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	<title>Arquivos Alemanha &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Alemanha &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Mirrors No. 3, Foi Apenas um Acidente e o inescapável lado humano</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2025 13:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes A 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo dá palco a diversas histórias ao redor do globo, muitas vezes das quais nunca ouviríamos falar se não fossem esses filmes. Cada local tem sua própria cultura e singularidade, e, na maioria das vezes suas obras se diferenciam muito. Porém, há momentos em que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-mirrors-no-3-e-foi-apenas-um-acidente/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mirrors No. 3, Foi Apenas um Acidente e o inescapável lado humano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36273" aria-describedby="caption-attachment-36273" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36273" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Mirroirs-no-3.-e-Its-Just-an-Accident-800x390.png" alt="À esquerda: Cena de Mirrors No. 3. Uma mulher de cabelo cacheado, veste um moletom roxo, olha para o lado esquerdo de um campo verde, segurando uma bicicleta. À direita: Cena de Foi Apenas um Acidente. Em uma paisagem desértica, um homem de camiseta azul está em pé, enquanto um homem de camisa branca e uma mulher vestida de noiva estão sentados na parte traseira aberta de uma caminhonete branca." width="800" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Mirroirs-no-3.-e-Its-Just-an-Accident-800x390.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Mirroirs-no-3.-e-Its-Just-an-Accident-1024x500.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Mirroirs-no-3.-e-Its-Just-an-Accident-768x375.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Mirroirs-no-3.-e-Its-Just-an-Accident-1536x750.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Mirroirs-no-3.-e-Its-Just-an-Accident-1200x586.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Mirroirs-no-3.-e-Its-Just-an-Accident.png 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36273" class="wp-caption-text">Foi Apenas um Acidente fez parte das seções Homenagem e Apresentação Especial (Foto: Schramm Film Koerner Weber Kaiser e Jafar Panahi Productions)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> dá palco a diversas histórias ao redor do globo, muitas vezes das quais nunca ouviríamos falar se não fossem esses filmes. Cada local tem sua própria cultura e singularidade, e, na maioria das vezes suas obras se diferenciam muito. Porém, há momentos em que elas se interligam de maneiras inimagináveis. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mirrors No. 3</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Christian Petzold, é um longa alemão sobre pessoas superando o luto. Por outro lado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Foi Apenas um Acidente</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Jafar Panahi, tem como foco principal um grupo de ex-prisioneiros políticos iranianos que encontram, possivelmente, o seu antigo torturador. Apesar das temáticas diametralmente distintas, ambas se aproximam por sentimentos basilares do ser humano: a dor e o trauma.</span></p>
<p><span id="more-36272"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Mirrors No. 3</span></i><span style="font-weight: 400;">, Laura (</span><a href="https://personaunesp.com.br/afire-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paula Beer</span></a><span style="font-weight: 400;">) está perdida no mundo, infeliz, sem saber o porquê. Durante uma viagem com seu namorado, eles sofrem um acidente que culmina na morte dele. A ajuda vem de uma mulher chamada Betty (Barbara Auer), que mora nas redondezas de onde ocorreu o fato. Logo de cara, ocorre uma conexão entre as duas que é mediada pelo olhar, como se elas já se conhecessem. A partir do ocorrido, a protagonista começa a ficar sob os cuidados da família de Betty, entretanto, conforme a trama avança, às atitudes deles ficam cada vez mais estranhas e suspeitas. Ao final, nos é revelado que Laura estava sendo tratada como uma substituta da caçula da família que já tinha falecido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Foi Apenas um Acidente</span></i><span style="font-weight: 400;">, Vahid (Vahid Mobasseri) sequestra Eghbal (</span><span style="font-weight: 400;">Ebrahim Azizi)</span><span style="font-weight: 400;">, um homem que ele acredita ser a pessoa que o torturava enquanto estava preso. Contudo, sem a certeza de que estava com a pessoa certa, ele decide ir atrás de outros antigos prisioneiros para confirmar. Assim, se forma um grupo com Shiva (Mariam Afshari), uma fotógrafa; Hamid (Mohamad Ali Elyasmehr), um homem com uma personalidade impulsiva; Golrokh (Hadis Pakbaten), uma noiva que coloca o seu casamento em espera para resolver essa pendência e Ali (Majid Panahi), o noivo que acompanha a sua mulher nessa empreitada. Depois de sofrer diversas humilhações, Eghbal confessa que realmente era o homem que torturava todos eles, e assim, Vahid e Shiva permitem que ele viva, pois já não queriam mais deixar o passado consumí-los. </span><a href="https://mostra.org/jornal-da-mostra/homenageado-na-49-mostra-jafar-panahi-apresenta-seu-novo-filme-e-participa-de-conversas-com-o-publico"><span style="font-weight: 400;">Jafar Panahi</span></a><span style="font-weight: 400;"> encerra a obra com um plano de Vahid de costas, ouvindo passadas metálicas, característica marcante de Eghbal, deixando a pergunta: ele voltou para perpetuar o ciclo de violência?</span></p>
<figure id="attachment_36275" aria-describedby="caption-attachment-36275" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36275" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Mirrors-no-3-800x390.jpg" alt="Cena de Mirrors No.3. Uma mulher de cabelo cacheado e suéter claro está no banco de passageiro de um carro conversível vermelho, olhando para trás, na direção de uma pessoa cujas costas e cabelo preso estão em primeiro plano. Um homem com cabelo cacheado está sentado no banco do motorista ao lado dela." width="800" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Mirrors-no-3-800x390.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Mirrors-no-3-1024x500.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Mirrors-no-3-768x375.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Mirrors-no-3-1536x750.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Mirrors-no-3-1200x586.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Mirrors-no-3.jpg 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36275" class="wp-caption-text">Mirrors No. 3 fez parte da seção Perspectiva Internacional (Foto: Schramm Film Koerner Weber Kaise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que conecta essas duas tramas é o trauma. Seja pela guerra, para o iraniano, ou a perda de um ente querido, para o alemão. Todavia, a grande questão é como cada um vai lidar com essas angústias e o que isso vai significar para o encerramento de cada personagem. Em </span><a href="https://mostra.org/filmes/mirrors-no-3"><i><span style="font-weight: 400;">Mirroirs No. 3</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (no original), Betty, Richard (Matthias Brandt) e Max (Enno Trebs) – respectivamente, marido e filho de Betty – tentam superar a partir do amor e carinho com Laura. Ainda que Petzold mostre como essa relação era doentia e não poderia perdurar, a protagonista finaliza sua jornada mais completa e feliz, enquanto a família conseguiu se reconciliar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, </span><i><span style="font-weight: 400;">It Was Just an Accident </span></i><span style="font-weight: 400;">(título original) coloca o seu quinteto em situações bizarras e condenáveis. O filme se assemelha a </span><a href="https://personaunesp.com.br/anora-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Anora</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2024) com sua pegada cômica, de forma que esconde as aflições e os abusos dos personagens e potencializa o final, em que tudo é extravasado. As dores que eles sentem são respondidas na mesma moeda e isso gera um impacto contrário do que acontece com os de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mirrors No. 3</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No iraniano, o desfecho é aberto e interpretativo. O próprio Panahi falou depois da exibição da fita na Mostra, que o som metálico poderia ser real ou imaginário, porém, qualquer uma das duas hipóteses não leva para um caminho feliz. Se o que Vahid ouviu for real, seu algoz retornou para perpetuar o ciclo de violência, caso esteja em sua cabeça, demonstra que o protagonista não conseguiu superar o trauma. É o embate entre amor e ódio que define o destino dos personagens nas duas obras.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="It Was Just An Accident - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Y7X9sSZ0nYw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que os dois longas tenham temáticas e objetivos distintos, ambos se encontram pelo lado humano. Durante a 49° Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, </span><a href="https://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2014/04/10/preso-no-ira-diretor-ja-contrabandeou-filme-em-pen-drive-escondido-em-bolo.htm"><span style="font-weight: 400;">Panahi</span></a><span style="font-weight: 400;"> participou de discussões relacionadas à sua filmografia, o longa, à sua história e o que ele pensa do Cinema no geral, e o diretor comentou sobre como todos os tipos de filmes estão ligados à humanidade. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quando olhamos para qualquer tema no cinema social, ele tem tudo o que tem no cinema político, e tem temas como a humanidade também</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cineasta foi homenageado e recebeu o Prêmio Humanidade durante o evento, pela sua história e paixão pelo Cinema. Entretanto, essa sua fala pode dizer mais sobre o motivo dele ser merecedor, não de um prêmio, e sim de carinho, atenção e admiração que ele recebeu. Apesar da perseguição que sofreu do governo iraniano por sua Arte, ele ainda enxerga algo positivo no mundo. É irônico como isso se revela na trama, pela comicidade, e é ainda mais curioso, como essa obra triste é mais bem humorada do que o carinhoso filme de Petzold. Seja para o político-social </span><a href="https://www.instagram.com/reels/DQSeErKFYR0/"><i><span style="font-weight: 400;">Foi Apenas um Acidente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou para o traumático </span><i><span style="font-weight: 400;">Mirrors No. 3</span></i><span style="font-weight: 400;">, sempre haverá uma conexão no Cinema: o lado humano, inescapável.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="MIROIRS NO. 3 Clip | TIFF 2025" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/qngYk2K8HIw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Semente do Fruto Sagrado planta um bom roteiro em solo fértil</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Mar 2025 00:10:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Frondosas e firmes, as figueiras são vistas em todo o mundo como uma representação da longevidade. Com frutos adocicados e nutritivos, os figos, remete a aconchego, segurança e estabilidade. No islamismo, um juramento é amplamente conhecido pelos seguidores da religião “pelo figo e pela azeitona”, um simbolismo da importância de respeitar o sagrado. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-semente-do-fruto-sagrado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Semente do Fruto Sagrado planta um bom roteiro em solo fértil"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34879" aria-describedby="caption-attachment-34879" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34879" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34879" class="wp-caption-text">Longa-metragem alemão, A Semente do Fruto Sagrado concorre a Melhor Filme Estrangeiro na 97ª edição do Oscar (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><strong>Jamily Rigonatto</strong></p>
<p>Frondosas e firmes, as figueiras são vistas em todo o mundo como uma representação da longevidade. Com frutos adocicados e nutritivos, os figos, remete a aconchego, segurança e estabilidade. No islamismo, um juramento é amplamente conhecido pelos seguidores da religião <em>“pelo figo e pela azeitona”</em>, um simbolismo da importância de respeitar o sagrado. Esse elemento estimado por diversos povos está presente no título de um dos concorrentes a Melhor Filme Estrangeiro do <a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2025/"><em>Oscar 2025</em></a>, mas, ao contrário do esperado, <em>A Semente do Fruto Sagrado</em> mostra que a colheita nem sempre é boa.</p>
<p><span id="more-34878"></span></p>
<p>Contando a história de uma família Iraniana de classe média alta, o longa-metragem expõe um desencontro no pensamento geracional. Com Iman (<a href="https://www.vulture.com/article/mohammad-rasoulof-on-making-seed-of-the-sacred-fig-in-secret.html">Missagh Zareh</a>), o patriarca do núcleo familiar, sendo promovido a investigador e tendo que assinar processos cuja punição são penas de morte, a pacata vida da mãe Najmeh (Soheila Golestani) e das filhas Sana (Setareh Maleki) e Rezvan (Mahsa Rostami) ganha um tom de reviravolta.</p>
<p>Ao contrário do que a sinopse sugere, a narrativa de T<em>he Seed of the Sacred Fig</em> – nome original da produção – é surpreendentemente convidativa. Longe de ser mais um filme sobre relações de parentesco desgastadas pelo dia a dia, a obra escolhe retratar como as divergências religiosas, políticas e morais podem gerar violência dentro de uma casa. Além da escolha de roteiro ousada assinada por <a href="https://www.ihu.unisinos.br/categorias/648080-mohammad-rasoulof-o-cineasta-iraniano-mais-odiado-e-perseguido-pelo-seu-governo">Mohammad Rasoulof</a>, destaca-se a maneira que é conduzida, prendendo o telespectador que fica permanente tenso à espera do desenrolar dos acontecimentos.</p>
<figure id="attachment_34880" aria-describedby="caption-attachment-34880" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34880" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/filmeira2-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/filmeira2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/filmeira2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/filmeira2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/filmeira2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/filmeira2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34880" class="wp-caption-text">O diretor de A Semente do Fruto Sagrado Mohamed Rasoulouf passou meses preso no Irã e atualmente está exilado na Alemanha (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pouco tempo, a promoção de Iman no trabalho passa a inserir certo afastamento na rotina da família, até o ponto em que o sumiço da arma de autodefesa do homem dentro da própria residência cede o último fio de confiança entre eles. A partir desse momento, as <a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63429830">mulheres</a> da casa recebem um tratamento adverso, sem poder reivindicarem ou expressarem as suas vontades. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">As filhas são jovens que passam por um momento de transição e, entre toda a violência policial que fere os responsáveis pelas manifestações contra o regime de traços ditatoriais vigente no Irã, estão adquirindo pensamento libertários próprios e querem se expressar de uma maneira distinta, inclusive tirando o <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgrjrgqkjkyo">Hijab</a> – vestimenta obrigatória para o gênero feminino na República do Irã. No entanto, são tolhidas dessas ideias pelo pai, que reaje de uma maneira cada vez menos flexível. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A grande sacada do longa-metragem é a forma de guiar a progressão dos eventos. No início, a família simpática cativa quem está assistindo, de forma a criar certa empatia entre o nós e o eles. Assim, o desvio de comportamento de Iman vem como um elemento inesperado capaz de assustar o mais desconfiado dos telespectadores. Um grande feito da atuação de Zareh, que transmite cada passo da perda de seus princípios e ideais sobre a integridade da vida. </span></p>
<figure id="attachment_34881" aria-describedby="caption-attachment-34881" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34881" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/filmes_18296_the-seed-of-the-sacred-fig-91af3d-easy-resize.com_.jpg" alt="" width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-34881" class="wp-caption-text">A atuação das jovens irmãs é um dos pontos positivos de A Semente do Fruto Sagrado (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mudanças sociais e políticas impactantes vêm de elementos encarados pelo conservadorismo como rebeldia. Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Semente do Fruto Sagrado</span></i><span style="font-weight: 400;"> isso não é diferente, mas mostra o quanto a rigidez moral é violenta de um lado só: o que prega a paz religiosa. O concorrente de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na corrida do <em>Oscar</em> pode não ter uma carga dramática tão sensível quanto, mas se mostra um dos enredos mais completos do jardim de filmes internacionais dos últimos anos. Entre força política e desesperança, o longa-metragem prova que ignorar a subversão da juventude é andar para trás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por falar na maior premiação do Cinema, vale lembrar que a disputa não é só contra o título brasileiro, mas também com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Garota da Agulha,</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/flow-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Flow</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o polêmico </span><i><span style="font-weight: 400;">Emilia Perez</span></i><span style="font-weight: 400;">. No Globo de Ouro desse ano, a obra foi indicada na mesma categoria, além de ter recebido o prêmio especial do júri no Festival de Cannes em 2024, se tornando um nome com grandes possibilidades de projeção no mercado dos prêmios cinematográficos.  </span></p>
<figure id="attachment_34883" aria-describedby="caption-attachment-34883" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34883" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado_Mares-Filmes-2-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado_Mares-Filmes-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado_Mares-Filmes-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado_Mares-Filmes-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado_Mares-Filmes-2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34883" class="wp-caption-text">Segundo a ONU, de setembro a novembro de 2022 mais de 14 mil pessoas foram presas nos protestos do Irã (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns momentos, a obra é gráfica e cruel, usando a <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2023/10/5136402-ira-jovem-agredida-pela-policia-da-moralidade-tem-morte-cerebral.html">violência</a> como um elemento nem um pouco censurado. Alguns vídeos apresentados na televisão ou nos celulares das jovens irmãs são, inclusive, cenas reais das manifestações que ocorreram no país. Essa visão criativa tira pontos da sensibilidade, os colocando em massa no tom de denúncia. Algo que não desagrada, mas deixa o público com uma sensação de impotência desoladora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto a ser destacado é a fotografia, dirigida por </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm9170537/?ref_=ttfc_fc_cr"><span style="font-weight: 400;">Pooyan Aghababaei</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, em partes, consegue ter enquadramentos precisos em expressões faciais e movimentos essenciais para a leitura da narrativa. No entanto, por vezes, parece um pouco amadora, deixando a estética em segundo plano e a pouca modulação cênica bastante evidente. Não é o tipo de prejuízo irremediável, mas quando se pensa no que é avaliado pela Academia, pode pesar. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i><span style="font-weight: 400;">Necessário, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=6LZrWCBzEOc"><em>A Semente do Fruto Sagrado</em></a> tem irreverência na dose certa e uma sequência que mistura elementos dramáticos, suspense e realidade com uma destreza admirável. Longe das disputas por uma certa estatueta dourada, o filme merece a atenção de públicos de todo o mundo. Lembrar que diversas pessoas são torturadas e presas por quererem sua independência de pensamento, comportamento e direcionamento política alerta: nem toda semente germina para alimentar, em alguns casos, ela suga o que há de bom no solo e cai como uma praga<br />
</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="THE SEED OF THE SACRED FIG - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/A3P53zHCPJU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>40 anos de Paris, Texas: a obra-prima de Wim Wenders que desconstruiu o sonho americano</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Oct 2024 18:58:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Sampaio Um dos conceitos mais famosos do século XX é o American Way of Life. Criada pelo mercado publicitário no pós-guerra e propagada durante a Guerra Fria, essa expressão prega o estilo de vida estadunidense, marcado pelo trabalho árduo, conquista de bens materiais e construção de uma família feliz. O propósito era vender um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/paris-texas-40-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "40 anos de Paris, Texas: a obra-prima de Wim Wenders que desconstruiu o sonho americano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34090" aria-describedby="caption-attachment-34090" style="width: 3000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1.png" alt="Imagem do filme Paris, Texas. Tem uma pessoa na imagem aparecendo da cintura para cima. No centro está Jane, uma mulher jovem e branca. Ela tem cabelo loiro na altura do pescoço, tem olhos castanhos e veste um suéter rosa felpudo. No fundo tem uma parede com uma porta e uma janela, o fundo também é rosa." width="3000" height="2250" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1.png 3000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1-2048x1536.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-1-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34090" class="wp-caption-text">Lançado em 1984, Paris, Texas é uma das obras-primas dirigidas Wim Wenders (Foto: Argo Films)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Sampaio</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos conceitos mais famosos do século XX é o </span><a href="https://www.todamateria.com.br/american-way-of-life/"><i><span style="font-weight: 400;">American Way of Life</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Criada pelo mercado publicitário no </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/guerras/o-mundo-depois-segunda-guerra-mundial.htm"><span style="font-weight: 400;">pós-guerra</span></a><span style="font-weight: 400;"> e propagada durante a </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2022/11/o-que-foi-a-guerra-fria"><span style="font-weight: 400;">Guerra Fria</span></a><span style="font-weight: 400;">, essa expressão prega o estilo de vida estadunidense, marcado pelo trabalho árduo, conquista de bens materiais e construção de uma família feliz. O propósito era vender um imaginário de como seria a vida nos Estados Unidos para os outros países. Porém, essa fantasia se distancia – e muito – da realidade. Diversos filmes expõem isso, um dos mais belos e profundos é </span><i><span style="font-weight: 400;">Paris, Texas</span></i><span style="font-weight: 400;">, que completa 40 anos em 2024. </span></p>
<p><span id="more-34089"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa acompanha a história de Travis Henderson (Harry Dean Stanton), um homem de meia idade, desaparecido há quatro anos, que é encontrado vagando pelo </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2024/09/01/fantastico-percorre-deserto-da-morte-e-fala-com-coiote-responsavel-por-guiar-imigrantes-ilegais-em-troca-de-dinheiro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">deserto do Texas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Após ser resgatado pelo seu irmão, Walt (Dean Stockwell), e voltar à sociedade, o protagonista terá que se reconectar com o filho, Hunter (Hunter Carson) – que ficou sob a tutela da sua cunhada e irmão –, e descobrir o paradeiro da esposa (Aurore Clément). Enquanto isso, são dadas pistas sobre o que ocorreu durante seu sumiço. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa produção franco-alemã recebeu muito destaque na época e, até hoje, desponta como um </span><a href="https://movieweb.com/what-is-a-cult-classic/"><i><span style="font-weight: 400;">cult classic</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por causa da qualidade do roteiro escrito por L.M. Kit Carson, Sam Shepard e Walter Donohue, e pelo uso de </span><a href="https://youtu.be/GP8_H1_KC7I?si=TUCwf5TsNquhpyoC"><span style="font-weight: 400;">cores vibrantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, mérito do diretor de Fotografia Robby Müller. Ambos setores estão alinhados sob o comando de Wim Wenders para apresentar ao espectador um contraste entre a ideologia dos Estados Unidos perfeito e a árdua e complexa realidade da população. </span></p>
