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	<title>Arquivos Literatura argentina &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>As convidadas de Silvina Ocampo são as reviravoltas</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2022 22:09:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  “Poucas pessoas vão acreditar neste relato. Às vezes seria preciso mentir para que as pessoas admitissem a verdade; esta triste reflexão eu fazia na infância por razões fúteis; agora as faço por questões transcendentais.” O que delimita a linha do absurdo? Em que momento fomos ensinados a ler algo e dizer o quanto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-convidadas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As convidadas de Silvina Ocampo são as reviravoltas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29491" aria-describedby="caption-attachment-29491" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-29491 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ASCONVIDADAS_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ASCONVIDADAS_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ASCONVIDADAS_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ASCONVIDADAS_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29491" class="wp-caption-text">As convidadas foi um dos livros recebidos pelo Persona na parceria com a Companhia das Letras, e foi a leitura do Clube do Livro em Outubro (Foto: Companhia Das Letras/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Poucas pessoas vão acreditar neste relato. Às vezes seria preciso mentir para que as pessoas admitissem a verdade; esta triste reflexão eu fazia na infância por razões fúteis; agora as faço por questões transcendentais.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O que delimita a linha do absurdo? Em que momento fomos ensinados a ler algo e dizer o quanto aquilo é distante do lógico? São respostas presas ao inconsciente, o tipo de habilidade praticamente instintiva na mentalidade humana. Mas é lendo Silvina Ocampo e sua audácia singular que essas fronteiras parecem se diluir sem precisar de muitas páginas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> – livro publicado pela </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212057/as-convidadas"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Maio de 2022 –, a mente e o mundo são peripécias capazes de causar desconforto arrebatador e crença no irreal. </span></p>
<p><span id="more-29488"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura-estrangeira/silvina-ocampo-sai-das-sombras#:~:text=Nascida%20em%2028%20de%20julho,filhas%20em%20casa%2C%20com%20tutoras."><span style="font-weight: 400;">autora argentina</span></a><span style="font-weight: 400;"> teve sua obra publicada postumamente no Brasil, sob a tradução de Livia Deorsola, e, se em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fúria e outros contos</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2019, as coisas de seu universo particular já tomavam rumos curiosos, dessa vez isso se intensifica. Nos 44 contos que compõem a obra, somos apresentados ao rotineiro metamorfoseado, como se aquela ida diária à padaria te levasse diretamente para Marte e a diferença fosse notada tarde demais. Os personagens são diversos, partindo de crianças a casais que protagonizam situações absolutamente inusitadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É na escrita que tudo se mistura. O leitor se sente chocado, mas ao mesmo tempo é apresentado a isso com uma narrativa trabalhada com naturalidade. A estranheza das coisas nunca são destacadas no texto, pois no mundo de </span><a href="http://www.blogletras.com/2018/09/silvina-ocampo-o-et-cetera-da-familia.html"><span style="font-weight: 400;">Ocampo</span></a><span style="font-weight: 400;"> o extraordinário é tão comum que nos faz sentir culpados pelas reações escandalizadas. Mesmo trabalhando com histórias não complementares de pouco mais de uma página, o fantástico vive em linhas tênues.</span></p>
<figure id="attachment_29489" aria-describedby="caption-attachment-29489" style="width: 434px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29489" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/2.jpg" alt="" width="434" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-29489" class="wp-caption-text">Silvina e sua Literatura única chegaram às terras brasileiras apenas em 2019, 26 anos após sua morte em 1993, pela Companhia das Letras (Foto: Companhia Das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As histórias de </span><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> não precisam se ligar para ter pontos em comum. Tudo caminha em linhas retas, mas se desenrola em redemoinhos. Os inícios comuns culminam em facetas trágicas e conflitantes. Em muitos momentos, a autora brinca com as reações psicológicas a ponto de criar medo. É o caso do conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Carta debaixo da cama</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual, conforme as palavras vão sendo escritas, somos capazes de experimentar o desespero da protagonista; o corte brusco dispensa detalhes do fatal para ser </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-cemiterio-stephen-king-enterra-receios-autor-ressuscita-historia-sobria-intensa-muito-assustadora/"><span style="font-weight: 400;">assustador</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de brincar com nossos cérebros, Silvina nos dá acesso ao dela. Os períodos longos e pouco pontuados integram narrativa ao pensamento. Por isso, as histórias perdem contexto de tempo ou momento. É como se tudo estivesse sendo noticiado no jornal da noite e a ambientação temporal ficasse meramente em segundo plano. O </span><a href="http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2014/04/gabriel-garcia-marquez-revelou-para-o-mundo-o-realismo-fantastico.html#:~:text=Gabriel%20Garc%C3%ADa%20M%C3%A1rquez%20deu%20forma,N%C3%A3o%20invento%20nada."><span style="font-weight: 400;">fantástico</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o verdadeiro protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, tudo nos é suscitado, como elementos inseridos com o propósito de causar impacto enquanto criam questionamentos e reflexões. É a construção do absurdo se tornando razoável. Aqui, a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2022/11/18/silvina-ocampo-literatura-argentina-fantastica-livia-deorsola-a-furia.htm"><span style="font-weight: 400;">escritora</span></a><span style="font-weight: 400;"> atua como uma telespectadora esperando as reações ao seu redor. E ela é muito bem sucedida em tirar expressões ímpares dos rostos que a leem. Afinal, é impossível ser blasé diante de construções tão simbólicas e excepcionais.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Não foi senão depois de um tempo e de um detalhado estudo que distingui, na famosa fotografia, o quarto, os móveis, a cara borrada de Valentín. A figura central, nítida, terrivelmente nítida, era a de uma mulher coberta de véus e de escapulários, já um pouco velha e com grandes olhos famintos, que se revelou ser Pola Negri.” </span></p></blockquote>
<p><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca se propôs a fechar ciclos; é direito de quem contempla a obra acreditar ou não no que está sendo exposto. A </span><a href="https://personaunesp.com.br/comemoracao-de-20-anos-de-harry-potter-de-volta-a-hogwarts-critica/"><span style="font-weight: 400;">magia</span></a><span style="font-weight: 400;"> mora exatamente na falta dos limites de início, meio e fim. O próprio conto que dá nome ao livro deixa espaço para interpretações, visto que é difícil definir se as convidadas são apenas fruto de traquinagem infantil ou figuras de um plano metafísico. Isso no caso de se tratar de uma criança, pois as idades nunca são claramente definidas e cabe a nós entender da forma que nos for adequada.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante consumir o texto e ver como os tons assustadores e emblemáticos cabem em espaços tão curtos. Alguns </span><a href="https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2019/10/18/silvina-ocampo-um-dos-maiores-misterios-da-literatura-latino-americana.ghtml"><span style="font-weight: 400;">contos</span></a><span style="font-weight: 400;"> têm menos de duas páginas e conseguem estabelecer a linearidade invadida pela surpresa perfeitamente. Personagens que nem sequer tem nome, mas entregam pedaços de suas essências em nossas mãos. Uma conexão curiosa perpassando as fronteiras físicas. </span></p>
