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	<title>Arquivos Globo de Ouro 2021 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Mauritano: essa é uma história real</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2021 17:57:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez “Essa é uma história real” é a frase que ocupa a tela enquanto Mohamedou Ould Slahi, interpretado por Tahar Rahim, caminha em uma praia no que seriam seus últimos momentos de liberdade por 14 anos. O quarto longa exibido no Festival do Rio 2021, O Mauritano traz à tona a história de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-mauritano-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Mauritano: essa é uma história real"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21754" aria-describedby="caption-attachment-21754" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-21754" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-1.jpg" alt="Cena do filme O Mauritano. Da esquerda para a direita na imagem, sentados frente a frente à mesa de uma sala de interrogatórios de uma prisão, vemos Mohamedou, interpretado por Tahar Rahim, um homem de ascendência muçulmana, de cabelos e barba castanhos curtos, aparentando ter cerca de 30 anos, vestindo um uniforme bege de prisioneiro, e Nancy, interpretada por Jodie Foster, uma mulher branca, de cabelos grisalhos lisos na altura do ombro, aparentando ter cerca de 60 anos, vestindo uma camisa social preta e com um envelope em sua frente." width="768" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-21754" class="wp-caption-text">Presente na seleção do Festival do Rio 2021, O Mauritano escancara os abusos e violações que o governo estadunidense tenta esconder em Guantánamo (Foto: Topic Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Essa é uma história real” </span></i><span style="font-weight: 400;">é a frase que ocupa a tela enquanto Mohamedou Ould Slahi, interpretado por Tahar Rahim, caminha em uma praia no que seriam seus últimos momentos de liberdade por 14 anos. O quarto longa exibido no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mauritano</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz à tona a história de Slahi, que, suspeito de recrutar terroristas para o atentado às Torres Gêmeas, foi capturado e enviado à Prisão de Guantánamo, onde permaneceu por anos sem nenhuma prova apresentada contra ele.</span></p>
<p><span id="more-21753"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado no livro </span><a href="http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/07/preso-relata-em-livro-torturas-que-teria-sofrido-em-guantanamo.html"><span style="font-weight: 400;">autobiográfico</span></a><span style="font-weight: 400;"> do próprio Mauritano, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Diário de Guantánamo</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme vai e volta entre os anos para </span><a href="http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/07/preso-relata-em-livro-torturas-que-teria-sofrido-em-guantanamo.html"><span style="font-weight: 400;">contar os percalços</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Mohamedou. Um estudante promissor, que saiu do seu país de origem no noroeste da África para estudar engenharia na Alemanha, Slahi foi mandado à base estadunidense devido a sua associação com membros da Al Qaeda. Por anos, ele foi mantido preso mesmo sem nenhuma evidência do envolvimento ou acusação formal contra ele. Quando o caso chega aos ouvidos da advogada Nancy Hollander, interpretada pela </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/filmes-na-tv/vencedora-do-oscar-jodie-foster-ira-receber-palma-de-ouro-honoraria-em-cannes-58630"><span style="font-weight: 400;">brilhante Jodie Foster</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela passa a trabalhar para garantir a justiça e tirá-lo de lá.</span></p>
<figure id="attachment_21755" aria-describedby="caption-attachment-21755" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-21755" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-2-2.jpg" alt="Cena do filme O Mauritano. Ao centro, Mohamedou Slahi, interpretado por Tahar Rahim, um homem de ascendência muçulmana, com cabelos e barba castanhos curtos, aparentando ter cerca de 30 anos, veste um uniforme bege de prisioneiro e tem sua mão direita levantada, em um juramento." width="800" height="566" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-2-2.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-2-2-768x543.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-21755" class="wp-caption-text">Slahi se distanciou de sua história no filme: o roteiro de O Mauritano é de M.B. Traven, Rory Haines e Sohrab Noshirvani (Foto: Topic Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Guantánamo, um complexo penitenciário militar dos Estados Unidos em Cuba, foi usado pelo país para trancafiar supostos terroristas após o atentado de 11 de Setembro. Assim como Slahi, muitos prisioneiros foram </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/06/prisioneiro-de-guantanamo-alega-abuso-sexual-e-tortura-da-cia.html"><span style="font-weight: 400;">torturados e abusados</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto mantidos lá sem provas ou indiciamentos. Eles foram </span><a href="https://www.nbcnews.com/id/wbna38588813"><span style="font-weight: 400;">negados do seu direito</span></a><span style="font-weight: 400;"> a um julgamento, o governo norte-americano sequer chegou a acusá-los formalmente. Como os letreiros no filme lembram, dos 779 encarcerados, somente 8 foram julgados e condenados culpados &#8211; e 3 conseguiram recorrer à sentença. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Prisão de Guantánamo, que é até hoje </span><a href="https://www.amnistia.pt/guantanamo-o-legado-de-17-anos-de-tortura-e-injustica/"><span style="font-weight: 400;">conhecida pelas violações</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos direitos humanos, é quase um personagem em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AFB2eqX2ovo&amp;t=87s"><i><span style="font-weight: 400;">O Mauritano</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e representa a ‘guerra ao terror’ travada pelos Estados Unidos após o atentado. Em seu interior, as atrocidades e abusos cometidos pelos </span><a href="https://www.terra.com.br/noticias/mundo/estados-unidos/ex-guarda-de-guantanamo-denuncia-abusos-na-prisao,acc8fa2aa9aea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html"><span style="font-weight: 400;">oficiais norte-americanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> eram justificados somente pelas suspeitas e pelo ‘dever moral’ do combate ao terrorismo, sem a menor consideração aos direitos constitucionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alternando entre o presente do longa e os diversos momentos do passado de Mohamedou, em janelas diferentes e em um ritmo dinâmico, sequências chocantes e indignantes expõem as violações por parte do governo. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=afzRW-pRoYk&amp;t=323s"><span style="font-weight: 400;">Para recriar algumas das torturas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Slahi enfrentou na prisão, Tahar Rahim chegou a ficar sem comer por três semanas e usou algemas e correntes nos pés até que sangrassem, em uma performance espetacular que não por menos foi reconhecida com uma indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro-2021/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_21756" aria-describedby="caption-attachment-21756" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-21756" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-3.jpg" alt="Cena do filme O Mauritano. Na imagem, à esquerda, vemos um soldado em uniforme militar, de costas. Ao centro, encarando o soldado por trás de grades, vemos o protagonista Mohamedou Slahi, interpretado por Tahar Rahim, um homem de ascendência muçulmana, aparentando ter cerca de 30 anos, careca e vestindo um uniforme de prisioneiro laranja." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-3-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21756" class="wp-caption-text">Apesar de ainda ter problemas com seu passaporte, Slahi esteve presente no set de filmagem de O Mauritano, junto de Nancy (Foto: Topic Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks </span></i><span style="font-weight: 400;">do passado servem no seu propósito de só aprofundar o personagem de Rahim e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mauritano</span></i><span style="font-weight: 400;"> acerta em </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/mar/26/we-dont-live-in-a-world-of-goodies-and-baddies-do-we-the-true-story-behind-the-mauritanian"><span style="font-weight: 400;">não culpar ou inocentar Slahi</span></a><span style="font-weight: 400;">. A assistente de Nancy, Teri Duncan (Shailene Woodley), quer saber se o cliente cometeu os crimes, ele insiste que não. O militar </span><a href="https://www.democracynow.org/2013/2/22/torture_at_guantnamo_lt_col_stuart"><span style="font-weight: 400;">Stuart Couch</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/films/features/benedict-cumberbatch-interview-mauritanian-b1825194.html"><span style="font-weight: 400;">Benedict Cumberbatch</span></a><span style="font-weight: 400;">) e seus compatriotas não precisam de evidências para afirmarem que sim, o julgamento é meramente um meio para o fim para os oficiais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É Nancy quem lembra: sem provas concretas, suspeitas são suspeitas e a luta é para que a Constituição seja seguida. O prisioneiro só pode cumprir sua pena após o julgamento, mas Slahi, inocente ou culpado, havia sido sentenciado sem um. </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-silencio-dos-inocentes-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">Na sua volta à cela</span></a><span style="font-weight: 400;">, a performance da veterana Jodie Foster </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SF-XQJNCLYI"><span style="font-weight: 400;">a rendeu um Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Atriz Coadjuvante. Isso porque os critérios se pautam no tempo de tela: em cena, a Nancy de Foster exala a competência da advogada, misturando confiança e sensibilidade, e se faz o centro das atenções em toda aparição.</span></p>
<figure id="attachment_21757" aria-describedby="caption-attachment-21757" style="width: 1189px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-4.jpg" alt="Foto dos bastidores do filme O Mauritano. Na foto, sentados à uma mesa de madeira e sorrindo para a câmera, vemos, à esquerda, Mohamedou Slahi, um homem muçulmano, careca, aparentando ter cerca de 40 anos, vestindo uma camisa e um xale azuis; a atriz Shailene Woodley, uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos e longos, aparentando cerca de 30 anos, vestindo uma camiseta preta; à direita, a atriz Jodie Foster, uma mulher branca, de cabelos loiros e lisos na altura do ombro, aparentando ter cerca de 60 anos, vestindo uma camiseta azul e óculos pretos; e Nancy Hollander, uma mulher branca, de cabelos brancos lisos na altura do ombro, aparentando ter cerca de 80 anos, vestindo uma camiseta cinza." width="1189" height="739" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-4.jpg 1189w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-4-800x497.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-4-1024x636.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-4-768x477.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21757" class="wp-caption-text">Na foto, as atrizes Jodie Foster e Shailene Woodley estão acompanhadas de Mohamedou Slahi e Nancy Hollander; a <a href="https://fbdlaw.com/our-attorneys/nancy-hollander/">advogada</a> e seu ex-cliente se mantém próximos e ela continua trabalhando por justiça pelos prisioneiros de Guantánamo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um elenco famoso e talentoso à disposição, o diretor escocês </span><a href="https://news.letterboxd.com/post/643873555695747072/life-detained-kevin-macdonald"><span style="font-weight: 400;">Kevin Macdonald</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Último Rei da Escócia</span></i><span style="font-weight: 400;">, trabalha com seus três protagonistas. Enquanto Slahi é vítima das violências do governo estadunidense, expostas em sequências tristes e chocantes, Hollander deixa de lado qualquer falso moralismo nacionalista e se atém aos princípios que norteiam sua profissão. Do lado oposto, o militar e advogado de acusação Couch, religioso, conservador, próximo às vítimas do atentado, é a perspectiva do </span><a href="https://pt.euronews.com/2014/12/09/a-adocao-da-lei-patriotica-que-permite-a-tortura-antiterrorismo"><span style="font-weight: 400;">americano patriota</span></a><span style="font-weight: 400;"> na narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a potência da </span><a href="https://www.sabado.pt/entrevistas/detalhe/mohamedou-ould-slahi-tenho-guardas-e-ex-interrogadores-que-me-ligam"><span style="font-weight: 400;">história de Mohamedou</span></a><span style="font-weight: 400;"> acaba diluída nos conflitos morais dos seus companheiros de tela, os diferentes pontos de vista agregam à crítica que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mauritano </span></i><span style="font-weight: 400;">tem, por obrigação, de ter. Com uma tradição em filmes de guerra, até as produções americanas mais incisivas não fogem do seu patriotismo velado, mas a escolha de contar a história (ou pelo menos a maior parte dela) pela </span><a href="https://collider.com/how-the-mauritanian-succeeds-with-non-american-perspective/"><span style="font-weight: 400;">visão do prisioneiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, um homem muçulmano detido injustamente, foge do maniqueísmo usual. Ainda que eventualmente perca o foco entre tantas datas e lados, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Mauritanian</span></i><span style="font-weight: 400;"> usa das reflexões e dos questionamentos de Couch, de Teri e de outros personagens secundários para ressoar sua importância para </span><a href="https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2017/03/06/ex-guarda-de-guantanamo-conta-como-e-a-vida-na-prisao-uma-parodia-do-sistema-de-justica.htm"><span style="font-weight: 400;">além do caso de Mohamedou</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Mauritano • Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/v36AeYnaY8o?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Não se pode tomar uma adaptação cinematográfica da vida real ou de um </span><a href="https://www.theguardian.com/books/audio/2015/jan/24/guantanamo-diary-benedict-cumberbatch-podcast"><span style="font-weight: 400;">livro </span></a><span style="font-weight: 400;">autobiográfico como a realidade, mas, fato é, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mauritano </span></i><span style="font-weight: 400;">traz à tona eventos e discussões importantes. Talvez em um filme que denuncie casos e instituições reais, </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-03-15/jodie-foster-adoro-falar-de-politica-nao-gosto-do-cinema-politico.html"><span style="font-weight: 400;">essencialmente político</span></a><span style="font-weight: 400;"> como é, discutir seus méritos importe menos do que discutir sua relevância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecer a história de Slahi importa, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mauritano</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe que o buraco ainda é mais embaixo: como o monólogo do protagonista de Rahim atesta, ‘a maior democracia do mundo’ está longe do exemplo de liberdade e justiça que se gaba de ser. Os letreiros finais mostram como só 7 anos após ser absolvido, </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/10/eua-enviam-preso-autor-de-o-diario-de-guantanamo-mauritania.html"><span style="font-weight: 400;">Mohamedou finalmente deixou Guantánamo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não foi o único a ter uma estadia injusta por lá. Pior ainda, as sequelas da era Bush e da ‘guerra ao terror’ continuam, do preconceito e das ofensivas à população muçulmana, </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/09/09/por-que-a-guerra-no-afeganistao-se-tornou-a-mais-longa-ja-travada-pelos-eua.ghtml"><span style="font-weight: 400;">até em seus países</span></a><span style="font-weight: 400;">, à </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/02/12/biden-retoma-projeto-de-fechamento-da-prisao-de-guantanamo-anuncia-casa-branca.ghtml"><span style="font-weight: 400;">continuidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> das atividades em Guantánamo. </span><span style="font-weight: 400;">Ao final, seja qual for o saldo da experiência cinematográfica, o que fica é o que importa: essa é uma história real.</span></p>
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		<title>O brilho de uma estrela em Estados Unidos Vs Billie Holiday</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 18:12:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva O caminho das cinebiografias é um tanto arriscado de se explorar. Eleger uma personalidade para ser a peça central de uma narrativa requer pensar em detalhes minuciosos, em um recorte que vá além de sua brilhante carreira em vida. Vemos isso acontecer em títulos mais recentes, como Bohemian Rhapsody, que conduz a história &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estados-unidos-vs-billie-holiday-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O brilho de uma estrela em Estados Unidos Vs Billie Holiday"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20046" aria-describedby="caption-attachment-20046" style="width: 1918px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20046 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem_1_12.jpg" alt="Cena do filme Estados Unidos Vs Billie Holiday. Na imagem, vemos Billie Holiday, interpretada por Andra Day, em frente a um microfone, com os braços abertos. Ela é uma mulher negra, de cabelos escuros presos em um coque no topo da cabeça, com uma flor branca ao lado esquerdo. Billie veste um vestido preto, luvas brancas compridas, um par de brincos e um colar. Ela está sorrindo e com os olhos fechados." width="1918" height="1052" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem_1_12.jpg 1918w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem_1_12-300x165.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem_1_12-1024x562.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem_1_12-768x421.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem_1_12-1536x842.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem_1_12-1200x658.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20046" class="wp-caption-text">Com direção de Lee Daniels e roteiro de Suzan Lori-Park, o filme recebeu apenas uma indicação no Oscar 2021, na categoria de Melhor Atriz (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O caminho das cinebiografias é um tanto arriscado de se explorar. Eleger uma personalidade para ser a peça central de uma narrativa requer pensar em detalhes minuciosos, em um recorte que vá além de sua brilhante carreira em vida. Vemos isso acontecer em títulos mais recentes, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rhapsody-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bohemian Rhapsody</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que conduz a história do Queen sob a perspectiva do grandioso Freddie Mercury, e em </span><a href="https://personaunesp.com.br/rocketman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Rocketman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que se centra na ascensão e vícios de Elton John. Essa escolha precisa é algo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Estados Unidos Vs Billie Holiday</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foi capaz de realizar. </span></p>
<p><span id="more-20045"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra de Lee Daniels, que também dirigiu o tocante </span><i><span style="font-weight: 400;">Preciosa &#8211; Uma História de Esperança</span></i><span style="font-weight: 400;">, se propõe a narrar o acontecimento em que Billie Holiday (Andra Day) foi investigada pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI</span></i><span style="font-weight: 400;">. O fato se deu por a cantora de</span><i><span style="font-weight: 400;"> jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">insistir em performar a sua música </span><a href="https://genius.com/1865742"><i><span style="font-weight: 400;">Strange Fruit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que era um protesto contra </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-43915363"><span style="font-weight: 400;">o linchamento de pessoas negras</span></a><span style="font-weight: 400;"> no país, algo muito comum e aceito nos estados sulistas na época. Como argumento para silenciar e diminuir a força de Billie na causa racial, o Departamento Federal de Narcóticos passou a tê-la como alvo de uma investigação, já que ela era usuária de heroína. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas apesar do título endossar por completo essa proposta narrativa, o resultado final do filme passa longe dela. A vida de Billie Holiday já era </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/abuso-e-prostituicao-perturbadora-infancia-da-cantora-billie-holiday.phtml"><span style="font-weight: 400;">conturbada por si só</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além do conflito com o governo e sua dependência química, a artista carregava uma trajetória de vida acompanhada por episódios de violência sexual desde a infância e uma série de relacionamentos abusivos. Tentar comprimir toda a carga de sua história em um longa-metragem é um desafio e tanto, e Daniels acabou abrindo todas essas portas e distribuindo em uma trama caótica e desconcertada. </span></p>
