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	<title>Arquivos Linus Sandgren &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Jogar a obra prima de Brontë na fogueira foi só o início, a ‘não adaptação’ de Emerald Fennell entrega quase nada além da estética</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Feb 2026 13:00:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém spoilers Mariana Bezerra O novo filme de Emerald Fennell, diretora de Saltburn (2023) e Bela Vingança (2020), provocou agitação nas redes sociais desde o primeiro anúncio. Inspirado no homônimo clássico da literatura inglesa de Emily Brontë, publicado em 1847, o nome na direção gerou estranheza, afinal, a diretora é conhecida pela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-o-morro-dos-ventos-uivantes/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Jogar a obra prima de Brontë na fogueira foi só o início, a ‘não adaptação’ de Emerald Fennell entrega quase nada além da estética"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_36914" aria-describedby="caption-attachment-36914" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-800x450.jpg" alt="Cena de “O Morro dos Ventos Uivantes” Heathcliff, um homem branco de roupa preta de época, encosta-se à parede segurando uma bengala e olha para o lado. Ao seu lado, Catherine, uma mulher branca e loira, atravessa a porta usando um vestido volumoso vermelho brilhante com mangas brancas bufantes. O ambiente é o interior de uma casa com portas brancas e paredes brancas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36914" class="wp-caption-text">Em “O Morro dos Ventos Uivantes”, Emerald Fennell se aproveita de parcerias anteriores, tanto em cena, como nos bastidores (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo filme de Emerald Fennell, diretora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Saltburn</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2023) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020), provocou agitação nas redes sociais desde o primeiro anúncio. Inspirado no homônimo clássico da literatura inglesa de Emily </span><span style="font-weight: 400;">Brontë</span><span style="font-weight: 400;">, publicado em 1847, o nome na direção gerou estranheza, afinal, a diretora é conhecida pela estética e erotismo extravagantes, que pouco conversam – ao menos à primeira vista – com o estilo gótico do livro. No entanto, foi o anúncio do elenco que aqueceu o debate: Jacob Elordi foi escalado para interpretar Heathcliff, um personagem descrito como não branco – cuja etnia é incerta – e a sua cor e origem são motivos de uma série de abusos, que o tornaram um homem cruel e violento.</span></p>
<p><span id="more-36917"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora e roteirista explicou que o longa não era de fato uma adaptação, mas a sua interpretação da história, o que poderia explicar as </span><a href="https://youtube.com/shorts/BoWcFhRMQAE?si=mhC_tLd7OXuJHDHL"><span style="font-weight: 400;">aspas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no título. No entanto, o recurso gramatical nesse caso não funciona como algo sofisticado e respeitoso à obra original, e sim como uma estratégia defensiva. Ela parece justificar o esvaziamento do filme diante das mudanças no enredo, que não servem para facilitar a sua adaptação, por exemplo, e sim reduzir discussões centrais de uma narrativa extremamente potente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira parte do longa, assim como a do livro, é voltada para a infância dos protagonistas Heathcliff (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-adolescencia/"><span style="font-weight: 400;">Owen Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;">) – que não possui sobrenome – e Catherine Earnshaw (Charlotte Mellington), que dividem a infância no Morro dos Ventos Uivantes. Apesar de ela ser a filha do dono da casa e ele, um empregado, ambos desenvolvem um forte laço de amizade e afeto fortalecido pelo sentimento de proteção nutrido diante das violências, sofridas por ambos, de formas distintas, e pelo clima hostil desse ambiente marcado por tons agressivos, abuso de álcool e problemas financeiros.</span></p>
<figure id="attachment_36916" aria-describedby="caption-attachment-36916" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36916" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-2-800x450.png" alt="Cena de “O Morro dos Ventos Uivantes”. A versão infantil de Catherine, uma jovem loira observa Heathcliff preocupada. O garoto está deitado de lado na cama, com a face avermelhada, chorando. Ambos vestem roupas simples de época, e o fundo da cena é pouco iluminado." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-2.png 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36916" class="wp-caption-text">Apesar da personalidade problemática da menina, as crianças compartilham entre si um refúgio emocional e afetivo (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em ambas as obras, a união entre os dois, durante a infância e a adolescência, não anula o caráter mimado e egoísta de Catherine, cujas versões adolescente e adulta são interpretadas por </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-tonya-5-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu jeito caprichoso coloca em evidência a posição de inferioridade do companheiro e o desejo dela de ascender socialmente e garantir um maior status social, que claramente não seria atingido com o homem que desejava. Nesse cenário, a cenografia (Suzie Davies) e os figurinos (Jacqueline Durran) são fiéis à época, a iluminação é baixa, não há nada de alarmante. Diante disso, no início do filme, Fennell imprimiu o seu DNA através do erotismo: alimentos e movimentos sugestivos entram em jogo, acompanhados de uma cena de masturbação e uma tensão sexual entre os protagonistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse primeiro momento, há sim uma discussão interessante sobre classe, algo que a roteirista havia feito anteriormente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Saltburn</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma outra parceria entre ela, Elordi e Robbie, a qual atua na produção. Além disso, o afeto entre os protagonistas gera empatia no espectador e, inclusive, o </span><a href="https://youtu.be/WD3vluuGIiA?si=KiRxDu0m8PUl8FfB"><span style="font-weight: 400;">tom sexual</span></a><span style="font-weight: 400;"> cai muito bem à narrativa original, carregada de tensões e provocações – em que nada erótico é citado explicitamente. No entanto, as mudanças adotadas para a primeira parte começam a cobrar o seu preço a partir do momento em que os novos personagens, Edgar (Shazad Latif) e Isabella (Alison Oliver), entram em cena. Ele, um homem sem origem nobre, que fez fortuna no ramo dos tecidos; ela, sua pupila, e possivelmente irmã, o que no filme não fica claro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Insatisfeita com a indiferença dos novos vizinhos, a jovem mulher interpretada por Robbie vai até a Granja dos Tordos, desafiando as normas impostas a uma dama, e encanta Edgar, que a pede em casamento. Nesse momento, há um contraste gritante entre o novo cenário, marcado por tecidos marcantes, cores intensas e elementos absurdos, quase psicodélicos, no estilo </span><a href="https://personaunesp.com.br/15-anos-de-alice-no-pais-das-maravilhas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">à exemplo de um morango gigante e uma casa de bonecas aos moldes da granja.</span></p>
<figure id="attachment_36913" aria-describedby="caption-attachment-36913" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36913" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-800x533.jpg" alt="Cena de “O Morro dos Ventos Uivantes”. À esquerda, Catherine, uma mulher de pele clara e cabelo loiro preso usa vestido branco volumoso com mangas bufantes e óculos de lentes vermelhas. À direita, um homem de pele mais escura, cabelo e bigode castanhos veste terno bege com detalhes dourados, colete e cartola. Eles seguram taças que contém um líquido azul. Ao fundo, a decoração é composta por fios de pérolas sobre parede azul. Na mesa à frente deles, há uma espécie de caranguejo servido em um recipiente de vidro." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3.jpg 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36913" class="wp-caption-text">A estética não fidedigna à época é o menor dos problemas do filme, se não a sua maior qualidade (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da inadequação à época, os figurinos (incluindo um de plástico) e a direção de arte, de Suzie Davies, são um deleite para os olhos. Além disso, a trilha sonora, também fora da caixa, assinada por Anthony Willis, e composta por músicas originais de </span><a href="https://youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_lT54f3kMlnn8x7ijp7HeWwatHtFkjIX60&amp;si=aSN55qpFbkw2YBtR"><span style="font-weight: 400;">Charli XCX</span></a><span style="font-weight: 400;"> figura uma escolha interessante, que orna bem com o contraste envolvente. Além disso, a cinematografia (Linus Sandgren) também é um destaque, que, em um primeiro momento capta os sentimentos intensos e o estado emocional dos personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Heathcliff retorna após um período de fuga e distanciamento diante da notícia do casamento, ele parece um novo homem: rico, debochado e perverso, um perfil que destoa muito do homem bruto, porém sensível visto no início, graças a performance precisa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/frankenstein-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elordi</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, novamente, a caracterização impecável. O roteiro (Emerald Fennell) não explora a dimensão da humilhação e do aniquilamento social sofrido por Heathcliff e reduz a sua crueldade à dinâmica de um relacionamento tóxico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O protagonista se casa com Isabella apenas para atormentar Catherine, e os abusos psicológicos e sexuais são fetichizados com um ar de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/02/13/opinion/1423857401_027273.html"><i><span style="font-weight: 400;">50 Tons de Cinza</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015). É ultrajante que Fennell tenha transformado Isabella em uma caricatura estereotipada de uma mulher irritante, enquanto, na visão de </span><span style="font-weight: 400;">Brontë</span><span style="font-weight: 400;">, no século XIX, ela, apesar de ingênua no início, é destemida a ponto de fugir para criar sozinha o filho do seu marido violento. Aqui, isso não é complexo; é cruel.</span></p>
<figure id="attachment_36915" aria-describedby="caption-attachment-36915" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-6-800x432.png" alt="Cena de “O Morro dos Ventos Uivantes”. Isabella, uma mulher de pele clara e cabelos escuros, usa um vestido claro com mangas bufantes e detalhes dourados. Ela está inclinada para frente, apoiada nas mãos e mantém a boca aberta, língua para fora e os olhos voltados para cima. Além disso, há um uma espécie de coleira de ferro em seu pescoço. A iluminação é baixa no fundo e aparecem apenas um barril e algumas garrafas de vidro empilhadas no chão." width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-6-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-6-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-6.png 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36915" class="wp-caption-text">A diretora afirma que a nova versão tem muito dos diálogos do clássico, mas nesse caso eles possuem pouco efeito diante da banalização generalizada da trama (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da improbabilidade da combinação entre a diretora e a escritora, era de se esperar que a </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/emerald-fennell"><span style="font-weight: 400;">cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;"> conseguisse trabalhar a ambiguidade dos seres humanos, uma vez que, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresentou uma personagem moralmente complicada. Infelizmente, Fennell almeja, de certa forma, inocentar o seu Heathcliff ao romantizar e justificar suas atitudes, além de não deixá-lo atingir o seu máximo potencial. Nessa supérflua toada romântica, é construído quase um arco de redenção, um apelo emocional, que cria uma armadilha barata para que os protagonistas sejam vistos mais como Romeu e Julieta, do que como os seres detestáveis que são – no filme e na obra original.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa apresenta a figura de uma vilã na personagem de Nelly (Hong Chao), a dama de companhia de Cathy, que é usada por Fennell como uma peça desse xadrez maluco, que parece estar sempre interrompendo a felicidade da ama, ou mesmo desejando o seu mal, enquanto no livro, ela é uma narradora enviesada, que envolve seus julgamentos pessoais e preconceitos em seus relatos. No entanto, </span><a href="https://time.com/7373005/wuthering-heights-adaptations-differences-from-book/"><i><span style="font-weight: 400;">O Morro dos Ventos Uivantes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nunca precisou de um vilão, pois a maldade e a discriminação sistemáticas para com uma crianca já é suficentemente cruel. Até porque, independente do desejo de Nelly, o casal não poderia ficar junto.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Emerald Fennell on directing &quot;Wuthering Heights&quot;, Promising Young Woman and *that* scene in Saltburn" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/_tqqhcoQdeQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora tem direito a liberdade criativa, evidentemente – e a ser julgada pelo trabalho que entregou. O problema é que foi entregue um material superficial. Ela insiste na construção de um grande romance sobre um terreno instável de uma história trágica. Não somente a do livro, mas também as partes dela presentes em seu roteiro. Fennell ignora as nuances da trama que escolheu contar e se perde na própria narrativa. Quanto a sua proposta revolucionária,</span> <span style="font-weight: 400;">as cenas de sexo, uma atrás da outra, na segunda parte do filme, não </span><a href="https://www.gq-magazine.co.uk/article/emerald-fennell-saltburn-interview-2023"><span style="font-weight: 400;">desafiam</span></a><span style="font-weight: 400;"> qualquer padrão e pouco acrescentam ao conflito central. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O erotismo serve muito bem em outras produções como o próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">Saltburn</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2023), mas aqui é usado como uma forma de preencher lacunas. É possível fazer algo inovador com uma proposta coerente, como prova </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-patricinhas-de-beverly-hills-25-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">As Patricinhas de Beverly Hills</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1995)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">inspirado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Emma</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1815), de Jane Austen. A cineasta explica que a obra de </span><span style="font-weight: 400;">Brontë</span><span style="font-weight: 400;"> não pode ser, de fato, adaptada. Não que seja fácil, mas para transmutar algo desse tipo para o cinema é preciso um mergulho profundo em seus labirintos morais. O que vemos aqui é a busca por atalhos fáceis, que pouco dizem respeito aos conflitos da existência humana.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="&quot;O Morro Dos Ventos Uivantes&quot; l Trailer Oficial Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lW38pAKlzhU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Lute por sua vida, Babilônia</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Mar 2023 22:28:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Babilônia é sinônimo de grandeza. Uma das sete Maravilhas do Mundo Antigo, seus jardins também são os mais indecifráveis da história. Na alçada da Sétima Arte, Babilônia remete a um livro com suas páginas alimentadas por fofocas escandalizantes do Cinema nas décadas de 20 e 30, quando os roteiros ainda não imaginam &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/babilonia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lute por sua vida, Babilônia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30087" aria-describedby="caption-attachment-30087" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30087" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-800x534.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30087" class="wp-caption-text">O filme tem como base a bíblia de fofocas dos primórdios da Sétima Arte: Hollywood Babylon (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Babilônia é sinônimo de grandeza. Uma das sete </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/voce-sabia-que-os-jardins-suspensos-da-babilonia-na-verdade-ficavam-na-assiria.phtml"><span style="font-weight: 400;">Maravilhas do Mundo Antigo</span></a><span style="font-weight: 400;">, seus jardins também são os mais indecifráveis da história. Na alçada da Sétima Arte, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> remete a um livro com suas páginas alimentadas por fofocas escandalizantes do Cinema nas décadas de 20 e 30, quando os roteiros ainda não imaginam ser preenchidos por diálogos. Bebendo da fonte dessa obra, o diretor e roteirista Damien Chazelle concebe seu mais novo trabalho, </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/616467/babylon-novo-filme-de-damien-chazelle-com-brad-pitt-e-margot-robbie-tem-primeiras-imagens-divulgadas/"><i><span style="font-weight: 400;">Babylon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ambientado em uma Hollywood em movimento de transição e abastecida a sexo e drogas. </span></p>
