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	<title>Arquivos Teatro &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Teatro &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>NÃO! rompe as amarras do sim irrestrito com Adriana Birolli</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jun 2023 19:15:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mateus Conte A atriz curitibana Adriana Birolli, conhecida por seus trabalhos nas novelas globais Viver a Vida, Fina Estampa, Império e Totalmente Demais, estreou no interior de São Paulo seu novo espetáculo, NÃO!. A primeira exibição ocorreu na cidade de Barra Bonita, seguida por Botucatu e Lençóis Paulista, sempre com casa cheia. Sem dúvidas, é &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "NÃO! rompe as amarras do sim irrestrito com Adriana Birolli"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31146" aria-describedby="caption-attachment-31146" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31146" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/1-800x450.png" alt="Cena da peça teatral Não!. A atriz Adriana Birolli está em primeiro plano, vestindo uma camisa preta e uma saia vermelha cortada na diagonal, além de um elegante par de sapatos de salto alto vermelhos, destacados pela luz vermelha que o refletor incide sobre a atriz. Atrás da atriz, no chão de tacos do teatro, é visível a sombra da profissional. No fundo do palco, um quadro de fios pretos emaranhados está à frente de uma enorme cortina branca, com a palavra &quot;NÃO&quot; incidindo sobre ela" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/1.png 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31146" class="wp-caption-text">Em NÃO!, o advérbio que dá nome ao espetáculo nunca sai de cena (Foto: Ivan Zettel)</figcaption></figure>
<p><b>Mateus Conte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atriz curitibana Adriana Birolli, conhecida por seus trabalhos nas novelas globais </span><i><span style="font-weight: 400;">Viver a Vida</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fina Estampa</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Império</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Totalmente Demais</span></i><span style="font-weight: 400;">, estreou no interior de São Paulo seu novo espetáculo, </span><i><span style="font-weight: 400;">NÃO!</span></i><span style="font-weight: 400;">. A primeira exibição ocorreu na cidade de Barra Bonita, seguida por Botucatu e Lençóis Paulista, sempre com casa cheia. Sem dúvidas, é uma grande honra para os interioranos receber as primeiras apresentações da peça de uma profissional conhecida em todo o país. O monólogo também representa uma realização pessoal para a atriz, que conta com a parceria dos irmãos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SrMf-fHUsE4&amp;pp=ygUPQ2FybGl0byBCaXJvbGxp"><span style="font-weight: 400;">Carlito Birolli</span></a><span style="font-weight: 400;">, na trilha sonora original, e Letícia Birolli, no figurino, além do namorado, o fotógrafo Ivan Zettel.</span></p>
<p><span id="more-31145"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao adentrar o teatro, é possível ver projetado ao fundo do palco o monossilábico título do espetáculo, “NÃO”, em letras garrafais. A luz vermelha que emana dos refletores dá a tônica que a obra adota: um texto sobre proibições – neste caso, autoinfligidas –, performando um ótimo uso da psicologia das cores na dramaturgia. Também figura no cenário uma tela de fios pretos emaranhados, tal qual a da brincadeira infantil ‘</span><a href="https://museugrandesnovidades.com/brincadeira-cama-de-gato/"><span style="font-weight: 400;">Cama de Gato</span></a><span style="font-weight: 400;">’, representando a desordem na vida da protagonista. Completam a cena uma pequena banqueta, uma mesinha e uma tigela repleta de gelo com uma garrafa de champanhe.</span></p>
<figure id="attachment_31148" aria-describedby="caption-attachment-31148" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31148" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/2-800x450.jpg" alt="Cena da peça teatral Não!.A atriz Adriana Birolli está em primeiro plano, descalça, sentada sobre suas próprias pernas e vestindo uma camisa preta com uma saia vermelha. No fundo do palco, um quadro de fios pretos emaranhados guarda diversos quadros com fotos editadas que contam a história. Este quadro está à frente de uma enorme cortina branca, que toma as cores roxas com o auxílio dos refletores. No canto da imagem, há uma tigela cheia de gelo e uma garrafa de champanhe sobre uma banqueta preta." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/2.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31148" class="wp-caption-text">Cada quadro, um sonho (não) realizado (Foto: Ivan Zettel)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A protagonista, interpretada por Birolli, é pressionada por sua família a comemorar seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/parabens-senhor-presidente-critica/"><span style="font-weight: 400;">aniversário</span></a><span style="font-weight: 400;">, cerimônia que não lhe agrada. Este é o ponto de partida para uma história sobre as dificuldades que muitas pessoas enfrentam ao dizer “não” às mais diversas propostas ao longo da vida, ainda que esta recusa as prejudique de alguma forma. A atriz inicia a peça entrando pelos fundos do teatro e interagindo com a plateia, imediatamente causando uma maior sensação de proximidade com o público – além, é claro, da temática abordada que é comum a todos nós.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, a carga dramática em torno do primeiro “não” não dito nos leva a uma sequência de “sins” que nos afastam, cada vez mais, dos planos que buscamos realizar ao longo da vida; sonhos estes representados por quadros pendurados na &#8216;Cama de Gato&#8217; citada anteriormente. &#8220;Não&#8221; para o amor, para o trabalho, para a família, para os amigos… são muitas as ocasiões em que o medo de desagradar sobrepõe o nosso bem-estar. Estas reflexões são trazidas pela protagonista ao longo da obra, que se torna uma espécie de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-pior-de-mim-critica/"><span style="font-weight: 400;">terapia</span></a><span style="font-weight: 400;"> em grupo com toda a plateia.</span></p>
<figure id="attachment_31147" aria-describedby="caption-attachment-31147" style="width: 774px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31147" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/3.png" alt="Cena da peça teatral Não!. A atriz Adriana Birolli está em primeiro plano, de pé, vestindo uma camisa preta com uma saia vermelha. No fundo do palco, há um quadro de fios pretos emaranhados em frente a uma enorme cortina branca, que ganha a cor azul através dos refletores" width="774" height="575" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/3.png 774w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/3-768x571.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31147" class="wp-caption-text">Ao final, o público percebe a importância de saber dizer &#8220;não&#8221; (Foto: Diário do Rio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma importante frase proferida pela protagonista, que vale a menção e de certa forma resume a ideia do roteiro, é </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não é nossa responsabilidade a forma que as pessoas recebem o nosso não”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar das aflições causadas pela indecisão entre escolher o “sim” ou o “não” fazerem parecer se tratar de um espetáculo angustiante e amargurado, a obra é uma deliciosa </span><a href="https://personaunesp.com.br/quem-e-quem-teatro-critica/"><span style="font-weight: 400;">comédia</span></a><span style="font-weight: 400;"> que permite a própria libertação ao representar os fatos corriqueiros de nosso cotidiano de forma facilmente identificável pelo público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ato final retoma o diálogo com a plateia ao sugerir uma enquete, aos moldes do global “Você Decide”, sobre qual atitude a protagonista deveria tomar: o “sim” contrariado ou o primeiro “não” determinado? A peça se encerra sem um final estabelecido, delegando ao espectador a função de se imaginar na cena e tomar sua própria decisão – como bem cantava </span><a href="https://personaunesp.com.br/abalando-a-sua-fabrica-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Chorão</span></a><span style="font-weight: 400;">, líder da banda de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> Charlie Brown Jr., “</span><i><span style="font-weight: 400;">Cada escolha, uma renúncia</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
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		<title>O que aconteceu com o brilho da Garota Radiante?</title>
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		<pubDate>Mon, 29 May 2023 15:38:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laura Hirata-Vale Em um tom alegre e cheio de espírito, A Garota Radiante (2021) retrata a história de Irène (Rebecca Marder), uma adolescente apaixonada por Teatro. Dirigido e roteirizado por Sandrine Kiberlain, o longa francês é ambientado no ano de 1942 e mostra como é a vida de uma família judia, expondo, pouco a pouco, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-garota-radiante-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O que aconteceu com o brilho da Garota Radiante?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30985" aria-describedby="caption-attachment-30985" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30985 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1-e1685374207251.png" alt="Cena do filme A Garota Radiante. A atriz francesa Rebecca Marder aparece no centro da imagem, e é uma jovem de pele clara, cabelos castanhos e olhos claros; ela usa uma blusa marrom e um casaco azul. Atrás da atriz, existe um caminho de árvores desfocadas." width="1366" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1-e1685374207251.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1-e1685374207251-800x330.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1-e1685374207251-1024x422.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1-e1685374207251-768x317.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1-e1685374207251-1200x495.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30985" class="wp-caption-text">Irène queria uma coisa: brilhar nos palcos dos teatros (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Laura Hirata-Vale</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um tom alegre e cheio de espírito, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Garota Radiante</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2021) retrata a história de Irène (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K9ZLzZw0utY"><span style="font-weight: 400;">Rebecca Marder</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma adolescente apaixonada por Teatro. Dirigido e roteirizado por Sandrine Kiberlain, o longa francês é ambientado no ano de 1942 e mostra como é a vida de uma família judia, expondo, pouco a pouco, as proibições e os impedimentos impostos pelo nazismo. O filme é leve, divertido, mas traz em seus detalhes e entrelinhas o terror da época, que assusta, de uma forma ou de outra, o espectador, alertando-o do que pode estar por vir. </span></p>
<p><span id="more-30983"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente de outras obras que têm a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo – como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GAf0nGq_FXQ"><i><span style="font-weight: 400;">A Lista de Schindler</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1993) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BFwGqLa_oAo"><i><span style="font-weight: 400;">O Pianista</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2003) – , </span><i><span style="font-weight: 400;">Une jeune fille qui va bien</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) mostra uma cidade ‘normal’: não há destruição, bombardeios, exércitos nem bandeiras nazistas em Paris. Há somente bicicletas, ruas de paralelepípedos e edifícios no estilo </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/02/160203_vert_cul_criador_paris_lab"><span style="font-weight: 400;">Haussmann</span></a><span style="font-weight: 400;">. A narrativa retrata a vida de Irène de uma forma enérgica, em que a jovem aproveita todos os instantes, enquanto descobre a paixão e tenta entrar no Conservatório da cidade. Como se fosse uma grande neblina, as vivências da garota tentam encobrir as anormalidades que acontecem durante o filme.</span></p>
<figure id="attachment_30987" aria-describedby="caption-attachment-30987" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2.png" alt="Cena do filme A Garota Radiante. Na imagem, sete jovens aparecem, na frente de uma porta vermelha: quatro estão de pé, e três estão sentadas." width="1366" height="575" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-800x337.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1024x431.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-768x323.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1200x505.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30987" class="wp-caption-text">O cotidiano da jovem foi abalado de forma trágica (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Garota Radiante</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui diversos contrastes. Um deles é o otimismo e despreocupação da protagonista em comparação à preocupação de André (André Marcon), seu pai. Enquanto ela vive sem se importar com as consequências de suas ações, ele se atenta a cada detalhe; além disso, a avó, Marceline (Françoise Widhoff), se aflige e chega a negar a situação em que se encontram, a fim de tentar proteger a família. É uma dualidade estranha: as proibições do nazismo &#8211; como o confiscamento de rádios, telefones e bicicletas, além dos documentos carimbados com ‘judeu’ em letras vermelhas e garrafais, e o uso de uma </span><a href="https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/jewish-badge-during-the-nazi-era"><span style="font-weight: 400;">Estrela de Davi amarela</span></a><span style="font-weight: 400;"> costurada no peito &#8211; são tratadas por Irène sem muita importância, como se fossem coisas quaisquer, mesmo que elas tenham impacto em sua vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante seus 88 minutos, o longa afirma, através de pequenos momentos, que a normalidade cotidiana dos </span><a href="https://aboutholocaust.org/pt/facts/como-os-alemaes-sabiam-quem-era-judeu"><span style="font-weight: 400;">judeus parisienses</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi abalada. O desenrolar do filme se dá pela confusão de alguns personagens: será que o sumiço de colegas, vizinhos e amigos foram causados por viagens de férias ou por sequestros? Uma fração do elenco começa a temer o que está acontecendo, enquanto a outra acha que tudo está como o habitual. É uma espécie de cegueira, que – infelizmente – acontece até hoje. A impossibilidade e incapacidade de enxergar o que está ocorrendo, por parte da protagonista, preocupa sua família, por não conseguir ver os perigos que corre durante o dia a dia.</span></p>
<figure id="attachment_30984" aria-describedby="caption-attachment-30984" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30984" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-2.jpg" alt="Foto em preto e branco do set de produção do filme A Garota Radiante. Duas mulheres aparecem sentadas lado a lado na imagem. A mulher da esquerda é a atriz Rebecca Marder; a da direita é Sandrine Kiberlain, a roteirista e diretora do filme." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-2.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30984" class="wp-caption-text">Inspirada por parte da história de seus avós, Kiberlain esperou o momento certo para dar vida ao filme (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No </span><i><span style="font-weight: 400;">début </span></i><span style="font-weight: 400;">de Sandrine Kiberlain no papel de diretora e roteirista, a atriz realiza um trabalho satisfatório: </span><i><span style="font-weight: 400;">Une jeune fille qui va bien</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreou na Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2021, e recebeu uma indicação ao prêmio Câmera de Ouro. Além disso, a atuação de Rebecca Marder foi lembrada na categoria de Atriz Mais Promissora nos prêmios Lumière e César. Este último é considerado um dos reconhecimentos mais importantes do Cinema francês e, no passado, indicou Léa Seydoux, por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RFSQAuwdS0E"><i><span style="font-weight: 400;">A Bela Junie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008), e laureou a diretora do </span><i><span style="font-weight: 400;">A Garota Radiante</span></i><span style="font-weight: 400;">, pelo longa </span><i><span style="font-weight: 400;">En avoir (ou pas)</span></i><span style="font-weight: 400;"> [1995]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia – feita por Guillaume Schiffman, do premiado </span><i><span style="font-weight: 400;">O Artista</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2011) – é radiante e saturada, cheia de cores vivas, sendo algo inusitado para um filme que trata assuntos tão sérios e delicados como a Segunda Guerra Mundial, diferentemente do que ocorre em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vida é Bela</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1997) e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Lista de Schindler</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1993), que possuem tonalidades escuras e sombrias. A trilha sonora ficou nas mãos de Patrick Desremaux e Marc Marder (o pai da atriz principal), e conta com canções mais antigas, como a francesa </span><a href="https://open.spotify.com/track/3WfBrLPAbt7G60r1n7BZ6L?si=e07d8549ac9d46e8"><i><span style="font-weight: 400;">Que Reste-t-il de nos Amours ?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Charles Trenet, utilizada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Beijos Proibidos</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1968), produção clássica do Cinema francês. Já o guarda-roupas do longa, montado por Emmanuelle Youchnovski, possui ao mesmo tempo um ar nostálgico e moderno, mostrando como as situações retratadas ainda são atuais.</span></p>
<p><figure id="attachment_30986" aria-describedby="caption-attachment-30986" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30986" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1.jpg" alt="Cena do filme A Garota Radiante. Na imagem, o ator Anthony Bajon aparece tocando uma flauta transversal; ele é um homem branco, com cabelos castanhos e de olhos castanhos-esverdeados, e usa uma camisa bege clara e um colete de tricô marrom. À frente dele, uma moça de pele branca aparece – desfocada – tocando violino." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30986" class="wp-caption-text">O irmão de Irène, Igor (Anthony Bajon), também está envolvido com arte: ele é flautista [Foto: Pandora Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Mesmo com toques sobre os medos e preocupações da época, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KHyVk4M6W-4"><i><span style="font-weight: 400;">A Garota Radiante</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme divertido. Vemos como Irène é jovial, elétrica e espirituosa, com seus dilemas e descobertas normais da fase entre adolescência e idade adulta. Cheia de vida e expressões marcantes, conseguimos observar que a menina foi feita para estar em cima de palcos, sob os holofotes e dentro do teatro &#8211; ela é capaz de virar uma estrela cintilante da Quinta Arte. Porém, de um instante para outro, algo acontece com o brilho de Irène: ele se apaga amargamente, deixando um gosto ruim no céu da boca, e fazendo os corações ficarem apertados, cheios de angústia. O longa nos faz ter esperança até seu último minuto, quando percebemos que – em uma época tão inóspita como os anos 40 – a normalidade não é realmente normal, e que tudo pode mudar em um segundo, olhar ou sussurro.</span></p>
