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	<title>Arquivos Sexualidade &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Sobre a Terra Somos Belos por Um Instante: Ocean Vuong e a escrita como coragem de quem não tem escolha</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Aug 2023 21:14:37 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31358" aria-describedby="caption-attachment-31358" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31358" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-800x420.png" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31358" class="wp-caption-text">A estreia de Ocean Vuong na prosa, após a aclamada reunião de poemas Céu noturno crivado de balas, é um complexo testemunho autobiográfico escolhido pelo Clube do Livro do Persona (Foto: Rocco/Arte: Francisco Tigre)</figcaption></figure>
<p><strong>Mariana Freire de Moraes</strong></p>
<blockquote><p>“<i>Estou escrevendo para você de dentro de um corpo que era teu. O que é o mesmo que dizer: estou escrevendo como um filho.</i>”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas primeiras páginas de </span><a href="https://www.rocco.com.br/livro/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a terra somos belos por um instante</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o autor Ocean Vuong constrói sua posição durante toda a narrativa na tentativa de se refazer, se ver e perdoar por meio da alteridade de uma comunicação ao mesmo tempo concreta e hipotética. Através do resgate analítico da memória e da apresentação do ambiente, Vuong, chamado de Cachorrinho pela avó, escreve cartas para sua mãe, analfabeta funcional, revisitando episódios da infância no Vietnã e de sua adolescência nos Estados Unidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Colonialismo, maternidade, identidade, sexualidade, violência e luto são os pilares do livro, cujos episódios de trauma rememorados traçam um caminho linear para o entendimento da história de três gerações da </span><a href="https://amp.theguardian.com/books/2017/oct/03/ocean-vuong-forward-prize-vietnam-war-saigon-night-sky-with-exit-wounds"><span style="font-weight: 400;">família do escritor</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e as complexidades recalcadas de pessoas estruturadas em meio à guerra, ao preconceito, ao refúgio e à vulnerabilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando pelas memórias quando criança em um Vietnã desestabilizado pela guerra, Cachorrinho – a maneira que Vuong também se retrata em sua escrita – inicia o romance relembrando das primeiras vezes em que sua </span><a href="https://www.anothermag.com/fashion-beauty/14347/bjork-ocean-vuong-in-conversation-another-magazine-aw22"><span style="font-weight: 400;">mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi violenta com ele. No acesso à infância, o escritor lembra alguns momentos em que ensina a matriarca a escrever, reproduzindo o que aprendeu naquele dia no jardim de infância. Esse é o momento em que a vulnerabilidade de quem o cria é escancarada para ele e que percebe que possui o que ela precisa para resolver esse problema. De uma forma sutil e perturbadora, esse episódio demonstra a maneira que o autor consegue colocar os dois se olhando do mesmo lugar. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você é uma mãe, Mãe. Você também é um monstro. Mas eu também sou – e é por isso que eu não posso me afastar de você. E é por isso que eu peguei a mais solitária criação de deus e te coloquei dentro dela.</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_31354" aria-describedby="caption-attachment-31354" style="width: 401px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-31354" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602-559x800.webp" alt="Na foto, duas mulheres e uma criança estão sentadas em um banco de madeira. As mulheres ficam nos cantos, enquanto o bebê no meio. Estão dentro de uma casa, ao fundo, aparece o vulto de outra mulher, do lado de fora do cômodo. Atrás, percebe-se uma janela, uma porta e roupas penduradas. No primeiro plano, uma mulher, ao canto esquerdo, está sentada ao lado de uma criança pequena. Sua pele é amarela, seus cabelos pretos estão presos. Ela veste um macacão branco, com estampa de flores azuis. Está descalça e sorri fixadamente à câmera. Assim como a criança ao seu lado, que também tem cabelos e olhos pretos. Veste uma camiseta branca com uma gola laranja e estampada com desenhos, que está enfiada dentro de um shorts roxo claro. Ao lado da criança, à direita, uma outra mulher, de cabelo curto e preto, na altura do pescoço e com uma franja cortada, também sorri à foto. Ela usa uma blusa rosa clara e uma calça branca. Está de pernas cruzadas." width="401" height="574" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602-559x800.webp 559w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602.webp 600w" sizes="(max-width: 401px) 85vw, 401px" /><figcaption id="caption-attachment-31354" class="wp-caption-text">A foto que ilustra a edição estadunidense de Céu noturno crivado de balas retrata o autor com dois anos, ao lado de sua mãe e sua tia no campo de refugiados nas Filipinas (Foto: Ocean Vuong)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Passando pela situação de </span><a href="https://www.acnur.org/portugues/quem-ajudamos/refugiados/"><span style="font-weight: 400;">refugiado</span></a><span style="font-weight: 400;"> quando criança, em um paralelo sensível com o nascimento e morte de sua avó – entre o Vietnã e Estado Unidos –, a narrativa se torna mais política e identitária. A partir do momento que Cachorrinho conta a história das mulheres que o criaram, frutos de um estupro de guerra, nada segue sem que pautas sociais sejam colocadas de forma explícita, no entanto, nunca deixando com que a </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura/como-alguem-pode-ser-uma-sensacao"><span style="font-weight: 400;">poética</span></a><span style="font-weight: 400;"> fique em segundo plano. Assim, Vuong cria uma atmosfera sólida de questionamento, ao mesmo tempo que deixa claro as complexidades subjetivas geradas a partir desses contextos, e quão decisivas são essas condições para que ele seja ele mesmo, a mãe seja a mãe e o país seja o país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando aos Estados Unidos, na casa de seu pai com quem nunca conviveu, o escritor tem um espaço para descobrir e explorar sua sexualidade (atualmente se identifica como uma pessoa </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/pop-arte/diversidade/noticia/2022/06/29/o-que-e-ser-queer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">queer</span></a><span style="font-weight: 400;">). No livro, Vuong relata suas primeiras experiências com um homem pobre como ele, porém branco: Trevor, a única pessoa com quem ele realmente desenvolve uma relação além de sua mãe e avó. De uma forma totalmente analítica, o escritor apresenta todas as fases dessa relação, passando pelo estranhamento, o escatológico, as drogas, o entendimento, a identidade, o amor e a morte. Cachorrinho pôde conhecer a vulnerabilidade e a violência do amor e de uma relação que requer um entendimento político, social, subjetivo e identitário que não foi apresentado a nenhum dos dois, tornando tudo mais difícil e mais intenso na mesma medida.</span></p>
<figure id="attachment_31355" aria-describedby="caption-attachment-31355" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-800x583.webp" alt=" Sob o fundo de um arbusto flores vermelhas, o autor, criança, é segurado no colo por sua mãe, que tem seu cabelo cacheado cortado curto e usa uma camisa manga longa vermelha, com uma estampa preta na frente. A criança usa uma camiseta polo branca com listras azuis claras e escuras, e uma parte de baixo azulada. Segura um coelho de pelúcia branco, com detalhes lilases." width="800" height="583" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-800x583.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1024x746.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-768x560.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1536x1119.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-2048x1492.webp 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1200x875.webp 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31355" class="wp-caption-text">Quando sua mãe faleceu de complicações de um câncer de mama, Vuong demonstrou seu luto nas redes sociais: ‘‘(&#8230;) você me ensinou que nossa dor não é nosso destino – mas nossa razão.’’ (Foto: Ocean Vuong)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O resgate da memória nas passagens da infância no meio da narrativa linear da história do Cachorrinho é o traço mais analítico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a Terra Somos Belos por um Instante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ocean Vuong usa a </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2023/jun/03/ocean-vuong-i-dont-believe-writer-should-just-keep-writing-as-long-as-theyre-alive-time-is-a-mother-paperback"><span style="font-weight: 400;">escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> como ferramenta de articulação e busca, narrando sempre em primeira pessoa e, diretamente com a sua mãe, faz com que o objetivo de suas cartas nunca seja esquecido: dizer que se é. As coisas mais duras são lembradas de um jeito poético e grotesco, e quase sempre seguidas de uma imagem que bate de frente com a beleza apresentada de forma visual pela escrita. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Uma vez você me perguntou o que é ser um escritor. Então vamos lá. Sete dos meus amigos estão mortos. Quatro de overdose.”</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Cachorrinho tem acesso ao </span><a href="https://talkeasypod.com/ocean-vuong/"><span style="font-weight: 400;">significado social</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua existência a partir do momento em que começa a reunir os episódios traumáticos de sua vida e colocá-los em uma posição de questionamento: ser um homem vietnamita refugiado, queer, adicto e pobre nos Estados Unidos </span><a href="https://gayletter.com/ocean-vuong/"><span style="font-weight: 400;">significa algo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso,as pessoas em volta dele fazem parte desse significado e a escrita tem o papel de síntese de sua própria vida. É como se, caso não fosse um escritor, Vuong jamais poderia contar quem é a ninguém, nem mesmo a sua mãe.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ocean Vuong Shares His Advice for Aspiring Writers | Louisiana Channel" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/mG7JpAg1mrw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca pela </span><a href="https://www.gq.com/story/ocean-vuong-interview"><span style="font-weight: 400;">identidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca acaba, mas toma um outro caráter. Depois que Cachorrinho entende sua existência, quem sua mãe e sua avó foram, e quem seu novo país abriga, o fluxo se torna outro e assume uma calma assustada de quem sabe que seu lugar está predefinido. Então, a subjetividade assume, mais que nunca, o papel de resgate do que nunca foi dado e uma possibilidade de se reconhecer no mundo. A escrita é o que salva: é o que salvou Cachorrinho de sua relação com sua mãe, que termina o livro rindo enquanto se lembra. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Porque o pôr do sol, assim como a sobrevivência, existe apenas à beira de seu desaparecimento. Para ser belo, você primeiro precisa ser visto, mas ser visto sempre permite que você seja caçado.”</span></i></p></blockquote>
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		<title>5 anos depois, Com Amor, Simon permanece necessário às gerações atuais</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Mar 2023 21:13:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal Em Com Amor, Simon, filme lançado em 2018, baseado no livro Simon vs. A Agenda Homo Sapiens, escrito por Becky Albertalli, a história retratada é a de um adolescente que guarda um segredo a sete chaves. Simon Spier (Nick Robinson) teme, ao revelar que é gay, ser discriminado pelos seus colegas de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/com-amor-simon-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos depois, Com Amor, Simon permanece necessário às gerações atuais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30555" aria-describedby="caption-attachment-30555" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30555" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4-800x533.jpg" alt="Cena do filme Com Amor, Simon. Nela, observa-se o personagem Simon sentado, segurando um garfo, com um moletom preto e uma jaqueta jeans com pelo bege." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4.jpg 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30555" class="wp-caption-text">Ambientado no típico Ensino Médio americano, Com Amor, Simon, inova ao abordar os anseios da juventude LGBTQIAP+ (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><strong>Guilherme Machado Leal</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme lançado em 2018, baseado no livro </span><a href="https://seriesbrasil.com.br/com-amor-simon-universo/"><i><span style="font-weight: 400;">Simon vs. A Agenda Homo Sapiens</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escrito por </span><a href="https://www.beckyalbertalli.com/"><span style="font-weight: 400;">Becky Albertalli</span></a><span style="font-weight: 400;">, a história retratada é a de um adolescente que guarda um segredo a sete chaves. Simon Spier (Nick Robinson) teme, ao revelar que é gay, ser discriminado pelos seus colegas de aula e, por isso, esconde sua orientação sexual. No entanto, em certo momento da história, o protagonista decide conversar com um outro garoto em um </span><i><span style="font-weight: 400;">blog</span></i><span style="font-weight: 400;"> – com os codinomes Jacques e Blue, respectivamente –, dando espaço para conhecermos o íntimo do jovem.</span></p>
<p><span id="more-30554"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou igual a você</span></i><span style="font-weight: 400;">” é uma das primeiras frases ditas por Simon, e é ela que serve como fio condutor do longa. Durante os 110 minutos do filme, o roteiro de </span><a href="https://screenrant.com/how-met-father-isaac-aptaker-elizabeth-berger-interview/"><span style="font-weight: 400;">Isaac Klausner e Elizabeth Berger</span></a><span style="font-weight: 400;"> – com o auxílio da autora – lembra aos seus espectadores de que a homossexualidade, assim como a heterossexualidade, é algo natural. O lema pregado pelo protagonista reconhece que o caráter do indivíduo está acima da sua sexualidade e que, se os entes queridos realmente se importam, eles estarão ao seu lado. Não é difícil se surpreender com o pensamento de Simon, já que o personagem possui uma família livre de preconceitos.</span></p>
<figure id="attachment_30556" aria-describedby="caption-attachment-30556" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30556" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-800x450.webp" alt="Cena do filme Com Amor, Simon ambientada no pátio de uma escola de ensino médio. Da esquerda para a direita, é possível reconhecer seis personagens, são eles: um homem negro de jaqueta cinza com um boné, uma mulher negra de cabelo cacheado, uma mulher branca de cabelo cacheado, um homem branco com uma camiseta cinza e uma jaqueta verde amarronzada, um homem branco louro com um moletom cinza e um homem negro com um moletom preto com listras brancas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-1200x675.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2.webp 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30556" class="wp-caption-text">Ao fazer parte de um filme necessário, o elenco de Com Amor, Simon entrega atuações comprometidas com a seriedade do tema (Foto: Ben Rothstein/20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Infelizmente, o medo de Simon acerca de sua sexualidade é exclusivo da dinâmica repressiva do ambiente escolar. O conflito principal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Love, Simon </span></i><span style="font-weight: 400;">se dá pela descoberta do antagonista Martin Addison (Logan Miller) em relação à sexualidade do protagonista e de seus </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;"> trocados com Blue. A partir desse momento, o personagem ameaçado faz de tudo para que seu segredo não seja revelado aos demais estudantes do colégio Creekwood, provocando o rompimento de uma relação de fidelidade com seus amigos próximos. Nessa perspectiva, o longa se destaca ao abordar precisamente a angústia vivida por jovens da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> no momento em que precisam se assumir aos seus pais e colegas, algo que não acontece com pessoas heterossexuais – e que é até ironizado em uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=49r_PFnri_E"><span style="font-weight: 400;">cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o humor é uma ferramenta fundamental na história, pois é usado para dizer o que deve ser dito de uma forma que seja compreensível, para o maior número de pessoas. É visível qual era a intenção de todos os envolvidos na produção de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;">: fazer com que o filme ressoe entre as diferentes gerações, para que a conversa não seja restrita à juventude moderna. É nesse ponto em que a obra se fundamenta como necessária às gerações atuais, por ser </span><a href="https://guia.folha.uol.com.br/cinema/2018/04/com-amor-simon-e-primeiro-romance-adolescente-gay-de-um-grande-estudio.shtml"><span style="font-weight: 400;">o primeiro filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre um adolescente gay produzido por um grande estúdio. Com a sua linguagem simples e direta, o longa dirigido por Greg Berlanti é capaz de servir como um guia confiável, em que os adolescentes podem se basear ao terem dilemas em relação a sua orientação sexual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impacto causado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;"> é surpreendente, uma vez que, ao lado de</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CK-g0OqzQHQ"><i><span style="font-weight: 400;">Para Todos os Garotos que Já Amei</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme é um respiro para o gênero das comédias ambientadas no Ensino Médio, que teve o seu ápice nos anos 90 e 2000, com filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tD76OqlJRwQ"><i><span style="font-weight: 400;">10 Coisas que Eu Odeio em Você</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-meninas-malvadas/"><i><span style="font-weight: 400;">Meninas Malvadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Embora não tenha sido deixado totalmente de lado, o estilo sofreu um perceptível declínio em suas histórias recheadas de clichês. É notável que obras transgressoras, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;">, foram fundamentais para o ressurgimento de histórias focadas em adolescentes, uma vez que, após cinco anos do seu lançamento, o longa é recorrentemente lembrado nas </span><a href="https://www.guiadasemana.com.br/cinema/galeria/os-melhores-filmes-adolescentes"><span style="font-weight: 400;">listas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de melhores </span><a href="https://www.megacurioso.com.br/estilo-de-vida/110641-10-dramas-e-comedias-teen-para-assistir-na-netflix-durante-as-ferias.htm"><span style="font-weight: 400;">comédias </span><i><span style="font-weight: 400;">teen</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><figure id="attachment_30559" aria-describedby="caption-attachment-30559" style="width: 779px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30559" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/simon.png" alt="Cena do filme Com Amor, Simon. Nela, pode-se ver o protagonista Simon, interpretado pelo ator Nick Robinson, que usa uma jaqueta jeans com pelo bege." width="779" height="462" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/simon.png 779w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/simon-768x455.