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	<title>Arquivos Marcela Jardim &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Dependência emocional e ansiedade são as correntes de locket, de Madison Beer</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 13:00:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Madison Beer passou boa parte da última década ocupando um lugar ingrato no pop: visível o suficiente para gerar expectativas, mas sempre à sombra de um ‘potencial ainda não realizado’. Desde o início viral, ainda adolescente, sua trajetória foi marcada por tentativas de se desvincular da imagem de fenômeno da internet e se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-locket/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dependência emocional e ansiedade são as correntes de locket, de Madison Beer"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37457" aria-describedby="caption-attachment-37457" style="width: 300px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-37457 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-4.png" alt="Capa do álbum locket de Madison Beer. A imagem mostra a cantora Madison Beer, uma mulher de pele branca e jovem. Ela aparece de perfil, com os olhos baixos e uma expressão melancólica. Seu cabelo escuro está preso em um penteado meio-preso, com mechas soltas emoldurando o rosto. Ela segura delicadamente um medalhão dourado em formato de coração contra o peito. O fundo apresenta uma parede azul clara e o topo de um sofá vintage bege." width="300" height="300" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-4.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-4-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 300px) 85vw, 300px" /><figcaption id="caption-attachment-37457" class="wp-caption-text">locket é o quarto disco da cantora (Foto: Epic Records)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Madison Beer passou boa parte da última década ocupando um lugar ingrato no </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">: visível o suficiente para gerar expectativas, mas sempre à sombra de um ‘potencial ainda não realizado’. Desde o início viral, ainda adolescente, sua trajetória foi marcada por tentativas de se desvincular da imagem de fenômeno da internet e se afirmar como artista completa. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0Q0rJ81u7O4EFCpqkcwJJ2?si=GFHAZ7AFQVqmnlsBs-h19A"><i><span style="font-weight: 400;">Silence Between Songs</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023) já indicava uma virada mais autoral e confessional; entretanto, ainda soava como um álbum de transição. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">locket</span></i><span style="font-weight: 400;">, Beer finalmente parece entender que maturidade artística não é apenas cantar sobre dor, é organizá-la em uma narrativa coesa. O disco surge como um ponto de consolidação, em que a vulnerabilidade é uma forma de linguagem.</span></p>
<p><span id="more-37456"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa busca por uma estética própria aproxima a cantora de carreiras como as de </span><a href="https://personaunesp.com.br/midnight-sun-critica/"><span style="font-weight: 400;">Zara Larsson</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mans-best-friend-reune-o-melhor-de-sabrina-carpenter-humor-acido-tensao-sexual-e-melancolia/"><span style="font-weight: 400;">Sabrina Carpenter</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ambas passaram anos orbitando </span><i><span style="font-weight: 400;">hits </span></i><span style="font-weight: 400;">esporádicos até compreenderem que sucesso duradouro nasce quando imagem, som e discurso se alinham. Zara encontrou força ao assumir um ritmo mais nostálgico e com </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe </span></i><span style="font-weight: 400;">de verão. Já Carpenter deslanchou quando abraçou ironia, sensualidade e bagagem pessoal sem medo do julgamento. Madison, em </span><i><span style="font-weight: 400;">locket</span></i><span style="font-weight: 400;">, faz movimento semelhante ao entender que sua marca está no íntimo, no frágil e no desconfortável. A produção não tenta competir com tendências de </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok </span></i><span style="font-weight: 400;">ou refrões fáceis, ele constrói atmosfera. É o momento em que a artista para de perguntar quem deveria ser e começa a mostrar quem é.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Madison Beer - yes baby (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/iFmNWm60bjA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco se apresenta como um álbum de término, mas escapa do óbvio ao transformar a separação em um relicário emocional – um espaço onde cada faixa guarda fragmentos de memória, padrões e feridas recorrentes. Logo na abertura, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7jTivrWVYkjTXUS9DnUOfK?si=02e0ffd7143b4b89"><i><span style="font-weight: 400;">locket theme</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">estabelece esse tom íntimo, quase etéreo, como se Madison convidasse o ouvinte a ‘abrir’ esse pingente simbólico e encarar o que foi guardado ali dentro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse gesto inicial se desdobra em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/01aNqddaggrPJYUIdRApRD?si=e77f2133f0634809"><i><span style="font-weight: 400;">bad enough</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a artista mergulha na dependência afetiva com uma honestidade desconfortável – quando ela admite aceitar migalhas afetivas, há uma sensação implícita em vários trechos, como em: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Taken, but it&#8217;s holding me back and I feel kind of bad about that, but I don&#8217;t wanna be alone” </span></i><span style="font-weight: 400;">(“Estou comprometida, mas isso está me atrapalhando e me sinto meio mal por isso, mas não quero ficar sozinha”). A repetição emotiva presente na canção reforça justamente essa estagnação, já que em vez de dramatizar a toxicidade, a produção retrata a autossabotagem de forma íntima, mostrando como a carência sentimental faz relações insuficientes parecerem mais suportáveis do que a solidão. Isso sintetiza o conflito central da produção. Aqui, </span><a href="https://personaunesp.com.br/life-support-critica/"><span style="font-weight: 400;">Madison Beer</span></a><span style="font-weight: 400;"> não romantiza a dor; ela a disseca, expondo o apego ao que machuca como algo mais suportável do que o vazio de ir embora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse olhar se aprofunda em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3jYZFB7ohoWPuZ5wLhZkuk?si=f9054cca83d94ba3"><i><span style="font-weight: 400;">healthy habits</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a fragilidade emocional se conecta diretamente com ansiedade e autossabotagem. A canção ecoa a vulnerabilidade introspectiva que </span><a href="https://personaunesp.com.br/ha-5-anos-taylor-swift-transformava-isolamento-em-enredo-e-silencio-em-poesia-com-folklore/"><span style="font-weight: 400;">Taylor Swift</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta em faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">The Archer </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">mirrorball</span></i><span style="font-weight: 400;">, especialmente quando Beer canta sobre o esforço constante de parecer bem enquanto tudo desmorona. Já em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/13T1nG7nwaoF8EUUwAQnlp?si=1c81611f862e4274"><i><span style="font-weight: 400;">you’re still everything</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o álbum atinge um de seus pontos mais sufocantes: a perda total de identidade dentro de um relacionamento. A sensação de insuficiência permeia a faixa, como se a própria existência dependesse do outro, reforçando a ideia de que o fim não é apenas amoroso, mas também psicológico.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Madison Beer - bad enough (Official Music Video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/07SeT_QSJ08?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Musicalmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">locket</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona como um mosaico coeso de referências do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">contemporâneo sem perder identidade própria. Há ecos da delicadeza vocal de </span><a href="https://personaunesp.com.br/eternal-sunshine-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ariana Grande</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas harmonias suaves e nos vocais quase sussurrados, usados para transformar fragilidade em textura sonora. Já a influência de </span><a href="https://personaunesp.com.br/hit-me-hard-and-soft-critica/"><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece na atmosfera claustrofóbica: silêncios, graves abafados e distorções criam a sensação de ansiedade constante. A teatralidade sensível de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-rise-and-fall-of-a-midwest-princess-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chappell Roan</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge nos contrastes entre contenção e explosão, intensificando o drama das relações retratadas. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4YMsS8OqXICdQXF5HNUxFq?si=ea3a332b15854926"><i><span style="font-weight: 400;">make you mine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tudo isso se encontra em uma produção sedutora que acompanha a obsessão inicial da narrativa, fazendo o álbum soar como um fluxo contínuo de pensamentos e emoções.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse curso encontra um ponto de virada em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6vDVu9IM9s8L8XMQ1c1Yti?si=b3952da0cc584eab"><i><span style="font-weight: 400;">bittersweet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde Beer começa a ensaiar um rompimento emocional. O sentimento agridoce da faixa – algo como </span><i><span style="font-weight: 400;">“Now that it&#8217;s over, you&#8217;ll blame it all on me. I know I should be bitter, but baby, right now I&#8217;m bittersweet”</span></i><span style="font-weight: 400;"> (“Agora que acabou, você vai colocar toda a culpa em mim. Eu sei que deveria estar amargurada, mas, meu bem, agora estou agridoce”) – traduz o conflito entre alívio e luto. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7zyYU4vIzdgs4wNTOpwKfA?si=eae1c9aee1ed40bd"><i><span style="font-weight: 400;">complexity</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, essa virada se transforma em autoanálise: a artista reconhece padrões, questiona suas escolhas e aponta para a necessidade de amor próprio antes de qualquer nova relação. Ainda assim, não há soluções fáceis.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Madison Beer - bittersweet (Official Music Video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/YcpMVsvK8pk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O encerramento com </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/1DzjKKWbPIOo2afjAufLNi?si=ea5f23db811c464f"><i><span style="font-weight: 400;">nothing at all</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mantém essa coerência ao recusar um final redentor. A música abraça o vazio do pós-término, sugerindo um silêncio carregado de incerteza –</span><i><span style="font-weight: 400;"> “I&#8217;m comfortable, I&#8217;m okay, I&#8217;m not that miserable. I&#8217;m somewhere in the middle of it all. I honestly just don&#8217;t wanna spend my energy, fixing all these broken things” </span></i><span style="font-weight: 400;">(“Estou confortável, estou bem, não estou tão infeliz assim. Estou mais ou menos no meio disso tudo. Sinceramente, só não quero gastar minha energia consertando todas essas coisas quebradas”) sintetiza o medo, a letargia sentimental e a inevitabilidade do fim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da construção sonora, </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/madison-beer-esta-pronta-para-voltar-ao-pop/"><span style="font-weight: 400;">a obra também se expande visualmente</span></a><span style="font-weight: 400;">. O videoclipe de </span><i><span style="font-weight: 400;">make you mine</span></i><span style="font-weight: 400;"> mistura a estética colegial com elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher </span></i><span style="font-weight: 400;">para transformar a paixão obsessiva em algo quase ameaçador: os corredores, os enquadramentos escuros e a atmosfera de perseguição sugerem que o romance já nasce contaminado pela dependência emocional. A sedução deixa de parecer inocente e passa a carregar tensão constante, como se o perigo estivesse escondido dentro da própria idealização amorosa. Já </span><i><span style="font-weight: 400;">bittersweet</span></i><span style="font-weight: 400;"> aposta em alegorias e sátiras midiáticas para representar o desgaste do relacionamento. O excesso visual, a artificialidade das cenas e o tom performático reforçam a ideia de que o amor também pode virar espetáculo – algo consumido, encenado e romantizado até perder autenticidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8v_JMG_NMHM"><i><span style="font-weight: 400;">locket</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não busca oferecer catarse ou superação imediata. Madison Beer transforma carência afetiva, ansiedade e autossabotagem em eixo narrativo, criando um álbum que entende a paixão tóxica não como exceção dramática, mas como um ciclo silencioso de apego, medo e desgaste psicológico. Ao unir produção atmosférica, letras confessionais e uma identidade visual cuidadosamente construída, a artista consolida sua fase mais madura até aqui. Mais do que reinventar o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, Beer encontra força justamente na honestidade emocional – fazendo da obra um retrato íntimo de tudo aquilo que permanece preso mesmo depois do fim.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: locket" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/766kQKYQvONQk339t5payy?si=sfVqE2QuTkCejO2V177mUQ&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Há cinco anos, Julie and the Phantoms chegava à beira da perfeição mas foram impedidos de continuar brilhando</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 13:00:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Cinco anos após sua estreia, Julie and the Phantoms permanece como um dos casos mais emblemáticos, e talvez frustrantes, da cultura pop adolescente recente. Cancelada pela Netflix mesmo diante de números expressivos, engajamento orgânico e forte apelo musical, a série se tornou símbolo de uma era em que sucesso nem sempre garante continuidade. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ha-cinco-anos-julie-and-the-phantoms-chegava-a-beira-da-perfeicao-mas-foram-impedidos-de-continuar-brilhando/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há cinco anos, Julie and the Phantoms chegava à beira da perfeição mas foram impedidos de continuar brilhando"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36924" aria-describedby="caption-attachment-36924" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36924" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-3-800x450.png" alt="Cena de Julie and the Phantoms. A cena mostra um grupo musical de quatro jovens, composto por três homens e uma mulher, performando em um palco iluminado. A mulher, Julie, é negra e tem cabelos cacheados volumosos, está no centro, vestindo um vestido roxo com saia de tule e jaqueta brilhante. Os homens, brancos, usam roupas estilosas: Reggie com colete vermelho com tachas, Luke com jaqueta azul marinho e sem mangas e Alex com um blazer rosa claro. Todos seguram microfones e estão cantando, com expressões de empolgação. O palco é iluminado por um fundo de luzes vibrantes em tons de vermelho e branco, simulando fogos de artifício. A cena é vista de um ângulo baixo, com a plateia desfocada em primeiro plano, indicando um show ao vivo. A iluminação é intensa e colorida, criando uma atmosfera enérgica e festiva. A composição é dinâmica, com os artistas posicionados de forma a enfatizar a energia da performance." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-3.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36924" class="wp-caption-text">Todos os atores do elenco principal realmente tocam os instrumentos de seus personagens (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco anos após sua estreia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/julie-and-the-phantoms-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Julie and the Phantoms</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> permanece como um dos casos mais emblemáticos, e talvez frustrantes, da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">adolescente recente. Cancelada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">mesmo diante de números expressivos, engajamento orgânico e forte apelo musical, a série se tornou símbolo de uma era em que sucesso nem sempre garante continuidade. O encerramento precoce deixou um rastro de pontas soltas e narrativas que impedem a obra de atingir seu pleno potencial, transformando o carinho do público em uma nostalgia agridoce. Mais do que um seriado interrompido, </span><i><span style="font-weight: 400;">Julie and the Phantoms</span></i><span style="font-weight: 400;"> virou um luto coletivo compartilhado por seus fãs.</span></p>
<p><span id="more-36920"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte desse impacto vem da força de suas músicas, que extrapolaram a tela e se consolidaram como o maior legado da produção. Canções como </span><i><span style="font-weight: 400;">Bright</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Finally Free</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Edge of Great </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://youtu.be/Qbwa0SY4kCs"><i><span style="font-weight: 400;">Stand Tall</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não funcionam apenas como números musicais isolados, mas como demonstrações de que a banda fictícia tinha uma identidade sonora sólida, coerente e carismática. O entrosamento entre os integrantes fazia cada performance parecer legítima, quase documental, reforçando a ideia de que aquele grupo realmente existia e merecia continuar existindo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, outro fator que sustenta a força emocional e estética da obra é a bagagem de Kenny Ortega, diretor que carrega no currículo clássicos formadores de gerações como </span><i><span style="font-weight: 400;">High School Musical </span></i><span style="font-weight: 400;">(2006) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Descendentes </span></i><span style="font-weight: 400;">(2015). Sua experiência em unir narrativa juvenil, música e emoção é evidente em cada escolha, desde a coreografia até a forma como as canções avançam a trama. Ortega aposta em performances intensas, números musicais grandiosos e uma sensibilidade rara ao lidar com temas como luto, pertencimento e identidade.</span></p>
