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	<title>Arquivos Marcela Jardim &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>10 anos de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2: A Revolução não tem fim</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 13:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Há dez anos, Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2 chegava aos cinemas encerrando uma das distopias audiovisuais mais influentes do século XXI. Em 2015, o lançamento dividiu público e crítica, mas hoje, uma década depois, o filme se revela uma obra que só ganhou densidade com o tempo. A produção sintetiza o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-a-esperanca-parte-2-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "10 anos de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2: A Revolução não tem fim"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36861" aria-describedby="caption-attachment-36861" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36861" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-800x534.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra um grupo de combatentes vestidos com roupas táticas pretas em um ambiente externo de clima sombrio. Eles parecem se preparar para uma missão, todos com expressões sérias e focadas. Alguns seguram armas, reforçando o caráter militar da cena. A iluminação difusa, de um dia nublado, cria sombras suaves que aumentam a tensão. Ao fundo, uma estrutura arquitetônica clássica sugere um cenário urbano abandonado ou estratégico. Há também uma figura mais distante, em uniforme camuflado, indicando diversidade de funções no grupo. A composição dá destaque ao senso de prontidão e determinação coletiva. A cena transmite expectativa e clima pré-confronto." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36861" class="wp-caption-text">Esperança Parte 2 é o quarto filme da franquia (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há dez anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegava aos cinemas encerrando uma das distopias audiovisuais mais influentes do século XXI. Em 2015, o lançamento </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/jogos-vorazes-a-esperanca-o-final-critica#:~:text=T%C3%B3picos%20como%20desigualdade%20social%2C%20manipula%C3%A7%C3%A3o%20da%20m%C3%ADdia%2C,na%20%C3%A9poca%20de%20Bella%2C%20Jacob%20e%20Edward."><span style="font-weight: 400;">dividiu público e crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas hoje, uma década depois, o filme se revela uma obra que só ganhou densidade com o tempo. A produção sintetiza o espírito de uma geração que cresceu vendo o colapso de instituições, a crise da democracia e o avanço das guerras por narrativas. Revisitar essas imagens agora, num mundo ainda mais fragmentado e polarizado, expõe a força atemporal da saga e sua capacidade de dialogar com cada novo ciclo de turbulência política. Katniss (</span><a href="https://personaunesp.com.br/que-horas-eu-te-pego-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Lawrence</span></a><span style="font-weight: 400;">), com sua mistura de heroísmo imperfeito e vulnerabilidade radical, permanece como um símbolo cultural que transcende a ficção e encontra eco nas discussões sobre poder, propaganda e resistência.</span></p>
<p><span id="more-36859"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A morte de Prim (</span><a href="https://www.metropoles.com/celebridades/willow-shields-a-prim-de-jogos-vorazes-surge-irreconhecivel-veja"><span style="font-weight: 400;">Willow Shields</span></a><span style="font-weight: 400;">), talvez o momento mais devastador da franquia, envelheceu como um lembrete incômodo do custo humano dos conflitos. A abordagem da cena, marcada por uma frieza quase documental, ultrapassa o impacto emocional e revela um comentário sobre como governos, tanto no mundo real quanto na ficção, sacrificam inocentes sob o pretexto de uma estratégia maior’. Ver Katniss correr entre fumaça branca e gritos desesperados, apenas para testemunhar a perda de sua irmã, o que moldou toda sua jornada, reforça a dimensão trágica da personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma década depois, a sequência continua doendo não pela surpresa, mas pela inevitabilidade: desde o primeiro filme, a irmã da protagonista sempre foi a representação daquilo que não deveria ser tocado. E quando Panem toca, todo o restante desmorona, tudo isso agravado pelo fato de que Gale (</span><a href="https://personaunesp.com.br/megarrromantico-critica/"><span style="font-weight: 400;">Liam Hemsworth</span></a><span style="font-weight: 400;">), outrora aliado íntimo da protagonista e moralmente firme, torna-se cúmplice desse mecanismo de destruição. Sua participação no desenvolvimento das bombas o coloca simbolicamente ao lado daqueles que ele jurava combater, ampliando a ferida emocional e revelando como as guerras transformam pessoas comuns em agentes de tragédias irreversíveis, como o oprimido se tornou o opressor.</span></p>
<figure id="attachment_36860" aria-describedby="caption-attachment-36860" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36860" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-3-800x534.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra um grupo de cinco pessoas caminhando por um cenário devastado, repleto de ruínas e destroços. Vestidos com trajes pretos e equipamentos de combate, eles avançam com cautela, atentos ao ambiente ao redor. O homem loiro à frente carrega uma arma, enquanto a mulher ao lado segura uma flecha e uma faca, sugerindo diferentes especialidades no grupo. A iluminação natural revela sombras fortes que contribuem para o clima tenso. O cenário destruído indica uma zona de guerra ou lugar atingido por algum desastre. As expressões sérias reforçam a ideia de que estão em missão ou fuga. O tom geral é de sobrevivência, alerta e ação iminente." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-3-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-3.png 940w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36860" class="wp-caption-text">As longas cenas de luta no esgoto exigiram coreografia, coordenação de efeitos especiais e resistência dos atores diante de condições desconfortáveis (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro momento que se tornou icônico com o passar dos anos é a invasão aos túneis e o ataque dos </span><i><span style="font-weight: 400;">mutts</span></i><span style="font-weight: 400;">. A cena, filmada como um híbrido de terror e guerra urbana, traduz a lógica desumanizante que permeia todo o conflito, uma lógica que já havia sido aplicada sem piedade a personagens como Peeta (</span><a href="https://revistamonet.globo.com/series/noticia/2025/10/josh-hutcherson-ator-de-jogos-vorazes-e-five-nights-at-freddys-revela-que-bisavo-o-visitou-no-set-em-filmagem-de-cena-de-orgia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Josh Hutcherson</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Johanna (Jena Malone). O claustro e o ritmo sufocante ecoam diretamente a experiência deles, vítimas de tortura, manipulação psicológica e condicionamento neural que os transformaram em armas vivas da Capital. Quando Peeta entra nos túneis sem saber se é capaz de distinguir amigos de inimigos, sua instabilidade emocional adiciona uma tensão quase insuportável, lembrando o espectador de que guerras produzem traumas que continuam lutando mesmo quando o corpo tenta sobreviver. Johanna, marcada por choques, afogamentos e isolamento, é uma sombra dessa mesma violência institucional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> E, nesse cenário já saturado de dor, a morte brutal de Finnick (</span><a href="https://personaunesp.com.br/daisy-jones-and-the-six-serie-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sam Claflin</span></a><span style="font-weight: 400;">) se impõe como uma síntese do horror físico e emocional da guerra. O impacto é ainda maior porque ele morreu pouco depois de se casar com Annie (Stef Dawson), deixando para trás não só uma relação recém-iniciada, como também uma esposa grávida que jamais verá esse filho crescer. Um personagem tão marcado pela exploração, pelas cicatrizes do abuso e pela constante exposição pública termina consumido pelo mesmo sistema que o destruiu na juventude, evidenciando, talvez mais do que qualquer outro momento, a crítica da saga ao uso de corpos, mentes e afetos como instrumentos políticos.</span></p>
<figure id="attachment_36865" aria-describedby="caption-attachment-36865" style="width: 612px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36865" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image6.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra quatro combatentes agachados em uma rua de cidade pós-apocalíptica, analisando o entorno antes de agir. Eles vestem uniformes de combate pretos e seguram armas, cada um com expressão concentrada e postura estratégica. A parede atrás deles exibe cartazes de propaganda com frases como “IN PANEM WE TRUST”, reforçando o clima distópico. A iluminação suave cria profundidade e mantém a atmosfera tensa. A cena parece congelar um momento de análise ou planejamento antes de um confronto. Os detalhes realistas destacam os traços individuais dos personagens. O ambiente urbano degradado reforça o senso de perigo constante. A imagem transmite urgência e vigilância." width="612" height="459" /><figcaption id="caption-attachment-36865" class="wp-caption-text">O orçamento estimado do filme foi de cerca de US$ 160 milhões, e a bilheteria mundial alcançou aproximadamente US$ 653,4 milhões (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena do Túnel da Pedra, em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Katniss</span></a><span style="font-weight: 400;"> leva um tiro e tenta convencer o Distrito 2 a não cair na lógica de ódio disseminada tanto pela Capital quanto pela própria rebelião, ganhou novos significados com o passar dos anos. Assistida dez anos depois, ela se articula diretamente com o fato de que até os distritos mais altos e privilegiados estavam sendo destruídos pela revolução, concretizando a promessa que Katniss fizera no filme anterior: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você pode nos bombardear, queimar nossos distritos até as cinzas. Mas está vendo isso? Está pegando fogo. E se nós queimarmos, você vai queimar com a gente!”. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A devastação que atinge </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-filme-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Panem</span></a><span style="font-weight: 400;"> inteira evidencia que, numa guerra, não existe lado imune às consequências, e que a retaliação irrestrita cobra seu preço mesmo entre aqueles que antes se julgavam protegidos pelo poder. Nesse contexto, o gesto da personagem no local deixa de ser apenas político e se torna ético: ela está tentando interromper um ciclo de violência que já contaminou o país de ponta a ponta. É uma sequência muitas vezes esquecida pelo grande público, porém que hoje, numa década marcada pela polarização extrema e pela normalização de discursos violentos, ressurge como uma das reflexões mais maduras da produção, uma recusa explícita a permitir que a revolução se torne tão destrutiva quanto o regime que combate.</span></p>
<figure id="attachment_36863" aria-describedby="caption-attachment-36863" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36863" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-1-800x450.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra Katniss, uma mulher branca com cabelos castanhos em uma trança, puxando a corda do arco com concentração absoluta. Seu olhar firme está direcionado a um alvo fora de quadro, indicando um momento decisivo. Atrás dela, uma multidão desfocada adiciona tensão e sugere que a ação ocorre diante de testemunhas ou em meio a caos. Ela veste roupas escuras e protegidas, típicas de combate. A iluminação natural destaca seu rosto e a expressão determinada. A profundidade de campo isola a personagem como foco visual principal. A cena combina tensão emocional e prontidão física. O clima geral é de antecipação, foco e coragem." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-1.png 950w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36863" class="wp-caption-text">As duas crianças que aparecem no epílogo do filme são, na verdade, sobrinhas da atriz principal, Jennifer Lawrence (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A troca final entre Presidente Snow e Katniss no jardim, uma conversa calma, quase íntima, permanece como um dos diálogos mais inquietantes da franquia. Coriolanus (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-undoing-critica/"><span style="font-weight: 400;">Donald Sutherland</span></a><span style="font-weight: 400;">), revela as fissuras internas da rebelião e planta a semente da desconfiança que levará Katniss ao ato mais ousado da saga: matar Alma Coin. Esse momento, revisitado hoje, parece menos uma reviravolta e mais uma inevitabilidade política. O filme nos lembra que revoluções também se corrompem e que a figura do tirano pode mudar, mas a estrutura de poder tende a se repetir se não for radicalmente transformada. Isso mostra aos telespectadores que Coin e Snow são duas faces da mesma moeda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Katniss escolhe matar Coin (</span><a href="https://personaunesp.com.br/segredos-de-um-escandalo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Julianne Moore</span></a><span style="font-weight: 400;">) ao invés de Snow, a cena, que na época dividiu opiniões, tornou-se um marco narrativo que resiste ao desgaste do tempo. O ato é simbólico, político e profundamente humano. É Katniss rejeitando ser peça de propaganda, recusando um novo ciclo de violência e destruindo o mito da salvação fácil, além de deixar o ditador morrer nas mãos do povo que tanto destratou. Uma década depois, essa cena ecoa em discussões contemporâneas sobre líderes tiranos, manipulação ideológica e a dificuldade de imaginar sistemas verdadeiramente justos. É a prova de que </span><i><span style="font-weight: 400;">A Esperança – Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca foi um final grandioso. Na verdade, um fim necessário e revolucionário.</span></p>
<figure id="attachment_36864" aria-describedby="caption-attachment-36864" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36864" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image5.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra um momento emocional entre dois personagens, Peeta e Katniss, em um túnel iluminado por luz artificial clara. A mulher, séria e preocupada, toca o rosto do homem ajoelhado, sugerindo cuidado ou urgência. Ambos vestem roupas táticas pretas, reforçando o clima de missão ou perigo. Ao fundo, figuras desfocadas parecem soldados ou seguranças, aumentando a sensação de tensão. As paredes laranja do túnel criam um contraste com o figurino escuro. A proximidade dos personagens torna o momento íntimo, apesar do ambiente hostil. A imagem transmite vulnerabilidade dentro do caos. O clima geral mistura drama, afeto e risco iminente." width="640" height="480" /><figcaption id="caption-attachment-36864" class="wp-caption-text">A trilha sonora do filme, assinada por James Newton Howard, equilibra momentos de tensão, drama e ação (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando olha-se para trás, o epílogo, no qual </span><a href="https://www.tiktok.com/@biaglion/video/7484750071288827142"><span style="font-weight: 400;">Katniss e Peeta</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivem em um campo silencioso, tentando costurar traumas com histórias, revela-se infinitamente mais corajoso do que parecia em 2015. Não é um ‘felizes para sempre’ de contos de fada. É um retrato honesto de sobreviventes que carregam feridas invisíveis de guerras que nunca permitiram vencedores, apenas sobreviventes marcados. Embora sigam em frente, criando filhos e cultivando novos rituais de vida, as memórias continuam assombrando, especialmente para a protagonista, cuja paz depende de narrar o passado como forma de domá-lo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final, tão melancólico quanto necessário, dialoga hoje com debates sobre saúde mental, luto coletivo e pós-guerra, mostrando que a paz não apaga o que veio antes, e sim oferece um lugar para continuar respirando. É um encerramento que cresce junto com o espectador, sobretudo em um mundo no qual a noção de ‘recuperação total’ é tão ilusória quanto as promessas dos próprios Jogos.</span> <i><span style="font-weight: 400;">“Meus filhos, que não sabem que brincam sobre um cemitério”, </span></i><span style="font-weight: 400;">cita </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-em-chamas-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Katniss Everdeen</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E talvez o fato de </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i><span style="font-weight: 400;"> continuar vivo seja o maior indicador de sua atemporalidade. </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-a-cantiga-dos-passaros-e-das-serpentes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes </span></i><span style="font-weight: 400;">(2023)</span></a><span style="font-weight: 400;"> ressaltou que Panem ainda pulsa como uma metáfora dolorosamente reconhecível, mergulhando nas origens do poder, do espetáculo e da manipulação, temas que permanecem centrais nas democracias contemporâneas. Continuando o legado dos primeiros filmes, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lgz4RMmbsnc"><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer na Colheita </span></i><span style="font-weight: 400;">(2026)</span></a><span style="font-weight: 400;">, que explora a história de Haymitch Abernathy, um dos personagens mais traumatizados e politicamente lúcidos da saga, fica evidente que Suzanne Collins e Hollywood compreendem que este universo não é apenas ficção: é comentário social. </span></p>
