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	<title>Arquivos Will Poulter &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A 4ª temporada de The Bear pergunta quem somos quando paramos de cozinhar no automático</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Sep 2025 13:00:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Se nas duas primeiras temporadas The Bear foi apresentada ao público como a série que deixava a gente em apneia, vivendo cada grito de “ATRÁS” como se estivesse dentro da cozinha, agora o prato servido é outro. O que começou como uma dramédia caótica, com planos-sequência sufocantes e diálogos atropelados, virou, ao longo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-4a-temporada-de-the-bear-pergunta-quem-somos-quando-paramos-de-cozinhar-no-automatico/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A 4ª temporada de The Bear pergunta quem somos quando paramos de cozinhar no automático"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35698" aria-describedby="caption-attachment-35698" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35698" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-3-800x450.png" alt="Foto de Carmy, da série The Bear, em um ambiente urbano. Ele é um homem branco com cabelo escuro e bagunçado, vestindo uma camiseta branca e um avental azul. Ele está ao ar livre, em uma rua com prédios altos ao fundo, e segura uma pequena xícara ou tigela preta. Carmy olha para o lado com uma expressão pensativa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-3.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35698" class="wp-caption-text">The Bear é o resultado de caos e relações familiares que queimam igual as chamas do fogão (Foto: FX Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nas duas primeiras temporadas </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-bear-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Bear</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi apresentada ao público como a série que deixava a gente em apneia, vivendo cada grito de “</span><i><span style="font-weight: 400;">ATRÁS</span></i><span style="font-weight: 400;">” como se estivesse dentro da cozinha, agora o prato servido é outro. O que começou como uma dramédia caótica, com planos-sequência sufocantes e diálogos atropelados, virou, ao longo dos anos, um fenômeno crítico que transcende a culinária. A produção deixou de ser só sobre um restaurante em crise para se tornar um retrato íntimo sobre saúde mental, sobre o peso e a cura que vêm da família, e sobre o que significa continuar vivendo quando tudo ao redor parece desmoronar.</span></p>
<p><span id="more-35697"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arco de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-bear-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Urso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (tradução oficial), disponível no </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;">, parece seguir um manual não oficial das fases do luto: se o primeiro e segundo ano eram pura negação e raiva, o terceiro e o quarto mergulham na barganha e na depressão. Mas não no sentido pesado de paralisar: aqui, a série abre respiros, deixa espaço para piadas inesperadas, pequenos gestos de ternura e episódios que se dedicam a um personagem de cada vez. Essas histórias paralelas parecem quase independentes, porém sempre retornam ao todo maior, numa costura tão sutil que não soa planejada demais. O caminho, claramente, é de preparação para a aceitação, um destino que deve se consolidar na quinta, e provavelmente última, temporada.</span></p>
<figure id="attachment_35700" aria-describedby="caption-attachment-35700" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35700" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-3-800x450.png" alt="Em uma cena da série The Bear, os personagens Carmy (à esquerda) e Richie (à direita) estão em uma cozinha profissional. Carmy, vestindo seu dólmã de chef branco, está concentrado em um prato pequeno à sua frente, segurando um talher. Ao seu lado, Richie, de terno escuro, está inclinado sobre o balcão, escrevendo em um papel. Ambos parecem focados e sérios. Ao fundo, um relógio digital vermelho na parede marca &quot;5:47&quot;." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-3.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35700" class="wp-caption-text">Entre o caos da cozinha e a vulnerabilidade da vida, Carmy encontra espaço para mudar (Foto: FX Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta continuação da narrativa, Carmy (Jeremy Allen White) está em transição, tentando mudar porém tropeçando no próprio silêncio – conversar com ele é quase como bater papo com o homem hétero médio que não sabe articular um sentimento, e tanto Sydney (Ayo Edebiri) quanto Claire (</span><a href="https://personaunesp.com.br/shiva-baby-critica/"><span style="font-weight: 400;">Molly Gordon</span></a><span style="font-weight: 400;">) acabam virando tradutoras dessa linguagem truncada. Sua decisão de sair do restaurante, no fim, funciona menos como derrota e mais como gesto de saúde mental: abrir mão do projeto que nasceu de um luto congelado e que o impedia de viver de verdade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse processo, o reencontro com Donna, sua mãe, interpretada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jamie Lee Curtis</span></a><span style="font-weight: 400;">, é fundamental. Entre pedidos de desculpa e memórias dolorosas, o episódio nove, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tonnato</span></i><span style="font-weight: 400;">, coloca mãe e filho frente a frente em um dos raros momentos de vulnerabilidade explícita da série – e talvez o mais próximo que Carmy já chegou de uma reconciliação consigo mesmo.</span></p>
<figure id="attachment_35703" aria-describedby="caption-attachment-35703" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-35703 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/fotos-textos-persona-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/fotos-textos-persona-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/fotos-textos-persona-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/fotos-textos-persona-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/fotos-textos-persona-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/fotos-textos-persona-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/fotos-textos-persona.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35703" class="wp-caption-text">Qualquer episódio em que o foco é a personagem de Ayo Edebiri se torna um destaque (Foto: FX Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem realmente ocupa o centro dessa temporada é Sydney, interpretada brilhantemente, como sempre, por Ayo Edebiri. Quando ela vai trançar o cabelo com a tia e acaba se aproximando da prima adolescente, a cena traduz seu dilema da melhor forma: a metáfora de uma festa do pijama funciona como comparação entre pertencer à família Berzatto ou buscar outro caminho próprio ao lado de Shapiro (</span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-nunca-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Adam Shapiro</span></a><span style="font-weight: 400;">). Carmy, ao admitir que o menu fixo era uma forma de egoísmo, finalmente reconhece o valor de Syd não só como braço direito, mas como mente criativa essencial. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No desfecho, ele passa o bastão, deixando claro que ela é o coração e o cérebro do restaurante. E, felizmente, essa relação nunca descambou para o romance – ao contrário do que </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ascensao-skywalker-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fez com Rey e Kylo Ren, os showrunners Christopher Storer e Joanna Calo souberam manter o potencial da troca profissional e intergeracional, uma dinâmica de mestre e aprendiz que, ao longo do tempo que se conhecem, se inverte e se enriquece constantemente.</span></p>