<figure id="attachment_36923" aria-describedby="caption-attachment-36923" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36923" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-5-800x500.png" alt="Cena de Julie and the Phantoms. A cena mostra a banda do seriado, composta por três homens e uma mulher, se apresentando em um palco em um bar. Julie está no centro, segurando um microfone e cantando com expressão apaixonada. Ela veste uma blusa azul turquesa com detalhes brilhantes, shorts prateados e botas pretas com cadarços. Ao seu lado direito, Luke toca guitarra elétrica. Ele usa uma regata preta, calças escuras e tênis pretos e brancos, com uma corrente pendurada na calça. Reggie, no canto esquerdo, toca baixo com uma jaqueta sem mangas, calças rasgadas e cabelo escuro. A bateria e Alex estão no fundo. O palco é iluminado por luzes de palco e uma bola de espelhos pendurada no teto. As paredes são de tijolos, decoradas com luzes de natal. A composição é um plano aberto, com foco nítido nos artistas. A atmosfera é animada e energética." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-5-800x500.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-5-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-5-768x480.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-5-1536x960.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-5-1200x750.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-5.png 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36923" class="wp-caption-text">Madison Reyes e Charlie Gillespie escreveram e produziram a canção Perfect Harmony (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O sucesso da produção também se traduziu em trajetórias individuais, ainda que de forma desigual. </span><a href="https://youtu.be/CMjCOp6bRwg"><span style="font-weight: 400;">Charlie Gillespie</span></a><span style="font-weight: 400;"> acabou sendo o único do elenco a continuar com certo destaque na indústria do cinema e música, enquanto os demais seguiram caminhos mais discretos. Ainda assim, o vínculo entre os atores permanece forte até hoje, com encontros, interações públicas e declarações de afeto que reforçam a sensação de que </span><i><span style="font-weight: 400;">Julie and the Phantoms</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi mais do que um trabalho passageiro: foi uma experiência formadora, tanto para quem fez quanto para quem assistiu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, a nostalgia ganhou uma camada extra graças à </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/tudo-sobre/julie-e-os-fantasmas"><span style="font-weight: 400;">versão nacional</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ajudou a ampliar o alcance do seriado e criou uma relação afetiva ainda mais profunda com o público local. A produção também marcou uma espécie de retorno à estética das séries dos anos 2010, apostando em cores vibrantes, trilhas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop-rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e uma narrativa emocionalmente direta. Esse resgate, longe de soar datado, permitiu que o seriado dialogasse com diferentes gerações, alcançando crianças, adolescentes e adultos em busca de conforto emocional.</span></p>
<figure id="attachment_36922" aria-describedby="caption-attachment-36922" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36922" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-6-800x463.png" alt="Cena de Julie and the Phantoms. A cena mostra Alex, Luke e Reggie, que estão em um ambiente interno com paredes claras. O da esquerda, Alex, com cabelo loiro, usa uma jaqueta jeans cinza desgastada, uma camiseta rosa, calças pretas e uma bolsa preta transversal. Ele tem uma expressão sorridente e parece estar acenando. O do meio, Luke, com cabelo castanho, veste uma jaqueta jeans tie-dye azul e branca com detalhes vermelhos, sobre uma camiseta branca com estampa e calças pretas. Ele também sorri e acena com os braços abertos. O da direita, Reggie, com cabelo preto, usa uma jaqueta de couro preta, uma camiseta branca e calças pretas, com uma expressão animada e lábios entreabertos. Eles parecem estar no centro da imagem. O enquadramento é em plano médio, mostrando os homens da cintura para cima. A iluminação é difusa, provavelmente de fontes de luz naturais, com uma atmosfera alegre e descontraída. " width="800" height="463" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-6-800x463.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-6-1024x593.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-6-768x445.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-6-1536x890.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-6-1200x695.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-6.png 1852w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36922" class="wp-caption-text">O nome da banda Sunset Curve é uma referência à famosa curva em Sunset Boulevard em Los Angeles (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibida em plena pandemia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Julie and the Phantoms</span></i><span style="font-weight: 400;"> se destacou pela forma sensível com que abordou o luto, sem cair em melodrama excessivo. A série entende a dor da perda como algo contínuo, que não se resolve facilmente, e aposta nas amizades como ferramenta fundamental para atravessar esse processo. A música surge como ponte entre mundos, entre vivos e mortos, entre passado e presente, um conceito que ecoa em outras produções contemporâneas, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), especialmente na associação entre música e alma vista no arco da Maldição do Vecna, por exemplo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o cancelamento impediu que relações centrais fossem desenvolvidas com a profundidade necessária. A falta de evolução da dinâmica entre Julie e Luke é particularmente dolorosa, sobretudo diante da química evidente dos dois em </span><a href="https://youtu.be/YduFDvZqIhQ"><i><span style="font-weight: 400;">Perfect Harmony</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O que poderia se tornar um dos romances mais memoráveis da televisão juvenil ficou suspenso no tempo, reforçando a sensação de incompletude que acompanha a série desde seu fim abrupto.</span></p>
<figure id="attachment_36921" aria-describedby="caption-attachment-36921" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36921" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-7.png" alt="Cena de Julie and the Phantoms. A cena mostra um grupo de cinco adolescentes de etnias variadas reunido em um ginásio. No canto esquerdo, Flynn, uma jovem negra com cabelo trançado, usa uma jaqueta vermelha com estampa de leopardo sobre uma blusa rosa, uma minissaia jeans e tênis rosa choque, de braços cruzados e olhar fixo. Ao seu lado, Julie, uma jovem com pele escura e cabelos cacheados, usa um macacão camuflado com patches e tênis rosa, com uma expressão de surpresa. O terceiro, Luke, é um jovem caucasiano de pele clara e cabelo castanho, usa uma regata cinza com uma estampa e calças pretas, com um gorro laranja. O quarto, Alex, é um jovem loiro, usa uma camisa cinza sobre uma camisa lilás e uma pochete preta e o último jovem, Reggie, também caucasiano, veste uma camisa xadrez vermelha e preta sobre uma camiseta preta, calças pretas e uma corrente. Todos parecem estar olhando para algo fora da imagem com expressões de surpresa ou expectativa. O fundo mostra um ginásio com um escudo esportivo na parede, com iluminação clara, provavelmente artificial, e um tom geral jovial e vibrante. A composição é em plano fechado, com os jovens em pé, levemente descentralizados." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-7.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-7-768x480.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36921" class="wp-caption-text">Cheyenne Jackson (Caleb Convington), Jadah Marie (Flynn) e Booboo Stewart (Willie), trabalharam anteriormente com Kenny Ortega em Descendentes 3 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, </span><a href="https://youtu.be/3ZoRPHprFOw?si=i6GbNkAfTjlb7y3P"><i><span style="font-weight: 400;">Julie and the Phantoms</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também deixou sua marca. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">looks </span></i><span style="font-weight: 400;">maximalistas, cheios de camadas, brilho, estampas e personalidade, se destacaram em uma era dominada pelo minimalismo e acabaram influenciando tendências entre fãs. Essa estética dialogava diretamente com a proposta da produção: celebrar a expressão individual, a emoção exagerada e a intensidade juvenil, valores que também se refletem em suas músicas motivacionais e energéticas, além de referenciar o estilo dos anos 2000.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o maior fantasma que assombra </span><i><span style="font-weight: 400;">Julie and the Phantoms</span></i><span style="font-weight: 400;"> são suas inúmeras perguntas sem resposta. Qual é, afinal, o assunto inacabado de Willie e dos meninos da </span><a href="https://youtu.be/Q6bFYaVXMiY?si=bl8_sn-ue5VyMui1"><span style="font-weight: 400;">Sunset Curve</span></a><span style="font-weight: 400;">? O que explica o fato de Julie conseguir tocá-los após a apresentação no Orpheum? Qual a real conexão deles com a mãe da protagonista? E, talvez a mais intrigante: de onde vêm e até onde vão os poderes de Caleb? Cinco anos depois, essas lacunas infelizmente continuam abertas, transformando a série em um eterno ‘quase’, uma obra que provou sua força, mas foi privada do direito de se concluir.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Julie and the Phantoms | Trailer da temporada 01 | Dublado (Brasil) [HD]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/6ewpnbl3FEo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ha-cinco-anos-julie-and-the-phantoms-chegava-a-beira-da-perfeicao-mas-foram-impedidos-de-continuar-brilhando/">Há cinco anos, Julie and the Phantoms chegava à beira da perfeição mas foram impedidos de continuar brilhando</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Há 15 anos, Taylor Swift falava sobre amor, maturidade e vingança em Speak Now</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 13:17:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[15 anos]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[álbum pop]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Quando Speak Now chegou ao mundo, em 25 de outubro de 2010, Taylor Swift tinha apenas 20 anos, mas já parecia compreender com precisão o peso da própria voz. Em meio ao sucesso meteórico de Fearless (2008) e à transição entre o country e o pop, ela decidiu fazer um movimento arriscado: escrever &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ha-15-anos-taylor-swift-falava-sobre-amor-maturidade-e-vinganca-em-speak-now/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 15 anos, Taylor Swift falava sobre amor, maturidade e vingança em Speak Now"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37157" aria-describedby="caption-attachment-37157" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37157" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed.png" alt="Capa do álbum Speak Now de Taylor Swift é uma imagem impactante e elegante, centrada na figura da cantora em uma pose que sugere movimento e graça. Taylor Swift, com seu cabelo loiro encaracolado e lábios vermelhos, veste um chamativo vestido roxo sem alças, cujo tecido esvoaçante é o elemento visual mais dinâmico da cena. Ela está virada ligeiramente para a direita com o braço estendido, e sua expressão é confiante e cativante. O fundo da imagem é predominantemente branco e minimalista, servindo para acentuar o contraste vibrante do vestido roxo. A arte visual mistura elementos de fotografia e ilustração, com respingos de tinta roxa e caligrafia elegante adicionando um toque de fantasia e individualidade. Essa combinação de cores vibrantes com um cenário simples e uma iluminação suave cria uma atmosfera limpa, elegante e expressiva, reforçando o estilo romântico e criativo do álbum." width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed.png 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-37157" class="wp-caption-text">Speak Now é o terceiro álbum da cantora (Foto: Big Machine Records)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou ao mundo, em 25 de outubro de 2010, Taylor Swift tinha apenas 20 anos, mas já parecia compreender com precisão o peso da própria voz. Em meio ao sucesso meteórico de </span><a href="https://personaunesp.com.br/fearless-taylors-version-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fearless</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008) e à transição entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela decidiu fazer um movimento arriscado: escrever todas as faixas sozinha. O resultado foi um álbum que soa íntimo e grandioso, misturando a doçura juvenil com a consciência dolorosa de quem já se feriu pela exposição. </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta a resposta de Swift à crítica que duvidava de sua autoria e maturidade artística, tornando-se uma prova de controle criativo e vulnerabilidade, marcada por arranjos orquestrais, confissões e metáforas cintilantes.</span></p>
<p><span id="more-37155"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco é também um retrato de uma jovem artista lidando com as contradições da fama e da feminilidade sob os holofotes. Ao longo das 14 faixas, a loirinha transforma experiências pessoais, como amores, rupturas, críticas e arrependimentos, em narrativas universais, capazes de dialogar com diferentes gerações de ouvintes. 15 anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue como um ponto de virada em sua trajetória: é o momento em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/ha-5-anos-taylor-swift-transformava-isolamento-em-enredo-e-silencio-em-poesia-com-folklore/"><span style="font-weight: 400;">Swift</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixa de ser apenas personagem de suas histórias e assume, de forma definitiva, o papel de narradora.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Taylor Swift - Mine" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XPBwXKgDTdE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Um eixo emocional que atravessará toda a obra já aparece nas primeiras faixas: o amor como promessa e como ruína. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0GxW5K0qzrq7L1jwSY5OmY?si=994233fb59074a6c"><i><span style="font-weight: 400;">Mine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> abre equilibrando medo e esperança, como se a ela já soubesse que finais felizes exigem reconstrução constante. Poucas faixas depois, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5l6GqSxplqnZbLg0LTPQeG?si=feaa8610082f4044"><i><span style="font-weight: 400;">Back to December</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">inverte a lógica tradicional de sua narrativa e apresenta um pedido de desculpas explícito, algo ainda raro naquele momento de sua carreira. Se em trabalhos anteriores, ocupava majoritariamente o lugar da ferida, aqui experimenta o da culpa – movimento que se tornaria mais recorrente em álbuns futuros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse contraste entre acreditar apesar do trauma e reconhecer os próprios erros cria uma tensão madura para uma artista de 20 anos. Não à toa, o álbum vendeu mais de um milhão de cópias na primeira semana nos Estados Unidos, tornando-se o 16º disco da história a atingir esse feito na época – um número que consolidava não apenas popularidade, mas </span><a href="https://lorena.ig.com.br/categoria/musica/Speak-Now-album-de-Taylor-Swift-ultrapassa-os-3-bilhoes-de-streams-no-Spotify"><span style="font-weight: 400;">relevância cultural</span></a><span style="font-weight: 400;">. A obra, que estreou em primeiro lugar na </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i><span style="font-weight: 400;"> 200 e acumulou múltiplas certificações de platina ao longo dos anos, caminha entre o encantamento e o desencanto, entre o impulso de amar e a necessidade de sobreviver ao fim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o título não é à toa. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/06HL4z0CvFAxyc27GXpf02?si=a9340a5bd05b4667"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, há fantasia, humor e impulso: a ideia de interromper um casamento é exagerada, quase cinematográfica, porém simboliza o desejo de finalmente dizer o que ficou preso na garganta. Já </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3K2es3gElMRJ3qvmPW442g?si=2996468e91cd4079"><i><span style="font-weight: 400;">Dear John</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> abandona qualquer verniz lúdico e mergulha em quase seis minutos de exposição crua sobre manipulação e diferença de idade em um relacionamento desigual. A pergunta</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t you think I was too young?</span></i><span style="font-weight: 400;">” (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não acha que eu era jovem demais?</span></i><span style="font-weight: 400;">”) ressoa como marco de amadurecimento público e privado, transformando o que poderia ser mera fofoca em denúncia emocional, marcando um dos momentos mais maduros e dolorosos da carreira da artista.</span></p>
<figure id="attachment_37156" aria-describedby="caption-attachment-37156" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37156" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-800x400.png" alt="Uma fotografia mostra Taylor Swift, uma mulher branca, na faixa dos 20 anos, em perfil. Ela tem cabelos loiros ondulados presos em um rabo de cavalo lateral e usa um ponto de áudio discreto. Ela está vestida com um vestido roxo claro com um decote, e um colar prateado fino. Seus lábios são pintados com um batom vermelho vibrante. Ela está olhando para a direita, com uma expressão concentrada. O fundo é predominantemente azul escuro, com alguns pontos de luzes brilhantes que sugerem um palco ou show. A iluminação é forte e foca nela, e na sua silhueta. A composição é focada na mulher, com o fundo servindo para isolá-la. A atmosfera é de performance, provavelmente um show." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37156" class="wp-caption-text">Mean ganhou o Grammy de Melhor Canção Country e Melhor Performance Solo Country em 2012 (Foto: Kevin Mazur)</figcaption></figure>
