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	<title>Arquivos Gay &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>5 anos depois, Com Amor, Simon permanece necessário às gerações atuais</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Mar 2023 21:13:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal Em Com Amor, Simon, filme lançado em 2018, baseado no livro Simon vs. A Agenda Homo Sapiens, escrito por Becky Albertalli, a história retratada é a de um adolescente que guarda um segredo a sete chaves. Simon Spier (Nick Robinson) teme, ao revelar que é gay, ser discriminado pelos seus colegas de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/com-amor-simon-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos depois, Com Amor, Simon permanece necessário às gerações atuais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30555" aria-describedby="caption-attachment-30555" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-30555" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4-800x533.jpg" alt="Cena do filme Com Amor, Simon. Nela, observa-se o personagem Simon sentado, segurando um garfo, com um moletom preto e uma jaqueta jeans com pelo bege." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4.jpg 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30555" class="wp-caption-text">Ambientado no típico Ensino Médio americano, Com Amor, Simon, inova ao abordar os anseios da juventude LGBTQIAP+ (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><strong>Guilherme Machado Leal</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme lançado em 2018, baseado no livro </span><a href="https://seriesbrasil.com.br/com-amor-simon-universo/"><i><span style="font-weight: 400;">Simon vs. A Agenda Homo Sapiens</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escrito por </span><a href="https://www.beckyalbertalli.com/"><span style="font-weight: 400;">Becky Albertalli</span></a><span style="font-weight: 400;">, a história retratada é a de um adolescente que guarda um segredo a sete chaves. Simon Spier (Nick Robinson) teme, ao revelar que é gay, ser discriminado pelos seus colegas de aula e, por isso, esconde sua orientação sexual. No entanto, em certo momento da história, o protagonista decide conversar com um outro garoto em um </span><i><span style="font-weight: 400;">blog</span></i><span style="font-weight: 400;"> – com os codinomes Jacques e Blue, respectivamente –, dando espaço para conhecermos o íntimo do jovem.</span></p>
<p><span id="more-30554"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou igual a você</span></i><span style="font-weight: 400;">” é uma das primeiras frases ditas por Simon, e é ela que serve como fio condutor do longa. Durante os 110 minutos do filme, o roteiro de </span><a href="https://screenrant.com/how-met-father-isaac-aptaker-elizabeth-berger-interview/"><span style="font-weight: 400;">Isaac Klausner e Elizabeth Berger</span></a><span style="font-weight: 400;"> – com o auxílio da autora – lembra aos seus espectadores de que a homossexualidade, assim como a heterossexualidade, é algo natural. O lema pregado pelo protagonista reconhece que o caráter do indivíduo está acima da sua sexualidade e que, se os entes queridos realmente se importam, eles estarão ao seu lado. Não é difícil se surpreender com o pensamento de Simon, já que o personagem possui uma família livre de preconceitos.</span></p>
<figure id="attachment_30556" aria-describedby="caption-attachment-30556" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-30556" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-800x450.webp" alt="Cena do filme Com Amor, Simon ambientada no pátio de uma escola de ensino médio. Da esquerda para a direita, é possível reconhecer seis personagens, são eles: um homem negro de jaqueta cinza com um boné, uma mulher negra de cabelo cacheado, uma mulher branca de cabelo cacheado, um homem branco com uma camiseta cinza e uma jaqueta verde amarronzada, um homem branco louro com um moletom cinza e um homem negro com um moletom preto com listras brancas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-1200x675.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2.webp 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30556" class="wp-caption-text">Ao fazer parte de um filme necessário, o elenco de Com Amor, Simon entrega atuações comprometidas com a seriedade do tema (Foto: Ben Rothstein/20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Infelizmente, o medo de Simon acerca de sua sexualidade é exclusivo da dinâmica repressiva do ambiente escolar. O conflito principal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Love, Simon </span></i><span style="font-weight: 400;">se dá pela descoberta do antagonista Martin Addison (Logan Miller) em relação à sexualidade do protagonista e de seus </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;"> trocados com Blue. A partir desse momento, o personagem ameaçado faz de tudo para que seu segredo não seja revelado aos demais estudantes do colégio Creekwood, provocando o rompimento de uma relação de fidelidade com seus amigos próximos. Nessa perspectiva, o longa se destaca ao abordar precisamente a angústia vivida por jovens da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> no momento em que precisam se assumir aos seus pais e colegas, algo que não acontece com pessoas heterossexuais – e que é até ironizado em uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=49r_PFnri_E"><span style="font-weight: 400;">cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o humor é uma ferramenta fundamental na história, pois é usado para dizer o que deve ser dito de uma forma que seja compreensível, para o maior número de pessoas. É visível qual era a intenção de todos os envolvidos na produção de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;">: fazer com que o filme ressoe entre as diferentes gerações, para que a conversa não seja restrita à juventude moderna. É nesse ponto em que a obra se fundamenta como necessária às gerações atuais, por ser </span><a href="https://guia.folha.uol.com.br/cinema/2018/04/com-amor-simon-e-primeiro-romance-adolescente-gay-de-um-grande-estudio.shtml"><span style="font-weight: 400;">o primeiro filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre um adolescente gay produzido por um grande estúdio. Com a sua linguagem simples e direta, o longa dirigido por Greg Berlanti é capaz de servir como um guia confiável, em que os adolescentes podem se basear ao terem dilemas em relação a sua orientação sexual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impacto causado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;"> é surpreendente, uma vez que, ao lado de</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CK-g0OqzQHQ"><i><span style="font-weight: 400;">Para Todos os Garotos que Já Amei</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme é um respiro para o gênero das comédias ambientadas no Ensino Médio, que teve o seu ápice nos anos 90 e 2000, com filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tD76OqlJRwQ"><i><span style="font-weight: 400;">10 Coisas que Eu Odeio em Você</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-meninas-malvadas/"><i><span style="font-weight: 400;">Meninas Malvadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Embora não tenha sido deixado totalmente de lado, o estilo sofreu um perceptível declínio em suas histórias recheadas de clichês. É notável que obras transgressoras, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;">, foram fundamentais para o ressurgimento de histórias focadas em adolescentes, uma vez que, após cinco anos do seu lançamento, o longa é recorrentemente lembrado nas </span><a href="https://www.guiadasemana.com.br/cinema/galeria/os-melhores-filmes-adolescentes"><span style="font-weight: 400;">listas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de melhores </span><a href="https://www.megacurioso.com.br/estilo-de-vida/110641-10-dramas-e-comedias-teen-para-assistir-na-netflix-durante-as-ferias.htm"><span style="font-weight: 400;">comédias </span><i><span style="font-weight: 400;">teen</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><figure id="attachment_30559" aria-describedby="caption-attachment-30559" style="width: 779px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30559" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/simon.png" alt="Cena do filme Com Amor, Simon. Nela, pode-se ver o protagonista Simon, interpretado pelo ator Nick Robinson, que usa uma jaqueta jeans com pelo bege." width="779" height="462" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/simon.png 779w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/simon-768x455.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30559" class="wp-caption-text">Nick Robinson (Simon) é a alma do filme e dá ao público o melhor de si ao retratar os anseios<br />do jovem LGBTQIAP+ [Foto: 20th Century Studios]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Outro ponto essencial para a aclamação da obra é a atuação de Nick Robinson. Conhecido por</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=S2_aWPGZwhs"><i><span style="font-weight: 400;">Jurassic World</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">: O Mundo Dos Dinossauros</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DxCntPIs38U"><i><span style="font-weight: 400;">A 5ª Onda</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele obtém não só o prestígio da </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-reviews/love-simon-1088293/"><span style="font-weight: 400;">crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também o do público, uma vez que, por conta de sua interpretação, é natural se conectar com o protagonista logo no início. A escolha do ator também reflete no recorte determinado pelos produtores Wyck Godfrey (</span><i><span style="font-weight: 400;">Crepúsculo</span></i><span style="font-weight: 400;">), Marty Bowen (</span><a href="https://personaunesp.com.br/sorria-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sorria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Pouya Shahbazian (</span><i><span style="font-weight: 400;">Divergente</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Isaac Klausne (</span><a href="https://personaunesp.com.br/happiest-season-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Alguém Avisa?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), posto que Simon é um jovem gay, branco e heteronormativo que, quando comparado ao personagem Ethan (Clark Moore) – um garoto gay, negro e afeminado, que serve como alvo de zombaria dos valentões da escola –, é perceptível o privilégio que tem por estar no armário. Aliás, essa questão pode desagradar os mais engajados na causa LGBTQIAP+, devido à falta de representatividade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contando com sucessos como </span><i><span style="font-weight: 400;">I Wanna Dance With Somebody (Who Loves Me)</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/6XpaIBNiVzIetEPCWDvAFP"><span style="font-weight: 400;">Whitney Houston</span></a><span style="font-weight: 400;">, seria um erro falar sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;"> e não mencionar a sua excelente </span><a href="https://open.spotify.com/album/1JHZTusMlrbbTBC3xHt2Gw"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, feita pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/jack-antonoff/"><span style="font-weight: 400;">produtor de sucesso</span></a><span style="font-weight: 400;"> Jack Antonoff. A música de Houston é utilizada de uma forma genial na história, ao mostrar os estereótipos de homens gays, como se, por causa da sexualidade, o indivíduo precisasse gostar de musicais e de divas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> para ser aceito no mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o objetivo de conversar com as gerações atuais, a trilha de Antonoff ainda conta com diversas canções de sua banda </span><a href="https://open.spotify.com/artist/2eam0iDomRHGBypaDQLwWI"><span style="font-weight: 400;">Bleachers</span></a><span style="font-weight: 400;">, além do </span><i><span style="font-weight: 400;">hit </span></i><span style="font-weight: 400;">de sucesso </span><a href="https://open.spotify.com/album/4CEAev7neETRdqBFtzA8B9?highlight=spotify:track:45Egmo7icyopuzJN0oMEdk"><i><span style="font-weight: 400;">Love Lies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dos cantores Khalid e Normani.</span></p>
<figure id="attachment_30558" aria-describedby="caption-attachment-30558" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30558" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.3.webp" alt="Cena do filme Com Amor, Simon. Nela, encontram-se quatro pessoas. Da esquerda para a direita, são elas: um homem branco de cabelo liso com uma camiseta verde listrada, uma menina branca e loura com uma blusa rosa, uma mulher branca com o cabelo ondulado e um homem com o cabelo grisalho e uma roupa cinza. Todos estão sentados e sorrindo." width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-30558" class="wp-caption-text">É nos diálogos entre Simon e sua família que o longa mostra ao espectador a tamanha importância de se ter uma rede de apoio (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, é impressionante – e, de certa forma, incomum – a forma como os pais de Simon, interpretados pelos carismáticos Josh Duhamel e Jennifer Garner, aceitam a sua sexualidade. A mãe, por exemplo, deseja que o jovem seja a melhor versão de si mesmo. Por esse mesmo ângulo,  em uma das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j9EGUdzp42Y"><span style="font-weight: 400;">cenas mais impactantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> do longa, há a conversa entre o protagonista e o seu pai, Jack (Duhamel), que revela ao filho que não mudaria nada nele. São nessas cenas, carregadas de emoção, que levam o público a amar </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;"> com toda a intensidade, dado que é rara a ocorrência de produções delicadas e bem pensadas para um público que não se vê nas telas por uma óptica tão cuidadosa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos momentos finais da história, Simon é tirado do armário e se vê sozinho. Entretanto, ele tem uma ideia e decide convocar os seus colegas em uma missão: encontrar o anônimo Blue na roda-gigante do parque de diversões de sua cidade, para se declarar ao amado. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5fwifVyRX0M"><span style="font-weight: 400;">É nesse momento</span></a><span style="font-weight: 400;"> que há a revelação da identidade do interesse amoroso do protagonista. Nesse ponto do longa, todos estão esperando ansiosamente por algo a mais entre os dois garotos, que cedem à pressão popular e aos seus desejos pessoais, proporcionando ao público um dos beijos mais carinhosos vistos até então em um filme adolescente. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz-se </span><a href="https://theknowfresno.org/04/06/2018/love-simon-important-movie/#:~:text=Love%2C%20Simon%20explores%20the%20complexities%20that%20come%20with,see%20yourself%20being%20positively%20represented%20on%20the%20screen."><span style="font-weight: 400;">imprescindível</span></a><span style="font-weight: 400;"> na hora de se escolher uma obra cinematográfica que represente tão bem os anseios da comunidade LGBTQIAP+. É por causa de longas-metragens como esse que histórias plurais e diversas podem e devem ser contadas na ficção. A essa altura, torna-se indiscutível a importância de se ter um personagem tão imponente como Simon, no que se relaciona ao desafio vivido por jovens do mundo inteiro &#8211; seja esse desafio a descoberta da própria sexualidade ou o medo de ser abandonado após se assumir. No seu aniversário de cinco anos de lançamento, a bela história de Simon Spier se mantém mais atemporal e necessária como nunca.</span></p>
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		<title>Persona Entrevista: Gabeu</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jun 2022 21:16:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nome por trás do fabuloso e singular AGROPOC, o cantor fala sobre as origens de sua Música, parcerias dos sonhos e o papel do sertanejo no mundo de hoje Raquel Dutra e Vitor Evangelista Dono de um dos Melhores Discos de 2021, Gabeu tomou conta do ano passado no cenário do queernejo. Como parte do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-gabeu/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Gabeu"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right"><span style="font-weight: 400"><i>Nome por trás do fabuloso e singular AGROPOC, o cantor fala sobre as origens de sua Música, parcerias dos sonhos e o papel do sertanejo no mundo de hoje</i></span></p>
<figure id="attachment_28084" aria-describedby="caption-attachment-28084" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_gabeu_wordpress.jpg" class="size-full wp-image-28084" alt="Arte retangular horizontal de fundo vermelho. No lado esquerdo, foi adicionado o texto " width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_gabeu_wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_gabeu_wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_gabeu_wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28084" class="wp-caption-text">Em mais um conteúdo especial do Mês do Orgulho LGBTQIA+, o Persona recebe o cantor Gabeu, em nossa primeira entrevista no campo da Música (Foto: Gabeu/Arte: Vitória Vulcano)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra e Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Dono de um dos </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2021/">Melhores Discos de 2021</a></span><span style="font-weight: 400">, Gabeu tomou conta do ano passado no cenário do </span><span style="font-weight: 400"><i>queernejo</i></span><span style="font-weight: 400">. Como parte do Especial do Mês do Orgulho, o </span><span style="font-weight: 400"><strong>Persona</strong></span><span style="font-weight: 400"> retoma o quadro de </span><span style="font-weight: 400"><strong>entrevistas</strong></span><span style="font-weight: 400"> e inaugura a editoria de conversas musicais para receber a estrela em ascensão, em um papo que viaja de suas raízes no gênero musical até as mais diversas influências que fizeram de </span><span style="font-weight: 400"><i>AGROPOC</i></span><span style="font-weight: 400">, seu trabalho de estreia, um dos destaques musicais mais instigantes e criativos da cena atual.&nbsp;</span></p>
<p><span id="more-28071"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400">“</span><span style="font-weight: 400"><i>Eu sempre tive a certeza de que eu queria fazer Música de alguma forma</i></span><span style="font-weight: 400">”, começa Gabeu, que conversa conosco sorridente, frente a um cenário composto pelo saudoso vinil do </span><span style="font-weight: 400"><i>AGROPOC</i></span><span style="font-weight: 400">, um cavalo de brinquedo que serviu de companheiro na composição visual do disco e uma máscara com estampa de vaquinha malhada. Filho do cantor Solimões, ele sempre encontrou no </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://revistaquem.globo.com/Entrevista/noticia/2021/05/gabeu-filho-de-solimoes-sobre-sertanejo-para-lgbtq-acabei-alcancando-um-publico-tradicional.html">sertanejo a base de toda sua formação</a></span><span style="font-weight: 400">, mas o trajeto até o gênero em que hoje triunfa não foi tão simples quanto pode-se pensar.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Seja frequentando os </span><span style="font-weight: 400"><i>shows </i></span><span style="font-weight: 400">do pai ao lado de Rio Negro ou mesmo ouvindo canções em casa, o jovem artista sempre se sentiu deslocado ali, e demorou a aceitar que poderia trabalhar na mesma linha que cresceu consumindo, incrementando-a com a expressividade e a bagagem que ele, como homem gay, carrega. “</span><span style="font-weight: 400"><i>Então, isso é uma coisa muito recente</i></span><span style="font-weight: 400">”, ele define, sobre a ideia de entender que o sertanejo, um local carregado por </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/musica/sertanejo-ainda-naturaliza-o-machismo-apesar-do-feminejo-aponta-pesquisa">padrões de gênero</a></span><span style="font-weight: 400">, masculinidade e heteronormatividade, poderia também ser um espaço de atuação seu.</span></p>
<figure id="attachment_28073" aria-describedby="caption-attachment-28073" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2.jpg" class="size-full wp-image-28073" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC. Ele está duplicado na imagem, aparecendo do lado esquerdo e do lado direito. O artista é um jovem branco, e usa um chapéu de cowboy marrom, camisa de franjas alaranjada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. A sua primeira figura, à esquerda, está de lado, usando uma máscara de strass sobre o rosto, do qual se pode ver apenas os olhos. Já a figura do lado direito está segurando um chicote preto. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28073" class="wp-caption-text">“Ah, por quanto tempo mais vamos amar no escuro?/A noite é ousadia e o dia é turvo/&#8217;Cê&#8217; puxa as minhas rédeas e eu obedeço” (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><b>Como foi o seu caminho até a Música? Você teve contato pessoal com o meio desde criança? Sempre quis ser músico? Ou foi uma vontade que só surgiu depois?</b></p>
<p><b>Gabeu: </b><span style="font-weight: 400">“</span><span style="font-weight: 400"><i>Eu sempre tive a certeza de que eu queria fazer Música de alguma forma. Acho que uma das coisas que eu mais brinquei na minha infância era de pegar o microfonezinho lá e ficar horas e horas fazendo show, então eu sabia que de alguma forma a Música ia estar presente na minha vida, seja como um hobby ou como uma coisa mais profissional.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Mas eu acho que essa coisa também de ter o meu pai como a principal referência, sendo ele um cantor sertanejo, e ocupando esse lugar de um homem hétero, coisas que eu não me identificava muito, foi decisivo para eu tentar explorar outras coisas e achar durante um tempo que a Música não era realmente uma possibilidade profissional pra mim. Porque eu pensava, ‘ah, eu não quero fazer sertanejo, porque eu acho que não tem nada a ver’, mas a Música pop que eu gosto, a Música pop gringa, também não é uma coisa que rola muito no Brasil, na época, quando eu era criança, não era uma coisa muito expressiva, aí depois que veio </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/pop/noticia/anitta-chega-ao-top-1-do-ranking-global-do-spotify-com-envolver.ghtml">a Anitta</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/04/17/pabllo-vittar-faz-historia-no-coachella-como-primeira-drag-queen-a-se-apresentar-em-festival.ghtml">a Pabllo</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, aí eu falei ‘hum, acho que existe uma possibilidade’.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Então quando eu comecei a pensar de fato em me profissionalizar e me lançar como cantor, ainda não era assim com o queernejo. Eu até cheguei a entrar no estúdio, gravei uma música popzinha, mas que hoje eu escuto e falo ‘nada a ver, ainda bem que eu realmente fui por outro caminho, porque não ia rolar’. Mas passei por esses processos, de pensar ‘vou me lançar como cantor, mas vai ser pop? Será que eu tento fazer alguma coisa sertaneja?’. Então eu fiquei meio nessa, durante muito tempo, pensando e pensando pra de fato chegar nessa ideia de </i></span><span style="font-weight: 400">Amor Rural</span><span style="font-weight: 400"><i>”</i></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Gabeu - Amor Rural (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/0U-CxqgzCPU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://open.spotify.com/track/37GyZOnB6BprszwHjI2y8F?si=1a36985e5eb34c64">Amor Rural</a></i></span><span style="font-weight: 400">, sua faixa de estreia, foi lançada há apenas 3 anos, provando que essa jornada está apenas no início. “</span><span style="font-weight: 400"><i>Eu fui crescendo, fui passando por esse processo de descoberta da sexualidade, fui, enfim, me encontrando em outros rolês, me encontrando num rolê mais de Música pop, num rolê LGBTQIA+ e fui me desprendendo, me desprendendo desse universo sertanejo</i></span><span style="font-weight: 400">”.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Na adolescência, Gabeu chegou a renegar esse espaço: “</span><span style="font-weight: 400"><i>eu tive um tempo de parar um pouco de ir nos shows do meu pai e agora, um pouquinho antes de </i></span><span style="font-weight: 400">Amor Rural</span><span style="font-weight: 400"><i>, que eu venho fazendo esse processo de fazer as pazes com as minhas raízes e olhar com um pouquinho mais de carinho, de ver o quê desses lugares, desses ambientes, dessa musicalidade, eu consigo aproveitar, transformar e fazer com que faça sentido pra mim</i></span><span style="font-weight: 400">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">É uma coisa que ele ainda está entendendo, toda essa ideia de se apropriar de um gênero que antes ele não se via representado, “</span><span style="font-weight: 400"><i>e eu acho que isso é gostoso também, de eu não ter uma resposta pronta</i></span><span style="font-weight: 400">”. Considerando estar em um período fértil de criatividade, Gabeu enxerga com otimismo esse “</span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.metropoles.com/colunas/leo-dias/saiba-o-que-e-queernejo-o-sertanejo-feito-para-o-publico-lgbtqia">início do queernejo</a></i></span><span style="font-weight: 400">”, com as ideias borbulhando e a Música tomando vida nesse processo criativo aflorado.&nbsp;</span></p>
