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1-1024x580.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1-768x435.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24907" class="wp-caption-text">Oito episódios formaram uma excelente e consistente temporada (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É aí que o problema começa: na tentativa de reverter a reputação da instituição, os investidores de Moordale resolvem demitir o irascível Michael Groff (Alistair Petrie) e contratam uma nova diretora para substituí-lo. Apresentada inicialmente como uma líder feminista e intuitiva, Hope Haddon (Jemima Kirke) tenta convencer os jovens a se renderem a regras milenares com sua personalidade jovial e leviana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em poucos momentos, já é possível enxergar as verdadeiras cores da diretora. Hope se revela uma mulher racista, homofóbica e preconceituosa. Seja ao assumir que Adam Groff (Connor Swindells) era o líder estudantil apenas por ser branco ou ao reprimir a individualidade dos alunos do colégio, as </span><a href="https://dialogopsi.com.br/blog/microagressao-como-funciona/"><span style="font-weight: 400;">microagressões</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Hope nos fazem até sentir falta do carrasco Michael Groff. Quem diria que </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiria captar as nuances problemáticas do </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/estante/trechos/2021/08/13/%E2%80%98Feminismo-branco%E2%80%99-como-o-movimento-pode-ser-excludente"><span style="font-weight: 400;">feminismo branco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de forma tão simples?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A terceira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> também introduziu Cal, a primeira personagem </span><a href="https://medium.com/@nicknagari/guia-b%C3%A1sico-da-n%C3%A3o-binariedade-97de1d9bc84d"><span style="font-weight: 400;">não-binárie</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série. Cal (Dua Saleh) é artística, liberal e independente. Seu romance com Jackson Marchetti (Kedar Williams-Stirling) trata de dúvidas importantes sobre pronomes, gênero e orientação sexual de maneira leve e delicada. É raro encontrar representações tão justas e respeitosas na mídia, e a série acertou em cheio. Outro momento enternecedor da temporada é a cena íntima entre Maeve e Isaac (George Robinson): narrativas que retratam pessoas com deficiência como sexualmente ativas são quase inexistentes, e a equipe de roteiristas repara esse histórico com </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/features/sex-education-isaac-disabled-maeve-b1926241.html"><span style="font-weight: 400;">cuidado e compostura</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24906" aria-describedby="caption-attachment-24906" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24906" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4.jpeg" alt="Cena da série Sex Education. Gillian Anderson como Jean Milburn. Em um consultório médico, aparecem duas cadeiras azuis. A esquerda está vazia. Na cadeira direita, Jean está sentada. Jean é uma mulher branca de cabelos loiros presos para trás com um sutil topete. Ela veste um vestido verde esmeralda com flores amarelas e vermelhas, além de uma jaqueta vermelha. Ela está grávida e segura um formulário azul." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24906" class="wp-caption-text">Terceira temporada da série é a melhor até então (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O impacto do abuso sexual em Aimee (Aimee Lou Wood) também é formosamente trabalhado ao longo dos oito episódios. Longe de reduzir a personagem a seu agressor ou apagar o problema de sua existência, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> dialoga com as consequências psicológicas de um assédio e também prova que, no final do dia, Aimee é muito mais do que seu trauma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os episódios também serviram para desenrolar excelentes tramas que não tinham tanto espaço no passado. O verdadeiro destaque da temporada vai para Ruby (Mimi Keene), que desconstrói o arquétipo de </span><a href="https://www.ranker.com/list/best-queen-bees-movies/eric-vega"><i><span style="font-weight: 400;">Queen Bee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da melhor forma possível. Sua perversidade unilateral nunca a representou por completo; pelo contrário, sua identidade fascinante finalmente teve tempo de ser desenvolvida. Impossível não se emocionar ao ver a jovem se declarar para Otis, para, então, ser rejeitada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se Eric foi o grande destaque das primeiras duas temporadas, aqui ele fica de escanteio. No entanto, sua narrativa não deixa de ser cativante: a viagem familiar de sua família até a Nigéria reflete muito bem sua necessidade de liberdade, atributo que seu atual relacionamento não tem nada. A dualidade entre a recente descoberta da bissexualidade de Adam e a extensa experiência e aceitação de Eric como homem homossexual é deslumbrante, e, ao mesmo tempo, desastrosa.</span></p>
<figure id="attachment_24904" aria-describedby="caption-attachment-24904" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24904" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1.jpg" alt="Cena da série Sex Education. Asa Butterfield e Mimi Keene como Otis e Ruby. Ruby olha para a frente com um grande sorriso e tem seus cabelos presos para trás com uma fivela roxa, enquanto Otis levanta suas sobrancelhas com atenção. Ruby usa um vestido colorido, enquanto Otis veste uma blusa bege listrada." width="1200" height="592" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1-800x395.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1-1024x505.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1-768x379.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24904" class="wp-caption-text">Otis e Ruby se tornaram um dos casais mais amados pelo público (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série também não se reduz a tramas adolescentes, e isso a eleva a um outro patamar. Os dilemas da gravidez de risco de Jean (Gillian Anderson) ou a independência recente de Maureen Groff (Samantha Spiro) encantam tanto quanto qualquer problema dos estudantes de Moordale. Gillian é excepcional e rouba todas as cenas &#8211; por aqui, fingimos que seu recente prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3epLj6ZStsw&amp;ab_channel=TelevisionAcademy"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Drama</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi também pela sua impecável atuação como a matriarca e terapeuta sexual de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que deixa a desejar é a necessidade persistente do romance intragável de Otis e Maeve. O casal até era interessante nas primeiras temporadas, mas agora ele é nada mais que o resultado da narrativa incessante que os colocou ali. Os anos 2000 já se foram, e ninguém mais espera por um relacionamento de idas e vindas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dfuPBC-v5NE&amp;ab_channel=HBOMax"><span style="font-weight: 400;">Ross e Rachel</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><a href="https://gilmoregirls.com.br/15-vezes-em-que-luke-e-lorelai-nos-fizeram-acreditar-no-amor/"><span style="font-weight: 400;">Lorelai e Luke</span></a><span style="font-weight: 400;">: a dualidade de Otis e Ruby, por exemplo, entretém muito mais do que o relacionamento maçante do jovem com Maeve.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais encanta em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a graciosidade em seus personagens. Se afastando da dicotomia entre pessoas bons e ruins, ela trata dos piores assuntos da forma mais humana possível. A desestigmatização de diversas pautas identitárias não soa como um </span><a href="https://www.studiobinder.com/blog/what-is-a-plot-device-definition-examples/"><i><span style="font-weight: 400;">plot device</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">involuntário, mas sim uma narrativa natural e coesa.</span></p>