<figure id="attachment_36862" aria-describedby="caption-attachment-36862" style="width: 686px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36862" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-3.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra Katniss caminhando com firmeza em direção à câmera enquanto um grupo diverso a segue de perto. Sua postura determinada e o traje preto fazem dela uma figura de liderança clara. O cenário ao fundo, com prédios altos e arquitetura moderna, sugere um ambiente futurista ou distópico. A iluminação uniforme destaca o movimento da multidão. Cada pessoa que a acompanha parece igualmente focada, transmitindo união e propósito coletivo. A composição reforça a ideia de avanço, resistência ou preparação para confronto. A imagem cria um sentido de força e mobilização. O clima geral é de decisão, coragem e impacto visual forte." width="686" height="386" /><figcaption id="caption-attachment-36862" class="wp-caption-text">Alguns cenários usados como centro de comando do Distrito 13 reutilizaram consoles que vieram de Apollo 13 (1995) (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, a frase de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mr-morale-the-big-steppers-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kendrick Lamar</span></a><span style="font-weight: 400;"> na performance do</span> <i><span style="font-weight: 400;">Super Bowl LIX halftime show</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">The revolution is about to be televised, you picked the right time but the wrong guy</span></i><span style="font-weight: 400;">” (“A revolução está prestes a ser televisionada, você escolheu a hora certa, mas o cara errado”), ecoa como uma espécie de síntese cultural dessa nova fase. Assim como em Panem, a revolução contemporânea não é silenciosa: ela é transmitida, performada e disputada em telas, narrativas e algoritmos, e nem sempre entregue aos líderes certos. No contexto político atual dos Estados Unidos, marcado pela radicalização partidária, pela desinformação e pela disputa feroz pelo domínio do imaginário público, a produção ganha força como leitura crítica. A saga revela como sociedades podem ser conduzidas por narrativas fabricadas, como inimigos podem ser construídos e desconstruídos conforme o interesse do poder, e como revolução pode se tornar espetáculo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dez anos depois, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-esperanca-o-final-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">A Esperança – Parte 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> segue sendo um dos finais mais ousados do cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">justamente porque rejeita a ilusão de um desfecho limpo. A obra insiste que vitórias políticas raramente são puras, que o espetáculo da violência pode corromper qualquer lado, e que o verdadeiro custo da luta não cabe em discursos heroicos. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua retornando ao centro da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, não é somente por nostalgia, mas porque seu mundo distópico, tão brutal, tão humano e tão cheio de ambiguidades, ainda conversa com o nosso. Enquanto a política real continuar funcionando de arena de espetáculo, vigilância e propaganda, Panem permanecerá menos fantasiosa e mais como aviso sobre ditaduras, revolução e poder: ao que tudo indica seguirá urgente por muitas décadas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jogos Vorazes: A Esperança - O Final | Trailer Oficial #2 (2015) Legendado HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ibUx2qHR6Es?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-a-esperanca-parte-2-10-anos/">10 anos de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2: A Revolução não tem fim</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Há 10 anos, Hotel Transilvânia 2 trazia um debate sobre legado e conflito geracional através de uma comédia monstruosa</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2015]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Ao completar dez anos de lançamento, Hotel Transilvânia 2 (2015) se consolida como um marco interessante dentro da cultura pop da última década. A sequência da animação de Genndy Tartakovsky, longe de ser apenas uma repetição de piadas sobre monstros deslocados, revela um subtexto importante sobre herança, identidade e aceitação da diferença. O &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-hotel-transilvania-2/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 10 anos, Hotel Transilvânia 2 trazia um debate sobre legado e conflito geracional através de uma comédia monstruosa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36640" aria-describedby="caption-attachment-36640" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36640" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-1-800x495.jpeg" alt="Cena de Hotel Transilvânia 2. A imagem mostra um grupo diverso de personagens de Hotel Transilvânia, todos reunidos de forma próxima e calorosa. O enquadramento fechado foca nos rostos e expressões, transmitindo união e companheirismo. Entre os personagens em destaque estão o Conde Drácula, em seu traje clássico e com expressão amigável; Frank, marcado pelos pontos característicos e olhar bondoso; além de um lobisomem, uma múmia e outras figuras icônicas da série. Cada um exibe traços físicos e expressões que reforçam suas personalidades, enriquecidos por detalhes de trajes e acessórios. O estilo em animação 3D valoriza cores vibrantes, texturas bem-feitas e iluminação suave, criando um ambiente aconchegante e visualmente atraente." width="800" height="495" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-1-800x495.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-1-768x475.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-1.jpeg 970w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36640" class="wp-caption-text">Este é o décimo longa-metragem ou série de televisão que Adam Sandler e Kevin James aparecem juntos (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao completar dez anos de lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hotel Transilvânia 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2015) se consolida como um marco interessante dentro da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">da última década. A sequência da animação de </span><a href="https://www.cbr.com/genndy-tarkovsky-best-movies-tv-shows-ranked/"><span style="font-weight: 400;">Genndy Tartakovsky</span></a><span style="font-weight: 400;">, longe de ser apenas uma repetição de piadas sobre monstros deslocados, revela um subtexto importante sobre herança, identidade e aceitação da diferença. O enredo gira em torno da ansiedade de Drácula com o futuro de seu neto, Dennis, fruto do casamento entre Mavis, sua filha vampira, e Johnny, um humano. A dúvida – será ele um vampiro ou humano? – funciona como metáfora para o medo de perda de tradição, de apagamento de uma linhagem cultural e, em última instância, da falência de uma identidade.</span></p>
<p><span id="more-36636"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nervosismo de Drácula (</span><a href="https://www.hulu.com/guides/adam-sandler-movies"><span style="font-weight: 400;">Adam Sandler</span></a><span style="font-weight: 400;">) em relação ao destino de Dennis (Asher Blinkoff) dialoga com pressões familiares comuns a diversas culturas, em que se espera que filhos e netos carreguem adiante o &#8216;legado&#8217; dos mais velhos. A frustração diante da possibilidade de o menino não ser vampiro traduz, de maneira lúdica, o medo da descontinuidade: a ameaça de que o passado não encontre eco no presente. Ao projetar essa angústia no corpo de uma criança, o filme revela como a sociedade frequentemente deposita em crianças e jovens expectativas que não pertencem a eles, mas às gerações anteriores.</span></p>
<figure id="attachment_36638" aria-describedby="caption-attachment-36638" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36638" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-800x433.jpg" alt="Cena de Hotel Transilvânia 2. A imagem mostra Mavis celebrando alegremente em uma loja de conveniência, enquanto Johnny a observa surpreso, criando um contraste divertido entre os dois. Mavis aparece como destaque: pele pálida, olhos grandes e negros, cabelo preto em corte característico e vestido marrom escuro. Seu sorriso largo e os braços erguidos transmitem entusiasmo e leveza. Já Johnny surge ao lado, com cabelos loiros desgrenhados, camisa amarela e verde e expressão de espanto, reforçando a atmosfera cômica da cena. Um homem ao fundo, pouco definido, complementa sem roubar a atenção. O estilo em animação digital valoriza cores vibrantes e contornos limpos, com iluminação suave que ressalta a interação entre os personagens. O cenário da loja, com prateleiras cheias de salgadinhos coloridos, funciona como pano de fundo animado para a espontaneidade da dupla." width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-1200x649.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36638" class="wp-caption-text">Os pais de Jonathan são dublados pelo casal da vida real, Nick Offerman e Megan Mullally (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa situação evidencia também um choque geracional inevitável. De um lado, Mavis (</span><a href="https://personaunesp.com.br/i-said-i-love-you-first-critica/"><span style="font-weight: 400;">Selena Gomez</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Johnny encaram a vida de forma mais aberta, convivendo com naturalidade entre humanos e monstros. Do outro, Drácula insiste em preservar fronteiras rígidas, acreditando que só a manutenção da “pureza” vampírica garantiria segurança e continuidade. Esse conflito traduz tensões contemporâneas sobre hibridismo, multiculturalismo e convivência com a diferença. O longa, ainda que travestido de comédia infantil, articula um discurso sobre a dificuldade que sociedades tradicionais têm em lidar com a pluralidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mavis, por sua vez, surge como a personagem que mais claramente rompe o ciclo de ódio aos humanos, já que seu relacionamento com Johnny representa a superação das barreiras erguidas pelo próprio pai. No entanto, sua trajetória não é de plena adaptação: ao visitar a família de Johnny (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-7a-temporada-de-brooklyn-nine-nine/"><span style="font-weight: 400;">Andy Samberg</span></a><span style="font-weight: 400;">), ela é vista de forma estereotipada, como alguém exótica e fora de lugar, lembrando o preconceito se reinscreve de formas sutis. Essa tensão reforça como a convivência entre mundos diferentes exige mais do que tolerância inicial, também demanda transformação estrutural, algo que nem sempre o contato individual consegue garantir. Assim, Mavis encarna o dilema de quem tenta viver entre fronteiras, mas continua sendo enquadrada por olhares externos que a reduzem a uma identidade fixa e caricatural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante notar que, ao contrário do que poderia sugerir uma narrativa linear, </span><a href="https://super.abril.com.br/historia/a-verdadeira-historia-do-verdadeiro-dracula/"><span style="font-weight: 400;">Drácula</span></a><span style="font-weight: 400;"> não avança em direção ao progresso, ele regride. Depois de, no primeiro filme, ter aceitado os humanos e aprendido a respeitar o amor de sua filha, aqui ele volta a agir de forma intolerante e controladora. Essa regressão é significativa: lembra que aceitar a diferença não é uma conquista definitiva, mas um exercício contínuo. O personagem, ao tentar manipular o neto para que este se torne vampiro, simboliza a tentativa de impor tradições a qualquer custo, mesmo quando o presente aponta em outra direção.</span></p>
<p><figure id="attachment_36637" aria-describedby="caption-attachment-36637" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36637" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-800x450.jpg" alt="Cena de Hotel Transilvânia 2. A imagem mostra um grupo de personagens de animação reunidos ao redor de uma fogueira, em um momento de convívio noturno cheio de música e diversão. Entre eles estão figuras icônicas como o Conde Drácula, com seu ar imponente mas descontraído, e o Monstro de Frankenstein, com seu porte marcante e expressão amistosa. Outros seres antropomórficos completam o círculo, cada um com traços físicos distintos e expressões que variam entre alegria, concentração e curiosidade, reforçando suas personalidades singulares. O destaque vai para o personagem que toca violão, animando o grupo e servindo como centro da interação. A iluminação quente da fogueira valoriza os rostos e corpos dos personagens, dando profundidade às suas expressões e ressaltando detalhes de roupas e características físicas. O estilo em animação digital de alta qualidade combina cores vibrantes e sombras realistas, criando uma atmosfera acolhedora. O cenário de floresta, com céu estrelado ao fundo, funciona como pano de fundo para a proximidade e o espírito de união dos personagens." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36637" class="wp-caption-text"><br />O personagem Vlad, pai do Drácula, é dublado por Mel Brooks, que também dirigiu a comédia Drácula – Morto, mas Feliz (1995) [Foto: Columbia Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A animação, contudo, não se sustenta apenas pela força de seu subtexto. Esteticamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hotel Transilvânia 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> reforça o estilo de Tartakovsky, que injetou energia cartunesca em um cinema de animação 3D muitas vezes dominado pela busca de realismo da <em>Pixar</em> e da </span><em><a href="https://personaunesp.com.br/madagascar-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">DreamWorks</span></a></em><span style="font-weight: 400;">. O movimento exagerado, os enquadramentos cômicos e o ritmo frenético conferem identidade à franquia, aproximando-a mais da tradição dos desenhos de televisão dos anos 1990 do que da lógica narrativa dos longas de animação hollywoodianos. Essa escolha estética foi fundamental para que o filme conquistasse um público amplo, mantendo-se fresco e diferente em meio à concorrência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro fator que explica a relevância da obra é a consolidação da franquia como fenômeno cultural e comercial. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=F1YhnSE9zZU"><i><span style="font-weight: 400;">Hotel Transilvânia 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não apenas manteve o interesse do público após o sucesso do primeiro, como garantiu fôlego para novas sequências, séries derivadas e um universo expandido de produtos. A mistura entre personagens monstruosos clássicos, como Drácula, lobisomens, múmias, Frankenstein, e dilemas cotidianos deu certo porque equilibrava a fantasia com conflitos universais. As crianças riam das trapalhadas, os adultos reconheciam, em chave caricatural, discussões sobre família, mudança e tradição.</span></p>
<figure id="attachment_36639" aria-describedby="caption-attachment-36639" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36639" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-4-800x495.jpeg" alt="É nesse ponto que reside a importância cultural de Hotel Transilvânia 2: ele mostra como a animação comercial pode ser mais do que mero entretenimento descartável. O longa captura ansiedades sociais sobre identidade, gerações e convivência, transformando-as em narrativas acessíveis a diferentes públicos. Ao mesmo tempo, reforça a ideia de que regressões, preconceitos e intolerâncias não são problemas resolvidos de uma vez por todas, pelo contrário, eles retornam, exigindo enfrentamento constante. Drácula, como metáfora, nos lembra que os monstros que mais assombram a vida em sociedade não estão nos contos de terror, mas nos medos que temos de aceitar a mudança." width="800" height="495" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-4-800x495.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-4-768x475.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-4.jpeg 970w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36639" class="wp-caption-text">Fifth Harmony gravou a canção-tema do filme I&#8217;m In Love With a Monster (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dez anos depois, rever </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bYZzOIcikSA"><i><span style="font-weight: 400;">Hotel Transilvânia 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é perceber como uma comédia de monstros animados conseguiu traduzir debates profundos em chave lúdica, com humor, cor e ritmo. Seu legado está tanto no impacto comercial, que garantiu longevidade à franquia, quanto na sutileza com que ofereceu uma reflexão sobre família, tradição e diferença. Um lembrete de que até os vampiros mais poderosos tremem diante do futuro e de que as novas gerações, humanas ou não, sempre desafiam os padrões do passado.</span></p>
