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	<title>Arquivos Rachel Sennott &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A primeira temporada de I Love LA poderia ser melhor, mas é um bom começo para Rachel Sennott</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Feb 2026 13:00:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal 2025 foi um ano recheado para os jovens adultos. Desde a estreia de Overcompensating – trama que aborda a descoberta da sexualidade de um rapaz gay na faculdade – até Adults, obra com o protagonismo de um quinteto no Queens, em Nova York, o subgênero ganhou uma irmã em outubro: I Love &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/i-love-la-primeira-temporada/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A primeira temporada de I Love LA poderia ser melhor, mas é um bom começo para Rachel Sennott"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36744" aria-describedby="caption-attachment-36744" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-36744 size-medium" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-2-800x450.png" alt="Cena da série I Love LA. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos ondulados que veste uma blusa rosa com uma jaqueta cinza, além de utilizar um boné branco e vermelho com estampa de um palhaço. Ela está em pé e segura um celular na mão direita e um café na mão esquerda." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-2.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36744" class="wp-caption-text">Maya é o tipo de protagonista que prontamente ganha o carinho de seus telespectadores (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"><b>Guilherme Machado Leal</b></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2025 foi um ano recheado para os jovens adultos. Desde a estreia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/overcompensating-critica-persona-unesp/"><i><span style="font-weight: 400;">Overcompensating</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">– trama que aborda a descoberta da sexualidade de um rapaz gay na faculdade – até </span><i><span style="font-weight: 400;">Adults</span></i><span style="font-weight: 400;">, obra com o protagonismo de um quinteto no Queens, em Nova York, o subgênero ganhou uma irmã em outubro: </span><i><span style="font-weight: 400;">I Love LA</span></i><span style="font-weight: 400;">, série criada e protagonizada por Rachel Sennott. No final dos anos 90 e na década de 2010, a HBO produziu histórias na cidade que nunca dorme. Dessa vez, as palmeiras californianas recebem seu próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i><span style="font-weight: 400;"> centralizado na chegada dos 30 anos.</span></p>
<p><span id="more-36741"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maya é a típica </span><i><span style="font-weight: 400;">zillenial</span></i><span style="font-weight: 400;"> (aqueles que nasceram entre 1993 e 1998 e possuem misturas da geração Z e dos </span><i><span style="font-weight: 400;">millennials</span></i><span style="font-weight: 400;">): ela trabalha para pagar as próprias contas, tem o sonho de ser efetivada na empresa e viver a vida que sempre almejou. Embora esteja na Cidade dos Anjos, a personagem principal tinha uma história com Tallulah (</span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a69813664/odessa-azion-marty-supreme-i-love-la-interview-2025/"><span style="font-weight: 400;">Odessa A&#8217;zion</span></a><span style="font-weight: 400;">) em NY. Agora, sua melhor amiga, que se tornou influenciadora, irá para Los Angeles. De início, a distância entre a dupla causa um estranhamento, mas também em uma oportunidade: se manejar a carreira da criadora de conteúdo, ela finalmente mudará a própria trajetória profissional.</span></p>
<figure id="attachment_36743" aria-describedby="caption-attachment-36743" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36743" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-2.png" alt="Cena da série I Love LA. A imagem apresenta um grupo de amigos na sala de estar: da esquerda para direita, há um homem branco com barba e cabelos castanhos cacheados que veste uma blusa vermelha, uma mulher negra com tranças que usa uma camiseta azul entreaberta, uma mulher branca de cabelos encaracolados que utiliza um moletom verde com azul e branco, e uma mulher branca de cabelos ondulados que veste uma blusa rosa e roxa. Eles estão se encarando e estão na frente de uma mesa com utensílios e comidas. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-2.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-2-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36743" class="wp-caption-text">A dinâmica entre os quatro amigos é interessante e merece ser mais explorada na segunda temporada de I Love LA (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao seu lado, estão Charlie (</span><a href="https://www.vulture.com/article/jordan-firstman-i-love-la-sex-scenes-heated-rivalry-controversy-interview.html"><span style="font-weight: 400;">Jordan Firstman</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Alani (</span><a href="https://www.interviewmagazine.com/television/true-whitaker-loves-new-york"><span style="font-weight: 400;">True Whitaker</span></a><span style="font-weight: 400;">), respectivamente um estilista de celebridades e uma </span><i><span style="font-weight: 400;">nepobaby</span></i><span style="font-weight: 400;"> que tenta encontrar seu lugar no mundo. Para completar o time que dá a cara à produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, há Dylan, interpretado pelo incrivelmente carismático </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-five-nights-at-freddys-2/"><span style="font-weight: 400;">Josh Hutcherson</span></a><span style="font-weight: 400;">. A partir do quinteto e o cenário estabelecido, imprevistos do dia a dia e a juventude idealizada por meio de Sennott, que possui 30 anos, há a representação do que é ser um jovem adulto na década de 2020.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, há certos tropeços na maneira como</span><i><span style="font-weight: 400;"> I Love LA</span></i><span style="font-weight: 400;"> veio ao mundo. Embora Rachel seja a produtora executiva e até diretora do último episódio da temporada – que terá um segundo ano –, é como se a artista não soubesse exatamente o que abordar em seu </span><a href="https://variety.com/2025/tv/features/rachel-sennott-i-love-la-interview-1236557872/"><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;"> televisivo</span></a><span style="font-weight: 400;"> como protagonista. A ideia de colocar Maya como uma </span><i><span style="font-weight: 400;">underdog</span></i><span style="font-weight: 400;"> que possui uma certa inveja da melhor amiga não se sustenta a longo prazo. Na verdade, apostar todas as fichas de uma personagem na outra não segura uma narrativa. Além disso, a falta de conexão na primeira parte da série é algo que impede dar à idealizadora as devidas flores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Girls</span></i><span style="font-weight: 400;">, criada, roteirizada, dirigida e protagonizada por Lena Dunham, o quarteto principal também é composto por pessoas horríveis e difíceis de lidar. Porém, até nas diferenças entre quem assiste e aquele representado na tela, há um ponto que converge. Na trama de 2025, algumas das histórias não sustentam os 25 a 30 minutos que representam o seriado. Episódios </span><i><span style="font-weight: 400;">fillers </span></i><span style="font-weight: 400;">são muito bem-vindos e, em alguns casos, tornam-se jóias, a exemplo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/friends-25-anos-aniversario/"><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1994): na terceira temporada, os seis amigos se preparam para uma noite de gala, mas nunca chegam, de fato, ao local. É um cenário e muito texto por 22 minutos. Nos anos 90 (e em décadas posteriores) funcionou, mas por que aqui não?</span></p>
<figure id="attachment_36746" aria-describedby="caption-attachment-36746" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36746" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-2-800x534.png" alt="Cena da série I Love LA. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos ondulados que veste uma blusa vermelha com um colar dourado de borboleta. Ela está em pé e com uma expressão de espanto. " width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-2-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-2.png 1000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36746" class="wp-caption-text">Rachel Sennott se tornou amplamente conhecida depois de estrelar Shiva Baby (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É de praxe que nem toda comédia acerta logo na sua estreia. </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-office-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">The Office</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2005), obra amada pelos amantes de um bom texto de humor, sabem do empecilho que é a primeira temporada. No entanto, dá para ver quem Michael Scott será ao longo das 7 temporadas. O mesmo acontece com personagens como Dwight (Rainn Wilson), Jim (John Krasinski) e Pam (Jenna Fischer). O que distancia a empreitada de Rachel Sennott das produções mencionadas é o tempo. Não há sentimento criado (pelo menos não por todos do quinteto) àquelas pessoas. Para construir, precisa preparar o terreno. E engana-se quem acha que comédia é só soltar piadas sem narrativas que as sustentam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de ser famosa, a criadora fazia </span><i><span style="font-weight: 400;">stand-ups</span></i><span style="font-weight: 400;"> e também estudava atuação na Universidade de Nova York (NYU). </span><a href="https://personaunesp.com.br/shiva-baby-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020), provavelmente o projeto mais interessante que já participou, obteve êxito em apresentar a jovem ao estrelato. Os anseios da personagem que interpretou no longa de 2020, além de sua postura cronicamente online e muito precisa de como funciona a mente daqueles que estão na casa dos 20 e poucos, ajudaram a chegar no atual momento: a visão da artista a respeito de como funciona viver na cidade da Califórnia. Assim como Dunham era a voz de uma geração em 2012, quando </span><i><span style="font-weight: 400;">Girls</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreou na </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, a idealizadora também terá o seu lugar ao sol.</span></p>