<figure id="attachment_24905" aria-describedby="caption-attachment-24905" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24905" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5.jpg" alt="Cena da série Sex Education. Ncuti Gatwa e Connor Swindells como Eric e Adam. Em uma floresta, o casal dá as mãos e caminha com felicidade. Eric é um homem negro e de cabelos raspados, e veste uma blusa com estampas de onça. Sua calça é verde-água e vermelha. Ao seu lado, Adam usa uma calça jeans, uma blusa laranja com uma listra branca e marrom, além de uma jaqueta marrom. Adam é um homem branco de cabelos castanhos e curtos. Ele carrega um pequeno pote preto e laranja. " width="1284" height="856" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5.jpg 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24905" class="wp-caption-text">Quarta temporada já foi confirmada pelos produtores (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de três excelentes temporadas, ficou claro que </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das melhores produções originais da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sexualmente positiva e insanamente irreverente, a série se equilibra entre o humor e o drama e entrega um excelente produto final: um excerto fantástico e agridoce do melhor que uma série adolescente tem a oferecer.</span></p>
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		<title>O movimento de Olga é cravado: o pessoal é político</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Nov 2021 21:14:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra Em novembro de 2013, a população civil da Ucrânia entrou em conflito direto com o governo de Víktor Yanukóvytch. Numa onda de protestos liderados por jornalistas e estudantes que se estendeu até fevereiro de 2014, o povo denunciava a corrupção, o abuso de poder e a violação dos direitos humanos cometidos pelo governo. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/olga-2021-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O movimento de Olga é cravado: o pessoal é político"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24535" aria-describedby="caption-attachment-24535" style="width: 1023px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24535" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/olga-1.png" alt="Cena do filme Olga." width="1023" height="684" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/olga-1.png 1023w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/olga-1-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/olga-1-768x514.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24535" class="wp-caption-text">Antes de chegar à 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o drama venceu o Prêmio SACD na Semana da Crítica do Festival de Cannes 2021 e foi escolhido para representar a Suíça no Oscar 2022 (Foto: Pulsar)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em novembro de 2013, a população civil da </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/11/28/opinion/1417171876_618448.html?rel=mas"><span style="font-weight: 400;">Ucrânia</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrou em conflito direto com o governo de </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2019/01/24/interna_internacional,1024214/ex-presidente-ucraniano-yanukovytch-e-condenado-a-13-anos-de-prisao.shtml"><span style="font-weight: 400;">Víktor Yanukóvytch</span></a><span style="font-weight: 400;">. Numa onda de protestos liderados por jornalistas e estudantes que se estendeu até fevereiro de 2014, o povo denunciava a corrupção, o abuso de poder e a violação dos direitos humanos cometidos pelo governo. O estopim, de maneira geral, foi a frustração de um pedido popular por maior integração com União Europeia, que aconteceu quando o bloco se recusou a firmar acordos com o país aliado da </span><a href="https://outraspalavras.net/geopoliticaeguerra/ucrania-licoes-da-praca-maidan-um-mes-depois/"><span style="font-weight: 400;">Rússia</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto ele não resolvesse a sua &#8220;deterioração flagrante da democracia e do Estado de Direito&#8221;. No meio do movimento que ficou conhecido como </span><a href="https://www.revistas.usp.br/ra/article/view/178853/171596"><i><span style="font-weight: 400;">Euromaidan</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; ou, mais significativamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Revolução da Dignidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; está o drama de amadurecimento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Olga</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a sua participação na Competição Novos Diretores da 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-24534"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao misturar realidade e ficção, o primeiro filme do jovem diretor francês </span><a href="https://www.semainedelacritique.com/en/articles/interview-with-director-elie-grappe"><span style="font-weight: 400;">Elie Grappe</span></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha para trazer força a uma história real a partir de elementos ficcionais. O centro dessa construção narrativa é Olga (a ginasta ucraniana Anastasia Budiashkina), uma campeã olímpica em treinamento e cidadã de um lugar que busca uma revolução. Aos 15 anos, ela é um prodígio ostentado por um país cujo governo é o objeto de oposição do ofício de sua mãe (</span><a href="https://www.instagram.com/tatianamikhina/"><span style="font-weight: 400;">Tanya Mikhina</span></a><span style="font-weight: 400;">), jornalista que reporta as corrupções de Yanukóvytch e milita pela sua deposição. As duas estão na mira da perseguição violenta do governo &#8211; numa demonstração fortíssima da capacidade de direção de Grappe que impacta os primeiros minutos do filme -, então, Olga vai para a Suíça, país de seu falecido pai, para continuar desenvolvendo suas ambições esportivas na ginástica a salvo.</span></p>
