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	<title>Arquivos Suspense &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Instinto Materno é alimentado por clichês, mas pelo menos conta com Anne Hathaway e Jessica Chastain</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Aug 2024 17:00:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Clara Archanjo No primeiro ato de Instinto Materno, que se passa na década de 1960, as casas vizinhas e os filhos da mesma idade são o pano de fundo para a amizade entre Céline (Anne Hathaway) e Alice (Jessica Chastain). Como ponto de tensão, ocorre um acidente que transforma a relação entre as duas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/instinto-materno-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Instinto Materno é alimentado por clichês, mas pelo menos conta com Anne Hathaway e Jessica Chastain"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33732" aria-describedby="caption-attachment-33732" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-33732" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem1-instinto-materno-800x450.jpg" alt="Cena do filme Instinto Materno. As personagens Céline e Alice interpretadas, respectivamente, por Anne Hathaway e Jessica Chastain, estão sentadas à mesa em uma varanda externa. Céline é uma mulher branca com cabelos castanhos e usa um vestido azul-claro típico dos anos 1960. Alice é uma mulher branca com cabelos muito louros e usa um vestido rosa. As duas estão com as mãos dadas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem1-instinto-materno-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem1-instinto-materno-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem1-instinto-materno-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem1-instinto-materno-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem1-instinto-materno.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33732" class="wp-caption-text">Anne Hathaway e Jessica Chastain têm uma química que deveria ter sido ainda mais explorada (Foto: Imagem Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Ana Clara Archanjo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No primeiro ato de </span><i><span style="font-weight: 400;">Instinto Materno</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se passa na década de 1960, as casas vizinhas e os filhos da mesma idade são o pano de fundo para a amizade entre Céline (Anne Hathaway) e Alice (Jessica Chastain). Como ponto de tensão, ocorre um acidente que transforma a relação entre as duas e desperta o que há de mais instintivo entre essas mulheres. O desenrolar, em um </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/suspense/"><span style="font-weight: 400;">suspense</span></a><span style="font-weight: 400;"> fraco e previsível, é pautado em desconfiança e inveja, que interferem na amizade entre as protagonistas. Não é um exercício de criatividade muito complexo imaginar o final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothers’ Instinct</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original). Então, é preciso se esforçar para capturar os únicos acertos do filme: as atuações.</span></p>
<p><span id="more-33729"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história, em si, não é inédita. O roteiro do longa é baseado no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tn_bD0o8zVU"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> homônimo de Barbara Abel e a obra já havia sido adaptada às telonas em 2018, sob a direção de Olivier Masset-Depasse. Originalmente, o cineasta belga também encabeçaria a refilmagem norte-americana, mas teve que deixar o projeto. Com a cadeira de diretor vaga, Benoît Delhomme, que já assinava a direção de fotografia, viu uma oportunidade de estrear no comando da produção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Delhomme é um cinegrafista francês conhecido por seu trabalho em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Menino do Pijama Listrado</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2008), </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/um-dia-comparacao"><i><span style="font-weight: 400;">Um Dia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2011) e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Teoria de Tudo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2014). Em</span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/instinto-materno-anne-hathaway-jessica-chastain-luto-tragedia-filho-benoit-delhomme-diretor/#:~:text=Instinto%20Materno%2C%20o%20novo%20filme,caiu%20no%20projeto%20de%20paraquedas."> <span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a> <span style="font-weight: 400;">ao Estadão, o diretor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Instinto Materno</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Três dias antes do início das filmagens, Anne e Jessica, disseram: ‘Benoît, se você não fizer, o filme vai colapsar. Se aceitar dirigir também, poderemos seguir em frente’</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_33731" aria-describedby="caption-attachment-33731" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-33731" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem2-instinto-materno-800x533.jpg" alt="Cena do filme Instinto Materno. A personagem Céline, interpretada por Anne Hathaway, sorri dentro de um carro antigo. A personagem tem pele branca e apoia um braço na porta do carro, ao passo que a sua outra mão está segurando o volante. Celine usa óculos escuros e tem um cabelo castanho curto." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem2-instinto-materno-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem2-instinto-materno-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem2-instinto-materno-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem2-instinto-materno-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem2-instinto-materno-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem2-instinto-materno-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33731" class="wp-caption-text">O longa chegou aos cinemas nacionais em Março de 2024 (Foto: Imagem Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fórmulas clássicas e preguiçosas de se fazer suspenses são as ferramentas favoritas do cineasta. É por esse motivo que é fácil saber para onde o filme quer levar o espectador logo nos primeiros minutos de exibição. Com a mediocridade do roteiro de Barbara Abel e Sarah Conradt-Kroehler escancarada nas cenas iniciais, fica difícil não se lembrar constantemente que as protagonistas têm um </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em cada um de seus currículos e que a presença das duas no elenco é o que o filme tem de melhor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de premiações, ambas também são queridas pelo público. Anne Hathaway, anteriormente, mostrou potencial e encantou em </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-diabo-veste-prada-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">O Diabo Veste Prada</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2006), </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Miseráveis</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2012) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Interstelar</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2014), que também conta com Jessica Chastain. Essa, para além do clássico, entregou uma atuação espetacular na minissérie </span><i><span style="font-weight: 400;">Cenas de um Casamento </span></i><span style="font-weight: 400;">(2021). Não importa o gênero, as duas atrizes já têm uma filmografia suficientemente completa e amada para provar que, mesmo no mais fraco dos suspenses, como é o caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Instinto Materno</span></i><span style="font-weight: 400;">, são capazes de entregar atuações revigorantes e convincentes. Então, a </span><a href="https://ovicio.com.br/uma-ideia-de-voce-com-anne-hathaway-quebra-recorde-surpreendente/"><span style="font-weight: 400;">presença</span></a><span style="font-weight: 400;"> delas</span><span style="font-weight: 400;"> no longa não apenas fez com que as pessoas fossem ao cinema, como também garantiu que elas não percebessem – pelo menos, logo de cara – o quão ruim a narrativa é.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outras palavras, a relação construída entre as protagonistas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Instinto Materno </span></i><span style="font-weight: 400;">só tem pontos positivos graças à interpretação das atrizes. Há, aliás, um ‘quê’ de homoerotismo iminente – mas não explorado –, que poderia trazer uma nova camada às personagens. Isso, no entanto, só aconteceria em nossos sonhos mais loucos, porque o filme não se cansa de firmar seu endereço no ‘</span><a href="https://revistapresenca.unir.br/artigos_presenca/14nairgurgeldoamaral_olugarcomumnodiscurso.pdf"><span style="font-weight: 400;">lugar comum</span></a><span style="font-weight: 400;">’.</span></p>
<figure id="attachment_33730" aria-describedby="caption-attachment-33730" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-33730" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem3-instinto-materno-800x534.jpg" alt="Cena do filme Instinto Materno. A personagem Alice, interpretada por Jessica Chastain, está sentada à mesa em uma varanda externa. Alice é uma mulher branca com cabelos muito louros e usa um vestido rosa. " width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem3-instinto-materno-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem3-instinto-materno-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/imagem3-instinto-materno.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33730" class="wp-caption-text">A atuação de Jessica Chastain é empática e sensível, dentro do possível (Foto: Imagem Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem profundidade nenhuma, os </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-recomenda/instinto-materno-thriller-com-anne-hathaway-explora-paranoias-femininas"><span style="font-weight: 400;">temas</span></a> <span style="font-weight: 400;">que perpassam diferenças de gênero, luto e maternidade compulsória existem na narrativa como se fossem notas de rodapé. Com a química e habilidades excepcionais entre Hathaway e Chastain e com o roteiro certo, inveja, desconfiança e luto poderiam ter sido aproveitados com maior profundidade e cuidado. Nos momentos em que Delhomme ensaia trazer um assunto mais sério, o tema logo é substituído por mais uma cena batida de </span><a href="https://www.folhape.com.br/cultura/instinto-materno-e-suspense-mediano-com-grandes-atuacoes-leia-a/326016/"><span style="font-weight: 400;">suspense</span></a><span style="font-weight: 400;">. E, no que diz respeito ao clima de tensão em si, não há nem um ‘gostinho’ de quero mais, porque o filme se dá por satisfeito mesmo sem entregar nada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, o filme constrói um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6c3SMO44YXc"><span style="font-weight: 400;">cenário imersivo e bem elaborado</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nele, a ambientação das casas vizinhas das protagonistas reflete diretamente nas características de cada uma e contribui – brevemente – à construção da personalidade delas. O problema, então, é que nada disso é genuinamente explorado. Há um ensaio constante de se aprofundar na personalidade intrigante das protagonistas, mas não há um exercício efetivo do diretor, Benoît Delhomme,  em fazê-las. Ao assistir </span><i><span style="font-weight: 400;">Instinto Materno</span></i><span style="font-weight: 400;">, a impressão que fica é que Anne Hathaway e </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000042946/#:~:text=Jessica%20Chastain%20tem%20estrelado%20projetos,Melhor%20Atriz%20no%20ano%20passado."><span style="font-weight: 400;">Jessica Chastain</span></a><span style="font-weight: 400;"> fazem o máximo para tirar leite de pedra em uma atuação simultaneamente empática e assustadora. O potencial existe, mas apenas de potencial não se faz bons filmes.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Instinto Materno | 28 de março nos cinemas | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/_IXSx-im6K0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O dilema de Suzane von Richthofen em A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão</title>
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		<pubDate>Fri, 03 May 2024 12:36:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Barbosa Em 2002, o caso Richthofen escandalizou o Brasil pela extrema brutalidade do crime, orquestrado por Suzane Von Richthofen e os irmãos Cravinhos. A indústria cultural, desde então, explorou diversas formas de recriar esse trágico evento, seja por meio de livros, podcasts ou no Cinema. Em 2021, dois filmes apresentaram uma nova abordagem, revelando &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-menina-que-matou-os-pais-a-confissao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O dilema de Suzane von Richthofen em A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33331" aria-describedby="caption-attachment-33331" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33331" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3.jpg" alt="Cena do filme A Menina Que Matou os Pais - A Confissão. O local é um cemitério, ao fundo, há algumas pessoas desfocadas e no centro, em evidência, está a atriz Carla Diaz, uma mulher branca de cabelos louros, longos e lisos. Ela usa uma calça jeans escura, um cropped preto e no ombro uma blusa de manga comprida preta. Ela está abraçando o ator Leonardo Bittencourt, um homem branco de cabelos pretos utilizando uma camisa social cinza e gravata longa preta. Ele também está utilizando uma calça social cinza escuro e um cinto preto." width="1200" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-800x467.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-1024x597.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-768x448.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33331" class="wp-caption-text">Carla Diaz e Leonardo Bittencourt novamente protagonizam a representação do crime que chocou o Brasil (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Barbosa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2002, o caso </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2023/01/12/interna_nacional,1444140/suzane-von-richthofen-relembre-o-caso-que-chocou-o-brasil-em-2002.shtml"><span style="font-weight: 400;">Richthofen</span></a><span style="font-weight: 400;"> escandalizou o Brasil pela extrema brutalidade do crime, orquestrado por Suzane Von Richthofen e os irmãos Cravinhos. A indústria cultural, desde então, explorou diversas formas de recriar esse trágico evento, seja por meio de livros, podcasts ou no Cinema. Em 2021, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-wQyssgiDh4"><span style="font-weight: 400;">dois filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentaram uma nova abordagem, revelando a perspectiva de Suzane e a de Daniel Cravinhos, seu então namorado. Dois anos depois das primeiras adaptações cinematográficas, surge um novo capítulo com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão</span></i><span style="font-weight: 400;">, prometendo narrar os acontecimentos desde a noite do crime até o dia em que confessaram.</span></p>
<p><span id="more-33328"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme vem para completar a história dos antecessores </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Menino que Matou Meus Pais</span></i><span style="font-weight: 400;">: não há novidade no caso, a diferença fica sobre como o ocorrido é mostrado aos espectadores. O longa apresenta os dias tensos que sucederam a noite do assassinato de Manfred e Marísia, pais de Suzane. Um terceiro olhar à história exibe todo o processo de investigação da polícia para entender como as mortes aconteceram a sangue frio até a confissão dos três envolvidos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A Menina Que Matou Os Pais: A Confissão | Trailer Oficial | Prime Video" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Nsl90coKJpk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a popularização do </span><a href="https://vogue.globo.com/Mix-n-Max/noticia/2022/07/true-crime-entenda-como-esse-fenomeno-se-popularizou-no-audiovisual.html"><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, iniciou-se uma discussão sobre a glamourização de </span><i><span style="font-weight: 400;">serial killers</span></i><span style="font-weight: 400;"> e os crimes que marcaram. O ponto principal é articular sobre até que momento o indivíduo que o cometeu está sendo colocado como sofredor, tirando o lugar daqueles que realmente são vítimas e os colocando como sujeito principal, deixando de lado sua crueldade e violência. Em casos muito famosos como </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/12/irresistivel-face-do-mal-12-diferencas-entre-filme-e-vida-de-ted-bundy.html"><span style="font-weight: 400;">Ted Bundy</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Jeffrey Dahmer, que tiveram muitas obras criadas em torno de seus crimes, essa discussão foi muito ampliada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançou </span><a href="https://revistas.intercom.org.br/index.php/insolita/article/download/4615/2918/12472"><i><span style="font-weight: 400;">Dahmer: Um Canibal Americano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, surgiram muitos debates sobre se realmente havia necessidade de criar mais uma retratação de um caso que afetou e marcou a vida de tantas pessoas, já que a série foi acusada de mostrar o </span><i><span style="font-weight: 400;">serial killer</span></i><span style="font-weight: 400;"> como vítima em alguns momentos. Com </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/reportagens-especiais/o-que-3-filme-sobre-suzane-von-richthofen-mostra-sobre-o-caso/#cover"><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não seria diferente levantar o questionamento se era necessário criar mais um capítulo para uma história que foi tão cruel e sensacionalizada pela mídia. Também não é diferente afirmar que mais uma vez um crime grave e cruel foi explorado para criar uma obra cinematográfica puramente mercadológica, visto o resultado raso do filme entre atuações e desenvolvimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o lançamento, um certo clamor foi gerado com a expectativa de que a direção e atriz principal conseguissem demonstrar a </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/narcisista-manipuladora-e-perversa-os-tracos-na-personalidade-de-suzane-von-richthofen.phtml"><span style="font-weight: 400;">dissimulação</span></a><span style="font-weight: 400;">, narcisismo, manipulação e frieza</span><span style="font-weight: 400;"> de Suzane, uma pessoa tão complexa, que conseguia demonstrar muitas características em um só momento. Carla Diaz, com certa diligência, representa as emoções de Richthofen em ocasiões marcantes para o ocorrido, como no </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/08/29/caso-richthofen-quem-e-quem-foto-filme.htm"><span style="font-weight: 400;">enterro dos pais</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual ela utilizou calça jeans e um cropped preto. No terceiro ato, temos uma atuação mais contida, tornando os acontecimentos mais convincentes.</span></p>
<figure id="attachment_33330" aria-describedby="caption-attachment-33330" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33330" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2.jpg" alt="Imagem retangular. O cenário da imagem é uma delegacia, no centro, Leonardo Bittencourt, um homem branco de curtos cabelos e sobrancelhas pretas. Ele usa uma camiseta de manga comprida preta com uma estampa na frente. Ao seu lado está a atriz Carla Diaz, uma mulher branca de cabelos e sobrancelhas loiras. Ela usa uma camiseta vermelha com uma bolsa em seu ombro direito." width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-33330" class="wp-caption-text">O novo longa mostra como foi o processo de confissão do caso Richthofen (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><a href="https://entretenimento.r7.com/prisma/flavio-ricco/divisor-de-aguas-diz-leo-bittencourt-sobrefilme-do-caso-richthofen-03112023"><span style="font-weight: 400;">Leonardo Bittencourt</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Allan Souza Lima, em suas representações dos irmãos Cravinhos, têm desempenhos diferentes. Bittencourt não tem muita precisão em demonstrar o nervosismo que Daniel demandava naquele momento, diferentemente do representante de Cristian Cravinhos, que tem uma das melhores performances de todo elenco ao interpretar aquele que acabou influenciando em diferentes momentos da investigação. O ápice vem no terceiro ato, próximo da confissão, quando ele mostra com muita maestria como o ser humano se comporta sob pressão e nervosismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento do enredo escrito por Ilana Casoy e </span><a href="https://www.metropoles.com/celebridades/roteirista-revela-se-suzane-von-richthofen-recebeu-por-novo-filme"><span style="font-weight: 400;">Raphael Montes</span></a><span style="font-weight: 400;"> ocorre principalmente por meio da investigação do crime. Contudo, na segunda metade do filme, percebe-se uma aceleração em direção ao clímax, resultando em uma conduta que negligencia a exploração aprofundada dos detalhes da apuração do incidente. A habilidade da polícia em conectar todas as peças de um quebra-cabeça tão difícil é bruscamente simplificada, com base em pequenos descuidos dos personagens, o que pode parecer um tanto quanto duvidoso.</span></p>