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		<title>Parabéns, Senhor Presidente e a rara sintonia entre contrários</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Apr 2023 20:36:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mateus Conte O Teatro Municipal de Botucatu recebeu, em uma noite de sábado, o drama musical Parabéns, Senhor Presidente &#8211; In Concert. A casa lotou para recepcionar as atrizes globais Claudia Ohana, que interpreta a soprano Maria Callas, e Juliana Knust, que dá vida à sex symbol Marilyn Monroe. Com texto de Fernando Duarte (que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/parabens-senhor-presidente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Parabéns, Senhor Presidente e a rara sintonia entre contrários"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30682" aria-describedby="caption-attachment-30682" style="width: 920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30682" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1.jpg" alt="A foto em preto e branco apresenta as duas atrizes, Juliana Knust e Cláudia Ohana, vestidas como suas personagens. Ambas estão sorrindo e olhando para o lado esquerdo da câmera" width="920" height="738" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1.jpg 920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1-800x642.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1-768x616.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30682" class="wp-caption-text">Marilyn Monroe e Maria Callas foram convidadas ao aniversário do presidente Kennedy; como seria se as duas tivessem se encontrado? (Foto: Pino Gomes/A Crítica)</figcaption></figure>
<p><b>Mateus Conte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Teatro Municipal de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-pior-de-mim-critica/"><span style="font-weight: 400;">Botucatu</span></a><span style="font-weight: 400;"> recebeu, em uma noite de sábado, o drama musical </span><i><span style="font-weight: 400;">Parabéns, Senhor Presidente &#8211; In Concert</span></i><span style="font-weight: 400;">. A casa lotou para recepcionar as atrizes globais Claudia Ohana, que interpreta a soprano Maria Callas, e Juliana Knust, que dá vida à </span><i><span style="font-weight: 400;">sex symbol</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/blonde-critica/"><span style="font-weight: 400;">Marilyn Monroe</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com texto de Fernando Duarte (que estava presente naquela noite) e Rita Elmôr, a peça é uma adaptação musical para a obra de mesmo nome, encenada em 2019. A apresentação contou com entrada franca e ainda passa por seis municípios do estado, dentro da programação do Edital ProAC Expresso, através da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-30680"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A peça retrata o encontro fictício entre as duas artistas nos bastidores do Madison Square Garden, casa de espetáculos na cidade estadunidense de Nova Iorque, por ocasião do 45º aniversário do então presidente John F. Kennedy, comemorado em 19 de Maio de 1962. O momento ficou marcado na memória coletiva dos anos 1960 com a imagem de Marilyn Monroe usando um sensual vestido coberto de cristais brilhantes, cantando aos sussurros a memorável </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Tr1Faa9cEbo"><i><span style="font-weight: 400;">Happy Birthday</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nessa mesma noite, a maior estrela da ópera de todos os tempos, Maria Callas, foi protagonista da apresentação mais aplaudida da noite, ao interpretar </span><i><span style="font-weight: 400;">Habanera</span></i><span style="font-weight: 400;">, ária integrante da ópera </span><i><span style="font-weight: 400;">Carmen</span></i><span style="font-weight: 400;">, apresentações cujos vídeos foram exibidos ao fundo do cenário da peça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independentes e bem-sucedidas, </span><a href="https://eduerj.com/a-mulher-nos-anos-60-uma-perspectiva-de-genero/"><span style="font-weight: 400;">o que era raro nos anos 1960</span></a><span style="font-weight: 400;">, as icônicas personagens partem de suas próprias histórias para, durante 65 minutos, mergulhar no drama feminino dos tempos modernos, abordando o papel a ser desempenhado pelas mulheres em um mundo ainda governado pelos homens. No entanto, a narrativa da obra não deixa de também envolver o público masculino, pois apresenta as consequências de relações abusivas no trato psicológico das protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_30683" aria-describedby="caption-attachment-30683" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30683" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2.webp" alt="Juliana Knust, trajada com o sensual vestido de brilhantes utilizado por Monroe na festa de aniversário de Kennedy, está com os braços abertos enquanto olha para o lado esquerdo da câmera. Seu braço esquerdo segura uma blusa branca e felpuda, que se encontra no encosto de uma cadeira branca, com estampa losangular e pernas de madeira marrom-escuro. Outra cadeira idêntica aparece ao lado direito de Monroe. Atrás dela, encoberto por seu corpo, é visível uma garrafa" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-30683" class="wp-caption-text">Marilyn Monroe sofreu com relações abusivas ao longo da vida (Foto: Roberto Filho/Brazil News)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Exemplo disso são os relatos das crises conjugais de Monroe com a lenda do </span><i><span style="font-weight: 400;">baseball</span></i><span style="font-weight: 400;"> Joe DiMaggio, que lhe abusava fisicamente. O momento impactante é muito bem utilizado pelo espetáculo para divulgar a campanha contra a violência doméstica </span><a href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/ligue180"><span style="font-weight: 400;">Ligue 180</span></a><span style="font-weight: 400;">, projetado no seu sóbrio cenário, que se passa no camarim da apresentação ao presidente Kennedy. Também choca a ocasião em que a atriz fala sobre os abortos espontâneos que sofreu, em uma carga dramática impressionante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As personagens viviam momentos distintos em sua vida. Em pleno auge profissional, Marilyn estava cansada de ser vista apenas como um </span><a href="https://yatahaze.medium.com/anatomia-de-um-s%C3%ADmbolo-sexual-9e3c9e151635"><span style="font-weight: 400;">símbolo sexual</span></a><span style="font-weight: 400;">. Amante do presidente JFK, ela sentia-se preterida pela primeira-dama Jacqueline Kennedy –  um dos fatores que supostamente desencadeou seu vício em bebida e calmantes, o que lhe resultou na morte por overdose de barbitúricos, em 1962 (embora a peça aposte na </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/08/09/os-misterios-que-ainda-persistem-sobre-a-morte-de-marilyn-monroe-apos-60-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">hipótese de homicídio</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte de um agente da CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Callas, por sua vez, se incomoda com os críticos – inclusive ironizando aqueles que redigem críticas culturais nos jornais – e reconhece que sua voz está se exaurindo aos poucos. Ela ainda sofre por ter priorizado a arte em detrimento de sua vida pessoal, enfrentando problemas no relacionamento com o magnata grego </span><a href="https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2021/04/biografia-revela-que-maria-callas-foi-drogada-e-abusada-por-aristotle-onassis.html"><span style="font-weight: 400;">Aristóteles Onassis</span></a><span style="font-weight: 400;">. As crises conjugais passadas pelas personagens são os momentos em que o texto mais investe em comédia, incluindo piadas sexuais que levaram o público às gargalhadas, à revelia da classificação indicativa de 14 anos.</span></p>
<figure id="attachment_30681" aria-describedby="caption-attachment-30681" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30681" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3.webp" alt="Cláudia Ohana, trajada com o clássico vestido vermelho de Maria Callas, sorri enquanto olha para cima, levantando sua mão direita em poética interpretação em frente a um fundo com cortinas brancas reluzentes" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-30681" class="wp-caption-text">Maria Callas passa por tribulações em seu casamento (Foto: Roberto Filho/Brazil News)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A conversa entre Callas, introspectiva e melancólica, e Monroe, extrovertida e sanguínea, resulta em uma rara sintonia entre contrários, também espelhados na destoância entre seus figurinos e suas caracterizações, que refletem suas personalidades distintas. Enquanto os espontâneos desabafos de Marilyn são respondidos pela grega com sua objetividade racional, assemelhando-se a uma terapeuta, as confissões da soprano são devolvidas com espirituosidade e uma certa dose de despudor pela atriz, em oposição ao </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/09/29/marilyn-monroe-foi-a-indecifravel-esfinge-que-acabou-devorado-por-hollywood.htm"><span style="font-weight: 400;">momento difícil</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo qual sua vida passava.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A nova adaptação, </span><i><span style="font-weight: 400;">In Concert</span></i><span style="font-weight: 400;">, conta com canções compostas por Maíra Freitas e interpretadas pelas atrizes, tanto em duetos como em solos, tanto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KlWPLbVoWfQ"><span style="font-weight: 400;">óperas</span></a><span style="font-weight: 400;"> como em ritmos convencionais. Surpreende a excelência na execução das músicas, tanto por Ohana quanto por Knust, bem como a qualidade do arranjo e das letras, totalmente em português. A cena em que Callas ensina técnicas vocais para Monroe é um dos (muitos!) pontos altos do espetáculo, momentos em que nos perguntamos quais fatos apontados naquele roteiro realmente ocorreram na vida real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os aspectos técnicos, ressaltam-se a captação de som, realizada por meio de microfones de cabeça que valorizam as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2HXr2cKNm2M"><span style="font-weight: 400;">vozes das atrizes</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como a iluminação, que variava conforme a intensidade das emoções de cada momento da peça, cujas cenas são divididas por sessões musicais. A última delas é a principal apoteose de<em> Parabéns, Senhor Presidente</em>, fechando-se as cortinas e encerrando-se o espetáculo em grande estilo, combinando aquelas duas figuras tão distintas através de uma de suas poucas paixões em comum: a Arte.</span></p>
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		<title>Argentina, 1985 é um grito de basta às mazelas da ditadura</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Feb 2023 13:51:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana “Eu não sou advogado de ninguém, meu papel como promotor de justiça é acusar”. Assim se impôs Julio Strassera, responsável por um dos julgamentos mais importantes para a democracia ocidental e protagonista de Argentina, 1985. Baseado em fatos reais, o longa dirigido por Santiago Mitre traz à tona o processo que condenou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Argentina, 1985 é um grito de basta às mazelas da ditadura"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29717" aria-describedby="caption-attachment-29717" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29717" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-3.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que Ocampo (à esquerda) e Strassera (à direita) se reúnem em uma lanchonete para discutir sobre as estratégias de acusação que serão utilizadas no julgamento . Na imagem podemos ver as feições de Moreno Ocampo e Júlio Strassera sentados (um de frente para o outro), lado a lado, enquanto pedem dois lanches em uma bancada de restaurante. Ocampo é um jovem branco (aparentemente com os seus 30 anos de idade), ruivo, cabelo e barba encaracolados. Strassera é um senhor no auge de seus 65 anos, branco, cabelo liso preto, possui bigode denso e usa óculos garrafais. Strassera está com um cigarro aceso em mãos fazendo gestos para chamar a atenção de seu colega promotor, Moreno Ocampo. O jovem está com o olhar fixo prestando atenção nas palavras de Júlio." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29717" class="wp-caption-text">Mais do que um filme, Argentina, 1985 é uma aula de dever à cidadania e exemplo de compromisso público com a democracia (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><strong>Gabriel Gomes Santana</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não sou advogado de ninguém, meu papel como promotor de justiça é acusar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Assim se impôs Julio Strassera, responsável por um dos julgamentos mais importantes para a democracia ocidental e protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;">. Baseado em fatos reais, o longa dirigido por Santiago Mitre traz à tona o processo que condenou os crimes contra os direitos humanos cometidos pelos ex-comandantes da ditadura no País. Disponível na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">da </span><a href="https://www.primevideo.com/detail/0HM2CPRAN241K811SGWRRH09BF/ref=atv_dp_share_cu_r"><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra expõe a coragem e persistência de agentes públicos que se comprometeram a enfrentar um sistema repressivo e assassino.</span></p>
<p><span id="more-29716"></span></p>
<p><b>Ficção e realidade se misturam</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na tentativa de se aproximar da realidade, o filme apresenta um panorama histórico completo e bem aprofundado sobre o período de recente democratização do país </span><i><span style="font-weight: 400;">hermano</span></i><span style="font-weight: 400;">. Instaurada na Argentina de 1976 a 1983, a </span><a href="https://paineira.usp.br/memresist/?page_id=239"><span style="font-weight: 400;">última ditadura</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a nação enfrentou ficou marcada por um regime autoritário, repressivo, sangrento e que deixou traumas e feridas abertas até hoje. Ainda que pairasse no ar um sentimento de retomada do poder popular, já com o fim dos governos militares, todos os crimes cometidos até aquela ocasião deixavam perguntas sem respostas através de um sentimento de injustiça dominante perante a sociedade platina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como aconteceu na Segunda Guerra, no caso do imprescindível </span><a href="https://www.politize.com.br/tribunal-de-nuremberg/"><span style="font-weight: 400;">Tribunal de Nuremberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, mais do que dar um basta à barbárie, era necessário encontrar os culpados pelas torturas, assassinatos e massacres. Afinal, não é ao acaso que a estimativa sobre o número de assassinados pelo comando militar argentino ultrapassa a casa dos </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/hoje-na-historia/3368/hoje-na-historia-1976-golpe-militar-instaura-ditadura-na-argentina"><span style="font-weight: 400;">30 mil </span></a><span style="font-weight: 400;"> durante os sete anos de sua cruel permanência. Ainda que tentasse esconder, uma boa parcela da população ansiava por um julgamento que criminalizasse os </span><a href="https://www.scielo.br/j/civitas/a/nDGjYwxgPF6j8s5fX4fMMVK/?lang=pt&amp;format=pdf"><span style="font-weight: 400;">engenheiros deste caos</span></a><span style="font-weight: 400;">. É a partir daí que a trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia.</span></p>
<figure id="attachment_29718" aria-describedby="caption-attachment-29718" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29718" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-4.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que Strassera e Ocampo conversam com uma senhora de idade, ativista do movimento das Mães da Praça de Maio. Strassera aparece apoiando seu braço em um dos bancos do público que acompanha a sessão do julgamento, enquanto uma senhora, que está sentada olhando para Strassera atentamente se inclina para escutar o que o promotor tem a dizer. Esta senhora aparenta ter uma idade avançada, na casa dos 70 anos de idade e usa um lenço típico das ativistas que protestam pelo desaparecimento de seus filhos e netos, vítimas da perseguição imposta pelo autoritarismo de Videla." width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-29718" class="wp-caption-text">Nada mais desesperador do que uma mãe que clama por seu filho (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1983, ano da retomada eleitoral argentina, o então candidato Raúl Alfonsín se elegera através de um discurso que evocava angústia sobre o desaparecimento de milhares de pessoas, tendo o apoio das </span><a href="https://www.socialistamorena.com.br/para-nao-esquecer-a-historia-das-maes-da-plaza-de-mayo-na-argentina/"><span style="font-weight: 400;">Mães da Praça de Maio</span></a><span style="font-weight: 400;">. O movimento foi crucial para que os argentinos se sensibilizassem com a dor de mães e avós que procuravam o paradeiro de seus filhos e netos (muitas continuam em busca de respostas até hoje). Quando Alfonsín assumiu a cadeira presidencial, a imprensa acreditou que, em um primeiro momento, seu governo teria um caráter conciliador, mas ele provou o contrário, sendo bastante afrontoso: colocou nove ex-comandantes militares no banco dos réus para responderem sobre crimes contra humanidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por conta desta brilhante e corajosa decisão, dois anos depois do decreto, a figura do promotor Julio Strassera se fez presente. No longa, ele nos envolve em uma aventura judicial que vai atrás de provas concretas, aliadas a fortes depoimentos de vítimas sobreviventes das sessões de torturas físicas e psicológicas empreendidas por </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/morre-aos-87-anos-o-ex-ditador-argentino-jorge-rafael-videla-eguinkcv3uy8hnirb2fzltc26/#:~:text=Videla%20governou%20o%20pa%C3%ADs%20sul,argentina%20(1976%2D1983)."><span style="font-weight: 400;">Videla</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus sucessores. O </span><i><span style="font-weight: 400;">gran finale</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> estabelece um basta às atrocidades da ditadura. Pelo menos, esse é o sentimento que o filme traz e que, infelizmente, </span><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ha-40-anos-lei-de-anistia-preparou-caminho-para-fim-da-ditadura"><span style="font-weight: 400;">não ocorreu da mesma maneira no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas que pôde dar luz a algumas dicotomias.</span></p>
