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	<title>Arquivos República Tcheca &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em O Atlas dos Pássaros, o inimigo é a fortuna</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Nov 2021 16:43:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Para meros mortais como nós, líderes de companhias bilionárias, detentores de grandes fortunas e outras figuras de poder, podem parecer soberanas e prodigiosas. Porém, o que ocorre quando observamos suas movimentações mais atentamente? É o que O Atlas dos Pássaros, comédia dramática da República Tcheca apresentada na 45ª Mostra Internacional de Cinema em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-atlas-dos-passaros-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em O Atlas dos Pássaros, o inimigo é a fortuna"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24312" aria-describedby="caption-attachment-24312" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-24312" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1.jpg" alt="Imagem retangular retirada do filme O Atlas dos Pássaros. Nela, vemos, no canto superior esquerdo, Ivan Rona, um homem branco, idoso, com cabelos brancos e barba feita. Ele veste uma camisa social branca, uma calça social e sapatos pretos. Ele olha, de dentro de uma sala com paredes de vidro, o lado de fora. Lá, tem-se a visão de uma grande fábrica, composta por uma larga linha de produção de máquinas. O cenário é noite, com as luzes do local acesas, e a imagem é colorida." width="1600" height="1100" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-800x550.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-1024x704.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-768x528.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-1536x1056.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-1200x825.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24312" class="wp-caption-text">O mistério é quem rege O Atlas dos Pássaros, filme exposto na seção Perspectiva Internacional, da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: endorfilm)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para meros mortais como nós, líderes de companhias bilionárias, detentores de grandes fortunas e outras figuras de poder, podem parecer soberanas e prodigiosas. Porém, o que ocorre quando observamos suas movimentações mais atentamente? É o que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Atlas dos Pássaros</span></i><span style="font-weight: 400;">, comédia dramática da República Tcheca apresentada na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, propõe: investigar a intocada moralidade dos poderosos. E, quando descobre-se ali a raiz desse poderio, deparamo-nos com uma das faces mais abjetas da sociedade. </span></p>
<p><span id="more-24311"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ivo Rona é um velho </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO </span></i><span style="font-weight: 400;">de uma empresa multimilionária. Pouco importa a função da empresa, o que importa é que, após uma internação hospitalar, ele sofre </span><a href="https://45.mostra.org/filmes/o-atlas-dos-passaros"><span style="font-weight: 400;">um golpe</span></a><span style="font-weight: 400;"> que faz com que perca uma quantidade exorbitante de dinheiro. Na busca de culpados, a principal suspeita calha de ser Marie, sua secretária, que subitamente desaparece sem dar notícias. E, em meio a essa situação caótica, seus dois filhos ainda tentam, com unhas e dentes, tomar a frente da companhia do pai, que irá exprimir grande resistência. É nessa micro-guerra fria que a narrativa do longa se coloca.</span></p>
<figure id="attachment_24313" aria-describedby="caption-attachment-24313" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24313" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2.jpeg" alt="Imagem retangular e colorida retirada do filme O Atlas dos Pássaros. O cenário é uma cabana de madeira. No centro, vemos uma mulher branca, de cabelos longos de cor castanha, e vestindo um vestido beje. Ela está sentada, em frente a um notebook cinza. Ela olha para cima, em direção a um homem, que se apoia sobre a mesa e olha a tela do computador. Ele tem idade avançada, tem cabelos curtos e brancos, rugas no rosto, e veste um terno com um sobretudo preto por cima. Atrás dos dois, vemos mais três pessoas observando a cena. A primeira, à esquerda, uma mulher branca, com cabelos longos de cor castanha, que veste um suéter roxo e uma blusa cinza-claro. Ela olha para o chão, absorta. Ao centro, está um homem de estatura mais longa. Ele tem cabelos loiros e curtos, e veste um terno, com um sobretudo preto por cima. Ele olha para a cena, envergonhado. E, por fim, à direita, um homem branco, com cabelos curtos de cor preta, com uma barba curta no rosto, que veste uma camisa social pranca e uma jaqueta de frio preta por cima. Ele observa a cena, com um semblante sério." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-768x432.jpeg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24313" class="wp-caption-text">O filme ainda encontra caminho em sua narrativa para comentar a respeito de crimes virtuais e o perigo das redes (Foto: endorfilm)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome que </span><a href="https://45.mostra.org/diretores/olmo-omerzu"><span style="font-weight: 400;">Olmo Omerzu</span></a><span style="font-weight: 400;">, vencedor do prêmio </span><a href="https://www.kviff.com/en/homepage"><span style="font-weight: 400;">Karlovy Vary</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Direção, dá ao longa, originalmente chamado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Atlas Ptáků</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">pode soar misterioso, mas rapidamente se justifica pela presença marcante desses coadjuvantes alados e, posteriormente, por um elemento importantíssimo da trama. Espécies diversas de aves criam intermissões na narrativa, ou comentando os eventos, ou comunicando-se diretamente com o espectador, seja através de frases enigmáticas, seja por explicações expositivas que contextualizam os acontecimentos. Apesar de ser uma ferramenta instigante no papel, o seu uso em cena gera pouco interesse.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da narrativa, acompanhamos a gradativa decadência de Ivan e seu legado. Algo necessário para ser pontuado, é que </span><i><span style="font-weight: 400;">Bird Atlas</span></i><span style="font-weight: 400;"> despreza totalmente seu protagonista. Ivan Rona é o habitual homem branco de idade avançada, defensor da família, dos bons costumes, que acredita que o mundo orbita em volta de seu umbigo, mas que tem sua hipocrisia escancarada quando visto mais de perto. Seu dinheiro foi conquistado de maneiras </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/ciencia/20029-estudo-aponta-que-riqueza-e-falta-de-etica-caminham-juntas.htm"><span style="font-weight: 400;">extremamente antiéticas</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele coloca sua empresa à frente de toda e qualquer coisa, é ausente com seus filhos e os trata como objetos que estão ao seu serviço, e traía a esposa extensivamente. E no fim, o personagem, que se recusa a largar o osso, demonstrará amargura e hostilidade com tudo e todos, até que, finalmente, se veja completamente sozinho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, este está longe de ser o melhor trabalho do diretor, responsável pelo renomado </span><a href="https://www.micropsiacine.com/2018/11/festival-de-gijon-critica-de-winter-flies-de-olmo-omerzu/"><i><span style="font-weight: 400;">Winter Flies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A maior força do filme está no grande mistério a respeito do responsável pelo roubo do dinheiro. É o que cria a tensão entre os personagens e rege os conflitos da trama. Contudo, esse arco é rapidamente resolvido no início da sua segunda metade, o que torna a conclusão arrastada e monótona. Além disso, a fotografia de Lukáš Milota é pouco inspirada, sempre optando por planos básicos e enquadramentos nada criativos. De todo modo, ao olhar para dentro das camadas mais prestigiadas da sociedade, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Atlas dos Pássaros</span></i><span style="font-weight: 400;"> tece uma crítica contundente e tragicômica sobre quem ocupa essas posições de poder. E, se há algo para aprender disso, é que, no fim das contas, pessoas ricas geralmente são patéticas mesmo. </span></p>
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		<title>Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental sacaneia os caretas</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Oct 2021 18:11:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Com um título desse, é esperado que Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental tenha prazer em chocar, mas ninguém está preparado para o que vem logo que as luzes se apagam. Uma fita de sexo abre a produção romena, que se centra na ruína de uma professora de Ensino Fundamental, a estrela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ma-sorte-no-sexo-ou-porno-acidental-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental sacaneia os caretas"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ma-sorte-no-sexo-ou-porno-acidental-critica/">Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental sacaneia os caretas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23791" aria-describedby="caption-attachment-23791" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23791" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1.png" alt="Cena do filme Má Sorte no Sexo, mostra uma mulher branca atendendo o telefone. Ela usa máscara azul e uma blusa preta." width="1200" height="661" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-800x441.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1024x564.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-768x423.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23791" class="wp-caption-text">Exibido após a coletiva de abertura da 45ª Mostra de São Paulo, Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental foi o grande vencedor do Festival de Berlim 2021, levando para casa o Urso de Ouro (Foto: Imovision)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um título desse, é esperado que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VIutLENpAAo"><i><span style="font-weight: 400;">Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tenha prazer em chocar, mas ninguém está preparado para o que vem logo que as luzes se apagam. Uma fita de sexo abre a produção romena, que se centra na ruína de uma professora de Ensino Fundamental, a estrela do vídeo adulto, sofrendo as consequências quando a gravação cai na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">e a escola em que trabalha a encontra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E não havia filme mais propício para abrir os trabalhos da 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, que em 2021 adota um formato híbrido após sobreviver a um </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/44-mostra/"><span style="font-weight: 400;">2020 completamente virtual</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na coletiva de imprensa de abertura, realizada de maneira </span><i><span style="font-weight: 400;">on-line</span></i><span style="font-weight: 400;"> em nove de outubro, a diretora do evento Renata de Almeida revelou que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pornô Acidental</span></i><span style="font-weight: 400;"> reflete muito como a população enxerga a pandemia e, embora seja rodado na Romênia, assistiríamos por quase duas horas ecos fortes do Brasil. Ela não mentiu.</span></p>
<p><span id="more-23790"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja com as </span><a href="https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/04/23/os-erros-mais-comuns-no-uso-de-mascaras-para-se-proteger-do-coronavirus-e-como-usar-corretamente.ghtml"><span style="font-weight: 400;">máscaras penduradas no queixo</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou com os narizes descobertos, o diretor Radu Jude captura com exímio os tempos do coronavírus, sem qualquer necessidade de forçar a barra ou inventar situações. Como 2020 em diante provou, a realidade deixa muita </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/06/exclusivo-governo-bolsonaro-pediu-propina-de-us-1-por-dose-diz-vendedor-de-vacina.shtml"><span style="font-weight: 400;">ficção no chinelo</span></a><span style="font-weight: 400;">. O faz de conta, porém, é usado na abertura com a cena de sexo. Sobre uma ótica cômica, mas nunca humilhante, a gravação caseira do ato dita o compasso narrativo da obra e, portanto, não poderia ficar de fora dela.</span></p>
<figure id="attachment_23792" aria-describedby="caption-attachment-23792" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23792" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2.png" alt="Cena do filme Má Sorte no Sexo, mostra uma visão de cima de uma mulher branca, sem camisa, deitada na cama, usando uma máscara de oncinha nos olhos." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23792" class="wp-caption-text">Nas exibições norte-americanas, a sextape foi cortada e Bad Luck Banging or Loony Porn, como foi batizado lá, conta com apenas 86 minutos de rodagem (Foto: Imovision)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de explorar o lado mais íntimo de alguém, o filme passa quase uma hora ao ar livre, acompanhando fielmente a personagem principal Emilia (</span><a href="https://www.imdb.com/name/nm4944432/?ref_=tt_cl_t_1"><span style="font-weight: 400;">Katia Pascariu</span></a><span style="font-weight: 400;">), em um dia de afazeres na </span><a href="https://personaunesp.com.br/colectiv-critica/"><span style="font-weight: 400;">capital Bucareste</span></a><span style="font-weight: 400;">. A lente documental preenche o foco da direção, ao passo que assistimos a professora fazer compras, olhar vitrines, visitar colegas. Tal qual um </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-roma/"><span style="font-weight: 400;">famoso diretor mexicano</span></a><span style="font-weight: 400;"> que capturou seu bairro de infância com os olhos gigantes de uma criança maravilhada, Rude filma a Romênia pandêmica e raivosa sem os limites de um quadro estático. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia de Marius Panduru viaja, abraçando as ruas, prédios, bicicletas, </span><i><span style="font-weight: 400;">outdoors </span></i><span style="font-weight: 400;">e seus residentes. O íntimo da pornografia é surpreendido e substituído pelo exterior do mundo real, complementando-o. Mas, então, o tempo passa, o dia vira noite e </span><i><span style="font-weight: 400;">Má Sorte no Sexo</span></i><span style="font-weight: 400;"> interrompe a rotina nada banal de Emilia para, em sua segunda parte, apresentar um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">slides </span></i><span style="font-weight: 400;">que tira sarro de tudo que você possa imaginar. As alegorias do </span><a href="https://www.timesofisrael.com/romania-struggles-to-confront-holocaust-past/"><span style="font-weight: 400;">passado da Romênia</span></a><span style="font-weight: 400;"> são cutucadas, assim como inversões de definições do dicionário e termos sexuais, para combinar com a temática debochada de escárnio do filme.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Boquete: a palavra mais procurada do dicionário, seguida por ‘empatia’”</span></i><span style="font-weight: 400;">, aparece nas legendas acompanhado do vídeo de alguém performando o ato descrito.</span></p>
