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	<title>Arquivos Martin Claret &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Dezembro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2023 21:57:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“O amor é teatral, intui Scherezade, que, à mercê do Califa, jamais se apaixonou. O espectáculo amoroso, como o concebe agora, junto ao leito do Califa, requer ilusão, artifício, máscaras coladas aos rostos dos amantes enquanto copulam.” Fechando as cortinas de 2022 com uma trajetória de leituras diversas e debates entusiasmados, o Clube do Livro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Dezembro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29669" aria-describedby="caption-attachment-29669" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-29669 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp.jpg" alt="Arte retangular de cor marrom. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris na cor marrom. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Vozes do Deserto”, de Nélida Piñon, ao lado de 9 lombadas brancas. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘dezembro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29669" class="wp-caption-text">Concluindo 2022, o Clube do Livro do Persona homenageia Nélida Piñon,uma das maiores escritoras do Brasil e a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira das Letras (Foto: Companhia das Letras/Arte: Nathalia Mendes/Texto de abertura: Vitória Gomez)</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O amor é teatral, intui Scherezade, que, à mercê do Califa, jamais se apaixonou. O espectáculo amoroso, como o concebe agora, junto ao leito do Califa, requer ilusão, artifício, máscaras coladas aos rostos dos amantes enquanto copulam.</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Fechando as cortinas de 2022 com uma trajetória de leituras diversas e debates entusiasmados, o </span><b>Clube do Livro do Persona</b><span style="font-weight: 400;"> encerrou o ano homenageando o legado de Nélida Piñon. A autora carioca publicou mais de 20 livros e foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras (ABL). Nélida faleceu em 17 de dezembro, em Lisboa, aos 85 anos, durante uma cirurgia de risco; seu corpo foi enviado ao Brasil para o </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2022/12/corpo-da-escritora-nelida-pinon-e-sepultado-no-rio-de-janeiro-clc9g0z4c002m01cmeyxkijb1.html"><span style="font-weight: 400;">sepultamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Mausoléu da Academia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A maior escritora viva do país</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/nelida-pinon-era-a-maior-escritora-viva-do-brasil-diz-presidente-da-abl.ghtml"><span style="font-weight: 400;">afirmou</span></a><span style="font-weight: 400;"> Merval Pereira, presidente da ABL, Nélida Piñon foi pioneira na Academia, mas também no cenário literário nacional. A escritora se formou em Jornalismo, mas seguiu o caminho da Literatura: publicou </span><i><span style="font-weight: 400;">Guia-mapa de Gabriel Arcanjo</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu primeiro romance, em 1961, estreando uma trajetória próspera na ficção. Depois, a </span><a href="https://odia.ig.com.br/opiniao/2023/01/6552432-nelida-pinon-uma-mulher-uma-obra-um-tempo.html"><span style="font-weight: 400;">autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> ampliaria ainda mais seus horizontes, explorando contos, ensaios, crônicas e livros de memórias, que, entre diferentes formatos, sempre perpassa por sua visão política e humanista do mundo, características que marcaram a carreira e as obras da carioca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Guia-mapa de Gabriel Arcanjo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Mariella, a protagonista, e o arcanjo Gabriel são colocados frente a frente para discutir a relação do homem com Deus, pecados e a existência de acordo com os dogmas católicos. O primeiro lançamento de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/morre-nelida-pinon.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Piñon</span></a><span style="font-weight: 400;"> já indicava para o que viria a oferecer: o caráter questionador se fez presente no restante da bibliografia da carioca, colocando personagens femininas no posto das indagadoras. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Casa da Paixão</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1972, confirmou a tendência transgressora de Nélida para a época. </span><a href="https://blariss.medium.com/a-casa-da-paix%C3%A3o-e-o-empoderamento-da-mulher-frente-ao-patriarcado-3840c4400436"><span style="font-weight: 400;">Na obra</span></a><span style="font-weight: 400;">, Marta reflete acerca de suas vivências com o pai abusivo e a ama submissa, em um romance marcante pela forma como trata a sexualidade feminina. Aqui, a autora prova a busca pela renovação de sua própria <a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">linguagem</a>, que persistiria no restante de sua carreira e tornou sua Literatura tão distinta e atual. O livro, considerado um dos melhores de Nélida Piñon, venceu o Prêmio Mário de Andrade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adiante, o romance </span><a href="https://www.amazon.com.br/Tebas-meu-cora%C3%A7%C3%A3o-N%C3%A9lida-Pi%C3%B1on/dp/6555875658/ref=d_pd_sbs_sccl_1_2/141-8632924-8900261?pd_rd_w=L8mZk&amp;content-id=amzn1.sym.f14d3066-f640-490b-be63-642232e30730&amp;pf_rd_p=f14d3066-f640-490b-be63-642232e30730&amp;pf_rd_r=JB3JCZ6CDGS4C1NBDME9&amp;pd_rd_wg=zZB5E&amp;pd_rd_r=8c16dd5b-86fb-4a92-a5da-516b00913bc5&amp;pd_rd_i=6555875658&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Tebas do meu coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1974, coloca personagens diversos em uma cidade do interior para construir uma crítica à rica e nada homogênea sociedade brasileira. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A república dos sonhos</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1984, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/fotos-escritora-nelida-pinon-morreu-aos-85-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Nélida</span></a><span style="font-weight: 400;"> novamente examina a composição social do país e seus processos de formação, agora sob a lente de imigrantes galegos chegando aos portos do Rio de Janeiro, como sua própria família uma vez fez. Nas obras, além de se aprofundar nas <a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/">contradições de seus personagens</a>, a escritora questiona o panorama social dos respectivos momentos, inclusive com duras críticas à repressão e à ditadura. Por </span><i><span style="font-weight: 400;">A república</span></i><span style="font-weight: 400;">, a brasileira venceu os prêmios de Melhor Livro do Ano de 1985 da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e do Ficção PEN Clube.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelo conjunto de sua obra, traduzidas para mais de 30 países, Nélida Piñon ganhou o Prêmio Golfinho de Ouro do Governo do Estado do Rio de Janeiro e do Conselho Estadual de Cultura, em 1990, e o Prêmio Bienal Nestlé na Categoria Romance, em 1991. Por </span><i><span style="font-weight: 400;">Vozes do deserto</span></i><span style="font-weight: 400;">, romance sobre a </span><a href="https://www.revistabula.com/58193-a-cadeira-de-nelida-pinon/"><span style="font-weight: 400;">postura transgressora</span></a><span style="font-weight: 400;"> que uma mulher pode ocupar no sistema patriarcal em que vive, a autora recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Romance e na de Melhor livro do ano na categoria geral, em 2005.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando a sua carreira arrebatadora, Piñon assumiu a cadeira 30 na Academia Brasileira de Letras em 1986, sendo a primeira mulher a conquistar tal feito no Brasil e no mundo, segundo a </span><a href="https://www.academia.org.br/noticias/academica-nelida-pinon-sera-sepultada-no-mausoleu-da-abl"><span style="font-weight: 400;">ABL</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela sucedeu o crítico literário e ensaísta Aurélio Buarque de Holanda. Agora, a cadeira que marcou a história de Nélida e da Literatura brasileira entrará em disputa a partir de Março &#8211; esperançosamente, passando para uma </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/heloisa-buarque-de-hollanda-e-favorita-para-substituir-nelida-pinon-na-academia-brasileira-de-letras,576e075d2285f882cdd6a6b442166b4061z3s2n5.html"><span style="font-weight: 400;">mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> igualmente de referência no cenário literário e cultural nacional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Concluindo 2022 com um leque diverso de obras literárias discutidas, a Editoria relembra suas referências. Agora, você confere as leituras de final de ano indicadas no</span><b> Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29643"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<hr />