<figure id="attachment_35699" aria-describedby="caption-attachment-35699" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35699" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-3-800x450.png" alt="Em uma cena da série The Bear, Carmy (à esquerda) e Sydney (à direita) estão em primeiro plano, ambos sorrindo e batendo palmas. Carmy usa uma camiseta branca e um avental azul. Sydney usa uma bandana laranja, camiseta branca e um avental azul combinando. Ao fundo, outros membros da equipe da cozinha também estão sorrindo e aplaudindo, criando uma atmosfera de celebração e sucesso compartilhado." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35699" class="wp-caption-text">Carmy e Sydney mostram que a melhor parceria é aquela onde há respeito mútuo (Foto: FX Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que a eterna discussão sobre rotular </span><i><span style="font-weight: 400;">The Bear </span></i><span style="font-weight: 400;">como </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/emmy-2023-o-urso-comedia-the-white-lotus-drama"><span style="font-weight: 400;">Comédia</span></a><span style="font-weight: 400;"> seja meio desgastada – convenhamos, a série é muito mais eficiente no drama –, não dá para ignorar o quanto o humor funciona como válvula de escape. As piadas nunca estão na superfície, mas no timing e na secura com que os personagens interagem: a implicância fraternal entre Syd e Richie (Ebon Moss-Bachrach), as trocas afiadas de Natalie (Abby Elliott) com Francie (Brie Larson roubando a cena com apenas alguns minutos de tela), ou o humor involuntário do sempre caricato Computador (Brian Koppelman). São intervalos que aliviam a pressão sem quebrar a densidade; porque até em meio ao caos existe espaço para rir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse tom leve também aparece nas participações especiais, que desde o ano anterior ganharam um caráter quase de evento. O desfile de estrelas – Olivia Colman, John Cena, Sarah Paulson e </span><a href="https://personaunesp.com.br/guardioes-da-galaxia-vol-3-critica/"><span style="font-weight: 400;">Will Poulter</span></a><span style="font-weight: 400;"> – poderia facilmente soar como fan service gratuito, mas esses nomes entram em papéis pequenos e precisos, que acrescentam textura sem tirar o foco principal.</span></p>
<figure id="attachment_35701" aria-describedby="caption-attachment-35701" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35701" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-2-800x450.png" alt="Em uma cena da série The Bear, um grupo de personagens está reunido debaixo de uma mesa. Da esquerda para a direita: a personagem Claire, com um vestido vermelho, está sentada e segura uma taça de vinho. Atrás dela, Carmy, vestindo um terno, inclina-se com uma expressão preocupada. No centro, sentado no chão, está Richie, de terno escuro, conversando com intensidade. Ao seu lado direito está Frank, de terno claro, e na extrema direita, a menina Eva, que segura um ursinho de pelúcia, sentada no chão e interagindo com os outros." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35701" class="wp-caption-text">O que faz The Bear funcionar não é só a cozinha, mas a forma como cada personagem aprende a lidar com seus medos (Foto: FX Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">gran finale</span></i><span style="font-weight: 400;"> da quarta temporada é um daqueles momentos que fazem valer todo o percurso: Carmy finalmente admite que a cozinha sempre foi um escudo contra a dor, e que agora precisa descobrir quem é fora dela. A conversa dele com Richie, diante de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uSl1rfRDcmk"><span style="font-weight: 400;">Sydney</span></a><span style="font-weight: 400;">, é o ponto mais poderoso da série até aqui – dois homens emocionalmente travados tentando, com todas as falhas e pausas, articular o que sentem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atuação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pP3ERM6TRdE"><span style="font-weight: 400;">Jeremy Allen White</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Ebon Moss-Bachrach chega ao ápice, transformando silêncios em declarações. O abraço de Natalie, em lágrimas, sela essa despedida como síntese deste ciclo: aceitação, enfim. É a felicidade genuína de ver que ele finalmente está mudando seus hábitos destrutivos – um gesto que ecoa desde o segundo episódio, Soubise, quando lhe disse que não havia problema se ele tivesse perdido a paixão pela culinária.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que uma série de cozinha ou um drama sobre luto, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Bear</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre foi, e continua sendo, uma história sobre família no sentido mais amplo: biológica, escolhida e profissional, entrelaçadas em laços de amor, rancor e cuidado. Seja em momentos intimistas como a conversa debaixo da mesa no casamento de Tiff (</span><a href="https://personaunesp.com.br/invencivel-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gillian Jacobs</span></a><span style="font-weight: 400;">) – um dos melhores fragmentos de todas as temporadas – ou nas decisões mais pesadas de Carmy, a produção mostra que o que importa não é só para onde vai o restaurante, mas sim: “Quem somos quando paramos de cozinhar no automático?”</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Bear | Season 4 Official Trailer | Jeremy Allen White, Ayo Edebiri, Ebon Moss-Bachrach | FX" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vOyRo-Yjr2Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A verdadeira jornada de Guardiões da Galáxia Vol.3 é valorizar os amigos que fazemos pelo caminho</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Mar 2024 16:17:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Abdicar sonhos pelo bem maior, ser incorruptível, simbolizar a honra e bondade humana. Muitos filmes de heróis, desde Superman (1978), representam protetores benevolentes que transpiram sacrifícios. Os feitos desses mitos incluem girar a Terra em sentido anti horário e alterar o tempo, parar um trem desgovernado, salvar o Natal. Dentre os chavões do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/guardioes-da-galaxia-vol-3-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A verdadeira jornada de Guardiões da Galáxia Vol.3 é valorizar os amigos que fazemos pelo caminho"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/guardioes-da-galaxia-vol-3-critica/">A verdadeira jornada de Guardiões da Galáxia Vol.3 é valorizar os amigos que fazemos pelo caminho</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32613" aria-describedby="caption-attachment-32613" style="width: 1068px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32613" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6.jpg" alt="Cena do filme Guardiões da Galáxia Vol.3  Na imagem, o personagem, em close-up, Rocket Raccoon está olhando para a frente com uma expressão triste.  Ele é um guaxinim criado digitalmente, possui pêlos castanhos e pelos brancos ao redor dos olhos e focinho, seus olhos são castanhos, o focinho é preto. O fundo da imagem está desfocado. " width="1068" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6.jpg 1068w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32613" class="wp-caption-text">O longa arrecadou US$ 845,6 milhões nas bilheterias mundiais, o segundo mais lucrativo da trilogia (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abdicar sonhos pelo bem maior, ser incorruptível, simbolizar a honra e bondade humana. Muitos filmes de heróis, desde </span><a href="https://youtu.be/1N6FP2jZ2Dk?si=bCWbWXleE9oEajEI"><i><span style="font-weight: 400;">Superman</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1978), representam protetores benevolentes que transpiram sacrifícios. Os feitos desses mitos incluem </span><a href="https://youtu.be/mdZQbHrEZPY?si=O74lIWYoNiJi2CCe"><span style="font-weight: 400;">girar a Terra</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sentido anti horário e alterar o tempo, </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">parar um trem desgovernado</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://youtu.be/TlbtLfWvFbo?si=UR1FdGY7LHXJJ_OO"><span style="font-weight: 400;">salvar o Natal</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dentre os chavões do subgênero há a jornada em busca do que te faz um paladino. Ser tentado a usar os poderes para o próprio benefício, encarar dilemas, matar ou não seus inimigos e por aí vai. </span><a href="https://youtu.be/2rAJGO5Nm1A?si=7fCH2LR-yTkbJT34"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2004) debateu as responsabilidades da vida de vigilante, nuances foram inseridas nos quadrinhos ao longo dos anos, afastando os homens que usam colã de uma noção maniqueísta. Mas o caminho de se tornar um herói pode ser apenas consequência de um objetivo muito mais nobre: o de se relacionar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2014, uma equipe de criminosos traumatizados foi introduzida na história de Hollywood, os </span><a href="https://youtu.be/tbQmx58VZAo?si=29QBq9OkyqkKOg6S"><span style="font-weight: 400;">Guardiões da Galáxia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Diferente dos outros super-poderosos, eles não são dotados de proezas ou nobreza. São interesseiros, faziam serviços em troca de pagamento e salvaram a galáxia só porque pereceriam se não impedissem os planos de Ronan, o Acusador (</span><a href="https://personaunesp.com.br/bodies-bodies-bodies-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lee Pace</span></a><span style="font-weight: 400;">). Depois dos eventos contra os Kree, se aproximaram do formato de uma equipe à la Vingadores. Porém, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Guardiões da Galáxia Vol. 3 </span></i><span style="font-weight: 400;">(2023), terceiro e último encontro dos heróis dirigido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/pacificador-critica/"><span style="font-weight: 400;">James Gunn</span></a><span style="font-weight: 400;">, salvar a família é o mais importante, e no meio da jornada, talvez dê tempo de se tornar um herói. </span></p>
