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	<title>Arquivos Música Modernista &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O folclore sou eu: Heitor Villa-Lobos e a Música Modernista</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Feb 2022 19:10:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na Semana de 1922, o maestro já demonstrava seu esforço em trazer elementos do folclore brasileiro à Música Clássica Bruno Andrade No dia 17 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo, o público acomodou-se de forma lenta e espaçada, aguardando a apresentação de um músico carioca, tido como o mais conceituado da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O folclore sou eu: Heitor Villa-Lobos e a Música Modernista"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Na Semana de 1922, o maestro já demonstrava seu esforço em trazer elementos do folclore brasileiro à Música Clássica</em></p>
<figure id="attachment_26040" aria-describedby="caption-attachment-26040" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-26040 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1.jpg" alt="Foto em preto e branco do maestro Heitor Villa-Lobos. Na foto, Heitor Villa-Lobos está sentado em um piano, com a mão direita sobre as teclas, inclinado à lateral, com a cabeça virada para a direita. Ele está com um charuto na boca. Villa-Lobos é um homem branco, veste um terno de cor cinza com listras de cor branca e possui cabelos pretos e lisos com mechas grisalhas. O piano é de cor preta." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26040" class="wp-caption-text">Tido como o principal musicista da Semana de Arte Moderna, Heitor Villa-Lobos teve repercussão internacional, marcando-o como o maior maestro e compositor clássico brasileiro (Foto: Acervo Museu Villa-Lobos)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 17 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo, o público acomodou-se de forma lenta e espaçada, aguardando a apresentação de um músico carioca, tido como o mais conceituado da </span><a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2022/02/11/semana-de-arte-moderna-de-22-reportagens-e-documentarios-mostram-legado-do-movimento-cultural-em-sao-paulo-e-no-brasil.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Semana de Arte Moderna</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um dos maestros brasileiros mais promissores já à época do evento. O musicista fazia parte de três dias da programação da Semana, e, ao ser convidado para integrá-la, estava às vésperas de completar 35 anos. Para sua estreia no palco paulistano, ele selecionou o que de mais representativo havia produzido em </span><a href="https://souzalima.com.br/blog/o-que-e-musica-de-camara/"><span style="font-weight: 400;">música de câmara</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos anteriores. Não demorou para que o compositor, vestindo casaca e calçando, em um pé, sapato, e, no outro, chinelo, surgisse no palco, seguido por vaias e urros de negação. A plateia havia interpretado o uso do chinelo como puro desrespeito; aparentemente, era apenas um machucado no dedão – mas pode bem ser que não fosse. De qualquer forma, o espetáculo pôde enfim começar: </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa11902/heitor-villa-lobos"><span style="font-weight: 400;">Heitor Villa-Lobos</span></a><span style="font-weight: 400;"> chegou.</span></p>
<p><span id="more-26038"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido em 5 de março de 1887, no Rio de Janeiro, Villa-Lobos teve sua consagração através de um esforço em integrar elementos nacionalistas e ritmos ligados à cultura afro-brasileira e indígena, jogando luz a uma faceta da cultura nacional que muitas vezes mantinha-se à margem dos musicistas clássicos. Em suas obras maiores, atingiu um tom ufanista, e misturou complexos padrões rítmicos da Música brasileira com multi-tonalidade, influenciado por </span><a href="https://www.concerto.com.br/noticias/arquivo/acervo-concerto-vida-de-igor-stravinsky"><span style="font-weight: 400;">Stravinsky</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://musicabrasilis.org.br/temas/darius-milhaud-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">Milhaud</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, combinou elementos da Música popular e da tradição musical europeia, impulsionando, invariavelmente, o Brasil na rota da Música Clássica do século XX.</span></p>
