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	<title>Arquivos Thiago Camelo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Dezembro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2023 21:57:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“O amor é teatral, intui Scherezade, que, à mercê do Califa, jamais se apaixonou. O espectáculo amoroso, como o concebe agora, junto ao leito do Califa, requer ilusão, artifício, máscaras coladas aos rostos dos amantes enquanto copulam.” Fechando as cortinas de 2022 com uma trajetória de leituras diversas e debates entusiasmados, o Clube do Livro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Dezembro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29669" aria-describedby="caption-attachment-29669" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-29669 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp.jpg" alt="Arte retangular de cor marrom. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris na cor marrom. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Vozes do Deserto”, de Nélida Piñon, ao lado de 9 lombadas brancas. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘dezembro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29669" class="wp-caption-text">Concluindo 2022, o Clube do Livro do Persona homenageia Nélida Piñon,uma das maiores escritoras do Brasil e a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira das Letras (Foto: Companhia das Letras/Arte: Nathalia Mendes/Texto de abertura: Vitória Gomez)</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O amor é teatral, intui Scherezade, que, à mercê do Califa, jamais se apaixonou. O espectáculo amoroso, como o concebe agora, junto ao leito do Califa, requer ilusão, artifício, máscaras coladas aos rostos dos amantes enquanto copulam.</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Fechando as cortinas de 2022 com uma trajetória de leituras diversas e debates entusiasmados, o </span><b>Clube do Livro do Persona</b><span style="font-weight: 400;"> encerrou o ano homenageando o legado de Nélida Piñon. A autora carioca publicou mais de 20 livros e foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras (ABL). Nélida faleceu em 17 de dezembro, em Lisboa, aos 85 anos, durante uma cirurgia de risco; seu corpo foi enviado ao Brasil para o </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2022/12/corpo-da-escritora-nelida-pinon-e-sepultado-no-rio-de-janeiro-clc9g0z4c002m01cmeyxkijb1.html"><span style="font-weight: 400;">sepultamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Mausoléu da Academia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A maior escritora viva do país</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/nelida-pinon-era-a-maior-escritora-viva-do-brasil-diz-presidente-da-abl.ghtml"><span style="font-weight: 400;">afirmou</span></a><span style="font-weight: 400;"> Merval Pereira, presidente da ABL, Nélida Piñon foi pioneira na Academia, mas também no cenário literário nacional. A escritora se formou em Jornalismo, mas seguiu o caminho da Literatura: publicou </span><i><span style="font-weight: 400;">Guia-mapa de Gabriel Arcanjo</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu primeiro romance, em 1961, estreando uma trajetória próspera na ficção. Depois, a </span><a href="https://odia.ig.com.br/opiniao/2023/01/6552432-nelida-pinon-uma-mulher-uma-obra-um-tempo.html"><span style="font-weight: 400;">autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> ampliaria ainda mais seus horizontes, explorando contos, ensaios, crônicas e livros de memórias, que, entre diferentes formatos, sempre perpassa por sua visão política e humanista do mundo, características que marcaram a carreira e as obras da carioca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Guia-mapa de Gabriel Arcanjo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Mariella, a protagonista, e o arcanjo Gabriel são colocados frente a frente para discutir a relação do homem com Deus, pecados e a existência de acordo com os dogmas católicos. O primeiro lançamento de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/morre-nelida-pinon.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Piñon</span></a><span style="font-weight: 400;"> já indicava para o que viria a oferecer: o caráter questionador se fez presente no restante da bibliografia da carioca, colocando personagens femininas no posto das indagadoras. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Casa da Paixão</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1972, confirmou a tendência transgressora de Nélida para a época. </span><a href="https://blariss.medium.com/a-casa-da-paix%C3%A3o-e-o-empoderamento-da-mulher-frente-ao-patriarcado-3840c4400436"><span style="font-weight: 400;">Na obra</span></a><span style="font-weight: 400;">, Marta reflete acerca de suas vivências com o pai abusivo e a ama submissa, em um romance marcante pela forma como trata a sexualidade feminina. Aqui, a autora prova a busca pela renovação de sua própria <a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">linguagem</a>, que persistiria no restante de sua carreira e tornou sua Literatura tão distinta e atual. O livro, considerado um dos melhores de Nélida Piñon, venceu o Prêmio Mário de Andrade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adiante, o romance </span><a href="https://www.amazon.com.br/Tebas-meu-cora%C3%A7%C3%A3o-N%C3%A9lida-Pi%C3%B1on/dp/6555875658/ref=d_pd_sbs_sccl_1_2/141-8632924-8900261?pd_rd_w=L8mZk&amp;content-id=amzn1.sym.f14d3066-f640-490b-be63-642232e30730&amp;pf_rd_p=f14d3066-f640-490b-be63-642232e30730&amp;pf_rd_r=JB3JCZ6CDGS4C1NBDME9&amp;pd_rd_wg=zZB5E&amp;pd_rd_r=8c16dd5b-86fb-4a92-a5da-516b00913bc5&amp;pd_rd_i=6555875658&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Tebas do meu coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1974, coloca personagens diversos em uma cidade do interior para construir uma crítica à rica e nada homogênea sociedade brasileira. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A república dos sonhos</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1984, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/fotos-escritora-nelida-pinon-morreu-aos-85-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Nélida</span></a><span style="font-weight: 400;"> novamente examina a composição social do país e seus processos de formação, agora sob a lente de imigrantes galegos chegando aos portos do Rio de Janeiro, como sua própria família uma vez fez. Nas obras, além de se aprofundar nas <a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/">contradições de seus personagens</a>, a escritora questiona o panorama social dos respectivos momentos, inclusive com duras críticas à repressão e à ditadura. Por </span><i><span style="font-weight: 400;">A república</span></i><span style="font-weight: 400;">, a brasileira venceu os prêmios de Melhor Livro do Ano de 1985 da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e do Ficção PEN Clube.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelo conjunto de sua obra, traduzidas para mais de 30 países, Nélida Piñon ganhou o Prêmio Golfinho de Ouro do Governo do Estado do Rio de Janeiro e do Conselho Estadual de Cultura, em 1990, e o Prêmio Bienal Nestlé na Categoria Romance, em 1991. Por </span><i><span style="font-weight: 400;">Vozes do deserto</span></i><span style="font-weight: 400;">, romance sobre a </span><a href="https://www.revistabula.com/58193-a-cadeira-de-nelida-pinon/"><span style="font-weight: 400;">postura transgressora</span></a><span style="font-weight: 400;"> que uma mulher pode ocupar no sistema patriarcal em que vive, a autora recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Romance e na de Melhor livro do ano na categoria geral, em 2005.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando a sua carreira arrebatadora, Piñon assumiu a cadeira 30 na Academia Brasileira de Letras em 1986, sendo a primeira mulher a conquistar tal feito no Brasil e no mundo, segundo a </span><a href="https://www.academia.org.br/noticias/academica-nelida-pinon-sera-sepultada-no-mausoleu-da-abl"><span style="font-weight: 400;">ABL</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela sucedeu o crítico literário e ensaísta Aurélio Buarque de Holanda. Agora, a cadeira que marcou a história de Nélida e da Literatura brasileira entrará em disputa a partir de Março &#8211; esperançosamente, passando para uma </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/heloisa-buarque-de-hollanda-e-favorita-para-substituir-nelida-pinon-na-academia-brasileira-de-letras,576e075d2285f882cdd6a6b442166b4061z3s2n5.html"><span style="font-weight: 400;">mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> igualmente de referência no cenário literário e cultural nacional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Concluindo 2022 com um leque diverso de obras literárias discutidas, a Editoria relembra suas referências. Agora, você confere as leituras de final de ano indicadas no</span><b> Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29643"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<hr />
<figure id="attachment_29656" aria-describedby="caption-attachment-29656" style="width: 667px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29656 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-667x1024.jpg" alt="" width="667" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-667x1024.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-768x1179.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1000x1536.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1334x2048.jpg 1334w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1200x1843.