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	<title>Arquivos História &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Sep 2025 13:00:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Dias Siqueira Quando se fala em adaptações de quadrinhos logo nos vem à cabeça grandes produções de Hollywood sobre super-heróis vestidos em roupas coloridas e muita ação. Mas isso é uma fração da verdadeira diversidade dos quadrinhos, que não só cobrem uma variedade de temas e estilos, como também de culturas e subtextos regionais. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35638" aria-describedby="caption-attachment-35638" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-35638 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Eter1.jpg" alt="Cena da série O Eternauta, da Netflix. A cena mostra a silueta de Juan Bolsa (Ricardo Darín) caminhando por uma rua coberta de neve, a sua esquerda é possível ver um ônibus abandonado e a sua direita dois carros em estado semelhante, às margens da via existem prédios altos também cobertos de neve, toda paisagem está envolta em um espesso nevoeiro." width="650" height="366" /><figcaption id="caption-attachment-35638" class="wp-caption-text">O Eternauta reflete uma história de violência e opressão comum à toda América do Sul (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se fala em adaptações de quadrinhos logo nos vem à cabeça grandes produções de Hollywood sobre </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mcu/"><span style="font-weight: 400;">super-heróis</span></a><span style="font-weight: 400;"> vestidos em roupas coloridas e muita ação. Mas isso é uma fração da verdadeira diversidade dos quadrinhos, que não só cobrem uma variedade de temas e estilos, como também de culturas e subtextos regionais. No contexto latino-americano, uma riqueza de obras permanece vastamente inexplorada pela maior parte do público. Um desses materiais, talvez o mais importante de todos, foi retirado dessa semi-escuridão pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> este ano: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra-prima de Héctor Germán Oesterheld e Francisco Solano Lopes.</span></p>
<p><span id="more-35637"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio ao verão argentino, um grupo de amigos se encontram para jogar baralho em uma casa de Buenos Aires. A tradição que eles cultivam a anos tem sua monotonia quebrada por um evento climático inesperado, uma nevasca chega sorrateiramente e começa a matar instantaneamente qualquer um que a toque. Liderados por Juan Salvo (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=00jvmItGSBI"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Darín</span></a><span style="font-weight: 400;">), o grupo precisa se livrar das desconfianças vindas de uma amizade antiga, porém não tão profunda, para sobreviver e descobrir o real contexto desse apocalipse.</span></p>
<figure id="attachment_35639" aria-describedby="caption-attachment-35639" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-35639 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-800x450.jpg" alt="cena da série O Eternauta. A cena mostra em primeiro plano um jipe das forças armadas argentinas com um soldado posicionado acima do veículo, portando um rifle longo. Ao fundo, a parte inferior de um viaduto está fechado com uma pilha de carros destruídos formando uma barricada. A rua está coberta de neve e a paisagem está envolta em névoa, com um céu acinzentado" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2.jpg 912w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35639" class="wp-caption-text">O militarismo na América Latina é um tema recorrente em O Eternauta (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fonte da qual se adapta a série não vem de um subgênero extremamente alternativo e revolucionário. Na verdade, o cenário base para </span><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma invasão alienígena, se insere nos contextos basilares da ficção científica desde o século XIX. Mesmo com obras como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3sjodEDyhXU"><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra Dos Mundos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de H.G. Wells existindo no cânone do gênero desde os anos 1890, Oesterheld fundou em seu trabalho conceitos antes inéditos ou não tão presentes nesse tipo de quadrinho. Talvez o mais importante desses conceitos, ‘o herói coletivo’, se mantém como pedra fundamental na versão da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><a href="https://outraspalavras.net/descolonizacoes/oeternauta-propoe-a-volta-do-heroi-coletivo/"><span style="font-weight: 400;">protagonistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série não possuem nenhuma habilidade especial de fato. Nenhum deles tem, individualmente, qualquer controle ou poder sobre a situação, como é comum em histórias clássicas de heróis. Somente como grupo eles encontram as soluções das quais precisam. O roteiro é muito ágil em demonstrar diversas situações em que um ou mais personagens se encontram em situações intransponíveis, inclusive de quase morte, que só são superadas com a ajuda de outros.</span></p>
<figure id="attachment_35640" aria-describedby="caption-attachment-35640" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35640" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-800x533.jpg" alt="Página do quadrinho O Eternauta. A arte mostra Juan Salvo, um homem branco de meia idade, de olhos azuis, ele olha fixamente para frente e usa uma máscara de gás com um visor no rosto e um filtro de respiração na altura do pescoço" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3.jpg 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35640" class="wp-caption-text">O estilo artístico da série reflete muito bem os desenhos sombrios de Solano Lopes (Foto: Pipoca e Nanquim)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto que a série traz a vida com maestria é a atmosfera gráfica. A direção de Bruno Stagnaro consegue adaptar a arte do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3rxzR5bElhc"><span style="font-weight: 400;">desenhista</span></a><span style="font-weight: 400;"> Francisco Solano Lopes de forma fria e seca. O cenário de desolação do mundo exterior contrasta com a sensação de claustrofobia sempre constante nos refúgios em que os personagens se protegem da neve. Isso também impacta em algo fundamental para qualquer obra pós-apocalíptica: a transformação de ambientes cotidianos nas ruínas da civilização que colapsou. Igrejas, escolas, farmácias, vagões de trem, formas comuns do dia-a-dia de qualquer pessoa, são transformados em escombros e vestígios do que um dia foram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro é mais discreto nos comentários políticos. Oesterheld carrega uma das </span><a href="https://blogdaboitempo.com.br/2015/10/23/os-ultimos-passos-de-hector-oesterheld/"><span style="font-weight: 400;">histórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais trágicas oriundas da violentíssima ditadura militar argentina, suas dores, medos e indignações permeiam sua obra constantemente. Entre junho de 1976 e dezembro de 1977 suas quatro filhas, Beatriz, Diana, Marina e Estela, foram sequestradas, desaparecidas e assassinadas pelo regime sanguinário, do qual o próprio HGO seria vítima. Oesterheld desapareceu no mesmo período, de sua família só sobreviveram sua esposa e seus dois netos, que se tornaram órfãos antes de completarem 4 anos.</span></p>