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		<title>Caramelo: o sabor agridoce da vida</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 15:07:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Em Caramelo, o novo filme brasileiro da Netflix dirigido por Diego Freitas, a simplicidade do cotidiano se mistura a temas densos como a saúde, a amizade e a força das conexões afetivas. A trama acompanha Pedro (Rafael Vitti), um jovem chefe de cozinha que vê seus planos futuros desmoronarem ao receber o diagnóstico &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-caramelo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Caramelo: o sabor agridoce da vida"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36594" aria-describedby="caption-attachment-36594" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36594" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-1-1-2-1-800x554.jpg" alt="A foto mostra Pedro beijando um cachorro fantasiado de tubarão, em um momento de afeto e diversão. O homem, de pele clara, cabelo castanho escuro e barba por fazer, veste uma camisa jeans azul sobre camiseta branca. O cachorro, de porte médio e pelo marrom claro, usa uma fantasia azul com detalhes que imitam dentes de tubarão e parece sorrir. A foto foi tirada em um ambiente interno, com iluminação suave e fundo levemente desfocado, destacando os protagonistas. As cores quentes e os tons de azul e marrom criam uma atmosfera acolhedora e alegre." width="800" height="554" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-1-1-2-1-800x554.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-1-1-2-1-1024x709.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-1-1-2-1-768x532.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-1-1-2-1-1536x1064.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-1-1-2-1-2048x1418.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-1-1-2-1-1200x831.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36594" class="wp-caption-text">Rafa Vitti e Tatá Werneck adotaram um dos cães do filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Marcela Jardim</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Caramelo</span></i><span style="font-weight: 400;">, o novo filme brasileiro da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-bem-no-natal-que-vem-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">dirigido por Diego Freitas, a simplicidade do cotidiano se mistura a temas densos como a saúde, a amizade e a força das conexões afetivas. A trama acompanha Pedro (Rafael Vitti), um jovem chefe de cozinha que vê seus planos futuros desmoronarem ao receber o diagnóstico de câncer. No meio do caos, ele encontra consolo em um companheiro inesperado: um cachorro vira-lata chamado Caramelo. Além dele, o personagem é apoiado por uma rede de amigos que não o deixa enfrentar nada sozinho. O título, de forma sutil e poética, já antecipa o tom doce da obra, mas com uma pitada de amargura, como a própria vida. O sabor que fica é o de uma história que acolhe o espectador enquanto o lembra de que o amor e a dor são inseparáveis.</span></p>
<p><span id="more-36589"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A amizade entre Pedro e o cachorro é o eixo emocional da narrativa, construída com gestos pequenos e verdadeiros. Caramelo não é apenas um animal de estimação, e sim uma presença constante, quase humana, que entende o silêncio do dono melhor que qualquer palavra. Em vez de explorar o clichê do sofrimento pela morte do cão, como no clássico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=znsJc2v-Mww"><i><span style="font-weight: 400;">Marley e Eu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008), por exemplo, o longa faz o movimento oposto no qual o cachorro vive. Essa escolha é poderosa e desloca o foco do luto para a permanência. Caramelo se torna o símbolo daquilo que resiste, da lealdade que continua quando tudo parece desabar. Sua vitalidade, ao final, é o lembrete de que a esperança pode estar justamente naquilo que sobrevive conosco.</span></p>
<figure id="attachment_36599" aria-describedby="caption-attachment-36599" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36599" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/CAR_20240918-SC24_00047_R.jpg" alt="Cena do filme Caramelo. A cena mostra um homem e um cão de pelagem castanha clara interagindo de forma íntima e cotidiana em uma cozinha acolhedora. O homem, jovem, de cabelo castanho escuro e barba por fazer, veste uma regata branca e calças escuras, parecendo concentrado na preparação de algo sobre a bancada. O cão, de porte médio, observa atentamente com as patas apoiadas na superfície, demonstrando curiosidade e expectativa. A iluminação natural e suave, vinda provavelmente de uma janela, realça o ambiente doméstico e os tons terrosos da paleta. A composição equilibrada e o cenário realista transmitem uma atmosfera de cumplicidade e rotina afetuosa entre os dois." width="750" height="519" /><figcaption id="caption-attachment-36599" class="wp-caption-text">O elenco contou com aproximadamente 60 cachorros para as gravações (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.solusoncologia.com/como-os-animais-podem-ajudar-no-tratamento-oncologico/"><span style="font-weight: 400;">luta contra o câncer</span></a><span style="font-weight: 400;"> é retratada com delicadeza e honestidade, evitando o tom heroico e as narrativas de superação fácil. O filme entende o adoecer como parte do existir, um processo que transforma e fragiliza, porém, também revela o essencial. Pedro passa a enxergar o tempo de outro modo, e o que antes era rotina se torna privilégio, como acordar, caminhar com o cachorro e cozinhar para os amigos. Essa abordagem humaniza a experiência da doença e convida o espectador a refletir sobre as próprias prioridades. </span><i><span style="font-weight: 400;">Caramelo</span></i><span style="font-weight: 400;"> fala, no fundo, sobre reaprender a viver quando o futuro parece incerto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, o protagonista não enfrenta essa jornada sozinho. A rede de apoio que se forma em torno dele é o coração pulsante da obra. Amigos, familiares e o próprio Caramelo se tornam escudos contra o medo e a solidão. Há algo profundamente comovente em como o roteiro (Diego Freitas) retrata a amizade masculina sem o peso da competição ou do orgulho, abrangendo afeto, cuidado e vulnerabilidade. O amigo mais otimista de Pedro, </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DPuhxbhDIjz/"><span style="font-weight: 400;">Léo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Bruno Vinícius) – personagem que também tem câncer –, é a personificação da esperança, o tipo de companhia que brinca nos momentos errados, faz piadas ruins e, ainda assim, é indispensável. Seu humor, por vezes infantil, é o oxigênio do enredo, lembrando que rir é uma forma de resistência.</span></p>
<figure id="attachment_36597" aria-describedby="caption-attachment-36597" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36597" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-3-800x450.jpg" alt="Cena do filme Caramelo. A cena retrata um homem sorridente e seu cachorro curtindo uma viagem de carro em um momento de alegria e companheirismo. O homem, jovem, de cabelo castanho escuro e barba por fazer, segura o cachorro no colo enquanto sorri com expressão relaxada. O cão, de pelagem marrom-dourada e coleira vermelha, demonstra entusiasmo com a boca aberta e a língua de fora. A foto, iluminada por luz natural suave que entra pela janela, destaca o vínculo afetuoso entre os dois. Com cores quentes e fundo desfocado, a cena transmite leveza, espontaneidade e a sensação de um momento feliz compartilhado." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-3.jpg 912w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36597" class="wp-caption-text">Todos os cães do filme foram resgatados das ruas ou de situações de abandono, e depois, adotados por membros da produção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas piadas, muitas vezes carregadas de gírias e referências da internet, revelam o esforço do filme em </span><a href="https://www.denofgeek.com/movies/movies-that-define-generation-z/"><span style="font-weight: 400;">dialogar com a geração Z</span></a><span style="font-weight: 400;">, apresentando um espaço levemente vergonhoso. Entre uma conversa sobre tratamento e um meme sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">mindset</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa encontra leveza no cotidiano moderno. O humor digital, ainda que nem sempre equilibrado, torna o drama mais acessível e menos solene. O riso que surge não anula a dor, apenas a torna suportável. Essa combinação de linguagem contemporânea com emoção clássica é um dos grandes acertos do longa, que consegue falar de temas difíceis sem se distanciar do público jovem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do tom leve, há uma camada melancólica que atravessa toda a história. A fotografia (Kauê Zilli) quente e os enquadramentos suaves contrastam com a fragilidade do protagonista, criando uma sensação constante de doçura e perda. A obra entende que a vida é feita de altos e baixos, e traduz isso na própria estrutura narrativa com momentos de puro encanto e outros de dor silenciosa. </span><a href="https://www.metropoles.com/sao-paulo/caramelo-bastidores-netflix#:~:text=Nos%20bastidores%2C%20a%20equipe%20falou%20sobre%20o,de%20cena%2C%20o%20cachorro%20Amendoim%20(nome%20real)."><i><span style="font-weight: 400;">Caramelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é, como o título sugere, agridoce, o gosto de algo que conforta, mas que também lembra que tudo é passageiro. Essa alternância entre o riso e o choro é o que torna a experiência genuína e não apenas emocionalmente manipulativa.</span></p>
<figure id="attachment_36596" aria-describedby="caption-attachment-36596" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36596" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-4-800x360.jpg" alt="A fotografia mostra um cachorro caramelo olhando diretamente para a câmera, em meio a um cenário de filmagem. Centralizado e em destaque, o cão aparece apoiado em uma caixa, com vegetais e uma bolsa de lona ao fundo. Uma claquete com o nome “Caramelo” indica que ele faz parte de uma produção cinematográfica. De pelagem marrom-clara e orelhas caídas, o cachorro exibe um olhar curioso e atento. A imagem, bem iluminada e tecnicamente precisa, usa luz natural e fundo desfocado para enfatizar o protagonista, criando uma atmosfera realista e envolvente que mistura doçura e profissionalismo." width="800" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-4-800x360.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-4-1024x460.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-4-768x345.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-4-1200x540.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/caramelo-4.jpg 1210w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36596" class="wp-caption-text">O total de 4 cães atuaram como dublês das versões jovem e velha de Amendoim (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As lições que o longa deixa são simples, porém, poderosas. Ele fala sobre aceitar a impermanência e a aprender que o amor é o que nos sustenta mesmo quando o corpo falha. Isso mostra que estar vivo não é vencer o sofrimento, e sim aprender a caminhar com ele. Pedro entende que não há garantias, só presenças, e que as pessoas – ou animais de estimação – que ficam ao nosso lado durante as tempestades são o verdadeiro sentido da vida. </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DPjMwVujVb0/"><i><span style="font-weight: 400;">Caramelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> celebra os laços que nos mantêm de pé, mesmo quando tudo ao redor parece desabar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, a produção não promete redenção nem milagres. Ele oferece, em vez disso, um abraço. É sobre a beleza de permanecer, de seguir e de não desistir mesmo quando o final é incerto. A vida, como o caramelo, é doce e amarga e, talvez, seja justamente isso que a torna inesquecível. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Rg6ZUQsLibY"><i><span style="font-weight: 400;">Caramelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> emociona, não por buscar lágrimas fáceis, mas por lembrar o público de que viver é, acima de tudo, aprender a se deixar afetar e reconhecer que, entre risadas, diagnósticos e lambidas, ainda há espaço para a ternura.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Caramelo | Trailer oficial | Netflix Brasil" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/wVqwoGwmR_I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Five Nights at Freddy’s 2 finalmente traz a essência dos jogos</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2025 16:38:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Marcela Jardim Após um início morno, Five Nights at Freddy’s 2 chega às telas com um inesperado senso de autoconfiança, corrigindo uma série de equívocos do primeiro filme e abraçando de vez o que tornou os jogos um fenômeno cultural. Se o longa de 2023 parecia inseguro, tentando equilibrar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-five-nights-at-freddys-2/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Five Nights at Freddy’s 2 finalmente traz a essência dos jogos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_36546" aria-describedby="caption-attachment-36546" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36546" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3-800x537.png" alt="Cena de Five Nights at Freddy’s 2. A cena mostra um boneco do personagem Toy Freddy, do jogo &quot;Five Nights at Freddy's&quot;, domina o centro da imagem. O boneco é marrom com detalhes em marrom claro e vermelho. Possui olhos grandes com íris verde-azuladas, bochechas vermelhas, um sorriso largo com dentes brancos e roxos, e uma gravata borboleta preta. Ele está em pé em um ambiente de parque de diversões, com luzes brilhantes, barracas e pessoas desfocadas ao fundo. A iluminação é artificial, provavelmente de holofotes e luzes de festa, criando um ambiente noturno e festivo. A composição é frontal e focada no boneco, que parece estar olhando diretamente para o observador. O fundo desfocado e as cores vibrantes criam uma atmosfera animada e um pouco misteriosa. Há um sinal de trânsito ao fundo e pessoas sorrindo, sugerindo uma cena de diversão. O estilo é realista, com foco nos detalhes do boneco e do cenário." width="800" height="537" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3-800x537.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3-1024x687.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3-768x515.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36546" class="wp-caption-text">O filme traz três vezes mais animatrônicos do que no primeiro longa da franquia (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após um início morno, </span><i><span style="font-weight: 400;">Five Nights at Freddy’s 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega às telas com um inesperado senso de autoconfiança, corrigindo uma série de equívocos do primeiro filme e abraçando de vez o que tornou os jogos um fenômeno cultural. Se o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0VH9WCFV6XQ"><span style="font-weight: 400;">longa de 2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> parecia inseguro, tentando equilibrar </span><i><span style="font-weight: 400;">fan service</span></i><span style="font-weight: 400;">, terror adolescente e uma narrativa melodramática, a continuação finalmente assume sua identidade: é uma obra de horror </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, consciente de sua própria ancestralidade digital e disposto a honrar essa herança.</span></p>
<p><span id="more-36545"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro (Scott Cawthon) se beneficia de um entendimento mais profundo da lógica de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/bilheteria-five-nights-at-freddys-2-2025"><i><span style="font-weight: 400;">FNAF</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: vigiar, sobreviver, interpretar sinais mínimos e entender os animatrônicos como entidades com personalidade e presença. Essa releitura reverente cria um diálogo muito mais próximo com os fãs, sem deixar os espectadores casuais perdidos em um labirinto confuso e incompleto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes trunfos da sequência é justamente a maneira como utiliza </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/filmes/five-nights-at-freddys-easter-eggs"><span style="font-weight: 400;">referências aos jogos</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem parecer refém delas. Ao invés de simplesmente replicar cenas icônicas, o filme reimagina mecânicas: o microgerenciamento das portas, o monitoramento obsessivo das câmeras, a tensão crescente conforme a energia diminui, tudo é convertido em linguagem cinematográfica com fluidez surpreendente.</span></p>
<figure id="attachment_36549" aria-describedby="caption-attachment-36549" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36549" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3-800x450.png" alt="Cena de Five Nights at Freddy’s 2. A cena mostra uma representação de close-up da personagem animatrônica Chica do jogo de terror &quot;Five Nights at Freddy's&quot;. A galinha robótica amarela está centralizada, preenchendo a maior parte da tela. Seus olhos são grandes, com um brilho azul e laranja hipnotizante, indicando que ela está ativada. A boca está ligeiramente aberta, revelando dentes finos e pontiagudos. As bochechas são rosadas e arredondadas. O fundo é escuro, enfatizando o rosto ameaçador. A iluminação é dramática, com luzes fortes que destacam os olhos e a estrutura metálica. A perspectiva é frontal, criando um senso de proximidade e perigo. A atmosfera geral é sombria e assustadora." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36549" class="wp-caption-text">A produção optou por usar efeitos práticos e marionetes reais para dar vida aos animatrônicos (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A famosa sala de segurança, muito semelhante à </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/voxel/273276-fnaf-veja-14-referencias-easter-eggs-filme-five-nights-at-freedy-s.htm"><span style="font-weight: 400;">representada no </span><i><span style="font-weight: 400;">game</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, torna-se um dos cenários mais claustrofóbicos do longa, capturando o terror psicológico de estar sempre um passo atrás do perigo. Até o uso da cabeça de animatrônico como método de sobrevivência, um dos artifícios mais memoráveis da franquia, ganha uma adaptação visual brutalmente eficaz, que aciona a memória afetiva dos jogadores sem depender de </span><i><span style="font-weight: 400;">jumpscares </span></i><span style="font-weight: 400;">fáceis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, não há como ignorar o impacto da reunião de </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-6-critica/"><span style="font-weight: 400;">Skeet Ulrich</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Matthew Lillard, atuando juntos, novamente, após </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1996). A dinâmica entre os dois, mesmo que não apareçam juntos em cena, adiciona camadas irresistíveis de nostalgia e tensão, especialmente porque ambos entendem o valor de performar com ironia calculada, lembrando ao público que seus rostos pertencem ao clássico do horror dos anos 90. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/ironico-autoconsciente-como-panico-mudou-para-sempre-genero-terror/"><span style="font-weight: 400;">Lillard</span></a><span style="font-weight: 400;">, mais uma vez, entrega uma performance expansiva, quase teatral, que combina perfeitamente com a estética de animatrônicos possuídos. Já Skeet trabalha numa chave mais contida, mas igualmente inquietante, transformando sua aparição em um lembrete de que o passado do terror nunca fica realmente enterrado. Essa dupla funciona como uma ponte simbólica entre gerações de fãs, consolidando o filme como um </span><i><span style="font-weight: 400;">crossover </span></i><span style="font-weight: 400;">emocional entre mídias e épocas.</span></p>