<p><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/04S1pkp1VaIqjg8zZqknR5?si=cbb849b3a0234514"><i><span style="font-weight: 400;">Enchanted</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">talvez seja o coração sonhador do álbum: um encontro mágico que captura o instante exato entre o olhar e a paixão. É o ápice da cantora, das metáforas cintilantes e dos olhos brilhando sob luzes de cidade. Em contrapartida, </span><i><span style="font-weight: 400;">Last Kiss</span></i><span style="font-weight: 400;"> desmonta qualquer armadura emocional. Lenta, dolorosa e verdadeira, é talvez uma das canções mais tristes de Swift, uma despedida contida que carrega todo o peso de amar em vão. Essas canções demonstram como o álbum caminha entre o melodrama e a confissão, o início e fim da paixão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra vertente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mean</span></i><span style="font-weight: 400;"> converte as críticas em superação, enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Better Than Revenge</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela a reação impulsiva de quem ainda busca poder através da raiva – uma resposta crua e imatura. Quinze anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Actually, Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;">, faixa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-espelho-quebrado-por-expectativas-a-complacencia-de-taylor-swift-em-the-life-of-a-showgirl/"><i><span style="font-weight: 400;">The Life of a Showgirl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025), retoma esses mesmos temas com distanciamento e autoconsciência, como se revisse o espelho emocional do antecessor. A regravação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/speak-now-taylors-version-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now (Taylor’s Version)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023) já indicava esse amadurecimento: Swift reconhece os excessos sem apagar a emoção. Essa consciência se torna domínio narrativo novamente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Actually, Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;">: a artista encena o julgamento e transforma a vulnerabilidade em força, revisitando o processo de afirmar sua identidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Taylor Swift - Mean" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/jYa1eI1hpDE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Um símbolo de legado e comunhão entre gerações de </span><i><span style="font-weight: 400;">swifties </span></i><i><span style="font-weight: 400;">Never Grow Up</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Innocent</span></i><span style="font-weight: 400;"> formam dois polos complementares dentro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;">, ambos marcados pela vulnerabilidade e pelo desejo de amadurecer sem perder a doçura. A primeira é um lembrete agridoce da passagem do tempo, um retrato terno da inocência que se esvai; já a segunda, lançada após o episódio humilhante no </span><i><span style="font-weight: 400;">VMA</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2009, é um gesto público de perdão – não apenas para </span><a href="https://personaunesp.com.br/donda-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kanye West</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas para si mesma, ao afirmar que ainda há pureza mesmo após o erro. Juntas, revelam como Swift equilibra fragilidade e força, sarcasmo e empatia, mostrando que crescer também é se reconciliar com as próprias falhas. Nas duas faixas, a artista traduz a dor em arte, oscilando entre o íntimo e o épico, uma sensibilidade que define o coração do disco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O encerramento com </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4ewAfHYpDTzpW1GKO44CVP?si=88281ea9e68d46ee"><i><span style="font-weight: 400;">Long Live</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é quase mítico, um tributo à própria jornada e aos fãs que a acompanharam desde o início. Ao celebrar as vitórias e as cicatrizes, a loirinha muda sua história pessoal em lenda compartilhada, uma canção sobre a glória efêmera e a memória duradoura. Mais de uma década depois, o impacto da faixa ganhou novas dimensões com a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IppMykw4fT4"><i><span style="font-weight: 400;">The Eras Tour</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que Swift a incluiu como clímax emocional dos shows, transformando estádios inteiros em corais de vozes unidas por um sentimento de pertencimento e continuidade. A música, antes um agradecimento íntimo à banda e aos fãs de sua juventude, tornou-se</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Long Live</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda carrega um significado especial por causa da versão em </span><a href="https://youtu.be/1etzkcAo6WA?si=huLpMDbbVvEwBrAo"><span style="font-weight: 400;">parceria com Paula Fernandes</span></a><span style="font-weight: 400;">, lançada em 2012. A regravação, cantada em inglês e português, representou um raro gesto de aproximação cultural e marcou profundamente o público brasileiro, que adotou a canção como hino afetivo. A obra permanece como um testemunho de autoconfiança, mas também de crescimento. É o disco de uma jovem que aprendeu a se defender com poesia e a se reconstruir com melodia. Falar, ou cantar, foi o gesto que a libertou, e essa coragem ecoa até hoje em cada verso de sua carreira. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5MfAxS5zz8MlfROjGQVXhy"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é sobre o poder d</span><span style="font-weight: 400;">e reivindicar o próprio enredo, mesmo quando o mundo tenta escrevê-lo por você.</p>
<p></span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Speak Now" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6Ar2o9KCqcyYF9J0aQP3au?si=kchY11j8R-uZGyUUAl9W3g&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
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		<title>Há 5 anos, Cherry Blossom de The Vamps florescia durante o isolamento social</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 13:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Cinco anos após o lançamento de Cherry Blossom, que marca a volta do hiato de 2 anos, após um período intenso de turnê e lançamentos, o disco ganha uma camada adicional de significado. Ele não só representou o retorno da banda após um período de reestruturação criativa, como acabou se transformando em seu &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-cherry-blossom/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Cherry Blossom de The Vamps florescia durante o isolamento social"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37130" aria-describedby="caption-attachment-37130" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37130" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-10-800x800.png" alt="Capa do álbum Cherry Blossom do The Vamps. Um prisma dourado, posicionado no centro da imagem, ergue-se em um ambiente minimalista e sofisticado. O interior da forma de faces douradas e brilhantes jorra partículas rosadas, simulando pétalas, criando um efeito de cascata. A base do prisma se mistura com uma superfície espelhada que reflete a estrutura e os grãos finos, intensificando a simetria. Acima, uma abertura oval flutua, adicionando dinamismo à cena. O fundo é predominantemente em tons de rosa e cinza, com paredes e teto lisos e iluminação suave e uniforme, realçando o brilho do ouro e a delicadeza das partículas." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-10-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-10-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-10-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-10.png 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37130" class="wp-caption-text">Cherry Blossom é o quarto álbum da banda inglesa (Foto: EMI Records)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco anos após o lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cherry Blossom</span></i><span style="font-weight: 400;">, que marca a volta do </span><i><span style="font-weight: 400;">hiato</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2 anos, após um período intenso de turnê e lançamentos, o disco ganha uma camada adicional de significado. Ele não só representou o retorno da banda após um período de reestruturação criativa, como acabou se transformando em seu ponto final, pelo menos por um tempo. O grupo, que ficou conhecido a partir de 2014 por sucessos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Somebody To You </span></i><span style="font-weight: 400;">em parceria com </span><a href="https://personaunesp.com.br/holy-fvck-critica/"><span style="font-weight: 400;">Demi Lovato</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Can We Dance</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Oh Cecilia (Breaking My Heart)</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma parceria com </span><a href="https://personaunesp.com.br/wonder-critica/"><span style="font-weight: 400;">Shawn Mendes</span></a><span style="font-weight: 400;"> – que também iniciava sua carreira –, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BqaoAQbkeXo"><i><span style="font-weight: 400;">All Night</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o maior </span><i><span style="font-weight: 400;">hit </span></i><span style="font-weight: 400;">da banda inglesa, entrou em uma pausa após o lançamento do disco</span><i><span style="font-weight: 400;"> All Night</span></i><span style="font-weight: 400;"> por alguns anos, – e mesmo ocorreu após o quarto álbum, visando o foco dos integrantes em suas carreiras solo, em especial o vocalista Brad Simpson, e logo retornaram as atividades em 2024.</span></p>
<p><span id="more-37136"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do peso histórico, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cherry Blossom</span></i><span style="font-weight: 400;"> também se destacou por romper com parte da estética anterior do grupo. Enquanto álbuns como </span><a href="https://open.spotify.com/album/12gXA8pXYzj9bycyyKSGAa?si=3uXwXX8AT8Ozuj1GkNcIIw"><i><span style="font-weight: 400;">Meet the Vamps</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2014)</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/album/0ijxUZimeaSGCoo6QolGOJ?si=NX31ZewmQpecKl1VMyFzvw"><i><span style="font-weight: 400;">Wake Up</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2015)</span></a><span style="font-weight: 400;"> abraçavam o pop adolescente vibrante, e </span><a href="https://open.spotify.com/album/3aDa4oxJbJJAVQ8TBWOEKt?si=4Q1qw4PVQemLAuWJzgxanw"><i><span style="font-weight: 400;">Night &amp; Day</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017–2018)</span></a><span style="font-weight: 400;"> explorava atmosferas mais eletrônicas e fragmentadas entre suas duas versões </span><i><span style="font-weight: 400;">Night </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Day</span></i><span style="font-weight: 400;">, o quarto disco surgiu como um pacote mais compacto, conceitual e maduro. É um álbum pequeno, direto e seguro de sua identidade, diferente da amplitude experimental dos anteriores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sonoramente, o disco também marca uma virada. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Vamps</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre flertou com o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop-rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> juvenil, porém </span><i><span style="font-weight: 400;">Cherry Blossom</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz uma produção mais polida, sintetizadores mais atmosféricos e uma coesão estética que contrasta com a variedade dos trabalhos anteriores. Enquanto em </span><a href="https://open.spotify.com/album/0VKcOEVdDLf95KdHfBw9AR?si=hIiuOGGpRY2Ogrp5erprWw"><i><span style="font-weight: 400;">Night &amp; Day</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> alternava entre tons mais sombrios e explosões românticas radiofônicas, aqui a banda opta por uma paleta mais uniforme, cintilante, energizada e emocionalmente direcionada. Essa estabilidade sonora, impulsionada pelo contexto da pandemia, oferecia em 2020 um respiro necessário, um álbum feito para soar como fuga, uma luz num período de clausura global. Cinco anos depois, essa estética se destaca como o momento em que o grupo encontrou um equilíbrio raro entre amadurecimento e identidade.</span></p>
<figure id="attachment_37131" aria-describedby="caption-attachment-37131" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37131" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-11-800x534.png" alt="Na fotografia, um grupo de quatro homens caucasianos abraçados e agrupados em um estúdio com iluminação rosa vibrante. Eles vestem roupas casuais, com camisas em tons escuros. Suas expressões faciais variam, com alguns parecendo sérios e outros com leve tom de análise e espanto. A iluminação rosa banha todo o cenário, criando uma atmosfera estilizada e quase surreal. A composição é centralizada, com os rostos dos homens em foco, ocupando a maior parte do quadro. O fundo branco e liso contrasta com as roupas escuras e a luz rosa, concentrando a atenção nos artistas." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-11-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-11-1024x684.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-11-768x513.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-11-1536x1026.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-11-1200x801.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-11.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37131" class="wp-caption-text">O grupo começou postando covers no YouTube e quando ganharam popularidade firmaram contrato com uma gravadora (Foto: EMI Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tematicamente, a diferença é ainda mais evidente. Se nos primeiros discos a banda explorava</span><i><span style="font-weight: 400;"> crushes</span></i><span style="font-weight: 400;"> juvenis, situações divertidas e romances leves, em </span><a href="https://open.spotify.com/album/3fshReYna7OJ7cl3Rn8h2W?si=TJO0KBquQgqCulbWNjn_Tw"><i><span style="font-weight: 400;">Cherry Blossom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> o foco recai sobre relações mais intensas e o próprio desgaste emocional, um reflexo tanto da maturidade dos integrantes quanto do clima mundial de 2020, abordando mais vulnerabilidade, fricção e introspecção. O álbum se comporta quase como uma narrativa contínua, indo do encanto inicial ao inevitável desmoronamento, algo que nenhum de seus trabalhos anteriores haviam estruturado com tamanha clareza. A linearidade emocional é o que sustenta o impacto do disco, transformando-o na obra mais consciente e organizada da banda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção orbita principalmente em temas amorosos, com paixões intensas, que começam rápido, queimam forte e se desfazem quase que com a mesma velocidade. É um álbum que registra duas fases de um relacionamento com a honestidade de páginas de um diário, com um início arrebatador, onde tudo parece possível e a crise inevitável que coloca à prova o que antes parecia indestrutível. Sua construção narrativa guia o ouvinte por essas etapas com intencionalidade rara dentro da </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/7gAppWoH7pcYmphCVTXkzs?si=UICJ-KBUT9u7S5dM8ibYQw"><span style="font-weight: 400;">discografia do grupo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse arco ganha vida já nas primeiras notas de </span><a href="https://youtu.be/CwefEjIguCA?si=nLtoPwYW_fRMVOjT"><i><span style="font-weight: 400;">Glory Days</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que funciona como um prólogo e manifesto. Lançada em plena pandemia, a faixa carrega versos como </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">keep on breathing</span></i><span style="font-weight: 400;">” </span><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">continue respirando</span></i><span style="font-weight: 400;">), que ganharam força em um período em que respirar – literal e metaforicamente – parecia difícil. Há esperança nessa abertura, algo como um convite a viver o momento e encontrar pequenos respiros de alegria. Hoje, a faixa retorna como memória afetiva de um período em que a música se tornou combustível emocional.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Vamps - Married In Vegas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/pn6Z4JBlI3A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa avança para canções que capturam a eletricidade do amor recém-nascido. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UKDddqcWTWo"><i><span style="font-weight: 400;">Married in Vegas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">single </span></i><span style="font-weight: 400;">que marcou a nova era, estabelece o tom de impulsividade, adrenalina e decisões tomadas no calor do momento, como se o mundo fosse um cassino onde vale tudo. A estética de Las Vegas funciona como metáfora perfeita para relacionamentos que nascem velozes e intensos demais para serem racionalizados, traduzindo a vertigem do início do romance com imagens brilhantes, artificiais e irresistíveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do mesmo modo, </span><a href="https://youtu.be/veH-X6lLHTI?si=9fRRDDpKLbO5jaJl"><i><span style="font-weight: 400;">Chemicals</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> amplia essa atmosfera, emergindo como uma das faixas mais viciantes do projeto, é pulsante, construída para funcionar </span><i><span style="font-weight: 400;">onrepeat </span></i><span style="font-weight: 400;">e dotada de um refrão que facilmente poderia ter sido um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">singles </span></i><span style="font-weight: 400;">oficiais. Já </span><a href="https://youtu.be/DyaaNkV5jBc?si=WE7XiW19KQOVxu2P"><i><span style="font-weight: 400;">Nothing But You</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mantém o brilho do começo, apostando em uma combinação de leveza e de desejo quase obsessivo, típica da fase em que tudo ainda é descoberta, exagero e promessa. Esse trio forma o coração eufórico do álbum, a parte em que o amor parece maior que a vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cherry Blossom</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se sustenta apenas na exuberância do começo, ele sabe quando desacelerar para revelar o desgaste. </span><a href="https://youtu.be/JOy8MoCH53g?si=2S7QSYp6xQMONb4O"><i><span style="font-weight: 400;">Better</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos três </span><i><span style="font-weight: 400;">singles </span></i><span style="font-weight: 400;">do disco – ainda que não tão marcante quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Married in Vegas</span></i><span style="font-weight: 400;"> – marca essa ruptura ao expor o primeiro sinal de estagnação. Seu verso-chave, </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">did things get better or did we get used to it?