<figure id="attachment_35641" aria-describedby="caption-attachment-35641" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35641" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter4.jpg" alt="Cena da série O Eternauta, a cena mostra Juan Bolsa, um homem branco de meia idade. Ele olha para frente, empunhando um fuzil, ele veste um casaco marrom e uma máscara de gás azul" width="600" height="390" /><figcaption id="caption-attachment-35641" class="wp-caption-text">Os traumas de guerra acompanham os personagens em sua jornada no mundo destruído (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde sua primeira versão, o quadrinho tinha tons explícitos de crítica ao imperialismo, ao capitalismo e ao autoritarismo presentes nas sociedades latino-americanas. A série, por sua vez, é mais sutil, mas usa como artifício algo mais contemporâneo — a guerra das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pZmtP2UdGoI"><span style="font-weight: 400;">Malvinas</span></a><span style="font-weight: 400;"> — não só para reforçar o tom sócio-político, como também um desenvolvimento pessoal fundamental aos personagens já que vários deles são veteranos do conflito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses traumas se tornam ainda mais vividos graças ao elenco estrelado, o Juan Salvo de Ricardo Darín tem todas as notas certas. O ator não decepciona a expectativa criada em torno do seu nível de astro internacional, conquistado após filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022). Outro destaque é o uruguaio César Troncoso, seu personagem Tano tem um papel fundamental na trama como uma pessoa egoísta que aos poucos precisa se livrar do individualismo para garantir que todos sobrevivam.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais uma adaptação literária de grande qualidade da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão </span></i><span style="font-weight: 400;">(2024), baseada no livro homônimo de Gabriel Garcia Márquez e de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ripley-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ripley</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), baseada na obra de Patricia Highsmith. O seriado revela que, mesmo com toda a disputa pela atenção e concentração dos telespectadores, ainda há espaço para produções densas e deslocadas do eixo América do Norte/Europa nos serviços de streaming. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=95V9sqY80K8"><span style="font-weight: 400;">https://www.youtube.com/watch?v=95V9sqY80K8</span></a></p>
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		<title>Em Bauru após 24 anos, o Circo Stankowich nos faz querer fugir com ele</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Nov 2024 20:05:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Após 24 anos longe de Bauru, o Circo Stankowich fez seu tão esperado retorno, trazendo ao público um espetáculo, no mínimo, deslumbrante. Fundado em 1856, o Stankowich é o circo mais antigo em atividade no Brasil com Arte, risco, beleza e emoção. Mais do que um simples entretenimento, a apresentação em Bauru celebrou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/circo-stankowich-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Bauru após 24 anos, o Circo Stankowich nos faz querer fugir com ele"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34486" aria-describedby="caption-attachment-34486" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34486" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-800x478.jpg" alt="A imagem mostra um grupo de dançarinas vestidas com trajes luxuosos, adornados com penas e brilhos, evocando a estética de carnaval ou festas glamourosas. Elas se apresentam sob a iluminação colorida do palco, com o nome “Stankowich” destacado ao fundo. As poses das dançarinas sugerem um momento dinâmico da coreografia, transmitindo leveza e sincronia" width="800" height="478" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-800x478.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-1024x612.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-768x459.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-1200x717.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34486" class="wp-caption-text">A proibição do uso de animais em circos no Brasil começou na década de 2000, mudando a dinâmica dos espetáculos (Foto: Henrique Marinhos)</figcaption></figure>
<p><strong>Henrique Marinhos</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após 24 anos longe de Bauru, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Circo Stankowich</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez seu tão esperado retorno, trazendo ao público um espetáculo, no mínimo, deslumbrante. </span><a href="https://sistema.funarte.gov.br/noticias-antigas/?p=98336#:~:text=De%20origem%20romena%20e%20de,maiores%20circos%20da%20Am%C3%A9rica%20Latina."><span style="font-weight: 400;">Fundado em 1856</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Stankowich</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o circo mais antigo em atividade no Brasil com Arte, risco, beleza e emoção. Mais do que um simples entretenimento, a apresentação </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/12899235/"><span style="font-weight: 400;">em Bauru</span></a><span style="font-weight: 400;"> celebrou a história da companhia, que atravessou mudanças sociais, políticas e culturais ao longo de quase dois séculos de existência.</span><span id="more-34485"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A noite começou com uma série de espetáculos dançantes, remetendo aos glamourosos carnavais europeus e ao charme das festas em navios e iates. As dançarinas, trajadas com penas e lantejoulas, iluminaram o </span><a href="https://supercirco.com.br/picadeiro/"><span style="font-weight: 400;">picadeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> com coreografias sincronizadas e contagiantes. Intercaladas com ‘</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-palhaco-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">palhaçadas</span></a><span style="font-weight: 400;">’ bem canastronas, os espetáculos trouxeram fontes de água dançantes em uníssono com a Música, que tomaram conta do cenário.</span></p>
<figure id="attachment_34488" aria-describedby="caption-attachment-34488" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34488 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-800x800.jpg" alt="Nesta imagem, dois trapezistas executam um ato aéreo desafiador. Um dos artistas, vestido de rosa, estende as mãos para o parceiro, enquanto ambos estão no meio de uma troca no ar, cercados por cabos e iluminação azulada. A foto captura o momento exato em que a confiança e a precisão são essenciais para completar a manobra com segurança." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34488" class="wp-caption-text">O Circo Stankowich possui várias unidades itinerantes, a de Bauru é a Pink (Foto: Circo Stankowich)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O flerte do circo com o perigo é uma tradição antiga, mantida viva porque não falha em fascinar. Ao limite da tensão, depois de tanta leveza e deslumbre, os atos que nos presenteiam com frio na barriga começaram com a performance aérea de uma acrobata que, </span><a href="https://www.instagram.com/p/B8SVDBegAYU/?img_index=1"><span style="font-weight: 400;">suspensa pelos cabelos</span></a><span style="font-weight: 400;">, girava incessantemente enquanto manejava fitas coloridas com uma graça quase sobrenatural, como se tivessem a banhado no pó de ‘pirlimpimpim’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência presencial, aliás, é incomparável – nenhuma tela consegue capturar o momento genuinamente. Prova disso foi o número de </span><a href="https://www.instagram.com/p/C7Mef07uLVQ/?img_index=5"><span style="font-weight: 400;">tecido acrobático</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma exibição de coragem e destreza que fez o público prender a respiração. Sem rede de proteção, a acrobata se contorceu e girou no ar, até culminar em uma queda que parou a meros centímetros do chão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das acrobacias nos panos, os trapezistas protagonizaram um dos momentos mais emocionantes da noite. Anunciada pelo próprio circo como uma das manobras mais difíceis de serem realizadas, os </span><a href="https://www.instagram.com/p/CTdCYG2pnjI/"><span style="font-weight: 400;">três giros no trapézio</span></a><span style="font-weight: 400;"> não nos fizeram questionar por um segundo se a afirmação era realmente um fato. Na segunda  tentativa, o público prendeu a respiração ao ver a dificuldade de execução. Com aplausos imediatos, dessa vez, não houve um centímetro na margem de erro.</span></p>