<figure id="attachment_20047" aria-describedby="caption-attachment-20047" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20047 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5989310.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Estados Unidos Vs Billie Holiday. Nela, vemos as personagens Roslyn, interpretada por Da'Vine Joy Randolph, e Billie Holiday, interpretada por Andra Day, sentadas em duas poltronas, com uma mesa ao centro. Roslyn é uma mulher negra, de cabelos escuros e soltos, ela veste um vestido azul com flores rosas e um casaco de pelos brancos; Roslyn também está com óculos escuros e as pernas cruzadas. Billie é uma mulher negra, com cabelos escuros presos em um coque baixo, ela veste um terno e calça social preta e está com um casaco de pele marrom no braço direito, e um cachorro no braço esquerdo." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5989310.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5989310.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5989310.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5989310.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5989310.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20047" class="wp-caption-text">O filme se baseia no livro <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/01/usuario-autor-costura-historias-sobre-o-fracasso-da-guerra-as-drogas.shtml">Na fissura: Uma história do fracasso no combate às drogas</a>, do jornalista britânico Johann Hari (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Estados Unidos Vs Billie Holiday</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem seu início construído em torno da polêmica canção de Lady Day (como a cantora também era chamada), inclusive mostrando o sucesso dos agentes federais em prendê-la por um ano e um dia. No entanto, sem ter um eixo narrativo definido, a obra se dissolve e se perde pelos vários aspectos e problemas da vida da artista. E, por escolher diferentes histórias para serem trabalhadas, acaba, de fato, não aprofundando nenhuma delas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor seleciona momentos aleatórios e desconexos da vida de Billie, e tenta ao máximo remendá-los de alguma forma. Com isso, elege como um dos fios condutores o suposto romance da cantora com Jimmy Fletcher (</span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><span style="font-weight: 400;">Trevante Rhodes</span></a><span style="font-weight: 400;">), o agente designado para se infiltrar em seu círculo social e conseguir incriminá-la, mas que acaba se apaixonando por ela. Um belo desperdício de escolha, como se a vida de Holiday não tivesse material interessante o suficiente para ser desenvolvido. </span></p>
<figure id="attachment_20048" aria-describedby="caption-attachment-20048" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20048 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/BillieHolidayFilm_AndraTrevante-scaled-1-2048x1365-1.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Estados Unidos Vs Billie Holiday. Na imagem, vemos os personagens Billie, interpretada por Andra Day, e Jimmy Fletcher, interpretado por Trevante Rhodes, dançando juntos em um salão. Billie é uma mulher negra, de cabelos escuros presos em um coque baixo, ela veste um vestido amarelo com estampa florida. Jimmy é um homem negro, de cabelos escuros e ralos, ele veste uma camisa social vermelha." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/BillieHolidayFilm_AndraTrevante-scaled-1-2048x1365-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/BillieHolidayFilm_AndraTrevante-scaled-1-2048x1365-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/BillieHolidayFilm_AndraTrevante-scaled-1-2048x1365-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/BillieHolidayFilm_AndraTrevante-scaled-1-2048x1365-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/BillieHolidayFilm_AndraTrevante-scaled-1-2048x1365-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/BillieHolidayFilm_AndraTrevante-scaled-1-2048x1365-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20048" class="wp-caption-text">Apadrinhada por Stevie Wonder, Andra Day já recebeu<a href="https://www.grammy.com/grammys/artists/andra-day/18980"> três indicações</a> ao Grammy (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na coleção de possibilidades desperdiçadas se somam várias: a cena quase cômica do funeral do cachorro de Billie, a breve performance de </span><a href="https://personaunesp.com.br/boneca-russa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Natasha Lyonne</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Tallulah Bankhead, e por aí vai. As milhares de discussões que poderiam ser trabalhadas em torno da questão racial e da </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/guerra-as-drogas-e-o-canto-da-sereia/"><span style="font-weight: 400;">guerra às drogas</span></a><span style="font-weight: 400;"> são jogadas ao vento, sendo aspectos mínimos em cenas carregadas de doses dramáticas. Lee Daniels luta a todo custo para abraçar a trajetória de vida completa da cantora, e se esquece de explorar as nuances da própria personagem e dos outros que estão ao seu redor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as decisões não feitas, o filme também não possui nenhum recorte temporal definido, e se estende por anos da vida de Lady Day, até o seu falecimento. A narrativa dá diversos saltos temporais, rodopia e vai e volta para o mesmo lugar, com uma linha do tempo definida apenas na cabeça de quem a escreveu. A entrevista que dá o pontapé inicial em <em>Estados Unidos Vs Billie Holiday</em> é retomada várias vezes como uma espécie de gancho narrativo, mas sem ser localizada num espaço de tempo e fazer sentido algum na trama. Tudo é cansativo e arrastado, durante os seus longos e infinitos 130 minutos de duração.</span></p>
<figure id="attachment_20049" aria-describedby="caption-attachment-20049" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20049 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Billie-Holiday.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Estados Unidos Vs Billie Holiday. Na imagem, a personagem Billie, interpretada por Andra Day, está cantando no palco, à esquerda, e, à direita, vemos um músico com o que parece ser um trompete. Billie é uma mulher negra, com cabelos escuros e presos em um coque baixo e com uma flor presa no lado esquerdo da cabeça; ela usa um vestido branco e preto e está com luvas pretas nos braços." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Billie-Holiday.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Billie-Holiday-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Billie-Holiday-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Billie-Holiday-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Billie-Holiday-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Billie-Holiday-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20049" class="wp-caption-text">Essa não é a primeira vez que Billie Holiday é retratada no cinema, em 1972, Diana Ross deu vida à cantora em O Ocaso de uma Estrela (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, no fim do túnel, há uma luz, e ela se chama Andra Day. Em seu papel de estreia nas telonas, a </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-157883/"><span style="font-weight: 400;">já conhecida cantora</span></a><span style="font-weight: 400;"> carrega o protagonismo com facilidade. Sua performance se sintoniza por completo com a potente personalidade de Billie Holiday, desde a rouquidão na voz até a sua presença e atitude nos palcos. Mesmo com profundidade e motivações pouco trabalhadas, sua entrega é o que nos mantém atraídos até a última cena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E todo o seu talento demonstrado já foi devidamente reconhecido, com sua vitória por Melhor Atriz em Filme Dramático no </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-globo-de-ouro-2021/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, e por também ter sido indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas a corrida entre as atrizes para o prêmio mais importante do cinema não poderia estar mais disputada. Além da grandiosidade dos nomes concorrentes, a temporada de premiações tem distribuído suas estatuetas: </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-voz-suprema-do-blues-critica/"><span style="font-weight: 400;">Viola Davis</span></a><span style="font-weight: 400;"> levou o </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-sag-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">SAG</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><span style="font-weight: 400;">Carey Mulligan</span></a><span style="font-weight: 400;"> se consagrou no </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><span style="font-weight: 400;">Frances McDormand</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">. O mistério sobre quem irá atravessar a linha de chegada falta pouco para ser revelado. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Andra Day Performs &quot;Strange Fruit&quot; | United States vs. Billie Holiday | Hulu" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Epm0v1px2oM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma edição tão reconhecida pela diversidade em suas indicações, especialmente com filmes com fortes temáticas raciais, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Judas e o Messias Negro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-noite-em-miami-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite em Miami…</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não seria mais que especial coroar Andra em uma das categorias principais da noite. Não só para fazer reconhecer seu trabalho em carregar todo o peso de uma obra nas costas, mas também para rememorar uma história apagada, de uma das maiores cantoras de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos, e que foi uma figura importante na luta pelos direitos civis da comunidade negra. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Estados Unidos Vs Billie Holiday </span></i><span style="font-weight: 400;">é um filme que se constrói pela força de sua protagonista, trajetória semelhante a de Renée Zellweger em </span><i><span style="font-weight: 400;">Judy: Muito Além do Arco-Íris</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, inclusive, a destinou </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/noticia/2020/02/10/renee-zellweger-ganha-o-oscar-de-melhor-atriz-por-judy-muito-alem-do-arco-iris.ghtml"><span style="font-weight: 400;">ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> no ano passado. A obra de Lee Daniels é um tanto corajosa, por seguir caminhos arriscados e até experimentais, mas que, infelizmente, não funcionam. A sua beleza se dá mesmo na grandiosidade de Andra Day. Que sua trajetória no Cinema esteja apenas começando. </span></p>
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		<title>Judas e o Messias Negro mostra de maneira formidável quem é o seu ‘verdadeiro vilão’</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2021 19:30:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ma Ferreira “Um distintivo assusta mais que uma arma”. Na Chicago de 1968, conhecemos um futuro Messias que, se apoiando em ombros de gigantes, sabe bem qual seu real inimigo e como atingi-lo. Enquanto esse Messias organiza seu rebanho, ele cresce como alvo principal do FBI, que angaria um ladrão de carros para ser seu &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Judas e o Messias Negro mostra de maneira formidável quem é o seu ‘verdadeiro vilão’"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19236" aria-describedby="caption-attachment-19236" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-19236" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-5-1024x683.jpg" alt="Cena do filme Judas e o Messias Negro. Na imagem, vemos o personagem William O´Neal, interpretado por Lakeith Stanfield, um homem negro de cabelos curtos, apertando a mão do agente do FBI Roy Mitchell, um homem branco de cabelos loiros e curtos interpretado por Jesse Plemons. Ambos vestem ternos pretos. Roy Mitchell está de pé e olha para William, que está sentado à sua frente, com um sorriso satisfeito. William tem uma expressão desconfiada. Os dois personagens estão em uma sala de cor esverdeada, e ao fundo deles há uma porta de madeira com uma faixa em vidro." width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-5-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-5.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19236" class="wp-caption-text">Lakeith interpreta William O&#8217;Neal, o infiltrado do FBI no Panteras Negras, em Judas e o Messias Negros, que possui seis indicações ao Oscar 2021 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Ma Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Um distintivo assusta mais que uma arma</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Na Chicago de 1968, conhecemos um futuro Messias que, se apoiando em ombros de gigantes, sabe bem qual seu real inimigo e como atingi-lo. Enquanto esse Messias organiza seu rebanho, ele cresce como alvo principal do </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que angaria um ladrão de carros para ser seu delator e algoz. Essa é a premissa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hX3o0kKJeZk"><i><span style="font-weight: 400;">Judas e o Messias Negro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, longa que expõe problemáticas raciais da sociedade norte-americana, e que é protagonizado por Daniel Kaluuya e Lakeith Stanfield com a direção de Shaka King.</span></p>
<p><span id="more-19235"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro é baseado em uma história real de traição. William (Bill) O&#8217;Neal serviu como um agente infiltrado dentro dos </span><a href="https://www.geledes.org.br/historia-dos-panteras-negras-em-27-fatos-importantes/"><span style="font-weight: 400;">Panteras Negras</span></a><span style="font-weight: 400;"> para delação dos passos de Fred Hampton, culminando no assassinato deste. O filme é uma excelente proposta de reflexão sobre a moral, preconceito racial e estruturas de poder, sendo tanto um verdadeiro guia de militância, quanto de análise das posturas, atitudes e investimentos realizados por Hampton. Não à toa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Judas e o Messias Negro</span></i><span style="font-weight: 400;"> já rendeu algumas indicações e prêmiosa Daniel Kaluuya como Melhor Ator Codjuvante (vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-globo-de-ouro-2021/#more-18660"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro </span></a><span style="font-weight: 400;">e do </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1369070191146115072"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<figure id="attachment_19237" aria-describedby="caption-attachment-19237" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-19237" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-3-1024x539.jpg" alt="Cena do filme Judas e o Messias Negro. Na imagem, vemos o personagem Fred Hampton, interpretado por Daniel Kaluuya, seguido de William O´Neal, interpretado por Lakeith Stanfield, e ao fundo estão outros personagens dos Panteras Negras. A imagem está aproximada nos dois personagem e desfocada nos demais, estando com um efeito que a deixa toda em vermelho." width="840" height="442" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-3-1024x539.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-3-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-3-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-3.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19237" class="wp-caption-text">Fred Hampton e William O&#8217;Neal são personagens com trajetórias densas e que justificam suas atitudes (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/02/12/movies/shaka-king-judas-black-messiah.html"><span style="font-weight: 400;">Shaka King</span></a><span style="font-weight: 400;"> acerta ao mesclar imagens reais junto às dramatizadas, conseguindo que o espectador se envolva, entendendo o quão dolorosa é a luta e trajetória de Hampton. Os recortes das imagens da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NitwNz9-IPg"><span style="font-weight: 400;">entrevista de Bill</span></a><span style="font-weight: 400;">, as mudanças nas posturas de Fred que afetam as atuações do Panteras, e os momentos de conflitos internos dos protagonistas sempre são precedidos por um estridente som musical que os demarca, como se fossem capítulos na evolução da narrativa e se tornando mais fortes perto do desfecho da mesma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou a revolução!</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Um dos presentes na vida de Hampton é a sua camarada Deborah Johnson, interpretada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kSsX4X0B-DU"><span style="font-weight: 400;">Dominique Fishback</span></a><span style="font-weight: 400;"> (atriz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Project Power,</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">). É com a personagem que Hampton repensa seu discurso de mais radical para algo mais acolhedor. Deborah trás leveza, emoção, uma visão mais humana da narrativa. Sua gravidez também nos faz questionar o quanto os </span><a href="https://medium.com/revista-subjetiva/meu-corpo-%C3%A9-pol%C3%ADtico-dir-alice-riff-2017-brasil-72-min-6e157462e6fe"><span style="font-weight: 400;">corpos são políticos</span></a><span style="font-weight: 400;">, eles são armas, mas também são, em essência, pessoas. Ela carrega em si a esperança de outros dias de luta, não só por gestar o filho do Messias, mas por continuar engajada nos Panteras Negras mesmo depois do assassinato de seu companheiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kaluuya cresce com este personagem. Ele é intenso, doloroso, revoltado, de fato um revolucionário, de fato uma ameaça ao </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI</span></i><span style="font-weight: 400;"> quando consegue unir gangues, até mesmo de extremistas brancos sulistas, contra as repressões policiais. O ator que se consagrou com</span> <a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e fez o mais recente soco no estômago </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G6Th84oGDno"><i><span style="font-weight: 400;">Queen &amp; Slim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tem o ápice de suas atuações neste papel, merecendo destaque suas cenas pós-prisão, onde a vontade de lutar, as características de pertencimento e de crença nas pessoas se fazem maiores do que qualquer medo de repressão/opressão policial e sistêmica. </span></p>
