<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Terror psicológico &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/terror-psicologico/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/terror-psicologico/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 09 Dec 2022 20:37:30 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Terror psicológico &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/terror-psicologico/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>45 anos atrás, Suspiria ressignificava a arte do medo</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/suspiria-45-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/suspiria-45-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Dec 2022 20:37:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[1977]]></category>
		<category><![CDATA[45 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Barbara Magnolfi]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Daria Nicolodi]]></category>
		<category><![CDATA[Dario Argento]]></category>
		<category><![CDATA[Fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[Final Girl]]></category>
		<category><![CDATA[Giallo]]></category>
		<category><![CDATA[Goblin]]></category>
		<category><![CDATA[Horror]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Jessica Harper]]></category>
		<category><![CDATA[Joan Bennett]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Tovoli]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Nicastro]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Slasher]]></category>
		<category><![CDATA[Sobrenatural]]></category>
		<category><![CDATA[Stefania Casini]]></category>
		<category><![CDATA[Suspiria]]></category>
		<category><![CDATA[Suzy Bannion]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>
		<category><![CDATA[Terror psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[Tilda Swinton]]></category>
		<category><![CDATA[Tríade das Mães]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=29417</guid>

					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro O quão obscuro o meio artístico pode ser? Se as paredes de uma renomada e elitizada academia de dança pudessem falar, o que diriam? Cores vibrantes, trilha sonora inquieta, fotografia teatral, atuações expressivas e uma referência intensa a sonhos, somada a crimes e mistérios. Todas essas são características de uma história contada há &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/suspiria-45-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "45 anos atrás, Suspiria ressignificava a arte do medo"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/suspiria-45-anos/">45 anos atrás, Suspiria ressignificava a arte do medo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29419" aria-describedby="caption-attachment-29419" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-29419" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/1-suspiria.png" alt="Imagem do filme Suspiria. A foto é retangular e bem no centro dela está o rosto de Suzy Bannion, em um plano fechado. Suzy é interpretada por Jessica Harper, uma mulher branca, de cabelos castanhos ondulados que vão até os ombros. Ela tem os olhos pequenos e o rosto fino e delicado. Suzy está com uma expressão de medo e horror, com a boca aberta. Ela está com o braço direito levantado e parece prestes a acertar algo a sua frente. Atrás dela, o fundo está desfocado mas é possível destacar luzes fortes em vermelho e uma janela iluminada com um tom de roxo." width="1600" height="670" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/1-suspiria.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/1-suspiria-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/1-suspiria-1024x429.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/1-suspiria-768x322.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/1-suspiria-1536x643.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/1-suspiria-1200x503.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29419" class="wp-caption-text">Dario Argento teve Alfred Hitchcock como grande inspiração, tendo até sua versão de Janela Indiscreta denominada Do You Like Hitchcock? (Foto: Seda Spettacoli)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O quão obscuro o meio artístico pode ser? Se as paredes de uma renomada e elitizada academia de dança pudessem falar, o que diriam? Cores vibrantes, trilha sonora inquieta, fotografia teatral, atuações expressivas e uma referência intensa a sonhos, somada a crimes e mistérios. Todas essas são características de uma história contada há 45 anos, responsável por </span><a href="https://www.culturagenial.com/filmes-de-terror-antigos/"><span style="font-weight: 400;">marcar a trajetória do Terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> e inspirar o gênero até os dias atuais. Afinal, se o edifício de </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2018/oct/28/from-rosemarys-baby-to-suspiria-five-directors-on-cinemas-scariest-moments"><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pudesse falar, ele gritaria em meio a luzes coloridas, rituais antigos e um </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicodélico.</span></p>
<p><span id="more-29417"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa acompanha </span><a href="https://riannepictures.com/news/2020/10/29/final-girls-week-suzy-bannion-suspiria"><span style="font-weight: 400;">Suzy Bannion</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma garota americana que se muda para a Alemanha a fim de estudar em uma renomada academia de balé. Encantada e iludida com a oportunidade, a jovem não previa que sua escola dos sonhos abrigaria uma sucessão de mortes e de eventos bizarros. Com uma recepção pouco agradável e segredos pairando no ar, a protagonista passa a desconfiar que há algo cruel e mortal em seu novo lar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 1977, na Itália, </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria </span></i><span style="font-weight: 400;">é um dos longas pertencentes à </span><a href="https://www.frightlikeagirl.com.br/2019/03/suspiria-remake-as-tres-maes-e-dario.html"><span style="font-weight: 400;">Tríade das Mães</span></a><span style="font-weight: 400;">, do romano Dario Argento. O renomado diretor, produtor, roteirista e crítico de Cinema é conhecido por trabalhos no horror que se destacam com seus estilos ímpares, relembrados através das décadas. Com fortes referências do </span><a href="http://sentaai.com/o-que-e-esse-tal-de-giallo/"><i><span style="font-weight: 400;">Giallo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, movimento literário que posteriormente se estendeu para a Sétima Arte, ele também é responsável por filmes como </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-a-mansao-do-inferno/"><i><span style="font-weight: 400;">Inferno</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1980) e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-preludio-para-matar/"><i><span style="font-weight: 400;">Prelúdio Para Matar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1975).</span></p>
<figure id="attachment_29422" aria-describedby="caption-attachment-29422" style="width: 1181px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29422" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/2-suspiria.png" alt="Imagem do filme Suspiria. A foto é retangular e mostra, visto de cima e no centro da foto, um corpo feminino caído em um chão quadriculado em vermelho, preto e branco. O corpo está com diversos ferimentos e duas estacas enfiadas em sua barriga e pescoço. Há um grande pedaço de vidro em seu rosto e a expressão da mulher é estática. Ela é branca, tem cabelos castanhos-claros e usa uma blusa branca de botões e uma saia longa dourada. Sangue vivo, em um vermelho quase fluorescente, escorre ao redor de sua cabeça." width="1181" height="472" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/2-suspiria.png 1181w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/2-suspiria-800x320.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/2-suspiria-1024x409.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/2-suspiria-768x307.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29422" class="wp-caption-text">A maior parte do filme foi gravada nos estúdios De Paoli em Roma, onde os principais cenários externos foram construídos, incluindo a fachada da companhia de dança (Foto: Seda Spettacoli)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i><span style="font-weight: 400;">, Argento despeja toda sua habilidade em conduzir uma história cativante e misteriosa de bruxas sob os pilares de um </span><a href="https://www.nonada.com.br/2010/09/o-fantastico-cinema-italiano-giallo/"><i><span style="font-weight: 400;">giallo </span></i><span style="font-weight: 400;">italiano</span></a> <span style="font-weight: 400;">(o </span><a href="https://darkflix.blog.br/15-filmes-slashers-essenciais-para-os-fas-de-terror/"><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da Itália): tramas de assassinatos em série com crescente tensão e uma revelação final do culpado pelos crimes. Com toques de sua direção, ele também se inspira em obras como </span><a href="https://ims.com.br/filme/nosferatu/"><i><span style="font-weight: 400;">Nosferatu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1922)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://jornal.usp.br/cultura/cem-anos-depois-o-gabinete-do-dr-caligari-reflete-panico-atual/"><i><span style="font-weight: 400;">O Gabinete do Dr. Caligari</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1920), pertencentes ao surrealismo alemão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As produções mostraram ao cineasta que o Terror não precisa recorrer ao real para assustar. Com características que </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-labirinto-do-fauno-dez-anos/"><span style="font-weight: 400;">remetem à Fantasia</span></a><span style="font-weight: 400;">, esses longas, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i><span style="font-weight: 400;">, criam atmosferas sombrias e teatrais, quase como se retirados de sonhos. A obra de Argento em questão ainda cria um misto de sensações ao ultrapassar os limites da veracidade, focando em fazer o telespectador sentir e se utilizando de recursos extraordinários para esse feito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As </span><a href="https://macabra.tv/dario-argento-e-as-sensacoes-macabras-das-cores/"><span style="font-weight: 400;">cores</span></a><span style="font-weight: 400;"> são a alma de </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i><span style="font-weight: 400;">. Primárias e extremamente saturadas, qualquer imagem do filme grita em vermelho, azul e amarelo. Aqui, a beleza e o medo </span><a href="https://medium.com/@duart/um-pesadelo-em-cores-suspiria-1977-de-dario-argento-75c58a0133f2"><span style="font-weight: 400;">caminham juntos à fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Luciano Tovoli e dialogam entre si o tempo todo. As cores estão nos cenários, figurinos e até mesmo no sangue vívido das vítimas. Quando utilizadas em luzes, a iluminação raramente é realista e se preocupa em </span><a href="https://www.qu4rtostudio.com.br/post/a-teoria-das-cores-no-cinema"><span style="font-weight: 400;">traduzir ao público as emoções</span></a><span style="font-weight: 400;"> das personagens. Se alguém sente um medo intenso em tela, a tendência é que um vermelho gritante tome conta da cena.</span></p>
<figure id="attachment_29424" aria-describedby="caption-attachment-29424" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29424" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/3-suspiria.png" alt="Imagem do filme Suspiria. A foto é retangular e dois rostos a ocupam por inteiro. À esquerda está Suzy. Ela é interpretada por Jessica Harper, uma mulher branca, de cabelos castanhos ondulados que vão até os ombros. Ela tem os olhos pequenos e o rosto fino e delicado. Suzy está de frente para a câmera, mas olha para a esquerda. À direita está Sara, personagem de Stefania Casini. Stefania é uma mulher branca, de cabelos ruivos e cacheados. Ela tem olhos claros e um rosto fino. Ela está de perfil para a câmera e, assim como Suzy, olha para a esquerda. Há uma forte luz vermelha sobre a cena." width="1400" height="595" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/3-suspiria.png 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/3-suspiria-800x340.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/3-suspiria-1024x435.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/3-suspiria-768x326.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/3-suspiria-1200x510.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29424" class="wp-caption-text">A co-roteirista Daria Nicolodi criou a trama a partir de uma história real contada por sua avó, que teria vivido o mesmo que Suzy Bannion (Foto: Seda Spettacoli)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia é surreal tal qual um pesadelo. Os cortes são rápidos e, muitas vezes, alteram rapidamente o foco de um plano mais aberto para um extremamente fechado, em busca de captar a expressão dos atores. Com uma </span><a href="https://www.dn.pt/artes/o-sonho-vermelho-de-argento-5772716.html"><span style="font-weight: 400;">experiência estética</span></a><span style="font-weight: 400;"> marcante, os enquadramentos são criativos e as escolhas de </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;">, tão únicas quanto a obra final. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os elementos que compõem a intensidade e sinestesia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i><span style="font-weight: 400;">, a </span><a href="https://youtu.be/esUBqxsiJ-s"><span style="font-weight: 400;">trilha  sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um show à parte dentro do pesadelo. Composta pela banda italiana de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">progressivo, </span><a href="https://youtu.be/zQejiArD608"><span style="font-weight: 400;">Goblin</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela mistura toques sensíveis de fantasia, melodias sombrias e muitos sintetizadores. O resultado são músicas icônicas, incômodas e angustiantes que, assim como a fotografia e iluminação, dialogam com o ritmo da obra e as sensações que deseja transmitir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa de horror, contudo, também é brilhante em temática e construção narrativa. O roteiro de Dario Argento e Daria Nicolodi é perspicaz ao questionar problemáticas nos bastidores do mundo das artes. Aqui, </span><a href="https://lescorpsdansants.com/2018/12/05/suspiria-2018-de-luca-guadagnino/"><span style="font-weight: 400;">o balé recebe os holofotes</span></a><span style="font-weight: 400;">. A beleza da dança é constantemente contrastada com a realidade assustadora do Instituto. E o mesmo vale para os cenários coloridos e felizes, assim como às dançarinas. A </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/539999/critica-suspiria-1977-a-estetica-do-medo/"><span style="font-weight: 400;">beleza e sutileza</span></a><span style="font-weight: 400;"> podem enganar em um primeiro momento, da mesma maneira que enganam Suzy, mas as máscaras caem quando a maldade encontra formas de se sobressair nesse meio.</span></p>
<figure id="attachment_29418" aria-describedby="caption-attachment-29418" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29418" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4-suspiria.png" alt="Imagem do filme Suspiria. A foto é retangular e retrata bem em seu centro o rosto de Pat, em plano fechado. Pat é interpretada por Eva Axén. Eva é uma mulher branca, de cabelos loiros lisos e olhos claros. Ela está gritando com a cabeça forçada para fora de uma janela de um quarto. Uma mão a segura pelos cabelos. Há uma forte luz azul sobre a cena." width="1600" height="680" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4-suspiria.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4-suspiria-800x340.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4-suspiria-1024x435.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4-suspiria-768x326.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4-suspiria-1536x653.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4-suspiria-1200x510.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29418" class="wp-caption-text">Além das inspirações nos giallos da literatura, Dario também inspirou-se em alguns contos de fadas com bruxas, como Branca de Neve e os Sete Anões (Foto: Seda Spettacoli)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A ganância e o egocentrismo das alunas e líderes são questionados e destoam do amor sincero de Suzy pela dança. Tudo isso, porém, acontece sob um </span><a href="https://macabra.tv/magia-no-cinema-a-bruxaria-nas-telas-em-um-seculo/"><span style="font-weight: 400;">contexto sobrenatural</span></a><span style="font-weight: 400;">. A verdade sobre as bruxas demora a ser revelada e o mistério sobre o que há de errado com o lugar é alarmante. Enquanto peças do quebra-cabeça são expostas, a protagonista descobre que a Companhia é uma fachada para uma seita e o crescimento da narrativa desencadeia acontecimentos maiores e mais perturbadores. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria </span></i><span style="font-weight: 400;">vem para constatar a corrupção humana em contato com a elite artística. O olhar inquieto e inseguro de Suzy guia o telespectador nessa jornada através do </span><a href="https://super.abril.com.br/coluna/turma-do-fundao/12-filmes-perturbadores-de-terror-psicologico/"><span style="font-weight: 400;">horror psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Grande traço dos </span><i><span style="font-weight: 400;">giallos</span></i><span style="font-weight: 400;">, e fator que diferencia tanto o longa de 1977 de seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/suspiria-a-danca-do-medo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2018</span></a><span style="font-weight: 400;"> com mesmo nome, o medo é sugestivo. O temor do desconhecido e a dúvida a respeito dos próximos passos das </span><a href="https://republicadomedo.com.br/bruxas-no-cinema-5-filmes-da-decada-de-1960-para-assistir/"><span style="font-weight: 400;">bruxas</span></a><span style="font-weight: 400;"> é inquietante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desejariam elas realizar um ritual com a mais nova integrante da companhia? Ou estaria Suzy apenas no lugar e hora errados? O desconforto é crescente, conforme a</span> <a href="https://newronio.espm.br/a-evolucao-do-estereotipo-da-final-girl-dos-filmes-de-terror/]"><i><span style="font-weight: 400;">final girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> percebe indícios de que o ambiente é mais perigoso do que aparenta. Isso também é indicado em </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/coluna/ler/1911/cinco-sequencias-de-pesadelos-em-filmes-de-terror"><span style="font-weight: 400;">seus sonhos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Como se não bastasse a referências ao </span><a href="http://centrocultural.sp.gov.br/2020/03/05/o-surrealismo-nas-artes-visuais-e-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">surrealismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em momentos nos quais ela está acordada, Argento faz uso de pesadelos perturbadores para confundir, mas alertar a garota do que está por vir. </span></p>