<figure id="attachment_26041" aria-describedby="caption-attachment-26041" style="width: 1197px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-26041 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2.jpg" alt="Foto em preto e branco do maestro Heitor Villa-Lobos. Na foto, Heitor Villa-Lobos está regendo uma orquestra. Na mão direita, segura uma batuta de maestro, de cor branca, enquanto a mão esquerda faz um gesto de regência. Ele está vestindo um terno de cor preta. Villa-Lobos é um homem branco, e possui cabelos pretos com mechas grisalhas, em decorrência do tempo. O fundo da imagem é preto." width="1197" height="1266" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2.jpg 1197w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2-756x800.jpg 756w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2-968x1024.jpg 968w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2-768x812.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26041" class="wp-caption-text">Villa-Lobos contrariou a vontade de sua mãe ao entrar na escola de Música, pois seu desejo era que ele se tornasse médico (Foto: Acervo Museu Villa-Lobos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Falar de Villa-Lobos apresenta algumas dificuldades elementares, visto que sua vasta produção musical possui mais de mil obras, e algumas </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/pesquisador-encontra-obra-de-villa-lobos-dos-anos-1930-considerada-perdida/"><span style="font-weight: 400;">sequer foram executadas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao mesmo tempo, mistura-se às dificuldades encontradas em analisar a Semana de Arte Moderna, como a ausência de documentos sobre o evento e a forma destoante que foi interpretado pela sociedade. Durante a Semana, o músico se apresentou em três dias (13, 15 e 17), cujo </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60321269"><span style="font-weight: 400;">episódio marcante</span></a><span style="font-weight: 400;"> – em que surgiu no palco calçando um chinelo solitário – ocorreu somente no terceiro dia de apresentações, com a sala do Theatro Municipal mais vazia que nos dias anteriores. O jeito irreverente do compositor – era chamado pejorativamente de </span><i><span style="font-weight: 400;">“Vira-Loucos” </span></i><span style="font-weight: 400;">– põe em dúvida a existência da possível lesão no pé, mas de nenhuma forma descarta a possibilidade. Ilustra, porém, muito da personalidade de Villa-Lobos: ele foi a junção do popular e do erudito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu pai, Raul Villa-Lobos, foi um bibliotecário e músico amador, que deu o pontapé inicial para introduzir o filho à Música Clássica, após perceber seu talento natural. Aos 6 anos de idade, Heitor já havia aprendido a tocar clarinete e violoncelo, sob supervisão do pai. Não muito tempo depois, quando o futuro maestro tinha apenas 12 anos, Raul faleceu, vítima de malária. Concomitante à morte paterna, a mãe de Villa-Lobos, Noêmia, instituiu regras bastante claras contra os interesses musicais do filho, e declarou que ele deveria se tornar médico. A História diz que, após Villa-Lobos ser proibido de tocar violão – outra de suas paixões –, passou a fugir pela noite para frequentar as rodas de </span><a href="https://musicabrasilis.org.br/temas/choro"><i><span style="font-weight: 400;">choro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (nesse caso, além da proibição imposta na casa, havia também o preconceito, visto que a Música popular ainda tinha a pecha de ser dominada pelas classes mais baixas), e aprimorou-se silenciosamente no instrumento, o qual mantinha escondido embaixo da cama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das milhares de composições de Heitor Villa-Lobos, destacam-se as 11 sinfonias, três óperas e 18 peças para quarteto de cordas, criadas sob influência do </span><i><span style="font-weight: 400;">choro</span></i><span style="font-weight: 400;"> – ou </span><i><span style="font-weight: 400;">chorinho </span></i><span style="font-weight: 400;">–, gênero de Música popular e instrumental, com origem carioca em meados do século XIX, cuja personalidade de maior renome foi </span><a href="https://ims.com.br/titular-colecao/pixinguinha/"><span style="font-weight: 400;">Pixinguinha</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1897-1973). Ele também compôs nove obras intituladas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EqCj0gkbBMs&amp;ab_channel=CulturaOccidentale"><i><span style="font-weight: 400;">Bachianas Brasileiras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, entre 1930 e 1945, que combinam as influências da Música brasileira e do neo-barroco, especialmente de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/21/cultura/1553148804_091725.html"><span style="font-weight: 400;">Johann Sebastian Bach</span></a><span style="font-weight: 400;">, como seu título sugere. Nessas </span><a href="https://classicos.mus.br/generos.htm"><span style="font-weight: 400;">suítes</span></a><span style="font-weight: 400;">, Villa-Lobos fundiu de forma intensa material folclórico brasileiro – em especial a </span><a href="https://musicalidades.com.br/diferenca-musica-caipira-e-sertaneja/"><span style="font-weight: 400;">música caipira</span></a><span style="font-weight: 400;"> – à elementos clássicos, transformando esse trabalho em uma de suas principais obras. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KTKVgaY56NI&amp;ab_channel=Osesp-OrquestraSinf%C3%B4nicadoEstadodeS%C3%A3oPaulo"><i><span style="font-weight: 400;">O Trenzinho Caipira</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parte final das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=A_KjasIEtC0&amp;ab_channel=Villa-LobosChannel"><i><span style="font-weight: 400;">Bachianas No. 