<figure id="attachment_28074" aria-describedby="caption-attachment-28074" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-800x800.jpg" class="size-medium wp-image-28074" width="800" height="800" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC.. O artista é um jovem branco, e usa um chapéu de cowboy marrom, camisa de franjas alaranjada, calça jeans azul clara, cinto preto de fivela prateada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. Ele está de frente, montado em um cavalo de cabo de vassoura. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28074" class="wp-caption-text">Além de cantar Cowboy da Banda Uó, Gabeu também regravou outro sucesso com a palavra no título: Cowboy Fora da Lei, de Raul Seixas (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Repleto de misturas, o trabalho musical de Gabeu se inspira em artistas como a </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.whatelsemag.com/banda-uo-legado-pop/">Banda Uó</a></span><span style="font-weight: 400">, precursores na arte de incorporar o </span><span style="font-weight: 400"><i>queer </i></span><span style="font-weight: 400">à estética nacional. Além disso, o repertório de </span><span style="font-weight: 400"><i>AGROPOC</i></span><span style="font-weight: 400"> conta com canções narrando casos amorosos para lá de específicos e chamativos (caso de </span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://open.spotify.com/track/5QaR2ij3qs08IFpiosMwhE?si=9e2c329741484e7a">Esconde-Esconde</a></i></span><span style="font-weight: 400">). Quanto ao processo de composição, o cantor revela que percebeu que estava explorando a criação de histórias, portanto, os relatos não necessariamente aconteceram em sua vida.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Admitindo ter ouvido muita Música caipira, onde os intérpretes não viviam o que colocavam nas letras, ele destaca a ideia de “</span><span style="font-weight: 400"><i>adotar um eu-lírico, um personagem, e cantar como se fosse aquele personagem</i></span><span style="font-weight: 400">”. Nenhuma novidade para quem tem aproximação e formação formal em Teatro e o Cinema: “</span><span style="font-weight: 400"><i>é uma coisa até meio teatral, porque eu gosto muito. Então, em </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://open.spotify.com/track/2ai3faoOrIHffFE5Q13skt?si=8dbb21321a4c4403">Bandoleiro e Atacante</a></span><span style="font-weight: 400"><i>, por exemplo, não, eu nunca roubei banco com um cowboy, nunca tive um sugar daddy</i></span><span style="font-weight: 400">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Gabeu - Sugar Daddy (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/PZVaOifIHAM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><b>No disco, você traz em Cowboy um cover da Banda Uó, que foram artistas muito marcantes para a cena nacional, levando uma roupagem queer para sonoridades tipicamente brasileiras. Você os considera uma inspiração para a criação do AGROPOC?</b></p>
<p><b>G: </b><span style="font-weight: 400"><i>“Obviamente eles são uma referência muito grande, e eu acho que não só pra mim, mas eu acho que pra todos esses artistas pop LGBTs, que estão aí sabe, fazendo sucesso hoje. Eu acho que a Banda Uó é uma das principais inspirações, eu considero que todos esses artistas de hoje são os filhos da Banda Uó, porque é isso, eles foram muito pioneiros mesmo nessa coisa de misturar o pop com uma estética diferente, com coisas regionais, eles brincavam muito com os gêneros no geral, tem uma música deles sertaneja, </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S2cBwOf_Uww">Cowboy</a></span><span style="font-weight: 400"><i>, eles brincavam com tecnobrega, forró, enfim, várias coisas que eles exploravam. Então eu considero muito eles uma referência, e eu escolhi </i></span><span style="font-weight: 400">Cowboy </span><span style="font-weight: 400"><i>porque, enfim, era a faixa sertaneja deles, é uma das faixas que eu mais ouvi da carreira deles.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Quando eu descobri eu fiquei maravilhado, eu nunca tinha sentido aquilo, eu acho que foi o primeiro sinal de vida do queernejo de fato ali, sabe? Porque é isso, dois caras gays, uma mulher trans, fazendo Música sertaneja, se eu não me engano eles são do Goiás, então eles têm essa raiz também, por mais que eles não trabalharam isso durante toda a carreira, eles carregam isso também. Então, sabe, muitas coisas que me fazem olhar pra eles e falar ‘faz sentido essa música estar no meu repertório’. É uma música que eu cantava nos meus shows antes de pensar no álbum, e aí no meio desse processo de produção do álbum eu falei ‘ah, acho que ela cabe muito bem aqui no meio dessas faixas’, e aí eu regravei e coloquei, e a galera super curtiu, super achou que fez sentido também”</i></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<figure id="attachment_28075" aria-describedby="caption-attachment-28075" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5.jpg" class="size-full wp-image-28075" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC. O artista é um jovem branco, e usa camisa de franjas alaranjada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. Ele está sentado na frente de muitas garrafas de vidro vazias e seu rosto está repleto de marcas de beijo. Ele apoia o rosto com a mão esquerda e tem uma expressão de tristeza. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28075" class="wp-caption-text">“Eu tô nesse processo de descoberta do que eu posso fazer e do que eu quero fazer dentro da Música sertaneja, que é um gênero e um lugar social também” (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Os diálogos com outras obras do universo </span><span style="font-weight: 400"><i>pop</i></span><span style="font-weight: 400"> não param por aí, já que ele também viveu a experiência de viajar pela sua capacidade de criação em plena </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.band.uol.com.br/entretenimento/de-taylor-swift-a-marcelo-d2-oito-artistas-que-lancaram-albuns-durante-o-isolamento-16320119">pandemia</a></span><span style="font-weight: 400">. Agora, no entanto, o momento é de viver a sua música junto do seu público, que desde maio vem mantendo encontros com Gabeu em cima do palco: “</span><span style="font-weight: 400"><i>eu tô vivendo esse momento de sair de casa pela primeira vez pra cantar o álbum, encontrar as pessoas e </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.instagram.com/p/CdqyIEIj9uD/">ver as pessoas cantando as músicas</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, e ter essa troca, das pessoas virem até mim e falarem que elas acharam do álbum, qual a faixa favorita delas, o que elas sentiram, como o álbum foi importante pra elas na pandemia&#8230; eu ouvi muito isso.</i></span><span style="font-weight: 400">”&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Em época de celebrações essencialmente ligadas à cultura caipira, ele vivencia tudo o que sonhou para o disco, planos que, assim como todo o resto do mundo, foram paralisados pela crise sanitária advinda do covid-19: “</span><span style="font-weight: 400"><i>Sinceramente, foi uma loucura lançar o álbum na pandemia. Produzir ele foi muito gostoso, mas eu tinha muitos planos grandes pra ele, obviamente não contando com a pandemia. Era pra ele sair no comecinho de 2020, e aí veio todo esse desastre, enfim, e aí agora reencontrar as pessoas e ter essa troca com elas é muito, muito, muito gratificante e me faz lembrar de como foi importante pra mim produzir e mergulhar nesse universo de fato e ter realmente a coragem de não abandonar a ideia do queernejo</i></span><span style="font-weight: 400">.”</span></p>
<figure id="attachment_28076" aria-describedby="caption-attachment-28076" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1.jpg" class="size-full wp-image-28076" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC. O artista é um jovem branco, e usa um chapéu de cowboy marrom, camisa de franjas alaranjada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. A imagem é um close de seu rosto, que está inclinado para o lado direito. Ele acende com um isqueiro algo que imita um charuto de dinheiro. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28076" class="wp-caption-text">As composições sagazes são a marca registrada de Gabeu desde o seu single de estreia, o espertinho Amor Rural (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">O carinho pelo gênero que está no centro do seu seio familiar reluz no olhar de Gabeu quando ele avalia os ônus e os bônus de construir o seu lugar em um espaço que inicialmente lhe era hostil. Agora, ao ver um aspecto tão importante para a formação da sua identidade </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/musica/sertaneja/2022/05/30/sertaneja,286521/cpi-do-sertanejo-entenda-porque-shows-estao-sendo-cancelados.shtml">na boca da mídia</a></span><span style="font-weight: 400"> por conta das recentes denúncias de superfaturamento em </span><span style="font-weight: 400"><i>shows </i></span><span style="font-weight: 400">sertanejos pelas cidades do Brasil, a sua voz representativa, crítica e reflexiva não se desvia das polêmicas.&nbsp;</span></p>
<p><b>Nesse momento em que o sertanejo passa por uma série de investigações e denúncias, como você, que tem tanto carinho, identificação e proximidade com o meio, mas também esse olhar mais crítico, se relaciona e encara essas problematizações?&nbsp;</b></p>
<p><b>G: </b><span style="font-weight: 400">“</span><span style="font-weight: 400"><i>Eu acho que muitas coisas dentro do meio sertanejo nunca foram questionadas, em relação à qualquer tipo de pauta, à qualquer tipo de discussão mais séria e mais profunda, em relação à representatividade, à política, ao cenário que a gente está vivendo hoje. Eu acho que as pessoas não se aprofundam em muitas coisas nesse meio, e eu acho que o que tá rolando agora talvez seja um sinal para que a gente comece a debater alguns assuntos importantes no meio, como essa coisa mais contratual, mais financeira, bem polêmica que tá rolando, mas também de pautas identitárias, que é uma coisa que a gente vem reiterando no queernejo, vem tentando trazer as discussões, e não só em relação à comunidade LGBTQIA+</i></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>No ano retrasado, a gente fez o </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.instagram.com/fivelafest/">Fivela Fest</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, o Festival de Queernejo, que rolou on-line também, e a gente propôs várias mesas de debate, sobre masculinidade tóxica no sertanejo, sobre negritude no sertanejo. E fazendo essa pesquisa, de ir mais a fundo no sertanejo raiz, a gente consegue encontrar mais cantores e artistas negros lá nos anos 20 e 30 do que hoje, então é uma coisa a se discutir também. Eu dou esses exemplos mais pra falar sobre isso: que o mercado sertanejo não gosta de se aprofundar em discussões, eles gostam muito de ficar na superficialidade, eles têm muito medo de se comprometer, têm muito rabo preso com várias questões políticas. Enfim, eu acho que o queernejo está aqui também pra questionar esse tipo de coisa.”</i></span></p>
<p><figure id="attachment_28077" aria-describedby="caption-attachment-28077" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-800x800.jpg" class="size-medium wp-image-28077" width="800" height="800" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC. O artista é um jovem branco, e usa um chapéu de cowboy marrom, que ele segura à frente de seu rosto, camisa alaranjada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. A imagem é um close de seu rosto, que está inclinado para o lado esquerdo. Ele faz um sinal de silêncio com o dedo indicador na frente dos lábios. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28077" class="wp-caption-text">“É uma ideia que me passou pela cabeça em alguns momentos [desistir do sertanejo], lá no começo, quando eu lancei Amor Rual e Sugar Daddy, por várias inseguranças, várias coisas internas aqui também” (Foto: Gabeu)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400">A mesma ponderação é expressa quando ele fala sobre a sua </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2018/07/03/solimoes-comenta-foto-do-filho-com-namorado-e-cai-nas-gracas-da-web.htm">família</a></span><span style="font-weight: 400">, que foi assunto na mídia em 2018 por conta dos comentários carinhosos que o pai Solimões deixava nas publicações de Gabeu nas redes sociais. “</span><span style="font-weight: 400"><i>Chamou muita atenção o fato de um pai ter uma boa relação com seu filho gay. Aquilo me deixou muito feliz pela repercussão, mas também, ao mesmo tempo, eu fiquei refletindo sobre isso, porque se chamou tanta atenção é porque de fato é uma coisa muito incomum. E aí eu parei pra pensar e voltar atrás no momento que eu me assumi, pra minha família, pro meu pai, pra minha mãe, pra minha irmã e eu fiquei lembrando de como foi.”</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Sobre esse </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2020/10/filho-de-solimoes-sobre-reacao-do-pai-ao-revelar-homossexualidade-sempre-me-apoiou.html">momento delicado</a></span><span style="font-weight: 400">, ele compartilha que foi tranquilo de forma externa e conflituoso de forma interna, mas que o pai foi a primeira pessoa da família a saber: “</span><span style="font-weight: 400"><i>A reação dele foi muito natural, ele tava meio sem saber o que dizer, mas ele teve uma preocupação de demonstrar acolhimento. E foi a mesma coisa com a minha mãe, a minha irmã, depois de um tempinho que eu contei pro meu pai”</i></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Os conflitos geracionais, no entanto, não deixaram de aparecer no meio da aceitação familiar. “</span><span style="font-weight: 400"><i>Às vezes rola uns embates de geração mesmo, de não entender o porquê de ficar sempre reiterando a sexualidade, a identidade de gênero, de estar sempre falando sobre isso, de estar sempre levantando essa bandeira</i></span><span style="font-weight: 400">”, ele compartilha, reforçando o carinho e acolhimento que encontrou dentro de casa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Gabeu - Cowboy Fora da Lei (Video Performance)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/95OG3B_efl0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><b>Quais são os seus discos favoritos da vida? Um brasileiro e um internacional?</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Dois? Ai meu Deus. Só 2 é difícil. Bom, esse aqui tá bem aqui do meu lado, é o </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/born-this-way-10-anos/">Born This Way</a></span><span style="font-weight: 400"><i> da Gaga. Pra mim é o maior disco da História, tipo pra mim realmente é uma obra de arte. Eu gosto muito de um álbum recente que é um cantor country gay, estadunidense ou canadense se eu não me engano, ele chama Orville Peck, e ele lançou nesse ano, chama </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://open.spotify.com/album/2hCcPHWTbvF81CiXPUrM6I?si=j8rkcxTGRLGMFdk-t6szdA">Bronco</a></span><span style="font-weight: 400"><i>, e é um álbum muito, muito, muito bom, tipo muito countryzão raiz que eu me identifico muito. E brasileiros assim eu gosto muito do </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://open.spotify.com/album/2VdGX4c99Au3aGtR1HJAIm?si=W86XGKNiQqSC0_4f9VeS1A">Rito de Passá</a></span><span style="font-weight: 400"><i>, da MC Tha, sou muito, muito fã da MC Tha, gosto muito do </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://open.spotify.com/album/1ly3ZOMmBJdbx94pftr70g?si=REf9kOypRviOACrGE9bhgA">Simulacre</a></span><span style="font-weight: 400"><i> da Potyguara Bardo e, ah, enfim, eu poderia listar dez milhões de álbuns aqui. A gente pode depois fazer uma entrevista só de álbuns, só pra falar de álbuns dos outros”</i></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Nós também acompanhamos o Orville Peck, e quando alguém comenta que está ‘ouvindo um CD de um cowboy LGBTQIA+’ a primeira reação é perguntar se é o Gabeu. E esses dias você compartilhou que estava ouvindo uma música dele.</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Nossa é impressionante, quando eu descobri o Orville Peck eu fiquei embasbacado, eu fiquei tipo, não só pela figura dele, pela representatividade que ele traz pro country, que eu acho que a Música country também enfrenta muitas coisas como o sertanejo, num lugar parecido ali, mas pela estética dele, eu acho ele incrível, maravilhoso. [&#8230;] Tem uma cena country queer lá na América do Norte, na Europa também tem uma galera. Enfim, será que vem aí uma carreira internacional?”</i></span></p>
<figure id="attachment_28078" aria-describedby="caption-attachment-28078" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-800x800.jpg" class="size-medium wp-image-28078" width="800" height="800" alt="Contracapa do disco AGROPOC de Gabeu. A imagem apresenta a lista de faixas do disco sob um fundo dourado claro, em fonte cursiva de cor branca. No lado superior direito, existe o desenho de um chapéu de cowboy, também imitando um traço feito à mão e em branco." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28078" class="wp-caption-text">Ao lado de nomes como Reddy Allor e Bemti, AGROPOC conta histórias de amores escondidos, riquezas avantajadas e até um assalto perigoso (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><b>E tem algum filme ou série que você queira recomendar? Pode ser algo que tenha te inspirado na criação do disco.</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Olha, eu sou uma pessoa que não assiste muitos filmes e muitas séries, eu sou meio preguiçoso pra isso, e o que eu assisto geralmente não tem muito a ver com o que eu tenho feito na Música e se eu falar </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://medium.com/cinecr%C3%ADtica/a-iconicidade-de-brokeback-mountain-na-hist%C3%B3ria-lgbt-do-cinema-4619ab8d6c93">O Segredo de Brokeback Mountain</a></span><span style="font-weight: 400"><i> vai ser muito clichê eu acho, mas é um filme que eu amo muito e já até fizeram um edit um dia de </i></span><span style="font-weight: 400">Amor Rural </span><span style="font-weight: 400"><i>com as cenas do filme, eu achei uma gracinha, se bem que aquele filme é muito triste. Mas, deixa eu pensar, eu gosto muito dos </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.museumazzaropi.org.br/filmes/">filmes do Mazzaropi</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, os filmes antigos do Mazzaropi, por conta do meu pai.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Obviamente tem muitas coisas questionáveis hoje em dia, tem coisas muito machistas, muito homofóbicas, mas eu acho que é aquilo tipo, eu assisto algumas coisas hoje em dia do Mazzaropi e eu tento pincelar as coisas que me seriam úteis, para minha carreira e que são inspiradoras pra mim, sabe. Então os números musicais dos filmes eu gosto muito, quando ele canta, e o tom de comédia, o tom dramático também, porque ele vai do drama ao cômico, ele ia do drama ao cômico rápido e de uma forma que eu achava que era interessante. Enfim, não é um filme específico, mas é a filmografia toda do Mazzaropi. [..] Eu tô numa vibe de produções sul-coreanas da </i></span><span style="font-weight: 400">Netflix</span><span style="font-weight: 400"><i>, eu tenho assistido umas coisas interessantes. Assisti uma que chama </i></span><span style="font-weight: 400">Profecia do Inferno</span><span style="font-weight: 400"><i>, que eu amei muito. E tem outra que se chama</i></span><span style="font-weight: 400"> Juvenile Justice</span><span style="font-weight: 400"><i>, muito legal. Recomendo”</i></span><span style="font-weight: 400">. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>E agora de volta à Música, se você pudesse escolher algum artista para trabalhar junto, quem seria?</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Um só? Uma coisa mais atual, mais do momento, eu gostaria muito de um dia fazer uma colaboração com a </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://extra.globo.com/tv-e-lazer/gloria-groove-celebra-sucesso-caminhada-para-contratos-milionarios-furei-bolha-rv1-1-25428832.html">Gloria Groove</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>. Acho que ela é o momento e ela é uma artista que consegue explorar bem vários gêneros musicais, eu acho que ela canta muito bem pop, acho que ela explora muito bem o funk e o rap. Acho que ela poderia fazer uma coisa meio sertanejinha. Ela fez né, </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://portalpopline.com.br/show-dos-famosos-gloria-groove-faz-novo-cover-marilia-mendonca-bastidores/">ela cantou Marília Mendonça</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i> lá no programa, ela fez o cover de Marília Mendonça, e foi muito bom, ela canta muito bem, acho que ela cantando uma música sertaneja seria muito interessante. Comigo então, nossa senhora”</i></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<figure id="attachment_28079" aria-describedby="caption-attachment-28079" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4-800x800.jpg" class="size-medium wp-image-28079" width="800" height="800" alt="Fotografia de Gabeu no clipe de Bailão. O artista é um jovem branco, que usa uma roupa de brilhos vermelhos e chapéu de cowboy na mesmo estilização. Ele tem maquiagem preta nos olhos e adesivos vermelhos brilhantes no centro do rosto, e usa colares e brincos brilhantes. Gabeu está olhando para cima, fora da imagem, levemente inclinado para o lado direito. Seu rosto é sutilmente iluminado e a imagem tem efeito de prisma." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4.jpg 900w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28079" class="wp-caption-text">Quem é esse menino de vermelho? É o Gabeu no clipe de Bailão! (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><b>Agora que o disco foi lançado como o primeiro passo da sua consolidação como artista de queernejo, quais são suas expectativas para o futuro?</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Em primeiro lugar, eu quero muito dar continuidade nisso que a gente começou mês passado com os shows. Eu quero muito fazer show, eu preciso estar em cima do palco, eu preciso subir e </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="http://musicainstantanea.com.br/critica-gabeu-agropoc/#:~:text=S%C3%A3o%20fragmentos%20instrumentais%20e%20po%C3%A9ticos,Batid%C3%A3o%20Tropical%20(2021)%2C%20de">cantar o </a></i></span><span style="font-weight: 400"><a href="http://musicainstantanea.com.br/critica-gabeu-agropoc/#:~:text=S%C3%A3o%20fragmentos%20instrumentais%20e%20po%C3%A9ticos,Batid%C3%A3o%20Tropical%20(2021)%2C%20de">AGROPOC</a></span><span style="font-weight: 400"><i> pra galera e ter essa troca com o público. Eu tô muito nesse estágio, então essa é a primeira coisa que eu penso quando as pessoas me perguntam o que eu quero pro futuro: fazer shows. Obviamente, eu tô sempre compondo, tô sempre tendo muitas ideias de próximas músicas, de próximos lançamentos, de próximos discos… Eu já tenho ideia para 10 discos diferentes na minha cabeça, que eu só preciso colocar no papel direitinho, porque às vezes vira uma bagunça.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Eu tenho planos também de começar a produzir algumas coisas novas, entrar em estúdio. Eu amo muito a energia de estúdio também, gosto muito de estar dentro do estúdio, de trocar experiências com quem tá produzindo comigo, de estar ali, enfim, pensando a música, pensando arranjos, essa é uma coisa que me dá realmente muito prazer, então eu quero muito voltar pro estúdio logo pra produzir coisa nova. Com isso tudo, eu quero também que muitas pessoas, mais e mais pessoas, se identifiquem com o queernejo, e eu gostaria muito de ver mais artistas surgindo, novos artistas queer fazendo sertanejo, pra cena crescer.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Eu acho que isso é importante porque a gente ainda é uma cena muito pequena se comparada aos outros gêneros musicais que tão rolando. Então, acho que quanto mais artista tiver mais fortalecimento a gente vai ter, e mais as pessoas de fora vão começar a levar a sério, porque uma coisa que eu vejo é que muita gente não leva a sério, encara como uma coisa engraçada, uma piadinha, enfim, uma galera LGBT querendo fazer graça, sei lá. Então eu gostaria que isso acontecesse, que a gente crescesse cada vez mais”</i></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<hr>