<figure id="attachment_33329" aria-describedby="caption-attachment-33329" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33329" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1.jpg" alt=" Imagem retangular. No centro está Carla Diaz, caracterizada para seu personagem como Suzane von Richthofen. Ela é uma mulher branca, de cabelos loiros escuros e olhos castanhos escuros. Ela está sentada em uma cadeira, com os joelhos apoiados na cadeira e seus braços cruzados em cima dos joelhos. Usa uma calça cinza e uma blusa de manga comprida vermelha.  Em sua mão direita segura um cigarro. Ao fundo está  um armário de cor bordô que cobre todo o fundo da atriz." width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33329" class="wp-caption-text">Suzane von Richthofen arquitetou o plano que matou os seus pais em 2002 (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Filmes baseados em </span><a href="https://revistaesquinas.casperlibero.edu.br/arte-e-cultura/cinema/crime-camera-e-acao-qual-o-desafio-etico-de-producoes-true-crime/"><span style="font-weight: 400;">histórias reais</span></a><span style="font-weight: 400;">, especialmente aqueles que abordam crimes brutais como o caso Richthofen, são muito desafiadores. A tarefa é complexa e requer uma sensibilidade competente de toda a equipe envolvida. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Que Matou Os Pais &#8211; A Confissão</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais uma abordagem comercial e midiática do que uma criação de um testemunho significativo que honre a memória das verdadeiras vítimas.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-menina-que-matou-os-pais-a-confissao-critica/">O dilema de Suzane von Richthofen em A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança: uma Rachel Weisz é boa, duas é melhor</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Apr 2024 15:17:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Rachel Weisz nunca pode ser demais e Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança sabe disso. Com a atriz britânica na pele das gêmeas Beverly e Elliot Mantle, a releitura do filme (quase) homônimo de David Cronenberg vira do avesso para explorar o outro lado da moeda: o longa original se torna uma minissérie e os &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gemeas-morbida-semelhanca-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança: uma Rachel Weisz é boa, duas é melhor"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33305" aria-describedby="caption-attachment-33305" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33305" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-1.jpg" alt="Cena da série Gêmeas - Mórbida Semelhança." width="967" height="403" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-1.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-1-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-1-768x320.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33305" class="wp-caption-text">Além de dar vida às duas protagonistas da minissérie, Rachel Weisz também é produtora (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rachel Weisz nunca pode ser demais e </span><i><span style="font-weight: 400;">Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança </span></i><span style="font-weight: 400;">sabe disso. Com a atriz britânica na pele das gêmeas Beverly e Elliot Mantle, a releitura do filme (quase) homônimo de David Cronenberg vira do avesso para explorar o outro lado da moeda: o longa original se torna uma minissérie e os irmãos, irmãs. No entanto, a obsessão e a </span><a href="https://www.emmys.com/news/press-releases/emmy-magazine-2023-03"><span style="font-weight: 400;">relação doentia</span></a><span style="font-weight: 400;"> um pelo outro se mantém e a produção leva os limites médicos ao extremo, ao mesmo tempo que lida com duas figuras opostas presas em uma só.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QknATQ-niHM"><span style="font-weight: 400;">série</span></a><span style="font-weight: 400;">, Beverly e Elliot são médicas obstetras insatisfeitas com a maneira como o sistema de saúde lida com mulheres grávidas. Juntas, elas buscam investimento para abrir seu próprio centro de maternidade. A perfeita harmonia das duas beira a insanidade, mas a simbiose funciona no âmbito profissional e pessoal &#8211; até a chegada de Genevieve (Britne Oldford). Quando a atriz se envolve com uma das irmãs e elas se veem obrigadas a não mais viver uma para outra, o desequilíbrio leva desde a convivência doméstica até os bastidores da medicina ao extremo.</span></p>
<p><span id="more-33298"></span></p>
<figure id="attachment_33303" aria-describedby="caption-attachment-33303" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33303" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-3.jpg" alt="" width="967" height="403" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-3.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-3-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-3-768x320.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33303" class="wp-caption-text">No filme de David Cronenberg, os gêmeos Beverly e Elliot são vividos por Jeremy Irons (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança </span></i><span style="font-weight: 400;">vem da mesma premissa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JTcVnvXXUuo"><i><span style="font-weight: 400;">Gêmeos &#8211; Mórbida Semelhança</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Igualmente, no filme original os irmãos Beverly e Elliot vivem uma sintonia maníaca, que só é abalada com o envolvimento de um dos gêmeos com uma atriz. Enquanto o longa de Cronenberg é essencialmente movido pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">body horror</span></i><span style="font-weight: 400;">, com a medicina e a ginecologia servindo como pano de fundo para abrir caminhos aos </span><a href="https://personaunesp.com.br/titane-critica/"><span style="font-weight: 400;">horrores da carne</span></a><span style="font-weight: 400;">, a minissérie se volta ao psicológico das irmãs Mantle.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ambas serem vividas por Weisz, a diferenciação é clara. Beverly é calma, contida e estratégica. Já Elliot fala o que vem na telha, não controla seus impulsos e nem sua boca, mas também não esconde sua devoção pela irmã mais nova. Com as duas estando lado a lado, sozinhas ou interagindo com outras pessoas, a atriz deixa claro como domina ambos lados da moeda e transita entre elas com tamanha facilidade que chega a confundir quem ainda não se familiarizou com os maneirismos de cada uma. Nos momentos em que Elliot finge ser Beverly ou vice e versa, Rachel Weisz prova sua maestria e faz qualquer indicação de Melhor Atriz em Minissérie parecer pouco para seu desempenho &#8211; ainda assim, ela concorreu à categoria no Globo de Ouro, perdendo para Ali Wong, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/treta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Treta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33304" aria-describedby="caption-attachment-33304" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33304" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-2.jpg" alt="" width="967" height="403" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-2.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-2-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-2-768x320.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33304" class="wp-caption-text">Rachel Weisz foi indicada como Melhor Atriz em Série Limitada, Antologia ou Telefilme no Globo de Ouro (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança </span></i><span style="font-weight: 400;">brilha em diferentes frontes. Se a </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/rachel-weizs-sobre-dead-ringers-trabalho-mais-dificil-da-vida"><span style="font-weight: 400;">atuação de Weisz</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o grande chamariz da produção, o roteiro a dez mãos dá à atriz as condições para isso.  Ousada e mórbida, a condução da minissérie transita entre a tensão e o horror, com momentos de comicidade que arrancam uma risada nervosa de quem não sabe o que esperar do que vem a seguir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O estudo das personagens &#8211; além de reforçar que Rachel Weisz é tão </span><a href="https://personaunesp.com.br/viuva-negra-critica/"><span style="font-weight: 400;">habilidosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que tem química com ela mesma &#8211; confere ainda mais profundidade à série. Conforme Beverly e Elliot se entrelaçam uma na vida da outra, de maneiras até bizarras, as duas criam um embate entre seus objetivos. Enquanto a primeira é idealista e (a princípio) ética na busca por criar um ambiente que dê atendimento humanizado às gestantes, Elliot usa o espaço para abusar de experimentos ilegais em nome da medicina. Ambas defendem seus projetos com a vida e criam uma relação fascinante de co-dependência e estímulo intelectual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas mãos de Alice Birch, indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">por </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/succession-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a minissérie ainda ganha tons de horror e drama. Articulando um design de produção que torna tudo mais sombrio, como o centro obstétrico cheio de segredos e aventais vermelho sangue (mérito de Erin Magill e Adam Scher), e uma fotografia acinzentada e com truques visuais para mostrar as gêmeas lado a lado (responsabilidade de Laura Merians Goncalves e Jody Lee Lipes), </span><i><span style="font-weight: 400;">Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança </span></i><span style="font-weight: 400;">aproveita a ingrata tarefa de adaptar a obra do mestre do </span><i><span style="font-weight: 400;">body horror </span></i><span style="font-weight: 400;">para criar um universo revitalizado.</span></p>
<figure id="attachment_33302" aria-describedby="caption-attachment-33302" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33302" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-4.jpg" alt="" width="967" height="403" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-4.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-4-768x320.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33302" class="wp-caption-text">Ninguém está preparado para a conclusão de Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança </span></i><span style="font-weight: 400;">pode ter feito pouco barulho no catálogo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video </span></i><span style="font-weight: 400;">ou na temporada de premiações, abocanhando apenas uma menção para Weisz no Globo de Ouro e uma para Lee Lipes como Melhor Cinematografia no </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, a releitura de Cronenberg traz o horror para o universo feminino e mostra que as gêmeas podem ser tão tresloucadas e interessantes quanto os gêmeos.</span></p>
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		<title>NYAD nada contra a corrente</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Mar 2024 21:16:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Uma travessia de 180 km, Annette Bening e Jodie Foster, a soma equaliza uma das maiores produções inspiradas em histórias da vida real dos últimos anos: NYAD. A trama lançada pela Netflix em 2023 traz um combo de veracidade, suspense e uma atuação de primeira, com um equilíbrio bastante acertado. Dirigido por Jimmy &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nyad-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "NYAD nada contra a corrente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32687" aria-describedby="caption-attachment-32687" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32687" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad1-fgzj-superJumbo-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad1-fgzj-superJumbo-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad1-fgzj-superJumbo-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad1-fgzj-superJumbo-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad1-fgzj-superJumbo-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad1-fgzj-superJumbo-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad1-fgzj-superJumbo.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32687" class="wp-caption-text">Inspirado na história real da nadadora Diana Nyad, NYAD encontra abrigo em vencer à contragosto (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma travessia de 180 km, <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/annette-bening-indicada-ao-oscar-agradece-apoio-dos-fas-indignados/">Annette Bening</a> e Jodie Foster, a soma equaliza uma das maiores produções inspiradas em histórias da vida real dos últimos anos: </span><i><span style="font-weight: 400;">NYAD</span></i><span style="font-weight: 400;">. A trama lançada pela</span><i><span style="font-weight: 400;"> Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2023 traz um combo de veracidade, suspense e uma atuação de primeira, com um equilíbrio bastante acertado. Dirigido por Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi, o longa-metragem mixa tons de persistência e uma ousadia quase negligente.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme conta a história da nadadora <a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/a-controversa-historia-real-por-tras-do-filme-nyad-da-netflix/mobile">Diana Nyad</a> (Annette Bening) que, aos 60 anos, vai em busca de refazer um feito que tentou aos 28: atravessar o oceano de Cuba até a Flórida nadando. O sonho que já parecia completamente insano na juventude, quando a protagonista persistiu por 42 horas no trajeto com uma gaiola de tubarão, mas não conseguiu aguentar, agora soa impossível. No entanto, quebrar as regras do lógico é uma das características desta história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><span id="more-32679"></span></p>
<figure id="attachment_32684" aria-describedby="caption-attachment-32684" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32684" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad-credito-Kimberley-French-netflix.jpg-1.jpg" alt="" width="720" height="440" /><figcaption id="caption-attachment-32684" class="wp-caption-text">“Diga-me, o que você planeja fazer com sua única, selvagem e preciosa vida?” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão de correr riscos não se limita a Nyad enquanto pessoa ou personagem, mas também é compartilhada pelas escolhas de roteiro do longa. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> decidem seguir por um caminho que poderia dar completamente errado, já que juntam cenas da <a href="https://youtu.be/hkViDuTs8fo?si=XzuTds6JG9w1XCJp">verdadeira</a> nadadora quando estava na casa dos 20 anos com a atuação impecável de Bening a interpretando na terceira idade. Em uma completa imprevisibilidade, o recurso funciona perfeitamente bem. As duas definitivamente são uma e não há como questionar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O movimento entrega quem está por trás do enredo, que tem como nomes responsáveis o de <a href="https://youtu.be/C2gvwFE5_1k?si=EmCVqN-AiNrWirSN">Julia Cox</a> e o da própria Diana Nyad. Assim, percebemos o motivo da narrativa tratar tudo com tantos detalhes e conseguir levar a atleta para a tela em literalidade. Sobra também a sensação de que assistir a produção é uma experiência entre invadir os bastidores de um dos maiores feitos da história do Esporte e ver </span><i><span style="font-weight: 400;">flashs</span></i><span style="font-weight: 400;"> de um documentário bem embasado. </span></p>
<figure id="attachment_32692" aria-describedby="caption-attachment-32692" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32692 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Nyad2-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Nyad2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Nyad2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Nyad2.jpg 960w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32692" class="wp-caption-text">NYAD é baseado na autobiografia de Diana Nyad, Find a Way (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma jornada como a de </span><i><span style="font-weight: 400;">NYAD</span></i><span style="font-weight: 400;"> não poderia ser feita em papel solo e aí entra a presença de <a href="https://recortelirico.com.br/2023/sabrinasantos/nyad/">Bonnie Stoll</a> (Jodie Foster). A treinadora e a nadadora são sublimes juntas, completamente capazes de encantar os espectadores mais exigentes. O companheirismo, a cumplicidade e a comicidade na relação entre as duas são completamente intoxicantes – na melhor das versões do termo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fica um lembrete de que a atuação de <a href="https://www.termometrooscar.com/cinema-eacute-tudo-isso---blog/os-5-motivos-que-darao-o-oscar-2024-de-melhor-atriz-coadjuvante-para-jodie-foster-por-nyad">Foster</a> é totalmente acertada. Ela passeia entre ser dura, como são as treinadoras, e emocionada, como são as amigas, resultando em alguém que se compara a quem está do lado de fora. Ao apoiar a protagonista nessa aventura ‘fora da caixinha’, há o cumprimento do ideal de que, sim, podemos fazer qualquer coisa. Entretanto, também sobra preocupação e uma jornada de desespero e medo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É essa dualidade que talvez cause o maior dos incômodos ao assistir o filme. Por um lado, é muito inspirador ver uma mulher que aos 60 anos não desistiu do seu sonho, luta por ele e o conquista. Por outro, é extremamente agoniante testemunhar a jornada de alguém que simplesmente se joga aos tubarões por uma conquista que, talvez, nem seja tão relevante quando você já foi uma das maiores de sua <a href="https://correnteza.substack.com/p/as-mares-da-vida">época</a>.</span></p>