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é um de seus trabalhos mais populares.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Bachianas Brasileiras No. 4 • Villa-Lobos • São Paulo Symphony Orchestra" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IKjCiENbWoU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de sua apresentação na Semana de Arte Moderna – e uma estadia em Paris, de 1923 a 1925 –, sua música sofreu mudanças significativas. Na França, Villa-Lobos encontra uma vanguarda musical que contesta as ideias de </span><a href="https://classicosdosclassicos.mus.br/compositores/claude-debussy/"><span style="font-weight: 400;">Claude Debussy</span></a><span style="font-weight: 400;"> – Darius Milhaud faz parte desse grupo –, cujo interesse cultural estava lentamente transicionando para o surrealismo e o extravagante, o que influenciou o músico a apostar em formatos distantes do conservadorismo que dominava as composições clássicas. Um instrumento que ganhou destaque em muitas realizações do músico pós-Semana</span> <span style="font-weight: 400;">foi o saxofone. Ele próprio tocava clarinete e eventualmente tocava o sax. Um de seus amigos de infância, </span><a href="https://musicabrasilis.org.br/compositores/anacleto-de-medeiros"><span style="font-weight: 400;">Anacleto de Medeiros</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi um exímio saxofonista, colaborando em muitos dos trabalhos de Villa-Lobos, os quais resultaram em uma quantidade considerável de música de câmara para o instrumento, além de obras orquestrais, como a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9PbQtnubBvM&amp;ab_channel=WelleszTheatre."><i><span style="font-weight: 400;">Sinfonia No. 4</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a qual pede um quarteto de saxofones.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, embora fosse importante para Villa-Lobos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8mFKTOQ9LLw&amp;ab_channel=Villa-LobosChannel"><i><span style="font-weight: 400;">Fantasia</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">para saxofone soprano e pequena orquestra</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é seu único trabalho </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o instrumento. A obra foi composta em 1948, e dedicada ao saxofonista francês Marcel Mule, o qual Villa-Lobos conheceu ainda em Paris. A composição foi iniciada em Nova York mas concluída somente no Rio de Janeiro, ao final daquele ano. Mule nunca chegou a tocar </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantasia</span></i><span style="font-weight: 400;">, alegando dificuldades devido a tonalidade exigir notas fora da </span><a href="https://souzalima.com.br/blog/o-que-e-tessitura/"><span style="font-weight: 400;">tessitura</span></a><span style="font-weight: 400;"> do saxofone. Foi, portanto, Waldemar Szpilman, um saxofonista polonês que se mudou para o Brasil em 1925, que estreou a obra como solista, no Rio de Janeiro, em 1951. Um fato curioso é que Waldemar era primo de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/wladyslaw-szpilman-incrivel-historia-real-por-tras-de-o-pianista.phtml"><span style="font-weight: 400;">Władysław Szpilman</span></a><span style="font-weight: 400;">, o pianista que de forma milagrosa sobreviveu em Varsóvia durante a Segunda Guerra Mundial, como relatado nas memórias que originaram </span><a href="https://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/analise-perseguicao-aos-judeus-atraves-filme-pianista.htm"><i><span style="font-weight: 400;">O Pianista</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2002), filme que rendeu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Melhor Ator para </span><a href="https://personaunesp.com.br/pepequeno-critica/"><span style="font-weight: 400;">Adrien Brody</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas o mais interessante é que, paradoxalmente, após a viagem à França, Villa-Lobos entende que precisa deixar de lado as influências francesas, vistas com muito esmero pela aristocracia brasileira à época – as </span><i><span style="font-weight: 400;">Bachianas </span></i><span style="font-weight: 400;">surgem daí, num esforço em apontar Bach no cenário folclórico brasileiro.</span></p>