<figure id="attachment_29656" aria-describedby="caption-attachment-29656" style="width: 667px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29656 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-667x1024.jpg" alt="" width="667" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-667x1024.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-768x1179.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1000x1536.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1334x2048.jpg 1334w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1200x1843.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1.jpg 1617w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29656" class="wp-caption-text">Vozes do Deserto é considerado peça chave na Literatura de Nélida Piñon (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Nélida Piñon &#8211; Vozes do Deserto (400 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2004 e vencedor do prêmio Jabuti de 2005 nas categorias de Melhor Romance e Livro do Ano, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Vozes-do-deserto-N%C3%A9lida-Pi%C3%B1on/dp/6555872977/ref=asc_df_6555872977/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379726091008&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=13271059152579916061&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1001725&amp;hvtargid=pla-1521435263197&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Vozes do Deserto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Nélida Piñon, retoma, como um mito, uma das mais célebres histórias da Literatura: </span><i><span style="font-weight: 400;">As mil e uma noites</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para salvar as futuras jovens das garras do poderoso Califa – que, inconformado pela traição da antiga esposa, casa-se todos os dias com uma jovem do reino para matá-la após a noite de núpcias –, Sherazade decide se casar com esse ser “desprezível”, prendendo-o através de suas histórias, determinada que o fim de sua imaginação e liberdade jamais seriam controladas por alguém.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma interessante, o romance mostra o domínio narrativo de Piñon ao evocar o cuidado na escolha das palavras, em que apodera-se da história original apenas como pretexto para narrar a situação da mulher no mundo contemporâneo. Dessa maneira, através da protagonista feminina mais famosa da Literatura universal, a intenção é elucidar e propulsionar seu protagonismo, bem como a importância do papel da fantasia na vida humana, criando uma linda metáfora sobre a </span><a href="https://personaunesp.com.br/redescobrir-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">resistência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_29653" aria-describedby="caption-attachment-29653" style="width: 714px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29653 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-714x1024.png" alt="Capa do livro Retalhos. Na imagem estão as ilustrações de Craig Thompson e Raina. Ele é um garoto branco de cabelos pretos lisos, está vestindo um casaco longo cinza, calças roxas e tênis preto. Ela é uma garota branca de cabelos loiros, está vestindo um casaco azul marinho, calças marrom e tênis preto e branco. Os dois estão de frente um para o outro. Ao fundo, há uma colcha de retalhos laranja. A parte superior da capa abriga o nome do autor e do livro." width="714" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-714x1024.png 714w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-558x800.png 558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-768x1101.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1.png 800w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29653" class="wp-caption-text">Retalhos acumula três prêmios Harvey e foi a vencedora do prêmio da crítica da Associação Francesa de Críticos e Jornalistas de Quadrinhos em 2005 (Foto: Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><b>Craig Thompson &#8211; Retalhos (592 páginas, Quadrinhos na Cia) </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Retalhos</span></i><span style="font-weight: 400;"> – traduzida no Brasil por </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02664"><span style="font-weight: 400;">Érico Assis</span></a><span style="font-weight: 400;"> – é a autobiografia do autor e ilustrador Craig Thompson. Na história, o leitor embarca em uma viagem pelas partes mais íntimas e singulares do protagonista de maneira sensível e avassaladora. Entre os traços em preto e branco, a vivência do personagem em Wisconsin, nos Estados Unidos, é explorada a partir das relações que o marcaram ao longo da vida. As peças se desmontam na criação rígida e na opressão familiar, no afastamento com o irmão, na convivência dentro da escola, na religião e até em um relacionamento amoroso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É no primeiro amor que as cenas se tornam um pouco mais doces, com Raina – a garota que poderia ser um antônimo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UlISIohRwaE"><span style="font-weight: 400;">Thompson</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, o personagem se permite ousar e se desamarrar de certos nós. O relato é um misto doloroso de como a existência pode ser cruel e ao mesmo tempo deixar tantos aprendizados. Ao fim, todos os retalhos – sejam rasgados ou imaculados – formam o que há de mais singular no mundo: o próprio ser. &#8211;</span><b> Jamily Rigonatto</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29657" aria-describedby="caption-attachment-29657" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29657 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-728x1024.jpg" alt="Capa do livro até os ossos." width="728" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-728x1024.jpg 728w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-568x800.jpg 568w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-768x1081.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-1091x1536.jpg 1091w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1.jpg 1819w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29657" class="wp-caption-text">Bones &amp; All venceu o Alex Award de 2016, prêmio que reconhece produções literárias para jovens adultos (Foto: Suma)</figcaption></figure>
<p><b>Camille DeAngelis &#8211; Até os ossos (296 páginas, Suma) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maren quer ser uma adolescente normal com um vida igualmente comum, mas não consegue desviar de seus instintos canibais. Quando é abandonada pela mãe e decide rumar ao norte do país para, sozinha, encontrar o pai, conhece Lee, um jovem com quem divide semelhanças. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pjMt1MIk2EA"><i><span style="font-weight: 400;">Até os ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado em 2015 e que rendeu uma adaptação cinematográfica homônima dirigida por Luca Guadagnino, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> canibal de Camille DeAngelis mergulha nas camadas mais profundas da mente de Maren e vai além do horror para pincelar os anseios mais genéricos e universais de jovens adultos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anseios esses que nada têm a ver com o canibalismo. Apesar do fator efetivamente mover a narrativa, levando Maren e Lee </span><a href="https://personaunesp.com.br/na-natureza-selvagem-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">de uma ponta a outra</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos e chamar a atenção para a produção como um todo (ambas a literária e a cinematográfica), os peculiares hábitos alimentares dos dois servem mais como um subtexto. Juntos, o casal desvenda a solidão, amor e </span><a href="https://personaunesp.com.br/it-a-coisa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">amizade</span></a><span style="font-weight: 400;">, avalia o futuro e a ética versus necessidade do que fazem, enquanto embarcam em uma aventura na caminhonete de Lee. Para eles, há futuro que não seja fugindo de cidade em cidade ou estão condenados a sobrevivência por se renderem aos seus instintos? Como qualquer jovem adulto, </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556511683/ate-os-ossos"><i><span style="font-weight: 400;">Até os ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> continua, sem chegar a uma resposta definitiva. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<p><figure id="attachment_29661" aria-describedby="caption-attachment-29661" style="width: 379px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29661 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/a-morte-e-um-dia-1-1.jpg" alt="[A imagem é a capa do livro A morte é um dia que vale a pena viver. O fundo da capa é branco, e no topo está escrito em preto o nome da autora Ana Claudia Quintana Arantes. Abaixo há a ilustração de galhos floridos, os galhos são marrons e as flores tem tons avermelhados e rosados. Mais abaixo há o título do livro escrito em rosa. E por fim, em letra preta, menor e mais discreta que o título, há a frase “E um excelente motivo para se buscar um novo olhar para a vida" width="379" height="569" /><figcaption id="caption-attachment-29661" class="wp-caption-text">Em sua estreia no universo literário, Ana Claudia Quintana Arantes entrega uma obra reflexiva e difícil de engolir (Foto: Sextante)</figcaption></figure><b>Ana Claudia Quintana Arantes &#8211; A morte é um dia que vale a pena viver (192 páginas, Sextante)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A morte é um dia que vale a pena viver</span></i><span style="font-weight: 400;">, quem narra a história é uma médica especializada em </span><a href="https://www.casadocuidar.org.br/cuidados-paliativos/?gclid=Cj0KCQiAt66eBhCnARIsAKf3ZNEYG0XuQe-A-cUDnc58zYwa7qWt5s7SPUM3lMLm0oK3FitHMbQ1r0EaApaKEALw_wcB"><span style="font-weight: 400;">cuidados paliativos</span></a><span style="font-weight: 400;">: Ana Claudia Quintana Arantes traz parte de sua jornada profissional em busca de uma reflexão sobre a morte e o medo que a cerca. Em uma sociedade que vê o óbito como fim absoluto, a profissional explicita as dificuldades que sofreu até se encontrar em sua individualidade &#8211; lidar com o falecimento nunca foi algo fácil, mas, na profissão escolhida, que outra opção ela tinha?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aprender a enxergar a vida &#8211; ou a sua antítese &#8211; com outros olhos foi o caminho que Ana preferiu seguir. Contando suas vivências pessoais e profissionais, a doutora mostra o quão importante é a valorização da morte, o direito do indivíduo de partir com dignidade e a minimização do sofrimento de quem vai e de quem fica com a dor da despedida. A forma com que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ep354ZXKBEs"><span style="font-weight: 400;">Ana</span></a><span style="font-weight: 400;"> trata do assunto, ainda considerado um tabu, é admirável &#8211; compartilhando casos de alguns pacientes, o objetivo principal é concluído: causar ponderação sobre o que ainda aflige grande parte da população e a busca pelo propósito de vida de cada um. Tomara que, quando acabar de ler, veja o fim de seu ciclo na Terra de uma forma diferente. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_29660" aria-describedby="caption-attachment-29660" style="width: 606px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29660" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1.jpg" alt="Capa do livro Os Bons Companheiros. Nela temos uma divisão de vermelho e branco, sendo vermelho a parte superior e branco a inferior. Na parte superior, há a dianteira de um Opala desenhado na cor branca, com os detalhes da dianteira em preto. Em cada extremidade do carro, há uma linha pontilhada preta. Acima do carro, um card azul claro com alguns desenhos na borda e no seu interior está escrito “Nicholas Pileggi”. Abaixo dele, os dizeres “MADE IN D.A.R.K”. Passa pelo card, como se fosse uma borda do livro, uma linha dourada. Na parte inferior, vemos uma pá desenhada na cor preta e logo abaixo dela o título “GoodFellas” e abaixo dele em letras menores, a tradução “OS BONS COMPANHEIROS”. Na parte inferior da capa, lemos “DARKSIDE” sublinhado" width="606" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1.jpg 606w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1-559x800.jpg 559w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29660" class="wp-caption-text">Martin Scorsese, diretor da premiada adaptação, considera a obra um clássico moderno de True Crime (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Nicholas Pileggi &#8211; Os Bons Companheiros (271 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amplamente conhecido </span><a href="https://darkside.blog.br/os-bons-companheiros-por-dentro-da-mente-de-martin-scorsese/"><span style="font-weight: 400;">nas telas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a versão literária de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Bons Companheiros </span></i><span style="font-weight: 400;">também nasceu um clássico. Nela, acompanhamos a história de Henry Hill, um jovem garoto americano com descendência italiana e irlandesa que começa a fazer parte do dia a dia de uma máfia de seu bairro. Após 3 décadas convivendo com a família Lucchese, uma das cinco famílias que comandavam Nova York no século passado, Hill é preso por tráfico e entra no Programa Federal de Proteção à Testemunha, onde decide contar sua vivência para o jornalista Nicholas Pileggi, conhecido pelo seu trabalho cobrindo o mundo do crime organizado e da máfia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra é um retrato extremamente fiel das máfias que dominaram os Estados Unidos no século XX. Além de abdicar de todo o glamour característico desses grupos, a narrativa é contada pelo ponto de vista de alguém vindo de fora, que aos poucos subiu nos negócios da família e conhece todos seus meandros e corrupções. Extremamente brutal e visceral, o livro passeia pela violência, loucura, golpes, roubos e relações familiares de maneira fascinante e instigante, quase que nos inserindo e nos tornando parte da </span><a href="https://www.estilogangster.com.br/familia-lucchese-desde-sempre-uma-das-familias-mais-influentes-da-cosa-nostra/#:~:text=A%20fam%C3%ADlia%20foi%20fundada%20em,recepta%C3%A7%C3%A3o%20e%20assassinato%20de%20aluguel."><span style="font-weight: 400;">família Lucchese</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211;</b> <b>Guilherme Veiga</b></p>
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<p><figure id="attachment_29663" aria-describedby="caption-attachment-29663" style="width: 328px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29663 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Orgulho-e-Preconceito-1-1.jpg" alt="[Capa do livro Orgulho e Preconceito. Ao centro da imagem é possível ver o título do livro em preto; ao seu redor há uma moldura antiga, dourada e oval. No canto inferior direito há a figura de um homem em preto e branco, com o rosto coberto por uma rosa cor de rosa; no canto superior esquerdo há a figura de uma mulher em preto e branco, com o rosto coberto por uma rosa branca. No canto superior direito há um pedaço de um castelo antigo, com uma caligrafia também antiga por cima. No meio superior está o nome da autora em preto, e no inferior o nome da editora em amarelo escuro. O fundo da capa é azul, mas é possível ver ilustrações que imitam colagens em branco, bege, preto, rosa e dourado." width="328" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-29663" class="wp-caption-text">Orgulho e Preconceito retrata dois corações que superam obstáculos criados por eles mesmos (Foto: Martin Claret)</figcaption></figure><b>Jane Austen &#8211;  Orgulho e Preconceito (421 páginas, Martin Claret)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um clássico da literatura inglesa e o favorito de muitos &#8211; não por acaso, o livro, apesar de escrito no século XIX, é bastante visionário em algumas de suas pautas. A história foca principalmente em Elizabeth Bennet, uma das muitas filhas de uma família pobre, que sofre pressão da sociedade por já ter passado da idade casadoura. Lizzie é um exemplo e uma heroína para as mulheres e meninas da época porque em nenhum momento se obriga a acatar as regras patriarcais se submetendo a um homem e casando contra a sua vontade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mulher encontra seu interesse romântico ao longo da história: Senhor Darcy, um homem muito rico que também se interessa por ela. Os dois passam pelos seus próprios desafios pessoais para lidarem com seus sentimentos. Lizzie precisa passar por cima de seu orgulho para aceitar se relacionar e Darcy, superar seu preconceito para se juntar a uma companheira que vem de uma família pobre. Eles são diferentes, mas ao mesmo tempo similares e se complementam. </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai muito além de uma história de amor, é a narrativa de dois personagens que se esforçaram para sair de suas zonas de conforto e crescer como pessoas sem abandonar seus ideais. &#8211; </span><b>Gabrielli Natividade</b></p>
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<figure id="attachment_29662" aria-describedby="caption-attachment-29662" style="width: 585px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29662" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1.jpg" alt="Capa do livro A Droga da Obediência. Na arte, o plano de fundo é laranja para que as informações se destaquem o máximo possível. Na parte superior, o nome do autor Pedro Bandeira está escrito em letras garrafais na cor azul clara. No centro, o nome da série de lançamentos juvenis Os Karas também está escrita em letras garrafais, mas em cores pretas sobre um vetor branco. Na parte inferior, o nome do livro A Droga da Obediência está escrito na cor laranja, mas contornado de modo a se diferenciar do fundo. Por último, está posicionado o nome e o logo colorido da editora Moderna." width="585" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1.jpg 585w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1-549x800.jpg 549w" sizes="auto, (max-width: 585px) 85vw, 585px" /><figcaption id="caption-attachment-29662" class="wp-caption-text">Pedro Bandeira é o autor de literatura juvenil mais vendido da história do Brasil (Foto: Moderna)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Bandeira &#8211; A Droga da Obediência (192 páginas, Moderna)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem livros que são eternamente marcados pela presença praticamente obrigatória na grade escolar e, na maioria das vezes, o que é uma tentativa de introduzir a </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/educacao-basica/2021/01/4903079-apos-polemica-de-felipe-neto-como-abordar-literatura-classica-na-escola.html"><span style="font-weight: 400;">literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> no cotidiano dos </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/e-mais/2014/09/22/noticia-e-mais,159551/entrevista-com-pedro-bandeira-jovens-me-provam-que-e-gostoso-viver.shtml"><span style="font-weight: 400;">jovens estudantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, acaba se transformando na experiência nada agradável de se esforçar somente em busca de um boletim mediano. Contrariando o senso comum, </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/e-mais/2014/09/16/noticia-e-mais,159357/pedro-bandeira-comemora-30-anos-de-a-droga-da-obediencia.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">A Droga da Obediência</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Pedro Bandeira é aquela narrativa que encanta de primeira e te faz acreditar que todas as outras podem ser tão divertidamente viciosas como ela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 1984, o livro </span><i><span style="font-weight: 400;">A Droga da Obediência</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue os protagonistas na aventura de impedir o Doutor Q.I, vilão que deseja dominar o mundo com uma droga que causa a obediência. Miguel, Calú, Crânio, Chumbinho e Magri compõem o grupo que é “</span><i><span style="font-weight: 400;">o avesso dos coroas, o contrário dos caretas</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Rebelde com o papel e o lápis na mão, </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/pedro-bandeira-faz-80-anos-veja-5-livros-do-escritor-para-matar-a-saudade-da-infancia/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Bandeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou um clássico em meio as seis obras que fazem parte da coletânea investigativa </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2014/08/28/herois-da-literatura-jovem-os-karas-crescem-e-encaretam-em-novo-livro.