<figure id="attachment_23793" aria-describedby="caption-attachment-23793" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23793" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3.jpg" alt="Cena do filme Má Sorte no Sexo, mostra uma mulher segurando um tablet deitado e um homem com roupa militar assistindo a tela." width="900" height="599" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23793" class="wp-caption-text">Quando venceu a Berlinale à distância, Radu Jude criticou o culto ao tapete vermelho e todo o bafafá ao redor das cerimônias serem mais importantes que os filmes exibidos (Foto: Imovision)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O humor europeu incendeia a crítica ao &#8220;politicamente correto” e ao falso moralismo que povoa a sociedade como um todo. Quando o diretor encerra seus </span><i><span style="font-weight: 400;">slides</span></i><span style="font-weight: 400;">, indo de A a Z por quase vinte e seis minutos, voltamos à </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/mar/03/bad-luck-banging-or-loony-porn-review-berlin-film-festival"><span style="font-weight: 400;">órbita da professora</span></a><span style="font-weight: 400;">, que enfim chega na reunião de pais que definirá seu futuro depois do mundo todo vê-la pelada, de peruca rosa e com um chicote estalando na bunda do marido. Os responsáveis/juízes da ética, sentados no pátio do colégio por conta do distanciamento social, logo imitam os inquisidores de Salem e pedem a cabeça da mulher.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Xingada e humilhada, a professora em momento algum abaixa a cabeça e aceita os julgamentos. Astuta como é, ela vira a palavra dos conservadores contra eles próprios, dando sermões a respeito da própria História da Romênia, embasando suas falas em artigos de estudiosos que ela própria ensina aos filhos deles. Fator interessante dessa dinâmica é como o diretor e roteirista </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/03/bad-luck-banging-or-loony-porn-review-1234621755/"><span style="font-weight: 400;">despe os preconceitos</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessas figuras mais tradicionais da sociedade, como o homem do exército, a dona de casa mais afortunada e até um imigrante insatisfeito.</span></p>
<figure id="attachment_23794" aria-describedby="caption-attachment-23794" style="width: 2236px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23794" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4.png" alt="Cena do filme Má Sorte no Sexo, mostra uma mulher com fantasia, segurando um objeto fálico na mão e jogando uma rede de peixe para frente." width="2236" height="1048" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4.png 2236w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-800x375.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-1024x480.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-768x360.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-1536x720.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-2048x960.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-1200x562.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23794" class="wp-caption-text">Co-produção entre Romênia, Luxemburgo, República Tcheca e Croácia, o título “Babardeala cu bucluc sau porno balamuc” conta com um palavrão na língua original (Foto: Imovision)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto se abraça a atributos mais técnicos, como o figurino dos personagens, em especial a escolha de estampa das máscaras que usam no encontro. O padre preconceituoso, que usa uma proteção em referência ao movimento</span><i><span style="font-weight: 400;"> Black Lives Matter</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a fala </span><a href="https://revista.ioles.com.br/boca/index.php/revista/article/view/229"><i><span style="font-weight: 400;">“I Can’t Breathe”</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu Não Consigo Respirar”</span></i><span style="font-weight: 400;">), é demasiado cômico (e Jude sabe bem disso). A revolta que nasce das falas machistas, sexistas e misóginas se transforma em graça visto o tamanho do absurdo da situação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse pepino (ou vibrador verde, você quem decide) em mãos, o filme chega a melhor conclusão possível: nenhuma. Na parte três, referida como uma </span><a href="https://falauniversidades.com.br/conheca-as-5-maiores-e-melhores-sitcoms-brasileiras/"><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pornô Acidental</span></i><span style="font-weight: 400;"> acaba sem final, ou melhor, com três deles. Mais uma vez pisando no freio, Radu Jude oferece alguns caminhos, um pessimista, um otimista e um doido para cacete. O público decide em qual acreditar, mas a imagem que congela para os créditos subirem é forte demais para deixar qualquer dúvida no ar. Que porra foi essa? </span></p>
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		<title>Fantaspoa XVII: os filmes e curtas do Festival Fantástico</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Apr 2021 20:16:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>E foi no meio da loucura da maratona do Oscar 2021 no Persona, que trombamos com o maior festival de cinema fantástico da América Latina. Chegando na sua 17ª edição, o Fantaspoa, Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre, foi realizado entre os dias 9 e 18 de abril, acumulando mais de 160 filmes entre &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-fantaspoa-xvii/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Fantaspoa XVII: os filmes e curtas do Festival Fantástico"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20122" aria-describedby="caption-attachment-20122" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20122 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Arte-texto-persona.jpg" alt="Arte em amarelo-mostarda. À esquerda, o símbolo do persona está distorcido acima do texto &quot;Os filmes e curtas do fantaspoa XVII&quot;. À direita, a arte do festival está numa moldura dourada." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Arte-texto-persona.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Arte-texto-persona-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Arte-texto-persona-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20122" class="wp-caption-text">Com arte oficial de Renan Santos, o XVII Fantaspoa foi sucesso de público (Arte: Vitor Tenca)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E foi no meio da loucura da maratona do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">, que trombamos com o maior festival de cinema fantástico da América Latina. Chegando na sua 17ª edição, o </span><a href="https://www.fantaspoa.com/2021/o-festival/historia"><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre, foi realizado entre os dias 9 e 18 de abril, acumulando mais de 160 filmes entre longas e curtas para os amantes do gênero fantástico &#8211; que abrange o horror, o </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;">, a ficção-científica e a fantasia. Pela segunda vez, o festival foi virtual, em decorrência da interminável pandemia de coronavírus, e gratuito, para que todos pudessem assistir as obras provenientes de mais de 40 países do globo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um mundo pré-apocalíptico, o </span><a href="https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/cultura/2021/04/788480-apos-recorde-de-publico-fantaspoa-divulga-vencedores-de-sua-17-edicao.html"><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ocorria anualmente na cidade de Porto Alegre desde o ano de 2005. Em 2021, quase completando a maioridade, o festival ofereceu debates com cineastas, discussões sobre a inclusão no audiovisual, exposição a respeito do trabalho de mulheres no mundo do fantástico e até uma festa </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;">. A arte da vez, utilizada para a própria arte desse </span><i><span style="font-weight: 400;">post</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi criada pelo artista Renan Santos como uma referência aos 17 aninhos do festival, intitulada </span><i><span style="font-weight: 400;">Reflexo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já o </span><i><span style="font-weight: 400;">lettering</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi desenvolvido pelo diretor de arte Thalles Mourão, que também usou um aspecto refletido para retomar o gênero do evento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através da plataforma </span><a href="https://www.darkflix.com.br/#/index"><i><span style="font-weight: 400;">Wurlak/Darkflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assistimos um pouco de tudo: filmes nacionais, internacionais, animados, psicodélicos, bizarros, medonhos e hilários. A curadoria trouxe peças singulares, inclusive a tão esperada disponibilização da obra </span><a href="https://escotilha.com.br/cinema-tv/espanto/entrevista-felipe-m-guerra/#:~:text=Em%202001%2C%20o%20cineasta,de%20horror%20independente%20no%20Brasil."><i><span style="font-weight: 400;">Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a quase folclórica produção de Felipe M. Guerra que, no seu aniversário de 20 anos, ganhou uma reedição só para o festival. Entre os premiados, </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/o-cemiterio-das-almas-perdidas-critica"><i><span style="font-weight: 400;">O Cemitério das Almas Perdidas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">recebeu do júri a consagração de Melhor Diretor para </span><a href="https://www.agazeta.com.br/colunas/rafael-braz/rodrigo-aragao-investir-em-cinema-e-um-otimo-negocio-para-o-pais-0920"><span style="font-weight: 400;">Rodrigo Aragão</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro da Competição Ibero-Americana e</span><a href="https://republicadomedo.com.br/xvii-fantaspoa-historia-do-oculto/"> <i><span style="font-weight: 400;">História do Oculto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> levou Melhor Filme e Melhor Roteiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cobertura foi singela &#8211; cerca de ¼ do </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa</span></i><span style="font-weight: 400;"> está registrada abaixo pelas palavras de </span><b>Caroline Campos</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Vitor Evangelista</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>Vitor Tenca</b><span style="font-weight: 400;">. O material disponível sobre as produções é escasso, então angariar informações se tornou uma parte extra da cobertura na hora da realização dos textos. O resultado, no entanto, foi divertido e satisfatório, especialmente pela oportunidade de se deparar com tantas obras únicas, sejam elas maçantes ou extraordinárias. Abaixo, você confere um pouquinho da grandiosidade criativa da 17ª edição do Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre.</span></p>
<p><span id="more-20087"></span></p>
<h3>Longas</h3>
<h5>Competição Internacional</h5>
<figure id="attachment_20088" aria-describedby="caption-attachment-20088" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20088 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Querida-voce.jpg" alt="Cena do filme Querida, Você Não Vai Acreditar. Nela, vemos 3 homens ao redor de uma kombi azul e branca. Um deles, à esquerda, está de camisa aberta e usa um colar preto. Ao centro e dentro do veículos, um homem vestido de amarelo segura duas bonecas infláveis e, à direita, um terceiro homem está sentado. Eles estão num cenário florestal e está de dia." width="2048" height="743" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Querida-voce.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Querida-voce-300x109.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Querida-voce-1024x372.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Querida-voce-768x279.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Querida-voce-1536x557.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Querida-voce-1200x435.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20088" class="wp-caption-text">O título do longa cazaque é quase uma súplica do protagonista a sua esposa (Foto: Yernar Nurgaliyev)</figcaption></figure>
<p><b>Querida, Você Não Vai Acreditar (Zhanym, ty ne poverish, Yernar Nurgaliyev, Cazaquistão, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como explicar para sua esposa briguenta que você perdeu o parto do seu filho E sua aliança porque presenciou um assassinato, foi perseguido por caras armados, sequestrado por uma família de pervertidos e ainda acabou na casa de um maníaco caolho? Não foi uma tarefa fácil para o protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Querida, Você Não Vai Acreditar</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa cazaque dirigido por Yernar Nurgaliyev. Depois de arriscaram um passeio de pescaria, três melhores amigos se enfiam nessa bagunça sangrenta em que o único objetivo é sobreviver da sequência de doidos que cruzam seus caminhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, todos os personagens da produção são hilários e as trapalhadas poderiam ter saído diretamente de uma comédia da </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas só se o estúdio arriscasse em litros de sangue e violência gráfica. Os membros decepados e as mutilações, no entanto, contribuem para a trama caminhar e deixam até as cenas assustadoras, divertidas &#8211; mérito do time de atores que encaixa perfeitamente em cada papel designado. O roteiro, assinado por uma boa galera (Zhandos Aibassov, Yernar Nurgaliyev, Daniyar Soltanbayev, Il&#8217;yas Toleu, Anuar Turizhigitov e Alisher Utev), não perde o ritmo em nenhum momento, criando a tensão cômica em cada encontro do trio com qualquer um dos esquisitos. Genuinamente engraçado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Querida, Você Não Vai Acreditar</span></i><span style="font-weight: 400;"> entra para a lista dos favoritos no </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20090" aria-describedby="caption-attachment-20090" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20090 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Corte-Profundo.jpg" alt="Cena do filme Corte Profundo. Nela, vemos uma mulher branca e loira na floresta, ela tem sangue sujando seu rosto e um semblante de cansaço. Está anoitecendo." width="1920" height="803" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Corte-Profundo.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Corte-Profundo-300x125.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Corte-Profundo-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Corte-Profundo-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Corte-Profundo-1536x642.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Corte-Profundo-1200x502.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20090" class="wp-caption-text">Corte Profundo suplica: nunca confie no mocinho (Foto: Nicholas Santos)</figcaption></figure>
<p><b>Corte Profundo (It Cuts Deep, Nicholas Santos, EUA, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem imagina que ao entrar em um festival como o </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa </span></i><span style="font-weight: 400;">só nos deparamos com filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> e alternativos, se espanta com a qualidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Corte Profundo</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa, dirigido e roteirizado por Nicholas Santos, se assemelha mais a um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">com sua ideia simples e bem elaborada ao mesmo tempo. Enquanto acompanhamos o que aparenta ser mais um filme de assassino a solta sem motivo algum para matar, vamos recebendo dicas para desvendar o mistério e também muitas risadas, visto que o filme é categorizado como um horror-comédia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo, porém, sofre do mal de uma vítima que não consegue convencer ninguém, seja o telespectador, o possível assassino e até a própria namorada. Charles Gould dá vida a Sam, nosso assassino sem noção na hora das piadinhas, enquanto a certeira Quinn Jackson interpreta Ashley, e transmite um único sentimento: pena, por uma mulher conformada com o pior. E o final não poderia ser outro. No melhor estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos Ashley sair mancando pelas ruas com a cara toda ensanguentada com sangue do machete. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20091" aria-describedby="caption-attachment-20091" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20091 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sangre-Comigo.jpg" alt="Cna do filme Sangre Comigo. Nela, vemos uma mulher branca se olhando no espelho. A coloração da cena é amarela, e ela veste um suéter marrom, seus olhos exprimem medo." width="1920" height="1013" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sangre-Comigo.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sangre-Comigo-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sangre-Comigo-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sangre-Comigo-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sangre-Comigo-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sangre-Comigo-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20091" class="wp-caption-text">Sangre Comigo é um claro exemplo do &#8220;podia ser, mas não foi&#8221; (Foto: Amelia Moses)</figcaption></figure>