<figure id="attachment_34487" aria-describedby="caption-attachment-34487" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34487 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-800x800.jpg" alt="A imagem retrata um dos motociclistas se preparando para o número do Globo da Morte. Ele está equipado com capacete e roupas de proteção, com a estrutura metálica do globo ao fundo. A expressão focada e a postura do piloto refletem a concentração necessária para a execução deste perigoso número, um dos mais esperados do espetáculo." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-768x767.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34487" class="wp-caption-text">A família Stankowich está à frente do circo desde sua fundação, em 1856, mantendo a tradição viva por mais de seis gerações (Foto: Circo Stankowich)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No ato final, o espetáculo atingiu seu clímax: o temido </span><a href="https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2024/10/14/artistas-sofrem-acidente-durante-apresentacao-em-globo-da-morte-em-circo-instalado-em-bauru-video.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Globo da Morte</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sob o som pulsante de aplausos e murmúrios nervosos, quatro motociclistas entraram na esfera metálica, desafiando a gravidade em manobras impecavelmente sincronizadas – a única forma de acontecerem. Nesse ponto, qualquer conversa que eles tivessem por baixo do capacete nos intervalos de giros eram especuladas com atenção pela plateia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a mágica do circo não se resume apenas aos números deslumbrantes vistos no picadeiro. Naquele momento de perfeição, pensávamos nos erros, nas quedas e nas frustrações superadas pela trupe ao longo da preparação. A </span><a href="https://www.instagram.com/reel/C5vv9eQrRKJ/"><span style="font-weight: 400;">mágica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vimos no picadeiro não nasce do acaso e ver o resultado final é testemunhar o triunfo desse processo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para muitos dos espectadores naquela noite, assistir a um espetáculo circense pela primeira vez foi uma experiência transformadora. Essa magia nasce da união entre o risco e a beleza, em que cada artista, do motociclista ao mágico ou do trapezista à bailarina, é parte essencial desse universo itinerante. Assim como o circo continua a desafiar a gravidade e o perigo, ele também desafia o tempo, porque o encanto que nos faz querer fugir com ele, esse nunca passa.</span></p>
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		<title>Häxan &#8211; A Feitiçaria Através dos Tempos celebra seu centenário com uma poção da atemporalidade</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Sep 2022 19:15:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti Por muitos anos, homens, crianças e principalmente mulheres foram perseguidos acusados de bruxaria. A criação do livro Malleus Maleficarum, em 1484, serviu como um manual educativo para perseguir e eliminar indivíduos suspeitos de realizar ações paranormais. O guia é de autoria de Heinrich Kraemer, inquisidor famoso durante a Idade Média, e algumas versões &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/haxan-100-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Häxan &#8211; A Feitiçaria Através dos Tempos celebra seu centenário com uma poção da atemporalidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28734" aria-describedby="caption-attachment-28734" style="width: 691px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28734" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-1-1.jpg" alt="Cena do filme Häxan - A Feitiçaria Através dos Tempos em que há um Sabbah com bruxas e demônios. A imagem em preto e branco apresenta um demônio com chifres, orelhas pontudas, nariz arrebitado, rugas e garras com a mão direita erguida para depositar um objeto em um caldeirão. Do lado esquerdo há duas bruxas brancas e jovens que demonstram subordinação aos seres por meio de sua postura corporal. Do lado direito há outro demônio com uma aparência mais humana, que parece alegre mediante a cena. A foto apresenta um local escuro, iluminado unicamente por velas." width="691" height="415" /><figcaption id="caption-attachment-28734" class="wp-caption-text">Häxan significa bruxa em sueco e o filme busca desconstruir a imagem desse ser místico através de sua narrativa semidocumental (Foto: Aljosha Production Company)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por muitos anos, homens, crianças e principalmente mulheres foram perseguidos acusados de bruxaria. A criação do livro </span><a href="https://www2.unifap.br/marcospaulo/files/2013/05/malleus-maleficarum-portugues.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">Malleus Maleficarum</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 1484, serviu como um manual educativo para perseguir e eliminar indivíduos suspeitos de realizar ações paranormais. O guia é de autoria de Heinrich Kraemer, inquisidor famoso durante a Idade Média, e algumas versões da obra chegam a contemplar a bula papal de Inocêncio VIII, chamada </span><i><span style="font-weight: 400;">Summis Desiderantis Affectibus</span></i><span style="font-weight: 400;">, que demonstra apoio à caça às bruxas. Ao estudar profundamente o livro, o diretor e roteirista dinamarquês Benjamin Christensen se inspirou para criar sua obra-prima, </span><i><span style="font-weight: 400;">Häxan &#8211; A Feitiçaria Através dos Tempos</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-28733"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito antes de séries como </span><a href="https://personaunesp.com.br/comemoracao-de-20-anos-de-harry-potter-de-volta-a-hogwarts-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Castelo Rá Tim Bum</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Feiticeiros de Waverly Place</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Häxan</span></i><span style="font-weight: 400;"> já trazia a temática da bruxaria para as telonas do Cinema. Lançado em 1922 na Suécia, o filme apresenta a jornada da feitiçaria ao longo dos séculos através de uma narrativa semidocumental, isto é, encenações do cotidiano das bruxas desde a Pérsia antiga, enfatizando o período medieval, até  1920, ano em que a película foi lançada. Desse modo, a obra funciona como uma simulação, elucidando ao telespectador qual o perfil social perseguido ao longo dos séculos, contrapondo com a brutalidade do </span><i><span style="font-weight: 400;">Malleus Maleficarum </span></i><span style="font-weight: 400;">ao apresentar imagens de livros e instrumentos de tortura utilizados contra os feiticeiros.</span></p>