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30559" class="wp-caption-text">Nick Robinson (Simon) é a alma do filme e dá ao público o melhor de si ao retratar os anseios<br />do jovem LGBTQIAP+ [Foto: 20th Century Studios]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Outro ponto essencial para a aclamação da obra é a atuação de Nick Robinson. Conhecido por</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=S2_aWPGZwhs"><i><span style="font-weight: 400;">Jurassic World</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">: O Mundo Dos Dinossauros</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DxCntPIs38U"><i><span style="font-weight: 400;">A 5ª Onda</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele obtém não só o prestígio da </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-reviews/love-simon-1088293/"><span style="font-weight: 400;">crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também o do público, uma vez que, por conta de sua interpretação, é natural se conectar com o protagonista logo no início. A escolha do ator também reflete no recorte determinado pelos produtores Wyck Godfrey (</span><i><span style="font-weight: 400;">Crepúsculo</span></i><span style="font-weight: 400;">), Marty Bowen (</span><a href="https://personaunesp.com.br/sorria-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sorria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Pouya Shahbazian (</span><i><span style="font-weight: 400;">Divergente</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Isaac Klausne (</span><a href="https://personaunesp.com.br/happiest-season-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Alguém Avisa?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), posto que Simon é um jovem gay, branco e heteronormativo que, quando comparado ao personagem Ethan (Clark Moore) – um garoto gay, negro e afeminado, que serve como alvo de zombaria dos valentões da escola –, é perceptível o privilégio que tem por estar no armário. Aliás, essa questão pode desagradar os mais engajados na causa LGBTQIAP+, devido à falta de representatividade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contando com sucessos como </span><i><span style="font-weight: 400;">I Wanna Dance With Somebody (Who Loves Me)</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/6XpaIBNiVzIetEPCWDvAFP"><span style="font-weight: 400;">Whitney Houston</span></a><span style="font-weight: 400;">, seria um erro falar sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;"> e não mencionar a sua excelente </span><a href="https://open.spotify.com/album/1JHZTusMlrbbTBC3xHt2Gw"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, feita pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/jack-antonoff/"><span style="font-weight: 400;">produtor de sucesso</span></a><span style="font-weight: 400;"> Jack Antonoff. A música de Houston é utilizada de uma forma genial na história, ao mostrar os estereótipos de homens gays, como se, por causa da sexualidade, o indivíduo precisasse gostar de musicais e de divas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> para ser aceito no mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o objetivo de conversar com as gerações atuais, a trilha de Antonoff ainda conta com diversas canções de sua banda </span><a href="https://open.spotify.com/artist/2eam0iDomRHGBypaDQLwWI"><span style="font-weight: 400;">Bleachers</span></a><span style="font-weight: 400;">, além do </span><i><span style="font-weight: 400;">hit </span></i><span style="font-weight: 400;">de sucesso </span><a href="https://open.spotify.com/album/4CEAev7neETRdqBFtzA8B9?highlight=spotify:track:45Egmo7icyopuzJN0oMEdk"><i><span style="font-weight: 400;">Love Lies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dos cantores Khalid e Normani.</span></p>
<figure id="attachment_30558" aria-describedby="caption-attachment-30558" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30558" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.3.webp" alt="Cena do filme Com Amor, Simon. Nela, encontram-se quatro pessoas. Da esquerda para a direita, são elas: um homem branco de cabelo liso com uma camiseta verde listrada, uma menina branca e loura com uma blusa rosa, uma mulher branca com o cabelo ondulado e um homem com o cabelo grisalho e uma roupa cinza. Todos estão sentados e sorrindo." width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-30558" class="wp-caption-text">É nos diálogos entre Simon e sua família que o longa mostra ao espectador a tamanha importância de se ter uma rede de apoio (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, é impressionante – e, de certa forma, incomum – a forma como os pais de Simon, interpretados pelos carismáticos Josh Duhamel e Jennifer Garner, aceitam a sua sexualidade. A mãe, por exemplo, deseja que o jovem seja a melhor versão de si mesmo. Por esse mesmo ângulo,  em uma das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j9EGUdzp42Y"><span style="font-weight: 400;">cenas mais impactantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> do longa, há a conversa entre o protagonista e o seu pai, Jack (Duhamel), que revela ao filho que não mudaria nada nele. São nessas cenas, carregadas de emoção, que levam o público a amar </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;"> com toda a intensidade, dado que é rara a ocorrência de produções delicadas e bem pensadas para um público que não se vê nas telas por uma óptica tão cuidadosa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos momentos finais da história, Simon é tirado do armário e se vê sozinho. Entretanto, ele tem uma ideia e decide convocar os seus colegas em uma missão: encontrar o anônimo Blue na roda-gigante do parque de diversões de sua cidade, para se declarar ao amado. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5fwifVyRX0M"><span style="font-weight: 400;">É nesse momento</span></a><span style="font-weight: 400;"> que há a revelação da identidade do interesse amoroso do protagonista. Nesse ponto do longa, todos estão esperando ansiosamente por algo a mais entre os dois garotos, que cedem à pressão popular e aos seus desejos pessoais, proporcionando ao público um dos beijos mais carinhosos vistos até então em um filme adolescente. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz-se </span><a href="https://theknowfresno.org/04/06/2018/love-simon-important-movie/#:~:text=Love%2C%20Simon%20explores%20the%20complexities%20that%20come%20with,see%20yourself%20being%20positively%20represented%20on%20the%20screen."><span style="font-weight: 400;">imprescindível</span></a><span style="font-weight: 400;"> na hora de se escolher uma obra cinematográfica que represente tão bem os anseios da comunidade LGBTQIAP+. É por causa de longas-metragens como esse que histórias plurais e diversas podem e devem ser contadas na ficção. A essa altura, torna-se indiscutível a importância de se ter um personagem tão imponente como Simon, no que se relaciona ao desafio vivido por jovens do mundo inteiro &#8211; seja esse desafio a descoberta da própria sexualidade ou o medo de ser abandonado após se assumir. No seu aniversário de cinco anos de lançamento, a bela história de Simon Spier se mantém mais atemporal e necessária como nunca.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/dUfrVyIxBiY?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
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		<title>O amor não é óbvio é o retrato de um primeiro amor entre garotas</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jul 2022 16:49:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Monique Marquesini Da busca por registrar e contar histórias felizes de amor entre garotas, origina-se O amor não é óbvio. Publicada em 2019, a obra é a estreia da admirável autora baiana Elayne Baeta e marca o primeiro best-seller lésbico nacional a atingir a lista de mais vendidos do país. Anteriormente lançado em formato digital &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-amor-nao-e-obvio-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O amor não é óbvio é o retrato de um primeiro amor entre garotas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28131" aria-describedby="caption-attachment-28131" style="width: 556px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28131 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL-556x800.jpg" alt="capa do livro O amor não é óbvio. No meio, em frente a um fundo rosa escuro, está a capa. A ilustração do livro, está em preto e branco, de duas garotas, no estilo colagem. A da direita tem o cabelo longo, liso e repicado, ela usa óculos redondos e está segurando um binóculo com as mãos. Ao lado dela está uma garota de cabelos curtos e lisos, vestida com uma jaqueta jeans cheia de bottons. Ainda, na parte superior, está o nome da autora e o do livro." width="556" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL-711x1024.jpg 711w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL-768x1106.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL-1422x2048.jpg 1422w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL-1200x1728.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL.jpg 1778w" sizes="auto, (max-width: 556px) 85vw, 556px" /><figcaption id="caption-attachment-28131" class="wp-caption-text">A capa de O amor não é óbvio, um dos principais romances lésbicos do país, também foi ilustrado pela talentosa autora Elayne Baeta (Foto: Editora Record)</figcaption></figure>
<p><b>Monique Marquesini</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da busca por registrar e contar histórias felizes de amor entre garotas, origina-se </span><i><span style="font-weight: 400;">O amor não é óbvio</span></i><span style="font-weight: 400;">. Publicada em 2019, a obra é a estreia da admirável autora baiana Elayne Baeta e marca o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> lésbico nacional a atingir a</span> <a href="https://veja.abril.com.br/livros-mais-vendidos/"><span style="font-weight: 400;">lista de mais vendidos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país. Anteriormente lançado em formato digital de forma independente, o romance  ganhou espaço na Literatura brasileira e foi lançado pela Editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Record</span></i><span style="font-weight: 400;">, sob o selo </span><i><span style="font-weight: 400;">Galera</span></i><span style="font-weight: 400;">. A escritora, ilustradora e </span><a href="https://entretetizei.com.br/5-livros-de-poemas-incriveis-para-conhecer/"><span style="font-weight: 400;">poeta</span></a> <span style="font-weight: 400;">só escreve sobre o que já sentiu no peito, e talvez por isso, suas narrativas sejam nada óbvias.</span></p>
<p><span id="more-28130"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro de Elay (o apelido da autora) narra uma fase da adolescência de Íris e Édra, duas meninas no último ano do Ensino Médio que nunca conversaram. A doce Íris Pêssego é viciada em novelas e não perde um capítulo da sua favorita, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor em atos</span></i><span style="font-weight: 400;">, junto de sua improvável amiga, a vizinha dona Símia, de 68 anos. Ainda, ela é apaixonada por Cadu Sena, o garoto de quem gosta desde a oitava série &#8211; e que finalmente está solteiro. Só que a narrativa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DvvD5LyIYdM"><i><span style="font-weight: 400;">O amor não é óbvio</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não é tão intuitiva quanto parece. </span></p>
<figure id="attachment_28132" aria-describedby="caption-attachment-28132" style="width: 639px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-28132" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-2-639x800.jpg" alt="Fotografia quadrada da autora Elayne Baeta. Na imagem está o rosto de Elayne Baeta, ela é branca, tem cabelos castanhos e curtos, usa um piercing no septo e na sobrancelha. Ela está com uma camiseta preta e um cachecol vinho, está em uma pose lateral, cobrindo metade do rosto com seus livros O amor não é óbvio e Oxe Baby. " width="639" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-2-639x800.jpg 639w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-2.jpg 647w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28132" class="wp-caption-text">Elayne Baeta participou da Bienal do Livro 2022, em São Paulo, autografando livros, e também esteve na mesa do painel sobre personagens LGBTQIA+ em diferentes gêneros literários (Foto: Elayne Baeta)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A próxima personagem &#8211; a quem somos apresentados de forma excêntrica &#8211; é Édra Norr. Isso não porque a garota se envolveu em um escândalo na escola ou por ter mudado de cidade &#8211; mas por ser a nova namorada de Camila Dourado, que deixou Cadu Sena. A partir daí, entre os cochichos e conversas, Íris começa um experimento para entender o motivo do relacionamento ter acabado e para descobrir mais sobre Édra. E ela não demora para desvendar o </span><a href="https://youtu.be/DNXfr5x5jl8"><span style="font-weight: 400;">charme da garota</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez um dos únicos pontos baixos da narrativa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DNXfr5x5jl8"><i><span style="font-weight: 400;">O amor não é óbvio</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">esteja nessa investigação: no começo, a protagonista pode soar um pouco obcecada com a vida da menina, mas, ao longo da história, o leitor consegue entender o motivo para tudo isso. Nesse momento, Íris pega sua bicicleta amarela e seu binóculo para observar sua colega de turma por toda cidade de São Patrique. Por mais estranho que pareça em um primeiro momento, a menina de 17 anos não entende o porquê de querer tanto saber da garota. Tudo só fica claro quando ela desvenda seu desejo. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Tudo com Édra era dez vezes mais bonito. E eu queria saber o porquê. E não queria também. Nem tudo precisa ser compreendido.”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_28133" aria-describedby="caption-attachment-28133" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28133" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-2.jpg" alt="Fotografia quadrada da ilustração do poster da pré venda do livro. Na imagem está a mão de Elayne, ela é branca e tem uma tatuagem de lua no dedo do meio. Além da tatuagem de flores no braço,há uma mesa branca com alguns materiais escolares. A folha sulfite branca tem o desenho das personagens Íris e Édra se beijando, uma com uma camisa jeans e a outra com uma bandeira LGBTQIA+ nas costas." width="564" height="564" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-2.jpg 564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-2-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 564px) 85vw, 564px" /><figcaption id="caption-attachment-28133" class="wp-caption-text">A história de amor é uma colisão de asteroides, forte e intensa, e mostra que encontrar-se é extraordinário (Foto: Elayne Baeta)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse cenário de uma cidade pequena, tardes assistindo novela, passeios de bicicleta, descobertas sobre sua sexualidade, medos, primeiras vezes e adolescência que a história das garotas se desenrola. Uma das partes mais curiosas de </span><i><span style="font-weight: 400;">O amor não é óbvio</span></i><span style="font-weight: 400;"> se esconde justamente na </span><a href="https://herserendipity.medium.com/a-heteronormatividade-como-empecilho-no-desenvolvimento-de-hist%C3%B3rias-ou-porque-casais-h%C3%A9teros-s%C3%A3o-17f3c0d3cd66"><span style="font-weight: 400;">heteronormatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivida pela  grande maioria dos jovens, já que Íris nunca tinha sequer pensado em enxergar outra menina com olhares românticos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção da amizade e da </span><a href="https://www.google.com/amp/s/bookriot.com/sapphic-novels/amp/"><span style="font-weight: 400;">relação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Édra e Íris é muito aconchegante ao leitor, uma vez que, ao decorrer do experimento, elas acabam ficando mais próximas &#8211; e descobrem como são extremamente compatíveis. As personagens criadas por Elayne Baeta são um complemento perfeito: Íris, cheia de medos e inseguranças, se junta a uma garota autoconfiante como Édra. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O amor não é óbvio</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi escrito quando Elay tinha apenas 19 anos &#8211; talvez seja essa a chave para tanta sensibilidade por parte da autora. A primeira publicação da obra foi feita pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Wattpad</span></i><span style="font-weight: 400;">, em partes, e aconteceu de forma independente, ou seja, sem o apoio de um grupo editorial: foi assim que ela alcançou um enorme e fiel público. Antes mesmo de conseguir reconhecimento nacional, o livro é fundamental por ser de autoria de uma </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/estante/favoritos/2022/5-livros-escritos-por-autoras-l%C3%A9sbicas"><span style="font-weight: 400;">mulher lésbica</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que muitas vezes tem suas vivências esquecidas dos romances literários.</span></p>
<figure id="attachment_28134" aria-describedby="caption-attachment-28134" style="width: 588px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28134" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-1.jpg" alt="Fotografia quadrada do segundo livro publicado por Elayne. A capa do livro é rosa, tem uma Polaroid no meio com uma foto da autora, ao lado tem alguns fósforos e detalhes em preto. O fundo é de um tapete preto e branco, além de outras Polaroids no chão perto do livro. " width="588" height="732" /><figcaption id="caption-attachment-28134" class="wp-caption-text">A arte de contar e escrever histórias é antiga na vida da autora: sentindo falta de se enxergar nas histórias, ela deu vida a suas narrativas (Foto: Elayne Baeta)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de </span><i><span style="font-weight: 400;">O amor não é óbvio</span></i><span style="font-weight: 400;">, Elayne Baeta é responsável por diversos outros projetos, que têm a visibilidade e a representatividade lésbica como ponto central. A autora produziu alguns episódios de seu </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast </span></i><a href="https://open.spotify.com/show/0aJUkr5kRwM3hL3sRWJ2wP?si=Fq85zPvYRWOAsriTcsUX8g"><i><span style="font-weight: 400;">Lésbica &amp; Ansiosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com histórias sobre seus sentimentos. Outro projeto de grande relevância foi </span><i><span style="font-weight: 400;">Sozinhas</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma mistura de </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i><span style="font-weight: 400;"> com livro, que teve grande significância na vida de Elayne: o lucro das vendas foi utilizado para realizar o sonho da mudança da escritora para a capital paulista. Seu mais recente lançamento é o livro de poesias </span><a href="https://lesbout.com.br/resenha-oxe-baby-um-livro-de-poesias-para-garotas-que-amam-garotas/?amp=1"><i><span style="font-weight: 400;">Oxe, Baby</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um relato muito mais pessoal sobre a sua vida, ou como ela mesmo diz, uma autobiografia poética. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As</span> <span style="font-weight: 400;">produções da autora são um</span> <span style="font-weight: 400;">retrato aconchegante e confortável para meninas que nunca se viram representadas nas páginas dos romances adolescentes. </span><a href="https://queer.ig.com.br/2021-12-04/elayne-baeta-livros.html"><span style="font-weight: 400;">Elayne</span></a><span style="font-weight: 400;"> é gigante, uma mulher lésbica nordestina, conquistando espaços jamais alcançados. Nós, garotas que gostamos de garotas, não podemos deixar de vê-la com olhar acolhedor. É lindo acompanhar </span><i><span style="font-weight: 400;">O amor não é óbvio, </span></i><span style="font-weight: 400;">com um primeiro amor cheio de erros, defeitos e acertos. A relação de Íris e Édra é humana e (em uma referência ao livro) é uma história “</span><i><span style="font-weight: 400;">laranja forte e cheia de </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=x2cnAWpiUs8"><i><span style="font-weight: 400;">aliens</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Essa coragem pulsante. Essa conquista&#8230; Em usar um vestido que ninguém rasga. Laranja forte. Laranja (extraordinariamente) forte.”</span></p></blockquote>