<figure id="attachment_32695" aria-describedby="caption-attachment-32695" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32695 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/equipe-nyad-e1700850769621-1.jpeg" alt="" width="600" height="399" /><figcaption id="caption-attachment-32695" class="wp-caption-text">NYAD foi exibido no 48° Festival de Toronto (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dos pesares, </span><i><span style="font-weight: 400;">NYAD </span></i><span style="font-weight: 400;">vem do real e não cabe a nós questionar um sonho. Ainda mais quando ele resulta em uma história que já é incrível fora do audiovisual e, dificilmente, se tornaria menos interessante no vídeo. É claro que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2024 também não discorda e a obra concorre nas duas categorias femininas de atuação, com Jodie Foster indicada a Melhor Atriz Coadjuvante e Annette Bening a Melhor Atriz. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">As atrizes também foram notadas por outras premiações de peso, como o <a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/">Globo de Ouro</a>, nas categorias Melhor Atriz em Filme de Drama e Melhor Atriz Coadjuvante. Afinal, elas de fato merecem ser reconhecidas, já que encarnaram suas personagens. Além disso, a produção concorre como Melhor Filme no </span><i><span style="font-weight: 400;">GLAAD Media Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, que acontece no dia 14 de Março de 2024, pouco após a cerimônia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> no dia 10. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3anCgVSQb3Q?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, não existem dúvidas, </span><i><span style="font-weight: 400;">NYAD</span></i><span style="font-weight: 400;"> vale mais que a pena. Do dinamismo ao <a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/">suspense</a>, tudo é bem feito o suficiente para merecer uma apreciação com direito a pipoca e ‘gritinhos’ de incentivo a Nyad como se aquilo estivesse acontecendo ao vivo. Também é o tipo de história que com certeza precisa ser conhecida e não há nada melhor do que fazer isso por meio de uma boa produção audiovisual. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Por aqui não costumamos datar os textos, mas seria impossível a crítica sobre uma grande mulher sair no dia oito de Março e não lembrar do Dia Internacional das Mulheres. Diana Nyad é gigante, apesar das <a href="https://www.historyvshollywood.com/reelfaces/nyad/">controvérsias</a>, e é sempre um prazer assistir obras que contemplam figuras femininas donas de si e, com certeza, representam essa data com destreza. Nem a fúria de um oceano conseguiu parar uma mulher determinada, porque na narrativa de quem se escreve, não existem obstáculos capazes de impedir a vitória. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>As Yellowjackets fazem seus sacrifícios</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Jul 2023 18:46:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda Há como argumentar que não há sentimento mais antigo à humanidade do que a fome. Não apenas a sempre presente fome metafórica para expandir a experiência humana (poder, conhecimento, amor, etc), mas a fome que serve ao imperativo biológico máximo: sobrevivência. Todos nós nascemos com um espaço vazio na barriga, que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/yellowjackets-2a-temporada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As Yellowjackets fazem seus sacrifícios"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31266" aria-describedby="caption-attachment-31266" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image7.png" alt="Cena da segunda temporada de Yellowjackets. Lottie (Courtney Eaton) olha para dentro de uma janela coberta por neve. A câmera está olhando para ela de dentro para fora. Lottie é uma adolescente de descendência indo-asiática, com pele marrom, cabelos longos e olhos marrons. Suas bochechas estão coradas pelo frio intenso, e ela tenta tirar neve da janela com sua mão direita. Sua expressão é de medo e consternação. Atrás dela, podemos ver uma paisagem florestal fora de foco, branca por conta da nevada. Do lado de dentro, podemos enxergar um fecho metálico do lado de dentro da janela, parecido com uma maçaneta." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image7.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image7-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image7-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image7-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image7-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image7-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31266" class="wp-caption-text">“O Destino/Contra a sua vontade/Para o que der e vier/Vai esperar até/Você se entregar a ele” &#8211; Echo &amp; the Bunnymen, “<a href="https://www.letras.mus.br/echo-and-the-bunnymen/78936/">The Killing Moon</a>” (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há como argumentar que não há sentimento mais antigo à humanidade do que a </span><a href="https://www.michigandaily.com/arts/digging-into-the-heart-of-the-cannibal-romance/"><span style="font-weight: 400;">fome</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não apenas a sempre presente fome metafórica para expandir a experiência humana (poder, conhecimento, amor, etc), mas a fome que serve ao imperativo biológico máximo: sobrevivência. Todos nós nascemos com um espaço vazio na barriga, que grita para ser preenchido que paradoxalmente nunca o será &#8211; pelo menos não por muito tempo. Neste exato momento, se você se concentrar, é possível olhar para dentro e sentir a besta arreganhando os dentes ou lambendo as patas, se preparando para a próxima caçada. Até que ponto você consegue deixar ela enjaulada?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na segunda temporada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/yellowjackets-1a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, drama do </span><i><span style="font-weight: 400;">Showtime</span></i><span style="font-weight: 400;"> indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nos reencontramos com o time de futebol feminino de Wiskayok High, dessa vez tendo que sobreviver ao brutal inverno canadense, com a falta de comida e tensões crescentes entre o grupo ameaçando enterrá-las sob a neve. Em um </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Flashforward"><i><span style="font-weight: 400;">flashforward</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para o momento de seu resgate, diversos repórteres se amontoam sobre elas, todos desejando serem os primeiros a perguntar o que todos querem saber: </span><i><span style="font-weight: 400;">como elas sobreviverem lá fora?</span></i><span style="font-weight: 400;"> Lottie (Courtney Eaton) é a única a oferecer uma resposta, na forma de um grito primal e sinistro que ecoa sobre a audiência antes de ser engolido pela abertura do seriado.</span></p>
<p><span id="more-31259"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.otempo.com.br/entretenimento/filmes-e-series/yellowjackets-as-tragedias-da-vida-real-que-inspiraram-a-serie-1.2841680"><span style="font-weight: 400;">canibalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre foi o grande segredo aberto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde que o episódio piloto fechou com uma ceia macabra entre figuras mascaradas, nós sabíamos que aquelas garotas iriam se tornar caçadoras de si mesmas. Ao fornecer primeiro o resultado da equação, o seriado derrama seu foco sobre as variáveis que o possibilitaram, em que o mistério não é o que vai ou não acontecer, mas o porquê de acontecer. Havia mesmo uma força sobrenatural influenciando os acontecimentos naquela floresta, ou apenas um grupo de garotas forçadas a se desprender da realidade para sobreviver? E, crucialmente, há alguma diferença entre um e outro?</span></p>
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<p><span style="font-weight: 400;">Fica óbvio relativamente cedo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets </span></i><span style="font-weight: 400;">não voltou com a intenção de se provar. Enquanto a primeira temporada termina com um questionamento (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem diabos é Lottie Matthews?</span></i><span style="font-weight: 400;">”), a segunda começa imediatamente com a resposta, na forma da introdução da versão adulta da personagem, interpretada pela neozelandesa Simone Kessell, que lidera uma “comunidade intencional” que, segundo a própria, definitivamente</span><i><span style="font-weight: 400;"> não </span></i><span style="font-weight: 400;">é um </span><a href="https://www.gamereactor.pt/o-numero-de-telefone-para-o-culto-de-lottie-em-yellowjackets-realmente-funciona-829093/"><span style="font-weight: 400;">culto</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tanto lá quanto na floresta, a motivação de Lottie parece ser apenas a de querer ajudar aqueles ao seu redor a sobreviver. Ao invés da líder religiosa pagã que nos foi prometida, a personagem na nossa frente parece ser um livro aberto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A disposição a subverter nossas expectativas é inerente à </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i><span style="font-weight: 400;">, que sempre soube surpreender usando seu arsenal duplamente versátil de atrizes. Na segunda temporada, essa disposição se torna uma faca de dois gumes, já que agora não estamos mais atrelados à versão introdutória dessas personagens e começamos a determinar melhor o arco prometido pela produção, que insiste em jogar com cautela quando esperamos que ela será ousada. O ritmo lento, a exibição semanal e a </span><a href="https://edition.cnn.com/2023/03/23/entertainment/yellowjackets-lost-season-2/index.html"><span style="font-weight: 400;">sede por respostas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu público contribuem para uma temporada que por vezes frustra por parecer reter suas melhores cartas para sua conclusão. Não demora para percebermos que cada fim de capítulo termina com uma promessa para a semana seguinte, um padrão desleal de serialização que parece ir contra às tendências subversivas da série.</span></p>
<figure id="attachment_31261" aria-describedby="caption-attachment-31261" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31261" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4-1.png" alt="Cena da segunda temporada de Yellowjackets. Várias meninas se reúnem ao redor de uma fonte de luz, em cenário nevado, formando uma meia lua enquanto olham para a luz vinda do canto inferior esquerdo da tela. Da direita para a esquerda vemos Van (Liv Hewson), Taissa (Jasmin Savoy-Brown), Natalie (Sophie Thatcher), Akilah (Keeya King), Lottie (Courtney Eaton), Shauna (Sophie Nélisse), Mari (Alexa Barajas), Misty (Samantha Hanratty) e Crystal (Nuha Jes Izman). Na parte de trás, no canto superior direito, vemos o treinador Scott (Steven Krueger) se apoiando contra a entrada da cabana, também observando. Dando um passo para a frente e se posicionando no centro do semicírculo, está Shauna, uma adolescente caucasiana pálida e grávida, usando várias camadas de materiais para se aquecer. O restante das adolescentes usam a mesma variação de roupas, misturando tecidos cobertos com uniformes do time." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31261" class="wp-caption-text">O elenco jovem de Yellowjackets fica ainda maior graças a adição de alguns membros do time reserva que convenientemente ainda não haviam falado antes (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na linha temporal de 1996, o inverno faz </span><a href="https://theface.com/culture/how-the-cast-of-yellowjackets-became-behind-the-scenes-besties-season-two"><span style="font-weight: 400;">as Yellowjackets</span></a><span style="font-weight: 400;"> a se abrigarem quase que exclusivamente na cabana abandonada, restringindo os movimentos físicos de suas personagens e criando um ecossistema inteiro dentro dos poucos cômodos que elas possuem para se proteger das nevascas que não param de cair. Se por um lado a temperatura do lado de fora está baixando, no interior da cabana os sentimentos estão entrando em ebulição. Cada sobrevivente tem que lidar com seus próprios problemas e, posicionada como uma intermediária entre o grupo e a floresta, Lottie se torna um ponto chave na estrutura social sendo lentamente estabelecida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No presente, as coisas estão mais fresquinhas, embora a ameaça do inverno paire sobre todas, ainda mais com o aparente ressurgimento de sua antiga colega. Shauna (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-1a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Melanie Lynskey</span></a><span style="font-weight: 400;">) tenta reparar seus laços familiares enquanto se prepara para a possibilidade de seus pecados retornarem para atormentá-la. Taissa (Tawny Cypress), agora eleita senadora estadual, também vê seu núcleo familiar se desintegrando graças aos traumas do passado e procura por salvação no colo de Van (introduzindo Lauren Ambrose na versão adulta da personagem). Já Misty (</span><a href="https://personaunesp.com.br/wandinha-1a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Christina Ricci</span></a><span style="font-weight: 400;">) se vê obcecada por preservar o laço entre suas ex-companheiras de time e desvendar o desaparecimento de sua “melhor amiga”, Natalie (Juliette Lewis), brevemente presa no complexo de Lottie.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das diferenças, o grande trunfo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets </span></i><span style="font-weight: 400;">continua sendo a interposição entre os dois períodos e a maneira com que a edição e as interpretações duais tensionam a narrativa para diferentes direções. Todos os pares continuamente adicionam camadas às personagens que, mesmo 25 anos depois, não conseguem escapar dos ciclos de violência e da </span><a href="https://www.redalyc.org/journal/5766/576664910013/html/"><span style="font-weight: 400;">lógica sacrificial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que marcaram seu tempo na floresta.</span></p>
<figure id="attachment_31260" aria-describedby="caption-attachment-31260" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31260" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-2.png" alt="Cena da segunda temporada de Yellowjackets. Vemos a versão adulta de Natalie (Juliette Lewis) sentada ao lado de sua versão adulta (Sophie Thatcher), em poltronas vizinhas de um avião vazio. À direita, a versão jovem é uma adolescente caucasiana de cabelos longos e loiros. Ela usa uma jaqueta de couro preta por cima de uma camisa branca, olhando diretamente para sua versão adulta. Esta, à esquerda, é uma mulher caucasiana de cabelos pretos, na altura dos ombros, usando uma jaqueta de couro preta por cima de uma camisa branca. A enxergamos de perfil, também olhando diretamente para sua contraparte. As poltronas em que elas se sentam são azuis, com acabamentos brancos no encosto. Atrás delas, fora de foco, podemos ver as paredes do avião, com as janelas escuras." width="1296" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-2.png 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-2-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-2-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-2-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-2-1200x676.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31260" class="wp-caption-text">Dessa vez submetida como Melhor Atriz em Drama, Juliette Lewis vai lutar por uma indicação ao Emmy junto de Melanie Lynskey, Tawny Cypress e Sophie Nélisse (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda como coadjuvantes, </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/film/courtney-eaton-and-simone-kessell-have-a-meeting-of-the-lotties"><span style="font-weight: 400;">Eaton e Kessell</span></a><span style="font-weight: 400;"> fazem de Lottie uma das figuras mais intrigantes da série, central mesmo enquanto orbita outras narrativas. Juntas, elas pintam um quadro de empatia radical e quase psicótica, muito mais interessante e evocativo do que apenas uma vilã cultista seria capaz de oferecer. Após o rapto de Natalie ao final da temporada anterior, Lottie faz o possível para explicar a nobreza de seus atos e, mesmo quando parece óbvio que ela não está falando toda a verdade, fica difícil duvidar da sinceridade de suas motivações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No passado, ela se encontra quase que acidentalmente na posição de líder do grupo, sendo a única capaz de se “comunicar” com a floresta e de receber suas dádivas. Seja essa comunhão verdadeira ou fruto da mente de Lottie, é algo que o restante das Yellowjackets abraça ou rejeita, causando uma cisão entre devotas e céticas que só vai ficando mais turva conforme a temporada avança. Linhas são traçadas na neve, mesmo que as meninas (e a própria audiência) não saibam enxergá-las ainda. O mistério acerca do que realmente há na floresta permanece uma incógnita, apesar da temporada ser fortemente marcada pelos </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/yellowjackets-elenco-vomitou-apos-gravar-cena-grotesca-da-segunda-temporada-100012"><span style="font-weight: 400;">sacrifícios</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o time precisa fazer para o quer que haja lá.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas </span><a href="https://screenrant.com/yellowjackets-supernatural-evidence-support-against/"><span style="font-weight: 400;">e se não houvesse nada lá</span></a><span style="font-weight: 400;">? E se, como elas repetem desde o início, tudo o que aconteceu foi que um bando de crianças ficaram presas numa situação impossível e tiveram de sobreviver da forma que podiam? E se os sacrifícios feitos foram apenas para elas mesmas? </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i><span style="font-weight: 400;">, mais uma vez, não oferece uma resposta definitiva, mas um conjunto de signos para fornecer uma reflexão. Parte do gênio da narrativa está não só em como as linhas temporais se espelham, mas em como elas tematicamente se cruzam. Nenhuma dessas garotas realmente escapou daquela floresta nos 25 anos que se passaram desde a queda do avião. E boa parte delas gostaria de poder voltar para lá de algum jeito.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Fizemos muitas pesquisas, como sempre fazemos, e percebemos que TEPT </span><span style="font-weight: 400;">[transtorno de estresse pós-traumático] </span><span style="font-weight: 400;">— é realmente quando algo te engatilha e os mesmos neurotransmissores, as mesmas sensações que você teve quando o evento aconteceu no passado, você as tem de novo. Não acontece com todos nós, mas acontece com essas personagens. E nós sentimos que reviver isso pode ser vívido. A última coisa que irei dizer é que, apesar do que elas passaram, apesar do quão angustiante e horrível foi, essas jovens mulheres — na verdade agora na fase da meia-idade — estranhamente ainda sentem saudades daquele tempo, porque havia uma liberdade extasiante e poética naquela loucura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— </span><a href="https://variety.com/2023/tv/news/yellowjackets-executive-producers-themes-trauma-ptsd-season-2-1235562988/"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Lisco</span></a><span style="font-weight: 400;">, Produtor Executivo</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo após os eventos dramáticos da primeira temporada, Shauna continua sua sequência de escolhas duvidosas, que agora ameaçam não apenas sua própria segurança como também a de sua família, e sua relação fragilizada com sua filha, Callie (Sarah Desjardins), e seu marido, Jeff (Warren Kole), entra em primeiro plano. Apesar de estar à beira de mais um precipício, essa é a Shauna mais segura de si que vemos desde que o avião caiu. Melanie Lynskey reconhece </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/melanie-lynskey-fazer-algu%C3%A9m-complexo-e-sexy-%C3%A9-uma-loucura-1.1011761"><span style="font-weight: 400;">a complexidade narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> da personagem, mas ancora sua interpretação com uma sentimentalidade doce e intoxicante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A família Sadecki forma um núcleo inesperadamente meigo, ou tão meigo quanto possível nas atuais circunstâncias. Nele, o roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i><span style="font-weight: 400;"> se transforma numa tragicomédia de erros, explorando relacionamentos de sexualidade, intimidade e repulsa que repousam no fundo do ideal familiar americano. Na pele de Jeff, Kole expande o marido amável e meio sem noção que conhecemos no ano anterior, lidando com as curvas que sua esposa não cansa de lançar em sua vida. Sarah Desjardins </span><a href="https://mashable.com/article/yellowjackets-s2-callie-sarah-desjardins"><span style="font-weight: 400;">surpreende</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao habitar uma Callie muito mais inserida na vida secreta que seus pais aparentemente levam, ansiando por entender uma mãe que mantém seu próprio coração fechado à sete chaves, criando um dos pontos de tensão mais frequentes da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contraparte jovem de Shauna, Sophie Nélisse é igualmente impressionante no quadro retroativo que a audiência monta sobre a personagem. Imersa no luto pela perda evitável de Jackie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/arcane-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ella Purnell</span></a><span style="font-weight: 400;">), ela se vê sem direção, tendo que redescobrir a pessoa que é no meio da selvageria que consome as Yellowjackets pouco a pouco. Sua gravidez inesperada também é outro dos fios condutores da temporada, atingindo seu auge no sexto episódio, </span><a href="https://youtu.be/xgKHEL4UIKk"><i><span style="font-weight: 400;">Qui</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, talvez o melhor do novo ano, em que a performance potente de Nélisse abre uma ferida profunda na narrativa que não será fechada tão cedo.</span></p>