<p><span style="font-weight: 400">Pouco menos de um ano depois de lançar o disco, Gabeu está viajando, cantando e realizando os </span><span style="font-weight: 400"><i>shows </i></span><span style="font-weight: 400">da </span><span style="font-weight: 400"><i>AGROPOC Tour</i></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: AGROPOC" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/4WRJS8GKvCdoPpKgZUltBU?si=A5DWu6A_QaWcBBa3a4PWFw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>O Segredo de Brokeback Mountain: um romance infeliz</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2022 19:32:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Thuani Barbosa Dois jovens cowboys em um trabalho de verão nas montanhas, e nenhum dos dois poderia imaginar o quão alterado seriam seus destinos. O Segredo de Brokeback Mountain é o tipo de filme que surpreende o espectador a cada vez assistida, seja nas paisagens montanhosas que emanam a sensação de vastidão e plenitude, na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-segredo-de-brokeback-mountain-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Segredo de Brokeback Mountain: um romance infeliz"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28032" aria-describedby="caption-attachment-28032" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-28032" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-4-800x539.jpg" alt="Cena do filme O Segredo de Brokeback Mountain, na imagem está o casal de protagonistas, Jack interpretado por Jake Gyllenhaal e Ennis, interpretado por Heath Ledger. Jack tem a pele branca, cabelos castanhos escuros lisos e curtos e bigode cheio; Veste camisa social azul escura de um tom quase preto, calça jeans azul escura e seus acessórios são: um anel prata e um chapéu preto. Em seu rosto mantém um sorriso animado e com uma das mãos segura um vidro de Whisky. Ennis tem a pele branca, cabelos loiros curtos, veste camisa social branca, jaqueta bege de lã por dentro e usa calça jeans clara; Seu único acessório é um chapéu bege. Ambos estão sentados em cadeiras dobráveis de cor azul, ao fundo é possível haver uma grande árvore cortada e um pouco de vegetação, no chão tem grama e algumas pedras." width="800" height="539" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-4-800x539.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-4-1024x690.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-4-768x517.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-4-1200x808.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-4.jpg 1485w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28032" class="wp-caption-text">Apaixonante e doloroso. Brokeback Mountain entrega um amor cruel e visceral (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><b>Thuani Barbosa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois jovens </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboys</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um trabalho de verão nas montanhas, e nenhum dos dois poderia imaginar o quão alterado seriam seus destinos. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Segredo de Brokeback Mountain </span></i><span style="font-weight: 400;">é o tipo de filme que surpreende o espectador a cada vez assistida, seja nas </span><a href="https://blogdescalada.com/11-filmes-hollywoodianos-que-tiveram-montanhas-mal-documentadas/"><span style="font-weight: 400;">paisagens montanhosas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que emanam a sensação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sy8mjGYgTVU"><span style="font-weight: 400;">vastidão e plenitude</span></a><span style="font-weight: 400;">, na singularidade de seus personagens, na interpretação impecável do elenco ou na explosão de emoções que chocam o peito de qualquer um. </span></p>
<p><span id="more-28029"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jack Twist (Jake Gyllenhaal) é falante, expressivo e amoroso, um personagem carente, que leva consigo a frustração de não viver o amor e expressar sua sexualidade da maneira que deseja. Ennis Del Mar (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zqfz04yCTnE"><span style="font-weight: 400;">Heath Ledger</span></a><span style="font-weight: 400;">), quieto e sensível, se mostra o tipo de personagem acalentador, o qual se acostuma com a quietude e aprende a entender o sentimentalismo, como Chiron de </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight: Sob a Luz do Luar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A semelhança é presente em vários vieses, ambos homens homossexuais, que cresceram sem a presença significativa dos pais e se tornaram homens silenciosos mas cheios de sentimentos, que enfrentam as dificuldades da vida praticamente sozinhos.</span></p>
<figure id="attachment_28033" aria-describedby="caption-attachment-28033" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-4.jpg" alt="Cena do filme O Segredo de Brokeback Mountain, na imagem está o casal de protagonistas, Jack e Ennis. Jack tem a pele branca, seus cabelos são curtos e lisos e de tons castanho escuro, sobrancelhas grossas, boca pequena e um suave sinal de bigode, veste uma camisa social jeans por baixo de uma jaqueta de tom verde musgo e gola de lã e um chapéu preto. ele mantém o rosto com seus olhos fechados e uma expressão de suavidade. Ennis tem a pele branca, cabelos curtos ondulados e loiros, sobrancelha levemente rala, veste blusa social branca com uma estampa quadriculada, jaqueta de couro bege e um chapéu de cor champanhe. Ele tem uma expressão de dúvida em seu rosto. Na imagem está abraçando Jack está sendo abraçado por eles, ao fundo e desfocada a uma vegetação florestal." width="700" height="350" /><figcaption id="caption-attachment-28033" class="wp-caption-text">Em uma das cenas de maior intimidade, Ennis abraça Jack e, em poucas palavras, deixa os sentimentos a flor da pele (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após serem contratados para passarem uma temporada cuidando de ovelhas </span><a href="https://www.focusfeatures.com/brokeback_mountain"><span style="font-weight: 400;">no alto da montanha Brokeback</span></a><span style="font-weight: 400;">, Jack e Ennis, até então desconhecidos um pelo outro, precisam vivenciar seus dias juntos na isolada colina, criando uma convivência bruscamente rasa devido ao silêncio do loiro. Com o passar do tempo, a chegada do inverno os abate fortemente, fazendo com que, em uma noite gélida, Jack convide o outro para dormir em sua barraca. E é neste breve momento de “guarda baixa” que ambos se rendem à tensão sexual do ambiente e passam por uma noite de grande desejo e paixão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o fim do trabalho, os rapazes se separam, dedicados a viverem vidas distintas. Assim, diante da impossibilidade de ficarem juntos, ambos se casam. Jack com Lureen (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sI5Oi8GDEFc"><span style="font-weight: 400;">Anne Hathaway</span></a><span style="font-weight: 400;">), filha de um grande empresário agropecuário, e Ennis com Alma, uma jovem do interior (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cKP6XzkBqUU"><span style="font-weight: 400;">Michelle Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">). Um com um filho, em uma família abastada no Texas, e o outro lidando com dificuldades financeiras com três crianças, eles vivem totalmente diferentes, mas com uma coisa em comum: a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z2x37ASry6A"><span style="font-weight: 400;">infelicidade</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das sensações constantemente presentes no desenrolar dos 134 minutos de duração é o medo, demonstrado em momentos como, por exemplo, nas conversas sobre morarem juntos em um rancho isolado e nos beijos desesperados às escondidas. O estado de alerta para qualquer vislumbre de olhares desconhecidos chega a ser palpável e remete fortemente à homofobia da época. O medo pesa sobre Ennis quando ele descobre a maneira que </span><a href="https://desilusoes.org/2015/08/25/sobre-a-morte-de-jack-twist/"><span style="font-weight: 400;">Jack foi morto</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo que ouvindo uma explicação racional, ele só consegue imaginar seu parceiro sendo espancado. Fato que também fala muito sobre a produção e a maneira que a trama é rodeada de subjetividade, não só sentimentalmente, mas também na indução de ideias.</span></p>
<figure id="attachment_28031" aria-describedby="caption-attachment-28031" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28031" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-5.jpg" alt="Cena do filme O Segredo de Brokeback Mountain, na imagem está o casal Jack Twist (Jake Gyllenhaal) e Lureen Twist(Anne Hathaway) e seu bebê recém nascido. Lureen tem a pele branca, sobrancelhas finas, seus cabelos são médios, castanhos e lisos com ondas nas pontas ao estilo 90 's, veste uma camisola azul clara de tule, usa um colar com pingente de coração e um anel dourado. Ela está sentada em sua cama com o bebê em seu colo, a expressão em seu rosto é de felicidade genuína. Jack tem a pele branca, sobrancelhas grossas, seus cabelos são curtos de tons castanho escuro e bem penteados com aparência de molhados, veste uma camisa social azul marinha, uma calça jeans escura, cinto e fivela de cowboy e seus acessórios são: um relógio dourado e um anel de rodeio. Ele está sentado ao lado de sua esposa na cama acariciando a cabeça do bebê. O bebê é pequeno, tem a pele clara, poucos cabelos e veste um macacão branco. Ao fundo pode-se ver uma parede rosa, uma rack marrom clara decorada com um vaso de flores pequenas e 2 abajures. Ao lado tem-se um pequeno relógio de cabeceira. O lençol da cama em que estão sentados é rosa claro." width="800" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-5.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-5-768x516.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28031" class="wp-caption-text">A maneira que são forçados pela sociedade a viverem relacionamentos heterossexuais afeta a vida emocional dos cowboys e a de suas parceiras (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das inúmeras indicações a grandes prêmios, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">, Globo de Ouro e outros, o filme foi ganhador de três </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wvUaMPmw5zg"><i><span style="font-weight: 400;">Oscars</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: Melhor Roteiro Adaptado, Direção e Trilha Sonora Original; três Globos de Ouro</span><i><span style="font-weight: 400;">:</span></i><span style="font-weight: 400;"> Melhor Diretor, Roteiro de Cinema e Melhor Canção Original. E, para a surpresa do público de 2006, os atores principais foram premiados como o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Dvciu7vZmow"><span style="font-weight: 400;">Melhor Beijo</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fJTj0mcb90s"><i><span style="font-weight: 400;">MTV Movie Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo com tanto reconhecimento, o maior troféu que a obra deixou foi a atuação divina de Heath Ledger, sendo uma das últimas produções do ator antes de sua morte prematura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa é um roteiro adaptado do conto que leva o mesmo nome, escrito por </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/autor/3/"><span style="font-weight: 400;">Annie Proulx</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os contos da autora sempre se passam no Wyoming, estado em que ela vive e que a inspira com suas paisagens rochosas. Imerso na </span><a href="https://www.visiteosusa.com.br/experience/cultura-cauboi-de-oklahoma-e-o-national-cowboy-and-western-heritage-museum"><span style="font-weight: 400;">cultura de </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboys </span></i><span style="font-weight: 400;">americana</span></a><span style="font-weight: 400;">, a produção exibe com afinco os rodeios, ranchos e danças </span><i><span style="font-weight: 400;">countrys</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tal foco se deve ao brilhante diretor Ang Lee, já conhecido pela versatilidade de suas obras, horas dando vida a aventuras em alto mar e ao desconhecido, outras abordando a sensibilidade de um amor improvável, como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SkE8HckgfQw"><i><span style="font-weight: 400;">Projeto Gemini</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=AoGcEqMGqfQ"><i><span style="font-weight: 400;">Razão e Sensibilidade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">As Aventuras de Pi, </span></i><span style="font-weight: 400;">filme</span> <span style="font-weight: 400;">que lhe rendeu outro </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Direção.</span></p>
<figure id="attachment_28030" aria-describedby="caption-attachment-28030" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-28030" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/073255.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-800x537.jpg" alt="Imagem dos sets de produção do filme O Segredo de Brokeback Mountain, na imagem está o ator Heath Ledger e o diretor Ang Lee. Heath tem a pele branca, cabelos loiros curtos, veste camisa social, jaqueta jeans de lã por dentro e usa calça jeans clara; Seu único acessório é um chapéu bege. Ang é asiatico, tem a pele amarela e cabelos grisalhos, jaqueta de frio verde-água escuro, calça jeans, boné preto e relógio. Ao fundo pode-se ver um céu azul com nuvens brancas, uma casa e várias pessoas trabalhando." width="800" height="537" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/073255.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-800x537.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/073255.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1024x687.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/073255.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-768x516.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/073255.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1200x806.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/073255.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 1415w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28030" class="wp-caption-text">O Segredo de Brokeback Mountain foi uma das últimas produções de Ang Lee (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2005, em um momento da história em que a comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> já tinha certos tópicos sendo trabalhados e alguns espaços no audiovisual, como o </span><i><span style="font-weight: 400;">talk show</span></i><span style="font-weight: 400;"> da comediante Ellen Degeneres, mas a homossexualidade ainda era vista como uma imoralidade e um grande tabu, ao qual não se falava sobre. Alguns dos atores já chegaram a comentar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=arizDK07Jmo"><span style="font-weight: 400;">não ter imaginado que a produção se tornaria tão grandiosa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, graças ao enredo tão cativante e bem desenvolvido, a trama ganhou grande reconhecimento, o que, de uma certa forma, veio a dar credibilidade para a comunidade </span><a href="https://twitter.com/universolgbtq?ref_src=twsrc%5Egoogle%7Ctwcamp%5Eserp%7Ctwgr%5Eauthor"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA +</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredo de Brokeback Mountain</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ang Lee e seu elenco tiveram que caminhar para que filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ataque dos Cães</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pudessem correr e atingir brilhantemente o público que alcançam hoje. O longa se tornou o tipo de referência que as pessoas usam para citar o primeiro filme em que se viram representados por amar uma pessoa do mesmo gênero. A única tristeza que o enredo nos deixa é o viver sôfrego dos protagonistas, o pensamento incessante de que eles poderiam ter vivido felizes e se sentindo inteiramente amados nunca vai abandonar o fãs, principalmente aqueles que se emocionam com a emblemática e maravilhosa cena em que Jack confessa para Ennis: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S-nsdJyV5Vs&amp;t=3s"><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;às vezes sinto tanto a sua falta que mal consigo suportar”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Brokeback Mountain (2005) &#039;Jack and Ennis Brawl&#039; Movie Clip" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OYdvdyTmBCY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com um final solitário e triste, não há quem não ame </span><i><span style="font-weight: 400;">Brokeback Mountain</span></i><span style="font-weight: 400;">. Deixando sua marca nas mentes e nos corações, é o tipo de filme do qual se termina em lágrimas (junto com o personagem). O longa deixa um grande questionamento acerca da </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49405469"><span style="font-weight: 400;">homofobia no antigo Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, focalizando no estilo de vida </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, mesmo com tantos conflitos, consegue passar exatamente a sensação de estar apaixonado e não poder viver aquele amor em toda a sua profundidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor  fervoroso, cruel e desesperado que este drama retrata não é encontrado em clichês românticos, portanto o espectador pode chorar com orgulho ao fim dos momentos indescritíveis proporcionados por essa esplendorosa criação. Sofre-se quando eles sofrem e alegra-se quando eles se alegram. Tudo isso na montanha </span><a href="https://www.travelalberta.com/ca/articles/reel-adventures-in-alberta-1991/"><span style="font-weight: 400;">Brokeback</span></a><span style="font-weight: 400;">.   </span></p>
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		<title>De Top Gun a Elite: o homoerotismo sempre nos colocou de quatro</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jun 2022 20:22:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Muito mudou entre os anos 80 e agora, mas a figura masculina erotizada continua engajante como nunca Vitor Evangelista Não há nada que um homem goste mais do que agradar e impressionar outro homem. Seja numa relação romântica ou apenas na amizade, a Arte explorou, desde o Batalhão Sagrado de Tebas até os garotos bobos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/top-gun-elite-homoerotismo-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "De Top Gun a Elite: o homoerotismo sempre nos colocou de quatro"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">Muito mudou entre os anos 80 e agora, mas a figura masculina erotizada continua engajante como nunca</span></em></p>
<figure id="attachment_27975" aria-describedby="caption-attachment-27975" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27975 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/arte-homoerotismo.jpg" alt="Arte retangular com fundo verde. Nela, vemos os personagens Maverick, Louis, Lestat e Patrick. Maverick é um homem branco, usa jaqueta e óculos escuros e posa com um joinha dentro de um avião. Louis é um homem de cabelos compridos castanhos e Lestat é loiro, ambos são vampiros que usam roupas antigas com detalhes em branco, verde e dourado. Patrick é um jovem adulto branco, sem camisa e tem os braços cruzados." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/arte-homoerotismo.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/arte-homoerotismo-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/arte-homoerotismo-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27975" class="wp-caption-text">Entre pilotos de avião, vampiros e estudantes do Ensino Médio, a luxúria destes personagens transborda as telas e inunda a sala de quem assiste (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há nada que um homem goste mais do que agradar e impressionar outro homem. Seja numa relação romântica ou apenas na amizade, a Arte explorou, desde o </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2021/11/batalhao-sagrado-de-tebas-o-poderoso-exercito-formado-por-150-casais-gays-que-venceu-esparta/"><span style="font-weight: 400;">Batalhão Sagrado de Tebas</span></a><span style="font-weight: 400;"> até os garotos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g9f8IcloXe8"><span style="font-weight: 400;">bobos de amor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Heartstopper</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que eles compartilham esse fascínio, um senso de deslumbramento que os coloca no centro do universo. Quando foi lançado em 1986, o romance entre Maverick e Charlie em </span><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Ases Indomáveis</span></i><span style="font-weight: 400;"> era, à primeira vista, o único ponto de tensão no filme. Mas o produto final mostrou um subtexto extra.</span></p>
<p><span id="more-27969"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acontece que, na escola para os pilotos mais velozes do planeta, o protagonista sorridente e teimoso de Tom Cruise se choca com alguém que faz seu coração bater mais forte que os cachos dourados de uma </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/top-gun-kelly-mcgillis"><span style="font-weight: 400;">Kelly McGillis na flor da idade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Iceman (Val Kilmer) representa um rival imbatível, entretanto, a camada abaixo da superfície revela uma tensão (e um tesão) incubado entre os militares. Quando jogam vôlei na praia, ou mesmo quando desfilam só de cuequinha branca pelos vestiários do quartel, </span><a href="https://br.ign.com/top-gun-maverick/98884/feature/top-gun-romance-gay-maverick-iceman-teoria"><span style="font-weight: 400;">Kilmer e Cruise</span></a><span style="font-weight: 400;"> não desgrudam os olhos um do outro.</span></p>
<figure id="attachment_27970" aria-describedby="caption-attachment-27970" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27970" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/t.jpg" alt="Cena do filme Top Gun, mostra um vestiário masculino cheio de homens brancos com toalhas amarradas na cintura. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/t.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/t-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/t-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/t-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27970" class="wp-caption-text">Não surpreende ninguém que, em Top Gun: Maverick, sequência lançada esse ano, Tom Cruise subtrai qualquer chama de erotismo entre seus pilotos homens (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse fator, provavelmente surpreendente até mesmo para o diretor Tony Scott, rendeu à </span><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun</span></i><span style="font-weight: 400;"> o título de filme gay. O filme mais não intencionalmente gay dos anos oitenta. Ou será que havia intenção? Afinal, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">a quem pertence O Babadook?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> A Arte, como meio de expressão e mensagem, serve propósito àqueles que a consomem, quer o significado seja idealizado por quem o criou, quer o contrário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun</span></i><span style="font-weight: 400;">, a questão do homoerotismo era tão presente no núcleo narrativo da obra que, para reafirmar a heterossexualidade de seu protagonista, o ideal americano de macho familiar, sadio e pronto para defender o país que ama, o filme rompe sua virgindade ao som da canção que imortalizou o amor sacana da década. Posteriormente vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n4y19tWzDGQ"><i><span style="font-weight: 400;">Take My Breath Away</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ilustra com maestria o papel social do homem naquele ambiente: ele luta arduamente para ser recompensado pelo beijo caloroso de sua amada, à meia luz, banhados pelo azul e desnudos em uma cama de lençóis brancos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por definição, o homoerotismo se caracteriza pela relação erótica, sem ser necessariamente sexual e genital, entre pessoas do mesmo gênero, ou mesmo satisfação encontrada por meio de um objeto do mesmo gênero. No papel, a relação de Iceman e Maverick não passa de uma rivalidade banal, uma competição de egos e uma medição de testosterona. Na prática, </span><a href="https://www.esquire.com/entertainment/movies/a39918358/top-gun-volleyball-scene-gay/"><span style="font-weight: 400;">a química dos intérpretes</span></a><span style="font-weight: 400;">, aliada à direção calculada de Scott, sempre equiparando o desejo de posse ao de conquista, o público pôde muito bem enxergar um grau além do aparente retrato do mundano.</span></p>