<figure id="attachment_36745" aria-describedby="caption-attachment-36745" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36745" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-1.png" alt="Cena da série I Love LA. Na imagem, há um homem branco de cabelos castanhos com uma blusa branca e uma jaqueta azul escuro. Ele está olhando para uma mulher branca de cabelos ondulados que usa um vestido preto com estampas de flores e um colar dourado de coração. Os dois se encaram e estão sentados em um sofá. Na frente dos dois, há duas taças com vinho dentro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-1.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36745" class="wp-caption-text">Dylan e Maya passam por maus bocados na primeira temporada de I Love LA (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os acertos de </span><i><span style="font-weight: 400;">I Love LA</span></i><span style="font-weight: 400;"> aparece nos momentos em que o texto conversa com o público que o consome. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Roger &amp; Munchy</span></i><span style="font-weight: 400;">, segundo episódio da temporada, há um trecho que é visto com frequência na timeline do </span><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i><span style="font-weight: 400;">, antigo </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">. Maya, que finge ser uma namorada obsessiva para assustar Paulena (Annalisa Cochrane), inimiga de Tallulah, pergunta a Dylan: “</span><i><span style="font-weight: 400;">devo me matar em uma live do Instagram ou em uma do TikTok?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. São nesses mínimos instantes nos quais Sennott encontra o tom correto, assim como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Nem Todos São Como Jeremy</span></i><span style="font-weight: 400;">, quinto capítulo da aventura californiana, marcado por um convite à personagem principal para um jantar feito por sua chefe Alyssa (</span><a href="https://personaunesp.com.br/gossip-girl-15-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Leighton Meester</span></a><span style="font-weight: 400;">). </span><i><span style="font-weight: 400;">Ou em Noite de Jogos</span></i><span style="font-weight: 400;">, trama seguinte, na qual a agente de talentos conhece os colegas de trabalho do Dylan.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto é: a idealizadora não tem o que se preocupar quanto à própria protagonista. Quando eleva quem a jovem é, a criatura se torna maior do que a criadora.  Ela não se assemelha à Carrie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-and-the-city-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sex and The City</span></a><span style="font-weight: 400;">) ou Piper (</span><a href="https://personaunesp.com.br/oitnb-temp-final/"><span style="font-weight: 400;">Orange Is The New Black</span></a><span style="font-weight: 400;">). Não é uma tarefa complicada se afeiçoar ao elo do quinteto, pois é por meio dele que ocorrem todas as dinâmicas da produção. Pontualmente com o texto na mosca e muitas vezes pegando o caminho oposto ao da risada, o trabalho de Sennott ainda é contido e não mostra em sua totalidade a magnitude de seu talento. No futuro, esperamos amar Los Angeles. </span></p>
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		<title>BRAT não reinventa a roda, ele queima pneu</title>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Provando por ‘A+B’ que opera nas margens do mainstream, não por falta de talento ou oportunidade, mas porque simplesmente quis assim, Charli XCX tornou-se uma força motriz na Arte contemporânea. Um álbum. Um movimento. Um estilo de vida. BRAT é quase inadjetivável e não tem espaço para introspecções ou profundidades poéticas excessivas. É &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/brat-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "BRAT não reinventa a roda, ele queima pneu"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34058" aria-describedby="caption-attachment-34058" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34058" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1.png" alt="Capa do álbum brat, da cantora Charli xcx. A capa é totalmente verde neon com o escrito “brat” em letras minúsculas, em preto e pixeladas." width="1999" height="1999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-1536x1536.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-1200x1200.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34058" class="wp-caption-text">Uma jogada de marketing e tanto: qualquer um pode fazer o que quiser com o conceito de BRAT em bratgenerator.com (Foto: Atlantic Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Henrique Marinhos</strong></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Provando por ‘A+B’ que opera nas margens do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream,</span></i><span style="font-weight: 400;"> não por falta de talento ou oportunidade, mas porque simplesmente quis assim, Charli XCX tornou-se uma </span><a href="https://www.marceloponzoni.com.br/forca-motriz-o-que-isto-tem-a-ver-com-as-nossas-vidas-3/#:~:text=Um%20l%C3%ADder%2C%20sem%20d%C3%BAvida%2C%20%C3%A9%20a%20for%C3%A7a%20motriz%20de%20um%20grupo"><span style="font-weight: 400;">força motriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Arte contemporânea.</span> <span style="font-weight: 400;">Um álbum. Um movimento. Um estilo de vida. </span><i><span style="font-weight: 400;">BRAT</span></i><span style="font-weight: 400;"> é quase inadjetivável e não tem espaço para introspecções ou profundidades poéticas excessivas. É o agora.</span></p>
<p><span id="more-34053"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das noites de Londres para o mundo, o álbum não se limita aos clubes e </span><i><span style="font-weight: 400;">raves</span></i><span style="font-weight: 400;"> ilegais em que se inspira. É uma injeção de ânimo ao acordar, um saudosismo em relação a década de 2000, um manifesto do próprio Id – conceito freudiano da natureza humana – e sua primitividade. A</span><a href="https://valor.globo.com/empresas/noticia/2024/06/11/conheca-o-efeito-brat-verde-que-viralizou-na-internet.ghtml"><span style="font-weight: 400;"> internet</span></a><span style="font-weight: 400;"> o abraçou com todo coração, tanto em seus momentos mais agressivos quanto vulneráveis, afinal, até cortar a ‘brisa’ encaixa no conceito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O termo que costumava descrever uma pessoa teimosa ou malcriada, que não segue regras e trilha seu próprio caminho, consagrou-se como algo muito maior do que qualquer um esperava. Ele é representado por uma capa verde </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;"> com fonte preta pixelada e transcende seu sentido. É, inegavelmente, a </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/brat-album-que-pintou-web-de-verde-e-o-mais-bem-avaliado-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">obra mais memorável de 2024</span></a><span style="font-weight: 400;">, tendo como produtores principais </span><a href="https://music.apple.com/us/playlist/a-g-cook-na-produ%C3%A7%C3%A3o/pl.fd6d188a8ee94c36bbe4d546d24d386e?l=pt-BR"><span style="font-weight: 400;">A. G. Cook</span></a><span style="font-weight: 400;"> e EASYFUN, parceiros de longa data de XCX no </span><a href="https://personaunesp.com.br/pc-music-artigo/"><i><span style="font-weight: 400;">PC Music</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34056" aria-describedby="caption-attachment-34056" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34056" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-7.png" alt="Capa da revista Vogue da australia. Ao topo está o nome da revista em verde neon com australia escrito dentro do primeiro “o”. A frente está a cantora Charli xcx, uma mulher branca com cabelos pretos ondulados e longos. Ela está com um vestido bege florido. com três dobras pretas com bolinhas brancas. Suas sobrancelhas são grossas e ela está encarando a câmera de cima para baixo enquanto segura seu vestido. Abaixo está escrito em verde e maiúsculo “Charli xcx, that’s brat” em tradução livre, isso é brat." width="768" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-7.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-7-600x800.png 600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34056" class="wp-caption-text">Charli XCX era era seu nome de usuário no MSN (Foto: Vogue Australia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma </span><a href="https://vogue.sg/charli-xcx-cover-story/"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue Singapura</span></i><span style="font-weight: 400;">, Charli XCX conta que queria algo ofensivo, um tom de verde fora de moda para despertar a ideia de que algo estava errado. Ela queria provocar as pessoas e conseguiu. </span><i><span style="font-weight: 400;">BRAT</span></i><span style="font-weight: 400;"> passa longe de ser só uma audição passiva. É um convite – ou melhor, um desafio –  a participar de uma narrativa transmídia, conectando diferentes plataformas e públicos, cruzando estéticas visuais, sonoras e comportamentais para criar algo maior do que a soma de suas partes, como bem dizia </span><a href="https://henryjenkins.org/aboutmehtml"><span style="font-weight: 400;">Henry Jenkins</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa estética tão fora de moda acabou sendo o lançamento mais moderno de 2024, virou </span><i><span style="font-weight: 400;">meme</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://gpsbrasilia.com.br/brat-summer-a-trend-de-comportamento-que-pode-mudar-o-rumo-da-eleicao-americana/"><i><span style="font-weight: 400;">trend</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, se tornou viral no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no </span><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i><span style="font-weight: 400;"> (antigo </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">), e tudo isso não foi à toa. Orquestrar esses efeitos de sentido, criando uma rede colaborativa entre ela e seus fãs é uma jogada precisa, pensada, que vai muito além de soltar uma música e esperar que aconteça algo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois disso, ela nunca mais poderia </span><a href="https://vejasp.abril.com.br/coluna/pop/cantora-britanica-charli-xcx-faz-passeio-por-metro-de-sao-paulo-e-viraliza"><span style="font-weight: 400;">andar de metrô</span></a><span style="font-weight: 400;"> com seus fãs em SP, mas os palcos da </span><a href="https://www.instagram.com/p/C8xSSIUvthw/"><i><span style="font-weight: 400;">ZIG</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> estão reservados para quando quiser voltar. Seu alterego Partygirl veio ao Brasil e evocou a pirralha – tradução literal de </span><i><span style="font-weight: 400;">brat</span></i><span style="font-weight: 400;"> – de 15 anos que conheceu um cara no </span><a href="https://myspace.com/charlixcx/music/songs"><i><span style="font-weight: 400;">MySpace</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a chamou para tocar em suas </span><i><span style="font-weight: 400;">raves</span></i><span style="font-weight: 400;"> ilegais em Londres, marcando o início de sua carreira.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Charli xcx - Von dutch (official video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/cwZ1L_0QLjw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de tudo que a mídia a faz sentir, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Von dutch, </span></i><span style="font-weight: 400;">produzido por EASYFUN, Charli XCX sabe seu valor. O  batidão do primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> dita o tom sonoro e visual do álbum, a artista – com ‘A’ maiúsculo – repetidamente agride câmeras no clipe, as joga de escadas, sobe em </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-news/charli-xcx-drops-von-dutch-video-1234978454/"><span style="font-weight: 400;">asas de aviões</span></a><span style="font-weight: 400;">, se lança em carrinhos de mala e ‘dá </span><i><span style="font-weight: 400;">closes</span></i><span style="font-weight: 400;">’. Longe de qualquer prepotência, ela sabe que pode fazer tudo isso porque “</span><i><span style="font-weight: 400;">É óbvio, sou sua número um</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Creditada como compositora de todas as faixas, Charlotte Aitchison  traz pensamentos rápidos, ‘bobeiras’ que falamos bêbados e exageros deliciosos que nos fazem rir. </span><i><span style="font-weight: 400;">BRAT </span></i><span style="font-weight: 400;">não é o lugar de procurar qualquer comparação com </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas nem por isso deixa de ser extremamente inteligente. Não é surpresa alguma que provocar efeitos de sentido intencionais e usar a convergência midiática com tamanha maestria exige um trabalho extremamente minucioso, e traz </span><a href="https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/autocuidado/moda/angelica-aposta-no-verde-brat-para-anunciar-novo-50-uns,8f2381461f2c53bfa89c5555604b87fauo54w6rc.html"><span style="font-weight: 400;">resultados mais eficazes</span></a><span style="font-weight: 400;"> que lançar vários trabalhos em curtos espaços de tempo; </span><i><span style="font-weight: 