<p><b>Sangre Comigo (Bleed with Me, Amelia Moses, Canadá, 2020)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sangre Comigo </span></i><span style="font-weight: 400;">só funcionaria se nós sentíssemos algum tipo de empatia por sua protagonista. Ou por qualquer personagem em tela. O longa canadense, que acompanha a viagem do casal Emily e Brendan com a amiga Rowan para uma cabana na floresta, começa bem. Ficamos curiosos em relação às interações do trio, a tensão aumenta bem devagar e passamos a acreditar que as coisas vão piorar a qualquer momento. Bem, nada acontece. Rowan, interpretada por Lee Marshall, é uma jovem introvertida e apática em contraposição a simpática Emily, vivida pela melhor atriz do elenco, Lauren Beatty. É Emily que convence o espectador a duvidar realmente dos acontecimentos, com pequenos relances de olhar e mudanças no tom de voz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amelia Moses é talentosa na direção, mas seu roteiro não convence. Apesar das cenas noturnas sugerirem alucinações de Rowan, os conflitos nunca dão partida. Brendan, que até se destaca pela atuação de Aris Tyros, não chama a atenção no meio das atrizes. Essas, por sua vez, ficam numa lenga-lenga cansativa envolvendo algum tipo de vampirismo ou, quem sabe, um pé na esquizofrenia. Mesmo que a obra não seja de se jogar fora &#8211; a primeira metade é bem interessante -, no fim das contas, o filme caminha para lugar nenhum. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20092" aria-describedby="caption-attachment-20092" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20092 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Post-Mortem.jpg" alt="Cena do filme Post Mortem. Nela, vemos uma porção de homens e mulheres reunidos frente a uma igreja. A igreja é branca, e o céu contrasta com um azul claro, enquanto todas as pessoas vestem roupas escuras. " width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Post-Mortem.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Post-Mortem-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Post-Mortem-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Post-Mortem-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Post-Mortem-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Post-Mortem-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20092" class="wp-caption-text">A igreja é a grande inimigas das sombras (Foto: Péter Bergendy)</figcaption></figure>
<p><b>Post Mortem (Idem, Péter Bergendy, Hungria, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a trama por trás de </span><i><span style="font-weight: 400;">Post Mortem</span></i><span style="font-weight: 400;"> é genial, afinal, quem não se interessaria em explorar o mundo sangrento e mortal da Europa pelas lentes de um fotógrafo… de mortos. Dirigido por  Péter Bergendy, o longa húngaro conta uma história de fantasmas e espíritos um pouco diferente das demais, já que trabalha na área de fotografia </span><i><span style="font-weight: 400;">post-mortem</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou seja, de pessoas já falecidas. No entanto, o ato que serviria para suprimir a dor de famílias que perdiam pilhas de familiares causa justamente o oposto. As sombras que começam a aparecer em frente aos corpos pálidos das fotografias torturam e são torturadas, dando força ao clima macabro e visual mórbido do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, mesmo com uma ideia extraordinária, ainda assim é necessária uma boa execução. O filme peca em seu caráter maçante e muitas vezes devagar, já que os 115 minutos de tela parecem ser muito tempo a mais. Outro motivo desconfortante é a relação entre os dois personagens principais, visto que essa ligação é criada literalmente a partir de mágica. No geral, </span><i><span style="font-weight: 400;">Post Mortem</span></i><span style="font-weight: 400;"> carrega com si muitos pontos positivos, mas acaba pecando mais do que acerta. Talvez Tomás devesse se dedicar apenas às fotos, e deixar a profissão de caça-fantasmas para outro. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20093" aria-describedby="caption-attachment-20093" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20093 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fazendo-Companhia.jpg" alt="Cena do filme Fazendo Companhia. Nela, vemos dois homens numa vizinhança de cerca branca. Os dois se vestem da mesma maneira: paletó laranja, camisa de estampa quadriculada e gravata laranja. Ao fundo, o primeiro homem é branco, e tem barba e cavanhaque cheios. À frente, o homem tem pele mais escura e não tem um pelo facial a vista." width="1920" height="810" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fazendo-Companhia.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fazendo-Companhia-300x127.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fazendo-Companhia-1024x432.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fazendo-Companhia-768x324.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fazendo-Companhia-1536x648.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fazendo-Companhia-1200x506.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20093" class="wp-caption-text">Os paletós vermelhos identificam de longe os vendedores chatos da Seguradora (Foto: Josh Wallace)</figcaption></figure>
<p><b>Fazendo Companhia (Keeping Company, Josh Wallace, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O quão longe você iria por seu emprego? Para Sonny (Devin Das), até onde fosse necessário. Traumatizado pelo relacionamento com o pai, o vendedor de seguros é capaz de tudo para conseguir a promoção na Seguradora </span><i><span style="font-weight: 400;">Caste </span></i><span style="font-weight: 400;">e provar que é o melhor no que faz. Seu parceiro é o gentil e carinhoso Noah (Ahmed Bharoocha), que, prestes a ser pai, acredita que Sonny é seu melhor amigo. O problema só acontece quando a dupla resolve bater na porta errada. Lucas (Jacob Grodnik) vive com sua amada Vovó (Suzanne Savoy) e ambos têm como objetivo limpar as ruas da escória marginal. No meio do caminho, Sonny e Noah se juntam aos traficantes e sem-teto, todos presos no porão da família de bem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Josh Wallace não só dirige, como também roteiriza essa obra hilária sobre esperança e, bem… canibalismo. Conectando todos seus personagens, Wallace brinca com a corrupção na seguradora e com a obsessão pela excelência egoísta do protagonista. Obviamente, o resultado é uma bagunça engraçada e até mesmo surpreendente. Não há, digamos, um final feliz, pelo menos não para quem merece. Mas isso não importa. Sangue, corpos e muitos hambúrgueres ditam o tom certeiramente para que </span><i><span style="font-weight: 400;">Fazendo Companhia</span></i><span style="font-weight: 400;"> não caia na mesmice batida das comédias-terror, e, no final, ainda consegue nos arrancar uma risada de indignação. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<h5>Competição Ibero-Americana</h5>
<figure id="attachment_20095" aria-describedby="caption-attachment-20095" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20095 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Uma-Tumba-para-Tres.jpg" alt="Cena do filme Uma Tumba para Três. Nela, vemos 3 homens, brancos, adultos e com visão punk badboy, ao redor de um quarto homem, deitado. O cenário é um quarto tipicamente estadunidense, de portas brancas e posteres na parede" width="1920" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Uma-Tumba-para-Tres.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Uma-Tumba-para-Tres-300x126.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Uma-Tumba-para-Tres-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Uma-Tumba-para-Tres-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Uma-Tumba-para-Tres-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Uma-Tumba-para-Tres-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20095" class="wp-caption-text">Carlos está morto&#8230; não está? (Foto: Mariano Cattaneo)</figcaption></figure>
<p><b>Uma Tumba para Três (Una Tumba Para Tres, Mariano Cattaneo, Argentina, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maior qualidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Tumba para Três </span></i><span style="font-weight: 400;">é especificamente o trio que intitula o filme. Victor, Juan e Manuel, três criminosos de, digamos, baixo cacife, precisam se livrar de um problema para seu chefe mafioso. Interpretados por Diego Cremonesi, Daniel Pacheco e Demián Salomón, respectivamente, o grupo passa metade da narrativa tentando se matar e, a outra metade, tentando matar os outros. Essa sequência de palhaçadas insanas, que começa a ficar um pouco cansativa no final do longa, só funciona pelo entrosamento hilário e natural entre os atores, que agem como velhos amigos dando broncas uns nos outros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mariano Cattaneo assume a direção e divide o roteiro com Nicanor Loreti, que é assertivo e eficiente em nos nortear nos acontecimentos do passado e apresentar os mais variados personagens que ajudam ou atrapalham a missão principal do filme. No fim das contas, temos uma dupla de garotas espertas, uma senhora vingativa, policiais corruptos, um mafioso prepotente e um bruxo emo esquisito &#8211; todos fazendo sua parte, sem ofuscar os protagonistas, mas roubando um pouco da narrativa para si. A produção argentina oscila no tom, o que pode passar a impressão de uma duração bem maior que os míseros 77 minutos reais, mas a </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe Os Trapalhões</span></i><span style="font-weight: 400;"> do trio te deixa encantado o suficiente para sentir saudades quando os créditos sobem. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20096" aria-describedby="caption-attachment-20096" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20096 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Desvida.jpg" alt="Cena do filme A Desvida. Nela, vemos duas pessoas se encarando. Ela tem cabelos pretos, pele clara e veste uma blusa preta. Ele tem cabelo e barba compridos, uma mecha grisalha no queixo e veste uma camisa quadriculada preto e branco. " width="1440" height="777" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Desvida.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Desvida-300x162.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Desvida-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Desvida-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Desvida-1200x648.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20096" class="wp-caption-text">O casal talentoso de A Desvida se perde no próprio relacionamento (Foto: Agustín Rubio Alcover)</figcaption></figure>
<p><b>A Desvida (Non-Living, Agustín Rubio Alcover, Espanha, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tem algo de muito específico e atual em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Desvida. </span></i><span style="font-weight: 400;">O longa espanhol, falado a maior parte do tempo em inglês, desperta um misto confuso de sensações e percepções no espectador. A trama já mostra ser muito mais do que parece: Alex (Julio Perillán) e Natalie (Tábata Cerezo), casados e parceiros na criação de histórias infantis, voltam para a casa pela primeira vez desde que perderam seu filho, Jonah (Telmo Yago). Com apenas os três atores em cena, passado e presente vão se intercalando e entrelaçando em uma narrativa extremamente desconfortável, que cria uma tensão gradual conforme os minutos vão passando. O diretor e roteirista Agustín Rubio Alcover tem o controle total de seu filme e de seus espectadores, é como se tudo que sentíssemos fosse exatamente do jeito que Alcover queria quando idealizou o longa, cada surpresa, exclamação e ataque de fúria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que vamos juntando as pecinhas do quebra-cabeça do casal extremista-</span><i><span style="font-weight: 400;">good vibes</span></i><span style="font-weight: 400;">, o choque vai tomando conta não só pelo desenrolar da história, mas também pela triste realidade que ela traz consigo. Natalie e Alex, que carregam perfeitamente bem os 87 minutos de filme, oscilam entre o reatamento e o rompimento definitivo de sua relação, dando voltas pela própria trajetória até chegarem no ponto de partida: Jonah. O garoto é mais importante fora do que dentro de cena, mas é quase sufocado pelo egoísmo natureba dos pais. No entanto, é no final de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Desvida</span></i><span style="font-weight: 400;">, logo após estarmos certo de que sim, essa é uma obra dramática, que o verdadeiro aspecto de terror se revela &#8211; e somos arrebatados. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20097" aria-describedby="caption-attachment-20097" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20097 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Cemiterio-das-Almas-Perdidas.jpg" alt="Cena do filme O Cemitério das Almas Perdidas. Nela, vemos um homem no centro de um altar, ao redor dele estão uma porção de velas acesas e um mural atrás, com dizeres em latim. Ele é branco, tem cabelo preto e barba branca, e veste uma túnica marrom." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Cemiterio-das-Almas-Perdidas.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Cemiterio-das-Almas-Perdidas-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Cemiterio-das-Almas-Perdidas-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Cemiterio-das-Almas-Perdidas-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Cemiterio-das-Almas-Perdidas-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Cemiterio-das-Almas-Perdidas-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20097" class="wp-caption-text">A ambientação dos jesuítas no Brasil Colonial é o maior acerto de Rodrigo Aragão (Foto: Rodrigo Aragão)</figcaption></figure>