<figure id="attachment_29721" aria-describedby="caption-attachment-29721" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29721" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-1.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que uma mulher é chamada para dar seu testemunho sobre a tortura que sofreu na época do regime. Ela aparece de pé em frente a dois microfones de depoimento, bem centralizada em primeiro plano da imagem. Ao fundo podemos ver a bancada das pessoas que assistem ao julgamento. Ela é uma mulher branca, magra, de cabelo curto, com uma expressão séria e com olhar fixado em direção à câmera frontal. Ela veste um blazer caramelo formal, específico dos anos 1980, junto a uma camisa social de gola V por baixo. Ela carrega uma bolsa preta no ombro esquerdo" width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29721" class="wp-caption-text">Nada como um relato angustiante e terrível para expor os erros que não devem ser repetidos (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A principal destas contradições diz respeito à </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/explicado/2021/02/21/Lei-de-Anistia-do-al%C3%ADvio-na-reabertura-%C3%A0-impunidade-militar"><span style="font-weight: 400;">Lei de Anistia</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma vez que livrou perseguições políticas, mas deixou as atrocidades militares por debaixo dos panos da história. A grande reflexão por trás da película diz respeito ao </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi </span></i><span style="font-weight: 400;">reforçado em não apagar memórias. À sua maneira, diversos trechos da narrativa abordam como o país consegue discutir suas dívidas com o passado, demonstrando como a defesa democrática passa, antes de tudo, por uma isonomia de direitos e respeita a atuação autônoma entre os poderes do Executivo e Judiciário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nossos </span><i><span style="font-weight: 400;">hermanos</span></i><span style="font-weight: 400;"> estão longe de ser um povo sem defeitos, mas é justamente a coragem de lidar com o desagradável e expô-lo para a opinião pública que lhes sobra resiliência para seguir em frente debatendo temas cruciais. Recentemente, a </span><a href="https://g1.globo.com/hora1/noticia/2022/09/20/as-raizes-da-crise-economica-argentina-entenda-o-historico-da-economia-no-pais.ghtml"><span style="font-weight: 400;">dura crise financeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o país enfrenta pode ser um exemplo disso. Apesar de todas as discussões (extremamente necessárias) acerca do cenário sociopolítico, o futebol mostrou, mais uma vez, o quanto o povo se </span><a href="https://medium.com/o-contra-ataque/de-palco-da-copa-do-mundo-a-pris%C3%A3o-pol%C3%ADtica-aee820532e94"><span style="font-weight: 400;">une em prol de um mesmo objetivo</span></a><span style="font-weight: 400;">. A cultura popular tem o papel fundamental de estímulo à superação, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985 </span></i><span style="font-weight: 400;">também cumpre essa missão ao exemplificar aquilo que jamais deve ser tolerado.</span></p>
<figure id="attachment_29720" aria-describedby="caption-attachment-29720" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29720" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-2.png" alt="Cena do filme ‘Argentina, 1985’ em que Strassera aparece junto de sua equipe investigadora na promoção do inquérito que reuniu as denúncias e provas contra as juntas militares argentinas. Na imagem estão presentes, além de Ocampo e Strassera, mais 8 pessoas que participam da equipe auxiliar dos promotores. As dez pessoas que aparecem nesta imagem são brancas. Destas, apenas 3 são mulheres, uma possui cabelo ruivo e cacheado. Strassera aparece centralizado e à frente dos demais colegas." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29720" class="wp-caption-text">O sorriso daqueles que defendem a democracia é diferente (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>O grande trunfo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas produções cinematográficas apostam suas fichas em um </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/morreu-promotor-julgamento-hist%C3%B3rico-chefes-ditadura-argentina-152727144.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAALsKt18Xem5PEdwdAbDwVDHttWkyS4NoOaBW42RupPZJYY1PC5_QRRz0Jti5CsxRQ74UzGAo8iThEH7HHuET8Meb7Als0dUH4vnnbwqlq6hVGrAZxZctk5qOx6AjbUuDE67qgd7CpTcne7CI3i6TJQBIaCzHIBp3rEGWPARarptC"><span style="font-weight: 400;">elemento técnico que se sobressai</span></a><span style="font-weight: 400;"> com sutileza e vigor. A grosso modo, musicais, por exemplo, tendem a valorizar a escolha de uma trilha sonora de impacto e que vá de encontro com a proposta original e estética. No caso do longa, o grande trunfo se baseia na caracterização e atuação dos personagens. Interpretados por Ricardo Darín e Juan Pedro Lanzani, as figuras de Júlio Strassera e Luís Ocampo, respectivamente, são idênticas aos promotores originais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da semelhança física com as pessoas reais que estiveram à frente do processo, é impressionante analisar o perfil satírico e dramático presentes em ambas personalidades na ficção. </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/morreu-promotor-julgamento-hist%C3%B3rico-chefes-ditadura-argentina-152727144.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAALsKt18Xem5PEdwdAbDwVDHttWkyS4NoOaBW42RupPZJYY1PC5_QRRz0Jti5CsxRQ74UzGAo8iThEH7HHuET8Meb7Als0dUH4vnnbwqlq6hVGrAZxZctk5qOx6AjbUuDE67qgd7CpTcne7CI3i6TJQBIaCzHIBp3rEGWPARarptC"><span style="font-weight: 400;">Strassera é um homem experiente</span></a><span style="font-weight: 400;">, com um olhar atento a tudo e a todos. Porém, seu temperamento frágil o coloca em situações embaraçosas que, embora demonstrem seriedade diante das ameaças sofridas, são um tanto quanto cômicas devido a sua reação, tentando transmitir controle e calma, só que de um jeito desgovernado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ocampo, por outro lado, é o ‘aprendiz caxias’, esforçado em trazer resultados para as incógnitas complexas dos problemas apresentados pelas testemunhas. É curioso notar o quanto ele acaba quebrando a cara ao entender que nem tudo é tão simples e racional quanto parece, sobretudo diante de uma </span><a href="https://periodicos.unb.br/index.php/les/article/view/7534"><span style="font-weight: 400;">sociedade ainda fragilizada pelo medo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma tirania tão influente no imaginário coletivo da época. Parente de militares, o jovem promotor adjunto representa o clichê necessário do ‘</span><a href="https://www.polifonia.com.br/blogpoli/2018/1/9/luke-skywalker-e-a-jornada-do-heri"><span style="font-weight: 400;">padawan</span></a><span style="font-weight: 400;">’ ansioso que se espelha num sábio ‘jedi’ atrapalhado. </span></p>
<figure id="attachment_29722" aria-describedby="caption-attachment-29722" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29722" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image.png" alt="Fotografia original do julgamento que condenou os ex-generais do exército argentino no ano de 1985. Na imagem podemos ver as feições de Moreno Ocampo e Júlio Strassera sentados (ao canto direito da foto), lado a lado, enquanto encaram os militares, centralizados na imagem, que estão alinhados no banco dos réus. Ocampo é um jovem branco (aparentemente com os seus 30 anos de idade), ruivo, cabelo e barba encaracolados. Strassera é um senhor no auge de seus 65 anos, branco, cabelo liso preto, possui bigode denso e usa óculos garrafais. Os ex-comandantes que estão ao centro são todos homens brancos e, aparentemente, mais velhos." width="512" height="353" /><figcaption id="caption-attachment-29722" class="wp-caption-text">Ocampo e Strassera olhando fixamente para os responsáveis da tortura (Foto: BBC News Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Teatro possivelmente contribuiu para uma das maiores e mais difíceis habilidades no campo da atuação: a improvisação. Mesmo que no Cinema o produto final seja gravado e editado em cortes, é possível observar quando uma equipe ensaiou uma sequência cênica e quando não. A </span><a href="https://revistadecinema.com.br/2014/08/a-importancia-dos-dialogos-para-a-narrativa-cinematografica/"><span style="font-weight: 400;">espontaneidade dos diálogos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> alia-se à autonomia de Mitre em escolher trechos que, assustadoramente, poderiam acontecer na vida real sem serem previamente pensados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diversas cenas do filme reproduzem o recurso da improvisação e trazem um toque magistral ao aproximar o espectador ao elenco da trama. Os relatos das vítimas e testemunhas parecem ser direcionados a quem assiste, tornando-os ainda mais comoventes e </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-convidadas-critica/"><span style="font-weight: 400;">emocionantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Da mesma forma são os diálogos da família Strassera, dando a impressão de que o quinto elemento participante das discussões seja a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kNKSPMj-B5w"><span style="font-weight: 400;">quarta parede</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Em nenhum momento a obra tem a intenção de quebrar essa barreira. Estes detalhes são fruto de uma qualidade fílmica ímpar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, o público tem o hábito de classificar todo longa-metragem que não tenha os padrões hollywoodianos como alternativos e </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> está longe disso. Os parâmetros criativos adotados pelos roteiristas Santiago Mitre e Mariano Llinás, se não superam, são equivalentes a qualquer </span><a href="https://apostiladecinema.com.br/tempo-de-matar/"><span style="font-weight: 400;">clássico de embate jurídico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não à toa, desde que foi lançada no segundo semestre de 2022, a obra tem percorrido os principais </span><a href="https://portalpopline.com.br/campanha-filme-argentina-1985-oscar/"><span style="font-weight: 400;">festivais internacionais de Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, dentre eles, um dos principais: Veneza.</span></p>
<figure id="attachment_29719" aria-describedby="caption-attachment-29719" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29719" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Darin-e-Mitre.png" alt="Fotografia de Ricardo Darín (protagonista da obra) e Santiago Mitre (diretor e produtor) juntos recebendo o Globo de Ouro, prêmio do festival ‘Golden Globe Awards’. Ambos aparecem de smoking, sorridentes e abraçados. Darin está à esquerda e Mitre aparece à direita carregando a estatueta vencedora da categoria de melhor filme estrangeiro. Santiago Mitre é um homem branco, alto, de cabelo liso e barba falhada. Ao fundo da imagem há um banner de identificação do evento." width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-29719" class="wp-caption-text">Vencedores do Globo de Ouro, Darín e Mitre celebraram o Globo de Ouro em clima de Copa do Mundo (Foto: Uol)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado e candidato favorito ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Filme Internacional, a obra é representatividade máxima na América Latina. O trabalho empenhado pelas lentes de Mitre não apenas foi aplaudido pelos críticos durante nove minutos, quando exibido pela primeira vez na cidade italiana, como também consagrou-se vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Depois da Copa do Mundo, é uma grande alegria</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, comemorou </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/ricardo-darin-comemora-globo-de-ouro-de-argentina-1985-em-clima-de-copa-do-mundo,07550f609cda05bf974e86b920ed5cf4uelgxydv.html"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Darín</span></a><span style="font-weight: 400;">, cheio de emoção. Pode-se dizer que tal feito é semelhante à comparação do ator, uma vez que se destacou entre potentes internacionais, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Decision to Leave</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Coréia do Sul), </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR </span></i><span style="font-weight: 400;">(Índia) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Alemanha).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vanguarda na arte de fazer excelentes filmes, a Argentina se destaca como um dos países que são referência quando </span><a href="https://www.institutodecinema.com.br/mais/conteudo/10-filmes-para-conhecer-o-cinema-argentino"><span style="font-weight: 400;">o assunto é Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">. Embora cada obra, diretor, produtor e roteirista tenham perspectivas singulares e distintas, é interessante destacar como a cultura local consegue executar com maestria a transparência dos estereótipos de seu povo. O combo de ricas emoções, contradições e um jeito peculiar de dramatizar assuntos sérios através de um alívio cômico, faz do enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985 </span></i><span style="font-weight: 400;">o mais puro </span><a href="https://universoesporte.com.br/maradona-a-despedida-de-um-genio/"><span style="font-weight: 400;">suco argentino possível</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Maradona</span></i><span style="font-weight: 400;">, série bibliográfica sobre o grande ícone e camisa 10 </span><i><span style="font-weight: 400;">hermano</span></i><span style="font-weight: 400;"> é outro exemplo disso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez seja por essa razão que a originalidade e talento dos atores envolvidos no filme</span> <span style="font-weight: 400;">tenha atraído o carisma dos espectadores, sobretudo dos países latinos. Trazer à tona as lembranças de um passado sombrio, infelizmente comum aos países do Cone Sul, é fundamental, não apenas por uma questão de representatividade. Também, para que as sociedades civis destas nações jamais se esqueçam como se deu a </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2023/01/08/bolsonaristas-congresso-policia.htm"><span style="font-weight: 400;">conjuntura golpista</span></a><span style="font-weight: 400;"> que elevou as desigualdades sociais e, ainda hoje, colocam em risco a democracia. </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2022/12/10/E-se-o-filme-%E2%80%98Argentina-1985%E2%80%99-inspirasse-o-Brasil-de-2023"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não traz uma história inusitada sobre uma trama de ficção. Ele simboliza o quanto o povo, quando protegido por agentes públicos sérios, é capaz de defender direitos sem passar </span><a href="https://portal.unila.edu.br/editora/livros/e-books/cinelatino.pdf"><span style="font-weight: 400;">panos quentes na história</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>O Pior de Mim: o palco como divã</title>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2022 17:40:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mateus Conte Na noite de 13 de maio, um Teatro Municipal lotado recebeu, em Botucatu, a atriz Maitê Proença em seu monólogo O Pior de Mim. Redigida pela própria atriz e dirigida por Rodrigo Portella, a obra aborda de forma áspera a vida e a carreira da ex-global, que por diversas vezes percorreu os palcos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-pior-de-mim-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Pior de Mim: o palco como divã"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27707" aria-describedby="caption-attachment-27707" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27707 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1.jpeg" alt="A imagem apresenta um fundo todo preto destacando a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um vestido preto com bolinhas brancas sobre uma blusinha branca e calça vermelha, enquanto sorri e abre os braços olhando para cima" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-2048x1152.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27707" class="wp-caption-text">Maitê Proença transforma sua vida em texto e seu divã em peça (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Mateus Conte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na noite de 13 de maio, um Teatro Municipal lotado recebeu, em Botucatu, a atriz Maitê Proença em seu monólogo </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">. Redigida pela própria atriz e dirigida por Rodrigo Portella, a obra aborda de forma áspera a vida e a carreira da </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/maite-proenca-conta-como-soube-de-demissao-da-globo/"><span style="font-weight: 400;">ex-global</span></a><span style="font-weight: 400;">, que por diversas vezes percorreu os palcos do interior paulista com suas apresentações.</span></p>
<p><span id="more-27706"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo de início, a peça surpreende por sua sobriedade. O figurino aparenta vir diretamente do guarda-roupas da atriz, sendo os mesmos </span><i><span style="font-weight: 400;">looks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que vemos nas atentas fotos da Revista </span><i><span style="font-weight: 400;">CARAS</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou nas páginas do finado </span><a href="http://ego.globo.com/famosos/noticia/2017/04/o-ego-se-despede-e-relembra-flagrantes-inesqueciveis-de-famosos.html"><i><span style="font-weight: 400;">Ego</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Seu objetivo é claro: trazer autenticidade aos relatos contados pela protagonista-autora, tornando sua imagem no palco o mais próximo possível da realidade cotidiana de Maitê.</span></p>
<figure id="attachment_27708" aria-describedby="caption-attachment-27708" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27708 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2.png" alt="A imagem apresenta a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, de olhos verdes, que olha para cima enquanto toca um pano preto, mas transparente, que a cobre totalmente" width="840" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2.png 840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-656x800.png 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-768x936.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27708" class="wp-caption-text">A interação de Maitê com o tecido transparente no fundo do cenário nos remete ao véu que cobre aquilo que preferimos manter às escuras (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A luz, por sua vez, também é simples: sem muita pompa, a direção sabe o que fazer com o mínimo, apostando em um enfoque básico durante as falas e trocas repentinas de cores em momentos mais impactantes da trama, servindo como marcador temporal para passagem de um bloco narrativo para outro. Mérito de </span><a href="https://gpslifetime.com.br/conteudo/entretenimento/arte/80/diretor-rodrigo-portella-desembarca-em-brasilia-para-bate-papo"><span style="font-weight: 400;">Portella</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também coordena a iluminação do espetáculo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não só de trivialidade vive </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em uma experiência rara no teatro </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, o próprio diretor entra em cena para filmar a protagonista. As imagens – em preto e branco, vale ressaltar – captadas pela câmera são exibidas automaticamente nas cortinas localizadas atrás do palco, em uma inovação narrativa recheada de significado: demonstra como a presença das lentes é constante na carreira da atriz, que </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/dinheiro-vivo/"><span style="font-weight: 400;">estreou</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas novelas em 1979.</span></p>