400;">cof</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">cof</span></i><span style="font-weight: 400;">, Taylor Swift, Ariana Grande&#8230;</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Charli xcx - 360 (official video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/WJW-VvmRKsE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo aqui é uma narrativa interligada, mesmo que introspecção e críticas não sejam o foco, podemos discorrer sobre elas por um período de tempo. Em suma, essa nova era explora </span><a href="https://moodgate.com.br/2024/06/14/charli-xcx-brat/"><span style="font-weight: 400;">as pressões da vida moderna</span></a><span style="font-weight: 400;">, especialmente para mulheres que estão na casa dos 30. Temas como maternidade, amizade, fama e a constante busca por autenticidade são costurados ao longo das faixas e nos clipes, às vezes, com remendos, porém se propondo a quebrar os moldes da identidade feminina criados pelas expectativas sociais. No clipe de </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/charli-xcx-360-music-video-cast-chloe-sevigny-julia-fox"><i><span style="font-weight: 400;">360</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Aidan Zamiri,</span> <span style="font-weight: 400;">XCX chama todas as </span><a href="https://www.portaldomarketing.com.br/Artigos5/O_que_e_uma_It_Girl.htm"><i><span style="font-weight: 400;">It Girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para provar seu ponto: Rachel Sennott, Julia Fox (mencionada em versos), Chloe Cherry, Gabriette (do Nasty Cherry) e Richie Shazam, ainda com a participação de A.G. Cook, produtor e precursor do </span><i><span style="font-weight: 400;">PC Music</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maternidade, por exemplo, surge de forma sensível em </span><i><span style="font-weight: 400;">I Think About It All the Time</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde a cantora reflete sobre o desejo de ser mãe. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Mas finalmente conheci meu amor/E um bebê pode ser meu [&#8230;] Se eu não ficar sem tempo/Isso daria um novo propósito à minha vida?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Pensando sempre em </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/alem-de-brat-charli-xcx-e-a-rainha-do-hyperpop-e-dos-desajustados"><span style="font-weight: 400;">sua carreira</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conquistas pessoais frente às expectativas de terceiros, é uma das faixas que, sonoramente, mais destoam do tom de </span><i><span style="font-weight: 400;">rave</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://revistaogrito.com/charli-xcx-brat-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">hyperpop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Paralelamente, existe </span><i><span style="font-weight: 400;">So I</span></i><span style="font-weight: 400;">, faixa feita em luto. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Sempre na minha mente/Todo dia, toda noite/Sua estrela é a mais brilhante de todas</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i> <span style="font-weight: 400;">Nessa música, Charli se permite chorar e sentir tudo o que tem para sentir. É uma faixa menos acelerada e muito mais pessoal. É como se abrissem seu diário, citando seus momentos no palco e os pensamentos que a levam a fazer homenagem à Sophie, assim como </span><a href="https://portalpopline.com.br/charli-xcx-dedica-novo-album-a-sophie-nunca-conheci-alguem-como-ela/"><i><span style="font-weight: 400;">Crash</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dedicado à ela em 2021.</span></p>
<figure id="attachment_34055" aria-describedby="caption-attachment-34055" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34055" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-11.png" alt="Foto das cantoras Charli xcx e Lorde em meados de 2013. Elas estão fazendo sinal de paz com seus dedos indicador e do meio. Elas são mulheres brancas de cabelos escuros ondulados. Charli está com um batom vermelho, e uma jaqueta de cor salmão felpuda. Lorde está com um batom roxo e roupas completamente pretas com detalhes em prata na gola. Elas estão em um evento noturno rodeadas de pessoas." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-11.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-11-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-11-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-11-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-11-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-11-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34055" class="wp-caption-text">Em tempos de Boom Clap e Royals, Charli XCX era frequentemente confundida com Lorde (Foto: Kevin Mazur)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As nuances entre admiração e competição também são muito bem exploradas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Girl, So Confusing</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">As vezes penso que você me odeia/Às vezes penso que te odeio</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Indireta ou não, associaram à Lorde. Seja pela tensão entre ser comparada constantemente ou pelo desafio de preservar a autenticidade no meio. Em mais uma polêmica, todo conflito se dissolveu nos versos do </span><i><span style="font-weight: 400;">feat</span></i><span style="font-weight: 400;"> sugerido pela estrela de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/"><i><span style="font-weight: 400;">Melodrama</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você me contou como estava se sentindo/Vamos resolver isso no remix</span></i><span style="font-weight: 400;">”; </span><span style="font-weight: 400;"> a troca de indiretas em </span><i><span style="font-weight: 400;">stories</span></i><span style="font-weight: 400;"> teve uma </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-news/lorde-charli-xcx-brat-girl-so-confusing-1235034454/"><span style="font-weight: 400;">interpretação dúbia</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo aconteceu com </span><i><span style="font-weight: 400;">Sympathy is a knife</span></i><span style="font-weight: 400;">, outra situação em que seus fãs foram na contramão à mensagem que XCX quis passar, tecendo uma crítica à polidez forçada e às rivalidades escondidas. Isso foi o suficiente para a </span><i><span style="font-weight: 400;">fanbase</span></i><span style="font-weight: 400;">, que mordeu a isca. O alvo da vez? a ‘loirinha’ mais polida do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, Taylor Swift. A suposta dona de uma simpatia que parece amigável, carregada de intenções negativas junto a julgamentos ocultos disfarçados de elogios, reforçando o tema de vulnerabilidade em meio à fama. Mas logo os fãs se calaram (</span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> e presencialmente). Em </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2024/06/24/charli-xcx-repreende-fas-brasileiros-que-gritaram-taylor-swift-morreu-em-show.ghtml"><span style="font-weight: 400;">pronunciamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, Charli XCX afirmou ser contra manifestos que ‘enterravam’ sua possível rival, “</span><i><span style="font-weight: 400;">A Taylor morreu</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_34054" aria-describedby="caption-attachment-34054" style="width: 1581px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34054" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-10.png" alt="Cena da turnê Sweat Tour. Nela está o cantor australiano Troye Sivan, um homem branco de 30 anos e cabelos loiros. Ele está com uma calça aberta no centro e um short jeans por baixo, e uma camiseta branca. Ele segura um microfone e pula com a boca aberta. Ao seu lado direito está a cantora Charli xcx, uma mulher branca com cabelos pretos ondulados. Ela está cantando com seu microfone na boca e outra mão levantada, vestindo uma saia, jaqueta e meia calça pretas." width="1581" height="1054" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-10.png 1581w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-10-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-10-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-10-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-10-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-10-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34054" class="wp-caption-text">Troye Sivan e XCX saíram em turnê conjunta para divulgar BRAT, a Sweat Tour (Foto: Katja Ogrin)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cultivando profundo senso de nostalgia pela década de 2000, as referências à estética e cultura </span><a href="https://www.vogue.pt/tendencia-y2k-o-que-e"><i><span style="font-weight: 400;">Y2K</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> permeiam todo o álbum, se concentrando em faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Club Classics,</span></i><span style="font-weight: 400;"> literal e intencionalmente intitulada. A faixa evoca tanto o espírito despreocupado quanto a rebeldia e estética do período, sem celulares, só com a noite para viver. No entanto, como sempre, misturando-os com sons eletrônicos modernos desde o lançamento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6-v1b9waHWY"><i><span style="font-weight: 400;">1999</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> feat. Troye Sivan</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cantor australiano praticamente se manifesta como o público alvo principal de </span><i><span style="font-weight: 400;">BRAT</span></i><span style="font-weight: 400;">. De propósito ou não, a </span><a href="https://www.thepinknews.com/2024/06/07/how-charli-xcx-became-queer-icon-brat-365/"><span style="font-weight: 400;">comunidade LGBTQIAP+</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi a que mais engajou, divulgou e sentiu todo processo cultural do álbum. Desde conceitos como adolescência tardia, liberdade para sermos quem somos, ou quaisquer outros espaços de libertação – que envolvam ou não aditivos </span><i><span style="font-weight: 400;">a lá</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ol9CCM240Ag"><i><span style="font-weight: 400;">365</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> –, o Id é, provavelmente, o conceito em que mais podemos associá-lo, por mais técnico e academicista que possa parecer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.unipsicoriopreto.com.br/artigos/o-id-o-ego-e-o-superego-sao-conceitos-de-freud/"><span style="font-weight: 400;">termos freudianos</span></a><span style="font-weight: 400;">, diferente do ego e superego, o Id representa nossos impulsos e desejos básicos, frequentemente em conflito com as expectativas sociais. Agressiva e conflitante, ela explora temas de desejo, quebra de limites, fala o que vem à mente, mesmo que acabe pesando o clima e ‘cortando a brisa’ ao perguntar o motivo de – com liberdade poética – querer comprar uma arma e atirar em si mesma de tanta vergonha.</span></p>