<figure id="attachment_19238" aria-describedby="caption-attachment-19238" style="width: 680px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19238" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-3.jpg" alt="Cena do filme Judas e o Messias Negro. Na imagem, vemos o personagem Fred Hampton, interpretado por Daniel Kaluuya, com os punhos para o alto em um púlpito.À sua frente estão muitas pessoas com os punhos ao alto, repetindo seu gesto. O ambiente é de um auditório.A maioria das pessoas está vestida com sobretudos e casacos pretos e cinzas. Hampton está com uma jaqueta de couro preta. Ao fundo, atrás dele, está uma faixa com o dizer “Welcome Home”." width="680" height="453" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-3.jpg 680w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-3-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19238" class="wp-caption-text">A canção de <a href="https://stories.purebreak.com.br/conheca-a-her-cantora-vencedora-do-grammy-e-indicada-ao-oscar/">H.E.R.</a> para o filme, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=exJq2NrAwdc">Fight For You</a>, também concorre ao Oscar de Melhor Canção Original (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lakeith Stanfield também brilha em seu papel, ele traz um alívio cômico às situações que se coloca, mas ao mesmo tempo é um personagem que se vê em constante conflito. Seu papel tinha tudo para transformar o filme em mais um longa de agente infiltrado envolto em questões raciais, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G2qLubVrMV0"><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas foge disso ao ser questionador em suas conversas com o agente Roy Mitchell (</span><a href="https://personaunesp.com.br/estou-pensando-em-acabar-com-tudo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jesse Plemons</span></a><span style="font-weight: 400;">) e sofrer com suas próprias atitudes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Está virando um Pantera</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Bill, o selvagem, infelizmente é corrompido por um sistema e é usado apenas como mais um peão para aniquilar o Rei. A todo momento vemos o personagem de Lakeith, um dos principais atores da série de </span><a href="https://personaunesp.com.br/atlanta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Atlanta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, oscilar. O conflito vem da sensação de pertencimento que encontra nos Panteras e seus discursos e o seguimento dos planos do </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI</span></i><span style="font-weight: 400;">. Destacam-se aqui as cenas de reconstituição da sede dos Panteras, o questionamento de Bill a Roy quanto a necessidade da morte de Hampton e </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-56095921"><span style="font-weight: 400;">a última bebida que Judas oferece ao Messias</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Elas mostram de maneira sensível, crítica e fulminante os conflitos internos de um personagem extremamente intrigante no histórico interno dos Panteras Negras. As imagens inseridas no longa, de uma entrevista real com William O&#8217;Neal mostram o quanto a atuação de Lakeith é grandiosa por se aproximar das posturas de uma personalidade verdadeira. </span><i><span style="font-weight: 400;">Judas and the Black Messiah</span></i><span style="font-weight: 400;"> também mostra como o ator é versátil ao ser muitas vezes lembrado por produções em que ataca o racismo de forma ácida, irônica e até debochada, mas que neste longa apresenta uma face, na maior parte das vezes, séria e dramática.</span></p>
<figure id="attachment_19240" aria-describedby="caption-attachment-19240" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19240 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/judas-e-o-messias-negro-1024x554.jpg" alt="Cena do filme Judas e o Messias Negro. Na imagem, vemos o personagem Fred Hampton, interpretado por Daniel Kaluuya, seguido pelos demais companheiros dos Panteras Negras. Todos eles estão vestidos de preto, com casacos verde musgo, botas, óculos de sol e boinas pretas. Eles estão caminhando em direção à câmera por uma rua, ao fundo estão árvores e uma cerca gradeada, nas laterais da imagem nota-se o contorno desfocado de dois rostos de homens brancos." width="840" height="454" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/judas-e-o-messias-negro-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/judas-e-o-messias-negro-300x162.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/judas-e-o-messias-negro-768x416.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/judas-e-o-messias-negro-1200x650.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/judas-e-o-messias-negro.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19240" class="wp-caption-text">Judas e o Messias Negro é o primeiro filme indicado ao Oscar a ter toda equipe de <a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/oscar-2021-judas-e-o-messias-negro-e-o-primeiro-filme-produzido-inteiramente-por-negros-e-indicado-melhor-filme/">produção composta por pessoas negras</a> (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme com toda a certeza merece as nomeações e prêmios que vem recebendo, incluindo as do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Filme, Ator Coadjuvante (indicação dupla para Daniel Kaluuya e </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/lakeith-stanfield-ficou-confuso-com-indicacao-ao-oscar-de-melhor-ator-coadjuvante/"><span style="font-weight: 400;">Lakeith Stanfield</span></a><span style="font-weight: 400;">), Roteiro Original, dos irmãos </span><a href="https://www.salon.com/tv/video/mokrrp"><span style="font-weight: 400;">Kenny Lucas e Keith Lucas</span></a><span style="font-weight: 400;"> junto </span><a href="https://estacaonerd.com/judas-e-o-messias-negro-saiba-como-foi-a-preparacao-dos-atores-para-seus-personagens/"><span style="font-weight: 400;">a Shaka King e Will Berson</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a Fotografia, de </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2014/03/12-anos-de-escravidao-e-o-grande-vencedor-do-spirit-awards-2014.html"><span style="font-weight: 400;">Sean Bobbit</span></a><span style="font-weight: 400;">, vencedor do </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/bacurau-e-um-dos-indicados-ao-spirit-awards-2021-confira-lista-completa/"><i><span style="font-weight: 400;">Spirit Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> por seu trabalho em </span><a href="https://www.geledes.org.br/12-anos-de-escravidao-e-o-melhor-e-o-mais-necessario-filme-em-muitos-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">12 Anos de Escravidão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um dos concorrentes que já atende às propostas de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2020/09/08/oscar-vai-exigir-mais-diversidade-em-indicados-a-melhor-filme-a-partir-de-2024.ghtml"><span style="font-weight: 400;">acolhimento à diversidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas produções para que estas possam concorrer à premiação. Sua produção é essencialmente composta de pessoas negras (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/ryan-coogler-diretor-de-pantera-negra-diz-que-nao-imaginava-que-estaria-vivo-aos-30-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Ryan Coogler</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pantera-negra-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/news/mudbound-producer-charles-d-king-talks-renaissance-period-film-sorry-bother-you-1122853"><span style="font-weight: 400;">Charles D. King</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://theintercept.com/2018/08/03/sorry-to-bother-you-anticapitalismo/"><i><span style="font-weight: 400;">Sorry to Bother You</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e Shaka King) e o seu elenco é repleto de atores engajados em </span><a href="https://www.geledes.org.br/diretor-de-pantera-negra-fala-de-filme-sobre-ativista-assassinado-estamos-na-mesma-luta/"><span style="font-weight: 400;">produções</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mostram da melhor e mais pungente forma as opressões e os absurdos do racismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que ele não leve nenhuma estatueta, </span><i><span style="font-weight: 400;">Judas e o Messias Negro</span></i><span style="font-weight: 400;"> já é uma ótima indicação de longa que retrata de forma densa e bem colocada as questões raciais e de direitos humanos, bem como expõe as </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-01-27/biden-impulsiona-sua-agenda-contra-o-racismo-sistemico-nos-estados-unidos.html"><span style="font-weight: 400;">atuais problemáticas do racismo no país</span></a><span style="font-weight: 400;">. É de fato um filme sobre um agente infiltrado, que desenvolve em real complexidade os processos pelos quais Hampton e O&#8217;Neal passam para serem quem são e demonstra de maneira formidável o seu principal personagem e vilão, o racismo estrutural.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Judas e o Messias Negro - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/hX3o0kKJeZk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Aceitando o impossível, Rosa e Momo aprendem a sobreviver</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Mar 2021 19:40:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Sophia Loren. Apenas o nome dela basta para iniciar a crítica. Uma das principais atrizes do mundo, e talvez a mais renomada da Itália, estava há mais de uma década longe dos grandes holofotes, após atuar ao lado de Daniel Day-Lewis e Penélope Cruz no filme Nine, dirigido por Rob Marshall, fazendo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/rosa-e-momo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Aceitando o impossível, Rosa e Momo aprendem a sobreviver"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19169" aria-describedby="caption-attachment-19169" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19169 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-1-rosa-e-momo.jpg" alt="Foto retangular com fundo laranja. À direita vemos o rosto do garoto Ibramin sobreposto ao de Sophia Loren. A montagem possui tons alaranjados. À esquerda lê-se em branco ROSA E MOMO." width="1140" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-1-rosa-e-momo.jpg 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-1-rosa-e-momo-300x184.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-1-rosa-e-momo-1024x629.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-1-rosa-e-momo-768x472.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19169" class="wp-caption-text"><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,oscar-2021-italia-escolhe-notturno-para-concorrer-a-melhor-filme-internacional,70003529114">Fora da categoria de Melhor Filme Internacional</a>, Rosa e Momo está na corrida para Melhor Canção Original no Oscar 2021 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,homenagem-no-oscar-coroa-a-extensa-carreira-de-sophia-loren-estrela-de-rosa-e-momo,70003650030"><span style="font-weight: 400;">Sophia Loren</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apenas o nome dela basta para iniciar a crítica. Uma das principais atrizes do mundo, e talvez a mais renomada da Itália, estava há mais de uma década longe dos grandes holofotes, após atuar ao lado de Daniel Day-Lewis e Penélope Cruz no filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cSAmAP_yWpY"><i><span style="font-weight: 400;">Nine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Rob Marshall, fazendo apenas breves aparições nas telas desde então. Mas como a aposentadoria nem sempre é a escolha mais fácil para quem respirou Cinema durante toda vida, como Sophia, ela retorna ao audiovisual sob a direção de ninguém menos que seu filho </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=abTGjh0mJN0"><span style="font-weight: 400;">Edoardo Ponti</span></a><span style="font-weight: 400;">, e mostra que ainda tem força e talento de sobra para atuar.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">La Vita Davanti a Sé</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o título original da produção que marca a volta de Sophia Loren. Mundialmente conhecido como</span><i><span style="font-weight: 400;"> The Life Ahead</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme recebeu o nome de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=veENW22O0Pk"><i><span style="font-weight: 400;">Rosa e Momo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. Se engana quem acha que a tradução feita não tem nada a ver com a história, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rosa e Momo</span></i><span style="font-weight: 400;"> são os protagonistas da trama. Rosa é uma ex-prostituda que, ao chegar na velhice, passou a cuidar dos filhos das colegas de profissão, e Momo é um órfão senegalês que, após perder a mãe, ficou aos cuidados do Dr. Coen. Todas as mudanças na vida do garoto acabam levando-o para o mundo do tráfico e do roubo.</span></p>
<p><span id="more-19168"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Distribuído pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, o roteiro é uma adaptação do livro </span><a href="https://www.amazon.com.br/vida-pela-frente-Romain-Gary/dp/6580309393"><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Pela Frente</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Romain Gary, que já havia ganhado outra filmagem em 1977, dois anos depois de seu lançamento. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S4MmeUHQQvA"><i><span style="font-weight: 400;">Madame Rosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é muito conhecido na terra das palmeiras, mas recebeu a estatueta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Estrangeiro e do </span><i><span style="font-weight: 400;">César</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Atriz para Simone Signoret. Diferente da produção de 1977, que é francesa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rosa e Momo</span></i><span style="font-weight: 400;"> se ambienta na Itália, trazendo mais conforto à atriz veterana.</span></p>
<figure id="attachment_19170" aria-describedby="caption-attachment-19170" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19170 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-2-rosa-e-momo.jpg" alt="Foto da atriz Sophia Loren. Uma mulher branca de 86 anos. Ela tem cabelos grisalhos, ondulados e longos. Veste um vestido azul com flores roxas. Ela está sentada numa cadeira de madeira. No funda à direita vemos uma parede de azulejo branco, à esquerda um armário aberto. Na primeira fileira do armário vemos embalagens de comida, na segunda pratos branco e na terceira canecas azuis." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-2-rosa-e-momo.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-2-rosa-e-momo-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-2-rosa-e-momo-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-2-rosa-e-momo-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-2-rosa-e-momo-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19170" class="wp-caption-text">Aos 86 anos, Sophia Loren prova que ainda tem fôlego para premiações (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem é acostumado com a turbulenta cenografia estadunidense, o visual de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rosa e Momo </span></i><span style="font-weight: 400;">chega a ser aconchegante, com a calorosa iluminação das ruas italianas muito bem aproveitadas. O visual da casa, e principalmente suas cores, é tão bem trabalhado que você se pega pensando que é óbvio Rosa morar naquele local. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como </span><a href="https://personaunesp.com.br/el-camino-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Breaking Bad</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é marcado pela teoria das cores, que se reflete na vestimenta das personagens, a direção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rosa e Momo</span></i><span style="font-weight: 400;"> também acerta em cheio ao utilizar a técnica de modificar a paleta de cores das roupas dos protagonistas conforme eles carinhosamente se aproximam. Isso ajuda a criar o apelo emotivo que é corroborado para os sentimentos que pairam no ar do telespectador quando o filme acaba. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Rosa e Momo</span></i><span style="font-weight: 400;"> começa por aquilo que é seu final, não entendemos direito toda afobação da primeira cena até que há o corte para o real início da história. Tendo em vista que a trama é construída cena após cena, conforme são revelados os traumas das personagens principais, e que não há grande </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> na produção, pois o intuito é ser um melodrama simples e emocionante, não havia necessidade do início e do fim serem o mesmo.</span></p>
<figure id="attachment_19171" aria-describedby="caption-attachment-19171" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19171 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-3-rosa-e-momo.jpg" alt="Cena de Rosa e Momo. À esquerda vemos o ator Ibramin, um garoto negro de 12 anos. Ele veste moletom com estampa de camuflagem. Ele está olhando para personagem  de Sophia Loren que está à direita. Ela veste uma roupa preta com flores rosas e seu cabelo está solto. Seu olhar é fixo. Está chovendo. Ao fundo vemos lençóis marrom, branco, azul e florido de azul, estendidos no varal." width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-3-rosa-e-momo.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-3-rosa-e-momo-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-3-rosa-e-momo-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-3-rosa-e-momo-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-3-rosa-e-momo-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-3-rosa-e-momo-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19171" class="wp-caption-text">Sto qui (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida deles se cruza quando Momo rouba no meio da rua a bolsa de castiçais de Rosa, mas eles verdadeiramente começam o enredo a partir do momento em que o </span><a href="https://www.melhoresfilmes.com.br/atores/renato-carpentieri"><span style="font-weight: 400;">Dr. Coen</span></a><span style="font-weight: 400;"> não pode mais cuidar do menino de 12 anos e, humildemente, vai até Rosa pedir para que fique com o garoto. Até então, ela é apenas uma mulher que cuida de filhos de prostitutas, as incógnitas sobre sua vida surgem conforme há evolução na personagem, e é nessa construção onde todo brilhantismo de Sophia Loren é depositado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Temos duas pessoas vivendo traumas pessoais. A comunicação corporal do ator mirim, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TsvJlnaNJJw"><span style="font-weight: 400;">Ibrahima Gueye</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi excepcional. Sua solidão e suas explosões de raiva nos fazem esquecer que tudo aquilo não passa de encenação. O ator mostra ser promissor ao encarnar com tanta verdade o personagem pré-adolescente de psicológico complexo. O envolvimento comercial com um traficante e a ânsia de querer ser o melhor representam de maneira cirúrgica que comportamentos problemáticos são reflexos de dores e grandes perdas. É um prazer assistir a atuação de Ibrahima Gueye durante uma hora e meia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rosa é sobrevivente do holocausto, carregando em si a tatuagem de identificação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=q0ULzaJtuec"><span style="font-weight: 400;">Auschwitz</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em uma tocante cena, Momo pergunta à ela o que é a marca em seu braço e não entende o significado de campos de concentração. Nesse momento entendemos o traço de personalidade mais isolado de Rosa, que toda noite procura refúgio em um quarto separado de sua casa. Ela opta por manter a inocência de Momo em relação a</span> <span style="font-weight: 400;">Auschwitz do que contar todas barbaridades cometidas por nazistas. Em uma temporada de premiações onde não vemos tantos </span><a href="https://personaunesp.com.br/dunkirk-critica-nolan/"><span style="font-weight: 400;">filmes de guerra</span></a><span style="font-weight: 400;"> como de costume, a sensibilidade em que o assunto é tratado em </span><i><span style="font-weight: 400;">La Vita Davanti a Sé</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um respiro em meio a canhões.</span></p>
<figure id="attachment_19172" aria-describedby="caption-attachment-19172" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19172 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-4-rosa-e-momo.jpg" alt="Foto de Ibramin. Ele é um garoto negro de 12 anos. Usa moletom com estampa de camuflagem, blusa azul e um fone de ouvido azul no pescoço. Ao fundo vemos paredes brancas e à direita um cameraman segurando uma camera preta no ombro. Esse homem é branco e veste camiseta azul. Ao lado dele há mais duas pessoas desfocadas." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-4-rosa-e-momo.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-4-rosa-e-momo-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-4-rosa-e-momo-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-4-rosa-e-momo-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19172" class="wp-caption-text">Em seu segundo filme, o menino de 12 anos mostrar ser um prodígio do cinema (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O passado das personagens não cobram um grande enredo para a produção do presente filme. Esse fato, junto a incessante preocupação em construir laços afetivos entre os papéis interpretados por Ibrahima Gueye e Sophia Loren, torna as tramas secundárias completamente esquecíveis. Lola, interpretada pela roteirista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vis a Vis</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RCQfONeclxI"><span style="font-weight: 400;">Abril Zamora</span></a><span style="font-weight: 400;">, se encarrega apenas pelo papel de amiga de Rosa e mãe de uma das crianças, não tendo nenhuma linha do tempo própria que a faça caminhar sozinha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que o filme conta o passado, ele constrói o presente, com as atitudes das personagens sendo justificadas pelos traumas. A história sobre cuidado mútuo mostra Rosa aceitando cuidar de Momo contra sua vontade, mas quando a personagem começa apresentar os sinais do trágico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qwVB_kKI2Ug"><i><span style="font-weight: 400;">Alzheimer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é o garoto privado de cuidados durante a segunda infância que se mostra leal a ela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A confiança também é peça fundamental para o quebra-cabeça de emoções. O pedido de Rosa nos momentos de lucidez, refletido de seu medo durante a Segunda Guerra, é acatado pelo menino de maneira fiel. Toda defesa que ele constrói em relação àquela figura que o cuidou por um curto período reforça o apelo emocional que é o foco.</span></p>