<figure id="attachment_28735" aria-describedby="caption-attachment-28735" style="width: 1846px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28735" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-2-3.jpg" alt="Cena do filme Häxan - A Feitiçaria Através dos Tempos apresenta uma bruxa branca, vestindo um vestido escuro e uma touca branca medieval beijando o traseiro de um demônio. Este é um ser com chifres, orelhas pontudas e garras, que está de perfil com as mãos debruçadas em um muro e com o glúteo erguido para receber o beijo. A imagem é azulada e escura, sendo perceptível apenas alguns pontos de vegetação em que o Sabbath ocorre." width="1846" height="1107" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-2-3.jpg 1846w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-2-3-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-2-3-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-2-3-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-2-3-1536x921.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-2-3-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28735" class="wp-caption-text">Durante o Sabbath das Bruxas ocorriam práticas consideradas heresias pela Igreja (Foto: Aljosha Production Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para tornar mais fluido um conteúdo tão denso e pesado como a caça às bruxas, o diretor Christensen fragmentou a obra em sete capítulos, cada um centrado em um determinado costume histórico e conhecimento popular do período. Logo de início, o filme se debruça em uma aula sobre bruxaria ao longo dos séculos, assim, consegue esmiuçar peculiaridades do misticismo da Idade Média na sequência. Em particular, a película traz grande destaque ao </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-era-o-sabbath-das-bruxas/"><i><span style="font-weight: 400;">Sabbath</span></i><span style="font-weight: 400;"> das Bruxas</span></a><span style="font-weight: 400;">, recriando o encontro noturno de mulheres com demônios para beber, dançar e realizar práticas sexuais. Apesar da veracidade do ritual nunca ter sido comprovada, algumas pessoas o relataram ao passarem pela Santa Inquisição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante ressaltar que a obra não aceita passivamente os relatos de bruxaria narrados no </span><i><span style="font-weight: 400;">Malleus Maleficarum</span></i><span style="font-weight: 400;">, levando inclusive o espectador a refletir sobre a situação. O filme é balanceado entre momentos informativos e questionadores, e outros mais narrativos e fantasiosos. Sendo assim, os capítulos são guiados pela  interação social com as bruxas durante o medievo, em contraste com a apresentação de documentos que reforçam os argumentos do diretor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Häxan</span></i><span style="font-weight: 400;"> a respeito da perseguição. </span></p>
<figure id="attachment_28736" aria-describedby="caption-attachment-28736" style="width: 463px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28736" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-3.jpg" alt="Pintura El aquelarre realizada com tinta óleo em 1798 por Francisco Goya. A obra apresenta um demônio com corpo de bode com longos chifres ao centro cercado por um grupo de bruxas devotas. Elas vestem longos vestidos muito utilizados durante a Idade Média e entregam crianças para agradar seu líder. O ambiente em que a cena ocorre é cercado por morros e o céu apresenta tons degradê de azul." width="463" height="662" /><figcaption id="caption-attachment-28736" class="wp-caption-text">Várias obras foram inspiradas pelo Sabbath das Bruxas, dentre elas o El aquelarre (1798) de Francisco Goya (Foto: Fundación Lázaro Galdiano)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se fala sobre a caça às bruxas durante a Idade Média, há um grande protagonismo da </span><a href="https://super.abril.com.br/historia/8-fatos-insolitos-sobre-a-igreja-medieval/"><span style="font-weight: 400;">Igreja Católica</span></a><span style="font-weight: 400;">. A instituição controlou os costumes em algumas regiões no período e essa dominação não fica de fora dos relatos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Häxan</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa mostra que grande parte dos fatores que levavam uma mulher a ser considerada feiticeira estavam relacionados às práticas rotuladas como impróprias para o catolicismo. Para ir à Inquisição, não era preciso necessariamente a prática de ações místicas, e sim a heresia.</span> <span style="font-weight: 400;">Por isso, segundo o filme, em um curto período de tempo, cerca de oito milhões de mulheres, homens e crianças foram mortos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale ressaltar que, apesar dos relatos brutais que ocorreram na História, o período medieval não foi marcado unicamente por feitos sórdidos. O rótulo comumente apresentado ao século XV de Idade das Trevas foi atribuído pelos ideais renascentistas que previam um descolamento das práticas medievais. Durante o período do medievo surgiram </span><a href="https://super.abril.com.br/historia/grandes-invencoes-da-idade-media/"><span style="font-weight: 400;">grandes invenções</span></a><span style="font-weight: 400;">, como os moinhos de vento, as chaminés e os óculos, além da coexistência de outras religiões com o cristianismo. No entanto, os recortes que se popularizaram foram as lutas de cavaleiros, os castelos cercados por muralhas e as bruxas queimadas em fogueiras retratadas por </span><i><span style="font-weight: 400;">Häxan</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_28737" aria-describedby="caption-attachment-28737" style="width: 1842px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28737" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-4.jpg" alt="Cena do filme Häxan - A Feitiçaria Através dos Tempos apresenta uma imagem com tons avermelhados que ilustra bruxas e demônios reunidos." width="1842" height="1105" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-4.jpg 1842w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-4-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-4-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-4-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-4-1536x921.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-4-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28737" class="wp-caption-text">Entre bruxas e demônios, Häxan trilha sua crítica por costumes sociais contemporâneos (Foto: Aljosha Production Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de todo o embasamento histórico usado na construção da narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Häxan &#8211; A Feitiçaria Através dos Tempos</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme teve grande investimento financeiro para recriar cenários e compor figurinos. Para a dramatização, o longa conta com trilha sonora clássica que inclui obras de Schubert, Gluck e Beethoven, e inovou com a Fotografia de </span><span style="font-weight: 400;">Johan Ankerstjerne e </span><span style="font-weight: 400;">direção de arte de Richard Louw, que utilizaram técnicas de </span><i><span style="font-weight: 400;">stop motion</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">replay</span></i><span style="font-weight: 400;"> e sobreposição de imagens. Alguns desses efeitos já compunham </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-a-carruagem-fantasma-1921/"><i><span style="font-weight: 400;">A Carruagem Fantasma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém </span><i><span style="font-weight: 400;">Häxan</span></i><span style="font-weight: 400;"> os emprega de forma original em uma narrativa totalmente diferente do padrão produzido durante a década de 1920.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Justamente pela inovação, </span><i><span style="font-weight: 400;">Häxan</span></i><span style="font-weight: 400;"> serviu de inspiração para obras cinematográficas recentes. Basicamente todos os filmes que envolvem bruxas e demônios beberam da fonte do clássico de Christensen, como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista</span></i><span style="font-weight: 400;"> e suas famosas cenas de possessão, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bebê de Rosemary</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que a protagonista dá a luz ao filho do diabo, e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bruxa-de-blair-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa de Blair</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com seus rituais bizarros para aprisionar os jovens perdidos na floresta. Além desses, é possível observar influências do semidocumentário norueguês em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Massacre da Serra Elétrica</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que o objeto cênico serve para criar a atmosfera aterrorizante, exatamente como </span><i><span style="font-weight: 400;">Häxan</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez ao apresentar os utensílios de tortura utilizados pela Santa Inquisição.</span></p>