<figure id="attachment_34096" aria-describedby="caption-attachment-34096" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34096" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-2.jpg" alt="Imagem do Filme Paris, Texas. Tem uma pessoa no centro da imagem, aparecendo apenas o busto. No centro está Travis, um homem de meia idade. Ele tem cabelo curto e castanho, tem uma barba castanha e olhos castanhos. Ele usa um boné vermelho na cabeça e veste uma camisa branca, uma gravata amarela e um paletó cinza. Toda a sua roupa está suja de poeira. No fundo tem um deserto e o céu azul." width="1000" height="589" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-2.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-2-800x471.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-2-768x452.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34096" class="wp-caption-text">O filme aborda temas pesados, como alcoolismo, violência doméstica e abusos que, infelizmente, são muito comuns na sociedade estadunidense (Foto: Argo Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A base da crítica é centrada em Travis que, ao contrário do seu irmão que possui carro, casa no subúrbio, carreira bem estruturada e uma família estável, falhou em todos os aspectos da sua vida, destruindo sua relação com a esposa e filho, perdendo a casa, não tendo emprego e possuindo a roupa do corpo como seu único bem. Ou seja, enquanto um é o perfeito exemplo do </span><a href="https://vermelho.org.br/2015/08/27/a-farsa-do-sonho-americano/"><span style="font-weight: 400;">sonho americano</span></a><span style="font-weight: 400;"> – pregado por Hollywood –, o outro reflete as mazelas que a maioria dos estadunidenses vivem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, temas mais pesados como </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/12/09/eua-um-dos-paises-mais-violentos-para-mulheres-visitarem-no-mundo"><span style="font-weight: 400;">violência doméstica</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/uma-a-cada-5-mortes-de-adultos-nos-eua-e-devido-ao-consumo-excessivo-de-alcool/#:~:text=O%20CDC%20tamb%C3%A9m%20estima%20que,fazendo%20isso%20pelo%20menos%20semanalmente."><span style="font-weight: 400;">alcoolismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.ip.usp.br/site/noticia/entenda-o-que-e-um-relacionamento-toxico-e-saiba-como-identificar-os-sinais-de-alerta/"><span style="font-weight: 400;">relacionamentos tóxicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> são tratados durante a narrativa com o devido peso e trauma que isso causa aos personagens. Tais assuntos são, infelizmente, muito presentes na sociedade norte-americana e também mundial, porém, costumam ser ocultados pelo Cinema hollywoodiano para manter o ideal de país sem violência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dicotomia presente na narrativa é reforçada a todo instante pela Fotografia. Müller aplicou uma paleta de cores composta por vermelho, azul e branco para as cenas focadas em Walt, que representam a </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/bandeira-dos-estados-unidos.htm#:~:text=Possui%2013%20listras%20vermelhas%20e,desenvolvidas%20de%20todo%20o%20globo."><span style="font-weight: 400;">bandeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos e o sonho estadunidense. No entanto, Travis é constantemente banhado pela cor verde, que demonstra a instabilidade do personagem e os conflitos presentes em sua trajetória. A coexistência dessas colorações potencializa os temas do roteiro, além de criar visuais deslumbrantes. </span></p>
<figure id="attachment_34093" aria-describedby="caption-attachment-34093" style="width: 1417px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-3.jpg" alt="Imagem do filme Paris, Texas. Tem uma pessoa na imagem. A câmera está bem afastada do personagem. No canto direito aparece Travis, ele veste uma jaqueta jeans, uma camisa marrom, uma calça jeans e botas marrons. Atrás dele está uma caminhonete azul. No fundo tem um estacionamento vazio e toda a iluminação é verde com muitas sombras." width="1417" height="850" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-3.jpg 1417w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-3-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-3-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-3-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-3-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34093" class="wp-caption-text">O filme é um road movie, ou seja, acompanha os personagens viajando e conversando sobre passado, sonhos e medos (Foto: Argo Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><a href="https://youtu.be/6dXSH9n2aC4?si=gTyaH-GMCy9ci5Lb"><span style="font-weight: 400;">Wenders</span></a><span style="font-weight: 400;"> também transita entre o melancólico e o esperançoso, como um desdobramento dos temas do enredo. A incapacidade de atingir o sonho norte-americano perturba Travis, porém, quando ele percebe essa realidade, passa a aceitá-la e, assim, ele nota que a felicidade e realização pessoal podem estar na conexão com seu filho. Até mesmo a conclusão – bem agridoce – do longa reforça que essas duas sensações podem coexistir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além do tom crítico e negativo, o filme ainda carrega muita </span><a href="https://youtu.be/w0KmtGyqdsw?si=belUGuxR_KZgjs0i"><span style="font-weight: 400;">beleza</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua história, que provém da conexão entre os personagens. Travis tem um arco de reconciliação, tanto com o mundo quanto com o filho </span><a href="https://youtu.be/MJzNxQLGyPw?si=W_9HwrM6XqAL7ird"><span style="font-weight: 400;">Hunter</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se sente distante do pai após seu desaparecimento de quatro anos. A busca para reconstruir esses laços é gradual e muito bonita devido às interpretações dos atores. </span></p>
<p><a href="https://www.theguardian.com/film/2013/nov/23/harry-dean-stanton-interview"><span style="font-weight: 400;">Harry Dean Stanton</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta, a princípio, um personagem desconectado da realidade, que pouco se comunica e transparece uma despreocupação absurda com os acontecimentos ao seu redor. Entretano, com o decorrer da narrativa, sua interpretação ganha tons mais doces quando aborda a reaproximação com o filho; é notável o esforço de Travis para se tornar novamente um pai. A magia desse comportamento pode ser quebrada quando mais traços de personalidade são revelados, mostrando que o protagonista é muito problemático e, até mesmo, perigoso para aqueles ao seu redor, e que tais comportamentos talvez nunca mudem. Sua persona é complexa, podendo ser odiada e amada na mesma medida.   </span></p>
<figure id="attachment_34094" aria-describedby="caption-attachment-34094" style="width: 1792px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4.jpg" alt="Imagem do filme Paris, Texas. Tem duas pessoas na imagem. Na esquerda, aparecendo o busto, está Travis, ele está com um bigode, ele usa uma jaqueta marrom e uma camisa vermelha. Na direita está Hunter, um menino de cabelo loiro comprido e de olhos castanhos, ele veste uma camisa xadrez vermelha, uma calça camuflada e um tênis vermelho. A criança tem um pote de batata frita apoiado na perna direita. Eles estão sentados na traseira de uma caminhonete conversando e se olhando. No fundo tem uma rodovia.Mostrar menos " width="1792" height="1008" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4.jpg 1792w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34094" class="wp-caption-text">Travis tem muitos traumas em seu passado que ele luta para esquecer (Foto: Argo Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra personagem fascinante é Jane, esposa de Travis, que conta com uma interpretação magistral de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qg3dL_l5XZo&amp;t=4s&amp;ab_channel=Cinemash"><span style="font-weight: 400;">Nastassja Kinski</span></a><span style="font-weight: 400;">. Suas poucas aparições durante a projeção são impactantes e apresentam os momentos mais emocionalmente intensos da narrativa. A atriz consegue, com pouco tempo de tela, construir uma personalidade bastante complexa, qxue convive diariamente com as decisões erradas que fez no passado e a angústia de se encontrar distante do filho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Complementando a família principal está </span><a href="https://youtu.be/MJzNxQLGyPw?si=euLUreX_bXi-zSW3"><span style="font-weight: 400;">Hunter</span></a><span style="font-weight: 400;">, filho de ambos. A interpretação de Carson é singela, porém, bastante eficaz, já que o ator consegue transmitir os sentimentos de tristeza e amargura de quem, há tempos, foi abandonado pelos pais. Pode-se dizer que o maior mérito da atuação desse trio principal é conseguir apresentar personagens tão profundos e tão reais; a sensação é de que todas aquelas pessoas poderiam realmente existir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Walt e Anne Henderson, perfeitamente interpretados por Stockwell e Clément, compõem um bom elenco de apoio, ainda que suas personalidades não apresentem o mesmo nível de profundidade que os protagonistas. A presença de ambos na trama serve para escancarar a diferença entre as famílias e servir de base para a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G2B_mRW8OOQ"><span style="font-weight: 400;">crítica</span></a><span style="font-weight: 400;"> à sociedade norte-americana perfeita. </span></p>
<figure id="attachment_34095" aria-describedby="caption-attachment-34095" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34095" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-5.jpg" alt="Imagem do filme Paris, Texas. Tem duas pessoas na imagem. Na esquerda está Walt, um homem de meia idade. Ele tem cabelo castanho curto e olhos castanhos, ele veste uma camisa azul, uma jaqueta marrom e uma calça marrom. Na direita está Travis, ele está de barba, ele veste um boné vermelho, uma camisa branca, um paletó cinza e uma calça cinza. Eles estão em cima de um trilho de trem e no fundo tem um deserto. Eles olham para o horizonte." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34095" class="wp-caption-text">Paris, localizada no Texas, é a cidade em que os pais de Travis e Walt se conheceram (Foto: Argo Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Wim Wenders fez um trabalho genial na direção deste longa, conseguindo mesclar o tema pesado e melancólico com um formato de </span><a href="https://youtu.be/8gdx44jdkRw?si=dZZHetL78TY0h-JS"><span style="font-weight: 400;">filmagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito criativo e singular. O diretor foge do óbvio e opta por usar enquadramentos e movimentos de câmera pouco usuais, de forma que cada </span><i><span style="font-weight: 400;">frame</span></i><span style="font-weight: 400;"> se distancie do anterior e ajude a contar um pedaço daquela história. As paisagens desoladoras do deserto, as construções complexas das cidades e as diferentes estradas que os personagens percorrem inspira o autor a valorizar cada cenário mostrado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que seja um filme de quase duas horas e meia de duração, a condução de </span><a href="https://youtu.be/v4xkgRKa0ZA?si=QWM0-XTI09yUZMhv"><span style="font-weight: 400;">Wenders</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tão eficaz que proporciona um ritmo bastante ágil à narrativa.  Cada cena, diálogo, movimentação de atores e enquadramento é pensado para avançar a trama, seja falando dos objetivos dos personagens ou, então, explorando aspectos de suas personalidades que instigam o espectador a ficar curioso pelo o que vem a seguir.</span></p>
<figure id="attachment_34092" aria-describedby="caption-attachment-34092" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34092" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-6.jpg" alt="Imagem do filme Paris, Texas. Tem duas pessoas na imagem. Na esquerda, aparecendo da cintura para cima, está Jane, ela usa um vestido preto. Na direita, aparecendo somente o rosto, está Travis, ele tem um bigode, ele está falando no telefone e segura ele com a mão esquerda. Jane olha para Travis e ele olha para a câmera. No fundo, atrás de Jane, tem uma lousa e uma parede branca." width="1200" height="520" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-6.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-6-800x347.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-6-1024x444.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-6-768x333.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34092" class="wp-caption-text">Conforme o passado dos personagens é apresentado, Fotografia e figurinos adquirem tons mais sombrios (Foto: Argo Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na época de lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Paris, Texas</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi merecidamente um sucesso de público e crítica, tendo recebido a </span><a href="https://blog.festcimm.com/palma-de-ouro-significado/"><span style="font-weight: 400;">Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme no </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/cannes-um-mini-guia-para-voce-entender-o-festival-de-cinema"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a> <span style="font-weight: 400;">e o Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">René Clair</span></i><span style="font-weight: 400;"> da Academia de Cinema Italiano em 1984. No ano seguinte, Wim Wenders ganhou o </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/bafta-saiba-tudo-sobre-o-oscar-britanico/"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Direção. O longa também inspirou diversas bandas ao longo dos anos, tanto em álbuns como canções, entre os artistas influenciados estão </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zjnf8mQ6BvM&amp;list=PLHTo__bpnlYW-mKHCkWltzu015SuREdc9"><span style="font-weight: 400;">Primal Scream</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://youtu.be/vWANOpHWcP4?si=HNYI2us-lzXBgXhN"><span style="font-weight: 400;">Nada Surf</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://youtu.be/m6mFIkKF9LI?si=mFMltf7KVe89SEOp"><span style="font-weight: 400;">Travis</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=e3-5YC_oHjE&amp;list=PL80sr_OFD9CEksfqZIPuppckl2Pre3mO8&amp;pp=iAQB"><span style="font-weight: 400;">U2</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/ZlZXHV0uTpI?si=Qg_D3lOs6XHOm-9u"><span style="font-weight: 400;">Lana Del Rey</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2024, o diretor receberá o prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">European Lifetime Achievement</span></i><span style="font-weight: 400;">, pelo conjunto da sua obra pela </span><a href="https://www.cinema7arte.com/european-film-awards-2024-academia-homenageia-realizador-alemao-wim-wenders/#:~:text=Pr%C3%A9mios-,European%20Film%20Awards%202024%3A%20Academia%20homenageia%20realizador%20alem%C3%A3o%20Wim%20Wenders,pelo%20conjunto%20da%20sua%20obra."><span style="font-weight: 400;">Academia de Cinema Europeu</span></a><span style="font-weight: 400;">, instituição que ele foi fundador e presidiu de 1996 a 2020. Além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Paris, Texas</span></i><span style="font-weight: 400;">, Wenders é celebrado por longas como: </span><a href="https://youtu.be/n5dMkZ8EIhc?si=2ea3YSAN1-GIvG1t"><i><span style="font-weight: 400;">Movimento em Falso</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">(1975), </span><a href="https://youtu.be/vXu4NpA3KKg?si=nBpXgMsFH2G7eOfP"><i><span style="font-weight: 400;">As Asas do Desejo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1987) e </span><a href="https://youtu.be/j9srd9g_SEk?si=7EyGKUPDPm4gjEY_"><i><span style="font-weight: 400;">Dias Perfeitos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023), que foi indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Estrangeiro.</span></p>
<figure id="attachment_34091" aria-describedby="caption-attachment-34091" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34091" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-7.jpg" alt="Imagem do filme Paris, Texas. Tem duas pessoas na imagem aparecendo somente o rosto. Na esquerda está Travis, ele veste uma camisa vermelha e uma jaqueta verde. Na direita está Jane, ela usa uma camisa branca. Jane abraça Travis por trás e está mexendo no bigode de Travis com a mão esquerda. No fundo tem um mar." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-7.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-7-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34091" class="wp-caption-text">Jane tem uma presença quase etérea durante o longa, como se ela fosse uma memória distante e inalcançável (Foto: Argo Films)</figcaption></figure>
<p><a href="https://youtu.be/Nmvte2r7Z8c?si=xjdmQq-qUgDjmpm1"><i><span style="font-weight: 400;">Paris, Texas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma obra-prima de Wim Wenders, possuindo um tom melancólico e intimista que, ao mesmo tempo, consegue ser esperançoso; o filme tem um tom agridoce, muito bem vindo à experiência. A trajetória de Travis e Jane é complexa, dolorosa e contrasta com as histórias simples e fantasiosas feitas por Hollywood. Toda a jornada emocional, cheia de altos e baixos, proposta pelo longa, é sensacional e consagra a obra como uma das melhores do Cinema.</span></p>
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		<title>John Wick 4: Baba Yaga é um épico de ação que redefine riscos</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jun 2023 17:02:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos John Wick 4: Baba Yaga reflete e pode ser definido pelo seu subgênero neo-noir, em sua exploração das complexidades do ser humano, desde seus conflitos internos até sua moral ambígua no contemporâneo. Ainda que a subcategoria o descreva tão bem, a ação e o suspense se sobressaem em função de sua construção, tanto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/john-wick-4-baba-yaga-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "John Wick 4: Baba Yaga é um épico de ação que redefine riscos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31192" aria-describedby="caption-attachment-31192" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31192" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6.png" alt="Cena do filme John Wick 4: Baba Yaga. John Wick em uma capela, protagonista da saga de filmes de mesmo nome, interpretado por Keanu Reeves. Um homem branco de cabelos longos na altura do ombro que veste um terno totalmente preto. Ele está andando de costas para o altar de uma capela com várias velas acesas em castiçais ao seu redor. A exibição está ao nível de sua cintura mostrando uma passarela cercada de cadeiras em que a frente está um homem sentado." width="1536" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31192" class="wp-caption-text">Keanu Reeves, conhecido por participar de vários filmes de ação e ser referência no gênero, chegou a doar parte de seu salário para a equipe de efeitos especiais de Matrix (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">John Wick 4: Baba Yaga</span></i><span style="font-weight: 400;"> reflete e pode ser</span> <span style="font-weight: 400;">definido pelo seu subgênero </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/noir/"><i><span style="font-weight: 400;">neo-noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em sua exploração das complexidades do ser humano, desde seus conflitos internos até sua moral ambígua no contemporâneo. Ainda que a subcategoria o descreva tão bem, a ação e o suspense se sobressaem em função de sua construção, tanto pela direção de Chad Stahelski, à atuação do veterano Keanu Reeves. Em contrapartida às motivações triangulares – de construção simples, capazes de suportar grandes tensões e únicas –, todo desenrolar da narrativa segue a busca do protagonista pela vingança de um passado e uma esperança destruídos em atos simplórios em sua prequela, que ocasionaram uma sequência de desestruturações de escala mundial, </span><a href="https://collider.com/john-wick-chapter-4-global-box-office-306-million/"><span style="font-weight: 400;">reais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fictícias.</span></p>
<p><span id="more-31186"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O epílogo da saga, de quase três horas, passa a impressão de ser insuficiente para fãs da trama e excessivo aos não familiarizados. Com cenas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/acao/"><span style="font-weight: 400;">ação</span></a><span style="font-weight: 400;"> intensas e quase longas demais, o filme amarra as pontas soltas da narrativa – como fazem os assassinos de aluguel – e apresenta adições orgânicas que, felizmente, ainda carregam suas nuances individuais, independente de sua trajetória. </span></p>
<figure id="attachment_31189" aria-describedby="caption-attachment-31189" style="width: 853px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31189" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-2.png" alt="Cena do filme John Wick 4: Baba Yaga. Akira, personagem do filme interpretada pela artista japonesa Rina Sawayama. A personagem está vestindo uma roupa de couro preto iluminada por uma luz vermelha em um vagão de metrô enquanto segura uma barra com sua mão ensanguentada. Seu cabelo está amarrado e sua franja desce as laterais de seu rosto. Marcado por uma expressão de raiva e tristeza com seu olhar fixado à frente." width="853" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-2.png 853w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-2-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-2-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31189" class="wp-caption-text">Além de interpretar Akira, Rina Sawayama também faz parte da trilha sonora de John Wick 4: Baba Yaga com a música Eye For An Eye (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os novos personagens de </span><i><span style="font-weight: 400;">Baba Yaga</span></i><span style="font-weight: 400;">, se destacam Caine (</span><a href="https://personaunesp.com.br/mulan-2020-critica/"><span style="font-weight: 400;">Donnie Yen</span></a><span style="font-weight: 400;">), um assassino cego da alta cúpula e velho amigo de John, que faz referência ao personagem Zatoichi da série de </span><a href="https://mubi.com/pt/films/zatoichi"><span style="font-weight: 400;">filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> japoneses de mesmo nome; Mr. Nobody (</span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-abril-de-2021/#:~:text=Passageiro%20Acidental%20(Stowaway%2C%20Joe%20Penna)"><span style="font-weight: 400;">Shamier Anderson</span></a><span style="font-weight: 400;">), um caçador de recompensas; e Akira, a filha de Shimazu Koji e concierge do Hotel Continental em Osaka, interpretada por Rina Sawayama. Sawayama foi selecionada para estrear no Cinema devido à exigência de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZP7bvJxF3ew)"><span style="font-weight: 400;">coreografias da personagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, e suas produções </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TO2c06p6m5w&amp;ab_channel=RinaSawayamaVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">XS</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Bad Friend</span></i><span style="font-weight: 400;"> impressionaram Stahelski. O roteiro da obra também foi influenciado, segundo o roteirista Michael Finch, pelos clássicos de faroeste </span><i><span style="font-weight: 400;">Era uma Vez no Oeste</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bom, o Mau e o Feio</span></i><span style="font-weight: 400;">; além dos das basilares perseguições cinematográficas feitas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bullitt</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Perseguidor Implacável</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diretores Chad Stahelski e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-junho-2018/#:~:text=Vale%20a%20conferida.-,Deadpool%202,-(Foto%3A%20Reprodu%C3%A7%C3%A3o)"><span style="font-weight: 400;">David Leitch</span></a><span style="font-weight: 400;">, ambos ex-dublês, trouxeram suas habilidades em artes marciais e experiência em cenas de ação para a franquia, criando sequências de luta que são consideradas algumas das melhores da história do Cinema de ação. No entanto, dessa vez apenas Stahelski continuou na direção. Assim, é fácil entender que </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick 4: Baba Yaga</span></i><span style="font-weight: 400;"> não funciona sozinho. O longa é uma parte de um espaço ficcional maior e mais intrincado, cuidadosamente construído ao longo de três filmes anteriores, que inicialmente haviam sido programados para serem parte de uma pentalogia. Longe de uma pancadaria sem rumo, seu sucesso é um reflexo do trabalho anterior dos realizadores e atores envolvidos.</span></p>
<figure id="attachment_31188" aria-describedby="caption-attachment-31188" style="width: 1066px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31188" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1.png" alt="Dois homens sentados em uma mesa de frente para o outro. Ambos estão segurando xícaras de chá acima de seus cotovelos em um comprimento. O ambiente é marcado por um cenário rodeado por árvores em um templo japonês à noite. Iluminados por uma luz vermelha." width="1066" height="711" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1.png 1066w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31188" class="wp-caption-text">Além da música tema Eye For An Eye, interpretada pela cantora japonesa Rina Sawayama, John Wick 4: Baba Yaga tem influências do Cinema de ação japonês, especialmente do gênero wuxia, que envolve artes marciais e armas brancas (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Bem aceita e tecnicamente impressionante, outro ponto certeiro é a fotografia, mais um trabalho primoroso entregue por Dan Laustsen, que estabelece quase uma imagética própria para cada um dos </span><a href="https://www.slashfilm.com/938072/the-five-countries-where-john-wick-4-takes-place/"><span style="font-weight: 400;">tantos países</span></a><span style="font-weight: 400;"> onde o filme é locado. O contraste de cenas diurnas com noturnas, bem iluminadas, constroem a atmosfera da narrativa e encaminham a um clímax ambientado pelo nascer do sol no Sacré-Cœur de Paris, que também oferece os cenários do Jardim de Luxemburgo, da Igreja de St. Eustache e da perseguição ao redor do Arco do Triunfo. A </span><a href="https://www.france24.com/en/live-news/20230314-almost-ballet-keanu-reeves-brings-john-wick-to-paris"><span style="font-weight: 400;">cidade das luzes</span></a><span style="font-weight: 400;"> ocasionou atrasos nas filmagens que se seguiram para a Alemanha, Nova York e Japão, encerrando as gravações em Outubro de 2022.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde sua proposta, talvez sem tantas pretensões, o desafio de como inovar em uma narrativa de ação sempre esteve à espreita, e como fechamento de uma saga principal, a superação dessa meta se tornou um dos focos da produção do último filme. Assim nasceu a cena do tiroteio no apartamento, uma das mais memoráveis da série. Filmada em uma tomada única com a câmera posicionada acima dos personagens, o </span><i><span style="font-weight: 400;">take</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi inspirada em uma sequência semelhante a de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hong Kong Massacre</span></i><span style="font-weight: 400;">, um jogo lançado em 2019, que apresenta a ação de uma visão aérea. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma cena que faz valer por si só a ida ao cinema, a equipe de produção relata que se deparou com vários obstáculos em sua criação: desde a construção – em apenas um mês – de paredes altas o suficiente para a câmera seguir o personagem por uma escada e depois flutuar sobre sua perspectiva, até a coreografia de luta e tiroteio, que foi ensaiada exaustivamente pelos dublês antes das filmagens e seguida pelo uso de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mo61UBUYmX0&amp;ab_channel=FrankieGochicoa"><i><span style="font-weight: 400;">Spidercam</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> acima do estúdio. </span></p>