<figure id="attachment_29421" aria-describedby="caption-attachment-29421" style="width: 1451px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29421" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/5-suspiria.png" alt="Imagem do filme Suspiria. A foto é retangular. Em primeiro plano, no canto direito da imagem, está Suzy, representada da barriga para cima. Ela é interpretada por Jessica Harper, uma mulher branca, de cabelos castanhos ondulados que vão até os ombros. Ela tem os olhos pequenos e o rosto fino e delicado. Sua expressão é assustada e seus cabelos voam com o vento. Ao fundo, é possível ver um corredor que termina em uma curva para a esquerda. As paredes têm desenhos de flores e arcos. Há uma forte luz amarela sobre a cena." width="1451" height="816" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/5-suspiria.png 1451w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/5-suspiria-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/5-suspiria-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/5-suspiria-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/5-suspiria-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29421" class="wp-caption-text">O diretor de Pânico, Wes Craven, era fã de Suspiria e fez questão de citá-lo em dois filmes da franquia slasher (Foto: Seda Spettacoli)</figcaption></figure>
<p><a href="https://cinemaemcena.com.br/coluna/ler/2003/cade-voce-jessica-harper-de-suspiria"><span style="font-weight: 400;">Jessica Harper</span></a><span style="font-weight: 400;">, intérprete da protagonista, exerce seu papel com maestria, entregando todas as emoções necessárias e uma atuação condizente com o expressionismo requerido. Com um extenso currículo de filmes, Harper ainda é relembrada e querida por sua Suzy. Ela até mesmo participou de uma ponta no </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/Cinema/noticia/2019/03/7-diferencas-entre-o-suspiria-original-e-o-novo-filme-de-terror.html"><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no qual conversa com o </span><a href="https://revistamonet.globo.com/Filmes/noticia/2018/10/atriz-fica-irreconhecivel-para-interpretar-homem-de-82-anos-em-filme.html"><span style="font-weight: 400;">Dr. Josef Klemperer</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Harper, a imponente e gananciosa </span><a href="https://www.queridoclassico.com/2020/09/suspiria-tres-maes-thomas-de-quincey.html"><span style="font-weight: 400;">Madame Blanc</span></a><span style="font-weight: 400;">, líder da seita e da escola de dança, é interpretada por Joan Bennett. Blanc, inclusive, foi seu último papel nos cinemas. Sara (Stefania Casini) e Olga (Barbara Magnolfi) são as únicas colegas de Suzy. Ainda que coadjuvantes, elas garantem atuações fantásticas em seus momentos de cena. Casini ainda protagoniza uma intensa e brutal perseguição sob a preocupação do público para com a única aliada de Bannion no meio do caos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria </span></i><span style="font-weight: 400;">é intencional, artístico e contribui para a sua consagração na história. O ritmo do longa é constante e as </span><a href="https://multiplotcinema.com.br/2011/10/dario-em-dez-mortes/"><span style="font-weight: 400;">mortes</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o telespectador presencia em cena movimentam o horror visual. Assim como em </span><a href="https://valkirias.com.br/it-follows-sexo-futuro/"><i><span style="font-weight: 400;">Corrente do Mal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2014), tudo e todos podem ser influenciados pelas bruxas a cometerem seus assassinatos, levando a uma incessante desconfiança. Sua crescente de caos e pânico deságua em um terceiro ato agitado, desesperador e angustiante enquanto Suzy busca desvencilhar-se das bruxas.</span></p>
<figure id="attachment_29423" aria-describedby="caption-attachment-29423" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29423" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/6-suspiria.png" alt="Imagem do filme Suspiria. A foto é retangular. Ela mostra quatro mulheres em um salão de paredes brancas, com desenhos. À esquerda, há uma mulher mais velha, branca, de cabelos curtos e uma camisa branca. Uma criança está sentada a sua frente. É um menino branco, de cabelos loiros e lisos. No centro da imagem está Madame Blanc, interpretada por Joan Bennett. Joan é uma mulher branca, de meia idade. Seus cabelos são escuros e estão presos no topo da cabeça. Ela usa um vestido preto de mangas longas, um colar de pérolas e brincos. À direita estão duas mulheres. Uma está de pé, com uma das mãos sobre a boca. Ela tem cabelos castanhos-claros, é branca e usa um vestido lilás. A outra está sentada, é branca, tem cabelos escuros que estão presos e usa um vestido cor de rosa com uma flor em uma das alças. Ao fundo, os desenhos na parede são de escadas, arcos e flores." width="1600" height="680" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/6-suspiria.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/6-suspiria-800x340.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/6-suspiria-1024x435.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/6-suspiria-768x326.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/6-suspiria-1536x653.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/6-suspiria-1200x510.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29423" class="wp-caption-text">Argento se inspirou na literatura de Thomas De Quincey denominada Suspiria de Profundis, sobre a Mater Suspiriorum, ou Mãe dos Suspiros (Foto: Seda Spettacoli)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encontro da americana com a suprema, </span><a href="https://ceucavalcanti.medium.com/suspiria-e-a-reinven%C3%A7%C3%A3o-do-mito-da-dor-b5e9dfbaa12d"><span style="font-weight: 400;">Helena Markos</span></a><span style="font-weight: 400;">, é aterrorizante. A descoberta da maior vilã da trama é encabeçada pelo fato de que trata-se da única personagem coberta por maquiagens grotescas. O toque </span><a href="https://republicadomedo.com.br/especial-uma-curta-historia-do-splatter-pelo-tempo/"><i><span style="font-weight: 400;">gore </span></i><span style="font-weight: 400;">ou </span><i><span style="font-weight: 400;">splatter</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">d</span><span style="font-weight: 400;">a obra a fecha com chave de ouro, já que mesmo com efeitos visuais intencionalmente pouco realistas, o exagero de banhos de sangue e o estado de algumas vítimas é perturbador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fazendo história, </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria </span></i><span style="font-weight: 400;">foi precursor de um estilo elegante e marcante. O filme inspira obras diversas e as referências ao seu visual são facilmente detectáveis. A versão de 2018, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><span style="font-weight: 400;">Luca Guadagnino</span></a><span style="font-weight: 400;">, reconstrói o tema, mas diverge de estilo ao adotar mais sobriedade e realismo à produção. Enquanto isso, longas como </span><a href="https://www.planoaberto.com.br/critica-demonio-de-neon/"><i><span style="font-weight: 400;">Demônio de Neon</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/noite-passada-em-soho-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Noite Passada em SoHo</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">(2021) abusam das referências tanto visuais, quanto temáticas, no que diz respeito às críticas ao meio artístico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma mistura de inspirações e subgêneros do horror, até o queridinho do Terror contemporâneo, </span><a href="https://personaunesp.com.br/invocacao-do-mal-3-critica/"><span style="font-weight: 400;">James Wan</span></a><span style="font-weight: 400;">, desenvolveu uma obra que dança ao mesmo ritmo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><a href="https://personaunesp.com.br/maligno-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Maligno</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021) tem diversas características de um </span><i><span style="font-weight: 400;">giallo </span></i><span style="font-weight: 400;">de Argento, desde os crimes em sequência e </span><a href="https://youtu.be/0nw1ZWHNd4c"><span style="font-weight: 400;">pesadelos da protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> até o visual iluminado por cores primárias. A beleza e a elegância da produção homenageada garante um conjunto valioso e uma experiência única. Por esse motivo, seus elementos são revisitados com frequência e visados como um </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/melhores-filmes-series/31-filmes-terror-halloween-sexta-feira-13#9"><span style="font-weight: 400;">clássico</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29420" aria-describedby="caption-attachment-29420" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29420" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/7-suspiria.png" alt="Imagem do filme Suspiria. A foto é retangular e mostra em um plano aberto um salão no qual é possível ver um piano e vasos de plantas, apesar da pouca luz. Quase no centro da imagem está Suzy Bannion, personagem de Jessica Harper. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos ondulados que vão até os ombros. Tem os olhos pequenos e o rosto fino e delicado. Suzy usa uma blusa, saia longa e um cardigã. Sua expressão é assustada e seus dois braços estão levantados na altura da cabeça. Atrás dela, há uma porta no meio de uma parede cheia de desenhos de escadas, arcos e flores. Há uma forte luz vermelha sobre a cena." width="1600" height="680" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/7-suspiria.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/7-suspiria-800x340.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/7-suspiria-1024x435.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/7-suspiria-768x326.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/7-suspiria-1536x653.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/7-suspiria-1200x510.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29420" class="wp-caption-text">O longa foi indicado para dois Saturn Awards: Melhor Atriz Coadjuvante em 1978 e Melhor DVD de um Clássico em 2002 (Foto: Seda Spettacoli)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de tantas alegorias, surrealismos e toques delicados e artísticos, o longa é uma força e um representante do horror carregado através do tempo. </span><a href="https://www.pipoca3d.com.br/2016/09/70-filmes-de-horror-da-decada-de-70.html"><span style="font-weight: 400;">45 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> não só não foram capazes de apagar as luzes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i><span style="font-weight: 400;">, como também as fortaleceram. O tempo fez com que </span><a href="https://personaunesp.com.br/rua-do-medo-1978-parte-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">novas gerações de fãs de Terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> se interessassem e se apaixonassem por uma criação tão original e inspiradora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme, de fato, representa a arte em dois espectros. Em um deles, critica os artistas ambiciosos e vaidosos que se esquecem do verdadeiro valor da arte. No outro, usa de sensíveis toques artísticos em cada construção de cena, atuação, diálogo e recursos técnicos para entregar uma verdadeira obra-prima. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i><span style="font-weight: 400;">, a beleza se desconstrói e transfigura-se em medo. Mas o Horror nunca foi tão belo. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/suspiria-45-anos/">45 anos atrás, Suspiria ressignificava a arte do medo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/suspiria-45-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">29417</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Thelma: o terror também é libertador</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/thelma-filme-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/thelma-filme-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jun 2022 15:40:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2017]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Dinamarca]]></category>
		<category><![CDATA[Eili Harboe]]></category>
		<category><![CDATA[Eskil Vogt]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[Henrik Rafaelsen]]></category>
		<category><![CDATA[Joachim Trier]]></category>
		<category><![CDATA[Kaya Wilkins]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Filme Estrangeiro]]></category>
		<category><![CDATA[MUBI]]></category>
		<category><![CDATA[Noruega]]></category>
		<category><![CDATA[Prime Video]]></category>
		<category><![CDATA[Queer]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Suécia]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>
		<category><![CDATA[Terror psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[Thelma]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28020</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez O cenário é uma floresta gelada da Noruega. Pai e filha, de no máximo 6 anos, avistam um cervo durante a caçada. A arma na mão do pai se volta do animal à pequena Thelma, que nunca chega a notar a movimentação. Ele continua firme ali, arma em riste apontada para a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/thelma-filme-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Thelma: o terror também é libertador"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/thelma-filme-critica/">Thelma: o terror também é libertador</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28021" aria-describedby="caption-attachment-28021" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28021" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-1.jpg" alt="Cena do filme Thelma. Na imagem, vemos Thelma, dos ombros para cima, deitada em um sofá verde escuro, de ponta cabeça, ao centro. Ela é uma mulher branca, de cabelos loiros escuros, aparentando cerca de 22 anos, e tem seus olhos fechados e a boca aberta. Por sua boca aberta, vemos uma serpente verde escura entrando por sua boca." width="800" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-28021" class="wp-caption-text">“Eu estou brava com você, Deus. Por que você está fazendo isso comigo? O que você quer?” (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é uma floresta gelada da Noruega. Pai e filha, de no máximo 6 anos, avistam um cervo durante a caçada. A arma na mão do pai se volta do animal à pequena Thelma, que nunca chega a notar a movimentação. Ele continua firme ali, arma em riste apontada para a menina, até o cervo se dispersar. Dos poucos, mas longos minutos, o filme corta para outra cena e uma </span><a href="https://lewislitjournal.wordpress.com/2018/10/07/k-o-to-consciousness-an-analysis-of-thelma/"><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></a><span style="font-weight: 400;"> crescida está enfrentando seus primeiros dias na faculdade. É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia: ensurdecedora, impactante e misteriosa, a obra de Joachim Trier exagera para preparar o terreno para o que vem a seguir.</span></p>
<p><span id="more-28020"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é o quarto longa-metragem dirigido pelo cineasta norueguês, que, recentemente, concorreu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Assim como o último, </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi cotado para a premiação: a obra, uma coprodução entre Noruega, Suécia, Dinamarca e França, foi selecionada como a representante do país na categoria </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/oscar-anuncia-novas-regras-e-muda-nome-da-categoria-de-filme-estrangeiro/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Estrangeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2018, mas não teve força para chegar às indicações anunciadas na grande noite. Na produção, nos primeiros dias de faculdade, as descobertas e novas vontades da religiosa Thelma (Eili Harboe) vêm acompanhadas de estranhos eventos, cada vez mais intensos à medida que ela se desvencilha dos dogmas de sua rígida criação e dá vazão a seus crescentes desejos.</span></p>
<figure id="attachment_28022" aria-describedby="caption-attachment-28022" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28022" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-2.png" alt="Cena do filme Thelma. A frente de um fundo preto, vemos Anja, à esquerda, se inclinando e beijando Thelma, à direita. Anja é uma mulher negra, de cabelos castanhos escuros lisos, aparentando cerca de 20 anos. Thelma é uma mulher branca, de cabelos loiros escuros, aparentando cerca de 20 anos." width="800" height="428" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-2.png 792w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-2-768x411.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28022" class="wp-caption-text">Thelma foi roteirizado por Joachim Trier e Eskil Vogt, uma parceria que se repetiu em A Pior Pessoa do Mundo (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;"> – obra e protagonista – não tem pressa. Cadenciadamente, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XSm2wT_jzQI"><span style="font-weight: 400;">Trier</span></a><span style="font-weight: 400;"> conduz sua estrela através das vivências supostamente ordinárias e comuns à juventude, como a descoberta da </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/espanto/representatividade-lgbt-no-cinema-queer-horror/"><span style="font-weight: 400;">sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, as experiências em um ambiente cheio de desconhecidos e o desvendar de si própria enquanto pessoa. Para Thelma, porém, tudo fica mais intenso e amedrontador: vinda de uma família superprotetora e extremamente religiosa, com seus dogmas e preconceitos, as descobertas da personagem são sempre encaradas como desviantes por ela e pelos pais. Se o ato de provar bebidas alcoólicas em uma festa com amigos já é uma ação repreendida pelo pai, Trond (Henrik Rafaelsen), a filha se interessar por sua colega de classe é ainda mais errado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de seus crescentes desejos, são as represálias internalizadas por Thelma que desencadeiam as ocorrências sobrenaturais. No primeiro contato da protagonista com Anja (Kaya Wilkins), a amiga por quem ela se atrai, um corvo se choca contra o vidro da sala de aula. No segundo, uma convulsão a pega de surpresa. Os sentimentos recém-despertos são desconhecidos a ela e, de poderes telecinéticos a </span><a href="https://personaunesp.com.br/noite-passada-em-soho-critica/"><span style="font-weight: 400;">visões alucinantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, os acontecimentos se tornam mais frequentes e enérgicos ao passo que a personagem se permite explorá-los. Disso, porém, ela não sabe e não demora a investigar a sua causa.</span></p>