<figure id="attachment_36547" aria-describedby="caption-attachment-36547" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36547" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-3-800x450.png" alt="Cena de Five Nights at Freddy’s 2. A cena mostra dois animatrônicos, Freddy Fazbear e Chica, retratados lado a lado em um fundo escuro. Freddy, à esquerda, apresenta um tom marrom-alaranjado, com um olho grande azul brilhante, com cílios compridos e sobrancelhas escuras. O focinho é largo e mostra detalhes, com pequenas manchas escuras e um nariz preto. Chica, à direita, é amarela vibrante, com um bico laranja e bochechas rosa. Ela compartilha um estilo de olho similar, com um olho brilhante e azul esverdeado, com cílios rosa e sobrancelhas. A composição é focada nos rostos, com uma iluminação dramática que realça os olhos e cria um contraste marcante com o fundo negro, aumentando o suspense. A imagem tem um estilo realista e detalhado, remetendo ao design característico da franquia Five Nights at Freddy's." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-3.png 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36547" class="wp-caption-text">No jogo original, o protagonista não é Mike Schmidt. Já no filme, ele foi mantido como personagem principal para garantir continuidade direta com o primeiro longa (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro da narrativa, no entanto, está Mckenna Grace, agora ainda mais madura e carregando um protagonismo sólido, entretanto cuja frequência em produções já começa a gerar discussões. A comparação inevitável é com o fenômeno Pedro Pascal em 2024 e 2025, cuja saturação recente provocou um misto de carinho e cansaço no público. Mckenna parece estar prestes a viver um movimento semelhante já que estrelou a adaptação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-se-nao-fosse-voce/"><span style="font-weight: 400;">Se não fosse você</span></a><span style="font-weight: 400;"> (2025) e também está no elenco de </span><i><span style="font-weight: 400;">New Years </span></i><span style="font-weight: 400;">– produção sobre a história do </span><a href="https://personaunesp.com.br/green-day-brasil/"><span style="font-weight: 400;">Green Day</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, Amanhecer na Colheita, entre outras produções.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, no contexto de </span><i><span style="font-weight: 400;">FNAF 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela entrega uma atuação que equilibra vulnerabilidade e percepção, tornando crível sua relação com os animatrônicos e com o trauma que envolve a principal linha narrativa. É justamente essa entrega emocional tão consistente que mantém </span><a href="https://personaunesp.com.br/ghostbusters-apocalipse-de-gelo/"><span style="font-weight: 400;">Mckenna</span></a><span style="font-weight: 400;"> relevante, mas também evidencia o risco de desgaste. Quanto mais ela assume papéis centrais em projetos de grande visibilidade, maior a chance de o público começar a enxergá-la menos como presença transformadora e mais como figura onipresente. O filme, portanto, funciona quase como um alerta involuntário: seu talento continua incontestável, porém, a indústria precisa respirar entre uma escalação e outra para que o brilho não se torne excessivo, ainda mais no início de sua carreira adulta.</span></p>
<figure id="attachment_36548" aria-describedby="caption-attachment-36548" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36548" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-800x420.png" alt="Cena de Five Nights at Freddy’s 2. A cena mostra um boneco de Bonnie The Bunny, em tons de azul escuro e branco, ocupando o centro da imagem. O boneco tem um sorriso largo, revelando dentes quadrados, e olhos grandes e brilhantes com contornos coloridos em tons de verde, vermelho e amarelo. Ele usa uma gravata borboleta vermelha e bochechas vermelhas. O coelho segura um objeto fino e escuro com a mão direita, apontando-o para cima. O fundo é escuro e desfocado, com a sugestão de um interior doméstico, incluindo uma luz no teto e detalhes de madeira. A iluminação é dramática, com foco no coelho e sombras profundas em volta, criando uma atmosfera de suspense e mistério. A composição é em close-up, enfatizando a expressão do coelho e sua pose ameaçadora." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-1536x806.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-1200x630.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36548" class="wp-caption-text">O uso dos animatrônicos withered, versões desgastadas e abandonadas, resgata elementos da mitologia dos primeiros jogos (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto de destaque é o refinamento do terror. </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-five-nights-at-freddys-2/"><i><span style="font-weight: 400;">FNAF 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma obra muito mais consciente do que é e deve ser. Há tensão crescente, construção atmosférica, uso inteligente de sombras e enquadramentos que sugerem mais do que mostram, tudo sem recorrer a </span><i><span style="font-weight: 400;">gore </span></i><span style="font-weight: 400;">desnecessário. A franquia nunca dependeu de violência explícita para funcionar, e a continuação entende isso perfeitamente, criando um terror que se sustenta na expectativa, na paranóia e na relação afetiva que o espectador cria com aqueles bonecos metálicos que nunca deveriam ter vida própria. A direção de Emma Tammi sabe exatamente quando cortar, quando silenciar e quando deixar o som metálico ecoar tempo demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, os animatrônicos chegam ao auge visual da série. Os cenários são meticulosamente construídos, com textura, profundidade e um brilho decadente que captura a estranheza retrô dos jogos originais. Cada animatrônico é filmado como criatura e como objeto, mantendo simultaneamente a ilusão de vida e o desconforto de sua rigidez mecânica. O trabalho prático, aliado a efeitos digitais discretos, fortalece a imersão e sustenta o terror físico que permeia toda a obra. É esse cuidado técnico que faz </span><a href="https://cinepop.com.br/five-nights-at-freddys-2-amarga-15-de-aprovacao-dos-criticos-no-rt-confira-as-reacoes-706356/"><i><span style="font-weight: 400;">Five Nights at Freddy’s 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não apenas superar seu antecessor, mas enfim se afirmar como a adaptação definitiva do universo de Scott Cawthon: um filme que entende seu próprio mito, reverencia seu público e finalmente encontra o coração metálico pulsante do horror que o originou.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Five Nights at Freddy&#039;s 2 | Trailer Oficial - Dublado (Universal Pictures) - HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/w8oP0T-7USo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Zootopia 2 e o peso de existir: uma continuação ansiosa, política e necessária</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 18:18:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Marcela Jardim Depois de quase uma década da primeira produção, Zootopia 2 chega como uma continuação que entende a própria pressão de existir, e faz disso um tema, uma ferramenta narrativa e um comentário metalinguístico. Desde o primeiro ato, o filme assume uma necessidade que é necessário se provar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-zootopia-2/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Zootopia 2 e o peso de existir: uma continuação ansiosa, política e necessária"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_36506" aria-describedby="caption-attachment-36506" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36506" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-800x449.png" alt="Cena de Zootopia 2. A cena mostra Nick Wilde e Judy Hopps em um ambiente noturno elegante, vestidos formalmente e voltados um para o outro em um plano médio que destaca sua interação. Nick, em um terno preto e com seu olhar charmoso e irônico, contrasta com Judy, que usa um vestido amarelo vibrante e exibe uma expressão atenta e confiante. O fundo desfocado com luzes festivas e neve cria uma atmosfera romântica e acolhedora. A arte digital, com estilo próximo ao da animação 3D da Disney, apresenta cores vibrantes, texturas cuidadosas e iluminação suave, reforçando o clima íntimo e celebrativo do momento." width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-768x431.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36506" class="wp-caption-text">A versão brasileira do filme conta com o retorno de Monica Iozzi e Rodrigo Lombardi como os protagonistas (Foto: Walt Disney Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de quase uma década da primeira produção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Zootopia 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega como uma continuação que entende a própria pressão de existir, e faz disso um tema, uma ferramenta narrativa e um comentário metalinguístico. Desde o primeiro ato, o filme assume uma necessidade que é necessário se provar a todo tempo, ecoando o dilema dos próprios protagonistas, Judy Hopps (</span><a href="https://personaunesp.com.br/once-upon-a-time-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Ginnifer Goodwin</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Nick Wilde (</span><a href="https://personaunesp.com.br/air-a-historia-por-tras-do-logo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jason Bateman</span></a><span style="font-weight: 400;">), que continuam carregando a tensão entre ser reconhecidos e ser suficientes. Esse jogo reflexivo de evidencia quando o novo prefeito, um ator vaidoso e caricatural, surge como sátira da política-espetáculo: um líder cuja função é performar confiança, não construí-la. A piada é ácida e evidente, mas funciona como crítica ao modo como celebridades e figuras públicas ocupam cargos de poder numa sociedade que trata governar como entretenimento.</span></p>
<p><span id="more-36504"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica clássica entre </span><a href="https://br.ign.com/zootopia-2/148673/news/quimica-inegavel-diretores-de-zootopia-2-nao-descartam-possivel-romance-entre-judy-hopps-e-nick-wild"><span style="font-weight: 400;">Judy e Nick</span></a><span style="font-weight: 400;"> permanece a mesma: a policial certinha, disciplinada, que acredita que ética pode mover montanhas, e o malandro afiado que conhece a cidade de dentro do caos. Esse contraste volta como motor narrativo, acentuado pelas diferenças da dupla, levando os personagens até uma ‘terapia de casal’, brincando com a intertextualidade da dupla funcionar quase como um casal que evita admitir isso. As sessões de treinamento emocional obrigatórias, recheadas de frases prontas e referências à linguagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">coaching</span></i><span style="font-weight: 400;">, parecem tiradas diretamente de </span><i><span style="font-weight: 400;">podcasts </span></i><span style="font-weight: 400;">contemporâneos sobre relacionamentos, masculinidade, vulnerabilidade e comunicação não violenta. A produção entende e referencia a cultura atual, além de se divertir com ela.</span></p>
<figure id="attachment_36505" aria-describedby="caption-attachment-36505" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36505" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-800x450.png" alt="Cena de Zootopia 2. A cena apresenta três personagens: um gato cinzento (Patalberto), uma coelha (Judy) e uma cobra azul (Gary), todos expressando forte surpresa diante de algo fora do quadro. O enquadramento próximo destaca rostos e ombros, reforçando o choque nas expressões. A iluminação suave e o fundo desfocado mantêm o foco nos personagens: o gato com casaco verde e mochila laranja, a coelha com casaco azul marinho e olhos arregalados, e a cobra azul com olhos amarelos e língua bifurcada. O estilo segue a estética típica da Disney, com texturas detalhadas e cores vibrantes. A luz quente sugere um pôr ou nascer do sol, criando um clima de suspense e antecipação sobre o que eles estão observando." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36505" class="wp-caption-text">Uma continuação foi considerada ainda em 2016, ano de lançamento do primeiro filme, pelos diretores (Foto: Walt Disney Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro aproveita esse tom próprio para explorar o tema das diferenças culturais de maneira ainda mais explícita. A relação entre espécies retorna como metáfora para choques culturais, formas de comunicação distintas e conflitos de convivência. Isso fica evidente nas sequências envolvendo o sistema de metrô e os enormes canos suspensos, que remetem à </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/brasil/urbanizacao.htm"><span style="font-weight: 400;">urbanização problemática</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cidades como Nova Iorque e São Paulo. A mensagem é clara: convivência multicultural exige adaptação e respeito, algo que ecoa também no subtexto sobre como imigrantes e estrangeiros construíram boa parte da infraestrutura dos Estados Unidos, porém raramente são creditados por isso. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Zootopia 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, até mesmo a engenharia urbana vira comentário político.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, o filme abraça a estética contemporânea ao inserir referências a outros clássicos da animação, incluindo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iryIGZlE5B4"><i><span style="font-weight: 400;">Ratatouille</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2007), onde um animal chefe de cozinha aparece com um rato na cabeça. Por outro lado, há também um paralelo direto com casos de plágio corporativo, propriedade intelectual e o eterno embate entre criatividade e capitalismo. O antagonismo, aliás, é mais profundo do que vilões caricatos: o verdadeiro mal aqui são os ricos poderosos, donos de terras, donos de marcas, donos de narrativas. O longa toca em eugenia de forma crítica, denunciando discursos que tentam justificar a exclusão de certas espécies, como os répteis e aves, sob a desculpa de ‘ordem natural’.</span></p>
<figure id="attachment_36507" aria-describedby="caption-attachment-36507" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36507" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3.png" alt="Cena de Zootopia 2. A cena mostra Nick Wilde e Judy Hopps remando juntos em um barco, ambos surpresos e em alerta enquanto atravessam um rio pitoresco. O plano médio destaca a parceria dos dois, que seguram os remos lado a lado e reagem a algo inesperado no ambiente. Nick, com sua pelagem laranja e camisa rosa florida, exibe preocupação, enquanto Judy, com colete azul e olhar atento, parece assustada. A arte digital segue o estilo vibrante da Disney, com texturas detalhadas nos personagens e na água. O cenário de pântano ou rio, cercado por vegetação e construções charmosas, iluminado por luz natural, cria um clima de aventura e antecipação." width="768" height="433" /><figcaption id="caption-attachment-36507" class="wp-caption-text">Shakira compôs uma música original para o filme, chamada Zoo, em parceria com Ed Sheeran (Foto: Walt Disney Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos momentos mais simbólicos é a quebra da caneta de cenoura, aquele dispositivo icônico que salvou </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/qual-relacao-entre-judy-e-nick-em-zootopia-2"><span style="font-weight: 400;">Judy e Nick</span></a><span style="font-weight: 400;"> no primeiro filme. Aqui, ela se parte ao meio como metáfora da fragmentação da confiança, da amizade e dos pactos que sustentavam a dupla. É uma ruptura silenciosa, mas emocionalmente densa, que representa a pressão externa corroendo vínculos afetivos. A obra trata essa cena com a delicadeza de quem entende que relações, sejam de trabalho ou amorosas, não quebram de uma vez, e sim racham, desfiam, se desgastam até que o objeto simbólico finalmente cede.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A volta da cantora Gazelle (</span><a href="https://personaunesp.com.br/las-mujeres-ya-no-lloran-critica/"><span style="font-weight: 400;">Shakira</span></a><span style="font-weight: 400;">) reforça o espírito pop da franquia, agora com mais aparições e um discurso mais politizado que acompanha o próprio retorno da artista ao </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">. Diferente do primeiro, em que surgia praticamente apenas no número musical, Gazelle aqui participa efetivamente da narrativa e ganha cenas que ampliam sua presença no universo animal. Em outra face, Nibbles Castanheira (Fortune Feimster), a castora </span><i><span style="font-weight: 400;">podcaster</span></i><span style="font-weight: 400;"> de teorias da conspiração, e Gary A’Cobra (</span><a href="https://personaunesp.com.br/passagem-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ke Huy Quan</span></a><span style="font-weight: 400;">), injustamente acusado como vilão, funcionam como alívios cômicos bem calibrados dentro da trama. Diferente de coadjuvantes que pesam ou desviam o foco, eles não soam saturados ou inconvenientes, são personagens autênticos, com personalidades próprias, cuja comicidade nasce da narrativa e não de exagero. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o retorno de Bellwether (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jenny Slate</span></a><span style="font-weight: 400;">) e do preguiça Flecha (</span><a href="https://personaunesp.com.br/wi-fi-ralph-critica/"><span style="font-weight: 400;">Raymond S. Persi</span></a><span style="font-weight: 400;">) cria um contraste cômico e nostálgico essencial à narrativa. Bellwether aparece na penitenciária e tenta fugir de Zootopia, enquanto Flecha ajuda Nick a salvar Judy, usando sua velocidade nas estradas. Em outra vertente, o longa mergulha nas discussões sobre saúde mental ao mostrar Judy lidando com crises de ansiedade diante de padrões inalcançáveis, enquanto Nick enfrenta o fantasma de nunca ser plenamente visto além da imagem de trambiqueiro. A própria cidade surge como um organismo exausto, adoecendo sob o peso das desigualdades e das pressões constantes do cotidiano urbano.</span></p>