<figure id="attachment_31187" aria-describedby="caption-attachment-31187" style="width: 480px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31187" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1.gif" alt="" width="480" height="270" /><figcaption id="caption-attachment-31187" class="wp-caption-text">&#8220;Havia uma imagem ali que não deveria ter feito sentido, mas fez. Era parte de videogame, parte de anime, parte de experiência cinematográfica&#8221;, disse o diretor em entrevista ao portal Vulture (GIF: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O universo cinematográfico de </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick</span></i><span style="font-weight: 400;"> é regido por uma sistema de leis único, repleto de regras e códigos de conduta estabelecidos nos filmes anteriores da franquia. O quarto lançamento segue os eventos de toda saga, na qual os coadjuvantes são tão relevantes quanto John Wick. A sequência já apresentou figuras marcantes como Winston, interpretado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-american-gods/"><span style="font-weight: 400;">Ian McShane</span></a><span style="font-weight: 400;">, a adjudicadora (que define as regras) interpretada por Asia Kate Dillon, e Charon, interpretado por </span><a href="https://www.indiewire.com/gallery/lance-reddick-best-roles-film-tv/22the-wire22/"><span style="font-weight: 400;">Lance Reddick</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A solidez e versatilidade de Reddick em seus papéis é uma característica que se reflete na criação de </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick</span></i><span style="font-weight: 400;">, que impressiona por ser uma junção harmoniosa de tantas facetas moldadas pelas circunstâncias do enredo. Principalmente, dentro de um gênero tão específico e característico como ação e suspense, não se limita a entreter, se destacando pela sua originalidade e complexidade.</span></p>
<figure id="attachment_31191" aria-describedby="caption-attachment-31191" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31191" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5.png" alt="Imagem dos atores Lance Reddick e Keanu Reeves, um homem negro e careca que veste uma camiseta social e um homem branco de cabelos longos de terno preto. Lance está com uma expressão séria com suas sobrancelhas levantadas e veste um óculos pequeno de armação metálica fina. Ao fundo, desfocado, uma sala com vários quadros e ornamentos. Lance está segurando um cartucho de bala em oferecimento a Keanu, atrás está uma parede de armas." width="1500" height="890" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-800x475.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-1024x608.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-768x456.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-1200x712.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31191" class="wp-caption-text">Reddick, que dá vida ao concierge do fictício Continental Hotel, em Nova York, estava previsto no elenco de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mo61UBUYmX0&amp;ab_channel=FrankieGochicoa">Ballerina</a>, spin-off do universo de Wick em produção, mas faleceu poucos dias antes do lançamento mundial de John Wick 4: Baba Yaga (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu mundo subterrâneo de assassinos profissionais, </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick 4: Baba Yaga</span></i><span style="font-weight: 400;"> é inacreditavelmente composto por sequências de ação violentas e deslumbrantes, sobrepostas a uma </span><a href="https://hyperallergic.com/812479/john-wick-gives-a-bone-cracking-lesson-in-greco-roman-mythology/"><span style="font-weight: 400;">mitologia impressionantemente construída</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um profundo desenvolvimento da relação entre violência e moralidade, com destaque para a ambiguidade da justiça. Sem fôlego, é impossível que a série de filmes seja definida em poucas palavras ou com apenas em um tópico principal. A tentativa da descrição de sua composição cinematográfica em palavras sequer alcança a realidade da experiência criada pelo seu universo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="John Wick 4: Baba Yaga | Trailer Final Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/VBdmGK4wxzQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>1899 tenta, mas está longe de superar Dark</title>
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		<pubDate>Fri, 05 May 2023 17:25:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Felipe Nunes Drama, artefatos misteriosos que moldam a realidade, o espaço e o tempo, ficção científica e um casal alemão que revolucionou a história da Netflix ao lançar uma das séries de língua não inglesa mais consumidas na plataforma. Essa é a receita de Dark e quase foi a do novo lançamento do streaming, 1899. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/1899-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "1899 tenta, mas está longe de superar Dark"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30841" aria-describedby="caption-attachment-30841" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30841" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-800x423.jpg" alt="Cena da série 1899. Nela, há um homem branco com cabelos pretos vestindo sobretudo preto olhando para a esquerda, lado em que está na foto. No centro, há uma mulher branca com cabelos ruivos e que veste um vestido na cor marsala. À direita, está um homem branco, com cabelo castanho liso e barba. Ele veste um colete preto sobre uma camisa de manga cinza. O fundo da cena é desfocado." width="800" height="423" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-800x423.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-1024x542.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-768x406.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-1200x635.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1.jpg 1523w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30841" class="wp-caption-text">Em 1899, Baran bo Odar e Jantje Friese repetem fórmula na tentativa de se consagrarem novamente com uma das séries mais assistidas da gigante do streaming (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Drama, artefatos misteriosos que moldam a realidade, o espaço e o tempo, ficção científica e um casal alemão que revolucionou a história da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao lançar uma das séries de língua não inglesa mais consumidas na plataforma. Essa é a receita de </span><a href="https://personaunesp.com.br/dark-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e quase foi a do novo lançamento do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;">. As comparações são sempre injustas, mas o tempo de produção e investimento superior para a segunda obra de Baran bo Odar e Jantje Friese fez o seriado</span> <span style="font-weight: 400;">prometer mais do que podia cumprir. A associação é inevitável. </span></p>
<p><span id="more-30839"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhuma trama parte do mesmo lugar e traça um processo de criação idêntico para que possa ser confrontada com outra de forma justa. Contudo, após a história complexa e instigante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark </span></i><span style="font-weight: 400;">envolver os espectadores</span> <span style="font-weight: 400;">ao longo de três sequências, é impossível não se perguntar o que aconteceu para que tudo fosse ladeira abaixo em uma nova série. A produção era tida pelos fãs e críticos especializados como </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000003391/"><span style="font-weight: 400;">certa para uma renovação</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas o resultado surpreendeu e o cancelamento foi anunciado logo no primeiro ano. Os criadores lamentaram, pois os planos eram para não apenas uma, mas sim duas outras temporadas, como aconteceu com sua primogênita.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;"> é iniciada com Emily Beecham dando vida à complexa e misteriosa médica Maura Franklin. A protagonista é um convite para desconfianças. Às vezes, parece ser heroína, outras, vilã, e essa mescla de padrões é um dos pontos altos do enredo. Em um navio, a doutora vive uma confusão mental que extrapola a ficção e deixa quem assiste tão confuso quanto ela. </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/256763-1899-8-detalhes-voce-ter-nao-percebido-serie-netflix.htm"><span style="font-weight: 400;">Na história</span></a><span style="font-weight: 400;">, Maura está em busca de seu irmão, desaparecido em uma embarcação que nunca chegou ao destino final em Nova Iorque. Além dela, há diversos imigrantes com distintos segredos sombrios, porém com um objetivo em comum: ter uma vida melhor na alta elite da sociedade nova-iorquina.</span></p>
<figure id="attachment_30845" aria-describedby="caption-attachment-30845" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30845" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30845" class="wp-caption-text">1899 é o primeiro produto audiovisual da Netflix filmado completamente em estúdio virtual (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Semelhante aos longas </span><i><span style="font-weight: 400;">Fratura</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">As Linhas Tortas de Deus</span></i><span style="font-weight: 400;">, a série brinca com o que é realidade, ilusão e simulação na vida de seus personagens. Ao decorrer dos primeiros episódios, é difícil saber o gancho central de tudo. São sonhos? Algo sobrenatural? Ciência? Impossível responder, mas deliciosamente possível </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/11-filmes-para-exercitar-o-seu-cerebro/"><span style="font-weight: 400;">teorizar</span></a><span style="font-weight: 400;">. É esse o grande feito de </span><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;">: deixar os espectadores curiosos, pensativos e até mesmo confusos. As dúvidas não são por conta de falhas no roteiro de Baran bo Odar e Jantje Friese, é tudo premeditado. Como se fosse uma cebola, a cada capítulo mais uma camada é explicada. Com isso, os arcos se encaixam e ganham forças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se por um lado a narrativa instiga e prende o telespectador nos desdobramentos da história, por outro os personagens não se aproximam do público. Há um vasto núcleo de intérpretes com um tempo de tela muito mal administrado. Com exceção da história principal, todos os outros desenvolvimentos são jogados para o esquecimento. Contar com um </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/255319-1899-serie-netflix-boa-mesmo-narrativa-destaca-critica.htm"><span style="font-weight: 400;">elenco tão diversificado</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um trunfo e é uma pena que isso não tenha sido bem trabalhado. Os episódios são longos e poderiam deixar de explicar o óbvio e dirigir a atenção à trajetória dos papéis centrais. Embora tenha tentado trazer dramas e sofrimentos particulares, isso foi feito de forma superficial e </span><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;"> falhou em encantar. Por exemplo, o sentimento de torcer pela destemida Maura, pela sensível Tove (Clara Rosager) ou sentir raiva do pai da protagonista, Henry Singleton (Anton Lesser), tido como vilão, é praticamente inexistente. Esses anseios não são explorados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco é quem eleva a obra. Além de Clara Rosager, Mathilde Ollivier (Clémence), Yann Gael (Jérome), Isabella Wei (Ling Yi), Fflyn Edwards (Elliot) e Miguel Bernardeau (Ángel) são excelentes e fazem jus aos eventos que vivenciam, ainda que tenham pouquíssimos momentos de profundidade com os personagens que interpretam. A carga dramática de Tove escancara esse descaso e, mesmo sendo uma das reviravoltas mais emocionantes, tem pouco destaque, tal qual acontece com os demais arcos que não envolvam diretamente a dupla Maura e Eyk Larsen. Os dois quase formam um casal e a construção não é ruim, muito pelo contrário. Contudo, é insuficiente para manter a atenção que a </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/fracasso-1899-criadores-dark-serie-netflix/"><span style="font-weight: 400;">narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> precisava despertar em quem assiste.</span></p>
<figure id="attachment_30844" aria-describedby="caption-attachment-30844" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30844" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-800x450.jpg" alt="Cena da série 1899. Nela, na esquerda, há uma jovem branca com cabelos pretos lisos, ela veste um Kimono em tons de vermelho e laranja. Ao seu lado, na direita, há um rapaz branco, com cabelos loiros, ele veste um uniforme bege, que está manchado com carvão. O lábio do rapaz está sangrando. O fundo da foto é desfocado e apresenta o salão de um navio." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3.jpg 1450w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30844" class="wp-caption-text">Com pluralidade idiomática, 1899 destaca várias línguas e apresenta personagens de diversas nacionalidades, como japoneses, alemães, franceses e noruegueses (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por ser a irmã mais nova de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i><span style="font-weight: 400;">, o lançamento já era esperado pelos fãs do gênero e dos criadores. Uma polêmica, no entanto, causou uma verdadeira reviravolta na recepção dos espectadores, principalmente os brasileiros. Logo após ter sido lançada, a </span><span style="font-weight: 400;">série </span><span style="font-weight: 400;">foi alvo de uma </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/12243/-1899-a-nova-serie-da-netflix-traz-polemicas-sobre-plagio-na-cultura-cinematografica"><span style="font-weight: 400;">acusação de plágio</span></a><span style="font-weight: 400;"> por uma quadrinista brasileira, Mary Cagnin. De acordo com ela, elementos narrativos de uma de suas obras, a HQ</span><i><span style="font-weight: 400;"> Black Silence,</span></i><span style="font-weight: 400;"> estavam sendo copiados. Réplicas e tréplicas foram feitas negando as denúncias. Contudo, muitos consumidores não aceitaram as declarações e reforçaram o apoio à artista, deixando de ver e recomendar o conteúdo audiovisual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre o cenário, os efeitos visuais e a trilha sonora, é válido enfatizar que estes atuam como personagens à parte e abrilhantam com maestria todo o conjunto narrativo, um reflexo do </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/criticas/1899-sacrifica-personagens-mas-cativa-com-misterio-viciante"><span style="font-weight: 400;">orçamento da produção</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esses elementos são tão bem encaixados que parecem ser a alma da obra e, na verdade, de fato são. Cada aspecto conversa entre si, tem sua razão de ser e seu motivo para estar ali, naquele molde e naquele momento. Nada sobra ou parece faltar, o que é uma dificuldade e tanto na indústria cinematográfica.</span></p>
<figure id="attachment_30843" aria-describedby="caption-attachment-30843" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30843" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-800x446.jpg" alt="Cena da série 1899. Nela, há uma mulher branca, com cabelos loiros, que é focalizada na imagem. Ela está suada e faz uma expressão de espanto." width="800" height="446" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-800x446.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-1024x571.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-768x428.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-1200x669.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4.jpg 1449w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30843" class="wp-caption-text">Clara Rosager brilhou dando vida à complexa Tove e merecia mais destaque e profundidade em 1899 (Foto:Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande </span><a href="https://www.techtudo.com.br/noticias/2022/11/1899-veja-explicacao-para-o-final-e-os-maiores-plot-twists-da-serie-streaming.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a revelação do que de fato faz os navios não chegarem ao seu destino final, a grande dúvida que prende os espectadores ao decorrer dos oito episódios. E o plural de navios abarca bem mais do que Kerberos e Prometheus, já que é contado que diversas embarcações já se perderam nessa expedição marítima e nunca chegaram a Nova Iorque. Na conclusão e explicação da motivação central da série, os elementos são conectados de uma forma fluída, sem desconexões, e o roteiro vence o maior desafio de enredos que se pautam na ficção científica: os temidos furos, que, além de prejudicarem a compreensão do seriado, mostram descuido com o texto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A filosofia ainda ganha espaço no universo ficcional. Um dos assuntos que percorrem as explicações das fatídicas situações é o </span><i><span style="font-weight: 400;">Mito da Caverna</span></i><span style="font-weight: 400;">, do livro </span><i><span style="font-weight: 400;">A República</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito pelo célebre filósofo Platão. Na </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/1899-quem-e-o-menino-misterioso-do-novo-fenomeno-da-netflix.phtml"><span style="font-weight: 400;">narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o mito é abordado em diversos momentos e cria uma rede de apoio com as experiências antropológicas, psicológicas, emocionais e sensoriais de todos os que participam das simulações dentro dos navios. A princípio, a mistura das ciências exatas com a área filosófica parece não combinar, mas, ao decorrer da série, elas formam um par excêntrico e acoplado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da área humanística adentrar a abordagem científico-filosófica, o destaque continua sendo a física quântica. O texto se debruçou sobre as </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/1899-e-baseada-em-fatos-reais-descubra-a-verdade-por-tras-da-serie"><span style="font-weight: 400;">teorias</span></a><span style="font-weight: 400;"> e antecipou problemas de compreensão que poderiam ter acontecido com lacunas, que estiveram presentes em </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outro ponto importante foi a contagem de todos os fatos. Isso porque, ainda que esperassem uma renovação, grande parte dos arcos foi concluída com os desfechos da primeira temporada. E é por isso, que os diretores mostraram que aprenderam a lição quando o assunto é entregar um </span><i><span style="font-weight: 400;">script</span></i><span style="font-weight: 400;"> conectado, cuidadoso e, sobretudo, bem escrito.</span></p>
<figure id="attachment_30842" aria-describedby="caption-attachment-30842" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30842" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30842" class="wp-caption-text">Maura é a conexão de todos os arcos e tramas construídos ao longo da obra (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao terminar a série, a sensação é de que </span><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;"> tentou, mas não conseguiu alcançar os feitos da antecessora, mesmo com tudo conspirando para isso: o maior tempo de produção, o orçamento e a própria experiência do casal que criou a série. A profundidade dos arcos foi um desequilíbrio gigantesco, tanto que, quando o anúncio do cancelamento foi feito, não houveram tantas mobilizações – algo que aconteceu com outras produções da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/anne-with-an-e-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Anne with an E</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Clube da Meia-noite</span></i><span style="font-weight: 400;">. O público não se apegou aos dramas alternativos dos personagens e os atores tinham total competência para isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Permeada por polêmicas envolvendo plágio e com ressalvas sobre superficialidades já supracitadas, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hxGXPirkFGU"><span style="font-weight: 400;">obra</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem um roteiro intrigante, misterioso e atrativo. A linearidade temporal é bem trabalhada, usando </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao seu favor e revelando uma nova faceta a cada capítulo. </span><i><span style="font-weight: 400;">1899 </span></i><span style="font-weight: 400;">é, definitivamente, bem construída com a proposta que almeja desenvolver ao entrelaçar temas filosóficos, científicos e tecnológicos. Talvez seu maior erro tenha sido nascer depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark </span></i><span style="font-weight: 400;">e não antes.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Em Triângulo da Tristeza, ricaços escrevem ‘Deus’ com ‘d’ minúsculo e caem em tentação</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2022 20:02:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Ruben Östlund não se preocupa em soar presunçoso ou em talhar o discurso com o intuito de mastigar a jugular que atinge. O sueco, que levou para casa sua segunda Palma de Ouro meses atrás, chega em Triângulo da Tristeza num patamar de sátira e escárnio para além do já apresentado em seu &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/triangulo-da-tristeza-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Triângulo da Tristeza, ricaços escrevem ‘Deus’ com ‘d’ minúsculo e caem em tentação"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29107" aria-describedby="caption-attachment-29107" style="width: 2015px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29107 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.jpg" alt="Cena do filme Triângulo da Tristeza, mostra um homem branco, sarado e sem camisa, tirando uma foto com um celular em posição horizontal. Ao fundo, vemos o céu e está de dia. " width="2015" height="842" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.jpg 2015w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1536x642.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29107" class="wp-caption-text">Depois de vencer Cannes com The Square, Ruben Östlund repete o feito com Triângulo da Tristeza, exibido na Perspectiva Internacional da 46ª Mostra de SP (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ruben Östlund não se preocupa em soar presunçoso ou em talhar o discurso com o intuito de mastigar a jugular que atinge. O sueco, que levou para casa sua </span><a href="https://www.dn.pt/lusa/amp/filme-the-square-do-sueco-ruben-ostlund-vence-palma-de-ouro-em-cannes-8514053.html"><span style="font-weight: 400;">segunda Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> meses atrás, chega em </span><i><span style="font-weight: 400;">Triângulo da Tristeza</span></i><span style="font-weight: 400;"> num patamar de sátira e escárnio para além do já apresentado em seu currículo no Cinema. Parte da Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, seu premiado filme está interessado em caçoar.</span></p>
<p><span id="more-29106"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma porção de jovens adultos sarados aparecem descamisados, sendo entrevistados por um repórter bem-humorado que os cutuca a respeito dos modelos homens receberem um terço do salário de uma mulher na mesma profissão. O protagonista Carl (</span><a href="https://letterboxd.com/actor/harris-dickinson/"><span style="font-weight: 400;">Harris Dickinson</span></a><span style="font-weight: 400;">) tenta contornar a situação, mas logo é chamado para uma sala, onde um grupo de empregadores ordena que ele desfile, sem sorrir ou parar. Uma simples caminhada se transforma em lição de casa: tudo precisa de um ritmo, uma batida. Carl aceita o conselho, refaz a tarefa, e logo é mandado embora. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Próximo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, chama a assistente de elenco.</span></p>