<figure id="attachment_24537" aria-describedby="caption-attachment-24537" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24537" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_4-scaled.jpg" alt="Cena do filme Olga" width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_4-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_4-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24537" class="wp-caption-text">O elenco do filme é repleto de estrelas da ginástica europeia, e só assim para a história obstinada de Elie Grappe ganhar vida (Foto: Pulsar)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Olga inicia seus treinamentos para a seleção nacional na Suíça, sua casa se incendeia na Ucrânia. Entre as suas aspirações individuais e os conflitos de sua pátria, o crescimento da protagonista exilada é intenso, doído e urgente, impulsionado pelo roteiro de Ellie Grape e de Raphaëlle Desplechin, que são típicos treinadores rígidos. E é fato que </span><a href="https://eng.gymnovosti.com/movie-starring-a-ukrainian-gymnast-won-the-sacd-award-at-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Anastasia Budiashkina</span></a><span style="font-weight: 400;"> conhece bem a frieza exigida de atletas de alto rendimento, mas, em sua primeira atuação, ela surpreende é na maneira como compreende os sentimentos à flor da pele da personagem, que tem um mundo em revolução dentro de si, mas não pode tomar parte nesse revolucionar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, até o primeiro ato, </span><i><span style="font-weight: 400;">Olga</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme chapado, assim como o solo sobrevoado por suas personagens que perseguem a perfeição. Mas, à medida que os calos apertam, a história cresce e se ajusta ao seu espaço. Parte dessa sensação nasce das lentes de </span><a href="https://luciebaudinaud.com/"><span style="font-weight: 400;">Lucie Baudinaud</span></a><span style="font-weight: 400;">, que sabe encontrar sentido nos corpos, movimentos, olhares, rituais, técnicas, aparelhos, instrumentos, expressões e (falta de) palavras daqueles centros de treinamento. Quando as mãos da edição de </span><a href="https://en.unifrance.org/directories/person/391186/suzana-pedro"><span style="font-weight: 400;">Suzana Pedro</span></a><span style="font-weight: 400;"> assumem a narrativa, todos os movimentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Olga</span></i><span style="font-weight: 400;"> convergem numa transmutação imagética, e no desenho de som de Jürg Lempen, Sergiy Stepansky e Tristan Pontécaille, nada é mais poderoso do que o que acontece no silêncio. </span></p>
<figure id="attachment_24536" aria-describedby="caption-attachment-24536" style="width: 2539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24536" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_2_NEW.jpg" alt="" width="2539" height="1693" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_2_NEW.jpg 2539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_2_NEW-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_2_NEW-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_2_NEW-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_2_NEW-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_2_NEW-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Olga_2_NEW-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24536" class="wp-caption-text">Hoje, o Euromaidan é muito apropriado pela <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-06-02/explicito-nas-ruas-bolsonarismo-neofascista-se-inspira-em-extremismo-e-anticomunismo-da-ucrania.html">extrema-direita</a>, e a análise sobre os movimentos democráticos que eclodiram pelo mundo em 2013 se faz necessária porque, de diferentes formas e em diferentes locais, eles desencadearam perigosos ideais de nacionalismo, exemplo do que vemos hoje no Brasil (Foto: Pulsar)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior triunfo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Olga</span></i><span style="font-weight: 400;"> é reconhecer a dimensão da nossa existência no mundo. Como </span><a href="https://cineuropa.org/en/interview/407828/"><span style="font-weight: 400;">o próprio diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> comentou em entrevista ao portal </span><i><span style="font-weight: 400;">Cineuropa</span></i><span style="font-weight: 400;"> quando questionado sobre a escolha do esporte para ilustrar a história, o desempenho individual da protagonista se mostra fundamental para a conquista da equipe, e desta forma, ela não consegue se desvincular da sensação de que sua ação também é importante para a luta coletiva da sua nação. Assim, a ideia de neutralidade é entendida como algo insuportável, e, mais do que isso, impossível. E como cantava o clamor </span><a href="https://revistaforum.com.br/noticias/maidan-e-revolucao-ucraniana/"><span style="font-weight: 400;">popular e democrático</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Euromaidan, <em>Olga</em> compreende que </span><span style="font-weight: 400;">existem lutas pelas quais</span><i><span style="font-weight: 400;"> nós damos o nosso corpo e a nossa alma</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Extract | OLGA dir. Elie Grappe (VO)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/apLrGZwzbzA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Yuni!</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 21:01:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra O nome do novo filme de Kamila Andini é exclamado em muitos momentos dentro dos 90 minutos que o abrigam. Não é para menos, afinal, as reações à figura que o batiza: uma adolescente cheia de sonhos, perspicácia e incertezas que vive no interior conservador e religioso da Indonésia. Antes de chegar na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/yuni-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Yuni!"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24482" aria-describedby="caption-attachment-24482" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24482" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24482" class="wp-caption-text">O drama adolescente da cineasta Kamila Andini é parte da seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e a aposta da Indonésia para representar o país no Oscar 2022 (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome do novo filme de Kamila Andini é exclamado em muitos momentos dentro dos 90 minutos que o abrigam. Não é para menos, afinal, as reações à figura que o batiza: uma adolescente cheia de sonhos, perspicácia e incertezas que vive no interior conservador e religioso da Indonésia. Antes de chegar na 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> gerou o mesmo sentimento no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-de-toronto/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Toronto</span></a><span style="font-weight: 400;"> 2021, de onde saiu com uma recepção muito positiva e agraciada com </span><i><span style="font-weight: 400;">Platform Prize</span></i><span style="font-weight: 400;">, que reconhece filmes com </span><i><span style="font-weight: 400;">“alto mérito artístico”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que também apresentam</span><i><span style="font-weight: 400;"> “uma forte visão de direção”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24481"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os aplausos para o trabalho da diretora indonésia são mais do que dignos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um daqueles raros dramas adolescentes que sabe encontrar o lugar perfeito entre a irreverência e a seriedade, que aqui, cria uma ilustração da forma como as </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2017/11/10/o-que-esta-por-tras-da-historia-de-que-menina-amadurece-mais-cedo.htm"><span style="font-weight: 400;">normas sociais do patriarcado</span></a><span style="font-weight: 400;"> interferem na vida de meninas que são empurradas em direção ao amadurecimento precoce. Impulsionado pela ousadia e sensibilidade de sua protagonista, o filme de </span><a href="https://www.mpa-apac.org/2020/06/the-many-lives-of-indonesian-director-kamila-andini/"><span