<figure id="attachment_28738" aria-describedby="caption-attachment-28738" style="width: 1225px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28738" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-5.jpg" alt="Cena do filme Häxan - A Feitiçaria Através dos Tempos apresenta uma mulher branca e jovem deitada de costas para a câmera em cima de utensílios de magia. Sob seu corpo há mãos com longas garras de demônio perfurando suas costas. Na imagem em preto e branco também há um caldeirão, uma ampulheta, uma caveira e uma vela derretida." width="1225" height="735" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-5.jpg 1225w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-5-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-5-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-5-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-5-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28738" class="wp-caption-text">Durante os anos 1960, Häxan foi relançado como midnight movie, isto é, filmes cult normalmente de baixo orçamento exibidos à meia-noite, com a narração do escritor William S. Burroughs (Foto: Aljosha Production Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a contextualização sobre bruxaria que percorre o filme serve para guiar o espectador para a crítica social que Benjamin Christensen realiza no sétimo capítulo. Esse momento da narrativa mostra o período contemporâneo de perseguição às mulheres, aos pobres e às pessoas com deficiência, similar à que ocorria com as bruxas durante a Idade Média. No medievo, o manual </span><i><span style="font-weight: 400;">Malleus Maleficarum</span></i><span style="font-weight: 400;"> acusava a figura feminina ao dizer que “</span><i><span style="font-weight: 400;">O pecado de Eva não teria trazido morte para nosso corpo e alma se o pecado não tivesse sido transmitido depois a Adão, sendo tentado por Eva, não o Diabo; portanto ela é mais amarga que a morte</span></i><span style="font-weight: 400;">”, porém, sob o olhar do diretor, esse cenário não se mostra muito diferente nos </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/10/28/Como-era-o-humor-machista-do-in%C3%ADcio-do-s%C3%A9culo-20"><span style="font-weight: 400;">anos 1920</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A crítica a respeito das práticas da </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/guerras/inquisicao.htm"><span style="font-weight: 400;">Santa Inquisição</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a forma com que as mulheres eram tratadas no início do século XX é o que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Häxan &#8211; A Feitiçaria Através dos Tempos</span></i><span style="font-weight: 400;"> tão enriquecedor, único e atual mesmo cem anos após seu lançamento. E assim, juntando em um caldeirão o manual </span><i><span style="font-weight: 400;">Malleus Maleficarum</span></i><span style="font-weight: 400;">, um investimento financeiro pesado na caracterização dos personagens e cenários e uma crítica social severa a respeito da vida contemporânea, Benjamin Christensen conseguiu criar uma obra inovadora, singular e mágica.</span></p>
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		<title>Antígona 442 A.C.: aplausos para Andrea Beltrão</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 21:11:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Antígona. Filha de Édipo Rei e Jocasta; irmã de Etéocles, Polinice e Ismênia; sobrinha de Creonte. Antígona. Obra do dramaturgo grego Sófocles que conversa com a atualidade e com os valores humanos pautados pela razão e pela emoção, e é a terceira peça da trilogia tebana. Antígona 442 A.C. Monólogo de Andrea &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/antigona-442-a-c-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Antígona 442 A.C.: aplausos para Andrea Beltrão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24467" aria-describedby="caption-attachment-24467" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24467" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-scaled.jpg" alt="Cena de Antígona 442 A.C.. Nela está Andrea Beltrão. Vemos apenas o busto da atriz. Ela veste jaqueta de couro preta e em sua mão direita há uma luva preta que não cobre os dedos. Suas mãos estão na altura do rosto e elas seguram uma máscara branca que cobre o rosto da atriz. A imagem é escura e o fundo é preto." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24467" class="wp-caption-text">Após a pausa nos teatros, Antígona 442 A.C. estreia na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Taba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><a href="https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/a-tragedia-na-peca-teatral-antigona-sofocles.htm"><span style="font-weight: 400;">Antígona</span></a><span style="font-weight: 400;">. Filha de Édipo Rei e Jocasta; irmã de Etéocles, Polinice e Ismênia; sobrinha de Creonte. Antígona. Obra do dramaturgo grego Sófocles que conversa com a atualidade e com os valores humanos pautados pela razão e pela emoção, e é a terceira peça da trilogia tebana. </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona 442 A.C</span></i><span style="font-weight: 400;">. Monólogo de Andrea Beltrão, dirigido por Maurício Farias, destaque que integra a Mostra Brasil na 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-24466"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi em 2015 que a vontade de </span><a href="https://personaunesp.com.br/hebe-a-estrela-do-brasil-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andrea Beltrão</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ter uma peça de teatro de resistência e que pudesse ser feita a qualquer momento, floresceu. Instigada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-e-sorte-critica/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Torres</span></a><span style="font-weight: 400;">, Beltrão condecorou</span><i><span style="font-weight: 400;"> Antígona </span></i><span style="font-weight: 400;">como um de seus textos favoritos e assim surgiu o desafio, transformar uma peça de teatro com no mínimo quinze personagens em um monólogo. A estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona</span></i><span style="font-weight: 400;"> aconteceu, oficialmente, nos palcos em 2019, mas o contexto epidêmico de covid-19 fez com que a peça tivesse um pouso forçado. Após esse hiato, </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona 442 A.C. </span></i><span style="font-weight: 400;">estreia na 45ª Mostra em forma de espetáculo filmado, onde a montagem é reestruturada para o Cinema, variando em cenas dos bastidores com estudo e mapas mentais da obra e partes da encenação no teatro.</span></p>
<figure id="attachment_24468" aria-describedby="caption-attachment-24468" style="width: 1362px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24468" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona.jpg" alt="Cena de Antígona 442 A.C.. Nela está Andrea Beltrão. Uma mulher branca, de olhos castanhos, cabelo curto e castanho. Ela veste uma blusa listrada de azul e rosa. Sua mão direita está tocando a parede. Na parede há várias folhas brancas com nomes de personagens escritos em preto. Na imagem lemos “LAIO”. Entre as folhas há fitas adesivas nas cores azul, rosa e vermelho. O fundo da imagem ao lado direito é branco" width="1362" height="579" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona.jpg 1362w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona-800x340.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona-1024x435.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona-768x326.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona-1200x510.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24468" class="wp-caption-text">“Ninguém aprendeu muito com essa história de Sófocles” (Foto: Taba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A peça se inicia com o prólogo de </span><a href="https://ims.com.br/titular-colecao/millor-fernandes/"><span style="font-weight: 400;">Millôr Fernandes</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ilustra todo contraponto com a realidade que vamos encarar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona 442 A.C</span></i><span style="font-weight: 400;">.:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “e assim a história avança, em luta fratricida, ódio mortal, violência coletiva, tudo pago por fim, naturalmente, com a escravidão do povo,</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">na derrota final.