<figure id="attachment_19173" aria-describedby="caption-attachment-19173" style="width: 1355px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19173 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-5-rosa-e-momo.jpg" alt="Cena de Rosa e Momo. À direita temos Sophia Loren (Rosa). Ela usa um vestido branco de flores vermelhas. Esta segunda as mãos da atriz Abril Zamora que está ao seu lado. As duas estão se olhando. Abril é uma mulher branca de cabelo loira e usa um vestido preto de flores vermelhas e brancas. Ao fundo vemos parte da casa de Rosa. A cortina vermelha, o sofá com almofadas coloridas e uma estande de madeira." width="1355" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-5-rosa-e-momo.jpg 1355w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-5-rosa-e-momo-300x199.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-5-rosa-e-momo-1024x680.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-5-rosa-e-momo-768x510.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-5-rosa-e-momo-1200x797.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19173" class="wp-caption-text">Só peço favor de que tenhas cuidado (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem intenção de ser grandioso, a simplicidade do filme e o retorno de Sophia Loren são os principais fragmentos de sucesso da produção cinematográfica que vem dando o nome em premiações como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-globo-de-ouro-2021/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1369070191146115072"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,  concorrendo em ambas na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Ibrahima Gueye que, dirigido com maestria, se fez notável ao lado da gigante Loren, recebeu a também indicação no </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Ator/Atriz Jovem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com apenas essa indicação à Canção Original ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> fica o questionamento se veremos Sophia Loren, primeira atriz a ganhar o prêmio com um filme não falado em inglês e outro pelo conjunto de sua obra, e seu filho correndo em produções futuras pela campanha para o prêmio de Melhor Atriz, da mesma forma que tentou emplacar o curta de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HGwIbyVnRIk"><i><span style="font-weight: 400;">La voce umana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Edoardo Ponti, apresentado no </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/"><span style="font-weight: 400;">Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em 2014. E foi pré-selecionada, mas não chegou à lista final da premiação com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cFE7Pjcoqs4"><i><span style="font-weight: 400;">O que Sophia Loren Faria?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, curta em documentário lançado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">esse ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o verdadeiro destaque e que já conseguiu faturar um prêmio televisionado pra conta</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">além de uma indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, é </span><a href="https://open.spotify.com/track/5eFNJF5IdaBS2k3SOmNmBu?si=JThsPI34TPK8qrBFn_JJkg"><i><span style="font-weight: 400;">Io sí</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">A canção original de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rosa e Momo </span></i><span style="font-weight: 400;">é assinada por Diane Warren &#8211; mulher com maior número de indicações ao prêmio da Academia sem nunca ter ganho &#8211; e magicamente interpretada pela inconfundível voz de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/2e4nwiX8ZCU09LGLOpeqTH?si=FpvCBpEXTcqUTFO2xmkNgg"><span style="font-weight: 400;">Laura Pausini</span></a><span style="font-weight: 400;">, que instiga o telespectador a assistir aos créditos para continuar apreciando a canção. Parte desse encanto talvez seja porque a trilha sonora deixa a desejar, à exceção de </span><a href="https://open.spotify.com/track/4h7cyarCh1BpD764kBkMTV?si=GA0C3574RL6IYK0P7l6N_A"><i><span style="font-weight: 400;">Malandro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, cantada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/planeta-fome-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elza Soares</span></a><span style="font-weight: 400;">, que rendeu a cena de Loren dançando, por momentos as faixas tocadas destoam da premissa inscrita no roteiro. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Laura Pausini - Io sì (Seen) [From The Life Ahead (La vita davanti a sé)] (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/imjSm7FNmwE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=veENW22O0Pk&amp;t=43s"><i><span style="font-weight: 400;">Rosa e Momo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> encarna um roteiro forte com suas sutilezas que nos faz pensar horas a fio mesmo depois de seu término. O sacrifício de histórias secundárias permite que a produção atinja seu objetivo central, o de emocionar. O filme em sua totalidade pode não ser um primor, mas a direção sabe onde quer chegar e consegue elaborar um trabalho sequencial que não se perde durante a caminhada. A Canção Original foi a cereja no topo do bolo, dando melodia pra dança da trama. Ibrahim Gueye inicia sua jornada com potencial de abrilhantar muitos produtos culturais e Sophia Loren retorna completa e dona de si.</span></p>
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		<title>Eu Me Importo: quando o filme tenta parecer mais do que realmente é</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Mar 2021 16:53:50 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Andreza Santos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Andreza Santos &#8220;Você é um leão ou um cordeiro?&#8221; Essa é uma das perguntas feitas à Marla Grayson, protagonista do novo filme da Netflix intitulado Eu Me Importo, interpretada pela brilhante e muito competente Rosamund Pike (de Garota Exemplar), o que lhe rendeu uma indicação – vitoriosa – ao Globo de Ouro de Melhor Atriz &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/eu-me-importo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Eu Me Importo: quando o filme tenta parecer mais do que realmente é"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18947" aria-describedby="caption-attachment-18947" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18947" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image1.png" alt="Cena do filme Eu Me Importo. No centro da cena está Rosamund Pike, mulher branca de cabelos loiros acima dos ombros e é a intérprete de Marla Grayson. Ela veste um terno cinza escuro, está utilizando batom vermelho e fumando. A fumaça se esvai pela boca e pelo nariz." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image1-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18947" class="wp-caption-text">Marla Grayson (Rosamund Pike) é a golpista sarcástica do filme (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Andreza Santos</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Você é um leão ou um cordeiro?&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;"> Essa é uma das perguntas feitas à Marla Grayson, protagonista do novo filme da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> intitulado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DjovwjAVD_o"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Me Importo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, interpretada pela brilhante e muito competente Rosamund Pike (</span><i><span style="font-weight: 400;">de Garota Exemplar</span></i><span style="font-weight: 400;">), o que lhe rendeu uma indicação – vitoriosa – ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-globo-de-ouro-2021/#more-18660"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical. Todos os elogios são válidos para a protagonista, mas o longa infelizmente deixa a desejar.</span></p>
<p><span id="more-18946"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama conta a história da cuidadora de idosos Marla, que ganha dinheiro em cima de velhinhos por meio de determinações judiciais, não podem mais ser responsáveis por si mesmos. E é justamente assim que o filme começa, ela em um tribunal argumentando contra liberar uma das idosas que vive na sua clínica e ganhando o caso facilmente, pela sua influência no ramo de cuidadoras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grayson e Fran (</span><a href="https://spinoff.com.br/velozes-e-furiosos-eiza-gonzalez-fala-sobre-sua-participacao-na-franquia/"><span style="font-weight: 400;">Eiza González</span></a><span style="font-weight: 400;">) têm a relação mais aprofundada do filme, além de aplicarem golpes juntas, elas também são namoradas, um relacionamento invejável e muito carinhoso. Fran é o braço direito da clínica, ela investiga os pacientes antes da companheira entrar com a ação judicial e tem contatos suficientes para revirar a vida de qualquer um.</span></p>
<figure id="attachment_18949" aria-describedby="caption-attachment-18949" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18949" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image3.jpg" alt="Cena do filme Eu Me Importo. No lado esquerdo está Eiza González que dá vida a personagem Fran, namorada de Marla. Ela é uma mulher, latina, de cabelos cacheados e pretos na altura dos ombros. Ela utiliza uma blusa de manga comprida na cor cinza. Ao lado dela está Marla, de Rosamund Pike, mulher branca de cabelos loiros presos. Ela veste uma blusa estampada e está segurando um vape em suas mãos." width="750" height="431" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image3.jpg 750w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image3-300x172.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18949" class="wp-caption-text">O filme atingiu rapidamente o Top 10 da Netflix em diversos países (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Eis que surge uma idosa “cereja” – assim apelidada por elas. Jennifer Peterson (</span><a href="https://vejasp.abril.com.br/blog/miguel-barbieri/duas-vezes-premiada-com-o-oscar-em-filmes-de-woody-allen-dianne-wiest-se-queixa-da-falta-de-bons-papeis/"><span style="font-weight: 400;">Dianne Wiest</span></a><span style="font-weight: 400;">) é aposentada, mora sozinha, nunca se casou, sem filhos, e com uma conta bancária bem recheada, se tornando tudo o que elas querem. Atentamente observada pela dupla, ela é retirada de sua casa após sentença judicial movida pela médica Dra. Amos (Alicia Witt) – também envolvida no esquema – é levada a uma clínica de repouso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas após a idosa ser instalada no asilo, ela começa a ser procurada por amigos próximos, que infernizam a vida de Marla a fim de resgatá-la. É nesta parte, que descobrimos que a senhorinha indefesa, na verdade, faz parte da máfia russa.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Eu Me Importo</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem uma boa jogada de cenas rápidas mesmo no início, quando vemos diversos cuidadores de asilos com a narração da protagonista, já se entregando como uma vilã ambiciosa de forma bem sincera. A direção de arte utiliza muito dos tons claros no primeiro ato. Já no segundo, há algo bem mais sombrio nas cenas, até a chegada do último ato, que finaliza a história deixando tudo equilibrado em cena, como se o mundo voltasse aos eixos. </span></p>
<figure id="attachment_18948" aria-describedby="caption-attachment-18948" style="width: 1166px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18948" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image2-1.jpg" alt="Cena do filme Eu Me Importo. No lado esquerdo está Marla, interpretada por Rosamund Pike, mulher branca de cabelos loiros acima dos ombros. Ela veste um terno amarelo com uma camiseta branca e um óculos de sol pendurado na gola da camiseta. De frente para ela está Jennifer Peterson, a idosa vítima do golpe de Marla. Quem dá vida a personagem é a atriz Dianne Wiest, mulher branca de cabelo loiro e curto. Ela utiliza uma camiseta branca e um casaco verde." width="1166" height="777" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image2-1.jpg 1166w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image2-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image2-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image2-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18948" class="wp-caption-text">Depois do sucesso do longa, surgiram rumores de uma sequência (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um fato interessante sobre a trama é que não há mocinhas a serem resgatadas, todos ali são passíveis de culpa ou já fizeram algo de ruim. Até mesmo no embate entre a vilã, Marla, com Roman Lunyov – interpretado pelo genial Peter Dinklage (</span><i><span style="font-weight: 400;">de </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-season-finale-critica/#more-12076"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) – ela se torna implacável e debochada, o que traz um carisma muito cretino para a personagem. Não há para quem torcer, os dois competidores são cruéis, entretanto o charme de Rosamund nos leva a inconscientemente desejar a vitória dela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As viradas do roteiro após as confusões na vida da protagonista a tornam tão imbatível, como se de repente ela ganhasse superpoderes, é inacreditável tudo o que essa mulher faz por dinheiro. Como ela mesmo disse </span><i><span style="font-weight: 400;">“Sou uma leoa, cacete!”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa forma de se safar das coisas tem um quê de </span><a href="https://zint.online/televisao/good-girls-1t/"><i><span style="font-weight: 400;">Good Girls</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> porque, assim como as protagonistas da série, ela está acima de qualquer suspeita e passa completamente despercebida pelas autoridades.</span></p>
<figure id="attachment_18950" aria-describedby="caption-attachment-18950" style="width: 1123px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18950 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image4.jpg" alt="Cena do filme Eu Me Importo. No lado esquerdo está Peter Dinklage, ator anão, que interpreta o personagem Roman Lunyov, membro da máfia russa. É um homem branco, de barba e cabelos castanhos e veste uma camisola hospitalar. Ao lado dele está Marla, a atriz Rosamund Pike, mulher branca, de cabelos loiros acima do ombro, vestindo uma camisa branca." width="1123" height="750" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image4.jpg 1123w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image4-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image4-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18950" class="wp-caption-text">Roman Lunyov faz parte da máfia russa e confronta Marla em busca de resgatar Jennifer (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Eu Me Importo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é excelente porém cumpre um papel diferente no meio cinematográfico, traz o capitalismo abertamente com sarcasmo, zombando do tal </span><a href="https://juniorsilveira.com.br/sonho-americano-american-dream/"><span style="font-weight: 400;">sonho americano</span></a><span style="font-weight: 400;"> que os estadunidenses buscam ser. A forma como o diretor J Blakeson (</span><i><span style="font-weight: 400;">de </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DxCntPIs38U"><i><span style="font-weight: 400;">A 5ª Onda</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) guia o filme, provoca mudanças e dúvidas de até onde ele pretende ir, ou do quanto ele quer crescer mais a história. Não há clareza no gênero principal do filme já que ele permeia entre tantos e não se prende propriamente a nenhum.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">I Care a Lot</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um boa pedida para assistir no fim de semana, mas peca em tentar agradar a todos com sua trama indecisa e, às vezes, mirabolante. Apesar disso, trazer dois vilões disputando poder e influência sobre idosos foi um ponto cego bem trabalhado. Desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Exemplar</span></i><span style="font-weight: 400;"> (do magnífico diretor </span><a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Fincher</span></a><span style="font-weight: 400;">), Rosamund Pike não havia conseguido outro </span><i><span style="font-weight: 400;">hit </span></i><span style="font-weight: 400;">em sua carreira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela teve sim outras protagonistas mas nenhuma conseguiu chamar tanta atenção até ela ser agraciada com essa vilã caloteira de pouco caráter mas muita presença, roubando a cena como ninguém. Pike é especialista em fazer o público odiá-la, mas também se apaixonar por seus papéis. Confesso, estou agoniada pelo enorme </span><a href="https://hqscomcafe.com.br/2018/02/20/o-que-e-cliffhanger/"><i><span style="font-weight: 400;">cliffhanger</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> deixado por J Blakeson, mas não posso afirmar que uma sequência seria bem-vinda e, até o momento, nada foi confirmado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Eu Me Importo | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/DjovwjAVD_o?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Nomadland transforma o sonho americano em farofa</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Mar 2021 20:48:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista O ano era 2018. A elite de Hollywood se reunia no Dolby Theatre para a maior cerimônia do ano. Vestidos glamourosos, poses para fotos e estatuetas douradas, aquela noite era só sobre isso. Então, sobe ao palco Frances McDormand. Esbaforida, enérgica, com a cabeça à mil, ela agradece solenemente ao amor do marido &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nomadland-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nomadland transforma o sonho americano em farofa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19083" aria-describedby="caption-attachment-19083" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19083" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1.jpg" alt="Cena do filme Nomadland. Vemos Fern, interpretada por Frances McDormand, uma mulher branca, de sessenta anos e cabelos pretos curtos, sentada numa cadeira de praia. Ela está de camisola branca, pernas cruzadas, segura uma caneca verde na mão esquerda e olha para o lado. Usa sandálias marrons e tem uma lamparina vermelha aos seus pés. Ao fundo, vemos grama verde e sua van branca." width="1200" height="760" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1-300x190.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1-1024x649.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1-768x486.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19083" class="wp-caption-text">Com Frances McDormand na melhor atuação da carreira e indicado a 6 Oscars, Nomadland usa do sútil para sensibilizar (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano era 2018. A elite de Hollywood se reunia no </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolby Theatre</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a maior cerimônia do ano. Vestidos glamourosos, poses para fotos e estatuetas douradas, aquela noite era só sobre isso. Então, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4gU6CpQk6BE"><span style="font-weight: 400;">sobe ao palco Frances McDormand</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esbaforida, enérgica, com a cabeça à mil, ela agradece solenemente ao amor do marido e do filho, agradece o trabalho do diretor. Ela coloca seu prêmio no chão e pede para todas as mulheres indicadas se levantarem e faz um discurso atemporal sobre oportunidades no mercado de trabalho, ela cita o termo</span> <a href="https://mulhernocinema.com/noticias/o-que-e-inclusion-rider-conceito-citado-por-frances-mcdormand-no-oscar/#:~:text=Em%20tradu%C3%A7%C3%A3o%20livre%2C%20inclusion%20rider,atinja%20determinado%20n%C3%ADvel%20de%20diversidade."><i><span style="font-weight: 400;">‘inclusion rider’</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que estourou em buscas poucas horas depois. 3 anos mais tarde, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">chega para provar que Frances não brinca em serviço.</span></p>