<figure id="attachment_34057" aria-describedby="caption-attachment-34057" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34057" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1.png" alt="Foto da cantora Charli xcx no Met Gala. Ela é uma mulher branca com cabelos pretos. Seu penteado está com mechas espetadas para todos os lados. Seu batom é escuro assim como seu lápis de olho. Ela está olhando de canto de olho para a direita. A foto abrange seu busto até a região da cabeça, com fundo desfocado de vários fotógrafos tirando fotos. Seu vestido é branco com detalhes em cinza e retalhos como se estivesse rasgado." width="1999" height="1330" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1-1024x681.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1-1536x1022.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1-1200x798.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34057" class="wp-caption-text">O verão pode ter acabado, mas BRAT não; o disco já tem sua versão em deluxe e remix (Foto: Terrence O’Connor)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">BRAT</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre si mesmo. Quando todos estão malucos em uma festa, ninguém se importa com quem você é, quais roupas está vestindo, como você dança, se está feliz, na sua própria </span><i><span style="font-weight: 400;">bad trip</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou preocupado com seu </span><a href="https://www.whosdatedwho.com/dating/charli-xcx"><span style="font-weight: 400;">ex no telefone</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ninguém está ligando e você também não deveria, porque essa noite vai acabar. E quando essa euforia se dissipar durante o dia, tudo que você vai querer é que a noite chegue novamente.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">BRAT </span></i><span style="font-weight: 400;">não é um álbum perfeito e nem se propõe a isso. É um disco intencional e minucioso. Charli XCX merece tudo que tem conquistado e o que ainda está por vir. Ao escutarmos, pulamos algumas faixas, deixamos outras no </span><i><span style="font-weight: 400;">repeat</span></i><span style="font-weight: 400;"> e isso varia para cada pessoa. Com o projeto, estamos de volta aos primeiros </span><a href="https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/retorno-a-estetica-dos-anos-2000-supervaloriza-a-magreza/"><span style="font-weight: 400;">anos da década de 2000</span></a><span style="font-weight: 400;">, lembrando do valor de estar presente e de viver cada instante plenamente.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: BRAT" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/2lIZef4lzdvZkiiCzvPKj7?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Do vexame à morte, Bodies Bodies Bodies não tem pudor de si mesmo</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2023 15:10:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano “Morte. Morte. Morte.” É o que você deve gritar se achar um corpo. O slasher do estúdio A24 aborda o reencontro de antigos amigos que decidem confraternizar em uma noite tempestuosa. Porém, o choque do presente estremece o grupo, que sempre se escondeu sob um véu de mistérios e mentiras. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bodies-bodies-bodies-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do vexame à morte, Bodies Bodies Bodies não tem pudor de si mesmo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29595" aria-describedby="caption-attachment-29595" style="width: 4500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29595 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-1.jpeg" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A foto é retangular e bastante escura. Ela mostra, no centro, quatro das cinco protagonistas do filme. As quatro estão mexendo em uma mala sobre uma cama, o ângulo da câmera as captura da cintura para cima. Da esquerda para a direita: A primeira é Bee, personagem de Maria Bakalova. Maria é uma mulher branca, cabelos loiros que estão presos em um rabo de cavalo. Ela é a que menos aparece na imagem, parcialmente escondida pelos corpos das demais, e segura uma lanterna que é uma das poucas fontes de luz da cena. Ao seu lado está Sophie, interpretada por Amandla Stenberg. Ela é uma mulher negra, com cabelos longos em tranças e luzes loiras. A próxima, ao lado, é Jordan, papel de Myha'la Herrold. Ela é uma mulher negra, usa os cabelos escuros presos no alto da cabeça e segura outra lanterna sob um dos braços. A última, no canto direito, é Alice, personagem de Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, de cabelos castanhos cacheados. Ela segura um copo com uma das mãos e tem vários colares neon, de festa, no pescoço." width="4500" height="2532" /><figcaption id="caption-attachment-29595" class="wp-caption-text">Registrando 86% de aprovação no Rotten Tomatoes, o longa é uma das produções de Terror mais bem avaliadas de 2022 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Morte. Morte. Morte.</span></i><span style="font-weight: 400;">” É o que você deve gritar se achar um corpo. O </span><a href="https://www.clapper.com.br/artigo/slashers-analise"><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">do estúdio </span><i><span style="font-weight: 400;">A24 </span></i><span style="font-weight: 400;">aborda o reencontro de antigos amigos que decidem confraternizar em uma noite tempestuosa. Porém, o choque do presente estremece o grupo, que sempre se escondeu sob um véu de mistérios e mentiras. Então, o que seria melhor do que juntar álcool e drogas a um intenso jogo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> – uma mistura de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Cidade Dorme</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">Among Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> da vida real – na companhia de um verdadeiro homicida?</span></p>
<p><span id="more-29585"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo começa com um assassino que será sorteado em segredo e terá que perseguir os demais participantes no escuro. Já os últimos caminham pela mansão em que estão e, caso se deparem com um corpo, devem bradar “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-LCRDBru_oE"><i><span style="font-weight: 400;">Morte, morte, morte</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” para, então, acenderem as luzes e darem início a investigação do fictício crime. Quando a brincadeira perde lugar para o sangue e, de fato, óbitos, os jovens passam a se proteger do responsável trepidando no pânico instaurado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado no Brasil em outubro de 2022, &#8211; mais de um mês após a estreia mundial e vários dias de descaso na conta da distribuição nacional de produções do gênero &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> é dirigido por Halina Reijn, que já explorou a função no </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicológico</span><i><span style="font-weight: 400;"> Instinct </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019). </span><span style="font-weight: 400;">Inspirada pela filmografia de </span><a href="https://ims.com.br/mostra/o-cinema-em-john-cassavetes-ims-pc/"><span style="font-weight: 400;">John Cassavetes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pelos icônicos </span><a href="https://www.wakabara.com/blog/im-not-a-heather-im-a-veronica-heathers-que-inspirou-ryan-murphy-que-inspirou-heathers"><i><span style="font-weight: 400;">Heathers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1988), </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Medo de Virginia Woolf?</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Professora de Piano</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2001), a holandesa abraçou o óbvio ao admitir que os infortúnios de sua trama precedem a Geração Z e todo o universo tecnológico permeado pelas redes sociais. Ainda assim, o trabalho desenvolvido pela cineasta, cutucando a complexidade dessa ferida em expansão, proporciona um salto construtivo no terreno que o novo “</span><a href="https://anticult.com.br/terrir-10-filmes-para-voce-se-assustar-e-rir/"><span style="font-weight: 400;">terrir</span></a><span style="font-weight: 400;">” deseja adubar.</span></p>
<figure id="attachment_29591" aria-describedby="caption-attachment-29591" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29591" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2.png" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A foto é retangular e mostra sete personagens comemorando em pé e rindo, na borda de uma piscina. É dia e, ao fundo, há um jardim repleto de trepadeiras e colunas gregas. Da esquerda para a direita: O primeiro é Greg, personagem de Lee Pace. Lee é um homem branco com cabelos castanhos e lisos na altura dos ombros, barba e bigode. Ele está sem camisa e de shorts verde. Ao seu lado está Jordan, papel de Myha'la Herrold. Ela é uma mulher negra, usa os cabelos escuros presos no alto da cabeça e está com um roupão branco. Do lado de Jordan está Bee, personagem de Maria Bakalova. Maria é uma mulher branca, de cabelos loiros que estão presos em um rabo de cavalo. Ela usa shorts e uma camisa azul de botão. Sophie está ao seu lado, de braços dados com a primeira. Ela é interpretada por Amandla Stenberg, uma mulher negra, com cabelos longos em tranças e luzes loiras. Em sequência e mais à frente do grupo está David, personagem de Pete Davidson. Pete é um homem branco, de cabelos curtos, quase raspados, e escuros, olhos e narizes grandes. Ele usa um roupão branco e abre uma garrafa de champanhe. Em seguida, e mais ao fundo estão as duas personagens restantes. A primeira é Emma, personagem de Chase Sui Wonders. Ela é uma mulher branca, de olhos pequenos, cabelos longos e lisos. Ela usa um biquíni e um roupão branco por cima dele. A última, mais à direita, é Alice, interpretada por Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, de cabelos castanhos cacheados. Ela usa um maiô vermelho e segura uma taça em uma das mãos." width="2000" height="1244" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2.png 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-800x498.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-1024x637.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-768x478.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-1536x955.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-1200x746.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29591" class="wp-caption-text">As filmagens que instigam o terror em torno dos super ricos tomaram forma em uma luxuosa mansão georgiana de Nova Iorque (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Semelhante à singularidade de </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1996) nos anos 90, a obra se vale do </span><a href="https://www.esqueletosnoarmario.com/post/010-esqueletos-em-p%C3%A2nico-a-metalinguagem-e-subvers%C3%A3o-do-slasher"><span style="font-weight: 400;">subgênero mais subversivo do Horror</span></a> <span style="font-weight: 400;">para escrachar a superficialidade de seu grupo de protagonistas. A essência de cada jovem é sufocada pelas máscaras que assumem socialmente e, mesmo quando um assassino não espreita os corredores, o padrão se autocritica pelo cinismo e pela visceralidade. Todos estão presos na tal mansão sem necessidade, se repelindo emocionalmente na constância de seus vícios e tão perdidos em sua própria incredulidade que sequer se dão conta da babaquice coletiva reunida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro avesso é responsabilidade da estreante </span><a href="https://www.concordtheatricals.com/p/62099/the-wolves"><span style="font-weight: 400;">Sarah DeLappe</span></a><span style="font-weight: 400;">, que remodelou uma criação de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=06026"><span style="font-weight: 400;">Kristen Roupenian</span></a><span style="font-weight: 400;">. A história original, </span><a href="https://personaunesp.com.br/rua-do-medo-1978-parte-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">propriamente </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também tinha sido projetada em um cenário de catástrofe natural – uma tempestade de neve. Com a adaptação para os cinemas, a trama foi ressignificada e, o que antes beberia de </span><a href="https://www.planocritico.com/fora-de-plano-panico-2022-o-slasher-satirico-esta-de-volta-mas-vai-vingar/"><span style="font-weight: 400;">fontes diretas do subgênero</span></a><span style="font-weight: 400;">, transformou-se em uma </span><a href="https://cinepop.com.br/os-40-anos-do-auge-do-terrir-no-cinema-conheca-os-primeiros-slasher-comicos-do-cinema-331063/"><span style="font-weight: 400;">criativa sátira</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos privilégios e angústias de adolescentes ricos, em uma corrompida Geração Z.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Incentivadas em doses cavalares, a revolta e a ansiedade viram guias pontuais no projeto. O texto propositalmente afiado faz a realidade bater bem nas nossas portas e não gostamos de nos identificar com ninguém retratado no banho de sangue. Não por recusarmos a verdade, mas porque todos em cena são </span><a href="https://reporternewspapers.net/2022/08/19/film-review-bodies-bodies-bodies-brings-old-wounds-to-the-surface-for-a-bloody-good-time/"><span style="font-weight: 400;">tão niilistas quanto irritantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> reflete uma casca do que muito provavelmente somos, se não em todas as horas do dia, certamente nos períodos </span><i><span style="font-weight: 400;">on-line</span></i><span style="font-weight: 400;">: seres engajados, munidos de debates vazios e opiniões replicadas sobre tudo.</span></p>