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Os Karas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_29664" aria-describedby="caption-attachment-29664" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29664 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Rainhas da noite, do autor Chico Felitti. A capa mostra a foto de uma mulher branca, sentada no banco de trás de um carro, usando uma blusa vermelha. Em fonte branca, lê-se Rainhas da noite: As travestis que tinham São Paulo a seus pés e Chico Felitti. Ao lado, está o logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29664" class="wp-caption-text">Jacqueline Welch, Andréa de Mayo e Cristiane Jordan protagonizam a obra de Chico Felitti (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Chico Felitti &#8211; Rainhas da noite (256 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se dedicou à confecção de </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2020/04/13/resenha-livro-ricardo-e-vania/"><i><span style="font-weight: 400;">Ricardo e Vânia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Chico Felitti mergulhou no mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">da São Paulo de décadas atrás. A maturidade e o extenso material na manga fazem com que </span><i><span style="font-weight: 400;">Rainhas da noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegue aliado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">pedigree </span></i><span style="font-weight: 400;">do dono do </span><a href="https://open.spotify.com/show/0xyzsMcSzudBIen2Ki2dqV"><i><span style="font-weight: 400;">podcast </span></i><span style="font-weight: 400;">mais badalado</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ano passado (também interessado em cavucar as minúcias de uma cidade em ebulição e seus residentes). As protagonistas da vez são três mulheres de pose e poder: acompanhando as jornadas e o amadurecimento de Jacqueline, Andréa e Cristiane, o leitor embarca nas sensações de um mundo passado, mas em demasia presente no cotidiano do Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amplificando a voz de </span><a href="https://elastica.abril.com.br/expressao/livro-rainhas-da-noite-travestis-chico-felitti/"><span style="font-weight: 400;">mulheres trans e travestis</span></a><span style="font-weight: 400;">, pioneiras e verdadeiras ícones da comunidade LGBTQIA+, o livro investiga, suscita questões e problematiza o ecossistema da prostituição e dos jogos de poder da cidade que insiste em nunca dormir e virar o rosto para a parcela mais marginalizada de sua sociedade. Emocionante, elucidativo, grandioso, complexo e humano, o livro de Felitti, que </span><a href="https://gay.blog.br/anais-da-historia/entrevista-chico-felitti-fala-sobre-seu-novo-audiobook-rainhas-da-noite/"><span style="font-weight: 400;">nasceu como</span><i><span style="font-weight: 400;"> audiobook</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na voz de Renata Carvalho, ressuscita os sonhos e os amores dessas e de tantas outras figuras, apagadas à força, mas que, em trabalhos de memória e amor como este, aos poucos retornam aos lugares de direito. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_29655" aria-describedby="caption-attachment-29655" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29655 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Dia Um." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29655" class="wp-caption-text">Recebido pelo Persona na parceria com a editora Companhia das Letras, Dia Um é o primeiro romance do poeta Thiago Camelo (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Thiago Camelo &#8211; Dia Um (208 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele de costas, a porta batendo – essa é a última imagem que você tem de seu irmão”</span></i><span style="font-weight: 400;">, escreve </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/01/thiago-camelo-recusa-pecha-de-autoficcao-em-novo-livro-sobre-suicidio-do-seu-irmao.shtml"><span style="font-weight: 400;">Thiago Camelo</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas primeiras páginas de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211067/dia-um"><i><span style="font-weight: 400;">Dia Um</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, narrado em segunda pessoa, “você” é parte fundamental da história. Entender os motivos que levaram o irmão mais velho do protagonista a pular de um apart-hotel em Copacabana, desvendar as memórias e a tentativa de superação são essenciais neste que é o primeiro romance de Camelo. Com força e linguagem fascinantes – em parte porque o autor é também poeta –, a obra mantém o impacto da primeira à última passagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mecanismo de utilizar a voz em segunda pessoa aponta para dois caminhos: 1) rememorar e entender o que levou o irmão a se suicidar, voltando ao passado; 2) desmembrar a vida fraturada daqueles que permanecerem. “Você”, levado pelo narrador a uma viagem no tempo, é a única pessoa presente em ambos os cenários. Porém, o narrador é também um indivíduo em </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-critica/"><span style="font-weight: 400;">depressão</span></a><span style="font-weight: 400;">, e os relatos pouco confiáveis – como se pode sempre esperar na ficção – aludem a sua própria condição, agravada na morte do parente próximo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As “memórias ficcionais” dessas páginas em muitos aspectos lembram as narradas em </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour: Uma Introdução</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-apanhador-no-campo-de-centeio-70-anos/"><span style="font-weight: 400;">J.D. Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que acompanhamos Buddy Glass tentando desvendar o sucídio do irmão genial, Seymour. A grande ponte entre essas obras, porém, é que ambos constroem uma narrativa na qual o protagonista parte em uma busca errática desde sua origem, tentando dar voz a uma consciência alheia. Dessa forma, o pulo do irmão mais velho é contrastado pela inflexão do irmão mais novo, que relembra a vida solar e os momentos gloriosos que compartilharam, nos fazendo contemplar aqueles segundos eternos por páginas a fio. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Dia Um</span></i><span style="font-weight: 400;">, há uma viagem pelo luto e pela depressão, narrados com delicadeza e paixão, na qual tudo se transforma em metáfora. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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		<title>Estante do Persona – Outubro de 2021</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Nov 2021 23:31:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.” &#8211;  Carlos Drummond de Andrade Para poder valorizar cada vez mais a Literatura, parte tão importante e fundamental da cultura do nosso e de qualquer outro país, o Persona começa, agora, a preencher sua própria estante.  O mês de outubro marcou o início do nosso Clube &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2021/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Outubro de 2021"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24611" aria-describedby="caption-attachment-24611" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24611" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-800x420.jpg" alt="Arte retangular com fundo vermelho. Ao centro há uma estante de livros branca em formato retangular. Acima dela está escrito ESTANTE em fonte preta. Na primeira prateleira, na divisória esquerda, há o símbolo do Persona (desenho de um olho com a íris vermelha e um símbolo de play no lugar da pupila) ao lado da palavra DO em fonte preta. Na divisória da direita, está escrito PERSONA em fonte preta. Na segunda prateleira, há três divisórias, em que, na do meio, há a capa do livro A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector. Na terceira e última prateleira, também há 3 divisórias, em que, na da ponta direita, há um troféu com o formato do símbolo do Persona. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24611" class="wp-caption-text">A primeira edição do Estante do Persona discute a obra A Paixão segundo G.H., de Clarice Lispector, e traz indicações dos membros do Clube do Livro (Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan e Jho Brunhara/Texto de Abertura: Vitória Silva)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211;  Carlos Drummond de Andrade</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para poder valorizar cada vez mais a Literatura, parte tão importante e fundamental da cultura do nosso e de qualquer outro país, o Persona começa, agora, a preencher sua própria estante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mês de outubro marcou o início do nosso Clube do Livro, formado por membros da Editoria, que tem o intuito de promover a leitura compartilhada e encontros para discussão de alguma obra sugerida. Ao final do mês, o Clube ainda se reúne para montar o </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">, com um comentário que sintetize as ideias sobre a leitura realizada e uma </span><i><span style="font-weight: 400;">playlist </span></i><span style="font-weight: 400;">de músicas que se relacionem com a mesma, além de uma indicação de cada membro sobre algum livro marcante ou que mereça ser compartilhado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como primeira leitura, o Clube do Livro teve a honra de poder prestigiar </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html"><span style="font-weight: 400;">uma das maiores autoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Literatura brasileira. </span><a href="https://www.amazon.com.br/Paix%C3%A3o-Segundo-G-H-Clarice-Lispector/dp/853250809X"><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Clarice Lispector, é narrado em primeira pessoa pela personagem que tem suas duas iniciais presentes no título da obra. Uma mulher, moradora do Rio de Janeiro, que, ao desempenhar a tarefa de limpar o “quartinho dos fundos” de seu apartamento, mergulha em um fluxo de pensamento contínuo simbolizado por um monólogo de reflexões existencialistas, uma das grandes marcas da escrita da autora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E nada mais simbólico do que estrear essa publicação especial num mês com acontecimentos tão marcantes para o meio literário. Além de no dia 29 de outubro ser celebrado o </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-nacional-livro.htm"><span style="font-weight: 400;">Dia Nacional do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, as semanas anteriores também foram marcadas por grandes eventos. No dia 7, ocorreu a cerimônia de entrega do </span><a href="https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2021/10/04/premio-nobel.