<figure id="attachment_28023" aria-describedby="caption-attachment-28023" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28023" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-4.jpg" alt="Cena do filme Thelma. Levitando ao centro da imagem, vemos Thelma vestida em trajes hospitalares, com equipamentos conectados a sua cabeça." width="800" height="346" /><figcaption id="caption-attachment-28023" class="wp-caption-text">“Por vezes, a descoberta mais assustadora é quem realmente se é. Você se atreve a ser quem é?”, questiona o slogan de Thelma (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Drama, Suspense, </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-thelma-joachim-trier-cria-sua-propria-carrie-a-estranha-160791/"><span style="font-weight: 400;">Terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> Psicológico… </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma </span></i><span style="font-weight: 400;">poderia ser chamado até de Romance. O diretor não delimita um gênero e nem explica a sua obra, mas a trabalha de forma enigmática e simbólica o tempo todo. Enquanto as protagonistas se conectam e se atraem, as feições suaves e a performance introspectiva das atrizes tornam suas respectivas personagens ainda mais misteriosas. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7we4eh7qAFA"><span style="font-weight: 400;">Eili Harboe e Kaya Wilkins</span></a><span style="font-weight: 400;">, Thelma e Anja respectivamente, exalam os sentimentos não contados, mas pouco dizem ou explicam. O contrário acontece com o pai e a mãe: tão quietos quanto a filha, já se suspeita desde o início que os dois escondem alguma coisa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas percepções, porém, são frutos da direção de Trier. Ora perto, ora afastadas demais, as câmeras do cineasta nos conduzem através da narrativa como se observássemos o desenrolar de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/suspiria-a-danca-do-medo-critica/"><span style="font-weight: 400;">segredo sombrio</span></a><span style="font-weight: 400;">. A fotografia fria de Jakob Ihre também é essencial para o sentimento de hostilidade e opressão que permeia o longa, e é justamente nos momentos de proximidade das meninas que a tensão acumulada se libera, assim como fazem os poderes de Thelma. A condução cheia de suspense, um dos maiores atrativos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;">, também é o que, por vezes, acaba por repeli-lo. Apesar de construído sutilmente, o ritmo lento do filme faz o telespectador encarar trechos monótonos e tediosos. Nada que Trier não se exima na reta final.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Thelma | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/k7dM9adQFV4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre momentos mais quietos e outros mais tensos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma </span></i><span style="font-weight: 400;">acompanha sua protagonista homônima através da descoberta de sua sexualidade, principalmente. A produção não esconde estar mostrando só simbolismos em tela, já que as </span><a href="https://bocadoinferno.com.br/artigos/2018/12/horror-queer-quando-o-medo-e-a-baixa-representatividade/"><span style="font-weight: 400;">metáforas</span></a><span style="font-weight: 400;"> têm papel fundamental na interpretação. Metáforas essas diretamente conectadas ao lado religioso da personagem: as visões e alucinações de Thelma têm fortes </span><a href="https://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">referências bíblicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, a cada quebra de dogma de sua criação sacra, ela provoca abalos telecinéticos em resposta. Explorar, para ela, revela-se uma provocação digna de invocar seu sobrenatural &#8211; e ela não escolhe contê-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/alem-do-arco-iris-o-terror-como-fuga-da-heteronormatividade/"><span style="font-weight: 400;">diferentes interpretações</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos eventos, é nítido que toda mínima interação da personagem com Anja é o que desencadeia a série de estranhas ocorrências, um reflexo extático da repressão sexual em confronto com os seus desejos. Em uma das cenas mais climáticas e emocionantes, a telecinese faz com que objetos comecem a se mover ao simples toque escondido das duas meninas. Ao final da obra, porém, o pecado do diretor é justamente deixar de lado as sutilezas e apostar no explícito. Em poucos minutos, o filme</span> <span style="font-weight: 400;">vai de um de seus momentos mais intrigantes e enigmáticos a um de seus mais literais, e a combustão sobrecarrega o mistério construído até ali. </span></p>
<figure id="attachment_28024" aria-describedby="caption-attachment-28024" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28024 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3.png" alt="Cena do filme Thelma. Ao centro da imagem, em frente a uma paisagem de mar, durante o dia, vemos um homem branco, com cabelos e barba grisalha, encarando suas mãos estendidas à sua frente, que pegam fogo." width="1280" height="525" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-800x328.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-1024x420.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-768x315.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-1200x492.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28024" class="wp-caption-text">Disponível no Prime Video e na MUBI, Thelma veio depois de Oslo, 31 de Agosto e Mais Forte que Bombas, que renderam ao diretor Joachim Trier indicações a importantes prêmios do Cinema (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No seu próprio ritmo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma </span></i><span style="font-weight: 400;">se mostra objetivamente indecifrável e, da mensagem que se tira da obra, a </span><a href="https://seventh-row.com/2019/11/05/thelma-carrie-comparison/"><span style="font-weight: 400;">interpretação</span></a><span style="font-weight: 400;"> basta. Nas comparações do filme com </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie &#8211; A Estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; também filha de mãe religiosa, também</span> <span style="font-weight: 400;">engatilhou poderes durante uma fase decisiva de sua vida -, a juventude e o processo de descoberta pessoal extasiantes, que tangem o sobrenatural, são tão simbólicas quanto a moral por trás da obra (isso é, se há uma). A verdade é que, entre Romance, Drama, Suspense, ou o que qualquer um se atrever a rotular </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;">, o seu </span><a href="https://www.instagram.com/p/CU0umTkr2w0/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">Terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> também é libertador. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/thelma-filme-critica/">Thelma: o terror também é libertador</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/thelma-filme-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28020</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Em Noite Passada em Soho, pesadelos viram realidade enquanto fantasmas te tiram para dançar</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/noite-passada-em-soho-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/noite-passada-em-soho-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Feb 2022 19:33:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Anya Taylor-Joy]]></category>
		<category><![CDATA[Chung-hoon Chung]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Diana Rigg]]></category>
		<category><![CDATA[Edgar Wright]]></category>
		<category><![CDATA[Giallo]]></category>
		<category><![CDATA[Krysty Wilson-Cairns]]></category>
		<category><![CDATA[Last Night in Soho]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Nicastro]]></category>
		<category><![CDATA[Matt Smith]]></category>
		<category><![CDATA[Noite Passada em Soho]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>
		<category><![CDATA[Terror psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[Thomasin McKenzie]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=25970</guid>

					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro Apenas escute a melodia do trânsito na cidade! Carros e táxis passam o tempo todo, grupos diversos de pessoas riem e conversam em voz alta, e música ecoa de bares, pubs e casas de shows. As luzes dos teatros e das lojas iluminam as ruas largas. O título de um filme clássico pisca &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/noite-passada-em-soho-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Noite Passada em Soho, pesadelos viram realidade enquanto fantasmas te tiram para dançar"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/noite-passada-em-soho-critica/">Em Noite Passada em Soho, pesadelos viram realidade enquanto fantasmas te tiram para dançar</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25973" aria-describedby="caption-attachment-25973" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25973 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-1-2-800x333.png" alt="Fotografia do filme Noite Passada em Soho. A imagem é retangular e apresenta a personagem Sandie, no canto direito, descendo uma escada. Sandie é interpretada por Anya Taylor-Joy. Anya é uma mulher branca, jovem, de cabelos loiros que vão até os ombros. Ela usa um vestido cor-de-rosa. À sua esquerda, na parede onde a escada está, há uma sequência de espelhos. Nesses espelhos, ao invés do reflexo de Sandie, está representada a personagem de Eloise. Ela é interpretada por Thomasin McKenzie. Thomasin é uma jovem na casa dos 20 anos, branca. Ela tem cabelos castanhos, que vão até abaixo dos ombros. Ela usa uma blusa sem mangas branca e uma calça de moletom cinza. " width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-1-2-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-1-2-1024x426.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-1-2-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-1-2-1536x638.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-1-2-1200x499.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-1-2.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25973" class="wp-caption-text">Noite Passada em Soho é como se a premissa de <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/meia-noite-em-paris-critica">Meia-Noite em Paris</a>, de Woody Allen, e o estilo de um <a href="http://sentaai.com/o-que-e-esse-tal-de-giallo/">giallo</a> de Dario Argento resolvessem ter um bebê (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apenas escute a melodia do trânsito na cidade! Carros e táxis passam o tempo todo, grupos diversos de pessoas riem e conversam em voz alta, e música ecoa de bares, </span><i><span style="font-weight: 400;">pubs</span></i><span style="font-weight: 400;"> e casas de </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;">. As luzes dos teatros e das lojas iluminam as ruas largas. O título de um filme clássico pisca no letreiro do cinema. Quantos sonhos, promessas e ilusões vivem nos grandes – e famosos – centros urbanos, repletos de cultura, moda e fama? Bom, </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-novembro-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Noite Passada em Soho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> evidencia o que acontece quando alguns desses sonhos são arruinados, confrontados com uma realidade que pode ser cruel, brutal e assustadora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por </span><a href="https://www.jamesbondbrasil.com/2021/10/edgar-wright-diz-ter-ideias-para-proxima-era-de-james-bond/"><span style="font-weight: 400;">Edgar Wright</span></a><span style="font-weight: 400;"> e roteirizado por ele, em parceria com </span><a href="https://www.dmbtecnologia.com.br/roteirista-do-filme-noite-passada-em-soho-conta-que-tirou-inspiracao-de-experiencias-pessoais/"><span style="font-weight: 400;">Krysty Wilson-Cairns</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa chegou aos cinemas brasileiros em 18 de novembro de 2021. Antes disso, foi exibido nos </span><a href="https://www.instagram.com/p/CT5ssphNzJv/"><span style="font-weight: 400;">Festivais de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">, Toronto e Londres, chegando ao Brasil pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. O diretor, conhecido por seu estilo ágil, astuto e criativo, revelado em obras como </span><a href="http://personaunesp.com.br/em-ritmo-de-fuga-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Em Ritmo de Fuga</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), aqui apresenta o gênero abordado como novidade: um suspense psicológico e retrô, com toques de inspiração do </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/psicose-como-alfred-hitchcock-quebrou-as-barreiras-entre-terror-e-suspense-no-classico-de-1960/"><span style="font-weight: 400;">Terror dos anos 60 e 70</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse fator, somado a uma temática instigante, curiosa e com uma premissa original, joga holofotes sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Last Night in Soho</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, como resposta, entrega ao espectador uma experiência assombrosa, envolvente e singular.</span></p>
<p><span id="more-25970"></span></p>
<figure id="attachment_25982" aria-describedby="caption-attachment-25982" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25982" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-2-800x533.png" alt="Fotografia do filme Noite Passada em Soho. A imagem mostra a personagem Eloise sentada no banco de um trem, observando a paisagem na janela ao seu lado. Ela está sentada com os pés sobre o banco, abraçando os joelhos. Eloise é interpretada por Thomasin McKenzie. Thomasin é uma jovem na casa dos 20 anos, branca. Ela tem cabelos castanhos que estão presos em uma trança atrás da cabeça. Ela usa uma blusa florida, meia calça e está com fones sobre os ouvidos." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-2-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-2-1536x1023.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-2-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-2.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25982" class="wp-caption-text">Ellie é uma jovem deslocada de sua época, apaixonada pela estética dos anos 60, o que se representa desde seu vestuário até as músicas que escuta (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa experiência é contada sob a perspectiva de Eloise (</span><a href="https://baldepipoca.com/tempo-entrevista-exclusiva-com-thomasin-mckenzie/"><span style="font-weight: 400;">Thomasin McKenzie</span></a><span style="font-weight: 400;">) – ou Ellie –, uma jovem que deixa sua cidadezinha no interior da Inglaterra para viver o sonho de estudar Moda em Londres. Ao chegar na capital, porém, as coisas se revelam muito mais complicadas do que ela imaginava. Sentindo-se solitária, desconfortável e nem um pouco acolhida em seu novo lar, a garota encontra refúgio em uma pensão, que ganha sua simpatia com uma localização agradável e uma decoração tirada diretamente dos anos 60. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se a estética não fosse suficiente por si só, em sua primeira noite no ambiente ela é surpreendida ao ser, de fato, transportada para a época em questão: uma </span><a href="https://designinnova.blogspot.com/2014/02/as-ruas-de-londres-nos-anos-60.html"><span style="font-weight: 400;">Soho sessentista</span></a><span style="font-weight: 400;">, perfeitamente reconstruída, em sonho vívido. Lá, ela se enxerga no corpo de Sandie (</span><a href="https://exame.com/casual/anya-taylor-joy-abre-o-jogo-apos-sucesso-em-o-gambito-da-rainha/"><span style="font-weight: 400;">Anya Taylor-Joy</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma aspirante a cantora, cuja beleza, determinação e sede por fama despertam sua admiração e inspiração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As visões logo se tornam recorrentes, se repetindo todas as noites, e passam a confundir a jovem a respeito do que é real e do que não é. O que se inicia de forma inocente e divertida, logo se torna um pesadelo, quando, aos poucos, Ellie percebe que está presenciando uma história </span><a href="https://www.showmetech.com.br/noite-passada-em-soho-critica/"><span style="font-weight: 400;">triste, apavorante e real</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se mistura com a sua própria e passa a assombrá-la com fantasmas do passado. </span></p>