<figure id="attachment_29110" aria-describedby="caption-attachment-29110" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29110 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2.jpg" alt="Cena do filme Triângulo da Tristeza, mostra uma modelo desfilando. Ela é branca, tem cabelos escuros, franja e usa um vestido branco. Ela está numa passarela escura, iluminada em luz vermelha." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29110" class="wp-caption-text">Poucos meses depois de estrelar o filme, a atriz Charlbi Dean faleceu de um mal súbito, aos 32 anos (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário muda. Agora somos espectadores de um jantar caríssimo dos modelos e namorados Carl e Yaya (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/08/30/charlbi-dean-atriz-da-serie-raio-negro-morre-aos-32-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Charlbi Dean</span></a><span style="font-weight: 400;">). Restaurante grã-fino, talheres de prata, champanhe fresco e uma torta de climão sobre quem vai arcar com a conta. Sendo mulher, ela definitivamente tem mais recursos financeiros que ele, entretanto, insiste em se fazer de desentendida e não paga a comida superfaturada que agora repousa em seu estômago. Ele saca o cartão, mas o bate-boca continua até o elevador, onde Carl, como uma assombração, para na linha da porta, não se importando com o apito do sensor de presença e gesticula enfaticamente contra a amada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando encontram um ponto de paz na intriga, os personagens aparecem em outra zona de luxo, dessa vez um iate que navega por águas cristalinas. Momentaneamente eclipsando o foco do casal, o roteiro de Östlund abraça o elenco de apoio, com grande destaque para um russo capitalista, um casal de idosos dono do império de granadas e o capitão do navio. Interpretado com o balaio de </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/pop/noticia/festival-de-cannes-woody-harrelson-ganha-o-trofeu-figuraca.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Woody Harrelson</span></a><span style="font-weight: 400;">, o homem é um bêbado irrepreensível, marxista de coração e desiludido com a vida de luxúria que leva.</span></p>
<figure id="attachment_29114" aria-describedby="caption-attachment-29114" style="width: 3620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29114 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1.png" alt="Cena dos bastidores do filme Triângulo da Tristeza, mostra o ator Woody Harrelson e o diretor Ruben Ostlund conversando no cenário do restaurante do iate. Ao fundo, vemos as câmeras e aparelhos usando nas filmagens. " width="3620" height="2139" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1.png 3620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-800x473.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-1024x605.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-768x454.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-1536x908.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29114" class="wp-caption-text">Nada de um local real, o tal Triângulo da Tristeza que batiza o filme é um expressão que diz respeito à área entre as sobrancelhas, geralmente preenchida com botox pelos modelos (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na construção de cenários, o filme encontra com eficiência o meio-termo entre os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TnsWeoZfxlM"><span style="font-weight: 400;">diversos potenciais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que um iate proporciona. O </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção, departamento sob o comando de Josefin Åsberg, junto da fotografia de Fredrik Wenzel, brinca com as locações. Uma hora assumindo o caráter claustrofóbico dos corredores entre quartos, para depois se refrescar no deque e em suas cadeiras de sol, viajar para a metalizada e minúscula cozinha e finalmente atracar no refeitório onde </span><i><span style="font-weight: 400;">Triangle of Sadness</span></i><span style="font-weight: 400;"> é catalisador de enjoo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Prato vai, prato vem, a maré não dá trégua e o sistema digestivo dos endinheirados se vira do avesso, </span><a href="https://variety.com/2022/artisans/awards/how-triangle-of-sadness-pulled-off-15-minute-vomiting-diarrhea-sequence-1235412313/"><span style="font-weight: 400;">botando para fora</span></a><span style="font-weight: 400;"> cada gota de vinho branco e colherada de caviar. No limite do humor escatológico, o desenho de som de Andreas Franck e Bent Holm espreme e aperta cada nota e sinfonia de terror, causando gargalhadas em uma plateia de cinema que não parou de comprimir o bucho até as sequências da ilha perdida.</span></p>
<figure id="attachment_29112" aria-describedby="caption-attachment-29112" style="width: 718px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29112 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4.jpg" alt="Pôster do filme Triângulo da Tristeza, mostra uma mulher idosa branca e loira vomitando um líquido dourado. " width="718" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4.jpg 718w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-561x800.jpg 561w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29112" class="wp-caption-text">Co-produção entre Suécia, Alemanha, França e Reino Unido, o filme é dono de um dos melhores e mais marcantes pôsteres de 2022 (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Território metafórico para a selvageria, a praia apresenta a enunciação do diretor em aplicação e traz à tona a figura messiânica de </span><a href="https://awardswatch.com/interview-dolly-de-leon-on-her-triangle-of-sadness-breakout-her-must-have-stranded-island-snack-and-what-she-wants-to-do-next/"><span style="font-weight: 400;">Dolly De Leon</span></a><span style="font-weight: 400;">, membro do elenco que mais recebeu atenção do público depois da vitória do filme em Cannes. Sua Abigail sacode a dinâmica da obra, e por mais que seu reinado de poder nasça com os dias contados, a atriz filipina saboreia cada pedaço de diálogo, criado especialmente para seu calibre, autoconsciente da ironia que a cerca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, a discussão levantada pelo </span><a href="https://www.publico.pt/2017/11/23/culturaipsilon/entrevista/o-terreno-armadilhado-de-ruben-ostlund-1793184"><span style="font-weight: 400;">roteiro original de Ruben Östlund</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma tese de sua ideia de desigualdade e cisão entre o mundo dos ricos e o mundo real. A briga no restaurante apresenta o conflito de renda e classes, o iate dialoga com a teoria que cerca a discussão e a ilha é a prova viva e prática das equações desenhadas. A escolha de canalizar a energia protagonista em dois </span><i><span style="font-weight: 400;">influencers</span></i><span style="font-weight: 400;">, profissão esvaziada de propósito, condensa </span><i><span style="font-weight: 400;">Triângulo da Tristeza</span></i><span style="font-weight: 400;"> na forma de um filme idealizado para pessoas cultas darem boas risadas e satisfazer sua ambição de mudar a realidade.</span></p>
<figure id="attachment_29113" aria-describedby="caption-attachment-29113" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29113 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.jpg" alt="Cena do filme Triângulo da Tristeza, mostra a atriz Dolly De Leon arqueada para a frente e segurando algo com as mãos, nas costas e escondida da câmera. Ela tem a maquiagem borrada e os cabelos na frente do rosto, e veste roupas pretas com um colar brilhante no pescoço." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29113" class="wp-caption-text">Com a recente atenção da Academia para filmes de Cannes, não seria impossível imaginar um reconhecimento em 2023 nas disputas de Roteiro Original e Atriz Coadjuvante, para Dolly De Leon (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Ruben, a solução é simples: tirar sarro e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica/"><span style="font-weight: 400;">construir seu </span><i><span style="font-weight: 400;">White Lotus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> à beira-mar, povoá-lo com leitores de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ulysses </span></i><span style="font-weight: 400;">e infectá-lo de moscas zombeteiras, posicionar personagens numa batalha de rimas política e não hesitar em mostrar uma senhora capitalista de idade expelindo fluidos por cima e por baixo. A receita está pronta para divertir audiências, </span><a href="https://observador.pt/2022/05/28/triangle-of-sadness-de-ruben-ostlund-vence-palma-de-ouro-no-festival-de-cannes/#:~:text=%E2%80%9CTriangle%20of%20Sadness%E2%80%9D%2C%20de%20Ruben%20%C3%96stlund%2C%20venceu%20a,pelo%20filme%20%E2%80%9CFor%C3%A7a%20Maior%E2%80%9D."><span style="font-weight: 400;">vencer a Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela segunda vez em 5 anos e sair de cena com a fama de um cineasta de grife.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="TRIANGLE OF SADNESS - Official Trailer - In Theaters October 7" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/VDvfFIZQIuQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Nada de Novo no Front: um filme de guerra humanista em que falta humanidade</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 20:38:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes  Nada de Novo no Front é um livro escrito por Erich Maria Remarque, baseado nas suas próprias experiências como veterano alemão na Primeira Guerra Mundial. Publicado em 1929, o texto não demorou a ser transposto para o Cinema, com a adaptação Sem Novidade no Front sendo lançada um ano depois. Dirigido por Lewis &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nada de Novo no Front: um filme de guerra humanista em que falta humanidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29067" aria-describedby="caption-attachment-29067" style="width: 1486px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29067" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1.jpg" alt="Cena do filme Nada de Novo no Front. No lado direito da imagem, temos um homem branco não identificado, vestindo blusa preta, touca cinza e uma máscara facial branca. Ele está abraçando o ator Felix Kammerer, um homem branco de expressão triste, vestindo um casaco cinza e um capacete preto. Ao fundo, temos algumas estacas e o resto do cenário está desfocado. A cena acontece durante o dia, mas a foto está tratada em preto e branco. " width="1486" height="989" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1.jpg 1486w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29067" class="wp-caption-text">Na 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a nova versão de Nada de Novo no Front, exibida na seção Perspectiva Internacional, mantém a mensagem anti-guerra do material original (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">é um livro escrito por Erich Maria Remarque, baseado nas suas próprias experiências como veterano alemão na Primeira Guerra Mundial. Publicado em 1929, o texto não demorou a ser transposto para o Cinema, com a adaptação </span><i><span style="font-weight: 400;">Sem Novidade no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">sendo lançada um ano depois. Dirigido por Lewis Milestone, o longa fez tanto sucesso que venceu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme em 1931, consagrando-se como a primeira adaptação literária a conquistar essa honraria, bem como a primeira vitória conjunta da categoria principal com o prêmio de Melhor Diretor. Agora, 91 anos depois, o diretor Edward Berger (</span><i><span style="font-weight: 400;">Patrick Melrose</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Your Honor</span></i><span style="font-weight: 400;">), em parceria com a</span><i><span style="font-weight: 400;"> Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, traz uma nova versão de mesmo nome do material base para o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibida na programação da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo na seção Perspectiva Internacional. </span></p>
<p><span id="more-29064"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história começa em 1917, acompanhando o jovem de 17 anos Paul Bäumer (Felix Kammerer), que se alista para lutar no exército alemão sob uma visão idealista da guerra. Chegando na frente de batalha, ele se depara com algo completamente diferente do que esperava, num cenário de caos, mortes e destruição. Logo vamos para 1918, quando Paul e seus amigos continuam lutando, enquanto o oficial Matthias Erzberger (Daniel Bruhl, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rush</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/falcao-e-o-soldado-invernal-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Falcão e o Soldado Invernal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) tenta negociar um armistício com a França. </span></p>
<figure id="attachment_29069" aria-describedby="caption-attachment-29069" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29069" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Nada de Novo no Front. Ao longo de toda a imagem, temos soldados vestidos de casaco, calças, botas e capacetes todos pretos e cinzas, segurando armas na mão. Na parte de baixo da imagem, podemos ver o cenário de uma trincheira, com escadas de madeira preta e sacos de peso marrom escuro em cima. Ao fundo, podemos ver algumas cercas de madeira preta e vários outros homens correndo na direção à esquerda. A cena acontece durante o dia." width="2560" height="1703" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-2048x1363.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-1200x798.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29069" class="wp-caption-text">Co-produção entre Estados Unidos e Alemanha, Nada de Novo no Front é a submissão alemã para o Oscar de Melhor Filme Internacional, e suas chances estão cotadas como altíssimas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo nos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Kyv1Yn2CWeo"><span style="font-weight: 400;">primeiros minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de rodagem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">chama atenção imageticamente, com um plano aéreo registrando milhares de corpos espalhados por um terreno coberto de lama e cinzas. Essa imagem tão impactante evidencia a visão da obra como um todo de que a guerra é um desperdício da vida humana. A sequência que a sucede na montagem de Sven Budelmann expande ainda mais esse comentário, pois o que vemos são os uniformes dos soldados mortos sendo lavados, costurados e secados para serem vestidos por novos combatentes, representando o quão descartáveis essas pessoas são diante do conflito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, chamam atenção os </span><a href="https://www.ibc.org/features/behind-the-scenes-all-quiet-on-the-western-front-netflix/9266.article"><span style="font-weight: 400;">elementos técnicos</span></a><span style="font-weight: 400;">, sob o comando preciso da câmera de Berger, que situa muito bem o público dentro de tamanho caos bélico. A cinematografia de James Friend se destaca pela natureza fria e a complexidade dos planos de ação, enquanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção de Christian M. Goldbeck reproduz perfeitamente o desgaste das trincheiras; os efeitos práticos ressaltam a periculosidade das armas de fogo e a maquiagem de sangue, machucados, membros decepados e sujeira impressiona pela veracidade. No campo mais abstrato da sonoridade, mixagem e edição de som, sob supervisão de </span><span style="font-weight: 400;">Lars Ginzel, Frank Kruse e Viktor Prášilo, </span><span style="font-weight: 400;">bombardeiam os ouvidos do público por todos os lados, enquanto a trilha de Volker Bertelmann usa texturas eletrônicas no meio de uma orquestração dramática comum para realçar a violência iminente. </span></p>
<figure id="attachment_29072" aria-describedby="caption-attachment-29072" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29072" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Nada de Novo no Front. No centro da imagem, temos o ator Felix Kammerer, um homem branco, com o rosto sujo de graxa entre os olhos, vestindo um casaco cinza em cima de uma camisa branca e um capacete preto. Ao fundo, vários homens brancos vestindo também casacos cinzas e capacetes pretos. A cena acontece durante o dia." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29072" class="wp-caption-text">Interpretando o protagonista Paul, Felix Kammerer é uma das poucas âncoras de humanidade no longa de Edward Berger (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nota-se, portanto, que tudo está no lugar em </span><i><span style="font-weight: 400;">All Quiet on the Western Front </span></i><span style="font-weight: 400;">(título em inglês da obra, utilizado em sua distribuição internacional), com exceção de uma coisa: a emoção. Isso não se dá por falta de tentativa, pois o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5TrAdMbWKWM"><span style="font-weight: 400;">roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Berger, Lesley Paterson e Ian Stokell até tenta estabelecer vínculos significativos entre os soldados, mas falha por não diferenciá-los uns dos outros. Suas falas, modos de agir e até mesmo seus nomes se tornam difíceis de se distinguir entre si, o que gera a falta de nuances dramáticas e conflitos humanos e faz a experiência ser cansativa, por mais que os atores se esforcem para capturar as fortes emoções, como o jovem Kammerer na pele do protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a falta de um aprofundamento emocional no longa de Berger não invalide o seu virtuosismo técnico, influencia muito no seu impacto para com o público. É um tipo de erro que não acomete outras histórias como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Resgate do Soldado Ryan </span></i><span style="font-weight: 400;">(1998), de Steven Spielberg, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Até o Último Homem </span></i><span style="font-weight: 400;">(2016), de Mel Gibson, pois estas entendem a importância das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LvAIBDGIYE0"><span style="font-weight: 400;">emoções humanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para relacionar a audiência com as dores dos personagens assolados pela guerra. No fim das contas, isso só prova que </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">precisa justamente daquilo sobre o que ele mais fala: humanidade. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="All Quiet on the Western Front | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/hf8EYbVxtCY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Um Homem: dores e masculinidade em pauta</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Oct 2022 17:51:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes A premissa de Um Homem , que participa da Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é simples. Carlos (Dylan Felipe Ramiréz) quer comemorar o Natal junto de sua família, da qual ele é separado por viver em um abrigo para jovens no centro de Bogotá, na Colômbia. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/um-homem-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Um Homem: dores e masculinidade em pauta"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28929" aria-describedby="caption-attachment-28929" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28929" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-6.jpg" alt="Cena do filme Um Homem. No centro da imagem, temos o ator Dylan Felipe Ramirez olhando sua reflexão em um espelho. Dylan é um jovem pardo, de cabelos pretos escuros, tatuagens perto das orelhas e olhos castanhos. Ele está vestindo uma jaqueta azul escura com detalhes em branco, em cima de uma camiseta também azul escura. O espelho é revestido de madeira marrom, provavelmente embutido a um guarda roupa da mesma cor. O cenário é uma parede esverdeada e desgastada. A cena acontece durante o dia. " width="1000" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-6.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-6-800x562.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-6-768x539.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28929" class="wp-caption-text">Um Homem é um dos participantes da 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo na Competição Novos Diretores (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Homem , </span></i><span style="font-weight: 400;">que participa da Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/46a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo, é simples. Carlos (Dylan Felipe Ramiréz) quer comemorar o Natal junto de sua família, da qual ele é separado por viver em um abrigo para jovens no centro de Bogotá, na Colômbia. O problema é que cada um dos três integrantes está em um lugar diferente: sua mãe está distante e sua irmã trabalha como prostituta para pagar uma dívida que nem mesmo o jovem tem condições de quitar. Assim, acompanhamos o protagonista em seu dia a dia de angústia e sofrimento, forçado a se enquadrar em um perfil de masculinidade com o qual ele claramente não se identifica. </span></p>
<p><span id="more-28928"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Un Varón</span></i><span style="font-weight: 400;">, título original do filme, é uma coprodução entre Colômbia, França, Holanda e Alemanha. Além disso, é escrito e dirigido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XpIrNz3O4jk"><span style="font-weight: 400;">Fabian Hernández</span></a><span style="font-weight: 400;">, em sua estreia na direção de Cinema. Como todo debute também é uma chance de conhecermos os talentos do futuro, o longa participou da Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes, tendo coletado elogios que se confirmam quando assistimos o projeto. Seu grande trunfo é como dedica grande parte de sua </span><i><span style="font-weight: 400;">misé-en-scene</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a imersão na psique e na realidade de Carlos. </span></p>
<figure id="attachment_28930" aria-describedby="caption-attachment-28930" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28930" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-1-scaled.jpeg" alt="Cena do filme Um Homem. No canto direito da imagem, temos o ator Dylan Felipe Ramirez apontando uma arma para o canto esquerdo da imagem, o que a preenche de maneira uniforme. Ele é um menino pardo vestindo um moletom azul ciano, de cabelos pretos escuros e cortados em estilo degradê, segurando uma arma de metal preta em suas mãos. Ao fundo, no centro, temos um outro ator não identificado, que é um homem também pardo de cabelos pretos escuros, vestindo uma jaqueta vermelha e amarela sob uma camisa preta. O cenário é de concreto ao fundo e algumas muretas pouco identificáveis. A cena acontece durante o dia. " width="2560" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-1-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-1-800x335.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-1-1024x429.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-1-768x322.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-1-1536x644.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-1-2048x858.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-1-1200x503.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28930" class="wp-caption-text">A necessidade de auto-afirmação pelo crime é discutida em Um Homem (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, destacam-se elementos técnicos, como a fotografia de Sofia Oggioni. Sua câmera está quase sempre na mão ou presa naturalmente ao rosto de Carlos, usando e abusando dos </span><i><span style="font-weight: 400;">close-ups</span></i><span style="font-weight: 400;"> e do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GSbibVorpJo"><span style="font-weight: 400;">ponto de vista subjetivo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em grande parte das cenas, o fundo se desfoca, apenas para que vejamos o quanto o jovem está sozinho dentro daquele mundo, algo que também se reflete em enquadramentos específicos, como vários nos quais ele é posicionado sentado ou então muito pequeno em meio a um cenário grande que o engole. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o </span><a href="https://cineuropa.org/en/newsdetail/425912/"><span style="font-weight: 400;">grande artifício</span></a><span style="font-weight: 400;"> técnico que </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Homem </span></i><span style="font-weight: 400;">tem a seu favor é a atuação principal de Dylan Felipe Ramirez. O menino consegue internalizar bem toda a angústia e sofrimento do protagonista em seu olhar quase sempre penoso, sua fala quase sempre meio engessada, sua postura que denota a todo momento um esforço para se encaixar em um contexto triste e desolador de violência e criminalidade. </span></p>