<figure id="attachment_31263" aria-describedby="caption-attachment-31263" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31263" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1.png" alt=" Cena da segunda temporada de Yellowjackets. Shauna (Melanie Lynskey) e Callie (Sarah Desjardins) conversam apoiadas no capô de um sedan vermelho. Shauna, à direita, é uma mulher caucasiana de meia idade, cabelos pretos até os ombros, usando uma jaqueta vermelha por cima de uma camisa azul e calças azuis-escuras. Callie, à esquerda, é uma adolescente caucasiana de cabelos castanhos-escuros longos, usando um casaco xadrez branco e rosa fechado com calças jeans. Shauna segura suas mãos, observando intensamente Callie, que por sua vez apoia suas mãos nas coxas, olhando temerosa para a mãe. As duas estão paradas no meio de uma estrada, durante o dia, e podemos ver alguns arbustos fora de foco no canto esquerdo da tela, enquanto a estrada continua pelo canto direito, também fora de foco." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31263" class="wp-caption-text">Tal mãe, tal filha (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de começar no encalço do ano anterior, demoram alguns episódios para que </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets </span></i><span style="font-weight: 400;">encontre seu novo ritmo. Apesar de um começo forte com o capítulo </span><a href="https://youtu.be/vstlbtJ7cfg"><i><span style="font-weight: 400;">Friends, Romans, Countrymen</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (fazendo </span><a href="https://www.poetryfoundation.org/poems/56968/speech-friends-romans-countrymen-lend-me-your-ears"><span style="font-weight: 400;">referência</span></a><span style="font-weight: 400;"> à célebre passagem da tragédia de Shakespeare, </span><a href="https://www.culturaanimi.com.br/post/j%C3%BAlio-c%C3%A9sar-de-william-shakespeare"><i><span style="font-weight: 400;">Júlio César</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), a trama separa o caminho de suas personagens muito cedo e priva a audiência das dinâmicas tão bem formadas entre elas. A série usa essa separação como respiro, introduzindo mais alguns personagens secundários (em ambas as linhas temporais) para reforçar as narrativas individuais traçadas até então.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhando Misty no presente, conhecemos Walter (Elijah Wood), outro “detetive cidadão” cujo passatempo é desvendar mistérios reais e que toma interesse no caso do desaparecimento de Adam (Peter Gadiot). Juntos, o peculiar </span><i><span style="font-weight: 400;">duo</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai traçando o caminho de Natalie até Lottie, e também vai ecoando a amizade inusitada que Misty (interpretada na adolescência por Samantha Hanratty) fez na floresta com Crystal (Nuha Jes Izman), uma sobrevivente do time reserva. Tanto Ricci quanto Hanratty claramente se divertem com a instabilidade de sua personagem, guiando-a numa direção de psicopatia que por vezes cai de cabeça no </span><a href="https://www.domestika.org/pt/blog/8006-como-camp-se-tornou-a-estetica-essencial-do-universo-queer"><i><span style="font-weight: 400;">camp</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, particularmente numa sequência alucinógena próxima ao fim da temporada, com direito à papagaios antropomorfizados e uma participação especial de John Cameron Mitchell.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As que mais sofrem com a falta de ritmo inicial são Taissa e Van, que são relegadas a algumas cenas por episódio dedicadas ao restabelecimento de sua relação (que só começa a ser explorada na linha do tempo atual a partir da segunda metade da temporada). Em 1996, o conflito das duas parte tanto da fé que Van deposita em Lottie quanto das escapadas noturnas que o </span><i><span style="font-weight: 400;">alter ego</span></i><span style="font-weight: 400;"> sonâmbulo de Taissa parece dedicado a continuar. Assim como Kessell, Lauren Ambrose se prova uma adição orgânica ao elenco da produção, </span><a href="https://www.canalbang.com.br/post/yellowjackets-temporada-2-lauren-ambrose-fala-como-van-mudou-ao-longo-dos-anos"><span style="font-weight: 400;">contracenando perfeitamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> com os maneirismos estabelecidos por Liv Hewson na versão jovem da personagem.</span></p>
<p><figure id="attachment_31262" aria-describedby="caption-attachment-31262" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31262" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-1.png" alt="Cena da segunda temporada de Yellowjackets. Misty (Christina Ricci) e Walter (Elijah Wood) estão de pé em um estacionamento, olhando para frente. Misty é uma mulher caucasiana de cabelos loiros e encaracolados, usando um casaco amarelo fechado. Walter é um homem caucasiano de cabelos pretos e curtos, usando um colete marrom com listras por laranjas e brancas por cima de uma camiseta de manga longa cinza. Walter está com as mãos pressionadas em cada lado da cintura. Atrás deles, podemos ver uma floresta enevoada, com várias árvores e algumas rochas cobrindo o horizonte. Atrás de Walter, no canto direito, vemos a parte dianteira de um carro azul estacionado e, atrás dele, a janela de um carro verde." width="1600" height="903" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-1.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-1-800x452.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-1-1024x578.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-1-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-1-1536x867.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-1-1200x677.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31262" class="wp-caption-text">Christina Ricci e Elijah Wood voltam a dividir cenas 26 anos após ‘Tempestade de Gelo’ (1997), formando um dos pares mais peculiares de Yellowjackets até então [Foto: Showtime]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Entre as sobreviventes, Natalie é a que mais serve como ponto de conexão entre as duas linhas temporais. Enquanto Juliette Lewis constrói o relacionamento entre ela e Lottie no presente, Sophie Thatcher é a primeira a duvidar da influência da mesma sobre o restante do grupo na cabana. Embora aborde a construção da hierarquia selvagem que as meninas formaram (e que até certo ponto se mantém na versão adulta), </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se interessa tanto pelas estruturas de poder em si, mas pelos processos que as mantêm. Se na temporada anterior foi estabelecido que a violência tem seu papel na ordem social, essa vai nos perguntar como tal violência é sancionada e, eventualmente, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nBlP0rTvt54"><span style="font-weight: 400;">santificada</span></a><span style="font-weight: 400;">. O ritual de sacrifício permanece o mesmo, não importa quem use a máscara ou o distintivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Natalie, ocupando o papel principal de provedora do grupo em 1996, vê sua utilidade esvaindo conforme a influência de Lottie ganha força e suas oferendas para a floresta obtêm resultados. Lottie parece apenas desejar pela sobrevivência das garotas, mas o sacerdócio formado ao redor dos rituais a transforma numa mártir viva, puxada para muitos lados sem saber para onde de fato irá. As figuras das duas vão se refletindo durante os nove capítulos, até chegarem no ponto de ruptura trágico em </span><a href="https://youtu.be/mBce3-GwVbQ"><i><span style="font-weight: 400;">Storytelling</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, episódio final da temporada. Reunidas sob um mesmo teto pela primeira vez em anos, cabe às cinco mulheres decidirem, apesar de suas ressalvas, quem será caça ou caçador, quem irá tomar e o que será tomado dessa vez. Ao final de tudo, quem será culpada pelos erros de todas?</span></p>
<figure id="attachment_31265" aria-describedby="caption-attachment-31265" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image6.png" alt="Cena da segunda temporada de Yellowjackets. Mascaradas, Lottie (Simone Kessell) e as outras sobreviventes se preparam para mais uma caçada. Lottie é uma mulher de descendência indo-asiática, parda, de cabelos escuros e longos, usando um robe de pelos dourados por cima de uma roupa escura. Ela segura uma faca grande com um cabo branco na mão direita e usa uma máscara branca por cima do rosto, deixando apenas seus olhos e boca visíveis. Atrás dela, enxergamos, fora de foco, da direita para a esquerda, Misty (Christina Ricci), Taissa (Tawny Cypress) e Van (Lauren Ambrose). Misty é uma mulher caucasiana de cabelos loiros e encaracolados, usando um casaco e calças roxas. Taissa é uma mulher negra de cabelos castanhos e longos, usando um casaco bege por cima de uma camisa escura e calças jeans rasgadas nos joelhos, segurando uma faca de cozinha na mão direita, junto ao peito. Van é uma mulher caucasiana de cabelos longos e ruivos, usando uma jaqueta vermelho-escura por cima de uma camisa verde e calças jeans azuis-escuras, segurando uma faca de cozinha na mão esquerda. Atrás delas, vemos uma floresta escura, iluminada por uma luz alaranjada vinda do canto esquerdo." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image6.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image6-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image6-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31265" class="wp-caption-text">Como nos bons e velhos tempos (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No início da temporada, estamos inclinados a enxergar Lottie como escolha clara para ocupar esse papel: querendo ou não foi ela quem primeiro escutou os sussurros da floresta e trilhou o caminho que as levaria para o canibalismo. Mas, quanto mais acompanhamos as escolhas do grupo, mais claro fica que ela foi a primeira a ser sacrificada: todas as Yellowjackets sacrificaram a menina, transformando-a em santa ou louca conforme a necessidade ditava, jogando culpa ou esperança sobre ela e esperando que </span><a href="https://www.denofgeek.com/tv/yellowjackets-why-lottie-is-a-reluctant-messiah/"><span style="font-weight: 400;">seu papel</span></a><span style="font-weight: 400;"> fosse cumprido. Mesmo depois de serem resgatadas, Lottie não tem direito nem ao seu próprio silêncio, sendo obrigada a regredir ao papel que ocupou durante os 19 meses em que elas passaram na floresta para fazer sentido de sua vida.</span></p>
<p><a href="https://www.instyle.com/lifestyle/yellowjackets-trauma-portrayal"><span style="font-weight: 400;">Regressão</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a palavra da vez no segundo ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não vemos essas personagens superando seus traumas, muito menos seguindo em frente, e não necessariamente porque elas não são capazes, mas porque algo dentro delas anseia por voltar para aquela floresta. Por mais que elas resistam a ideia de que havia algo na floresta com elas, a possibilidade de que não há é ainda mais assustadora. Cada uma delas tem seus motivos para aceitar voltar às mentalidades daquela época, mas no fundo, cada uma tenta expiar a própria culpa em outra pessoa, em poder apontar um criminoso para ser castigado em seu lugar, para ocupar o papel que Lottie interpretou depois que foram resgatadas.</span></p>
<figure id="attachment_31264" aria-describedby="caption-attachment-31264" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31264" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-3.png" alt="Cena da segunda temporada de Yellowjackets. Natalie (Sophie Thatcher) segura uma carta de baralho em sua mão direita, virada para frente, mostrando-a para as outras. Natalie é uma adolescente caucasiana de cabelos loiros e longos, com raiz preta. Ela usa uma jaqueta de couro preta por cima de roupas escuras, usando luvas sem dedos nas mãos. Ela tem uma expressão impassível no rosto. A carta que ela segura em sua mão é uma rainha de copas. Na frente dela, no canto esquerdo da tela, vemos as costas de outra personagem, fora de foco. Ela tem cabelos loiros e usa uma jaqueta amarela. Do lado esquerdo de Natalie, vemos o ombro esquerdo de outra personagem, coberto por um casaco esbranquiçado. Atrás das personagens, vemos o interior de uma cabana, as paredes de madeira escura, iluminadas pela luz de uma fogueira, e uma janela de vidro mostrando a neve que se acumula do outro lado." width="980" height="653" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-3.png 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-3-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31264" class="wp-caption-text">“Ela” escolhe (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na religião da Grécia Antiga, </span><i><span style="font-weight: 400;">pharmakós </span></i><span style="font-weight: 400;">era o nome dado a um ritual feito em tempos difíceis de conflito ou escassez, na qual um sacrifício (</span><i><span style="font-weight: 400;">pharmakoi</span></i><span style="font-weight: 400;">) era selecionado (geralmente entre escravos, pessoas com deficiência ou criminosos) para ser espancado, exilado, ou até morto. Ele era visto como um rito de catarse social, um bode expiatório para sentimentos de agressão crescentes entre uma determinada população e, segundo alguns </span><a href="https://brill.com/view/journals/nu/69/5-6/article-p489_3.xml?ebody=full%20html-copy1"><span style="font-weight: 400;">teóricos contemporâneos</span></a><span style="font-weight: 400;">, um sinal de desconfiança não só entre seus membros, mas com os próprios deuses. Ao mesmo tempo que supre o impulso de violência, o ritual acaba reafirmando sua necessidade, dando continuidade a desconfiança social e espiritual, em um ciclo paradoxical.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É difícil qualificar os sacrifícios feitos pelas Yellowjackets na segunda temporada, porque ainda não temos como saber se os deuses são reais ou não, benevolentes ou maliciosos. Na resposta cruel da equação que ainda temos de resolver, essas mortes são desdobramentos da violência e da desconfiança que se instaurou naquela cabana no inverno de 1996, e as consequências que persistiram mais de duas décadas depois. Os rituais que elas firmaram para manter a ordem não são tão diferentes assim do que os gregos fizeram milhares de anos atrás, numa reafirmação </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/tragedia-grega-daniel-murata/"><span style="font-weight: 400;">trágica</span></a><span style="font-weight: 400;"> da condição humana e do impulso máximo de sobrevivência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob muitos aspectos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets </span></i><span style="font-weight: 400;">permanece a mesma série com a qual nós nos apaixonamos antes: o trabalho excepcional de caracterização, as atuações irretocáveis, os </span><a href="https://www.chippu.com.br/noticias/o-urso-radiohead-needle-drops-analise-let-down-ensaio-texto-critica-cinema-series"><i><span style="font-weight: 400;">needle drops</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> francamente </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/37i9dQZF1DX9X1KhYXrhYB?si=d6c5105d64bb4d01"><span style="font-weight: 400;">geniais</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre outros. Mas algo decididamente mudou. Quer parta com um saldo positivo ou não,  a segunda temporada da produção mostra que suas ambições são bem mais elevadas do que apenas surpreender. Assim como em sua narrativa, sacrifícios são feitos em nome não só da ambição, mas da sobrevivência, ainda que nem todos eles pareçam ter um efeito óbvio. Embora não seja nem de longe tão bem amarrada quanto o ano anterior, </span><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets </span></i><span style="font-weight: 400;">permanece como lar de algumas das dinâmicas mais saborosas da televisão, e continua nos deixando com fome por mais.</span></p>
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		<title>O Menu abocanha o terror psicológico e não deixa nada no prato</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Apr 2023 20:43:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner  Salpique uma jovem fumante sem apetite, ferva um ator latino esquecido, cozinhe alguns empresários corruptos, tempere um fanático por gastronomia, corte uma crítica sem papas na língua e adoce um chef de cozinha assombrado pelo próprio trabalho, faça todas as etapas no desconforto de um restaurante rodeado pelo mar e pronto: a receita &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-menu-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Menu abocanha o terror psicológico e não deixa nada no prato"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30699" aria-describedby="caption-attachment-30699" style="width: 1844px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30699" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image2.png" alt="Cena do filme O Menu. Da esquerda para a direita na imagem, Margot escuta o que o chef Slowik tem a dizer. Ela é uma jovem branca de cabelos ruivos e olhos claros. Ele é um homem branco de cabelos e olhos claros. Margot está sentada em uma mesa do restaurante de Slowik que, por sua vez, está de pé ao seu lado. O chef veste um avental característico da profissão na cor branca. Ao fundo, o cenário é um restaurante pouco iluminado e repleto de clientes" width="1844" height="1058" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image2.png 1844w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image2-800x459.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image2-1024x588.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image2-768x441.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image2-1536x881.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image2-1200x689.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30699" class="wp-caption-text">O novo longa de Mark Mylod traz Anya Taylor-Joy e Ralph Fiennes como protagonistas de uma experiência gastronômica transformadora (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Salpique uma jovem fumante sem apetite, ferva um ator latino esquecido, cozinhe alguns empresários corruptos, tempere um fanático por gastronomia, corte uma crítica sem papas na língua e adoce um chef de cozinha assombrado pelo próprio trabalho, faça todas as etapas no desconforto de um restaurante rodeado pelo mar e pronto: a receita de terror psicológico está servida. Na direção do seu primeiro filme de grande investimento, Mark Mylod prepara para as telas do Cinema o sabor transformador da sátira unida ao suspense com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2MZF2IAJWDs&amp;pp=ygUQdGhlIG1lbnUgdG9yb250bw%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">O Menu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30696"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em Dezembro de 2022 no Brasil, em meio a um </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">cardápio audiovisual</span></a><span style="font-weight: 400;"> recheado por opções para satisfazer todos os gostos durante o ano, o longa é uma sobremesa deliciosa que surpreende ao fazer o público reservar um espaço no estômago para degustá-lo. Ralph Fiennes, na pele do renomado chef de cozinha Slowik, apresenta os dez atos que compõem o menu através de palmas estridentes e discursos teatrais que logo irritam a protagonista deslocada Margot, interpretada pela nova queridinha de Hollywood, </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/cinema/noticia/2020/11/criada-na-argentina-premiada-e-promissora-quem-e-anya-taylor-joy-estrela-de-o-gambito-da-rainha-ckhakftkz00000170id5znhcw.html"><span style="font-weight: 400;">Anya Taylor-Joy</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30697" aria-describedby="caption-attachment-30697" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30697" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image3.jpg" alt="Cena do filme O Menu. Na imagem, Anne observa com os olhos marejados e a expressão tensa algo que está atrás da câmera que, por sua vez, a captura a partir dos ombros. Ela é uma mulher branca de cabelos loiros e olhos escuros. Anne está vestida com adereços que se assemelham à combinação entre marshmallow e chocolate. Ao fundo, o cenário é o restaurante de Slowik, repleto de clientes assustados." width="1284" height="679" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image3.jpg 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image3-800x423.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image3-1024x542.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image3-768x406.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image3-1200x635.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30697" class="wp-caption-text">A sátira da produção ultrapassou o roteiro e gerou frutos para diversos memes nas redes sociais (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro assinado por Seth Reiss e Will Tracy se apoia no </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-menu-filme-critica-arte-fas-e-ainda-lembra-historia-real-confira.phtml"><span style="font-weight: 400;">humor amargo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para satirizar o capitalismo, o egocentrismo da geração que não consegue se alimentar sem fotografar os pratos para postar nas redes sociais e, até mesmo, a crítica especializada. Sim, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> teria altas chances de receber um convite para jantar no infame Hawthorne, afinal, a equipe de profissionais da culinária são extremamente enfáticos com a clientela: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">você irá comer menos do que deseja e mais do que merece</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As atuações de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Menu</span></i><span style="font-weight: 400;"> não destoam da sagacidade presente na apresentação dos pratos, Anya Taylor-Joy e Ralph Fiennes demonstram em cena o motivo pelo qual foram os escolhidos para protagonizar o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/11/o-menu-engrossa-caldo-de-chefs-assassinos-e-refeicoes-indigestas-que-criticam-elite.shtml"><span style="font-weight: 400;">suspense</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por outro lado, com um fundo de comédia, os momentos reservados para o riso são tarefa da garçonete ácida Elsa (</span><span style="font-weight: 400;">Hong Chau)</span><span style="font-weight: 400;"> e do admirador exorbitante de iguarias Tyler (Nicholas Hoult). Tentadores em seus papéis, Janet McTeer, John Leguizamo, Rob Yang e Reed Birney são os demais nomes de destaque da lista de convidados do chef Slowik.</span></p>