<figure id="attachment_36508" aria-describedby="caption-attachment-36508" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36508" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-800x335.png" alt="Cena de Zootopia 2. A cena mostra Judy Hopps, Nick Wilde e Gary A’Cobra em um momento tenso no topo de uma montanha, reagindo com surpresa e medo enquanto uma serpente azul interage com eles. O enquadramento dinâmico acentua a altura e o perigo, com Judy em uniforme policial e Nick em sua camisa rosa florida, ambos com expressões de choque. A serpente azul, curiosa, ocupa o centro da composição. A arte digital segue o estilo típico da Disney/Pixar, com cores vibrantes, texturas detalhadas e iluminação natural. O cenário montanhoso, com penhascos, névoa e uma casa de madeira, reforça a atmosfera dramática e de suspense." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-768x322.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4.png 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36508" class="wp-caption-text">A cena pós crédito da produção indica a volta de aves em Zootopia (Foto: Walt Disney Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme reforça, com sensibilidade, que </span><i><span style="font-weight: 400;">“um animal sozinho não pode carregar o mundo nos ombros”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A frase funciona como um manifesto contra o conceito de hiperindividualização neoliberal que molda a vida real e aparece traduzida em metáforas urbanas, pressões de trabalho, </span><i><span style="font-weight: 400;">burnout </span></i><span style="font-weight: 400;">e na necessidade de apoio comunitário. Essa discussão ganha ainda mais força quando o vilão disfarçado, Patalberto Linceslei (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-7a-temporada-de-brooklyn-nine-nine/"><span style="font-weight: 400;">Andy Samberg</span></a><span style="font-weight: 400;">), é revelado como um antagonista movido não por ambição pura, mas por um desejo desesperado de aprovação familiar, algo que expõe o impacto psicológico das expectativas sociais e afetivas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=z-C1VtXQr6o"><i><span style="font-weight: 400;">Zootopia 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma sequência que tenta se justificar, se reafirmar e se provar. E justamente por assumir essa busca por pertencimento é que funciona tão bem como obra da atualidade: ele é ansioso, hiperconectado, cheio de referências, autoconsciente, vulnerável e politizado. Assim como Judy e Nick, a própria animação tenta encontrar seu lugar num mundo saturado de narrativas, e talvez seja exatamente essa honestidade que o torna tão necessário.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Zootopia 2 | Trailer Oficial Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/P3wetwPw1Rc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Truque de Mestre &#8211; O 3° Ato traz uma nova geração de cavaleiros e truques na manga</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Nov 2025 13:00:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Marcela Jardim Em uma Era em que franquias se estendem para além do necessário e entregam sequências mornas, como o desgaste evidente de produções como Capitão América 4 (2025) e tantas outras continuações que se apoiam apenas no peso do nome, Truque de Mestre &#8211; O 3° Ato surge &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-truque-de-mestre-o-3-ato/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Truque de Mestre &#8211; O 3° Ato traz uma nova geração de cavaleiros e truques na manga"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-truque-de-mestre-o-3-ato/">Truque de Mestre &#8211; O 3° Ato traz uma nova geração de cavaleiros e truques na manga</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_36339" aria-describedby="caption-attachment-36339" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36339" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-800x450.png" alt="Cena de Truque de Mestre - O 3° Ato. A cena mostra um grupo diverso de oito pessoas posam lado a lado, encarando diretamente a câmera com expressões que variam entre sorrisos discretos e seriedade. A composição frontal e simétrica destaca a sensação de união e mistério, reforçada pelo personagem central de braços cruzados. O fundo desfocado de vegetação e a luz natural suave valorizam as cores e os rostos, enquanto as roupas — que vão do formal ao casual — e a diversidade entre os retratados adicionam complexidade. O resultado é uma imagem contemporânea, com tom dramático e enigmático." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36339" class="wp-caption-text">Os atores passaram por treinamento real de mágica (Foto: Summit Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma Era em que franquias se estendem para além do necessário e entregam sequências mornas, como o desgaste evidente de produções como </span><a href="https://personaunesp.com.br/capitao-america-admiravel-mundo-novo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Capitão América 4</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025) e tantas outras continuações que se apoiam apenas no peso do nome, </span><i><span style="font-weight: 400;">Truque de Mestre &#8211; O 3° Ato </span></i><span style="font-weight: 400;">surge como um raro suspiro de frescor. O filme retoma a energia pulsante que marcou as duas primeiras produções, preservando a essência de espetáculo, charme e ilusionismo que tornou os Cavaleiros um fenômeno cultural, mas sem abrir mão da renovação. </span></p>
<p><span id="more-36338"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/truque-de-mestre-o-3-ato-trai-sua-magica-e-se-reduz-a-espetaculo-de-efeitos-especiais/"><span style="font-weight: 400;">terceiro capítulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> entende que nostalgia não pode ser muleta, e sim plataforma: usa o passado como trampolim para expandir o universo da franquia com coragem, humor e uma sofisticação narrativa que responde às expectativas de uma audiência mais exigente. A combinação entre respeito às origens e inovação bem arquitetada resulta em um retorno que não se limita a revisitar truques conhecidos: ele os reinventa.</span></p>
<figure id="attachment_36341" aria-describedby="caption-attachment-36341" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36341" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-13-800x464.png" alt="Cena de Truque de Mestre - O 3° Ato. A cena mostra um grupo em um ambiente moderno e elegante, com foco em um homem de terno escuro falando ao telefone, cercado por pessoas em trajes sofisticados. As expressões variam entre seriedade e neutralidade, sugerindo tensão. A iluminação suave e o design contemporâneo do espaço criam um clima cinematográfico, com tons neutros e detalhes controlados que reforçam um ar de suspense." width="800" height="464" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-13-800x464.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-13-1024x594.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-13-768x445.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-13.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36341" class="wp-caption-text">O filme saiu 10 anos após ser anunciado (Foto: Summit Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De imediato, o retorno dos Cavaleiros originais (Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-se-nao-fosse-voce/"><span style="font-weight: 400;">Dave Franco</span></a><span style="font-weight: 400;">, Isla Fisher) representa mais que </span><i><span style="font-weight: 400;">fan service</span></i><span style="font-weight: 400;">: é uma afirmação de identidade da trilogia. A presença deles traz peso e história, uma espécie de pilar moral-ímpar quase mítico, como se a plateia fosse convidada a revisitar não só os truques, mas as motivações que fizeram o Quarteto original se tornar uma lenda dos golpes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, o filme não se contenta com isso: ele introduz uma nova geração: jovens mágicos interpretados por Justice Smith, </span><a href="https://personaunesp.com.br/barbie-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ariana Greenblatt</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Dominic Sessa, que não são apenas clones estilísticos dos veteranos, e sim extensões conscientes. Eles usam tecnologia de ponta, hologramas, </span><i><span style="font-weight: 400;">deepfakes</span></i><span style="font-weight: 400;">, enquanto os Cavaleiros mais antigos ainda se apoiam no ilusionismo clássico, o prestígio do artifício físico e da presença de palco tradicional. Essa dicotomia gera um choque de gerações bem explorado, sem se tornar artificial, é uma tensão orgânica, resultado da diferença técnica, estética e até filosófica entre magos antigos e novos. Culturalmente, isso funciona como uma metáfora sobre legado: o que significa passar a tocha quando o legado é construído sobre artifícios e enganos em relação a sobre mágica?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O longa acerta ao não romantizar cegamente os originais: há atritos, como a volta de Henley –</span> <a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/isla-fisher-e-o-panico-real-no-filme-truque-de-mestre"><span style="font-weight: 400;">Isla Fisher</span></a> <span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;">, que não apareceu no anterior, entretanto há também humildade para aprender. Por outro lado, o mote de reunir duas gerações para um grande golpe remete a um </span><i><span style="font-weight: 400;">ethos </span></i><span style="font-weight: 400;">quase robin hoodiano: os mágicos continuam sendo justiceiros, usando truques para atacar poderosos corruptos. Essa essência permanece, mas é renovada via novas formas, prova de que tradição e inovação não precisam ser antagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_36342" aria-describedby="caption-attachment-36342" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36342" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-800x450.png" alt="Cena de Truque de Mestre - O 3° Ato. A cena mostra um interior surrealista, marcado por espelhos fragmentados que distorcem a perspectiva e multiplicam reflexos. No centro, uma escadaria de mármore em espiral reúne quatro personagens: um homem de terno que aponta algo com seriedade, um jovem atento ao seu lado, uma mulher de vestido branco observando de forma contemplativa e outro jovem descendo os degraus. As roupas elegantes contrastam com a arquitetura abstrata. A iluminação difusa e a cenografia combinada com efeitos digitais criam um ambiente onírico e misterioso, reforçando o caráter intrigante do espaço." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36342" class="wp-caption-text">O diretor Ruben Fleischer enfatizou o uso de efeitos práticos em vez de depender muito de CGI (Foto: Summit Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Também há motivações profundas que se entrelaçam: a busca de vingança pela morte de Thaddeus Bradley (</span><a href="https://personaunesp.com.br/seven-25-anos/"><span style="font-weight: 400;">Morgan Freeman</span></a><span style="font-weight: 400;">), se ergue como motor narrativo. A dor da perda, o ressentimento histórico e a ambição se fundem, delineando uma trama moral mais densa do que poderia parecer em um filme de falcatruas. É esse fomento, aliada à promessa de justiça, que dá ao roteiro um peso dramático.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, a volta de Dylan Rhodes (</span><a href="https://personaunesp.com.br/de-repente-30-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Mark Ruffalo</span></a><span style="font-weight: 400;">), revelando que ele estava por trás da reunião do grupo, destruído depois de uma missão mal sucedida, funciona como pontapé emocional. O acontecimento traz coerência ao arco dos Cavaleiros: após anos separados, ele reaparece para conectar os pedaços soltos, algo que ressoa com a ideia de redenção e reconciliação. Sua presença no desfecho reforça que a história dos mágicos não é apenas sobre truques, mas sobre relações, confiança e renovação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das grandes surpresas, no entanto, é a vilã Veronika Vanderberg, uma redenção após o papel morno de Daniel Radcliffe. </span><a href="https://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rosamund Pike</span></a><span style="font-weight: 400;"> rouba a cena com uma performance feroz, plena de nuances: não é uma antagonista cartunesca, e sim uma figura poderosa, ambiciosa, com motivações que vão além da vilania simplista. Sua força marca uma guinada bem-vinda na franquia, sobretudo por colocar uma mulher no centro do conflito, o que reforça a evolução das personagens femininas. O filme também abre espaço para outras vozes femininas no mundo da mágica com as personagens de Isla Fisher, Ariana Greenblatt e Lizzy Caplan, que não são coadjuvantes sentimentais, porém mágicas estrategistas e competentes.</span></p>
<figure id="attachment_36340" aria-describedby="caption-attachment-36340" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36340" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-13.png" alt="Cena de Truque de Mestre - O 3° Ato. A cena mostra uma mulher elegante em destaque, segurando uma joia valiosa em um ambiente formal, provavelmente um leilão. Em primeiro plano, ela aparece em um palco diante de um expositor de vidro com o logotipo “Vanderberg”. Vestida com um longo traje cinza brilhante, cabelo loiro curto e batom vermelho, ela é iluminada por luz dramática que realça a joia em suas mãos. O espaço luxuoso, com público ao fundo e iluminação sofisticada, reforça a atmosfera de exclusividade e mistério." width="750" height="422" /><figcaption id="caption-attachment-36340" class="wp-caption-text">O quarto filme já foi confirmado pela produtora (Foto: Summit Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto aos </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twists</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa mantém a tradição da franquia e entrega reviravoltas sólidas e bem sinalizadas, que não dependem de artifícios gratuitos, mas de construção narrativa. As viradas surgem de pistas discretas, plantadas com antecedência, e funcionam como extensões naturais da própria lógica interna. Parte do encanto desses truques está justamente em enganar, aqui isso é usado como ferramenta narrativa para subverter expectativas, reforçando que este é um longa sobre truques dentro de truques, espelhos dentro de espelhos. A trilha sonora e musical (Brian Tyler) amplifica essa atmosfera, criando tensão quando necessário e aliviando o peso nos momentos de humor, especialmente com o uso capcioso de </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-a-balada-o-amor-e-o-gotico-a-versatilidade-como-caos-organizado-em-mayhem-de-lady-gaga/"><i><span style="font-weight: 400;">Abracadabra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da Lady Gaga, que funciona como respiro cômico sem quebrar o ritmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto negativo, no entanto, é que em meio à grandiosidade do espetáculo algumas motivações políticas (como conspirar contra organizações criminosas) podem parecer ambiciosas demais para o </span><i><span style="font-weight: 400;">ethos </span></i><span style="font-weight: 400;">da mágica. Se a franquia sempre teve ares de ‘justiceiro-ilusionista’, agora ela parece querer discutir o poder global, capitalismo, riqueza, e nem sempre o roteiro (Eric Singer) consegue equilibrar isso com a leveza que marcou os primeiros filmes. Essa tensão pode parecer um tropeço, já apontado por </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/truque-de-mestre-3-critica/"><span style="font-weight: 400;">críticas mais duras</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4-Yh5uUMFBg"><i><span style="font-weight: 400;">Truque de Mestre &#8211; O 3° ato</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não abandona sua alma: é uma produção sobre Arte, engano, espetáculo e revolta disfarçada de entretenimento. Ele mantém a tradição dos magos à lá Robin Hood, mas inova com novas caras,  tecnologias e dilemas. O gancho para um próximo filme é claro: as sementes são plantadas para um legado contínuo, talvez mais híbrido e colaborativo entre gerações. No fim das contas, a mágica mais impressionante pode não ser o truque final, e sim a capacidade de se reinventar sem se trair.