<p><span id="more-19082"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À época de sua vitória por</span> <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/tres-anuncios-para-um-crime-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Três Anúncios para um Crime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a atriz já estava com os direitos de </span><a href="https://variety.com/2019/film/news/frances-mcdormand-nomadland-fox-searchlight-1203137650/"><span style="font-weight: 400;">adaptação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">comprados. O cerne da história veio pelas palavras da jornalista Jessica Bruder, que usou o </span><a href="https://www.elperiodico.com/es/cuaderno/20201219/jessica-bruder-sueno-americano-11395650"><span style="font-weight: 400;">gênero da não-ficção</span></a><span style="font-weight: 400;"> para explorar esse estilo de vida e seus personagens reais. Ela passou um período habitando as comunidades, se locomovendo numa van e conheceu as entranhas e a sensibilidade daqueles indivíduos. Frances se interessou por contar aquela memória recente das </span><a href="https://www.politize.com.br/crise-financeira-de-2008/#:~:text=O%20que%20foi%20a%20crise,aumento%20de%20renda%20da%20popula%C3%A7%C3%A3o."><span style="font-weight: 400;">feridas estadunidenses</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas ainda buscava a visão adequada para tal.</span></p>
<figure id="attachment_19084" aria-describedby="caption-attachment-19084" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19084" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2.jpg" alt="Cena do filme Nomadland. Nela, vemos Linda May ao anoitecer. Ela é uma mulher branca, idosa e grisalha. Usa cabelo preso num coque e veste um vestido vermelho e branco. Está anoitecendo mas o sol ainda está no horizonte." width="1600" height="847" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2-300x159.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2-1024x542.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2-768x407.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2-1536x813.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2-1200x635.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19084" class="wp-caption-text">O livro de Jessica Bruder segue a vida de Linda May, que acabou atuando em Nomadland, interpretando a versão fictícia de si mesma (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No Festival de Toronto, em 2017, Frances topou com a exibição de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AlrWRttLTkg"><i><span style="font-weight: 400;">The Rider</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um drama </span><i><span style="font-weight: 400;">indie </span></i><span style="font-weight: 400;">de uma </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2018/sep/08/chloe-zhao-the-rider-director-i-saw-brady-training-horses"><span style="font-weight: 400;">diretora chinesa</span></a><span style="font-weight: 400;"> usando performances de atores não treinados. Essa proeminente cineasta era Chloé Zhao. Sua destreza e carinho pela arte de contar histórias foram chamarizes para McDormand, que não demorou a oferecer </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">para Zhao imprimir sua visão. O casamento deu tão certo que a diretora assumiu também o </span><a href="https://deadline.com/2021/02/nomadland-screenplay-read-chloe-zhao-script-movie-adaptation-1234689532/"><span style="font-weight: 400;">roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, a montagem e assinou como produtora executiva, ao lado da própria Frances, a protagonista da história. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.goodreads.com/book/show/38212124-nomadland"><span style="font-weight: 400;">livro base</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">segue Linda May, uma nômade que vive de empregos temporários depois de perder suas economias na crise de 2008. Na hora da adaptação, Chloé Zhao inseriu Fern, papel da vida de Frances McDormand, entre pessoas reais. Então, tanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vwl5SRCWDfw"><span style="font-weight: 400;">Linda May</span></a><span style="font-weight: 400;">, quanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gEVL9SYI8EY"><span style="font-weight: 400;">Swankie</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.pbs.org/video/american-nomads-ep-1-lgbi6y/"><span style="font-weight: 400;">Bob Wells</span></a><span style="font-weight: 400;"> (um guru desse </span><i><span style="font-weight: 400;">lifestyle </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;">), interpretam a si mesmos no longa. Assistir </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">é quase como acompanhar uma atriz estudando para seu futuro papel. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Jc8X-6HI9d4"><span style="font-weight: 400;">Fern de McDormand</span></a><span style="font-weight: 400;"> é calma, terna, resiliente e uma exímia ouvinte. A câmera a observa com ternura, seus olhos cansados mas nunca desesperançosos, suas microrreações e o lema de vida que em momento algum soa rancoroso.</span></p>
<figure id="attachment_19085" aria-describedby="caption-attachment-19085" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19085" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3-1.jpg" alt="Cena do filme Nomadland. Nela, vemos Swankie, uma mulher branca, idosa e grisalha. Ela veste um gorro rosa e olha para o horizonte. Ao seu lado, está uma van desfocada e grama verde." width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3-1.jpg 840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19085" class="wp-caption-text">Nomadland é o melhor filme de 2020 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assistimos duas protagonistas tomarem conta das duas horas de exibição. A primeira delas é de carne e osso, tem </span><a href="https://www.nbcnews.com/pop-culture/movies/how-frances-mcdormand-drama-nomadland-defies-hollywood-ageism-n1258414"><span style="font-weight: 400;">sessenta anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e mora numa van super equipada. Ela trabalha na </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon</span></i><span style="font-weight: 400;">, empacota encomendas, monta hambúrgueres em um restaurante </span><i><span style="font-weight: 400;">fast food</span></i><span style="font-weight: 400;"> e também lava banheiro de rodoviárias. Tudo isso numa América do Norte que, anos antes, estampava com </span><a href="http://www.bocc.ubi.pt/pag/paiva-claudio-hollywood-invencao-america.pdf"><span style="font-weight: 400;">virilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> as propagandas do sonho americano. Nos Estados Unidos, você pode tudo! Então, como diabos, uma idosa precisa sobreviver no ecossistema terroso das montanhas do país?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda protagonista do filme é invisível, uma fantasma no meio das elegantes paisagens capturadas por </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/02/nomadland-cinematographer-quentin-tarantino-1234619934/"><span style="font-weight: 400;">Joshua James Richards</span></a><span style="font-weight: 400;">, esposo de Zhao. A visão de mundo da diretora, que acaba tomando total controle de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i><span style="font-weight: 400;">, é companheira de Fern. A maneira como Zhao escreve, como </span><a href="https://www.vulture.com/article/chloe-zhao-nomadland.html"><span style="font-weight: 400;">escalou seu elenco</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem grandes nomes da indústria, e os respiros solenes que emprega na montagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">gritam silenciosamente todo seu talento quando o assunto é a sutileza no brutal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chloé Zhao saiu da China para ampliar seus horizontes e trabalhar com mais liberdade: isso quer dizer que o </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/quem-e-chloe-zhao-a-diretora-de-nomadland-e-forte-concorrente-ao-oscar/"><span style="font-weight: 400;">sonho americano funcionou para ela?</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">não nos responde, agride ou culpabiliza. A produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Searchlight </span></i><span style="font-weight: 400;">(descanse em paz, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox</span></i><span style="font-weight: 400;">), sob o comando da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, é quase camuflada. </span><a href="https://www.thewrap.com/how-nomadland-managed-to-shoot-in-a-real-amazon-warehouse-credit-frances-mcdormand/"><span style="font-weight: 400;">Vilanizar uma enorme companhia</span></a><span style="font-weight: 400;"> monstruosa como a </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon </span></i><span style="font-weight: 400;">é mais palpável que culpar o sistema capitalista ou as escolhas políticas que engoliram toda uma classe social na crise econômica e não se preocupou em remendar qualquer rombo. </span></p>
<figure id="attachment_19086" aria-describedby="caption-attachment-19086" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19086" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/4-1.jpg" alt="Foto de Chloé Zhao dirigindo o filme. Zhao está em primeiro plano, usando uma blusa verde fluorescente. Ela é uma mulher adulta, chinesa e de cabelos pretos. Ela segura um objeto na mão, atrás dela está alguém segurando o microfone para captar o som da gravação. A sua frente, está Frances McDormand de moletom escuro e jeans claro, e também alguém com uma câmera enorme, captando a cena." width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/4-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/4-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/4-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19086" class="wp-caption-text">O filme de Zhao sofre com a <a href="https://veja.abril.com.br/cultura/diretora-de-nomadland-e-censurada-na-china-por-comentarios-contra-o-pais/">censura na China</a>, país de origem da realizadora (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Chloé Zhao foge de fazer um filme previsível. Ela denota um pragmatismo ético de não emocionar a memória. Fern recusa adotar um cãozinho e </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">nos mostra logo de cara que não é esse tipo de filme. De fato, a obra tem um tato inimaginável, ainda mais para uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pnEugtSkXDQ"><span style="font-weight: 400;">diretora em seu terceiro longa</span></a><span style="font-weight: 400;">, de não dizer, e sim mostrar. O texto adaptado da obra jornalística constrói e nos encaminha a situações muito mundanas da rotina daquele grupo de pessoas, e são os pequenos gestos e posicionamentos que explicitam ao público a índole de quem estamos assistindo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, considerando que, com </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2021-02-15/david-strathairn-nomadland-frances-mcdormand"><span style="font-weight: 400;">duas exceções</span></a><span style="font-weight: 400;">, o elenco todo é formado por atores não-treinados interpretando a eles mesmos, a diretora extrai ouro, diamante e </span><i><span style="font-weight: 400;">vibranium </span></i><span style="font-weight: 400;">do material a que tem acesso. O efeito desse </span><i><span style="font-weight: 400;">tour-de-force</span></i><span style="font-weight: 400;"> veio na aclamação do filme em todos os campos imagináveis. Chloé Zhao se tornou a </span><a href="https://womenandhollywood.com/chloe-zhao-makes-history-as-most-awarded-filmmaker-in-a-single-awards-season/"><span style="font-weight: 400;">pessoa mais premiada</span></a><span style="font-weight: 400;"> numa temporada, sendo reconhecida como produtora, diretora, montadora e roteirista. </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">se tornou o </span><a href="https://www.bbc.co.uk/news/entertainment-arts-54232798#:~:text=The%20drama%2C%20about%20a%20community,the%20Golden%20Lion%20in%20Venice."><span style="font-weight: 400;">primeiro filme na história</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ganhar o Leão de Ouro em Veneza e o Prêmio do Público em Toronto.</span></p>
<figure id="attachment_19087" aria-describedby="caption-attachment-19087" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19087" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5-1.jpg" alt="A diretora está Chloé Zhao sentada no chão segurando uma galinha marrom. Ela é uma mulher adulta, chinesa, de cabelos presos e olha para a câmera. Veste uma camiseta tie-dye colorida e um macacão jeans. Ao seu redor, vemos mato e folhas, e uma cerca marrom atrás dela." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19087" class="wp-caption-text">Chloé Zhao dirigiu o <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2021/noticia/2021/03/15/chloe-zhao-de-pequim-para-o-oeste-americano-cineasta-seduz-hollywood.ghtml">próximo filme da Marvel</a>, Os Eternos, e logo o mundo verá sua transição do cinema indie para os blockbusters (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O burburinho resultou num favoritismo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">na corrida da temporada de premiações. Chloé Zhao tem </span><a href="https://oglobo.globo.com/celina/chloe-zhao-primeira-mulher-ganhar-globo-de-ouro-de-direcao-em-34-anos-1-24903852#:~:text=A%20cineasta%20Chlo%C3%A9%20Zhao%20ganhou,venceu%20pelo%20filme%20%22Yentl%22."><span style="font-weight: 400;">feito história</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos primeiros meses de 2021, e a tendência é que o efeito não pare por agora. O filme é </span><a href="https://claudia.abril.com.br/cultura/nomadland-e-the-crown-vencem-o-critics-choice-awards-2021/#:~:text=Ela%20conquistou%20uma%20premia%C3%A7%C3%A3o%20e%20nomea%C3%A7%C3%A3o%20pelo%20filme%20Malcolm%20e%20Marie%20da%20Netflix&amp;text=A%2026%C2%AA%20edi%C3%A7%C3%A3o%20do%20Critics,destacou%20e%20recebeu%20quatro%20pr%C3%AAmios."><span style="font-weight: 400;">unanimidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> em listas de indicados a troféus dourados. No </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, foram 6 nomeações. Zhao concorre em quatro delas: Melhor Filme, </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/chloe-zhao-e-emerald-fennell-concorrem-ao-oscar-de-melhor-direcao-primeira-vez-que-duas-mulheres-disputam-categoria/"><span style="font-weight: 400;">Direção</span></a><span style="font-weight: 400;">, Roteiro Adaptado e Montagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">McDormand está no páreo por sua encarnação messiânica de Fern em Melhor Atriz, além de ser uma das produtoras do filme. A última indicação (Melhor Fotografia) ficou ainda na residência Zhao, com seu marido e diretor de fotografia, Joshua James Richards, reconhecido pelo </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2021/03/01/framing-the-wide-open-spaces-of-nomadland"><span style="font-weight: 400;">olho ávido na hora de enquadrar a solidão das montanhas</span></a><span style="font-weight: 400;">, casada aos sentimentos conflituosos de Fern. McDormand canaliza inspirações reais e se transforma numa amálgama não clichê nem pejorativa dos personagens que a cercam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhuma dessas menções é gratuita. </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">abraça o Cinema e usa todas suas especificidades para contar essa crônica de dor e afeto. É um cavalo de pau no </span><i><span style="font-weight: 400;">hall hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;">. Chloé Zhao não filma ou dirige da maneira que o faz para ostentar a própria figura. Ela </span><a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica/"><span style="font-weight: 400;">não recria </span><i><span style="font-weight: 400;">sets </span></i><span style="font-weight: 400;">quarentistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><span style="font-weight: 400;">grava sequências emocionalmente covardes em tribunais</span></a><span style="font-weight: 400;">. O trabalho da artista, ultrapassando as barreiras de ser apenas diretora, produtora, roteirista ou montadora, constrói um filme porque sente que ele é necessário, reconhecendo seu trabalho de reflexão e não de adulação.</span></p>
<figure id="attachment_19088" aria-describedby="caption-attachment-19088" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19088" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/6.jpg" alt="Frances e Chloe num palco, usando máscaras e falando no microfone. Frances está de bege, máscara preta e braços abertos. Chloé está no canto, de boné escuro e máscara camuflada preto e branco. Ela olha para Frances e está de noite " width="675" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/6.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/6-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19088" class="wp-caption-text">“Eu não sou sem-teto, sou apenas sem-casa” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“A memória aliena o passado”</span></i><span style="font-weight: 400;">, é o que diz Bob Wells sobre as lamentações de Fern, perto do desfecho de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i><span style="font-weight: 400;">. Por mais livre, ou solitária, que seja, a mulher ainda se prende ao passado e às escolhas que deixou de fazer. Chloé Zhao é enfática quando conclui sua obra-prima sem uma ‘necessária’ conclusão. </span><a href="https://www.thewrap.com/frances-mcdormand-will-see-you-down-the-road-in-hopeful-new-nomadland-trailer-video/"><i><span style="font-weight: 400;">“Nos vemos na estrada”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, repetem os nômades um para o outro. Nada é permanente demais ou passageiro de menos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">sabe encontrar o meio do caminho entre dois: é memorável o suficiente para permanecer conosco, mas não toma espaço de outras lembranças. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6sxCFZ8_d84"><span style="font-weight: 400;">É o filme certo para o momento certo</span></a><span style="font-weight: 400;">, e Zhao tem total ciência disso, dedicando a obra àqueles que já se foram. </span></p>