<figure id="attachment_30698" aria-describedby="caption-attachment-30698" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30698" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image1.jpg" alt="Cena do filme O Menu. Na imagem, Tyler escuta com os olhos marejados e a expressão tensa algo que o chef Slowik diz ao pé de seu ouvido. Tyler é um jovem branco de cabelos escuros e olhos claros. Slowik é um homem branco de cabelos e olhos claros. Tyler encara a câmera enquanto o chef está de costas para ela, que, por sua vez, captura ambos a partir dos ombros. Ao fundo, o cenário é a cozinha de Slowik" width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/image1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30698" class="wp-caption-text">Assim como em Succession, série com episódios dirigidos por Mark Mylod, as atuações são o grande destaque de The Menu (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Christopher Tellefsen, responsável pela montagem, ou melhor, pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">mise en place</span></i><span style="font-weight: 400;"> do longa, acerta as quantidades e o tempo exato de misturar os ingredientes, assim, colocando os palpites do espectador em xeque a quase todo o instante. Visualmente saborosa, a fotografia de Peter Deming incoerentemente abre o apetite para o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OPckll0qf2c&amp;pp=ygUNdGhlIG1lbnUgY2xpcA%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">clima inóspito</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se instaura pela sala de jantar do restaurante. A trilha sonora é um dos poucos aspectos técnicos que azeda o paladar, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6yKCFjoYUbE&amp;pp=ygUOdGhlIG1lbnUgc2NvcmU%3D"><span style="font-weight: 400;">Colin Stetson</span></a><span style="font-weight: 400;"> não inova e falha na tentativa de eternizar a trama ao som de alguma melodia marcante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os adjetivos que caracterizam a obra de Mark Mylod, atraente e violento sumarizam a experiência gastronômica transformadora que abocanha o terror psicológico e não deixa nada no prato. Se classificado pelos moldes Michelin,</span><i><span style="font-weight: 400;"> O</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Menu</span></i><span style="font-weight: 400;"> certamente é um hambúrguer irresistível que merece as 5 estrelas, já no campo cinematográfico, a sua estreia no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VfKPA09jwzU&amp;pp=ygUQdGhlIG1lbnUgdG9yb250bw%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">47º Festival Internacional de Cinema de Toronto</span></a> <span style="font-weight: 400;">é um alento em meio ao cenário de desvalorização do suspense e da comédia, o que justifica a </span><a href="https://www.instagram.com/p/Cox-_5rLhF4/"><span style="font-weight: 400;">falta de indicações</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos prêmios tradicionais do Cinema.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Menu | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lfbYsIIFYaw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A 2ª temporada de Alice in Borderland bagunça o baralho e guarda uma carta na manga</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Mar 2023 20:47:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner e Thuani Barbosa Inspirada no mangá de mesmo nome, Alice in Borderland retorna ainda mais brutal em sua 2ª temporada. Dirigida por Shinsuke Sato, a trama persegue os protagonistas Ryōhei Arisu (Kento Yamazaki) e Yuzuha Usagi (Tao Tsuchiya) em uma Tóquio apocalíptica e repleta de jogos mortais, criados a partir dos naipes de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alice-in-borderland-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A 2ª temporada de Alice in Borderland bagunça o baralho e guarda uma carta na manga"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30538" aria-describedby="caption-attachment-30538" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30538" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-800x534.jpeg" alt="Cena da série Alice in Borderland. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Ann Rizuna, Hikari Kuina, Yuzuha Usagi e Ryōhei Arisu estão escondidos em meio a uma batalha contra o Rei de Espadas. Rizoma, Kuina e Usagi são mulheres asiáticas de cabelos e olhos escuros. Arisu é um homem asiático de cabelos e olhos escuros. A câmera captura todos agachados. Ann Rizoma veste uma camiseta de botões sem mangas na cor branca e shorts e botas na cor preta. Ela segura uma pistola. Hikari Kuina veste um sutiã azul, um colar, uma calça jeans azul com cinto e tênis na cor branca. Yuzuha Usagi veste uma regata de cor vermelha com legging e tênis na cor preta. Ryōhei Arisu veste uma camiseta branca, calça jeans azul e tênis na cor branca. Ele segura uma arma. O cenário é um estabelecimento acometido pela passagem do tempo e o avanço da natureza verde." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-800x534.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-1024x684.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-768x513.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30538" class="wp-caption-text">Em poucas horas de lançamento, a 2ª temporada de Alice in Borderland alcançou o topo do Top 10 da Netflix (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner e Thuani Barbosa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirada no mangá de mesmo nome, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=N5JnA6AVF-E"><i><span style="font-weight: 400;">Alice in Borderland</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> retorna ainda mais brutal em sua 2</span><span style="font-weight: 400;">ª temporada</span><span style="font-weight: 400;">. Dirigida por Shinsuke Sato, a trama persegue os protagonistas </span><span style="font-weight: 400;">Ryōhei </span><span style="font-weight: 400;">Arisu (Kento Yamazaki) e </span><span style="font-weight: 400;">Yuzuha</span><span style="font-weight: 400;"> Usagi (Tao Tsuchiya) em uma Tóquio apocalíptica e repleta de jogos mortais, criados a partir dos naipes de Reis e Rainhas de um jogo de mesa. A criatividade para executar a sequência dos desafios é surpreendente, além de muito fiel à obra original, agregando valor sentimental para os fãs que acompanham a saga dessa </span><a href="https://personaunesp.com.br/alice-melhor-ficar-espelho/"><span style="font-weight: 400;">Alice</span></a><span style="font-weight: 400;"> distópica. Sem medo de jogar com quem assiste, a série da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">bagunça o baralho e guarda uma carta na manga. </span></p>
<p><span id="more-30537"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WZCxI1qv310"><span style="font-weight: 400;">2020</span></a><span style="font-weight: 400;">, ano em que a produção do estúdio japonês </span><em><span style="font-weight: 400;">Robot Communications Inc.</span></em> <span style="font-weight: 400;">foi lançada, o público enxergou um grupo de personagens extremamente imaturos, confusos e perdidos, ao final de 2022, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_SfW7EUNrJs"><span style="font-weight: 400;">desenvolvimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> proporcionado pela vivência em meio ao caos desse universo distópico se tornou perceptível. No ápice da violência física e emocional do enredo, as atuações do elenco florescem como nunca antes visto e a assinatura caricata quase inata da Televisão asiática traz uma incoerente harmonia com a composição cinematográfica de Taro Kawazu.</span></p>
<figure id="attachment_30539" aria-describedby="caption-attachment-30539" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30539" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-800x518.jpeg" alt="Cena da série Alice in Borderland. Da esquerda para a direita na imagem, o Rei de Paus parece conversar com Ryōhei Arisu. Rei de Paus é um homem asiático de cabelos e olhos escuros. Arisu é um homem asiático de cabelos e olhos escuros. O Rei de Paus está com uma das mãos em um tótem e a outra apoiada no ombro de Arisu que, por sua vez, fecha um dos punhos enquanto olha para o Rei. Ambos usam uma pulseira tecnológica na cor preta em um dos pulsos. O Rei de Paus está pelado e Arisu veste uma camiseta de botões e manga longa na cor branca. A câmera captura os dois a partir da cintura. Ao fundo, o cenário é composto por um céu limpo e containers em diferentes cores." width="800" height="518" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-800x518.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-1024x663.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-768x497.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-1536x995.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-1200x777.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1.jpeg 1668w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30539" class="wp-caption-text">O Rei de Paus fez história nas redes sociais (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como toda sequência de produções originais, a comparação entre os diferentes formatos é inevitável, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Alice in Borderland</span></i><span style="font-weight: 400;"> já está acostumada com suas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=737PIqSI9w4"><span style="font-weight: 400;">adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;"> do mangá para o anime e do anime para a série. Se nos quadrinhos japoneses as ilustrações adotam linhas cruas, o plano bidimensional da animação permite uma continuidade excepcional e, por fim, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n_pEQTHJGZs"><i><span style="font-weight: 400;">live action</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue parcialmente unir tais qualidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, tratando-se da transição de uma temporada para outra, o seriado trabalhou muito bem as mudanças, que conseguem ser perceptíveis e sofisticadas ao mesmo tempo. Em 2022, o roteiro flui com maior agilidade graças ao desenvolvimento do enredo, enquanto o tom adquire uma obscuridade que parece querer acabar com qualquer esperança de um final feliz. Os </span><a href="https://rolltoreview.com/six-games-that-belong-in-alice-in-borderland/"><span style="font-weight: 400;">jogos</span></a><span style="font-weight: 400;"> mantiveram seu respeito pelos naipes, porém todos se tornaram mais psicológicos, moralistas e suscetíveis à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2WZSiHMx7PM"><span style="font-weight: 400;">manipulação do coração</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelo fato de se tratar da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BBeU75YSCnQ"><span style="font-weight: 400;">segunda e última temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">, a série da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> finalmente procura revelar a estrutura detrás desse mundo nefasto e desconhecido tanto pelos aprisionados na destruição quanto por quem assiste no conforto do sofá de casa. Uma das </span><a href="https://youtu.be/aBOmmhbodgc"><span style="font-weight: 400;">principais surpresas</span></a><span style="font-weight: 400;"> descobertas pelo protagonista Arisu é a diferenciação entre pessoas como ele, meros jogadores, e os criadores dos jogos, representantes dos naipes e classificados como cidadãos da cidade de Tóquio.</span></p>
<figure id="attachment_30540" aria-describedby="caption-attachment-30540" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30540 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1-800x450.jpg" alt="Cena da série Alice in Borderland. Da esquerda para a direita na imagem, os protagonistas Yuzuha Usagi e Ryōhei Arisu olham espantados para o Rei de Espadas enquanto tocam em um ferido pelos disparos. A câmera os captura a partir da cintura. Usagi é uma mulher asiática de cabelos e olhos escuros. Arisu é um homem asiático de cabelos e olhos escuros. Ela veste uma regata na cor amarela e uma calça na cor branca. Ele veste uma camiseta de botões de mangas longas na cor branca. Ao fundo, há um carro de tom amarelado e o cenário em volta é a cidade de Tóquio, acometida pelo avanço do tempo e da natureza." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30540" class="wp-caption-text">Os atores Kento e Tao já dividiram as telas em outras produções, o que ajudou na conexão do casal (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsáveis pela agonia das personagens e pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TClUSiKGsKw"><span style="font-weight: 400;">satisfação dos espectadores</span></a><span style="font-weight: 400;">, os jogos brutais são, desta vez, exclusivamente elaborados pelos reis e rainhas do baralho, o que significa que as mortes nunca foram tão sangrentas, repugnantes e, ainda, constantes. Afinal, a presença do mercenário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Yh-iuiShQqQ"><span style="font-weight: 400;">Rei de Espadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> atirando a quase todo minuto chega a ser traumatizante até para quem está do outro lado da tela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance entre Arisu e Usagi começa a ser desenvolvido ainda na primeira temporada, de um jeito costumeiro dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GY9WKtOFsAo"><span style="font-weight: 400;">dramas asiáticos</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou seja, com muita sutileza e atenção aos pequenos detalhes, como respirações pesadas ao conversar, longos olhares e um bom jogo de câmera. Porém, é na continuação que esse </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4W0bLeGmGVA"><i><span style="font-weight: 400;">affair</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se desenvolve, carregado de dúvidas e cumplicidade que beiram um amor adolescente, entregando momentos sensíveis mesmo em um universo tão mortal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O manejo dessas duas sensações é muito bem feito pela direção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-1FCzIGp_No"><span style="font-weight: 400;">Shinsuke Sato</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pelo roteiro escrito junto a Yoshiki Watabe e Yasuko Kuramitsu, que conseguem colocar delicadeza e choque na mesma obra, sem que uma machuque a outra. A cena em que o casal se banha em águas termais no meio de destroços e são surpreendidos por elefantes é o exemplo de um </span><a href="https://sobresagas.com.br/alice-in-borderland-2a-temporada-atendeu-as-expectativas/"><i><span style="font-weight: 400;">timing</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> bem feito: mesmo em um ambiente desfavorável para que o amor aconteça, o menos esperado se revela cativante.</span></p>
<figure id="attachment_30541" aria-describedby="caption-attachment-30541" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30541 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-800x449.jpeg" alt="Cena da série Alice in Borderland. Na imagem, o coadjuvante Shuntarō Chishiya parece contemplar algumas reflexões. A câmera o captura a partir dos ombros. Ele é um homem asiático de cabelos claros longos e olhos escuros. Chishiya veste um moletom com capuz na cor branca e, em seu pescoço está localizado um dispositivo eletrônico e tecnológico que se assemelha a uma coleira de metal." width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-800x449.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-1024x575.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-768x431.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30541" class="wp-caption-text">Odiado por alguns, amado por outros, Chishiya contém a dose exata de antipatia e carisma que conquistou o público (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Derivado do mangá do artista Haro Aso, a produção audiovisual é fiel às características dos quadrinhos, seja no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7windkG7SmI"><span style="font-weight: 400;">comportamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> das personagens ou nas cenas dramatizadas. </span><span style="font-weight: 400;">Shuntarō </span><span style="font-weight: 400;">Chishiya (</span><span style="font-weight: 400;">Nijirō Murakami),</span><span style="font-weight: 400;"> um dos coadjuvantes, exala a personalidade de anti-herói costumeira de alguns animes: silencioso, observador e insensível, de um jeito </span><a href="https://collider.com/alice-in-borderland-season-2-chishiya/"><span style="font-weight: 400;">atrativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que chega a ser justificável; tal qual Itachi Uchiha, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Naruto</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, é interessante ver a forma que a adaptação se desvencilhou do exibicionismo sexual recorrente desse gênero. Mesmo que o uso de biquínis e shorts por </span><a href="https://www.heart.co.uk/showbiz/tv-movies/hikari-alice-in-borderland-actress/"><span style="font-weight: 400;">Hikari </span><span style="font-weight: 400;">Kuina</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><span style="font-weight: 400;">Aya Asahina)</span><span style="font-weight: 400;"> e Ann </span><span style="font-weight: 400;">Rizuna (Ayaka Miyoshi)</span><span style="font-weight: 400;"> ainda seja incoerente para a narrativa, não se equipara à </span><a href="https://jornalismojunior.com.br/o-fanservice-do-mundo-otaku-sexualiza-as-personagens-femininas/"><span style="font-weight: 400;">sexualização corriqueira</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos desenhos asiáticos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em evidência na 2</span><span style="font-weight: 400;">ª temporada, os distintos passados dos criadores dos jogos, os fatídicos cidadãos de Tóquio, trazem profundidade para os oito episódios</span><span style="font-weight: 400;"> inéditos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alice in Borderland</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda que os jogos sejam divididos em </span><a href="https://www.folhavitoria.com.br/entretenimento/noticia/12/2022/alice-in-borderland-o-que-significa-os-naipes-do-baralho"><span style="font-weight: 400;">naipes</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos quais as Espadas significam a exigência </span><a href="https://www.youtube.com/shorts/tFoTxRLUAmU"><span style="font-weight: 400;">física</span></a><span style="font-weight: 400;">, Paus necessita da união em equipe e Ouros clame por inteligência, todos parecem ter em comum a carga emocional de uma partida de Copas.</span></p>