<figure id="attachment_27971" aria-describedby="caption-attachment-27971" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27971" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ent.jpg" alt="Cena do filme Entrevista com o Vampiro, mostra dois homens brancos se olhando. Um deles, à esquerda, é loiro, e o outro é moreno, eles usam roupas antigas, com detalhes em azul e dourado e tem a pele branca de vampiro." width="1200" height="674" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ent.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ent-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ent-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ent-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27971" class="wp-caption-text">Quando lançado em 1994, Entrevista com o Vampiro chamou atenção por escalar atores de renome em papéis com forte temática homossexual (Foto: Geffen Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Oito anos se passaram até que Tom Cruise se metesse em </span><a href="https://www.esquire.com/entertainment/movies/a36386485/tom-cruise-interview-with-a-vampire-anne-rice-sabotage/"><span style="font-weight: 400;">outro projeto homoerótico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dessa vez na pele de Lestat, o ator vivia um vampiro imortal que, na solidão da noite, busca a companhia de Louis (Brad Pitt), a quem trata com carinho e o gracejo de alguém apaixonado pela ideia de dividir o infinito com outro alguém. Em </span><a href="https://mais.opovo.com.br/jornal/dom/2019/12/15/beba--de-mim--e-viva--eternamente.html"><i><span style="font-weight: 400;">Entrevista com o Vampiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1994), o diretor Neil Jordan adapta o clássico de Anne Rice abusando do erótico e do libidinoso. Expressando o desejo das criaturas da noite por meio de um texto polido ao ponto de soar como poesia de alta qualidade, Louis e Lestat são carne e unha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso até que Claudia (</span><a href="https://revistamonet.globo.com/Filmes/noticia/2019/08/kirsten-dunst-relembra-beijo-em-brad-pitt-aos-11-anos-por-entrevista-com-o-vampiro-asqueroso.html"><span style="font-weight: 400;">Kirsten Dunst</span></a><span style="font-weight: 400;">) entra na equação. A criança, amaldiçoada pelo vírus sanguinário em um momento de fraqueza dos protagonistas, se torna uma filha do casal, e se a relação a dois já passava por percalços, a três a situação azeda. Entre incêndios, jacarés famintos e o encontro com outro vampirão </span><i><span style="font-weight: 400;">sexy </span></i><span style="font-weight: 400;">(Antonio Banderas), o personagem de Brad Pitt é feito de gato e sapato pela luxúria. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cruise, mais velho que o companheiro de trabalho, assume a figura do mentor/amante maduro, que abre o horizonte para o jovem, oferecendo-o a possibilidade de se deliciar com os sucos da vida. E se </span><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun</span></i><span style="font-weight: 400;"> tinha vergonha de expor o lado travesso da relação de seus brucutus, </span><i><span style="font-weight: 400;">Entrevista com o Vampiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se acanha ao lamber os lábios frente a devassa e apetitosa possibilidade de consumação. Ninguém precisa ouvir trocas de afetos melosos entre os vampiros, já que o subtexto, nascido da necessidade de </span><a href="https://manuscritoscoletivos.wordpress.com/2013/10/30/manuscritos-de-noticias-anne-rice-confirma-que-lestat-e-louis-sao-um-casal-homossexual-com-uma-filha/"><span style="font-weight: 400;">explorar o amor homossexual</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o desejo de poder entre monstros carnívoros, atravessa a sutileza e </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/01/lgbt-na-literatura-de-horror-baixa-representatividade-e-que-assusta.html"><span style="font-weight: 400;">não passa despercebido</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_27972" aria-describedby="caption-attachment-27972" style="width: 1360px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27972" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elite.jpg" alt="Cena da série Elite, mostra dois jovens brancos e magros, pelados no chuveiro, conversando. Um deles faz um gesto com a mão direita, com o punho fechado." width="1360" height="850" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elite.jpg 1360w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elite-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elite-1024x640.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elite-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elite-1200x750.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27972" class="wp-caption-text">É de suma importância reconhecer e problematizar que, na avassaladora maioria das narrativas de grande alcance, assistimos apenas à pessoas brancas, magras e cis tendo acesso a esse tipo de representatividade queer (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre 1994 e 2022, o mundo mudou um bocado, e o homoerotismo passou de figurante para elemento principal das narrativas. E no contexto em que </span><a href="https://www.businessinsider.com/how-netflix-is-changing-the-entertainment-industry-2021-8"><span style="font-weight: 400;">a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">domina</span></a><span style="font-weight: 400;"> gráficos de audiência e toma as rédeas das tendências, não tem produção que melhor exemplifique o assunto do que </span><i><span style="font-weight: 400;">Elite</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nascida como uma </span><a href="https://portalpopline.com.br/legado-do-rbd-influencia-toda-uma-geracao-de-artistas-do-pop-atual/"><span style="font-weight: 400;">parente distante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebelde</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e uma </span><a href="http://personaunesp.com.br/riverdale-4a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">prima rebelde de </span><i><span style="font-weight: 400;">Riverdale</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a criação de Darío Madrona e Carlos Montero há muito abandonou a coesão e o cuidado para encher a tela com homens seminus se admirando nos chuveiros de Las Encinas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os assassinatos continuam no roteiro nada amarrado do seriado, que finalizou uma quinta temporada cada vez mais abraçando o dadaísmo na TV. Sem preocupação com arcos, ganchos, desenvolvimento de personagens coadjuvantes e um clímax digno da maratona de oito horas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elite </span></i><span style="font-weight: 400;">fez seu 2022 ao redor da tensão entre Patrick (</span><a href="https://portalpopline.com.br/manu-rios-elite-cenas-sexo-nudez/"><span style="font-weight: 400;">Manu Ríos</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Iván (o brasileiro </span><a href="https://portalpopline.com.br/entrevista-cheguei-chorar-lendo-cenas-elite-andre-lamoglia/"><span style="font-weight: 400;">André Lamoglia</span></a><span style="font-weight: 400;">), um casal improvável que atravessa tempestades e furacões até que se aceitem como o destino os prostrou. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, antes de Patrick fazer qualquer um babar, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elite </span></i><span style="font-weight: 400;">era dominada pelo fascínio que Ander (</span><a href="https://mag.sapo.pt/tv/atualidade-tv/artigos/aron-piper-estrela-da-serie-elite-desabafa-sobre-os-problemas-na-adolescencia-e-depressao"><span style="font-weight: 400;">Arón Piper</span></a><span style="font-weight: 400;">) provocava não apenas em Omar (Omar Ayuso), mas em qualquer um que o orbitasse. Polo (Álvaro Rico) se fascinou por Christian (Miguel Herrán), depois procurou refúgio na relação com o próprio Ander, figura máxima da tentação máscula. Isso até a chegada de Patrick, que enfeitiçou personagens e público, o que diminuiu ao passo que Iván pisou no colégio. Ciente de que seu elenco masculino gera mais engajamento que qualquer interação entre mulheres ou casal heterossexual, a produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">reconstrói seu universo ao redor do homoerotismo e do homossexual, já que nao faltam </span><a href="https://www.popbuzz.com/tv-film/elite-netflix/andre-lamoglia-ivan-gay-sex-scene-manu-rios/"><span style="font-weight: 400;">cenas picantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os garotos ao longo de todos os anos de exibição.</span></p>
<figure id="attachment_27973" aria-describedby="caption-attachment-27973" style="width: 1079px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27973" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elite-2.jpg" alt="Cena da série Elite mostra dois jovens brancos e magros abraçados à beira da piscina, com um garrafa de cerveja ao lado." width="1079" height="719" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elite-2.jpg 1079w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elite-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elite-2-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elite-2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27973" class="wp-caption-text">Na nova versão de Rebelde, também original da Netflix, um <a href="https://observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/famosos/giovanna-grigio-fala-sobre-romance-lesbico-de-sua-personagem-em-rebelde-da-netflix-historia-de-amor-muito-bonita">casal sáfico</a> toma os holofotes do protagonismo; enquanto isso, a sexta temporada de Elite escalou seu primeiro <a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/elite-conheca-ander-puig-primeiro-ator-trans-da-serie-da-netflix-213312/#:~:text=A%20sexta%20temporada%20de%20Elite,s%C3%A9ries%20mais%20populares%20da%20Netflix.">ator trans</a> (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Importante entender, mais do que apenas criticar a </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/criticas/elite-5a-temporada"><span style="font-weight: 400;">evidente má qualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Elite </span></i><span style="font-weight: 400;">nos princípios básicos de drama e roteiro, que a série nasceu, como já dito, na figura de uma repaginação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebelde</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">sem censuras. Na série mexicana, o público assistia o imperialismo heterossexual, onde o sexteto protagonista era categorizado em três casais, por mais que Giovanni (</span><a href="https://claudia.abril.com.br/famosos/christian-chavez-diz-que-sofreu-repressao-na-epoca-de-rebelde-por-ser-gay/"><span style="font-weight: 400;">Christian Chávez</span></a><span style="font-weight: 400;">) representasse, sem dúvida alguma, um homem </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou, ao menos, um homem que não tinha enlace romântico com Lupita (Maite Perroni), a única das meninas sem uma contraparte heteronormativa para fazer pose ao lado nos pôsteres e álbuns de figurinhas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De um Giovanni </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/rebelde-selene-giovanna-grigio-franco-masini"><span style="font-weight: 400;">trancafiado no armário</span></a><span style="font-weight: 400;"> para um Patrick assumido e aceito pela família e pela escola elitista da Espanha, muito melhorou na mídia e na sociedade que a consome. Mas o que une </span><a href="https://www.filmelier.com/br/noticias/top-gun-maverick-analise"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Entrevista com o Vampiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Elite</span></i><span style="font-weight: 400;">, para além da obviedade da tensão homoerótica? A resposta vive na origem deste texto: </span><a href="https://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/HomoeroticSubtext"><span style="font-weight: 400;">o fascínio e o êxtase</span></a><span style="font-weight: 400;"> de quem acompanha a trama pelo desenrolar de uma semente “proibida”, algo primeiramente tachado de errado mas que, se provado, floresce em emoção e sedução.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O homoerotismo sempre nos deixou de quatro pela força das narrativas, para além do mocinho encontrar a princesa e eles viverem felizes para sempre. Por vezes, o mocinho ia de encontro a outro mocinho, e eles nem sempre viviam no marasmo e na boa vida de suas contrapartes heterossexuais. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun</span></i><span style="font-weight: 400;">, Maverick leva Charlie na garupa, para longe da figura de Iceman. Em </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/entrevista-com-o-vampiro-teaser-historia"><i><span style="font-weight: 400;">Entrevista com o Vampiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Lestat e Louis ganham contornos de antagonistas, por mais que a paixão ainda resida no fundo do ódio. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Elite</span></i><span style="font-weight: 400;">, Patrick e Iván trocam afagos calorosos depois de presenciarem uma morte chocante, sem saber o que o </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-163056/"><span style="font-weight: 400;">amanhã reserva a eles</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo que nos resta é assistir. </span></p>
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		<title>Disney, Pixar e ‘Don’t Say Gay’: por que financiam nossos armários?</title>
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		<pubDate>Tue, 17 May 2022 17:37:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pautada por mudanças bruscas de posicionamento e fervorosos embates políticos, a polêmica entre Disney e Pixar com a legislação americana pode dizer muito sobre o conteúdo que o estúdio produz Enrico Souto Em 25 de fevereiro de 2022, o Orlando Sentinel, principal jornal da cidade da Flórida, Estados Unidos, desvendou uma bomba. Legisladores do estado, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/disney-pixar-dont-say-gay-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Disney, Pixar e ‘Don’t Say Gay’: por que financiam nossos armários?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Pautada por mudanças bruscas de posicionamento e fervorosos embates políticos, a polêmica entre Disney e Pixar com a legislação americana pode dizer muito sobre o conteúdo que o estúdio produz</span></i></p>
<figure id="attachment_27657" aria-describedby="caption-attachment-27657" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27657 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa-wordpress-disney-enrico.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa-wordpress-disney-enrico.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa-wordpress-disney-enrico-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa-wordpress-disney-enrico-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27657" class="wp-caption-text">Entre Red: Crescer é uma Fera, Segredos Mágicos, Dois Irmãos e Luca, vivências queer tem sido postas sobre as telas da Pixar de diferentes formas – algumas mais enrustidas que outras (Foto: Pixar Animation Studios/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 25 de fevereiro de 2022, o </span><a href="https://www.orlandosentinel.com/opinion/scott-maxwell-commentary/os-prem-op-florida-business-disney-dont-say-gay-scott-maxwell-20220225-b7pxbrc4pfdmxbm2ypo5bpw23e-story.html"><i><span style="font-weight: 400;">Orlando Sentinel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, principal jornal da cidade da Flórida, Estados Unidos, desvendou uma bomba. Legisladores do estado, envolvidos ativamente com uma proposta de lei homofóbica que tramitava no Congresso, receberam doações milionárias da </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney Company</span></i><span style="font-weight: 400;">, conglomerado multibilionário de mídia. Hoje, quase três meses depois, após a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/disney/"><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já ter alterado seu posicionamento, a lei ter sido aprovada e outros escândalos revelados, uma questão continua acaçapada. O que uma empresa deste tamanho teria a ganhar financiando um projeto como este?</span></p>
<p><span id="more-27644"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apelidado de </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://visao.sapo.pt/atualidade/mundo/2022-04-04-o-que-e-o-projeto-de-lei-dont-say-gay-que-vai-levar-o-estado-da-florida-a-tribunal/"><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Say Gay</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Não Diga Gay</span></i><span style="font-weight: 400;">, em inglês), o Projeto de Lei Pelos Direitos dos Pais Sobre a Educação foi criado pelo deputado republicano Joe Harding visando a proibição de discussões sobre orientação sexual e identidade de gênero em salas de aulas, do infantário ao 3º ano, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">“de forma que não seja apropriada à idade ou desenvolvimento dos alunos”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sob a premissa falaciosa de oferecer maior controle sobre a educação de seus filhos, na prática, a ambiguidade da lei busca podar a liberdade de professores para além dos graus de escolaridade previstos na lei, ao passo que cria um ambiente ainda mais hostil para crianças LGBTQIA+ de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S-_NcmyntN0&amp;ab_channel=JamesSomerton"><span style="font-weight: 400;">todas as idades</span></a><span style="font-weight: 400;">, que muitas vezes sofrem violências </span><a href="https://opopular.com.br/noticias/infomercial/lgbtq-1.1299389/homofobia-na-fam%C3%ADlia-quando-o-preconceito-come%C3%A7a-em-casa-1.1300223"><span style="font-weight: 400;">dentro de casa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e encontram na escola o único espaço de acolhimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trata-se de uma lei imbecil, com motivação e pretensão puramente LGBTfóbicas. À vista disso, é especialmente curioso que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> apoie uma proposta como essa, diretamente da Flórida, onde estão instalados seus principais parques temáticos. Além de ter o </span><a href="https://www.hextecnews.com.br/disney-e-seu-proprio-reino-gracas-ao-distrito-de-reedy-creek-os-republicanos-querem-mudar-isso/"><span style="font-weight: 400;">privilégio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de agir com total autonomia e controle no território dos parques, adquirindo poderes equiparáveis ao do próprio governo – apesar de, hoje, essa soberania estar em risco, ainda chegaremos lá –, seu domínio econômico lhe dá um poderio político sem precedentes. Não é difícil imaginar o porquê a marca,</span> <span style="font-weight: 400;">com envolvimento notável em produções destinadas ao público infantil, teria interesse em dar suporte a um projeto que visa monitorar justamente essa demografia. </span></p>
<figure id="attachment_27645" aria-describedby="caption-attachment-27645" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27645" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-2-3.jpg" alt="Cena do curta em animação Out, da Pixar. Imagem retangular e colorida, mostra um casal observando de forma romântica um porta-retrato roxo. Quem segura o objeto é um homem branco, de barba fechada e ruiva, vestindo uma camisa amarela, calças jeans e um gorro azul na cabeça. Atrás dele, segurando os seus ombros, vê-se um homem negro, de cabelos crespos escuros, vestindo uma camisa roxa. Os dois apresentam um sorriso contagiante, e o cenário é um quarto." width="2000" height="1123" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-2-3.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-2-3-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-2-3-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-2-3-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-2-3-1536x862.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-2-3-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27645" class="wp-caption-text">O curta Out, traduzido para o Brasil como Segredos Mágicos, é a primeira produção da história da Pixar a apresentar um protagonista assumidamente gay (Foto: Pixar Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que, de um jeito ou de outro, gerou imensa revolta entre a comunidade e a </span><i><span style="font-weight: 400;">fanbase</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">. Afinal, se aos olhos do público a empresa diz apoiar a causa LGBTQIA+, debaixo dos panos ela não vê problema algum em contribuir para a violação e subalternização desse mesmo grupo. Com a acusação, Bob Chapek não demorou a se retratar. Em nota para seus funcionários, mais tarde </span><a href="https://variety.com/2022/film/news/disney-ceo-bob-chapek-support-lgbtq-1235197938/"><span style="font-weight: 400;">obtida pela imprensa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> admitiu a contribuição financeira aos políticos republicanos, apesar de negar que as doações tivessem qualquer conexão com a lei. A respeito do seu silêncio ensurdecedor sobre o tema por meses, Chapek optou pela covardia e alegou que declarações corporativas são pouco efetivas em conjunturas políticas como essa.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Acredito que a melhor maneira de nossa empresa trazer mudanças duradouras é por meio do conteúdo inspirador que produzimos, da cultura acolhedora que criamos e das diversas organizações comunitárias que apoiamos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, aponta o </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, por trás dessa declaração florida, há um cenário muito, muito mais sombrio. Em resposta, funcionários LGBTQIA+ e aliados da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/pixar/"><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estúdio pertencente à </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://variety.com/2022/film/news/disney-pixar-same-sex-affection-censorship-dont-say-gay-bill-1235200582/"><span style="font-weight: 400;">assinaram declaração pública</span></a><span style="font-weight: 400;"> não apenas repudiando a atitude da companhia do rato, como também escancarando atos deliberados de censura desses executivos contra elementos abertamente </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> em suas produções.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem acompanha o histórico das duas empresas já sabe que a relação sempre esteve entre tapas e beijos. Esses conflitos existem desde que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> era responsável unicamente pela distribuição dos filmes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">, e a </span><a href="https://www.dn.pt/arquivo/2006/disney-compra-a-pixar-para-garantir-a-sua-sobrevivencia-634862.html"><span style="font-weight: 400;">negociação</span></a><span style="font-weight: 400;"> para aquisição do estúdio em 2006 foi extremamente conturbada. Hoje, a rixa continua, com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> acusando seus superiores de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/funcionarios-da-pixar-estao-desapontados-com-estreia-de-red-apenas-no-disney-entenda/"><span style="font-weight: 400;">barrar a circulação</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos seus filmes no cinema – mesmo porque, apesar de justificadas pela pandemia, obras de outras produtoras, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Studios</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney Animation</span></i><span style="font-weight: 400;">, continuaram ocupando as telonas. Porém, nenhum desses casos atravessavam o escopo do conteúdo, não como agora.</span></p>
<figure id="attachment_27646" aria-describedby="caption-attachment-27646" style="width: 1265px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27646" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-3-1.jpg" alt="Fotografia retangular e colorida, mostra Bob Chapek, um homem branco, careca, vestindo um terno preto e camisa branca, discursando em frente a um púlpito, onde apoiam-se três microfones. Suas duas mãos se apoiam ao púlpito, que apresenta uma placa azul com a silhueta branca de um castelo, e seu olhar é sério e preocupado. O fundo azulado está desfocado." width="1265" height="760" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-3-1.jpg 1265w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-3-1-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-3-1-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-3-1-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-3-1-1200x721.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27646" class="wp-caption-text">Outros estados americanos se manifestaram contra a lei homofóbica da Flórida; foi o caso de <a href="https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/nova-york-alfineta-lei-dont-say-gay-da-florida-venha-para-uma-cidade-onde-voce-possa-ser-quem-quiser-25463004">Eric Adams</a>, prefeito de Nova Iorque: “venha para uma cidade onde você possa dizer e ser quem quiser”, afirmou (Foto: Tyrone Siu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A carta inicia expondo algumas das maiores hipocrisias do discurso de Bob Chapek. Enquanto a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">diz que apresenta uma longa trajetória de suporte à comunidade LGBTQIA+, os trabalhadores da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> rebatem que a empresa nunca havia manifestado apoio público à causa </span><a href="https://epgn.com/2021/09/28/until-legal-ruling-disneyland-banned-same-sex-dancers/"><span style="font-weight: 400;">antes de 2018</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se Chapek argumenta que declarações corporativas não são eficazes, seus funcionários demonstram como isso não só nunca impediu o rato de liderar ações políticas, mas também como essas ações apresentam sim efeitos factíveis, dentro e </span><a href="https://internacional.estadao.com.br/ao-vivo/russia-ataca-ucrania"><span style="font-weight: 400;">fora dos Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, os tons mais fúnebres da nota surgem somente no parágrafo seguinte: </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Nós da Pixar testemunhamos pessoalmente belas histórias, cheias de personagens diversos, voltarem das críticas corporativas da Disney trituradas em migalhas do que já foram. Quase todos os momentos de afeto abertamente gay são cortados a pedido da Disney, independente de quando há protesto tanto das equipes criativas quanto da liderança executiva da Pixar. Mesmo que a criação de conteúdo LGBTQIA+ seja a resposta para corrigir a legislação discriminatória no mundo, estamos sendo impedidos de criá-lo.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ou seja, muito além de um financiamento externo, a LGBTfobia da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> se trata de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qa3A_ery3Hg&amp;ab_channel=JamesSomerton"><span style="font-weight: 400;">política interna</span></a><span style="font-weight: 400;">, aplicada violentamente contra estúdios subordinados. Por trás do discurso vazio de </span><i><span style="font-weight: 400;">“conteúdo inspirador”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e da venda extensiva de </span><i><span style="font-weight: 400;">merchandising </span></i><span style="font-weight: 400;">com estampas coloridas, apenas sobra o preconceito. Todavia, vale dizer que, apesar de apavorante, essa notícia está longe de ser surpreendente. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem um vasto histórico de </span><a href="https://theconversation.com/luca-disney-and-queerbaiting-in-animation-164349"><i><span style="font-weight: 400;">queerbaiting</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou seja, obras que codificam um ou mais personagens com características </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas nunca se comprometem em se </span><a href="https://screenrant.com/cruella-movie-disney-artie-queerbaiting-lgbtq-problem/"><span style="font-weight: 400;">aprofundar</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou mesmo em </span><a href="https://www.usatoday.com/story/life/movies/2016/06/09/does-finding-dory-show-gay-couple-filmmakers-discuss/85635846/"><span style="font-weight: 400;">declarar</span></a><span style="font-weight: 400;"> essa identidade abertamente E a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> não sai ilesa disso.</span></p>