style="font-weight: 400;">Kamila Andini</span></a><span style="font-weight: 400;"> usa como cenário um dos lugares mais religiosos do país que possui a maior população islâmica do mundo, para assim tocar em questões de gênero, sexualidade e amadurecimento numa obra que vai além das narrativas </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/coming-of-age/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> hegemônicas do eixo Estados Unidos-Europa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de Andini, quem também assina o sucesso do filme é </span><a href="https://www.instagram.com/arawindak/"><span style="font-weight: 400;">Arawinda Kirana</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a genialidade que dá vida à Yuni. A personagem está no último ano da escola (que tenta implementar testes de virgindade obrigatórios e proibir expressões musicais por ser algo fora da conformidade dos ensinamentos islâmicos), e sob a tutela da avó (ou do abraço aconchegante porém conservador de Nazla Thoyib) enquanto os pais trabalham na distante capital Jakarta. Ela é considerada uma das melhores alunas da turma e também vista como uma das melhores pretendentes da cidade, vivendo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s1TgZHJgUCQ"><span style="font-weight: 400;">o auge de sua adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;"> em meio a profundos dilemas que surgem dessa interseção de costumes tradicionais e aspirações modernas.</span></p>
<figure id="attachment_24483" aria-describedby="caption-attachment-24483" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24483" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24483" class="wp-caption-text">O prêmio que Yuni recebeu no Festival de Toronto já agraciou obras como Jackie, de Pablo Larraín em 2016, e Martin Eden, Pietro Marcello em 2019 (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de Kamila Andini e </span><a href="https://twitter.com/primarus"><span style="font-weight: 400;">Prima Rusdi</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foge de nada, e a vibrância de Kirana se choca com incertezas que Yuni encontra em todos os cantos. Primeiro, o pressuposto da universidade existe desde que suas notas e seu estado civil permaneçam como estão, pois só assim ela terá a chance de conquistar uma bolsa universitária e viver sua liberdade e autonomia. No entanto, ela tem um pé atrás com a questão do casamento, já que </span><a href="https://www.brasileiraspelomundo.com/julho-indonesia-casamentos-e-suas-tradicoes-290859645"><span style="font-weight: 400;">os mitos locais</span></a><span style="font-weight: 400;"> dizem que se uma jovem rejeitar dois pedidos, será praticamente impossível ela encontrar um marido depois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A saída da personagem é manter todas as opções em aberto, e o filme concentra seu desenrolar na corrida de Yuni em direção ao seu sonho universitário antes que a terceira proposta de casamento destrua os rumos de sua vida. Na escola, a única dificuldade dela é encaixar sua mente lógica nos sentimentos aflorados pela Literatura, disciplina ministrada por Sr. Damar (</span><a href="https://www.instagram.com/dimsad77/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Dimas Aditya</span></a><span style="font-weight: 400;">), o professor que é sua paixão secreta. Então, ela conta com a ajuda do tímido Yoga (</span><a href="https://mubi.com/pt/cast/kevin-ardilova"><span style="font-weight: 400;">Kevin Ardilova</span></a><span style="font-weight: 400;">), que direciona o encanto que tem por Yuni na poesia. A narrativa cheia de personalidade de Andini sabe usar clichês, e a paixão inicialmente unilateral floresce em algo muito mais significativo.</span></p>
<figure id="attachment_24484" aria-describedby="caption-attachment-24484" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2.jpg" alt="" width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24484" class="wp-caption-text">O filme é dedicado à memória do mestre da poesia indonésia Sapardi Djoko Damono (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como o prêmio de Toronto bem notou, </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um trabalho de arte. Parcialmente inspirado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hujan Bulan Juni </span></i><span style="font-weight: 400;">(conhecido como</span><i><span style="font-weight: 400;"> A June Rain</span></i><span style="font-weight: 400;">, “chuva de junho”, numa tradução literal), o precioso poema de amor do reverenciado indonésio </span><a href="https://www.poemhunter.com/sapardi-djoko-damono/"><span style="font-weight: 400;">Sapardi Djoko Damono</span></a><span style="font-weight: 400;">, Kamila Andini cria reviravoltas trazendo a poesia para o filme, tanto na forma quanto no conteúdo, tanto objetiva quanto subjetivamente. O movimento só funciona graças à vastidão emocional, verossimilhança e simpatia que Arawinda Kirana cria para a protagonista, mesmo nos momentos em que Yuni mergulha nos momentos contraditórios orientados pela confusão sentimental da juventude.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O próprio roteiro brinca com noções estéticas, significados culturais e hábitos da adolescência com sua protagonista </span><a href="https://www.shutterstock.com/pt/blog/o-espectro-do-simbolismo-o-significado-das-cores-ao-redor-do-mundo"><span style="font-weight: 400;">obcecada por roxo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">todo mundo sabe que quando uma coisa roxa some, você deve ter roubado</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, implora a diretora da escola para que Yuni deixe seus “maus” comportamentos influenciados pelas suas manias “bobas”). A cor costumeiramente associada ao poder, sabedoria e espiritualidade é amplamente conhecida na Indonésia como o tom que representa e consola as viúvas enlutadas, o que satiricamente muda os olhares direcionados à Yuni quando ela é vista dirigindo sua moto púrpura ou ostentando mechas lilases no cabelo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera de Teoh Gay Hian, por sua vez, é muito bem orientada para reparar nos detalhes, e a composição de Budi Riyanto Karung sabe exatamente o que precisa expressar. Seja quando o grupo de amigas de Yuni chora pela </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/cortei-meus-pulsos-porque-nao-tinha-opcao-o-drama-das-meninas-obrigadas-a-se-casar.ghtml"><span style="font-weight: 400;">pressão do casamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> compulsório no cenário do quarto adolescente, ou quando a protagonista explode um momento de caos emocional jogando todas as quinquilharias roxas potencialmente furtadas para fora do seu armário, ou quando todas as garotas estão apenas conversando sem rodeios sobre o que envolve </span><a href="https://azmina.com.br/reportagens/como-os-adolescentes-lidam-com-sexo-e-identidade-de-genero/?gclid=CjwKCAjwiY6MBhBqEiwARFSCPlU9Lg3T89XAray90KAbay2Wm7CQceCWzg6TKXgcJlR0zbzC0b-EFhoC1zkQAvD_BwE"><span style="font-weight: 400;">o mundo delas</span></a><span style="font-weight: 400;"> naquele momento, tudo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> existe para construir uma única mensagem que sua criadora identificou lá no início.</span></p>