<figure id="attachment_29590" aria-describedby="caption-attachment-29590" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29590" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-3-1.gif" alt="Gif do filme Bodies Bodies Bodies. O gif é retangular e mostra a personagem Alice, de Rachel Sennott em close. Rachel é uma mulher branca, de cabelos castanhos cacheados, que estão molhados. Ela usa um biquíni e tem vários colares neon, de festa, no pescoço. Durante o gif, ela diz: “...Ele tem a lua em Libra. Isso diz muito!” e é bastante expressiva. O fundo está escuro e desfocado." width="540" height="370" /><figcaption id="caption-attachment-29590" class="wp-caption-text">“&#8230;Ele tem a lua em Libra. Isso diz muito!” (GIF: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma maioria de personagens estadunidenses, o filme brinca com uma festa realizada &#8211; literalmente &#8211; no olho de um furacão. Os amigos em questão não se unem por sobrevivência ou afeto, e seus diálogos são construídos entre o superficial e o insano. Como se retirada diretamente do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, a trupe de </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte Morte Morte</span></i><span style="font-weight: 400;">, no título traduzido, ama repetir </span><a href="https://www.unicef.org/brazil/blog/influencia-das-redes-sociais-na-banalizacao-de-psicopatologias"><span style="font-weight: 400;">expressões usadas e banalizadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no território midiático, ausentando os termos de contextos e sentidos que, algumas vezes, nem chegaram a existir. No saldo final, todos se esmagam entre si em um rito deliciosamente cômico, tentando reforçar suas personalidades depreciativas e deprimentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alice, interpretada pela incansavelmente expressiva </span><a href="https://personaunesp.com.br/shiva-baby-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rachel Sennott</span></a><span style="font-weight: 400;">, é uma típica patricinha fútil e mimada que desconta suas frustrações em narcóticos e relacionamentos precipitados. O amigo David (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-esquadrao-suicida-critica/"><span style="font-weight: 400;">Pete Davidson</span></a><span style="font-weight: 400;">) vive no egocentrismo, inconsequente e cheio de si. Emma (</span><a href="https://personaunesp.com.br/generation-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chase Sui Wonders</span></a><span style="font-weight: 400;">) traz a faceta mais melodramática e emocionalmente dependente do time, enquanto Jordan (Myha&#8217;la Herrold) tem o pavio curto e parece disposta a deixar o recém casal Sophie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-odio-que-voce-semeia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Amandla Stenberg</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Bee (</span><a href="https://personaunesp.com.br/borat-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Maria Bakalova</span></a><span style="font-weight: 400;">) o mais desconfortável possível.</span></p>
<figure id="attachment_29589" aria-describedby="caption-attachment-29589" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29589" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-scaled.jpg" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A foto é retangular e mostra duas personagens deitadas na grama, da cintura para cima, enquanto se olham. A da esquerda é Sophie, interpretada por Amandla Stenberg. Ela é uma mulher negra, com cabelos longos em tranças e luzes loiras. Ela usa uma regata amarela e um casaco preto. À direita da imagem está Bee, personagem de Maria Bakalova. Maria é uma mulher branca, de cabelos loiros que estão presos em um rabo de cavalo. Ela usa uma camiseta branca estampada e, por cima, uma camisa azul de botões." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29589" class="wp-caption-text">Para além do tom julgador, a produção também sabe valorizar a ânsia dos 20 e poucos anos, momento em que tudo parece contornável e o mundo sempre está ao alcance (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Curiosamente, Bee é a </span><a href="https://www.vulture.com/article/maria-bakalova-bodies-bodies-bodies-borat-marvel.html"><span style="font-weight: 400;">única estrangeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; de sangue e espírito &#8211; em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;">, agindo como os olhos questionadores do público durante toda a tensão. Sua nacionalidade não entra em pauta nos conflitos e a visão “não classificatória” colabora para um sentimento coletivo que cresce ao longo do filme. Afinal, quem é essa garota? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que a minuciosa coadjuvante de Bakalova seja apresentada como uma provável </span><a href="https://newronio.espm.br/a-evolucao-do-estereotipo-da-final-girl-dos-filmes-de-terror/"><i><span style="font-weight: 400;">final girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é Sophie quem carrega o mistério com as chaves de uma protagonista. Caminhando em uma interessante corda bamba moral, a garota recém-saída de uma clínica de reabilitação nunca revela seus verdadeiros anseios, segredos ou intenções. Já Greg (</span><a href="https://www.theguardian.com/film/2012/dec/09/hobbit-an-unexpected-journey-review"><span style="font-weight: 400;">Lee Pace</span></a><span style="font-weight: 400;">), o único adulto de verdade do grupo, tem a missão de sustentar o choque entre a jovialidade e seus públicos antecessores.</span></p>
<figure id="attachment_29588" aria-describedby="caption-attachment-29588" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29588" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2.jpg" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A imagem é retangular e mostra os personagens Bee, Sophie, Jordan, Alice, Emma e Greg, único que está deitado no chão, em uma quadra de esportes. As demais garotas caminham em volta de Greg. A cena é quase inteiramente escura, com luzes brancas vindas apenas do celular segurados pelas personagens e do sinal de “saída” vermelho que está ao fundo do ginásio. " width="1280" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2-1200x502.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29588" class="wp-caption-text">Esnobado nas listas de grandes premiações, Morte Morte Morte recebeu indicações a Melhor Roteiro Estreante e Melhor Diretor no Film Independent Spirit Awards, que consagra o circuito alternativo de filmes (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No ritmo do surgimento dos homicídios, o longa se matura como um </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/colunas/566940/whodunnit-da-literatura-as-telonas-o-poder-do-quem-matou-no-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">whodunnit</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> clássico, estilizado pelo </span><a href="http://outtakemag.co.uk/reviews/2022/09/05/bodies-bodies-bodies-a24-amandla-stenberg/"><span style="font-weight: 400;">caos das redes sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quanto ao Terror propriamente dito: o gênero não é o foco principal da obra, mas dita as veias cômicas e críticas que sua direção decide assumir. Quanto mais carnificina, maior hostilidade preenche o ambiente &#8211; ao passo em que o mistério da história se alimenta do real horror aqui levantado. Tratando-se dos Estados Unidos, alguns temas implícitos, no ar e no suspense, são a posse descabida de armas, os perigos por trás das relações </span><i><span style="font-weight: 400;">on-line</span></i><span style="font-weight: 400;">, a alienação na realidade neoliberal e o uso ostensivo de álcool e drogas. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> constantemente catapulta seu ato inicial pelo sabor da desconfiança. A </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-facas-e-segredos-critica/"><span style="font-weight: 400;">brincadeira </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i><span style="font-weight: 400;"> “detetive”</span></a><span style="font-weight: 400;"> não só dá corda ao filme, como também retorna cada vez que um novo corpo é adicionado à pilha. Quase todas as </span><a href="https://personaunesp.com.br/assassinato-no-expresso-do-oriente-critica/"><span style="font-weight: 400;">vítimas são assassinadas fora das câmeras</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que facilita o trabalho ardiloso e recorrente de cada personagem na vilanização do restante do grupo. Aos poucos, uma rede de culpa é formada quando todos têm seus instrumentos de defesa, mas deixam dezenas de rastros que os incriminam na força do ego.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando no terceiro corte da trama, a seleta turma descarrila a si própria tão profundamente que a única escapatória se torna denunciar uns aos outros pelo sangue, ódio ou descaramento. O drama e a aversão, somados ao medo do desconhecido, movem os momentos mais impactantes em cena, como feito nos</span><i><span style="font-weight: 400;"> Jogos Mortais</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005) de </span><a href="https://personaunesp.com.br/maligno-critica/"><span style="font-weight: 400;">James Wan</span></a><span style="font-weight: 400;">. As ações falam pelos donos, e o puro suco do entretenimento está na ausência de monólogos complexos e rebuscados para consolidar o tribunal de pecados.</span></p>
