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	<title>Arquivos Melhor Fotografia em Programa de Não-Ficção &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Beckham: por trás de todo homem, nem sempre há uma Spice Girl</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Sep 2024 14:26:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Há muito tempo, dizem que por trás de todo homem há uma mulher. Beckham, série documental sobre um dos maiores jogadores de futebol da história da Inglaterra – e uma das figuras mais propagadas em campanhas globais para marcas gigantescas –, coloca a prova esse ditado. Demonstrando, também, que a razão pelo insucesso &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/beckham-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Beckham: por trás de todo homem, nem sempre há uma Spice Girl"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33987" aria-describedby="caption-attachment-33987" style="width: 1078px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6.png" alt="Fotografia de David e Victoria Beckham veiculada no documentário Beckham. Da esquerda para a direita na imagem, David e Victoria sorriem para a câmera que, por sua vez, os capturam a partir dos bustos. Ele é um homem branco de cabelos e olhos claros, enquanto ela é uma mulher branca de cabelos e olhos escuros. David veste um terno preto sobre uma camiseta azulada e uma gravata de estampa, já Victoria veste um vestido preto de manga longa. Ao fundo, o cenário é a vista de um camarote para um campo de futebol enorme, de grama bem verde." width="1078" height="599" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6.png 1078w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6-800x445.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6-1024x569.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6-768x427.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33987" class="wp-caption-text">Com o sucesso de Beckham, a Netflix já garantiu a produção de uma série documental sobre a Posh Spice (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há muito tempo, dizem que por trás de todo homem há uma mulher. </span><i><span style="font-weight: 400;">Beckham</span></i><span style="font-weight: 400;">, série documental sobre um dos maiores jogadores de futebol da história da Inglaterra – e uma das figuras mais propagadas em campanhas globais para marcas gigantescas –, coloca a prova esse ditado. Demonstrando, também, que a razão pelo insucesso de muitos seja, talvez, por não ter uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gJLIiF15wjQ&amp;pp=ygUHd2FubmFiZQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">Spice Girl</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Victoria Beckham em suas trajetórias.</span></p>
<p><span id="more-33986"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário coloca em evidência o papel da ‘Posh Spice’ na vida de David Beckham. Mais do que a sua âncora, ela também o guiou ao estrelato na indústria do entretenimento. Isso, sem nunca deixar os sonhos para trás pelo amor, ainda que tenha sacrificado a sua paz pelo bem-estar da família. Ao seu lado, o apoio dos pais dele e os conselhos do técnico mais vitorioso do esporte, Alex Ferguson, perdem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pquPK2bDJAI&amp;pp=ygUPYmVja2hhbSBuZXRmbGl6"><span style="font-weight: 400;">protagonismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Beckham</span></i><span style="font-weight: 400;">, qualquer empecilho é resolvido por ela.</span></p>
<figure id="attachment_33988" aria-describedby="caption-attachment-33988" style="width: 1074px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33988" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7.png" alt="Fotografia de Alex Ferguson e David Beckham veiculada no documentário Beckham. Da esquerda para a direita na imagem, Ferguson e Beckham sorriem para a câmera que, por sua vez, os capturam a partir das cinturas. Ambos são homens brancos de cabelos e olhos claros. Alex Ferguson veste um uma camiseta branca, gravata de estampa vermelha e preta, e uma calça cinza de linho. David Beckham veste um terno preto sobre uma camiseta branca e uma gravata de estampa vermelha. Eles estão assinando um contrato em uma mesa repleta de papelada. Ao fundo, o cenário é uma sala de reuniões." width="1074" height="601" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7.png 1074w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7-800x448.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7-1024x573.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7-768x430.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33988" class="wp-caption-text">O técnico de futebol Alex Ferguson tem 50 títulos na carreira, marco que o coloca entre os maiores da história do esporte (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inserido no </span><i><span style="font-weight: 400;">hall</span></i><span style="font-weight: 400;"> de talentos explorados pelo pai visionário desde os primeiros anos da infância, David Beckham esteve dividido entre a pressão constante e o acalento da mãe. Atrapalhando-se em campo quando a família não estava presente no estádio para assisti-lo, o seriado se distancia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HSC6htNW9co"><i><span style="font-weight: 400;">Neymar: O Caos Perfeito</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, outra produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Embora Beckham tenha seu próprio momento ‘</span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/fabia-oliveira/neymar-vira-piada-nas-redes-sociais-apos-assumir-traicao"><span style="font-weight: 400;">errei, fui moleque</span></a><span style="font-weight: 400;">’, quando aborda as supostas traições à ‘Posh Spice’ em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bolas de ouro</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do brasileiro, o atleta que defendeu o Manchester United e o Real Madrid teve pessoas que tentaram manter seus pés no chão. Alex Ferguson fez de tudo para que ele não desviasse a atenção para uma </span><i><span style="font-weight: 400;">popstar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em ascensão mundial ou mudasse completamente a aparência por causa de patrocinadores. Contudo, o esforço foi em vão, já que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G-n-PklEATo&amp;pp=ygUPYmVja2hhbSBuZXRmbGl6"><span style="font-weight: 400;">David Beckham</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a razão por revolucionar, a partir da década de 2000, a forma que o mundo consome jogadores de futebol.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a fusão das linhas que marcam o gramado do campo e as linhas-finas dos tablóides impressos, David e Victoria Beckham expõem o abuso da mídia britânica sem se fazerem apenas de </span><a href="https://www.newsweek.com/beckham-secures-award-win-evaded-harry-meghan-netflix-1950738"><span style="font-weight: 400;">vítimas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, mostram para </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry &amp; Meghan</span></i><span style="font-weight: 400;"> como se arquiteta um documentário merecedor de cinco indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy 2024</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sendo </span><a href="https://revistamonet.globo.com/series/noticia/2024/09/documentario-de-david-beckham-vence-emmy-e-astro-recebe-premio-por-chamada-de-video-queria-estar-ai.ghtml"><span style="font-weight: 400;">vencedor</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Série Documental ou de Não-Ficção, categoria não televisionada na noite principal.</span></p>