<figure id="attachment_27647" aria-describedby="caption-attachment-27647" style="width: 1566px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27647" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-4-3.jpg" alt="Cena do filme em animação Procurando Dory. Imagem colorida e retangular, mostra duas mulheres olhando para o chão assustadas. Uma delas é branca, de cabelos escuros e longos, vestindo uma camisa cinza e uma blusa amarrada na cintura, e a outra é branca, de cabelos curtos e escuros, vestindo uma jaqueta roxa e uma camisa listrada branca e preta, enquanto segura uma mamadeira verde. Ao fundo, pode-se ver um céu azul limpo e algumas árvores e prédios." width="1566" height="880" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-4-3.jpg 1566w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-4-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-4-3-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-4-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-4-3-1536x863.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-4-3-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27647" class="wp-caption-text">Durante uma rápida cena de <a href="https://personaunesp.com.br/procurando-dory-5-anos/">Procurando Dory</a>, os protagonistas interagem com duas mulheres ambiguamente próximas, o que foi considerado na época como ‘o primeiro casal lésbico da Pixar’; respondendo aos rumores, o diretor Andrew Stanton concluiu que “elas podem ser o que você quiser que elas sejam” (Foto: Pixar Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim, </span><i><span style="font-weight: 400;">“o primeiro personagem gay da Disney”</span></i><span style="font-weight: 400;"> já se tornou uma platitude. Porém, fato é que o primeiro personagem ‘abertamente’ gay a aparecer em uma produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi em </span><a href="https://personaunesp.com.br/dois-irmaos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Irmãos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2020: Specter (Lena Waithe), </span><a href="https://www.pride.com/movies/2020/2/21/pixars-onward-introduces-disneys-first-openly-gay-character"><span style="font-weight: 400;">uma policial</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um olho só, com menos de cinco minutos de tela, que surge em uma cena apenas para pronunciar uma frase solta e ambígua em que ela comenta que a filha de sua </span><i><span style="font-weight: 400;">namorada</span></i><span style="font-weight: 400;"> a fez arrancar seus cabelos. Uma personagem sem história, sem subjetividade, utilizada somente como um </span><a href="https://www.polygon.com/2020/3/6/21167960/onward-gay-character-pixar-disney-lgbtq"><span style="font-weight: 400;">broche</span></a><span style="font-weight: 400;"> para que a empresa possa vangloriar-se sem remorsos por sua suposta diversidade. O que não impediu que o filme fosse </span><a href="https://deadline.com/2020/03/disney-onward-banned-multiple-middle-east-markets-lesbian-lgbt-reference-1202876168/"><span style="font-weight: 400;">banido</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou alterado na Rússia e em vários países do Oriente Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais recentemente, o assunto voltou à tona com o lançamento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/red-crescer-e-uma-fera-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Red: Crescer é uma Fera</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Durante o </span><i><span style="font-weight: 400;">teaser</span></i><span style="font-weight: 400;"> de anúncio do longa, aparecia no canto superior esquerdo da tela, em uma cena de menos de um segundo, um </span><a href="https://twitter.com/almanaquedisney/status/1414948520981848066"><span style="font-weight: 400;">casal gay</span></a> <span style="font-weight: 400;">de mãos dadas caminhando pela calçada. Ao passo que alguns parabenizaram a empresa pela atitude, enxergando a inserção como uma forma de naturalizar a existência dessas relações no cotidiano, outros viram com maus olhos. Dada a </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/why-star-wars-kiss-is-a-step-back-lgbtq-representation-rise-skywalker-1264180/"><span style="font-weight: 400;">experiência prolífica</span></a><span style="font-weight: 400;"> de fãs da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">queerbait</span></i><span style="font-weight: 400;">, não é nada mais que frustrante assistir essas referências escondidas enquanto personagens </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca são plenamente assumidos. Uma representatividade comedida, ainda presa dentro do armário.</span></p>
<figure id="attachment_27648" aria-describedby="caption-attachment-27648" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27648 size-full" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-5.jpg" alt="Cena do filme em animação Dois Irmãos, da Pixar. Imagem retangular e colorida, mostra uma mulher com características físicas semelhantes a figura mitológica do Ciclope: um único chifre acima de sua cabeça, apenas um olho e pele roxa. Ela veste uma farda policial azul, e conversa com um homem de bigode que está a sua frente. O cenário é noite, apenas iluminado pelas luzes de uma viatura." width="2000" height="995" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-5.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-5-800x398.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-5-1024x509.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-5-768x382.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-5-1536x764.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-5-1200x597.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27648" class="wp-caption-text">Esforços de censura da Disney vieram inclusive contra elementos de cenário que remetessem a identidades LGBTQIA+; fonte interna da Pixar relatou à Variety um caso em que um adesivo de arco-íris colocado janela de uma loja foi removido por ser considerado “chamativo demais” (Foto: Pixar Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao assistir propriamente o filme, além de outros figurantes LGBTQIA+ surgindo ao fundo de cenas pontuais, nos deparamos com insinuações mais profundas. A personagem </span><a href="https://screenrant.com/turning-red-pixar-movie-priya-queer-lgbtq-character/"><span style="font-weight: 400;">Priya</span></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-nunca-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Maitreyi Ramakrishnan</span></a><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">, do grupo de melhores amigas da protagonista, parece criar uma </span><a href="https://screenrant.com/turning-red-pixar-movie-priya-queer-lgbtq-character/"><span style="font-weight: 400;">conexão diferente</span></a><span style="font-weight: 400;"> com outra garota da escola. No decorrer de uma festa de aniversário, ambas começam a dançar juntas, encarando-se com seus olhares vazios dignos do arquétipo emo que encarnam. Priya, frequentemente incompreendida por seus colegas pela sua personalidade inusitada, encontra enfim identificação em alguém. Tudo ao mesmo tempo que suas amigas trocam cutucadas e olhares maliciosos, dando a entender que ocorria ali um flerte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma conjuntura diferente, provavelmente esse elemento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Turning Red</span></i><span style="font-weight: 400;"> reforçaria as críticas feitas contra seu </span><i><span style="font-weight: 400;">teaser</span></i><span style="font-weight: 400;">. Contudo, assistindo a </span><a href="https://www.pinknews.co.uk/2022/03/21/turning-red-priya-queer-lgbt/"><span style="font-weight: 400;">essas cenas</span></a><span style="font-weight: 400;"> após os eventos do início de março, o </span><a href="https://insidethemagic.net/2022/03/gay-hinting-pixar-turning-red-chapek-al1/"><span style="font-weight: 400;">sentimento é diferente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não mais vê-se uma empresa gananciosa que investe em conteúdos apelativos para a comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém ocultos o suficiente para que o público conservador continue lhes entregando seu dinheiro, mas sim um estúdio que luta por migalhas de representação em suas obras, enquanto subordinado por uma companhia autoritária e abusiva. De uma hora para outra, essas insinuações subliminares passaram de um ato de má-fé para um manifesto de coragem e resistência de um grupo de trabalhadores que, mesmo extensivamente suprimidos, se recusam a sumir.</span></p>
<figure id="attachment_27649" aria-describedby="caption-attachment-27649" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27649" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-6.webp" alt="Cena do filme em animação Red: Crescer é uma Fera. Imagem retangular e colorida, vemos duas adolescentes dançando juntas em uma festa cheia de luzes coloridas, enquanto encaram uma a outra com um olhar sério e vazio. A primeira garota, à esquerda, é negra, com cabelos escuros e lisos que formam cachos na ponta. Ela veste uma camisa de manga comprida amarela e listrada, e usa óculos de armação circular no rosto. A outra garota, da esquerda, é branca, com cabelos lisos, tingidos em azul e roxo, presos por uma tiara preta.. Ela usa uma maquiagem escura no rosto e veste uma camiseta preta." width="1400" height="700" /><figcaption id="caption-attachment-27649" class="wp-caption-text">Alguém mais reparou na <a href="https://www.bowiecreators.com/article/the-rise-and-fall-of-bisexual-lighting">iluminação bissexual</a> aqui? (Foto: Pixar Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensando nisso, é difícil não voltar os olhos a outro episódio recente envolvendo o nome da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Isso porque, em 2021, o estúdio foi responsável por </span><a href="https://personaunesp.com.br/luca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Luca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cMde5YLG6-w&amp;ab_channel=JamesSomerton"><span style="font-weight: 400;">não-assumidamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> gay da história. Quem poderia imaginar que a trajetória de dois monstros marinhos que, mesmo aparentando ser iguais a qualquer outra criança, precisam esconder sua verdadeira essência para que possam ser aceitos em um ambiente hostil, compartilharia semelhanças tão profundas com a experiência de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">? A jornada de um garoto que, ao alcançar a adolescência, descobre um fascínio por um mundo que sempre foi ensinado a odiar?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda por cima, o longa centraliza-se na relação de dois meninos, cujo maior sonho é comprar uma única moto – onde dividem o assento – para que possam pegar a estrada e construir uma vida juntos, longe de todo o preconceito e discriminação do mundo. Do início ao fim, a relação de Luca (Jacob Tremblay) e Alberto (Jack Dylan Grazer) é retratada como um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zHw7gdV7xF8&amp;ab_channel=AreTheyGay"><span style="font-weight: 400;">romance proibido</span></a><span style="font-weight: 400;">, com direito até a uma cena de </span><a href="https://tropedia.fandom.com/wiki/Train_Station_Goodbye"><span style="font-weight: 400;">despedida na estação de trem</span></a><span style="font-weight: 400;">, um clichê nada sutil em narrativas românticas. E acredite, essa não é a primeira nem a última vez que apontam isso. Leituras </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Luca</span></i><span style="font-weight: 400;"> pipocaram antes mesmo do seu lançamento, quando fãs começaram a identificar simetrias estéticas muito marcantes com o longa </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/06/17/movies/luca-review.html"><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame pelo Seu Nome</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que, tal qual a animação, se trata de um romance gay </span><a href="https://deliriumnerd.com/2021/03/11/coming-of-age-e-o-amadurecimento-como-narrativa/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com a Riviera Italiana como plano de fundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São elementos que surgem de forma tão visível e ostensiva que é difícil imaginar que ninguém dentro da equipe criativa tomou essa decisão conscientemente. Como </span><i><span style="font-weight: 400;">Luca</span></i><span style="font-weight: 400;"> passou por tantas mãos e nenhuma pessoa se atentou a esse detalhe? Com os murmurinhos circulando, o diretor Enrico Casarosa não demorou para negar veementemente que uma ‘<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y4scAsRpBFU&amp;ab_channel=OraThiago">alegoria gay</a>’ estava nos planos do estúdio.</span><span style="font-weight: 400;"> </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nós realmente miramos em uma história pré-pubescente. É tudo sobre amizades platônicas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, assegurou </span><a href="https://sports.yahoo.com/luca-trailer-pixar-coming-of-age-miyazaki-fellini-stand-by-me-call-me-by-your-name-143451999.html?"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que é curioso, já que isso nunca impediu nenhuma peça de mídia de retratar romances com crianças ‘pré-pubescentes’. Afinal, por que Casarosa sentia-se tanto na obrigação de isolar completamente seu filme de um possível espectro LGBTQIA+?</span></p>
<p><figure id="attachment_27650" aria-describedby="caption-attachment-27650" style="width: 1128px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27650" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-7-1.jpg" alt="Cena do filme em animação Luca. Imagem retangular e colorida, mostra Alberto, um garoto pardo de cabelos encaracolados e olhos verdes, vestindo uma regata amarela e boina marrom. Ele está com os olhos marejados, um sorriso no rosto, enquanto segura nos ombros e olha nos olhos de Luca, um garoto branco de cabelos escuros que veste uma camisa branca. Luca se apresenta de costas para a câmera e segura um dos braços de Alberto. O fundo, desfocado, mostra uma parede de pedras cinzas." width="1128" height="634" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-7-1.jpg 1128w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-7-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-7-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-7-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27650" class="wp-caption-text">“Você me tirou (do armário) da ilha, Luca, eu vou ficar bem” [Foto: Pixar Animation Studios]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Até que, depois de meses insistindo incansavelmente nessa posição, o homem cedeu. Entrevistado pelo </span><a href="https://www.thewrap.com/luca-enrico-casarosa-is-luca-gay/"><i><span style="font-weight: 400;">The Wrap</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 5 de janeiro deste ano, quando a conversa sobre a obra já havia cessado, Casarosa finalmente admitiu que a equipe criativa </span><i><span style="font-weight: 400;">“conversou”</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre o potencial romântico do relacionamento entre Luca e Alberto. Ao que rapidamente acrescentou que </span><i><span style="font-weight: 400;">“não conversaram tanto”</span></i><span style="font-weight: 400;">, reafirmando a antiga retórica de ‘pré-romance’. Sabendo hoje da batalha interna que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem travado, qual a probabilidade de que o estúdio tenha inserido no filme uma visão </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> – consideravelmente ambígua e passável pelos executivos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, escondendo esse fato compulsoriamente até que a poeira abaixasse e eles pudessem enfim abordá-lo a público, ainda que de maneira sutil?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Infelizmente, essa suposição pertencerá para sempre ao plano das teorias da conspiração. O que é possível dizer assertivamente é que, para além da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">, este é um padrão de representação que permeia todas as produções da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">. De </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bela-e-a-fera-30-anos/nd-the-beast-of-queer-baiting/"><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> à </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-despertar-da-forca-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as inserções rápidas e facilmente editáveis de </span><a href="https://juletrwsll.wordpress.com/2017/03/15/beauty-and-the-beast-of-queer-baiting/"><span style="font-weight: 400;">cenas dúbias</span></a><span style="font-weight: 400;"> com personagens sem relevância são as mesmas. É verdade que, no campo da Televisão e do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, narrativas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> são bem mais estimadas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Owl House</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-129227/"><i><span style="font-weight: 400;">Star vs. As Forças do Mal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – ambas </span><a href="https://www.digitalspy.com/tv/ustv/a37915254/owl-house-disney-cancellation-reason/"><span style="font-weight: 400;">já canceladas</span></a><span style="font-weight: 400;"> – e mesmo produções menores da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> – é o caso do </span><a href="https://brasil.elpais.com/verne/2020-05-27/out-o-primeiro-curta-da-pixar-com-um-protagonista-lgtb.html"><span style="font-weight: 400;">curta </span><i><span style="font-weight: 400;">Out</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – são exemplos de obras saídas dessas mídias que comentam sobre temas LGBTQIA+. Porém, está longe do suficiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após mais de dois meses de polêmica, o cenário se transformou incontáveis vezes para o lado da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">. À primeira vista, seu </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO</span></i><span style="font-weight: 400;"> demorou a tomar um partido. Na tentativa de exercer um papel mediador e, supostamente, não privilegiar nenhum dos dois lados, Chapek prometeu doar 5 milhões de dólares ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Human Rights Campaign</span></i><span style="font-weight: 400;">, o maior grupo de defesa dos direitos civis LGBTQIA+ nos EUA, ao mesmo tempo em que se reuniu pessoalmente com o governador republicano da Flórida, Ron DeSantis, sob pretexto de discutir ‘preocupações’ sobre as implicações negativas da lei. Em retorno, o </span><i><span style="font-weight: 400;">HRC</span></i> <a href="https://www.hrc.org/press-releases/human-rights-campaign-refuses-money-from-disney-until-meaningful-action-is-taken-to-combat-floridas-dont-say-gay-or-trans-bill"><span style="font-weight: 400;">rejeitou prontamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> o dinheiro, exigindo por ações verdadeiramente significativas por parte da </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney Company</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Hoje, eles deram um passo na direção certa. Mas foi meramente o primeiro passo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, concluiu o presidente da organização.</span></p>
<figure id="attachment_27652" aria-describedby="caption-attachment-27652" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27652" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-8.jpeg" alt="Cena do filme em animação Luca. Imagem retangular e colorida, mostra duas crianças, em um quarto desarrumado, lendo juntos livros de astrologia. A primeira, sentada na cama com um livro apoiado nas pernas e a cabeça escorada em uma das mãos, é Giulia, uma garota branca, de cabelos ruivos, que veste uma camiseta listrada branca e laranja e calças jeans largas. O segundo, sentado de joelhos enquanto lê focado um grande livro, está Luca, um garoto branco, de cabelos lisos escuros, que veste uma camisa branca e uma bermuda azul." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-8.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-8-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-8-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-8-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27652" class="wp-caption-text">Fontes que conversaram com a Variety também afirmaram que a personagem Giulia, de Luca, foi pensada como lésbica, mas esse elemento foi retirado da versão final pois a equipe encontrou dificuldades em introduzi-lo sem incluir um interesse amoroso para ela (Foto: Pixar Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim que as respostas inflamadas de funcionários e organizações vieram à tona – e esse discurso centrista não colou –, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> passou por uma mudança radical de posicionamento. Poucos dias depois da declaração da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">, Bob Chapek </span><a href="https://variety.com/2022/film/news/disney-bob-chapek-dont-say-gay-apology-lgbtq-employees-1235202253/"><span style="font-weight: 400;">se pronunciou</span></a><span style="font-weight: 400;"> de forma muito mais categórica, anunciando que lutaria pela </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2022/03/4996821-disney-diz-que-vai-lutar-pela-revogacao-da-lei-dont-say-gay.html"><span style="font-weight: 400;">revogação da lei</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pausaria todas as doações políticas no estado da Flórida, que passarão por uma revisão que garantirá seu alinhamento com os valores da empresa: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Vocês precisavam de mim para ser um aliado mais forte na luta pela igualdade de direitos e eu lhes decepcionei. Eu sinto muito”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na esfera de conteúdo, a surpresa foi um </span><a href="https://variety.com/2022/film/news/pixar-lightyear-same-sex-kiss-1235209179/"><span style="font-weight: 400;">vazamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> feito por fontes de dentro da produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lightyear</span></i><span style="font-weight: 400;">, próximo lançamento da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">, revelando que Hawthorne, principal personagem feminina do longa, teria um relacionamento significativo com outra mulher. E não apenas isso, como também que um beijo entre as duas havia sido retirada do corte final e, após o escândalo da lei </span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Say Gay</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cena foi restaurada. O que já é um enorme ponto de virada para a representatividade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas animações – em geral –, esse poderá ser o primeiro beijo gay da história de um filme da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">. De um jeito ou de outro, os riscos que inúmeros funcionários do estúdio tomaram ao enfrentar seus superiores da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece, ao fim, ter gerado efeitos significativos para a comunidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, é claro, o outro lado não ficaria calado. Primeiro, a lei </span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Say Gay</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi efetivamente </span><a href="https://www.npr.org/2022/03/28/1089221657/dont-say-gay-florida-desantis"><span style="font-weight: 400;">aprovada</span></a><span style="font-weight: 400;">, com vias de entrar em vigor em 1 de julho deste ano. Indo além, no que parece um ataque direto do governo da Flórida contra a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, após declarar oposição a seu projeto, o senado do estado aprovou em abril uma lei que </span><a href="https://english.elpais.com/usa/2022-04-25/disney-faces-payback-for-criticizing-floridas-dont-say-gay-law.html"><span style="font-weight: 400;">dissolve o </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de distrito especial dos parques temáticos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney World</span></i><span style="font-weight: 400;"> – aquele que lhes dava completa autonomia em seus territórios. Em contrapartida, se o rompimento desse regime, vigente desde 1967, poderia significar um enfraquecimento político da companhia na região, o tiro saiu pela culatra agora que os condados de Orange e Osceola </span><a href="https://www.nbcnews.com/business/business-news/reedy-creek-disney-special-district-whats-next-desantis-rcna26313"><span style="font-weight: 400;">herdarão uma dívida</span></a><span style="font-weight: 400;"> de mais de um 1 bilhão de dólares. </span></p>