<figure id="attachment_27709" aria-describedby="caption-attachment-27709" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27709 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1.png" alt="A imagem apresenta um fundo todo preto destacando a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um vestido preto com bolinhas brancas sobre uma blusinha branca e sapatos dourados, enquanto senta e olha sorrindo para a plateia" width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27709" class="wp-caption-text">As tragédias da vida de Maitê Proença propiciam uma rápida identificação com a plateia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tratando de artifícios pouco utilizados nas grandes </span><a href="https://personaunesp.com.br/quem-e-quem-teatro-critica/"><span style="font-weight: 400;">peças que vêm ao interior</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma logo chama a atenção dos espectadores: a não-linearidade da narrativa. Cada história se intercala com as outras, sem haver um ponto medular que as organize, trazendo a sensação de uma aparente confusão. Mas isso tem um porquê.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a peça, Maitê assume que, durante quatro horas por semana, fez terapia pelo período de quatro anos. Não há dúvidas que essa experiência de autoconhecimento foi transportada para o roteiro, transformando o palco em um </span><a href="https://midiamax.uol.com.br/variedades/saude/2018/saiba-porque-o-teatro-terapia-ajuda-a-tratar-timidez-estresse-e-depressao"><span style="font-weight: 400;">divã psicanalítico</span></a><span style="font-weight: 400;">. A intertextualidade com uma sessão de terapia se reflete até mesmo na duração do espetáculo: a peça dura escassos cinquenta minutos, o que não foge do tempo médio de um encontro marcado com um psicólogo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta psicanálise com a presença do público passa pelas mais trágicas histórias da vida da autora, o que tende a justificar os traumas e bloqueios mais profundos de sua mente ao longo da apresentação. Como nem tudo são espinhos, também há espaço para os </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/renatokramer/2015/03/1596585-eu-nunca-fui-infeliz-diz-maite-proenca.shtml"><span style="font-weight: 400;">relatos de superação</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Maitê passou para conseguir deixar todos esses obstáculos para trás.</span></p>
<figure id="attachment_27710" aria-describedby="caption-attachment-27710" style="width: 5497px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27710 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4.png" alt="A imagem apresenta a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um pijama branco com listras azuis. Ela está sentada em um sofá cinza e podem-se ver um quadro indiano e um quadro de uma pequena árvore na parede do fundo" width="5497" height="3665" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4.png 5497w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-2048x1365.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27710" class="wp-caption-text">A peça iniciou sua temporada de forma on-line durante a pandemia de covid-19 (Foto: Dalton Valério)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O teatro não é apenas o que se apresenta no palco, mas também aquilo que  </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2019/11/10/interna_cultura,1099586/artistas-falam-das-razoes-e-dos-perrengues-de-interagir-com-a-plateia.shtml"><span style="font-weight: 400;">impacta na plateia</span></a><span style="font-weight: 400;">; ao vivo, ela acompanha ininterruptamente o espetáculo. Por isso, é impossível não perceber que, ainda que possam ser diferentes, sempre existem momentos nos quais o público se identifica com a atriz que está em cena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um sentimento específico do público é, ao mesmo tempo, alimentado e escrachado pelo texto: o prazer em bisbilhotar os detalhes mais sórdidos da vida alheia, ainda mais quando se tratam de celebridades. Como diz a própria sinopse da peça, </span><i><span style="font-weight: 400;">“neste </span></i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0408200609.htm"><i><span style="font-weight: 400;">voyeurismo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> desenfreado, nos comparamos, para melhor compreendermos a nós mesmos. Não é assim? Venha espiar, eu deixo”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esta descrição acompanha o espetáculo desde sua primeira exibição, realizada de forma totalmente </span><i><span style="font-weight: 400;">on-line</span></i><span style="font-weight: 400;">, no pandêmico ano de 2020.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta exposição das aflições vividas pela atriz, por trás das populares câmeras das inúmeras novelas que estrelou, evidencia o fato de que, antes de ser uma profissional, Maitê Proença é uma pessoa de carne, osso e sentimentos. Sentimentos, esses, que foram atingidos pela </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0204200807.htm"><span style="font-weight: 400;">exploração massiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> e impiedosa de sua vida privada por parte da imprensa e que, nesta peça </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">, resolve escancarar para o mundo – mas, desta vez, a sua versão dos fatos. Maitê Proença, volte sempre!</span></p>
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		<title>Sob um olhar sublime, Steven Spielberg refaz o amor perfeito</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Mar 2022 21:32:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Algo está vindo, algo bom… Para o cineasta que já realizou de tudo (dos tubarões assassinos aos soldados resgatados e os cavalos de guerra), o desafio de recriar seu musical favorito foi ideal para Steven Spielberg modelar, com as mãos e o coração, uma história clássica. A reimaginação de Romeu e Julieta, que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sob um olhar sublime, Steven Spielberg refaz o amor perfeito"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26994" aria-describedby="caption-attachment-26994" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26994 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Amor, Sublime Amor. A cena mostra um close-up dos rostos de Mike Faist e David Alvarez, e no meio deles está o ator Ansel Elgort. " width="2560" height="1354" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-800x423.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-1024x541.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-768x406.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-1536x812.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-2048x1083.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-1200x634.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26994" class="wp-caption-text">No filme de Steven Spielberg indicado a 7 Oscars, a vida tenta ser mais importante que o amor (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Algo está vindo, algo bom</span></i><span style="font-weight: 400;">… Para o cineasta que já realizou de tudo (dos <a href="https://www.youtube.com/watch?v=U1fu_sA7XhE">tubarões assassinos</a> aos <a href="https://www.youtube.com/watch?v=S1Qj_AVu2pA">soldados resgatados</a> e os <a href="https://www.youtube.com/watch?v=JPNyNr2Kp4w">cavalos de guerra</a>), o desafio de recriar seu musical favorito foi ideal para Steven Spielberg modelar, com as mãos e o coração, uma história clássica. A </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/amor-sublime-amor-spielberg-recria-classico-na-era-da-diversidade/"><span style="font-weight: 400;">reimaginação de Romeu e Julieta</span></a><span style="font-weight: 400;">, que foi batizada de </span><i><span style="font-weight: 400;">West Side Story</span></i><span style="font-weight: 400;"> em referência ao cenário nova-iorquino e periférico da obra, surgiu em 1957 nos palcos do teatro. Quatro anos depois, Jerome Robbins e Robert Wise fizeram da peça um filme.</span></p>
<p><span id="more-26993"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado foi um saldo de 10 </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscars </span></i><span style="font-weight: 400;">(incluindo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YMYHr7WrkkQ"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fIlIYiExXpI"><span style="font-weight: 400;">Direção</span></a><span style="font-weight: 400;">, Ator e Atriz Coadjuvante), e o nascimento do legado imortal que </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> sustenta até hoje. A ideia de fazer um </span><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">da versão original de 61 era sinônimo de dinheiro jogado fora até a revelação do nome por trás do projeto. Spielberg conta que sonha com um </span><i><span style="font-weight: 400;">West Side </span></i><span style="font-weight: 400;">próprio </span><a href="https://www.agazeta.com.br/hz/filmes-e-series/amor-sublime-amor-spielberg-diz-que-realizou-sonho-ao-dirigir-o-filme-1221#:~:text=O%20cineasta%20Steven%20Spielberg%20sonhava,cartaz%20nos%20cinemas%20do%20pa%C3%ADs."><span style="font-weight: 400;">desde a infância</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, no auge dos 75 anos, ele finalmente riscou o item da lista de desejos (e ainda pôde dedicar a obra ao pai, Arnold Spielberg, que </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/08/26/arnold-spielberg-pai-de-steven-spielberg-morre-aos-103-anos.htm"><span style="font-weight: 400;">faleceu aos cento e três anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, em agosto de 2020).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção, rodada entre julho e setembro de 2019, pouco antes da pandemia, passou mais de dois anos em pós, foi </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/noticias/viuva-negra-e-west-side-story-sao-adiados-para-2021/"><span style="font-weight: 400;">adiada diversas vezes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e chegou aos cinemas no último mês de 2021, sendo </span><a href="https://comicyears.com/movies/west-side-story-bombed/"><span style="font-weight: 400;">bastante prejudicada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</span></i><span style="font-weight: 400;">. Fato é que, quando se trata de </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i><span style="font-weight: 400;">, todo cuidado é pouco. Desa vez escrita pelo </span><a href="https://repositorio.unesp.br/handle/11449/205059"><span style="font-weight: 400;">veteano Tony Kushner</span></a><span style="font-weight: 400;"> com base no texto original de Arthur Laurents, a história eclode na rivalidade de duas gangues, os polacos Jets e os porto-riquenhos Sharks, e a briga pelo território do lado oeste da cidade, atravessado pelo processo de gentrificação.</span></p>
<figure id="attachment_26995" aria-describedby="caption-attachment-26995" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26995 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-scaled.jpg" alt="Cena do filme Amor, Sublime Amor. A cena mostra o sorriso da atriz Rachel Zegler. Ela é uma mulher jovem e latina de pele clara, tem os lábios vermelhos e os cabelos pretos escovados para trás. Ela sorri olhando para a frente e seus olhos tem um brilho. Ela veste um vestido branco e se apoia em uma escada de apartamento. " width="2560" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-2048x858.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26995" class="wp-caption-text">Rachel Zegler tem pai americano e mãe filha de colombianos e, sendo alvo de críticas, já se posicionou em relação ao privilégio de ser uma latina de pele clara (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://pausadramatica.com.br/2021/12/09/10-diferencas-entre-as-versoes-de-1961-e-2021-de-amor-sublime-amor/"><span style="font-weight: 400;">primeiro reparo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Spielberg frente ao longa dos anos sessenta foi na </span><a href="https://screenrant.com/west-side-story-anybodys-trans-change-original-problem-fix/"><span style="font-weight: 400;">escalação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu elenco. Enquanto o original trouxe a americana com ascendência ucraniana Natalie Wood no papel de Maria e pintou as peles dos atores dos Sharks (todos norte americanos) para serem capturados como “mais escuros” pela câmera, dessa vez ator nenhum teve maquiagem racista colocada em seus corpos. Neste </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> toda a gangue de Porto Rico é vivida por um elenco latino, e quem assume o protagonismo sagrado é a </span><a href="https://estacaonerd.com/branca-de-neve-rachel-zegler-fala-sobre-as-polemicas-do-novo-filme-confira/#:~:text=Em%20entrevista%20%C3%A0%20Variety%2C%20Rachel,que%20s%C3%A3o%20descendentes%20de%20latinos."><span style="font-weight: 400;">novata Rachel Zegler</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu Romeu é vivido por </span><a href="https://cinepop.com.br/acusacoes-de-abuso-sexual-contra-ansel-elgort-ressurgem-com-o-remake-de-amor-sublime-amor-323253/"><span style="font-weight: 400;">Ansel Elgort</span></a><span style="font-weight: 400;">, contratado antes do surgimento das </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/amor-sublime-amor-elenco-comenta-acusacao-de-ansel-elgort-por-estupro-entenda/"><span style="font-weight: 400;">denúncias de abuso</span></a><span style="font-weight: 400;">, fator que o apagou da divulgação do filme, ficando de fora de coletivas, tapetes vermelhos e reconhecimento da indústria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com apenas 18 anos, Maria sonha em se apaixonar, por mais que seu irmão mais velho Bernardo caçoe da ideia e tente a todo modo controlar sua vida. Tudo muda no baile do colégio, quando os olhos de Maria casam com os de Tony (Elgort), um </span><a href="https://disney.fandom.com/wiki/Tony_(West_Side_Story)"><span style="font-weight: 400;">Jet recém-saído da prisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que agora tenta se manter longe da confusão das ruas. A câmera potencializa a turvação do ato de tropeçar no amor: as luzes se tornam pontos indistinguíveis, as paredes flutuam como ondas no mar. Pronto, está feita a receita para o desastre! Se um </span><a href="https://diversorio.wordpress.com/2017/11/27/o-destino-das-familias-capuleto-e-montecchio-apos-romeu-e-julieta/"><span style="font-weight: 400;">Montéquio</span></a><span style="font-weight: 400;"> não pode sonhar em notar uma Capuleto, com os Jets e os Sharks a coisa é mais feia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mera imagem dos dois pombinhos atrás das arquibancadas é o bastante para queimar a paciência de Bernardo (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QACEC6T0EY4"><span style="font-weight: 400;">David Alvarez</span></a><span style="font-weight: 400;">), e no percurso, acender a dinamite que é Riff (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p9UJIIc9-ww"><span style="font-weight: 400;">Mike Faist</span></a><span style="font-weight: 400;">), melhor amigo de Tony e a pessoa que assumiu a liderança do grupo no seu período preso. Para quem estranhar a ideia contracorrente de amor à primeira vista, promessas de sentimentos eternos e uma cantoria sem sossego ou sinal de fadiga, fique sabendo que os musicais são assim, ou melhor dizendo, os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NF1L3NorO3E"><span style="font-weight: 400;">bons musicais são</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26996" aria-describedby="caption-attachment-26996" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26996 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3.jpeg" alt="Cena dos bastidores do filme Amor, Sublime Amor. A cena mostra o elenco e o diretor juntos, em um abraço. Da esquerda para a direita vemos David Alvarez, Ariana DeBose, Steven Spielberg, Rachel Zegler e Ansel Elgort. Todos sorriem para a câmera. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26996" class="wp-caption-text">À pedido do diretor, o filme não conta com legendas nas cenas faladas em espanhol; de acordo com ele, usá-las seria <a href="https://www.wsj.com/articles/why-steven-spielbergs-west-side-story-has-plenty-of-spanish-but-no-subtitles-11639144802#:~:text=Mr.,weren't%20the%20intended%20audience.">“muito desrespeitoso”</a> com os falantes da língua (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Juras são trocadas, e lutas, marcadas. Maria parte para casa, com o coração saltitando em meio às borboletas que multiplicam em seu estômago. Quando pula da janela para as escadas da varanda, a câmera captura a garota com uma luz celestial. Ela passeia pela imagem, ao mesmo tempo em que Tony </span><a href="https://open.spotify.com/track/1zXisETAivJsmTBkhoqIej?si=029f49b97d1048e1"><span style="font-weight: 400;">canta sobre uma moça que beijou</span></a><span style="font-weight: 400;">, chutando poças d&#8217;água e espantando os pombos </span><i><span style="font-weight: 400;">yankees </span></i><span style="font-weight: 400;">que eram mascotes da cidade mesmo 60 anos atrás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através do refino com o qual Steven Spielberg vai moldando seus elaborados planos visuais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> brinca com a ingenuidade do meio que está inserido, mas não sem entender o clima político e social da história. A Nova Iorque do amor perfeito de Tony e Maria é a mesma cidade que cultiva a guerra infinita entre as gangues. Elas lutam por um pedaço de terra morta, um resquício de prosperidade que já existiu, mas agora acabou. O tenente Schrank (</span><a href="https://collider.com/corey-stoll-west-side-story-billions-interview/"><span style="font-weight: 400;">Corey Stoll</span></a><span style="font-weight: 400;">) não se acanha quando joga na cara dos branquelos que todo mundo prosperou: os italianos, os alemães, os judeus, e quem ficou para trás foram eles, batalhando entre as cinzas de um proto-metrópole que logo os expurgaria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A areia se mescla ao pó que se mistura ao </span><a href="https://www.courb.org/o-que-e-gentrificacao-e-por-que-voce-deveria-se-preocupar-com-isso/"><span style="font-weight: 400;">gosto amargo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da gentrificação. Os polacos querem clamar para si os muros, as vielas e até as farmácias, porém nada de fato é de seu pertence. O mundo é dos ricos, e nenhum deles tem sequer um tostão furado nos bolsos dos </span><i><span style="font-weight: 400;">jeans </span></i><span style="font-weight: 400;">surrados e sujos de graxa. Tony se afastou dessa visão, e depois do xilindró, memória que o afeta gradualmente ao longo da trama, ele deu um passo à frente. Quando equiparado à visão de Riff, é como se o texto nos mostrasse a mesma pessoa em momentos distintos da vida. </span></p>