<figure id="attachment_28931" aria-describedby="caption-attachment-28931" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28931" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-scaled.jpeg" alt="Cena do filme Um Homem. No centro da imagem, temos o ator Dylan Felipe Ramirez, um menino pardo de cabelos pretos escuros, cortados em estilo degradê, com um desenho em formato da letra N no lado direito. Ele está vestindo uma regata preta. Ao fundo, temos o cenário da rua de uma cidade, com casas e edifícios comerciais e alguns prédios. A cena acontece durante a noite. " width="2560" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-800x335.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-1024x429.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-768x322.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-1536x644.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-2048x858.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-1200x503.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28931" class="wp-caption-text">O jovem Dylan Felipe Ramirez rouba a cena em Um Homem (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe muita frieza no olhar do garoto, ou talvez uma que esconda sentimentos maiores e muito mais intensos. Infelizmente, também existe frieza no olhar de Hernández, ao passo que o filme pouco nos envolve no emocional daquela situação e mais parece um recorte básico do que um estudo de personagem propriamente dito. Ao menos, somos agraciados com a discussão constante do roteiro (de autoria do próprio diretor) sobre a masculinidade tóxica que permeia aqueles ambientes. Ambientes esses que separam os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wUUfPmLO-hk"><span style="font-weight: 400;">meninos dos homens</span></a><span style="font-weight: 400;"> de maneira hostil e triste, fazendo-os reprimir suas fraquezas para sobreviver. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9bwvq_pZBzU"><i><span style="font-weight: 400;">Um Homem</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma produção competente, mas pouco memorável. Destaca-se mais pela atuação principal e pela orquestração coerente dos elementos técnicos com os temas-chave, do que por uma potência própria e marcante enquanto Cinema. Contudo, ainda é um tipo de produção a ser celebrada, por trazer para o público discussões pertinentes para o contexto atual, que certamente ultrapassam o projeto em si. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A Male (Un varón) new clip official from Cannes Film Festival 2022 - 1/2" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/cTk3ZTLEM2E?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 19:28:54 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27364" aria-describedby="caption-attachment-27364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg" alt="Arte retangular horizontal de fundo azul com estrelas azul claro. Lê-se o texto: “as realidades do 27º Festival É Tudo Verdade It’s All True”. Foi adicionado o olho do Persona no canto inferior direito, com a íris em azul claro." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27364" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 31 de março e 10 de abril, o Persona acompanhou o 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade </span></i>(Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan/Texto de abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do <strong>27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade</strong> inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-6a-mostra-de-cinema-feminista/"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">cidade maravilhosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-5o-festival-ecra/"><span style="font-weight: 400;">experimentações</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-fantaspoa-xvii/"><span style="font-weight: 400;">fantasias</span></a><span style="font-weight: 400;">, 2022 se inicia com a única coisa da qual não podemos fugir: a realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas na verdade, o espectro contemplado pelo maior festival de documentários do mundo era muito desejado para integrar o horizonte das nossas experiências. Dessa vez, o anseio se tornou possível graças ao formato de realização do </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/home/"><span style="font-weight: 400;">É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aconteceu de forma totalmente gratuita e híbrida, sendo presencialmente nos cinemas das capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, e virtualmente através da plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> do festival e das dos parceiros Itaú Cultural Play e Sesc Digital. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A seleção é tão vasta quanto o tema que a define: 70 filmes, que entre curtas, médias e longas-metragens, se dividiram nas mostras competitivas e nas demais categorias de exibição (Foco Latino-Americano, Sessões Especiais, O Estado das Coisas, Clássicos É Tudo Verdade). Trazendo o Cinema documental realizado em mais de 30 países, o alcance do É Tudo Verdade é reconhecido pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Academia de Artes e Ciências Cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;">, de forma a classificar diretamente os filmes vencedores dos prêmios dos júris nas Competições Brasileiras e Internacionais de Longas/Médias e de Curtas Metragens para apreciação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> do ano que vem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À distância, o Persona selecionou 25 títulos a fim de compreender a seleção de 2022, que elegeu como os homenageados da vez </span><a href="https://www.mulheresdocinemabrasileiro.com.br/site/mulheres/visualiza/421/Ana-Carolina/4"><span style="font-weight: 400;">Ana Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.itaucinemas.com.br/pag/o-cinema-de-ugo-giorgetti"><span style="font-weight: 400;">Ugo Giorgetti</span></a><span style="font-weight: 400;">, dois dos nomes mais importantes do Cinema de não-ficção brasileiro. As obras de abertura propuseram uma reflexão sobre o passado, presente e futuro da Sétima Arte, enquanto o encerramento do festival ficou na responsabilidade de um dos premiados pelo público e pelo júri da edição mais recente do Festival de Sundance.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A curadoria do <strong>Persona</strong> conferiu todos eles, além das </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/pag/vencedores2022"><span style="font-weight: 400;">obras vencedoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> e demais títulos que chamaram a atenção de <strong>Bruno Andrade, Enrico Souto, Raquel Dutra </strong>e<strong> Vitor Evangelista</strong>. O resultado dessa aventura você pode conferir abaixo, e em meio a experiências milagrosas, figuras históricas, lutas urgentes e muitas reflexões filosóficas, vale o aviso: não se esqueça que </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><i><span style="font-weight: 400;">é tudo verdade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27363"></span></p>
<h3><b>Curtas-metragens</b></h3>
<figure id="attachment_27365" aria-describedby="caption-attachment-27365" style="width: 880px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg" alt="Cena do curta Ali e sua Ovelha Milagrosa. A cena mostra uma multidão caminhando e na linha de frente está um garoto com manto verde ao redor do corpo, guiando uma cadeira de rodas preta com uma ovelha sentada. " width="880" height="474" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg 880w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-768x414.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27365" class="wp-caption-text">Santa ovelhinha (Foto: 7th Heaven Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ali e sua Ovelha Milagrosa (Ali and His Miracle Sheep, Maythem Ridha, Reino Unido/Iraque, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reconhecido como Menção Honrosa na disputa dos Curtas, o trabalho de Maythem Ridha é tão místico que ameaça cruzar a tênue linha entre o real e o imaginário por uma porção de vezes. A história é simples (e dolorosa): depois de perder o pai em um assassinato do Estado Islâmico, o jovem Ali parou de falar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, seguindo os dogmas religiosos, ele se junta ao irmão numa longa caminhada a fim de sacrificar sua ovelha e molhar seu sangue como oferenda pela morte do familiar. Por mais que o diretor conte tintin por tintin da trama na abertura da sessão, </span><a href="https://7thheavenstudios.com/ali-and-his-miracle-sheep"><i><span style="font-weight: 400;">Ali e sua Ovelha Milagrosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue surpreender no campo visual, construindo imagens tão fortes quanto seu tema demanda. Ao fim do dia, e dessa extensa peregrinação, não resta nada além do grito nos pulmões e do licor vermelho sendo drenado pela areia. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27366" aria-describedby="caption-attachment-27366" style="width: 910px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27366" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg" alt="Cena do filme A Ordem Reina. A imagem é em preto e branco e tem textura granulada. Através dela, podemos ver um monumento de cimento arredondado com uma torre, que está ao centro. No canto esquerdo, existem outros dois monumentos, também de cimento, que imitam o desenho de duas mãos de punhos fechados." width="910" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg 910w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27366" class="wp-caption-text">A cineasta paulista Fernanda Pessoa tem vasta experiência no Cinema documental e nos festivais do gênero pelo mundo, sendo A Ordem Reina o seu 6º filme recém-finalizado (Foto: Fernanda Pessoa)</figcaption></figure>
<p><b>A Ordem Reina (Fernanda Pessoa, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É sobre as palavras sagradas de Rosa Luxemburgo que </span><a href="https://pessoafernanda.com/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Pessoa</span></a><span style="font-weight: 400;"> fundamenta a reflexão do seu filme. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cineasta paulista propõe reflexões acerca do sonho revolucionário de superação do capitalismo a partir de uma viagem anacrônica por sete países que experienciaram revoluções no século 20, orientada pela sabedoria da filósofa e economista alemã, que dedicou as últimas expressões de sua vida para manter acesa a promessa de transformação tão perseguida pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, às imagens registradas em 8mm com tratamento e finalização digitais, a diretora adiciona uma narração em </span><i><span style="font-weight: 400;">off</span></i><span style="font-weight: 400;"> do texto </span><a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Rosa-Luxemburgo-A-Ordem-Reina-em-Berlim"><i><span style="font-weight: 400;">A</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Ordem Reina em Berlim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Datado de janeiro de 1919, onde Rosa Luxemburgo reflete sobre as causas e consequências da atuação trágica dos socialistas na Revolução Alemã, que junto do encerramento da participação do país na Primeira Guerra Mundial, também colocou fim na sua vida e na de alguns de seus companheiros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse plano de fundo, Fernanda Pessoa e o espectador de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;"> não têm dúvidas sobre as crenças do filme. Se nem </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/01/15/cem-anos-sem-rosa-luxemburgo-uma-vida-pela-revolucao"><span style="font-weight: 400;">Rosa Luxemburgo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu leito de morte se rendeu ao sentimento imperativo de ordem e desistiu de acreditar na revolução, a cineasta faz valer os versos finais do texto através de seu olhar atento para a aparente comodidade da sociedade que analisa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não reparastes que a vossa &#8220;ordem&#8221; está a alçar-se sobre a areia. A revolução alçará-se amanhã com a sua vitória e o terror pintará-se nos vossos rostos ao ouvir-lhe anunciar com todas as suas trombetas: era, sou e serei!”</span></i> <b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27367" aria-describedby="caption-attachment-27367" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27367 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg" alt="Cena do filme Cadê Heleny. A imagem é um recorte de um filme animado quadro a quadro a partir de materiais têxteis. A imagem mostra uma sala de jantar numa perspectiva horizontal, que se coloca atrás da personagem Heleny. Ela está no canto direito da imagem, desfocada, olhando para a frente. Existe uma mesa redonda, decorada com uma toalha e flores, e cadeiras ao redor. Na parede do lado direito, existe uma janela coberta por uma cortina, e na parede da frente, existe um móvel com fotos em porta retrato e um relógio pendurado." width="1920" height="998" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-800x416.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1024x532.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-768x399.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1536x798.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1200x624.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27367" class="wp-caption-text">Menção honrosa na Competição Brasileira de Curtas, o filme de Esther Vital conta a história de Heleny Guariba e inova a forma de representar as necessárias lembranças da Ditadura Militar brasileira (Foto: Apto 122)</figcaption></figure>
<p><b>Cadê Heleny? (Esther Vital, Brasil/Espanha, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde 1971, a professora, dramaturga e militante </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/heleny-telles-ferreira-guariba/"><span style="font-weight: 400;">Heleny Guariba</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tida como desaparecida política da Ditadura Militar brasileira. Importante nome na história da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a organização que atuava na luta armada contra o regime, ela foi presa e torturada pela primeira vez em 1970, sendo alvo de uma perseguição que durou até o próximo ano, que efetivamente lhe impôs o silêncio através da violência e ameaças aos seus companheiros de luta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de mais uma história sobre o custo que alguns de nós tiveram que assumir para superar o regime ditatorial e os horrores cometidos por quem (des)governava o Brasil entre os anos de 1964 e 1985, Esther Vital escolhe muito bem os seus caminhos para apresentar a narrativa em seu filme. Longe da linguagem documental tradicional, concreta e direta, </span><a href="https://cadeheleny.com/construcao-de-personagem/"><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha com uma animação em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> e concepção artística inspirada nas </span><a href="http://memorialdaresistenciasp.org.br/exposicoes/arpilleras/#:~:text=Arpillera%20%C3%A9%20uma%20t%C3%A9cnica%20t%C3%AAxtil,tornaram%20tamb%C3%A9m%20meio%20de%20express%C3%A3o."><i><span style="font-weight: 400;">arpilleras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, arte têxtil popular que surgiu nas periferias de Santiago, no Chile, e se transformou numa poderosa forma de resistência política das mulheres opositoras a Ditadura de Augusto Pinochet.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, com sua própria identidade estética, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i><span style="font-weight: 400;"> torna sua narrativa um tanto mais acessível e significativa, mas não por isso menos forte ou verdadeira. Sem medo de encarar e retratar os momentos mais sombrios de Guariba nas mãos da Ditadura, não à toa o documentário recebeu uma menção honrosa na Competição Brasileira de Curta-Metragem: ao mesmo tempo em que honra a memória valente da militante, </span><a href="https://www.itaucultural.org.br/curta-metragem-em-stop-motion-resgata-a-memoria-de-heleny-guariba"><span style="font-weight: 400;">Esther Vital</span></a><span style="font-weight: 400;"> inova a compreensão de uma das necessidades mais pungentes do </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/03/31/bolsonaro-obras-ditadura-militar.htm"><span style="font-weight: 400;">Brasil de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27368" aria-describedby="caption-attachment-27368" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27368" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg" alt="Fotografia em preto e branco do cineasta Glauber Rocha. Mostra o cineasta segurando rolos do filme “Cabeças Cortadas”, enquanto olha fixamente para a câmera. Ele é um homem branco, possui cabelos pretos, levemente encaracolados, e veste um terno de cor cinza." width="1200" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-800x427.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-1024x546.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-768x410.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27368" class="wp-caption-text">Ao longo dos 12 minutos de Carta Para Glauber, acompanhamos a leitura de Catarina Dahl da carta enviado por seu pai, Gustavo, a Glauber Rocha dias após o Golpe Militar no Brasil (Foto: Gregory Baltz)</figcaption></figure>
<p><b>Carta Para Glauber (Gregory Baltz, Brasil, 2021)</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TgMzAdbvi34&amp;feature=emb_imp_woyt&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><i><span style="font-weight: 400;">Carta Para Glauber</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um curta-metragem ensaístico, elaborado através da leitura da carta que o cineasta e crítico de cinema Gustavo Dahl enviou para Glauber Rocha, em 1964, quando ele estava no Festival de Cannes promovendo </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2014/07/Ha-50-anos-Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-mudava-a-historia-do-cinema-brasileiro-4549960.html"><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (que foi indicado à Palma de Ouro naquele ano). No curta, a narração da carta fica a cargo de Catarina Dahl, filha de Gustavo, e vem acompanhada de trechos dos filmes de Glauber Rocha e do próprio Gustavo Dahl, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Barravento </span></i><span style="font-weight: 400;">(1962), </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra em Transe </span></i><span style="font-weight: 400;">(1967) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bravo Guerreiro </span></i><span style="font-weight: 400;">(1969). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A graça desse formato de ensaio – muito bem explorado pelo diretor Gregory Baltz – é a composição de um cenário particular, pois as cenas dos filmes norteiam os pensamentos que sucedem a leitura da carta. Todavia, o texto cru, por si só, é bastante emblemático, e foi enviado ao cineasta baiano dias após ter ocorrido o Golpe Militar no Brasil. Na </span><a href="https://correio.ims.com.br/carta/barbarizou-barbarizou/"><span style="font-weight: 400;">carta</span></a><span style="font-weight: 400;">, Dahl reconhece similaridades entre o discurso denunciado por Glauber em </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo</span></i><span style="font-weight: 400;">… e a voz autoritária da Ditadura que havia começado no país, evidenciando a urgência que sua obra representava ao mesmo tempo em que denunciava certos padrões que levaram ao regime autoritário. Dahl também aponta para a forma genial como a subversão de Glauber Rocha esteve ligada com sua Arte, na qual manteve-se alegorias imagéticas em prol de um objetivo em si mesmo: a liberdade, genuína, de expressão. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27369" aria-describedby="caption-attachment-27369" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27369" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg" alt="Cena do curta Como Se Mede um Ano?, a cena mostra uma criança branca olhando nos olhos de seu pai, um homem adulto branco e de cabelos pretos, e abrindo as mãos, mostrando os 10 dedos." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27369" class="wp-caption-text">Boyhood, seu legado vive! (Foto: Jay Rosenblatt Films)</figcaption></figure>
<p><b>Como Se Mede um Ano? (How Do You Measure a Year?, Jay Rosenblatt, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco tempo depois de ser indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">por seu trabalho em </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">When We Were Bullies</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (curta também presente no É Tudo Verdade), o diretor Jay Rosenblatt retorna com uma visão muito mais pessoal do mundo. Longe da agressão que povoava o filme anterior, o norte-americano decide editar um projeto que realizou por quase dezoito anos. Desde que soprou duas velhinhas, a filha do cineasta foi colocada frente às câmeras e indagada a respeito da vida, da família e do futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem qualquer vídeo de apresentação do realizador, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt15026956/"><i><span style="font-weight: 400;">Como Se Mede um Ano?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> venceu a competição de Curtas, muito provavelmente pela sensibilidade do tema e pela entrega no processo. Resgatando o título da música </span><i><span style="font-weight: 400;">Seasons of Love</span></i><span style="font-weight: 400;">, popular entre os amantes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hj7LRuusFqo"><i><span style="font-weight: 400;">Rent</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8OTglgfKdMo"><i><span style="font-weight: 400;">The Office</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o projeto de meia-hora é emocionante pelas memórias de quem assiste, refletidas em tela nas figuras de pai e filha, envelhecendo, evoluindo, tendo ciência do valor do tempo. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27370" aria-describedby="caption-attachment-27370" style="width: 1625px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27370 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg" alt="Cena do filme Duke Ellington em Isfahan. A imagem, em preto e branco, mostra dois homens negros em um concerto. Enquanto um segura uma partitura com as duas mãos, o outro encara o papel enquanto toca um saxofone. Sobreposta a cena, de forma esvanecida, também está a imagem de uma mandala marrom." width="1625" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg 1625w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-800x525.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1024x672.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-768x504.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1536x1009.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1200x788.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27370" class="wp-caption-text">Cria de uma potente vanguarda contemporânea, há pouco de cinema iraniano no curta de Ehsan Khoshbakht (Foto: Ehsan Khoshbakht)</figcaption></figure>
<p><b>Duke Ellington em Isfahan (Duke Ellington in Isfahan, Ehsan Khoshbakht, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><a href="https://iffr.com/en/persons/ehsan-khoshbakht"><span style="font-weight: 400;">Ehsan Khoshbakht</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um cineasta do Irã estabelecido em Londres. E então, quando ele decide investigar a trajetória de uma das figuras mais importantes para a história do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, não poderia ser outro recorte. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duke Ellington em Isfahan</span></i><span style="font-weight: 400;"> é autoexplicativo: o curta documental conta a história de uma das composições mais icônicas do pianista, concebida durante sua turnê ao Oriente Médio em 1963, financiada pelos Estados Unidos durante plena </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2022/02/era-jim-crow-as-leis-que-promoviam-a-segregacao-racial-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">segregação racial</span></a><span style="font-weight: 400;">, como propaganda política em um momento que o mundo questionava o tratamento do país à população negra</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas aqui, política não passa de um plano de fundo. A Música é só o que importa. O documentário, formado por arquivos de imagens e vídeos antigos interpolados por entrevistas com especialistas, perpassa pelas inspirações de Ellington na música e arquitetura da cidade iraniana. No entanto, peca em ultrapassar uma barreira que, na realidade, parece nem identificar. Com um material de ouro em mãos, Ehsan entrega uma obra pouco consciente e pouco inspirada. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27372" aria-describedby="caption-attachment-27372" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg" alt="Cena do curta Meio Ano-Luz, mostra um homem branco sentado à rua, com um caderno em mãos, desenhando. Atrás dele, a parede é cor de creme e tem uma pichação azul. " width="1920" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27372" class="wp-caption-text">Som e imagem se desencontram em total harmonia (Foto: Leonardo Mouramateus)</figcaption></figure>
<p><b>Meio Ano-Luz (Leonardo Mouramateus, Brasil/Portugal, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na imagem, vemos uma movimentada viela de Lisboa, onde um jovem se senta à sarjeta e passa a desenhar os transeuntes. No áudio, acompanhamos a conversa entre dois namorados, debatendo a melhor maneira de devolver uma carteira encontrada na rua e seus planos para o que farão depois do agora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme de Leonardo Mouramateus, que se estende para além dos 19 minutos, a experiência de interligar duas percepções é catalisadora de uma ideia bem executada. Mais um exemplo do </span><a href="https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2019/11/26/criticos-elegem-os-20-melhores-filmes-cearenses-da-decada-veja.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Cinema de excelência realizado no Ceará</span></a><span style="font-weight: 400;">, o curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Meio Ano-Luz </span></i><span style="font-weight: 400;">expande seus debates de um simples bem material até discussões sobre a vida, o universo e tudo mais. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27373" aria-describedby="caption-attachment-27373" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png" alt="Cena do curta Voz Virtual, mostra uma boneca de máscara de pano tendo a temperatura medida na testa." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27373" class="wp-caption-text">Ao lado de seu alter ego em miniatura chamado Suzi, a diretora Suzannah Mirghani realiza um manifesto caseiro contra a hipocrisia (Foto: Doha Film Institute)</figcaption></figure>
<p><b>Voz Virtual (Virtual Voice, Suzannah Mirghani, Catar/Sudão, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na breve apresentação que antecedeu a sessão de </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt14507046/"><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Suzannah Mirghani, a diretora sudanesa-russa que vive no Catar, não escondeu o caráter de seu curta. Realizados no período da pandemia e do isolamento social, os menos de dez minutos se concentram em uma personagem central imóvel que, na febre da excitação pandêmica, busca se impor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49659-Virtual-Voice"><span style="font-weight: 400;">Cinema denúncia irônico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ciente das feridas que salga, acompanhado por um roteiro ritmado que cadencia o discurso sinestésico, envolvente e extremamente detalhado. Numa eventual revisita à </span><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i><span style="font-weight: 400;">, é bem provável que importantes referências sejam descobertas, provando a acidez calculada de Mirghani. E agora, Suzi? Quando a bateria se esgota, acaba o sonho também? </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<h3>Longas-metragens</h3>