<figure id="attachment_27653" aria-describedby="caption-attachment-27653" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27653" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-9.jpg" alt="Cena do filme em animação Lightyear. Imagem retangular e colorida, mostra Hawthorne, uma mulher negra com cabelos trançados e vestindo uma roupa de astronauta verde e branca, apontando seu dedo indicador para frente. Ao fundo, que está desfocado, pode-se ver uma base espacial." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-9.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-9-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-9-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-9-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-9-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27653" class="wp-caption-text">Steven Clay Hunter, o diretor do curta Out, que já não trabalha mais para a Pixar, também se pronunciou contra a lei Don’t Say Gay: “Não podemos assumir que estas leis não sejam prejudiciais, preconceituosas e, francamente, maléficas. Nós não vamos embora. Não vamos voltar para dentro do armário” (Foto: Pixar Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem diria que, de uma hora para outra, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> iria de companhia reacionária a forte aliada da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, há um aspecto questionável em como os eventos se sucederam. Será que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney Company</span></i><span style="font-weight: 400;"> realmente mudaria seu ponto de vista dessa forma tão brusca sem nenhum benefício pessoal por trás? A </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, como o colossal conglomerado de mídia que é, sempre colocará o capital em primeiro lugar. Na realidade, seu apoio às demandas LGBTQIA+ não é tão diferente de sua omissão anterior. No fim, tudo não passa de uma ação intensiva de publicidade e </span><i><span style="font-weight: 400;">rebranding</span></i><span style="font-weight: 400;"> para limpar a reputação da marca, desatrelá-la do </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2022/03/4992084-censura-a-personagens-lgbt-e-apoio-a-homofobicos-disney-vive-clima-sombrio.html"><span style="font-weight: 400;">imagético homofóbico</span></a><span style="font-weight: 400;"> engendrado durante a polêmica </span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Say Gay</span></i><span style="font-weight: 400;"> e recuperar o público progressista que havia sido perdido. E, acredite, tem dado certo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pesquisando hoje por </span><i><span style="font-weight: 400;">“Disney”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">“Don’t Say Gay”</span></i><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Google</span></i><span style="font-weight: 400;">, dominam o topo da aba notícias que proclamam que a empresa está </span><i><span style="font-weight: 400;">“em guerra contra o governo da Flórida&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que a colocam como sua principal opositora</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Sim, é isso mesmo. O rato conseguiu apagar quase que totalmente seu envolvimento com a lei homofóbica, invertendo a narrativa a seu favor. O poder político e econômico da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">é tamanho que ela provou deter o controle até mesmo sobre a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ExwXyp--0M4&amp;ab_channel=OraThiago"><span style="font-weight: 400;">nossa história</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, é preciso sempre lembrar: todas as atitudes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> visam somente o lucro, e se isso significa continuar administrando o interesse de </span><a href="https://deadline.com/2021/11/eternals-banned-saudi-arabia-qatar-kuwait-bahrain-oman-1234867992/"><span style="font-weight: 400;">países conservadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e legislações LGBTfóbicas, a troco de financiar nossas mortes e pisar em cima de nossos corpos putrefatos, assim será. Ao construirmos nossa luta, não podemos esquecer quem é o verdadeiro inimigo.</span></p>
<figure id="attachment_27655" aria-describedby="caption-attachment-27655" style="width: 1218px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27655" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-1.png" alt="Cena do filme em animação Luca, da Pixar. Imagem retangular e colorida, mostra Luca, um garoto branco, de cabelos escuros e vestindo uma camisa branca, apontando de forma acusatória para Alberto, um garoto com características físicas semelhantes às de peixes: pele roxa e escamosa, cabelos de corais e dentes pontudos, e que veste uma regata amarela e bermuda marrom. Ele está em uma praia, na parte rasa do mar, iluminado pelo pôr-do-sol enquanto expõe um olhar entristecido para Luca." width="1218" height="685" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-1.png 1218w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27655" class="wp-caption-text">Quanto tempo até a Disney decidir se voltar contra nós de novo? (Foto: Pixar Animation Studios)</figcaption></figure>
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		<title>Chucky: sátira à sociedade americana e exaltação do terror queer dominam</title>
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		<pubDate>Wed, 04 May 2022 18:33:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ma Ferreira Em 1988, surgia um novo ícone do Cinema de Terror, uma figura dócil, mas, ao mesmo tempo, demoníaca: Chucky, o brinquedo assassino. Aterrorizando sonhos de muitas crianças dos anos 1990, o boneco entrou para o rol dos psicopatas da cultura pop e ganhou uma franquia de oito longas, um curta-metragem e, atualmente, uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chucky-1a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Chucky: sátira à sociedade americana e exaltação do terror queer dominam"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27482" aria-describedby="caption-attachment-27482" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27482" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1.jpg" alt="Cena da série Chucky. Na imagem há um garoto, Jake, vestido com uma moletom em tom de preto manchado com branco, vestindo uma jaqueta de moletom acinzentada por cima. Em suas costas ele carrega uma mochila preta e atrás dele há a imagem de um corredor desfocado com um garoto branco, loiro, vestindo azul ao seu canto direito. Jake tem uma expressão triste. Ele é um adolescente branco, de cabelos encaracolados e médios. Ele carrega consigo um boneco de cabelos ruivos, olhos azuis, que veste uma blusa listrada em tons de vermelho e azul e veste um macacão jeans, o brinquedo Chucky." width="800" height="453" /><figcaption id="caption-attachment-27482" class="wp-caption-text">O boneco que foi o pesadelo de uma geração volta em sua melhor versão na série presente no catálogo do Syfy (Foto: Syfy)</figcaption></figure>
<p><b>Ma Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1988, surgia um novo ícone do Cinema de Terror, uma figura dócil, mas, ao mesmo tempo, demoníaca: Chucky, o brinquedo assassino. Aterrorizando sonhos de muitas crianças dos anos 1990, o boneco entrou para o rol dos psicopatas da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ganhou uma franquia de oito longas, um curta-metragem e, </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">atualmente, uma série</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já está renovada e sua segunda temporada sai este ano. A história original de Don Mancini foi ressuscitada e aprofundada no seriado </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i><span style="font-weight: 400;">, voltando às origens do assassino </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-161081/"><span style="font-weight: 400;">Charles Lee Ray</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando sua trajetória até o que se tornou e seus atuais planos.</span></p>
<p><span id="more-27481"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa começa quando Jake Webber (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KKJc-dy5q7U"><span style="font-weight: 400;">Zackary Arthur</span></a><span style="font-weight: 400;">) compra um boneco da linha </span><i><span style="font-weight: 400;">Good Guys</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma venda de garagem. A partir de então, acompanhamos a vida do garoto, que está imerso em problemas, como diferenças com seu pai, </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;">, homofobia e a dificuldade em fazer amigos. </span><a href="https://revistaquem.globo.com/Series-e-filmes/noticia/2021/10/serie-do-brinquedo-assassino-quer-que-gente-torca-para-chucky-pelo-menos-e-o-que-parece.html"><span style="font-weight: 400;">O cenário se torna ótimo para que Chucky</span></a><span style="font-weight: 400;"> se revele a Jake e tente fazer do adolescente um psicopata, convencendo o mesmo a eliminar de sua vida todos aqueles que lhe fazem mal. Apesar da grande tentação, o menino mantém sua essência, e é então que o inferno em sua rotina começa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o uso de vários </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos Charles traçando seu caminho de crimes desde à infância, com diversos personagens que passaram por sua vida e foram extremamente importantes para a narrativa da franquia, como Andy Barclay (</span><a href="https://vejasp.abril.com.br/coluna/tudo-cinema/por-onde-anda-o-garoto-que-fez-brinquedo-assassino-em-1988/"><span style="font-weight: 400;">Alex Vicent</span></a><span style="font-weight: 400;">), grande inimigo e seu eterno antagonista, e Tiffany Valentine (</span><a href="https://cinepop.com.br/chucky-jennifer-tilly-revela-que-sua-personagem-tera-grande-importancia-na-serie-319418/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Tilly</span></a><span style="font-weight: 400;">), seu imortal par romântico. Não é necessário </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-novembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">ver os filmes para conseguir entender </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas, ao ter em mente os acontecimentos anteriores a aparição de alguns componentes e caminhos que escolhem, auxilia a trama a fazer mais sentido. Entretanto, cabe notar que o filme </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2021/11/chucky-serie-enfim-explica-ausencia-de-personagem-em-filmes#:~:text=Chucky%2C%20o%20Brinquedo%20Assassino%2C%20ganhou,essa%20nova%20s%C3%A9rie%20de%20TV."><i><span style="font-weight: 400;">Brinquedo Assassino</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">de 2019</span></a><span style="font-weight: 400;">, não é considerado canônico neste cenário.</span></p>
<figure id="attachment_27483" aria-describedby="caption-attachment-27483" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27483" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02.jpg" alt="Cena da série Chucky. A imagem apresenta à direita o boneco Chucky sentado com um controle de videogame nas mãos e ao seu lado também segurando um controle uma garotinha, a personagem Caroline. Eles estão sentados no chão feito de um carpete estampado. Ao fundo há uma escadaria. Caroline está vestida com uma roupa de urso e tênis escuro e Chucky com um macacão jeans e blusa com listras em tons de azul e vermelho. Ao fundo de ambos se encontram duas poltronas grandes, o ambiente está escuro, sendo iluminado por luzes laterais e uma luz amarela e vermelha que iluminam o fundo onde se inicia a escadaria." width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27483" class="wp-caption-text">Chucky pretende cativar as novas gerações com seu jeito cômico e reviver o sucesso dos slashers (Foto: Syfy)</figcaption></figure>
<p><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/pai-de-chucky-don-mancini-transforma-sua-cria-em-arma-contra-homofobia/"><span style="font-weight: 400;">Don Mancini</span></a><span style="font-weight: 400;">, criador da saga original, conseguiu realizar nesta série o que não lhe foi permitido seguir nos filmes: a visão cômica e ao mesmo tempo profunda sobre a vida de Chucky. Mesmo não participando de continuações da franquia, o roteirista se apropriou dos escritos anteriores para dar vida e sentido ao universo de Charles Lee Ray. O seriado, que vai e volta no tempo, nos deixando migalhas sobre os acontecimentos, conta desde os </span><a href="https://nerdizmo.uai.com.br/os-psicopatas-mais-reais-do-cinema/"><span style="font-weight: 400;">assassinatos que Charles cometeu</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua infância e adolescência, os seus conhecimentos sobre ritual vodu que o permitiram passar a alma para o brinquedo, até os personagens que o ajudaram ou tentaram impedir seus planos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhamos também </span><a href="https://epipoca.com.br/andy-garotinho-de-brinquedo-assassino-aparece-adulto-em-novo-episodio-de-chucky/"><span style="font-weight: 400;">Andy Barclay</span></a><span style="font-weight: 400;">, que volta como caçador de Chuckys, e é interpretado por Alex Vincent, mesmo ator que deu vida ao personagem no primeiro filme. Os fãs da franquia se empolgaram com a presença de personagens icônicos da saga representados por seus intérpretes originais, além de verem cenas e discussões atuais levantadas de maneira descontraída, com </span><a href="https://www.omelete.com.br/webstories/mortes-bizarras-chuck/"><span style="font-weight: 400;">mortes no estilo característico do brinquedo assassino</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com muitos desfechos que os longas não puderam mostrar sendo revelados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse clima nostálgico, a primeira temporada conseguiu cativar novos admiradores e entregar o melhor que podia aos seus antigos seguidores. </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz ótimas discussões, com críticas à hipocrisia da família tradicional americana, presente, por exemplo, na explanação do contexto familiar da personagem Lexy Cross, interpretada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tPVXRfvbds4"><span style="font-weight: 400;">Alyvia Alyn Lind</span></a><span style="font-weight: 400;">. De modo a não se levar a sério, ela também brinca e satiriza as problemáticas, mas defende suas pautas como a autoaceitação, a amizade e discussões acerca do </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/csi-vegas-marg-helgenberger"><span style="font-weight: 400;">universo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Não podemos esperar menos da </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/chucky-segunda-temporada-confirmada"><span style="font-weight: 400;">próxima temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que mortes bizarras, falas escrachadas do boneco e muita confusão. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Chucky | Trailer Oficial Legendado | Star+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/gKwpHtUVELw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção apresenta pontos socialmente relevantes, como a divergência de Jake e o pai, que não aceita a sexualidade do mesmo, em que ainda há a descoberta do amor que o garoto sente por um amigo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;">, a homofobia, as desavenças que o menino passa e a revolta com as ações do boneco são superados pelos laços de amizade e pela união de forças no combate ao mal. </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de grande relevância </span><a href="https://queer.ig.com.br/2021-10-19/filho-chucky-nao-binario-queer.html"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conseguiu amadurecer a discussão dessas questões, deixando o humor escrachado de alguns momentos para falar sério. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Don Mancini sempre tentou envolver a narrativa com personagens de diversas sexualidades e com diferentes expressões de gênero, sendo assim, apesar de muitos espectadores não terem se atentado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky </span></i><span style="font-weight: 400;">nunca apresentou um </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/alem-do-arco-iris-o-terror-como-fuga-da-heteronormatividade/"><span style="font-weight: 400;">discurso heteronormativo</span></a><span style="font-weight: 400;">, como algumas produções de terror costumam realizar. Ter um protagonista assumidamente gay e que sofre socialmente com isso, além de ser uma crítica à falsa ideia que se tem de que </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49405469"><span style="font-weight: 400;">os EUA aceitam a diversidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, é também uma forma de mostrar por meio dele, e demais personagens que são do </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/sem-mimimi-ou-lacracao-chucky-sempre-teve-personagens-lgbt-voce-que-nao-viu.phtml"><span style="font-weight: 400;">cenário LGBTQIA+ da trama</span></a><span style="font-weight: 400;">, que essa diversidade existe, deve ser respeitada e apresentada cada vez mais em grandes produções como esta.</span></p>
<figure id="attachment_27484" aria-describedby="caption-attachment-27484" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3.jpg" alt="Cena da série Chucky. A imagem apresenta dois garotos, ao fundo deles estão árvores e um céu crepuscular, também há uma torre de ferro azul. A direita está o personagem Devon, um jovem negro, vestindo uma calça e blusa preta e um casaco marrom estilo camuflagem. A esquerda está o personagem Jake, um garoto branco, vestindo uma calça jeans clara, uma blusa cinza e um blusa de manga comprida xadrez branca e azul. Cada um deles está em cima de uma bicicleta, ambas escuras e com a lanterna da frente ligada." width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27484" class="wp-caption-text">O romance entre o protagonista Jake e o podcaster Devon se desenvolve em meio aos planos de combate ao boneco (Foto: Syfy)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das grandes questões da franquia é a visão de que o </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é sinônimo de mal. Muitas narrativas de horror, terror e fantasia trazem os </span><a href="https://www.instagram.com/p/CVbkqnqNa0s/?utm_medium=copy_link"><span style="font-weight: 400;">personagens sombrios e bizarros</span></a><span style="font-weight: 400;"> como sendo pertencentes a comunidade LGBTQIA+, reforçando, assim, estereótipos. O que </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz é romper com essa visão, mostrando que ambos os lados apresentam e aceitam a diversidade. É fascinante perceber como o terror se renova sempre, trazendo críticas de maneira sutil, cômica, irreverente e dialogando com aqueles que conseguem </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/"><span style="font-weight: 400;">enxergar além das manchas de sangue</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto alto da série é a mistura do velho humor de Chucky com as discussões atuais e o retorno dos </span><a href="https://epipoca.com.br/mais-uma-personagem-de-brinquedo-assassino-aparece-em-serie-chucky/"><span style="font-weight: 400;">personagens ícones da saga</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém esse também é seu ponto baixo, pois eles poderiam ser melhores explorados na história e não apresentados apenas como um </span><i><span style="font-weight: 400;">fanservice</span></i><span style="font-weight: 400;">. As figuras aparecem mais envoltas na narrativa nos episódios finais e com soluções rápidas que nos deixam querendo saber mais e como eles estão relacionados aos planos de Chucky. Mas resta-nos esperar que nesta segunda temporada eles retornem mais envolvidos aos acontecimentos e apresentando respostas às nossas dúvidas.</span></p>
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		<title>A vida não dá trégua nas travessias de Flee</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Mar 2022 16:37:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Rota Hilário “Vou carregar de tudo vida afora/Marcas de amor, de luto e espora/Deixo alegria e dor/Ao ir embora”. Os versos de Compasso, composição de Angela Ro Ro com Ricardo Mac Cord, podem até não aparecer na trilha sonora da produção dinamarquesa Flee (Flugt, 2021), dirigida por Jonas Poher Rasmussen; no entanto, ao serem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/flee-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A vida não dá trégua nas travessias de Flee"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26223" aria-describedby="caption-attachment-26223" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26223" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos várias pessoas em uma balada gay. Amin está centralizado. Ele coloca os braços sobre o balcão do estabelecimento, veste roupas de inverno e olha para o lado direito da imagem. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26223" class="wp-caption-text">Indicado três vezes ao Oscar 2022, Flee é um documentário que ilustra uma complexa jornada de autoconhecimento (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Rota Hilário</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Vou carregar de tudo vida afora/Marcas de amor, de luto e espora/Deixo alegria e dor/Ao ir embora</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os versos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I8Y-DqFcBnM"><i><span style="font-weight: 400;">Compasso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composição de Angela Ro Ro com </span><a href="https://extra.globo.com/tv-e-lazer/musica/angela-ro-ro-celebra-musica-em-um-lugar-ao-sol-volta-fazer-show-abre-coracao-ao-falar-de-vaidade-sexo-nova-namorada-25353398.html"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Mac Cord</span></a><span style="font-weight: 400;">, podem até não aparecer na trilha sonora da produção dinamarquesa </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Flugt</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2021), dirigida por Jonas Poher Rasmussen; no entanto, ao serem recortados do restante da música, esses fragmentos poéticos expressam muito bem uma das inúmeras sensações que permeiam o longa-metragem estrangeiro. Afinal, em todo o filme, estamos diante de uma concretude nua e crua, e ela nunca será vivenciada da mesma forma por indivíduos minimamente diferentes.</span></p>
<p><span id="more-26222"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de qualquer coisa, não é de se espantar que uma possível tradução para </span><i><span style="font-weight: 400;">flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja fuga. Documentário elaborado em grande parte como animação, a obra de Rasmussen narra uma vida de </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-flee-animacao-indicada-ao-oscar-traz-belissima-historia-de-amizade-332128/"><span style="font-weight: 400;">deslocamentos constantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nascido no Afeganistão, o protagonista Amin precisa escapar, logo cedo, de um cenário de guerra que vai tomando conta de sua terra natal. Realocado com a mãe e irmãos na Rússia pós-comunismo, o jovem precisa tolerar com frequência a corrupção da polícia local para com os refugiados. Como a vida torna-se inviável, a família passa a enfrentar os dilemas do tráfico humano, meio pelo qual chegará a novas nações.</span></p>