<figure id="attachment_26997" aria-describedby="caption-attachment-26997" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26997 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Amor, Sublime Amor. A cena mostra o tenente andando em direção a uma multidão de homens. Eles são brancos e latinos e estão em um campo de obras cheio de pó e areia. O policial está de costas e usa sobretudo cinza e um chapéu da mesma cor." width="2560" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-2048x858.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26997" class="wp-caption-text">“Querido, policial Krupke, nós estamos chateados/Nunca tivemos aquele amor que toda criança merece/Não somos delinquentes/Mas mal compreendidos/No fundo, existe uma bondade em cada um de nós” (Foto: 20th Century Studos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena de abertura, que sobrevoa uma montanha cinzenta de entulho formado por escadas destruídas, é o prenúncio do agouro. Assobios, estalos e sussurros servem de trilha para a </span><a href="https://open.spotify.com/track/4FHf4oK7XyHUtHKOKjRFdq?si=726e6b12fcf14683"><span style="font-weight: 400;">introdução dos Jets</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu charmoso líder. Se quisesse, o indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> Mike Faist poderia transformar Riff em uma figura odiosa, rancorosa e taciturna, mas ele opta por um caminho de egoísmo ingênuo: o rapaz persegue os Sharks pois é a única coisa que soube fazer a vida toda; a violência foi ensinada e aprendida como uma língua materna. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo vale para o trabalho de David Alvarez na pele de Bernardo (papel que rendeu a George Chakiris o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sGgoVihR7xs"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Ator Coadjuvante</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 62). Integridade e força reforçam o símbolo de proteção que tanto Maria quanto Anita (Ariana DeBose) enxergam nele. A fisicalidade de um lutador de boxe contrasta com a cintura solta que vem à tona na hora de </span><a href="https://open.spotify.com/track/6bddAJKVOcAwzrM2nAa03u?si=3dacd5f21775491f"><span style="font-weight: 400;">dançar coladinho da amada</span></a><span style="font-weight: 400;">, algo que se repete em todo o cerne de </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i><span style="font-weight: 400;">, é claro. Sem isso, seria um bocado mais difícil levar a sério o bando de marmanjos piruetando no centro da quadra da escola. </span></p>
<figure id="attachment_26998" aria-describedby="caption-attachment-26998" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26998 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/5-1.jpg" alt="Foto das atrizes Rita Moreno e Ariana DeBose se abraçando. Rita é uma mulher branca, idosa e de cabelos brancos. Ela sorri e se apoia em Ariana, uma mulher jovem, negra e latina, que também sorri. Rita se veste de vermelho e Ariana usa uma blusa transparente com detalhes floridos. O fundo do ensaio é azul. " width="2048" height="1638" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/5-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/5-1-800x640.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/5-1-1024x819.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/5-1-768x614.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/5-1-1536x1229.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/5-1-1200x960.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26998" class="wp-caption-text">60 anos depois de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZaOy0eb0Tbs">vencer o mesmo Oscar</a> que Ariana DeBose disputa, Rita Moreno volta como produtora a fim de resolver os problemas com escalação do filme original e ainda dá vida à personagem Valentina, criada especialmente para ela (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Também seria complicado acreditar na mágica sem o trabalho sobrenatural de coreografia orquestrado por </span><a href="https://www.npr.org/2022/01/10/1071766980/choreographer-justin-peck-helped-to-reimagine-west-side-story-for-the-21st-centu"><span style="font-weight: 400;">Justin Peck</span></a><span style="font-weight: 400;">. A maneira como os corpos se movem, assim como as sombras, as formas, a captura de movimento e a dança que servem como artifício narrativo ao filme, são todos acertos da equipe, como sempre muito bem amparada por Spielberg (no primeiro e último musical da vasta carreira). Os figurinos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7SK6nkJEIvg"><span style="font-weight: 400;">Paul Tazewell</span></a><span style="font-weight: 400;"> flutuam nos cenários de </span><a href="https://www.architecturaldigest.com/story/inside-west-side-storys-new-york-city-sets"><span style="font-weight: 400;">Adam Stockhausen e Rena DeAngelo</span></a><span style="font-weight: 400;">, e são capturados pela desenvoltura e brandura das lentes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i26J-HAIcGs"><span style="font-weight: 400;">Janusz Kaminski</span></a><span style="font-weight: 400;">, todos reconhecidos pela Academia com nomeações em 2022.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A equipe sonora, formada por Tod A. Maitland, Gary Rydstrom, Brian Chumney, Andy Nelson e Shawn Murphy, dá vida, sangue e suor no </span><a href="https://open.spotify.com/track/0g5QFcYJyBhlXO4GwLM5LE?si=1293d8230f2341fb"><span style="font-weight: 400;">exercício de mixar</span></a><span style="font-weight: 400;"> a trilha sonora, as músicas cantadas e os sons do ambiente. É inacreditável e regozijante a experiência de assistir no cinema o espetáculo técnico de </span><i><span style="font-weight: 400;">West Side Story</span></i><span style="font-weight: 400;">, que parte da iluminação, caminha pela estilização estética e termina na montagem monstruosa de Sarah Broshar e Michael Kahn. A edição, em uma das esnobadas mais colossais do ano, não apareceu na lista final do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas saiu </span><a href="https://twitter.com/20thcentury/status/1503183793766629376?ref_src=twsrc%5Etfw"><span style="font-weight: 400;">vencedora do</span><i><span style="font-weight: 400;"> Critics Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas premiações, quem já cansou de ouvir o nome chamado ao palco é </span><a href="https://queer.ig.com.br/2022-02-27/quem-e-ariana-debose-oscar.html.ampstories"><span style="font-weight: 400;">Ariana DeBose</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela dança, ela canta, ela atua, ela honra o papel-legado de Rita Moreno e ainda consegue elevar o patamar da personagem. Vinda do Teatro, DeBose chegou a </span><a href="https://remezcla.com/film/ariana-debose-initially-turned-down-west-side-story-audition/#:~:text=Actress%20and%20Broadway%20star%20Ariana,no%2C%E2%80%9D%20Tolan%20told%20Variety."><span style="font-weight: 400;">recusar a chamada de elenco</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas a diretora de </span><i><span style="font-weight: 400;">casting </span></i><span style="font-weight: 400;">Cindy Tolan insistiu e conseguiu convencê-la. O resultado não poderia ser mais positivo: atriz coadjuvante mais premiada na temporada da crítica, vencedora do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dQc_D-fgS38"><span style="font-weight: 400;">Sindicato dos Atores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XdXIuhLR2tk&amp;t=16s"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em evidência por seu papel como mulher latina, negra e </span><a href="https://personaunesp.com.br/atrizes-queer-oscar-2022-artigo/"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é responsável por energizar </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> e conferir a ele esse </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">de relevância artística. </span></p>
<figure id="attachment_26999" aria-describedby="caption-attachment-26999" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26999 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/6-1.jpg" alt="Cena do filme Amor, Sublime Amor. A cena mostra Mike Faist olhando para Ariana DeBose que sorri com a boca aberta e fala algo para o DJ do baile. O cenário é a quadra do colégio, lotada de jovens dançando. Faist é um homem branco, de cabelos loiros espetados e usa roupas azuis. Ariana é uma mulher negra, latina e de cabelos pretos na altura dos ombros. Ela usa um vestido tomara que caia com alças laterais de cor preta e vermelha. " width="1000" height="527" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/6-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/6-1-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/6-1-768x405.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26999" class="wp-caption-text">Até hoje apenas dois personagens renderam Oscars para atores diferentes; se Ariana DeBose vencer, Anita entrará para a seleta lista ao lado de Don Corleone e Coringa (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua Anita foge da imitação da original, buscando novos riscos e novas rimas no humor, no drama e na entrega visceral e de carisma. DeBose passa por um arco de desilusão e queda inestimável e talvez, lá, no fundo, o tal sublime amor, mais importante que a vida, seja uma lição endereçada também a ela, e não somente à Maria. Com Bernardo, Anita exercita seu lado mais passional e incisivo. Com Maria, representa a figura materna que ficou lá em Porto Rico. Com Valentina (</span><a href="https://www.magazine-hd.com/apps/wp/west-side-story-rita-moreno/"><span style="font-weight: 400;">Rita Moreno</span></a><span style="font-weight: 400;">), ela é o embate das visões entre o ontem e o hoje. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://open.spotify.com/track/7guz8LWGuiHSvp19OUxmbQ?si=1ac5bad2d6f849d4"><span style="font-weight: 400;">número de </span><i><span style="font-weight: 400;">America</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, momento mais esperado do </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;">, é o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">particular de DeBose. Ao passo que a atriz começa o argumento de como é bom viver nesses Estados Unidos de prosperidade, acompanhada das mulheres da comunidade, os homens se prestam ao papel de colocá-las de volta à órbita: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Comprar no crédito é tão bom! Um olhar para nós e eles cobram o dobro!”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nessas </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/12/15/movies/rita-moreno-ariana-debose-west-side-story.html"><span style="font-weight: 400;">dissonâncias</span></a><span style="font-weight: 400;">, Anita não se dá por vencida e continua caminhando em direção aos seus sonhos, o de engrandecer de costurar como forma de paixão e ter o seu trabalho reconhecido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rodopiando por uma Nova Iorque insatisfeita com a chegada da população em êxodo de Porto Rico, Anita mal prevê o terror que a aguarda. Afinal, a América que serve como palco da canção mais alto astral e otimista do filme é o mesmo país onde ela é quase estuprada pela gangue de polacos. Diferente da versão de 61, quando as jovens brancas assustem em silêncio o ataque à Anita, em 2021 Steven Spielberg </span><a href="https://ew.com/movies/ariana-debose-rita-moreno-anita-sexual-assault/"><span style="font-weight: 400;">reconstrói o centro dramático</span></a><span style="font-weight: 400;"> da cena e entrega à Valentina a sentença que o público aguardou sessenta anos para ouvir proferida. </span></p>
<figure id="attachment_27000" aria-describedby="caption-attachment-27000" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27000 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/7-1.jpg" alt="Cena do filme Amor, Sublime Amor. A cena mostra dois grupos de pessoas se aproximando em um campo. A visão é de cima e vemos apenas as sombras das pessoas, projetadas na frente um do outro." width="2048" height="858" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/7-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/7-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/7-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/7-1-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/7-1-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/7-1-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27000" class="wp-caption-text">Acusado de abusar sexualmente de uma jovem de 17 anos, o protagonista Ansel Elgort foi apagado da divulgação do filme; o elenco feminino, entretanto, foi questionado a respeito do assunto: “apenas as pessoas envolvidas nessa situação sabem o que realmente aconteceu” (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu os conheço desde pequenos e vocês se tornaram estupradores”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela lamenta, à meia-luz da farmácia onde o </span><a href="https://www.newsweek.com/west-side-story-2021-rita-moreno-valentina-anita-1657667"><span style="font-weight: 400;">marido Doc</span></a><span style="font-weight: 400;"> trabalhou a vida toda. Ela afugenta os marginais, mas não sem antes ouvir de Anita uma verdade entalada na garganta. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Traidora”</span></i><span style="font-weight: 400;">, profere a garota, </span><i><span style="font-weight: 400;">“você se casou com um gringo e deu espaço e casa para os filhos deles”</span></i><span style="font-weight: 400;">, aqueles que matam os porto-riquenhos, os latinos como Valentina. Sem ter o que responder, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5ZNT4U3_XLI"><span style="font-weight: 400;">Rita Moreno assiste Ariana DeBose</span></a><span style="font-weight: 400;"> virar as costas e voltar ao refúgio de uma nação que, mesmo não sendo madura como o lado oeste, acolherá ela em qualquer circunstância. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A progressão dramática de </span><i><span style="font-weight: 400;">West Side Story</span></i><span style="font-weight: 400;">, que já era um ponto de atrito no filme original, dessa vez é decantada até a última gota. E, por mais que Rachel Zegler não atue tão bem quanto cante, a protagonista passa por uma onda de felicidade genuína (desde a perfeita rememoração da cena da varanda e os versos de</span> <a href="https://open.spotify.com/track/63qvbi2vkMATRpLUTiuSdu?si=6e8ef3a7cefd4617"><i><span style="font-weight: 400;">Tonight</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, até o êxtase de </span><a href="https://open.spotify.com/track/6Jtl7l4GS0OxkDFACQjA5q?si=04aa1e97a6c94f99"><i><span style="font-weight: 400;">I Feel Pretty</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), para depois ter a bomba de medo estourada em seu colo. Quando ouve de Chino (Josh Andrés Rivera) o destino de Tony, a jovem teima em acreditar no ocorrido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Zegler se esforça para as lágrimas imprimirem-se orgânicas por cima dos olhos enfraquecidos e das olheiras de cansaço. Ao dar mais gás a uma história que ninguém tinha noção de que poderia ser melhor do que já foi, a revolução de Spielberg não é o bastante para dar credibilidade ao momento fundamental da passagem de amadurecimento de Maria. Ao se deitar com Tony poucos minutos depois de descobrir o que o Jet fez, o filme volta a perder o público, à moda do que fez em 1961. O que pode ser extraído de bom da sequência deslocada é a batalha entre amigas e irmãs na forma de </span><a href="https://open.spotify.com/track/2hhenp9RkgtMAtDu1SnWdq?si=f9a5f473e4b64024"><i><span style="font-weight: 400;">A Boy Like That / I Have a Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_27001" aria-describedby="caption-attachment-27001" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27001 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/8.jpeg" alt="Cena do filme Amor, Sublime Amor. A cena mostra o casal Ansel Elgort e Rachel Zegler se encarando e sorrindo um para o outro atrás das arquibancadas. Ela usa vestido branco e olha para ele, que está de terno preto. Os dois olham nos olhos um do outro, e uma fresta de luz entra em cena, acima da cabeça da garota." width="1440" height="603" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/8.jpeg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/8-800x335.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/8-1024x429.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/8-768x322.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/8-1200x503.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27001" class="wp-caption-text">A voz de ópera e o semblante de inocência de Rachel Zegler renderam à atriz muito espaço no mercado: no futuro, ela poderá ser vista na sequência de Shazam! e no papel-título do live action da Branca de Neve (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Divisor de águas, é nesse momento em que Anita percebe que Maria já selou seu destino. Elas se separam, física e emocionalmente. Ariana DeBose concentra toda a energia que havia usado para cantar, dançar e se mover, dessa vez no </span><a href="https://open.spotify.com/track/20coq7NDoPC3ChiI3Mrl9K?si=f2907603b8a44c8b"><span style="font-weight: 400;">exercício da pausa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando chora, em luto pelo amor que se foi, Anita entende que o mundo, e a América que ela tanto idealizou, não passam de um pesadelo camuflado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor é mais importante que a vida? Ou seria o contrário? Mais trágico que em Romeu e Julieta, o destino da História do Lado Oeste acaba em tragédia para todo lado. Anita perde seu norte, Maria perde seu cerne, Chino perde sua falsa-inocência. Valentina perde o </span><a href="https://open.spotify.com/track/6WbfBu06dfTcYdCRcbVmgb?si=26dc7fcc89a04cb1"><span style="font-weight: 400;">resquício de fé</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mantinha de um mundo melhor. Mas, surge então uma procissão de brancos e latinos carregando o corpo do mártir que sonhou em paz. Talvez, o prolífico e experiente Steven Spielberg aponte para </span><a href="https://open.spotify.com/track/6wSLWZELUevZPdHZXGusy2?si=849736a109974655"><span style="font-weight: 400;">uma solução</span></a><span style="font-weight: 400;">. Talvez, da morte nasce a fagulha do amanhã. </span></p>