<p><b>O Cemitério das Almas Perdidas (Rodrigo Aragão, Brasil, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A homenagem é para ele: José Mojica Marins. Antes de iniciar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MAfHgQDY3iE"><i><span style="font-weight: 400;">O Cemitério das Almas Perdidas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Rodrigo Aragão faz questão de dedicar seu filme ao </span><i><span style="font-weight: 400;">“deus”</span></i><span style="font-weight: 400;"> do terror nacional &#8211; ou, melhor dizendo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">“diabo”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O novo longa de Aragão é uma visão inovadora e aterrorizante sobre o Brasil colonial, colocando os jesuítas como criaturas demoníacas ligadas a um pacto com São Cipriano. Utilizando duas linhas temporais diferentes para contar sua história, a produção brasileira cutuca o fanatismo religioso e os traumas da colonização focando, principalmente, nos povos indígenas e sua história de violência e resistência. Toda a cenarização de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Cemitério das Almas Perdidas </span></i><span style="font-weight: 400;">é digna de aplausos. A atmosfera do cemitério, os objetos perfeitamente alocados nas criptas e a estética de horror da obra como um todo são o resultado de uma equipe competente, que sabe a história que quer passar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rodrigo Aragão mostra todo o seu talento no clímax, que é intenso, coerente e muito sangrento. A caracterização de seus zumbis-jesuítas e os efeitos das mutilações e desmembramentos tiram o fôlego durante a </span><i><span style="font-weight: 400;">“batalha final”</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, finalmente, une as duas narrativas e dá sentido ao desenrolar do filme. Apenas alguns exageros sonoros chegam a incomodar, mas nada excruciante que atrapalhe a experiência de assistir um bom filme de terror nacional. Nós sabemos que, no final das contas, não foi o tinhoso que trucidou toda uma população nativa, mas a roupagem macabra e sobrenatural dá a acidez certa no longa nacional. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20098" aria-describedby="caption-attachment-20098" style="width: 1434px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20098 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Historia-do-Oculto.png" alt="Cena do filme História do Oculto. Nela, vemos um homem idoso, branco e de barba grisalha. A imagem é um close de seu busto, e está em preto-e-branco. Ele veste um terno e usa um anel no dedo anelar esquerdo. Na parte de baixo da imagem vemos informações escritas: 23:28, 10.7c e 32:51" width="1434" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Historia-do-Oculto.png 1434w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Historia-do-Oculto-300x226.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Historia-do-Oculto-1024x771.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Historia-do-Oculto-768x578.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Historia-do-Oculto-1200x904.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20098" class="wp-caption-text">O diretor opta por utilizar o formato 4:3 na maior parte de História do Oculto (Foto: Cristian Ponce)</figcaption></figure>
<p><b>História do Oculto (Historia de lo Oculto, Cristian Ponce, Argentina, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O repórter que apurou o furo jornalístico de </span><i><span style="font-weight: 400;">História do Oculto </span></i><span style="font-weight: 400;">merece uma grande salva de palmas &#8211; e talvez um pouquinho de proteção policial. O longa dirigido e roteirizado por Cristian Ponce é um achado especial no </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesclando jornalismo puro com doses cavalares de bruxaria. Através da última transmissão do programa </span><i><span style="font-weight: 400;">60 Minutos Antes da Meia-Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">, um grupo de jornalistas se prepara para soltar em rede nacional que o presidente está envolvido com um esquema bizarro ligado à maior corporação do país. Eles só não esperavam que, ao vivo, fosse confirmado que esse esquema se tratava de um pacto com entidades malignas que assassinou inimigos políticos, garantiu eleições, eliminou criancinhas e vendeu o futuro da humanidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha de Ponce de mostrar o programa na íntegra, cada segundo angustiadamente passando, foi o </span><i><span style="font-weight: 400;">chute no gol</span></i><span style="font-weight: 400;"> da produção argentina, que nos coloca na posição de mero espectador como todos os outros personagens. O preto-e-branco também complementa a atmosfera macabra e camufla as aparições demoníacas que a equipe de reportagem passa a presenciar enquanto caminham cegos ao ponto final inesperado e surpreendente. Não há uma gradação da tensão &#8211; ela está sempre ali, constante desde o primeiro segundo do filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">História do Oculto</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de uma fluidez impressionante, capaz de transformar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Jornal Nacional</span></i><span style="font-weight: 400;"> e as arapucas políticas brasileiras em história de ninar criancinha. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<h5>Competição de Animação</h5>
<figure id="attachment_20099" aria-describedby="caption-attachment-20099" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20099 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sonhos-Coloridos.jpg" alt="A imagem retangular é uma cena do filme Sonhos Coloridos. Da esquerda para a direita podemos ver 10 personagens de massinha de rostos longos e pele branca. O primeiro é um homem de topete e costeletas pretas e lábios grandes, enquanto usa uma jaqueta preta. À sua direita há um homem de cabelos e costeletas ruivas, com olhos tortos e nariz grande, enquanto usa um paletó vermelho em cima de um colete verde. À sua direita vemos um homem de cabelos rasos e uma barbicha preta, ele fuma um cigarro e usa uma camisa amarela com uma gravata laranja. À sua direita vemos um menino de cabelos lisos e pretos mostrando a língua, enquanto usa uma camiseta azul com um suspensório colorido. À sua direita e no centro da imagem vemos uma mulher com cabelos ruivos e tiara rosa, ela possui uma feição triste e usa um casaco de couro marrom. À sua direita atrás vemos uma parte de homem de óculos vermelho. Também à direita da mulher vemos um menino de boné para trás, cabelo loiro e um narigão. À sua direita vemos um homem de cabelo preto jogado para o lado, enquanto está com um olho fechado e possui um lápis atravessando seu nariz. À sua direita vemos dois homens iguais um do lado do outro com cabelo repartido castanhos olhos fundos, que usam roupas listradas de presidiário." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sonhos-Coloridos.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sonhos-Coloridos-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sonhos-Coloridos-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sonhos-Coloridos-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sonhos-Coloridos-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sonhos-Coloridos-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20099" class="wp-caption-text">A trupe circense de Sonhos Coloridas é diversa e entusiasmada (Foto: Jan Balej)</figcaption></figure>
<p><b>Sonhos Coloridos (Barevný Sen, Jan Balej, República Tcheca, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Você sabe que o filme não te agradou quando seu personagem favorito é uma gaivota falante. </span><i><span style="font-weight: 400;">Sonhos Coloridos</span></i><span style="font-weight: 400;"> chama a atenção pelo visual amigável, bonequinhos carismáticos e uma sinopse cativante envolvendo uma trupe circense e um governo autoritário, mas sua execução… deixa muito a desejar. Apesar das metáforas bem elaboradas entre a liberdade e o ator de voar, a jornada de Drin pelo resgate dos seus amigos é maçante &#8211; nenhum personagem realmente chama a atenção, a não ser, é claro, a gaivota. Nathan é hilário, rouba a cena do protagonista, é responsável pela salvação coletiva e, acima de tudo, é estranhamente fofo. O pássaro falante foi a melhor criação de Jan Balej, que idealizou o filme ao lado de Michal Bures. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor, no entanto, perdeu a mão nas reviravoltas e nos seus vilões, que só não cansam mais do que os mocinhos. Os artistas do circo, que poderiam ainda dar um gás na narrativa, só são lembrados no começo e no final dos (longos) 70 minutos da produção tcheca, que não consegue se manter com as poucas qualidades &#8211; como se Balej e Bures tivessem idealizado uma base sólida e promissora e se perdido no meio do caminho para fechar todas as suas pontinhas e motivações. O jeito agora é esperar por uma </span><i><span style="font-weight: 400;">fancam</span></i><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter </span></i><span style="font-weight: 400;">com os melhores momentos de Nathan. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20100" aria-describedby="caption-attachment-20100" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20100 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/frank-e-zed.jpg" alt="A imagem retangular é uma cena da animação Frank e Zed. Os dois personagens são bonecos de fantoche feitos de uma material similar ao pano. Centralizado à esquerda vemos Frank, um personagem semelhante a um Frankenstein, com diversas partes do corpo de diversos outros corpos diferentes costurados. Ele possui um olho esquerdo maior e de cor castanho claro e um olho direito menor de cor azul, além do cérebro que fica por baixo de uma cúpula de vidro. Ele usa uma roupa toda costurada com panos de cores, texturas e padrões diferentes, enquanto segura um machado em uma mão e a cabeça sangrenta de um fantoche na outra. Centralizado à direita vemos Zed, um zumbi despedaçado. Ele possui pele bege e enrugada, olhos claros quase brancos, dentes podres e uma língua roxa. Ele segura outra cabeça sangrenta de fantoche em suas mãos. Ao fundo vemos uma sala de castelo com tijolos de pedra bem escuros." width="1920" height="1245" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/frank-e-zed.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/frank-e-zed-300x195.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/frank-e-zed-1024x664.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/frank-e-zed-768x498.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/frank-e-zed-1536x996.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/frank-e-zed-1200x778.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20100" class="wp-caption-text">Alimentos se tornam miolos e entranhas na animação Frank e Zed (Foto: Jesse Blanchard)</figcaption></figure>
<p><b>Frank e Zed (Frank &amp; Zed, Jesse Blanchard, EUA, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já ouvimos esse roteiro diversas vezes: em um reino fantástico, um líder faz um pacto para destruir as poderosas forças do mal; anos depois, as consequências chegam para um povo que nunca teve nada a ver com isso. Mas, quando tratamos de </span><a href="https://www.indiewire.com/2020/10/frank-zed-puppet-horror-premiere-nightstream-film-festival-1234591807/"><i><span style="font-weight: 400;">Frank e Zed</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido e roteirizado por Jesse Blanchard, certamente não podemos usar a palavra clichê para descrevê-lo. Principalmente quando nossos pequenos heróis e monstruosos vilões são bonequinhos de fantoche, o que não tira nem um pouco o aspecto sangrento e crítico do filme, muito pelo contrário, essa escolha possibilita uma abordagem cômica e inteligente para esses dois nichos que não parecem se bater.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa consegue inverter os papéis de admirações de personagens, já que é impossível gostar mais dos humanos no poder do que nosso pequeno </span><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein </span></i><span style="font-weight: 400;">e estúpido zumbi. Os mais de 6 anos de gravação geraram um fruto extraordinário, e podemos ver isso em meio às batalhas perfeitamente coreografadas, as mordiscadas de Zed e o andar manco de Frank. O final triste da nossa dupla perfeita só faz com que queiramos um cérebro em outra tigela de vidro ao invés do chão do castelo assombrado</span><b>.- Vitor Tenca</b></p>
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<h5>Especiais</h5>
<figure id="attachment_20101" aria-describedby="caption-attachment-20101" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20101 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/file.png" alt="Cena do filme Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado. Nela, vemos a gravação caseira de um assassinato Na frente, está uma mulher branca de blusa rosa, e atrás dela, empunhando uma faca, alguém com a roupa do assassino de Pânico, de capa preta e máscara branca com detalhes nos olhos e boca em preto." width="1024" height="754" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/file.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/file-300x221.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/file-768x566.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20101" class="wp-caption-text">Spoiler: Geison é o assassino (Foto: Felipe M. Guerra)</figcaption></figure>
<p><b>Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado (Felipe M. Guerra, Brasil, 2001)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim, o título é desse tamanho mesmo. E é perfeito para a criação de Felipe M. Guerra, que, com muita criatividade e talento, fez uma peça singular do cinema de terror brasileiro lá em Carlos Barbosa, cidade na serra gaúcha. Com a participação de amigos e familiares do diretor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Entrei em Pânico…</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi disponibilizado sem restrições pela primeira vez ao público no </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">, em uma versão reeditada com o nome de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cjTT6faL5L4"><i><span style="font-weight: 400;">Redux</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Não há nada que não seja incrível no longa, desde as legendas que tentam traduzir um pouco do </span><i><span style="font-weight: 400;">gauchês</span></i><span style="font-weight: 400;"> até o próprio sotaque dos atores, que complementam a divertida aura de paródia daqueles clássicos </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> que Guerra é muito fã. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história se inicia no dia da festa de formatura dos personagens, que decidem ter um </span><i><span style="font-weight: 400;">esquenta </span></i><span style="font-weight: 400;">lá na casa de Goti. A partir daí, um por um, os adolescentes vão morrendo. Parece o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;"> de qualquer terror de assassino dos anos 2000, mas a irreverência do diretor, que incentiva a produção dos próprios filmes, é a força-motriz de todo o desenvolvimento, que possui um charme único e indescritível. </span><i><span style="font-weight: 400;">Entrei em Pânico…</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa claro que Cinema também se faz em casa, sem precisar de tanto fru-fru para ser único e deixar sua marca. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<h3>Curtas</h3>
<h5><b>Curtas-Metragens Internacionais &#8211; Animação</b></h5>
<figure id="attachment_20108" aria-describedby="caption-attachment-20108" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20108 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Maestro.jpg" alt="Cena da animação Maestro. Nela, um passáro de penagem azul e branca com as asas e o bico abertos. Ele está em cima de um galho fino. Atrás, o céu azul estampa uma grande lua cheia." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Maestro.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Maestro-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Maestro-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Maestro-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Maestro-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20108" class="wp-caption-text">Cantoria de animais nunca pode dar errado (Foto: Illog!c)</figcaption></figure>
