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	<title>Arquivos Lukita Maxwell &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Lukita Maxwell &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Deixa o menino brincar: Kane Parsons e o seu Backrooms: Um Não-Lugar</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 13:00:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Davi Marcelgo É o sonho de muitos cinéfilos estrear o primeiro longa-metragem aos 20 anos e fazer bem feito. É ainda mais tentador entrar para a história com 21 anos ao lançar Evil Dead (1981), como Sam Raimi fez. Kane Parsons conseguiu a proeza de ser contratado pela A24 &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/backrooms-um-nao-lugar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Deixa o menino brincar: Kane Parsons e o seu Backrooms: Um Não-Lugar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37360" aria-describedby="caption-attachment-37360" style="width: 664px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-37360" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-664x332-1.jpg" alt="Cena do filme Backrooms: Um Não-LugarNa imagem, a personagem Mary está centralizada, de frente para uma parede branca com o desenho de uma porta em azul. O ambiente é iluminado por uma luz amarelada, provocando a sombra de Mary no canto direito. Mary é uma mulher branca, na faixa dos 40 anos, de cabelos escuros na altura dos ombros. Ela veste uma camisa florida de manga curta e uma calça marrom. Ela está olhando para trás com expressão de preocupação. " width="664" height="332" /><figcaption id="caption-attachment-37360" class="wp-caption-text">O Youtuber de apenas 20 anos traz sua websérie para as telonas (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É o sonho de muitos cinéfilos estrear o primeiro longa-metragem aos 20 anos e fazer bem feito. É ainda mais tentador entrar para a história com 21 anos ao lançar </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1981), como Sam Raimi fez. Kane Parsons conseguiu a proeza de ser contratado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;"> aos 19 anos para levar aos cinemas a sua websérie </span><a href="https://www.youtube.com/@kanepixels/videos"><i><span style="font-weight: 400;">Backrooms</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, disponível no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda é cedo para cravar que seu </span><i><span style="font-weight: 400;">found footage</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Backrooms: Um Não-Lugar</span></i><span style="font-weight: 400;">, entrou para a história ao lado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bruxa-de-blair-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa de Blair</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1999) e </span><i><span style="font-weight: 400;">REC</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2007), mas enquanto o rolo gira, nota-se a competência do novato em causar medo e dominar a linguagem do Cinema. </span><span id="more-37359"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os ‘quartos dos fundos’ são labirintos surrealistas onde cadeiras estão empilhadas, escadas dão para escotilhas e habitações sociais inteiras podem ser encontradas ali. Entrar nessa estrutura poderia ser uma atividade curiosa, se ela não fosse frequentada por uma criatura voraz: uma atualização do </span><a href="https://www.nationalgeographic.pt/historia/minotauro-o-monstro-do-labirinto_3339"><span style="font-weight: 400;">mito</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Teseu e o Minotauro. Quem descobre um </span><i><span style="font-weight: 400;">Backroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> em seu estabelecimento comercial é Clark (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-volta-de-bridget-jones-em-louca-pelo-garoto-mostra-que-da-para-fazer-um-cliche-gostoso-em-2025/"><span style="font-weight: 400;">Chiwetel Ejiofor</span></a><span style="font-weight: 400;">), isto enquanto lida com boletos atrasados e um divórcio que o retirou da própria casa. O roteiro de Will Soodik utiliza as questões do protagonista para construir uma metáfora que é a cara do estúdio, sendo aquelas salas um símbolo dos traumas e dos não-lugares que colecionamos, como humanidade, em vida. As salas encontradas pelo personagem principal são espelhos distorcidos de seu comércio, onde placas, peças de roupa dos funcionários e objetos semelhantes da realidade estão ali. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Portanto, Clark agora habita sua loja de móveis, dormindo em um quarto improvisado no meio do salão de vendas. Ele, um arquiteto frustrado que não exerce seus estudos, é um paralelo de Dédalo, símbolo da arquitetura da mitologia grega, responsável pela construção do labirinto que aprisiona a criatura metade homem, metade touro. Já Mary (</span><a href="https://personaunesp.com.br/valor-sentimental-critica/"><span style="font-weight: 400;">Renate Reinsve</span></a><span style="font-weight: 400;">), a terapeuta do comerciante, revive a experiência traumática de ter crescido sob a supervisão de sua mãe, que sofria com neurose. De um lado, um lar que não dá segurança, de outro, um ambiente cheio de móveis que não cumprem suas funções. </span></p>