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		<title>Os desconfortáveis 5 anos de Fleabag</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Dec 2021 22:13:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Séries de comédia são sempre um banquete da Televisão. Ora de aspectos feel good nos fazendo pertencer a uma família ou torcer fervorosamente para um time do futebol inglês, ora encarando o humor ácido da vida política, o gênero sempre nos permite pensar com mais leveza sobre as aleatoriedades da vida. Com &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/fleabag-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os desconfortáveis 5 anos de Fleabag"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25330" aria-describedby="caption-attachment-25330" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25330" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/429183-800x335.jpg" alt="" width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/429183-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/429183-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/429183-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/429183-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/429183.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25330" class="wp-caption-text">Fleabag é um termo pejorativo no inglês britânico que significa “na lama” (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Séries de comédia são sempre um banquete da Televisão. Ora de aspectos </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1436809107932073984?t=ntcSM2IUa52Dd79bHl85ZQ&amp;s=19"><i><span style="font-weight: 400;">feel good</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos fazendo </span><a href="https://personaunesp.com.br/modern-family-final-critica/"><span style="font-weight: 400;">pertencer a uma família</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou torcer fervorosamente para um time do </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">futebol inglês</span></a><span style="font-weight: 400;">, ora encarando o humor ácido da vida política, o gênero sempre nos permite pensar com mais leveza sobre as aleatoriedades da vida. Com espaço de sobra para inovar, a britânica Phoebe Waller-Bridge desafia o gênero com</span><i><span style="font-weight: 400;"> Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;">. A </span><a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/dramedia-o-que-e-isso/"><span style="font-weight: 400;">dramédia</span></a><span style="font-weight: 400;">, que estreou sua primeira temporada em 2016, não tem tabus para falar de solidão, saúde mental, relacionamentos, e claro, sexo. A produção ainda recebe um diferencial tornando a série tão única: todos esses aspectos são representados sob o feroz olhar e consciência feminina.</span></p>
<p><span id="more-25328"></span></p>
<p><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/18-motivos-para-conhecer-e-amar-phoebe-waller-bridge/"><span style="font-weight: 400;">Phoebe Waller-Bridge</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma atriz e escritora que usa a comédia para espalhar suas críticas sociais e políticas. Dentre incontáveis trabalhos, ela é a </span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner</span></i><span style="font-weight: 400;"> responsável pelo glorioso primeiro ano de </span><a href="https://personaunesp.com.br/killing-eve-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Killing Eve</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas foi a cirúrgica e destemida </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;">, produzida pela </span><i><span style="font-weight: 400;">BBC Three</span></i><span style="font-weight: 400;"> com coprodução do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/amazon/"><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que arrebatou o olhar do público para o unânime e incontestável trabalho de Waller-Bridge, reconhecido com o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Série de Comédia em 2019, com a segunda temporada da série. Além dela, a produção saiu vitoriosa em mais </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2019/09/23/fleabag-e-a-grande-vencedora-do-71o-emmy-game-of-thrones-e-melhor-serie-dramatica.ghtml"><span style="font-weight: 400;">três categorias</span></a><span style="font-weight: 400;">, e foi consagrada a grande </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/6-razoes-para-assistir-fleabag-vencedora-do-emmy-e-globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">vencedora do Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> 2019.</span></p>
<figure id="attachment_25332" aria-describedby="caption-attachment-25332" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25332" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555216-800x332.jpg" alt="" width="800" height="332" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555216-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555216-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555216-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555216-1200x499.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555216.jpg 1208w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25332" class="wp-caption-text">O sexo é tema explicito em Fleabag, no entanto, não há cenas de nudez na série (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pintada como uma série sobre uma mulher viciada em sexo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> está longe de ser meramente sobre isso. Aliás, nem realmente viciada em sexo nossa protagonista &#8211; que nunca é nomeada, adotando assim o próprio nome da série &#8211; é. Em pouco mais de vinte minutos, a produção provoca um tsunami de sentimentos. Do riso ao choro, da vergonha alheia à empatia, nada passa ileso no roteiro absorto e potente de Waller-Bridge. O sexo é sim uma das engrenagens principais da narrativa, assim como a quebra da quarta parede provoca o diferencial da produção. No entanto, o espanto pela liberdade sexual feminina vem da </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/28/cultura/1559033578_028465.html"><span style="font-weight: 400;">falta de produções que tratam da temática</span></a><span style="font-weight: 400;">. As reais peças chaves de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> são as relações interpessoais da protagonista e sua solidão.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O humor da série segue o </span><a href="https://www.ef.com.br/blog/language/humor-britanico-para-iniciantes/"><span style="font-weight: 400;">padrão britânico</span></a><span style="font-weight: 400;">: rápido e sem limites. A aura excêntrica e um tanto bagunçada da personagem principal faz com que a dinâmica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> evolua ao passar dos episódios. Uma seriedade maior é aplicada ao enredo conforme o luto e a culpa vão ganhando mais camadas e as relações se tornam mais complexas. Entretanto, o sarcasmo se mantém por todos os episódios, fazendo com que </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> permaneça no patamar elevado em que foi colocada. As piadas ordinárias podem soar rude aos menos acostumados, mas é essa posição de público-confidente que gera o cativo pela trama, construindo seu tom pessoal que faz o telespectador gargalhar pelo inadequado.</span></p>
<figure id="attachment_25333" aria-describedby="caption-attachment-25333" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25333" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551172-800x331.jpg" alt="" width="800" height="331" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551172-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551172-1024x423.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551172-768x317.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551172-1200x496.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551172.jpg 1210w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25333" class="wp-caption-text">Os relacionamentos de Fleabag se tornam ainda mais complicados após a morte de Boo, sua melhor amiga e sócia (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos colocados numa posição onde descobrimos as prestações do passado da protagonista. Logo notamos que ela está sendo </span><a href="https://sonhandoatravesdepalavras.com.br/2020/01/03/o-luto-e-a-solidao-em-fleabag/"><span style="font-weight: 400;">engolida pelo luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não demora muito para entendermos que ela carrega a dor da perda da mãe e, mais recentemente, a partida da amiga. É essa dinâmica que torna a maratona de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> tão prazerosa. O espectador é confidente, e não obstante, cúmplice do roteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos exercendo o papel de quase irmãos siameses da protagonista. É para quem está do outro lado da tela que ela olha, fazendo caras e bocas, e é ela que as câmeras perseguem a cada cena. Estamos tão grudados que conhecemos os personagens apenas pela maneira na qual Fleabag trata eles: o Pai (Bill Paterson), o Cunhado (</span><a href="https://categorianerd.com/brett-gelman-vai-ser-personagem-recorrente-de-stranger-things-4"><span style="font-weight: 400;">Brett Gelman</span></a><span style="font-weight: 400;">), a Madrinha (Olivia Colman). Isso se dá pois o que realmente importa na narrativa é a maneira em que eles se relacionam com a protagonista. As poucas a terem nome são Claire (</span><a href="https://feitoporelas.com.br/tag/sian-clifford/"><span style="font-weight: 400;">Sian Clifford</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Boo (Jenny Rainsford), irmã e falecida melhor amiga, respectivamente.</span></p>
<figure id="attachment_25334" aria-describedby="caption-attachment-25334" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25334" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551168-800x332.jpg" alt="" width="800" height="332" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551168-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551168-1024x425.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551168-768x318.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551168-1200x498.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/551168.jpg 1206w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25334" class="wp-caption-text">É na quebra da quarta parede que Fleabag perde totalmente seu filtro (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção da relação entre as irmãs reforça que a série trata pessoas com a saúde mental deteriorada. É na tentativa de aproximação das duas que notamos que são os vários problemas daquela irmã poderosa e controladora que a impede de se entregar verdadeiramente a momentos felizes. Isso se junta ao fato de que Fleabag está emocionalmente esgotada com seu luto e seu café &#8211; a ocupação a qual ela dedica sua vida &#8211; falido, somado a vida que vai acontecendo, os problemas de outras pessoas vão surgindo e ela vai ultrapassando os limites emocionais dela. Em cima disso, a sagaz Waller-Bridge consegue falar sobre </span><a href="https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/09/18/mulheres-dificeis-como-o-protagonismo-feminino-tem-mudado-series-de-tv.htm"><span style="font-weight: 400;">relacionamentos abusivos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e como qualquer um está sujeito a entrar no ciclo vicioso que te destrói aos poucos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dando um alívio na ambientação da temporada, em um dos pontos altos do primeiro ano da série, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TwWvB6lHPnY&amp;ab_channel=AmazonPrimeVideo"><span style="font-weight: 400;">Fleabag e Claire</span></a><span style="font-weight: 400;"> vão a um retiro de mulheres. A perspicácia do tema central do episódio é uma sátira à forma na qual homens e mulheres são ensinados a lidar com os próprios sentimentos. As mulheres são mostradas sendo obrigadas a reprimir suas emoções caladas e limpando o chão, enquanto os homens são incentivados a extravasar a infelicidade por meio de gritos.</span></p>
<figure id="attachment_25335" aria-describedby="caption-attachment-25335" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25335" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/665993-800x329.jpg" alt="" width="800" height="329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/665993-800x329.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/665993-1024x422.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/665993-768x316.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/665993-1200x494.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/665993.jpg 1309w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25335" class="wp-caption-text">Depois do sucesso de sua primeira temporada, a série voltou para um segundo ano (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série explora as diversas facetas do ser humano, tanto dentro como fora das telas, instigando o telespectador a refletir sobre a sociedade e os padrões de comportamento. Aqui, ninguém é ruim ao ponto de merecer um </span><a href="https://mbeck.com.br/blog/hqs/o-que-e-arco-de-personagem"><span style="font-weight: 400;">arco de redenção</span></a><span style="font-weight: 400;">.  Os perdões não são programados, muito menos forçados, e os personagens não se resumem em atitudes isoladas. Tudo é construído em um </span><i><span style="font-weight: 400;">script</span></i><span style="font-weight: 400;"> bem estruturado, que não omite sua melancólica tristeza, disfarçando-as no humor autodepreciativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi nos palcos do teatro que </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganhou vida pela primeira vez. Enquanto estava em exibição, a amiga de Phoebe e premiada atriz </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><span style="font-weight: 400;">Olivia Colman</span></a><span style="font-weight: 400;"> prestigiou o espetáculo. Encantada pelo inigualável monólogo, falou à atriz que faria qualquer coisa que ela escrevesse. Dito e feito. Olivia ganhou a responsabilidade de dar vida e forma à Madrasta. A personagem que é uma das mais odiáveis da série recebe chuva de elogios pela atuação &#8211; sempre &#8211; impecável de Colman.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Madrasta é a personagem perfeita para servir de termômetro aos atos da família. É no ambiente </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i><span style="font-weight: 400;"> almoço de domingo que as cenas mais intimistas acontecem. Os diálogos passivos-agressivos, o desconforto, as cutucadas, tudo se desenvolve em ritmo crescente até chegar ao desentendimento que pauta o episódio. A personagem de Olivia parece ser uma das únicas a poder ser duramente julgada. As escolhas feitas pelos personagens durante a série refletem os </span><a href="https://valkirias.com.br/fleabag-uma-obra-sobre-solidao/"><span style="font-weight: 400;">traumas conjuntos e particulares</span></a><span style="font-weight: 400;"> que cada um carrega.</span></p>
<figure id="attachment_25336" aria-describedby="caption-attachment-25336" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25336" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555214-800x333.jpg" alt="" width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555214-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555214-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555214-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555214-1200x499.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/555214.jpg 1212w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25336" class="wp-caption-text">Com o luto em voga, a cena que as irmãs se encontram no cemitério é uma das mais extraordinárias da Televisão britânica (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem para mostrar como somos patéticos. É tudo inteligente, estranho e desconfortável. E todo o desconforto causado nos seis episódios iniciais é carimbo de excelência no roteiro, que passa do agradável ao trágico em segundos. No capítulo final do primeiro ano, quando as peças que faltavam no quebra-cabeças aparecem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> atinge o ápice de tudo que propôs durante a temporada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra narrativa, o público transformaria a protagonista em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jWHH4MlyXQQ&amp;ab_channel=BiscoitoFino"><span style="font-weight: 400;">Geni</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a apedrejaria em praça pública. Mas como esta série é bem escrita e bem interligada, tudo é diferente. Quem assiste cria empatia pela protagonista e entende suas dores. Não é jogo de mocinho ou vilão. A vida não é tão simples assim. De maneira brilhante, Phoebe Waller-Bridge mostra que compreender os erros do passado não deixa ninguém imune aos erros do futuro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo é muito bem escrito, atuado e dirigido. Há cinco anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> revolucionou o intimismo de se fazer TV. Sua proximidade que transcende as câmeras, e consegue envolver e imergir em apenas 20 minutos, é algo que acontece apenas a cada passagem do </span><a href="https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/astronomia/cometa-halley"><span style="font-weight: 400;">Cometa Halley</span></a><span style="font-weight: 400;">, como foi </span><i><span style="font-weight: 400;">Curtindo a Vida Adoidado</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos anos 80 e como, muito provavelmente, demoraremos para ver o fenômeno se repetir. </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i><span style="font-weight: 400;"> é coisa de gênia</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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		<title>Antígona 442 A.C.: aplausos para Andrea Beltrão</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 21:11:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Antígona. Filha de Édipo Rei e Jocasta; irmã de Etéocles, Polinice e Ismênia; sobrinha de Creonte. Antígona. Obra do dramaturgo grego Sófocles que conversa com a atualidade e com os valores humanos pautados pela razão e pela emoção, e é a terceira peça da trilogia tebana. Antígona 442 A.C. Monólogo de Andrea &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/antigona-442-a-c-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Antígona 442 A.C.: aplausos para Andrea Beltrão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24467" aria-describedby="caption-attachment-24467" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24467" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-scaled.jpg" alt="Cena de Antígona 442 A.C.. Nela está Andrea Beltrão. Vemos apenas o busto da atriz. Ela veste jaqueta de couro preta e em sua mão direita há uma luva preta que não cobre os dedos. Suas mãos estão na altura do rosto e elas seguram uma máscara branca que cobre o rosto da atriz. A imagem é escura e o fundo é preto." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24467" class="wp-caption-text">Após a pausa nos teatros, Antígona 442 A.C. estreia na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Taba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><a href="https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/a-tragedia-na-peca-teatral-antigona-sofocles.htm"><span style="font-weight: 400;">Antígona</span></a><span style="font-weight: 400;">. Filha de Édipo Rei e Jocasta; irmã de Etéocles, Polinice e Ismênia; sobrinha de Creonte. Antígona. Obra do dramaturgo grego Sófocles que conversa com a atualidade e com os valores humanos pautados pela razão e pela emoção, e é a terceira peça da trilogia tebana. </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona 442 A.C</span></i><span style="font-weight: 400;">. Monólogo de Andrea Beltrão, dirigido por Maurício Farias, destaque que integra a Mostra Brasil na 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-24466"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi em 2015 que a vontade de </span><a href="https://personaunesp.com.br/hebe-a-estrela-do-brasil-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andrea Beltrão</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ter uma peça de teatro de resistência e que pudesse ser feita a qualquer momento, floresceu. Instigada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-e-sorte-critica/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Torres</span></a><span style="font-weight: 400;">, Beltrão condecorou</span><i><span style="font-weight: 400;"> Antígona </span></i><span style="font-weight: 400;">como um de seus textos favoritos e assim surgiu o desafio, transformar uma peça de teatro com no mínimo quinze personagens em um monólogo. A estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona</span></i><span style="font-weight: 400;"> aconteceu, oficialmente, nos palcos em 2019, mas o contexto epidêmico de covid-19 fez com que a peça tivesse um pouso forçado. Após esse hiato, </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona 442 A.C. </span></i><span style="font-weight: 400;">estreia na 45ª Mostra em forma de espetáculo filmado, onde a montagem é reestruturada para o Cinema, variando em cenas dos bastidores com estudo e mapas mentais da obra e partes da encenação no teatro.</span></p>