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		<title>A comunidade queer invade sua mente em Sense8</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2022 22:18:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Maria Vitória Bertotti  Compartilhando as mentes uns dos outros e vivendo experiências de maneira onipresente, a série estadunidense Sense8 inova na ficção e nos mostra que o espaço é apenas um detalhe para se viver inteiramente. Lançada em junho de 2015, a produção trouxe a temática LGBTQIA+ para o mundo do streaming, o que chocou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sense8-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A comunidade queer invade sua mente em Sense8"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28043" aria-describedby="caption-attachment-28043" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28043 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-5.jpg" alt="Cena da série Sense8. Na imagem, os oito protagonistas da série estão um ao lado do outro se abraçando e com expressões de carinho e felicidade. Todos estão na faixa dos 30 anos. Da esquerda para a direita: Capheus é um homem queniano, negro, é careca e veste uma camiseta cinza de mangas azuis, e está com a cabeça encostada em Nomi. Nomi é uma mulher americana, branca, seu cabelo é loiro na altura abaixo dos ombros e usa um óculos quadrado preto. Acima de Nomi, está Will, que também é americano, branco, está vestindo uma camiseta marrom e tem o cabelo loiro. Ao lado de Nomi está Sun, que é uma mulher coreana, veste uma regata preta de gola alta e com detalhes amarelos, e tem o cabelo preto na altura do queixo. Riley é uma mulher islandesa, veste uma regata que não é possível identificar a cor pois outra pessoa está na frente, e seu cabelo é loiro na altura do pescoço. Abaixo, está Kala, que é uma mulher indiana e está de costas para a foto, podendo ser possível ver apenas seu cabelo preso em um rabo de cavalo e um brinco de várias argolas unidas na orelha. Lito é um homem mexicano, está vestindo uma camiseta de manga curta com estampa militar e seu cabelo é curto e castanho escuro. Por último, Wolfgang é um homem alemão, veste uma camiseta de manga curta cinza e seu cabelo é curto e castanho claro. A iluminação é muito forte e amarelada, eles estão contra a luz. Ao fundo, é possível ver um cemitério vertical, com várias gavetas enfeitadas com guirlandas de flores." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-5.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28043" class="wp-caption-text">O apoio e compreensão dos amigos nunca foram tão necessários quanto em Sense8 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Maria Vitória Bertotti</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compartilhando as mentes uns dos outros e vivendo experiências de maneira onipresente, a série estadunidense</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VX-TnKoivR8"> <i><span style="font-weight: 400;">Sense8</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">inova na ficção e nos mostra que o espaço é apenas um detalhe para se viver inteiramente. Lançada em junho de 2015, a produção trouxe a temática LGBTQIA+ para o mundo do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que chocou parte do público da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Por essa razão, tantas pessoas se renderam à trama revolucionária dos </span><i><span style="font-weight: 400;">sensates</span></i><span style="font-weight: 400;"> e suas habilidades de conexão mental.</span></p>
<p><span id="more-28040"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com direção e roteiro das irmãs Lilly e Lana</span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/irmas-wachowski-conheca-a-historia-das-criadoras-de-matrix"> <span style="font-weight: 400;">Wachowski</span></a><span style="font-weight: 400;">, já conhecidas pelo seu trabalho em </span><i><span style="font-weight: 400;">Matrix </span></i><span style="font-weight: 400;">(1999), as expectativas para a nova produção eram altas, e elas entregaram tudo. A série acompanha Sun, Lito, Nomi, Will, Kala, Wolfgang, Riley e Capheus; oito pessoas de diferentes lugares do mundo que nasceram com uma</span><a href="https://www.revistajovemgeek.com.br/2020/06/explicando-as-conexoes-mentais-em-sense8.html"> <span style="font-weight: 400;">conexão mental</span></a><span style="font-weight: 400;"> e podem sentir as experiências uns dos outros (como se tivessem trocado de lugar) independente de distância ou qualquer outro fator. A descoberta acontece logo no início do primeiro episódio, quando todos têm a mesma visão de uma mulher que não conhecem morrendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Permeando um enredo nunca antes visto, com a criação de todo um universo ao longo das duas temporadas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sense8 </span></i><span style="font-weight: 400;">é marcada por sua diversidade. Desde a direção das Wachowski – que são mulheres trans -, até as vivências dos protagonistas, a comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito bem representada em tela. O relacionamento entre Nomi (</span><a href="https://www.instagram.com/msjamieclayton/"><span style="font-weight: 400;">Jamie Clayton</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Amanita (</span><a href="https://www.instagram.com/freemaofficial/"><span style="font-weight: 400;">Freema Agyeman</span></a><span style="font-weight: 400;">) é muito maduro do início ao fim, com direito a casamento no episódio final. Com muitos elogios sobre sua atuação, Jamie agrega uma importância enorme para a obra ao retratar uma mulher lésbica. Na ficção e na vida real, a atriz é transgênero e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OV94PfAQsc0"><span style="font-weight: 400;">militante</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela causa de gêneros, e por isso foi escolhida à dedo pela produção para dar vida a uma personagem tão </span><a href="https://entretenimento.r7.com/pop/jamie-clayton-de-sense8-se-emociona-ao-falar-de-preconceito-nos-somos-bons-o-suficiente-06102019"><span style="font-weight: 400;">significativa</span></a><span style="font-weight: 400;">; são fatos que só acrescentam na construção da</span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/artigos/2016/06/omg-3-sense8-representatividade-trans-e-o-espectro-da-sexualidade"> <span style="font-weight: 400;">identidade única</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a série incorporou.</span></p>
<figure id="attachment_28044" aria-describedby="caption-attachment-28044" style="width: 1617px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28044 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-2-5.jpg" alt="Cena da série na Parada do Orgulho em São Paulo. Na imagem, Lito e Hernando estão se beijando em meio à multidão, em um espaço ao ar livre. Hernando, à esquerda, veste uma camiseta de manga curta e justa preta, com pequenas listras vermelhas, e uma calça branca com cinto preto; usa um óculo preto e seu cabelo é curto, castanho escuro e ondulado. Uma de suas mãos está segurando o cotovelo de lito, e a outra no pescoço dele. Lito veste uma camiseta de manga longa cinza e uma calça preta; seu cabelo é curto e castanho escuro. Suas duas mãos seguram a cintura de Hernando. Ao fundo, estão várias pessoas aplaudindo e com expressões felizes ao ver os dois juntos. Há um telão bem grande à direita transmitindo o beijo dos dois, várias bexigas nas cores do arco-íris espalhadas por toda a imagem e confetes de papel caindo sobre todos." width="1617" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-2-5.jpg 1617w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-2-5-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-2-5-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-2-5-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-2-5-1536x1026.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-2-5-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28044" class="wp-caption-text">O beijo dos atores na Parada do Orgulho de São Paulo em 2016 marcou toda uma geração de fãs da série (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entrando na mente dos protagonistas, o vilão Sussurros (Terrence Mann) manipula de maneira cirúrgica &#8211; quase que literalmente, ao tentar fazer lavagens cerebrais no grupo – e brilhante, distorcendo as informações do passado e confundindo todo o sistema sensorial deles. Em meio a bloqueadores de sentidos sintéticos e estratégias internacionais, a trama de caça e fuga envolvendo Whispers e os </span><i><span style="font-weight: 400;">sensates </span></i><span style="font-weight: 400;">prendem a atenção do espectador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por ser uma obra que aborda a pluralidade de culturas, já que cada protagonista mora em um país diferente (com exceção dos estadunidenses Nomi e Will), as gravações ocorreram de</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y1rILxgTM5U"> <span style="font-weight: 400;">maneira simultânea</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Índia, Coreia do Sul, México, Londres, Quênia, Estados Unidos e Alemanha. A forma como as relações amorosas e afetivas são retratadas seguindo os diferentes costumes desses lugares têm o poder de impactar o público. Como exemplo, o casamento arranjado da indiana Kala (Tina Desai) e seu desejo de desistir da relação para investir no amor com  Wolfgang (Max Riemelt), o </span><i><span style="font-weight: 400;">sensate </span></i><span style="font-weight: 400;">alemão do grupo.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E nessa constante disputa interna sobre seguir o coração ou agir racionalmente, os oito amigos se veem obrigados a cultivar uma relação intrínseca entre corpo e mente. Cada um com seus hábitos e ideais completamente diferentes aprendendo a compartilhar a vida e os sentidos em</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=05dB2Bl0E_Q"> <span style="font-weight: 400;">sintonia com o ambiente</span></a><span style="font-weight: 400;"> que cada momento exige. Como esse equilíbrio é extremamente difícil de ser atingido, alguns deles</span> <span style="font-weight: 400;">acabam sofrendo mais, como Riley (Tuppence Middleton), que já apresentava um quadro de depressão e acabou se agravando com as invasões mentais e manipulações do Sussurros, o vilão da trama que também é um </span><i><span style="font-weight: 400;">sensate</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28045" aria-describedby="caption-attachment-28045" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28045 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-3-6.jpg" alt="Cena da série Sense8. Na imagem, Kala está em primeiro plano e, segurando sua mão, ao fundo, seu marido Rajan. Kala usa um traje de casamento tradicional indiano, vermelho, com detalhes transparentes e alguns bordados dourados. Em sua cabeça há um tecido bordado de mesma cor cobrindo seu cabelo, que está preso, e em seu pescoço um colar de flores vermelhas, brancas e amarelas. Ela está com um piercing ligado entre o nariz e a orelha, e um acessório vermelho e dourado em sua testa; sua expressão é de preocupação. Seu marido veste um terno preto, um tecido vermelho igual ao vestido de Kala e também com o mesmo colar de flores. Está com um risco vermelho em sua testa e sua expressão está amena, tranquila. Ao fundo, estão um homem e uma mulher, com trajes formais para casamento e com expressões sérias no rosto. Há também uma espécie de cortina dourada e com detalhes, usada na decoração do ambiente. " width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-3-6.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-3-6-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-3-6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-3-6-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28045" class="wp-caption-text">Mostrando a tradicional cultura do casamento indiano, Kala e seu marido ainda decidem viver um relacionamento a três com Wolfgang (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Levando em consideração as muitas cenas de ação e luta que a série oferece, os refrescos aparecem e dão brilho nas narrativas pessoais de cada personagem. As Wachowski acertaram em cheio ao trazer Nomi e Amanita como</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oycVJgb6kR0"> <span style="font-weight: 400;">casal sáfico</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma comunidade que era pouco representada nas telas, e nunca de maneira tão sincera quanto em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sense8</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nomi é perseguida em vários momentos por seu gênero e sexualidade, mas sua companheira Amanita sempre está</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zDOy0zYiSv8"><span style="font-weight: 400;"> a </span><span style="font-weight: 400;">apoiando</span></a><span style="font-weight: 400;"> e defendendo independente da ocasião. A conexão delas é o que faz a diferença, mostra a necessidade de equalizar as relações e o apoio que a outra pessoa pode nunca ter tido por conta da discriminação.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A união de Lito (</span><a href="https://www.instagram.com/miguelangelsilvestre/"><span style="font-weight: 400;">Miguel Ángel Silvestre</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Hernando (</span><a href="https://www.instagram.com/ponchohd/"><span style="font-weight: 400;">Alfonso Herrera</span></a><span style="font-weight: 400;">) não fica de fora da conta, e traz o questionamento sobre o que é ser LGBTQIA+</span> <span style="font-weight: 400;">no mundo atual. O casal relata o drama da sexualidade íntima </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DR8u1wtTGXs"><span style="font-weight: 400;">exposta</span></a><span style="font-weight: 400;"> de maneira não-consensual e como isso afeta suas carreiras profissionais, principalmente a de Lito, que é ator e perde grandes papéis, mostrando que o preconceito está enraizado em todos os ambientes. É uma luta pessoal conciliar a profissão e o “fardo” atribuído para si depois do escândalo midiático construído sobre seu namoro, tanto que ele desenvolve depressão e negligencia seu trabalho.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de tratar de maneira mais profunda sobre a existência </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos pontos mais memoráveis para a maioria do público são as</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IlplwMoITkM"> <span style="font-weight: 400;">cenas sexuais</span></a><span style="font-weight: 400;"> abertamente retratadas. Mas, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Sense8 </span></i><span style="font-weight: 400;">serve o tabu bem quebrado, o “amorzinho convencional” não foi capaz de agradar as diretoras e logo foram gravadas cenas bem reveladoras de uma</span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/para-atores-de-sense8-nu-frontal-masculino-e-orgia-sao-mais-do-que-sexo--14983"> <span style="font-weight: 400;">orgia</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que os 8 </span><i><span style="font-weight: 400;">sensates </span></i><span style="font-weight: 400;">compartilham as sensações uns dos outros simultaneamente.</span></p>
<figure id="attachment_28046" aria-describedby="caption-attachment-28046" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28046 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-4-1.png" alt="Cena da série. Na imagem, estão os oito protagonistas e alguns de seus companheiros. Todos estão sem roupa, deitados e apoiados uns nos outros em uma cama ao ar livre, com duas almofadas por perto. Suas expressões são de prazer e tranquilidade e todos os corpos estão se tocando, seja por abraços ou mãos nos ombros. Ao fundo, a vista de uma cidade americana sob uma névoa fraca; a luz que ilumina a imagem é bem forte e faz sombra no lado direito dos personagens. " width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-4-1.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-4-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-4-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-4-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-4-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28046" class="wp-caption-text">Espantar os conservadores é sinônimo de Sense8 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do tempo de produção, a série foi alvo de muitas injustiças, como o</span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-131490/"> <span style="font-weight: 400;">cancelamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> após a segunda parte, lançada em 2017. Como forma de reconciliação com o público, um</span><a href="http://jornalismojunior.com.br/com-dedicatoria-aos-fas-sense8-prova-que-sim-o-amor-conquista-tudo/"> <span style="font-weight: 400;">episódio final</span></a><span style="font-weight: 400;"> de duas horas foi ao ar em 2018, conseguindo encerrar o ciclo construído pelos personagens ao longo de três anos. Ainda assim, faltou mais consideração para com os fãs que alegam, até hoje, a necessidade de mais temporadas para esclarecer as dúvidas que restaram sobre o destino dos personagens.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Brasil, apesar de não ter nenhum protagonista na obra, foi palco de um dos mais belos episódios de todas as temporadas. Parte do elenco foi à</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DXTAH_Nvx28"> <span style="font-weight: 400;">Parada do Orgulho LGBT</span></a><span style="font-weight: 400;"> e esbanjaram simpatia e acolhimento com a multidão, os verdadeiros responsáveis pela realização do episódio final após diversos abaixo-assinados em protesto à suspensão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cruzando uma linha temporal que transita entre o passado e o presente de maneira levemente confusa, com níveis de consciência que oscilam (tanto dos personagens quanto dos espectadores), </span><i><span style="font-weight: 400;">Sense8 </span></i><span style="font-weight: 400;">reúne o melhor da ficção e realidade numa mistura que prende o público desde o primeiro minuto de série. Amada por muitos e odiada pelos conservadores, doses exatas de suspense e romance são oferecidas ao longo dos</span><a href="https://www.netflix.com/title/80025744"> <span style="font-weight: 400;">24 episódios</span></a><span style="font-weight: 400;"> totais. Mesmo sem mais novidades sobre a trama, milhões de pessoas continuam apaixonando-se pela conexão que os </span><i><span style="font-weight: 400;">sensates </span></i><span style="font-weight: 400;">compartilham e a mensagem de apoio e</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uuuRXNWwAXU"> <span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> para todes que transmite.</span></p>