<figure id="attachment_29490" aria-describedby="caption-attachment-29490" style="width: 685px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29490 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-685x1024.jpg" alt="" width="685" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-685x1024.jpg 685w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-535x800.jpg 535w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-768x1147.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-1028x1536.jpg 1028w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-1371x2048.jpg 1371w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-1200x1793.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL.jpg 1405w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29490" class="wp-caption-text">A Fúria traz 34 contos com temáticas principais focadas na infância (Foto: Companhia Das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo foge do comum, mas ainda mantém como temática principal o ser </span><a href="https://personaunesp.com.br/inventario-critica/"><span style="font-weight: 400;">humano</span></a><span style="font-weight: 400;">. A escrita trabalha com elementos da espiritualidade e transgride também na Cultura. Muitos contos envolvem questões religiosas, cultos, crendices e simpatias em sua composição. Esse tipo de citação contribui para que o hiperbólico faça tanto sentido quanto a religião e seu valor concreto na sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda na ideia de explorar camadas da humanidade, os acontecimentos do cenário incomum levam as pessoas a mostrarem suas verdadeiras faces, já que muitas das histórias tem fundo na </span><a href="https://personaunesp.com.br/lucifer-5a-temp-parte-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">perversidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> das motivações. Desejos por doenças, mortes, acidentes e outras tragédias são figuras recorrentes nos enredos, à forma com a qual esse contexto sincero também molda uma reflexão sobre as partes desconcertantes que todos tem, mas escondem a qualquer custo. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Talvez eu tenha me arrependido. O Pata de Cão não pertencia a minha família. Para que o sacrificar? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quisemos tirar o boneco de dentro da panela. Queimamos as mãos no vapor. Quando conseguimos tirá-lo, não sobravam nem pernas, nem pés, nem cabelo, nem rabo de centauro.” </span></p></blockquote>
<p><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> diz muito sem precisar ser claro. Entre eventos completamente </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><span style="font-weight: 400;">insólitos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pessoas absolutamente comuns, a vida é testemunhada sob tantas formas que isso sim parece genuinamente mágico. Silvina nos prende em seu locus literário e essa falta de liberdade nos dá asas para voar distantes de uma rotina mediana; talvez sejamos como as crianças que voaram antes da queda soturna. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos entregues a muito mais do que as 261 páginas são capazes de contar. O mundo aos olhos da autora é tão especial que foge de quaisquer comparações palpáveis. Do </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-estrategia-do-charme-critica/"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> à morte há um número infinito de possibilidades e ter a chave da porta de entrada para acessá-las sob os olhos da escritora é uma experiência inominável. Restam agradecimentos: ser convidada nunca foi tão esplêndido. </span></p>
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		<title>A festa e a fúria travesti no parque das irmãs magníficas</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2022 20:56:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori ‘‘Soy un amasamiento, sou um ato de juntar e unir que não apenas produz uma criatura tanto da luz como da escuridão, mas também uma criatura que questiona as definições de luz e de escuro e dá-lhes novos significados’’ &#8211; Gloria Anzaldúa Um bando de lobas. Uma rota de amazonas de saltos altos, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A festa e a fúria travesti no parque das irmãs magníficas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28364" aria-describedby="caption-attachment-28364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/template_clube_do_livro_wordpress_insta.jpg" alt="Arte quadrada com bordas verdes claras. No quadrado interior, há um recorte da capa do livro O Parque das Irmãs Magníficas que mostra duas pernas femininas vestindo calçados pink de pontas finas, meias brancas e saia laranja. Uma mão está arrumando diversas flores coloridas que estão dentro das meias de ambas as pernas. O chão é cinza, o fundo é preto e a saia laranja se mistura com pétalas que voam, saindo das flores. Dentro do quadrado interno, no lado direiro, foi adicionado o logo do Persona, um olho com a íris na mesma cor da borda da arte. No canto inferior esquerdo do quadrado interno foi adicionado o texto &quot;A festa e a fúria travesti no parque das irmãs magníficas” em letras brancas e fundo retangular de cor preta. Logo abaixo foi adicionado o texto &quot;POR ENZO CARAMORI&quot;, em letras brancas e fundo retangular de cor verde clara. No canto superior esquerdo está um quadrado preto em que está escrito &quot;clube do livro persona&quot; com letras vazadas, dando continuidade a imagem do fundo." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/template_clube_do_livro_wordpress_insta.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/template_clube_do_livro_wordpress_insta-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/template_clube_do_livro_wordpress_insta-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28364" class="wp-caption-text">A leitura escolhida para o mês de Junho no Clube do Livro do Persona, em celebração do Mês do Orgulho, é um relato brutal das redefinições de maternidade, amor, violência e vida pelas lentes da identidade travesti (Foto: Editorial Planeta/Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400;">‘‘Soy un amasamiento, sou um ato de juntar e unir que não apenas produz uma criatura tanto da luz como da escuridão, mas também uma criatura que questiona as definições de luz e de escuro e dá-lhes novos significados’’</span><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Gloria Anzaldúa</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Um bando de lobas. Uma rota de amazonas de saltos altos, que sobem e descem um afunilado inferno </span><a href="https://www.google.com/search?q=dante%20parque%20sarmiento&amp;rlz=1C1FCXM_pt-PTBR996BR996&amp;oq=dante+parque+sarmiento&amp;aqs=chrome.0.69i59.634j0j7&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8&amp;tbs=lf:1,lf_ui:1&amp;tbm=lcl&amp;rflfq=1&amp;num=10&amp;rldimm=9979109515761142301&amp;lqi=ChZkYW50ZSBwYXJxdWUgc2FybWllbnRvSNSCzISPq4CACFogEAAYABgBGAIiFmRhbnRlIHBhcnF1ZSBzYXJtaWVudG-SAQhtb251bWVudKoBDRABKgkiBWRhbnRlKAw&amp;phdesc=IG5B96qnc-A&amp;ved=2ahUKEwjqscjd47f5AhW0jZUCHWfYCCYQvS56BAgFEAE&amp;sa=X&amp;rlst=f#rlfi=hd:;si:9979109515761142301,l,ChZkYW50ZSBwYXJxdWUgc2FybWllbnRvSNSCzISPq4CACFogEAAYABgBGAIiFmRhbnRlIHBhcnF1ZSBzYXJtaWVudG-SAQhtb251bWVudKoBDRABKgkiBWRhbnRlKAw,y,IG5B96qnc-A;mv:[[-31.428180499999996,-64.170819],[-31.4319884,-64.18584]];tbs:lrf:!1m4!1u3!2m2!3m1!1e1!1m4!1u2!2m2!2m1!1e1!2m1!1e2!2m1!1e3!3sIAE,lf:1,lf_ui:1"><span style="font-weight: 400;">dantesco</span></a><span style="font-weight: 400;">, envolvidas por árvores ao mesmo tempo ferozes e acolhedoras a essas travessias noturnas nos labirintos do Parque Sarmiento. As entidades do mundo </span><a href="https://www.uol/estilo/especiais/amara-moira.htm#frases-3:~:text=Gosto%20de%20usar%20%27travesti%27%20porque%20%C3%A9%20a%20palavra%20que%20menos%20se%20espera.%20E%20eu%20espero%20que%20essa%20palavra%20ocupe%20mais%20espa%C3%A7os%20na%20sociedade"><span style="font-weight: 400;">travesti</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.planetadelivros.com.br/livro-o-parque-das-irmas-magnificas/336590"><i><span style="font-weight: 400;">O parque das irmãs magníficas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021)</span> <span style="font-weight: 400;">são putas, fadas, mães, demônias, santas e pássaras, numa Córdoba que não está nos mapas nem nos guias turísticos. Tanto nelas quanto no texto coexistem todas as contradições temidas por aqueles que separam o mundo em binarismos: fantasia e realismo; autobiografia e ficção; homem e mulher.</span></p>
<p><span id="more-28357"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa ficção, ressonante da própria vida da autora – a escritora e atriz </span><a href="https://www.planetadelivros.com.br/autor/camila-sosa-villada/000050870"><span style="font-weight: 400;">Camila Sosa Villada</span></a><span style="font-weight: 400;"> – se desafiam todas as convenções em que o gênero, social e literário, se funda. Ao referenciar a época em que ela mesma era uma trabalhadora do sexo, enquanto fazia faculdade de Comunicação Social em Córdoba, Sosa Villada busca resgatar os laços que foram deixados para trás ao consolidar-se enquanto uma artista das telas e dos </span><a href="https://lmdiario.com.ar/contenido/3947/putx-madre-la-nueva-obra-de-camila-sosa-villada"><span style="font-weight: 400;">palcos</span></a><span style="font-weight: 400;"> argentinos.</span></p>