<figure id="attachment_27374" aria-describedby="caption-attachment-27374" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg" alt="Cena do filme A História do Olhar, mostra o diretor Mark Cousins deitado na cama sem camisa. Ele é um homem branco, tem tatuagens nos braços e leva a mão direita à testa, olhando para o teto. " width="900" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27374" class="wp-caption-text">O mundo é estilhaçado sob a visão de Mark Cousins (Foto: BofA Productions)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Olhar (The Story of Looking, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diretamente de sua casa em Edimburgo, capital da Escócia, o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml"><span style="font-weight: 400;">cineasta Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;"> saúda o público do Festival É Tudo Verdade. Despojado, ele revela que a premissa de seu novo filme, chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Olhar</span></i><span style="font-weight: 400;">, surgiu quando foi diagnosticado com catarata em um dos olhos e escreveu um livro a respeito das múltiplas análises da visão. Ele filma o rosto iluminado por um céu claro e mostra o enorme roteiro, que daria origem ao longa-metragem que em breve começaria. A quebra de expectativas, além da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ki392mx6qiQ"><span style="font-weight: 400;">presença extra-campo do documentarista</span></a><span style="font-weight: 400;">, vem por meio de sua partilha: deitado na cama, ele pretende viajar pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado, registrado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dtkxzxehF5o"><span style="font-weight: 400;">uma hora e meia de filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, é formado pelos mais diversos devaneios. Seja por uma frase marcante do músico Ray Charles, ou pelas mensagens recebidas em uma rede social em tempo real, Cousins faz o Cinema partir da própria íris, diante do medo de perder o bem que tanto ama. Por isso, quando faz a escolha de mostrar em detalhes a cirurgia que corrige o problema na vista, o diretor quer que seu público desempenhe o papel máximo de </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeur</span></i><span style="font-weight: 400;">. Do mundo (pela ótica do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, de filmes e quadros que aprecia e imagens de arquivo), ele se volta ao próprio corpo, esculpindo a nudez como forma de ser. Os olhos captam boa parte das </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/sep/16/the-story-of-looking-review-mark-cousins-rhapsody-of-the-gaze"><span style="font-weight: 400;">belas composições do universo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sem eles, o cosmos pode ser até maior do que ameaça. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27375" aria-describedby="caption-attachment-27375" style="width: 1961px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png" alt="Cena do filme A História do Cinema, de Mark Cousins. A imagem mostra uma pessoa de costas, vestindo roupas inteiramente pretas, e observando várias pequenas telas que estão à sua frente. A pessoa e essas telas estão na calçada de uma rua bastante movimentada, e ao fundo podemos ver prédios e outdoors com publicidades sendo transmitidas. " width="1961" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png 1961w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27375" class="wp-caption-text">Com 160 minutos de duração, A História do Cinema nos brinda com análises criteriosas feitas por Mark Cousins, e ao mesmo tempo mostra como novas vozes vem ganhando espaço (Foto: Hopscotch Films)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Cinema: Uma Nova Geração (</b><b>The Story of Film: a New Generation, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No futuro, quais serão os filmes da nossa geração que irão figurar na lista de Clássicos? É possível que longas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen</span></i><span style="font-weight: 400;"> sejam vistos nessa lista? Afinal, foi um fenômeno da nossa época. Essas são algumas das perguntas que norteiam </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml?origin=folha"><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema: Uma Nova Geração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do britânico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7Z0lkiiHKVQ&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><span style="font-weight: 400;">Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;">, documentário que abriu o Festival É Tudo Verdade no Rio de Janeiro. Talvez motivado por sua formação em História, Cousins decide traçar um diagnóstico do chamado “Novo Cinema”, e aborda filmes recentes ao redor do mundo com olhar cauteloso, apontando suas características cinematográficas mais marcantes e distintas. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), de Bong Joon-Ho, é um dos longas que já nasceram clássicos, e resgata muitas outras referências antigas em seu desenvolvimento, mas de uma forma extremamente original, de modo a quebrar qualquer tipo de expectativa. Além disso, o que o faz interessante? Um dos pontos enxergados por Cousins é sua urgência narrativa, pois o filme sul-coreano retrata sonhos capitalistas que foram despedaçados, mas se encerra justamente com um sonho capitalista, visto que o protagonista Ki-woo (Choi Woo-shik) pretende ficar rico para comprar a casa e, enfim, libertar seu pai (mas, de certa forma, também sua família). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme também põe em análise </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014) e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019) de Joaquin Phoenix. Cousins contrapõe dois trechos icônicos de cada filme: primeiro, a famosa cena da rainha Elsa cantando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3TkIR4U4seA"><i><span style="font-weight: 400;">Livre Estou</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seguido pela cena do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=goj0bS1-Thc&amp;ab_channel=SCENEFLIX"><span style="font-weight: 400;">Coringa dançando</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas escadarias do Bronx, em Nova York. Ambas têm em comum um sonho de liberdade, e, como argumenta o cineasta, não parece ser por acaso que, em um mundo totalmente conectado e globalizado, cenas como essa viralizam e atingem um clímax cinematográfico, pois tudo o que idealizamos são momentos de liberdade verdadeira e irrestrita. </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona como um belo diagnóstico dos caminhos do Cinema contemporâneo, mas, pela tangente, acaba analisando a sensação de estar vivo atualmente, e enxerga ausências que, às vezes, conseguem ser preenchidas através da Arte. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27376" aria-describedby="caption-attachment-27376" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27376" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg" alt="Cena do filme Belchior - Apenas um Coração Selvagem, de Camilo Cavalcanti e Natália Dias. A imagem mostra o cantor Belchior encostado em um muro de contrato de cor cinza, que contém uma pichação com os escritos “Sonhar eternamente”. Belchior é um homem branco, possui cabelos volumosos de em cor preta, bigode de cor preto, e veste uma camiseta listrada nas cores branco, azul e preto, e uma calça jeans azul clara" width="2560" height="1692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1024x677.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-768x508.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1536x1015.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-2048x1354.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1200x793.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27376" class="wp-caption-text">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem explora as opiniões artísticas do cantor cearense, deixando em aberto qualquer conclusão (Foto: Clariô Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem (Camilo Cavalcanti e Natália Dias, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estreando no Festival É Tudo Verdade, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/04/07/belchior---apenas-um-coracao-selvagem-e-tudo-verdade.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato interminável sobre um dos maiores expoentes da Música brasileira. Apesar de suas letras reveladoras e poéticas – e de seu charme de malandro trovador –, Belchior foi um dos mistérios da MPB até o fim de sua vida, quando faleceu em Santa Cruz do Sul, em 2017. Mas não espere encontrar respostas sobre a vida do músico no documentário, e a graça do filme reside justamente na ausência de respostas – ou, melhor, nas únicas respostas dadas pelo próprio Belchior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma bastante acertada, Camilo Cavalcanti e Natália Dias não entrevistam pessoas ou geram ainda mais dúvidas sobre a vida e obra do cantor cearense, pois trata-se de um filme feito a partir de colagens de diversas entrevistas e apresentações ao vivo do cantor ao longo de sua vida, contando ainda com trechos raros e muito ricos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/40-anos-sem-elis-regina-20-anos-carreira-maria-rita/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentando versões das músicas de Belchior. Em alguns trechos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Apenas um Coração Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ator </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/cristina-padiglione/2022/03/silvero-pereira-interpreta-cancoes-de-belchior-em-filme-sobre-o-musico.shtml"><span style="font-weight: 400;">Silvero Pereira</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge em uma espécie de intervenção, recitando e interpretando letras das músicas do cantor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O longa busca analisar a visão artística do cantor, e foca muito mais na relação distinta que ele mantinha com a poesia; aparentemente, seu estado permanente de viver, pois, como ele mesmo diz, </span><i><span style="font-weight: 400;">“a esperança do paraíso marca o nordeste”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, segundo ele, até mesmo a ligação religiosa que atravessou sua vida (quando foi frade) foi uma maneira de se conectar com o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/04/05/belchior-diz-quase-tudo-em-filme-que-da-pistas-do-caminho-seguido-pelo-coracao-selvagem-do-artista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sublime</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27377" aria-describedby="caption-attachment-27377" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg" alt="Cena do filme Eneida, mostra a personagem titular pensativa, iluminada pelas luzes do trânsito à noite, olhando pela janela do carro. Ela é uma mulher branca, idosa, de cabelos claros e unhas vermelhas." width="1024" height="528" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-800x413.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-768x396.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27377" class="wp-caption-text">Em Eneida, a vida cruel faz boa arte (Foto: Heloísa Passos)</figcaption></figure>
<p><b>Eneida (Heloísa Passos, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido pela curitibana </span><a href="https://abcine.org.br/site/entrevista-heloisa-passos-abc/#:~:text=Como%20diretora%2C%20realizei%20v%C3%A1rios%20curtas,e%20na%20frente%20da%20c%C3%A2mera."><span style="font-weight: 400;">Heloísa Passos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">leva o nome e a história de sua mãe. Mas não se trata de uma biografia comum, que fique claro. Aqui, conhecemos Eneida numa viagem, o eventual estopim para os dramas da uma hora e vinte que se seguem. Afastada da filha mais velha, que não vê há quase 25 anos, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50031-Eneida"><span style="font-weight: 400;">a senhora faz de tudo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para retomar a conexão e resolver problemas do passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Capturado com voracidade e simpatia por Passos, o núcleo emotivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">é formado por uma sucessão de </span><a href="https://escotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/filme-eneida-heloisa-passos-e-tudo-verdade-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontros, conversas, barganhas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Abalada mas nunca quebradiça, a senhora octogenária que ilumina a tela com seu sorriso e carisma não deixa a vida parar pela tristeza: ela rememora o ontem, papeia com a neta, joga vôlei com as amigas, chora e se alegra. Provando que os </span><a href="https://aodisseia.com/eneida-critica-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">temores da realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> formam boa liga para a excelência da Arte, o documentário de Heloísa Passos é brutal e singelo em medidas equilibradas. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27378" aria-describedby="caption-attachment-27378" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png" alt="Cena do filme JFK Revisitado: Através do Espelho, do diretor Oliver Stone. A fotografia colorida mostra o então presidente John Kennedy em um carro aberto de cor preta, ao lado da sua esposa, Jacqueline Kennedy. Eles estão desfilando momentos antes do presidente Kennedy ser assassinado. John está com o braço direito apoiado no carro, olhando para a população. Ele é um homem branco de cabelos loiros, e veste um terno de cor preta. Jacqueline é uma mulher branca de cabelos castanhos, veste chapéu e vestido de cor rosa. Ambos estão sorrindo." width="1400" height="1050" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27378" class="wp-caption-text">Em JFK Revisitado, o premiado diretor Oliver Stone retoma seu filme de 1991 para analisar novos documentos sobre o assassinato de John Kennedy (Foto: Ingenious Media)</figcaption></figure>
<p><b>JFK Revisitado: Através do Espelho (JFK Revisited: Through the Looking Glass, Oliver Stone, Estados Unidos, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns cineastas costumam lançar versões estendidas de suas obras – as “versões sem cortes” –, outros lançam continuações, mas poucos decidem fazer o que Oliver Stone fez: atualizar um de seus filmes mais famosos. </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/04/jfk-revisitado-de-oliver-stone-e-cansativo-mas-muito-necessario.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado: Através do Espelho</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se propõe, como seu título sugere, a atualizar o longa de 1991, </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK: A Pergunta Que Não Quer Calar </span></i><span style="font-weight: 400;">– concebido inicialmente como uma minissérie em quatro capítulos –, depois que novos documentos sobre o assassinato do ex-presidente estadunidense John F. Kennedy deixaram de ser sigilosos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 118 minutos de duração, o documentário se arrasta e não apresenta grandes motivos para receber uma atualização. Em algumas cenas, tudo soa como as infindáveis reportagens a respeito do assunto – ou como uma versão mais lenta de seu filme anterior –, mas nenhuma novidade é de fato apresentada. Justamente pelo tema já ter sido abordado por </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-07-13/oliver-stone-desmonta-a-versao-oficial-do-assassinato-de-jfk-com-novos-documentos.html"><span style="font-weight: 400;">Oliver Stone</span></a><span style="font-weight: 400;"> anteriormente, nem mesmo sua própria voz artística como diretor é capaz de dar uma nova roupagem aos documentos explorados, pois isso já foi feito em 1991. Talvez o ponto mais interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja a ideia de que outros assassinatos acontecem mundo afora em decorrência da morte de Kennedy, mas, como Stone adora fazer, soa como uma verdade absoluta que tem sido tratada historicamente como teoria conspiratória, e acaba se perdendo em suas próprias referências. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27379" aria-describedby="caption-attachment-27379" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg" alt="Cena do filme Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente, que mostra uma mulher branca, idosa, de cabelos encaracolados e usando óculos, falando enquanto olha para frente. O fundo escuro está desfocado e a imagem é colorida." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27379" class="wp-caption-text">Stig Björkman, diretor do longa, é amigo pessoal de Joyce Carol Oates e pediu para que pudesse produzir um documentário a seu respeito por anos, até que ela cedesse às câmeras (Foto: Mantaray Film)</figcaption></figure>
<p><b>Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente (Joyce Carol Oates: A Body in the Service of Mind, Stig Björkman, Suécia, 2021)</b></p>
<p><a href="https://darkside.blog.br/conheca-joyce-carol-oates-das-escritoras-produtivas-atualidade/"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> não parou de escrever desde que publicou o seu primeiro livro em 1963. Algo que enxergava já na infância, através de sua identificação com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-viagem-todos-nos/"><span style="font-weight: 400;">viagem de Alice</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao País das Maravilhas, a escritora viu na leitura – e mais tarde em seus próprios livros – um refúgio do mundo exterior. É capaz que ela escreva por 10 horas ininterruptas, e ainda coloque a culpa no gato, que não saía de seu colo. A imagem constante do lado de fora de sua casa, as luzes de seu escritório ligadas e todos os outros cômodos vazios, sintetiza a desconexão de Joyce com a realidade, a partir do momento que ela mergulha na escrita de seus romances.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso entra em conflito direto com sua trajetória literária, marcada por livros </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/06/09/books/review/joyce-carol-oates-night-sleep-death-stars.html"><span style="font-weight: 400;">politicamente engajados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e obras que comentam fenômenos sociais efervescentes de sua época. Mas é que o diretor Stig Björkman, do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente</span></i><span style="font-weight: 400;">, levanta essas contradições com muita sensibilidade e ternura, não só desconstruindo, como também humanizando a figura intocada de uma das autoras mais relevantes da Literatura americana. É uma pena que, pela sua abordagem exacerbadamente vasta, muitos temas se percam e sejam diluídos em meio ao prolífico e riquíssimo contato íntimo em que somos postos com Joyce. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27380" aria-describedby="caption-attachment-27380" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27380" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg" alt="Cena do filme Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo. Na fotografia colorida, o diretor Robert B. Weide está andando à beira do mar com o escritor Kurt Vonnegut. Ambos são homens brancos. Weide está à esquerda, e possui barba e cabelos pretos, veste um sobretudo bege e está com as duas mãos nos bolsos. Vonnegut está à direita, e possui cabelos grisalhos e bigode branco, também veste um sobretudo bege e está com as mãos nos bolsos." width="2560" height="1820" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1024x728.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-768x546.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1536x1092.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-2048x1456.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1200x853.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27380" class="wp-caption-text">Dirigido por Robert B. Weide e Don Argott, Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo é um registro histórico de um dos maiores escritores da história (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><b>Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo (Kurt Vonnegut: Unstuck in Time, Robert B. Weide e Don Argott, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construído ao longo dos anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é o registro de um dos maiores escritores da última década. </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Livros/noticia/2020/11/4-livros-essenciais-para-conhecer-obra-e-historia-de-kurt-vonnegut.html"><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></a><span style="font-weight: 400;"> se transformou em uma voz geracional, e ajudou a moldar a mente dos jovens inconformados com a Guerra no Vietnã – ele próprio lutou na Segunda Guerra Mundial, onde foi feito prisioneiro em Dresden pelas tropas alemãs, cujas experiências deram origem ao livro </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/877/"><i><span style="font-weight: 400;">Matadouro-Cinco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1969) – e com as opressões do governo estadunidense. Como em uma obra ficcional pitoresca de Vonnegut, a distância que geralmente separa o diretor do fato narrado é quebrada no filme, transformando Robert B. Weide em um personagem dessa história. Como ele revela, Vonnegut foi uma de suas inspirações e fixações literárias na juventude, além de um amigo sincero. Weide aproximou-se do escritor com a ideia de gravar o documentário, e ficou décadas junto a ele, que faleceu em 2007. Mais de dez anos depois de sua morte, recebemos o resultado das milhares de gravações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das principais características literárias do autor é o uso da ironia e de um tipo de humor muito peculiar nos escritos. Bob Weide e Don Argott tentam manter isso na forma do documentário, embora em alguns momentos os relatos pessoais de Weide excedam demasiadamente o foco em Vonnegut. Ao mesmo tempo, o filme de 126 minutos vai fundo nas origens do mito literário, cuja história se assemelha à ficcional trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Forrest Gump</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1994). Tendo nascido em 1922 e falecido no início do século, o escritor estadunidense vivenciou grandes momentos históricos, e sempre os retratou através de sua voz original. Ao término de </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></i><span style="font-weight: 400;">, sentimos que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PbunvLdbWxA&amp;ab_channel=IFCFilms"><span style="font-weight: 400;">Robert B. Weide</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou um arco narrativo para lidar com o próprio luto, vivenciado não apenas pela perda do herói literário, mas também de um amigo. “</span><i><span style="font-weight: 400;">God bless you, Robert Weide”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27381" aria-describedby="caption-attachment-27381" style="width: 2074px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg" alt=" Cena do filme Navalny, em que um homem branco, de meia idade, cabelos curtos e escuros, vestindo um terno, apoia suas mãos e cotovelos sobre a bancada de um bar. O estabelecimento está vazio. No balcão, vê-se somente um copo de água. O homem olha diretamente para a câmera, com a cabeça ligeiramente baixa e uma das sobrancelhas levantadas." width="2074" height="1167" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg 2074w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27381" class="wp-caption-text">Antes de chegar ao Festival É Tudo Verdade, Navalny foi destaque na edição deste ano do Festival Sundance de Cinema, onde foi premiado nas categorias de Documentário Americano e Favorito do Festival (Foto: Fishbowl Films)</figcaption></figure>
<p><b>Navalny (Idem, Daniel Roher, EUA, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 20 de agosto de 2020, Alexei Navalny, principal opositor ao atual governo russo de Putin, foi </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54024050"><span style="font-weight: 400;">envenenado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um voo de Tomsk para Moscou. O ativista sobreviveu ao ocorrido, cujo principal suspeito, para a opinião pública, era o próprio presidente do país. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Daniel Roher, acompanha metodicamente os passos de Alexei durante esse árduo período, figurando às câmeras a extensa investigação – que ele conduziu por conta própria – em busca dos responsáveis pelo atentado, e a sua admirável bravura de, mesmo após ser vítima de tamanha barbaridade, </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/02/02/alexei-navalny-e-condenado-a-prisao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">retornar ao seu país</span></a><span style="font-weight: 400;"> para lutar pela democracia e dignidade do povo russo. Admirável bravura? Será mesmo?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensação agridoce permeando todos os 98 minutos do documentário que é difícil de ignorar. Roher rotula </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;"> como um </span><i><span style="font-weight: 400;">‘thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">documental’, e, de fato, ele se mune de inúmeras estratégias narrativas para construir sua história. Então, se a produção quer te passar tristeza, indignação, raiva, ele o fará da maneira mais exagerada e artificial possível. A trilha sonora derivativa, o foco constante em rostos chorosos, as imagens em preto-e-branco retiradas de jornais, acompanhadas por uma narração canastrona; é uma quantidade de escolhas tão batidas que não apenas obstruem a mensagem passada, como também romantizam a figura deste homem, que está longe de ser </span><a href="https://www.wort.lu/pt/mundo/alexei-navalny-nacionalista-xen-fobo-ou-liberal-pr-ocidente-601a85b2de135b9236be9766"><span style="font-weight: 400;">incontestável</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que Navalny é considerado defensor dos direitos humanos e um exemplo na luta contra o </span><a href="https://www.esquerda.net/dossier/repressao-corrupcao-e-apoio-extrema-direita-o-reinado-de-putin-visto-pelo-esquerdanet/79955"><span style="font-weight: 400;">imperialismo russo</span></a><span style="font-weight: 400;">, suas principais pautas são a corrupção e degradação do sistema político, </span><a href="https://theintercept.com/2021/08/03/corrupcao-como-lava-jato-ainda-ajuda-bolsonaro/"><span style="font-weight: 400;">muito comuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre expoentes da extrema-direita. Um admirador ferrenho dos Estados Unidos, que iniciou sua trajetória política apoiado em discursos reacionários, nacionalistas e racistas – algumas falas que, inclusive, ele </span><a href="https://www.theguardian.com/world/2017/apr/29/alexei-navalny-on-putins-russia-all-autocratic-regimes-come-to-an-end"><span style="font-weight: 400;">ainda reivindica</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao invés de esconder essa faceta do espectador, faz pior. Quando Alexei diz que dialogaria tranquilamente com um nazista e vangloria-se de sua capacidade de &#8216;</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/02/paises-impoem-diferentes-limites-entre-apologia-do-nazismo-e-liberdade-de-expressao.shtml"><span style="font-weight: 400;">dialogar</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8216; com os ‘dois lados’, Roher comete a atrocidade de relativizar a fala, intercalando-a com mais um retrato heróico e imaculado. Quando sobem os créditos e cessa a tortura, apenas resta um pensamento: esse filme só poderia ser americano. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27382" aria-describedby="caption-attachment-27382" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg" alt="Cena do documentário Os Caras do Estreito, mostra 5 homens segurando uma bandeira em uma linha de trem. Está de dia e o redor é verde e arborizado, a bandeira é branca com círculo azul e triângulos amarelos. " width="2000" height="1126" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27382" class="wp-caption-text">O filme tem direção de Rick Minnich e roteiro assinado por ele ao lado de Matt Sweetwood (Foto: Torero Film)</figcaption></figure>