<figure id="attachment_24468" aria-describedby="caption-attachment-24468" style="width: 1362px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24468" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona.jpg" alt="Cena de Antígona 442 A.C.. Nela está Andrea Beltrão. Uma mulher branca, de olhos castanhos, cabelo curto e castanho. Ela veste uma blusa listrada de azul e rosa. Sua mão direita está tocando a parede. Na parede há várias folhas brancas com nomes de personagens escritos em preto. Na imagem lemos “LAIO”. Entre as folhas há fitas adesivas nas cores azul, rosa e vermelho. O fundo da imagem ao lado direito é branco" width="1362" height="579" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona.jpg 1362w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona-800x340.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona-1024x435.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona-768x326.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona-1200x510.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24468" class="wp-caption-text">“Ninguém aprendeu muito com essa história de Sófocles” (Foto: Taba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A peça se inicia com o prólogo de </span><a href="https://ims.com.br/titular-colecao/millor-fernandes/"><span style="font-weight: 400;">Millôr Fernandes</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ilustra todo contraponto com a realidade que vamos encarar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona 442 A.C</span></i><span style="font-weight: 400;">.:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “e assim a história avança, em luta fratricida, ódio mortal, violência coletiva, tudo pago por fim, naturalmente, com a escravidão do povo,</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">na derrota final.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> O texto sobre a destruição de uma cidade parecia um tanto distópico em 2015. Mas, quando Andrea Beltrão estreou sua peça em 2019, qualquer semelhança com a realidade se tornou mera coincidência e com sua chegada ao digital em 2021, sua subversão política ecoa em notas agudas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antígona enfrenta a ordem do rei Creonte de deixar seu irmão Polinice, que lutou na guerra, sem sepultura para que seus restos mortais sejam devorados por animais selvagens. A jovem desobedece, realiza um ritual funerário digno ao irmão e rebate seu ato afirmando: </span><i><span style="font-weight: 400;">“morrer mais cedo não é amargura, deixar o corpo do meu irmão é amargura”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Soberana em tela, Andrea Beltrão comove ao mesmo ponto que se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BIl-yhr4giY&amp;ab_channel=CanalCurta%21"><span style="font-weight: 400;">emociona</span></a><span style="font-weight: 400;"> com as próprias falas, usando o texto para não apenas gerar reflexão, mas também para provocar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diferencial que torna magnífico é ver a própria Andrea Beltrão contando a história e se preparando para a peça. Há cortes para o teatro entre as cenas, que é quando a atriz aparece maquiada já em cima do palco, encenando com força cada uma de suas falas. Em seu estúdio de ensaio a entrega é com a mesma intensidade e precisão. De cara limpa, Andrea revela todo empenho aos estudos e a história que estava interpretando. Em sua parede, uma mapa mental dos personagens de Zeus aos </span><a href="https://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0662"><span style="font-weight: 400;">tebanos</span></a><span style="font-weight: 400;">; em seu computador, roteiro e fotos que guiam a atriz por essa viagem entre séculos.</span></p>
<figure id="attachment_24469" aria-describedby="caption-attachment-24469" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24469" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-scaled.jpg" alt="Cena de Antígona 442 A.C.. Nela, ao lado direito, está Andrea Beltrão. Uma mulher branca, de olhos castanhos, cabelo curto e castanho. Ela veste blusa e jaqueta de couro pretas e um lenço vermelho envolta sua cabeça e seu pescoço. Seus olhos estão carregados por uma maquiagem preta e suas têmporas estão com glitter dourado. O lado esquerdo é uma parede de concreto com a iluminação preta." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24469" class="wp-caption-text">“Cara, um herói; coroa, um tirano” (Foto: Taba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tamanha é a devoção mostrada nos bastidores que Andrea Beltrão se firma como dona de um conhecimento inigualável sobre o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kRLKAbzsUoU&amp;ab_channel=AncelmoGois"><span style="font-weight: 400;">texto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona 442 A.C</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></a><span style="font-weight: 400;">. As mudanças no tom de voz conforme ela encarna uma nova persona elucida a confiança da atriz e o conhecimento de cada vírgula da peça teatral; por meio da sua voz fica claro o poder e a importância da personagem na odisseia. Sua narrativa com olhar fixo para a plateia consagra a atriz dona do tablado, que domina o palco com tamanha destreza que não sentimos falta da plateia lotada. Sua linguagem corporal fala tão alto quanto a verbal, concentrando total atenção a figura da atriz, independente do lugar de onde a câmera esteja.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imersa no próprio oásis, Andrea se emociona com a crescente narrativa. A razão e a emoção são postas lado a lado e Antígona não cede, ela abre mão de sua posição social e de poder para arriscar dar um último ato humano à memória do irmão. A peça teatral ganha nova ótica e substância no contexto pandêmico e tirano do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59096013"><span style="font-weight: 400;">Brasil de Bolsonaro</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto os governantes responsáveis por esse genocídio não querem seus nomes correlacionados a essa tirania, temos milhares de Antígonas que lutam pelo </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/04/20/nao-sou-coveiro-ta-diz-bolsonaro-ao-responder-sobre-mortos-por-coronavirus.ghtml"><span style="font-weight: 400;">respeito da memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seus entes. E as palavras finais de Andrea reverberam com ainda mais precisão: </span><i><span style="font-weight: 400;">“os tebanos não tiveram outra chance, mas pra nós ainda há esperança”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="ANTIGONA 442a.C.- PRÓLOGO" src="https://player.vimeo.com/video/555916110?dnt=1&amp;app_id=122963" width="840" height="473" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write"></iframe></div>
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		<title>Truman &#038; Tennessee em Uma Conversa (nem tão) Pessoal</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2021 15:30:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade De um lado, Truman Capote; um dos maiores expoentes do chamado novo jornalismo, autor de A sangue frio (1965) — livro que, como ele próprio anunciou, inventou o “romance de não-ficção”. Do outro, Tennessee Williams, nome de peso entre os dramaturgos do século XX, conhecido por criar obras transcendentes e tendo recebido duas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/truman-tennessee-uma-conversa-pessoal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Truman &#038; Tennessee em Uma Conversa (nem tão) Pessoal"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24398" aria-describedby="caption-attachment-24398" style="width: 1220px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24398" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-1.jpg" alt="Foto de Tennessee Williams e Truman Capote. Na imagem em preto e branco, há duas fotografias colocadas lado a lado. Na primeira, à esquerda, Tennessee Williams aparece vestido com um roupão cinza, sentado em uma poltrona de cor preta, segurando na mão esquerda uma piteira de cor preta com um cigarro aceso na ponta. Ele é um homem branco, possui olhos claros e cabelos encaracolados curtos, de cor preta. Na foto a direita, Truman Capote aparece sentado em uma calçada, segurando um cachorro de raça bulldog com a mão direita. Ele é um homem branco, veste camisa de cor branca, possui cabelos loiros e olhos claros." width="1220" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-1.jpg 1220w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-1-800x459.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-1-1024x588.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-1-768x441.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-1-1200x689.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24398" class="wp-caption-text">Integrando a seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o documentário cria um diálogo de vida e obra entre Truman Capote e Tennessee Williams (Foto: Dogwoof)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De um lado, Truman Capote; um dos maiores expoentes do chamado </span><a href="https://capitalnews.com.br/colunistas/cultura/new-journalism-entenda-como-a-tecnica-marcou-a-escrita/352157"><span style="font-weight: 400;">novo jornalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, autor de </span><a href="https://homoliteratus.com/o-poder-da-narrativa-a-sangue-frio-de-truman-capote/"><i><span style="font-weight: 400;">A sangue frio</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1965) — livro que, como ele próprio anunciou, inventou o </span><i><span style="font-weight: 400;">“romance de não-ficção”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Do outro, Tennessee Williams, nome de peso entre os dramaturgos do século XX, conhecido por criar obras transcendentes e tendo recebido duas vezes o prêmio </span><a href="https://www.pulitzer.org/search/tennessee%2520williams"><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O que ambos tinham em comum? Além do fato de terem sido escritores consagrados, possuírem nomes iniciados pela letra T e terem sido homossexuais em um Estados Unidos repressivo, os dois foram amigos. No documentário </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/apr/30/truman-tennessee-an-intimate-conversation-review-documentary"><i><span style="font-weight: 400;">Truman &amp; Tennessee: Uma Conversa Pessoal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que compõe a seção Perspectiva Internacional da 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, a diretora </span><a href="https://www.nytimes.com/2017/10/10/arts/design/a-style-minded-filmmaker-at-home-with-family-treasures.html"><span style="font-weight: 400;">Lisa Immordino Vreeland</span></a><span style="font-weight: 400;"> estabelece um diálogo possível entre esses dois gigantes.</span></p>
<p><span id="more-24397"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesclar duas biografias pode ser perigoso, ainda mais quando as duas personalidades biografadas tem seus nomes fincados na cultura popular. Todavia, as conexões estabelecidas pela diretora são suficientes para, no mínimo, ver sentido no que está sendo feito. Composto basicamente por imagens de documentos pessoais e gravações de entrevistas — em especial as mesmas duas entrevistas que os escritores concederam a David Frost —, o longa possui narrações em </span><i><span style="font-weight: 400;">off </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://revistamonet.globo.com/Series/noticia/2020/08/jim-parsons-explica-por-que-deixou-big-bang-theory-tive-um-momento-de-clareza.html"><span style="font-weight: 400;">Jim Parsons</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/apr/22/jim-parsons-zachary-quinto-truman-capote-tennessee-williams"><span style="font-weight: 400;">Zachary Quinto</span></a><span style="font-weight: 400;">, que dão voz a Capote e Williams, respectivamente.</span></p>
<figure id="attachment_24399" aria-describedby="caption-attachment-24399" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24399" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-2.jpg" alt="Foto de Truman Capote e Tennessee Williams. Na imagem em preto e branco, vemos um fundo preto, com o rosto de Capote iluminado a esquerda, em uma fotografia de seu perfil, e Williams com o rosto iluminado a direita, com uma fotografia também de seu perfil. Capote possui cabelos lisos loiros, está vestindo óculos escuros e sua mão esquerda está a altura da boca. Williams está vestindo camisa branca e gravata borboleta de cor preta. Ele possui um bigode de cor preta, cabelos pretos e olhos claros." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24399" class="wp-caption-text">Truman Capote e Tennessee Williams foram amigos durante muitos anos, cujas obras ditaram novos padrões a serem batidos nos círculos literários; essa façanha alimentou, inclusive, a rivalidade entre ambos (Foto: Dogwoof)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece que a tônica que direciona </span><i><span style="font-weight: 400;">Truman &amp; Tennessee: An Intimate Conversation </span></i><span style="font-weight: 400;">é a reverência. No entanto, o documentário nunca vai além do conhecimento popular sobre esses dois autores, deixando a desejar na investigação — algo que poderia ter sido feito com êxito devido ao formato empregado no filme. O longa funciona como uma espécie de leitura de diários, a fim de criar a </span><i><span style="font-weight: 400;">“conversa pessoal” </span></i><span style="font-weight: 400;">do título, e deixa em evidência que, embora fossem majoritariamente amigos, Truman Capote e Tennessee Williams eram, às vezes, rivais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de Williams, Capote passou por seus últimos dias como um autor improdutivo, tendo como última obra publicada </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=11605"><i><span style="font-weight: 400;">Música para Camaleões</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançada em 1980, quatro anos antes de morrer. No entanto, este livro (que, inclusive, foi dedicado a Tennessee Williams) foi composto por artigos publicados ao longo de sua carreira, trazendo o seguinte trecho no prefácio: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Minha vida — a artística, pelo menos — poderia ser registrada num gráfico preciso, como a evolução de uma febre: os picos e os pontos mais baixos, os ciclos claramente definidos”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao que tudo indica, a diretora atentou-se a essa declaração no tratamento das cenas, deixando Truman Capote como um autor que almejava a fama e o sucesso, sempre presentes em jantares de gala, enquanto Williams foi um autor atormentado, que trazia na escrita sua válvula de escape — como </span><i><span style="font-weight: 400;">“um simples impulso”</span></i><span style="font-weight: 400;">, segundo ele próprio.</span></p>
<figure id="attachment_24400" aria-describedby="caption-attachment-24400" style="width: 2099px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24400" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3.jpg" alt="Foto de Tennessee Williams e Truman Capote. Na imagem em preto e branco, há duas fotografias colocadas lado a lado. Na primeira, à esquerda, Tennessee Williams aparece sentado em uma cadeira, fotografado de perfil. Ele veste um terno de cor cinza, está com um cigarro aceso na mão esquerda e olhando para a frente. Ele é um homem branco, possui cabelos curtos e encaracolados de cor preta, olhos claros e um bigode de cor preta. O fundo da imagem é de cor cinza. Na foto seguinte, à direita, Truman Capote aparece de joelhos em uma cadeira de cor preta, com os dois pés fora do chão. Ele é um homem branco, possui cabelos loiros e olhos claros, está com as duas mãos nos bolsos de um sobretudo de cor cinza. O fundo da imagem é de cor branca." width="2099" height="1180" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3.jpg 2099w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3-1536x863.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3-2048x1151.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24400" class="wp-caption-text">Em entrevista ao The Guardian, Zachary Quinto disse que Williams e Capote “eram para-raios”, e a representatividade de ambos contribuiu para “todas as coisas pelas quais somos capazes de defender hoje”, pois elas “não existiriam se não fossem esses indivíduos excepcionais” (Foto: Dogwoof)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lisa Immordino Vreeland já documentou a vida de sua avó, a editora de moda </span><a href="https://www.vogue.pt/diana-vreeland-so-ha-uma-boa-vida-a-que-queres-e-a-que-fazes-para-ti-mesma"><span style="font-weight: 400;">Diana Vreeland</span></a><span style="font-weight: 400;">, e do fotógrafo </span><a href="https://www.soqueriaterum.com.br/cecil-beaton/"><span style="font-weight: 400;">Cecil Beaton</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, o que funcionou em seus filmes anteriores não funciona aqui. Apesar das brilhantes adaptações cinematográficas que as obras de ambos receberam — como </span><a href="https://cinepop.com.br/curiosidades-bonequinha-de-luxo-classico-estrelado-por-audrey-hepburn-completa-60-anos-314984/"><i><span style="font-weight: 400;">Bonequinha de Luxo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1961)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.interrogacao.com.br/2010/11/critica-um-bonde-chamado-desejo/"><i><span style="font-weight: 400;">Um bonde chamado Desejo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1951)</span> <span style="font-weight: 400;">—, Capote e Williams não eram artistas visuais, o que estabelece uma dificuldade considerável ao serem representados nas telas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A simples exposição de entrevistas e fotografias, com narrações em </span><i><span style="font-weight: 400;">off</span></i><span style="font-weight: 400;">, não é capaz de contemplar todas as nuances das obras e da vida particular dos escritores. Ao fim de </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/truman-tennessee-an-intimate-conversation-review-an-imagined-tete-a-tete-between-capote-and-williams-1235000521/"><i><span style="font-weight: 400;">Truman &amp; Tennessee</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> temos uma vaga ideia do que foi esboçado pela diretora ao longo dos 86 minutos de exibição; porém, predomina a sensação de que imagens contendo as duas personalidades foram simplesmente colocadas lado a lado, deixando seus paralelos reféns do senso comum.