<figure id="attachment_24485" aria-describedby="caption-attachment-24485" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24485" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4.jpg" alt="" width="1600" height="1100" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-800x550.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1024x704.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-768x528.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1536x1056.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1200x825.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24485" class="wp-caption-text">A estreia da cineasta foi com o aclamado The Mirror Never Lies, em 2011, que a colocou no radar mundial como um dos nomes mais promissores do Cinema do sudeste asiático (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O tema recorrente do </span><a href="https://valkirias.com.br/greta-gerwig-lady-bird-frances-ha/"><span style="font-weight: 400;">Cinema feito por mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos últimos anos, que reflete sobre a nossa </span><a href="https://personaunesp.com.br/assim-como-no-ceu-critica/https://personaunesp.com.br/assim-como-no-ceu-critica/"><span style="font-weight: 400;">realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os nossos </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><span style="font-weight: 400;">caminhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em contextos de persistência do patriarcalismo,  encontra aqui um naturalismo gracioso, despreocupado, convincente e sem julgamentos. Podemos não saber exatamente o que queremos, mas </span><a href="https://womenandhollywood.com/tiff-2021-women-directors-meet-kamila-andini-yuni/"><span style="font-weight: 400;">sabemos exatamente o que não queremos</span></a><span style="font-weight: 400;">. E quando o filme de Kamila Andini desenha isso diante dos nossos olhos através da jornada de sua protagonista, é a hora da maior exclamação de todas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni!</span></i><span style="font-weight: 400;"> Apenas <em>Yuni!</em></span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="YUNI Trailer | TIFF 2021" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/s1TgZHJgUCQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Só restam cinzas após A Noite do Fogo</title>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos “Agora vamos deixar você feia, minha mãe disse”. As primeiras palavras do livro de Jennifer Clement, Reze pelas mulheres roubadas, são marcadas pela dor – e é exatamente nesse sentimento que a livre adaptação cinematográfica de Tatiana Huezo se pauta. A Noite do Fogo, presença fortíssima na 45ª Mostra Internacional de Cinema em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-noite-do-fogo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Só restam cinzas após A Noite do Fogo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24407" aria-describedby="caption-attachment-24407" style="width: 1789px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24407 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noches-fuego-trailer-huezo-1.jpg" alt="Cena do filme A Noite do Fogo. Três meninas, de aparentemente 8 anos, estão do lado uma da outra, enquadradas do peito para cima e de frente para a câmera. A primeira tem a pele mais escura, cabelos escuros compridos e usa uma camiseta amarela. Ela está com o dedo nos lábios. A segunda tem a pele mais clara, tem os cabelos escuros presos e usa uma camisa branca com um coração e um colar. A última é mais alta que as outras duas, também tem a pele clara e os cabelos escuros presos. Ela usa uma blusa vermelha com o número 23 e mangas compridas, e olha em direção ao chão." width="1789" height="953" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noches-fuego-trailer-huezo-1.jpg 1789w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noches-fuego-trailer-huezo-1-800x426.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noches-fuego-trailer-huezo-1-1024x545.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noches-fuego-trailer-huezo-1-768x409.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noches-fuego-trailer-huezo-1-1536x818.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noches-fuego-trailer-huezo-1-1200x639.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24407" class="wp-caption-text">O trio de protagonistas mirins de A Noite do Fogo são um show à parte dentro da seção Perspectiva Internacional da Mostra de SP (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Caroline Campos</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Agora vamos deixar você feia, minha mãe disse”</span></i><span style="font-weight: 400;">. As primeiras palavras do livro de Jennifer Clement, </span><i><span style="font-weight: 400;">Reze pelas mulheres roubadas</span></i><span style="font-weight: 400;">, são marcadas pela dor – e é exatamente nesse sentimento que a livre adaptação cinematográfica de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/a-noite-do-fogo-era-importante-construir-uma-historia-onde-o-monstro-nao-e-visto-explica-tatiana-huezo/"><span style="font-weight: 400;">Tatiana Huezo</span></a><span style="font-weight: 400;"> se pauta. </span><a href="https://45.mostra.org/filmes/a-noite-do-fogo"><i><span style="font-weight: 400;">A Noite do Fogo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, presença fortíssima na 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, é um filme de muitas cicatrizes, todas elas compondo a grande ferida aberta e pulsante de cores e dores que é a </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-llorona-critica/"><span style="font-weight: 400;">América Latina</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24404"></span></p>
<p><a href="https://www.nerdsite.com.br/2021/07/a-noite-do-fogo-coproducao-entre-mexico-e-brasil-estreia-em-cannes-nesta-quinta-feira-na-mostra-un-certain-regard/"><span style="font-weight: 400;">Coprodução</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre México, Brasil, Catar e Alemanha, o primeiro longa de ficção de Huezo, conhecida por seus documentários excepcionais, acompanha um vilarejo nas montanhas mexicanas, onde mulheres dominam a narrativa e homens espreitam vagarosos como caçadores. No centro dessa potente violência sugestiva, estão os olhos grandes e inocentes de Ana, interpretada ainda criança por Ana Cristina Ordóñez González. Assim como as outras meninas da região, Ana aprende desde cedo que se parecer com um menino pode ser a única alternativa que a resta.</span></p>