<figure id="attachment_37361" aria-describedby="caption-attachment-37361" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37361" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-800x450.jpg" alt="Cena do filme Backrooms: Um Não-LugarNa imagem, Clark está de costas para a câmera enquanto caminha em um corredor de paredes amarelas e luzes fracas. À sua frente há um trecho escuro com uma silhueta parada. Clark é um homem negro, na faixa dos 50 anos, de cabelos crespos, curtos e escuros. Ele veste uma camisa social rosa, calça preta e sapatos de couro. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37361" class="wp-caption-text">Backrooms: Um Não-Lugar é o filme mais lucrativo da produtora (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o texto faz o pedido pelos executivos – um Terror frontal não basta para a </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;"> – Parsons dobra a linguagem do Cinema ao seu favor. Não é apenas a presença de um ser dentro daquele labirinto que apavora, mas a ideia isolada de um lugar que não respeita as leis da física é assustadora. O jovem cineasta compreende essa natureza ao conduzir por meio do extracampo (o que está fora da câmera) o medo produzido pela imaginação do público. Ele vai utilizar os chavões do gênero para isso, seja a limitação de enxergar o que está nas bifurcações e nos cantos sem iluminação ou pela câmera subjetiva, que não se contém apenas aos trechos em </span><a href="https://revistacontinente.com.br/edicoes/157/found-footage--o-ataque-dos-falsos-documentarios-de-horror"><i><span style="font-weight: 400;">found footage</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, posicionando quem assiste na mesma situação que as personagens: dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">Backrooms</span></i><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa de Kane Parsons vai ser apropriada pelo visual para compor história e personagens. A passagem do tempo será demarcada por impostos acumulados na porta da frente, a falta de uma infância sadia pelo foco em mãe e filha brincando; a descoberta de que Clark agora dorme onde trabalha pela oscilação das luzes que já havia sido apresentada anteriormente. Diante de uma realidade em que as produções americanas são incentivadas a vomitar explicações ou </span><a href="https://cabanadoleitor.com.br/netflix-repete-dialogos-ate-4-vezes/"><span style="font-weight: 400;">expor ações</span></a><span style="font-weight: 400;"> em diálogos, observar tanto talento em apenas deixar o audiovisual ser a Arte que é vindo de alguém tão jovem é nobre. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Clark, Kat (</span><a href="https://personaunesp.com.br/generation-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lukita Maxwell</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Bob (Finn Bennett) adentram o novo mundo, a câmera os acompanha, sempre com eles, nunca à frente. Espectador descobre o que tem além daquelas paredes junto ao trio que comanda o caminho. Parsons vai alterar o plano no momento em que Mary descobre o espaço; agora as lentes já estão no cômodo e a terapeuta vem até nós. Todo o medo construído pelo desconhecido é descartado. Afinal, ela já conhece aquele espaço (o inconsciente de seu paciente) e não tem nada a temer. </span></p>
<figure id="attachment_37362" aria-describedby="caption-attachment-37362" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1-800x500.jpeg" alt="Cena do filme Backrooms: Um Não-LugarNa imagem de qualidade baixa, móveis estão empilhados no canto esquerdo da imagem. O local tem várias salas vazias de iluminação amarelada. Clark está em uma entrada segurando uma mochila, ele anda em direção a uma parte com menos iluminação. Ele veste calça e camisa longa, porém pela baixa qualidade da câmera é difícil determinar quais as cores. " width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1-800x500.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1-1024x640.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1-768x480.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37362" class="wp-caption-text">James Wan e Osgood Perkins assinam a produção (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, a criatura que habita aquele labirinto é uma versão monstruosa do Capitão Clark, interpretada por Robert Bobroczkyi, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/alien-romulus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Alien: Romulus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), um duplo do mascote publicitário que Clark se sujeita a dar vida em uma peça comercial gravada de forma amadora. A encenação do vídeo termina de maneira desastrosa e ridícula. A materialização dessa figura em um ser devorador de carne humana é a personificação da vergonha do protagonista a respeito de seu trabalho e de sua constatação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu destruo tudo que toco</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daí, o medo do desconhecido deixa de ser algo presente, no entanto, não significa que </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/o-prodigio-kane-parsons-de-20-anos-explica-como-criou-o-terror-de-backrooms-a-veja/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Backrooms: Um Não-Lugar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> perca força, visto que Mary não só superou seu trauma (ao usar a única lembrança física da sua antiga casa como arma) como não tem medo de Clark ou dos salões. É comum que alguns filmes caiam no desgosto do público quando revelam o visual de seus algozes, mas nesse caso tudo se amarra e faz sentido. Continuar filmando os planos da mesma forma que a metade do filme seria uma decisão contraditória. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kane Parsons estreia um Terror interessante que fraqueja numa sequência de muito diálogo expositivo – o que cheira a </span><a href="https://personaunesp.com.br/maligno-critica/"><span style="font-weight: 400;">James Wan</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas não dá para confirmar – que se opõe a tudo apresentado anteriormente. O pior é que nada dito ali é uma informação ou algo que o público não entendeu: “</span><i><span style="font-weight: 400;">este lugar é a cópia de tudo que já existiu</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Clark. Ora, isso foi mostrado na última uma hora e meia com as semelhanças à loja dele. Pode parecer que este texto soa contraditório por dizer antes que </span><i><span style="font-weight: 400;">Backrooms: Um Não-Lugar</span></i><span style="font-weight: 400;"> usa, sobretudo, do visual para discursar, porém um conjunto de cenas fora de eixo não representa o filme todo. E diante de tanta destreza que os </span><i><span style="font-weight: 400;">found footage</span></i><span style="font-weight: 400;"> pontuais deste filme têm, imagine o que Parsons não faria com 120 minutos de Terror frontal. Esse </span><i><span style="font-weight: 400;">backrooms</span></i><span style="font-weight: 400;"> eu pago para entrar. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Backrooms | Official Teaser HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/BjRndcTYqJo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Genera+ion trata do amadurecimento na língua da Geração Z</title>
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					<description><![CDATA[<p>Maju Rosa “Pesquise no Google: como dar à luz?”. É assim que somos apresentados ao caótico episódio piloto da série teen do HBO Max, Genera+ion (escrita dessa forma mesmo). Lançado em março de 2021 (e em junho, no Brasil), é uma aposta para captar o público jovem LGBTQIA+, e levá-lo para a fase que todos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/generation-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Genera+ion trata do amadurecimento na língua da Geração Z"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27979" aria-describedby="caption-attachment-27979" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27979" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-800x450.jpg" alt="cena da série Generation, com todo o elenco principal da série: Chloe East, Uly Schlesinger, Nathanya Alexander, Haley Sanchez, Lukita Maxwell, Chase Sui Wonders, Justime Smith, e Sydney Mae Diaz. Todos olham na direção do espectador." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27979" class="wp-caption-text">Genera+ion retrata um grupo de adolescentes que exploram suas relações e sexualidade enquanto se aproximam dos novos amigos (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Maju Rosa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Pesquise no Google: como dar à luz?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É assim que somos apresentados ao caótico episódio piloto da série </span><i><span style="font-weight: 400;">teen</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;"> (escrita dessa forma mesmo). Lançado em março de 2021 (</span><a href="https://elle.com.br/cultura/generation-hbo-max"><span style="font-weight: 400;">e em junho, no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">), é uma aposta para captar o público jovem LGBTQIA+, e levá-lo para a fase que todos passamos em algum momento: os dramas adolescentes sobre dificuldades adolescentes &#8211; e que apenas os adolescentes entendem. E apesar de ter conquistado um espectador que se identificou com a história de Chester, interpretado por Justice Smith (também protagonista de</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-maio2019/"><i><span style="font-weight: 400;">Detetive Pikachu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-get-down-hip-hop/"><i><span style="font-weight: 400;">The Get Down</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), e seus novos amigos, a produção não foi renovada pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27978"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/katy-perry/"><span style="font-weight: 400;">Katy Perry</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2008 e sua animação em ter </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tAp9BKosZXs"><span style="font-weight: 400;">beijado uma garota</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela primeira vez, a ansiedade para a primeira relação, o entendimento da própria sexualidade e gravidez na adolescência são descobertas abordadas na série do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">. A princípio, a fórmula de </span><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser comparada à </span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), da gigante </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, apesar das semelhanças, as duas tramas não chegam a ser concorrentes diretas. O ritmo e tom adotados nas narrativas possuem grandes diferenças quando analisadas. Enquanto encontramos uma tendência pacata e caricata na britânica, a estadunidense traz ao espectador uma visão mais real do que é ser jovem e enfrentar suas barreiras pessoais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WQb3dgehYXA"><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não possui muitos nomes de peso, mas marca presença como tal. Apresentando como protagonistas um grupo de colegas que se conhece no Ensino Médio, a história mostra a importância de entender eventos a partir de outros pontos de vista. Apesar de confusa nas primeiras vezes, a técnica de repetir a mesma cena de diferentes ângulos, sob a perspectiva de vários personagens durante o episódio, se tornou uma forma de permitir o público digerir o que está acontecendo, sem precisar pausar e voltar alguns segundos.</span></p>
<p><figure id="attachment_27981" aria-describedby="caption-attachment-27981" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27981" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1.gif" alt="Texto alternativo: GIF de cena série Generation, com Riley, interpretada por Chase Sui Wonders, e Greta, interpretada por Haley Sanchez, em um carro conversível em movimento. Riley, que está no banco do passageiro apontando uma câmera, é branca, com cabelos castanhos, e Greta, que está sentada no banco de trás com o braço direito esticado, tem traços latinos e cabelo castanho." width="800" height="397" /><figcaption id="caption-attachment-27981" class="wp-caption-text">Riley (Chase Sui Wonders) e Greta (Haley Sanchez) formam um casal sáfico na série e descobrem o amor apesar de suas diferenças de personalidade [GIF: HBO Max]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A valorização da individualidade não se apresenta apenas na técnica dos pontos de vista: a pluralidade de vivências é um dos detalhes que mais enriquecem a trama, criando laços com o público, comoventes o bastante para conquistar torcidas e garantir o sucesso de todos os personagens. É perceptível o impacto positivo que essa abordagem traz para a trama. O roteiro provou ser fácil aproximar a ficção da realidade quando é apresentado para o espectador o passado de um personagem e sua evolução, tornando-o mais </span><a href="https://medium.com/@carolvidal_/personagens-complexos-736a54c495f"><span style="font-weight: 400;">complexo</span></a><span style="font-weight: 400;">  e representativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhar os processos de cada um estabelece uma </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/220083-dia-orgulho-lgbtqia-series-ajudam-representatividade.htm"><span style="font-weight: 400;">conexão direta com muitos jovens</span></a><span style="font-weight: 400;">, que estão passando (ou já passaram) pelas mesmas situações. Um dos exemplos mais reais de </span><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a contraposição entre o conservadorismo e o liberalismo, vista principalmente na relação entre Nathan (Uly Schlesinger), que atravessa a temporada entendendo melhor sua bissexualidade, e a mãe Megan (Martha Plimpton), extremamente religiosa e que demora alguns episódios para compreender o filho. </span></p>
<figure id="attachment_27982" aria-describedby="caption-attachment-27982" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27982" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-800x420.jpg" alt="cena da série Generation, em que Nathan, interpretado por Uly Schlesinger, e Chester, interpretado por Justice Smith, reproduzem a famosa cena do abraço entre Rose e Jack em Titanic. Nathan, jovem branco que veste camiseta cinza e camisa azul sobreposta, simula Rose, sorridente e com os braços abertos, enquanto Chester, jovem negro com cabelo roxo, abraça Nathan por trás, interpretando Jack." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27982" class="wp-caption-text">O processo de descoberta em um ambiente retrator, como o de Nathan, é uma das pontes que liga a ficção da série com a realidade de parte da audiência (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série conta com uma temporada única de 16 episódios e é um retrato claro da </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2021/07/04/quem-decidiu-o-que-e-millennial-o-que-e-geracao-z-o-que-e-boomer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Geração Z</span></a><span style="font-weight: 400;">. Muitas discussões, que há poucos anos eram tratadas com certo receio, são apresentadas de forma natural, permitindo o espectador acreditar se tratar de uma cópia da realidade, e não apenas um conjunto de gravações roteirizadas. Além do discurso atualizado, a diversidade refletida nos diálogos não se limita a uma temática única.