<figure id="attachment_30542" aria-describedby="caption-attachment-30542" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30542" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-800x533.jpeg" alt="Cena da série Alice in Borderland. Na imagem, a Rainha de Copas olha fixamente para Yuzuha Usagi e Ryōhei Arisu. Porém, a câmera somente captura ela e a partir do busto. A Rainha é uma mulher asiática de cabelos longos e pretos em franja. Os seus olhos são escuros. Ela veste um vestido sem mangas na cor preta com detalhes de flores em branco. Também usa luvas pretas que vão até metade do braço. No seu pescoço está pendurado um colar de cristais. Ao fundo, o cenário é um jardim florido em verde e branco. Ela está sentada em uma cadeira branca." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30542" class="wp-caption-text">Riisa Naka entregou muita tortura psicológica como a Rainha de Copas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em especial, o terceiro e sexto capítulos atingem o primor da sensibilidade do </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/alice-in-borderland-referencias-alice-no-pais-das-maravilhas.html"><span style="font-weight: 400;">audiovisual</span></a><span style="font-weight: 400;">. Neles, o imponente e confiante Rei de Paus se revela um vocalista movido pelo laço com os amigos de sua banda e, igualmente a flor-da-pele, o Rei de Ouros ensina sobre o valor da vida para Chishiya, finalmente se </span><a href="https://streamingsbrasil.com/alice-in-borderland-os-segredos-do-final-da-2a-temporada-explicados/"><span style="font-weight: 400;">libertando</span></a><span style="font-weight: 400;"> de erros nostálgicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não recomendada para menores de 16 anos, a série da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> coloca em cena enormes explosões, ferimentos expostos e embates grotescos pela </span><a href="https://www.youtube.com/shorts/hEbciwbw8oI"><span style="font-weight: 400;">sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;">. Frente a este desafio, a equipe de caracterização e maquiagem faz um trabalho surpreendente ao conseguir trajar o realismo com fidelidade; afinal, são muitas as </span><a href="https://feededigno.com.br/serie/alice-in-borderland-quem-sao-os-personagens-da-serie/"><span style="font-weight: 400;">personagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> que nasceram após horas na cadeira do camarim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre elas, o irritante e completamente desfigurado após a primeira temporada, </span><span style="font-weight: 400;">Suguru Niragi </span><span style="font-weight: 400;">(Dori Sakurada), </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/257327-alice-in-borderland-relembre-aconteceu-2-temporada.htm"><span style="font-weight: 400;">renasce</span></a><span style="font-weight: 400;"> do fogo e está de volta para provocar o nojo e o ódio. Já </span><span style="font-weight: 400;">Morizono Aguni (Sho Aoyagi), também retorna com rancor em excesso, mas acompanhado de </span><span style="font-weight: 400;">Heiya (Yuri Tsunematsu), a </span><a href="https://www.cbr.com/alice-in-borderland-season-2-manga-differences/"><span style="font-weight: 400;">jovem arqueira</span></a><span style="font-weight: 400;"> que precisou ter a perna amputada e a quem ele protege com todo o seu coração de gigante.</span></p>
<figure id="attachment_30543" aria-describedby="caption-attachment-30543" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30543" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-1-800x398.jpg" alt="Cena da série Alice in Borderland. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Kōdai Tatta, Suguru Niragi, Hikari Kuina, Ryōhei Arisu e Yuzuha Usagi se encaram em meio ao cenário de um jogo. Tatta, Niragi e Arisu são homens asiáticos de cabelos e olhos escuros. Já Kuina e Usagi são mulheres asiáticas de cabelos e olhos escuros. A câmera captura todos em pé, exceto Kōdai Tatta que está agachado. Tatta veste camiseta, bermuda e boné em tons azuis. Surugu Niragi veste uma manta de estampa que cobre seus ferimentos. Hikari Kuina veste um sutiã azul, um colar, uma calça jeans azul com cinto e tênis na cor branca. Ryōhei Arisu veste uma camiseta branca, calça jeans azul e tênis na cor branca. Yuzuha Usagi veste uma regata de cor vermelha com legging e tênis na cor preta. Ele segura uma arma. O cenário é composto por um céu azulado e repleto de containers de diversas cores." width="800" height="398" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-1-800x398.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-1-1024x509.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-1-768x382.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-1-1536x763.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-1-1200x596.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30543" class="wp-caption-text">A caracterização da série se destacou por valorizar os elementos visuais do mangá (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dividindo opiniões e separando os espectadores em fãs</span> <span style="font-weight: 400;">e haters, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fwBh_e8EbI4"><span style="font-weight: 400;">cena final</span></a><span style="font-weight: 400;">, diferente de tudo que foi mostrado ao longo de duas temporadas, não tem nada de mirabolante, deixando uma série que percorreu um caminho cheio de plot twists, com um final comum até demais. O que pode parecer um problema, acaba sendo o preço pela </span><a href="https://www.youtube.com/shorts/-1vl2qqTUmE"><span style="font-weight: 400;">fidelidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> da adaptação ao final do mangá, que o mantém idêntico ao produzido por Aso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Repleto das referências mais óbvias a </span><a href="https://personaunesp.com.br/alice-melhor-ficar-espelho/"><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> o jogo de críquete, as rosas brancas e a risadinha cínica da Rainha de Copas aumentam a animosidade para as últimas cenas que levam a atriz Riisa Naka ao melhor de sua atuação. Além de Arisu, a Rainha de Copas é a referência mais óbvia ao clássico de Lewis Carroll: manipuladora e bem humorada, a vilã consegue ser a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DY3eHVpbxQE"><span style="font-weight: 400;">favorita</span></a><span style="font-weight: 400;"> de muitos.</span></p>
<figure id="attachment_30544" aria-describedby="caption-attachment-30544" style="width: 640px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30544" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-7.jpg" alt="Cena da série Alice in Borderland. Na imagem, Ryōhei Arisu observa Yuzuha Usagi, desfocada pela câmera que captura ele a partir da cintura e ela a partir do busto. Arisu é um homem asiático de cabelos e olhos escuros. Usagi é uma mulher de cabelos e olhos escuros. Ele veste uma camisa cinza simples e um curativo no rosto. Ela veste uma camiseta branca simples e se apoia em uma muleta. Ao fundo, o cenário é o refeitório extremamente branco de um hospital." width="640" height="357" /><figcaption id="caption-attachment-30544" class="wp-caption-text">No Brasil, o mangá de Alice in Borderland chega em breve às prateleiras pela editora JBC (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Vida, vida, vida, que seja do jeito que for</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. Inesperadamente, a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FbhQ-1-9NBo"><i><span style="font-weight: 400;">Maravida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Gonzaguinha poderia facilmente ser a inspiração para as salas de jogos dessa temporada. Adicionando aprofundamentos morais baseados em suas trajetórias antes dos jogos, os reis, valetes e rainhas carregam algo em comum: os questionamentos sobre o valor da vida. Mesmo que </span><a href="https://mixdeseries.com.br/alice-in-borderland-jogadores-voltam-ao-mundo-real-na-2a-temporada/"><span style="font-weight: 400;">rodeados pela morte</span></a><span style="font-weight: 400;">, a vivência de cada um carrega significados profundos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sutilmente mostrado na primeira temporada com o exemplo de Chapeleiro e Aguni, os ideais sobre ela são reforçados por cada representante de jogo; carregando suas próprias peculiaridades, mas com a mesma intenção, mostrar o quão </span><a href="https://www.netflix.com/title/80200575"><span style="font-weight: 400;">preciosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o quanto precisa-se de </span><a href="https://br.ign.com/alice-in-borderland/105734/feature/alice-in-borderland-kento-yamazaki-revela-momento-que-mais-se-divertiu-nas-filmagens-assista-a-entre"><span style="font-weight: 400;">fidelidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> a si mesmo para conhecer sua jornada, dando a Arisu a lição mais valiosa da temporada. E quanto a você, já descobriu sua própria razão de viver?</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Alice in Borderland: Temporada 2 | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XCaPoypSH9E?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>60 anos depois, ainda queremos saber: O Que Terá Acontecido a Baby Jane?</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Nov 2022 17:57:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti O confronto pelo papel de destaque em obras cinematográficas não é novidade. Porém, a inveja por sua irmã ter se destacado no cinema enquanto sua carreira declina pode contribuir para desavenças familiares profundas, como é o caso da trama de O Que Terá Acontecido a Baby Jane?. Dirigido e produzido por Robert Aldrich, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-que-tera-acontecido-a-baby-jane-60-anos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "60 anos depois, ainda queremos saber: O Que Terá Acontecido a Baby Jane?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29299" aria-describedby="caption-attachment-29299" style="width: 560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29299" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1.png" alt="Cena em branco e preto do filme o que terá acontecido a baby jane que apresenta uma senhora branca, de meia idade, com cabelos escuros presos, usando um vestido longo preto. Ela está sentada em uma cadeira de rodas e apresenta expressões de sofrimento. Ao fundo, no canto direito da imagem, há outra mulher de meia idade, loira, usando um vestido branco. Ela está apoiada numa cama e expressa um olhar de indiferença. Ambas estão em um quarto mal iluminado com móveis antigos." width="560" height="620" /><figcaption id="caption-attachment-29299" class="wp-caption-text">Carreiras fracassadas e uma estrutura familiar abalada são o pivô do caos de O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://brasil.elpais.com/icon/2020-04-20/por-que-quase-ninguem-em-hollywood-quer-mais-trabalhar-com-estes-atores.html"><span style="font-weight: 400;">confronto</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo papel de destaque em obras cinematográficas não é novidade. Porém, a inveja por sua irmã ter se destacado no cinema enquanto sua carreira declina pode contribuir para desavenças familiares profundas, como é o caso da trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Que Terá Acontecido a Baby Jane?</span></i><span style="font-weight: 400;">. Dirigido e produzido por Robert Aldrich, o filme contou com Bette Davis e Joan Crawford no elenco, duas atrizes largadas às traças por Hollywood, que retornavam às telonas para um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> audacioso para seu ano de lançamento e icônico para a história do Cinema após 60 anos de sua estreia.</span></p>
<p><span id="more-29298"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado no livro homônimo de Henry Farrell, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Que Terá Acontecido a Baby Jane?</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi surpreendente por ser um longa de baixo orçamento contando com Davis e Crawford, duas grandes estrelas da </span><a href="https://www.arcadiapublishing.com/Navigation/Community/Arcadia-and-THP-Blog/June-2019/The-Rise-and-Fall-of-Hollywood%E2%80%99s-Golden-Age"><i><span style="font-weight: 400;">Old Hollywood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar da fama das atrizes, após uma certa idade ambas foram descartadas pelos estúdios e viveram um período decadente de suas carreiras. Foi justamente nessa fase que as artistas estavam na pindaíba que a produção foi gravada, inovando os padrões da indústria cinematográfica.</span></p>
<figure id="attachment_29304" aria-describedby="caption-attachment-29304" style="width: 1078px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29304" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-6-2.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme o que terá acontecido a baby jane que apresenta a frente uma mulher de meia idade, loira, usando um vestido branco, que apresenta expressões severas. Em segundo plano há uma senhora branca, de meia idade, com cabelos escuros presos, usando um vestido longo preto, com um olhar de angústia. Elas estão dentro de um quarto fechado com grades na janela e observam o lado de fora por meio das frestas." width="1078" height="526" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-6-2.jpg 1078w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-6-2-800x390.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-6-2-1024x500.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-6-2-768x375.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29304" class="wp-caption-text">A simplicidade decorrente do baixo orçamento permitiu dar destaque ao que realmente importa: a atuação de Bette Davis e Joan Crawford (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra começa com a pequena Baby Jane Hudson (Julie Allred) se apresentando com a música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=--RI7tlWuaM"><i><span style="font-weight: 400;">I&#8217;ve Written a Letter to Daddy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. As cenas da infância expõe a personagem como uma pessoa arrogante, metida e prepotente, que tem suas vontades atendidas pelo pai (Dave Willock). Em antítese, a personalidade dominadora da irmã, Blanche Hudson (Gina Gillespie), se apresenta como uma menina mais introspectiva, vivendo às sombras da sua familiar. Alguns anos mais tarde, a posição das protagonistas se inverte e Blanche (Joan Crawford) torna-se atriz na Era de Ouro da Hollywood, enquanto Baby Jane (Bette Davis) é descartada pelos produtores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os períodos áureos acabam para Blanche ao sofrer um acidente de carro, quebrar a coluna e ficar </span><a href="https://abrigomoacyralves.org/paraplegia/#:~:text=O%20que%20%C3%A9%20paraplegia%3F,a%20diferentes%20repercuss%C3%B5es%20e%20sintomas."><span style="font-weight: 400;">paraplégica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nesse momento de vulnerabilidade em que a promissora atriz passa seus dias trancafiada em seu quarto tolerando os maus tratos de Jane que a história começa a se desenrolar. Ambas vivem em um casarão, onde convivem com o fato de passarem por um presente amargurado enquanto já tiveram seus momentos de glória no passado. Dessa forma, cada personagem cultiva seus sentimentos nostálgicos pelos tempos frutíferos de uma forma que reflete muito suas personalidades: Blanche passa os dias em seu quarto reassistindo seus filmes, enquanto Jane se confronta diante do espelho com o corpo envelhecido. Além disso, os conflitos entre as irmãs são muito presentes no cotidiano, se tornando cada vez mais aflitivos com o desenrolar da trama.</span></p>
<figure id="attachment_29303" aria-describedby="caption-attachment-29303" style="width: 1216px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29303" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-3-1.jpeg" alt="Cena em branco e preto do filme o que terá acontecido a baby jane que apresenta no plano frontal à esquerda uma senhora branca, de meia idade, com cabelos escuros despenteados, usando roupas pretas, com um olhar de desespero enquanto fala ao telefone. Ao fundo há uma mulher de meia idade, loira, usando um vestido branco, que apresenta expressões severas. As duas estão em uma casa antiga e mal iluminada." width="1216" height="769" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-3-1.jpeg 1216w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-3-1-800x506.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-3-1-1024x648.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-3-1-768x486.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-3-1-1200x759.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29303" class="wp-caption-text">“Você não acha que eu sei de tudo o que ocorre nessa casa?” (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="http://comoescreverumroteiro.com.br/cena-de-terror/"><span style="font-weight: 400;">crescente tensão</span></a><span style="font-weight: 400;"> presente na obra tem grande contribuição do roteirista Lukas Heller, que apresenta uma introdução monótona, apenas com um relacionamento conturbado entre as irmãs, e aumenta sutilmente a inquietude entre elas até levá-las a cometer atos insanos. Entre os elementos impulsionadores do crescimento do desconforto de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Que Terá Acontecido a Baby Jane?</span></i><span style="font-weight: 400;"> está o fato da personalidade de Baby Jane ser desmascarada gradativamente ao longo da trama. Sendo assim, a personagem se mostra como uma criança mandona no começo, que se tornou uma adulta invejosa e envelheceu como uma senhora descompensada, capaz de cometer atos de violência verbal e física contra a própria irmã.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção da personalidade da ex-atriz mirim e a forma como é apresentada ao telespectador é louvável. A personagem de Davis demonstra comportamentos psicóticos relacionados com a sua criação e com o período de fama quando era criança. Ao viver uma época de ostracismo, a protagonista expõe seu lado mimado e infantil, ligado à maneira pouco saudável com que lidou com as fases da vida. Seu modo de cultuar o passado diz muito sobre seu temor em relação ao </span><a href="https://phffarma.com.br/post.php?p=99&amp;seo=-gerascofobia-o-medo-de-envelhecer#:~:text=A%20Gerascofobia%20%C3%A9%20o%20medo,dos%20anos%20em%20suas%20vidas."><span style="font-weight: 400;">envelhecimento</span></a><span style="font-weight: 400;">. A artista se dedicou em realizar um trabalho bem feito, porém foi jogada fora pela indústria do cinema, restando apenas as memórias de tempos remotos de sucesso.</span></p>
<figure id="attachment_29302" aria-describedby="caption-attachment-29302" style="width: 496px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29302" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-4-5.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme o que terá acontecido a baby jane que apresenta uma senhora branca, de meia idade, com cabelos escuros despenteados, usando roupas pretas, com um semblante de que está passando mal, sendo carregada por uma mulher de meia idade, loira, usando um vestido branco, que se mostra desesperada com a situação. Elas estão em um quarto que apresenta móveis antigos." width="496" height="410" /><figcaption id="caption-attachment-29302" class="wp-caption-text">Entre os confrontos dos backstages, Davis chegou a chutar a cabeça de Crawford enquanto gravava uma cena; a atriz se vingou pendurando quilos em seu corpo durante a cena em que sua rival, que sofria de problemas na coluna, deveria carregá-la (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Curiosamente, a mesma situação de descarte vivido pelas personagens também ocorreu na vida real com Davis, Crawford e outras tantas atrizes de Hollywood. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Que Terá Acontecido a Baby Jane?</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi gravado em uma fase decadente da carreira das estrelas e a obra traz em sua conclusão uma crítica à forma com que as mulheres eram tratadas pelo Cinema. A rivalização das artistas para competirem pelo papel era algo corriqueiro, mas </span><a href="http://nodeoito.com/atrizes-que-somem-depois-dos-40/"><span style="font-weight: 400;">após completar 40 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, aquelas que um dia foram grandes divas da Sétima Arte eram postas para fora dos estúdios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0O8vgPCW80g"><span style="font-weight: 400;">rixa entre estrelas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Hollywood podia ser comum, porém poucas ganharam tanto destaque como a de Bette Davis e Joan Crawford. Tudo começou em 1935 quando as atrizes se apaixonaram pelo mesmo homem, Franchot Tone, que preferiu casar-se com a intérprete de Blanche. Apesar do azar no amor, Davis acabou vencendo o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Atriz naquele ano por </span><i><span style="font-weight: 400;">Perigosa</span></i><span style="font-weight: 400;">, contracenando justamente com o marido da adversária. No entanto, a discórdia aumentou ao longo dos anos, contribuindo para a construção de um imaginário mitológico em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Que Terá Acontecido a Baby Jane?</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que as rivais iriam contracenar juntas pela primeira vez. A ideia de atuar com a inimiga partiu de Crawford, mas ser colega de trabalho não resultou em uma bandeira de paz. Há diversas histórias de confrontos entre as artistas durante o período de gravação do longa e, embora os causos dos bastidores já sejam atraentes, aqueles que acompanhamos diante das telas merecem ainda mais destaque.</span></p>