<figure id="attachment_33989" aria-describedby="caption-attachment-33989" style="width: 1079px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33989" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5.png" alt="Cena do documentário Beckham. Na imagem, David Beckham aparece olhando para algo atrás da câmera que, por sua vez, o captura a partir do busto. Beckham é um homem branco de cabelos e olhos claros. Ele veste uma camiseta de algodão branca de mangas longas e um relógio preto no pulso. Ele apoia um dos braços em uma mesa de madeira, em que também estão um candelabro e uma taça transparente. Ao fundo, desfocado, é possível notar que o cenário se trata da sala aconchegante da mansão da família Beckham. Raios de sol invadem a paisagem composta por uma lareira." width="1079" height="596" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5.png 1079w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-800x442.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-1024x566.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-768x424.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33989" class="wp-caption-text">O seriado levou o prêmio de Melhor Série Documental ou de Não-Ficção no Emmy 2024 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Através da câmera posicionada bem próxima dos entrevistados, capturando suas expressões faciais enquanto assistem aos momentos mais cruciais da vida do protagonista da narrativa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g8kN3-QP0lA"><span style="font-weight: 400;">Fisher Stevens</span></a><span style="font-weight: 400;"> realiza um trabalho comovente. Os episódios </span><i><span style="font-weight: 400;">O chute</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho de raiva</span></i><span style="font-weight: 400;"> são seu ápice no comando da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2UTpyq8fZWk"><span style="font-weight: 400;">direção</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por outro lado, Stevens deixa a emoção escapar de suas mãos justamente no </span><i><span style="font-weight: 400;">grand finale</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">A motivação de David</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa um gosto amargo por não elaborar o clímax.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando o assédio dos torcedores ingleses com uma sensibilidade essencial, </span><i><span style="font-weight: 400;">Beckham</span></i><span style="font-weight: 400;"> se esquiva apenas de polêmicas muito recentes, como a posição de embaixador da </span><a href="https://ge.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2022/09/01/beckham-e-duramente-criticado-por-promover-catar-em-comercial.ghtml#:~:text=O%20ex%2Djogador%20David%20Beckham,incr%C3%ADvel%20para%20passar%20uns%20dias."><span style="font-weight: 400;">Copa do Mundo FIFA</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2022, organizada no Catar, um país que desafia os direitos humanos. Mais do que uma jornada de superação de um ícone global, o seriado traz à tona a importância de uma mulher como Victoria Beckham, além de exibir como ambos orquestraram uma trajetória digna de série da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Série documental &quot;Beckham&quot; | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/laHKrJpK5l4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Para Andy Warhol, com amor.</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Aug 2022 14:28:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori As máquinas têm menos problemas. Eu gostaria de ser uma máquina, e você?                                                                                  &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/diarios-de-andy-warhol-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Para Andy Warhol, com amor."</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28472" aria-describedby="caption-attachment-28472" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28472" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28472" class="wp-caption-text">Com quatro indicações no <a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2022/">Emmy 2022</a>, The Andy Warhol Diaries concorre na categoria de Melhor Série Documental ou de Não-Ficção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">As máquinas têm menos problemas. Eu gostaria de ser uma máquina, e você?</span></i><span style="font-weight: 400;">                                                                                                                                       – Andy Warhol</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre retratos formais da teoria da Arte, colunas em páginas de fofoca e imagens em </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2012/02/especialista-diz-que-andy-warhol-seria-viciado-em-twitter-e-facebook.html"><i><span style="font-weight: 400;">threads</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> explicativas</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre existiu o dilema de </span><a href="https://revolverwarholgallery.com/all-abou"><span style="font-weight: 400;">quem era Andy Warhol</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para muitos, a resposta pode ser simples e se resumir nos símbolos que ele construiu a si mesmo – como a famosa e espalhafatosa peruca branca. Essa era a pretensão de um homem que se tornou um ícone, que, diante da mídia, não abria espaço para nada além de uma leitura superficial de sua obra – uma ilustração aparentemente objetiva da sociedade de consumo – e de sua excêntrica personalidade. </span></p>
<p><span id="more-28471"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">‘‘Querer ser uma máquina’’</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a representação dessa vontade de reduzir-se a sua criação e não deixar que suas tantas fragilidades escapassem. Nisso, a minissérie documental </span><a href="https://dasartes.com.br/de-arte-a-z/netflix-lanca-serie-sobre-andy-wahrol/"><i><span style="font-weight: 400;">Diários de Andy Warhol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em outro eterno dilema de respeitar ou não as pretensões de um artista, tanto o desagradaria quanto o satisfaria. Utilizando-se do próprio diário de Warhol, os seis episódios constroem uma espécie de leitura orientada de suas palavras, entoadas por uma </span><a href="https://gizmodo.uol.com.br/como-a-voz-de-andy-warhol-foi-ressuscitada-por-ia-na-serie-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">inteligência artificial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que recria e dá voz tanto às intimidades quanto a fatos comuns e banais de sua vida cotidiana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de ser um documentário que busca os ineditismos da vida biografada, a série, produzida por </span><a href="https://www.dazeddigital.com/film-tv/article/55536/1/ryan-murphy-brings-andy-warhol-back-to-life-in-netflix-docuseries-trailer"><span style="font-weight: 400;">Ryan Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;"> e distribuída pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um atestado da subjetividade de uma figura tão impenetrável da sociedade norte-americana. A cinematografia, se dispondo de trechos de filmes – tanto de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YoQYbMcyJs0"><span style="font-weight: 400;">autoria de Warhol</span></a><span style="font-weight: 400;"> como, por exemplo, de seu amigo </span><a href="https://mubi.com/pt/films/scenes-from-the-life-of-andy-warhol-friendships-and-intersections"><span style="font-weight: 400;">Jonas Mekas</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, é um fluxo de memórias que cria pontes entre a biografia do artista e seus trabalhos. Nessa fissura de quem seria Andy Warhol e quem seria Andrew Warhola – gay</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">filho de imigrantes, abraçado pelo frenesi</span> <span style="font-weight: 400;">de Nova York nos anos 1960 – é que reside a vulnerabilidade e a melancolia que permeiam os episódios dirigidos por Andrew Rossi. </span></p>
<figure id="attachment_28473" aria-describedby="caption-attachment-28473" style="width: 915px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28473" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol02.jpg" alt="Na imagem, encontra-se a reprodução dupla, lado ao lado, da foto, em preto e branco, que consta no passaporte de Andy Warhol, enquadrada em um fundo branco. A foto da esquerda mostra Andy, vestindo um paletó acinzentado, com uma camisa branca e uma gravata escura. Seus cabelos são ralos e bem arrumados e ele utiliza óculos redondos pretos. Na foto da direita, consta a mesma fotografia, no entanto, ela está rabiscada com lápis preto, dando mais volume ao cabelo de Warhol e contornando seu nariz, para que haja a impressão dele ser mais fino." width="915" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol02.jpg 915w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol02-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol02-768x462.