<p><span id="more-30085"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Literalmente iniciado com um grande elefante na sala, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia </span></i><span style="font-weight: 400;">prova que </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-la-land-o-sabor-agridoce-da-nostalgia/"><span style="font-weight: 400;">Chazelle </span></a><span style="font-weight: 400;">domina as técnicas e, principalmente, a história do audiovisual. Acima da riqueza de recursos utilizados durante as três horas de segmentação, o diretor arma uma palestra como quem filma a enciclopédia do Cinema, fazendo um preciso recorte no período de passagem do </span><a href="https://www.todoestudo.com.br/artes/cinema-mudo"><span style="font-weight: 400;">Cinema Mudo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o Cinema Sonoro mediante figuras ficcionais que se assemelham a nomes da realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano é 1926 e, no alto de um colina </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana</span></i><span style="font-weight: 400;">, em uma festa regada por entorpecentes e lotada de pessoas nuas, os personagens principais são apresentados. A selvageria do evento é apenas a porta de entrada para a apresentação das suas melhores peças. É em meio a peitos, cocaína e um bom </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> que o espectador se encanta pelo magnetismo de Nellie LaRoy, vivida por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/margot-robbie/"><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie</span></a><span style="font-weight: 400;">, pelo impacto do </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-elite-homoerotismo-artigo/"><span style="font-weight: 400;">galã Jack Conrad</span></a><span style="font-weight: 400;">, interpretado por Brad Pitt, e pela vontade de viver do protagonista Manny Torres, de Diego Calva. Para além deles, que roubam a cena, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda conta com Lady Fay Zhu (Li Jun Li), uma artista de cabaré, a colunista de fofocas Elinor St. John (</span><a href="https://personaunesp.com.br/hacks-2-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jean Smart</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Sidney Palmer (Jovan Adepo), um talentoso trompetista negro.</span></p>
<figure id="attachment_30088" aria-describedby="caption-attachment-30088" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30088" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-800x518.jpg" alt="" width="800" height="518" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-800x518.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-1024x662.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-768x497.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-1536x994.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-1200x776.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30088" class="wp-caption-text">Após Era uma Vez em&#8230; Hollywood, Brad Pitt e Margot Robbie se reencontram no afronte à cidade do Cinema (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho anárquico de Chazelle faz com que o filme caminhe por uma linha tênue entre o sucesso e o desastre. Toda a extravagância dos </span><a href="https://www.megacurioso.com.br/artes-cultura/121068-6-curiosidades-sobre-os-jardins-suspensos-da-babilonia.htm"><span style="font-weight: 400;">Jardins Suspensos da Babilônia</span></a><span style="font-weight: 400;"> se converte na grandiosidade da produção, que atua como a própria droga sendo conduzida na corrente sanguínea: oscila entre a euforia e a melancolia, sem que seu usuário perceba a menor noção do tempo. Esse bacanal construído com alto orçamento é respeitável por tamanha audácia em filmar épicos biográficos, usados como materiais de estudo para qualquer amante de Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impressionante resgate histórico ganha combustível através da freneticidade de seus protagonistas, que incham o roteiro ao caos. Caos esse com o propósito de refletir a ansiedade que consumia a </span><a href="https://segredosdomundo.r7.com/hollywood/"><span style="font-weight: 400;">cidade do </span><i><span style="font-weight: 400;">show business</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, transpassando toda a angústia em relação a sobrevivência do Cinema através da suntuosa exploração do sentimentalismo e da fala. Número assustador à primeira vista, as três horas de duração são atraentes quando envoltos em trama e arcos de personagens fortemente entrelaçados e classicamente estruturados, fugindo da simplicidade por meio da adrenalina.</span></p>
<figure id="attachment_30089" aria-describedby="caption-attachment-30089" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30089" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-800x328.jpg" alt="" width="800" height="328" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-800x328.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-1024x419.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-768x314.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-1536x629.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-1200x491.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30089" class="wp-caption-text">A personagem de Jean Smart é uma junção das personas de duas críticas de Cinema rivais da época (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dicotomia para designar as </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/a-historia-do-cinema/"><span style="font-weight: 400;">Eras cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha em contraste entre o espontâneo e vibrante, e o rígido e frustrante. A ancoragem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;">, que garante a excelência da produção, está nas cenas de Nellie LaRoy. A confiança da moça sobre seu estrelato faz com que sua performance ao lado de Ruth Adler (Olivia Hamilton, esposa de Damien Chazelle) dá o molde ideal à história exposta no longa. Ao mesmo tempo, o excesso de elementos faz com que Adler seja pouco aproveitada em grande parte do longa-metragem. O filme traz várias analogias com </span><a href="https://www.teoriacultural.com.br/post/cantando-na-chuva-um-magn%C3%ADfico-filme-musical-atemporal-e-art%C3%ADstico"><i><span style="font-weight: 400;">Cantando na Chuva</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garganta Profunda</span></i><span style="font-weight: 400;"> e outros grandes clássicos que fazem parte desse período de transição, possuem seus montadores, seus </span><i><span style="font-weight: 400;">sexsymbols</span></i><span style="font-weight: 400;"> e são admirados pelo diretor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abordagem temática é descomplicada, facilitando ao espectador a compreensão dos termos técnicos. Existe crítica ativa às engrenagens da indústria que cerca a liberdade criativa de seus profissionais e a maneira como, de uma hora para outra, os atores são jogados ao ostracismo. É por meio de cenas chocantes ao público, dentro de uma estrutura narrativa esbanjando excesso nas cenas de humor e drama, que </span><i><span style="font-weight: 400;">Babylon</span></i><span style="font-weight: 400;"> retrata que a indústria apenas sobrevive entre sucessos e fracassos.</span></p>
<figure id="attachment_30090" aria-describedby="caption-attachment-30090" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-800x554.jpg" alt="" width="800" height="554" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-800x554.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-1024x709.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-768x532.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-1536x1063.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-1200x831.