<figure id="attachment_28358" aria-describedby="caption-attachment-28358" style="width: 1799px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28358 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila01.jpg" alt="foto em preto e branco da escritora Camila Sosa Villada. Ela sorri, usa pulseiras coloridas, traja um vestido curto e brilhante, com uma gola que vai até seu pescoço. Seus cabelos são curtos, até os ombros, e tem as unhas pintadas de uma cor clara, além de usar brincos também claros. Fundo preto." width="1799" height="2400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila01.jpg 1799w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila01-600x800.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila01-768x1025.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila01-1151x1536.jpg 1151w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila01-1535x2048.jpg 1535w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila01-1200x1601.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28358" class="wp-caption-text">Em seu recorte da realidade da prostituição travesti, a escritora argentina consegue achar ternura em meio aos ciclos de violência em que essa comunidade está imersa (Foto: Folha de São Paulo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu fluxo de memórias, em que a realidade e a fantasia se </span><a href="https://claudia.abril.com.br/cultura/camila-sosa-villada-livro/"><span style="font-weight: 400;">misturam</span></a><span style="font-weight: 400;"> no registro da </span><a href="https://taketonews.com/camila-sosa-villada-queer-theory-seems-like-a-mess-to-me/#:~:text=No%2C%20actually%20it,like%20Star%20Wars."><span style="font-weight: 400;">natureza</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais íntima da travestilidade, se difundem novas éticas de comunidade a essas mulheres. Para elas, viver é habitar esses espaços comuns de cuidado, como na rosa morada de Tia Encarna, a matrona dessa família de laços não sanguíneos, que carrega em seu corpo mais de um centenário de dores, resistências e alegrias. Para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kCdqDLoDmE4"><span style="font-weight: 400;">sobreviverem</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><a href="http://anccom.sociales.uba.ar/2019/05/16/cada-96-horas-asesinan-a-una-persona-trans/"><span style="font-weight: 400;">massacre</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas existências, as garotas do Parque Sarmiento se defendem com ferocidade, mas, além disso, dispõem dos </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/nao-e-um-romance-realista-afirma-camila-sosa-villada-autora-do-premiado-parque-das-irmas-magnificas/#:~:text=Voc%C3%AA%20traz%20as%20travestis%20de%20C%C3%B3rdoba%20como%20super%2Dhero%C3%ADnas%2C%20com%20rostos%20cobertos%20por%20m%C3%A1scaras%20%E2%80%93%20as%20suas%20maquiagens.%20Qual%20o%20custo%20desses%20poderes%3F%0AVeja%20bem%2C%20quase%20todas%20terminam%20mortas."><span style="font-weight: 400;">poderes</span></a><span style="font-weight: 400;"> da magia contida no </span><i><span style="font-weight: 400;">devir</span></i><span style="font-weight: 400;"> travesti.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400;">&#8220;Sou uma prostituta que anda pelas ruas de noite, enquanto as mulheres de minha idade dormem nas suas camas. Caminho pela rua, incluída nos planos da violência, mas também nos planos do desejo.&#8221;</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Contando com </span><i><span style="font-weight: 400;">lobiscates</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma personagem que vira um pássaro, homens sem cabeça voltados da guerra e uma casa com vida própria, poderia facilmente se pensar que </span><i><span style="font-weight: 400;">O parque das irmãs magníficas </span></i><span style="font-weight: 400;">é mais um exemplo literário do </span><a href="https://porcoespinho.com.br/livros/as-convidadas-um-pouco-mais-de-silvina-ocampo-nao-faz-mal-a-ninguem/"><span style="font-weight: 400;">realismo fantástico latino-americano</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, o romance de Sosa Villada é um registro emblemático que nega ser encaixado nos </span><a href="https://praticamenteteorico.wordpress.com/2014/12/20/ursula-k-le-guin-e-os-realistas-de-uma-realidade-maior/"><span style="font-weight: 400;">nichos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da representação realista ou da literatura surreal.</span> <span style="font-weight: 400;">Sua potência em imaginar essas histórias, para além das </span><a href="https://antrabrasil.files.wordpress.com/2022/01/dossieantra2022-web.pdf"><span style="font-weight: 400;">estatísticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atravessam mulheres travestis, está na restituição de um deslumbramento a identidades tão atravessadas pelos discursos aniquiladores do Estado, que limitaram o direito de pensar o gênero com um misticismo perdido das </span><a href="https://www.newyorker.com/news/daily-comment/a-novel-and-the-fight-for-transgender-rights-in-argentina#:~:text=.%20%E2%80%9CI%20don%E2%80%99t%20use%20the%20term%20trans%20women%2C%20I%20don%E2%80%99t%20use%20surgical%20vocabulary%2C%20cold%20as%20a%20scalpel%2C%20because%20the%20terminology%20doesn%E2%80%99t%20reflect%20our%20experience%20as%20travestis%20in%20these%20regions%2C%20from%20indigenous%20times%20to%20this%20nonsense%20of%20a%20civilization%2C%E2%80%9D"><span style="font-weight: 400;">tradições locais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28360" aria-describedby="caption-attachment-28360" style="width: 667px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28360 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02-667x1024.png" alt="capa alternativa do livro O parque das irmãs magníficas, também ilustrada por Paula Cruz. Nela, uma mulher morena de longos cabelos negros e uma boca rosada tem os olhos e o busto coberto por esparsas flores vermelhas e rosadas, além de galhos verdes. Mãos alaranjadas seguram essas flores, perto de seu peito e acima de sua cabeça. O título está escrito no topo superior, centralizado, em letras pretas. Abaixo, também centralizado, em letras rosas, o nome da autora. O fundo é amarelo" width="667" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02-667x1024.png 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02-521x800.png 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02-768x1178.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02-1001x1536.png 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02-1335x2048.png 1335w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02-1200x1841.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila02.png 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28360" class="wp-caption-text">A narrativa sem fronteiras de Camila Sosa Villada é uma celebração da vida e do desejo travesti (Foto: Paula Cruz/TAG Curadoria)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro consegue unir sem esforços a brutalidade ao encanto em um texto caleidoscópico, enquadrando perfeitamente as experiências que, assim como </span><a href="https://www.plural.jor.br/colunas/ordem-caotica/camila-e-as-irmas-travestis/"><span style="font-weight: 400;">suas personagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas rondas da prostituição, toma os espaços de assalto – tanto da Literatura quanto das ruas escuras da noite de Córdoba. A maneira que esse bárbaro conto de fadas é tecido, com euforia e crueza, busca negar retratos eufemizados da feminilidade. </span><span style="font-weight: 400;">Ao narrar, com imensa poesia, sobre a glória da amamentação trans, sobre as marcas dos corpos construídos por implantes de óleo industrial e sobre a vivência de mulheres grávidas inseridas nos ciclos do trabalho sexual, a escritora faz uma </span><a href="https://www.revistatransas.com/2019/07/11/las_malas_sosa_villada/"><span style="font-weight: 400;">ação direta de combate</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Camila Sosa Villada é uma autodeclarada </span><a href="https://taketonews.com/camila-sosa-villada-queer-theory-seems-like-a-mess-to-me/#:~:text=NEWS%3A%20On%20many,am%20very%20rigorous!"><i><span style="font-weight: 400;">bárbara</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> perante os parâmetros formais da composição literária. No livro, a escrita é uma performance do terror que atravessa a própria biografia da atriz. Assim, em </span><i><span style="font-weight: 400;">O parque das irmãs magníficas, </span></i><span style="font-weight: 400;">a relação com o corpo é intrínseca, já que a composição literária existe, para a autora, como uma forma de tomar de volta a si tudo o que lhe foi arrancado pelas violências em que fora mergulhada desde a infância até a vida adulta. De certa forma, o enredo, ao abranger inúmeros ritos de amadurecimento e as transmutações pelas quais as personagens são acometidas, carrega as nuances do que seria um alucinado </span><a href="https://www.penguinrandomhouse.com/books/692472/bad-girls-by-camila-sosa-villada/"><span style="font-weight: 400;">romance de formação</span></a><span style="font-weight: 400;">, sustentado em saltos altos e cílios postiços.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para contar suas histórias, Camila Sosa Villada clama, ao mesmo tempo, por si mesma e por outras mulheres que também percebem a Arte enquanto uma relação </span><a href="https://latinta.com.ar/2016/09/la-cultura-va-un-paso-adelante/#:~:text=%E2%80%9CMe%20aproximo%20afectivamente%20porque%20as%C3%AD%20me%20aproximo%20a%20todo%2C%20funciono%20a%20un%20nivel%20emocional.%20%C2%A0Creo%20que%20el%20arte%20es%20una%20fe%C2%A0%2C%20lo%20mismo%20que%20debe%20sentir%20un%20musulm%C3%A1n%20cuando%20anda%20perdido%20en%20Nueva%20York%20y%20se%20encuentra%20con%20otro%20musulm%C3%A1n%2C%20y%20saben%20que%20son%20dos%20en%20un%20lugar%20hostil.%E2%80%9D"><span style="font-weight: 400;">preenchida de fé</span></a><span style="font-weight: 400;">. No seu primeiro livro, </span><a href="https://www.planetadelibros.com.ar/libro-la-novia-de-sandro/312999"><i><span style="font-weight: 400;">La novia de Sandro</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">um apanhado de poemas antes publicados em um </span><i><span style="font-weight: 400;">blog</span></i><span style="font-weight: 400;">, ecoa a delicadeza de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=03018"><span style="font-weight: 400;">Wisława Szymborksa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o erotismo de Marguerite Duras. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Parque, </span></i><span style="font-weight: 400;">é </span><a href="https://www.jornalopcao.com.br/opcao-cultural/carson-mccullers-e-a-arte-de-amar-os-excluidos-87444/"><span style="font-weight: 400;">Carson McCullers</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se remonta no registro do cotidiano de sujeitos marginalizados, pontuado por momentos breves de beleza. Já no seu mais recente livro de contos, </span><a href="https://www.planetadelibros.com.ar/libro-soy-una-tonta-por-quererte/336082"><i><span style="font-weight: 400;">Soy una tonta por quererte</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.distractify.com/p/was-billie-holiday-gay"><span style="font-weight: 400;">Billie Holiday</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a metáfora perfeita aos modelos de transgressão feminina seguidos por sua expressão, que também reflete o brilho da </span><a href="https://medium.com/revista-rosa-3/manifesto-falo-pela-minha-diferenca-dfb3f8d4f9a"><span style="font-weight: 400;">poesia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.blogletras.com/2015/02/pedro-lemebel.html"><span style="font-weight: 400;">Pedro Lemebel</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28361" aria-describedby="caption-attachment-28361" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28361 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila03.jpg" alt="foto da escritora e atriz Camila Sosa Villada, tirada em um espelho por uma câmera. Na foto, seu cabelo está preso e com enfeites de flores, além de estar com uma monocelha, em referência à artista Frida Kahlo. Usa um batom e traja um colar. Cobre seu seio com sua mão, trajada de pulseiras e anéis. Um dos seios está coberto por uma flor." width="960" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila03.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila03-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila03-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/camila03-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28361" class="wp-caption-text">O fascínio de Sosa Villada por essas figuras femininas, de Frida Kahlo a Billie Holliday, está além de um reconhecimento de biografias também perpassadas por violência e sofrimento: ‘‘Têm em comum talento, magia, encanto, glamour, rebeldia… muita rebeldia’’ (Foto: Camila Sosa Villada)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400;">&#8220;Com a cara tornada máscara, a mais bela de todas as máscaras, esses traços travestis mais reais que nossos próprios traços, concebidos para outro mundo, um mundo melhor, onde poder ser essa máscara.&#8221;</span></p>
</blockquote>
<p><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;A dor de uma era a dor de todas”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Na visão trans/travesti, que é a espinha dorsal de sua liricidade, não existe um </span><i><span style="font-weight: 400;">eu</span></i><span style="font-weight: 400;"> dissociado do </span><i><span style="font-weight: 400;">nós. </span></i><span style="font-weight: 400;">Assim como Duras, que aciona em seus textos uma </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/memorias-da-dor-marguerite-duras/"><span style="font-weight: 400;">memória-mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e visualiza o sentimento individual como algo costurado à experiência coletiva, a diluição da fronteira entre o público e o privado abre novas possibilidades de existência nas poucas páginas dessa narrativa. As mulheres de </span><i><span style="font-weight: 400;">Las malas – </span></i><span style="font-weight: 400;">título original de </span><i><span style="font-weight: 400;">O parque – </span></i><span style="font-weight: 400;">são descritas como um único organismo, cada uma como um conjunto de células de um estranho tipo de vida, no qual ecoam as vozes daquelas que não tiveram o direito de gritar.</span></p>
<p><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/vida-travesti-ganha-tons-de-fantasia-em-romance-de-camila-sosa-villada.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">O parque das irmãs magníficas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é realista, nem é fantasia. É maleável, em construção, um acelerador de partículas. É uma história que constitui uma nova forma de resistência que reivindica, no espaço da Literatura, vivências sempre catalogadas como não dignas de serem lidas e representadas, mas que </span><a href="https://www.ufrgs.br/arteversa/jota-mombaca-nao-vao-nos-matar-agora/"><span style="font-weight: 400;">sempre persistiram</span></a><span style="font-weight: 400;"> diante de todas as adversidades da violência social. </span><span style="font-weight: 400;">Se a escrita é uma lente usada para se ver o mundo, o livro de Camila Sosa Villada solta um imperativo: o mundo deve ser conhecido pelas lentes travestis.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Junho de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jul 2022 21:47:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Contar uma história significa levar as mentes no voo da imaginação e trazê-las de volta ao mundo da reflexão.&#8221; &#8211; Paulina Chiziane Em meio à euforia das celebrações do Orgulho, o simbólico mês de junho também deu abertura para importantes reflexões acerca da comunidade LGBTQIA+. O Clube do Livro do Persona sediou uma edição especial &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-junho-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Junho de 2022"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28187" aria-describedby="caption-attachment-28187" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28187 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/capa_wordpress_estante_do_persona.jpg" alt="Arte retangular de cor verde claro. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris verde. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “O Parque das Irmãs Magníficas”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘junho de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/capa_wordpress_estante_do_persona.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/capa_wordpress_estante_do_persona-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/capa_wordpress_estante_do_persona-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28187" class="wp-caption-text">Em junho, o Clube do Livro do Persona se reuniu para debater O Parque das Irmãs Magníficas, obra de Camila Sosa Villada que venceu a Feira Internacional do Livro de Guadalajara (Foto: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de abertura: Vitória Silva)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">&#8220;Contar uma história significa levar as mentes no voo da imaginação e trazê-las de volta ao mundo da reflexão.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: right;">&#8211; Paulina Chiziane</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio à euforia das celebrações do Orgulho, o simbólico mês de junho também deu abertura para importantes reflexões acerca da comunidade LGBTQIA+. O Clube do Livro do Persona sediou uma edição especial aberta aos nossos colaboradores para observar a produção literária da população trans latino-americana. Saindo da Literatura nacional, partimos em uma viagem para conhecer </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Parque das Irmãs Magníficas</i></span><span style="font-weight: 400;">, de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/resenhas/literatura/um-ano-travesti-equivale-a-sete-anos-humanos">Camila Sosa Villada.</a></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já conhecida nos palcos, telinhas e telões ao redor do país, o primeiro passo da autora em sua caminhada na Literatura ocorreu em 2015, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>La Novia de Sandro</i></span><span style="font-weight: 400;">. Na coletânea de poemas, Camila se propõe a investigar </span><span style="font-weight: 400;"><i>“os mistérios do amor travesti”</i></span><span style="font-weight: 400;">, temática que se tornaria um dos braços condutores de toda a sua obra. Em 2019, foi a vez de revelar a então leitura do nosso Clube do Livro, um relato semi-biográfico, em que a autora narra seus anos de prostituição no Parque Sarmiento, em Córdoba. Traduzido para mais de 10 idiomas, o livro foi vencedor de prêmios internacionais, como o </span><span style="font-weight: 400;"><i>Finestres de Narrativa </i></span><span style="font-weight: 400;">(Espanha, 2020) e o </span><span style="font-weight: 400;"><i>Grand Prix de l&#8217;Héroïne Madame Figaro</i></span><span style="font-weight: 400;"> (França, 2021). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construindo uma fortaleza ao lado de um grupo de amigas, fator representativo de uma comunidade que aprendeu a ancorar-se em si mesma, Camila Sosa Villada apresenta um relato cruel do que é ser travesti, em um país que ainda não se equipara à </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/01/23/ha-13-anos-no-topo-da-lista-brasil-continua-sendo-o-pais-que-mais-mata-pessoas-trans-no-mundo">carnificina diária</a></span><span style="font-weight: 400;"> que é essa realidade no Brasil. E se apoia em doses necessárias de realismo fantástico, que, ao invés de amenizar, aprofundam ainda mais as feridas ali expostas. Se for possível resumir bem, a sinopse da narrativa assim o faz: </span><span style="font-weight: 400;"><i>“O romance O Parque da Irmãs Magníficas é isso tudo: um rito de iniciação, um conto de fadas ou uma história de terror, o retrato de uma identidade de grupo, um manifesto explosivo, uma visita guiada à imaginação da autora”</i></span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda entre os feitos literários do nosso especial do Mês do Orgulho LGBTQIA+, o Persona Entrevista </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/">abriu as portas para Tobias Carvalho</a></span><span style="font-weight: 400;">, autor de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Visão Noturna</i></span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;"><i>As Coisas</i></span><span style="font-weight: 400;">, obra que se aprofunda sobre as relações homoafetivas e vencedora do Prêmio Sesc de Literatura, em 2018. Também foi tempo de condecorar um dos protagonistas da expansão da Literatura no projeto, no dia 7 de junho, o autor Mia Couto </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jornal.unesp.br/2022/06/07/mais-do-que-uma-instituicao-de-ensino-a-universidade-e-um-centro-de-producao-de-cidadania-diz-mia-couto-ao-se-tornar-doutor-honoris-causa-pela-unesp/#:~:text=O%20bi%C3%B3logo%2C%20professor%2C%20jornalista%20e,do%20Conselho%20Universit%C3%A1rio%20da%20universidade.">recebeu o título de </a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jornal.unesp.br/2022/06/07/mais-do-que-uma-instituicao-de-ensino-a-universidade-e-um-centro-de-producao-de-cidadania-diz-mia-couto-ao-se-tornar-doutor-honoris-causa-pela-unesp/#:~:text=O%20bi%C3%B3logo%2C%20professor%2C%20jornalista%20e,do%20Conselho%20Universit%C3%A1rio%20da%20universidade."><i>Doutor Honoris Causa</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Essa constitui a mais elevada honraria concedida pela Unesp, que tem o objetivo de prestigiar o trabalho de personalidades nacionais e internacionais, que se destacaram por suas contribuições para a arte, a cultura, a sociedade e a promoção dos direitos humanos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O clima festivo para o meio literário tende a se prolongar no mês de Julho, que teve seu início marcado pelo retorno da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/diversidade-na-literatura-ganha-espaco-na-bienal-em-meio-a-alta-do-faturamento-do-mercado-literario/">Bienal Internacional do Livro de São Paulo</a></span><span style="font-weight: 400;">. Mas, para fechar o importante ciclo que passou, fique com as indicações de autores LGBTQIA+ dos integrantes da Editoria em mais um </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-28154"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_28155" aria-describedby="caption-attachment-28155" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28155" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1-1200x1800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1.jpg 1707w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28155" class="wp-caption-text">Recém-chegado no Brasil pela sua publicação em julho 2021, O Parque das Irmãs Magníficas tem a tradução de Joca Reiners Terron (Foto: Tusquets Editores)</figcaption></figure>
<p><b>Camila Sosa Villada &#8211; O Parque das Irmãs Magníficas (208 páginas, Tusquets Editores)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O abismo que existe entre a beleza e a violência é um lugar onde a Arte adora se jogar, mas há expressões que buscam ser ainda mais radical do que isso &#8211; e esse é o caso de Camila Sosa Villada, que encontra ali naquela interseção </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/nao-e-um-romance-realista-afirma-camila-sosa-villada-autora-do-premiado-parque-das-irmas-magnificas/">o local perfeito</a></span><span style="font-weight: 400;"> para estabelecer </span><span style="font-weight: 400;"><i>O</i></span> <span style="font-weight: 400;"><i>Parque das Irmãs Magníficas</i></span><span style="font-weight: 400;">. No caso da escritora argentina, esse lugar pode ser metaforicamente entendido como o Parque Sarmiento, que ao mesmo tempo em que acolhe a sua família travesti de Córdoba (fã de novelas e Gal Gosta e colorida pelo melhor rosa de mundo enquanto vive sete anos em um), é também o local que materializa toda gravidade do que significa estar no extremo da margem da sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lá, ela floresce a brutalidade honesta de sua história num </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://claudia.abril.com.br/cultura/camila-sosa-villada-livro/">realismo fantástico</a></span><span style="font-weight: 400;"> que consegue ser muito mais verdadeiro do que o ideal de verossimilhança perseguido por muitas ficções. </span><span style="font-weight: 400;"><i>Las Malas</i></span><span style="font-weight: 400;">, no original lançado em 2019, toma forma a partir dos registros que Camila manteve em um blog a partir do momento em que chegou na cidade para cursar a faculdade e conheceu as travestis do parque, o livro passeia por reflexões de identidade, pertencimento, amor e família sem se esquivar dos muitos momentos em que a dor, desamparo e solidão vindos do preconceito e da pobreza cruzam o caminho de suas personagens. Assim, ela define seu </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://culturadoria.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas/">lar travesti</a></span><span style="font-weight: 400;">: “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Nessa casa, até a morte pode ser bela.</i></span><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: O Parque das Irmãs Magníficas - Clube do Livro Junho de 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/21Yoajz6KyfB8VC70Ca17g?si=c7ff5960c5a24684&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_28158" aria-describedby="caption-attachment-28158" style="width: 678px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28158" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa-678x1024.jpg" alt="Imagem da capa do livro Cartas para Luísa. Na foto, um fundo roxo abriga os desenhos de Rafaela e Luísa. A primeira tem pele branca, cabelos pretos na altura dos ombros e usa uma blusa preta, a ilustração está posicionada horizontalmente na porção superior. Já Luísa tem a pele negra e cabelos raspados, ela está posicionada horizontalmente na porção inferior. No centro aparece o título com a palavra Luísa em destaque, enquanto o nome da autora sobrepõe a imagem de Rafaela." width="678" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa-678x1024.jpg 678w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa-530x800.jpg 530w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa-768x1159.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa-1018x1536.jpg 1018w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa-1357x2048.jpg 1357w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa-1200x1811.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa.jpg 1643w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28158" class="wp-caption-text">“Por favor, me perdoe por ter te amado tão errado. Era tudo o que eu tinha para oferecer” (Foto: Se Liga Editorial)</figcaption></figure>
<p><b>Maria Freitas &#8211; Cartas para Luísa (186 páginas, Se Liga Editorial)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://lesbout.com.br/resenha-cartas-para-luisa-uma-narrativa-dramatica-do-amor-entre-duas-garotas/#:~:text=%E2%80%9CCartas%20para%20Lu%C3%ADsa%E2%80%9D%20%C3%A9%20sobre,curto%2C%20por%C3%A9m%20carregado%20de%20intensidade.">Cartas para Luísa</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> é uma obra epistolar que nos convida a conhecer Rafaela por meio das palavras grafadas em suas cartas. A personagem dedica suas mensagens à mulher que amava quando era adolescente e – entre lembranças e assinaturas – sentimentos que nunca disseram adeus transbordam em páginas datadas. A cada carta, uma peça da narrativa protagonizada por elas dez anos antes vem à tona acompanhada das frustrações, dores e arrependimentos da remetente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro tem autoria de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.mariafreitas.com.br/">Maria Freitas</a></span><span style="font-weight: 400;"> e ganhou o prêmio </span><span style="font-weight: 400;"><i>Mix </i></span><span style="font-weight: 400;">Literário do ano de 2020, além de fazer parte da série </span><span style="font-weight: 400;"><i>Amor Entre Garotas</i></span><span style="font-weight: 400;"> junto dos títulos </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Grande Chance de Ana Luna</i></span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;"><i>Amélia Sem Filtro</i></span><span style="font-weight: 400;">. O texto aborda de maneira sincera a vivência da bissexualidade, o entendimento das injustiças criadas pelo racismo, as relações familiares e a pauta da saúde mental. </span><span style="font-weight: 400;"><i>Cartas para Luísa</i></span><span style="font-weight: 400;"> despeja emoções com todo o melodrama que as controvérsias do amor merecem, mostrando como os clichês podem ser tão </span><span style="font-weight: 400;"><em>emo</em></span><span style="font-weight: 400;"> quanto uma música da Fresno. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28159" aria-describedby="caption-attachment-28159" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28159" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1-650x1024.jpg" alt="Capa do livro Will e Will, mostra dois rostos fazendo biquinho. Um deles está no canto superior direito e o outro no inferior esquerdo. A capa é azul e tem vários desenhos de corações, na mesma cor. Em branco, lemos Will e Will: Um Nome, Um Destino, e em preto lemos o nome dos autores, John Green e David Levithan." width="650" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1-650x1024.jpg 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1-508x800.jpg 508w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1-768x1209.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1-976x1536.jpg 976w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1-1301x2048.jpg 1301w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1-1200x1889.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1.jpg 1623w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28159" class="wp-caption-text">Primeiro livro com personagens gays a figurar na lista do New York Times, Will &amp; Will marcou uma geração que cresceu lendo os romances envolvendo adolescentes com câncer, cidades de papel e teoremas com nome de mulher (Foto: Galera)</figcaption></figure>