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28473" class="wp-caption-text">Rossi preferiu a inteligência artificial que imitasse a voz de Warhol do que a utilização das gravações das ligações em que o artista ditava os escritos a Pat Hackett (Foto: The Andy Warhol Museum)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diário, datilografado e editado pela jornalista Pat Hackett, de 1976 até a morte do ‘papa da</span><i><span style="font-weight: 400;"> pop art</span></i><span style="font-weight: 400;">’, em 1987, é o fio condutor cronológico e temático da minissérie. Contudo, não é apenas a voz robotizada de Andy que prevalece nessa procura de sua identidade. Em entrevistas, testemunhos de </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/art/photographer-chris-makos-takes-us-inside-andy-warhols-inner-circle"><span style="font-weight: 400;">amigos próximos</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Debbie Harry – a eterna </span><a href="https://personaunesp.com.br/cena-new-wave/"><span style="font-weight: 400;">Blondie</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, de estudiosos da obra de Warhol e também de figuras que não eram exatamente próximas do artista, como o diretor de cinema </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/film/that-time-john-waters-and-andy-warhol-unknowingly-parodied-jfks-assassination-at-the-same-time"><span style="font-weight: 400;">John Waters</span></a><span style="font-weight: 400;">, evidenciam o impacto do falso loiro na efervescência cultural estadunidense por quase três décadas. A diferença do teor com que os depoimentos descreviam Andy, ora com a seriedade de um objeto de estudo ou relembrado meio a lágrimas, contribuem para a formação dessa imagem tão complexa e performada pelo artista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por trás dessas duas dimensões, sempre em tensão pelo decorrer dos episódios, </span><a href="https://deadline.com/2022/08/the-andy-warhol-diaries-netflix-documentary-series-director-andrew-rossi-interview-news-1235087070/"><i><span style="font-weight: 400;">The Andy Warhol Diaries</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> – </span></i><span style="font-weight: 400;">título original da série – vai construindo sua própria perspectiva acerca do artista, em que se ressalta suas vivências enquanto um homem gay em conflito com sua sexualidade. Dar lugar à </span><a href="https://awardsradar.com/2022/08/22/interview-the-andy-warhol-diaries-director-andrew-rossi-on-the-decade-plus-journey-documenting-an-artists-life/"><span style="font-weight: 400;">humanidade de Warhol</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz com que se entenda sua persona pública enquanto um escudo contra a suas próprias inseguranças e contra os ataques da cultura que ele tanto ajudou a construir.</span></p>
<figure id="attachment_28474" aria-describedby="caption-attachment-28474" style="width: 755px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28474" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol03.jpg" alt="A imagem está em preto e branco, e contém dois fragmentos de fotografia. No primeiro, Andy Warhol usa uma blusa de gola alta preta, e um óculos arredondado preto; ele é um homem branco, de olhos escuros, com sobrancelhas retas e grossas, e com cabelo claro e curto. No segundo fragmento, Andy Warhol usa uma blusa branca, e está de maquiagem; ele usa batom, sombra cintilante, e cílios postiços, suas sobrancelhas aparecem finas e arqueadas. As duas imagens são justapostas, em cima de um papel branco, e costuradas, numa linha reta que atravessa verticalmente suas bordas. O segundo fragmento está mais rasgado, enquanto o primeiro está mais reto." width="755" height="700" /><figcaption id="caption-attachment-28474" class="wp-caption-text">A minissérie toma posse dos arquivos pessoais do artista para entender as formas de reinvenção desse ícone do mundo da Arte Contemporânea (Foto: Daniel Cooney Fine Art)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja na necessidade de reinventar a si mesmo pelos ambientes de expressão  que ele mesmo criou – como a </span><i><span style="font-weight: 400;">The Factory, </span></i><span style="font-weight: 400;">seu estúdio de criação e o berço da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">underground</span></i><span style="font-weight: 400;"> americana – Warhol era um modelo e um exemplo nacional do que era ser </span><a href="https://www.warhol.org/lgbtq/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, ainda mais em um contexto de repressão dessas identidades. Mesmo que a sexualidade não fosse um recurso de sua performatividade no mundo das galerias e museus, o artista sabia como colocar as pessoas que brincavam com essa construção </span><a href="https://www.nbcnews.com/feature/nbc-out/warhol-exhibit-explores-roles-gender-sexuality-his-life-art-n1236516"><span style="font-weight: 400;">em um pedestal</span></a><span style="font-weight: 400;"> por meio de </span><a href="https://revolverwarholgallery.com/presence-and-absence-andy-warhols-sexual-identity-as-seen-in-his-body/"><span style="font-weight: 400;">suas obras</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu registro de lendas da história </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://www.papelpop.com/2022/08/hari-nef-vai-estrelar-filme-biografico-de-candy-darling-musa-de-andy-warhol/"><span style="font-weight: 400;">Candy Darling</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Marsha P. Johnson, suas experiências com a </span><a href="https://www.dazeddigital.com/art-photography/article/55980/1/chris-makos-rarely-seen-portraits-of-andy-warhol-in-drag"><span style="font-weight: 400;">arte </span><i><span style="font-weight: 400;">drag</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e suas </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/art/andy-warhol-the-pomp-and-circumstance-of-nudie-drawings"><span style="font-weight: 400;">ilustrações</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/art/andy-warhol-photography-jack-shainman-chelsea"><span style="font-weight: 400;">fotografias</span></a><span style="font-weight: 400;"> homoeróticas eram uma tentativa de expressar sua própria identidade com o papel aparentemente impessoal de sua produção. Seja por surfar nas ondas da liberação sexual das baladas dos anos 1970, como a frenética </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2020/02/studio-54-casa-noturna-de-libertacao-para-o-corpo-e-para-mente.html"><span style="font-weight: 400;">Studio 54</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou por ser quase que um mecenas aos novos artistas que surgiam na cena, como Keith Haring e David Lachapelle, Andy nunca se deixou de ser influenciado por essa coletividade. Todavia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Diários de Andy Warhol</span></i><span style="font-weight: 400;"> não deixa de abordar criticamente o </span><a href="https://amlatina.contemporaryand.com/pt/editorial/andy-warhol-black-trans-sitters/"><span style="font-weight: 400;">espaço de poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> ocupado por Warhol frente a grupos marginalizados dentro de sua própria comunidade, principalmente no </span><i><span style="font-weight: 400;">backstage </span></i><span style="font-weight: 400;">da produção das pinturas da série </span><a href="https://www.tate.org.uk/art/artists/andy-warhol-2121/ladies-and-gentlemen"><i><span style="font-weight: 400;">Ladies and Gentlemen</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i></p>
<figure id="attachment_28475" aria-describedby="caption-attachment-28475" style="width: 1501px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28475" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04.png" alt="autorretrato de Andy Warhol, em foto polaroid. Em um fundo branco, Andy direciona seu olhar para baixo. Seus olhos são escuros, suas sobrancelhas pretas. Usa uma peruca loira lisa e penteada. Seu rosto é envelhecido. Veste uma camiseta azul clara, onde é possível se ler ‘Andy Warhol’, em letras cursivas pretas. As bordas da fotografia são brancas" width="1501" height="2252" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04.png 1501w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-533x800.png 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-683x1024.png 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-768x1152.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-1024x1536.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-1365x2048.png 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-1200x1800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28475" class="wp-caption-text">O retrato construído por Rossi em The Andy Warhol Diaries não glorifica o artista, mas prefere ressaltar suas contradições (Foto: Vogue França)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da constante afirmação de Rossi e dos entrevistados quanto a importância da sexualidade na trajetória de Andy vem no intuito de mostrar que sua história, como tantas outras narrativas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, é atravessada pelo anseio de reconhecimento e visibilidade. Suas inquietações, que remontam a uma </span><a href="https://dasartes.com.br/colunas/alto-falante/andy-catholic-warhol/"><span style="font-weight: 400;">formação católica</span></a><span style="font-weight: 400;"> na infância e a uma percepção depreciativa de si mesmo, se resumiam a necessitar </span><a href="https://www.papermag.com/the-andy-warhol-diaries-netflix-2656827905.html?rebelltitem=5#rebelltitem5"><span style="font-weight: 400;">vínculos de proximidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que não eram supridos por sua obsessão com o sistema da fama estadunidense.