<figure id="attachment_26224" aria-describedby="caption-attachment-26224" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26224" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos uma cozinha repleta de utensílios. O casal Kasper e Amin está no lado direito da imagem. Kasper está à esquerda, usa óculos e veste uma blusa azul. Amin está à direita, tem barba, veste uma blusa vinho e segura Kasper com o braço esquerdo. Os dois se beijam. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26224" class="wp-caption-text">Para construir um futuro ao lado de Kasper, Amin precisa aprender a lidar com as turbulências do passado (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem muitas surpresas, o destino não planejado de Amin é a Dinamarca, local onde conhecerá Rasmussen. Acontece que essa história foi, por muito tempo, um segredo </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/flee-review-1234894626/"><span style="font-weight: 400;">até mesmo para Kasper</span></a><span style="font-weight: 400;">, futuro marido do protagonista. Nesse contexto, narrar uma trajetória de vida pela primeira vez, por meio de um documentário, tendo ainda receio de expor situações tão delicadas, que colocam em xeque algumas noções de legalidade, não poderia ser algo inferior à necessidade. Justamente em proteção aos agentes desta narrativa, Rasmussen age com brilhantismo ao cobri-los com pseudônimos &#8211; como é o caso do próprio “</span><i><span style="font-weight: 400;">Amin</span></i><span style="font-weight: 400;">” -, explorando também a liberdade criativa das animações para disfarçar os traços desses indivíduos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a animação, aqui, não é somente uma camuflagem. Trata-se, ao mesmo tempo, de um </span><a href="https://www.cineset.com.br/critica-flee-jonas-poher-rasmussen/"><span style="font-weight: 400;">recurso artístico</span></a><span style="font-weight: 400;"> por meio do qual é possível reviver o passado. Recurso esse que, com traços menos intensos, indica memórias mais vagas e confusas, enquanto os acontecimentos nítidos aparecem com detalhes precisos e diversidade de cores. É, enfim, um flerte com as ferramentas da ficção, embora isso não seja, de forma alguma, uma manipulação total ou uma atenuação dos episódios experienciados por Amin &#8211; que são dramatizados com equilíbrio ao longo do filme.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Partindo dessa percepção, podemos entender que a fragilidade é um dos pontos centrais de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2Y9ZK1S7R7Q"><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Algumas coisas são difíceis de falar. Ainda é difícil, mas preciso superá-las. É o meu passado, não posso fugir dele, e não quero. Eu posso conseguir em meio ano, um ano.</span></i><span style="font-weight: 400;">”, confessa Amin nos primeiros minutos do longa. Não restam dúvidas de que, na tentativa de ser o mais fiel possível à realidade, o protagonista de uma vivência repleta de prováveis traumas assume uma fragilidade necessária para não se machucar em demasia &#8211; uma fragilidade, aliás, essencialmente humana, nítida não só na fala destacada, mas também no filme como um todo. </span></p>
<figure id="attachment_26225" aria-describedby="caption-attachment-26225" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26225" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos um quarto de hotel durante a noite. Rasmussen encontra-se no lado esquerdo da imagem, está de costas, sentado, tem barba e veste uma blusa preta. Amin está no lado direito da imagem, igualmente sentado, com uma leve inclinação para frente, os dedos das mãos entrelaçados, veste uma roupa cinza e também tem barba. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26225" class="wp-caption-text">Ao ir aos Estados Unidos por conta da carreira acadêmica, Amin revela a Rasmussen que está cansado de tantos deslocamentos (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É, entretanto, na contraposição ‘ser </span><i><span style="font-weight: 400;">versus</span></i><span style="font-weight: 400;"> não ser’ que se aloja um dos maiores auges do documentário. Afastando-se das recorrentes dicotomias, Rasmussen expõe as tonalidades que afetam a identidade de Amin. Já nos minutos finais do longa, esse amigo-narrador faz uma confissão: “</span><i><span style="font-weight: 400;">começo a ficar cansado de estar constantemente em movimento.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Ultrapassando os deslocamentos concretos mais recentes, o que está em jogo neste momento são os dilemas que sempre marcaram a vida do protagonista. As constantes mudanças de países, a vida enquanto refugiado, a orientação sexual reprimida, dentre inúmeros outros elementos, ou compõem &#8211; sem limitar -, ou colocam em crise uma existência humana inteira, o que faz jus à </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2022/02/13/interna_cultura,1344276/producao-dinamarquesa-flee-inova-ao-brigar-pela-triplice-coroa-no-oscar.shtml"><span style="font-weight: 400;">complexidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> inerente a qualquer sujeito não fictício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com escolhas tão sensíveis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> curiosamente tensiona a todo momento a humanidade dos espectadores, colocando em evidência significativa, mas não exagerada, questões extremamente humanas ou desumanas. A negação da homossexualidade, por exemplo, em um </span><a href="https://observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/mundo/lgbt-e-o-grupo-que-assumiu-poder-no-afeganistao-taliba"><span style="font-weight: 400;">país</span></a><span style="font-weight: 400;"> onde “</span><i><span style="font-weight: 400;">os homossexuais não existiam</span></i><span style="font-weight: 400;">” &#8211; isto é, eram reprimidos ao ponto de não receberem sequer uma designação &#8211; pode causar muita agonia em um primeiro momento. Por outro lado, quando alguns irmãos de Amin descobrem e aceitam essa faceta de sua realidade, incentivando uma espécie de ‘libertação’ via boate gay, certos sinais de esperança logo trazem um sorriso para os rostos outrora tensos do público.         </span></p>
<figure id="attachment_26226" aria-describedby="caption-attachment-26226" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26226" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. A imagem se passa em uma possível sala de solicitação de bens e serviços. Uma janela centralizada mostra um ambiente rural. À frente dela, vemos Amin e uma mulher sentados diante de uma mesa. Amin está no lado esquerdo, de perfil, olha para baixo, usa roupa branca e está com um copo sobre a mesa. A mulher está no lado direito, de perfil, usa óculos, roupa predominantemente azulada, segura uma caneta sobre alguns papéis e olha para Amin. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26226" class="wp-caption-text">Em um momento da vida, Amin pede remédios para não se sentir mais atraído por homens (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas nem sempre há alívio para as questões apresentadas. Quando os detalhes do tráfico humano dominam a narrativa, o nó na garganta do espectador mais sensível pode, com certeza, marcar sua presença, tendo em vista que, em décadas, pouca coisa mudou. A guerra e seus dilemas, então, dialogam intensamente com os </span><a href="https://aovivo.folha.uol.com.br/mundo/2022/02/24/6105-putin-ataca-a-ucrania-acompanhe-ultimas-noticias-sobre-a-acao.shtml"><span style="font-weight: 400;">conflitos da atualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ver vários jovens fugindo de uma obrigação desumana, ou seja, de uma luta armada, é um diálogo direto entre o filme e os </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/02/25/lei-marcial-homens-ucranianos-e-naturalizados-com-idade-de-18-a-60-anos-estao-proibidos-de-sair-da-ucrania.ghtml"><span style="font-weight: 400;">noticiários de hoje em dia</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que gera uma aflição capaz de tangenciar ao mesmo tempo a impotência e a comoção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Provavelmente, o que mais assusta em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wgj7DUEtfg0"><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é saber que o filme resgata uma história real &#8211; e que algumas décadas foram, com razão, incapazes de apagar o medo de quem um dia já viveu sem liberdades e dignidade. Ainda assim, é essencial ter esse dado em mente para que se obtenha uma experiência completa de humanização dos fatos históricos. Em aspectos técnicos, o filme abre espaços na animação predominante para inserir registros reais do passado mais distante ou dos anos mais recentes. Com sucesso, isso facilita o exercício da memória, lembrando constantemente que, antes de ser um conjunto de ilustrações, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um documentário.             </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final das contas, a obra de Rasmussen tem a duração perfeita para os recortes de vida que pretende narrar, não pecando por falta de informação ou adornos sem sentido. Alcançando um </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/flee-oscar-indicacoes"><span style="font-weight: 400;">feito histórico</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> já é memorável por ser o primeiro filme a concorrer simultaneamente a Melhor Animação, Melhor Documentário e Melhor Filme Internacional. Portanto, mesmo que não receba uma estatueta em março, a produção dinamarquesa dá continuidade à sua </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/conheca-flee-primeiro-na-historia-indicado-melhor-animacao-documentario-filme-estrangeiro-no-oscar-25385301"><span style="font-weight: 400;">jornada de respeito</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já foi vitoriosa em eventos como o Festival de Sundance, o Festival de Annecy e os Prêmios do Cinema Europeu. E quanto a Amin? Que receba, hoje e sempre, toda a dignidade do mundo.            </span></p>
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		<title>Truman &#038; Tennessee em Uma Conversa (nem tão) Pessoal</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2021 15:30:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade De um lado, Truman Capote; um dos maiores expoentes do chamado novo jornalismo, autor de A sangue frio (1965) — livro que, como ele próprio anunciou, inventou o “romance de não-ficção”. Do outro, Tennessee Williams, nome de peso entre os dramaturgos do século XX, conhecido por criar obras transcendentes e tendo recebido duas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/truman-tennessee-uma-conversa-pessoal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Truman &#038; Tennessee em Uma Conversa (nem tão) Pessoal"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24398" aria-describedby="caption-attachment-24398" style="width: 1220px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24398" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-1.jpg" alt="Foto de Tennessee Williams e Truman Capote. Na imagem em preto e branco, há duas fotografias colocadas lado a lado. Na primeira, à esquerda, Tennessee Williams aparece vestido com um roupão cinza, sentado em uma poltrona de cor preta, segurando na mão esquerda uma piteira de cor preta com um cigarro aceso na ponta. Ele é um homem branco, possui olhos claros e cabelos encaracolados curtos, de cor preta. Na foto a direita, Truman Capote aparece sentado em uma calçada, segurando um cachorro de raça bulldog com a mão direita. Ele é um homem branco, veste camisa de cor branca, possui cabelos loiros e olhos claros." width="1220" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-1.jpg 1220w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-1-800x459.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-1-1024x588.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-1-768x441.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-1-1200x689.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24398" class="wp-caption-text">Integrando a seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o documentário cria um diálogo de vida e obra entre Truman Capote e Tennessee Williams (Foto: Dogwoof)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De um lado, Truman Capote; um dos maiores expoentes do chamado </span><a href="https://capitalnews.com.br/colunistas/cultura/new-journalism-entenda-como-a-tecnica-marcou-a-escrita/352157"><span style="font-weight: 400;">novo jornalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, autor de </span><a href="https://homoliteratus.com/o-poder-da-narrativa-a-sangue-frio-de-truman-capote/"><i><span style="font-weight: 400;">A sangue frio</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1965) — livro que, como ele próprio anunciou, inventou o </span><i><span style="font-weight: 400;">“romance de não-ficção”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Do outro, Tennessee Williams, nome de peso entre os dramaturgos do século XX, conhecido por criar obras transcendentes e tendo recebido duas vezes o prêmio </span><a href="https://www.pulitzer.org/search/tennessee%2520williams"><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O que ambos tinham em comum? Além do fato de terem sido escritores consagrados, possuírem nomes iniciados pela letra T e terem sido homossexuais em um Estados Unidos repressivo, os dois foram amigos. No documentário </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/apr/30/truman-tennessee-an-intimate-conversation-review-documentary"><i><span style="font-weight: 400;">Truman &amp; Tennessee: Uma Conversa Pessoal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que compõe a seção Perspectiva Internacional da 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, a diretora </span><a href="https://www.nytimes.com/2017/10/10/arts/design/a-style-minded-filmmaker-at-home-with-family-treasures.html"><span style="font-weight: 400;">Lisa Immordino Vreeland</span></a><span style="font-weight: 400;"> estabelece um diálogo possível entre esses dois gigantes.</span></p>
<p><span id="more-24397"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesclar duas biografias pode ser perigoso, ainda mais quando as duas personalidades biografadas tem seus nomes fincados na cultura popular. Todavia, as conexões estabelecidas pela diretora são suficientes para, no mínimo, ver sentido no que está sendo feito. Composto basicamente por imagens de documentos pessoais e gravações de entrevistas — em especial as mesmas duas entrevistas que os escritores concederam a David Frost —, o longa possui narrações em </span><i><span style="font-weight: 400;">off </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://revistamonet.globo.com/Series/noticia/2020/08/jim-parsons-explica-por-que-deixou-big-bang-theory-tive-um-momento-de-clareza.html"><span style="font-weight: 400;">Jim Parsons</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/apr/22/jim-parsons-zachary-quinto-truman-capote-tennessee-williams"><span style="font-weight: 400;">Zachary Quinto</span></a><span style="font-weight: 400;">, que dão voz a Capote e Williams, respectivamente.</span></p>
<figure id="attachment_24399" aria-describedby="caption-attachment-24399" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24399" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-2.jpg" alt="Foto de Truman Capote e Tennessee Williams. Na imagem em preto e branco, vemos um fundo preto, com o rosto de Capote iluminado a esquerda, em uma fotografia de seu perfil, e Williams com o rosto iluminado a direita, com uma fotografia também de seu perfil. Capote possui cabelos lisos loiros, está vestindo óculos escuros e sua mão esquerda está a altura da boca. Williams está vestindo camisa branca e gravata borboleta de cor preta. Ele possui um bigode de cor preta, cabelos pretos e olhos claros." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24399" class="wp-caption-text">Truman Capote e Tennessee Williams foram amigos durante muitos anos, cujas obras ditaram novos padrões a serem batidos nos círculos literários; essa façanha alimentou, inclusive, a rivalidade entre ambos (Foto: Dogwoof)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece que a tônica que direciona </span><i><span style="font-weight: 400;">Truman &amp; Tennessee: An Intimate Conversation </span></i><span style="font-weight: 400;">é a reverência. No entanto, o documentário nunca vai além do conhecimento popular sobre esses dois autores, deixando a desejar na investigação — algo que poderia ter sido feito com êxito devido ao formato empregado no filme. O longa funciona como uma espécie de leitura de diários, a fim de criar a </span><i><span style="font-weight: 400;">“conversa pessoal” </span></i><span style="font-weight: 400;">do título, e deixa em evidência que, embora fossem majoritariamente amigos, Truman Capote e Tennessee Williams eram, às vezes, rivais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de Williams, Capote passou por seus últimos dias como um autor improdutivo, tendo como última obra publicada </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=11605"><i><span style="font-weight: 400;">Música para Camaleões</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançada em 1980, quatro anos antes de morrer. No entanto, este livro (que, inclusive, foi dedicado a Tennessee Williams) foi composto por artigos publicados ao longo de sua carreira, trazendo o seguinte trecho no prefácio: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Minha vida — a artística, pelo menos — poderia ser registrada num gráfico preciso, como a evolução de uma febre: os picos e os pontos mais baixos, os ciclos claramente definidos”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao que tudo indica, a diretora atentou-se a essa declaração no tratamento das cenas, deixando Truman Capote como um autor que almejava a fama e o sucesso, sempre presentes em jantares de gala, enquanto Williams foi um autor atormentado, que trazia na escrita sua válvula de escape — como </span><i><span style="font-weight: 400;">“um simples impulso”</span></i><span style="font-weight: 400;">, segundo ele próprio.</span></p>
<figure id="attachment_24400" aria-describedby="caption-attachment-24400" style="width: 2099px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24400" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3.jpg" alt="Foto de Tennessee Williams e Truman Capote. Na imagem em preto e branco, há duas fotografias colocadas lado a lado. Na primeira, à esquerda, Tennessee Williams aparece sentado em uma cadeira, fotografado de perfil. Ele veste um terno de cor cinza, está com um cigarro aceso na mão esquerda e olhando para a frente. Ele é um homem branco, possui cabelos curtos e encaracolados de cor preta, olhos claros e um bigode de cor preta. O fundo da imagem é de cor cinza. Na foto seguinte, à direita, Truman Capote aparece de joelhos em uma cadeira de cor preta, com os dois pés fora do chão. Ele é um homem branco, possui cabelos loiros e olhos claros, está com as duas mãos nos bolsos de um sobretudo de cor cinza. O fundo da imagem é de cor branca." width="2099" height="1180" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3.jpg 2099w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3-1536x863.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3-2048x1151.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/foto-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24400" class="wp-caption-text">Em entrevista ao The Guardian, Zachary Quinto disse que Williams e Capote “eram para-raios”, e a representatividade de ambos contribuiu para “todas as coisas pelas quais somos capazes de defender hoje”, pois elas “não existiriam se não fossem esses indivíduos excepcionais” (Foto: Dogwoof)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lisa Immordino Vreeland já documentou a vida de sua avó, a editora de moda </span><a href="https://www.vogue.pt/diana-vreeland-so-ha-uma-boa-vida-a-que-queres-e-a-que-fazes-para-ti-mesma"><span style="font-weight: 400;">Diana Vreeland</span></a><span style="font-weight: 400;">, e do fotógrafo </span><a href="https://www.soqueriaterum.com.br/cecil-beaton/"><span style="font-weight: 400;">Cecil Beaton</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, o que funcionou em seus filmes anteriores não funciona aqui. Apesar das brilhantes adaptações cinematográficas que as obras de ambos receberam — como </span><a href="https://cinepop.com.br/curiosidades-bonequinha-de-luxo-classico-estrelado-por-audrey-hepburn-completa-60-anos-314984/"><i><span style="font-weight: 400;">Bonequinha de Luxo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1961)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.interrogacao.com.br/2010/11/critica-um-bonde-chamado-desejo/"><i><span style="font-weight: 400;">Um bonde chamado Desejo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1951)</span> <span style="font-weight: 400;">—, Capote e Williams não eram artistas visuais, o que estabelece uma dificuldade considerável ao serem representados nas telas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A simples exposição de entrevistas e fotografias, com narrações em </span><i><span style="font-weight: 400;">off</span></i><span style="font-weight: 400;">, não é capaz de contemplar todas as nuances das obras e da vida particular dos escritores. Ao fim de </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/truman-tennessee-an-intimate-conversation-review-an-imagined-tete-a-tete-between-capote-and-williams-1235000521/"><i><span style="font-weight: 400;">Truman &amp; Tennessee</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> temos uma vaga ideia do que foi esboçado pela diretora ao longo dos 86 minutos de exibição; porém, predomina a sensação de que imagens contendo as duas personalidades foram simplesmente colocadas lado a lado, deixando seus paralelos reféns do senso comum.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Truman &amp; Tennessee - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/tTmgnd7mCD0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Enquanto eu não te encontro: uma narrativa de acaso com o amor e encontro com a representatividade</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Oct 2021 03:37:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Monique Marquesini  Uma mudança para a cidade grande, encontros e desencontros, cultura nordestina, amizades, música pop, autoconhecimento e protagonistas LGBTQIA+: essas são algumas características do livro de estreia de Pedro Rhuas. Lançado em julho de 2021 pela Editora Seguinte, o título curioso Enquanto eu não te encontro guarda a simplicidade de um romance adolescente junto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/enquanto-eu-nao-te-encontro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Enquanto eu não te encontro: uma narrativa de acaso com o amor e encontro com a representatividade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23749" aria-describedby="caption-attachment-23749" style="width: 624px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23749" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1.png" alt="Fotografia da capa e contracapa do livro Enquanto eu não te encontro, fundo roxo e amarelo com nuvens, título do livro e um desenho de um casal com braços abertos na capa, e na contracapa desenho de personagens na boate." width="624" height="519" /><figcaption id="caption-attachment-23749" class="wp-caption-text">A capa e contracapa do livro contam com ilustrações dos ambientes e personagens que fazem parte da história, e também exalta pessoas nordestinas, já que foi ilustrada por Renata Nolasco, uma artista LGBT e potiguar (Foto: Editora Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Monique Marquesini </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma mudança para a cidade grande, encontros e desencontros, cultura nordestina, amizades, música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, autoconhecimento e protagonistas LGBTQIA+: essas são algumas características do livro de estreia de Pedro Rhuas. Lançado em julho de 2021 pela Editora Seguinte, o título curioso </span><a href="https://impagine.online/enquanto-eu-nao-te-encontro-entrevista-com-pedro-rhuas/"><i><span style="font-weight: 400;">Enquanto eu não te encontro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> guarda a simplicidade de um romance adolescente junto da amplitude de novas descobertas para um garoto gay, nordestino e calouro na universidade.</span></p>
<p><span id="more-23748"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A comédia romântica foi publicada pela primeira vez em 2019 de maneira independente pelo próprio autor. Até que, no ano de 2020, Pedro Rhuas foi vencedor da </span><a href="https://clipop.mystrikingly.com/"><i><span style="font-weight: 400;">Clipop</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; um concurso da Editora Seguinte na busca de novos autores no cenário nacional &#8211; e assim o livro foi lançado oficialmente no mercado editorial. Após apenas dois meses de lançamento, a obra atingiu a marca de dez mil cópias vendidas e entrou na lista dos mais vendidos da revista</span> <a href="https://veja.abril.com.br/livros-mais-vendidos/"><i><span style="font-weight: 400;">Veja</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um livro sobre primeiros amores e descobertas, o autor decide introduzir-nos a história cheia de referências do ano de 2015 &#8211; com os sucessos </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">de Taylor Swift em </span><a href="https://www.google.com/amp/s/falauniversidades.com.br/o-1989-e-o-nascimento-da-popstar-taylor-swift/amp/"><i><span style="font-weight: 400;">1989</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e Katy Perry em</span> <a href="https://www.google.com/amp/s/falauniversidades.com.br/prism-album-de-katy-perry-uma-lembranca-de-sua-evolucao/amp/"><i><span style="font-weight: 400;">Prism</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e até mesmo os memes de Inês Brasil. Lucas, o cativante protagonista, está em um momento delicado e inconstante da vida: a primeira vez morando sozinho e longe do interior, em Natal, a capital do Rio Grande do Norte. Após a mudança, Lucas tem planos de aproveitar a cidade e a universidade ao lado de seu amigo Eric, mas tudo dá errado quando o amigo começa a namorar, e ele se vê sozinho em um lugar completamente novo. </span></p>