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> O texto sobre a destruição de uma cidade parecia um tanto distópico em 2015. Mas, quando Andrea Beltrão estreou sua peça em 2019, qualquer semelhança com a realidade se tornou mera coincidência e com sua chegada ao digital em 2021, sua subversão política ecoa em notas agudas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antígona enfrenta a ordem do rei Creonte de deixar seu irmão Polinice, que lutou na guerra, sem sepultura para que seus restos mortais sejam devorados por animais selvagens. A jovem desobedece, realiza um ritual funerário digno ao irmão e rebate seu ato afirmando: </span><i><span style="font-weight: 400;">“morrer mais cedo não é amargura, deixar o corpo do meu irmão é amargura”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Soberana em tela, Andrea Beltrão comove ao mesmo ponto que se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BIl-yhr4giY&amp;ab_channel=CanalCurta%21"><span style="font-weight: 400;">emociona</span></a><span style="font-weight: 400;"> com as próprias falas, usando o texto para não apenas gerar reflexão, mas também para provocar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diferencial que torna magnífico é ver a própria Andrea Beltrão contando a história e se preparando para a peça. Há cortes para o teatro entre as cenas, que é quando a atriz aparece maquiada já em cima do palco, encenando com força cada uma de suas falas. Em seu estúdio de ensaio a entrega é com a mesma intensidade e precisão. De cara limpa, Andrea revela todo empenho aos estudos e a história que estava interpretando. Em sua parede, uma mapa mental dos personagens de Zeus aos </span><a href="https://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0662"><span style="font-weight: 400;">tebanos</span></a><span style="font-weight: 400;">; em seu computador, roteiro e fotos que guiam a atriz por essa viagem entre séculos.</span></p>
<figure id="attachment_24469" aria-describedby="caption-attachment-24469" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24469" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-scaled.jpg" alt="Cena de Antígona 442 A.C.. Nela, ao lado direito, está Andrea Beltrão. Uma mulher branca, de olhos castanhos, cabelo curto e castanho. Ela veste blusa e jaqueta de couro pretas e um lenço vermelho envolta sua cabeça e seu pescoço. Seus olhos estão carregados por uma maquiagem preta e suas têmporas estão com glitter dourado. O lado esquerdo é uma parede de concreto com a iluminação preta." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24469" class="wp-caption-text">“Cara, um herói; coroa, um tirano” (Foto: Taba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tamanha é a devoção mostrada nos bastidores que Andrea Beltrão se firma como dona de um conhecimento inigualável sobre o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kRLKAbzsUoU&amp;ab_channel=AncelmoGois"><span style="font-weight: 400;">texto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona 442 A.C</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></a><span style="font-weight: 400;">. As mudanças no tom de voz conforme ela encarna uma nova persona elucida a confiança da atriz e o conhecimento de cada vírgula da peça teatral; por meio da sua voz fica claro o poder e a importância da personagem na odisseia. Sua narrativa com olhar fixo para a plateia consagra a atriz dona do tablado, que domina o palco com tamanha destreza que não sentimos falta da plateia lotada. Sua linguagem corporal fala tão alto quanto a verbal, concentrando total atenção a figura da atriz, independente do lugar de onde a câmera esteja.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imersa no próprio oásis, Andrea se emociona com a crescente narrativa. A razão e a emoção são postas lado a lado e Antígona não cede, ela abre mão de sua posição social e de poder para arriscar dar um último ato humano à memória do irmão. A peça teatral ganha nova ótica e substância no contexto pandêmico e tirano do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59096013"><span style="font-weight: 400;">Brasil de Bolsonaro</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto os governantes responsáveis por esse genocídio não querem seus nomes correlacionados a essa tirania, temos milhares de Antígonas que lutam pelo </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/04/20/nao-sou-coveiro-ta-diz-bolsonaro-ao-responder-sobre-mortos-por-coronavirus.ghtml"><span style="font-weight: 400;">respeito da memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seus entes. E as palavras finais de Andrea reverberam com ainda mais precisão: </span><i><span style="font-weight: 400;">“os tebanos não tiveram outra chance, mas pra nós ainda há esperança”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="ANTIGONA 442a.C.- PRÓLOGO" src="https://player.vimeo.com/video/555916110?dnt=1&amp;app_id=122963" width="840" height="473" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write"></iframe></div>
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		<title>Eu Era um Homem Comum: morrer é tão difícil quanto viver</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 16:19:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jho Brunhara Em uma pequena casa simples no Havaí, somos introduzidos à uma vida de memórias, recheadas de significados familiares e culturais. Eu Era um Homem Comum repete diversas vezes ao longo de seus cem minutos a frase “morrer não é simples, não é?”, e enquanto faz uma conexão direta com o título original (I &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/eu-era-um-homem-comum-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Eu Era um Homem Comum: morrer é tão difícil quanto viver"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24442" aria-describedby="caption-attachment-24442" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24442" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-2.jpg" alt="Cena do filme Eu Era um Homem Comum. A imagem mostra um homem idoso descendente de japoneses deitado em uma cama, de olhos abertos. Ele tem cabelos grisalhos na altura dos ombros. Ele tem bigode. Há uma mulher do seu lado direito, sussurrando em seu ouvido. Ela é descendente de chineses. Ela tem cabelos pretos e usa uma flor como adereço no cabelo." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-2.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-2-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24442" class="wp-caption-text">Exibido no Festival de Sundance, Eu Era um Homem Comum está presente na seleção da 45ª Mostra de São Paulo (Foto: Flies Collective/Island Film Group)</figcaption></figure>
<p><b>Jho Brunhara</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma pequena casa simples no Havaí, somos introduzidos à uma vida de memórias, recheadas de significados familiares e culturais. </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Era um Homem Comum</span></i><span style="font-weight: 400;"> repete diversas vezes ao longo de seus cem minutos a frase “</span><i><span style="font-weight: 400;">morrer não é simples, não é?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e enquanto faz uma conexão direta com o título original (</span><i><span style="font-weight: 400;">I Was a Simple Man)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o principal tema do filme – a morte –, também se conecta indiretamente com os eventos realmente relevantes para a obra: as </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><span style="font-weight: 400;">lembranças complexas de uma vida</span></a><span style="font-weight: 400;">. O segundo longa de Christopher Makoto Yogi foi exibido na seção Competição Novos Diretores da 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo. </span></p>