<figure id="attachment_29587" aria-describedby="caption-attachment-29587" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29587" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-6.gif" alt="Gif do filme Bodies Bodies Bodies. O gif é retangular e mostra a personagem Emma, de Chase Sui Wonders. Emma é uma mulher amarela, de cabelos pretos, lisos e longos, que também estão molhados. Ela usa um vestido amarelo ensanguentado. Seu rosto e suas mãos também têm sangue à mostra. Durante o gif, quando outro personagem diz: “Você atirou em mim, p*rra?”; ela responde: “Eu não acredito que você está fazendo isso ser sobre você”. Ao fundo, está a sala escura de uma mansão." width="540" height="343" /><figcaption id="caption-attachment-29587" class="wp-caption-text">“Você atirou em mim, porra?” “Eu não acredito que você está fazendo isso ser sobre você” (GIF: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/casamento-sangrento-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Casamento Sangrento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), a produção tem o valor da perseguição de gato-e-rato nos pulmões, e em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> desencadeia um fluxo intenso, divertido e curioso. O fator também ganha atmosfera pela contundente</span> <a href="https://open.spotify.com/playlist/4KsVLKm1zLeGukc0JuWMD3"><span style="font-weight: 400;">sonoplastia</span></a><span style="font-weight: 400;"> elaborada por Disasterpeace, artista experimental que já trabalhou em </span><i><span style="font-weight: 400;">Corrente do Mal</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://republicadomedo.com.br/critica-it-follows/"><i><span style="font-weight: 400;">It Follows</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2014) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mistério de Silver Lake</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Retirada diretamente das </span><i><span style="font-weight: 400;">playlists </span></i><span style="font-weight: 400;">dos atores do longa, a trilha sonora não perde fôlego e carrega gêneros eletrônicos do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">ao </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. A coletânea enfileira ShyGirl, Princess Nokia, Kilo Kish, Azealia Banks e Tommy Genesis, além de Charli XCX, que lançou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vKIU3Q5oiMg"><i><span style="font-weight: 400;">Hot Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como tema</span> <span style="font-weight: 400;">oficial do filme. Em uma estética identitária crescente, análoga ao universo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), o figurino e a fotografia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte Morte Morte</span></i><span style="font-weight: 400;"> introjetam cores </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;"> e estilos de roupas ligados à geração atual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contraste estudado, o filme ainda é pontual e sugestivamente escuro, tendo jogos de luzes desenvolvidos pelo próprio elenco durante as gravações. O processo foi coordenado pelo diretor de fotografia </span><a href="https://filmmakermagazine.com/117162-interview-cinematographer-jasper-wolf-bodies-bodies-bodies/#.Y5LIqXbMLrc"><span style="font-weight: 400;">Jasper Wolf</span></a><span style="font-weight: 400;">, que operou câmeras portáteis de movimentos inquietos e ágeis para ampliar o clima da carnificina. Frequentemente usada em composição fechada, a cinematografia acompanha as emoções à flor da pele e enriquece o trato de uma história que se desenrola em um único cenário.</span></p>
<figure id="attachment_29586" aria-describedby="caption-attachment-29586" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29586" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1.jpg" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A imagem é retangular e mostra a personagem Alice, interpretada por Rachel Sennott, deitada com as costas voltadas para o chão. Alice é uma mulher branca de cabelos curtos, castanhos e cacheados. Ela veste cropped de tricot com tons azuis, laranjas e beges, além de colares e pulseiras em cores neon. Em das mãos, a garota também segura um pirulito vermelho na altura de sua boca. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29586" class="wp-caption-text">As personalidades de “BBB” são cuidadosamente performáticas e nasceram da liberdade que seus atores tiveram para improvisar nas filmagens (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De tempos em tempos, o Terror </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> reestrutura suas metas inversamente didáticas e estapeia &#8211; com bons baldes de sangue &#8211; as forças que regulam a </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><span style="font-weight: 400;">moeda da moralidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte Morte Morte</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foge da inventividade e, nada confortável com o que o </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a classe média ascendente têm evocado de pior no mundo, faz sua fama esfaqueando dos incitadores aos alvos da </span><a href="https://personaunesp.com.br/territorio-lovecraft-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">cultura do cancelamento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Consciência e incredulidade são o que falta na realidade da </span><i><span style="font-weight: 400;">Gen Z</span></i><span style="font-weight: 400;"> e sobra para o elenco convincente e estrelado da trama, nomes alinhadíssimos à combustão de bons subtextos que </span><a href="https://www.aficionados.com.br/os-melhores-filmes-de-terror-2022/"><span style="font-weight: 400;">o Horror rendeu em 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O destaque no ano, como de costume, é delas. </span><a href="https://www.cinematorio.com.br/2022/08/critica-filme-nao-nao-olhe-nope-jordan-peele/"><span style="font-weight: 400;">Keke Palmer</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mia Goth, </span><a href="https://collider.com/jenna-ortega-scream-queen/"><span style="font-weight: 400;">Jenna Ortega</span></a><span style="font-weight: 400;">, Anya Taylor Joy… estamos cercados e obcecados pelo brilhantismo das novas </span><i><span style="font-weight: 400;">scream queens</span></i><span style="font-weight: 400;"> do pedaço. Engenhosas e transcendentais, as mulheres sabem o peso de dar vida às muitas maneiras de encenar o encontro com a morte. O quinteto de Halina Reijn, por sua vez, assume o humano e o brutal do papel sem titubear, e ainda tomando os </span><a href="https://cinepop.com.br/morte-morte-morte-slasher-da-a24-surpreende-em-estreia-nas-bilheterias-355750/"><span style="font-weight: 400;">números das bilheterias</span></a><span style="font-weight: 400;">. Graças a elas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a acidez que você espera, a violência morando dentro do seu celular e a sátira infinita ao fantasma da nossa futilidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bodies Bodies Bodies | Official Trailer 2 HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/cTzGKsZjBOY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A identificação com o caos e o retrato tragicômico da juventude em Shiva Baby</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Jan 2022 13:00:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano Um funeral. Familiares fazendo perguntas pessoais. Sobre seu futuro, sua profissão (que eles não levam muito a sério), seus relacionamentos, seus estudos (não tão credibilizados também)&#8230; sim, tudo aquilo que você não gostaria de comentar no momento. E se, além disso, uma paixão antiga está presente, e o romance não &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/shiva-baby-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A identificação com o caos e o retrato tragicômico da juventude em Shiva Baby"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25689" aria-describedby="caption-attachment-25689" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25689" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-800x336.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e exibe o rosto da personagem Danielle, interpretada por Rachel Sennott, em plano fechado. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Ela bebe um gole de uma taça de vinho com sua mão direita. Seu olhar é angustiado e está voltado para a esquerda da personagem. Ela usa uma camisa social branca. O fundo está desfocado, mas é possível ver atrás dela um grande quadro abstrato em azul, amarelo e vermelho. " width="800" height="336" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-800x336.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25689" class="wp-caption-text">O longa pode parecer um experimento para entender quais os efeitos psicológicos que uma quantidade extrema de pressão pode exercer em alguém (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um funeral. Familiares fazendo perguntas pessoais. Sobre seu futuro, sua profissão (que eles não levam muito a sério), seus relacionamentos, seus estudos (não tão credibilizados também)&#8230; sim, tudo aquilo que você </span><i><span style="font-weight: 400;">não </span></i><span style="font-weight: 400;">gostaria de comentar no momento. E se, além disso, uma paixão antiga está presente, e o romance não terminou tão bem? Parece uma situação desconfortável, certo? E se seu ficante, que, na verdade, é o seu </span><a href="https://gay.blog.br/cultura/filmes-tv-e-series/bissexual-bancada-por-sugar-daddy-e-enredo-de-shiva-baby-que-estreia-no-streaming/"><i><span style="font-weight: 400;">sugar daddy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aparece no local? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ah, mas tem a cereja do bolo! E se ele leva a esposa e um bebê, que você nem sabia que existiam? E, é claro, que todos os seus parentes querem te apresentar a essa linda e simpática família! Esse é o cenário caótico, curioso, intrigante, sufocante, angustiante e singular representado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um filme ousado, que mescla perfeitamente </span><a href="https://www.revistabula.com/42656-10-comedias-dramaticas-na-netflix-para-equilibrar-e-suavizar-2021/"><span style="font-weight: 400;">a comédia e a tragédia social</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-25684"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa é uma coprodução internacional entre Estados Unidos e Canadá, lançada, no Brasil, pela plataforma </span><i><span style="font-weight: 400;">MUBI</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">em abril de 2021. Escrita e dirigida por Emma Seligman, que aqui estreia na direção, a obra é uma expansão adaptada do </span><a href="https://vimeo.com/262386141"><span style="font-weight: 400;">curta-metragem</span></a><span style="font-weight: 400;">, de mesmo nome, desenvolvido por ela em 2018. O curta foi seu projeto de tese enquanto estudante na NYU (Universidade de Nova York) e, ainda que a cineasta não soubesse se seria possível estendê-lo, essa </span><a href="https://mubi.com/notebook/posts/the-current-debate-the-jewishness-of-shiva-baby"><span style="font-weight: 400;">sempre foi sua intenção</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_25687" aria-describedby="caption-attachment-25687" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25687" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-800x450.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e exibe o busto da personagem Danielle, interpretada por Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas a mecha de sua franja está solta. Ela usa uma camisa branca e um blazer preto, por cima. Uma de suas mãos está erguida ao lado de seu rosto e ela segura uma pequena torta. Sua expressão é de irritação, enquanto come. O fundo está desfocado, mas é possível identificar três silhuetas que usam roupas sociais. Elas pertencem a dois homens e uma mulher, e os três estão conversando. São respectivamente do pai, de Max e da mãe de Danielle. O pai é um homem branco, baixo, tem barba e usa óculos e um quipá na cabeça. Max é alto, branco, usa barba e tem cabelos enrolados. A mãe de Danielle está de costas e seus cabelos são castanhos, lisos e vão até abaixo dos ombros. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25687" class="wp-caption-text">Shiva Baby garantiu o prêmio de “Revelação” para Emma Seligman no <a href="https://detroitfilmcritics.com/awards/">Detroit Film Critics Society Awards 2021</a> (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhamos tudo pelo ponto de vista da jovem Danielle, interpretada por </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a36299914/rachel-sennott-on-the-rise-video/"><span style="font-weight: 400;">Rachel Sennott</span></a><span style="font-weight: 400;">. A universitária é uma garota judia e bissexual em sua missão de administrar o fim de uma graduação, os planos de seu futuro profissional e </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> secretamente </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> ser uma </span><i><span style="font-weight: 400;">sugar baby </span></i><span style="font-weight: 400;">em meio período. O enredo a leva até um </span><a href="https://www.maayan.org.br/templates/articlecco_cdo/aid/4864031/jewish/Shiva.htm"><span style="font-weight: 400;">shivá</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma reunião judaica para família e amigos, em um momento de luto. Lá, a personagem de Sennott se vê presa em um dia de puro terror ao encontrar seu </span><i><span style="font-weight: 400;">sugar daddy</span></i><span style="font-weight: 400;"> Max (Danny Deferrari), e ser obrigada a manter a postura enquanto tudo ao seu redor parece conspirar contra sua estabilidade emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua essência, o que a trama busca representar é a </span><a href="https://www.urbandictionary.com/define.php?term=Coming%20of%20age"><span style="font-weight: 400;">iminência da vida adulta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seria ela um incômodo ou um convite? A pergunta ecoa por diversas situações dentre os 77 minutos de duração da obra, parecendo clamar por uma resposta durante todos os momentos em que Danielle é atacada por emergências familiares e amorosas (e um bebê grita desesperadamente, em segundo plano). </span></p>