<figure id="attachment_25980" aria-describedby="caption-attachment-25980" style="width: 680px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25980" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-3.gif" alt="GIF do filme Noite Passada em Soho. O GIF mostra a personagem Sandie se observando no espelho. Sandie é interpretada por Anya Taylor-Joy. Anya é uma mulher branca, jovem, de cabelos loiros que vão até os ombros. Ela usa um vestido cor-de-rosa e um brinco brilhante. O espelho a sua frente, ao invés de exibir o reflexo da garota, exibe Eloise. Ela é interpretada por Thomasin McKenzie. Thomasin é uma jovem na casa dos 20 anos, branca. Ela tem cabelos castanhos, que vão até abaixo dos ombros. Ela usa uma blusa sem mangas branca. Durante O GIF, ambas as personagens se viram na direção da câmera, repetindo os movimentos uma da outra, como em um reflexo, mas encarando a mesma direção." width="680" height="399" /><figcaption id="caption-attachment-25980" class="wp-caption-text">Desde a primeira aparição de Sandie, o filme atiça a curiosidade do telespectador acerca da origem – e da razão – da conexão entre as duas personagens (GIF: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é construída de forma que o suspense envolvendo a trajetória de Sandie em busca de reconhecimento, </span><a href="http://cinegnose.blogspot.com/2021/11/noite-passada-em-soho-por-que-temos.html"><span style="font-weight: 400;">nos anos 60</span></a><span style="font-weight: 400;">, é intercalado com a adaptação de Eloise à mesma Londres, cerca de sessenta anos depois. A diferença é que, enquanto a cantora precisou enfrentar seus desafios completamente só, Ellie, agora, os repassa junto dela, investigando seus passos e tentando descobrir quais foram seus desfechos, junto ao público. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história progride satisfatoriamente no Terror psicológico e nos dramas do passado, enquanto </span><a href="https://curitibacult.com.br/noite-passada-em-soho-passeia-entre-generos-sem-deixar-sua-essencia-aterrorizante/"><span style="font-weight: 400;">ambos se misturam</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em mãos erradas, essa alternância de foco poderia se tornar confusa, artificial e desencadear uma ruptura no ritmo do filme. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite Passada em Soho</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, a direção de Wright acerta ao desenvolver crescentes acontecimentos bizarros, assumidamente </span><a href="https://ofilmaco.com.br/lista-cinco-filmes-surrealistas/"><span style="font-weight: 400;">surrealistas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Eles criam vida para além dos pesadelos de Eloise e geram questionamentos cativantes quanto à origem daquele mal e quais serão as suas consequências. </span></p>
<figure id="attachment_25981" aria-describedby="caption-attachment-25981" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25981" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-4-800x534.png" alt="Fotografia do filme Noite Passada em Soho. A imagem mostra a personagem Eloise, parada, no centro. Eloise é interpretada por Thomasin McKenzie. Thomasin é uma garota branca, que está com os cabelos loiros e molhados. Ela usa uma blusa preta e, por cima, uma jaqueta branca. Ela olha para a sua esquerda, com uma expressão neutra. O ambiente onde ela se encontra é iluminado por uma forte iluminação azul, vinda das costas de Eloise, e uma iluminação vermelha, à sua frente. " width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-4-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-4-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-4-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-4-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-4-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-4.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25981" class="wp-caption-text">Inspirada por Sandie, Eloise passa a incorporar algumas de suas características físicas após vivenciá-la em seus sonhos, enquanto o passado começa a ganhar vida, com ela (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro de um roteiro tão recheado de detalhes e ideias, </span><a href="https://turnmundonerd.com.br/noite-passada-em-soho/"><span style="font-weight: 400;">nem tudo recebe a mesma atenção e desenvolvimento</span></a><span style="font-weight: 400;">, como é o caso de alguns aspectos que envolvem Eloise. As visões que a garota tem de sua mãe e as dúvidas acerca de sua sanidade são alguns desses pontos, que rapidamente acabam em segundo plano. No lugar, </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite Passada em Soho</span></i><span style="font-weight: 400;"> abraça completamente a investigação da vida de Sandie, quase como se admirasse esses novos fatos com o mesmo interesse de sua protagonista, já que são eles que movem o enredo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As boas ideias e o </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/colunas/456263/edgar-wright-contra-o-cliche-a-trajetoria-do-diretor-mais-pop-e-iconico-dessa-geracao/"><span style="font-weight: 400;">olhar criativo de Wright</span></a><span style="font-weight: 400;">, contudo, prevalecem. Seja no uso de técnicas que divagam entre o horror psicológico e o físico, ou na inventividade para criar revelações e reviravoltas surpreendentes nos momentos certos, o longa é repleto de cenas angustiantes e sufocantes, e o desespero de Eloise para interferir na realidade de Sandie se faz crível e compartilhado por quem assiste. Os fantasmas dos anos 60, que reverberam no presente, tornam-se mais ameaçadores, violentos e macabros, conforme as explicações são gradativamente fornecidas.</span></p>
<figure id="attachment_25983" aria-describedby="caption-attachment-25983" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25983" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-5-800x534.png" alt="Fotografia do filme Noite Passada em Soho. A imagem mostra a personagem Sandie dançando, com a câmera focada em seu busto. Sandie é interpretada por Anya Taylor-Joy. Anya é uma mulher branca, jovem, de cabelos loiros que vão até os ombros. Ela está olhando por cima do ombro, para trás. O ambiente em que ela está é escuro, iluminado apenas por uma forte luz vermelha, que brilha sobre seu rosto. O fundo está desfocado, mas há um homem a observando, também iluminado pela luz vermelha." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-5-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-5-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-5-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-5-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-5-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-5.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25983" class="wp-caption-text">O espectador se vê representado pela personagem de Eloise, tão observadora quanto nós, no que diz respeito à trágica história de Sandie (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todas as sensações provocadas pelo filme são intensificadas com elementos sonoros e </span><a href="https://blog.emania.com.br/os-principios-da-luz-na-fotografia-e-no-cinema-a-temperatura-da-cor/"><span style="font-weight: 400;">visuais</span></a><span style="font-weight: 400;">, minuciosamente pensados. A recriação dos anos 60 é bela, desde os </span><a href="https://youtu.be/OCWINjhwo2E"><span style="font-weight: 400;">cenários</span></a><span style="font-weight: 400;"> até os </span><a href="https://cinepop.com.br/noite-passada-em-soho-video-explora-os-incriveis-figurinos-do-novo-suspense-de-edgar-wright-confira-321330/"><span style="font-weight: 400;">figurinos</span></a><span style="font-weight: 400;">. As intensas </span><a href="https://www.qu4rtostudio.com.br/post/a-teoria-das-cores-no-cinema"><span style="font-weight: 400;">luzes coloridas</span></a><span style="font-weight: 400;"> geram contraste entre os dois períodos e são usadas, principalmente, em momentos de perigo e tensão. Esse recurso é bastante oportuno, considerando as referências de época, e muito utilizado nos </span><a href="https://www.cineset.com.br/especial-de-terror-cinco-melhores-filmes-giallos/"><i><span style="font-weight: 400;">giallos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do horror italiano, como em </span><a href="https://bocadoinferno.com.br/criticas/2014/07/suspiria-1977/"><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1977), de Dario Argento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia, dirigida pelo sul-coreano </span><a href="https://geeksinaction.com.br/index.php/2021/02/02/serie-de-obi-wan-kenobi-adiciona-o-diretor-de-fotografia-chung-hoon-chung/"><span style="font-weight: 400;">Chung-hoon Chung</span></a><span style="font-weight: 400;">, é impecável e, sem dúvidas, um dos maiores destaques da obra. O trabalho dele contribui para a construção do terror, é imaginativo – como pede a direção de Wright – e extremamente habilidoso ao criar cenas perfeitas, nas quais as atrizes principais são simultaneamente representadas. Jogos de espelhos, </span><i><span style="font-weight: 400;">sets </span></i><span style="font-weight: 400;">duplicados, cenas coreografadas e a alternância ágil entre planos garante um </span><a href="https://youtu.be/Sa5PeUD4W48"><span style="font-weight: 400;">espetáculo visual</span></a><span style="font-weight: 400;"> que enriquece </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite Passada em Soho.</span></i></p>
<figure id="attachment_25975" aria-describedby="caption-attachment-25975" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25975" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-6.gif" alt="GIF do filme Noite Passada em Soho. A imagem mostra a personagem Sandie dançando com Jack. Sandie é interpretada pela atriz Anya Taylor-Joy. Anya é uma mulher branca, jovem, de cabelos loiros que vão até os ombros. Ela usa um vestido cor-de-rosa. Jack, por sua vez, é interpretado por Matt Smith. Matt é um homem branco, na casa dos 40 anos. Ele tem cabelos castanhos, lisos, penteados para trás, e usa um terno escuro. Ele gira Sandie com uma das mãos. Enquanto faz isso, a câmera passa por trás de suas costas, cobrindo Sandie por um segundo. Quando ela reaparece, ela deixou de ser Sandie e agora é Eloise. Eloise é interpretada por Thomasin McKenzie. Thomasin é uma jovem na casa dos 20 anos, branca. Ela tem cabelos castanhos, que vão até abaixo dos ombros. Ela usa uma blusa sem mangas branca e uma calça de moletom cinza. Ela está alegre e sorri para Jack. Ao fundo, é possível ver um salão vermelho, uma escada, algumas mesas com cadeiras e diversas pessoas paradas, os observando dançar." width="800" height="433" /><figcaption id="caption-attachment-25975" class="wp-caption-text">Com um impecável jogo de câmeras e coreografias, o filme cria cenas espetaculares nas quais as personagens dividem o corpo de Sandie, sem o uso de efeitos ou de fundo verde (GIF: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre a lista de méritos do filme, as atuações são um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> à parte. Os destaques são, sem dúvidas, as duas protagonistas, que representam papéis opostos. McKenzie simboliza medo, curiosidade e simplicidade com excelência. É fácil sentir empatia pela tímida </span><a href="https://youtu.be/R2E3gAE-bJs"><span style="font-weight: 400;">Ellie</span></a><span style="font-weight: 400;">. A personagem apresenta vitalidade e sua presença em cena é maior quando ela se sente segura e confortável, situação que oscila diante dos dramas enfrentados, e exige </span><a href="https://www.elle.com/culture/movies-tv/a38094039/thomasin-mckenzie-last-night-in-soho-interview/"><span style="font-weight: 400;">versatilidade da atriz</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, a maravilhosa </span><a href="https://olhardigital.com.br/2021/08/24/cinema-e-streaming/anya-taylor-joy-se-junta-a-robert-eggers-em-remake-de-nosferatu/"><span style="font-weight: 400;">Taylor-Joy</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega uma Sandie determinada, corajosa e confiante, aos poucos revelando sua complexidade, conforme lida com o caos de seus dias. Ela, como sempre, brilha e esbanja elegância em sua atuação, e revela todas as camadas de seu papel com maestria. </span><a href="https://youtu.be/k6E6zZy0B5M"><span style="font-weight: 400;">Anya mostrou habilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> até mesmo </span><a href="https://youtu.be/k6E6zZy0B5M"><span style="font-weight: 400;">cantando</span></a><span style="font-weight: 400;">, em sua icônica versão da canção </span><i><span style="font-weight: 400;">Downtown</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1965), de Petulia Clarke, para o filme. A música carrega um otimismo a respeito da vida em uma grande cidade, o que dialoga de forma irônica com os acontecimentos do longa.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As demais atuações também são dignas de elogios, mesmo quando os personagens recebem menos tempo de tela. Miss</span> <span style="font-weight: 400;">Collins, interpretada por Diana Rigg, brilha em um </span><a href="https://www.magazine-hd.com/apps/wp/diana-rigg-game-of-thrones-rip/"><span style="font-weight: 400;">papel póstumo</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que a veterana atriz faleceu antes do lançamento do longa. </span><a href="https://versatille.com/conheca-a-trajetoria-de-matt-smith-ator-do-filme-noite-passada-em-soho/"><span style="font-weight: 400;">Matt Smith</span></a><span style="font-weight: 400;"> (o </span><a href="https://cinepop.com.br/doctor-who-matt-smith-comenta-sobre-possivel-retorno-no-60o-aniversario-da-serie-319357/"><i><span style="font-weight: 400;">Doctor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas dessa vez não o viajante do tempo da história) entrega uma representação certeira de um Jack detestável e assustador, que </span><a href="https://youtu.be/fcYmJwkLgPo"><span style="font-weight: 400;">engana a Sandie</span></a><span style="font-weight: 400;">, Ellie e a nós, ao se apresentar como simpático e atencioso, em um primeiro momento.</span></p>
<figure id="attachment_25978" aria-describedby="caption-attachment-25978" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25978" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-7-800x534.png" alt="Fotografia do filme Noite Passada em Soho. A imagem mostra o personagem Jack interpretado por Matt Smith. Matt é um homem branco, na casa dos 40 anos. Ele tem cabelos castanhos, lisos, penteados para trás, e usa um terno escuro. Seu rosto é longo e seu nariz é pontudo. Ele é alto e magro. Ele está em um salão e olha na direção da câmera, parado ao lado de um balde de gelo em uma mesa. Um garçom passa, desfocado, ao seu lado. Ao fundo é possível ver um espelho e um lustre." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-7-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-7-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-7-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-7-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-7-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-7.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25978" class="wp-caption-text">Enquanto tudo parece mágico, Matt Smith é cavalheiro, cativante e faz parte de uma ilusão da “vida dos sonhos” buscada pelas protagonistas em Londres (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto às suas revelações e ao desfecho, o filme carrega uma </span><a href="http://artecult.com/noite-passada-em-soho/#:~:text=uma%20hist%C3%B3ria%20fraca-,NOITE%20PASSADA%20EM%20SOHO%3A%20Uma%20cr%C3%ADtica%20social%20forte%20sobre%20abuso,porem%20com%20uma%20hist%C3%B3ria%20fraca&amp;text=A%20hist%C3%B3ria%20acompanha%20Eloise%20(Thomasin,moda%20e%20se%20tornar%20estilista."><span style="font-weight: 400;">crítica social</span></a><span style="font-weight: 400;">, com forte temática de violência, esta vivenciada por Sandie. A obra evidencia a triste realidade de abusos, manipulações e ameaças enfrentadas pela personagem quando jovem, enquanto buscava construir sua carreira musical. Para isso, se utiliza da sugestividade ao apresentar esses acontecimentos através de diálogos entre a cantora e Jack, ou representando através de </span><a href="https://www.dreadcentral.com/news/418418/ghosts-murder-and-identity-in-last-night-in-soho/"><span style="font-weight: 400;">fantasmas</span></a><span style="font-weight: 400;"> com rostos borrados, os homens para quem ele a oferecia e vendia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa remete a sensações de desânimo, dor, agonia e confusão vividas por ela, enquanto vítima. Para isso, se usa de câmeras trêmulas e </span><a href="https://youtu.be/LMGfaa_OMX4"><span style="font-weight: 400;">inquietas</span></a><span style="font-weight: 400;"> focadas no rosto de Sandie, em diversas ações da personagem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite Passada em Soho</span></i><span style="font-weight: 400;">, entretanto, é ousado e imprevisível. Ao se encaminhar para sua resolução, a produção surpreende com uma reviravolta de vingança, sob uma perspectiva inesperada. </span></p>