<p><b>Os Caras do Estreito (The Strait Guys, Rick Minnich, Alemanha/Finlândia/Canadá, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor Rick Minnich quer fazer sua presença ser notada. Abrindo com uma explicação das intenções e particularidades de sua própria obra, o americano residente de Berlim conta que o projeto está localizado em um lugar próximo do coração, afinal, é uma encruzilhada que dura anos e anos. No documentário, acompanhamos um engenheiro idoso que tenta a todo custo colocar em prática o plano da construção de um túnel, a </span><a href="https://www.intercontinentalrailway.com/"><span style="font-weight: 400;">InterContinental Railway</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conecte Alaska e Rússia. É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49437-The-Strait-Guys"><span style="font-weight: 400;">sonho febril</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo para a época em que foi desenhado pela primeira vez, quando Abraham Lincoln ainda respirava. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as Guerras Mundiais e o embate soviético e norte-americano que as sucederam, o plano parecia cada vez mais pender para a ficção. Milhares de dólares são gastos, reuniões são agendadas e realizadas, viagens são marcadas e discursos, dados. No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem tara em documentar o fracasso, em capturar homens brancos, bem-afortunados e mesquinhos tendo seus prazeres mais latentes negados. O passado é contrariado, mas a </span><a href="https://jcconcursos.com.br/noticia/brasil/guerra-na-ucrania-ja-causou-danos-de-100-bilhoes-de-dolares-entenda-92670"><span style="font-weight: 400;">invasão russa na Ucrânia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é apenas mais um indicativo que a nação pouco se interessa em conectar suas terras às dos Estados Unidos. Agora, só falta alguém contar isso para a galera que realizou esse filme. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27383" aria-describedby="caption-attachment-27383" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg" alt="Cena em preto-e-branco do filme Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro, em que um homem negro, vestindo um terno e chapéu, olha para frente com atenção. Logo atrás dele, vê-se outros dois homens. Um deles manuseia uma câmera de filmagem antiga, e o outro, mais ao fundo, observa os dois." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27383" class="wp-caption-text">O documentário é composto por diversos trechos de diferentes obras de Oscar Micheaux, servindo também como uma ótima apresentação do cineasta a novos públicos (Foto: Quoiat Films)</figcaption></figure>
<p><b>Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro (Oscar Micheaux: The Superhero of Black Fimmaking, Francesco Zippel, Itália, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da seleção do Festival de Cannes de 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro</span></i><span style="font-weight: 400;"> parte de uma tendência particular. Em um período como o que vivemos, em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">obras ficcionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/lovecraft-country-critica/"><span style="font-weight: 400;">Televisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxeram à luz partes da história dos Estados Unidos que haviam sido apagadas na vida real, e documentários como </span><a href="https://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são reconhecidos por todas as premiações possíveis, o diretor Francesco Zippel dá atenção à carreira do </span><a href="https://www.memoriascinematograficas.com.br/2018/11/oscar-micheaux-o-primeiro-cineasta-negro.html"><span style="font-weight: 400;">primeiro cineasta negro</span></a><span style="font-weight: 400;"> das Américas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comparações com </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Sam Pollard são constantes, entretanto, elas nunca têm o intuito de desmerecê-lo. Na verdade, o ponto é exatamente demonstrar como Micheaux influenciou as convenções do Cinema negro desde a sua base, mesmo que por vezes a indústria tenha o desmerecido ou encoberto seu legado. De </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-metodo-kominsky-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Morgan Freeman</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Chuck D., diversas figuras importantes para a cultura negra dão sua contribuição e visão a respeito da obra do diretor, formando praticamente uma catarse e celebração coletiva à herança deixada por Micheaux.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Zippel mergulha nos aspectos mais intrigantes dos filmes de Micheaux, que construiu sua carreira no cinema mudo dos anos 20, quando filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Nascimento de uma Nação</span></i> <a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151230_kkk_aniversario_tg"><span style="font-weight: 400;">ferviam o ódio racial</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos EUA. O papel dele nesse contexto foi pivotal, com sua cinematografia experimental e impetuosa, e suas narrativas disruptivas que, a partir de uma perspectiva subversiva, desafiavam tanto o racismo quanto as barreiras de linguagem da Sétima Arte. Lançado no 70º aniversário de Oscar Micheaux, Zippel o eterniza através de um documentário primordial e latente. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27384" aria-describedby="caption-attachment-27384" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg" alt="Cena do filme O Território. A imagem mostra uma pessoa dirigindo uma moto vermelha ao centro. Ela atravessa uma mata por uma trilha e algumas árvores ao redor estão pegando fogo." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27384" class="wp-caption-text">“O território é uma ilha de floresta cercada de fazendas” (Foto: National Geographic)</figcaption></figure>
<p><b>O Território (The Territory, Alex Pritz, Brasil/Dinamarca/Estados Unidos, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de Alex Pritz era uma das </span><a href="https://agenciacenarium.com.br/coproduzido-por-indigenas-de-ro-filme-sobre-defesa-de-territorios-ganha-1a-exibicao-no-brasil-cinema-lotado-e-com-fila-de-espera/"><span style="font-weight: 400;">obras mais esperadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da seleção de 2022 do É Tudo Verdade. Vindo do Festival de Sundance, onde foi agraciado com o Prêmio do Público e com o Prêmio Especial do Júri e adquirido para a distribuição poderosa do </span><i><span style="font-weight: 400;">National Geographic</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme encontrou salas de cinema lotadas em São Paulo e o lugar de honra como obra de encerramento da 27ª edição do maior festival de Cinema documental do mundo. E depois de finalmente apreciá-lo, é entendido que nenhum aspecto dessa aclamação toda é em vão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal motivo, talvez, seja pela capacidade de compreensão do fato que deve estar no horizonte de quem se propõe a registrar a realidade: o debate ambiental e indígena passou de um mero assunto dentre tantos outros que acompanham a existência humana no mundo para ser agora uma questão de sobrevivência. Com essa consciência, o diretor se estabeleceu na Amazônia da tribo </span><a href="http://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/ro-terra-indigena-uru-eu-wau-wau-sofre-invasoes-desde-1980/"><span style="font-weight: 400;">Uru-eu-wau-wau</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os anos de 2018 e 2021, a fim de aproximar o espectador do conflito local, que se revela também, como todo bom brasileiro de 2022 já deve saber, como o embate de outras centenas de povos indígenas do país: a disputa por território e demarcação de terras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, as belas paisagens da fotografia que Alex Pritz divide com Tangãi Uru-eu-wau-wau (em apenas uma das instâncias do filme cujo crédito também vai para a tribo que o protagoniza) não relevam em momento algum a gravidade do debate de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Território</span></i><span style="font-weight: 400;">, que toma parte também das associações de agricultores e fazendeiros (a outra parte do embate pela terra), ambientalistas e lideranças indígenas. Tudo como forma de divulgar para o mundo uma das </span><a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-monitoramento/conflitos-deflagram-urgencia-na-desintrusao-de-invasores-em-terras-indigenas"><span style="font-weight: 400;">maiores urgências</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país que abriga o seu pulmão. E se o filme está fazendo isso junto do povo que vive essa realidade e essa luta em carne e osso, pelo menos um território está sendo garantido. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27385" aria-describedby="caption-attachment-27385" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg" alt="Cena do filme Quando Falta o Ar. A imagem mostra uma cabana de madeira, onde existe uma janela no lado esquerdo. Através dela, podemos observar uma mãe com uma criança no colo. Ela está esticando sua mão para fora da janela, em direção ao lado direito da imagem, a fim de alcançar uma profissional de saúde. Ela está do outro lado da imagem, apoiado na porta da cabana, usando roupas brancas que a cobrem da cabeça aos pés. Na madeira da cabana, existem traços de lodo." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27385" class="wp-caption-text">Premiado na categoria dos longas brasileiros, Quando Falta o Ar encontra fôlego para falar sobre a pandemia de covid-19 no Brasil (Foto: Clementina Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Quando Falta o Ar (Ana Petta e Helena Petta, Brasil, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2022 não teve como fugir: o assunto principal ainda é </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,quando-falta-ar-acompanha-a-linha-de-frente-do-sus-no-pior-momento-da-pandemia,70004028843"><span style="font-weight: 400;">a pandemia</span></a><span style="font-weight: 400;">, como pontuou o Festival É Tudo Verdade ao premiar </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Falta o Ar</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a honraria máxima da seção dos longas-metragens brasileiros. No filme de Anna e Helena Petta, conhecemos de perto a realidade da linha de frente no combate à covid-19, através do cotidiano dos profissionais do maior sistema de saúde público do mundo que se estabelece num país desgovernado em plena crise sanitária mundial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diferença do filme em questão para todos os outros que se propõe a retratar esse contexto e suas particularidades locais, no entanto, é a sensibilidade das diretoras para com as sutilezas do dia a dia que revelam interseção complexa entre saúde, religiosidade, desigualdade, classismo e racismo que fundamentam </span><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/pandemia-e-desigualdade-social-a-defesa-dos-vulneraveis-no-sistema-de-justica-05102020"><span style="font-weight: 400;">o Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> que conhecemos. Para o período sufocante que se mostrou um dos mais difíceis da nossa história recente, o documentário encontra fôlego para processar o que tentamos superar desde março de 2020. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27386" aria-describedby="caption-attachment-27386" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg" alt="Cena do filme Quem Tem Medo?. A imagem mostra uma cena da peça de teatro “O Evangelho Segundo Jesus”. O fundo é escuro, e a imagem é iluminada apenas por uma fileira de velas que aparece do centro em direção ao lado direito da imagem. No lado esquerdo, existe uma mulher de cabelos longos ondulados da qual podemos ver apenas o corpo, coberto por um vestido brilhoso prateado. A mão direita dela está sobre um caixão branco, do qual aparece apenas um pedaço, no canto esquerdo da imagem." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27386" class="wp-caption-text">Em imagens melancólicas e depoimentos amargos, Quem Tem Medo? busca interpretar a ascensão da extrema-direita no Brasil através da censura às artes (Foto: Multiverso)</figcaption></figure>
<p><b>Quem Tem Medo? (Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas são as óticas para analisar a ascensão da extrema-direita no Brasil. Para Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, a melhor delas é através da Arte. Desde 2017, as produções artísticas e demais manifestações culturais têm sido alvo de </span><a href="https://conexao.ufrj.br/2017/10/o-que-esta-por-tras-da-censura-a-arte-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte das classes conservadoras do país, e quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência em 2018, o movimento apenas se intensificou. Na trava do conflito entre a Arte e a Política, está a observação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Medo?</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para construir seu raciocínio, o documentário traz os testemunhos de diversos artistas que passaram se não por episódios diretos de censura, ameaças, repreensões, perseguições por seus trabalhos transgressores. Desviando do caminho incongruente de discutir os méritos das obras artísticas em si, o filme se dedica a procurar a raiz da repressão direitista, com a ajuda de registros documentais de algumas ações das instituições democráticas. Sem muito comprometimento com a obviedade das questões que levanta e com a amplitude de seu tema inicial, no entanto, a pergunta que fica é: </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/censura-as-artes-nao-e-nova-na-historia-e-vai-alem-de-ditaduras/"><i><span style="font-weight: 400;">por que o medo?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27387" aria-describedby="caption-attachment-27387" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg" alt="Cena do documentário Retratos do Futuro. A imagem é em preto e branco e tem efeito granulado. A foto mostra um trecho de avenida em uma cidade suja e deserta. Existem escombros de madeira em toda a parte ao redor da rua. Ao centro, existe uma pessoa caminhando com equipamento de proteção sanitária, da qual pode-se enxergar apenas o contorno." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27387" class="wp-caption-text">Além de integrar a seleção do Festival É Tudo Verdade, a produção 100% independente de Retratos do Futuro também chegou ao Festival Internacional de Documentários de Amsterdam (IDFA) 2022 (Foto: Virna Molina)</figcaption></figure>
<p><b>Retratos do Futuro (Retratos del Futuro, Virna Molina, Argentina, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A realidade pode ser bem mais assustadora do que qualquer ficção, e </span><a href="https://vertentesdocinema.com/retratos-do-futuro/"><span style="font-weight: 400;">Virna Molina</span></a><span style="font-weight: 400;"> sabe bem disso. Em seu filme mais recente, a documentarista argentina teve de lidar com a mudança de planos que a pandemia de covid-19 impôs ao mundo, o que, na verdade, acabou significando de forma ainda mais profunda suas intenções com o documentário. Inicialmente, ela registrava a resistência das trabalhadoras de Buenos Aires, mas a propagação do (nem tão) novo coronavírus interrompeu as atividades do filme e a vida de algumas das suas protagonistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, diante das circunstâncias postas em março de 2020, Molina viu o presente se concretizar a partir do que antes ela imaginava como uma espécie de futuro distópico. Tão abstrata quanto a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=23QfFgTjSC8"><span style="font-weight: 400;">reflexão filosófica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ruma a obra denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">Retratos do Futuro</span></i><span style="font-weight: 400;">, a leitura do filme passa a ser direcionada por uma digressão de Virna. Orientada por alguns registros prévios, outros pandêmicos, e muitos históricos, ela apresenta uma linguagem verbal e visual meticulosa para suas imagens em preto e branco, que concretiza um tom macabro e assustador ao filme. E por mais etéreas e sintéticas que as cenas possam parecer, tudo aquilo não passa nossa realidade. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27388" aria-describedby="caption-attachment-27388" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg" alt="Cena do filme Sinfonia de um Homem Comum. A imagem mostra um senhor branco de cabelos grisalhos sentado à frente de um piano. Ele está de perfil, virado para o lado esquerdo. Ele usa uma camisa azul clara e óculos marrom. O piano é preto e está numa sala. Ao fundo, em desfoque, existem móveis como cadeiras e quadros na parede. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27388" class="wp-caption-text">Menção honrosa da competição de longas brasileiros, Sinfonia de um Homem Comum traz a participação dos exs-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula (Foto: Coevos Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Sinfonia de um Homem Comum (José Joffily, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um homem que de comum não tem nada tocando uma sinfonia que não é dele. Contrariando todas as expectativas que suscita, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinfonia de um Homem Comum</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta a história de José Maurício Bustani, o brasileiro que foi o primeiro diretor geral da </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/organizacao-para-proibicao-das-armas-quimicas-ganha-nobel-da-paz.html#:~:text=A%20Opaq%20(Organiza%C3%A7%C3%A3o%20para%20a,os%20arsenais%20qu%C3%ADmicos%20pelo%20mundo."><span style="font-weight: 400;">OPAQ</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Organização para a Proibição de Armas Químicas). Em uma gestão firme com o objetivo da instituição e imparcial diante das influências externas, o período de sua liderança foi iniciado em 1997 e encerrado em 2002, pela pressão dos Estados Unidos, quando às vésperas da guerra no Iraque, Bustani identificou a inconsistência para a </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/invasao-americana-no-iraque.htm"><span style="font-weight: 400;">invasão</span></a><span style="font-weight: 400;"> da potência norte-americana no país do Oriente Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É, a premissa do filme nada tem a ver com a música, e esse elemento segue desconectado do resto da narrativa até o fim. Sua única inclusão na narrativa é como a atividade que ocupa o tempo da aposentadoria de Bustani, que 19 anos depois do fim de sua carreira na instituição, vê as mesmas situações acontecendo nas mesmas instituições. Assim, a referência passa a ser mais subjetiva, já que assim como as peças musicais, a história e atuação da humanidade no mundo se repetem em alguns aspectos &#8211; e esse acaba sendo o triunfo do filme de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XbptlEYasno"><span style="font-weight: 400;">José Joffily</span></a><span style="font-weight: 400;">, que recebeu menção honrosa dentre os selecionados para a competição de longas nacionais do É Tudo Verdade 2022. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27389" aria-describedby="caption-attachment-27389" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg" alt="Cena do filme Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue, que mostra uma fotografia granulada em preto e branco de duas garotas. Uma permanece sentada e a outra se escora no corpo da outra menina, apoiando a cabeça com as mão direita." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27389" class="wp-caption-text">Produzido em colaboração com sua mãe, Claudie Hunzinger, o filme de Robin Hunzinger recebeu uma menção honrosa do Festival É Tudo Verdade na categoria Longas ou Médias-Metragens da Competição Internacional (Foto: ANA Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue (Ultraviolette et le Gang des Cracheuses de Sang, Robin Hunzinger, França, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensibilidade pujante na forma com que Robin Hunzinger grava simples fotografias. Os pequenos fragmentos de recordações perdidas em que ele foca persistentemente – imagens retiradas de um cofre trancado a sete chaves – parecem dispersos, borrados, fora do nosso alcance, arrancados de um passado jamais revisitado. Porém, ironicamente, ao mesmo tempo que observá-las parece à primeira vista inapropriado, aqueles documentos e escritos carregam consigo um sentimento de novidade e refrescância estreitamente conectada à </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-sex-lives-of-college-girls-critica/"><span style="font-weight: 400;">experiência da adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recorte íntimo e pessoal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencial. A narrativa do documentário gira em torno das cartas, fotografias e relatos da falecida avó de Robin, Emma, a respeito de um relacionamento que ela cultivou na juventude com uma garota chamada Michelle. O que pode parecer somente uma relação de companheirismo, não demora a revelar-se como um romance adolescente, com direito a todas as suas peculiaridades. No entanto, a conexão é posta em perigo no momento em que Michelle </span><a href="https://redetb.org.br/historia-da-tuberculose/"><span style="font-weight: 400;">contrai tuberculose</span></a><span style="font-weight: 400;"> e é submetida a um sanatório, quando as duas passam a se comunicar somente por cartas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A garota, então, decide abraçar sua condição e transformar isso, junto a outras, em uma bandeira. A personalidade de Michelle, mesmo que limitada por poucas fotos, ecoa com potência por todo o longa, e a presença das Cuspidoras de Sangue personifica a rebeldia e visceralidade inerentes à </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><span style="font-weight: 400;">vivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando rosto a essas dores – corporificadas por lembranças materiais. A fotografia minimalista e inventiva consegue costurar majestosamente os dois temas e, no seu papel como mero observador, o diretor conclui, ao fim, que são apenas memórias que nos restam. Afinal, o que fazer com elas? Hunzinger decidiu transformá-las em Arte. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27390" aria-describedby="caption-attachment-27390" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27390" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg" alt="Cena do filme Vento na Fronteira. A imagem mostra um protesto indígena no Palácio do Planalto, em Brasília. Existem muitas pessoas espalhadas pelo gramado do local e uma fumaça branca preenche a imagem de fora a fora. Ao centro, existe um indígena caminhando em direção ao lado direito da imagem, segurando uma lança e usando um cocar. No lado esquerdo, existe uma outra pessoa carregando um caixão preto." width="1536" height="811" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1024x541.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-768x406.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1200x634.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27390" class="wp-caption-text">O longa Vento na Fronteira é parte da seção O Estado das Coisas, que abarca obras com viés jornalístico e informativo (Foto: Laboratório Cisco)</figcaption></figure>