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		<title>Thelma: o terror também é libertador</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2022 15:40:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez O cenário é uma floresta gelada da Noruega. Pai e filha, de no máximo 6 anos, avistam um cervo durante a caçada. A arma na mão do pai se volta do animal à pequena Thelma, que nunca chega a notar a movimentação. Ele continua firme ali, arma em riste apontada para a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/thelma-filme-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Thelma: o terror também é libertador"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28021" aria-describedby="caption-attachment-28021" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28021" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-1.jpg" alt="Cena do filme Thelma. Na imagem, vemos Thelma, dos ombros para cima, deitada em um sofá verde escuro, de ponta cabeça, ao centro. Ela é uma mulher branca, de cabelos loiros escuros, aparentando cerca de 22 anos, e tem seus olhos fechados e a boca aberta. Por sua boca aberta, vemos uma serpente verde escura entrando por sua boca." width="800" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-28021" class="wp-caption-text">“Eu estou brava com você, Deus. Por que você está fazendo isso comigo? O que você quer?” (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é uma floresta gelada da Noruega. Pai e filha, de no máximo 6 anos, avistam um cervo durante a caçada. A arma na mão do pai se volta do animal à pequena Thelma, que nunca chega a notar a movimentação. Ele continua firme ali, arma em riste apontada para a menina, até o cervo se dispersar. Dos poucos, mas longos minutos, o filme corta para outra cena e uma </span><a href="https://lewislitjournal.wordpress.com/2018/10/07/k-o-to-consciousness-an-analysis-of-thelma/"><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></a><span style="font-weight: 400;"> crescida está enfrentando seus primeiros dias na faculdade. É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia: ensurdecedora, impactante e misteriosa, a obra de Joachim Trier exagera para preparar o terreno para o que vem a seguir.</span></p>
<p><span id="more-28020"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é o quarto longa-metragem dirigido pelo cineasta norueguês, que, recentemente, concorreu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Assim como o último, </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi cotado para a premiação: a obra, uma coprodução entre Noruega, Suécia, Dinamarca e França, foi selecionada como a representante do país na categoria </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/oscar-anuncia-novas-regras-e-muda-nome-da-categoria-de-filme-estrangeiro/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Estrangeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2018, mas não teve força para chegar às indicações anunciadas na grande noite. Na produção, nos primeiros dias de faculdade, as descobertas e novas vontades da religiosa Thelma (Eili Harboe) vêm acompanhadas de estranhos eventos, cada vez mais intensos à medida que ela se desvencilha dos dogmas de sua rígida criação e dá vazão a seus crescentes desejos.</span></p>
<figure id="attachment_28022" aria-describedby="caption-attachment-28022" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28022" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-2.png" alt="Cena do filme Thelma. A frente de um fundo preto, vemos Anja, à esquerda, se inclinando e beijando Thelma, à direita. Anja é uma mulher negra, de cabelos castanhos escuros lisos, aparentando cerca de 20 anos. Thelma é uma mulher branca, de cabelos loiros escuros, aparentando cerca de 20 anos." width="800" height="428" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-2.png 792w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-2-768x411.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28022" class="wp-caption-text">Thelma foi roteirizado por Joachim Trier e Eskil Vogt, uma parceria que se repetiu em A Pior Pessoa do Mundo (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;"> – obra e protagonista – não tem pressa. Cadenciadamente, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XSm2wT_jzQI"><span style="font-weight: 400;">Trier</span></a><span style="font-weight: 400;"> conduz sua estrela através das vivências supostamente ordinárias e comuns à juventude, como a descoberta da </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/espanto/representatividade-lgbt-no-cinema-queer-horror/"><span style="font-weight: 400;">sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, as experiências em um ambiente cheio de desconhecidos e o desvendar de si própria enquanto pessoa. Para Thelma, porém, tudo fica mais intenso e amedrontador: vinda de uma família superprotetora e extremamente religiosa, com seus dogmas e preconceitos, as descobertas da personagem são sempre encaradas como desviantes por ela e pelos pais. Se o ato de provar bebidas alcoólicas em uma festa com amigos já é uma ação repreendida pelo pai, Trond (Henrik Rafaelsen), a filha se interessar por sua colega de classe é ainda mais errado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de seus crescentes desejos, são as represálias internalizadas por Thelma que desencadeiam as ocorrências sobrenaturais. No primeiro contato da protagonista com Anja (Kaya Wilkins), a amiga por quem ela se atrai, um corvo se choca contra o vidro da sala de aula. No segundo, uma convulsão a pega de surpresa. Os sentimentos recém-despertos são desconhecidos a ela e, de poderes telecinéticos a </span><a href="https://personaunesp.com.br/noite-passada-em-soho-critica/"><span style="font-weight: 400;">visões alucinantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, os acontecimentos se tornam mais frequentes e enérgicos ao passo que a personagem se permite explorá-los. Disso, porém, ela não sabe e não demora a investigar a sua causa.</span></p>
<figure id="attachment_28023" aria-describedby="caption-attachment-28023" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28023" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-4.jpg" alt="Cena do filme Thelma. Levitando ao centro da imagem, vemos Thelma vestida em trajes hospitalares, com equipamentos conectados a sua cabeça." width="800" height="346" /><figcaption id="caption-attachment-28023" class="wp-caption-text">“Por vezes, a descoberta mais assustadora é quem realmente se é. Você se atreve a ser quem é?”, questiona o slogan de Thelma (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Drama, Suspense, </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-thelma-joachim-trier-cria-sua-propria-carrie-a-estranha-160791/"><span style="font-weight: 400;">Terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> Psicológico… </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma </span></i><span style="font-weight: 400;">poderia ser chamado até de Romance. O diretor não delimita um gênero e nem explica a sua obra, mas a trabalha de forma enigmática e simbólica o tempo todo. Enquanto as protagonistas se conectam e se atraem, as feições suaves e a performance introspectiva das atrizes tornam suas respectivas personagens ainda mais misteriosas. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7we4eh7qAFA"><span style="font-weight: 400;">Eili Harboe e Kaya Wilkins</span></a><span style="font-weight: 400;">, Thelma e Anja respectivamente, exalam os sentimentos não contados, mas pouco dizem ou explicam. O contrário acontece com o pai e a mãe: tão quietos quanto a filha, já se suspeita desde o início que os dois escondem alguma coisa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas percepções, porém, são frutos da direção de Trier. Ora perto, ora afastadas demais, as câmeras do cineasta nos conduzem através da narrativa como se observássemos o desenrolar de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/suspiria-a-danca-do-medo-critica/"><span style="font-weight: 400;">segredo sombrio</span></a><span style="font-weight: 400;">. A fotografia fria de Jakob Ihre também é essencial para o sentimento de hostilidade e opressão que permeia o longa, e é justamente nos momentos de proximidade das meninas que a tensão acumulada se libera, assim como fazem os poderes de Thelma. A condução cheia de suspense, um dos maiores atrativos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;">, também é o que, por vezes, acaba por repeli-lo. Apesar de construído sutilmente, o ritmo lento do filme faz o telespectador encarar trechos monótonos e tediosos. Nada que Trier não se exima na reta final.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Thelma | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/k7dM9adQFV4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre momentos mais quietos e outros mais tensos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma </span></i><span style="font-weight: 400;">acompanha sua protagonista homônima através da descoberta de sua sexualidade, principalmente. A produção não esconde estar mostrando só simbolismos em tela, já que as </span><a href="https://bocadoinferno.com.br/artigos/2018/12/horror-queer-quando-o-medo-e-a-baixa-representatividade/"><span style="font-weight: 400;">metáforas</span></a><span style="font-weight: 400;"> têm papel fundamental na interpretação. Metáforas essas diretamente conectadas ao lado religioso da personagem: as visões e alucinações de Thelma têm fortes </span><a href="https://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">referências bíblicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, a cada quebra de dogma de sua criação sacra, ela provoca abalos telecinéticos em resposta. Explorar, para ela, revela-se uma provocação digna de invocar seu sobrenatural &#8211; e ela não escolhe contê-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/alem-do-arco-iris-o-terror-como-fuga-da-heteronormatividade/"><span style="font-weight: 400;">diferentes interpretações</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos eventos, é nítido que toda mínima interação da personagem com Anja é o que desencadeia a série de estranhas ocorrências, um reflexo extático da repressão sexual em confronto com os seus desejos. Em uma das cenas mais climáticas e emocionantes, a telecinese faz com que objetos comecem a se mover ao simples toque escondido das duas meninas. Ao final da obra, porém, o pecado do diretor é justamente deixar de lado as sutilezas e apostar no explícito. Em poucos minutos, o filme</span> <span style="font-weight: 400;">vai de um de seus momentos mais intrigantes e enigmáticos a um de seus mais literais, e a combustão sobrecarrega o mistério construído até ali. </span></p>
<figure id="attachment_28024" aria-describedby="caption-attachment-28024" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28024 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3.png" alt="Cena do filme Thelma. Ao centro da imagem, em frente a uma paisagem de mar, durante o dia, vemos um homem branco, com cabelos e barba grisalha, encarando suas mãos estendidas à sua frente, que pegam fogo." width="1280" height="525" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-800x328.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-1024x420.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-768x315.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-1200x492.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28024" class="wp-caption-text">Disponível no Prime Video e na MUBI, Thelma veio depois de Oslo, 31 de Agosto e Mais Forte que Bombas, que renderam ao diretor Joachim Trier indicações a importantes prêmios do Cinema (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No seu próprio ritmo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma </span></i><span style="font-weight: 400;">se mostra objetivamente indecifrável e, da mensagem que se tira da obra, a </span><a href="https://seventh-row.com/2019/11/05/thelma-carrie-comparison/"><span style="font-weight: 400;">interpretação</span></a><span style="font-weight: 400;"> basta. Nas comparações do filme com </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie &#8211; A Estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; também filha de mãe religiosa, também</span> <span style="font-weight: 400;">engatilhou poderes durante uma fase decisiva de sua vida -, a juventude e o processo de descoberta pessoal extasiantes, que tangem o sobrenatural, são tão simbólicas quanto a moral por trás da obra (isso é, se há uma). A verdade é que, entre Romance, Drama, Suspense, ou o que qualquer um se atrever a rotular </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;">, o seu </span><a href="https://www.instagram.com/p/CU0umTkr2w0/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">Terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> também é libertador. </span></p>
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		<title>O Funeral das Rosas: siga por sua conta e risco!</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jun 2022 15:33:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[1969]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Rafael Gonçalo Quando, em meados da década de 1950, a produtora de Cinema japonesa Shochiku (fundada em 1895) reuniu seus jovens diretores e roteiristas, como Nagisa Oshima (O Império dos Sentidos), Yoshishige Yoshida (Eros + Massacre) e Masahiro Shinoda (Duplo Suicídio em Amijima), e deu-lhes a missão de reavivar o interesse do público nos filmes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-funeral-das-rosas-filme-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Funeral das Rosas: siga por sua conta e risco!"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27990" aria-describedby="caption-attachment-27990" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27990" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.32.56.jpeg" alt="" width="800" height="579" /><figcaption id="caption-attachment-27990" class="wp-caption-text">Com provocações cômicas, trágicas e surreais, O Funeral das Rosas não é fácil de digerir ou explicar &#8211; e essa é a sua maior qualidade (Foto: Art Theatre Guild)</figcaption></figure>
<p><b>Rafael Gonçalo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando, em meados da década de 1950, a produtora de Cinema japonesa </span><i><span style="font-weight: 400;">Shochiku</span></i><span style="font-weight: 400;"> (fundada em 1895) reuniu seus jovens diretores e roteiristas, como Nagisa Oshima (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Império dos Sentidos</span></i><span style="font-weight: 400;">), Yoshishige Yoshida (</span><i><span style="font-weight: 400;">Eros + Massacre</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Masahiro Shinoda (</span><i><span style="font-weight: 400;">Duplo Suicídio em Amijima</span></i><span style="font-weight: 400;">), e deu-lhes a missão de reavivar o interesse do público nos filmes da empresa, mal poderia imaginar que a sua empreitada comercial abriria uma caixa de Pandora. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Nouvelle Vague </span></i><span style="font-weight: 400;">Japonesa (ou </span><a href="https://www.queridocinefilo.com/post/nuberu-bagu"><i><span style="font-weight: 400;">Nūberu bāgu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">)</span> <span style="font-weight: 400;">foi um movimento orgânico de cineastas dentro e fora do sistema de estúdios, entre os anos 50 e 70. E de europeu só teve o nome mesmo.</span></p>
<p><span id="more-27988"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como viria a dizer o cineasta Susumu Hani (</span><i><span style="font-weight: 400;">Afurika Monogatari</span></i><span style="font-weight: 400;">), em entrevista à escritora Lúcia Nagib para seu livro Em Torno da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nouvelle Vague</span></i><span style="font-weight: 400;"> Japonesa, as influências ocidentais foram “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma boa dinamite</span></i><span style="font-weight: 400;">” para as convenções sociais e artísticas vigentes no Japão da época. Surfando na mesma onda estava também o diretor Toshio Matsumoto, com seu longa de estreia</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q3XhYY9Ll0k"> <i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1969)</span></a><span style="font-weight: 400;">, título relativamente obscuro, que apenas recentemente foi restaurado e pôde ser apreciado em mais telas. É ele que nos traz aqui hoje. </span></p>
<figure id="attachment_27991" aria-describedby="caption-attachment-27991" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27991" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.33.47.jpeg" alt="Foto do diretor Toshio Matsumoto. Homem japonês de cabelos em corte chanel e óculos estilo aviador. Veste casaco verde escuro. Olha para a frente segurando uma câmera fotográfica modelo polaroid cobrindo totalmente seu olho esquerdo. Em segundo plano há uma parede de tijolos vermelhos. Em terceiro plano uma floresta." width="800" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-27991" class="wp-caption-text">Da graciosa cabeça de Toshio Matsumoto nasceu o roteiro de O Funeral das Rosas (Foto: Postwar Japan Moving Image Archive)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos primeiros minutos da produção, somos levados a pensar que estamos diante de um clássico: fotografia em preto e branco, rostos impecáveis, um clima melodramático iminente… Até que vem o primeiro atropelo. Esse não é um filme comum. Poderíamos, então, tentar dissecá-lo em pelo menos quatro camadas, unidas por uma peça fundamental: Eddie (Eddie… </span><a href="https://www.culturagenial.com/edipo-rei/"><span style="font-weight: 400;">Édipo</span></a><span style="font-weight: 400;">… Soa familiar?). O personagem é interpretado por Shinnosuke “Pîtâ” Ikehata, que talvez você se lembre como o bobo da corte de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ran</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1985), do também diretor japonês Akira Kurosawa. Despretensiosamente, o ator entrega uma atuação tão fluida quanto a sua própria identidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vamos às camadas. A primeira e mais evidente é o melodrama: o jogo de intriga entre Eddie, a “</span><i><span style="font-weight: 400;">mama-san</span></i><span style="font-weight: 400;">” Leda (Osamu Ogasawara) e o amante de ambas, Jimi (Yoshiji Jo), o único ator profissional do elenco que não deixa nada a desejar aos noveleiros (o autor deste texto incluso). Como descobriremos mais tarde, a relação da protagonista com sua mãe (Emiko Azuma, numa interpretação digna de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-hereditario/"><i><span style="font-weight: 400;">Hereditário</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é a espinha dorsal da história, e compõe a segunda e mais assustadora camada de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Está esquentando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pequeno clube de desajustados do qual Eddie faz parte é a terceira camada da obra, deixando evidente a revolução comportamental que os jovens daquela geração pós-Segunda Guerra estavam promovendo na sociedade japonesa. No plano experimental, temos uma quarta camada, composta por </span><i><span style="font-weight: 400;">frames </span></i><span style="font-weight: 400;">estáticos, imagens em movimento, texto escrito, entrevistas com o elenco e até cenas de bastidores, nos lembrando que, no final das contas, trata-se de um filme. O emprego de um elenco 99% não-treinado rompe com </span><a href="https://www.8milimetros.com.br/o-que-e-quebrar-a-quarta-parede-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">a quarta parede</span></a><span style="font-weight: 400;"> da ficção e nos faz questionar se estaríamos assistindo a um documentário.</span></p>