<p><b>John Green e David Levithan &#8211; Will e Will (352 páginas, Galera)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra&#8230; Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome e a dor do coração partido. Um Will é amigo de um garoto gay de sua escola. O outro precisa abrir o jogo com a própria mãe a respeito de sua orientação sexual. Até que Tiny, o melhor amigo gay do primeiro Will, acaba se tornando o possível amor do outro Will. Esquecendo momentaneamente os romances heterossexuais que povoam sua Literatura, John Green se junta a David Levithan para </span><span style="font-weight: 400;"><a href="http://mundosnaestante.blogspot.com/2013/08/resenhando-will-will-ou-seria-tiny.html">escrever a quatro mãos</a></span><span style="font-weight: 400;"> a trama de dois homônimos em ebulição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, por mais que </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.goodreads.com/book/show/6567017-will-grayson-will-grayson">Will e Will</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, que no Brasil ganhou o subtítulo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Um Nome, um destino</i></span><span style="font-weight: 400;">, junto da tradução de Raquel Zampil, passeie por temas comuns do mundo adolescente e esbarre em alguns clichês evitáveis, a inserção de um Grayson </span><span style="font-weight: 400;"><i>queer </i></span><span style="font-weight: 400;">dá o tom de frescor que uma obra escrita pelo criador de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/john-green-critica/">Hazel Grace</a></span><span style="font-weight: 400;"> e Augustus Waters precisa. Fato é que, depois da parceria, Green e Levithan seguiram por seus caminhos individuais, mas o encontro atmosférico de 2010 marcou o período. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28161" aria-describedby="caption-attachment-28161" style="width: 652px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28161" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/71C5NjFyENL-652x1024.jpg" alt="Capa do livro Oxe, baby. A capa é rosa. No canto superior esquerdo, vemos rabiscos circulares em preto, o desenho de uma taça de vinho e a palavra “garotas” escrita três vezes, com um risco por cima. No canto superior direito, vemos um grafismo que aparenta ser uma página rasgada. Ao centro, vemos uma foto no estilo Polaroid, com uma moldura branca e a foto de Elayne Baeta ao centro. Ela é uma mulher aparentando cerca de 25 anos, com cabelos curtos pretos e está deitada em uma cama, encarando a câmera. Ao redor da moldura, vemos fósforos apagados, com as cinzas espalhadas sob a foto. Abaixo da foto, ao centro, vemos a assinatura de Elayne Baeta. No canto inferior esquerdo, vemos outro grafismo que aparenta ser de uma página rasgado. Na parte inferior central, vemos o logo da Galera. No canto inferior direito, vemos um desenho de uma fogueira" width="652" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/71C5NjFyENL-652x1024.jpg 652w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/71C5NjFyENL-509x800.jpg 509w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/71C5NjFyENL-768x1207.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/71C5NjFyENL-978x1536.jpg 978w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/71C5NjFyENL.jpg 1143w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28161" class="wp-caption-text">“Nunca foi sobre copos de água/Sempre foi sobre déjà-vu” (Foto: Galera)</figcaption></figure>
<p><b>Elayne Baeta &#8211; Oxe, baby (213 páginas, Galera)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu segundo lançamento sob o selo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Galera</i></span><span style="font-weight: 400;">, da Editora </span><span style="font-weight: 400;"><i>Record</i></span><span style="font-weight: 400;">, a autora baiana Elayne Baeta leva suas histórias sobre vivências de mulheres lésbicas ainda além do que em sua obra de estreia, </span><span style="font-weight: 400;"><i>O amor não é óbvio</i></span><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oxe, baby</i></span><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro livro de poemas da escritora e, neste, a pessoa que expõe suas experiências é ela mesma: a coletânea de textos, imagens, escritos, fotografias, colagens e rabiscos formam o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/CUaL_d5slYR/?utm_source=ig_web_copy_link">diário</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Elayne. E há melhor jeito de entender as </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/representatividade-importa-literatura-jovem-faz-sucesso-ao-escalar-personagens-lgbtqiap-25082405">vivências</a></span><span style="font-weight: 400;"> de alguém do que (literalmente) lendo o documento mais pessoal e íntimo dela?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, descrita como “</span><span style="font-weight: 400;"><i>um caderno roubado de poesias de uma garota que ama garotas</i></span><span style="font-weight: 400;">”, retrata a perspectiva da própria autora através de poemas e outras expressões artísticas. </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oxe, baby</i></span><span style="font-weight: 400;"> aborda temas como aceitação da sexualidade e homofobia, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://twitter.com/elaynebaeta/status/1428473477527478272?s=20&amp;t=nFdm6RrtoXkqI6o9-p_oVQ">orgulho</a></span><span style="font-weight: 400;">, amores correspondidos e não correspondidos, paixões, sexo e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://queer.ig.com.br/2021-12-04/elayne-baeta-livros.html">solidão</a></span><span style="font-weight: 400;">, construindo um quadro completo do que é ser uma mulher lésbica &#8211; pelo menos para Elayne Baeta. As vivências expostas ao longo das 213 páginas, porém, são inconfundíveis e ressoam profundamente nas leitoras que se identificam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário de </span><span style="font-weight: 400;"><i>O amor não é óbvio</i></span><span style="font-weight: 400;">, no qual a escritora se debruça sobre os mesmos assuntos sutilmente durante uma </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.terra.com.br/nos/escrevi-o-romance-lesbico-que-queria-ter-lido-diz-elayne-baeta,49a7e9d727bb41a2a2f9b7cbe8e559495wy022sc.html">narrativa ficcionalizada</a></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oxe, baby </i></span><span style="font-weight: 400;">os traz com a dureza, a honestidade e também a beleza de quem os presenciou e sabe do que fala. Na obra, a personagem principal não é inventada ou adaptada, não tem um arco de desenvolvimento planejado e nem ações premeditadas por um autor segurando uma caneta. Aqui, a protagonista é a própria Elayne Baeta, mulher lésbica contando sua </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/CWeUuK8Puv7/?utm_source=ig_web_copy_link">história</a></span><span style="font-weight: 400;">. Através de analogias e metáforas, que tornam situações específicas em vivências quase universais de outras garotas sáficas, as leitoras viram, também, as protagonistas junto da autora. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_28162" aria-describedby="caption-attachment-28162" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28162" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1-683x1024.jpg" alt="capa do livro Um apartamento em Urano: Crônicas da travessia. A capa possui um círculo, cor verde água claro, que ocupa o centro, enquanto as bordas são de um verde grama mais escuro. No canto superior direito consta o título em letras pretas, o subtítulo em letras brancas. O nome do autor, Paul B. Preciado, está escrito em letras pretas. No canto inferior esquerdo, consta o logo do selo Zahar" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28162" class="wp-caption-text">‘‘A voz que treme em mim é a voz da fronteira’’ (Foto: Zahar/Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Paul B. Preciado &#8211; Um apartamento em Urano: Crônicas da travessia (320 páginas, Zahar)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome de Paul B. Preciado não é novo para quem já mergulhou nas profundas águas da teoria queer, tão contaminadas pelo pensamento </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/27/cultura/1453910313_124066.html#:~:text=Sempre%20em%20busca,de%20reconhecimento%20pol%C3%ADtico%E2%80%9D.">pós-estruturalista</a></span><span style="font-weight: 400;"> e bebida pelas políticas </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.jornalopcao.com.br/opcao-cultural/quem-tem-medo-de-virginie-despentes-autora-do-livro-teoria-king-kong-388021/">pós-pornô</a></span><span style="font-weight: 400;">. Sua</span><span style="font-weight: 400;"> </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/sobre-a-filosofia-paul-b-preciado/">filosofia</a></span><span style="font-weight: 400;">, em que as experimentações misturam-se tanto ao </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.n-1edicoes.org/testo-junkie">seu próprio corpo</a></span><span style="font-weight: 400;"> quanto o do texto, são um convite às maneiras que identidades dissidentes podem ser manejadas no sistema cisgênero e heterossexual. No entanto, a novidade das crônicas de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788537818831/um-apartamento-em-urano">Um apartamento em Urano</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, é a pulsão do autor em criar novas utopias para serem sonhadas por pessoas LGBTQIA+. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seus textos, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://territoriosdefilosofia.wordpress.com/2015/10/14/da-filosofia-como-modo-superior-de-dar-o-cu-ou-deleuze-e-a-homossexualidade-molecular-paul-beatriz-preciado/">Gilles Deleuze</a></span><span style="font-weight: 400;">, Jean Genet, Virginia Woolf e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/artigo-ursula-le-guin-nos-deixou-tarefa-de-sonhar-22326163">Ursula K. Le Guin</a></span><span style="font-weight: 400;"> se encontram no que é um marco inaugural de uma nova maneira de se pensar a gênero e sexualidade. Ao se situar em um estado migrante, uma representação da transição social e hormonal de sua transsexualidade, Preciado envolve o leitor em sua viagem de gênero que tem como destino final Urano, um espaço proposto a ser ocupado por aqueles que rompem com a norma e que, consequentemente, negam os territórios da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2021/01/regime-heteronormativo-e-patriarcal-vai-colapsar-com-revolucao-em-curso-diz-paul-preciado.shtml">cisheteronormatividade</a></span><span style="font-weight: 400;"><i>.</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com temáticas que vão desde </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://theintercept.com/2019/04/12/acusacoes-contra-julian-assange/">Julian Assange</a></span><span style="font-weight: 400;"> e as políticas estatais de informação até reflexões acerca da importância de dildos no sexo </span><span style="font-weight: 400;"><i>queer</i></span><span style="font-weight: 400;">, o autor desmobiliza as estruturas da política e da cultura com sua disruptividade. Nas crônicas, Preciado submete Marx a uma oficina eco-socialista, olha criticamente para </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/03/opinion/1391428140_828590.html">Lars Von Trier</a></span><span style="font-weight: 400;">, sempre com suas lentes feministas, mas, antes de tudo, se volta com amor para aqueles sistematicamente negados </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://revistageni.org/10/quem-defende-a-crianca-queer/">desse sentimento</a></span><span style="font-weight: 400;">. &#8211; </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_28163" aria-describedby="caption-attachment-28163" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28163" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1-1365x2048.jpg 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1-1200x1800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28163" class="wp-caption-text">“A história é esta; começa pelo fim” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Ali Smith &#8211; Hotel mundo (232 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma cidade não especificada, uma camareira cai de um elevador de carga. Ela morre na primeira página. Esta é a história, </span><span style="font-weight: 400;"><i>“começa pelo fim”</i></span><span style="font-weight: 400;">. Mas a bem da verdade, o fim, aqui, é puramente o começo. Desde o título de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535915808/hotel-mundo?idtag=8b590d5a-7d0b-42b9-ac24-6a7a936d017c&amp;gclid=Cj0KCQjwlK-WBhDjARIsAO2sErRo5T1ak37okKAtyAf7l6BTicqH7cwVl5jnOKLrQxjvqo2CFZKovKEaAv0dEALw_wcB">Hotel mundo</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2009), a escocesa </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02297">Ali Smith</a></span><span style="font-weight: 400;"> propõe um diálogo com o universo dos mortos: o Hotel Mundo, administrado pela rede internacional Hotel Global, é uma maravilhosa metáfora para a transitoriedade da vida, a qual se segmenta através de linhas tênues que nos unem à experiência dos mortos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa visão periférica do todo só pode ser atestada por aqueles que observam de longe, de fora, quase como uma visão completa da História. Porém, Smith tem consciência de que é sempre difícil enxergar de </span><span style="font-weight: 400;"><i>dentro</i></span><span style="font-weight: 400;"> dos acontecimentos; por essa razão, interliga a trama de cinco mulheres – incluindo Sara, a camareira morta que continua vagando pelo mundo como o espectro de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788582850145/hamlet">Hamlet</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> – à historicidade e à passagem da vida através do tempo (como um hotel que passamos uns dias e depois partimos). Primeiro livro da autora a ser finalista do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://thebookerprizes.com/the-booker-library/prize-years/2001">Booker Prize</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (em 2001), o livro chegou ao Brasil oito anos depois, sob tradução de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212637/ulysses-edicao-especial">Caetano W. Galindo</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, da mesma forma que a escritora constrói uma obra literariamente inventiva e filosoficamente instigante, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Hotel mundo </i></span><span style="font-weight: 400;">se consolida como uma meditação sobre os fios invisíveis que nos unem enquanto seres vivos, em uma trama meticulosamente interligada entre nós e nossos antepassados. A presença e a ausência daqueles que amamos moldam os momentos que constroem nosso mundo? Mais do que indagar, Ali Smith mostra que todos que passaram pela Terra – conhecidos, desconhecidos, vivos, mortos – estão intrinsecamente ligados a nossa própria História, pois habitavam o mesmo lugar que habitamos hoje, e em breve estaremos deixando: o Hotel Mundo. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_28165" aria-describedby="caption-attachment-28165" style="width: 608px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28165" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/61XET0NIkML-608x1024.jpg" alt="Capa do livro Noite na Taverna do autor Álvares de Azevedo. O fundo da capa é predominantemente preto. Ao centro, a ilustração em cores quentes de uma figura feminina. Na parte superior, o nome do autor Álvares de Azevedo e o nome do livro Noite na Taverna estão escritos em letras brancas. Na parte inferior, o logo da coleção Pocket da editora L&amp;PM está ilustrado em branco." width="608" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/61XET0NIkML-608x1024.jpg 608w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/61XET0NIkML-475x800.jpg 475w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/61XET0NIkML-768x1294.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/61XET0NIkML.jpg 824w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28165" class="wp-caption-text">O romantismo de Álvares de Azevedo se tornou tão dilacerante quanto o de sua maior inspiração, Lord Byron (Foto: L&amp;PM Editores)</figcaption></figure>
<p><b>Álvares de Azevedo &#8211; Noite na Taverna (96 páginas, L&amp;PM Editores)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gótico e pessimista, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="http://almanaque.folha.uol.com.br/carone10.htm">Álvares de Azevedo</a></span><span style="font-weight: 400;"> é a entidade por trás do pseudônimo Job Stern que assina uma das obras mais instigantes da Literatura Brasileira, a póstuma antologia de contos </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/noite-na-taverna-critica/">Noite na Taverna</a></i></span><span style="font-weight: 400;">. O representante maior do movimento ultrarromântico entrega a narração para Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Hermann e Johann, cinco sujeitos que se reúnem em uma taverna para relatar as suas fúnebres desilusões amorosas. Publicado em 1855, o livro aborda tópicos sensíveis, entre eles, o canibalismo e a necrofilia, como uma forma de desafiar a sociedade da época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de uma prosa carregada de sentimentalismo e angústia, Azevedo, um ser noturno, quase um vampiro, consegue fazer de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://universohq.com/noticias/noite-na-taverna-de-alvares-de-azevedo-ganha-adaptacao-em-quadrinhos/">Noite na Taverna</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> uma das grandes conquistas artísticas da geração apelidada de mal-do-século. Tuberculoso quando não havia cura, ele deixou a vida como deixou o tédio com apenas 20 anos, mas não partiu antes de deixar uma carta para o seu confidente: “Adeus, meu Luiz. A beleza do espiritualismo é o amor das almas”. O fascínio pela relação motivou o historiador Jandiro Adriano Koch a escrever </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/um-a%C3%A7orianos-de-literatura-para-um-crush-1.773545">O crush de Álvares de Azevedo</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, texto que procura desvendar a homossexualidade do autor. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_28166" aria-describedby="caption-attachment-28166" style="width: 400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Biografia-Caio-1.jpg" alt="Capa do livro Caio Fernando Abreu: inventário de um escritor irremediável. Fotografia retangular vertical. O escritor gaúcho Caio Fernando Abreu ocupa toda a capa. Ele aparece em tons de marrom, amarelo e laranja e somente o lado direito de seu rosto está iluminado. Caio é um homem de cabelos curtos, um pouco calvo, usa óculos redondos, olha para baixo, com semblante sério, e segura um cigarro com a mão direita. No canto inferior direito da capa, lemos Jeanne Callegari e Caio Fernando Abreu em letras brancas. Abaixo, lemos inventário de um escritor irremediável em letras pretas. No canto inferior esquerdo da capa, podemos identificar o logo da editora Seoman, formado por um círculo branco, com uma espécie de dragão no meio e, ao lado direito, o nome Seoman escrito em letras brancas. " width="400" height="602" /><figcaption id="caption-attachment-28166" class="wp-caption-text">Indo das memórias afetivas às telas do Persona, a biografia de Caio F. pode atrair alguns leitores até a obra do escritor gaúcho (Foto: Seoman)</figcaption></figure>