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Nobel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Literatura 2021, que foi concedido ao autor </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/de-refugiado-ao-nobel-da-literatura-quem-e-o-autor-abdulrazak-gurnah/"><span style="font-weight: 400;">Abdulrazak Gurnah</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nascido na ilha de Zanzibar, atual Tanzânia, em 1948, o escritor é </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427"><span style="font-weight: 400;">especialista em Literatura pós-colonial e na temática de refugiados</span></a><span style="font-weight: 400;">, colecionando em sua carreira títulos como </span><a href="https://www.amazon.com.br/Paradise-Abdulrazak-Gurnah/dp/1565841638"><i><span style="font-weight: 400;">Paradise</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.amazon.com.br/Afterlives-Abdulrazak-Gurnah/dp/1526615851"><i><span style="font-weight: 400;">Afterlives</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais ao final do mês, no dia 20, foi realizada a entrega do </span><a href="https://www.bn.gov.br/explore/premios-literarios/premio-camoes-literatura"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Camões</span></a><span style="font-weight: 400;">, para a moçambicana </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/09/21/a-escrita-sagrada-da-romancista-mocambicana-paulina-chiziane"><span style="font-weight: 400;">Paulina Chiziane</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tão simbólica quanto a vitória de Gurnah, Chiziane é a </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1451639528716898306"><span style="font-weight: 400;">primeira mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> a publicar um romance em Moçambique,</span> <a href="https://www.amazon.com.br/Balada-Amor-Vento-Paulina-Chiziane/dp/9722128159"><i><span style="font-weight: 400;">Balada de Amor ao Vento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que o fez depois da independência. Com a figura da mulher moçambicana e africana no centro de sua escrita, a autora dedica-se a explorar os problemas enfrentados pela mesma no meio social, e tem como uma de suas obras de maior prestígio </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/literatura/niketche-uma-historia-de-poligamia.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Niketche: Uma História de Poligamia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que uma mulher decide conhecer as outras esposas de seu marido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No clima desse mês repleto de grandes feitos na Literatura, você confere as indicações do Clube do Livro na primeira edição do </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24591"></span></p>
<h2>Livro do Mês</h2>
<figure id="attachment_24593" aria-describedby="caption-attachment-24593" style="width: 538px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24593 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao-538x800.jpg" alt=" A imagem é a foto da capa do livro A Paixão segundo G.H.. Com um fundo na cor creme com linhas de distorção, é possível ver no canto superior direito dunas de areia e edifícios que remetem à arquitetura árabe. Abaixo, está escrito Clarice Lispector em letra cursiva e na cor vermelha e o título do livro em caixa alta e na cor bege. No canto inferior esquerdo, abaixo do título, há o desenho de uma moça branca, com cabelos castanhos longos presos em um rabo de cavalo baixo; ela veste uma blusa azul clara de mangas compridas. " width="538" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao-538x800.jpg 538w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 538px) 85vw, 538px" /><figcaption id="caption-attachment-24593" class="wp-caption-text">A Paixão segundo G.H. ganhou uma adaptação para o Cinema em 2020, dirigida por Luiz Fernando Carvalho e com Maria Fernanda Cândido no papel principal (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Clarice Lispector &#8211; A Paixão segundo G.H. (175 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 1964, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um passeio pelo mais profundo íntimo do ser humano. Em seu apartamento no Rio de Janeiro, a protagonista, reconhecida apenas pelas duas iniciais, decide limpar o quarto da empregada, logo após demitir a mesma. O que parece ser uma tarefa banal como tirar pó do armário, desencadeia uma série de reflexões existencialistas e contestações sobre decisões passadas, ao ponto que, ao esmagar uma barata em meio ao processo, G.H. engata em um relato sobre a perda da sua individualidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecida por utilizar recursos como análise psicológica e monólogo interior, o presente livro é o mais puro suco que poderíamos ter da </span><a href="https://www.ebiografia.com/clarice_lispector/"><span style="font-weight: 400;">Literatura de Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ainda se encontra com o teor de obras de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/25/cultura/1516835051_025456.html"><span style="font-weight: 400;">Virginia Woolf</span></a><span style="font-weight: 400;"> e até mesmo </span><a href="https://www.culturagenial.com/livro-a-metamorfose-de-franz-kafka/"><i><span style="font-weight: 400;">A Metamorfose</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Franz Kafka. Os capítulos não possuem marcações definidas, mas funcionam como sequências sistemáticas, em que cada um se inicia com a frase que encerrou o anterior. Esse aspecto cíclico também é notório no início e final do livro, em que a protagonista termina a narrativa chegando ao mesmo ponto que a desencadeou inicialmente, em um retrato perfeito do que é o complexo processo do pensar humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de lançada no século passado, a obra de Clarice também dialoga com produções do presente, como, por exemplo, a série </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que tem uma protagonista que enfrenta dilemas e conflitos internos na mesma proporção e, coincidentemente, também não tem seu nome revelado para o público. Por mais que, às vezes, seja um pouco repetitiva ou até mesmo de difícil compreensão em certas passagens, é impossível não se encontrar com pelo menos um trecho de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com grandes sacadas de gênia da autora, pensamentos até então nunca questionados são transpostos em simples palavras ou frases, que encontram-se poeticamente e se tornam tudo que precisávamos ler, mas ainda não sabíamos. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Todo momento de achar é um perder-se a si próprio”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: A Paixão segundo G.H. - Clube do Livro Outubro de 2021" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/1NT9TGmh6mbP2gnkf5cs3S?si=c6c81412a4914958&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<h2></h2>
<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_24594" aria-describedby="caption-attachment-24594" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24594" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-534x800.jpg" alt="Capa do livro Desonra, de J.M. Coetzee. Na imagem, vemos diversas linhas em cor vermelha e verde, assemelhando-se a um labirinto. Ao centro, há uma faixa de cor verde. Dentro dessa faixa, na extremidade direita, está escrito J.M. Coetzee, em fonte de cor branca. Abaixo, também em fonte de cor branca, está escrito Desonra. Ainda dentro dessa faixa, na parte inferior esquerda, está escrito Prêmio Nobel Companhia das Letras, em fonte de cor branca. Há uma coroa de louros de cor branca desenhada entre as palavras Prêmio e Nobel." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra.jpg 1002w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-24594" class="wp-caption-text">Lançado em 1999, Desonra foi a obra citada para a vitória de J.M. Coetzee no Nobel de Literatura de 2003 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>J.M. Coetzee &#8211; Desonra (248 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><a href="https://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/5-razoes-para-ler-Desonra-de-J-M-Coetzee-em-clubes-de-leitura9"><i><span style="font-weight: 400;">Desonra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi publicado em 1999, e é considerado o grande clássico de </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/jmcoetzee-comenta-autores-classicos-menos-conhecidos-em-ensaios-24841120"><span style="font-weight: 400;">J.M. Coetzee</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritor sul-africano que recebeu o </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427"><i><span style="font-weight: 400;">Nobel </span></i><span style="font-weight: 400;">de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2003. A obra foi tão impactante que fez o autor levar o prêmio </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/mia-couto-primeiro-autor-de-lingua-portuguesa-na-final-do-man-booker-international-prize-15683781"><i><span style="font-weight: 400;">Man Booker</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pela segunda vez — ele já havia recebido em 1983, pelo livro </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2806200314.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Vida e Época de Michael K</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> —, sendo o único a ter recebido duas vezes a honraria. O título original é </span><i><span style="font-weight: 400;">Disgrace</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém o tradutor José Rubens Siqueira optou por um caminho mais amplo e, talvez, mais poético. Mas, afinal, do que se trata o livro? No mais puro sentido, trata-se de um homem que cai em desgraça. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos situados em uma África do Sul </span><a href="https://www.politize.com.br/nelson-mandela-e-a-luta-contra-o-apartheid/"><span style="font-weight: 400;">pós-</span><i><span style="font-weight: 400;">apartheid</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e enxergamos esse cenário sob a visão de David Lurie, professor de Literatura na Universidade da Cidade do Cabo. A percepção afiada de Coetzee nos faz vislumbrar como ninguém a sociedade fraturada que se desenvolveu no país, na qual qualquer relação afetiva verdadeira está fadada ao fracasso. Após uma sucessão de acontecimentos dramáticos, abalando profundamente a vida do professor Lurie, ele se vê obrigado a retornar à propriedade rural da filha, Lucy, a fim de encontrar um ponto de equilíbrio entre a sua formação humanista e as normas sociais pré-estabelecidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somente nesse cenário precário, muito distante da pacata vida acadêmica que estava habituado, ele entende o verdadeiro significado de brutalidade e sofrimento. Com uma narrativa envolvente, através de capítulos curtos — que mostram a habilidade do escritor na escolha das palavras —, o livro nos mantém presos e estimulados do começo ao fim. </span><i><span style="font-weight: 400;">Desonra</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi adaptado ao Cinema pelo diretor Steve Jacobs, no </span><a href="http://www.revistacinetica.com.br/disgrace.htm"><span style="font-weight: 400;">filme homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2008, e traz </span><a href="https://personaunesp.com.br/estou-pensando-em-acabar-com-tudo-critica/"><span style="font-weight: 400;">John Malkovich</span></a><span style="font-weight: 400;"> no papel de David Lurie. No Brasil, a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;"> publica a obra completa de J.M. Coetzee. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_24595" aria-describedby="caption-attachment-24595" style="width: 525px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24595 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-525x800.jpg" alt=" Capa do livro Amigo Imaginário. Em frente a um fundo preto, vemos, na parte superior central, as palavras “Amigo Imaginário” em caixa alta, em uma fonte branca e estilizada, e, no canto superior direito, o logo da Editora Record.. Na parte central, vemos uma árvore, com o tronco iluminado e com uma escada pendurada. À frente da árvore, vemos a silhueta preta de uma pessoa, aparentemente uma criança. Ao lado dela, vemos a frase “Autor do best-seller”, em uma fonte branca cursiva e, abaixo, a frase “As Vantagens de Ser Invisível”, na mesma fonte branca, em caixa alta e estilizada do título. Na parte inferior central, vemos as palavras “Stephen” e logo abaixo, “Chbosky”, ambas em caixa alta, na mesma fonte branca estilizada do título." width="525" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-525x800.jpg 525w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-672x1024.jpg 672w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-768x1171.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1007x1536.jpg 1007w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1343x2048.jpg 1343w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1200x1830.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario.jpg 1679w" sizes="auto, (max-width: 525px) 85vw, 525px" /><figcaption id="caption-attachment-24595" class="wp-caption-text">Com tradução de José Roberto O’Shea, Amigo Imaginário foi publicado em 2019 (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Stephen Chbosky &#8211; Amigo Imaginário (767 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se Christopher não construir uma casa da árvore no bosque da cidade antes do Natal, sua mãe e os moradores de Mill Grove morrerão. Pelo menos é o que diz a voz na cabeça do menino, que começou a acompanhá-lo desde que ele desapareceu na mata e retornou seis dias depois, intacto e sem memória do que havia acontecido. Nas quase 800 páginas de </span><a href="https://www.bibliotecadoterror.com.br/2019/12/amigo-imaginario-livro-de-horror-de.html"><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as histórias de Christopher e sua mãe, Kate, se entrelaçam a dos moradores do local e do caso não resolvido que intriga a cidade há décadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do mesmo autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Vantagens de Ser Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;">, as semelhanças entre as </span><a href="https://themercury.com/ap/entertainment/why-dear-evan-hansen-is-a-sibling-to-stephen-chboskys-the-perks-of-being-a/article_c48071b1-1413-54b9-9775-3385dbfa3aa8.html"><span style="font-weight: 400;">obras de Stephen Chbosky</span></a><span style="font-weight: 400;"> acabam por aí. Diferente do sensível </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;">, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário</span></i><span style="font-weight: 400;">, o escritor cria uma narrativa assombrosa, cheia de suspense, terror psicológico e fantasia, com muitas metáforas e um forte simbolismo religioso. O excesso de reviravoltas prolonga o livro mais do que o necessário e faz com que o calhamaço se arraste nas páginas finais, mas a habilidade do </span><a href="https://cinebuzz.uol.com.br/noticias/livros/autor-de-vantagens-de-ser-invisivel-stephen-chbosky-lanca-primeiro-livro-em-20-anos.phtml"><span style="font-weight: 400;">autor</span></a><span style="font-weight: 400;"> em enganar o leitor, assim como faz com o protagonista, torna os caminhos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário </span></i><span style="font-weight: 400;">surpreendentes e envolventes do início até (quase) o fim. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_24596" aria-describedby="caption-attachment-24596" style="width: 518px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24596" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-518x800.jpg" alt="Capa do livro Cem Anos de Solidão. Na parte inferior vemos folhas verdes e azuis em um fundo rosa pink. Todo o fundo restante da capa é azul. Na parte central superior lê-se em branco PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA. Abaixo lê-se em pink GABRIEL. Abaixo lê-se em verde GARCÍA. Abaixo lê-se em verde MARQUEZ. Abaixo lê-se em branco cem anos de solidão." width="518" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-662x1024.jpg 662w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-768x1187.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-994x1536.jpg 994w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-1325x2048.jpg 1325w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-1200x1855.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao.jpg 1605w" sizes="auto, (max-width: 518px) 85vw, 518px" /><figcaption id="caption-attachment-24596" class="wp-caption-text">Para não se perder na história, recomenda-se que você tenha a árvore genealógica dos Buendía ao lado do livro (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel García Marquez &#8211; Cem Anos de Solidão (448 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O colombiano Gabriel García Marquez é um dos escritores mais traduzidos no mundo, e, em outubro de 1982, ganhou o </span><a href="https://homoliteratus.com/solidao-da-america-latina-discurso-de-garcia-marquez-no-nobel-de-literatura/"><span style="font-weight: 400;">Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Nobel</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo conjunto de sua obra. Entre seus manuscritos que refletem sobre os rumos políticos e sociais da América Latina, </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/conheca-a-historia-de-cem-anos-de-solidao-que-vai-virar-serie-na-netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o livro mais monumental, sendo também considerado o mais importante de sua coleção. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito mais que uma simples narrativa, é uma experiência imersiva nas sete gerações da família Buendía. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em Macondo, acompanhamos a formação, ascensão e queda da cidade fundada por José Arcádio e Úrsula Iguarán, os pais da família </span><a href="https://medium.com/@torresclark853/la-familia-buend%C3%ADa-7a5e8c021b81"><span style="font-weight: 400;">Buendía</span></a><span style="font-weight: 400;">. O apego pelo livro acontece exponencialmente, o passar do tempo nos faz reconhecer os fatos vividos pela estirpe condenada a cem anos de solidão. Denso de informações e acontecimentos, a obra mostra seus personagens relegados à solidão construindo um paralelo indireto com a América Latina.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem um início mais realista que se reflete na última metade mais fantástica, tudo construído com o empenho do autor em não perder a essência em que sua </span><a href="https://www.bonde.com.br/entretenimento/literatura/gabriel-garcia-marquez-conta-seus-segredos-38980.html"><span style="font-weight: 400;">avó materna</span></a><span style="font-weight: 400;"> lhe contava histórias, tornando cada objeto ainda mais vivo. Seu final mostra que a solidão, em todos seus dobramentos, é cíclica e intrínseca ao ser humano. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cien Años de Soledad</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, com certeza, um dos melhores livros já escritos. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_24597" aria-describedby="caption-attachment-24597" style="width: 462px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24597" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/5-os-miseraveis.jpg" alt="Capa do livro Os miseráveis mostra o perfil de uma menina branca e loira de expressão triste. Ao fundo da cena há alguns lampiões e no topo da foto está escrito Os Miseráveis em dourado e Victor Hugo em baixo em branco." width="462" height="664" /><figcaption id="caption-attachment-24597" class="wp-caption-text">Com tradução no Brasil de Regina Célia de Oliveira, Os Miseráveis apresenta, em suas 1511 páginas, injustiças sociais, revoluções e drama (Foto: Martin Claret)</figcaption></figure>
<p><b>Victor Hugo &#8211; Os Miseráveis (1511 páginas, Martin Claret)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Os Miseráveis</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos maiores clássicos da Literatura francesa. Publicada em 1862, a narrativa percorre a vida de várias pessoas pobres financeiramente ou de espírito, como forma de </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/literatura/victor-hugo.htm"><span style="font-weight: 400;">Victor Hugo</span></a><span style="font-weight: 400;"> denunciar a injustiça social tão presente na civilização humana. Como protagonista desta trama histórica temos Jean Valjean, um ex-presidiário condenado a 19 anos de reclusão por roubar um pão. Nesse mesmo plano temporal está Cosette, uma menina que vive em um estado deplorável na moradia dos </span><span style="font-weight: 400;">Thénardier, um casal grotesco que extorque as economias da mãe da criança que não pode criá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após presenciar a morte de Fantine, mãe de Cosette, Jean Valjean parte em busca da residência dos Thénardier para resgatar a menina. A partir daí, o ex-presidiário assume a paternidade da criança. Anos depois, a realidade dos personagens vira de cabeça para baixo. O casal avarento perde todas as suas economias, enquanto que Valjean e Cosette ascendem socialmente. No meio dessa trama de classes, eclodem diversas manifestações sociais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado por revoluções como </span><span style="font-weight: 400;">o evento de </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/a-revolucao-1830.htm"><span style="font-weight: 400;">Junho de 1832</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/historiag/batalha-de-waterloo.htm"><span style="font-weight: 400;">Batalha de Waterloo</span></a><span style="font-weight: 400;">, Victor Hugo relata em seu romance diversos eventos históricos marcantes e simbólicos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Miseráveis</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta como ponta pé inicial personagens em situações de vida deploráveis, que se desdobram em diversas manifestações sociais. Essa teia de narrativas profundas permitiu com que fossem realizadas diversas adaptações da obra, como filmes, peças de teatro e paródias literárias. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_24598" aria-describedby="caption-attachment-24598" style="width: 557px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-557x800.jpg" alt="Capa do livro Nomadland. A capa é azul e tem alguns escritos em branco. No topo da capa, lemos “Livro que baseou o vencedor do Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz de 2021”. Abaixo, lemos “Jessica Bruder” e “Nomadland”. Abaixo disso: “Sobrevivendo na América no século XXI”. No meio, vemos a foto de um trailer, estacionado em uma estrada de terra e mato, com o azul da capa se mesclando ao azul do céu. Na parte de baixo da capa, também em branco, está o nome da Editora Rocco. " width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-24598" class="wp-caption-text">Anos depois de ser publicado, a belíssima história de Nomadland rendeu alguns Oscars, ressaltando a força da Literatura de Não-Ficção dentro da Arte (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Jessica Bruder &#8211; Nomadland &#8211; Sobrevivendo na América no século XXI (304 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelas palavras de Jessica Bruder, nasce a Terra Nômade. Resultado de um trabalho extenso e vivido na pele pela jornalista, o livro de não-ficção se centra nas pessoas que vivem à margem da sociedade, desamparadas pelo governo e invisíveis para o mundo. Sem apontar soluções ou culpados diretos, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Nomadland-Sobrevivendo-Estados-Unidos-s%C3%A9culo/dp/6555321059"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland &#8211; Sobrevivendo na América no século XXI</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ruma pelas estradas norte-americanas, na companhia de Linda May, uma senhora de idade que encontra subsídio em empregos braçais e temporários. Sem casa, mas não sem lar, a nômade moderna é um dos inúmeros objetos de estudo da autora, que chegou a viver em uma </span><i><span style="font-weight: 400;">van</span></i><span style="font-weight: 400;">, para ter a experiência completa de sua história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado originalmente em 2017, o livro-reportagem chegou ao Brasil alguns meses atrás, traduzido por Ryta Vinagre e com a célebre frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“Livro que baseou </span></i><a href="http://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">o vencedor do Oscar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz de 2021”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sensível e carregado visual e tematicamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">é leitura obrigatória para quem almeja encontrar o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56640345"><span style="font-weight: 400;">meio-termo entre a Literatura e o Jornalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, usufruindo de conhecimento dos dois campos e, na jornada, criando uma linguagem muito única e singular que não apenas denuncia a irresponsabilidade do Estado para com seus idosos, mas também celebra o senso de comunidade que as dificuldades podem fazer nascer nos indivíduos. Se Chloé Zhao conseguiu emocionar com a vida real ficcionalizada, </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/o-filme-e-o-livro-sao-criaturas-bem-distintas-diz-autora-de-nomadland/"><span style="font-weight: 400;">Jessica Bruder foi a primeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> a encontrar esse tesouro. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_24599" aria-describedby="caption-attachment-24599" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24599 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/7-Cafe-da-Manha.jpeg" alt="Capa do livro Café da Manhã dos Campeões exibe um drinque numa taça." width="500" height="751" /><figcaption id="caption-attachment-24599" class="wp-caption-text">Um dos maiores best-sellers de Vonnegut também é um de seus livros mais engraçados (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Kurt Vonnegut &#8211; Café da Manhã dos Campeões (400 páginas, Intrínseca) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kilgore Trout é um escritor de ficção científica que descobre que Dwayne Hoover, um vendedor de carros aparentemente normal, está ficando maluco por causa de um de seus livros. Essa é a premissa inicial de </span><a href="https://www.amazon.com.br/Caf%C3%A9-Manh%C3%A3-Campe%C3%B5es-Kurt-Vonnegut/dp/8551005804"><i><span style="font-weight: 400;">Café da Manhã dos Campeões</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra-prima de </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Livros/noticia/2020/11/4-livros-essenciais-para-conhecer-obra-e-historia-de-kurt-vonnegut.html"><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aproveita sua história nada convencional para fazer uma crítica bem-humorada e ácida dos comportamentos da sociedade norte-americana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a presença dos famosos desenhos do autor, é uma leitura extremamente divertida, fluida e repleta de metalinguagem. Kurt Vonnegut escreve com um senso de humor e uma sagacidade tão apaixonantes que é impossível parar de ler. </span><i><span style="font-weight: 400;">Café da Manhã dos Campeões </span></i><span style="font-weight: 400;">insere a ampla criatividade da ficção científica em um contexto familiar, aproveitando para mostrar o quanto algumas ideias que tomamos como “inquestionáveis” na sociedade são, na verdade, bem absurdas. Não é engraçado? </span><b>&#8211; Caio Machado </b></p>
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<figure id="attachment_24600" aria-describedby="caption-attachment-24600" style="width: 554px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24600 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-554x800.jpg" alt="Capa do livro Alif, o invisível, da autora G. Willow Wilson. No centro da capa está o título do livro, em letras grandes e verde escuras, sob um fundo verde claro. Dentro da palavra “Alif”, escrita em letras curvadas, há pequenos circuitos eletrônicos verdes claros. Abaixo dela, “o invisível” está escrito em letras pretas e retas. Na parte inferior da capa, o nome da autora, em letras maiúsculas e verde escuras, e o logo da editora, Fantástica Rocco, com uma chave estilizada no lugar do “F”. As bordas da capa são estilizadas com padrões quadriculares verde escuros." width="554" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-709x1024.jpg 709w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-768x1110.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1063x1536.jpg 1063w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1418x2048.jpg 1418w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1200x1734.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel.jpg 1772w" sizes="auto, (max-width: 554px) 85vw, 554px" /><figcaption id="caption-attachment-24600" class="wp-caption-text">Alif é a primeira letra do alfabeto árabe, representada com um único traço vertical (Foto: Fantástica Rocco)</figcaption></figure>
<p><b> G. Willow Wilson &#8211; Alif, o invisível (349 páginas, Fantástica Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de ficar conhecida como uma das co-criadoras da </span><a href="https://feededigno.com.br/curiosidades/conheca-kamala-khan-a-ms-marvel/"><span style="font-weight: 400;">primeira heroína muçulmana</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Comics</span></i><span style="font-weight: 400;">, G. Willow Wilson já havia se provado uma das autoras de ficção mais indispensáveis da atualidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alif, o invisível</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu talento para criar mundos complexos e irresistíveis se faz presente na junção entre o moderno e o místico, na caracterização de uma distopia </span><a href="https://www.infoescola.com/generos-literarios/literatura-cyberpunk/"><i><span style="font-weight: 400;">cyberpunk</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tão palpável que desafia as distinções entre o real e o imaginário, visível e invisível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caçado pelo censor de um </span><a href="https://www.conjur.com.br/2020-mar-29/embargos-culturais-estado-excecao-anormalidade-constitucional"><span style="font-weight: 400;">estado de exceção</span></a><span style="font-weight: 400;"> não-nomeado do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55379502"><span style="font-weight: 400;">Oriente Médio</span></a><span style="font-weight: 400;">, o jovem </span><i><span style="font-weight: 400;">hacker</span></i><span style="font-weight: 400;"> Alif guarda consigo as chaves para a criação do aparato de repressão máximo, fruto da mágoa de seu coração partido. Após sua amada, Intisar, revelar que havia sido prometida a outro homem, Alif cria um programa para ocultar sua presença, na esperança de que ela nunca mais possa vê-lo ou contatá-lo pela </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Intisar, então, envia um livro misterioso que abre seus olhos para o mundo oculto dos </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%AAnio_(mitologia_%C3%A1rabe)"><i><span style="font-weight: 400;">djinn</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, expandindo o escopo da luta de Alif contra sua própria dor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Graças à </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/917985-devemos-ver-o-mundo-com-nossos-olhos-diz-convertida-ao-isla.shtml"><span style="font-weight: 400;">perspectiva única</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Wilson, a ficção do livro se transforma junto com seu protagonista desafortunado, assumindo as muitas facetas de um mundo destinado a não se conhecer até que esteja preparado para entender suas muitas diferenças. Seu mundo é construído como um castelo de areia no meio de um deserto, na abundância de detalhes em meio ao desconhecido e na fragilidade da vida de suas personagens, capazes de serem apagadas com um sopro do destino. </span><i><span style="font-weight: 400;">Alif, o invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ficção