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia.jpg 1560w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30090" class="wp-caption-text">Pouco aproveitado, Babylon traz em paralelo a historia do primeiro homem negro a ter sucesso em musicais (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A problemática maior da produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e muito provavelmente o que jogou o filme nas catacumbas do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, está</span> <span style="font-weight: 400;">em sua montagem tão confusa quanto a opinião de quem o assiste. Afinal, como um filme que se estende por horas a fio a retratar o umbral de Hollywood pode terminar em tamanha esperança? Erro do diretor? Muito provavelmente não. </span><i><span style="font-weight: 400;">Babylon</span></i><span style="font-weight: 400;"> é consciente de suas disparidades. As danças entre talento e sorte, identidade e assimilação, criação de mitos apócrifos e verdades menos conhecidas</span> <span style="font-weight: 400;">faz parte de todo o balaio de gato que o próprio tenta abraçar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além disso, Damien Chazelle é obcecado pela perfeição, como visto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iTgk3WbTErk&amp;ab_channel=SonyPicturesBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Whiplash</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com suas cinco indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2015, incluindo a de Melhor Filme, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zXvgkkNMi-4&amp;t=2s&amp;ab_channel=Telecine"><i><span style="font-weight: 400;">La La Land</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">que o tornou o mais novo diretor a ganhar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Direção. Seja encontrando um ritmo imaculado, voando no espaço ou fazendo sucesso em Hollywood, seus filmes apresentam personagens que estão dispostos a suportar tortura física e emocional para alcançar a linha de chegada, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foge à regra, sendo claramente uma produção realizada para a temporada de premiações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não ter alcançado o panteão de categorias, a excentricidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Babylon </span></i><span style="font-weight: 400;">garantiu a nomeação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino. E não é por menos, a trilha sonora sobrecarregada de Justin Hurwitz, o luxuoso </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção de Florencia Martin e a cinematografia interminável de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/"><span style="font-weight: 400;">Linus Sandgren</span></a><span style="font-weight: 400;"> contribuem para o teor exagerado da produção. Essas categorias técnicas também renderam duas estatuetas nesta temporada: Melhor Trilha Sonora Original, no Globo de Ouro, e Melhor Design de Produção, no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/critics-choice-awards/"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30086" aria-describedby="caption-attachment-30086" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30086" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-800x349.jpg" alt="" width="800" height="349" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-800x349.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-1024x446.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-768x335.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-1536x669.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-1200x523.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30086" class="wp-caption-text">Em uma sequência de cenas que poderiam ter sido descartadas no corte final, Daniel Radcliffe faz sua ponta em Babilônia (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É difícil definir o agridoce deixado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Babylon</span></i><span style="font-weight: 400;">. A doce carta de amor à Hollywood tem gosto amargo de um bilhete de suicidio e usa disso para ter a liberdade de ser imponente ao lado de suas peças deslumbrantes. A excelência está no calibre da trilha sonora, no conjunto de atores e no conhecimento inegável de Damien Chazelle. Mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa vazios que nenhuma manipulação é capaz de preencher. Feito para ser desdenhoso, o fim não foge da hipocrisia e apenas o futuro poderá dizer se essa obra é a montagem mais verdadeira do diretor ou o material mais falso da carreira de Chazelle.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Babilônia | Trailer Oficial | Paramount Pictures Brasil" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/binSx3SfsaM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Não Olhe para Cima, seu imbecil!</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Mar 2022 20:01:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes O que você faria se descobrisse um meteoro vindo em sua direção? Diminuindo a distância que o separa do planeta Terra a cada vez que você respira, ou na medida em que lê essas palavras? O diretor Adam McKay achou que seria apropriado rir das nossas caras de tacho. E assim, nasceu Não &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não Olhe para Cima, seu imbecil!"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26863" aria-describedby="caption-attachment-26863" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26863" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-1-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26863" class="wp-caption-text">Com estrelas e meteoros, Não Olhe para Cima chega ao Oscar 2022 nas listas de Melhor Filme, Roteiro Original, Trilha Sonora Original e Montagem (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathália Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que você faria se descobrisse um meteoro vindo em sua direção? Diminuindo a distância que o separa do planeta Terra a cada vez que você respira, ou na medida em que lê essas palavras? O diretor Adam McKay achou que seria apropriado rir das nossas caras de tacho. E assim, nasceu </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe para Cima </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Look Up</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> com seu elenco estrelado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WClJPHOsCMk&amp;t=8s"><span style="font-weight: 400;">vomitando o iminente fim</span></a><span style="font-weight: 400;"> da humanidade. O que você faria então, mediante tamanho desastre? Desviaria o olhar, vestiria seu uniforme de imbecil, e abriria o </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;"> para ser feliz novamente vendo vídeos de cachorros fofos, com certeza.</span></p>
<p><span id="more-26859"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é lá muito divertido assistir Dr. Mindy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/era-uma-vez-em-hollywood-critica/"><span style="font-weight: 400;">Leonardo DiCaprio</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Kate Dibiasky (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-esperanca-o-final-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Lawrence</span></a><span style="font-weight: 400;">) travando uma batalha para fazer o mundo acreditar na Ciência. Ao ter o negacionismo científico como o princípio de toda a narrativa, o longa está tão próximo da realidade que a piada se transforma em um bolo no estômago, fazendo cada parte do corpo formigar conforme se assiste. McKay, que venceu um prêmio por </span><i><span style="font-weight: 400;">A Grande Aposta</span></i><span style="font-weight: 400;"> e voltou a ser lembrado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Vice</span></i><span style="font-weight: 400;">, não precisou de sacadas geniais para incomodar, nem para receber suas </span><a href="https://www.instagram.com/p/CZuCD8blEyD/"><span style="font-weight: 400;">4 indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. Longe de ser uma crítica profunda revestida de adereços, o diretor alugou um </span><i><span style="font-weight: 400;">triplex</span></i><span style="font-weight: 400;"> na cabeça dos espectadores por derramar verdades às claras.</span></p>
<figure id="attachment_26864" aria-describedby="caption-attachment-26864" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26864" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-2-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-2-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26864" class="wp-caption-text">Nem uma crítica ao governo, nem às mídias: McKay mostra que a supremacia de idiotas permitiu que chegássemos até aqui (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos primeiros minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe para Cima</span></i><span style="font-weight: 400;"> o choque transborda nos personagens. Se trata, claramente, de uma catástrofe, e o espectador compartilha da sensação apocalíptica. Até que McKay coloca suas primeiras artimanhas na tela, e transforma o ligeiro terror em uma sátira de puro escárnio. Tirando sarro do que a sociedade se tornou, é evidente o menosprezo da narrativa pelos poderes e poderosos que governam. Seja mostrando órgãos estadunidenses &#8211; com emblemas ridículos &#8211; que não deveriam existir, ou com um </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2021/12/nao-olhe-para-cima-entenda-por-que-general-cobra-o-lanche-em-filme-da-netflix"><span style="font-weight: 400;">general do Pentágono</span></a><span style="font-weight: 400;"> que cobra pelos lanches gratuitos da Casa Branca, é prazeroso e angustiante rir de quem comanda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O paralelo com os últimos acontecimentos na humanidade também irrita. Estivemos tempo demais presos no </span><i><span style="font-weight: 400;">Metaverso</span></i><span style="font-weight: 400;">, fabricando notas de repúdio contra o negacionismo científico enquanto uma pandemia explodia do lado de fora das telas. Assistir a tentativa frustrante dos protagonistas em contar às pessoas que em torno de 6 meses o planeta seria extinto, é igual precisar de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57281158"><span style="font-weight: 400;">programas de vacinação que paguem</span></a><span style="font-weight: 400;"> a população para se imunizar em pleno século 21.  