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No segundo episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sombras: Andy e Jed, </span></i><span style="font-weight: 400;">para contar sobre Andy Warhol e seu assistente </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/culture/meet-jed-johnson-the-man-who-stole-andy-warhol-heart"><span style="font-weight: 400;">Jed Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rossi dispõe de filmes caseiros de viagens, festas de fim de ano, ou simplesmente gravações do cotidiano para construir a sensação de intimidade dessa relação. Na análise dos diários e dos testemunhos, se pontua o medo de Warhol em querer viver relações afetivas de longo prazo com seu parceiro, em um contexto em que o amor e a possibilidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo era absurda, se não mesmo condenada socialmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto em suas paixões com Johnson quanto com a sincera </span><a href="https://www.vanityfair.com/style/2019/07/andy-warhol-jean-michel-basquiat-friendship-book"><span style="font-weight: 400;">amizade e parceria</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o artista </span><a href="https://piseagrama.org/altares-do-sacrificio/"><span style="font-weight: 400;">Jean Michel Basquiat</span></a><span style="font-weight: 400;">, o arquivo pessoal é a linguagem mais própria para fazer o espectador mergulhar no universo de afetividades revelado pela minissérie. Os vídeos, muitas vezes gravados pelo próprio artista que inspira a produção, são registros sem a pretensão de posteridade, sendo apenas a captura imediata da ternura desses laços com brutal honestidade. Assim como as </span><a href="https://www.dobrasvisuais.com.br/2010/04/andy-warhol-e-a-fotografia/"><span style="font-weight: 400;">fotografias</span></a><span style="font-weight: 400;"> que auxiliam ilustrar os excertos do diário, esse recurso engrandece o conteúdo emocional e documental dessas relações nos episódios. Não à toa, a obra conquistou indicações ao </span><a href="https://www.emmys.com/shows/andy-warhol-diaries"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2022 nas categorias Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção, Melhor Roteiro em Programa de Não-Ficção – ambos para Andrew Rossi –, e Melhor Fotografia em Programa de Não-Ficção, para o Diretor de Fotografia Wolfgang Held, além da menção como Melhor Série Documental ou de Não-Ficção.</span></p>
<figure id="attachment_28476" aria-describedby="caption-attachment-28476" style="width: 1094px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28476" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05.jpg" alt="composição, em sete colunas e cinco linhas, de fotos polaroids, tiradas por Andy Warhol, de diferentes figuras da cultura pop. Em todos os retratos, prevalece o fundo branco, juntamente de bordas brancas. Entre as figuras mais conhecidas, constam Mick Jagger, Debbie Harry, Truman Capote e Robert Mapplethorpe." width="1094" height="786" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05.jpg 1094w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05-800x575.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05-1024x736.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05-768x552.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28476" class="wp-caption-text">A obsessão do artista com a fama e a audiência era o motivo de seu extenso círculo social (Foto: Vogue Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da série cumprir o esforço em desfazer a máscara pública de Andy Warhol e centrar-se essencialmente em sua pessoa, a junção dos diários e dos relatos compõem o retrato do espírito do tempo dos anos 1960, 70 e 80 da sociedade norte-americana. Da contracultura e do cinema alternativo até a </span><a href="https://www.artsy.net/article/artsy-editorial-mtv-andy-warhol-broke-rules"><i><span style="font-weight: 400;">MTV</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as percepções warholianas conseguiam traçar todos os movimentos mutantes</span> <span style="font-weight: 400;">do que era a </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/08/5-fatos-que-explicam-o-impacto-de-andy-warhol-na-cultura-pop.html"><span style="font-weight: 400;">cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Não se restringindo apenas no que está atrás da peruca loira, a série traz uma vasta lista de outros personagens como </span><a href="https://www.warhol.org/exhibition/a-taste-of-grace/"><span style="font-weight: 400;">Grace Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.dazeddigital.com/artsandculture/article/33777/1/your-ultimate-guide-to-andy-warhol#:~:text=Y%20IS%20FOR,at%20his%20funeral."><span style="font-weight: 400;">o casal John Lennon e Yoko Ono</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://glamurama.uol.com.br/notas/liza-minnelli-vende-um-dos-retratos-que-ganhou-de-andy-warhol-por-mais-de-r-26-milhoes/#:~:text=Getty%20Images%2FReprodu%C3%A7%C3%A3o-,Liza%20Minnelli%20vende%20um%20dos%20retratos%20que%20ganhou%20de%20Andy,mais%20de%20R%24%2026%20milh%C3%B5es&amp;text=A%20fim%20de%20comprar%20uma,quadros%20assinados%20pelo%20artista%20americano."><span style="font-weight: 400;">Liza Minnelli,</span></a> <a href="https://www.phaidon.com/agenda/art/articles/2016/march/24/warhol-on-mapplethorpe/"><span style="font-weight: 400;">Robert Mapplethorpe</span></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://personaunesp.com.br/halston-critica/"><span style="font-weight: 400;">Roy Halston</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses artistas, que transitam pelos mesmos locais que Warhol, também ecoam na trilha sonora da série, que une do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">oitentista majestoso de Diana Ross ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> rock </span></i><span style="font-weight: 400;">tímido e apaixonado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2021/#:~:text=Snail%20Mail%20%E2%80%93%20Valentine,Sailing)%20e%20Madonna"><span style="font-weight: 400;">Snail Mail</span></a><span style="font-weight: 400;">. Diferentemente de outras produções documentais, em que a música tem uma função meramente ambiente, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Diários </span></i><span style="font-weight: 400;">ela assume um </span><a href="https://wyep.org/feature/the-connection-between-andy-warhol-and-music/"><span style="font-weight: 400;">papel central</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">uma vez que Andy teve sua contribuição para definição de grupos e artistas agora lendários, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-velvet-underground-nico/"><span style="font-weight: 400;">The Velvet Underground</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rolling Stones e </span><a href="https://warholcoverart.com/2017/06/20/the-smiths-the-complete-flesh-picture/"><span style="font-weight: 400;">The Smiths</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos da adaptação do diário às telinhas, </span><i><span style="font-weight: 400;">The</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Andy Warhol Diaries</span></i><span style="font-weight: 400;"> utiliza de dublês para contribuir em encenações dramáticas de passagens do livro, além de, assim como Hackett, incluir sucessivas contextualizações de acontecimentos marcantes da vida de Andy. Desde o atentado cometido por </span><a href="https://medium.com/@isabela.jaha/voc%C3%AA-gostaria-de-ser-lembrado-como-a-mulher-que-atirou-em-andy-warhol-dbf675902cb5"><span style="font-weight: 400;">Valerie Solanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> até situações sócio-políticas como a luta de direitos pelas mulheres nos anos 60, a ascensão do conservadorismo de </span><a href="https://www.tate.org.uk/art/artists/andy-warhol-2121/me-and-andy-warhol-and-ronald-reagan"><span style="font-weight: 400;">Ronald Reagan</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.warhol.org/warhols-confession-love-faith-and-aids/"><span style="font-weight: 400;">medo generalizado da HIV</span></a><span style="font-weight: 400;">, ressoam em sua sensibilidade, tanto por registros do diário quanto pela simbologia em sua obra.</span></p>