<figure id="attachment_27992" aria-describedby="caption-attachment-27992" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27992" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.33.57.jpeg" alt=" Cena do filme O Funeral das Rosas. A imagem em preto e branco mostra três mãos humanas com as palmas voltadas para frente. Em cada palma há o desenho de uma rosa." width="800" height="612" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.33.57.jpeg 789w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.33.57-768x588.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27992" class="wp-caption-text">Sem dar descanso aos nossos olhos, O Funeral das Rosas se interrompe com tempestades de imagens, aparentemente desconexas, quase como se a verdade do filme estivesse apenas nelas (Foto: Art Theatre Guild)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale ressaltar que essas camadas não estão dispostas em ordem cronológica </span><span style="font-weight: 400;">e você pode, encaixar as peças parecidas na sua cabeça ou simplesmente deixar a vida te levar. De qualquer jeito, você chegará em algum lugar. </span><a href="https://medium.com/vertovina/a-dial%C3%A9tica-da-subvers%C3%A3o-e-percep%C3%A7%C3%A3o-do-surrealismo-japon%C3%AAs-em-shuji-terayama-e-toshio-matsumoto-27cdad82900c"><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> triunfa ao fazer mil questionamentos por minuto: ele é, por excelência, um filme que veio para confundir, não só por estar constantemente nos bombardeando de informações, mas também porque o nosso olhar está carregado de (pré)conceitos sem aplicação aqui. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">japonês difere do que estamos acostumados a assistir enquanto espectadores brasileiros e ocidentais, a nível quase molecular. O que nos separa não é só distância física. Os bares gays (</span><i><span style="font-weight: 400;">gei b</span></i><i><span style="font-weight: 400;">ā</span></i><span style="font-weight: 400;">) de Tokyo, ponto de encontro entre homens e os </span><i><span style="font-weight: 400;">gay boys</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">gei b</span></i><i><span style="font-weight: 400;">ōi</span></i><span style="font-weight: 400;">) que lá estão para servi-los e entretê-los, </span><span style="font-weight: 400;">são o pano de fundo. Tudo isso, </span><span style="font-weight: 400;">no melhor estilo das </span><a href="https://mundo-nipo.com/cultura-japonesa/artes/25/08/2015/origem-e-principios-da-cerimonia-do-cha-no-japao/"><span style="font-weight: 400;">casas de chá</span></a><span style="font-weight: 400;"> japonesas e suas </span><a href="https://coisasdojapao.com/2019/02/quem-sao-e-de-onde-surgiram-as-geishas-no-japao/"><i><span style="font-weight: 400;">geishas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, eventualmente prestando serviços como acompanhantes sociais e sexuais, prática muito frequente na época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa mesma influência americana que trouxe a guerra, acompanhou novas noções sobre sexualidade e gênero, dois aspectos que culturalmente andavam separados no país. Na verdade, o que estamos vendo na tela é um choque geracional entre a figura da</span><i><span style="font-weight: 400;"> onnagata </span></i><span style="font-weight: 400;">(papel feminino no </span><a href="https://www.br.emb-japan.go.jp/cultura/kabuki.html"><span style="font-weight: 400;">teatro </span><i><span style="font-weight: 400;">kabuki</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, interpretado por homens) &#8211; representada por Leda -, e uma nova manifestação da performance de gênero, nascida das influências ocidentais &#8211; o </span><i><span style="font-weight: 400;">gei b</span></i><i><span style="font-weight: 400;">ōi</span></i><span style="font-weight: 400;">, representado por Eddie. </span></p>
<figure id="attachment_27995" aria-describedby="caption-attachment-27995" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27995" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gif_imagem4.gif" alt="Cena do filme O Funeral das Rosas. Imagem em preto e preto e em movimento do rosto da personagem Eddie. A personagem sorri enquanto suavemente acaricia seu pescoço de baixo para cima. Tem os cabelos molhados." width="800" height="560" /><figcaption id="caption-attachment-27995" class="wp-caption-text">Eddie tomando um banho especial para sair com seu gato (GIF: Art Theatre Guild)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é só essa disputa que fica evidente: há também o incômodo de um Japão antes patriota, mas agora fortemente ocidentalizado, que não se reconhece mais no espelho. Aqui, um destaque para a cena de sexo entre Eddie e um soldado norte-americano: além de um primor fotográfico e sensual, o momento revela as </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/segunda-guerra-mundial-na-Asia-no-pacifico.htm"><span style="font-weight: 400;">diferenças inegociáveis</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os dois.  A todo momento essas peças tentam se juntar, mesmo quando parece não haver sentido entre elas, ficando a impressão de que, ao piscar os olhos, algo de importante se perdeu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O tom bastante experimental e amador pode afastar alguns espectadores, os acostumados com uma história mais linear e polida nesse sentido, o que pode ser o “defeito” de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pode-se apenas imaginar o susto que a primeira exibição do filme causou, dificilmente o público havia visto algo parecido e talvez nunca mais viu. Amarrando tudo que se confundia profundamente até aquele momento, como se um trauma na mente do protagonista acabasse de ser resolvido, </span><a href="https://oroteiristainsone.wordpress.com/2017/01/24/a-estrutura-de-tres-atos/"><span style="font-weight: 400;">o último ato</span></a><span style="font-weight: 400;"> da obra</span><span style="font-weight: 400;"> revela a natureza fatal da trama. </span></p>
<p><figure id="attachment_27994" aria-describedby="caption-attachment-27994" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27994 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.34.19-800x450.jpeg" alt="Cena do filme O Funeral das Rosas. Na imagem em preto e branco a personagem Eddie está de pé, recostada sobre um muro. Usa cabelo castanho escuro em corte estilo chanel. Com a mão esquerda segura a alça de uma pequena bolsa. Veste calças estampadas, colete preto com botões grandes sobre camisa branca de mangas bufantes e gola alta. Em segundo plano, dois terços do muro estão cobertos por cinco pôsteres do filme Édipo Rei do diretor italiano Pier Paolo Pasolini de 1967." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.34.19-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.34.19-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.34.19.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27994" class="wp-caption-text">Pistas: Eddie tira uma panca encostado num muro cheio de pôsteres de Édipo Rei (1967) de Pier Paolo Pasolini [Foto: Art Theatre Guild]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O brilhantismo de Matsumoto está em devorar a obra de </span><a href="https://www.todamateria.com.br/edipo-rei/"><span style="font-weight: 400;">Sófocles</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a vomitar na cara do espectador em forma de espetáculo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">homicida e</span> <span style="font-weight: 400;">pornográfico, ao mesmo tempo que não se propõe a ser um estudo de personagem. O que interessa aqui é o choque, como bem explica a frase do cineasta lituano </span><a href="https://jonasmekas.com/bio.php"><span style="font-weight: 400;">Jonas Mekas</span><span style="font-weight: 400;">, </span></a><span style="font-weight: 400;">proferida por Guevara (Toyosaburo Uchiyama) em uma cena que retrata Eddie e seus amigos assistindo a um filme experimental. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Todas as definições de Cinema foram apagadas</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><a href="https://www.otaquest.com/funeral-parade-of-roses-japanese-film-insight-10/"><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> utiliza sexo, violência urbana e as transformações no imaginário japonês do século XX, elementos que consagraram a </span><i><span style="font-weight: 400;">Nouvelle Vague</span></i><span style="font-weight: 400;"> no país, de uma forma única e transgressora, ao permitir que um grupo de personagens marginais se apoderem da narrativa, como se eles e o próprio  diretor também experimentassem a linguagem audiovisual. Ele não se reduz a pecha de filme </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou documental sobre a vida dos homossexuais e transgêneros nos subúrbios de Tokyo, e rejeita nossa vontade de enxergar com nossos próprios olhos. No alto de seus 53 anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é apenas mais um título parte de um movimento, mas é ponto de virada na história do Cinema. Prossiga por sua conta e risco!</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Funeral Parade of Roses - trailer | IFFR 2018" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Q3XhYY9Ll0k?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Genera+ion trata do amadurecimento na língua da Geração Z</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Jun 2022 16:53:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Maju Rosa “Pesquise no Google: como dar à luz?”. É assim que somos apresentados ao caótico episódio piloto da série teen do HBO Max, Genera+ion (escrita dessa forma mesmo). Lançado em março de 2021 (e em junho, no Brasil), é uma aposta para captar o público jovem LGBTQIA+, e levá-lo para a fase que todos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/generation-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Genera+ion trata do amadurecimento na língua da Geração Z"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27979" aria-describedby="caption-attachment-27979" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27979" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-800x450.jpg" alt="cena da série Generation, com todo o elenco principal da série: Chloe East, Uly Schlesinger, Nathanya Alexander, Haley Sanchez, Lukita Maxwell, Chase Sui Wonders, Justime Smith, e Sydney Mae Diaz. Todos olham na direção do espectador." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27979" class="wp-caption-text">Genera+ion retrata um grupo de adolescentes que exploram suas relações e sexualidade enquanto se aproximam dos novos amigos (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Maju Rosa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Pesquise no Google: como dar à luz?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É assim que somos apresentados ao caótico episódio piloto da série </span><i><span style="font-weight: 400;">teen</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;"> (escrita dessa forma mesmo). Lançado em março de 2021 (</span><a href="https://elle.com.br/cultura/generation-hbo-max"><span style="font-weight: 400;">e em junho, no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">), é uma aposta para captar o público jovem LGBTQIA+, e levá-lo para a fase que todos passamos em algum momento: os dramas adolescentes sobre dificuldades adolescentes &#8211; e que apenas os adolescentes entendem. E apesar de ter conquistado um espectador que se identificou com a história de Chester, interpretado por Justice Smith (também protagonista de</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-maio2019/"><i><span style="font-weight: 400;">Detetive Pikachu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-get-down-hip-hop/"><i><span style="font-weight: 400;">The Get Down</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), e seus novos amigos, a produção não foi renovada pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27978"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/katy-perry/"><span style="font-weight: 400;">Katy Perry</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2008 e sua animação em ter </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tAp9BKosZXs"><span style="font-weight: 400;">beijado uma garota</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela primeira vez, a ansiedade para a primeira relação, o entendimento da própria sexualidade e gravidez na adolescência são descobertas abordadas na série do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">. A princípio, a fórmula de </span><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser comparada à </span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), da gigante </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, apesar das semelhanças, as duas tramas não chegam a ser concorrentes diretas. O ritmo e tom adotados nas narrativas possuem grandes diferenças quando analisadas. Enquanto encontramos uma tendência pacata e caricata na britânica, a estadunidense traz ao espectador uma visão mais real do que é ser jovem e enfrentar suas barreiras pessoais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WQb3dgehYXA"><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não possui muitos nomes de peso, mas marca presença como tal. Apresentando como protagonistas um grupo de colegas que se conhece no Ensino Médio, a história mostra a importância de entender eventos a partir de outros pontos de vista. Apesar de confusa nas primeiras vezes, a técnica de repetir a mesma cena de diferentes ângulos, sob a perspectiva de vários personagens durante o episódio, se tornou uma forma de permitir o público digerir o que está acontecendo, sem precisar pausar e voltar alguns segundos.</span></p>
<p><figure id="attachment_27981" aria-describedby="caption-attachment-27981" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27981" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1.gif" alt="Texto alternativo: GIF de cena série Generation, com Riley, interpretada por Chase Sui Wonders, e Greta, interpretada por Haley Sanchez, em um carro conversível em movimento. Riley, que está no banco do passageiro apontando uma câmera, é branca, com cabelos castanhos, e Greta, que está sentada no banco de trás com o braço direito esticado, tem traços latinos e cabelo castanho." width="800" height="397" /><figcaption id="caption-attachment-27981" class="wp-caption-text">Riley (Chase Sui Wonders) e Greta (Haley Sanchez) formam um casal sáfico na série e descobrem o amor apesar de suas diferenças de personalidade [GIF: HBO Max]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A valorização da individualidade não se apresenta apenas na técnica dos pontos de vista: a pluralidade de vivências é um dos detalhes que mais enriquecem a trama, criando laços com o público, comoventes o bastante para conquistar torcidas e garantir o sucesso de todos os personagens. É perceptível o impacto positivo que essa abordagem traz para a trama. O roteiro provou ser fácil aproximar a ficção da realidade quando é apresentado para o espectador o passado de um personagem e sua evolução, tornando-o mais </span><a href="https://medium.com/@carolvidal_/personagens-complexos-736a54c495f"><span style="font-weight: 400;">complexo</span></a><span style="font-weight: 400;">  e representativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhar os processos de cada um estabelece uma </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/220083-dia-orgulho-lgbtqia-series-ajudam-representatividade.htm"><span style="font-weight: 400;">conexão direta com muitos jovens</span></a><span style="font-weight: 400;">, que estão passando (ou já passaram) pelas mesmas situações. Um dos exemplos mais reais de </span><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a contraposição entre o conservadorismo e o liberalismo, vista principalmente na relação entre Nathan (Uly Schlesinger), que atravessa a temporada entendendo melhor sua bissexualidade, e a mãe Megan (Martha Plimpton), extremamente religiosa e que demora alguns episódios para compreender o filho. </span></p>
<figure id="attachment_27982" aria-describedby="caption-attachment-27982" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27982" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-800x420.jpg" alt="cena da série Generation, em que Nathan, interpretado por Uly Schlesinger, e Chester, interpretado por Justice Smith, reproduzem a famosa cena do abraço entre Rose e Jack em Titanic. Nathan, jovem branco que veste camiseta cinza e camisa azul sobreposta, simula Rose, sorridente e com os braços abertos, enquanto Chester, jovem negro com cabelo roxo, abraça Nathan por trás, interpretando Jack." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27982" class="wp-caption-text">O processo de descoberta em um ambiente retrator, como o de Nathan, é uma das pontes que liga a ficção da série com a realidade de parte da audiência (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série conta com uma temporada única de 16 episódios e é um retrato claro da </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2021/07/04/quem-decidiu-o-que-e-millennial-o-que-e-geracao-z-o-que-e-boomer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Geração Z</span></a><span style="font-weight: 400;">. Muitas discussões, que há poucos anos eram tratadas com certo receio, são apresentadas de forma natural, permitindo o espectador acreditar se tratar de uma cópia da realidade, e não apenas um conjunto de gravações roteirizadas. Além do discurso atualizado, a diversidade refletida nos diálogos não se limita a uma temática única.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A representatividade étnica e sexual é priorizada em todos os âmbitos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;">, garantindo que o público se identifique com traços e discussões do núcleo principal da história. Um palpite para a abordagem natural da contemporaneidade na produção está relacionado à mente por trás das câmeras: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OGuXDSTrTWg"><span style="font-weight: 400;">Zelda Barnz</span></a><span style="font-weight: 400;">, a jovem de 19 anos que idealizou a série aos 15, idade propícia o bastante para se estar inserido nos assuntos que a trama traz.</span></p>
<figure id="attachment_27983" aria-describedby="caption-attachment-27983" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27983" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2-800x402.jpg" alt="Zelda Barnz, que está à direita, jovem branca de cabelos cacheados castanhos, usa vestido floral e posa ao lado do pai, Daniel Barnz, que está à esquerda. Daniel é um homem branco de meia idade e veste camisa azul claro com jaqueta preta sobreposta. Ambos sorriem para a foto em um fundo cinza." width="800" height="402" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2-800x402.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2-1024x515.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2-768x386.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27983" class="wp-caption-text">Zelda Barnz transferiu suas ideias do papel para as lentes junto de seu pai, Daniel Barnz, que assinam como co-criadores de Genera+ion (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não ter defeitos aparentes, além dos rápidos 30 minutos de duração por episódio, as narrativas de Chester, Arianna (Nathanya Alexander), Naomi (Chloe East), Delilah (Lukita Maxwell), Greta, Nathan, e Riley não parecem ter dado o lucro esperado para a plataforma. Em setembro de 2021, foi anunciado que o </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/generation-hbo-max-cancelada"><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> não seguiria a parceria</span></a><span style="font-weight: 400;"> com os criadores da série, frustrando muitos fãs que estavam ansiosos para agarrar o gancho do último episódio (inclusive a autora desse texto). Aparentemente a fluidez não rendeu, principalmente quando comparada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">reboot </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gossip Girl</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar dos 12 episódios extremamente cíclicos, que sempre redirecionam o espectador para certa lição de moral implícita, já possui </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/09/gossip-girl-nova-serie-e-renovada-para-2a-temporada/"><span style="font-weight: 400;">2ª temporada confirmada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;"> permite que seus personagens errem e se reergam, sempre firmados no entendimento de seus próprios sentimentos e reações aos golpes da adolescência. A série se mostrou um respiro em meio às narrativas adolescentes irreais, com seus elencos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/elite-4a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">30 anos vestidos com uniformes escolares</span></a><span style="font-weight: 400;"> hiperssexualizados, que não cabem mais ao contexto atual. E mais do que tudo, é um prato cheio de representatividade para os jovens LGBTQIA+ passando por essa fase conturbada. Ou ainda aos mais velhos, que desejavam produções como essa durante a adolescência, e agora podem ver uma representação de jovens </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, retratados como pessoas aproveitando e conhecendo a vida, e não mais da forma problemática veiculada pela mídia até poucos anos atrás.</span></p>