<p><span id="more-32607"></span></p>
<figure id="attachment_32609" aria-describedby="caption-attachment-32609" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32609" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-2.jpg" alt="Cena do filme Guardiões da Galáxia Vol.3  Na imagem, a equipe caminha em direção a câmera. A personagem Nebulosa carrega Peter Quill no colo. Ela é careca, sua pele tem tons de azul. O braço esquerdo é mecânico. Ele é um homem branco, adulto. Está vestindo uma camiseta vermelha e calça.  Do lado esquerdo está o personagem Groot. Ele é uma árvore ambulante. Seu tronco tem tons marrons. Do lado direito de Nebulosa está Rocket Racoon, tomando uma bebida com canudinho. Ele é um guaxinim criado digitalmente, possui pêlos castanhos e pelos brancos ao redor dos olhos e focinho, seus olhos são castanhos, o focinho é preto. Mais para a direita estão os personagens Drax e Mantis. Ele é um homem adulto, careca e com a pele nas cores verde e vermelho. Mantis tem a pele clara, possui antenas e cabelo comprido." width="1999" height="825" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-2.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-2-800x330.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-2-1024x423.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-2-768x317.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-2-1536x634.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-2-1200x495.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32609" class="wp-caption-text">A equipe galática da Marvel surgiu nos quadrinhos em 1969 com uma formação diferente da dos filmes (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o primeiro filme, a história do grupo é sobre pessoas que se esbarraram e descobrem características em comum. Criminosos renegados, com passados traumáticos e sem família, unem-se para sobreviver. Em determinado ponto, eles percebem fragmentos de qualidade um nos outros, qualidades heroicas. Coragem, inteligência, sacrifício e humildade. Quando decidem salvar o planeta </span><a href="https://universocinematograficomarvel.fandom.com/pt-br/wiki/Xandar"><span style="font-weight: 400;">Xandar</span></a><span style="font-weight: 400;">, é para estarem juntos caso a empreitada falhe. Morrer ao lado de quem te aceitou e admirou sem pedir nada em troca não parece ruim. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/guardioes-da-galaxia-vol-2-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">No volume 2</span></a><span style="font-weight: 400;">, os Guardiões salvam o universo do maligno planeta Ego numa luta para resgatar Peter Quill (</span><a href="https://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chris Pratt</span></a><span style="font-weight: 400;">). Rocket atravessa vários pontos do espaço pelos amigos que estão presos. Diferente do maximalismo do </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU</span></i><span style="font-weight: 400;">, o clímax é mais íntimo: eles frustram os planos do vilão numa sucessiva cadeia de objetivos, na qual o mais importante é tirar os guardiões dali &#8211; o   universo terminar bem é consequência. James Gunn isola e separa seus personagens do resto da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">a fim de criar a própria maneira de desenvolver história e grupo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São vários os momentos em que isto é perceptível. Nota-se o que a direção quer mostrar, preferindo filmar uma briga e o revezamento de cuidado para com o Baby Groot (Vin Diesel) do que um tiroteio entre naves, como o </span><a href="https://youtu.be/GxvKbNnlEEI?si=Hk7rkCynlNCSqp8O"><span style="font-weight: 400;">carinho</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o membro mais novo do grupo recebe em meio uma missão e as linhas de diálogo que aprofundam as relações. Quando ele prioriza o entendimento e aproximação do público dentro da dinâmica, é um recado da hierarquia de eventos, uma indicação ao que você deve olhar. </span></p>
<figure id="attachment_32610" aria-describedby="caption-attachment-32610" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32610" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-2.jpg" alt="Imagem do filme Guardiões da Galáxia Vol.3  Na cena o personagem Adam Warlock está voando com a expressão de raiva. Ele possui a pele dourada, cabelos lisos amarelos e olhos claros. Ele tem uma pedra colada no centro da testa. O cenário está incendiado e desfocado. " width="1280" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-2-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-2-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-2-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-2-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32610" class="wp-caption-text">Adam Warlock foi apresentado em uma das cenas pós-créditos de Guardiões da Galáxia Vol. 2 (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas e a terceira parte da aventura? Na trama, são os amigos que desbravam a galáxia para salvar um dos seus. Após Adam Warlock (</span><a href="https://personaunesp.com.br/dopesick-critica/"><span style="font-weight: 400;">Will Poulter</span></a><span style="font-weight: 400;">) ferir Rocket Raccoon (</span><a href="https://personaunesp.com.br/maestro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bradley Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;">) em uma missão determinada pelo Alto Evolucionário (</span><a href="https://ovicio.com.br/james-gunn-elogia-chukwudi-iwuji-por-guardioes-da-galaxia-vol-3/"><span style="font-weight: 400;">Chukwudi Iwuji</span></a><span style="font-weight: 400;">). Diante disso, os Guardiões da Galáxia precisarão correr contra o tempo para salvar o guaxinim, ao mesmo tempo que o passado tortuoso de Rocket e todos os métodos facinorosos do cientista contra animais indefesos são revelados, fazendo a trilogia culminar em um confronto empolgante. Atos de bravuras que poderiam soar comum e genéricos são potencializados por toda carga emocional inserida em todas as interações da equipe durante toda a década. O Senhor das Estrelas (Pratt) salta de uma altura absurda para obter o único objeto capaz de salvar a vida de seu amigo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gunn, que também assina o roteiro, conhece os moldes dos filmes de heróis, os clichês de mocinho e inimigo, parecidos em poderes e até trajes, como Homem-Aranha e </span><a href="https://personaunesp.com.br/venom-critica/"><span style="font-weight: 400;">Venom</span></a><span style="font-weight: 400;">, Hulk e Abominável ou Superman e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-homem-de-aco/"><span style="font-weight: 400;">Zod</span></a><span style="font-weight: 400;">, reduzidos a serem apenas uma contraparte. No último volume, o cineasta subverte o clichê e afasta Rocket de Alto Evolucionário. De parecidos, eles não tem nada. O guaxinim precisou aprender a conviver com as diferenças e imperfeições de cada guardião. Já o vilão é incapaz de reconhecer outro ser e aceitá-lo, constantemente atrás de modificar seres (humanos ou não) ao seu bel gosto e senso de perfeição</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_32612" aria-describedby="caption-attachment-32612" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32612" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5.jpg" alt="Imagem