<p><b>Maestro (França, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma execução saída diretamente de uma propaganda para carros, </span><a href="https://vimeo.com/359281775"><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma pecinha de menos de dois minutos em que um esquilo comanda uma ópera selvagem no meio da floresta. A produção francesa se destaca pela condução sonora de Jérôme Navarro e pela fofura extrema &#8211; animais cantando, fala sério! A animação de 2019 inclui sapos, tartarugas, porcos-espinho e pássaros, com os traços puxados para o realismo e uma cômica sinfonia noturna. A direção é creditada como </span><i><span style="font-weight: 400;">Illog!c</span></i><span style="font-weight: 400;"> (uma fuçadinha no </span><i><span style="font-weight: 400;">IMDB </span></i><span style="font-weight: 400;">revela alguns nomes) e a duração curtíssima releva qualquer defeito que o curta possa ter. Mesmo assim, a sensação de que algo como </span><i><span style="font-weight: 400;">Volkswagen </span></i><span style="font-weight: 400;">vá surgir após o fim da cantoria é inevitável. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20115" aria-describedby="caption-attachment-20115" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20115 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Carried-Away.png" alt="Cena da animação Carried Away. Dois homens estão de pé, da cintura para cima. Eles são gêmeos. À esquerda, um deles usa um paletó marrom e uma blusa branca de gola alta. No seu rosto, tem óculos escuros. Ele apaga um cigarro em um cinzeiro ao seu lado, com a fumaça subindo ao seu rosto. À direita, o outro homem usa um suéter vinho de mangas compridas e calça jeans. Ele segura um pirulito rosa na mão direita. Atrás de ambos, está o cenário de um trailer." width="1366" height="579" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Carried-Away.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Carried-Away-300x127.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Carried-Away-1024x434.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Carried-Away-768x326.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Carried-Away-1200x509.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20115" class="wp-caption-text">Retratar gêmeos como opostos já virou até clichê (Foto: Etienne Fagnère, Manon Carrier, Johan Cayrol, Alo Trusz e Jean-Baptiste Escary)</figcaption></figure>
<p><b>Carried Away (França, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conflitos familiares podem ser ótimas dramédias. Quando Mamãe se vai, seus filhos gêmeos, que não poderiam ser mais diferentes, recebem a última missão: enterrar seu cadáver </span><i><span style="font-weight: 400;">juntos</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em 5 minutos, tão divertidos que passam como 5 segundos, o curta dirigido pela trupe Etienne Fagnère, Manon Carrier, Johan Cayrol, Alo Trusz e Jean-Baptiste Escary beira o clichê, mas não a ponto de enjoar. Com ótimos gráficos e cenários especialmente detalhados, a produção debocha de seus personagens em meio a gafes pontuais e com direito a um corpo voador e sorridente. Entre cigarros e pirulitos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Carried Away</span></i><span style="font-weight: 400;"> é singular. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20104" aria-describedby="caption-attachment-20104" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20104 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Friend-of-a-Friend.jpg" alt="Cena da animação Friend of a Friend. Vemos, de cima, um grupo de adolescentes sentados em roda com uma garrafa no centro. As cores predominantes na=o desenho são o roxo, o azul e o verde-água em estilo neon. " width="1920" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Friend-of-a-Friend.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Friend-of-a-Friend-300x126.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Friend-of-a-Friend-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Friend-of-a-Friend-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Friend-of-a-Friend-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Friend-of-a-Friend-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20104" class="wp-caption-text">A dupla que a garrafa escolher não importa&#8230; (Foto: Zachary Zezima)</figcaption></figure>
<p><b>Friend of a Friend (França, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando pensamos em </span><a href="https://www.zacharyzezima.com/"><i><span style="font-weight: 400;">Friend of a Friend</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o termo que nos vêm à cabeça é </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;">. O curta francês, dirigido por Zachary Zezima, logo de cara nos apresenta um conceito um pouco diferente do comum, quando o personagem amarrado no porão é o agressor ao invés da vítima. Ao mesmo tempo, vemos outra inversão de narrativa enquanto observa-se a mudança de posições entre esses dois, ou seja, agora a vítima exerce o outro papel e vice-versa. Outro fator importantíssimo dos 14 minutos de tela se dá pela experiência que o personagem principal passa a viver: o descobrimento da atração por pessoas do mesmo sexo, mesmo em meio a uma relação heterossexual já existente, o que traduz um certo medo e receio de reconhecer essa emoção. Um ponto interessante, agora no quesito de desenvolvimento visual, se dá pela criação de expressões, atos e movimentações que condizem de uma forma certeira com os áudios gravados de cada personagem. </span><b>&#8211;</b> <b>Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20114" aria-describedby="caption-attachment-20114" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20114 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Wdding-Cake.jpg" alt="Cena da animação The Wedding Cake. Os personagens são todos bonequinhos de plástico. No centro, há uma mulher deitada em uma cama verde e azul. Ela é loira e está nua. Ao redor dela, vários bonecos pretos estão de pé na direção da cama. " width="1024" height="572" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Wdding-Cake.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Wdding-Cake-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Wdding-Cake-768x429.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20114" class="wp-caption-text">The Wedding Cake é dedicado as causas de combate à prostituição (Foto: Monica Mazzitelli)</figcaption></figure>
<p><b>The Wedding Cake (Suécia, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se engana quem pensa que a utilização de bonequinhos em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Wedding Cake</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta aliviar um pouco o impacto da história. A produção sueca da diretora Monica Mazzitelli é triste e dolorosa, acompanhando uma jovem que, depois de se casar subitamente, precisa quitar todas as dívidas do seu marido, que resolveu desaparecer, com o governo. Sem saída, acaba se entregando a um cafetão e traficada por 5 anos, enquanto seus filhos ficam sob os cuidados dos avós. A narração de Astrid Hallén é crua, e o jogo de fotografias dos personagens de Mazzitelli dá uma sensação episódica para a história &#8211; mesmo assim, a continuidade dos acontecimentos provoca o desespero no espectador, especialmente pelo jeito que a diretora exemplifica o abuso sexual. </span><i><span style="font-weight: 400;">E, depois, estava livre. Quebrada, mas livre.</span></i> <b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20110" aria-describedby="caption-attachment-20110" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20110 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/O-Black-Hole.jpg" alt="Cena da animação O Black Hole. Com personagens de massinha, vemos uma bonequinha branca com cabelos compridos. Ela está de costas e olha para grandes bonecos em formatos de minhocas. Eles variam entre azul, amarelo, laranja e vermelho. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/O-Black-Hole.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/O-Black-Hole-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/O-Black-Hole-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/O-Black-Hole-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/O-Black-Hole-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20110" class="wp-caption-text">Planetas se tornaram minhocas amarradas no buraco negro (Foto: Renee Zhan)</figcaption></figure>
<p><b>O Black Hole! (Reino Unido, 2020)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Black Hole! </span></i><span style="font-weight: 400;">é um deleite visual. O curta-metragem de Renee Zhan é uma das peças mais belas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que uma mulher, incapaz de se despedir das pessoas ao seu redor e sobreviver a passagem do tempo, passa a engolir tudo que possui vida dentro do próprio buraco negro que se torna. Quando enfim a Singularidade desperta no centro daquela escuridão, depois de mil anos, ela assume a função de desmembrar de dentro para fora o tormento de todos os engolidos. A contraposição de técnicas no interior e no exterior da narrativa torna tudo ainda mais interessante, mesclando pinceladas bagunçadas e coloridas com a massinha crua do </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;">. Zhan, que assina o roteiro ao lado de Vanessa Rose, ainda se diverte com canções dialogadas entre seus personagens, utilizando metáforas para discutir o sagrado feminino, a inevitabilidade da morte e o modo com que lidamos com a perda de entes queridos. Extraordinário. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20112" aria-describedby="caption-attachment-20112" style="width: 1292px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20112 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Stranded.png" alt="Cena da animação Stranded. Um personagem branco, de barba e cabelos castanhos está de perfil, olhando para a esquerda. Sua mão está esticada, tentando alcançar algo no fundo preto. Ele usa uma roupa de peles marrom." width="1292" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Stranded.png 1292w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Stranded-300x130.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Stranded-1024x445.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Stranded-768x334.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Stranded-1200x522.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20112" class="wp-caption-text">Os visuais são o ponto alto do curta (Foto: Alvin Arevalo-Zamora, Alwin Durez, Quentin Garaud, Maxime Salvatore, Florent Sanglard, Thomas Spony-Ipiens e Alex Tregouet)</figcaption></figure>
<p><b>Stranded (França, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caos, desespero, correria e, em cima de tudo isso, uma fissura cósmica. O francês </span><i><span style="font-weight: 400;">Stranded</span></i><span style="font-weight: 400;"> é dirigido por Alvin Arevalo-Zamora, Alwin Durez, Quentin Garaud, Maxime Salvatore, Florent Sanglard, Thomas Spony-Ipiens e Alex Tregouet. Esse tanto de nomes para um filme de 7 minutos pode assustar, mas isso se justifica logo que clicamos em </span><i><span style="font-weight: 400;">assistir</span></i><span style="font-weight: 400;">. Visualmente, o filme é impecável, com seus gráficos realistas e bem trabalhados. Quando paramos pra pensar na narrativa, porém, as escolhas não parecem ter muita conexão ou rumo, mas ao fim tudo se explica: nosso caçador não passa de um bonequinho dentro de seu globo de neve em uma loja. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20107" aria-describedby="caption-attachment-20107" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20107 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Genius-Loci.jpeg" alt="Cena da animação Genius Loci. À direita, vemos um mulher em chamas segurando um saco de frutas nas mãos. À esquerda, uma mulher negra de cabelos loiros rentes a cabeça olha em frente. Ela usa regata verde e brincos de argola." width="1200" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Genius-Loci.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Genius-Loci-300x195.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Genius-Loci-1024x666.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Genius-Loci-768x499.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20107" class="wp-caption-text">Genius Loci já passou aqui pelo Persona na cobertura do Oscar (Foto: Adrien Merigeau)</figcaption></figure>
<p><b>Genius Loci (França, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E no meio da seleção do </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">, encontramos um indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021. </span><a href="https://personaunesp.com.br/genius-loci-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Genius Loci</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que concorre na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação ao lado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Toca</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Opera</span></i><span style="font-weight: 400;">, é uma produção caótica com belíssimos e bagunçados traços coloridos. Dirigido por Adrien Merigeau, a busca de Reine por um espírito-guia a faz se afastar e aproximar das diversas figuras que cruzam seu caminho no céu noturno. Em meio a figuras cubistas e abstratas, Merigeau desenvolve um novo e próprio olhar acerca da arte contemporânea, ressignificando sua narrativa simples para uma tentativa de auto entendimento. Os diálogos são escassos, porém potentes dentro dos 16 minutos movimentados e chapados de ácido da produção francesa. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20113" aria-describedby="caption-attachment-20113" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20113 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Through-my-eyes.png" alt="Cena da animação Thorugh My Eyes. Vemos um casal sentados a uma mesa de jantar. À direita, o homem é branco, de cabelos curtos e pretos e usa blusa branca e calça cinza. Ele está com a mão direita esticada em direção a mulher. Ela, por sua vez, está a esquerda, olhando em direção ao homem com a cabeça apoiada nas mãos. Ela usa um vestido amarelo e possui cabelos castanhos. " width="1170" height="573" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Through-my-eyes.png 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Through-my-eyes-300x147.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Through-my-eyes-1024x501.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Through-my-eyes-768x376.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20113" class="wp-caption-text">Through My Eyes é uma ode ao amor (Foto: Ilona Quenea, Celeste Devisme, Aude Portales, Emerantiane Bouillon e Naomie Gastel)</figcaption></figure>
<p><b>Through My Eyes (França, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção francesa de curtas veio a todo vapor no </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Through My Eyes</span></i><span style="font-weight: 400;"> não escapa da lista. Uma história de amor de apenas 4 minutos, a obra é reconfortante e emocionante na medida certa. Keith e Millie se conhecem, se apaixonam e passam a conviver em um relacionamento perfeitamente acolhedor. Keith possui marcas na sua bochecha e acredita que isso o torna desprezível, recebendo todo o apoio de sua parceira para se aceitar do jeito que é. O motor do curta, no entanto, é o fato de Millie também adoecer e se afundar na </span><i><span style="font-weight: 400;">monstruosidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sua enfermidade &#8211; a mulher não suporta o contato do marido. Com uma boa e velha conclusão romântica, os traços dirigidos por Ilona Quenea, Celeste Devisme, Aude Portales, Emerantiane Bouillon e Naomie Gastel se entrelaçam na eternidade dos minutos não mostrados em tela. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20103" aria-describedby="caption-attachment-20103" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20103 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1000000-acres-of-pine.png" alt="Cena da animação 100,000 Acres of Pine. Nela, um homem está ao centro, bem pro fundo. Ele está de costas e usa calça cinza e blusa branca. Ele olha em direção a floresta, que cobre todo o resto da imagem com suas árvores." width="1200" height="488" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1000000-acres-of-pine.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1000000-acres-of-pine-300x122.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1000000-acres-of-pine-1024x416.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1000000-acres-of-pine-768x312.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20103" class="wp-caption-text">Se for sair na floresta, leve sempre um mapa e uma lanterna (Foto: Jennifer Alice Wright)</figcaption></figure>