</span></i><span style="font-weight: 400;">” </span><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">as coisas melhoraram ou só nos acostumamos com isso?</span></i><span style="font-weight: 400;">), encapsula um cansaço emocional que dialoga tanto com crises amorosas quanto com o esgotamento coletivo do isolamento social. </span><a href="https://youtu.be/icHRHa3oKgk?si=xLfyJrCKdn37emHJ"><i><span style="font-weight: 400;">Would You</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também lançada como </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> e igualmente discreta em impacto, aprofunda essa tensão.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Vamps - Would You" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RqRxsBDMj8g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O arco emocional encontra seu ponto final em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qiBcpAdNNpw"><i><span style="font-weight: 400;">Protocol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a faixa mais distinta do álbum em termos sonoros e também a mais devastadora. Lenta, melancólica e guiada por uma delicadeza quase dolorosa, ela assume um tom de despedida que não tenta dramatizar o fim, mas aceitá-lo. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Better </span></i><span style="font-weight: 400;">questiona e </span><i><span style="font-weight: 400;">Would You</span></i><span style="font-weight: 400;"> hesita, </span><i><span style="font-weight: 400;">Protocol </span></i><span style="font-weight: 400;">simplesmente reconhece. A transição entre as três é fluida e simbólica, começando pela dúvida, passando pela insegurança e terminando na aceitação, três estágios de um relacionamento que queimou rápido, brilhou intensamente e, inevitavelmente, se desfez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco anos depois, </span><a href="https://youtu.be/izHV_mNEpPo?si=ouBJDMiug0phAld8"><i><span style="font-weight: 400;">Cherry Blossom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> permanece como um dos trabalhos mais coesos e emocionalmente instintivos do </span><i><span style="font-weight: 400;">The Vamps</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um álbum que não apenas refletiu seu tempo, mas também moldou a forma como a banda seria lembrada durante o </span><i><span style="font-weight: 400;">hiato</span></i><span style="font-weight: 400;"> que se seguiu. Em retrospecto, o disco funciona como cápsula afetiva de 2020, o momento em que a música serviu ao mesmo tempo como refúgio, companhia e linguagem para sentimentos que muitos não conseguiam nomear. Sua narrativa sobre amores intensos, crises silenciosas e fins inevitáveis acabou ecoando muito além do romance; tornou-se espelho de uma juventude tentando sobreviver ao caos global. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o retorno do </span><a href="https://youtu.be/dmz7xiubBuA"><i><span style="font-weight: 400;">The Vamps</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> aos palcos em 2024, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cherry Blossom</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganha ainda mais potência como documento de transição, uma florada antes do silêncio, o último capítulo antes de novas versões de cada integrante surgirem. O disco condensa juventude, fragilidade e maturidade sem perder a identidade </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">que sempre definiu a banda. E talvez por isso continue vivo, pois captura um tipo de sensibilidade que é rara no </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">contemporâneo, equilibrando brilho e dor, fuga e enfrentamento, começo e fim. Cinco anos depois, ele ainda respira, e talvez seja justamente essa capacidade de renascer, como a própria metáfora das cerejeiras, que mantém </span><i><span style="font-weight: 400;">Cherry Blossom</span></i><span style="font-weight: 400;"> relevante, emotivo e indispensável dentro da história de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Vamps</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Cherry Blossom" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/3fshReYna7OJ7cl3Rn8h2W?si=d64c6dec258844e2&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>10 anos de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2: A Revolução não tem fim</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 13:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Há dez anos, Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2 chegava aos cinemas encerrando uma das distopias audiovisuais mais influentes do século XXI. Em 2015, o lançamento dividiu público e crítica, mas hoje, uma década depois, o filme se revela uma obra que só ganhou densidade com o tempo. A produção sintetiza o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-a-esperanca-parte-2-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "10 anos de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2: A Revolução não tem fim"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36861" aria-describedby="caption-attachment-36861" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36861" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-800x534.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra um grupo de combatentes vestidos com roupas táticas pretas em um ambiente externo de clima sombrio. Eles parecem se preparar para uma missão, todos com expressões sérias e focadas. Alguns seguram armas, reforçando o caráter militar da cena. A iluminação difusa, de um dia nublado, cria sombras suaves que aumentam a tensão. Ao fundo, uma estrutura arquitetônica clássica sugere um cenário urbano abandonado ou estratégico. Há também uma figura mais distante, em uniforme camuflado, indicando diversidade de funções no grupo. A composição dá destaque ao senso de prontidão e determinação coletiva. A cena transmite expectativa e clima pré-confronto." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36861" class="wp-caption-text">Esperança Parte 2 é o quarto filme da franquia (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há dez anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegava aos cinemas encerrando uma das distopias audiovisuais mais influentes do século XXI. Em 2015, o lançamento </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/jogos-vorazes-a-esperanca-o-final-critica#:~:text=T%C3%B3picos%20como%20desigualdade%20social%2C%20manipula%C3%A7%C3%A3o%20da%20m%C3%ADdia%2C,na%20%C3%A9poca%20de%20Bella%2C%20Jacob%20e%20Edward."><span style="font-weight: 400;">dividiu público e crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas hoje, uma década depois, o filme se revela uma obra que só ganhou densidade com o tempo. A produção sintetiza o espírito de uma geração que cresceu vendo o colapso de instituições, a crise da democracia e o avanço das guerras por narrativas. Revisitar essas imagens agora, num mundo ainda mais fragmentado e polarizado, expõe a força atemporal da saga e sua capacidade de dialogar com cada novo ciclo de turbulência política. Katniss (</span><a href="https://personaunesp.com.br/que-horas-eu-te-pego-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Lawrence</span></a><span style="font-weight: 400;">), com sua mistura de heroísmo imperfeito e vulnerabilidade radical, permanece como um símbolo cultural que transcende a ficção e encontra eco nas discussões sobre poder, propaganda e resistência.</span></p>
<p><span id="more-36859"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A morte de Prim (</span><a href="https://www.metropoles.com/celebridades/willow-shields-a-prim-de-jogos-vorazes-surge-irreconhecivel-veja"><span style="font-weight: 400;">Willow Shields</span></a><span style="font-weight: 400;">), talvez o momento mais devastador da franquia, envelheceu como um lembrete incômodo do custo humano dos conflitos. A abordagem da cena, marcada por uma frieza quase documental, ultrapassa o impacto emocional e revela um comentário sobre como governos, tanto no mundo real quanto na ficção, sacrificam inocentes sob o pretexto de uma estratégia maior’. Ver Katniss correr entre fumaça branca e gritos desesperados, apenas para testemunhar a perda de sua irmã, o que moldou toda sua jornada, reforça a dimensão trágica da personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma década depois, a sequência continua doendo não pela surpresa, mas pela inevitabilidade: desde o primeiro filme, a irmã da protagonista sempre foi a representação daquilo que não deveria ser tocado. E quando Panem toca, todo o restante desmorona, tudo isso agravado pelo fato de que Gale (</span><a href="https://personaunesp.com.br/megarrromantico-critica/"><span style="font-weight: 400;">Liam Hemsworth</span></a><span style="font-weight: 400;">), outrora aliado íntimo da protagonista e moralmente firme, torna-se cúmplice desse mecanismo de destruição. Sua participação no desenvolvimento das bombas o coloca simbolicamente ao lado daqueles que ele jurava combater, ampliando a ferida emocional e revelando como as guerras transformam pessoas comuns em agentes de tragédias irreversíveis, como o oprimido se tornou o opressor.</span></p>
<figure id="attachment_36860" aria-describedby="caption-attachment-36860" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36860" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-3-800x534.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra um grupo de cinco pessoas caminhando por um cenário devastado, repleto de ruínas e destroços. Vestidos com trajes pretos e equipamentos de combate, eles avançam com cautela, atentos ao ambiente ao redor. O homem loiro à frente carrega uma arma, enquanto a mulher ao lado segura uma flecha e uma faca, sugerindo diferentes especialidades no grupo. A iluminação natural revela sombras fortes que contribuem para o clima tenso. O cenário destruído indica uma zona de guerra ou lugar atingido por algum desastre. As expressões sérias reforçam a ideia de que estão em missão ou fuga. O tom geral é de sobrevivência, alerta e ação iminente." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-3-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-3.png 940w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36860" class="wp-caption-text">As longas cenas de luta no esgoto exigiram coreografia, coordenação de efeitos especiais e resistência dos atores diante de condições desconfortáveis (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro momento que se tornou icônico com o passar dos anos é a invasão aos túneis e o ataque dos </span><i><span style="font-weight: 400;">mutts</span></i><span style="font-weight: 400;">. A cena, filmada como um híbrido de terror e guerra urbana, traduz a lógica desumanizante que permeia todo o conflito, uma lógica que já havia sido aplicada sem piedade a personagens como Peeta (</span><a href="https://revistamonet.globo.com/series/noticia/2025/10/josh-hutcherson-ator-de-jogos-vorazes-e-five-nights-at-freddys-revela-que-bisavo-o-visitou-no-set-em-filmagem-de-cena-de-orgia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Josh Hutcherson</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Johanna (Jena Malone). O claustro e o ritmo sufocante ecoam diretamente a experiência deles, vítimas de tortura, manipulação psicológica e condicionamento neural que os transformaram em armas vivas da Capital. Quando Peeta entra nos túneis sem saber se é capaz de distinguir amigos de inimigos, sua instabilidade emocional adiciona uma tensão quase insuportável, lembrando o espectador de que guerras produzem traumas que continuam lutando mesmo quando o corpo tenta sobreviver. Johanna, marcada por choques, afogamentos e isolamento, é uma sombra dessa mesma violência institucional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> E, nesse cenário já saturado de dor, a morte brutal de Finnick (</span><a href="https://personaunesp.com.br/daisy-jones-and-the-six-serie-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sam Claflin</span></a><span style="font-weight: 400;">) se impõe como uma síntese do horror físico e emocional da guerra. O impacto é ainda maior porque ele morreu pouco depois de se casar com Annie (Stef Dawson), deixando para trás não só uma relação recém-iniciada, como também uma esposa grávida que jamais verá esse filho crescer. Um personagem tão marcado pela exploração, pelas cicatrizes do abuso e pela constante exposição pública termina consumido pelo mesmo sistema que o destruiu na juventude, evidenciando, talvez mais do que qualquer outro momento, a crítica da saga ao uso de corpos, mentes e afetos como instrumentos políticos.</span></p>
<figure id="attachment_36865" aria-describedby="caption-attachment-36865" style="width: 612px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36865" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image6.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra quatro combatentes agachados em uma rua de cidade pós-apocalíptica, analisando o entorno antes de agir. Eles vestem uniformes de combate pretos e seguram armas, cada um com expressão concentrada e postura estratégica. A parede atrás deles exibe cartazes de propaganda com frases como “IN PANEM WE TRUST”, reforçando o clima distópico. A iluminação suave cria profundidade e mantém a atmosfera tensa. A cena parece congelar um momento de análise ou planejamento antes de um confronto. Os detalhes realistas destacam os traços individuais dos personagens. O ambiente urbano degradado reforça o senso de perigo constante. A imagem transmite urgência e vigilância." width="612" height="459" /><figcaption id="caption-attachment-36865" class="wp-caption-text">O orçamento estimado do filme foi de cerca de US$ 160 milhões, e a bilheteria mundial alcançou aproximadamente US$ 653,4 milhões (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena do Túnel da Pedra, em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Katniss</span></a><span style="font-weight: 400;"> leva um tiro e tenta convencer o Distrito 2 a não cair na lógica de ódio disseminada tanto pela Capital quanto pela própria rebelião, ganhou novos significados com o passar dos anos. Assistida dez anos depois, ela se articula diretamente com o fato de que até os distritos mais altos e privilegiados estavam sendo destruídos pela revolução, concretizando a promessa que Katniss fizera no filme anterior: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você pode nos bombardear, queimar nossos distritos até as cinzas. Mas está vendo isso? Está pegando fogo. E se nós queimarmos, você vai queimar com a gente!”. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A devastação que atinge </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-filme-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Panem</span></a><span style="font-weight: 400;"> inteira evidencia que, numa guerra, não existe lado imune às consequências, e que a retaliação irrestrita cobra seu preço mesmo entre aqueles que antes se julgavam protegidos pelo poder. Nesse contexto, o gesto da personagem no local deixa de ser apenas político e se torna ético: ela está tentando interromper um ciclo de violência que já contaminou o país de ponta a ponta. É uma sequência muitas vezes esquecida pelo grande público, porém que hoje, numa década marcada pela polarização extrema e pela normalização de discursos violentos, ressurge como uma das reflexões mais maduras da produção, uma recusa explícita a permitir que a revolução se torne tão destrutiva quanto o regime que combate.</span></p>
<figure id="attachment_36863" aria-describedby="caption-attachment-36863" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36863" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-1-800x450.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra Katniss, uma mulher branca com cabelos castanhos em uma trança, puxando a corda do arco com concentração absoluta. Seu olhar firme está direcionado a um alvo fora de quadro, indicando um momento decisivo. Atrás dela, uma multidão desfocada adiciona tensão e sugere que a ação ocorre diante de testemunhas ou em meio a caos. Ela veste roupas escuras e protegidas, típicas de combate. A iluminação natural destaca seu rosto e a expressão determinada. A profundidade de campo isola a personagem como foco visual principal. A cena combina tensão emocional e prontidão física. O clima geral é de antecipação, foco e coragem." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-1.png 950w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36863" class="wp-caption-text">As duas crianças que aparecem no epílogo do filme são, na verdade, sobrinhas da atriz principal, Jennifer Lawrence (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A troca final entre Presidente Snow e Katniss no jardim, uma conversa calma, quase íntima, permanece como um dos diálogos mais inquietantes da franquia. Coriolanus (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-undoing-critica/"><span style="font-weight: 400;">Donald Sutherland</span></a><span style="font-weight: 400;">), revela as fissuras internas da rebelião e planta a semente da desconfiança que levará Katniss ao ato mais ousado da saga: matar Alma Coin. Esse momento, revisitado hoje, parece menos uma reviravolta e mais uma inevitabilidade política. O filme nos lembra que revoluções também se corrompem e que a figura do tirano pode mudar, mas a estrutura de poder tende a se repetir se não for radicalmente transformada. Isso mostra aos telespectadores que Coin e Snow são duas faces da mesma moeda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Katniss escolhe matar Coin (</span><a href="https://personaunesp.com.br/segredos-de-um-escandalo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Julianne Moore</span></a><span style="font-weight: 400;">) ao invés de Snow, a cena, que na época dividiu opiniões, tornou-se um marco narrativo que resiste ao desgaste do tempo. O ato é simbólico, político e profundamente humano. É Katniss rejeitando ser peça de propaganda, recusando um novo ciclo de violência e destruindo o mito da salvação fácil, além de deixar o ditador morrer nas mãos do povo que tanto destratou. Uma década depois, essa cena ecoa em discussões contemporâneas sobre líderes tiranos, manipulação ideológica e a dificuldade de imaginar sistemas verdadeiramente justos. É a prova de que </span><i><span style="font-weight: 400;">A Esperança – Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca foi um final grandioso. Na verdade, um fim necessário e revolucionário.</span></p>