do filme Guardiões da Galáxia Vol.3  Na cena, o vilão Alto Evolucionário está parado com os braços cruzados para trás. Ele está em uma instalação de metal e cores escuras. Ele é um homem negro, adulto e veste uma armuda roxa com muitas linhas e saia longa. Ele está no canto direito da imagem, que tem o ângulo inclinado. " width="1200" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32612" class="wp-caption-text">A crueldade do Alto Evolucionário faz do personagem imperdoável, sendo um dos melhores vilões do MCU (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensando em arco de personagem, o menor guardião é o que tem o maior deles. Introduzido como casca-grossa, ele não tinha receio algum de puxar o gatilho e já tinha até ameaçado matar os membros de sua equipe. Ele se esquivava de perigos, como fez na luta contra </span><a href="https://personaunesp.com.br/what-if-critica/"><span style="font-weight: 400;">Thanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2018 e afastava as pessoas ao seu redor. Com o volume 3, descobrimos que era tudo pelo trauma de ter perdido sua primeira família pelas mãos do torturador de animais. A frase “</span><i><span style="font-weight: 400;">cansei de fugir</span></i><span style="font-weight: 400;">” é um grito de liberdade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Rocket opta por não matar seu nêmesis, mas libertar todas as criaturas presas, ele então se torna um herói. A equipe estava a salvo e o </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/alto-evolucionario-marvel-guardioes-da-galaxia-tudo-sobre.html"><span style="font-weight: 400;">Alto Evolucionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> não apresentava mais uma ameaça. Não tinha necessidade de Rocket salvar mais ninguém, exceto quando você é um herói. A resposta que ele dá, “</span><i><span style="font-weight: 400;">sou um guardião da galáxia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, representa todas as características boas que ele reencontrou em si ao fazer parte da equipe. O antagonista é imperdoável. Durante grande parte do filme, somos expostos a incontáveis crueldades dele sem nenhum fio de humanização, que, ao final, a decisão de Raccoon vem como um choque para o espectador.</span></p>
<figure id="attachment_32608" aria-describedby="caption-attachment-32608" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32608" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-2.jpg" alt=" Imagem do filme Guardiões da Galáxia Vol.3  Na imagem, animais antropomórficos estão com expressão de medo. Eles vestem roupas humanas e o cenário é de um bairro familiar dos EUA. Dentre os animais há coelhos, que está centralizado e focado na imagem, um urso panda, pássaros e outros mamíferos. " width="1999" height="813" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-2.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-2-800x325.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-2-1024x416.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-2-768x312.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-2-1536x625.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-2-1200x488.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32608" class="wp-caption-text">O Alto Evolucionário se inspirou no planeta Terra para criar a Contra-Terra (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fora todo o subtexto de heroísmo, ainda tem muita coisa magistral. </span><a href="https://recreio.uol.com.br/noticias/entretenimento/guardioes-da-galaxia-3-quais-sao-os-poderes-de-adam-warlock.phtml"><span style="font-weight: 400;">Adam Warlock</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma ótima adição à saga: mesmo com pouquíssimos 10 minutos de tela, já é o bastante para se apaixonar pela atuação de Will Poulter. O filme também é o mais violento de todo Universo </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> e rende algumas lágrimas durante seus 150 minutos, além de uma ótima trilha sonora, abrindo com </span><i><span style="font-weight: 400;">Creep</span></i><span style="font-weight: 400;">, clássico da banda Radiohead. Até as rimas visuais ganham espaço. Uma delas, ao final do filme, remete à cena do longa de 2014, </span><i><span style="font-weight: 400;">“um bando de otários de pé formando uma roda</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E não para por aí. </span><i><span style="font-weight: 400;">Guardiões da Galáxia Vol. 3</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">além de ter enchido os bolsos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Studios</span></i><span style="font-weight: 400;">, também foi indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhores Efeitos Visuais. Por infelicidade, o</span><i><span style="font-weight: 400;"> blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">ficou de fora em outras duas categorias em que teria grandes chances de levar a estatueta para a casa, Melhor Design de Produção e Melhor Maquiagem e Cabelo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quebrando o recorde de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/guardioes-galaxia-3-recorde-mais-proteses"><span style="font-weight: 400;">maior número de próteses utilizadas em um filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, o desfecho da trilogia utilizou 22.500 próteses, 500 perucas e 130 perucas faciais. Ao optar por efeitos práticos, James Gunn deixa a história ainda mais próxima das </span><a href="https://www.momentumsaga.com/2012/09/o-que-e-space-opera.html"><i><span style="font-weight: 400;">Space Opera</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">dos anos 1970 e corrobora com o desempenho dos atores, que poderiam ser facilmente substituídos por </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Nas palavras do próprio diretor, a intenção era garantir a atuação de Chukwudi Iwuji. Já a direção de arte comandada por </span><a href="https://ovicio.com.br/designer-exalta-a-visao-de-james-gunn-para-superman-legacy/"><span style="font-weight: 400;">Beth Mickle</span></a><span style="font-weight: 400;"> é engenhosa ao ponto de fazer você pegar um foguete e ir direto para o espaço, com diferentes texturas e estéticas, desde uma base centrada num organismo vivo pegajoso a uma espaçonave feita de figuras geométricas. </span></p>
<figure id="attachment_32611" aria-describedby="caption-attachment-32611" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32611" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1.jpg" alt="Cena do filme Guardiões da Galáxia Vol.3 Na imagem, está um dos cenários do filme, o Orgoscópio é uma base dentro de um organismo vivo, criado digitalmente. Ele é redondo, parecido com um olho. No seu centro há um buraco que é a entrada. Em volta tem vários anéis. Ele fica no espaço e suas cores são rosa, vermelho e laranja. " width="1999" height="1055" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1-1536x811.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32611" class="wp-caption-text">O Orgoscópio embala uma das melhores sequências de ação do longa (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.omelete.com.br/dc-comics/superman-legacy-james-gunn-revela-figurino-do-heroi-e-novo-titulo"><span style="font-weight: 400;">O futuro da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no Cinema está seguro. Com James Gunn, que demonstra domínio nas adaptações em quadrinhos, todos os tiros tendem a ser certeiros. Para além de uma construção de um universo cinematográfico ansioso, ele sempre preferiu sustentar sua história e fazer o público querer sentar no banco do passageiro. Para fazer uma nova e excelente abordagem de tornar-se herói, só conhecendo o material base e amando ele. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título sobe em um momento de fragilidade e irmandade da equipe, condensando o que é ser um Guardião da Galáxia. Não em grandes atos épicos, mas na interação entre esses personagens disfuncionais. As grandes cenas de ação ganham riqueza graças ao sentimento compartilhado entre o público e eles. </span><span style="font-weight: 400;">Acompanhar os </span><i><span style="font-weight: 400;">Guardiões da Galáxia</span></i><span style="font-weight: 400;"> na trilogia, suas participações em </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-guerra-infinita-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Vingadores: Guerra Infinita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="http://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ultimato</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e um especial de Natal</span> <span style="font-weight: 400;">foi uma viagem rumo às estrelas mais quentes. Foi fazer amigos, ser apresentado aos </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> favoritos de uma pessoa que você nutre carinho e aprender que não é necessário ter uma ‘</span><a href="https://youtu.be/XFkzRNyygfk?si=mme4FTkisquihGta"><i><span style="font-weight: 400;">alma perfeita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">’. </span></p>