<figure id="attachment_26043" aria-describedby="caption-attachment-26043" style="width: 1772px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26043 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3.jpg" alt="Foto em preto e branco do maestro Heitor Villa-Lobos. Na foto, Heitor Villa-Lobos está olhando diretamente para a câmera, com seu rosto apoiado em sua mão esquerda. Na mão, há um anel de cor cinza em seu dedo mindinho. Ele está com um charuto de cor cinza na boca, e veste uma camisa social de cor branca. Villa-Lobos é um homem branco, e possui cabelos pretos e lisos com mechas grisalhas, em decorrência do tempo." width="1772" height="1215" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3.jpg 1772w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-800x549.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-1024x702.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-768x527.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-1536x1053.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-1200x823.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26043" class="wp-caption-text">5 de março é oficialmente o Dia Nacional da Música Clássica, em homenagem a Heitor Villa-Lobos (Foto: Acervo Museu Villa-Lobos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro personagem musical relevante na Semana de Arte Moderna – naturalmente ofuscado por seu trabalho de poeta e romancista –, foi </span><a href="https://www.amazon.com.br/Macuna%C3%ADma-Her%C3%B3i-Sem-Nenhum-Car%C3%A1ter/dp/6586490472/ref=asc_df_6586490472/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379715911398&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=8134830901215436604&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=9100699&amp;hvtargid=pla-1785663324432&amp;psc=1"><span style="font-weight: 400;">Mário de Andrade</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1893-1945). Além de escritor, Andrade foi musicólogo, crítico musical e um relevante compositor, atuando como professor de Música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo (CDMSP). Alguns de seus poemas, em especial os da coletânea </span><a href="https://www.infoescola.com/livros/pauliceia-desvairada/"><i><span style="font-weight: 400;">Paulicéia Desvairada</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1922), desenvolvem-se com a utilização livre das métricas, e, por conseguinte, traçam certos ideais musicais, visto que se desprendem da estrutura formal a qual vinha sendo produzida a poesia brasileira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alinhado com Villa-Lobos, o escritor defendia que a pesquisa do </span><a href="https://personaunesp.com.br/cidade-invisivel-critica/"><span style="font-weight: 400;">folclore brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> deveria ser a principal fonte temática e técnica dos músicos eruditos – pelo menos daqueles que se propunham a criar uma música </span><i><span style="font-weight: 400;">verdadeiramente</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileira</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, ambos os autores ganharam notoriedade como os principais integrantes da Semana que vislumbraram um novo projeto de cultura nacional através da Música.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O folclore, na concepção mais ou menos uniforme desses autores, manifesta-se como o conjunto de relações que se originam de provérbios, histórias, danças e junção das religiões, além de elementos da música de rua. Não seria absurdo afirmar que, no fundo, a ideia defendida por Villa-Lobos e Mário de Andrade era a de que a cultura popular deveria ser o principal motor de identificação artística dos brasileiros, deixando em segundo plano as referências internacionais. Estendendo ao todo, essa também foi uma reivindicação dos demais </span><a href="https://www.todamateria.com.br/modernismo-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">modernistas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bachianas Brasileiras No. 1 • Villa-Lobos • Berlin Philharmonic" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/R0us7Zof_a0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Villa-Lobos demorou a ser consenso, e uma parcela da crítica interpretou as referências folclóricas de suas obras como apropriações; à época, esses críticos não estavam preocupados com as questões identitárias imprescindíveis a acusação, mas tinham o intuito de apontar uma falta de originalidade do compositor. Para </span><a href="http://osesp.art.br/ensaios.aspx?Ensaio=25"><span style="font-weight: 400;">Leopoldo Waizbort</span></a><span style="font-weight: 400;">, professor do Departamento de Sociologia da USP, Heitor Villa-Lobos não incorporou apenas elementos indígenas em suas composições, mas também os defeitos de gravação registrados nos </span><a href="https://amar.art.br/fonogramas-o-que-e-como-cadastrar/"><span style="font-weight: 400;">fonogramas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dessa forma, não seria a música indígena que estaria sendo reproduzida, mas havia, sim, algo criado a partir dela. Aí encontra-se a originalidade: a partir de elementos folclóricos, obras totalmente novas foram concebidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No documentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3WNDf03560c&amp;t=1518s&amp;ab_channel=fabianoborges"><i><span style="font-weight: 400;">Villa-Lobos: O Índio de Casaca</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1987), dirigido por Roberto Feith e produzido pela Rede Manchete, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tlp8iY4g--4&amp;list=RDEMaSNlR4D39GSTw_9snvHBGQ&amp;start_radio=1&amp;ab_channel=AntonioCarlosJobim-Topic"><span