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1.jpg 1617w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29656" class="wp-caption-text">Vozes do Deserto é considerado peça chave na Literatura de Nélida Piñon (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Nélida Piñon &#8211; Vozes do Deserto (400 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2004 e vencedor do prêmio Jabuti de 2005 nas categorias de Melhor Romance e Livro do Ano, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Vozes-do-deserto-N%C3%A9lida-Pi%C3%B1on/dp/6555872977/ref=asc_df_6555872977/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379726091008&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=13271059152579916061&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1001725&amp;hvtargid=pla-1521435263197&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Vozes do Deserto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Nélida Piñon, retoma, como um mito, uma das mais célebres histórias da Literatura: </span><i><span style="font-weight: 400;">As mil e uma noites</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para salvar as futuras jovens das garras do poderoso Califa – que, inconformado pela traição da antiga esposa, casa-se todos os dias com uma jovem do reino para matá-la após a noite de núpcias –, Sherazade decide se casar com esse ser “desprezível”, prendendo-o através de suas histórias, determinada que o fim de sua imaginação e liberdade jamais seriam controladas por alguém.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma interessante, o romance mostra o domínio narrativo de Piñon ao evocar o cuidado na escolha das palavras, em que apodera-se da história original apenas como pretexto para narrar a situação da mulher no mundo contemporâneo. Dessa maneira, através da protagonista feminina mais famosa da Literatura universal, a intenção é elucidar e propulsionar seu protagonismo, bem como a importância do papel da fantasia na vida humana, criando uma linda metáfora sobre a </span><a href="https://personaunesp.com.br/redescobrir-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">resistência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_29653" aria-describedby="caption-attachment-29653" style="width: 714px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29653 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-714x1024.png" alt="Capa do livro Retalhos. Na imagem estão as ilustrações de Craig Thompson e Raina. Ele é um garoto branco de cabelos pretos lisos, está vestindo um casaco longo cinza, calças roxas e tênis preto. Ela é uma garota branca de cabelos loiros, está vestindo um casaco azul marinho, calças marrom e tênis preto e branco. Os dois estão de frente um para o outro. Ao fundo, há uma colcha de retalhos laranja. A parte superior da capa abriga o nome do autor e do livro." width="714" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-714x1024.png 714w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-558x800.png 558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-768x1101.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1.png 800w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29653" class="wp-caption-text">Retalhos acumula três prêmios Harvey e foi a vencedora do prêmio da crítica da Associação Francesa de Críticos e Jornalistas de Quadrinhos em 2005 (Foto: Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><b>Craig Thompson &#8211; Retalhos (592 páginas, Quadrinhos na Cia) </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Retalhos</span></i><span style="font-weight: 400;"> – traduzida no Brasil por </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02664"><span style="font-weight: 400;">Érico Assis</span></a><span style="font-weight: 400;"> – é a autobiografia do autor e ilustrador Craig Thompson. Na história, o leitor embarca em uma viagem pelas partes mais íntimas e singulares do protagonista de maneira sensível e avassaladora. Entre os traços em preto e branco, a vivência do personagem em Wisconsin, nos Estados Unidos, é explorada a partir das relações que o marcaram ao longo da vida. As peças se desmontam na criação rígida e na opressão familiar, no afastamento com o irmão, na convivência dentro da escola, na religião e até em um relacionamento amoroso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É no primeiro amor que as cenas se tornam um pouco mais doces, com Raina – a garota que poderia ser um antônimo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UlISIohRwaE"><span style="font-weight: 400;">Thompson</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, o personagem se permite ousar e se desamarrar de certos nós. O relato é um misto doloroso de como a existência pode ser cruel e ao mesmo tempo deixar tantos aprendizados. Ao fim, todos os retalhos – sejam rasgados ou imaculados – formam o que há de mais singular no mundo: o próprio ser. &#8211;</span><b> Jamily Rigonatto</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29657" aria-describedby="caption-attachment-29657" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29657 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-728x1024.jpg" alt="Capa do livro até os ossos." width="728" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-728x1024.jpg 728w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-568x800.jpg 568w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-768x1081.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-1091x1536.jpg 1091w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1.jpg 1819w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29657" class="wp-caption-text">Bones &amp; All venceu o Alex Award de 2016, prêmio que reconhece produções literárias para jovens adultos (Foto: Suma)</figcaption></figure>