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		<title>Dopesick é cirúrgica, mas sem anestesia</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Mar 2022 14:55:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Recentemente, um curioso fenômeno tem ocorrido na indústria audiovisual, em que nomes estão saindo do seio cinematográfico hollywoodiano e se aventurando no segmento televisivo. Kate Winslet é um exemplo, com a excelente Mare of Easttown; o diretor Adam McKay é um dos responsáveis pela surpresa que foi Succession; e Nicole Kidman virou figura &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dopesick-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dopesick é cirúrgica, mas sem anestesia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26235" aria-describedby="caption-attachment-26235" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26235" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-800x419.jpg" alt="Cena da série Dopesick. Nela, o personagem de Keaton, acompanhado de 3 pessoas, está olhando para frente com a cabeça levemente inclinada para cima, provavelmente para um palco. Keaton é um homem de meia idade, branco, olhos azuis e calvo. Ele usa uma camisa listrada que aparece somente a gola, pois também está usando uma jaqueta bege. As outras pessoas, da esquerda para a direita são respectivamente: uma mulher branca, também de meia idade, de cabelos pretos médios e que está ao lado esquerdo de Keaton. Ela usa um vestido azul-marinho com estampa de flores. Um homem branco também de meia idade que está atrás de Keaton e desfocado, tem cabelos brancos e usa uma camisa e um terno preto. E por último, outro homem de meia idade que aparece na extremidade direita e está cortado, aparecendo somente parte esquerda de seu óculos quadrado e a ponta de seu nariz." width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26235" class="wp-caption-text">Estrelada e produzida por Michael Keaton, a minissérie conseguiu 3 indicações ao Globo de Ouro, incluindo a vitória em Melhor Ator em Minissérie, 3 indicações ao Critics Choice Awards e a recente conquista de Michael Keaton no SAG Awards por Melhor Ator em Minissérie ou Filme Para TV (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recentemente, um </span><a href="https://gq.globo.com/Blogs/Joao-Daniel/noticia/2015/07/curiosa-migracao-de-atores-e-diretores-do-cinema-para-series-parte-1.html"><span style="font-weight: 400;">curioso fenômeno</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem ocorrido na indústria audiovisual, em que nomes estão saindo do seio cinematográfico </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;"> e se aventurando no segmento televisivo. Kate Winslet é um exemplo, com a excelente </span><a href="https://personaunesp.com.br/mare-of-easttown-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; o diretor Adam McKay é um dos responsáveis pela surpresa que foi </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">; e Nicole Kidman virou </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/dama-das-series-nicole-kidman-esta-em-tres-producoes-no-streaming-50249"><span style="font-weight: 400;">figura recorrente</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas séries. Mas qual a razão desse chamariz? Qualidade, sem dúvida, é uma das respostas, o que pode fazer com que categorizemos essa época como uma nova Era de Ouro da TV e do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outros fatores podem ser listados, como liberdade criativa, roteiros desafiadores, diversidade de histórias e apostas das plataformas no formato. Todos esses ingredientes estão presentes na bula de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26234"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A minissérie, desenvolvida pelo ator e roteirista Danny Strong (</span><a href="https://personaunesp.com.br/gilmore-girls-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Gilmore Girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Empire</span></i><span style="font-weight: 400;">) e com direção do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscarizado </span></i><span style="font-weight: 400;">Barry Levinson (</span><i><span style="font-weight: 400;">Rain Man</span></i><span style="font-weight: 400;">), é baseada no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick: Dealers, Doctors and the Drug Company That Addicted America</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambos contam a história da fraude farmacêutica que resultou em uma </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/conheca-o-analgesico-a-base-de-opio-que-causou-dependencia-em-pacientes-070052706.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAAH5Kcq3RDm3B1hY97HSO-3z82bodMboQSRBslSgXNMhvBOBoclZ3_BwMha7HeGQxWfoFB8f7akPs7V71NSJFs8iRG0d2QD-RrVuQ6x1AmvMw_YAEmd-nmHoOyPAz67V8abhSPm-xqecwW6B38W_oUxNACZZuWo6fyTsZ8GmXTDmT"><span style="font-weight: 400;">crise de opióide</span></a><span style="font-weight: 400;">, assolando os EUA do final dos anos 90 e resistindo </span><a href="https://veja.abril.com.br/mundo/a-tragica-escalada-dos-opioides-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">até hoje</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, a adaptação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu </span></i><span style="font-weight: 400;">opta por explorar ainda mais os meandros das corporações voltadas à saúde e as consequências da corrupção na sociedade. Por conta disso, realidade e ficção se mesclam em uma história desoladora e envolvente.</span></p>
<figure id="attachment_26236" aria-describedby="caption-attachment-26236" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26236 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-800x450.jpg" alt="Cena da série Dopesick. Nela, o personagem Richard Stackler, interpretado por Michael Stuhlbarg, aparece centralizado. Ele é um homem branco de meia idade, cabelo preto e olhos azuis. Richard Stackler aparece do peito para cima, veste uma camisa branca com listras cinzas verticais e um sobretudo marrom. Ele está em uma sala, aparentemente na sede de sua empresa. A iluminação da cena faz com que a parte esquerda de seu rosto fique completamente escura, causando contraste com a parte direita." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26236" class="wp-caption-text">Com o streaming do Hulu não operante em território brasileiro, a minissérie chegou aqui pelo catálogo do Star+ (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O programa não aborda o vício, como popularmente categorizado, mas os vícios. A </span><a href="https://www.istoedinheiro.com.br/purdue-pharma-se-declara-culpada-por-crise-dos-opiaceos-nos-eua/"><i><span style="font-weight: 400;">Purdue Pharma</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é obcecada por poder e dinheiro. Já grande parte de seus vendedores são mentirosos compulsivos, que, na maior parte do tempo, não têm pudor nenhum em mentir. Os agentes, com seus sensos de justiça extremamente aflorados, são aficionados pelo caso. Mas aquele vício no qual você pensou no começo desse parágrafo, o destrutivo, é mais consequência de uma exploração capitalista do que propriamente uma obsessão, e por conta disso, cai nas mãos das bases da sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E o roteiro passeia pelas vertentes da sociedade, de forma muito engenhosa e sutil. Para isso, ele atribui diferentes características para cada núcleo. A família Sackler, que comanda a </span><i><span style="font-weight: 400;">Purdue Pharma</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, tem toques da família Roy de </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os poucos momentos de tribunal nos lembram a primeira temporada de </span><a href="https://www.planoaberto.com.br/the-people-v-o-j-simpson-e-o-jogo-de-interesses/"><i><span style="font-weight: 400;">American Crime Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">do mesmo modo que a investigação remete aos moldes de seriados policiais. Já no desenvolvimento do núcleo afetado pelo opióide, é notória a identificação com </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-1-rue-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem seu drama </span><i><span style="font-weight: 400;">teen. Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, não se trata de um amontoado de cópias de formatos dramáticos. Pelo contrário, esse cenário é a constatação de que a escrita sabe o que funciona ultimamente e sabe como aplicar isso aos seus personagens de forma natural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O núcleo em foco na minissérie é justamente o mais mundano. Centrada em uma pequena cidade mineradora, a produção aborda a primeira onda de opióides na época, através do olhar do Dr. Samuel Finnix (Michael Keaton) e de sua paciente, a jovem mineradora Betsy Mallum (</span><a href="https://www.instagram.com/kaitlyndever/"><span style="font-weight: 400;">Kaitlyn Dever</span></a><span style="font-weight: 400;">), durante o período de testes da Oxicodona na cidade. Vendido como não viciante, o remédio foi distribuído como uma droga milagrosa no quesito analgésico, tendo aprovação até da </span><i><span style="font-weight: 400;">Food and Drug Administration </span></i><span style="font-weight: 400;">(FDA), autoridade sanitária americana. Logo, descobre-se que, entre os componentes do remédio, estão a desinformação e manipulação de dados. O roteiro, mais uma vez, tem seus méritos ao saber dosar tais assuntos e inseri-los como uma crítica atual e desenhada ao conceito de </span><a href="https://www.academia.org.br/nossa-lingua/nova-palavra/pos-verdade"><span style="font-weight: 400;">pós-verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26237" aria-describedby="caption-attachment-26237" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26237" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-800x419.jpg" alt="Cena da série Dopesick. A cena é composta de uma mesa de vidro vista de cima para baixo. No canto superior esquerdo dela estão 11 unidades de comprimidos de Oxicodona, nas cores: amarelo, rosa, verde e branco. Mais ao centro, tem uma caixa de remédio tipicamente americana aberta. A caixa é cilíndrica na cor laranja e há um papel indicando a medicação nela. No canto inferior esquerdo, tem um isqueiro na cor roxa. Um pouco centralizado e mais para cima, tem a tampa da caixa de remédio. Ela é branca, circular e está de cabeça para baixo. Abaixo dela, há mais 7 unidades de comprimido nas cores: rosa, amarelo e verde. E bem do lado do último comprimido verde, há uma tampa, provavelmente de algum líquido como água com alguns escritos em verde. Na parte direita, centralizado, há um pó branco espalhado, resultante da quebra de algum desses comprimidos" width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26237" class="wp-caption-text">Os opióides são um verdadeiro problema de saúde pública americano e muitos dos casos de overdose são de remédios com a substância em sua composição, como no caso do cantor Prince (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;"> não choca só por ser real, mas por tal realidade tangenciar além da discussão ético-farmacêutica. As mentes por trás do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabem que o soco no estômago é necessário. Dessa forma, a escrita desenvolveu uma dinâmica que ora se sabe que será acertado, ora é nocauteado de surpresa. Na construção da série, também é muito fácil a identificação e o exercício de empatia (ou antipatia) com as personagens, mesmo o espectador não tendo nada em comum com eles. Isso se dá porque o roteiro reconhece que as pessoas descritas são seres humanos falhos e não têm medo de expô-los.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal identificação não seria possível somente com um bom trabalho de escrita. É aqui que entra o maior mérito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;">: seu elenco. Seguindo a onda do mercado, a minissérie do </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma obra fechada, </span><a href="https://gente.ig.com.br/cultura/2017-11-15/hulu-series.html"><span style="font-weight: 400;">apostou</span></a><span style="font-weight: 400;"> em grandes nomes. Além de Keaton e Kaitlyn, Peter Sarsgaard (</span><i><span style="font-weight: 400;">Jackie, </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">), </span></i><span style="font-weight: 400;">Rosario Dawson (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Mandalorian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Demolidor</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Will Poulter (</span><a href="https://personaunesp.com.br/midsommar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/regresso-bonito-ver-uma-vez/"><i><span style="font-weight: 400;">O Regresso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) encabeçam a lista estelar. Todos entregam atuações impecáveis e sabem construir suas personas, moldados por uma dor (tanto física quanto psicológica) intermitente pelo longo período de todo o processo. Período esse que a série soube imprimir muito bem, uma vez que é construída através de saltos temporais entre os núcleos, bem executados e nada confusos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, quem merece maior destaque são os personagens que conduzem a história. Kaitlyn Dever (</span><a href="https://pipocanamadrugada.com.br/site/inacreditavel-um-pequeno-incomodo-nova-serie-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Inacreditável</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe construir os sofrimentos de Betsy, que tem que lidar com a descoberta da sexualidade em uma cidade conservadora, de forma magistral, fazendo com que o espectador se importe com a figura, principalmente com sua queda no vício. Se essa geração já tem suas atrizes, como Anya Taylor-Joy, Zendaya e </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/julia-garner-ozark-inventando-anna"><span style="font-weight: 400;">Julia Garner</span></a><span style="font-weight: 400;">, Dever chama a atenção e pede passagem para uma próxima. Já Keaton, dispensa apresentações e imprime um Dr. Finnix assolado pela dor do luto e que ama a profissão. Assistir a derrocada do personagem pelas mãos do ator é uma experiência avassaladora e sensacional. Outro que merece seus méritos é o Richard Sackler de Michael Stuhlbarg </span><i><span style="font-weight: 400;">(Um Homem Sério</span></i><span style="font-weight: 400;">), que transmite ódio e ambição incrivelmente através do olhar.</span></p>
<figure id="attachment_26238" aria-describedby="caption-attachment-26238" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26238" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26238" class="wp-caption-text">A atuação do elenco como um todo é o grande ápice da minissérie (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;"> é extremamente consciente, traduzindo uma história tão densa, real e ainda inacabada para o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. As escolhas criativas se provam muito acertadas para dar o tom de todo o caso. Um exemplo disso é o ato final, que, assim como um documentário, utiliza em sua montagem imagens reais do </span><a href="https://brasil.elpais.com/sociedade/2021-09-01/justica-dos-eua-encerra-litigio-contra-purdue-pharma-pela-crise-de-opioides.html"><span style="font-weight: 400;">julgamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, para puxar o telespectador para realidade e dar ainda mais ênfase a toda a trajetória da série. De fato, alguns aspectos passaram despercebidos pelo crivo da escrita. Um ponto crucial que a obra não aborda é do processo só ter ido para frente quando a droga chegou nas elites. Mesmo assim, a</span> <span style="font-weight: 400;">produção</span> <span style="font-weight: 400;">é um ótimo estudo de caso de uma adaptação convincente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A minissérie soube moldar sua tensão e seu drama através de duas doenças crônicas da sociedade: o vício e a </span><a href="https://www.wort.lu/pt/sociedade/fake-news-desinformac-o-e-a-doenca-do-seculo-5ec38692da2cc1784e35e135"><span style="font-weight: 400;">desinformação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os paralelos feitos entre o final dos anos 90 e hoje elucidam a persistência desses problemas e catapultam a indignação causada na audiência ao mostrar que, assim como no caso, a sociedade pouco andou para a resolução dos obstáculos, tendo até dado passos para trás. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;"> é necessária e cirúrgica em suas críticas, e as traz ao telespectador de forma muito bem executada, seja em doses homeopáticas ou cavalares.</span></p>