<figure id="attachment_25976" aria-describedby="caption-attachment-25976" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25976" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-8-800x334.png" alt=" Fotografia do filme Noite Passada em Soho. A imagem mostra a personagem Sandie em primeiro plano. Sandie é interpretada por Anya Taylor-Joy. Anya é uma mulher branca, jovem, de cabelos loiros que vão até os ombros. Ela tem uma franja, usa uma faixa na cabeça e está sentada. Seu corpo está inclinado levemente para a esquerda e ela olha para algo que está logo a sua frente. Atrás do banco onde ela se encontra existe um espelho. Esse espelho mostra a personagem Eloise, ao invés do reflexo de Sandie. Eloise é interpretada por Thomasin McKenzie. Thomasin é uma mulher branca, jovem, que está com cabelos loiros, que vão até os ombros, com uma franja, igual ao de Sandie. Ela usa uma blusa de mangas compridas azul e olha para a mesma direção de Sandie. Uma luz roxa ilumina o ambiente. " width="800" height="334" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-8-800x334.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-8-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-8-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-8-1536x640.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-8-1200x500.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-8.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25976" class="wp-caption-text">Eloise se vê, assim como o público, presenciando uma história diretamente saída dos giallos, os quais, em sua maioria, retratavam assassinatos e investigações (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir disso, a obra tenta responder às questões levantadas ao longo de seu desenvolvimento e peca pelo excesso, já que são muitas. Pontas soltas, por vezes, permanecem dessa forma. A </span><a href="https://cinestera.com.br/noite-passada-em-soho-final-explicado-sandie-no-espelho-da-ellie-reviravoltas/"><span style="font-weight: 400;">conclusão</span></a><span style="font-weight: 400;"> dada à Sandie a respeito dos crimes cometidos por ela acaba sendo rasa e incoerente comparada à complexidade de seu desenvolvimento e da personagem em si. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trata-se, afinal, da origem dos traumas que a tornaram fria, violenta e sanguinária. A perspectiva de uma vítima que se torna a assassina. Uma dualidade que permitiria discussões melhor aproveitadas e um final mais marcante e impactante para Sandie, se bem trabalhada. A relação entre ela e Eloise também carece de maiores explicações, e a conexão entre elas se resume, de forma insuficiente, à tendência da segunda a uma sensibilidade ao </span><a href="https://www.acidadeon.com/circuitodasaguas/colunas/ao-som-da-claquete/BLOG,0,0,1695367,noite-passada-em-soho-mescla-suspense-com-sobrenatural.aspx"><span style="font-weight: 400;">sobrenatural</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_25977" aria-describedby="caption-attachment-25977" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25977" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-9-800x533.png" alt="Fotografia do filme Noite Passada em Soho. A imagem mostra a personagem Eloise caída no chão, cobrindo o rosto até a altura dos olhos, com o braço direito. Eloise é interpretada por Thomasin McKenzie. Thomasin é uma mulher branca, jovem, que está com cabelos loiros, que vão até os ombros, com uma franja. Seus olhos estão manchados com maquiagem preta, que escorre por seu rosto. Ela usa uma camiseta preta, sem mangas. Está escuro ao seu redor, mas uma luz, vinda da esquerda da câmera, ilumina a garota. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-9-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-9-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-9.png 885w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25977" class="wp-caption-text">A personagem de Ellie funciona como um catalisador, um meio pelo qual entidades e forças sobrenaturais de outra época conseguem voltar à vida (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Edgar Wright de fato acerta ao criar um suspense curioso e atrativo, repleto de personalidade. Em sua ânsia e </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/films/features/edgar-wright-interview-last-night-in-soho-b1944720.html"><span style="font-weight: 400;">ambição de elaborar diversas situações complexas</span></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor entrega resultados finais razoáveis, porém discretos e limitados, que destoam do desenvolvimento deslumbrante e detalhista do longa. No entanto, em momento algum, isso prejudica a experiência como um todo: não afeta o encanto e originalidade da obra, apenas sugere que ela teria muito potencial para um desfecho mais satisfatório, completo e engenhoso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dialogando com o surrealismo, com referências de um </span><a href="https://super.abril.com.br/coluna/turma-do-fundao/12-filmes-perturbadores-de-terror-psicologico/"><span style="font-weight: 400;">Terror psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de décadas passadas e uma elegante reconstrução de outra época, o filme é muito mais do que aparenta em sua superfície. A obra apresenta diversas camadas interessantes e sequências imersivas, que ocorrem sobre um nostálgico plano de fundo de viagem temporal. </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite Passada em Soho</span></i><span style="font-weight: 400;"> evidencia a forma como uma tragédia do passado desencadeia uma série de eventos traumatizantes e é capaz de criar fantasmas eternos, no sentido alegórico e também literal. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/33KwD2xOgLY?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/noite-passada-em-soho-critica/">Em Noite Passada em Soho, pesadelos viram realidade enquanto fantasmas te tiram para dançar</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/noite-passada-em-soho-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">25970</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O Homem Invisível: quando a ficção encontra a realidade</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/o-homem-invisivel-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/o-homem-invisivel-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Oct 2021 17:00:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso]]></category>
		<category><![CDATA[Alberto Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Aldis Hodge]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Elisabeth Moss]]></category>
		<category><![CDATA[H.G. Wells]]></category>
		<category><![CDATA[Harriet Dyer]]></category>
		<category><![CDATA[Herbert George Wells]]></category>
		<category><![CDATA[Horror]]></category>
		<category><![CDATA[Leigh Whannell]]></category>
		<category><![CDATA[O Homem Invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Oliver Jackson-Cohen]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamento Tóxico]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Storm Reid]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>
		<category><![CDATA[Terror psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[The Invisible Man]]></category>
		<category><![CDATA[Universal Pictures]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=24165</guid>

					<description><![CDATA[<p>Alberto Borges Ao sentar para assistir O Homem Invisível de Leigh Whannell, você pode até imaginar que será mais um filme de Terror com perseguição, mortes e muito sangue. Porém, a produção, lançada em 2020, tem camadas muito mais profundas do que as que passam no imaginário do público enquanto estão entretidos durante as mais &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-invisivel-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Homem Invisível: quando a ficção encontra a realidade"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-invisivel-critica/">O Homem Invisível: quando a ficção encontra a realidade</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24166" aria-describedby="caption-attachment-24166" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-reproducao.png" alt="Cena do filme O Homem Invisível. A personagem Cecília (Elisabeth Moss), de cabelos loiros, está de lado num box de banheiro, enquanto no segundo plano o foco está na mão do Homem Invisível marcada no vidro do box embaçado." width="700" height="341" /><figcaption id="caption-attachment-24166" class="wp-caption-text">Assim como no mundo real, O Homem Invisível muitas vezes só existe na cabeça das mulheres (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Alberto Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao sentar para assistir </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Leigh Whannell, você pode até imaginar que será </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-massacre-da-serra-eletrica-critica/"><span style="font-weight: 400;">mais um filme de Terror com perseguição</span></a><span style="font-weight: 400;">, mortes e muito sangue. Porém, a produção, lançada em 2020, tem camadas muito mais profundas do que as que passam no imaginário do público enquanto estão entretidos durante as mais de duas horas de sequências de ação. Baseado no livro de mesmo nome de Herbert George Wells, lançado em 1897, e na primeira versão do filme de 1933, dirigido por James Whale, a trama se prende na visão da personagem principal, Cecília (Elisabeth Moss), que logo no início do filme mostra qual é seu principal objetivo e seu maior inimigo: </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/critica-o-homem-invisivel-161140/"><span style="font-weight: 400;">fugir daquele que se deita ao seu lado</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-24165"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O drama e a tensão dos primeiros minutos da produção são cativantes e fazem o público ficar sem fôlego, com direito a uma fuga da protagonista que causa temor do início ao fim. O longa não aborda a relação do casal antes de Cecília fugir, o que deixaria o roteiro mais rico e profundo para o espectador entender de onde vieram todos os traumas e a insana obsessão do homem pela figura da mulher. Tudo funciona bem, mesmo sem essa apresentação inicial ou </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> durante o filme. Contudo, a experiência seria diferente com essa adaptação do diretor. </span></p>
<figure id="attachment_24167" aria-describedby="caption-attachment-24167" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24167" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-divulgacao-Universal-Pictures.jpg" alt=" Cena do filme O Homem Invisível. Cecília (Elisabeth Moss), de cabelos loiros, está usando uma camisola na frente de um espelho enquanto olha para trás com uma expressão apreensiva." width="700" height="459" /><figcaption id="caption-attachment-24167" class="wp-caption-text">“Eu tenho alguma experiência com personagens que sofreram abusos de diferentes tipos. Seja físico, emocional, psicológico, sexual, é algo que já interpretei muito. Então trouxe um certo conhecimento ao papel”, disse Moss em entrevista (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os relacionamentos abusivos tem ganhado uma crescente de muita influência nas produções culturais nos últimos tempos, porém a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1X_wmD96LPs&amp;ab_channel=JuCirqueira"><span style="font-weight: 400;">versão literária da obra</span></a> <span style="font-weight: 400;">não tem nenhuma ligação com o tema, visto que é apenas focada na figura do Homem Invisível e no modelo de ficção assídua, com experimentos de laboratório que o transformaram e o fizeram ter a busca pelo poder. Quanto ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dlr75akeAQU&amp;ab_channel=DalenogareCr%C3%ADticas"><span style="font-weight: 400;">filme de 1933</span></a><span style="font-weight: 400;">, a produtora </span><i><span style="font-weight: 400;">Universal Pictures</span></i><span style="font-weight: 400;"> iria incluir o personagem em seu mundo de monstros, o que acabou não acontecendo e culminou no clássico filme de época, na releitura do livro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na nova adaptação, Elisabeth Moss, já conhecida por seus papéis dramáticos em outras séries e filmes, como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-handmaids-tale-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Handmaid’s Tale</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assume o destaque e conquista o público com sua atuação brilhante no papel, passando todo o sentimento de desespero e desamparo que vive enquanto lida com seus traumas do relacionamento. Estes que, como na vida real, trazem o papel da mulher sendo lunática e com falta de empatia, evidenciando que até mesmo quem está no ciclo social pode chegar a desconfiar de sua condição mental, e, no caso de Cecília, sua irmã, seu amigo e até mesmo os policiais começam a desacreditar de seus relatos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Homem Invisível - Trailer Oficial 2 (Universal Pictures) HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OEyTTpP_Mdw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><b>A virada de chave do filme para o Terror</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra carrega na carga emocional da personagem seu ritmo de acontecimentos, como se cada passo de superação dos traumas e da síndrome do pânico adquirida, e representada tão bem por Moss, fosse um impulso para que o terror aumentasse. Assim, ela recebe a notícia de que seu ex-marido se suicidou, de forma trágica, e deixou todo seu patrimônio para ela. Um gancho para que ela se aproximasse novamente de tudo que deixou para trás e ainda trazia más memórias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este é o gatilho para o desenrolar da narrativa. Adrian (</span><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/"><span style="font-weight: 400;">Oliver Jackson-Cohen</span></a><span style="font-weight: 400;">), o cientista maluco, que sabe se lá como, conseguiu construir uma roupa que o deixa invisível, meio que </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-homem-invisivel-de-h-g-wells/"><span style="font-weight: 400;">difere do livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, e começa a rondar todos os passos da ex-esposa, com um clima de suspense que o envolve, pois ninguém sabe onde ele está e qual a sua aparência. Essa evidência é mostrada apenas quando o diretor deixa referências de coisas se mexendo sozinhas, respirações, e claro, uma das cenas mais conhecidas do filme, a das mãos no </span><i><span style="font-weight: 400;">box </span></i><span style="font-weight: 400;">do banheiro. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> é cheio de sequências hipnotizantes, e uma das maiores é quando Cecília começa a lutar com o vulto em plena cozinha, momento em que quem assiste fica ansioso para ver o desfecho de tudo, até que a personagem consegue se livrar, e confirma suas paranoias. Consciente de que não é apenas uma insanidade, e sim a realidade, ela começa a confrontar seu ex-cônjuge e tomar atitudes para pôr um ponto final em toda a situação aterrorizante.</span></p>
<figure id="attachment_24168" aria-describedby="caption-attachment-24168" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24168" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/GIF-1-_reproducao_.gif" alt="Cena do filme O Homem Invisível. Cecília (Elisabeth Moss), de cabelos loiros, usando uma camisa social, está num quarto escuro e joga uma lata de tinta branca no homem invisível, o que faz com que seu traje apareça." width="650" height="264" /><figcaption id="caption-attachment-24168" class="wp-caption-text">Os momentos de terror do filme são relacionados ao medo de como é a figura do Homem Invisível (GIF: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O truque de mestre do roteiro é tornar a vítima culpada. Quando ela decide contar para sua irmã Emilly (Harriet Dyer), em uma jogada de psicopatia, o Homem Invisível mata a ex-cunhada no meio de um restaurante, e o que sobra é Cecília, com uma faca na mão e os olhares de acusação dos demais presentes. Tudo nos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> se concentra apenas em Elisabeth Moss, em cortes fechados, tendo que lidar com a situação de estar encenando sozinha em momentos de tensão, mesmo com a presença de toda a equipe, o que deixa o filme angustiante e prende nossa atenção.</span></p>
<p><b>A ligação com o trauma e o final de vingança</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se a situação não estivesse pior, a personagem descobre estar grávida, e esse fator surpresa muda tudo na dinâmica do filme, pois agora Adrian não queria mais vê-la sofrer, e sim ter o filho, fruto de uma relação de objetificação e posse. Na continuidade, Cecília é seguida até mesmo na cadeia onde está presa, pela figura do homem que ninguém vê. O roteiro de Leigh Whannell, </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-97570/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">especialista em filmes de Terror</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos apresenta o limite que uma mulher fragilizada e assustada pode chegar para se livrar de um maníaco perseguidor: tirar a própria vida. No entanto, o mesmo roteiro tem como objetivo fazer com que Adrian tenha o medo de perder o seu item mais precioso: ela mesma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os pontos de ação e efeitos especiais no longa-metragem são convincentes, como a sucessão de ataques aos policiais da figura que ninguém vê.  As mortes foram coreografadas como se os homens estivessem brigando sozinhos, ao nível de não sabermos qual será o próximo movimento do assassino, o que deixa o fator surpresa de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Invisible Man</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais instigante. </span></p>
<figure id="attachment_24169" aria-describedby="caption-attachment-24169" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24169" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/GIF-2-_reproducao_.gif" alt="Cena do filme O Homem Invisível. Cecília (Elisabeth Moss), de cabelos loiros, usando um macacão, rasteja no chão tentando fugir de seu ex-marido enquanto dois policiais tentam segurá-la." width="650" height="271" /><figcaption id="caption-attachment-24169" class="wp-caption-text">A verdade só vem à tona quando outras pessoas sofrem as consequências dos atos da criatura invisível e começam a acreditar na personagem principal (GIF: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando todos já sabem a verdade, o que resta, a não ser procurar quem não se pode ver? É aí que a chave vira, e o ditado de </span><i><span style="font-weight: 400;">“o feitiço virou contra o feiticeiro”</span></i><span style="font-weight: 400;"> se encaixa no filme. Cecília faz com que o jogo se inverta, e se rende à quem mais a maltratou, numa atitude desesperada de resolver a situação. Nada mais romântico do que um jantar à luz de velas, sentada frente a frente com quem tentou matá-la várias vezes, concordam? </span></p>
<p><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/o-homem-invisivel-elizabeth-moss-relacionamentos-abusivos"><span style="font-weight: 400;">Em entrevista à revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Empire</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a atriz Elisabeth Moss defendeu a visão de analogia de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre os relacionamentos abusivos.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “</span></i><i><span style="font-weight: 400;">Ela diz que ele está lá, atacando-a, abusando dela, manipulando-a e todos em volta dizem ‘relaxa, está tudo bem’(&#8230;) Ninguém acredita nela, a analogia é clara”</span></i><span style="font-weight: 400;">, diz. </span><span style="font-weight: 400;">No fim, o cientista, que preparou todo seu plano articulado para não ser descoberto e infernizar a vida da mulher, se descuida, deixando com que ela pegue o traje, e inocentemente, o mate, como ele tinha feito com sua irmã, numa constituição de cena que molda para um suicídio, aquele que no começo do filme, ele forjou para segui-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em síntese, a caótica e angustiante distopia de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Invisível </span></i><span style="font-weight: 400;">se aproxima de outros clássicos do Terror de perseguição à vítima, tais como </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-238622/criticas/espectadores/"><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-do-pesadelo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora do Pesadelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, seu contexto trazido para um drama vivido diariamente no mundo, confere uma sutilidade no tratamento do tema, que poderia ter sido trabalhado de forma mais incisiva, e deixaria o enredo mais verdadeiro, com pés no chão ao abordar a relação do casal principal desde o início. Ao término das duas horas, vem a sensação de um soco no estômago para quem entendeu o recado do filme, ou pior,  já viveu situação parecida.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-invisivel-critica/">O Homem Invisível: quando a ficção encontra a realidade</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/o-homem-invisivel-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">24165</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Bates Motel é bem mais que uma série sobre as consequências de transtornos psiquiátricos</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/bates-motel-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/bates-motel-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Oct 2021 17:00:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[2013]]></category>