<p><b>100,000 Acres of Pine (Dinamarca, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o início, é perceptível que </span><i><span style="font-weight: 400;">100,000 Acres of Pine</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tem o intuito de ser um filme bonitinho. O curta dinamarquês, dirigido por Jennifer Alice Wright, tem 7 minutos de uma animação incorporada no seu estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga das Galinhas</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas com uma mensagem muito mais pesada e aterrorizante. Uma guarda ambiental lida com a perda de um colega de trabalho e irmão em meio às florestas que conhecem de cabo a rabo, diante disso vemos a desconfiança e descrença do ocorrido. A fita de Patel nos avisa do perigo e do vício de voltar as matas que querem matar, e assim terminamos o filme do mesmo jeito que começamos, em</span><i><span style="font-weight: 400;"> looping</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20111" aria-describedby="caption-attachment-20111" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20111 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Rutina-La-Prohibicion.jpg" alt="Cena da animação Rutina - La Prohibición. Vemos duas criaturas amarelas e com verrugas, uma olhando para outra. A da direita segura um cilindo de oxigênio e está com o rosto enfaixado. Ela possui uma grande corcova com parafusos. A da esquerda é mais fina, com mãos compridas. Ela usa um aparelho enferrujado na cabeça, com um fio que o prende." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Rutina-La-Prohibicion.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Rutina-La-Prohibicion-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Rutina-La-Prohibicion-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Rutina-La-Prohibicion-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20111" class="wp-caption-text">Proibido respirar! (Foto: Sam Orti)</figcaption></figure>
<p><b>Rutina &#8211; La Prohibición (Espanha, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Digamos que </span><i><span style="font-weight: 400;">Rutina &#8211; La Prohibición</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tenha nem pé nem cabeça. Isso é um defeito? Não necessariamente. O ponto alto do curta espanhol é definitivamente a escolha de seus traços. Os bonecos são hilariamente detalhados e sugam toda a atenção do espectador com suas comorbidades e aparelhos de respiração. Respirar, inclusive, parece ser o problema &#8211; o governo proíbe o oxigênio entre a população e, se você não concordar, fique à vontade para virar poeira. As motivações, no entanto, ficam meio embaçadas, principalmente pelo fato dos personagens se comunicarem com grunhidos. No fim, não importa. Através de suas cenas, Sam Orti consegue passar sua mensagem esquisita com personagens mais esquisitos ainda. E se torna ótimo de assistir. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20106" aria-describedby="caption-attachment-20106" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20106 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/El-Hombre-que-Nunca-Vio-Llover.jpg" alt="Cena da animação El Hombre que Nunca Vio Llover. Um idoso está sentado de perfil, olhando para a esquerda. Ele possui um nariz grande, usa óculos pretos, é branco e possui bigode e cabelos grisalhos. A sua frente, há uma janela com luz do sol entrando. No batente, uma flor branca está em um vaso." width="1366" height="689" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/El-Hombre-que-Nunca-Vio-Llover.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/El-Hombre-que-Nunca-Vio-Llover-300x151.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/El-Hombre-que-Nunca-Vio-Llover-1024x516.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/El-Hombre-que-Nunca-Vio-Llover-768x387.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/El-Hombre-que-Nunca-Vio-Llover-1200x605.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20106" class="wp-caption-text">O mundo é feito de pequenas obsessões (Foto: Miguel Muñoz)</figcaption></figure>
<p><b>El Hombre que Nunca Vio Llover (Espanha, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma frase foi escolhida para a sinopse do curta espanhol de 2 minutos: </span><i><span style="font-weight: 400;">e se você nunca viu chover? </span></i><span style="font-weight: 400;">A premissa básica é engolida pelo carisma e fofura da animação dirigida por Miguel Muñoz, em que um senhor narra sua própria história de quando se deu conta de que nunca havia visto chover. A partir daí, ele passa a aguardar todos os dias em sua janela, acumula guarda-chuvas e começa a fazer terapia. Seu psicólogo sugere o uso das sombrinhas no chuveiro, mas nada alivia o pobre homem &#8211; até que a chuva passa a persegui-lo em todos os lugares. Quando enfim a obsessão deixa de o atormentar, a parte dois: </span><i><span style="font-weight: 400;">e se você nunca viu nevar?</span></i><span style="font-weight: 400;"> Lá vamos nós de novo. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<h5><b>Curtas-Metragens Nacionais</b></h5>
<figure id="attachment_20120" aria-describedby="caption-attachment-20120" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20120 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Nervo.jpg" alt="Cena do curta Nervo. Nela, vemos uma geladeira amarela trancafiada. O cenário da cozinha é de sujeira extrema." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Nervo.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Nervo-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Nervo-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Nervo-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Nervo-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20120" class="wp-caption-text">É fácil suspeitar do que há na geladeira (Foto: Pedro Jorge)</figcaption></figure>
<p><b>Nervo (2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É incrível ver a forma como um filme consegue fazer o telespectador sentir repulsa de uma geladeira! O curta brasileiro dirigido por <a href="https://vimeo.com/291587942">Pedro Jorge</a> e Sabrina Maróstica retrata, de uma forma não usual, o desenrolar do brasileiro de bem &#8211; o bêbado agressivo com a mulher. Com uma estética suja e linguagem violenta, nos deparamos com o sangue pintando os azulejos ou como um novo esmalte nas mãos das cozinheiras, logo depois das facadas silenciarem os problemas. No fim, a grande dúvida recebe sua resposta: o que há dentro da geladeira? </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20119" aria-describedby="caption-attachment-20119" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20119 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/its-a-match.jpg" alt="Cena do curta It’s a Match. Nela, vemos uma mulher ruiva na rua e, ao fundo, seu perseguidor, todo de preto. Está de noite." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/its-a-match.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/its-a-match-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/its-a-match-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/its-a-match-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/its-a-match-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/its-a-match-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20119" class="wp-caption-text">It&#8217;s a Match é uma clara referência ao ditado do &#8220;lobo em pele de cordeiro&#8221; (Foto: Sérgio Ortencio)</figcaption></figure>
<p><b>It’s a Match (2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É óbvio que a geração </span><i><span style="font-weight: 400;">Tinder </span></i><span style="font-weight: 400;">ia dar um jeito de utilizar o aplicativo de todas as formas. No curta de Sérgio Ortencio, nossa mocinha está esperando pelo seu </span><i><span style="font-weight: 400;">match</span></i><span style="font-weight: 400;"> quando, de repente, ele passa a segui-la. Sim, as coisas acontecem com essa esquisitice. Os 4 minutos da obra brasileira abrangem a perseguição mais engraçada do que assustadora de um cara barbudo que sofre os efeitos da lua cheia. Não há nada de surpreendente nem singular, mas o aspecto </span><i><span style="font-weight: 400;">trash</span></i><span style="font-weight: 400;"> da produção de Ortencio deixa tudo mais divertido de assistir. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20109" aria-describedby="caption-attachment-20109" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20109 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Missao-Berco-Esplendido.png" alt="Cena da animação Missão Berço Esplêndido. Uma mulher está no centro da imagem, do busto para cima. Ela possui um queixo pontudo e grandes olhos esbugalhados. Seu cabelo é grande e crespo. Uma viseira redonda está na sua cabeça." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Missao-Berco-Esplendido.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Missao-Berco-Esplendido-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Missao-Berco-Esplendido-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Missao-Berco-Esplendido-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Missao-Berco-Esplendido-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20109" class="wp-caption-text">A animação nacional é criativa e crítica (Foto: Joel Caetano)</figcaption></figure>
<p><b>Missão Berço Esplêndido (2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito já se falou da possibilidade de voltar no tempo para matar Hitler ou qualquer assassino em massa quando ainda era um bebezinho. Joel Caetano e seus bonequinhos rústicos aceitaram a missão. No curta, o futuro é comandado por uma cabeça em conserva que administra um governo totalitário e violento, enquanto uma rebelde em específico se planeja para viajar no tempo e acabar com o problema pela raiz. A tensão aumenta quando, enfim, ela aponta a arma para aquele nenê chorando no berço &#8211; e </span><i><span style="font-weight: 400;">bum</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nem tudo é o que parece, e nossa protagonista encontra uma solução muito mais útil para seu futuro ditadorzinho. Os quatro minutinhos da produção nos embalam de cara e nunca deixam o interesse cessar, o que resulta em uma obra divertida e crítica com técnicas encantadoras. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20121" aria-describedby="caption-attachment-20121" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20121 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Magnetica.jpg" alt="Cena da animação Magnética. Vemos vários personagens reunidos ao redor de um homem com cabelos brancos e pintura no rosto. Ele usa uma bandana roxa, gravata e colete marrom. Da esquerda para direita, há: um lobo de pelagem cinza e em pé; uma mulher de cabelos rosas; um homem de blusa e óculos pretos; uma mulher com maquiagem pesada, vestido branco e cabelos castanhos; uma boneca com máscara de monstro e rabo de cabelo e um homem de bigodes pretos e touca azul." width="1024" height="554" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Magnetica.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Magnetica-300x162.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Magnetica-768x416.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20121" class="wp-caption-text">Os hologramas bizarros são o grande mistério da produção (Foto: Marco Arruda)</figcaption></figure>
<p><b>Magnética (2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se pudermos atribuir uma única palavra para </span><i><span style="font-weight: 400;">Magnética</span></i><span style="font-weight: 400;">, essa com certeza seria psicodelia, seja lá a forma como você queira interpretá-la. O curta brasileiro de 16 minutos, dirigido por Marco Arruda, pode ser visto como uma grande alegoria ao uso das drogas mais diversas possíveis. Achamos essa correlação em diversos dos aspectos do filme, seja  pelas cores vibrantes que rondam pelas telas do início ao fim, ou mesmo nas percepções que a animação nos proporciona, quando vemos lobisomens de terno até bebês com cara de monstro. Talvez a grande metáfora da substância que materializa isso é encontrada em meio aos hologramas, visto que de lá que são despertadas as mais diferentes emoções possíveis &#8211; medo, amor, violência, submissão, vício, loucura. No fim, o locutor nos joga uma verdade irrefutável sobre o causador dessas sensações: </span><i><span style="font-weight: 400;">qualidade, qualidade, qualidade</span></i><span style="font-weight: 400;">. <strong>&#8211; </strong></span><b>Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20117" aria-describedby="caption-attachment-20117" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20117 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Acorde.jpeg" alt="Cena do curta Acorde. Nela, vemos um garotinho dormindo de lado. Ele é branco, usa camisa cinza e deita num travesseiro amarelo, coberto por uma manta branca. Ao fundo, vemos uma parede amarela e uma planta." width="1000" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Acorde.jpeg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Acorde-300x162.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Acorde-768x415.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20117" class="wp-caption-text">Do que você tem medo quando vai dormir? (Foto: Tiago Teixeira)</figcaption></figure>
<p><b>Acorde (2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">1 minuto. É o tempo que Tiago Teixeira precisa para fazer um paralelo assustador a respeito do verdadeiro monstro debaixo da cama. Não há muito o que se falar, e qualquer menção pode causar um </span><i><span style="font-weight: 400;">spoiler</span></i><span style="font-weight: 400;"> extremamente necessário para o impacto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Acorde</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas, entendendo a situação social do Brasil, a surpresa, infelizmente, dura poucos segundos. Bem que gostaríamos de continuar dormindo. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20118" aria-describedby="caption-attachment-20118" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20118 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fantasma-magnetico.png" alt="Cena do curta Fantasma Magnético. Em preto-e-branco, vemos uma mulher montada em cima de um corpo desacordado. Ela olha atentamente para a cabeça do corpo." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fantasma-magnetico.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fantasma-magnetico-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fantasma-magnetico-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fantasma-magnetico-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fantasma-magnetico-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20118" class="wp-caption-text">Os oito minutos mais parecem oito horas (Foto: Rafael Van Hayden)</figcaption></figure>
<p><b>Fantasma Magnético (2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta dirigido por Rafael Van Hayden mais promete do que cumpre. Apesar da ótima edição sonora, instigante com seus ecos bem encaixados em cada cena, a produção brasileira se perde na própria lógica e não interessa em quase nenhum aspecto. Os pesadelos violentos da personagem confundem e deixam a trama enfadonha, o que torna os oito minutos da obra muito mais longos do que deveriam ser. Mesmo a combinação de efeitos </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;"> e psicodelia visual soa prepotente em cima da falta de acontecimentos minimamente atrativos. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<h5><b>Curtas-Metragens Internacionais &#8211; Live-Action</b></h5>
<figure id="attachment_20128" aria-describedby="caption-attachment-20128" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20128 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Horrorscope.jpg" alt="Cena do curta Horrorscope. Nela, vemos uma mulher branca se olhando no espelho e cutucando o dente." width="1920" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Horrorscope.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Horrorscope-300x126.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Horrorscope-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Horrorscope-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Horrorscope-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Horrorscope-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20128" class="wp-caption-text">Efeitos colaterais incluem: barulhos estranhos, dentes caindo e alucinações (Foto: Pol Diggler)</figcaption></figure>