<figure id="attachment_27984" aria-describedby="caption-attachment-27984" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27984" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5.gif" alt="GIF de cena da série Generation, em que Chester, interpretado por Justice Smith, jovem negro com cabelos roxo que usa óculos redondos de lentes cor de rosa, com as duas mãos voltadas para a câmera. Os dedos do personagem estão adornados com 4 anéis enquanto Chester expões suas unhas pintadas de preto formando em branco as palavras &quot;pussy&quot; na mão direita e &quot;power&quot; na mão esquerda. As palavras podem ser traduzidas do inglês como &quot;poder da vagina&quot;." width="800" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-27984" class="wp-caption-text">Apesar de seu cancelamento, essa autora sempre volta aos episódios para imaginar como seria a 2ª temporada da série (GIF: HBO Max)</figcaption></figure>
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		<title>A sensibilidade da juventude vivida em The Sex Lives of College Girls mostra como é bom experimentar</title>
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					<description><![CDATA[<p>Monique Marquesini Apostando em novos rumos para os seriados nas telas, deixando o Ensino Médio de lado, a nova comédia do HBO Max explora o período da faculdade. A Vida Sexual das Universitárias (The Sex Lives of College Girls), lançada em novembro de 2021 e criada por Mindy Kaling e Justin Noble, é marcada por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-sex-lives-of-college-girls-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A sensibilidade da juventude vivida em The Sex Lives of College Girls mostra como é bom experimentar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26742" aria-describedby="caption-attachment-26742" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26742" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1--800x533.jpg" alt="Cena da primeira temporada da série A Vida Sexual das Universitárias. A imagem tem formato retangular e mostra as personagens Leighton, Whitney, Kimberly e Bela em um abraço enquanto elas dão risada dentro do dormitório." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1--800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1--1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1--768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1--1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26742" class="wp-caption-text">Acompanhar a vida do quarteto na transição entre a adolescência e a vida adulta é uma amável viagem entre as diferenças, surpresas e estranhezas (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Monique Marquesini</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apostando em novos rumos para os seriados nas telas, deixando o Ensino Médio de lado, a nova comédia do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora o período da faculdade</span><span style="font-weight: 400;">.</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=kkyxFGqnrgA"><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Sexual das Universitárias</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Sex Lives of College Girls</span></i><span style="font-weight: 400;">), lançada em novembro de 2021 e criada por </span><span style="font-weight: 400;">Mindy Kaling e Justin Noble</span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">é marcada por um diferencial que a torna especial: expor as adversidades desse novo ciclo sem desviar de questões cotidianas da juventude. A série acompanha quatro calouras &#8211; Kimberly (Pauline Chalamet), Whitney (Alyah Chanelle Scott), Bela (Amrit Kaur) e Leighton (Reneé Rapp) &#8211;</span> <span style="font-weight: 400;">na importante</span> <span style="font-weight: 400;">Essex College, onde elas buscam mudanças para suas vidas.</span></p>
<p><span id="more-26741"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Morar sozinha para estudar, formar novas amizades, lidar com preconceito, autoconhecimento e diferenças culturais, essas são algumas das particularidades da primeira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Sexual das Universitárias</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=l2t0lP87cWw"><span style="font-weight: 400;">As protagonistas e suas características únicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> são um diferencial essencial para a construção da comédia. A primeira delas, Kimberly Finkle, é uma garota de uma cidade pequena &#8211; ou como ela descreve “</span><i><span style="font-weight: 400;">da </span></i><i><span style="font-weight: 400;">cidade mais branca da América</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Ela está aberta a novas descobertas, é uma pessoa super forte, mas também ingênua. Whitney Chase é uma estrela do futebol em ascensão e filha de uma senadora famosa, a jovem é inteligente e madura, mas nem sempre faz as melhores escolhas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para completar o grupo carismático das companheiras de quarto, temos Bela Malhotra, vinda de família indiana e entusiasta que sonha em escrever roteiros de Comédia. Por último, Leighton Murray, é uma garota popular que cresceu em Nova Iorque, dona de um humor peculiar que mascara algumas de suas inseguranças, enquanto</span> <a href="https://curitibacult.com.br/10-otimas-series-com-personagens-lgbtqi/"><span style="font-weight: 400;">busca se entender como uma pessoa LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26743" aria-describedby="caption-attachment-26743" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26743" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2.gif" alt="" width="800" height="419" /><figcaption id="caption-attachment-26743" class="wp-caption-text">Com humor, o enredo mostra as dificuldades e a leveza que o período universitário carrega (GIF: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de todas elas serem completamente diferentes umas das outras, a experiência de descobrir que irão dividir o mesmo espaço por bastante tempo faz com que a conexão seja praticamente instantânea. O seriado celebra os altos e baixos de uma amizade feminina pela visão das universitárias, </span><a href="https://guia.folha.uol.com.br/streaming/2021/09/no-clima-de-sex-education-conheca-10-series-que-falam-sobre-sexo-sem-tabus-no-streaming.shtml"><span style="font-weight: 400;">explorando suas vidas sexuais de forma muito real</span></a><span style="font-weight: 400;">, e também dando o devido destaque de que as vivências delas vão além de suas sexualidades, compreendendo diversos sentimentos e sensações &#8211; como felicidade, medo, confusão, entusiasmo e decepções. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A temporada conta com dez capítulos, nos quais o elenco e a trama são extremamente fluidos e bem construídos, juntando o humor com uma narrativa sincera do que é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K56w1A_yjxM"><span style="font-weight: 400;">ser uma mulher buscando ser vista por sua própria identidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; assim como na série da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix,</span></i> <a href="http://personaunesp.com.br/quando-mulheres-tornam-protagonistas-historias/"><i><span style="font-weight: 400;">Jessica Jones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que mostra uma mulher liderando sua própria história.</span></p>
<figure id="attachment_26744" aria-describedby="caption-attachment-26744" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26744" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMG_0426.gif" alt="Cena da primeira temporada da série A Vida Sexual das Universitárias. O GIF tem formato retangular e exibe a personagem Bella no refeitório universitário conversando com as colegas de quarto. " width="800" height="630" /><figcaption id="caption-attachment-26744" class="wp-caption-text">A série conta com uma característica essencial a uma comédia juvenil, as situações desajeitadas e inexperientes das várias primeiras vezes do quarteto aparecem em todos os episódios (GIF: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, algumas lacunas sobram na trama com o desenvolvimento dos episódios. A principal delas é a falta de assuntos relevantes sobre </span><a href="https://www.guiadasemana.com.br/cinema/galeria/filmes-para-entender-as-questoes-de-genero-e-sexualidade"><span style="font-weight: 400;">questões sexuais</span></a><span style="font-weight: 400;">, como métodos contraceptivos e as infecções sexualmente transmissíveis (IST</span><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">. A pauta, que encontra no audiovisual um espaço didático, e que com a expressão artística fomenta uma discussão crítica e alerta para temas importantes, se perde durante a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Sex Lives of College Girls</span></i><span style="font-weight: 400;">,  tornando-se um problema para a série, que tem público majoritariamente adolescente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A célebre jornada das amigas pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">campus </span></i><span style="font-weight: 400;">é marcada pela leveza em que elas conseguiram criar em sua amizade, mas também pelas </span><a href="https://www.buzzfeed.com/rachelbrodsky/relatable-moments-from-sex-lives-of-college"><span style="font-weight: 400;">inúmeras aventuras</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; nem sempre boas &#8211; que elas enfrentam. As histórias de cada uma se complementam, mas as garotas não deixam de ter suas próprias narrativas e experiências, assim, fazendo com que o enredo não exista apenas focado no quarteto.</span></p>
<figure id="attachment_26745" aria-describedby="caption-attachment-26745" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26745" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-9-800x400.jpg" alt="Cena da primeira temporada da série A Vida Sexual das Universitárias. A imagem tem formato retangular e exibe os personagens Kimberly e Nico sentados em um banco enquanto se olham." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-9-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-9-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-9-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-9.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26745" class="wp-caption-text">Após idas e vindas de Nico e Kimberly, a dupla e o seu futuro seguem indefinidos (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Buscando furar a sua bolha, Kimberly, interpretada pela irmã mais velha do ator </span><a href="https://prensa.li/entretenimento/quem-e-timothee-chalamet-o-novo-queridinho-de-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">Timothée Chalamet</span></a>, Pauline Chalamet,<span style="font-weight: 400;"> vai ao encontro de experiências novas, indo a festas, conhecendo pessoas e flertando. Até que ela conhece um garoto chamado Nico Murray, irmão de sua colega de quarto Leighton, e os dois acabam se envolvendo, fazendo com que Kimberly negligencie seu trabalho e a faculdade. A narrativa é antiga,</span> <a href="https://www.vix.com/pt/bbr/2347/10-filmes-em-que-a-garota-nerd-se-transforma-numa-beldade"><span style="font-weight: 400;">na qual uma garota ingênua se atrai por um cara malandro</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas a história se sai bem, já que ela continua mantendo sua personalidade leve e medrosa em meio ao caos que enfrenta com o ficante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É evidente que, em alguns momentos, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Sexual das Universitárias</span></i><span style="font-weight: 400;"> é marcada por clichês, e talvez o menos agradável deles é o grande escândalo de um romance entre um funcionário e uma aluna. Isso acontece com Whitney, que se envolve com Dalton, um homem casado e treinador do time de futebol. Um enredo fraco para uma personagem tão bem desenvolvida é frustrante. </span></p>
<figure id="attachment_26746" aria-describedby="caption-attachment-26746" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26746" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4.gif" alt="Cena da primeira temporada da série A Vida Sexual das Universitárias. O GIF mostra Whitney chegando a um jogo de futebol descendo do ônibus e vendo que suas colegas de quarto estão na arquibancada para apoiá-la." width="800" height="518" /><figcaption id="caption-attachment-26746" class="wp-caption-text">As personagens não desistem da humanidade e cumplicidade, mesmo com a recém-chegada a faculdade e seus desafios (GIF: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a temporada, a adorável e hilária Bela busca uma vaga no grupo de comédia mais prestigiado da universidade &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">The Catullan</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém a revista é marcada por membros excludentes e machistas, deixando claro como o privilégio de homens brancos no meio acadêmico é uma realidade que pode impedir o sonho da garota. Por mais que ela seja academicamente brilhante, ainda busca ser forte </span><a href="https://ew.com/tv/sex-lives-of-college-girls-amrit-kaur-bela-season-1-interview/"><span style="font-weight: 400;">após sofrer diversos tipos de preconceito</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; como um terrível assédio sexual e xenofobia por sua origem indiana, que a fazem mudar de ideia sobre a relevância do grupo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de Leighton mostra, com certeza, um bom desenvolvimento do roteiro. Diferente de suas colegas de quarto, que exploram suas vidas sexuais de forma aberta e heterossexual, durante a história ela tem uma relação difícil com sua sexualidade e acaba preferindo que ninguém saiba que ela gosta de garotas, além de ter medo do preconceito no </span><i><span style="font-weight: 400;">campus </span></i><span style="font-weight: 400;">e com sua família. Por isso,</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=o4DVtR8Afhg"><span style="font-weight: 400;">decide ter um relacionamento escondido com Alicia</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Midori Francis). Além de representatividade, a série dá protagonismo às causas LGBTQIA+, já que a jornada de se descobrir e questionar sua identidade é importante e válida na vida de muitos jovens, como na de Leighton.</span></p>
<figure id="attachment_26747" aria-describedby="caption-attachment-26747" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26747" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5.gif" alt="Cena da primeira temporada da série A Vida Sexual das Universitárias. O GIF mostra Alicia sorrindo para Leighton que parece envergonhada enquanto elas estão em uma festa." width="800" height="518" /><figcaption id="caption-attachment-26747" class="wp-caption-text">Leighton e Alicia formam o quase-casal mais adorado da série entre o público (GIF: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns pontos marcam também o amadurecimento do enredo e das personagens, mostrando como o laço delas é forte e, antes de tudo, verdadeiro. Quando Kimberly tem um problema com Nico, o irmão de Leighton, e a amiga ajuda-a; a tentativa de assédio sexual que Bela sofre e as garotas estão ali para apoiá-la; o apoio dado a Whitney em uma de suas partidas de futebol; e talvez uma das cenas mais emocionantes da série, quando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=A71FDMbrR2s"><span style="font-weight: 400;">Leighton conta para Kimberly sobre sua sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e recebe o acolhimento da amiga. Esse momento das duas é explorado e retratado de forma natural no roteiro e mostra mais uma vez como a produção dá conforto ao representar bem uma personagem </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ademais, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Sexual das Universitárias</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem falhas como todo jovem buscando se descobrir, ou seja, ao longo da temporada, elas vão a festas, começam e terminam relacionamentos, erram, acertam e, principalmente, tentam. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GHTudysZBLY"><span style="font-weight: 400;">Enquanto tentam amadurecer, conseguem ser humanas</span></a><span style="font-weight: 400;">, encarando seus medos e inseguranças, além de procurarem ser suporte a si mesmas e tornarem suas vivências uma história engraçada. Essa é a identidade e maestria ao escrever comédias adolescentes de Mindy Kaling, responsável pela série </span><a href="http://personaunesp.com.br/eu-nunca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Nunca…</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; na qual junta sensibilidade e humor, assim como em sua nova produção de roteiro leve e marcante.</span></p>
<figure id="attachment_26748" aria-describedby="caption-attachment-26748" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26748" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-6-2-800x533.jpg" alt="Cena da primeira temporada da série A Vida Sexual das Universitárias. A imagem tem formato retangular e mostra as quatro protagonistas de mãos dadas dando risada no dormitório, com roupas customizadas para uma festa." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-6-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-6-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-6-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-6-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-6-2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-6-2.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26748" class="wp-caption-text">Quatro narrativas adolescentes completamente diferentes carregam uma história e amizade singular (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-tFVubVaPHU&amp;t=390s"><span style="font-weight: 400;">O seriado foi renovado para uma segunda temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">, que tem data prevista para o final de 2022 e continuará explorando a trajetória do quarteto na universidade. O encerramento do primeiro ano deixou todas as quatro jovens com histórias abertas, para que seja possível continuar contando mais de suas vivências em novos episódios. Mantendo a leveza e graça, e tocando em assuntos reais, de forma especial e espontânea que o enredo e as personagens conseguem fazer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trajetória das protagonistas é bonita pela amizade e pela normalidade, com um retrato cômico e honesto da faculdade &#8211; elas exibem esse período como ele realmente é: confuso, engraçado e assustador. Todas as </span><a href="https://tecnoblog.net/responde/8-filmes-e-series-que-se-passam-na-faculdade-para-ver-na-netflix/"><span style="font-weight: 400;">particularidades da fase da vida universitária</span></a><span style="font-weight: 400;"> estão presentes na obra, mas com um toque particular: a descoberta delas e do mundo ao seu redor com um olhar adolescente e autêntico.</span></p>