		<category><![CDATA[A&E]]></category>
		<category><![CDATA[Alfred Hitchcock]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Anthony Cipriano]]></category>
		<category><![CDATA[Bates Motel]]></category>
		<category><![CDATA[Caleb]]></category>
		<category><![CDATA[Carlton Cuse]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Daniela Norman]]></category>
		<category><![CDATA[Dylan]]></category>
		<category><![CDATA[Édipo]]></category>
		<category><![CDATA[Emma Decody]]></category>
		<category><![CDATA[Freddie Highmore]]></category>
		<category><![CDATA[Horror]]></category>
		<category><![CDATA[Kenny Johnson]]></category>
		<category><![CDATA[Kerry Ehrin]]></category>
		<category><![CDATA[Marion Crane]]></category>
		<category><![CDATA[Max Thieriot]]></category>
		<category><![CDATA[Norma Bates]]></category>
		<category><![CDATA[Norman Bates]]></category>
		<category><![CDATA[Olivia Cooke]]></category>
		<category><![CDATA[Psicose]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rihanna]]></category>
		<category><![CDATA[Sabrina G. Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Série]]></category>
		<category><![CDATA[Suspense]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>
		<category><![CDATA[Terror psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[Vera Farmiga]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=23800</guid>

					<description><![CDATA[<p>Sabrina G. Ferreira Quem nunca ouviu falar sobre uma história de um filho que tem uma relação complexa, quase incensuosa (ou melhor dizendo, de “estranha proximidade”), com a mãe, que ao perdê-la de forma repentina e trágica, passa a cometer assassinatos ao incorporar a personalidade da mulher? Este é o ponto de partida de Bates &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bates-motel-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bates Motel é bem mais que uma série sobre as consequências de transtornos psiquiátricos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/bates-motel-critica/">Bates Motel é bem mais que uma série sobre as consequências de transtornos psiquiátricos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23801" aria-describedby="caption-attachment-23801" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23801 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1.jpg" alt="Cena da série Bates Motel. Na imagem, vemos o Motel Bates, pequeno e simples, com paredes feitas com ripas de madeira, uma janela na lateral, com algumas plantas embaixo, e um pouco mais à direita, uma placa escrita “office”, mostrando a direção do escritório dos administradores do local. Há também um pequeno poste de luz próximo à janela, que no momento, está aceso. Do lado esquerdo, há uma escada que sobe para uma pequeno barranco, e direciona para a casa da família Bates, também antiga e simples, toda feita em madeira. Logo mais à frente, há uma placa com os dizeres iluminados em neon na cor azul “Bates Motel”, e abaixo, em laranja está escrito “No Vacancy” (ou, “Sem Vagas”). A imagem é toda em preto e branco, com exceção da placa. O ambiente é ao ar livre, e está de noite." width="1000" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23801" class="wp-caption-text">Vista frontal do “Motel Bates” e ao fundo, a casa da família Bates (Foto: A&amp;E)</figcaption></figure>
<p><b>Sabrina G. Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem nunca ouviu falar sobre uma história de um filho que tem uma relação complexa, quase incensuosa (ou melhor dizendo, de “estranha proximidade”), com a mãe, que ao perdê-la de forma repentina e trágica, passa a cometer assassinatos ao incorporar a personalidade da mulher? Este é o ponto de partida de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bates Motel</span></i><span style="font-weight: 400;">, que chama a atenção dos amantes de Terror, principalmente pelo seu nome, que tem como referência uma história contada já a algumas décadas atrás, no clássico filme </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/1960-estreia-o-filme-psicose/a-2387031"><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1960), do aclamado diretor </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/9-filmes-essenciais-para-entender-alfred-hitchcock-o-mestre-do-suspense-lista/"><span style="font-weight: 400;">Alfred Hitchcock</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-23800"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Criada pelo roteirista </span><a href="https://moviefit.me/pt/persons/58890-anthony-cipriano"><span style="font-weight: 400;">Anthony Cipriano</span></a><span style="font-weight: 400;"> (da série </span><a href="https://www.themoviedb.org/tv/10439-the-jersey"><i><span style="font-weight: 400;">The Jersey</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), e produzida por </span><a href="https://variety.com/exec/carlton-cuse/"><span style="font-weight: 400;">Carlton Cuse</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.f5news.com.br/blogs-e-colunas/levando-a-serie/porque-vale-a-pena-ver-ou-rever-uma-dos-maiores-sucessos-de-todos-os-tempos-lost.html"><i><span style="font-weight: 400;">Lost</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), e </span><a href="https://www.goldderby.com/article/2020/kerry-ehrin-the-morning-show-apple-tv-video-interview-transcript/"><span style="font-weight: 400;">Kerry Ehrin</span></a><span style="font-weight: 400;"> (de </span><a href="https://collider.com/when-is-friday-night-lights-streaming-on-netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Friday Night Lights</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), a série conta, em cinco temporadas, a história de uma mãe, Norma Bates (interpretada de forma impecável por </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2013/aug/01/vera-farmiga-conjuring-bates-motel-interview"><span style="font-weight: 400;">Vera Farmiga</span></a><span style="font-weight: 400;">), que após a misteriosa morte do marido, muda-se para a pequena cidade de White Pine Bay, em Oregon, levando consigo seu filho adolescente de dezessete anos, Norman Bates (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ryv0jr8_WC0"><span style="font-weight: 400;">Freddie Highmore</span></a><span style="font-weight: 400;">). Com o propósito de conseguir uma forma de sustento, ela adquire um velho e abandonado motel e o casarão ao lado (também antigo, claro!). Outro detalhe é a localização destes imóveis, que ficam em uma estrada remota, de difícil acesso aos motoristas, tornando o motel um local de pouca procura para hospedagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no primeiro episódio, somos introduzidos ao protagonista: o jovem Norman Bates; e nos damos conta dos </span><a href="https://institutoexito.net.br/artigo/as-multiplas-personalidades-em-norman-bates"><span style="font-weight: 400;">distúrbios mentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o personagem enfrenta. Norman sofre de um transtorno de bipolaridade, que algumas vezes o fazia pensar ser a própria mãe, a tal ponto de se vestir e falar como ela. Nesses momentos de “apagões”, ele podia fazer coisas abomináveis com as pessoas que estivessem próximas a ele, e logo depois, quando voltava a si, não se lembrava de nada que havia acontecido, e ainda culpava a mãe por seus atos maldosos.</span></p>
<figure id="attachment_23802" aria-describedby="caption-attachment-23802" style="width: 615px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23802" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1.jpg" alt="Cena da série Bates Motel. Na imagem, vemos Norman Bates, vestindo um roupão de cor verde água estampado. Ele tem cabelos castanhos, repartidos de lado, pele clara e olhos azuis. Está em pé, parado em frente a uma porta de madeira aberta, e está com os braços cruzados em frente ao corpo. Atrás dele, no seu lado esquerdo, há uma cortina de cor bege, e ele está conversando com uma mulher de cabelos longos, que está virada de costas para a câmera, impossibilitando de visualizá-la com mais detalhes. O ambiente é interno, e está de dia." width="615" height="335" /><figcaption id="caption-attachment-23802" class="wp-caption-text">Norman Bates incorporando a personalidade de sua mãe, Norma Bates (Foto: A&amp;E)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A mãe de Norman, Norma Bates, também sofre de evidentes distúrbios de bipolaridade, com seu humor alternando entre explosões de raiva e momentos de extrema delicadeza. Em alguns episódios, ela se mostra como uma mãe controladora do filho, mas em outros, ela se torna uma espécie de vítima, cujas ações nada mais são do que reflexos de tudo o que ela já passou. Estes elementos se manifestam na personagem de forma a construir uma mulher visivelmente angustiada, que guarda um segredo “a sete chaves”; ou até mesmo como alguém que vive perturbada por seus próprios demônios, pois consciente do </span><a href="https://segredosdomundo.r7.com/norman-bates/"><span style="font-weight: 400;">comportamento psicopata</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu próprio filho, Norma tenta de todas as formas mantê-lo longe das pessoas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, alguns dos principais distúrbios comportamentais presentes nos genes de Noman também são visíveis em sua mãe. Filha de pai abusivo, quando jovem, Norma desenvolveu uma relação semelhante, porém, com seu irmão mais velho, Caleb (</span><a href="https://www.cbs.com/shows/swat/cast/215708/"><span style="font-weight: 400;">Kenny Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">), e isso a atormentou por anos, pois ela teve que conviver com a constante culpa por ter, na época, amado seu irmão de volta. Este relacionamento violento e com abusos psicológicos de Caleb com Norma pode ser interpretado como uma </span><a href="https://segredosdomundo.r7.com/sindrome-de-estocolmo/"><span style="font-weight: 400;">Síndrome de Estocolmo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Analisando a dependência de Norman com sua mãe, podemos supor que, por não possuir uma figura paterna, o filho cria uma grande conexão com a materna, e da mesma maneira &#8211; como Freud explica -, acaba vinculando a sua libido a ela. Há até mesmo uma suposição de que Norman, quando criança, possa ter sido </span><a href="https://citedatthecrossroads.net/chst332/2014/03/23/what-is-wrong-with-norman-bates/"><span style="font-weight: 400;">abusado pela sua mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">, e como consequência, passou a ter sentimentos conflitantes por ela, pois a confusão de sentimentos e a culpa são muito frequentes em crianças e adolescentes que sofrem este tipo de trauma. </span></p>
<figure id="attachment_23803" aria-describedby="caption-attachment-23803" style="width: 1224px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23803" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1.jpg" alt="Cena da série Bates Motel. Na imagem, vemos Norman Bates deitado em uma cama, com uma coberta e um travesseiro, ambos de cor bege. Ele tem pele clara, olhos azuis, cabelos castanhos e está vestindo uma camisa azul marinho, com listras azuis claras. Apoiada sobre ele, está a sua mãe, Norma Bates. Ela é loira, com cabelos loiros e enrolados, de comprimento até os ombros. Ela está vestindo uma camisa florida, e está com as suas mãos apoiadas sobre o filho. Atrás deles, há uma parede verde clara, uma luminária acesa, e uma prateleira pequena em madeira, com um dinossauro de brinquedo em cima. O ambiente é interno, e está de noite." width="1224" height="760" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1.jpg 1224w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1-800x497.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1-1024x636.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1-768x477.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1-1200x745.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23803" class="wp-caption-text">Norma Bates consolando seu filho, Norman (Foto: A&amp;E)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ademais, é válido salientar que além de se tratar de uma série de horror, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bates Motel</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz também uma conscientização quanto aos distúrbios mentais em pessoas de uma mesma família, e os possíveis traumas que podem ser ocasionados em indivíduos, ainda em fase de desenvolvimento, vítimas de abusos, físicos e mentais, por exemplo. Na maioria das vezes, </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,assedio-sexual-pode-influenciar-vitima-a-se-tornar-abusador-entenda,70003184922"><span style="font-weight: 400;">o abusador também já foi um dia abusado</span></a><span style="font-weight: 400;">, igual Norma, que além disso, também não aprendeu, ainda na infância, sobre os limites de intimidade que precisam ser impostos entre familiares, e tem algumas atitudes equivocadas, como dormir na mesma cama do filho de dezoito anos de idade. </span><span style="font-weight: 400;">No caso de Norman, há </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D5qZKLg_2UU"><span style="font-weight: 400;">uma releitura moderna de Édipo</span></a><span style="font-weight: 400;">, com momentos que alternam entre raiva e uma enorme dependência emocional pela mãe, assim, quando ela inicia um relacionamento amoroso com outro homem, </span><a href="https://cartermatt.com/54208/bates-motel-a-deeper-look-into-norman-bates-and-normas-relationship/"><span style="font-weight: 400;">Norman se sente ameaçado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e manifesta medo em perdê-la. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No decorrer das temporadas, vão surgindo outros personagens na trama, como a misteriosa Emma Decody (</span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/films/features/olivia-cooke-interview-house-of-the-dragon-b1822467.html"><span style="font-weight: 400;">Olivia Cooke</span></a><span style="font-weight: 400;">), que, possivelmente, é aquela em que o espectador mais poderá se identificar. No início, Emma era uma amiga próxima de Norman, e  pensamos até mesmo haver uma possível paixão entre os dois. Porém, após ela conhecer o meio-irmão (e primo) de Norman, Dylan (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=l1K6ycSr-U4"><span style="font-weight: 400;">Max Thieriot</span></a><span style="font-weight: 400;">), acaba se apaixonando por ele, e no decorrer das temporadas, acabam tendo </span><a href="https://ew.com/recap/bates-motel-season-5-episode-9/"><span style="font-weight: 400;">uma relação estável</span></a><span style="font-weight: 400;">, formando uma família juntos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo assim, a cada episódio, as “nuances” dos personagens se acentuam ainda mais, principalmente na terceira temporada, que é quando Norman se torna cada vez mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1TO12MVSPng"><span style="font-weight: 400;">parecido com a sua versão no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma vez que a personalidade de sua mãe passa a aparecer com mais frequência para ele. Desta forma, ele passa a ter a postura de enfrentá-la, ou assumir seus atos, que já não passam mais tão despercebidos para ele, e as máscaras começam a cair para Norman e Norma Bates.</span></p>
<figure id="attachment_23804" aria-describedby="caption-attachment-23804" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23804" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-1.jpg" alt="Cena da série Bates Motel. Na imagem, vemos Norman Bates parado de frente para a câmera. Ele tem pele clara, olhos azuis, cabelos castanhos e está vestindo um paletó de cor grafite, com uma blusa, e ainda por baixo, uma camisa branca. Ele tem uma expressão assustada, com a boca levemente aberta, e em seu rosto, possui ferimentos com sangue. Atrás dele, é possível ver algumas árvores e uma estrada, porém, está fora de foco. O ambiente é externo, e está de noite." width="620" height="413" /><figcaption id="caption-attachment-23804" class="wp-caption-text">Norman Bates em cena trágica da 5ª temporada (Foto: A&amp;E)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enfim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bates Motel </span></i><span style="font-weight: 400;">é</span> <span style="font-weight: 400;">uma série obscura, que não começa com um assassinato de uma jovem de cabelos loiros em um banheiro de motel, como no filme dos anos sessenta. A nível de comparação, só temos um vislumbre da personagem principal do longa, </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/com-rihanna-bates-motel-muda-cena-do-chuveiro-de-psicose/"><span style="font-weight: 400;">Marion Crane</span></a><span style="font-weight: 400;"> (desta vez, interpretada por </span><a href="https://www.vulture.com/2017/03/bates-motel-casting-rihanna-marion-crane.html"><span style="font-weight: 400;">Rihanna</span></a><span style="font-weight: 400;">), em dois episódios da última temporada, e até mesmo o desfecho desta personagem na série, felizmente, é outro. Essa é uma história sobre a família Bates, ou seja, Norman e Norma, e nada mais. O que espanta, no entanto, é que ao contrário do que acontece no filme, aqui, criamos uma relação de </span><a href="https://www.salon.com/2013/03/19/we_need_to_talk_about_norman/"><span style="font-weight: 400;">empatia pelo psicopata</span></a><span style="font-weight: 400;">, sentindo muitas vezes compaixão por ele, e passamos a vê-lo como alguém de “bom coração”, mas que sofre de uma doença mental que </span><a href="https://analise-comportamental.webnode.com/news/norman-bates-o-dono-do-bates-motel-analise-psicologica-/"><span style="font-weight: 400;">toma conta dele</span></a><span style="font-weight: 400;"> de forma involuntária. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série, assim como muitas, não é isenta de erros, como por exemplo, quando dá soluções rápidas e fáceis aos problemas que surgem nos episódios, quando poderia trabalhar na construção dos personagens e das situações aos poucos, a longo prazo. Mas de forma geral, no final temos um enredo muito bem construído, com um final surpreendente, e até mesmo aceitável, para a maioria dos personagens. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bates Motel</span></i><span style="font-weight: 400;"> explica de forma espetacular a doença de Norman e constrói uma rede em torno dele, </span><a href="https://www.cbr.com/bates-motel-more-disturbing-psycho/"><span style="font-weight: 400;">dando um ressignificado para algo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que foi a muito tempo contado, mas agora, com o jeito crível e detalhado de contar história, com capacidade para conscientizar o espectador, próprio da nossa geração.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/bates-motel-critica/">Bates Motel é bem mais que uma série sobre as consequências de transtornos psiquiátricos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/bates-motel-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">23800</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A quem pertence O Babadook?</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Oct 2021 16:30:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2014]]></category>