<figure id="attachment_24406" aria-describedby="caption-attachment-24406" style="width: 1916px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24406 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noches-fuego-trailer-huezo-2.jpg" alt="Cena do filme A Noite do Fogo. A protagonista Ana, uma menina de 13 anos de cabelos bem curtos e escuros, está no primeiro plano da imagem. Enquadrada do peito para cima, ela usa uma camiseta azul e branca e está com a boca bem aberta. Ela está de frente a uma parede de concreto com um buraco. Pelo buraco, podemos ver outra menina também de cabelos curtos, repetindo a expressão de Ana, com a boca aberta. Ela está desfocada." width="1916" height="903" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noches-fuego-trailer-huezo-2.jpg 1916w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noches-fuego-trailer-huezo-2-800x377.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noches-fuego-trailer-huezo-2-1024x483.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noches-fuego-trailer-huezo-2-768x362.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noches-fuego-trailer-huezo-2-1536x724.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noches-fuego-trailer-huezo-2-1200x566.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24406" class="wp-caption-text">Entre homens ausentes e violentos, A Noite do Fogo recebeu menção honrosa na seção Un Certain Regard, no Festival de Cannes de 2021 (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Coberta de veneno despejado pelo céu e escondida em buracos cavados na terra, Ana não precisa atingir a maturidade para entender que seus cabelos não tem o direito de chegar à cintura e seu olhar precisa estar sempre voltado ao chão. O objetivo de sua mãe é apenas um: garantir que a garota não seja levada de dentro de casa pelos homens que dirigem ensandecidos ao longo das estradas de terra. Sobrevivente feroz, Rita (</span><a href="https://www.forbes.com.mx/forbes-life/entretenimiento-mayra-batalla-noche-de-fuego-cannes-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">Mayra Batalla</span></a><span style="font-weight: 400;">) passa grande parte do filme imersa em suas revoltas, com olhos e ouvidos atentos e guardando à filha alguns poucos momentos de carinho endurecido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É apenas quando está sozinha com Paula (Camila Gaal e, mais tarde, Alejandra Camacho) e María (Blanca Itzel Pérez e Giselle Barrera Sánchez) que a protagonista mirim respira um pouco aliviada e sente a vida verdadeiramente. O trio de atrizes, jovens moradoras das montanhas encontradas pela produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noite do Fogo </span></i><span style="font-weight: 400;">e preparadas por </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/como-nao-ser-ator/"><span style="font-weight: 400;">Fátima Toledo</span></a><span style="font-weight: 400;">, cria um laço de amor ferrenho e intenso entre suas personagens, que dividem o tempo entre a beleza do olhar da infância, o desejo de ser mulher e o terror de uma existência sob a custódia da guerra ao narcotráfico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a primeira fogueira se apaga, é Marya Membreño quem assume uma já adolescente Ana. A atriz mantém a rebeldia no olhar de sua antecessora, mas amadurece os questionamentos e a relação com a comunidade machucada que a cerca. </span><a href="https://www.economist.com/books-and-arts/2021/09/27/tatiana-huezos-films-exude-humanity-and-pathos"><span style="font-weight: 400;">Tatiana Huezo</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsável também pelo roteiro, faz questão de que suas sutilezas se dissolvam gradualmente pela narrativa, criando pequenos e amargos buracos de entendimento em suas personagens à medida que os 110 minutos de filme vão chegando ao fim.</span></p>
<figure id="attachment_24405" aria-describedby="caption-attachment-24405" style="width: 1960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24405 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/GBJYDPCWJFFJXN4ERYQ2F536LM.png" alt="Cena do filme A Noite do Fogo. Rita e Ana se abraçam. Rita é uma mulher mais velha, de cabelos compridos e pele mais escura. Ela está inclinada na direção de Ana, uma menina de 13 anos que passa seus braços ao redor da mãe e encosta a cabeça em seu pescoço." width="1960" height="1107" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/GBJYDPCWJFFJXN4ERYQ2F536LM.png 1960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/GBJYDPCWJFFJXN4ERYQ2F536LM-800x452.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/GBJYDPCWJFFJXN4ERYQ2F536LM-1024x578.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/GBJYDPCWJFFJXN4ERYQ2F536LM-768x434.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/GBJYDPCWJFFJXN4ERYQ2F536LM-1536x868.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/GBJYDPCWJFFJXN4ERYQ2F536LM-1200x678.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24405" class="wp-caption-text">Mãe e filha sobrevivem juntas em uma relação trêmula e resistente (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, no momento em que as brasas da segunda </span><a href="https://girlsatfilms.com/2021/08/26/film-review-noche-de-fuego-de-tatiana-huezo/https://girlsatfilms.com/2021/08/26/film-review-noche-de-fuego-de-tatiana-huezo/"><i><span style="font-weight: 400;">Noche de Fuego</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> queimam altas nos céus, as fatalidades que as acompanham sobrepõem qualquer sentimento positivo que a cineasta mexicana-salvadorenha antes nos apresenta. Não há mais espaço para brincadeiras telepáticas, batons de beterraba e mergulhos no lago. Não há risadas na escola nem flertes descompromissados com a felicidade. Só restam cinzas – grudando na pele e encerrando o filme em um pânico silencioso.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Noite do Fogo </span></i><span style="font-weight: 400;">é voraz. Tatiana Huezo não hesita em colocar a beleza em cena; muito pelo contrário, é por ela e através dela que a diretora constrói sua obra, por mais trágica que seja. Explorando as várias camadas da violenta solidão da mulher latinoamericana, o escolhido para representar o México na </span><a href="https://www.termometrooscar.com/cinema-eacute-tudo-isso---blog/mexico-escolhe-prayers-for-the-stolen-vencedor-de-uma-mencao-honrosa-em-cannes-como-seu-representante-ao-oscar-2022-de-melhor-filme-internacional"><span style="font-weight: 400;">corrida</span></a><span style="font-weight: 400;"> por uma vaga no </span><a href="https://personaunesp.com.br/deserto-particular-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i><span style="font-weight: 400;"> que não se intimida em gritar na cara de uma guerra que não pertence ao povo. E, enquanto queimarem, as mulheres roubadas irão gritar.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Prayers for the Stolen (Noche De Fuego) | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IWzkfBY982Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Irmandade poda todos os laços</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2021 17:49:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Não há nada mais atual que o avanço das redes sociais e seu domínio completo por sobre a percepção humana e a opinião individual. Irmandade (Sestri) realoca a equação de juventude mais Instagram para o contexto muito específico da Macedônia do Norte, mostrando à 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/irmandade-sestri-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Irmandade poda todos os laços"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/irmandade-sestri-critica/">Irmandade poda todos os laços</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24378" aria-describedby="caption-attachment-24378" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-1-2000x1125-1.jpeg" alt="Cena do filme Irmandade, mostra uma garota branca e jovem de olhos claros e cabelos compridos olhando para a frente." width="2000" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-1-2000x1125-1.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-1-2000x1125-1-800x360.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-1-2000x1125-1-1024x461.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-1-2000x1125-1-768x346.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-1-2000x1125-1-1536x691.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-1-2000x1125-1-1200x540.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24378" class="wp-caption-text">Parte da Competição Novos Diretores da Mostra de SP, Irmandade é o primeiro trabalho em longas da diretora Dina Duma (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há nada mais atual que o </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">avanço das redes sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu domínio completo por sobre a percepção humana e a opinião individual. </span><i><span style="font-weight: 400;">Irmandade</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Sestri</span></i><span style="font-weight: 400;">) realoca a equação de juventude mais </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram </span></i><span style="font-weight: 400;">para o contexto muito específico da Macedônia do Norte, mostrando à 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo a força a que laços de amor podem ser submetidos antes de se estraçalharem.</span></p>