style="font-weight: 400;">Tom Jobim</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece reverenciando Villa-Lobos e demonstrando seu débito com o maestro. Nos trechos, Jobim relata os encontros que manteve com o compositor em sua residência, nos quais observava suas produções caóticas, sempre cercado por barulhos diversos – dos sons altos que saiam da TV aos músicos que ensaiavam na sala da casa. Não é difícil entender que, para Villa-Lobos, os ruídos internos e externos seguiam por caminhos diferentes, e, talvez, fossem unificados somente no resultado final de suas obras. Em seus últimos anos, Heitor Villa-Lobos consolidou-se como uma figura de importância na divulgação da Música, e seu projeto orfeônico de educação musical, iniciado ainda nos 1930, não terminou com sua morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As partituras de Villa-Lobos revelam que, além da preocupação com uma identidade nacional, mantinha-se uma inquietação quanto aos procedimentos que se tornavam acadêmicos, destituídos de significação para a música cotidiana. Um dos legados do maestro foi introduzir, na Música Clássica brasileira, uma ruptura, na qual foram promovidas ideias revolucionárias que, à época, soaram absurdas. Esse rompimento foi totalmente absorvido pelos movimentos contraculturais no Brasil, em especial o </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/tropicalismo.htm"><span style="font-weight: 400;">Tropicalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seus ideais foram tão difundidos que é difícil não enxergar Villa-Lobos em toda a Música brasileira – ele está na </span><a href="https://personaunesp.com.br/maria-rita-elo-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">MPB</span></a><span style="font-weight: 400;">, na </span><a href="https://personaunesp.com.br/infinito-particular-e-universo-ao-meu-redor-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">Bossa Nova</span></a><span style="font-weight: 400;">, e até nos atos de revolta de bandas de </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/musica/noticia/2016/06/em-show-dado-villa-lobos-interpreta-obras-de-seu-tio-avo-5860657.html"><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">nacionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> (considerando, também, que o musicista possui uma extensa composição para instrumentos de corda, inclusive o violão). </span><span style="font-weight: 400;">No entanto, a maneira mais fácil de prestar homenagem a Villa-Lobos é imaginar o quanto o Brasil teria sido mais pobre sem ele.</span></p>
<figure id="attachment_26044" aria-describedby="caption-attachment-26044" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26044 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-4.jpg" alt="Foto em preto e branco do maestro Heitor Villa-Lobos. Na foto, Heitor Villa-Lobos está sentado em um piano, tocando-o com as duas mãos. Ele está com um charuto na boca. Villa-Lobos é um homem branco, veste um roupão de cor preta, e possui cabelos pretos e lisos com mechas grisalhas, em decorrência do tempo. O piano é também de cor preta. " width="1000" height="661" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-4.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-4-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-4-768x508.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26044" class="wp-caption-text">Em 1945, Heitor Villa-Lobos fundou a Academia Brasileira de Música, sendo também o primeiro presidente da instituição (Foto: Acervo Museu Villa-Lobos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma viagem à Europa, ao ser questionado sobre as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=flqxy_ccU84&amp;ab_channel=IREETV"><span style="font-weight: 400;">influências folclóricas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em suas obras, Villa-Lobos respondeu, impaciente: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não uso o folclore, eu sou o folclore.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Essa afirmação aponta dois caminhos possíveis de interpretação: 1) como compositor brasileiro motivado pela criação de uma identidade cultural, sua própria história se entrelaça com a do folclore nacional, e suas obras podem ser vistas como continuações da cultura popular; 2) Villa-Lobos foi tão grande e inigualável a ponto de fazer, ele próprio, parte dos mitos que circundam o folclore brasileiro. Levando em conta o senso de humor característico do maestro e os motivos pelos quais refletimos sobre o seu legado 100 anos depois de sua apresentação na Semana de Arte Moderna, é bem provável que fosse a segunda opção.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Heitor Villa-Lobos e a Música Modernista" width="100%" height="380" style="[object Object]" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/4L2dTHIhb8jIUsSMphfYrc?si=4e530401b91740ee&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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