Mas, mesmo com as doses em dia por vontade própria, nós estamos junto dos personagens de </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe para Cima</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme que se tornou o mais assistido da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">e é um de seus </span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><span style="font-weight: 400;">dois representantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria principal,</span> <span style="font-weight: 400;">remando contra a maré de presidentas que querem “sentar e esperar”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personagem de Meryl Streep, reconhecida pelo Sindicato de Atores junto dos companheiros na disputa de Melhor Elenco, é uma junção grotesca da </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/cinema/noticia/2021/12/nao-olhe-para-cima-entenda-por-que-o-filme-tem-gerado-debates-e-memes-nas-redes-ckxqf2mj7004e0188z69dm3vj.html"><span style="font-weight: 400;">grande maioria de líderes</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ascenderam nos últimos anos ao redor do mundo. Entre Jair Bolsonaro e Donald Trump, a presidenta Orlean é um óbvio retrato de como a sociedade tem aplaudido o ridículo, e idolatrado políticos que sequer dão o trabalho de esconder seus conluios. Muito pelo contrário, ao lado do filho Jason (Jonah Hill) &#8211; que tranquilamente se parece com </span><a href="https://www.dci.com.br/politica/filhos-do-bolsonaro-quem-e-quem-no-cla-do-presidente/181013/"><span style="font-weight: 400;">os filhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do chefe do gabinete brasileiro -, exemplificam que o poder tem estado nas mãos de grandes personalidades narcisistas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2MxMIncEm14"><span style="font-weight: 400;">que andam de motoca</span></a><span style="font-weight: 400;">. No jogo político do entretenimento, não há como a catástrofe ganhar.</span></p>
<figure id="attachment_26865" aria-describedby="caption-attachment-26865" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26865" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-1-800x534.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-1-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-1-1200x801.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26865" class="wp-caption-text">Não Olhe para Cima fracassou no <a href="https://oantagonista.uol.com.br/entretenimento/nao-olhe-para-cima-fracassa-no-globo-de-ouro/">Globo de Ouro 2022</a>, mas, de surpresa, levou <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2022/noticia/2022/03/22/nao-olhe-para-cima-e-no-ritmo-do-coracao-ganham-premios-do-sindicato-dos-roteiristas-dos-eua.ghtml">Melhor Roteiro Original</a> no Sindicato dos Roteiristas dos EUA, o WGA (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes momentos do longa de McKay é de Leonardo DiCaprio. Quando seu personagem Randall Mindy enxerga seu papel de imbecil &#8211; incluindo ao fazer comerciais infantis sobre o meteoro -, ele desengasga um </span><a href="https://www.instagram.com/p/CbNfvxVB9b4/"><span style="font-weight: 400;">discurso agoniante</span></a><span style="font-weight: 400;"> em rede nacional, que facilmente sairia da boca de qualquer um. Em outro paralelo com a realidade, é fácil se sentir tão sufocado quanto o cientista, precisando provar às pessoas que a destruição é iminente e real. Junto do esforço de poderosos em desacreditar o que não lhes é financeiramente conveniente, a sociedade parece não querer enxergar nem se a evidência estiver à frente. Ou, no caso, acima de suas cabeças, descendo em sua direção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre a briga por Roteiro Original, assinado por McKay em parceria com David Sirota, e a de Trilha Sonora Original com créditos para Nicholas Britell (de </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">),  a indicação mais merecida de </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe para Cima </span></i><span style="font-weight: 400;">é em Melhor Montagem para </span><a href="https://variety.com/2022/artisans/news/hank-corwin-dont-look-up-academy-decision-1235205880/"><span style="font-weight: 400;">Hank Corwin</span></a><span style="font-weight: 400;">, pois o veloz jogo de cortes e de cenas no meio de falas é brilhante. A rapidez com que o editor muda a câmera ou pula para a próxima parte do roteiro consegue transmitir a sensação de instantaneidade da vida atual. Bombardeados de informações na mídia e </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, a sensação realista é de inconstância no nosso dia a dia, um borrão atravessado por acontecimentos em cada canto do mundo. E, mesmo assim, a entrega do prêmio da categoria foi cortada da cerimônia ao vivo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-present-all-23-artigo/"><span style="font-weight: 400;">apagando artistas importantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; como o próprio Corwin relatou. Esse é o tamanho da controvérsia em ter um filme que zomba da indústria cinematográfica, concorrendo na mesma.</span></p>
<figure id="attachment_26866" aria-describedby="caption-attachment-26866" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26866" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-1-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-1-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26866" class="wp-caption-text">Ariana Grande e Kid Cudi compuseram, ao lado de Nicholas Britell e Taura Stinson, e performaram juntos a música <a href="https://www.youtube.com/watch?v=BnyvDBGojoQ">Just Look Up</a>, outra tirada cômica do filme, mas a faixa acabou ficando de fora da disputa do Oscar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A necessidade de </span><a href="https://forbes.com.br/forbeslife/2021/12/nao-olhe-para-cima-e-a-mesma-piada-contada-por-mais-de-duas-horas/"><span style="font-weight: 400;">parte da crítica</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que o longa de McKay fosse revestido de opiniões bem pensadas é burrice. Toda a estrutura da narrativa, os memes que invadem as cenas, e o próprio tom de comédia meia boca, é completamente condizente com o deslocamento da realidade que vivemos. Nem uma catástrofe em tempos modernos com </span><a href="https://graphics.reuters.com/world-coronavirus-tracker-and-maps/pt/"><span style="font-weight: 400;">milhões de mortos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em todo o planeta foi capaz de deixar a humanidade mais consciente. Muito possivelmente, os esforços de ambientalistas e jornalistas sérios não serão suficientes, que dirá de um diretor de Cinema. Por isso, contar uma piada basta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece irreversível, assim como o desfecho do filme, que sejamos salvo dessa situação. De fato, não merecemos ser salvos, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe para Cima </span></i><span style="font-weight: 400;">exemplifica os motivos pelos quais a espécie merece a extinção. Quem seria salvo, afinal de contas? Quais pessoas embarcariam em uma espaçonave para viver fora do planeta Terra? É plausível que bilionários, como Peter Isherwell (Mark Rylance) &#8211; vulgo a mistura de </span><a href="https://exame.com/carreira/o-que-bill-gates-elon-musk-e-tim-cook-aprenderam-com-steve-jobs/"><span style="font-weight: 400;">Steve Jobs</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Elon Musk -, da tecnologia construam </span><a href="https://g1.globo.com/inovacao/noticia/2021/09/15/spacex-de-elon-musk-faz-1o-voo-orbital-com-civis-no-espaco.ghtml"><span style="font-weight: 400;">foguetes para se divertirem</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante alguns minutos em órbita?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não olhe para cima, seu imbecil. Enquanto você foge da realidade, o sistema se reforça, embrenhando seus tentáculos muito além da altura de nossas cabeças. E, na verdade, ninguém de fato olha para cima. Temos descido o precipício cantarolando. Não há comédia ou entretenimento que sobreviva à catástrofe existente aqui embaixo, onde nos encontramos anestesiados. Somos &#8211; ou estamos &#8211; todos imbecis. E não precisou de muito para sentir um incômodo angustiante com alguém rindo do buraco sem fundo em que nos enfiamos. </span></p>