<p><b>Vento na Fronteira (Mariana Weis e Laura Faerman, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a relação entre os povos indígenas com os produtores ruralistas gera um dos conflitos mais urgentes nas cinco regiões do nosso país, tudo se intensifica no lugar que abriga o coração do agronegócio brasileiro. Colocando suas câmeras na região da violenta fronteira do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/10/entenda-onda-de-violencia-que-impoe-medo-na-fronteira-do-brasil-com-o-paraguai.shtml"><span style="font-weight: 400;">Brasil com o Paraguai</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mariana Weis e Laura Faerman capturam a dinâmica de crescimento e exercício de força da política ruralista, fortalecida pelo governo Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que observam a insurgência das lideranças indígenas em sua luta pela terra, pelo seu povo e pela natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> existe em meio aos extremos, mas a câmera próxima das diretoras, por sua vez, faz dessa característica um dos pontos altos do filme: adentrando desde os espaços íntimos de mobilização do povo </span><a href="https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Guarani_Kaiow%C3%A1"><span style="font-weight: 400;">Guarani-Kaiowá</span></a><span style="font-weight: 400;"> até as discussões estratégias dos grupos ruralistas, o documentário subverte uma linguagem que inicialmente poderia sugerir uma falsa neutralidade para destacar as intenções e interesses dos lados em disputa. Numa boa contemplação do óbvio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe de qual lado está. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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		<title>Sou feliz porque sei, com certeza, que ela me ama: 90 anos de Senhoritas em Uniforme</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Dec 2021 15:01:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori 1931, dentro de um internato, se deu o primeiro beijo lésbico reconhecido pela história da Sétima Arte. O título é honra, não dos tímidos beijos trocados por um casal de mulheres arlequinamente dançantes em Le départ d’Arlequin et de Pierrette (1900), da pioneira mãe do Cinema, Alice Guy-Blaché, ou do sex appeal de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/senhoritas-em-uniforme-90-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sou feliz porque sei, com certeza, que ela me ama: 90 anos de Senhoritas em Uniforme"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_25392" aria-describedby="caption-attachment-25392" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25392" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img1-1.jpg" alt="Cena do filme Senhoritas em Uniforme de Leontine Sagan. Nela está Fräulein von Bernburg, interpretada por Dorothea Wieck, e Manuela, interpretada por Hertha Thiele. Ambas são mulheres brancas e se encaram. Fräulein von Bernburg segura o rosto de Manuela com as mãos, inclinando-o para cima. A fotografia é em preto e branco com filtro granulado. Os tons escuros se esfumam junto do branco que parece brilhar. A proporção da tela é de 1.20:1." width="1600" height="1353" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img1-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img1-1-800x677.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img1-1-1024x866.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img1-1-768x649.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img1-1-1536x1299.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img1-1-1200x1015.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25392" class="wp-caption-text">Precursor do Cinema queer, Mädchen in Uniform (título original de Senhoritas em Uniforme) foi a estreia da curta filmografia de Leontine Sagan [Foto: Deutsche Film-Gemeinschaft]</figcaption></figure><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">1931, dentro de um internato, se deu o primeiro beijo lésbico reconhecido pela história da Sétima Arte. O título é honra, não dos tímidos beijos trocados por um casal de mulheres arlequinamente dançantes em </span><a href="https://www.splicetoday.com/moving-pictures/dancing-with-alice-guy-blache"><i><span style="font-weight: 400;">Le départ d’Arlequin et de Pierrette</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1900), da pioneira mãe do Cinema, </span><a href="https://mulhernocinema.com/entrevistas/documentario-recupera-trajetoria-de-alice-guy-blache-a-primeira-cineasta-da-historia/"><span style="font-weight: 400;">Alice Guy-Blaché</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou do </span><i><span style="font-weight: 400;">sex appeal</span></i><span style="font-weight: 400;"> de um beijo sáfico roubado por uma Marlene Dietrich andrógina em </span><a href="http://www.contracampo.com.br/85/dvdmarrocos.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Marrocos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1930), mas sim, por direito, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Senhoritas em Uniforme</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1931). Marco do audiovisual LGBTQIA+, a produção alemã determinou os destinos da ficção </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">ao longo de seus 90 anos, revelando com sensibilidade o florescer do desejo lésbico. E realizado por uma equipe de mulheres, na desobediência, é alcançada a libertação.</span></p>
<p><span id="more-25391"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do roteiro à execução, a perspectiva do filme é inteiramente feminina. Baseado na peça teatral </span><i><span style="font-weight: 400;">Gestern und Heute</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1930), escrita por </span><a href="https://legacyprojectchicago.org/person/christa-winsloe"><span style="font-weight: 400;">Christa Winsloe</span></a><span style="font-weight: 400;"> – ex-Baronesa assumidamente lésbica –, a história relata a experiência pessoal da dramaturga ao viver sobre a austeridade de um colégio interno em Postdam, ainda na adolescência. O sucesso da trama levou à adaptação de </span><a href="https://feitoporelas.com.br/feito-por-elas-155-senhoritas-em-uniforme/"><span style="font-weight: 400;">Leontine Sagan</span></a><span style="font-weight: 400;"> no ano seguinte e outra em 1958, uma refilmagem quase idêntica da original, dirigida por </span><a href="https://50anosdefilmes.com.br/2012/senhoritas-em-uniforme-madchen-in-uniform/"><span style="font-weight: 400;">Géza von Radványi</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em ambos, o elenco é todo composto por mulheres. A única presença masculina se manifesta simbolicamente através da imobilidade dos heróis de guerra imortalizados no mármore das esculturas que cercam a arquitetura sóbria do internato.</span></p>
<figure id="attachment_25393" aria-describedby="caption-attachment-25393" style="width: 1061px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25393" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img2.jpg" alt="Cena do filme Senhoritas em Uniforme de Leontine Sagan. Nela está em fileira um grupo de colegiais que cantam de frente para a câmera. O uniforme delas é um vestido listrado com golas brancas e um laço central, além de um broche arredondado, semelhante a um cravo. A fotografia é em preto e branco com filtro granulado. A proporção da tela é de 1.20:1." width="1061" height="887" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img2.jpg 1061w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img2-800x669.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img2-1024x856.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img2-768x642.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25393" class="wp-caption-text">O filme venceu a categoria de Melhor Perfeição Técnica na primeira edição do Festival de Veneza em 1932 (Foto: Deutsche Film-Gemeinschaft)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos primeiros minutos do filme, somos introduzidos à protagonista. Ela é Manuela (Hertha Thiele), uma adolescente de 14 anos, enviada de malgrado para um internato destinado </span><a href="https://thehotpinkpen.com/2020/09/02/leontine-sagans-german-cult-classic-madchen-in-uniform-hails-a-ground-breaking-all-female-cast-filmed-in-1931/"><span style="font-weight: 400;">somente à moças</span></a><span style="font-weight: 400;">. Praticamente órfã, ela perdeu precocemente a mãe, enquanto o pai, como um “bom” soldado prussiano, ausenta-se do papel de educar a filha. Uma menina especialmente sensível, Manuela se depara de imediato com o autoritarismo da diretora Fräulein von Nordeck zur Nidden (Emilia Unda). Por consequência, entra em conflito a irreverência da aliança fraterna entre as colegiais contra a tirania da instituição patriarcal representada pelas professoras. Bom, </span><a href="https://www.tcm.com/video/1578953/madchen-in-uniform-1931-movie-clip-why-are-you-shaking"><span style="font-weight: 400;">nem toda professora</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">Cuidado para não se apaixonar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">Por quê?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">Porque todas as garotas têm uma queda pela Srta. Fräulein von Bernburg.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi o conselho oferecido à recém-chegada pelas novas colegas, não como um aviso moral, mas como um subtexto brincalhão, mandando-a entrar na longa fila de admiradoras. Atravessando as paredes frias dos dormitórios compartilhados, dos vestiários confessionais ou, ainda, das cortinas que separam cada cabine do banheiro, a </span><a href="https://kiradeshler.substack.com/p/madchen-in-uniforms-revolutionary"><span style="font-weight: 400;">admiração pela professora</span></a><span style="font-weight: 400;"> Fräulein von Bernburg (Dorothea Wieck) é consenso entre as garotas – e com Manuela, não foi diferente. A professora é culta, elegante e incrivelmente bela. Diferente das matriarcas mais tradicionais, Fräulein von Bernburg é compreensiva, valorizando o afeto no aprendizado, tanto quanto na disciplina. Não há como não se encantar por uma mulher tão fascinante quanto ela.</span></p>
<figure id="attachment_25394" aria-describedby="caption-attachment-25394" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25394" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img3.jpg" alt="Cena do filme Senhoritas em Uniforme de Leontine Sagan. Nela está Fräulein von Bernburg, interpretada por Dorothea Wieck, e Manuela, interpretada por Hertha Thiele. Fräulein von Bernburg é uma mulher branca. De cabelo preso em coque, ela veste um vestido escuro. Já Manuela, é uma adolescente branca. Seu cabelo está preso em um rabo de cavalo frouxo e ela veste uma camisola branca. Ambas se encaram. Manuela está de costas para a câmera, levantando-se da cama de encontro com Fräulein von Bernburg. O fundo é um dormitório compartilhado com camas metálicas. A fotografia é em preto e branco com filtro granulado. Os tons escuros se esfumam junto do branco que parece brilhar. A proporção da tela é de 1.20:1." width="700" height="586" /><figcaption id="caption-attachment-25394" class="wp-caption-text">Fenômeno do Cinema LGBTQIA+, a naturalização do lesbianismo de Senhoritas em Uniforme ressoa nos 90 anos de sua história, desde os experimentalismos vanguardistas de Chantal Akerman aos retratos homoeróticos de Céline Sciamma (Foto: Deutsche Film-Gemeinschaft)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As garotas adoram Fräulein von Bernburg, dançam juntas, bordam dentro de um coração as iniciais de seus nomes combinados com a da professora e confessam naturalmente a paixão pela mulher mais velha. </span><a href="https://personaunesp.com.br/retrato-jovem-chamas-critica/"><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">queerness </span></i><span style="font-weight: 400;">é normalizado</span></a><span style="font-weight: 400;">, abrindo-se as portas de um universo íntimo emancipado das amarras compulsórias da sociedade heterossexual, celebrando o amor em suas muitas formas – maternal (Fräulein von Bernburg), fraternal (Ilse) ou, mesmo, homossexual (Manuela). O erotismo lésbico se apresenta com inocência, não como algo sujo. E Manuela fica completamente hipnotizada pela professora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><a href="https://youtu.be/mBrAsTARANY"><span style="font-weight: 400;">cena mais memorável do filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma fileira de colegiais em camisolas brancas, esperam ansiosamente o beijo de boa noite de Fräulein von Bernburg. A professora caminha de cama em cama, beijando testa por testa como num </span><i><span style="font-weight: 400;">eros </span></i><span style="font-weight: 400;">ritualístico. A última é Manuela, que espera ansiosamente pela sua vez, observando a professora cruzar, sem pressa, o dormitório. Seguida por </span><i><span style="font-weight: 400;">close-ups</span></i><span style="font-weight: 400;"> de olhares cheios de desejo, a antecipação é inquietante. Cresce em Manuela um sentimento inebriante, confundindo, despertando. Quando chega a sua vez, ela abraça a mulher mais velha, quase implorando por um beijo nos lábios, que lhe é concedido.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">Quando você diz boa noite e fecha a porta do quarto, encaro-a na escuridão. Eu quero me levantar e ir até você, mas sei que não posso. Penso que quando eu sair da escola, você ainda estará aqui. E toda noite, você beijará novas garotas.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_25395" aria-describedby="caption-attachment-25395" style="width: 1353px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25395" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img4.jpg" alt="Cena do filme Senhoritas em Uniforme de Leontine Sagan. Nela está Manuela, interpretada por Hertha Thiele. Manuela, é uma adolescente branca. Seu cabelo está preso em um rabo de cavalo frouxo e ela veste uma camisola branca. A imagem é close-up do rosto de Manuela, inclinado para a esquerda. Ela aparenta estar triste. O fundo é cinza. A fotografia é em preto e branco com filtro granulado. Os tons escuros se esfumam junto do branco que parece brilhar. A proporção da tela é de 1.20:1." width="1353" height="1121" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img4.jpg 1353w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img4-800x663.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img4-1024x848.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img4-768x636.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img4-1200x994.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25395" class="wp-caption-text">Hertha Thiele viveu à altura da bravura de Manuela, assumindo postura contrária ao regime totalitário e tornando-se febre entre as adolescentes que enviavam cartas de adoração à atriz (Foto: Deutsche Film-Gemeinschaft)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do </span><a href="http://www.mnemocine.com.br/index.php/cinema-categoria/24-histcinema/89-notas-para-uma-historia-do-cinema-homossexual-na-era-dos-regimes-totalitarios"><span style="font-weight: 400;">clima propício para explorar questões de gênero e sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Alemanha, que se tornou uma espécie de meca LGBTQIA+ nas décadas anteriores, </span><i><span style="font-weight: 400;">Senhoritas em Uniforme</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi feito no auge da decadência progressista de Weimar. Avançava o ativismo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">no país, graças à </span><i><span style="font-weight: 400;">Liga Mundial pela Reforma Sexual</span></i><span style="font-weight: 400;"> do sexólogo gay </span><a href="https://revistahibrida.com.br/2019/04/12/magnus-hirschfeld-o-medico-gay-e-judeu-que-defendia-lgbts-do-nazismo/"><span style="font-weight: 400;">Magnus Hirschfeld</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, acredite se quiser, havia mais de cinquenta bares lésbicos (</span><i><span style="font-weight: 400;">Damenklub</span></i><span style="font-weight: 400;">) somente em Berlim. Ninguém diria que em dois anos </span><a href="https://revistahibrida.com.br/2019/04/19/a-perseguicao-contra-mulheres-queer-durante-o-holocausto/"><span style="font-weight: 400;">tudo mudaria</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As únicas três produções dirigidas por Sagan davam sinais de um movimento nascente que transcendia a dramaticidade do </span><a href="https://www.aicinema.com.br/expressionismo-alemao-movimentos-cinematograficos/"><span style="font-weight: 400;">expressionismo alemão</span></a><span style="font-weight: 400;">, como em </span><a href="https://jornal.usp.br/cultura/cem-anos-depois-o-gabinete-do-dr-caligari-reflete-panico-atual/"><i><span style="font-weight: 400;">O Gabinete do Dr. Caligari</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1920), de Robert Wiene. O claro-escuro não buscava mais acentuar as distorções psicológicas de um personagem masculino perturbado, pelo contrário, a cineasta sutilmente combinava elementos estilísticos expressionistas com a performance orgânica de suas atrizes, evocando a subjetividade da psique feminina. O preto se ilumina, o branco cintila. Sobre a tela prateada as emoções se derramam calorosamente entre os encontros de olhares perdidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos detalhes, a direção de Sagan se excede. Cada toque, cada carícia, cada vislumbre são enquadrados por uma soberba câmera que irradia deslumbrantemente o rosto das adolescentes. Os retratos são sutis, simplistas, cândidos e angelicalmente lindos. Romântico em sua narrativa, em sua forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Senhoritas em Uniforme</span></i><span style="font-weight: 400;"> enfatiza o indizível acima do dito. A expressividade do olhar de uma Manuela desolada é suficiente para compreender todas as dores da garota, carregando consigo as reminiscências das agonias dilacerantes de uma Joana d’Arc (Renée Jeanne Falconetti) em julgamento, no clássico </span><a href="https://personacinema.com.br/a-paixao-de-joana-darc-dreyer-dc97377c87ef"><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão de Joana d’Arc</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1928).</span></p>
<figure id="attachment_25396" aria-describedby="caption-attachment-25396" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25396" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img5.jpg" alt="Cena do filme Senhoritas em Uniforme de Leontine Sagan. Nela está um grupo de colegiais que conversam sobre uma escada. O uniforme delas é um vestido listrado com golas brancas e um laço central, além de um broche arredondado, semelhante a um cravo. No centro está Ilse, interpretada por Ellen Schwanneke, que olha para o além com as mãos cruzadas acima do peito. No fundo é possível ver as paredes do internato, além da continuação do guarda-corpo da escada que está à frente das garotas. A fotografia é em preto e branco com filtro granulado. A proporção da tela é de 1.20:1." width="1000" height="750" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img5.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img5-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img5-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25396" class="wp-caption-text">“Apenas a imagine pelada” (Foto: Deutsche Film-Gemeinschaft)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Infelizmente, com a tomada do poder pelo partido nazista, esse brilho se apagou quando a propaganda militar assumiu o controle da produção cultural alemã. Fato é que dentro do fascismo, não há espaço para a expansão do eu. O individualismo de Sagan foi comprimido na vida e na Arte. Além de ter sido proibido nos Estados Unidos perante o </span><a href="http://obviousmag.org/archives/2013/05/hollywood_os_anos_da_censura.html"><i><span style="font-weight: 400;">Código Hays</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – a censura foi retirada somente devido à moções conduzidas por uma </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2018/06/12-figuras-lgbt-historicas-que-mudaram-o-mundo#:~:text=A%20antiga%20primeira,que%20n%C3%B3s%20dizemos.%E2%80%9D"><span style="font-weight: 400;">influente aliada</span></a><span style="font-weight: 400;">, a primeira dama Eleanor Roosevelt –, </span><i><span style="font-weight: 400;">Senhoritas em Uniforme</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi visto como perigo pelo então ministro da Cultura, Joseph Goebbels, que ordenou que todas as cópias do filme fossem queimadas. Mas, por sorte, uma das cópias existentes fora da Alemanha sobreviveu, junto com o legado de Sagan.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inevitavelmente, o filme carrega em suas veias um evidente caráter político. Era uma Europa entreguerras, devastada pela fome e ameaçada pelo nascente partido nazista. A despótica diretora Fräulein von Nordeck zur Nidden é a personificação de toda a perversidade do regime autoritário de Hitler. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nós, prussianos, conhecemos a fome. Elas são filhas de soldados e, se Deus quiser, mães de soldados</span></i><span style="font-weight: 400;">”, declara a superiora, que sujeita as garotas à privação intencional de comida. Para ela, o sofrimento as dignifica, como verdadeiras </span><a href="https://open.spotify.com/track/6VIgGcxTOjPpvFUrFzM2TO?si=74eab7e2a384491d"><span style="font-weight: 400;">mulheres de Atenas</span></a><span style="font-weight: 400;">, instruídas aos bons costumes da Prússia, ao casamento e à fé.</span></p>
<figure id="attachment_25397" aria-describedby="caption-attachment-25397" style="width: 915px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25397" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img6.jpg" alt="Cena do filme Senhoritas em Uniforme de Leontine Sagan. Nela está Fräulein von Bernburg, interpretada por Dorothea Wieck, e Manuela, interpretada por Hertha Thiele. Ambas são mulheres brancas. Fräulein von Bernburg segura em seus braços Manuela, essa que está de cabeça baixa. A fotografia é em preto e branco com filtro granulado. Os tons escuros se esfumam junto do branco que parece brilhar. A proporção da tela é de 1.20:1." width="915" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img6.jpg 915w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img6-800x671.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img6-768x645.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25397" class="wp-caption-text">Com a tomada de Hitler sobre a Alemanha, Leontine Sagan fugiu para a Inglaterra e Christa Winsloe foi assassinada por um agente da Gestapo em 1944, enquanto exilava-se na Riviera Francesa (Foto: Deutsche Film-Gemeinschaft)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, embora seja uma obstinada declaração antifacista, no âmago de </span><i><span style="font-weight: 400;">Senhoritas em Uniforme</span></i><span style="font-weight: 400;">, afirma-se, antes de mais nada, uma história de amadurecimento. Sagan emparelha a consciência sociopolítica de seu tempo à representação hormonal dos primeiros amores, refletindo na narrativa uma experiência universal sob a especificidade de uma </span><a href="http://www.fiepbulletin.net/index.php/fiepbulletin/article/view/86.a1.38"><span style="font-weight: 400;">lente homoerótica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os corpos se maturam e, por trás das cortinas do internato, </span><a href="https://www.bfi.org.uk/features/madchen-in-uniform-leontine-sagan"><span style="font-weight: 400;">desperta-se silenciosamente o desejo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, uma vez que uma Manuela embriagada declara o seu amor para Fräulein von Bernburg, um limite é transgredido. Até que ponto a afeição homossocial entre as garotas era permitida?</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">Você não deveria pensar nessas coisas, muito menos falar sobre. Você deve voltar aos seus sentidos. Você deve ser curada custe o que custar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">Curada? Sobre o quê?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">Você não deveria me amar… tanto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">Por que não?</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os sentimentos, ora naturalizados pelo companheirismo sáfico das colegas, só eram aceitáveis devido à falta de meninos – não deviam significar nada além disso. Assim, firma-se um contrato taciturno que restringe essas afeições homoeróticas a um determinado estágio da juventude daquelas adolescentes que, com o tempo, sentiriam-se </span><a href="https://periodicos.ufrn.br/bagoas/article/view/2309"><span style="font-weight: 400;">compelidas a se entender como heterossexuais</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme se encerra com a certeza do amor de Manuela que entende, com medo, a influência de seus sentimentos sobre o futuro, enxergando, na morte, a única saída. Mas é na aliança que o último ato se finda.</span></p>
<figure id="attachment_25398" aria-describedby="caption-attachment-25398" style="width: 916px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25398" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img7.jpg" alt="Cena do filme Senhoritas em Uniforme de Leontine Sagan. Nela está Ilse, interpretada por Ellen Schwanneke, e Manuela, interpretada por Hertha Thiele. Ambas são garotas brancas e se encaram. Ilse segura firme o rosto de Manuela com as mãos. O uniforme delas é um vestido listrado com golas brancas e um laço central. A fotografia é em preto e branco com filtro granulado. Os tons escuros se esfumam junto do branco que parece brilhar. A proporção da tela é de 1.20:1." width="916" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img7.jpg 916w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img7-800x671.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/img7-768x644.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25398" class="wp-caption-text">“Foi estranho. Bernburg não disse uma única palavra. Mas ela te assistiu. Você não pode nem imaginar de quão perto ela te assistiu.” (Foto: Deutsche Film-Gemeinschaft)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Rebelando-se contra a tirania de Fräulein von Nordeck zur Nidden, as colegas se unem em solidariedade à Manuela. Proibidas, elas marcham juntas pelos corredores do internato em desobediência ao regime opressivo da superiora. Aqui, o poder é delas, o poder é do povo. Elas salvam a vida de Manuela ao passo que reivindicam a própria autonomia, encontrando a si mesmas apesar das estruturas repressivas. Em todo o seu </span><a href="https://www.criterion.com/current/posts/7429-the-femme-solidarity-and-queer-allyship-of-m-dchen-in-uniform"><span style="font-weight: 400;">potencial revolucionário</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Senhoritas em Uniforme</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um hino aos primeiros amores. Aqueles que ainda não estamos preparados para entender, para aceitar, mas que resistem, ainda que no limite de uma memória já desbotada.</span></p>
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