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Truque de Mestre - O 3° Ato | Trailer Oficial Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/_vv523nEIcI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Man’s Best Friend reúne o melhor de Sabrina Carpenter: humor ácido, tensão sexual e melancolia</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Oct 2025 13:00:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Com Man’s Best Friend, Sabrina Carpenter cria um álbum que funciona como um retrato cômico, sensual e, ao mesmo tempo, apático de uma geração que já não acredita tanto nos contos de fadas, mas ainda se diverte com as ruínas deixadas por eles. Do título à capa, tudo remete à ideia de um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mans-best-friend-reune-o-melhor-de-sabrina-carpenter-humor-acido-tensao-sexual-e-melancolia/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Man’s Best Friend reúne o melhor de Sabrina Carpenter: humor ácido, tensão sexual e melancolia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35820" aria-describedby="caption-attachment-35820" style="width: 360px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35820" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-11.png" alt="Capa do álbum Man’s Best Friend. Na imagem, Sabrina Carpenter está de quatro, remetendo a um cachorro, ocupando o centro da composição. Ela olha diretamente para a câmera, transmitindo confiança e serenidade. Seus cabelos loiros claros, soltos e levemente ondulados, caem sobre os ombros e um punhado é segurado por um homem que aparece de relance no canto da imagem. A pele é clara, com maquiagem suave que destaca os olhos e os lábios em tom neutro. O cenário é minimalista: um fundo claro uniforme que isola sua figura, enfatizando seu rosto e sua postura. A iluminação é suave e focada, sem sombras marcantes, criando um retrato moderno, elegante e intimista." width="360" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-11.png 360w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-11-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 360px) 85vw, 360px" /><figcaption id="caption-attachment-35820" class="wp-caption-text">Man’s Best Friend é o sétimo álbum de estúdio da cantora (Foto: Island Records)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">Man’s Best Friend</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/short-n-sweet-tour-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sabrina Carpenter</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria um álbum que funciona como um retrato cômico, sensual e, ao mesmo tempo, apático de uma geração que já não acredita tanto nos contos de fadas, mas ainda se diverte com as ruínas deixadas por eles. Do título à capa, tudo remete à ideia de um espelho invertido: se o ‘melhor amigo do homem’ costuma ser o cão fiel, aqui ela se oferece como companhia indomada, que late, morde e brinca, porém jamais se submete. Essa ambiguidade é o eixo central da obra: entre risos debochados e melodias cintilantes, ela tensiona a linha que separa prazer e frustração, amor e desapego, provocação e vulnerabilidade.</span></p>
<p><span id="more-35818"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse projeto, no entanto, não nasce do zero: ele dialoga diretamente com as fases anteriores da cantora. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5kDmlA2g9Y1YCbNo2Ufxlz"><i><span style="font-weight: 400;">emails i can’t send</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022), a cantora expôs pela primeira vez suas inseguranças em forma de desabafo, mergulhando em traumas familiares e dores íntimas, ainda assim mantendo algumas faixas leves e bem-humoradas. Já em </span><a href="https://personaunesp.com.br/short-n-sweet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Short n’ Sweet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), ela transformou esse desamparo em autoconfiança, misturando malícia e sensualidade pop. O sétimo disco de estúdio da pequena surge como a síntese dessas duas forças: herdeiro da fragilidade do primeiro e da malícia do segundo, porém com um verniz teatral bem mais acentuado. Ao mesmo tempo em que confirma sua maturidade artística, eleva a artista a um novo patamar de criadora,capaz de rir de si e do mundo ao mesmo tempo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Sabrina Carpenter - Manchild (Official Video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/aSugSGCC12I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2BwO5K8Q7EPAJSGze3AAh9?si=715cbe6bcc1d4b47"><i><span style="font-weight: 400;">Manchild</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;">, já começa estabelecendo o tom satírico com perfeição. A artista atira contra a imaturidade masculina, descrevendo o paradoxo de um homem que é fisicamente atraente, mas emocionalmente infantil. A ironia é transformada em refrão pegajoso, e a produção dançante realça a contradição. Essa sátira ganha ainda mais força no clipe: um vídeo frenético, que mistura estética </span><a href="https://vogue.globo.com/gente/noticia/2019/06/kitsch-entenda-como-estetica-do-feio-pode-tornar-casa-mais-ousada-e-criativa.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">kitsch</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e teatralidade surreal, quase como um parque de diversões caótico. Carpenter encarna personagens exagerados que zombam da masculinidade frágil, criando um universo visual que amplifica o humor corrosivo da canção. Música e imagem se fundem em um comentário cultural muito mais contundente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A continuidade vem em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/42VUCXerQ5qTr4Qp6PhKo4?si=045c50e8262646b8"><i><span style="font-weight: 400;">Tears</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que mantém a temática provocativa, entretanto troca a gracinha pelo desconforto devasso. A produção cintilante serve de base para versos que transformam a abordagem masculina em piada de mau gosto, repleta de dramaticidade. No clipe, a cantora explora esse embaraço de maneira performática: aparece em cenários que remetem ao estilo Disco dos anos 1970, porém sempre com um detalhe deslocado, uma ‘lágrima’ exagerada, um gesto paródico, um sorriso quase cruel. O escárnio que já estava na letra ganha corpo no vídeo, mostrando como ela não apenas canta sobre o incômodo, no entanto, o encena com comédia ácida e charme calculado. Além disso, o elenco do videoclipe, entre figuras caricatas e gestos calculadamente sensuais, ecoa os protestos de </span><a href="https://gshow.globo.com/comportamento/moda/noticia/protect-the-dolls-entenda-o-significado-da-camiseta-que-virou-fenomeno-entre-as-celebridades.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Protect the Dolls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sugerindo que a objetificação pode ser confrontada com humor, sarcasmo e consciência estética.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Sabrina Carpenter - Tears (Official Video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/V9vuCByb6js?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência ganha outra coloração com </span><i><span style="font-weight: 400;">Sugar Talking</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Nobody’s Son</span></i><span style="font-weight: 400;">. Se as duas primeiras músicas expõem as atitudes e ridículos masculinos, essas faixas voltam o olhar para uma intimidade mais silenciosa, quase agridoce. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5B3GZOZYXNzWpUXQC42hxZ?si=568c80230fee4283"><i><span style="font-weight: 400;">Sugar Talking</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mistura luxúria e ironia, equilibrando-se entre desejo e autopreservação, enquanto </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4SRShYMtFIGgnOU7iBicMH?si=b359dd4c11f841ae"><i><span style="font-weight: 400;">Nobody’s Son</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mergulha em um vazio melódico que denuncia o cansaço das expectativas amorosas. É como se a mensagem fosse: rir é necessário, mas também há um peso invisível que acompanha a experiência de amar homens que não se sustentam. Nesse contraste, Carpenter expande sua narrativa, não apenas uma sátira, também um testemunho de desencanto.</span></p>
<p><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0je57Uq5eTk1wrPzn9sWbl?si=95e6fd2d5d124982"><i><span style="font-weight: 400;">When Did You Get Hot?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> funciona como uma retomada da leveza, quase como um </span><i><span style="font-weight: 400;">flashback </span></i><span style="font-weight: 400;">de adolescência tardia. O espanto diante de alguém que de repente se torna atraente é cantado com um tom brincalhão, e serve como ponte para </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/1qyw5wSUkEvH8DtaCdx7Lg?si=ecdfaf80a1eb4a70"><i><span style="font-weight: 400;">Go Go Juice</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a mais festiva do disco. Juntas, elas representam o interlúdio lúdico, onde o riso volta a ser protagonista. Se no início a cantora debocha da infantilidade, aqui ela se permite também ser leve e ingênua, celebrando a efemeridade da atração como combustível vital. É uma divergência que reforça o aspecto teatral do álbum, como se cada canção fosse um ato com risibilidade própria, ainda sim sempre conectado à peça maior.</span></p>
<figure id="attachment_35819" aria-describedby="caption-attachment-35819" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35819" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-12-800x601.png" alt="A imagem mostra Sabrina Carpenter e um filhote canino de Golden Retriever, retratados em close-up contra um fundo preto, com foco total na interação entre eles. A mulher, sorridente e vestida de branco, aparece inclinada à esquerda, enquanto o cachorro está relaxado sobre uma cadeira de diretor branca no centro da cena. A iluminação suave e sem sombras fortes destaca a expressão alegre da mulher e o ar descontraído do animal, transmitindo uma atmosfera de carinho, ternura e sofisticação." width="800" height="601" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-12-800x601.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-12-1024x770.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-12-768x577.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-12.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35819" class="wp-caption-text">O vídeo de Manchild foi inspirado em trailers de filmes (Foto: Bryce Anderson)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O clímax narrativo surge em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/25jgQBxuUkGDdCG1WGKKN9?si=e2d88d9ebf324d10"><i><span style="font-weight: 400;">House Tour</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, talvez a mais engenhosa de toda a obra. Ao transformar seu corpo em uma casa e convidar o ouvinte a ‘passear’ por seus cômodos, Carpenter brinca com a objetificação de forma consciente, apropriando-se dela para reverter o olhar. Se os singles </span><i><span style="font-weight: 400;">Manchild</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Tears</span></i><span style="font-weight: 400;"> ridicularizavam os homens, aqui ela os seduz com uma inteligência quase performática, transformando a exposição em arma. Essa canção se relaciona com todas as anteriores, porque une humor, sensualidade e ironia em um só gesto, um resumo da estética da produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4tVVmShMF2PYdLqcejrsy2?si=93fcece4562c4346"><i><span style="font-weight: 400;">Goodbye</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> aparece como um epílogo melancólico e também libertador. A sonoridade grandiosa, inspirada em </span><i><span style="font-weight: 400;">ABBA</span></i><span style="font-weight: 400;">, dá ares de teatro musical ao encerramento, fazendo do adeus não apenas um fim, porém um escândalo, além do uso de diversos idiomas para humilhar e dispensar o ex-namorado. Essa faixa dialoga diretamente com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nobody’s Son</span></i><span style="font-weight: 400;">: se lá o vazio era dolorido, aqui ele se torna uma celebração da ruptura. A linha que conecta as duas mostra como o tema central não é apenas sobre rir dos homens, como também sobre aprender a gargalhar das próprias expectativas e aceitar o fim como libertação. A artista fecha o ciclo com a segurança de quem não precisa de fidelidade alheia para se sentir completa.</span></p>
<figure id="attachment_35821" aria-describedby="caption-attachment-35821" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35821" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-11-800x601.png" alt="A imagem mostra Sabrina Carpenter em roupas íntimas contra um fundo preto. Ela veste uma blusa azul clara com renda e decote em V e uma calcinha branca, com expressão neutra e olhar frontal. Acima dela, roupas íntimas creme e vermelhas estão penduradas em um varal. A fotografia tem estilo retrô, iluminação suave e atmosfera minimalista e contida, com foco no corpo da mulher e nos detalhes da composição." width="800" height="601" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-11-800x601.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-11-1024x770.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-11-768x577.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-11.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35821" class="wp-caption-text">O clipe de Tears obteve quatro finais alternativos contando com o original, onde o par romântico da cantora morre de formas diferentes (Foto: Bryce Anderson)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, não se trata de apenas um álbum pop divertido: é uma narrativa em capítulos, que alterna sátira, excitação, melancolia e zombaria para pintar um retrato multifacetado das relações contemporâneas. Cada canção funciona como uma cena de teatro, e os videoclipes expandem essa dramaturgia para o campo visual: exagerados e críticos, eles transformam a sátira musical em espetáculo. Mais do que debochar deles, </span><a href="https://personaunesp.com.br/eyes-wide-open-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Sabrina Carpenter</span></a><span style="font-weight: 400;"> questiona padrões de comportamento, confronta perspectivas sociais e expõe a própria vulnerabilidade de forma consciente, usando o </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop </span></i><span style="font-weight: 400;">como linguagem de resistência lúdica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto consolida uma trajetória de amadurecimento que mistura autobiografia, performance e crítica social. Ao rir de si mesma enquanto provoca os outros, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-nonsense-christmas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Carpenter</span></a><span style="font-weight: 400;"> transforma sua música em um espaço de empoderamento coletivo, onde humor, sensualidade e opinião caminham lado a lado. </span><i><span style="font-weight: 400;">Man’s Best Friend</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, portanto, simultaneamente um diário íntimo, um manifesto cultural e um espetáculo </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, mostrando que o poder do disco reside justamente nesse equilíbrio entre exposição, ironia e invenção estética: uma obra que entretém, desafia e provoca reflexão sobre as complexidades do desejo e da objetificação na contemporaneidade.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Man’s Best Friend" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/1aqg30bNvLSWgShZgX4oop?si=2MIacN3rQpeHwEicxa4kkg&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Os bastardos ainda resistem: cinco anos da distopia glam de The Bastards</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Sep 2025 17:54:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Marcela Jardim]]></category>
		<category><![CDATA[Palaye Royale]]></category>
		<category><![CDATA[Remington Leith]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Lançado em maio de 2020, The Bastards é, até hoje, o trabalho mais ambicioso e conceitual do Palaye Royale. Com forte carga emocional, visual e política, o álbum surgiu como um grito em meio ao silêncio imposto pela pandemia, oferecendo uma jornada sonora que transita entre o niilismo adolescente e a necessidade de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-bastardos-ainda-resistem-cinco-anos-da-distopia-glam-de-the-bastards/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os bastardos ainda resistem: cinco anos da distopia glam de The Bastards"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35772" aria-describedby="caption-attachment-35772" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35772 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-8-800x800.png" alt="Capa do álbum The Bastards, dentro de um carro antigo de aparência clássica e escura, com janelas semiabertas e interior mal iluminado, transmitindo uma atmosfera dramática e cinematográfica. À esquerda, o vocalista Remington Leith aparece com expressão melancólica, usando um casaco preto com detalhes brancos, camisa branca e gravata preta fina. Ele apoia o braço na janela com uma longa luva vermelha de couro, criando um contraste visual intenso. Seus olhos estão maquiados com delineado borrado que escorre como lágrimas negras, acentuando o estilo gótico dramático. No centro, Sebastian Danzig, o guitarrista, veste um casaco vermelho com detalhes em preto e branco e um chapéu de cartola preta com fita dourada. Seu olhar é fixo e enigmático, com maquiagem escura ao redor dos olhos, evocando uma estética teatral sombria, semelhante a personagens de um cabaré vitoriano ou filme expressionista. À direita, Emerson Barrett, o baterista, completa a cena com uma expressão pensativa e distante. Ele veste um terno vermelho com a camisa aberta, exibindo tatuagens no peito, e um lenço estampado no pescoço. Seu visual mistura o glam rock com elementos andróginos e rebeldes, criando uma imagem que remete à cultura punk dos anos 70 com um toque moderno. As janelas do carro estão embaçadas e há marcas de dedos na lataria, sugerindo um clima de tensão ou fuga. Toda a composição da imagem transmite uma aura de rebeldia, teatralidade e melancolia, característica do universo visual de The Bastards." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-8-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-8-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-8-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-8.png 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35772" class="wp-caption-text">The Bastards é o segundo disco da banda, sucessor de Boom Boom Room (Foto: Sumerian Records)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em maio de 2020, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Bastards</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, até hoje, o trabalho mais ambicioso e conceitual do </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/0hAd6zwEgt9ILuMDY1prcI?si=qsQDYfTNSkuOyEF1ORxWiw"><span style="font-weight: 400;">Palaye Royale</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com forte carga emocional, visual e política, o álbum surgiu como um grito em meio ao silêncio imposto pela pandemia, oferecendo uma jornada sonora que transita entre o niilismo adolescente e a necessidade de insurgência. Cinco anos depois, a obra permanece viva – tanto por sua estética barroca e intensa quanto pela coragem de tocar em feridas abertas, da saúde mental à crise social. É um disco de extremos: ora poético e vulnerável, ora explosivo e provocador, mas sempre com uma sinceridade que transcende o artifício.</span></p>