<figure id="attachment_25688" aria-describedby="caption-attachment-25688" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25688" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-800x335.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e apresenta as personagens Maya e Danielle, respectivamente. Ambas são mulheres jovens e brancas. Maya usa um vestido preto de mangas compridas enquanto segura uma caixa de papelão e olha, com expressão boquiaberta, para Danielle. Danielle, por sua vez, usa camisa branca sobreposta por terno preto. Os cabelos dela estão presos em um coque de franjas soltas, e ela caminha com nítido desânimo no rosto. Ao fundo, uma rua repleta de paisagens verdes, carros e rua e calçada asfaltadas." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25688" class="wp-caption-text">O espectador consegue viver diversas epifanias enquanto está preso à realidade passivo-agressiva de Danielle (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://directorsnotes.com/2021/06/07/emma-seligman-shiva-baby/"><span style="font-weight: 400;">motivação para a história</span></a><span style="font-weight: 400;"> partiu, primeiramente, da diretora, judia e bissexual como a protagonista gerada por ela. Seligman se viu em um fogo cruzado entre pressão familiar e opressão sexual, sentindo necessidade de confrontar essas ansiedades em um papel de dualidade </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma menina legal e muito inclinada aos pais, mas, também, jovem e sexy com seu </span><i><span style="font-weight: 400;">sugar daddy</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, aqui, os incentivos da criação são bem familiares. Emma assistiu </span><a href="https://www.queridocinefilo.com/post/palo-alto"><i><span style="font-weight: 400;">Palo Alto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> muitas vezes enquanto elaborava </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;">, ressaltando que nunca conheceu uma obra tão certeira em retratar a sufocante e debilitante natureza das inseguranças das mulheres jovens. Os longas de </span><a href="https://blogdoims.com.br/o-cinema-visceral-de-john-cassavetes/"><span style="font-weight: 400;">John Cassavetes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os </span><i><span style="font-weight: 400;">thrillers</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicológicos, como </span><a href="https://prensa.li/prensa/cisne-negro-entre-perfeicao-e-loucura/"><i><span style="font-weight: 400;">Cisne Negro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também ajudaram a construir o roteiro do filme. Outras inspirações vieram de </span><i><span style="font-weight: 400;">Krisha</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Transparent</span></i><span style="font-weight: 400;">, produções que exploram da comédia ao drama. Esses reflexos são muito evidentes nos fluxos e variantes entre pânico e ironia, presentes nas catarses da diretora.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Para muitas mulheres jovens, tentar serem meninas legais com carreiras seguras à frente enquanto ainda tentam ser independentes e ter liberdade sexual pode ser um caminhar para insanidade. Espero que elas consigam assistir esse filme e se sentirem vistas em suas inseguranças e reconhecidas por suportarem as pressões contraditórias e sufocantes pelas quais precisam passar. Espero que consigam encontrar um pouco de humor e alívio nessa história</span><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; <a href="https://womenandhollywood.com/tiff-2020-women-directors-meet-emma-seligman-shiva-baby/"><em>Emma Seligman em </em><em>entrevista para </em><em>a</em> Women and Hollywood</a></span></p></blockquote>
<figure id="attachment_25690" aria-describedby="caption-attachment-25690" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25690" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-800x335.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e apresenta o pai de Danielle, a própria Danielle e a mãe dela, respectivamente. O pai da jovem é branco e parcialmente calvo, com cabelos castanhos e grisalhos também em sua barba. Ele veste camisa azul, gravata vermelha com desenhos verdes e terno ocre. Danielle, uma menina branca, usa camisa branca e seu cabelo castanho preso em um coque de franjas soltas. A mãe da garota, uma mulher branca, tem cabelos castanhos até os ombros, combinando óculos e vestido de mangas longas, ambos pretos. Ao fundo, a ambientação de uma casa de visual familiar, onde ocorre a shivá na qual os personagens participam." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25690" class="wp-caption-text">Mesmo tendo estreado recentemente, Shiva Baby é clássico ao abordar o amadurecimento (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cineasta ainda exalta que sempre teve a preocupação de </span><a href="https://twitter.com/mrwillw/status/1306927587470594048?s=21"><span style="font-weight: 400;">escalar artistas judeus</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o elenco, mas que não necessariamente precisava de uma totalidade. A própria escalação de Dianna Agron é um pouco controversa: uma atriz judia que, mesmo assim, atua como a única personagem que não participa da religião. </span><a href="https://www.refinery29.com/en-gb/2020/09/10022022/shiva-baby-movie-tiff-jewish-sugar-daddy"><span style="font-weight: 400;">Nas palavras da própria diretora</span></a><span style="font-weight: 400;">, o mais importante era que ela sentisse conexão entre os atores e personagens, uma compreensão entre a mensagem da história e quem deveria interpretá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Dianna, Danny Deferrari e Molly Gordon completam o elenco contracenando com momentos dolorosos e divertidos. O destaque, entretanto, está nas mãos de Rachel Sennott, que lidera a </span><a href="https://biblioteca.pucrs.br/curiosidades-literarias/voce-sabe-o-que-e-mise-en-scene/"><i><span style="font-weight: 400;">mise-en-scène</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com destreza. É possível compreender seus sentimentos mesmo sem uma única palavra sendo dita. Nervosismo, vergonha, ódio, incômodo </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> são algumas das diversas emoções perfeitamente traduzidas pela atriz. </span></p>
<figure id="attachment_25686" aria-describedby="caption-attachment-25686" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25686" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-5-3-800x610.jpg" alt="Fotografia do elenco do filme Shiva Baby, tirada nos bastidores. A imagem retrata seis atores posando nos degraus de uma escada, três estão à frente, três atrás. Todos estão sorrindo. Atrás, da esquerda para a direita, estão Polly Draper, Fred Melamed e Danny Deferrari. Polly é uma mulher branca, que tem os cabelos castanhos, lisos, cortados na altura dos ombros. Ela usa óculos e uma camisa preta. Fred é um homem na casa dos 60 anos, branco, calvo, que usa barba e óculos. Por fim está Danny. Ele é um homem branco, alto, que tem barba e cabelos castanhos e enrolados. Usa terno e gravata. Na frente, da esquerda para a direita, estão Molly Gordon, Rachel Sennott e Dianna Agron. Molly é uma mulher jovem, branca, de cabelos lisos e castanhos, que vão até um pouco abaixo dos ombros. Ela usa um vestido preto e tem as mãos entrelaçadas na frente do corpo. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas as mechas de sua franja estão soltas. Ela usa uma camisa branca e uma saia preta. Dianna, por sua vez, é uma mulher branca, na casa dos 30 anos. Ela tem cabelos lisos e loiros e usa um vestido preto, sem mangas." width="800" height="610" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-5-3-800x610.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-5-3-768x585.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-5-3.jpg 828w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25686" class="wp-caption-text">A <a href="https://personaunesp.com.br/tag/dramedia/">hibridização de gêneros cinematográficos</a> em Shiva Baby torna a obra leve e reconfortante, caótica e dramática (Foto: Instagram <a href="https://www.instagram.com/p/CFSUYNChAkI/">@shivababymovie</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama do filme também instala uma </span><a href="https://www.talkhouse.com/how-rachel-sennott-changed-my-life/"><span style="font-weight: 400;">ansiedade inebriante</span></a><span style="font-weight: 400;">, que induz a uma atmosfera conhecida: a representação sufocante da família. Como se já não bastassem os questionamentos internos, a protagonista é constantemente obrigada a lidar com o desconforto de pais invasivos, que enxergam a proximidade afetiva com a filha como premissa para tomarem decisões por ela. A </span><a href="https://ew.com/movies/shiva-baby-exclusive-trailer/"><span style="font-weight: 400;">saturação mental</span></a><span style="font-weight: 400;"> a qual Danielle é conduzida ao longo da narrativa encontra sua força motriz nesse empenho exacerbado em exigir da garota mais do que ela pode ou deve confabular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As situações que </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega se desenrolam em aleatoriedades constrangedoras, realizadas com fluidez. O longa também evoca </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-59307240"><span style="font-weight: 400;">risos de desespero</span></a><span style="font-weight: 400;">, constrangimento e preocupação pela protagonista. Beirando a insanidade, os diálogos são muito realistas, mobilizando a perturbação e o alívio a atingem o espectador com punhaladas emocionais, diluídas e pontuais. </span></p>