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		<title>Wolfwalkers é mais do que só um filme de fantasia para crianças</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 18:37:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez Nunca esteve tão claro que filmes de animação não são sinônimos de infantilidade. Soul talvez seja o exemplo mais popular e atual disso: o visual é apenas a técnica escolhida para um filme que explora o metafísico e desperta o existencial. Um pouco mais fantasioso, um pouco menos alegórico (ou vice-versa), da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/wolfwalkers-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Wolfwalkers é mais do que só um filme de fantasia para crianças"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19029" aria-describedby="caption-attachment-19029" style="width: 676px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19029" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-1.png" alt="Cena do filme Wolfwalkers. Em meio a uma floresta, ao centro, vemos Mebh, uma menina baixa, branca, de cabelos ruivos volumosos e decorados com folhas coloridas, vestindo roupas verdes e de braços cruzados, encarando Robyn. Ao seu lado, vemos Robyn, uma menina alta, branca, de cabelos loiros compridos, presos em uma trança e decorados com uma flor vermelha, vestindo roupas verdes, uma capa preta e botas marrons, com as mãos na cintura. Entre as árvores ao redor delas, vemos, do pescoço para cima, lobos marrons as encarando e sorrindo." width="676" height="381" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-1.png 676w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-1-300x169.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19029" class="wp-caption-text">Indicado ao Oscar 2021, Wolfwalkers é fruto da parceria do estúdio irlandês Cartoon Saloon com a Apple TV+, streaming onde foi lançado um mês após a estreia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nunca esteve tão claro que filmes de animação não são sinônimos de infantilidade. </span><a href="https://personaunesp.com.br/soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">talvez seja o exemplo mais popular e atual disso: o visual é apenas a técnica escolhida para um filme que explora o metafísico e desperta o </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-12-30/em-que-momento-a-pixar-esqueceu-que-seus-filmes-as-vezes-tambem-sao-vistos-por-criancas.html"><span style="font-weight: 400;">existencial</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um pouco mais fantasioso, um pouco menos alegórico (ou vice-versa), da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> aos </span><i><span style="font-weight: 400;">Estúdios Ghibli</span></i><span style="font-weight: 400;"> às </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/para-maiores-o-sucesso-dos-desenhos-animados-entre-adultos/"><span style="font-weight: 400;">irreverentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> séries americanas, os ‘desenhos’ comportam uma multiplicidade que alcança </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2021/02/4905432-animacao-so-para-crianca--genero-se-renova-e-apresenta-varias-vertentes.html"><span style="font-weight: 400;">diferentes faixas etárias</span></a><span style="font-weight: 400;">. E é em meio a diversidade de narrativas e a crescente </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/tecnologia/59047-veja-evolucao-industria-animacoes-cgi.htm"><span style="font-weight: 400;">predileção</span></a><span style="font-weight: 400;"> por computações gráficas que chega </span><i><span style="font-weight: 400;">Wolfwalkers,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que se destaca pelo visual </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i> <a href="https://br.ign.com/studio-ghibli/82152/news/studio-ghibli-anuncia-primeira-animacao-cg-do-estudio"><span style="font-weight: 400;">cada vez mais raro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, desde o seu lançamento no Festival de Cinema de Toronto, aproveita a </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2020/12/21/cartoon-saloon-and-the-new-golden-age-of-animation"><span style="font-weight: 400;">atenção</span></a><span style="font-weight: 400;"> para encantar todos os públicos.</span></p>
<p><span id="more-19028"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, que se passa em 1650, a jovem Robyn Goodfellowe (</span><a href="https://www.cinemablend.com/news/2559945/wolfwalkers-voice-cast-whos-voicing-who-in-the-apple-tv-movie"><span style="font-weight: 400;">dublada</span></a><span style="font-weight: 400;"> por </span><a href="https://wolfwalkers.fandom.com/wiki/Honor_Kneafsey"><span style="font-weight: 400;">Honor Kneafsey</span></a><span style="font-weight: 400;">) e seu pai Bill (dublado por Sean Bean, o Ned Stark) são recém-chegados na cidade irlandesa Kilkenny. Contratado para extinguir os lobos que vivem na floresta, o pai da menina passa o dia caçando e ela, contrariando as ordens de não entrar na mata, resolve ajudá-lo a completar a tarefa para que os dois possam voltar logo à Inglaterra. Em uma de suas fugas, Robyn se depara com uma matilha e, quando sua líder se transforma em Mebh (dublada por Eva Whitaker), descobre a existência dos </span><i><span style="font-weight: 400;">wolfwalkers</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma lenda local.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o encontro inesperado e passado o estranhamento inicial, as duas rapidamente viram amigas. A curiosa Robyn, excluída e caçoada por ser inglesa em uma vila irlandesa, passa a conviver com a agitada Mebh, que vive isolada na floresta, e as meninas formam uma dupla divertida, principalmente por serem tão diferentes. É com Mebh que Robyn aprende sobre os </span><i><span style="font-weight: 400;">wolfwalkers</span></i><span style="font-weight: 400;">: as criaturas, adaptadas do </span><a href="https://maestrovirtuale.com/10-lendas-irlandesas-cheias-de-mitologia-e-folclore/"><span style="font-weight: 400;">folclore irlandês</span></a><span style="font-weight: 400;">, são seres humanos comuns, mas, quando dormem, têm sua alma desprendida do corpo físico e assumem a forma de lobos.</span></p>
<figure id="attachment_19030" aria-describedby="caption-attachment-19030" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19030" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-2-2.jpg" alt="Cena do filme Wolfwalkers. Na imagem, vemos um aposento que aparenta ser o sótão de uma casa de madeira. Deitada no centro, Robyn, uma menina com cabelos loiros presos em uma trança, dorme coberta. Pairando em cima dela, vemos o contorno iluminado de um lobo." width="2000" height="1127" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-2-2.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-2-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-2-2-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-2-2-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-2-2-1536x866.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-2-2-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19030" class="wp-caption-text">Nem o título nem as palavras “wolfwalkers” ditas durante o filme foram traduzidos para o português (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A mitologia celta que </span><a href="https://www.cartonionline.com/pt/wordpress/annecy-tomm-moore-rivela-le-ispirazioni-dietro-wolfwalkers-di-cartoon-saloon/"><span style="font-weight: 400;">inspirou</span></a><span style="font-weight: 400;"> e torna</span> <span style="font-weight: 400;">o filme tão único é tema recorrente nos trabalhos de </span><a href="https://www.irishtimes.com/culture/film/tomm-moore-celtic-cartoonist-with-two-oscar-nods-1.2279252"><span style="font-weight: 400;">Tomm Moore</span></a><span style="font-weight: 400;">, co-fundador do </span><i><span style="font-weight: 400;">Cartoon Saloon</span></i><span style="font-weight: 400;"> e diretor ao lado de Ross Stewart. Em suas outras produções, como as </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2021/02/with-wolfwalkers-cartoon-saloon-continues-its-unlikely-journey"><span style="font-weight: 400;">indicadas ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <i><span style="font-weight: 400;">Uma Viagem ao Mundo das Fábulas </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">O Segredo de Kells</span></i><span style="font-weight: 400;">, em tradução literal)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Canção do Oceano, </span></i><span style="font-weight: 400;">do mesmo estúdio e consideradas parte da trilogia que termina com </span><i><span style="font-weight: 400;">Wolfwalkers</span></i><span style="font-weight: 400;">, os seres folclóricos da região, principalmente da Irlanda e da Escócia, são o carro-chefe. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, apesar de a lenda ser uma encantadora abordagem da </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/behind-screen/irish-history-and-folklore-join-hands-in-a-tale-for-our-times"><span style="font-weight: 400;">cultura local</span></a><span style="font-weight: 400;"> e servir como base para a história, a fantasia não é necessariamente o ponto central da narrativa, que passeia por assuntos e aprofunda o ambiente e os personagens. Sem se perder entre as camadas que constrói, o longa cria espaço para tratar do equilíbrio entre o homem e a natureza, a relação com a autoridade e o papel da mulher na sociedade da época, além de contextualizar o cenário da </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/historiag/a-questao-irlanda.htm"><span style="font-weight: 400;">Irlanda no século 17</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sem dúvidas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Wolfwalkers</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais do que só um filme de fantasia para crianças.</span></p>
<figure id="attachment_19032" aria-describedby="caption-attachment-19032" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19032" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-3-1.jpg" alt="Cena do filme Wolfwalkers. Na imagem, vemos parte da cidade, com casas e prédios cinzas e o que aparenta ser uma feira, em que pessoas vendem frutas e vegetais em suas barracas. Ao centro, vemos Robyn, uma menina loira vestindo um uniforme de governanta, e Mebh, uma menina baixa, ruiva e vestindo roupas verdes." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-3-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-3-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-3-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19032" class="wp-caption-text">Wolfwalkers se passa em Kilkenny, na Irlanda, cidade onde está sediado o estúdio da produtora Cartoon Saloon (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Discretamente, mas não tanto, Moore e Will Collins, os responsáveis pelo roteiro, incluíram até referências políticas e históricas reais, para os mais atentos. Na época em que se passa o longa, o país vivia um período de invasão pelos ingleses, liderados por </span><a href="https://diplomatique.org.br/oliver-cromwell-o-mal-amado/"><span style="font-weight: 400;">Oliver Cromwell</span></a><span style="font-weight: 400;">, que expulsaram habitantes locais de suas terras e tomaram o controle. O vilão Lorde Protetor Cromwell, comandante da vila, é uma clara menção ao militar e sua postura também é semelhante: ele associa a “maldade” aos “pagãos”, ao folclore e aos lobos que ele pretende expurgar, um episódio que também aconteceu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhum dos tópicos ou alusões é destrinchado ou explorado a fundo, mas eles são trazidos como intrínsecos à narrativa, de forma a complementá-la e desenvolver as protagonistas, suas crenças e motivações. Apesar do risco das histórias secundárias, em nenhum momento os desdobramentos parecem superficiais ou corridos: pelo contrário, casam com a obra e formam o todo, sem destoarem ou esquecerem da fantasia que o filme propôs entregar. Afinal, apesar de não ser exclusividade do público mais jovem, a produção foi lançada na categoria infantil do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple.</span></i></p>
<figure id="attachment_19033" aria-describedby="caption-attachment-19033" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-4.png" alt="Cena do filme Wolfwalkers. Na imagem, vemos Mebh, uma menina branca de cabelos ruivos vestindo um vestido verde, e Robyn, uma menina branca de cabelos loiros vestindo uma capa marrom, rindo de olhos fechados. Ao redor delas, folhas coloridas preenchem o quadro." width="1200" height="648" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-4.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-4-300x162.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-4-1024x553.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-4-768x415.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19033" class="wp-caption-text">Além do sucesso de crítica, Wolfwalkers conta com 100% de aprovação do público, segundo o <a href="https://www.rottentomatoes.com/m/wolfwalkers">Rotten Tomatoes</a> (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto na cidade o Lorde Protetor Cromwell prega que os animais são feras perigosas e devem ser dizimados, a amizade com Mebh, que contagia com sua animação e sotaque irlandês viciantes, prova a Robyn que os humanos e a natureza podem viver em harmonia. A nova visão de mundo da inglesa torna-se inevitável quando, durante a noite, ela percebe que foi mordida acidentalmente pela amiga e se transforma em lobo. Se antes ela queria caçar os animais, agora é uma </span><i><span style="font-weight: 400;">wolfwalker</span></i><span style="font-weight: 400;"> e tem de fugir até do próprio pai. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Robyn, que sequer teve tempo de assimilar seus novos poderes, é perseguida pelos intolerantes habitantes da cidade e acaba se escondendo no castelo de Cromwell, a situação piora: ela descobre que a mãe perdida de Mebh, a líder da matilha, foi capturada e aprisionada pelo Lorde. Aqui, as ilustrações animadas à mão, que podem parecer </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-12-28/soul-e-wolfwalkers-animacao-rica-e-animacao-pobre.html"><span style="font-weight: 400;">incomuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o olho acostumado à </span><a href="https://www.denofgeek.com/movies/the-cgi-achievements-of-pixar/"><span style="font-weight: 400;">computação gráfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> das grandes empresas, escancaram seu poder em passar as sensações em </span><i><span style="font-weight: 400;">Wolfwalkers</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Provando ser mais do que só um grande </span><a href="https://www.indiewire.com/2020/09/wolfwalkers-hand-crafted-animation-irish-folklore-1234585696/"><span style="font-weight: 400;">atrativo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o visual e a estética do filme, frutos da </span><a href="https://www.indiewire.com/video/wolfwalkers-filmmaking-team-animation-styles-1234612162/"><span style="font-weight: 400;">colaboração</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os diretores e outros </span><a href="https://twitter.com/AppleTV/status/1368109092535959555"><span style="font-weight: 400;">artistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do estúdio, são fundamentais na construção da narrativa e da mensagem. A cidade e seus habitantes, geométricos e pintados em cores sóbrias, são hostis e opressores, reprimindo Robyn. Já a floresta, onde a menina pode ser ela mesma em todos os sentidos e formas, é desenhada em linhas arredondadas e abstratas, com muitos detalhes e pintada em cores vivas, que tornam o ambiente acolhedor. </span></p>
<figure id="attachment_19034" aria-describedby="caption-attachment-19034" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19034" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-5.jpg" alt="Cena do filme Wolfwalkers. O cenário, todo em tons de azul, é uma cachoeira com rochas pontiagudas apontando para cima. Em um primeiro plano, no canto esquerdo, vemos um lobo grande e marrom rosnando e, no canto direito, vemos um homem vestindo armadura e empunhando uma espada, que ele aponta para o lobo. Em um segundo plano, no centro, vemos um lobo pequeno e cinza deitado desacordado." width="700" height="300" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-5.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-5-300x129.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19034" class="wp-caption-text">Com Wolfwalkers indicado ao Oscar, o Cartoon Saloon se <a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2021/02/with-wolfwalkers-cartoon-saloon-continues-its-unlikely-journey">consagra</a> com todas as suas produções, curtas e longas, nomeadas em alguma categoria da Academia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do arco principal tomar um rumo previsível a partir da descoberta, o acontecimento impulsiona o clímax e amplifica o dilema das personagens e das relações. Mebh precisa resgatar a mãe, Robyn tem de enfrentar o pai de uma vez por todas e Bill tem de decidir entre seguir a autoridade repressora ou acolher e ajudar a filha. O caminho sentimental é inescapável &#8211; e essencial para parte do público do gênero -, mas não falha e nem cai só no clichê: as escolhas feitas no ápice do conflito, suas consequências e o desfecho do filme verdadeiramente emocionam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O espectador que não sabia o que esperar pode até escolher com o que prefere se comover ou qual mensagem tirar da obra. As várias camadas interessantes na já interessante premissa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Wolfwalkers</span></i><span style="font-weight: 400;">, somadas a um visual </span><a href="https://www.independent.ie/life/hand-drawn-boy-tomm-moore-on-taking-on-hollywoods-giants-40113268.html"><span style="font-weight: 400;">deslumbrante</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma trilha sonora incrível, tornam a produção um verdadeiro espetáculo, seja para o público infantil, seja para o adulto, que não precisa disfarçar a admiração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não por menos, o filme já é o melhor do ano, se considerada a opinião dos críticos: após honrarias de importantes organizações como as Associações de Críticos de Cinema de Los Angeles, Nova Iorque e Boston, a produção é a mais homenageada da temporada. </span><span style="font-weight: 400;">Acumulando reconhecimentos, o longa disputa o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Animação, concorrendo com produções de </span><a href="https://hydraficcoes.wordpress.com/2012/11/18/analises-de-estruturas-a-formula-da-pixar/"><span style="font-weight: 400;">estúdios mandachuva</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de ter sido indicado em outras importantes premiações do cinema, como o Globo de Ouro e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Super Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Wolfwalkers </span></i><span style="font-weight: 400;">não levou os dois últimos, mas que a competição </span><a href="https://deadline.com/2021/02/oscars-best-animated-feature-predictions-soul-wolfwalkers-over-the-moon-1234683608/"><span style="font-weight: 400;">acirrada</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Academia faça justiça.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Wolfwalkers – Teaser oficial | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/k8WHbemCMA8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Relatos do Mundo: a influência de uma boa história no Oeste Selvagem</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Mar 2021 18:31:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vinícius Siqueira Uma das muitas coisas que alguém busca ao ler um livro, escutar uma música, olhar pela janela, ler os jornais ou, no caso, assistir um filme é simplesmente ganhar para si uma boa história. Uma história não necessariamente com finais felizes ou tristes, amargos ou cruéis, simples ou complexos. Mas, simplesmente, uma história &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/relatos-do-mundo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Relatos do Mundo: a influência de uma boa história no Oeste Selvagem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18819" aria-describedby="caption-attachment-18819" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18819" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-1.jpg" alt=": Cena do filme Relatos do Mundo. Na imagem, vemos os personagens Capitão Jefferson Kyle Kidd, interpretado por Tom Hanks, e Johanna Leonberger, interpretado por Helena Zengel. Ambos estão sentados em uma carroça. O fundo da foto é claro e de cores bem saturadas. Tom Hanks aparece como um homem velho, de cabelos e barbas grisalhos e usando um casaco pesado e um chapéu. Helena Zengel aparece como uma criança de cabelos loiros, olhos azuis, pele bem clara e usando um vestido amarelo e um casaco marrom." width="2048" height="961" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-1-300x141.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-1-1024x481.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-1-768x360.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-1-1536x721.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-1-1200x563.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18819" class="wp-caption-text">Relatos do Mundo lida com alguns clichês já conhecidos no gênero e apresenta um tom de realismo fino e constante, por fim, tecendo um drama bem construído e ambientado no Velho Oeste (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Vinícius Siqueira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das muitas coisas que alguém busca ao ler um livro, escutar uma música, olhar pela janela, ler os jornais ou, no caso, assistir um filme é simplesmente ganhar para si uma boa história. Uma história não necessariamente com finais felizes ou tristes, amargos ou cruéis, simples ou complexos. Mas, simplesmente, uma história bem contada e que segure sua atenção por alguns momentos, lhe fazendo esquecer do que se passa ao seu entorno. O que o espectador, muitas vezes, não se dá conta é do poder inerente à uma história bem contada. E é esse tipo de influência que tece a trama primorosa de </span><a href="https://youtu.be/vVgeFF8-bQM"><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">News of the World</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original).</span></p>