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		<title>O solstício de verão nunca foi tão aterrorizante quanto em Midsommar</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Oct 2021 17:20:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro Midsommar &#8211; O Mal Não Espera a Noite é a prova de que, quando seu sexto sentido diz que é melhor ficar em casa, ao invés de ir naquele rolê duvidoso, é melhor escutá-lo. Mas, afinal, o que um festival de verão florido, em um campo bonito e agradável, repleto de anfitriões simpáticos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/midsommar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O solstício de verão nunca foi tão aterrorizante quanto em Midsommar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23860" aria-describedby="caption-attachment-23860" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23860" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1.png" alt="Cena do filme Midsommar. A foto é retangular e retrata o rosto da personagem Dani, rodeado por flores. Dani é interpretada por Florence Pugh. Florence é uma mulher branca, seus cabelos são loiros e estão presos. Ela tem uma expressão triste. Há uma coroa de flores coloridas enorme em sua cabeça, que rodeia todo seu rosto. Abaixo de seu pescoço também está completamente coberto por flores coloridas." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23860" class="wp-caption-text">Utilizando elementos do folk horror com excelência, Ari Aster entrega uma obra completa, incômoda e sinistra (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar &#8211; O Mal Não Espera a Noite </span></i><span style="font-weight: 400;">é a prova de que, quando seu sexto sentido diz que é melhor ficar em casa, ao invés de ir naquele rolê duvidoso, é melhor escutá-lo. Mas, afinal, o que um </span><a href="https://vidanasuecia.blog/2020/06/18/midsommar-solsticio-de-verao/"><span style="font-weight: 400;">festival de verão</span></a><span style="font-weight: 400;"> florido, em um campo bonito e agradável, repleto de anfitriões simpáticos e felizes, comidas e bebidas aos montes e tradições pagãs podem oferecer de mau? Talvez, sob um primeiro olhar, nada. Mas nem tudo é o que parece, e uma armadilha macabra pode se esconder muito bem por trás de flores, danças e a promessa de férias tranquilas.</span></p>
<p><span id="more-23858"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado no Brasil em 19 de setembro de 2019, pela </span><a href="https://elle.com.br/a24-o-sucesso-da-produtora-de-minari-e-outros-filmes-premiados/o-farol-2019-telecine"><i><span style="font-weight: 400;">A24 Films</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme já chamou a atenção com sua produtora e </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/3-motivos-para-amar-ari-aster-diretor-de-hereditario-e-midsommar/"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ambos têm marcado seus nomes na Sétima Arte com obras espetaculares, com destaque para as criações inovadoras e surpreendentes de horror. </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-hereditario/"><i><span style="font-weight: 400;">Hereditário</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), igualmente escrito e dirigido pelo talentoso Ari Aster, e também lançado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;">, já tinha ganhado o público. Assim, era de se esperar que, com o sucesso da obra que o antecedeu, </span><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar </span></i><span style="font-weight: 400;">atraísse logo de cara.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, Aster entrega uma história bastante curiosa dentro do </span><a href="https://macabra.tv/8-filmes-folk-horror-condado-maldito/"><i><span style="font-weight: 400;">folk horror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, gênero do terror que se utiliza de folclores e seus elementos. O filme tem como protagonista Dani (</span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/florence-pugh-filmes.html#list-item-6"><span style="font-weight: 400;">Florence Pugh</span></a><span style="font-weight: 400;">), que viaja com seu namorado e mais alguns amigos da universidade para um festival de solstício de verão na comunidade de Hårga, na Suécia, denominado Midsummer ou </span><a href="https://macabra.tv/as-bases-ritualisticas-de-midsommar-o-novo-pesadelo-de-ari-aster/"><span style="font-weight: 400;">Midsommar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Logo, ela percebe que a celebração oculta a verdadeira intenção do que atraiu seus amigos até ali e todos se veem presos e cercados por um ritual sombrio que coloca suas vidas em risco. </span></p>
<figure id="attachment_23972" aria-describedby="caption-attachment-23972" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23972 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1.png" alt="Cena do filme Midsommar. Nela, é possível ver as personagens de Dani e Christian de costas, andando de mãos dadas. A câmera os capta apenas dos joelhos para cima. Eles estão em um campo aberto bastante florido e colorido. Christian anda mais a frente, à direita. Ele é interpretado por Jack Reynor, um homem branco, de cabelos curtos e castanhos. Ele usa uma camiseta na cor vinho e uma calça jeans. Mais atrás dele, à esquerda, está Dani. Ela é interpretada por Florence Pugh. Florence é uma mulher branca. Seus cabelos são loiros, curtos e estão presos em um rabo de cavalo. Ela usa uma camiseta cor de rosa e calça cinza. O céu está azul e ambos caminham para uma roda de pessoas, mais distantes, que usam roupas brancas e dançam ao redor de um mastro alto e florido." width="1920" height="1226" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1-800x511.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1-1024x654.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1-768x490.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1-1536x981.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1-1200x766.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23972" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Além dos cenários coloridos e imersivos, vale destacar também os efeitos especiais usados no filme, já que a produção passou longe do </span></i><a href="https://canaltech.com.br/software/O-que-e-CGI-e-computacao-grafica/"><span style="font-weight: 400;">CGI</span></a><i><span style="font-weight: 400;"> e do famoso </span></i><a href="https://astronautasfilmes.com.br/videos-dicas/entenda-o-funcionamento-do-chroma-key-em-verde-azul-e-vermelho/"><i><span style="font-weight: 400;">fundo verde</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, e optou por maquiagens e bonecos de silicone </span></i><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/conheca-o-mundo-incrivel-dos-efeitos-especiais-de-midsommar-e-nada-foi-tela-verde/"><i><span style="font-weight: 400;">moldados a mão</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (Foto: A24)</span></i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Evidenciando o talento do roteirista e diretor, a obra mistura </span><a href="https://aodisseia.com/critica-midsommar-o-fim-de-um-relacionamento-abusivo/"><span style="font-weight: 400;">metáforas sobre relacionamentos abusivos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a superação de traumas com o terror psicológico. Dani já carrega uma bagagem consigo ao chegar no vilarejo, o que não é atenuado considerando as atitudes egoístas (mesmo que sutis) de seu namorado Christian (Jack Reynor). Com isso, nós, espectadores, sentimos desde as primeiras cenas o desconforto constante da garota, que se acentua com as atitudes estranhas dos moradores da comunidade, e com a sensação de que sair dali não será tão simples.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa situação pela qual a protagonista passa, ganha outras proporções com a atuação impecável de Florence Pugh. Antes mesmo de se tornar o mais novo </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/florence-pugh-assume-legado-de-scarlett-na-marvel-responsabilidade/"><span style="font-weight: 400;">queridinho rosto da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> após seu papel como Yelena Belova em </span><a href="https://personaunesp.com.br/viuva-negra-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Viúva Negra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), ela encarnava uma garota completamente assustada e desconfiada em seu papel como Dani. Florence é muito expressiva e é capaz de traduzir todos os seus sentimentos sem falar uma única palavra. Ela brilha e entrega uma performance memorável, principalmente em suas cenas mais dramáticas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhar os acontecimentos do filme é simplesmente angustiante e assustador. As estranhezas, a violência e o </span><a href="https://www.maioresemelhores.com/filmes-de-terror-psicologico/"><span style="font-weight: 400;">terror psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;"> crescem conforme o desenvolvimento do longa. Como se isso não bastasse, a aflição ao percebermos que os personagens estão presos naquela emboscada contribui para sustentar o horror que Ari Aster quis provocar. </span></p>