<figure id="attachment_36864" aria-describedby="caption-attachment-36864" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36864" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image5.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra um momento emocional entre dois personagens, Peeta e Katniss, em um túnel iluminado por luz artificial clara. A mulher, séria e preocupada, toca o rosto do homem ajoelhado, sugerindo cuidado ou urgência. Ambos vestem roupas táticas pretas, reforçando o clima de missão ou perigo. Ao fundo, figuras desfocadas parecem soldados ou seguranças, aumentando a sensação de tensão. As paredes laranja do túnel criam um contraste com o figurino escuro. A proximidade dos personagens torna o momento íntimo, apesar do ambiente hostil. A imagem transmite vulnerabilidade dentro do caos. O clima geral mistura drama, afeto e risco iminente." width="640" height="480" /><figcaption id="caption-attachment-36864" class="wp-caption-text">A trilha sonora do filme, assinada por James Newton Howard, equilibra momentos de tensão, drama e ação (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando olha-se para trás, o epílogo, no qual </span><a href="https://www.tiktok.com/@biaglion/video/7484750071288827142"><span style="font-weight: 400;">Katniss e Peeta</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivem em um campo silencioso, tentando costurar traumas com histórias, revela-se infinitamente mais corajoso do que parecia em 2015. Não é um ‘felizes para sempre’ de contos de fada. É um retrato honesto de sobreviventes que carregam feridas invisíveis de guerras que nunca permitiram vencedores, apenas sobreviventes marcados. Embora sigam em frente, criando filhos e cultivando novos rituais de vida, as memórias continuam assombrando, especialmente para a protagonista, cuja paz depende de narrar o passado como forma de domá-lo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final, tão melancólico quanto necessário, dialoga hoje com debates sobre saúde mental, luto coletivo e pós-guerra, mostrando que a paz não apaga o que veio antes, e sim oferece um lugar para continuar respirando. É um encerramento que cresce junto com o espectador, sobretudo em um mundo no qual a noção de ‘recuperação total’ é tão ilusória quanto as promessas dos próprios Jogos.</span> <i><span style="font-weight: 400;">“Meus filhos, que não sabem que brincam sobre um cemitério”, </span></i><span style="font-weight: 400;">cita </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-em-chamas-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Katniss Everdeen</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E talvez o fato de </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i><span style="font-weight: 400;"> continuar vivo seja o maior indicador de sua atemporalidade. </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-a-cantiga-dos-passaros-e-das-serpentes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes </span></i><span style="font-weight: 400;">(2023)</span></a><span style="font-weight: 400;"> ressaltou que Panem ainda pulsa como uma metáfora dolorosamente reconhecível, mergulhando nas origens do poder, do espetáculo e da manipulação, temas que permanecem centrais nas democracias contemporâneas. Continuando o legado dos primeiros filmes, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lgz4RMmbsnc"><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer na Colheita </span></i><span style="font-weight: 400;">(2026)</span></a><span style="font-weight: 400;">, que explora a história de Haymitch Abernathy, um dos personagens mais traumatizados e politicamente lúcidos da saga, fica evidente que Suzanne Collins e Hollywood compreendem que este universo não é apenas ficção: é comentário social. </span></p>
<figure id="attachment_36862" aria-describedby="caption-attachment-36862" style="width: 686px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36862" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-3.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra Katniss caminhando com firmeza em direção à câmera enquanto um grupo diverso a segue de perto. Sua postura determinada e o traje preto fazem dela uma figura de liderança clara. O cenário ao fundo, com prédios altos e arquitetura moderna, sugere um ambiente futurista ou distópico. A iluminação uniforme destaca o movimento da multidão. Cada pessoa que a acompanha parece igualmente focada, transmitindo união e propósito coletivo. A composição reforça a ideia de avanço, resistência ou preparação para confronto. A imagem cria um sentido de força e mobilização. O clima geral é de decisão, coragem e impacto visual forte." width="686" height="386" /><figcaption id="caption-attachment-36862" class="wp-caption-text">Alguns cenários usados como centro de comando do Distrito 13 reutilizaram consoles que vieram de Apollo 13 (1995) (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, a frase de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mr-morale-the-big-steppers-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kendrick Lamar</span></a><span style="font-weight: 400;"> na performance do</span> <i><span style="font-weight: 400;">Super Bowl LIX halftime show</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">The revolution is about to be televised, you picked the right time but the wrong guy</span></i><span style="font-weight: 400;">” (“A revolução está prestes a ser televisionada, você escolheu a hora certa, mas o cara errado”), ecoa como uma espécie de síntese cultural dessa nova fase. Assim como em Panem, a revolução contemporânea não é silenciosa: ela é transmitida, performada e disputada em telas, narrativas e algoritmos, e nem sempre entregue aos líderes certos. No contexto político atual dos Estados Unidos, marcado pela radicalização partidária, pela desinformação e pela disputa feroz pelo domínio do imaginário público, a produção ganha força como leitura crítica. A saga revela como sociedades podem ser conduzidas por narrativas fabricadas, como inimigos podem ser construídos e desconstruídos conforme o interesse do poder, e como revolução pode se tornar espetáculo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dez anos depois, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-esperanca-o-final-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">A Esperança – Parte 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> segue sendo um dos finais mais ousados do cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">justamente porque rejeita a ilusão de um desfecho limpo. A obra insiste que vitórias políticas raramente são puras, que o espetáculo da violência pode corromper qualquer lado, e que o verdadeiro custo da luta não cabe em discursos heroicos. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua retornando ao centro da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, não é somente por nostalgia, mas porque seu mundo distópico, tão brutal, tão humano e tão cheio de ambiguidades, ainda conversa com o nosso. Enquanto a política real continuar funcionando de arena de espetáculo, vigilância e propaganda, Panem permanecerá menos fantasiosa e mais como aviso sobre ditaduras, revolução e poder: ao que tudo indica seguirá urgente por muitas décadas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jogos Vorazes: A Esperança - O Final | Trailer Oficial #2 (2015) Legendado HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ibUx2qHR6Es?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-a-esperanca-parte-2-10-anos/">10 anos de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2: A Revolução não tem fim</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Há 10 anos, Hotel Transilvânia 2 trazia um debate sobre legado e conflito geracional através de uma comédia monstruosa</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Ao completar dez anos de lançamento, Hotel Transilvânia 2 (2015) se consolida como um marco interessante dentro da cultura pop da última década. A sequência da animação de Genndy Tartakovsky, longe de ser apenas uma repetição de piadas sobre monstros deslocados, revela um subtexto importante sobre herança, identidade e aceitação da diferença. O &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-hotel-transilvania-2/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 10 anos, Hotel Transilvânia 2 trazia um debate sobre legado e conflito geracional através de uma comédia monstruosa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36640" aria-describedby="caption-attachment-36640" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36640" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-1-800x495.jpeg" alt="Cena de Hotel Transilvânia 2. A imagem mostra um grupo diverso de personagens de Hotel Transilvânia, todos reunidos de forma próxima e calorosa. O enquadramento fechado foca nos rostos e expressões, transmitindo união e companheirismo. Entre os personagens em destaque estão o Conde Drácula, em seu traje clássico e com expressão amigável; Frank, marcado pelos pontos característicos e olhar bondoso; além de um lobisomem, uma múmia e outras figuras icônicas da série. Cada um exibe traços físicos e expressões que reforçam suas personalidades, enriquecidos por detalhes de trajes e acessórios. O estilo em animação 3D valoriza cores vibrantes, texturas bem-feitas e iluminação suave, criando um ambiente aconchegante e visualmente atraente." width="800" height="495" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-1-800x495.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-1-768x475.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-1.jpeg 970w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36640" class="wp-caption-text">Este é o décimo longa-metragem ou série de televisão que Adam Sandler e Kevin James aparecem juntos (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao completar dez anos de lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hotel Transilvânia 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2015) se consolida como um marco interessante dentro da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">da última década. A sequência da animação de </span><a href="https://www.cbr.com/genndy-tarkovsky-best-movies-tv-shows-ranked/"><span style="font-weight: 400;">Genndy Tartakovsky</span></a><span style="font-weight: 400;">, longe de ser apenas uma repetição de piadas sobre monstros deslocados, revela um subtexto importante sobre herança, identidade e aceitação da diferença. O enredo gira em torno da ansiedade de Drácula com o futuro de seu neto, Dennis, fruto do casamento entre Mavis, sua filha vampira, e Johnny, um humano. A dúvida – será ele um vampiro ou humano? – funciona como metáfora para o medo de perda de tradição, de apagamento de uma linhagem cultural e, em última instância, da falência de uma identidade.</span></p>
<p><span id="more-36636"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nervosismo de Drácula (</span><a href="https://www.hulu.com/guides/adam-sandler-movies"><span style="font-weight: 400;">Adam Sandler</span></a><span style="font-weight: 400;">) em relação ao destino de Dennis (Asher Blinkoff) dialoga com pressões familiares comuns a diversas culturas, em que se espera que filhos e netos carreguem adiante o &#8216;legado&#8217; dos mais velhos. A frustração diante da possibilidade de o menino não ser vampiro traduz, de maneira lúdica, o medo da descontinuidade: a ameaça de que o passado não encontre eco no presente. Ao projetar essa angústia no corpo de uma criança, o filme revela como a sociedade frequentemente deposita em crianças e jovens expectativas que não pertencem a eles, mas às gerações anteriores.</span></p>
<figure id="attachment_36638" aria-describedby="caption-attachment-36638" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36638" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-800x433.jpg" alt="Cena de Hotel Transilvânia 2. A imagem mostra Mavis celebrando alegremente em uma loja de conveniência, enquanto Johnny a observa surpreso, criando um contraste divertido entre os dois. Mavis aparece como destaque: pele pálida, olhos grandes e negros, cabelo preto em corte característico e vestido marrom escuro. Seu sorriso largo e os braços erguidos transmitem entusiasmo e leveza. Já Johnny surge ao lado, com cabelos loiros desgrenhados, camisa amarela e verde e expressão de espanto, reforçando a atmosfera cômica da cena. Um homem ao fundo, pouco definido, complementa sem roubar a atenção. O estilo em animação digital valoriza cores vibrantes e contornos limpos, com iluminação suave que ressalta a interação entre os personagens. O cenário da loja, com prateleiras cheias de salgadinhos coloridos, funciona como pano de fundo animado para a espontaneidade da dupla." width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-1200x649.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36638" class="wp-caption-text">Os pais de Jonathan são dublados pelo casal da vida real, Nick Offerman e Megan Mullally (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa situação evidencia também um choque geracional inevitável. De um lado, Mavis (</span><a href="https://personaunesp.com.br/i-said-i-love-you-first-critica/"><span style="font-weight: 400;">Selena Gomez</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Johnny encaram a vida de forma mais aberta, convivendo com naturalidade entre humanos e monstros. Do outro, Drácula insiste em preservar fronteiras rígidas, acreditando que só a manutenção da “pureza” vampírica garantiria segurança e continuidade. Esse conflito traduz tensões contemporâneas sobre hibridismo, multiculturalismo e convivência com a diferença. O longa, ainda que travestido de comédia infantil, articula um discurso sobre a dificuldade que sociedades tradicionais têm em lidar com a pluralidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mavis, por sua vez, surge como a personagem que mais claramente rompe o ciclo de ódio aos humanos, já que seu relacionamento com Johnny representa a superação das barreiras erguidas pelo próprio pai. No entanto, sua trajetória não é de plena adaptação: ao visitar a família de Johnny (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-7a-temporada-de-brooklyn-nine-nine/"><span style="font-weight: 400;">Andy Samberg</span></a><span style="font-weight: 400;">), ela é vista de forma estereotipada, como alguém exótica e fora de lugar, lembrando o preconceito se reinscreve de formas sutis. Essa tensão reforça como a convivência entre mundos diferentes exige mais do que tolerância inicial, também demanda transformação estrutural, algo que nem sempre o contato individual consegue garantir. Assim, Mavis encarna o dilema de quem tenta viver entre fronteiras, mas continua sendo enquadrada por olhares externos que a reduzem a uma identidade fixa e caricatural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante notar que, ao contrário do que poderia sugerir uma narrativa linear, </span><a href="https://super.abril.com.br/historia/a-verdadeira-historia-do-verdadeiro-dracula/"><span style="font-weight: 400;">Drácula</span></a><span style="font-weight: 400;"> não avança em direção ao progresso, ele regride. Depois de, no primeiro filme, ter aceitado os humanos e aprendido a respeitar o amor de sua filha, aqui ele volta a agir de forma intolerante e controladora. Essa regressão é significativa: lembra que aceitar a diferença não é uma conquista definitiva, mas um exercício contínuo. O personagem, ao tentar manipular o neto para que este se torne vampiro, simboliza a tentativa de impor tradições a qualquer custo, mesmo quando o presente aponta em outra direção.</span></p>
<p><figure id="attachment_36637" aria-describedby="caption-attachment-36637" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36637" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-800x450.jpg" alt="Cena de Hotel Transilvânia 2. A imagem mostra um grupo de personagens de animação reunidos ao redor de uma fogueira, em um momento de convívio noturno cheio de música e diversão. Entre eles estão figuras icônicas como o Conde Drácula, com seu ar imponente mas descontraído, e o Monstro de Frankenstein, com seu porte marcante e expressão amistosa. Outros seres antropomórficos completam o círculo, cada um com traços físicos distintos e expressões que variam entre alegria, concentração e curiosidade, reforçando suas personalidades singulares. O destaque vai para o personagem que toca violão, animando o grupo e servindo como centro da interação. A iluminação quente da fogueira valoriza os rostos e corpos dos personagens, dando profundidade às suas expressões e ressaltando detalhes de roupas e características físicas. O estilo em animação digital de alta qualidade combina cores vibrantes e sombras realistas, criando uma atmosfera acolhedora. O cenário de floresta, com céu estrelado ao fundo, funciona como pano de fundo para a proximidade e o espírito de união dos personagens." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36637" class="wp-caption-text"><br />O personagem Vlad, pai do Drácula, é dublado por Mel Brooks, que também dirigiu a comédia Drácula – Morto, mas Feliz (1995) [Foto: Columbia Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A animação, contudo, não se sustenta apenas pela força de seu subtexto. Esteticamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hotel Transilvânia 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> reforça o estilo de Tartakovsky, que injetou energia cartunesca em um cinema de animação 3D muitas vezes dominado pela busca de realismo da <em>Pixar</em> e da </span><em><a href="https://personaunesp.com.br/madagascar-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">DreamWorks</span></a></em><span style="font-weight: 400;">. O movimento exagerado, os enquadramentos cômicos e o ritmo frenético conferem identidade à franquia, aproximando-a mais da tradição dos desenhos de televisão dos anos 1990 do que da lógica narrativa dos longas de animação hollywoodianos. Essa escolha estética foi fundamental para que o filme conquistasse um público amplo, mantendo-se fresco e diferente em meio à concorrência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro fator que explica a relevância da obra é a consolidação da franquia como fenômeno cultural e comercial. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=F1YhnSE9zZU"><i><span style="font-weight: 400;">Hotel Transilvânia 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não apenas manteve o interesse do público após o sucesso do primeiro, como garantiu fôlego para novas sequências, séries derivadas e um universo expandido de produtos. A mistura entre personagens monstruosos clássicos, como Drácula, lobisomens, múmias, Frankenstein, e dilemas cotidianos deu certo porque equilibrava a fantasia com conflitos universais. As crianças riam das trapalhadas, os adultos reconheciam, em chave caricatural, discussões sobre família, mudança e tradição.</span></p>