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		<title>007 &#8211; Sem Tempo Para Morrer entrega uma missão impossível para próximo James Bond</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Mar 2022 13:26:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Sem tempo para morrer, e com menos tempo ainda para estrear. Inicialmente planejado para vir ao mundo no longínquo último ano normal da terra, 2019, pelas mãos de Danny Boyle (Trainspotting, Quem Quer Ser um Milionário?), o último capítulo da era Craig sofreu de inúmeros adiamentos. Primeiro, Boyle abandonou o projeto por diferenças &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/007-sem-tempo-para-morrer-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "007 &#8211; Sem Tempo Para Morrer entrega uma missão impossível para próximo James Bond"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26805" aria-describedby="caption-attachment-26805" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26805" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-1.jpg" alt="Cena do filme 007 - Sem Tempo para Morrer. Nela, James Bond, personagem de Daniel Craig, aparece em um baile de gala. Centralizado na imagem e aparecendo do tronco para cima, Bond, um homem loiro, olhos claros e meia idade, veste um smoking preto, uma camisa branca e uma gravata borboleta preta. Atrás de Bond, seis pessoas o rodeiam, quatro homens e duas mulheres, todos também vestidos para um evento de gala. Na cena, um holofote está voltado para Bond, onde seu lado direito está iluminado e o lado esquerdo não, de forma a criar um contraste." width="1400" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-1.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-1-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-1-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-1-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26805" class="wp-caption-text">Com quase 60 anos de franquia e depois de 25 filmes, o Bond de Craig é o único que tem uma despedida oficial, com direito a cerimônia de despedida graças as suas indicações ao Oscar 2022 (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>Guilherme Veiga</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sem tempo para morrer</span></i><span style="font-weight: 400;">, e com menos tempo ainda para estrear. Inicialmente planejado para vir ao mundo no longínquo último ano normal da terra, 2019, pelas mãos de Danny Boyle (</span><i><span style="font-weight: 400;">Trainspotting</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/critica-quem-quer-ser-um-milionario"><i><span style="font-weight: 400;">Quem Quer Ser um Milionário?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), o último capítulo da era Craig sofreu de inúmeros adiamentos. Primeiro, Boyle abandonou o projeto por diferenças criativas e Cary Joji Fukunaga (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beasts of No Nation</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://cinepop.com.br/critica-true-detectives-1-crime-e-misticismo-na-policia-de-louisiana-214998/"><i><span style="font-weight: 400;">True Detective</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) assumiu o longa, fazendo com que ele fosse jogado para 2020, e azaradamente fosse o primeiro a puxar a fila de adiamentos por conta da pandemia de covid-19. Isso fez com que o filme só conhecesse as salas de cinema em setembro de 2021, 6 anos depois do capítulo anterior, maior intervalo de tempo entre filmes do agente desde </span><i><span style="font-weight: 400;">007 contra GoldenEye</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26804"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Naturalmente em Hollywood, muitos adiamentos são um sinal de mal presságio, um exemplo recente é o terror (literalmente) que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox </span></i><span style="font-weight: 400;">—</span><span style="font-weight: 400;"> em seu último projeto pré-venda </span><span style="font-weight: 400;">—</span><span style="font-weight: 400;"> fez com </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-novos-mutantes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Novos Mutantes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Sem Tempo Para Morrer </span></i><span style="font-weight: 400;">felizmente não sofre dessa maldição, e isso se dá pela própria natureza da franquia Bond ao longo das décadas. Sinônimo de realeza, os filmes são recheados de pragmatismo e distinção, sem pressas ou sem correr riscos, assim como a corte britânica. E isso, com perdão do trocadilho, garantiu um comportamento espectral entre as obras, e nos longas de Daniel Craig isso fica bem mais nítido, onde os altos e baixos são visíveis e intercalados. E seguindo a ordem natural dessa curva, após o excelente </span><i><span style="font-weight: 400;">007 &#8211; Operação Skyfall </span></i><span style="font-weight: 400;">e o nem tão excelente </span><i><span style="font-weight: 400;">007 &#8211; Contra Spectre</span></i><span style="font-weight: 400;">, nada mais justo que se despedir de Daniel Craig em alta.</span></p>
<figure id="attachment_26806" aria-describedby="caption-attachment-26806" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26806" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-2.jpg" alt="Cena de 007 - Sem Tempo para Morrer. Nela, James Bond aparece dirigindo seu clássico Aston Martin. A imagem é como se a câmera estivesse dentro do carro e filma Bond do tronco para cima. Ele veste um terno bege e uma camisa azul. Seu rosto está coberto de poeira e com alguns machucados e o carro está com alguns sinais de bala que provocaram trincas no vidro. Ele faz um movimento de quem estaria realizando um drift com o carro." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-2-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-2-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-2-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26806" class="wp-caption-text">O filme é o mais caro da franquia, custando US$ 250 milhões de dólares (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se provando a Meryl Streep da categoria </span><span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">além das já esperadas indicações ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> BAFTA</span></i> <span style="font-weight: 400;">— </span><i><span style="font-weight: 400;">Sem Tempo Para Morrer</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiu sua cadeira cativa no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">mais uma vez com a indicação em Melhor Canção Original por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7hSzcYndaYw"><i><span style="font-weight: 400;">No Time to Die</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">performada por outra queridinha das premiações, Billie Eilish (e composta, como sempre, em parceria com o irmão Finneas O’Connell).</span> <span style="font-weight: 400;">A faixa talvez seja uma das melhores dessa safra, perdendo somente para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_4gdhsVKTcs"><i><span style="font-weight: 400;">Skyfall</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na voz de Adele, e, se seguir o mesmo caminho dos títulos anteriores, certamente levará o careca dourado para casa. O longa também foi indicado na categoria Melhor Som e na de Melhores Efeitos Visuais, na qual o páreo é um pouco mais duro, e, se a tão pedida </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2020/02/16/interna_cultura,1121920/apos-vitoria-de-pitt-dubles-pressionam-para-ter-categoria-no-oscar.shtml"><span style="font-weight: 400;">categoria de dublês</span></a><span style="font-weight: 400;"> saísse do papel, certamente seria o franco favorito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os 163 minutos de duração podem assustar no começo, porém, o longa entrega uma típica aventura episódica de James Bond e as mais de 2 horas e quarenta passam despercebidas em um filme que te prende do começo ao fim com sequências impecáveis de ação. A obra é uma ode ao legado tanto de Bond quanto de Craig, lotado de piadas internas para fãs e referências, como por exemplo, Bond se aposentar e ir para a </span><a href="https://glamurama.uol.com.br/instagram/desbrave-a-jamaica-pelo-olhar-de-ian-fleming-autor-da-serie-james-bond/"><span style="font-weight: 400;">Jamaica</span></a><span style="font-weight: 400;">, local onde Ian Fleming escreveu os primeiros contos do agente. Porém, filmes de longa duração naturalmente evocam a reclamação de que se poderia tirar “uns 30 minutos” sem comprometer a obra, e nesse caso, tal protesto é válido. Fica nítido as barrigadas que o roteiro dá para preencher a obra e adiar a despedida.</span></p>