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A representatividade étnica e sexual é priorizada em todos os âmbitos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;">, garantindo que o público se identifique com traços e discussões do núcleo principal da história. Um palpite para a abordagem natural da contemporaneidade na produção está relacionado à mente por trás das câmeras: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OGuXDSTrTWg"><span style="font-weight: 400;">Zelda Barnz</span></a><span style="font-weight: 400;">, a jovem de 19 anos que idealizou a série aos 15, idade propícia o bastante para se estar inserido nos assuntos que a trama traz.</span></p>
<figure id="attachment_27983" aria-describedby="caption-attachment-27983" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27983" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2-800x402.jpg" alt="Zelda Barnz, que está à direita, jovem branca de cabelos cacheados castanhos, usa vestido floral e posa ao lado do pai, Daniel Barnz, que está à esquerda. Daniel é um homem branco de meia idade e veste camisa azul claro com jaqueta preta sobreposta. Ambos sorriem para a foto em um fundo cinza." width="800" height="402" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2-800x402.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2-1024x515.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2-768x386.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27983" class="wp-caption-text">Zelda Barnz transferiu suas ideias do papel para as lentes junto de seu pai, Daniel Barnz, que assinam como co-criadores de Genera+ion (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não ter defeitos aparentes, além dos rápidos 30 minutos de duração por episódio, as narrativas de Chester, Arianna (Nathanya Alexander), Naomi (Chloe East), Delilah (Lukita Maxwell), Greta, Nathan, e Riley não parecem ter dado o lucro esperado para a plataforma. Em setembro de 2021, foi anunciado que o </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/generation-hbo-max-cancelada"><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> não seguiria a parceria</span></a><span style="font-weight: 400;"> com os criadores da série, frustrando muitos fãs que estavam ansiosos para agarrar o gancho do último episódio (inclusive a autora desse texto). Aparentemente a fluidez não rendeu, principalmente quando comparada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">reboot </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gossip Girl</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar dos 12 episódios extremamente cíclicos, que sempre redirecionam o espectador para certa lição de moral implícita, já possui </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/09/gossip-girl-nova-serie-e-renovada-para-2a-temporada/"><span style="font-weight: 400;">2ª temporada confirmada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Genera+ion</span></i><span style="font-weight: 400;"> permite que seus personagens errem e se reergam, sempre firmados no entendimento de seus próprios sentimentos e reações aos golpes da adolescência. A série se mostrou um respiro em meio às narrativas adolescentes irreais, com seus elencos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/elite-4a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">30 anos vestidos com uniformes escolares</span></a><span style="font-weight: 400;"> hiperssexualizados, que não cabem mais ao contexto atual. E mais do que tudo, é um prato cheio de representatividade para os jovens LGBTQIA+ passando por essa fase conturbada. Ou ainda aos mais velhos, que desejavam produções como essa durante a adolescência, e agora podem ver uma representação de jovens </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, retratados como pessoas aproveitando e conhecendo a vida, e não mais da forma problemática veiculada pela mídia até poucos anos atrás.</span></p>
<figure id="attachment_27984" aria-describedby="caption-attachment-27984" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27984" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5.gif" alt="GIF de cena da série Generation, em que Chester, interpretado por Justice Smith, jovem negro com cabelos roxo que usa óculos redondos de lentes cor de rosa, com as duas mãos voltadas para a câmera. Os dedos do personagem estão adornados com 4 anéis enquanto Chester expões suas unhas pintadas de preto formando em branco as palavras &quot;pussy&quot; na mão direita e &quot;power&quot; na mão esquerda. As palavras podem ser traduzidas do inglês como &quot;poder da vagina&quot;." width="800" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-27984" class="wp-caption-text">Apesar de seu cancelamento, essa autora sempre volta aos episódios para imaginar como seria a 2ª temporada da série (GIF: HBO Max)</figcaption></figure>
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