<figure id="attachment_36639" aria-describedby="caption-attachment-36639" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36639" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-4-800x495.jpeg" alt="É nesse ponto que reside a importância cultural de Hotel Transilvânia 2: ele mostra como a animação comercial pode ser mais do que mero entretenimento descartável. O longa captura ansiedades sociais sobre identidade, gerações e convivência, transformando-as em narrativas acessíveis a diferentes públicos. Ao mesmo tempo, reforça a ideia de que regressões, preconceitos e intolerâncias não são problemas resolvidos de uma vez por todas, pelo contrário, eles retornam, exigindo enfrentamento constante. Drácula, como metáfora, nos lembra que os monstros que mais assombram a vida em sociedade não estão nos contos de terror, mas nos medos que temos de aceitar a mudança." width="800" height="495" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-4-800x495.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-4-768x475.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-4.jpeg 970w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36639" class="wp-caption-text">Fifth Harmony gravou a canção-tema do filme I&#8217;m In Love With a Monster (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dez anos depois, rever </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bYZzOIcikSA"><i><span style="font-weight: 400;">Hotel Transilvânia 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é perceber como uma comédia de monstros animados conseguiu traduzir debates profundos em chave lúdica, com humor, cor e ritmo. Seu legado está tanto no impacto comercial, que garantiu longevidade à franquia, quanto na sutileza com que ofereceu uma reflexão sobre família, tradição e diferença. Um lembrete de que até os vampiros mais poderosos tremem diante do futuro e de que as novas gerações, humanas ou não, sempre desafiam os padrões do passado.</span></p>
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		<title>Caramelo: o sabor agridoce da vida</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 15:07:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Caramelo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Em Caramelo, o novo filme brasileiro da Netflix dirigido por Diego Freitas, a simplicidade do cotidiano se mistura a temas densos como a saúde, a amizade e a força das conexões afetivas. A trama acompanha Pedro (Rafael Vitti), um jovem chefe de cozinha que vê seus planos futuros desmoronarem ao receber o diagnóstico &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-caramelo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Caramelo: o sabor agridoce da vida"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36594" aria-describedby="caption-attachment-36594" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36594" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-1-1-2-1-800x554.jpg" alt="A foto mostra Pedro beijando um cachorro fantasiado de tubarão, em um momento de afeto e diversão. O homem, de pele clara, cabelo castanho escuro e barba por fazer, veste uma camisa jeans azul sobre camiseta branca. O cachorro, de porte médio e pelo marrom claro, usa uma fantasia azul com detalhes que imitam dentes de tubarão e parece sorrir. A foto foi tirada em um ambiente interno, com iluminação suave e fundo levemente desfocado, destacando os protagonistas. As cores quentes e os tons de azul e marrom criam uma atmosfera acolhedora e alegre." width="800" height="554" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-1-1-2-1-800x554.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-1-1-2-1-1024x709.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-1-1-2-1-768x532.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-1-1-2-1-1536x1064.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-1-1-2-1-2048x1418.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-1-1-2-1-1200x831.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36594" class="wp-caption-text">Rafa Vitti e Tatá Werneck adotaram um dos cães do filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Marcela Jardim</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Caramelo</span></i><span style="font-weight: 400;">, o novo filme brasileiro da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-bem-no-natal-que-vem-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">dirigido por Diego Freitas, a simplicidade do cotidiano se mistura a temas densos como a saúde, a amizade e a força das conexões afetivas. A trama acompanha Pedro (Rafael Vitti), um jovem chefe de cozinha que vê seus planos futuros desmoronarem ao receber o diagnóstico de câncer. No meio do caos, ele encontra consolo em um companheiro inesperado: um cachorro vira-lata chamado Caramelo. Além dele, o personagem é apoiado por uma rede de amigos que não o deixa enfrentar nada sozinho. O título, de forma sutil e poética, já antecipa o tom doce da obra, mas com uma pitada de amargura, como a própria vida. O sabor que fica é o de uma história que acolhe o espectador enquanto o lembra de que o amor e a dor são inseparáveis.</span></p>
<p><span id="more-36589"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A amizade entre Pedro e o cachorro é o eixo emocional da narrativa, construída com gestos pequenos e verdadeiros. Caramelo não é apenas um animal de estimação, e sim uma presença constante, quase humana, que entende o silêncio do dono melhor que qualquer palavra. Em vez de explorar o clichê do sofrimento pela morte do cão, como no clássico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=znsJc2v-Mww"><i><span style="font-weight: 400;">Marley e Eu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008), por exemplo, o longa faz o movimento oposto no qual o cachorro vive. Essa escolha é poderosa e desloca o foco do luto para a permanência. Caramelo se torna o símbolo daquilo que resiste, da lealdade que continua quando tudo parece desabar. Sua vitalidade, ao final, é o lembrete de que a esperança pode estar justamente naquilo que sobrevive conosco.</span></p>
<figure id="attachment_36599" aria-describedby="caption-attachment-36599" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36599" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/CAR_20240918-SC24_00047_R.jpg" alt="Cena do filme Caramelo. A cena mostra um homem e um cão de pelagem castanha clara interagindo de forma íntima e cotidiana em uma cozinha acolhedora. O homem, jovem, de cabelo castanho escuro e barba por fazer, veste uma regata branca e calças escuras, parecendo concentrado na preparação de algo sobre a bancada. O cão, de porte médio, observa atentamente com as patas apoiadas na superfície, demonstrando curiosidade e expectativa. A iluminação natural e suave, vinda provavelmente de uma janela, realça o ambiente doméstico e os tons terrosos da paleta. A composição equilibrada e o cenário realista transmitem uma atmosfera de cumplicidade e rotina afetuosa entre os dois." width="750" height="519" /><figcaption id="caption-attachment-36599" class="wp-caption-text">O elenco contou com aproximadamente 60 cachorros para as gravações (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.solusoncologia.com/como-os-animais-podem-ajudar-no-tratamento-oncologico/"><span style="font-weight: 400;">luta contra o câncer</span></a><span style="font-weight: 400;"> é retratada com delicadeza e honestidade, evitando o tom heroico e as narrativas de superação fácil. O filme entende o adoecer como parte do existir, um processo que transforma e fragiliza, porém, também revela o essencial. Pedro passa a enxergar o tempo de outro modo, e o que antes era rotina se torna privilégio, como acordar, caminhar com o cachorro e cozinhar para os amigos. Essa abordagem humaniza a experiência da doença e convida o espectador a refletir sobre as próprias prioridades. </span><i><span style="font-weight: 400;">Caramelo</span></i><span style="font-weight: 400;"> fala, no fundo, sobre reaprender a viver quando o futuro parece incerto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, o protagonista não enfrenta essa jornada sozinho. A rede de apoio que se forma em torno dele é o coração pulsante da obra. Amigos, familiares e o próprio Caramelo se tornam escudos contra o medo e a solidão. Há algo profundamente comovente em como o roteiro (Diego Freitas) retrata a amizade masculina sem o peso da competição ou do orgulho, abrangendo afeto, cuidado e vulnerabilidade. O amigo mais otimista de Pedro, </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DPuhxbhDIjz/"><span style="font-weight: 400;">Léo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Bruno Vinícius) – personagem que também tem câncer –, é a personificação da esperança, o tipo de companhia que brinca nos momentos errados, faz piadas ruins e, ainda assim, é indispensável. Seu humor, por vezes infantil, é o oxigênio do enredo, lembrando que rir é uma forma de resistência.</span></p>
<figure id="attachment_36597" aria-describedby="caption-attachment-36597" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36597" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-3-800x450.jpg" alt="Cena do filme Caramelo. A cena retrata um homem sorridente e seu cachorro curtindo uma viagem de carro em um momento de alegria e companheirismo. O homem, jovem, de cabelo castanho escuro e barba por fazer, segura o cachorro no colo enquanto sorri com expressão relaxada. O cão, de pelagem marrom-dourada e coleira vermelha, demonstra entusiasmo com a boca aberta e a língua de fora. A foto, iluminada por luz natural suave que entra pela janela, destaca o vínculo afetuoso entre os dois. Com cores quentes e fundo desfocado, a cena transmite leveza, espontaneidade e a sensação de um momento feliz compartilhado." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-3.jpg 912w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36597" class="wp-caption-text">Todos os cães do filme foram resgatados das ruas ou de situações de abandono, e depois, adotados por membros da produção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas piadas, muitas vezes carregadas de gírias e referências da internet, revelam o esforço do filme em </span><a href="https://www.denofgeek.com/movies/movies-that-define-generation-z/"><span style="font-weight: 400;">dialogar com a geração Z</span></a><span style="font-weight: 400;">, apresentando um espaço levemente vergonhoso. Entre uma conversa sobre tratamento e um meme sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">mindset</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa encontra leveza no cotidiano moderno. O humor digital, ainda que nem sempre equilibrado, torna o drama mais acessível e menos solene. O riso que surge não anula a dor, apenas a torna suportável. Essa combinação de linguagem contemporânea com emoção clássica é um dos grandes acertos do longa, que consegue falar de temas difíceis sem se distanciar do público jovem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do tom leve, há uma camada melancólica que atravessa toda a história. A fotografia (Kauê Zilli) quente e os enquadramentos suaves contrastam com a fragilidade do protagonista, criando uma sensação constante de doçura e perda. A obra entende que a vida é feita de altos e baixos, e traduz isso na própria estrutura narrativa com momentos de puro encanto e outros de dor silenciosa. </span><a href="https://www.metropoles.com/sao-paulo/caramelo-bastidores-netflix#:~:text=Nos%20bastidores%2C%20a%20equipe%20falou%20sobre%20o,de%20cena%2C%20o%20cachorro%20Amendoim%20(nome%20real)."><i><span style="font-weight: 400;">Caramelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é, como o título sugere, agridoce, o gosto de algo que conforta, mas que também lembra que tudo é passageiro. Essa alternância entre o riso e o choro é o que torna a experiência genuína e não apenas emocionalmente manipulativa.</span></p>
<figure id="attachment_36596" aria-describedby="caption-attachment-36596" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36596" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-4-800x360.jpg" alt="A fotografia mostra um cachorro caramelo olhando diretamente para a câmera, em meio a um cenário de filmagem. Centralizado e em destaque, o cão aparece apoiado em uma caixa, com vegetais e uma bolsa de lona ao fundo. Uma claquete com o nome “Caramelo” indica que ele faz parte de uma produção cinematográfica. De pelagem marrom-clara e orelhas caídas, o cachorro exibe um olhar curioso e atento. A imagem, bem iluminada e tecnicamente precisa, usa luz natural e fundo desfocado para enfatizar o protagonista, criando uma atmosfera realista e envolvente que mistura doçura e profissionalismo." width="800" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-4-800x360.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-4-1024x460.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-4-768x345.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-4-1200x540.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-4.jpg 1210w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36596" class="wp-caption-text">O total de 4 cães atuaram como dublês das versões jovem e velha de Amendoim (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As lições que o longa deixa são simples, porém, poderosas. Ele fala sobre aceitar a impermanência e a aprender que o amor é o que nos sustenta mesmo quando o corpo falha. Isso mostra que estar vivo não é vencer o sofrimento, e sim aprender a caminhar com ele. Pedro entende que não há garantias, só presenças, e que as pessoas – ou animais de estimação – que ficam ao nosso lado durante as tempestades são o verdadeiro sentido da vida. </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DPjMwVujVb0/"><i><span style="font-weight: 400;">Caramelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> celebra os laços que nos mantêm de pé, mesmo quando tudo ao redor parece desabar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, a produção não promete redenção nem milagres. Ele oferece, em vez disso, um abraço. É sobre a beleza de permanecer, de seguir e de não desistir mesmo quando o final é incerto. A vida, como o caramelo, é doce e amarga e, talvez, seja justamente isso que a torna inesquecível. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Rg6ZUQsLibY"><i><span style="font-weight: 400;">Caramelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> emociona, não por buscar lágrimas fáceis, mas por lembrar o público de que viver é, acima de tudo, aprender a se deixar afetar e reconhecer que, entre risadas, diagnósticos e lambidas, ainda há espaço para a ternura.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Caramelo | Trailer oficial | Netflix Brasil" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/wVqwoGwmR_I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Five Nights at Freddy’s 2 finalmente traz a essência dos jogos</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2025 16:38:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Marcela Jardim Após um início morno, Five Nights at Freddy’s 2 chega às telas com um inesperado senso de autoconfiança, corrigindo uma série de equívocos do primeiro filme e abraçando de vez o que tornou os jogos um fenômeno cultural. Se o longa de 2023 parecia inseguro, tentando equilibrar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-five-nights-at-freddys-2/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Five Nights at Freddy’s 2 finalmente traz a essência dos jogos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_36546" aria-describedby="caption-attachment-36546" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36546" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3-800x537.png" alt="Cena de Five Nights at Freddy’s 2. A cena mostra um boneco do personagem Toy Freddy, do jogo &quot;Five Nights at Freddy's&quot;, domina o centro da imagem. O boneco é marrom com detalhes em marrom claro e vermelho. Possui olhos grandes com íris verde-azuladas, bochechas vermelhas, um sorriso largo com dentes brancos e roxos, e uma gravata borboleta preta. Ele está em pé em um ambiente de parque de diversões, com luzes brilhantes, barracas e pessoas desfocadas ao fundo. A iluminação é artificial, provavelmente de holofotes e luzes de festa, criando um ambiente noturno e festivo. A composição é frontal e focada no boneco, que parece estar olhando diretamente para o observador. O fundo desfocado e as cores vibrantes criam uma atmosfera animada e um pouco misteriosa. Há um sinal de trânsito ao fundo e pessoas sorrindo, sugerindo uma cena de diversão. O estilo é realista, com foco nos detalhes do boneco e do cenário." width="800" height="537" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3-800x537.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3-1024x687.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3-768x515.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36546" class="wp-caption-text">O filme traz três vezes mais animatrônicos do que no primeiro longa da franquia (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após um início morno, </span><i><span style="font-weight: 400;">Five Nights at Freddy’s 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega às telas com um inesperado senso de autoconfiança, corrigindo uma série de equívocos do primeiro filme e abraçando de vez o que tornou os jogos um fenômeno cultural. Se o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0VH9WCFV6XQ"><span style="font-weight: 400;">longa de 2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> parecia inseguro, tentando equilibrar </span><i><span style="font-weight: 400;">fan service</span></i><span style="font-weight: 400;">, terror adolescente e uma narrativa melodramática, a continuação finalmente assume sua identidade: é uma obra de horror </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, consciente de sua própria ancestralidade digital e disposto a honrar essa herança.</span></p>
<p><span id="more-36545"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro (Scott Cawthon) se beneficia de um entendimento mais profundo da lógica de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/bilheteria-five-nights-at-freddys-2-2025"><i><span style="font-weight: 400;">FNAF</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: vigiar, sobreviver, interpretar sinais mínimos e entender os animatrônicos como entidades com personalidade e presença. Essa releitura reverente cria um diálogo muito mais próximo com os fãs, sem deixar os espectadores casuais perdidos em um labirinto confuso e incompleto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes trunfos da sequência é justamente a maneira como utiliza </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/filmes/five-nights-at-freddys-easter-eggs"><span style="font-weight: 400;">referências aos jogos</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem parecer refém delas. Ao invés de simplesmente replicar cenas icônicas, o filme reimagina mecânicas: o microgerenciamento das portas, o monitoramento obsessivo das câmeras, a tensão crescente conforme a energia diminui, tudo é convertido em linguagem cinematográfica com fluidez surpreendente.</span></p>