<figure id="attachment_28477" aria-describedby="caption-attachment-28477" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28477" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06.jpg" alt="foto preto e branco de Andy Warhol, enrolado na bandeira dos Estados Unidos. Usa óculos redondos de arame e sua característica peruca loira, enquanto sua mão, segurando um grande pincel preto, pinta outra faixa, provavelmente azul, na parte branca da bandeira. O fundo é escuro." width="1500" height="2271" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-528x800.jpg 528w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-676x1024.jpg 676w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-768x1163.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-1015x1536.jpg 1015w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-1353x2048.jpg 1353w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-1200x1817.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28477" class="wp-caption-text">Muito da obsessão de Andy com a cultura capitalista vem na tentativa de, como descendente de imigrantes, sentir-se pertencente aos ideais de liberdade dos Estados Unidos (Foto: Interview Magazine)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://awardsradar.com/2022/08/22/interview-the-andy-warhol-diaries-director-andrew-rossi-on-the-decade-plus-journey-documenting-an-artists-life/"><span style="font-weight: 400;">abordagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> da minissérie entende os escritos datilografados por Hackett como o gesto artístico final do artista que, de certa maneira, é a antítese de toda a impessoalidade presumida de sua obra.  Tanto os episódios quanto as passagens dos dias no diário cumprem o papel de colecionar os fatos de sua </span><a href="https://www.independent.com/2022/08/21/review-emmy-preview-the-andy-warhol-diaries/#:~:text=Overall%2C%20the%20series,a%20narrative%20automation."><span style="font-weight: 400;">vida privada</span></a><span style="font-weight: 400;">: dos gastos de uma semana aos sentimentos desoladores da solidão, da autodepreciação, de latente desejo erótico reprimido e da falta de reciprocidade, munidos por querer se entender enquanto </span><a href="https://www.goldderby.com/feature/andrew-rossi-the-andy-warhol-diaries-director-writer-video-interview-1205026408/"><span style="font-weight: 400;">digno de afeto</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De volta às perguntas sem respostas, entender as pretensões do diário de Warhol é um enigma que nunca será desvendado, assim como captar o real em sua vida é um </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-features/andy-warhol-diaries-netflix-artist-queer-legacy-1235168140/"><span style="font-weight: 400;">objetivo a nunca ser cumprido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nas falas dos entrevistados, existem diferentes retratos desse artista que existiu conjuntamente em quase todos os patamares da cultura e da </span><a href="https://galoa.com.br/blog/andy-warhol-o-sociologo-pictorico-imagens-em-massa-e-mecanismos-da-celebridade/"><span style="font-weight: 400;">sociedade estadunidense</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, o </span><a href="https://twitter.com/a_rossi/status/1502135191975993346?s=20&amp;t=Hre-fgZRG2g1_JdZcGAdAQ"><span style="font-weight: 400;">dever dessa produção</span></a><span style="font-weight: 400;">, indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> da TV, não é chegar à verdade sobre Warhol, mas sim destacar o que foi omitido dos que pensaram que essa verdade existe. É engrandecer os receios, as paixões e as feridas de um homem </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> e de seus desejos dissidentes, colocados no centro da reprodução dessas memórias. É firmar a beleza e a dor de sua biografia, ainda mais quando o cânone da Arte faz questão de apagar essa história das páginas de seus livros. Por fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Diários de Andy Warhol </span></i><span style="font-weight: 400;">não passa de uma </span><a href="https://twitter.com/a_rossi/status/1502135191975993346?s=20&amp;t=Hre-fgZRG2g1_JdZcGAdAQ"><span style="font-weight: 400;">carta de amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> para todo o sentimento guardado no peito.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Andy Warhol Diaries (From Executive Producer Ryan Murphy) | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/aeC76ncf66w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>As Mortes de Dick Johnson: o Cinema ressuscita</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2021 20:08:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori 2020 foi um ano frutífero para os retratos a respeito da velhice. Vimos desde o drama da relação conturbada entre pai e filha no premiado Meu Pai (The Father) ao representante brasileiro a tentar indicação no Oscar 2021, Babenco &#8211; Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou. E entre os destaques &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-mortes-de-dick-johnson-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As Mortes de Dick Johnson: o Cinema ressuscita"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22602" aria-describedby="caption-attachment-22602" style="width: 1486px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22602" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img1-2.jpg" alt="Fotografia em paisagem com fundo preto. Ao centro está Dick Johnson, o protagonista do documentário As Mortes de Dick Johnson. Dick é um homem branco de 86 anos, com cabelos castanhos na parte superior da cabeça e brancos nas laterais. Ele veste uma camisa azul bebê e uma jaqueta marrom acinzentada. Ele olha para câmera e sorri, segurando as mãos da diretora e filha, Kirsten Johnson, que o abraça por trás. Kirsten é uma mulher branca de cabelos na altura do ombro e castanhos. Ela abraça o pai à frente, de olhos fechados e cabeça inclinada sobre o ombro do pai. Ela veste um vestido de mangas compridas, com estampas floridas em vermelho e azul." width="1486" height="991" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img1-2.jpg 1486w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img1-2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img1-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img1-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img1-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22602" class="wp-caption-text">Indicado ao Emmy 2021, o documentário original da Netflix, As Mortes de Dick Johnson, é uma carta de amor da diretora Kirsten Johnson ao pai, Dick (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2020 foi um ano frutífero para os </span><a href="https://filmow.com/listas/filmes-sobre-velhice-l143669/"><span style="font-weight: 400;">retratos a respeito da velhice</span></a><span style="font-weight: 400;">. Vimos desde o drama da relação conturbada entre pai e filha no premiado </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Father</span></i><span style="font-weight: 400;">) ao representante brasileiro a tentar indicação no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://youtu.be/hzX-ASZ_bGQ"><i><span style="font-weight: 400;">Babenco &#8211; Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. E entre os destaques da temporada, o indicado a três categorias no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t1WOyHBSjOE&amp;t=57s"><i><span style="font-weight: 400;">As Mortes de Dick Johnson</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Dick Johnson Is Dead</span></i><span style="font-weight: 400;">), não passou em branco.</span></p>
<p><span id="more-22597"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido pela documentarista </span><a href="https://www.indiewire.com/2020/10/kirsten-johnson-documentary-dick-johnson-is-dead-1234589849/"><span style="font-weight: 400;">Kirsten Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">, o documentário reflete sobre a efemeridade da vida em seus curtos 89 minutos. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nasce o Sol, e não dura mais que um dia</span></i><span style="font-weight: 400;">” – trecho do célebre poema de Gregório de Matos –, traduz perfeitamente a abordagem breve, simples e carregada de emoção proposta pela diretora. O pontapé inicial do longa partiu da criação de cenários fictícios no qual o pai de Kirsten, Dick, morre. Para isso, ambos celebram juntos os últimos anos de vida de Dick, num retrato que busca, com muita delicadeza, meios de enfrentar o luto através do amor pelo Cinema.</span></p>