<p><span id="more-18818"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado no ano de 2020 nos cinemas americanos, mas chegando ao Brasil (e ao resto do mundo) apenas em 2021 após ser comprado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">e passar a ser exibido no mundo pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra é dirigida por Paul Greengrass. E ela lida com alguns clichês relacionados ao gênero de </span><a href="https://www.avmakers.com.br/blog/generos-cinematograficos-e-suas-convencoes/"><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(faroeste), pinceladas políticas e pontadas de realismo já características do diretor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama em si é bem redigida e traz uma ambientação e personagens que relembram os clássicos da categoria, ao passo que também apresenta um ponto de vista diferente do cenário clássico do Velho Oeste. A obra é inspirada no romance homônimo escrito por </span><a href="https://www.nytimes.com/2016/10/13/books/news-of-the-world-paulette-jiles.html"><span style="font-weight: 400;">Paulette Jiles</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2016, e é protagonizado por Tom Hanks e pela </span><a href="https://youtu.be/ilFeedG0rEs"><span style="font-weight: 400;">estrela em ascensão</span></a><span style="font-weight: 400;"> Helena Zengel. Paul Greengrass faz bom uso de sua herança como documentarista ao trazer um certo realismo ao filme e abordar temáticas como racismo e preconceito no Velho Oeste americano.</span></p>
<figure id="attachment_18820" aria-describedby="caption-attachment-18820" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18820" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-2.jpg" alt="Cena do filme Relatos do Mundo. Na imagem, é possível ver o Capitão Jefferson Kyle Kidd, vestindo um casaco escuro e um chapéu, montado em um cavalo marrom. Também é possível ver Johanna Leonberger, usando uma capa marrom grossa por cima de um vestido amarelo. No fundo da imagem também é possível ver várias carroças e cavalos acompanhando uma caravana. As cores da imagem são bem claras, com uma paleta de cores mais amarelada e saturada." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-2.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18820" class="wp-caption-text">A relação entre o Capitão Jefferson Kyle Kidd e Johanna Leonberger se desenvolve em um ritmo lento, indo de amizade até algo mais paternal, mas que dá o tempo necessário ao espectador para absorver o conjunto de emoções contidas nas interações (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente do que se esperaria de um filme pertencente ao gênero de </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/mad-max-estrada-da-furia-o-reboot-da-distopia/"><span style="font-weight: 400;">narrativa de ação</span></a><span style="font-weight: 400;">, e sim um drama que visa desconstruir levemente a imagem do público de um protagonista de faroeste e demonstrar o valor de uma história em um cenário abalado. O enredo se passa em 1870 no Texas, logo após a </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/guerra-civil-americana.htm"><span style="font-weight: 400;">Guerra Civil Americana</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma época e um meio ainda extremamente abalados pelo confronto entre o Norte e o Sul dos Estados Unidos e também pelas resoluções desse. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra tem seu início com uma das cenas que marcam a sua essência: Capitão Jefferson Kyle Kidd (Tom Hanks) se preparando para ler as notícias para as pessoas no condado de Wichita Falls, uma região de herança confederada antes de ser anexada pela União. Ele é um veterano confederado que perdeu tudo na Guerra Civil &#8211; trabalho, negócio, esposa, fé e propósito &#8211; e que passou a ganhar a vida viajando de cidade em cidade para realizar essa leitura. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama em si tem início após o personagem de Hanks levar um golpe do acaso em uma de suas viagens: ele se depara com Johanna Leonberger (Helena Zengel, indicada ao </span><a href="https://deadline.com/2021/02/news-of-the-world-star-helena-zengel-golden-globe-nomination-news-1234686389/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ao </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> com apenas doze anos de idade), uma criança de uma família alemã que foi tirada de casa por nativos Kiowa, crescendo entre os mesmo e adotando seus costumes antes de ser “resgatada” por soldados da União. E esse encontro força ambos a buscar um propósito para suas respectivas histórias. Kidd quer encontrar um motivo para continuar a sua própria narrativa, e a garota quer uma maneira de lidar com a perda de sua família biológica e sua adotiva.</span></p>
<figure id="attachment_18821" aria-describedby="caption-attachment-18821" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18821" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-3.jpg" alt="Cena dos bastidores do filme Relatos do Mundo. Na imagem, é possível ver em primeiro plano uma tela preta de enquadramento direcionada para Tom Hanks, usando um casaco cinza e chapéu, e Helena Zengel, que está usando uma capa marrom nos ombros e um vestido amarelo. No fundo da imagem ainda podem ser vistos em torno de seis figurantes, todos usando casacos e chapéu de vaqueiro. Em último plano pode ser vista a paisagem de uma colina verde no período do dia." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-3.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-3-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18821" class="wp-caption-text">Foto dos bastidores da produção: Relatos do Mundo é a segunda obra na qual Tom Hanks e o diretor Paul Greengrass trabalham juntos &#8211; a primeira foi Capitão Phillips (2013) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue a mesma linha de realismo fino já característico da direção de Paul Greengrass, e é a segunda obra que o diretor e Tom Hanks trabalham juntos &#8211; sendo a primeira o filme </span><a href="https://youtu.be/GEyM01dAxp8"><i><span style="font-weight: 400;">Capitão Phillips</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2013) -, e a estreia do ator no gênero de faroeste. No entanto, apesar do peso do nome de Hanks, e do mesmo apresentar o auge de uma atuação paternal, o seu protagonismo é colocado em cheque pela atriz mirim com quem contracena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda, a produção arrecadou </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/news_of_the_world"><span style="font-weight: 400;">cerca de 11,4 milhões de dólares</span></a><span style="font-weight: 400;"> em bilheteria nos Estados Unidos antes de ser lançada na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar de possuir vários clichês, a narrativa nos presenteou com uma história bem consistente e até emocionante; com Tom Hanks demonstrando um bom relacionamento com o gênero de </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Helena Zengel como uma artista talentosa e em crescimento no mundo do cinema.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="NOTICIAS DEL GRAN MUNDO | Featurette Tom Hanks | VOSE HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/02F00MP6xE8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção da narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue um ritmo razoavelmente lento, dando tempo para o espectador absorver a gama de sentimentos e reflexões implícitas e explícitas no roteiro adaptado por Paul Greengrass e Luke Davies. O ponto alto do enredo, e a base para todos os acontecimentos, é o desenvolvimento da consciência do Capitão em relação à Johanna e sobre suas atitudes com a mesma, que está em um estado quase de </span><a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0034-76122019000200271#:~:text=A%20anomia%20%C3%A9%20uma%20condi%C3%A7%C3%A3o%20presente%20na%20sociedade,cumprir%20as%20regras%20sociais%20%28Agnew%2C%201997%3B%20McClosky%2C%201976%29."><span style="font-weight: 400;">anomia</span></a><span style="font-weight: 400;"> diante da sociedade. No fim, ele encontra em seu relacionamento uma oportunidade para dar um sentido à sua própria trajetória e às histórias que conta de cidade em cidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos possíveis erros cometidos pelo espectador ao assistir </span><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo </span></i><span style="font-weight: 400;">é a comparação do mesmo com o filme dos Irmãos Coen, </span><a href="https://personaunesp.com.br/bravura-indomita-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Bravura Indômita</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2010), pelo fato de ambas as produções se fundamentarem no desenvolvimento de uma relação paternal entre um homem martirizado pelo tempo e uma jovem perdida no mundo &#8211; no caso da obra de Ethan e Joel Coen, Mattie Ross e Rooster Cogburn. No entanto, enquanto o personagem de Jeff Bridges buscava um fim para a sua história e a personagem de Hailee Steinfeld dava sentido para a sua na busca por vingança, Kyle Kidd quer encontrar um motivo para continuar sua própria história e Johanna procura um porto seguro para se apoiar em frente à um mundo cruel.</span></p>
<figure id="attachment_18822" aria-describedby="caption-attachment-18822" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18822" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-4.jpg" alt=" Cena do filme Relatos do Mundo. Na imagem, é possível ver Jefferson Kyle Kidd usando um casaco cinza e colete escuro, sentado em um banco segurando uma caneca de metal e olhando para Johanna Leonberger, que está sentada no chão segurando um livro e está vestindo um casaco marrom com um vestido amarelo. Ambos estão ao ar livre durante a noite em frente a uma fogueira, cercados por caixas, sacolas, uma carroça e equipamentos de viagem." width="800" height="458" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-4.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-4-300x172.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-4-768x440.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18822" class="wp-caption-text">Tom Hanks apresenta uma imagem já conhecida nos filmes de faroeste: a imagem do velho veterano silencioso, honrado e assombrado por seu passado (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns outros aspectos da obra valem ser mencionados, criticados e elogiados, por exemplo, a própria presença dos clichês &#8211;  especialmente aqueles relacionados à construção do personagem de Tom Hanks como um homem marcado pelo tempo e por memórias terríveis mas que ainda possui um forte sentimento paternal em si &#8211;  que enriquecem a narrativa somente até certo momento, antes de se tornarem uma simples falta de inovação. Outro ponto que merece ser citado é a </span><a href="https://youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_nnR0A2C1DsPkI5ML2IDHYNCwlZWCE5z6E"><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> Original que, apesar de incorporar o enredo de forma extremamente natural e adicionar um elemento que dá riqueza à paisagem, poderia estar mais presente durante algumas cenas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela é assinada por </span><a href="https://youtu.be/Hlfc2hy33jE"><span style="font-weight: 400;">James Newton Howard</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já compôs as trilhas de filmes como </span><a href="https://youtu.be/FYzikPHKx0s"><i><span style="font-weight: 400;">O Sexto Sentido</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1999) e </span><a href="https://youtu.be/a-PVBsmiB0Y"><i><span style="font-weight: 400;">Batman: O Cavaleiro das Trevas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008). E, finalmente, a composição da paisagem e do cenário como um todo, que, apesar de não ser tão vivo quanto em obras como </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/criticas/criticas-de-filmes/2018/11/critica-the-ballad-of-buster-scruggs"><i><span style="font-weight: 400;">A Balada de Buster Scruggs</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), ainda se vale de pequenos detalhes oferecidos em pequenas medidas para o espectador, mas que ajudam a construir a tensão e o drama da época. </span></p>
<figure id="attachment_18823" aria-describedby="caption-attachment-18823" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18823" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-scaled.jpg" alt="Cena do filme Relatos do Mundo. Na imagem, é possível ver o personagem de Tom Hanks deitado e escorrendo um fio de sangue de sua testa; o mesmo também está segurando uma lata de metal cinza e está olhando para a personagem de Helena Zengel - a mesma está usando um vestido amarelo e está sentada. Ambos estão sobre uma colina durante o dia. Em segundo plano é possível ver uma planície seca." width="2560" height="1703" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-2048x1363.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-1200x798.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18823" class="wp-caption-text">Imagem de Tom Hanks e da atriz mirim coadjuvante em ascensão, Helena Zengel (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo </span></i><span style="font-weight: 400;">teve boas avaliações nas </span><a href="https://www.goldderby.com/article/2021/news-of-the-world-reviews-box-office/"><span style="font-weight: 400;">críticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> mundiais</span> <span style="font-weight: 400;">e nas bilheterias, com nomes de peso na direção, produção e no elenco, além de ter apontado os holofotes para uma das mais jovens e promissoras atrizes no mundo do cinema: Helena Zengel. O filme, ao todo, acumulou </span><a href="http://criticschoice.com/critics-choice-awards/"><span style="font-weight: 400;">sete indicações</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards, </span></i><span style="font-weight: 400;">duas ao</span> <a href="https://www.goldenglobes.com/winners-nominees/2020"><i><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">mais duas no </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards </span></i><span style="font-weight: 400;">e quatro para o </span><a href="http://www.satelliteawards.org/"><i><span style="font-weight: 400;">Satellite Awards</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Por causa de sua quantidade de nominações, valor de bilheteria e composição de elenco,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Relatos do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mostra como um nome forte para a temporada do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enfim, apesar de seus pequenos deslizes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> visa mostrar o valor de uma história bem contada e sobre como esse tipo de atividade afeta até os corações assombrados por memórias horrendas. Não sendo um filme de ação ou suspense, mas sim um drama muito bem construído e trabalhado por meio da soma de elementos como elenco, enredo, música, paisagem, uma boa história e bons ouvintes. Uma amálgama de alguns clichês que resultam em um enredo emocionante de um veterano de guerra e uma garota sozinha no mundo que tem de enfrentar os perigos do Texas e dos homens para darem motivo às suas vidas.</span></p>
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		<title>O Som do Silêncio nos ensina a olhar para a frente</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2021 16:52:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Fonseca O Som do Silêncio, da Amazon Prime Video, prega uma inteligência emocional que todos gostaríamos de ter. O longa independente conta a história de um baterista de heavy metal que descobre no meio de uma turnê, que está ficando surdo. Esta premissa já nos faz esperar por um clichê de superação da deficiência, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-som-do-silencio-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Som do Silêncio nos ensina a olhar para a frente"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18591" aria-describedby="caption-attachment-18591" style="width: 835px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18591" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-1.png" alt=" Cena de O som do Silêncio. Vemos Riz Ahmed, que interpreta Ruben, dos ombros à cabeça, preenchendo quase totalmente o lado esquerdo e o centro da imagem. Ele é um homem de ascendência paquistanesa, pele marrom, olhos, barba, cabelo e bigode castanhos. Está levemente inclinado para a direita, olhando para a frente, de camiseta branca. Também vemos a sua prótese auditiva, um objeto pequeno em formato de gancho em sua orelha, à esquerda. Ela está conectada a um cabo preto que desaparece atrás da cabeça de Ruben. Podemos ver uma parede branca e o batente marrom desfocados atrás dele." width="835" height="557" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-1.png 835w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-1-300x200.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18591" class="wp-caption-text">Riz Ahmed <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZRCSqOpPD9A">se comprometeu a ter aulas de bateria e ASL</a>, a linguagem de sinais americana, durante a sua preparação para o personagem Ruben (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Fonseca</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VFOrGkAvjAE"><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, prega uma inteligência emocional que todos gostaríamos de ter. O longa independente conta a história de um baterista de </span><i><span style="font-weight: 400;">heavy metal </span></i><span style="font-weight: 400;">que descobre no meio de uma turnê, que está ficando surdo. Esta premissa já nos faz esperar por um clichê de superação da deficiência, ou de obsessão artística, como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5jaI1XOB-bs"><i><span style="font-weight: 400;">Cisne Negro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, o que torna as coisas interessantes é a oposição do protagonista à própria adaptação.</span></p>
<p><span id="more-18590"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O co-criador e diretor de primeira viagem (no cinema), Darius Marder, escolheu Riz Ahmed para dar vida ao protagonista Ruben Stone. Depois do </span><i><span style="font-weight: 400;">boom </span></i><span style="font-weight: 400;">na carreira com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I5dzReIxdSo"><i><span style="font-weight: 400;">O Abutre</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=am7DEDT07p8"><i><span style="font-weight: 400;">Rogue One</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Riz sujou a carteira de trabalho com </span><a href="https://personaunesp.com.br/venom-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Venom,</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e agora é um dos produtores do longa que coleciona elogios da crítica sobre as atuações e a narrativa simples, mas funcional. Imagine o trabalhão em preparar o protagonista para tocar bateria, aprender a língua dos sinais e fazer o tipo esquentado, que não se enquadra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O esforço do elenco rendeu indicações importantes a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sound of Metal</span></i><span style="font-weight: 400;">. A performance de </span><a href="https://deadline.com/2021/02/riz-ahmed-sound-of-metal-golden-globes-nominations-diversity-inclusion-representation-1234686342/"><span style="font-weight: 400;">Riz foi indicada ao Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Film Independent Spirit Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, que também indicou Paul Raci para a categoria de Melhor Ator Coadjuvante. A dupla está aquecendo para &#8211; provavelmente &#8211; dar as caras no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2021</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, desde o lançamento do filme no </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em dezembro. </span></p>