<figure id="attachment_36549" aria-describedby="caption-attachment-36549" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36549" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3-800x450.png" alt="Cena de Five Nights at Freddy’s 2. A cena mostra uma representação de close-up da personagem animatrônica Chica do jogo de terror &quot;Five Nights at Freddy's&quot;. A galinha robótica amarela está centralizada, preenchendo a maior parte da tela. Seus olhos são grandes, com um brilho azul e laranja hipnotizante, indicando que ela está ativada. A boca está ligeiramente aberta, revelando dentes finos e pontiagudos. As bochechas são rosadas e arredondadas. O fundo é escuro, enfatizando o rosto ameaçador. A iluminação é dramática, com luzes fortes que destacam os olhos e a estrutura metálica. A perspectiva é frontal, criando um senso de proximidade e perigo. A atmosfera geral é sombria e assustadora." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36549" class="wp-caption-text">A produção optou por usar efeitos práticos e marionetes reais para dar vida aos animatrônicos (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A famosa sala de segurança, muito semelhante à </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/voxel/273276-fnaf-veja-14-referencias-easter-eggs-filme-five-nights-at-freedy-s.htm"><span style="font-weight: 400;">representada no </span><i><span style="font-weight: 400;">game</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, torna-se um dos cenários mais claustrofóbicos do longa, capturando o terror psicológico de estar sempre um passo atrás do perigo. Até o uso da cabeça de animatrônico como método de sobrevivência, um dos artifícios mais memoráveis da franquia, ganha uma adaptação visual brutalmente eficaz, que aciona a memória afetiva dos jogadores sem depender de </span><i><span style="font-weight: 400;">jumpscares </span></i><span style="font-weight: 400;">fáceis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, não há como ignorar o impacto da reunião de </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-6-critica/"><span style="font-weight: 400;">Skeet Ulrich</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Matthew Lillard, atuando juntos, novamente, após </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1996). A dinâmica entre os dois, mesmo que não apareçam juntos em cena, adiciona camadas irresistíveis de nostalgia e tensão, especialmente porque ambos entendem o valor de performar com ironia calculada, lembrando ao público que seus rostos pertencem ao clássico do horror dos anos 90. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/ironico-autoconsciente-como-panico-mudou-para-sempre-genero-terror/"><span style="font-weight: 400;">Lillard</span></a><span style="font-weight: 400;">, mais uma vez, entrega uma performance expansiva, quase teatral, que combina perfeitamente com a estética de animatrônicos possuídos. Já Skeet trabalha numa chave mais contida, mas igualmente inquietante, transformando sua aparição em um lembrete de que o passado do terror nunca fica realmente enterrado. Essa dupla funciona como uma ponte simbólica entre gerações de fãs, consolidando o filme como um </span><i><span style="font-weight: 400;">crossover </span></i><span style="font-weight: 400;">emocional entre mídias e épocas.</span></p>
<figure id="attachment_36547" aria-describedby="caption-attachment-36547" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36547" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-3-800x450.png" alt="Cena de Five Nights at Freddy’s 2. A cena mostra dois animatrônicos, Freddy Fazbear e Chica, retratados lado a lado em um fundo escuro. Freddy, à esquerda, apresenta um tom marrom-alaranjado, com um olho grande azul brilhante, com cílios compridos e sobrancelhas escuras. O focinho é largo e mostra detalhes, com pequenas manchas escuras e um nariz preto. Chica, à direita, é amarela vibrante, com um bico laranja e bochechas rosa. Ela compartilha um estilo de olho similar, com um olho brilhante e azul esverdeado, com cílios rosa e sobrancelhas. A composição é focada nos rostos, com uma iluminação dramática que realça os olhos e cria um contraste marcante com o fundo negro, aumentando o suspense. A imagem tem um estilo realista e detalhado, remetendo ao design característico da franquia Five Nights at Freddy's." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-3.png 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36547" class="wp-caption-text">No jogo original, o protagonista não é Mike Schmidt. Já no filme, ele foi mantido como personagem principal para garantir continuidade direta com o primeiro longa (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro da narrativa, no entanto, está Mckenna Grace, agora ainda mais madura e carregando um protagonismo sólido, entretanto cuja frequência em produções já começa a gerar discussões. A comparação inevitável é com o fenômeno Pedro Pascal em 2024 e 2025, cuja saturação recente provocou um misto de carinho e cansaço no público. Mckenna parece estar prestes a viver um movimento semelhante já que estrelou a adaptação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-se-nao-fosse-voce/"><span style="font-weight: 400;">Se não fosse você</span></a><span style="font-weight: 400;"> (2025) e também está no elenco de </span><i><span style="font-weight: 400;">New Years </span></i><span style="font-weight: 400;">– produção sobre a história do </span><a href="https://personaunesp.com.br/green-day-brasil/"><span style="font-weight: 400;">Green Day</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, Amanhecer na Colheita, entre outras produções.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, no contexto de </span><i><span style="font-weight: 400;">FNAF 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela entrega uma atuação que equilibra vulnerabilidade e percepção, tornando crível sua relação com os animatrônicos e com o trauma que envolve a principal linha narrativa. É justamente essa entrega emocional tão consistente que mantém </span><a href="https://personaunesp.com.br/ghostbusters-apocalipse-de-gelo/"><span style="font-weight: 400;">Mckenna</span></a><span style="font-weight: 400;"> relevante, mas também evidencia o risco de desgaste. Quanto mais ela assume papéis centrais em projetos de grande visibilidade, maior a chance de o público começar a enxergá-la menos como presença transformadora e mais como figura onipresente. O filme, portanto, funciona quase como um alerta involuntário: seu talento continua incontestável, porém, a indústria precisa respirar entre uma escalação e outra para que o brilho não se torne excessivo, ainda mais no início de sua carreira adulta.</span></p>
<figure id="attachment_36548" aria-describedby="caption-attachment-36548" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36548" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-800x420.png" alt="Cena de Five Nights at Freddy’s 2. A cena mostra um boneco de Bonnie The Bunny, em tons de azul escuro e branco, ocupando o centro da imagem. O boneco tem um sorriso largo, revelando dentes quadrados, e olhos grandes e brilhantes com contornos coloridos em tons de verde, vermelho e amarelo. Ele usa uma gravata borboleta vermelha e bochechas vermelhas. O coelho segura um objeto fino e escuro com a mão direita, apontando-o para cima. O fundo é escuro e desfocado, com a sugestão de um interior doméstico, incluindo uma luz no teto e detalhes de madeira. A iluminação é dramática, com foco no coelho e sombras profundas em volta, criando uma atmosfera de suspense e mistério. A composição é em close-up, enfatizando a expressão do coelho e sua pose ameaçadora." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-1536x806.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-1200x630.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36548" class="wp-caption-text">O uso dos animatrônicos withered, versões desgastadas e abandonadas, resgata elementos da mitologia dos primeiros jogos (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto de destaque é o refinamento do terror. </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-five-nights-at-freddys-2/"><i><span style="font-weight: 400;">FNAF 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma obra muito mais consciente do que é e deve ser. Há tensão crescente, construção atmosférica, uso inteligente de sombras e enquadramentos que sugerem mais do que mostram, tudo sem recorrer a </span><i><span style="font-weight: 400;">gore </span></i><span style="font-weight: 400;">desnecessário. A franquia nunca dependeu de violência explícita para funcionar, e a continuação entende isso perfeitamente, criando um terror que se sustenta na expectativa, na paranóia e na relação afetiva que o espectador cria com aqueles bonecos metálicos que nunca deveriam ter vida própria. A direção de Emma Tammi sabe exatamente quando cortar, quando silenciar e quando deixar o som metálico ecoar tempo demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, os animatrônicos chegam ao auge visual da série. Os cenários são meticulosamente construídos, com textura, profundidade e um brilho decadente que captura a estranheza retrô dos jogos originais. Cada animatrônico é filmado como criatura e como objeto, mantendo simultaneamente a ilusão de vida e o desconforto de sua rigidez mecânica. O trabalho prático, aliado a efeitos digitais discretos, fortalece a imersão e sustenta o terror físico que permeia toda a obra. É esse cuidado técnico que faz </span><a href="https://cinepop.com.br/five-nights-at-freddys-2-amarga-15-de-aprovacao-dos-criticos-no-rt-confira-as-reacoes-706356/"><i><span style="font-weight: 400;">Five Nights at Freddy’s 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não apenas superar seu antecessor, mas enfim se afirmar como a adaptação definitiva do universo de Scott Cawthon: um filme que entende seu próprio mito, reverencia seu público e finalmente encontra o coração metálico pulsante do horror que o originou.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Five Nights at Freddy&#039;s 2 | Trailer Oficial - Dublado (Universal Pictures) - HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/w8oP0T-7USo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Zootopia 2 e o peso de existir: uma continuação ansiosa, política e necessária</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 18:18:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Marcela Jardim Depois de quase uma década da primeira produção, Zootopia 2 chega como uma continuação que entende a própria pressão de existir, e faz disso um tema, uma ferramenta narrativa e um comentário metalinguístico. Desde o primeiro ato, o filme assume uma necessidade que é necessário se provar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-zootopia-2/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Zootopia 2 e o peso de existir: uma continuação ansiosa, política e necessária"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_36506" aria-describedby="caption-attachment-36506" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36506" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-800x449.png" alt="Cena de Zootopia 2. A cena mostra Nick Wilde e Judy Hopps em um ambiente noturno elegante, vestidos formalmente e voltados um para o outro em um plano médio que destaca sua interação. Nick, em um terno preto e com seu olhar charmoso e irônico, contrasta com Judy, que usa um vestido amarelo vibrante e exibe uma expressão atenta e confiante. O fundo desfocado com luzes festivas e neve cria uma atmosfera romântica e acolhedora. A arte digital, com estilo próximo ao da animação 3D da Disney, apresenta cores vibrantes, texturas cuidadosas e iluminação suave, reforçando o clima íntimo e celebrativo do momento." width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-768x431.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36506" class="wp-caption-text">A versão brasileira do filme conta com o retorno de Monica Iozzi e Rodrigo Lombardi como os protagonistas (Foto: Walt Disney Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de quase uma década da primeira produção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Zootopia 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega como uma continuação que entende a própria pressão de existir, e faz disso um tema, uma ferramenta narrativa e um comentário metalinguístico. Desde o primeiro ato, o filme assume uma necessidade que é necessário se provar a todo tempo, ecoando o dilema dos próprios protagonistas, Judy Hopps (</span><a href="https://personaunesp.com.br/once-upon-a-time-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Ginnifer Goodwin</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Nick Wilde (</span><a href="https://personaunesp.com.br/air-a-historia-por-tras-do-logo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jason Bateman</span></a><span style="font-weight: 400;">), que continuam carregando a tensão entre ser reconhecidos e ser suficientes. Esse jogo reflexivo de evidencia quando o novo prefeito, um ator vaidoso e caricatural, surge como sátira da política-espetáculo: um líder cuja função é performar confiança, não construí-la. A piada é ácida e evidente, mas funciona como crítica ao modo como celebridades e figuras públicas ocupam cargos de poder numa sociedade que trata governar como entretenimento.</span></p>
<p><span id="more-36504"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica clássica entre </span><a href="https://br.ign.com/zootopia-2/148673/news/quimica-inegavel-diretores-de-zootopia-2-nao-descartam-possivel-romance-entre-judy-hopps-e-nick-wild"><span style="font-weight: 400;">Judy e Nick</span></a><span style="font-weight: 400;"> permanece a mesma: a policial certinha, disciplinada, que acredita que ética pode mover montanhas, e o malandro afiado que conhece a cidade de dentro do caos. Esse contraste volta como motor narrativo, acentuado pelas diferenças da dupla, levando os personagens até uma ‘terapia de casal’, brincando com a intertextualidade da dupla funcionar quase como um casal que evita admitir isso. As sessões de treinamento emocional obrigatórias, recheadas de frases prontas e referências à linguagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">coaching</span></i><span style="font-weight: 400;">, parecem tiradas diretamente de </span><i><span style="font-weight: 400;">podcasts </span></i><span style="font-weight: 400;">contemporâneos sobre relacionamentos, masculinidade, vulnerabilidade e comunicação não violenta. A produção entende e referencia a cultura atual, além de se divertir com ela.</span></p>
<figure id="attachment_36505" aria-describedby="caption-attachment-36505" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36505" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-800x450.png" alt="Cena de Zootopia 2. A cena apresenta três personagens: um gato cinzento (Patalberto), uma coelha (Judy) e uma cobra azul (Gary), todos expressando forte surpresa diante de algo fora do quadro. O enquadramento próximo destaca rostos e ombros, reforçando o choque nas expressões. A iluminação suave e o fundo desfocado mantêm o foco nos personagens: o gato com casaco verde e mochila laranja, a coelha com casaco azul marinho e olhos arregalados, e a cobra azul com olhos amarelos e língua bifurcada. O estilo segue a estética típica da Disney, com texturas detalhadas e cores vibrantes. A luz quente sugere um pôr ou nascer do sol, criando um clima de suspense e antecipação sobre o que eles estão observando." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36505" class="wp-caption-text">Uma continuação foi considerada ainda em 2016, ano de lançamento do primeiro filme, pelos diretores (Foto: Walt Disney Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro aproveita esse tom próprio para explorar o tema das diferenças culturais de maneira ainda mais explícita. A relação entre espécies retorna como metáfora para choques culturais, formas de comunicação distintas e conflitos de convivência. Isso fica evidente nas sequências envolvendo o sistema de metrô e os enormes canos suspensos, que remetem à </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/brasil/urbanizacao.htm"><span style="font-weight: 400;">urbanização problemática</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cidades como Nova Iorque e São Paulo. A mensagem é clara: convivência multicultural exige adaptação e respeito, algo que ecoa também no subtexto sobre como imigrantes e estrangeiros construíram boa parte da infraestrutura dos Estados Unidos, porém raramente são creditados por isso. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Zootopia 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, até mesmo a engenharia urbana vira comentário político.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, o filme abraça a estética contemporânea ao inserir referências a outros clássicos da animação, incluindo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iryIGZlE5B4"><i><span style="font-weight: 400;">Ratatouille</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2007), onde um animal chefe de cozinha aparece com um rato na cabeça. Por outro lado, há também um paralelo direto com casos de plágio corporativo, propriedade intelectual e o eterno embate entre criatividade e capitalismo. O antagonismo, aliás, é mais profundo do que vilões caricatos: o verdadeiro mal aqui são os ricos poderosos, donos de terras, donos de marcas, donos de narrativas. O longa toca em eugenia de forma crítica, denunciando discursos que tentam justificar a exclusão de certas espécies, como os répteis e aves, sob a desculpa de ‘ordem natural’.</span></p>