		<category><![CDATA[A morte do autor]]></category>
		<category><![CDATA[Amelia]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Babadook]]></category>
		<category><![CDATA[Benjamin Winspear]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Independente]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Depressão]]></category>
		<category><![CDATA[Enrico Souto]]></category>
		<category><![CDATA[Essie Davis]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Horror]]></category>
		<category><![CDATA[Jennifer Kent]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA]]></category>
		<category><![CDATA[Noah Wiseman]]></category>
		<category><![CDATA[O Babadook]]></category>
		<category><![CDATA[Oskar]]></category>
		<category><![CDATA[Queer]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Roland Barthes]]></category>
		<category><![CDATA[Samuel]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Mental]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>
		<category><![CDATA[Terror psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[The Babadook]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=23753</guid>

					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Filme australiano independente lançado em 2014, O Babadook é um dos longas mais marcantes da história recente do Terror e, a despeito de sua pouca visibilidade, foi um sucesso de crítica, sendo considerado hoje um clássico moderno. Seus méritos narrativos e cinematográficos são incontestáveis, porém, o que realmente o marcou como um ícone &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A quem pertence O Babadook?"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/">A quem pertence O Babadook?</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23754" aria-describedby="caption-attachment-23754" style="width: 2352px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23754" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1.jpg" alt="Imagem de divulgação do filme “O Babadook”, de 2014. Foto preto-e-branco de uma página acinzentada. No centro, vemos o desenho de Babadook, feito com lápis preto. Trata-se de uma silhueta alongada, com os braços colados sobre o tronco e os longos dedos de suas mãos abertos. Ele tem olhos esbugalhados, um nariz triangular, e uma grande boca cheia de dentes que se abre em um sorriso perturbador. Além disso, ele veste na cabeça uma cartola. Sua sombra se projeta do lado esquerdo até o desenho de um armário com a porta aberta. E, do lado direito, em paralelo com o armário, vê-se o desenho de uma porta semi-aberta." width="2352" height="1347" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1.jpg 2352w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-800x458.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-1024x586.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-768x440.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-1536x880.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-2048x1173.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-1200x687.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23754" class="wp-caption-text">O nome “Babadook” trata-se de um neologismo que reproduz a pronúncia de “a bad book”, “um livro mau” em inglês (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filme australiano independente lançado em 2014, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos longas mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bWE1HfAUkpA&amp;t=82s"><span style="font-weight: 400;">marcantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história recente do Terror e, a despeito de sua pouca visibilidade, foi um </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/the_babadook"><span style="font-weight: 400;">sucesso de crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">, sendo considerado hoje um clássico moderno. Seus méritos narrativos e cinematográficos são incontestáveis, porém, o que realmente o marcou como um ícone da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi sua </span><a href="https://www.rollingstone.com/culture/culture-news/why-babadook-is-the-perfect-symbol-for-gay-pride-198444/"><span style="font-weight: 400;">apropriação</span></a><span style="font-weight: 400;"> feita pela comunidade LGBTQIA+. Embora visto por muitos como uma grande piada, esse paralelo com a experiência </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> evoca camadas da narrativa que jamais seriam alcançadas em uma leitura mais superficial. E, visto que parte do público médio repudia essa relação, é necessário questionar: a quem pertence uma obra como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;">?</span></p>
<p><span id="more-23753"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, acompanhamos uma família desajustada que luta para superar um sofrimento profundo. Amelia (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=12UEvRF4imc"><span style="font-weight: 400;">Essie Davis</span></a><span style="font-weight: 400;">) perdeu o marido, Oskar (</span><a href="https://www.smh.com.au/culture/theatre/marta-dusseldorp-and-ben-winspear-the-thespians-who-want-to-reboot-tasmania-20200820-p55np3.html"><span style="font-weight: 400;">Benjamin Winspear</span></a><span style="font-weight: 400;">), em um trágico acidente de carro, enquanto ele a levava para o hospital, onde ela faria trabalho de parto. Mãe solo, e tendo de criar o garoto Samuel (</span><a href="https://www.facebook.com/Noah-Wiseman-931147206909718/"><span style="font-weight: 400;">Noah Wiseman</span></a><span style="font-weight: 400;">) por conta própria durante seis anos, Amelia nunca superou o luto e fazia de tudo para tentar apagar a existência de seu amado: todas as suas coisas ficavam lacradas no sótão, que ela não abria em nenhuma circunstância, e, em qualquer conversa em que Oskar fosse citado, ela imediatamente desviava o assunto.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu superei. Você nem me vê mais falando dele”</span></i><span style="font-weight: 400;">, Amelia retrucava. Porém, quando menos ela espera, esse fantasma volta a assombrá-la. Samuel cresce e torna-se uma criança desajustada e sem amigos. Começa a ter problemas com colegas da escola e, em casa, desperta um medo por monstros que supostamente o aterrorizam durante a noite, o que aborrece sua mãe. Contudo, esse medo se materializa quando, em uma fatídica noite, o menino pede para Amelia ler um conto de ninar antes que dormisse. Samuel apanha o </span><a href="https://medologia.com/post/uma-replica-feita-a-mao-do-livro-de-terror-de-o-babadook-"><span style="font-weight: 400;">primeiro livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vê na estante e, pela primeira vez, nos deparamos com a história de Sr. Babadook.</span></p>
<figure id="attachment_23756" aria-describedby="caption-attachment-23756" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23756" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1.jpg" alt="Imagem de divulgação do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia retangular e colorida. A visão é da parte debaixo de uma cama. No chão, estão espalhados vários objetos diferentes, entre bichinhos de pelúcia e brinquedos. Do lado de fora da cama, deitados ao chão, estão os dois protagonistas do filme. À esquerda, Samuel, um garoto branco, de cabelos loiros, que veste um pijama azul. Ele se debruça sobre o chão com os cotovelos, e olha assustado para debaixo da cama. À direita está Amelia, uma mulher branca, com cabelos longos e loiros, vestindo um pijama rosa. se debruça no chão com o cotovelo direito, e com o esquerdo ela levanta a ponta do cobertor da cama para ter visão da parte debaixo da cama. Ela olha, receosa para o lugar. Além disso, no meio dos dois, vemos um cachorro de porte pequeno, com pelos longos de cor branca com detalhes em bege. Seu olhar é distante e confuso." width="2560" height="1536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-1536x922.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-2048x1229.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23756" class="wp-caption-text">Mesmo com o orçamento reduzido, o filme adquiriu proporcionalmente bons lucros: um total de 10 milhões de dólares (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E então, a frase que abre o livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">“Se está em uma palavra ou em um olhar, você não pode se livrar do Babadook”</span></i><span style="font-weight: 400;">, se faz verdadeira. O monstro começa a importunar a família e, quanto mais Amelia tenta resistir, mais intensas ficam as manifestações de Babadook. A situação gradativamente se descontrola, consumindo a protagonista física e psicologicamente, até chegar ao ponto em que ela precisa questionar se o melhor para ela e o seu filho é esquecer que o problema existe, ou expô-lo e enfrentá-lo de frente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora e roteirista do filme, </span><a href="https://www.indiewire.com/2019/09/jennifer-kent-alice-freda-forever-lesbian-true-crime-thriller-amazon-1202171343/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Kent</span></a><span style="font-weight: 400;">, estreou em longas-metragens com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;">, e dispunha de uma estrutura deveras modesta. Com um orçamento de somente 2 milhões de dólares, recebendo ainda um apoio de 30 mil dólares através de uma </span><a href="https://www.kickstarter.com/projects/thebabadook/realise-the-vision-of-the-babadook"><span style="font-weight: 400;">campanha</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=971P0E2FaI8"><span style="font-weight: 400;">financiamento coletivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, não havia muito espaço para ocupar com criaturas aterrorizantes feitas em </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i><span style="font-weight: 400;"> e grandes sequências de efeitos especiais. Kent entende isso e decide investir no que realmente importa em um filme como esse: atmosfera e densidade emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pilar do longa é o </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2017/06/horror-psicologico-psicanalise-explica-nosso-fascinio-pelo-medo.html"><span style="font-weight: 400;">terror psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;">, e é aí onde está seu maior brilho. Jennifer Kent parece se recusar a utilizar as convenções mais batidas do gênero, e decide explorar diferentes ferramentas para construir as sensações que ela deseja transmitir. A trilha sonora é mínima, sendo acionada somente em momentos-chave. Enquanto o uso dos conhecidos </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/colunas/458365/o-alem-do-susto-terror-pos-horror-e-o-poder-do-jump-scare/"><i><span style="font-weight: 400;">jumpscares</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é quase nulo. O filme até mesmo brinca com essa expectativa, entregando o susto com ‘atraso’, ou não o entregando de forma alguma. Situações de constante tensão, mas que nunca chegam em uma definitiva catarse. O que, na realidade, acaba por impulsionar o medo em sua décima potência.</span></p>
<figure id="attachment_23757" aria-describedby="caption-attachment-23757" style="width: 1272px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1.jpg" alt="Imagem retirada do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia retangular e colorida. A câmera está próxima do rosto de Samuel, que é o foco da imagem. Ele é um garoto branco, com cabelos loiros e olhos escuros. Ele escora sua bochecha no batente da porta, como se tentasse espiar o outro lado sem ser visto. Ele veste uma camisa xadrez preto-e-branco, e olha para sua frente, surpreso." width="1272" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1.jpg 1272w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1-800x453.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1-1024x580.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1-768x435.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1-1200x679.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23757" class="wp-caption-text">Com apenas 7 anos de idade, Noah Wiseman se dá muito bem no papel, sendo indicado para diversas premiações, incluindo o Critics’ Choice Awards na categoria de Melhor Ator/Atriz Jovem (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido a essa escolha, Babadook</span> <span style="font-weight: 400;">dificilmente aparece para os personagens. Normalmente, ele figura quase como uma sombra, um ser que, mesmo que não possa ser visto, está terminantemente conectado com a sua vítima. Entramos na pele de Amelia e, juntos a ela, absorvemos esse sentimento de impotência e de dúvida, de uma ameaça que não pode ser provada, muito menos impedida (antes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bird-box-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bird Box</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> usar esses tropos, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> já tinha inventado a roda!). De todo modo, os momentos que demandam o uso de efeitos especiais, como a sequência do acidente de carro no início do filme, ou as breves aparições físicas de Babadook, realmente evidenciam o orçamento limitado da produção, mas fazem bem o seu trabalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a sua 1 hora e 29 minutos de duração, acompanhamos de perto a rotina da família. Conhecemos seu entorno, sua rede de apoio e as pessoas que a rodeiam. Mas quem realmente cumpre o papel de carregar o longa nas costas são os dois protagonistas, sobretudo Amelia. A interpretação de </span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2016/may/09/the-thousand-faces-of-essie-davis-people-dont-realise-im-the-same-person"><span style="font-weight: 400;">Essie Davis</span></a><span style="font-weight: 400;"> é primorosa, e uma das melhores do gênero de horror na última década. Ela encarna o papel da mulher cansada e da mãe desajustada com tamanha autenticidade que em certos momentos esquecemos que trata-se de uma personagem. Amelia se transforma da água pro vinho no decorrer da trama, e Essie faz com que compremos essa mudança de uma maneira que uma atriz menos capacitada não conseguiria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais transborda da atuação de Essie é como Amelia é uma personagem complexa e multifacetada. Kent foge de romantizações e arquétipos clichês, criando em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> um retrato franco e realista de família e maternidade. </span><a href="https://www.denofgeek.com/movies/jennifer-kent-interview-directing-the-babadook/"><span style="font-weight: 400;">Em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o site </span><i><span style="font-weight: 400;">Den of Geek</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora disserta a respeito: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu estava realmente querendo explorar a parentalidade a partir de uma perspectiva muito real. Agora, não estou dizendo que todas nós queremos ir e matar nossos filhos, mas muitas mulheres lutam e sofrem com isso. E é um assunto muito tabu, dizer que a maternidade é tudo menos uma experiência perfeita para as mulheres”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23758" aria-describedby="caption-attachment-23758" style="width: 1261px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1.jpg" alt="Imagem retirada do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia retangular e colorida. No centro da imagem, está Amelia. Uma mulher branca, de cabelos longos e loiros, que veste uma camisola rosa. A vemos da cintura para cima, e ela é iluminada por uma luz branca difusa. Ela está em pé, e olha para cima, assustada e confusa. Atrás dela, vemos um lance de escadas de madeira." width="1261" height="704" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1.jpg 1261w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1-800x447.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1-1024x572.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1-768x429.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1-1200x670.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23758" class="wp-caption-text">A transformação de Amelia também se dá na cinematografia: conforme ela perde a sanidade, predominam cores dessaturadas e tons de cinza (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Amelia não é perfeita. Ela não entende as sensibilidades de seu filho, é negligente com frequência, e deposita todo o peso de seu luto nele, mesmo que inconscientemente. O garoto sequer pode ter uma festa no dia de seu aniversário, já que sua mãe não aguentaria fazer uma comemoração em uma data tão desoladora quanto a da morte de seu marido. Amelia projeta a imagem de Oskar em Samuel, fazendo com que sua relação </span><a href="https://medium.com/mix%C3%B3rdia/the-babadook-uma-reflex%C3%A3o-sobre-a-depress%C3%A3o-p%C3%B3s-parto-2f1f288db479"><span style="font-weight: 400;">seja obstruída</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os impossibilitando de construir um vínculo saudável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes mesmo de surgir o monstro, não importava o quanto evitasse, a memória de seu marido sempre retornava a ela: seja através de um programa romântico na televisão, ou de um casal no estacionamento do serviço. Diante disso, Amelia deixa com que seu trauma consuma todos os aspectos da sua vida. Ela deixa a escrita, que era sua paixão, e passa a trabalhar em uma área onde ela não sente realização, e resume sua vida aos cuidados de uma criança que apenas escancara ainda mais seus ferimentos. O resultado é que essa angústia, sem ser devidamente abordada e tratada, começa a crescer e a devorá-la por dentro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao se isolar na tentativa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hLFd8hq6RmQ"><span style="font-weight: 400;">não se machucar</span></a><span style="font-weight: 400;">, Amelia começa a ferir aqueles que ela mais ama. Se afasta de sua </span><a href="https://www.washingtonian.com/2011/08/04/interview-with-hayley-mcelhinney-from-anton-chekhovs-uncle-vanya/"><span style="font-weight: 400;">melhor amiga</span></a><span style="font-weight: 400;">, nega os cuidados de sua vizinha, e passa a gradativamente maltratar Samuel. Nesse sentido, podemos ler </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> como uma personificação da depressão e </span><a href="https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/especial-publicitario/interplan-assistencia-funeral/interplan-ao-seu-lado-em-todos-os-momentos/noticia/2019/09/03/psicologa-revela-fases-do-luto-e-como-ele-pode-ser-superado-aos-poucos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> da protagonista que, de tanto ser reprimida, implora para ser vista. E, depois de tanto sofrer e causar sofrimento, ela entende que a única maneira de superar seus traumas é colocá-los à tona e domá-los. Assim que ela decide olhar de perto, o Babadook nem parece mais tão ameaçador.</span></p>