<p><b>Camille DeAngelis &#8211; Até os ossos (296 páginas, Suma) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maren quer ser uma adolescente normal com um vida igualmente comum, mas não consegue desviar de seus instintos canibais. Quando é abandonada pela mãe e decide rumar ao norte do país para, sozinha, encontrar o pai, conhece Lee, um jovem com quem divide semelhanças. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pjMt1MIk2EA"><i><span style="font-weight: 400;">Até os ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado em 2015 e que rendeu uma adaptação cinematográfica homônima dirigida por Luca Guadagnino, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> canibal de Camille DeAngelis mergulha nas camadas mais profundas da mente de Maren e vai além do horror para pincelar os anseios mais genéricos e universais de jovens adultos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anseios esses que nada têm a ver com o canibalismo. Apesar do fator efetivamente mover a narrativa, levando Maren e Lee </span><a href="https://personaunesp.com.br/na-natureza-selvagem-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">de uma ponta a outra</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos e chamar a atenção para a produção como um todo (ambas a literária e a cinematográfica), os peculiares hábitos alimentares dos dois servem mais como um subtexto. Juntos, o casal desvenda a solidão, amor e </span><a href="https://personaunesp.com.br/it-a-coisa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">amizade</span></a><span style="font-weight: 400;">, avalia o futuro e a ética versus necessidade do que fazem, enquanto embarcam em uma aventura na caminhonete de Lee. Para eles, há futuro que não seja fugindo de cidade em cidade ou estão condenados a sobrevivência por se renderem aos seus instintos? Como qualquer jovem adulto, </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556511683/ate-os-ossos"><i><span style="font-weight: 400;">Até os ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> continua, sem chegar a uma resposta definitiva. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<p><figure id="attachment_29661" aria-describedby="caption-attachment-29661" style="width: 379px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29661 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/a-morte-e-um-dia-1-1.jpg" alt="[A imagem é a capa do livro A morte é um dia que vale a pena viver. O fundo da capa é branco, e no topo está escrito em preto o nome da autora Ana Claudia Quintana Arantes. Abaixo há a ilustração de galhos floridos, os galhos são marrons e as flores tem tons avermelhados e rosados. Mais abaixo há o título do livro escrito em rosa. E por fim, em letra preta, menor e mais discreta que o título, há a frase “E um excelente motivo para se buscar um novo olhar para a vida" width="379" height="569" /><figcaption id="caption-attachment-29661" class="wp-caption-text">Em sua estreia no universo literário, Ana Claudia Quintana Arantes entrega uma obra reflexiva e difícil de engolir (Foto: Sextante)</figcaption></figure><b>Ana Claudia Quintana Arantes &#8211; A morte é um dia que vale a pena viver (192 páginas, Sextante)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A morte é um dia que vale a pena viver</span></i><span style="font-weight: 400;">, quem narra a história é uma médica especializada em </span><a href="https://www.casadocuidar.org.br/cuidados-paliativos/?gclid=Cj0KCQiAt66eBhCnARIsAKf3ZNEYG0XuQe-A-cUDnc58zYwa7qWt5s7SPUM3lMLm0oK3FitHMbQ1r0EaApaKEALw_wcB"><span style="font-weight: 400;">cuidados paliativos</span></a><span style="font-weight: 400;">: Ana Claudia Quintana Arantes traz parte de sua jornada profissional em busca de uma reflexão sobre a morte e o medo que a cerca. Em uma sociedade que vê o óbito como fim absoluto, a profissional explicita as dificuldades que sofreu até se encontrar em sua individualidade &#8211; lidar com o falecimento nunca foi algo fácil, mas, na profissão escolhida, que outra opção ela tinha?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aprender a enxergar a vida &#8211; ou a sua antítese &#8211; com outros olhos foi o caminho que Ana preferiu seguir. Contando suas vivências pessoais e profissionais, a doutora mostra o quão importante é a valorização da morte, o direito do indivíduo de partir com dignidade e a minimização do sofrimento de quem vai e de quem fica com a dor da despedida. A forma com que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ep354ZXKBEs"><span style="font-weight: 400;">Ana</span></a><span style="font-weight: 400;"> trata do assunto, ainda considerado um tabu, é admirável &#8211; compartilhando casos de alguns pacientes, o objetivo principal é concluído: causar ponderação sobre o que ainda aflige grande parte da população e a busca pelo propósito de vida de cada um. Tomara que, quando acabar de ler, veja o fim de seu ciclo na Terra de uma forma diferente. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_29660" aria-describedby="caption-attachment-29660" style="width: 606px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29660" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1.jpg" alt="Capa do livro Os Bons Companheiros. Nela temos uma divisão de vermelho e branco, sendo vermelho a parte superior e branco a inferior. Na parte superior, há a dianteira de um Opala desenhado na cor branca, com os detalhes da dianteira em preto. Em cada extremidade do carro, há uma linha pontilhada preta. Acima do carro, um card azul claro com alguns desenhos na borda e no seu interior está escrito “Nicholas Pileggi”. Abaixo dele, os dizeres “MADE IN D.A.R.K”. Passa pelo card, como se fosse uma borda do livro, uma linha dourada. Na parte inferior, vemos uma pá desenhada na cor preta e logo abaixo dela o título “GoodFellas” e abaixo dele em letras menores, a tradução “OS BONS COMPANHEIROS”. Na parte inferior da capa, lemos “DARKSIDE” sublinhado" width="606" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1.jpg 606w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1-559x800.jpg 559w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29660" class="wp-caption-text">Martin Scorsese, diretor da premiada adaptação, considera a obra um clássico moderno de True Crime (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Nicholas Pileggi &#8211; Os Bons Companheiros (271 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amplamente conhecido </span><a href="https://darkside.blog.br/os-bons-companheiros-por-dentro-da-mente-de-martin-scorsese/"><span style="font-weight: 400;">nas telas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a versão literária de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Bons Companheiros </span></i><span style="font-weight: 400;">também nasceu um clássico. Nela, acompanhamos a história de Henry Hill, um jovem garoto americano com descendência italiana e irlandesa que começa a fazer parte do dia a dia de uma máfia de seu bairro. Após 3 décadas convivendo com a família Lucchese, uma das cinco famílias que comandavam Nova York no século passado, Hill é preso por tráfico e entra no Programa Federal de Proteção à Testemunha, onde decide contar sua vivência para o jornalista Nicholas Pileggi, conhecido pelo seu trabalho cobrindo o mundo do crime organizado e da máfia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra é um retrato extremamente fiel das máfias que dominaram os Estados Unidos no século XX. Além de abdicar de todo o glamour característico desses grupos, a narrativa é contada pelo ponto de vista de alguém vindo de fora, que aos poucos subiu nos negócios da família e conhece todos seus meandros e corrupções. Extremamente brutal e visceral, o livro passeia pela violência, loucura, golpes, roubos e relações familiares de maneira fascinante e instigante, quase que nos inserindo e nos tornando parte da </span><a href="https://www.estilogangster.com.br/familia-lucchese-desde-sempre-uma-das-familias-mais-influentes-da-cosa-nostra/#:~:text=A%20fam%C3%ADlia%20foi%20fundada%20em,recepta%C3%A7%C3%A3o%20e%20assassinato%20de%20aluguel."><span style="font-weight: 400;">família Lucchese</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211;</b> <b>Guilherme Veiga</b></p>
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<p><figure id="attachment_29663" aria-describedby="caption-attachment-29663" style="width: 328px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29663 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Orgulho-e-Preconceito-1-1.jpg" alt="[Capa do livro Orgulho e Preconceito. Ao centro da imagem é possível ver o título do livro em preto; ao seu redor há uma moldura antiga, dourada e oval. No canto inferior direito há a figura de um homem em preto e branco, com o rosto coberto por uma rosa cor de rosa; no canto superior esquerdo há a figura de uma mulher em preto e branco, com o rosto coberto por uma rosa branca. No canto superior direito há um pedaço de um castelo antigo, com uma caligrafia também antiga por cima. No meio superior está o nome da autora em preto, e no inferior o nome da editora em amarelo escuro. O fundo da capa é azul, mas é possível ver ilustrações que imitam colagens em branco, bege, preto, rosa e dourado." width="328" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-29663" class="wp-caption-text">Orgulho e Preconceito retrata dois corações que superam obstáculos criados por eles mesmos (Foto: Martin Claret)</figcaption></figure><b>Jane Austen &#8211;  Orgulho e Preconceito (421 páginas, Martin Claret)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um clássico da literatura inglesa e o favorito de muitos &#8211; não por acaso, o livro, apesar de escrito no século XIX, é bastante visionário em algumas de suas pautas. A história foca principalmente em Elizabeth Bennet, uma das muitas filhas de uma família pobre, que sofre pressão da sociedade por já ter passado da idade casadoura. Lizzie é um exemplo e uma heroína para as mulheres e meninas da época porque em nenhum momento se obriga a acatar as regras patriarcais se submetendo a um homem e casando contra a sua vontade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mulher encontra seu interesse romântico ao longo da história: Senhor Darcy, um homem muito rico que também se interessa por ela. Os dois passam pelos seus próprios desafios pessoais para lidarem com seus sentimentos. Lizzie precisa passar por cima de seu orgulho para aceitar se relacionar e Darcy, superar seu preconceito para se juntar a uma companheira que vem de uma família pobre. Eles são diferentes, mas ao mesmo tempo similares e se complementam. </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai muito além de uma história de amor, é a narrativa de dois personagens que se esforçaram para sair de suas zonas de conforto e crescer como pessoas sem abandonar seus ideais. &#8211; </span><b>Gabrielli Natividade</b></p>