<figure id="attachment_18592" aria-describedby="caption-attachment-18592" style="width: 1176px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18592" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2.png" alt="Foto de uma entrevista com o diretor de O Som do Silêncio. Vemos Darius Marder, diretor e roteirista, ao centro da imagem, do peito para cima. Ele é um homem branco de pouco mais de quarenta anos, cabelo loiro, barba grisalha e camisa de botão azul claro. Está sorrindo, enquanto segura um microfone com a mão direita na altura do queixo. O microfone é preto, com um bloco amarelo, onde está escrito IMDB. Ao fundo, há uma janela desfocada com uma luz branca e bordas acinzentadas e pretas. " width="1176" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2.png 1176w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2-300x174.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2-1024x594.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2-768x445.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18592" class="wp-caption-text">Em entrevistas, o diretor estreante Darius Marder conta que a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=JruqNGF22B8&amp;t=83s">inspiração para Sound of Metal</a> nasceu quando gravou um protodocumentário sobre uma banda (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De cara, vemos um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de Ruben e Louise, interpretada por Olivia Cooke &#8211; com um ar mais adulto do que em </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogador-n1-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jogador Nº 1</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Os dois tocam em uma boate escura, com gente curtindo a barulheira, até vermos a outra parte de suas vidas. Eles namoram e vivem juntos em um </span><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i><span style="font-weight: 400;">, que não é descolado mas tem organização, é um cantinho só deles. O diretor Darius Marder é objetivo, numa hora estamos no </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, depois no </span><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos a rotina do casal, marcas de corte nos pulsos de Louise, nos perguntamos se ela está bem, depois voltamos à turnê.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de começar o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ruben fica parcialmente surdo. Sem explicações, somos sugestionados a acreditar que a exposição ao barulho da música é a causa, mas o filme não liga muito para isso. A </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/oscar-qual-a-diferenca-entre-edicao-e-mixagem-de-som/"><span style="font-weight: 400;">mixagem de som</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece aí, ou nós percebemos a sua função, porque começamos a variar entre os sons dentro e fora da cabeça do baterista. Quando Ruben perde oitenta por cento de sua audição, nós perdemos com ele, ouvimos sons abafados e as batidas secas dos objetos ao redor. Mesmo com a perda parcial do sentido, ele toma a decisão de começar o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas, depois abandona o palco por causa da experiência assustadora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais tarde, Ruben descobre que sua audição só vai diminuir até a surdez completa, e que, a única maneira de voltar a ouvir é fazer uma cirurgia caríssima para colocar próteses. O seu primeiro plano é juntar dinheiro com a turnê para fazer a tal cirurgia, mas Louise rejeita a ideia por completo. Então as coisas ficam assim: ela parte para a casa do pai, mesmo com os problemas familiares, enquanto ele vai a contragosto para uma comunidade de surdos. A química entre Riz e Olivia é interessante, o relacionamento deles é real, ótimo e péssimo, ao mesmo tempo. Talvez por causa da dependência dele. </span></p>
<figure id="attachment_18593" aria-describedby="caption-attachment-18593" style="width: 1238px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18593" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2.png" alt="Cena de O Som do Silêncio. Vemos uma roda de doze pessoas em pé. Eles estão ao centro da imagem, com uma luz que parte de cima e ilumina os rostos de quem está ao fundo, de frente para nós. Quem mais próximo de nós está de costas, vemos as suas silhuetas. Eles estão em uma sala escura, com muita sombra na cortinas amarelas e nas prateleiras pretas, cheias de livros. " width="1238" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2.png 1238w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2-300x135.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2-1024x462.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2-768x347.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2-1200x542.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18593" class="wp-caption-text">Parte do elenco do longa é composto por pessoas surdas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio &#8211; e podemos dividir </span><i><span style="font-weight: 400;">Sound of Metal</span></i><span style="font-weight: 400;"> em três atos tranquilamente -, Rubem tenta se adaptar à vida como surdo. Aos poucos ele se relaciona com as pessoas dentro da comunidade e se aproxima de Joe, o mentor interpretado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RgVto6dhZBM"><span style="font-weight: 400;">Paul Raci</span></a><span style="font-weight: 400;">. O obstáculo para o jovem baterista é a própria aceitação, ele passa os dias preso ao seu passado e parece não aprender a lição essencial de Joe: </span><i><span style="font-weight: 400;">“não precisa consertar nada aqui”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O veterano tenta ensinar que a surdez não é um problema, e que as pessoas da comunidade precisam ser lembradas constantemente disto. Por isso, quando vende o </span><i><span style="font-weight: 400;">trailer </span></i><span style="font-weight: 400;">e a bateria para fazer a cirurgia, Ruben é mandado embora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É neste momento, quando é vendida, que nos lembramos da bateria. Não era para este ser um </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-whiplash-em-busca-da-perfeicao/"><i><span style="font-weight: 400;">Whiplash</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com um protagonista surdo? A importância da carreira musical não desaparece, mas é deixada de lado, quase substituída pela relação entre ele e sua namorada, o que não é um problema pois </span><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i><span style="font-weight: 400;"> toma um rumo interessante a partir daí, começando pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KCU9f6NUvps"><span style="font-weight: 400;">visibilidade da cultura de pessoas surdas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a adaptação de quem não nasce surdo e a problemática da visão capacitista. A obsessão de Rubem em retornar à sua vida com Louise só revela o quanto ele está se enganando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, Rubem cai na real, depois de visitar Louise na casa do pai ricaço. A namorada já está em outra fase de sua vida e as próteses não funcionam como o esperado, são ruidosas, não há beleza na música e a direção de Darius Marder nos passa a percepção de desarmonia ao redor do personagem. Então, terminamos a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a impressão de que algo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=omtFcSoY6g0"><span style="font-weight: 400;">pode ser aprendido, sem os clichês de superação da deficiência</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas com a ideia de auto aceitação e até a visibilidade de uma comunidade que o cinema quase não ouve. </span></p>
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		<title>A Festa de Formatura: a fórmula de Ryan Murphy não funciona mais</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Mar 2021 19:25:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Laura Ferreira Ser uma amante de musicais é um caminho perigoso que proporciona altos estratosféricos e quedas dolorosas. Não é todo dia que temos a oportunidade de aproveitar um Mamma Mia (2008) e por vezes nos deparamos com alguns Cats (2019) pela frente. E por mais que A Festa de Formatura (The Prom) tivesse &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-festa-de-formatura-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Festa de Formatura: a fórmula de Ryan Murphy não funciona mais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18584" aria-describedby="caption-attachment-18584" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18584 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/A-Festa-de-Formatura-001.jpg" alt="Cena do filme A Festa de Formatura. Mora os personagens, da esquerda para a direita, de Andrew Rannells de terno vermelho e camisa branca, James Corden de terno azul, Meryl Streep de vestido roxo e Nicole Kidman de vestido verde. Todos eles seguram taças e cantam." width="1300" height="732" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/A-Festa-de-Formatura-001.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/A-Festa-de-Formatura-001-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/A-Festa-de-Formatura-001-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/A-Festa-de-Formatura-001-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/A-Festa-de-Formatura-001-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18584" class="wp-caption-text">O longa foi indicado nas categorias Melhor Filme de Comédia ou Musical e Melhor Ator de Comédia ou Musical no Globo de Ouro 2021 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Laura Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ser uma amante de musicais é um caminho perigoso que proporciona altos estratosféricos e quedas dolorosas. Não é todo dia que temos a oportunidade de aproveitar um </span><i><span style="font-weight: 400;">Mamma Mia (2008)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e por vezes nos deparamos com alguns </span><a href="https://personaunesp.com.br/cats-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Cats (2019)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pela frente. E por mais que </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt10161886/"><i><span style="font-weight: 400;">A Festa de Formatura (The Prom)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tivesse absolutamente tudo para entregar uma história recheada de carisma, atos de dança deslumbrantes e atuações dignas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme se torna apenas mais um entre as inúmeras produções de Ryan Murphy. Nem a pior, nem a melhor, apenas a mais esquecível.</span></p>
<p><span id="more-18581"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa foi inspirado em uma peça de teatro musical</span><span style="font-weight: 400;"> de mesmo nome que conta a história de Emma, uma estudante do Ensino Médio que deseja ir ao baile de formatura com sua namorada, mas é impedida pelo conselho escolar. Indignados com a proibição e buscando por uma manchete que possa trazer seus nomes de volta ao estrelato, quatro atores da </span><i><span style="font-weight: 400;">Broadway </span></i><span style="font-weight: 400;">rumam em direção a Indiana para ajudar a mudar os pensamentos conservadores. E é através dessa narrativa que todo o </span><i><span style="font-weight: 400;">glitter</span></i><span style="font-weight: 400;"> e purpurina teatral é acrescentado ao longa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse parece um pontapé inicial digno de uma obra a ser aclamada pela crítica e conquistar a unanimidade do público, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">The Prom</span></i><span style="font-weight: 400;"> não chega nem próximo a isso. Seguindo por caminhos tortuosos e por vezes megalomaníacos demais, nem mesmo seu </span><i><span style="font-weight: 400;">cast </span></i><span style="font-weight: 400;">repleto de estrelas consegue resgatar esse navio que naufraga aos poucos. </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-little-lies-s2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Meryl Streep</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-escandalo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Nicole Kidman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://personaunesp.com.br/pequenos-incendios-por-toda-parte-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kerry Washington</span></a><span style="font-weight: 400;"> são apenas alguns dos grandes nomes que vemos correr pela tela, mas ainda com todo seu talento e buscando fazer magia com nada, o roteiro e a direção diluem seus dons e não usufrui o quanto poderia de suas oportunidades.</span></p>
<figure id="attachment_18585" aria-describedby="caption-attachment-18585" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18585" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1.png" alt="Imagem da peça de teatro The Prom. Mostra vários atores com os braços para o alto durante uma canção. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18585" class="wp-caption-text">No Tony Awards de 2019, a peça The Prom foi indicada em seis categorias, incluindo Melhor Musical, Direção e Livreto, mas não venceu nenhuma delas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse chamariz de nomes conhecidos funciona como uma forma de encobrir o limite da linha tênue entre a sátira e o mal gosto pela qual Ryan Murphy, que assina a direção e produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Festa de Formatura</span></i><span style="font-weight: 400;">, caminha. O criador de </span><a href="https://personaunesp.com.br/glee-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Glee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/hollywood-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">tem uma marca e isso é inegável. A facilidade que temos em enxergar toda sua personalidade logo nos primeiros minutos de filme é impressionante, mas o problema aqui é que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Prom</span></i><span style="font-weight: 400;"> se resume a ser Murphy demais. Chamativo, forçado, bagunçado, com muitas histórias, personagens, desperdícios e tentativas demais de nos empurrar um carisma exagerado e difícil de comprar, haja visto algumas atuações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É claro que em sua maioria os atores entregam performances impecáveis dentro do possível do roteiro, como é o caso de Meryl e Nicole, mas por outro lado James Corden nos faz pensar o porquê dele ter sido escalado. O comediante e apresentador do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AhzwlFki_qg"><i><span style="font-weight: 400;">The Late Late Show</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é engraçado e carismático, e isso é inegável, mas como ator o buraco é mais embaixo. Mesmo apresentando uma performance mil vezes melhor do que seu personagem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cats</span></i><span style="font-weight: 400;">, Corden se prende em maneirismos que funcionam bem na programação da TV, mas que no cinema o tornam caricato e sem expressão própria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o filme traz um produção técnica primorosa, com jogos de luz inspirados nos grandes palcos da</span><span style="font-weight: 400;"> </span><i><span style="font-weight: 400;">Broadway </span></i><span style="font-weight: 400;">e que trazem um ar teatral ao longa. Assim como os figurinos, fotografia e cenografia, pensados com um cuidado tão grande que vemos todo o esforço que foi dedicado aos detalhes, buscando torná-los parte integral da narrativa e nos fazer crer que apesar dos </span><i><span style="font-weight: 400;">spots </span></i><span style="font-weight: 400;">de luz colorida que surgem do nada, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Festa de Formatura </span></i><span style="font-weight: 400;">poderia unir o crível ao fantasioso. Essa estratégia parte até para o roteiro que por vezes deixa de lado o fictício para abordar assuntos sérios e que merecem discussão, o que dói são esses momentos serem ofuscados por todo o exagero da narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_18583" aria-describedby="caption-attachment-18583" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18583" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/c97b190888f5a66e191b438cc21b849a58-nicole-kidman-the-prom.2x.rsocial.w600.jpg" alt="Cena do filme A Festa de Formatura, mostra Nicole Kidman com as mãos uma em cima da outra, estendidas a frente do corpo. Ela usa uma boina e blusa de mangas compridas, ambos pretos, tem os cabelos loiros presos com a franja solta na fente do rosto. Ela é uma mulher branca e está sendo iluminada por uma luz azul." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/c97b190888f5a66e191b438cc21b849a58-nicole-kidman-the-prom.2x.rsocial.w600.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/c97b190888f5a66e191b438cc21b849a58-nicole-kidman-the-prom.2x.rsocial.w600-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/c97b190888f5a66e191b438cc21b849a58-nicole-kidman-the-prom.2x.rsocial.w600-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/c97b190888f5a66e191b438cc21b849a58-nicole-kidman-the-prom.2x.rsocial.w600-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18583" class="wp-caption-text">O filme faz referência a diversos outros musicais, entre eles a peça Chicago (1975), que virou filme em 2002 nas mãos de Rob Marshall de O Retorno de Mary Poppins e Memórias de uma Gueixa (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais pesa em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Prom</span></i><span style="font-weight: 400;"> é ele ser o tipo de filme que nós gostaríamos de amar e panfletar para o mundo, mostrando como musicais podem ser divertidos, deslumbrantes e ainda trazerem uma história completa. Infelizmente, aqui a trama é só mais uma desculpa para produzir grandes números musicais em sequência. E isso porque Murphy não soube aproveitar as pedras preciosas que tinha em mãos. Talvez o maior exemplo de desperdício que podemos encontrar é a personagem de Nicole Kidman, que é descartável e não interfere na trama, usando o nome da atriz apenas como uma forma de chamar atenção do público. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, nos poucos momentos que são dados, Nicole </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NWgYtYnL0bk"><span style="font-weight: 400;">brilha tão intensamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sentimos vontade de ver uma produção totalmente dedicada a ela. E enquanto alguns são desperdiçados, outros são usados de forma desgastante, como é o caso das personagens Emma e Alyssa. As supostas protagonistas do longa se perdem em meio ao seu romance água com açúcar que não tem sequer uma pitada de química, tornando o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot </span></i><span style="font-weight: 400;">das atrizes irrelevante e sem emoção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A estrutura episódica de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Festa de Formatura</span></i><span style="font-weight: 400;"> também não contribui para a narrativa que se torna quebrada e segmentada. Essa fórmula funciona perfeitamente em séries de TV e no teatro, com atos bem demarcados que nos dão uma amostra a cada nova parte. Mas quando pensamos em cinema é essencial ter uma história bem amarrada e que se construa de forma sólida, sem deixar pontas soltas, porque não precisamos de uma nova narrativa a cada cinco minutos se já tivermos comprado a principal.</span></p>
<figure id="attachment_18582" aria-describedby="caption-attachment-18582" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18582" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/THE-PROM-L-to-R-NICO-GREETHAM-as-NICK-LOGAN-RILEY-HASSEL-as-KAYLEE-ARIANA-DEBOSE-as-ALYSSA-GREENE-AN.jpg" alt="Cena do filme A Festa de Formatura. Mostra vários personagens no meio de uma pista de dança com os braços para cima. Ao centro as personagens Alyssa, de vestido roxo e cabelos pretos soltos, e Emma, de terno azul e cabelos ruivos soltos, erguem suas mãos unidas." width="2500" height="1663" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/THE-PROM-L-to-R-NICO-GREETHAM-as-NICK-LOGAN-RILEY-HASSEL-as-KAYLEE-ARIANA-DEBOSE-as-ALYSSA-GREENE-AN.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/THE-PROM-L-to-R-NICO-GREETHAM-as-NICK-LOGAN-RILEY-HASSEL-as-KAYLEE-ARIANA-DEBOSE-as-ALYSSA-GREENE-AN-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/THE-PROM-L-to-R-NICO-GREETHAM-as-NICK-LOGAN-RILEY-HASSEL-as-KAYLEE-ARIANA-DEBOSE-as-ALYSSA-GREENE-AN-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/THE-PROM-L-to-R-NICO-GREETHAM-as-NICK-LOGAN-RILEY-HASSEL-as-KAYLEE-ARIANA-DEBOSE-as-ALYSSA-GREENE-AN-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/THE-PROM-L-to-R-NICO-GREETHAM-as-NICK-LOGAN-RILEY-HASSEL-as-KAYLEE-ARIANA-DEBOSE-as-ALYSSA-GREENE-AN-1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/THE-PROM-L-to-R-NICO-GREETHAM-as-NICK-LOGAN-RILEY-HASSEL-as-KAYLEE-ARIANA-DEBOSE-as-ALYSSA-GREENE-AN-2048x1362.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/THE-PROM-L-to-R-NICO-GREETHAM-as-NICK-LOGAN-RILEY-HASSEL-as-KAYLEE-ARIANA-DEBOSE-as-ALYSSA-GREENE-AN-1200x798.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18582" class="wp-caption-text">A migração de Murphy da TV para os streamings provocou uma grande queda na qualidade de suas produções, como é o caso de Ratched (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É tudo exagerado, Ryan Murphy e cintilante demais, na conotação ruim das palavras. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Festa de Formatura</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma diamante que não soube ser lapidado e se perdeu em meio às tentativas megalomaníacas de seu diretor. Talvez em outras mãos, como a de Adam Shankman de </span><i><span style="font-weight: 400;">HairSpray (2007)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock of Ages (2012)</span></i><span style="font-weight: 400;">, pudéssemos ter uma versão de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Prom</span></i><span style="font-weight: 400;"> tão magnífica quanto a sua peça de inspiração, mas por enquanto nos contentamos em fingir que suas longas dua horas de duração não serão rapidamente esquecidas. </span></p>
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