<figure id="attachment_36507" aria-describedby="caption-attachment-36507" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36507" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3.png" alt="Cena de Zootopia 2. A cena mostra Nick Wilde e Judy Hopps remando juntos em um barco, ambos surpresos e em alerta enquanto atravessam um rio pitoresco. O plano médio destaca a parceria dos dois, que seguram os remos lado a lado e reagem a algo inesperado no ambiente. Nick, com sua pelagem laranja e camisa rosa florida, exibe preocupação, enquanto Judy, com colete azul e olhar atento, parece assustada. A arte digital segue o estilo vibrante da Disney, com texturas detalhadas nos personagens e na água. O cenário de pântano ou rio, cercado por vegetação e construções charmosas, iluminado por luz natural, cria um clima de aventura e antecipação." width="768" height="433" /><figcaption id="caption-attachment-36507" class="wp-caption-text">Shakira compôs uma música original para o filme, chamada Zoo, em parceria com Ed Sheeran (Foto: Walt Disney Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos momentos mais simbólicos é a quebra da caneta de cenoura, aquele dispositivo icônico que salvou </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/qual-relacao-entre-judy-e-nick-em-zootopia-2"><span style="font-weight: 400;">Judy e Nick</span></a><span style="font-weight: 400;"> no primeiro filme. Aqui, ela se parte ao meio como metáfora da fragmentação da confiança, da amizade e dos pactos que sustentavam a dupla. É uma ruptura silenciosa, mas emocionalmente densa, que representa a pressão externa corroendo vínculos afetivos. A obra trata essa cena com a delicadeza de quem entende que relações, sejam de trabalho ou amorosas, não quebram de uma vez, e sim racham, desfiam, se desgastam até que o objeto simbólico finalmente cede.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A volta da cantora Gazelle (</span><a href="https://personaunesp.com.br/las-mujeres-ya-no-lloran-critica/"><span style="font-weight: 400;">Shakira</span></a><span style="font-weight: 400;">) reforça o espírito pop da franquia, agora com mais aparições e um discurso mais politizado que acompanha o próprio retorno da artista ao </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">. Diferente do primeiro, em que surgia praticamente apenas no número musical, Gazelle aqui participa efetivamente da narrativa e ganha cenas que ampliam sua presença no universo animal. Em outra face, Nibbles Castanheira (Fortune Feimster), a castora </span><i><span style="font-weight: 400;">podcaster</span></i><span style="font-weight: 400;"> de teorias da conspiração, e Gary A’Cobra (</span><a href="https://personaunesp.com.br/passagem-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ke Huy Quan</span></a><span style="font-weight: 400;">), injustamente acusado como vilão, funcionam como alívios cômicos bem calibrados dentro da trama. Diferente de coadjuvantes que pesam ou desviam o foco, eles não soam saturados ou inconvenientes, são personagens autênticos, com personalidades próprias, cuja comicidade nasce da narrativa e não de exagero. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o retorno de Bellwether (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jenny Slate</span></a><span style="font-weight: 400;">) e do preguiça Flecha (</span><a href="https://personaunesp.com.br/wi-fi-ralph-critica/"><span style="font-weight: 400;">Raymond S. Persi</span></a><span style="font-weight: 400;">) cria um contraste cômico e nostálgico essencial à narrativa. Bellwether aparece na penitenciária e tenta fugir de Zootopia, enquanto Flecha ajuda Nick a salvar Judy, usando sua velocidade nas estradas. Em outra vertente, o longa mergulha nas discussões sobre saúde mental ao mostrar Judy lidando com crises de ansiedade diante de padrões inalcançáveis, enquanto Nick enfrenta o fantasma de nunca ser plenamente visto além da imagem de trambiqueiro. A própria cidade surge como um organismo exausto, adoecendo sob o peso das desigualdades e das pressões constantes do cotidiano urbano.</span></p>
<figure id="attachment_36508" aria-describedby="caption-attachment-36508" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36508" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-800x335.png" alt="Cena de Zootopia 2. A cena mostra Judy Hopps, Nick Wilde e Gary A’Cobra em um momento tenso no topo de uma montanha, reagindo com surpresa e medo enquanto uma serpente azul interage com eles. O enquadramento dinâmico acentua a altura e o perigo, com Judy em uniforme policial e Nick em sua camisa rosa florida, ambos com expressões de choque. A serpente azul, curiosa, ocupa o centro da composição. A arte digital segue o estilo típico da Disney/Pixar, com cores vibrantes, texturas detalhadas e iluminação natural. O cenário montanhoso, com penhascos, névoa e uma casa de madeira, reforça a atmosfera dramática e de suspense." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-768x322.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4.png 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36508" class="wp-caption-text">A cena pós crédito da produção indica a volta de aves em Zootopia (Foto: Walt Disney Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme reforça, com sensibilidade, que </span><i><span style="font-weight: 400;">“um animal sozinho não pode carregar o mundo nos ombros”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A frase funciona como um manifesto contra o conceito de hiperindividualização neoliberal que molda a vida real e aparece traduzida em metáforas urbanas, pressões de trabalho, </span><i><span style="font-weight: 400;">burnout </span></i><span style="font-weight: 400;">e na necessidade de apoio comunitário. Essa discussão ganha ainda mais força quando o vilão disfarçado, Patalberto Linceslei (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-7a-temporada-de-brooklyn-nine-nine/"><span style="font-weight: 400;">Andy Samberg</span></a><span style="font-weight: 400;">), é revelado como um antagonista movido não por ambição pura, mas por um desejo desesperado de aprovação familiar, algo que expõe o impacto psicológico das expectativas sociais e afetivas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=z-C1VtXQr6o"><i><span style="font-weight: 400;">Zootopia 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma sequência que tenta se justificar, se reafirmar e se provar. E justamente por assumir essa busca por pertencimento é que funciona tão bem como obra da atualidade: ele é ansioso, hiperconectado, cheio de referências, autoconsciente, vulnerável e politizado. Assim como Judy e Nick, a própria animação tenta encontrar seu lugar num mundo saturado de narrativas, e talvez seja exatamente essa honestidade que o torna tão necessário.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Zootopia 2 | Trailer Oficial Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/P3wetwPw1Rc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Truque de Mestre &#8211; O 3° Ato traz uma nova geração de cavaleiros e truques na manga</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Nov 2025 13:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Marcela Jardim Em uma Era em que franquias se estendem para além do necessário e entregam sequências mornas, como o desgaste evidente de produções como Capitão América 4 (2025) e tantas outras continuações que se apoiam apenas no peso do nome, Truque de Mestre &#8211; O 3° Ato surge &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-truque-de-mestre-o-3-ato/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Truque de Mestre &#8211; O 3° Ato traz uma nova geração de cavaleiros e truques na manga"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_36339" aria-describedby="caption-attachment-36339" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36339" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-800x450.png" alt="Cena de Truque de Mestre - O 3° Ato. A cena mostra um grupo diverso de oito pessoas posam lado a lado, encarando diretamente a câmera com expressões que variam entre sorrisos discretos e seriedade. A composição frontal e simétrica destaca a sensação de união e mistério, reforçada pelo personagem central de braços cruzados. O fundo desfocado de vegetação e a luz natural suave valorizam as cores e os rostos, enquanto as roupas — que vão do formal ao casual — e a diversidade entre os retratados adicionam complexidade. O resultado é uma imagem contemporânea, com tom dramático e enigmático." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36339" class="wp-caption-text">Os atores passaram por treinamento real de mágica (Foto: Summit Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma Era em que franquias se estendem para além do necessário e entregam sequências mornas, como o desgaste evidente de produções como </span><a href="https://personaunesp.com.br/capitao-america-admiravel-mundo-novo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Capitão América 4</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025) e tantas outras continuações que se apoiam apenas no peso do nome, </span><i><span style="font-weight: 400;">Truque de Mestre &#8211; O 3° Ato </span></i><span style="font-weight: 400;">surge como um raro suspiro de frescor. O filme retoma a energia pulsante que marcou as duas primeiras produções, preservando a essência de espetáculo, charme e ilusionismo que tornou os Cavaleiros um fenômeno cultural, mas sem abrir mão da renovação. </span></p>
<p><span id="more-36338"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/truque-de-mestre-o-3-ato-trai-sua-magica-e-se-reduz-a-espetaculo-de-efeitos-especiais/"><span style="font-weight: 400;">terceiro capítulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> entende que nostalgia não pode ser muleta, e sim plataforma: usa o passado como trampolim para expandir o universo da franquia com coragem, humor e uma sofisticação narrativa que responde às expectativas de uma audiência mais exigente. A combinação entre respeito às origens e inovação bem arquitetada resulta em um retorno que não se limita a revisitar truques conhecidos: ele os reinventa.</span></p>
<figure id="attachment_36341" aria-describedby="caption-attachment-36341" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36341" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-13-800x464.png" alt="Cena de Truque de Mestre - O 3° Ato. A cena mostra um grupo em um ambiente moderno e elegante, com foco em um homem de terno escuro falando ao telefone, cercado por pessoas em trajes sofisticados. As expressões variam entre seriedade e neutralidade, sugerindo tensão. A iluminação suave e o design contemporâneo do espaço criam um clima cinematográfico, com tons neutros e detalhes controlados que reforçam um ar de suspense." width="800" height="464" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-13-800x464.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-13-1024x594.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-13-768x445.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-13.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36341" class="wp-caption-text">O filme saiu 10 anos após ser anunciado (Foto: Summit Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De imediato, o retorno dos Cavaleiros originais (Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-se-nao-fosse-voce/"><span style="font-weight: 400;">Dave Franco</span></a><span style="font-weight: 400;">, Isla Fisher) representa mais que </span><i><span style="font-weight: 400;">fan service</span></i><span style="font-weight: 400;">: é uma afirmação de identidade da trilogia. A presença deles traz peso e história, uma espécie de pilar moral-ímpar quase mítico, como se a plateia fosse convidada a revisitar não só os truques, mas as motivações que fizeram o Quarteto original se tornar uma lenda dos golpes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, o filme não se contenta com isso: ele introduz uma nova geração: jovens mágicos interpretados por Justice Smith, </span><a href="https://personaunesp.com.br/barbie-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ariana Greenblatt</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Dominic Sessa, que não são apenas clones estilísticos dos veteranos, e sim extensões conscientes. Eles usam tecnologia de ponta, hologramas, </span><i><span style="font-weight: 400;">deepfakes</span></i><span style="font-weight: 400;">, enquanto os Cavaleiros mais antigos ainda se apoiam no ilusionismo clássico, o prestígio do artifício físico e da presença de palco tradicional. Essa dicotomia gera um choque de gerações bem explorado, sem se tornar artificial, é uma tensão orgânica, resultado da diferença técnica, estética e até filosófica entre magos antigos e novos. Culturalmente, isso funciona como uma metáfora sobre legado: o que significa passar a tocha quando o legado é construído sobre artifícios e enganos em relação a sobre mágica?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O longa acerta ao não romantizar cegamente os originais: há atritos, como a volta de Henley –</span> <a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/isla-fisher-e-o-panico-real-no-filme-truque-de-mestre"><span style="font-weight: 400;">Isla Fisher</span></a> <span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;">, que não apareceu no anterior, entretanto há também humildade para aprender. Por outro lado, o mote de reunir duas gerações para um grande golpe remete a um </span><i><span style="font-weight: 400;">ethos </span></i><span style="font-weight: 400;">quase robin hoodiano: os mágicos continuam sendo justiceiros, usando truques para atacar poderosos corruptos. Essa essência permanece, mas é renovada via novas formas, prova de que tradição e inovação não precisam ser antagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_36342" aria-describedby="caption-attachment-36342" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36342" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-800x450.png" alt="Cena de Truque de Mestre - O 3° Ato. A cena mostra um interior surrealista, marcado por espelhos fragmentados que distorcem a perspectiva e multiplicam reflexos. No centro, uma escadaria de mármore em espiral reúne quatro personagens: um homem de terno que aponta algo com seriedade, um jovem atento ao seu lado, uma mulher de vestido branco observando de forma contemplativa e outro jovem descendo os degraus. As roupas elegantes contrastam com a arquitetura abstrata. A iluminação difusa e a cenografia combinada com efeitos digitais criam um ambiente onírico e misterioso, reforçando o caráter intrigante do espaço." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36342" class="wp-caption-text">O diretor Ruben Fleischer enfatizou o uso de efeitos práticos em vez de depender muito de CGI (Foto: Summit Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Também há motivações profundas que se entrelaçam: a busca de vingança pela morte de Thaddeus Bradley (</span><a href="https://personaunesp.com.br/seven-25-anos/"><span style="font-weight: 400;">Morgan Freeman</span></a><span style="font-weight: 400;">), se ergue como motor narrativo. A dor da perda, o ressentimento histórico e a ambição se fundem, delineando uma trama moral mais densa do que poderia parecer em um filme de falcatruas. É esse fomento, aliada à promessa de justiça, que dá ao roteiro um peso dramático.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, a volta de Dylan Rhodes (</span><a href="https://personaunesp.com.br/de-repente-30-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Mark Ruffalo</span></a><span style="font-weight: 400;">), revelando que ele estava por trás da reunião do grupo, destruído depois de uma missão mal sucedida, funciona como pontapé emocional. O acontecimento traz coerência ao arco dos Cavaleiros: após anos separados, ele reaparece para conectar os pedaços soltos, algo que ressoa com a ideia de redenção e reconciliação. Sua presença no desfecho reforça que a história dos mágicos não é apenas sobre truques, mas sobre relações, confiança e renovação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das grandes surpresas, no entanto, é a vilã Veronika Vanderberg, uma redenção após o papel morno de Daniel Radcliffe. </span><a href="https://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rosamund Pike</span></a><span style="font-weight: 400;"> rouba a cena com uma performance feroz, plena de nuances: não é uma antagonista cartunesca, e sim uma figura poderosa, ambiciosa, com motivações que vão além da vilania simplista. Sua força marca uma guinada bem-vinda na franquia, sobretudo por colocar uma mulher no centro do conflito, o que reforça a evolução das personagens femininas. O filme também abre espaço para outras vozes femininas no mundo da mágica com as personagens de Isla Fisher, Ariana Greenblatt e Lizzy Caplan, que não são coadjuvantes sentimentais, porém mágicas estrategistas e competentes.</span></p>
<figure id="attachment_36340" aria-describedby="caption-attachment-36340" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36340" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-13.png" alt="Cena de Truque de Mestre - O 3° Ato. A cena mostra uma mulher elegante em destaque, segurando uma joia valiosa em um ambiente formal, provavelmente um leilão. Em primeiro plano, ela aparece em um palco diante de um expositor de vidro com o logotipo “Vanderberg”. Vestida com um longo traje cinza brilhante, cabelo loiro curto e batom vermelho, ela é iluminada por luz dramática que realça a joia em suas mãos. O espaço luxuoso, com público ao fundo e iluminação sofisticada, reforça a atmosfera de exclusividade e mistério." width="750" height="422" /><figcaption id="caption-attachment-36340" class="wp-caption-text">O quarto filme já foi confirmado pela produtora (Foto: Summit Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto aos </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twists</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa mantém a tradição da franquia e entrega reviravoltas sólidas e bem sinalizadas, que não dependem de artifícios gratuitos, mas de construção narrativa. As viradas surgem de pistas discretas, plantadas com antecedência, e funcionam como extensões naturais da própria lógica interna. Parte do encanto desses truques está justamente em enganar, aqui isso é usado como ferramenta narrativa para subverter expectativas, reforçando que este é um longa sobre truques dentro de truques, espelhos dentro de espelhos. A trilha sonora e musical (Brian Tyler) amplifica essa atmosfera, criando tensão quando necessário e aliviando o peso nos momentos de humor, especialmente com o uso capcioso de </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-a-balada-o-amor-e-o-gotico-a-versatilidade-como-caos-organizado-em-mayhem-de-lady-gaga/"><i><span style="font-weight: 400;">Abracadabra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da Lady Gaga, que funciona como respiro cômico sem quebrar o ritmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto negativo, no entanto, é que em meio à grandiosidade do espetáculo algumas motivações políticas (como conspirar contra organizações criminosas) podem parecer ambiciosas demais para o </span><i><span style="font-weight: 400;">ethos </span></i><span style="font-weight: 400;">da mágica. Se a franquia sempre teve ares de ‘justiceiro-ilusionista’, agora ela parece querer discutir o poder global, capitalismo, riqueza, e nem sempre o roteiro (Eric Singer) consegue equilibrar isso com a leveza que marcou os primeiros filmes. Essa tensão pode parecer um tropeço, já apontado por </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/truque-de-mestre-3-critica/"><span style="font-weight: 400;">críticas mais duras</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4-Yh5uUMFBg"><i><span style="font-weight: 400;">Truque de Mestre &#8211; O 3° ato</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não abandona sua alma: é uma produção sobre Arte, engano, espetáculo e revolta disfarçada de entretenimento. Ele mantém a tradição dos magos à lá Robin Hood, mas inova com novas caras,  tecnologias e dilemas. O gancho para um próximo filme é claro: as sementes são plantadas para um legado contínuo, talvez mais híbrido e colaborativo entre gerações. No fim das contas, a mágica mais impressionante pode não ser o truque final, e sim a capacidade de se reinventar sem se trair.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Truque de Mestre - O 3° Ato | Trailer Oficial Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/_vv523nEIcI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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