<p><span id="more-24377"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Irmandade</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora Dina Duma nos mostra o </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/sisterhood-review-sestri-1235052005/"><span style="font-weight: 400;">cotidiano de estudantes do Ensino Médio</span></a><span style="font-weight: 400;">. Conhecemos a protagonista Maya (papel da emotiva Antonija Belazelkoska) e sua amicíssima Jana (Mia Giraud), que navegam por entre os </span><i><span style="font-weight: 400;">stories </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Insta </span></i><span style="font-weight: 400;">e os crushes nos meninos, e ainda orbitando a vida de Elena (Marija Jancevska), com quem o santo delas não bate.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Numa das festas em que as garotas vão escondidas da mãe de Maya, as </span><i><span style="font-weight: 400;">BFFs </span></i><span style="font-weight: 400;">flagram Elena transando com um dos garotos populares do colégio. Garoto esse que, minutos antes, quase havia tirado a virgindade de Maya, que desistiu no último minuto, mas afirmou à galera que havia selado o acordo. Com os hormônios à flor da pele, ela e Jana filmam Elena e postam um curto vídeo na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24379" aria-describedby="caption-attachment-24379" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/28-2000x1125-1.jpg" alt="Cena do filme Irmandade, mostra uma garota branca e de cabelos pretos olhando para outra, que é loira, e está fora do foco da imagem. Elas estão em um vestiário e usam coletes de natação verdes. " width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/28-2000x1125-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/28-2000x1125-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/28-2000x1125-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/28-2000x1125-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/28-2000x1125-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/28-2000x1125-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24379" class="wp-caption-text">Irmandade é a submissão oficial da Macedônia do Norte para o Oscar 2022, dois anos depois do país ser reconhecido duplamente com o magnífico Honeyland (Foto: Cercanon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Culpada e ressentida, Maya quer fazer o possível para limpar a imagem de Elena, que some da escola e não dá notícias a ninguém. Jana impede a amiga de abrir o bico e ameaça humilhá-la em público se alguém descobrir algo. A trama </span><a href="https://personaunesp.com.br/rede-de-odio-critica/"><span style="font-weight: 400;">progride exponencialmente</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao passo que o roteiro idealizado pela diretora em companhia de Martin Ivanov adentra ainda mais nas emoções de Maya.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Percorrendo sua hora e meia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sisterhood </span></i><span style="font-weight: 400;">avalia o drástico ato de postar algo imprudente nas redes sociais e os reflexos que essas ações causam na vida real. É claro que mil histórias do gênero já foram contadas e recontadas, mas assistir a uma percepção não-norte-americana do assunto é um exercício e uma experiência gratificantes. Pelas lentes de Naum Doksevski, o filme se acentua nas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J91Z34quk7A"><span style="font-weight: 400;">nuances culturais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nas particularidades de sua garota principal, alguém humana e suscetível a falhas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mostrando que nem todo colega é amigo, essa coprodução de Macedônia do Norte, Kosovo e Montenegro versa sobre os perigos da confiança. </span><i><span style="font-weight: 400;">Irmandade </span></i><span style="font-weight: 400;">poda laços, destrói sorrisos e distancia abraços. O </span><a href="https://umuarama.portaldacidade.com/noticias/papo-de-especialista/psicologa-explica-como-a-separacao-dos-pais-afeta-os-filhos-em-cada-fase-da-vida-0009"><span style="font-weight: 400;">sutil subtexto do divórcio</span></a><span style="font-weight: 400;"> que acompanha Maya é mais do que suficiente para entendermos de onde nascem comportamentos autodestrutivos e maléficos. A diretora Dina Duma não precisa inventar a roda para que a mensagem seja passada; pelo contrário, ela a faz girar, ressaltando seu caráter cíclico. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer de Sisterhood — Sestri subtitulado en inglés (HD)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/J91Z34quk7A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Assim Como no Céu é assim como na Terra</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2021 17:01:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra A história de uma jovem que muda de rumo a partir de uma tragédia dentro de um contexto familiar do século 19. Isso é tudo o que Tea Lindeburg precisa para revelar a metafísica do patriarcado e a epistemologia da religião em Assim Como no Céu. Celebrado no Festival Internacional de Cinema de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/assim-como-no-ceu-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Assim Como no Céu é assim como na Terra"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24373" aria-describedby="caption-attachment-24373" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-1.jpg" alt="Cena do filme Assim Como no Céu. A imagem mostra num plano amplo um campo e uma menina ao centro, de costas, olhando para o céu. Ela é branca, tem cabelos loiros, e usa um vestido azul. Uma plantação cresce até os seus joelhos, e uma chuva de sangue cai do céu. " width="2560" height="1384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-1-2048x1107.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24373" class="wp-caption-text">A estreia da cineasta Tea Lindeburg é parte da Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: LevelK)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de uma jovem que muda de rumo a partir de uma tragédia dentro de um contexto familiar do século 19. Isso é tudo o que Tea Lindeburg precisa para revelar a metafísica do patriarcado e a epistemologia da religião em </span><i><span style="font-weight: 400;">Assim Como no Céu</span></i><span style="font-weight: 400;">. Celebrado no Festival Internacional de Cinema de Toronto e </span><a href="https://www.sansebastianfestival.com/2021/awards_and_jury_members/1/18934/in"><span style="font-weight: 400;">premiado</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, o filme de estreia da diretora dinamarquesa chega ao Brasil pela 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, numa manifestação crítica e estética tão implacável quanto as determinações sociais e religiosas que são o cerne de sua criação.</span></p>