<figure id="attachment_29301" aria-describedby="caption-attachment-29301" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29301" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-5-1.jpeg" alt="Cena em branco e preto do filme o que terá acontecido a baby jane que apresenta uma mulher de meia idade, loira, usando um vestido branco, com um olhar nervoso, segurando uma boneca com as mesmas características físicas. O fundo da imagem é apenas um plano cinzento." width="1400" height="788" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-5-1.jpeg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-5-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-5-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-5-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-5-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29301" class="wp-caption-text">A maquiagem escabrosa de Jane era realizada pela própria Bette Davis (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho desempenhado por Robert Aldrich na direção foi exitoso ao acentuar o caráter psicótico da obra por meio de </span><a href="https://www.primeirofilme.com.br/site/o-livro/enquadramentos-planos-e-angulos/"><span style="font-weight: 400;">nuances na fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> da película, comandada por Ernest Haller. A gravação em branco e preto, por sugestão de Davis, contribuiu para o amadurecimento da trama, que trata sobre estrelas hollywoodianas de forma macabra. Os contrastes de luz e sombra, em contraposição com os elementos do cenário, contribuem para acentuar o efeito claustrofóbico e desconfortável do ambiente habitado pelas irmãs. Além disso, os adereços cênicos, como a ave presa na gaiola de Blanche e boneca de Jane, reforçam os sentimentos de prisão e nostalgia vividos pelas protagonistas. Tudo isso é complementado pelas atuações exageradas das atrizes, principalmente por parte de Bette Davis, que colaboram para a atmosfera assombrosa da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do resultado impecável, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Que Terá Acontecido a Baby Jane?</span></i><span style="font-weight: 400;"> causou grande apreensão à </span><i><span style="font-weight: 400;">Warner Bros.</span></i><span style="font-weight: 400;"> antes de ser lançado, por ser uma obra protagonizada por duas profissionais no período decadente de suas carreiras. Em sua fase de estreia, o Cinema caminhava lentamente para a </span><a href="http://www.blog.365filmes.com.br/2021/03/movimento-nova-hollywood.html"><span style="font-weight: 400;">Nova Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com sorte, o longa foi um sucesso imediato, resultando em um lucro de US$ 9 milhões na época. Somado a isso, o êxito da produção foi tão grande que acabou originando um subgênero do terror, o </span><a href="https://darkside.blog.br/voce-sabe-o-que-e-o-terror-de-hagsploitation/"><i><span style="font-weight: 400;">hagsploitation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que influenciou filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">Mansão dos Desaparecidos</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Obsessão Sinistra</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fábula Macabra</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Com a Maldade na Alma</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outra obra inspirada pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 1962 é a série </span><i><span style="font-weight: 400;">Feud</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Ryan Murphy. A produção esmiúça a relação conturbada entre Bette Davis e Joan Crawford enquanto gravavam </span><i><span style="font-weight: 400;">What Ever Happened to Baby Jane?</span></i><span style="font-weight: 400;">, no título original.</span></p>
<figure id="attachment_29300" aria-describedby="caption-attachment-29300" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29300" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-6-1.png" alt="Cena em branco e preto do filme o que terá acontecido a baby jane que apresenta uma senhora branca, de meia idade, com cabelos escuros presos, usando um vestido longo preto, deitada na areia da praia enquanto demonstra estar passando mal. Ajoelhada olhando para ela está outra mulher de meia idade, loira, usando um vestido branco. O ambiente apresenta alguns banhistas no canto esquerdo e o mar à direita." width="1200" height="674" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-6-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-6-1-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-6-1-1024x575.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-6-1-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29300" class="wp-caption-text">“Então você quer dizer que durante todo esse tempo nós poderíamos ter sido amigas?” (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Somado aos elementos que serviram de inspiração para inúmeras obras, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Que Terá Acontecido a Baby Jane?</span></i><span style="font-weight: 400;"> também se destacou nas premiações, recebendo indicações no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/bafta/"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de 1964, na categoria Melhor Atriz Estrangeira para Bette Davis e Joan Crawford, à Palma de Ouro no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-de-cannes/"><i><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 1963, e no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><i><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de 1963, como Melhor Atriz em Drama para Davis e Melhor ator coadjuvante para Victor Buono. Além disso, o filme rendeu cinco nomeações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, incluindo a categoria de Melhor Atriz para a intérprete de Baby Jane, o que obviamente gerou mais munição para a rivalidade entre ela e Joan Crawford, que não foi lembrada para receber a estatueta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo após 60 anos de seu lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Que Terá Acontecido a Baby Jane?</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mostra um clássico atemporal. A quebra dos padrões em colocar duas mulheres mais velhas como protagonistas foi ousado para a época e rendeu bons frutos. Somado a isso, a crítica a Hollywood quanto ao descarte das atrizes após completarem certa idade se mostra muito relevante e forte na obra, uma vez que Betty e Joan foram vítimas desse sistema da </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/industria-cultural.htm"><span style="font-weight: 400;">indústria cultural</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Don’t Worry Darling: nós não nos preocupamos o suficiente</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Nov 2022 20:02:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Laura Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Laura Ferreira Para além de roteiro, atuação, direção e produção, parte importante do que faz um filme ser ou não um sucesso quando entra em cartaz é o seu marketing. Mas o que acontece quando aqueles que encabeçam a obra estão tão preocupados com sua imagem na mídia que o longa fica em segundo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dont-worry-darling-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Don’t Worry Darling: nós não nos preocupamos o suficiente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29229" aria-describedby="caption-attachment-29229" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29229" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1.jpg" alt="A imagem mostra Florence Pugh, mulher branca, de cabelos loiros e olhos claros, em um close. Seu rosto está enquadrado bem ao centro da imagem e suas duas mãos aparecem na frente. Ela tem os cabelos bagunçados e suados." width="1200" height="491" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1-800x327.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1-1024x419.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1-768x314.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29229" class="wp-caption-text">Não Se Preocupe, Querida chegou aos cinemas brasileiros no dia 22 de setembro (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Laura Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de roteiro, atuação, direção e produção, parte importante do que faz um filme ser ou não um sucesso quando entra em cartaz é o seu </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas o que acontece quando aqueles que encabeçam a obra estão tão preocupados com sua imagem na mídia que o longa fica em segundo plano? A resposta para isso pode ser facilmente vista e destrinchada com o desenvolvimento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FgmnKsED-jU"><i><span style="font-weight: 400;">Não Se Preocupe, Querida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Olivia Wilde e protagonizado por Florence Pugh, que tem seus pontos positivos contados nos dedos de uma mão.</span></p>
<p><span id="more-29224"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme traz a história de Alice e Jack, interpretados por Florence e </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Harry+Styles"><span style="font-weight: 400;">Harry Styles</span></a><span style="font-weight: 400;">, um casal modelo que vive o melhor de sua relação. Alice é a típica dona de casa dos anos cinquenta: lava, passa e cozinha enquanto o marido sai para trabalhar no Projeto Vitória, do qual ela pouco sabe. Entretanto, as coisas começam a fugir do controle ao que Margareth, personagens de Kiki Layne, desperta questionamentos naquela comunidade exemplar. E é entre segredos escondidos debaixo dos panos que a narrativa se desenrola.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Citando diretamente </span><a href="https://personaunesp.com.br/folklore-critica/"><span style="font-weight: 400;">Taylor Swift</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu acho que já vi esse filme, e não gostei do final</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Apesar de ter um roteiro com grande potencial, é na mesmice que o longa apoia seu desenvolvimento, confortável com a previsibilidade de seus acontecimentos para promover rostos que não são tão importantes para o enredo. Após a cabine de imprensa do </span><a href="https://www.omelete.com.br/festival-de-veneza/2022-destaques-selecao"><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual a obra teve sua primeira exibição, as críticas se mantiveram medianas. Inclusive, podendo ser resumidas na resenha do jornal </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/sep/05/dont-worry-darling-review-panic-harry-styles-drama-offers-cause-for-concern"><i><span style="font-weight: 400;">The Guardian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que descreveu </span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Worry Darling, </span></i><span style="font-weight: 400;">título original, como “</span><i><span style="font-weight: 400;">um filme abandonado em um deserto de falta de originalidade – e o deserto não floresce</span></i><span style="font-weight: 400;">.&#8221;</span></p>
<figure id="attachment_29233" aria-describedby="caption-attachment-29233" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29233" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/21dwd1-1-ae92-superJumbo.jpg" alt="Florence Pugh, mulher branca, aparece com uma roupa branca e os cabelos loiros presos. Ela está de perfil. Ao lado dela está Harry Styles, homem branco, de cabelos castanhos curtos e olhos claros, usando um terno preto. Ele está com o cotovelo apoiado em uma mesa à frente deles, e mexe em um copo. Ele tem um anel dourado no dedo indicador. Ao fundo há uma janela e um abajur." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/21dwd1-1-ae92-superJumbo.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/21dwd1-1-ae92-superJumbo-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/21dwd1-1-ae92-superJumbo-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/21dwd1-1-ae92-superJumbo-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/21dwd1-1-ae92-superJumbo-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/21dwd1-1-ae92-superJumbo-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29233" class="wp-caption-text">No índice Rotten Tomatoes, o filme atingiu apenas 38% de aprovação da crítica especializada (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, há uma unanimidade entre a crítica especializada e o público, e ela é </span><a href="https://personaunesp.com.br/viuva-negra-critica/"><span style="font-weight: 400;">Florence Pugh</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma das atrizes mais promissoras de sua geração, Pugh é capaz de fazer milagres com quase nada, em sua atuação digna de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo com diálogos fracos, um desenvolvimento maçante e pouco espaço para que os personagens criem personalidades próprias, Florence faz de Alice um farol em meio ao mar de falta de criatividade, prendendo nossa atenção por todo o longa. É fato dizer que sem ela não existiria filme, já que poucos atores e atrizes teriam talento e desenvoltura suficientes para carregar uma narrativa desse tipo nas costas &#8211; e ainda como se não fizessem esforço.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um contraste maior do que os fãs do cantor esperavam encontrar, está Harry Styles, intérprete do antagonista do longa &#8211; mas que poderia ser facilmente esquecido depois de 20 minutos de duração. A atuação de Styles não é horrível, muito menos maravilhosa: se mantém na média para o contexto do ator iniciante, um </span><i><span style="font-weight: 400;">expert </span></i><span style="font-weight: 400;">no ramo da música. O que mais prejudica nossa conexão com Jack é a falta de modulação vocal e facial para dar intensidade às cenas: ele parece manter sempre a mesma reação, tornando-o esquecível em meio ao enredo. Se no fim Jack não fosse tão crucial para o desfecho da história, as críticas sobre ele também não seriam tão pesadas. Porém, é importante destacar que um trabalho de direção mais intenso por parte de Wilde poderia ter prevenido e melhorado boa parte das cenas de Styles, como aconteceu em </span><a href="https://personaunesp.com.br/dunkirk-critica-nolan/"><i><span style="font-weight: 400;">Dunkirk</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017),</span> <span style="font-weight: 400;">sob os comandos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><span style="font-weight: 400;">Christopher Nolan</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Não Se Preocupe, Querida</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda conta com diversos nomes de peso em seu elenco, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/eternos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gemma Chan</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mulher-maravilha-1984-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chris Pine</span></a><span style="font-weight: 400;">, os quais são pouco utilizados ou aprofundados. Esse chega a ser um argumento redundante quando todos os problemas do filme se resumem em uma falta de aprofundamento. O roteiro não é explorado o suficiente, os personagens não são bem construídos, o</span><i><span style="font-weight: 400;"> plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> é previsível e pouco inovador porque não se desenvolve, e assim caímos em um ciclo tedioso por mais de duas horas.</span></p>
<figure id="attachment_29230" aria-describedby="caption-attachment-29230" style="width: 4448px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29230" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling.png" alt="Gemma Chan, mulher de origem asiática cabelos médios castanhos e olhos escuros, aparece ao centro da imagem com um vestido florido. Ela sorri e ao fundo há algumas montanhas, uma escultura cubista azul, algumas espreguiçadeiras amarelas e uma árvore." width="4448" height="2669" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling.png 4448w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling-800x480.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling-1024x614.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling-1536x922.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling-2048x1229.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling-1200x720.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29230" class="wp-caption-text">O roteiro de Don’t Worry Darling foi assinado por Katie Silberman, de Plano Imperfeito e Booksmart, também dirigido por Wilde (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, o que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Worry Darling</span></i><span style="font-weight: 400;"> ruim não é sua superficialidade, já que muitos filmes &#8211; como </span><a href="https://personaunesp.com.br/de-volta-aos-15-critica/"><span style="font-weight: 400;">comédias românticas clichês</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; conseguem se manter divertidos e nos entreter mesmo com essas características, mas sim a frustração causada por ele. Construído em uma cadência que nunca chega ao seu ápice, nos vemos durante todo o longa a espera de um grande acontecimento, que fica apenas para os últimos 15 minutos e, ainda assim, não supre as necessidades que a própria obra cria no telespectador. Também é frustrante ver papéis como o de Margareth &#8211; que vale constar, é a única personagem negra com importância narrativa &#8211; ser morta logo no primeiro ato e esquecida pelo resto da trama, quando tinha tanto a oferecer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kiki Layne, a atriz por trás da figura, </span><a href="https://oquartonerd.com.br/30-09-2022-cenas-de-kiki-layne-em-dont-worry-darling-teriam-sido-cortadas/"><span style="font-weight: 400;">chegou a se pronunciar</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram </span></i><span style="font-weight: 400;">sobre como boa parte de suas cenas foram cortadas para a exibição final. Layne tinha mais a nos mostrar, assim como a Shelly de Gemma Chan, que passa o longa inteiro escondida por uma falta de destaque narrativo, quando na verdade tinha em suas mãos o poder de dar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Se Preocupe, Querida</span></i><span style="font-weight: 400;"> o refresco de originalidade que tanto precisávamos. A frustração apenas se completa quando vemos personagens sem importância alguma para o enredo, como Bunny (interpretada pela própria diretora, Olivia Wilde), ganharem tantos momentos tediosos, roubando o lugar dos verdadeiros protagonistas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A enrolação de mais de uma hora e meia, com a justificativa de um suposto desenvolvimento que roda e roda sem sair do lugar, acaba causando ao filme mais um problema. Pontas soltas não são necessariamente algo ruim, e produções como </span><a href="https://personaunesp.com.br/midsommar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019)</span> <span style="font-weight: 400;">são a prova disso. É realmente divertido sair do cinema teorizando e revisitando uma obra várias vezes em nossa memória para encontrar uma solução. Entretanto, produções bem construídas entregam as perguntas e também os caminhos para chegarmos às conclusões nós mesmos. Já </span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Worry Darling </span></i><span style="font-weight: 400;">apenas abre vários questionamentos e encerra sem nenhuma resposta, adicionando mais um desapontamento à lista.</span></p>