<figure id="attachment_23973" aria-describedby="caption-attachment-23973" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23973" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1.png" alt="Cena do filme Midsommar. Ela retrata oito mulheres sentadas no chão de madeira de um ambiente fechado. Elas estão sendo vistas de lado. Todas usam vestidos brancos com desenhos coloridos bordados. Elas encostam nas costas umas das outras e todas demonstram expressões de dor. O destaque é para as duas mulheres no centro. Uma delas é a protagonista Dani, à direita. Ela é interpretada por Florence Pugh. Florence é uma mulher branca. Seus cabelos são loiros, curtos e estão presos. A outra é Hanna, personagem de Louise Peterhoff. Louise é uma mulher branca, de cabelos castanhos, que estão presos no alto da cabeça. Dani está apoiada com os dois braços no chão enquanto Hanna segura seu rosto com as suas duas mãos. A imagem tem um tom frio e azulado." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23973" class="wp-caption-text">Midsommar fornece shows de atuações, com cenas impactantes e dramáticas, como aquelas em que a comunidade age como um único ser (Foto: <i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Personagens presos em ciladas, que perpetuam por todo o longa, são extremamente funcionais no terror psicológico, e têm sido bastante reproduzidas em outras histórias recentes do gênero. </span><a href="http://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017) é um grande exemplo, assim como a obra setentista </span><a href="https://aodisseia.com/o-homem-de-palha-como-o-classico-pode-influenciar-midsommar/"><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Palha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1973), dirigida por Robin Hardy, que claramente serviu como inspiração para o roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar &#8211; O Mal Não Espera a Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto que vale destacar são os cenários nos quais a história se passa. Chocando os clichês de terror e contrariando a ideia de que a maioria das obras desse gênero precisam ocorrer à noite, para surtir efeito sobre os telespectadores, esta (como sugere o nome) se passa </span><a href="https://youtu.be/dwhDUi7ZZJo"><span style="font-weight: 400;">à luz do dia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aliás, não só sob a luz do dia, mas também com cenários coloridos, floridos e festivos da pequena vila. Sem contar o figurino alegre da comunidade, quase sempre em branco e com simpáticas tiaras de flores na cabeça. É tudo agradável até</span><i><span style="font-weight: 400;"> demais</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tão agradável, que desconfiamos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo nas cenas em que o sol brilha alto no céu azul, é inevitável a sensação de incômodo durante o filme. De que algo está errado, com a </span><a href="https://trilhadomedo.com/2019/09/gritos-e-gemidos-na-trilha-sonora-de-midsommar/"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> inquieta e perturbadora de Bobby Krlic. De que os moradores daquele local são perigosos, mesmo que de forma sugestiva, com pequenos diálogos estranhos. De que algo ruim está para acontecer. E é claro, que se tratando de um filme de terror, todas essas suspeitas vão se confirmando aos poucos. </span></p>
<figure id="attachment_23974" aria-describedby="caption-attachment-23974" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23974" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1.png" alt="Cena do filme Midsommar. A imagem mostra três personagens do filme, com a câmera apontando levemente de baixo para cima. Mais à esquerda está Dani, personagem de Florence Pugh. Florence é uma mulher branca, seus cabelos são loiros e estão presos. Ela usa uma camiseta cor de rosa e uma calça cinza e carrega uma mochila de viagem em suas costas. Um pouco mais atrás, e no centro, está Pelle, interpretado por Vilhelm Blomgren. Ele é um homem branco, alto, de cabelos cacheados que vão até os ombros. Ele usa uma camiseta azul e calça cinza e leva uma mochila às costas. Por último, mais à direita, está Christian, personagem de Jack Reynor. Jack é um homem branco e alto. Ele tem os cabelos curtos, barba, usa uma camiseta roxa e calça jeans. Também leva uma mochila em suas costas. Ao fundo, é possível ver parte de um grande arco de madeira, que os personagens acabaram de atravessar, e também várias árvores de uma floresta. Parte do céu, bem azul, também aparece." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23974" class="wp-caption-text">Os longos períodos de claridade proporcionados pelo verão sueco provam que, de fato, o mal não espera a noite (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia de </span><a href="http://www.pawelp-dp.com"><span style="font-weight: 400;">Pawel Pogorzelski</span></a><span style="font-weight: 400;">, também responsável pelas imagens marcantes (e chocantes) de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hereditário</span></i><span style="font-weight: 400;">, é bonita, instigante e contrasta perfeitamente com a atmosfera da trama. É interessante também a forma como a direção se utiliza das imagens turvas e da câmera levemente caótica quando algum personagem entra em transe, sob efeito de algum entorpecente. Assim compreendemos tanto quanto eles o que ocorre ao redor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos muitos acertos do filme diz respeito à sugestividade, seja nos diálogos, nas ações dos personagens ou nos cenários. Já assistiu a um filme de terror e pensou “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu acho que tem algo ali</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou “</span><a href="https://trilhadomedo.com/2019/09/rostos-escondidos-em-midsommar/"><i><span style="font-weight: 400;">parece ter um rosto entre as árvores</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”? Neste longa, você com certeza não está imaginando coisas! Ele é repleto de </span><a href="https://youtu.be/loOqTSdObWk"><i><span style="font-weight: 400;">easter eggs</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que, quando percebidos, contribuem ainda mais para a criação de uma ambientação hostil e assustadora, planejada pela direção. Alguns, até mesmo dão </span><a href="https://www.littlebrownmouse.com.br/toca-do-mouse/os-easter-eggs-em-midsommar/"><span style="font-weight: 400;">dicas sobre o futuro</span></a><span style="font-weight: 400;"> da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E ainda que não seja uma obra gratuitamente repleta de sangue, ela é violenta e extremamente explícita quando assim deseja ser. </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/09/13/perturbador-midsommar-justifica-classificacao-18-e-exige-estomago-forte.htm"><span style="font-weight: 400;">Chocante</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela, de fato, é em todos os aspectos e nas mais diversas formas e ocasiões. </span><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar </span></i><span style="font-weight: 400;">é tudo isso e mais um pouco. Uma obra-prima de Ari Aster que foge de padrões e excede expectativas. Com sua identidade e características singulares, o filme torna-se memorável. E, tranquilamente, se consagra como um dos </span><a href="https://www.portalitpop.com/2019/12/lista-terror-decada.html"><span style="font-weight: 400;">melhores filmes de terror das últimas décadas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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