<figure id="attachment_22598" aria-describedby="caption-attachment-22598" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-3.jpg" alt="Cena em paisagem do documentário. Ao centro está Dick caído no chão ao ser atingido por um ar condicionado que caiu do céu. Dick veste uma camisa azul bebê e calça caqui, com cinto marrom. É possível ver manchas de sangue no asfalto." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22598" class="wp-caption-text">Essa festa virou um enterro: cena de uma das mortes de Dick (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Protagonista do longa, </span><a href="https://www.vulture.com/2020/09/kirsten-johnson-dick-johnson-is-dead.html"><span style="font-weight: 400;">Dick Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um psiquiatra aposentado de 86 anos que parece se comprometer com tudo o que se propõe a fazer. É pai, avô e viúvo. Uma figura paterna presente, amorosa e genuinamente amiga, tanto da filha, quanto dos netos pequenos. Foi um marido que perdeu a esposa para o mal de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ArFbR6-wKSI"><span style="font-weight: 400;">Alzheimer</span></a> <span style="font-weight: 400;">e que, logo em seguida, foi diagnosticado com a mesma doença degenerativa. Pouco a pouco, Dick é obrigado a lidar com as consequências do Alzheimer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele perde a independência e vai se esvaindo gradativamente. Em meio a confissões – de cortar o coração –, revela, derramando lágrimas, que já não se considera mais pai, mas sim um irmão caçula, um fardo a ser aturado. Inevitavelmente, o medo paira sobre a família tão unida e o fim é certo. Sabemos que tudo passa, nada dura para sempre. Mas a principal questão é: como lidar com a velhice? </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J6pnefUei5I"><span style="font-weight: 400;">Como lidar com a morte</span></a><span style="font-weight: 400;">?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A resposta de Kirsten para as perguntas acima é de tomar conta da narrativa em seus próprios termos. Johnson joga xadrez com a morte, criando diversas </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2021-01-04/dick-johnson-is-dead-kirsten-johnson-documentary"><span style="font-weight: 400;">simulações bem-humoradas do óbito do pai</span></a><span style="font-weight: 400;">, intercaladas com a documentação crua do seu dia a dia com ele. Dick é acidentalmente atingido por um ar-condicionado que cai do céu ou tropeça da escada ou, ainda, sofre um acidente de carro. Recorrendo à fantasia, as cenas fictícias são quase sempre seguidas de outras com Dick no paraíso, ao lado de quem ele admira e ama – comparecem Frida Kahlo, Billie Holiday, Freud, Bruce Lee e, entre outros, sua falecida companheira.</span></p>
<figure id="attachment_22599" aria-describedby="caption-attachment-22599" style="width: 759px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22599" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img3-1.png" alt="Cena em paisagem do documentário. Paraíso ficcional criado pela diretora, com dublês vestindo máscaras desproporcionais ao corpo, em preto branco. As figuras históricas das máscaras são: Bruce Lee, Frederick Douglass, Buster Keaton, Frida Kahlo, Dick Johnson, Farrah Fawcett, Billie Holiday e Sigmund Freud, em ordem. A paisagem é formada por céu rosado, nuvens em algodão, gramado verde, animais selvagens ao fundo e uma auréola dourada com chuvas feitas com confete dourado. Ao centro estão todos os dublês com Dick, em uma mesa rodeada de cadeiras, onde estão sentados." width="759" height="418" /><figcaption id="caption-attachment-22599" class="wp-caption-text">O paraíso fantasioso da diretora, contando com a célebre presença de figuras históricas de Frida Kahlo à Farrah Fawcett (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Identificado como adventista do sétimo dia, Dick tem respostas claras sobre a morte, onde, segundo a crença, todos os “justos” aguardam inconscientemente pela glória póstuma do juízo final. Dessa maneira, também criada segundo os dogmas adventistas, apesar de não crê-las, Kirsten brinca criativamente com as possibilidades surreais do que seria o tal lugar prometido. Somos expectadores de uma utopia transcendental recheada de gramados verdes, nuvens algodoadas, céu rosado, música alta, pessoas dançando e muito confete dourado. É como se a morte de </span><a href="https://youtu.be/17-abDcJUlY"><i><span style="font-weight: 400;">O Sétimo Selo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> encontrasse os documentários fantasiosos de Varda. </span><i><span style="font-weight: 400;">As Mortes de Dick Johnson</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece dar continuidade ao legado de </span><a href="https://www.aicinema.com.br/agnes-varda-por-que-ela-se-destacava-tanto-nos-seus-filmes/"><span style="font-weight: 400;">Agnès Varda</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao celebrar com muito tato e imaginatividade os frutos da idade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completamente </span><a href="https://vejasp.abril.com.br/blog/filmes-e-series/quatro-filmes-esnobados-pelo-oscar-2021/"><span style="font-weight: 400;">esnobado da 93ª cerimônia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, junto de outros injustiçados do ano – dignos de menção o incrível </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/8i6yzElUQxQ"><i><span style="font-weight: 400;">First Cow &#8211; A Primeira Vaca da América</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> –, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dick Johnson Is Dead</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontrou no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021 o espaço que lhe foi negado pela Academia. </span><a href="https://www.emmys.com/shows/dick-johnson-dead"><span style="font-weight: 400;">O documentário concorre</span></a><span style="font-weight: 400;"> principalmente ao prêmio de Melhor Direção em Documentário para Kirsten Johnson, além das categorias de Melhor Fotografia e Mérito Excepcional em Documentário.</span></p>
<figure id="attachment_22600" aria-describedby="caption-attachment-22600" style="width: 4339px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22600" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4.png" alt="Duas cenas, uma ao lado da outra, do documentário. São cenas reais documentadas pela diretora nos últimos anos de vida da mãe. Ambas são imagens em paisagem, com bordas pretas, comuns de fotografias analógicas. A primeira mostra flores selvagens amarelas em movimento, com a legenda “It would be so easy if loving only gave us the beautiful.” A segunda imagem mostra a mãe de Kirsten deitada sobre a grama, de olhos e bocas fechados. A mãe é uma mulher branca de aproximadamente 70 anos. Ela veste uma blusa com listras irregulares em vermelho, preto, verde e branco. Abaixo da segunda imagem, está a legenda “But what loving demands is that we face the fear of losing each other.”" width="4339" height="1640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4.png 4339w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4-800x302.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4-1024x387.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4-768x290.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4-1536x581.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4-2048x774.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4-1200x454.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22600" class="wp-caption-text">Cenas reais dos últimos anos da mãe de Kirsten Johnson (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, cercada por situações mórbidas irreais, a diretora se naturaliza com a ideia da morte do pai, aceitando-a. É difícil encarar de frente os problemas que nos atormentam e, às vezes, escapismos puros são necessários. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Seria mais fácil se o amor só nos trouxesse coisas belas. Mas o amor nos exige encarar o medo de perder o próximo. E quando a coisa fica preta, que fiquemos unidos. E quando pudermos, celebremos os breves momentos de alegria</span></i><span style="font-weight: 400;">”, narra Kirsten ao lamentar que, em 30 anos de carreira como documentarista, nunca teve a oportunidade de gravar a mãe antes da demência, como ela realmente era. Buscando não cometer os mesmos arrependimentos, ela efetiva, com o longa, uma verdadeira </span><a href="https://www.vulture.com/2020/01/dick-johnson-is-dead-documentary-kirsten-johnson-interview.html"><span style="font-weight: 400;">carta de amor ao pai</span></a><span style="font-weight: 400;"> e melhor amigo, Dick.