<p><span id="more-35771"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título carrega consigo múltiplas camadas de significado, funcionando como uma síntese da identidade artística da banda e de seu público. A palavra </span><i><span style="font-weight: 400;">bastards </span></i><span style="font-weight: 400;">(bastardos) invoca a ideia de exclusão, rejeição e orfandade simbólica – representando todos aqueles que não se encaixam, que foram deixados de lado por sistemas falhos ou famílias desfeitas. Para </span><a href="https://blognroll.com.br/entrevistas/entrevista-palaye-royale/"><span style="font-weight: 400;">Remington Leith</span></a><span style="font-weight: 400;">, vocalista da banda, o projeto é sobre “</span><i><span style="font-weight: 400;">ser fiel a quem você é, mesmo quando o mundo inteiro te rejeita por isso</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Dentro do universo distópico criado pela banda, os bastardos são os protagonistas de uma revolução contra a opressão. Assim, o título não é apenas um rótulo provocativo: é um grito de pertencimento e resistência, um manifesto de/e para os desajustados.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="PALAYE ROYALE - Tonight Is The Night I Die (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/pD5o3KzXgzg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Bastards</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce dentro de uma mitologia própria: a </span><a href="https://palaye-royale.fandom.com/wiki/Obsidian"><span style="font-weight: 400;">ilha distópica de Obsidian</span></a><span style="font-weight: 400;">, criada pela banda para refletir os traumas e os conflitos do mundo real sob uma lente artística e exagerada. Essa metáfora serve como pano de fundo para as 15 faixas que, em conjunto, contam uma história de dor, revolta e resistência. O conceito é evidente desde a estética visual – cheia de máscaras, uniformes militares, flores negras e maquiagem borrada – até os próprios videoclipes, que funcionam como capítulos de um mesmo universo. O álbum marca também a consolidação da figura do Palaye Royale como banda multimídia: não apenas um grupo musical, mas um projeto visual, narrativo e performático.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A força do disco está na maneira como mescla introspecção e caos. A faixa de abertura, </span><i><span style="font-weight: 400;">Little Bastards</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um hino de desobediência, com guitarras distorcidas e vocais rasgados de Remington Leith, servindo como porta de entrada para a narrativa fragmentada do disco. Já </span><a href="https://youtu.be/tMpUPFARZDg?si=w5fTZivYGv4GF3R7"><i><span style="font-weight: 400;">Massacre, The New American Dream</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma crítica feroz ao armamento e à cultura da violência nos Estados Unidos, lançada em meio aos protestos antirracistas de 2020. O videoclipe da música intercala cenas de protestos reais com imagens performáticas e perturbadoras, em que os integrantes da banda encarnam figuras de resistência desesperada. Cinco anos depois, a música segue dolorosamente atual, um lembrete da cicatriz aberta da política estadunidense.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="PALAYE ROYALE - Fucking With My Head (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1LwpcfuvhlM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os gritos de revolta, o disco também se permite momentos de profunda vulnerabilidade. </span><a href="https://youtu.be/f5Nc4kiBaIs?si=JdHBl_9BDKkpfgs1"><i><span style="font-weight: 400;">Lonely</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> talvez seja o ponto mais emotivo da obra: uma balada melancólica sobre isolamento, depressão e ideação suicida. A música foi escrita a partir de experiências reais dos integrantes com transtornos mentais, e seu videoclipe – dirigido com sensibilidade crua – transforma esses sentimentos em imagens de escuridão interna, com Remington caminhando por cenários vazios e simbólicos. Essa honestidade emocional é um dos grandes trunfos do Palaye Royale: sua estética pode ser teatral, mas a dor é sempre real.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/KCmJSuhRhhw?si=S4Ixs-YfPXTryOcI"><i><span style="font-weight: 400;">Anxiety</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, outra faixa de destaque, mergulha no som caótico e fragmentado para traduzir o sentimento do próprio título. Com uma produção quase claustrofóbica, a música simula o colapso mental por meio de ritmos truncados e vocais que alternam entre o sussurro e o berro. A construção visual complementa a proposta ao retratar um pesadelo visual, onde os membros da banda são perseguidos por versões distorcidas de si mesmos. O resultado é angustiante e, ao mesmo tempo, hipnotizante – uma das melhores traduções visuais da experiência ansiosa já feita no </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo recente.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="PALAYE ROYALE - Nervous Breakdown (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/In-q5PCUG3A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas </span><i><span style="font-weight: 400;">The Bastards</span></i><span style="font-weight: 400;"> não vive só de dor. </span><a href="https://youtu.be/cjSobSYXo_8?si=hEw4aEubVHMp04ft"><i><span style="font-weight: 400;">Hang On To Yourself</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com seu riff vibrante e pegada </span><i><span style="font-weight: 400;">glam punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, é uma explosão de energia que convida à autossuperação. A música, que remete a </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-ziggy-stardust-bowie/"><span style="font-weight: 400;">David Bowie</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-new-abnormal-critica/"><span style="font-weight: 400;">The Strokes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em igual medida, ganhou um clipe dançante e psicodélico, em que os integrantes performam como se estivessem num cabaré demente. Já </span><i><span style="font-weight: 400;">Tonight Is The Night I Die</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai ao extremo oposto: é uma canção soturna e quase cinematográfica, embalada por cordas e um vocal fantasmagórico. Sua letra, que toca no tema da morte com delicadeza mórbida, fecha o álbum com uma nota agridoce, um último suspiro antes do silêncio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, o trabalho também representa um marco. Palaye Royale sempre apostou na fusão entre Moda, Música e Arte performática, e em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KGXwPPTF_nI&amp;list=PLH22-xSMERQo7yPe-PD8hFjxvuCfc_RM6"><i><span style="font-weight: 400;">The Bastards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> isso atinge seu auge. Os videoclipes, dirigidos em parte pela própria banda, formam quase um curta-metragem distópico sobre juventude, trauma e revolução. Há algo de ‘emo à la </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Tim Burton</span></a><span style="font-weight: 400;">’ em toda a concepção visual, que mistura romantismo gótico com referências </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e elementos teatrais do cabaré. Essa estética influenciaria não só outros projetos da banda, como também parte da cena alternativa dos anos seguintes, que passou a abraçar narrativas mais visuais e conceituais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Bastards</span></i><span style="font-weight: 400;"> permanece como uma cápsula emocional e estética da ruína contemporânea. O disco não apenas sobreviveu ao tempo, se fortaleceu com ele. Em uma época em que tantos projetos musicais se rendem ao efêmero, </span><a href="https://www.instagram.com/palayeroyale/"><span style="font-weight: 400;">Palaye Royale</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou uma obra que exige envolvimento total – seja para compreendê-la, seja para senti-la. O trabalho é um universo à parte, onde a dor vira poesia, o delírio vira arte e a rebeldia encontra forma. Um grito que ainda ecoa.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: The Bastards" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/5b2m10WqNvZaD8eTEXGyfl?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Amores Materialistas é fútil e previsível, mas, ainda sim, realista</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2025 13:00:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: este texto contém spoilers Marcela Jardim Vendido como uma comédia romântica charmosa e leve, Amores Materialistas chega aos cinemas embalado por cartazes luminosos, diálogos espirituosos e a promessa de um romance improvável. No entanto, sob a direção de Celine Song, a obra se revela muito mais próxima de um estudo sociológico do que de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-amores-materialistas/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Amores Materialistas é fútil e previsível, mas, ainda sim, realista"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">este texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_35577" aria-describedby="caption-attachment-35577" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35577" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-3.png" alt="Cena do filme Amores Materialistas. A cena retrata um casal, Pedro Pascal e Dakota Johnson, em um ambiente urbano, com estilo casual e foco nas expressões e interações sutis entre eles. O homem, mais alto, tem cabelos castanho-escuros, bigode e veste casaco bege com camisa castanho-alaranjada, exibindo expressão neutra. A mulher, de cabelos castanho-escuros em camadas com franja, veste um casaco de couro preto e apresenta semblante levemente sério. O enquadramento é próximo, destacando o casal contra um fundo urbano desfocado, criando profundidade e realce visual. A iluminação natural e difusa indica uma cena ao ar livre durante o dia, com tons neutros e abordagem realista, sem efeitos estilísticos marcantes." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-3.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-3-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35577" class="wp-caption-text">Os três protagonistas do filme já participaram da Marvel (Foto: Killer Films)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vendido como uma comédia romântica charmosa e leve, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amores Materialistas</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega aos cinemas embalado por cartazes luminosos, diálogos espirituosos e a promessa de um romance improvável. No entanto, sob a direção de Celine Song, a obra se revela muito mais próxima de um estudo sociológico do que de um escapismo açucarado. Ao centro da trama está Lucy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/madame-teia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Dakota Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">), cuja construção é deliberadamente marcada por uma frieza controlada e uma beleza comum. Ela é a síntese da protagonista superficial: elegante, discreta, previsível e incapaz de se despir da persona que criou para si. A personagem atua como casamenteira em uma agência que trata encontros como transações de mercado — uma espécie de ‘Tinder humano’ em que o amor é reduzido a compatibilidades de status, aparência e renda.</span></p>
<p><span id="more-35575"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A crítica de </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><span style="font-weight: 400;">Song</span></a><span style="font-weight: 400;"> à futilidade contemporânea é certeira. A produção escancara um modelo de relacionamento em que o parceiro ideal é escolhido como se fosse um produto </span><i><span style="font-weight: 400;">premium</span></i><span style="font-weight: 400;">, avaliado por atributos tangíveis e descartáveis diante de uma opção mais vantajosa. O retrato é cruel justamente por ser reconhecível: há, no filme, uma acuidade incômoda em mostrar o quanto relações afetivas hoje são atravessadas por lógicas de consumo. Lucy, nesse sentido, é menos uma heroína romântica do que um espelho polido — e vazio — de nossa era de afetos calculados.</span></p>
<figure id="attachment_35576" aria-describedby="caption-attachment-35576" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35576" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-3-800x533.png" alt="Cena do filme Amores Materialistas. A cena mostra Pedro Pascal e Dakota Johnson dançando de mãos dadas em um ambiente festivo, casamento. O foco está no casal, com o fundo desfocado, reforçando a intimidade do momento. O homem, de terno escuro, e a mulher, com um vestido azul, exibem expressões gentis e afetuosas. A iluminação suave e o uso da profundidade de campo criam um tom romântico e caloroso, transmitindo a atmosfera alegre e acolhedora do evento." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-3-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-3-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-3.png 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35576" class="wp-caption-text">A cena do casamento precisou ser gravada em 4 locais diferentes pela alta procura (Foto: Killer Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte do desconforto causado pelo longa vem da maneira como foi divulgado. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dkkdyVd75M8"><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se apoiou em um enquadramento típico de </span><i><span style="font-weight: 400;">romcom</span></i><span style="font-weight: 400;">: luz natural, cores quentes, diálogos rápidos e um triângulo amoroso sugerido. O resultado foi a expectativa de um enredo leve e reconfortante. No entanto, Song subverte essa promessa, entregando uma narrativa fria, com ritmo contido e ausência de grandes momentos catárticos. Não há antagonismos caricatos, nem reviravoltas milagrosas. A aparente previsibilidade, longe de ser um defeito, é incorporada como parte do comentário social: no universo do filme, já sabemos de antemão quem ficará com quem, porque os papéis sociais, os padrões de beleza e as convenções emocionais determinam o desfecho antes mesmo que ele aconteça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa também é incisivo ao tratar a aparência como valor social absoluto. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Amores Materialistas</span></i><span style="font-weight: 400;">, a beleza não é apenas desejável: ela é determinante de status e poder. Isso se materializa no personagem Harry (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-quarteto-fantastico-primeiros-passos/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Pascal</span></a><span style="font-weight: 400;">), cuja perfeição física é resultado de intervenções estéticas, e se reflete no ambiente em que os personagens circulam — apartamentos milionários, restaurantes de linhas limpas e paleta neutra, onde tudo é milimetricamente planejado para transmitir bom gosto. É um espaço elegante, mas sem calor humano, como se a vida fosse mais um cenário instagramável.</span></p>
<figure id="attachment_35579" aria-describedby="caption-attachment-35579" style="width: 418px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35579" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4.png" alt="Cena do filme Amores Materialistas. A cena mostra um homem de maduro, Pedro Pascal, vestido com smoking preto e gravata borboleta, sentado em uma sala social de evento formal. Ele aparece em plano médio, centralizado no enquadramento, com expressão de concentração ou observação. O cenário sugere uma pausa ou conversa, reforçada pela presença de outros indivíduos ao fundo e à esquerda, incluindo uma mulher de vestido azul-turquesa. A fotografia tem estilo narrativo, com iluminação suave e natural, sem sombras marcantes, destacando o homem como foco principal. O ambiente, de decoração elaborada, indica um espaço formal, possivelmente retratado em filme ou televisão, transmitindo a atmosfera de um encontro social sofisticado." width="418" height="220" /><figcaption id="caption-attachment-35579" class="wp-caption-text">Song enfatiza que a obra é uma crítica ao capitalismo, mostrando como somos levados a nos enxergar e nos relacionar como mercadorias (Foto: Killer Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A crítica aos estereótipos femininos também é evidente, ainda que a obra não escape completamente deles. Lucy encarna a figura da </span><a href="https://drajulianafialho.com.br/glossario/o-que-e-mulher-moderna-entenda-o-conceito/"><span style="font-weight: 400;">mulher moderna</span></a><span style="font-weight: 400;">, independente e bem-sucedida, porém emocionalmente blindada. Ela é sedutora e inacessível, consciente de seu valor e de como capitalizá-lo, mas igualmente presa às expectativas que diz questionar. Paralelamente, enquanto aponta a superficialidade das regras que regem o mercado amoroso, a personagem as reproduz, reforçando padrões rígidos de gênero e classe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um momento quase lateral, entretanto narrativamente potente, o filme aborda a </span><a href="https://gente.ig.com.br/cultura/2019-03-22/obras-arte-violencia-domestica.html"><span style="font-weight: 400;">violência doméstica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao recomendar uma cliente para um homem abusivo, Lucy é obrigada a encarar os limites e consequências de um sistema que valoriza atributos superficiais acima de qualquer profundidade moral. A cena, ainda que breve, rompe a leveza controlada do restante da narrativa e insinua uma produção mais densa que Song opta por não explorar integralmente. Essa escolha mantém o tom contido, mas também frustra quem esperava um mergulho mais profundo nas camadas dramáticas da trama.</span></p>