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<figure id="attachment_29662" aria-describedby="caption-attachment-29662" style="width: 585px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29662" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1.jpg" alt="Capa do livro A Droga da Obediência. Na arte, o plano de fundo é laranja para que as informações se destaquem o máximo possível. Na parte superior, o nome do autor Pedro Bandeira está escrito em letras garrafais na cor azul clara. No centro, o nome da série de lançamentos juvenis Os Karas também está escrita em letras garrafais, mas em cores pretas sobre um vetor branco. Na parte inferior, o nome do livro A Droga da Obediência está escrito na cor laranja, mas contornado de modo a se diferenciar do fundo. Por último, está posicionado o nome e o logo colorido da editora Moderna." width="585" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1.jpg 585w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1-549x800.jpg 549w" sizes="auto, (max-width: 585px) 85vw, 585px" /><figcaption id="caption-attachment-29662" class="wp-caption-text">Pedro Bandeira é o autor de literatura juvenil mais vendido da história do Brasil (Foto: Moderna)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Bandeira &#8211; A Droga da Obediência (192 páginas, Moderna)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem livros que são eternamente marcados pela presença praticamente obrigatória na grade escolar e, na maioria das vezes, o que é uma tentativa de introduzir a </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/educacao-basica/2021/01/4903079-apos-polemica-de-felipe-neto-como-abordar-literatura-classica-na-escola.html"><span style="font-weight: 400;">literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> no cotidiano dos </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/e-mais/2014/09/22/noticia-e-mais,159551/entrevista-com-pedro-bandeira-jovens-me-provam-que-e-gostoso-viver.shtml"><span style="font-weight: 400;">jovens estudantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, acaba se transformando na experiência nada agradável de se esforçar somente em busca de um boletim mediano. Contrariando o senso comum, </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/e-mais/2014/09/16/noticia-e-mais,159357/pedro-bandeira-comemora-30-anos-de-a-droga-da-obediencia.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">A Droga da Obediência</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Pedro Bandeira é aquela narrativa que encanta de primeira e te faz acreditar que todas as outras podem ser tão divertidamente viciosas como ela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 1984, o livro </span><i><span style="font-weight: 400;">A Droga da Obediência</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue os protagonistas na aventura de impedir o Doutor Q.I, vilão que deseja dominar o mundo com uma droga que causa a obediência. Miguel, Calú, Crânio, Chumbinho e Magri compõem o grupo que é “</span><i><span style="font-weight: 400;">o avesso dos coroas, o contrário dos caretas</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Rebelde com o papel e o lápis na mão, </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/pedro-bandeira-faz-80-anos-veja-5-livros-do-escritor-para-matar-a-saudade-da-infancia/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Bandeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou um clássico em meio as seis obras que fazem parte da coletânea investigativa </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2014/08/28/herois-da-literatura-jovem-os-karas-crescem-e-encaretam-em-novo-livro.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Os Karas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_29664" aria-describedby="caption-attachment-29664" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29664 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Rainhas da noite, do autor Chico Felitti. A capa mostra a foto de uma mulher branca, sentada no banco de trás de um carro, usando uma blusa vermelha. Em fonte branca, lê-se Rainhas da noite: As travestis que tinham São Paulo a seus pés e Chico Felitti. Ao lado, está o logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29664" class="wp-caption-text">Jacqueline Welch, Andréa de Mayo e Cristiane Jordan protagonizam a obra de Chico Felitti (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Chico Felitti &#8211; Rainhas da noite (256 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se dedicou à confecção de </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2020/04/13/resenha-livro-ricardo-e-vania/"><i><span style="font-weight: 400;">Ricardo e Vânia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Chico Felitti mergulhou no mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">da São Paulo de décadas atrás. A maturidade e o extenso material na manga fazem com que </span><i><span style="font-weight: 400;">Rainhas da noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegue aliado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">pedigree </span></i><span style="font-weight: 400;">do dono do </span><a href="https://open.spotify.com/show/0xyzsMcSzudBIen2Ki2dqV"><i><span style="font-weight: 400;">podcast </span></i><span style="font-weight: 400;">mais badalado</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ano passado (também interessado em cavucar as minúcias de uma cidade em ebulição e seus residentes). As protagonistas da vez são três mulheres de pose e poder: acompanhando as jornadas e o amadurecimento de Jacqueline, Andréa e Cristiane, o leitor embarca nas sensações de um mundo passado, mas em demasia presente no cotidiano do Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amplificando a voz de </span><a href="https://elastica.abril.com.br/expressao/livro-rainhas-da-noite-travestis-chico-felitti/"><span style="font-weight: 400;">mulheres trans e travestis</span></a><span style="font-weight: 400;">, pioneiras e verdadeiras ícones da comunidade LGBTQIA+, o livro investiga, suscita questões e problematiza o ecossistema da prostituição e dos jogos de poder da cidade que insiste em nunca dormir e virar o rosto para a parcela mais marginalizada de sua sociedade. Emocionante, elucidativo, grandioso, complexo e humano, o livro de Felitti, que </span><a href="https://gay.blog.br/anais-da-historia/entrevista-chico-felitti-fala-sobre-seu-novo-audiobook-rainhas-da-noite/"><span style="font-weight: 400;">nasceu como</span><i><span style="font-weight: 400;"> audiobook</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na voz de Renata Carvalho, ressuscita os sonhos e os amores dessas e de tantas outras figuras, apagadas à força, mas que, em trabalhos de memória e amor como este, aos poucos retornam aos lugares de direito. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_29655" aria-describedby="caption-attachment-29655" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29655 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Dia Um." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29655" class="wp-caption-text">Recebido pelo Persona na parceria com a editora Companhia das Letras, Dia Um é o primeiro romance do poeta Thiago Camelo (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Thiago Camelo &#8211; Dia Um (208 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele de costas, a porta batendo – essa é a última imagem que você tem de seu irmão”</span></i><span style="font-weight: 400;">, escreve </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/01/thiago-camelo-recusa-pecha-de-autoficcao-em-novo-livro-sobre-suicidio-do-seu-irmao.shtml"><span style="font-weight: 400;">Thiago Camelo</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas primeiras páginas de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211067/dia-um"><i><span style="font-weight: 400;">Dia Um</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, narrado em segunda pessoa, “você” é parte fundamental da história. Entender os motivos que levaram o irmão mais velho do protagonista a pular de um apart-hotel em Copacabana, desvendar as memórias e a tentativa de superação são essenciais neste que é o primeiro romance de Camelo. Com força e linguagem fascinantes – em parte porque o autor é também poeta –, a obra mantém o impacto da primeira à última passagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mecanismo de utilizar a voz em segunda pessoa aponta para dois caminhos: 1) rememorar e entender o que levou o irmão a se suicidar, voltando ao passado; 2) desmembrar a vida fraturada daqueles que permanecerem. “Você”, levado pelo narrador a uma viagem no tempo, é a única pessoa presente em ambos os cenários. Porém, o narrador é também um indivíduo em </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-critica/"><span style="font-weight: 400;">depressão</span></a><span style="font-weight: 400;">, e os relatos pouco confiáveis – como se pode sempre esperar na ficção – aludem a sua própria condição, agravada na morte do parente próximo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As “memórias ficcionais” dessas páginas em muitos aspectos lembram as narradas em </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour: Uma Introdução</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-apanhador-no-campo-de-centeio-70-anos/"><span style="font-weight: 400;">J.D. Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que acompanhamos Buddy Glass tentando desvendar o sucídio do irmão genial, Seymour. A grande ponte entre essas obras, porém, é que ambos constroem uma narrativa na qual o protagonista parte em uma busca errática desde sua origem, tentando dar voz a uma consciência alheia. Dessa forma, o pulo do irmão mais velho é contrastado pela inflexão do irmão mais novo, que relembra a vida solar e os momentos gloriosos que compartilharam, nos fazendo contemplar aqueles segundos eternos por páginas a fio. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Dia Um</span></i><span style="font-weight: 400;">, há uma viagem pelo luto e pela depressão, narrados com delicadeza e paixão, na qual tudo se transforma em metáfora. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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