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[</span><i><span style="font-weight: 400;">SPOILER</span></i><span style="font-weight: 400;">] Após uma cena de afeto sincero, onde Dick comemora seu octogésimo sexto aniversário comendo o melhor bolo de chocolate de sua vida, feito carinhosamente por seus netos, o filme se encerra com o falecimento de Dick. Ele sofre um ataque cardíaco e somos levados ao último ato. Agora, no velório, ouvimos relatos de amigos sobre quem era Dick, que, inesperadamente, ressurge vivo. Descobrimos que fomos, mais uma vez, </span><span style="font-weight: 400;">tapeados </span><span style="font-weight: 400;">pela dupla pai-filha. E tal qual o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LEi7aJ4L4kI"><span style="font-weight: 400;">final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Titanic</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Dick atravessa a capela quase como Rose cruza o navio, cercado daqueles a quem ele mais ama. Enfim, Kirsten mata o pai para finalmente poder ressuscitá-lo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cNpcc6_KG-8"><span style="font-weight: 400;">imortalizando-o para sempre</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22601" aria-describedby="caption-attachment-22601" style="width: 1916px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22601" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img5.png" alt="Cena final do documentário. Imagem azul em paisagem, com o escrito “starring/ Dick Johnson/b.1932 - “ no centro." width="1916" height="1081" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img5.png 1916w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img5-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img5-1024x578.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img5-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img5-1536x867.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img5-1200x677.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22601" class="wp-caption-text">Vida longa à Dick Johnson! (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
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		<title>O Dilema das Redes aponta erros muito grandes para soluções moralistas</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2020 14:31:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade O documentário recém-lançado da Netflix, O Dilema das Redes, dirigido por Jeff Orlowski, se inicia com um questionamento a todos os personagens dessa história. “Qual é o problema?” parece ser a pergunta que guia os entrevistados e, embora todos apontem os erros com certa facilidade, não conseguem manter a mesma assertividade quando tentam &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Dilema das Redes aponta erros muito grandes para soluções moralistas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15757" aria-describedby="caption-attachment-15757" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15757" class="wp-caption-text">O documentário expõe que os problemas das redes sociais não são ilegais, e sim um método padrão desse esquema de negócio (Foto: Netflix/Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário recém-lançado da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">dirigido por Jeff Orlowski, se inicia com um questionamento a todos os personagens dessa história. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Qual é o problema?</span></i><span style="font-weight: 400;">” parece ser a pergunta que guia os entrevistados e, embora todos apontem os erros com certa facilidade, não conseguem manter a mesma assertividade quando tentam apontar a solução do problema.</span></p>
<p><span id="more-15753"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das ideias centrais do filme é a de que veteranos das redes sociais (ex-funcionários do alto escalão da </span><i><span style="font-weight: 400;">Google</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i><span style="font-weight: 400;"> e outras) estão, de fato, arrependidos pelo que elas se tornaram. Há um consenso entre os entrevistados de que as redes sociais são, hoje, um lugar inóspito movido a ódio. Entretanto, não parecem querer dizer que são um dos vilões dessa história e tentam, ao longo de toda a narrativa, manter a ideia de que são heróis, afirmando em alguns momentos que não existem culpados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O formato do documentário já é conhecido. Há uma pequena parte ficcional, que serve como um suporte à parte real do filme. Esse trecho fictício poderia ser facilmente removido, e a ideia seria melhor transmitida sem ele, que tem atuações que, em determinados momentos, beiram o constrangedor e representam personagens estereotipados. Mesmo assim, cabe ressaltar que esse aparato ficcional acaba ajudando aqueles que não estão familiarizados ou nunca se questionaram sobre a importância exagerada das redes sociais atualmente. Os questionamentos levantados por pessoas que ajudaram a criar essas plataformas e suas visões sobre a situação de ódio generalizado são a parte mais importante dessa produção. </span></p>
<figure id="attachment_15758" aria-describedby="caption-attachment-15758" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2.jpg" alt="" width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15758" class="wp-caption-text">Tristan Harris no Senado dos Estados Unidos em 2019  (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Iniciamos </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanhando o idealista Tristan Harris, ex-designer de ética da </span><i><span style="font-weight: 400;">Google,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e aquele que parece ser o personagem principal do documentário. Ele se prepara para uma palestra sobre como propagar um uso mais consciente e ético nas redes. Próximo aos 15 minutos de exibição, Harris solta a máxima “</span><i><span style="font-weight: 400;">se você não está pagando pelo produto, então você é o produto</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Na cena em que ele está no Senado norte-americano, é questionado sobre quem deveria ser responsabilizado pelo método de influenciar o público com o pretexto de mantê-los engajados, e sua resposta é que as plataformas devem ser pois, se aceitam propaganda política, devem proteger as eleições — ele estava testemunhando em uma audiência sobre tecnologia persuasiva e otimização para engajamento. A ideia de que somos os produtos das plataformas parece chocante em um primeiro momento, mas não está longe de ser algo esperado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra cena do filme, o psicólogo </span><a href="https://oglobo.globo.com/sociedade/o-dilema-das-redes-refugio-na-pandemia-redes-sociais-ajudaram-formar-geracao-mais-ansiosa-deprimida-24655097"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Haidt</span></a><span style="font-weight: 400;"> aponta que, entre 2011 e 2013, houve um aumento gigantesco em casos de depressão e ansiedade entre os adolescentes americanos. Coincidentemente ou não, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i> <a href="https://canaltech.com.br/redes-sociais/Com-lucro-recorde-em-2013-Facebook-alcanca-marca-de-123-bilhao-de-usuarios/"><span style="font-weight: 400;">bateu um de seus recordes de lucro em 2013</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ele aponta ainda que a Geração Z, aquela que nasceu por volta de 1996, foi a que começou a utilizar as redes sociais durante a pré-adolescência e, como resultado, tornou-se uma geração mais ansiosa, frágil e deprimida. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;"> acerta quando exemplifica o efeito nocivo das notificações em uma das personagens fictícias, que, em determinada cena, se recusa a ficar sem o celular durante a refeição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo muito debatido sobre o tema é que nós entregamos nosso tempo às redes e elas brigam entre si para consumir cada vez mais a nossa atenção. O problema é que, diferente do dinheiro, o tempo é um instrumento finito e impossível de se obter novamente,  é algo muito mais valioso que o dinheiro. Durante todo o documentário, ficamos apreensivos com a ideia de que somos manipulados e servimos à interesses de desconhecidos. O tempo que gastamos nas redes sociais, muitas vezes, faz parte de uma rotina e, pensando bem, faz com que o Grande Irmão de </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/isabela-boscov/george-orwell-de-1984-prova-sua-relevancia-em-tempos-de-autoritarismo/"><i><span style="font-weight: 400;">1984</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pareça terrivelmente real.</span></p>