<figure id="attachment_35578" aria-describedby="caption-attachment-35578" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35578" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-4.png" alt="Cena do filme Amores Materialistas. A cena mostra Chris Evans e Dakota Johnson sentados diante de uma estrutura de madeira, envolvidos em uma conversa tranquila. O homem, à esquerda, veste camisa xadrez e jeans escuros, com expressão contemplativa; a mulher, à direita, usa camisa branca e jeans claros, transmitindo serenidade. Ambos estão voltados um para o outro, em postura relaxada, sugerindo intimidade e naturalidade. O estilo é fotográfico e naturalista, com tons terrosos e iluminação suave, criando uma atmosfera calma e cotidiana, reforçada pelo fundo rústico e discreto da cerca." width="768" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-35578" class="wp-caption-text">O filme não é baseado em uma história real, mas é inspirado na experiência de Celine Song como casamenteira (Foto: Killer Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os dois interesses amorosos que orbitam Lucy, a oposição é menos sobre personalidade e mais sobre o que cada um simboliza. De um lado, Harry encarna o ideal estético absoluto: belo, seguro, socialmente validado, quase uma vitrine de padrões de beleza contemporâneos — um ‘produto final’ pronto para consumo. Do outro, John (</span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-facas-e-segredos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chris Evans)</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge com um carisma mais sutil, marcado por vulnerabilidade, imperfeições e uma relação menos performática com o mundo. Ainda que a narrativa sugira uma disputa entre opostos, o longa deixa claro que, no universo regido por aparências e capital simbólico, a balança dificilmente pende para o lado menos lapidado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o final segue a fórmula — Lucy acaba ao lado de quem o público já intuiu desde os primeiros minutos —, é justamente aí que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6v_8Ew0mD5c"><i><span style="font-weight: 400;">Amores Materialistas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> revela seu ponto mais agudo. A previsibilidade não é falha, porém diagnóstica. Ao encenar uma história de amor que parece escrita antes mesmo de começar, Song expõe como as estruturas sociais, os padrões estéticos e as expectativas comportamentais moldam nossas escolhas a ponto de eliminar o acaso. Não se trata de acreditar ou não no amor, mas de aceitar que, neste jogo de performances e aparências, o roteiro raramente muda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado é um filme que combina frieza calculada com estética, emocionalmente estéril e intelectualmente provocador. </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-amores-materialistas/"><i><span style="font-weight: 400;">Amores Materialistas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> talvez não conquiste o coração de quem busca o conforto de uma comédia romântica tradicional, mas certamente inquietará quem está disposto a encarar o espelho que ele oferece. Fútil e previsível? Sim. Mas também realista a ponto de incomodar — e é exatamente o ponto alto do longa, um dos únicos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Amores Materialistas | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3KPtaeBKLto?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>As Cores, as Curvas e as Dores do Mundo: um mergulho íntimo na nova obra da Lagum</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Aug 2025 13:00:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Com As Cores, as Curvas e as Dores do Mundo, a banda mineira Lagum entrega sua obra mais madura até aqui — um disco breve em duração, mas profundo em afetos, estética e intenção. Lançado em maio de 2025, o álbum representa um respiro dentro da cena pop nacional: sem pressa, sem espetáculo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-cores-as-curvas-e-as-dores-do-mundo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As Cores, as Curvas e as Dores do Mundo: um mergulho íntimo na nova obra da Lagum"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35540" aria-describedby="caption-attachment-35540" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35540 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/lagum.capa_.jpg" alt="A capa do álbum é uma fotografia aérea de um prédio com design moderno e curvas suaves, vista de cima. Quatro homens estão sobre a borda do edifício, em poses descontraídas: um está deitado com o peito nu, outro está sentado no chão com as pernas esticadas, e dois caminham pelo espaço. Abaixo, é possível ver a rua com carros brancos e árvores margeando a calçada. A cena sugere um ensaio fotográfico ousado, com forte contraste entre o ambiente urbano e a sensação de liberdade dos modelos." width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/lagum.capa_.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/lagum.capa_-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35540" class="wp-caption-text">A banda se formou em 2014, em Belo Horizonte, quando o vocalista Pedro Calais postou um vídeo com uma composição no Facebook (Foto: A Ilha Records)</figcaption></figure>
<div class="mceTemp">
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">As Cores, as Curvas e as Dores do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">, a banda mineira </span><a href="https://personaunesp.com.br/depois-do-fim-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lagum</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega sua obra mais madura até aqui — um disco breve em duração, mas profundo em afetos, estética e intenção. Lançado em maio de 2025, o álbum representa um respiro dentro da cena </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">nacional: sem pressa, sem espetáculo e sem a ansiedade de um </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em vez disso, o grupo opta por criar um espaço de contemplação e escuta, no qual cada música funciona como uma pincelada em um quadro maior. </span></p>
<p><span id="more-35535"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As cores representam as emoções em sua diversidade; as curvas são os desvios e surpresas da jornada, e as dores, os atravessamentos inevitáveis da vida contemporânea. O resultado é uma coleção de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/7LHPGpPZV2duyGmI2KthiX?si=2HIr0uLCSpmX1sNSdW9zlg"><span style="font-weight: 400;">dez faixas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que transitam entre a leveza, a melancolia e a esperança, costuradas por uma produção minimalista e uma linguagem poética que dialoga com o cotidiano urbano e afetivo de seus ouvintes.</span></p>
<figure id="attachment_35540" aria-describedby="caption-attachment-35540" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35537" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-3-800x450.png" alt="A imagem mostra quatro homens posam em frente a um fundo neutro bege. O grupo exibe um estilo casual e retrô: um veste moletom branco com faixa preta na manga e tem cabelo longo; outro usa óculos escuros e bigode, com jaqueta preta; o terceiro veste jaqueta esportiva e está centralizado, com expressão confiante; o último usa suéter preto com logotipo da Fila e chapéu tipo bucket, com uma mão na cabeça. A iluminação suave e o filtro quente evocam uma estética nostálgica dos anos 90." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-3.png 1914w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35540" class="wp-caption-text">A banda se formou em 2014, em Belo Horizonte, quando o vocalista Pedro Calais postou um vídeo com uma composição no Facebook (Foto: A Ilha Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo álbum propõe uma escuta atenta ao presente, às pequenas delicadezas do cotidiano e às complexidades dos vínculos afetivos. A valorização do agora, tema central do disco, se manifesta em faixas como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/07qyP444w0MK4aGurc4b8O?si=5b2f51a4439844e9"><i><span style="font-weight: 400;">Eterno Agora</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que usa um arranjo minimalista de voz e violão para afirmar o ‘atual’ como espaço de presença e contemplação. Em contraste, o caos urbano e os sentimentos de alienação que ele provoca também ganham voz — a sensação de deslocamento e introspecção, recorrente nas grandes metrópoles, aparece com força em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6chCkT8RkDC0kM66HKfPQb?si=86a52e8a3f1240f0"><i><span style="font-weight: 400;">A Cidade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na qual guitarras densas e letra melancólica constroem um retrato sem perder de vista uma certa beleza possível no cotidiano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As relações afetivas atravessadas por silêncio, distância ou desejo orientam boa parte das composições. A ausência física, comum em comprometimentos à distância, aparece com delicadeza em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/22dg08ZH3AWZGN1f059yy5?si=d20eac71f80d438e"><i><span style="font-weight: 400;">As Desvantagens de Amar Alguém Que Mora Longe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que transforma a saudade em matéria poética sem apelar para o sentimentalismo. Esse mesmo universo emotivo ganha novos contornos em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0JDZ4A8NlRKaNTUeI1D4C7?si=65597ed0f4fc4fab"><i><span style="font-weight: 400;">Tô de Olho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, colaboração com </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/2eFVsaX3yHLPeWpiqvmeFn?si=TYfA3A5LQMOQU2KB8cSYWQ"><span style="font-weight: 400;">Céu</span></a><span style="font-weight: 400;">, música marcada pelo desejo de aproximação, que é expressado com leveza e harmonia em um encontro sonoro entre MPB e </span><i><span style="font-weight: 400;">indie </span></i><span style="font-weight: 400;">eletrônico.</span></p>
<figure id="attachment_35540" aria-describedby="caption-attachment-35540" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35539" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-2-800x561.png" alt="A imagem mostra os quatro integrantes, que posam em estúdio com fundo branco, olhares direcionados à câmera em uma leve perspectiva de cima para baixo. Um veste camisa azul com botões, outro camiseta branca com gola vermelha e colar dourado, o terceiro aparece com casaco felpudo branco sobre colete colorido, e o último usa camisa polo listrada azul e calça jeans. O visual do grupo combina elementos modernos com um toque retrô, transmitindo atitude e estilo despojado." width="800" height="561" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-2-800x561.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-2-768x539.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-2.png 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35540" class="wp-caption-text">Lagum já foi indicada ao Grammy Latino e ganhou diversos prêmios, incluindo o Prêmio Multishow (Foto: Webber Pádua)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há ainda espaço para celebrar o cotidiano e reconhecer seus gestos de cuidado. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6QoNv7v5G552TvRzVjlhRM?si=a8930913242d4685"><i><span style="font-weight: 400;">Vagarosa Manhã</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ressignifica a rotina como lugar de afeto e presença, descrevendo com ternura os pequenos rituais do início do dia. Já o campo amoroso, com seus exageros e idealizações, é abordado com humor e honestidade em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/53bIEaF7X1ZfCr9jD062R2?si=252e732167604ba9"><i><span style="font-weight: 400;">Vida de Novela</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Na faixa, a banda trata as emoções intensas sem cinismo, reconhecendo nelas uma forma legítima de se viver e narrar o amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim,  </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6trtucjZDqjdwI2uuVj9wM?si=7d0162f251da4035"><i><span style="font-weight: 400;">A Última Nuvem do Céu</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">encerra o disco com uma delicadeza quase ‘suspensa no ar’ e reforça a dimensão poética e efêmera que permeia todo o projeto. A canção funciona como um suspiro final, um aceno suave antes do silêncio, reafirmando a natureza transitória das emoções e imagens evocadas ao longo do álbum. A escolha da metáfora da nuvem — passageira, bela, impossível de capturar ou fixar — condensa com precisão a sensibilidade da proposta estética. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como uma nuvem, a música se desenha e se desfaz no instante e convida o ouvinte a contemplar o fugaz, a aceitar a beleza no que se dissolve. Há também, nessa imagem, uma recusa sutil à rigidez: o </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/ilca-maria-estevao/lagum-comenta-trajetoria-com-a-moda-e-estetica-do-novo-album"><span style="font-weight: 400;">projeto</span></a><span style="font-weight: 400;"> prefere pairar, flutuar, desaparecer suavemente, a se prender a verdades fixas ou estruturas fechadas. Dessa forma, o encerramento traduz com lirismo e leveza, como se dissesse: o essencial não se retém — apenas se sente, e depois se deixa ir.</span></p>
<figure id="attachment_35540" aria-describedby="caption-attachment-35540" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35538" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-2-800x758.png" alt="A imagem mostra quatro homens posam juntos para uma foto em um cenário colorido com fundo azul e marrom. Dois deles estão na parte superior da imagem, inclinando-se para frente — o da esquerda veste uma camiseta branca com detalhes vermelhos e o da direita, uma camisa azul, com expressão animada e boca aberta. Na parte inferior, dois outros homens estão mais próximos da câmera — um com cabelo comprido e camisa listrada azul, o outro com cabelo curto, expressão séria e vestindo um casaco branco felpudo, estendendo o braço em direção à câmera." width="800" height="758" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-2-800x758.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-2-768x728.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35540" class="wp-caption-text">Em 2025, Lagum retornou ao formato independente. A banda aproveita sua liberdade criativa para misturar gêneros e recriar a energia dos shows em estúdio (Foto: Lett Sousa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esteticamente, a banda aposta numa paleta sonora e visual coerente. Os arranjos são orgânicos, com presença marcante de violões, bateria acústica e sintetizadores discretos. A produção de Paul Ralphes — vencedor do </span><a href="https://www.latingrammy.com/pt/artistas/paul-ralphes/24264-03"><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></a><span style="font-weight: 400;"> — privilegia a clareza das vozes e o calor dos instrumentos reais e confere unidade e sensibilidade às faixas. O projeto é acompanhado por uma série de </span><i><span style="font-weight: 400;">visualizers</span></i><span style="font-weight: 400;"> que exploram cores pastéis, linhas suaves e movimentos lentos, reforçando a proposta estética sugerida no título. A capa, com suas curvas abstratas e tons suaves, antecipa a sensação de abrigo emocional que o quinto trabalho da formação musical oferece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gravado no estúdio próprio da banda em Belo Horizonte, o disco representa também uma retomada das raízes e uma autonomia criativa mais evidente. Sem a pressão de lançar </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou seguir tendências, </span><a href="https://personaunesp.com.br/seja-o-que-eu-quiser-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Lagum</span></a><span style="font-weight: 400;"> opta por uma obra íntima e autoral, que convida o ouvinte a mergulhar em uma escuta pausada. Em tempos acelerados, onde tudo é feito para ser viral e descartável, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Cores, as Curvas e as Dores do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> propõe o contrário: um álbum feito para durar, tocar de verdade, acompanhar dias bons e dias difíceis. Mais do que um conjunto de canções, a coletânea de faixas funciona como um gesto cultural de resistência sensível — e talvez seja exatamente isso o que mais precisamos hoje.</span></p>
</div>
<p><iframe title="Spotify Embed: As Cores, as Curvas e as Dores do Mundo" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/7LHPGpPZV2duyGmI2KthiX?si=W8JnCioXTCCW50anTELnqg&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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