<figure id="attachment_23750" aria-describedby="caption-attachment-23750" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23750" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2.png" alt="Fotografia da orelha na parte interna do livro, com fundo de uma bandeira LGBQIA+, uma foto do autor Pedro Rhuas e um texto com informações sobre ele." width="650" height="804" /><figcaption id="caption-attachment-23750" class="wp-caption-text">A orelha do livro contém informações sobre o autor e também conta com um marca-páginas temático como todos os livros publicados pela editora (Foto: Editora Seguinte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, para afastar a solidão, Lucas decide ir à inauguração de uma boate, a Titanic, e em meio a um esbarrão sua vida vira de ponta cabeça.</span> <span style="font-weight: 400;">Ao resolver ir a essa abertura com Eric e seu namorado Raul, Lucas espera ficar de vela durante a noite toda. Mas, eles vão até lá ao som de algo que consegue unir os dois amigos, música e divas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao chegar ouvindo </span><a href="https://open.spotify.com/track/15jRg8Ejs7X3JEHw38TSN3?si=4ffe154948bf476d"><i><span style="font-weight: 400;">Team</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Lorde</span></i><span style="font-weight: 400;">, Lucas está decidido a aproveitar a festa e fazer dela a melhor para si mesmo, sem se preocupar com o fato de estar solteiro e acreditar que o amor não é pra ele, mal sabe o que a noite lhe reserva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na boate, um acidente que suja completamente sua roupa de bebida acontece, e o que poderia ser um possível desencontro para acabar com a festa, se torna o melhor encontro de sua vida. Então, o maravilhoso jovem francês Pierre que acidentalmente o sujou, está na sua frente para se desculpar e chamá-lo para tomar um </span><i><span style="font-weight: 400;">drink</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pierre é como um galã ou aquele sonho de pessoa mas, além do papel tradicional, ele se mostra ao longo da história a ser mais do que um rosto bonito. Fazendo o romance mais real, já que não só a beleza importa para o amor. O encontro dele com Lucas parece ser improvável, mas em meio a um desastre acontece. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Se soubesse que uma calça estragada traria tanta sorte, teria tentado antes.”</span></i></p>
<figure id="attachment_23751" aria-describedby="caption-attachment-23751" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23751 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-800x800.png" alt="Fotografia da capa do livro Enquanto eu não te encontro, com os brindes de sua pré-venda: um envelope roxo, uma bandeira com o desenho de personagens na boate e uma bandeira lgbtqia+ acima." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1536x1536.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1200x1200.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23751" class="wp-caption-text">A pré-venda do livro teve brindes relacionados a trama da história, contando com uma bandeira temática e uma carta que instiga a curiosidade do leitor, mas que só pode ser aberta no final da leitura (Foto: Editora Seguinte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse momento, a narrativa de Lucas e Pierre é de dar borboletas no estômago até no leitor. Conversas, risadas, identificação, paquera e diferenças culturais são assuntos da primeira e mais apaixonante noite dos dois jovens. Porém, como nada na vida de Lucas é fácil, mais um desastre acontece, e logo, o naufrágio de suas novas descobertas acontece na Titanic. Por acaso, essa instabilidade no romance e também nos personagens, faz com que o livro seja um refúgio para o leitor, mostrando que grande parte das </span><a href="https://www.google.com/amp/s/www.maioresemelhores.com/livros-de-romance/amp/"><span style="font-weight: 400;">histórias de amor perfeitas</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem espaço apenas dentro da ficção, a trajetória da obra faz com que o real se torne bonito e apaixonante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história então, passa a retratar os desencontros da vida de Lucas, e o primeiro deles é não saber se ele voltará a encontrar Pierre. As agressões homofóbicas e as expectativas de gênero projetadas nele durante sua infância, uma briga com seu amigo Eric, suas inseguranças e principalmente os momentos de autoconhecimento de Lucas, fazem a história de Pedro Rhuas única em meio a </span><a href="https://plugarideias.com/2020/12/07/13-livros-de-romance-lgbt-que-voce-precisa-conhecer/"><span style="font-weight: 400;">tantos romances LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que acompanhar essa jornada faz com que os leitores se identifiquem com as dificuldades da vida e do amor.</span> <i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Uma das minhas descobertas foi realmente chocante. A razão pela qual não conseguia me apaixonar era delicada: eu não gostava de mim.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escrita do autor faz com que o leitor se apaixone pelo casal desde a primeira troca de olhar deles, e vê-los juntos se conhecendo e se apaixonando é especial. A história se faz necessária, não apenas pelo romance, mas pela importância de relações saudáveis e leves frente à uma </span><a href="https://observatoriog.bol.uol.com.br/destaque/segundo-levantamento-brasil-registra-207-mortes-de-lgbt-entre-janeiro-e-agosto-de-2021"><span style="font-weight: 400;">realidade muitas vezes dolorida</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando que somos dignos de amar e sermos amados. </span></p>
<figure id="attachment_23752" aria-describedby="caption-attachment-23752" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23752" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4.png" alt="Montagem da capa da trilha sonora, com o desenho do casal de braços abertos, nome da editora seguinte e símbolo de fone de ouvido." width="650" height="650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4.png 624w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23752" class="wp-caption-text">Cheio de conteúdos que expandem o universo da história, o livro acompanha uma trilha sonora oficial com músicas autorais de Pedro Rhuas inspiradas no romance (Foto: Editora Seguinte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez essa seja a maior singularidade dessa história de amor, a improbabilidade, já que mesmo tendo a noite mais perfeita da vida, eles se perderam, e ao se acharem mais uma vez, agora estão distantes. O livro termina com gostinho de “quero mais”, e por isso o autor deixa uma cena extra, na qual uma carta pode mostrar mais uma vez que nenhum encontro é por acaso. Além da carta, o livro conta com uma </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/6T98lPl9nmaSN0Ku0suzR6?si=5a79d6e5bd564783"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a> <span style="font-weight: 400;">oficial com músicas autorais do escritor e também cantor Pedro Rhuas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A comédia romântica escrita por Pedro Rhuas é absolutamente mais do que esperamos de um romance, é um espaço de celebração para pessoas nordestinas e LGBTQIA+. A história mostra a importância de incentivar a literatura nacional e a necessidade de </span><a href="https://cultura.cervantes.es/riodejaneiro/pt/La-representatividad-LGBT-en-la-literatura-y-las-artes/121348"><span style="font-weight: 400;">diversidade nesse espaço</span></a><span style="font-weight: 400;">. O livro dá visibilidade e realidade a uma narrativa que é sempre colocada em um lugar de inexistência, e assim como a improbabilidade do amor de Lucas e Pierre, </span><i><span style="font-weight: 400;">Enquanto eu não te encontro</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um encontro à possibilidade de representatividade e espaço para quem nunca o teve. </span></p>
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		<title>Young Royals: o romance queer chega na realeza causando um escândalo</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Aug 2021 15:35:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Thuani Barbosa Escândalos na realeza, desde uso de drogas, romances escondidos, crises financeiras e familiares até preconceito e morte. Todas essas vertentes você vai ver em Young Royals, o novo romance LGBTQIA+ queridinho da Netflix. Seguindo a linha de raciocínio de outros seriados como The Crown, a obra mostra o lado difícil de ser parte &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/young-royals-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Young Royals: o romance queer chega na realeza causando um escândalo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22166" aria-describedby="caption-attachment-22166" style="width: 860px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-1-1.jpg" alt="Cena da série Young Royals, na imagem está o casal de protagonistas, Wilhelm interpretado por Edwin Ryding e Simon, interpretado por Omar Rudberg. Wilhelm tem a pele branca, seus cabelos são curtos e lisos e de tons loiro escuro, veste o uniforme de Hillerska um blazer vinho, camiseta branca e gravata. Simon é negro claro, seus cabelos são curtos e ondulados de tons castanho escuro, também veste o uniforme Hillerska, um veste blazer vinho, camiseta branca e gravata, a imagem não mostra calças. Os dois estão em um quase beijo, com seus lábios próximos e entreabertos. A imagem tem tons roxos azuis cintilantes sobre eles" width="860" height="497" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-1-1.jpg 860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-1-1-800x462.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-1-1-768x444.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22166" class="wp-caption-text">Ao longos dos 6 episódios, a química eletrizante do casal de Young Royals deixa todos de queixos caídos e coração quentinho (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Thuani Barbosa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escândalos na realeza, desde uso de drogas, romances escondidos, crises financeiras e familiares até preconceito e morte. Todas essas vertentes você vai ver em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wZQnE8PfQSc"><i><span style="font-weight: 400;">Young Royals</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o novo romance LGBTQIA+ queridinho da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Seguindo a linha de raciocínio de outros seriados como </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra mostra o lado difícil de ser parte da monarquia e, ainda assim, nos contempla com a aventura da adolescência muito similar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/elite-4a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Elite</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dever, </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;">, lealdade e amor é tudo que esperamos do romance sueco. </span></p>
<p><span id="more-22165"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2021, o seriado acompanha uma onda de crescimento nas produções suecas, ao lado do romance </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=97VS9HaEwY8"><i><span style="font-weight: 400;">Amor &amp; Anarquia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Helena Bergström, e do drama </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IHCR7Nvi6hU"><i><span style="font-weight: 400;">Dancing Queens</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Lisa Langseth. A estreia da primeira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Young Royals</span></i><span style="font-weight: 400;"> não teve a recepção avassaladora que merecia do público, portanto ainda não se sabe sobre a produção de uma segunda parte. Assim, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">vem trazendo a </span><a href="https://www.moneytimes.com.br/netflix-avanca-em-diversidade-embora-brechas-persistam/"><span style="font-weight: 400;">diversidade que frequentemente falta no catálogo</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a exibição da obra </span><i><span style="font-weight: 400;">teen </span></i><span style="font-weight: 400;">ajuda na credibilidade, uma vez que chegou arrasando.</span></p>
<figure id="attachment_22167" aria-describedby="caption-attachment-22167" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22167" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-2-1.jpg" alt="Cena retirada da série Young Royals, com o casal de protagonistas, Wilhelm interpretado por Edwin Ryding e Simon interpretado por Omar Rudberg. Wilhelm tem a pele branca, seus cabelos são curtos e lisos e de tons loiro escuro, veste uma camiseta cinza, por cima uma camisa vinho desabotoada e calça jeans. Simon é negro claro, seus cabelos são curtos e ondulados de tons castanho escuro, ele veste uma camisa lilás e jaqueta verde militar, a imagem não mostra calças. Ao fundo tem-se um castelo moderno, com janelas de vidro e um relógio grande, o céu é violeta com tons de rosa." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-2-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-2-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22167" class="wp-caption-text">Um dos momentos apaixonados em que os olhares de Wilhelm e Simon quase soltam faíscas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama se inicia com um escândalo envolvendo o Príncipe Wilhelm (</span><a href="https://www.instagram.com/edvinrydings/"><span style="font-weight: 400;">Edvin Ryding</span></a><span style="font-weight: 400;">), que é enviado pela família para o famoso colégio interno Hillerska. Lá, ele conhece Simon (</span><a href="https://www.instagram.com/officialomar/"><span style="font-weight: 400;">Omar Rudberg</span></a><span style="font-weight: 400;">), com quem vive um romance ardente e divide suas incertezas em relação à monarquia. Em certos momentos o relacionamento deles se assemelha com o romance</span> <a href="http://personaunesp.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame Pelo Seu Nome</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> dirigido por </span><a href="https://www.goldenglobes.com/person/luca-guadagnino"><span style="font-weight: 400;">Luca Guadagnino</span></a><span style="font-weight: 400;">. No longa-metragem, os jovens Elio (</span><a href="https://lifestylebrazil.com.br/timothee-chalamet-o-astro-de-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">Timothée Chalamet</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Oliver (</span><a href="https://www.midiorama.com/armie-hammer-domina-as-redes-e-as-noticias-nao-sao-boas-ator-e-envolvido-com-canibalismo"><span style="font-weight: 400;">Armie Hammer</span></a><span style="font-weight: 400;">) vivem uma paixão ardente; o filme e a série se assemelham quando você sente que a tensão sexual entre eles está palpável no ar e o casal tenta evitá-la, </span><span style="font-weight: 400;">ambos tratam de temas queer, e o final feliz não chega tão fácil</span><span style="font-weight: 400;">, mas ainda assim, são abordagens extremamente diferentes. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Young Royals</span></i><span style="font-weight: 400;"> se passa “no agora”, tem personagens mais jovens, ainda no colegial e em busca de uma certa aceitação social, já </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame Pelo Seu Nome</span></i><span style="font-weight: 400;"> acontece </span><span style="font-weight: 400;">em 1983 e mostra um estilo de vida, modo de vestir e se comportar oposto ao que vivemos na atualidade. A condução dos dois também é inegavelmente divergente, começando pelo ponto que uma se passa em Estocolmo, Suécia e tem uma paleta de cores mais neutras, optando por tons mais sombreados, mornos, exibindo as florestas e castelos antigos e em alguns casos cintilantes, e a outra em Crema, Itália e possui uma paleta mais vibrante, alegre e de tons fortes, exaltando os raios de sol e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7yCwv8FjidU"><span style="font-weight: 400;">longos momentos a beira rio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Your favorite scenes from Young Royals" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Azi6R-VUur4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Após uma perda na família, Wilhelm se torna o príncipe herdeiro e o primeiro na linhagem de sucessão ao trono sueco, o que deixa sua relação com Simon ainda mais complicada. A morte de um membro da realeza mostra um lado sensível dos pais de Wilhelm, ainda que a Coroa sueca pareça sempre mais importante que qualquer coisa. Além disso, um evento tão marcante como o luto não tem o impacto esperado, até porque é uma morte tão importante, o que deixa o enredo fraco em relação à convivência da </span><a href="https://www.agazeta.com.br/colunas/rafael-braz/young-royals-serie-da-netflix-e-uma-comovente-historia-de-amor-0721"><span style="font-weight: 400;">família real</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para completar a lista de drama parental, a família de outros personagens demonstra certa instabilidade, como os Arnas, que além de lidar com a perda do patriarca enfrentam a falência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os familiares de Simon também tem adversidades mal desbravadas no roteiro, dado que a relação com o pai sempre se mostra problemática devido </span><a href="https://hospitalsantamonica.com.br/impacto-das-drogas-nas-brigas-de-familia-como-manter-a-paz-em-casa/"><span style="font-weight: 400;">ao álcool e uso de drogas</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas o assunto é sempre vago e deixa o espectador com a impressão de não saber exatamente o que se passou para o corte de laços acontecer. E há a os pais de Felice, que tem para a filha expectativas que ela não consegue cumprir, deixando a relação pessoal da família defasada. </span></p>
<figure id="attachment_22168" aria-describedby="caption-attachment-22168" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22168" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-3-1.jpg" alt="Cena da série Young Royals, onde estão os os pais do protagonista, rei e rainha da Suécia, o irmão Erick e o Príncipe Wilhelm. O rei e Wilhelm vestem ternos de tons acinzentados escuros, Erick veste uma farda azul e relógio, a rainha veste um vestido azul real, com um broche dourado, ambos tem cabelos castanhos. estão sentados em um sofá rosa claro com bordas douradas, ao fundo uma parede dourada com estampas de folhas vinho e á um homem em pé ao canto." width="1400" height="823" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-3-1.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-3-1-800x470.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-3-1-1024x602.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-3-1-768x451.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-3-1-1200x705.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22168" class="wp-caption-text">A família real sueca de Young Royals ainda não garantiu a segunda temporada, mas já conquistou seu lugar no coração dos fãs (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os personagens secundários, como August (</span><a href="https://www.instagram.com/malte.gardinger/"><span style="font-weight: 400;">Malte Gardinger</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Sara (</span><a href="https://www.instagram.com/frida.argento/"><span style="font-weight: 400;">Frida Argento</span></a><span style="font-weight: 400;">), vem pra trazer altas emoções, algumas boas, outras terríveis. A beleza e o jeito melindroso de August deixa o quase vilão ainda mais interessante, mas a imaturidade e impulsão fazem com que suas atitudes afetem o casal principal negativamente. Mas, ainda assim, é fácil ver o quão necessários são os conflitos para o desenvolver da história. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente de Sara, que parece sempre confusa mas, quando é conveniente, sabe ser ousada e favorecer a si mesma. Já Felice (</span><a href="https://www.instagram.com/nikitauggla/"><span style="font-weight: 400;">Nikita Uggla</span></a><span style="font-weight: 400;">) traz a dose exata de  simpatia para se tornar a preferida do público, é uma personagem gente como a gente! Para todos, ela parece perfeita e intocável, mas tem problemas com o próprio corpo, conflitos com os pais, e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/"><span style="font-weight: 400;">melodrama adolescente</span></a><span style="font-weight: 400;"> que toda produção </span><i><span style="font-weight: 400;">teen </span></i><span style="font-weight: 400;">pede, mas isso não a impede de sempre empenhar para melhor e ajudar quem precisa dela.</span><i><span style="font-weight: 400;"> Young Royals </span></i><span style="font-weight: 400;">tem o tipo de trama que te deixa com vontade de viver o que se passa na tela, onde você gosta de alguns personagens e odeia outros.</span></p>
<figure id="attachment_22169" aria-describedby="caption-attachment-22169" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22169" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-4-1.jpg" alt="Foto dos atores principais de Young Royals. Malte Gårdinger (August) têm pele branca e cabelos pretos, está vestindo blusa preta, jaqueta de couro preta, calça branca, tênis vermelhos com detalhes laranjas e um gorro laranja, Pernilla August (Kristina) têm pele branca e cabelos pretos, está vestindo calça preta, sobretudo preto e brincos pequenos, Edvin Ryding (Wilhelm) têm pele branca e cabelos loiros escuros, está vestindo moletom azul, sobretudo preto de couro, calças pretas jeans e um colar prata, Frida Argento (Sara) têm pele branca e cabelos castanhos claros está vestindo blusa cinza, moletom preto de zíper aberto, calça jeans clara e tênis brancos, Omar Rudberg (Simon) têm pele negra clara e cabelos ondulados castanhos escuros, está vestindo moletom branco com gorro, calça jeans clara, tênis preto e cachecol xadrez ao redor dos ombros e Nikita Uggla (Felice) têm pele negra clara e tem cabelos longos pretos, está vestindo camisa preta, calça legging preta e tênis preto. Todos estão em pé no gramado à frente de um castelo." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-4-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMAGEM-4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22169" class="wp-caption-text">A realeza de Young Royals esbanjando carisma, talento e beleza (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com cenários de perder o fôlego, a série dirigida por </span><span style="font-weight: 400;">Rojda Sekersöz e Erika Calmeyer </span><span style="font-weight: 400;">exala sofisticação, </span><a href="https://www.istockphoto.com/br/fotos/eker%C3%B6"><span style="font-weight: 400;">diante de rios vastos e castelos antigos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que fazem com que o telespectador seja teletransportado para a Suécia e sinta o frescor do vento e o frenesi de ser um jovem da realeza vivendo um romance proibido. Ambientada com tons neutros e espaços amplos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Young Royals</span></i><span style="font-weight: 400;"> dá a sensação de quietação e liberdade, entretanto a autonomia dos personagens está sempre reduzida ao terreno do colégio e, raramente, à cidade mais próxima. E a quietação comumente é preenchida pelos burburinhos dos estudantes nos corredores e as festas organizadas às escondidas pelos veteranos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O seriado, criado por </span><span style="font-weight: 400;"> </span><a href="https://lisaambjorn.com/"><span style="font-weight: 400;">Lisa Ambjörn</span></a><span style="font-weight: 400;">, Lars Beckung e </span><a href="https://www.linkedin.com/in/camilla-holter-68831460/?originalSubdomain=se"><span style="font-weight: 400;">Camilla Holter</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">mostra de maneira extremamente realista e calma os problemas que muitos adolescentes têm enfrentado na atualidade. Um exemplo é August, que frequentemente usa entorpecentes para manter seu alto desempenho nos esportes, outro é Wilhelm, que se droga após um grande abalo emocional. Felice, que por mais que seja popular e considerada perfeita por todos, ainda tem problemas com sua autoestima, enquanto Sara precisa lidar diariamente com a pressão social e o preconceito acerca do </span><a href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1415-711X2010000100011#1a"><span style="font-weight: 400;">Asperger</span></a><span style="font-weight: 400;"> que convive e não a permite se encaixar perfeitamente entre outros jovens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esbanjando delicadeza e romantismo, o enredo também tem sua pitada de crítica social, já que traz um príncipe, presença que tem forte influência política em vários países até os dias atuais, em um relacionamento homoafetivo. O que é de extrema importância para a visibilidade da comunidade </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/2021/06/28/orgulho-lgbtqia"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> no mundo; por mais que o casal não fique junto “pelo bem da realeza”, ato que demonstra o quão antiquado e preconceituoso tem sido o tratamento de certos governos em relação a relacionamentos gays, o drama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Young Royals</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das formas de fazer a sociedade olhar ao redor é perceber o quão doce e suave é o amor, independente de como é.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Young Royals: Omar Rudberg &amp; Hillerska Choir Sing Live" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/BgJ8KGBmjbM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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