<figure id="attachment_26807" aria-describedby="caption-attachment-26807" style="width: 1248px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26807" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-3.jpg" alt="Cena de 007 - Sem Tempo para Morrer. Nela o personagem Lyutsifer Safin, interpretado por Rami Malek, aparece centralizado. Safin usa um casaco marfim onde a touca é coberta com pelos. Em seu ombro direito, aparece uma alça preta que está segurando sua arma, que não aparece em questão. Ele usa uma máscara branca com uma estética semelhante às máscaras japonesas. Ela está ensanguentada e quebrada, de forma que sua boca e o lado esquerdo apareçam, evidenciando sua cicatriz por todo o rosto. Ele está em um cenário com neve e com uma casa ao fundo, de janelas e portas transparentes e fachada provavelmente em madeira e na cor amarela." width="1248" height="520" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-3.jpg 1248w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-3-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-3-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-3-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-3-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26807" class="wp-caption-text">O vilão Safin e sua icônica máscara tem uma introdução à lá Bastardos Inglórios (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, a despedida e a quase certa renovação da franquia se mostram necessárias aqui, pois é onde o desgaste da marca em seu processo de produção começa a ficar mais evidente. Os roteiristas, à frente das histórias desde 1999, mostram que não têm o mesmo tato para conduzir a narrativa, razão pela qual Phoebe Waller-Bridge (</span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) foi escalada, pelo próprio Craig, para revisar o texto. Sem conseguir arrumar a bagunça que eles mesmos fizeram em </span><i><span style="font-weight: 400;">Spectre</span></i><span style="font-weight: 400;">, a escrita se perde ao explicar a organização e suas consequências nesse filme, uma prova é o descaso que o texto tem com Blofeld (Christopher Waltz), praticamente jogando o personagem no lixo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro exemplo é o vilão principal Safin, vendido como um dos mais inteligentes do universo Bond, e até tem uma construção interessante com a cena inicial de tirar o fôlego, mas no fim, é só um lunático que parece ser fã do </span><a href="https://www.jamesbondbrasil.com/2020/10/curiosidades-sobre-dr-no/"><span style="font-weight: 400;">Dr. No</span></a><span style="font-weight: 400;">, ficando muito abaixo do excelente Silva de Javier Bardem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Skyfall</span></i><span style="font-weight: 400;"> e até mesmo de Blofeld, que também tinha sido maltratado pelo roteiro. A única coisa boa que esse vilão traz é a prova de que a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fSDDCvQ3e-8"><span style="font-weight: 400;">estatueta</span></a><span style="font-weight: 400;"> para Rami Malek (</span><i><span style="font-weight: 400;">Mr. Robot</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rhapsody-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bohemian Rhapsody</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) em 2019 foi um dos maiores devaneios recentes da Academia. Aqui, entre suas forçadas de sotaque, ele constrói um antagonista extremamente caricato que não combina com esse Bond. Mais uma que deixa a desejar é a Madeleine Swann de Léa Seydoux, que desenvolve uma performance muito sem sal. Para efeito de comparação, em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Crônica Francesa</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançado no mesmo ano, ela se entrega muito mais, mesmo tendo menos espaço e fala, porém apoiada pela força do texto e da direção. Curiosamente, os dois piores personagens são os que mais o roteiro explora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, a escrita tem seus méritos e eles precisam ser lembrados. Alguns personagens são bem inseridos e funcionam bem na história, começando pelo próprio Bond. Aqui, o texto enfoca o lado humano do agente e o constrói através de bastante sentimentalismo, fazendo com que nesse filme ele esteja menos Bond e mais Craig, decepcionando alguns e conquistando outros. A nova 007, </span><a href="https://www.instagram.com/lashanalynch/"><span style="font-weight: 400;">Lashana Lynch</span></a><span style="font-weight: 400;"> (que venceu a categoria popular de Estrela em Ascenção no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">), mostrou lidar bem com o papel e desenvolveu uma ótima química com Bond, preenchendo em alguns momentos </span><span style="font-weight: 400;">—</span><span style="font-weight: 400;"> e de forma diferente da convencional </span><span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">a lacuna de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">bond girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> não estabelecida na obra. Se não fosse pela pressão injusta que sofreu, Lashana seria uma 007 muito promissora. Por último e não menos importante, é válido o destaque para Ana de Armas, que aqui repete o trabalho ao lado de Daniel Craig depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-facas-e-segredos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo com pouco tempo de tela comparado com a duração (um verdadeiro pecado) sua personagem Paloma rouba a cena.</span></p>
<p><figure id="attachment_26808" aria-describedby="caption-attachment-26808" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26808" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-4.jpg" alt="Cena de 007 - Sem Tempo para Morrer. Nela, vemos Paloma, interpretada por Ana de Armas. Ela é uma mulher latina, estatura média e de cabelos pretos longos. Ela veste um vestido preto de gala com uma fenda na perna esquerda que mostra uma meia ⅞ também preta, além de algumas jóias como um par de brincos e uma pulseira na mão direita. Ela segura duas armas: na mão direita, uma pistola e na mão esquerda uma submetralhadora e as aponta para seu lado direito. Ao fundo temos também uma escada luxuosa e circular." width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-4-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-4-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-4-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26808" class="wp-caption-text">Ana de (e com) Armas [Foto: Universal Pictures]</figcaption></figure><i><span style="font-weight: 400;">Sem Tempo Para Morrer </span></i><span style="font-weight: 400;">mostra que essa nova fase da franquia se provou e amadureceu junto com Craig. Foram muito felizes ao reconhecerem e se inserirem no cenário de filmes de ação, e nesse, mostram tudo que aprenderam com si próprio e com outras novas vertentes desse gênero voltado para espionagem como a franquia </span><i><span style="font-weight: 400;">Bourne</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua compatriota </span><i><span style="font-weight: 400;">Atômica </span></i><span style="font-weight: 400;">(do qual inclusive tem um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ySuyJrLeVWk"><span style="font-weight: 400;">plano-sequência</span></a><span style="font-weight: 400;"> na escada que foi claramente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XarGS1AeEcE"><span style="font-weight: 400;">inspirado</span></a><span style="font-weight: 400;">) e até mesmo seu concorrente </span><i><span style="font-weight: 400;">Missão Impossível</span></i><span style="font-weight: 400;">. Só que nesse caso, o espião londrino não é nada discreto e sabe que seu lugar é de destaque, e esse último longa da era Craig, é uma ótima constatação disso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E Daniel Craig é a personificação dessa mudança de ares. “Controverso”, “rústico”, “covarde”, “insosso”, “baixinho” e até mesmo “loiro”; esses foram os adjetivos usados para </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/cultura/story/2006/02/060222_bondmb"><span style="font-weight: 400;">desqualificar a escalação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Craig em 2006. O próprio ator tinha desconfiança quanto ao papel, muito por não achar que a personalidade de Sean Connery e companhia poderiam ser replicadas atualmente, muito menos por ele. Para sorte de Craig, era intenção da dupla de roteiristas Neal Purvis e Robert Wade renovar a história antes mesmo do anúncio da mudança de ator. E essa decisão conjunta foi muito significativa pois atribuía a Bond agora um </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">de personagem do imaginário, e não mais um modelo de masculinidade ultrapassado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito além de um </span><i><span style="font-weight: 400;">smoking</span></i><span style="font-weight: 400;"> sob medida, um martíni, um </span><i><span style="font-weight: 400;">sex appeal </span></i><span style="font-weight: 400;">de falastrão e uma licença para matar, o Bond da era Craig consegue ser mais do que isso. A redoma de vidro que separava personagem do público foi quebrada e os cacos criaram feridas no agente secreto como questões com o luto, traumas de família, problemas com álcool e até mesmo frustrações amorosas, até então inimaginadas para a máquina de sedução criada por Fleming e representada pelos cinco atores anteriores. Mesmo estando mais realista do que nunca, outra renovação da franquia é iminente, e se, tanto esse último filme como todos os outros vão ficar à sombra de </span><i><span style="font-weight: 400;">Skyfall</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/o-novo-007-lista-de-nomes-atores-cotados-para-o-papel-de-james-bond?city=sao-paulo&amp;partnership=home#:~:text=RICHARD%20MADDEN,Reid%2C%20empres%C3%A1rio%20de%20Elton%20John."><span style="font-weight: 400;">próximo ator</span></a><span style="font-weight: 400;"> a vestir o manto vai permanecer na sombra do maior James Bond da história.</span></p>