<p><span id="more-24441"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra é uma expansão de seu curta entitulado </span><a href="https://vimeo.com/67103957"><i><span style="font-weight: 400;">Obake</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2011, que, na língua japonesa, significa fantasma. Assim como na produção de uma década atrás, </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Era um Homem Comum </span></i><span style="font-weight: 400;">preenche a tela com fantasmas, de forma simbólica e literal. Simbólica, quando assistimos </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> de memórias de juventude do protagonista e do início de sua vida como pai; e literal, pela visita de Grace (Constance Wu), que estabelece sua estada até que chegue a hora de seu marido Masao Matsuyoshi (Steve Iwamoto), um senhor de idade com uma doença terminal, abandonar o plano terrestre.</span></p>
<figure id="attachment_24443" aria-describedby="caption-attachment-24443" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24443" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1.jpg" alt="Cena do filme Eu Era um Homem Comum. A imagem mostra uma praia deserta com apenas duas pessoas nela. O dia está ensolarado. As pessoas são: uma mulher amarela e um homem amarelo. Eles vestem roupas da década de 1960." width="1200" height="649" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-768x415.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24443" class="wp-caption-text">As atuações de Steve Iwamoto, Constance Wu e Kanoa Goo são um dos pontos mais altos da obra (Foto: Flies Collective/Island Film Group)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado em vivências reais de Yogi, a sensibilidade em retratar uma pessoa idosa em estado terminal não deixa de lado um olhar honesto e sem medo de mostrar demais. Masao não é o melhor exemplo de pai ou avô, mas quando precisa da ajuda de sua família fragmentada e distante, é seu neto Gavin (Kanoa Goo) quem fica encarregado. Acompanhamos com ele os momentos mais delicados e doloridos do fim de uma vida, até mesmo o sangue na água da privada, e a expressão de Gavin de quem não queria estar ali, passando por aquilo. Mas, afinal, quem gostaria de ver um familiar próximo ou distante nesse estado? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto mais o quadro de Matsuyoshi piora, mais intensas e vívidas ficam suas lembranças. A narrativa começa a delirar junto com ele, e ficamos confusos com o que é apenas uma memória e o que parece estar se manifestando no presente. A cronologia se altera a todo momento com pontos em comum: Grace, sua filha, e um cachorro, que parece ser o mesmo desde sempre. O Havaí se insere diretamente na vida das personagens, com o </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/1959-hava%C3%AD-tornava-se-estado-americano/a-901668"><span style="font-weight: 400;">processo de integração como parte dos Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;"> sendo um evento comentado mais de uma vez, uma ilha que cresceu e se transformou com seus habitantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Era um Homem Comum </span></i><span style="font-weight: 400;">complementa sua narrativa ao mostrar um Havaí com uma </span><a href="https://www.terra.com.br/noticias/mundo/estados-unidos/imigracao-e-multiculturalismo-reforcam-perfil-democrata-do-havai,3bf81a7e0335b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html"><span style="font-weight: 400;">diversidade étnica não-branca</span></a><span style="font-weight: 400;"> maior que apenas seus habitantes nativos, Masao é descendente de japoneses e Grace, de chineses, um problema no início do relacionamento que culminou em decisões arriscadas por ambos os lados. Todos esses detalhes vão se encaixando para entendermos exatamente quem Matsuyoshi é, sua vida turbulenta, suas glórias e arrependimentos, e sua relutância em aceitar a morte. É muito difícil deixar para trás o que se é para que se torne o que se foi. </span></p>
<figure id="attachment_24444" aria-describedby="caption-attachment-24444" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24444" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1.jpg" alt="Cena do filme Eu Era um Homem Comum. A imagem mostra uma floresta densa. Podemos ver dois homens amarelos sentados no chão no lado esquerdo. No lado direito da imagem, vemos um homem amarelo idoso deitado em uma cama. A cama também está no meio da floresta. Ao lado dele, há uma cadeira de balanço de estofado vermelho. " width="1200" height="649" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-768x415.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24444" class="wp-caption-text">Grace conta sobre um sonho em que o Havaí era um paraíso que as pessoas falavam apenas havaiano, chinês e japonês, mostrando o afastamento do longa em relação a presença colonizadora dos Estados Unidos (Foto: Flies Collective/Island Film Group)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G_ZQFU5wqgY"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Era um Homem Comum</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é fiel a sua origem: a expansão de um curta de menos de 15 minutos para um longa de 1h40. Os eventos estendidos acabam deixando a experiência um pouco cansativa, mas, mesmo assim, o saldo é positivo. De uma história extremamente autoral e recheada de sentimento, podemos nos conectar com o pouco que conhecemos das personagens, e entender suas vidas como reflexo de fatores muito além da personalidade. A morte, enquanto evento final do longa, parece vir no momento em que Masao percebe que não poderia ter vivido de forma diferente, pois só pode perceber seus arrependimentos por ter tomado as decisões que tomou, e no além não há nenhuma decisão ruim que não seja perdoada. Um homem comum é um homem que erra e acerta. Um homem que vive. Um homem que morre.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="I Was a Simple Man Trailer #1 (2021) | Movieclips Indie" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/G_ZQFU5wqgY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Garoto Mais Bonito do Mundo é o mais triste também</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2021 20:23:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista 1971. Luchino Visconti. Morte em Veneza. Björn Andrésen. A receita para o sucesso pode, em adição, conter os mesmos ingredientes de um trauma que se alonga por uma vida inteira. O Garoto Mais Bonito do Mundo, documentário sueco que integra a Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, tem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-garoto-mais-bonito-do-mundo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Garoto Mais Bonito do Mundo é o mais triste também"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24148" aria-describedby="caption-attachment-24148" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24148" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391.jpg" alt="Cena do documentário O Garoto Mais Bonito do Mundo. Em preto e branco, mostra um garoto branco e loiro escondido atrás de uma cadeira de set de gravações. Nas costas da cadeira, está escrito L. Visconti, o nome do diretor. " width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24148" class="wp-caption-text">Analisando o impacto da fama na vida de uma jovem estrela, o documentário faz parte da Perspectiva Internacional da Mostra de SP (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p>1971. Luchino Visconti. <a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2412199916.htm"><i>Morte em Veneza</i></a>. Björn Andrésen. A receita para o sucesso pode, em adição, conter os mesmos ingredientes de um trauma que se alonga por uma vida inteira. <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/02/beleza-de-ator-de-morte-em-veneza-virou-sentenca-para-jovem-mostra-documentario.shtml"><i>O Garoto Mais Bonito do Mundo</i></a>, documentário sueco que integra a Perspectiva Internacional da 45ª <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a> de Cinema em São Paulo, tem em seu cerne a ferida aberta que a fama e o estrelato podem causar nesse alguém ainda em processo de formação.</p>