<figure id="attachment_15754" aria-describedby="caption-attachment-15754" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15754" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem3.jpg" alt="" width="650" height="343" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem3.jpg 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem3-300x158.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15754" class="wp-caption-text">Tristan Harris, à esquerda, e Roger McNamee, investidor e um dos entrevistados do documentário, à direita; ambos com seus smartphones nas mãos (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os algoritmos são apresentados como um dos grandes problemas. A parte ficcional de <em>O Dilema das Redes</em> apresenta três homens, que ficam em uma das milhares de salas que controlam o que deve aparecer na tela de cada usuário. Esse trecho é exagerado, uma tentativa de mostrar que, de fato, existem pessoas controlando o que você vê. Muito embora os algoritmos funcionem sozinhos, eles são programados por seres humanos. Alguns ativistas já debateram como eles </span><a href="https://tecnologia.ig.com.br/2020-09-22/algoritmos-racistas-entenda-como-funciona-o-problema-que-atingiu-o-twitter.html"><span style="font-weight: 400;">propagam atitudes racistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas redes, e como foram cruciais para a polarização política atual, além de ampliarem os discursos de ódio. Contudo, a plataforma mais utilizada hoje é o </span><i><span style="font-weight: 400;">WhatsApp</span></i><span style="font-weight: 400;">, que não trabalha com algoritmos e, mesmo assim, continua sendo uma grande aliada na manipulação política. É, de algum modo, um amplificador do conteúdo apresentado nas redes sociais, e demonstra que o problema vai muito além dos algoritmos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Tim Kendall, ex-presidente do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pinterest</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ex-diretor de monetização do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">, diz, em sua fala inicial, que essas ferramentas trouxeram coisas maravilhosas para o mundo, seria sincero afirmar que sua colocação traz uma ideia muito triunfalista das redes sociais. Os benefícios listados por Kendall, como a aproximação de familiares distantes, são resultados do uso natural da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa qualidade já foi muito explorada pelo antigo </span><i><span style="font-weight: 400;">MSN Messenger</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, e uma das ideias do uso da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;"> é justamente a de aproximar pessoas. Embora as redes sociais também realizem isso, o mérito não deve ser somente delas, como ele tenta listar. O que é possível concordar, mesmo que por razões contrárias, é o fato de que elas trouxeram mudanças significativas para a sociedade, já que deixaram de ser simples ferramentas de aproximação e transformaram-se em plataformas de manipulação. De alguma maneira, sequestraram a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;">, em algumas partes, mantém o tom assustador que lembra as previsões distópicas de </span><a href="http://personaunesp.com.br/bandersnatch-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Black Mirror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e nos deixa com uma sensação de que algo muito errado está acontecendo enquanto não fazemos nada para mudar. Cada pessoa tem sua própria realidade e seus próprios fatos, já que a linha do tempo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou a </span><i><span style="font-weight: 400;">timeline </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, são adaptadas individualmente. Em uma das cenas, Justin Rosenstein, criador do botão </span><i><span style="font-weight: 400;">like </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">, argumenta que essa é uma das fontes das discussões nas redes sociais, já que temos a ilusão de que todos estão vendo a mesma coisa que nós. São diversas verdades criadas para prender a atenção dos usuários. </span></p>
<figure id="attachment_15755" aria-describedby="caption-attachment-15755" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15755" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4.jpg" alt="" width="2000" height="1236" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-300x185.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-1024x633.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-768x475.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-1536x949.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-1200x742.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15755" class="wp-caption-text">Mark Zuckerberg no depoimento feito no Senado estadunidense em 2018 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a exibição da cena de Mark Zuckerberg no Senado norte-americano, em decorrência  da </span><a href="https://www.techtudo.com.br/noticias/2018/03/facebook-e-cambridge-analytica-sete-fatos-que-voce-precisa-saber.ghtml"><span style="font-weight: 400;">polêmica envolvendo a </span><i><span style="font-weight: 400;">Cambridge Analytica</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele sugere que a solução à longo prazo seria criar ferramentas de inteligência artificial que resolvem problemas que pessoas reais não conseguem. Em seguida, a cientista de dados</span> <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/11/12/tecnologia/1542018368_035000.html"><span style="font-weight: 400;"> Cathy O’Neil</span></a><span style="font-weight: 400;">, autora do livro </span><a href="https://medium.com/@gustavomsaraiva/resenha-e-reflex%C3%B5es-sobre-o-livro-weapons-of-math-destrution-de-cathy-oneil-b843f9a04f5f"><i><span style="font-weight: 400;">Weapons of Math Destruction</span></i> </a><i><span style="font-weight: 400;">(2016),</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela que isso não passa de uma mentira, já que a inteligência artificial não pode resolver os problemas apresentados por não conseguir distinguir o que é a verdade. É mais uma das esfarrapadas desculpas para não perderem seus usuários, ou melhor, seus produtos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cientista da computação Jaron Lanier, um dos entrevistados do documentário e considerado o pai da realidade virtual, inicia seu livro </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2018/12/aqui-vai-um-breve-resumo-do-livro-10-argumentos-para-voce-deletar-agora-suas-redes-sociais/"><i><span style="font-weight: 400;">Dez Argumentos Para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais</span></i></a> <i><span style="font-weight: 400;">(2018)</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a ideia de que as pessoas estão perdendo seu livre-arbítrio. Ele argumenta que a espionagem maciça e a manipulação constante foram aceitas na sociedade com normalidade. Seu ponto fica evidenciado quando pensamos nas propagandas que vemos ao longo do dia, sempre direcionadas para nós com produtos de nosso interesse. Quantas vezes já nos deparamos com aquela situação de pesquisar algo muito específico e, pouco depois, receber uma propaganda exatamente sobre aquilo? </span></p>
<figure id="attachment_15756" aria-describedby="caption-attachment-15756" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15756" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15756" class="wp-caption-text">Quando um dos personagens da parte fictícia do filme decide ficar sem o celular, o aplicativo envia uma notificação dizendo que sua ex-namorada está em um relacionamento (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre a metade e o final do documentário, seu desfecho fica previsível. Os empresários do </span><i><span style="font-weight: 400;">Vale do Silício</span></i><span style="font-weight: 400;">, arrependidos, tentam estabelecer algum tipo de valor moral acima de qualquer tecnologia. Ninguém é responsabilizado  pelos danos causados à sociedade. Um tom moralista paira no ar, como se fosse possível preencher esse problema com a força de vontade individual. Talvez a frase mais moralista venha de Aza Raskin, ele e Tristan Harris são fundadores do </span><i><span style="font-weight: 400;">Center For Humane Technology</span></i><span style="font-weight: 400;">, lugar onde pretendem reverter a degradação humana e realinhar a tecnologia com a humanidade. Raskin dá sua declaração final dizendo que “</span><i><span style="font-weight: 400;">o Vale do Silício partiu de uma ideia de tecnologia humanizada</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Pensando bem, é mais provável que tenha sido motivada pela questão financeira, já que as empresas de tecnologia são as mais ricas e lucrativas da história da humanidade.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos 89 minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;">, fica evidente que essa é uma questão muito acima da vontade populacional. Mesmo que, por algum tipo de iluminação divina, os grandes magnatas das redes queiram se redimir construindo algo mais ético e destruindo esse método tão lucrativo por um bem maior, outros surgirão e tomarão seus lugares. O problema, de algum modo, é a forma como as redes sociais interagem com a vida </span><i><span style="font-weight: 400;">offline</span></i><span style="font-weight: 400;">, tentando de alguma forma suprimi-la. Essa é uma questão que não foi planejada nem mesmo por esses empresários, que hoje aparecem como vítimas daquilo que criaram. </span></p>
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