<p><b>Horrorscope (Espanha, 2019)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Horrorscope</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um grande </span><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os 5 minutos da produção espanhola são montados em um estilo clássico de pequenas cenas intercaladas que as </span><i><span style="font-weight: 400;">previews</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos filmes costumam soltar. Mas é isso mesmo que ele tem de legal. Uma garota é possuída por um espírito e passa a ter comportamentos estranhos, fazendo com que seu médico, também crítico de cinema, claro, a diagnostique com </span><i><span style="font-weight: 400;">Filme de Horror Traileritis</span></i><span style="font-weight: 400;">. As situações paródicas são hilárias e muito verdadeiras para os fãs de terror que não aguentam mais os clichês. A sacada de Pol Diggler, que atrai pela sinopse nada reveladora, é fingir o susto para garantir o riso &#8211; e ele vem em doses intensas. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20127" aria-describedby="caption-attachment-20127" style="width: 1357px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20127 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/el-campo-sangriento-.jpg" alt="Cena do curta El Campo Sangriento. Nela, vemos Lidia, chilena de cabelo preto e blusa branca, assustada olhando o marido, que está sentado na poltrona." width="1357" height="579" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/el-campo-sangriento-.jpg 1357w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/el-campo-sangriento--300x128.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/el-campo-sangriento--1024x437.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/el-campo-sangriento--768x328.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/el-campo-sangriento--1200x512.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20127" class="wp-caption-text">Lídia bem que poderia usar da ajuda de Annalise Keating (Foto: <span style="font-weight: 400;">Vicente Campos Yanine)</span></figcaption></figure>
<p><b>El Campo Sangriento (Chile, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe uma familiaridade na ambientação do chileno </span><i><span style="font-weight: 400;">El Campo Sangriento</span></i><span style="font-weight: 400;">. A cozinha clara de chão branco, os potes de arroz no armário e a televisão da </span><i><span style="font-weight: 400;">Philips </span></i><span style="font-weight: 400;">próxima à geladeira ajudam a construir um senso de conforto na residência de Lídia e seu porco marido. O diretor Vicente Campos Yanine quer discutir machismo, <a href="https://www.cineset.com.br/como-o-cinema-e-as-series-de-tv-enxergam-a-adolescente-gorda/">gordofobia</a> e libertação, e involuntariamente o faz com toques de humor, ácido e bem-vindo. A atriz Andrea Munizaga usa muito seus olhos para empatizar com o público, fazendo-nos torcer por sua emancipação. Até mesmo a mini sequência de </span><i><span style="font-weight: 400;">‘Como Esquartejar o seu Marido’</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona no tom geral, visto a gratificação sentida na morte do personagem de Guilherme Sepúlveda. Tudo pode dar errado nesse crime, mas estamos ao lado de Lídia não importa quais sejam as consequências. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_20137" aria-describedby="caption-attachment-20137" style="width: 982px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20137 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Pardonne-Ton-Pere-1.png" alt="Cena do curta Pardonne Ton Père. Nela, vemos um vulto de costas, e atrás dele, está uma persiana que convida a luz do dia para entrar no ambiente." width="982" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Pardonne-Ton-Pere-1.png 982w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Pardonne-Ton-Pere-1-300x235.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Pardonne-Ton-Pere-1-768x601.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20137" class="wp-caption-text">O aspecto do pai varia entre uma massona de chiclete e um mofo gigante (Foto: Moisés Velásquez)</figcaption></figure>
<p><b>Pardonne Ton Père (Canadá, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Franz Kafka definitivamente aprovaria esse filme. O diretor Moisés Velásquez explora o corpo de um pai de família passando por uma metamorfose grotesca. A ótica do filme provém da experiência da filha, mostrando a ingenuidade que habita a cabeça das crianças, já que ela ama o pai, independente de sua nova aparência monstruosa. E conforme o tempo passa, as demandas são maiores. O novo corpo &#8211; que se assemelha a um grande fungo &#8211; necessita cada vez mais de fontes de alimento: primeiro um prato de comida, depois um cachorro, por que talvez não chamar os vizinhos para jantar? Mas, no fim das contas tudo não passa de um mero incômodo, desculpe o papai. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20126" aria-describedby="caption-attachment-20126" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20126 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dar-dar.jpg" alt="Cena do curta Dar-Dar. Em preto-e-branco, vemos uma mulher com uma arma, protegendo uma criança, agarrada às costas dela. Ao fundo, vemos folhas de árvores" width="1024" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dar-dar.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dar-dar-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dar-dar-768x406.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20126" class="wp-caption-text">O papel de mãe e responsável é subvertido em Dar-Dar (Foto: Paul Urkijo Alijo)</figcaption></figure>
<p><b>Dar-Dar (Espanha, 2020)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dar, dar, dar, seus dedos para jantar</span></i><span style="font-weight: 400;">. É assim que a entidade basca surge &#8211; exigindo dedos de criancinhas. Filmado em preto e branco e com diálogos exibidos em letreiros da época do cinema mudo, o curta dirigido por Paul Urkijo Alijo é capaz de aterrorizar crianças e adultos pela sua sequência de acontecimentos. O demônio, com uma mordiscada em cada dedo, faz com que a inocente criança fique com as mãos esqueléticas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Se recusar, com a alma irá pagar</span></i><span style="font-weight: 400;">, cantarola a criatura que ganha poucos focos na aparência, mantendo uma aura de mistério macabro pela mente perturbada de Alijo. Até a relação mãe e filha, violenta e sem amor, contribui para a obra ser melancólica, triste e medonha, mas muitíssimo atraente para os verdadeiros fãs do horror. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20149" aria-describedby="caption-attachment-20149" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20149 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Captura-de-Tela-27-e1618950987420.png" alt="Cena do curta Nanny Cam. Vemos uma bebê com chupeta rosa e casaco rosa olhando para a esquerda. Ela tem cabelo curto e enrolado." width="1366" height="553" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Captura-de-Tela-27-e1618950987420.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Captura-de-Tela-27-e1618950987420-300x121.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Captura-de-Tela-27-e1618950987420-1024x415.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Captura-de-Tela-27-e1618950987420-768x311.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Captura-de-Tela-27-e1618950987420-1200x486.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20149" class="wp-caption-text">Que mal um nenê pode fazer? (Foto: Hope Olaidé Wilson)</figcaption></figure>
<p><b>Nanny Cam (EUA, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não são muitas maneiras que um filme possa se destacar com apenas 9 minutos de duração, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Nanny Cam </span></i><span style="font-weight: 400;">faz isso num piscar de olhos. O curta, dirigido por Hope Olaidé Wilson, parece ser uma história comum e moralista, “</span><i><span style="font-weight: 400;">os tempos mudaram e os jovens não saem da frente da tela de seus respectivos celulares”</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas o nervosismo e tensão escalam de maneira exponencial. Uma mãe que atende a uma entrevista de emprego observa a filha à distância, quando de repente percebe que o bebê está em perigo e longe de sua babá. Ao chegar em casa e à sua filha, o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> é instaurado: a babá morta é apenas mais uma vítima da então inocente criança. Haja trabalho para essa mãe desempregada. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20123" aria-describedby="caption-attachment-20123" style="width: 1359px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20123 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/a-dinner-party.jpg" alt="Foto do curta A Dinner Party. Nela, vemos três pessoas jantando à mesa. Os dois são jovens, tem pele branca leitosa e maquiagem sebosa. Todos os apetrechos da mesa são brancos, assim como a comida servida." width="1359" height="587" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/a-dinner-party.jpg 1359w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/a-dinner-party-300x130.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/a-dinner-party-1024x442.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/a-dinner-party-768x332.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/a-dinner-party-1200x518.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20123" class="wp-caption-text">Se a refeição for essa da foto, é melhor continuar na greve de fome (Foto: Michèle Kaye)</figcaption></figure>
<p><b>A Dinner Party (Canadá, 2019)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Dinner Party </span></i><span style="font-weight: 400;">se estende por pouco menos de vinte minutos numa realidade áspera, soturna e degradante. Na trama canadense, uma jovem recebe três lunáticos, pálidos e esfomeados amigos para jantar. O cenário, aparentemente, é pós-apocalíptico, mas o trabalho de Michèle Kaye não se contenta em compartilhar o mínimo de histórico ou contexto. Por conta disso, essa queda brusca no casebre morto e gororoba azeda, o curta-metragem não se estica o suficiente para se conectar com quem assiste. Os minutos finais, fora da cabana, oferecem mais emoção que a jornada enclausurada lá. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_20125" aria-describedby="caption-attachment-20125" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20125 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Tale-Best-Forgotten.jpg" alt="Cena do curta A Tale Best Forgotten. De cabeça-para-baixo, vemos uma mulher loira, olhando para baixo, ela usa roupa azul." width="1440" height="673" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Tale-Best-Forgotten.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Tale-Best-Forgotten-300x140.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Tale-Best-Forgotten-1024x479.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Tale-Best-Forgotten-768x359.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Tale-Best-Forgotten-1200x561.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20125" class="wp-caption-text">A cinematografia embaçada e vertical é o diferencial da obra sueca (Foto: Tomas Stark)</figcaption></figure>
<p><b>A Tale Best Forgotten (Suécia, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tomas Stark faz questão de eternizar o conto que deveria ser esquecido. Em 5 minutos, somos apresentados a </span><i><span style="font-weight: 400;">A Tale Best Forgotten</span></i><span style="font-weight: 400;">, baseado na cantiga de Helem Adam, uma história diferente de uma maneira inusitada. O fator inusitado vem do jogo de câmeras: só existe uma movimentação vertical, nenhum centímetro a mais ou a menos na horizontal, o que garante um charme incontestável para uma história sinistra. Enquanto isso, ouvimos a voz macabra cantar sobre a menina assassina, uma corrente de sangue rio abaixo e o homem da cabeça de cachorro, uma menção honrosa ao deus Anúbis. Uma pena as letras do canto não serem ainda maiores. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20132" aria-describedby="caption-attachment-20132" style="width: 934px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20132 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dystopia.jpg" alt="Cena do curta Dystopia. Vemos, de baixo para cima, 4 mulheres encarando a câmera, elas se vestem de forma colorida e extravagante." width="934" height="392" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dystopia.jpg 934w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dystopia-300x126.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dystopia-768x322.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20132" class="wp-caption-text">Roupas coloridas e muito sangue (Foto: Laura Ugolini)</figcaption></figure>
<p><b>Dystopia (Noruega, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A capacidade criativa de realizadores de curtas-metragens é indiscutivelmente impressionante. O norueguês </span><i><span style="font-weight: 400;">Dystopia</span></i><span style="font-weight: 400;">, que conta com singelos 7 minutos, é um exemplo ácido e divertido do que é preciso para se destacar no meio de um mar de obras singulares. As quatro atrizes principais, crias certeiras do horror de Mary Shelley, vivem num mundo de pessoas-manequins capazes de se costurar e colar da maneira que desejarem, aniquilando qualquer um que possua um membro interessante e atrativo. Mesmo a pequena crítica ao mundo virtual e seus padrões estéticos (sim, aqueles filtros horrendos do </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i><span style="font-weight: 400;">), utilizando uma criança <em>blogueira</em>, é precisa nas mãos de Laura Ugolini. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dystopia</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem o aroma estético de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sucker Punch</span></i><span style="font-weight: 400;"> e uma pitada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/aves-de-rapina-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Aves de Rapina </span></i></a><span style="font-weight: 400;">&#8211; como não gostar? </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20124" aria-describedby="caption-attachment-20124" style="width: 1363px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20124 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Lombre-Dun-Homme.jpg" alt="Cena do curta À L'ombre D'un Homme. Nele, vemos um homem jantando com a própria sombra. Ele usa boina bege e camisa branca, e está sentado ao lado direito da mesa de madeira, e sua sombra está do outro." width="1363" height="589" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Lombre-Dun-Homme.jpg 1363w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Lombre-Dun-Homme-300x130.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Lombre-Dun-Homme-1024x443.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Lombre-Dun-Homme-768x332.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Lombre-Dun-Homme-1200x519.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20124" class="wp-caption-text">Liberdade ou solidão? (Foto: <span style="font-weight: 400;">Mor Lankri)</span></figcaption></figure>