<p><span id="more-24372"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, estamos junto das 24 horas mais importantes da vida de Lise (Flora Ofelia Lindahl), </span><a href="https://deliriumnerd.com/2017/03/08/filmes-diretoras-adolescencia-patriarcado/"><span style="font-weight: 400;">uma típica irmã mais velha</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 14 irmãos que aos 14 anos é a primeira mulher de sua família a frequentar a escola, graças ao apoio da mãe (Ida Cæcilie Rasmussen). Cheia de esperanças para o futuro e prestes a deixar sua casa para se dedicar aos estudos, a garota percebe que sua vida está prestes a mudar pelos motivos errados: quando sua mãe entra em trabalho de parto para dar a luz ao 15ª filho, Lise sente que está perto de se tornar a mulher da casa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pretexto é perfeito para as linguagens do </span><a href="https://personaunesp.com.br/druk-mais-uma-rodada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cinema dinamarquês</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se derrama em dramas psicológicos meticulosamente controlados. De tão mundano e aplicado, o trabalho cinematográfico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Assim Como o Céu </span></i><span style="font-weight: 400;">beira o horror. Sem apelar para críticas rasas e caminhos simplistas, o filme de também não é nada sutil mesmo quando imerso numa complexa ironia ou entregue a uma contundente premonição. O texto e a direção de Tea Lindeburg preferem usar sua brutalidade sublimada no agir verossímil de suas personagens &#8211; com destaque, claro, para a(s) protagonista(s).  </span></p>
<figure id="attachment_24374" aria-describedby="caption-attachment-24374" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-2.jpeg" alt="Cena do filme Assim Como no Céu. A imagem mostra uma jovem branca e loira deitada numa plantação alta amarelada. Ela usa um vestido verde, seus braços estão abertos e ela está de olhos fechados" width="1280" height="848" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-2.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-2-800x530.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-2-1024x678.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-2-768x509.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-2-1200x795.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24374" class="wp-caption-text">No Festival de San Sebastián 2021, o filme foi premiado com a Concha de Prata para Melhor Direção, dividindo pódio com <a href="https://personaunesp.com.br/lua-azul-critica/">outra história</a> sobre relações familiares e de gênero dirigida por uma diretora estreante (Foto: LevelK)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Assim Como no Céu</span></i><span style="font-weight: 400;"> é totalmente focada na atuação das suas mulheres e nas relações estabelecidas com o poder masculino que ali impera. Os representantes dessa força patriarcal são periféricos ao filme: o pai da família é ausente, o médico da cidade é ineficiente e os funcionários do local são inconstantes. O outro lado daquele sistema, por sua vez, está fazendo tudo acontecer, através de um elenco brilhante e vasto, excepcionalmente encabeçado por </span><a href="https://www.instagram.com/_floraofelia_/"><span style="font-weight: 400;">Flora Ofelia Lindahl</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A juventude da protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Assim Como no Céu </span></i><span style="font-weight: 400;">não poderia significar uma ausência de responsabilidade. Lise é uma garota que existe exatamente entre a mocidade e a maturidade, e a atriz que a trouxe para a tela de </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/blogs/p-de-pop/tea-lindeburg-vai-ao-ceu-na-mostra-de-sp/"><span style="font-weight: 400;">Tea Lindeburg</span></a><span style="font-weight: 400;"> sabe encontrar o equilíbrio difícil porém ordinário que orquestra toda a narrativa do filme. É visível que o trabalho foi conjunto, pois o texto de Lindeburg não corre na frente da atuação de Lindahl. Como toda boa atriz, ela não baseia a personagem na falsa fortaleza das palavras, mas usa em Lise tudo o que está ao seu favor, muito além da linguagem verbal. A personagem, embora radiante e madura, é contida, obviamente, pelas condições às quais é submetida.</span></p>
<figure id="attachment_24375" aria-describedby="caption-attachment-24375" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-3.jpg" alt="Cena do filme Assim Como no Céu. A imagem mostra uma jovem branca de cabelos loiros de pé na frente de um espelho dentro de um banheiro. Ela usa um vestido verde e segura as mãos na frente do corpo. À sua frente, existe uma mesa de madeira amarelada e uma pia branca. O espelho tem uma moldura dourada, e a câmera a observa através de uma porta entreaberta." width="1600" height="1100" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-3-800x550.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-3-1024x704.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-3-768x528.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-3-1536x1056.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ceu-3-1200x825.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24375" class="wp-caption-text">Também no Festival de San Sebastián, Flora Lindahl, com apenas 16 anos, levou o prêmio de Melhor Atriz (Foto: LevelK)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera de Marcel Zyskind não presta atenção em borboletas presas atrás de janelas à toa e a composição de Jesper Clausen não usa tons suaves em momentos terríveis por mero capricho. A jornada daqueles 90 minutos apresenta um processo de aceitação de </span><a href="https://www.scielo.br/j/psoc/a/N8bq7GkVDsgLbqxnXJ8gp3f/"><span style="font-weight: 400;">um amadurecimento forçado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de assimilação de </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/mulher-2/diferencas-de-genero-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">responsabilidades compulsórias</span></a><span style="font-weight: 400;">. O segredo de Tea Lindeburg é basear tudo o que ela trabalhou ao longo daquelas 24 horas na vida de Lise nos caminhos inerrantes de </span><a href="https://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/5436#:~:text=Este%20sistema%20organiza%20as%20rela%C3%A7%C3%B5es,massa%20(Engels%2C%202007)."><span style="font-weight: 400;">elementos tão antigos quanto a humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. A morte? Sim. A religião? Também. Mas, quando lá em seus primeiros minutos, o filme se apresenta junto de uma chuva de sangue que cai sobre o rosto de uma jovem solitária, perdida e amedrontada, nós já sabemos qual é o final da história. E é claro: ele é </span><i><span style="font-weight: 400;">Assim Como no Céu</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="DU SOM ER I HIMLEN trailer - i biografen nu!" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/m-Hak7Kdhp8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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