<figure id="attachment_23759" aria-describedby="caption-attachment-23759" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23759" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1.jpg" alt="Imagem retirada do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia quadrada e colorida. Nela, vemos, enquadrados à direita, os dois protagonistas. Sentado, com o tronco se projetando ao chão, está Amelia, uma mulher branca, de cabelos longos e loiros. Ela usa um vestido de pano branco, e tem seus pés amarrados por cordas. Sua cabeça está baixa, de modo que não é possível ver seu rosto. Do lado dela, está Samuel, um garoto branco de cabelos loiros, que veste um pijama xadrez. Ele está de costas para a câmera, de joelhos no chão, e envolve Amelia em um abraço. Do lado deles, vemos uma poça de um líquido escuro, que se assemelha a sangue. O cenário é o de um sótão empoeirado." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23759" class="wp-caption-text">A visão cinematográfica de Jennifer Kent sobre maternidade, tão poderosa, sensível e afetuosa, traz nuances que apenas uma diretora mulher poderia evocar (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><b>Mas aí entra a dúvida: o que diabos </b><b><i>O Babadook</i></b><b> tem a ver com a comunidade LGBTQIA+? </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As primeiras analogias do filme com a cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que se tem indícios ocorreram no </span><a href="https://www.b9.com.br/105039/apos-banir-pornografia-de-sua-plataforma-tumblr-sofre-queda-de-30-nos-acessos/"><i><span style="font-weight: 400;">Tumblr</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Um </span><a href="https://twitter.com/broderick/status/831889174454272005?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E831889174454272005%7Ctwgr%5E393039363b636f6e74726f6c&amp;ref_url=https%3A%2F%2Few.com%2Fmovies%2F2019%2F06%2F25%2Fgay-babadook-director-jennifer-kent%2F"><i><span style="font-weight: 400;">post</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que viralizou na rede social no final de 2016 inferia que o personagem </span><a href="https://www.vox.com/explainers/2017/6/9/15757964/gay-babadook-lgbtq"><span style="font-weight: 400;">seria homossexual</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Quando qualquer pessoa diz que o Babadook não é abertamente gay é tipo?? Você sequer assistiu ao filme???”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://taco-bell-rey.tumblr.com/post/154301475490/so-proud-that-netflix-recognizes-the-babadooks"><span style="font-weight: 400;">Outra publicação</span></a><span style="font-weight: 400;"> do mesmo ano fazia uma montagem do catálogo da </span><a href="https://streamingsbrasil.com/removidos-netflix-24-a-30-de-novembro/#:~:text=O%20destaque%20fica%20por%20conta,cat%C3%A1logo%20o%20filme%20%E2%80%9CAbracadabra%E2%80%9D."><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, colocando o longa na lista de “Filmes LGBT” do site. A brincadeira seguiu, porém apenas tomou a proporção que tem hoje em junho de 2017, </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2021/06/4934707-de-conquistas-a-tragedias-por-que-o-mes-do-orgulho-lgbt-e-necessario-no-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">Mês da Visibilidade LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando a assombração tomou conta de </span><a href="https://www.indiewire.com/2017/06/babadook-gay-icon-los-angeles-pride-parade-1201841048/"><span style="font-weight: 400;">Paradas do Orgulho</span></a><span style="font-weight: 400;"> no mundo todo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, isso ainda não responde a uma questão fulcral. Porque o Babadook seria lido </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QF5Q4VJr-O0"><span style="font-weight: 400;">como gay</span></a><span style="font-weight: 400;">? Seja pela suas vestimentas elegantes e pelo seu eventual </span><a href="https://www.vulture.com/2017/06/is-the-babadook-gay.html"><span style="font-weight: 400;">perfil</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;um homem gay que gosta de usar cartolas extravagantes e só quer viver sua vida no subúrbio da Austrália&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou pela anedota que surge do fato de que o personagem literalmente sai de um armário durante o filme, essa leitura é comumente vista somente como um meme de </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ou, no máximo, uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HBic0DzSbqM"><span style="font-weight: 400;">ótima fonte</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://queer.ig.com.br/2021-08-03/por-que-lgbts-voltaram-usar-sigla-gls.html"><i><span style="font-weight: 400;">fantasias animadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para festas. Contudo, na verdade, essa correlação parte de um lugar muito mais profundo. Parte do cerne de sua narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_23760" aria-describedby="caption-attachment-23760" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23760" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1.jpg" alt="Fotografia retirada durante o dia, na Marcha do Orgulho de Grande Manila, nas Filipinas. Nela, vemos um grupo de jovens marchando por uma rua. Eles usam bottons coloridos em suas camisas e levantam placas para os céus. O foco da imagem, porém, é o grupo que ocupa a frente que se destaca. Pelo menos sete pessoas tomam a frente do movimento, todas vestindo no rosto máscaras do Babadook: o desenho preto-e-branco de um monstro de olhos esbugalhados, uma bocarra aberta, que veste uma cartola preta na cabeça. Eles posam pra foto, segurando seus cartazes. O homem da frente, que ainda usa longas unhas postiças na mão esquerda, segura sua placa em direção à câmera. Ela é estampada pela silhueta escura de Babadook, acompanhada por um texto, em inglês: “Se está em uma palavra ou em um olhar/Você não pode se livrar dos LGBTQ/Se você realmente é esperto/E parecer legal para mim/Então você pode fazer amizade/Com os LGBT”." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23760" class="wp-caption-text">Pessoas vestidas de Babadook durante a Marcha do Orgulho de Grande Manila nas Filipinas, no dia 24 de junho de 2017 (Foto: VentMag/Twitter)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A esse respeito, o quanto a interpretação de uma história também deriva-se da experiência particular de quem a consome? E, nesse caso, a análise dessa pessoa é menos valiosa por partir de um ponto de vista íntimo e pessoal? É de conhecimento público que nunca foi a </span><a href="https://www.themarysue.com/babadook-director-gay-icon/"><span style="font-weight: 400;">intenção</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Jennifer Kent criar uma alegoria gay. No entanto, a intenção da autora realmente é tão importante para se entender uma obra? Não seria ela somente uma catalisadora de informações, palavras e signos culturais que a precedem, inseridos em um contexto histórico que, com frequência, vão muito além de decisões artísticas conscientes? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É o que Roland Barthes argumenta em seu ensaio </span><a href="https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4217539/mod_resource/content/4/Barthes_%20a%20morte%20do%20autor.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">A morte do autor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1967. Partindo de uma ótica literária, o sociólogo chega à conclusão de que, a partir do momento em que uma obra </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Rwzc2bPNXdQ"><span style="font-weight: 400;">sai das mãos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu autor, ela já não é mais de </span><a href="https://medium.com/tend%C3%AAncias-digitais/a-morte-do-autor-73bd6d8b42f6"><span style="font-weight: 400;">sua responsabilidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para Barthes, entregar ao criador toda a significação da sua arte é impor à Arte um fim, limitando suas inúmeras potencialidades. No fim das contas, a agência é inteira do leitor. E o autor, nesse cenário, torna-se somente mais uma visão em meio a um espectro rico de perspectivas.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;[&#8230;] sabemos que, para devolver à escrita o seu devir, é preciso inverter o seu mito: o nascimento do leitor tem de pagar-se com a morte do Autor.&#8221; &#8211; BARTHES, Roland. 2004.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_23764" aria-describedby="caption-attachment-23764" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23764" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1.png" alt="Imagem de um desenho retirada da internet. No centro, vemos um desenho de Babadook, uma criatura escura. Ele veste um cropped cinza, que estampa em seu centro os dizeres, em inglês: “prepare-se para ser babachocado”. Sobre ela, ele usa suspensórios com as cores do arco-íris, que se prende por uma calça preta. Ele usa um colar de plumas roxo que o envolve pelos ombros, e ele tem seus braços levantados na altura dos ombros. No rosto, ele usa um óculos festivo no formato de flamingos rosas, e na cabeça uma cartola preta com um bottom com as cores do arco-íris. Seus olhos esbugalhados estão totalmente abertos, e ele abre um largo sorriso contagiante. Desenhos de estrelas amarelas e azuis o orbitam ao seu lado direito e esquerdo. No fundo, vê-se uma grande bandeira colorida com as cores do arco-íris." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23764" class="wp-caption-text">“BABADOOK: Eu sou um monstro aterrorizante que destrói as famílias que tentam me reprimir/PESSOAS GAYS: Ó meu Deus, NÓS TAMBÉM. Drinks mais tarde?” — Carlos Maza em seu Twitter (Foto: <a href="https://muffinpines.tumblr.com/">Muffinpines/Tumblr</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A leitura </span><a href="https://deliriumnerd.com/2017/09/14/o-babadook-demonios/"><span style="font-weight: 400;">mais difundida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e aceita do filme foi a citada mais acima, de que Babadook seria uma representação corpórea da </span><a href="https://rotacult.com.br/2019/03/babadook-uma-alegoria-para-depressao/"><span style="font-weight: 400;">depressão</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Amelia, que luta para reprimi-la. Todavia, qual </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment/movies/la-et-mn-babadook-gay-icon-lgbt-history-20170609-story.html"><span style="font-weight: 400;">a distância</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa alegoria para a jornada afetiva de pessoas </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/06/entenda-o-que-significa-cada-letra-da-sigla-lgbtqia.shtml"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">? Para muitos membros da comunidade, nenhuma. Muito do que é retratado no filme relaciona-se intensamente com a angústia de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que ainda estão no armário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os exemplos para essa leitura são muitos: primeiro, tem-se as semelhanças existentes entre o esforço da protagonista de esconder seu sofrimento e a experiência real de inúmeras pessoas que lutam contra seus prazeres, por terem internalizado durante toda a vida a afirmação deturpada de que esses são desejos execráveis. Podemos tirar essa interpretação também da memorável frase do livro d’</span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Quanto mais você me nega, mais forte eu fico”</span></i><span style="font-weight: 400;">, que conversa com a iminente frustração dessa autorepressão e, como resultado, somente a intensificação desses desejos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma mais profunda, existe também a ligação entre a possessão de Babadook sobre Amelia, e sua sucessão de ações agressivas, e a reprodução violenta de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I7ifszJag18"><span style="font-weight: 400;">heterossexualidade compulsória</span></a><span style="font-weight: 400;"> que muitos se submetem por sua própria sobrevivência, machucando aqueles ao seu redor através de uma postura tóxica de autoafirmação. E também a resolução no terceiro ato do filme, como o alcance do entendimento de que a única maneira de conquistar plenitude é entrando em paz com esse desejo, e o aceitando como uma parte de você, como uma peça primordial do quebra-cabeça que o forma como indivíduo.</span></p>
<figure id="attachment_23765" aria-describedby="caption-attachment-23765" style="width: 1430px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23765" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1.jpg" alt="Imagem retirada do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia retangular e colorida. Temos a visão aproximada do rosto de Amelia, uma mulher branca, de cabelos loiros e olhos claros. Seu rosto é inteiro tomado por marcas de sangue seco. Ela olha implacavelmente para frente, com raiva, enquanto grita com a boca aberta. Seus olhos estão marejados, tomados por lágrimas, e ela segura em suas mãos Samuel, um garoto branco de cabelos loiros. Seus braços envolvem Amelia, e ele encosta a cabeça" width="1430" height="857" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1.jpg 1430w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1-800x479.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1-1200x719.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23765" class="wp-caption-text">Outras interpretações queer recorrentes do filme enxergam o próprio Babadook como um avatar de pessoas LGBTQIA+, rejeitado pela família, que o impede de viver como ele bem deseja (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa interpretação, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> torna-se não uma representação do luto de uma mulher viúva e depressiva, mas uma representação do desejo reprimido de pessoas LGBTQIA+, que não se expressam sexual e afetivamente como o </span><i><span style="font-weight: 400;">status quo</span></i><span style="font-weight: 400;"> ordena. E, inclusive, Jennifer Kent incentiva </span><a href="https://ew.com/movies/2019/06/25/gay-babadook-director-jennifer-kent/"><span style="font-weight: 400;">categoricamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> essa leitura, ainda que não tenha sido parte de sua proposta original. </span><a href="https://www.indiewire.com/2019/06/gay-babadook-jennifer-kent-pride-lgbt-1202153072/"><span style="font-weight: 400;">Em suas palavras</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“É engraçado, é charmoso, para mim, que a comunidade gay tenha se apegado tanto a ele”</span></i><span style="font-weight: 400;">. E, em </span><a href="https://bloody-disgusting.com/interviews/3543658/sundance-2019-jennifer-kent-says-lgbtq-babadook-memes-kept-bastard-alive-exlcusive/"><span style="font-weight: 400;">outra oportunidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela diz: </span><i><span style="font-weight: 400;">“eu acho uma loucura e [essa história] apenas o manteve vivo. Pensei ‘ah, seu bastardo’. Ele não quer morrer, então está encontrando maneiras de se tornar relevante”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conclusão, portanto, é essa. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> pertence a todo e qualquer um que o leia. E cada um irá o ler a partir de suas individualidades e de seus próprios recortes. Afinal, não poderia ser diferente. Assim como afirma Barthes, é no leitor que toda a multiplicidade cultural e artística de uma obra se reúne. É apenas através do público que uma produção pode adquirir alma. Então, o que seria a transformação de Babadook em ícone gay se não o longa ganhando vida? No fim, a pluralidade de visões e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kzKgG54c464"><span style="font-weight: 400;">leituras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que circundam </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> é simplesmente o atestado de sua riqueza como projeto artístico e audiovisual. E, para quem ainda insiste em deslegitimar uma leitura LGBTQIA+ do filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://me.me/i/james-hassinger-if-this-is-the-official-page-why-is-761fe06367a248739888f314c3a4bf5d"><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> é gay quando quer, e ele mandou um chupa para você”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/">A quem pertence O Babadook?</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">23753</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