<p><span id="more-24147"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No início dos anos 70, o cultuado diretor Luchino Visconti colocou em prática a ideia de dar vida a </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte em Veneza</span></i><span style="font-weight: 400;">, adaptação da obra de </span><span style="font-weight: 400;">Thomas Mann</span><span style="font-weight: 400;"> que </span><a href="https://palavrasdecinema.com/2018/10/30/morte-em-veneza-de-luchino-visconti/"><span style="font-weight: 400;">entraria para a história do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, com abertura e aclamação massiva em Cannes do mesmo ano e vendido em cima da figura angelical de Björn Andrésen, à época com menos de dezesseis anos. 50 anos depois, o mesmo Björn relembra os bastidores da ascensão meteórica de seu rosto e corpo, e como os vestígios de abuso moldaram seu eu de hoje, um homem de sessenta e seis anos, quebrado em todos os sentidos da palavra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A introdução histórica, com amplo </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-96298/"><span style="font-weight: 400;">uso de imagens de arquivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, situa com maestria o documentário comandando pela dupla Kristina Lindström e Kristian Petri, mas o que o filme tem de base complementar, ele carece de foco estrutural. O que, por ora, joga a favor da obra. Ao salpicar filmagens antigas do menino, intercalando com imagens cruas do velho de hoje, os diretores ganham pela simpatia.</span></p>
<figure id="attachment_24149" aria-describedby="caption-attachment-24149" style="width: 1617px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24149" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World.jpg" alt="Cena do documentário O Garoto Mais Bonito do Mundo. Mostra um homem idoso, de cabelos brancos e barba branca, compridos, parado próximo ao mar. Ao fundo, vemos a água azul." width="1617" height="921" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World.jpg 1617w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-800x456.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-1024x583.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-768x437.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-1536x875.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-1200x683.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24149" class="wp-caption-text">O ator é mostrado no set de Midsommar, onde interpretou o papel do idoso que se joga do penhasco em um dos rituais mais brutais do filme de Ari Aster (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível não simpatizar com o tal Garoto. Seu olhar ávido e estupefato dos anos setenta entra em conflito com as íris escurecidas e tristes da década de vinte. E muitos são os fatores que fizeram-no cruzar essa ponte da depressão e da falta de cuidado próprio. Como sua namorada exclama nos minutos iniciais, ele mal sai de casa, muito menos recebe ninguém há anos no maltrapilho apartamento e </span><a href="https://www.screendaily.com/reviews/the-most-beautiful-boy-in-the-world-sundance-review/5156424.article"><span style="font-weight: 400;">prefere o silêncio à conversa</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filmando Andrésen calmo, sozinho e vestido com casacos elegantes e escuros, em contraste com o penteado de Papai Noel nórdico, a cinematografia de Erik Vallsten deita e rola no jogo de imagem e som </span><a href="https://deadline.com/2021/01/the-most-beautiful-boy-in-the-world-review-sundance-documentary-1234682836/"><span style="font-weight: 400;">do ontem e do hoje</span></a><span style="font-weight: 400;">. O idoso narra, fora da câmera, como foi a experiência de virar um símbolo sexual, de luxúria e desejo antes mesmo de atingir a maioridade, narrando absurdos, agora enfrentados como dragões medievais, sob o timbre grosso e a presença diminuta do homem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até que ponto a </span><a href="http://thefilmexperience.net/blog/2021/1/29/sundance-the-most-beautiful-boy-in-the-world-review.html"><span style="font-weight: 400;">influência de um diretor famoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode massacrar a vida de um jovem ator? Até que ponto a família pode intervir? Björn, órfão desde cedo, não encontrou na avó a proteção que necessitava, seguindo todas as ordens de Luchino Visconti, o diretor que imortalizou o ator. Hoje, aos 66 anos, o Garoto tem a mesma idade que Visconti tinha quando o escalou no século passado. Na pele de Tadzio, o filme nos mostra sua primeira audição, onde teve de tirar a roupa a fim de Visconti poder julgar se aquele era o intérprete ideal.</span></p>
<figure id="attachment_24150" aria-describedby="caption-attachment-24150" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24150" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02.jpeg" alt="Cena do documentário O Garoto Mais Bonito do Mundo. Mostra o close no rosto do garoto, branco e louro, que olha para a câmera e sorri. " width="1500" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02.jpeg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24150" class="wp-caption-text">Sensível e extremamente respeitoso com a figura do Garoto, o filme abre debates importantes para o Cinema do século XXI: até quando vamos sexualizar figuras infantis? Qual o limite do inaceitável? (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os moldes eurocêntricos de beleza, cabelos loiros áureos, olhos cinzentos e a pele branca como leite, com bochechas rosadas e um maxilar pontiagudo, venderam o Garoto como o símbolo inalcançável de perfeição. Tão longe do resto dos mundanos, que ele próprio voou perto demais do Sol. A comunidade gay da época, em especial a equipe de produção comandada pelo diretor assumidamente homossexual, era descrita como desejando Björn, comendo-o com os olhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visconti assegura que ninguém, de fato, tocou o menino, mas a pressão de ficar seminu num </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><span style="font-weight: 400;">de gravações daquele já foi mais que o bastante para que Björn crescesse </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/01/the-most-beautiful-boy-in-the-world-review-bjorn-andresen-1234611909/"><span style="font-weight: 400;">rodeado de complexos e medos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tanto é que muitos dos problemas nascidos no processo de virar adulto só são adereçados na terceira idade, e capturados pelo olhar da segura dupla que dirige </span><i><span style="font-weight: 400;">The Most Beautiful Boy in the World</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua predileção pela fuga dos confrontos nas brigas com a namorada preenchem o miolo do filme, que se estende por menos de cem minutos. Sobra espaço para Björn mergulhar no mistério do assassinato da mãe, na sequência mais desoladora da rodagem, onde choramos junto dele. É tarde demais para que os erros sejam desfeitos, mas a existência de longas como esse são fator importante para que a história não se repita. Na era em que os </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-09-11/primeiro-tadzio-depois-dicaprio-agora-chalamet-a-obsessao-de-hollywood-pela-figura-do-lolito.html"><span style="font-weight: 400;">Lolitos são atacados sem pudor</span></a><span style="font-weight: 400;">, respeito ou responsabilidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Garoto Mais Bonito do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> rasga as dores de um arquétipo passado, mas que, independente de quantos penhascos pule em direção à libertação, nunca cicatrizará suas marcas. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Most Beautiful Boy in the World - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RhwlYz3qtwA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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