madura e envolvente, e o trabalho de uma escritora no pico de sua criatividade e habilidade. </span><b>&#8211; Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_24592" aria-describedby="caption-attachment-24592" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24592" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-533x800.jpg" alt="Capa do livro Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf. Dois terços da imagem são compostos por uma ilustração, que mostra uma mulher sentada numa cama lendo um livro. Ela está inclinada para o lado esquerdo da imagem e apoia os cotovelos na cama para segurar o livro na frente dos seus olhos. A mulher ilustrada é branca, tem cabelos curtos pretos e lisos. Ela usa um vestido preto de bolinhas brancas e o livro em suas mãos é num tom de terracota, com uma flor estampando a capa. Atrás dela, existe uma parede com estampa floral de fundo azul escuro, e os travesseiros atrás das costas da mulher também são estampados, bem como a colcha da cama onde ela está. Na linha inferior da capa, existe uma faixa fina branca, onde está escrito “Penguin Companhia” em preto e caixa alta, e no meio das palavras, existe o desenho de um pinguim laranja. Abaixo, existe uma faixa maior preta, onde, primeiro, está escrito “Clássicos” em branco, e logo abaixo, está escrito o nome da autora numa fonte laranja e o nome do livro em branco. " width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-24592" class="wp-caption-text">A edição mais popular de Mrs. Dalloway no Brasil é traduzida por Claudio Alves Marcondes (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Virginia Woolf &#8211; Mrs. Dalloway (235 páginas, Penguin Companhia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Literatura de Clarice Lispector sabe como ninguém apreciar a companhia de Virginia Woolf. Então, farei as honras de aproximá-las na primeira Estante do Persona. A obra escolhida para figurar ao lado da </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html"><span style="font-weight: 400;">voz marcante do Modernismo no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> é precursora do movimento na Literatura, que ostenta as palavras da autora inglesa como uma das suas maiores e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4vIs9JDPKSk"><span style="font-weight: 400;">mais importantes obras</span></a><span style="font-weight: 400;">. Primeiro grande sucesso de Woolf, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. Dalloway</span></i><span style="font-weight: 400;"> não poderia ficar de fora da seleção guiada pela genialidade de Lispector em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A referência de </span><a href="https://homoliteratus.com/woolf-e-lispector-o-ser-tudo-ou-ser-nada/"><span style="font-weight: 400;">Virginia em Clarice</span></a><span style="font-weight: 400;"> já deve sugerir o que esperar do romance, que, como toda boa obra moderna, não tem medo de seguir seu próprio caminho. Estamos falando de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4vIs9JDPKSk"><span style="font-weight: 400;">Literatura radical</span></a><span style="font-weight: 400;">, que extrai tudo o que pode das palavras através de técnicas narrativas como o fluxo de consciência, discurso indireto livre e narração onisciente, originando assim precisas </span><a href="https://livroecafe.com/2015/01/21/10-motivos-para-ler-mrs-dalloway/"><span style="font-weight: 400;">análises sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">, perfeitos registros históricos e potentes ensaios filosóficos. Para realizar tudo isso, Virgina Woolf precisou de apenas um dia da vida de Clarissa Dalloway na cidade de Londres em 1925. O resto, é história. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_24602" aria-describedby="caption-attachment-24602" style="width: 557px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24602" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-557x800.jpg" alt="Capa do livro Vermelho, Branco e Sangue Azul. A imagem é retangular vertical. O fundo é na cor rosa bebê. Na parte superior, lê-se em azul: “Um romance entre a Casa Branca e o Palácio de Buckingham”. Abaixo, lê-se “Vermelho, Branco e Sangue Azul”. Na parte inferior, há duas ilustrações dos personagens Alex e Philip. Alex está na esquerda. Ele é um homem jovem, negro de pele clara, e veste uma roupa despojada: camisa polo branca, calça jeans, e sapato vermelho. Philip está na direita. Ele é um homem jovem branco, de cabelos ruivos, e veste uma roupa militar britânica. Entre os dois, há o nome da autora, Casey McQuiston. No canto inferior direito, há o logo da editora, “Seguinte”. " width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-24602" class="wp-caption-text">Vermelho, Branco e Sangue Azul foi traduzido para o português por Guilherme Miranda (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Casey McQuiston &#8211; </b><b>Vermelho, Branco e Sangue Azul </b><b>(</b><b>392</b><b> páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida não deveria ser feita só de leituras sérias, e </span><a href="https://www.editoraseguinte.com.br/titulo/index.php?codigo=55186"><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">se encaixa perfeitamente nessa categoria. Em suas quase quatrocentas páginas, a narrativa que Casey McQuiston desenvolve é extremamente ágil e dinâmica. A história parte de encontros puramente diplomáticos entre Alex Claremont-Diaz, o filho da presidenta dos Estados Unidos, e Philip, o príncipe britânico, que acabam se transformando em um gato e rato </span><a href="https://meowbookblog.com/2021/03/15/1-cliche-5-livros-enemies-to-lovers/"><i><span style="font-weight: 400;">enemies to lovers</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">de inimigos para amantes</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre Alex e Philip é igualmente insuportável e viciante, e &#8211; entre o emaranhado de romance, sexo, drama e a burocracia desse relacionamento &#8211; acompanhamos a campanha de reeleição da mãe de Claremont-Diaz e toda a política envolvida em um movimento dessa magnitude. Ao mesmo tempo, Philip precisa se entender com uma família real extremamente tradicional e conservadora. Apesar de se encaixar como uma leitura </span><a href="https://personaunesp.com.br/enquanto-eu-nao-te-encontro-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito mais que apenas uma história de amor entre a Casa Branca e o Palácio de Buckingham, é uma trama completa e instigante de sentimentos humanos tentando encontrar espaço no cenário diplomático mundial. </span><b>&#8211; Jho Brunhara</b></p>
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<figure id="attachment_24603" aria-describedby="caption-attachment-24603" style="width: 553px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24603" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2-553x800.jpg" alt="A imagem é a foto da capa do livro Alucinadamente Feliz. Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis, da autora Jenny Lawson. Ao centro, sob um fundo amarelo que remete a feno, há o desenho de um guaxinim em pé, com os braços dianteiros levantados para cima e um sorriso no rosto. Em cima do seu peito, está escrito ALUCINADAMENTE FELIZ, em caixa alta e fonte branca. Logo embaixo, em Times New Roman e fonte branca, está escrito UM LIVRO ENGRAÇADO SOBRE COISAS HORRÍVEIS. Abaixo disso, está o nome da autora, JENNY LAWSON, novamente em caixa alta e fonte branca." width="553" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2.jpg 685w" sizes="auto, (max-width: 553px) 85vw, 553px" /><figcaption id="caption-attachment-24603" class="wp-caption-text">Amiga próxima do renomado Neil Gaiman, Jenny Lawson se tornou amplamente conhecida por seus relatos no blog The Bloggess (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Jenny Lawson &#8211; Alucinadamente Feliz: Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis (352 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Alucinadamente-Feliz-Engra%C3%A7ado-Coisas-Horr%C3%ADveis/dp/8580579317"><i><span style="font-weight: 400;">Alucinadamente Feliz: Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é o que acontece quando uma pessoa completamente pirada (no melhor sentido da palavra) decide escrever um livro. </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/autor/307/"><span style="font-weight: 400;">Jenny Lawson</span></a><span style="font-weight: 400;">, autora </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;">, teve uma das ideias mais geniais para lidar com seus diversos </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/26/sociedad/1411730295_336861.html"><span style="font-weight: 400;">distúrbios mentais e desgraças do dia a dia</span></a><span style="font-weight: 400;">: compartilhá-los com o resto do mundo. Pode se esperar que a vida de alguém depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos), seja um fardo impossível de carregar, mas Jenny consegue como ninguém fazer uso do bom e velho ditado </span><i><span style="font-weight: 400;">rir para não chorar</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2015, e traduzido para o português por Andrea Gottlieb de Castro Neves, o livro traz em cada capítulo uma história diferente sobre o cotidiano da autora. Abordando desde questões pessoais até o seu casamento, trabalho, família, afeição esquisita por animais empalhados ou qualquer outro puro e simples episódio banal da sua vida, todos carregam uma mesma característica: finais trágicos, ou no mínimo vergonhosos. Isso tudo narrado com um tom </span><a href="https://personaunesp.com.br/bo-burnham-inside-critica/"><span style="font-weight: 400;">irônico e autodepreciativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> medido em doses exatas, que transformam qualquer acontecimento horrível em um bom entretenimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande prazer de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alucinadamente Feliz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é lembrar a cada segundo que se tratam de relatos puramente reais. E, por mais específicos que sejam cada um deles, e por mais particular que seja a mente conturbada de Jenny, é quase natural se encontrar com as maluquices que ela descreve em um mundo em que a cada dia estamos mais malucos. Dessa forma, a moral final da história é apenas uma: você não está sozinho. </span><b>&#8211; Vitória Silva </b></p>
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