<p><b>Jeanne Callegari &#8211; Caio Fernando Abreu: inventário de um escritor irremediável (192 páginas, Seoman)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porque estou prestes a divulgar um relato pessoalíssimo, escrevo em primeira pessoa. Não como uma forma preguiçosa de facilitar a narrativa, mas como um recurso de aproximação entre aquilo que me resta do que já vivi e a tarefa confusa, mas curiosa de recomendar um livro que me marcou </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/BcvaL0AjLNJ/?hl=pt-br">há alguns anos</a></span><span style="font-weight: 400;">. Busco ser breve: </span><span style="font-weight: 400;"><i>Caio Fernando Abreu: inventário de um escritor irremediável</i></span><span style="font-weight: 400;"> foi uma obra essencial para minha paixão turbulenta pela Literatura brasileira. Por meio dessas quase 200 páginas, ultrapassei o fascínio inicial dos </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/BcOhoYTDtB5/?hl=pt-br"><i>Morangos Mofados</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/BcOhoYTDtB5/?hl=pt-br"> recém-degustados</a></span><span style="font-weight: 400;"> e fui atrás de outras possibilidades heterogêneas de Caio, além das Anas Cristinas Césares e Hildas Hilsts que me acompanham até hoje.      </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Biográfico, o texto de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/jeannecallegari/?hl=pt-br">Jeanne Callegari</a></span><span style="font-weight: 400;"> rapidamente me conquistou. Aos poucos, fiquei instigado. Enfeitiçado. Ávido por um repertório que ainda não possuía: essa busca incessante pelas vias mais amplas. No calor do momento, a intensidade de leitura foi tamanha que aquela experiência mais parecia uma espécie de ambição utópica &#8211; a tentativa ingênua de manter contato com alguém que já se foi. No fim, </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.estantevirtual.com.br/livros/jeanne-callegari/caio-fernando-abreu-inventario-de-um-escritor-irremediavel/909282351">Caio Fernando Abreu: inventário de um escritor irremediável</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> foi a confirmação de que Caio F. não seria companheiro momentâneo nesta travessia imprevisível que apelidamos de vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atualmente, pouco me lembro do que de fato li na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/BKGgDeEBBth/?hl=pt-br">biografia escrita por Callegari</a></span><span style="font-weight: 400;">. O tempo não apagou todos os nomes, relatos e dados, mas o que definitivamente me resta é a sensação nostálgica daquela primeira imersão sedutora. Um sentimento que não deve voltar em futuras revisitações, mas que se perpetua aqui, em um texto breve e, talvez, até elíptico demais. Trata-se de uma dica baseada principalmente na emoção. Da paixão por um escritor brasileiro fundamental à cultura deste país à importância de se conhecer a vida de artistas LGBTQIAP+: assim se construiu &#8211; ou, quem sabe, foi construída &#8211; esta indicação. </span><b>&#8211; Eduardo Rota Hilário</b></p>
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<figure id="attachment_28170" aria-describedby="caption-attachment-28170" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28170" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando-678x1024.jpg" alt="Capa do livro Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade, de bell hooks. A imagem é composta por uma foto em preto e branco que ocupa a metade inferior da capa, mostrando um grupo de manifestantes em protesto. A metade superior é uma faixa preta. Do lado esquerdo, o nome da autora está escrito em vermelho. Do lado direito, o nome do livro está escrito em branco. " width="700" height="1058" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando-678x1024.jpg 678w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando-529x800.jpg 529w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando-768x1161.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando-1016x1536.jpg 1016w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando-1355x2048.jpg 1355w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando-1200x1813.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando.jpg 1694w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28170" class="wp-caption-text">Lançado no Brasil em 2013, o ensaio de bell hooks sobre educação tem uma repercussão de influência tão grande quanto a sua autora (Foto: Martins Fontes)</figcaption></figure>
<p><b>bell hooks &#8211; Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade (288 páginas, Martins Fontes)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os muitos debates que constroem um Mês do Orgulho LBGTQIA+, um em especial é muito bem contemplado pela sabedoria de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.boitempoeditorial.com.br/autor/bell-hooks-1372">bell hooks</a></span><span style="font-weight: 400;"> em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade</i></span><span style="font-weight: 400;">. A partir de suas experiências como professora em um contexto entendido como o centro do mundo globalizado e contemporâneo, a pensadora questiona as concepções tradicionais de educação, retirando cirurgicamente os reducionismos que cercam uma das esferas mais importantes e poderosas da nossa sociedade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No ensaio, a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.pordentrodaafrica.com/cultura/ensinando-transgredir-educacao-como-pratica-de-liberdade-de-bell-hooks">educação</a></span><span style="font-weight: 400;"> é entendida como o vetor das transformações que tanto buscamos em um mundo regido por um sistema que aprisiona singularidades &#8211; daí a relação do tema com a liberdade e a coisa mais preciosa do mundo para bell hooks, a revolução. Assim, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ensinando a transgredir </i></span><span style="font-weight: 400;">vai muito além do nicho específico da pedagogia crítica, se revelando como o beabá de uma prática social humanista e se colocando num lugar de referência fundamental para tudo o que refletimos e reivindicamos durante esse mês: o direito fundamental à liberdade de existência. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_28167" aria-describedby="caption-attachment-28167" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28167" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Dorian-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro O Retrato de Dorian Gray exibe o nome da obra ao centro, com letras pretas finas. Entre “DE” e “DORIAN GRAY” vemos duas figuras: um homem branco que veste um sobretudo com os botões abotoados, usa uma cartola preta na cabeça e carrega um bastão na mão esquerda; na sua sombra, vemos uma criatura preta agachada, com dois círculos brancos nos olhos. No topo, lê-se “Oscar Wilde” com as mesmas letras finas do título e embaixo do nome da obra lê-se “Via Leitura”, em letras menores." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Dorian-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Dorian-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Dorian-1.jpg 700w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28167" class="wp-caption-text">Com tradução de Alexandre Barbosa de Souza, a edição da Via Leitura também conta com posfácio de James Joyce (Foto: Via Leitura)</figcaption></figure>
<p><b>Oscar Wilde &#8211; O Retrato de Dorian Gray (223 páginas, Via Leitura) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Causador de polêmica na sociedade inglesa ao ser lançado no final do século XIX, o único romance escrito por Oscar Wilde é uma verdadeira obra-prima que fascina pela beleza de sua prosa e por sua narrativa hipnótica, onde explora as consequências de uma vida hedonista desenfreada. A escrita de Wilde não é só bela como também é sensual, com um rico teor homoerótico que permeia toda a obra, destacando-se especialmente nas passagens onde Dorian interage com o pintor Basil Hallward. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao discutir sobre arte e a obsessão estética pela juventude eterna de seu protagonista, o livro ainda permanece extremamente atual, servindo como reflexo de um contexto midiático permeado por celebridades que parecem não envelhecer nunca graças às milhares de cirurgias que o dinheiro possibilita. Até que ponto a beleza deixa de encantar as multidões e passa a ser macabra, trágica? Leia </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Retrato de Dorian Gray </i></span><span style="font-weight: 400;">e descubra. </span><b>&#8211; Caio Machado</b></p>
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