<figure id="attachment_26809" aria-describedby="caption-attachment-26809" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26809" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-5.jpg" alt="Cena de 007 - Sem Tempo para Morrer. Nela, James Bond está em uma espécie de subsolo dispostos como se fosse um esgoto: um labirinto onde as paredes formam um círculo, porém com algumas luzes quadradas localizadas no lado direito da imagem. Bond veste uma calça preta social, camisa branca social, sapato preto e um suspensório também na cor preta. Ele está em uma curva desse labirinto, bem ao fundo e aponta uma pistola que está na mão esquerda em direção a câmera, de forma a recriar a pose clássica do James Bond." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-5-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-5-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-5-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26809" class="wp-caption-text">Craig, Daniel Craig (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
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		<title>O Primeiro Homem: uma história de amor entre o homem e a Lua</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Dec 2018 00:16:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Numa maré de biografias estadunidenses que esfregam a bandeira vermelha e azul estrelada nas telas de IMAX mundo a fora, cheias de autorreferências e o hino tocando ao fundo, Damien Chazelle nada contra a maré e desenha os passos da chegada do homem a Lua de forma contida e silenciosa Vitor Evangelista O desafio de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-primeiro-homem-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Primeiro Homem: uma história de amor entre o homem e a Lua"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">Numa maré de biografias estadunidenses que esfregam a bandeira vermelha e azul estrelada nas telas de IMAX mundo a fora, cheias de autorreferências e o hino tocando ao fundo, Damien Chazelle nada contra a maré e desenha os passos da chegada do homem a Lua de forma contida e silenciosa</span></em></p>
<figure id="attachment_11203" aria-describedby="caption-attachment-11203" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-11203" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-1-1024x683.jpg" alt="" width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11203" class="wp-caption-text"><em>O filme já é aposta certeira nas vindouras premiações hollywoodianas (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desafio de contar uma história já conhecida do grande público nas telonas é imenso. Quando foi anunciado que Damien Chazelle (<em>Whiplash, <a href="http://personaunesp.com.br/la-la-land-o-sabor-agridoce-da-nostalgia/">La La Land</a></em>) seria o responsável por tal feito, entretanto, o mundo se tranquilizou. O jovem <em>oscarizado</em> dirige, pela primeira vez, um filme que não escreveu. O roteiro adaptado vem pelas mãos de Josh Singer, texto que internaliza o drama do norte-americano e entrega um filme quieto, sorrateiro, mas extremamente memorável.</span></p>
<p><span id="more-11202"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neil Armstrong é vivido aqui por Ryan Gosling, em sua segunda parceria com o diretor. Gosling é o ator ideal para o papel, a cara de paisagem do ator casa harmoniosamente com a frieza da persona do astronauta, a falta de afeto físico para com sua esposa Janet (a incrível Claire Foy) e a perseverança que pesa seus ombros são todas características que desmistificam o sonho americano, já tão conhecidas no Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme caminha tão pelo outro lado que nem mesmo a bandeira estadunidense trepida na superfície lunar. Não há aqui segundo desperdiçados filmando os panos que estampam o quintal do país todo. Quando questionado sobre, Damien Chazelle foi sucinto, definindo a conquista retratada ali não só pertencente aos Estados Unidos e sim ao mundo todo. </span></p>
<p><figure id="attachment_11204" aria-describedby="caption-attachment-11204" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-11204" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-1024x683.jpg" alt="" width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11204" class="wp-caption-text"><em>O último grande filme espacial americano foi Gravidade (2013) de Alfonso Cuáron; O Primeiro Homem se inspira no espetáculo visual do mexicano na hora de capturar as imagens da Lua, todas feitas através de CG [Foto: Reprodução]</em></figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Com uma câmera na mão constante e incômoda, a fotografia de Linus Sandgren opta por tirar o <em>glamour</em> de todo escopo espacial que havíamos tido contato com até então. <em>Close-ups</em> indigestos, cenas longas das decolagens que a trupe de Armstrong passou até, enfim, alcançar o objetivo. Só há um alívio iminente quando a nave chega à Lua, onde Sandgren abraça toda a tecnologia <em>IMAX</em> e brinda o espectador com uma visão ímpar. Talvez na melhor representação lunar que a Sétima Arte já viu, digna de ser vista na maior tela possível, é</span><span style="font-weight: 400;"> de tirar o fôlego a rocha branca que orbita no espaço. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fator interessante do filme é o eterno flerte de Neil (e da <em>Nasa</em> como um todo) para o alto, sempre mordendo os lábios enquanto olha pela janela, quase despindo o espaço. Constantemente retratado como uma conquista política e econômica, <em>O Primeiro Homem</em> encara o pouso na superfície como algo humano, uma necessidade carnal de ter em mãos. </span></p>
<figure id="attachment_11205" aria-describedby="caption-attachment-11205" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-11205" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-1024x614.jpg" alt="" width="840" height="504" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-1200x719.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11205" class="wp-caption-text"><em>Depois de ganhar o Emmy por The Crown, Claire Foy pode chegar com força na categoria de Atriz Coadjuvante para o Oscar do ano que vem (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A parte política é tão jogada para escanteio que nem ao menos sabemos quem era o Presidente em exercício na Casa Branca no momento. </span><span style="font-weight: 400;">O filme retrata tão bem um recorte de Armstrong ao ponto do público não receber quaisquer informações prévias sobre sua vida e conquistas. Até mesmo o fato de Janet ser sua segunda esposa é omitido no roteiro. Só é dado espaço para informações que pavimentem as personagens que orbitam na trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro fator extravagante nos filmes de Chazelle é a Música. Aqui, num tom sóbrio e de uma melancolia aguda, o diretor aproveita muito bem o silêncio. Grandes parcelas de tempo em que a câmera filma sem som algum, o público absorve tudo que ele coloca na tela. Essas parcelas de <em>First Man</em> são importantes para, mais uma vez, demolir a ideia de que toda conquista dos EUA é cheia de cantos vitoriosos e euforia sem limites. </span></p>
<figure id="attachment_11206" aria-describedby="caption-attachment-11206" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-11206" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-1024x576.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11206" class="wp-caption-text"><em>O filme foi sucesso no Festival de Cinema de Toronto, e arrancou aplausos e elogios para a direção de Chazelle, que tem 35 anos e 1 Oscar na estante, por La La Land (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"><em>O Primeiro Homem</em> não é um filme fácil de ser assistido, porém. A escolha de silenciar momentos chave, incomodar com imagens trépidas, tudo isso pode causar descontentamento num público comercial. As quase duas horas e meia do longa parecem durar bem mais. Mas, quando se sobem os créditos, tudo vale a pena. L</span><span style="font-weight: 400;">onge de ser um filme esperado pelo diretor, ele agora infla o currículo e, se mostra preparado para enfrentar qualquer novo desafio.</span></p>
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