<p><b>À L&#8217;ombre D&#8217;un Homme (Israel, 2021) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção esquemática de Mor Lankri coloca </span><i><span style="font-weight: 400;">À L&#8217;ombre D&#8217;un Homme</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um aspecto de fábula. A vida de Eugène se assemelha muito aos ditados populares que crescem ao pé do ouvido na infância. Sem paciência para viver com outras pessoas, o esquelético homem, interpretado pelo sensorial Pascal Bulot, é precavido em tudo que pode. Ele tem os chinelos ao pé da cama e até um balde na cabeça, caso a bendita goteira teime a pingar. Um dia, o homem se vê acompanhado por sua sombra, que usa da fisicalidade de Yann Safran para se tornar crível. Homem e sombra, lado a lado, vivem em harmonia. Até que tudo dá errado. Em onze envolventes minutos, atiçados pela voz eriçada do narrador Julien Colombet, o curta israelense debate solidão, amor próprio e repete a <a href="https://peterpan.fandom.com/pt-br/wiki/Sombra_do_Peter_Pan#:~:text=A%20Sombra%20do%20Peter%20Pan,tamb%C3%A9m%20se%20diverte%20com%20ele.">máxima do Peter Pan</a>: nunca confie em ninguém, nem na sua própria sombra! </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_20133" aria-describedby="caption-attachment-20133" style="width: 1365px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20133 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Oculto.png" alt="Cena do curta Oculto. Dentro de um elevador, vemos 3 pessoas. Uma mulher de azul, luvas azuis e cabelo preto, uma loira com terninho social e um homem de boné, olhando seu celular. A imagem tem um filtro avermelhado. " width="1365" height="583" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Oculto.png 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Oculto-300x128.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Oculto-1024x437.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Oculto-768x328.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Oculto-1200x513.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20133" class="wp-caption-text">Ficamos desconfortáveis no elevador do curta espanhol (Foto: Imanol Ortiz López)</figcaption></figure>
<p><b>Oculto (Espanha, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um filme fraco com boas intenções &#8211; assim podemos definir </span><i><span style="font-weight: 400;">Oculto</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Imanol Ortiz López. O curta se passa quase todo dentro de um elevador, o que seria tempo  o suficiente se a hesitação não fosse tão longa. Cada personagem é atarefado com o assassinato de outro para cumprir sua tarefa e salvar um ente querido, no entanto, o motivo não convence. É impossível não identificar nesse filme um conceito mal trabalhado da categoria </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Mortais</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20129" aria-describedby="caption-attachment-20129" style="width: 1357px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20129 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/meowtoo.jpg" alt="Cena do curta #MeowToo. Nela, vemos uma cena grotesca, de uma mulher usando uma máscara realista de gato, suas feições são medonhas, e a iluminação em foco deixa tudo mais estranho. Ao fundo, está uma cortina alaranjada." width="1357" height="539" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/meowtoo.jpg 1357w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/meowtoo-300x119.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/meowtoo-1024x407.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/meowtoo-768x305.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/meowtoo-1200x477.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20129" class="wp-caption-text">Miau? (Foto: <span style="font-weight: 400;">Ryan Kruger)</span></figcaption></figure>
<p><b>#MeowToo (África do Sul, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poucos filmes causam ojeriza como </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt7786130/"><i><span style="font-weight: 400;">#MeowToo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É claro que esse é o objetivo primário da obra de Ryan Kruger, que usa o <a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-44164417">movimento</a> </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Too</span></i><span style="font-weight: 400;"> como trocadilho no título e na história da gatuna no bar. As máscaras felinas, grotescas de maneira proposital, destroçam qualquer senso de irreal que a produção sul-africana propõe, narrando um encontro noturno entre essa tal mulher-gato, papel de Suraya Santos, e seu predador, o asqueroso humano Alan Wine (Alex Anlos). Sem diálogos e cheio de batidas </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, luzes piscam por seis minutos, a trilha agride e as unhas dela, também. É quase um clipe de metal sem os vocais. É perturbador, arriscado e inesquecível. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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		<title>Não Há Mal Algum: a tirania em 4 atos</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2020 21:00:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos e Raquel Dutra A filmografia do diretor iraniano Mohammad Rasoulof não tem sido uma empreitada fácil. Em seus filmes, Rasoulof critica explicitamente o autoritarismo e a tirania que se apossaram de seu país, e isso já lhe rendeu alguns problemas com seu governo. Não seria diferente com Não Há Mal Algum (Sheytan Vojud &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nao-ha-mal-algum-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não Há Mal Algum: a tirania em 4 atos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16546" aria-describedby="caption-attachment-16546" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16546" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_5-claudiatomassini-com-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1704" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_5-claudiatomassini-com-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_5-claudiatomassini-com-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_5-claudiatomassini-com-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_5-claudiatomassini-com-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_5-claudiatomassini-com-1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_5-claudiatomassini-com-2048x1363.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_5-claudiatomassini-com-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16546" class="wp-caption-text">Um dos filmes mais comentados de 2020 chega ao Brasil na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><strong>Caroline Campos e Raquel Dutra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.dw.com/en/why-mohammad-rasoulof-still-makes-films-despite-irans-threats/a-52575195"><span style="font-weight: 400;">filmografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do diretor iraniano Mohammad Rasoulof não tem sido uma empreitada fácil. Em seus filmes, Rasoulof critica explicitamente o autoritarismo e a tirania que se apossaram de seu país, e isso já lhe rendeu alguns problemas com seu governo. Não seria diferente com </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Há Mal Algum</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Sheytan Vojud Nadarad</span></i><span style="font-weight: 400;">), seu longa mais recente que chega ao Brasil como uma das obras mais esperadas da 44ª <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a> de Cinema em São Paulo. Com uma forte narrativa sobre as consequências de ser um executor de penas de morte no país, o filme venceu o Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim, mas o diretor </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2020/mar/04/golden-bear-winner-mohammad-rasoulof-sentenced-jail-iran"><span style="font-weight: 400;">não pôde agradecer presencialmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> a honraria pois o governo do Irã não permitiu seu comparecimento à cerimônia por ter feito “propaganda contra o sistema”.</span></p>
<p><span id="more-16545"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção da história foi diretamente influenciada pela condição do diretor diante do país. Em decorrência da </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/03/05/Como-o-Ir%C3%A3-censura-e-persegue-cineastas-premiados"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rasoulof optou por dividir o filme em 4 curtas dirigidos sob nomes fictícios, para que a produção da obra se tornasse mais segura. Todos, entretanto, partem de uma mesma perspectiva: a de quem tem que escolher entre sujar as mãos em obediência ao Estado ou comprometer sua existência e liberdade</span> <span style="font-weight: 400;">na própria terra. O suspensa marcante complementa a contemporaneidade das histórias, que transformam o estereótipo de carrascos mascarados da Idade Medieval para cidadãos comuns dos dias de hoje.</span></p>
<figure id="attachment_16547" aria-describedby="caption-attachment-16547" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16547" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/espelho.jpg" alt="" width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/espelho.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/espelho-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/espelho-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16547" class="wp-caption-text">O filme é resultado de uma colaboração entre Irã, Alemanha e República Tcheca (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro deles já protagoniza o curta de maior impacto e tensão do filme. Ele é Heshmat (Ehsan Mirhosseini), um pai de família que vive normalmente seu dia até sair para trabalhar na madrugada. Com gestos mecânicos, o ator desenha o hábito que Heshmat adquiriu com seu dia-a-dia conflitante e também seus traumas, evidenciados em sua aparência morna, curvada e na dificuldade que seu personagem tem para dormir. Contrariando o caráter imediato das consequências que apertar o botão da execução de alguém revela, o texto de Mohammad Rasoulof demora a entregar a razão pela qual Heshmat está ali, fazendo-o apenas nas últimas cenas, de uma forma tão repentina e insensível que acaba por justificar a forma como o executor vive sua vida, lenta e inexpressivamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo em seguida, a banalidade que a execução assume no primeiro capítulo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Há Mal Algum</span></i><span style="font-weight: 400;"> é revertida bruscamente. Agora, nossa perspectiva está junto de um grupo de soldados que têm como serviço obrigatório realizar as execuções, focada em Pouya (</span><span style="font-weight: 400;">Kaveh Ahangar), que vai concretizar a pena de morte do Estado pela primeira vez. Construindo um suspense tremendo, o jovem não cede à pressão da tirania sobre sua própria ética. Refletindo a coragem do personagem em resistir nas suas crenças, o diretor junta toda sua subversão para fazer jus a sua fama e inimizade com o governo iraniano, colocando o hino antifascista </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-04-25/bella-ciao-a-historia-por-tras-do-hino-da-liberdade-e-da-resistencia.html"><i><span style="font-weight: 400;">Bella Ciao</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para tocar ao fundo. </span></p>
<figure id="attachment_16548" aria-describedby="caption-attachment-16548" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16548" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_4-claudiatomassini-com-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1708" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_4-claudiatomassini-com-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_4-claudiatomassini-com-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_4-claudiatomassini-com-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_4-claudiatomassini-com-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_4-claudiatomassini-com-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_4-claudiatomassini-com-2048x1367.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_Still_4-claudiatomassini-com-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16548" class="wp-caption-text">Impedido de sair do Irã pelo governo, quem recebeu o prêmio de Mohammad Rasoulof no Festival de Berlim foi sua filha Baran Rasoulof, que interpreta Darya no filme (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nos primeiros atos </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Há Mal Algum</span></i><span style="font-weight: 400;"> contrasta suas perspectivas, nossas questões morais são ainda mais abaladas com as duas últimas histórias, que possuem caráteres complementares. Javad, o jovem soldado protagonista da terceira parte, consegue uma folga do serviço militar para pedir a namorada em casamento. No entanto, quando chega a casa de Na’na (Mahtab Servati), o clima não é de comemorações. Um ativista político, muito próximo da família, fora perseguido e executado pelo Estado. Até então, nada que Javad não esteja acostumado em relação ao seu país, já que </span><i><span style="font-weight: 400;">“a lei é essa e temos que obedecê-la”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Todas as suas crenças são dissolvidas ao ver o rosto do homem em fotos e concluir que ele mesmo o matara. A força da cena está na atuação claustrofóbica de Mohammad Valizadegan. Sua crise de pânico e olhar desorientado substituem a atitude alegre e esperançosa do jovem que nos é apresentado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da segunda metade do filme, percebemos que o assassinato desencadeia reflexos e consequências para além do ato em si. Não é só apenas um serviço obrigatório, mas uma atitude que afeta todos ao redor do executor, emocional e psicologicamente, inclusive a longo prazo. Enquanto Javad aceita realizar o que lhe é mandado, nós vemos em Bahram (Mohammad Seddighimehr), um dos personagens principais da última história, a luta contra a banalização da repressão estatal. Com uma personalidade contida e um pouco desanimada, ele e sua esposa recebem a sobrinha Darya em sua casa afastada da cidade. Pelas atitudes receosas de Bahram, a narrativa indica que o homem está tentando revelar um segredo para a jovem, relativo a momentos de 20 anos antes. Diferente de Javad, Bahram disse “não” e teve que lidar com as consequências de sua afronta. </span></p>
<figure id="attachment_16549" aria-describedby="caption-attachment-16549" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16549" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_still_1_key_still-claudiatomassini-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1715" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_still_1_key_still-claudiatomassini-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_still_1_key_still-claudiatomassini-300x201.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_still_1_key_still-claudiatomassini-1024x686.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_still_1_key_still-claudiatomassini-768x515.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_still_1_key_still-claudiatomassini-1536x1029.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_still_1_key_still-claudiatomassini-2048x1372.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/There_is_no_evil_still_1_key_still-claudiatomassini-1200x804.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16549" class="wp-caption-text">O diretor também foi premiado no Festival Cannes em 2011, 2013 e 2017, com Goodbye, Manuscripts Don&#8217;t Burn e A Man of Integrity, respectivamente (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os personagens de </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Há Mal Algum</span></i><span style="font-weight: 400;"> são controlados pelo medo e marcados pela violência, abrigando o aspecto de maior impacto de todo o filme. Mesmo assistindo a história pela perspectiva de pessoas que estão ou estiveram na posição do executor e não do executado, a narrativa não depende inteiramente de seus personagens, já que as quatro partes formam um todo que versa muito mais sobre o tema e uma denúncia do que qualquer outra coisa. Isto é, um sistema tão desumano que também desumaniza quem é obrigado a se submeter a ele. Essa desumanização, por sua vez, nunca é contida nem finalizada em si mesma, mas sempre se desdobra em muitas outras destruições, reverberando na vida de quem a executa de formas profundas e permanentes. Poderosamente, o filme também ressoa a forma que o diretor encontrou para enfrentar a tirania:</span> <i><span style="font-weight: 400;">“seu poder é dizer não.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
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