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		<title>KICK ii e a catarse apocalíptica do lado escuro e ousado do reggaeton</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Mar 2022 13:28:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Alvarenga Alejandra Ghersi Rodriguez moldou sua carreira como Arca de forma selvagem e extrema. Seu estilo característico envolve texturas eletrônicas distorcidas projetadas para engolir e incomodar, além de visuais igualmente extravagantes, cuja temática mistura tecnologia e androginia de forma majestosa. Mesmo antes de dar à luz ao seu primeiro trabalho de estúdio, o disforme &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/kick-ii-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "KICK ii e a catarse apocalíptica do lado escuro e ousado do reggaeton"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26197" aria-describedby="caption-attachment-26197" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26197 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1-scaled.jpg" alt="Capa do CD KICK ii. Arte retangular com fundo cinza. Na parte central está a cantora Arca, uma pessoa transfeminina branca, de cabelo preto e longo, dividido em dois rabos de cavalo. Ela veste próteses pretas que imitam elementos cibernéticos no pescoço, peito, virilha e pernas. No seu lado direito está um clone da cantora, nua, em uma maca, de cabeça para baixo. Seu braço esquerdo, coxa direita e canela esquerda estão com músculos expostos. Em seu torso há seis ventosas que simulam dispositivos de ordenha. Na mão esquerda da Arca localizada no centro está um ovo flamejante do tamanho de sua mão. De seu ombro esquerdo sai um braço mecânico que puxa os músculos da canela esquerda de seu clone. Sua mão esquerda está erguida acima da cabeça e estica um fio de pele da canela esquerda de seu clone. De sua axila direita sai um braço mecânico que segura um pedaço de músculo. Suas pernas estão abertas simulando posição de sumô, com três cintos na altura da coxa e uma meia preta de vinil que vai até acima do joelho, em ambas as pernas. De sua virilha sai um ovo flamejante e abaixo está localizada uma cesta transparente com outros quatro ovos flamejantes. Do lado de seu pé direito, há uma pelúcia de uma criatura branca, com quatro braços e duas pernas que se assemelham a um canguru, e possui um círculo vermelho em sua cabeça. Do lado direito do clone há outra criatura branca, semelhante a anterior, de costas e possui duas caudas. No lado direito da imagem há dois dispositivos de braços mecânicos ligados por cabos aos cintos na coxa de Arca, que a sustentam. Do canto esquerdo até o canto direito, ao fundo, estão cinco corpos humanos sem pele, de cabeça para baixo, apoiado por barras metálicas ligadas a seus pés. No chão, no lado esquerdo da imagem, há uma carcaça de um animal indefinido que está ligado por um cordão umbilical a outras três carcaças no chão, e todas possuem discretas flores roxas e amarelas em sua superfície e ao seu redor." width="2560" height="1438" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1-1536x863.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1-2048x1151.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26197" class="wp-caption-text">Na arte oficial do álbum, Arca desmonta e reconstrói a sua essência, com uma referência estética e conceitual à capa de seu single @@@@@ (Foto: Frederik Heyman e Alejandra Ghersi Rodriguez)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Alvarenga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alejandra Ghersi Rodriguez moldou sua carreira como Arca de forma selvagem e extrema. Seu estilo característico envolve texturas eletrônicas distorcidas projetadas para engolir e incomodar, além de visuais igualmente extravagantes, cuja temática mistura tecnologia e androginia de forma majestosa. Mesmo antes de dar à luz ao seu primeiro trabalho de estúdio, o disforme </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLnzd0K7_fn5_mfKQKrwlTJmv5EqwcTCTN"><i><span style="font-weight: 400;">Xen</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2014), a cantora, compositora e produtora de Caracas já vinha dominando seu território com outras composições autorais, além de </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/1V8DN5WL3lLCnZacFmFCWA"><span style="font-weight: 400;">parcerias</span></a><span style="font-weight: 400;"> com grandes nomes da indústria musical, como </span><a href="https://www.rimasebatidas.pt/5-anos-de-yeezus-5-produtores-que-moldaram-a-sonoridade-do-disco-de-kanye-west/"><span style="font-weight: 400;">Kanye West</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_kjIgzyNRgXdobAqf2FBEEe6a7GqPrNXtw"><span style="font-weight: 400;">FKA twigs</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLOBFbKJRqeyQX4ehygZP0cF2Y2WoGLXla"><span style="font-weight: 400;">Björk</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_k0KEq9gJu_GvZ1u0DKO32foOs7h3YdPII"><span style="font-weight: 400;">Kelela</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, de maneira surpreendente, após o lançamento de </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/resenhas/albuns/arca-kick-i/"><i><span style="font-weight: 400;">KiCk i</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">XL Recordings</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2020), álbum que contou com as parcerias de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0MNQLJUXrx8"><span style="font-weight: 400;">SOPHIE</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=C6egx7gmIJE"><span style="font-weight: 400;">Shygirl</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RDzyyTHLQfo"><span style="font-weight: 400;">ROSALÍA</span></a><span style="font-weight: 400;"> e novamente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kfvBKoscvCY"><span style="font-weight: 400;">Björk</span></a><span style="font-weight: 400;">, Arca </span><a href="https://www.nerdsite.com.br/arca-lanca-antecipadamente-projeto-kick-ii-ouca/"><span style="font-weight: 400;">revelou</span></a><span style="font-weight: 400;"> o lançamento de outros quatro álbuns, completando o grandioso </span><a href="https://mor.bo/review-arca-kick-ii-kick-iii-kick-iiii-y-kick-iiiii/"><i><span style="font-weight: 400;">Kick</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O projeto completo foi concebido como uma quebra explosiva contra a categorização e uma formulação artística da </span><a href="https://medium.com/kanon-log/arca-frederik-heyman-nonbinary-2020-46260e66bfe5"><span style="font-weight: 400;">existência não-binária</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">KICK ii</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">XL, </span></i><span style="font-weight: 400;">2021), segundo capítulo da série, Arca segue o caminho a partir do seu álbum anterior.</span></p>
<p><span id="more-26196"></span></p>
<figure id="attachment_26198" aria-describedby="caption-attachment-26198" style="width: 760px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26198 size-full" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/2-1.jpg" alt="Fotografia retangular com fundo preto. Na parte central está a cantora Arca, uma pessoa transfeminina branca, de cabelo preto. Ela usa uma calcinha branca, saltos brancos e próteses que simulam garras em seus dedos das mãos, mamilos e cotovelos. As próteses possuem chamas nas extremidades, como velas. O piso é composto por uma lâmina de água." width="760" height="1053" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/2-1.jpg 760w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/2-1-577x800.jpg 577w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/2-1-739x1024.jpg 739w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26198" class="wp-caption-text">KICK ii é sobre celebrar a versatilidade psicossexual explicitamente sobre a transgeneridade e o modo não-binário de relacionar a energia sexual do subconsciente coletivo como uma celebração da vida (Foto: Unax LaFuente)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A faixa de abertura, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qh0KQhvA_s4"><i><span style="font-weight: 400;">Doña</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, demonstra uma combinação abstrata e caótica entre misteriosos vocais sintetizados e sussurros em </span><i><span style="font-weight: 400;">loop </span></i><span style="font-weight: 400;">com uma majestosa manipulação de abstratos ruídos eletrônicos. Sobreposições totalmente irregulares, carregadas de texturas sujas, intencionalmente desordenadas e cortantes, criam uma atmosfera que poderia ter saído  diretamente de um </span><a href="https://www.highsnobiety.com/p/highsnobiety-white-paper-gaming-arca-interview/"><span style="font-weight: 400;">jogo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Resident Evil: “Olá a todos/Para quem isso possa ser de interesse/É hora de entrar no fim/Escondido em uma caixa por esses outros”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Arca dá o tom com essa sonoridade familiar, que, no entanto, logo é quebrada pelo embalo hipnótico das próximas músicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kDha5kPmTCU"><i><span style="font-weight: 400;">Prada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Ghersi se aproxima novamente com a cultura latina, evidenciando uma combinação única e criativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">cúmbia</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i><span style="font-weight: 400;">, como uma clara extensão da proposta vista em </span><i><span style="font-weight: 400;">KLK</span></i><span style="font-weight: 400;">, parceria com </span><a href="https://www.papelpop.com/2020/06/arca-e-rosalia-se-unem-na-musica-klk/"><span style="font-weight: 400;">ROSALÍA</span></a><span style="font-weight: 400;">; e </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2020/06/26/arca-mequetrefe-clipe-disco/"><i><span style="font-weight: 400;">Mequetrefe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ambas do álbum </span><a href="https://www.frieze.com/article/future-according-arca"><i><span style="font-weight: 400;">KiCk i</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Através dos versos e do distinto tratamento dos vocais, a canção revela um grito de liberdade sexual e desejo, dominância e submissão, junto à quebra dos papéis de gênero, como é notável no trecho “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu te dou/Então você me dá, a/Por trás, ei</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada conjuntamente com a faixa anterior, como um </span><i><span style="font-weight: 400;">single </span></i><span style="font-weight: 400;">que revelou os incríveis </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NL-tvd8jeBc"><span style="font-weight: 400;">visuais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e estética propostos para essa nova era, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ykY6st2vw8A"><i><span style="font-weight: 400;">Rakata</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> revive de forma contagiante o instrumental apresentado anteriormente em </span><i><span style="font-weight: 400;">KLK</span></i><span style="font-weight: 400;">, e Arca também. Cheio de energia </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-news/arca-celebrates-psychosexual-versatility-and-seduction-in-prada-rakata-video-1252611/"><span style="font-weight: 400;">sedutora</span></a><span style="font-weight: 400;"> e impulsiva, a música, que revive versos de sua </span><i><span style="font-weight: 400;">unreleased </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=htWeiuRZio4"><i><span style="font-weight: 400;">Furruco</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, revela um magnetismo natural em relação à normalização do </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/art/arca-marina-abramovic-kick-pop-fall-2020"><span style="font-weight: 400;">ato sexual</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem constrangimentos e barreiras, com um final festivo que soa como brasas ardendo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Arca - Prada/Rakata" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NL-tvd8jeBc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://djmag.com/news/arca-announces-new-album-kick-ii"><span style="font-weight: 400;">parceria</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o produtor alemão Boys Noize e o </span><i><span style="font-weight: 400;">DJ</span></i><span style="font-weight: 400;"> e produtor venezuelano CardoPusher, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4IsOnZ07_0c"><i><span style="font-weight: 400;">Tiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> revela um estrondo deliciosamente caótico que navega em melodias explosivas – que remetem ao </span><i><span style="font-weight: 400;">trance </span></i><span style="font-weight: 400;">dos anos 90 – em contraste com vocais ardentes e dispersos, em que artista venezuelana desfia a geografia de seu país de origem de forma singular e atraente. A faixa também encerra a tríade de abertura do álbum que desconstrói e experimenta a energia sedutora do </span><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Dá uma loucura, dá uma loucura/Chupa essa </span></i><a href="https://www.infobae.com/sociedad/2019/05/12/que-es-una-pepa-la-droga-a-la-que-hizo-referencia-el-presidente-mauricio-macri/"><i><span style="font-weight: 400;">pepa</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> como um </span></i><a href="https://diccionariovenezolano.com/mango-bajito/"><i><span style="font-weight: 400;">mango bajito</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">/Dá devagarinho, então você acelera/Quebra esse quadril/Ah, que divertido!/Até os ossos colidirem”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SEqs7ZGZ9KA"><i><span style="font-weight: 400;">Luna Llena</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Arca apresenta uma melódica inversão do som desconstruído anteriormente, através de uma linda e potente performance vocal. A música possui uma carga dramática e emocional que remete à bela melancolia presente em seu </span><a href="http://musicainstantanea.com.br/resenha-arca-arca/"><span style="font-weight: 400;">homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2017. Conduzida de forma mais lenta com ritmos que flutuam em uma atmosfera sonhadora, a faixa é um destaque específico e está entre as músicas mais potentes da carreira de Ghersi até hoje. Ademais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Luna Llena</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode também ser vista como uma homenagem e referência a sua amiga e colaboradora escocesa SOPHIE, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2021/01/30/sophie-cantora-e-dj-escocesa-morre-aos-34-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">falecida</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2021 após sofrer uma queda enquanto apreciava a vista da lua cheia.</span></p>
<figure id="attachment_26199" aria-describedby="caption-attachment-26199" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26199 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/3.jpeg" alt="Fotografia retangular com fundo de quarto com paredes azuis e chão e teto brancos. No lado esquerdo há uma cama coberta com tecido e cortinas vermelhas que se estendem até quase encostar no teto. Sobre a cama está uma silhueta humanóide coberta com uma roupa de látex preto com unhas longas, cauda fina, ombros pontudos e um par de chifres longos no topo da cabeça. Sentada na beirada da cama, do lado direito da imagem, está a cantora Arca, uma pessoa transfeminina branca, de cabelo preto. Ela veste um vestido preto esvoaçante e volumoso. No chão, na parte inferior esquerda da imagem, uma cobra se estende até os pés de Arca. No canto superior direito, em letras brancas com transparência, está escrito “Vogue” em caixa alta." width="800" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/3.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/3-600x800.jpeg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/3-768x1024.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26199" class="wp-caption-text">“Você não sabe o que me custou para chegar até hoje com vida/Você não sabe” (Foto: Tim Walker/Vogue México)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CTll9ipdI0I"><i><span style="font-weight: 400;">Lethargy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> quebra o ritmo e conduz o ouvinte à segunda metade do álbum. Com batidas que exploram graves profundos mesclados com melodias de piano de forma lenta e abafada, a faixa revela uma </span><a href="https://garage.vice.com/en_us/article/bvgp75/arca-angel"><span style="font-weight: 400;">maior profundidade sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> com vocais processados e </span><i><span style="font-weight: 400;">samples</span></i><span style="font-weight: 400;"> de respirações ofegantes e claustrofóbicas. Após Arca consolidar a obra em um formato consistente, a partir de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=76JgWmdjWKc"><i><span style="font-weight: 400;">Araña</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> o álbum se desmancha intencionalmente em mutações. Com instrumentais irregulares e batidas sombrias, é retomada a energia obscura anunciada pela faixa de abertura, </span><i><span style="font-weight: 400;">Doña</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As influências de seus </span><i><span style="font-weight: 400;">EPs</span></i><span style="font-weight: 400;"> anteriores </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PL7s25xbpDYADnpnic9KzBBAIPoGfIKadE"><i><span style="font-weight: 400;">Stretch 1</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> &amp; </span></i><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLysIdEafcgihEi_xDG7eEDcsF_ycR8d0q"><i><span style="font-weight: 400;">2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">UNO</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2012) são nostálgicas e descontroladamente construídas a partir de um ritmo duro e instável, que se contorce, balança e desliza sem controle como as pernas de uma aranha enquanto come e suga os líquidos de sua presa, como evidenciado em </span><i><span style="font-weight: 400;">“E vire, volte, e toque”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A seção final apresenta um </span><i><span style="font-weight: 400;">a capella</span></i><span style="font-weight: 400;">, com um misto de vozes e entonações profundas e emotivas, formando um coro personificado das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p_bSaEM_Eh8&amp;t=256s"><span style="font-weight: 400;">múltiplas personalidades</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Arca ao longo de sua carreira e evolução como artista, seguido de uma explosão final.</span></p>