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Truman &amp; Tennessee - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/tTmgnd7mCD0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>The Rocky Horror Picture Show não cabe em nenhuma caixinha</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Oct 2021 18:45:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[1975]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez Nota mental: nunca tentar definir o gênero cinematográfico e nem descrever o roteiro de The Rocky Horror Picture Show. O longa musical dirigido por Jim Sharman e baseado na peça teatral homônima levou às telas a essência satírica e tumultuada de comédia, terror e ficção científica todos juntos e misturados, com muita &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Rocky Horror Picture Show não cabe em nenhuma caixinha"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23955" aria-describedby="caption-attachment-23955" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1.jpg" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Na imagem, em um primeiro plano, vemos o braço flexionado e musculoso do personagem Rocky, um homem branco e loiro, que está de costas e só aparece parcialmente. Em um segundo plano, atrás do braço de Rocky, vemos, da esquerda para a direita, Janet e Brad, uma mulher e um homem brancos, ambos aparentando cerca de 30 anos e vestindo roupões brancos; à frente deles, Magenta, uma mulher branca de cabelos encaracolados vestindo um vestido preto e de lado para a câmera; Frank, o personagem principal, vestindo um corset preto e maquiagem e flexionando os braços; e Riff Raff, um homem branco, de cabelos loiros e longos somente na lateral da cabeça, segurando uma toalha e encarando Frank. " width="1080" height="651" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1-800x482.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1-1024x617.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1-768x463.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23955" class="wp-caption-text">The Rocky Horror Picture Show surgiu porque o criador Richard O’Brien, que também interpreta Riff Raff, estava entediado e insatisfeito com seus papéis no teatro (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nota mental: nunca tentar definir o gênero cinematográfico e nem descrever o roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa musical dirigido por Jim Sharman e baseado na peça teatral homônima</span> <span style="font-weight: 400;">levou às telas a essência satírica e tumultuada de comédia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/terror/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ficção científica todos juntos e misturados, com muita música, irreverência e atrevimento. Assim como os </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-sao-filmes-b/"><span style="font-weight: 400;">filmes B</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se propôs a homenagear, a rebelde produção </span><a href="https://www.rogerebert.com/reviews/the-rocky-horror-picture-show-1976"><span style="font-weight: 400;">foi criticada</span></a><span style="font-weight: 400;">, deixada de lado e jogada para as exibições com menor audiência. Entre o público das sessões, o propositalmente ridículo e contracultural </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">foi compreendido e, justamente por causa dos renegados, se tornou o clássico </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/o-que-torna-um-filme-cult-186269/"><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">definitivo e atemporal que é hoje.</span></p>
<p><span id="more-23954"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama do filme, Brad (Barry Bostwick) e Janet (Susan Sarandon) são um jovem casal apaixonado e recatado que decide pegar a estrada para contar as boas novas a um amigo em comum: eles noivaram! Isso até que uma tempestade e um pneu furado atrapalham a viagem e os deixam presos no meio do nada. Obrigados a pedirem ajuda no único lugar possível, um castelo macabro, o casal só queria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZCZDWZFtyWY"><span style="font-weight: 400;">fazer uma ligação e voltar para o carro</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas toca a campainha em uma noite especial. Os dois são conduzidos ao salão principal pelo misterioso e antipático mordomo Riff Raff (Richard O’Brien) e quando veem, já estão envolvidos no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-w0WPkB3XJ4"><span style="font-weight: 400;">excêntrico evento</span></a><span style="font-weight: 400;"> marcado para acontecer naquela data.</span></p>
<figure id="attachment_23956" aria-describedby="caption-attachment-23956" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23956" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-2.gif" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Em frente a uma tela branca no que aparenta ser uma biblioteca, vemos, ao centro, um homem branco, de cabelos brancos curtos, aparentando cerca de 50 anos, vestindo um terno preto, com a mão levantada segurando um cigarro e inclinando a cabeça enquanto fala." width="650" height="398" /><figcaption id="caption-attachment-23956" class="wp-caption-text">“Eu gostaria, se eu puder, de te levar em uma estranha jornada” (GIF: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uSSlYwVEMSM"><span style="font-weight: 400;">abertura</span></a><span style="font-weight: 400;">, o número musical e os convidados extravagantes já não derrubaram a ficha de que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">é algo além do convencional, chega o anfitrião da festa, o Dr. Frank-N-Furter. Entrada triunfal é pouco: de meia arrastão e batom vermelho, ele desce por um elevador engatando em uma envolvente e divertida performance, se apresenta como um Doce Travesti da Transsexual Transilvânia e convida o casal para o laboratório, onde revelará seu mais novo experimento: um homem feito por ele para satisfazer seus desejos. Logo de cara, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G5sTIGLo79g"><span style="font-weight: 400;">protagonista de Tim Curry</span></a><span style="font-weight: 400;"> já é estonteante &#8211; Janet e Brad que o digam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Daí para frente, com o Frankenstein musculoso e de sunguinha do Doutor Furter ganhando vida, um ex-amante retornando e o casal tendo que passar a noite no castelo, é impossível prever os rumos que a premissa toma e a cada curva o caminho fica mais estranho &#8211; e mais divertido. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror </span></i><span style="font-weight: 400;">está ciente de sua bizarrice e não liga. Ao contrário, a produção aproveita o rótulo </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/o-mundo-trash-uma-breve-introducao-a-um-genero-incompreendido/"><i><span style="font-weight: 400;">trash</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para ser mais escrachada ainda: os números musicais extravagantes, os figurinos coloridos e ultrajados e as performances excessivas criam a atmosfera debochada, cômica e despreocupada que fez da produção um verdadeiro </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/tim-curry-once-got-thrown-out-of-a-rocky-horror-picture-show-screening-4168625/"><span style="font-weight: 400;">espetáculo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Rocky Horror Picture Show (1975) - Sweet Transvestite Scene (3/5) | Movieclips" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZCZDWZFtyWY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Literalmente um espetáculo. Depois de passar pelos palcos de Londres e Los Angeles, a peça escrita e composta por Richard O’Brien ganhou uma adaptação cinematográfica, o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">como o conhecemos. Nas telas, a produção inicialmente </span><a href="https://didyouknow.org/rocky-horror-picture-show-flopped-on-release/"><span style="font-weight: 400;">não decolou</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas foram justamente nas sessões da meia noite que o que era um ousado e estranho longa se transformou em um fenômeno: é impossível não querer cantar e dançar com a animada trilha sonora e os espectadores começaram a performar junto dos números.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas madrugadas, as exibições viraram ponto de encontro de fãs, que compareciam fantasiados como os personagens e se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-T3wrbOr68w"><span style="font-weight: 400;">levantavam para encenar</span></a><span style="font-weight: 400;"> assim que os créditos iniciais passavam. O impacto da produção superou as telas e fez de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">um fenômeno cultural. Não por menos, o filme é até hoje o de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hefomj2O7PQ"><span style="font-weight: 400;">maior rodagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> em salas de cinemas, cravou imagens e </span><a href="https://tidibits.wordpress.com/2020/10/28/os-labios-de-man-ray-e-rock-horror-show/"><span style="font-weight: 400;">referências</span></a><span style="font-weight: 400;"> no imaginário popular e vira e mexe ganha homenagens em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0hqtEvVVrvk"><span style="font-weight: 400;">séries</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=axcECZzlPVI"><span style="font-weight: 400;">filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e até um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XZE54I5zmVc"><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com a participação do genial intérprete de Frank como o criminologista narrador da história.</span></p>
<figure id="attachment_23957" aria-describedby="caption-attachment-23957" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23957" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3.jpg" alt=" Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Em frente a uma cortina vermelha em um palco, vemos, da esquerda para a direita, Columbia, uma mulher branca, aparentando cerca de 30 anos, usando maquiagem e vestindo um traje e um chapéu coloridos e brilhantes; ao centro, em uma cadeira que imita um trono, vemos Frank, vestindo um corset, salto alto e maquiagem e deitado de lado; acima dele, apoiada na cadeira, Magenta, uma mulher branca, aparentando cerca de 30 anos, de cabelos encaracolados e castanhos, com o rosto pintado de branco e maquiado; e, à direita, Riff Raff, um homem branco, com cabelos loiros longos somente na lateral da cabeça, vestindo uma roupa toda preta e com luvas pretas, apoiado na cadeira em que Frank está." width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23957" class="wp-caption-text">Grande parte do elenco do filme, incluindo o brilhante Tim Curry, já participava de The Rocky Horror quando a produção ainda era uma peça independente nos teatros de Londres (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E falando de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror</span></i><span style="font-weight: 400;">, Tim Curry merece um destaque inteiro só para ele. Seus companheiros de elenco são divertidos e fundamentais à trama &#8211; no final, então&#8230; &#8211; mas é o cientista maluco que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mjHksjW4XQk"><span style="font-weight: 400;">rouba todos os holofotes</span></a><span style="font-weight: 400;">. O Frank-N-Furter de Curry é inigualável e sua presença em cena, hipnótica. O ator cria uma atmosfera misteriosa, instigante e sedutora a partir do exótico de seu personagem, e ascende como a força central do filme. Isso para não começar nos vocais: a voz potente e extasiante do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G5sTIGLo79g"><span style="font-weight: 400;">artista</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma atração à parte a cada número musical (e são muitos) e tornam o protagonista ainda mais arrebatador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wb1HDnYPPoo"><span style="font-weight: 400;">músicas grudentas</span></a><span style="font-weight: 400;">, do visual estimulante e das fantasias de </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i><span style="font-weight: 400;"> que não envelhecem, o apelo de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror </span></i><span style="font-weight: 400;">não é difícil de entender. Mais do que puro e simples entretenimento, o longa de Jim Sharman foi acolhedor ao reconhecer as diferenças e as abraçar. Orgulhosa de sua própria bizarrice, a produção assume sua despretensão e extravagância e a usa para ser, também, transgressora.</span></p>
<figure id="attachment_23958" aria-describedby="caption-attachment-23958" style="width: 1791px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23958" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4.png" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Na imagem, em frente a um pano de fundo azul com uma torre e letras, vemos, da esquerda para a direita, Frank, vestindo um corset vermelho e usando maquiagem; Janet e Brad, que segura na cintura de Janet. Ambos vestem corset preto e usam maquiagem no rosto." width="1791" height="1077" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4.png 1791w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-800x481.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-1024x616.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-768x462.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-1536x924.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-1200x722.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23958" class="wp-caption-text">Escalar Barry Bostwick e Susan Sarandon nos papéis de Brad e Janet foi uma exigência do estúdio, que queria que o casal principal fosse estadunidense (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1975, nem uma década depois da </span><a href="https://www.cadaminuto.com.br/noticia/2019/10/18/a-censura-em-hollywood-e-o-codigo-hays"><span style="font-weight: 400;">censura dos bons costumes</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Cinema ter sido abolida, o filme não poupou na sensualidade. Na pele dos novatos Susan Sarandon e Barry Bostwick, a inocente Janet e o quadradão Brad estavam se guardando para depois do casamento, até que ambos foram seduzidos e (de bom grado) deixaram ser corrompidos pelo inebriante Frank. Se o casal era casto até conhecê-lo, o anfitrião já deixava claro suas intenções e desejos, sem firulas no assunto. Até o recém-nascido Rocky, criado unicamente para satisfazer seu criador, já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tdufVsPXtCE"><span style="font-weight: 400;">vem ao mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sunga apertada e, por mais ingênuo que seja, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oHv0VrAUYLY"><span style="font-weight: 400;">cheio de tesão</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Janet.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como já pregava o lema “</span><i><span style="font-weight: 400;">Entregue-se ao prazer absoluto</span></i><span style="font-weight: 400;">”, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LnYBwampG8U"><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Picture Show</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não existe espaço para falso moralismo ou conservadorismo tolo. Com sua aura erótica e provocativa, o filme tirou sarro dos bons costumes da época, mas também jogou o holofote em temas como liberdade sexual e sexualidade. Nesta última, apesar dos anos 70 terem sido uma </span><a href="https://educacao.uol.com.br/noticias/2021/06/28/o-que-foi-a-rebeliao-de-stonewall-inn-que-deu-origem-ao-dia-do-orgulho-gay.htm"><span style="font-weight: 400;">época próspera</span></a><span style="font-weight: 400;"> para essas discussões, o tabu estava longe de ser quebrado e Tim Curry em um </span><i><span style="font-weight: 400;">corset</span></i><span style="font-weight: 400;">, cantando abertamente sobre seus desejos carnais e levando Brad e Janet para a cama foi revolucionário. </span></p>
<figure id="attachment_23959" aria-describedby="caption-attachment-23959" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23959" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5.jpg" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Na imagem, em frente a uma porta aberta e com muita fumaça em volta, vemos ao centro, da esquerda para a direita, Riff Raff, um homem pintado de branco, com os cabelos presos para cima, vestindo um traje prateado com uma estética futurista e segurando o que aparenta ser uma arma também futurista; e Magenta, uma mulher pintada de branco, com os cabelos penteados para o alto e com uma mecha prateada, vestindo um traje igual o de Riff Raff, com as mãos na cintura." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23959" class="wp-caption-text">Criador do roteiro original e intérprete de Riff Raff, Richard O’Brien também compôs a inesquecível trilha sonora de The Rocky Horror Show e The Rocky Horror Picture Show (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tempo presente, </span><a href="https://www.theatlantic.com/entertainment/archive/2015/09/after-40-years-rocky-horror-has-become-mainstream/407491/"><span style="font-weight: 400;">décadas depois</span></a><span style="font-weight: 400;"> da estreia. O debate sobre gênero e sexualidade avançou e até as pautas mudaram, mas a relevância da produção sobreviveu ao tempo, assim como suas sátiras ao conservadorismo. No contexto do lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">TRHPS </span></i><span style="font-weight: 400;">foi subversivo e quebrou com os padrões da época. Em qualquer outro, como o agora, a mensagem de rebeldia e de desobediência do comum permanece atemporal, mais um dos motivos para olharmos para a produção com ainda mais carinho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, se os cem minutos anteriores já não foram fascinantes e tresloucados o suficiente, a conclusão do filme aceita o desafio de tornar tudo ainda mais maluco e nada prepara para o grande desfecho. </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/comedia/"><span style="font-weight: 400;">Comédia</span></a><span style="font-weight: 400;">, terror, </span><a href="https://personaunesp.com.br/super-8-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">ficção científica</span></a><span style="font-weight: 400;">, musical, tudo se bagunça, se mistura e se caçoa. Afinal, no caleidoscópio de cores, sons, reviravoltas, sentidos e experiências, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror </span></i><span style="font-weight: 400;">já havia mostrado que não cabe em nenhuma caixinha pré-definida e que é só si próprio &#8211; e daí seu sucesso e seu merecido </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> definitivo. Como os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EcPZZ_hPVPA"><span style="font-weight: 400;">personagens cantam em coro</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">não sonha em ser, é.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: The Rocky Horror Picture Show - Original Soundtrack" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/4QviryaneolcRmDB57SLco?si=TyoeSKc7SHCWoNwWsgJf6g&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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