<figure id="attachment_25691" aria-describedby="caption-attachment-25691" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25691" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/gif-1-imagem-6.gif" alt="Gif do filme Shiva Baby. Ele retrata uma cena do filme em que Danielle, sua família, Maya e a família de Max estão dentro de um mesmo carro. Todos estão em dois bancos traseiros. Em um primeiro momento, o gif mostra Kim, à esquerda, e Max sentado ao seu lado no carro, à direita, segurando um bebê que chora no colo. Eles são interpretados respectivamente por Dianna Agron e Danny Deferrari. Dianna é uma mulher branca, na casa dos 30 anos. Ela tem cabelos lisos e loiros. Seu rosto é fino e ela carrega uma expressão de ansiedade. Danny é um homem branco, alto, que tem barba e cabelos castanhos e enrolados. Ele usa terno e gravata e aparenta estar tranquilo enquanto tenta consolar o bebê. Em um segundo momento, o gif corta para a imagem de três pessoas sentadas no banco atrás do casal. Da direita para a esquerda estão as jovens Maya e Danielle e, por último, Maureen, uma senhora idosa. Maya é interpretada por Molly Gordon. Molly é uma mulher jovem, branca, de cabelos lisos e castanhos, que vão até um pouco abaixo dos ombros. No Gif ela olha para baixo e depois dá um pequeno sorriso. Danielle é interpretada por Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas as mechas de sua franja estão soltas. Ela está com a maquiagem dos olhos borrada e olha fixamente para baixo enquanto dá um suspiro e também sorri. Maureen é o papel de Sondra James, uma senhora de cabelos cacheados e castanhos que está dormindo no banco. " width="800" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-25691" class="wp-caption-text">O título do filme faz referência tanto a Danielle quanto a Rose, o bebê levado para a shivá (GIF: <a href="https://everythingdaily.tumblr.com/post/654819835939815424/shiva-baby-2020-dir-emma-seligman">Everything Daily</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os acontecimentos são sucedidos praticamente em tempo real e na </span><a href="https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/5-filmes-com-roteiros-impecaveis-e-que-se-passam-em-um-unico-cenario/"><span style="font-weight: 400;">mesma localidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo ocorre quase inteiramente em um velório, dentro de uma casa, o que contribui para a ideia de claustrofobia e reforça o aprisionamento de Danielle na tribulação em questão. Assim, pela variedade de gêneros cinematográficos abordados e produções tidas como base para a concepção do longa, o trabalho de gravação e montagem (a cargo de Hanna A. Park) precisou ser </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HI7nrlZMt94&amp;t=2s"><span style="font-weight: 400;">minuciosamente desenvolvido</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O uso de </span><a href="https://www.primeirofilme.com.br/site/o-livro/niveis-da-linguagem-cinematografica/"><span style="font-weight: 400;">planos subjetivos</span></a><span style="font-weight: 400;"> marca a fotografia de Maria Rusche. As proximidades datadas por ela são íntimas o bastante para refletir, no público, as emoções afloradas em tela. Nos conectamos com a angústia, a raiva e o medo </span><a href="https://scriptmag.com/reviews/understanding-screenwriting-leftovers"><span style="font-weight: 400;">através dos olhos de Danielle</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que são eles que comandam os cortes de cena. Por se aproximar tanto do espectador, a angulação de câmera ainda o equipara às dúvidas e aos anseios da protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QIloMJ4kPDQ"><span style="font-weight: 400;">Ariel Marx</span></a><span style="font-weight: 400;"> merece destaque igualmente. Toda a </span><a href="https://www.aicinema.com.br/por-que-a-trilha-sonora-no-cinema-faz-toda-a-diferenca-entenda/"><span style="font-weight: 400;">musicalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é pensada para coreografar a versatilidade dos momentos ao ambiente tensional e não deixar de fisgar quem assiste. Esse conjunto desencadeia a empatia televisiva, o humor em situações bizarras e o suor da ebulição caótica. Afinal, dançar conforme a música é um dos fantasmas de Danielle.</span></p>
<figure id="attachment_25685" aria-describedby="caption-attachment-25685" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25685" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-800x335.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular. Ela retrata em um plano fechado os rostos de Kim, à esquerda, e Max, à direita, um pouco mais atrás de Kim, mas ainda bastante próximo dela. Eles são interpretados respectivamente por Dianna Agron e Danny Deferrari. Dianna é uma mulher branca, na casa dos 30 anos. Ela tem cabelos lisos e loiros. Seu rosto é fino e ela usa um brinco dourado. Danny é um homem branco, alto, que tem barba e cabelos castanhos e enrolados. Ele usa terno e gravata. O fundo está desfocado e um pouco trêmulo, mas é possível ver um abajur atrás de Kim. O abajur emite uma luz laranja-avermelhada que ilumina os rostos do casal. " width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25685" class="wp-caption-text">Risos precisam de timing assim como sustos: a atmosfera criada é tão bem orquestrada que drama e comédia funcionam de forma excepcional (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A complexa mira assertiva da tecnicidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;"> não contribui apenas para figurar morte, adultério e as muitas formas de independência buscadas por Danielle em </span><a href="https://www.girlsontopstees.com/read-me/2020/9/19/shivas-sugaring-and-sexual-validation-in-conversation-with-emma-seligman-on-shiva-baby"><span style="font-weight: 400;">apreensão cênica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Temas como maternidade e distúrbios alimentares conseguem ser sutilmente aproximados e lançados com inteligência, considerando o espaço disponível para outras importâncias no conjunto. E tratar de </span><a href="https://aframe.oscars.org/news/post/sugar-baby-at-a-shiva"><span style="font-weight: 400;">tópicos tão distintos e relevantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem pecar pela banalidade de discursos prontos ou pelo esgotamento criativo, é uma dádiva que Seligman soube alcançar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma realidade tão exaustiva e controladora, a produção também surpreende pelo espectro escolhido para </span><a href="https://slate.com/culture/2020/11/shiva-baby-emma-seligman-bisexual-representation.html"><span style="font-weight: 400;">retratar a sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. O vínculo entre Danielle e Maya é ressuscitado com muita naturalidade, primeiramente pelos ataques rancorosos de orgulhos feridos, e posteriormente pela paixão remanescente. E, no leque de dúvidas e preocupações da protagonista, sua bissexualidade jamais participa. O amor nutrido por Maya é um dos poucos </span><a href="https://www.queermediamatters.com//post/outfest-2020-a-young-woman-confronts-her-past-and-present-in-the-very-funny-shiva-baby"><span style="font-weight: 400;">refúgios guardados</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela personagem de Sennott, o que o torna o que precisa ser: admirável, consolador, livre.</span></p>
<figure id="attachment_25692" aria-describedby="caption-attachment-25692" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25692" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/gif-2-imagem-8.gif" alt="Gif do filme Shiva Baby. Ele é retangular e mostra uma cena do filme em que as personagens Danielle e Maya se beijam. Maya está à esquerda da câmera e Danielle à direita. Maya é interpretada por Molly Gordon, que é uma mulher jovem, branca, de cabelos lisos e castanhos, que vão até um pouco abaixo dos ombros. No Gif Danielle a surpreende com um beijo e ela a abraça. Danielle é interpretada por Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas as mechas de sua franja estão soltas." width="800" height="336" /><figcaption id="caption-attachment-25692" class="wp-caption-text">A química entre Danielle e Maya é quase instantânea, fato engraçado já que as atrizes <a href="http://www.solzyatthemovies.com/2020/09/14/toronto-2020-emma-seligman-talks-shiva-baby/">só se conheceram um dia antes das filmagens começarem</a> (GIF: <a href="https://shesnake.tumblr.com/post/631867503031812096/shiva-baby-2020-dir-emma-seligman">She Snake</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://dmtalkies.com/shiva-baby-summary-analysis-ending-2021-film/"><span style="font-weight: 400;">panorama geral</span></a><span style="font-weight: 400;"> induz à idealização de uma combustão sem precedentes, conforme o longa caminha para seu clímax: pancadaria, gritos e até uma casa em chamas. Mas a explosão simplesmente não acontece, e o filme esboça mais um riso no espectador. Todas as </span><a href="https://youtu.be/sPq1rX11KSQ"><span style="font-weight: 400;">irregularidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, visíveis ou não, se chocam na van que abriga os personagens principais ao término da narrativa. Com os esperneios permanentes da bebê Rose tilintando pelas janelas do automóvel, presenciamos o desfecho sabendo que não foi a decisão mais expressiva para o momento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, apesar de omitir a merecida exploração dos minutos finais, a obra mantém regularmente sua proposta central junto à efervescência descompassada. Uma combinação eficaz para vivificar o enredo, principalmente aos </span><a href="https://www.thetimes.co.uk/article/shiva-baby-review-comedy-of-errors-with-sweetly-psychotic-undertow-6z22jp5l9"><span style="font-weight: 400;">olhos da crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Grande parte da </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/jun/09/shiva-baby-review-black-comedy-is-a-festival-of-excruciating-embarrassment"><span style="font-weight: 400;">aclamação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;"> também é fruto da representação judaica e bissexual condizente e capaz de fazer públicos de fora dessas comunidades entenderem a trama e se interessarem por ela.</span></p>
<figure id="attachment_25693" aria-describedby="caption-attachment-25693" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25693" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-800x400.jpeg" alt="Fotografia dos bastidores do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e retrata a atriz Rachel Sennott e a diretora Emma Seligman conversando. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas as mechas de sua franja estão soltas. Ela usa um blazer preto e aparece um pouco de costas para a câmera enquanto fala com a diretora. Emma é uma mulher branca, jovem, que tem cabelos castanhos escuros, longos e ondulados. Ela usa uma camiseta branca e equipamentos de som presos ao seu corpo, além de um fone de ouvido pendurado no pescoço. Atrás delas está um carro preto estacionado na rua." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-800x400.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-768x384.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-1200x600.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9.jpeg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25693" class="wp-caption-text">Os embates juvenis de Shiva Baby, em um mundo paralelo, poderiam ser descritos como a linha tênue entre os <a href="https://youtu.be/Azqv46WFxZE">anseios melancólicos</a> de SZA e o <a href="https://youtu.be/DyDfgMOUjCI">vigor rebelde</a> de Billie Eilish (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Emma Seligman como diretora acontece em </span><a href="https://mulhernocinema.com/entrevistas/emma-seligman-fala-sobre-inspiracoes-e-desafios-da-celebrada-comedia-indie-shiva-baby/"><span style="font-weight: 400;">turbulências de veias cômicas e incômodas</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que torna seu trabalho ainda mais profundo e cuidadoso. Escancarando tabus e fundindo estilos cinematográficos, a canadense não se desilude em mesmices e usa sua criatividade para contabilizar novas trajetórias na indústria. Em suma, nem mesmo o fim pouco chocante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;"> desperdiça a imersão impactante que ele consegue produzir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhamos na trama porque, buscando a racionalidade ou tropeçando em melodramas, todos compartilhamos do caos que constrói Danielle. A </span><a href="http://atl.clicrbs.com.br/infosfera/2018/05/25/porque-amamos-um-personagem/"><span style="font-weight: 400;">identificação</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a protagonista transita por muitas camadas, mas termina no mesmo lugar: a miscelânea emocional que é a juventude. Muitas experiências nos perpassam e, em certo ponto, precisamos escolher quais nos moldarão de verdade. No final do dia, somos o que somos e lutamos para que continue a ser assim. Pode não ser obrigatoriamente reconfortante, mas te lembra que está vivo. Aqui ou em um shivá, existe algo mais tragicômico que isso?</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Shiva Baby Trailer #1 (2021) | Movieclips Indie" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3y9Da-91t-I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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