<figure id="attachment_29231" aria-describedby="caption-attachment-29231" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29231" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4795976.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Florence Pugh, mulher branca, de cabelos loiros presos em um coque, aparece de costas para a imagen e de frente para um espelho. Ela usa uma roupa de balé preta. No reflexo do espelho há Kiki Layne, mulher negra, de cabelos compridos castanhos e olhos castanhos, usando um vestido rosa claro. Kiki imita o movimento de Florence com a mão direita erguida. No reflexo há também outras bailarinas ao fundo." width="1280" height="638" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4795976.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4795976.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-800x399.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4795976.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-1024x510.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4795976.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-768x383.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4795976.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-1200x598.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29231" class="wp-caption-text">O portal Cine+ definiu Não Se Preocupe, Querida “como se Olivia Wilde assistisse Corra e sentisse que poderia fazer a versão da mulher branca” (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além do que podemos ver em tela, um dos grandes responsáveis pelo desfecho do filme foram as fofocas de bastidores, que ganharam mais destaque que a própria narrativa. Depois de mudanças na interpretação do personagem Jack &#8211; em um primeiro momento, cotado para ser vivido por </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2022/shia-labeouf-mentiu-vitima-abuso-crianca.html"><span style="font-weight: 400;">Shia LaBeouf</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e um vai e vem de informações cruzadas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Se Preocupe, Querida</span></i><span style="font-weight: 400;"> furou a bolha do nicho de </span><i><span style="font-weight: 400;">thrillers </span></i><span style="font-weight: 400;">ao gerar imensa curiosidade sobre como seria o desenvolvimento em cena dos ânimos exaltados fora dela. As expectativas não foram atingidas, fazendo dos </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-165582/"><span style="font-weight: 400;">burburinhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> apenas mais um ponto negativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é exatamente aproveitando-se deles que o filme é vendido. A exemplo prático, desde o início da promoção do longa, Wilde fez questão de reafirmar que estaria trazendo, segundo ela, </span><a href="https://www.vogue.com/article/olivia-wilde-cover-january-2022/amp"><span style="font-weight: 400;">a mística feminina de maneira revolucionária</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, o que vemos é a mística das &#8220;</span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-53640392"><span style="font-weight: 400;">Karen&#8217;s</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8220;, já que a obra não vai além da visão de mundo da mulher branca de classe média alta, sem se preocupar com questões sociais enquanto vive em sua bolha de privilégios. As problemáticas crescem a partir daí, construindo uma narrativa que finge ligar para pontos como o feminismo, quando, na verdade, apenas justifica atos machistas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">(SPOILER!) Porém, dentre os diversos problemas, o mais preocupante deles é como Wilde vendeu a obra sob uma perspectiva de mostrar o ‘prazer feminino’ como ninguém jamais havia feito, para no fim descobrirmos que tudo se tratava de cenas de estupro. Enquanto Alice se encontra em um coma induzido e fantasia com o que acha ser a realidade, o longa confunde prazer sexual com conexão afetiva, e insere duas cenas desnecessárias e sem nenhuma função narrativa, apenas para usá-las posteriormente como um mal intencionado </span><a href="https://netflix-news.atsit.in/br/?p=118466"><i><span style="font-weight: 400;">click bait</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Florence, que se pronunciou poucas vezes sobre a obra, teve a preocupação de </span><a href="https://www.purebreak.com.br/midia/florence-pugh-fala-que-cenas-de-sexo-com-491535.html"><span style="font-weight: 400;">deixar claro</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o filme é muito mais que suas passagens de sexo. Assim, reduzi-lo a elas chega a ser uma ofensa a todos que trabalharam na produção.</span></p>
<figure id="attachment_29232" aria-describedby="caption-attachment-29232" style="width: 1454px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29232" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/screen-shot-2022-05-02-at-5-35-01-pm-1.jpg" alt="Florence Pugh, mulher branca, de cabelos loiros e compridos, aparece debruçada sobre um carro sem capota. Ela usa uma camisa branca. Dentro do carro, Harry Styles, homem branco e de cabelos castanhos escuros, aparece de costas com um terno azul. Ele está usando óculos de sol e tocando a boca de Florence. Ao fundo há uma paisagem com palmeiras." width="1454" height="818" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/screen-shot-2022-05-02-at-5-35-01-pm-1.jpg 1454w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/screen-shot-2022-05-02-at-5-35-01-pm-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/screen-shot-2022-05-02-at-5-35-01-pm-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/screen-shot-2022-05-02-at-5-35-01-pm-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/screen-shot-2022-05-02-at-5-35-01-pm-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29232" class="wp-caption-text">Após as fofocas de bastidores, os jornalistas que participaram da press conference no Festival de Veneza foram orientados a não perguntarem sobre a situação com Shia LaBeouf e Florence Pugh; a atriz não esteve presente (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da atuação de Pugh, não seria justo deixar de destacar o primoroso trabalho do</span><i><span style="font-weight: 400;"> design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção de Katie Byron em </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Se Preocupe, Querida</span></i><span style="font-weight: 400;">, bem como a fotografia de Matthew Libatique. Visualmente, o filme é lindo, e suas cores naturais intensas, como o sol do deserto, em contraste com a paleta mais clara adotada para elementos como roupas e casas, criam uma harmonia confortável de ser assistida. A trilha sonora de </span><a href="https://open.spotify.com/album/7vd9ogxIg5CSBFuvHE60LZ?si=P12cDhEyTa2ujL5xYIZ9wg"><span style="font-weight: 400;">John Powell</span></a><span style="font-weight: 400;"> também é essencial para nos manter minimamente conectados com a obra e tensos nos momentos em que o roteiro não consegue fazê-lo sozinho.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Worry Darling</span></i><span style="font-weight: 400;"> é decepcionante. Sua previsibilidade e falta de originalidade poderiam passar despercebidas e fazer dele mais um longa em meio à multidão se não fosse por sua arrogância desmedida. Ele se vende como algo revolucionário e entrega mais do mesmo, enquanto pensa se igualar a grandes produções recentes do gênero, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Jordan Peele. É realmente triste acompanhar o desperdício do que poderia ser excelente, mas se rendeu aos caprichos de seus cinco minutos de fama ao invés de almejar um lugar na posteridade.</span></p>
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		<title>Sorria aposta em uma narrativa sensível sobre trauma</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2022 22:34:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista É como se a fita amaldiçoada da Samara de O Chamado (2002) sofresse uma transfusão sanguínea da IST mortal que assola Corrente do Mal (It Follows, 2015). Não há maneira simples de descrever o sorriso mortal que intitula a estreia em longas do cineasta Parker Finn. Na simples e direta trama de Sorria &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sorria-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sorria aposta em uma narrativa sensível sobre trauma"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28862" aria-describedby="caption-attachment-28862" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28862 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1.jpg" alt="Cena do filme Sorria, mostra uma jovem branca parada e olhando para a câmera, sorrindo de maneira assustadora. Ela usa blusa verde e camisa xadrez em tons terrosos. " width="1200" height="676" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-768x433.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28862" class="wp-caption-text">A princípio, o filme tinha planos de ser despejado diretamente no streaming, mas ótimas reações em sessões teste fizeram a distribuidora mudar sua estratégia e planejar um lançamento nos cinemas (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É como se a fita amaldiçoada da Samara de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CpXJnqg0N_Y"><i><span style="font-weight: 400;">O Chamado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2002) sofresse uma transfusão sanguínea da IST mortal que assola </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1E9QMsOnoN8"><i><span style="font-weight: 400;">Corrente do Mal</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">It Follows</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2015). Não há maneira simples de descrever o sorriso mortal que intitula a estreia em longas do cineasta Parker Finn. Na simples e direta trama de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=F_BZre3NPMM"><i><span style="font-weight: 400;">Sorria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Smile</span></i><span style="font-weight: 400;">), uma psicóloga testemunha um suicídio e vê a própria vida se tornar um labirinto nefasto, em que só há saída na morte.</span></p>
<p><span id="more-28861"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A psicóloga é a doutora Rose Cotter, interpretada com garra por uma alucinada Sosie Bacon (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mare-of-easttown-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">13 Reasons Why</span></i><span style="font-weight: 400;">). Em um dia aparentemente comum no hospital onde trabalha longas horas, a mulher é chamada para atender Laura Weaver (Caitlin Stasey) em pânico, dias após ela mesmo ter presenciado a morte de um professor na faculdade. Os sintomas parecem ser alucinógenos: a garota não para de ver sorrisos por aí. O problema, no entanto, é que eles não simbolizam simpatia ou boa educação.</span></p>
<figure id="attachment_28864" aria-describedby="caption-attachment-28864" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28864 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2.jpeg" alt="Cena do filme Sorria, mostra uma mulher branca encostada na parede, com expressão de medo no rosto, a boca aberta e os olhos lacrimejando, sendo iluminada por uma luz laranja." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28864" class="wp-caption-text">Bingo da família Bacon no Cinema de horror em 2022: enquanto Sosie deu a vida em Sorria, o papai Kevin protagonizou o insosso <a href="https://www.youtube.com/watch?v=HtQk6sANmKs">They/Them</a> (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja no rosto de um transeunte qualquer, ou na feição de um parente há muito tempo falecido, o sorriso carrega o terror da morte e, depois de revelar tudo isso a uma desacreditada doutora, Weaver abre a garganta com o caco de vidro do vaso que acabou de quebrar. A cena, traumática pela mutilação e pelo sangue que logo tinge de vermelho o chão límpido do consultório, se impregna na mente de Rose. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem chão, Bacon injeta a turbidez que o evento acomete em sua personagem, que não demora muito a enxergar os tais sorrisos, sussurrando maldições e perturbando sua psique. Nessa toada, o roteiro e a direção de Finn, que adapta para o formato de longa o seu curta </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt11650610/"><i><span style="font-weight: 400;">Laura Hasn&#8217;t Slept</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, vão cavando o medo e o trauma da protagonista, em especial quando se refere ao suicídio da mãe, que aconteceu quando ela não passava de uma garotinha. </span></p>
<p><figure id="attachment_28865" aria-describedby="caption-attachment-28865" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28865 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3.jpg" alt="Cena do filme Sorria, mostra uma mulher branca sorrindo de maneira assustadora. Ela usa roupas brancas e olha em direção à câmera." width="1200" height="595" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-800x397.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1024x508.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-768x381.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28865" class="wp-caption-text">Na pele de dois doutores que tentam ajudar a protagonista, o filme escala os sempre ótimos Kal Penn (The Big Bang Theory) e Robin Weigert (Big Little Lies) [Foto: Paramount]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Explorando suas dinâmicas familiares nada saudáveis com a irmã Holly (Gillian Zinser) e com o noivo Trevor (Jessie T. Usher, o A-Train de </span><a href="http://personaunesp.com.br/the-boys-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Boys</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), </span><i><span style="font-weight: 400;">Sorria</span></i><span style="font-weight: 400;"> não economiza nos sustos e no mistério de ambientes mal iluminados e portas batendo ao vento. De fato, o trabalho por trás das câmeras eleva a simplicidade do material base, com especial menção para o </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de som e da direção de fotografia, responsabilidade de Charlie Sarroff (</span><i><span style="font-weight: 400;">Relíquia Macabra</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que se inicia com um jogo de gato e rato entre a personagem principal e a entidade sorridente logo se transmuta na busca por respostas. Com a ajuda de Joel (Kyle Gallner, de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=beToTslH17s"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), o ex-namorado policial que orbita sua vida, Rose descobre a figura de Robert Talley (Rob Morgan, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), um presidiário que pode ajudá-la a se livrar dessa doentia partida de pega-pega. Quando decide focar sua narrativa na possível origem do mal, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sorria </span></i><span style="font-weight: 400;">parece considerar a possibilidade de se jogar sem medo em mitologias, para além do ar mundano que assola a produção.</span></p>
<figure id="attachment_28866" aria-describedby="caption-attachment-28866" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28866 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/4.jpg" alt="Cena do filme Sorria, mostra uma mulher dentro do carro, olhando de lado pela janela do motorista. Lá fora, vemos outra mulher, vestindo uma blusa rosa e com a cabeça caindo do pescoço, como um pêndulo, sorrindo de maneira assustadora." width="1400" height="759" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/4.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/4-800x434.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/4-1024x555.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/4-768x416.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/4-1200x651.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28866" class="wp-caption-text">Sorria abusa criativamente na hora de bolar seus sustos e jumpscares, com destaque para as cenas do computador e da janela do carro (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas essa decisão se esvai e Parker Finn recua a grandeza de sua estreia, atendo-se a uma micro-batalha entre o passado e o presente. Acontece que a decisão de envelopar o trauma e o luto nessa embalagem medonha (e com um </span><a href="https://twitter.com/siteptbr/status/1575292687913295878"><i><span style="font-weight: 400;">marketing </span></i><span style="font-weight: 400;">para lá de criativo</span></a><span style="font-weight: 400;">) é a jogada mais acertada do diretor. Afinal, discutir temas inerentes ao homem no gênero mais barato de todos é costume desde os tempos de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/nosferatu-robert-eggers"><span style="font-weight: 400;">vampiros alemães</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exemplos atuais não faltam, e compartilhando a temática da ausência materna, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sorria </span></i><span style="font-weight: 400;">vai além da sobriedade do já mencionado </span><a href="http://personaunesp.com.br/relic-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Relíquia Macabra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sem nunca abrir mão de doses cavalares e calculadas de humor como escape da tensão, fazendo valer seu lançamento nas salas de cinema e todo o escopo que um filme distribuído pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount </span></i><span style="font-weight: 400;">detém. O sorriso que amaldiçoa o mundo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Smile </span></i><span style="font-weight: 400;">nasce do medo surgido na pandemia, como </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/sorria-terror-entrevista"><span style="font-weight: 400;">revelou o cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, o enclausuramento mental é a oficina do diabo, com qualquer identidade que ele queira tomar: de um paciente barbudo a uma figura distorcida e desengonçada que se recusa a entrar em combustão.</span></p>
<figure id="attachment_28867" aria-describedby="caption-attachment-28867" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28867 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/5.jpeg" alt="Cena do filme Sorria, mostra uma mulher branca sentada, olhando para a câmera e sorrindo de maneira assustadora. Ao seu lado, vemos uma criança com as mãos nas orelhas, com medo. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/5.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/5-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/5-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/5-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28867" class="wp-caption-text">Surfando na onda de prequelas, não seria surpreendente uma nova investida no universo de Sorria, quem sabe explorando a maldição que assolou o Brasil alguns anos atrás, ou mesmo a raíz de todo esse mal (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde seu uso como símbolo embrionário na Arte grega, o sorriso possui essa equiparação automática à felicidade e ao gozo. Ao escolher não apenas nomear seu terror como medo, morte e luto com a alcunha, mas também colocar seus atores para performar o ato das maneiras mais disformes possíveis, Parker Finn acende uma estrela em sua mente cineasta (e ainda presta homenagem ao imortal </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/the-man-who-laughs-smile-scary-1235228650/"><i><span style="font-weight: 400;">O Homem que Ri</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pioneiro em fazer gargalhar de medo). Nada estranho ao </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm6475689/?ref_=tt_ov_wr"><span style="font-weight: 400;">seu currículo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que apresenta dois curtas-metragens com a mesma pegada desconfortável de ambientes comuns invadidos pelo mal invisível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas de nada adiantaria uma direção confiante, roteiro conciso, e </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção arrojado sem uma performance principal à altura. E o trabalho de </span><a href="https://cinepop.com.br/sosie-bacon-e-elenco-do-terror-sorria-revelam-por-que-o-filme-e-aterrorizante-exclusivo-364271/"><span style="font-weight: 400;">Sosie Bacon</span></a><span style="font-weight: 400;">, filha de Kevin Bacon e Kyra Sedgwick que alcança o primeiro papel de peso nas telonas, se destaca em um ano recheado de jovens atrizes se esgoelando no Cinema de horror, do trabalho fenomenal de Mia Goth em </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L5PW5r3pEOg"><i><span style="font-weight: 400;">Pearl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, até o quinteto que domina </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cTzGKsZjBOY"><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele da doutora Cotter, Bacon retém o medo na altura da cabeça, com expressões faciais amedrontadoras por si só, além de um senso reativo de primeira. Quando vê a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BcDK7lkzzsU"><span style="font-weight: 400;">pequena flexão nos lábios</span></a><span style="font-weight: 400;"> que logo resultará em um sorriso sinistro, a atriz faz metamorfose com os músculos do rosto, descola os olhos da face, fecha a boca em desespero e o transmite para quem assiste, junto da temível sensação de impotência. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sorria</span></i><span style="font-weight: 400;">, não há como fugir do inevitável.</span></p>
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