<figure id="attachment_26200" aria-describedby="caption-attachment-26200" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26200 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/4-1.jpg" alt="Fotografia retangular com fundo preto. Na parte central, vista de lado e se apoiando sobre suas mãos e joelhos, está a cantora Arca, uma pessoa transfeminina branca, de cabelo preto e longo, que cai sobre seu quadril. Ela usa vestido branco rasgado em seus glúteos. Ela possui unhas brancas compridas e próteses brancas que simulam um chifre em seus cotovelos. Ela usa uma prótese metálica preta nas pernas, que vão desde a metade de sua coxa até seus pés, onde a prótese se estende e simula pés de cascos." width="2000" height="1270" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/4-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/4-1-800x508.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/4-1-1024x650.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/4-1-768x488.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/4-1-1536x975.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/4-1-1200x762.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26200" class="wp-caption-text">Ghersi mergulha fundo em sua estética mutante, com suas características próteses mecânicas, de forma angelical (Foto: Unax LaFuente)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A faixa seguinte, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CYXrELTqIVs"><i><span style="font-weight: 400;">Femme</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, contribui ainda mais para a construção da abordagem sombria do restante do álbum, com batidas opressivas muito similares a sua </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtape</span></i><span style="font-weight: 400;"> de estreia </span><a href="https://soundcloud.com/arca1000000/uenqifjr3yua"><i><span style="font-weight: 400;">&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">XL, </span></i><span style="font-weight: 400;">2013). </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hFAuCPyGag8"><i><span style="font-weight: 400;">Muñecas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parceria com Mica Levi, mostra como a artista venezuelana constrói sua essência puramente experimental na Música. Lentamente, a faixa se molda com melodias submersas que mesclam vozes sobrepostas e letra cíclica, como uma oração: </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Todas as minhas bonecas”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FSbdmYqVpww"><i><span style="font-weight: 400;">Confianza</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, combinando vocais distorcidos e melancólicos com um turbilhão de inquietantes sons de piano, Arca demonstra mais uma vez a </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/12/03/arts/music/arca-kick.html"><span style="font-weight: 400;">singularidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que é capaz de proporcionar em cada música ao abordar intimidade e vulnerabilidade de forma anárquica. Os últimos 30 segundos da faixa soam como um angelical e satisfatório fechamento para o </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas, logo em seguida, o desconforto crescente da segunda metade do álbum se dissolve em </span><a href="https://www.grimygoods.com/2021/10/18/arca-new-single-born-yesterday-review/"><i><span style="font-weight: 400;">Born Yesterday</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26201" aria-describedby="caption-attachment-26201" style="width: 1032px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26201 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/5.png" alt="Fotografia retangular com fundo preto. Na parte central está a cantora Arca, uma pessoa transfeminina branca, de cabelo preto. Ela usa maiô branco e saltos pretos. Ela está sentada em um banco cilíndrico branco que se expande na altura do assento em um elemento disforme que se assemelha a espuma acinzentada. Ela está com o corpo virado para o lado esquerdo e o rosto para frente. Sua mão esquerda possui unhas brancas longas e repousa sobre seu peito, segurando uma corda branca com partes rosadas e azuladas. Sua mão direita está erguida acima da altura da cabeça, e possui uma luva branca que vai até seu cotovelo, onde possui uma prótese branca que simula um chifre." width="1032" height="1327" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/5.png 1032w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/5-622x800.png 622w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/5-796x1024.png 796w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/5-768x988.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26201" class="wp-caption-text">Juntamente com o flerte à sonoridade do mainstream, Arca apostou em um aspecto mais polido para o vídeo do primeiro single de KICK ii, Born Yesterday, mantendo sua essência em uma performance dramática de tirar o fôlego (Foto: Unax LaFuente)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Feita para grudar na cabeça, a faixa traz os vocais poderosos e melódicos de Sia para demonstrar amor, infidelidade e conflitos internos, com um toque pulsante de piano e misteriosos sintetizadores, marca registrada da artista venezuelana. O primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single </span></i><span style="font-weight: 400;">lançado para o </span><i><span style="font-weight: 400;">KICK ii</span></i><span style="font-weight: 400;"> era, na verdade, uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TgjwIy9XCFs"><span style="font-weight: 400;">faixa </span><i><span style="font-weight: 400;">demo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de 2013, escrita por Sia para Katy Perry, e que integraria seu álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Prism</span></i><span style="font-weight: 400;">. A canção acabou sendo descartada, até </span><a href="https://hhsbanner.com/top-stories/2021/10/11/arcas-kick-ii/"><span style="font-weight: 400;">cair nas mãos de Arca</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Definitivamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Born Yesterday</span></i><span style="font-weight: 400;"> não era o que os fãs esperavam de Ghersi, porém os retalhos instrumentais e poéticos se encaixam ao propósito profundamente pessoal da obra. A artista demonstra mais uma vez a capacidade de transitar entre estilos musicais de forma sempre imprevisível, mesmo que anticlimática. Por fim, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FbjQBbNGlpU"><i><span style="font-weight: 400;">Andro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> retoma e se encaixa à </span><a href="https://www.dazeddigital.com/beauty/soul/article/41537/1/arca-beauty-grotesque"><span style="font-weight: 400;">atmosfera crua</span></a><span style="font-weight: 400;"> da faixa inicial, com sintetizadores subterrâneos e um embalo absorvente que conduz o ouvinte ao espetáculo final do </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Arca - Born Yesterday feat. Sia" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/_Ed8EpTp-NI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Arca, uma verdadeira Diva Experimental, segue um caminho tortuoso ao </span><a href="https://pitchfork.com/features/interview/live-from-quarantine-its-the-arca-show/"><span style="font-weight: 400;">dar continuidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Kick</span></i><span style="font-weight: 400;"> primogênito, e novamente nos leva a mergulhar numa viagem de texturas sonoras ríspidas dentro de seu complexo mundo. Adentrando esse </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/arca-kick-ii-kick-iii-kick-iiii-kick-iiiii/"><span style="font-weight: 400;">universo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de possibilidades, a artista utiliza seus próprios sentimentos como principal componente conceitual. As canções discutem vivência </span><a href="https://www.sallve.com.br/blogs/sallve/cantora-produtora-musical-arca"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sexualidade, gênero e ancestralidade com uma ternura sensível e particular, que apesar de sedutora e “acessível”, talvez não atraia ouvintes não familiarizados com seu estilo único.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">KICK ii</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ghersi se lambuza ao experimentar novas possibilidades e brinca com ritmos, como evidenciado nas faixas de abertura do álbum – </span><i><span style="font-weight: 400;">Prada</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rakata</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Tiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, em que ela estreita sua relação com suas raízes latinas de forma mais profunda. Ainda assim, enquanto a primeira metade do CD encanta e surpreende pela imensidão de ideias e domínio criativo impecável da artista, conforme se aproxima da conclusão, especialmente após </span><i><span style="font-weight: 400;">Araña</span></i><span style="font-weight: 400;">, as músicas soam arranjadas de maneira irregular e encaixadas como possível material não entregue no álbum anterior.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: KICK ii" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/1Vg5v9M0afj5sIl1ndRXzy?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Yuni!</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 21:01:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra O nome do novo filme de Kamila Andini é exclamado em muitos momentos dentro dos 90 minutos que o abrigam. Não é para menos, afinal, as reações à figura que o batiza: uma adolescente cheia de sonhos, perspicácia e incertezas que vive no interior conservador e religioso da Indonésia. Antes de chegar na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/yuni-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Yuni!"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24482" aria-describedby="caption-attachment-24482" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24482" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24482" class="wp-caption-text">O drama adolescente da cineasta Kamila Andini é parte da seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e a aposta da Indonésia para representar o país no Oscar 2022 (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome do novo filme de Kamila Andini é exclamado em muitos momentos dentro dos 90 minutos que o abrigam. Não é para menos, afinal, as reações à figura que o batiza: uma adolescente cheia de sonhos, perspicácia e incertezas que vive no interior conservador e religioso da Indonésia. Antes de chegar na 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> gerou o mesmo sentimento no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-de-toronto/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Toronto</span></a><span style="font-weight: 400;"> 2021, de onde saiu com uma recepção muito positiva e agraciada com </span><i><span style="font-weight: 400;">Platform Prize</span></i><span style="font-weight: 400;">, que reconhece filmes com </span><i><span style="font-weight: 400;">“alto mérito artístico”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que também apresentam</span><i><span style="font-weight: 400;"> “uma forte visão de direção”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24481"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os aplausos para o trabalho da diretora indonésia são mais do que dignos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um daqueles raros dramas adolescentes que sabe encontrar o lugar perfeito entre a irreverência e a seriedade, que aqui, cria uma ilustração da forma como as </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2017/11/10/o-que-esta-por-tras-da-historia-de-que-menina-amadurece-mais-cedo.htm"><span style="font-weight: 400;">normas sociais do patriarcado</span></a><span style="font-weight: 400;"> interferem na vida de meninas que são empurradas em direção ao amadurecimento precoce. Impulsionado pela ousadia e sensibilidade de sua protagonista, o filme de </span><a href="https://www.mpa-apac.org/2020/06/the-many-lives-of-indonesian-director-kamila-andini/"><span style="font-weight: 400;">Kamila Andini</span></a><span style="font-weight: 400;"> usa como cenário um dos lugares mais religiosos do país que possui a maior população islâmica do mundo, para assim tocar em questões de gênero, sexualidade e amadurecimento numa obra que vai além das narrativas </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/coming-of-age/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> hegemônicas do eixo Estados Unidos-Europa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de Andini, quem também assina o sucesso do filme é </span><a href="https://www.instagram.com/arawindak/"><span style="font-weight: 400;">Arawinda Kirana</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a genialidade que dá vida à Yuni. A personagem está no último ano da escola (que tenta implementar testes de virgindade obrigatórios e proibir expressões musicais por ser algo fora da conformidade dos ensinamentos islâmicos), e sob a tutela da avó (ou do abraço aconchegante porém conservador de Nazla Thoyib) enquanto os pais trabalham na distante capital Jakarta. Ela é considerada uma das melhores alunas da turma e também vista como uma das melhores pretendentes da cidade, vivendo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s1TgZHJgUCQ"><span style="font-weight: 400;">o auge de sua adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;"> em meio a profundos dilemas que surgem dessa interseção de costumes tradicionais e aspirações modernas.</span></p>
<figure id="attachment_24483" aria-describedby="caption-attachment-24483" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24483" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24483" class="wp-caption-text">O prêmio que Yuni recebeu no Festival de Toronto já agraciou obras como Jackie, de Pablo Larraín em 2016, e Martin Eden, Pietro Marcello em 2019 (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de Kamila Andini e </span><a href="https://twitter.com/primarus"><span style="font-weight: 400;">Prima Rusdi</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foge de nada, e a vibrância de Kirana se choca com incertezas que Yuni encontra em todos os cantos. Primeiro, o pressuposto da universidade existe desde que suas notas e seu estado civil permaneçam como estão, pois só assim ela terá a chance de conquistar uma bolsa universitária e viver sua liberdade e autonomia. No entanto, ela tem um pé atrás com a questão do casamento, já que </span><a href="https://www.brasileiraspelomundo.com/julho-indonesia-casamentos-e-suas-tradicoes-290859645"><span style="font-weight: 400;">os mitos locais</span></a><span style="font-weight: 400;"> dizem que se uma jovem rejeitar dois pedidos, será praticamente impossível ela encontrar um marido depois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A saída da personagem é manter todas as opções em aberto, e o filme concentra seu desenrolar na corrida de Yuni em direção ao seu sonho universitário antes que a terceira proposta de casamento destrua os rumos de sua vida. Na escola, a única dificuldade dela é encaixar sua mente lógica nos sentimentos aflorados pela Literatura, disciplina ministrada por Sr. Damar (</span><a href="https://www.instagram.com/dimsad77/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Dimas Aditya</span></a><span style="font-weight: 400;">), o professor que é sua paixão secreta. Então, ela conta com a ajuda do tímido Yoga (</span><a href="https://mubi.com/pt/cast/kevin-ardilova"><span style="font-weight: 400;">Kevin Ardilova</span></a><span style="font-weight: 400;">), que direciona o encanto que tem por Yuni na poesia. A narrativa cheia de personalidade de Andini sabe usar clichês, e a paixão inicialmente unilateral floresce em algo muito mais significativo.</span></p>
<figure id="attachment_24484" aria-describedby="caption-attachment-24484" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2.jpg" alt="" width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24484" class="wp-caption-text">O filme é dedicado à memória do mestre da poesia indonésia Sapardi Djoko Damono (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como o prêmio de Toronto bem notou, </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um trabalho de arte. Parcialmente inspirado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hujan Bulan Juni </span></i><span style="font-weight: 400;">(conhecido como</span><i><span style="font-weight: 400;"> A June Rain</span></i><span style="font-weight: 400;">, “chuva de junho”, numa tradução literal), o precioso poema de amor do reverenciado indonésio </span><a href="https://www.poemhunter.com/sapardi-djoko-damono/"><span style="font-weight: 400;">Sapardi Djoko Damono</span></a><span style="font-weight: 400;">, Kamila Andini cria reviravoltas trazendo a poesia para o filme, tanto na forma quanto no conteúdo, tanto objetiva quanto subjetivamente. O movimento só funciona graças à vastidão emocional, verossimilhança e simpatia que Arawinda Kirana cria para a protagonista, mesmo nos momentos em que Yuni mergulha nos momentos contraditórios orientados pela confusão sentimental da juventude.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O próprio roteiro brinca com noções estéticas, significados culturais e hábitos da adolescência com sua protagonista </span><a href="https://www.shutterstock.com/pt/blog/o-espectro-do-simbolismo-o-significado-das-cores-ao-redor-do-mundo"><span style="font-weight: 400;">obcecada por roxo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">todo mundo sabe que quando uma coisa roxa some, você deve ter roubado</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, implora a diretora da escola para que Yuni deixe seus “maus” comportamentos influenciados pelas suas manias “bobas”). A cor costumeiramente associada ao poder, sabedoria e espiritualidade é amplamente conhecida na Indonésia como o tom que representa e consola as viúvas enlutadas, o que satiricamente muda os olhares direcionados à Yuni quando ela é vista dirigindo sua moto púrpura ou ostentando mechas lilases no cabelo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera de Teoh Gay Hian, por sua vez, é muito bem orientada para reparar nos detalhes, e a composição de Budi Riyanto Karung sabe exatamente o que precisa expressar. Seja quando o grupo de amigas de Yuni chora pela </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/cortei-meus-pulsos-porque-nao-tinha-opcao-o-drama-das-meninas-obrigadas-a-se-casar.ghtml"><span style="font-weight: 400;">pressão do casamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> compulsório no cenário do quarto adolescente, ou quando a protagonista explode um momento de caos emocional jogando todas as quinquilharias roxas potencialmente furtadas para fora do seu armário, ou quando todas as garotas estão apenas conversando sem rodeios sobre o que envolve </span><a href="https://azmina.com.br/reportagens/como-os-adolescentes-lidam-com-sexo-e-identidade-de-genero/?gclid=CjwKCAjwiY6MBhBqEiwARFSCPlU9Lg3T89XAray90KAbay2Wm7CQceCWzg6TKXgcJlR0zbzC0b-EFhoC1zkQAvD_BwE"><span style="font-weight: 400;">o mundo delas</span></a><span style="font-weight: 400;"> naquele momento, tudo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> existe para construir uma única mensagem que sua criadora identificou lá no início.</span></p>
<figure id="attachment_24485" aria-describedby="caption-attachment-24485" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24485" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4.jpg" alt="" width="1600" height="1100" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-800x550.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1024x704.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-768x528.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1536x1056.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1200x825.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24485" class="wp-caption-text">A estreia da cineasta foi com o aclamado The Mirror Never Lies, em 2011, que a colocou no radar mundial como um dos nomes mais promissores do Cinema do sudeste asiático (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O tema recorrente do </span><a href="https://valkirias.com.br/greta-gerwig-lady-bird-frances-ha/"><span style="font-weight: 400;">Cinema feito por mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos últimos anos, que reflete sobre a nossa </span><a href="https://personaunesp.com.br/assim-como-no-ceu-critica/https://personaunesp.com.br/assim-como-no-ceu-critica/"><span style="font-weight: 400;">realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os nossos </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><span style="font-weight: 400;">caminhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em contextos de persistência do patriarcalismo,  encontra aqui um naturalismo gracioso, despreocupado, convincente e sem julgamentos. Podemos não saber exatamente o que queremos, mas </span><a href="https://womenandhollywood.com/tiff-2021-women-directors-meet-kamila-andini-yuni/"><span style="font-weight: 400;">sabemos exatamente o que não queremos</span></a><span style="font-weight: 400;">. E quando o filme de Kamila Andini desenha isso diante dos nossos olhos através da jornada de sua protagonista, é a hora da maior exclamação de todas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni!</span></i><span style="font-weight: 400;"> Apenas <em>Yuni!</em></span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="YUNI Trailer | TIFF 2021" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/s1TgZHJgUCQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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